MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

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Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Dez 05, 2016 10:03 am

- Como assim?! -– ela surpreendeu-se e ficou séria.
- Como assim, o quê? Você não terminaram? -– perguntou ele intrigado.
- Ele ter alguém?
Ter outra? Ele não poder!
- É... Eles... -– calou-se.
Temeu dizer algo que não deveria.
Mais tranquila, perguntou:
- Onde posso encontrar Felipe?
- Olha... Vamos fazer o seguinte:
deixe o endereço e o número do telefone de onde você está hospedada e eu passo pra ele. Está certo?
Desconfiada e esperta, ela concordou:
- Está bem.
Abrindo a bolsa, pegou um cartão do hotel e deu a Diogo dizendo:
- Estou aqui.
Pegando uma caneta, fez uma anotação e completou:
- O meu número telefone celular ser esse.
Pede ele me ligar, tá?
- Sem dúvida. O quanto antes.
- Obrigada, Diogo -– sorriu.
Um sorriso treinado onde não mostrou os dentes.
Apertou-lhe a mão e se virou.
Foi para o carro.
Diogo suspirou fundo e sentiu a tensão sair de seus ombros que estavam encolhido sem ele perceber.
Precisava falar com Felipe para o irmão não ser pego de surpresa, mas Vanessa não poderia saber.
Aquele era um assunto que não poderia ser tratado por telefone.
Sabia disso. Mesmo assim, ligou para o celular do outro.
- Fala Diogo! -– disse o irmão ao atender.
- Precisamos conversar. É muito importante.
Alguém veio te procurar, agora, aqui no portão de casa.
- Quem?
- Brenda.
Felipe sentiu-se gelar. Não havia comentado sobre seu relacionamento com Brenda para Vanessa.
Quando pensou em fazer isso, não era um bom momento. Depois acabou se esquecendo, não dando importância.
- E daí? – perguntou ansioso, sem poder falar muito.
- Deixou o telefone e o endereço de onde está – disse Diogo.
- Você pode... -– deteve as palavras quando viu Vanessa chegar à sala.
Olhou-a e não sabia o que falar.
Diante da demora, Diogo decidiu:
- Não vai dar para você anotar, entendi que tem gente perto.
Então eu passo aí, você desce e pega o cartão comigo.
- Está bem. Até mais.
- Quando eu chegar, dou um toque no seu celular.
- Certo. Até mais -– tornou Felipe, que ficou com um semblante sério, preocupado.
Ao vê-lo pensativo, Vanessa, com lindo sorriso no rosto, quis saber com simplicidade.
- Era seu irmão?
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Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Dez 05, 2016 10:03 am

- Era -– respondeu simplesmente em tom seco.
- O que ele queria? -– perguntou, virando-se, quase sem dar importância ao assunto.
- Ele vai passar aqui e...
Vai me dar um contacto de...
Parece que alguém que conhece, quer um pacote grande.
Não entendi direito. Depois falo com ele.
- Hoje vou levar o Rafael à consulta.
Ele não vai à escola.
Por isso não vou com você à agência.
- Tudo bem.
Vanessa o sentiu diferente.
Muito estranho.
Passando por ele, acariciou-lhe o rosto com a mão suave, puxou-o, lhe deu um beijinho rápido e foi para o quarto.
Felipe ficou inquieto.
Sentiu o coração mais opresso ainda.
Havia experimentado esse sentimento pouco antes de o irmão telefonar.
Foi um pressentimento.
Algum tempo e seu celular vibrou sem o toque, pois rapidamente o programou assim.
Ele olhou. Era Diogo.
Felipe pegou o elevador e desceu.
Ao encontrar com Diogo na calçada do edifício, o irmão lhe ofereceu:
- Toma. Ela me deu isso.
- Não contei nada para Vanessa -– comentou Felipe amargurado.
- É coisa do passado?
- Claro.
- Então, talvez, nem precise.
O que ela poderia querer?
- Essa é a minha preocupação.
O que a Brenda poderia querer aqui?
Breve pausa e contou:
- O que temos para acertar não precisa ser pessoalmente.
Ela tem o génio forte.
É insistente e imprevisível.
- Felipe, preciso ir. Estou atrasado.
Tenho uma reunião com alguns directores e...
- Vai lá! Vai lá!
- Depois conversamos.
- Obrigado, Diogo.
- Tchau -– estapeou-lhe as costas e beijou-lhe o rosto.
O porteiro ficou confuso ao vê-los.
Ele nunca sabia quem era quem e sacudiu a cabeça sem entender.
Felipe retornou e subiu.
Chegando ao apartamento, procurou por Vanessa que se arrumava e disse:
- Tomara que o Rafael esteja quietinho lá na sala. Já vamos sair.
- Ele está sim.
Olhou-a por um instante e se sentou na cama.
Depois disse.
Vanessa, você nunca perguntou sobre mim.
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Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Dez 05, 2016 10:03 am

Ela parou o que fazia, sorriu e o olhou, questionando:
- Como assim?
- Sei da sua vida toda, mas você não sabe muito sobre mim.
- Lógico que sei, Felipe.
Você já me contou -– sorriu.
- Eu não te falei que tive alguém quando morei em Londres e...
- Ei!... -– murmurou sorrindo e se aproximou.
Sou ciumenta. Não vai dar asas para a minha imaginação, não é?
Depois não vou parar de pensar nisso.
Vou achar que quer rever a pessoa e...
Será que precisa me contar mesmo?
Felipe pensou rápido.
Ela tinha razão.
Seu passado não deveria incomodar aquele momento tão bom que estavam vivendo.
Ele precisava resolver o que tivesse para resolver com Brenda e se livrar dela sem incomodar Vanessa.
Afinal, era com ela que queria ficar.
Era com ela que queria ter filhos e decidiu passar o resto de sua vida.
Além de que, Vanessa estava grávida e toda mulher, nesse estado, fica sensível.
Aquilo tudo poderia abalá-la e ele não queria isso.
Felipe se levantou, sorriu, puxou-a para um abraço e a beijou.
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Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Dez 05, 2016 10:04 am

Capítulo 25 - Comércio de órgãos

Naquele dia tudo estava sendo difícil para Felipe, que não conseguia se concentrar em nada.
Telefonar para Brenda não era a coisa mais fácil a fazer.
Ele simplesmente não queria conversar com ela.
Estava tudo acabado entre os dois.
O que ela poderia querer?
O que tinham para resolver, se é que tinham, não precisava ser pessoalmente.
A ideia de ela e Vanessa se encontrarem o apavorava.
Não sabia bem o por quê. Só sentia.
Uma coisa tão simples se complicava por força e envolvimento de Ceres, que não deixava o casal em paz.
A contragosto, telefonou para o celular de Brenda, mas não foi atendido.
Não queria ir procurá-la no hotel.
Aliás, não queria conversar com ela de jeito algum.
Assim passou o dia, sem conseguir resolver nada.
Na sexta-feira, todos estavam empolgados com a viagem.
Planearam descer a serra do mar logo no fim da tarde.
Leda até deixaria a farmácia mais cedo sob os cuidados de um funcionário de sua confiança.
Felipe, como raramente acontecia, ficou livre e à disposição para viajar.
Mas uma inquietude o incomodava.
Ainda estava preocupado com Brenda.
Ela não atendia o telefone e ele não quis procurá-la no hotel.
Decidiu esfriar a cabeça e não pensar mais naquilo.
Talvez Brenda tenha desistido e voltado para Londres por isso não atendia o telefone.
Isso seria muito bom.
A agitação de Rafael e Rodrigo, animados pelo passeio, não o deixava reflectir direito.
E Vanessa ainda o desviou de seus pensamentos quando disse:
- Eles vão com a gente e voltarão no carro com o Diogo e a Leda.
- A Leda vai com o Diogo?
Vanessa deu um sorriso maroto ao responder:
- Vai. Vai sim.
- Por que essa risadinha?
Aqueles dois estão se entendendo, é?
- Acho que sim. Deixa quieto para ver como é que fica.
Felipe sorriu simplesmente e foi levar as malas para o carro.
Durante o caminho para a praia, ele quase não conversava.
Vanessa, ao seu lado, precisou se virar para corrigir as crianças e pedir silêncio por várias vezes.
Os meninos não paravam de falar e brincar, enquanto Felipe permanecia totalmente quieto.
Ela percebeu que algo estava diferente, mas não era um momento propício para conversarem.
De repente, um motorista imprudente fez uma manobra inesperada e Felipe, um tanto distraído, perdido em seus pensamentos, quase não conseguiu reagir para desviar.
- Felipe!!! -– gritou Vanessa segurando em seu braço.
O cantar dos pneus no asfalto assustou a todos.
As crianças silenciaram.
Ele olhou, viu-os bem e logo seguiu viagem.
- Vai devagar -– ela pediu com jeitinho.
- Eu não estava correndo.
Foi aquele idiota que fez uma ultrapassagem forçada, sem visibilidade e jogou o carro para cima de mim.
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Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Dez 05, 2016 10:04 am

