O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jan 09, 2017 10:43 am

Procurando olhar nos olhos de Rose, ele erguia-lhe delicadamente o rosto, perguntando:
— Está melhor?
Ela respondeu que sim, pendendo com a cabeça positivamente.
— Somos amigos, não somos?
Rose repetiu o gesto sem dizer nada.
— Amigos não escondem nada um do outro e, se for minha amiga mesmo, vai me contar o que você tem.
Com a voz trémula, ela respondeu:
— Eu não sei.
Tenho um medo que... entro em pânico.
— Medo de mim?
-Não.
Por que não queria me ver?
— Não sei.
Rose, estou preocupado com você.
Não quero vê-la assim.
Gostaria de ajudá-la, mas para isso tenho que saber o que a está lhe abalando.
Ela ficou em silêncio e ele tornou:
— Está com medo agora?
A impressão que tenho é que algo vai acontecer...
— Mas o que pode acontecer? -— perguntava Roberto co paciência.
— Não sei.
Ambos ficaram em silêncio por algum tempo, depois Robert decidiu:
— Rose, eu gosto muito de você.
interesso-me por você e sabe, às vezes, acredito que você sente o mesmo e...
As lágrimas rolaram compridas no rosto da jovem.
Roberto a abraçou novamente, confortando-a e dizendo baixinho:
— Rose, minha Rose.
Há quanto tempo...
Ela se afastou com delicadeza e, mesmo chorando, perguntou:
— Há quanto tempo o quê?
— Há quanto tempo eu queria abraçá-la.
Quando a gente gosta e sonha com alguém, dois ou três meses é muito tempo.
01hando-a fixamente, ele perguntou:
— Você gosta de mim?
Abrindo um meigo sorriso encabulado, ela respondeu:
— Gosto...
Roberto, não resistindo, aproximou-se lentamente, beijando-a com carinho.
Rose retribuiu e, mais animado, ele propôs, levantando-se e segurando-lhe as mãos:
— Venha, Rose. Vamos lá pra fora.
Lave o rosto e... quem sabe você quer dar uma volta comigo.
Rose sentiu-se atordoada naquele instante, foi como se a síndrome do medo, simplesmente, desaparecesse como por encanto.
Ela sorriu e comentou abaixando a cabeça:
— Estou horrível.
Nariz vermelho, olhos inchados, rosto marcado, voz rouca...
— Está linda!
Vamos lá na sala, seus pais devem estar preocupados com você.
Segurando-lhe a mão, Roberto a auxiliou a levantar e ambos foram para a sala onde os pais da moça agiram com naturalidade como se nada houvesse acontecido.
Rose ficou tranquila e praticamente esqueceu o ocorrido.
Aceitou sair com Roberto e acabaram conversando sobre o namoro e as dificuldades que enfrentariam devido aos estudos, prometendo, um ao outro, paciência e compreensão.

11. N.A.E.: Galera é uma gíria popular que indica muita gente, torcida.
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jan 09, 2017 10:43 am

4 - Consequências

Rose retornou para casa mais alegre e animada, divulgando a todos a notícia de seu namoro com Roberto. Ao se deitar, ela e o irmão, como sempre, conversaram até serem vencidos pelo sono.
Bem mais tarde, Henrique acordou com o balbuciar de sua irmã.
Incomodado com o barulho, ele atirou-lhe uma almofada que estava próxima e tentou adormecer, quando Rose começou a gritar, narrando sua experiência.
— Preciso acordar... eu vou me queimar!!! Estela, me ajude! Socorro!
— e um grito de pavor completou o desespero.
Henrique foi até ela, depois de acender a luz, passou a agitá-la para que acordasse do pesadelo.
— Rose, acorda! Acorda!
Ela abriu os olhos e gritou em desespero:
— Henri! Me ajuda! Me tira daqui!
— Calma, estou aqui — disse ele, abraçando-a. — Foi um sonho, Rose. Calma.
Ana entrou no quarto às pressas, pois havia acordado com o grito da filha.
O que aconteceu?!
A jovem chorava e não tinha condições de explicar.
_ Foi um sonho, mãe. Está tudo bem, pode deixar — respondeu Henrique ainda abraçado à irmã.
Ana trouxe um copo com água para acalmar a filha que, após se recompor, admitiu o sonho.
_ Eu estava num incêndio... Alguém me chamava, mas eu não conseguia sair do lugar. Era uma casa velha, e a pessoa que eu via como sendo eu, não era eu. Entende?
_Sim, filha. Fique tranquila, está tudo bem. Foi um sonho ruim.
— Você chamou por Estela. Quem é?
Rose pendeu com a cabeça negando qualquer familiaridade com o nome, respondendo:
—Não sei. Não conheço nenhuma Estela.
—Já passou. Voltem a dormir.
Quando Ana apagou a luz, Rose teve vontade de chamá-la para lhe fazer companhia, mas resistiu.
***
Com o passar dos dias, a conselho de seu pai, Rose consultou um psicanalista.
Nessas consultas, a jovem tentava descobrir, por si própria, a origem de seu medo e insegurança; enquanto o analista desenvolve a tarefa de, repetidas vezes, estimular o desenvolvimento das defesas do paciente além de ser o alvo de transferência.
A psicanálise é o conhecimento ou a tentativa de conhecimento dos processos mentais inconscientes que de outro modo seriam inacessíveis a não ser por esse método de investigação,
Que consiste no facto da pessoa relaxar sobre um divã e relatar seus problemas pessoais.
De forma muito normal, Rose levava sua vida cumprindo seus deveres e seu lazer com naturalidade, até que surgisse a possibilidade da jovem frequentar a casa do namorado, pois a isso ela oferecia resistência por não querer ver o senhor Gonçalves.
O quanto podia, ela ficava distante do ambiente que o homem pudesse estar.
Roberto, que acompanhava todo o processo, procurava apoiá-la, estimulando-a a ter resistência a fim de vencer o medo.
Dessa forma, iam levando seus afazeres ocupando a maior parte do tempo com os estudos.
Roberto estava exausto, mas era difícil arrancar dele alguma reclamação.
Ele passou a dormir cerca de três a quatro horas por noite e, no final de semana, procurava recuperar o sono, determinando também um tempo para os estudos.
Rose compreendia e, muitas vezes, ao acompanhar seu irmão que ia namorar Margarete, ao saber que Roberto estava dormindo, não deixava acordá-lo.
Várias vezes, Rose fazia companhia à dona Nanei enquanto seu irmão saía com Margarete.
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jan 09, 2017 10:44 am

Só que para isso Rose tinha que ter certeza de que o senhor Gonçalves não retornaria para casa.
A jovem dava muita atenção e carinho à irmã mais nova de Roberto, Flora, que acostumou-se rápido com ela e demonstrava gostar de receber seus cuidados.
Pedro, a princípio, era indiferente com a presença de Rose na casa, quase não conversava, mas com o tempo ele começou a sentir-se à vontade com a namorada de seu irmão, alongando alguns assuntos enquanto lhe fazia companhia.
Por vezes, Pedro procurava criticar o sacrifício de seu irmão.
— Não vejo qual a satisfação que Roberto tem em se sacrificar tanto!
Ele está se acabando.
_ O tempo passa rápido, Pedro.
Quando vir, Roberto já estará formado.
Eu comparo por meu irmão, quando dei conta, Henrique já era médico.
_ Mão queira comparar, Rose.
Seu irmão não trabalhava.
Até quando o Roberto vai suportar?
Ele nem se aguenta em pé quando chega em casa!
E ele está só no final do primeiro ano!
E se ele perder o emprego?
_ Sabe, Pedro, se o Roberto não fizer isso, nunca vai poder dizer que não tentou e será uma pessoa frustrada.
—Outro dia, ele estava preocupado porque quase cometeu um erro lá no laboratório.
Seria melhor ficar com o emprego e ajudar a família do que arriscar ficar sem nada.
—Existem vários hospitais que possuem laboratórios de análise clínica que funcionam vinte e quatro horas.
Não será difícil o Roberto encontrar outro emprego com a mesma função para trabalhos à noite.
—Não sei não.
Onde ele trabalha é tranquilo, segundo ele, só aparece serviço quando surgem pacientes que necessitam de exames urgentes.
E lá, pelo visto, parece não ter muito movimento.
Disse ele que, às vezes, dá até para tirar um cochilo.
Olhe só, o Roberto trabalha uma noite sim e uma não, tem folga no final de semana.
O que ele quer? Ficar sem essa moleza?!
Se continuar assim, ele acaba perdendo o serviço e largando a faculdade.
—Não podemos ser pessimistas, Pedro.
Vai dar certo.
—Duvido! -— debochou ele.
Pedro sentia inveja de seu irmão devido a seu esforço, pois não possuía a mesma disposição para se aperfeiçoar ou adquirir conhecimento.
Até consigo mesmo Pedro era descuidado.
Sua aparência denunciava isso:
barba por fazer, cabelos desalinhados, roupas sem esmero, palavreado vulgar, nem dos dentes ele cuidava.
Tudo isso contribuía para que ele não chamasse atenção agradasse nenhuma moça.
Não havia quem lhe tivesse um sentimento verdadeiro.
Mal ajudava seu pai no armazém, porque não gostava muito do trabalho.
A maior parte do tempo perdia em frente a uma televisão.
O senhor Gonçalves reclamava em demasia, mas Pedro não se importava.
As horas em que Roberto dormia, e enquanto Rose permanecia em sua casa, foi o tempo que bastou para que Pedro começasse a se interessar pela namorada de seu irmão.
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jan 09, 2017 10:44 am

