O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Nov 08, 2016 11:00 am

- Para que tanta animosidade? - pensava ela.
Meu pai não tinha razão para tratá-las assim de forma tão irracional e estúpida.
Tua maneira de falar sempre fora hostil.
Isso é admirável, pois os ensinamentos e as pregações que ele faz como pastor difere completamente de suas atitudes quando se trata de sua família.
Sabendo que seu pai não podia ouvi-la, ela falou-lhe ao ouvido:
- É, pai, dentro de tua própria casa o senhor não sabe praticar um dos principais mandamentos que é "Amar ao próximo como a ti mesmo."
Esse, próximo, de que nos fala o mandamento, são aqueles que encontramos dentro do nosso lar.
E no lar que deve haver imensa, extrema troca de gentilezas.
Além de causar excelentes energias benéficas, carregadas de optimismo sadio e tranquilo aos que dela vibram e compartilham, proporciona aos ouvintes ou espectadores o exemplo e as impressões salutares que os estimularão à prática de acções semelhantes.
Honório não podia sequer sentir o raciocínio sensato e edificante que sua filha lhe emitiu, pois ele se encontrava espiritualmente distante dessas sensibilidades agora tão aguçadas, de sua filha que podia vê-lo com "outros olhos".
Camila reteve aqueles pensamentos e mencionou:
- Por que estou falando assim?
O que pode me levar a essas conclusões sobre as atitudes de meu pai?
Será que eu deveria defender esse mandamento de "Amar ao Próximo", pois hoje tenho a impressão de que Deus me abandonou.
Se Deus existe, por que Ele não impede meu pai de falar e agir de forma imprudente sobre os ensinamentos do evangelho?
Por que não me tira daqui, Senhor?
Nesse instante ela passou a experimentar uma amarga e infeliz sensação de angústia e abandono.
De súbito, sua atenção se voltou à gargalhada emitida por seu pai, que estava em concentrada conversa ao telefone.
Foi então que passou a atentar ao que ele dizia:
- ... mas é claro!
Tu pensas que sou otário?!
E novamente um sorriso simulado com o canto da boca se fez na face de Honório, que passou a ouvir o seu interlocutor.
Camila inquietou-se.
Nunca vira seu pai com aquela fisionomia.
Logo ele revidou novamente a alguma indagação que partiu do outro:
- Não. De forma alguma.
Sabe Monteiro, eu tenho em mente uma coisa:
presto àquele bando de infelizes amargurados um serviço de extrema necessidade e importância, pois, pelo que nós podemos perceber, eles são incapazes de raciocinarem sozinhos, são totalmente dependentes no sentido de palavra e fé.
Se esse pessoal não for à igreja, não consegue rezar sozinho.
Depois caem em melancólica ociosidade, depressão, não tendo ânimo para trabalhar ou conduzir bem-estar para dentro de suas próprias casas.
Eles não conseguem nada sozinhos!
Ao ponto de que, quando vão aos cultos, depois de atentarem muito às pregações, aos conselhos, às propostas que nós temos imenso trabalho de preparar e explicar a esses ignorantes, é que eles conseguem ganhar ânimo, força, energia que os revigoram.
Daí que eles saem de lá entusiasmados, renovados...
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Nov 08, 2016 11:00 am

E tudo isso graças a quê?!
Graças ao nosso esforço e a nossa capacidade!
Sem nós, esses pobres e infelizes entrariam em conflitos interiores, desarmonia em seus lares, preguiça para o trabalho etc.
E quem é que despende imenso esforço mental, além de enorme tempo gasto para que esse pessoal possa ter um pouco de auto-estima?!
Nós, é claro!!!
Enquanto Honório escutava a opinião de seu colega, Camila foi vencida pela golfada de verdades horrendas sobre as opiniões sinceras de seu pai quanto ao que ele realmente sentia sobre aqueles fiéis tão dedicados.
Ela ficou estupefacta e deixou-se escorregar pela parede onde encostara até chegar ao chão e lá ficou sentada.
Seu primeiro impulso foi o de revolta contra tudo e todos.
Olhando incrédula para seu pai, que ainda deleitava sobre aquele assunto, pôde ver rolando em torno dele sombras agressivas que tentavam atingi-lo.
Porém Honório não conseguia senti-las ou percebê-las até porque seu animado assunto prosseguia:
- Eu não os engano, Monteiro - dizia Honório irónico.-, sempre digo que aquela arrecadação é, em nome de Deus, para a casa do Senhor!
Eu não disse a ninguém que esse senhor, ao qual me refiro é Deus, concorda?
Esse senhor sou eu!
E novamente outra gargalhada se fez, mas logo Honório voltou a falar.
- As obras do Senhor são o término da construção da minha casa em Angra dos Reis.
Sabe, Monteiro... veja bem...
Os médicos, dentistas, assistentes sociais e outros estudam para proporcionar saúde e bem-estar aos necessitados daqueles serviços, certo?
E quando nós precisamos de um deles, nós pagamos por isso, e bem caro!
O nosso caso não é diferente.
Nós temos de estudar, e muito, para realizarmos o nosso trabalho, que é o de proporcionar paz de espírito, calma, resignação, paciência, harmonia, compreensão e muito mais aos necessitados, aos desequilibrados, aos ébrios, aos doentes, entre outros que não conseguem sozinhos esse estado.
Prestando esse serviço, que é árduo e tendo em vista a qualidade e o tipo de gente que nos procuram, nós nos desgastamos muito, nos empenhamos extremamente e por isso temos direito a numerários ou salários, como qualquer outro profissional.
Se um médico é excelente e cobra mais caro do que os outros por uma consulta e se inúmeras pessoas desejam ser atendidas por ele, esses pacientes têm de pagar pelo que desejam ou o profissional não os atende.
Nosso caso não é diferente.
Se minha igreja está sempre cheia, é porque os frequentadores gostam do que encontram lá e o que encontram é o que eu dou.
Portanto têm de pagar por tudo o que eles querem ter de mim, como pagam para qualquer outro profissional que lhes presta serviços.
Sentada no chão, com as pernas estendidas, Camila ficou ainda mais assombrada com o que ouvia.
- Sim Monteiro - continuou Honório -, pretendo abrir outra igreja no Leblon ou na Tijuca...
Breve pausa:
- Não... Não estarei forçando nada.
Eu confio na minha subtileza, no meu raciocínio rápido.
Tu sabes... sou esperto!
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Nov 08, 2016 11:00 am

Não suportando mais ouvir a verdadeira opinião de seu pai quanto à religiosidade, na qual esclarecia com exactidão o seu próprio carácter e sua verdadeira personalidade, Camila levantou-se e foi até o quarto onde estavam suas irmãs.
- Passa bastante pomada para que, quando voltarmos, o pai não veja que estamos vermelhas - dizia Vera.
As irmãs se preparavam para irem à praia sem que seu pai soubesse.
Elas diriam que havia um trabalho escolar importante e que o fariam na casa de uma colega da escola.
- Quanta hipocrisia! - disse Camila.
Como somos falsos. Fiz tanto disso.
Menti, fugi, saí às escondidas para namorar... como se tudo ficasse encoberto para sempre.
E tudo isso por quê? - depois de uma breve pausa, ela mesma respondeu.
Porque, a começar pelo nosso pai, sempre tivemos o fingimento, a mentira e a falsidade vigorando em nossos corações.
Nosso pai, indirectamente, sempre nos ensinou a mentir quando nos pedia para não contarmos isso ou aquilo aos outros sobre o que tivéssemos ouvido ou presenciado.
Impressionada por tomar ciência de que seu pai era um homem impudico, cínico e longe de ser temente à justiça Divina, Camila passou a ter um sentimento repulsivo por ele.
Voltando novamente à sala de visita, onde Honório ainda se encontrava, ela passou a experimentar um outro tipo de sentimento que divergia ao de pai e filha ou a qualquer outro de laços sanguíneos.
Agora o repudiava-o. Odiava.
Ouvindo o final da conversa de seu pai ao telefone, ela alertou-se:
- É claro que estou disposto - dizia Honório.
Quero ver sim!
Além do que será melhor conversarmos pessoalmente.
Estou indo agora mesmo. Até mais.
Camila não hesitou.
Resolveu acompanhá-lo para descobrir o que mais camuflava de forma astuciosa.
Honório arrumou-se rapidamente.
Avisou a esposa que não voltaria para o almoço daquele domingo e, depois de seu encontro, iria directo para a igreja onde se encontraria com ela e os filhos.
Ao sair de casa Honório, fechou a porta sobre Camila que descobriu, naquele instante, que portas e paredes não lhes seriam mais obstáculos.
Entretanto aquela experiência a fez sentir um frio estranho correr-lhe pelo corpo espiritual.
Ela entrou no luxuoso carro junto com seu pai e acompanhou-o até um requintado edifício no Leblon.
Depois de estacionar, Honório desceu e alinhou ligeiramente as roupas que desajustara quando sentara para dirigir.
O espírito Camila desceu com ele observando para onde iria.
Caminhando alguns metros distraidamente pela calçada, Honório sobressaltou-se ao deparar com uma mulher que com animada e sincera simplicidade o cumprimentou de forma cortês:
- Honório, como vai?!
Quanto tempo!...
Honório demonstrando nítida insatisfação ao vê-la, revidou ao cumprimento com modos rústicos e descortês:
- Vou indo.
Quando ele quase se virou para seguir seu rumo, a mulher insistiu:
- E a Clara? Como tem passado...
Os filhos?... que já devem estar bem grandes!
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Nov 08, 2016 11:01 am

