O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Dez 10, 2016 1:07 pm

Com meiguice na voz e jeito mimoso, Regina falou com delicadeza para convencer sua mãe:
- Ah, mãe, sabe, ela é tão bonitinha.
- Quem é bonitinha, Regina? - tornou a mãe.
- É a cachorrinha que chamou ajuda para o Fernando, mãe.
- Mas, filha, por acaso ela vai ficar aqui?
- Eu disse para a Regina que a levaria para minha casa, mas...
- Sabe, mãe, podemos ficar só com ela.
Para os dois filhotinhos eu já encontrei donos.
Liguei para a Beta, e ela e a prima querem os cachorrinhos, assim que desmamarem, claro.
- Mas...
- Aaah, mãe! Vem ver que coisinha linda!
Sei que a senhora vai se apaixonar por ela assim como eu.
Vem ver, vem!
Enquanto ia saindo para o outro cómodo, Regina falava para a mãe, que a seguia:
- Eu a chamei de Bolinha porque ela é toda redondinha.
Coitadinha, estava lá no canto da rua, encostadinha no muro, com os dois filhotinhos...
Dona Glória sabia que não poderia oferecer resistência.
Regina amava animais.
Fernando, por sua vez, sentia seu coração melhor, mais leve, depois da longa conversa com a generosa senhora.
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Dez 10, 2016 1:07 pm

5 - ONDE ESTÁ MEU FILHO?

O caminho de volta para casa foi feito em silêncio.
Fernando reflectia sobre as explicações de dona Glória.
Suas palavras foram capazes de agasalhar seu coração antes oprimido.
Agora ele conseguia ver explicações lógicas para tantas desigualdades sociais.
Ao chegar em casa, o rapaz foi logo procurar pela mãe.
Lídia estava em seu quarto, largada sobre a cama e chorando muito.
Fernando aproximou-se e, após beijá-la, sentou-se e disse:
- Não fique assim, mãe.
A senhora precisa acreditar que o Cristiano está bem, que ele...
- Como posso acreditar se não sei onde ele está?
Não sei se sofre, se sofreu...
Em um grito lamurioso, perguntou:
- Deus! onde está o meu filho?
"Ouvi dona Glória, que me fez entender muitas coisas, mas o que responder para minha mãe?", questionou Fernando em pensamento.
O estado emocional de Lídia era deplorável.
Pensamentos causticantes na dor pela perda do filho não a deixavam reflectir de maneira ponderada.
- Eu quero o meu filho!
Quero o Cris aqui! - gritava desesperada.
- Mãe, não fique assim - pedia Fernando.
A porta do quarto abriu-se, e imediatamente entrou Rodolfo, acompanhado pelo médico.
O doutor começou a examiná-la, medindo-lhe a pressão arterial e os batimentos cardíacos.
Rodolfo, parecendo nervoso, virou-se para o filho e endereçou-lhe um olhar, chamando-o para o canto do quarto com um gesto de cabeça.
- Como você demorou!
Quando preciso de você ou da sua irmã nunca os encontro.
A Kássia saiu e nem disse aonde ia.
- Fui levar a Regina, lembra-se? - explicou em baixo tom de voz.
- E precisava demorar tanto? - reclamou o pai.
Sem palavras, magoado, Fernando o olhou firme e deu-lhe as costas, sentando-se novamente junto à mãe, que gemia e lamentava.
Após alguns minutos o médico avisou:
- Dei-lhe um calmante e provavelmente acordará só amanhã.
Rodolfo sentia-se desgastado, não tinha nem o que falar.
O estado depressivo e desesperador da esposa o deixava desanimado, infeliz.
Sem ter o que comentar, agradeceu:
- Obrigado, doutor.
- Bem, tudo está sob controlo.
Já vou, mas qualquer coisa...
Quando o médico fez menção de sair do quarto, Rodolfo avisou:
- Vou acompanhá-lo.
Na sala, após fechar a porta para o médico, Rodolfo se surpreendeu com o filho atrás dele.
- Deixou sua mãe sozinha?
- Ela já dormiu.
Quando o pai ia subir as escadas, Fernando falou:
- Pai, sei que tudo é muito recente, que está magoado, triste pelo estado da mãe...
Creio que seja difícil aceitar a ideia de não ver mais o Cris e...
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Dez 10, 2016 1:07 pm

- Seja directo, filho.
- Por que você não se senta com a mãe e conversam?
Seria bom para os dois.
O homem desceu os poucos degraus que subira e explicou:
- Fernando, podemos não gostar de religião.
Podemos ignorar Deus; porém, quando perdemos alguém muito querido, queremos que Deus o envolva, que o recolha, que o proteja.
Mas como podemos exigir isso se nunca nos voltamos para Ele?
Como queremos ter algum direito, pedindo por nós ou por aqueles que amamos, se não nos dedicamos, se não demos importância à religiosidade.
Se eu for conversar com sua mãe, agora, ela vai me cobrar, vai exigir de mim o que neguei e o que não posso dar.
Prefiro que ela se acalme primeiro; depois, talvez, conversaremos.
Rodolfo mantinha uma calma aparente, forçando-se a falar manso, mas o filho insistiu, quase exigindo:
- Mas, pai, ela está passando por uma dor muito grande.
Vocês devem conversar agora, não deixar para depois.
Com a voz grave, num desabafo quase febril, o homem declarou:
- E eu não estou?!
Você acha que eu não sofri?
Que não estou sofrendo?
Agora, respirando e tentando acalmar a voz enquanto andava vagarosamente, prosseguiu:
- Estou confuso. Nunca me senti assim.
Com a voz embargada e lágrimas prontas para cair, admitiu:
- Eu amo vocês. Sempre lutei para o melhor pensando em todos.
Agora, como posso dar o melhor para o Cris?
As coisas me fugiram ao controle.
Nenhum dinheiro, nenhuma fortuna pode trazer meu filho de volta.
O homem colocou as mãos no rosto, pois o choro amargo não pôde ficar represado.
Aproximando-se, Fernando pediu ao abraçá-lo:
- Pai, não fique assim.
- Como não ficar assim?
Tenho dúvidas. Será que agi certo?
Sou humano também.
E ainda tenho de me manter firme; já pensou se todos fizermos como sua mãe?
Eu penso que errei, mas o que fazer agora?
- Não, pai, não pense assim.
O silêncio se fez, e Rodolfo afastou-se do filho.
Fugindo-lhe o olhar, pediu:
- Por favor, não quero falar sobre isso agora.
Vou conversar com você e com sua irmã, mas em outro momento.
Agora preciso subir e ficar com sua mãe.
Penalizado com seu pai, Fernando se calou.
Não havia o que fazer.
Os dias foram passando, e a rotina começou a voltar ao normal.
Somente Lídia não se conformava.
Chorando e sem sair de seu quarto, ela se recusava a falar com as amigas e com a maioria dos parentes nem mesmo se deixava visitar.
Somente sua irmã Janete a via com certa frequência.
- Você tem de sair desse quarto, Lídia - aconselhava a irmã.
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Dez 10, 2016 1:07 pm

- Eu quero meu filho de volta.
- Pense em seus outros filhos.
- Meus outros filhos estão bem, eu quero o Cris.
- Vamos falar com o pastor da minha igreja.
Talvez ele possa lhe dar uma palavra de consolo, algo que a faça melhorar.
- Não... eu não quero.
Depois de insistir muito, Janete conseguiu que a irmã fosse conversar com seu amigo.
Perante ele, Lídia contou tudo sobre sua vida, encerrando:
- Como o senhor vê, meu marido nunca nos deixou ter religião, por isso eu não podia falar de Deus para os meus filhos.
O Cristiano tinha dezassete anos e acho que nem sabia rezar.
Já que não pode voltar, quero que Deus cuide dele para mim.
Olhando bem para a mulher, o homem argumentou:
- O apego aos bens materiais deixou todos vocês longe do Senhor.
Acredito que o Senhor tenha decidido tirar seu filho para que vocês dessem atenção a Ele.
- Isso é crueldade! - reclamou Lídia, indignada.
- Não, não é não.
O Senhor sacrifica um para salvar quatro:
a senhora, seu marido e os seus outros dois filhos, fazendo com que vocês se arrependam e voltem para Ele.
- Mas e o Cristiano?
Como está? Onde está?
- Dona Lídia, cuide de seus outros dois filhos e de seu marido.
Faça com que se convertam e se entreguem a Jesus.
Libertem-se das amarras dos bens terrenos.
Vocês estão amarrados; isso é obra do maligno.
O demónio é ardiloso.
Ele cegou a todos vocês com o luxo e a riqueza.
Jesus tem uma obra a realizar em suas vidas.
Atenda a esse chamado.
- Onde está meu filho? - indagou a mãe em desespero.
- Se ele não foi baptizado na água que representa a pureza para a renovação, se ele não entregou seu coração ao Senhor - dizia o homem com ênfase -, salve os outros que a senhora ainda tem consigo.
Esqueça desse.
Peça perdão por ter-se esquecido do Senhor e salve-se.
Lídia sentiu-se aterrorizada e, após raciocinar, gritou:
- Como é que uma mãe pode ter a consciência em paz e viver no paraíso se souber que seu filho está no inferno?!
Que Deus é esse, cheio de crueldade, que condena alguém que não teve oportunidade de aprender?!
Seu semblante sofrido pareceu ter-se transformado, e uma expressão de horror figurou-se na pobre mulher.
Ela perdeu as palavras; não tinha mais argumentos para questionar a justiça e a bondade de Deus apresentadas tão erroneamente pelos conceitos pessoais daquele homem.
Aquela colocação infundada a deixou mais desesperada ainda.
Ensurdecida, desfigurada, Lídia foi-se levantando vagarosamente.
A irmã a olhou surpresa, temendo qualquer reacção indesejada.
- Lídia... - chamou timidamente Janete, tentando detê-la ao segurar seu braço.
Sente-se, Lídia.
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Dez 10, 2016 1:07 pm