A cada final de semana, procurava aproximar-se dela com assuntos que pudessem agradá-la.
Rosse sentia uma rejeição inexplicável pelo irmão do namorado, procurando sempre afastar-se dele educadamente.
Em certa ocasião, dona Nanei recebeu um telefonema da vizinha da irmã informando que ela não estava bem.
— Rose, por favor, filha -— pediu a mãe de Roberto.
Você pode tomar conta da Flora para mim?
A vizinha da minha irmã telefonou e me disse que Das Dores não está muito bem.
Minha irmã tem ataques epiléticos.
Preciso ir lá para socorrê-la, se for o caso.
Ela tem uma filha, a Elisa, que não está em casa agora.
— Fique tranquila, dona Nanei.
Eu tomo conta da Flora.
— Quando ela acordar, dê o leite da tarde, por favor.
O café para o Roberto está lá na cozinha, quando ele acordar...
— Vá logo, dona Nanei.
Não se preocupe.
A mulher seguiu tranquila para a casa da irmã.
Pouco depois, Pedro, que estava fora, chegou e procurou pela mãe.
Rose informou o ocorrido e pensou que ele faria como sempre:
iria assistir à televisão.
Pedro ficou sem dizer nada, fitando-a de uma for diferente, com certo "olhar de conquista".
A moça começou a ficar nervosa e não sabia o que fazer.
Decidiu então ir ver a menina que dormia.
_ Vou ver a Flora -— avisou ela, retirando-se.
Pedro a seguiu, e quando Rose percebeu, perguntou com a voz trémula:
O que foi, Pedro?
Endereçando-lhe um sorriso malicioso, Pedro declarou:
_ Está nervosa?
Muitas jovens ficam nervosas com a minha presença -— disse ele, colocando-se à sua frente.
Rose nada comentou.
Criou coragem e o empurrou, saindo a chamar por Roberto.
No quarto, acordou-o quase aos gritos.
— Roberto! Levanta!!!
Assonorentado e confuso, ele sentou-se respondendo:
— O que foi?
Pedro parou à porta do quarto e disse:
—Sua namorada é louca!
Você estava dormindo e ela resolveu dar em cima de mim.
—Mentira! -— gritou Rose irritada.
— Roberto, por favor, leve-me embora!
— Espere! Calma.
O que aconteceu?
Rose começou a chorar enquanto Pedro passou a acusá-la do mais baixo comportamento moral.
Desorientada, a jovem saiu correndo sem saber para onde ir.
Ao ver Pedro sustentando um sorriso irónico, quando ia continuar com seus relatos, Roberto gritou:
_ Cale a boca!
Saindo em seguida atrás da namorada, alcançando-a ainda no Portão.
Segurando-a, Roberto pediu:
—Espera, Rose, por favor.
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jan 09, 2017 10:44 am

—Solte-me!
— Eu quero saber o que está acontecendo.
Fique calma
Estou confuso... acordei agora e... não estou raciocinando direito.
— Deixe-me ir embora!
— Calma, por favor.
Eu a levo para casa sim.
Mas antes vamos entrar.
Será só o tempo para eu me trocar, daí...
—Não!!!
—Calma. Tudo bem.
Roberto a abraçou, procurando tranquilizá-la.
Vendo-a menos nervosa, lembrou:
— Eu quero levá-la para sua casa.
Mas não posso ir assim de agasalho, descalço, sem camisa...
Espere-me aqui, tá?
Não saia daqui. Eu volto já.
Rose parecia estar mais calma, apesar das lágrimas.
Ele voltou para dentro de casa a fim de se vestir.
Mesmo com as acusações de seu irmão, ele não dizia nada.
— Essa camarada é louca, além de fácil.
Abre o olho, cara.
Ela veio se insinuando para cima de mim e quando eu disse que iria contar para você, ela saiu correndo e gritando.
Pedro era cínico.
Entoava a voz como se narrasse um caso verídico e quisesse realmente aconselhar o irmão.
Diante do silêncio de Roberto, ele perguntou:
— Qual é? Não acredita em mim?!
Roberto somente o olhou e nada respondeu, saindo o quanto antes e recomendando:
— A Flora está dormindo.
Toma conta dela.
Ao chegar ao portão, verificou que Rose não estava mais lá.
Ele a procurou pelas proximidades.
Foi até o ponto de ônibus, mas não a encontrou.
Decidiu ir até a casa da jovem.
— A Rose não chegou, Roberto, nem telefonou.
O que aconteceu? -— perguntou Ana ao recebê-lo.
Roberto contou-lhe o ocorrido.
_ Como a senhora vê, eu não sei de muita coisa.
Nós não conversamos.
_ Estou preocupada com ela -— confessou a mãe.
— Onde poderá estar?
Quem sabe na casa da Valéria...
Eu já telefonei para lá, dona Ana.
Rose não estava. Pedi que nos avisassem caso ela chegasse.
Disse que estaria aqui.
_ Roberto, o que pode ter acontecido?
_ Não faço ideia.
A Rose vinha se comportando normalmente.
Começou a frequentar minha casa sem problemas.
Só não gosta muito de ir lá quando meu pai está.
Achei até que tudo estava indo tão bem.
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jan 10, 2017 10:02 am

— Após alguns segundos, ele às vezes...
Quando ele se deteve no que ia dizer, Ana insistiu:
— O quê?
— Às vezes eu acho que não estou me dedicando à Rose como deveria e... será que ela não queria chamar a minha atenção?
— Roberto, você acha que Rose chegaria a esse extremo?
Eu não posso acreditar, filho.
— Desculpe-me, dona Ana.
Não sei por que eu disse isso.
— Só porque a Rose faz análise com um psicanalista, não indica, de forma alguma, que esteja desequilibrada.
Ao contrário, as pessoas realmente desequilibradas não aceitam esse tipo de tratamento, enquanto que as dispostas a encará-lo têm total consciência do certo e do errado, não querendo se inclinar ao erro, ou seja, ao desequilíbrio emocional porque sabem e admitem o que está acontecendo consigo.
_ E u sei. Perdoe-me, dona Ana.
Não foi isso o que eu quis dizer.
— Eu entendo, Roberto.
Sabe... ultimamente eu estou cansado.
Não dou conta de tudo o que tenho de fazer.
Meus pais e meu irmão reclamam porque não ajudo em casa... tem a Rose e... são tantas coisas.
Não durmo bem, e isso tudo está afectando meus estudos.
Estou só no primeiro ano... - Roberto exibiu desânimo.
Com os cotovelos apoiados na mesa, segurando a cabeça baixa com as mãos, ele deu um longo suspiro e fechou os olhos.
Ana o compreendeu e apiedou-se dele.
Ela sabia o quanto estava sendo difícil.
Aproximou-se do moço e acariciou-lhe o ombro e os cabelos oferecendo apoio moral e carinho como se ele fosse seu filho Ana o considerava assim.
—Não desista, Roberto.
Não será fácil, mas eu sei que você vai conseguir, filho.
—Às vezes eu duvido.
A senhora não imagina como é lá na minha casa.
Eu não tenho ambiente...
De repente, Roberto mudou o assunto não querendo mais falar sobre si.
— Vamos nos preocupar com a Rose -— disse ele.
— Onde será que ela está?
Nesse instante o telefone tocou e, ao atender, Ana anunciou:
— Que bom você ter me avisado, Davi.
O Roberto está aqui e estávamos preocupadíssimos.
Roberto respirou aliviado e perguntou sussurrando:
— Ela está com o pai?
Ana sorriu e pendeu com a cabeça afirmativamente.
Ele se levantou e foi até a sala acomodando-se por lá, talvez para deixar Ana mais à vontade em sua conversa com o esposo.
Ao desligar o telefone, Ana o procurou.
—Podemos nos tranquilizar.
Ela foi procurar o pai na clínica.
Voltarão juntos. Não desanime, Roberto.
Tudo vai dar certo.
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jan 10, 2017 10:02 am

