O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 10, 2016 12:24 pm

- Sem dúvida que sim!
Os encarnados que não vigiam, não oram, não possuem sentimentos e comportamentos dignos sempre estão desprovidos de protecção espiritual e se deixam arrastar para tais oficinas durante o sono sem que nada eles possam fazer contra os que os agridem.
Onde acha que os pesadelos se formam?
Apesar de que muitos encarnados não se lembram de seus sonhos ou pesadelos, mas, quando enlaçados ou envolvidos por espíritos trevosos durante o sono físico, ao acordarem, sentem-se mal, amargurados, não progridem como deveriam em suas tarefas, falam sempre de coisas tristes, tragédias ou expressam esses sentimentos.
São pessimistas.
Irritam-se com facilidade, brigam ou resmungam à toa.
Acreditam que nada dá certo para eles.
Reclamam de tudo e, muitas vezes, proferem palavras de baixo nível ou vivem falando em morte ou nos que já desencarnaram.
As pessoas normalmente dispensam sua companhia como se elas portassem uma virose infecto-contagiosa.
André Luiz ao observar a conversação proveitosa que se fazia entre Camila e Luana, aproximou-se de ambas e gentilmente pediu:
- Com licença, caras irmãs - disse André -, só para enriquecer a nobre explicação da ilustre Luana, gostaria de acrescentar que devemos, para evitar ligação com os trevosos, quando não for necessário e enquanto não estivermos preparados, praticar dentro de nosso próprio lar pequenos gestos salutares de cortesia.
Recriminarmos imediatamente pensamentos indignos sobre qualquer assunto ou pessoa e substituí-los por uma prece no desejo do bem e do amor.
Pedir amparo a Deus e a Jesus acima de tudo.
Trocar as palavras de baixo nível moral e espiritual por frases dignas de elevação ao ambiente.
Para fazer-se entender pelo interlocutor, devemos falar com cautela diante de qualquer opinião contrária a nossa.
Diminuir o volume da voz para se fazer entender com calma e bondade acima de tudo.
Ouvir sempre as necessidades e as apreciações daqueles com quem se divide o ambiente.
Orientar para o amor e para o bem é indispensável.
Observar, com paciência, todas as necessidades do lar.
Participar e colaborar com as tarefas diárias.
Utilizar objectos, lidar com as mobílias e portas com silêncio e carinho aos seus gestos para não incomodar os parentes ou os mais próximos.
Nunca gritar para se fazer ouvir, deve-se sim diminuir a distância.
Por mais intimidade que se tenha com o interlocutor, pedir licença é fundamental toda vez que necessitar interromper um assunto.
Diante de qualquer dificuldade ou acusação, se não souber argumentar com benevolência e amor para explicar-se, deve-se calar em oração, pedindo amparo e orientação a Deus.
Toda prece é ouvida.
Toda família deve unir-se em conversação salutar e oração bendita ao Pai Celeste.
Somente assim um lar deixará de ser contaminado por fluidos de espíritos trevosos e inferiores, tornando-se uma oficina de trabalho espiritual superior e edificante.
Trazendo para todos, que nele habitam ou frequentam, verdadeira elevação espiritual, tranquilidade verdadeira nas experiências diárias com os entes queridos, prazer singelo em servir, humildade e agradecimento generoso ao ser servido, entre muitos outros especiais gestos fraternos e salutares, exemplos vivos de amor incondicional dentro do próprio lar.
Assim sendo, palmilharão todos juntos a evolução espiritual e as apreciações educativas.
André Luiz não poderia ter explicado melhor.
Luana sorriu satisfeita e Camila impressionou-se com as belas palavras.
Cortês, ele fez um gesto singular como uma reverência.
Não esperou por comentários e, pedindo licença, afastou-se das companheiras.
Depois de tão nobre aprendizagem, Camila dirigiu-se à cozinha, saciou sua sede e recolheu-se ao aposento que lhe designaram com o coração farto de jubilosos ensinamentos, elucidados por uma entidade tão superior.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 10, 2016 12:25 pm

12 - A AVAREZA DIFICULTA O DESENCARNE

Na manhã seguinte, Camila assustou-se ao conseguir ver que o número de trabalhadores ali existentes parecia ter dobrado.
Chegando à cozinha, verificou que sua tia Dora e seus primos, já iniciavam a primeira refeição enquanto que no plano invisível, os trabalhadores se revezavam a um lugar à mesa para alimentarem-se, porém tudo era realizado de forma harmoniosa. Camila parou e observou.
- Dora, agradavelmente, dialogava com os filhos:
- ...traga a moça aqui para nós conhecermos, Dirceu.
- Nós não, mãe, a senhora.
Eu já a conheço - dizia Júlio sorrindo diante do embaraço do irmão.
- Ela é um pouco tímida, mãe -justificava-se Dirceu.
Mesmo assim filho, quero conhecê-la - insistia Dora.
- Sabe o que é - explicava Dirceu sem graça -, o pai dela não a deixa sair sozinha.
- Traga ele também, Dirceu - insistiu Dora.
Nossa casa pode ser humilde, porém temos dignidade e amor, além de educação para recebermos quem quer que seja, filho.
Traga o pai, a mãe e quem mais quiser.
Júlio ria, observando o embaraço de Dirceu.
O espírito Túlio aproximou-se de Camila e convidou-a gentilmente:
- Vem, senta-te aqui para o desjejum.
Depois de um breve agradecimento a Deus, ela se alimentou.
- O que pretendes fazer hoje, Camila? - perguntou Túlio.
- Não sei, Túlio. Nem imagino.
Posso ir para a praça contigo e, talvez, ajudar-te com tua tarefa enquanto não sei o que me reserva o futuro?
- Não. Não pode - respondeu Túlio sempre com sorriso generoso e amigável.
Não irei para a praça hoje.
Em meu lugar haverá um substituto que já está acostumado a tarefas semelhantes.
- O que vais fazer?
- Por sugestão do nosso orientador, sairemos agora para visitar alguns amigos em trabalho activo.
Além de observarmos e estudarmos locais e pessoas, se por acaso pudermos ajudar, sem dúvida o faremos.
Vê bem... não entendas isso como um privilégio.
É o nosso dever verificarmos se outros trabalhadores activos estão ou não precisando de ajuda, orientarmos irmãos necessitados e instruirmo-nos.
Agora vamos.
A visão de Camila parecia estar melhor em nível espiritual.
Ela agora conseguia ver com mais perfeição o plano invisível aos encarnados e a alguns desencarnados.
Ao saírem dos domínios da residência de Dora, Túlio perguntou:
- Consegues volitar?
- Não sei. Ainda não tentei.
- Pois então tenta.
Diante de inúmeras tentativas e fracassos, Túlio interferiu:
- Outra hora tu tentas. Andemos.
É mais garantido e, talvez, mais proveitoso.
- Túlio, por que eu não me lembrei de tudo assim que desencarnei?
Por que agredi meu tio Alfredo com palavras ao ser recebida por ele?
Qual razão de eu ter-me esquecido de todo aprendizado espiritual antes desta minha última reencarnação?
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 10, 2016 12:25 pm

Aprendizado que aconteceu por causa de meu tio Alfredo e minha tia Dora!
Por que não consigo sair da crosta e ir para uma colónia?
Sabe, apesar de ser bem tratada, sinto-me como uma parasita dependente de todos e com inúmeros limites por causa da minha vibração incompatível ao trabalho e, ao mesmo tempo, não consigo melhorar minhas condições.
- Considere nossa memória um arquivo - exemplificou Túlio com semblante sério.
Acredita que nesse arquivo há inúmeras pastas que guardam infinitos registos, sendo eles as nossas experiências.
Quando estamos confinados aos limites do corpo físico, ou melhor, encarnados, a matéria oferece certa dificuldade para abrirmos esse arquivo e buscarmos uma pasta.
Se houver algo dentro de nós, superior a nossa vontade e fazendo parte dela, algo poderoso, que damos o nome de fé, durante a nossa experiência física, seguiremos um bom caminho experimentando o trabalho para o bem e o pensamento sempre elevado para as vibrações superiores com as quais afinaremos os nossos sentidos.
Ficaremos mais sensíveis às intuições e edificaremos nosso espírito.
Do contrário, se titubearmos diante dos mais singelos acontecimentos por falta de fé, sairemos de sincronia, perderemos a harmonia, isto é, cortaremos as ligações com as vibrações superiores.
Nossas intuições e inspirações deixarão de ser sensíveis e nosso espírito ficará denso, susceptível e exposto às vibrações inferiores, revelando-nos aos obsessores e zombeteiros de toda sorte.
Desprovidos de fé, nós nos transformamos em materialistas, independente de todo preparo que recebemos antes de reencarnarmos.
Ao desencarnarmos, com certeza, como espírito estaremos rodeados de todas as impressões ou energias que atraímos para nós quando vivemos na matéria.
Se nos faltou fé e cortamos a ligação com o plano superior, desencarnando acreditaremos em tudo o que nos forçamos ou passamos a acreditar em vida.
Se quando encarnados nos tornamos materialistas, seremos tão densos quanto a matéria e, com certeza, os objectos ou matéria do plano físico nos apresentará como obstáculo como se vivêssemos encarnados ainda.
- Não me faltou fé - defendeu-se Camila.
- Lembre-se do que nos disse o sábio Anacleto:
"Somente a mera adoração a Deus, não significa a edificação do espírito, desencarnado ou encarnado".
Tua fé foi abalada sim, ela não foi tão forte ao ponto de acreditares em uma solução para a dificuldade que teu primo Júlio enfrentava.
Por exemplo:
quando este e toda a família se viram sem provisões e à beira de falir com os estudos do rapaz, tu foste incapaz de tentar ajudar, mesmo...
- Pareceu-me que não havia saída! - interrompeu-o para se defender.
- Mesmo se não houvesse solução e Júlio tivesse de parar com os estudos, qual o prejuízo que estarias tendo? - Camila ficou pensativa e nada respondeu.
O espírito Túlio continuou:
- Teu trabalho ali com ele era o de amparo moral e espiritual.
Além do que, não irias ficar mais pobre do que já eras se colaborasses um pouco mais com o que tinhas.
- Eu já sei que falhei, Túlio.
Não precisas lembrar-me a todo o momento.
- É que isso faz parte da minha resposta às tuas perguntas.
Pois bem, quando desencarnou, estavas muito ligada ao materialismo e tua fé era pouca, como já exemplifiquei.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 10, 2016 12:25 pm