- Tá certo, mas... vai devagar.
- Como ir mais devagar?!
Quer que eu pare?! -– respondeu irritado.
Quando a viu olhando-o fixamente, reconheceu seu erro por falar daquela forma ríspida e considerou:
- Desculpa. Fiquei nervoso -– olhou-a rápido e voltou a dirigir.
No resto do percurso, quase não conversaram direito.
O espírito Ceres se satisfazia com o clima tenso e continuava influenciá-los com ideias e pensamentos contrários à harmonia.
Vanessa se sentiu magoada, e não disse nada.
O que estaria acontecendo?
Por que Felipe estava daquele jeito?
Saberia esperar.
Conversaria com ele depois.
Chegaram a casa e os garotos, animados, correram para a praia que ficava bem perto.
Diogo e Leda os acompanharam.
Estando a sós com Felipe, Vanessa o segurou pelo braço, quando o viu na cozinha e perguntou:
- O que está acontecendo?
- Nada. Por quê?
- Como por quê? Você está diferente, me tratando...
Você está distante. O que foi, Felipe?
- Não é nada.
Só algumas coisas que aconteceram e...
Aproximando-se, envolveu-a em seus braços e nada disse.
Apesar do abraço, ela o sentia estranho ainda.
- Isso é por enquanto, Vanessa. Ele tem outra.
Está se envolvendo com outra e você está sendo enganada novamente, igual o Diogo fez no passado. -– inspirava Ceres, não deixando a outra em paz.
No dia seguinte, após o café da manhã, todos foram à praia.
Apesar do sol radioso naquele imenso céu azul, estava um pouco frio para a água.
As crianças só molharam os pés e depois ficaram brincando na areia, fazendo esculturas.
Felipe se deitou em uma espreguiçadeira e ficou quieto.
Diogo e Leda aproveitaram para fazer uma caminhada e Vanessa, sob a sombra do guarda-sol, ocupou uma cadeira e sorriu ao ver que os dois estavam se entendendo.
O barulho das ondas era inebriante, encantadoramente relaxante e trazia paz.
Notando Felipe se remexer, ela perguntou:
- Tudo bem com você?
- Está.
- Você está tão quieto.
Ele nada respondeu.
Não queria estar ali ao lado da mulher que amava sem resolver o que quer que fosse com Brenda.
Mas não poderia dizer nada para Vanessa, afinal, ela mesma disse que não queria saber nada sobre seu relacionamento com alguém do passado.
Ao mesmo tempo, Vanessa se preocupava.
Ao contar para a avó que estava grávida, Henriette não pareceu satisfeita.
Lembrou-a da difícil responsabilidade de ser mãe e que já tinha criado um filho sozinha.
Sabia o quanto isso era difícil.
Ela argumentou que Felipe estava feliz com a novidade e que ficaria sempre ao seu lado.
A avó perguntou por que, então, não se casavam.
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Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Dez 05, 2016 10:04 am

Isso seria o mais correto.
Traria mais segurança a ela.
Vanessa já havia pensado nisso, mas ela e Felipe nunca mais falaram a respeito.
Não sabia o que ele pensava sobre casamento.
Realmente era estranho.
Ele quis ir morar com ela e Rafael, falou das responsabilidades desse acto, foi o primeiro a sugerir que tivessem um filho, mas sobre casamento, sobre regularizar oficialmente uma condição, não falava.
Felipe havia dito que teve um envolvimento com outra pessoa.
Aliás, ele disse que teve um relacionamento.
Ele quis falar sobre o assunto.
Quem sabe contar o que aconteceu, mas ela não o deixou terminar.
Como foi idiota, pensou.
Talvez o que ele diria justificasse seu comportamento estranho agora.
- Felipe -– chamou-o com voz mansa.
- Huummm -– resmungou de olhos fechados.
- Quer dar uma volta?
- Agora não.
- Você está bem?
Ele respirou fundo e se sentou.
Espremeu os olhos por conta do sol e procurou uma pontinha de sombra, junto de onde ela estava para se recolher.
Olhou-a e respondeu:
- Estou bem sim.
Um pouco preocupado com algumas coisas, como já te falei. Só isso.
- É que você está muito quieto.
Não é costume seu ficar assim.
Estou me sentindo mal.
Não sei se foi alguma coisa que eu tenha dito ou feito ou...
Ele tocou o seu braço e sorriu ao pedir:
- Pára de se culpar.
Sou eu que não estou bem.
- Quer conversar?
Quer falar a respeito?
- Melhor não. Não hoje.
- Quando a gente fala dos problemas, nós rachamos, dividimos o peso deles e tudo fica mais leve.
Quem sabe se conversar...
Ele ficou quieto, pensativo e ela insistiu:
- Felipe, está arrependido de alguma coisa?
Por eu estar grávida, por estar preso a mim...
- Não. Pare com isso, Vanessa.
Olhou-a nos olhos e afirmou:
- Amo você. Amo o bebé.
Está tudo certo entre a gente.
Fique tranquila quanto a isso, tá?
Rafael veio correndo mostrando uma conchinha bem bonita que tinha encontrado e os interrompeu.
Felipe lhe deu atenção e decidiu levantar e ir até onde brincavam para ajudá-los na construção de um castelo.
Parecia ter feito isso para fugir daquele assunto.
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Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Dez 05, 2016 10:04 am

Enquanto ela ficou se deixando envolver pelas sugestões de Ceres.
- Acredita mesmo que não é nada?
Aguarde. Fique aguardando.
Daqui a pouco terá uma grande e desagradável surpresa.
Será trocada, traída como foi com o Diogo.
Naquele mesmo dia, no fim da tarde, Felipe chamou Vanessa para um passeio.
Caminharam de mãos dadas pela areia, fugindo as ondas que chegavam mansas até a praia.
Ela sorria alegre enquanto falava revivendo o momento em que soube que estava grávida.
Comentava também sobre os artigos e documentários relacionados à gestação.
Enxoval e brinquedos, as últimas pesquisas sobre recém-nascidos e assuntos do género.
Felipe sorria ao observá-la falar daquela forma tão agradável, realizada, satisfeita e feliz.
Os últimos raios de sol iluminavam seu rosto dando um toque dourado todo especial.
Uma brisa suave acariciava-lhe os cabelos, agora bem mais compridos do que quando a conheceu.
Quando Vanessa se mexia, a luz do sol batia em seus expressivos olhos castanhos que ficavam bem esverdeados, bem bonito de se ver.
Felipe a contemplou e não conseguiu segurar um largo sorriso ao admirá-la, reparando o quanto era bonita, naturalmente expressiva e, além disso, esperava um filho dele.
- O que foi? -– ela perguntou rindo.
- Nada. Só estou admirando você.
- Está zombando de mim.
- Não! Não diga isso.
Ele a abraçou, quando ela tentou fugir, brincando.
Felipe a alcançou, envolveu-a pelas costas, beijou-lhe o pescoço e sussurrou ao ouvido:
- Amo muito você.
- Também amo você -– afirmou, virando-se e dando-lhe um beijou rápido.
Naquele momento, ele parecia melhor do que mais cedo.
Pegando-a pelas mãos, frente a ela, frente a ela, começou a olhá-la como se a examinasse, inclinando o corpo para trás para ver melhor e falou em tom alegre:
- Me deixe ver essa barriga.
Já está aparecendo bem.
- Lógico que não.
- Está sim.
- Pára, bobo!
- Não vou parar.
Quem, mandou arrumar um bobo para ser pai do seu filho?
Ela sorriu.
– É... Acho que aquele apartamento vai ficar pequeno.
Precisamos ver algum outro.
- Você acha que em vez de um apartamento, uma casa seria melhor?
Estou mais acostumada a morar em casa.
Apartamento para mim...
- Pode ser. Precisamos pensar logo nisso.
O tempo passa rápido.
Lado a lado, voltaram a caminhar de mãos dadas.
Ao vê-lo de cabeça baixa, olhando para a areia húmida em que andavam, ela perguntou:
- Felipe -– ele a olhou de modo simples e ela perguntou bem directa:
Você já pensou em se casar?
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Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Dez 05, 2016 10:04 am

