CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 23, 2016 10:11 am

Parando o veículo, saiu às pressas e, perto dela, segurou levemente em seu braço dizendo:
— Espere! Venha comigo!
— Ai! Que susto! -— exclamou, levando a mão ao peito.
Afastando-a da aglomeração que se fazia à porta da condução, ele pediu calmamente:
— Vem comigo, por favor.
Vendo-a paralisada e sem reacção, ele aproveitou e a conduziu até o carro, fazendo-a entrar.
Dando a volta, sentou-se, olhou-a por alguns segundos, ligou o veículo e saiu.
Depois de algum tempo, quebrando o silêncio, ele pegou o celular e entregou a ela, pedindo:
— Ligue para a sua mãe e diga que eu a encontrei no ponto de ônibus.
Ela está preocupada.
Maquinalmente, Lívia atendeu ao pedido.
Desligou o telefone e segurou-o entre as mãos até chegarem ao serviço.
Durante todo o trajecto nada mais foi pronunciado.
No trabalho, Humberto tinha dificuldade para se concentrar, pois se sentia profundamente abalado.
Como proceder naquela situação?
O que dizer à Lívia? Precisava ser racional, mas não conseguia.
Apesar de aparentar-se firme e tranquilo, estava inquieto, com mil pensamentos em sua mente.
Era quase hora do almoço e ele não conseguia acalmar sua ansiedade.
Aliás, não fez nada naquela manhã.
Num impulso, pegou o telefone e ligou:
—- Lívia, daria para vir até minha sala, por favor?
Feito isso, ficou ainda mais tenso enquanto aguardava.
Como agir? Por onde começar?
E se ela não quisesse ouvi-lo?
Poderia até pedir demissão!
Estava nervoso e bastante preocupado, apesar de não demonstrar.
Não demorou e Lívia adentrou a sua sala e não parecia tranquila.
Diferente dele, ela demonstrava-se abalada e até trémula.
Firme, disfarçando o que sentia, Humberto pediu, educadamente, ao indicar com a mão:
—Sente-se. Fique à vontade, por favor.
Sem dizer nada, ela obedeceu e ele perguntou:
-— O Ademir já te passou aquelas despesas extras com serviços de manutenção?
—Sim. E já foram lançadas.
—Óptimo! Eu ia falar com o gerente sobre desenvolvermos um sistema próprio da Contabilidade, de Contas a Pagar, para o registo de informações complementares e outras actividades.
O que acha?
—É para você se manter informado sobre os custos operacionais?
—Também.
—Posso fazer um simulado.
Então poderemos complementar com alguns detalhes como:
tipo de registros e informações que mais deseja.
—Prepare alguma coisa nesse sentido.
Depois vamos analisar.
Ela sentia o coração batendo rápido pelo nervosismo e, pouco à vontade, demonstrava inquietação ao torcer as mãos e procurar conter a respiração alterada.
Sabia que ele a chamou ali por outro motivo.
Aquele tipo de pergunta, sugestão e trabalho não diziam respeito às funções dele.
Normalmente, seriam actividades próprias de seu encarregado.
Humberto estava recostado na cadeira, trazendo o corpo largado para trás.
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 23, 2016 10:11 am

Ajeitou-se, colocou os cotovelos sobre a mesa, uniu as mãos e perguntou ao encará-la firme:
—- Tudo bem, Lívia?
Não havia como disfarçar a tensão.
Num impulso, ela se pôs em pé parecendo amedrontada, e avisou com a voz vacilante enquanto caminhava, lentamente, em direcção à porta:
— Se era só isso o que queria...
Vou providenciar e...
Humberto, no entanto foi mais rápido.
Levantou-se e foi até a porta fechada, que segurou com a mão espalmada, ao perceber que ela iria abri-la.
Lívia, que sempre pareceu controlada, ficou sem iniciativa.
Fugindo-lhe ao olhar, abaixou a cabeça, escondeu o rosto entre os cabelos e perguntou quase sussurrando:
_ O que mais você quer?
Colocando-se frente a ela, Humberto avisou com voz pausada:
_ Precisamos conversar.
_ Não temos nada para conversar.
—Temos sim — ele afirmou em tom grave e baixo.
—O que aconteceu ontem foi um erro.
Foi um engano. É melhor esquecermos tudo e...
- —E sofrermos?! -— perguntou, interrompendo-a.
Não podemos negar o que sentimos, Lívia.
Olhando-o firme, ela o encarou ao dizer:
—- Você está praticamente noivo e vai se casar.
Além disso, a Irene te adora.
E... Você conhece o seu irmão. Ele nos mata!
—- De onde tirou essa ideia?!
—Foi o Rubens quem me disse isso.
Alguns instantes e contou:
— Você não sabe o que está acontecendo, Humberto!
Não faz ideia! -— exclamou, demonstrando-se nervosa, mas sem se exaltar.
O facto de me dar carona todos os dias já deixou o Rubens com ciúme e...
Eu propus vir de ônibus e metrô, mas ele não quer.
Não queria que você soubesse do ciúme doentio dele e...
Não imagina como brigou comigo por isso!
Até já me agrediu! Sabia?!
—O quê?! -— surpreendeu-se.
—Foi isso mesmo o que você ouviu!
Ele quer que eu venha trabalhar junto com você, mas me coage, constrange e até me agride para eu jurar que não me interesso por você e você não se interessa por mim!
Quer saber?! -— perguntou quase em lágrimas.
Ele falou que se desconfiar de alguma coisa, vai nos matar!
Perplexo, Humberto não sabia o que dizer e ela pediu, parecendo implorar: —
Agora, me deixa sair para que a situação não piore, por favor!
—Não! -— reagiu.
Precisamos conversar!
Só que aqui não é o lugar certo!
Essa história não pode terminar assim.
Eu não vou deixar!
Agora preciso saber de tudo! Entendeu?!
Depois vamos tomar uma decisão juntos!
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 23, 2016 10:11 am

—Não temos nada o que decidir!
—Ah! Temos sim!
Agora, mais do que nunca, temos muito a fazer!
—Humberto, por favor...
—Você já fechou as notas na faculdade e pode faltar.
Ao sairmos daqui hoje, nós vamos conversar.
O coração de Lívia estava apertado e ela não sabia como reagir.
Achou-se dividida entre a vontade e o medo.
Abaixando a cabeça, constrangida, ela pediu:
—- Preciso de um tempo. Vou pensar.
Agora, por favor, eu tenho que ir.
Humberto abriu-lhe a porta permitindo sua saída, mas não disse nada.
Estava incrédulo, inconformado.
Não imaginava que seu irmão seria capaz de tamanha covardia: agredir Lívia.
Um suor frio gotejou-lhe o rosto e ele se sentiu tonto, precisando apoiar-se na parede para se equilibrar.
Aquilo tudo era um pesadelo.
Não poderia ser verdade.
Angustiado, esperou aflito o dia passar.
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 23, 2016 10:11 am

7 - REVELANDO SENTIMENTOS

O horário do expediente não havia se encerrado, mas o nervosismo e a inquietude de Humberto o fizeram decidir ir embora.
Após arrumar suas coisas, pegou o telefone e chamou:
—- Lívia, vamos?
—- Mas...
Não a deixando terminar, interrompeu-a de imediato:
— Por favor, Lívia! Vamos agora!
— Está bem -— murmurou.
Deixe-me só arrumar algumas coisas aqui, certo?
— Eu te espero no carro.
Por favor, não demore.
Ao desligar, foi para o estacionamento aguardá-la.
Não demorou e Lívia chegou.
Durante o trajecto, nenhuma palavra foi dita e, sem perguntar, ele decidiu ir a um pub, que é um barzinho, um lugar elegante e tranquilo.
Acomodando-a em uma mesa, cuja poltrona a rodeava, tirou o paletó, sentou-se a seu lado, afrouxou a gravata e dobrou os punhos da camisa.
Com a chegada do garçom, pediram dois sucos e, logo que pôde, comentou:
—Lívia, eu estou muito confuso com o que está acontecendo.
Nunca senti isso antes.
Depois que me disse que o meu irmão te agrediu por minha causa, eu...
Preciso saber exactamente o que está acontecendo.
Estou aflito, desesperado!...
—Eu não queria te contar -— falou timidamente, abaixando o olhar.
Mesmo assim, criou forças e prosseguiu:
— Eu e o Rubens estávamos bem até você retornar da viagem e ar rumar um emprego para mim.
Assim que me ofereceu carona, conversei com ele que achou óptimo e disse que seria melhor pois eu não teria de enfrentar dificuldades com atrasos e condução lotada.
Mas... com o passar dos dias ele começou a m fazer perguntas estranhas.
Diante da pausa, Humberto quis saber:
—Que perguntas estranhas?
—Se você era mais agradável, mais educado do que ele.
Se eu gostava da sua companhia e...
Perguntava coisa demonstrando-se cada vez mais inseguro e ciumento.
A princípio, levei na brincadeira.
Achei que fosse passar, mas depois o assunto foi ficando mais sério.
Então, quando eu estava determinada a não ir para o serviço junto com você, falei com ele e... -— Lívia deteve as palavras e abaixou o olhar.
— Ele o quê? -— perguntou com voz grave e baixa.
Tentando não se emocionar, ela contou quase gaguejando:
— Eu nunca o vi daquele jeito.
O Rubens havia bebido e...
Ele me segurou pelos braços, me chacoalhou e me deu um tapa...
Me bateu pela primeira vez!
Nesse momento, sua voz embargou e lágrimas correram em sua face.
Ela secou o rosto com as mãos e quase não conseguia continuar.
Humberto afagou-lhe o rosto e os cabelos, mas Lívia, delicadamente, afastou-se do carinho.
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 23, 2016 10:12 am