Tua atitude cortou-te os laços com o plano superior que te apoiava.
Mesmo assim os amigos espirituais de considerável evolução não cortaram os laços de amor e amparo após teu desencarne.
Ao chegar o devido socorro e as necessárias explicações, no Posto para onde foste socorrida, tu tinhas na mente tudo aquilo em que querias acreditar, tudo o que acreditaste durante a mais recente encarnação.
Tu mesma criaste barreiras que te provocaram o fechamento das gavetas do arquivo da memória como se estivesses encarnada.
Entendeste?
- Sim - admitiu desalentada.
Se eu não tivesse voltado para a casa de meu pai, eu não teria desencarnado tão nova, não é?
Se eu houvesse ficado com Dora e meus primos estaria lá até hoje, não é mesmo?!
Depois de longa pausa, Túlio filosofou:
- A frase "orai e vigiai" é muito abrangente.
Se tu oras é porque tens fé e se tu vigias é porque acreditas no visível e no invisível e sempre estarás alerta a todas as ocorrências.
- O que quer dizer?
- Vou exemplificar para que tu entendas melhor:
"Alguém que tem fé ora pedindo protecção.
Quando desce uma escada, essa pessoa o faz vagarosamente amparando-se no apoio existente e nada acontece a ela.
No entanto outra pessoa que também diz ter fé e ora pedindo protecção, ao descer a mesma escada o faz às pressas.
Ela cai, pois não quer perder tempo.
Quebra-se e sai ferida".
Ambas pediram protecção, mas somente a primeira pessoa vigiou.
- Então eu não teria desencarnado se eu não tivesse voltado para a casa de meu pai, não é?
- Não foi isso o que eu disse - afirmou Túlio categórico, mas exibindo bondade.
- Então seja mais claro, por favor.
- Digamos que a primeira pessoa que orou pedindo protecção e amparo e alguém do plano espiritual, vindo em seu auxílio, sussurrou-lhe ao ouvido:
"Cuidado com a escada".
E a pessoa tomou todos os cuidados porque estava afinada com a vibração do plano superior e tinha fé.
Entretanto a outra que também orou pedindo protecção e amparo e alguém do plano espiritual, vindo em seu auxílio, sussurrou-lhe ao ouvido:
"Cuidado com a escada".
E a pessoa, além de não vigiar como deveria, tomando os devidos cuidados ao que fazia, não estava afinada com a vibração do plano espiritual superior ao ponto de atentar para a intuição recebida.
Cabe esclarecer que ela não tinha tanta fé e não vigiou, por isso descuidou-se e caiu.
- Eu sabia - irritou-se Camila.
Não só fiquei desamparada espiritualmente como também desencarnei por culpa daquela religião e do meu pai, com suas imposições que me confundiram e acabaram por me convencer.
- É fácil culparmos os outros pelos erros que cometemos - disse Túlio sabiamente.
Continuando minha exemplificação, tu dizes que há barreiras que a impedem de ir para lugares melhores do que a crosta terrena.
Nesse estágio em que te encontras, uma vez que não tens mais laços com o corpo de carne, isso acontece pelo facto de tua mente ter atraído para o teu corpo espiritual uma densa energia que tu mesma proporcionaste através de teus pensamentos cultivados.
Resumindo, o tipo de sentimento que hoje cultivas é incompatível à harmonia existente no plano espiritual das colónias ou Postos de Socorro.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 10, 2016 12:25 pm

A opinião que tu tens cega-te o espírito e o coração.
Por consequência de já seres um espírito instruído, tanto no plano espiritual como no físico, é incabível e inaceitável que alegues ignorância em tua defesa.
Não é admissível que tenhas amparo, consolo e negues o entendimento somente por puro capricho ou luxo de te fazeres de ignorante ou vítima sem, na verdade, ocupares tal posição.
Se tu fosses acolhida hoje como está, em uma colónia, o plano espiritual superior atrofiaria tua evolução.
Não podemos dizer o que tu tens de fazer ou o que deves fazer para conseguir o que desejas.
Isso cabe só e unicamente a ti sentir, observar e decidir.
Infelizmente estou lamentavelmente cansado de ver espíritas, católicos, protestantes e tantos outros que se achavam grandes religiosos, quando encarnados, estarem hoje na espiritualidade nas mesma condições que ti.
Depois de longo silêncio para que Camila reflectisse sobre suas explicações, Túlio indicou:
- Vê, é aqui. Chegamos.
Defronte a uma residência de certo porte, pararam.
Passando pelo portão e, depois de percorrerem o corredor que dividia o belo jardim, entraram atravessando pela porta sem qualquer dificuldade.
Já no centro de uma grande sala de estar, Túlio estendeu a mão para o cumprimento de um amigo do plano espiritual que estava ali a trabalho.
- Querido Salustiano!
Como tens passado? - indagou Túlio prazerosamente.
- Graças ao Mestre Jesus e todo o amparo que recebo dos Espíritos Superiores, estou muito bem, uma vez que continuo exercendo o labor abençoado do amparo e da protecção aos nossos irmãos.
A oportunidade de tarefa é vida!
E vós, Túlio, como estais?
Já faz algum tempo que não nos vemos!
- Continuo como guarda da área de lazer infantil.
Como sabe, eu amo o trabalho com nossas agitadas e queridas criancinhas que tanto necessitam de protecção.
Deixa-me apresentar-te... Esta é Camila.
- Muito prazer!
Estais a trabalho com nosso querido Túlio?!
Camila sentiu-se sem graça e não soube o que responder.
Diante de seu embaraço, trocando olhares com o amigo, Túlio falou por ela:
- Camila presta-se ao trabalho da observação e do aprendizado edificante.
Sempre é bom ter mais conhecimento, pois é isso o que nos torna aptos e capazes!
Voltando-se para ela perguntou alegre:
- Não é mesmo?
- Sim. Claro.
- O que temos aqui, caro Salustiano? - tornou Túlio.
- A situação presente é lamentável.
Temos à beira do desencarne Benedito, homem já corroído pelos anos e possuidor de inúmeros bens materiais conseguidos após muito trabalho.
A esposa Maria desencarnou há cerca de dez anos, encontrando-se em óptimas e elevadas condições no plano espiritual, juntamente com o filho do casal, Juca, que desencarnou algum tempo depois da mãe.
Benedito não se deixa levar, ou melhor, desligar-se lentamente do corpo físico.
Ele se transtorna, inconformado diante da ambição e avareza da única filha Beta.
Muito egoísta, Beta não quer dividir nem mesmo parte da herança com a cunhada, a viúva Adalgisa que teve quatro lindos filhos.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 10, 2016 12:26 pm

Apesar dos bens do velho homem, a nora e os netos ainda passam por muitas necessidades.
O neto mais velho está com onze anos e o caçula com quatro anos.
- Adalgisa, como nora, não tem direito à herança do sogro? - quis saber Camila.
- Parece-me que, perante a Lei, Adalgisa não tem direito à herança do sogro.
Ela só seria beneficiada se não fosse viúva.
Como seu marido Juca desencarnou antes do pai dele, toda a herança é designada aos filhos de Juca e isso só ocorrerá quando esses forem maiores de idade ou se um juiz determinar, mas, como mãe das crianças, ela precisaria entrar com acção na justiça e pagar advogado para tal processo.
Resumindo, actualmente Adalgisa nada tem de direito sobre a herança e sabe-se lá o que pode acontecer com a parte das crianças ficando Beta cuidando do inventário.
Como Benedito não deixou testamento ou inventário e moribundo não pode fazê-lo, percebe que a filha, arrogante e impiedosa, deixará seus netinhos no desamparo, por isso ele insiste em não deixar a matéria.
- Vamos vê-lo - decidiu Túlio olhando para Salustiano.
Chegando ao quarto viram a figura cadavérica do velho que tinha de ficar com as mãos atadas em faixas e estas presas as grades do leito por tanto debater-se.
De olhos arregalados, ele parecia assustar-se com qualquer movimento, pois começava a perceber o plano espiritual de forma mais nítida.
Aproximando-se dele, Salustiano pediu bondoso:
- Meu caro Benedito, acalma-te.
Tu já cumpriste tua parte no plano material.
Agora é hora de deixá-lo.
Tu tens que seguir tua evolução.
Somente assim poderás crescer espiritualmente e até voltares para ajudares os queridos netos.
Benedito, parecendo ouvir Salustiano, agitava a cabeça de um lado para o outro, negando a sugestão.
- Como um senhor com tão grande instrução pôde deixar de fazer um inventário ou testamento? - perguntou Camila.
- Nada é por acaso - respondeu Salustiano pacientemente.
Aconteceu o seguinte:
quando gozava de perfeita saúde, Benedito discriminou a nora Adalgisa por ser de cor parda, pobre e não ter instrução.
Com o desencarne do filho Juca, Benedito abandonou a pobre moça que contava com pequena e insignificante pensão para cuidar dos quatro filhos.
Ela jamais lhe pediu nada.
Ele nunca lhe ofereceu qualquer auxílio.
Com o passar dos tempos, um acidente vascular cerebral, mais conhecido como derrame cerebral, sucumbiu Benedito ao leito.
Sem fala e sem movimento dos membros inferiores, Benedito precisou de auxílio.
A filha Beta resolveu estudar em São Paulo e as enfermeiras que ela pagava para cuidar dele o maltratavam muito.
Somente a nora Adalgisa pôs-se a banhar-lhe na hora certa, trocar-lhe as fraldas, alimentá-lo com comida apropriada e variada, levá-lo para passeio em cadeira de rodas pelo jardim e ainda se dispunha a ler para ele, mesmo que pausadamente pela falta de instrução e agilidade com a leitura.
A nora fez-lhe tudo isso com dedicação e bom ânimo.
Os netos, por outro lado, serviam-lhe de distracção.
Quando Beta soube dos bons tratos, temeu perder sua parte da herança, de alguma forma, para a cunhada.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 10, 2016 12:26 pm

