MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

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Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 23, 2016 10:33 am

Está desiludido, mas precisa se erguer e seguir em frente.
Vai encontrar a pessoa certa.
Mas, se estiver desse jeito, esfarrapado, estropiado, não vai estar pronto.
Um dia, vai entender que foi boa essa decepção ter acontecido”.
Então começamos a conversar e eu contei tudo sobre a minha vida e tudo o que tinha me acontecido até chegar ali.
Ela me ouviu e... me disse tanta coisa que começou a fazer sentido e me fez bem, muito bem.
Uma delas foi para eu me valorizar ou ninguém me valorizaria.
Para eu querer bem ou ninguém iria gostar de mim, pois, se não me amasse, ninguém me amaria.
Para eu dizer o que não gostava quando não gostasse, pois eu existia, e quando aquele que ouvira de mim que não gostava de determinada coisa, este iria se lembrar e então eu passaria a existir para ele.
Ouvi muito e fiquei calado.
Daí ela estendeu a mão e pediu o dinheiro da condução para ir embora e eu dei.
Dei para mais até.
Ela ainda se virou, agradeceu e disse:
“Se prepara rápido.
Muito em breve vai encontrar alguém que vai te fazer uma oferta.
Aproveita, pois é dessa oferta que vai recomeçar e crescer.
No momento certo, precisará fazer escolhas, e já estará preparado para escolher”.
- Ora, Felipe!
Que história mais estapafúrdia!
- Talvez não faça sentido para o senhor.
Só que tudo aquilo mexeu comigo.
Naquela tarde, procurei um hotel simples onde pude tomar banho, fazer a barba e...
Me arrumei. Dormi ali.
De manhã, fui a um café e -– riu -– eu estava cheiroso!
Um segundo e continuou:
- Encontrei um amigo da faculdade, o Afonso.
Não sei se lembra dele.
Nós nos abraçamos, conversamos e ele me perguntou o que fazia ali.
Disse que fui a Londres a passeio.
Estava esfriando a cabeça por causa do fim de um relacionamento e queria pensar em dar um rumo novo à minha vida.
Contei que trabalhava com o senhor e pretendia mudar.
Então ele ofereceu uma apresentação em uma grande rede hoteleira de turismo.
Falou sobre o negócio e...
Bem, eu me animei.
Já estava ficando sem dinheiro mesmo.
Não custava tentar.
- E foi trabalhar em hotéis? -– perguntou com ar de pouco caso.
- Fui. Fui e alavanquei os negócios.
Lá, conheci uma pessoa, a Brenda.
Começamos a nos envolver.
Algum tempo depois, o Afonso, a Brenda e eu tivemos a ideia de criarmos uma empresa que prestasse serviços de consultoria para hotéis, resorts, pousadas e tudo mais na área de turismo.
O negócio deu muito certo e fomos em frente.
Tivemos bons lucros.
- Espera aí.
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Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 23, 2016 10:33 am

Se deu tão certo, o que é que está fazendo aqui há meses sem trabalho?
Não são férias muito longas, não? -– sempre falava em tom de crítica.
Não querendo detalhar, pois entendeu que nunca era bom o suficiente para o seu pai, Felipe desfechou:
- Vendi minha parte da sociedade e resolvi voltar.
Resumindo, é isso. A oferta foi muito boa.
- Não acha que deveria ter mais responsabilidade?
E agora? Vai viver do quê?
- Por que sempre fala comigo como se estivesse me dando bronca? -– o pai não respondeu, e Felipe comentou:
- Aquela senhora me ouviu mais do que o senhor e a mãe na minha vida toda.
Ela me aconselhou e fez crescer em mim esperanças para uma vida nova, melhor.
Vocês nunca fizeram isso.
- Se ela fosse melhor do que nós, não estaria mendigando.
- Sabe do melhor?
Ela não estava mendigando.
Contou que morava na periferia.
Era aposentada, mas o seu dinheiro não dava para muita coisa.
Riu e ainda disse:
- Sei que não vai acreditar, mas ela falou que um espírito, que me acompanhava, foi quem disse tudo aquilo para ela me orientar, para me atrair pelo coração.
Por isso comentou que estava com fome.
- E você acreditou?
- Acreditei sim.
Ouvi dela coisas que fizeram sentido à medida que o tempo passou.
Depois que eu a ouvi, arranjei um hotel, me arrumei e estava pronto quando, casualmente –- sorriu -, encontrei aquele amigo.
Aceitei o emprego e cresci naquela rede hoteleira.
Depois, junto com ele e a Brenda, montei um negócio que deu muito certo.
Anos mais tarde, ainda pensava muito naquela mulher e, de repente, encontrei-a de novo.
Eu a reconheci e ela a mim.
Foi algo bem interessante.
Eu estava bem-arrumado, elegante e ela... do mesmo jeito.
Convidei-a para comer alguma coisa e ela aceitou.
Descobri que seu nome era Yve.
Levei-a para um lugar onde todos nos olhavam de modo muito estranho, mas eu pouco me importei.
Conversamos muito.
Contei-lhe sobre alguns conflitos pessoais, e ela me ouviu.
Quando terminei, ela me orientou de novo.
Era uma mulher sem estudo, sem conhecimento e falava de uma forma simples.
Entendi seu recado para a minha vida pessoal.
Além disso, ela me fez analisar melhor e ver que o mercado europeu entraria em crise, apesar de estar em alta naquele momento.
Decidi que era hora de mudança.
Acabei me desentendo com a Brenda.
Saí da sociedade e não posso reclamar.
Saí com um bom lucro e ainda tenho algo para receber.
- Você me diz que tinha uma empresa lucrativa e que uma mendiga o orientou para sair do mercado por causa de uma crise económica?
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Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 23, 2016 10:34 am

Ora, Felipe, por favor! -– exclamou, parecendo indignado.
- Eu estava mesmo cansado daquilo tudo.
Vendi minha parte e voltei.
Aqui, encontrei a Vanessa e o Rafael.
Então soube que aquilo tudo que Yve me disse, lá no começo, quando me viu pela primeira vez, estava acontecendo.
A Vanessa tem um filho do meu irmão, mas está livre e desimpedida.
Gosta de mim, e eu dela.
Não há nada que nos impeça.
- A não ser o Diogo.
- O Diogo enganou e abandonou a Vanessa!
Não se importou com ela, além de ter traído a mim, traído minha confiança apesar de sermos tão ligados.
Porque devo me importar com ele?!
- Ele amava a Ceres.
- E eu amo a Vanessa!
É lógico que ele terá direitos sobre o Rafael.
Mais nada, além disso.
Também adoro aquele menino e acredito que ele merece conhecer e ter um pai.
Foi por causa do Rafael que dei uma nova chance para o meu irmão, que me aproximei dele, que estou disposto a ir atrás dele, se for preciso, para trazê-lo aqui.
- Está é criando um grande problema entre você e seu irmão.
- Não é maior do que ele já fez.
- Você é quem sabe, Felipe.
Depois não diga que não avisei.
- Só não quero e não vou admitir que ninguém interfira na minha relação com a Vanessa.
O pai o olhou por alguns instantes e nada mais disse.
Virou-se e saiu do quarto.
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Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 23, 2016 10:34 am

Capítulo 13 - Reencontrando o irmão

Com o passar dos dias os resultados de Histocompatibilidade dos avós e tias de Rafael, para encontrar um possível doador, foram negativos.
Vanessa tentava se conter, mas entrava em desespero e se amparava em Felipe, que a acolhia.
Por outro lado, estava sendo difícil convencer Diogo para voltar ao Brasil sem lhe dar uma explicação razoável.
Certo dia, na sala de jantar luxuosa da elegante residência do senhor Weber, a família se reunia durante um almoço.
- Vamos precisar contar por telefone mesmo -– decidiu o pai.
- E deixá-lo lá, desorientado, confuso para lidar com a situação até retornar?
Como acha que vai ser o impacto dessa notícia? -– indagou Felipe.
- Já tentei de tudo para persuadi-lo -– tornou o senhor.
- Eu também. Estou pensando em pegar um avião e ir até lá.
- Faria isso, Felipe? -– questionou a mãe.
- Acho que é o jeito.
- Talvez seja o melhor a fazer mesmo, filho.
O caso do Rafael se complica.
Estive conversando com a Vanessa... -– dona Elza se emocionou.
Estão procurando um doador nos cadastros do REDOME, mas até agora nada.
- Bem, gente! Acho que é isso mesmo.
Vou para Berlim -– decidiu Felipe.
Preciso ligar para a Vanessa, fazer uma mala...
Ligar para a operadora do celular...
- Filho, como vai ser quando o Diogo souber sobre você e a Vanessa?
- Já falamos disso, mãe.
Mas por que vocês só se preocupam com o Diogo?
- Felipe, quem está custeando aquele hospital, o apartamento onde ela está e tudo?
O filho ofereceu um sorriso quase irónico, tirou o guardanapo do colo, secou a boca e o colocou sobre a mesa, em seguida respondeu:
- Que bom que se interessou um pouco mais, pai.
É o seguinte: a Vanessa decidiu vender uma pousada muito boa que tinha em Campos do Jordão.
O negócio rendeu um bom valor. Ela foi esperta.
Parte do dinheiro usa para o tratamento do Rafael e a outra parte investimos em uma sociedade.
Eu e ela abrimos uma empresa de viagens, especializada em turismo nacional e internacional.
Cruzeiro de navio é o forte do negócio com viagens pela costa brasileira e América do Sul.
Temos pacotes internacionais de navio ou avião e os negócios estão crescendo.
Já temos agência em quatro shoppings de São Paulo e estou abrindo duas em shoppings do Rio de Janeiro.
O senhor Weber se sentiu envergonhado por não ter se interessado por aquele assunto até então.
Mesmo assim, perguntou:
- Estão precisando de alguma ajuda financeira para cuidar do Rafael?
- Não, pai. Obrigado.
- Se precisar, é só falar.
Desculpe-me por não ter tocado nesse assunto antes, é que...
- E se o Rafael fosse levado para o exterior?
Isso não o ajudaria? -– indagou a senhora preocupada.
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Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 23, 2016 10:34 am

