O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Dez 25, 2016 10:10 am

- Você é capacitado, Renato.
Deveria reconhecer isso e valorizar-se mais.
- Estou valorizando aqueles que me sustentaram e me apoiaram tanto nos piores momentos, independentemente do que eu era e do que podia oferecer.
A irmã silenciou, e ele prosseguiu:
- Sabe, foi no emprego que conheci os protestantes que me aliciaram para aquela doutrina.
Mas, quando comecei a questionar algumas passagens bíblicas, algumas situações, eles não me explicaram nem me aceitaram mais no grupo.
Daí, deixei de ir aos cultos, de pagar o dízimo.
Acontece que meu gerente foi quem me levou para a igreja e, bem, acho que por não estar conivente com algumas coisas ele me demitiu.
- Veja, Renato, toda religião é importante.
- Mas eles disseram que aconteceria uma "obra de Deus" na minha vida.
Que se eu me afastasse do maligno me libertaria e encontraria o que o Espírito Santo reservou para mim.
- O maligno são os nossos pensamentos negativos, é a fofoca, são as conversas inúteis, o rancor, a inveja, o orgulho e tudo o que nos inferioriza moralmente, espiritualmente.
A obra libertadora que pode transformar sua vida é a fé, a esperança de que um dia vai ser melhor.
Esse dia melhor chegará quando vencer os desafios da existência, amando o seu inimigo, orando por aquele que o odeia, fazendo o bem, praticando a caridade.
Sabe, Renato, as coisas não mudam de fora para dentro.
A mudança para melhor tem de ser de dentro para fora.
Se os seus sentimentos forem positivos, alegres, tranquilos, aconteça o que acontecer, você estará de bem com a vida, de consciência tranquila, liberto.
Não adianta você rezar, pedir ajuda a Deus se ainda tem vícios, como cuidar da vida da vizinha que está chegando tarde, se tem preferências no momento de ajudar alguém, como:
"Olha, não vou ajudar esse colega porque ele ontem não me deu bom dia".
A obra do maligno são os nossos pensamentos de rancor, de inveja, de orgulho e de vaidade que se viram contra nós mesmos.
A obra de Deus são os pensamentos, as palavras e nossas acções benéficas aos outros, as quais se viram em nosso favor.
Ela silenciou, e Renato pediu:
- Regina, desculpe-me por tudo.
Por eu ter saído de casa, por não tê-la ajudado no momento em que mais precisava...
- Não tenho pelo que desculpá-lo, meu irmão.
Entendo que você tenha saído daqui porque o aprendizado aí fora era mais importante e urgente.
Você saiu pelo mundo para aprender, e quem aprende se torna alguém melhor, mais sábio.
Renato levantou-se e a abraçou forte.
Beijou-lhe o rosto e, ao afastar-se, sorriu, acariciando-lhe a face, e falou:
- Amo você, Rê.
- Eu também, meu irmão.
Constrangido, ele perguntou:
- Será que a mãe me perdoa?
- Do quê? - disse a irmã ao sorrir.
Mas logo perguntou:
- Onde você está morando?
- Não se preocupe com isso.
Estou morando perto do serviço.
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Dez 25, 2016 10:11 am

Aceitei dividir um apartamento com mais dois colegas.
- Renato, você não está bebendo? - perguntou Regina bem sincera.
- Não. Eu e meus amigos frequentamos a associação; nós nos apoiamos e superamos os mesmos obstáculos.
- Vocês trabalham juntos?
- Só eu e um deles.
- Estou tão feliz!
Nesse momento dona Glória chegou e ficou surpresa ao ver o filho.
Renato se levantou, cumprimentou-a e começou a conversar.
Pediu desculpas por tudo e passou a contar suas novidades.
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Dez 25, 2016 10:11 am

32 - A VIDA É SURPREENDENTE!

Parecia um dia comum, como outro qualquer.
Logo cedo, antes de sair para trabalhar, Rodolfo conversava ao telefone com um promotor, seu amigo.