Ela voltou para casa.
Dispensou os trabalhos de Adalgisa e confinou o pai ao quarto e aos maus tratos.
Benedito desesperou-se, mas nada podia fazer.
Teve outro derrame cerebral, o que agravou seu estado físico e condições de qualquer tipo de recuperação.
Para piorar a situação, Beta vem super-dosando os medicamentos dados a seu pai com o intuito de tirá-lo logo da vida terrena.
- Isso é homicídio! - exclamou Camila.
- Sim, sem dúvida que é - respondeu Túlio em tom comovido.
Com certeza Beta, um dia, terá de prestar contas disso.
- Mandamos chamar Juca, que já está chegando, para ajudar seu pai nessa difícil transição, pois só acontece dessa forma, devido à falta de orientação, fé e aceitação de Benedito - informou Salustiano.
- Nossa! O que será de Adalgisa sem herança e sem muitas condições? - preocupou-se Camila.
- Sem condições materiais, tu dizes.
Apesar de não frequentar nenhum tipo de doutrina, Adalgisa é uma mulher de espírito forte e tem muito amor no coração.
Acredita e confia em Deus.
Independente de sua situação financeira, ela trata os filhos, que lhe foram cofiados, com imenso carinho, atenção e amor.
Ela ora ao Pai Celeste, pede orientação para seus mínimos actos.
Por isso Adalgisa sempre tem grande amparo espiritual.
- Ela não odeia a cunhada? - tornou Camila curiosa.
- Não. Nunca maldisse nada sobre Beta.
Nem mesmo em pensamento.
Ela tem piedade da cunhada e em suas orações pede que o Pai lhe perdoe e que a luz Divina possa tocar a alma e o coração de Beta para que não continue maltratando o próprio pai moribundo - respondeu Salustiano.
- Vê, Camila - explicou Túlio sempre educado e cuidadoso com as palavras -, Adalgisa não tem qualquer religião.
Sua religião é o bom pensamento e o bom sentimento.
Sua religião é o trabalho para o bem e com amor.
Por outro lado, Beta é católica - e, com um leve sorriso, acrescentou - e se diz praticante.
Ela despeja verdadeira fortuna na igreja, seja no dízimo ou na contribuição semanal.
O ideal seria aprender, entender e praticar os ensinamentos que recebe na igreja só que isso ela não faz.
No último domingo, na paróquia que frequenta, foi dado grande destaque a um dos mandamentos que serviria muito bem para alertá-la a suas falhas, caso ela atentasse a ele.
Sabe qual? - Camila ouvia atentamente e pendeu a cabeça negativamente para responder e Túlio prosseguiu:
- "Honrai vosso pai e vossa mãe".
O vigário da paróquia explicou muito bem esse mandamento.
Pareceu-me até que ele leu O Evangelho Segundo o Espiritismo - sorriu Túlio de um modo espirituoso.
Depois lembrou:
- Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, no capítulo XIV em Piedade filial, Kardec nos diz que o mandamento honrai vosso pai e vossa mãe é a afirmação da lei geral de caridade e de amor.
Uma vez que não é possível amarmos o próximo se não amarmos nossos pais, porém do termo "honrai" concluímos que temos um dever ainda maior que é o da piedade filial.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 10, 2016 12:26 pm

Kardec nos explica que Deus quer nos ensinar que junto com o amor para com os pais elevemos demonstrar respeito, atenção, dependência e tolerância.
Kardec, através do Evangelho, ainda nos fala em Piedade filiai que honrai pai e mãe não é somente o facto de respeitá-los e acompanhá-los em tudo.
Do que eles necessitam é, acima de tudo, a garantia do repouso na velhice.
Necessitamos regar o ambiente doméstico com amor e paz, sermos benevolentes e cuidadosos ao nos dirigirmos a eles, seja para o que for.
Piedade filial não é darmos aos nossos pais tão somente o que eles necessitam para que não morram de fome e depois confiná-los aos aposentos do lar e privá-los da liberdade apenas para não deixá-los viver sem amparo.
Piedade filial é, principalmente, envolvê-los com amor e carinho deixando que participem integralmente do cotidiano no lar, reservando a eles as actividades que queiram ou necessitem participar e não esquecendo do tão necessário lazer.
Mesmo os pais que não declinaram muito afecto e compreensão para com os filhos, por sua vez e por ocasião da velhice dos pais, esses filhos devem empenhar tanto amor e compreensão quanto possível, não reclamando ou censurando a atenção que vos fora privada. Como nos ensina Kardec:
"a Deus é que compete puni-los e não aos filhos.
Não compete a eles censurá-los porque talvez haja merecido que aqueles fossem quais se mostram".
Beta não ampara o pai como deveria e não divide com a cunhada, tão necessitada, o muito que tem, preferindo auxiliar em construções faraónicas, deixando de garantir o conforto do próximo tão próximo.
Todos nós, encarnados ou não, sabemos como é assustadora a fortuna que há no Vaticano, nas basílicas, nas igrejas.
Tronos e castiçais de ouro, prata, crivados de diamantes e rubis.
Nenhuma lasca dessas jóias é usada pelo catolicismo para acabar com a fome no mundo.
- Mas eles possuem creches e instituições filantrópicas - defendeu Camila.
- Sim, claro que possuem!
Mas essas são custeadas pela igreja somente no nome, pois é a população e, geralmente, o trabalhador pobre que, mediante aos pedidos, sustentam financeiramente essas instituições.
Quando elas fecham por falta de verba, há ainda uma propaganda de que isso só ocorreu por falta de amor, caridade e egoísmo das pessoas.
A igreja nada faz pelos infelizes que lá estão.
Raríssimas vezes encontramos um padre que se dispõe realmente ao trabalho ao qual se propôs em juramento.
Não estou criticando, somente contando o que já observei.
Tu já ouviste dizer que Sua Santidade colocou a leilão sua coroa, ceptro ou qualquer outra peça e que a verba arrecadada seria usada para combater a fome no mundo?
Camila balançou a cabeça negativamente e Túlio continuou:
- De que servirá a Sua Santidade, o Papa, aquele trono de ouro, seus crucifixos de ouro e prata crivados de rubis e diamantes?
De que lhe servirão suas taças e castiçais aurificados e selados de jóias, adornando-os ainda mais?
Acredito que inúmeros excêntricos pagariam uma verdadeira fortuna para terem em seu poder tais jóias.
Sem mencionar que a grande parte dessa fortuna incalculável foi conseguida através da chamada Guerra Santa, que banhou de sangue, miséria e peste toda a Europa, através de seus impostos e de inquisições que ainda foram chamadas de "santas", massacrando milhares em troca do sustento e da luxúria que se cobriu o Vaticano.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 10, 2016 12:26 pm

Se houvesse algum Papa realmente fiel a Deus e que quisesse ser honesto e defensor dos direitos humanos, essa "santidade" se despojaria de tais jóias conseguidas através de torturas, ludibrio da boa fé e sangue com a finalidade de ajudar a tantos necessitados no mundo inteiro.
Se a igreja ainda guarda em seu poder toda essa fortuna, é porque não se envergonha do que fez no passado, muito menos há, em seu seio, o arrependimento e a vontade de mudar.
O Vaticano só sabe pedir e pedir.
Parece-me que querem ver a Terra vazia de pobres que morrem de fome porque pobre miserável não dá dinheiro à igreja.
Eles não querem ver seus palácios e galerias vazios para em troca fartarem a barriguinha dos famintos de pão.
O interessante para a igreja são os pobres e ignorantes que trabalham.
Em nada o catolicismo difere de outras religiões que só sabem tirar dos que pouco têm para servir a eles próprios, apropriando-se das doações.
Utilizam o nome de Jesus Cristo, o Salvador, para acumularem bens terrenos, vivendo na mais alta e luxuosa mordomia.
Os papas, bispos, cardeais etc., extraordinariamente subtraem gigantescas fortunas, a olhos vistos, sem nada, absolutamente nada oferecerem para o povo.
Roma é um país onde o papa é o presidente.
Suas igrejas, espalhadas por toda a face da Terra, são suas embaixadas que só servem para arrecadar os impostos como foi feito na Idade Média.
Hoje esses impostos são disfarçados com o nome de óbolos, mas têm a mesma finalidade:
serem enviados para o seu presidente.
A idolatria e o misticismo inventado pela igreja, ou melhor, pelos homens que a compõe, escraviza o homem encarnado por sua fé cega, trancafiando seu espírito e seu bolso às ideias infundadas de paganças sem limites e sem idealismo.
Eles ignoram ou não querem admitir que os espíritos beatificados ou comumente denominados "Santos" são, muitas vezes, verdadeiros escravos perturbados pelos encarnados.
Não podem calcular quão imensa tortura é levada ao espírito despreparado que vê inúmeros pedidos e promessas feitos fervorosamente à sua alma.
Eles caem em verdadeiros conflitos ou torturas pelos chamados incessantes dos encarnados que lhes gritam socorro sem que eles nada possam fazer.
Alguns, menos evoluídos, sentem-se culpados por sua impotência espiritual e se tornam verdadeiros loucos e doentes mentais espirituais, necessitando de longo e rigoroso tratamento no plano espiritual que, muitas vezes, não é obtido com grande resultado devido aos incontroláveis pedidos dos fiéis que se transformam em compulsivos pedintes a pobre e infeliz entidade.
Em todas as religiões há muitas criaturas encarnadas que são dependentes da fé.
Só sabem pedir sem nada fazer por merecer, preferindo pagar, de alguma forma, para adquirir algo.
Além disso, não querem ganhar conhecimento para se orientarem sobre o que estão fazendo e por quê.
O encarnado não tem capacidade de orar a Deus, "encará-Lo de frente", reconhecer seus erros, pedir perdão, sustentação, amparo, assumindo não errar mais.
Vários encarnados vivem de intermediário na sua fé.
O homem comum terceiriza suas orações e seus pedidos como se precisasse de muletas para ter fé.
Para tanto, sem buscar instrução a fim de saber o que é realmente certo ou errado, usa o nome de um pobre espírito, chamando-o de santo que muitas vezes possui as mesmas fraquezas que ele para servir de mediador ou intermediário às suas solicitações a Deus.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 10, 2016 12:27 pm

