O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

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Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Nov 05, 2016 10:25 am

O BRILHO DA VERDADE
ELIANA MACHADO COELHO

(ESPÍRITO SCHELLIDA)

O AMOR INCONDICIONAL SOBREVIVE ÀS FRONTEIRAS DAS EXISTÊNCIAS E VAI MUITO ALÉM...

Samara viveu meio século no Umbral passando por experiências terríveis.
Esgotada, consegue elevar o pensamento a Deus e ser recolhida por abnegados benfeitores, começando uma fase de novos aprendizados na espiritualidade.
Depois de muito estudo, com planos de trabalho abençoado na caridade e em obras assistenciais, Samara acredita-se preparada para reencarnar.
Ela retorna a Terra como Camila, uma jovem que opta por uma vida farta e confortável graças à religião que seu pai abraçou, usando o nome de Deus para fins lucrativos.
Obstáculos tentadores se colocam no caminho de Camila e ela, ainda jovem, volta ao plano espiritual.
Revoltada e sem aceitar sua condição de desencarnada, Camila regressa à crosta junto de seus familiares, causando a si perturbações e desequilíbrios.
Mas Deus nunca abandona seus filhos.
Amigos espirituais, principalmente o espírito Túlio, iniciam um trabalho de esclarecimento para libertá-la de suas próprias fraquezas.
Camila, aos poucos, aprende diversas lições como:
os problemas do aborto, o suicídio, a avareza, o uso do nome de Deus para enriquecimento pessoal e a expiação de encarnados e desencarnados de diversas religiões, entre outros temas.
Em O Brilho da Verdade, mais uma vez, o espírito Schellida, por intermédio da psicografia de Eliana Machado Coelho, traz-nos valiosos ensinamentos para o nosso esclarecimento espiritual, um dos requisitos básicos para nossa evolução individual em direcção a Deus.
Eliana Machado Coelho nasceu em São Paulo, capital, em 9 de outubro.
Desde pequena, Eliana sempre esteve em contacto com o Espiritismo e a presença constante do espírito Schellida em sua vida, que até hoje se apresenta como uma linda moça, delicada, sorriso doce e sempre amorosa, já prenunciava uma sólida parceria entre Eliana e a doce mentora para os trabalhos que ambas realizariam juntas.
O tempo foi passando.
Amparada por pais amorosos, avós, mais tarde pelo marido e filha, Eliana, sempre com Schellida ao seu lado, foi trabalhando.
Depois de anos de estudos e treinos de psicografia, em julho de 1997 surgiu o primeiro livro:
Despertar para a Vida, obra que Schellida escreveu em apenas vinte dias.
Depois vieram outros, entre eles o presente volume O Brilho da Verdade, na época publicado timidamente.
Mas a espiritualidade endereçou-o a um novo caminho de luz para que fosse reeditado.
E eis aqui a obra retrabalhada agora em toda sua íntegra, com o respeito e o carinho que a médium faz questão de manter para com a tarefa que lhe foi confiada.
O Brilho da Verdade ressurge exactamente como a espiritualidade o enviou e desejava que fosse publicado:
com todas as emoções e ensinamentos que este belo romance oferece.
Trabalho à parte, curiosidades surgem sobre essa dupla (médium e espírito) que impressiona pela beleza dos romances recebidos.
Uma delas é sobre a origem do nome Schellida.
De onde teria surgido e quem é Schellida?
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Nov 05, 2016 10:25 am

Eliana nos responde que esse nome, Schellida, vem de uma história vi vida entre elas e, por ética, deixará a revelação por conta da própria mentora, pois Schellida a avisou que escreverá um livro contando a principal parte dessa sua trajectória terrena e a ligação amorosa com a médium.
Por essa razão, Schellida afirmou certa vez que se tivesse de escrever livros utilizando-se de outro médium, assinaria um nome diferente, a fim de preservar a idoneidade do tarefeiro sem fazê-lo passar por questionamentos duvidosos, situações embaraçosas e dispensáveis, uma vez que o nome de um espírito pouco importa.
O que prevalece é o conteúdo de moral e os ensinamentos elevados transmitidos através de obras confiáveis.
Eliana e o espírito Schellida contam com diversos livros publicados (entre eles, os consagrados Um Diário no Tempo, O Retorno, Despertar para a Vida, O Direito de Ser Feliz, Sem Regras para Amar e Um Motivo para Viver, todos editados pela Lúmen Editorial).
Outros inéditos entrarão em produção em breve, além das obras antigas a serem reeditadas.
Dessa forma, o espírito Schellida garante que a tarefa é extensa e há um longo caminho a ser trilhado pelas duas, que continuarão sempre juntas a trazer ensinamentos sobre o amor no plano espiritual, as consequências concretas da Lei de Harmonização, sobre a felicidade e a conquista de cada um de nós, pois o bem sempre vence quando há fé.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Nov 05, 2016 10:26 am

Aos Leitores

Amigos leitores,
Eu não poderia lhes apresentar esta obra literária sem algumas respeitáveis e responsáveis explicações.
Após o término das psicografias do primeiro livro Despertar para a Vida, iniciei um novo trabalho mediúnico com a querida mentora Schellida.
Além disso, durante outras tarefas de psicografias no Centro Espírita, passei a receber mensagens com uma letra totalmente diferente da mentora Schellida e de outros espíritos já conhecidos em meus trabalhos mediúnicos.
Só que essa letra desconhecida assinava as comunicações como "Um espírito amigo", porém, algum tempo depois, assinou André Luiz.
Frente às mensagens assinadas com o nome do ilustre Espírito André Luiz, que chegavam quase constantemente, confesso que a incredulidade invadiu meus pensamentos:
"Seria um Espírito brincalhão?
Uma experiência ou prova para testar minha vaidade e meu carácter?".
Eu não sabia responder.
Foi então que, mais uma vez, fez-se presente o conforto doce das palavras meigas da mentora-amiga Schellida, orientando-me:
"Diante da dúvida e da insegurança, tenha responsabilidade, resignação e fé.
O Pai Celeste sempre manifesta Sua presença e verdade quando menos esperamos e nas ocasiões mais singelas.
Aguarde".
Orei por uma solução e prossegui na tarefa de psicografia, sem alardes.
Eu não poderia expor aquelas mensagens, mesmo sendo de alto cunho moral, sem antes ter a certeza da autoria espiritual.
Para minha maior surpresa e preocupação no decorrer das psicografias deste livro surgiram a participação e os ensinamentos sublimes do querido Espírito André Luiz.
Apesar de ser um trabalho realizado com minha mentora Schellida, ela não se manifestou deixando-me escolher, através do livre-arbítrio, o caminho da vaidade ou da responsabilidade.
Minha cautela e consideração aos trabalhos prevaleceram e, diante disso, reservei as psicografias do livro e das mensagens.
Era o mês de setembro de 1997.
Somente ao meu marido André e alguns poucos amigos, confiei mostrar aqueles trabalhos mediúnicos.
A letra da querida Schellida é completamente diferente da outra cuja autoria dizia ser de André Luiz.
Os amigos que leram as comunicações disseram ter certeza de se tratar do querido instrutor e Espírito André Luiz devido ao seu estilo, riqueza em detalhes, explicações amplas, ensinamentos magistrais que elucidam sem ferir nossas fraquezas e fizeram muitos outros apontamentos que somaram um peso ainda maior às minhas dúvidas.
Sem querer desprezar a atenção e o incentivo recebidos deles devo admitir que eu precisava de uma prova mais contundente.
Lembrando sempre da orientação da mentora Schellida eu aguardava com resignação e fé esperando a manifestação da verdade em uma ocasião singela.
Por isso guardei as mensagens e as psicografias desta obra, "arquivando" na memória tudo aquilo.
Em seguida o sublime espírito Schellida e eu iniciamos a psicografia do terceiro livro sem que a nobre mentora criticasse minha decisão.
Em 09 de março de 1998, um amigo e sua esposa convidaram a mim e meu marido para irmos a Uberaba, Minas Gerais, para tirarmos a dúvida com o querido médium Chico Xavier sobre as tão polémicas mensagens e o livro psicografado.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Nov 05, 2016 10:26 am

No sábado, 14 de março de 1998, às 13 horas, chegamos ao Grupo Espírita da Prece, em Uberaba - Minas Gerais.
A reunião estava prevista para as 20 horas. Esperei.
Na Casa da Prece, os amigos que auxiliavam o querido Chico e o Culto do Evangelho solicitavam a todos que se limitassem apenas aos cumprimentos no momento de irem embora.
Mesmo assim perguntei a uma moça que ajudava na organização se eu poderia fazer uma pergunta.
Ela disse que não.
Eu obedeci enquanto segurava as mensagens, o calhamaço de folhas psicografadas deste livro, inclusive o prefácio que recebi inesperadamente dias antes também assinado como André Luiz.
Sem que esperássemos, o nobre médium Chico Xavier virou-se para sua secretária e perguntou, apontando para mim:
- "O que ela precisa?"
Trémula de emoção, aproximei-me e sem querer coloquei os papéis sobre a mesa e tentei falar, mas a voz não saía.
O querido médium pôs a mão direita sobre as psicografias, parou por alguns segundos, deixou-se relaxar na cadeira e fez uma expressão bem alegre.
Olhando-me, disse em seguida:
- Você pensou que fosse um espírito brincalhão, mas não!
É ele mesmo!
Ainda incrédula, insisti perguntando:
"O senhor tem certeza?
Tenho medo de ser enganada...".
O grandioso médium riu e sorriu lindamente afirmando:
- Mas é claro que é ele! - Entre outras coisas, o querido irmão Chico orientou finalizando:
- Nós é que temos de ser dignos de trabalhos nobres.
Deus te abençoe!
Um bom trabalho para você!
Não contive as lágrimas.
Recebi do querido Chico um doce beijo amoroso do mais alto valor moral, beijei-o com todo o carinho.
Por me aproximar daquele ser tão iluminado, pela lição e bênção recebidas saí chorando de emoção.
Meu marido filmou e registou tudo.
Os amigos que nos acompanhavam testemunharam.
Já passava da 0 h 30 do dia 15 de março de 1998, quando nos retiramos do Grupo Espírita da Prece.
Tudo pareceu acontecer rápido demais.
Porém foi maravilhoso e singelo de incalculável valor moral, sentimental e eterno na memória.
Receber a orientação e a bênção sublime do querido médium foi um momento ímpar em minha vida.
Não é possível descrever.
Retornamos a São Paulo e eu só podia agradecer a Deus por aquela oportunidade e lembrar a orientação de Schellida:
"Diante da dúvida e da insegurança, tenha resignação e fé.
O Pai Celeste sempre manifesta Sua presença e verdade quando menos esperamos e nas ocasiões mais singelas.
Aguarde".
Como foi importante eu ter analisado e aceitado o sábio conselho da querida mentora.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Nov 05, 2016 10:26 am

