O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Dez 15, 2016 10:35 am

Assim, esses espíritos começam a passar pensamentos e ideias de seus antigos crimes ao encarnado com quem se ligaram pelo uso incomum do álcool, fazendo-o sentir vontade de realizar aquilo, como se essa prática cruel fosse lhe dar imenso prazer.
Ninguém gosta de viver no erro ou sofrendo sozinho.
Todavia, o encarnado também tem de ter tendência à violência para obedecer e realizar tais feitos.
Todo encarnado que pratica algo sob o efeito do álcool ou de drogas é responsável, sem dúvida, por tudo o que praticou e terá de harmonizar, de corrigir ou expiar aquele que fez sofrer.
Se um encarnado recebeu vibrações e influências de espíritos extremamente inferiores para praticar seja o que for, podemos ter certeza de que também recebeu vibrações e influências de espíritos mais elevados para que não bebesse ou agisse como agiu.
O Pai da Vida é justo e nunca nos desampara.
O alcoólatra é uma criatura que necessita de muita orientação, amor, acompanhamento e apoio para dominar o vício e não se deixar vencer pelos desejos íntimos; precisa criar em si muita força de vontade.
Tem de desenvolver a fé para enfrentar os anseios dos irmãos desencarnados que o acompanham.
Não é fácil conviver com alguém que bebe descontroladamente.
A princípio, a pessoa perde o amor-próprio, a razão e o respeito.
Dona Gloria e Regina tentavam de tudo para convencer Renato a admitir o que era e procurar ajuda, mas o rapaz sempre se negava.
Naquele instante em que a irmã falava, o moço começou a ficar insatisfeito.
Era interessante para os irmãos desencarnados o efeito do álcool, e por isso influenciavam-no a reagir contra a irmã.
- Você não acha que já basta, Renato? - dizia Regina.
Pense em como você fica depois.
Na vergonha que passa perante os colegas.
Você não acha que a mãe já está cansada disso?
Encarando-a sério, o irmão atacou:
- A mãe está cansada é de olhar os seus filhos para você ir trabalhar! Isso sim!
Regina sentiu um gelo correr em todo seu corpo de tão inesperada que fora aquela colocação.
Tentando se defender, revidou, enquanto se levantava.
- Meu caso é diferente.
A mãe olha meus filhos por uma necessidade.
Ela pode estar cansada de olhá-los, mas não tem vergonha de mim.
Não fica preocupada e apreensiva quando me espera chegar.
Nunca me viu caída embriagada, vomitando.
- Olha aqui, Regina.
Você não mora mais nessa casa.
Dá o fora daqui, vai.
Antes que eu tome uma atitude.
- Quem vai tomar uma atitude aqui sou eu! - gritou a irmã, bem enérgica.
Agora, baixando o tom da voz, intimou firme:
- Dou quinze dias para você procurar um médico, uma associação de alcoólatras, ou coisa assim.
Se não for, a mãe vai morar comigo.
Entendeu? Quero ver quem vai aturá-lo, além de lavar, passar e cozinhar para você!
Renato tinha um brilho estranho no olhar.
Encarando-a e parecendo nitidamente nervoso, ele gritou:
- Sai daqui!
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Dez 15, 2016 10:35 am

Em baixo tom de voz, ela respondeu:
- Vou sair porque quero, porque já disse tudo o que precisava e porque tenho um compromisso.
Mas lembre-se: quinze dias.
Regina virou-se e saiu.
Estava abalada, seu coração batia rápido, e suas mãos suavam frias.
Ao deparar com a mãe, percebeu sua apreensão.
Preocupada, dona Glória perguntou:
- Filha, o que aconteceu?!
- Não sei, mãe.
Senti uma coisa.
- Que coisa?
Suspirando profundamente e procurando acalmar-se, ela avisou:
- Dei quinze dias para o Renato procurar ajuda a fim de parar de beber.
- Filha, o caso dele pode ser espiritual, você sabe.
- Mãe, um espírito inferior pode me dar todas as ideias, mas faço, aceito ou acredito se quiser, se tiver afinidade com ele.
Nervosa, Regina desabafou:
- O Renato é um rapaz bem instruído, sabe o que é alcoolismo.
Isso é sem-vergonhice.
Já estou cheia dessa história.
Se ele for a uma associação, nós lhe damos apoio; do contrário...
Após breve pausa, mais tranquila, informou:
- Olha, mãe, eu não estou ameaçando, não.
Se ele não tomar jeito a senhora vai morar comigo.
Vejo que não está mais na idade de suportar certas coisas.
Aliás, nem dos meus filhos era para a senhora estar tomando conta.
Até o fim da semana que vem vou encontrar alguém para ficar com eles lá em casa e cuidar das coisas para mim.
Além de dar uma folga para a senhora, tenho de admitir que é horrível chegar cansada do serviço e ter de lavar, passar, cozinhar...
Vou dormir quase uma e meia da manhã para levantar às seis horas.
Não está dando mais.
- Filha, você está nervosa.
Fique mais calma, tudo vai dar certo.
- Nada vai dar certo se eu cruzar os meus braços.
Temos de agir.
Animada, ela prosseguiu:
- Vou deixar as crianças aqui e ir até a casa da Doroteia ver se ela quer deixar de ser diarista para trabalhar lá em casa.
No começo não vou poder pagar muito bem, mas será garantido.
Com o tempo dou-lhe um aumento.
- Mas será que vai dar para você pagá-la?
- Vai ter de dar.
O Jorge disse que as coisas começaram a ir bem.
Ele tem de ver que estou precisando; não é luxo, não!
- Mas você não disse que ia na casa da Lídia?
- Vou mais tarde.
Primeiro a solução para os meus problemas.
Se eu não estiver bem, não posso ajudar alguém em nada.
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Dez 15, 2016 10:35 am

15 – O REENCONTRO

Regina ficou satisfeita por Doroteia ter aceitado sua proposta de emprego.
Tudo estava dando certo.
Em questão de dias, sua vida estaria mais tranquila.
Se bem que a preocupação com Renato ainda a incomodava.
Porém, acreditava que, quando ele se visse sozinho, haveria de procurar ajuda.
Em meio aos planos para o futuro, Regina fez o caminho da casa de Lídia sem perceber.
A mãe de Fernando ficou radiante ao vê-la tão bem.
Aqueles poucos anos não fizeram diferença alguma para Regina.
Ao contrário, ela parecia mais bela, mais jovial.
Seu sorriso, sempre belo, parecia ter certo brilho, algo realmente feliz.
O longo abraço provocou emoções fortes em ambas, fazendo-as sentirem a verdadeira amizade.
- Como estou feliz em vê-la! - anunciou Lídia, extremamente satisfeita.
Pensei que nunca mais a veria novamente aqui nessa casa.
Acreditei que nem com meu pedido viesse.
Quando telefonou avisando, nem acreditei.
- Ora! Por que não viria?
- O Jorge poderia... bem, você sabe.
- Não. De jeito nenhum.
Ele é uma excelente pessoa.
Nunca escondi nada do meu marido; sempre fomos muito amigos.
Quando falei que viria aqui, ele não viu problema algum.
- Não a procurei mais porque fiquei receosa.
Não quis causar nenhuma impressão errada.
Mas sempre, sempre a tive em meus melhores pensamentos.
Regina sorriu meio encabulada ao responder:
- Creio que não a procurei pelo mesmo motivo.
Mas hoje, pensando bem... como fui boba!
Lídia a fez sentar e, segurando em suas mãos, olhando fixamente em seus expressivos olhos negros, revelou:
- Regina, desde quando a conheci, percebi em você uma pessoa, uma alma muito preparada para a vida.
Você trouxe esclarecimento à minha vida e aos meus.
Respirando profundamente e ajeitando-se no confortável sofá, Lídia completou:
- Não posso negar que desejei muito que fosse minha nora.
Porém, temos de reconhecer que a vida nos direcciona por caminhos que nem sempre podemos escolher.
Todavia, acima de tudo, devemos respeitar os desígnios de Deus.
Fico imensamente feliz por saber que você está bem casada e vive com um homem que a trata com carinho.
- Obrigada. É bom saber disso.
- Foi sua mãe quem me disse que seu marido é um homem muito bom.
Se não fosse por isso, não iria incomodá-la.
Mesmo assim, caso haja qualquer problema por você estar vindo aqui...
- Por favor, dona Lídia - interrompeu, educada.
Não há problema algum.
- Eu só a chamei, Regina, porque estamos com sérios problemas com a Kássia.
Como vocês conversavam muito, e ela a admirava, pensei:
Quem sabe...?
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Dez 15, 2016 10:35 am