—Meu irmão diz que eu sou o sonhador da família.
Será que ele não tem razão?
Faço tudo o que não está dentro das minhas possibilidades. Isso é errado.
Se você faz tudo o que não está dentro das suas possibilidades você não é um sonhador porque está realizando. Você faz!
Sabe, Roberto, você é um lutador, é uma pessoa que procura mudar a realidade para melhor, mesmo com sacrifício.
Geralmente as pessoas só reclamam. Você age!
Acho que nasci na família errada.
_ Deus é justo, filho.
Ninguém nasce na família errada.
Todos temos reajustes amorosos a fazer em vários sentidos.
Se você está com essa família, hoje, é porque precisa aprender algo com eles ou aperfeiçoar-se diante das condições que enfrenta; e eles, com você.
Roberto ficou em silêncio, enquanto ela decidiu:
— Vou preparar algo para você comer.
Mais tarde, quando o doutor Davi chegou a sua casa com a filha, Ana pediu silêncio, sinalizando com o dedo indicador em frente aos lábios, sussurrando depois:
— O Roberto dormiu no sofá.
Não façam barulho.
— Eu não quero falar com ele -— decidiu Rose indo para seu quarto.
Chamando a esposa em outro cómodo, o senhor Davi relatou-lhe o que a filha contou sobre o ocorrido.
Após ouvi-lo, Ana comentou a informação que recebeu de Roberto.
—Eu acredito no que Rose disse -— afirmou o pai.
— Por outro lado, acho o irmão do Roberto um tanto quieto demais, é difícil acreditar que ele tenha se insinuado para Rose.
—Será que ela não entendeu mal qualquer coisa que ele tenha falado?
—Não sei, Ana.
O que é muito nítido é que Rose não deixa um rapaz se aproximar dela com facilidade.
Vejo que Roberto é muito compreensivo.
Nossa filha apresenta reacções adversas do seu comportamento normal diante de determinadas situações.
Como se fosse uma tensão crónica ambiental que se manifesta diante de algum facto que ela considere traumático.
Creio eu que, talvez, imaginário, até desconhecido.
Veja Ana, acreditamos na pluralidade das existências o sucesso e o insucesso de alguém não é por acaso, mas depende dele, hoje.
Depende também da condição mental, da disponibilidade que essa pessoa se coloca e oferece para receber o que tem ou precisa ter.
Pelo facto da Rose se dispor à análise, eu acredito que ela ignore o motivo dessas reacções adversas.
Ela não se intimida de descobrir a causa desse efeito.
Rose se esforça e se ajuda.
Só por isso, podemos nos sentir aliviados.
Uma pessoa desequilibrada se negaria a qualquer tratamento, sempre se achando normal.
— Mas será que ela não... fantasiou o que aconteceu?
— Rose pode ter entendido mal.
Porém o Pedro a acusou de um comportamento que, eu creio, ela não teria.
Isso é diferente. Eu acredito nela.
— Por que Pedro mentiria?
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jan 10, 2017 10:03 am

— Não sei. Inveja do irmão, talvez.
Quem sabe ... perturbar a vida do Roberto.
Rose é uma jovem bonita, apoia o namorado, compreende-o...
Pedro não tem namorada, pelo menos que saibamos.
É um rapaz que se apresenta mal.
Roberto é completamente diferente.
Eles nem parecem irmãos.
Mais tarde, conversando com Roberto, o pai da moça procurava tranquilamente esclarecer.
— Você acha que seu irmão poderia mentir, Roberto?
— Pedro é de personalidade muito fechada.
Nunca diz o que pensa e, quando expõe sua opinião, elas sempre são recheadas de críticas ou reclamações.
Pedro não tem iniciativa.
Ao mesmo tempo, eu não posso crer que Rose esteja mentindo.
Eu acredito nela.
O que o senhor acha que devemos fazer?
— Deixar como está e aguardar.
Não vou mais deixá-la em minha casa na companhia dos urros quando eu não estiver ou quando eu for dormir. Virei para cá.
__ Você vai conseguir?
Roberto abaixou a cabeça e analisou que estava sobrecarregado, por isso disse:
__ Vou tentar.
_ Não creio que seria o ideal Rose deixar de ir lá.
As pessoas mais desequilibradas são aquelas que fogem das situações e não encaram os factos como eles são.
Há duas maneiras de se fugir da realidade:
iludindo-se e agindo como se tudo estivesse bem, deixando os acontecimentos duvidosos ou ruins acontecerem enquanto se pode fazer alguma coisa, ou então fugindo, no sentido exacto da ideia, através de viagens, emoções fortes, drogas, bebidas, aventuras, etc...
Não devemos aconselhar ninguém a fugir da realidade.
Devemos mostrar à pessoa a condição de enfrentar os factos detendo o que estiver errado e ao seu alcance.
Esse é o estímulo para que a criatura ganhe forças próprias e se depare com a realidade como ela é, sem crer nas ilusões ou usando as fugas como supostas soluções, enquanto algo sério está ocorrendo.
—O senhor acha que estaremos certos deixando-a ir a minha casa?
—Sim, estamos.
Perdoe-me a franqueza, Roberto.
O que me preocupa é seu irmão.
O jovem entendeu e declarou:
Vou ficar atento.
Não se preocupe, senhor Davi.
Antes de ir embora, gostaria de falar com ela.
Vou chamá-la -— avisou a mãe.
Eles conversaram e Roberto exibiu-lhe sua confiança no que ela contou.
Com o passar do tempo, a custo, Roberto conseguiu convencê-la a ir a sua casa, pois ela se negava.
— Rose, fica difícil eu vir aqui.
Tenho de estudar e não dá para carregar tudo o que preciso.
Mal tenho o sábado e o domingo...
Não posso perder tempo.
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jan 10, 2017 10:03 am

Ela compreendeu e passou a ir com alguma frequência à casa de Roberto.
Quando não estava com seu namorado, Rose acompanhava a mãe dele a fim de não ficar só.
Ninguém mais daquela casa soube do ocorrido.
Pedro não contou o que aconteceu e Roberto também se calou para não criar reacções contra Rose ou qualquer coisa assim.
Certo dia, dona Nanei preparava um xarope caseiro quando Rose, que acabava de chegar, perguntou ao vê-la empenhada:
— Para quem é?
— Para o Gonçalves.
Ele está com uma tosse!...
Tem dores nas costas e no corpo todo.
Uma vizinha me ensinou esse xarope caseiro porque o de farmácia não está resolvendo.
— Por que ele não vai ao médico?
— Nem fale isso. Ele não gosta de médicos.
Esse é um dos principais motivos dele brigar com o Roberto.
Entre tantos cursos, o filho foi escolher esse.
Mais tarde, conversando com o namorado, Rose comentou o problema de seu pai.
— Ele é teimoso, Rose. Não adianta.
Conversei com um professor a respeito porque não acho que seja só uma gripe.
Meu pai comentou que sente dores fortes, não dorme, sente falta de ar, e isso já ocorre há um mês.
O professor me favoreceu uma consulta grátis no seu consultório particular, mas meu pai não quis ir e até agora eu não encontrei um meio de convencê-lo.
Não podemos fazer nada se o paciente não quer colaborar.
Fico com pena da minha mãe que tem se desdobrado cuidando da Flora, da minha tia e agora preocupada com ele.
Sua mãe me contou que sua tia Das Dores vem tendo crises seguidas de epilepsia.
É somente Das Dores, na sua família, que tem esse problema?
— Sim. Só ela. Essa minha tia não tem muita sorte, coitada.
Fora essa síndrome, ela tem problemas visuais e auditivos.
_ O que provoca a epilepsia?
_ As origens podem ser várias; algumas, desconhecidas.
Clinicamente falando, a epilepsia pode ter origem nos traumatismos do crânio ou lesões, processos patológicos, tumores cerebrais e outras causas que não se identificam as motivações.
O que se leva a pensar em causas hereditárias.
Desconhecemos o motivo pelo qual a maior percentagem de incidência é em homens e, raramente, essa síndrome se manifesta depois dos vinte anos.
—A epilepsia é um distúrbio das funções cerebrais, não é?
Estudei isso na aula passada.
—Sim. Mas é um distúrbio transitório, que ocorre repentinamente.
Ela não é propriamente uma doença porque pode derivar-se de diversas enfermidades cerebrais, pode se restringir desde uma pequena área ou generalizar-se por todo o córtex cerebral.
Subitamente Roberto perguntou:
— Vocês são Espíritas e acreditam na reencarnação.
Você sabe me dizer o que um indivíduo pode ter feito, no passado, para sofrer desse mal?
Rose pensou e respondeu:
Até onde eu sei, várias pessoas podem sofrer consequências iguais, vamos dizer assim, doenças iguais e por diversos motivos diferentes.
Sabendo que a epilepsia provoca contracções musculares, convulsões, perda dos sentidos, incontinência urinária, hipersecreção salivar, podemos deduzir que a pessoa provocou isso a alguém, ou agiu de uma forma, em existências passadas, que não cuidou de alguém nesse estado.
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jan 10, 2017 10:03 am

