MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Página 12 de 15 Anterior  1 ... 7 ... 11, 12, 13, 14, 15  Seguinte

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo

Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Dez 03, 2016 9:57 am

- Lista dos indesejáveis? -– indagou o senhor Weber.
- Sim -– sorriu e explicou.
Nós tínhamos, lá na pousada, uma lista dos hóspedes indesejáveis que funcionava da seguinte forma:
depois de um episódio desgastante para nós com algum hóspede, colocávamos seu nome na lista e quando ele, em outra época, queria se hospedar nunca havia vaga.
Isso era raro.
Até porque existem reclamações de hóspedes que nos ajudam a corrigir falhas, melhorar o ambiente, renovar alguma coisa.
Essas sugestões eram óptimas, saudáveis, bem-vindas.
Devemos sempre estar abertos para boas ideias.
Mas tinham alguns que..
Não valia a pena ouvir.
Fui criada dessa forma simples, educada e feliz.
Sempre fui amada.
Embora trabalhasse e estudasse, fui educada com princípios morais e meus avós sempre foram dedicados quanto a isso.
Perto de onde morávamos -– prosseguiu:
- havia uma família em um sítio.
O casal, às vezes, trabalhava como caseiro ou prestava serviços de campinagem, roça, colheita e outras coisas em propriedades vizinhas.
Eles eram bem pobres e, em alguns momentos, passavam muita dificuldade.
Porém quando se chegava ao sítio deles não havia uma horta sequer.
Não plantavam milho ou mandioca ou outra coisa que precisasse de muitos cuidados.
Eles eram acomodados e se diziam infelizes naquela situação porque Deus queria.
Sinceramente, duvido que Deus possa querer uma situação daquela a alguém.
Os filhos não estudavam, não tinham educação, eram mal nutridos e viviam aprontando na redondeza, algo como furtar uma galinha para comer, cabra ou ovelha para vender.
Lembro que, quando eu era pequena, era bem difícil ir para a escola e os filhos deles tinham a mesma dificuldade.
Tínhamos que andar muito.
E as crianças deles não iam à escola por esse motivo, mas eu ia.
Eu andava para caramba!
Em época sem fartura, minha avó sempre tinha galinha e ovos, mas eles não.
As galinha que ganhavam, matavam e comiam, nunca pensavam no amanhã.
Minha avó sempre teve uma horta no quintal, milho, mandioca, feijão plantados, e eles não, mesmo ganhando os grãos...
Eram acomodados e preguiçosos.
Não pensavam no amanhã.
Só iam à igreja e ao centro espírita quando tinham cestas básicas para pegar.
Não oravam, não rezavam, não tinham religião, não pensavam no amanhã.
Lembro que no início da pousada, meus avós, eu e meus irmãos, passamos por situação bem difícil, mas meus avós nunca foram preguiçosos e nos ensinaram a pensar no amanhã.
Minha avó fazia e faz, até hoje, peças de artesanatos, lembrancinhas, croché, tricô à mão, tudo para pôr nas lojinhas do hotel, para vender.
Para isso ela chamava algumas conhecidas que recebiam pelo trabalho.
Uma vez ela chamou essa mulher para participar dos serviços e ganhar alguns trocados, mas a mulher disse que não ia, não tinha jeito para fazer essas coisas.
Eu tinha roupas usadas, doadas, feitas à mão por minha avó ou compradas em bazares, quando não usava as roupas que sobravam e não serviam em meus irmãos.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 71279
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Dez 03, 2016 9:58 am

Só que minha avó se sentava com a gente e, amorosamente, explicava a situação, a necessidade sem nunca culpar ninguém, sem nunca culpar a vida ou a Deus por qualquer dificuldade.
Lembro-me dela nos incentivando aos estudos para pensarmos no amanhã, para termos uma vida melhor.
Quando eu comecei a fazer faculdade pela primeira vez, cheguei aqui, a São Paulo, e vi as meninas com roupas da moda, de grife, enquanto as minhas...– riu de si mesma.
Nossa! Fiquei um pouco triste por isso, mas disse a mim mesma: é por enquanto.
Vou vencer isso também.
Minha amiga, amiga até hoje, a Leda, era quem me emprestava algumas peças de roupa para eu sair vestida melhor.
Daí que vi uma colega que, na mesma situação que eu, começou a se corromper, a se prostituir para ter mais dinheiro e, consequentemente, alimentar sua vaidade com roupas e visual bonitos.
Ela até me convidou para conseguir dinheiro com as mesmas práticas.
Só que, diferente dela, eu tive educação e princípios morais desde cedo.
Dona Elza se surpreendeu com a rápida história e ergueu as sobrancelhas, admirando-se.
E Vanessa continuou:
- Eu sabia que aquilo era errado e que nunca teria paz na consciência se aceitasse tal proposta para sustentar luxo, vaidade, visual bonito, o que pedia a sociedade jovem e consumista.
Bem... Acabei abandonando o curso de Farmácia quando aconteceu tudo aquilo e descobri que o Diogo tinha uma noiva.
Fui embora para o interior e me acabei.
Achei que era a pessoa mais triste, infeliz, feia e machucada do mundo.
Descobri que estava grávida e achei que minha vida tinha chegado ao fim.
Não saia nem da cama. Não tinha forças.
Até que, depois de me ver assim por um mês, minha avó chegou ao meu quarto e disse firme:
“Levanta! Se não vai estudar, vai me ajudar com a pousada.
Gravidez não é doença minha filha, e você precisa pensar no amanhã.
Não vai poder contar comigo ou com seu avô pelo resto de sua vida, não”.
Sorriu.
E foi abrindo a janela e tirando a coberta de cima de mim.
Levantei e parecia que eu me arrastava ao andar.
Voltando aos trabalhos da pousada, me recuperei e saí daquele estava deprimido.
Cuidei de mim e da gravidez.
Quando o Rafael nasceu, eu estava bem.
Com muito medo da responsabilidade de ser mãe, mas estava bem.
Minha avó me ensinou a cuidar dele e depois deixou comigo.
Tive ideia de ampliar o hotel fazenda.
Queria inovar, o meu avô sugeriu que eu fizesse faculdade.
O Rafael estava com um ano quando estudei feito louco para conseguir novamente passar em um vestibular de faculdade pública.
Meus avós me ajudaram, tomando conta do meu filho enquanto eu estudava para ter um amanhã, um futuro melhor para mim e para ele.
Frequentei a segunda faculdade com as mesmas roupas simples e de cara lavada.
Eu estava decidida a fazer o curso.
Não estava ali para outra coisa.
Dessa vez, voltei formada.
Cheia de ideias e orgulho.
Não demorou muito e multipliquei o capital e até comprei um hotel em Campos do Jordão, depois de um financiamento que paguei bem rápido.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 71279
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Dez 03, 2016 9:58 am

Tive um bom lucro logo de cara.
Para o que eu consegui na vida, embora meus pais tivessem morrido quando eu ainda era bem pequena, precisei usar tudo o que tinha aprendido com meus avós, que foi pensar no amanhã, ser perseverante, educada, gentil, calar quando um menos inteligente fala demais, estudar, ficar atenta...
Se meus avós que estavam no lugar de meus pais, não tivessem empenhado e pensado no meu, no nosso amanhã, não tivessem educado, me dado princípios morais, estudo, ensinado a ser perseverante, eu não teria conseguido o que consegui.
Breve pausa.
-– Ah! Dois dos filhos daqueles vizinhos que moravam no sítio, e não pensavam no amanhã, estão presos.
Um outro bebe muito, quebra tudo onde estiver e...
Resumindo, eles sempre passam por necessidades.
Não conseguem nem mesmo arrumar um emprego, pois as pessoas têm medo de serem lesadas de alguma forma ou que lhes tirem o sossego.
Nova pausa e, sorrindo, disse:
- As roupas boas, o carro e uma vida bem melhor vieram para mim, no momento em que deveriam chegar.
Não precisei ficar contrariada pelo que não tinha, nem me precipitar, me corromper para ter o que queria.
Hoje tenho orgulho de mim mesma e procuro ensinar meu filho com os mesmos princípios.
Se eu tivesse parado, pensando que nasci para sofrer, teria tido meu filho, me acomodado e estaria lavando roupa, louça e limpando até hoje a fazenda.
Por isso digo, Deus não é cruel.
Ele nos dá oportunidades e nós precisamos saber aproveitá-las.
Só que, para isso, precisamos ter garra, querer fazer.
Penso que ser pai, ser mãe é função e trabalhos assumidos por vinte e quatro horas, para poder dar limite, educação, instrução, carinho e amor.
Não se pode ser pai ou mãe só por três ou seis horas por dia.
Essa função é de período integral.
Não se pode delegar a outro, pois, se Deus quisesse, teria acontecido como aconteceu com os meus pais.
- E os pais que precisam trabalhar? -– perguntou dona Elza.
- É lógico que temos de trabalhar, estudar...
Sempre fiz isso. Mesmo assim, me dedico muito.
Sempre estou atenta para educar, orientar e instruiu meu filho.
Nosso dever, como pais, é ensinar os filhos a terem, a princípio, responsabilidade, respeito, moral, limite.
Acho que os pais que têm filhos e lhes dão total liberdade, não os ensinando a terem respeito pelas outras pessoas, permitindo que perturbem os vizinhos com sons altos, carros tunados, ou seja, carros equipados com som de alta potência, que tanto incomodam os cidadãos nas vias públicas, hospitais residências... filhos que não respeitam algum doente bebé dormindo...
Que saem de madrugada perturbando tudo e todos.
Ou que pegam suas motos barulhentas e fazem o mesmo...
E os pais não dizem nada. Não ensinam...
Não orientam que beber faz mal, que o uso de entorpecente é errado e que isso vai levá-lo à desgraça.
Não ensinam seus filhos que as tragédias acontecem por causa do desrespeito e da intolerância...
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 71279
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Dez 03, 2016 9:58 am