Foi então que tive maior consciência da responsabilidade e do dever a cumprir.
Dias depois, em reunião mediúnica realizada no Centro Espírita, na qual se encontravam vários médiuns e entre eles alguns clarividentes, comecei a receber uma psicografia.
Mais uma vez, além do prefácio deste livro, o ilustre Espírito e Instrutor André Luiz se empenhou em uma apresentação da querida Schellida, agraciando-nos com uma maravilhosa mensagem ao recepcioná-la.
Após a leitura da mensagem, o doce e amoroso Espírito Schellida se manifestou através de minha psicofonia.
A emoção foi geral.
Houve lágrimas dos médiuns presentes que a admiraram pela luzente paz.
Fizeram-lhe perguntas e testemunharam a psicografia do Espírito André Luiz.
Isso novamente me alertou sobre a responsabilidade para com os trabalhos e os deveres a cumprir com humildade, respeito e muito amor.
A mensagem recebida na noite de 01 de maio de 1998, no Centro Espírita, através da qual a querida Schellida foi apresentada, deixo-lhes aqui juntamente com o prefácio do espírito André Luiz para este livro. Fico com a consciência tranquila pelo facto de as psicografias do tão ilustre espírito André Luiz terem sido confirmadas pelo admirável e sublime médium Francisco Cândido Xavier, o nosso querido Chico.
Muita paz a todos e que Deus os abençoe.
Com carinho, Eliana Machado Coelho.

APRESENTAÇÃO

Diante da tarefa de apresentação, confesso, calei-me pressuroso, maravilhado.
Estupefacto com tal emoção, vigiei-me.
Não queria que a vaidade tocasse meu coração, mesmo assim, cauteloso, admito estar imensamente feliz.
Sejamos dignos de trabalhos nobres.
Ao darmos boas-vindas, podemos transmitir, de todo nosso coração, os mais belos sentimentos e os mais nobres pensamentos.
Devotemo-nos.
Abneguemos nossas mentes para que o nosso coração aja, acima de tudo, com imensurável sabedoria.
Todas as lições de caridade e humildade devem ser recebidas e expandidas, através de nós, com amor e caridade para sentirmo-nos tranquilos e resignados.
"Amai-vos e Instrui-vos".
Atentemos aos ensinamentos valiosos e luzentes que nos enviaram.
Dignemo-nos de assistir e participar.

Eliana Machado Coelho (Schellida)

Aqui estamos, prontos para executar a vontade do Pai Celeste e, cobertos que somos por Suas Bênçãos Santificantes, deixemo-nos abraçar por jubilosa e sublime Luz para prosseguirmos na jornada de servir com amor, bondade e responsabilidade os ensinamentos Divinos.
Enorme prazer e digníssima felicidade envolvem-me.
Desejo, de coração, repartir com todos a alegria que me invadiu nesse instante tão edificante e nobre.
Agradeço o grande carinho dispensado.
Recebamos nossa irmã Schellida com imensa ternura e todo respeito que lhe é meritório.
Que as Luzes Divinas abracem a nós todos.

André Luiz
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Nov 05, 2016 10:27 am

PREFÁCIO

Ensinar, através dos romances literários, verdadeiras obras espíritas, é uma tarefa árdua que exige do encarnado e dos desencarnados imensurável compromisso com a verdade.
Aventuro-me a considerar que encarnados e desencarnados gritam por incessante socorro espiritual e, como sabemos, a toda prece é dada imensa consideração e estima, advindo, para nosso auxílio, a oferta de amigos do Plano Superior, de trabalhos jubilosos, dispondo estes de ensinamentos e experiências inúmeras.
Em tais literários, fico contente em relatar-lhes, pode ser encontrado verdadeiro alívio ao coração e imensurável aproveitamento a serem reflectidos pela mente.
Os que buscarem essas obras terão, sem dúvida, inúmeros interesses em comum e, sabendo aproveitar, revigorar-se-ão com elas, pois estarão envolvidos com imensos ensinos edificantes.
Todavia, preciso acrescentar que o esforço para o aprendizado é sempre individual, além de ser imprescindível toda dedicação possível, muita paciência, pureza dos pensamentos e a boa-vontade que sempre devem estar presente.
Todo trabalho nobre e edificante recebe amparo e apoio sério.
Schellida, parabéns por refazer o aprendizado no caminho de Deus, nas Verdades Eternas e por amor incondicional aos nossos queridos irmãos.
Enlacemo-nos todos em suas grandes obras de ensino, amor e verdades que procuram expor, com carinho, as alegrias supremas na união com o Eterno Divino.
Seu amigo, André Luiz.

São Paulo, 10 de março de 1998.

ÍNDICE

1 - APÓS MAIS DE 50 ANOS NO UMBRAL
2 - O DESPERTAR DE HONÓRIO
3 - OPORTUNIDADE DE CRESCIMENTO
4 - HIPOCRISIA USANDO O NOME DE DEUS
5 - CAMILA ESCOLHE CONFORTO E COMODIDADE
6 - DIANTE DA VERDADEIRA VIDA
7 - CAMILA RETORNA À CROSTA
8 - A DESONESTIDADE DE HONÓRIO ATRAVÉS DA RELIGIÃO
9 - ORIENTAÇÕES DE ANDRÉ LUIZ
10 - DEDICAÇÃO DE TÚLIO
11 - LAR, OFICINA ESPIRITUAL
12 - A AVAREZA DIFICULTA O DESENCARNE
13 - DR. JÚLIO E SEU GRANDE ENSINAMENTO
14 - LEGIÃO DE JUSTICEIROS
15 - O SOFRIMENTO DOS ABORTADOS SOB A VISÃO ESPIRITUAL
16 - EDUCAÇÃO SOCIAL
17 - SUICÍDIO E OBSESSÃO, ABORTO: REMORSO, PERDÃO E RECONCILIAÇÃO
18 - O REENCARNE DE TÚLIO
19 - HONÓRIO, HERDEIRO DO ATAQUE DAS SOMBRAS
20 - LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Nov 05, 2016 10:27 am

1 - APÓS MAIS DE 50 ANOS NO UMBRAL

Por não atentar, na situação de encarnada, aos mais sublimes e íntimos chamados direccionados aos valores benéficos, nobres e educativos à evolução do espírito humano que recebia, Samara passou muito tempo sofrendo na ignorância quando se deu seu desencarne súbito.
Isso a levou a cumprir penas rígidas e dolorosas experiências pelo tão horripilante e indescritível Umbral.
Naquela encarnação, não havia traços ou planos para que Samara enlaçasse amizade ou afeição a ambientes inferiores, porém não tentou reagir contra os incitamentos, as propostas e as sugestões ocasionais de pessoas que cultivavam uma moral de pouco valor, deixando-se levar de forma incoerente a actos inconsequentes.
Devido aos pensamentos inconfessáveis e a compatibilidade momentânea com os prazeres carnais, ela atraiu para si a afeição de uma criatura muito inferior, possuidora de uma monstruosidade indescritível ao carácter humano.
Esse infeliz e desgraçado ser desencarnou logo depois dela.
Acostumado com as horríveis vinganças e a liderança nas práticas das perversidades colectivas, ele familiarizou-se rapidamente com outras criaturas espirituais de semelhante carácter ao chegar ao Umbral, horrorizando e acompanhando o espírito Samara por mais de meio século após o desencarne.
Por muito tempo, o espírito Samara vagou e sofreu penas horrorosas em lugares descomunais.
Além do desmesurado tratamento do qual padecia, ela experimentava sofrer moralmente pelas organizações que se fazia a sua volta.
Tudo ali era repulsivo, monstruoso, de uma qualidade espiritual terrivelmente inferior, a qual provocava aos inúmeros seres habitantes do Umbral uma aparência que não convém descrever devido à soma de matéria mental que poderá trazer tal ideia de seres tão horrendos.
Cabendo salientar que cultivamos a nossa volta a energia de nossos próprios pensamentos.
Por essa razão, o que imaginarmos ou tivermos por ideia, atrairemos à nossa volta e para a nossa companhia. Sendo essa atracção, que é feita através de nossos próprios pensamentos, uma ameaça ao nosso equilíbrio mental, moral e espiritual, trazendo-nos imagens, ideias e sentimentos de ordem inferior, o que seria imensamente desnecessário a nós como espírito.
Depois de muito vagar sem rumo, objectivo ou propósito, Samara passou a reflectir sobre tudo o que havia feito quando encarnada, sobre as desnecessárias indecorosidades vividas e o seu desrespeito às leis Divinas da Sábia Natureza.
Por um relance ela se observou, sua imagem física não era mais a mesma.
Aliás, ela nem mesmo se reconhecia.
Estava completamente desfigurada, cadavérica, feia e mal cheirosa.
Samara possuía vaga noção cristã que ganhou conhecimento no catolicismo arcaico, pois o latim, pronunciado durante as missas que frequentava, dificultou, e muito, seus conhecimentos, entendimento morais e religiosos sobre a vida adequada que qualquer pessoa tem de procurar manter.
Desde o seu desencarne, a partir do momento que começou sofrer, padecendo como escrava, ela sempre rezou frases prontas pedindo para sair daquela lamentável situação, mas acreditou que nunca fora ouvida.
Achou que estava no inferno.
Único lugar onde poderia padecer tanto.
Com o passar dos anos, algo parecia estar diferente dentro dela.
O espírito Samara sempre procurou tentar, por si só, livrar-se de todo aquele horror sofrido no Umbral.
Lamentou as dores e angústias que experimentava viver.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Nov 05, 2016 10:27 am