- Não, mãe. No caso dele, não.
O problema é não encontrar um doador compatível.
- Depois que contei a história do Rafinha lá na empresa todas as minhas amigas procuraram um Hemocentro e se cadastraram para serem doadoras.
Acho que, por falta de informação, as pessoas não são solidárias -– comentou Priscila.
- Também acho, Pri -– concordou o irmão.
Agora... Se me derem licença...
Tenho de fazer minha mala.
Felipe se levantou e subiu para o quarto.
O senhor Weber olhou para a esposa e comentou:
- Quero ver a hora que o Diogo voltar e ver esses dois juntos.
- Pai, a Vanessa não tem nada com o Diogo.
Por que insiste nisso?! Que saco!
- Olha como fala comigo!
Como ela não tem nada com seu irmão?!
Eles têm um filho! O Diogo está viúvo!
- Além disso, eles não têm qualquer outro compromisso ou ligação.
Se a Ceres não tivesse morrido, o senhor estaria dizendo isso?
Esposa e filha ficaram no aguardo, mas ele não disse nada.
Em seu quarto, Felipe telefonou para Vanessa explicando:
- Não vai ser difícil encontrar passagem nessa época do ano.
Já liguei para a Selma -– referiu-se à assistente da agencia de turismo -– e pedi que me reservasse uma passagem.
Ouviu-a por um momento, depois respondeu:
- Não. Não vou avisar que estou indo.
Quero pegá-lo de surpresa.
Outra pausa e disse:
- Lógico que passo aí.
Não viajo sem antes de dar um beijo em você e nesse garotão aí -– riu.
Em seguida despediram-se e ele desligou.
Felipe respirou fundo, jogou o celular sobre a cama e passou as mãos pelos cabelos que, teimosos, voltaram para o mesmo lugar.
Não conseguia conter uma ponta de dúvida e preocupação que o incomodava.
Acreditava que o envolvimento de Vanessa e Diogo era coisa do passado, mas tudo isso seria colocado à prova quando estivessem frente à frente.
Às vezes acreditava que já deveria ter contado tudo para ela, mas Vanessa era sempre firme a esse respeito e não queria saber nada sobre a vida de Diogo.
O toque do celular o tirou daqueles pensamentos.
Ao atender, ouviu da assistente que sua passagem já estava comprada e, devido ao horário, ele precisava se apressar.
A família de Felipe havia se afeiçoado muito a Rafael e, por algumas vezes, revezavam-se no hospital, quando era preciso, para ficar com ele e também poupar Vanessa, que estava nitidamente cansada e abatida.
Naquela tarde, junto com Felipe, que foi se despedir, Cláudia chegou ao quarto levando um brinquedo e um livro de histórias infantis para o sobrinho.
Já havia combinado com a Vanessa que ficaria ali à tarde para que descansasse.
Rafael parecia melhor, mais animado e estava falante.
A mãe, mais tranquila, deixou-o sob os cuidados da tia e foi levar Felipe ao aeroporto.
Depois voltou para o apartamento recém-alugado.
Chegou, tomou um banho, comeu uma fruta e telefonou para o hospital querendo saber se estava tudo bem.
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Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 23, 2016 10:34 am

Tinha a intenção de se deitar, mesmo sendo tão cedo, mas, ao terminar a ligação, o interfone tocou.
Ao ouvir o porteiro, Vanessa sorriu e pediu:
- Pode mandar subir.
Ansiosa, ficou no aguardo da visita.
Abriu a porta do apartamento e ficou no hall do elevador.
Não demorou e, ao abrir a porta, ela deu um gritinho de alegria.
Sapateou miúdo e foi de braços abertos em direcção à amiga, que reagiu da mesma forma.
Abraçaram-se apertadamente por algum tempo.
Afastaram-se um pouco e trocaram beijos no rosto.
Viram lágrimas nos olhos uma da outra.
- Vamos entrar, Leda. Vem!
Já na sala de estar, abraçaram-se novamente, como se não acreditassem naquele momento.
Logo, a amiga ofereceu:
- Toma. Trouxe isso para você.
- Humm!... Parece uma caixa de bombons! -– disse Vanessa com o embrulho nas mãos.
- Acertou. Sei que você adora chocolate.
E isto... -– disse com outro pacote nas mãos.
Isto é para o Rafael.
- Obrigada.
No momento seguinte, comentou:
- Você nem avisou que viria hoje.
Ainda bem que me pegou em casa.
Foi difícil encontrar o endereço?
- Não. Achei bem fácil.
Me diz uma coisa, como está o Rafinha?
- Hoje estava melhorzinho. Mais animado.
Precisou retirar mais dois tumorezinhos que apareceram... mas as sessões de quimio acabam com ele.
A Cláudia, irmã do Felipe, está lá com ele.
- Não vejo a hora de vê-lo. Estou com saudade.
Breve pausa e pediu, puxando-a para que se sentasse ao lado:
- Menina! Venha cá! -– Vanessa obedeceu.
Pondo um bombom na boca, sentou-se em cima de uma perna e virou-se de lado para a amiga.
Sorriu de boca cheia e fechada com a caixa de bombom no colo.
De um jeito engraçado, Leda pediu:
- Me conta, exactamente toda essa história.
Por telefone não valeu. Ainda estou passada.
- Vai querer ouvir tudo mesmo? –- falou sorrindo e de boca cheia, tentando esconder com a mão na frente.
- Sou toda ouvidos -– ajeitou-se para ficar confortável.
- Bem... Foi assim...
Vanessa contou tudo.
No fim, Leda ainda perguntou:
- E agora, vocês estão namorando, são sócios...
Puxa, Van... Que reviravolta!
- Nem te conto, menina!
Tem hora que nem eu acredito!
- Você gosta do Felipe?
- Muito. Gosto muito dele -– respondeu com um brilho todo especial nos olhos e uma felicidade estampada na face.
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Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 23, 2016 10:35 am

Acho que agora sei o que é gostar de verdade de alguém.
Hoje vejo que o Diogo foi um entusiasmo, entende?
Coisa da juventude, da idade...
Hoje estou mais madura. Sei o que quero.
Também, com quase trinta anos, se não soubesse... -– riu gostoso.
- Sei o que é isso. Entendo sim.
E o Diogo ainda não sabe do Rafael?
- Não. Já fizemos de tudo para convencê-lo a vir para o Brasil, mas até agora nada.
Hoje à tarde o Felipe embarcou para a Berlim.
- Ele pretende contar tudo ao se encontrar com o irmão?
- Sim. Disse que vai fazer isso.
Não tem outro jeito, Leda.
Eu queria falar pessoalmente com ele, mas...
Um momento de silêncio e a amiga comentou:
- Eu nunca poderia imaginar que o Diogo tivesse um gémeo.
- E um gémeo idêntico! -– enfatizou.
Levantando-se, Vanessa foi até o rack, pegou um porta-retratos de duas faces e o entregou nas mãos da outra.
As fotos exibiam Felipe, Rafael e ela. -– Veja só.
Com as fotos nas mãos, Leda se surpreendeu ainda mais.
- Nossa!... Faz muitos anos que não vejo o Diogo, mas eu poderia jurar que era ele.
- E eu, então?
Conversei com ele no portão da casa dele, fiquei irritada e...
Não percebi diferença alguma.
Justo eu que namore o Diogo.
Se bem que eu estava nervosa, né?
Leda levantou-se, colocou as fotos no rack novamente e voltou ao lugar.
- E você, Leda?
E o Rodrigo como está?
- O Rodrigo está daquele jeito. Levado...
Preciso estar junto o tempo todo.
Desde que o pai morreu... Você sabe.
Ele nunca se conformou...
Em tom melancólico murmurou:
- Nem eu... -– sorriu levemente para afugentar a tristeza.
- Desculpe eu não poder estar junto de vocês nesse tempo todo... somos tão amigas.
- Van, pelo amor de Deus!
Aconteceu tudo junto nas nossas vidas.
O Almir morreu logo depois de você descobrir que o Rafinha estava doente.
- É... Nem fui ao enterro.
- Viajar para o Rio de Janeiro com seu filho precisando de você!...
Ora, amiga! Faça-me o favor, né!
E eu... Só agora pude vir te ver.
- Foi um período bem difícil para nós duas e acho que ainda está sendo.
- Tudo vai se ajeitando aos poucos, mas tem dia que... -– Leda deteve as palavras.
Ficou com os olhos marejados e sorriu tentando disfarçar.
- Acordar sem o Almir do lado já é duro.
Ter que controlar a energia de uma criança de quatro anos que não para de perguntar do pai... de perguntar quando ele vai voltar, mesmo quando você explica que ele não vai mais voltar.
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Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 23, 2016 10:35 am