Esses pais vão chorar por terem de visitar os filhos na cadeia ou no cemitério.
Por culpa deles.
Por não terem lhes dado princípios desde o berço.
Dar mesada gorda ou um cartão de crédito com limite alto é o mesmo que dar uma arma na mão de um jovem sem moral, sem respeito, sem noção, pois com isso ele só vai fazer besteira.
- Concordo com você -– afirmou o senhor Weber.
Quanto à parte religiosa ou filosófica...
Bem, nesse ponto fui falho com meus filhos.
Mas no quesito educação e respeito ao próximo, fiquei atento.
Nunca deixei minhas filhas se iludissem com carreira de modelo nem meus filhos com a carreira de jogador de futebol.
Hoje, vejo muitos pais se deixando iludir e, infelizmente, iludindo os filhos com carreira de actriz, actor, modelo ou jogador de futebol, mas eles nunca pensam na possibilidade de isso não dar certo.
Hoje, vejo que não fui um pai perfeito.
Nem sempre eu sabia o que fazer nem como agir, porém fiz meus filhos estudarem e para isso sentei e estudei junto.
Nunca gritei ou exigi que soubessem, que aprendessem por conta própria.
Quando eles demonstravam dificuldade, sentava junto e ensinava, com paciência.
- Isso é verdade -– confirmou Felipe.
- Quando percebia que estavam indo mal na escola, sempre procurei um modo diferente de ensiná-los.
Se eu berrasse ou gritasse, eles pegariam raiva do estudo.
- Livros, revistas, gibis ficavam espalhados pela casa inteira -– comentou dona Elza.
Eram incentivos à leitura.
Eu lia para eles sempre e, assim que aprenderam a ler, pedia que lessem algo para mim e os elogiava.
Meus filhos sempre nos viram ler, isso os motivava.
A leitura tornou-se uma prática, um hábito comum lá em casa.
Podemos conhecer o mundo através dos livros.
- Sempre os ensinei a pensarem no amanhã, pensarem no futuro -– tornou o senhor.
- Entendo que as pessoas que não pensam no amanhã, não pensam em ter um futuro melhor, não seguem filosofia alguma, pois só vivem aquele instante, só querem tirar vantagem do momento –- tornou Vanessa.
O Espiritismo, como outras filosofias, e poucas religiões espiritualistas, mostram que o que fazemos hoje, vai repercutir em nosso amanhã.
Hoje eu escrevo uma página do meu amanhã e com isso terei benefícios.
- Eu gostaria de lembrar o que aprendi recentemente -– comentou Felipe.
Allan Kardec dizia que o Espiritismo é Filosofia e Ciência e, se um dia a Ciência contradissesse o Espiritismo, deveríamos ficar com a Ciência.
Esse assunto de pensar no amanhã, fazer hoje para se ter um futuro melhor, é assunto científico, comprovado.
O Teste de Controle de Impulsos, ou mais conhecido como O Teste do Marshmallow, foi uma experiência do psicólogo Walter Mischel, na década de 60, com crianças de aproximadamente quatro anos de idade na Universidade de Stanford.
Esse psicólogo aplicou um teste em crianças -– filhos de professores e funcionários da universidade.
Ele colocou uma criança por vez em uma sala pequena e, sobre a mesa que havia nessa sala, pôs um doce bem chamativo, um marshmallow.
O doutor Walter Mischel conversou com a criança explicando que iria deixá-la ali sozinha com o doce.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 71279
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Dez 03, 2016 9:58 am

Se, quando ele voltasse, a criança tivesse resistido à tentação e não comido o doce, ela ganharia mais um, igualzinho àquele e poderia, então comer os dois.
Mas se ela não resistisse e comesse o doce antes de ele voltar, ela não ganharia mais nada.
Deixadas ali, algumas crianças comiam o doce tão logo que o psicólogo saía da sala.
Em compensação, outras eram capazes de esperar mesmo que, para isso travassem uma luta intensa para aguentar e resistir à tentação.
Algumas tapavam os olhos para não verem o doce.
Outras apoiavam a cabeça nos braços, conversavam consigo mesmas.
Algumas brincavam com as mãos e os pés para se distraírem.
Outras, ainda cantavam para o tempo passar mais rápido e até tinham aquelas que tentavam dormir.
Eles foram capazes de esperar longos e intermináveis quinze ou vinte minutos.
Isso é um tempo imenso para uma criança dessa idade.
Os que aguardaram o retorno do psicólogo receberam a recompensa e ganharam os dois doces.
Isso mostrava a capacidade de conter as emoções, os impulsos e isso repercutiu em suas vidas mais tarde.
Com o tempo, esse psicólogo acompanhou o desempenho dessas crianças e observou que o progresso delas em todos os sentidos, o bem-estar e progresso pessoal, estavam relacionados ao tempo de espera em que resistiram à tentação para comerem o doce.
Mais de vinte anos depois da experiência, aqueles que, ansiosos, não esperaram e foram os primeiros a comerem o doce, tiveram problemas, alguns envolveram-se com drogas, alguns com criminalidade, outros não tinham auto-estima, tinham ganho de peso corporal, ansiedade crónica, neuroses...
Os que tiveram autocontrole e não comeram o doce, sacrificando aqueles instantes, com a certeza de que depois teriam a recompensa de receberem dois doces para comerem, tornaram-se adultos com melhores ganhos futuros.
Tinham bem-estar, equilíbrio, sucesso profissional, realizações...
Breve pausa e Felipe prosseguiu:
- Como aprenderam isso?
Com os pais. Alguns contam isso como se esse comportamento de “esperar comer o doce para ganhar outro depois” fosse um comportamento da natureza da criança, mas não é só isso.
Esse comportamento pode e deve ser ensinado pelos pais que conversam, que dialogam, que explicam a necessidade das coisas a serem feitas.
É importante explicar e exemplificar que vale a pena um sacrifício para se ter um resultado bem melhor no futuro.
Vale a pena se empenhar para se ter ganhos futuros.
Os teste mostraram que aqueles que são capazes de resistir às tentações, tornam-se pessoas eficazes, eficientes, capacitadas para enfrentarem frustrações; não se paralisam ou regridem sob tensão; ficam menos abaladas quando pressionadas; têm menos probabilidade de desmoronarem psicologicamente falando; aceitam desafios e vão até o fim; não desistem, mesmo diante de dificuldades; são independentes e confiantes, além de confiáveis e firmes; são pessoas de iniciativa e que mergulham em empreendimentos e realizações.
Isso é científico.
Vendo todos reflexivos, Felipe prosseguiu:
- Allan Kardec, quando, sob a orientação dos espíritos que o ajudaram com a codificação Espírita, ensinou que vale a pena não cair nas tentações da vida.
Quando falamos em tentações, falamos em tentações de toda sorte, sejam elas quais forem.
Para termos um futuro melhor, um amanhã melhor, ele nos ensina a prestar atenção e fazer, hoje, o que é certo.
Devemos nos sacrificar no presente para termos ganhos futuros.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 71279
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Dez 03, 2016 9:58 am

Isso é em todo sentido.
Quando estudamos, frequentamos escolas ao mesmo tempo em que trabalhamos, estamos nos sacrificando para que o futuro seja melhor.
As pessoas não costumam economizar, guardar, sacrificar um pouco o momento para ter um amanhã melhor, depois reclamam por não terem dinheiro, estarem no vermelho, com o cartão estourado...
Assim infelizmente, muitos ensinam os filhos, como se lhes dissessem: vivam o momento, não se preocupem com o amanhã!
Comam, beba, não respeitem ninguém.
Não respeitem a vida.
Não respeitem a própria vida!
Que se danem os outros!
Os incomodados que se mudem!
Quanto engano. Quanto erro.
Esses pais não pensam no amanhã.
Não pensam nas consequências e que mais tarde ou vão chorar pelos erros dos filhos, ou vão sofrer amargamente a ingratidão.
Tudo é questão de educação.
A economia do nosso país é questão de educação -– continuou Felipe calmo.
Não fomos educados a pensar no amanhã.
Ninguém guarda. Ninguém economiza para o amanhã.
Aqui, no Brasil, assim que muitas famílias saíram da pobreza extrema e puderam consumir mais, o brasileiro pulou da subnutrição para o sobrepeso corporal e a obesidade infantil, praticamente, quadruplicou.
O Ministério da Saúde aponta que 49% dos brasileiros têm sobrepeso estão próximos da obesidade.
No quesito estudo, o quadro é apavorante.
Aqui, o aluno é promovido sem saber ler, é só frequentar a escola, e, muitas vezes, mesmo não indo à aula, ele é aprovado ou promovido, como alguns dizem.
Por culpa do governo e dos pais, o professor perdeu o brilho, perdeu seus direitos e precisou ofuscar suas qualidades.
Ele não pode ensinar ou será agredido.
Tem professor que já levou um tiro e até morreu porque um aluno levou uma arma para a sala e atirou pelo simples facto de não querer aprender, de quererem fumar maconha na sala de aula.
Esse aluno não teve essa ideia de repente, não.
Ele foi incentivado a muitos outros erros desde o berço para fazer isso.
E cadê os pais? Onde está a responsabilidade deles?
Acredito que, em casos assim, o pai deveria ser punido no lugar do filho.
Os pais têm que pensar no futuro de seus filhos e ensinar o quanto isso é importante.
Sem saber pensar no futuro os jovens não entendem para que servem as escolas e acham que não precisam de instrução.
Preferem a música de baixa qualidade moral, danças com roupas escandalosamente sedutoras para... para quê mesmo? -– silêncio.
– Nem eles sabem para quê as músicas chulas, porquê as roupas indecentes.
Não sabem porque não pensam no amanhã. Vivem o momento.
Os pais que dizem fazer qualquer sacrifício por seus filhos, largam-nos, não educam, não instruem.
Esses pais dizem fazer tudo pelos filhos, mas desde que isso não os faça perder o jogo, o futebol, a novela que está óptima! -– ironizou.
Fazem de tudo, menos ter paciência e educar, instruir, mostrar é que certo e o que é errado na vida, explicando, milhares de vezes se for preciso, todos os assuntos com muita paciência.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 71279
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Dez 03, 2016 9:59 am

