MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Página 14 de 15 Anterior  1 ... 8 ... 13, 14, 15  Seguinte

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo

Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Dez 06, 2016 10:10 am

Leda chorou em silêncio.
Todos sentiram aquela perda.
Não só pela importância da vida do nené que iria chegar, mas também pela chance de compatibilidade que Rafael perdia junto.
O médico, igualmente aborrecido, pois sabia de todo o caso, consolou Felipe e se foi, porém antes disse:
- Pode vê-la, agora.
- Obrigado, doutor.
- Amanhã eu volto e nos falamos -– disse abraçando Felipe que ficou em silêncio.
Ao vê-lo distante, Leda propôs:
- Vamos lá, Lipe.
Ele aceitou sem dizer nada e a seguiu.
Em instantes, ambos subiram até o quarto onde Vanessa estava.
Sonolenta, ela mal os viu e adormeceu.
Leda voltou para casa e Felipe passou aquela noite, ali, ao lado de Vanessa.
Pela manhã, ele estava em pé, acariciando-lhe a mão e o rosto quando ela abriu os olhos lentamente.
Em instantes, ao recordar de tudo, uma lágrima escorreu por sua face e Felipe a tocou com seus lábios, sentindo o sal daquele momento amargo.
Ele também chorava em silêncio, entretanto, não sabia o que dizer.
Ia afagar-lhe novamente, mas Vanessa puxou levemente a mão que ele segurava, pedindo:
- Quero ficar sozinha.
- Como? -– estranhou.
- Vá embora.
Quero ficar sozinha.
- Vanessa...
- Vá embora, Felipe! -– alterou-se.
Vá embora! -– chorava.
- Você está enganada.
Não é nada disso que...
- Vá embora! -– gritou e tentou se curvar, mas voltou a posição de antes, como se não estivesse se sentindo bem.
- Calma -– pediu ele. -– Eu vou. Fique calma.
Já no carro, sentou-se ao volante e inclinou a cabeça para trás, fechando os olhos.
Sentia-se esgotado.
Sabia que precisava explicar tudo a ela, mas aquele não era o momento propício.
Precisava de Leda.
A amiga, sim, poderia ajudar.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 70224
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Dez 06, 2016 10:10 am

Capítulo 27 - Um triste adeus

Felipe não conseguia conter a ansiedade mista a um sentimento indefinido de dor e contrariedade.
Com tantos pensamentos inquietantes nem viu de que forma chegou ao edifício onde morava.
Não se deu ao trabalho de estacionar o carro na garagem e o deixou na porta do prédio, parado frente à portaria.
Ao entrar, cumprimentou o porteiro que não sabia exactamente como chamá-lo: Diogo ou Felipe.
Entrando no elevador, foi directo ao apartamento de Leda que, assonorentada, foi recebê-lo.
- Entra, Lipe.
Pensei que estivesse lá no hospital. É tão cedo.
Felipe consultou o relógio: 6h30 da manhã e justificou:
- A Vanessa não quis conversar comigo quando acordou e me mandou embora.
- Mas ela não pode.
Deveria ouvir primeiro o seu lado.
- Leda, nós acabamos de perder um filho.
Como se não bastasse, ainda vem o peso, o lamento, talvez, termos perdido também a única chance para o Rafael ter um doador compatível.
- Mas não foi por sua culpa.
- De certa forma, sinto-me culpado.
Toda essa história com a Brenda rendeu desconfiança, dor, nervosismo e...
Não posso tirar a razão da Vanessa.
Ela está arrasada. Julga que a culpa é minha e...
Só tem um jeito.
- Qual?
- Se você puder vir comigo.
- Para onde?
- Vamos falar com a Brenda.
Vou fazer um cara a cara e...
Depois você conversa com a Vanessa e conta tudo.
Assim ela vai ouvir e entender.
- Certo. Vamos sim.
Só me dá um tempo para eu me trocar.
- E os meninos? -– perguntou Felipe.
- Vão ficar bem.
O Diogo vai ficar com eles. Hoje é sábado e...
- Quer que eu ligue para ele e peça para vir para...
- Bom dia, Felipe -– cumprimentou Diogo vindo do corredor e chegando à sala.
- Oi. Bom dia -– cumprimentou meio sem jeito.
Depois se desculpou:
- Perdoe-me por incomodar tão cedo.
Leda aproveitou e foi para o quarto.
- Não é incómodo algum –- disse o irmão.
Eu escutei a conversa e...
Como a Vanessa está?
- Está se recuperando.
Mas, emocionalmente, não está bem.
Perdemos o bebé. Isso é tão triste que... -– gaguejou. Sua voz embargou.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 70224
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Dez 06, 2016 10:10 am

- Imagino -– tornou o outro.
Vem cá na cozinha.
Enquanto a Leda se arruma, vou tentar fazer um café.
Faz tempo que não encaro uma cozinha.
Vamos ver o que sai?
- Então deixa comigo -– propôs Felipe.
Ambos tomavam uma xícara de café, quando Diogo comentou em tom solene:
- A Leda me contou tudo.
A Brenda aprontou feio para você.
- Tenho vontade de matar aquela mulher.
Você nem imagina.
- Não se importe com gente fraca.
Concentre suas energias naquilo que realmente importa.
- Não imagina como estou me sentindo cara.
Meu filho... A Vanessa...
Nem pude abraçá-la para sentirmos juntos a perda do nené.
Sabe o que é isso? -– emocionou-se e abaixou o olhar.
- Felipe -– chamou-o e apoiou a mão no ombro do irmão. -, junto com o seu filho, morreu uma grande chance de salvar o meu.
Eu sei o que você está sentindo.
Os belos olhos verdes de Diogo e Felipe estavam mergulhados em lágrimas quando um olhou na alma do outro.
Num impulso, os irmãos se abraçaram tentando encontrar algum conforto na amizade que os unia.
A doença de Rafael os entrelaçou além do necessário.
A perda do filho de Felipe os fez partilhar sofrimento e, naquela solidariedade, o abraço tentava tornar a dor algo mais suave.
O choro e os soluços, entrecortados de suspiros pelas emoções tristes, não foram detidos até que se gastaram e se esvaiu um pouco da dor.
Afastando-se, cada qual secou o rosto com as mãos e Diogo estapeou levemente a face do outro e tentou oferecer um meio sorriso ao dizer:
- Força, meu irmão.
Você tem muito o que fazer.
Vendo Felipe encará-lo, incentivou:
- Vai lá com a Leda.
Depois de tudo esclarecido vai ter de dar apoio à Vanessa, e, aos poucos as coisas vão pro lugar.
- É isso o que pretendo –- respondeu esfregando o rosto e olhando para o alto suspirou fundo.
Leda, que a certa distância os observava e não queria interromper, aguardava o momento para se aproximar.
- Vamos? -– convidou ela.
- Toma ao menos uma xícara de café.
Se estiver ruim, foi o Felipe quem fez -– brincou Diogo.
Ela pegou uma xícara e se serviu.
Diogo pegou um biscoito e colocou em sua boca, forçando-a comer algo.
Quando foi fazer novamente, ela pediu:
- Não. Chega, obrigada.
Não sou de comer muito pela manhã.
Virando-se para Felipe, propôs novamente:
- Vamos?
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 70224
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Dez 06, 2016 10:11 am

- Vamos sim.
Felipe olhou para Diogo e ofereceu um sorriso triste.
Pegou-lhe o braço agradeceu sem qualquer palavra.
Trocaram sentimentos de apoio e força junto a elevadas energias de solidariedade e amor.
Despediram-se em silêncio.
O caminho para o hotel parecia ter duplicado de tamanho.
Visivelmente nervoso, Felipe procurava não manifestar sentimentos ficando calado, e a amiga respeitava sua condição permanecendo quieta.
Chegaram ao hotel e ele pediu para ser anunciado.
Brenda solicitou que subisse, talvez, por não entender que estivesse acompanhado.
- Ora!... Mas que surpresa! -– disse ela sorridente, disfarçando a surpresa ao recebê-los em seu quarto.
Entrem. Só não reparem.
Eu estar arrumando malas para ir embora.
Meu voo sair às 12 horas.
Após ver a porta ser fechada as suas costas, Felipe, nitidamente irritado e inquieto, exigiu:
- Diga, na frente dela, o que você veio fazer aqui no Brasil atrás de mim!
- Ora... Mas...
- Fala logo, Brenda! -– gritou.
Não conseguiu se controlar.
- Calma -– pediu sorrindo cinicamente, espalmando as mãos para o alto, como se rendesse.
Eu explicar. Calma.
Olhou para Leda e contou:
- Eu vir pegar assinatura dele para documento definitivo e dar último pagamento sobre parte de sociedade dele na empresa.
Só isso. Certo?
- Responda se já fomos casados, Brenda! -– tornou Felipe ainda furioso.
- Casados? No... No...
- E filhos? Temos filhos?
- No. Não. Porquê? -– perguntou, sustentando o mesmo sorriso irónico e impostando classe.
Leda sentiu-se esquentar e, indignada, perguntou:
- Porque você disse à Vanessa que não estava se divorciando dele e que Felipe amava os dois meninos?!
- Foi ela quem perguntar se eu cuidar de divorcia e eu responder que não estar cuidando de divorcia algum.
E quem disse que ela e eu dizer que ele amar os meninos.
Eu só dizer verdade.
Do que me acusa? -– riu ainda mais.
- Sua cachorra! Desgraçada! -– gritou Leda indo em direcção da outra que a provocava até com o olhar.
Controlando-se para não fazer o mesmo, Felipe segurou a amiga e pediu:
- Não faça isso.
Temos algo mais importante para fazer agora.
Brenda não parou de achar graça.
Com desprezo, Felipe a mediu ao olhá-la como se tivesse nojo.
Puxou Leda e abriu a porta para saírem.
Já no carro...
Ele se debruçou ao volante enquanto a amiga manifestava sua raiva:
- Nunca pensei em ver alguém agindo assim!
Tão baixa! Cachorra! Ela é pior do que um verme!
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 70224
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Dez 06, 2016 10:11 am