Sentia-se desmilinguir, pois acreditava estar só em sua luta.
Certa vez, lembrou-se das palavras de Jesus:
"Batei e abrir-se-vos- á" e recordou também de sua avó que, de modo simples, sempre dizia:
"Jesus ama a todos, em qualquer situação.
É só a gente acreditar, pedir e saber esperar".
O espírito Samara compreendeu que todo aquele sofrimento era por sua culpa, por culpa de seu descaso ao bom comportamento moral e espiritual.
Quando encarnada, desafeiçoou-se de tudo de bom que a vida lhe ofereceu para a compreensão às leis da honestidade, do pudor e dos bons costumes.
Usando seu livre-arbítrio se dispôs a outros tipos de aventuras, que julgava serem mais divertidas, atraindo-se espiritualmente àquela situação.
Não mais rezou palavras decoradas.
Passou a sentir realmente vontade de mudar sua condição, de evoluir, de sair daquela situação.
Ela desejou ter agido melhor quando encarnada, arrependendo-se de todos seus feitos indignos e pensou:
- "Se há um Deus, Ele sabe realmente o que eu sinto.
Deus sabe que estou arrependida e que desejo mudar.
Desejaria ter agido diferente, entretanto, pobre de mim, só agora pude perceber isso.
Senhor, ouça minhas preces.
Perdoe meus pecados.
Acolha-me em Seu reino.
Dá-me orientação.
Preciso de Sua paz, Senhor.
Preciso de Sua protecção Divina".
Nem um segundo se fez e o espírito Samara acreditou ter visto uma luz brilhante e forte.
Depois disso, de nada se lembra, pois sentiu grande e irresistível sonolência que a dominou completamente, anestesiando-lhe os sentidos.
Acolhida a um Posto de Socorro, tratada com muito carinho e atenção, ela ficou em repouso por algum tempo, pois sua aparência espiritual era cadavérica e suas necessidades inúmeras.
Tempos depois, já se levantava do leito e andava pela enfermaria.
Dias passaram e ela se dispôs a caminhar pelos corredores e saguões.
Mesmo com permissão, temia passear pelos jardins.
Somente muito tempo depois ganhou confiança, através dos incentivos que recebia, para caminhar pelos belos canteiros cobertos por flores magníficas.
Tinha medo de sair daquele edifício e não retornar mais, voltando à miserável situação e condição anterior.
Sentia receio de que aqueles seres inferiores pudessem aparecer ali e levá-la novamente, o que seria impossível de acontecer naquele lugar.
O tempo foi passando e Samara começou a perceber que sua aparência física mudara sensivelmente para melhor.
Ela já não tinha mais aquele aspecto cadavérico e sujo.
Suas vestes apresentavam-se limpas e alimentava-se bem.
Seus pensamentos, agora, eram voltados para coisas construtivas e enobrecedoras do espírito humano, o que melhorava incrivelmente seu aspecto.
Ganhou considerável conhecimento sobre o plano espiritual e agradecia imensamente a Deus por estar em tão nobre e elevada situação, por receber tanta orientação e carinho.
Certo dia, o espírito Inácio, administrador daquele Posto, pediu a presença de Samara em sua sala.
- Bom dia, Samara! - expressou-se Inácio animadamente.
Como tens passado?
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Nov 05, 2016 10:27 am

- Bem. Muito bem, obrigada - respondeu encabulada.
Mesmo assim continuou:
- Em primeiro lugar, eu gostaria de aproveitar esta nobre oportunidade para agradecer-vos pela hospitalidade e pelo excelente tratamento que venho recebendo neste ilustre e elevado local que é de vossa distinta administração.
O caro senhor não deve imaginar como vinha sofrendo desde que morri.
Demorou eu entender minha morte.
Quando me vi desorientada, procurei no início por meus familiares que ignoravam minha presença e maldiziam-me.
Mesmo diante de meu fronteiriço e meus revides às ofensas recebidas, eles não podiam me ouvir e nem me percebiam.
Eu não quis crer em minha morte.
Não aceitava aquela situação. Muito sofri.
Depois fui levada a vagar por...
Samara passou a relatar toda a sua dolorosa odisseia, como se Inácio a desconhecesse.
Paciente ouvinte, ele deixou-a contar tudo, enquanto sentia seu desabafo.
Acreditou que aquilo lhe seria necessário.
Após muito falar, diante da atenção recebida de Inácio, Samara suspirou aliviada e por fim argumentou:
- É por tudo isso que vos sou imensamente grata e coloco-me a vossa inteira disposição, tendo em vista o que fizera por mim.
Já estou em condições de trabalhar e ajudar-vos com outros "doentes" que estão aqui em condições semelhantes as minhas quando cheguei.
Além disso...
Pela primeira vez Inácio, com delicadeza interrompeu-a:
- Cara Samara - disse ele -, sinto-me imensamente feliz por compartilhar, juntamente contigo e com os demais irmãos, de tão nobre e revigoroso abrigo que é este Posto de Socorro.
No entanto, cabe-me orientar-te de que não é a mim a quem deves agradecer e muito menos colocar-te, sinceramente, a tão nobre e honrosa disposição.
Deves sim voltar teus agradecimentos e tua disponibilidade ao querido e amado Mestre Jesus, pois foi Ele quem nos ensinou o caminho de amor e paz, de moral e dignidade, de fraternidade, paciência e perdão que nos leva ao Pai Eterno e de infinita bondade a quem chamamos de Deus.
Percebendo o embaraço de Samara, Inácio prosseguiu tentando abrandar-lhe a timidez:
- Sei que são sinceros teus devotamentos, porém quero lembrar-te de que sou um humilde servidor deste Posto como qualquer um outro que há aqui.
Não deves a mim nenhum agradecimento, ao contrário, eu te devo agradecer em nome de todos os trabalhadores daqui a oportunidade que nos deste de te servir e orientar.
Esperamos que nossas humildes e limitadas condições tenham te proporcionado grande e proveitoso bem-estar e crescimento espiritual.
Vendo-a mais à vontade, o gentil espírito Inácio esboçou leve sorriso e decidiu definir o seu chamado:
- Bem, cara Samara, eu a chamei justamente por termos percebido o teu progresso em crescente escala animadora, desde que chegaste aqui.
Particularmente, venho observando teu desenvolvimento, tua sinceridade e vontade de servir, mas para isso, a cara companheira necessita de muito mais conhecimento que receberá através dos meios e métodos de instruções que não dispomos, pois, como sabes, este é um Posto de Socorro e em uma colónia terá condições e oportunidades para melhor aprimorar teus conhecimentos na esfera evolutiva da espiritualidade.
Explicando-lhe os motivos de sua ida para uma colónia maior, Inácio sentiu-se satisfeito como quem se depara com o dever cumprido.
Samara, por sua vez, sentia-se lisonjeada e orgulhosa de si mesma, apesar de ainda não se achar segura o suficiente para enfrentar lugares e situações novas e diferentes.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Nov 05, 2016 10:28 am

2 - O DESPERTAR DE HONÓRIO

Tendo, no Posto em que administrava, outros dois espíritos que julgava estarem preparados, assim como o espírito Samara, para receberem mais esclarecimentos e desenvolvimento espiritual, Inácio encaminhou e acompanhou Samara, Maria e Helena a uma colónia próxima e mais apropriada, aproveitando a visita para rever velhos amigos.
Ao chegarem lá, foram levadas aos aposentos reservados a elas.
As três encontravam-se admiradas com tudo o que viam.
Assim que se acomodaram e conheceram o lugar onde lhes seria proporcionado grande parte de seus estudos, Inácio solicitou a presença de Samara no salão principal, avisando-a de que alguém gostaria muito de revê-la e cumprimentá-la.
Rapidamente, caminhou até o salão.
No trajecto, sentia um misto de emoções que se alternavam entre a ansiedade e a curiosidade.
Ao deparar-se com a figura conhecida de Nicolau, estremeceu encabulada.
O espírito Nicolau centralizou seu olhar fraterno em Samara, aproximou-se encantado de alegria pelo prazer de vê-la agora ali, na mesma colónia em que ele habitava e trabalhava como assistente do coordenador do departamento de orientação.
Aproximando-se um pouco mais, segurou ambas as mãos de Samara, que abaixou o olhar envergonhado, e, com imensa alegria, cumprimentou-a:
- Querida amiga Samara!
Como estou feliz por tê-la aqui!
Ela, por sua vez, não conseguiu encará-lo.
Quando encarnada, apaixonou-se imensamente por Nicolau que, na época, já era casado com sua prima Lavínea.
Por todos os meios, tentava persuadi-lo para que vivessem juntos uma imensa paixão, não medindo as consequências de seus actos.
Tentava separá-lo de sua prima, intrigando Lavínea contra Nicolau, querendo provocar imensa discórdia entre ambos.
A experiência vivida entre Nicolau e Lavínea foi imensamente difícil, tendo em vista as tramas complexas armadas pela pobre Samara.
Porém, o casal teve mais fé e assim adquiriu muita força para superar o desafio.
Durante os dez anos de matrimónio que os uniram, Samara os incomodou, dando-lhes paz somente quando Nicolau desencarnou num acidente em que a charrete tombou e ele quebrou o pescoço deixando a viúva com três pequenos órfãos de pai.
Samara, mesmo em boas condições financeiras, não se propôs em ajudar sua prima, muito menos aos filhos de Nicolau, que passaram inúmeras necessidades devido à falta do pai.
Mesmo viúva, empenhou-se ao máximo na educação e na boa formação moral dos pequeninos, guiando-os sempre para o caminho do bem e do amor fraterno.
Desencarnou depois de um mês do casamento de seu caçula quando já possuía dois netos, um de cada outro filho já casado.
Naquele instante, chegou, ali naquele saguão o espírito Lavínea que também queria cumprimentar a recém chegada.
Aproximando-se de Samara, abraçou-a com terno carinho emanando-lhe imensa quantidade de energias fraternas.
Samara retribuiu o afecto, mas não conteve as lágrimas de vergonha e arrependimento.
Lavínea afastou-se do abraço e colocando firmemente as mãos nos ombros da outra, balançou-a com firmeza dizendo:
- Aqui não há lugar para lágrimas de tristezas.
Se estais aqui é porque tu mereces esta condição.
- Eu te fiz tanto mal... - murmurou embargada pelos soluços.
Eu deixei de obedecer às razões morais para dar atenção aos meus instintos imorais.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Nov 05, 2016 10:28 am

