O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jan 11, 2017 10:05 am

Ele não pode ter personalismo e a humildade precisa vigorar sempre.
—E os médiuns que trabalham na desobsessão? -— tornou Rose.
—Os médiuns tanto da desobsessão como dos trabalhos de passes ou de sustentação devem ter não só todas as orientações das escolas de educação mediúnica, como também equilíbrio, bom senso, não podem ter nenhum vício.
Necessitam adoptar a prática da boa moral e do que foi ensinado por Jesus.
Amor e respeito ao trabalho que desenvolvem, humildade e caridade, pois esse tarefeiro é quem vai auxiliar o doutrinador no socorro do espírito necessitado.
O trabalho de um médium é muito importante.
O equilíbrio e o bom senso desse tarefeiro é primordial, não só para o trabalho de desobsessão, mas principalmente para que sua missão seja bem desempenhada.
A educação do médium não o deixa passar pelo ridículo de exibir aos outros o que não existe, só porque ele quer chamar atenção.
— Como assim? -— perguntou a filha, querendo entender.
— Tem médium que se sacoleja, fala alto, grita, adopta um comportamento durante a incorporação que não existe.
— Como assim, "não existe", pai?
—Seria bom você estudar sobre o comportamento dos médiuns, Rose.
O livro dos Médiuns é um bom começo.
—Ah, pai! Dê-me uma noção rápida.
Como o médium exibe o que não existe?
—O médium, para aparecer ou chamar a atenção dos colegas ou dos demais, inventa o que não ocorre, ou seja, ele é o instrumento que serve de mediador entre os dois planos, nesse caso, sendo ele o encarnado e o responsável por aquele corpo perante Deus, é ele quem vai "prestar contas", vamos dizer assim, de tudo o que ocorre com aquela matéria que lhe foi confiada aos seus cuidados.
Não tem como um espírito desencarnado tomar conta do corpo do médium e lhe contorcer o corpo, a face, os olhos, sacudir-se todo, gritar e tudo mais, se o médium não deixar.
Normalmente o médium sabe o que está acontecendo, apenas não quer interferir deixando o espírito agir, acreditando que isso seria adulterar a comunicação.
Quem faz isso, é o médium sem escola mediúnica porque, quando se conhece todo o processo da incorporação e comunicação dos espíritos, ele não vai querer se sentir envergonhado por ser um médium que ignora as verdades espirituais.
E só raciocinarmos:
se o espírito encarnado tem todos os liames ligados ao corpo de carne, como um outro espírito desencarnado pode dominar totalmente aquele corpo sem que o "dono" possa interferir?
Existe médium inconsciente, mas isso é raríssimo.
Além do que, existem leis naturais que não o deixam inconsciente se a comunicação for de um espírito sofredor.
Com estudo, esse medianeiro pode tomar consciência do que ocorre sim.
É compreensível a inconsciência do medianeiro quando acontece a comunicação de um mentor que tenha muito entendimento e evolução espiritual a fim de saber e se responsabilizar sobre o que está fazendo, isso tudo para facilitar e garantir o seu trabalho.
Essa condição de mediunidade aparece, quando se trata de missão do médium, de muita tarefa, e não de trabalhos reservados que fiquem no anonimato.
Existem também alguns casos de possessão, mas isso é algo incrivelmente raro!
Acontece só com espíritos inferiores.
— O quanto raro são os casos de possessão de um espírito?
—Eu diria que... a cada século teremos dois ou três casos.
Os casos de possessão não são para todas as manifestações mediúnicas, mas sim para a incorporação de um obsessor e ter seguidor pessoal daquele medianeiro em particular.
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jan 11, 2017 10:05 am

Todos os espíritos que dão comunicação pelo médium não têm posse do corpo.
Isso não existe.
O médium pode e deve dominar a impulsividade.
Esse assunto nos é ensinado em uma das obras da Codificação Espírita, o livro A Génese.
—Pai, e se o médium começar a narrar ideias como se ele fosse o espírito comunicante?
O que acontece?
—Ele pode enganar o dirigente do trabalho, mas não engana a Deus nem a própria consciência.
Se o médium fizer isso, só estará tomando o tempo do trabalho, além do que o dirigente geralmente conhece o problema de quem está sendo tratado, e o médium não.
Se ele vir que esse trabalhador espiritual está oferecendo uma comunicação que não diz respeito àquele caso ou que o médium está enganado, deve atender normalmente e em seguida deixará outro médium trazer a comunicação adequada ao caso.
—Mas o dirigente não vai dizer ao médium que estava errado?
—A princípio não.
Veja, Rose, o socorro às vezes tem de ser ao encarnado doente.
Porém se as comunicações desse tipo persistirem, o médium deve ser chamado em particular para ser orientado.
Se ele for vaidoso, orgulhoso ou fascinado, não vai aceitar as orientações.
—Tem médium que percebe o erro que comete?
—Lógico! Há médiuns tão bons que chegam ao dirigente e dizem que acreditam que a comunicação que deram não está de boa qualidade, solicitando até um tratamento espiritual.
— Ele precisa ser afastado do trabalho da área espiritual?
— Nem sempre.
Às vezes ele fica só na sustentação ou até fazendo sua tarefa normalmente.
— Fala-se tanto em animismo.
O animismo é prejudicial a um trabalho de desobsessão?
— Filha, existem os médiuns mercenários, ambiciosos, de má-fé, egoístas, invejosos e os sérios, modestos, devotados e seguros.
É muito importante estudar e observar.
O médium é um intérprete que pode ser bom ou mau quando há um espírito se comunicando por ele.
Portanto, quando não há espírito na comunicação, é chamado de animismo.
Vamos analisar: o médium anímico é aquele que não é intérprete de espírito algum e apresenta a comunicação como se fosse.
Primeiro em estado sonambúlico ou estático a alma do médium goza de certo grau de liberdade.
Quando o animismo ocorre na sessão de desobsessão e o médium, em vez de dar a comunicação do espírito sofredor, traz a sua manifestação como sendo de um irmão necessitado, ele deve ser socorrido igualmente, pois também é carente de esclarecimento.
Ninguém, em sã consciência, há de querer ou gostar de ser sofredor.
Mas, se esses tipos de passividades anímicas persistirem, a fim de o médium sentir-se em destaque, o que é percebido pela qualidade das mensagens, esse médium deve ser orientado e até afastado do trabalho, pois, se essas comunicações continuarem e ninguém fizer nada, o médium estará atrapalhando a tarefa, tirando a oportunidade do trabalho dos companheiros e do socorro aos espíritos sofredores.
— E nas comunicações que não forem de um espírito sofredor?
— O espírito do médium pode ter grande conhecimento e elevação, até inconscientes, podendo ele, nesse estado de transe mediúnico, passar uma comunicação valiosa e que agregue conhecimento e desperte o desenvolvimento dos demais.
Não há Problema se isso ocorrer positivamente.
Não podemos esquecer que o médium também é um espírito.
—E se o médium interfere na comunicação de um espírito evoluído?
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jan 11, 2017 10:05 am

—Filha, o médium só será um mau intérprete, e o espírito responsável pela comunicação, falada ou escrita, não vai se incomodar, porém há de procurar um novo intérprete que simpatize com ele e lhe seja fiel.
Isso ocorre também quando um espírito inferior procura um médium devotado e seguro e lhe passa mensagens dizendo que são de grande valor, que têm de ser divulgadas a todos, pois são de boa qualidade.
O médium fiel vai analisar a mensagem e deve verificar que ela pertence a um espírito de terceira ordem e da décima classe, um irmão que precisa aprender muito ainda.
Nesse caso, o médium responsável detém o que lhe foi passado.
Logicamente esse espírito não vai acompanhá-lo mais e outro, provavelmente mais evoluído, ocupará o seu lugar.
—Pai, e no trabalho de desobsessão, como orientam o espírito?
—Um orientador vai conversando com ele através de um médium de incorporação que vai permitir a sua palavra.
—Precisa do médium para essa conversa?
—Normalmente é o espírito quem mais precisa desse contacto com os fluidos do encarnado.
Além disso, como é que o orientador vai saber se o espírito está presente ou não?
Se o espírito aceitou ou não o que lhe foi esclarecido?
É preciso o médium para permitir chegar ao plano físico a opinião daquele irmão.
—E daí?
—Daí que o espírito vai contar o que o aflige.
Geralmente comenta por que perturba a pessoa e o que o faz ficar ao lado dela, incomodando-a.
Depois de uma conversa ou de várias, o espírito aceita ser socorrido.
—O que faz um espírito nos incomodar?
—Prazer, quando o espírito gosta de ver o desespero e o sofrimento dos outros.
Ignorância, quando se trata de um espírito sofredor que incomoda e não sabe que o está fazendo.
Vingança, quando a criatura decide fazer justiça por si própria e não aguarda a vontade de Deus.
Geralmente é isso.
Mas, com certeza, a obsessão ocorre porque a pessoa não se transforma para melhor, não muda as suas atitudes, os seus pensamentos e os seus desejos.
Elas chegam a atrair outros espíritos que vibram na mesma faixa em que ela se encontra.
Por isso, mesmo socorrendo um espírito e a pessoa sentindo-se bem, não demora muito e ela precisará de mais tratamento porque atraiu outro.
Não quero com isso dizer que não precisamos de tratamento espiritual, ou melhor, de assistência espiritual como é correto dizer.
Eu mesmo sou uma pessoa que saio de um tratamento e, sem demora, entro em outro.
Isso me faz ver que preciso me aperfeiçoar.
Quando eu sinto um incómodo espiritual que se manifesta em desânimo intenso com o meu serviço, por exemplo, eu corro para o Centro Espírita e peço que me indiquem a assistência adequada ao meu caso.
Mas não fico de braços cruzados, procuro mudar meus pensamentos, desenvolver tarefas novas e criativas, converso sobre coisas produtivas e procuro conviver com colegas que me dêem ânimo e muito mais.
Se me sinto irritado em casa com vocês ou mesmo se discordo muito de sua mãe, começo a vigiar minhas atitudes, frear o desejo impulsivo de explosão emocional ou opiniões fortes.
Isso tudo junto com o tratamento espiritual, claro.
— E você melhora, pai?
— Sempre! Porque eu tenho consciência de que o espírito sempre vai procurar atingir meu ponto fraco, onde eu não estou equilibrado.
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jan 11, 2017 10:05 am