- Vão indo bem.
Desculpe-me, Dora, mas tenho um pouco de pressa.
Nessa pequena pausa, Camila exclamou emocionada:
- Tia Dora!
Dora transformou sua fisionomia de forma indefinível.
Atenta, pareceu aguçar os ouvidos e girou a cabeça como se procurasse quem havia lhe chamado, enquanto dava um profundo suspiro de emoção.
Mesmo sabendo que não foram os órgãos físicos que lhe proporcionavam a clariaudiência, foi instintiva aquela reacção.
Camila teve a nítida impressão de que Dora a tinha percebido.
- Tia! Tia Dora!
A senhora pode me ouvir?!
Dora sentindo-se surpresa e com os olhos lacrimejando, acenou levemente a cabeça de forma positiva.
Honório nada entendeu e insistiu friamente:
- Com licença, Dora. Tenho de ir.
Foi um prazer te ver.
Podes deixar que eu darei tuas lembranças a todos lá em casa.
Camila não se importou mais com seu pai, perdendo completamente o interesse pelos seus objectivos.
Correndo para perto de Dora, começou a abraçá-la e inexplicavelmente passou a sentir-se melhor, pois havia preenchido parte do vazio e da solidão que a corroía, pois alguém, do "mundo dos vivos", conseguiu percebê-la e passar-lhe verdadeiro amor.
Abraçada a Dora, Camila banhou-se de lágrimas em meio a um choro compulsivo.
Dora passou a andar vagarosamente, esboçando no rosto um leve e delicado sorriso.
Ambas pegaram o ônibus.
Depois de algum tempo desceram e andaram muito até chegarem a simples, porém aconchegante, casa onde Dora morava com seus dois filhos.
A última vez que Honório vira Dora, foi quando a cunhada pediu-lhe ajuda para pagar a faculdade do filho Júlio.
Diante da negativa e repudiante resposta de Honório, Dora e os filhos não mais o procuraram nem mesmo mencionaram críticas ou comentários quanto ao tempo que Honório e a família viveram à mercê da bondade e do esforço deles.
Dora soube do desencarne de Camila por alguns conhecidos que lhe informaram quando já havia passado duas semanas.
Honório, depois que se mudou da casa de seu irmão Alfredo, influenciou e convenceu sua mulher e filhos de que seu irmão e a família viviam em pecado mortal por acreditar no que dizia o Espiritismo, e na comunicação dos que já morreram, pois os mortos, que se comunicam com os vivos, só podem ter pacto com o diabo.
Afinal, na opinião dele, somente o satanás seria capaz de voltar ao mundo dos vivos usando o corpo e a mente de um encarnado para atazanar os que ainda estão aqui, enganando-os com suas mentiras para persuadi-los ao inferno.
Somente assim o demónio teria mais escravos para servi-lo.
Toda a família teve por opinião formada aquele conceito deliberado que lhe foi imposto pelas ideias preconceituosas e convenientes de Honório.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Nov 08, 2016 11:01 am

9 - ORIENTAÇÕES DE ANDRÉ LUIZ

Já se fazia hora do almoço.
Dora, rubra pelo calor escaldante do dezembro carioca, adentrou sua cozinha e foi à procura de água fresca, saciando-se.
Camila, inquieta, andava pela cozinha proseando o tempo todo.
- Tia Dora, tenho certeza que me ouviste.
A senhora mudou o teu rosto no momento em que eu disse teu nome.
Quase chorou de emoção quando me percebeste.
Tenho certeza, tia, a senhora me ouviu.
O espírito Camila estava eufórico, desassossegado e ansioso para que Dora demonstrasse algo mais sobre o registo de sua presença.
Porém, de súbito, Camila estarreceu ao ver perto de sua tia um homem luzente que parecia não tocar seus pés no chão.
Ela fitou-o assustada, contudo não conseguiu sentir medo.
Sorrindo, ele estendeu-lhe a mão cumprimentando-a e dizendo:
- Eu sou André.
Fiquei imensamente feliz por ter nos acompanhado.
- E... eu... sou Ca... Camila - gaguejou ela ainda pasmada, pois sentiu uma indescritível emoção ao ver e conversar com um espírito dotado de uma luz imensa.
- É um imensurável prazer tê-la connosco - respondeu André de maneira carinhosa e cativante.
Camila, olhos esbugalhados e nitidamente embaraçada, não sabia o que falar, porém retribuiu ao cumprimento.
Indicando-lhe onde sentar-se, André generosamente falou:
- Sente-se, Camila.
Sossegue as ressaltas momentâneas, em breve tudo te será claro, acredite.
Sentando-se no lugar indicado, Camila nem mesmo piscava.
Aquele homem era um espírito circundado por uma luz resplandecente, transmissor de uma paz, de uma segurança incompreensível por ela.
Temerosa, em meio a um sorriso quase forçoso, devido ao seu recente estado atónito, Camila timidamente perguntou:
- O senhor disse que eu os acompanhei... só segui minha tia Dora.
- A ilustre Dora não estava sozinha.
Eu lhe fazia companhia.
- Mas eu não o vi - insistiu Camila.
- Não acredite que somente por ter rompido os laços que a unia com a matéria corpórea, poderá ver todos aqueles que já o fizeram também.
- Mas se já morri, por que não posso ver todos aqueles que também já morreram?
- Porque há inúmeros escalões no mundo dos espíritos.
Conforme o grau de espiritualidade, de subtileza do espírito, há para ele, inúmeras barreiras que não são só a da visão.
- Por quê?
- Há, na espiritualidade, infalíveis leis dirigidas pelo poder cósmico, que são Leis Divinas.
Elas existem sempre por inúmeras razões que, no momento, seria desnecessário explicar-te, uma vez que já tens grande bagagem de não tão remoto passado.
- Eu tive algum conhecimento espiritual no passado?
- Obviamente que sim - respondeu André com um doce sorriso esboçado no rosto.
Outrora, plenas energias lhe desabrocharam as faculdades espirituais através da dedicação à disciplina e incansáveis exercícios mentais despendidos por ti.
- Quando morri e despertei não me lembrava do próprio nome.
Não lembrava o que me levou à morte.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Nov 08, 2016 11:01 am

Como posso lembrar um passado que o senhor me diz ter vivido, se não me lembro do que fiz há poucos meses?
- Talvez não o recorde de plena consciência.
Contudo usando o amor do coração, hoje, ouviu a voz da Consciência Divina, que te falou através dos íntimos pensamentos e sentimentos e, com isso, seguiu-nos até aqui.
- Eu segui minha tia porque, ao ficar contente em vê-la, pronunciei seu nome e ela pareceu me escutar.
- Será que foi somente isso?
Não vens, nos últimos tempos, pedindo guarida a Deus para o teu espírito inquieto e inseguro?
Não teceste inúmeras indagações em que acreditaste não serem ouvidas e por isso pensaste estar sem respostas?
- Como assim?
- Bem se vê a brevidade de tuas recordações - tornou ele de modo fraterno -, porém relembremos.
Quando te certificaste de teu desencarne, desejaste ardentemente saber onde estavam teus parentes que haviam "cruzado a fronteira da morte antes de ti?"
Quiseste saber "onde é o céu ou o inferno?"
Perguntaste "Por que Deus deixava teu pai agir de forma imprudente e por que não a tirava daquelas condições?"
Não foi?
Camila, com os olhos mergulhados em lágrimas, que logo lhe correram a face, acenou a cabeça positivamente.
- Pois bem, filha, "pede e te é dado".- garantiu André ao falar.
Deixe-me acompanhar os movimentos orientando-te.
Seria casualidade não conseguir isentar-te de imensurável ânimo ao ver tua estimada tia Dora?
Fez-se breve pausa, mas logo continuou:
- E quanto a expressiva e farta empolgação que te fizeste desinteressar de tuas casuais curiosidades para com teu pai e parar de segui-lo?
Tenho certeza, porém, de que todas as recomendações negativas feitas a respeito dessa humilde família, todo o vasto e profundo conhecimento que acolheste da rigorosa doutrina que seguiste, passaram a ser translúcidos diante de teus "novos olhos de ver".
Apesar de que tal reconhecimento não a isenta da deliberada negação injustificável de exercitar a fé e a caridade.
Contudo não hesitaste ao inexplicável sentimento confortante e prazeroso experimentado junto da magnífica Dora, sendo que nada te foi semelhante vivenciar perto dos teus.
Que estranha força é essa?
Diante do silêncio de Camila, André seguiu amável e cortês:
- Minha irmã, abandonaste a falsa ideologia, da qual te deixaste escaldar, para seguir sublimes e inexplicáveis impulsos verdadeiros de teu coração.
Não será isso uma resposta às tuas súplicas?
- Pode ser que sim.
Estou confusa.
- Obviamente que estás.
Porém a decisão será sempre tua.
Deixa teu âmago decidir.
Possuímos poderes bem maiores do que imaginamos, desde que ajamos com fé e amor.
- A culpa por eu ter essas dúvidas é da religião que passei a acreditar e por ter desprezado o pouco que aprendi sobre Espiritismo.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Nov 08, 2016 11:01 am