Perturbei a vossa felicidade para destruir vosso matrimónio.
Não auxiliei quando em vossa viuvez... quando eu poderia e deveria.
Não sei o que dizer-vos.
Nicolau, para atenuar o constrangimento de Samara, completou:
- Cara Samara, se reconsiderastes tudo o que deixastes de fazer, arrependendo-vos dos valores que, infelizmente desprezou, se o remorso e o arrependimento tocou-vos a razão, fazendo-vos reflectir e desejar imensamente a mudança e a correcção do que vós fizestes.
Esta é a oportunidade de elevação que tendes!
Aqui não há lugar para lamentações e sim para o desejo de evoluir.
Eu e minha amada Lavínea estamos aqui para apresentar-vos a nossa fraternidade, o nosso carinho e o nosso desejo em vosso progresso moral e espiritual.
Estamos à sua disposição.
Samara abraçou-os emocionada e, diante de tanto conforto, passou a sorrir, ansiosa por aprender e reparar suas faltas.
Empenhou-se ao máximo, preparou-se por décadas e décadas no plano espiritual para as condições que sabia enfrentar na próxima reencarnação.
Com a ajuda de Nicolau e Lavínea, ela superava todos os obstáculos que surgiam, dedicando-se incessantemente aos trabalhos oportunos.
Após anos e anos de preparo, Nicolau e Lavínea partiram da colónia para o reencarne terreno, dispondo-se à dura tarefa de doutrinação no campo do Espiritismo Evangélico.
Lavínea acompanharia Nicolau como sua amada fiel, esposa e amiga terrena, apoiando, incentivando e auxiliando-o na instrução de irmãos encarnados e desencarnados, amparando e esclarecendo a mediunidade dos companheiros que lhes fossem colocados à disposição.
Caberia a eles o difícil trabalho de inserir e elucidar, no seio familiar junto aos parentes mais próximos, os preceitos espíritas, não deixando de perder as oportunidades de oferecer-lhes todo o embasamento necessário para o entendimento de tão nobres ensinamentos.
Eles sabiam de antemão que receberiam como filhos duas criaturas maravilhosas, amáveis companheiros competentes que se dedicariam à instrução e à orientação do semelhante, dos quais o casal receberia muito apoio, compreensão e colaboração.
Ao saber dos planos reencarnatórios, o espírito Samara ficou felicíssimo ao saber que teria os espíritos Nicolau e Lavínea como parentes próximos.
Nicolau seria seu tio e, agora já encarnado, recebera o nome de Alfredo.
Era irmão de seu futuro pai: Honório.
Lavínea reencarnada recebera o nome de Dora.
Dora e Alfredo já tinham como bênção os dois tão esperados e amados filhos: Dirceu e Júlio.
Alfredo, presidente de um organizado grupo espírita, edificava cada vez mais sua meta com os ensinamentos do Espiritismo Cristão.
Por outro lado, Dora, dedicada mãe e companheira, ajudava-o com as noções basicamente espíritas na educação dos tão amados filhos que aproveitavam ao máximo tudo o que lhes era ensinado.
Alfredo não era rico.
Tinha de trabalhar muito para manter a família, porém parecia nunca se cansar.
Era extremamente dedicado, não medindo esforços ao ensinamento do evangelho e sua prática.
Seu maior obstáculo era passar para seus irmãos Honório, Sílvia e Marta o entendimento e a aceitação das explicações espíritas para os factos da vida terrena.
A mãe deles, dona Filomena, católica, não interferia na educação religiosa dos filhos, deixando-os à deriva.
Com o tempo, Honório casou-se com uma moça chamada Clara e receberam, como primogénita, Samara, a quem deram o nome de Camila.
Tendo na memória o absoluto esquecimento do passado, Alfredo e Dora tinham, em seus corações, a lembrança intuitiva e por isso muito se afeiçoaram à sobrinha Camila.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Nov 05, 2016 10:28 am

Tempos depois, Camila teve duas outras irmãs:
Cida e Vera, que eram gémeas.
Anos se passaram e quando Camila já era uma adolescente, ganhou outro irmão, Júnior.
Nessa época, Honório e Clara passavam por inúmeras dificuldades financeiras e a situação parecia estar cada vez mais desesperadora.
Alfredo, sempre prestativo, começou a dividir o que tinha com o irmão Honório.
Seus pais, já velhos e sem possuir muitos bens financeiros, pouco podiam ajudar.
As irmãs, Sílvia e Marta, casaram-se e moravam em outra cidade.
Quase não tinham notícias delas.
Raramente escreviam ou enviavam algum cartão de natal.
O desespero tomava conta de Honório que, não conseguindo nem mesmo pagar o aluguel, teve de se mudar para a casa de Alfredo, que, sozinho, passou a sustentar as duas famílias.
Dora e Clara se dispuseram a fazer faxina em casa de família para ajudar no orçamento e na manutenção da casa, enquanto Camila e seus primos, mais velhos, Dirceu e Júlio se revezavam entre o horário escolar e os cuidados com os menores.
Alfredo incentivava Honório, que já se deixava abater com a crise.
Entretanto, por causa das dificuldades, Honório apresentava-se mais humilde, menos arrogante.
Passou a frequentar o Centro Espírita, do qual Alfredo era presidente, junto com toda a família.
Alfredo e Dora passavam horas com os filhos e a sobrinha mais velha, Camila, contando-lhes crónicas e exemplos espíritas, elevando-lhes o espírito e o entendimento com os ensinamentos à luz do Espiritismo.
O divino livro O Evangelho Segundo o Espiritismo era lido e estudado diariamente no lar de Alfredo, que fazia questão da presença de todos em volta da humilde mesa, a fim de que fossem expostos e estudados os tesouros sagrados nele contido.
Honório participava, porém distante daquelas vibrações harmoniosas que reinavam, pois estava bem desanimado.
Saindo à procura de emprego, diariamente ele retornava desconsolado pelas portas que se faziam fechar a sua frente.
Certo dia, quando o sol escaldante do mês de dezembro se fazia brilhar radiante na imensidão azul, depois de horas numa fila imensa de desempregados à porta de uma firma, Honório revoltou-se diante da negativa feita às suas qualificações profissionais.
Aflito e desorientado, passou a caminhar sem rumo.
Depois de andar muito chegou suado e todo desalinhado à praia de Copacabana.
Ele tirou os sapatos e afrouxou a gravata que já se desarrumara toda.
Sentou-se na areia quente e ficou ali por bastante tempo pensando em tudo o que acontecia e no que fazer de sua vida.
Seu irmão não tinha a obrigação de sustentá-lo juntamente com a esposa e quatro filhos.
Alfredo mal ganhava para o sustento da própria família e ainda tinha de dividir com ele, e os seus, o pouco que havia.
Algumas vezes nem ele mesmo entendia como conseguiam comer diariamente nem se fosse uma só refeição.
Mas alguns pensamentos monstruosos passaram a tomar conta dos sentimentos de Honório.
A princípio pensou em suicídio.
Em seguida acreditou não ser o suficiente.
O melhor a fazer era acabar com a vida dos quatro filhos, que por sua causa estavam nesse mundo, e com a da esposa a qual sofria com aquela situação por culpa dele.
Aí sim, depois disso consumado, ele se mataria, pois somente assim não deixaria suas obrigações para alguém.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Nov 05, 2016 10:28 am