— Como é feito o socorro desse espírito?
— Depois de ele contar o que o aflige, o orientador vai procurar envolvê-lo com amor, esclarecer que somos espíritos em evolução e quanto mais insistirmos no erro de prejudicar e incomodar alguém, mais dores provocaremos em nós mesmos pois somos responsáveis pelo que fazemos os outros sofrerem.
Nem sempre um espírito aceita orientação e socorro na primeira vez, há casos em que o encaminhamento leva tempo, mas a cada tentativa temos um resultado bem positivo.
Quando ele aceita a ajuda, tarefeiros espirituais o envolvem carinhosamente, levando-o para um local adequado ao seu estado e compreensão espiritual, onde ele receberá atenção, esclarecimento e socorro.
Normalmente a pessoa que ele assedia espiritualmente sente um alívio incrível, dependendo do caso, e se recompõe rapidamente.
Rose muito atenta, comentou:
— Já ouvi falar de casos em que o espírito socorrido volta porque o encarnado sente sua falta.
— E verdade. O encarnado acostumou-se tanto com o incómodo espiritual que se vê atrapalhado quando não o tem mais.
Geralmente trata-se de pessoas que gostam de exibir seus sofrimentos, suas dores, seus problemas para que os outros lhes dêem atenção e se preocupem com elas.
Isso é perigoso porque na próxima reencarnação essa pessoa, que deseja todos se preocupando com ela, realmente vai conseguir um jeito de chamar a atenção de todo o mundo.
Exactamente como ela queria!
Roberto estava parado à porta ouvindo toda a explicação do senhor Davi.
Não resistindo, ele pediu:
— Posso ir ao Centro Espírita com vocês?
E, quem sabe, fazer esse tratamento.
Interessei-me, isto é, se não precisar ser sócio ou coisa assim!
O senhor Davi não deteve o riso.
Esclarecendo ao rapaz, combinaram o dia que melhor poderia lhe convir.
***
Henrique e Margarete empenharam-se num belo trabalho assistencial.
A noiva do médico começou a se envolver tanto com a tarefa que não havia tempo para outros afazeres inúteis.
Isabel não quis lhe fazer companhia e seguiu sua vida, encontrando amigas do seu nível.
Rose e Margarete não se largavam.
Agora a noiva de Henrique não saia da casa dele, primeiro por causa do irmão que morava lá, depois pela amizade que cultivava com Rose.
Henrique estava decidido a se casar com a irmã de Roberto e estudava a possibilidade de comprar uma casa.
— O que o senhor acha, pai? -— perguntou ansioso o jovem médico.
— E um bom investimento.
— Sabe, pai, às vezes dá um medo... não me sinto seguro.
— Já ouvi essa história de medo quando você entrou na faculdade, quando o Roberto entrou na faculdade, Rose...
Enfim, com medo e tudo temos de tomar uma decisão, filho.
Há quanto tempo vocês namoram?
— Ao todo, quatro anos.
Sendo três de namoro e um de noivado.
— Tem sorte do pai de Margarete não implicar com você.
— Coitado. O homem está muito mal, o senhor sabe.
Passa mais tempo no hospital do que em casa.
— E, eu sei.
Vi como ele estava quando o visitei na semana passada.
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jan 11, 2017 10:06 am

Essa doença é uma expiação difícil.
— Os trabalhos aos assistidos do Centro têm tirado a atenção de Margarete com a doença que consome o pai.
Se não fosse isso, creio que ela estaria aos prantos.
— Já ouvi alguém dizer:
"A mente no bem ocupada, a bênção lhe será dobrada".
Não adianta desespero.
Margarete deve procurar prover ao pai todos os cuidados amorosos, fora isso estender tarefa produtiva a fim de se manter ocupada com coisas úteis, pois assim conseguirá transmitir vibrações equilibradas.
Pensar muito em um problema ou numa enfermidade pode desarmonizar alguém.
Nesse instante Ana abriu a porta.
Rubra pelo calor e exausta de cansaço, a mulher cumprimentou o marido e o filho com beijos e atirou-se no sofá.
Sentada, tirou as sandálias sem se dar ao trabalho de se curvar.
— Tomara que não tenha vento! Estou um pó!
— É melhor o cansaço do que o repouso na doença.
Brincando, Ana concluiu:
— Sabe, às vezes eu acho que, em outra encarnação, eu fui uma madame, talvez uma daquelas francesas que ficavam aguardando serem servidas à cama com o desjejum trazido em uma bandeja de prata polida com belíssimas porcelanas inglesas.
Eu devia deslizar nas escadarias de uma mansão muito austera e viver num ambiente principesco.
Devia ter à minha disposição muitos criados bem treinados que me serviam e me amavam...
Acho até que eu dormia após as refeições do meio-dia a fim de garantir o descanso da cútis maravilhosa...
Aproximando-se da esposa, abraçou-a com carinho e beijando-a com ternura, o médico brincou em meio a um doce sorriso:
— E eu devia ser o príncipe que lhe satisfazia todos os desejos!
— Com certeza, meu bem!
Você era o príncipe que me fornecia essas luxurias e me incentivava à preguiça... porque, nesta vida, estou trabalhando por tudo o que deixei de realizar para desfrutar os privilégios do descanso! -— dizia Ana sorrindo, colocando uma tonalidade suave e irónica na voz.
Recompondo-se tornou a falar da realidade com outro tom de voz:
— Hoje, no hospital, não tive folga.
Foi uma emergência atrás da outra... não deu tempo para eu ir almoçar!
Os médicos levam os elogios, mas os enfermeiros... pobres coitados, nunca são lembrados.
A caminho de casa, dentro daquela condução ma-ra-vi-lho-sa! -— dizia ela pausadamente, ironizando com separação silábica.
Fiquei, em pensamento, trabalhando na pilha de roupa que tenho para passar, nas camas que hoje nem arrumei, e, com certeza, a Rose também não!
Tenho até de fazer o jantar antes de ir para o Centro!...
Levantando-se, sem perder o humor em nenhum momento, Ana saiu para a realização de alguma tarefa perguntando em tom de brincadeira:
— Onde estão os meus criados que me serviam e me amavam?!...
O que foi feito dos meus vestidos principescos?!... da minha mansão?!... do meu sono de beleza?!... do meu descanso?!...
O esposo e o filho seguiram para a cozinha, procurando ajudá-la em alguma coisa, enquanto ela continuava a comentar:
— Já que eu tenho liberdade com a Elizabete, não perdi a oportunidade e outro dia eu falei para ela:
vocês estão em excelente situação financeira e...
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jan 11, 2017 10:06 am

— Que Elizabete, mãe?
— A esposa do Oliveira!
Daí eu disse:
Bete, aproveite a mordomia e trabalhe nesta vida para não ter de fazer dobrado na próxima como eu!
— Ela voltou a frequentar o Centro? -— perguntou Henrique.
— Não a vejo.
— Ah! Voltou sim.
Bete passou por aquele período em que o tarefeiro abençoado precisa aprender com as experiências amargas aí fora para depois voltar à casa espírita valorizando o trabalho e dedicando-se, mais do que nunca, com humildade compreensão e amor.
Isso é normal e surpreendente!
—Ana, deixe-me interrompê-la -— pediu o marido enquanto secava a louça que a mulher lavava.
O Henrique está pensando em comprar uma casa e... bem... ele já namora e noiva há quatro anos.
É tempo demais enrolando a moça!
—Ah! Que maravilha!!!
A expressão da mãe foi incomum, e Henrique reparou, mesmo sem comentar nada a princípio.
Ana continuou:
—Tomara que o Roberto se forme logo e se case com a Rose.
Assim estarei realizada!
—Porquê, mãe?
—Porquê?! Meu trabalho será reduzido em sessenta por cento!
Além disso, terei lugar para passear nos fins de semana.
De receber visitas, passarei a fazê-las!
Isso não é óptimo?!
É sério, mãe! -— exclamou Henrique.
—Mas eu estou falando sério, filho. -— informou a mãe atenta à conversa e ao serviço.
É hora de você tomar uma decisão na sua vida.
Vai esperar mais o quê?
Eu sei que o medo e a insegurança vai fazer você pensar, mas uma hora ou outra terá de se decidir:
ou você casa com a Margarete, que é uma boa moça, ou você a deixa livre para que ela siga a própria vida sem se prender a você.
Sabe, Henrique, no começo eu a considerava um pouco menina demais, mas, com o tempo, como a Margarete evoluiu, cresceu!
—E verdade! -— concordou o pai.
Ela ficou madura.
Isso porque se empenhou em trabalhos que mostram a realidade da vida, sem fantasias.
—Vá em frente, filho. -— aconselhou a mãe.
Realize sua vontade e procure ser feliz.
—Vocês podem ir comigo ver a casa?
—Seria bom você levar a Margarete também.
Afinal, será ela a vítima!
Terá de conhecer o seu local de clausura! -— brincou a mulher, rindo.
Roberto, que acabava de chegar, ouviu somente a última fala de Ana e ficou sem entender.
Todos riram e lhe contaram sobre o que estavam falando.
Ele ficou satisfeito com o rumo da situação compartilhando da alegria que reinava.
Ana deixou o jantar pronto e logo correu para tomar um banho, pois ainda teria de se arrumar para ir à Casa Espírita.
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jan 11, 2017 10:06 am

Enquanto seguia apressada para seu quarto, Ana saiu proferindo em tom de brincadeira:
— Queridas criadas, preparem o meu banho!
Deixem as águas perfumadas com sais aromáticos!...
Não se esqueçam dos óleos hidratantes!
Seu esposo sorriu e pendeu com a cabeça negativamente não acreditando no que ouvia.
Ana, mesmo após cumprir suas tarefas diárias, buscava e encontrava dentro de si ânimo e disposição para realizar trabalhos de caridade com amor, procurando sempre levar harmonia a eles.
Suas dificuldades na vida jamais serviram de empecilho para que ela deixasse de ir à Casa Espírita a fim de aproveitar a oportunidade de trabalho que lhe era ofertada.
Além do que, após servir dignamente, Ana retornava ao lar realizada e refeita, pois o trabalhador de Jesus é o primeiro a receber suas bênçãos.