Depois de se recompor, falou:
- Fiquei assustada, com muito medo.
No dia seguinte, ele me pediu desculpas, me presenteou, disse que era apaixonado por mim e estava com muito ciúme de você, pois ganha bem, sempre teve êxito em tudo o que fazia...
Disse ainda que a culpa de ter agido daquela forma foi a bebida e...
O Rubens falou tanta coisa... demonstrava-se tão abalado e arrependido que decidi não terminar com ele naquele dia.
Eu estava indignada com o acontecido.
Aquilo era imperdoável!
Prometi a mim mesma dar um tempo, talvez, uma ou duas semanas e depois sim, terminaria tudo.
—Por que não me contou?!
—Eu me preocupava até com você, pelo facto de ter me arrumado um emprego e me dar carona todos os dias.
Afinal, fez isso por eu ser namorada do seu irmão, não foi?
—Que absurdo! -— falou inconformado.
Por que não terminou com ele?!
Encarando-o com olhos tristes, Lívia contou-lhe com imensa dor em seus sentimentos:
—- Passado o tempo que te falei, tentei.
Naquele dia, ele estava todo amoroso, mas eu decidi que seria o fim.
Então falei em dar um tempo.
O Rubens ficou transtornado, irreconhecível.
Começou a dizer que você era a razão de tudo e passamos a discutir.
Ele me bateu novamente e fez ameaças de todos os tipos.
Disse que te mataria se desconfiasse de você por qualquer motivo.
E que nos mataria se nos pegasse juntos.
Fiquei desesperada e sem saber o que fazer.
Tentei ser firme, dizendo que ia terminar tudo entre nós e iria contar pra todo mundo o que ele fez.
Mas o Rubens estava completamente fora de si.
Disse que me mataria se eu terminasse com ele.
Um choro a dominou.
Humberto estava incrédulo, confuso.
Não conseguia organizar os pensamentos.
Perplexo e sem saber direito o que fazer, sentou-se mais perto e a envolveu em um abraço.
Lívia escondeu o rosto em seu peito e chorou um pouco mais.
Após se refazer da forte emoção, ela sentou-se direito, mas não o encarava.
E ele não sabia como se comportar.
Não demorou muito e, tomando coragem, o rapaz perguntou subitamente:
—- Quando foi que percebeu que gostava de mim?
Breve pausa e a moça ergueu o olhar entristecido, admitindo com voz fraca:
—- Quando o seu irmão começou a fazer as primeiras perguntas sobre o que eu achava de você.
Percebi que eu não conseguia tirá-lo dos meus pensamentos e tive medo de dizer ao Rubens o que realmente achava de você.
—Essa situação não pode continuar assim!
Ele não pode te agredir!!!
—E o que eu posso fazer?!
—Tome uma atitude, Lívia!
Ou, então, eu tomo!
—Não! Por favor, não faça nada!
Eu te imploro! -— pediu, voltando a chorar.
Você não sabe como ele reage a isso.
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 23, 2016 10:12 am

Estou desesperada e tentando me afastar um pouco a cada dia!
—Eu vou falar com ele sim! -— afirmou convicto.
—Pelo amor de Deus, Humberto!
Não faça isso! Veja... —
Mostrando-lhe uma parte do pescoço, que sua blusa escondia, e braço ela falou:
— Ontem ele quase me estrangulou.
Senti que desmaiar e só então o Rubens parou de apertar minha garganta.
Depois me segurou pelo braço e...
Isso foi porque nós dois dançamos.
E ele não me viu te abraçar daquele jeito... ou então...
Humberto ficou nervoso e enfurecido diante de tudo, imaginando o que havia acontecido.
Após esfregar o rosto num gesto aflitivo, passou as mãos pelos cabelos e suspirou fundo.
Vendo uma lágrima rolar no rosto angelical de Lívia, ele não resistiu e a envolveu num abraço, beijando-lhe a cabeça vez e outra enquanto afagava-lhe as costas com carinho.
Ela estava confusa e com medo, por isso se deixou ficar em seus braços, abraçando-o forte.
Algum tempo depois, procurou forças para se afastar do abraço, e ele, olhando-a firme, declarou-se, sussurrando com voz grave:
—- Eu te amo, Lívia!
Você não pode imaginar como me sinto. Eu adoro você!
—Não, Humberto! Não diga isso! -— pediu com voz rouca e baixa.
—É verdade! Não posso negar! -— afirmou com expressão carinhosa.
Estou inconformado com tudo isso.
Parece que... nossas vidas estão trocadas e não sei o que fazer.
Agora, minha vontade é pegar o Rubens e quebrá-lo ao meio!
—Não! A situação ficará pior!
Segurando delicadamente em seu queixo e a olhando firme nos olhos, pediu:
— Você precisa terminar com ele, Lívia!
Isso tem que acabar!
Não vou suportar te ver maltratada!
Não estou aguentando te ver ao lado dele!
Com lágrimas brotando em seus olhos, confessou:
—Estou com muito medo dele!
Você não imagina co é!
Nunca me senti assim e não sei o que fazer.
Tenho medo que ele tome alguma atitude passional!
—Você contou isso para alguém?
Alguém sabe que ele te agride?
Não. Só você.
—Precisa ir a uma delegacia dar queixa, pois...
—Não!!! Não vou de jeito nenhum!!!
—Somente isso vai detê-lo!
—Não, Humberto! Ele acaba comigo!
O Rubens sempre diz que não tem nada a perder e se eu não ficar com ele, não ficarei com mais ninguém!
—Olha, aconteça o que acontecer, isso não pode continuar.
Você precisa terminar com ele, assim como eu vou terminar tudo com a Irene.
Estou decidido, Lívia.
Delicada, ela o encaro tristonha e sem nada comentar.
Enternecido, Humberto se sentou mais perto, colocou o braço em seus ombros, puxando-a carinhosamente para si e disse:
-— Daremos um jeito nessa situação.
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 23, 2016 10:12 am

A moça estava profundamente triste e, sem reacção, deixando-se envolver.
Recostando o rosto em seu peito, ela permaneceu em silêncio como se procurasse, no abraço reconfortante, um momento de paz.
Humberto, com todo o carinho, tocou-lhe o rosto, fazendo-a olhar para ele e admirando-a por alguns segundos.
Não resistindo, ele aproximou-se com ternura para beijá-la nos lábios, momento em que Lívia colocou a ponta dos dedos em sua boca.
Esquivando-se do beijo, sussurrou:
— Não, por favor.
É o que desejo!
É o que mais quero, porém não posso!
Isso não é certo.
Afastando-se do abraço, sentou-se direito, suspirou fundo e silenciou sentindo seu coração batendo descompassado.
Ele estava envergonhado e mencionou:
— Desculpe-me, por favor.
Séria, ela o encarou e disse:
—Humberto, não seja impulsivo.
Não tome decisão precipitada.
De repente esse sentimento entre nós pode acabar e...
—O que precisa acabar é o seu namoro com o Rubens!
Isso não pode continuar!
—Porei um fim nisso.
Não sei como, mas darei um jeito. Quero que espere.
Não termine com a Irene.
Espere um pouco. Me dê um tempo.
—Eu me resolvo com a Irene.
Estou decidido. Quanto a te dar um tempo...
Não sei como vou aguentar...
Mas se precisa disso, tudo bem.
Em seguida, passou-lhe a mão, carinhosamente, pelo rosto enquanto a olhava enternecido.
Paralisada, a jovem tentava resistir ao toque e, oferecendo meio sorriso, pediu:
—Podemos ir?
—Sim, claro! -— aceitou com voz branda, mas sentindo-se contrariado, com o coração oprimido.
A caminho de casa, Humberto, gentil e afectuoso, solicitou com brandura:
~ Por favor, eu gostaria que me contasse tudo que ocorresse.
Preciso saber, Lívia. Não estou em paz.
Ela nada disse, e o rapaz perguntou:
— Sua mãe ou alguém da sua família desconfia que o Rubens a trata assim?
— Se alguém souber, vai contar para o meu pai e...
Se ele souber, vai me matar.
—Seu pai é agressivo também?
—Muito -— murmurou constrangida.
Humberto não se sentia bem.
Experimentava uma dor
no peito e os olhos ardendo pelos sentimentos reprimidos.
Não podia acreditar no que acontecia.
Estava aborrecido.
Ao parar o carro frente à casa da moça, eles se entreolharam com carinho, até ela dizer:
— Obrigada. Amanhã estarei te esperando no horário de sempre.
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 23, 2016 10:12 am