A caminho da casa de Alfredo, Honório começou a pensar em uma maneira de pôr um fim àquele sofrimento e começou a tecer planos de como executar tal tragédia.
Ele andava pela calçada de forma mecânica e instintiva, fazendo imperceptivelmente o trajecto de volta.
Sem perceber, passando ele frente a uma igreja evangélica, chamaram-lhe a atenção as palavras altas vociferadas pelo pastor que iniciava o culto naquele momento.
Sem reflectir, Honório entrou no templo religioso acomodando-se em uma cadeira bem no fundo da igreja e lá ficou extasiado.
Aos chamados irritadiços do pastor aos que se negavam se entregarem a Deus, Honório despertou assustado, como quem acabasse de acordar.
Em alto e bravo som, o pastor chamou novamente:
- Entregue-te a Deus Pai Todo-Poderoso!
Só Ele pode te salvar da maldição!
Da angústia!
Da insatisfação desse mundo pecaminoso!
Se tu sofres, se estás passando por dificuldades, se está desolado, entrega ao Senhor o teu coração e os teus problemas.
Venha aqui na frente e entrega-te!
Honório, com os olhos cheios de lágrimas, não resistiu e caiu em pranto.
O pastor, apesar da distância, percebeu seu desespero.
Então, vendo-o inseguro e indeciso, passou a manipular suas palavras dizendo coisas que lhe tocavam nos problemas íntimos, fazendo-o desabafar em desesperado choro compulsivo.
- Irmão! - dizia.
Venha aqui e entrega a Deus os teus problemas e as tuas dúvidas!
Deixa que o Senhor tome-te em Teus braços e conduza-te ao conforto do que reservou a ti!
O sofrimento não pertence ao homem e sim ao demónio!
Honório, levado por uma força sobrenatural, caminhou até a frente e chegando próximo aos degraus onde ele estava, colocou-se de joelhos e pôs-se a chorar ainda mais.
O pastor, dando gritos de glória e aleluia, era acompanhado pela multidão que junto vibrava feliz por ter entre eles mais um irmão que entregava a Deus o seu coração e os seus problemas.
No fim do culto, depois dos cantos e dos agradecimentos, o ministro Freitas procurou ter uma conversa em particular com Honório, pois o percebeu muito alterado e imensamente perturbado.
Honório, recompondo as emoções e mais calmo relatou suas dificuldades financeiras, profissionais e o transtorno que levava para a casa de seu irmão.
Apesar de ele não reclamar, não tinha obrigações de arcar com tantas responsabilidades.
O pastor Freitas ouviu seu desabafo com grande atenção e ficou profundamente chocado quando Honório relatou-lhe a perversidade desumana de seus pensamentos e desejos de exterminar-se, juntamente com a família, para pôr fim a tanto sofrimento.
- Irmão - disse com brandura -, esses pensamentos não são teus! E o demónio que está falando aos teus ouvidos!
O demónio é monstruoso e astuto fazendo parecer teus os pensamentos que ele te transmite.
Por outro lado, o irmão pode perceber que o anjo do Senhor foi mais forte, trazendo-o à nossa direcção e guiando-o a entrar na casa de Deus e ouvir seus ensinamentos.
Honório, por ter desabafado, estava um tanto mais tranquilo, porém pouco conseguia atentar as palavras de Freitas que continuava a orientá-lo:
- O irmão pode ter certeza de que tudo vai melhorar em tua vida a partir de hoje, de agora! Há em nossa igreja inúmeros irmãos que, eu sei, vão empenhar-se em ajudar-te!
Eu mesmo tomarei providências a esse respeito.
Agora, porém, vou acompanhá-lo à casa de teu irmão para que te sintas seguro e chegues a salvo.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Nov 05, 2016 10:28 am

Freitas acompanhou Honório até a casa de Alfredo onde todos já estavam preocupados com sua ausência, pois já se fazia noite.
Honório, um tanto envergonhado, apresentou-o a seu irmão e a família.
Educado, Alfredo convidou-o a entrar na humilde residência e ofereceu-lhe um refresco para abafar o calor.
No decorrer da conversação, Freitas contou quem ele era e o que havia acontecido.
Relatou até mesmo as confissões que Honório lhe fizera sobre os pensamentos monstruosos de matar toda a família e se suicidar.
Alfredo se resguardou de tecer quaisquer comentários para não julgar ou ser precipitado, ficando na expectativa.
Freitas não foi embora enquanto não realizou, dentro daquele lar já tão iluminado, uma nobre e bela oração na qual vibrou muito positivamente para o bem-estar de todos.
Alfredo ficou imensamente satisfeito por seu irmão ter encontrado em hora tão difícil uma criatura que o fizesse mudar de pensamento e sentimento, não importando a religião, mas sim o valor de sua atenção e compreensão dos bons princípios.
O pastor pediu a Honório para ir à igreja bem cedo na manhã seguinte para tratarem de arrumar-lhe um emprego.
Convidou também a todos para o próximo culto.
Mais tarde, procurando Alfredo em particular, Dora se preocupou:
- Alfredo, não estou muito simpática a ideia de Honório ligar-se a esse pastor - comentou descontente.
- Não vejo motivo para preocupar-se, minha querida.
Esse homem me pareceu ser gente de bem.
Não observei nada de errado com seus desejos e devemos admitir que sua prece foi muito rica.
- Não é ao pastor a quem me refiro.
Desculpe-me a franqueza, sei que tu muito desejas ajudar teu irmão, porém refiro-me a Honório.
- Não entendi, Dora. Tu poderias ser mais clara?
- Honório não acredita em Deus, muito menos em religião. Já percebeste isso?
- Quem sabe seja esse o caminho que o levará a aprender, entender e aceitar os ensinamentos do nosso Irmão Maior, que é Jesus?
- Mais uma vez peço-te desculpa pela franqueza, Alfredo.
Porém duvido e ainda acredito que esse tipo de doutrina religiosa possa complicar, ainda mais, a vida espiritual de Honório e talvez até a de sua família.
- Por quê?
- Não sei dizer, é só um palpite.
Minutos de silêncio e Dora argumentou:
- Desculpe-me, meu amor, eu não queria que ficasses preocupado.
Alfredo nada comentou.
Entretanto também sentia algo errado com a religiosidade tão repentina de seu irmão e em tudo o que Honório pensara assumir em nome de Deus.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Nov 05, 2016 10:29 am

3 - OPORTUNIDADE DE CRESCIMENTO

Na manhã seguinte, bem cedo, conforme combinaram Honório pontualmente estava na igreja.
Com satisfação foi recebido pelo pastor Freitas e outro irmão da congregação que já o esperava.
- Honório!
É com imenso prazer que te temos aqui! - disse o pastor Freitas apertando-lhe a mão e puxando-o para um abraço.
Deixe-me apresentar-te!
Este é Alcides, nosso irmão na congregação.
O novo conhecido cumprimentou-o com satisfação.
- O digníssimo pastor Freitas contou-me teus pesares e isso muito me sensibilizou - falou Alcides em tom comovedor.
Porém, eu gostaria de esclarecer que, independente dessa apresentação feita pelo pastor, eu procuro um funcionário responsável.
Sou proprietário de um pequeno armazém e necessito de alguém a quem possa depositar minha inteira confiança.
Quando o pastor apresentou-me teu perfil, acreditei ter encontrado o funcionário ideal.
- Pois bem, senhor Alcides - disse Honório -, eu me coloco a tua inteira disposição.
Tenho aqui toda a minha documentação e trago também as cartas de referência de meus dois últimos empregos.
- As cartas não serão necessárias, entretanto a documentação terá de ser apresentada a meu contador.
Apesar do meu empório não ser muito grande, faço questão de ter meus funcionários registados e com todos os seus direitos garantidos.
Quanto ao salário, este ficará em torno de setecentos cruzeiros.
Está bom pra ti?
Sem titubear, Honório aceitou emocionado:
- Sim, claro! Sem dúvidas!
- Irmão Alcides - interrompeu o pastor -, o caro irmão me falou sobre a casa que tens para alugar, creio que o irmão esqueceu-se desse detalhe.
- Ah, sim! Como pude!...
É que tenho algumas casas de aluguer e para alguns funcionários com família eu costumo alugá-las e fazer o desconto da locação directo na folha de pagamento, caso seja de teu interesse...
Honório ficou maravilhado.
Vieram-lhe à mente as cenas que se repetiam todas as noites havia cerca de oito meses na casa de seu irmão, onde só havia um quarto, sala cozinha e um banheiro.
Portanto, para acomodar a todos, até embaixo da mesa da cozinha haviam de espalhar colchões a fim de poderem dormir.
- Não sei como posso agradecer o senhor! - exclamou Honório com os olhos transbordando lágrimas.
Não sei o que dizer!
- Então não digas nada, homem!
Aceite o emprego e a oferta da casa!
- Sem dúvida que aceito! - respondeu Honório.
Nem sei como agradecer!
O pastor Freitas virou-se para Honório e comentou:
- Irmão Honório, agradeça a Deus.
Agradeça aos anjos do Senhor que o colocou no caminho da luz, no caminho do bem e do amor para ser socorrido e não deixou aqueles pensamentos tenebrosos se tornarem realidade.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Nov 06, 2016 10:23 am

