O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Nov 13, 2016 11:59 am

Deveria ter ensinado o irmão crítico a agir com mais benevolência.
Poderia ter barrado as conversas depreciativas, edificando com nobres e elevados conceitos o assunto vigente, a começar dentro da minha própria casa.
No Posto de Socorro espiritual, ao ser recebida por meu tio Alfredo, através de meu vocabulário e pensamentos indignos àquele plano espiritual, afastei-me do socorro porque não igualei minhas vibrações com o bom nível espiritual existente ali, por isso retornei à crosta da Terra.
De volta ao plano físico, ao reconhecer meu desencarne, cultivei profunda mágoa e rancor pelo meu pai, em vez disso deveria ter compreensão e amor.
Infelizmente não compreendi a orientação que me deram e continuei julgando, reclamando e culpando-o por minhas atuais condições.
Reconheço, agora, depois de tudo o que vi, que não estou em situação tão ruim assim.
Se estou aqui presa à crosta da Terra, tenho de agradecer imensamente a Deus e aos amigos espirituais superiores por não estar em condições deploráveis e inferiores como alguns irmãos que vi ou por não ter sido incomodada por espíritos de pouca instrução ou mesmo por não ter ido parar no Umbral onde, com certeza, estaria sofrendo.
Mesmo presa à crosta e sentindo-me desorientada, fui socorrida, aqui, neste Posto de Socorro Terreno.
Fui amparada, orientada e muito bem tratada.
Envergonho-me das reclamações que teci.
Depois de longa pausa e profundo silêncio, ela prosseguiu:
- Túlio, agradeço teus esforços para que eu pudesse reformular meus sentimentos e pensamentos.
Hoje percebo e entendo que fui eu quem errou.
A meu pai tenho que agradecer a oportunidade que me deu de reencarnar, não me deixando sofrer como tantos outros.
Queira Deus que ele encontre orientação e consiga o quanto antes arrepender-se e corrigir suas falhas.
Ele é um homem dotado de muita perseverança.
Possui imensa força espiritual que, quando for voltada para o bem e para o amor, sei que será um grande e valioso trabalhador nesse sentido.
Nesse instante, lágrimas rolaram na alva e bela face de Túlio.
Emocionado, quase sem conseguir argumentar, ele a congratulou:
- Parabéns, Camila!
Tu realmente entendeste o motivo de ter ficado na crosta da Terra sem ir para um plano inferior ou superior.
Tu és um espírito elevado que se deixou adormecer quando encarnada e desencarnada também.
Faltou-te o perdão sincero para aquele que te tenha ofendido.
O espírito Túlio pareceu iluminar-se ainda mais e alertou:
- Lembra-te sempre de agradecer a Deus por não ter colocado em nível inferior após o desencarne por falta desse grande sentimento, que é o perdão.
- Por favor, não fiques assim! - pediu ela por nunca tê-lo visto daquela forma.
Tive tudo o que mereci.
- Não te subestimes, querida.
Cada qual tem de acordo com os méritos: não mais, não menos.
Camila chorou emocionada, abraçando-se ao amigo e instrutor que afagou seu rosto com carinho
- Sabes, Camila, tu deverias ter te lembrado das palavras do nosso irmão maior:
"Bem-aventurados os misericordiosos porque obterão misericórdia" Mateus cap. V, 7
"Se perdoardes aos homens as faltas que cometeram contra vós, também vosso Pai Celestial vos perdoará os pecados.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Nov 13, 2016 12:00 pm

Mas se não perdoardes aos homens quando vos tenham ofendido, vosso Pai Celestial também não vos perdoará os pecados".
Esse versículo ninguém explicou tão bem quanto Kardec, quando no capítulo X de O Evangelho Segundo o Espiritismo, diz-nos:
"A misericórdia é complemento da brandura, porém aquele que não for misericordioso, não poderá ser brando e pacífico.
A misericórdia consiste no esquecimento e no perdão das ofensas.
O ódio e o rancor é o símbolo da alma sem elevação e sem grandeza.
O esquecimento das ofensas é próprio da alma elevada que paira acima dos golpes que lhes possam desferir.
Ai daquele que diz: nunca perdoarei.
Esse, se não for condenado pelos homens, sê-lo-á por Deus".
Em seguida Túlio comentou:
- Creio que ninguém mais, além de Kardec, poderia explicar de forma tão inteligível as palavras do Mestre Jesus.
O espírito Túlio parou por longos segundos fitando os lindos olhos de Camila, parecendo invadir seu âmago com um sentimento que atingiu o mais alto grau na escala dos valores morais.
Ela experimentou algo nunca vivenciado antes e, sem que esperasse, ouviu-o dizer:
- Eu te amo muito, filha querida, minha Camila...
Com toda força do meu ser.
Eu te amo muito, filha.
Venho procurando-te há tempo... - ele chorou, silenciando.
Em meio às lágrimas, ela se declarou:
- Não sei de onde te conheço nem como explicar o que sinto por ti.
Mas posso afirmar que te amo também.
Como se tu foste um ente querido, um pai espiritual...
Por que não me encontraste antes?
Afagando-lhe a face, ele confessou bondoso:
- Eu te encontrei, mas tu não me podias ver.
Por acréscimo de misericórdia e bondade permitiram que eu retornasse à crosta terrestre para acompanhar-te e instruir-te o quanto possível.
Se queres saber, isso fora ideia e pedido do nosso nobre Inácio, o operoso tarefeiro responsável e administrador do Posto de Socorro no qual foste atendida.
Breve pausa, na qual Túlio tentava reprimir a emoção exibida pelas lágrimas, e ele contou:
- Eu fui teu pai há séculos, minha querida.
Foste fruto de especial afeição entre mim e minha querida amada espiritual.
Posso falar em nome dela, que se encontra em elevada condições espirituais, que te amamos imensamente.
Tentamos ajudar-te, mas por força de tua vontade te desviaste do caminho de boa moral e precisaste aprender através das experiências mais diversas.
Hoje sei que estás preparada, pois apresentas verdadeira vontade de evoluir, com resignação e sabedoria, aceitando os desígnios de Deus.
Amo-te como filha espiritual e sei que o elevado espírito que foste, tua mãezinha no passado ama-te como eu e está muito feliz com teu despertar para a elevação.
Eu sei disso por que sinto. Posso senti-la.
Não existe distância ou barreiras entre aqueles que se amam.
Abraçando-o firme, ela não tinha o que dizer.
Deixou que as lágrimas de júbilo lavassem seu coração, tirando-lhe os pesares.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Nov 13, 2016 12:00 pm

18 - O REENCARNE DE TÚLIO

Na manhã seguinte, bem cedo, Luana foi à procura de Camila no alojamento.
- Bom dia!
Após ouvi-la retribuir o cumprimento, avisou:
- Túlio pediu-me que te chamasse.
Ele precisa estar contigo.
Ela apressou-se.
Ao chegar à sala de estar, surpreendeu-se emocionada.
Seus olhos encheram-se de lágrimas e como que num suspiro, ela falou:
- Tio Alfredo! - Correndo, foi ao seu encontro abraçando-o.
Emocionada, desculpou-se:
- Perdoa-me por ter-te tratado daquela forma tão agressiva julgando-te inferior espiritualmente.
Eu não atentei aos bons princípios e julguei querendo-te condenar. Perdoa-me.
- Claro, Camila.
Eu te compreendo - disse Alfredo.
- Como é bom te ver, tio!
- Como é bom tu me veres agora - avisou Alfredo sorridente.
- O senhor esteve aqui, viu-me?!
- Inúmeras vezes, filha.
Não só aqui como na casa de Honório quando tu, ao confirmar teu desencarne, sentiste-te ao desamparo e dominada por imensa dor.
Quando encontrou Dora, eu te sugeri que a seguisse e tu o fizeste.
E também quando o ilustre amigo André se fez ver e passou a ajudar-te expondo-te a tua actual situação, ali, ao lado de ti, eu estava ministrando-te passes magnéticos.
Agora tu elevaste tuas condições espirituais, por isso me vês, como também aos outros que ignoravas estarem aqui.
- Sinto-me envergonhada, tio!
- Não deixes a vergonha abater-te nem o orgulho dominar-te.
Procura manter o coração feliz e satisfeito pela maravilhosa evolução conseguida.
- Todos me ampararam, orientaram-me...
- Nós podemos ter feito isso, porém tu tiveste o direito de escolher e fazer o que quisesses.
Seria fácil não dares atenção às orientações recebidas e saíres por aí enlaçando amizade com espíritos inferiores.
Seria fácil tu te ligares a Honório, revoltada em busca de vingança por tudo o que te ocorrera.
Ninguém te prendeu nessa oficina abençoada, que é o lar de Dora e de meus amados filhos.
Foste tu quem decidiu ficar e aceitar tuas condições até compreenderes o que te falavam.
Aceitaste o proposto e, acima de tudo, desenvolveste dentro de teu coração o sentimento necessário para tua evolução e o devido socorro.
Camila, com um suave sorriso no rosto, acenou a cabeça positivamente depois disse:
- Como posso agradecê-los?
- Vindo comigo e com Túlio para a Colónia Espiritual.
- Para uma Colónia?! - espantou-se ela, incrédula.
Não pensei que isso seria tão breve!
- Se estiverdes prontos, poderemos ir agora! - completou amavelmente Alfredo.
- Túlio, tu também irás?! - perguntou ela com imensa alegria.
- Sim, Camila.
Se não te incomodares com minha companhia... - respondeu ele brincando.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Nov 13, 2016 12:00 pm