- Não - respondeu André, convicto, firme e amável.
De forma alguma podemos maldizer uma religião.
A base das religiões é a crença do homem ter um Ser Superior e Mantedor a respeitar.
Alguns homens são quem manipulam o entendimento dos menos vigilantes, às suas determinações sempre são voltadas aos interesses e conveniências pessoais, desnivelando o verdadeiro significado de uma doutrina e seus sagrados princípios.
Todas as doutrinas religiosas têm sua razão de existir no seio da humanidade.
O principal objectivo das religiões, podemos dizer, são os dois primeiros sagrados mandamentos bíblicos resumidos por Jesus, que são:
'Amarás ao Senhor teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento".
Esse é o maior e o primeiro mandamento.
E o segundo, semelhante ao primeiro, é:
"Amarás ao teu próximo como a ti mesmo".
Esses mandamentos contêm toda a lei e os profetas.
Bem ensinados e seguidos, atribuiriam paz e concórdia colectiva aos fiéis.
Se temos Deus como nosso Pai, somos todos irmãos e uma das principais divergências religiosas, que vigora na sociedade actual, é o preconceito que obstinam os seres humanos, mesmo os portadores de imensa bagagem religiosa, e principalmente eles, a tolerar aversão a outros credos, a outras religiões, etnias ou cor da pele, esquecendo-se, eles, de que o amor do Pai Celeste é o mesmo para todos os seres vivos, não importando a Deus qual o escalão religioso ou político do homem mais nobre nem a ignorância, a instrução ou cultura de valores que outro possa ter.
O aspecto mais essencial é o apreço, a consideração, a estima e o tratamento que um ser dispensa ao seu semelhante, independente de seu credo religioso ou étnico.
Serão inúteis todos os gritos de louvores aos céus para preconizarmos nossas almas ao Senhor se dispensarmos, criticarmos ou intolerarmos um irmão por ele crer nisso ou naquilo, por ele ser desse ou daquele jeito, ter essa ou aquela cultura.
Não quero com isso, cara Camila, dizer-te ser a oração inútil ou não deva ser cultivada em nossos hábitos diários - salientou André benevolente -, só quero que atente a esses factos, pois irmãos não são somente aqueles com ligação sanguínea ou de mesmas opiniões religiosas ou ainda os que possuem a mesma cor de pele.
Irmãos somos nós todos que tivemos origem, que fomos criados, feitos, soprados pelo único Ser Supremo e Criador de todas as coisas, denominados por muitos de Deus.
Mesmo o homem incrédulo em Deus, deve ser respeitado por nós, pois o próprio Deus o respeita, deixando-o agir com livre-arbítrio até que, por vontade própria, ele volte ao Seu seio.
Além do mais, se acreditarmos que Deus é nosso Pai e se maltratarmos, subjugarmos, criticarmos ou intolerarmos qualquer irmão, estaremos criticando o Criador dessa criatura, que é Deus.
Os louvores ao Pai Divino devem ser feitos diariamente, ressaltando tudo o que Ele criou, bendizendo todas as suas criaturas, agradecendo a presença de todos os irmãos que Ele deixou termos a nossa volta, reconhecendo a oportunidade concedida que podemos ter de auxiliar a outro, mesmo que este não considere a nossa dedicação.
Saiba, minha irmã, nada escapa aos Olhos de Deus e, com toda a certeza, Ele tudo vê, tudo sabe, tudo pode.
Camila abaixou a cabeça, envergonhada, pois percebeu não ter, quando encarnada, tão bom comportamento quanto acreditara.
Lembrou-se ela de quando se amotinava com suas irmãs e amigas da mesma crença, desfazendo e maldizendo os outros.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Nov 08, 2016 11:01 am

Acreditando que os católicos, umbandistas, espíritas e outros cultivavam oferendas, preces, orações etc. ao demónio.
Elas os ofendiam, maldiziam-nos e denegriam suas imagens, desejando-lhes todas as desventuras e infortúnios que a vida pudesse lhes dar.
Ansiavam pela morte dos que de sua religião não participavam só para eles irem logo para o inferno, ambicionando, de lá onde estivessem, poderem vê-las, futuramente, no reino do céu junto dos anjos do Senhor.
- Sinto-me envergonhada - murmurou Camila timidamente.
Pensei ter levado uma vida digna de ser recebida no céu pelo meu nobre comportamento, porém agora vejo o quanto estava errada.
André, olhando-a firmemente, não procurou nem mesmo com palavras, alentar os sentimentos que a fragilizavam naquele momento.
Ele sabia que o maior sustento à coragem e à perseverança para a evolução da alma é o reconhecimento dos próprios erros e fracassos, seguido de arrependimento e imenso desejo de acertar com perfeição.
- Como pude ser tão tola - lamentou Camila.
Agi como criança, não percebendo ou não querendo perceber tanta coisa errada a minha volta, simplesmente aceitando e compartilhando tudo sem me incomodar.
- Justamente - concordou André.
Seu maior empecilho para o despertar das verdades eternas foi a acomodação.
Todos nós temos condições de desenvolver energias ou forças espirituais, manifestadas através de nossas faculdades intuitivas ou dos sublimes desejos que nos vêm pelos sentimentos do coração.
Nós todos também podemos fazer germinar e crescer essa nossa capacidade espiritual por meio de exercícios, experiências ou observações, ou seja, o exercício da fé, a experiência da caridade e as observações de nós mesmos, ou melhor, a vigilância constante.
Para isso precisamos despender perseverança e esforço.
Só assim teremos a certeza de haver algo mais além da matéria corpórea e que o mundo invisível pode nos influenciar.
Para o bem ou para o mal, através dos sentimentos que criamos dentro de nós, e isso sem qualquer mediador.
Porém para essas energias ou forças espirituais alcançarem níveis vibratórios superiores a fim de nos darem amparo e orientações benéficas, é de suma importância, é altamente necessário o devotamento da fé inabalável em Deus, a aceitação, a prática e o amor aos ensinamentos de Jesus.
- Desculpe-me, não entendi muito bem.
- Não me leve a mal.
Meus desejos são os de, tão somente, orientar.
Não pretendo recriminar-te, porém vejamos.
Quando em companhia de tuas irmãs e amigas, por te achares em condições superiores, humilhaste ou discriminaste outras pessoas.
Nesse momento, foi-te cómodo te unires às companheiras aceitando as opiniões delas, sem verificares se o que fizeram estava certo ou errado.
Não quiseste perder tempo em consultar os sentimentos de teu coração, que no momento era contrário aos de tua acção, para ouvires o teu manifesto e assim, independente das opiniões de tuas companheiras, barrares aquelas críticas, humilhações e preconceitos a outros semelhantes.
Muitas vezes, assolaste em pensamentos indagando a ti mesma, e somente a ti mesma, de onde vinha todo o conforto que receberas?
Sabias da verdade, porém era cómodo deixar tudo acontecer e não encarares a realidade.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Nov 08, 2016 11:02 am

Além disso a idade já te permitias conversação tão realista e directa com teu pai, não quiseste te defrontar com ele à procura de respostas para tuas próprias dúvidas, tão menos alertá-lo para as sublimes verdades bíblicas que ele mesmo defendia ou julgava defender.
- Meu pai sempre foi uma pessoa intolerante e inflexível para com os de casa.
- Sem dúvida que o homem omisso, de palavras generosas e que dificulta o diálogo familiar, sempre está dissimulando suas acções que podem parecer duvidosas aos olhos dos seus e com isso ele perderia todo o respeito, credibilidade e autoridade.
- Eu não sabia o que fazer.
- Na verdade, minha irmã, não despendeste o mínimo esforço para fazer algo.
Cada vez que intuías observar teu pai em tuas acções, tu te negavas.
Cada vez que o coração te mandava falar, tu te calavas.
- Mas ele iria brigar comigo.
- Certamente.
No entanto, somente tu poderias fazê-lo pensar e reflectir sobre o que fazia.
Com tua manifestação, Honório não poderia, mais tarde, tentar defender-se que errou na ignorância, se bem que, para o conhecimento que ele tem, isso de nada lhe valerá.
Todavia teu pai não iria deixar de pensar nas tuas palavras.
- Sou muito nova, senhor André.
Não tenho tanto poder assim com meu pai.
- Nova?! - exclamou André sorridente.
Ao espírito não se soma idade, soma-se experiências e evolução.
Além do que, se tentasses dizer poucas palavras de alerta ao teu pai, quem te disse que estarias falando sozinha e pelas tuas próprias conclusões e pensamentos?
Vejo que a irmã nunca tentou.
- Perdoa-me por falar assim, mas...
Sem que Camila concluísse, André completou:
- ... mas nem mesmo sabes porque estás aqui me dando ouvidos, não é?
Camila surpreendeu-se.
André completou sua frase exactamente na íntegra.
- Sabes minha irmã, somente agora, desencarnada, é que deste ouvidos aos sentimentos de teu coração e estás atendendo às tuas intuições.
Nos limites da matéria quiseste receber sem nada doares.
Nenhum trabalho prestaste para a divulgação e orientação de uma actividade cristã.
Camila sentiu-se ofendida, porém André continuou:
- Todos os ensinamentos espíritas que recebeste, quando encarnada, de teus tios Alfredo e Dora só te interessaste enquanto participavas da vida em comum daquela nobre família.
Nunca ofereceste nada a eles que, por outro lado, nunca te cobraram o amparo e o apoio, educando-te moral e espiritualmente, preparando e fortificando-te para tuas provas e expiações.
No entanto tu te acomodaste, pois era muito fácil receber.
Contudo no momento em que poderias tê-los ajudado, iniciando teus trabalhos na doutrina e dando continuidade às tarefas de Alfredo no plano físico, fugiste como no passado, infelizmente, repetindo teu erro.
Desperdiçaste as oportunidades que, com muito trabalho, foram preparadas por inúmeros trabalhadores do plano espiritual.
Isso realmente foi lamentável.
Nesse momento Camila sentiu-se atordoada.
As lembranças de outra reencarnação fizeram-se presentes vivamente em sua memória.
Como um relampejo de ideias, recordou os actos praticados contra si e as leis morais.
Lembrou seu reencarne como Samara e em seguida do socorro abençoado que tivera quando, desencarnada, encontrava-se à disposição de criaturas imensamente monstruosas, sem compaixão, que viviam na ignorância das boas acções e orientações, actuando de forma horripilante contra os que lhes serviam de escravos nos vales do Umbral.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Nov 08, 2016 11:02 am