Não contente, Leda deu um tapa forte no ombro do amigo e, revoltada, inquiriu:
- Como é que você pôde se meter com gente tão baixa?!
Felipe ergueu e a olhou, respondendo desconsolado:
- Também já me perguntei isso.
Leda parou por um momento e teve piedade do rapaz.
Imaginou o quanto ele estava triste e arrependido.
Ela não tinha o direito de agravar a situação.
- Desculpa. Não deveria falar assim.
Até porque... é passado.
- Vamos comigo ao hospital?
A Vanessa não quer me ver, mas você ela pode ouvir.
- Vamos logo, então.
Chegando ao hospital, Felipe não entrou no quarto e Leda foi ver a amiga.
Abraçaram-se e choraram.
- Não fica assim.
- Não imagina como estou, Leda.
- Van, eu avisei sua avó.
Achei que ela precisava saber.
- E ela? -– perguntou ainda chorosa.
- Disse que ia vir para cá.
Acho que hoje mesmo.
- Estou precisando dela.
Quero um pouco de colo, sabe.
Leda afagava levemente os cabelos da amiga, que considerava como irmã e, após longos minutos de silêncio, decidiu falar:
- O Felipe foi ao meu apartamento hoje cedo.
- E o Rafael? -– perguntou Vanessa sem dar atenção ao que a outra dizia.
- Ficou lá em casa.
Deixei com o Diogo tomando conta dele e do Rodrigo.
Os dois ficaram dormindo.
Nem falei nada pro Rafa. Deixei para depois.
- Quero tanto abraçar meu filho...
- Então, né... Como eu ia dizendo, o Felipe...
- Não quero saber do Felipe -– interrompeu-a, ainda sob a influência do espírito Ceres, recusava-se a tentar entender o que havia acontecido.
- Acho melhor me ouvir.
Só assim vai entendê-lo, Van.
- Ele me enganou, Leda.
O que mais eu posso querer saber?
- Não enganou, não! -– defendeu firme.
Digamos que o Lipe omitiu informações, mas isso porque ele não queria deixar você preocupada, nervosa...
- E o que ele conseguiu?!
- Ouça primeiro o que eu tenho para dizer.
Por favor?! -– pediu com jeitinho.
Vanessa silenciou e a escutou.
- Então foi isso.
Ele está lá fora esperando você chamar para conversar.
- Não quero conversar com ele -– disse friamente sem se importar com o que foi contado.
Vanessa estava amarga, com o rosto inchado, olhos vermelhos e voz rouca.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 70224
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Dez 07, 2016 10:09 am

Extenuada, sentindo-se sem forças, afundou ainda mais a cabeça no travesseiro e virou levemente o rosto olhando para a janela.
Por mais que falasse, a amiga não conseguia fazer com que mudasse de ideia.
Dando-se por vencida, Leda achou melhor não contrariá-la.
Ficou somente ao seu lado, afagando-a vez e outra.
Muito tempo depois, decidiu:
- Van, preciso ir.
- Tudo bem. Obrigada e...
Cuida do Rafael pra mim.
- Claro que vou cuidar.
Mas... Não acha melhor conversar com o Lipe?
Conversa, vai. Nem se for por um momento.
- Sim. peça para ele entrar -– resolveu friamente.
Leda sorriu. Beijou-a no rosto quando a abraçou e saiu em seguida.
Felipe, com o coração apertado e olhos nublados, entrou no quarto e se pôs ao lado de Vanessa.
Quando se curvou para beijá-la, murmurou:
- Oi, amor...
Ela virou e ofereceu-lhe o rosto que ele hesitou por um instante, pois esperava encontrar seus lábios, mesmo assim a beijou na face.
Vanessa, bem diferente, parecia fria demais e, sem trégua, impiedosamente, pediu:
- Quero que pegue suas coisas lá do apartamento.
Acho que amanhã estou de alta.
- Vanessa, espere um pouco.
Você não deu uma única chance para eu me explicar -– falou firme.
A Leda disse que te contou tudo.
- Daria para você respeitar o meu pedido?
- Você não vai me ouvir?
- Por favor, Felipe.
Ela pediu com olhos mergulhados em lágrimas, que escorriam pelos cantos.
Com um nó na garganta, ele disse:
- Por amar você, eu a respeito.
Vou fazer o que me pede.
Tocando de leve em sua mão, disse tão somente.
-– Adeus.
Após sua partida, ela chorou.
Em seus pensamentos sombrios, influenciada por espíritos imperfeitos, Vanessa parecia irredutível.
Preferia sofrer a ter a caridade de entender.
Naquela mesma tarde, Felipe tirou suas coisas do apartamento.
Henriette e o marido, senhor Dionísio, chegaram preocupados com a neta e passaram a noite no hospital.
Depois de receber alta, Vanessa voltou para o apartamento e para os braços calorosos da avó querida.
- Calma, Vanessinha.
Às vezes a gente não entende que são nessas situações amargas e difíceis que crescemos, que evoluímos.
A dor na alma é uma coisa tão cruel que a gente pensa que nunca vai passar, que nunca vamos nos curar do que sentimos.
Tudo é muito recente, filha.
Espere o tempo passar um pouquinho.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 70224
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Dez 07, 2016 10:09 am

- Eu perdi o meu bebé, vovó... –- lamentou abraçando-se à avó que, sobre a cama, permaneceu sentada ao lado.
- Calma. Ele pode voltar, sabe disso.
Você é jovem, Vanessinha.
Daqui a pouco vai estar recuperada e poderá ficar grávida de novo.
- Mas... E a chance do Rafael?
Era minha última esperança -– chorou.
Dona Henriette não sabia o que dizer.
Apertou o abraço e beijou a neta na cabeça.
A senhora já sabia, por Leda, o que havia acontecido entre Felipe e Vanessa, mas não quis se manifestar sobre o assunto.
Não era o momento.
Sabia que a neta estava confusa e amargurada.
Saberia esperar.
Com o passar dos dias, Vanessa se recuperou e Felipe a procurou, mas ela não queria conversar sobre o que havia acontecido.
- Sou capaz de entender que não quer falar sobre nós dois, mas...
Temos de tratar de assuntos sobre a empresa.
Tenho decisões a tomar, negócios a resolver.
Preciso da sua opinião -– disse Felipe ao vê-la.
- O Rafael terá de fazer novas sessões de tratamento e você sabe muito bem como isso é difícil para todos, principalmente para ele.
Apareceram tumorações que os médicos acham melhor não retirar com processos cirúrgicos e...
Decida o que precisar na empresa.
Para mim... Meu filho é mais importante.
- Isso mesmo! O Felipe não merece consideração.
Agora é que ele quer conversar?!
Por que não a procurou antes para falar sobre a tal Brenda?!
Cuide de você. Não lhe dê ouvidos! -– dizia Ceres destilando inveja e discórdia.
- Posso visitar o Rafael? -– ele perguntou.
- Por favor, Felipe. Já me basta o Diogo.
- O Rafael gosta de mim, Vanessa!
Sou como um pai para ele e o considero...
- Por favor, Felipe! -– interrompeu-o.
Pensou um pouco e, para ser livre dele, disse:
- Eu ligo para você no dia em que uma visita for conveniente. Está bem?
- Posso telefonar para ele?
- Pode. E... Quanto à empresa... -– disse para se ver livre –- Não terei cabeça para nada. Você sabe como é.
- Sim. Sou capaz de entender isso.
- Obrigada –falou tão somente, abaixando o olhar.
Ninguém conseguia entender muito bem a atitude de Vanessa com relação a Felipe.
Nem mesmo a melhor amiga.
Pela postura, Leda não era atingida pelos pensamentos e desejos hostis do espírito Ceres.
Ela era capaz de ignorar qualquer ideia aversiva que surgisse com referência a Diogo.
Ele, por sua vez, aprendia com Leda e se fortalecia.
Juntos, ele passou a elevar os pensamentos, aprender mais sobre o lado espiritual e melhorar-se espiritualmente.
Começou a frequentar uma casa espírita e a entender os processos evolutivos a fim de buscar paz.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 70224
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Dez 07, 2016 10:10 am