- Não! O senhor quer dizer que o meu filho não teve o perdão de Deus porque não se baptizou ou porque não O conheceu?
Está errado! Isso tem de estar errado!
- Mas dona Lídia... - tentou argumentar o homem.
- Não! - gritou Lídia com os olhos arregalados e expressão de desespero.
Subitamente ela se virou e saiu correndo.
Janete a seguiu, segurando-a, quando a alcançou na calçada.
- Janete, me larga!
- Calma, Lídia.
- Como calma? Deus não pode ser cruel assim!
Algo está errado!
A custo Janete a colocou dentro do carro, levando-a para casa.
Naquela tarde Rodolfo havia chegado mais cedo e só ficou sabendo que a esposa havia saído com a irmã por intermédio dos empregados, que o avisaram.
Minutos após sua chegada, ao ver a esposa descer chorando do carro, ele, que estava na varanda, tentou segurá-la antes que entrasse.
Lídia esquivou-se, fugindo de seu abraço.
Janete correu atrás da irmã, mas já dentro da casa, antes que a cunhada subisse para ver Lídia, Rodolfo exigiu com rigor:
- Janete! O que está acontecendo?
A mulher parou, e ele pôde ver que ela também havia chorado.
- É que...
- O que aconteceu?
- Achei que Lídia estava precisando de algo que a confortasse.
Ela não se conforma com a morte do Cristiano e...
A voz de Janete estremeceu, e suas emoções afloraram-se, calando-a.
Mais calmo, o cunhado perguntou:
- Onde vocês foram?
- Eu a levei para conversar com um amigo.
Rodolfo sentiu-se enrubescer.
Era muita ousadia de Janete fazer aquilo, uma vez que sabia de sua opinião.
Enérgico, ele perguntou:
- Quem mandou você fazer isso?
Você sabe que eu não gosto dessas coisas.
Além do que Lídia está deprimida, sensível; não serão ideias loucas e crenças insanas que irão animá-la.
- Mas eu também estava assim e depois que conversei com ele me senti mais aliviada.
- Aliviada do quê? - perguntou ele, irritado, elevando o tom da voz.
- Comecei a me sentir culpada pela morte de meu sobrinho, por ter pedido a casa, por ter insistido para que ele fosse na viagem comigo, por tê-lo deixado ir à praia naquela tarde, e, quando conversei com esse amigo, ele me confortou quando disse que fui usada como instrumento de Deus para salvar vocês.
Somente uma fatalidade dessas faz as pessoas se voltarem ao Senhor, pedir perdão e salvarem-se.
O Cristiano pode não estar no reino de Deus, mas vocês têm a chance de se salvarem.
Eu fui enviada para...
- Cale-se! - vociferou Rodolfo, quase insano.
Não quero ouvir essas ignorâncias!
Quero ver esse homem viver tranquilo se souber que o filho dele está no inferno.
Saia daqui! Vá embora agora, por favor, antes que eu...
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Dez 11, 2016 10:49 am

- Você tem de me ouvir!
Nervoso, indignado, o cunhado virou-lhe as costas e subiu as escadas para ver a esposa, deixando Janete sozinha na sala.
Ao ver Lídia, Rodolfo verificou que ela estava completamente sem controlo.
Rolando de um lado para outro sobre a cama, a mulher gemia e lamentava em pranto:
- Cristiano, onde você está?
Deus! Não faça isso com meu filho!
Encarando-o, a mulher falou com voz chorosa:
- Eu perdi tudo. Minha vida acabou.
O marido a envolveu num abraço e a embalou, procurando acalmá-la.
Eunice, a empregada, que durante dias acompanhava o descontrole da patroa, entrou cuidadosa e avisou:
- Seu Rodolfo - disse quase sussurrando -, eu trouxe esse chá.
Seria bom para ela se bebesse um pouco.
- Eunice, por favor - pediu o patrão -, pegue aquele vidro ali, o maior.
Tire um comprimido e traga aqui.
É um calmante.
Cuidadosa, a moça ajudou a mulher a tomar o remédio e o chá que trouxera.
- Obrigado, Eunice - agradeceu Rodolfo, que ainda segurava a esposa.
A empregada percebeu o esgotamento do homem, que se forçava para ser forte.
Mas parecia que nada nem ninguém poderia ajudar Lídia.
Com o tempo, todos esperavam que Lídia melhorasse, retomando sua vida normalmente, mas isso não acontecia.
Kássia começou a não gostar do sofrimento da mãe e afastava-se o quanto podia.
Fernando parecia procurar refúgio na casa do amigo Renato.
A companhia de dona Glória o confortava, e a presença de Regina era agradável.
Em desabafo, o rapaz comentava:
- Dona Glória, minha mãe está se deixando abater muito.
Já faz oito meses, e ela ainda chora.
São poucos os momentos em que a vemos calma.
Vagarosa, a mulher sentou-se ao lado do jovem e falou:
- Sabe, filho, a falta de conhecimento sobre o mundo dos espíritos nos leva ao desespero.
- Eu gostaria tanto que a senhora pudesse conversar com ela.
- Eu?!
- A senhora tem conhecimento e argumentos que podem ajudar minha mãe.
Ela está deprimida.
Definhou nos últimos dias de tanto chorar; nem a reconhecemos mais.
Sabe, ela foi falar com um amigo da minha tia e voltou pior ainda.
Às vezes parece que delira e fala coisas sem nexo.
- Você mesmo pode falar com ela, Fernando.
- Eu não tenho tantos argumentos.
Entendo o que a senhora diz, acredito, mas não sei falar como a senhora.
Dona Glória levantou-se, foi até o corredor, onde havia uma estante, pegou um livro e voltou, dizendo:
- Aqui está O Evangelho Segundo o Espiritismo.
No Capítulo V, item 21, fala-se sobre a perda de pessoas amadas e a morte prematura.
Você é inteligente, pode estudá-lo e conversar sobre isso com sua mãe.
- Meu pai não gosta de religião e...
- Não fale sobre religião.
Nem mostre esse livro em casa.
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Dez 11, 2016 10:49 am

Respeite seu pai.
Fale sobre a bondade de Deus, sobre Sua justiça, como conversamos uma vez, lembra-se?
- Claro.
A chegada de Regina e de Renato interrompeu o assunto.
Ao ver Fernando, o amigo logo brincou:
- Vou cobrar aluguel, hein, cara!
Você não sai daqui!
- A culpa é da sua mãe; ela é quem me prende aqui.
Eles riram, e Regina logo lembrou:
É engraçado, "santo de casa não faz milagre".
Você fica horas conversando com minha mãe, mas o Renato foge de qualquer assunto aqui em casa.
Até a Viviane já reclamou disso.
Ela também gosta muito de falar sobre Espiritismo.
- E, pronto! Sobrou pra mim.
Aliás, falando em Viviane, hoje prometi levá-la ao cinema.
Se não cumprir minha promessa, acabo ficando sem namorada.
Deixe-me ir tomar um banho.
- E seus pais, Fernando, como estão? - interessou-se Regina.
- Meu pai está mais sério, cada dia mais calado.
Minha mãe encontra-se em estado deprimente. Só chora.
A Kássia anda meio revoltada.
Sai, não diz aonde vai, chega tarde...
- Filha, o Fernando queria que eu fosse conversar com a mãe dele, mas você bem que pode.
- Eu?!
- Sim, Regina! - afirmou Fernando, concordando. - Você pode, sim.
A moça inquietou-se, suspirou fundo e preocupou-se:
- Mas o que eu posso falar?
- Vocês já conversaram uma vez, filha.
Vá até lá para fazer outra visita.
Com um gesto singular, Regina aceitou, meio temerosa.
O amigo ficou feliz, agradecendo-a com sinceridade.
Porém, dona Glória lembrou:
Regina, quando conversar com dona Lídia, preste muita atenção no que vai falar.
Seja cautelosa, fale sob a luz da Doutrina.
As palavras e os argumentos de uma pessoa podem, às vezes, representar sua religião.
Existem aqueles que têm aversão ao Espiritismo ou a qualquer outra filosofia só porque receberam conceitos erróneos de alguém que não tinha conhecimento, de pessoas despreparadas.
- Eu sei, mãe.
De repente, ouviu-se a voz de Renato, que vinha de um dos quartos:
- Mãe! Onde está aquela camisa azul-clara?
- Ele não acha nada! - reclamou dona Glória, indo de encontro ao filho.
- Vamos até a cozinha.
Vou fazer um café - decidiu a moça, sempre animada.
Enquanto Regina preparava a bebida, ambos conversavam sobre assuntos corriqueiros da faculdade.
- Não sei se na sua sala ele age assim, mas, quando nos dá aula de Metodologia de Ensino em Pedagogia, o Arnaldo é um professor terrível. Sabe...
O rapaz não prestava atenção nas palavras da moça, mas a observava atentamente, admirando-a com satisfação.
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Dez 11, 2016 10:49 am