Recordou dos ensinamentos e conselhos recebidos logo que foi socorrida, da oportunidade obtida na honrosa tarefa de acompanhar o trabalho no campo da doutrinação espírita que prometera antes de deixar aquela amada colónia espiritual para a reencarnação.
Realmente, André tinha razão.
No momento em que Dora necessitou de sua ajuda, ela a abandonou novamente com os filhos.
Camila pendeu a cabeça negativamente como quem lamentasse suas atitudes.
Mesmo assim, tentou justificar-se junto a André:
- Quando meu tio Alfredo deixou o plano físico, as necessidades de Dora e dos meus primos eram financeiras e jamais eu poderia ajudá-los no que dizia respeito a isso.
O dinheiro que eu havia guardado era pouco diante do que precisavam.
Eu acreditei que os deixando sobraria mais para o sustendo deles.
Por outro lado, não vejo como poderia eu ter dado continuidade ao trabalho de meu tio.
Sozinha, digo, sem ele por perto, jamais conseguiria.
- A missão de Alfredo - salientou André, pacientemente -, era a difícil arte na tarefa de doutrinar, no entanto o abnegado e honroso irmão, realizou-a muitíssimo bem.
Coube-lhe a parte, em primeiro lugar com o exemplo de inúmeras atitudes de solidariedade e amor e, sobretudo, o laborioso e magnífico ensinamento do Evangelho do Senhor todos os necessitados de orientação.
Quanto à cara irmã, deverias ter desempenhado actividades relativas ou paralelas ao trabalho do digníssimo Alfredo, aproveitando o inabalável alicerce já solidificado pelo nobre irmão, juntamente com o apoio e o amparo do plano espiritual.
Conforme tua solicitação a esse serviço e tuas promessas de dedicação honrosa a esse trabalho, empenhar-te-ias em estimular companheiros de luta que propagariam a Doutrina Espírita, a solidariedade e a moral cristã.
Agora no que se refere às necessidades financeiras pelas quais passavam todos, sinceramente, não deverias ter crivado teu coração com o abalado da insegurança.
O plano espiritual ampara sempre a todos, sem excepção, dando-lhes de acordo com as necessidades físicas, morais, espirituais e materiais.
Não há trabalhador espiritual que não tenha de acordo com as necessidades e merecimentos.
Tudo é engenhosamente planeado.
Muitas vezes o dinheiro traz escravidão e dependência difíceis de superar.
A criatura exposta à vasta fartura, quando encarnada, corre o risco de enlaçar dependência e apego a tudo o que é material, deformando a alma e a compreensão dos sentidos, fazendo com que uma pequena perda ou danos de um bem se transforme em uma tragédia.
Tudo isso pode negativar o espírito a tal ponto que ele passa a ambicionar e desejar mais e mais.
Assim sendo, começa a odiar, maltratar, apropriar-se do que não lhe é de direito e assim por diante, fazendo-o estagnar cada vez mais na escala da evolução.
Camila ouvia-o com a cabeça abaixada.
Depois de breve pausa, André continuou:
- A irmã sabe o quanto é grande o número de desencarnados que trabalham activamente na área dos pensamentos inferiores, trazidos aos encarnados pelos irmãos e espíritos ignorantes, os quais são chamados obsessores?
Eles deformam a versão da realidade e arrastam os pensamentos e os sentimentos dos encarnados ao abismo do vazio, deixando-os com o coração enrijecido e deserto.
Camila não respondeu, mas André entendeu e prosseguiu:
- Por esse motivo, a grande maioria dos espíritos que se propõe a trabalhos árduos na área da evangelização, durante o seu período e oportunidade de reencarnação, solicitam que se faça em ambiente simples e humilde para não caírem em tentação.
Não estou dizendo, sobremaneira, que para desempenhar bem a actividade a qual se propõe quando encarnada, a criatura tenha de se flagelar, torturar-se, recusar o bem-estar físico e material, não.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 09, 2016 11:18 am

Não é isso. O importante é:
a pessoa que se dispõe a tão nobre trabalho dê atenção aos chamados intuitivos e aos tesouros sagrados acumulados no coração e podem, sobretudo, ser doados aos montantes para inúmeros necessitados, sem, sequer, nos fazer pobres, muito ao contrário.
Tua decisão quanto a deixares tua tia e teus primos não foi, de forma alguma, para que vivessem mais fartos, pois eles não teriam de partilhar contigo o pouco que os nutria, seria providencial tudo chegar no tempo e na medida certa.
A irmã não deve iludir-se querendo crer em tuas próprias alegorias.
Foi sim por tua busca ao conforto, as boas acomodações, a fartura da qual te sentias carente.
- O problema foi a comparação que comecei a fazer entre a situação financeira de meus tios e do meu pai.
Meu pai se estabilizou e passamos a viver bem depois que se apegou àquela religião conservadora.
Demorei a ver que só ensinavam egoísmo e preconceito.
As religiões não ensinam egoísmo ou preconceitos.
Quem pode trazer esse tipo de sentimento e entendimento são os homens que a divulgam da forma como eles bem querem.
- No entanto, acima de tudo, a irmã não pode negar que te foram muitos os chamados.
- Pode ser.
Mas após ficar ouvindo tudo o que meu pai dizia sobre céu e inferno, anjos e demónios, eu cheguei à conclusão de que meus tios não estavam bem financeiramente porque pecavam.
Bem sabes que meu pai foi, em outrora, uma criatura monstruosa e dono de actos imensamente perversos com os quais eu nem mesmo necessitava enlaçar amizade.
Errei. Agora não entendo como alguém que praticou acções tão horripilantes, tanto encarnado como desencarnado, tem uma vida tão boa, possui tanto conforto e tantos privilégios.
Ele era líder de falanges extremamente inferiores.
Como pode querer falar de Deus e não ser punido?
Eu sinto-me desamparada e confusa hoje no plano espiritual e não cheguei a fazer um centésimo dos actos malévolos que ele praticou.
André esboçou leve sorriso fraterno ao afirmar:
- A querida irmã chegou a essa conclusão porque não tem fé e ignora Leis imutáveis da Natureza Divina.
Quando encarnada, refugaste a labuta.
Não só os trabalhos normais de todo e qualquer encarnado responsável, como também as tarefas que te cabiam ao espírito, preferindo os prazeres temporários das acomodações nos bens terrenos.
A verdade é essa.
Assim que estiveres preparada, compreenderás toda a situação e saberás por que seu pai passa por tal experiência, na qual hoje acredita se sair ileso.
Recorda-te que Deus é pura justiça e bondade.
Não nos cabe julgamento algum.
Lembremo-nos de que todos nós, sem excepção, somos espíritos eternos, encarnados e desencarnados em constante evolução.
Não nos devemos ver como mais evoluídos que alguns ou inferiores a outros, mas sim criaturas que buscam conhecimento, entendimento e melhoria.
- Mas ele errou muito!
- Será que foi somente ele?
Será que a ignorância de Honório não prevalece por culpa de seus acompanhantes e simpatizantes?
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 09, 2016 11:18 am

Lembra-te que já foste um deles?
O Mestre Divino nos disse "Amai os vossos inimigos", isso não quer dizer, sobremaneira, que devamos nos igualar a eles ou lhes dar apoio e razão no que fazem.
Em O Evangelho Segundo Espiritismo, encontramos uma explicação magnífica:
"nenhum ser será maldoso e perverso por toda a eternidade.
Esse é um estado temporário ao homem ignorante e sem instrução".
Bem sabes, por experiência, que o desencarne de uma pessoa perversa pode e nos afasta dela, somente pela visão física.
Essa criatura poderá continuar ao nosso lado por muito tempo e onde quer que estejamos.
Apenas com nosso amor, nosso entendimento e pensamentos firmes no bem, podemos transmitir-lhe, com nossos actos, as verdadeiras instruções e ensinamentos necessários para mudar os seus sentimentos e fazê-la evoluir.
Nisso deixamos de sofrer e evoluímos juntos.
Diante do exposto, ela não disse mais nada.
Negava-se em admitir suas necessidades de aprimoramento.
André despediu-se silencioso, quando respeitosamente apoiou a mão em seu ombro em sinal de solidariedade e retirou-se vagarosamente.
Sábio ele entendia que no serviço de transformação íntima somente a própria criatura pode trabalhar, começando a se abrir para pequenas aceitações e entendimentos, vigiando-se para efectuar as práticas cristãs.
Camila permaneceu ali reflectindo sobre a nobre conversa por longo tempo.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 09, 2016 11:19 am