Os pais fazem de tudo, menos procurar orientação e ajuda com psicólogos, pedagogos e educadores para que esses profissionais os ajudem com seus filhos.
Não são os filhos que precisam de psicólogos, muitas vezes os pais, para aprenderem como agir, como educar, com ensinar, como se controlar, como fazer direito.
Não é vergonha pedir ajuda, é preciso procurar por profissionais competentes e não pessoas curiosas e intrometidas.
Ainda mais nos dias de hoje quando a televisão e a internet são os maiores inimigos da família, dos princípios, da boa moral.
- Isso mesmo, Felipe -– interrompeu a mãe.
Não há estímulo, a violência, à discórdia, à vingança do que alguns programas de televisão.
Novelas mostram que é certa a vingança, pois, se não houver vingança, a impunidade triunfa.
Todos querem que as más acções sejam vingadas e não corrigidas.
Querem que tudo seja lavado a sangue, se for preciso.
- Quem acredita nisso, não crê em Deus bom e justo -– comentou Vanessa.
- Concordo com você -– tornou a mulher.
– As pessoas confundem ficção com realidade.
Como se não fosse só isso, é bem na hora do jantar, que as famílias deveriam se reunir com harmonia e paz, que a televisão decide, caprichosamente, passar cenas de briga, violência, palavrões, xingamentos, agressividade e toda a pior espécie de canalhice e sujeira.
Isso estimula as pessoas, os espectadores ao desequilíbrio, à irritação, a vida promíscua, a se acostumar com o que é podre.
Nem estou mais assistindo a essas novelas que só sabem accionar o lado primitivo do ser, não querendo que as pessoas evoluam.
Em minha opinião, gritaria é falta de respeito ao espectador.
Além disso, tudo de errado é ensinado como certo.
Se a vida do autor da novela é podre e ele acha que a leviandade, a promiscuidade é coisa comum e coloca cenas de baixo valor moral em suas novelas para uma família de verdade, isso não é comum, não é normal.
- É isso mesmo.
Dificilmente vemos uma programação que eleva o ser, que dê exemplos e princípios de evolução moral e espiritual, que liga e une a família -– concordou Vanessa.
Se as pessoas tivessem noção de reencarnação, a vingança, a promiscuidade não estariam silenciosamente embutidas nos programas líderes de audiência.
Isso choca as pessoas de espírito mais elevado, por isso elas não perdem tempo com programas assim.
No entanto, os menos elevados apreciam a desgraça, querem dar atenção e saber detalhes.
Quando se fala em vingança e cenas de sexo, então!...
A euforia sádica parece brotar das entranhas da alma dos mais atrasados que se atraem por isso.
As brigas e intrigas dão audiência por causa da falta de instrução, de orientação.
A vida leviana de um que casa ali, outro descasa lá, um trai, outro ajuda...
Na televisão isso é apresentado como normal, mas na vida real, tudo é bem diferente, bem difícil.
A TV não apresenta as dores da alma nem as doenças do corpo.
Tudo é programado, planeado. Ninguém corre risco.
- Outro dia eu disse lá em casa que a televisão se tornou um penico sobre a mesa de jantar do brasileiro.
Eles pensam que a casa da gente é bordel.
Coisa mais nojenta.
Só estão ensinando coisas erradas.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 71279
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Dez 03, 2016 9:59 am

Ensinando que a família não vale nada, em vez de manter a tradição das famílias e dos bons costumes.
Onde é que isso tudo vai parar se continuar assim?
Se continuar desse jeito, algumas emissoras de TV devem ser assistidas no banheiro, lugar de detritos, ou no necrotério, que é lugar de esquartejamento é sangue -– comentou o senhor Weber, contrariado.
- Justamente no horário de refeição.
Horário sagrado de reunião familiar, quando o correto é elevar os pensamentos ao Pai, agradecer pela oportunidade de vida, pela alimentação do momento e pedir bênçãos santificantes se derramem sobre aqueles alimentos a fim de que satisfaçam nossas necessidades físicas, mentais e espirituais.
Nessa hora, temos o que o senhor falou:
detritos, sangue e sexo.
Isso deixa o ambiente sobrecarregado, saturado de energias pesadas, vindas de comentários das reportagens de crimes ou gritos, brigas, discórdias e todo e qualquer tipo de lixo moral.
Os alimentos se impregnam dessas densas e funestas vibrações e depois as pessoas os ingerem.
Muitos que acreditam nos fluídos das hóstias ofertadas após as bênçãos nas igrejas católicas, acreditam no poder da água fluidificada em tantos templos religiosos, porém, após as bênçãos, não pensam na energia de seus alimentos expostos a vibrações tão vis, podres, impuras recebidas através das energias vindas do que passa na TV.
Se uma água fluidificada nos faz bem, alimentos impregnados com tais vibrações nos vão fazer mal -– concluiu Vanessa bem informada.
Sem comentar que educamos tanto os nosso filhos para, depois, com um único programa, uma única cena imoral, jogarmos toda educação por terra.
Eu mesmo, não ligo mais a TV nesses canais.
Nem quando estou sozinha.
Não preciso assistir a isso.
Na minha casa só entram filmes e programas seleccionados.
Eles ignoravam que, na espiritualidade, Enéas e Luana e outros espíritos de igual entendimento os acompanhavam.
Atento, Enéas comentou:
- Vanessa tem toda razão.
Quando os encarnados se dispõem a deixar entrar em seus lares, por meio de programas de TV ou músicas, apresentações agressivas, de baixo valor moral, que interpretam a violência, a vulgaridade, o sexo promíscuo, as carnificinas e tudo o que de mais inferior existe, espíritos impuros, inclinados ao mal, com conselhos pérfidos, insuflam discórdia, desconfiança, sensualidade, desgraça humana.
Eles se ligam, apegam-se à pessoas de carácter fraco que também apreciam, de alguma forma, as baixezas na TV, música, internet, livros, induzindo-as à perdição, à prática de pensamentos e actos que retardam seu adiantamento moral fazendo-os sucumbir.
Deixam-se levar diante das provas que aparecem.
Isso é o deixar-se levar cair em tentação.
Por causa do que a televisão apresentou como sendo normal, ou a pessoa viu na internet e causou-lhe excitação, ou ouviu na música que a seduziu, muitas e muitas pessoas que não necessitavam sofrer se atraíram à vida leviana, ao sexo vulgar, promíscuo, casual.
Isso porque a pessoa não se vigiou, aceitou e pagou para ver.
Só que depois o arrependimento chega de forma violenta à sua consciência e ela entra em conflito íntimo, desequilibrando-se de todas as formas, sofrendo as doenças psíquicas, mentais, transtornos psicológicos, sem contar as doenças físicas.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 71279
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Dez 03, 2016 9:59 am

A grande máquina de manobra da espiritualidade interior, hoje em dia, são os meios de comunicação.
Despreparada, a criatura assiste, lê e, sem perceber, deixa-se envolver por espíritos de extrema inferioridade moral que se comprazem em vê-la retardar a evolução ou, então, por terríveis inimigos do passado que, no “silencioso” e “invisível” plano espiritual, incentivam-nas e se envolvem com elas, aproveitando-lhes as energias e as vibrações inferiores, multiplicando tais fluídos e inclinando-as, cada vez mais, à sedução por inúmeras baixezas.
- Nos momentos de tais apresentações na TV, internet, leitura de livros e revistas do género e músicas, somente espíritos malignos, ignorantes e inconsequentes se reúnem e vibram nesse ambiente, inclusive no familiar.
Se os encarnados pudessem ver ou sentir o que fazem esses espíritos inferiores, certamente mudariam a sintonia.
Eles poderiam ver que, na espiritualidade, gargalhadas sinistras, produzidas por criaturas espirituais assombrosas, de expressões animalescas, rasgam o ambiente, enquanto a paisagem espiritual fica totalmente escura, cinzenta, pálida, não importando qual seja a luz no ambiente físico.
Atraindo seres monstruosos, irónicos.
Eles mobilizam extremas energias negativas, sombrias, plasmando nas paredes, miasmas como massas ou barros cinzentos, fétidos, impregnações espirituais produzidas por mentes terríveis, por ideias mentais, formas-pensamento – comentou Luana.
Tássio, amigo espiritual que estava presente e os visitava, contou:
- Conheci uma caso que gostaria de expor para conhecimento e estudo.
Em um lar, cujo ambiente familiar era bom e equilibrado, a família, composta de pai, mãe e três filhos, sendo dois rapazes e uma moça, viviam bem.
Eram católicos praticantes.
Frequentavam a igreja do bairro, participavam de cultos, de orações, faziam preces no lar, inclusive durante as refeições, ao amanhecer e antes de dormir.
Em resumo, ligavam-se ao Pai Criador.
Isso por muitos anos.
Até que a televisão começou a fazer parte das refeições, pois após um progresso financeiro e uma reforma, a tão sonhada sala de jantar foi feita e de lá uma televisão podia ser assistida.
Assim, a família não conversava mais, embora estivesse reunida.
Toda a atenção se voltava para a TV e o silêncio era solicitado para que o programa exibido não fosse interrompido.
A oração, tão importante em momento sagrado como o da refeição, com o tempo, foi deixado de lado.
Aos poucos, lentamente, um filho ou outro não estava presente e os demais não se importavam e não pensavam no ausente, ligando-o à família no momento sagrado da refeição, quando deveriam incluir seu nome na hora da prece, pedindo seu envolvimento e protecção, onde quer que estivesse.
Então, em alguma apresentação de destaque, no clímax da novela ou do filme, a mãe e a filha chegavam a abandonar a mesa de jantar para assistir à dramaturgia mais de perto.
Aquelas cenas de brigas, intriga, sedução, traição, inveja, discórdia, gritos, vingança foram atraindo desencarnados de nível bem inferior que apreciavam tudo aquilo como já disseram.
- Com o tempo -– continuou Tássio -, um filho não queria mais ficar ali na mesa de jantar para ir para a frente do computador, enquanto outro procurava por outra televisão na casa, para jogar videogame.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 71279
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Dez 03, 2016 9:59 am