- Imagina!... Tu me ajudaste tanto.
Pensei que ficarias aqui, pois percebi que não tens somente o trabalho lá na praça.
- Devo te dizer que aquela tarefa na praça, que amo muito, foi um meio de chamar a tua atenção, assim como a aparência jovial com a qual me apresentei, pois tu ainda apreciavas a beleza da matéria vista através das enganosas percepções dos sentidos físicos e não espirituais.
As demais tarefas serviram de humilde ajuda a outros tarefeiros espirituais e para tua instrução, compreensão e o descortinar do véu do perdão a todos que, um dia, possam ter-te ofendido.
Alguns segundos de reflexão e Túlio avisou:
- Outros abnegados companheiros já assumiram os modestos, mas respeitosos serviços que pude prestar enquanto estive aqui.
Retornarei para a Colónia porque tenho alguns últimos preparos a fazer.
Sorrindo largamente, contou:
- Dirceu, filho do nosso amado Alfredo, prepara-se para contrair matrimónio com uma adorável moça e eu terei a honra de ser seu primogénito!
- Tu serás neto de Dora?! - surpreendeu-se Camila com um misto de alegria e preocupação.
- Sim. Mais uma vez estarei aconchegado nos braços da querida Dora, só que desta vez como seu neto.
Camila, reflectindo de forma lógica e rápida, concluiu:
- Túlio, tu eras o outro filho que Dora tinha na encarnação em que ela se chamava Lavínea e tio Alfredo chamava-se Nicolau?
- Sim, Camila.
Naquela época eu fui o terceiro filho desse nobre casal.
Agora serei seu neto.
- Afinal, Camila - interferiu Alfredo sorrindo -, todos precisamos... vamos dizer... de um "herdeiro espiritual" para dar continuidade ao trabalho que começamos na área da edificação do Evangelho e da Doutrina Espírita.
Túlio, reencarnado como filho de Dirceu, dará continuidade a essa tarefa, até que daqui há uns vinte e poucos anos... eu possa voltar à Terra, como filho de Túlio, para prosseguir com esse maravilhoso trabalho que abraçamos.
Camila, estarrecida, começou a entender que tudo, exactamente tudo no plano espiritual, já é previsto e premeditado o quanto possível.
- Que maravilha, tio!
Eu não imaginava...
E quando Túlio reencarnará? - quis saber com algo triste na expressão.
- Não se sabe ao certo - respondeu Túlio sorrindo, adivinhando-lhe os pensamentos.
Isso pode acontecer a qualquer momento.
Alguns namoros, hoje em dia, aceleram o reencarne.
Por essa razão, quando sabemos quem são os pais e ao percebermos que eles se aproximaram e se apaixonaram, partimos o mais rápido possível para uma preparação reencarnatória, pois isso poderá ocorrer a qualquer momento e não podemos perder a oportunidade - riu com gosto.
- Parabéns, Túlio por ir para uma família tão maravilhosa quanto a de Dora.
Tu tens por merecer - cumprimentou ela sem muita empolgação, pois sentia como se perdesse um amigo ou se afastando do pai amoroso que tanto a orientou.
- Espero conseguir cumprir os objectivos do meu reencarne.
Queira Deus que eu possa vencer todos os obstáculos sem desviar-me do caminho de luz e amor que Jesus nos deixou para seguir.
- Será conforme o planeado, Túlio! - afirmou Alfredo convicto.
- Tu tens capacidade, preparo e grande elevação, meu querido.
Deus e os espíritos superiores te darão amparo e sustentação a todo instante. Tem fé!
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Nov 13, 2016 12:00 pm

Túlio sorriu, completando alegremente:
- Queira Deus que eu te tenha nos braços, meu amado Alfredo!
E como filho querido, consiga te passar com muito amor todos os ensinamentos Cristãos que te servirão de sustento para dares continuidade a tão belo trabalho da doutrina cristã que tu mesmo iniciaste.
- Assim será, Túlio! Tenhamos fé! - tornou Alfredo.
Repleto de esperanças e bênçãos Divinas, Túlio e Camila seguiram Alfredo para a Colónia Espiritual onde começaram a se preparar, cada qual para sua distinta tarefa.
Mesmo em lugar de verdadeira elevação e paz, houve várias surpresas para o espírito Camila.
Conforme o planeado, Túlio nascera como filho querido de Dirceu e neto de Dora.
Túlio, agora encarnado, recebera o nome de Tadeu por escolha de sua amada avó que tanto o mimou e ensinou.
Quando Tadeu tinha dez anos, Dora desencarnou dormindo por causa de uma parada cardíaca.
Quinze anos depois do desencarne de Dora, Tadeu levava para seu pai conhecer uma simples e encantadora jovem.
Apesar da pouca idade, a bela Cíntia, apresentada a toda família como namorada de Tadeu, era uma moça muito carismática e de uma singela beleza espiritual.
Júlio, que tanto se determinou e conquistou merecidamente a graduação de médico, já havia trabalhado muito em prol do sustento da família e em prestimosos actos caridosos que realizava com excelso amor.
Júlio já casado, vivia muito bem uma vida aconchegantemente simples, ao lado de sua companheira amada e quatro filhos moços.
Certa vez, como sempre fazia, Dirceu solicitou pelo irmão e amigo a fim de conversarem um pouco.
- É, Júlio - dizia Dirceu pensativo -, acredito que eu já esteja ficando velho.
O Tadeu está namorando, daqui a pouco casa...
Chegarão os netinhos...
Não sei, não...
- Dirceu, dá-te por realizado!
Alias nós devemos nos dar por realizados!
Demos continuidade aos grandiosos trabalhos espirituais de nossos pais levando o entendimento do Evangelho redentor a muitos!
Tivemos a oportunidade abençoada de fundar uma bela creche, que é mantida graças ao trabalho comunitário de nossa grande família e de nossos maravilhosos amigos encarnados, lembrando a sustentação que temos dos amigos espirituais, claro!
Tudo isso realizado com honestidade, abnegação e muito amor, muito amor!...
- Júlio, não imaginas como me sinto realizado, só por colocar a cabeça tranquila no travesseiro enquanto durmo.
Rogo a Deus que ilumine nossos filhos para que dêem continuidade a esse belo trabalho.
Dirceu e Júlio não podiam ver, mas naquele exacto momento chegavam, ali, os espíritos Dora, Alfredo e Camila.
Dora aproximou-se dos filhos e abraçou-os com carinho.
Mesmo sem vê-la, eles puderam sentir que uma imensa dose de energia benéfica os envolveu.
Júlio deu um longo suspiro e sorriu sem motivo aparente.
Entendendo-o, Dirceu não disse nada por experimentar a mesma sensação.
Ambos, extremamente emocionados, calaram-se ou chegariam às lágrimas.
O espírito Camila, por sua vez, comentou:
- Eles sempre foram unidos!
Que lindo!
- É verdade, filha.
São almas afins, ou melhor, fazem parte de uma bela família espiritual - explicou Alfredo satisfeito.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Nov 13, 2016 12:00 pm