Em alguns minutos de conversa, Lídia contou o que estava acontecendo.
Regina ficou pasma, mesmo já tendo uma ideia do que acontecia.
Não conseguia imaginar Kássia daquela forma.
Para surpresa de ambas, repentinamente a filha de Lídia chegou.
Ao olhar para Regina, seu rosto pareceu se iluminar com um sorriso.
Aproximando-se, ela cumprimentou:
- E aí?!
- Oi, Kássia!
Levantando-se, Regina foi na direcção da moça e abraçando-a beijou-lhe o rosto ao perguntar:
- Como você está?
- To legal. E você?
- Estou bem.
Regina não precisou olhar muito para observar a mudança grosseira que havia ocorrido.
Nesse momento, muito perspicaz, Lídia levantou-se ao dizer:
- Vou buscar um suco para nós.
Um momento, por favor.
Propositadamente, ela não voltou.
Ao ficar as sós, Regina observou:
- Você está bem diferente, Kássia.
Com modos agitados, a menina ficava se mexendo muito sem encarar a amiga e sem nada dizer.
Logo, Regina completou:
- Fico feliz em vê-la.
Senti saudade das nossas conversas, e você?
- É, também.
- Sente-se aqui - pediu a visitante.
Vamos conversar, venha me fazer companhia.
A filha de Lídia aceitou o convite, mas não tinha muito que falar.
- Diga-me, o que está fazendo de novo? Estudando?
- Não. Dei um tempo.
- E quando pretende voltar?
- Não sei.
Olhando-a firme e com extrema meiguice na voz, Regina perguntou:
- Kássia, o que está acontecendo?
Você está diferente demais.
- Eu to bem.
- Você pensa no futuro?
- Escuta, eu não quero mais saber dessa ladainha de estudo.
Se o assunto for esse...
- Não, não.
Eu quis perguntar como você se vê no futuro.
Como você acha que vai ser o seu futuro?
- Sabe, não to a fim de pensar nisso; agora, não.
- É uma pena.
- Quero viver o momento, ta!
- Mas é no momento que você prepara o seu futuro.
Veja o que fez com você mesma.
- Eu gosto.
- Será? Será que você gosta mesmo ou fez isso e age assim para agredir?
Estranhamente a moça a ouviu.
Em circunstâncias semelhantes, Kássia agia agressivamente e não dava atenção a qualquer orientação que recebia.
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Dez 15, 2016 10:35 am

- É tão gostoso ser sociável, ser normal.
É bom sermos observados quando vivemos com harmonia, dentro de um contexto agradável, natural.
- Mas eu to natural.
- Piercing, desse jeito, tatuagens grosseiras e agressivas não são coisas naturais, mas sim primitivas.
Tudo bem que você faça um pequeno desenho, mas isso tudo!
É normal colocar um brinco, mas argolas e bolinhas desse jeito!
Sabe, Kássia, quando alteramos nosso corpo, quando o tatuamos e colocamos esses montes de piercings, é sinal de que estamos insatisfeitos com o que Deus nos deu.
Estamos mexendo com algo que nos foi emprestado por um tempo.
- Esse papo é bravo, hein!
Mas dá licença que o corpo é meu! - respondeu quase agressiva.
- Aí é que você se engana.
Se esse corpo fosse seu, você o levaria consigo quando desencarnasse.
Mas vai levar somente sua consciência e os valores morais adquiridos.
Sei que você pode fazer o que quiser de sua vida, mas lembre-se de que terá de corrigir tudo isso.
- Foi minha mãe que mandou você me dar sermão, não foi?
- Pensei que você fosse madura para conversarmos, como fazíamos antes, e trocarmos uma boa ideia.
- Olha, eu quero ser assim.
Não quero que ninguém fique me enchendo para mudar, tá?
Esse assunto já ta cariado, e eu não vou ficar aqui envelhecendo!
Dizendo isso, Kássia se levantou e subiu para o quarto.
Percebendo a atitude da filha, Lídia, que ouvia a certa distância sem ser percebida, voltou à sala e, colocando-se a lado de Regina, esta admirou:
- Nem dá para acreditar.
- Não sei como ela conversou tanto tempo com você.
Kássia não participa mais de nada, não quer estudar, não senta para fazer as refeições connosco e, às vezes, fica dias fora de casa.
Houve uma vez que perdi a paciência e dei-lhe um chacoalhão; cheguei a bater-lhe também quando quase me agrediu.
Sabe - dizia lamentando e com os olhos em lágrima -, pensei que talvez uma atitude, um gesto mais agressivo despertasse, mas...
Kássia vem piorando a cada dia.
- Vou procurar vê-la mais vezes.
Quem sabe em outra hora ela me ouve.
Com olhar suplicante, Lídia a encarou, dizendo:
- Você não imagina o que está fazendo por nós.
Foi nesse instante que a atenção de ambas se voltou para porta principal, devido ao barulho dela se abrindo.
Era Fernando que acabava de chegar com o pequeno Hélder.
O garotinho entrou correndo e foi directo para o outro cómodo.
Vagarosamente ele entrou e admirou-se:
- Que surpresa!!! - exclamou ao encarar Regina.
Quanto tempo!
Indo em direcção a ambas, ele cumprimentou a mãe e bem mais próximo da ex-noiva, deteve-se, ficando a contemplá-la com leve sorriso nos lábios.
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Dez 16, 2016 10:56 am

Estendendo-lhe a mão, ela perguntou:
- Como vai, Fernando? Tudo bem?
Segurando-lhe a mão, ele a puxou para um abraço fraterno, dizendo:
- Dentro do possível, estou bem.
Ao afastar-se, completou:
- Mas nossa...! Que bom vê-la aqui.
Você está muito bem.
Regina sentiu seu rosto aquecer.
Envergonhava-se, agora, ao vê-lo dizer aquilo.
Seu coração acelerou, e acabou sentindo-se atrapalhada.
Rápidas lembranças do passado não tão distante vieram-lhe à mente.
De certa forma, Fernando não havia terminado o compromisso entre eles com uma satisfação.
Tudo ficara estranho entre os dois.
Mas por que esses sentimentos?
Afinal, Regina amava o marido.
Era bem casada e tinha dois filhos maravilhosos, os quais respeitava.
Não podia sentir mais nada pelo ex-noivo.
É certo que havia experimentado um amor muito grande por ele, sim, mas aquilo era passado.
Enquanto seus pensamentos corriam céleres, Fernando parecia contemplá-la sem dizer mais nada.
Regina não se sentia à vontade.
Acontecia que dois irmãozinhos espirituais que sempre estavam com seu irmão Renato não haviam gostado de sua interferência nos hábitos do irmão a fim de corrigi-lo.
Ela exigiu que o irmão procurasse ajuda e parasse de beber, e, se isso acontecesse, esses espíritos não teriam mais de quem "vampirizar" energias sob o efeito de bebidas alcoólicas e, assim, haveriam de procurar outro encarnado afim.
Assim, esses irmãos desencarnados sem instrução decidiram que procurariam preocupar a moça com outros assuntos, e, ocupada, ela não implicaria mais com o irmão.
Foi aí que eles, no momento do reencontro, começaram a passar-lhe ideias de seu romance com Fernando, fazendo-a relembrar cenas e sentimentos que houveram entre ambos por consequência do noivado.
Lídia, que saiu por alguns segundos, trouxe Hélder para conhecer Regina, e esta, quase mecanicamente, beijou e acariciou o menino, depois falou um pouco sobre seus filhos, sem estender o assunto.
Ela sentia que algo estava errado com seus sentimentos, e isso a embaraçou.
Repentinamente, decidiu:
- Desculpe-me.
A conversa está boa, mas preciso ir.
- Não! - disse Lídia.
Vamos tomar um suco.
Eunice já deve ter preparado.
Com meiguice, Regina alegou:
- Deixei as crianças com minha mãe. Coitada!
Ela já toma conta delas a semana inteira.
Não posso abusar.
Da próxima vez fico, mas hoje não dá mesmo.
Subitamente ouviu-se Ian, falando com seu forte sotaque quase gritando, entusiasmado:
- Regina!!! Não posso acreditar!
Com passos rápidos e largo sorriso, o rapaz esguio aproximou-se do centro da sala, parou, tomou as mãos de Regina e, ao olhá-la vagarosamente de cima a baixo, comentou:
- Linda! Você continua linda!
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Dez 16, 2016 10:56 am