Eu sei que há casos em que a pessoa tem alucinações e transtorno de memória.
— É chamado de crises epilépticas focais -— esclareceu Roberto.
— Então, nesses casos, mais comuns em crianças, não apresentam a perda da consciência.
O conjunto de sensações e relatos por elas nos dão a ideia da perturbação espiritual que possuem.
Teríamos de analisar se há um assédio espiritual por parte daqueles irmãos que querem se vingar.
Rose tentava comparar as dificuldades atuais com o que Das Dores teria se prejudicado em outrora.
***
Das Dores, no passado, como médium, não admitia que contestassem sua mediunidade.
Não reflectia, com bom senso e fé raciocinada, tudo o que exibia aos outros como sendo "trabalho mediúnico", iludindo-se em crer nas fantasias que criava animicamente, fazendo com que os demais acreditassem nela.
Das Dores interferia também no livre-arbítrio dos outros através de induções ou dando-lhes consultas e opiniões que os levaram ao erro ou os faziam perder a oportunidade de realizar, por si só, o que lhes era necessário superar.
Hoje Das Dores veio como uma pessoa que tem a perda da consciência temporária pelas crises, porque interferiu na opinião dos outros fazendo-os agir com a sua opinião.
As convulsões e hipersecreção salivar, bem como as contracções musculares com movimentos rítmicos discretos na face e nos dedos, tremores nos lábios e nas pálpebras, são o conjunto de manifestações em que a atenção de todos os demais se voltam para ela, exactamente como desejava no passado: chamar a atenção.
O problema visual era pelo facto de ela afirmar que via o que não era verdade, fazendo as pessoas acreditarem que o fosse.
A deficiência auditiva também era de consequência semelhante.
É lógico que nem todo portador dessa síndrome, hoje, foi um médium que traiu seus princípios naturais no passado.
Cada um experimenta de acordo com a sua necessidade, e cada caso é um caso.
Elisa, por sua vez, acompanhava Das Dores porque foi quem a auxiliou com as mistificações ou enganos e ludibriou quem a procurava.
Por isso, agora, haveria de lhe dar apoio e assistência em todos os sentidos, assim como fez no passado.
Isabel, que naquela época também foi sua filha, não lhe fez companhia por muito tempo.
De tanto frequentar a casa da prima, Isabel envolveu-se com o filho do mordomo, Oliver.
Passaram a viver maritalmente e não era aceite pelo pai do moço, que não concordava com aquele tipo de união.
Nanei, actual irmã de Das Dores, recebeu muita "orientação" através da mediunidade desta no passado e indicou também várias pessoas para serem atendidas por ela.
Isso se deu logo após a morte de Gonzales, pois ambas se conheceram e passaram a ter amizade.
Tempos antes, Nanei conhecera a família de Flora, que havia sido cunhada de Robert.
Foi Nanei quem informou Flora sobre a parteira que atendeu sua irmã, para fazê-la abortar, provocando-lhe o desencarne.
Além disso, Nanei aceitava as influências de Flora, que estava desencarnada, para dizer ao filho Peter suas ideias sobre querer Rosa Maria fora da sua vida a fim de Gonzales lhes prestar mais ajuda e atenção.
Das Dores era assediada por irmãos desencarnados que, no passado, ela os havia induzido ao erro, lhes prejudicando na evolução individual.
Mesmo tendo-os indicado a melhor decisão, em alguns casos, eles estagnaram na escala evolutiva por terem deixado os outros fazerem ou interferirem naquilo que eles deveriam realizar.
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jan 10, 2017 10:03 am

Agora, num futuro próximo, eles sabiam que teriam de experimentar novamente tudo o que deixaram de fazer.
Os intervalos dessas crises podem se espaçar quando a pessoa aceita o desafio com compreensão e busca tranquilidade elevando os pensamentos e trabalhando com o objectivo do crescimento espiritual, não só seu, mas também dos companheiros que a acompanham, com fé em Deus.
Os irmãos da espiritualidade que as agridem vão ter a oportunidade, como no passado, de aprender através daquela mesma pessoa, só que aprenderão lições diferentes.
Eles vão compreender que o espírito só evolui por si mesmo e que ninguém poderá nos atrapalhar se não quisermos.
Se nossa fé estiver em Deus, se alguém quiser nos atingir, terá de nos alcançar no Pai Celeste.
Isso não quer dizer que os tratamentos clínicos devam ser interrompidos ou os remédios rejeitados.
Quer dizer sim que nos dispomos, através da fé, a mais um tratamento que nos traz compreensão, conforto ao coração e esperança, pois sabemos que tudo, neste mundo, vai passar e o que fica em nós é o nosso aperfeiçoamento através de lições necessárias.
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jan 10, 2017 10:03 am

5 - Amparo

Henrique, seguindo o exemplo de seu pai, passou a clinicar voluntariamente em creches e orfanatos, doando, não somente os seus serviços, mas os medicamentos que conseguia com alguns laboratórios devido a sua influência médica.
Margarete passou a acompanhá-lo nessas visitas quinzenais.
A princípio, a noiva do médico apreciou a tarefa, mas, com o passar do tempo, começou a se entediar.
— Ah, Henrique, é que está cansativo!
E não é só isso...
— Sinto muito, Margarete.
Mas, se não quiser me acompanhar, vou sozinho.
— Você precisa fazer isso?
Henrique reflectiu e respondeu:
—Eu quero fazer isso.
É uma forma de agradecer a Deus por ter me concedido a saúde perfeita, a inteligência, a possibilidade de estudar.
—Henri, se você é médico, foi porque se esforçou!
—Não fiz nada a mais do que minha obrigação diante da oportunidade que a vida me ofereceu.
Sabe aquela frase:
"Ajuda-te que o céu te ajudará"?
Não faço mais do que isso.
Às vezes penso:
será que necessitamos tanto de fazer caridade?
Daí verifico qual seria a outra forma de muitos irmãos que se encontram na ignorância receberem a bondade de Deus, se não for por nós e através dos nossos actos de caridade?
Margarete, Deus está agindo através de nós quando nos dispomos a um trabalho desse tipo.
Cada um oferece o que tem todos, sem excepção, possuímos algo para dar a alguém.
Veja, eu sirvo nessa tarefa a cada quinze dias e no período da tarde.
O que é isso em um ano?
Em trezentos e sessenta e cinco dias do ano, eu faço caridade somente vinte e quatro dias, mais ou menos, ou melhor, doze porque eu só uso meio período desses dias.
O que são essas horas diante de tudo o que me sobra?
Eu tenho o dever de trabalhar no auxílio do próximo.
Isso deixa a minha consciência tranquila.
Por mais cansaço que eu sinta, estou em harmonia comigo mesmo ao lembrar disso.
— Dentro dessa doutrina, como você acredita que será o futuro daquele que tem condições e não faz caridade?
— Primeiro ele vai lamentar muito ter perdido a oportunidade.
Segundo ele terá um futuro, provavelmente, cheio de queixas.
Ele pode ser aquela pessoa que não encontra oportunidades, não é bem atendido pelos outros, tudo para ele é difícil, pois a vida vai lhe oferecer, naturalmente, as dificuldades que ele provocou ou negou aos outros quando deixou de servir.
Saiba, Margarete, a caridade não é somente oferta de dinheiro e bens materiais, a maior caridade é dar de si, do seu trabalho, das suas mãos...
— Breve pausa e lembrou:
— Na Bíblia há uma frase do apóstolo Paulo em uma carta aos Coríntios que é mais ou menos assim:
"entre a fé, a esperança e a caridade, a maior destas é a caridade"12.
Um pouco desalentada, Margarete afirmou, sincera:
Eu não tenho muito ânimo.
Às vezes, vou lhe confessar, até o odor me incomoda.
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jan 10, 2017 10:04 am

Não se esqueça de que você poderia estar no lugar deles não gostaria de deixar de ser atendida por capricho daquele que selecciona pela aparência ou pelo perfume.
Se não está bom, faça alguma coisa para mudar.
— Como?
_ Ensine-os! Você é inteligente.
Prepare um método de ensiná-los higiene pessoal.
Faça uma campanha arrecadando material de higiene:
sabonete, creme dental, desodorante, xampu, pente e tudo mais.
Seleccione a quantidade que deve ser distribuída, evitando desperdício.
Monte uma espécie de aula ou exposição rápida e fale sobre a importância da higiene para a saúde e para a apresentação perante os outros.
Mostre com alegria o quanto é agradável estar perto de alguém limpinho.
Dê-lhes incentivo.
Ensine-os a acabar com o pedículo.
Henrique sorriu aguardando a pergunta:
—O que é isso?!
—E aquele famoso insecto parasita que vive sugando o sangue nas cabecinhas, por aí, a peste da pediculose, mais conhecido como piolho.
—Ah!!!... -— reclamou a jovem, exibindo repugnância.
—"Ah!!!..." Por quê? -— arremedou-lhe Henrique.
— Se eles têm isso, pode ter certeza de que não é porque querem, e você, como uma pessoa mais instruída, pode realizar o grande desejo deles:
livrá-los dessa praga!
Você estará me ajudando, Margarete, e contribuindo para a saúde de muita gente.
No começo é difícil, mas se tiver boa vontade encontrará, em breve, outras companheiras, até no meio desses assistidos, que a ajudarão muito. Acredite.
_ Será que consigo?
— Você tem saúde, braços, pernas e boca.
Peça forças a Deu em prece sentida que as ideias virão junto com a boa vontade porque o trabalho está aí esperando-a.
Ciente de que a noiva não estava muito animada devido a amizade de Isabel que a influenciava, Henrique considerou—
Tenha ânimo!
O tempo não vai parar porque você não se adianta!
Sua consciência irá cobrá-la, um dia, por tudo o que deixou de fazer.
Tenho certeza de que, nessa tarefa, só quem irá acompanhá-la serão as amizades verdadeiras.
Convide suas colegas.
A moça não comentou nada, mas entendeu.
— Vou chamar a Rose -— lembrou Margarete.
— Ah! Esqueci.
A faculdade lhe ocupa todo o tempo disponível.
E... sei lá.
Às vezes acho que a Rose está ficando diferente comigo.
Somos tão amigas...
—Será que ela não está com ciúme pela companhia da Isabel?
—Eu gosto tanto da Rose!
Eu não fico atrás da Isabel, é ela quem me procura muito.
Como a Rose poderia pensar que eu trocaria sua amizade pela da Isabel?
Considero sua irmã como se fosse a minha.
—Então, na primeira oportunidade, diga isso a ela.
Creio que Rose se afasta de você por causa da Isabel.
Sei que ela deveria superar isso e conseguirá se você cientificá-la de que a quer bem e que ela não deve se afastar por causa de outras colegas.
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jan 10, 2017 10:04 am