- Você não o deixou ver o pai morto?
- O caixão foi lacrado totalmente.
Eu mostrei a ele.
Disse que só o corpo do pai estava ali e que a partir de então ele iria morar com o Papai do Céu, mas... -– Leda não conteve as lágrimas nem o soluço.
Vanessa se aproximou e abraçou-a por um momento.
A amiga logo se recompôs, respirou fundo e ainda disse:
- Como já te falei por telefone, vou receber o seguro da farmácia de homeopatia, lá no Rio, e quero mudar para São Paulo.
Quero começar uma vida nova.
Eu e o Rodrigo.
Acho que essa mudança vai nos ajudar a esquecer tudo...
Lá, na nossa casa, no Rio, está bem difícil de ficar.
Tudo me lembra dele.
Vivíamos juntos ali, na farmácia... O tempo todo juntos.
Quando vou dormir é horrível. Penso nele.
Fico imaginando como foi difícil, como sofreu... -– chorou.
Quem sabe, mudando para cá.
Já estou cuidando de tudo. É questão de dias.
Como te falei, vou precisar ficar algum tempo na casa da minha tia, aqui em Sampa, lá na Zona Norte.
Mas quero alugar uma casa ou apartamento o quanto antes.
Não gosto de dar trabalho pros outros.
- E o Rodrigo? Não o trouxe, porquê?
- Eu precisava cuidar de assuntos importantes e seria bem cansativo para ele.
Ele ficou em Pindamonhangaba com a minha mãe.
Sabe como ela é, adora o neto.
Só pretendo trazê-lo pra cá quando tudo estiver arranjado.
- Faz tempo que não vejo o Rodrigo.
Ele adorou a fazenda, brincar com o Rafael...
Ele deve ter dado uma esticada, né?
- É sim. Está enorme. Esperto!...
Olharam-se em silêncio por longo tempo e Vanessa comentou:
- Quanta coisa aconteceu em nossas vidas em tão pouco tempo!
- Hoje me vejo tão diferente da época da faculdade, quando te conheci e conheci o Almir...
- Como será está aquele pessoal da nossa turma?
Eu voltei para São Bento, larguei tudo e só mantive contacto com você, Leda.
- Até onde eu sei...
A Maria, que dividia aquele AP com a gente, foi trabalhar na indústria farmacêutica onde começou o estágio e está lá até hoje.
Ela sempre me manda um e-mail dando notícias.
Ela se casou e tem uma menina de um aninho.
O Fabiano, meio descabeçado –- riu, - foi parar no Rio Grande do Sul e trabalha com vinhos.
Soube disso também por e-mail.
A Cássia... Lembra da Cássia?
- Lembro.
- Ela foi fazer MBA na Alemanha e acabou ficando por lá mesmo.
Disse que está bem.
- E a Cleia? Tem notícias dela?
- Eu e a Maria passamos o maior perrengue com a Cleia.
Lembra que te contei, né? -– a outra afirmou positivamente com a cabeça, e Leda prosseguiu.
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Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 23, 2016 10:35 am

Ela terminou o curso, depois que eu e a Maria pedimos para que saísse do AP.
Ela nos xingou, quebrou tudo.
- Mas vocês não tinham escolha.
Ela se prostituía, se drogava...
Era preocupante morar com uma pessoa assim.
Se era capaz de fazer o que fazia consigo mesma, que dirá com os outros.
- Nossa, Vanessa...
Não deu nem para acreditar no que a Cleia se transformou.
Como pôde, não é?
- Ela entrou naquela vida porque quis.
Eu também não tinha dinheiro e usava as roupas que dava para usar.
Embora acabei com as melhores que você tinha para sair nos fins de semana com o Diogo -– riu gostoso, melodicamente, inclinando a cabeça até bater no ombro da amiga que riu junto.
- Isso fazia parte da amizade.
Eu só achei ruim quando comecei a sair com o Almir -– riu de novo.
Achava que você estava gastando minhas roupas e que também ele iria reconhecer quando eu usasse.
Gargalharam.
- Como fui tola... Caipira... -– disse Vanessa.
- Mas sempre se respeitou.
Nunca se corrompeu nem se vulgarizou.
Mesmo quando os outros faziam brincadeiras desagradáveis pelas roupas baratas que usava e ficavam bem mal em você. –
Olhando-a nos olhos, ainda falou:
- Veja você agora! Linda, saudável, estilosa...
Aquele foi só um período que você sabia que iria passar.
Sabe, Vanessa, eu sempre te admirei por isso.
- Como assim? -– perguntou mais séria.
- Por sua simplicidade, por ser tão autêntica e dizer:
“Que se danem!”. Para aqueles que reparavam no seu modo de vestir.
Se a Cleia tivesse feito o mesmo. Mas não.
Ela deixou o orgulho tomar conta e arranjou o jeito mais pobre, mais pobre para conseguir uma aparência falsa, uma beleza sem elevação moral, pois, por de trás de tudo aquilo, havia a prostituição.
Quantas famílias, quantos lares ela destruiu?
Quantos homens não contaminou?
O quanto de dinheiro não tirou de famílias?...
Quantas mentes não perturbou, pois o sexo promíscuo traz desequilíbrio, não somente àqueles que o praticam, mas também indirectamente, àqueles que são vítimas dele.
Como os filhos do pai de família que se envolve com esse tipo de prática, como a esposa que, vítima directa, recebe não só as vibrações, as energias negativas e funestas do sexo desequilibrado, como também podem sofrer sérios abalos psíquicos e até materialização de doenças no corpo físico por conta da traição do parceiro que lhe traz energias tão incompatíveis e densas.
Os homens que se envolvem com práticas sexuais levianas, mesmo que não sejam com prostitutas, sempre estão desequilibrados.
Nunca são bons pais, maridos, nem bons companheiros, porque seus pensamentos não lhe perdoam.
Sua consciência sempre o acusa.
Para se recuperar de tudo isso, ele vai precisar parar com o que faz, se recompor e seguir uma vida mais sincera, sem mentiras, sem traição e procurar reverter tudo aquilo que fez.
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Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Nov 23, 2016 10:35 am

Compensar, de alguma forma, os desequilíbrios que provocou.
Um grande silêncio reinou por algum tempo.
- A prostituição é a profissão mais antiga que...
- Não sei quem foi o idiota que taxou a prostituição como profissão! - interrompeu-a.
Uma profissão dignifica, orgulha.
Profissão é algo que qualifica, eleva, honra, enobrece, é algo que existe em prol da sociedade, da humanidade.
Se você me disser que prostituição é profissão, então podemos dizer que ladrão é profissão, traficante é profissão, pois essas práticas destroem lares e famílias, fragilizam, roubam a vida e a dignidade.
É isso o que a prostituição faz.
Profissão é algo valoroso no qual, de alguma forma, a pessoa só traz benefícios aos outros, ao mundo.
Veja a profissão de balconista em uma loja de roupas.
O balconista tem uma visão da moda, sabe das cores da estação, ajuda o cliente a se servir e escolher o melhor, ajuda na auto-estima e ele, ou ela, ganha para isso.
Uma enfermeira ajuda na cura, nos cuidados, preocupa-se com a medicação, com os horários, com a saúde, oferece alento a muitos.
O professor. Nossa!
Um professor... -– fez breve pausa onde sorriu.
Todos nós, sem excepção, devemos muito a vários professores que nos ensinaram algo, que nos ensinaram tudo!...
O professor, muitas vezes, ocupa o lugar de um pai, de uma mãe.
O professor tem a arte, tem o dom de traduzir o complicado para uma forma compreensível.
Ele nos ajuda a entender coisas que, sozinhos, jamais conseguiríamos aprender.
É a ele que devemos agradecer por saber ler, escrever, devemos a nossa profissão e, muitas vezes, orientações morais que nos ajudam a ter dignidade, auto-estima, valor.
Ninguém, na vida, tem uma profissão sem antes ter um professor.
Silêncio.
-– Um mecânico também tem seus atributos, assim como os escriturários, assistentes, dentistas, arquitectos, administradores, advogados, podólogos, manicuras, cabeleireiros, maquiadores, empregados domésticos, cozinheiros, garçons, faxineiras, jardineiros, pajens, electricistas, policiais, seguranças...
E tantas outras profissões existem onde encontramos inúmeros valores dignos dos quais as pessoas podem e devem se orgulhar, mas...
Qual a dignidade que tem alguém que se prostitui?
A de ser usada?
A de colaborar para com o desequilíbrio dos outros?
Acho que ninguém nunca mais dorme em paz depois que se prostitui ou quando se relacionou com prostitutas.
E, quando sair dessa vida, vai ter a consciência pesando por muito tempo. Muito tempo....
Se prostituição fosse algo correto, Jesus não diria para a mulher adúltera:
“Vá e não erres mais!”.
Ele diria, vá e continue o que faz.
Ele usou a palavra errar.
Então a prostituição é um erro.
Lamento a televisão e os filmes que fazem da prostituição algo natural, aceitável, cómico, comum como se as pessoas não devessem se importar com isso e simplesmente aceitassem.
Como se, quem vivessem naquela vida podre, vivesse com paz na consciência.
Isso é mentira.
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Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 24, 2016 11:11 am