Nesse instante, entrou naquela sala uma senhora chamando Júlio para medicar uma das crianças da creche que estava febril.
Rapidamente ele levantou e se foi para prestar os cuidados necessários ao pequenino.
Examinando e medicando a criancinha, o doutor Júlio comentou:
- Ainda bem que ele teve febre, agora, enquanto estou aqui.
Eu já estava quase de saída para o hospital.
Trabalharei hoje até bem tarde.
Se ele não melhorar, liga-me imediatamente, certo?
- Podes deixar, doutor! - afirmou a nobre senhora muito prestativa.
- Camila - perguntou Dora -, tu sabes como começou esta creche?
- Não. Eu estava longe da crosta, em estudo, e desconheço sua origem.
- Dirceu era sócio de uma imobiliária e lá havia uma moça empregada como auxiliar de escritório que se chamava Penha.
Isso aconteceu pouco depois do reencarne de Túlio, ou melhor, Tadeu - Dora riu de si mesma.
Depois continuou:
- Essa moça engravidou do namorado que não quis assumir a responsabilidade de seus actos e abandonou a pobrezinha, que procurou a ajuda de Dirceu.
A jovem sabia que Júlio era médico e pensou na possibilidade de ele fazer-lhe o aborto por um preço razoável, uma vez que ela não tinha condições de pagar o que lhe fora pedido por outros profissionais.
Dirceu levou Penha lá para casa e a deixou conversando com Júlio, sem nada dizer a ela sobre nossa filosofia, religião ou sobre os conceitos e conhecimentos que temos sobre o aborto.
Júlio sempre ficava... de certa forma... irritado, ou melhor, indignado quando alguém lhe pedia que assassinasse um bebé em formação.
A moça foi surpreendida por uma série de argumentações feitas por Júlio para que ela deixasse seu filho nascer.
Por fim, meu filho pediu a criança para ele, como fez com a pobre Sissa, que, em vez de dar a criancinha, preferiu matá-la.
A moça ficou confusa, sem saber o que fazer, e temerosa de realizar o aborto.
Ela contou aos pais, mas eles não aceitaram a gravidez e a expulsaram de casa.
Penha passou a morar na casa de uma amiga e continuou trabalhando com Dirceu e seu sócio que a ampararam em tudo:
médico, hospital, exames, remédios, roupas.
Dirceu até fez com que ela fosse ao Centro Espírita por várias vezes.
Próximo de dar à luz um bebé, Penha acabou por ficar sem onde morar.
No início ela ia para a casa da amiga somente para dormir.
Entretanto, no final da gravidez, necessitava ficar de repouso durante algumas horas por dia, o que estava incomodando imensamente a família da amiga.
Revoltada, Penha procurou por Júlio numa noite de chuva e, toda molhada, bateu à nossa porta.
Ela dizia frases fortes e baixas do tipo:
"Se tivesse matado, quando ainda era pequeno, ele não estaria me atrapalhando a vida como está!".
"Tu me disseste que o queria para criar, para eu dado a ti que tomaria conta dele!
Por que não começas agora?!"
- Júlio, como sempre muito calmo, disse à moça:
"Por isso, não.
Entra, cuidaremos de ti até o bebé nascer.
Depois disso tu podes deixá-lo connosco se quiseres.
Terás tempo para pensares e decidires se seguirás tua vida sem ele ou se o levas contigo para onde fores".
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Nov 13, 2016 12:01 pm

Depois de mais ou menos duas semanas e meia, a criança nasceu.
Um belo menino.
- E a moça?! - perguntou Camila ansiosa.
- Após recuperar-se - continuou Dora -, poucos dias se passaram e ela foi embora sem nem menos dar um nome ao seu filhinho.
Júlio ficou triste pela atitude da mãe, porém sentia-se maravilhado com a criança!
Parecia até que ele era o pai! - Dora riu lembrando-se de diversas cenas.
Em seguida prosseguiu:
- Confesso que fiquei imensamente preocupada por inúmeras razões, claro.
Ajudei Júlio a tomar conta do bebé, a quem ele deu o nome de Maurício.
Faltava regularizar muita coisa perante a lei que, em princípio, diante do abandono da mãe, deu a posse e guarda da criança a mim e ao Júlio.
Ele tinha muita afeição, muito amor pelo pequeno Maurício que já lhe fazia algumas gracinhas, já o reconhecia...
Aconteceu que, seis meses depois, Penha apareceu.
Ela não tinha onde morar nem para onde ir.
Havia abandonado o emprego na imobiliária e não conseguiu outro.
Ao vê-la a nossa porta, Júlio imaginou o que a moça queria e foi muito firme com ela.
Eu nem acreditei no que ouvi Júlio dizer:
"Se tu pretendes não fazer nada, tu não farás esse nada aqui!
Se queres teu filho, leva-o agora.
Mas dar apoio a alguém que não produz nenhum benefício para si ou para os outros, isso eu e minha mãe não faremos.
Teu filho é indefeso, por isso eu o sustento.
Mas tu és muito experiente e esperta para o meu gosto.
Se estás pensando que te sustentaremos para termos o Maurício connosco, enganas-te.
Pega teu filho e podes ir se achares que tens condições e capacidade de cuidar tão bem dele quanto estamos cuidando, dando-lhe amor, atenção e carinho acima de tudo".
Fiquei incrédula!
Júlio era pai e mãe para aquele menino.
Meu filho trocou horário de serviço para estar com a criança durante a noite, dava-lhe amor, atenção, carinho...
Eu mesma nunca fiquei em claro por causa do pequeno Maurício.
Eu amava aquela criança e não queria que a mãe o levasse.
Porém Júlio foi mais esperto do que eu que, talvez, ficasse implorando para ela deixar a criança connosco ou para que ficasse morando com a gente para não nos afastarmos de Maurício.
Diante da firmeza e determinação de Júlio, Penha propôs humilde:
"Doutor Júlio, a senhora tua mãe já não tem mais idade para tomar conta de criança e até mesmo alguns serviços domésticos são pesados demais.
Se o senhor quiser, eu posso trabalhar de empregada doméstica aqui nem se for à troca de dormir, comer e ficar com meu filho.
Gostaria que soubesse que me arrependo muito de ter pensado em matá-lo quando engravidei, de tê-lo abandonado e ter feito tudo o que fiz.
Nos últimos meses, a vida foi dura demais comigo.
Como sofri!...
Nesse instante, ela chorou e mesmo com as lágrimas seguidas, Penha continuou:
- Não tive amparo de meus pais nem do meu ex-namorado.
Minhas amigas sumiram.
Tive vergonha de procurar pelo senhor Dirceu, seu irmão, pois foi ele quem me trouxe aqui para ouvir tantas explicações.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Nov 13, 2016 12:01 pm

Se queres saber, passei muita fome e tornei-me uma pedinte de rua para não ter de me prostituir, pois acho que preferiria a morte a fazer isso...
Não vim até aqui para aproveitar e abusar da bondade de todos só porque amam e têm tanta afeição por meu filho.
Se não me quiseres como empregada, não tem problema.
Vou embora e nunca mais vão me ver.
Só peço que continuem cuidando do meu filhinho".
Foi nesse momento que Júlio, engolindo seco e disfarçando as lágrimas que brotaram, segurou-a pelo braço e pediu-lhe desculpas, convidando-a para entrar e se sentar à mesa connosco depois que lhe apresentou Maurício.
Assim Penha ficou em nossa casa.
Acompanhava-nos em tudo, principalmente, nas tarefas do Centro.
Dias se passaram e uma mulher bateu a nossa porta com o filho nos braços dizendo não querê-lo.
Parecendo enfurecida, ela praticamente empurrou a criancinha nos braços de Penha e foi embora sem que conseguíssemos argumentar nada, pois a mulher correu e sumiu.
Nunca a vimos antes, muito menos depois.
Penha passou a cuidar da criança com a supervisão e orientação de Júlio.
Não demorou muito tempo e, numa manhã fria, encontramos em nossa porta uma caixa e nela havia outro recém-nascido.
Acolhemos o pequenino com todo o amor.
De outra vez, uma vizinha encontrou no lixo uma menininha enrolada em alguns jornais que parecia ter problemas para respirar.
Levou-a para meu Júlio, pois sabia que ele era médico e poderia ajudá-la.
Júlio e Penha começaram a cuidar dessas crianças, apegando-se e enlaçando imenso amor por elas.
Amigos e conhecidos passaram a ajudar com roupas, móveis e enxovais enquanto os bebés apareciam um a um, dia após dia.
Quatro anos depois, somavam doze órfãos.
Sem contar com Maurício que Júlio registou como se fosse seu filho com Penha.
Penha era e é o braço direito de Júlio para cuidar das crianças e organizar as coisas.
Ela era incrivelmente criativa, activa e abençoada em conseguir pessoas de confiança que se revezavam para ajudá-la em algo.
Júlio apaixonou-se por Penha enquanto ela já estava, silenciosamente, apaixonada por ele.
Não demorou para se casarem e tiveram mais três filhos.
Com o passar dos anos, Júlio comprou um terreno ao lado de nossa casa.
Com a ajuda de Dirceu instalaram ali a creche que hoje ampara cerca de vinte e cinco órfãos dia e noite.
Além desses, tem as crianças que permanecem ali durante o dia enquanto as mães trabalham.
Tudo legalizado perante a lei.
Os cinco primeiros que ali chegaram hoje já são adultos e não se foram.
Trabalham fora, estudam e ajudam os outros órfãos nos momentos livres.
Eu soube até que um casamento já vai haver ali entre a menininha encontrada na caixa e o que foi deixado nos braços de Penha.
Alfredo, sabiamente, falou:
- "Ditosos serão os que houverem trabalhado no campo do Senhor com desinteresse e sem outro móvel senão a caridade".
Isso é dito em O Evangelho Segundo o Espiritismo - Capítulo XX.
Camila se surpreendeu e comentou:
- Penha poderia ter conseguido para si um terrível destino caso tivesse matado seu filho, não é mesmo?
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Nov 13, 2016 12:01 pm