— Estarei aqui -— confirmou angustiado.
Ela ia descendo do carro, quando se virou, novamente para o rapaz e contou:
— Eu pensei em pedir demissão, mas preciso do emprego e...
— Não faça isso!
Eu não vou suportar!
Extremamente triste, ela nada argumentou, somente se despediu:
— Tchau. Até amanhã.
— Até...
Ao vê-la entrar em casa, amargurado, Humberto se foi.
***
Os primeiros dias, após a conversa que tiveram, estavam sendo bem difíceis.
Apesar de estarem sempre juntos, Humberto e Lívia não tocaram mais no assunto, a pedido dela.
Eles mal conseguiam se encarar.
A quinta-feira chegou e, conforme o convite de Sérgio, Humberto estava pronto para ir ao centro espírita.
Na verdade ele desejava conversar a respeito das últimas novidades com o amigo.
Ignorava que esse desejo vinha da influência de amigos espirituais os quais insistiam para que tivesse orientação de uma pessoa equilibrada.
Chegando à casa espírita, Humberto conheceu os trabalhos lá existentes, recebeu passes e se pôs a assistir à palestra.
Enquanto isso, no plano espiritual, nobre entidade zelava por seu protegido.
Era o espírito Nelson, mentor de Humberto que, satisfeito, agradecia a Deus e a outros amigos espirituais a oportunidade de estar ali com seu protegido.
—Nelson, agora será mais fácil dispensarmos os devidos cuidados a Humberto através dos passes que ele se dispõe a receber.
Energias propícias às suas necessidades físicas e ao seu estado psíquico serão ministradas através do médium passista para que se mantenha equilibrado -— comentou a nobre entidade Laryel, espírito amigo que assessorava os demais.
—Obrigado -— agradeceu o espírito Nelson.
Há muito venho tentando influenciar meu querido Humberto a voltar a frequentar, assiduamente, uma casa de oração.
Principalmente agora que sei o quanto precisa de reposição fluídica compatível.
Meus esforços não foram suficientes e precisei da ajuda de companheiros que, por meio do querido Sérgio, conseguiram trazer meu protegido até aqui.
—- Sérgio nos ouve por estar em sintonia através da prece e em equilíbrio.
Além disso, prometeu ajudar Humberto quando o amigo precisasse, na presente encarnação, e o fará -— comentou o espírito Wilson, mentor de Sérgio.
—Humberto precisará de forças.
Somente assim poderá oferecer sustentação a Lívia e se equilibrar.
Meu principal trabalho para com o meu pupilo começa agora e esta casa de oração servirá de abrigo e local de refazimento para nós —- tornou o espírito Nelson.
—Seria importante trazermos Lívia até aqui -— considerou Wilson.
—Sua mentora, a nobre Alda, acompanha-a, hoje, bem de perto e providencia isso -— comentou novamente Nelson.
—Lívia começa a experimentar situações turbulentas —comentou a nobre Laryel.
O digno companheiro Arlindo, mentor de Rubens, contou-nos a respeito.
Existem irmãos espirituais sofredores que desejam, intensamente, prejudicar o progresso de Rubens.
Consequentemente, atacam assiduamente Humberto e Lívia para que prejudiquem Rubens.
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 23, 2016 10:13 am

Esses sofredores interferem nos pensamentos desses encarnados mais próximos para que se convençam de que eliminar Rubens é a forma de terem paz e ficarem juntos.
Querem que Humberto e Lívia, inconscientemente, vinguem-se de Rubens usando seus sentimentos adormecidos do passado.
— Tenho muita fé e haveremos de auxiliar esses nossos protegidos, filhos queridos, com força, esperança e paz para que evoluam e continuem seguindo o caminho de Deus.
Bondosa, com feição angelical e generosidade nas expressões, a benfeitora Laryel propôs:
—- Então vamos, Nelson.
Precisamos prestar energias fluídicas aos demais tarefeiros espirituais que se propõem a ajudar cada um de nossos protegidos durante a palestra.
Roguemos a Deus que, hoje, nenhum encarnado quebre os laços de energias benéficas se retirando do salão de palestra antes que ela termine, pois é nesse período que verdadeiras cirurgias espirituais acontecem.
É quando se desligam os laços fluídicos com os espíritos enfermos ou inferiores, retiram-se miasmas e se recompõe o corpo espiritual.
O salão de palestra da casa espírita, bem como o de toda casa de oração, é especialmente preparado, na espiritualidade, nos dias de palestras, por especialistas que se empenham em atender os ali presentes.
Quando o assistido se retira antecipadamente da palestra, não esperando pelo final, ele se prejudica.
—Alguns pensam que basta somente receber o passe e ir embora.
Não sabem que o principal tratamento espiritual ocorre durante a palestra.
É como ouvi de um companheiro: o passe é só o curativo para o machucado, mas é durante a palestra que a cirurgia é feita para retirar a moléstia.
Um outro companheiro espiritual, que estava próximo, sorriu ao dizer:
-— Então, receber o passe e assistir à palestra, mas sair sem esperar o encerramento, é o mesmo que se retirar da sala de operação com a cirurgia aberta.
A nobre entidade Laryel olhou-o, sorriu e convidou:
—- Vamos todos. Temos muito a fazer.
Ao saírem do centro espírita, Sérgio explicava a Humberto sobre alguns trabalhos da casa.
Humberto se sentia mais leve, mais tranquilo e parecia ter se esquecido de seus problemas e dificuldades.
Aquele período que passou na casa espírita reavivou si fé, transformando-o em alguém mais confiante e dono de si.
Admirado, iluminou-se ao dizer:
—Gostei muito daqui.
Acho que me encontrei.
Vou passar a frequentar essa casa e, com o tempo, voltar aos trabalhos que realizava antes.
—Que bom! Fico feliz em saber disso! -— considerou Sérgio.
—Engraçado... eu conheci você quando se mudou, conversamos algumas vezes, mas nunca nos aproximamos muito.
Sabe, a primeira vez que eu fui a sua casa senti uma coisa estranha, foi como se o conhecesse de longa data.
Tanto que, quando pediu minha ajuda com aquele pneu, me senti tão satisfeito em poder ajudar que você nem imagina! -— riu.
Ao retornarmos, acabei ficando tão à vontade conversando lá...
Sinto uma afinidade muito grande com vocês.
—Com certeza, somos amigos de longa data, pois eu e a Débora sentimos o mesmo.
Você viu?! Até o Tiago disse que te conhece de algum lugar! -— lembrou Sérgio.
—Sinto a mesma coisa em relação a ele.
E a propósito, ele e a Rita não vieram hoje?
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 23, 2016 10:13 am

—Os gémeos contraíram uma virose e realmente ficou impossível virem hoje.
De certo estarão, aqui, na palestra de sábado.
O meu irmão e a Rita não ficam ausentes do centro de jeito nenhum. —
Débora havia parado para conversar com algumas amigas e se demorava.
O marido não queria apressá-la e perguntou:
-— Você está com pressa, Humberto?
A Débora está demorando.
Não! Deixe-a à vontade!
— Não tão à vontade! -— riu.
Amanhã precisarei levantar bem cedo e você também.
_ Você não tem aula hoje?
— Não. As terças e quintas-feiras, à noite, estou livre.
Ao vê-lo distraído, olhando ao redor, Sérgio não resistiu e perguntou:
— E você? Como está em relação à Lívia?
O amigo ofereceu meio sorriso.
Gostou de ser questionado a respeito.
Queria falar sobre o assunto, mas temia parecer inconveniente.
Respirou e contou:
—Nós conversamos e...
Humberto relatou a Sérgio exactamente tudo que havia acontecido.
Por fim, concluiu:
-— Na terça, quando íamos para o serviço, ela me pediu para não falarmos mais no assunto até ela resolver o que precisa.
Sérgio, eu não sei como agir nem o que fazer.
Ao mesmo tempo, estou desesperado.
Os únicos momentos de paz que encontrei desde que conversamos, foi aqui, hoje.
Você não imagina como me dói saber o que ela experimenta ao lado do meu irmão!
Como poderia ter ideia de que ele a agride?!
Fico aflito em pensar que estou amarrado!
Não posso fazer nada!
Todas as alternativas em que penso poderão e trarão represálias.
Tenho medo de tomar alguma atitude da qual venha a me arrepender depois. Nunca se sabe.
—E uma situação bem delicada.
A meu ver, quem precisa tomar uma atitude em relação ao Rubens é ela.
Você só deverá apoiá-la.
—A Lívia está com muito medo dele, por isso creio que não vai fazer nada.
Eu notei que, nas últimas semanas, ela estava diferente, não telefonava mais lá para casa procurando por ele, não fazia comentários...
Estava se distanciando, tentando se afastar dele, querendo terminar.
— E a família dela?
Os pais não a ajudariam?
—Jamais dariam qualquer apoio.
O pai é um homem muito ignorante, rígido em suas opiniões.
Descobri que ele a agride também.
A mãe é uma mulher submissa e o irmão.
Bem, esse se parece com o pai.
Ela não tem o amparo da família e é por essa razão que não fará nada.
—Mas precisará reagir.
Se não puser um basta nessa situação, o quanto antes, tudo tenderá a piorar ainda mais.
Você sabe. Eu, por experiência, penso assim:
se a pessoa não tomar determinada atitude no momento certo, a vida indicará, obrigatoriamente, um rumo para ela seguir e nem sempre o que for estabelecido será do seu agrado.
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 23, 2016 10:13 am