- Ora, Ian... - encabulou-se a morena ao inclinar a cabeça, exibindo-se constrangida.
Puxando-a para um abraço, ele a embalou com carinho, balançando-a demoradamente de um lado para outro ao dizer:
- Nunca consegui me esquecer de você.
Afastando-se um pouco, completou:
- Tenho-lhe um carinho muito especial, apesar do pouco tempo que houve para nos conhecermos.
- E eu por você, Ian - retribuiu Regina enquanto sorria.
Foi nesse momento que Lorena, imponente e orgulhosa, foi notada.
Ela havia chegado junto com o irmão, mas tinha-se atrasado ao entrar na residência devido a algumas instruções que dava ao motorista sobre os cuidados com as compras que ele deveria levar para o seu quarto.
Uma onda de sensações enervantes invadia a sala nesse momento.
Parada a curta distância, a esposa de Fernando trazia o semblante contraído, exibindo nitidamente a insatisfação pela presença de Regina.
Mascarando seus sentimentos íntimos, ela deixou que sua voz soasse tranquila e cumprimentou:
- Olá. Como vai?
Regina experimentava o coração opresso e acelerado, que só faltava saltar de seu peito.
Tentou disfarçar, mas a própria voz a traiu ao vacilar, quando ela simplesmente dizia:
- Bem. E... e, e você?
- Óptima! - respondeu Lorena austera e com o queixo erguido ao lançar sobre a visitante um olhar faiscante e feroz.
Atrapalhada, Regina voltou-se aos demais e decidiu:
- Como eu já disse, preciso ir.
- Não!!! - alterou-se Ian impulsivo e descontraído.
Vamos conversar.
Tenho muitas novidades e quero contá-las a você.
- Desculpe-me, Ian, mas vai ter de ficar para outro dia.
E, sem oferecer trégua a novos convites, Regina despediu-se ligeiramente de todos e se foi.
Ian insistiu em levá-la para casa, mas ela recusou terminantemente.
Diante de um sinal discreto de Lídia para o rapaz, ele não insistiu mais.
Lorena, com pensamentos contrariados que fustigavam seus nervos, subiu as escadas sem dizer nada.
Ela saberia esperar.
Enquanto Ian lamentava a ida de Regina, Lídia preocupava-se com as consequências que poderiam surgir por causa daquela aproximação.
Ela percebeu como o filho pareceu iluminar-se ao ver a ex-noiva e notou o embaraço de Regina.
Aquele encontro não deveria ter acontecido.
Lídia, agora, tinha o coração envolto em maus presságios.
Queria ajuda, mas não desejava atrapalhar Regina, a quem considerava tanto.
Fernando foi para o seu quarto.
Ao entrar na suíte, constatou que a esposa estava no banho.
Abriu as janelas e largou-se sobre a cama, sentindo a brisa fresca que fazia as leves cortinas brancas levitarem.
Em seus olhos brilhantes, que fixavam o tecto em ponto algum, havia uma expressão de saudade quase melancólica.
Começou a acreditar que sentia algo pela ex-noiva, algo muito forte e que havia adormecido pelos seus desejos de sucesso e estabilidade financeira.
Com certeza, se não tivesse ido para a Europa, estaria casado com Regina.
Agora, não era feliz.
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Dez 16, 2016 10:57 am

Havia conseguido tudo o que ambicionara, mas esqueceu-se de incluir em seus planos a paz e a harmonia de viver com alguém simples, com um coração bondoso, esperançoso, paciente, que nada exigisse dele.
Regina estava, como sempre, dócil, bem humorada e nobre de espírito.
Fernando começou a maldizer os momentos em que aceitou as sugestões de Lorena para sair do Brasil.
Ela, cheia de caprichos inferiores, destruiu sua paz.
Orgulhosa, negativamente impulsiva, Lorena já estava sendo insuportável.
"Por que fui me casar com ela?", pensava.
"Como não percebi seus planos antes...?
Um acaso e destruí toda a minha felicidade."
Ao olhar para a porta, Fernando calou os próprios pensamentos ao ver a esposa.
Vestindo um elegante robe longo e trazendo uma toalha presa aos cabelos, Lorena caminhou firme pelo quarto, parou próximo do leito do casal e intimou soberana, mas em baixo tom de voz:
- Nunca mais quero ver essa mulher aqui.
Sentando-se rápido, ele lembrou tranquilo:
- Essa casa não é nossa.
Por essa razão, não podemos exigir nada.
Com uma chama furiosa no olhar, ela avisou:
- Dei um prazo para voltarmos à Europa.
Esse tempo está se esgotando.
- Eu já disse, Lorena.
Vou morar aqui com meu filho.
Já consegui uma boa colocação como gerente em um empresa de considerável nível no país.
Ontem mesmo já acertei tudo.
Começo a trabalhar na segunda-feira.
- Que empresa? Onde fica isso?
Com leve sorriso desconfiado, o marido falou:
- Não vou lhe dizer.
Não quero mais ter surpresas desagradáveis de uma mulher que não se dá o respeito, que não tem princípios, que é exigente e não sabe conter seus instintos primitivos.
Lorena se surpreendeu.
Fernando nunca lhe falou assim.
Encarando-a firme, controlando um tom sereno e franco na voz, ele ainda completou:
- Em você, que se diz uma moça rica, elegante e com estudo, só observei um egoísmo inferior, uma exigência pobre e própria de criaturas sem elevação, sem sabedoria.
Você se mascarou para mim. Casei-me enganado.
Sua doçura era falsa, e por isso estou provando até hoje o fel mais amargo da minha vida.
Você, Lorena, se envaidece por ser rica, mas posso afirmar que não encontrei em moças pobres a grossura e a ignorância que descobri por trás da sua elegância.
Até seu sorriso é falso, treinado na frente do espelho.
Desfechando, ele ainda falou:
- Chega! Para mim, chega! Cansei.
Empalidecida, ela reagiu:
- Você me usou! Usou a empresa do meu pai!
Se pensa que vai se livrar de mim tão simplesmente, está muito enganado, Fernando!
Virando-se, sem lhe dar importância, o marido falou com desdém:
- Você é improdutiva, incapacitada.
Não é boa mãe, tampouco boa esposa.
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Dez 16, 2016 10:57 am

Suas preocupações e atenções só se voltam para coisas pobres, supérfluas.
Arremedando-a, ele disse:
- "Que roupa vou usar?" "A que cabeleireiro vou?"
"Que vestido compro?"
Agora, encarando-a com firmeza, anunciou:
- Estou farto de você e de suas luxúrias.
Viver a seu lado é ver-se envolto por uma névoa de problemas, é ser infeliz.
Faça o que quiser.
Você pode voltar para a França ou viver aqui no Brasil, mas eu não quero mais estar ao seu lado.
Cansei das suas brigas, das suas intimações e gritos. Chega!
Os olhos de Lorena faiscaram.
Ela não ia admitir que Fernando a jogasse fora.
Acreditava que fora usada, e tudo aquilo não iria ficar assim.
Com o rosto contraído e sisudo, ela falou com os dentes cerrados:
- Você não vai se livrar de mim.
Fernando fez-se de surdo.
Virando-se, saiu do quarto, deixando-a só.
Ao descer as escadas e ganhar o andar inferior, sentiu-se aliviado.
Desabafar tudo o que pensava e sentia foi bom, mas dizer que não queria estar ao lado dela era como se ganhasse asas.
Sentia-se leve.
Ao encontrar seu pai no escritório, este perguntou:
- O que foi dessa vez?
Ouvi vocês discutindo.
Sem rodeios, o filho avisou:
- É definitivo. Quero me separar de Lorena.
Fui sincero com ela e disse tudo o que me desagrada e por que estou insatisfeito.
- Pense bem, Fernando.
As coisas não são assim.
Nesse momento, Lídia chegou e começou a participar do assunto, a princípio, ouvindo.
- Pai, eu não aguento mais.
Para mim, esse casamento terminou.
- Não, senhor! - exclamou a mãe, mostrando autoridade.
Você só pensa em si mesmo? E o seu filho?
Como acha que o Hélder vai se sentir?
Com quem ele vai ficar?!
- O Hélder fica comigo, claro!
Lorena nunca lhe deu atenção ou carinho.
Além do mais, tenho muita vida pela frente e tenho de pensar na minha felicidade.
Ele vai entender isso quando crescer.
- Escuta aqui, Fernando - tornou a mãe, firme.
Antes de se casar nós o avisamos.
Você não deu atenção e agora pensa que é simplesmente pedir o divórcio?
Vai se separar e pronto!
Aproximando-se do filho, ela continuou:
- Recebemos do companheiro ou da companheira os reflexos de nós mesmos.
Se você teve exaltações pelos objectivos a atingir e não se importou em descobrir quem era realmente sua mulher, se você só levou em conta sua aparência física ou envolveu-se pela beleza, decidindo torná-la sua esposa, lembre-se de que hoje você paga exactamente o preço de sua invigilância.
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Dez 16, 2016 10:57 am