Havia dias ele aguardava que o colega retornasse de uma viagem.
Estava ansioso para desabafar suas suspeitas a respeito de Lorena e também para pedir a opinião do companheiro.
Afinal, tomar as devidas providências nesse caso seria fácil; entretanto, havia o envolvimento de pessoas muito queridas.
Como acusar a mãe do neto que ele tanto amava?
Cada vez que olhava para Hélder, Rodolfo pensava em como o garoto o veria no futuro.
Seria Rodolfo o homem cruel que mandara sua mãe para a cadeia?
Havia também Fernando e Ian, o sobrinho que ele tanto estimava.
O promotor o ouvia com paciência e sigilo, atentando para cada detalhe que o amigo narrava.
- Na verdade, é o meu neto quem me impede de tomar qualquer decisão e...
Nesse momento, alguns gritos e barulhos estridentes de vidro se quebrando chamaram a atenção de Rodolfo.
Pedindo desculpas, o dono da casa avisou:
- Alguma coisa está acontecendo aqui.
Tenho de desligar.
Voltamos a nos falar depois.
Indo até a sala, Rodolfo encontrou Eunice, com quem trocou um olhar assustado.
Ambos subiram rapidamente as belas escadas curvas da mansão e ao chegarem no andar de cima, viram Ian ensanguentado, amparando-se nas paredes do corredor.
- Deus! O que é isso?!!! - gritou Rodolfo.
Lorena, também machucada, saiu do quarto gritando e golpeando o ar com uma lasca de espelho, usada como uma faca.
Pareceu não ver o sogro e a empregada, que estavam ajoelhados perto de seu irmão, já caído ao chão.
- Saia! Saia daqui!
Você morreu, desgraçado!
Estou mandando sair daqui!
Eu mando em tudo!
Consigo tudo o que quero! - gritava a jovem esposa de Fernando, mantendo os olhos esbugalhados, que traziam um brilho de aço.
Completamente alucinada, Lorena gritava enquanto ia em direcção à escadaria que dava para a luxuosa sala.
Agarrando-se e esbarrando aqui e ali, deixava seu sangue nos balaústres brancos de delicados formatos.
Rodolfo e Eunice amparavam Ian.
Chocados com a cena, não sabiam o que fazer.
Chegando no patamar, Lorena gritou:
- É isso?
É isso que você quer?!
Após a frase, Lorena cortou um dos pulsos com a lasca de espelho que segurava e atirou-se na escada.
Rodolfo, trémulo e assustado, levantou-se e foi observar, verificando que sua nora estava inerte no meio da escadaria.
Correndo até o quarto mais próximo, pegou o telefone e chamou pela polícia.
Voltando, viu Américo, o jardineiro, junto com a esposa; ambos estavam horrorizados.
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Dez 25, 2016 10:11 am

Logo, Rodolfo avisou:
- Não mexam nela.
O socorro está vindo.
Ian, mesmo muito ferido, estava consciente.
Ele e a irmã foram levados ao hospital.
Lorena havia quebrado a coluna cervical, passara internada uns dias, mas não resistira aos ferimentos.
Ian, em dois dias, recebera alta, só que se recusava a voltar para aquela casa e pedira, por telefone, para que dona Glória o recebesse por alguns dias.
Sozinho com o filho, Rodolfo desabafou:
- Foi terrível, Fernando.
Nunca passei tanto medo.
Graças a Deus nem Hélder nem Kássia estavam em casa.
- Pai, até agora estou em choque.
Ela poderia ter feito algo terrível com qualquer um de nós.
Rodolfo não revelou suas suspeitas a Fernando.
Lorena estava morta e não poderia se defender ou se justificar.
Por outro lado, de que adiantaria criar mais repulsa ou qualquer outro sentimento negativo em Fernando?
- Sabe, filho, nenhum dinheiro do mundo compra a paz.
Nenhuma mansão nos deixa tranquilos.
Ainda bem que a casa está vendida.