Tudo isso é a introdução do catolicismo que inventou o santo e colocou um homem comum por debaixo de uma batina fazendo-o de divindade ou porta-voz de Deus para enganar os ignorantes.
Muitas vezes esses homens, intitulados "ministros de Deus", põem em pânico a espiritualidade, seja ele ordenando sacrifícios e penas aos pobres e modestos que os buscam nos confessionários, seja ele dando o perdão em nome de Deus a um "pecador".
Qual condição humana, na face desta Terra, pode dar o poder para alguém se acreditar com o direito de canonizar, beatificar ou dar quaisquer títulos a um espírito que possa vir a recebê-lo?
Felizmente, ainda hoje, o Brasil não conta com nenhum santo intitulado pelo Vaticano (1).
- Imensas fortunas são tiradas da população carente para que isso ocorra.
Em virtude do Brasil não ser um país em que Roma pode contar com extrema soma de dinheiro para santificarem algum nome, o Vaticano vem adiando tal facto em seus projectos, pois quanto mais um país deseja ter um santo, mais caro isso lhe custará, e o Brasil é um imenso país tanto em território quanto em número de fiéis, por isso haverá de lucrarem mais para fornecerem um título desse a um "espírito brasileiro", como se o espírito tivesse pátria.
Camila ficou assombrada com aquela revelação e sobressaltou-se e perguntou:
- E quando desencarnam, como ficam essas santidades, cardeais etc.?
Para o lugar reservado a eles.
Ninguém tem privilégios nas moradas do Senhor - respondeu Túlio.
- Para o Umbral?! - exclamou ela ainda surpresa.
- Depende. Alguns para regiões de extremos abismos, outros sem dúvida alguma podem permanecer em estado de perturbação no Umbral sim.
Não poderia haver outro lugar para os que ludibriam a boa fé ou usam o nome do Pai Celeste para adquirirem bens terrenos.
Isso é independente da religião.
Foram mais ou menos com essas palavras que Kardec nos relatou, tão bem, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, no Capítulo XVI, em Não se pode servir a Deus e a mamom:
"O homem não deve acumular riquezas para o corpo e sim para a alma como a inteligência, os conhecimentos e as qualidades morais.
Tudo isso é o que o homem traz, ganha ou leva consigo durante um reencarne.
Essas riquezas ninguém poderá subtrair-lhe, o que lhe será de muito mais utilidade no outro mundo do que neste.
Depende dele ser mais rico ao partir do que ao chegar".
O espírito Camila ficou reflectindo e Túlio completou:
- Não te perturbes, o Umbral deve ser visto como um local para a recuperação.
Não o vejamos como um lugar de punição.
O que um espírito experimenta no Umbral, pode e deve ser aproveitado como exemplo pelo resto de sua existência e a quem mais possa interessar.
Quero ressaltar também que no Umbral não há somente espíritos de outras religiões.
Inúmeros sofredores e moradores do Umbral, foram ou se dizem Espíritas - sorriu suavemente ao enfatizar:
- Espíritas Kardecistas, quando encarnados, mas se esqueceram de praticar o amor e a benevolência.
Não perdoaram, não doaram nada do muito conhecimento que adquiriram.
Achegaram-se ou se aproximaram do Espiritismo somente para receber.
- E quanto àquelas doutrinas místicas que pregam paz e amor em suas filosofias? - perguntou Camila.
- A doutrina não prega nada de errado, porém parece-me falha quando se omite na pregação de praticar o bem.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 10, 2016 12:27 pm

Muitas filosofias ensinam pensar em cores, massagear o corpo com a mente, levitar o espírito, viagem astral, entre várias outras coisas.
Isso pode ser válido para aquela pessoa naquele estágio evolutivo.
Entretanto se esquecem ou pouco falam na prática do bem, no amor fraterno incondicional, no perdão das ofensas...
Tudo o que Jesus nos ensinou.
- Além disso - completou Camila -, essas religiões não falam ou não admitem a reencarnação, não é mesmo?
- Nem todas.
Vê bem... não admitir a reencarnação pode ser falta de atenção, fé cega ou coisa de quem não quer se preocupar com as responsabilidades futuras que terão de enfrentar.
Eu acredito que toda doutrina religiosa acredita e confirma os atributos de Deus, ou seja, as qualidades de Deus dentro do entendimento máximo do homem.
A maioria crê, e estamos de acordo, que Deus é Eterno, Imaterial, Imutável, Único, Justo, Bom e, acima de tudo, Todo Poderoso.
Acreditando ou simpatizando com esses atributos, seria cabível que Deus desse pernas e braços para um e fizesse de um outro um aleijão?
Seria possível que Deus, por puro capricho, desejasse que um de seus filhos fosse muito rico e outro um miserável faminto?
Se um homem comum e responsável é capaz de ser justo ao ponto de dividir uma fatia de pão no número de filhos que possui, por que Deus, que consideramos bom e justo, faria diferente ou seria injusto para com seus filhos?
Aí voltamos ao ponto de partida:
Deus é justo e todos temos o que merecemos.
Sei que muitos questionam por que os miseráveis ou aleijados nascem assim, o que fizeram para serem dessa forma ou estarem nessa situação.
Teriam eles cometido tão terríveis pecados dentro do ventre materno?
Ou está ele pagando pelo pecado dos pais?
Respondendo a uma das perguntas, eu afirmo que nenhum pecado pode ser praticado por um feto e respondendo à outra, prefiro usar as palavras de Jesus que nos disse:
"Nenhum filho pagará pela culpa dos pais".
Mas se a criatura nasceu assim, só se tem por alternativa acreditar em algo que ela tenha feito de errado antes daquela vida.
Retomemos, então, a fé no Espiritismo, no mundo dos espíritos e nas reencarnações para corrigirmos ou aprendermos mais uma vez.
São nos ensinamentos da Codificação Espírita que entendemos não haver privilegiados ou injustiçados, mas sim muita caridade e perdão a ser praticado por todos nós.

(1) Nota da Médium: Este livro foi psicografado em 1997 quando não havia menções consideráveis, mas somente estudos e buscas de provas para a Igreja Católica nomear algum brasileiro como Santo.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 10, 2016 12:27 pm

13 - DR. JÚLIO E SEU GRANDE ENSINAMENTO

Depois da longa explicação, Túlio passou a auxiliar Salustiano com passes magnéticos a Benedito.
Algum tempo passou e Juca, filho desencarnado de Benedito, chegou àquele quarto acompanhado por uma equipe de enfermeiros espirituais.
O espírito Juca penalizou-se ao ver a triste situação de seu pai que se recusava a deixar o corpo e muito sofria.
Depois de cumprimentar a todos, ele aproximou-se do leito e disse:
- Vim visitar-te, meu pai.
Benedito esbugalhou os olhos e agitou-se como que querendo falar.
Sua aflição era imensa.
Pôde ouvir seu filho nitidamente e viu-o parcialmente através dos olhos da alma quase cegos ao plano material.
Juca, bondoso e amável, continuou:
- Tranquiliza-te meu pai, não tentes reagir contra a força da natureza que sempre constrói sobre as transformações que, por vezes, se fazem necessária.
Se tu te agitas, temendo a situação de Adalgisa com meus queridos filhos, saiba que ela e os pequeninos estarão amparados e felizes.
Isso é o que mais nos importa.
Neste instante, Beta entrou no quarto.
Certificando-se de que a enfermeira estava longe e não poderia ouvi-la e acreditando estar sozinha no plano material e espiritual, a filha disse asperamente ao pai moribundo:
- Vê se morres logo, desgraçado!
Não achas que já me deu trabalho e preocupação demais, além dos gastos?!
Benedito agitou-se ainda mais e Juca tornou-lhe amável:
- Não te importes com isso, meu velho.
Toda essa angústia é passageira e descobrirás, em breve, que todo esse sofrimento é falso.
Pensa em Jesus, o Consolador, e estarás amparado em Deus.
Vê, estou aqui, nada se acaba depois que cruzamos a fronteira desta vida.
Estou perfeito, calmo, procurando tranquilizar-te...
Sabe, sou trabalhador operoso no plano espiritual.
Isso tudo se dá por que eu creio em Jesus e procuro seguir Seus ensinamentos.
Essa paz que eu sinto e procuro transmitir, todos que a desejarem e seguirem os ensinamentos do Mestre poderão tê-la e distribuí-la.
Benedito parecia ter começado a aceitar a ideia.
Neste momento Beta saía do quarto.
Ela não suportava o odor que havia ali.
Os enfermeiros do plano espiritual, contando com o auxílio de Túlio e Salustiano, aplicavam passes ao velho Benedito, que agora parecia bem mais tranquilo, enquanto Juca ainda conversava com ele:
- Vê só, quanto mais calmo tu ficas, mais suave tua dor é.
Em breve todo sofrimento vai acabar.
Deixa-te envolver por toda essa energia calmante.
Ela está te penetrando na alma e te faz bem ao coração.
Pensa em Jesus.
Pensa que aqui deste lado, tudo vai mudar e terás uma consciência diferente da de outrora.
Vem, meu pai, vem.
Fechando os olhos, Benedito entregou-se àquela paz que sentia cada vez mais forte e, num último suspiro, deixou o corpo.
Rapidamente os enfermeiros do plano espiritual o desligaram da matéria e o envolveram, levando-o para o devido socorro.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 10, 2016 12:27 pm