Surpreso, ele esboçou um sorriso e respondeu:
- Já -– e olhou para frente, sem dizer mais nada.
Vanessa esperava por algum comentário mais estendido, o que não aconteceu.
Achou estranho e se sentiu chateada.
Não disse mais nada.
Mais adiante, ele parou.
Colocou-a a sua frente, ficando de lado para o sol que, naquele instante tocava o mar, provocando um rajado alaranjado na água, parecendo estender-se como um tapete em sua direcção.
Tocando em seu rosto de pele suave e delicada, Felipe a fez encará-lo e disse em tom brando, com sua voz forte e calma:
- Eu amo você e quero ficar com você.
Vou providenciar tudo para que fiquemos unidos perante a lei.
Quero te dar a segurança que precisa para se sentir bem.
- Desculpe-me falar nesse assunto, mas é que...
- Eu sei.
Sorriu, interrompendo-a:
- Já deveríamos ter falado nisso.
Será questão de tempo.
Ao voltarmos, vamos providenciar, o quanto antes, uma casa maior e regularizar nossa situação. Está bem?
- Lógico.
Felipe se aproximou e a beijou com carinho.
Insatisfeita, Ceres não suportou o clima de paz e harmonia e se afastou.
Mas, em seu íntimo considerou que havia perdido uma batalha, mas não a guerra.
Ao retornarem para a casa, as crianças brincavam com carrinhos enquanto Leda e Diogo, a distância, permaneciam sentados em uma namoradeira na varanda.
Vanessa e Felipe se sentavam frente a ambos e começaram conversar, observando as crianças.
Em dado momento, Diogo comentou:
- O Rafael está tão bem, não é?
- Na próxima semana, ele terá de repetir os exames.
Não gosto disso.
Fico tão tensa -– disse Vanessa, olhando para o filho.
Ele só precisa de um doador de medula óssea.
Ninguém precisa morrer para ele viver.
Seria tão simples se encontrássemos alguém.
- Se fosse algo que desse para comprar, mas não é o caso.
Além de não ser um produto que se põe à venda, é necessário que haja compatibilidade -– disse Felipe.
- O comércio de órgãos e tecidos humanos, além de sangue e medula óssea é proibido no Brasil, mas possível em países como os Estados Unidos.
Lá, entenderam que uma quantia de três mil dólares é justa para um doador de medula óssea, por exemplo -– contou Leda.
- Como assim?! – surpreendeu-se Vanessa.
- Bem, visto que o número de pessoas necessitadas de um transplante como o de medula óssea, por exemplo, é bem grande e tende a aumentar a cada ano, e o número de doadores não é suficiente e não tem prognóstico de aumentar, o jeito foi a liberação do comércio de órgãos humanos como solução do problema.
Aqui, no Brasil, já existe quem defenda essa ideia, pois a liberação do comércio de órgãos legalizada inibiria o tráfico ilegal que movimenta biliões de dólares por ano só aqui no Brasil.
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Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Dez 05, 2016 10:05 am

- Já ouvi falar disso -– admitiu Diogo.
Têm alguns que só agem por dinheiro e existe uma máfia violenta por trás disso que não é só a vontade de salvar vidas.
- Aquele que é capaz de vender um órgão, não é capaz de compreender as consequências de seu acto -– opinou Felipe.
Órgãos que se doam em vida como rins, sangue, medula óssea, parte do fígado, é algo que nos foi dado de graça.
Dado por Deus.
- Um rim no Irão custa em média cinco mil dólares e há países como stoques bem fartos como China, Índia e Paquistão.
Apesar de que, na China, o comércio é proibido.
O problema maior, que eu vejo, é a coacção, além do comércio -– tornou Leda.
- Como assim? -– perguntou Vanessa sem entender.
- Em países onde se sabe que o tráfico de órgãos não é combatido nem mesmo vigiado, médicos desumanos, inescrupulosos, infiéis aos juramentos, não têm decência e se sujeitam a esse tipo de actividade.
Sabe-se quem 95% dos doadores são mulheres.
Algo que dá pra desconfiar, por conta de imposição machista de algumas religiões em que a mulher deve obediência total ao senhor, seu marido.
Isso é coacção. Índia e Paquistão são dois deles.
Dá pra desconfiar, não é?
- Que horror! -– opinou a amiga.
Aprendemos a dar de graça o que de graça recebemos, como lembrou o Felipe.
- Não sei se concordo plenamente com isso, Vanessa -– observou Diogo.
Se aparecesse um doador de medula óssea compatível com o Rafael, eu pagaria a ele pela doação, se ele quisesse.
Acho que seria justo.
Se isso fosse feito, teríamos mais candidatos à doação de medula e os bancos de sangue não estariam sempre vazios.
- Concordo com você.
Eu também pagaria para um doador, se ele aparecesse -– disse Felipe calmo como sempre.
Enquanto Vanessa pensava e revia seus conceitos, Leda protestou.
- Mas isso vai virar um comércio sem fim!
Pode chegar ao ponto de quem pagar mais, leva!
- Então é o governo quem deve bancar.
Impor normas, preços, valores -– tornou Vanessa.
É fácil ser contra o pagamento da doação de sangue ou de medula óssea quando não se tem um filho precisando.
Vivemos em um país onde os governantes, que ganham milhões por mês, têm tratamento vip nos melhores hospitais, com os melhores médicos.
Sendo que esses mesmos governantes ou políticos, ou ex-políticos, deveriam ser cuidados no sistema de saúde pobre, fraco e falho que proporciona ao povo.
Eles deveriam ter vergonha quando em um hospital de alto nível, um grupo de médicos dá entrevistas sobre o estado de saúde do ex-político, que nada fez pela nossa saúde.
Tive tanto problema com o plano de saúde quando o Rafael ficou doente, tanto problema com médicos incompetentes e negligentes e isso piorou o estado do meu filho.
Foi graças ao Felipe que conseguimos médicos e hospitais melhores.
Penso que, mesmo que tenhamos de dar de graça o que de graça recebemos, tem gente que ainda não entende isso e não é por essa razão que outros precisam morrer sem chance.
Por isso acho que o governo deveria, sim, oferecer uma pequena recompensa para, no mínimo, doadores de sangue e medula.
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Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Dez 05, 2016 10:05 am

E um auxílio para as famílias que doares órgãos de parentes em óbito que, quando em vida, concordaram com a doação.
O espírito Ceres se aproximou de Leda e a envolveu, fazendo-a discordar:
- Não sei se concordo com você, amiga -– contrapôs Leda sem pensar no que a outra vivia.
Sou contra qualquer tipo de comércio quando o assunto é órgão humano.
Ao lado da outra, Ceres influenciava-a:
- Viu como ela não pensa no seu problema nem na sua dificuldade?
Como poder ter amizade com alguém assim?
Ela deveria era te apoiar!
Onde já se viu? Não pensou no seu filho.
Não considera as suas dificuldades!
Parece que suas dores nada significam para ela.
- Você diz isso, Leda, porque seu filho é saudável e não tem que rezar toda noite para que apareça alguém compatível ou que o irmão, que ainda vai nascer, seja compatível com ele para doação –- reagiu Vanessa.
É isso que vivemos de forma muito angustiosa.
Se houvesse pagamento de recompensa para um doador de medula, teríamos mais pessoas candidatas no banco de doação.
Isso seria mais chance e não teríamos tanta gente na fila de espera.
É agonizante esperar por um doador e não poder fazer nada quanto a isso.
Eu vivo na internet, nas redes sociais fazendo pedidos, propagandas, mas parece que isso não ajuda muito.
Não como deveria.
Leda abaixou o olhar.
Não sabia o que dizer. Sentiu-se confusa.
Sabia que a outra tinha razão. Não entendeu por que disse aquilo.
Vanessa também ficou chateada.
Não queria se indispor com a amiga.
Era o seu coração de mãe que, em desespero, clamava por uma alternativa, por uma salvação para seu filho.
Ela se levantou e foi para dentro de casa, deixando-os lá fora.
Alguns minutos de silêncio e Diogo, para não ver Leda triste, observou calmo:
- Não liga. Sua amiga está grávida e sensível.
- Isso mesmo, Leda.
Não esquenta a cabeça -– concordou Felipe que se levantou, passou a mão em seu ombro e foi atrás de Vanessa.
Chegando à sala, viu Vanessa sentada no sofá.
Aproximando-se perguntou:
- Você está bem?
- Fiquei chateada.
Não gostei de ter brigado com Leda.
Mas ela insistiu naquilo e...
- Vocês não brigaram.
De repente, Leda, recuperando o bom senso, aproximou-se e se acomodou ao lado da outra.
Felipe sorriu.
Sabiam que iriam se entender e para isso seria melhor que ficassem sozinhas.
Deu um beijo na cabeça de Vanessa e foi para fora, junto do irmão.
- Ei? -– chamou Leda com suave sorriso e um tom de arrependimento na voz baixa.
Não acha que estamos sacrificando nossa amizade por um assunto que...
Eu errei. Não deveria ter falado daquele jeito com você.
Desculpa. Me desculpa, por favor.
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Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Dez 05, 2016 10:05 am