Se está com ela, é preciso que aproveite e supere todas as situações e crises que surgirem, para que, na ocasião exacta e de modo natural, você se desligue dela sem que tenha de repetir, futuramente, essa experiência.
- Não aguento mais a Lorena, mãe! - quase gritou Fernando.
- Se ela o conquistou e o encantou de um jeito ou de outro no passado, e se foi capaz de se ligar a você se transformando nessa criatura problemática que hoje lhe traz infelicidade, certamente, meu filho, ela foi vítima de sua contrariedade, das suas exigências e da sua infidelidade.
Hoje cabe a você reverter esse quadro.
Se não o fizer, estará, simplesmente, adiando-o.
Fernando sentiu-se esquentar.
Não era isso o que queria ouvir.
Onde já se viu ele ser obrigado a ficar casado para corrigir algo que nem sabia o que era e se aconteceu mesmo.
Revoltado, ele perguntou:
- Quer dizer então que devo me obrigar a viver ao lado de alguém que estou começando a odiar?
Não tenho o direito à felicidade?
- Eu não disse isso, filho.
Se você vive dentro de circunstâncias que vão prejudicá-lo e comprometê-lo mais ainda em débitos amargos para o futuro, como o suicídio, o homicídio ou as agressividades, com certeza a solução é o divórcio.
Mas é importante que tenha a consciência tranquila de que fez de tudo para salvar essa união, que tentou de tudo para melhorar o convívio entre vocês.
- E verdade, Fernando.
Sua mãe tem razão - manifestou-se Rodolfo.
Quem sabe agora, depois de ter apresentado à sua mulher tudo o que o incomoda, ela vá reflectir e procurar mudar.
- Além do que, meu filho - tornou Lídia -, acredito que tenha sofrido essa crise e dito a verdade para Lorena, o que já deveria ter feito bem antes, porque viu a Regina aqui hoje.
Mas quero que saiba que sua ex-noiva vive muito bem e tem um marido excelente.
Cuidado com o que tem em mente, Fernando.
Sei o que está pensando e nisso você não terá o nosso apoio.
Aliás, para dizer a verdade, até me arrependi de ter deixado Regina vir aqui.
Fernando estava contrariado.
Mudo, ele simplesmente se virou e saiu do escritório.
Com um gesto enfadado, Rodolfo respirou fundo, fazendo barulho ao soltar o ar.
Lídia, sempre prestimosa, aproximou-se do esposo, abraçou-o pela cintura e recostou-se em seu peito.
Afagando-lhe, o marido beijou-lhe a testa e desabafou:
- Parece que a cada dia tudo fica mais difícil.
- Você acha que ele decidiu pela separação por ter encontrado a Regina?
- Não sei.
Creio que talvez a presença dela tenha sido a última gota que faltava para ele decidir pela separação.
Quando um homem opta pelo divórcio, não é somente pela presença de outra mulher, mas certamente porque a primeira já não lhe correspondia.
- Tenho medo de ter cometido um erro ao chamar Regina.
- Não tema, Lídia.
A vida é surpreendente.
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Dez 16, 2016 10:57 am

Se eles não se encontrassem aqui, seria em outro lugar.
De repente, o chamado destino não deseja nossas famílias distantes por algum motivo que não necessariamente o de unir um e outro.
Às vezes, necessitamos ajudar ou sermos ajudados.
Rodolfo encontrava na esposa o conforto para suas preocupações.
Ela o compreendia e lhe trazia harmonia com suas colocações sensatas e envolvimento agradável.
Longe dali, Regina, que já havia passado na casa de sua mãe, chegava na dela em companhia dos filhos.
Ao entrar e constatar que Jorge não estava, murmurou:
- Puxa! O papai ainda não chegou.
Denis, mais agitado, entrou correndo e pôs-se junto à televisão, que ligou.
Regina foi até o quarto, pegou alguns brinquedinhos para Amanda e a colocou no centro da sala, próxima ao irmão.
Voltando para a cozinha, enquanto preparava um lanche para os pequenos, Regina voltou a se lembrar do que ocorrera.
"Parece que o Fernando ficou feliz em me ver", pensava.
"Que coisa estranha!
Provavelmente aqueles pensamentos não eram meus.
Adoro o Jorge; não há motivos para me interessar por outro homem, muito menos tenho razão para pensar num ex-namorado.
Que ridículo!", repreendeu-se.
Após levar os lanches para os filhos, ela voltou, sentou-se à mesa e pensou:
"Como seria se Fernando não tivesse ido para a França?
Será que estaríamos juntos?
Com certeza viveríamos bem, pois ele é um bom homem.
Engraçado, desde o primeiro momento em que vi Lorena, sabia que ela ia aprontar comigo.
Quem planeia com egoísmo, trama ou atraiçoa nunca é feliz.
Certamente eles não vivem bem.
Como o Fernando foi idiota.
Poderíamos estar tão bem e..."
Subitamente ela se corrigiu:
"Deus! O que é que estou pensando?!
Não tenho nada com a vida dos outros!"
Sacudindo a cabeça como se quisesse afugentar os pensamentos, Regina lembrou:
"Tenho um bom marido.
Vivo bem e não preciso ficar imaginando como seria isso ou aquilo".
Duelando contra os próprios pensamentos, ela foi para junto dos filhos a fim de entreter-se com eles.
Porém, olhando os pequenos, pensou:
"Será que se tivesse me casado com ele eles seriam meus filhos?"
Naquele instante Jorge chegou, e Regina não deu mais atenção àquelas ideias.
Indo ao encontro do marido, beijando-o com carinho, ela perguntou:
- Como foi lá?
Entusiasmado, ele se animou ao detalhar tudo o que aconteceu, encerrando:
- A Selma é genial!
Se não fosse pelo seu bom gosto...
- É verdade - concordou a esposa -, ela é detalhista, caprichosa.
Lembrando-se de imediato, Regina avisou:
- Ah! Sabe, resolvi procurar uma pessoa para vir trabalhar aqui em casa.
Não posso ficar usando a minha mãe; ela já tem muito trabalho e há a idade dela também.
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Dez 16, 2016 10:58 am

- Quem?
- A Doroteia.
Você se lembra dela?
Pendendo com a cabeça ao envergar os lábios para baixo ele disse:
- Não. Mas a Selma me falou ainda hoje de alguém que precisa de emprego de doméstica.
- Ah... eu já combinei com a Doroteia.
Além do que ela é uma pessoa de confiança, mora aqui pertinho.
Nem precisa pegar condução.
Amanhã ela vem até aqui para eu explicar tudo.
Mesmo assim, na primeira semana, minha mãe virá aqui para acompanhar e ensinar algumas coisinhas.
- Você é bem rápida, hein!
Já agilizou tudo.
Regina sorriu gostosamente, respondendo:
- Para a nossa comodidade eu sou mesmo.
Enquanto servia um café para o marido, ele perguntou:
- Você foi lá na casa da Lídia?
- Fui sim. Nossa! Nem conto!
Em rápidas palavras ela descreveu como Kássia se apresentou e, por fim, concluiu:
- Eu não queria estar no lugar da Lídia nem por um minuto.
Que situação difícil!
- O Fernando estava lá? - perguntou o marido sem pretensões e de forma simples.
Nesse momento Regina sentiu-se gelar.
Uma sensação estranha invadiu seu íntimo, e seu coração palpitou forte.
Um tremor quase denunciou seu sentimento inquieto, mas, procurando ser firme, respondeu:
- Ele chegou depois.
O filhinho dele é uma gracinha.
- E a Lorena?
- Apareceu logo em seguida.
Como já era de esperar, ela sustentava aquele ar arrogante e orgulhoso.
Nem conversamos.
Decidi vir embora porque as crianças ficaram com minha mãe e achei que já estava abusando.
- Então, com a Kássia não tem acordo?
- Não. Acho que será difícil ela mudar.
- Ah! Não contei! - lembrou o marido, empolgado.
O decorador que foi lá...
A conversa seguiu normal e em harmonia, repleta de novidades.
Ambos ficaram actualizando todos os detalhes do dia por muito tempo.
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Dez 16, 2016 10:58 am