Após agradecer Salustiano, Túlio e Camila, Juca seguiu atrás.
Somente depois de uma hora a enfermeira contratada entrou no quarto.
Constatando a morte de Benedito, foi informar a Beta que mascarou, com dor e sofrimento, o grande alívio experimentado.
Túlio, voltando-se para Camila, perguntou:
- Vamos?
- Para onde?
- Temos mais trabalhadores amigos a visitar.
Veremos como eles estão passando, observaremos a experiência dos que acompanham e auxiliar se possível, além de aprender.
Despediram-se de Salustiano que também, após um devido repouso, iria ao auxílio do desencarne de outro moribundo, pois era esse seu trabalho.
Depois de voltarem para a casa de Dora e refazerem-se rapidamente num breve descanso, Túlio comentou para Camila:
- Tenho informações de um caso dramático e até... - parou por segundos, em seguida argumentou:
- E até lamentavelmente interessante, por se tratar de uma mulher estudiosa da Doutrina Espírita.
Vamos, precisamos tentar ajudar.
Sem demora, Túlio seguiu com sua acompanhante até uma simples e humilde residência onde uma mulher discutia com seu marido.
Uma equipa de socorristas, no plano espiritual, fazia-se presente, tentando, de todas as maneiras, acalmar os ânimos de ambos.
Depois de rápido cumprimento ao encarregado do grupo espiritual, que não poderia se distrair, Túlio voltou-se para Camila e explicou:
- Esta mulher chama-se Sissa, é frequentadora assídua de um Centro Espírita.
Julga-se espírita.
Sempre que pode, faz caridade, amparo, orientação e é tarefeira no Centro.
Seu esposo, Noel, não frequenta o Centro Espírita devido à incompatibilidade de horário, mas pratica junto com ela O Evangelho no Lar e procura seguir tudo o que de melhor aprende nele.
O casal já tem dois filhos e Sissa está grávida.
A gestação é de pouco tempo.
Só que ela não quer o filho.
Acredita que a vida já está muito difícil com dois e se colocarem mais um no mundo, eles não conseguirão sustentá-lo.
Ela quer praticar o aborto.
Tenta por todos os meios convencer o marido de que com até quatro meses de gestação não há vida no embrião e assim o aborto não será um crime.
O marido, por outro lado, não concorda.
Pensa que será difícil criarem mais um filho, mas acha que eles vão conseguir.
Ele acredita que o aborto é um crime abominável independente do tempo de gestação, e o é!
A equipa de socorristas tenta ampará-la e convencê-la a deixar a criança a vir ao mundo, porém está sendo difícil.
- Nossa! - espantou-se Camila.
Uma mulher com conhecimento Cristão tentando matar o próprio filho indefeso.
- Para tu veres - disse Túlio lamentando.
Ela diz ser espírita.
Já leu inúmeros livros...
O Evangelho Segundo o Espiritismo, tem grande entendimento da doutrina e, mesmo assim, quer praticar o abominável acto.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 10, 2016 12:27 pm

Vê só o bebé.
Túlio sobrepôs a destra na nuca de Camila, passando-lhe energias para facilitar-lhe a visão.
Camila viu, agarrada a Sissa, uma criança em posição fetal que parecia entender a situação e por isso tremia com medo de sua própria mãezinha que, aos berros, falava ao marido:
- Não és tu quem vai sentir dores!
Passar mal! Virar noites em claro!
Lavar, passar, cozinhar e ainda cuidar de teus meninos!
Estou cansada!!! Eu não quero!!!
Noel, envolvido pelos socorristas espirituais, que não podia ver, passou a falar calmamente:
- Eu cuido.
Se teu problema é esse, deixa meu filho nascer que eu cuido dele.
Pedirei ajuda à minha mãe.
Quanto a ti, se não mudares de ideia depois do bebé nascer, podes ir embora.
Sissa revoltou-se.
Seus pensamentos eram tenebrosos.
- Esse infeliz! - pensava ela.
Se nasce, estraga-me a vida!
Se for abortado rouba-me a felicidade.
Os socorristas aplicavam-lhe passes, que não surtiam efeitos devido aos seus terríveis pensamentos.
Enquanto o bebé, um espírito, encolhia-se assustado, temeroso de grandes sofrimentos físicos pelo aborto.
Voltando-se para o marido, ela resolveu:
- Sairei agora, preciso pensar.
- Que horror! - exclamou Camila.
Como uma mãe pode pensar assim?
Esse ser não pode perder a oportunidade de seu reencarne somente por causa da vontade dela de não ter mais filhos.
- Não é só a oportunidade bendita do reencarne, Camila - completou Túlio triste e sabiamente -, há terríveis ocorrências por traz disso tudo.
O espírito de um abortado sofre não só com o trauma da rejeição mas também sente por muito tempo todas as dores ou as queimaduras químicas provocadas em seu corpo pelos medicamentos ou pelas mutilações que lhe foram feitas decorrentes do seu esquartejamento.
Esses espíritos abortados sentem a dor de cada pedacinho de seu corpinho que está sendo arrancado.
Sofrem indescritivelmente quando a pele e todos os órgãos internos são destruídos por medicamentos químicos ou mesmo ervas e chás que lhes provocam dolorosos ressecamentos cutâneos como queimaduras que lhes descarnam ou desintegram todo o corpinho físico.
Toda essa dor e imenso sofrimento são passados para seu corpo espiritual ou perispírito.
Mesmo depois de terem seus corpos físicos violentamente descarnados, picados ou queimados, essas pobres criaturas continuam sentindo toda essa dor e sofrimento e grande angústia no plano espiritual.
- Pobres coitados - lamentou Camila quase chorando.
- Hoje, existem colónias especializadas para o difícil e longo tratamento dessas criaturas que têm seus corpos físicos violentados e sacrificados por suas próprias mães.
Esses espíritos chegam lá em condições tão lastimáveis que é difícil e doloroso descrever.
- Essas colónias não são muito comuns? - perguntou Camila.
- São colónias especialmente preparadas para receber espíritos que se prepararam para o reencarne e que, por serem rejeitados por seus pais, principalmente pela mãe, foram friamente assassinados em abortos.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 10, 2016 12:28 pm

Inúmeras mulheres expõem-se a um carniceiro, muitas vezes esse é até um profissional denominado médico que jurou salvar vidas e que pela ganância material, hoje, mutila criaturas vivas e indefesas em troca de dinheiro.
Essas mulheres colocam-se sobre uma mesa à disposição para que esquartejem, dentro delas, uma criaturinha viva, indefesa, que nada lhe fez de mal e que, muitas vezes, implora-lhe a vida.
Sem o menor remorso, sem o menor senso crítico e julgando-se donas de seus próprios corpos, elas apresentam como justificativas o direito de fazerem dele o que bem querem.
Não admitem que seus corpos lhes foram emprestados para que cumprissem seus destinos.
Ninguém pode prejudicar ou lesar sua matéria física por motivos vis.
Menos ainda lesar, junto com seu corpo, o corpo de uma criaturinha que, porventura, esteja se formando dentro dela.
Um dia pagarão muito caro o preço desse "direito de dizerem que são donas de seus próprios corpos" acreditando poderem realizar o que desejam deles, esquecendo-se que o corpo físico que usamos pertence a Deus e foi por acréscimo de Sua infinita misericórdia nos emprestado para harmonizarmos nossos erros.
Enquanto estamos encarnados, não somos donos de nada.
As pessoas ainda não perceberam que quando desencarnam deixam a Terra, ou melhor, saem do plano físico exactamente como entraram:
sem absolutamente nada.
O que levamos das encarnações são os méritos pelos actos de bondade e caridade praticados, é a nobreza pelos feitos de boa moral, é a sabedoria de como agir diante de qualquer situação difícil.
- Esses abortados sofrem muito? - tornou Camila.
- Como não?! - confirmou Túlio.
Como acabei de te explicar, os infelizes penam mais que condenados.
O aborto lesa-lhe o corpinho, no plano físico, o corpo espiritual e a mente.
Nas clínicas abortivas, casas de parteiras que prestam esse tipo de crime, há equipes de socorristas espirituais que são especialistas no socorro dos espíritos ali assassinados.
Esses socorristas ficam de prontidão para envolver, com o máximo de amor, os pobrezinhos abortados logo no acto de seu desencarne para ampará-los e tentar diminuir-lhes as dores, as angústias.
Camila, parecendo incrédula, ficou pensando como seria o sofrimento de tais espíritos.
Enquanto isso o espírito Túlio permaneceu por alguns segundos num estado semelhante ao introspectivo, mas de súbito, chamou às pressas sua acompanhante:
- Vamos, Camila.
Temos de ir à casa de tua tia Dora.
Ao chegarem observaram que Sissa encontrava-se na cozinha de Dora aguardando por Júlio.
Notaram, junto à gestante encarnada, vários socorristas tentando fazê-la mudar de ideia.
Júlio, um tanto assonorentado, pois estava dormindo porque iria trabalhar no plantão daquela noite, levantou atordoado quando a mãe o acordou dizendo que Sissa, companheira do mesmo Centro Espírita frequentado por eles, o aguardava para falar-lhe de um assunto urgente.
Paciente, Júlio caminhou até a cozinha e, ao deparar-se com Sissa, sensibilizou-se ao vê-la chorando.
- Como tens passado, dona Sissa? - diante do silêncio, ele quis saber:
- O que houve?!
O que te trazes aqui?! - perguntou Júlio muito preocupado com a mulher que chorava compulsivamente.
Depois de enxugar as lágrimas e se recompor um pouco, ela desfechou:
- Sei que o senhor me entenderá, doutor Júlio, e sei que somente o senhor poderá me ajudar.
Sou uma mulher pobre.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Nov 11, 2016 11:15 am