— Em outras palavras, você quer dizer que...
— Se a Lívia continua se submetendo às exigências e aos maus tratos do Rubens, certamente, a vida vai lhe impor situações piores até ela arrumar uma maneira de se libertar de tudo.
Analisando sob a visão espiritual, eu arriscaria dizer que a Lívia, de alguma forma e por algum motivo, se sente quase que na obrigação de permanecer ao lado do seu irmão e se subjugar, se deixar dominar por ele.
É possível que, por razões desconhecidas, hoje, ela se sinta culpada pelo Rubens ser como é, por agir como age e acredita que fará algo terrível, como matar um de vocês dois ou os dois, caso ela se afaste dele. Parece que ela precisa reparar ou acertar débitos do passado.
Mas não é assim que as coisas funcionam.
Você deve ajudar e amparar alguém ficando ao lado só até onde dá, no limite de seu bem-estar, de sua harmonia.
Quando a felicidade, a sua paz estão comprometidas, tem que se pensar muito, principalmente, se o envolvimento, as ligações afectivas e materiais não estão firmes.
Eles não estão casados, não têm filhos...
Ela está vendo, com clareza, que ele se mostra cada vez menos respeitoso e isso vai piorar com o passar do tempo.
—Quando o Rubens está em casa, principalmente junto com ela, vem se exibindo mudado, afectuoso, parece até mais responsável.
Veio falando em noivado e... Por quê?
—Para que, caso ela resolva contar sobre as agressões, ninguém acredite.
Isso ele faz de forma inconsciente.
É autoprotecção.
—O que eu posso fazer, Sérgio? -— pediu, parecendo suplicar.
—Orientá-la. Se ela não se sente segura com a família, se não encontra apoio com os familiares, precisará encontrar aprovação no que vai fazer.
Essa aprovação é você quem vai dar, ficando ao lado dela.
A Lívia precisa se sentir amparada e forte para ganhar liberdade.
Breve pausa e, após reflectir um pouco, Humberto indagou:
—Será que devo terminar com a Irene ou esperar um pouco?
—Você deve se perguntar o seguinte:
independente de ter ou não a Lívia ao seu lado, eu quero continuar com esse compromisso com a Irene ou não?
O outro o olhou surpreso, mesmo assim respondeu:
Gosto da Irene, mas... na verdade, preferiria estar livre de qualquer compromisso com ela.
Sinto certo medo e envergonhado de terminar tudo.
São mais de três anos juntos com planos de casamento e muitos sonhos...
— E vai deixar esses sonhos se transformarem em pesadelos?!
O que será melhor para vocês dois?
Não precisa me responder nada agora, Humberto.
Seria bom reflectir bem sobre isso e se decidir.
Veja, você precisa separar as coisas.
O seu compromisso e os seus sentimentos com a Irene são uma coisa.
A situação referente ao problema da Lívia é outra coisa.
Humberto deu meio sorriso e respondeu:
— Entendi.
A aproximação de Débora interrompeu o assunto e eles mudaram o rumo da conversa.
Apesar de não ter resolvido os seus problemas, Humberto se sentia bem melhor do que antes.
A assistência espiritual recebida revigorou-lhe o ânimo e a fé lhe trouxe um pouco de paz.
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 23, 2016 10:13 am

8 - GRAVIDEZ DE IRENE

Os dias corriam rapidamente.
Humberto procurava uma maneira de romper o namoro com Irene.
Afinal, faltava pouco para a data do noivado.
O rapaz sabia o que queria, mas faltava-lhe coragem, pois Irene sempre estava animada e às voltas com os preparativos para a festa, mal lhe dava atenção.
Havia dias em que ele não dormia direito e se alimentava mal.
No serviço, não mantinha atenção necessária e precisava se esforçar muito para não cometer erros por conta de preocupações particulares.
Quando se achava com Lívia, limitava-se a perguntar se ela se encontrava bem.
Respeitando sua vontade, não questionava sobre sua decisão a respeito de seu namoro com Rubens.
Não queria pressioná-la.
Decidiu, primeiro, resolver sua situação com Irene e só depois se empenhar em apoiar Lívia.
Naquela manhã chuvosa de domingo, Humberto passou as primeiras horas sentado na mureta da área de sua casa.
Pensando sobre ele e Irene.
Daquele dia não poderia passar.
Terminaria tudo com ela.
O som do telefone tirou-o das reflexões.
Mesmo assim não deu importância, pois percebeu que Neide foi atendê-lo.
Não demorou muito e a irmã foi chamá-lo:
—-- Humberto?! É pra você!
—Quem é?! -— indagou, indo atender.
—- É o Sérgio —- tornou a irmã.
—- Pronto! Sérgio?
- —Oi, Humberto! Tudo bem?
—- Tudo! E vocês?
—- Estamos bem.
Sabe, hoje é o aniversário da Débora e eu gostaria de fazer uma surpresa.
Então estou te convidando, e a quem mais quiser trazer, para vir aqui em casa à tardinha.
Não é nada especial.
Só meu irmão e um grupo de amigos como o João e a esposa, o Nivaldo, o doutor Edison, dona Antónia...
A Rita vai ligar para a Lívia, mas não sei se ela vem.
—- Puxa! Hoje?! -— ficou pensativo.
—- Se tiver outros planos, tudo bem! Não se preocupe.
—Eu não sabia que era aniversário dela...
Não comprei nada. Ficarei sem graça e...
—- Ora! Não se preocupe com isso!
Sua presença é mais importante!
— Obrigado! -— riu.
-— Se é assim, eu irei. É à tardinha?
—- É sim. Lá pelas cinco!
Por ser domingo, não seria bom deixar para muito tarde.
—Estarei aí!
—Estou te aguardando!
—Até mais!
Humberto viu seus planos abalados, porém não poderia fazer uma desfeita aos amigos.
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 23, 2016 10:13 am

Decidiu que iria à casa de Sérgio e depois nada o impediria de, ao retornar, falar com a Irene.
No decorrer do dia, Irene telefonou dizendo que, devido ao movimento inesperado de clientes nas lojas, iria para a casa dele bem mais tarde.
De certa forma, Humberto ficou aliviado.
Não queria levá-la à casa de Sérgio.
Mais tarde, recebido com nítida alegria pelo amigo, sentiu-se satisfeito.
Após cumprimentar Débora, beijando-a e abraçando-a com carinho, avisou:
—- Fico devendo o seu presente.
—- Não se importe com isso.
Venha! Fique à vontade!
Depois que cumprimentou os presentes, ele se surpreendeu quando viu Lívia sentada ao lado de Tiago.
Humberto se aproximou deles, cumprimentou-os e Tiago pediu em seguida:
—- Sente-se aqui!
Eu preciso socorrer a Rita com as crianças!
Com licença! -— disse, saindo às pressas.
Acomodando-se ao lado da moça, ele sorriu e perguntou:
—- E aí? Tudo bem?
O rosto de Lívia iluminou-se com um sorriso doce e ela respondeu:
- —Tudo bem! E você?
- —Levando a vida.
Alguns segundos e indagou:
-— E Rubens?
Não veio?
—- Não. Ele foi chamado para atender uma emergência lá na empresa.
—- Sei...
- —E a Irene? -— tornou ela.
—- As lojas abrem aos domingos e ela ligou dizendo que está com muito movimento.
Breve pausa e comentou:
-— De certa forma, isso foi bom.
Primeiro porque eu não queria trazê-la aqui e segundo, porque eu preciso esfriar minha cabeça um pouco.
Vou tomar uma decisão bem importante hoje.
—Qual? -— perguntou curiosa, mas de modo simples.
- —Vou terminar tudo com a Irene.
— Terminar?! -— surpreendeu-se. Humberto a olhou nos olhos de um modo diferente, sério e decidido.
— Sim, Lívia. Vou terminar tudo.
Não posso continuar comprometido com ela se desejo estar com outra pessoa.
Isso não é certo.
Há um momento na vida em que é preciso ter coragem para procurar a felicidade e é isso o que estou fazendo.
Abaixando a cabeça, entristecida, murmurou:
—Gostaria de poder fazer o mesmo.
—Por que não faz? — perguntou com entonação piedosa na voz.
—A situação é bem diferente.
—Você precisa reagir e deixar de ser submissa.
—E correr o risco de vê-lo cometer um crime passional?!
Hoje em dia, é comum abrirmos os jornais e lermos sobre crimes motivados pela paixão.
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 23, 2016 10:14 am