E o marido, insatisfeito, por não ter com quem conversar, para contar como foi o seu dia, passou a se sentir abandonado, indesejado, pois a programação apresentada na TV era mais importante do que ele. Influenciado, equivocado, ele não disse nada e calava suas reclamações sem tomar qualquer atitude.
Influenciada por espíritos inclinados ao mal, que dão conselhos pérfidos, a jovem começou a querer usar roupas semelhantes às das actrizes que exibiam seus corpos a fim de seduzir, conquistar e levar, inevitavelmente, à sexualidade inferior.
As pessoas ignoram que toda roupa sedutora, sensual, leva à sexualidade inferior, ou então, por que alguém usa tais roupas tão minimizadas, se não quer expor-se ao sexo de baixa moral, ao sexo promíscuo, casual?
Breve pausa que ofereceu a reflexão e Tássio continuou:
- Então, a filha, com ideias de querer exibir-se tal qual o que via na TV, passou a usar roupas sensuais, tomando posturas chamativas, apelativas ao sexo, maquiagem chamativa, leituras de baixo valor moral, atraindo, para junto de si, espíritos levianos que, quando encarnados, foram prostitutas ou mulheres ligadas à vulgaridade, ao sexo de baixo nível.
Enquanto isso, a mãe começou a se sentir confusa.
Diante do que era apresentado na televisão e tudo o que havia aprendido referente à moralidade, na religião que era adepta.
Os espíritos que frequentavam aquele lar a atordoavam, magnetizando seus pensamentos e não a deixavam reagir.
Criavam distracções e a deixavam atenta aos programas fúteis de reality shows que nada traziam de benefícios a ela ou à sociedade.
Ao mesmo tempo, o marido passou a ficar atraído com o que via na TV.
Espíritos levianos o faziam a crer que homem tem que gostar de mulher nua, reparar nas curvas, no corpo bonito.
Homem tem que...
Então ele, a cada dia, deixava-se envolver por tudo ao que assistia, desejando as mulheres que apareciam como atractivo e para desatenção, a fim de que os espectadores se distraíssem e não vissem a inutilidade do que era apresentado.
Esse marido, esse pai de família, permitiu-se envolver cada vez mais por espíritos inferiores, vulgares, sedutores.
E, só ver mulheres seminuas pela TV, não foi suficiente.
Então, no serviço, através da internet, ele passava a buscar sites, apresentações que alimentassem o desejo desequilibrado ao qual ele se permitia na área do sexo.
O filho mais velho seguia os mesmos caminhos do pai, enquanto o outro irmão se interessava pela violência dos games, dos jogos e também pelas músicas baixas.
Então, os jogos e as músicas começara a parecer fracos, sem atractivos.
Ele precisava de algo mais forte, de mais desgraça, mais sangue para obter mais descarga hormonal, para o bem-estar.
Os videogames violentos, as músicas violentas e de cunho de baixo pudor, junto com os estímulos de espíritos inferiores levou esse jovem a ficar atraído por outros jovens de péssima companhia que, aos poucos, inseriram-no nas drogas, no prazer da violência e em outras práticas.
A irmã, moça jovem e bonita, entendeu, pelo que via na televisão e livros vulgares que era necessário ser sensual, que era normal se envolver sexualmente com um e com outro através do sexo casual.
Achou que promiscuidade era normal.
O filho mais velho envolveu-se com sexo desequilibrado, necessitando diversificar a tal ponto que chegou à prática de pedofilia.
O homem, antes bom marido e pai amoroso, não resistiu às tentações.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 71279
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Dez 04, 2016 12:02 pm

Sem admitir que estivesse sendo fraco, covarde e incapacitado, começou a frequentar casas de prostituição e relacionou-se sexualmente com prostitutas, desgostando-se do lar e da família, sem se preocupar com a esposa fiel, trabalhadeira, prestativa.
Envolvendo-se com a pior e mais inferior das classes espirituais.
Além disso, passou a ingerir bebida alcoólica e a fumar.
No auge disso tudo – prosseguiu Tássio -, espíritos trevosos, chefes de legiões, ordenaram, na espiritualidade, aos seus subalternos, para que fossem instalados naquele lar, outros espíritos sofredores, prisioneiros da loucura e da dor, doentes, vitimados, torturados em circunstâncias das mais dolorosas, presos nas grades escuras do horror, débeis mentais por tanto sofrimento.
O que antes era um lar se tornou um inferno impregnado das mais diversas substâncias sombrias.
As energias funestas, trazidas pelo marido através do acto sexual, após ele ter se relacionado com mulheres vulgares, impregnavam a esposa que, sem perceber, adoecia mental e fisicamente.
O marido não entendia que energia sexual é energia criadora de algo sublime, excelso, ou de algo repugnante, doentio, inferior, espiritualmente falando.
Na esposa, antes mulher saudável, religiosa e activa, miasmas densos e tenebrosos, energias pérfidas e desequilibradas, alteravam-lhe a mente que se prendeu não tão temida doença da Depressão e da Síndrome do Pânico.
Os filhos mais interessados com práticas inferiores, viciosos naquelas acções de energias incrivelmente negativas, não se importavam com a mãe e não lhe davam atenção.
Gritos eram os meios de comunicação.
Brigas eram o relacionamento.
Ódio, rancor, descaso era os sentimentos familiares trocados a partir de então.
Aos poucos, doenças físicas se manifestavam no corpo da mulher, como resultado de seu estado espiritual.
Dores tensionais, problemas intestinais, infecções, ulcerações, gastrites, problemas renais, tumores e muitos outros problemas de saúde, sem contar que, mentalmente, ela era aflição, pânico e tortura.
Isso até podia ser notado em seu semblante.
O marido, desgostoso, sem saber o que fazer e sem entender que foi o maior provocador daquele estado, piorava a situação.
Homem fraco, envolvia-se cada vez mais com prostitutas e, como se não bastasse, arrumou uma amante.
O ambiente físico não era mais tão organizado e limpo como antes.
No plano espiritual, a cada dia, era pior.
Era de pura imundície. Pelo chão, arrastavam-se a esmo espíritos de aspecto repugnantes mostrando, em seus corpos espirituais, formações animalescas, principalmente na área do sexo.
A atmosfera era sufocante, tóxica, impregnada de uma espécie de vapor tórpido, escurecido, resultado dos pensamentos desequilibrados dos encarnados e desencarnados que se instalavam ali em deplorável condição.
Como que hipnotizados, todos estavam esquecidos, alheios às preces, à religiosidade, a Deus, e concentrados em práticas que os comprometiam e os atrasavam na evolução.
Cada qual, no seu desvio moral, sintonizava com as emissões vibratórias dos espíritos inferiores que imantavam seus pensamentos, iludindo-os com falsos prazeres inferiores, fazendo-os servir de instrumentos passivos de desejos e paixões vis para sugar-lhes as energias e escravizá-los encarnados e após o desencarne, no futuro.
Certo dia – continuou Tássio -, uma irmã da mulher, que não a via tinha muito tempo, foi lhe fazer uma visita por conta das doenças e do transtorno psicológico que tanto a debilitava.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 71279
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Dez 04, 2016 12:03 pm