13. Nota da Médium:
O termo utilizado "escolas", se refere aos cursos oferecidos nas casas espíritas para um estudo bem esclarecedor da Doutrina Espírita.
Além disso, tem o carácter de ampliar os conhecimentos e as práticas para cada candidato a trabalhador ou colaborador, treinando-os para adquirirem e testar suas aptidões para áreas específicas.
No caso do dirigente, que é uma actividade de alta responsabilidade, o número de cursos é extenso, porém necessários ao indivíduo que se encarregará de exercê-la.
Este deve lembrar-se de que "a quem muito é dado, muito será exigido".
O encargo moral e espiritual desse tarefeiro é imenso, uma vez que ele responderá por cada acto e pensamento.
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jan 11, 2017 10:07 am

7 - Desobsessão

Naquela noite, Ana chegou ao Centro Espírita para realizar sua tarefa no trabalho de desobsessão.
Essa Casa Espírita adoptava a norma de ser essa uma tarefa reservada somente aos trabalhadores específicos da área espiritual.
O ambiente era calmo.
Os médiuns, que ali estavam, permaneciam em absoluto silêncio e em prece harmonizando-se, preparando-se antes da tarefa.
A sessão teve início com a leitura e breve explicação do livro O Evangelho Segundo o Espiritismo.
Maravilhosa prece foi o que deixou o ambiente impregnado de bênçãos com fluidos balsâmicos dos pensamentos sinceros e amorosos de quem a vivificava.
A dirigente e orientadora do trabalho de desobsessão ia indicando a assistência:
— Vamos pedir a Jesus, nosso irmão maior, que nos permita envolver com imensurável amor o terceiro assistido da noite de hoje.
Que possamos nos concentrar em seu nome... nesse irmão que anseia pela bênção de Deus.
O grupo de médiuns ficava disposto em círculo. Todos sentados.
Intercalavam-se com um médium de incorporação e um médium de sustentação.
A tarefa de sustentação é muito honrosa e importante.
Ela exige equilíbrio, harmonia e bom senso do tarefeiro em todos os sentidos.
Esse trabalho consiste em ficar no silêncio da prece e sem se deixar envolver pelo sono ou por incómodos espirituais que tentarão lhe influenciar os pensamentos.
A sustentação é um dos factores mais importantes para que um trabalho de desobsessão tenha êxito.
Nenhuma manifestação ocorria.
O silêncio era absoluto.
Subitamente, Ana passou a receber, através da vidência, imagens de cenas estranhas:
uma gigantesca casa, um casal discutindo... uma mulher chorando...
Tudo confuso, a princípio.
Não demorou e uma outra médium deu a comunicação do espírito que se afinava com as imagens recebidas por Ana.
—O que estou fazendo aqui? -— perguntou o espírito através da médium.
Que lugar é esse?!
—Aqui é uma casa de oração.
O querido irmão pode considerá-la como sendo um pronto-socorro para aqueles que se sentem fatigados e insatisfeitos.
—Eu não sou homem!!! -— vociferou a médium.
— Quero sair daqui!!!
—Perdoe-me, querida irmã.
Com toda certeza nós não vamos prendê-la aqui.
Este é um lugar que respeita a vontade do Criador Universal, e uma das leis de Deus é a consciência de cada um ter o direito de fazer o que quiser.
Mas antes eu gostaria que a companheira me prestasse um favor.
Gostaria que me ouvisse um pouco.
Você pode? -— pedia a orientadora com inenarrável gentileza e verdadeiro amor nos sentimentos e na entoação de voz.
— Estão me segurando!
—Ninguém a está segurando.
Olha, você acredita em Deus?
—Não sei. Ele me abandonou! -— reclamava o espírito.
Eu vivo no inferno.
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jan 11, 2017 10:07 am

—Minha irmã, ninguém fica confinado no inferno.
Veja, se você estava no inferno, como veio parar aqui?
Como você mesma pode sentir, este local oferece tranquilidade, atenção e orientação.
Você pode abrir o seu coração e, na medida do possível, nós vamos procurar esclarecê-la.
—Que lucro eu terei?
O que recebo em troca? -— perguntou o espírito desconfiado.
—Você terá a tranquilidade de sua consciência.
Não há benefício melhor do que estarmos na paz de Deus.
—Isso não é lucro! -— tornou a irmã sem entendimento.
Eu quero ir embora!
Quero ir embora!!! -— gritou o espírito através da médium.
Nesse instante, alertando a médium para que essa dominasse, com classe, a postura e a educação mediúnica, pois a gentil dirigente sabia que não havia necessidade de aumentar o volume da voz para se fazer entender.
A amável tarefeira alertou de uma forma geral:
— Vamos todos, em prece, sustentar a assistência a essa companheira e vigiar a educação mediúnica, em nome de Jesus.
E voltando-se ao espírito socorrido, argumentou:
—Você poderá ir embora, minha irmã.
Porém antes, eu gostaria de esclarecê-la.
—Eu não quero o seu esclarecimento.
Eu tenho esse direito.
—Mas é lógico que tem -— afirmou docemente a tarefeira.
—Então eu não sou obrigada a ouvi-la -— afirmou o espírito.
—Claro que não.
Mas sabe, preciso de um favor seu.
Sou alguém que trabalha para Jesus e, quando abracei essa tarefa, decidi que todos os irmãos que viessem para conversar comigo a fim de serem esclarecidos, eu iria ter paciência, amor e procurar levar a ele a orientação que Jesus nos deu.
Por isso, minha querida, gostaria que me deixasse fazer o meu trabalho.
Preciso que me ajude.
Depois sim, você pode ir embora. Por favor?...
A honrosa tarefeira não desanimava.
Ela não queria perder a oportunidade de socorrer aquela companheira.
Porém sabia que não deveria insistir muito para não cansar aquele espírito e se iludir com uma falsa aceitação que ele pudesse ter, só por estar entediado de tanta insistência.
Com verdadeira atenção, entoando agradável carinho na voz, pediu:
— Antes de ir, você pode me ouvir?
— Fala, vai! -— respondeu o espírito com desdém.
— Você já ouviu falar de Jesus?
— Já.
— Esse mestre querido veio nos esclarecer e socorrer.
Ele nos disse:
"Bem-aventurados os que choram, pois serão consolados".
Jesus promete compreensão aos aflitos do mundo e lhes garante o socorro e o conforto através dos seus ensinamentos.
Mas para esse alívio nos envolver, querida irmã, é necessário dar-mos atenção à conveniência de determinados acontecimentos.
Nada é por acaso, e muitas coisas dependem da nossa vontade.
— Eu não sofro porque quero! -— alertou aquele espírito através da médium.
— Eu sofro porque ele me traiu... ele nem lembra de mim...
Você sabia que ele me esqueceu já naquela época?!...
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jan 11, 2017 10:07 am

Aquele espírito narrava como se a dirigente do trabalho soubesse do que ela estivesse falando e o que solicitava.
E lógico que todo espírito manifestante para esse tipo de assistência e socorro espiritual, é um irmão queixoso que, por falta de conhecimento, incomoda o encarnado que está sendo auxiliado na assistência espiritual, conhecido como tratamento espiritual.
O termo "tratamento espiritual" não é correto, uma vez que o Espiritismo não cura ninguém.
O que há em uma casa espírita é a assistência espiritual aos encarnados e desencarnado; dando a ambos o entendimento de como ficarem saudáveis espiritualmente e, então, prosperarem.
A assistência espiritual consiste em ofertar a orientação e o entendimento do que podemos fazer em nossas vidas para não mais experimentarmos as torturas que nos afligem, ensina-nos a reforma interior necessária para nos religarmos a Deus tendo fé, amor e praticando a caridade.
A partir daí sim, o que merecermos, receberemos na medida certa e de acordo com as possibilidades.
Não sabemos a que temos direito.
Por essa razão, o dirigente de uma tarefa, como é a da desobsessão, tem que possuir muito equilíbrio e harmonia.
É imprescindível o conhecimento doutrinário e, porque não dizer, o domínio deste.
Esse tarefeiro da área espiritual deve enriquecer-se muito sobre ideias e noções de diversos assuntos e ter a sabedoria da existência espiritual em condições inúmeras, bem como saber dos seus motivos para analisar rapidamente o esta do consciencial em que o espírito se encontra a fim de auxiliar seu entendimento e socorro.
Além disso, saber expor e defender as teses do Evangelho de Jesus e da Codificação com bondade, amor e dentro do bom senso.
Por incontáveis vezes, esse dirigente será colocado à prova por inúmeros espíritos que hão de querer testá-lo e desclassificá-lo até revertendo o quadro apresentado, expondo qualquer assunto particular da vida desse dirigente que possa desmoralizá-lo perante todos:
encarnados e desencarnados ali presentes.
O espírito pode relatar a desarmonia que há em seu lar e dizer que:
"primeiro o dirigente deve cuidar de esclarecer e assistir àqueles com quem vive sob o mesmo tecto e a si mesmo para depois pensar em esclarecê-lo" ou "que o dirigente tenha boas práticas morais ou de caridade, deixe seus vícios para depois ir ensiná-lo" e tantas outras alegações o espírito poderá fazer.
Esse trabalho não é fácil e exige muito do tarefeiro, a começar a humildade.
Além disso, o dirigente de um trabalho desse tipo deve dispor de delicadeza com as palavras para não ferir ou magoar o irmão que se apresenta.
Ter extrema discrição para não expor a pessoa a quem esse espírito está vinculado.
Habilidade com o pensamento para que este disponha de argumentos de defesa verdadeiros a fim de entender o queixoso, compreendendo o que ele reivindica sem acusá-lo, sem aprofundar-se em detalhes, algumas vezes, desnecessários.
Por essas e tantas outras razões, a amorosa tarefeira esclareceu:
— Eu sei que a querida companheira não sofre porque o quer.
Porém o remédio para todos os males é a atenção, a compreensão e a prática dos ensinamentos de Jesus.
— Eu já rezei e ninguém me ouviu!
— Ah, Jesus ouviu sim.
Mas se nós não nos sentimos aliviados com uma prece, precisamos buscar, dentro de nós, a resposta para sabermos a origem dos males que nos torturam.
Aí vamos analisar e descobrir que "se houvesse feito ou deixado de fazer tal coisa, não estaria em semelhante condição".
— Você está me acusando?
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jan 12, 2017 11:12 am