Hoje mesmo eu e Kássia estamos indo para o apartamento.
Fernando ficou surpreso, mas não disse nada.
Porém, o pai propôs:
- Parece que Ian, na próxima semana, se muda para a "Estância Hoteleira".
Veja, o apartamento é pequeno e ainda o estão pintando.
Mesmo assim vamos para lá.
Se você quiser dividir o quarto comigo e deixar o Hélder com a Kássia...
Creio que Eunice aceitará tomar conta dele e da casa, porque não temos lugar para mais ninguém.
Podemos aumentar o salário dela e...
É o que tenho a propor.
- Não posso me separar de vocês agora, pai.
O Hélder está sentindo a falta da mãe, e com vocês junto creio que será melhor para ele.
Vou morar com vocês até me organizar mais.
Com o ocorrido, por orientação de dona Glória, Hélder passou a frequentar sempre sua casa, quase diariamente.
Além de se distrair brincando com Amanda, o que fazia com que o garotinho não se lembrasse tanto da mãe, o riso das crianças traziam novamente alegria àquela casa.
Regina, muitas vezes, flagrava-se pensando no filho Denis, que também poderia estar ali.
Mas logo mudava o pensamento, acreditando que Denis estaria em um lugar bem melhor.
Ian percebia que a amiga se recuperava das amarguras experimentadas.
Parecia que a cada dia Regina renascia novamente, repleta de esperança e de bom ânimo.
Estava conseguindo vencer os desafios da vida.
Na espiritualidade, os mentores e amigos queridos observavam as ocorrências, as dificuldades e as vitórias dos encarnados.
O espírito Amélia, aproximando-se de Lídia, lembrou:
"O amor é o remédio que cura"; porém, ser enérgico, em muitos casos, significa amar.
Às vezes, somente quando desencarnamos conseguimos entender as coisas.
Recordo-me de que sempre achei Lorena arrogante.
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Dez 25, 2016 10:11 am

Ela, uma moça bela, no vigor da mocidade, possuía uma posição social privilegiada e muito orgulho.
Não posso negar que acreditei que suas posses eram injustas.
Lorena tinha tudo o que queria; até seus mais fúteis desejos eram atendidos.
Eu pensava que alguém que ostentasse tanto orgulho, tanta arrogância, não deveria ter o "mundo a seus pés".
O pobre espírito Lorena sempre alegou que não evoluía moralmente porque tudo o que conquistava de material era, de certa forma, tomado pelos outros.
Ela sempre se revoltou com aqueles que lhe tiravam os bens e nunca os perdoou.
Lídia, lembra-se de que sua sogra se suicidou quando os filhos ainda eram jovens?
- Sim. Eu sei dessa história - confirmou Lídia.
- Pois bem. Lorena, em outra existência, teve problemas com uma pessoa.
Essa pessoa a acusou e a mandou para os Tribunais da Inquisição.
Sem cultivar o perdão, Lorena sofreu penas amargas odiando a quem lhe foi infiel.
Anos depois, desencarnada, encontrou quem procurava, quem odiava.
Ela se transformou em um obsessor terrível, impregnando de ideias mórbidas aquela que a acusou, levando a pobre encarnada ao suicídio.
- Espere aí.
A senhora está dizendo que Lorena, quando desencarnada, obsedou minha sogra até que ela cometesse o suicídio?
- E aí - prosseguiu Amélia - sua sogra, apesar de sofrer penas inenarráveis pelo acto do suicídio, em um estado consciencial tenebroso, perseguiu, em pensamento, aquela que a obsedou até que houvesse uma oportunidade de impregná-la a mente assim como ela o fez.
Se Lorena não quisesse forçar o destino, se não tivesse seus caprichos, seu orgulho, sua arrogância, se houvesse se interessado por ensinamentos mais elevados, por cultivar uma moral mais cristã, certamente não se ligaria a companheiros espirituais tão inferiores, não cometeria os crimes que cometeu e não estaria só, à disposição de seus vingadores, dos algozes que a fizeram cometer o suicídio.