Margarete sorriu e se animou.
Henrique trazia no registro inconsciente da memória o que aprendeu com seu pai no passado:
"Cansaço é a maior riqueza que posso ter diante da pobreza que muitos experimentam na paralisia física ou mental"
O exemplo vivo que deixamos a um filho com a nossa atitude, há de ser assimilado em suas práticas a partir dali.
Esse exemplo pode ser bom ou não e, com certeza, seremos responsáveis por ele.
***
Cada dia que passava, o senhor Gonçalves piorava devido ao seu problema de saúde.
A insistência de Roberto o fez ir ao médico, que lhe solicitou vários exames, incluindo biópsias que foram realizadas logo após os primeiros resultados.
Antes de levar seu pai para a consulta de retorno, Roberto procurou o médico e professor para saber dos resultados dos exames de seu pai, que tinha em mãos:
—Lamento, Roberto.
Diante do que temos aqui...
A biópsia exibiu um tecido neoplásico, ou seja, canceroso.
Você já sabe que o câncer é o crescimento desordenado e autónomo de tecidos e células por motivos ainda desconhecidos.
Uma vez formadas, essas células cancerosas não detêm a multiplicação.
Essas formações aqui -— indicava o médico —- são os chamados tumores malignos.
—Estou surpreso, mestre Estevão!
Confessou Roberto que logo pediu:
-— O que mais?
—Além dos pulmões, constatamos focos cancerosos secundários em outros pontos como:
na garganta e no tecido da traqueia.
O certo é que, quando essa doença é descoberta e combatida, a sobrevivência é mais longa e, hoje em dia, chegamos a atingir a cura.
Você precisará de ajuda, filho -— avisou o professor e amigo, pois Roberto era muito bem quisto pelo mestre.
— Não sou oncologista actuante, mas vou indicar um.
Pedirei que leve esse exames para ele.
Qual a opinião do senhor?
— Veja, Roberto, preciso falar com um colega para lhe oferecer um parecer mais específico ainda.
Diante dos resultados e dos focos que se espalharam, eu estaria mais optimista se descobríssemos antes.
O câncer de pulmão tem relações evidentes com os irritantes químicos contido no cigarro, onde a cancerologia tem provado com muita certeza, suas agressões.
— Meu pai fumou há muito tempo.
Ele não fuma mais.
— Então os poucos cigarros que ele fumou só o predispuseram ainda mais à doença.
Roberto, em relação ao câncer, tudo depende da predisposição de cada indivíduo, dos factores imunológicos.
Mesmo sendo o câncer uma doença que não é combatida pelo sistema imunológico; glóbulos brancos ou anticorpos, pois esse sistema tem a função de mobilizar a defesa do organismo, o que pode eliminar os factores considerados agressivos, ou seja, o que provocaria doenças que debilitariam o órgão pré-canceroso.
Há tantos outros factores desencadeantes em estudo, até poderíamos dizer que a herança de células cancerosas se mantêm inactivas até o momento em que os factores desencadeantes agem, quando então o progresso eclodiria.
— Eu entendi.
Só há um factor indiscutível:
em se tratando de câncer, quanto mais cedo for descoberto maior a possibilidade de cura.
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jan 10, 2017 10:04 am

— Exacto, filho.
Além do que, quanto mais a pessoa não se predispor aos irritantes que agridem e desencadeiam o processo cancerígeno, maior suas chances ou até ela nem venha a desenvolver a doença.
Mas nem por isso vamos ficar aqui lamentando.
Encaminharemos seu pai ao tratamento mais adequado o quanto antes.
Precisamos primeiro falar com ele e esclarecê-lo.
Roberto ficou abatido.
_ Obrigado, mestre.
Não sei como agradecê-lo... não tenho como pagá-lo... só posso dizer: obrigado.
Disse o estudante oferecendo um sorriso triste.
— Irei cobrá-lo, Roberto.
Poderá me pagar me oferecendo a oportunidade de ver um diploma com seu nome.
Vai me dar muita satisfação!
Aí eu direi que valeu a pena!
Acompanho, desde o ano passado, a sua luta.
Sei das suas dificuldades.
Sabe, para me formar, enfrentei problemas semelhantes aos seus, mas, consegui.
Vendo-o agora, é como se eu estivesse vencendo pela segunda vez.
Vibro muito com a sua garra.
O jovem sorriu, respondendo:
— Mais uma vez, obrigado, mestre.
Tenho que confessar que já não estava sendo fácil, agora com esse problema do meu pai, não sei o que vai acontecer, porém o auxílio moral e material de pessoas como o senhor, que acredita em alguém, impulsiona-me, fortalece-me... crio forças, sabe Deus como.
Muito obrigado.
***
O senhor Gonçalves entrou em tratamento médico.
Ele revoltava-se com o que lhe ocorreu.
Isso, de certa forma, prejudicava ainda mais o seu estado clínico.
Roberto se sobrecarregava de tarefas e preocupações.
Sempre era o alvo das críticas de seu irmão, que lhe cobrava o auxílio financeiro para com a família, pois tinha vários gastos com seus estudos.
No início do terceiro ano de faculdade, Roberto foi dispensado do emprego na clínica de análise onde trabalhava.
Esse facto o desestruturou financeira e psicologicamente.
Seu desempenho nos estudos começou a diminuir e até sua saúde se abalara.
Distúrbios orgânicos como a gastrite passou a castigá-lo.
Rose procurava compreendê-lo na falta de tempo para ela, mesmo assim estava sendo difícil, pois o senhor Gonçalves ficava em casa para se tratar e, devido a isso, ela não queria ir casa do namorado.
Por essa razão, Roberto haveria de se desdobrar para estudar e ir até a casa da namorada.
Em uma aula de laboratório, Roberto começou a passar mal.
Tentou resistir, mas o castigo físico foi mais forte.
Logo em seguida, acordou na enfermaria da Universidade com o mestre e amigo ao lado.
Muito prestativo, o professor Estevão lhe informou o ocorrido e qual medicamento que havia recebido.
Com visível abatimento, Roberto mal sorriu com a brincadeira do mestre.
— Você tem muitos amigos, Roberto!
Não faltaram candidatos para examiná-lo e medicá-lo! -— comentou o professor ironicamente.
— Creio que já estou bem.
Posso me levantar? -— pediu o estudante.
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jan 10, 2017 10:04 am

— Vamos esperar que o soro acabe.
Pouco depois, o professor Estevão observou:
— Eu sei o que está acontecendo, filho, mas quero ouvir de você.
Estafado, Roberto fechou os olhos querendo ganhar tempo e forças.
Suspirou profundamente e anunciou:
— Vou deixar a faculdade.
Não aguento mais.
Sua voz embargou enquanto as lágrimas sentidas correram dos cantos de seus olhos.
— Não posso levar isso em frente.
Estou me suicidando...
E tudo um sonho impossível.
Desempregado há três meses, nem tempo para procurar trabalho eu tenho.
Minhas reservas económicas estão acabando e, mesmo com a ajuda que recebo para o atamento do meu pai com os remédios e médicos, está faltando para a manutenção na minha casa.
Meu irmão não leva a sério o serviço no armazém.
Minha mãe além de não entender de negócios, tem de cuidar da minha irmã e do meu pai.
Quando não, da minha tia também.
Vou deixar a faculdade e tocar o armazém que actualmente é a única fonte de renda da família.
Não posso ficar pensando só em mim.
Depois de alguns minutos de silêncio, o mestre amigo argumentou:
—Filho, você está no terceiro ano.
Se suportou até aqui...
—Mestre Estevão, qual a saída que eu tenho?
—Você já me disse que o pai da sua namorada é médico e que o estava ajudando.
—Ajudando e muito!
Com os estudos, principalmente.
Mas e minha família?
Já estou tendo dificuldades pessoais até com minha alimentação; um dos principais motivos da minha gastrite.
Eu só tenho essa alternativa.
Até que cheguei longe demais.
Vou trancar a matrícula e tocar os negócios do meu pai.
—Será que o pai da sua namorada não poderá ajudá-lo um pouco mais?
—É incabível eu pedir mais ajuda do que ele me oferece.
Depois de breve pausa, o mestre pediu:
—Você me permite tentar ajudá-lo, Roberto?
—Como?! -— perguntou o estudante desconsolado.
—Deixe-me tentar e confie em mim.
Você não tem nada a perder.
Para começar, pode me dar o número do telefone do pai da sua namorada?
—O que o senhor vai fazer?
—Já pedi. Confie em mim.
Depois de um telefonema, o doutor Estevão procurou pelo Pai de Rose na clínica ortopédica.
—Muito prazer! Eu sou Davi.
—Roberto, sempre que pode, fala muito em você.
Ele o tem como ídolo.
Eu o acompanho desde o primeiro ano e tenho de confessar:
é meu aluno predilecto e o mais dedicado.
—Além de muito esforçado -— reconheceu o pai de Rose - temos de admitir que dificilmente alguém chega aonde Roberto chegou diante de tantas dificuldades que enfrenta.
Creio que foi você que encaminhou e o acompanha com a saúde do pai?
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jan 10, 2017 10:04 am