Tenho medo de ser mais um caso.
Tenho motivos suficientes para não me arriscar.
—E continuará sofrendo?! Até quando?!
—Qual alternativa eu tenho, Humberto?! -— sussurrou, encarando-o.
— Diga ao Rubens que me contou tudo.
Eu estarei perto e aí você diz que está tudo acabado.
Ela abaixou os belos olhos castanhos e não respondeu.
Diante de seu silêncio, ele propôs:
-— Iremos à delegacia prestar queixa.
Serei testemunha de ver as lesões no seu pescoço e no braço.
Ao olhar as mãos de Lívia, percebeu-as trémulas segurando um copo de refrigerante.
A moça engoliu seco, suspirou fundo e murmurou, tentando esconder o nervosismo:
Humberto, eu estou apavorada e você não entende!
O Rubens não pode sonhar com o que estamos falando!
Às vezes, tenho vontade de sumir para fugir dessa situação.
Tudo isso está me deixando desesperada.
Você não percebeu que não consigo mais me concentrar direito nem no serviço e cometi erros infantis?
Não estou dormindo direito!
Não paro de pensar em tudo isso!
Não tenho paz!
Alguns segundos e prosseguiu:
-— Não sei o que fazer e você, quando me pressiona, faz com que me sinta pior.
—Não estou te pressionando.
Estou procurando orientá-la.
Veja, se não tomar uma atitude as coisas vão piorar.
Ela não o encarava, escondendo o rosto entre os cabelos longos.
Após breve pausa, tomou fôlego e ameaçou:
— Vamos parar com esse assunto ou eu vou embora!
Humberto se deu por vencido e não disse mais nada a respeito.
A aproximação de Sérgio, que lhes servia salgadinhos, interrompeu o momento tenso e começaram a falar de coisas mais agradáveis e corriqueiras.
***
Mais tarde, ao sair da casa de Sérgio, Humberto e Lívia caminharam, lado a lado, em total silêncio até chegarem onde o rapaz morava.
Após entrarem, Neide chamou a moça para ir até o seu quarto a fim de conversarem, pois Rubens ainda não havia chegado.
Não demorou, Humberto pegou as chaves de seu carro e saiu.
Havia decidido não esperar por Irene em sua casa, pois o que tinha para conversar deveria ser em outro lugar.
Chegando ao shopping, em uma das lojas onde a namorada deveria ficar, ele não a encontrou.
Cleide, amiga e sócia de Irene, recebeu-o sem jeito.
Tentando disfarçar o nervosismo, não sabia o que falar.
Devido ao comportamento estranho da moça, Humberto ficou desconfiado.
Cleide parecia inquieta demais, principalmente quando ele pediu para ligar para as outras lojas a fim de saber se Irene estava lá.
—Ela não está nas outras lojas e o celular cai na caixa postal.
Talvez esteja vindo para cá. Quem sabe?! -— argumentou Cleide, preocupada.
—É estranho. Estou tentando falar com ela desde quando saí de casa -— reclamou Humberto insatisfeito.
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Out 23, 2016 10:14 am

Sério, quase sisudo, ainda falou:
-— Nos últimos tempos a Irene vem agindo bem diferente.
Alguma coisa está acontecendo!
Hoje ela me disse que havia uma movimentação nas lojas e não estou vendo nada!
Cleide o fitava com olhos arregalados, aparentando muita apreensão.
Não sabia o que falar.
Em seu íntimo, ela acreditava que Humberto não merecia ser enganado daquele jeito por Rubens e Irene.
Desejava que ele descobrisse a traição de alguma forma.
Pensou até em lhe contar tudo, mas não podia.
Nada satisfeito, o rapaz decidiu esperar e permaneceu ali, em silêncio, andando de um lado para outro, vagarosamente.
Algum tempo depois e Irene chegou de braços dados com Rubens.
Caminhavam pelo corredor rente à vitrine por onde, de dentro da loja, podiam ser vistos.
Chamavam a atenção por rirem alto.
Pareciam bem alegres quando ela, segurando firme em seu braço, acariciou-lhe o rosto por algo que foi dito, afagou-lhe o braço ao mesmo tempo em que se reclinava em seu ombro de um jeito carinhoso, continuando encostada nele.
Humberto parou e ficou aguardando que entrassem, mas Cleide, apreensiva e nervosa, esfregando as mãos de um modo aflitivo, dirigiu-se até a porta para recebê-los e anunciar o quanto antes:
-— Nossa! Como você demorou!
O Humberto está aqui, te esperando já faz tempo!
Irene e Rubens sentiram-se gelar.
Não demorou e ela foi à direcção do namorado, estampando largo sorriso no rosto.
Bem perto, segurou-lhe a face com um jeito carinhoso e o beijou dizendo:
— Que bom vê-lo aqui!
Estou morrendo de saudades!
Humberto ficou parado, concatenando as ideias e não correspondeu ao beijo rápido.
Aproximando-se, tentando agir naturalmente, Rubens sorriu e perguntou:
-— E aí? Tudo bem?
Humberto percebeu que havia algo errado naquela situação.
O que Irene e Rubens faziam juntos?
Por que estavam de braços dados daquela forma?
Por qual razão ela o acariciou daquele jeito?
Imediatamente sentiu-se esquentar.
Franzindo o semblante, com voz grave e moderada, demonstrando-se insatisfeito, questionou de imediato:
—- O que está acontecendo aqui?!
—- Como assim?! -— perguntou Irene, desfazendo o sorriso e controlando seu nervosismo.
—O que o Rubens está fazendo aqui?!
O que significa essa cena de estarem de braços dados e com você recostada no ombro dele?!
—Ei, Humberto! O que você quer dizer com isso?! -— indagou o irmão com sorriso cínico para disfarçar.
—Nós nos encontramos no estacionamento e eu estava contando ao seu irmão o que me aconteceu hoje -— Irene explicou, tentando pensar rapidamente em algo que justificasse o seu comportamento.
Observando que as vendedoras, bem como Cleide, olhavam atentas para eles, Humberto, bastante nervoso, propôs firme, quase exigindo:
—- Vamos sair daqui! Precisamos conversar!
Saindo logo atrás dele, Irene acelerou os passos e Rubens os seguiu.
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Out 24, 2016 10:03 am

Haviam chegado ao estacionamento quando ela pediu aflita:
—- Humberto, espere!
Ele se virou e, irritado, perguntou de imediato:
—- O que significou aquilo que eu acabei de ver?!!
—- Nada!!! Não estava acontecendo nada!!! -— desesperou-se ela para se justificar.
—Espere aí, Humberto! -— pediu o irmão hipócrita, representando sem escrúpulos.
Eu e a Irene nos encontramos aqui no estacionamento.
Fomos para a loja e ela me contava sobre a surpresa que quer fazer para você no dia do noivado.
Falávamos como iria reagir, só isso!
Humberto sentia-se confuso, atordoado.
Sua vontade era de agredir o seu irmão, não só por aquele momento, mas por Lívia.
Ele estava muito nervoso e quase dominado por uma fúria, que não conseguia controlar.
Nesse momento, na espiritualidade, seu mentor, Nelson, envolveu-o de modo amável, pedindo-lhe:
—- Calma. Calma, Humberto.
Se reagir, perderá a razão e a dignidade.
O melhor é manter a calma.
Ao mesmo tempo, Irene começou a chorar e não parava de falar, tentando explicar o ocorrido.
Suspirando fundo, de modo a entoar austeridade na voz, Humberto determinou:
—- Vá embora, Rubens!
Podemos conversar depois!
—- Não! Você não...
—Vá embora!!! -— gritou firme, enfurecido.
—- Rubens, por favor, vá —- suplicou Irene chorando, de modo humilde, parecendo implorar.
Eu converso com ele.
Após ver o irmão ir embora, voltou-se para ela e avisou:
—- Bem, Irene, é o seguinte -— falou sério, com voz grave, demonstrando-se sob controle.
— Há dias venho pensando muito e...
Não é só por percebê-la diferente, com um comportamento que me incomoda, mas, principalmente, pelos meus sentimentos que não são mais os mesmos.
Eu vim aqui hoje para terminar tudo entre nós.
Ela ficou paralisada, em choque.
Diante do longo silêncio, o rapaz continuou:
-— Vim aqui decidido a isso.
Não foi só pela cena desagradável e duvidosa que eu presenciei e...
Em outras circunstâncias, você me deveria satisfações, mas não é o caso.
Irene, com lágrimas correndo na face pálida, murmurou com voz vacilante e mãos trémulas:
— Humberto, você não pode fazer isso comigo. Eu te amo...
— Não sinto por você o mesmo que antes.
Não podemos continuar juntos. Acabou.
Nesse instante, sentiu-se aliviado, tranquilo.
Parecia que um peso havia saído de suas costas.
—Não! Não pode ser!
Tudo está pronto para o nosso noivado!
Estamos começando a procurar apartamento!
Não! Isso não é verdade!
—É verdade, Irene.
Talvez seja difícil aceitar, mas é a verdade.
Desculpe-me. Não tenho mais nada a dizer e...
Bem, depois vemos o que será preciso devolver e...
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Out 24, 2016 10:03 am