Regina, extrovertida e empolgada com o assunto, nem percebeu o olhar maroto do amigo, servindo o café normalmente.
Já havia algum tempo Fernando reparava em seus gestos delicados, sua voz suave e calma, admirando sua pele bem morena que trazia um brilho todo especial deixado pelo sol das praias cariocas.
Interrompendo-a, ele comentou:
- Você é tão bonita.
Um imperceptível estremecimento correu-lhe o corpo, e Regina calou-se.
Confusa, prendeu seu olhar ao de Fernando.
- Rê, estou gostando muito de você, sabia?
Levantando-se ligeira, a jovem não sabia o que dizer e virou-se, disfarçando, ao perguntar:
- Quer mais café?
- Não. Quero falar com você - Fernando disse levantando-se e aproximando-se dela.
Por um instante o rapaz esqueceu-se dos demais que estavam pela casa e junto a ela, num gesto carinhoso, tocou-lhe o rosto, envolvendo-a num abraço e beijando-a com carinho.
Regina, agora trémula, após alguns segundos, fugiu ao abraço, perguntando:
- Ficou louco?
- Por quê? Não posso gostar de você?
Isso é loucura?
O rapaz a segurou pelo braço com carinho, puxando-a para si, beijando-a novamente.
Regina não resistiu; afinal, ela também sentia algo muito forte por Fernando.
Naquele momento, dona Glória entrou na cozinha sem fazer barulho, mas, ao perceber que não fora vista, voltou imediatamente.
Afastando-se, Regina mostrou-se constrangida e confusa e logo argumentou:
- Fernando, pense bem.
- Pensar em quê? Gosto de você.
Se você gostar de mim...
- Tenho medo de me machucar.
Você... - ela deteve as palavras, mas Fernando adivinhou-lhe os pensamentos.
- Acha que não vai dar certo?
Que vai se machucar por causa da minha posição social?
Regina, há cerca de três anos, desde que comecei a fazer faculdade com seu irmão, vivo enfiado aqui na sua casa.
Converso mais com a sua mãe do que com a minha.
Adoro vocês!
Após breves instantes, confessou:
- Adoro você.
- Temo que qualquer compromisso entre nós me traga problemas; não quero me machucar.
- Você acha que minha família não a aceitaria?
Se pensa assim, está muito enganada.
Minha mãe não veio de família rica e posso garantir que ela gostou muito de você.
Certo sobre o que queria, Fernando colocou-se à sua frente e, com largo sorriso, perguntou:
- Você gosta de mim?
Erguendo o olhar, Regina afirmou com voz trémula:
- Claro que sim.
Ele, como que inebriado, abraçou-a com carinho, beijando-a com amor.
Forte emoção os envolveu.
Seus corações palpitavam felizes.
Era o começo de novos planos e lindos sonhos.
De acordo com o preparo do espírito, conforme sua elevação, conhecimento e merecimento, a mudança para a vida espiritual, pelo desencarne, é bem diferente um do outro.
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Dez 11, 2016 10:50 am

Por essa razão, Cristiano ficou em estado semelhante ao do sono por alguns meses.
Em poucos momentos, repousando em um leito, ele despertava, fazia longa e serena observação à sua volta, depois tornava a se deixar envolver por um êxtase que o arrebatava.
Na espiritualidade, muitos amigos de outrora, até parentes desencarnados e companheiros de sempre - tarefeiros aplicados -, o assistiam com imenso carinho e dedicação.
Passes constantes, a fim de tranquilizá-lo e de suprir suas necessidades espirituais, eram aplicados por essas criaturas fiéis e preparadas para que seu estado mental não fosse abalado ou invadido por vibrações tormentosas.
Agora, seu estado de vigília era mais constante, e as primeiras questões se fizeram, devido às observações de Cristiano.
Vendo-se sobre o leito alvo, Cristiano entendeu que estava em um hospital, mas ignorava estar na espiritualidade.
Uma senhora adentrou o quarto em que ele se encontrava e, com largo sorriso, perguntou gentil:
- Que bom vê-lo disposto!
Sente-se bem?
- Sim, estou bem - respondeu o jovem desencarnado.
Só não entendo o sono que sinto; é algo forte.
- Ah! É assim mesmo.
Isso é efeito do seu estado.
Logo vai se sentir normal.
- E os meus pais?
Eles sabem que estou aqui? - indagou confuso.
- Em breve receberá visitas.
Aliás, todas as vezes em que alguém esteve aqui ansioso para vê-lo você estava dormindo.
Cristiano ia perdendo a vontade de continuar com aquela conversa.
Suas pálpebras pesadas anunciavam que novamente se entregaria àquela espécie de sono reconfortante.
O que realmente aconteceu.
O Pai da Vida, verdadeiramente, não desampara ninguém, suprindo a todos de suas necessidades básicas e iminentes.
Cristiano havia cumprido uma "curta" existência terrena, onde as experiências vividas não o levaram a conhecer a Bondade, a Omnipotência, a Omnipresença e a Omnisciência de Deus.
Ele não teve nenhum conhecimento religioso e não seria esse o motivo de o Pai negar-lhe amparo e socorro por intermédio de bondosos espíritos que trabalham em Seu nome.
Seu estado sonolento era providencial, uma vez que, recém-desencarnado, Cristiano ainda estaria ligado, em pensamento, aos parentes que ainda viviam na crosta da Terra e, pelo facto de alguns desses ainda não aceitarem seu desencarne, em espírito ele receberia e sentiria as vibrações desesperadoras e melancólicas deles, podendo, assim, desequilibrar-se espiritualmente.
Com o passar do tempo, em uma bela manhã, Cristiano recebeu uma visita especial.
Ele, decidido, levantou-se e, enquanto admirava a bela vista que vislumbrava pela janela, percebeu a chegada de alguém.
Ao se virar, surpreendeu-se.
- Vovó! Vovó Amélia?
Sorridente, a senhora aproximou-se com os braços estendidos e, bem perto, delicadamente, pegou-lhe nas mãos.
Cristiano ficou estático, quase assombrado, e murmurou:
- Deve ser um sonho.
- Não, filho - afirmou a senhora.
Esta é a verdadeira realidade.
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Dez 11, 2016 10:50 am

- Mas, vovó, a senhora morreu!
Atalhando o, em princípio sem explicar, ela perguntou:
- Posso lhe dar um abraço?
Os pensamentos de Cristiano fervilhavam de questões curiosas.
Quase mecanicamente, ele se entregou ao abraço, mesmo inquieto.
Depois de poucos segundos em que Amélia amainou a saudade com a troca de carinho, eles se afastaram, e ela pediu:
- Vamos nos sentar, pois ficaremos mais bem acomodados.
Acometido de grande surpresa, Cristiano obedeceu sem questionar, pois era dominado pelo carinho profundo que parecia emanar como perfume da querida avó, que sempre o tratou com mimos e cuidados especiais.
Apesar do jovem ser bem criança quando Amélia desencarnou, agora, em espírito, essas lembranças vinham-lhe à mente de forma viva e repleta de detalhes.
Sentada ao lado do neto, ela o olhava com ternura, enquanto lágrimas empossavam-se em seus olhos meigos e suave sorriso moldurava-se em seu rosto.
- Estou sonhando? - perguntou ele.
- Não, Cris. Você não está sonhando.
Sem aguardar nova questão, a doce senhora, amavelmente, indagou de forma tranquila:
- Do que você se lembra?
Voltando o rosto em direcção à janela, por onde sol invadia o recinto, Cristiano ergueu o olhar, tentando buscar as imagens de factos que pudessem trazer-lhe alguma recordação.
Em segundos, seus esforços trouxeram-lhe lembranças que, em princípio, se fizeram vagas, mas logo se reforçaram.
Foi então que revelou:
- A tia Janete pediu a casa de Angra emprestada para o meu pai e...
Bem, ela insistiu para que eu fosse.
Eu sabia que ia chover e não queria ir, mas acabei aceitando o convite.
Depois de breve pausa, onde procurava organizar as ideias, Cristiano prosseguiu:
- Choveu directo!
Só no domingo à tarde o tempo melhorou, mas estava um pouco frio.
Mesmo assim eu fui à praia.
- E o que mais?
- Bem, eu e meus colegas fomos nadar, mas o mar estava agitado, revoltado.
As ondas nos levavam para longe da praia e...
- E...?
- Eu queria voltar, mas não dava.
Comecei a me sentir cansado, sem forças.
O Robinson começou a ter cãibras; o Válter estava longe e não conseguia chegar...
Tentei ajudar o Robinson a boiar, mas era difícil...
Não me lembro de mais nada.
Só que acordei aqui.
Sem muito entremeio, a senhora revelou:
- Cristiano, você está vivo, só que sem o corpo físico.
Seu corpo físico morreu.
Alguns segundos de silêncio reinaram absolutos.
O impacto do primeiro momento diante da revelação fez Cristiano perder as palavras, mas logo lhe veio à mente a vontade de saber mais.
- E meus pais? Meus irmãos?
- Eles vivem encarnados.
Estão tristes com o seu desencarne súbito, mas procuram retomar a vida normal.
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Ave sem Ninho