—Não. Não a estou acusando.
Nem sei o que a querida irmã fez para sentir-se assim.
Mas sei o que pode fazer para deixar de sofrer.
—Eu vou acabar com eles! -— dizia o espírito em tom de desequilíbrio.
— Vou acabar... Ele me traiu!
— Não traiu não, minha irmã.
Ele nem sabe que você existe.
— Eu quero ir embora -— pedia o espírito.
— Minha querida, você não se sentiu um pouquinho melhor aqui?
Veja, nesses minutos em que conversamos, pôde sentir um ambiente melhor à sua volta, não é verdade?
O espírito ficou em silêncio e a dirigente tornou ainda mais amável.
— É lógico que sentiu.
Então as preces que você fez foram atendidas.
Você sentiu o alívio que desejava em sua consciência.
Essa é a sua oportunidade de melhorar.
— Agora eu não quero.
— Está certo.
Mas eu fico feliz em ouvi-la dizer que não quer "agora", isso significa que vai querer futuramente.
Você vai poder ir, minha irmã, porém antes deixe-me fazer uma prece a Jesus, por você, por favor?
— Eu quero ir embora.
— Assim que eu terminar a prece, minha querida.
A dirigente, que estava em pé, ergueu o corpo curvado a fim de facilitar o diálogo.
E, como se aquela sala não possuísse tecto, ela ergueu a cabeça "olhando para o céu" e soltou a voz macia, entoando-a com inenarrável amor e harmonia, fazendo cada palavra vibrar com sentimentos verdadeiramente puros.
— Queridos irmãos, encarnados e desencarnados, aqui presentes.
Vamos pensar em Jesus, o médico das almas, para pedirmos o envolvimento sublime à querida irmãzinha que se encontra aqui.
Todos juntos, num só coração, vamos acompanhar e viver essa prece:
"Mestre querido, que sempre estendeu suas dadivosas mãos a todos os enfermos das almas, aos cegos dos Seus ensinamentos porque negaram a praticá-los, aos doentes do coração por cultivarem o orgulho e a vaidade de não admitirem se modificar e aos enfermos acamados na falta de iniciativa que se acomodam diante de tantos ajustes a fazer.
Mestre querido, que nos ampara na hora justa, acenda Sua luz no entendimento da nossa irmã para que ela possa converter os seus sentimentos em amor, porque se hoje ela não o faz, Querido Amigo, é porque ainda não O compreendeu.
Acrescenta-lhe no coração a generosidade verdadeira, o alívio do bálsamo da paz e o vigor de se empenhar pelas próprias forças, equilibrando-se e sustentando-se em Seu amor para saber como agir.
Senhor! Suplicamos suas bênçãos de caridade e compaixão a essa irmã querida que não deseja mais repousar na insegurança nem na dor.
Que a partir de agora, Senhor, possa ressurgir para ela um entendimento e um envolvimento novo, repleto dos benefícios de Suas bênçãos.
Mas acima de tudo, que seja feita a vontade do Pai."
O amor reconfortante de todos, misto ao desejo do bem, fez com que, na espiritualidade, aquela irmã pudesse se comprazer de um alívio sem igual.
Suas lágrimas correram, mas seu coração ainda se enrijecia pela falta de compreensão.
Você está melhor, minha irmã? -— perguntou a dirigente bondosa.
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jan 12, 2017 11:12 am

— Eu quero ir embora. -— pediu o espírito mais brandamente.
— Quer mesmo?
Veja, você se sentiu melhor.
— Mas eu quero ir.
— Tenho certeza de que a querida irmã se sentiu tão aliviada que não vai esquecer de Jesus e vai desejar sentir Suas bênçãos novamente.
Por essa razão, eu pedirei para que retorne, na próxima semana, para conversarmos a fim de que a companheira se deixe envolver pelo amor e pela compreensão. Está bem?
—Não sei.
—Ah, sabe sim.
Eu sei que você vai pensar muito e vai decidir voltar.
Então vai com Deus, minha irmã.
Que Jesus a ampare e ilumine a jornada.
A dirigente, fiel tarefeira de Jesus, despediu-se do espírito com júbilo, dando a esperança de ser recebida "de braços abertos" quando desejasse mais esclarecimentos.
O espírito não respondeu a nada e se retirou, enquanto a dirigente conduzia outra prece em benefício da recomposição do assistido encarnado.
No final dos trabalhos, antes de irem embora, alguns dos tarefeiros se despediram e Ana esperou até que a maioria se retirasse.
Aproximou-se da dirigente e pediu:
—Miriam, por favor?
—Sim, Ana. O que foi?
—Em um dos tratamentos, durante a comunicação de um irmão, eu tive uma vidência de cenas sobre factos passados.
—Isso é normal, Ana.
—Sim, eu sei.
Primeiro que é difícil eu ter isso, segundo eu parecia estar envolvida nos acontecimentos da vidência, de alguma forma, porém eu não me via.
—Talvez seja porque hoje iniciamos o tratamento espiritual da Rose e do Roberto.
—Eu creio que vi também o pesadelo que minha filha tem.
Não é um desequilíbrio ou uma neurose de Rose pelo que ocorreu nessa vida, é algo do passado.
Rose tem pânico de um acontecimento do passado, entende?
Por isso os tratamentos de psicanálise surtiram um efeito parcial, dando-lhe força de vontade, e, quando pensamos que tudo está bem, há uma recaída.
_Ana, vocês já procuraram consultar um psicólogo ou psicanalista que seja espírita ou simpatizante do Espiritismo?
Eu acho que é possível sim passar por um pânico de um acontecimento de uma vida passada.
Em todo caso, um bom profissional poderá nos dar melhores orientações.
_ Só podem ser situações conflituantes de vidas passadas, Miriam.
Minha filha nunca teve problema até conhecer o pai do namorado e...
— E?... -— perguntou a dirigente interessada.
—Sabe como é, Miriam.
Tenho medo de comentar o que acho que observei através da vidência.
—Ficará entre nós —- prometeu a amiga.
— Conte-me se isso a fizer segura, além do mais essas informações poderão me ajudar com o tratamento desse espírito e, se eu achar que você não está certa no que entendeu sobre a vidência que recebeu, procurarei conduzi-la.
—Eu não me lembro mais qual foi o tratamento, mas antes dele iniciar, eu comecei a receber imagens de uma casa muito grande.
Sei, pelo estilo e pelas roupas, que se trata do século passado.
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jan 12, 2017 11:12 am

Tudo indica que havia riqueza e conforto.
Uma mulher discutia com seu marido.
Por ciúmes, acusava-o, aos gritos, de traição.
Não sei dizer por que, mas me parece que esse homem era médico e... acho que era o Roberto, namorado de minha filha hoje.
Tenho certeza de que essa mulher não era a Rose.
As cenas eram rápidas, mas pude perceber que esse médico era muito calmo e atencioso, porém sua mulher queria conseguir tudo aos gritos.
Depois eu vi esse homem, que é o Roberto, conversando com uma outra mulher que, aí sim, é a Rose, entende?
Miriam pendeu com a cabeça positivamente e Ana continuou:
— Eles conversavam muito e havia uma grande amizade entre ambos.
Depois surgiram dois homens.
Um, muito elegante e gentil que acompanhava o Roberto, e o outro parece que é parente da Rose.
Parece que...
— Que?...
— Não sei dizer.
Acredito que esse homem que acompanha a Rose deva ser o pai do Roberto hoje, o senhor Gonçalves.
É aquele homem que eu lhe disse que está muito doente.
— Sim, eu sei de quem se trata.
E daí? -— interessou-se Miriam.
— Esse homem agredia impiedosamente a Rose, mas ninguém via.
A vida que ela levava era um terror!
Creio que ele era marido dela.
Havia um pouco de amizade entre esse homem que eu vi, como sendo o senhor Gonçalves, e o Roberto.
O homem elegante, um verdadeiro cavalheiro, que acompanha o Roberto, eu não sei dizer quem é...
Nesse momento, uma outra médium que estava parada ao lado escutando a narração, pronunciou-se:
— Desculpe-me a intromissão, mas eu também vi o mesmo que você, Ana.
Acredito que esse homem educado e elegante é o pai desse Roberto nessa época antiga e, actualmente, ele é o Davi.
Ana ficou surpresa e a médium confirmou.
— Pude observar também um outro jovem.
Esse creio que é o Henrique.
Ele, hoje, é quem aproximou as duas famílias para que todos se encontrassem novamente.
— Você conhece o Roberto, Maria?
Ou mesmo o pai dele? -— perguntou a dirigente para a médium que chegou relatando o que viu.
— Não. Quem são?
_ O Roberto é o namorado da minha filha e irmão da noiva do Henrique -— explicou Ana, perplexa, mas sem se exaltar.
— Puxa! -— admirou-se a própria médium, salientando:
— E o Henrique, nessa época, também foi filho do Davi e, logicamente, irmão do Roberto.
É o Henrique também, quem mantém os laços que ligam essas duas famílias no passado, pois ele namora uma jovem que, talvez, seja, filha desse homem bravo com a Rose.
— Mas a Rose me pareceu nova demais para ser a mãe daquela moça! -— acreditou Ana.
Rose até parecia ser filha desse homem.
— Mas você viu como essa jovem trata a Rose como sua mãe?
— Não importa -— explicou a dirigente.
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jan 12, 2017 11:12 am