—Foi um facto lamentável e que o está abalando muito, interferindo no seu desenvolvimento.
—Soube que Roberto perdeu o emprego? -— perguntou o doutor Davi.
—Sim, eu soube.
Foi esse o motivo que me fez tomar liberdade para vir falar com você.
Perdoe minha intromissão, mas sei que Roberto namora sua filha e que você o tem ajudado muito.
Foi ele mesmo quem me contou.
—Ajudo no que posso e quando comenta suas necessidades.
Às vezes Roberto é muito reservado.
Por favor, estou preocupado.
O que quer me dizer a respeito de Roberto?
—Você sabia que ele quer deixar a faculdade?
—Deixar a faculdade?!!!
Agora?! Na metade do curso?!!! —
Indignou-se o pai de Rose, levantando-se e andando, vagarosamente, pela sala de um lado para outro dizendo:
— Não posso acreditar que Roberto pense em fazer isso!
Nesse momento a porta da sala se abriu e o doutor Oliveira entrou repentinamente.
Ao vê-lo com alguém na sala, reconsiderou:
—Desculpe-me!
Pensei que não estivesse mais com pacientes.
—Entra, Oliveira -— pediu o doutor Davi, rapidamente, antes que o amigo saísse.
— Esse é o doutor Estevão, professor na faculdade de Medicina.
Ele é mestre do Roberto, meu futuro genro.
Após as devidas apresentações, os dois médicos se cumprimentaram e o dono da clínica não pôde deixar de perceber a fisionómica do amigo.
E de certa forma, curioso para saber o que aquele professor fazia ali, perguntou:
Aconteceu alguma coisa, Davi?
Posso ajudá-lo?
_ O Estevão me procurou para falar sobre o Roberto.
Mil coisas passaram em meus pensamentos, menos uma:
o Roberto quer deixar a faculdade. Estou em choque.
Você sabe o quanto eu estimo e admiro esse menino.
E agora ele quer desistir!
Isso é o mesmo que morrer na praia depois de atravessar o oceano a nado!
Pensei que o Roberto fosse suportar.
Eu apostei nele!!!
— Desculpe-me, Davi -— interrompeu doutor Estevão.
— Não é culpa do Roberto, é a necessidade.
0 professor começou a contar as dificuldades que Roberto enfrentava com os factores financeiros da família e que seu irmão não ajudava na manutenção, trabalhando muito mal no armazém.
— Até a saúde dele está abalada.
Vem tendo vertigens, alimenta-se mal...
Oliveira, que se interessou pelo assunto, perguntou:
—Vamos ser objectivos...
Como você acha que Roberto pode ser auxiliado?
—Eu vim aqui pedir ajuda -— disse o professor amigo, que foi examinado com grande expectativa pelos colegas.
— Sozinho eu não tenho condições de ajudar meu aluno, mas se alguém somar auxílio...
—Como? -— perguntou o pai de Rose.
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jan 10, 2017 10:05 am

—Estou querendo adoptar a família de um aluno de medicina.
Primeiro temos que admitir que é inconcebível esse moço trabalhar e estudar.
Isso nem pensar!
Nem sei como ele chegou até aqui!
Segundo, se a família estiver necessitada, Roberto não ficará tranquilo e terceiro, creio que para ele não será conveniente ficar morando naquela casa.
Ele deveria ser poupado disso.
Sabem como é... a doença do pai, a implicância do irmão tiraria sua atenção.
Roberto é um excelente aluno, mas os abalos emocionais...
Eu sei que você já o ajuda, Davi, mas se pudesse...
Pretendo também ir conversar com dois outros professores a respeito e...
— Não! -— afirmou o doutor Oliveira, convicto.
— Que isso fique só entre nós.
Esse tipo de assunto vira fofoca em um campus universitário.
Não podemos criar constrangimentos para Roberto!
Eu posso ajudar a família dele, só não tenho como alojá-lo.
— Eu não sabia que a família passava por dificuldades! -— confessou o doutor Davi.
— Pensei que o irmão do Roberto estivesse cuidando dos negócios do pai.
Sem dúvida que vou procurar ajudá-lo. Lógico!
— Então vejo que nós três juntos poderemos sustentar essa situação sem comprometer os estudos dele.
— Sem dúvida! -— concordou o dono da clínica.
— Até eu que o conheço pouco o Roberto, não só simpatizo muito com ele, como também o admiro demais!
Vou ajudá-lo sim!
Podemos até alugar um apart-hotel para ele morar enquanto estuda.
— Ficaria muito caro —- lembrou o doutor Davi, pensativo.
— Eu banco! -— afirmou o dono da clínica.
— Creio que Roberto ficaria muito isolado.
Ele está acostumado à família...
Ele é um rapaz amoroso e percebo que gosta de ter companhia. -— lembrou o pai de Rose.
— Mas se ficar morando naquela casa, não terá condições de estudar! -— garantiu o doutor Oliveira.
— Será melhor que more sozinho.
— Eu não tenho condições de recebê-lo no momento -— declarou o professor Estevão.
— Temo, inclusive, que Roberto estranhe.
Há de se sentir deslocado.
Como vai se acostumar, de repente, com outra família?
Creio que Ana não irá se opor.
Ela gosta muito dele. O problema é o espaço.
Até hoje meus dois filhos dormem no mesmo quarto.
Mesmo assim, vou falar com Ana.
Veremos o que se pode fazer.
—Óptimo! -— disse o professor satisfeito, estampando um largo sorriso.
— O principal está resolvido, que é a situação financeira da família e os estudos desse moço garantido.
Vocês não imaginam como estou aliviado. Obrigado!
—Sou eu quem lhe agradece, Estevão!
E a você também, Oliveira!
Não sei como vou retribuir!
—Pode deixar! -— garantiu o dono da clínica.
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jan 10, 2017 10:05 am

— Depois de formado, nós faremos o Roberto trabalhar um ano de graça para cada um de nós! -— brincou ele.
— Isso corresponde aos anos que faltam para terminar!
Os três médicos sentiam-se satisfeitos com a solução.
No dia seguinte, Roberto, que ainda não sabia dos resultados, estava em sua casa excessivamente preocupado com sua situação.
Sua gastrite o consumia.
A mãe aconselhou que se deitasse a fim de aguardar o efeito do remédio.
Rose telefonou e soube por dona Nanei que o namorado não estava bem, por isso resolveu ir vê-lo.
Pela preocupação com Roberto, Rose superou o medo de ir à casa dele mesmo sabendo que seu pai estaria lá.
Haviam arrumado as acomodações para o senhor Gonçalves na sala, em frente à televisão que o distraía.
0 pai de Roberto perdeu completamente a robustez que possuía.
A doença o consumia e o tratamento quimioterápico o abatia ainda mais.
O senhor Goncalves andava com apoio, havia perdido os cabelos e sua voz saía muito fraca.
Ao chegar à casa de Roberto, Rose ficou alterada quando viu que precisava passar pela sala onde o doente estava.
Ela parou à porta e ficou observando-o a certa distância Com voz rouca, quase sussurrando o que dizia, o senhor Gonçalves avisou:
— Entra, menina. Vem aqui.
Rose deu alguns passos e, por educação, perguntou:
—O senhor está bem?
—Nada está bem -— respondeu ele com dificuldade.
— Deus virou as costas para mim.
E você, Rose, por que nunca veio me ver?
Parece que foge de mim!
—Não senhor. E falta de tempo.
Eu estudo e... -— alegou ela em sua defesa.
—Não é não, menina.
Você tem medo de mim.
Uma crise de tosse o atalhou, e Rose apiedou-se daquela alma.
Em seguida ele passou a gemer quase involuntariamente.
Ela o deixou e foi à procura de Roberto.
Ficou decepcionada quando não o encontrou no quarto e voltou para a cozinha a fim de encontrar dona Nanei.
— Ela foi até a casa da minha tia -— avisou Pedro que acabava de chegar.
Rose ficou inquieta.
Não era de seu agrado ficar a sós com o irmão de seu namorado.
Se voltasse para a sala, encontraria com o senhor Gonçalves, o que a deixava em pânico.
Rose decidiu ir para o quintal nos fundos da casa.
Pedro acelerou os passos, alcançando-a.
Colocando-se a sua frente, segurou-a pelos braços perguntando com tonalidade baixa no volume da voz, parecendo intimar:
—Qual é o problema, Rose?
Por que foge de mim?
—Solte meus braços! -— exigiu ela mesmo com medo.
_ O que o Roberto tem?
Gosta dele só por que é o exibido da família?
A vítima que todos admiram?
O menino prodígio?
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jan 10, 2017 10:05 am