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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Dez 11, 2016 10:50 am

- Então eu morri!!! - quase gritou, alarmado.
Sorrindo com brandura, tomando-lhe a mão com carinho, ela respondeu:
- Morrer é acabar. Você desencarnou.
Vive agora sem o corpo físico.
Um impulso desconhecido o fez perguntar:
- Não estamos vivendo na Terra?
- Encarnados, não.
Estamos no plano espiritual, não visível aos encarnados.
Cristiano sentia-se confuso; sem saber o que dizer, perguntou:
- E agora? O que vai acontecer?
- Agora é preciso, da sua parte, muita tranquilidade e atenção.
Você precisará de instrução sobre a espiritualidade, sobre a nova experiência.
Em breve haverá de sentir-se seguro, e esses sentimentos de agora irão sumir.
- Que lugar é esse?
- É uma colónia espiritual.
- Colónia?
- Sim. É um lugar, na espiritualidade, não próximo da crosta da Terra, onde grupos de espíritos que possuem quase os mesmos entendimentos, a mesma elevação moral, permanecem juntos para aprender, trabalhar e evoluir, preparando-se, também, para novos reencarnes.
Cristiano a encarava com uma expressão estranha.
Compreendendo seu espanto, a senhora argumentou:
- Que falta faz ao recém-desencarnado conhecer algo sobre a espiritualidade.
Em pouco tempo, sei que vai compreender melhor, mas para aliviar seu coração oprimido é bom que saiba que a justiça de Deus não nos deixa viver só uma experiência terrena.
É preciso vários e vários estágios no corpo físico a fim de aprendermos a não errar mais, fazer o bem e corrigirmos o que fizemos de errado.
Quando desencarnamos, não morremos, mas sim passamos a viver realmente.
Somos "cegos" no que diz respeito à vida espiritual quando encarnados.
Talvez por termos medo ou vergonha de encarar a nós mesmos como somos.
A maioria de nós não quer pensar na religiosidade, no fazer o bem, procurando as desculpas mais simplórias.
Mas, quando acontece algo, dizemos:
"Isso ocorreu porque Deus quis".
Se pensarmos isso, estaremos acreditando em um Deus que se satisfaz com misérias, que se contenta com as tragédias da vida.
Filho, nascemos na Terra como homem ou mulher para nos elevarmos, para melhorar nossa conduta moral, e sofrermos o efeito do que fizemos em outras oportunidades de vida.
- Estou confuso, vó.
Não sei o que dizer.
Para falar a verdade, é como se eu estivesse sob efeito de remédios e não conseguisse pensar.
A mulher sorriu, pois sabia que realmente Cristiano estava sob efeitos de fluidos medicamentosos para tranquilizá-lo, evitando assim um choque pelo seu novo estado de consciência.
Amorosa, a senhora propôs:
- Seria bom que descansasse.
Teremos muito o que falar.
Levantando-se, ela o chamou:
- Venha, deite-se agora.
Ficarei aqui ao seu lado para que se sinta seguro.
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Dez 11, 2016 10:50 am

Cristiano obedeceu sem titubear.
Ele sentia vontade de se deitar e de se entregar àquele êxtase que invadia seu ser.
Alguns dias se passaram, e agora, bem mais consciente sobre seu estado em um novo plano, Cristiano já saía do quarto que ocupava e passeava pelo parque hospitalar.
A seu lado, sempre atenciosa, o espírito Amélia mantinha-se sempre pronta aos seus questionamentos.
Até ali Cristiano já recebera inúmeras explicações sobre o mundo dos espíritos; agora, quase nada o abalava mais, pois ele era uma criatura dócil e atenciosa, um espírito que já há algum tempo procurava evoluir com perseverança.
Entretanto, aquele não era o momento de recordar o passado distante de outras experiências, e o esquecimento de algumas situações era conveniente.
Ambos, de braços entrelaçados, caminhavam em silêncio, até que Cristiano argumentou:
- Não imaginava que tudo fosse tão completo depois da morte.
Estou em um hospital, recebo assistência, cuidados...
Veja esse parque! Essas flores!
- Quando encarnados, vivemos em um mundo que é uma "cópia imperfeita" da espiritualidade.
Aqui no plano espiritual a mente da criatura humana, quando elevada a esferas superiores, é capaz de usar seu potencial criador e transformar o "princípio material" de forma mais ou menos simples e muito útil a todos nós.
De modo muito organizado, planeado e lógico às nossas necessidades, cria tudo o que vemos.
- Como?
- Com o pensamento.
- Somente com o pensamento?
- Sim - confirmou Amélia.
Jesus, há dois mil anos, nos disse que, se tivéssemos a fé do tamanho de um grão de mostarda e olhássemos para um monte e disséssemos "Passe daqui para acolá", nada nos seria impossível.
Cristiano olhou-a sério, enquanto um sorriso se fez no doce semblante da senhora.
Mais alguns passos, e ela, em silêncio, apontou um banco, indicando para que se sentassem.
Acomodados, um ao lado do outro, Amélia continuou:
- Não são somente os espíritos evoluídos que possuem a capacidade de transformar e criar instalações.
Os nossos irmãos menos evoluídos, desvalidos de consciência elevada, também são capazes de manipular e construir, utilizando o "princípio material".
- Como assim, vó?
- Em planos vizinhos da esfera terrena e também em meio aos encarnados, só que invisíveis aos olhos deles, encontram-se irmãos que, quando estavam no corpo físico, cultivavam poucos valores morais e espirituais, além do apego a tudo o que é material, como dinheiro, jóias etc.
Quando desencarnamos, não somos diferentes do que éramos quando encarnados.
Assim sendo, nosso nível mental e espiritual continua sendo o mesmo.
Por isso, agora em espírito, ou seja, desencarnado, a criatura que falava palavrões, que era odiosa, que cultivava uma vida leviana terá, à sua volta, exactamente as extensões potenciais inferiores que cultivou quando encarnada.
Toda matéria mental grosseira transforma-se com suas vibrações e ficam em um estado asqueroso, eu diria, bem nojento.
- Mas eu não vejo isso aqui - argumentou Cristiano.
- Claro que não.
Se por acaso um irmão desencarnado ou encarnado em desdobramento pelo estado de sono, que tenha pensamentos rudes, de natureza leviana, emanasse suas vibrações aqui, sem controlo, em pouco tempo tudo estaria impregnado, e a paz, a harmonia e o bom ânimo estariam ameaçados, juntamente com suas estruturas.
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Dez 11, 2016 10:50 am