10 - A DEDICAÇÃO DE TÚLIO

Sem saber o que fazer ou para onde ir, Camila ficou na casa de sua tia durante aquela noite.
Mesmo diante de toda a verdade exposta por André, ela se recusava a crer ter falhado por culpa própria.
Acreditava que seu pai deformou-lhe os sentidos, influenciando suas decisões.
Na manhã seguinte, resolveu deixar a casa de sua tia e vagar sem rumo.
Seus pensamentos eram velozes e conturbados.
Não conseguia organizar-se.
Mais tarde, sentada em um banco de praça, começou a observar algumas crianças brincando e reflectiu:
- Com tudo o que aprendi no plano espiritual antes de reencarnar como Camila, estou aqui jogada ao léu e sem destino.
Se bem que fui socorrida àquele Posto, mas por culpa de meu pai, por tudo o que me ensinou, eu mesma me atraí de volta ao plano terreno, porém sem o corpo de carne.
Por que será que agora, nesse momento, não me colocam ou não me levam de volta ao Posto de Socorro?
Poderiam me atrair para a colónia mais próxima, uma vez que já compreendi e recordei tudo?
Seu olhar perdido fixou-se de repente em uma bola que rolou na direcção da rua.
Uma sombra turva, sem brilho, parecia acompanhar o brinquedo como se o levasse.
Logo atrás, uma criança correndo.
Os carros passavam velozes e a criança levada pelo impulso inocente tentava alcançar a bola que saiu do gramado, rolou sobre a calçada e depois para a rua por entre os veículos ligeiros.
Ela ficou assustada imaginando as graves consequências, entretanto se surpreendeu.
Quando a criança tentou sair da calçada para ganhar a sarjeta e a rua, um rapaz a barrou fazendo-a tropeçar e cair.
Nesse momento um automóvel que passava atropelou a bola, estourando-a.
A sombra deslustrada pareceu fugir diante do rapaz que a olhou com seriedade.
Chorosa, por ralar os joelhos e ver sua bola estourada, foi ao encontro da mãe que se aproximava em desespero para acolhê-la.
Camila observou que o moço não foi visto pela mãe ou pela criança, aliás, nem mesmo ela viu de onde ele surgiu.
Olhando em sua direcção, estranhamente o belo rapaz aproximou-se sorrindo, cumprimentando:
- Como tens passado, Camila?
- Me conheces?! - respondeu ela surpresa.
- Claro, ias sempre ao Centro Espírita acompanhando teu tio Alfredo.
- Se me podes ver é porque estás morto!...
- Desencarnado, por favor.
Rindo, com simpatia, explicou:
- Se eu estivesse morto aquele garotinho não estaria no colo da mãe somente com os joelhos machucados.
- Como me conheces?
- Pode me chamar de Túlio.
Eu sou um cooperador espiritual e actualmente sou o guarda responsável desta praça.
Fico aqui o tempo inteiro com o máximo de atenção voltada aos nossos amiguinhos encarnados que necessitam de espaço e lazer.
São de minha responsabilidade o amparo e a protecção a essas criaturinhas lindas, inocentes, indefesas e encantadoras, enquanto estiverem sobre o domínio desta área de lazer.
- Tu o fizeste cair e ele se machucou!
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 09, 2016 11:19 am

- Tens razão - concordou mais sério.
Porém foi preciso.
Assim como o seu anjo de guarda eu sussurrei-lhe ao ouvido que parasse de correr e ficasse atento ao perigo eminente.
Entretanto diante da falta de atenção que dispensou à intuição que teve, foi necessário barrá-lo de qualquer maneira para que o pior não acontecesse.
Os pequeninos são dotados de uma aguçada sensibilidade às orientações espirituais, mas alguns costumam exibir sua teimosia desde cedo.
Mas irão aprender com o tempo.
- Por que, então, algumas crianças são atropeladas e chegam a morrer?
- Desencarnar - Túlio corrigindo-a novamente, sempre ostentando agradável sorriso e gentileza.
Bem, não podemos interferir no tempo ou período de encarnação designado a um espírito, muito menos mudar as provas e expiações individuais, sem ainda contar com o livre-arbítrio.
É por isso que alguns acidentes têm que ocorrer.
Meu trabalho é a protecção de todos que estão dentro do espaço da praça.
Não posso deixar que criaturas perversas ou trevosas os lesem deliberadamente a bel-prazer.
No entanto alguns atraem para si a companhia espiritual de acordo com seu nível moral ou provação.
Os ferimentos na pobre e ingénua criança lhe servirão de lição, inclusive para a mãe que fora imprudente em sua atenção.
O susto que levou foi um alerta para que ficasse sempre atenta e ensinasse limite ao filho.
Respeito e limite são o que está faltando àquela criança, por essa razão ela não obedeceu à inspiração que lhe chegou e continuou correndo.
Quanto ao machucado, esse vai se curar rapidamente.
Dos males, o menor.
- A propósito, de onde veio aquela sombra?
- Sombra?!...
Ah! É um espírito vadio que geralmente rodeia esta e outras praças em busca de desordem e zombarias.
É uma pobre e infeliz entidade que, quando encarnada, fazia-se de mendigo para seu sustento.
Hoje o coitado realmente é um mendigo espiritual.
- Eu vi uma sombra - insistiu Camila.
- É porque tua visão não está ainda afinada com o mundo dos espíritos.
Acredito que estás muito ligada à matéria.
- Já desencarnei há uns oito meses.
Passei seis meses dormindo e já estou na crosta há dois meses, perto de minha família.
- De que importa o tempo?
Medimos a elevação pelas experiências bem aproveitadas - comentou Túlio com o intuito de ensinar.
- André me disse isso.
- André?!
Encontrou-se com nosso ilustre orientador?! - perguntou Túlio entusiasmado.
- Espere, Túlio.
De onde me conheces?
Como sabes tanto a meu respeito?
Quem é esse André? - perguntou ela apreensiva.
- Cheguei à crosta da Terra, para trabalhar e servir, quando teu tio Alfredo iniciou o trabalho de orientador.
Depois acompanhei tua frequência no Centro Espírita e assim fiquei sabendo muito a teu respeito.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 09, 2016 11:19 am

Para te falar a verdade, esperávamos mais de ti.
Breve pausa e Túlio continuou:
- Não assumiste os compromissos aos quais te propuseste e solicitaste preparo.
- Sinto-me envergonhada.
Desencarnei e fui parar num Posto de Socorro e, por não me lembrar imediatamente de tudo o que aprendi no plano espiritual, voltei para a crosta.
Como pode ser isso?
- Creio que te apegaste muito ao conforto e ao bem-estar material, quando encarnada, para gozar de grande mordomia no plano físico, nessa provação tu te reprovaste.
Encarnada, renegaste a verdade aprendida propositadamente e promoveu um auto convencimento, uma fé cega, em virtude da falsa posição que assumiras.
Como resultado, obtiveste, em teus sentidos, um grande conflito íntimo ao despertar no plano espiritual.
- A culpa de tudo isso é daquela maldita religião.
- Não maldiga nada em tua existência.
Tudo são provas abençoadas que o Pai da Vida nos oferece com a finalidade de evoluirmos para mundos melhores e deixarmos de sofrer.
- É lógico que a culpa é daquela religião! - teimou.
E também do meu pai que nos mantinha presos aos seus caprichos religiosos, expondo-nos falsos tesouros.
Foi isso o que me fez mudar de ideia e deixar de acreditar no Espiritismo.
Em outra encarnação, quando recebi o nome de Samara, conheci uma terrível e monstruosa criatura que me prejudicou na evolução e perseguiu-me por mais de meio século no Umbral e que hoje é meu pai encarnado.
Como se não bastasse ter me prejudicado no passado, agora estagnou minha evolução e meu trabalho para o bem.
- Se atrelou conversa com nosso amado André, ele deve tê-la alertado de que os outros não podem nos direccionar ou nos obrigar a fazer algo, caso nós não queiramos e tenhamos condições de evitar.
- Não concordo - teimava Camila.
Deixei o Posto de Socorro e recusei a ajuda oferecida, agora, porém, eu a quero.
Quero ser assistida, protegida, no entanto não sei como posso voltar para o Posto ou para a Colónia.
Não entendo.
Diante de tanto conhecimento que ganhei desencarnada, falhei na tarefa proposta para esse reencarne e de nada está me valendo o conhecimento adquirido agora que procuro abrigo e paz.
O jovem Túlio gargalhou.
- Desamparada?!
Desculpe-me Camila, não sabes o que está dizendo.
- Como não?!
Quero retornar ao Posto e não sei como o faço.
Encontro-me sem abrigo ou protecção nesta praça e sem saber o que fazer.
- Sem protecção ou abrigo estão aqueles nossos outros irmãos ali.
Veja só.
Apontando a um grupo de desencarnados, maltrapilhos e desorientados, Camila observou-lhes os gestos e as condições.
Um deles chamou-lhe mais a atenção e Túlio explicou:
- Aquele ali, gesticula e age como se portasse deficiência mental.
Anda curvo, é chutado e socado pelos outros espíritos inferiores que passam por ele.
Quando encarnado deliberadamente deixou o filho cair de seus braços para o chão provocando, no pobre bebé de cinco meses, sérias lesões e fracturas que o prejudicaram seriamente pelo resto da vida terrena.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 09, 2016 11:19 am