Meu marido ganha mal.
Sou cristã e tarefeira no Centro que o senhor e tua família também trabalham na divulgação e orientação da Doutrina Espírita.
Já tenho dois filhos e espero por mais um... só que não tenho o mínimo de condições para ampará-lo.
Eu e meu marido não poderemos arcar com três crianças.
É muito para nós!
Atarantado, ainda pelo sono, Júlio perguntou:
- Não entendo.
O que a senhora deseja de mim?
Se precisares de algum tratamento durante a gravidez, com o pré-natal ou mesmo com o parto, é claro que poderei te ajudar, sem dúvida.
Quanto ao pré-natal, ficarei orgulhoso se me deixares acompanhar-te - afirmou sinceramente contente.
Até se precisares de medicamentos, eu providenciarei...
- Não! - ela, bem nervosa, interrompeu-o.
Não é isso! É que...
Vê, estou de pouco tempo e como sei que não há vida no feto, eu queria...
- Não há vida no quê?! - perguntou Júlio, incrédulo, ao começar a entender as intenções da mulher.
Antes de ela responder, ele explicou bem firme:
- Se a senhora fosse realmente Espírita ou no mínimo Cristã, não estaria dizendo tamanho absurdo!
Só espero que não estejas aqui me pedindo para que te faça o aborto.
- Eu não quero ter esse filho, por favor, ajude-me!
Júlio ficou indignado.
Suspirando fundo, passou as mãos pelos cabelos e, depois de breve pausa, calmamente argumentou:
- Dona Sissa, creio que a senhora não mediu as consequências de teu pedido.
Aliás, para mim isso não é um pedido, é uma ofensa.
Sinto-me violentado.
Agora quero que te acalmes.
Pedirei à minha mãe que te faça um chá e...
- Não! - interrompeu o novamente.
Espere! Estou decidida.
Quero tirar!
- Como espírita e como médico te garanto que há vida em um óvulo, que há vida em um esperma e que ambos, óvulo e esperma, são especialmente escolhidos pelo plano espiritual Superior segundos antes da concepção.
É uma tarefa minuciosa e delicada com a finalidade de a criancinha que se formar através dessa união tenha toda a carga genética necessária e meritória para o reencarne a ser realizado.
Mantendo-se bem calmo e esclarecedor, Júlio continuou:
- Garanto-te ainda que no instante da concepção o espírito é ligado àquela célula que começa a se transformar e se dividir, formando órgãos e sistemas vitais a ele.
É uma engenharia maravilhosa o nascimento de um corpo humano.
E qualquer instante em que for interrompida a multiplicação da célula, o desenvolvimento ou o crescimento de um embrião ou feto é um assassinato que está sendo cometido, independente do meio utilizado para essa finalidade.
Para a surpresa do médico, a mulher começou a chorar.
Mas não desistia da ideia.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Nov 11, 2016 11:15 am

Apiedado, Júlio indagou:
- O que te disse o senhor Noel?
- Não me importa o que Noel pensa - respondeu abrupta -, eu não quero mais ter filhos!
Estou cansada de trocar fraldas!
Fazer mamadeiras!
Ficar noites em claro e passar necessidades!
- Sabe que há inúmeras mulheres estéreis que amariam tais tarefas.
- Isso porque elas não as têm! - irritou-se Sissa.
- Tenha o bebé, dona Sissa - pediu com modos piedosos.
Deixa-o vir ao mundo.
Se depois disso ainda não o quiseres, doa-o para alguém... - Júlio falava calmamente.
Mas, de súbito, de sua boca saiu um pedido inesperado que o surpreendeu.
Mesmo assim, sustentou-o firme:
- Isso! Doa teu filho!
Dá-o para mim!
Tenho certeza de que eu e minha mãe daremos conta.
Talvez, até em pouco tempo, a senhora mude de ideia e vai querê-lo perto e o amará tanto quanto ama os outros.
Porém, se necessitares deixá-lo comigo para sempre, terei imenso prazer em prestar-lhe todos os cuidados como um pai!
Darei tudo o que ele necessitar.
Posso te garantir!
Sissa olhou-o incrédula e respondeu:
- Ficaste maluco?!
- Não. Não estou maluco, não.
A senhora ama os teus outros dois filhos?
- Sim, sem dúvida que sim.
- Desejarias que um deles morresse?
- Lógico que não!
- Então, Dona Sissa, querer fazer um aborto é o mesmo que assassinar um dos outros filhos que já possuis.
Pensa nisso!
Acredito que a senhora jamais te apoderaria de uma faca ou um cutelo para esquartejar um de teus outros filhos, não é mesmo?!
Pois o aborto é isso!
O aborto é o mesmo que esquartejar um indefeso, sem dó ou piedade.
Tenha teu filho e traz-lo para mim.
Eu o quero - desfechou, olhando-a firme e convicto, esperando uma reacção.
Sissa levantou-se sem dizer nada e foi embora.
Júlio seguiu-a até a porta e ainda pediu quase gritando:
- Por favor! Por amor a Deus!
Pensa em tudo o que te falei.
A mulher nem mesmo olhou para trás.
Na espiritualidade, acompanhando tudo o que acontecia, Túlio, satisfeito com a atitude do médico, virou-se para Camila e perguntou:
- Observaste a nobre postura de teu primo Júlio quanto aos seus princípios e conceitos espirituais, morais e Profissionais?
Camila acenou a cabeça positivamente sem dizer nada.
Foi então que Túlio argumentou:
- Creio que não há necessidade de qualquer comentário diante de tamanha demonstração sincera de fé e evolução de Júlio.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Nov 11, 2016 11:15 am

Descansemos por hoje.
Amanhã nós voltaremos a novos trabalhos, estudos e observações.
Apesar de todo seu conhecimento espírita, e depois do que Júlio dissera, Sissa ainda desejava matar seu filho esquartejando-o através do aborto.
Tentava justificar por não ter condições financeiras razoáveis para cuidar dele.
Enquanto isso, hoje, na Somália, Etiópia, nordeste brasileiro e em tantos outros países, por piores que sejam as condições desses povos tão sofridos, por mais que sejam miseráveis suas situações, eles ainda dão oportunidade de vida aos seus filhos, criaturas de Deus tão necessitadas, para naquelas circunstâncias, ainda tão suburanas, poderem evoluir e instruir-se diante da tão difícil condição de encarnado. Independente da vontade do ser humano, alguns de nossos irmãos têm de passar por situações muito tristes para repararem seus erros do passado e aprenderem com a dolorosa experiência.
E para harmonização e equilíbrio das Leis de Deus, os outros irmãos, nas condições de criaturas humanas mais privilegiadas espiritualmente ou materialmente, têm a abençoada oportunidade de auxiliar, de várias formas, os tão carentes e necessitados.
Não encarando a sua contribuição como esmola, mas com a consciência de harmonizar suavemente o que possa ter como débito passado.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Nov 11, 2016 11:16 am

14 - [b]LEGIÃO DE JUSTICEIROS

Na manhã seguinte, Camila e Túlio saíram bem cedo.
Ele pretendia levá-la a uma igreja evangélica.
Porém companheiros espirituais chamaram-lhes a atenção para outros factos que mereciam observações e serviriam de estudo para ela.
- Camila - propôs Túlio, como dedicado instrutor -, vamos a um Centro Espírita em outro bairro um tanto distante.
Para isso, temos de nos apressar.
Já consegues volitar?
Ao vê-la levantar-se do chão um tanto desgovernada, Túlio riu com gosto, sem qualquer maldade, explicando-lhe que todo início normalmente era daquele jeito mesmo.
Para ajudá-la, ele despendeu suas próprias energias e começou a puxá-la, segurando-a delicadamente pela mão.
Volitando sobre a cidade, Camila observava inúmeros desencarnados que se arrastavam como bichos ou até pior.
Muitos estavam descarnados, fétidos e monstruosamente deformados.
Não se assemelhavam a criaturas que um dia reencarnaram como seres humanos.
Outros espíritos pareciam moribundos com aspecto terrivelmente doentio.
Ela ficou assustada, principalmente ao ver certas formações espirituais como gangues ou falanges.
Túlio, com sua típica serenidade, explicou:
- Vê só, Camila, aqueles grupos se formam ou se juntam, várias vezes por um ideal ou por compatibilidade de ideias.
Essas legiões de espíritos são imensamente errantes.
O mais incrível é que muitos deles agem em nome de Deus.
Dizem-se justiceiros.
Oram, acreditam em Deus, temem-nO, mas não compreendem o perdão nem o praticam.
Olha, aquela legião.
Anda como se estivesse em marcha militar.
Estão indo em direcção àquele espírito ali que acabou de acordar no plano espiritual.
Nesse momento eles pararam e passaram a observar a ocorrência.
- Vê. É o espírito de um homem que em vida foi um político de muita fama, só que usurpou o quanto pôde dos cofres públicos, deixando os pobres e carentes mais miseráveis do que já eram.
Desviou verbas destinadas aos hospitais e creches do governo, deixando doentes e órfãos desamparados e, literalmente, morrendo à míngua.
Encarnado, esse homem praticava o Budismo, uma religião oriental da qual nada entendia devido ao idioma estrangeiro e aos chamados mantras que não tinham qualquer significado para ele.
Não modificou o seu interior, fazendo-o reflectir na prática da honestidade, da caridade, do amor, do perdão, da modéstia.
Esse espírito era dependente de ficar em locais silenciosos, aromatizados para se sentir bem e sem o stresse que acreditava ter.
Não se tornou um trabalhador activo após tantas meditações.
Ele precisava saber que no Umbral não há silêncio, aromas agradáveis ou flores.
O verdadeiro bem-estar está no trabalho venturoso do progresso dos nossos queridos irmãos em face de suas necessidades.
Se nos mantivermos como tarefeiros no progresso de outros, não haverá tempo para nos sentirmos mal física, espiritual ou mentalmente, pois, junto com a tarefa benéfica e edificante que fazemos, virão os amigos invisíveis que nos darão o amparo espiritual de que necessitamos.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Nov 11, 2016 11:16 am