Por essa razão, os espíritos afins se atraem e vivem todos reunidos, formando colónias e organizações com as quais se adaptam.
- Por que vim parar aqui e não fiquei em zonas inferiores?
Nunca aprendi nada sobre religião, nunca pratiquei a caridade.
- Nem Deus nem Jesus consagraram qualquer religião.
As religiões foram criadas pelos homens, se bem que, a meu ver, elas são necessárias.
A justiça do Pai, com relação a cada um de nós, não depende da religião que temos ou deixamos de ter.
Seu socorro nos chega quando nossos corações estão prontos para realizar o bem, para desejar o que é bom, e quando nos voltamos para a prática da boa moral.
Somos acolhidos quando o orgulho, o egoísmo e a avareza não existem em nossas práticas.
Agora, quando você diz que nunca praticou a caridade, será que não se esquece de que estava tentando ajudar seu amigo quando nadavam?
Não foi sua religião que o trouxe para cá, mas seu coração bom e sem ambições.
Independentemente da religião que praticava quando encarnado, o espírito pode situar-se em zonas inferiores pela prática de inúmeras maldades, sejam elas palavras, pensamentos ou atitudes.
A avareza, o orgulho, a arrogância, a falta de moral, a promiscuidade e outras inferioridades deixam um espírito sofrer muito.
Sabe, muitos ladrões e bandidos que acreditam em Deus chegam a rezar pedindo protecção antes de realizar um assalto, onde até estão dispostos a cometer homicídios.
Pense:
é correto receberem a assistência de Deus só porque têm fé?
Por exemplo, uma pessoa religiosa que coloca um companheiro de trabalho em situação difícil e lhe deseja mal será perdoada por Deus quando for orar para Ele?
O respeito ao semelhante é algo muito importante, independente da nossa crença.
Aquele que não tem respeito ao semelhante tem pouca elevação espiritual e se encontrará em local condizente com seu nível moral.
- Esses irmãos menos evoluídos sofrem?
- E muito!
Padecem pela própria consciência que lhes cobra sem que entendam.
Não é Deus quem os castiga.
Jesus nos disse:
"Deixai ali, diante do altar, a tua oferta e vai reconciliar-te primeiro com o teu irmão, depois vem e apresenta a tua oferta.
Concilia-te depressa com teu adversário enquanto estás no caminho com ele, para que não te aconteça que o adversário te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao oficial e te encerre na prisão.
Em verdade vos digo que de maneira alguma sairás dali enquanto não pagares o último centil".
Essa prisão de que Jesus nos fala são as reencarnações em que ficamos presos no corpo físico, sofrendo ou expiando o que não reconciliamos ou o que não corrigimos em outras oportunidades.
Cristiano ouvia atento, mas até então estava com o olhar perdido no belo horizonte, cujo céu trazia um lindo emaranhado de cores vibrantes.
Ele se virou e, sorrindo, encarou Amélia, argumentando:
- Nessa minha última reencarnação creio que me livrei de uma das prisões em que cumpria pena, não é?
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Dez 11, 2016 10:51 am

Amélia sorriu, envolvendo-o em fraternal abraço carinhoso, e silenciou.
- Ambos permaneceram juntos, sem palavras, contemplando a indescritível beleza do poente.

Não é a intenção da espiritualidade criticar ou atacar qualquer religião.
Neste livro, estamos somente apresentando os factos de um acontecimento.
Lembramos que as religiões são importantes, pois têm como principal objectivo ligar-nos a Deus.
Nenhuma religião pode ser criticada pela opinião íntima dos seus seguidores ou representantes, nem ser responsável pelas consequências das acções de seus adeptos, pois toda criatura tem o seu livre-arbítrio e é a única responsável por ele.
(Nota da Autora Espiritual.)

Em O Livro dos Médiuns - Laboratório do Invisível - Capítulo VIII - item 128, podemos encontrar maiores explicações sobre a manipulação do "princípio material". (Nota da Autora Espiritual)
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Dez 11, 2016 10:51 am

6 - TRANSTORNOS ESPIRITUAIS

Assumindo o namoro com Regina, Fernando estava mais preocupado com o futuro, com seu profissionalismo.
Passou a rodear o pai, mostrando-se interessado nos negócios.
- Se você estivesse graduando-se em Direito, já poderia estar trabalhando comigo.
Mas Administração... - brincava Rodolfo em tom irónico.
- Ora, pai, uma empresa sem um bom administrador e um bom advogado não sobrevive.
São profissionais indispensáveis a qualquer negócio.
- Mas seria bem mais fácil - afirmava o pai, sorrindo.
Logo, porém, desconfiou:
- Por que tanto empenho, Nando?
E por causa da Regina?
Está levando seu namoro a sério?
- Algum problema, pai?
- Nenhum. Absolutamente nenhum.
Gosto muito dela.
É uma moça educada, alegre e cheia de vida.
Espero que saiba ouvi-lo com atenção e seja compreensiva, generosa.
Todo homem que deseja ser bem-sucedido precisa de uma mulher assim.
Planeiem juntos, desde já, o futuro, viu?
Não escondam nada um do outro.
Só assim se tem sucesso.
- Às vezes, pai, a vida nos surpreende.
Mesmo quando trazemos algo, nem sempre sabemos se poderemos continuar.
Imediatamente Rodolfo lembrou-se do filho Cristiano, que falecera havia alguns meses, e de como sua esposa mudara desde então.
Com uma angústia que lhe parecia doer no fundo da alma, Rodolfo admitiu:
- É, filho, às vezes o destino nos surpreende, mas não podemos nos abater.
Veja sua mãe como mudou.
Sinto que perdi minha esposa, minha amiga, minha companheira...
Cheguei a acreditar que não ia suportar.
- Por que não conversam, pai?
- Sua mãe nunca mais sorriu, foi amorosa, gentil.
Quando não está chorando, está triste, deprimida.
Na verdade, parece que nós é que morremos para ela.
Lídia, inconscientemente, me culpa.
- Como assim?
- Quando tento falar com ela, sua mãe me agride de certo modo.
Ela acredita que o Cristiano está em algum purgatório porque não teve religião e diz que isso se deu por minha culpa.
Não sei como concebeu esses conceitos; só sei que isso é insuportável.
Fernando ouvia aquele relato com o coração oprimido.
Não havia o que pudesse fazer.
Não sabia o que falar, mas tentou:
- Pai, nada acontece por acaso.
Se temos uma situação complexa em nossa vida, é porque temos a capacidade de resolvê-la.
O pai fitou-o por sobre os óculos que usava e mesmo pressentindo que o filho falaria sobre religião não quis interrompê-lo, como sempre fazia quando esse tipo de assunto se iniciava.
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Dez 11, 2016 10:51 am

Tranquilo, Fernando continuou:
- Pai, não somos experiências científicas que, quando não dão certo, serão jogadas fora.
Temos vida. Temos uma consciência.
Sofremos, choramos, temos sentimentos.
Não creio que Deus queira nos ver falidos.
Ele nos dá força e oportunidades.
Naquele momento Rodolfo parecia estar flexível para ouvir, mas ambos foram interrompidos por Eunice, que chamou:
- Senhor Rodolfo, é dona Lídia.
Venha depressa.
Ao chegar em seu quarto, o marido pôde ver que tudo estava no chão.
Uma crise violenta dominara Lídia, que parecia estar alucinada.
- Mãe! - gritou Fernando.
Pare com isso!
- Eu quero morrer! - gritava a mulher, enlouquecida, enquanto pegava vários objectos, jogando tudo no chão.
Firme, o marido foi segurá-la.
- Calma! Lídia, acalme-se!
Não foi difícil dominar a esposa.
Lídia, que mal se alimentava nos últimos tempos, estava muito magra, fraca e bem abatida.
Suas forças mirraram pela falta de cuidados consigo mesma.
Nem parecia aquela mulher exuberante de tempos atrás.
Chorando e gemendo, Lídia se deixou ficar nos braços do marido.
A falta de conhecimento a fazia crer que o filho desencarnado haveria de estar em um lugar ruim e sofrendo.
Vez ou outra ela enlouquecia pensando nas necessidades de Cristiano e o via, em sua tela mental, passando por carência afectiva por não ter alguém que cuidasse dele.
Lídia acreditava que o frio ou o calor excessivo o maltratava, e a fome o castigava.
Em suas ideias, quase delirantes, a pobre mãe imaginava o filho como um verdadeiro farrapo humano, um miserável.
Isso lhe provocava crises insanas.
Rodolfo não sabia mais o que fazer nem como reagir.
Era paciente, amava a esposa, mas Lídia, com todo aquele desespero, não cooperava e não aceitava a realidade, parecendo perder a noção do que fazia.
Enquanto isso, na espiritualidade, Cristiano, um pouco mais recomposto pela brusca mudança, havia-se instalado onde sua avó residia junto com outras duas companheiras.
Foi recebido com alegria e carinho.
As orientações eram de atenção e cuidado, pois as notícias dos familiares encarnados eram propositadamente informadas a ele de modo superficial, a fim de poupá-lo de angústias pelo sofrimento de sua mãe.
Entretanto, as vibrações desesperadas de Lídia atravessavam tempo e espaço envolvendo, com subtileza, os pensamentos do filho desencarnado, que corria o risco de desequilibrar-se pelas vibrações recebidas.
Um misto de agonia e de profundo pesar invadiram a tela mental de Cristiano, fazendo-o visualizar acontecimentos grosseiros e tristes.
Atordoado, ele pediu ajuda:
- Vó, não me sinto bem...
Preocupada, indo rápido em sua direcção, Amélia observou:
- Deve ser a quinta vez que o vejo assim, filho.
O que você sente?
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Dez 11, 2016 10:51 am