Pois se o anjo do Senhor não aparecesse para sussurrar-lhe aos ouvidos suas preces, o demónio te teria tomado conta da alma.
Honório sorriu de satisfação porque sua vida começou a ter propósito de melhorias.
Embora ele acreditasse que sua entrada em uma igreja evangélica, bem como o emprego que acabara de arrumar e a saída da casa de seu irmão, fora uma mera casualidade, o que, logicamente, não foi.
Apesar de não perceber, muito menos acreditar, Honório era amparado pelo plano espiritual devido às preces e os pedidos de seu irmão Alfredo, que muito acreditava no auxílio do invisível.
Cabendo lembrar que nenhuma oração ou pedido deixam de ser observados pelo plano espiritual e amparados na medida do possível.
Honório não dava atenção aos pensamentos mais sublimes que continham uma elevada carga de instrução e apoio espiritual superior.
Entretanto, quando em sua mente começou a vigorar instintos monstruosos inerentes as mais perversas fraquezas humanas, naquela tarde na praia de Copacabana, ele foi guiado a entrar em uma igreja que elevava o nome de Deus como Omnipotente, sendo esse o único lugar onde conseguiu paz para seu espírito perturbado.
Os frequentadores daquela igreja evangélica chamavam-se de irmãos por acreditarem em um único Pai.
Diante dessa irmandade e até mesmo por causa dela, os adeptos se auxiliavam material e espiritualmente em nome de Deus.
Honório foi alertado por essa doutrina que os nossos pensamentos são invadidos pela vontade ou pelos desejos traiçoeiros de espíritos inferiores, aos quais eles denominam demónio ou satanás.
Essas mesmas criaturas são reconhecidas, no Espiritismo, como nossos irmãos.
Espíritos ainda sem evolução, sofredores e infelizes.
Tais irmãos sem instrução e com o coração endurecido pela falta de perdão e amor incondicional, recusam auxílio para a sua elevação, à qual todos os seres vivos têm direito, independentes da etapa ou escala espiritual na qual se encontre.
No Espiritismo, o comum é a denominação dessas criaturas como obsessores, mas isso em casos em que haja uma perseguição muito ostensiva por parte do desencarnado.
No entanto, é bom lembrarmos que também existem os obsessores encarnados que podem se dedicar exclusivamente para tentar prejudicar outro encarnado.
Naquela mesma semana, Honório começou a trabalhar.
E na seguinte ele, com toda a sua família, mudaram-se para a nova casa.
Em meio a tantas arrumações, Honório não teve tempo ou lembrança de sequer dizer obrigado ao seu irmão Alfredo que o apoiou moral, espiritual e financeiramente por quase um ano em sua casa.
Honório, bem esforçado, não se importava em trabalhar até mais tarde a bem do serviço e sempre que solicitado ajudava, inclusive nos finais de semana.
Entretanto, nos dias de culto na igreja, Alcides deixava os funcionários, seguidores de sua religião, saírem mais cedo.
Honório era um dos privilegiados.
E querendo demonstrar-se dedicado, chegava a casa e rapidamente se arrumava.
Nunca admitia chegarem atrasados, pois era muito grato a Freitas e a Alcides pela oportunidade de serviço e por viver com mais dignidade agora.
Começou a integrar-se com toda a família na disciplina e nas tarefas da igreja.
Somente não se satisfazia com o pagamento do dízimo a bem da doutrina religiosa, porém não encontrava um meio de livrar-se de tal colaboração.
Não demorou para que Honório, sua mulher e filhos se baptizassem, firmando com isso maiores compromissos com a igreja evangélica.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Nov 06, 2016 10:23 am

Tudo em sua vida mudou.
Não havia riqueza, no entanto, agora, podiam contar com uma boa alimentação e um pouco mais de conforto.
Honório e Clara se afastaram totalmente do resto da família e também não permitiam que os filhos os visitassem sozinhos.
Nem mesmo Camila, que já estava uma moça feita e responsável, não tinha permissão do pai para ir ver os avós e muito menos os tios, Alfredo e Dora que tanto o ajudaram.
- Não! Definitivamente, não! - vociferava Honório.
Não admito que vá a casa deles!
- Mas pai, qual o problema?! - reclamava Camila, filha mais velha de Honório.
O tio Alfredo e a tia Dora não falam mais nada de Espiritismo para mim.
Eles nem tocam no assunto. Eu...
- Eu disse: não!
Entendeu Camila? Não!
- Mas pai...
Interrompendo-a com veemência e colocando-se robustamente frente da filha e levantando o braço com ameaça de agredi-la, Honório berrou:
- Mais uma palavra e tu apanhas!
Ninguém aqui vai se envolver com quem tem pacto com o demónio!
Entendeu?! - Acuada diante da ameaça, ela não disse nada.
Porém Honório continuou:
- Enquanto eu vivi ligado àqueles endemoninhados nunca tive sequer um emprego!
Depois que conheci a palavra do Senhor nunca mais nos faltou nada!
A filha sentia algo errado acontecendo com as opiniões e pensamentos de seu pai.
Sabia que ele nunca fora religioso.
Porém agora se dedicava integralmente àquela doutrina.
Mesmo diante de todo empenho e imposição para que seguissem as normas religiosas que ele demonstrava adoptar, ela não conseguia acreditar em tanta devoção por parte dele.
Camila sempre gostou e concordou com tudo o que ouvira de seu tio Alfredo sobre o Espiritismo, o evangelho feito no lar, as conversas sobre assuntos espirituais, as literaturas espíritas...
Tudo aquilo lhe trazia imenso conforto e uma profunda paz.
Como é que poderia ser coisa do demónio algo que lhe trazia imenso esclarecimento e tranquilidade?
Algumas das vezes que esse tipo de dúvida surgiu, a jovem procurou conversar com sua mãe para saber sobre seu parecer.
- Filha - dizia Clara -, teu pai trabalha muito para manter a casa e a família em boas condições.
Esse emprego foi conseguido somente por intermédio de pessoas que têm uma determinada crença e um único tipo de conduta.
Portanto não seria justo nós trairmos teu pai e essa gente que tanto nos ajuda vivendo próximo daqueles que eles consideram pecadores.
- Mãe, não quero contrariar-te, no entanto esqueces que primeiro esses a quem chamas de pecadores são nossos parentes e segundo são pessoas que sempre nos ajudaram nos momentos mais difíceis pelos quais passamos.
Não é justo esquecermos tudo o que o tio Alfredo fez por nós!
Ele sustentou-nos por muito tempo sem pedir nada, sem nunca reclamar de nada!
No entanto eu nem mesmo posso visitá-lo!
- É que teu pai percebeu que tu foste quem sempre mais admirou e se identificou com o tipo de pregação religiosa que teu tio Alfredo e a tia Dora faziam enquanto morávamos com eles.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Nov 06, 2016 10:24 am

Hoje, temendo que tu te deixes enganar por aquelas conversas sobre Espiritismo e reencarnações, teu pai quer poupá-la, isso é justo.
- Já sou maior de idade e tenho o direito de seguir o que eu quero!
- Não deixe teu pai ouvir-te falando assim!
- Mãe, a senhora é muito submissa.
- Camila! Agora tu foste longe demais!
Clara começava a se zangar devido à insistência da filha.
- Não quero que toques mais nesse assunto!
Tu farás o que teu pai determinar!
Inconformada, a jovem sempre procurava uma maneira de visitar seus tios às escondidas.
Alfredo não concordava com isso.
Entretanto não conseguia negar sua imensa satisfação ao ver a sobrinha.
- Camila, não é correto o que tu fazes - dizia sua tia Dora, pacientemente.
- Tia, meu pai é muito rígido comigo!
Não suporto ter de ir à igreja por obrigação, não gosto de lá.
- O melhor que tu tens a fazer é conversar com ele e explicar a situação - completou Alfredo.
- Tio, o senhor não entende.
Meu pai não quer falar nesse assunto.
Aliás, tenho mais oportunidade e liberdade para conversar com o senhor ou com a tia Dora do que com ele ou minha mãe.
- Quantas vezes tu tentaste conversar com Honório e explicar tua insatisfação? - quis saber Alfredo.
- Várias tio!
- Mesmo?...
- Sim, tio!
- Quer que eu vá procurá-lo para falar-lhe sobre teus desejos, opiniões e...
Antes que Alfredo terminasse sua frase, Camila reagiu impulsiva:
- Não! Por favor, tio!...
Deixa como está! Promete-me?!
Sem alternativa, Alfredo decidiu deixar tudo como estava diante da imploração da sobrinha.
Com o tempo, Camila passou a diminuir suas visitas à casa de seu tio.
Entretanto, alguns dias da semana, dizia à sua mãe que, após sair do colégio, iria à casa de uma amiga para fazer algum trabalho escolar, mas na verdade ela ia à praia com sua colega ou a outros lugares de diversão como cinema e parques.
Inevitavelmente a jovem começou a namorar às escondidas com um rapaz que a incentivava e apoiava a continuar com tais mentiras e também a cabular as aulas do colégio.
Honório estava envolvido demais com seu trabalho, com as tarefas e compromissos assumidos na igreja e não conseguia atentar para as atitudes das filhas, pois Júnior não lhe dava trabalho.
Sua exigência era que todos estivessem prontos no horário dos cultos.
Ele não admitia atraso.
Certo dia o pastor Freitas pediu a Alcides, proprietário do empório onde Honório trabalhava, que esse fizesse o imenso favor de liberar por um dia Honório e um outro funcionário de nome Monteiro, o qual também era adepto da doutrina, para que, junto com ele, fossem pesquisar e efectuar as compras de alguns materiais de construção para a reforma de ampliação da igreja.
Prontamente Alcides os liberou.
A partir de então Honório passou a ter mais conhecimento da verba arrecadada pela igreja através das doações dos fiéis por intermédio do dízimo ou das doações voluntárias, extras aos pagamentos obrigatórios dos fiéis.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Nov 06, 2016 10:24 am