_ Solte-me! -— agitou-se ela, tentando escapar.
— Você está me machucando! Vou gritar!!!
_ Grita! Vai!
Quero ver quem vai acreditar em você.
— Largue-me, Pedro!
_ Só o Roberto quer ser o tal!
Eu sou sempre o lixo da família!
Apertando os braços da moça, Pedro a levou para fora da cozinha sob uma cobertura que servia de lavandaria.
Quando percebeu que Rose iria gritar, Pedro a pressionou contra a parede e tapou-lhe a boca com a mão.
O grito foi abafado e Rose agitou-se tentando fugir.
Segurando agora na garganta da jovem, o irmão de Roberto começou a apertar-lhe o pescoço dificultando sua respiração, fazendo com que Rose perdesse as forças.
— Uma burguesinha como você não se interessa por alguém como eu, não é?
Por quê? Você tem vergonha de mim?
Mas é capaz de correr atrás de alguém como meu irmão sem ter vergonha de dar uma de fácil?! Vadia!
Com a voz fraca, Rose pedia, implorando em um sussurro:
— Você está me machucando... solta... estou sem ar...
— Se gritar, eu a mato -— ameaçava Pedro, entoando a voz de maneira sinistra e maldosa, pressionava Rose contra a parede. —
Estou cansado de ser o resto da família!
Pedro passou a dizer coisas sem sentido.
Ele estava perturbado.
Laçou uma volta dos cabelos da jovem na outra mão, puxando-os com violência na altura da nuca.
Forçou-lhe a cabeça para trás, impedindo com a dor, qualquer movimento.
Ela segurava a mão que ele lhe apertava o pescoço, tentando soltar-se.
Um pânico tomou conta de Rose que começou a chorar, sentindo suas forças se esvaírem.
Devido à falta de oxigénio, ela perdeu os sentidos.
Pedro passou a rir.
Enquanto a segurava desfalecida procurava arrastá-la para um corredor lateral da casa.
Nesse instante, Roberto, muito abatido, apareceu à porta da cozinha e, percebendo a movimentação no quintal, saiu a fim d« observar melhor.
— O que você está fazendo aí?!
Perguntou ele aproximando-se do irmão quase não acreditando no que via.
Pedro ria desgovernadamente.
Largou Rose, que caiu no chão, e passou a agredir Roberto que se curvou no primeiro soco recebido na altura do estômago.
Vendo seu irmão caído, Pedro saiu como se nada houvesse acontecido.
Quando se recuperou, Roberto tentou despertar Rose que recobrava vagarosamente os sentidos.
Entrando em crise emocional, a jovem chorou muito.
Percebendo que a namorada não conseguia se controlar, Roberto telefonou para o doutor Davi pedindo para ele vir buscá-la com seu carro.

12.N.A.E.: A frase original no texto bíblico é:
"Agora, pois, permanecem estas três, a fé, a esperança e a caridade; porém, a maior destas é a caridade."
— Paulo I Coríntios, 13:13.
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Ave sem Ninho

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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jan 11, 2017 10:02 am

6 - Médiuns

Na casa da namorada, Roberto contou o que aconteceu.
—Perdoe-me, senhor Davi.
Eu saí por poucos minutos.
Tinha ido até a farmácia buscar um remédio e... quando voltei... eu não sabia que Rose estava na minha casa.
—Está tudo bem, Roberto.
Já passou -— dizia o pai de Rose um tanto magoado.
— Nunca mediquei qualquer um dos meus filhos com calmantes, mas hoje foi preciso.
Ela está mais tranquila, e creio que ficará melhor.
—Sinto-me tão mal com tudo isso! -— confessou Roberto.
— Nem sei como encará-lo.
Confiou em mim e... -— comentava ele, abaixando a cabeça envergonhado, alinhando os cabelos com os dedos.
— Não se torture.
Não foi culpa sua.
O senhor Davi não gostou do acontecido, mas compreendeu que Roberto não havia contribuído para a ocorrência.
Decidindo mudar de assunto para melhorar a expressão do meço e surpreendê-lo com notícias boas, decidiu contar:
Deixe-me lhe dar um bom remédio para gastrite.
Seu professor, o Estevão, conversou comigo a respeito de suas dificuldades.
Não há condições de você continuar estudando sob a pressão psicológica que enfrenta na sua casa.
Por essa razão, sua família receberá toda a assistência necessária de que precisar, você não terá de deixar seus estudos para cuidar dos negócios do seu pai
Conversei com a Ana, sabemos de quanto sossego e harmonia você precisa ter num ambiente para poder estudar e concentrar na tarefa.
Por isso gostaríamos que se mudasse para cá o quanto antes.
Desculpe-me, Roberto, mas você terá de dormir na sala.
Arrumaremos uma cama e... creio que ficará confortável.
É só para dormir mesmo.
Para estudar, você pode usar minha escrivaninha no canto da sala.
Creio que vai se fartar nos livros que há ali, como já sabe.
Até porque a do quarto de Rose, ela e o Henrique usam.
Vou falar com seus pais e explicarei tudo de modo que eles aceitem e compreendam a solução.
O médico deu um sorriso e ficou no aguardo de uma resposta.
Muito sério, Roberto emudeceu.
Diante do silêncio, o pai de Rose perguntou:
— O que você me diz?
Com voz pausada e fisionomia triste, Roberto respondeu:
— Eu acabo de dizer que meu irmão intimidou sua filha agredindo-a e o senhor me oferece um lugar para eu morar tranquilo, para eu poder estudar sem me preocupar com trabalho.
Oferece o sustento da minha família, o que inclui meu irmão...
Meu Deus! Eu não posso aceitar!
O senhor Davi ficou surpreso, não esperando aquela reacção de Roberto.
Ponderado, o médico respondeu:
— Eu não vou considerar o que ouvi, Roberto.
Não posso aceitar um não como resposta.
Sei que minha oferta não é de melhores, mas é o que está ao meu alcance.
Roberto ficou em silêncio.
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jan 11, 2017 10:04 am

Abaixou o olhar e fitou o chão com expressões indefinidas.
— Eu esperava que você fosse mais forte, Roberto.
Forte ao ponto de vencer o orgulho que tem.
Eu o considero como um filho, e nós temos uma família a preservar! -— diz o médico oferecendo-lhe o mesmo apoio que lhe deu no passado.
— Orgulho? Não sou orgulhoso, senhor Davi.
—É sim filho.
Você quer conseguir tudo sozinho.
Quer ajudar a todos mas não admite ser ajudado.
Sei que tudo o que realiza é de coração, não exibe com orgulho o que faz, mas não aceita ser auxiliado quando necessita.
Vejo, até com relação aos estudos, que só me procura ou ao Henrique quando não tem alternativa.
Sabe, Roberto, muitas vezes fazemos caridade quando damos a oportunidade dos outros nos servirem no que precisamos.
Não é correto a ajuda vir para acomodação preguiçosa de uma pessoa.
Não é isso o que ocorre com você no momento, seu caso é de necessidade.
Auxiliando-o, possibilitaremos outros serem ajudados por você mais tarde.
Cuidado com o orgulho, filho.
—Não é isso, senhor Davi -— defendeu-se o moço.
— Só não acho justo o senhor assumir um problema que não é seu.
—Roberto, nós o consideramos muito.
Fora isso, acompanhamos seus esforços para chegar onde está.
Pensei que não passasse do primeiro ano de faculdade.
Sei, por intermédio do Estevão, que ele e outros professores o admiram muito.
Até o Oliveira que o acompanha por meus comentários e o vê bem pouco, sente-se impelido a ajudá-lo e com o maior prazer.
Gostaríamos muito que nos desse essa oportunidade de servir com satisfação.
— Senhor Davi...
— Por favor, Roberto. Aceite.
Se você só tinha uma opção e pediu a Deus uma alternativa, eis a sua chance, filho!
Roberto estava confuso, sua vontade de terminar o curso superior era imensa, entretanto ele não gostava de incomodar ninguém.
— Eu o tenho como um filho.
Por favor, Roberto, aceite —- Pediu o pai de Rose parecendo implorar.
— Está bem -— aceitou Roberto para a tranquilidade do médico, que respirou aliviado.
Aproximando-se dele, o senhor Davi o abraçou satisfeito com um largo sorriso no rosto, dando-lhe o apoio para que se erguesse, a fim de estabilizar-se e unir-se devidamente com Rose, com a consciência tranquila.
Se no passado distante ele havia apoiado uma união ilícita entre os dois, num passado mais recente ele ajudou ambos a se recomporem com um comportamento digno.
Viria ser ele agora a criatura a apoiar aquelas duas almas queridas a unirem-se com qualidade superior de vida.
Retornando até sua casa, Roberto, acompanhado do senhor Davi, não sabia como falaria aos pais a decisão tomada.
Muito ponderado, o pai de sua namorada tomou a iniciativa de explicar a situação.
— Então o senhor pode perceber que dessa forma Roberto estará amparado e sua família também.
— Por que está fazendo isso, doutor? -— perguntou o senhor Gonçalves.
— Consideramos muito o Roberto e, dentro das nossas possibilidades, queremos ajudá-lo.
Seria lamentável vê-lo desistir de tudo, depois de tanta luta.
Irritado, o pai de Roberto não compreendia porque o outro filho não ajudava na manutenção da casa.
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jan 11, 2017 10:04 am