Ambas estão juntas e muito ligadas mesmo, e ficara assim até que se perdoem, até que não se odeiem mais, até perceberem que bem-aventurados são os humildes de coração.
Os pensamentos de Lorena só trabalhavam à sombra do orgulho, da vaidade e da arrogância.
De que lhe valeram esses sentimentos agora?
A verdadeira felicidade, filha, não está nos bens materiais que nos cercam, mas sim nos pensamentos bons e úteis que cultivamos.
Nesse momento, Regina aproximou-se de Ian, que, sentado à mesa da cozinha da casa de dona Glória, fazia algumas contas e anotações.
- Sente-se bem?
- Sim! - respondeu animado. - Claro.
Depois de tanto mimo que venho recebendo, não poderia ser diferente.
- Estou chocada com a morte de Lorena.
- Isso é porque você não viveu aqueles últimos minutos.
Sabe, há momentos em que tudo parece estar vivo na minha mente.
Estou assombrado.
- O que você disse a ela? - perguntou Regina, que logo se corrigiu:
- Oh, Ian, desculpe-me.
Não quero invadir sua privacidade.
- Não é invasão nenhuma.
É que, quando vim para cá, eu já havia contado tantas vezes que...
Foi assim:
Há algum tempo tio Rodolfo, junto com Fernando e minha aprovação, falou com a Lorena.
Ela não parecia bem e achamos melhor que fizesse uma análise.
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Dez 26, 2016 11:04 am

Acontece que na época ela aceitou, mas depois faltou às consultas e sempre dava uma desculpa esfarrapada.
Naquele dia, pela manhã, eu a escutei falando sozinha e fui até seu quarto, que estava com a porta aberta.
Quando minha irmã se virou, seu olhar parecia não me ver.
Comecei a falar e disse que as análises seriam para o seu próprio bem, além de outras coisas, mas falei sempre com calma.
Foi quando, de repente, Lorena, sem dizer nada, pegou um vaso e o atirou em mim.
Ela começou a gritar e investiu sobre mim, agarrando meu pescoço.
Gritava dizendo que eu estava morto.
Eu a empurrei, e, quando ela viu o espelho estilhaçado, pegou uma lasca do vidro e partiu para cima de mim.
Não havia como eu me defender direito; ela me cortou todo, mas quando me atingiu no pescoço fiquei tonto e achei que fosse morrer.
Fui para o corredor e perdi os sentidos por alguns segundos, mas depois me lembro do meu tio me segurando e de ver minha irmã falando, gritando, cortando o próprio pulso e atirando-se da escada.
Lembro-me de uma grande movimentação e depois já acordei no hospital.
Os entendidos acham que é um caso de paranóia, mas até agora não me conformo como ela foi chegar nesse estado sem que nós não percebêssemos.
Nossa, Regina, como precisamos vigiar nossos pensamentos.
- Aí está a prova de que a riqueza não nos traz felicidade.
Uma casa tão bela como aquela, tanto conforto, luxo...
- Sabe, quando vi aquilo tudo pela primeira vez achei que viver ali deveria ser um conto de fadas.
- Aquilo tudo é ilusão.
Veja só a harmonia que vocês têm.
Não há empregados para me servir, mas digo que nunca fui servido com tanto carinho, com tanta gentileza.
Na verdade, minha mãe nunca me serviu, nunca se sentou para me ouvir.
Tínhamos empregados para tudo.
Ah! e se quiséssemos ser ouvidos os psicólogos estavam à disposição.
Não havia esse afecto, essa coisa gostosa que encontrei no meio de vocês.
Estou até triste por ter de ir embora.
- É só ficar - brincou a amiga.
- Bem que eu gostaria.
Mas descobri uma coisa importante nisso tudo.
Vi que, independentemente dos problemas que tenham, não existe ilusão entre vocês, mas sim diálogo, contacto, carinho, perdão, e é isso tudo que traz harmonia.
É a falta de comentários desairosos que implanta a paz.