- É algo inexplicável.
Algo que envolve o meu ser, uma sensação esquisita e desconfortante.
Cuidadosa, passando-lhe a mão sobre a testa, Amélia procurou confortá-lo e pediu:
- Sente-se aqui. Fique em prece.
Vou chamar a Maria do Carmo.
Em segundos, Amélia retornou com a amiga, e ambas sentaram-se ao lado de Cristiano.
Olhando-o com mais atenção, Maria do Carmo avisou:
- São vibrações, Amélia.
Vibrações aflitivas de encarnados.
Deveríamos ficar em prece.
Maria do Carmo era profunda conhecedora do Evangelho.
Generosa e paciente, ela, lembrando-se das palavras de Jesus, as repetiu:
"Vinde a mim todos vós que estais aflitos e sobrecarregados que eu vos aliviarei.
Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei comigo que sou brando e humilde de coração e achareis repouso para vossas almas, pois é suave o meu jugo e leve o meu fardo".
Com essas palavras - explicou -, o Querido Mestre pede que confiemos Nele.
Ele nos diz que todo sofrimento encontra explicação e consolação na fé e na esperança.
Confiemos na justiça de Deus.
E, olhando bem nos olhos de Cristiano, falou:
- Filho, tudo o que nos acontece é porque temos condições de suportar.
- Sinto-me estranho - afirmou o jovem.
Estou confuso e com vontade de chorar.
Ouço, na minha mente, algo como lamentações e desespero... palavras...
Lembro-me muito da minha mãe.
Amélia e Maria do Carmo entreolharam-se preocupadas.
- Procure desviar o pensamento dessas imagens mentais e dos sentimentos que o tentam envolver.
Procurando entretê-lo com outro assunto, ela perguntou:
- Existem grupos de jovens, como você, que se reúnem todas as tardes no "Salão do Encontro Fraterno".
Você já os conhece?
- Ouvi falar - respondeu Cristiano, não apresentando interesse.
- Eles são alegres e extrovertidos.
Estudam para compreender a nova condição, trocam ideias e experiências. Quer conhecê-los?
Após uma pausa considerável, Cristiano respondeu:
- Acho que não é um bom momento. Sinto uma angústia.
Aliás, desde quando fui tomando consciência da minha morte, sinto algo diferente acontecer comigo.
- Como assim? - perguntou Amélia, preocupada.
- Eu tenho dezassete anos e...
Imediatamente, Maria do Carmo interferiu com algo um tanto quanto alegre na expressão:
- Você tem muito mais que isso!
E, após rir, concluiu:
- Você viveu dezassete anos só nessa última encarnação.
- Pois é, acontece que me sinto mais... mais...
- Não se sente com dezassete anos, é isso?
- Sim, é isso.
Parece que a cada dia estou com jeito de pensar mais responsável, maduro.
Percebo que falo diferente do que falava, penso e me preocupo de forma diferente.
- Você deve estar recobrando, vagarosamente, sua personalidade como espírito - opinou Maria do Carmo.
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Dez 11, 2016 10:52 am

Você só amadureceu até a adolescência nessa última experiência terrena.
Agora, de forma mais rápida que quando encarnado, a responsabilidade, o amadurecimento e a elevação adquiridos há muito começam a aflorar.
São estágios da consciência.
- Eu entendo isso - respondeu ele -, mas me sinto confuso.
Sinto um aperto no peito.
Às vezes sinto-me desmotivado quando vejo, em minhas ideias, minha mãe se desesperando; chego a ouvi-la.
- Você recebe, em sua tela mental, imagens e vibrações de encarnados e...
Ela ia prosseguir, mas foi interrompida:
- Tenho vontade de sair daqui.
- Não! Não pense nisso! - pediu Amélia de forma quase enérgica.
- É um desejo forte.
- Ocupe seus pensamentos com outras coisas - pediu a amiga.
Sua mente pode situá-lo onde quiser; entretanto, se voltar para a crosta da Terra junto aos encarnados, depois, para voltar a esferas melhores, não é tão fácil assim, tendo em vista seu desequilíbrio pelo que presenciar lá.
Desvie o pensamento do lar terreno ou será atraído até ele, e isso agora não é nada bom para você.
No futuro será diferente, mas agora, não.
Muitos acreditam que podem suportar ver tudo o que existe no lar após o desencarne.
É um grande engano.
É muito difícil não querer se envolver com os encarnados queridos, e isso nos desequilibra e nos prende a mente num plano inadequado.
Inúmeros espíritos vagam desorientados e desequilibrados pelo Umbral por serem atraídos à crosta terrestre pelo choro dos entes queridos ou pela simples teimosia em vê-los sem o devido preparo.
- Umbral? - estranhou Cristiano. - O que é isso?
Maria do Carmo sorriu ao ver despertar o interesse do amigo e respondeu:
- Umbral, do latim, significa portal, limiar, soleira, começo ou princípio, extremidade inicial.
Umbrático, também do latim, significa aquele que gosta de sombra ou a procura; pode significar também enigmático, obscuro, fantástico.
Sabe, o Espiritismo é a doutrina que melhor nos explica o que nos acontece após a morte e no mundo dos espíritos.
Conheci bem as obras da Codificação Espírita quando encarnada e posso afirmar que o nome Umbral nunca foi usado nela, mas isso pouco nos importa, uma vez que os próprios espíritos que nos trouxeram essa doutrina disseram, incontáveis vezes, que os nomes e os termos usados pouco importam.
Que, se não tínhamos um nome específico para cada coisa, o mais importante era nos entendermos para termos uma noção.
O termo Umbral foi usado em obras literárias do espírito André Luiz, psicografadas por Chico Xavier, para identificar o estado em que ficam os desencarnados que não se harmonizam com uma consciência elevada, não aceitam o desencarne, têm apego a bens materiais, viveram com orgulho, vaidade, egoísmo, cometeram crimes, e muito mais.
Entende-se por Umbral, como o próprio nome diz, um portal ou limiar entre o mundo dos encarnados e planos espirituais mais elevados, onde o espírito desencarnado que não aceita a nova realidade e também, lógico, não pode mais voltar ao corpo físico, fica preso pelo seu estado consciencial, pois, quando se tem um coração puro, uma consciência tranquila e humildade, o espírito aceita os desígnios e deixa-se levar para planos melhores.
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Dez 11, 2016 10:52 am

Umbral seria um estado de perturbação onde o espírito revoltado prende-se pelos desejos de vingança, pela falta de fé, pelos apegos aos vícios, pelo ódio no coração, pelas palavras de baixo nível moral, pelas práticas promíscuas, e muito mais.
Não importa o termo usado, o principal objectivo foi alcançado.
Quando um espírita ou simpatizante do Espiritismo ouve a palavra Umbral, entende rapidinho que esse é um estado de consciência e, inclusive, um lugar de sofrimento, onde espíritos sem elevação padecem pela própria culpa.
Mas esse lugar não é para penas eternas, pois todo espírito, cedo ou tarde, sente vontade de evoluir e de melhorar-se, momento em que é socorrido.
- Então, se eu sair daqui posso entrar nesse estado de perturbação e ficar no Umbral, ou seja, com minha consciência entre dois mundos, preso nessa espécie de portal da consciência?
- Deixando-se envolver por sentimentos tristes, sim, pode.
Você ficará revoltado, junto aos encarnados, por algo que não consegue mudar, sofrerá muito e ficará sem evoluir durante o tempo em que estiver lá.
Ficará como um Umbrático, viverá nas sombras obscuras, entende?
Cristiano sorriu pendendo com a cabeça positivamente.
- Por isso - prosseguiu Maria do Carmo -, a melhor coisa para você fazer é ocupar-se.
Que tal ir visitar aquele grupo do qual lhe falei?
Cristiano passou a animar-se após entender o que sentia e quais as consequências que sofreria caso atendesse aos apelos queixosos da querida mãe que sofria com sua falta.
Sem que soubesse, providências no sentido de esclarecer sua mãe aflita eram tomadas, para que Lídia, com suas lamentações, não desequilibrasse Cristiano, que ainda não se alicerçara completamente.
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Dez 11, 2016 10:52 am

7 - PENSAMENTOS DESTRUTIVOS OU DEPRESSÃO?