Médium, estudiosa do Evangelho, ao entrar na casa da outra, foi capaz de se arrepiar ao sentir o fluxo de energia inferior que corria no ambiente.
Tudo isso, até ali, podíamos assistir só de longe.
Não fomos chamados, de verdade, de coração e alma, para qualquer auxílio.
Então, a irmã, médium evangelizada, orou primeiro para si, ligando-se ao Alto por meio de pensamento puro, silencioso, pedindo protecção.
No mesmo instante, como que um cordão de luz finíssima de cores múltiplas nos tons de azul, branco e rosa, pareceu descer do alto ao topo de sua cabeça.
Sua aura ficou abrilhantada, formando algo como um escudo.
Seu mentor, digníssimo espírito com entendimento, fez-se presente tal como defensor firme, seguro e fiel, capaz de cumprir seus deveres sem vacilar.
No decorrer da prece silenciosa, com o auxílio e a imposição do excelso espírito amigo, luzes invisíveis aos olhos projectaram-se por sobre a médium discreta e sorridente, que parecia ouvir a irmã lamentar suas inquietações e tristezas.
Os espíritos inferiores que tentavam contra a médium não podiam lutar contra as energias vigorosas, salutares e positivas que a cercavam em corpo e alma.
Os centros cerebrais da médium eram pura e inabalável ligação ao Altíssimo.
Serena, imperturbável naquele covil de criaturas sórdidas do invisível, ela permaneceu tranquila, sem qualquer exibição de seus atributos.
Médium digna e educada, permaneceu envolvida por sua ligação mental com recursos magnéticos e balsâmicos.
Ao ver a outra esgotar as queixas inúteis, a médium de nome Euvira, bondosamente perguntou onde estava a fé da qual a irmã se valia?
Lembrou-a de que era necessário reverter aquele quadro e, às vezes, para dar uma virada na vida, era necessário voltar ao princípio, nascer de novo, como nos ensinou Jesus.
Disse para a irmã que era o momento de mudar ou nunca sairia daquele estado.
Para melhorar seria necessário admitir as falhas, os erros; seria necessário se conhecer, perdoar-se e agir.
Tomar uma atitude.
Parada ali, sem nenhuma atitude, nada de novo e de bom poderia acontecer.
Era o momento de rever conceitos e práticas, corrigindo vícios...
Matar todo o passado e começar de novo.
Euvira aconselhou a irmã a reagir e começar do mais próximo.
Vencer o peso que a deixava presa à cama e, usando toda a sua força, começar a mudar a si mesma, melhorando os pensamentos, deixar de pensar e verbalizar reclamações
Comentários de medo e doença atraem medo e doença.
Orientou-a a se arrumar, arrumar a casa, cuidar da alimentação e das coisas como antes.
De certo seria difícil, mas não impossível.
Euvira ainda disse para a irmã procurar um Centro Espírita que pudesse lhe oferecer assistência espiritual, pois, certamente, espíritos em estado semelhante ao dela a acompanhavam, pois os semelhantes se atraem.
Pediu ainda que orasse, pensasse no Pai Criador, pensasse no Cristo que tantos ensinamentos nos deixou.
Disse ainda que ela estava em um processo de autocomiseração, dó de si mesma. Ninguém pode fazer por você algo que você deve fazer por você mesmo.
Orientou a irmã a unir a família, seleccionar o que lia, ouvia, assistia, para que suas mentes se voltassem à tranquilidade, ao bem, ao que era bom e saudável.
Naquele instante em que Euvira falava, uma novela de horário considerado nobre, começou.
A euforia sádica dos autores que representavam personagens desequilibrados que gritavam, brigavam, tramavam, odiavam, traíam era motivo de interrupção da conversa.
Os produtores daqueles programas pouco se importavam com a desmedida sujeira atirada na tela da TV, que deixavam os lares imundos pelos nomes inapropriados, as cenas porcas e pobres de moral.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 71279
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Dez 04, 2016 12:03 pm

Ao mesmo tempo, o marido, em outro cómodo, assistia ao jornal ou documentário trágico de crimes cruéis, desnecessários de serem assistidos, até porque atraíam espíritos sofredores que penaram com vivências semelhantes, ou então, espíritos que se satisfaziam com aquelas práticas sádicas e cruéis.
Inteligente, Euvira associou mentalmente a razão de eles deixarem, em seu lar, tudo aquilo acontecer, ou seja, se permitiam a entrada de tais cenas através da televisão, da internet, músicas, revistas ou livros, permitiam igualmente, pelos pensamentos, que espíritos do mesmo nível ou piores, entrassem em seu lar e tomassem conta da casa mental de cada um.
Vendo que, naquele instante, não podia conversar, sobre assunto tão sério, pois a televisão era mais importante, a médium decidiu voltar em outro momento.
Não poderia deixar a irmã sem orientação.
Em outra oportunidade, Euvira visitou a irmã novamente e lhe falou tudo a respeito da aceitação que fazemos em nossas vidas através das escolhas de nosso lazer e meios de distracção.
Ela falou e falou...
A irmã não lhe deu muito ouvidos, a princípio, até que um dos filhos foi morto ao praticar um criem violento e, quase ao mesmo tempo, o filho mais velho foi preso por conta da pedofilia.
Ela quase enlouqueceu e se perguntava:
Por que Deus permitiu isso?
- Deus não tem nada a ver com isso.
Foi a escolha de cada um -– interferiu Euvira.
- Exactamente -– continuou Tássio.
Então ela procurou a irmã pedindo orientação.
A partir de então, essa mulher e o marido, mesmo a contragosto, a princípio, começaram a frequentar uma casa espírita e, aos poucos, as palestras evangélicas os alertaram dos males, da perturbações causadas por esses ardilosos meios, que, hoje em dia, são utilizados por “legiões das sombras”, espíritos malfeitores, para induzir, seduzir, atrair os encarnados a práticas que, aos poucos, fazem com que caiam em tentação e se envenenem com atitudes desequilibradas, que os induzem aos erros e os fazem sofrer a curto, médio ou longo prazo.
Diante do silêncio de Tássio, curiosa, Luana quis saber:
- E o que aconteceu com a família depois?
- O casal solicitou diversas assistências espirituais, assistências com passes e desobsessão na casa espírita que passaram a frequentar.
Pediram vibrações para o lar e realizaram diariamente o culto do estudo do Evangelho.
O marido, arrependido, afastou-se das práticas de baixo valor moral, mas precisou viver com o peso nos pensamentos e o sofrimento consciencial pelo que fez, entendendo, através das palestras, o quanto tudo o que praticou foi prejudicial, errado.
Aos poucos, a esposa se recuperou física e psicologicamente.
A filha, rebelde a princípio, se tornou “filha pródiga” quando engravidou e descobriu estar contaminada com vírus incurável.
A criança, por bênção, não nasceu contaminada, mas a moça vai precisar cuidar da saúde pelo resto de seus dias, entendendo que como nos diz um grande espírito:
“O amor é livre, mas o sexo é compromissado”.
O filho mais velho, que foi preso, sofreu impiedosamente na cadeia.
Solto, transtornado, tentou se recuperar de um stresse pós-traumático que o debilitou física e psicologicamente.
Não consegue trabalhar, tem medo horripilante de sair e crises terríveis, pesadelos infernais que ocorrem quando está acordado, a qualquer hora do dia ou da noite e o fazem chorar e querer se esconder.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 71279
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Dez 04, 2016 12:03 pm

Precisa de medicação e tratamento psiquiátrico e psicológico, além de assistência espiritual.
Os pais sabem que, por conta da invigilância e irresponsabilidade paternais, precisam ajudá-los, hoje, em tudo.
O lar está incomparavelmente melhor, mais equilibrado.
Essa família não precisava experimentar o que sofreu.
Nem mesmo o outro filho precisava da morte prematura.
No entanto, ao se afastarem das preces e orações que os ligavam ao Pai, ao implantarem programas inadequados ao equilíbrio, às práticas imorais, que os levaram a pensamentos e acções que resultaram em tão grande sofrimento, se desequilibraram.
Eles, hoje, ao menos já começaram a corrigir o que erraram nesta vida, mesmo sem ter corrigido a que vieram.
Outras famílias, no entanto, lamentavelmente, não entendem o que estão destruindo.
- Programas inadequados na TV, na internet, músicas e livros de baixo valor moral, que inclinam à sensualidade, à sexualidade, destroem alguém sem se perceber -– comentou Luana.
- Exactamente -– observou Enéas, muito calmo.
Se os encarnados acham que quando estão assistindo, ouvindo, lendo algo obsceno, promíscuo e ninguém vê, só estão pensando em nível de encarnado, pois o que fazem aqui, toda a espiritualidade acompanha.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 71279
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Dez 04, 2016 12:03 pm

Capítulo 24 - Alergia quase fatal

Ao entrarem no carro para irem embora, o casal Weber e Elza comentou:
- Acho que o Felipe deu sorte.
Como essa moça é dedicada, sábia... -– disse dona Elza.
- Confesso que a julguei de forma errada.
Pensei que fosse uma aproveitadora e...
Depois até cheguei a pensar que, para corrigir tudo, o Diogo era quem devia ficar com ela por causa do filho -– disse o marido.
- O errado nessa história toda foi o Diogo, sem dúvida.
Primeiro ela se envolveu com a noiva do irmão.
Isso acabou com o Felipe, devemos admitir.
Depois, já noivo de Ceres, foi namorar a Vanessa.
Engravidou a menina e nem quis saber.
- Ela não contou que estava grávida.
Foi isso o que eu entendi.
- Mas, se ele não se preservaram, a preocupação não poderia ser só dela.
O Diogo deveria tê-la procurado para saber.
E também para lhe dar explicações sobre a palhaçada que fez ao se comprometer com duas ao mesmo tempo.
- Isso é passado, Elza.
Hoje gostei de ver o Felipe e a Vanessa juntos.
Agora parece que ele criou juízo.
Ela será uma boa mulher para ele.
- Ai!... Estou ansiosa!
Tomara que o nené seja compatível com o Rafael!
- Será sim. Se Deus quiser.
Continuaram conversando.
Enquanto isso, no apartamento, Felipe comentava com a mulher:
- Nunca vi meu pai tão interessado em mim.
Quando comecei a falar sobre a empresa, as lojas nos shoppings, ele ficou tão atento!
Nunca tinha feito isso quando eu falava de outros assuntos.
Tudo, sempre, era sobre o Diogo.
- Esquece o passado, Felipe.
Curta seu pai agora -– opinou Vanessa.
- Naquela hora, quando eles começara a fazer perguntas sobre a gravidez, falaram sobre compatibilidade...
Isso parece que te incomodou ou foi impressão minha?
Ela parou pensativa e decidiu contar:
- Fiquei envergonhada.
- Por quê?
- Ora... Eles são os seus pais e...
- E daí? -– perguntou sem entender o que ela queria dizer.
- Eles são seus pais e pais do Diogo.
O que devem pensar de mim?
Namorei o seu irmão, tive um filho dele e...
De repente, você veio morar aqui e estou grávida...
- Hei! Espere aí!
Não foi assim do jeito que você está falando.
- Para eles pode parecer isso. Sei lá.
Dá a impressão de que sou...
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 71279
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Dez 04, 2016 12:04 pm