16 - PENSAMENTOS CONVULSIONADOS

No dia seguinte, ao chegar na empresa em que trabalhava, Regina assumia seu serviço normalmente.
Uma ligeira felicidade estava expressa em seu rosto pelo facto de saber que os negócios de seu marido estavam indo bem e que agora, com a empregada, teria menos tarefas em casa, não sobrecarregando também sua mãe.
Sentada à sua mesa, ela analisava algumas fichas, quando uma colega avisou:
- O director, Augusto José, mandou chamá-la para uma reunião.
- Que reunião, Irene?
- Não sei. Mas todos os encarregados estão sendo chamados.
E você é encarregada do sector de treinamento, por isso...
Regina ficou na expectativa.
Que mudanças poderiam ocorrer?
O que havia acontecido?
Ela não poderia imaginar.
Tudo estava bem tranquilo e não havia rumores de mudança.
Curiosa, teve de aguardar.
Mais tarde, já em uma sala onde se encontravam cerca de vinte encarregados de diversos sectores, o director entrou acompanhado.
Os olhos de Regina estatelaram-se fixos, sem piscar.
Sem rodeios, o homem anunciou:
- Este é o senhor Fernando, que a partir de hoje ocupará o cargo de gerente dos Recursos Humanos.
Sem perceber, Regina suspirou rápido a ponto de provocar ruído.
Muito directo, o director perguntou:
- Algum problema, dona Regina?
Quase sussurrando, ela murmurou:
- Não. Problema algum.
Fernando também ficou admirado, mas não podia se manifestar.
Era impressionante como o destino preparava oportunidades e encontros inesperados.
Ele a olhou, sorriu e não disse nada. Não podia.
Ao longo da reunião, Fernando fez uma apresentação mais detalhada sobre si, apresentou colocações sobre as possíveis mudanças e melhorias no sector e prometeu que, em breve, chamaria um líder de cada vez para conversar sobre as dificuldades individuais de cada encarregado, a fim de buscar soluções para os problemas de cada departamento.
Regina não conseguia prestar atenção no que era dito.
Estava atordoada, perplexa demais com o ocorrido, e perdia-se em pensamentos confusos.
De volta à sua mesa, ficou estarrecida e incrédula.
- O que foi?!
Parece que viu um fantasma! - questionou Irene, percebendo a palidez da amiga.
- Ai! Que susto, Irene!!!
- O que aconteceu na reunião?
Você está tão estranha.
- Ah! Na reunião, nada demais - disfarçou Regina.
Era para a apresentação do novo gerente do RH.
Ele assume hoje e está cheio de planos.
- E como ele é?
- Você vai conhecê-lo.
Acho que vai passar pelos sectores em visita.
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Dez 16, 2016 10:58 am

Regina falava estranhamente.
Suas palavras eram frias e mecânicas.
Percebendo, a colega perguntou:
- O que aconteceu, Regina?
Você ficou tão esquisita de repente.
- Não é nada sobre o serviço.
É que... - Para dissimular, falou:
- Sabe, estou com um problema com meu irmão e não consigo parar de pensar nisso.
Não sei se ligo para ele agora ou não.
Mas deixa, na hora do almoço eu conto, ta?
Agora vamos colocar isso tudo em ordem, pois daqui a pouco o homem deve passar por aqui.
Regina sabia que não poderia contar a ninguém que conhecia Fernando, muito menos dizer que foram noivos; poderia haver comentários desfavoráveis sobre eles.
Ela deveria silenciar, mas não conseguia disfarçar a surpresa.
Por sua vez, Fernando estava muito satisfeito, além de surpreso por encontrar Regina trabalhando justamente ali.
Não podia acreditar no que estava acontecendo.
Em seu íntimo, sabia que deveria ter muita cautela.
Ninguém deveria saber que ambos tiveram qualquer compromisso.
Naquele dia, não se viram mais.
Ao chegar em casa, Fernando não resistiu e, ao encontrar sua mãe, contou empolgado:
- Não vai acreditar se eu disser a quem estou gerenciando.
Lídia arriscou dizer alguns nomes de antigos colegas do filho, mas ele a interrompeu, exclamando:
- A Regina!
A mulher arregalou os olhos e perdeu as palavras.
- Mãe, que mundo pequeno! - acreditou ao andar pela sala.
Conversamos aqui em casa e nem perguntei onde ela trabalhava!
Sincera, Lídia revelou:
- Filho, estou preocupada.
Tirando o sorriso do rosto e demonstrando insatisfação pela colocação de sua mãe, Fernando reclamou:
- Ora, mãe!
Está me chamando de irresponsável?
- Não. Estou chamando-o para a responsabilidade.
Você fez sua escolha e está casado com a Lorena.
A Regina também é casada e com um homem muito bom.
Eles vivem bem. Nem pense em...
Atalhando-a ligeiro, o filho avisou, irritado:
- Eu e a Regina só estamos trabalhando juntos.
Não vou ter nada com ela além de um relacionamento profissional.
Pronto! Não se fala mais nisso.
Nesse instante, do patamar da escada que descia até a sala, surgiu Lorena, que pôde ouvir a última fala do marido.
Aquilo foi um choque!
Fernando estava trabalhando junto com a ex-noiva!
"Tudo foi planeado!", pensava Lorena.
"Por isso ele quis vir para o Brasil.
E para ele dizer que o seu relacionamento com ela será só profissional é porque Lídia o está pressionando para que fique com Regina!
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Dez 16, 2016 10:58 am

Claro! Lídia nunca gostou de mim!
Desgraçada!", gritava Lorena em pensamento.
"Eu mato essa infeliz que quer me roubar o marido. Ah! Se mato!
Meu pai saberá me ouvir e vai me ajudar a dar um jeito nessa situação."
Lorena não se deixou perceber, retirando-se rápida.
Seus pensamentos convulsionados de ideias revoltantes faziam-lhe esquentar.
No quarto, retirou-se a um canto perto da pequena varanda e perdeu o olhar na vista do jardim.
Seus lábios finos contraíam-se, enquanto fazia crescer em si uma grande repulsa.
Passou a mão pela testa escaldante, jogando para trás os ralos e finos cabelos ruivos que pareciam incomodar.
Saberia esperar.
A traição planeada por Lídia não iria ficar assim.
Era muita sordidez - julgava -, e eles iriam se arrepender.
Nada a afastaria de Fernando.
Se ele pensava que iria se livrar dela para ficar com Regina estava muito enganado.
Ninguém iria tirar o que era seu.
Lorena estava desequilibrada.
A jovem esposa de Fernando despertava agora um coração cruel, impiedoso, repleto de ódio e de desejos malignos de vingança.
A partir de então começou a pensar e a ter intenções de liquidar aqueles que estavam em seu caminho, criando, em torno de si mesma, uma atmosfera negativa que atrairia, com certeza, as piores vibrações e, consequentemente, espíritos que viveram prazerosamente na crueldade.
A chegada de Fernando ao quarto tirou-a ligeiramente da reflexão.
Ela sorriu para o marido, mas, embora sua feição não figurasse, seu coração estava envolto em névoas densas.
Meticulosa, ela o cumprimentou como há tempos não fazia, com um sorriso e sem reclamações.
Com olhar profundo e penetrante, encarou o esposo e perguntou:
- Como foi seu dia?
Fernando estranhou a amabilidade, porém respondeu tranquilo:
- Tudo é novo.
Hoje só conheci algumas instalações e fui apresentado ao pessoal.
- Tomara que dê tudo certo - replicou a esposa, indo na direcção da porta, ameaçando sair do quarto.
Rápido, Fernando argumentou:
- O que deu em você?
Virando-se com gestos delicados e rosto sorridente, Lorena respondeu:
- Nada. Só estou pensando que...
Bem, será bom vivermos com mais harmonia.
Num gesto rápido e elegante, ela saiu do quarto sem esperar por outra pergunta e demonstrando-se satisfeita.
Naquela noite, a notícia inesperada da morte do pai de Lorena chocou a todos.
Ian foi imediatamente para a Europa com a irmã, mas Fernando não pôde acompanhá-los, alegando que isso o prejudicaria no novo emprego.
Lorena ficou nitidamente abalada.
A única criatura que a apoiava integralmente era o pai.
Agora, sem ele, enfrentaria situações bem difíceis, pois até seu irmão mostrava-se insatisfeito com seus caprichos.
Alguns dias se passaram, e ao término do prazo que Regina dera ao irmão foi procurá-lo.
Era um domingo ensolarado, e Renato não se havia levantado.
Entrando no quarto, ela o fez levantar.
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Dez 16, 2016 10:59 am