Com isso, Ceres não conseguia atingi-lo.
Por outro lado, Vanessa pareceu se esquecer dos princípios em que viveu e aprendeu, deixando-se influenciar.
Não parava para reflectir.
Não buscava elevar os pensamentos em prece.
O tempo foi passando...
O assunto entre Vanessa e Felipe pareceu ter sido esquecido.
As dificuldades com a saúde de Rafael eram de máxima prioridade e não havia espaço para mais nada no pensamento de todos.
Após vários tratamentos, ao longo do tempo, o estado de saúde do menino estava bem comprometido.
Ele teve complicações infecciosas, hemorrágicas, a medula não voltou a produzir células normais e não conseguiam controlar a doença no Sistema Nervoso Central.
O câncer avançava e a Medicina parecia perder aquela batalha.
Um doador compatível não era encontrado e nada poderia ser feito.
Um desespero tomava conta de Vanessa, Diogo e também de Felipe, muito afeiçoado ao sobrinho.
Nos últimos meses, Felipe estava sempre por perto, mas não tocava no assunto sobre ele e Vanessa.
Nem tentou se reconciliar.
Estava presente, como havia prometido para ela: como um amigo fiel.
O caso de Rafael era muito grave e precisava de toda atenção.
Henriette veio para São Paulo a fim de ajudar a neta, mas isso não melhorava muito o estado emocional de Vanessa, que sentia estar cada vez mais próxima a hora de se despedir do filho.
- Ela está tão abatida, Felipe!
Muito magra, com olheiras...
A Vanessa parece definhar a olhos vistos!
Veja só -– falava baixinho, longe da neta.
- Já falei, dona Henriette. Todos falamos.
Não sei o que podemos fazer.
Ela praticamente se mudou para o hospital nesses meses.
Não quer que revezemos para ficar com o Rafael e...
Muito mal, o Diogo consegue passar uma noite inteira, aqui, sozinho, para ela ir para casa e descansar um pouco.
- Eu sei, filho. Também não consegui ficar aqui para ela descansar um pouco.
- Tenho a impressão de que a Vanessa quer aproveitar cada segundo ao lado do filho e...
Não posso tirar a sua razão -– tornou o rapaz.
Com olhos marejados, ambos observavam, a certa distância, Vanessa debruçada nas grades do leito, afagando o filho que recebia medicamento enquanto dormia.
- Vamos tentar convencê-la a ir para casa hoje? -– propôs a senhora.
- Claro -– ele respondeu.
- Quem sabe se eu e o Diogo ficarmos aqui, juntos, ela confia e vai para casa.
Você pode ficar com ela e cuidar dela para mim?
- Lógico. Sem problemas.
A senhora sorriu de modo triste e foi para perto da neta.
Ao afagar-lhe as costas com carinho, Vanessa se virou lentamente para ver quem era.
Ao vê-los próximos, afastou-se um pouco e lhes deu atenção.
- Filha, estamos preocupados com você.
- Estou bem, vovó.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 70224
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Dez 07, 2016 10:10 am

- Hoje eu descansei bastante, estou bem-disposta e posso ficar à noite toda com o meu bisneto.
Eu quero que vá pra casa, Vanessinha, tome um banho, coma alguma coisa e se recomponha.
- Quero ficar aqui, vovó. Estou bem.
- Vanessa, sua avó tem razão -– reforçou Felipe.
Um vulto que se aproximou, chamou sua atenção.
Era Diogo que disse:
- Concordo com eles.
Você está visivelmente fraca, abatida.
Se ficar doente, como é que pretende cuidar do Rafael?
- Não vou ficar doente.
- Não seja teimosa filha.
Eu tava falando pro Felipe que, eu e você, Diogo, podemos muito bem ficar aqui.
O Felipe te leva agora para casa e amanhã cedo vocês voltam.
- Será bom ir pra casa, se alimentar em condições, dormir bem acomodada em uma cama...
Já faz tempo que está neste hospital.
Faz isso só essa noite.
O Rafael será bem cuidado pela sua avó e pelo pai.
Eu te levo pra casa.
Vanessa voltou a olhar para o filho.
Rafael estava bem inchado, com os lábios ressequidos e pálpebras avermelhadas.
Dormia com os olhinhos semiabertos, assim como a boca.
Estava longe de se parecer com o garoto activo e saudável que foi.
Vanessa, por sua vez, estava cansada.
Fazia meses que, praticamente, morava ali no hospital.
Ela dava a impressão de ter perdido o viço, a beleza, o brilho no olhar.
Sentia-se impotente, fraca, praticamente sem esperanças.
Delicadamente o doutor Genésio, médico que cuidava de Rafael, tinha avisado que o quadro do menino era muito difícil de ser revertido, mesmo aparecendo um doador de medula óssea compatível naquele momento.
Era muito tarde.
Todos sabiam que, bem pouco poderia ser feito, inclusive ela, mas, como mãe, recusava-se aceitar, embora não comentasse isso.
Vanessa fechou os olhos e sentiu-se tonta, sabia que precisava se recompor de verdade, então admitiu:
- Está bem. Eu vou.
E, para ter certeza, perguntou:
- Vocês não vão dormir, né?
Vão ficar de olho nele, né?
- Pode ir tranquila! -– disse Diogo firme.
- Filha! O que é isso?
Está duvidando de mim? -– perguntou a senhora em tom inconformado.
- Cuidem bem dele, por favor.
Aproximando-se mais, curvou-se e beijou Rafael e, afagando-lhe o rostinho com carinho, disse:
- Fica com Deus, meu amor.
Amanhã cedo a mamãe volta.
Vou trazer umas historinhas novas para ler para você.
Eu te amo, viu? -– e o beijou novamente.
Com olhos marejados, virou-se para Felipe que a envolveu e a conduziu para saírem.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 70224
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Dez 07, 2016 10:10 am

Estava tão atordoada, tão mental e fisicamente cansada que nem lembrou de se despedir da avó nem de Diogo, que acenou para o irmão pedindo para levá-lo logo, antes que mudasse de ideia e resolvesse ficar.
Felipe a acomodou no carro, no banco ao lado do motorista, e colocou-lhe o cinto de segurança.
Ela fechou os olhos e apoiou a cabeça no encosto do banco.
Nem notou o caminho de volta para o apartamento.
Ao chegarem, Felipe a acompanhou até o quarto e pediu:
- Toma um banho bem demorado que vou ver o que tem para comer.
Enquanto Vanessa lhe obedecia, ele foi para a cozinha e procurava algo nos armários e na geladeira quando a campainha tocou.
Era Leda.
- Oi Lipe. Tudo bem? -– beijou-o.
- Oi, Leda. Tudo. E você?
- Estou bem.
Liguei pro Diogo e ele me disse que a Van resolveu vir para casa hoje.
- Foi sim. finalmente.
- E ela?
- Está no banho.
Estou aqui na cozinha vendo se tem algo para preparar, mas...
Acho que vou ter de encomendar.
- Que nada! Fiz uma sopa.
Vou lá em cima buscar e já volto.
- E o Rodrigo, melhorou? -– perguntou, pois, no dia anterior, soube que o menino havia tido febre.
- Está melhor. Foi a garganta inflamada junto com a gripe.
Já está bem melhor depois dos remédios.
- Que bom. Deixe eu ir lá.
Não quero deixar o Rodrigo sozinho por muito tempo.
- Vai lá! Vai lá! Obrigado!
- Por nada! -– disse ao sair.
Alguns minutos e Leda voltou com uma sopa envolta em um pano de copa e um saco de pães.
- Olha, Lipe. Está quentinha!
- Nossa! E ainda lembrou do pão!
Você quebrou um galhão!
- A Van ainda está no banho?
- Está.
- Queria falar com ela, mas...
Não posso demorar muito.
Não quero descuidar do Rodrigo.
Talvez não dê para eu falar com ela hoje, mas amanhã cedo eu venho aqui.
- Não se preocupe. Ela vai entender.
- Faz a Van tomar um pouco de sopa e põe minha amiga para deitar.
Não vou vir aqui quando o Roo dormir se não vocês vão ter de ficar me esperando até tarde e...
Já viu, né?
- Não se preocupe. Você já fez muito.
Antes de sair, Leda virou e perguntou em tom melancólico:
- E o Rafinha?... Eu o vi ontem, perguntei pro Diogo, mas...
- Ele está do mesmo jeito.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 70224
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Dez 07, 2016 10:10 am