São os pensamentos repletos de esperança, de bom ânimo que os unem com felicidade.
- É mesmo - concordou a amiga.
Ainda tenho de agradecer por, naquele dia, ter-me alertado pelos meus pensamentos negativos.
São eles as razões de todos os males de nossas vidas.
Obrigada, Ian.
- Não! Não me agradeça.
Aliás, quase me arrependi de ter-lhe dito aquilo tudo.
Acho que fui um tanto rude, frio.
- Não. Você foi verdadeiro.
Se eu não enxergasse isso...
Ah! na próxima semana volto a trabalhar.
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Dez 26, 2016 11:04 am

Ian olhou-a surpreso e subitamente propôs:
- Que tal pedir demissão?
- Quem, eu?!
- É!
- Mas preciso desse emprego, preciso retomar minha vida e...
- Venha trabalhar comigo.
Preciso de alguém com um sorriso sincero, que inspire confiança aos hóspedes, que seja optimista, tenha bom ânimo e...
- Mas candidatei-me em um trabalho voluntário uma vez por semana aqui no Rio, precisamente às quartas-feiras, junto a mulheres com câncer e...
- Óptimo! Continue com esse trabalho às quartas, porque não posso dar folga a ninguém nos finais de semana.
São neles que o hotel deve ter mais hóspedes.
- E minha mãe e Amanda?
- Há uma escola na cidade próxima e é muito boa.
Dona Glória pode vir connosco e até ser bem útil.
Veja, se você não se adaptar, o máximo que poderá acontecer é voltarem para essa casa.
O rosto de Regina iluminou-se com um sorriso.
- Pense por dois dias - pediu.
Mas gostaria de falar com dona Glória primeiro. Está bem?
A amiga não perguntou o motivo e aceitou pensar na proposta, mesmo estando inclinada a aceitar de pronto.
Passados os dias determinados, Regina informou que, se sua mãe aceitasse, ela concordaria em ir trabalhar com ele.
Porém Viviane, que era como uma irmã, teria de acompanhá-los.
- Regina, tem certeza de que Viviane quer nos acompanhar?
- Claro, ela sempre ficou connosco e...
Os irmãos não vão se importar.
Ela não tem com quem ficar.
- Será?
- Como será?
- Sou muito observador e...
Olhe, serei bem directo.
Você não acha que existe algum sentimento entre Viviane e Fernando?
Regina pareceu surpresa e mesmo assim respondeu:
- Será?
- Percebi isso há algum tempo; minha irmã ainda estava viva quando chamei meu primo e o questionei a respeito.
- E o que ele disse? - perguntou curiosa.
- Fernando me afirmou que nunca havia traído Lorena, mas depois que conheceu melhor a Viviane não a tirou mais dos pensamentos.
Disse que tinha vontade de frequentar mais a sua casa só para vê-la.
- Lá na empresa em que trabalhávamos surgiu um comentário de que o Fernando tinha um caso com uma moça de nome Matilde.
- Pura fofoca - afirmou o amigo.
Estou sabendo essa história.
A moça o assediava e provocava encontros, caronas, e ele não sabia mais o que fazer para se livrar dela.
Até que ela foi transferida.
- Puxa! Fiz muito mal tê-lo julgado.
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Dez 26, 2016 11:04 am

- Regina, antes de acontecer aquilo tudo com Lorena, tenho certeza de que meu primo ia mesmo pedir o divórcio.
Ele me contou que percebeu algo diferente com ela e até estava com medo de relaxar ao seu lado.
Mesmo assim não teve coragem de dar crédito à ideia de ela estar desequilibrada.
Regina riu e argumentou:
- Creio que, se Fernando não tivesse conhecido Lorena, teria ficado com Viviane.
- Isso é um mistério da vida.
Nunca vamos saber.
- Sabe, Ian, agora estou me lembrando.
Viviane sempre fala no Fernando com certa empolgação, com certo destaque, entende?