- Desculpe-me por ter falado daquele jeito com você também.
É que... Tem coisa me incomodando muito... e aquele assunto não foi tão agradável.
- Então esquece aquele assunto.
Não somos nós que vamos encontrar solução para ele.
Falar nisso só vai deixar a gente mais chateada ainda.
E abraçou a amiga com carinho.
- Pensei um pouco e vi que tem toda razão.
Me desculpa, tá? Eu não sei o que me deu.
- Deixa disso.
Vendo a outra mais animada, Leda quis saber:
- Vai, fala. O que está incomodando?
- Agora à tarde o Felipe melhorou, mas antes... ele estava tão estranho.
Quieto, frio... Nem sei dizer.
Perguntei o que era e ele disse que não era nada.
- Deve ser alguma coisa com a empresa que não quer comentar com você para não preocupá-la.
Um momento e perguntou:
- O Lipe está igual há alguns dias atrás?
- Não. É que eu estou sentindo uma coisa tão ruim!
- Você está grávida, Van.
É assim mesmo. Está sensível.
A outra sorriu e segurou em suas mãos com carinho, como se agradecesse pelo apoio.
Em seguida, perguntou:
- Me conta, Leda.
E você e o Diogo?
A amiga sorriu.
Fez um gesto meigo encolhendo os ombros e respondeu:
- Ah... Estamos nos entendendo.
- Que bom. Fico feliz por você.
- Sabe, Van, às vezes fico com medo.
Não queria mais ninguém na minha vida.
Só que... A gente está se dando bem.
- O Diogo mudou muito desde que chegou até agora.
Achei que foi por sua causa.
- Será?
- Lógico, Leda.
- Tenho medo de sair machucada dessa história.
Estou recomeçando minha vida.
Tenho um filho pequeno.
- A verdade é que nunca sabemos quando e se um relacionamento vai dar certo, se não arriscarmos.
E o risco consiste em deixarmos acontecer para conhecermos a outra pessoa.
- É. Eu sei. Mesmo sabendo disso, estou com medo.
- Medo é sinal de responsabilidade.
Também tenho medo.
- Você e o Felipe estão muito bem.
- Não sei não.
Nos últimos dias, quando o vejo estranho...
- Ele adora você, Van.
- Isso não quer dizer muito.
Você pode adorar uma pessoa e, de repente, fazer uma besteira muito grande.
Aí, então, só lamentar quando perdê-la.
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Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Dez 05, 2016 10:05 am

- É verdade. Tem gente que só valoriza o que tem ou quem está ao seu lado, depois que perde.
- Não sei se estou assim insegura por causa da minha avó.
Quando eu telefono, ela fica querendo saber sobre minha estabilidade com ele, se vamos nos casar...
Isso me incomoda. Gera dúvidas.
- Conversou com o Lipe?
- Hoje à tarde, enquanto caminhávamos na praia, falei sim.
Daí que ele também achou importante regularizarmos a situação. Mas...
Sabe quando alguém fala e a gente sente que tem algo errado, parece que a pessoa não está muito segura do que diz?...
- Sei.
- Quando eu falei de casamento...
Se ele já tinha pensado em se casar.
Ele respondeu que sim, mas não falou comigo em casamento.
Falou sobre regularizarmos a nossa situação.
Foi estranho. Aliás, já não fiquei satisfeita porque achei que essa ideia deveria vir dele, não de mim.
- Entendo. -– Uma pausa e Leda aconselhou.
Van, procure se acalmar. Dê um tempo a Lipe.
Talvez o assunto casamento não seja algo agradável a ele.
Lembre-se do que já passou quando esteve próximo de se casar com a Ceres.
- Já me lembrei disso.
- Então relaxa.
É questão de tempo para ele entender que hoje não é a mesma coisa do passado.
Não está com a mesma pessoa. Vocês estão juntos.
Estão bem e esperam um filho. Está tudo certo, Van.
Vanessa sorriu, disfarçando seus sentimentos.
Algo a incomodava e apesar disso, não quis mais falar a respeito.
Deixou escapar um leve suspiro e mudaram de assunto.
Os poucos dias de passeio à praia pareceram suficientes para o descanso de todos, com excepção de Felipe, que sentia algo bem incómodo.
Ao retornarem, Vanessa continuou estranhando o seu comportamento quieto, pensativo, bem preocupado.
- Por que não procura o que está roubando tanto a atenção do Felipe?
Vai, procure! Ele está misterioso, não está?
Vive com o celular no bolso e não o deixa tocar, só vibrar. Por quê?
Veja para quem liga ou será que o telefone dele está trancado, travado e você não tem acesso?
Será que ele não quer que mexa nas coisas dele?
Por quê? -– inspirava Ceres, não lhe dando paz.
Aproveitando-se que Felipe estava no banho, Vanessa pegou o celular e buscou por todas as chamadas, pois percebeu que Felipe não largava mais aquele aparelho nos últimos dias.
Notou várias ligações feitas para um número onde não aparecia o nome a quem pertencia e outras ligações não atendidas em nome de Brenda, só que essas dias atrás.
Desconfiada, ligou para o número não identificado.
O telefone chamou e caiu em uma caixa postal pertencente à Brenda, uma voz com sotaque forte e que parecia rir levemente ao falar.
- Ora, ora! Então eu estava certa!
Ele tem outra! -– dizia Ceres rodeando-a.
Você está sendo enganada, traída!
Coitadinha de você! -– e riu sarcasticamente.
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Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Dez 05, 2016 10:06 am

Quem seria Brenda?
Vanessa sentiu uma dor muito forte cravando-lhe no peito enquanto Ceres não parava de influenciá-la.
Felipe estava misterioso, fazendo e recebendo ligações misteriosas. O que significava aquilo?
Imediatamente recordou-se de quando Diogo a enganava e ela não queria acreditar.
Uma sensação de mal-estar a dominou.
Felipe teria outra pessoa?
Seria capaz de se envolver com outra mulher mesmo sabendo que ela esperava um filho dele?
Mesmo sabendo o quanto ela havia sofrido quando foi enganada por Diogo?
Ela colocou o aparelho celular no mesmo lugar, mas não conseguia disfarçar o nervosismo.
Ao vê-lo sair do banheiro secando os cabelos com uma toalha, ficou olhando-o apreensiva.
Não sabia o que dizer nem se deveria perguntar alguma coisa.
Melhor seria esperar.
Poderia mesmo ser uma cliente, dessas que tratavam pessoalmente com ele para querer descontos em pacotes grandes para viagens.
Porém, em casos assim, era comum ele comentar com ela e Vanessa não se lembrava do nome Brenda.
Observando-o quieto e pensativo, decidiu não dizer nada. Saberia esperar.
Talvez sua avó tivesse toda razão.
Aquela vida de, simplesmente estarem juntos, não a fazia se sentir segura.
Felipe poderia se ver livre, não se sentir com responsabilidade.
No instante seguinte, um pensamento cruel castigou-lhe a mente.
E se Felipe fosse casado?
Talvez tivesse se separado e vindo ao Brasil e aí a conheceu.
Por isso não falava em casamento.
Dias antes, ele quis falar sobre sua vida, sobre um relacionamento que teve, mas ela não o deixou comentar sobre o assunto.
O que ele teria para contar que fosse relevante naquele momento?
Angustiada, em silêncio, entrou no banheiro após ele sair da suíte.
Foi rápida no banho.
Não parava de pensar.
Queria falar com ele e esclarecer aquela situação.
Ao sair da suíte, ouviu a TV ligada na sala onde Rafael estava e a voz do Felipe, que falava baixo ao telefone, vinda da cozinha.
Na ponta dos pés, ela se aproximou e ouviu:
- E os meninos? Estão bem? -– ele perguntou.
Ouviu algo e disse:
- Estou com saudades deles.
Deveria tê-los trazido com você para passear... para me ver -– e ficou ouvindo a resposta.
O que era aquilo?
Sobre o que ele falava?
Enquanto o espírito Ceres infernizava os pensamentos de Vanessa, a conversa continuou entre Felipe e a mulher:
- Olha, Brenda...
Não temos muito o que conversar e... -– silêncio.
Felipe ouviu alguma argumentação, depois contrapôs:
- Tudo bem. Eu posso assinar os papéis para você, só que... -– nova pausa.
Está bem. Está bem -– pareceu insatisfeito.
Queria terminar logo com aquela conversa.
Amanhã cedo vou ao seu hotel e resolvemos isso.
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Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Dez 05, 2016 10:06 am