- Sem dúvida - afirmou Alfredo.
Vejamos Sissa.
- O que tem ela?
- Mesmo com todo o entendimento espírita, mesmo diante de todo o alerta que recebeu, ela teimou em assassinar seu filho.
Hoje se encontra num vale de tristeza e dor por causa disso.
- Ela ainda frequenta o Centro? - perguntou Camila.
- Sim - respondeu Alfredo.
O marido nunca soube que Sissa abortou deliberadamente seu filho.
Ela jurou a ele que tudo foi espontâneo, que perdeu o bebé sem fazer nada para que isso acontecesse.
Até representou sua tristeza lamentando, falsamente, que se arrependera de querer tirar o filho.
O pobre homem aceitou inocentemente a representação feita pela mulher mas, com o passar dos dias, Sissa foi sentindo-se mal, mental e espiritualmente.
Tudo para ela se tornou um grande sacrifício.
Nada em sua vida parece dar certo.
Mesmo frequentando o Centro, entidades perversas passaram a atormentá-la.
Sissa começou a ter acessos e crises de choro.
O desespero toma conta dela.
Seus pensamentos sempre são tenebrosos, voltados ao pior.
Nada a satisfaz.
- É o abortado que a deixa obsedada? - perguntou Camila.
- Não - tornou Alfredo.
O filhinho que ela rejeitou foi socorrido e passou cerca de quatro anos sob intenso tratamento espiritual e psicológico para livrar-se do terrível trauma de seu assassinato através do aborto, reequilibrando-se através do amparo recebido e aceite dada sua elevação.
Esse tempo de recuperação foi curto pelo facto de ser um espírito de muita luz com uma magnífica aptidão e missão de cuidar tanto da saúde física como da espiritual dos encarnados, tarefa semelhante à de Júlio.
Por mérito, ele, o filho rejeitado por Sissa, solicitou, junto ao Departamento de Reencarnação, seu reencarne entre Júlio e Penha porque, tempos atrás, Júlio quis adoptá-lo solicitando à Sissa que não o matasse, deixasse nascer para que ele cuidasse da criança.
Júlio e Penha já foram chamados, durante o sono, para serem questionados sobre a aceitação de deixar nascer entre eles aquela criatura que não estava no planeamento reencarnatório com alguma possibilidade de ser filho deles.
- E eles?! - perguntou Camila ansiosa.
- Creio não precisar responder, já que Penha está grávida e ainda nem desconfia - respondeu com um riso gostoso.
Mais sério, Alfredo contou:
- A pobre Sissa, por sua vez, está sendo obsedada por irmãos sofredores que, apesar de suas condições espirituais inferiores, não concordam com o assassinato através do aborto e passam a punir quem o praticou.
- O que vai acontecer com ela?
- Até que Sissa não faça uma verdadeira transformação íntima através do remorso, do verdadeiro arrependimento, ela não terá paz.
Tememos que sua situação piore ainda mais depois de seu desencarne, uma vez que hoje, reencarnada, ela poderia dedicar-se a trabalhos edificantes e nobres exemplos cristãos, o que auxiliaria o plano espiritual superior a lidar com seus obsessores.
Camila ficou admirada diante de tanto conhecimento.
Entendia que as Leis de Deus são justas e imutáveis.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Nov 13, 2016 12:01 pm

O Pai Celeste não nos castiga, o que nos faz sofrer é nossa própria consciência que nos cobra pelos erros cometidos.
Criaturas maravilhosas e dignas são assassinadas diariamente através do aborto.
Dando ênfase, mais uma vez, sobre o que Madre Teresa de Calcutá disse:
"Creio que o maior destruidor da paz no mundo é o aborto", cabe esclarecer que o aborto assassinou inúmeros pacifistas, bacteriologistas, insectologistas e muitos outros espíritos conceituados que se dispuseram para nascer após muitos preparos no plano espiritual para apaziguar, defender, livrar ou amenizar este mundo de tantas guerras, pestes e epidemias como as que temos vigorando actualmente.
Antes de nascerem cientistas respeitáveis foram mortos através do aborto por suas mães.
Terríveis doenças infecto-contagiosas, bem como vírus que produzem resultados funestos, estão persistindo em meio aos encarnados por culpa do aborto, pois aquele que poderia ser o descobridor do controle ou um exterminador epidémico foi assassinado com o ato abominável do aborto.
Como se sentirá uma mulher ao descobrir que, quando condenou seu filhinho a um desencarne tão horripilante, indefeso e cruel, condenou também milhares, talvez, milhões de seres humanos, só por causa de sua vaidade, de seu egoísmo ou por suas luxurias?
Que terrível destino não terá essa pobre criatura que condenou inúmeros irmãos ao sofrimento junto com a morte de seu filho?!
Não julguemos.
Porém devemos lançar um alerta para que esse tão abominável acto deixe de ser praticado.
O ser humano não imagina como está desequilibrando a espiritualidade, assim como sua própria existência com esses crimes.
O aborto deveria ser considerado um crime contra a humanidade.
Deveria ser feita uma conscientização para que homens e mulheres sejam mais prudentes e responsáveis ao lidarem com a vida humana, com a concepção, inclusive com as concepções em laboratórios.
Rogo a Deus que envie, através de Seus mensageiros de luz, orientações aos encarnados para frearem esse crime que vem sendo praticado com imenso descaso, com terrível frieza, sem que seus praticantes pensem nas consequências.
Muitos encarnados, conscientes de que o aborto é um crime pavoroso, programam a concepção, ou melhor, fazem um planeamento familiar.
No entanto, diante de uma gravidez inesperada, acatam o desejo da natureza Divina e deixam vir ao mundo a criatura que insistiu para ali estar para cumprir sua missão.
Assim sendo, dão-lhe amor, compreensão, ensino e atenção.
Esse é o verdadeiro ato de amor praticado por criaturas encarnadas de diferentes religiões.
Como já foi dito, a religião não faz de um homem um grande espírito, por isso mesmo estão aí grandes líderes pacifistas de diferentes religiões que pregam o amor, doam amor, ensinam a fé e a esperança.
Praticam a caridade acima de tudo e orientam, com benevolência, em diferentes partes do mundo.
Posso mencionar agora poucos nomes como:
Gandhi, que promoveu a convivência pacífica entre muçulmanos e indianos, além de libertar a índia do tirano regime Britânico sem derramar uma gota de sangue; Francisco Cândido Xavier, o nosso amado Chico, que tanto conforto e entendimento trouxe à Pátria do Evangelho; Madre Teresa de Calcutá, Irmã Dulce tão pouco lembrada, Herbert José de Souza, nosso querido Betinho, que depois de sua partida para a Pátria Espiritual nunca mais se ouviu falar, com tanta convicção, sobre o extermínio da miséria e da fome no Brasil.
Nomes conhecidos mundialmente e de diferentes religiões, mas com um único objectivo:
trabalhar por amor e com amor incondicional em favor dos necessitados.
Não é tão difícil praticarmos, ensinarmos e exemplificarmos o amor incondicional.
Podemos começar pelas pequenas coisas, pelo próximo mais próximo:
dentro dos nossos lares, a começar pelos nossos pais e filhos.
Oferecendo aos queridos espíritos que Deus nos confiou os cuidados, no início, o direito à vida, condições dignas de seres humanos, ensinamento moral cristão, amparo e orientação para que se tornem criaturas abençoadas e firmes na missão que Deus lhes reservou.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Nov 14, 2016 9:31 am