A prostituição normalmente se liga às drogas e ao alcoolismo, porque duvido a pessoa viver em paz e não querer anestesiar os pensamentos com álcool ou drogas, depois que se prostitui.
Quando você incentiva a um vício, estará incentivando o outro também.
No mundo dos vícios, nada vem sozinho, tudo vem acompanhado e, quando se fala de prostituição, se dá a mesma coisa, pois tanto o homem quanto a mulher que procuram entrar em contacto com prostitutos e prostitutas apresentam algum tipo de problema psicológico relacionado à auto-estima e auto-afirmação, pois querem ser aquilo que a sua frustração os aponta como fracos e frágeis para a sociedade.
Então querem se auto-afirmar com resposta, daí procuram encontrar-se com a prática degenerativa mais devastadora do que as guerras.
Sim, porque as pessoas que se metem com a prática da prostituição, entram sem temer, achando que é apenas uma aventura, na qual muitos dizem que irão só uma vez para ver como é e acabam por se tornarem fregueses doentes e abalados psicologicamente.
Essa prática degenerativa leva a inúmeras doenças, não só de ordem fisiológica, mas, principalmente, à desordem psicológica e energética.
A primeira, de ordem fisiológica, a pessoa pode ficar doente e poderá sofrer muito, provavelmente irá morrer por causa dela ou ter de se tratar rigorosamente até o fim de seus dias.
Nas duas últimas, psicológica e energética, talvez a pessoa demore muito para se recuperar do que atraiu para si, pois vivenciará sacrifícios e intenso sofrimento na alma, na mente, inclusive após a morte do corpo físico, pois a quantidade de espíritos desencarnados que apresentam desordens espirituais por conta e consequência disso é impressionante.
Os tormentos obsessivos e Auto obsessivos, por sentimento de culpa, são terríveis e infindáveis.
Há casos em que o indivíduo começa a frequentar casas de prostituição e acaba por ser vítima de processos obsessivos terríveis, nos quais falanges de espíritos se revezam para sugarem a energia desse encarnado a ponto de fazê-lo procurar cada vez mais esses lugares.
O objectivo é que ele seja mais um dos seus fornecedores de fluídos energéticos mais grosseiros, a fim de que esses desencarnados também possam saciar-se com as energias dos encarnados.
Muitos autores espirituais nos relatam com tudo isso.
Muitos oradores espíritas alertam tudo isso.
- Mas eles não sabem que envolver com prostitutas é prejudicial.
Isso é lamentável -– disse Vanessa estarrecida.
- Sabem sim, no íntimo, sabem.
Só não dão atenção aos sentimentos ruins que experimentam ao verem longe do que praticam.
O que acontece é que, quando o homem ou a mulher se envolve com pessoas assim, acaba por ser infestado por energias das quais te falei, que vão minando seus pensamentos e acabam atraindo para perto de si uma série de espíritos infelizes, que trabalham no sentido de a pessoa não acreditar mais nos perigos aos quais está sujeita.
Daí o sexo promíscuo, o sexo casual, passa a ficar com cara de aventura, mas, na verdade, é uma jornada para o inferno consciencial, em que alguns demoram a achar o caminho de volta, se é que acham.
Em alguns casos, existe até o facto de uma espécie de possessão espiritual, na qual a pessoa vai, por impulso, frequentar lugares vis, como essas casas de prostituição, mesmo sabendo que não é correto, mesmo sabendo dos riscos que corre e chega até a se arrepender depois, fica com nojo de si mesma, promete que nunca mais vai lugares como esse, mas, forçada pelos pensamentos confusos, agora infectados de sugestões espirituais levianas, acaba voltando sem saber o porquê.
Lá, nesses lugares, encontram espíritos que se afinam com a sua fraqueza e acabam por se acoplar nos seus centros de força, a ponto de sentirem os mesmos prazeres mundanos que esse encarnado sente, pois lhe sugam as energias.
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Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 24, 2016 11:11 am

- Credo! -– manifestou-se Vanessa.
Nossa! Seria... deixa-me ver se entendi...
Seria como se o homem, por exemplo, se ligasse a espíritos dessa natureza, e esse espírito que está ligado a ele, acompanha-o para todos os lugares, inclusive para a cama com a sua esposa?
- Certamente, e ainda digo mais, no momento do acto sexual, esse espírito que está ligado a esse tipo de homem, não está sozinho, pois ele ainda traz outros espíritos consigo, inclusive de mulheres desencarnadas, também levianas, que, com o tempo, acabarão por se ligarem da mesma forma com a esposa desse homem.
Daí, lamentavelmente até dizer, mas quando o casal está se relacionando, os espíritos, ao mesmo tempo que estão acoplados ao casal encarnado, sentem o mesmo que eles -– completou Leda, com ar de lamentação.
- Então, dessa forma que você está me contando, explica algo que aprendemos de alguns autores espirituais.
Já li a respeito, mas não me lembro onde, o facto de considerarem que não existe sexo sem compromisso, porque, se essas pessoas estão trocando energias quando se relacionam, elas estão assumindo um compromisso com a outra pessoa pelo facto de... como vou dizer... não tenho certeza, mas seria como se elas estivessem “entrando” na outra com as suas energias e vice-versa?
- Sem dúvida, Vanessa.
O facto de as pessoas estarem falando que se pode fazer sexo a torto e a direito, sem compromisso, isso não existe!
O sexo é compromisso e existe troca de energias sim, gosto de lembrar do ensinamento trazido pelo querido médium Chico Xavier, que diz:
“O amor é livre, mas o sexo é compromissado” -– completou Leda.
Se o encarnado que se relaciona com prostitutas, ou mesmo pratica sexo sem compromisso, sexo casual, pudesse ver a energia purulenta e grotesca que passa a fazer parte do seu corpo espiritual, sentiria nojo e vomitaria.
Como não pode ver, só sente o mal-estar proveniente desse estado, que é perturbador, incómodo.
E cada vez que adultera, se corrompe sexualmente, e vai a lugares de comércio sexual, fica mais impregnado, exposto à atracção de doenças de toda sorte e até fatais.
Doenças que arruínam com a sua mente, com seu psicológico, com seu espírito, além das práticas.
Breve pausa em que percebeu que a outra reflectia, depois continuou:
- Não sei se você já ouviu falar da vibroturgia, que no espiritismo é chamado de psicometria.
Vanessa pendeu com a cabeça negativamente e comentou:
- Já ouvi falar, mas não me lembro direito o que é.
A outra prosseguiu:
- Psicometria ou vibroturgia é uma prática muito antiga e foi estudada por muitas filosofias tradicionais e respeitáveis como os Rosa cruzes, os Maçons, os Vedas-Hindus, os Egípcios, os Sumérios e os Celtas e o Espiritismo também a explica.
Se é antiga e muito estudada, então existe, não é algo dito pelos espíritas.
Na vibroturgia ou psicometria, as pessoas sensíveis conseguem, através de um objecto ou peça de roupa, conhecer a história dele e de seus donos só pelo facto de tocá-lo ou de simplesmente concentrar-se nele.
Isso mostra que os objectos são impregnados pelos nossos pensamentos.
Daí eu penso:
se a inveja, as energias ruins e pensamentos negativos são capazes de fazer murchar ou de matar algumas plantas, quando impregnados nelas, imagine o que não fazem com as pessoas.
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Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 24, 2016 11:11 am