Depois quero paz, tudo bem?
Não quero qualquer outro encargo.
Vanessa começou tremer.
Sentiu-se mal ao pensar muitas coisas.
Como Felipe foi capaz de enganá-la?
Ele era casado e tinha filhos!
Disse ter saudades dos meninos...
Os papéis que precisava assinar deveriam ser do divórcio.
Como ele pôde enganá-la esse tempo todo?
O que fazer agora?
Se lhe perguntasse, ele seria capaz de mentir.
Já havia lhe enganado até então.
Vanessa começou a sentir um torpor e o coração acelerado rasgando-lhe o peito.
Precisava se acalmar, pensar no filho que esperava, mas não conseguia.
Voltando para a sala, sentou-se no sofá ao lado de Rafael, que estava totalmente voltado ao videogame que jogava.
Ela recostou-se, apoiou a cabeça olhando para cima, esperando melhorar.
Ao sair da cozinha, virar o pequeno corredor e vê-la na sala, Felipe pareceu se assustar.
Não a esperava ali.
Ele dobrou o celular e o guardou no bolso da calça do agasalho que usava e foi em sua direcção.
Parecia desconfiado ao vê-la olhando-o fixamente.
- Tudo bem? -– ele perguntou com a voz mansa, pausada, e ar de suspeita.
- Tive uma tontura.
Só isso -– ela deu como uma desculpa.
- Ainda sente alguma coisa? -– tornou ele.
- Não. Já passou.
Ele ficou cismado.
Esperava que Vanessa perguntasse com quem estava conversando.
Ela sempre fazia isso sem perceber, mas agora não.
Teria ouvido parte de sua conversa com Brenda.
E o que ouviu?
Não saberia se ela não lhe dissesse, e não seria ele a perguntar.
- Quer uma água ou...
- Não -– interrompeu-o e se levantou.
Fugiu-lhe o olhar e disse:
- Vou subir um pouquinho para conversar com a Leda.
- Você está bem? -– ele insistiu em saber.
- Sim. Estou –- respondeu mais firme.
Olhou-o longamente, aquele olhar duro que o esfaqueou na alma e se foi.
Felipe sentou no sofá e esfregou o rosto com as mãos.
Ficou confuso.
Não sabia se estava fazendo a coisa certa.
Talvez devesse conversar melhor com Vanessa.
Aliás, já deveria ter feito isso antes.
No apartamento de Leda, Vanessa contou tudo para a amiga.
- Não pode ser, Van.
- Como não?! Ele perguntou dos meninos!
Disse estar com saudade! O que devo pensar?
- Nada. Você não deve pensar nada até conversar com o Lipe -– Leda, mais sensata, aconselhou.
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Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Dez 05, 2016 10:06 am

- Cale a boca! Sua idiota! -– vociferava Ceres sem ser ouvidoo.
Ele mente pra ela e vai continuar mentindo!!!
- Ele vai mentir -– tornou Vanessa, que recebia as influências espirituais da outra.
- Como pode saber? Ãh?! -– dizia Leda mais cautelosa.
- Ele tem mulher, filhos...
Como eu pude ser tão idiota? -– questionava a amiga.
- Se ele fosse casado, os pais e os irmãos dele saberiam, não acha?
- Leda, o Felipe sempre foi o ovelha negra da família.
Saiu de casa. Sumiu...
Nunca deu satisfação de nada e...
- Sumiu com razão né?
Depois do que o irmão fez com ele...
Não é porque eu estou com o Diogo que vou dar apoio ou achar que foi certo tudo o que ele fez no passado.
Ceres ficava irritada com Leda, mas havia algo nela que não a deixava se aproximar muito.
Só conseguia influenciar a outra.
Vanessa, inconformada, tornava a contrapor:
- Não é disso que estou falando.
Pense comigo: o Felipe não deu e não dá satisfações de sua vida pra ninguém e eu estou inclusa.
Ele foi para a Europa e só deu notícias aos pais anos depois.
Veio morar comigo e não disse nada pra ninguém.
Aliás, nem eu sabia que ele vinha morar comigo.
O Felipe nunca me falou em casamento, só em termos um filho por causa da possibilidade de ajudar o Rafael.
- Vocês precisam conversar, amiga -– falou carinhosamente, fazendo-a analisar a situação.
- Estou com medo, Leda.
- Fique calma.
Vamos pensar em uma saída.
- Acho que vou seguir o Felipe amanhã.
Quero ver que é essa Brenda.
Sentada no sofá sobre as pernas e ao lado da amiga, Leda afagou-a com leveza e aconselhou:
- Pense no seu estado, Van.
- Não quero ser enganada mais ainda, Leda.
- Vai ver que não é nada.
Pode se enganar, em vez de ser enganada.
Já pensou nisso?
- Vou seguir o Felipe -– decidiu Vanessa firme.
- É amanhã que ele marcou de se encontrar com ela.
- Sim, é.
- Vou com você -– tornou Leda categórica.
- Não. Você tem a farmácia, o Rodrigo...
- O Ro eu mando para a escola logo cedinho.
A farmácia não é mais importante do que minha amiga -– sorriu.
Posso resolver o problema da farmácia com um telefonema.
Tenho um funcionário. Esqueceu? -– sorriu docemente.
Vanessa a abraçou experimentando a força de uma grande amizade.
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Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Dez 06, 2016 10:08 am

Capítulo 26 - Lamentável perda

Foi uma das noites mais longas que Vanessa passou em claro.
Não entendia como, ao seu lado, Felipe poderia dormir tão tranquila e profundamente.
Antes de o relógio despertar, ela se levantou, tomou um banho e arrumou-se.
Arrumou Rafael que, sonolento como sempre, desceu e esperou o transporte escolar.
Encontrando-se com Leda, que também colocou o filho no mesmo transporte, comentou:
- O Felipe está tomando café.
Vou subir e pegar minha bolsa e nos encontramos na garagem.
- Vamos com meu carro ou você acha melhor pedirmos um táxi?
- Não sei... -– Vanessa titubeou.
- Vamos no meu carro –- Leda decidiu.
Saímos do prédio e ficamos ali na esquina esperando.
Ele terá de passar por lá e aí o seguimos.
- Ele não pode perceber, hein? -– disse a outra com olhar nublado e imensa tristeza na voz como se implorasse.
- Vai dar certo -– apertou suas mãos e ofereceu leve sorriso triste.
Sabia da dor e da angústia que a amiga sentia.
– Agora vá rápido. Estou descendo para a garagem.
Assim foi feito.
O espírito Ceres acompanhava tudo e praticamente nem precisava interferir.
Vanessa estava angustiada e nervosa o suficiente para fazer tudo errado e não ir pelo caminho mais sensato, que era o de conversar com Felipe sobre tudo o que sabia e desconfiava.
Não demorou, Vanessa e Leda aguardavam, no carro parado na esquina, a saída de Felipe.
A rua onde estavam era de mão única, permitindo, tão somente, que ele ao sair, passasse frente à esquina onde elas esperavam.
- Deixei o Felipe se arrumando.
- Onde você disse que iria?
- Conversar com o médico do Rafael.
Ele ainda lamentou não poder ir junto.
Disse que tinha agendado um compromisso inadiável.
Desgraçado -– murmurou com raiva.
Espíritos zombeteiros e infelizes que se compraziam com o mal-estar de encarnados, atraídos pelas vibrações e pensamentos, aproximaram-se de Vanessa e estimulavam-na com energias inferiores e sentimentos duvidosos.
- E se o Lipe vir o seu carro na garagem?
- Ai... Eu não pensei nisso -– tornou Vanessa preocupada.
Logo considerou:
- Que se dane.
Já estou aqui e não dá para fazer nada.
- Olha lá ele! -– quase gritou Leda.
Está saindo. Abaixa aí! -– exclamou, sussurrando no minuto seguinte.
Imediatamente ligou o automóvel para ficar pronta para seguir o outro.
Sem qualquer desconfiança, calmamente, Felipe saiu da garagem, deixando o prédio, passou frente à esquina onde elas estavam, sem notá-las, e seguiu para o seu destino.
Sem perceber que foi seguido, estacionou a Pick-up próximo de um considerável hotel e seguiu para a recepção.
Leda fez o mesmo, apesar da dificuldade para encontrar uma vaga.
- E agora?
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Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Dez 06, 2016 10:08 am