- Que nada. De onde tirou essa ideia? -– ele perguntou.
- Tirei de uma situação que vivo hoje.
Você não percebe?
- Vanessa, preste atenção:
tudo bem que não é muito comum o que vivemos hoje.
Nem todo irmão acaba namorando e se comprometendo com a ex-namorada do outro.
Mas você só está vendo isso.
Está se prendendo ao superficial e não aos detalhes.
- Como assim? -– ela não entendeu.
- Ora, você namorou o meu irmão já faz anos.
Era inexperiente, imatura.
Ficou grávida dele e nunca mais o procurou nem o viu.
O Diogo nem mesmo ficou sabendo que tinha um filho.
Depois desse tempo todo, foi que me conheceu.
Um momento em que a olhou, depois continuou mais tranquilo, com sua voz forte:
- Quando eu comecei a gostar de você, o facto de ter um filho do meu irmão me incomodou um pouquinho.
Mas o que eu sentia era mais forte.
Então pensei:
se o Rafael fosse filho de um outro cara eu não iria me incomodar, não faria diferença, certo?
Porque, então, devo me incomodar por ser filho do meu irmão?
Sangue do meu sangue -– sorriu.
Que, geneticamente falando, é meu filho.
- Aaaah!...
Não me venha com essa conversa de que o Rafael é seu filho, tecnicamente falando! -– zangou-se.
- Tá bem! Mas que é, é! -– riu gostoso.
Mas isso não importa.
Assim como também não me importa o facto de você ter namorado meu irmão ou outro cara qualquer.
O que eu tenho a ver com isso?
Foi antes. Foi no passado.
Antes até de me conhecer.
Você não traiu, na enganou, não mentiu, não trapaceou, não se corrompeu com vida leviana...
Nunca fez nada que me ferisse ou me magoasse.
Nem a mim nem a meu irmão.
Nós, simplesmente, nos conhecemos e nos apaixonamos.
Estamos livres e desimpedidos.
Você sempre me respeitou e deixou isso sempre bem claro para nós e para os outros.
O facto é que não vejo com o que você tem de se envergonhar.
Meus pais sabem disso.
Breve pausa e completou:
- Sabe, Vanessa, não podemos controlar os pensamentos de ninguém.
Se estamos certos, se nossa consciência está tranquila, não vamos nos preocupar com os outros.
Aproximando-se, Felipe lhe fez um carinho no rosto, afastou-lhe uma mecha de cabelo, colocando-a atrás da orelha e beijou-lhe a testa.
Vanessa sorriu junto e em seu rosto resplandeceu uma beleza encantadora.
Com jeito meigo, ela fugiu ao seu olhar enquanto sorria docemente.
Felipe reparou o quanto ela era bonita, amável, carinhosa, maleável para entender situações.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 71279
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Dez 04, 2016 12:04 pm

Ele a abraçou embalando-a de um lado para outro enquanto ela o envolvia pela cintura, recostando o rosto em seu peito.
Beijando-lhe o alto da cabeça, procurou seus lábios, beijando-os.
Depois, segurou em seu rosto, para olhá-lo e murmurou:
- Eu amo você. Nada mais importa.
- Amo você também, Felipe.
Beijaram-se
O tempo foi passando rápido...
Uma olhada no relógio, que não havia despertado, e Leda viu que já eram dez horas da manhã.
Um feixe de luz rasgou a penumbra do quarto, iluminando seus olhos expressivos de modo a provocar quase uma dor.
Ela colocou a mão na frente do facho de luz e se mexeu para se sentar.
Um lapso de memória quase não a deixava nem lembrar do próprio nome.
Que dia era?
Sábado ou segunda-feira?
O que teria mesmo de fazer?
- Nossa... Que sensação estranha... -– com voz rouca, murmurou consigo mesma ainda tentando se lembrar das atribuições que tinha naquele dia.
Uma coisa era certa: havia perdido a hora.
Não adiantaria pressa.
Que dia era mesmo?
Cambaleou ao se levantar, pegou um robe e entrou no banheiro.
A cabeça estava muito pesada e se sentia tonta.
Foi até a pia e jogou água no rosto.
Encarou o espelho tendo, ainda, a escorrer pela face a água fria e transparente.
Não conseguia se ver direito, talvez, por causa da penumbra.
- O que aconteceu comigo?
Parece que estou dormente.
Meu rosto está inchado, meus olhos não querem abrir e...
Não consigo pensar, acordar...
No plano espiritual, Rosa, sua mentora, procurava despertá-la.
Uma sensação estranha e um sono irresistível parecia atraí-la para a cama.
- Acenda a luz. -– inspirou o espírito Rosa como a soprar-lhe no ouvido, ecoando em sua mente o que fazer.
Sem ouvir o que lhe era sugerido, tendo como sua aquela ideia, Leda precisou de uma força descomunal para dar um passo e erguer a mão para acender o interruptor.
Olhando-se novamente, observou melhor o quanto seu rosto estava inchado e bem alterado.
- Meus Deus... O que é isso? -– tornou a perguntar em voz baixa.
Leda voltou para a suíte e se apoiou na cama, colocou os chinelos e saiu do quarto.
Empurrou e abriu a porta do quarto do filho, que também estava escuro, mas não o viu
Cambaleando, caminhou pelo corredor e chegou até a sala e a luz natural pareceu agredir ainda mais seus olhos, tanto que precisou pôr a mão na frente do rosto.
- Rodrigo... -– chamou baixinho, não tendo forças para falar mais do que isso.
Foi até a cozinha e nada.
O filho não estava.
Precisava fazer grande sacrifício para pensar e tomar decisões.
Respirava mal, tinha de se esforçar para isso.
Voltou à sala e decidiu ligar para a amiga que morava no apartamento de baixo.
O telefone de Vanessa só chamava.
Tentou o celular, mas nada.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 71279
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Dez 04, 2016 12:04 pm

A ligação caía na caixa postal.
- Preciso de ajuda... -– murmurou ao reconhecer que não estava bem.
- Liga para o Diogo.
Ele está mais perto -– sugeriu novamente sua mentora.
Não são só os espíritos inferiores que nos inspiram, mas também todos aqueles do nosso nível espiritual.
Leda se lembrou de Diogo, mas não tinha forças para tomar decisões nem ser ágil.
Sentou-se no sofá como se se largasse.
Outros amigos espirituais, junto com Rosa, começaram a ceder energias salutares para fortalecê-la.
Movendo-se e respirando com dificuldade, confusa, pegou o celular sobre a mesa e buscou o número de Diogo.
Ligou.
- Alô! Leda? -– perguntou ele ao ver sua identificação no visor do aparelho.
- Diogo... -– murmurou fraca e se calou em seguida.
Diante da demora e estranhando o tom da voz, ele pediu:
- Estou ouvindo. Fala.
- Não sei o que tenho.
Estou estranha. Preciso de ajuda.
- Você está falando do celular.
Onde você está, Leda?
- Em casa... -– murmurou com voz fraca.
- Estou indo aí, tá?
Abra a porta, que estou chegado.
Deita e fica quietinha, mas continue falando comigo. Entendeu?
- Entendi... Estou indo até a porta -– falou enquanto se segurava nas paredes para fazer o pretendido.
- Isso. Eu estou perto.
Um momento e perguntou:
- Abriu a porta?
- Abri -– respondeu com a voz bem baixa, que ele quase não ouvia.
Após longa pausa, pediu:
- Leda, fique atenta, tá?
Conversa comigo. O que aconteceu?
Sabe me dizer por que está assim?
- Não. Acho que...
- O quê? Acha o quê?
- De madrugada tomei um remédio...
- Que remédio?
- Agora não sei.
- Como não sabe?! -– preocupou-se ainda mais.
- Não lembro o nome.
Não to conseguindo pensar...
Um momento de pausa e o chamou:
- Diogo...
- Fala!
Silêncio.
- Leda! Tá me ouvindo?
- Tô... -– sussurrou.
Deitada no sofá, seus olhos teimavam em fechar mesmo contra sua vontade.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 71279
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Dez 04, 2016 12:04 pm