Se alguém impregna um objecto, imagine como uma pessoa impregna a outra quando em contacto ou em relação íntima.
Então, ainda penso:
Já imaginou esses lugares onde se praticam sexo casual, prostituição?
Como eles são após usados várias vezes, sabe-se lá por quem?
- Nossa! A visão espiritual de lugares assim deve ser terrível -– opinou Vanessa.
- Sem qualquer sombra de dúvida!
O que se pensa em lugares assim quando se está lá fazendo o que se faz?
O que se deseja em lugares onde se pratica sexo promíscuo?
Somente desejos vis, alterados...
Por isso, tudo está impregnado.
Camas, cadeiras, toalhas que as pessoas, uma após outra, esfregam pelo corpo todo, mesmo estas sendo lavadas, se é que foram.
Tudo fica impregnado com energias funestas e degradantes.
Vamos lembrar que a mão é um poderoso transmissor de energia, bem como outros centros de força do nosso corpo físico e espiritual.
Daí que as pessoas passam as mãos uma nas outras achando que nada aconteceu, mas aconteceu sim, e essa pessoa acabou por se impregnar com a energia degradante de uma prostituta, por exemplo.
Ou de alguém que tem prática de sexo promíscuo, casual, sem moral.
- É mesmo.
Assim como os objectos que, comprovadamente, guardam as energias de seus donos ou de quem os usa e as transmitem, podendo ser notada pelos médiuns através da psicometria ou vibroturgia, as pessoas adquirem e transmitem energias uma das outras.
Penso, então, como não deve ser quando as pessoas se relacionam com prostitutas -– reflectia Vanessa.
- Eu fico imaginando os jovens de hoje quando, enlouquecidos em festas, beijam vinte, trinta pessoas diferentes, que nem conhecem, nem sabem por onde andaram ou onde puseram a boca.
Se pudessem ver seu corpo no plano espiritual, astral, ficariam enojadas tamanha a impregnação que se deu no perispírito, no corpo espiritual.
Agora, imagine uma pessoa que esteve com prostitutas, ou pessoas que praticam sexo casual, o quando e a qualidade de energias vis que ela acaba trazendo para si, no próprio perispírito.
A prostituta, a garota de programa, o prostituto, o garoto de programa, os homens e as mulheres que se propõem ao sexo casual trazem em seus perispíritos a energia de todos com os quais se relacionaram, e essa energia se mistura a dela e, ao se relacionar com mais alguém, acaba passando todos aqueles fluidos purulentos, asquerosos.
É uma bola de neve -– explicou Leda.
- Sem falar nas doenças, pois toda essa doença começa na espiritualidade.
As energias são tão pesadas, tão terrivelmente funestas que o corpo espiritual começa a fragilizar-se e, mentalmente, mesmo sem saber ou querer, a pessoa atrai para si doenças físicas.
Por exemplo:
o vírus HIV no corpo físico, foi atraído, antes, para o corpo espiritual.
O vírus tem vida, então ele existe, energeticamente, no plano espiritual, primeiro.
- Isso mesmo.
Então os espíritos inferiores, junto com as energias enfraquecidas pelas práticas sem moral, sem equilíbrio, auxiliam a atracção de doenças graves como essa.
Daí que é só esperar uma brecha, uma oportunidade, uma desatenção do indivíduo para que seja transmitido um vírus no nível biológico.
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Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 24, 2016 11:11 am

Existe até uma espécie de torcida no plano espiritual, por espíritos inferiores, claro, para que haja uma relação sem camisinha com alguém contaminado, ou para que o preservativo se rompa, ou até de uma tatuagem com agulha infectada, sei lá... para que haja uma contaminação.
E isso vai ser muito fácil, pois a energia do vírus está lá, cravada no perispírito do sujeito, só esperando – tornou Leda.
- Não podemos pensar que só as prostitutas possuem uma energia funesta, mas tudo ligado a isso, tudo ligado ao sexo sem moral, casual, promíscuo.
O computador, a internet, a televisão com programas de baixo nível moral, os filmes com cenas de sexo vulgar, de prostituição, livros de baixa moral, revistas pornográficas e outras revistas de mulheres nuas que, inocentemente, são vendidas nas bancas de jornal, nas revistarias.
Essas coisas também estão sobrecarregadas com energias da mesma natureza, além de ter espíritos, do mesmo nível, torcendo para o encarnado se envolver com essas coisas e aí iniciar uma obsessão –- lembrou Vanessa.
- Nem vamos falar do sex shop que só pelo facto de entrar em um lugar assim a pessoa sai de lá acompanhada por espíritos que se interessam com o que ela vai fazer com aquilo que comprou.
Uma coisa leva à outra.
Primeiro, uma cena picante em uma novela e a pessoa se excita.
Depois um filme, depois uma mensagem ou piadinha maliciosa na internet.
Logo o sujeito procura manipular revistas com actrizes famosas nuas, depois revistas pornográficas mais fortes.
Em seguida, páginas na internet que levam a filminhos...
Chegando a alugar e comprar filmes do género em lojas e locadoras, depois um livro...
Daí continua indo, uma coisa continua levando à outra, e quando isso não bastar, a criatura vai pessoalmente à procura de algo mais intenso, mais prático, mais emocionante, mais real, sem imaginar que, na espiritualidade, há incontáveis espíritos inferiores assistindo, vendo tudo aquilo com ela.
Eles a envolvem de tal modo, sugerindo ideias e práticas que nem cabe mencionar.
A baixaria que vê nas revistas, filmes ou livros, quer praticar, se entregando, totalmente à degradação espiritual.
E quando acordar para o que está acontecendo, já acabou com a auto-estima, com o valor próprio, com o casamento, com a saúde psicológica ou física própria e do cônjuge, porque este, por tabela, acaba por receber tais energias.
Nisso, acaba a família, porque muitos se separam, se suicidam, morrem por dentro, por conta da tristeza que assola a todos que conhecem ou que se ligam à decadência moral.
- Não assisti, mas ouvi falar de filmes que abordam a histórias de prostituas como se fossem a história de alguém que fez bem à humanidade e ainda o transmitem em canal aberto para todos assistirem.
É um absurdo! -– criticou Vanessa.
A televisão deveria se restringir a mostrar o que dignifica e não ensinar que, o que é podre, tem valor na nossa sociedade, porque não tem.
Todas essas pessoas serão responsáveis pelo que fizeram e irão responder por tudo isso, pois terão que harmonizar tais desarmonias.
- Concordo com você.
Quando se apresenta um filme que retracta a vida de uma prostituta como se fosse uma vida normal, acaba-se por dar exemplo para a sociedade como se dissesse que não existe nada de mais nessa prática.
Isso acaba por incentivar as pessoas a conhecerem a leviandade, a vulgaridade, a baixa moral e a frequentarem lugares de comércio sexual.
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Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 24, 2016 11:12 am

Acredito que isso nada tem de inocente, pois a mídia sabe o que ela apresenta termina como exemplo de vida.
O pior é que não existe um órgão governamental decente e capacitado que cuide desse assunto.
Tudo, isso aconteça por termos um governo imoral, corrompido, vulgar, que é omisso e acha que enquanto o povo tiver diversão, distracção e também se voltar a prática e à apreciação da baixa moral, da vulgaridade, não vai se voltar, se preocupar, com a moral política que este país tanto precisa.
O maior convite para a prática da prostituição foi quando o governo a regimentou, a regulamentou como profissão.
Ninguém percebeu que esse acto se deu, tão somente, para o recolhimento de imposto, para o governo, é claro.
Breve pausa e comentou ainda:
- Muitas mulheres que assistem às suas novelas não se dão conta do que estão vendo quando as cenas as levam a se divertirem ou se comoverem por conta da prostituição, do sexo promíscuo, da traição.
Elas não têm uma opinião formada a respeito.
Isso acontece porque não tiveram a experiência de saber que seus maridos saíram com uma prostituta.
Quero ver achar uma coitadinha na prostituição se passarem pela experiência de serem trocadas por uma prostituta.
Além disso, a televisão dita normas vulgares como roupas, vestimentas, músicas chulas, que muitas pessoas, sem princípios morais, acabam adoptando e entrando nesse mundo promíscuo, ligando-se a espíritos levianos e... Nossa!
Tem tanto a respeito, que muitos nem conhecem...
Um momento e Leda lamentou:
- Vi quando a Cleia começou a se vestir de modo vulgar, com roupas minúsculas, sensuais, para os programas baixos que arranjava.
Gostava de músicas onde a sensualidade era explícita, baixa...
Depois, começou a beber, quando estava lá no AP...
Depois, começou a se drogar.
Como eu disse, uma coisa leva à outra.
- Você chegou a vê-la se drogando?
- Não. Mas percebi. Era nítido.
O que aconteceu com ela não é diferente do que acontece com outras prostitutas, garotas de programa, e nós sabemos qual é o fim disso tudo.
Sua beleza começou a acabar e ela, coitada, foi servir de mula, para transportar drogas para fora do país.
Isso depois de ter saído de lá do apartamento, claro.
A última vez que troquei e-mail com a Maria, ela me disse que a mãe de Cleia havia telefonado, pedindo para ela ser testemunha da filha que havia sido presa e estava muito doente.
A Maria negou.
Ficou com dor na consciência por ter de fazer isso, mas...
O que ela poderia fazer?
Não teria nada de bom para dizer sobre a outra e, mesmo se tivesse, em nada iria ajudar.
- A Cleia ainda está presa?
- Acho que sim -– respondeu Leda.
Como nos ensina o espírito André Luiz:
“Em qualquer área do sexo, reflicta antes de se comprometer, de vez que a palavra empenhada gera vínculos no espírito”, do livro Sinal Verde, psicografado pelo Chico Xavier.
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Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 24, 2016 11:12 am