Ele começou a fazer parte da administração e da contabilidade da igreja, passando a ter conhecimento de todo o numerário recebido e de como ou em que era gasto.
Tendo em vista a confiança depositada nos irmãos de igreja na compra de qualquer material, nunca foram solicitadas as notas ficais ou qualquer outro tipo de comprovante de pagamento.
Na primeira oportunidade, começou a desviar e apropriar-se de pequenas quantias, quase insignificantes, para uso pessoal.
Não demorou para perceber que Monteiro não era muito fiel àquela doutrina, pois, quando estava perto dele, sentia cheiro de bebida alcoólica que disfarçava com o uso de um perfume forte.
Assim como ele, Monteiro frequentava a igreja com o intuito de garantir o emprego.
Astuto, Honório o convenceu a trapacear.
Juntos eles começaram a conseguir desviar valores bem maiores das arrecadações feitas e sem levantar qualquer suspeita.
Agindo assim, um era testemunho do outro quando prestavam contas referentes aos gastos nas compras que realizavam.
Por anunciarem um preço bem acima do efectivamente cobrado, passaram a dividir o dinheiro que sobrava, o qual deveria ser devolvido à igreja.
Honório e Monteiro começaram a ter ideias diferentes das pregadas pelo pastor Freitas sobre a humildade, a riqueza através da ganância e do logro.
Sem se importarem com as pregações tiraram vantagens de tudo o que a eles era designado.
Em conversa com Honório, Monteiro, tentando justificar suas atitudes, dizia:
- Queres saber?
Estou a mais tempo ligado a eles do que pensas.
Pelo que vejo, quem me garante que Freitas e outros da igreja já não tiraram o seu quinhão da verba destinada às obras?
E quando nenhuma melhoria está sendo realizada, pra onde tu achas que vai essa dinheirama toda?
- E verdade, Monteiro.
Eu também me pergunto tudo isso.
A gente fica feito trouxa lá, trabalhando nisso e naquilo e?...
Coisas que eu não conserto na minha casa fico arrumando lá na igreja pra eles economizarem com mão-de-obra.
Faço isso só para manter meu emprego e a minha casa, do contrário...
- E eu Honório, tu achas que estou lá por que, hein?
Ainda bem que te encontrei e que concordas comigo.
Estou cansado de ser oprimido e não ter para quem reclamar.
Emprego é coisa rara hoje em dia.
O governo acaba com a nossa liberdade e com os nossos direitos, entre outras coisas.
Por fim vem a igreja evangélica que me obriga a tosar o cabelo feito um recruta, a usar paletó e gravata no clima do Rio de Janeiro, determina que minha mulher e minhas filhas fiquem com toda aquela cabeleira que só serve para esquentar as ideias e criar piolho, além de prendê-las àquelas saias ridículas.
Todas essas determinações me revolta, pois é a característica típica do "crente".
Estou cheio!
- O que eu puder fazer para não sair no prejuízo, farei - disse Honório convicto.
Eu estarei contigo!
- Tenho uma ideia - disse Honório.
Em nossas condições o que nos sobra é tempo.
- Vamos usá-lo!
- Como?!
Honório começou a relatar seus planos para Monteiro.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Nov 06, 2016 10:24 am

O melhor a fazer era estudar a Bíblia e obter muito conhecimento, trazendo decorados trechos importantes que justificassem seus objectivos escusos, ilícitos.
Aprenderiam a falar correctamente de modo a convencer e envolver as pessoas através da entoação de voz e da dramatização das palavras.
Cativando-as teria como consequência o aflorar de suas carências afectivas, o apego fanático na dependência de oradores fervorosos.
Para amparar-se usariam somente a Bíblia, proferindo palavras e esclarecimentos dúbios com o intuito de confundir o entendimento.
Julgavam que poderiam ser exímios oradores, portanto teriam muitos fiéis.
Não se deixariam mais dominar como discípulos da igreja que frequentavam.
Eles sim teriam autoridade e poder.
Pretendiam exercer influência sobre multidões, angariando confiança através de suas dedicações aos necessitados.
Tinham em mente que levariam uma boa palavra e grande orientação através das mensagens bíblicas aos sofredores, obtendo destes a gratidão, a obediência, o devotamento e, lógico, o agradecimento através de numerários que seriam arrecadados em nome de Deus e como prova do desapego material dos fiéis ou como meio de fé, pois acreditariam que receberiam em dobro o que doassem.
O objectivo de Honório e Monteiro era que todos fossem dependentes deles religiosa e espiritualmente.
- Nós seremos as bengalas, as cadeiras de roda aos aleijados de religião e fé! - gritou Honório com euforia.
- Um brinde a isso! - concordou Monteiro, oferecendo ao amigo Honório um copo com aperitivo alcoólico, convidando-o para uma comemoração.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Nov 06, 2016 10:24 am

4 - HIPOCRISIA USANDO O NOME DE DEUS

Honório e Monteiro empenharam-se ao máximo em estudos bíblicos em todos os seus momentos vagos.
Ambos se reuniam às portas fechadas, treinando e ensaiando o que seriam as apresentações em público para dirigirem um culto evangélico tão bem, ou melhor que o pastor Freitas.
Chegavam a ajoelhar e chorar nos ensaios, de forma tão autêntica que não colocaria em dúvida nem mesmo um experiente director cinematográfico.
Todo esse espectáculo era feito em nome de Deus.
No final riam e parabenizavam-se pela perfeição exibida na representação durante tão árduo ensaio.
Um dia a oportunidade surgiu.
O pastor Freitas teve de ser operado às pressas por ocasião de uma apendicite aguda e não havia quem o substituísse de imediato, pois todos, pegos de surpresa, ficaram desorientados:
Foi então que Honório se prontificou.
Assumindo a frente da igreja com seriedade, Honório manteve uma expressão austera.
Olhou para todos e começou a cantar sendo acompanhado por todos os fiéis.
Em seguida, após leitura rápida de uma passagem do evangelho, iniciou a explicação com vigor dando ênfase em tudo o que falava, usando de todas suas subtilezas e raciocínio rápido para convencer os fiéis e angariar o respeito deles.
Sua apresentação foi fenomenal!
Nem mesmo se esqueceu de uma calorosa oração pela melhora da saúde do pastor Freitas.
No final, os fiéis estavam fervorosamente alegres.
Acreditavam que o anjo do Senhor havia se pronunciado através do irmão Honório e que Deus não os abandonou, pois na falta do pastor Freitas mandou Seu emissário proferir suas palavras.
Honório sentiu-se saciado.
Nem mesmo ele acreditava se sair tão bem.
Então passou a se incumbir dos próximos cultos por causa da recuperação do pastor Freitas.
Monteiro vibrou de alegria e, não se contendo, procurou Honório na mesma noite:
- Bem que me disse que daria certo, Honório!
Eu até achei que estávamos perdendo tempo com tanto estudo e ensaio.
- Eu nunca perco tempo.
Foi uma questão de oportunidade e nós a tivemos.
Agora é só ganharmos confiança.
- Tu viste quanto arrecadamos?! - exclamou Monteiro entusiasmado.
- Não. Tu não querias que eu fosse atrás do cesto de óbolos para saber de dinheiro perto do Alcides e dos outros, querias?
Tu não imaginas!
Triplicamos o último numerário arrecadado por Freitas!
- Tu não brincas?! - disse Honório admirado.
- Aqui está.
Confere tu mesmo.
Exibindo dois feixes de notas, Monteiro entregou um na palma da mão de Honório dizendo:
- Combinastes metade comigo, certo?
Eis tua parte.
- Foi o combinado - confirmou Honório com os olhos brilhando ao tocar as notas e verificando o valor.
- As moedas e alguns trocados eu deixei lá para eles verem que seu culto rendeu mais que o do Freitas.
Sabes, não foi fácil tirar nossa parte com o Alcides por perto.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Nov 06, 2016 10:25 am

Ele é uma águia.
Com um sorriso irónico, Honório comentou:
- Alcides está preocupado com a parte dele.
- Sabes qual é o pior? - ironizou Monteiro.
Alcides é tão trouxa e covarde que não tira nada para ele.
Acho que o idiota é honesto mesmo.
Depois de rirem muito e combinarem novos planos, Monteiro se foi, deixando Honório fora de si ruminando novas intenções para ganhar poder e fama dentro da religião.
Ele entendeu que as pessoas pagavam por um espectáculo, pois só através deste é que conseguiam ter fé e esperança.
Quando era bom, pagavam bem; quando era óptimo, pagavam mais.
Outros cultos ocorreram e, apesar de admirar muito Honório, Alcides passou a ter certas suspeitas tanto dele quanto de Monteiro e em uma de suas visitas ao pastor Freitas, que se recuperava da cirurgia, chegou a comentar:
- Pastor, sei que é pecado caluniar, porém algo está errado.
Não sei ao certo o que é, entretanto sinto uma cumplicidade entre Honório e Monteiro.
A impressão que tenho é que o olhar deles os denuncia.
- Não posso dizer nada, caro irmão. Confio neles.
Nunca tivemos em nossa comunidade irmãos que não fossem fiéis e honestos.
- Pastor - insistia Alcides -, sou eu quem cuida da verba da igreja e logo após a arrecadação eu a confiro.
Sempre agradeci a Deus pela honestidade em minhas mãos e a tranquilidade em minha consciência para separar e direccionar cada centavo recebido.
O senhor sabe que cuido de pagar todas as contas, cubro todas as necessidades da igreja e ainda sobra para comprarmos alimentos para os nossos irmãos pobres e, também doamos o restante até para aqueles pobres que ainda não se envolveram na palavra de Deus e não frequentam a casa do Senhor.
- Se não soubesse de sua honestidade, Alcides, não ocuparias essa função.
- Agradeço a confiança, pastor Freitas.
- Seja claro, irmão Alcides.
Do que tu desconfias?
- O irmão Monteiro é quem faz a arrecadação do numerário e a separação das notas e moedas.
Eu... bem... eu... - gaguejou Alcides.
- Digas homem!
- Eu creio que ele tira para si algumas notas.
Freitas arregalou os olhos incrédulos e insistiu:
- Como?! Do que tu falas?!
- O pastor sabe que o irmão Honório é talentoso.
Agora que ele está dirigindo o culto, parece que algo se manifesta por ele, pastor.
- Como assim irmão?! Eu te estranho!
Nunca contestaste sobre alguém de nossa igreja.
- Eu me explico.
Durante o culto, o irmão Honório se apodera de um dom espectacular!
Ele envolve os fiéis e os leva ao delírio!
Chega a pronunciar coisas estranhas em forma de prece em idioma que eu desconheço.
- Ora, ora, irmão.
Ao anjo do Senhor não há fronteiras linguísticas.
- Certo pastor, eu concordo contigo.
Entretanto o irmão Honório envolve os fiéis com sugestões engenhosas que induzem a uma alucinada doação e entrega de seus bens materiais, e o primeiro a ser entregue é o dinheiro.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Nov 06, 2016 10:25 am