Esse espírito, quando encarnado, gozou de imensa riqueza e saúde.
Acumulou incontáveis bens que agora de nada lhe servirão, pois aqui, no plano espiritual, não usamos dinheiro, só possuímos e exibimos a fé e a boa conduta moral.
As maiores riquezas a se acumular é o amor incondicional e a sabedoria para a elevação moral.
E com essa finalidade que reencarnamos e são com essas conquistas que vamos embora.
Túlio calou-se.
Naquele momento vários espíritos, que faziam parte de uma legião de justiceiros, aproximaram-se, com gestos agressivos e palavreado baixo, do pobre espírito que em vida fora um político tão poderoso e que agora estava imensamente indefeso.
- O que é isso?!
O que querem?! - perguntou ele que ainda não se dera conta do desencarne.
Chamarei meus seguranças, ou melhor, chamarei o exército!
Não se aproximem! Não se aproximem!
- Somos justiceiros.
Representamos os velhos que morreram à míngua por tua causa, as crianças pobres e flageladas que sucumbem por tua culpa, os pais de famílias que recebem miséria porque tu roubaste para ti o pagamento deles para enriqueceres ainda mais - vociferava um dos espíritos que parecia ser o chefe do bando.
Enquanto o espírito, que parecia ser o chefe do grupo, esbracejava, as cenas da pobreza, da miséria, de doentes agonizando e morrendo de doenças ou fome começaram a aparecer na tela mental daquele que fora um grande e conceituado político quando encarnado.
Imagens horríveis principiavam a se formar como se os prejudicados cobrassem constantemente tudo o que lhes roubaram.
Aquilo era só o início.
Em breve, pesadelos tenebrosos iriam se fazer de modo a dominar inteiramente as ideias desse espírito totalmente despreparado para a vida no mundo real.
Passou a gritar por socorro assim que o remorso começou a corroer-lhe os pensamentos, porém de nada adiantava.
Todo o grupo de desencarnados, munido de madeiras, paus com aspecto de clavas e pedras que plasmaram, pôs-se a agredir aquele espírito.
E, apesar do ataque hostil e da pancadaria, eles usavam o nome de Deus para justificarem tal babaria.
- Nós, em nome de Deus, vamos punir-te!
Nesse instante, principiaram a atacar o infeliz com pauladas e pedradas enquanto vociferavam tudo o que ele fizera de errado na posição política e social que ocupou.
Nesse momento, Camila apavorou-se:
- Vamos embora, Túlio!
Estou com medo!
- Acalma-te.
Eles não nos podem ver - falou bondoso, entendendo sua aflição.
Nós nos encontramos em outra frequência vibratória e, como espíritos menos densos, não poderemos ser vistos por eles, a não ser que queiramos.
- Não podemos ajudar aquele homem?
- Não podemos interferir.
Para isso há trabalhadores especializados que não somos nós.
Vão auxiliá-lo no momento certo, se ele permitir, e conforme suas necessidades.
Agora vamos.
Volitando por mais algum tempo, chegaram ao local destinado.
Era uma casa simples, que servia de encontro para a edificação do Evangelho no plano físico e espiritual, além de possuir uma pequena creche para crianças órfãs.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Nov 11, 2016 11:16 am

O dirigente era um homem instruído e de certa idade.
A esposa e as filhas o auxiliavam com o trabalho e com as crianças.
- Ficaremos por aqui pouco tempo, porém quero que preste atenção em tudo o que vou te contar.
O senhor Aprígio é dirigente deste Centro há anos.
Com a ajuda da família, de amigos do plano físico e espiritual ele montou essa pequena instituição para proteger a órfãos que hoje somam cerca de doze crianças.
Através de donativos e voluntários, os pequeninos são bem amparados.
Há cerca de um ano, os amigos espirituais avisaram-me de que Aprígio vem agindo estranhamente.
Ele está deixando que maus pensamentos invadam sua mente e corroam seu espírito, que agora se encontra enfraquecido por sua própria culpa.
Sua tarefa, como encarnado, era o ilustre trabalho de doutrina no Espiritismo evangélico com a prática da caridade e do amor fraterno incondicional.
A esposa, junto com as filhas, estariam sempre prontas para o digníssimo auxílio.
No planeamento reencarnatório, achava-se tudo combinado.
Aprígio reencarnou e para facilitar-lhe a missão, isso se deu em família espírita, cujo pai, também dirigente, simplificou-lhe muito o trabalho.
Encontrou Francisca com quem se casou.
Teve as quatro meninas e, como previsto, elas sempre o vêm apoiando.
Tudo estava perfeito e dentro do previsto.
Todos cuidavam bem de suas tarefas no Centro.
Formaram a pequena instituição, que abriga as criancinhas órfãs, sustentadas por eles e por donativos de nobres espíritos encarnados que se propuseram a auxiliados.
E assim o fazem activamente.
Há mais ou menos um ano, Aprígio acredita ser "líder" do Centro, do grupo de crianças que auxilia entre outras coisas.
Até poderíamos dizer que se intitula "dono da verdade".
Tudo o que os nobres companheiros e auxiliadores fazem, incluindo a abnegada esposa Francisca e as amadas filhas, sempre parece pouco para ele.
Contaram-me que certo dia dona Mariquinha, ilustre tarefeira que se prestava aos mais simples e honrosos trabalhos, faltou em uma seção de tratamento na qual ela auxiliava na aplicação de passes magnéticos aos necessitados.
Aprígio ruminou, em pensamento, histórias mil.
Criticou a pobre senhora.
Zangou-se por ela não cumprir com o dever, entre outras coisas.
Porém ele não foi à procura de dona Mariquinha para saber o que lhe havia acontecido.
Nos dias que se sucederam, dona Mariquinha não se apresentou para as demais tarefas às quais se propunha.
Além de auxiliar nos passes, ela cuidava da limpeza e da conservação do Centro e, duas vezes por semana, realizava toda a faxina da creche.
Em uma das vezes em que conversava com a esposa, Aprígio criticou dizendo:
"Deixa a Mariquinha.
Um dia ela também será abandonada e largada à míngua, assim como nos largou sem dar a mínima satisfação".
Por sua vez, Francisca o alertava dizendo que não falasse dessa forma.
Ninguém sabia o que ocorrera com Mariquinha.
Ela mesma não teve tempo diante de tantos trabalhos na verdade, nem o próprio Aprígio fora procurar notícias da mulher.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Nov 11, 2016 11:16 am

Mas Aprígio não continha seus pensamentos nem suas palavras e, às vezes, chegava a dizer horrores do tipo:
"Mariquinha não tem ideia do transtorno que nos provocou deixando para nós todo o serviço que fazia.
Porém ela não perde por esperar!
O Umbral a aguarda!
Ela fará faxina na casa dos sofredores por muito tempo!".
Após alguns meses, em uma seção de comunicação, uma entidade de considerável elevação se apresentou pedindo a palavra.
Era um espírito respeitável que já havia se pronunciado anteriormente.
Voltando-se para Aprígio disse:
"Cala tuas críticas e teus pensamentos sobre todas as coisas que vês ou sabes através dos sentidos humanos.
Mariquinha, hoje, trabalha mais do que todos os médiuns encarnados deste Centro nas seções de passes aqui realizadas.
Desencarnada, auxilia os passistas e ainda cuida de toda a faxina espiritual que precisa ser feita porque teus pensamentos e sentimentos vêm sujando imensamente esta casa de oração.
E para que o trabalho espiritual possa ser digno, ela limpa e prepara o ambiente.
Em uma coisa tens razão:
Mariquinha está fazendo faxina na casa de um sofredor e esse és tu, Aprígio".
- Ele, segundo me contaram, revoltou-se.
Outros avisos vieram, porém não deu atenção.
Vive exigindo muito dos médiuns para que haja mais mensagens do plano espiritual aos frequentadores interessados, como se esses médiuns servidores pudessem ser ligados e desligados com o plano espiritual.
E, uma vez ligados, pudessem sintonizar qualquer nível espiritual, além de transmitirem na integra tudo o que se passa nele.
Em seu dia-a-dia, Aprígio não usa o bom senso nem os ensinamentos que vive no Centro.
Sendo dono de um pequeno mercado, onde tem seis funcionários, ele constantemente ameaça-os com pressões psicológicas dizendo que os negócios não estão muito bons, que terá, a qualquer hora, de dispensar alguém.
Tudo isso só para que os empregados trabalhem correctamente dando o máximo de si, não faltem ou reclamem do salário.
Esses funcionários vivem pressionados injustamente.
Isso é desumano.
Outro dia, em uma conversa com um amigo, ele disse que iria mandar embora três dos seus empregados, pois o serviço ali existente tem condições de ser feito por três ou, no máximo, quatro empregados, e que é burrice pagar funcionários a mais.
Aqueles que continuarem no mercado e não derem conta do trabalho atribuído, também serão dispensados.
Ainda acrescentou que funcionário novo é bom porque nunca reclama do que lhe dão para fazer.
Vê só, Camila.
Esses pensamentos são correctos para alguém que se diz espírita?
Os funcionários são pais e mães de família e, se até hoje houve condições de empregá-los e pagar-lhes obtendo lucros satisfatórios para Aprígio, por que agora seria necessário dispensá-los?
- E agora, o que há para ser feito?
- Estamos chamando-o debalde para os ensinamentos edificantes do Evangelho de Jesus.
Porém, até agora, não obtivemos respostas.
- Ele parece tão calmo, compreensivo.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Nov 11, 2016 11:17 am