— Não podemos terminar!
Olhando-a firme, falou calmo e friamente:
— Não há nada que me impeça. Tudo acabou.
Com o tempo você aceitará a ideia.
Breve pausa e considerou:
-— A gente ainda vai se encontrar, talvez, tenhamos alguma coisa para acertar, mas por enquanto é isso.
Agora não temos mais nada para conversar.
Eu vou indo. Tchau.
Irene havia parado de chorar.
Estava séria e, num grito, chamou-o ao vê-lo ir:
— Humberto, espera!
Ele se virou e, após ela se aproximar, disse:
— Ainda temos o que conversar.
Ele ficou parado, esperando, e a moça prosseguiu:
-— Você não perguntou qual era a surpresa que eu estava preparando para o dia do nosso noivado, mas eu vou te contar assim mesmo.
Em seguida, falou:
—- Eu estava muito feliz e não aguentei guardar esse segredo só para mim.
Por isso eu contei ao Rubens e pedi segredo, pois eu ia te contar só no dia do nosso noivado, mas...
—- E o que é? -— perguntou calmo.
—Estou grávida.
Humberto sentiu-se mal.
Não acreditava no que ouvia.
Imediatamente perguntou, pasmado, incrédulo:
-— O que você disse?!
-— Que estou esperando um filho seu -— contou calma, encarando-o firme.
— Há mais de um mês eu soube, mas não quis te contar.
Preferi fazer surpresa e pensei que o dia do noivado seria ideal.
Então... Eu não cabia em mim de tanta felicidade e resolvi contar para o Rubens.
Por isso nos viu alegre, rindo...
Falávamos da sua reacção, pois você adora crianças e sempre comentou sobre ter filhos...
Queríamos ver a sua cara, mas...
Humberto estava transtornado, não sabia o que fazer.
Nunca pensou que uma notícia como essa o faria tão infeliz.
—- Não sei o que dizer...
Não esperava por isso —- falou, expressando-se nervoso.
Aproximando-se, com lágrimas rolando em sua face, Irene segurou em seu braço acariciando-o.
Olhou-o como se implorasse sua atenção e argumentou com voz doce:
— Isso é uma fase, Humberto. Vai passar.
Nós nos amamos e... Esse filho vai nos completar.
Atordoado, ele a afastou de si e pediu:
—- Por favor, espere.
Não estou me sentindo bem. Eu preciso ir.
Preciso pensar.
Dizendo isso, ele se virou e se foi.
Ao vê-lo entrar no carro, Irene ficou irritada.
Voltou para a loja onde encontrou Cleide fechando o estabelecimento.
—-O que aconteceu?!!
O que foi que ele falou?!! -— perguntou a amiga.
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Out 24, 2016 10:04 am

—Abra a porta!!!
Preciso da minha bolsa!!!
Preciso telefonar!!! -— quase gritou.
Entrando às pressas, Irene pegou o telefone e ligou para Rubens.
Quando ele atendeu, ela falou afoita:
-— Escuta! Preste bem atenção!
O Humberto quis terminar comigo.
Eu disse que nós estávamos alegres e rindo porque te contei que estou grávida.
Essa era a surpresa que eu iria contar para ele no dia do noivado.
Entendeu?! Nós ríamos imaginando como seria a reacção dele!
—E está?!!! Você está grávida?!!!
—Isso não importa! Mas se ele for falar com você, é o que vai confirmar!
—Você está brincando!!!
—Não! Não estou! -— avisou irritada.
Tudo estava marcado para amanhã.
Eu ia tirar amanhã.
Mas precisei me valer dessa situação para ele não terminar comigo.
As coisas não poderiam ficar daquele jeito.
— Irene, quem é o pai?! Você sabe?!
— Agora preciso desligar.
A loja precisa ser fechada.
Após desligar, viu Cleide parada diante dela.
A amiga ficou perplexa, incrédula e perguntou:
—- Por isso você não ia vir amanhã?!
Meu Deus, Irene!!!
Você ia fazer um aborto?!!!
—Por favor, Cleide! Não me deixe mais nervosa!
Não quero ficar mais irritada! Agora, vamos!
Elas fecharam a loja e foram juntas para o estacionamento.
Enquanto dirigia, quase automaticamente, Irene, em lágrimas, comentou:
—Eu não sabia o que fazer.
Sempre me cuidei, tomei remédio!
Que inferno!!! -— esmurrou o volante.
Não sei o que deu errado!!!
—Calma. Não fique assim.
Ainda bem que não tirou.
Poderia ficar com remorso pelo resto da vida e...
—Ainda bem?!! -— falou irónica.
Como você pode dizer isso?!
Eu não queria!!! Não quero!!!
Mas não tive alternativa!
O Humberto ia terminar comigo!
Após alguns minutos, Cleide perguntou com delicadeza na entonação da voz:
— Quando você me disse que estava atrasado, o Humberto tinha acabado de chegar de viagem.
Não daria tempo de você engravidar dele.
Vai contar ao Rubens que o filho é dele?
— Não!!! Ficou louca?!! -— Secando o rosto com as mãos - não pode saber.
Eu não sei como vou fazer...
Preciso dar um jeito para essa criança nascer prematura ou o Humberto vai desconfiar.
—O Humberto não pode te acompanhar a nenhum exame, a nenhum pré-natal.
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Out 24, 2016 10:04 am

Alguns instantes e perguntou:
— Já pensou na possibilidade de ele não querer casar com você?
—Se isso acontecer, eu tiro! Tiro mesmo! -— respondeu amargurada, rancorosa e com impiedade na voz.
A amiga sentiu-se mal ao ouvir aquilo.
Não concordava com o que a outra fazia, mas não sabia como agir.
***
Sentado na área da frente de sua casa, Rubens não conseguia disfarçar seu nervosismo.
Lívia estava acomodada em uma poltrona de vime e permanecia quieta e insatisfeita.
—- O que você tem? -— perguntou ele.
—- Nada -— argumentou de imediato.
- É tarde. Amanhã tenho de levantar cedo.
Está na hora de eu ir.
Observando-o melhor, quis saber:
-— O que você tem, Rubens? Está tão inquieto.
—- Estou pensando em algumas coisas do serviço.
Estou nervoso. Eu, pelo menos tenho um motivo para estar assim.
E você? Faz algum tempo que está diferente.
Você não é mais a mesma.
Lívia se levantou, apoiou-se na mureta da área e ficou olhando a rua sem dizer nada.
Aproximando-se repentinamente, Rubens pegou firme em seu braço, apertando-o, ao inquirir com voz baixa entre os dentes:
-— Estou falando com você! Não me dê as costas!
Solta o meu braço!
Está me machucando! -— exigiu, fazendo um movimento para que ele a soltasse.
—Por que está reagindo assim, hein?!
Lívia, mesmo amedrontada, suspirou fundo, encarou-o e, apesar da voz estremecida, falou firme:
—- Você não tem o direito de me tratar assim! Chega!
—- O que aconteceu?! Ficou valente de repente! -— exclamou com um tom de ironia.
- —Chega, Rubens! Já basta!
Está na hora de acabar com isso!
Não aguento mais seus maus tratos!
Não dá mais para continuarmos juntos!
Nem Lívia acreditou em si mesma ao dizer aquilo.
Enfurecido, ele foi em sua direcção.
Agarrou-a pelos braços e a chacoalhou enquanto perguntava:
—- O que deu em você?!
—- Me solta!!! -— exigiu austera.
Você não vai mais me tratar assim!
Acabou! Chega! Está tudo terminado entre nós e...
Sem que a jovem esperasse, Rubens a agrediu fortemente, com um tapa no rosto.
Ela quase caiu, mas ergueu o tronco, com a mão na face que queimava, e gritou:
—- Covarde!!!
Rubens, parecendo insano, caminhou até Lívia, segurou-a pelo pescoço e começou a apertá-lo.
Na espiritualidade, seu mentor o envolvia com energias calmantes, mas essas eram incompatíveis às que ele criava, por isso recebia de companheiros inferiores fluidos mais pesados, pois eles tinham mais influência sobre ele que, por índole, desejava agir de forma contrária às promessas reencarnatórias feitas.
Lívia gritou.
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Out 24, 2016 10:04 am