Amigos espirituais próximos aos encarnados empenhavam-se com generosa dedicação para não desanimar aqueles que pudessem orientar Lídia.
Certo dia, Lídia estava em prantos.
Pensamentos dolorosos dominavam sua mente.
A pobre mulher não conseguia manter o controlo, e a depressão tomou-lhe conta dos sentimentos.
No quarto do casal, o marido e o filho tentavam consolá-la sem êxito.
A empregada, Eunice, entrou na suíte e com voz baixa avisou Fernando:
- Sua namorada está aí.
Deixando o quarto, ele desceu para receber Regina, que logo o percebeu preocupado.
- O que foi?
- É minha mãe.
Teve outra daquelas crises de nervos.
Desanimado, com o semblante sisudo, Fernando reclamou:
- Não aguento mais.
- Calma. Não fique assim.
- Você já tentou falar com ela várias vezes e viu, ela não Progride, não sai da depressão.
Regina, repentinamente, sentiu uma força interior invadi-la e pediu:
- Posso ver sua mãe?
- Agora? Não iríamos sair?
- Precisa ser agora.
- Vamos lá - aceitou o namorado, com gesto singular, sem acreditar que Regina pudesse fazer algo depois de tantas tentativas frustradas.
Vagarosamente o casal entrou no quarto que estava sob luz bruxuleante pelas cortinas e janelas fechadas em pleno dia.
Rodolfo os olhou com alívio.
Ele queria sair dali, mas não desejava que Lídia ficasse só.
Largada sobre a cama, a mulher chorava e não se importava com o que acontecia à sua volta.
O marido levantou-se, cumprimentou Regina com um beijo e, afastando-se para um canto, disse baixinho:
- O médico falou que é um caso de depressão aguda e incapacitante; ela perdeu o sentimento de prazer pela vida, está indiferente a tudo.
Os remédios anti-depressivos não adiantam e, sinceramente, não sei mais o que fazer.
- Talvez não seja tanta depressão e sim falta de esclarecimento - murmurou Regina.
- O quê? - perguntou o futuro sogro.
- Nada. Foi só um pensamento.
Parecendo esgotado, Rodolfo suspirou profundamente e silenciou.
- Posso ficar com ela um pouco? - pediu a moça.
- Claro - respondeu Rodolfo, parecendo aliviado.
O homem se retirou, e Regina acomodou-se ao lado de Lídia, que se curvava ao peso dos pensamentos terríveis e cruéis que lhe passavam pela mente.
Erguendo o olhar febrilmente brilhante, com o rosto quase cadavérico, pálido e depressivo, murmurou com voz rouca e chorosa:
- Onde está meu filho?
Pegando a gélida mão de Lídia, Regina respondeu com voz generosa, porém firme:
- Seu filho está onde a senhora o colocar com seus desejos e pensamentos.
Fernando ficou surpreso com a afirmação, enquanto Lídia pareceu nem respirar, atentando às palavras da moça.
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Dez 12, 2016 1:38 pm

- Sente-se um pouco, dona Lídia.
Vamos conversar - pediu a jovem com modos amorosos, ajudando-a a se sentar.
Após colocar alguns travesseiros para que Lídia se apoiasse, Regina pediu:
- Nando, abra um pouco as janelas.
Quase sussurrando, a mãe pareceu implorar:
- Não! Quero ficar no escuro.
- Vamos abrir só um pouquinho, dona Lídia.
Depois a gente fecha novamente.
O quarto está abafado, e um pouco de ar nos fará bem.
A mulher sentiu-se dominada pelas palavras e pelo olhar meigo da moça, mas logo reclamou:
- Não aguento essa dor, essa saudade.
Quero morrer!
- Dona Lídia, se seu filho não teve religião e oportunidade de aprender sobre Deus, agora ele o faz e recebe o que a senhora lhe endereçar em desejos e pensamentos.
- Não.
- Sim - afirmou a jovem generosamente e convicta.
Após o desencarne - prosseguiu -, o espírito é mais sensível e recebe o que endereçarmos a ele em pensamento, em palavras.
Seu desespero, dona Lídia, poderá deixá-lo confuso e até amargurado.
Sua dor e desespero é o que ele recebe como vibrações.
A mulher, com olhos arregalados, pareceu dar atenção, pela primeira vez, ao que Regina falava.
Mesmo assim, tristonha e com a voz embargada, relembrou:
- Mas um pastor me disse que ele não teve salvação porque não conheceu o Senhor, não se baptizou.
- Dona Lídia, sei que a senhora é uma mulher inteligente e sensível, então ouça e pense comigo:
Sabe aqueles índios Que nascem lá no Amazonas e não se baptizam, não têm conhecimento nem sabem nada sobre um Deus único ou Jesus?
Será que Deus os criou para depois deixá-los morrer sem evolução, sem elevação?
Será que Deus é tão mesquinho que ou criou uma sub-raça, um grupo de pobres coitados que não terão a oportunidade de evoluir nem de viver bem?
Pois pense:
dificilmente eles terão a oportunidade de se baptizarem.
Esse Deus seria muito cruel, injusto, e por que não dizer perverso, não acha?
Após breve pausa, perguntou:
- A senhora crê em Jesus?
- Creio - respondeu Lídia com a voz rouca.
- Jesus nos revelou um Deus bom e justo, um Pai repleto de misericórdia e amor.
Jesus falou que havia "muitas moradas na Casa do Pai".
Por ser um Deus bom, Ele jamais deixaria seu filho morrer e perecer eternamente num lugar ruim.
Se o Cristiano não teve religião, isso não importa a Deus; o que interessa é o seu carácter como espírito.
Provavelmente seu filho reencarnou disposto a passar por essa experiência terrena tão curta para elevar-se, para crescer como espírito, aprendendo, amadurecendo com o que vivenciou.
- Será que ele sofreu ao morrer?
Sorrindo com doçura, Regina afirmou bondosa:
- Seu filho não morreu.
Ele só passou para o outro lado da vida.
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Dez 12, 2016 1:38 pm

Ele vive em outro plano.
Nascemos e morremos no corpo físico inúmeras vezes.
Passamos por incontáveis acontecimentos e provocamos muitos outros, dos quais receberemos os efeitos, bons ou não.
Deus não é cruel nem injusto.
Sofremos para aprender a não fazer mais aquilo.
Assim, harmonizamos o que fizemos de errado no passado.
Além disso, seu filho pode ter sido recolhido para a espiritualidade para não cometer algo que prejudicasse sua evolução.
Ou então ele pode ter sucumbido ao tentar ajudar alguém.
Não creio que isso lhe seria um sofrimento.
- Onde ele está?
- Ele está com Deus.
Alguém como Cristiano, que não teve tanto tempo para fazer algo certo ou errado, que não teve tempo para conhecer o lado religioso que devemos buscar, com certeza foi socorrido por misericórdia de Deus.
Ele agora deve estar com um grupo de espíritos que se identificam com o mesmo nível de entendimento e elevação moral dele.
- Por que você disse que ele está onde meus pensamentos e desejos o colocarem?
- Porque o choro excessivo e o desespero do encarnado podem chegar, e chegam, como vibrações ao ente querido que desencarnou.
Assim, ele se vê envolvido por tristeza, saudade excessiva, dor, revolta, e acaba por não aceitar o desencarne, atraindo-se para junto de nós, encarnados, onde não é o lugar dele agora.
Se ele desencarnou, significa que o seu lugar não é junto a nós, pois aqui ele não terá amparo, condições necessárias e apropriadas para aqueles que vivem em espírito, e assim sofrerá.
Quando desencarnamos e despertamos na espiritualidade, ficamos em um estado de perturbação que pode ter duração longa ou não.
Se os encarnados desejam e vibram felicidade, amor, será mais fácil a aceitação para aquele que se foi.
Os pensamentos bons envolvem os desencarnados com ternura, facilitando sua nova experiência em novo plano.
Lembre-se de que nossos pensamentos têm vida.
- Então não devo chorar?
- Como dizer para uma mãe que não chore?
A senhora deve reverter seus pensamentos.
Quando a saudade apertar, não a deixe virar desespero.
Diga:
"Meu filho, eu estou com saudade, mas tenho certeza de que você está bem.
Aceite a orientação dos trabalhadores de Jesus.
Esses espíritos luzentes, elevados, vão orientá-lo, ensiná-lo e ampará-lo com carinho, generosidade e brandura".
É possível que nesse momento a senhora não detenha as lágrimas, mas não deixe o desespero tomar conta de seus sentimentos.
- Ele vai me ouvir?
- Talvez ouça sim.
Ou então algum amigo espiritual certamente levará suas palavras até ele.
Mas, se isso não acontecer, seu amor vai transmitir sua mensagem de ternura por meio de pensamentos, de vibrações que ele sentirá. Acredite.
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Dez 12, 2016 1:38 pm