- Regina, creio que eles ainda não estão juntos por tudo ser muito recente.
Você não acha?
Ela, com um brilho maroto no olhar, iluminou o rosto com um sorriso e sugeriu:
- Vamos dar um empurrãozinho?
- Deixe comigo!
No dia seguinte, procurando estar a sós com dona Glória, Ian explicou a situação e argumentou:
- Regina precisa se ocupar.
Essa casa lhe traz recordações, lembranças que podem ser amargas.
Se a senhora não quiser vir, ela não vai aceitar a minha proposta.
- Estou surpresa, meu filho.
No momento nem sei o que dizer.
É uma coisa muito diferente para a minha idade.
Sair dessa casa...
- Creio que essa mudança vai tirar Regina definitivamente desses momentos de melancolia.
Ela vai lidar com gente nova quase todos dias, com pessoas diferentes; terá com o que se preocupar.
- Você sabe que ela precisa de médico, que tem exames periódicos para fazer... - lembrou a senhora com tranquilidade.
- Eu sei. E é por isso que a estou convidando.
Estou pensando em sua saúde.
Lá, Regina terá uma qualidade de vida muito melhor do que aqui no Rio.
A mulher ficou pensativa e até preocupada.
Sua vida e a de sua filha mudariam totalmente.
Mas, em seu íntimo, dona Glória sentia que Regina precisava caminhar com os próprios pés.
Ela não ficaria ao seu lado pela vida toda.
Ian era um bom amigo, alguém em quem ela sentia poder confiar.
Tirando-a da profunda reflexão, Ian admitiu, confessando com humildade:
- Dona Glória, quero muito bem à sua filha.
Gostaria que Regina estivesse mais perto de mim.
Desculpe-me por pensar assim, mas acho que posso ajudá-la muito.
Experiente e com ampla visão da vida, a senhora perguntou com simplicidade:
- Meu filho, você quer fazer isso só para ajudá-la?
- Também.
Depois de breve pausa, completou um tanto constrangido:
- Na verdade, sempre gostei de sua filha.
Desde que a vi pela primeira vez na casa do meu tio.
Até cheguei a lamentar que ela gostasse do Fernando na época.
Fui para a Europa...
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Dez 26, 2016 11:04 am

Quando voltei, por meu primo estar casado, ainda tive esperanças, mas me decepcionei muito quando soube que Regina havia-se casado também.
Como sofri.
- Mas, meu filho, você é um moço jovem, tem muita coisa pela frente.
- Sempre expressei alegria e bom ânimo, mas nunca fui feliz.
Sempre me faltou algo.
Quem sabe essa "muita coisa" que eu tenha pela frente seja a felicidade ao lado dela.
Sou feliz ao lado de sua filha.
- Ian, Regina viveu muito, já passou por poucas e boas.
- E só por isso não tem o direito de ser feliz?
A vida acaba aos trinta, caso soframos muito? Não!
Caso encontremos um motivo para viver, a vida pode começar aos oitenta, se estivermos nessa idade.
- Se disser a Regina que gosta dela, irá perdê-la.
- Eu sei. Como disse, sou feliz só de estar ao lado dela.
Talvez nunca diga nada se perceber que ela pode se entristecer e se afastar de mim.
Estou disposto a isso.
Após pensar um pouco, dona Glória afirmou:
- Está bem.
Eu vou, mas só se tiver um emprego e com salário! - Afirmou, rindo gostosamente.
Ian a abraçou com carinho, embalando-a de um lado para outro.
Passado mais de um ano dos últimos acontecimentos, Ian e Regina foram os padrinhos de Fernando e Viviane.
Hélder demonstrava-se imensamente feliz, pois gostava muito de Viviane e a queria sempre perto.
Viviane, sempre generosa, dava-lhe toda atenção e carinho.
- É curioso meu sobrinho ficar tão agarrado a Vivi do jeito que fica.
Lembro-me de que ele não fazia isso com a mãe - reparava Ian.
- Criança gosta de atenção, de orientação...