— Sabemos que a Rose tinha atenção e carinho por parte de uma moça que namorava um rapaz, Henrique, e este tinha um irmão, o Roberto.
Rose era casada com um homem bem mais velho e tinha amizade com o Roberto, irmão do Henrique.
Certo? Mas continuem, e daí?
— Houve um incêndio e Rose estava nele! -— contou Maria, a outra médium.
— É o sonho repetido que Rose tem! -— alertou a mãe.
— E o Roberto a tira desse incêndio, não é? -— perguntou Ana.
A médium ficou em dúvida e explicou:
— E. Mas eu também a vi, Ana.
Você estava no meio desse incêndio ajudando o Roberto.
— Pode ser que todos vocês viveram juntos nessa mesma época -— explicou a dirigente.
Ana salientou verdadeira:
— Que engraçado!
Eu não me vi em nenhum momento.
Vi a Rose sendo tratada e depois inválida.
Aí tudo fica um pouco confuso.
— Eu posso garantir que a vi, Ana.
Vi o socorro da Rose e depois ela sendo levada para a mansão.
Não vi mais aquela mulher que chorava no começo, que é o espírito que se comunicou hoje.
Também não vi nenhum romance entre ela e o Roberto.
Mas o marido da Rose ficou enfurecido porque apareceu um rapaz que o ficava envenenando com sugestões sobre um suposto romance entre Rose e Roberto até... -— contou a médium Maria.
—Eu sei.
Até o marido matar os dois -— esclareceu Ana com voz triste.
—É a esposa do Roberto, a mulher que aparecia chorando no início? -— tornou Miriam.
As médiuns se entreolharam, indicando negativamente com um movimento de cabeça.
Miriam, experiente, concluiu:
—Bendita mediunidade!
Geralmente quando algo é revelado, não é só a um médium e podemos recompor os factos como peças de um enorme "quebra-cabeça".
—O que você vai fazer, Miriam? -— perguntou Ana.
—Vou saber se outro médium pode dizer algo porque, se for o que pensamos que o espírito assistido hoje é a antiga esposa do Roberto, ficará mais fácil procurar envolver e esclarecer essa irmã.
Isso significa que, além do trauma que Rose traz de uma experiência ruim, ela tem um espírito que lhe auxilia o sofrimento, sugestionando ou mostrando-lhe os sentimentos sofridos dessa vida passada.
—Faz sentido, Miriam —- lembrou Ana.
— Minha filha sempre foi uma pessoa normal.
Ao encontrar o Roberto e seu pai, hoje, Rose encontrou também essa companheira espiritual sem instrução.
Ela julga Rose sua rival e lhe provoca essas perturbações através dos sonhos.
—Tudo indica que seja isso.
Mas não vamos julgar.
Realizaremos nosso trabalho em nome de Jesus.
—Porque não pergunta para a Lia se ela viu algo.
Ela também é vidente! -— propôs a médium Maria.
Ana ergueu o pescoço à procura da companheira e, encontrando-a, chamou.
Lia se aproximou e Miriam perguntou se ela poderia ajudá-la.
Maria era boa médium, mas com pouca experiencia e bom senso foi narrando o caso que ela e Ana observaram através da mediunidade.
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jan 12, 2017 11:12 am

— Ah, eu vi sim. -— afirmou Lia.
— Então nós não sabemos o que aconteceu com a mulher dele -— terminou Maria.
— Eu vi que o Roberto -— contava a médium Lia —- nessa vida passada, levou a outra mulher, a Rose, para frequentar o mesmo tecto onde vivia com sua esposa.
Depois os dois viveram um romance e, mesmo com a esposa implorando, ele não se importou em humilhá-la.
Foi essa esposa ciumenta que ateou fogo na casa onde Rose recebia o amante, Roberto.
— Eu não vi nada disso -— disse Ana com certa amargura, sentindo a falta de verdade.
— Pouparam você, Ana.
Talvez por ser a mãe de Rose hoje.
Mas eu vi os dois vivendo, na frente da esposa dele, um largo romance.
A esposa, para se vingar, contou ao marido da Rose, o qual matou os dois como vocês viram.
Com remorso, a esposa do Roberto se matou.
Por isso esse espírito se sente traído.
Ele a enganava, e ela não lhe perdoou.
Razão pela qual os persegue até hoje.
A dirigente do trabalho não disse nada, mas agora tinha uma ideia do ocorrido.
Lia, por portar vaidade, deixou prevalecer seu animismo para criar ideias irreais sobre os factos.
Não queria admitir, perante as companheiras, que não lhe permitiram receber a vidência completa dos factos.
Desejava chamar a atenção e ser considerada a melhor médium por sempre saber de tudo.
Só que com isso, poria em risco um trabalho de esclarecimento e socorro, induzindo outra tarefeira ao erro.
Lia era uma séria candidata a futuramente, ser uma pessoa que muito iria se iludir ou induzir-se facilmente ao erro, além de correr o risco de chamar a atenção dos outros como realmente deseja.
A educação mediúnica ensinará um médium a se equilibrar, e o bom senso dele vai qualificá-lo como um bom ou mau intérprete do que ocorre na espiritualidade.
Devido ao seu comportamento, conhecimento e fidelidade, esse médium será o alvo de atenção de espíritos evoluídos que necessitam de um trabalhador fiel.
Se não houver conhecimento, comportamento adequado e fidelidade no que apresente, ele será rodeado de espíritos levianos e irresponsáveis, que querem enganar a todos.
O médium deve reflectir sobre o que vai narrar a respeito de sua vidência ou clarividência para não se ridicularizar. Orientando os demais, quando lhe for possível e necessário, com a verdade.
Nem tudo o que observamos e recebemos da espiritualidade pode ou deve ser relatado.
Primeiro deve perguntar a si mesmo: no que isso ajudará alguém?
A quem ajudará?
Será que minha análise de ajuda aos outros será realmente benéfica?
O que foi observado precisa, realmente, ser divulgado ou estarei fazendo esse anúncio para alimentar meu orgulho e minha vaidade?
Todas essas coisas devem ser muito bem pensadas.
A responsabilidade mediúnica é imensa.
O médium não possui nada do que se orgulhar.
Grande mediunidade indica muitos débitos, muito a se refazer e se aperfeiçoar.
Ele deve lembrar que seu animismo é prejudicial, quando altera os factos com falsas verdades, e poderá não ficar em boa situação perante os companheiros quando surgir outro médium que relate a verdade.
O que, com certeza, ocorrerá.
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jan 12, 2017 11:13 am

8 - Educação

O irmão de Roberto, Pedro, começou a ter um comportamento cada vez mais estranho.
Quase que abandonava por completo a higiene pessoal, cuidando-se somente depois de sua mãe insistir muito.
O armazém do senhor Gonçalves praticamente havia acabado.
Somente alguns ébrios se juntavam a Pedro para beber.
Havia ocasiões em que o filho mais velho do senhor Gonçalves dormia no armazém por não ter condições de voltar para casa.
Ele bebia em demasia.
Enquanto isso, Roberto aproveitava todas as oportunidades que lhe eram oferecidas e os benefícios que lhe ofertavam.
— É meu último ano.
Quero "fechá-lo com chave de ouro!" -— dizia Roberto entusiasmado.
— Está sendo difícil cumprir os estágios e tudo mais, porém valerá a pena.
— Pode ter certeza, Roberto -— incentivava Henrique.
— Quando paro e penso como foi sacrificado para mim, principalmente o último ano!
Sabe... sinto-me capacitado... realizado!
— Não vejo a hora!... -— sonhava o estudante.
— Quais seus planos? -— tornou Henrique.
—Nem terminei, mas...
Penso em abrir uma clínica.
É claro que preciso de especialização, dinheiro...
—Aceita um sócio?
Só que nas mesmas condições!
Estou quase terminando a residência!
—Aceito com o maior prazer! -— exclamou Roberto.
—Sociedade em quê? -— perguntou o doutor Davi, que acabava de chegar.
—Em uma clínica médica. -— informou o filho.
— Especializada em?... —- tornou seu pai.
Henrique, com semblante risonho, idealizou:
— Bem, Roberto me disse outro dia que pretendia fazer especialização em "cardio".
Então teremos um cardiologista!
Eu, "dermato".
Já temos um dermatologista!
Podemos até já ter um ortopedista, não é pai?!
Seu pai sorriu e ironizou:
— E o "dinheirista" para bancar tudo isso, quem será?
Sem que nenhum dos dois esperasse, Roberto respondeu:
— Dinheiro, especificamente falando, ainda não sei como virá.
Mas sei que, se nos dedicarmos com fé, bons e verdadeiros propósitos "Deus irá nos bancar."
O pai de Rose sorriu, aproximando-se deles e os abraçando, concluiu:
— Então vamos conseguir sim, de algum jeito!
Porque eu creio que temos fé e bons propósitos.
Henrique, mesmo brincando, considerou:
— Bem... podemos até contar com a enfermeira Rose, a auxiliar de enfermagem, dona Ana, e a recepcionista, Margarete!
— Não brinque, Henrique! -— avisou seu pai sorrindo.
— Eu sinto que isso ainda vai dar certo!
— Não estou brincando, pai! É sério mesmo!
Roberto, sempre que podia, visitava sua família.
Seu pai foi internado, e como para Deus não há coincidência, e sim a necessidade misericordiosa do reajuste, Rose trabalhava no mesmo hospital em que ele estava.
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jan 12, 2017 11:13 am