A criança sofreu lesões cerebrais, debilitou-se mentalmente e a coluna torta nunca pôde ser corrigida.
Esse espírito, lesado pelo próprio pai, tinha uma missão muito importante no plano terreno.
Que, por culpa do infeliz homem, não pôde realizar.
A nobre criatura prejudicada desencarnou muitos anos depois, porém aproveitou, como espírito, muitíssimo bem a experiência vivida e hoje ele procura investir em estudos com a intenção da melhoria na qualidade de vida, promoções de bem-estar e apoio aos deficientes.
Tudo isso está sendo cautelosamente planeado no plano espiritual para colocar em prática, na próxima oportunidade de reencarnação, sem deixar de actuar na sua antiga proposta de trabalho, que não chegou a dar início devido à inferioridade do espírito paterno que o lesou.
Desencarnado, sempre que possível, procurou orientar seu pai e ampará-lo, pois, quando encarnado ainda, depois do crime praticado, o referido progenitor começou a torturar-se pelo remorso e tormento da amarga lembrança que lhe ruminava a memória.
Agora, desencarnado, como podes confirmar, o pai agressor já sofre algumas das consequências.
Ele agita a cabeça, o tronco e os braços em movimentos descoordenados como se a mente não controlasse o corpo.
A curvatura que se fez nas vértebras da coluna de sua vítima, manifesta-se nele inclinando-o ligeiramente para frente, deixando-o com a mesma aparência sinistra que provocou ao próprio filho, que teve de conviver com a deficiência por quase trinta anos.
Agora outros espíritos passam por ele, maltratando e torturando-o, pois, apesar do grau de inferioridade e de também estarem vivendo em sofrimento, não concordam com o crime por ele cometido.
Nem esse pobre espírito poderíamos dizer que está sem protecção porque Deus ampara a todos.
E tu falas em desamparo!
Veja, não estás à disposição de zombeteiros, sob perseguição ou confinada a escravidão de organizações inferiores.
Se ninguém está te maltratando, isso já é uma imensa demonstração de protecção, concorda?
Camila ficou pensativa, não havia pensado nisso.
Contudo, logo reclamou:
- Quero ir para um Posto ou uma colónia.
Não compreendo. Tenho entendimento e aceito a espiritualidade.
Concordo que não cumpri minha tarefa, porém não cometi falhas graves para merecer ficar presa aqui no plano terreno sem ser atendida.
- Tem que admitir que até agora vem sendo protegida e orientada.
- Protegida?! - retrucou Camila.
Chama protecção ficar sentada aqui no banco de uma praça sem saber o que fazer ou para onde ir?!
- Reflicta, Camila! - Túlio deu ênfase à frase para tentar despertá-la.
Em seguida, com olhar generoso explicou com toda a atenção impostando carinho na fala:
- Dos lugares que esteve desde o seu desencarne, onde foste maltratada ou agredida?
Lamentas injustamente, minha querida.
Estás sendo ingrata.
- Então me explique.
Estou cega - disse Camila.
- Pense, meu bem.
Existe algo que não te deixa receber mais apoio ou orientação?
Queres ir a um Posto e não consegues?
Por que será?! Pensa.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 09, 2016 11:20 am

- Não estou entendendo, Túlio.
Aonde quer chegar?
- Se não conseguiste ficar no Posto, quando foste socorrida, é porque tua vibração espiritual era incompatível com a do lugar.
Se agora não consegues voltar para lá, é porque ainda não há compatibilidade vibratória espiritual entre ti e o lugar para aonde desejas ir.
- O que há de errado comigo?!
Já reconheci meu erro.
Já aceitei a espiritualidade e até lembrei-me do meu passado culposo.
O que querem que eu faça?!
Se falhei, porque me omiti em servir e assumir minhas tarefas, foi por me iludir com as malditas palavras proferidas por meu pai e aquela desafortunada religião que me cruzou o caminho.
Se eu tivesse me apegado mais ao Espiritismo...
- Uma vez ouvi um espírito dizer que "a religião não faz de um homem um grande espírito".
Há lições que devemos aprender sozinhos. - lembrou Túlio.
Depois de longa pausa para que ela reflectisse, o belo espírito avisou com tranquilidade:
- Bem... agora que as doces, alegres e peraltas crianças se foram, meu trabalho acabou aqui, por hoje.
A noite começa a cair em breve e com isso outras criaturas surgirão.
Sendo que estas não necessitam de minha presença ou protecção.
Tenho que repor energias através da alimentação ao espírito e descanso apropriados.
Além de revigorar as forças espirituais é indescritivelmente agradável juntar-me aos amigos que também edificam o serviço Cristão.
Confesso estar ansioso para rever o ilustre e querido amigo André. Vamos?
- Vou ficar por aqui.
- Não posso interferir em tua vontade, porém aconselho-te:
esse não é um bom lugar.
Em breve espíritos de baixas condições vibratórias surgirão para assumirem suas tarefas ou hábitos nocturnos.
Aos desencarnados tudo aqui ficará tenebroso e cheio de resíduos escuros que resulta de matéria mental dos encarnados e desencarnados de baixa condição moral, frequentadores deste lugar.
Isso só enquanto o nosso astro maior abençoa com sua luz a outra face do planeta.
Porém amanhã, com certeza, logo nas primeiras horas, os raios solares cintilarão através das copas das árvores formando feixes de luzes coloridas pelas gotas de orvalho que hão de estar aqui.
Essa luz dissolverá essa camada de energia densa desfazendo as sombras emissoras de vibração inferior se afastar junto com as criaturas de baixa condição espiritual.
Propiciando as nossas amadas criancinhas um lugar de lazer e diversão.
Se queres ficar...
Até amanhã! - disse ele sorrindo.
Camila sentiu medo.
Levantou-se às pressas e acompanhou Túlio, que calmamente ia se retirando do lugar.
- Aonde vamos? - perguntou ela.
- Vamos nos socorrer - brincou ele.
- Como assim?
- Também necessitamos de socorro.
Precisamos de alimentação apropriada, descanso salutar, orientação digna, aperfeiçoarmos nossos conhecimentos, edificarmos nossa fé e nosso amor junto a Deus nas palavras do amado Mestre Jesus.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 09, 2016 11:20 am

Estamos em constante evolução e, ao irmos atrás do que necessitamos, estamos nos socorrendo, concorda?
Camila sorriu e aceitou.
- Eu ignorava a presença de André na crosta.
Tive trabalhos diversos no auxílio a companheiros e não pude ir para o Posto espiritual, aqui na crosta, noite passada.
- Túlio, quem é aquele senhor, o André?
- Sério?! Não sabes quem é ele?!
- Sei dizer que tem imensa luz e infinita sabedoria que...
- Aquele é o nosso tão amado André Luiz!
Digníssima entidade que tantos ensinamentos edificantes trouxe a luz para que encarnados pudessem, através de sua literatura, aprender e experimentar a nobre lição prática que nos traz o Espiritismo.
- É ... aquele André Luiz do livro Nosso Lar?!
- Ele mesmo!
O ilustre espírito André Luiz que passou para o plano físico através das psicografias do nosso tão estimado Chico Xavier, e outros médiuns, mais de vinte obras literárias, várias mensagens, destacando, acima de tudo, fé, esperança, amor, perdão entre tantos outros nobres sentimentos.
Camila ficou pasmada.
Mesmo assim salientou:
- É que ele me pareceu tão simples...
- Como nos diz o Evangelho, "A virtude, no seu grau mais elevado, abrange o conjunto de todas as qualidades essenciais que constituem o homem de bem.
Ser bom, caridoso, trabalhador, sóbrio, modesto são as qualidades do homem virtuoso.
Aquele que faz alarde de sua virtude, não é virtuoso, pois lhe falta a principal qualidade, que é a modéstia, e sobra-lhe o vício mais oposto: o orgulho.
A criatura realmente virtuosa e digna desse nome não gosta de exibir-se.
Temos de adivinhá-la.
Elas se escondem e fogem à admiração das multidões."
André Luiz é uma criatura virtuosa!
Camila ficou maravilhada.
Pensava ela que André Luiz fosse um mito.
Entretanto pôde experimentar seus elevados conceitos e lamentou, mais uma vez, não ter dado tanta atenção quanto deveria.
André Luiz tinha razão.
Ela já ouvira inúmeros chamados, pena não ter dado atenção.
Enquanto caminhavam, lembrou-se de questionar:
- Túlio, estou curiosa.
Sabes aquele espírito que me mostrou e disse que deixou o filho cair deliberadamente?
Túlio acenou com a cabeça positivamente, e ela tornou a perguntar:
- Por que ele fez isso?
- O pobre homem vivia infeliz em seu casamento e, acreditando que a esposa engravidou para prendê-lo no lar, sentiu-se imensamente insatisfeito e renegou o filho quando este nasceu.
Ele possuía uma amante que o pressionava incessantemente para deixar a família e afirmava-lhe que o obstáculo da felicidade entre eles seria o filho que os incomodaria pelo resto da vida, trazendo-lhes as queixas e as necessidades.
A amante passou a valer-se de obsessor e dizia:
"se essa criança não existisse, a mãe não lhe cobraria nada nem o filho os importunaria".
Depois de alguns meses, ele se convenceu de tudo e provocou a queda da criança.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 09, 2016 11:20 am

Após ter lesado o próprio filho de forma permanente, simulando um acidente, o pobre homem nunca mais pôde encará-lo.
Abandonou o garoto e a mãe, deixando-os sem assistência, piorando ainda mais a situação.
A amante, com medo, abandonou-o pensando:
"se ele teve coragem de tentar matar o próprio filho, o que não faria com ela?"
A partir daí, enquanto encarnado passou a arrepender-se de seu feito.
- Como há seres cruéis nesse mundo! - comentou Camila indignada.
- Não nos cabe julgá-los, criticá-los ou dizer o que eles merecem.
Camila aquietou-se e limitou a seguir Túlio que, como se estivesse encarnado, preferiu andar passo a passo a volitar, talvez pela companhia de Camila.
Longo silêncio se fez até ele perguntar:
- Viste somente o caro André Luiz quando visitou tua tia?
- Eu não disse que visitei minha tia.
Túlio sorriu e nada disse.
Camila continuou:
- Sim, vi só ele.
Há mais algum outro espírito lá?
- Encontra-se imensamente presa à matéria ou ao mundo material e não entendeu ainda que o lar de Alfredo e Dora é um Posto espiritual que acolhe e auxilia trabalhadores e cooperadores encarnados e desencarnados operosos em actividades e serviços cristãos.
- Não havia mais nenhum espírito lá, pois só vi o senhor André.
Túlio sorriu novamente e bondosamente comentou:
- André Luiz se deixou ver.
Quanto aos outros, talvez ainda não possa vê-los.
- Há muitos desencarnados lá?
- Sim, inúmeros.
Devido à maioria empenhar-se em trabalhos árduos e de longo tempo, naquele Posto ou oficina nós dispomos de auxílio, orientação, revigoração para as tarefas abraçadas, descanso necessário, entre outros benefícios.
Logo depois, Camila observou:
- Estamos fazendo o caminho para a casa de minha tia Dora!
- É lógico, Camila.
Estamos indo para lá.
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Ave sem Ninho