Vanessa respirou fundo e lamentou pela colega que conheceu há anos.
Leda a olhou cabisbaixa e animou:
- Vamos lá! Me conta.
E você e o Felipe?
A amiga sorriu novamente e respondeu:
- Nós nos damos muito bem.
Desde quando conheci o Felipe fiquei mais aliviada, menos sobrecarregada em tudo.
Ele parece o pai do meu filho.
A outra riu e comentou:
- Tecnicamente, a ciência prova que ele é o pai do Rafael.
- Deixe disso, Leda!
Até você?! -– riu junto.
- Van, e quando o Diogo souber
Como vai ser?
- Não sei, menina.
Acho que vai ser meio estranho eu namorar o irmão dele, mas...
O Diogo está casado e tem um filho.
Penso que ele vai cumprir com as obrigações de pai e só.
As amigas continuaram conversando até bem tarde.
Vanessa convenceu Leda a dormir ali e a ideia era a de que fossem juntas para o hospital, na manhã seguinte, ver Rafael.
Era uma manhã de intenso frio na Alemanha.
Felipe não esperava por aquilo naquela época do ano.
O clima deveria estar mais ameno.
Ao desembarcar no aeroporto em Berlim-Shönefeld, ele levantou a gola do casaco, pegou a mala que levava e a arrastou até o ponto de táxi.
Entrou no carro, deu orientações ao motorista e seguiu.
Olhando a paisagem acinzentada através do vidro do veículo, ficou reflectindo no que diria ao irmão, em como começaria uma conversa sobre assunto tão delicado.
Contemplou o asfalto molhado e a chuva leve que caía fininha, fazendo esfriar ainda mais.
Chegando à frente do prédio onde Diogo morava, pagou o taxista, retirou a bagagem e foi directo à entrada.
Um homem, que abria a porta do edifício, cumprimentou-o e perguntou se estava tudo bem, deixando-o entrar sem problemas.
Felipe deduziu que se tratava de um funcionário do prédio que, com certeza, havia o confundido com Diogo, devido à semelhança.
Ele retribuiu ao cumprimento e, por não ser barrado, foi directo ao elevador.
Desceu no décimo quinto andar e percebeu que o hall era somente para um apartamento.
Tocou a campainha e logo foi atendido pela empregada que abriu a porta, rapidamente, mal o observou e lhe deu boa tarde em alemão.
Segurando o riso, pois percebeu que a mulher também pensou tratar-se de Diogo, ele a cumprimentou e entrou.
A empregada parou e olhou de modo diferente.
Talvez estranhasse a mala e as roupas.
Seu patrão, com certeza, havia saído arrumado de outra forma.
Então, no idioma alemão, ela perguntou:
- Tudo bem, senhor Diogo?
O senhor voltou tão rápido.
- Tudo bem -– dando alguns passos e olhando por toda a grande e elegante sala.
- Se eu soubesse que o senhor iria voltar rápido, eu...
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Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 24, 2016 11:12 am

- Não se preocupe comigo.
Está tudo bem -– continuou segurando o riso.
Logo, tomando cuidado com as palavras para não ser descoberto.
Felipe perguntou:
- O quarto de hóspede está arrumado?
- Não. Mas, se o senhor for receber alguém eu...
- Por gentileza, arrume-o quanto antes.
Vou receber visitas.
- Sim senhor -– obedeceu de imediato e se foi.
Felipe a seguiu com o olhar e observou onde ela entrou.
Caminhando pela sala, reparou no luxo do ambiente, em cada canto, em cada peça decorativa.
Olhou as fotos onde o sobrinho Raphael, que havia falecido, estava praticamente todas.
Com um porta-retratos nas mãos, ele respirou fundo e ficou imaginando-se no lugar de Diogo, naquela situação tão triste de perder um filho.
Apreensivo e temeroso, Felipe acreditou que, quando soubesse, o irmão iria fazer de tudo pelo filho doente.
Só que, além disso, Diogo seria capaz de lutar por Vanessa e isso ele deveria encarar.
Colocou a foto no lugar e foi até a grande janela.
Afastou levemente a cortina com a mão e espiou a rua.
Ainda chovia.
Olhou para o céu carregado e viu que o tempo ruim iria demorar um pouco ali.
Sentou-se no sofá, fechou os olhos por alguns momentos e ali ficou.
Riu. Pensou na empregada que se enganou e no susto que ela levaria por ter aberto a porta e recebido um estranho em casa, mesmo sendo o irmão de seu patrão.
Não iria dizer nada. Saberia esperar.
Gostava desse tipo de brincadeira.
Deliciava-se com isso e fazia bastante tempo que não brincava assim com alguém.
Quando viu o irmão através da internet, da webcam, reparou que seus cabelos estavam mais curtos do que os seus e, caprichosamente, cortou-os do mesmo jeito.
Não se lembrava da vez que tentou se parecer com Diogo.
Talvez isso nunca tivesse acontecido antes.
Nesse momento, de um jeito furioso, o espírito Ceres surgiu na frente, mas não pôde ser percebido.
Como se gritasse e pudesse ser ouvida, esbracejou:
- O que está fazendo aqui?!!!
O que você quer?!!! Está pensando o quê?!!
Que vai levar o Diogo de volta?
Para quê, hein?! Vá embora!!!
Suma daqui!!! Não quero te ver nunca mais!
Entendeu?! Esta não é sua casa!!!
Não pode entrar aqui desse jeito!!!
E assim continuou vociferando, irritadamente, mas o rapaz não podia lhe perceber.
Quando percebeu a movimentação da empregada em outro cómodo, Felipe se levantou e começou a explorar o apartamento.
Logo descobriu o quarto do sobrinho.
Parecia intacto, esperando o retorno de alguma criança.
- Vá embora! Eu já mandei!
Saia do quarto do meu filho!!!
Suma daqui!!! -– continuou Ceres do mesmo jeito, sem ser percebida.
Ele não se incomodou com o que ocorria na espiritualidade e, em seguida, chegou à suíte que logo deduziu ser do irmão.
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Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 24, 2016 11:12 am

Não ficou muito tempo ali e, ao sair dali e chegar ao corredor, a empregada, que saía do quarto de hóspede, avisou:
- A suíte está arrumada, conforme o senhor pediu.
- Obrigada -– disse tão somente, não sabia o nome da mulher.
E... Por favor, prepare um lanche e leve para o quarto de hóspede.
Ela acenou com a cabeça, dando a entender que sim.
Não disse nada e se foi, apesar de estranhar a ordem.
Felipe, seguido pelo espírito Ceres, que o acompanhava, voltou até a sala, pegou a sua mala e foi para a suíte de hóspede que já estava com as roupas de cama e as toalhas postas no lugar.
Ligou o aquecedor. Estava frio.
Decidiu tomar um banho demorado e assim o fez.
Já estava sentindo o efeito do fuso horário.
Sentia fome e sono após, praticamente, vinte horas de viagem aérea.
Não descansou nada durante o voo, teve muita espera nas escalas.
Estava exausto.
Seus pensamentos corriam céleres, imaginando o que iria falar para o irmão.
Algum tempo e Diogo chegou a seu apartamento sem fazer qualquer ideia do que o esperava.
Sentia-se estranho, algo que há muito não experimentava.
Uma alegria engraçada, com gosto de infância, de molecagem.
Lembrou-se de Felipe, do quanto ele e o irmão pregava peças nos outros quando um se passava pelo outro, e por um instante sorriu de modo nostálgico.
Abriu a porta e, como de costume, jogou as chaves do carro sobre um aparador, no hall de entrada.
Tirando o sobretudo, pendurou-o.
O espírito de sua mulher se aproximou.
Chorou e gritou, mesmo sabendo que não era percebida.
Diogo foi até perto de um sofá, apoiou a valise que segurava e a abriu, verificando alguma coisa.
Nesse instante, atraída pelo barulho, a empregada chegou à sala e se surpreendeu, começando a falar alto, no idioma alemão.
- Não! Não! Não!
O senhor já chegou! -– e apontou para o corredor que dava acesso aos quartos.
Não estou louca não!
Eu abri a porta para o senhor porque pensei que tivesse esquecido as chaves!
Achei estranha a roupa que usava e a mala que arrastava!...
- Do que você está falando? -– perguntou sem entender nada.
Porém, naquele momento, experimentou novamente a sensação estranha que havia muito não sentia.
Uma alegria contida.
A empregada reagia exactamente igual às pessoas com quem ele e seu irmão brincavam.
A mulher não parava de falar, contando que ele pediu para que arrumasse o quarto de hóspedes e havia pedido um lanche.
Quando ela foi levar, achou estranho ouvir o chuveiro ligado, a mala de roupa aberta sobre a cama, pois fazia aquilo no quarto de hóspedes.
Diogo alargou um belo sorriso, coisa que não fazia havia meses.
- Calma, calma...
Já sei o que está acontecendo.
Mesmo assim, a funcionária não parou e falou em chamar a polícia.
- Não. Nada disso. Está tudo bem.
Deve ser meu irmão. Somos idênticos.
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Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 24, 2016 11:12 am