Por falta de vaga e oportunidade, aquela enfermeira padrão aceitou a função, não tão menos meritória de elogios, como auxiliar de enfermagem.
Aos poucos, a jovem se forçava para vencer o medo de se aproximar do pai de seu namorado, pois haveria de lhe dispensar os cuidados profissionais.
Sempre que o senhor Gonçalves a via, procurava, mesmo com dificuldades pela voz que mal podia sussurrar, puxar alguma conversa.
Rose se detinha e lhe ofertava toda a atenção.
Sem saber o que falar para confortá-lo, Rose fazia o enfermo lembrar da resignação do Mestre Jesus.
Falou-lhe também sobre as provas que um espírito experimenta quando encarnado a fim de aprender com a dificuldade e não mais cometer erros.
Devido a difícil prova do câncer que lhe corroía o corpo e o pensamento, aquele homem sofrido pedia a morte.
— Sabe, senhor Gonçalves, seria bom o senhor se ver como um pessoa forte e resistente que, apesar de todas as dores, de todo o quadro clínico que apresenta, não se veja doente e sim como um espírito perfeito, pois somente seu corpo sofre.
Acredite em Deus e peça-Lhe forças.
Temos a eternidade pela frente, e Deus não vai nos deixar sofrer eternamente.
Com extrema dificuldade, o pai de Roberto perguntou quanto tempo ele ainda sofreria.
— Se o senhor crer, deixará de sofrer agora.
Mesmo se continuar a sentir as dores do corpo.
As dores são do corpo físico e até o corpo físico não nos pertence, ambos são empréstimos temporários para nossa evolução.
Não podemos maltratar nosso corpo, mas se nos prendermos muito ao sofrimento passamos a ter dores em demasia.
Experimentamos as dores sim, porém podemos assumir um estado de consciência em que acreditamos na saúde do nosso espírito, que não adoece.
Isso é acreditar em Jesus.
Isso nos dará certo alívio.
Ouvindo a futura nora, o senhor Gonçalves perguntou onde ela aprendeu a falar assim.
Após ela explicar que fora no Evangelho, ele perguntou se Rose poderia ler o Evangelho para ele aprender mais.
A partir de então, pelo facto de Rose trabalhar à noite e não haver tanto movimento, ela passou a levar consigo o livro O Evangelho Segundo o Espiritismo para lê-lo e explicá-lo ao senhor Gonçalves, que parecia aliviar-se mais com essa experiência do que com os medicamentos.
Até outras companheiras de enfermagem se achegavam para ouvir a leitura e a explicação de Rose.
Admirada com determinadas ocorrências em seu trabalho, a jovem relatava em sua casa factos curiosos.
— Então eu passei a ler e explicar, e a Alda só ficava ouvindo, prestando uma atenção!...
Daí que, após esses meses, a Alda me disse que nunca ouviu alguém explicar tão bem os ensinamentos de Jesus como estava ali naquele livro.
Disse ela que nem mesmo o pastor da igreja que ela frequenta esclarecia tão bem.
— E aí?! -— interessou-se Henrique com grande expectativa.
—A Alda não viu a capa do livro, claro, porque estava encapado.
Sabe, na hora, eu gelei! -— explicava Rose.
— Nem sabia o que fazer.
—Devemos respeitar a crença dos outros, Rose -— lembrou-lhe o pai.
— Porém temos de esclarecê-los com bondade e amor quando houver interesse.
— O que você fez?!
Qual a reacção dela?! -— insistiu seu irmão.
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jan 12, 2017 11:13 am

— Não houve reacção. -— afirmou Rose.
— Como não?! -— tornou Henrique e sua mãe, ao mesmo tempo.
— Eu disse a ela assim:
"Já que você gostou, vou lhe dar um de presente."
Henrique deu-se um tapa na testa, atirando-se para trás, largando-se no sofá a fim de expressar com exagero sua incredulidade na simplicidade de sua irmã.
Roberto e o pai de Rose começaram a rir e Ana preocupou-se:
— Filha, você não falou que se tratava do livro O Evangelho Segundo o Espiritismo?
— Eu falei pela metade, mãe.
— Como falou pela metade? Não entendi!
— Eu disse que aquele livro era O Evangelho Segundo as explicações de muitos que se dedicaram a analisar e expor o que Jesus ensinou através de parábolas, só que de um modo prático e fácil para nós entendermos nos dias de hoje.
Eu disse que aquele era o Evangelho de Jesus, nada além disso e só o que havia de especial eram as explicações e pronto.
Ah! Não tenho tempo, mãe.
Compra um Evangelho para eu dar à Alda?
— Se ela mencionou "pastor da igreja", ela é evangélica! -— afirmou a mãe.
— Talvez, Ana, tenha chegado a hora da moça aperfeiçoar os conhecimentos evangélicos que possui.
Compre o livro para a Rose lhe dar -— pediu o senhor Davi.
— Eu concordo com o senhor Davi.
Sabem qual a minha opinião?
A ignorância sufoca a multidão com os seus pecados -— acrescentou Roberto.
— Bela filosofia, Roberto! -— ressaltou Henrique.
É sua mesmo?
— Acho que sim -— respondeu ele.
Se eu não criei com meu animismo, alguém me "soprou nos pensamentos".
—Explique-se melhor, Roberto.
Como filosofou que "a ignorância sufoca a multidão com seus pecados?"
—Na minha opinião, para alguns é importante outros serem ignorantes, pois desconhecendo os factos como eles são, verdadeiramente, aqueles que dominam podem lhes manipular as ideias e induzi-los ou manobrá-los como bem queiram.
Não conheço muito sobre o Espiritismo.
O que sei vem de informações que tenho sobre o que vocês comentam e o que ouço nas palestras, as quais comparo com as raras oportunidades que tenho para ler a respeito.
Porém o que já aprendi é que o Espiritismo não determina um "líder" um "senhor absoluto" que rege como sendo o doutrinador ou sacerdote.
—Temos Jesus como sendo o nosso exemplo maior, Roberto -— explicou o senhor Davi.
— O que aprendemos através do Espiritismo é alicerçado no que Ele nos ensinou e no que os Espíritos, participantes da codificação, trouxeram para nos esclarecer.
—Sim, eu sei -— continuou Roberto.
— Eu me refiro a um líder encarnado que determine o que os outros devam realizar em suas vidas.
A Doutrina Espírita coloca a todos no mesmo patamar de igualdade e, sem exigir nada, expõe todos os conhecimentos.
Cada pessoa, de acordo com a sua determinação e boa vontade, vai adquirir e utilizar esses conhecimentos para mais rapidamente evoluir.
Porém qualquer um, de posse desses conhecimentos e com bom senso, pode ensinar os demais.
É esse revezamento de expositores que fará as pessoas aprenderem a raciocinar.
—E verdade -— concluiu Henrique.
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jan 12, 2017 11:13 am

— Na Doutrina Espírita, os ensinamentos não se baseiam na fé, mas em estudo e reflexão.
Tudo possui base científica.
As pessoas têm de pensar e repensar, isso é filosofia, só que é uma filosofia simples de ser acompanhada.
O doutor Davi, não resistindo, também esclareceu:
— A Doutrina Espírita, através do seu metódico processo de estudo e ensino, faz-nos religar com o Criador Universal porque nós só evoluímos a partir do momento em que mudamos nossas práticas, nossos hábitos, nossos vícios.
E nós só mudamos isso quando compreendemos.
E compreendemos quando aprendemos através do estudo.
Assim de posse da livre escolha, decidimos mudar.
Essa mudança nos religa ao "Princípio da Criação": Deus.
Podemos concluir que cada um a seu modo e por razões diversas, quer se ligar a Deus porque só assim se sente protegido, amparado, confortado.
Mas enquanto não se reformar, manterá uma grande distância do Criador.
— Senhor Davi, corrija-me se eu estiver errado -— pediu Roberto. —
Desde os tempos mais remotos o ser humano procura se religar com Deus.
— Exacto.
— Devido ao nível de evolução e entendimento das pessoas, fazem-se necessárias diversas seitas e credos, até para impor certos limites.
Mas as criações anímicas como mitos, superstições e outros não nos liga a Deus, certo?
Quem disser que esta ou aquela religião nos liga a Deus, não sabe o significado da palavra religião, não é isso?
— Exactamente, Roberto.
As criações anímicas como mitos, superstições, cultos, cerimónias e crenças não nos ligam a Deus.
O que nos faz ir ao encontro do Criador, é a nossa fé em Seus desígnios, é a permanência dos nossos pensamentos no bem e na compreensão verdadeira.
O que nos faz sentir Deus, são as nossas acções, as atitudes que tomamos baseadas sempre no que Jesus Cristo ensinou.
Religião, religar-se a Deus, é a consciência tranquila, é não desejar o mal nem tecer comentários denegridores de ninguém porque Deus não o faz, mesmo sendo o pai daquela criatura que você amaldiçoou e criticou em seus pensamentos.
— Eu penso o seguinte —- afirmou Roberto:
— a falta de conhecimento leva a pessoa ao medo porque aquele que desconhece os processos naturais das coisas invisíveis aos olhos humanos, vai acreditar no primeiro que aparecer apresentando uma opinião com veemência.
E aqueles que apresentam essas opiniões sem bases sólidas e sem bom senso criam medos, mitos, cultos, ritos em torno do sobrenatural.
Ora o sobrenatural não existe.
Se houve um Criador tudo o que há no universo, o que existe são fenómenos que ignoramos o processo e os meios pelos quais eles ocorrem.
Então, em torno da ignorância de muitos, alguém tece uma ideia anímica que não foi contestada pela maioria que normalmente não pesquisou, pensou ou investigou, ideia essa que é inatingível e inconcebível pela razão e pelos factos verdadeiros e pelo raciocínio lógico.
— Roberto — interrompeu o dono da casa —, se lembrarmos dos processos de causa e efeito, conhecidos por alguns como processos cármicos, veremos o quanto são importantes os diversos tipos de religiões e pessoas.
Roberto se calou pensativo e começou a refazer suas reflexões.
Lembramos que, enquanto as ideias separativistas vigorarem, quando sustentamos o nome de determinada crença, indicando-a como sendo a mais ideal, estamos sendo injustos, pois esquecemos que ela pode ser ideal para quem está naquele nível evolutivo.
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jan 12, 2017 11:14 am