Leda começou a chorar, mas não ficou para que o amigo visse.
Saiu, fechando a porta atrás de si. Nem lhe deu tchau.
Felipe soube entender.
Algum tempo e Vanessa surgiu.
Enquanto ele colocava a toalha na mesa da sala de jantar, perguntou:
- E então? Está mais relaxada?
- Estou.
- Um banho em casa é bem diferente do hospital, não é?
- Sem dúvida.
Ele a conduziu para que se sentasse à mesa e Vanessa se deixou.
- A Leda veio aqui e trouxe essa sopa e esses pãezinhos -– contou servindo o prato fumegante à sua frente.
Ela ergueu o olhar e ficou observando.
Depois falou:
- Minha avó me dizia que, na cidade grande, as pessoas não se importam umas com as outras, não sabem como os seus vizinhos se chamam e, quando estão doentes, um vizinho não faz uma sopa ou caldo para cuidar do outro.
Isso não é verdade. A prova está aí.
Minha vizinha, minha amiga, minha irmã...
- Pessoas boas nunca ficam sozinhas.
Recebemos dos outros aquilo que damos.
Se você tem uma amiga assim é porque você é uma boa amiga.
Agora, coma um pouco – pediu Felipe.
Ao olhar para o prato fumegante, ela disse.
- Estou sem fome.
- Só um pouco. Toma só um pouquinho.
Não pode ficar assim -– disse e afagou seus cabelos húmidos.
Em seguida, sentou-se ao seu lado onde também colocou outro prato com sopa quente.
Para Vanessa, era um enorme sacrifício engolir cada colherada que punha na boca.
Felipe não sabia o que dizer e achou melhor o silêncio à uma conversa que pudesse trazer lembranças ou aguçar tristezas, pois tudo recordava Rafael.
Vez ou outra, uma lágrima corria no rosto pálido de Vanessa que estava desesperançada, até que não conseguiu comer mais.
- Toma mais um pouco.
- Não. Obrigada.
- Quer assistir a TV ou quer que eu ponha um filme?
- Não. Obrigada, Felipe.
- Que tal subir um pouquinho lá na casa da Leda? -– propôs, pois sabia que ela gostava muito de conversar com a amiga.
- Também não.
Felipe se levantou e pôs-se ao seu lado, dizendo ao tocar-lhe os ombros.
- Então vem. Melhor se deitar.
Precisa descansar.
Escove os dentes e durma um pouco.
- Quero levar o telefone lá pro quarto. Se alguém ligar...
- Claro. Vai indo que eu levo.
Só vou pôr esses pratos na pia.
Assim foi feito.
Felipe foi para o quarto e levou o telefone.
Vendo-a sentada na cama olhando para o chão, pediu:
- Deita. Acomode-se direito.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 70224
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Dez 07, 2016 10:11 am

Vanessa se remexeu e procurou pelos travesseiros.
Ele se sentou ao seu lado e ficou observando-a.
Quando seus olhos se encontraram, ela começou a chorar e estendeu as mãos parecendo implorar um abraço.
Felipe juntou-se a ela e a envolveu com carinho, afagando-a durante o pranto sentido.
Era capaz de entender sua dor, seu sofrimento.
Ele também estava, irremediavelmente, triste pelo estado de Rafael e pela falta de esperança.
- Por quê? -– ela perguntou com voz chorosa.
Felipe a ajeitou nos braços, como quem aninha uma criança, para vê-la melhor e tentou dizer:
- Às vezes, é difícil entender.
Mesmo sabendo que Deus não erra, queremos explicações para entender o sofrimento.
- Sempre tive esperanças de que um doador compatível fosse aparecer...
Mas não. Diante de tanta demora, sem sequer te consultar, decidi engravidar... não só por ele, mas também por amor... -– chorou.
Mesmo assim...
Felipe começou a chorar e a apertou contra o peito, embalando-a ao beijar-lhe a cabeça.
- Nosso filho poderia estar aqui e o Rafael curado.
Não poderia? -– tornou ela, indagando com o lamento.
- Poderia... -– murmurou chorando.
Um momento e pediu:
- Não pense em mais nada.
Procura descansar -– falou em tom amoroso, tentando não deixá-la vê-lo chorar.
- Eu queria falar isso com você.
Todo esse tempo, desde que perdi o nené e... Eu...
Diante da demora, por percebê-la exausta, sugeriu:
- Descansa. Podemos conversar outra hora.
Felipe estava triste e com pena, porém sua amargura era calma.
Embalou Vanessa lentamente até que, vencida pelo cansaço, ela dormiu.
A luz fria, que vinha das frestas estreitas da janela, acordou Felipe que tinha Vanessa dormindo ao seu lado, abraçando-o pela cintura e debruçada em seu peito, como há muito não via.
Não quis se mexer para não acordá-la, e afagou levemente os cabelos notando a serenidade com que seu rosto largado recostava-se em seu peito.
Ele a amava e estava comovido com a situação, mas não podia fazer muito e precisava ser forte.
Desejava que tudo aquilo fosse diferente.
Não gostaria de estar ali, abraçando a mulher que amava por conta de sofrimento.
Olhou o relógio.
Quase oito horas.
Havia dormido além do esperado, mas isso deveria fazer bem à Vanessa.
Inesperadamente o telefone tocou.
- Droga –- reclamou baixinho e se virou para pegar o telefone.
-– Alô.
Vanessa despertou rápido e ficou na expectativa.
A ligação estava alta e pôde ouvir a voz de Diogo dizer:
- Felipe!... O Rafael...
Meu filho... -– chorou.
Meu filho se foi...
Meu filho acabou de ir...
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 70224
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Dez 07, 2016 10:11 am

Vanessa se afastou e ficou de joelhos sobre a cama.
Levando as mãos a cobrir a boca, começou a chorar, olhando em desespero para Felipe que não sabia o que fazer.
- Diogo -– disse o irmão -, nós estamos indo praí. Fica calmo.
- Vem, Felipe. Vem logo.
Não sei o que fazer. Vou ligar pro pai.
- Liga. Vou já praí.
Ajoelhada sobre a cama, Vanessa estava curvada, e Felipe que a agasalhou, envolvendo-a.
- Meu filhinho...
E eu não estava lá...
- Calma. Talvez...
Talvez tivesse de ser assim.
Quem não sabe ele não quisesse vê-la desse jeito.
Não quisesse que você o visse partir. Ele precisava lembrar de você de outra forma.
Aos poucos, o pranto foi cessando e ela perdeu o olhar em um canto.
- Vanessa, olha pra mim -– pediu Felipe com lágrimas nos olhos enquanto segurava seu rosto com ambas as mãos.
Ela o encarou, ele disse:
- Seja forte. Seja a mãe que o Rafael sempre conheceu: forte acima de tudo.
- Quero ir pro hospital.
- Claro. Troque-se e vamos pra lá.
Muita dor e muita tristeza no enterro de Rafael.
Amiguinhos da escola, que tão pouco frequentava por conta do tratamento, acompanhados de seus pais e as professoras que tanto se apegaram a ele, compareceram para homenageá-lo levando rosas brancas e também prestando solidariedade aos pais tão necessitados de conforto para seus corações amorosos.
O Evangelho Segundo o Espiritismo nos ensina que sempre “existe o bem onde julgamos haver o mal e a sábia previdência onde acreditamos ter a cega fatalidade do destino.
Nada se faz sem um fim inteligente.”
O planeamento de Rafael era exactamente esse.
Havia unido aqueles em que provocou ódio e discórdia.
Além disso, na vida de todos aqueles por quem passou, fez a diferença.
Muitos conhecidos, pais de seus amiguinhos, professores, parentes e até estranhos que souberam de seu caso, de sua necessidade, tornaram-se doadores quando entenderam que um acto de caridade consiste não só unicamente em doar dinheiro, mas também doar de si, no sentido exacto do termo, fazendo como o Mestre Jesus ensinou:
“Dar de graça o que de graça recebestes”.
Rafael, predestinado a não conseguir para si um doador, conseguiu, para muitos outros nova oportunidade de vida saudável e feliz.
Mesmo com sua curta existência, ele fez a diferença neste mundo.
Na espiritualidade, foi recebido nos braços amorosos da avó materna, mãe de Vanessa, que velava por ele como mentora querida, Rafael foi encaminhado ternamente para lugar adequado e próprio de sua elevação.
Na espiritualidade, todas as entidades queridas estavam felizes por recebê-lo de volta, livre dos transtornos do corpo físico e liberto dos deveres tão bem cumpridos.
Ele, espírito, estava satisfeito e desejoso de que os encarnados seguissem em frente, na verdadeira tarefa do bem, com moral elevada.
Vanessa podia entender isso, mas sofria pela separação, sempre cruel para uma mãe amorosa.
Voltando ao seu apartamento, ela não quis comer nem conversar.
Tomou um banho e se deitou, mas antes orou pelo filho.
Diogo, amparado por Leda, não sabia a razão de ter de sentir a tão terrível perda de um segundo filho.
Ele não sabia, não lembrava, pela bênção do esquecimento, a tristeza de ter feito sucumbir os dois filhos de seu irmão.
E, daquela forma, aprendia a lição.
Ele sofria e, amparado por Leda que o orientava, seria capaz de se erguer melhor, entendendo que seus filhos, por bênção Divina, estavam amparados por Deus.
Aquela dor, aquela marca, cravou-lhe uma grande lição no espírito.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 70224
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Dez 07, 2016 10:11 am