- É uma dor tão grande, Regina.
- Eu imagino. Mas creia que seu filho não morreu.
Ele só vive longe, em outro plano.
Ele está longe como em uma viagem.
Agora, se não dominar seu desespero e essas crises, senhora é quem vai estar morrendo, mesmo em vida, estará maltratando aqueles que a amam, inclusive quem está longe.
Deus confiou outros filhos e um marido aos seus cuidados.
Deixe-O envolver o Cristiano com Seus cuidados.
Porque vida espiritual é a verdadeira vida.
Lídia havia parado de chorar.
Toda aquela angústia, todos aqueles pensamentos mórbidos pareciam ter dado espaço raciocínios lógicos trazidos pelas verdadeiras e tranquilas palavras de Regina.
Mais serena, a mulher pediu:
- Diga-me, ele está bem?
A moça sorriu e respondeu generosa:
- A senhora acredita em um Deus bom e justo?
- Acredito.
- Se Deus é tão bom e justo como Jesus ensinou, Eli está cuidando muito bem de seu filho.
- Onde ele está?
- Como eu disse, seu filho está em um agrupamento espíritos que se encontram em estágio evolutivo próximo a ele.
Podemos chamar esse grupo de Colónia Espiritual.
Com certeza ele está sendo cuidado, orientado e envolvido com ame por algum ente querido que possa ter desencarnado antes dele ou por conhecidos de uma outra encarnação.
Mas está sendo envolvido com amor para que aceite sua nova condição.
Sempre são criaturas que nos amam verdadeiramente que nos recebem na espiritualidade.
- Eu nunca mais vou vê-lo.
- Quem disse isso?
Aqueles que se unem por um amor incondicional sempre ficam juntos.
Podem afastar-se por um período, não muito longo, uma vez que temos a eternidade como contagem de tempo.
Agora, dona Lídia, eleve seus pensamentos.
Jogue fora aqueles conceitos erróneos e enderece ao seu filho vibrações de amor, de alegria.
Levante-se, expresse sua alegria verdadeira e salutar cuidando de si mesma, pois assim seu filho poderá ver ou saber que a senhora está bem e vai ficar tranquilo com isso.
- Será?
- Lógico! Pense comigo:
se sua mãe estivesse desesperada, torturando-se em choro e lamentações depressivas, sofrendo crises por sua causa, a senhora iria ficar bem?
- Não.
- Assim é com seu filho.
Venha, vamos, levante-se.
Tome um banho e vista uma roupa bonita, depois daremos uma volta pelo seu jardim, que está bem florido.
Lídia sorriu pela primeira vez em alguns meses.
Fernando, que ficou todo tempo quieto, sentado em uma poltrona, estava incrédulo com o que via.
Sem palavra alguma resolveu sair do quarto, deixando ambas a sós.
Ao procurar pelo pai, foi directo ao escritório e, com certa alegria expressa num sorriso que tentava em vão conter, avisou:
- A mãe vai descer para dar uma volta.
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Dez 12, 2016 1:38 pm

- Como?! - perguntou Rodolfo, que pensou não ter ouvido direito.
- A Regina conversou com ela e, depois de tirar algumas dúvidas, convenceu a mãe de que ela deveria se recompor.
- Impossível! Sua mãe vem se deprimindo a olhos vistos.
Nem os medicamentos prescritos por psiquiatras adiantaram.
Ela não ouve a ninguém.
- Eu também não acreditei, mas vamos aguardar.
Ao longo de uns vinte minutos, Regina e Lídia, de braços dados, desceram a larga escada, chegando ao centro da luxuosa sala principal que fora caprichosamente decorada em branco por ela mesma.
Muito abatida, a mulher trazia os olhos fundos e fortes olheiras que reflectiam o sofrimento experimentado meses a fio.
Lídia fitou o marido, que foi rapidamente recebê-la.
- Tudo bem, Lídia? - perguntou Rodolfo com cuidado.
- Vou dar uma volta no jardim com a Regina.
- Sim! Claro! - expressou-se rápido, concordando com a ideia.
Tomando ainda o braço da pobre mulher, que no andar vacilante mostrava sua fraqueza, Regina animou:
- Então vamos, dona Lídia.
Vamos aproveitar o pouquinho de sol.
Após percorrerem poucos metros para longe da casa, a moça acreditou que seria melhor fazê-la sentar, uma vez que percebeu sua falta de firmeza.
No meio do belo jardim, Regina escolheu um banco que ficava sob uma árvore frondosa e convidou Lídia para que se acomodasse.
Lídia percebeu que o ar entrava em seus pulmões de maneira diferente.
Sentia-se melhor, e daqueles dias terríveis onde se trancara no quarto e experimentava sofrimentos intermináveis não queria se lembrar.
Em seu íntimo, sentia vontade de mudar e de melhorar.
Algo acontecia naquele momento para que seus desejos tomassem força.
Seu corpo estava fraco, sentia-se tonta e, por essa razão, curvou-se ao lado, recostando-se no ombro de Regina.
- A senhora está bem?
- Estou.
A moça afagou-lhe o rosto com uma das mãos, enquanto ainda tinha a outra enlaçada em seu braço.
Logo, Lídia argumentou:
- Se é para meu filho se sentir bem, eu vou melhorar.
- Será bom a senhora procurar melhorar e ganhar forças não só para seu filho receber suas vibrações e sentir seus pensamentos saudáveis, o que lhe fará muito bem, mas é importante que fique revigorada para prosseguir com a tarefa à qual se propôs nessa existência, aproveitando a oportunidade da presente reencarnação.
Lembre-se de que muitos dependem da senhora.
- Será que vou conseguir?
- Nós somos e fazemos o que acreditamos.
A mudança de pensamento, nesse momento, é algo muito importante.
Não fique trancada naquele quarto, pois é inútil para a solução de alguma coisa; procure uma actividade.
O Fernando me disse que a senhora trabalhava junto com o senhor Rodolfo, que era sua auxiliar e seu braço direito.
- É verdade. Sempre fui produtiva.
Meu tempo era todo tomado.
- Se isso era bom, se lhe fazia bem, retome algumas actividades.
A conversa que preenchia os pensamentos de Lídia com bom ânimo continuou por longo tempo.
A vontade e o pensamento positivo nos alavancam, nos revigoram e nos proporcionam energias novas para prosseguirmos em qualquer situação.
A única coisa capaz de nos destruir são nossos pensamentos, quando negativos e infelizes.
O pensamento é vida; por isso, devemos ser cuidadosos com o que criamos em nossas mentes.
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Dez 12, 2016 1:38 pm

8 - OS ELEITOS DE DEUS

Depois que Regina conseguiu tirar Lídia do quarto, Rodolfo se inquietou.
As horas que se seguiram causou-lhe surpresa.
Ele não acreditava que pudesse ver sua mulher reerguer-se da depressão, dos sentimentos agonizantes que a mantinham naquele estado.
Tudo aquilo já lhe causava certa repulsa, por mais paciente que fosse.
Havia meses a esposa não fazia as refeições junto à família, e, nesse dia, Rodolfo ficou extremamente perplexo ao vê-la à sua frente durante todo o jantar e, às vezes, sorrindo, pois Regina, com sua hábil delicadeza, propositadamente fazia a conversa tomar rumos divertidos ao narrar algumas de suas peripécias junto com seu irmão quando eram pequenos.
Rodolfo chegara a ficar intrigado, frequentemente disfarçando suas perguntas íntimas com sorrisos, pois seus pensamentos estavam longe de deter-se na conversa reinante.
Seu desejo secreto de saber o que a moça havia dito a Lídia quase não conseguia esperar.
Mas, no fundo da alma, seja como fosse, estava satisfeito.
Após o jantar, Lídia, devido ao seu estado físico comprometido, não resistiu ficar mais tempo entre eles e decidiu retirar-se.
Regina a acompanhou até o quarto e, vendo-a bem, desceu após acomodá-la.
Rodolfo, apesar de contido, impressionou-se profundamente com tudo o que presenciava.
Aquela era uma situação, no mínimo, estranha, a qual precisava esclarecer o quanto antes, uma vez que algo poderia ir de encontro ao que ele repelia.
Após Regina retornar à sala de jantar, educado, ele pediu para que todos fossem com ele até o escritório.
Tendo os dois filhos e Regina no recinto, ele fechou a porta e calmamente expôs suas pretensões:
- Quero aproveitar a ausência de Lídia para conversar principalmente com você, Regina.
Tenho de agradecê-la.
Após breves segundos, depois de andar alguns passos lentos pelo escritório, prosseguiu:
- Não sei, não entendi muito bem o que aconteceu, mas o facto de minha esposa sentar-se connosco hoje para uma refeição, após quase um ano, é algo surpreendente.
Médicos e especialistas não conseguiram esse resultado. Obrigado, Regina.
- Não me agradeça de forma alguma.
- Por quê? - perguntou o senhor.
- Não importam os argumentos que eu tenha usado; o que a fez reerguer-se e começar a reagir foram seus próprios desejos e pensamentos.
- Para ser sincero, tenho até medo de perguntar, mas o que você disse a ela?
- A verdade, senhor Rodolfo - simplificou a moça, pois já sabia que o pai de Fernando não gostava de comentários sobre religiões.
- Foi assim, pai... - disse Fernando, que contou tudo o que Regina havia dito à sua mãe, e a moça completou ao vê-lo terminar:
- Esses são os conceitos da Doutrina Espírita.
O dono da casa, andando vagarosamente de um lado Para o outro, após ouvir, parou, preocupou-se e perguntou:
- Espero que não tenha prometido a ela comunicações ou qualquer coisa do género sobre o meu filho morto.
- Senhor Rodolfo, aquele que é realmente espírita e acredita nos desígnios de Deus, nos conceitos doutrinários, não precisa dessas comunicações e confia no amparo do Pai Celeste.
Algumas pessoas, que ainda se sentem inseguras, procuram a confirmação de desencarnados por meio de médiuns que possam trazer-lhes algumas mensagens; no entanto, desconhecem que primeiro o espírito precisa estar em condições de lhes enviar uma comunicação, que espírito e médium precisam ter uma afinidade muito grande.
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