19 - HONÓRIO, HERDEIRO DO ATAQUE DAS SOMBRAS

Depois de visitar seus primos e o querido Túlio, que agora se chamava Tadeu, Camila solicitou à Dora e Alfredo que fossem juntos à casa de seus pais.
Ao chegarem, Dora percebeu que a cunhada, Clara, sentia-se deprimida e aparentava profundo abatimento físico.
Honório, por sua vez, estava agitado ao telefone tratando de seus negócios.
A casa apresentava-se muito moderna, requintada, com o maior conforto.
Vários empregados uniformizados prestavam diversos serviços com destreza.
Camila assustou-se ao ver o pai controlar todos os negócios através de seus computadores, inclusive seus empregados domésticos e, principalmente, a fiscalização extrema das arrecadações dos numerários doados à igreja.
- Sem dúvida! - dizia Honório ao telefone.
Em breve seremos uma potência dentro deste país medíocre.
O mais importante agora é elegermos, na política, o maior número de candidatos possível, sejam eles membros de nossa igreja ou que apoiem o nosso trabalho evangélico, para futuramente...
- Meu pai está se envolvendo na política! - lamentou Camila.
Eu não acreditava que ele fosse tão longe.
- Filha, quando um homem se determina em armazenar bens materiais, ele o realiza sem pensar no espírito que, desencarnado, nada obterá dessa riqueza e nenhum proveito tirará dela.
-...sim - continuava Honório -, daqui a uns três ou quatro anos inauguraremos "Mega templos" que terão um sistema antiético para não incomodar os vizinhos safados que reclamam, um estacionamento digno de shopping center para não atrapalhar o tráfego, assentos confortáveis, ar condicionado e monitores especializados para lidar com o público. - depois de breve pausa:
- ...sim, sim, irei colocá-lo a par das informações que eu trouxe dos Estados Unidos.
Percebi lá que o luxo nas igrejas evangélicas atraiu muito mais fiéis e dinheiro, consequentemente!... - gargalhou.
-Tio, num passado remoto, meu pai, ou melhor, o irmão Honório, que nesse meu último reencarne recebeu-me como filha, foi líder de falanges espirituais terrivelmente inferiores.
Como ele conseguiu reencarnar numa condição física tão excelente?
Com a oportunidade de ocupar uma posição que deveria ser bem séria e importante?
Ele usa o nome de Deus para sustentar seus luxos, todo esse bem-estar e ilude pessoas de bem...
Parece que ele tem algum tipo de privilégio.
Como isso pode acontecer?
- Não te precipites, Camila.
A Natureza Divina é sábia.
Acredito que tenham dado uma oportunidade a Honório.
- Continuo não compreendendo, Tio.
Contudo lamento imensamente o que ele está fazendo a si mesmo.
- É sim, Camila.
Realmente é lamentável a posição de Honório.
- Tio, e quanto ao sócio dele, o senhor Monteiro, continua como antes?
- Podemos vê-lo.
Tu desejas?
A princípio Camila titubeou, depois aceitou.
Assim, foram os três para a casa de Monteiro.
Ao entrarem na casa, puderam sentir um terrível odor que só se propagava em nível espiritual.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Nov 14, 2016 9:31 am

Raramente era sentido por encarnados, pois quando isso acontecia era pelo facto da pessoa ter atributos sensíveis ao mundo espiritual ou dotada de mediunidade.
Dora os alertou:
- Não nos abalemos para não deixarmos cair nossas vibrações.
- Com o quê, Tia?
- Tu verás, filha.
Ao chegarem à sala, Camila aterrorizou-se ao ver a filha de Monteiro, Telma, que desencarnara através do suicídio havia muito tempo.
O espírito Telma estava verdadeiramente monstruoso, irreconhecível, deformado pelas queimaduras que provocara a si mesma.
Gemendo, arrastava-se pela dor extrema, pois ainda sentia as fortes queimaduras como se elas acabassem de acontecer.
Chorando e gritando, às vezes, chegava a rastejar de um lado para outro da casa.
- Telma... - disse Camila.
Dora logo a advertiu firme:
- Camila, não te deixes levar pelos sentimentos de piedade.
Tu poderás te envolver com ela e isso, hoje, ainda não é bom.
Além do que, Telma não nos pode ver ou ouvir, porque se encontra em vibrações espirituais muito inferiores.
- Eu não imaginava que os suicidas sofressem tanto assim!
- Telma está nessas condições há poucos anos.
- Tia! A senhora diz "poucos anos"?!
- Filha, há espíritos que sofrem por causa da prática do suicídio por séculos.
Especificamente neste caso, pelo que sei, é provável que Telma fique presa ao lar por muitos anos.
Mas isso não é uma regra.
Ela sairá caso mude suas vibrações e seja muito perseverante em preces sentidas a Deus, o que eu acredito ser difícil pela sua falta de fé.
Então alguma outra condição pode tirá-la daqui e levá-la para o Vale.
- Como assim, Tia?
- Telma suicidou-se pouco antes dos vinte e três anos.
Ficaria encarnada até os oitenta e quatro anos.
Isso quer dizer que "jogou fora" cerca de sessenta anos de sua vida.
Por causa das minúcias e características especiais deste caso, sei que ela ficará vagando pelo seu lar, nessas condições até... só Deus sabe.
- Por que ela não está no Vale dos Suicidas como acontece com muitos outros no ato de seu desencarne por esse meio?
- Cada caso é um caso.
Pelo que me consta, Telma foi culpada pela morte antecipada de seu corpo, sem dúvida.
Entretanto, indirectamente, seu pai a prejudicou, apoiando-a a assassinar o próprio filho.
Ela, por vergonha da sociedade, quis e gostou de ter ajuda e condições para praticar c crime de aborto.
Aconteceu que Monteiro não só auxiliou financeiramente um assassinato, mas também abandonou seus deveres paternos quando não quis oferecer atenção às condições espirituais, morais e psicológicas da filha, o que a levou mais rapidamente à prática do suicídio.
Telma não se atraiu para o Vale dos Suicidas ainda por procurar no pai ou no lar, através de um pensamento forte, um alívio para as aflições e tenebrosos sofrimentos ininterruptos das dores provocadas pelo suicídio.
- E o senhor Monteiro?
- Monteiro está passando por terríveis problemas obsessivos, semelhantes aos que Telma passou.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Nov 14, 2016 9:32 am

Camila ficou assustada, mesmo assim perguntou:
- Depois de tantos anos, o rejeitado não desistiu de sua vingança?
- Não. Ele continua perseguindo os culpados por sua morte.
Primeiro obsedou a mãe, Telma, agora quem a levou para matá-lo, que foi Monteiro.
- Mesmo depois de tanto tempo ele insiste e não se cansa?!
O obsessor tem todo o tempo do mundo, Camila.
Lembra: o espírito é eterno.
Assim sendo, o rejeitado não se cansa quando sua vítima não tem fé, não procura a Deus nem possui bons pensamentos, entre outras coisas.
Por isso a religião é importante ao encarnado.
- É melhor irmos para a oficina de trabalho.
Já é tarde - avisou Alfredo amável.
Elas concordaram, e todos seguiram.
Chegando lá, puderam presenciar Tadeu e Dirceu conversando descontraidamente.
O filho comentava com o pai sobre a data de seu noivado com Cíntia e que no mesmo dia avisariam a data do casamento, o qual ele não gostaria de que demorasse.
Na espiritualidade Alfredo e Dora começaram a sorrir, satisfeitos por tudo acontecer conforme o planeado, e Camila compartilhou dessa felicidade, abraçando-os.
Com o passar dos dias, Dora e Alfredo souberam que socorristas estavam se empenhando ao máximo para Monteiro não cometer o suicídio.
Eles decidiram ir até lá, e Camila os seguiu.
Ao chegarem, observaram Telma agarrada ao seu pai lamentando-lhe sua morte e as miseráveis condições espirituais que se encontrava.
O espírito Telma revivia a todo instante o momento de seu suicídio.
Apesar dos anos, a agonia experimentada na ocasião de seu desencarne ainda perdurava.
A aflição de ver e sentir as chamas queimando o seu corpo e crescendo em torno de si, as dores indescritíveis provocadas pelo fogo em sua carne e o desejo de querer deixar de experimentar constantemente tudo aquilo era desesperador.
Além isso, passavam por ela desencarnados, donos de uma terrível monstruosidade, que a agrediam, maltratavam e ofendiam.
Tudo isso ela experimentava ali, longe do Vale dos Suicidas, onde suas condições piorariam, com certeza.
Para esse lugar Telma, futuramente, seria atraída ou levada por causa das condições em que se deram seu desencarne.
Nenhum suicida escapa de tal região mesmo tendo antecedentes espirituais positivos.
Para o Vale dos Suicidas será levada toda criatura humana que pratique suicídio consciente ou inconsciente.
O tempo de permanência, em tão terrível lugar, depende do espírito.
No Vale dos Suicidas as trevas são eternas.
Os gemidos, as dores, os sofrimentos são indescritíveis.
Embora nós tentemos descrever aos encarnados as horripilantes condições do Vale, ainda faltarão características inferiores para atribuir-lhe, pois só os suicidas podem experimentar.
A todo momento eles revêem, sentem, sofrem com as dores e com as cenas, não só de seu desencarne, mas também com as dos outros companheiros infelizes que se encontram naquele lugar.
O arrependimento é constante.
Nenhum sofrimento experimentado durante qualquer encarnação, por mais terrível que possa ser a experiência vivida, jamais poderá ser comparada ao sofrimento existente no Vale dos Suicidas.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Nov 14, 2016 9:32 am