Capítulo 28 - Cada um tem seu destino

Na manhã seguinte, ainda vestida com o pijama, Vanessa estava sentada no sofá da sala apartamento com uma caneca de chá entre as mãos.
Tinha o coração cruelmente despedaçado pela dor daquela separação e nada poderia ser dito ou feito para que tudo fosse amenizado.
Rosto vermelho, inchado de tanto chorar, olhava a fumaça que se esvaía da caneca e o seu pensamento estava vazio, cansado, sofrido demais para se concentrar em algo.
O espírito Ceres a observava e foi nesse momento que uma ponta de angústia a tocou.
Ceres lembrou-se do próprio filho, o pequeno Raphael, que havia desencarnado em seus braços naquele acidente.
Onde ele estaria?
De certo haveria uma espécie de céu, um lugar especial para crianças, na espiritualidade, pois ela nunca o viu.
Os sentimentos, as dores de Vanessa começaram a mexer com ela.
Como amava o filho que se foi!
Como gostaria de tê-lo consigo, abraçá-lo ali na espiritualidade.
Não conseguia deixar de observar Vanessa que, vestida por uma dor que adormentava o ânimo, igualava-se a ela naquele desgosto calmo, penalizante.
Não demorou muito e o espírito Ceres sentiu a presença de um vulto ao seu lado.
Ao olhar, viu um rapazinho cuja aparência estava daquela forma a fim de ela lembrar-se dele.
Era um espírito familiar e Ceres o observava tentando se lembrar quem era.
Pelo menos, por aqueles longos minutos não se lembrou.
Cabelos cacheados, aloirados, olhos bem claros e sorriso franco.
Algo lhe pareceu conhecido.
Em segundos, uma emoção forte invadiu-lhe os sentimentos enquanto uma alegria, que imaginava jamais poder sentir novamente, brotou em seu coração.
- Raphael?! Meu filho?!
É você?! -– sorriu.
- Mamãe... -– e estendeu-lhe os braços ternos, envolvendo-a com todo o carinho e amor.
Ceres, espírito sem instrução, cansado pelas manchas e artifícios que usou para manipular e fazer sofrer, como se o sofrimento dos outros lhe fosse uma forma de prazer, entregou-se aos braços fraternos que a agasalharam por todo instante de choro e desespero.
Longos minutos...
- Meu filho... quase não o reconheci -– disse afastando-se um pouco e tocando-lhe a face, querendo ter certeza para acreditar.
Porque só agora apareceu?
- Porque só agora pensou em mim com verdadeiro amor.
A dor de Vanessa despertou sua sensibilidade.
A dor, nossa ou dos outros, é o que muitas vezes nos ensina a amar, a fazer o que é certo.
- Quando morri fiquei revoltada.
Perdi você! Separaram você de mim mesmo morrendo comigo.
No começo, fiquei junto de seu pai, que não me esquecia, não parava de pensar em mim.
Eu era jovem. Tinha uma vida e muita coisa para fazer, mas...
Fui ceifada! Não sabia o que fazer na espiritualidade.
- Porque não orou?
Porque não elevou os pensamentos a Deus?
Era só disso que precisava.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 70224
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Dez 07, 2016 10:11 am

Ceres sentiu-se desarmada e confessou:
- Fiquei com raiva.
Odiei a ideia de ver os outros continuarem com suas vidas e eu, como espírito, não poder fazer o mesmo.
Com o tempo fui esquecida.
Não tinha mais o que fazer.
Eu os vi se ajeitando sem mim.
De alguma forma, que não sei explicar, recordei de uma existência passada e fiquei com mais raiva ainda.
- Deveria ter percebido que essa existência terrena actual foi para reparar aquela.
Ceres abaixou o olhar e sentiu-se envergonhada.
Deus não nos dá o direito de interferir na vida alheia, embora possamos, de posse do livre-arbítrio, fazê-lo.
Mas, sem dúvida, seremos responsáveis e teremos de reparar tudo.
Um arrependimento em forma de dor e angústia pesou nos sentimentos de Ceres que o encarou ao dizer:
- Eu estava feliz ao ver a Vanessa se decepcionar.
Ela, de certa forma, sofreu o mesmo que eu quando acreditou que estava sendo traída, enganada por Felipe.
Fiz o que fiz e...
Agora, vendo-a desse jeito...
Chego a pensar que ela perdeu o bebé que esperava por minha culpa porque...
Se isso fosse verdade, então o Rafael, seu irmão por parte de pai, morreu sem ter conseguido um doador e, então minha culpa aumenta.
E agora? O que faço?
Preciso reparar tudo isso, não preciso? -– preocupou-se.
Ceres não era um espírito ruim, só não tinha orientação e, sob nova óptica, passou a ver melhor aquela situação.
- Deixe isso para Deus, que não precisa da nossa ajuda.
Muitas vezes nós atrapalhamos o Pai Celeste em vez de ajudar -– sorriu. -– Venha comigo.
- Não. E ela?
Estou com pena dela que está sofrendo por minha culpa.
Ela perdeu os filhos por minha culpa.
- Não, mamãe. Espere.
Não foi bem assim.
É lógico que você ajudou o desequilíbrio emocional de Vanessa, que já não era bom por conta da preocupação com o filho doente.
O Rafael tinha outra missão.
Ele não poderia ficar.
Se ficasse, seria um elo entre Vanessa e Diogo, Rafael só veio unir Felipe ao irmão e deixou tudo como deveria ficar.
Se ele continuasse, talvez, outros problemas surgissem.
Se quer saber, Rafael vai voltar como filho de Vanessa, mas não agora.
- E o filho que ela perdeu por minha culpa?
Eu a deixei nervosa quando a influenciei a ficar desconfiada de Felipe por outra.
- Nem aquele filho precisava passar por experiência difícil, nem Vanessa merecia mais qualquer dificuldade com filho.
Por isso aquele aborto espontâneo foi necessário.
Ela havia acompanhado o Rafael a exames onde foi empregada radiação incompatível à gestação e isso prejudicou o desenvolvimento do feto e ela não sabia disso.
O sacrifício do aborto foi necessário.
Mas esse filhou também vai voltar, talvez até como gémeo de Rafael -– sorriu.
Gémeo idêntico, quem sabe -– sorriu novamente.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 70224
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Dez 07, 2016 10:12 am