— Quero saber o que Pedro está fazendo naquele armazém?!
Sem vergonha, que não quer trabalhar! -— desabafou o homem.
— Talvez ele não tenha tanta experiência —- tentou defender o médico.
— Não deve protegê-lo, doutor!
Pedro nasceu e foi criado ali.
Como pode falar que ele não tem experiência?
Agora, quando mais preciso dele, o safado nem para ajudar o irmão que precisa terminar os estudos, para ser gente e não um bicho feito ele!
E ainda grita e briga dentro de casa, tirando o sossego de todos.
Olha, doutor, a gente é o homem da casa quando tem saúde.
Sem isso, eles pisam em cima de nós! -— desabafou ele com modos rudes.
_ Então o senhor concorda com o apoio que daremos ao Roberto?
_ Meu filho já provou que é homem quando decidiu levar em frente, sem minha ajuda, tudo o que fez até agora.
Não posso aceitar que ele fracasse na vida ou fique empoeirado atrás de um balcão só porque o safado do Pedro é covarde.
Pode levá-lo! -— disse o homem com modos brejeiros.
— Sei que o senhor vai cuidar dele melhor do que eu, principalmente agora...
Ele merece.
— Obrigado, senhor Gonçalves.
— Eu é que tenho de agradecer, doutor.
— Voltando-se para Roberto, aconselhou:
— Mesmo que seu irmão te perturbe e até te agrida, como já fez, enfrente o Pedro!
—Sem entender, o médico perguntou:
— " o agrida?" Como assim?
—O Roberto não contou, não?
0 médico olhou para Roberto, e seu pai continuou:
— Depois que o Roberto começou a estudar, o Pedro, que não quer nada com a vida, começou a implicar com ele.
É inveja, eu sei.
Meu outro filho não tem iniciativa, doutor.
Ele é Preguiçoso.
Só que começou a incomodar o irmão, destruindo algumas coisas dele, desaparecendo com livros, ofendendo o coitado.
Até da sua filha o Pedro fala!
Eles andaram se "pegando' aqui dentro de casa depois que o Roberto foi mandado embora do serviço.
Roberto, que esta estava com a cabeça abaixada, assim ficou, com certeza, por vergonha.
— O Roberto não contou isso pro doutor?
—Não, senhor. Eu ignorava isso -— confirmou o médico calmamente.
—Sabe... agora que estou em casa, fico observando:
parece que meu filho mais velho está meio louco.
Não fala coisa com coisa, age de modo estranho...
—Pai, vamos deixar isso para lá?
Por favor -— pediu Roberto.
É verdade, Roberto!
Por que você não conta para o doutor que ele vive dizendo que quer te matar? -— insistia o enfermo mesmo com a voz rouca.
Essa semana mesmo, o Pedro disse que vai matar você e sua namorada!
Voltando-se para o médico, completou:
— Eu acho que o Pedro não está bem porque vive falando que Rose estragou a vida dele.
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jan 11, 2017 10:04 am

—Pai! Por favor! -— indicou Roberto.
—Espere, Roberto.
Deixe-o contar.
—E verdade, doutor.
Pedro mal conhece a moça e diz que sua filha tirou o sossego dele e que já sofreu muito por ela.
Parece alucinado.
—Sabe o que é, senhor Davi -— argumentou Roberto —- percebi que meu irmão andou bebendo.
Talvez seja o efeito do álcool que o anima a dizer isso.
—Não se preocupe, Roberto.
Creio que quando você sair daqui e Pedro não o vir mais, tudo isso vai passar.
—Mas tomem cuidado -— alertou o pai do moço —- o Pedro pode ir procurá-lo!
Ele nunca gostou de você.
Eu sei que seu irmão vai reclamar muito pela oportunidade que está tendo.
Roberto pegou suas coisas, arrumou sua mala e foi para a casa do doutor Davi, prometendo a sua família que iria visitá-los com frequência.
Ao chegarem à casa do médico, Ana informou que Rose não estava bem.
_ E ela acordou aos gritos, Davi.
Aqueles sonhos tornaram a se repetir.
Rose vê, em seu sonho, uma casa em chamas enquanto ela está deitada inerte em uma cama.
Indo vê-la, o pai amoroso perguntou:
_O que foi, filha?
O que está acontecendo?
Chorando a jovem contou sobre o sonho e, em dado momento, ela comentou:
—E quem ateou fogo na casa, foi o Pedro!
—Filha, esse sonho, com a presença de Pedro nele, pode ser devido ao que aconteceu hoje à tarde.
—Não, pai!
Eu vejo quando o rapaz, nesse sonho, coloca fogo na casa.
É o Pedro!
Depois eu vejo o Roberto me tirando daquele lugar.
Estou muito queimada.
Ele me leva para um lugar diferente... vejo o senhor e o Henri também.
Em pranto novamente, ela continuou:
— Não quero sonhar pai... me ajuda!
Eu fico achando que vou estar num incêndio a qualquer momento!
Apiedado, o homem a abraçou.
Roberto continuou parado à porta sem dizer nada.
Esses pesadelos começaram a incomodar Rose quase todas as noites.
Ela resmungava ou até acordava todos da casa com gritos de desespero.
A cada dia, a jovem sentia-se mais envergonhada principalmente pela presença de Roberto.
—Rose, minha filha -— aconselhava o pai —- acredito que seria muito bom você fazer um tratamento espiritual.
—Outra vez, pai?! -— comentou ela.
— Ah! Parece que não tem efeito...
—Se está assim com esses tratamentos, ficaria pior sem eles.
Posso garantir!
O seu estado de aceitação e fé, auxiliará muito sua recomposição.
Não bastam só os passistas lhe aplicarem os passes se a sua casa mental, ou seja, as ideias que você tem na mente não fizerem parte do nível de vibrações que aqueles fluidos possuem.
Jesus sempre dizia:
"A sua fé te curou".
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jan 11, 2017 10:05 am

Quanto ao tratamento espiritual, este não irá resolver se você não mudar a sintonia das suas ideias.
Porque você atrai as companhias encarnadas de acordo com os seus trajes, sua fala, seu comportamento, e assim também é com os desencarnados.
Estarão ao seu lado os espíritos que gostam do seu tipo de pensamento, opiniões e comportamento.
—Está bem. Eu vou!
Mas não será fácil!
Começaram os estágios...
—As dificuldades são boas, Rose.
Elas testam as nossas resistências.
Temos como exemplo desse tipo de perseverança Jesus.
Procure chegar mais cedo amanhã e passe pelo departamento de orientação e encaminhamento para conversar com a pessoa indicada.
—A mãe trabalha na desobsessão.
Ela pode colocar meu nome para o tratamento, não é?
—Não. Naquela sala de entrevista existe, no plano espiritual, um tarefeiro que qualifica todos os seus dados e as suas necessidades.
No instante do seu tratamento espiritual, esses dados recolhidos no dia da entrevista, ou melhor, essa sua "ficha", vamos chamar assim, é trazida para que você receba o envolvimento necessário no que precisa e o irmãozinho espiritual que a acompanha seja chamado para esclarecimento.
— Como esse espírito é chamado para o esclarecimento?
— Você passa pelo departamento de orientação, conversa com a pessoa que lhe indica qual o tipo de passe que você vai receber e a quantidade, de acordo com o seu caso.
Quando você é chamada ao passe de tratamento espiritual, o magnetismo desse passe pode envolver o espírito que a incomoda e este fica no aguardo da sessão de desobsessão.
Esse irmão espiritual se desliga de você mais rapidamente de acordo com a atenção que você presta na palestra evangélica, de conformidade ao seu comportamento, seus pensamentos, enfim, com a sua reforma interior, para melhor, em todos os sentidos.
Veja filha, um caso é diferente do outro.
Estou generalizando e simplificando para que você entenda.
Nem sempre é no primeiro passe ou no primeiro tratamento que se resolve o problema obsessivo.
A solução depende muito da fé e da atitude mental que a pessoa em tratamento passa a ter.
E as palestras evangélicas ajudam imensamente essa transformação para melhor.
Se a pessoa se reformar, mudar a sua maneira de pensar, não desejar o mal alheio, não cobiçar, não fizer comentários sobre a vida dos outros, mudar seus hábitos comportamentais, ficar mais calma, buscar ambientes tranquilos e menos agitados, entrar em prece com Deus e procurar auxiliar os outros companheiros com trabalhos úteis, essa pessoa há de ser muito feliz com os resultados obtidos.
Quanto mais praticarmos o que Jesus ensinou, mais rápido seremos socorridos.
— E o que acontece com aquele espírito perturbado, isto é, quando ele chega ao trabalho de desobsessão? -— perguntou Rose, curiosa.
— A sessão de desobsessão ou o chamado trabalho de desobsessão, é algo muito sério.
Para isso tem que haver dia e horários que são rigorosamente cumpridos.
O local sempre deve ser o de uma Casa Espírita com um orientador, que é o dirigente do trabalho, munido de todas as escolas13, muito equilíbrio e bom senso, não pode possuir vício algum, tem de possuir um nível moral incontestável em suas práticas diárias, isto é, seguir os ensinamentos de Jesus, pois quem orienta e ensina deve, primeiro, dar o exemplo.
Esse orientador necessita ter equilíbrio em seu lar para que não haja argumentos que abalem o trabalho e sua vida, bom senso é essencial, amor e honestidade em todos os sentidos.
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

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