Foi quando o senhor Leopoldo, mesmo sob o efeito do álcool, chegou em seu socorro.
Agarrando o filho pela camisa e pelo braço, o homem quase não tinha forças para separá-lo da jovem.
Neide chegou e também segurou Rubens, que parecia insano.
No meio da briga, Rubens empurrou o seu pai, que se desequilibrou, caiu e bateu fortemente a cabeça no chão.
Somente assim o filho parou e se deu conta do que tinha acontecido.
O senhor Leopoldo desmaiou.
Dona Aurora se aproximou às pressas e junto com Neide foi ampará-lo.
Aproveitando-se da confusão, Lívia se livrou do ataque correndo e foi embora.
O senhor Leopoldo foi levado ao hospital por Rubens e precisou de alguns pontos no ferimento, resultado da pancada.
O filho, para não se ver em complicações, mentiu durante o atendimento hospitalar dizendo que o seu pai, embriagado, escorregou sozinho e caiu.
Ao retornarem, encontraram com Humberto, preocupado, à espera de notícias.
Quando ele chegou, não havia ninguém em casa e o celular de Neide apresentava-se fora de área.
O senhor Leopoldo estava em seu quarto descansando enquanto a esposa foi até a casa de Débora cumprimentá-la pelo aniversário e estava demorando.
Rubens tomava um banho e Humberto sabia de detalhes do acontecido através da irmã:
—- Então foi isso o que aconteceu! -— contou Neide.
—E a Lívia?! -— quis saber nervoso.
—Não sei. Quando o pai ficou desmaiado e a mãe chegou e começou a gritar, ela sumiu.
No lugar dela eu também teria ido embora.
—Vou até a casa dela -— avisou Humberto num impulso.
Rubens chegou à cozinha sem que percebessem e perguntou, agressivamente, após ouvi-lo:
—- Você vai até a casa de quem?!!!
Encarando-o, Humberto afirmou:
—- Vou até a casa da Lívia saber como ela está. Por quê?!
—- De que te interessa saber como ela está?! -— perguntou Rubens agressivo.
O que você tem a ver com isso?! O problema é entre ela e eu!!!
—- Você é um canalha!!! -— gritou Humberto.
-— E você?!! Quem você pensa que é para falar assim comigo?!!
Pensa que só por que ganha bem, tem um carrão, tem dinheiro até para comprar apartamento à vista, vai dar uma de bom pra cima de mim?!!
Vai se meter com a sua vida!!!
—- Safado!!!
Espíritos inferiores presentes, procuravam irritá-los e fazê-los reagir um contra o outro.
Uma briga começou entre os irmãos, até Neide entrar no meio de ambos e ser ferida por Humberto quando ele deu um forte empurrão em Rubens.
Depois se abaixou perto da irmã para ajudá-la.
—- Você me paga, cara!!! -— gritou Rubens, enfurecido.
Isso não vai ficar assim, não!!! -— virou-se e saiu.
-— Neide! Você está bem?! -— preocupou-se Humberto.
Um pouco atordoada, ela murmurou:
—- Estou. Tá tudo bem.
Ajudando-a a se levantar, o irmão acomodou-a em uma cadeira e indagou novamente:
—- Está machucada?
—- Não. Não foi nada.
Após longos minutos-,. Neide reflectiu e virando-se para o irmão, perguntou bem séria:
-— Será que a Lívia contou a ele que gosta de você e por isso brigaram? Ou então...
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Ave sem Ninho

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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Out 24, 2016 10:04 am

—- Então, o quê?!
—Será que ela quis terminar com tudo?
Pois ele estava insano, irreconhecível!
—Será isso?! -— disse pensativo.
Meu Deus! Porque tudo está acontecendo desta forma?
Andando de um lado para o outro, Humberto não sabia o que fazer.
Pensamentos preocupantes e aflitivos o deixavam em desespero.
Além disso, a cena de Irene contando sobre a gravidez não lhe saia da mente.
A voz macia de Neide o chamou à realidade quando ela o viu pegar as chaves do carro:
—- Não vá atrás da Lívia.
—- Por quê?
—- De certo o Rubens foi procurá-la.
Vocês dois vão se encontrar lá e isso não vai ser nada bom.
—- O que eu faço?!
—- Espera. Terá de vê-la amanhã de qualquer jeito.
Aí, sim, você vai saber o que aconteceu.
Hoje, o melhor é ficar aqui em casa.
—- Não sei se vou aguentar até amanhã, Neide.
Você não tem ideia do que está acontecendo...
—- Quer me contar?
—- Hoje à tarde, eu encontrei a Lívia no aniversário da Débora e...
Eu a incentivei a terminar com o Rubens porque eu iria acabar com o meu compromisso com a Irene.
Eu já estava decidido.
Percebi que a Lívia estava insegura.
Ela tem muito medo do Rubens.
Não é a primeira vez que ele a agride.
—Como é?!
Ele morre de ciúme dela e é violento, um verdadeiro covarde.
Essa é a verdade.
Depois que falei com a Lívia, hoje, acredito que ela se encorajou e foi falar com ele.
Alguns instantes de silêncio e contou:
— Eu estava decidido a terminar com a Irene e fui até a loja procurar por ela.
Esperei um bom tempo até ela aparecer de braços dados com o Rubens.
Eles gargalhavam...
A cena era comprometedora, mas não foi por isso que decidi terminar.
Ao me ver, eles reagiram de modo estranho. Discutimos.
Falei o que precisava e, quando me virei para ir embora, a Irene me avisou que está grávida.
- —Grávida?!!! -— gritou Neide, parecendo assombrada.
—Quem está grávida, Humberto? -— quis saber dona Aurora, que acabava de chegar.
Humberto sentia-se derrotado.
Não encontrando solução para o que vivia, sentou-se à mesa, respirou fundo, encarou sua mãe e contou-lhe todos os detalhes sobre ele querer terminar o compromisso com a Irene e a gravidez.
Neide, que sabia boa parte do que acontecia, silenciou enquanto dona Aurora ouvia atentamente.
—- Então é isso, mãe -— desfechou o filho.
Eu não sei o que fazer.
—- Você é um homem responsável, Humberto.
Eu tenho certeza disso.
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Out 24, 2016 10:04 am

Não será agora que deixará a Irene em situação difícil. —
Breve pausa e sentou-se frente a ele, pegou suas mãos, fitou-o bem nos olhos e falou cautelosa:
— Não quero que fuja das suas obrigações, mas é preciso que você seja bem esperto, cuidadoso.
—Com o que, mãe?! Como assim?!
—- A Irene é uma moça muito livre, liberal...
Não tenho nada a dizer contra ela.
Mas... como você mesmo viu, ela tem um comportamento diferente, que deixa dúvidas...
—- Aonde a senhora quer chegar, mãe?
—- Será que esse filho é seu? -— perguntou sem trégua.
—- Ora, mãe! Que absurdo!
Dona Aurora se calou.
Aquela era uma acusação muito grave para ser feita.
Porém, a senhora já havia percebido, por parte de Irene, uma conduta que deixava dúvida quanto à sua moral, sua índole.
Reparou que, quando Humberto viajou a trabalho, sua namorada se comportava de forma muito liberal, abraçando e beijando Rubens, enlaçando-o pelo braço quando brincava ou conversava.
Algumas vezes, surpreendeu-os sussurrando, conversando de modo estranho, comprometedor.
Contudo dona Aurora não poderia afirmar nada.
Temia a reacção de Humberto e também não queria magoá-lo ainda mais.
Tirando-a de pensamentos inquietantes, Humberto perguntou:
—- O que eu faço, mãe?
—- Tome um bom banho.
Vou fazer um chá pra você tomar antes de dormir.
Reze e amanhã poderá pensar melhor.
E... só mais uma coisa: quando o seu irmão voltar, não converse com ele por hoje.
Deixe as coisas esfriarem um pouco.
Sem ânimo nem alternativa, Humberto aceitou fazer o proposto.
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Out 24, 2016 10:05 am