Eu pude observar, durante o culto, que a doação aumentou, porém, ao chegar as minhas mãos para contabilizar, esta se encontra no valor aproximado das antigas arrecadações.
Como se explica isso?
O pastor Freitas ficou preocupado.
Tal facto jamais havia ocorrido dentro de sua igreja.
- O irmão tem certeza disso?
É uma suspeita muito séria.
- Estou disposto, se o pastor permitir, a marcar algumas notas e distribuí-la à minha família para a doação.
Dentre essas notas colocarei uma de bom valor, tipo... dez cruzeiros.
Se todas as notas forem parar na contabilidade, eu me retiro desse trabalho ao Senhor e até deixo de ser membro da igreja, pois não é cabível que alguém como eu dê-se ao desfrute de ouvir o demónio ao ponto de acusar e querer testar irmãos da doutrina.
- Se o irmão Alcides quiser fazer isso, tem minha aprovação.
Porém não permitirei que saias da minha igreja caso não proves nada contra o irmão Honório e o irmão Monteiro.
Se isso ocorrer, esse é o momento que o irmão necessitará de nós.
- Então será feito, pastor.
Temos aqui quatro notas de cinco cruzeiros e uma de dez cruzeiros.
Eu gostaria que o senhor mesmo anotasse a numeração.
Quando o numerário chegar à contabilidade, quero que o senhor esteja lá comigo para comprovarmos.
Assim foi feito.
Marcaram em um papel a numeração das notas e guardaram.
Dois dias depois, com a saúde quase totalmente restabelecida, Freitas foi à igreja para se encontrar com Alcides e conferirem a arrecadação da noite anterior.
José, outro membro da igreja, que junto com Alcides encarregava-se da contabilidade, estava a par da situação.
Ele confirmou ao pastor que após a arrecadação, foi Monteiro quem colocou no cofre os valores e pertences valiosos doados pelos fiéis.
Depois disso ninguém mais mexeu neles.
Abriram o pequeno cofre e começaram a procurar pelas notas marcadas.
Mas, para a surpresa dos três, não havia nenhuma nota de dez cruzeiros e todas as outras notas de cinco cruzeiros, cuja numeração fora anotada, também não estavam ali.
Alcides revoltou-se.
Como podiam fazer aquilo?
Não acreditavam no castigo de Deus?
José, por sua vez, queria expor toda a situação e a experiência durante o próximo culto para que todos soubessem das falcatruas de Honório e Monteiro.
Freitas acalmou-os.
Porém, não poderia permitir novas lesões ou furtos às doações recebidas para a igreja.
Teria uma conversa com Honório e Monteiro para esclarecerem tal facto.
Alcides imediatamente prontificou-se a ir buscar no empório Monteiro e Honório, colocando-os na frente do pastor e de José para pedir-lhes explicações sobre o facto.
- Estão acusando-nos de roubo?! - exclamou Monteiro cinicamente.
O irmão acredita mesmo que seríamos capazes de subtrair quaisquer valores das obras de Deus?!
- Como, então, os irmãos explicam o desaparecimento das notas que marcamos o número de série? - indagou Alcides.
Há tempos venho observando uma atitude estranha dos irmãos e percebi também que o montante arrecadado não era compatível com a somatória final.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Nov 06, 2016 10:25 am

- Seus olhos te traíram, irmão Alcides - manifestou-se Honório com largo descaramento e um leve semblante debochado.
- Explica o sumiço das notas marcadas que ontem doamos! - vociferou Alcides.
- Não há explicação.
A não ser de que o demónio tem por vontade e prioridade o nosso desentendimento e a nossa desconfiança - defendeu-se Honório.
O demónio quer que nos agridamos e nos odiemos.
Como o próprio pastor nos disse um dia:
"o demónio é ardiloso e vive nos rodeando de armadilhas perigosas".
- Não me venha com dissimulações! - insistiu Alcides.
Eu digo que, ontem assim que entreguei as doações, vi no cesto de óbolos a nota de dez cruzeiros, mas quando Monteiro organizou, contou os valores arrecadados e colocou-os no cofre a nota desapareceu!
Alcides estava exaltado.
Enquanto o pastor, preocupado com a harmonia que já se esvaia da conversação, pôs-se de permeio.
- Acalmem-se, irmãos.
Voltando-se para Alcides, continuou:
- Caro Alcides, mantenhamos cautela antes de acusações tão fortes.
O irmão Honório alertou-nos para um facto importante sobre o demónio ser ardiloso, concorda?
- Não! - vociferou Alcides terminantemente.
Nesse instante Honório ergueu o tronco, curvando-o levemente para traz, desfechando uma delirante gargalhada de zombaria.
Todos se surpreenderam, inclusive Monteiro, e fitaram-no pasmados de surpresa.
Honório não conseguia conter-se.
Chegou a apoiar-se com uma mão na parede e outra no ventre para equilibrar-se.
Ao mesmo tempo os outros, paralisados pela incredulidade provocada pela cena, não conseguiam manifestar-se.
Em certo momento Honório fitou-os com o semblante bem sério e falou:
- Pensavam que poderiam tripudiar sobre mim por muito tempo?!
Enganaram-se! - Desfechando um soco sobre a mesa, ele continuou:
- Os caros companheiros foram ardis, bem astuciosos até hoje para com os pobres, fracos e dependentes de fé.
- O irmão Honório está susceptível ao demónio! - exclamou José.
- Cale-se e ouça! - continuou Honório.
Demónio não existe!
Cheguei a essa conclusão depois de quase um ano ouvindo todas as baboseiras nas pregações!
Anjos e demónios não existem!
Demónios e satanás somos nós! - gritou batendo no próprio peito.
Sem trégua, continuou:
- Anjos e guardiões podemos ser nós!
Tudo de acordo com as nossas atitudes e os nossos desejos e, pelo que eu vejo aqui, só há demónios disfarçados de anjos, querendo ser muito espertos!
- O irmão está!... - tentou interferir o pastor.
- Eu disse para calarem-se! - gritou Honório novamente.
Agora irão ouvir tudo o que precisam para saber sobre a verdade dos espíritos, anjos ou demónios.
Fitando os ouvintes avidamente, circunvagou o olhar e prosseguiu:
- Estão todos nervosos pelo sumiço das notas, por quê?!
Uma intensa cobiça chega a emanar de cada um só pela arrecadação realizada nas últimas pregações feitas por mim!
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Nov 06, 2016 10:25 am

Será por que nada mais sobrou a todos além do que já era comum?
- Está nos caluniando de ladrões?! - alterou-se Alcides.
- Tu não, caro e estúpido Alcides.
Porém acredito que todos os envolvidos, directa ou indirectamente com a contabilidade arrecadada para a igreja, sempre subtraem para si o seu quinhão.
Entretanto, tu, irmão Alcides, é o único cego que não percebeu as falcatruas.
És o único idiota honesto existente na direcção da contabilidade da igreja que nada tirou para si.
Se existe anjo, tu representas um.
Só pregas o bem e praticas exactamente tudo o que diz.
No entanto o que o digníssimo pastor me diz sobre os custos dos materiais comprados no depósito de Copacabana no último dia quinze e que no dia seguinte, sem saber de tua estada lá, pessoalmente levei a mesma lista e o orçamento ficou 10% mais barato.
Justifique isso, caro pastor Freitas! - intimou Honório com ironia.
Freitas empalideceu e os demais estupefaram-se.
Não obtendo resposta, Honório prosseguiu.
- O digníssimo irmão Jorge, que infelizmente não está presente, também fez o mesmo com a compra das telhas, ou melhor, solicitou junto ao depósito de materiais que dois centos das referidas telhas fossem entregues em sua residência e as outras quinhentas no terreno da igreja.
O que os caros irmãos dizem disso?!
José manifestou-se:
- Como pode haver esse tipo de ocorrência na obra do Senhor?!
Pastor Freitas, eu me admiro...
Honório gargalhou novamente interrompendo-o:
- Não te faças de ingénuo, José!
Tenho também provas de que tu não és tão honesto quanto representas!
- Tenho as notas de tudo quanto comprei para a obra da nova igreja! - defendeu-se José.
- Quem quiser poderá ir até a loja onde tu compraste o material para a fiação da parte eléctrica e comprovar com o vendedor de nome Vicente, que tu solicitaste uma nota com um valor bem acima do custo real!
O vendedor, ironicamente, ainda me disse:
"Se vais comprar material para a igreja, como fez o teu amigo, eu também posso jogar um valor a mais na notinha..."
Portanto, daqui só não consegui provar falcatruas do pobre Alcides que acredita na honestidade de todos.
Quanto a mim, o que tenho em minha defesa é que cansei de ser subjugado e espezinhado!
Tenho capacidade e provei isso nos sermões, nas pregações àqueles infelizes, desprovidos de inteligência e perseverança para alcançarem paz de espírito através de suas próprias buscas, através de sua própria fé!
Esses são uns pobres coitados dependentes da astúcia e do alvitre alheio para terem fé em alguma coisa e acreditarem nela, por isso pagam em dinheiro para possuírem paz, para terem amor, como se isso fossem coisas compradas.
E são! Eu mesmo vendi a eles fé, esperança e muito mais.
Talvez eu seja o único aqui que tenha ganhado esse dinheiro honestamente, porque trabalhei, fiz algumas coisas por algumas pessoas e elas pagaram o quanto quiseram por meus préstimos!
E tu José, o que foi que ensinaste a esse bando de fiéis?
E o Jorge? O que ele tem feito por esses necessitados?
Bem, o pastor Freitas esforçou-se um pouco mais!
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

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