Telma passou a abraçar Monteiro, que não podia ouvi-la, mas captava seus sentimentos e suas vibrações inferiores.
Por outro lado, o rejeitado abortado por Telma, obsedava-o com terríveis desejos para que Monteiro praticasse o suicídio.
- Morre!!! Tu deves morrer!!!
Enquanto não morreres, eu não te darei sossego.
Hoje vivo como um aleijão monstruoso por tua culpa!!!
Fui queimado e esquartejado!!!
Cortaram-me aos pedaços e jogaram no lixo!!!
Como eu sofri!!!
Senti dores por todo o meu corpo, que até hoje dói!
Agora tu vais sofrer como eu!!!
Morre, infeliz!!!
Só assim pra eu te dar sossego!!!
Monteiro, desesperado, não conseguia ter fé.
Experimentava uma infelicidade impressionante, mas não tinha motivos para isso.
Estava desgostoso com a vida.
Lembrava-se da filha que se matou queimada e imaginava onde ela estaria:
se no céu ou no inferno.
Os socorristas aplicavam-lhe passes magnéticos, porém sua vontade de morrer era maior.
Monteiro guiou-se até uma via férrea, bem próxima, e lá ficou à espera de um trem.
O espírito Telma o acompanhou e pedia constantemente que ele a ajudasse a sair daquelas condições dolorosas, prejudicando mais ainda os pensamentos de Monteiro.
Telma acreditava que, se seu pai desencarnasse, iria tirá-la daquela situação deplorável e de dores intermináveis.
Com a aproximação de um trem, Monteiro se jogou.
Suicidando-se.
O corpo, esquartejado, só foi identificado pelos documentos encontrados nas roupas.
O rejeitado, no instante do suicídio, passou a gritar:
- Eu venci!!! Eu venci!!!
Os dois morreram como eu:
um queimado e o outro aos pedaços!!!
Somente agora me sinto satisfeito!!!
Vou tratar-me e deixar de ser deformado.
Vou à busca de uma renovação.
Renascerei em lar perfeito junto àqueles que me amam.
Eu venci!!!
- E agora? - perguntou Camila.
Será socorrido e encaminhado como imagina?
- Não. Isso é pura ilusão.
Ele é um homicida.
Telma e Monteiro suicidaram-se por culpa dele.
Mesmo sendo suicídio, esse rejeitado é tão culpado quanto um homicida, ou até mais.
Terá de arcar com a responsabilidade de seus desejos que conduziram duas pessoas ao auto-extermínio antecipadamente.
Se ele tivesse aceitado o socorro, quando veio no momento do aborto, estaria livre de toda essa culpa.
Nesse instante, espíritos tenebrosos os quais não convêm descrever, aproximaram-se de Monteiro e começaram a envolvê-lo para carregar seu corpo espiritual que ficara com um aspecto quebrado e retalhado.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Nov 14, 2016 9:32 am

O espírito de Monteiro achava-se adormecido, como se estivesse desmaiado.
Porém por pouco tempo.
Em breve, muito breve, ele retomaria a consciência já no Vale dos Suicidas.
- Tia, o que é isso? - perguntou Camila.
- São os irmãos das sombras do Vale.
- Para onde o estão levando?
- Para o Vale dos Suicidas.
Nesse momento, Telma, com medo, afastou-se e retornou para sua casa.
Um daqueles irmãos tenebrosos que levava Monteiro virou-se para ela e gritou:
- Ninguém se esconde de nós.
Iremos buscá-la!
Em nenhuma ocasião eles puderam sentir a presença dos espíritos Alfredo, Dora e Camila.
- Vamos - solicitou Alfredo. -, temos de ir para a casa de Honório.
- O que há com meu pai?
- Lá te explicaremos.
Honório encontrava-se muito nervoso, irritando-se com qualquer coisa.
Ele não tinha sossego:
ora as redes de televisão o incomodavam, ora os jornais e revistas o atormentavam ou então a queda de alguma aplicação financeira.
Depois de algumas horas, um dos telefones da casa tocou comunicando a morte de Monteiro.
- Não!!! - gritou incrédulo.
Isso não pode ser!!!
Após ouvir seu interlocutor, respondeu:
- Que testemunhas, que nada!!!
Isso foi um acidente!!!
De forma alguma eu aceitarei um suicídio!!!
Isso tem de parecer um acidente!!!
Nessa hora Clara, paciente, entrou na sala perguntando o que havia acontecido e Honório, desligando brutalmente o telefone, explicou:
- Foi o Monteiro!
O desgraçado se matou e deixou testemunhas!
Isso não podia ter acontecido!
Tem de parecer um acidente!
- Bem que vi o Monteiro diferente.
Isso já observei há tempo - disse Clara.
- Cala a boca!!! - gritou desesperado.
Foi um acidente, entendeste?!!
Nesse momento Honório começou a passar mal.
Algo parecia sufocá-lo.
Sem serem percebidos, Dora, Alfredo e Camila presenciavam aquela situação.
- O que ele tem, tio? - indagou Camila.
- Seu pai tem consideráveis anos vividos, Camila.
Não é velho, mas actualmente não vem cuidando de sua saúde como deveria.
Agita-se com tantos compromissos gananciosos que visam aos bens materiais e enerva-se quando eles não se processam como desejaria e... - Alfredo silenciou.
Honório colocou ambas as mãos no peito e deixou-se cair subitamente.
Clara tentou ajudá-lo, porém sentia-se impotente.
Ela correu ao telefone e chamou por socorro.
Honório estava sofrendo um infarto.
Camila observava uma forte mancha acinzentada no peito de seu pai.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Nov 14, 2016 9:32 am

Ela pôde ver também inúmeros vultos presentes ali, sendo que eles não podiam perceber sua presença nem a de seus tios.
- Tio, olha esses vultos!
Eu já os vi antes!
Assim que desencarnei eu os vi.
Parece que eles querem atacar meu pai!
- São entidades perversas que acompanham seu pai há muito tempo.
Eles, juntamente com Honório, num passado remoto, quando encarnados e desencarnados, também eram criaturas cruéis e desumanas.
Praticavam os mais terríveis crimes contra os semelhantes, e Honório era chefe dessa legião.
Desencarnado e no Umbral, simpatizou com o terrível lugar continuando na liderança desse grupo.
- Eu sei. Ele me perseguiu muito quando desencarnei naquela época em que recebi o nome de Samara e, por mais de cinquenta anos, fiquei sendo torturada no Umbral.
- A Sábia Natureza Divina tudo faz para que nós nos corrijamos.
Por isso foi dada a Honório uma reencarnação digna como pai de boas criaturas, como chefe de família e próximo a uma religião cristã da qual poderia adquirir bons conhecimentos e desenvolver óptimos sentimentos.
Infelizmente, ele desviou-se do que lhe foi traçado.
Nos momentos difíceis, embora tendo-me a seu lado dando-lhe todo o apoio moral, espiritual e material, na medida do possível e dentro das minhas condições, deixou-se dominar por pensamentos terríveis de exterminar com toda a sua família e depois suicidar-se.
Nessa época, minha casa já era uma oficina de trabalho para o plano espiritual superior.
Eu já sentia isso.
Diante das preces que direccionei a Honório, mesmo ignorando suas ideias, amigos do plano espiritual o ampararam e o guiaram e, num momento crítico fizeram-no entrar em uma casa de oração onde pôde encontrar pessoas que o amparassem de forma espiritual e material.
Nessa casa de oração, ele se estabeleceu sem abrir seu coração para que sua alma se iluminasse.
Perdeu grande oportunidade para ganhar conhecimento do bem, elevar seu espírito e corrigir suas falhas.
Deixou prevalecer, em seu coração, sua aptidão para líder do mal e conquistas materiais.
Para isso Honório passou a usar e falsamente defender o nome de Deus, os ensinamentos Sagrados do Mestre Jesus em troca de bem-estar e fortuna.
Não atentou que esses valores conquistados são passageiros e o bem-estar conseguido é temporário e ilusório.
Suas preocupações e perturbações com a ordem de tudo, com os ganhos levaram-no a cultivar grave doença física que não seria necessário adquirir.
- Esse problema cardíaco parece ter sido provocado por essas entidades perversas que o perturbam - observou Camila.
- Nada permanece no corpo físico se o espírito, desde que preparado e com a permissão do Pai, não autorizar - filosofou Dora.
- Por que essas entidades o querem prejudicar se ele fora seu líder, seu amigo em zonas inferiores? - perguntou Camila.
- Foi dada a Honório a oportunidade de elevação espiritual, de aprendizagem para o bem, de cultivar bons costumes, respeito e auxílio ao próximo através de uma religião cristã que prega e defende todas essas qualidades e ensinamentos retirados do livro Sagrado, dos conceitos deixados por Jesus.
Ele obteve acesso a tudo isso.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Nov 14, 2016 9:33 am