- Estou estacionando o carro -– disse ele.
- Tá...
- O Rodrigo não está aí com você?
Ela demorou muito para responder, apesar disso, forçou-se a dizer:
- Não. Não sei dele.
- Como não?!
- Não sei...
- Estou na portaria. Já vou subir.
Diogo cumprimentou o porteiro que o recepcionou com um:
- Bom dia, seu Felipe!
Não deu importância, principalmente por, naquele momento, estar mais preocupado com Leda.
O elevador demorava tempo demais.
Pensou em subir pelas escadas, mas eram muitos andares.
Por fim chegou e ele subiu para o andar desejado.
Entrando no apartamento, chamou por ela e logo a viu no sofá com o corpo largado sobre as almofadas.
- Leda!... -– exclamou murmurando.
Observando-a de perto, viu suas pálpebras inchadas e vermelhas, assim como seu rosto, pescoço, lábios, mãos.
-– Isso é reacção alérgica, com certeza.
- Diogo... Não estou bem -– falou com a voz baixa, fraca e com dificuldade até para respirar.
- Onde está a sua bolsa?
- No meu quarto.
No armário da direita.
Ele foi até a suíte e não foi difícil encontrar a bolsa.
Retornando para a sala, disse enquanto foi pegando-a enlaçando o braço de Leda em seu ombro.
- Seus documentos e o cartão de plano de saúde estão na sua carteira, certo?
- O documento está, mas...
Não tenho plano de saúde.
- Como não?! -– perguntou e parou, olhando-a firme.
- Não. Não tenho.
Só o Rodrigo -– murmurou.
- Vamos. Darei um jeito -– comentou e saíram.
No hall do elevador, ele a abraçou e a recostou em si, enquanto Leda, por mais que tentasse ser forte, enfraquecia.
Passando pela portaria, o porteiro se surpreendeu ao vê-los com dificuldade e o ajudou a abrir os portões e depois o carro que estava estacionado quase em frente.
Diogo a acomodou no banco do passageiro, olhou-a por um momento e logo assumiu o volante, indo para o hospital que conhecia.
Deitada em um leito hospitalar, com Diogo ao seu lado, Leda abriu os olhos e depois os fechou.
Ainda se sentia sonolenta, mas, aos poucos, foi capaz de reagir contra aquela moleza que antes a derrotava.
Remexendo-se um pouco, ela o viu sentado em uma cadeira ao lado, segurando em sua mão, enquanto apoiava a testa em seu leito, em vê-la.
- Diogo... -– murmurou.
O rapaz ergueu a cabeça e sorriu largamente.
- Oi. Você está bem? -– perguntou, expressando satisfação.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 71279
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Dez 04, 2016 12:04 pm

- Acho que sim -– respondeu ela e olhou para o seu outro braço que estava preso ao soro e a outra medicação.
Reparando melhor, notou que o quarto hospitalar era bem acolhedor, confortável e bonito.
De forma alguma aquele seria um hospital público, onde esperava ser socorrida.
Virando-se, perguntou com simplicidade:
- Que hospital é esse?
Para onde você me trouxe?
- Para o hospital Sírio Libanês.
Era o único que eu conhecia.
O que me veio à mente.
Leda reagiu preocupada.
Tentou arregalar as pálpebras ainda fechadas e remexeu-se como se quisesse sentar, reclamando, parecendo brava:
- Pelo amor de Deus, Diogo!
Como é que vou pagar por um hospital desses?!
Onde você estava com a cabeça?!
- Em você -– respondeu com simplicidade.
Levantando-se, ficou ao seu lado e explicou:
- Queria o melhor para sua saúde.
Não seu preocupe com dinheiro.
Eu vou pagar o hospital.
- Não era um caso tão sério.
Como é que vou te pagar? -– preocupou-se, menos irritada.
- Era sério sim.
Você poderia ter morrido e sabe disso tanto quanto eu.
Quando fui ao seu quarto pegar sua bolsa, vi a caixa de remédio sobre o móvel e a trouxe junto para o médico ver.
Você tomou um anti-inflamatório e não sabia que era alérgica.
Isso é perigoso demais, Leda.
- Nossa... -– falou baixinho.
Nunca fui alérgica a nada.
- Nunca se sabe, até ter certeza.
Nunca se toma um remédio sem avisar ninguém.
Você sabe disso. Fez Farmácia.
Isso nos foi ensinado. É algo básico.
- Eu sou sozinha. Meu filho é pequeno.
Era madrugada e eu estava com muita dor.
- O que sentia?
- Enxaqueca. Daquelas bem fortes.
À noite, antes de me deitar, tomei um analgésico comum.
O que sempre tomo.
Mas não passou. Nem dormi direito.
Levantei e liguei para uma farmácia 24 horas que faz entrega em domicílio.
Pedi um medicamento que sempre ajuda com dores assim.
Logo que o moto boy entregou, tomei de imediato.
Estava desesperada.
Estava quase claro e fui me deitar de novo.
- E quase se matou.
- Ai, não diga isso.
Tenho um filho pra criar e...
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 71279
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Dez 04, 2016 12:05 pm

Um instante e se lembrou:
- E o Rodrigo? Você sabe dele?
- Está com a Vanessa.
Assim que viemos pra cá, liguei pra eles.
Disseram que telefonaram para o seu apartamento logo cedo convidando o Rodrigo para ir ao Aquário de São Paulo.
O Rodrigo disse que foi até o seu quarto, pediu para ir e você deixou.
- Não me lembro disso.
Pensou um pouco e considerou:
- Deveria estar meio atordoada com o efeito do medicamento.
- O inchaço da glote, laringe, dificulta a oxigenação do cérebro e isso provoca sonolência.
- Eu sei o que é -– reconheceu a gravidade do caso.
Sentou-se direito após accionar a cama para melhor acomodação.
Depois o olhou nos olhos e agradeceu com jeito meigo e leve sorriso doce:
- Obrigada por me ajudar.
Por me socorrer.
Diogo sorriu, levou a mão até o seu rosto fazendo-lhe um carinho e comentou:
- Não posso dizer que foi um prazer, mas achei legal você ter se lembrado de mim.
Com movimentos leves, ele passou-lhe a mão pelos cabelos suaves, ajeitando alguns fios que lhe caíam sobre a face.
Diogo se aproximou mais e segurou o rosto de Leda com uma mão, enquanto a outra apoiou em suas costas e lhe fez um carinho, recostando-a em seu peito.
Beijou o alto da cabeça, encostando a face sobre ela e, cerrando os olhos, ele respirou fundo e confessou:
- Fiquei com tanto medo.
- Do quê? -– perguntou com voz abafada pelo abraço.
- Tive medo de perder você.
Fiquei apavorado.
Quando demos entrada aqui, você estava inconsciente.
Sua pressão arterial caiu.
Ficou vermelha, inchada, irreconhecível.
Eles a levaram para a UTI para reanimá-la.
Precisou de cortisona e doses de adrenalina directo na veia.
As reacções eram graves, quase gravíssimas.
O choque anafiláctico poderia ter sido fatal.
Fiquei cada vez mais apavorado quando o médico me trazia boletins do quadro e quase não falava da sua melhora.
Dizia que era preciso aguardar.
Então eu comecei a orar.
Passou a mão em seu rosto, dizendo:
- Descobri que você é muito importante para mim, Leda.
Ela o olhou e sentiu uma emoção forte ao experimentar o coração bater rápido.
Diogo se curvou e parou ao tocar suavemente seus lábios.
Antes de beijá-la, murmurou:
- Adoro você...
Beijou-a com carinho, depois a apertou junto a si.
Se pudesse, iria guardá-la em seu peito para protegê-la e amar.
No minuto seguinte, poucas batidas e a porta do quarto foi aberta.
Era o doutor Aguiar, médico que cuidava de Leda.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 71279
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Dez 04, 2016 12:05 pm

- Como está a nossa garota?! – perguntou de modo simpático, o homem alto e magro que usava óculos e tinha alguns papéis nas mãos.
- Está bem acordada agora -– respondeu Diogo sorridente, afastando-se do abraço de Leda.
- A mocinha deu um susto e tanto em todo mundo, não foi?
Ela sorriu constrangida e nada disse.
O clínico comentou:
- Fiquei sabendo que é farmacêutica.
- Pois é, doutor.
Algo assim acontece nas melhores famílias... -– ela brincou.
Quando eu acordei e me vi com reacções alérgicas, nem conseguia pensar direito.
Só sabia que precisava de ajuda.
- As pessoas ignoram que as reacções imunoalérgicas, ou reacções alérgicas, são imprevisíveis, obrigando médicos e pacientes ficarem bem atentos, até mesmo quando a pessoa já fez uso de medicamento igual.
Quase ninguém leva a sério, pois não sabe que essas reacções alérgicas podem ser discretas, quase imperceptíveis, depois muito graves e até potencialmente fatais.
Qualquer indivíduo, alérgico ou não, pode sofrer uma intolerância ou alergia medicamentosa.
E é ainda pior quando existe combinação de medicamentos que contribuem para o aumento de efeitos colaterais.
- Sempre tomei dipirona e foi o que fiz, à noite, quando a dor de cabeça começou.
Por não passar, e visto que já haviam decorridas mais de sete horas da ingestão do remédio, tomei um anti-inflamatório, pois sei que ele auxilia no tratamento da dor -– contou Leda.
- Certamente a primeira substância alterou o equilíbrio do seu organismo, provocou alguma reacção leve ou acentuada e você não percebeu, não observou.
A dipirona é um medicamento anti-inflamatório.
Com o anti-inflamatório mais potente que usou depois, a reacção se potencializou.
É certo que sofreria a reacção alérgica de qualquer jeito, só que ela se deu de forma mais violenta.
Como você deve saber, é ao longo do tempo que a sensibilidade alérgica acontece, em muitos casos, mesmo após alguns contactos com a substância sem que sejam desenvolvidos os sintomas.
Nenhum medicamento é completamente seguro no quesito efeito colateral.
Sempre poderá haver uma surpresa.
A automedicação é muito perigosa, principalmente por parte de pessoas sem conhecimento farmacológico que não reparam nas primeiras reacções de alergia, que podem ocorrer no uso corriqueiro de um remédio.
O pior é quando a pessoa o testa para ver se é alérgica mesmo.
Testes ou repetições de uma medicação à qual se é alérgica são muito perigosos, porque, certamente, a reacção virá mais grave.
- Eu sei disso -– lamentou Leda em tom constrangedor.
As reacções adversas, ou reacções alérgicas, podem variar de simples coceira, erupção na pele, mal-estar, vómitos ou náuseas.
Ou podem ser maiores com urticária, angioedema, edema da glote que provoca asfixia, fotossensibilidade, reacções respiratórias diversas chegando a reacções graves ou gravíssimas, que é choque anafiláctico, síndrome de Lyell, síndrome de Stevens Johnson...
- Sim, as reacções são muito variadas, levando a óbito e a sensibilidade é imprevisível e varia de pessoa para pessoa -– tornou o médico.
Geralmente, quem é alérgico a um tipo de analgésico anti-inflamatório não hormonal, é alérgico a outros do mesmo grupo.
Por isso é essencial consultar um médico Alergologista.
Ele saberá orientar, pois, para medicamentos como dipirona, não existem, hoje, testes que confirmem categoricamente a alergia.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 71279
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Dez 04, 2016 12:05 pm