- Precisamos conversar.
Mostrando-se enfadado, o irmão perguntou:
- O que é Regina?
- Você procurou um médico, um analista ou um grupo de apoio?
Secamente, Renato respondeu:
- Não. Perdi o emprego.
- O quê?!!!
- Fui demitido.
- Por quê?
- Por incompetência, por ser fraco, por sei lá mais o quê.
Incrédula, Regina se sentou e ficou observando-o por longo tempo.
Depois falou:
- Renato, você precisa de um médico, precisa se recuperar.
Provavelmente o excesso de álcool interferiu em seu desempenho profissional, na sua produtividade.
Olhando-o nos olhos, completou mais brandamente:
- Meu irmão, você precisa se ajudar.
Procurar pôr um fim nisso, que o escraviza.
- Não consigo! Não posso...
Como se implorasse, ele pediu:
- Regina! Ajude-me, você!
Não posso fazer mais nada.
Você não sabe como tento resistir.
É uma vontade que me foge ao controle.
Minha boca saliva, minhas mãos tremem, meu corpo inteiro deseja!
Nesse momento, lágrimas corriam na face de ambos.
Regina tomou-lhe as mãos, e Renato prosseguiu:
- Por um dia eu não bebo.
Por uma semana, às vezes, consigo resistir, mas quando a vontade vem...
Sabe, é engraçado, todo lugar que vou existem bebidas.
Os colegas sempre me chamam e insistem:
"Vamos tomar uma geladinha!"
Se eu digo não, eles me forçam, me chamam de anti-social, de estraga-prazer.
Em qualquer casa de amigos que vou, me oferecem um aperitivo.
Se é um churrasco ou um jantar, o drinque não falta.
Agora, pergunto:
Adianta eu dizer não se todos insistem para eu dizer sim?
Quando ligamos a televisão no horário nobre, vemos vários atores, galãs e lindas modelos e actrizes nos sugerindo a beber cerveja, cachaça, uísque e muito mais.
Induzem até você a pensar que, se não parar de tomar cerveja, seu time não vai fazer gol.
Encarando-a, ele perguntou com voz amarga:
- Eu sei que sou um doente.
Mas como deixar de ser dependente com tantas ofertas?
Sabe, Regina, fazem tantas propagandas negativas, se bem que muito válidas, contra o uso de entorpecentes, de drogas, mas quando o presidente de outro país visita o nosso a reportagem mostra que ofereceram cachaça a ele.
Renato riu irónico e completou:
- Ninguém perguntou se ele pode ou quer tomar aquilo.
A pior droga do mundo é a bebida alcoólica, pois é livre, está em todas as casas, em todos os restaurantes, bares, e é servida para comemorar de forma elegante qualquer ocasião.
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Dez 16, 2016 10:59 am

Você não precisa se esconder da polícia quando vai comprar bebida como se fosse procurar um traficante para comprar entorpecentes.
Você entende?
Eu não tenho de procurar a bebida como quem vai comprar cocaína; ela vem até mim de graça, como presente, como um mimo.
Em grandes hipermercados, homens e mulheres procuram o sector de bebidas e exibem que compram as mais caras, as importadas, destacando o produto sobre os carrinhos de compras, mostrando, assim, sua posição social.
Odeio a bebida, mas sou um fraco.
Não consigo parar.
- Renato - apiedou-se a irmã.
Você precisa de um grupo de apoio, de um analista.
- Analista é muito caro.
Agora tenho de economizar.
- Vamos a um grupo de apoio.
Eu tenho o endereço de...
- Não vou.
- Por quê?
- Não quero.
- O que você tem a perder?
Olha, eu vou com você quantas vezes forem necessárias.
Levantando-se, ele avisou:
- A Viviane já tentou me levar; não deu certo.
- Você foi?
- Não.
Renato escondia o rosto para não ser encarado.
Percebendo o motivo, a irmã perguntou:
- Você tem vergonha, é isso?
O irmão não disse nada.
Regina levantou-se, aproximou-se dele e afagando-lhe as costas sugeriu:
- Vamos nós dois só para assistir.
Não precisamos falar nada. Só assistir.
Diante do silêncio, ela pediu:
- Por favor, Renato.
Faça isso por mim.
Renato suspirou fundo e pendeu com a cabeça positivamente.
Ela o abraçou satisfeita, dizendo:
- Amanhã mesmo eu passo aqui. E à noite.
Você vai ver, Renato, será um novo homem.
Animada, Regina saiu do quarto e foi procurar pela mãe.
Ao encontrá-la, dona Glória, com seu jeitinho, avisou antes que a filha falasse:
- Filha, sei que você foi falar com seu irmão que eu ia para a sua casa, mas...
- Não, mãe...
- Espera, Regina.
Eu não sei o que você resolveu, mas, filha, me desculpe.
Não posso deixar meu filho aqui sozinho.
Não agora, na hora em que ele mais precisa de mim.
Entendo que você quer pressioná-lo só para ajudar, mas se o Renato é meu filho isso significa que tenho capacidade e condições para ajudá-lo, para aconselhá-lo, e não é saindo daqui que vou resolver o problema.
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Dez 16, 2016 10:59 am

Mesmo que não funcione, eu vou, todos os dias, falar e falar até o Renato me ouvir.
Mas não vou deixá-lo sozinho. Ele é meu filho.
Regina ficou surpresa com as colocações da mãe.
Uma mulher tão simples, mas com nobres decisões.
Sorrindo, ela avisou:
- Ele concordou.
Amanhã vamos procurar ajuda.
Mãe e filha abraçaram-se.
A situação não era fácil, mas já haviam dado um passo importante para a recuperação da integridade de Renato.
A emoção calava fundo em seus corações apreensivos.
Ao se separarem, dona Glória perguntou:
- E lá no seu serviço, como está?
- Tudo bem.
- E o Fernando? - interessou-se a mãe.
- Eu o vejo sempre, porém quase não conversamos.
A Lídia andou conversando comigo e me contou que ele estava querendo se separar da esposa.
- O Fernando?! - admirou-se Regina, parecendo assombrada.
- É. Disse que a Lorena tem um génio terrível, é exigente, orgulhosa...
- Bem, creio que ele teve oportunidade para conhecê-la antes de se casarem - disse a filha com um jeito simples e firme.
O Fernando não foi obrigado a se casar; agora, que assuma seus actos.
- Sabe, Regina - argumentou a mãe com jeito desconfiado - será que o Fernando está pensando em separação porque a encontrou?
- Ora, mãe!
A senhora acha que eu...
- Não! Não estou insinuando que você lhe tenha dado qualquer esperança, minha filha.
Mas pense bem:
se ele vivia mal com a esposa e já se sentia desanimado com o casamento, quando reencontrou você pode ser que se tenha lembrado de quando foram noivos, de como você era, e sentiu-se animado em se ver livre da mulher.
Regina ficou em silêncio, reflectindo sobre a suposição da mãe.
Astuciosa e madura pela idade e pelos exemplos de vida, dona Glória alertou com generosidade:
- Sabe, filha, acho que você precisa tomar cuidado.
Com olhos ávidos, Regina a encarou, aguardando que prosseguisse.
- Às vezes, um olhar, um sorrisinho, uma brincadeirinha "boba", uma palavrinha maliciosa podem dar liberdade, podem dar margem a oportunidades, sonhos ou desejos a um homem.
- Como assim, mãe?
Dona Glória deu um sorriso maroto ao responder:
- Ora, Regina. Você sabe muito bem do que estou falando.
Sabemos que todo pensamento toma forma e ideias nas mentes despreparadas e sempre há uma entidade correspondente para nos infernizar.
Não duvido da sua integridade, da sua honestidade, filha, porém, agora, por estarem trabalhando juntos, pequenos gestos e acções inocentes podem abrir caminhos lastimáveis.
Não negue consideração e educação a ninguém, mas evite envolvimento no campo pessoal.
- Mãe, eu tenho um bom marido e dois filhos lindos!
Eu os amo muito!
- E por essa razão que estou lhe dizendo isso.
Você vive tranquila e não deve deixar que sua vida se abale.
Não vale a pena procurarmos encrencas.
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Dez 16, 2016 10:59 am