Depois teve duas opções:
primeira para seguir, entender e praticar tudo aquilo de maneira honesta a ponto de receber amparo e sustentação do plano espiritual superior e segunda aprender todos aqueles ensinamentos, seguindo-os e vivenciando-os só de aparência, com uma deslealdade inimaginável aos verdadeiros princípios trazidos pelo Evangelho.
Transgrediu inúmeras leis naturais devido a suas dissimulações.
Além de adquirir uma terrível dívida por usar e manipular ensinamentos sagrados para obter bens e poder materiais, Honório traiu também seus antigos amigos e aliados do plano espiritual inferior.
Embora, em seu íntimo, fosse oposto àquelas verdades ditas, temos de concordar que em suas pregações elevava o nome de Deus e os ensinamentos de Jesus.
Isso causou imensa discórdia entre o que ele defendia antigamente a seus antigos amigos de baixa vibração espiritual.
Por isso eles sempre o perseguiram, nesta encarnação: esperando uma oportunidade para lançarem nele suas baixas vibrações, procurando provocar-lhe qualquer mal.
Eles acreditam que Honório os traiu e traição, para eles, é imperdoável.
- E agora, tio?
- Não há nada que possamos fazer.
Se Honório fosse verdadeiro quando defendia e elevava o bom ensinamento, se ele tivesse sido fiel ao que pregava, sem dúvida, não estaria à disposição de criaturas tão perversas e inferiores como essas.
Ele teria toda a protecção do plano espiritual superior e não se encontraria assim, tão exposto, tão indefeso.
Camila ficou pensando em tudo o que ouviu.
Ela sentia imensa compaixão por ver aquele que foi seu pai naquelas condições, porém não havia nada a ser feito.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Nov 14, 2016 9:33 am

20 - LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE

Já no hospital, Honório era socorrido pelo médico de plantão que, inexperiente, solicitou à enfermeira chamar um outro médico.
Enquanto o ligavam a equipamentos clínicos para assegurar-lhe o bem-estar físico, chegava o doutor Júlio àquela sala do pronto-socorro para auxiliar seu colega.
Júlio ouvia atentamente de seu colega médico tudo sobre o estado clínico do paciente que, até aquele instante ignorava, ser o seu tio.
Porém Honório conseguiu reconhecê-lo.
- Ele não!!! Ele não!!! - gritou exaltado.
Júlio e o plantonista aproximaram e Honório desmaiou com o impacto de um outro enfarte.
Mesmo com as tentativas de ressuscitá-lo desencarnou.
Seu desligamento do corpo não aconteceu de imediato.
Ele não percebeu o desencarne e continuou gritando com seu sobrinho como se esse pudesse ouvi-lo ainda.
Júlio, por sua vez, lamentou ter assistido ao desencarne de seu tio.
- Seu burro!!! Incompetente!!!
Tu queres me matar!!!
Tirem-no daqui!!! - vociferava, tentando agredir o sobrinho médico.
O espírito Alfredo aproximou-se dele e, junto com Dora e Camila, fizeram-se visíveis a Honório que se sobressaltou.
Calmamente Alfredo lhe disse:
- Não adianta, meu irmão.
Tu não podes mais ser ouvido por eles.
Tu estás desencarnado agora.
Honório esbugalhou os olhos assustados e reparou que estava ao lado do seu corpo sobre a maca.
Sem saber o que fazer passou a gritar:
- Saia daqui, Satanás!!!
Eu te expulso!!!
Eu determino que se afaste de mim, em nome de Deus!!!...
- Pai - disse Camila com a voz branda -, compreenda o quanto antes que somente quando fores honesto com Deus, honesto com tuas palavras e sentimentos, o senhor poderá se livrar dos espíritos inferiores que te fazem tanto mal.
Somente quando temos o coração repleto de sentimentos verdadeiros e nobres como o perdão, a resignação, a humildade e o amor incondicional é que Deus nos ouve e atende aos nossos gritos de socorro.
O Pai Celeste é justo, por isso Ele dá a todos os filhos oportunidades iguais e quantas vezes forem necessárias para que ele entenda, aprenda e se corrija.
Deus é bom e perfeito.
Geralmente sofremos pelo que provocamos a alguém.
Confie Nele e ore muito.
- Sai daqui tu também, filha da besta!!!
Eu te expurgo em nome de Deus!!! - gritava em seu desespero.
Alfredo fez um sinal para ambas, informando ser qualquer tentativa, agora, inútil.
Ficaram invisíveis novamente para Honório, que começou a ver as sombras turvas aproximarem-se dele.
O barulho produzido por aquelas criaturas espirituais, que se achegavam, era horrível, pavoroso.
Em poucos instantes, seres perversos e monstruosos, possuidores de uma maldade indescritível, aproximaram-se de Honório aterrorizado e gritando por socorro.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Nov 14, 2016 9:33 am

Alfredo, Dora e Camila não podiam fazer nada, pois as criaturas não possuíam condições espirituais para vê-los.
Foi então que esses seres monstruosos envolveram Honório em uma energia escura e chamando-o de traidor junto a outros predicados indecorosos, foram arrastando-o sem que pudesse se defender das agressões começadas ali mesmo.
- Para onde vão levá-lo, tio? - perguntou Camila, entristecida.
- Para o Umbral, com certeza - respondeu Alfredo.
Entretanto em que nível de inferioridade, nós não sabemos.
- É melhor irmos embora - propôs Dora.
Precisamos do devido descanso.
Vendo Camila chocada com aquela cena, Alfredo ressaltou:
- Camila, tudo o que deveria ter dito a teu pai durante toda a tua convivência com ele, tu resumiste em poucas palavras.
- Será que adiantou alguma coisa, tio?
- Nada do que falamos sobre a fé, a resignação, o amor sem medidas e os atributos de Deus é desnecessário ou frívolo.
- Mas será que adiantou de algo para ele?
- Com certeza Honório recordará tuas palavras.
Aqui, no plano espiritual, temos a mente livre e tudo nos vem à memória de acordo com o nosso desejo.
De volta à oficina de trabalho espiritual, que fora à casa de Dora e Alfredo, Camila, apesar de triste, encontrava-se mais tranquila.
Tadeu, todo satisfeito, passava pela sala quando Júlio o chamou.
- Tadeu?
- Sim, tio! - respondeu ele de pronto.
- Soube por Dirceu que ficarás noivo.
Qual é a data?
- Ah! Estou para confirmar tudo com a Cíntia.
Creio que será daqui a uns dois meses.
Pretendemos, no dia do noivado, anunciar a data que devemos nos casar.
- Tadeu - tornou Júlio -, sei que já és um homem feito, maduro e muito responsável.
Desculpa-me se te ofendo, mas já pensaste no facto de Cíntia não ser maior de idade?
- Claro, tio.
Apesar dela ter dezassete anos, vejo que a Cíntia é muito responsável.
Ela não é como muitas garotas que há comummente por aí.
Os pais a educaram muitíssimo bem.
- Certo - respondeu Júlio pensativo.
Porém Tadeu continuou:
- Além do que, a Cíntia fará dezoito anos seis meses após ficarmos noivos e é essa a data que pretendemos nos casar.
- Tadeu, tu já explicaste à Cíntia o trabalho que executamos no Centro Espírita e na creche?
- Sim, tio! Lógico!
Ela está ciente e concorda com tudo o que fazemos e sabe que futuramente fará parte dos tarefeiros.
Inclusive os pais dela, que são católicos, concordam e apoiam o nosso trabalho.
Sabe, a mãe da Cíntia tem vindo visitar a creche e auxiliado em algumas tarefas, soube até que ela é muito apegada àquele garotinho, o Zezinho, e que está ensaiando para pedir-te que o deixe passar um dia na casa dela.
- Fico feliz por saber disso.
Entretanto tu sabes como sou rigoroso quanto a esse tipo de concessão.
Como todos os outros, é um caso para ser estudado - respondeu Júlio firme.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Nov 14, 2016 9:33 am