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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 09, 2016 11:20 am

11 - LAR, OFICINA ESPIRITUAL

Chegando à casa de Dora, Túlio expressou-se satisfeito e aconselhou:
- Camila, procure ficar tranquila e apurar a visão.
Não a visão dos olhos pensando estar encarnada, mas a do espírito.
Talvez não consiga enxergar com clareza algumas entidades, devido ao seu grau de evolução, mas poderá observar a movimentação e o serviço incessante que prestam nesta casa.
A porta de madeira da casa estava fechada.
Entretanto, uma outra porta no plano invisível aos encarnados que, ficava sobre a do plano material foi aberta para Túlio entrar.
A entrada comum, vista pelos moradores, continuou trancada, porém sem gerar qualquer problema para eles atravessarem-na.
Somente agora Camila pôde ver a porta no plano espiritual, por isso exclamou:
- Essa porta!...
Ela não estava aí!...
- Fico feliz por tê-la enxergado agora.
Afirmo que há anos ela está exactamente aqui.
Alguém deve tê-la aberto para que pudesse entrar quando acompanhou a generosa Dora.
Camila intrigou-se com a novidade.
Tinha certeza de nada ter visto antes.
- Por que esta porta espiritual?
Para que serve?
Achando graça, Túlio educadamente respondeu:
- Pode parecer uma porta, mas explico-te que é um forte sistema de segurança magnético, próprio para barrar qualquer espírito indesejável a esta oficina de trabalho operoso.
- Alguém a abriu ou desligou quando eu passei?
- Com toda a certeza - afirmou Túlio alegremente.
Ao adentrarem na humilde residência, Túlio cumprimentou a todos de forma educada e cortês.
Porém, a um amigo muito especial, estendeu amistoso abraço e cumprimentos mais demorados.
Em seguida apresentou Camila que ficou surpresa ao ver tantos espíritos ali presentes.
- Aqui está Camila! - disse Túlio com olhar expressivo e satisfeito.
- Como vai, Camila?
Ontem parece não nos ter percebido, mas agora estou feliz em vê-la aqui novamente!
Estendendo-lhe a mão para um cumprimento, apresentou-se:
- Meu nome é Anacleto.
Sorrindo, ela retribuiu:
- Prazer, senhor Anacleto.
- Pois bem, meus caros - disse Anacleto -, já que estão aqui aproveitem para a revigoração.
- Estou exausta - lamentou Camila.
E faminta também.
Sinto-me um tanto fraca.
Então este é o lugar ideal.
Pedirei à Luana que a auxilie no que for preciso para seu bem-estar - pronunciou-se Anacleto carinhosamente.
Camila foi levada a um outro cómodo da casa para se assear.
Sua aparência estava turva por causa da impregnação de seus próprios pensamentos negativos e de protesto.
O magnetismo do local apropriado deixou-a experimentar gratificante sensação de paz e leveza clareando sua aura ofuscada.
Assim que retornou, Túlio a fez sentar-se em cadeira plasmada junto à mesa da cozinha do plano físico, onde sobre a mesma era plasmada outra idêntica para melhor acomodar a todos na espiritualidade.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 09, 2016 11:20 am

- Que curioso - ressaltou Camila -, eu não havia observado estes móveis existentes no plano espiritual.
Eles procuram acompanhar e até imitar a mobília que há no plano material e até mesmo o lugar onde é colocada.
Luana aproximou-se de Camila e ofereceu-lhe algumas frutas.
Porém a Túlio ofertou, em uma tina, outro tipo de alimento que, se fosse descrevê-lo em nível material, poderia dizer-lhes que assemelhava-se a um caldo.
Contudo seus valores nutrientes eram diferentes da comida dos encarnados.
Este se designava a abastecer o corpo espiritual para nele restabelecer e revigorar as energias necessárias.
Ela observou essa diferença, mas nada comentou.
Apressadamente apanhou uma das frutas e quando foi mordê-la observou que o amigo cerrou os olhos preparando-se para uma oração.
Largou-a rapidamente e acompanhou em pensamento a bela prece que Túlio praticamente murmurou:
- Agradeço, Senhor, a oportunidade de estarmos aqui neste refúgio abençoado para o descanso necessário e o revigorar de nossas energias.
Que este alimento possa nos irradiar forças suficientes para que nossos corpos espirituais tenham a capacidade de servi-Lo com incansável vigor e desenvolver uma tarefa perfeita aos Seus olhos.
Graças a Deus.
Outros trabalhadores movimentavam-se ou palestravam assuntos edificantes em outros cómodos.
Camila não conseguia vê-los todos, mas percebia a emissão de luzes que volitavam brilhantes em todos os recintos.
Agora mais confortada pela ausência da fome e sentindo-se segura pela estabilidade de harmonia que garantia o local, sentia-se mais calma e confiante.
Virando-se para Túlio, perguntou:
- Há muito mais trabalhadores aqui do que os que eu posso perceber, não é?
- Com certeza! - respondeu ele satisfeito por vê-la interessada.
Neste instante entrou pela porta daquela cozinha, que prestava o mesmo tipo de serviço, como ambiente ao plano físico, Júlio, primo de Camila.
Todo vestido de branco e sustentando na mão a alça da maleta médica.
Assim que chegou, fechou a porta com relativo cuidado e acendeu a luz.
Somente então Camila notou que a lâmpada da casa estava apagada, pois a luz espiritual ali reinante, não a deixou perceber o breu no plano material daquele ambiente.
Do outro recinto, Dora perguntou em voz branda:
- Filho, és tu?
Confortando a mãe, Júlio respondeu:
- Sim, mãe, sou eu.
Dora apareceu na porta e Júlio a cumprimentou com um beijo e forte abraço que foi correspondido com carinho.
- Demoraste hoje, Júlio.
Atendeste a caso sério, filho?
- Sim, mãe.
Mas, graças a Deus com final feliz.
- Fiquei preocupada com tua demora - desabafou Dora.
- Preciso conversar com Dirceu para vermos a possibilidade de comprarmos uma linha telefónica para não te preocupares mais, mãe.
- Estás com fome, filho?
- Sim mãe. Estou faminto.
- Vá te lavar enquanto esquento o jantar.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 09, 2016 11:21 am

Júlio foi para o quarto.
Camila pasmou-se diante daquela cena.
Júlio se formou médico! - exclamou ela admirada.
- Tudo é exactamente como tem de ser - filosofou Túlio agora sério.
- Como conseguiram?
Na época não havia nem o suficiente para a subsistência alimentar deles?!
Túlio ficou calado.
Verificou que Camila mesmo com sua indagação havia entendido a moral da história.
- Túlio - tornou Camila -, sinto agora, mais do que nunca, uma imensa vergonha por tudo o que fiz e deixei de fazer.
Um grande remorso invadiu-me a alma.
Anacleto aproximou-se deles e observou:
- Sua reflexão é válida.
Reconheceste que agarraste a laços inferiores devido aos caprichos materiais?
Bem que poderias ter desenvolvido magníficos exercícios espirituais e desempenhado importantes e excelentes trabalhos no campo evangélico da doutrina, o que seria imensamente importante para tua evolução individual.
Resta-te ainda, para torturar-te a alma, a resistência da aceitação total de teus erros.
És incapaz de admitir que a opinião alheia não foi o motivo de tua falência nas actividades corpóreas.
- Já admiti que errei.
Sinceramente, estou arrependida e se pudesse faria tudo diferente.
Porém, procuro protecção, sinto-me insegura.
Por ter consciência do passado, estou ansiosa para sair da crosta e empenhar-me no trabalho e no estudo no plano espiritual.
Meu desejo é voltar para o Posto ou para a colónia.
Pelo que percebo não estão me deixando ir e não entendo por quê.
- Cara Camila - tornou-lhe Anacleto bondoso -, o que providencia a abertura de uma porta no plano invisível é a sinceridade e a pureza do espírito.
Somente a mera adoração aparente a Deus não significa a edificação ou evolução do espírito encarnado ou desencarnado.
O que se faz necessário e imprescindível é o amor incondicional, a humildade e a solidariedade a todas as criaturas, além da compreensão, que não significa aceitação, mas faz parte da solidariedade.
Ela expressou uma fisionomia singular e Túlio, vendo sua dificuldade para compreender, procurou ser mais claro:
- Compreender as atitudes alheias, sem a condenação dos actos por eles praticados, não significa concordar com o que foi feito.
Isso não quer dizer que deves compartilhar directa ou indirectamente com o que foi ou está sendo realizado de forma errada aos princípios morais.
Devemos ter compaixão pelo espírito que praticou um acto indigno e, se tivermos condições, auxiliá-lo com instruções partilhando nossa sabedoria.
Camila ficou pensativa.
Mesmo reconhecendo ter fracassado, sabia que algum sentimento inferior vibrava-lhe o espírito ao ponto de interromper o progresso e o socorro para uma colónia adequada.
- Nossas palavras de estímulo servir-lhe-ão como uma bússola - orientou Anacleto de forma ponderada.
Sabendo usá-la, encontrará a directriz e a direcção corretas.
Instantaneamente reformularás os teus conceitos.
Transformarás tuas opiniões e te livrarás das vibrações inferiores, as quais muitas foram provocadas por ti mesma e que te rodeiam o espírito, deixando cair por terra todo o lastro que te prende na crosta.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 09, 2016 11:21 am