Ser católico ou protestante, espírita ou muçulmano, não importa.
Antes de qualquer coisa, devemos nos preocupar em sermos Cristãos nas pequenas práticas diárias e no amor dispensado, incondicionalmente, a qualquer irmão, até em pensamento.
A religião não faz de um homem um grande espírito, mas Deus nos faz todos irmãos.
Não considerar um irmão, não respeitá-lo, é desrespeitar ao Pai Celeste porque nem Ele o faz.
E as atitudes cristãs, diante das mínimas e mais diversas ocorrências diárias, fará, sem dúvida, muita diferença para sua evolução.
— E Roberto — disse Henrique quebrando o silêncio —, existem religiões primitivas e religiões superiores.
As religiões superiores são aquelas que proporcionam estudo e reflexão, cabe a cada um decidir e escolher.
No passado, para você ver o quanto era importante que as pessoas permanecessem ignorantes a fim de serem dominadas que houve períodos na história do mundo em que a educação foi proibida porque o objectivo principal da educação é dotar o ser humano de conhecimentos capazes de impulsioná-lo às transformações materiais e espirituais.
A educação, o conhecimento, aumenta o poder e a capacidade de qualquer criatura.
Haja vista, que em determinado período, quando o Império Romano foi destruído pelos bárbaros e as escolas públicas praticamente desapareceram, houve uma obscuridade intelectual que durou séculos.
Quando surgiu o renascimento escolástico no sector educacional, época em que o interesse maior voltou-se para os problemas espirituais, a autoridade de alguns clérigos que tornaram a crença inquestionável, inibia a reacção do povo sem instrução, pois esses não sabiam como agir nem o que reivindicar.
— Certo —- tornou Roberto —- mas houve aqueles que conseguiram se educar mas muitos deles protestaram.
Porém dentro desses protestos, surgiram divergências e com a educação abrindo fronteiras, aumentando a visão do povo e mostrando categoricamente o que eles poderiam conquistar, o domínio inquisidor deixou de existir a partir daí.
— Porém, Roberto —- lembrou o doutor Davi —- podemos ressaltar que a liberdade de expressão, depois de 1834, ou seja, após a Inquisição, fez o povo desejar novos estilos de vida.
Houve um movimento para que a educação na Europa não se dissimulasse como ocorreu em Atenas, na Grécia, e até em Roma.
Houve movimentos de irradiação de cultura em diversas Universidades Europeias. Certo?
— Certo senhor Davi — tornou Roberto. — Os conhecimentos existentes se unificavam e ganhavam vulto e a sistematização da teologia, a qual fazia parte dos melhores currículos, completava a tarefa dos escolásticos.
Foi o estudo aprofundado da teologia que se organizou num sistema filosófico, fazendo muitos se libertarem do domínio dos poderosos na Europa.
Sabe, às vezes, penso que hoje, se a teologia integrasse de forma mais intensiva os cursos universitários, ajudando o aluno organizar suas concepções filosóficas, isto é, pensar e repensar sobre opiniões já formadas, teríamos profissionais de melhor qualidade.
— Será, Roberto? — ponderou o homem.
— Creio que sim.
Veja, foi nesse período, isto é, depois que a opressão e a inquisição acabaram, no século XIX, que as mentes começaram a estudar, ganharam conhecimentos e os colocaram em prática.
Foi a partir da época em que se permitiu os estudos, a educação para todos, que surgiram as invenções como o automóvel e o trem.
Houve a revolução industrial, o que seria mais correcto dizer:
a evolução industrial.
Até os estudos científicos se desenvolveram depois dessa época, pois as mentes estavam livres e instruídas.
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jan 12, 2017 11:14 am

Antes as mentes eram oprimidas.
— Hoje deveriam adaptar adequadamente a juventude desde o lar -— reconheceu Henrique —- mostrando a importância de se instruir, educar e amar incondicionalmente a tudo, a começar pelo país.
Os pais e responsáveis poderiam dispor de opiniões culturais e informais que, indirectamente, visam a estreitar os laços sociais de amor à Pátria, de respeito a esse país, as pessoas, pois fazendo parte da sociedade, ofertam a ela as vibrações do que pensam e acreditam.
Você já teve a oportunidade de conversar com um britânico ou com qualquer outro europeu?
Sem esperar por uma resposta, Henrique continuou:
— Por mais que os governantes de seus países cometam erros, dificilmente eles tocam no assunto.
Eles não vibram negativamente pelo próprio país através de um comentário desairoso.
Tomemos como exemplo a Inglaterra, rainha dos mares, dominou e domina várias colónias guianas e tendo-as submissas a si de forma até arbitrária e inquisidora.
A Inglaterra dominou sob opressão e sangue muitos povos.
A Escócia, país que faz parte do Reino Unido, por exemplo, tem tristes recordações desse domínio.
Mas os ingleses idolatram o seu país, não lembram os erros cometidos, as violências.
Vejamos a França, mesmo esse país tendo sido o palco da Inquisição, esqueceram-se dos problemas passados e a reconstruíram como se nada houvesse acontecido.
Nosso povo precisa parar de reclamar e agir melhor, começando pelos pensamentos que cultivam pelo nosso país.
Se está ruim, com as nossas críticas, ficará pior.
— Um dia, filho, sei que seremos cobrados:
"O que fizestes do país grande, pacífico e maravilhoso que te confiei?"
Ao nos defendermos, diremos:
"Mas eu não era político, não era governante, a culpa foi deles."
E então nova pergunta nos surpreenderá:
"Nem uma vibração de amor e de esperança você pôde ofertar ao seu país?
Ao povo? Aos governantes?
Só conseguistes emitir vibrações de queixa e críticas?
O que fizestes com o seu talento de pensar e acreditar que lhe foi ofertado?"
— É senhor Davi -— disse Roberto.
— É mais fácil as pessoas serem catastróficas do que ofertarem bondade e amor nos pensamentos.
Podemos perceber que o sucesso e a audiência são para as tragédias do dia-a-dia.
Ninguém ressalta uma atitude nobre para que esse feito sirva de exemplo.
Ninguém gosta de oferecer ensino, esperança e consolo porque o sofrimento dos outros dá audiência na mídia.
Muitos ficam na expectativa dos noticiários trágicos para se alimentarem dos venenos amargos, impregnando com vibrações ruins seus lares e suas mentes ou preferem se deixar enganar, ocupando o tempo com as ilusões inúteis de programas sensuais que nem instruções trazem.
Depois essas pessoas reclamam:
"Como vou aprender isso ou aquilo?
Não tenho tempo!"
— Mas, quando as tragédias invadem suas vidas -— comentou Rose —- essas pessoas culpam o governo e correm para uma casa de oração, encontrando tempo para Deus!
— Filha, não critique -— corrigiu-a o pai, muito ponderado com uma inclinação gentil na voz.
— Perdoe-me a franqueza, senhor Davi -— confessou Roberto. —
Mas a verdade é essa que Rose falou.
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jan 12, 2017 11:14 am

Além do mais, as pessoas não dispõem de tempo quando estão nos períodos de bem-aventurança, ou seja, nas calmarias para adquirirem conhecimento e informações, porém, nos momentos de desespero, estarão sem conhecimento, em todos os sentidos, e acabam se deixando iludir por alguém que se posiciona à sua frente "falando bonito" e com eloquência, isto é, falando de modo persuasivo, que leva à convicção, e devido à cegueira do momento difícil, haverá engano e muita desilusão.
— As pessoas devem tomar muito cuidado com as ideias dos outros.
Devemos, nós mesmos, analisar os factos -— tornou o dono da casa.
— Uma pessoa muito persuasiva, que com facilidade consegue convencer aqueles que não possuem conhecimento, pode levar muitos à loucura, ao suicídio e à destruição pessoal.
De tempos em tempos, os noticiários nos mostram tragédias colectivas e individuais desse tipo.
— Bem lembrado! -— ressaltou Roberto.
— Uma pessoa que tem o "dom da palavra", a facilidade de prender a atenção de todos, que convence com firmeza, pode provocar destruições como Hitler fez.
Apesar de não ter nada de "ariano", Hitler convenceu toda a nação alemã sobre a pureza e a inteligência dessa raça.
Afirmava ele que todos alemães eram superiores.
Sem raciocinar, todos acreditaram.
—Não se esqueça, Roberto, de que Hitler não foi o mandante de tudo, muitos generais usaram o seu nome.
—Mas, Henrique, se juntássemos todos os generais alemães, não dariam um décimo de todo o exército alemão, e se o exército cumpriu ordens, é porque aceitaram a ideia, e se concordaram com tudo, é porque possuíam a ignorância sobre a Natureza divina:
suas causas e efeitos, além da vaidade e do orgulho.
Os nazistas aceitaram um líder, no governo, que os alimentava o orgulho e lhes oferecia, através de "palavras bem empregadas", a vaidade de pureza da nação alemã.
De certo isso não ocorreu de imediato, alguém deve tê-los alimentados por longos anos antes disso acontecer.
—Será que é só isso, Roberto? -— reflectiu o doutor Davi.
—Eu tenho várias opiniões, o senhor quer ouvir?
—Roberto -— insistiu o médico experiente —- se voltássemos ao passado, veríamos que milhares de cristãos foram massacrados por leões em arenas, queimados vivos em estacas só por prazer dos governantes e de milhares de sádicos.
Mais à frente, temos os inquisidores que torturavam as vítimas no período do Santo Ofício.
Esses espíritos que usaram de crueldade com o semelhante, com certeza, foram os mesmos sacrificados nos holocaustos alemães.
Às vezes eu me pergunto se não foi um meio deles se depurarem?
—Mas será que Deus não deu também o livre-arbítrio para aqueles que sacrificaram as pessoas nos holocaustos da Segunda Guerra Mundial?
Veja o que havia lá, senhor Davi, câmaras de gás, fornalhas para queimar gente viva, meios de dessecação de homens, mulheres e crianças sem anestesia ou piedade.
Com certeza, aqueles generais e soldados tiveram a opção de escolher o que fazer e, infelizmente, preferiram agir como agiram: com crueldade.
Ninguém nasce para matar.
Ninguém nasce para torturar.
— Então me explique, Roberto.
Como um grupo de espíritos necessitados de provas tão tristes como essas, poderiam aprender a não sacrificar se não tivesse havido quem praticasse a crueldade?
— Perdoe-me, mais uma vez, senhor Davi, estou expondo minha opinião particular.
Deus é inteligente.
Haveria Ele de usar processos naturais.
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jan 12, 2017 11:14 am