9 - A FIRMESA DE LÍVIA

Rubens havia retornado para casa de madrugada.
Apesar de vê-lo chegar, Humberto fingiu dormir e nada conversaram.
Pela manhã, ao se levantar, Humberto viu o outro dormindo.
Após se arrumar, como de costume, foi-se sem sequer fazer o desjejum.
Antes do horário de costume ele estacionava seu carro em frente à casa de Lívia.
Parecia muito apreensivo e extremamente ansioso para saber como ela estava e o que havia acontecido.
Não demorou e dona Diva saiu da casa e foi até o portão atendê-lo.
Humberto desceu do carro, contornou-o e ficou frente à senhora que, após cumprimentá-lo, avisou:
—Oh, filho! A Lívia não vai hoje.
Ela não está muito bem.
Mais tarde ela disse que vai ao médico para pegar um atestado.
—Se ela não está bem e precisa de um médico, eu posso levá-la agora. Posso vê-la?
A senhora ficou embaraçada, sem saber o que dizer e gaguejou:
—Mas... é que...
Não vamos te dar mais trabalho.
—Não será trabalho algum, dona Diva! -— afirmou ele que, desconfiado da mentira, foi portão adentro comentando:
- Eu posso levá-la ao hospital do nosso convénio aqui perto.
Essa hora deve estar vazio e será bem rápido
Praticamente Humberto obrigou a senhora a entrar na casa junto com ele.
Já na sala a mulher pediu:
— Espere aqui, vou chamar a Lívia.
Após longos minutos a moça chegou à sala ainda vestida de pijama e um robe.
Cabisbaixa, escondia os olhos entre os cabelos compridos.
Procurando observá-la melhor, Humberto se aproximou, inclinou-se levemente e pôde ver que o seu rosto, antes belo e agradável, estava terrivelmente transformado pelas pálpebras inchadas, bem como considerável hematoma na maçã da face.
O rapaz sentiu-se golpeado e perguntou surpreso:
—- O que aconteceu?!
—- Sente-se. Vamos conversar -— pediu a moça com a voz baixa, trémula e rouca.
- —Quem fez isso?! O Rubens?!
Desgraçado!!! Eu vou matar o meu irmão!!! -— enervou-se.
— Acalme-se, Humberto. Sente-se.
Experimentando o rosto queimar, demonstrando-se nervoso e contrariado, ele aceitou o convite depois de vê-la acomodar-se em uma poltrona.
Procurando aparentar calma, ela comentou:
— Você já deve saber o que o Rubens fez comigo lá na sua casa.
—Sim, eu sei.
Sei o que a Neide me contou.
—Ontem, depois de algum tempo que cheguei aqui em casa, ele veio me procurar.
Fui conversar com ele lá no portão e depois, para não chamar muito a atenção de quem passava na rua, fomos para a garagem.
Eu estava decidida a terminar tudo, não queria voltar.
Então ele começou a falar alto e a brigar comigo.
Breve pausa e continuou:
-— Em determinado momento, ele começou a dizer coisas...
Disse que nunca me deixaria em paz.
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Out 24, 2016 10:05 am

Fez ameaças de me matar se eu não me casasse com ele e...
—O que você disse?
—Perguntei como ele queria que eu vivesse feliz ao lado dele sendo como é?
No meio de toda nossa discussão, eu não sabia que o meu pai estava nos ouvindo.
De repente ele apareceu do nada e começamos todos a discutir...
Meu pai me bateu, me deu um tapa me chamando de sem vergonha...
Disse que eu só lhe dava desgosto e...
Lágrimas correram em sua face quando Humberto se aproximou e afagou-lhe os cabelos, mas Lívia se afastou do carinho e contou:
— O meu pai começou a gritar, a brigar.
O Rubens fez insinuações, falou um monte de coisa...
Agora o meu pai exigiu que nos casemos.
—Espere! Não estamos no século XVIII!
O seu pai não pode obrigá-la a isso!
—E quem vai dizer isso para ele?!
Nova pausa e completou: —
Quando a discussão ficou mais branda, o Rubens disse que ia providenciar tudo para nos casarmos.
E o meu pai concordou.
Humberto olhou para dona Diva, em pé, junto à porta, sem dizer nada.
Mulher submissa, humilde e temerosa às reacções agressivas do marido, não tinha a iniciativa de se colocar ao lado da filha para defendê-la ou orientá-la.
O rapaz não sabia o que dizer.
Sua vontade era pegar Lívia, tirá-la dali, levá-la para longe daquela situação e protegê-la a seu modo.
Mas não podia.
Agora as suas preocupações se somavam à notícia sobre a gravidez de Irene, que não lhe saía da cabeça.
Uma angústia tomou conta de seu ser quando perguntou:
—- Lívia, em que eu posso te ajudar?
—- Não sei se alguém pode me ajudar em algo.
Erguendo-lhe os olhos tristes, ainda falou:
-— Estou sem ânimo.
Não há nada que eu possa fazer.
A saída de dona Diva da sala, deu liberdade para Humberto propor:
—E se você saísse de sua casa e fosse morar sozinha? Eu te ajudo!
Você trabalha!
Tem dinheiro para se sustentar e...
—Eu poderia fazer isso para me ver livre do meu pai, mas e o seu irmão?
Ele viria atrás de mim.
Além disso, me vejo sem forças.
Não sei o que está acontecendo comigo.
—Lívia, tem algumas coisas que preciso te contar. —
Experimentando um sentimento amargo, olhando-a firme nos olhos, revelou:
— Eu estava disposto a terminar tudo com a Irene.
Ontem fui falar com ela e terminei tudo.
Mas ela me contou... contou... que está grávida.
A notícia caiu como um raio devastador capaz de destruir qualquer último fio de esperança.
Ela sentiu-se mal.
Um torpor dominou-a por longo tempo.
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Out 24, 2016 10:05 am

Precisou se esforçar para não cair num choro.
Porém as lágrimas quentes que deslizaram na sua face não foram possíveis deter.
Respirando fundo, passou as mãos pelo rosto e ergueu o corpo ao falar encarando-o:
—Humberto, a partir de agora você tem outras obrigações.
Devemos nos afastar definitivamente e não ter qualquer sonho ou esperança de ficarmos juntos.
Você precisa me esquecer e eu devo fazer o mesmo.
Com a gravidez da Irene, tudo muda.
—Lívia, espere!
Definitivamente eu não quero mais nada com a Irene!
Ela terá um filho meu e só!
Não vou fugir as minhas responsabilidades!
Pagarei pensão e irei visitá-lo!
—E você acha que, como pai, as suas responsabilidades só se resumem ao pagamento de pensão e meras visitas?! .— perguntou, firme.
— Pelo amor de Deus, Humberto!
Uma criança precisa de acompanhamento, atenção, carinho, amor!
—- E terá!
—- Atenção, carinho e acompanhamento com horário marcado?!
Você acha que só isso basta?!
As necessidades de uma criança devem ser vistas de imediato, no momento em que está acontecendo!
Não é algo que pode ser deixado para depois.
E as noites de febre, de medo?
E os momentos de ansiedade, tristeza?
Acha que são situações que poderão ser deixadas para depois?!
Para o dia da visita?!
Um filho é a metade do seu ser!
Estamos falando da formação de um carácter!
E a continuação da sua vida material e espiritual aqui na Terra!
Você não pode construir um bom carácter somente com algumas míseras horas de visita.
Fico admirada por vê-lo pensar assim!
Humberto viu-se desarmado de palavras e com pensamentos confusos.
E ela continuou:
—Seria desleal e desumano abandonar um filho por não tê-lo planeado.
Eu acredito que, se você não o planeou aqui, hoje, certamente em esferas espirituais o aceitou ou até implorou para que ele viesse.
—Você acha que eu devo me obrigar a viver com a Irene por causa desse filho?!
—Eu não acho nada!!!
Acho que deveria ter pensado antes de se deitar com ela!!! -— exclamou nervosa.
Responda a você mesmo:
diante dessa gravidez, você se casaria ou não com ela, se eu não existisse?
O silêncio foi absoluto e ela prosseguiu:
-— Acredito que você tem bom carácter e integridade suficiente para não resumir em um cheque e algumas horas o que tem a dar para o seu filho todo mês, pois só isso é muito mesquinho.
E mais uma coisa! —
Encarando-o nos olhos, desfechou:
— Não serei eu a culpada pela sua falta de atenção e de tempo para com essa criança.
Estou com dificuldades e sérios problemas, porém, nem se eu estivesse livre e desimpedida, eu não ficaria com você.
Seria desleal da minha parte, pois seu dever e atenção, hoje, são para com o seu filho.
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Re: CORAÇÕES SEM DESTINO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

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