- Como assim?
Como irmão tão idêntico?
- É o meu gémeo.
É meu irmão Felipe.
Pode ficar tranquila.
Ele sempre faz isso.
A empregada colocou a mão no peito e com olhos arregalados se retirou para a cozinha.
Diogo fechou a valise e deixou-a sobre uma mesa.
Sem tirar o sorriso do rosto, foi em direcção do quarto de hóspedes e o espírito de Ceres o seguiu pedindo, implorando, que mandasse o irmão embora.
Não o queria ali.
Abrindo a porta do quarto vagarosamente, após bater, ele enfiou a cabeça para ver o irmão.
Felipe ainda estava no banho.
Diogo entrou e olhou por cima, as roupas na mala aberta, sobre a cama e sorriu mais ainda.
Tinha certeza. Era Felipe.
A porta do banheiro estava entreaberta, mas ele resolveu não dizer nada sem chamá-lo.
Seria melhor aguardar.
Queria lhe dar um abraço apertado, um beijo carinhoso, como havia anos não fazia.
Decidiu sair do quarto.
Ia passando perto da cama novamente, quando o celular do irmão tocou.
Ceres percebeu também e ficou olhando-o, não sabia mais o que fazer para que lhe desse atenção, seguisse sua inspiração, seus desejos.
Sorrindo ainda, Diogo pegou o aparelho, que estava sobre a cama, e leu no visor: Vanessa.
Um instante e se lembrou da faculdade de Farmácia, dos amigos e de Vanessa, sua ex-namorada.
Gostou tanto dela, mas a traiu, enganou e odiou-se por isso.
Nunca mais teve notícias dela, que desistiu do curso por causa da dor que ele lhe fez passar.
Havia sido um cafajeste, um covarde da pior espécie, pensava.
O que teria acontecido com ela?
Uma dor, uma saudade, um sentimento inexplicável invadiu sua alma.
O telefone parou de tocar, mas ele ficou com o aparelho na mão.
Olhou para a porta do banheiro, ouvindo o barulho que vinha de lá.
Ia colocando o celular sobre a cama quando tocou novamente.
Vanessa -– dizia o visor.
Talvez fosse importante.
Talvez a namorada do irmão querendo saber se ele havia chegado bem.
Não sabendo explicar por que, num impulso, quase automático, Diogo atendeu:
- Alô!
- Tio! Você já chegou? -– perguntou a voz de uma criança, um menino.
- Quem está falando?
- Sou eu, né, tio. O Rafael- – Diogo sentiu-se gelar ao ouvir o nome e por isso não conseguiu dizer nada.
-– Alô? Tio? Tio Felipe? -– perguntou o menino após a longa pausa.
- Eu... Eu não sou o tio Felipe... -– praticamente gaguejou.
- Ah... É, sim. Tô conhecendo sua voz.
Um instante e escutou a criança falar para outra pessoa:
- Ele está falando que não é o tio.
Era assim que Felipe brincava com Rafael.
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Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 24, 2016 11:13 am

Voltando-se para o telefone, o menino quis saber:
- Você fez boa viagem, tio?
- Eu não sou o Felipe, Rafael.
Meu nome... -– deteve-se de modo calmo, procurando conter a emoção, pois ficou imaginando seu filho falando daquele jeito.
Nunca mais teria aquela chance.
O espírito Ceres não entendeu o que estava acontecendo e ficou na expectativa.
Após um momento, esperando ouvir o nome de algum super-herói, como sempre, o garoto perguntou:
- Se não é o tio Felipe, quem é, então?
- Sou o Diogo, irmão dele.
- Então você é meu pai! -– exclamou Rafael num impulso, sem pensar muito.
- Do que você está falando, menino?! -– perguntou firme.
No fundo da ligação, Diogo escutou uma voz dizendo, rapidamente:
- Dá aqui esse telefone pra mamãe.
Em seguida, a pergunta:
- Quem está falando? -– silêncio, logo ela chamou:
- Felipe? Felipe é você?
Pare com isso, vai.
O Rafael está pensando que é o pai.
Estou ficando nervosa.
Diogo sentiu-se mal e cambaleou.
Fazia muitos anos, mas foi capaz de reconhecer a voz que correspondia ao nome do visor do celular.
Mesmo atordoado, respondeu:
- Sou eu, Vanessa. O Diogo.
- Meu Deus... -– ela murmurou.
Perguntando em seguida:
- Cade o Felipe? Onde ele está?
- Não vi o Felipe ainda.
Ele está no banho e eu peguei o celular em cima da cama.
Agora me diga:
Que brincadeira é essa?! – exigiu nervoso.
- Diogo... Precisamos conversar -– tornou ela sem saber o que dizer.
- Responda, Vanessa!
Que brincadeira é essa?!
Quem é esse menino que falou comigo?!
Ele disse que eu sou o pai dele! -– gritou.
Ela silenciou e ele exigiu novamente:
- Vanessa, responda!!!
Ceres acompanhava tudo e começou a encadear a ideia, entendendo e se surpreendendo tanto quanto Diogo.
Temerosa, quase chorando, Vanessa pediu:
- Chama o Felipe, por favor...
Diogo começou a concatenar rapidamente as ideias.
Aquele menino, que falou com ele e se identificou como Rafael, pela voz, poderia ser uma criança de sete ou oito anos.
Tempo do qual nunca mais ouviu falar de Vanessa.
Lembrou-se do relacionamento dos dois e, talvez, aquela criança pudesse ser seu filho, sim.
Quando ele falou seu nome e se identificou como sendo irmão de Felipe, o garotinho disse:
Então você é meu pai!
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Ave sem Ninho

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Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 24, 2016 11:13 am

O menino deveria saber o nome do pai sem nunca tê-lo visto ou falado com ele.
- Alô? Diogo? -– insistiu com voz baixa e nervosa.
- Que brincadeira é essa, Vanessa?! -– tornou ele.
Sentindo uma mão em seu ombro, Diogo se virou e deparou com o irmão, sério, parado a sua frente e que havia escutado parte da conversa, mesmo estando um pouco longe.
Felipe, muito calmo, pediu o telefone e o outro entregou, mecanicamente, olhando-o fixo, com olhos arregalados como se tivesse visto um fantasma.
Com o aparelho nas mãos, Felipe falou:
- Vanessa, sou eu.
Está tudo bem. Depois te ligo.
Ouviu alguma coisa e, em seguida, disse:
- Vou conversar com ele agora.
Fique tranquila. Te ligo mais tarde.
Tchau. Até mais.
Desligou o aparelho, jogou-o sobre a cama e falou ao irmão:
- Vem cá. Me dá um abraço.
Diogo, sério, aceitou.
Estava atordoado.
Ainda em choque e tentando reflectir sobre o que tinha acontecido.
Ceres, sem ser percebida, gritava, esbracejava o quanto podia:
- Você nunca deveria ter vindo aqui! Desgraçado!
Veio aqui para destruir minha vida, minha família! Suma!
Ao se afastar do abraço, olhou o irmão e perguntou sem trégua:
- Quem é esse menino?
Quem é esse Rafael?
Que brincadeira é essa?
- Não é brincadeira, Diogo.
Não dá para te contar isso de forma diferente.
O menino com quem acabou de falar, o Rafael, é seu filho com a Vanessa.
Foi por isso que eu e o pai fizemos de tudo para fazê-lo voltar ao Brasil.
Nós só descobrimos isso há poucos meses.
Tudo é recente.
O irmão olhou para os lados como se não enxergasse nada.
Cambaleou um pouco e foi amparado pelo outro que o fez se sentar na cama.
Diogo segurou a cabeça com as mãos e apoiou os cotovelos nos joelhos.
Em seguida, olhou para Felipe sentado ao seu lado e pediu:
- Conta tudo direito.
Eu não estou acreditando...
- Não era para você saber dessa forma, é claro, mas...
Aconteceu assim... -– ele revelou tudo, menos seu envolvimento com Vanessa.
No fim, Diogo questionou:
- E ela só me procurou por que ele está doente? -– estava irritado.
- Não a culpe, Diogo.
Breve pausa e revelou:
- Outra coisa, eu não contei pra ela que seu filho com a Ceres se chamava Raphael nem que ele e a mãe... já se foram.
- Por quê?
- Todas as vezes que fui contar, ela não quis saber da sua vida.
- A Vanessa deve ter me odiado muito.
Se ela tivesse me procurado e dito que estava grávida...
Eu não teria me casado com... -– murmurou, sem prestar muita atenção ao que falava.
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Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 24, 2016 11:13 am