Vanessa não respondeu e, automaticamente, desceu do veículo.
- Droga! -– protestou Leda que correu atrás da amiga, mas antes teve de fechar o seu carro.
Vanessa! Vai com calma -– pediu quando chegou ao seu lado.
Vanessa olhou o relógio, esperou por alguns minutos e entrou no luxuoso hotel.
Ao ser recepcionada por um funcionário, friamente ela manteve a classe e explicou.
- Fiquei de me encontrar com uma conhecida.
Ela é hóspede. Cheguei bem mais cedo e não quero incomodá-la.
Posso aguardar? -– sorriu simpática.
- Sim, senhora. A sala de espera fica ali.
Não quer mesmo que a anuncie?
- Não. Seria deselegante incomodá-la antes do horário que marcamos.
Estamos tratando de negócios.
Você entende -– e sorriu.
Vou aguardar. Não tenho pressa -– e foi para o local indicado.
- Van... O que está fazendo? -– sussurrou Leda.
A amiga não respondeu e foi para a sala que ficava ao lado do corredor principal, perto da recepção.
Ela se acomodou em confortável sofá que tinha, na lateral, um arranjo de exuberante folhagem, capaz de disfarçar sua presença se fosse observada da recepção.
Leda se acomodou ao seu lado e murmurou:
- Como é que ele deixou você ficar aqui?
- Por que nenhum funcionário de hotel se mete com gente séria, elegante, bem-arrumada, quem mantém a classe e compostura.
Isso basta pra você?
Se não basta, ele viu que estou grávida e, com grávida, ninguém se mete.
Leda começou a ficar aflita à medida que o tempo passava.
Mais de uma hora depois e viram Felipe passando sozinho pela recepção e deixando o hotel sem olhar para trás.
Nesse instante, o gerente do hotel se aproximou de ambas perguntando:
- Tem certeza de que não quer que avisemos sua conhecida que está aqui?
Vanessa olhou para Leda, voltou-se para o homem e respondeu:
- Pensando bem...
O nome dela é Brenda.
Não sei o sobrenome dela, mas vai se lembrar dela -– sorriu falsamente -, tem um forte sotaque britânico.
- Sim. Claro. Um momento, por favor, e...
Quem devo anunciar?
- Vanessa.
- Um minuto, senhora -– pediu o gerente e se foi.
- Van?!... -– sussurrou a outra.
- Fica quieta. Estou uma pilha de nervos.
- Vanessa, isso não está certo.
Pense no seu estado. Você não deveria se rebaixar.
Não precisa encarar a outra. Pense!
- Quem deveria ter pensado nisso era o Felipe.
Agora eu quero descobrir tudo.
Já estou aqui mesmo!
Os minutos pareciam horas.
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Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Dez 06, 2016 10:08 am

De repente, uma mulher alta, de cabelos ruivos e repicados em um corte que fazia uma ponta na lateral atrás da cabeça coberta com uma boina preta, posta de modo torto, bonito, apareceu.
O salto alto deligava-lhe ainda mais a silhueta revestida de uma saia preta e comprida, com blusa vermelha de gola alta, meia-manga e um colete preto nas costas e com diversas cores formando desenhos angulares na frente, dando um toque especial em todo seu visual.
A pele bem alva se destacava ainda mais com as cores das roupas.
Antes de saber de quem se tratava, Vanessa teve a impressão de que aquela era Brenda.
E sua certeza confirmou-se quando viu o recepcionista apontar para ela naquela sala.
A mulher bem-vestida e bem maquiada, virou-se e a olhou de modo surpreso, sem saber quem era.
Voltou-se ao recepcionista por um instante, agradeceu e foi a sua direcção.
Foi neste momento que Vanessa pôde ouvir sua voz, o mesmo sotaque que escutou na caixa postal do telefone que ligou.
O batom vermelho destacava os dentes alvos no sorriso simpático.
Aproximou-se, ao vê-las se levantar, perguntou com sua voz forte e bonita.
- Querer falar comigo?
- Sim -– respondeu Vanessa trémula, tentando sustentar classe e educação na polidez da voz altiva.
Meu nome é Vanessa.
Você deve ser Brenda -– e estendeu a mão.
- Prazer. Ser Brenda. Há que devo?...
- Serei bem directa, Brenda.
Quero saber o que você quer com o Felipe.
- Como?... Por que eu lhe dar essa satisfação?
Ter razão para isso?
Influenciada por Ceres, Vanessa não se concentrava no que dizia e fazia as perguntas erradas.
- Estou grávida dele, vivemos juntos. Isso lhe basta?
- Por que não perguntar a ele o que ele querer comigo? -– falava sempre sorrindo, parecendo até ter um comportamento sarcástico, prazeroso em deixar a outra irritada com suas respostas prontas.
Nervosa, irritada e sem saber o que dizer para obter o máximo de informação, Vanessa perguntou:
- Vocês têm filho, não têm?
Foram casados e você veio aqui por causa do divórcio, não é isso? -– antecipou-se.
Não conseguia pensar direito e se deixava envolver pelo espírito que a acompanhava.
- Não cuidar de divórcio algum com ele.
Eu cuidar de documentos da nossa empresa, em Londres.
Não me divorciar dele e...
Quanto aos dois meninos... Felipe os ama e... -– riu.
Mas porque eu estar dando satisfações a você? -– perguntou de modo debochado.
Olhou-a com desdém, de cima a baixo, depois falou com jeito enojado:
- Com que criatura Felipe se meter desta vez! -– sorriu.
Mas ele voltar, ele sempre voltar para mim e para os meninos.
Virou-se e largou a outra em pé, no meio da sala.
Saiu andando com um gingar fogoso, fazendo pouco caso da situação.
Leda segurou o braço da amiga que a olhou sem dizer nada e propôs:
- Chega. Vamos embora, Van.
- Você ouviu? -– murmurou.
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Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Dez 06, 2016 10:09 am

- Venha, Vanessa.
E a puxou hotel afora.
Vanessa se deixou guiar automaticamente até o carro da outra.
Estava perplexa, atordoada.
Não conseguia pensar.
- Van, você está bem? -– perguntou assim que entrou no veículo.
- Me leva embora -– murmurou.
Uma decepção avassaladora destruía Vanessa.
Seus pensamentos ficaram tumultuados com infindáveis questionamentos e dor.
Aliás, todo o seu corpo parecia doer.
Ceres não poderia estar mais feliz.
Valeu a pena esperar tanto tempo para ver a outra experimentar um pouco da dor, da desilusão, da mesma decepção, a de ser trocada por outra, que ela havia passado um dia.
Leda levou Vanessa para seu apartamento, colocou-a sentada no sofá e preparou um chá bem doce.
Lágrimas compridas correram na face de Vanessa, que via toda sua vida sem sentido, sem razão de ser.
- Como fui idiota! -– falou pela primeira vez desde que chegaram.
Minha avó tinha toda razão.
Eu deveria ter exigido um relacionamento mais sério!
Não devia, simplesmente, ter confiado no Felipe.
- Beba o chá.
Vendo-a bebericar na xícara, Leda opinou:
- Não tome decisões precipitadas.
Será melhor conversar com ele.
- Você mesma ouviu! Eles têm filhos!
Ela confirmou! Não tem o que discutir!
- Vanessa preste atenção.
Essa Brenda, talvez, não tenha nada a perder.
Talvez, você ouviu o que ela quis que entendesse.
Converse com o Felipe.
Eu não sei por que, nessa história... do jeito que ela falou... não está me cheirando bem.
Veja seu estado. Não pode ficar assim nervosa.
Está trémula, abalada. Pense no seu filho.
A amiga parecia não prestar muita atenção às suas palavras e questionava:
- O que foi que fiz da minha vida? Nada!
Parece que todo quer tirar proveito de mim, quer me enganar, não se importa com os meus sentimentos.
Estou me sentindo tão mal!
Não quero morrer, mas acho que eu nunca deveria ter nascido.
- Vanessa! Preste atenção!
- Em quê, Leda?!
Prestar mais atenção em quê?!
Na droga da vida que construí para mim?!
- Não é assim, você sabe.
- Não sei. Não sei de nada.
Vanessa se levantou e colocou a xícara sobre a mesa.
- Aonde você vai? -– quis saber a outra.
- Vou descer -– disse, respirando fundo e secando o rosto com as mãos.
- Eu tenho de ir pra farmácia agora.
Você vai ficar bem?
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Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Dez 06, 2016 10:09 am