- Vanessa e Felipe precisam se entender, precisam se acertar.
- Então, deixe a vida cuidar deles.
Cada um tem seu destino. Venha comigo.
Você é quem precisa de cuidados.
Venha comigo enquanto estou aqui.
Em breve, muito breve, é possível que eu reencarne.
- Você, Raphael?
- Lógico. Tenho muito o que fazer ao lado do meu pai e de Leda, minha nova mãe.
Desejo dar a eles a alegria de que os privei no passado quando... você sabe o que fiz.
Eles merecem ser felizes.
Serei um bom filho e um óptimo irmão para o Rodrigo –- sorriu e estendeu a mão caridosa que Ceres aceitou, acompanhando-o.
Vanessa, ainda sentada do mesmo jeito, não percebeu o que havia acontecido.
Sua avó chegou à sala e, ao vê-la daquele jeito derrotado, aproximou-se, acomodou-se ao lado e propôs:
- Vanessinha, filha, não quer tirar esse pijama para sairmos um pouco?
- Tem algum lugar que precisa ir? -– perguntou atordoada ao olhar para a avó.
- Que tal dar uma volta no quarteirão?
- Não.
Encostou a caneca vazia no sofá, olhou para a senhora novamente e recostou-se nela, lamentando:
- Ai, vovó...
Tá doendo tanto... -– chorou.
- Eu sei, meu amor. Eu sei...
Lágrimas brotaram nos doces olhos de Henriette que envolveu a neta em seus braços ternos e a afagou, dizendo:
- Eu sei como é grande a dor de perder um filho.
Eu sei, mas você é jovem, tem muita coisa pela frente.
E o que é bom, acredita que não terminamos aqui.
A vida continua, filha.
O Rafael está amparado. Sabe disso.
- Gostaria que ele estivesse comigo.
- Ele está em seu coração.
Nunca, ninguém vai tirá-lo daí.
Afastando Vanessa de si, secou-lhe o rosto com as mãos e orientou:
- Levante, seja forte.
É isso o que o seu filho sempre viu em você e é isso que ele quer continuar vendo:
uma mãe forte, capacitada, que serve de exemplo para ele.
- Quero... quero voltar para casa.
Quero ir para a fazenda.
- Quando?
- O quanto antes.
- E como ficam as coisas aqui?
Tem o apartamento, o Felipe... o Diogo, a Leda.
Você deve satisfações a eles que a ajudaram muito.
- Não sei como eles ficam.
Não consigo pensar direito.
Não agora. Minha cabeça está pesada.
Preciso descansar. Não sei...
A campainha tocou interrompendo-as e Henriettte se levantou para atender.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 70224
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Dez 07, 2016 10:12 am

Era Felipe que a cumprimentou com um abraço apertado após entrar.
Ele também trazia no rosto sinal de choro e sofrimento.
Ao chegar à sala, olhou para Vanessa, que o fitou por um instante, e não deteve as lágrimas.
Felipe se sentou ao lado, beijou-lhe a face fria e a abraçou.
Vanessa se recostou em seu peito e continuou em silêncio.
Alguns minutos e Henriette perguntou:
- Aceita um café, Felipe?
- Aceito sim, dona Henriette. Obrigado.
Vanessa se afastou do abraço e ele perguntou:
- Como você está?
No tempo em que demorou em responder, ele notou sua palidez, seu rosto magro e as olheiras bem fundas e escuras.
A custa ela falou:
- Ainda estou passada.
- O que vai fazer agora? -– tornou ele.
- Quero voltar para casa.
No momento não tenho planos, mas...
Não quero ficar em São Paulo.
Vou voltar para São Bento do Sapucaí.
- É possível que a rotina do hotel fazenda vá te ajudar.
- Acredito que sim -– tornou ela.
Longa pausa e Felipe quis saber:
- Como nós ficamos?
- Não sei, Felipe.
- Eu te amo, Vanessa.
Ela não respondeu e fugiu-lhe o olhar.
Pareceu nem tê-lo ouvido falar.
Felipe lutou com as emoções, tomou fôlego e perguntou, quase friamente:
- E a nossa sociedade na empresa?
- Não sei. Não consigo pensar nisso agora.
Aliás... Se quiser comprar ou vender para outra pessoa a minha parte...
Fique à vontade.
Nesse instante, ela sentiu uma forte dor na alma.
Algo que a contrariava.
Queria que fosse diferente, mas não tinha forças para dizer nada.
Sua vida perdeu a cor, perdeu o brilho.
Não conseguia reagir.
- Tá certo -– ele disse ao se levantar.
Henriette chegou com uma bandeja com as xícaras de café.
O rapaz aceitou e bebeu em pé mesmo.
- Obrigado -– ele disse.
- Já vai, Felipe? – estranhou a senhora.
Sem encará-la, ele respondeu:
- Já, sim.
Voltando-se para Vanessa, curvou-se e a beijou no rosto.
-– Tchau. Sabe como me encontrar.
Erguendo-se, aproximou-se da senhora e a beijou no rosto se despedindo:
- Até logo, dona Henriette.
Se precisar de mim para qualquer coisa...
É só me ligar.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 70224
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Dez 07, 2016 10:12 am

- Até mais, Felipe.
Ele se foi.
A avó voltou-se para a neta e questionou:
- Filha, sei que você está acabada e sofrida neste momento, mas é preciso lembrar que a sua vida, aqui, vai ter de continuar.
Eu percebi que o Felipe foi e é alguém muito importante para você.
Pense bem no que está fazendo, Vanessinha.
Vanessa não respondeu.
Pegou a caneca sobre o café e se levantou como se precisasse de um esforço sobre-humano para fazer isso.
Mais de um mês depois...
Repleta de emoções tristes, Vanessa já estava com tudo arrumado para voltar à sua cidade.
Não sabia muito bem por onde, mas precisava retomar a vida.
Havia um vazio que não se preenchia.
Pensou em retomar os assuntos do hotel e seguir trabalhando.
Em conversa com Leda, após contar sobre sua decisão, a amiga perguntou:
- E o Felipe?
- Pedi para ele vender minha parte na empresa.
Não sei se vai comprar ou se...
- E vocês dois, Van?!
Como ficam?
- Não sei o que estou sentindo, Leda.
- Como não sabe?! -– zangou-se.
Você adora esse homem e...
Por causa de uma idiota, imbecil que lançou um veneno entre vocês dois, vai deixá-lo?!
A amiga não respondeu e Leda atacou:
- Sabe o que parece?!
Parece que você usou o Felipe!
- Eu não usei o Felipe! -– reagiu.
- Ficou com ele só o tempo que precisou e para o que precisou.
- Leda! Veja como fala comigo!
- Sou sua amiga!
Estou falando o que penso e o que vejo.
- Assim você me ofende.
- Pode se ofender, mas preste atenção: o Felipe te ama.
Fez tudo por você e pelo seu filho.
Nem mesmo se importou quando você ficou grávida e...
Desculpe-me, mas...
Deve admitir que não o consultou e pareceu só pensar em você e no seu filho, quando engravidou pela possibilidade de ajudar o Rafael.
- Aaaah! Não!
- Eu não terminei, Vanessa! -– impôs-se.
Se não foi isso o que fez, foi o que pareceu.
E esse homem aceitou e entendeu tudo e nunca te questionou nada.
Aí, aparece uma qualquer, que mente e engana, e você usa isso para se afastar do cara, pois não quer entender o óbvio.
Ora, Vanessa! Isso é muito cruel!
- Você não tem o direito de falar assim comigo, Leda!
- Sou sua amiga.
Estou dizendo a verdade! -– gritou.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 70224
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Dez 07, 2016 10:12 am

- Eu amo o Felipe!
- Então é muito idiota!!!
Por que é que não está com ele?!!
Vanessa sentiu-se enfraquecer e sentou-se lentamente no sofá.
Num sussurro, respondeu com voz fraca:
- Não sei... Estou me sentindo tão mal, tão estranha, tão destruída.
Não tenho ânimo para nada.
Leda acomodou-se ao seu lado, tomou-lhe a mão e falou bem calma:
- Então explica tudo isso para ele, Van -– pediu de modo piedoso, com pena do estado da amiga.
Todos somos capazes de entender que você se empenhou muito com o Rafael.
Fez tudo por ele.
Que sofreu muito quando não foi encontrado um doador e, mais ainda, quando perdeu seu nené, filho do Felipe, que era a última chance...
Tudo isso te desgastou, te cansou, acabou com você, que se sentiu em ruínas depois de uma luta tão longa contra tantas adversidades.
Agora, está depressiva e essa sua reacção de não estar disposta, de não querer nada nem ninguém é normal, é puramente normal em uma depressão pós-luto.
Mas veja o lado dos outros.
Veja o lado do Felipe que estava com você durante essa guerra, o tempo todo se doou tanto quanto pôde, como o próprio pai do Rafael.
Se você o ama, como diz, divida com ele esses seus sentimentos de indecisão e desânimo.
Não seja orgulhosa.
Peça ajuda, mas não queira que os outros a carreguem nas costas ou que entendam as coisas que você não explicou.
- Me sinto fraca, sem esperança...
Nada parece importar agora.
- Está depressiva, mas isso vai passar.
Só que quando passar, não quero que se arrependa pela oportunidade perdida.
O Felipe pode não ficar para ver e não entenderá depois.
Você foi muito dura com ele. Pense nisso.
- Vou pensar.
Olhando nos olhos da amiga, falou:
- Obrigada, Leda.
Obrigada pelo apoio que sempre me deu, por me entender e mesmo quando não entendeu, ficou do meu lado.
Foi minha amiga, minha irmã...
- Ora... Que isso? -– falou sem jeito.
Em seguida contou:
- Nossa amizade vai continuar, só que... à distância -– seus olhos ficaram marejados.
- Como assim?
- Eu e o Diogo decidimos nos casar?
- Que notícia óptima. Quando?
- Em breve. E daí que...
Ele recebeu um convite para voltar a trabalhar na Alemanha e vai aceitar.
Eu e o Rodrigo vamos com ele.
- Leda! -– exclamou emocionada, feliz.
- É... -– sorriu e chorou.
Estou decidida.
Vanessa a abraçou emocionada e a amiga correspondeu.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 70224
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Dez 07, 2016 10:12 am