Como se diz:
"Se você não se vigiar, vai procurar sarna para se coçar".
E cuidado com a mulher dele.
- Por quê?
- Mesmo que não haja nada entre vocês dois, se o casamento dele está abalado, certamente ela vai imaginar que a culpa é sua.
- Deus me livre!
- Regina, nunca despreze nenhuma possibilidade; não sabemos o que os outros pensam, muito menos do que são capazes.
Regina não teve coragem de confidenciar à mãe alguns pensamentos insistentes que lhe invadiam a mente nos últimos tempos.
Sabia que poderia se tratar de um assédio espiritual, pois irmãos sem evolução, encarnados ou desencarnados, sempre desejam criar empecilhos a alguém que está na estrada rumo ao sucesso.
Vigilante, ela se colocava em preces constantes, rogando luz para sua consciência, pensamentos elevados e discernimento.
Nas palestras evangélicas que assistia no Centro Espírita que frequentava, atentava-se ao tema, trazendo-o para sua vida, procurando sempre se desviar de deslizes.
Por essas razões, haveria de não se deixar envolver por aventuras que pudessem lhe trazer amarguras, muito menos deixaria que pensamentos inferiores, vibrados por espíritos sem elevação, interferissem em sua vida, induzindo-a a alguma ideia ou decisão.
Com naturalidade, dona Glória perguntou:
- Como vai a loja?
- O Jorge disse que está melhor do que ele imaginava.
A Selma é óptima em negócios.
Eles estão "fechando" com algumas distribuidoras, agora.
- Que bom, filha. Fico tão tranquila.
Muita gente reclamando dos tempos difíceis e tudo dando certo para vocês.
- É, mãe. Como agradeço a Deus por tudo.
Mãe e filha eram bem unidas.
Os diálogos entre ambas exibiam amizade e harmonia.
Graças a isso, juntas conseguiam energias salutares para o progresso, a estabilidade e a evolução da família, mesmo em tempos difíceis.
Os dias foram passando, e Regina estava satisfeita, uma vez que seu irmão passara a frequentar uma Associação de Apoio ao Alcoólatra e a sentir-se mais confiante, apesar das primeiras dificuldades.
Em seu serviço, algumas situações de rotina pediam muita atenção, onde ela haveria de buscar soluções para várias dificuldades.
- Veja, Regina, o director de finanças diz que em seu sector há urgência em actualizar o pessoal ao novo sistema.
Um curso para aquela equipe é imprescindível no momento.
Precisamos contratar um "terceiro" para dar esse curso - dizia Fernando ao explicar uma situação.
- Mas, Fernando, veja:
estou com três turmas no meio de um treinamento.
Não posso dispensar um consultor na metade de qualquer um dos cursos e encaixar o pessoal de finanças e, arrumar assim, de um dia para o outro, alguém disponível para dar instrução do novo sistema.
Não temos espaço físico para mais nada.
Já reclamamos várias vezes sobre isso, e nada foi feito.
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Dez 16, 2016 11:00 am

Sentado atrás de sua mesa, enquanto se balançava levemente na confortável cadeira, Fernando se preocupava, tentando buscar soluções.
Repentinamente, os olhos de Regina brilharam, e ela disse:
- A não ser que...
- Quê...? - interessou-se o chefe, inclinando-se para a frente.
Ágil, ela pediu:
- Dê-me dois minutos. Eu já venho.
Retornando ao seu sector, ela conversou com um e com outro e, em questão de poucos minutos, pegou o telefone para as últimas providências.
Inquieto, ele aguardou em sua sala. Logo, ela voltou.
- Pode dizer ao director que seu pessoal entrará em treinamento amanhã na sala três.
Tenho lugar para quinze pessoas.
Só que o horário do curso é das quinze às vinte horas.
Já temos um instrutor que vem da mesma consultoria do Gonçalves; ele domina aquele sistema.
- Como conseguiu isso?
- O pessoal que está em treinamento naquela sala concordou em entrar mais cedo e sair às três.
Fernando alargou o sorriso e colocou a mão sobre o ombro de Regina, dizendo:
- Você é óptima!
Curvando-se rápido, ele a beijou no rosto.
Regina surpreendeu-se, mas também estava muito animada pela conquista.
- A sorte foi que o instrutor da turma actual concordou em vir cedo - disse a ele.
- Mas até eu concordaria com um pedido seu!
Ela se sentiu constrangida, e ele continuou:
- É uma ideia dividirmos os horários.
- Podemos pensar nisso.
Mas agora tenho de ir providenciar o material utilizado.
- Espere, Regina, por favor.
- Algo mais?
Com os olhos injectando amabilidade, cortês e gentil, ele perguntou em baixo tom de voz:
- Você está bem?
Simples, ela respondeu ao sorrir:
- Sim, está tudo bem.
Nesse instante, a moça sentiu que seu coração acelerou.
Algo estava acontecendo.
Educado, o chefe pediu:
- Sente-se, por favor.
Acomodando-se à sua frente, Fernando a fitava constantemente, deixando-a sem jeito.
Mas logo explicou:
- Sabe, Regina, desde que fui para a Europa nunca mais conversamos direito, e, às vezes, penso muito em tudo o que não terminou entre nós.
Pensando rapidamente, Regina se lembrou dos conselhos que recebera de sua mãe dias antes e imediatamente o interrompeu:
- Espere, Fernando, por favor.
Tivemos um compromisso, sim.
Você foi para a Europa, mas tudo, exactamente tudo terminou entre nós quando eu me casei com o Jorge, e você, com a Lorena.
Creio que não haja nada a ser dito ou esclarecido entre nós.
Sem perder o jeito calmo e educado, ele perguntou:
- Você vive bem?
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Ave sem Ninho

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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Dez 17, 2016 7:49 pm

- Sim. Muito bem.
Perdoe-me a franqueza, mas...
Interrompendo-a, Fernando argumentou:
- Não podemos ser amigos?
- Não somos inimigos, concorda?
Mas, como eu ia dizendo, perdoe-me a franqueza, mas não creio que seja bom para nenhum de nós ficarmos entrando em assuntos sobre nossas vidas particulares e bem distintas.
Trabalhamos juntos, nos damos muito bem aqui no serviço, mas creio que se passar disso...
Sentindo-se um tanto constrangido agora, ele perguntou para mudar de assunto:
- E seu irmão?
- Ah! Graças a Deus o Renato está se conscientizando e ganhando forças interiores para vencer o vício.
- Fico feliz. Conversei com ele um pouco, mas não o suficiente.
Acho que vou procurá-lo nesse fim de semana.
Quero pegar um currículo dele para enviar a uma empresa conhecida.
Sorrindo, Regina agradeceu:
- Puxa! Muito obrigada por isso.
Será muito importante para ele se conseguir um emprego agora.
Após pequena pausa, ela perguntou:
- E a Kássia, como está?
Depois de um suspiro junto a um semblante insatisfeito, Fernando admitiu:
- Não há nada que não tenhamos tentado. Você viu.
- Sabe que ainda não me conformei.
Como alguém pode mudar tanto.
Fico feliz por seus pais manterem o equilíbrio e não desistirem dela.
É uma situação difícil, onde muitos abandonam o filho que insiste no erro.
- Obrigado pela força que está nos dando.
Minha mãe tem-me contado.
- Não me agradeça pelo que não fiz. Se eu pudesse...
- Só a sua boa vontade em ir lá em casa já é grande coisa.
Aliás, é a pedido de minha mãe que não fico em casa quando você vai lá.
A dona Lídia - disse irónico - acha que você fica menos constrangida e mais à vontade pelo facto de a Lorena também não estar lá.
- Soube que o pai dela morreu.
- É sim.
- Quando ela volta?
- Já está lá há alguns dias e creio que terá de ficar um pouco mais.
O homem tinha vários negócios e determinou um prazo para a abertura e a leitura do testamento.
Após poucos segundos, ela decidiu:
- Bem, preciso ir.
Enquanto se levantava, ele articulou:
- Regina, desculpe-me se...
- Não tem pelo que se desculpar.
Acho que você foi verdadeiro, e eu também.
- Obrigado. Se precisar de mim, pode falar.
Ela agradeceu e se foi.
Regina tremia toda, mas Fernando não percebeu.
Voltando para sua sala, não sabia como pôde disfarçar tão bem o seu nervosismo.
Ela amava o marido, respeitava e adorava os filhos; não entendia por que sentia aquilo.
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Ave sem Ninho

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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Dez 17, 2016 7:49 pm

As palavras de Fernando sobre tudo o que não terminou entre eles pareciam ecoar em seus pensamentos.
Teria de afastar aquilo; tais sentimentos lhe doíam o peito, que parecia estar envolto em algo muito denso e em desarmonia com sua índole.
Depois desse dia, em outros momentos, Regina acreditava que Fernando se aproximava muito dela, solicitava sua presença sem necessidade e, sempre que possível, tocava-lhe a mão ou o ombro de um modo que até poderia ser inocente, mas para ela era algo que alardeava seus sentimentos íntimos.
Ela se sentia cortejada a distância pelo seu jeito de olhar, mas não haveria nada do que pudesse acusá-lo.
Sentia-se sufocada, e ninguém no serviço poderia desconfiar.
Não queria desabafar com a mãe, não poderia contar ao marido; sua intuição dizia que não era necessário Jorge saber; afinal, nem mesmo teria o que dizer; com certeza, era algo que ela sentia.
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Dez 17, 2016 7:49 pm

17 - A VERDADEIRA PERSONALIDADE

O tempo passava ligeiro, e os acontecimentos da vida diária faziam nossos personagens guardar algumas ideias no esquecimento, principalmente quando não eram criadas por suas mentes.
Numa manhã, Regina abriu os olhos e sentiu-se preguiçosa; queria ficar na cama.
Ainda bem que era sábado e ela não precisava ir trabalhar.
Jorge acordou cedo e já havia ido para a loja.
Largada sob os lençóis macios e perfumados, ela começou a fazer uma retrospectiva de sua vida até chegar nos lindos filhos e no marido, que se estabilizava cada vez mais.
Quanta coisa havia acontecido.
Mas ela estava bem!
Sentia-se de bem com a vida.
Um brado de alegria quebrou sua reflexão quando os filhos, Denis e Amanda, chegaram em seu quarto.
Denis sempre foi um garoto esperto, e Amanda, agora com quase dois anos e meio, exibia-se meiga, observadora e bem mais recatada, mostrando uma personalidade cautelosa.
- Oi, meus amores!
Vocês já acordaram? - cumprimentou a mãe.
O menino já estava sobre a cama, enquanto Regina ajudava a doce menina a subir.
Logo, Denis reclamou:
- O papai não está!
Ele disse que ia jogar comigo hoje.
- Filho, ele foi trabalhar.
E, com jeito calmo, explicou:
- Se ele não for trabalhar, não teremos dinheiro para a sua escola, para comprar coisas gostosas...
- Ah! Que droga, viu - retrucou o menino, fazendo um biquinho.
Sem dar importância, Regina avisou:
- Vamos levantar e nos arrumar para irmos ao shopping.
- Vamos nos brinquedos!!!
Oba!!! - gritou Denis, animado.
Nesse instante, Regina escutou a voz de Doroteia no quintal, chamando-a.
-... Mas hoje é sábado.
O que será que ela quer? - perguntou, enquanto ia abrir a porta.
- Oi, Regina! - cumprimentou a mulher, logo pegando a pequena Amanda no colo.
E completou:
- Desculpe-me vir aqui hoje, mas é que sua mãe me pediu.
Surpresa, Regina perguntou:
- Mas por que ela não ligou?
- Parece que seu telefone não está funcionando.
Assustada, a dona da casa interrompeu:
- O que aconteceu, Doroteia?
Um tanto constrangida, procurando não deixar Regina mais nervosa, a mulher avisou:
- É seu irmão.
Parece que ele não está muito bem, e sua mãe pediu para eu vir chamar você.
Acho que ela quer levá-lo ao médico.
Rapidamente, Regina lembrou:
- Ah! O Jorge está na loja e...
- Vá logo, não se preocupe.
Eu fico com as crianças.
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Dez 17, 2016 7:49 pm

Não tenho compromisso hoje.
Fique tranquila.
Sem perder tempo, Regina se trocou ligeira e foi para a casa da mãe.
Lá, em prantos, dona Glória contou-lhe que Renato havia chegado em casa carregado por colegas, o que há tempos não acontecia.
Quando os amigos se foram, ele perdeu os sentidos.
- Que horas foi isso, mãe?
- Umas cinco e meia da manhã, talvez seis.
Depois de um tempo ele começou a tremer todo, como se estivesse tendo um ataque.
Liguei para você, mas só dava ocupado.
- As crianças devem ter tirado o fone do gancho.
Olhando firme para a senhora, Regina disse:
- Mãe, acho que ele teve uma convulsão.
As pupilas estão dilatadas, e ele está gelado, suando frio.
- Meu Deus!
- Calma, mãe. Vamos chamar um táxi e levá-lo para um hospital.
- Só nós duas, filha? Precisamos de ajuda.
E se for grave. Para ir buscar um táxi você vai precisar ir até a avenida.
Regina não tinha opção.
Imediatamente, ligou para a loja à procura do marido, mas foi informada de que Jorge havia saído minutos antes na companhia de Selma.
Ligou para a emergência e pediu uma ambulância, que não chegou após vinte minutos.
Nesse ínterim, Renato sofreu outra convulsão.
Dona Glória lembrou-se de Fernando, e sem demora elas ligaram, pedindo ajuda.
Em poucos minutos, Lídia e Fernando chegaram.
A mãe de Fernando ficou com dona Glória, enquanto seu filho e Regina levavam Renato para o hospital.
Fernando fez questão de socorrer o amigo em um hospital particular, assumindo as despesas, uma vez que, desempregado, Renato não possuía plano de saúde.
Na sala de espera do hospital, Regina aguardava aflita.
Sentada, apoiava o rosto com as mãos e os cotovelos nos joelhos, deixando que seus cabelos anelados cobrissem-lhe a face chorosa.
Fernando, atento, a observava comovido.
Sabia que ela amava o irmão e queria fazer de tudo para ajudá-lo.
Procurando ser gentil, além de prestativo, diante daquela situação, sentou-se ao lado de Regina e afagou-lhe a cabeça com cuidado, a fim de acalmá-la.
- Vai dar tudo certo, Regina. Não fique assim.
Com a voz chorosa e lágrimas a correr pela face delicada, ela levantou o olhar e desabafou ao encará-lo:
- O Renato estava indo tão bem.
O que será que aconteceu para ele regredir?
- Sabe, é comum uma recaída nesses casos.
Mas com perseverança da parte dele e apoio da família vai superar tudo.
Em seu olhar melancólico, Fernando viu uma tristeza sem igual.
Regina estava com o coração amargurado.
Não havia palavras naquele momento que pudessem afastar sua dor.
O silêncio reinou.
Algum tempo depois um médico chegou ali, e Regina, num impulso, precipitou-se angustiada, olhando-o como se implorasse por notícias.
Com lágrimas que novamente se empoçaram em seus olhos e voz rouca, ela perguntou:
- Como está meu irmão, doutor?
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Dez 17, 2016 7:49 pm

Não havia maneira diferente de dar a notícia; porém, acautelando-se para não deixar Regina ainda mais nervosa, o médico falou com bondade:
- Seu irmão está em um estado de coma metabólico, onde podemos verificar que felizmente o cérebro mantém totais as funções do organismo.
Esse estado de coma se deu pelo consumo excessivo de álcool.
Já foi feita uma lavagem estomacal e agora ele recebe administração de soro junto com medicamentos apropriados para esse estado.
Teremos de aguardar.
Regina ensurdeceu.
Paralisada e sem expressões faciais, ficou estagnada, olhando para o médico, que perguntou ao tocar seu braço:
- Você está bem?
Rápido, Fernando passou-lhe o braço sobre os ombros querendo ampará-la e perguntou:
- Regina, você está bem?
As lágrimas represadas rolaram em sua face, e um choro sentido se fez.
Fernando a abraçou, procurando consolá-la.
- Sente-se com sua esposa ali - recomendou o jovem médico, indicando um lugar.
Vou pedir para a enfermeira trazer um calmante suave, natural.
Faça-a tomar e a leve para casa.
Descansem. Aqui só vão ficar mais tensos e não vai adiantar muito.
Seu cunhado parece um rapaz forte e foi socorrido logo.
A meu ver, ele tem grandes chances.
Fernando não corrigiu o médico diante do engano e fez como ele pediu.
Em casa, Regina abraçou-se à mãe após lhe dar a notícia de que o irmão sofrera um coma alcoólico, e ambas choraram juntas.
Lídia procurava confortá-las.
Fernando, sabendo que Renato estava sem emprego e que a pensão que dona Glória recebia mal cobria as despesas indispensáveis da casa, logo avisou, a fim de deixá-las mais tranquilas.
- Dona Glória, o Renato está em um óptimo hospital e receberá todos os cuidados que necessitar.
Não se preocupe com as despesas. Eu cuidarei de tudo.
- Não podemos lhe dar tanto trabalho, meu filho.
Já abusamos muito.
- Glória - interferiu Lídia -, somos nós quem estamos em débito com vocês.
As melhores orientações, o melhor carinho que recebi no momento mais difícil da minha vida foi de vocês.
Isso não tem preço.
Eu não estaria aqui hoje se não fosse pela Regina.
Quanto ao Renato, tão amigo do Fernando, é um filho que adoptei em meu coração.
Apesar da distância, quero-os muito bem.
Regina ofereceu um suave sorriso de agradecimento, enquanto dona Glória afirmou:
- Obrigada, Lídia.
Rogo que Deus nos fortaleça e nos ampare.
- Vai dar tudo certo, Glória.
Você vai ver -– afirmou Lídia.
Bem mais tarde, Regina decidiu ir embora, pois estava preocupada com as crianças que haviam ficado com Doroteia e com Jorge, quem ela não conseguiu localizar.
Ela insistiu para que a mãe fosse para sua casa, mas dona Glória não aceitou, preferindo ficar sozinha.
Exausta, Regina chegou em casa um tanto abatida por tudo o que ocorrera naquele dia.
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