Não podendo ser mais claro, Anacleto voltou-se para Túlio e informou:
- Nosso estimado André Luiz já retornou.
Sei que deseja vê-lo.
Túlio esboçando agradável surpresa e sorrindo largamente, comentou:
- Quando soube que o caro André se encontrava aqui, logo deduzi que vieste com ele, Anacleto!
- Como não!
Não te prendas por mim.
Vai ter com ele! - respondeu alegremente.
Assim que Túlio os deixou, Anacleto, voltando-se para Camila sugeriu generoso:
- Necessitas de descanso.
Luana irá acompanhar-te até o andar acima e te mostrará as limitações e o recinto onde poderá descansar.
- Andar de cima?
Esta casa é térrea - expressou-se Camila surpresa.
Anacleto sorriu e observou:
- A casa material sim, mas nossas dependências não.
Esta oficina possui dois andares, além deste térreo.
Entretanto deves limitar-te somente por algumas dependências.
Há trabalhos realizados aqui que não podem ser incomodados.
Luana poderá explicar-te melhor.
Camila seguiu Luana até o recinto, que era a sala de estar da casa de sua tia, onde no canto havia uma escada somente no plano espiritual.
Ganhando o andar acima, Luana explicou:
- Seguindo até o fim deste corredor, teremos dois alojamentos.
Poderás ficar no da direita onde encontrarás outras que, assim como tu, necessitam só de descanso, e algumas trabalhadoras que também carecem de revigoração.
Os alojamentos da esquerda são para os homens.
À nossa frente, depois dessa porta - prosseguiu generosa -, temos um grande salão destinado para trabalhos espirituais edificantes para os espíritos encarnados que vêm aqui durante o sono e, quando uma suave lembrança ocorre, eles a denominam de sonho.
Aqui recebem orientações instrutivas.
Os trabalhadores procuram infundir-lhes ensinamentos morais e espirituais de bons princípios por estarem parcialmente desprendidos do corpo físico, pelo estado do sono.
Os espíritos encarnados são trazidos aqui por trabalhadores nobres.
Após receberem revigoroso e positivo ânimo e fluidos, eles retornam para o corpo físico.
- Podes explicar-me se eles se lembram do que ocorreu aqui exactamente? - perguntou Camila.
- Somente se possuírem profunda harmonia das emoções e pensamentos no plano físico, além de conciliarem suas acções com a coragem e o bom ânimo no bem e, sobretudo, exemplificarem com o amor e a solidariedade incondicional.
Fora isso, poderão ter uma ideia parcial ou até uma lembrança bem vaga do que julgarão um sonho.
No entanto, com certeza, terão na mente as melhores lições e sentimentos que os guiarão como forte intuição para fazerem o melhor.
Camila surpreendeu-se.
Apesar de todo seu estudo no plano espiritual, nunca se privilegiou com tanta instrução vivenciada.
- Desse lado do corredor, à esquerda, nessa outra porta - prosseguiu Luana -, há um atendimento semelhante aos desencarnados que possuem um nível espiritual razoável para receber tais ensinamentos.
Portanto é importante lembrar que não deves entrar em quaisquer dos dois salões sem prévia permissão.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 09, 2016 11:21 am

Deverás limitar-te ao alojamento e as repartições lá de baixo.
Chegando ao local, Camila observou que já haviam providenciado acomodações plenamente aconchegantes ao lado de mulheres, que também repousavam.
Luana a deixou à vontade e se foi.
Mais tarde teve sede.
Mesmo temerosa, ela saiu do aposento.
Andou pelo corredor e desceu as escadas.
Na sala viu seus primos Júlio e Dirceu em animada conversa amigável.
Teve vontade de abraçá-los.
Sentia muita saudade.
Luana, aproximando-se de Camila, falou:
- Se tivesse chegado um pouco antes, teria o prazer de acompanhar uma bela leitura e uma ilustre explicação das instruções que nos lega o Evangelho Sagrado.
Teus primos e tua tia elevam imensamente o nível espiritual deste lar com o que propagam dentro dele, devido as suas atitudes, gestos, acções e pensamentos.
Eles são trabalhadores encarnados activos e edificados no campo da espiritualidade.
Todo o trabalho aqui realizado é graças ao nível superior de matéria e energia mental que encontramos disponível.
Em outro lugar, tais tarefas seriam impossíveis.
- Não é em todo lar que encontram condições de realizar tudo isso?
- De forma alguma! - salientou Luana.
Hoje em dia, são raros, aliás, raríssimos os lares que servem de oficina digna de trabalho espiritual superior.
- Disseste oficina de trabalho espiritual superior, por quê?
Há oficinas inferiores? - perguntou Camila.
- E como! - exclamou Luana.
Devido ao comportamento dos encarnados e tendo em vista seus pensamentos que vibram em escala muito inferior, principalmente, o linguajar usado habitualmente, o trabalho de espíritos inferiores tomam lugar em seus lares, trazendo-lhes incómodos e perturbações de ordem incrivelmente inferior.
Camila, curiosa, solicitou mais detalhes:
- Como assim.
Poderia me explicar melhor?
- Muitas pessoas encarnadas tendem a pensamentos, gestos, sentimentos, palavras e actos que vibram em escalas inferiores, por isso elas, seus lares e suas vidas impregnam-se de dolorosos fluidos negativos.
Por exemplo:
alguém que costuma xingar palavrões vibra em condições tão inferiores e atrai para si espíritos sem cultura e sofredores.
Essa pessoa passa a viver e vibrar sempre na ignorância e no sofrimento.
Tudo de ruim lhe acontece por culpa de seus próprios pensamentos, palavras e acções.
O mesmo acontece com o indivíduo que é agressivo e intolerante.
Ele pode até não mencionar palavras de baixo nível moral, porém sua agressividade, sua imponência desnecessária, suas acções brutas e sua intolerância provocam a atracção de desencarnados que sintonizam a mesma frequência, isso a princípio.
Depois, com o passar do tempo, outros espíritos, de nível ainda mais inferior vão com certeza se aproximar dele, colocando-o em problemas ou encrencas de que não necessitaria passar em condições normais.
Assim esse encarnado acaba sendo um intolerante e agressor em potencial quando lidar com outras pessoas.
Ao dirigir ou simplesmente numa brincadeira inofensiva, ele consegue transformar o acto saudável em algo de imenso desagrado, de mau gosto ou extremamente agressivo.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 09, 2016 11:21 am

A família que possui uma linguagem que vibra em condições inferiores, que adopta costumeiramente palavras de baixo valor moral e espiritual, mesmo nos momentos alegres e até por brincadeira ou então tece comentários venenosos sobre a vida alheia, críticas sobre a moral de outro, menciona acontecimentos cruéis e catástrofes desnecessárias, conversa sobre prazeres indecorosos, alonga diálogos sobre tragédias entre outras coisas, atrai para junto de si e para seus lares, espíritos sofredores e extremamente inferiores que gostam de conversas e pensamentos voltados para a malícia ou para a desgraça.
Esses encarnados conseguem fazer de suas próprias casas oficina de trabalho para o mal.
Na casa onde reside família que cultiva tal moral ou comentários, há, com certeza, espíritos maldosos que costumam atrair para aquele lar problemas, discórdias, brigas e intrigas generalizadas e até tragédias.
Para esses lares são levados espíritos sofredores para serem atormentados por entidades perversas.
Existem ali, em nível invisível aos encarnados, verdadeiras câmaras de torturas moral e perispiritual.
- Como tortura perispiritual? - perguntou Camila.
- Já que o espírito desencarnado não tem mais o corpo de carne para ser torturado e seu corpo espiritual é denominado perispírito, a tortura é feita no perispírito ou corpo espiritual.
Assim sendo, como eu estava falando antes, todos aqueles fluidos de sofrimento, dor, angústia, medo, desequilíbrio emocional, revolta, ódio, nervosismo e tudo o quanto for mais de sentimentos inferiores, começa a ser passado para os encarnados que ali habitam, fazendo com que entrem na mesma frequência vibratória que os sofredores ou até dos torturadores que ali se encontram.
Quantos pais não passam a agredir seus filhos por captarem os pensamentos e os sentimentos desses torturadores?
Quantos casais não se agridem por vibrarem nas brigas e intrigas dos desencarnados que cultivam sentimentos inferiores?
Quantas pequenas tragédias diárias como ferimentos inesperados, doenças, furtos, roubos e até cansaço excessivo são atraídos por algumas pessoas por vibrarem ou acolherem seus pensamentos nas tragédias alheias?
Quantos filhos matam seus próprios pais por ambição ou contrariedade?
Quantos pais tiram a vida dos filhos até com o uso de torturas?
E o que dizer dos abusos sexuais?
Do instinto incontido do sexo?
Tudo isso, entre muitas outras coisas é atraído para as pessoas e para seus lares por causa de um simples palavrão, por um fio de pensamento de cobiça ou crítica, por um julgamento à vida alheia, por um comentário à moral de outro, por sentimentos de prazeres indecorosos etc.
É com uma fagulha que todo incêndio se inicia.
Não nos esqueçamos de que "os semelhantes se atraem".
Muitas pessoas que praticam esses feitos são religiosas e até rezam com fervor e arrependimento, mas continuam com suas práticas e vícios.
De nada essa falsa fé lhes valerá.
Se houvesse realmente fé, amor em Deus e a todas as Suas criaturas, como nos diz os principais mandamentos, essas pessoas não usariam, nem em seus pensamentos, palavras de baixo nível moral, planos de acções ou violência e outros sentimentos tão pobres e infelizes.
Algumas só sabem pedir perdão e continuam com as mesmas práticas, outras acham que nada acontece por pronunciarem um simples palavrão.
- Nos lares onde operam oficinas do mal, encarnados são levados durante o sono físico para serem perturbados? - tornou Camila curiosa.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

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