Somente um médico Alergologista poderá orientar bem após uma avaliação do caso, uma vez que existem outros medicamentos capazes de substituir os que provocam reacções.
Reparando a atitude do rapaz que segurava a mão de Leda e fazia-lhe um carinho suave, o médico sorriu e comentou:
- Agradeça ao Diogo.
Seu caso foi muito grave.
Mais um pouco...
Se não fosse por ele...
Leda sorriu docemente ao erguer o olhar para Diogo que correspondeu e apertou sua mão de leve.
Virando-se para o médico, ela perguntou:
- Vou ser liberada agora?
- Melhor amanhã -– respondeu o médico.
- Amanhã?... -– reclamou ela.
- Amanhã é segunda-feira, dia ideal para iniciar a semana.
Estará cheia de vigor.
Por isso é melhor descansar.
- Como assim? Amanhã é domingo!
- Não, menina.
Hoje é domingo -– tornou o médico rindo.
- Você veio pra cá ontem de manhã. Sábado.
Foi quando telefonou pra mim.
Não lembra? -– perguntou Diogo.
- Não... Como assim, eu não lembro?!
- Descanse, dona moça -– tornou o médico brincando.
Voltarei amanhã. Já deixei prescrita a medicação que deverá tomar daqui a pouco.
Como sabe, remédios para o seu estado dão sono.
Não se preocupe.
Aproveita e relaxa! -– disse sorridente e deixou o quarto.
Após a saída do médico, ela reclamou:
- Não dá para relaxar quando penso na conta deste hospital.
Diogo riu, fez-lhe um carinho e falou:
- Pare de pensar nisso, Leda.
Deixa de ser orgulhosa e aceite o que eu posso te oferecer.
No dia seguinte, Leda estava óptima.
Nem parecia ter corrido o risco que correu.
Em seu apartamento, ela contava para Vanessa e Felipe:
- Se não fosse o Diogo estar aqui perto...
- O meu carro estava com uma luz de freio queimada e eu lembrei de ter visto um auto-eléctrico aqui perto.
Apesar de ser sábado e esses lugares estarem cheios, decidi arrumar.
Foi bem rápido.
Quando o serviço ficou pronto, eu ia entrando no carro para ir embora, o celular tocou.
Vim correndo pra cá -– contou Diogo.
- Eu já tinha ligado pro seu apartamento e para o seu celular, Van.
- Logo cedo eu liguei pra cá e o Rodrigo atendeu.
Eu o convidei para ir ao Aquário de São Paulo.
Faz tempo que a gente estava ensaiando pra ir e decidimos no sábado de manhã, assim que acordamos.
Então ele disse que ia pedir pra você.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 71279
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Dez 04, 2016 12:05 pm

Depois o Rodrigo retornou a ligação e disse que você estava deitada, mas ele entendeu que o deixou ir.
Quando falou que ia se trocar e te acordar para tomar café, eu falei pra se trocar e descer pra tomar café com o Rafael, pois você estava deitada.
Fiquei tranquila.
Achei que quisesse dormir até mais tarde.
- Eu ia é dormir para sempre -– brincou a amiga.
- Que perigo, Leda -– comentou Felipe.
- Perigo foi a conta daquele hospital!
Quase enfartei ao ver.
Não adianta eles me salvarem de uma coisa e me fazerem morrer de outra.
- Deixe de ser boba -– disse Diogo rindo.
Não sei por que está se preocupando com isso.
Aliás, porque é que não tem um plano de saúde, Leda?
- Por que, no momento, é muito caro pra mim.
Só o Rodrigo tem plano.
Primeiro preciso me estabilizar com a farmácia, depois...
No momento não dá.
Breve pausa e Diogo sugeriu:
- Mudando de assunto...
Estamos adiando muito ir à praia.
Que tal no próximo fim de semana?
Felipe e Vanessa se entreolharam e ela gesticulou com os ombros, como se lhe dissesse que por ela tudo bem.
- Pode ser -– concordou o irmão.
Vamos para Bertioga?
- Sim. Vamos.
A casa está vazia -– tornou Diogo.
- Faz muito tempo que não vou à praia -– comentou Felipe.
- Você vai, né, Leda? -– perguntou Vanessa.
- Eu...
- Claro que vai! -– respondeu Diogo, interrompendo-a.
Vamos todos. Precisamos aproveitar o estado bom do Rafael.
- Mas não está um pouco frio, gente? -– questionou Leda.
- Não é só com calor que se vai à praia.
Deixa disso -– disse Diogo rindo.
Quem sabe poderemos prolongar, ou melhor, antecipar o fim de semana.
Poderíamos ir na quinta-feira à noite e...
- Ah... Na quinta eu não posso -– disse Leda.
Continuaram a conversa e fizeram planos de viagem.
A semana seguia seu curso normal.
Cada um voltado para suas tarefas, embora ansiosos pela viagem que fariam no fim de semana.
Na quinta-feira, próximo ao horário de almoço, Diogo saía da bela residência de seus pais quando o controle remoto do portão da garagem mostrou-se com a bateria fraca e não funcionou.
- Droga! -– reclamou. Estava com pressa.
Após várias tentativas, conseguiu abrir e sair com o carro para a rua, mas não conseguiu fechar o portão.
Desceu do carro, foi até o interfone e pediu à empregada que fizesse o favor de pegar outro controle no interior da residência para fechar o portão.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 71279
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Dez 04, 2016 12:06 pm

Ao retornar para o veículo, viu uma mulher alta, de pele muito alva, descer de um carro e caminhar em sua direcção.
Bem vestida, com roupas que não eram comuns de se verem por aqui.
Cabelos repicados, ruivos, também cortados em estilo inusitado, talvez visto somente em algumas revistas.
Maquiagem que ressaltava os olhos e a boca.
Ela se aproximou sorrindo e disse com forte sotaque inglês:
- Quanto tempo.
Pensar nunca mais me ver, Felipe?
- Oi... Acho que você está me confundindo -– ele sorriu ao dizer.
- Como assim? -– perguntou com voz forte e bonita.
- Não sou o Felipe. Sou gémeo dele. Meu nome é...
- Diogo! Então você ser Diogo! -– sorriu, exibindo os belos dentes alvos com uma gargalhada gostosa.
Já ouvi muito falar de você, Diogo! -– reforçava o seu nome no tom da voz.
De facto... Você ser incrivelmente parecido.
Pensei ser Felipe, só tivesse cortar os cabelos.
- E você é?... -– perguntou ele, mesmo já desconfiado.
- Brenda. Desculpe a gafe.
Meu nome ser Brenda -– estendeu a mão para cumprimentá-lo.
Diogo, discretamente a olhou de cima a baixo.
Era uma mulher exótica, muito bonita, de sorriso fácil e bem comunicativa, cativante.
Seus olhos azuis de uma cor bem pura davam realce aos cabelos avermelhados que combinavam com as poucas sardas graciosas.
- Prazer, Brenda.
- O prazer ser meu.
Que bom conhecer você.
Espero ter ouvido falar de mim.
- Sim, já -– confirmou ele que começou a se sentir mal com a situação.
O que ela poderia querer?
De certo estava ali a procura de seu irmão, mas Felipe não disse que haviam terminado tudo?
O que ele deveria fazer?
Uma emoção estranha o dominou. Sentiu-se mal.
- Eu chegar da Europa ontem.
Era para vir antes, mas não deu.
Hotel, aluguel de carro... descobrir endereço.
Faz anos que não vir para o Brasil e estar sem prática.
- Você está à procura do meu irmão?
- Sim. Querer falar com ele.
- É que o Felipe não mora mais aqui.
- Não?! -– estranhou.
E, onde poder encontrá-lo?
Diogo se preocupou.
Não sabia o que dizer.
Foi sincero.
- Olha, Brenda...
Sei que você e o Felipe terminaram um relacionamento e ele se desfez de tudo o que tinha lá na Europa e veio para o Brasil.
Hoje ele tem uma vida nova, tem alguém e...
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 71279
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Conteúdo patrocinado


Conteúdo patrocinado


Voltar ao Topo Ir em baixo

Página 12 de 15 Anterior  1 ... 7 ... 11, 12, 13, 14, 15  Seguinte

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo

- Tópicos similares

 
Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum