O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Dez 22, 2016 11:12 am

- Tenho muitos amigos.
Recebi várias visitas, e companheiros maravilhosos me deram forças, ânimo.
Todos estiveram solidários a mim.
- Óptimo! Isso mostra que você é uma pessoa querida.
Afaste pensamentos corrosivos que podem fazê-la perder as referências, perturbando-a e deprimindo-a.
- Estou com medo.
Tenho a próxima quimio para fazer e... é tão duro.
- Sei que nesse momento você queria ter um parceiro para dividir esse peso.
Mas não pense na falta de alguém, mude o foco.
Pense que talvez não seja tão difícil quanto a outra, mas com certeza será para sua recuperação.
Esse tratamento serve para garantir sua cura.
- Às vezes acordo à noite e não durmo.
Fico pensando: Será que há outras metástases espalhadas pelo meu corpo?
Como será que vou descobrir?
Quando? Aí choro. Choro muito.
Após pequena pausa, ela recordou:
Sempre no banho, quando me vejo, estou feia.
Sem um amor, meu marido que nunca viu como fiquei depois da cirurgia, estou mutilada...
- Mas viva! - lembrou o amigo, imediatamente.
Você está viva, Regina.
Lance mão de todos os recursos ao seu alcance.
Existem grupos de apoio a mulheres... como chama mesmo?
- ... mastectomizadas - respondeu.
- Isso! Existem grupos de apoio a mulheres mastectomizadas, terapias, medicamentos homeopáticos antidepressivos.
Elabore, pense, planeie alternativas de vivência que a ajudem a viver melhor, a equilibrar essa mudança.
Isso é possível, e você sabe.
Assim que cheguei ao Brasil, ouvi pelo rádio uma frase, não sei de quem, mas era assim:
"Pense no bem, e o bem estará com você.
Pense no mal, e o mal seguirá seus passos".
É você quem escolhe suas companhias.
Encarando-a, ele afirmou sem imposição.
- Você está sofrendo porque não perdoou nem desculpou seu marido.
Você se deprime porque não perdoou nem desculpou o câncer.
- Você tem razão - concordou ela com semblante triste.
- Você é inteligente, Regina.
Não só isso; tem sabedoria.
Use sua sabedoria.
Perdoe, desculpe o câncer, deixe que ele fira só o seu corpo, não a sua alma.
Trate-o com carinho; pense que ele, o câncer, é doente; por isso, com muito, com imenso amor, dê-lhe o remédio adequado e deixe só o corpo sofrer, não o seu pensamento.
Isto é, se você, por acaso, tiver ainda alguma metástase no corpo.
Pense: Amanhã estarei melhor, muito melhor.
Somente assim ficará mais saudável.
Tocando-lhe o queixo, erguendo-lhe o rosto, ele completou:
- Perdoe e desculpe o seu marido; não se destrua em pensamentos torturantes, lamentando sua ausência, querendo saber como ele está vivendo sem você ou desejando que ele sinta sua falta e passe por dificuldades só por estar sem você.
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Dez 22, 2016 11:12 am

Desculpe-o pela pequenez, pela pobreza de sua alma fraca.
Deseje-lhe felicidade, sucesso, ou então vai ter de estar ao lado dele para que atinja o sucesso e a felicidade que você não lhe desejou.
Regina lembrou:
- Jorge é vítima dele mesmo.
- Rogue a Deus por ele, mas que não seja só da boca para fora O Pai Celeste ouve nossos pensamentos e conhece nossos mais íntimos desejos e segredos.
Do fundo de seu coração, perdoe e desculpe seu marido.
Você só será feliz e se realizará quando conseguir pensar assim.
De repente ela esboçou suave sorriso e argumentou:
- Ian, você não era assim.
O que aconteceu?
Está falando e pensando diferente.
- Ah! minha amiga, nunca deixei de pensar em você.
- Por quê?
- Desde que a vi na casa do meu tio, pela primeira vez, jamais me esqueci daquela conversa e decidi sair em busca de inúmeras respostas de que precisava.
Por exemplo:
Quem sou eu?
Para que estou aqui?
Por que nasci?
O que é Deus?
- E você encontrou tais respostas?
- Li O Livro dos Espíritos e me apaixonei por ele.
Li também o restante dos livros da Codificação e obtive todas as respostas para as perguntas que sempre havia formulado.
Desde então mudei minha vida e minha visão da vida.
A existência humana é muito mais do que vemos e sabemos.
É lamentável muitos se negarem às explicações que esses livros nos oferecem.
Ian e Regina conversaram muito.
Sem livrar-se dos desafios da existência, Regina sentia-se melhor pelas colocações sábias do amigo, decidindo assim mudar seus pensamentos, a origem de suas aflições.
Com o passar dos dias, na casa de Rodolfo, nem tudo estava tranquilo.
A ausência de Lídia criava situações difíceis, pois a mulher sempre coordenava com harmonia pequenos detalhes que não eram percebidos e agora se ressaltavam.
A presença de Kássia não era suficiente para a tranquilidade de Rodolfo.
Ele procurou pelo filho e avisou:
- Fernando, é difícil lhe pedir isso, mas tenho de ser bem directo.
- O que foi, pai?
- Gostaria que pedisse a Lorena que não interferisse, ou melhor, que não implicasse mais com nenhum empregado.
Eles estão acostumados a prestar serviços conforme sua mãe explicou, e Lorena agora quer interferir e...
Já tenho muitos problemas.
A posição dela não está agradando a ninguém.
O filho viu-se contrariado com a mulher.
Sabia que seu pai tinha razão, mas não queria ser ele a falar com Lorena.
- Pai, por que o senhor não...
Atalhando-lhe a frase, Rodolfo argumentou:
- Às vezes penso que você não é capaz de dizer um "não", e é isso que o prejudica na vida.
Fernando sentiu-se contrariado, acreditando que seu pai havia sido rude.
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Dez 22, 2016 11:13 am

Sem esperar por qualquer resposta, Rodolfo, parecendo nervoso, retirou-se para o escritório.
Logo, porém, o senhor Horácio foi procurá-lo.
- Rodolfo, preciso falar com você.
- Pai, por favor. Podemos deixar para depois.
Eu tenho de...
Antes que o filho concluísse, o senhor Horácio falou:
- Estou pensando em entrar com o pedido de exumação do corpo de Lídia.
Acho que ela foi assassinada.
Rodolfo ficou atordoado, perdeu as palavras e nem sabia o que pensar.
"Aquilo era demais!", acreditou.
"Seu pai deveria estar esclerosado."
Tomando fôlego e procurando ser cauteloso ao falar, argumentou:
- Pai, a Lídia não morreu de uma hora para outra.
Ela ficou muito doente, teve assistência médica até o último minuto, que foi no hospital.
O senhor acha que o médico poderia tê-la assassinado?
- Não - respondeu o senhor com ar arrogante enquanto andava pelo escritório.
Foi algo que lhe ministraram aos poucos.
Um exame toxicológico deveria ter sido realizado.
- Pai, se usaram alguma toxina para envenenar Lídia, o senhor acha que isso foi feito no hospital?
Aqui em casa?
E, se foi aqui, onde colocaram essa droga?
Na alimentação?
Essa droga não teria algum sabor, odor, cor?
E mais, é estranho mais ninguém ter sido envenenado, não acha?
Encarando o filho, o senhor Horácio falou:
- É pena vê-lo acreditar que sou um velho caduco.
- Pai, estou com uma filha que não quer sair do quarto, não admite um médico e não quer falar com ninguém.
Estou com um casal de empregados, o Américo e a mulher, que querem ir embora por causa da minha nora.
A Eunice, hoje, pediu demissão; o meu filho quer passar para mim a responsabilidade de falar com a mulher dele e eu tenho de ir trabalhar; afinal de contas, alguém precisa fazer isso nessa casa; nossas economias não são tantas assim.
Agora o senhor quer procurar problemas onde não existem?!
Estou cansado, não sei o que faço e...
Diminuindo o volume da voz, quase sussurrando, desabafou:
- Não tenho mais a Lídia para me ajudar, para me apoiar.
Nesse instante a empregada entrou ligeira no escritório e avisou:
- Senhor Rodolfo, venha depressa, é a Kássia.
Rodolfo saiu correndo em direcção ao quarto da filha.
Eunice havia surpreendido Kássia tentando se enforcar com uma peça de roupa.
Depois de praticamente lutar com a moça para livrá-la do garrote que estava em seu pescoço, Eunice, vendo-a em choro compulsivo, chamou por Rodolfo.
Kássia ainda chorava, e o pai agasalhou-a num abraço.
O senhor Horácio espiou o episódio e saiu do quarto.
Passados alguns minutos, Kássia estava mais tranquila.
Bem firme, Rodolfo pediu:
- Filha, não pode mais ficar assim.
Isso já foi longe demais.
Você quase não come, não conversa e agora isso.
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Dez 22, 2016 11:13 am

Estou providenciando um psiquiatra.
Creio que precisa de tratamento.
- Eu não quero sair daqui! - disse enquanto chorava.
- Eu quero o seu bem, Kássia.
Como posso confiar em você agora.
Não há condições de ficar com você vinte e quatro horas.
Eu a amo! Não quero que lhe aconteça algo.
O silêncio reinou.
Passados alguns minutos, Rodolfo se levantou, esfregou o rosto com as mãos e murmurou:
- Deus, me ajude.
Ian entrou repentinamente no quarto e perguntou:
- Eu estava no banho e escutei um alvoroço.
O que aconteceu?
- A Kássia não está bem.
Aproximando-se da prima, o rapaz perguntou:
- Ora, menina, o que houve?
Sentando-se na cama, ele lhe afagou o rosto, dizendo:
- Você tem tanto pela frente, não deveria perder tempo presa aqui nesse quarto.
Percebendo que Kássia se agitava nervosamente de modo anormal, Ian propôs:
- Não é melhor chamar um medico?
- Liguei para o doutor Manoel, nosso médico há tempos.
Pedi para ele me indicar um psiquiatra.
Observando que seu tio estava arrumado para sair, Ian ofereceu-se:
- Quer que eu fique com ela?
Se o médico chegar, explico tudo.
Não vou sair, pois estou aguardando alguns telefonemas sobre aquele negócio que pretendo e posso fazê-lo aqui.
- Tenho uma reunião e uma audiência muito importantes hoje.
Não posso faltar. Vou precisar de você, sim, Ian.
- Conte comigo. Não vou deixá-la só.
Pode confiar, tio.
- Obrigado, Ian.
Rodolfo saiu do quarto e encontrou com Eunice no corredor.
A empregada ostentava uma bandeja com chá e torradas.
Olhando bem para o patrão, com simplicidade, a moça avisou:
- Seu Rodolfo, não se preocupe, não.
Eu fico tomando conta da Kássia.
Não vou mais pedir minhas contas.
Fico mais um tempo até as coisas se acalmarem por aqui.
- Por mim você jamais iria embora.
Pedi a meu filho para falar com a esposa e só lhe peço um pouco mais de tempo.
Vou resolver isso.
Baixando o olhar, a moça explicou:
- Quando falei com o senhor de manhã, eu estava nervosa.
Agora estou pensando melhor, estou me lembrando de tudo o que o senhor e a dona Lídia já fizeram por mim.
Não posso deixar essa casa só por alguns modos malcriados da dona Lorena.
- Agradeço sua consideração.
Só lhe peço um tempo.
Vamos dar um jeito nisso.
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Dez 22, 2016 11:13 am

- Eu to levando isso aqui para a Kássia.
Quem sabe ela se acalma.
- Obrigado, Eunice.
- Por nada. Tenha um bom dia, seu Rodolfo.
Ele sorriu e falou:
- Espero.
No quarto de Kássia, Ian procurava conversar um pouco com a prima, mas não tinha muito sucesso, apesar de vê-la mais calma.
Com a chegada de Eunice, a moça se sentou e tomou um pouco do chá.
Observando-a bem, o primo notou que seus pensamentos confusos prendiam-se a fortes medos, talvez macabros.
Envolvido por amigos espirituais, o rapaz, num impulso, perguntou:
- Você está com medo desses desenhos no seu corpo?
Kássia arregalou os olhos muito assustada.
Percebendo só então o impacto de sua pergunta, Ian falou:
- Calma, Kássia. Eu não quis...
- Por que você falou isso? - interrompeu.
- Não sei... - argumentou, encolhendo os ombros.
Desculpe-me.
- Você também viu? - tornou ela.
- Vi, o quê?
- Viu... viu... você sabe?
Ian tentava pensar rápido para não perder a oportunidade que tivera, pois acreditou que acertara o alvo dos problemas da prima.
- Kássia, me diz melhor o que você vê?
- Tenho medo.
A jovem estava abalada; seu modo inquieto, seu olhar agitado exibiam grande falta de equilíbrio.
Tranquilo, Ian argumentou:
- Se guardar esse medo, sempre ficará com ele.
- Como assim?
- Se você procurar esclarecimento, não terá medo.
Não temos medo do que conhecemos.
Como eu disse a uma amiga esses dias atrás, jamais resolveremos nossos problemas somente pensando neles.
Temos de agir e reagir.
- Não sei como.
- Então aceite ajuda.
- Ajuda?
- Sim! Claro.
Aceite ajuda profissional, ajuda daqueles que a amam.
Só que para ajudá-la temos de saber por onde começar.
Por exemplo, conte-me o que se passa com você, e poderemos buscar uma solução para o que a aflige.
Após alguns minutos, ela revelou, exibindo-se temerosa:
- Eu vejo figuras feias em meus pensamentos.
Vocês não podem tirar o que está na minha mente.
Rápido, Ian respondeu:
- Claro que não podemos tirar algo de seus pensamentos, mas podemos colocar ideias novas.
Quase brincando, ele lembrou:
- A primeira lei de Newton diz que "dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço ao mesmo tempo".
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Dez 22, 2016 11:13 am

Depois de rir, explicou:
- Temos de fazer essa sua mente pensar diferente.
Você sabe que "mente vazia é oficina do diabo".
Então ocupe seus pensamentos com coisas boas e não terá ideias ruins.
- E se eu não conseguir?
- Você nem tentou.
Procure coisas novas para fazer.
Saia desse quarto...
- Aqui me sinto segura.
- Segura do quê?
Kássia não soube responder, e o primo perguntou:
- Você usa drogas?
- Já usei. Mas foi muito pouco.
Apesar de eles insistirem, não usei como eles.
Eu não preciso delas.
- Sente falta dos seus amigos?
- Não! Claro que não!
Nem quero vê-los.
- Óptimo. Então aceite a proposta que vou lhe fazer.
- Qual é?
- Vamos procurar novos amigos, novas oportunidades.
Vamos esquecer o que passou.
- Não consigo. Fico lembrando.
- A lembrança é viva quando não temos coisas novas e diferentes para ver.
Aceite a ajuda de um médico, aproveite essa oportunidade.
Vamos procurar fazer uma terapia.
- Por que você fala "vamos"?
Por acaso você vai junto?
- Se quiser, eu vou.
Kássia ficou pensativa.
Ela parecia começar a aceitar a ideia.
Depois de algum tempo, Ian perguntou:
- Eu queria ir visitar uma amiga hoje.
Quer vir comigo?
É a Regina, lembra-se dela?
- A Regina?
- É. Ela está se recuperando de uma cirurgia.
Está fazendo quimio.
- Não quero sair.
- Tudo bem. Iremos outro dia.
Nesse momento o doutor Manoel chegou para ver Kássia.
Ele explicou que não havia conseguido falar com o colega e ficou preocupado com a filha de Rodolfo, decidindo ir vê-la.
O médico e Ian conversaram muito com Kássia para animá-la e fazê-la reagir.
Com o passar dos dias, Jorge e Selma conversavam.
O sócio exigia seus verdadeiros direitos, e ela exibia então um lado que Jorge desconhecia.
- Você não pode exigir as cotas do meu irmão.
Afinal, tudo foi adquirido licitamente por Dalton.
Temos advogados, o contador recebeu ordens suas para fazer aquele adendo.
Temos testemunhas, você assinou aqueles documentos porque quis.
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Dez 22, 2016 11:14 am

- Não brinque comigo, Selma! - gritou Jorge.
Até a minha casa...!
- Sua casa?! - desdenhou Selma, rindo com ironia.
Você me deve muito mais do que aquela casa, Jorge.
Só está pagando o que me fez sofrer.
Se tivesse ficado comigo...
- Passei a casa para o seu nome para que no divórcio a Regina não ficasse com ela.
Sua ordinária!
Selma, exibindo elegância, levantou-se, pegou sua bolsa e com gestos provocantes, trazendo no olhar um jeito irónico, avisou:
- Meu irmão vem para o Brasil daqui alguns dias.
Quando ele chegar, terminaremos legalmente com essa sociedade.
Num impulso, Jorge foi rapidamente em sua direcção.
Descontrolado, segurou na garganta de Selma, apertando-a com firmeza.
Alguns objectos que estavam sobre a mesa caíram no chão, provocando um barulho violento, e um grito rouco de Selma atraiu a atenção dos funcionários, que entraram às pressas na sala e seguraram Jorge.
Após largá-la, o homem estava desequilibrado.
Os funcionários assustaram-se e mesmo sob o clima nervoso acomodaram Selma, que estava tonta.
Jorge andava de um lado para outro como uma fera enjaulada.
Seus olhos brilhavam.
Com os dentes cerrados e o dedo em riste, avisou:
- Selma, se não devolver o que é meu, eu a mato.
Mesmo assustada com o ocorrido, trazendo a respiração ofegante, ela revidou, quase sussurrando:
- Mas antes acabo com você e seus bastardos.
Ele não esperou mais e, virando-se, se foi.
Na casa de Rodolfo, o senhor Horácio não se dava por vencido.
Começou a interrogar os empregados sobre o comportamento de Lorena quando Lídia estava viva.
Acreditando que aquela não era uma atitude normal, Eunice procurou por Rodolfo e contou o ocorrido.
- Meu pai...?
- Desculpe-me por eu estar trazendo isso ao senhor, mas acho que a dona Lorena escutou, pois quando fui ao seu quarto hoje ela começou a me especular sobre o que o senhor Horácio queria.
Ela a está tratando melhor?
Não jogou mais nenhum prato de comida em você ou no chão?
- Não! Ela não fez mais isso, não.
Mas eu a acho muito estranha.
- Como assim?
- Várias vezes a vi falando sozinha, rindo...
- Ora, Eunice, eu também falo sozinho.
Você já me viu fazendo isso.
- Mas o senhor é diferente.
Ela age como se estivesse...
Ah! Eu não sei.
Ela tem jeito de pessoa louca.
Depois que ela vê a gente, corrige-se rapidinho e fica elegante de novo.
Rodolfo, num relampejo de ideia, lembrou-se de que Lídia havia dito que algo estava errado com Lorena, mas não sabia explicar.
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Dez 22, 2016 11:14 am

- Puxa, Eunice!
Eu sinceramente não sei o que fazer.
- Não estou querendo trazer problemas.
Estou só avisando para o senhor saber o que está acontecendo.
- Agradeço. Você me ajuda muito, Eunice.
- Ah! A Kássia aceitou o tratamento, não foi?
Achei isso tão bom.
- Ela vai para uma clínica de repouso.
O primo a convenceu.
- Vão tratá-la bem?
- Sem dúvida!
Kássia não vai ficar presa a uma cama, dopada por remédios.
Vai fazer parte de reuniões, da terapia, de passeios e exercícios...
É um lugar muito bom para quem decide se recuperar.
Receberá assistência médica e psicológica...
- Onde dona Lídia estiver, vai estar feliz.
E que moço bom esse seu sobrinho, né?
Ian surgiu da densa neblina europeia para socorrer a todos nós! - brincou Rodolfo ao ver o rapaz se aproximando.
- Estão falando de mim?
- Estávamos falando bem! - afirmou Eunice que, se retirando, pediu licença e se foi.
- Comentávamos sobre Kássia ter aceitado o tratamento.
Devemos isso a você.
- Ora, tio!
- Não vou ficar aqui massageando o seu ego.
Tenho de ir.
- Tio?
Rodolfo se virou, e Ian perguntou:
- Há algo errado com meu avô?
- O senhor Horácio sempre teve suas manias e sua autoridade também.
Mas por que me pergunta isso?
- Eu o observei esses dias e o vi vasculhando procurando, pensando...
Ele se compenetrava tanto no que fazia, e pensando que fosse algo sério perguntei e...
Bem, ele me disse que estava investigando um assassinato.
- Ele disse isso, foi?
- Foi. Ele está bem?
- Não sei, Ian.
Mas, a propósito, você parece que está ficando muito tempo em casa.
Não deveria estar atrás...
- É por pouco tempo, tio - respondeu sorrindo.
- É pena ser por pouco tempo.
Queria alguém para me ajudar a supervisionar essa casa.
Tudo aqui dá trabalho demais.
Agora tenho de pensar até no que vai ser servido. Pode?
- Todos temos o que resolver.
Sabe, fui visitar dona Glória esses dias e creio que não esteja sabendo que ela pediu para o filho sair de casa.
- O Renato?!
- É. Ele mesmo.
Eu estava lá quando dona Glória disse que o filho não precisava mais dela e que deveria procurar outro lugar.
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Dez 22, 2016 11:14 am

Ele, a princípio, ficou bravo, mas se inibiu logo porque eu e a Viviane estávamos lá.
- Mas por que isso?
Ian contou tudo o que sabia.
Quando terminou, Hélder entrou correndo, e Rodolfo abaixou-se perto do menino, o beijou e abraçou com carinho, mas logo, inquieto, ele se livrou do abraço e foi para perto do tio.
- Ei, garotão! Como vai?
- Mais tarde conversamos, Ian.
Estou em cima da hora, e o trânsito deve estar uma loucura.
- Até mais, tio - despediu-se Ian.
No dia anterior, Regina havia realizado uma outra sessão de quimioterapia e não estava se sentindo nada bem.
Ela pediu para que a mãe levasse as crianças para sua casa e a empregada para ficar com eles, pois não queria que os filhos a vissem daquele jeito.
De joelhos no banheiro, Regina praticamente debruçou-se no vaso sanitário enfrentando as náuseas e o terrível mal-estar.
Até o remédio que tomava contra aqueles sintomas não parava em seu estômago.
Viviane, paciente e prestativa, ficava a seu lado, amparando e literalmente sustentando a amiga.
Regina lembrou-se do amigo Ian, que lhe dizia para tratar a doença com amor, doando-lhe o medicamento e pensando que amanhã estaria melhor.
Em voz alta, Regina rogou:
- Deus, dê-me forças.
Já estou ficando melhor.
Viviane não entendeu, mas não disse nada.
Levantando-se com dificuldade e com o apoio da amiga, Regina voltou para a cama.
Após se deitar, sentia-se esvaída de forças físicas, mas olhou para Viviane, que arrumava os lençóis, e falou:
- Acho que fiz tanta força que minha cirurgia está doendo.
- Regina, não force esse braço. Você sabe...
- O Jorge ligou?
- Que eu saiba, não.
- Já estamos ficando sem alguns mantimentos.
A despensa está vazia.
- Não se preocupe com isso, Rê.
Sussurrando, Regina reclamou:
- Como não me preocupar?
O Jorge não aparece.
Será que não se lembra que os filhos precisam de provisões?
Afinal de contas, eles comem, vestem-se...
O que estou recebendo nem dá para os remédios.
- Descanse, Regina.
Você precisa poupar suas energias.
- E o Renato?
Ele não veio mais aqui.
- Ele está trabalhando muito.
Parece que resolveu fazer um curso.
- Se meu irmão ao menos me ajudasse.
- O que o Renato pode fazer?
- Ir atrás do Jorge e resolver para mim essa situação.
- Calma, o Jorge sabe de suas obrigações.
Ele vai aparecer.
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Dez 22, 2016 11:14 am

- O dia do pagamento da Doroteia está chegando.
A campainha soou estridente, e Regina fechou os olhos cansados.
Parecia não querer ver ninguém.
As drogas que lhe eram ministradas na sessão de quimioterapia judiavam de seu corpo, provocando intenso mal-estar e dores.
Viviane, ao ir atender à campainha, preparou-se gentilmente para avisar que Regina não estava passando muito bem.
Ela se preparava mentalmente para que, com delicadeza, pudesse fazer entender que aquele não era um bom dia para a amiga receber visitas.
Parado em frente ao portão, Ian aguardava pacientemente para ser atendido.
Ao reconhecê-lo, Viviane se desarmou e alegrou-se, lembrando que Regina havia ficado bem animada todas às vezes que o vira.
Depois dos cumprimentos, Viviane pediu que ele entrasse e muito educada avisou:
- Hoje a Rê não está muito bem.
Fez uma sessão de quimio ontem.
- Ah, então eu nem deveria entrar.
- Por favor, entre só um pouquinho.
Toda vez que o vê ela se anima.
Sua visita lhe faz bem.
Ao chegarem no quarto, que se encontrava numa leve Penumbra, Viviane avisou:
- É o Ian.
Regina virou-se lentamente e logo sorriu.
Via-se nitidamente que não tinha muito ânimo, e as forças também lhe faltavam.
- Não se force para sentar, Regina - pediu o rapaz curvando-se para cumprimentá-la.
Estendendo-lhe algumas flores e uma caixa embalada com delicado requinte, ele ofertou:
- As flores são para alegrá-la.
Mas creio que os chocolates terá de guardar para outro dia.
- Obrigada, Ian.
Você é muito gentil.
- Não pretendo ficar muito tempo - avisou o moço.
Vejo que você não está bem para receber visitas.
Devo ser educado.
- Não se preocupe.
É bom ter companhia quando se está na cama - avisou a paciente.
Virando-se para Viviane, ele perguntou:
- As crianças e dona Glória estão bem?
- Sim. Estão bem.
Dona Glória os levou para Regina ter um pouco de silêncio.
Eles são terríveis!
Voltando-se para Regina, Ian perguntou:
- Está precisando de alguma coisa?
Ela sorriu e agradeceu:
- Obrigada, Ian.
Tudo está sob controle.
- Óptimo! Fico feliz em saber.
Mas agora preciso ir.
- Não! - reclamou Viviane.
Fique um pouco mais, vou fazer um café.
- De jeito nenhum!
Minha amiga precisa descansar.
Sei que amanhã ou depois ela vai estar bem melhor.
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Dez 23, 2016 1:24 pm

Aí, sim! Voltarei para vê-la e conversaremos um pouco mais.
- E o senhor Rodolfo e todos os outros? - lembrou a enferma.
- Estão bem. Temos boas notícias.
A Kássia aceitou fazer um tratamento e vai se internar numa clínica.
- Fico feliz.
Gosto muito da Kássia - disse Regina.
- Bem, Regina, preciso ir mesmo.
Curvando-se para beijá-la, ele avisou:
- Vou deixar o número do meu celular com a Viviane.
Não fiquem constrangidas em me ligar, por favor.
- Obrigada, Ian.
Após despedir-se, Viviane foi acompanhá-lo até o portão, e o rapaz se desculpou:
- Perdoe-me por não ter telefonado antes de vir.
Visitas de surpresa nem sempre chegam em boa hora.
- Ian, as portas sempre estão abertas para você.
- Por mais que estejam abertas as portas, devemos bater antes de entrar.
E o telefone é um jeito de fazer "toc-toc" de longe - disse ao rir gostosamente.
Ela riu, e logo depois ele perguntou:
- Viviane, percebi algo diferente.
Vocês estão precisando de alguma coisa?
- A Regina precisava mesmo era do irmão para resolver algumas coisas para ela.
- Que coisas?
- O Jorge não apareceu nem ligou e... bem, o que ela recebeu não está sendo suficiente para as despesas.
Você não imagina como estamos gastando com remédios, táxi e ainda é cedo para dispensar Doroteia, pois quando vamos ao médico alguém precisa cuidar das crianças; elas ainda não vão à escola sozinhas, e dona Glória não dá conta de tudo.
- A Regina precisa é de um advogado o mais rápido possível.
Vou falar com meu tio.
Sei que não é a área dele, mas poderá indicar um amigo.
Agora, se me permite, gostaria de ajudar.
Pegando a carteira, Ian tirou algumas notas e foi entregar a Viviane, que reagiu:
- Não! Ainda temos com o que nos virarmos.
- Mas e se o advogado demorar e o Jorge não aparecer?
Por favor, aceite como um empréstimo.
A moça sabia das dificuldades que passavam e decidiu garantir.
- Está bem, como um empréstimo, eu aceito.
Sabe, estamos no limite.
Tenho medo de imprevistos.
Eu não tenho carro, o Renato foi embora, o Jorge não aparece...
Se surgir uma emergência e Regina precisar ir ao médico, nem temos para o táxi.
Ela nem sabe, mas ontem, para trazê-la do hospital, eu e dona Glória tivemos de juntar tudo o que tínhamos.
Está sendo tão difícil, Ian!
Quando chegamos, o motorista teve de pegar Regina no colo; ela quase desmaiou aqui no portão.
O homem teve de levá-la lá dentro.
- Deveriam ter-me chamado.
Quando é a próxima? Semana que vem?
- Daqui vinte e um dias.
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Dez 23, 2016 1:24 pm

- Estarei aqui.
Não marcarei nada para esse dia.
Mas fora isso, por favor, me telefone.
Mesmo assim vou ligar mais vezes para saber se não precisam de mais nada.
- Obrigada! Obrigada mesmo.
Ian se foi, e Viviane sentia-se mais segura e confiante por ele ter aparecido e oferecido ajuda.
O Pai da Vida age por meio de criaturas abençoadas que se propõem a servir ao próximo.
E, quando servimos alguém, as bênçãos de Deus, antes de chegar ao necessitado, passam por nós.
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Dez 23, 2016 1:24 pm

27 - A DOENÇA DA ALMA

O tempo foi passando, e Regina agora parecia bem melhor.
As últimas sessões de quimioterapia, por serem compostas de outras drogas diferentes das primeiras, tiveram efeitos menos agressivos.
As náuseas foram fracas, e só as dores no corpo incomodavam um pouco mais.
Entretanto, em vista do que já experimentara, Regina não reclamou.
Kássia, Rodolfo e Fernando apareceram para uma visita.
A filha de Rodolfo estava diferente; um pouco apática, na verdade.
Ela quase não falava.
Aliás, nada relatou sobre qualquer experiência sofrida desde que saíra da companhia dos antigos amigos.
Não ficava mais sozinha e acompanhava o pai em tudo.
- Ah, senhor Rodolfo, quero agradecer por ter-me enviado o doutor Kleber como advogado.
Nossa, ele é bem rápido.
- Na verdade, quando o casal decide rápido pelo divórcio, não há por que demorar.
Porém, a situação do Jorge é bem complicada.
- É, o doutor Kleber me falou.
Vamos perder mesmo esta casa - comentou Regina, parecendo amargurada nesse instante.
Nada podemos fazer.
Não me conformo. Lutamos tanto!
- Regina, como você foi assinar uma procuração para o seu marido? - perguntou Fernando.
- Vivíamos bem.
O Jorge sempre foi muito bom.
Como eu poderia suspeitar?
Devido a um monte de documentação lá na empresa, ele me disse que seria mais prático se tivesse a procuração para poder resolver tudo.
- O Jorge perdeu a casa e a sociedade na empresa.
Não sei se você sabe, mas os sócios dele estão fechando a companhia e, como era de esperar, não devolverão as cotas dele, alegando questões de imposto, entre outras coisas.
Resumindo, Jorge perdeu tudo - comentou Rodolfo.
- Eu me sinto passada - disse Regina.
Já chorei tanto. Estou até conformada.
Tive de demitir a Doroteia e não tenho como pagá-la.
E a pobre, quando não tem faxina para fazer, ainda vem aqui para fazer alguns serviços.
- Saindo daqui, para onde você vai, Regina? - interessou-se Fernando.
- Na próxima semana estou me mudando com as crianças para a casa de minha mãe.
Um vizinho nosso, que tem um caminhãozinho, vai nos ajudar.
Como é bom termos amigos.
- Recebemos o que merecemos, Regina - afirmou Rodolfo.
- O senhor soube que meu irmão foi embora de casa?
- Sim. Eu soube.
Mas se ele encontrou um lugar, um caminho de equilíbrio, isso é muito bom.
- O Renato não deu mais notícias.
Não sabemos como ele está - disse Regina.
-Se não deu mais notícias, é porque está bem - acreditou Fernando.
Nesse instante, Hélder e Denis entraram correndo na sala, e o pequeno filho de Fernando exibiu:
- Olhe, papai!
Que bonito ficou!
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Dez 23, 2016 1:24 pm

Todos se assustaram, e Denis exibiu-se orgulhoso ao avisar:
- Fui eu que cortei o cabelo dele, tio!
Não ficou legal?
Cortei igual ao cabelo da minha mãe.
- Denis! - gritou Regina, que não sabia o que fazer.
- O que foi, mãe?!
Ele mandou!
Rodolfo e Fernando começaram a rir, enquanto Regina repreendia o filho.
Hélder estava com os cabelos picotados, desalinhados de tal forma que nada poderia ser feito para disfarçar.
Kássia, rindo, pronunciou-se:
- Só vai ter jeito se raspar tudo.
- É mesmo, filho! - reconheceu Fernando.
Vai ficar na moda como os jogadores de futebol.
Regina ficou verdadeiramente constrangida e sem saber o que fazer.
Rodolfo, para amenizar os sentimentos da anfitriã, recordou:
- Todos temos de viver situações interessantes quando pequenos, senão não teremos coisas boas para contar.
Lembro-me de que, quando tinha uns nove anos, fiz isso com o cabelo da minha irmã.
- Nossa! Ficou horrível!
A Rebeca chorou por dias.
Nem ia à escola.
Para se vingar, fez o mesmo comigo enquanto eu dormia.
Minha mãe teve de raspar minha cabeça.
- E o senhor ficou muito bravo? - interessou-se Denis.
- Não. Eu nem liguei.
Mesmo assim continuei a provocá-la, chamando-a de "Joãozinho".
- E sua irmã, senhor Rodolfo, não vem ao Brasil?
- Não. Ela não gosta daqui.
Na verdade, meus irmãos são bem diferentes de mim.
Voltam-se excessivamente a valores materiais, ao luxo e não se prendem à família.
Sem pensar muito, Fernando admitiu:
- Às vezes penso que Lorena deveria ser filha da tia Rebeca.
Elas são tão parecidas.
O Ian é um cara bem diferente.
Ele sim pertence à nossa família.
- São as famílias espirituais - afirmou Rodolfo.
Eles conversaram por mais algum tempo, e Regina não demonstrava, mas, devido aos inúmeros acontecimentos, tinha o coração opresso.
Às vezes, sentia-se mentalmente extenuada por não conseguir ter melhores perspectivas para os filhos.
Não só o tratamento quimioterápico a castigava.
As surpresas desagradáveis e a frieza de Jorge em meio a tanta insegurança com o futuro a faziam sofrer.
Regina passou muitas noites insone; quando não, um sono cheio de sobressaltos não a deixava descansar.
Por estar enferma, recebia uma mísera pensão dos órgãos públicos que mal dava para comprar alguns remédios.
Algumas contas, como água, luz e telefone, bem como as próprias provisões de alimentação, eram feitas com a pequena pensão de dona Glória e de Viviane, que, com o consentimento dos irmãos, trazia os alimentos básicos que estes faziam questão de prover do pequeno armazém que tinham.
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Dez 23, 2016 1:25 pm

Ian, que havia surgido como uma bênção na vida de todos, encarregou-se de levar Regina à clínica todas as vezes em que era preciso.
Pagou tratamentos que o plano de saúde não cobria e parte dos medicamentos de que tinha conhecimento pelo receituário que chegava às suas mãos.
Mas Regina, constrangida, escondia como podia suas outras necessidades.
Agora, por irresponsabilidade de Jorge, estava perdendo sua casa.
Seu irmão, decidido a seguir regras rígidas e inamovíveis por conceitos dos homens, acreditava que ela e a mãe serviam ao oposto de Deus e virou-lhes as costas no momento em que elas mais precisavam de sua presença.
Renato julgava erroneamente e não se voltava ao amor e à fraternidade de apoiar o próximo mais próximo que encontramos dentro do lar.
Regina e dona Glória, mesmo sem ter perspectivas, sustentavam-se na fé e na esperança, sabendo que Deus provê de acordo com nosso empenho, merecimento e bom ânimo no bem.
Enquanto alguns lutam, dedicam-se arduamente em crescer por liames de fé, existem aqueles que não valorizam os presentes, a abundância ao seu redor, desperdiçando tempo e crescimento quando se voltam a futilidades ou a preocupações mesquinhas, inferiores e egoístas.
Criaturas que ocupam a mente com ninharias ligam-se a irmãos desencarnados de pouca evolução e vão, cada vez mais, obtendo pensamentos contrariados que lhes fustigam os nervos, fazendo crescer, em si, o ódio, a inveja e inúmeros sentimentos inferiores.
É nesse momento que a pessoa sem entendimento vê-se como vítima traída por um ou por muitos.
Acreditando-se ser um pobre indefeso ou um coitado infeliz pelo que julga que os outros lhe fizeram, encontram em seus pensamentos devastadores e frenéticos forças para criar motivos de vingança por culpa do próprio fracasso.
São essas pessoas que não acreditam em Deus e não confiam em Sua justiça que atraem para junto de si irmãos desencarnados desequilibrados e vorazes por criaturas iguais a eles, para se realizarem e se comprazerem em maldades.
Lorena é esse grande exemplo.
Pelo seu desinteresse aos motivos da existência, prendia-se em pensamentos vaidosos e mesquinhos que a levaram a envolver-se com companheiros espirituais sinistros.
Não se forçando a pensamentos tolerantes e construtivos, Lorena isolava-se sombriamente com planos maquiavélicos, criando uma aura negativa pelos seus desejos inferiores.
Estava doente não do corpo, mas da alma.
Segurando pelas pontas de uma delicada mantilha, fazia com que o fino tecido flutuasse no ar com seus vagarosos rodopios.
Lorena ria sozinha enquanto dançava com o fino véu e ainda dizia algumas coisas.
Eunice que passava na frente da porta do quarto reaberta, atraiu-se pelo riso e pelas frases soltas que ouviu.
A empregada parou e ficou na espreita enquanto ouvia Lorena dizer ironicamente:
- Venci você, Lídia!
Agora sou dona...
Faço o que quero.
Vem encher a cabeça de seu filho, agora, vem!
A empregada, de olhos arregalados, fez ligeiramente o sinal-da-cruz e saiu a passos rápidos pelo corredor.
Ian, que nesse instante saía de seu quarto, viu Eunice assustada e gesticulando o rito católico.
Ficou curioso para saber o que se passava e foi até a porta do quarto de sua irmã.
Detendo-se à porta, observou Lorena, que parecia bailar, e ainda ouviu:
- ... então, Regina, se não é o câncer que vai destruí-la, serei eu.
Lorena cobriu-se com o tecido, abraçou-se, tombou a cabeça para trás e, ao olhar para o tecto, gargalhou estranhamente.
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Dez 23, 2016 1:25 pm

Não suportando, o irmão interrompeu:
- O que é isso?
- Ai! Que susto!
Você estava aí?
- Você ficou louca?
- Por quê? - perguntou a irmã cinicamente, como se nada tivesse acontecido.
- O que você estava falando da Regina?
Mais séria, Lorena argumentou:
- Você sabe que a Regina é amante do meu marido.
- Lorena, você não sabe o que está dizendo.
- Você é que não tem ideia do que aconteceu nessa casa.
Se eu não fosse uma mulher firme, consciente, já teria feito uma besteira.
Depois de breve pausa, explicou:
- Minha sogra, que Deus a tenha, confabulava contra mim com meu marido e promovia encontros entre essa Regina e ele.
- Isso não é verdade, Lorena.
- Lídia era boazinha só por fora.
Ela sempre se apresentava com aquele verniz elegante e educada só para os outros verem.
Convivendo com ela, conhecíamos outra pessoa.
- O que você dizia agora mesmo dançando com esse lenço?
- Eu?! Ora, Ian, nunca brincou ou gargalhou sozinho?
Estou alegre. Não posso?
- Claro, mas você disse que...
Hélder os interrompeu nesse instante ao entrar correndo à procura da mãe.
Lorena assustou-se ao vê-lo e exigiu num grito:
- O que é isso, menino?!
Ian começou a rir ao ver o sobrinho com os cabelos picotados e disse:
- Toda criança faz suas artes.
Fernando, que entrava no quarto, respondeu:
- É essa eu quero registar.
Eu ia levá-lo para acabar de raspar tudo, mas meu pai lembrou de tirarmos algumas fotos antes.
Será bem engraçado mostrarmos a ele quando crescer.
- Que horror!
Meu filho, por que fez isso?! - perguntou Lorena.
- Foi o Denis, mamãe.
Confirmando, Fernando explicou:
- Foi o Denis, mas você pediu.
Quando vi, o estrago já estava feito.
- Desgraçado!!! - gritou Lorena com toda força de seus pulmões.
Infeliz! Eu mato esse moleque nojento!
- Calma, Lorena.
O que é isso? - reclamou Ian.
Cabelo cresce!
Admira-me você ser tão ignorante assim.
Isso é coisa de criança.
Por um instante Ian percebeu um brilho colérico no olhar de aço que a irmã revelara.
Achou estranho, mas Fernando tirou-lhe a atenção.
- É mesmo, Lorena.
Não precisa ficar assim.
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Dez 23, 2016 1:25 pm

Abrindo a porta dos armários, perguntou:
- Onde está a máquina fotográfica?
Lorena não fez mais nenhum comentário, mas as expressões furiosas reinaram em sua face pálida e nervosa por algum tempo.
Passando a mão pelos cabelos finos, procurando entonação mais branda na voz, falou:
- Venha, meu filho.
Vamos achar sua babá que só sabe bater papo com os outros criados.
Ian e Fernando ficaram no quarto procurando a máquina fotográfica, enquanto Hélder saía de mãos dadas com a mãe apesar da aparente tranquilidade, Lorena estava intimamente furiosa.
Ao encontrar Lorena no patamar da escada, senhor Horácio falou quase intimando:
- Preciso falar com você.
Vamos até o escritório - disse virando-se novamente para descer.
- O que o senhor quer comigo? - perguntou ela, detendo-o.
O senhor virou-se e disse:
- Isso!
Abrindo a mão, em sua palma Lorena pôde ver cápsulas vazias de gelatina.
- Encontrei também certa substância que pode incriminá-la, menina.
Lorena ficou nitidamente transtornada.
Largou a mão do filho, esfregou o rosto e argumentou:
- Não faço a mínima ideia do que o senhor esteja falando.
- Encontrei em seu quarto uma substância que pode ser uma toxina ou algo assim.
Estava dentro da sua mala de viagem e bem escondida.
Você sabe que existe uma série de protozoários ou mesmo de fungos que podem levar alguém à morte e a autópsia comum não a detecta, pois é necessário um exame no tecido intestinal, algo muito difícil, para cultura do antígeno.
Existem também toxinas letais que provocam vómitos, mal-estar, diarreia e todos os sintomas de uma intoxicação alimentar, mas se não houver um exame... nenhum médico é capaz de adivinhar que houve um assassinato.
Se eu conseguir provar isso, você vai para a cadeia por ter enchido essas cápsulas e misturado aos remédios que minha nora tomava.
Nesse instante, Lorena, num impulso assustador, empurrou o senhor Horácio com ambas as mãos.
Sem esperar, não houve como se defender.
O senhor rolou pelas escadas até cair inerte na sala.
Lorena gritou, e todos correram.
- Meu Deus! Tio! - chamava de modo a impressionar qualquer um pela frieza, pela mentira.
Ian e Fernando correram para ver o que havia acontecido; logo, Rodolfo também chegou:
Examinando o avô, Fernando disse:
- Pai, eu acho que...
- Não somos médicos! - quase gritou Rodolfo.
Chame o socorro.
Lorena exibia-se nervosa e agitada como quem realmente estivesse apreensiva e comovida com o que acontecera.
Entretanto, sua real preocupação era encontrar as cápsulas que o homem lhe exibira.
A babá havia levado Hélder para a copa, pois era desnecessário que o menino acompanhasse tudo.
Logo a ambulância chegou, e foi confirmado que o senhor Horácio quebrara o pescoço e havia falecido.
A noite foi longa.
A polícia técnica teve de ser aguardada, e Lorena, chorando muito, contou várias vezes a mesma história:
- Ele me cumprimentou.
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Dez 23, 2016 1:25 pm

Falamos sobre o cabelo do Hélder...
Ele ia se virando para descer e acho que tropeçou.
Tudo foi tão rápido.
Não havia motivos para suspeitar de Lorena.
Todos estavam chocados demais com o ocorrido, com a movimentação repentina na casa, e somente Ian percebeu a ausência de Kássia.
Procurando pela prima, ele a encontrou no quarto, encolhida sobre a cama, envolta nas cobertas.
- Kássia, o que foi?
Sentando-se, a moça estendeu-lhe os braços como se implorasse para ser envolvida.
Acomodando-se ao lado dela, Ian a abraçou com carinho, afagando-lhe o rosto e os cabelos curtos.
- Kássia, você sabe o que aconteceu??
- Meu avô... Quando cheguei lá na sala eu o vi no chão.
- Calma. Não fique assim.
- Estou com medo - afirmou a jovem enquanto chora
- Kássia, você tem de reagir contra esse medo.
- Não posso.
- Não existe nada que você não consiga fazer.
- Como posso tirá-los de mim?
- Vença um medo de cada vez.
- Não estou falando dos medos, Ian.
- Perdoe-me, não entendi.
Do que você está falando.
- Eu os vejo.
- Vê quem?
- É uma longa história.
- Tenho a noite inteira e acho que não vou dormir hoje.
Os olhos de Kássia denunciavam profunda dor.
Uma triste amargura calava-lhe nas entranhas da alma.
Via-se que a moça procurava manter o controle não comentando sobre seus fantasmas, mas vivia com eles.
Desde quando voltou para casa, humildemente aceitou todas as propostas.
Colocou-se em tratamento, acompanhava o pai em todos os lugares, mas em nenhum momento contava a alguém o que realmente havia acontecido para que ficasse daquele jeito.
Ajeitando-se e encarando o primo, ela relatou:
- Eu vivia de um jeito tranquilo e monótono.
Não havia graça ou emoção.
De repente, não sei como aconteceu, mas comecei a ter contacto com uma turma meio diferente.
Não sei dizer o motivo, mas não foi difícil para eu deixar aquela "vida de dondoca" e me enturmar com eles.
Ian sentiu vontade de interrompê-la para explicar, mas decidiu deixar para depois, e Kássia continuou:
- Deixei os estudos, abandonei minha família e, por mais que meus pais falassem ou explicassem, eu não queria saber.
Curtíamos a vida de um jeito provocante, exagerado.
Realmente era um prazer provocar os outros só com a nossa imagem, com a nossa presença.
Eu gostava de um dos caras dessa turma e sempre ficava com ele.
Às vezes, quando a saudade batia forte, eu voltava para casa, mas cada vez que ia embora passava mais tempo distante.
Porém, Ian, de certa forma, sempre tive uma raiz fincada.
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Dez 23, 2016 1:25 pm

Eu nunca me desliguei totalmente do meu pessoal.
Antes de a minha mãe ficar doente, comecei a sentir uma coisa estranha quando estava com essa minha turma.
Kássia riu e completou:
- Acho que eram as preces da minha mãe fazendo efeito.
Sabe, nós, não por crença, mas por uma espécie de desafio, tínhamos alguns ritos incomuns.
Tínhamos um lugar.
- Que lugar? - interessou-se o primo.
- Era fora do Rio - explicou Kássia, referindo-se ao município do Rio de Janeiro.
A mãe de um dos caras do grupo é uma mulher viúva e alcoólatra.
Ela mora numa chácara que está caindo aos pedaços.
Lá, usávamos um galpão e nos reuníamos... sabe como é...
Bem, nós nos curvávamos a alguns ossos de esqueleto humano que alguém encontrou e acendíamos velas para um crânio que adorávamos como entidade, coisas desse tipo.
Ian, apesar de muito surpreso, não a interrompia nem exibia no semblante qualquer feição que pudesse recriminá-la.
Kássia, cabisbaixa, prosseguiu:
- No início tudo era brincadeira, mas depois começou a ficar sério.
O pessoal passou a dar importância mesmo.
Então começamos a nos tatuar, a nos tingir, a cortar os cabelos de modo bem diferente; tinha de ser algo tribal, algo que marcasse o nosso grupo, a nossa tribo.
A princípio eu não via problemas; gostava de ser diferente, mas depois...
Passei a sentir que agredia meus Pais sem razão.
Depois quando percebi que eles me amavam do que eu era, sentia uma coisa, um arrependimento...
Foi aí que comecei a não gostar mais daquela vida.
Principalmente quando o cara que eu gostava começou a me trocar por outra “mina"; quando não, queria ficar com as duas.
Voltei para casa e minha mãe morreu.
Nesse instante Kássia parou e secou algumas lágrimas e Ian, paciente, aguardou que terminasse.
- Sabe, comecei a achar que minha mãe ficou doente por minha causa e que sua doença se agravou por todo nervoso que continuava a passar comigo.
Fiquei atordoada e fui procurar meus amigos.
Quando contei que minha mãe havia morrido, eles começaram a rir e a fazer brincadeiras como se quisessem invocá-la.
Quando fiquei triste, pararam.
Mas começaram a implicar porque eu estava estranha.
Na verdade, quando eu conseguia dormir, tinha sonhos horríveis.
Via nos sonhos criaturas humanas deformadas, monstruosas.
Eu caminhava por lugares nojentos, repugnantes e via criaturas espalhadas pelo chão com pedaços do corpo dependurados ou caídos; sei lá, nem dá para descrever.
- Não precisa descrever.
Eu entendo - explicou Ian.
Kássia continuou:
- Nesses sonhos, sempre ia alguém ao meu lado, mas eu nunca via quem era.
Aquelas criaturas tortas e rasgadas sofriam, gemiam, gritavam e urravam.
Bem revoltadas, xingavam muito.
Mas, na minha mente, alguém dizia que elas já haviam vivido como eu e que eu se não mudasse viveria como elas.
Sabe, eu acordava ofegante e às vezes aos gritos.
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Dez 23, 2016 1:26 pm

- Seus amigos sabiam de seus pesadelos?
- Sim. Dormíamos todos juntos no chão desse galpão.
Alguns riam, outros me xingavam.
Para ver se eu conseguia dormir melhor, me droguei algumas vezes, mas sempre passava mal, muito mal.
Meu organismo parecia rejeitar as drogas.
Numa noite, eles praticavam um jogo.
Era um jogo satânico, com espíritos participando como se fossem peças.
A um dos espíritos ou peças eles deram o nome da minha mãe.
Foi aí que eu não gostei, falei muito, e a menina que ficava com o cara que eu gostava foi contra a minha opinião.
Brigamos feio. Feio mesmo.
- Ninguém separou a briga? - perguntou o primo.
- Claro que não.
Fizeram apostas para ver quem vencia.
Depois que eu estava bem machucada, nós nos separamos, e fiquei num canto.
Nessa noite chovia e trovejava muito.
Eles ficaram jogando, eu às vezes, olhava de longe.
Eu estava com muita raiva, queria matar aquela "mina".
Foi aí que comecei a ver coisas estranhas.
Eu via, como se estivessem transparentes, criaturas feias, diabólicas, que ficavam incentivando aquele pessoal.
- Você havia-se drogado? - interessou-se Ian.
- Eu fumei alguma coisa e havia bebido também.
Mas não tanto para delirar.
Essas criaturas eram agitadas, briguentas e satânicas.
Fiquei com medo, com muito medo, e aqueles que não jogavam riam de mim, mas os que estavam no jogo ficavam tão fanáticos que pareciam possuídos.
Então eles começaram a seguir as regras à risca e...
- E...?
- Quem estava perdendo tinha de sofrer algum castigo.
Eram três pessoas de cada lado.
A equipe que perdeu passou a ser torturada pelos outros, que riam e ficavam felizes com o que faziam.
- E os outros?
- Os outros só assistiam e gargalhavam.
Estavam insanos.
Aquelas criaturas pareciam que não me viam...
Meus amigos não me viam...
Fiquei apavorada.
Eles cortaram e queimaram um rapaz, furaram os olhos de uma garota... foi horrível.
Kássia caiu num choro compulsivo e abraçou-se a Ian.
Abafando a fala no ombro do primo, ela contou:
- Eles disseram que iam matá-los e sumir com os corpos.
Eu não fiquei para ver o resto. Saí correndo.
Na estrada, peguei carona com um caminhoneiro que me trouxe para o Rio.
Desde então eu não paro de ouvir gritos.
São como gemidos que ecoam na minha cabeça.
- Você falou isso com o psicólogo?
- Não. Não tive coragem.
Eu também vejo vultos criaturas feias.
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Dez 23, 2016 1:26 pm

Sem perceber, num impulso, Ian perguntou:
- Você vê vultos retorcidos como as suas tatuagens?
- Vejo! Vejo isso mesmo!
Com modos desesperados pediu:
- Quero me livrar disso! Quero ajuda!
- Calma, Kássia.
Você pode se livrar disso, sim.
- Por que tudo isso aconteceu?
- Porque somos criaturas milenares.
Não temos só essa existência terrena.
Certamente isso tudo aconteceu para que você criasse resistência a estilos tribais e inferiores de vida.
Veja, não foram seus amigos quem a levaram para aquele mundo; se você não quisesse, não teria ido.
A culpa também não é dos seus pais; eles sempre a orientaram, deram-lhe de tudo, mas você sempre foi arredia, sempre procurou uma maneira de hostilizá-los.
- O que me atraiu então?
- Acho que você se viu atraída por algo que já experimentou e gostou.
Tanto gostou que até viveu bem com eles por algum tempo.
Só que, por ter pais que a aconselhassem para uma existência melhor, orientando-a para a evolução moral, para um estilo de vida mais saudável, você parou para reflectir e acabou vendo que aquele modo de viver era infeliz, deplorável, desumano.
Os sonhos que você teve foram experiências em lugares, na espiritualidade, onde criaturas como aqueles seus amigos ficam aguardando nova oportunidade de vida.
Acho que amigos espirituais a levaram para ver o seu futuro caso continuasse daquele jeito.
- A Regina me disse um dia que eu estava indo contra o que Deus me deu quando tatuei o meu corpo.
Pois esse corpo me foi emprestado para essa existência.
- Veja bem, tudo o que existe foi criado por Deus.
Não existe absolutamente nada, material ou espiritual, criado pelo homem.
O ser humano só transforma e combina matérias e elementos e "monta" algo diferente.
Assim sendo, esse corpo que usamos hoje é uma morada para o espírito pois é de uma matéria criada por Deus.
É por essa razão que não devemos agredi-lo.
Por exemplo, empresto um carro novo e deixo que você faca uso contínuo dele sem me importar.
Se você, depois de muitos anos, me trouxer esse carro velho, mas conservado, bem cuidado, velho, mas sem estar em pedaços, eu não vou achar ruim.
Afinal, o tempo tudo faz mudar.
Entretanto, se você me trouxer esse carro quando ainda estiver novo, porém mal cuidado, batido, todo amassado, enferrujado e com defeitos nas peças, talvez eu não fique feliz.
Primeiro, porque você me trouxe o carro antes da hora, estragou-o antes do tempo.
Segundo, porque estragou algo que não era seu.
Lembre-se de que eu lhe emprestei o carro.
Sabendo disso, da próxima vez eu lhe darei um carro com defeito, com curta durabilidade nas peças para você usar.
Afinal, você não preservou o carro anterior.
Assim somos nós e o nosso corpo.
Se você tem um corpo perfeito e o maltrata com tatuagens, ou fumando e bebendo, deixa-se ficar nervosa, stressada, fadigada, certamente da próxima vez não terá um corpo tão bom quanto esse.
Cuidar da saúde é importante.
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Dez 23, 2016 1:26 pm

Higiene é importante, mas tatuar a pele de modo permanente não o é.
E como se você achasse que Deus não foi tão perfeito assim porque lhe faltou aquela florzinha, aquele risquinho, aquele tigre ou sei lá mais o quê.
Veja, Kássia, existem pessoas que nascem com manchas escuras ou claras, grandes ou pequenas, escondidas ou bem à mostra, como no rosto, por exemplo, para todo mundo ver.
Já parou para pensar se por acaso essa pigmentação anormal na pele e não provém da cobrança da consciência daquela mesma Pessoa, quando ela, em outra vida, tingiu a pele ou a tatuou?
É lógico que há outras inúmeras explicações para isso, creio que a tatuagem seja uma das mais cabíveis causas essas anormalidades.
Lembremos que ela é milenar.
- E o que eu faço agora?
- Não é fácil, mas há como remover isso.
Existem hoje cirurgias plásticas ou remoção de tatuagens com laser.
Sua sorte é que seu pai pode pagar.
Infeliz daqueles que não têm como adquirir dinheiro para isso, porque o custo é alto.
- Será que me livro desses pensamentos e desses vultos?
- Você tem de se harmonizar para se ver livre disso.
Não será a remoção das tatuagens que vai lhe trazer paz.
Há muitas pessoas tatuadas que não vêem nada.
Pelo menos enquanto estão encarnadas.
- O que tenho de fazer?
- Você já está no caminho certo.
Todavia, tem de começar a reverter sua posição, pois suas atitudes tiveram consequências.
Comece cuidando de você.
Procure um psicólogo, de preferência espírita, pois geralmente esse profissional é mais aberto e capacitado para entender esses casos.
Depois, comece a fazer-se de exemplo.
Vai aparecer oportunidade para ensinar a outros adolescentes e pré-adolescentes o que é certo e o que é errado por meio de sua triste experiência.
Calar-se, depois de aprender sob duras penas, é vaidade e orgulho.
- Mas e se me criticarem?
- Se você errou, também acertou quando decidiu fazer o que era certo.
Lembre-se de que aqueles que criticam o que fazemos são incapazes de fazer melhor.
Todo aquele que trabalha correctamente para o bem não tece críticas, pois sempre está ocupado criando para o bem.
Kássia riu, mas logo seu sorriso se fechou, e ela admitiu:
- Ainda estou com medo.
- Isso é normal.
Mas esse medo não reinará por muito tempo, porque você decidiu mudar.
Eles ainda conversaram por muito tempo.
Aquela fora uma noite longa na casa de Rodolfo.
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Dez 23, 2016 1:26 pm