- Vou. Não se preocupe.
- Liga pro Lipe e pede pra ele voltar pra casa. Conversem.
- Vou ver -– disse friamente.
Passando as mãos pelos cabelos, torcendo-os e jogando-os para trás das costas, respirou fundo, parecendo mais firme.
Virando-se para a amiga, agradeceu:
- Obrigada por ter ido lá comigo.
- Vanessa, você está bem? -– perguntou desconfiada.
- Vou ficar bem.
- Quer que eu ligue para o Felipe e peça pra ele...
- Não! De jeito nenhum! -– interrompeu-a.
– Estou bem. Não se preocupe.
Indo em sua direcção, despediu-se:
- Tchau, Leda.
- Tchau. Quando eu chegar, à noite, vou lá ver ou...
Se perceber que eu cheguei, sobe aqui -– disse indo até ela e observando-a descer as escadas sem esperar pelo elevador.
Bem mais tarde, após chegar do serviço, Leda recebeu a amiga em seu apartamento.
Vanessa escutou um barulho, e ao perceber que a outra havia chegado, subiu.
Não esperando que a outra descesse.
Não gostaria que Felipe chegasse e encontrasse Leda com ela.
- E aí, Van? Como você está?
- Péssima. Estou me sentindo muito mal.
Meus pensamentos não param.
- Conversou com o Lipe?
- Não. Estou esperando que chegue e...
Preciso de um favor seu.
- Pode falar.
- Fica com o Rafael pra mim enquanto eu converso com o Felipe?
- Claro! Nem precisava pedir.
Pode mandar o Rafa subir.
- Ele está no banho -– Vanessa estava nitidamente nervosa, trémula e não era capaz de disfarçar.
- Você está bem? -– perguntou a amiga que segurou em seu braço e a olhou bem nos olhos.
- Estou magoada. Tão ferida...
Leda a abraçou forte e afagou-lhe a cabeça.
Logo a conduziu para que se sentasse, puxando uma cadeira da mesa da sala de jantar.
Acomodando-se à sua frente, Leda tomou suas mãos e a fez olhar, dizendo:
- Procure não ficar nervosa.
Você está grávida e sabe que tudo o que sente o bebé também vai sentir.
- Não é fácil eu me controlar.
- Eu sei. Eu imagino que sim.
Porém sei que você é capaz.
Respire fundo e converse com ele calmamente. Ouça-o.
- Vou procurar ficar calma.
- Promete? -– sorriu, um sorriso simplesmente triste.
- Vou tentar, mas... Não sei.
Tenho vontade de matar o Felipe.
Mandar ele ir para o inferno sem querer explicações.
- Isso não é racional e você sabe.
Seja inteligente -– tornou Leda, boa conselheira.
Mande o Rafinha aqui para cima.
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Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Dez 06, 2016 10:09 am

- Hoje o Diogo vem visitá-lo.
- Sem problemas.
Eu ligo para o Diogo e peço pra ele vir directo pra cá.
Vanessa pegou suas mãos, olhou em seus olhos e agradeceu:
- Obrigada, Leda.
- Conta comigo.
- O Rafael já deve ter saído do banho.
Tenho de ir lá.
Vanessa se levantou e Leda a acompanhou até a porta.
Chegando ao seu apartamento, viu que o menino estava indo para a sala ligar a televisão.
- Rafael, filho... -– o menino ficou olhando-a enquanto a mãe pareceu esquecer momentaneamente do que ia falar.
– É que.... Hoje você vai ficar um pouco na casa da tia Leda, brincando com o Rodrigo. Tudo bem?
- Meu pai vai vir hoje.
- Ele vai para lá também.
- Eba!!! -– gritou feliz e decidiu:
- Vou levar o filme do Homem de Ferro para assisti lá com eles!
- Isso. Leva sim -– incentivou Vanessa, que não conseguia se concentrar no que o filho, animado dizia.
Satisfeito, Rafael pegou o DVD do filme e foi saindo, seguido pela mãe.
Frente à porta do apartamento da amiga, Vanessa parou por um instante, após ver o menino entrar à procura do amiguinho, disse para a outra:
- Estou tão nervosa, Leda.
- Quer um chá? Vem...
Entra só um pouquinho.
- Não...
- Venha. Vamos.
E a puxou pelo braço levando-a directo para a cozinha, ao lado da porta de entrada.
Vanessa encostou-se ao armário e ficou olhando a amiga ferver a água.
- Preciso descer logo.
Está quase na hora do Felipe chegar.
- Você está bem?
- Estou amargurada.
- E o nené?
- Está... Deve estar bem.
- Está sentindo seu nervoso.
A carga de adrenalina está sendo muito forte.
- Tadinho.... -– e acariciou o ventre de pouca proporção, parando com a mão sobre ele por alguns segundos.
Leda serviu-lhe uma caneca com chá e novamente aconselhou:
- Procura não se alterar.
Fale, ouça, mas não se altere.
- Estou me sentindo tão insegura, tão sem valor...
É tão cruel ser enganada.
Você se sente péssima, se sente a mais inferior e irrelevante das criaturas.
Leda pensou em dar alguma opinião, mas achou melhor não dizer nada.
Teve medo de falar algo que pudesse magoar ainda mais a amiga, até porque ainda não sabia qual era a versão de Felipe para aquela história.
Tomaram o chá em silêncio.
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Ave sem Ninho

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Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Dez 06, 2016 10:09 am

Em seguida, Vanessa decidiu ir.
Amargurada, desceu as escadas ouvindo o ecoar de seus passos no recinto vazio.
Tensa, abriu a porta do apartamento e entrou.
Havia deixado as luzes da sala acesa, mas não as do corredor que levava aos quartos.
Isso significava que Felipe havia chegado.
Indo até a suíte, sua suspeita confirmou. Ele estava no banho.
Acreditava não merecer aquilo.
Ele bem que poderia ter se explicado, contado um pouco mais de sua vida, mesmo quando ela disse que não queria saber, pois aquele era um assunto bem sério, que não poderia ser omitido.
Não imaginou que o relacionamento que teve com outra pessoa pudesse ter sido tão importante, resultando em dois filhos.
Vanessa não conseguia parar de pensar.
Todos estamos sujeitos à obsessão espiritual e são em momentos de tristeza que devemos nos socorrer em prece, pedindo a Deus protecção e discernimento, a fim de sabermos como avaliar bem uma situação.
Vanessa, envolta com grande preocupação, não se vigiou e se tornava alvo de espírito de pouca elevação, que se ocupava em atormentar aquele não busca protecção Divina.
Enquanto ouvia o barulho do chuveiro ligado, pensava em como iria iniciar aquela conversa.
O que diria?
Por onde começar?
Nesse instante, o telefone celular de Felipe tocou no bolso de uma jaqueta que estava sobre a cama.
Vanessa sentiu um frio correr-lhe pelo corpo e seu estômago pareceu encolher.
Quanto mais ouvia o toque insistente do telefone chamar e chamar, seus pensamentos ficaram ainda mais confusos.
Num impulso, pegou a jaqueta de Felipe e a apalpou, procurando pelo aparelho.
Ao tê-lo nas mãos, viu escrito no visor: Brenda.
Ela atendeu.
- Alô -– sua voz estava trémula.
Olhou para a porta do banheiro para ver se Felipe iria sair por ela, pois havia desligado o chuveiro.
- Quem falar? -– perguntou a voz bonito e forte com sotaque inglês.
Sentindo uma faca apunhalar seu coração, respondeu fragilizada, tentando ser firme.
- Vanessa.
- O Felipe, por favor.
- O que você quer com ele? -– perguntou impostando a voz em tom sério, enérgico.
- Ora! Ora! Eu esquecer de você.
Como ser mesmo seu nome? -– perguntou sabendo que iria provocá-la.
Uma onda de adrenalina correu por todo corpo de Vanessa.
Foi algo tão forte que suas pernas bambearam.
Tacteou a cama e espalmou a mão, apoiando-se antes de se sentar.
Trémula dos pés à cabeça, sentiu a visão turva e perdeu as forças dos braços, deixando o telefone cair.
Nos ouvidos, um tinir estranho.
Em seguida, algo como o bloquear da audição.
Tentou falar, mas não conseguiu.
Nesse momento, uma dor muito forte na altura dos rins se enraizava para frente do corpo e para baixo do ventre.
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Ave sem Ninho