Depois de sorrir, Regina lembrou:
- Há muitos meios de os filhos verdadeiros nos voltarem aos braços.
Ambos, um pouco distantes dos convidados que ocupavam algumas mesas, distraíram-se, ficando em silêncio por alguns instantes, até que Ian sugeriu:
- Vamos andar um pouco.
- Sim, claro - respondeu Regina, aceitando a mão do amigo que se estendeu para apoiá-la.
A tarde estava maravilhosa.
Um perfume de flores espargia no ar, enquanto o cantar alegre dos pássaros anunciava o auge da primavera.
O sol, inclinando-se no horizonte, reflectia-se no lago, ofuscando a visão com seu encanto.
Após breve caminhada em absoluto silêncio, Regina lembrou:
- Quantas coisas aconteceram e mudaram nossas vidas.
Ian sorriu e ficou em silêncio.
- Sabe, Ian, às vezes eu me recordo de quando o conheci.
Ela riu e completou:
- Eu o achei muito folgado.
Rindo, ele reclamou:
- Folgado?! Eu?!
- É! Você nem me conhecia e pegava no meu braço, me abraçava, ficava muito perto...
Nossa! Eu achava isso muita folga, muito atrevimento.
Você era bem confiado.
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Re: O DIREITO DE SER FELIZ - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Dez 26, 2016 11:04 am

- Eu gostava de você.
- Ah! E agora não gosta mais?
Ian pensou em dizer a verdade, mas se calou, e ela perguntou:
- Por que será que não gostei de você assim que o conheci?
Puxa, Ian, você tem sido tão bom...
Um amigo tão fiel...
- Acho que no planeamento para essa reencarnação eu disse que reencarnaria para ajudá-la, mas você, como é orgulhosa, disse:
"Não! Não quero vê-lo, pode deixar que me cuido sozinha" - disse, remedando-a de um jeito engraçado, tentando imitar sua voz.
Ele riu e completou:
- Aí, quando me viu à sua frente, simplesmente não gostou quando eu pegava em seu braço; achava que eu não deveria ampará-la.
Então, quando viu que eu tinha razão, que eu poderia ser uma boa pessoa, alguém confiável, começou a gostar de mim.
Viu como a vida é surpreendente?
Regina riu, quase gargalhando, e entrelaçou seu braço no dele.
Mais alguns passos e os dois se sentaram no gramado às margens do lago, e após alguns minutos ela afirmou:
- Devo muito a você, meu amigo.
Você é uma pessoa maravilhosa, Ian.
Tem uma alma linda.
- Só a alma - disse brincando, forçando-o a encará-la.
- Se não fosse por você, não saberia dizer onde eu estava hoje.
Talvez chorando feito louca, desequilibrada.
Talvez deprimida e irritando os outros.
- Não diga isso.
Eu não fiz nada por você.
Há muitas pessoas que recebem incentivo, estímulo, mas não reagem e se arrastam em reclamações e queixas infinitas.
- Obrigada, assim mesmo.
Os olhos de ambos brilhavam fixos um no outro, por alguns instantes, até que lentamente seus lábios se uniram.
Ian a tomou com carinho, aconchegando-a em seus braços como uma relíquia, abraçando-a com amor.
Após breves minutos, ela se recompôs rápido, demonstrando-se constrangida.
Ele pegou em seu queixo com delicado carinho e sorriu-lhe ao dizer:
- Deus sempre dá uma oportunidade àqueles que se amam.
- Eu...
- Não vá dizer que se arrependeu?
- Não - sorriu ela ao afirmar.
Não me arrependi, só acho que...
- Não ache. Viva.
Se é salutar, se não vai causar prejuízo a você ou a outrem, esqueça o passado, não fique ansiosa com o futuro e viva feliz o presente.
Abraçando-a novamente, Ian a beijou com carinho e todo seu amor.
Era aquele o começo de uma nova etapa, pois cada um de nós tem o direito de ser feliz.

§.§.§- Ave sem Ninho
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