28 - DIAS CONTURBADOS

Regina, após as últimas sessões de quimioterapia, recuperou-se bem.
Sua aparência melhorava a cada dia.
Ela, apesar de triste, decidiu se mudar o quanto antes para a casa de sua mãe, pois Jorge havia perdido o imóvel conquistado com tanta dificuldade.
Regina acreditou que, se não se stressasse tanto com aquele problema, estaria poupando sua saúde.
E isso era verdade.
Agora, conforme lhe recomendara o médico, ela procurava, mais do que nunca, experimentar uma vida mais saudável.
Viviane, enquanto lhe aplicava babosa nos cabelos, observava:
- Nossa, Rê, seus cabelos estão crescendo bem rápido.
- Eu também acho.
- E agora estão fortes, veja só!
- Ainda bem.
Já pensou eu ficar careca para sempre?
Ambas riram, e a amiga perguntou:
- Rê, você não vai mesmo fazer a reconstituição da mama?
Alegre, porém firme e positiva, Regina afirmou:
- De jeito nenhum!
- E vai ficar assim?
- Vou. Decididamente, só permito que cortem o meu corpo com cirurgias necessárias, jamais por estética, beleza.
Sabe, Vivi, quem passou pelo terremoto que eu vivi não quer mais saber de luxo, muito menos de vaidade, e sim quer viver uma vida tranquila.
Não estou julgando as companheiras que opinam pela reconstituição da mama.
Se acham necessário devem fazê-la, sim.
Mas com as minhas experiências... cheguei a um ponto que, para mim, é fácil encontrar a beleza nas pequenas coisas da vida.
Sinto-me feliz como estou, aprendi a me amar.
Sou resignada, graças a Deus, e não quero ter de levar pontos novamente, alongar o expansor com soro fisiológico para esticar a pele, ir lá para fazer a reconstituição, tomar remédios, alguns cuidados com isso e com aquilo.
Não! Chega!
Vou optar pelo uso de sutiãs pós-mastec e está muito bom.
Quem quiser reparar, que repare.
Regina falava de um jeito quase debochado, quando sacudiu os ombros ao terminar, e Viviane riu.
- Só você mesmo para pensar assim.
- Sabe o que é?
Sem esperar que a amiga respondesse, Regina explicou com ar de riso:
- Na outra encarnação devo ter sido uma daquelas mulheres bem fogosas e que vivia com o colo à mostra.
Viviane gargalhou, e Regina continuou:
- É sim! Devo ter usado minha beleza, exibido meus seios, porque era só isso o que as mulheres podiam exibir naquela época.
Daí, devo ter roubado o marido de alguém.
Rindo de um jeito gostoso, completou:
- Por isso eu não tenho seio e ainda perdi o marido.
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Dez 23, 2016 1:27 pm

Rindo, Viviane perguntou:
- E eu, o que fui?
- Para tomar conta de mim hoje...
- Ah! - riu a amiga.
- Você era a dona da casa onde eu trabalhava e ainda deveria me exibir como uma das suas melhores meninas.
Ambas riram da brincadeira, e Viviane falou:
- É! Devo ter desfeito muitos casais.
É por isso que estou sozinha.
Mais séria, Regina perguntou:
- Eu ficaria tão feliz se você e Renato estivessem juntos.
- Sabe Rê, há tempos terminamos e...
Acho que não daria certo mesmo.
- Por causa da bebida, não é?
- É sim. É verdade.
Se ele não bebesse, seria diferente; poderíamos ter tentado, porque o Renato é muito legal.
Creio que não adianta nos unirmos a alguém achando que, depois que estiver com a gente, essa pessoa vai mudar, deixar de beber, deixar de fumar, de usar drogas ou de ser violento.
- Vai deixar o futebol...! - tornou Regina.
- É verdade!
Vejo que a maioria das moças se casam ou se unem a alguém esperando que o cara se transforme no príncipe encantado depois do casamento.
O Jorge foi um bom homem antes e um bom tempo após o casamento, depois mudou completamente.
- Seu caso é outro.
Antes de se casar, de certa forma, você escolheu e não foi se casando com qualquer um só para ter o nome de casada.
Se um homem é grosseiro, é distante antes do casamento, depois, com mais liberdade, vai ser pior!
Se ele é agressivo, a tendência é não perder a agressividade; se bebe, vai beber mais ainda quando o casal e os filhos tiverem dificuldades.
É nisso que as mulheres deveriam pensar.
- E você pensa em viver sozinha?
Isso não a assusta?
- Não vou dizer que quero sempre viver só.
Mas não vou ficar me queixando e caçando um homem só para ter companhia.
Existem mulheres que aceitam tudo só para não ficarem solteiras.
Não podemos julgar ninguém, mas se pensassem um pouquinho mais... é preferível ficar só do que ter todas as noites uma companhia inadequada à paz.
Após Pequena pausa, perguntou:
- E se o Jorge quiser voltar para você, Regina, o que vai fazer?
- Não! De jeito algum.
Não me sinto preparada para tê-lo.
Você sabe muito bem o que passei.
Estava disposta a uma reconciliação, a perdoá-lo no dia em que foi embora de casa.
Foi ele quem me abandonou.
- Eu a admiro muito.
Você enfrentando a separação câncer... Que resignação!
Regina sorriu e lembrou:
- Acho que o excesso de queixas traz mais dor.
Tive e ainda tenho momentos péssimos.
Às vezes, meus pensamentos me torturam com ideias tenebrosas de ter de enfrentar essa doença novamente.
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Dez 23, 2016 1:27 pm

São nesses momentos que, apesar do medo, faço preces.
Mas não creio que os outros sejam obrigados a ouvir minhas lamentações ou me aturar choramingando.
Coloquei em minha cabeça o seguinte:
Fora vaidade! Fora depressão!
Isso não vai me ajudar a ser feliz ou crescer.
Para evoluir tenho de elevar meus pensamentos.
Ajudando os outros, ajudo a mim mesma.
Então pensei: O que posso fazer dentro desse meu quadro para ajudar os outros e a mim mesma?
- Foi por isso que resolveu participar mais activamente do grupo de apoio a mulheres com câncer?
- Exactamente! - afirmou Regina.
Através da lamentação recusamos a vida.
Se eu sentar e chorar, só vou atrair para mim energias negativas e criar dor em meus sentimentos.
O melhor a fazer é ocupar-me em algo útil.
Por isso também peguei essas bijuterias para fazer em casa.
Além de criar coisas bonitas, sinto-me útil e ainda ganho algum.
- Regina, e se o Fernando procurá-la?
- O Fernando sempre será um amigo.
Ele é um homem casado e vejo que está se esforçando para salvar seu casamento.
Não creio que ele iria me procurar, e, se o fizesse, eu não aceitaria.
Tenho por ele um respeito e um carinho muito grande e lhe desejo muita felicidade mesmo.
- Ah! O Ian ligou e disse que virá aqui hoje.
- Que bom! Tomara que a Kássia venha com ele.
- Acho que sim.
Ele está procurando reabilitar a prima e me contou que ela vai trabalhar com ele.
- O Ian está fazendo tanto mistério nesse negócio, você não acha, Vivi?
- Ah! Esqueci de contar!
O Fernando me disse que o Ian comprou uma estância; tem cachoeira, piscina, tudo!
Ele está montando todo o lugar para fazer uma espécie de SPA, um lugar para as pessoas descansarem.
- Um hotel-fazenda! - sugeriu Regina.
- Parece que vai além disso.
Terá massagem, nutricionista, banhos terapêuticos, ginásticas...
- Que maravilha! Vai ser óptimo.
- Oh, Viviane, onde está o Denis, hein?
- Está andando de bicicleta.
- Eu não gosto quando ele some!
Dá uma olhada nele para mim?
Nesse instante, Ian chegou e foi recebido com alegria.
Enquanto cumprimentava Regina, Viviane foi ver o garoto.
Após alguns minutos Viviane voltou.
Seus olhos estavam arregalados quando informou:
- Regina, o Denis não está no quintal nem na rua.
- Como não?!
- A bicicleta está encostada lá no portãozinho.
- Eu não o vi quando cheguei - avisou Ian.
- Meu Deus! Onde está esse menino? - preocupou-se a mãe.
Será que foi na casa de algum coleguinha?
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