Ao se afastar, Leda falou de um jeito engraçado, rindo e reclamando:
- Ai... Eu não queria chorar -– passou a mão no rosto.
- Vai ser bom para você, pro Rodrigo e pro Diogo.
Vocês merecem ser felizes.
- ...e pro bebé que vai nascer também.
- Você está grávida, Leda?
- Segundo o teste de farmácia que fiz ontem, estou.
- E o Diogo?
- Está muito feliz.
Nós estamos, Van, espero que entenda porque não vamos esperar muito para nos casarmos, né?
- Como assim?
Porque eu não entenderia?
- O Rafael se foi há tão pouco tempo e você pode achar que eu e o Diogo não estamos nos importando com isso.
É que o Diogo aceitou o convite para trabalhar lá e queremos ir casados e, ao mesmo tempo, eu não queria esperar muito por causa da barriga.
- Não estou pensando nada.
A vida continua e precisa seguir.
Diga para o Diogo que não estou incomodada com nada.
O que mais importou foi tudo o que ele fez pelo filho e o que carrega no coração.
Quero que sejam felizes.
Só isso -– abraçou-a novamente.
Em seguida, quis saber:
- Vai esperar o nené nascer aqui ou...
- Não. Pretendemos ir para a Alemanha antes de ele nascer.
Hoje nós vamos ao cartório e...
Assim que nos casarmos, vamos embora.
- Fico feliz por vocês.
- Obrigada, amiga.
Mas não deixe de ser feliz também.
Converse com o Felipe.
Uma onda de desânimo e tristeza pairava sobre Vanessa, que forçou um sorriso e a abraçou.
Poucos dias depois e Felipe, após uma ligação de Vanessa, foi até o apartamento a seu pedido.
Ela estava disposta a conversar com ele, conforme Leda havia orientado.
Também pretendia voltar para sua cidade para se recompor emocionalmente e queria lhe contar tudo isso.
Após se cumprimentarem, ela pediu que entrasse.
Felipe notou algo estranho.
O apartamento estava frio.
Vazio de sentimentos leves.
Havia um clima triste no ar.
- E sua avó?
- Ela já voltou.
Meu irmão esteve aqui e a levou para São Bento, junto com algumas coisas.
- Você está decidida a voltar mesmo?
- Estou –- respondeu, puxando uma cadeira e se sentando à sua frente.
Com o coração apertado, olhou em sua alma invadindo seus olhos e revelou:
- Felipe... Nos últimos tempos eu...
Sabe, fiquei sobrecarregada e triste.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 70224
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Dez 08, 2016 9:24 am

Senti como se tivesse perdido uma batalha, uma luta difícil e dura, na qual, apesar de tudo, eu estava repleta de esperanças.
Queria que você entendesse que...
- Vanessa -– ele a interrompeu. -, não vamos tornar as coisas mais difíceis do que já estão.
Você não me deve explicações nem eu.
Tudo o que tínhamos para falar um ao outro, já foi falado.
Então... -– foi firme e decidido, um mecanismo de defesa para não sofrer mais.
Quando você vai embora? -– perguntou levantando-se.
- Hoje... Talvez... -– respondeu ainda não confusa, não entendendo a reacção de Felipe.
Seu estado deprimido não a deixava organizar as ideias.
- Quero te desejar boa sorte na nova vida e...
Assim que eu tiver uma solução para a nossa sociedade na empresa, eu a procuro. Certo?
Perplexa, Vanessa não acreditava no que via e ouvia.
Pensou que Felipe iria compreender, ouvi-la, pelo menos.
Nem parecia a mesma pessoa terna e atenciosa que conheceu.
Confusa, ela se levantou, segurou as emoções e respondeu com voz fraca:
- Tá bem.
- Já estou conversando com o pessoal da imobiliária sobre o apartamento.
Parece que já tem alguém para sublocar.
Quando você for, deixe as chaves na portaria.
- Tá bom – murmurou.
- Boa sorte e... Adeus -– e beijou-lhe o rosto quando ela abaixou o olhar.
Antes de sair, ele observou-a por um momento sem que percebesse e se foi.
Vanessa sentiu-se vazia, só como nunca.
Havia perdido tudo de mais importante que já teve.
Um frio na alma anunciou um flagelo de emoções.
Algo tenebroso e indescritível.
O que fazer?
Como agir?
O que pensar?
Suas emoções, desgastadas pelo estado depressivo, não a deixavam ter iniciativas nem sequer organizar os pensamentos.
Sentiu-se acabada, triste, derrotada.
Uma dor na alma apertava seu coração.
Sentia no corpo o reflexo dolorosos.
Aliás, todo o seu corpo doía de facto.
Era nele que as emoções desaguavam.
Pensou por um instante em correr atrás de Felipe e pedir que a ouvisse, mas não teve força suficiente para isso.
Angustiada, procurou cuidar da volta para sua cidade.
Com o tempo...
Mesmo à distância, Vanessa manteve contacto com Leda que a chamou para ser sua madrinha de casamento.
Ela e Diogo queriam que Felipe fosse o padrinho, mas não o encontraram na agência de viagem.
Ele nem mesmo retornava os recados.
Felipe passou a viajar e não parava muito tempo no mesmo lugar.
- Van, se você não for minha madrinha, não vou perdoar você nunca! -– exigiu depois da longa conversa, pois estava sendo difícil de tirar Vanessa da fazenda.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 70224
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Dez 08, 2016 9:24 am

- Tudo bem. Eu vou -– falou sem muito ânimo.
- A cerimónia será bem simples, no próprio salão de festa.
A festa será simples também.
Teremos cerca de cem convidados.
- Eu irei. Pode deixar.
Depois perguntou:
- E o bebé? Como está?
- Óptimo! Tudo está perfeitamente bem, mas ainda não dá para saber.
- Acho que é um menino.
- Às vezes também tenho esse palpite.
Sabe... Cheguei a pensar uma coisa...
- O quê?
- Será que esse nené não pode ser o primeiro filho do Diogo, o Raphael?
- Será?
- Não sei porquê, mas...
Sinto isso, Van.
- Então é uma alma muito querida para insistir ficar junto do pai e de você também.
Certamente a conhece de outros carnavais -– brincou.
Em seguida, quis saber:
- E vocês vão pra Alemanha logo após o casamento.
- Vamos sim. Na mesma semana.
Já está tudo arranjado.
Ah! Quase ia me esquecendo de contar. Vendi a farmácia.
- Que bom que vendeu logo.
- Ainda bem.
Um instante e perguntou:
- Van, e o Felipe? Ele te procurou?
- Não. Só recebi um e-mail, semanas atrás, onde ele disse que não havia se esquecido da minha parte na sociedade e que, o quanto antes, entraria em contacto com uma solução.
Foi bem seco.
Mas, também, não tiro a razão dele.
Fora isso.. Vem depositando, normalmente, valores na minha conta.
- Vocês precisam conversar, Van -– opinou Leda.
Só que ela sentia que a amiga estava sem forças e muito triste.
Depois contou:
- Se, pelo menos e o Diogo conseguíssemos falar com ele... mas o Felipe parece que fez questão de sumir mesmo.
- Foi o que ele aprendeu a fazer como mecanismo de defesa.
Sumiu quando teve problemas com a Ceres, fugiu quando teve um relacionamento difícil com a Brenda...
Fugiu quando entendeu tudo o que eu fiz com ele.
Ele não está errado.
- Ele não retornou nenhuma das minhas ligações.
Quem sabe se você telefonasse...
- Ainda não estou muito bem, Leda.
Você sabe disso.
- Como estão as coisas aí na fazenda?
- Estão indo muito bem.
Melhor do que antes.
Quando estou trabalhando, não sinto tanto... mas ao parar...
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 70224
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Dez 08, 2016 9:24 am