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Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Dez 06, 2016 10:09 am

- Felipe... -– balbuciou, segurando a barriga.
Felipe... -– chamou mais alto.
- Vanessa? -– surpreendeu-se ele ao abrir a porta que ficava em frente à cama do casal.
Ao vê-la tentar se encolher, Felipe a ajeitou enquanto perguntava:
- O que foi? O que está sentindo?
Vanessa olhou-o por um instante.
Em seus olhos, lágrimas grossas brotaram e escorreram pelos cantos.
Como num sopro, murmurou:
- Me ajuda... O nené...
Algum tempo depois, Felipe, nervoso, aguardava na sala de espera num hospital.
Sentado em uma cadeira, ele estava de cabeça baixa, curvo, com as mãos entrelaçadas na frente do corpo, quando Leda, bem preocupada, chegou.
- E a Van? -– perguntou a amiga aflita.
- Está sendo atendida.
Estava com muitas dores quando chegamos e...
Foi levada nem sei pra onde.
Só me mandaram aguardar aqui.
Ninguém aparece para falar nada.
Um momento e perguntou:
- E os meninos?
- Deixei como o Diogo e vim o mais depressa que pude.
Por que não me chamou quando ela passou mal?
- Não quis perder tempo.
- Ela estava muito nervosa quando deixou o Rafael lá em cima.
Mas não pensei que chegasse a tanto.
Ainda disse para ela procurar não se alterar quando conversasse com você.
- Do que está falando, Leda? -– indagou estranhando a conversa, franzindo o cenho ao encará-la.
- Vocês discutiram?
- Não. Nem conversei com a Vanessa quando cheguei.
Que história de discussão é essa?
Não tivemos qualquer motivo para isso -– falou nervos, quase alterado.
Leda o fitou longamente, procurando a verdade nos olhos de Felipe.
Em pé, na sua frente, murmurou:
- Ela... -– inibiu-se.
Logo tomou coragem e contou:
- A Vanessa me procurou.
Ela estava desconfiada de você.
- Desconfiada de mim?!
Desconfiada do quê?! -– enervou-se, sentindo-se gelar.
- Disse para mim que você estava estranho, quieto, pensativo.
Contou que, não sei como, mas...
Pegou seu celular e viu várias ligações de uma tal de Brenda.
Então ela ouviu uma conversa sua e dessa Brenda, em quem marcaram de se encontrar hoje pela manhã.
A Van estava disposta a segui-lo.
Tentei fazer que desistisse da ideia, mas não teve jeito.
Eu não poderia deixar que ela fosse sozinha.
Então, fomos juntas.
Segui você até aquele hotel.
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Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Dez 06, 2016 10:10 am

Ficamos esperando na recepção enquanto você ficou lá em cima por mais de uma hora.
Depois que foi embora, a Van quis falar com a tal Brenda.
E ela confirmou, para nós duas, que vocês dois não estão cuidando de divórcio e que você ama os dois filhos.
- Que divórcio?!!!
Que filhos?!!! -– gritou sem se preocupar com o local.
Uma atendente os olhou com reprovação e Felipe, mesmo nervoso, falou mais baixo:
- Nunca fui casado.
Não tenho filho nenhum a não ser o que ela espera.
- Não foi isso o que a Brenda nos fez entender, Lipe.
- Desgraçada! -– exclamou, sussurrando.
Virou-se procurando respirar fundo para diminuir a tensão.
A amiga se aproximou e olhou-o nos olhos para perguntar:
- O que você tem com essa Brenda, Lipe?
- Nada. Hoje absolutamente nada.
Vivemos juntos por cerca de três anos, em Londres, mas não nos casamos.
Éramos sócios.
Ela já tinha sido casada e teve dois filhos que moravam e ainda moram com o ex-marido.
Um cara bem de vida.
Quando as crianças ficavam com ela, lógico, eu estava junto.
Eu gostava dos meninos. Só isso.
- Por isso que a Vanessa ouviu você dizer ao telefone que estava com saudade deles e que ela deveria tê-los trazido -– concluiu em voz alta.
- Sim. Acho que... conversamos isso sim.
Eu me separei da Brenda, mas não deixei de gostar das crianças.
Faz algumas semanas que eu quis falar a respeito disso para Vanessa, mas ela não quis saber do assunto.
Então respeitei, pois não era nada sério.
- Porque quis falar da Brenda com ela, se não era nada sério?
- Por que a Brenda começou a me ligar.
Às vezes, eu não via e outras as ligações não completavam.
Eu não tinha ideia do que ela poderia querer e fiquei preocupado.
A Brenda poderia aparecer de repente e a Vanessa não entender.
- E foi o que aconteceu, né?
- Foi.
Desconfiado, Felipe contou:
- No começo o meu envolvimento com a Brenda estava tranquilo, mas depois notei um comportamento estranho.
Eu não gostava de algo que percebia entre ela e nosso outro sócio.
Não gosto de pessoas muito extrovertidas.
Tenho asco, nojo de traição e você deve saber porquê.
Eu gostava dela, mas não passava disso.
Então decidi terminar o relacionamento minha parte na sociedade.
- E ela não quis terminar com você?
- Teve de querer. Nada me prendia a ela.
Não me preocupei. Nunca a senti muito ligada a mim.
Ela era uma mulher independente, segura de si e bem liberal.
Ela e o sócio decidiram comprar minha parte, mas não tinham todo o valor.
Então me pagaram boa parte da aquisição e eu vim para o Brasil.
O restante, ficaram de me pagar depois e, junto com isso, eu passaria definitivamente a sociedade a eles.
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Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Dez 06, 2016 10:10 am

Isso poderia ser feito de outra forma.
Ela não precisava vir ao Brasil. Mas não.
A Brenda despencou de Londres, aqui, pra me trazer os documentos definitivos para assinar e o cheque com o valor restante e fazer toda essa confusão.
Na verdade nem pensei que fossem me pagar, pois, nos últimos meses, a crise económica na Europa é o destaque no mundo e...
– Nesse instante, lembrou-se da Yve, a senhora que lhe fez essa previsão sobre a crise económica, por isso ele animou-se, mais ainda, em vender sua parte na empresa.
- E com isso, vindo aqui para o Brasil, a Brenda quis tentar reconquistar você.
Felipe a encarou e afirmou com simplicidade:
- Foi. Mas não houve nada.
Eu amo e respeito muito a Vanessa.
Fui até o hotel, mas conversamos somente.
Assinei os documentos e peguei o cheque.
Não dei ouvidos a ela.
- Se tudo foi tão simples assim, Lipe, porque não contou antes à Vanessa?
Poderia até ter ido lá com ela -– disse Leda.
- Tentei contar, mas ela não queria saber e...
Pensei em poupá-la porque mulher grávida fica sensível.
Cheguei a falar sobre isso com o Diogo, que também achou que não deveria incomodar a Vanessa com coisa tão sem importância para mim.
- E por que ficou estranho, quieto como a Van diz?
- Porque eu não queria me encontrar com a Brenda.
Ela faz parte do meu passado...
Eu sabia que ela ia querer voltar comigo, porém eu não estava a fim desse mundo.
O que me importa hoje é a Vanessa e nosso filho.
Leda passou-lhe a mão no braço como uma forma de apoio.
Felipe se calou.
Ambos se sentaram.
Só lhes restava aguardar.
Horas depois...
Um médico, ainda com roupas do centro cirúrgico, aproximou-se.
Por conta da touca e da máscara que estava puxada sobre o queixo do homem, Felipe quase não reconheceu o médico obstetra que cuidava de Vanessa.
Levantando-se, ele se prontificou:
- Doutor Ângelo?...
- Olá, Felipe -– disse calmo.
- E a Vanessa, doutor?
- Está sendo levada para o quarto.
Ela está, bem embora precise ficar em observação.
- E o nené? -– perguntou Felipe temeroso, com o coração apertado e a voz trémula.
- A Vanessa teve um deslocamento de placenta.
Fizemos de tudo, mas...
Sinto muito, Felipe.
Ela estava com dezasseis semanas, não deu pra tentar nada.
Como uma forma de animá-lo, ainda disse:
- Ela é jovem. Vocês são jovens.
Poderão ter outros filhos.
O médico observou Felipe engolir em seco, enquanto lágrimas brotavam em seus olhos.
O rapaz procurou erguer a face para que elas não caíssem, procurando respirar fundo.
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