Se aquele povo tivesse sido poupado pela livre escolha dos líderes de não praticarem a crueldade, com certeza, ocorrências naturais haveriam de reuni-los, pouco a pouco, em incêndios onde muitos são queimados vivos, outros grupos experimentariam os terremotos onde os desmoronamentos os sufocam ou os esfacelam como no esquartejamento pelos leões.
Há ainda o ataque isolado de animais, como cães, que vemos hoje em dia ocorrerem com facilidade.
A opção que eles fizeram foi infeliz, por acreditarem serem os únicos puros, inteligentes e a raça perfeita.
É um grande exemplo para a humanidade ver o quanto é prejudicial e perigoso aceitarmos e nos deixarmos guiar por alguém, sem analisarmos ou termos conhecimentos profundos sobre os verdadeiros objectivos.
Jesus nunca agrediu com palavras, acções ou acusações, a ninguém.
Nunca foi político, como tantos o são.
Em nome de uma fé cega, alguns se deixam guiar e vibram sem ter conhecimento.
Roberto calou-se.
Tomando a palavra, o senhor Davi decidiu orientar:
— Roberto, meu filho, eu entendi as suas intenções, mas não critique actos ou religiões.
Pense bem no que está falando e procure fazer parte dos cristãos, que se fortalecem, orientam e trabalham sem tomar partido.
Creio que senti em você uma ponta de crítica.
Trabalhe pela união.
Críticas, às vezes, destroem quando acreditamos que somos os únicos certos, puros como muitos fizeram.
Dizer que somos os únicos perfeitos é afirmar o orgulho e ressaltar a vaidade.
Silencie e trabalhe.
Mais uma vez Roberto ficou pensativo, reflectindo nas sábias palavras.
Após alguns segundos de silêncio, Rose observou sensatamente:
— "Amai-vos e instruí-vos" essa é a máxima, além de "Bem-aventurados os pacificadores".
— Infelizmente as pessoas nem se amam nem se instruem, mas, sem dúvida, agridem-se com julgamentos e críticas sem pacificarem a elas mesmas -— acrescentou Ana que até então ouvia calada. —
Terão, um dia, que repetir a lição da vida quantas vezes for necessária, até acertarem.
Por isso é importante vigiarmos nossos pensamentos e vibrarmos positivamente para tudo e para todos.
Não quero com isso dizer que devamos ser submissos e aceitar o que nos for imposto.
O que podemos fazer é substituir o que é ruim pelo que é bom e construtivo, e o que está bom, melhorar.
A começar pelos nossos próprios pensamentos.
Todos fizeram silêncio e passaram a reflectir sobre as palavras de Ana.
Em dado momento, o dono da casa ressaltou animado e com largo sorriso:
— Então vamos nos instruir.
Hoje é dia do Evangelho no lar.
Todos, vamos!
Já pra mesa da cozinha! -— brincou o médico, alegrando o ambiente.
***
Os elementos protectores do nosso trabalho, da nossa saúde, da nossa mente, de nós espíritos criados para a eternidade, são os nossos pensamentos.
As ideias dominadoras dos nossos desejos são escolhidas e seleccionadas por nós e hão de germinarem conforme a qualidade e nosso empenho.
Quando sentimos mágoa, incompreensão ou ódio, é isso o que temos em nós, como semente, para ofertar ao outro.
Sentindo amor, benevolência e compreensão também produzimos o germe desses frutos.
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jan 12, 2017 11:14 am

Lembramos que, damos o que possuímos, e a nós é proposto o que merecemos.
Aceitar ou não, é nossa decisão.
Somos como uma árvore e proporcionamos resultados à medida das nossas condições, ou seja, oferecemos o fruto bom ou mau, conforme o que nos empenhamos a produzir.
Por isso, quando reclamamos nossos direitos com reivindicações contundentes, amargas ou agressivas, são esses os frutos vinagrosos do nosso ser que damos, como fel a destilar, com a intenção degeneradora do que quer que seja.
Se observarmos contra nós ingratidões, injúrias, injustiças, estaremos recebendo o retorno de tudo o que geramos e causamos um dia.
As fatalidades do mundo não ocorrem porque Deus o quer.
Elas existem porque cada um de nós anuncia pensamentos e palavras catastróficas e amargas.
O Pai Celeste nos criou para a eternidade.
Criou-nos iguais e perfeitos.
Temos o direito de agirmos como quisermos, porém, obrigatoriamente, iremos receber de volta todas as vibrações que exteriorizamos.
Precisaríamos acreditar em um Deus injusto se pensássemos que Ele condenaria qualquer um a penas eternas de sofrimento.
Sempre temos condições e possibilidades de regerar, na fonte criadora de nossos pensamentos, boas vibrações e ideias construtivas para o bem de todos, através do desejo e da vontade.
Quando permitimos a formação e a continuação de um pensamento, devemos analisar:
aquela ideia, em toda a sua amplitude, pertenceria ao Mestre Jesus?
Se houver beleza no interior de nossas almas, sem dúvida, encontraremos doces encantos onde nossa visão pairar.
A esperança e o amor envolvem e emocionam o coração dadivoso e abençoado que não se queixa, mas sim trabalha...
Trabalha em favor do desenvolvimento da maravilhosa e bendita Pátria do Evangelho de Jesus.
Se houver beleza no interior de nossas almas, corporificaremos coragem e concórdia para o bem de nossos irmãos, filhos de Deus, confiados aos nossos cuidados.
Se houver beleza no interior de nossas almas, encontraremos o elemento de bondade para servir com humildade em nome do Pai, que está no Céu.
Se houver beleza no interior de nossas almas, faremos florescer, no futuro, as sementes de fraternidade e mansidão sob o solo da terra a que pertencemos, por vivermos amando e respeitando, seja qual for a nação.
Os pensamentos dadivosos e férteis expandem realizações de amor, vibrações de paz, consolo e esperança.
A caridade está no bom pensamento, seja para quem for.
Somos irmãos perante Deus, nosso Pai.
Uma mente sã não encontra razões para o separativismo, para o preconceito ou para o personalismo.
Sempre tem trabalho útil a agregar em conformidade com o benefício de todos, e não somente a seu favor. No entanto a criatura deve ser prudente o suficiente para não se envolver, ou deixar que os seus propósitos se enlacem com os germes degenerativos de qualquer destruição possível, ou fomente discórdia em um grupo pela imposição de suas vontades.
Todos fomos criados iguais e com o mesmo número de oportunidades, através das diversas reencarnações, para alcançarmos a evolução.
Facilitar as possibilidades, depende de nós.
Aquele que vê tudo tumultuado, turvo e catastrófico é porque em si prevalecem ainda essas expressões.
A ponto de todos os mansos e prudentes, que diante das tragédias necessárias para as experiências existenciais, manterem-se cautelosos e, com um porvir de esperança, trabalharem ajudando e construindo com acções, palavras de incentivo e pensamentos benevolentes.
São os primeiros a serem abençoados e envolvidos, atraindo para junto de si tarefeiros espirituais e mensageiros de Jesus dispostos ao testemunho legítimo do consolo e do amparo.
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jan 12, 2017 11:15 am

9 - Desequilíbrio

_Miriam, sei que não deveria incomodá-la... mas como ficou a assistência espiritual da Rose e do Roberto? -— perguntava Ana para a dirigente da sessão de desobsessão.
— Aquele espírito que se comunicou, como você sabe, compareceu mais duas vezes e não aceitou minhas considerações e esclarecimento, por mais que eu me esforçasse em envolvê-la ofertando entendimento e socorro.
Comecei até a pensar que sou eu que não tenho argumentos para convencê-la.
— Não creio que a culpa seja sua, Miriam.
Sei o quanto você se esforçou.
Mas sinto algo errado... não sei o que é...
— O espírito contou que foi esposa do Roberto e que tinha um ciúme doentio por ele.
Falou até que alguém a induzia a pensar que o marido a traía com as pacientes.
Por isso ela não quereria que ele fosse médico actualmente e fez o que pôde para desanimá-lo.
Durante a conversa, eu disse que a Rose lhe perdoava e o que pudesse ter ocorrido entre as duas, não importava mais.
Ela ficou nervosa, irritou-se e não aceitou.
— Eu ouvi.
Esse espírito disse que não confiava mais em você porque estava sendo mentirosa, acusando-a de algo que ela não havia feito.
— É, você ouviu, Ana.
Ela disse que eu queria vê-la sofrer mais ainda e ficou irritada.
Como lamento!
Depois disso ela não voltou mais.
— Vou pedir a Rose e ao Roberto para refazerem a assistência espiritual.
— Faça isso, Ana.
Será óptimo.
— Miriam, perdoe-me.
É difícil para eu dizer isso mas é algo que eu sinto e preciso falar.
— Diga, Ana.
— Se esse espírito voltar para ser atendido, não pense mais no facto dele ter incendiado a casa ou levado o marido a matar o casal, talvez o facto tenha ocorrido de outra forma.
— Mas eu não disse nada disso ao espírito durante a comunicação.
— Mas pensou e a envolveu acreditando que ela foi culpada pelo incêndio e pelo homicídio do marido e da mulher.
— Você quer dizer que o espírito "leu" meus pensamentos e que essa história não é verdadeira, por essa razão ela se irritou?
— E sim. Talvez a história não seja bem como nos foi mostrada.
Agindo e pensando que o espírito é culpado pelo que não cometeu, ela não confiará em você.
Miriam parou e ficou pensativa, depois concluiu:
— Então é isso o que dificulta o entendimento dessa irmã para que aceite o socorro.
Obrigada, Ana.
Vou agir diferente se Deus me der outra oportunidade.
***
Rose agora trabalhava no turno da manhã.
Ela fazia companhia ao senhor Gonçalves que apreciava sua presença.
A jovem enfermeira não se incomodava mais em ter de ficar perto do pai de Roberto.
Ela se acostumou.
Rose parecia ser a única a entendê-lo.
Apiedava-se dele, pois o pobre homem já não falava mais.
Para distrai-lo, a jovem o informava sobre as novidades.
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