Esqueceu-se até de que Ceres havia sido noiva de seu irmão.
Felipe espremeu os olhos ávidos e ficou reparando-o.
Não gostou de ter ouvido aquilo.
O irmão, sem saber de seu envolvimento com Vanessa, confessou ainda sob o efeito do choque.
- Eu gostei muito dela. Muito mesmo.
Foi estranho... Eu me vi amando duas pessoas.
Felipe não suportou e se levantou.
Caminhou pelo quarto e voltou.
Parou em frente ao outro e, olhando-o firme, revelou sem rodeio:
- Eu e a Vanessa estamos namorando.
O irmão ergueu o tronco e ao olhar em sua direcção.
Respirou fundo e perguntou para entender direito:
- Vocês dois, o quê?!
- Estamos namorando, eu e a Vanessa -– repetiu com todas as letras e o observou.
Nós nos aproximamos, nos últimos meses, por conta dos cuidados com o Rafael, e descobrimos que nos gostamos muito.
- Viu?! Viu só?!
Ele veio aqui para te ferir!
Para dar o troco!
Para se vingar do que você fez no passado com ele!
Por ter ficado comigo!
Foi só por isso que ele veio para cá!
Seu irmão não presta!
Essa Vanessa não presta!
Mande o Felipe embora e continue cuidando da nossa vida!
Diogo franziu levemente a testa, parecendo não gostar do que havia ouvido do irmão.
Talvez as vibrações da esposa desencarnada estivessem começando a afectá-lo.
Nada disse a respeito e voltou seu interesse ao estado de saúde do filho.
- Você me falou sobre a leucemia, sobre o transplante, mas...
E o Rafael? Como ele está?
- Bastante frágil, no momento. Essa é a verdade.
O Rafael já passou por pequenas cirurgias para a retirada de tumorações e também por sessões de quimioterapia para destruição das células leucémicas, para que a medula óssea voltasse a produzir células normais.
Mas se não consegue controlar as complicações infecciosas, hemorrágicas nem o controle da doença no Sistema Nervoso Central -– cérebro e medula espinhal.
Acontece que pelo facto de ele ter leucemia linfóide aguda, esse tipo, frequentemente se agrupa no revestimento da medula espinhal e cerebral, chamado de meninge.
O problema é que, esses locais no corpo, são áreas menos acessíveis à quimioterapia, por isso são as células da leucemia vão se proliferar nessas áreas.
- E o que está sendo feito? -– perguntou com lágrimas nos olhos.
- Um tratamento direccionado por meio de injecções e medicações no líquido cefalorraquiano.
É a quimioterapia intratecal e o tratamento é chamado de profilaxia no Sistema Nervoso Central.
Ele tem períodos de melhoras, mas...
Felipe se deteve ao ver Diogo levar as mãos na testa e voltar a apoiar os cotovelos nos joelhos.
Não suportou e chorou.
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Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 24, 2016 11:13 am

O irmão se aproximou e tocou-lhe o ombro em sinal de apoio, comentando:
- Quando eu vim pra cá, ele estava reagindo bem.
Estava animado querendo ir para casa.
Isso é um óptimo sinal.
Diogo secou o rosto com as mãos, respirou fundo, olhou para o outro e perguntou:
- Quando eu disse que era seu irmão e falei meu nome, ele disse que era o pai dele... -– seus olhos ficaram marejados novamente.
Ele sabe de mim?!
O que a Vanessa contou pra ele?
- Contou mais ou menos a verdade.
Não queria que o filho ficasse decepcionado e, por isso, nunca comentou sobre a mágoa ou a decepção que sofreu.
Disse que ela ficou grávida e você viajou para muito longe antes que ela pudesse ter contado.
Viajou para um lugar que ela não sabia direito onde ficava e que, por você não saber da existência dele, não voltou para conhecê-lo.
Vendo-o atordoado, Felipe incentivou:
- Você precisa ir para o Brasil.
Precisa conhecê-lo, ajudá-lo.
O Rafael fala muito em te conhecer.
- Eu vou... Vou à empresa amanhã cedo e...
O quanto antes pego o primeiro voo para o Brasil.
Ceres vociferou:
- Não!!! Não faça isso!!! -– mas não a perceberam.
Felipe sorriu e, ao vê-lo levantar, abraçou- o com força.
Diogo beijou-lhe o rosto e o irmão retribuiu.
Olharam-se firme, bem de perto, como havia anos não faziam.
Estavam ambos chorando, emocionados.
Sentindo um misto de alegria e dor.
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Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 24, 2016 11:14 am

Capítulo 14 - Frente a frente com Diogo

Vanessa achava-se nervosa, embora tentasse não demonstrar.
Felipe havia telefonado do aeroporto dizendo que ele e Diogo estavam a caminho e iriam directo para lá.
Rafael, em melhor dia, distraía-se no centro da sala com alguns brinquedos predilectos, falando sozinho, enquanto a televisão ficava ligada nos programas que mais gostava.
A mãe o olhava sentindo o coração apertado bater forte.
Como seria aquele encontro?
O que Diogo faria?
Pelo que Felipe contou, a notícia caiu como uma bomba para ele.
Não só por saber ter um filho, principalmente, pela doença do menino.
A campainha tocou e ela correu até a porta.
Ao abrir, olhou para um e depois para o outro.
Por uma fracção de segundos, Vanessa não soube quem era quem.
Talvez pela ansiedade e nervosismo.
- Oi, como você está? -– disse Felipe primeiro, entrando e beijando-a rapidamente nos lábios.
Atrás dele, o irmão parou.
Sério, olhou-a por um bom tempo, e ela pediu:
- Entre, Diogo. Por favor.
- Claro...
Após se ver na pequena sala de jantar, cumprimentou-a, estendendo-lhe a mão fria e falando com voz baixa:
- Como você está, Vanessa?
- Bem, e você?
Ele não respondeu, pois foi tomado por grande emoção ao passar os olhos pela sala de estar e ver o garotinho brincando no chão.
Talvez a TV alta não o deixasse perceber o pai de imediato.
Parado, petrificado, Diogo só o olhou e, de seus olhos verde-claros, lágrimas brotaram e correram em sua face pálida, onde passou a mão para ninguém ver.
Rafael, por sobre o sofá, virou e os viu.
Parou de brincar e se levantou.
Felipe, bem emocionado, quase chorando, forçou um sorriso para o sobrinho.
Vanessa, silenciosa, era só lágrimas.
Rafael, bem devagar, sem tirar os olhos do pai, caminhou até Felipe e estendeu os braços, como se pudesse identificar um e outro.
Felipe o pegou e o levou até o irmão.
Chorando compulsivamente, Diogo os abraçou e assim ficaram por alguns minutos até que o garotinho falou:
- Num chora, pai -– e passou a mãozinha no rosto de Diogo.
Diogo o pegou no colo e, tentando se controlar, foi para junto do sofá, sentando-se com o filho em seu colo.
Vanessa se abraçou com Felipe, apoiando o rosto em seu peito, enquanto olhava-os de longe.
- Então você é o meu pai?
- Sou sim. Sou seu pai -– respondeu, afagando-o na cabeça, no rosto, nos braços, beijando-o na testa o quanto podia como se não acreditasse naquele momento.
Você é muito esperto pelo que estou vendo.
Conseguiu diferenciar a mim do tio Felipe.
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Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Nov 24, 2016 11:14 am

O menino olhou para o lado, observou melhor o tio e respondeu:
- É que eu conheço aquela roupa dele e você se veste diferente.
Mas vocês são muito igual.
- Garoto esperto! -– Beijou-o, logo perguntou:
- E aí? Você está indo à escola?
- Estou, mas não dá pra ir sempre.
Às vezes preciso parar.
Minha mãe conversou com a directora e explicou que, de vez em quando, não é sempre, eu fico fraco e preciso ir pro médico.
Mas minha mãe está me ensinando em casa ou no hospital, quando não posso ir para escola.
Mas ela falou quando eu sarar vou para escola que nem as outras crianças.
- Sei...
- Seus olhos é igual aos meus.
Minha mãe tem olhos castanhos.
- É mesmo! Eu reparei isso.
Seus olhos são iguais aos meus.
Aliás, você se parece comigo e com seu tio quando éramos da sua idade.
- Eu vi as fotos de vocês dois.
- É mesmo?!
- Posso te chamar de pai?
- Claro... -– abraçou-o apertado contra o peito e se emocionou.
Claro que pode, meu filho.
Ao se afastar um pouco, Rafael comentou:
- Aquele dia, no telefone, eu pensei que fosse o tio.
Ele sempre brinca dizendo que não é ele no telefone -– sorriu alegre, olhando para Felipe.
- É eu soube. Ah!... -– lembrou-se Diogo.
Eu trouxe uma coisa para você.
Olhou para o irmão, e Felipe lhe entregou uma sacola.
Diogo a pegou e deu ao filho.
O menino tirou o embrulho da sacola, abriu-o e, após ver o aparelho, disse alegre:
- É um game! Olha, mamãe! É um game!
Virando-se para o pai, perguntou:
- Como é que liga? Você trouxe os DVDs dos jogos?
- Trouxe sim. Comprei vários.
Vamos lá ligar para ver como funciona.
Ficaram conversando e brincando por longo tempo.
Com o passar das horas, Rafael foi diminuindo a animação e acabou dormindo nos braços do pai.
- Vou pegá-lo e pô-lo na cama -– disse a mãe, curvando-se.
- Não, pode deixar -– sussurrou Diogo.
Mostra onde é o quarto dele que eu o levo.
Vanessa o levou até o quarto com decoração infantil e levantou as cobertas para que Diogo o colocasse na cama.
Após deitá-lo e arrumá-lo em posição adequada, o pai o cobriu e o beijou demoradamente.
Mesmo assim, ao vê-lo se afastar, ela ainda olhou como se conferisse para ver se o filho estava bem acomodado.
Afinal, sabia como Rafael gostava de dormir.
Em seguida, ela o beijou.
Olhando para o irmão que estava na porta, Diogo passou por ele e ofereceu meio sorriso.
Vanessa acendeu um abajur cuja cúpula estampava figuras dos super-heróis predilectos do Rafael que ressaltavam com a cor azul da lâmpada fraca.
Logo, apagou a luz principal e saiu do quarto.
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