- Tio, não te preocupes.
Esforçar-me-ei ao máximo para dar continuidade ao trabalho que o senhor e meu pai vêm desenvolvendo junto à creche e, sem dúvida, continuarei a dar seguimento na tarefa de doutrinação que meu avô iniciou.
Queira Deus que eu consiga incentivar, ao máximo, meus filhos para prosseguirem com esse maravilhoso e edificante trabalho.
Sempre peço a Deus que meus filhos venham com a vontade e o prazer de servir, desapegados dos valores materiais e com imensa vontade de auxiliar ao próximo com paciência e resignação.
Júlio levantou-se do sofá, espalmou as costas do sobrinho dando-lhe um forte e demorado abraço.
Nesse momento, no plano espiritual, Alfredo que ouvia atentamente Tadeu expor seus sinceros desejos deixou rolar lágrimas de emoção e alegria.
Dora, para confortá-lo, abraçou-o com ternura, dizendo:
- Meu querido, estás colhendo exactamente o que plantaste.
Foi isso, exactamente tudo isso que tu vens ensinando a esses maravilhosos espíritos há muito tempo e, foram esses tipos de pensamentos e sentimentos que passaste de forma tão maravilhosa que lhe ficaram encravados na alma deles, mesmo diante do esquecimento provocado pelo reencarne.
Alfredo não conseguiu conter as emoções e chorou um pouco mais, só que de alegria.
Camila, também emocionada, ficou pensando alto:
- O casamento de Túlio, isto é, de Tadeu trará Alfredo ao reencarne como seu filho.
Alfredo, por sua vez, dará continuidade ao serviço de seu pai Tadeu, de seu avô Dirceu e de seu bisavô, que é ele mesmo!!!
Puxa!!! - Encantada com a dedução, ela salientou à Dora:
- Tia, se a senhora e o tio Alfredo tivessem decidido não dar a vida a Dirceu e Júlio, se vocês os tivessem abortado, agora, o tio Alfredo não poderia reencarnar dando seguimento ao seu próprio trabalho nem teria essa oportunidade bendita de viver no meio de tão maravilhoso lar.
- Percebeste, agora, Camila, o quanto é importante planearmos bem uma família e não matarmos nenhum filho que Deus nos tenha designado para cuidarmos?
É essencial, acima de tudo, ensinarmos uma boa moral, passarmos os ensinamentos Cristãos e mostrarmos aos nossos filhos a importância do amor a Deus e do respeito ao próximo porque estaremos fazendo isso para nós mesmos.
- E quanto à senhora, tia?
Reencarnará, em breve, para se encontrar com o tio Alfredo, não é?
- Sim, filha. É claro.
- E com quem isso se dará? - perguntou ela, curiosa.
- Ficarei aqui na crosta cuidando de quem será minha mãezinha, que actualmente se encontra muito desorientada.
- A senhora sabe quem é?!
- Sim, filha.
Eu tive permissão para isso.
É uma menina de rua que foi escolhida para assegurar meu encontro com Alfredo.
- Mas... uma menina de rua, tia!...
- Claro. Por que não?
Só terei de ampará-la, e muito, para que ela não contraia nenhuma doença ou para Que não se envolva em grandes problemas que a prejudiquem ainda mais.
- Mas, tia, e se ela te assassinar com o aborto?
E se ela te der a outra pessoa? Ou então...
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Nov 14, 2016 9:33 am

Não deixando que Camila continuasse com suas indagações desenfreadas, Dora respondeu tranquila:
- Actualmente, querida, corremos menos riscos de sermos assassinados através do aborto por criaturas materialmente pobres do que pelas que estão razoavelmente estabilizadas.
Tudo indica que ela não irá me abortar porque não tem dinheiro para isso e também tem medo o bastante para tentar o aborto sozinha.
Quanto ao facto dela me dar a outro ou abandonar-me, bem... é esse o objectivo.
- Como, tia? Por quê?
- Sem dinheiro, sem condições, ela me abandonará na creche de Júlio, pois uma amiga dessa menina já fez isso antes e é esse o caminho que tenderá a seguir.
Por sua vez, Júlio, me acolherá e cuidará de mim assim como fizemos com as outras crianças que lá apareceram.
Ao longo dos anos, crescerei e participarei mais directamente do belo trabalho ali realizado.
Nessa mesma época, meu querido Alfredo estará participando arduamente das tarefas a ele designadas.
Não será difícil nos apaixonarmos.
Camila sorriu satisfeita, porém ainda preocupada:
- Tia, e se tua mãe, a menina de rua, não te levar para a creche ou te der para outra pessoa?
- Aqui Camila, no plano espiritual, temos inúmeros amigos que se empenham para nos guardarem e nos guiarem pelos caminhos rectos que devemos traçar enquanto estamos encarnados.
Caso isso ocorra, confio imensamente nos espíritos amigos, donos de luzes e bondades divinas, para conduzirem-me até o Centro Espírita ou até a creche para que eu e Alfredo nos conheçamos e, a partir daí, prossigamos com nossa missão.
Porém tudo indica que serei recebida como um bebé, por um dos meus filhos, Dirceu ou Júlio, com muito carinho e tratada com muito amor.
- Camila - avisou Alfredo -, esses são nossos planos.
Viste agora como é importante não termos preconceitos quanto à classe social dos que nos rodeiam?
Se Dirceu desprezar a menina que enlaçar namoro com seu neto, discriminará sua própria mãe.
Se Tadeu protestar meu namoro ou casamento com uma moça só porque é filha de uma menina de rua, ele estará criticando ou tendo preconceitos por aquela que foi sua avó e, em período mais distante, sua tão amada mãe.
Observa o risco que corremos quando direccionamos julgamentos preconceituosos a algum acto ou a alguma criatura, seja ela quem for.
Já pensaste se quando Júlio iniciou a creche, junto com Penha, Dora fosse ambiciosa, egoísta a ponto de aconselhá-lo a viver a vida, deleitar-se nos prazeres terrenos?
Como médico, Júlio poderia ganhar muito dinheiro, viajar, passear, divertir-se sem se preocupar com o filho dos outros, não é?
Se assim fosse, agora, estaria próximo a um reencarne sem ter o amparo e o apoio daquele que no passado foi seu filho.
Isso por ela ter sido egoísta e preconceituosa e o aconselhado a não cuidar do filho dos outros, entendeste?
Hoje, será a filha de uma desconhecida para Júlio e Dirceu.
Mas como espírito nobre, que é Dora, ensinou-os, acima de tudo, o amor incondicional, pois nunca sabemos com quem estamos lidando ou o porquê dessa tarefa.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Nov 14, 2016 9:34 am

- O senhor tem razão, tio.
É emocionante saber de tudo isso.
Depois de alguns segundos pensativa, Camila prosseguiu:
- Sei que não tenho o direito de pedir... mas, eu gostaria muito de ser filha do Túlio... digo... Tadeu e Cíntia.
Gosto tanto deles.
Amo Túlio, digo, Tadeu como um pai que nunca recordei ter.
Ele foi tão importante para mim.
- Sem dúvida.
Tadeu e Cíntia são criaturas dignas e maravilhosas.
No entanto tu não poderás ser filha deles.
Ao vê-la entristecer e abaixar o olhar, Alfredo sorriu e avisou:
- Sinto muito, Camila.
Dora e eu decidimos cuidar de ti, por isso solicitamos que teu próximo reencarne se dê entre nós dois.
Assim, queira Deus eu consiga manter-te na linha, menina!
Não deixaremos que tu fujas das responsabilidades, certo?!
Ah! E ainda terás Tadeu e Cíntia que, como todos avós abobalhados, certamente vão te amar, mimar e orientar.
Está bom assim?! - Camila parou petrificada por alguns instantes, mas logo reagiu em lágrimas e os abraçou, chorando de alegria.
E Alfredo confirmou:
- Daqui alguns anos, filha, nós a receberemos com muito amor e prometemos guiá-la no caminho cristão para que eleve teu espírito e auxilie na edificação do trabalho que teremos, que é o de espalhar, principalmente com exemplos, os ensinamentos do querido Mestre Jesus.
Agora entendestes tudo, "conhecereis a verdade e ela vos libertará", disse Jesus.
A verdade é como um brilho, um clarão que nos assusta como relâmpago a surpreender.
Porém, quando a entendemos, a verdade é um brilho que nos eleva.

§.§.§- Ave sem Ninho
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

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