- Somente aparências, Camila.
A convivência com Aprígio está começando a ficar insuportável.
Ele reclama de tudo injustamente.
Nunca ouve as argumentações alheias e se julga com razão em tudo o que fala.
A ambição toma-lhe conta da alma.
Ele deseja cada vez mais para suas obras.
- Mas, Túlio, o trabalho que ele está realizando é uma nobre actividade promissora e construtiva.
Necessita de recursos.
- Sem dúvida que sim!
Entretanto todo homem ou espírito sempre receberá de acordo com suas necessidades.
Nunca mais, nunca menos.
Quer ele grite, urre ou esperneie.
Aprígio não está sendo humilde ou sequer paciente.
Seu senso crítico está excessivamente negativo.
Sempre observa somente os defeitos alheios e os julga de forma hostil e inescrupulosa.
Julga e condena e, se pudesse, ele mesmo puniria.
O julgamento, a condenação ou punição não nos pertence.
- E a esposa? - perguntou Camila.
- É graças a Francisca e as filhas que o árduo trabalho de assistência é mantido e bem realizado.
Oremos ao Pai para que Aprígio desperte enquanto há tempo.
Camila ficou muito pensativa, porém Túlio chamou-a à realidade:
- Hoje, no Umbral, há inúmeros espíritas que ignoravam, quando encarnados, que deles seria cobrado mais por terem mais conhecimento da verdade do que as demais pessoas que desconheciam os ensinamentos do Cristo.
Breves segundos e chamou com jeito sempre educado e prestativo:
- Agora vamos, querida Camila.
Quero levá-la a um outro lugar.
Saindo dali, eles voltaram para o bairro onde Dora morava.
Porém não foram em direcção a sua residência.
No caminho, Camila espantou-se com o grande número de encarnados que traziam presos, junto a si, alguns desencarnados.
Esses chegavam a andar de braços dados com os encarnados ou até mesmo abraçados.
- Túlio, como podem aqueles espíritos ficarem assim?
- São sofredores - respondeu Túlio.
Esses espíritos, de uma forma ou de outra, encontram afinidade com o encarnado e passam a segui-los.
Vê aquela mulher?
Eu a conheço há alguns anos.
Ela e o marido viveram bem.
Quando ele desencarnou, ela não se conformou caindo em desespero.
Apesar de ser uma mulher crente em Deus, conhecedora do Evangelho, ficou em extrema aflição e encolerizou-se contra os desígnios do Pai.
O marido foi socorrido, porém as vibrações de lamentações que ela emitia pensando nele constantemente, queixando-se de sua falta, relembrando os bons momentos vividos juntos, chegaram até ele, que já estava em uma boa colónia.
Isso fez com que entrasse na mesma frequência vibratória de reclamações e saudade imensa.
Não foi forte e se deixou atrair de volta à crosta da Terra e está dessa forma.
Sem sustentação espiritual, o marido vive preso a ela.
Ambos sofrem e lamentam a separação através do desencarne que sabemos ser necessária e passageira.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Nov 11, 2016 11:17 am

- Por que ele está com esse aspecto sujo, um cheiro horrível e aparência esquelética?
- Ele obteve socorro, mas recusou-o pelo desejo de viver na Terra junto a sua amada.
Como espírito indigente, perambula agarrado à esposa.
Não tem tratamento espiritual, alimentação correta ao seu espírito, asseio energético.
Está desprovido de tudo o que é necessário a um espírito.
O pobre espírito não tem descanso.
Os zombeteiros que passam por ele o maltratam, agredindo-o com palavras e acções.
Por isso sofre e, por estar junto à esposa, ela sente suas vibrações e começa a chorar, depois diz que é saudade do marido, depressão.
- E agora, o que poderá ser feito?
- Já está sendo.
Uma vizinha dessa mulher está insistindo para que ela vá a um Centro Espírita, pois lá terá esclarecimento de tudo o que precisa.
- Ela vai?
- Tudo indica que sim.
Lá no Centro Espírita, com certeza, ela receberá orientação de como deverá agir quando se der o desencarne de um ente querido.
Ele, por sua vez, como espírito obterá tratamento e socorro.
Isso aliviará o sofrimento de ambos e os farão entender que o amor significa aceitação, honestidade, desejo do bem à pessoa querida.
Amor é sinónimo de doação, de entendimento e de fé.
- Tomara que isso ocorra logo - desejou Camila.
- Ocorrerá. - Apontando para um outro lado, Túlio mostrou:
- Olha ali.
Aquele homem está despertando o alcoólatra que há nele pelas amizades que vem atraindo para si tanto no plano material quanto no plano espiritual.
Ao olhar, Camila viu, agarrado àquele homem, três espíritos desencarnados.
Possuíam uma aparência horrível.
Suas roupas eram sujas e esfarrapadas.
Tinham aspecto de quem havia ingerido muita bebida alcoólica.
No perispírito traziam manchas escuras e avermelhadas, rosto e mãos inchados e andavam cambaleantes.
- Aquele homem - explicou Túlio pacientemente - está se aproximando de colegas encarnados que bebem, levam uma vida boémia, entre outras coisas.
Ele sempre aceita o aperitivo oferecido e o convite para mais um drinque. Ultimamente se dispõe a ficar na porta de bares e, cada vez mais, distancia-se da família.
Quando a esposa, com toda a razão, chama-o para a responsabilidade e para o perigo que a bebida alcoólica traz, ele acha que, para acalmar-se ou não se zangar com ela, tem de tomar um aperitivo qualquer.
Na verdade, quem o convence de que é necessário beber, por qualquer razão, são as três criaturas desencarnadas que o acompanham.
Isso acontece por meio de pensamentos e inspirações subtis imperceptíveis.
Pode-se dizer que esses espíritos se embriagam junto com o encarnado pela energia e sentimento que ele emana após ingerir uma bebida alcoólica.
Com isso as entidades passam a experimentar as mesmas sensações que o encarnado, pois estão cada vez mais afinados espiritualmente pelas ideias, vontades e sugestões em comum.
Os espíritos desencarnados que apreciam os efeitos das bebidas alcoólicas são capazes de localizar, com antecedência, onde estão os amigos encarnados desse homem que o convidam para beber e levam o infeliz, através da inspiração, aos locais onde os colegas se encontram para partilharem a experiência.
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Re: O BRILHO DA VERDADE - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Nov 11, 2016 11:17 am

- Eu nunca ouvi falar disso! - admirou-se Camila.
- Há muitas coisas, no mundo dos espíritos, que os encarnados ignoram.
Agora vamos.
Quero mostrar-te algo interessante.
É logo ali.
Caminhando alguns metros, Camila observou espantada:
- Aquela é a igreja do pastor Freitas!
- Claro que é.
Vamos lá! - falou animado.
Obedecendo ao chamado de Túlio, sem contestar, ela o seguiu.
Ao entrarem, observaram que havia um culto quase terminando.
Túlio cumprimentou dois cooperadores espirituais que estavam trabalhando naquela igreja.
- O que esses socorristas fazem aqui, Túlio? - perguntou Camila curiosa.
Essa é uma igreja crente!
- Do que uma igreja crente se difere de outra casa de oração que edifica o Evangelho e orienta sobre os ensinamentos de Jesus?
Mesmo não sendo Cristão, um templo de oração pode transmitir bons conhecimentos, ensinar o amor ao próximo e instruir sobre a boa moral, não pode?
Vê, minha querida, apura a visão do espírito.
Nesse momento o pastor Freitas agradecia a Deus pelas doações que receberam e pediam a bênção àqueles alimentos.
- Que o Senhor Jesus abençoe estes alimentos! - gritava o pastor.
Que cada grão possa conter, através das bênçãos de Deus, toda a força, toda a energia necessária para alimentar cada irmão que dele provar!
- "Glória! Aleluia!" - gritavam os fiéis em coro.
- Queira, Senhor Deus - vociferava Freitas -, que Teus filhos, aqui na Terra, sejam abençoados por Ti, Pai Celeste, por participarem destas e de outras arrecadações para saciar a fome de seus irmãos, provando que em seus corações instalou-se o amor ao próximo como pediu o Senhor Jesus!
Vamos orar, irmãos, para que as bênçãos do Senhor caiam sobre nós!
Aleluia, irmãos!!!
Enquanto todos acompanhavam as palavras de oração de Freitas em pensamentos, fez-se um longo silêncio.
Nesse instante, Túlio, Camila e os demais desencarnados puderam observar que luzes cintilantes caíam sobre todos, principalmente sobre os alimentos ensacados que se depositavam frente ao altar.
Eram fluidos com aparência luminosa.
Energizavam os alimentos e abençoavam todos os presentes, incluindo os desencarnados.
Depois de dar graças e despedir-se de todos, Freitas solicitou a ajuda de voluntários para que auxiliassem na distribuição dos suprimentos.
Sorrindo, Túlio virou-se para Camila e contou:
- Tu sabias que muitos desses alimentos foram doados por católicos, espíritas, adventistas, budistas e ateus?
- Não - respondeu surpresa
- Pois é...
Muitas vezes não há condições de as igrejas católicas, protestantes ou evangélicas, os Centros Espíritas, templos budistas conseguirem fazer um trabalho de arrecadação de alimentos para distribuírem aos necessitados.
No entanto nada impede esses religiosos de ajudarem aos carentes.
Sabendo que essa igreja evangélica faz arrecadação de géneros alimentícios, bem como de roupas, pessoas de inúmeras religiões ou doutrinas e até ateus trazem para cá suas colaborações.
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