Quando deito para tentar dormir, tudo desagua na minha cabeça.
Tem dia que acho que não vou ter forças, não vou conseguir, mesmo assim eu vou fazendo o que tenho de fazer, até melhorar.
Voltei a dar evangelização infantil e contar histórias.
Isso tem me animado, embora eu lembre imensamente do Rafael e... penso que o nené que perdi poderia estar junto comigo também... -– emocionou-se.
- Eles estão com você.
Sabe disso. Estão em seu coração.
- Eu sei.
Um suspiro fundo e falou:
- Então, tudo bem.
A gente vai se falando até o casamento.
Agora preciso desligar.
- Claro. Qualquer coisa... -– disse Leda.
- Eu ligo ou mando um e-mail.
- Tchau, Van. Obrigada.
- Beijão. Obrigada, você.
Após desligar, Vanessa deu um profundo suspiro fechando e abrindo os olhos lentamente como querendo ganhar forças para prosseguir fosse com o que fosse.
Colocou o aparelho sem fio na base e caminhou pela sala, saindo para a varanda onde, apoiada no peitoril com as mãos espalmadas, podia contemplar a bela vista do lugar.
Sempre lembrava de Rafael e se imaginava com o outro filho ali.
Quantas vezes não se pegou à procura de Rafael como desejando ouvir seu riso, seus barulhos para saber ou adivinhar o que o filho estava fazendo.
Não raro, passava os olhos à volta querendo achá-lo.
Mas logo se lembrava de que não o encontraria mais ali, e sim em seu próprio coração.
Ela desceu os degraus da varanda e caminhou passos negligentes pela rua cascalhada.
Saltou a cerquinha branca e andou sobre o gramado.
Um funcionário, puxando um cavalo pela rédea, tocou no chapéu e inclinou a cabeça para cumprimentá-la e seguiu.
Ao longe, viu seu avô dirigindo um tratorzinho que puxava uma carretinha cheia de feno.
Mais além, hóspedes passeavam em um pedalinho no lago, riam e brincavam.
Era uma família composta de pai, mãe e dois filhos.
Bem que poderia ser Felipe, ela e os filhos. Pensou.
Nos últimos tempos, percebeu que estava resolvendo tudo mecanicamente por ali.
Não tinha mais prazer nem ânimo.
Muito menos ideias novas e novos projectos.
Atravessou o gramado e chegou à outra rua, onde andou sem pretensão de chegar a lugar algum.
Logo viu um carro se aproximando, vindo da direcção da entrada da fazenda.
Pensou ser mais um hóspede.
Havia somente o condutor no veículo.
Foi o que reparou ao vê-lo se aproximar.
Talvez algum empresário que quisesse tirar uns dias de férias longe do estresse da cidade grande.
Isso era comum por ali.
Ao se aproximar dela, o carro diminuiu ainda mais a velocidade até parar.
De certo, gostaria de alguma informação.
- O senhor precisa de ajuda? -– perguntou com sorriso mecânico que, na verdade, forçava oferecer.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 70224
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Dez 08, 2016 9:25 am

O homem colocou os óculos que pegou sobre o banco lateral e os colocou.
Em seguida, pegou os papéis, que também estavam sobre o mesmo banco e disse após ler:
- Procuro por dona Vanessa Vasconcelos.
- Sou eu mesma -– estranhou.
O senhor desligou o carro e desceu para se apresentar.
Oferecendo-lhe a mão para cumprimento, anunciou:
- Sou o doutor Euclides Barreto, advogado, e represento o senhor Felipe Bierhoff.
Ele é seu sócio na Empresa de Turismo e...
Eu poderia conversar com a senhora em lugar mais apropriado?
- Sim. Claro -– sentiu-se gelar.
O senhor pode seguir em frente e estacionar ao lado da casa principal.
Eu já o alcanço -– orientou.
O homem, vermelho e suado, talvez pela longa viagem, voltou para o carro.
Sorriu, acenou com a cabeça e fez o que ela pediu.
Não demorou muito e Vanessa, junto a ele, entrou na casa e falou:
- Por favor, sente-se e fique à vontade.
- Obrigado -– disse, pegando uma pasta e colocando-a no sofá.
- O senhor deve estar cansado.
Aceita uma água, um suco?...
- Um copo d’água, por favor.
Vanessa se aproximou da cozinha e, ao ver a ajudante de sua avó, pediu:
- Carmem, leve pra sala uma água fresca e depois você passa um café e nos leva também?
- Sim, senhora.
- Obrigada –- e voltou à sala.
Acomodada em uma poltrona frente ao advogado, solicitou:
- O senhor veio aqui para...
- É que o senhor Felipe Bierhoff tem essa oferta para lhe fazer sobre sua parte e... com essa forma de pagamento -– estendeu-lhe uma folha de com algumas anotações impressas.
Ao vê-la pegar, continuou:
- Vim aqui como seu representante legal para que a senhora aceite a proposta.
Ela ficou olhando o que dizia o documento e, por conta dos olhos nublados, nem mesmo enxergou o valor oferecido.
Disfarçou, sem fôlego e demorou muito tempo reflectindo.
Não esperava tamanha frieza de Felipe.
Como ele poderia fazer aquilo?
O homem começou a falar e não parava mais, mas ela não o escutava.
A empregada serviu o café, ele aceitou e a bebida pareceu servir de combustível para ele falar ainda mais.
De repente, tomada por um impulso e uma força que desconhecia ter, ela o interrompeu.
- Por que é que o próprio Felipe não veio aqui?
- Bem... é que...
Ele está bem ocupado.
A senhora deve entender e...
- Não.
- Como? -– perguntou o homem sem entender.
- Não posso aceitar isso.
O senhor pode levar de volta e dizer ao Felipe que...
Nada feito! -– foi firme.
O advogado falou mais ainda e tentou convencê-la.
Mas Vanessa não disse mais nada e o homem ficou sem graça.
Deu-se por vencido e se foi.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 70224
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Dez 08, 2016 9:25 am

Após observá-lo sair, ela respirou fundo e o ar lhe entrou nos pulmões com vigor, parecendo dar-lhe forças e novo ânimo.
Nesse instante, repleta de disposição e coragem, falou em voz alta para si mesma:
- Se o Felipe quiser, terá de vir pessoalmente até mim.
Primeiro, para saber o que penso e sinto.
Só depois, então, poderá se ver livre de mim definitivamente.
O casamento de Leda e Diogo foi muito bonito e agradável.
Poucos parentes e amigos celebraram a união e os homenagearam com presença calorosa.
Vanessa, mais revigorada do que tempos atrás, estava bem bonita em um vestido de cor vinho-cintilante, cabelos presos na lateral, com cachos caídos sobre as costas.
Uma maquiagem destacava seus olhos doces e bonitos e sua boca bem feita de lábios grossos.
Mas, em seu sorriso, havia uma névoa.
Algo opaco em sua luz.
Como madrinha, ficou ao lado, no altar improvisado onde o juiz de paz realizou a união.
No fim, foi para uma mesa em que Henriette e o marido Dionísio já estavam.
Durante a festa, alguns comiam; outros dançavam e brincavam.
Seus avós decidiram dançar uma selecção de músicas lentas e ela ficou à mesa olhando-os.
Pensou em Felipe e o procurou com um olhar.
Lembrou-se de que no casamento de Cláudia ele estava lá, bem nos fundos, praticamente escondido.
Ao se virar e olhar para a porta, viu uma silhueta que poderia ser ele.
A luz forte dos flashes que surgiam conforme a música, não a deixava ver direito.
Vanessa se levantou, segurou levemente o vestido longo e foi à direcção da saída.
Desviou-se de várias pessoas que inibiam sua rapidez e, chegando à porta, não havia mais ninguém, somente os seguranças da festa.
Então teve certeza.
Era Felipe quem estava ali e, certamente, o segurança não o deteria.
Pensaria que era o Diogo que, naquela altura da festa, já tinha se trocado e se misturava aos convidados.
Semanas seguiram...
Na fazenda, Vanessa acabava de orientar alguns funcionários perto do galpão do estábulo e ouviu:
- Vanessa!
Sentiu-se gelar ao reconhecer a voz.
Virou-se e murmurou:
- Felipe?
Alguns passos e, aproximando-se, ele perguntou olhando-a nos olhos:
- Como você está?
- Levando. E você?
Ele se curvou e a beijou no rosto enquanto seus corações batiam forte.
- Bem. Estou bem.
Um instante, esperando a adrenalina abaixar, olhou em volta para espairecer o olhar de Vanessa tocá-lo sem piscar.
Em seguida, pediu com sua voz forte e tranquila:
- Podemos conversar?!
- Sim. Claro.
Ela dispensou os poucos funcionários que ainda estavam ali e seguiu, junto de Felipe.
De longe, Henriette e o marido os acompanhavam com o olhar.
A avó foi quem indicou onde ela estava e disse a Felipe o quanto a neta havia sofrido, principalmente por não tê-lo ao lado.
Comentou sobre o estado depressivo que afectava Vanessa, que lutava contra os pensamentos tristes, se empenhando no trabalho por ali.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 70224
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: MINHA IMAGEM - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Conteúdo patrocinado


Conteúdo patrocinado


Voltar ao Topo Ir em baixo

Página 14 de 15 Anterior  1 ... 8 ... 13, 14, 15  Seguinte

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo

- Tópicos similares

 
Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum