O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jan 13, 2017 10:25 am

— Não diga que lhe contei, hein!
Quando eles vierem falar para o senhor, finja que é surpresa, tá?
Com os olhos brilhando de emoção, mesmo suportando tantas dores, ele pendia com a cabeça positivamente ficando na expectativa.
— A Margarete e o Henrique vão marcar o casamento para junho.
Já compraram a casa e estão mobiliando aos poucos...
Não vejo a hora!
Adoro casamentos!
Novamente o homem balançou a cabeça em sinal de aprovação, mostrando contentamento.
— Bem... agora tenho de ir.
Suas visitas já devem estar aí.
Mas lembre-se -— pediu Rose tratando-o com a animação de uma pessoa sem problema - não conte nada do que eu lhe disse, hein!
O enfermo ofereceu um leve sorriso achando graça na expressão jovial de Rose.
Ela se retirou e não se apresentou durante o horário de visitas porque verificou que Pedro estava na sala de espera.
Naquele dia, Roberto também foi visitar seu pai.
Ao cumprimentar o irmão, o jovem médico não recebeu resposta alguma.
Pedro o ignorou.
O irmão de Roberto estava estranho, inquieto e em silêncio.
Andava de um lado para o outro como se estivesse perturbado, exibindo agitação.
Nem falou com seu pai, ficou só observando-o.
Repentinamente decidiu ir embora.
— Já chega né, pai?
Eu já vou indo! -— afirmou ele com modos estranhos.
O senhor Gonçalves não entendeu e ficou com os olhos arregalados vendo o filho partir.
— Não se preocupe, pai —- confortou Roberto.
— O problema não é com o senhor, o problema é comigo.
Talvez minha formatura e a roupa branca que uso, incomode o Pedro.
Eu deveria vir em outro horário, tenho facilidade...
Mas pensei em justamente procurar me aproximar do meu irmão.
Pensei que agora, com mais tempo, poderíamos conversar e talvez eu pudesse orientar o Pedro e mostrar coisas positivas que ele não consegue ver.
O velho sinalizou negativamente a cabeça, franzindo o semblante, querendo se expressar.
Roberto não entendia exactamente o que ele queria dizer, mas afirmou:
— Pai, Pedro é meu irmão.
Talvez, durante todos esses anos, tenha agido mal deixando-o distante de mim.
Sempre gostei de estudar, de me "enterrar" em livros...
Na verdade, detestava quando Pedro me criticava.
Eu me afastava dele o quanto podia.
Hoje compreendo que isso nos tornou rivais.
Agora possuindo mais preparo da vida, percebo que devo reverter esse quadro de hostilidade que meu irmão tem por mim.
Sinto, de verdade, que desejo me aproximar dele e, quem sabe, Pedro consiga me entender passando a ver o que pode fazer por si mesmo.
O senhor Gonçalves não se expressou mais.
Ficou reflectindo as palavras de Roberto e observando sua sensatez.
Analisou o filho e viu o quanto aquela alma era grandiosa.
Tudo o que havia aprendido sobre o comportamento de Jesus, nosso exemplo maior, durante as leituras e as explicações que Rose lhe fazia, indicava que ele estava repleto de razão.
Passou a admirar imensamente seu filho.
O arrependimento doía-lhe agora por não poder expressar seu amor e reconhecimento para com Roberto.
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jan 13, 2017 10:25 am

O jovem médico, buscando mudar o rumo da conversa e levar ânimo ao pai, procurou mantê-lo actualizado.
— Sabe, pai, a Margarete e o Henrique estão marcando a data do casamento, mas querem segredo.
Quando eles vierem contar para o senhor, finja que não sabe de nada.
O enfermo torceu o semblante ao rir.
Era engraçado não poder se expressar diante de tanto pedido de sigilo.
— Sabe, pai, eu também estou pensando em me casar -— confessou Roberto.
O senhor Gonçalves sinalizou que sim, aprovando a decisão.
— Só que não é com a Rose.
Roberto percebeu seu pai se desfigurar.
O homem expressou-se revoltado e se pudesse gritaria com ele.
Vendo a perturbação agitada e nervosa de seu pai, Roberto decidiu esclarecer logo, esboçando um sorriso:
— Calma, pai.
Quero me casar com a Rosemeire!
O nome da Rose é Rosemeire, tá?
O jovem médico riu mais ainda ao perceber que o pai não gostou de sua brincadeira e se pudesse lhe daria muitas broncas, pois nesse instante, ele franzia o semblante e agitava a cabeça, exibindo-se contrariado enquanto emitia alguns sons querendo se manifestar.
— Está gostando dela, hein pai?! -— perguntou Roberto com suave tom de voz.
O enfermo acalmou-se e sorriu, afirmando que sim.
— Eu também gosto muito, muito, dela.
Sinto tanta falta da Rose quando não estamos juntos!
Sabe, pai, ela me completa.
Agora que estou fazendo residência, quase não a vejo, quase não saímos...
Às vezes, nem sei como Rose tem tanta paciência para me esperar.
E pensar que falta um ano... quase desisto.
Negando o desânimo, o pai balançava a cabeça sinalizando não.
— Eu sei, eu sei! Não vou desanimar.
Só gostaria que o tempo passasse logo.
Eu amo a Rose, pai.
Sabe o que é isso?
Seu pai sorriu e ficou contemplando-o com suave semblante.
Como ele gostaria de dizer ao filho que se sentia arrependido por não ter acreditado nele e tê-lo desprezado.
Aquele pai desejaria que Roberto soubesse o orgulho sadio de vê-lo agora doutor que, a princípio, ele pensou que não passasse de um sonho de menino.
O senhor Gonçalves aprendeu que o impossível não existia e que tudo, com objectivo no bem e saudável aos demais, é conseguido com bênçãos santificantes.
Tentando expressar o que sentia, o doente fitou o filho longamente e com os olhos brilhando, apertou as pálpebras junto com a mão de Roberto, que estava entre as suas.
Compreendendo a linguagem universal do amor, Roberto respondeu:
— Eu também o amo, pai. Eu sempre amei.
Eu compreendo que era difícil para o senhor entender que eu sentia poder conseguir e chegar onde estou, de alguma forma.
Vou lhe confessar uma coisa; até eu achava difícil, cheguei a desistir, o senhor sabe.
Mas Deus é grande e me amparou.
Por isso não se preocupe, eu o entendo e o amo, pai.
Roberto se abraçou ao pai, quase se deitando sobre o leito hospitalar e ambos choraram, tamanha era a emoção.
O médico pouco se importou com quem pudesse vê-los.
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jan 13, 2017 10:25 am

***
Logo após a visita a seu pai, Roberto andou pelo hospital conversando com alguns colegas.
Ao encontrar-se com Rose, esta lhe pediu:
— Saio do serviço daqui a uma hora, você pode me esperar.
Podemos ir juntos para casa!
Tomando-a pelo braço ao levá-la para outro corredor, o médico afirmou:
— Faço questão de irmos juntos para casa.
Tenho uma surpresa para você! -— disse ele quase sussurrando.
— O que é?!
— Já disse, é surpresa! -— tornou Roberto sorrindo e beijando-a rapidamente.
Saindo em seguida, disse:
— Espero você na recepção.
— Roberto?!!! -— zangou-se Rose em tom de brincadeira, mas curiosa.
— Não adianta! -— respondeu ele alegre enquanto se afastava.
— Se eu contar deixará de ser surpresa!
Contenha-se meu bem!
Rose consumia-se, tamanha era a curiosidade que sentia.
Uma hora era tempo demais.
No horário marcado, muito ansiosa, ela aguardava pelo namorado com expectativa.
Ao chegar, Roberto a beijou e ambos saíram sorridentes.
— Aonde você vai? -— perguntou ela, ao ver que Roberto a conduzia no sentido oposto do caminho que costumavam seguir.
— Venha comigo -— pediu ele com suave expressão.
— Preciso ir até ali.
— Onde?
O médico não respondeu e a levou para o outro lado.
Repentinamente, Roberto parou e perguntou:
— O que você acha?
Ao ver o automóvel para o qual Roberto apontava, Rose deduziu, eufórica:
— Você comprou um carro?!!!
O namorado respondeu com um sorriso, e ela se atirou em seu pescoço.
Exibindo sua alegria, Roberto a girou, gargalhando junto com ela.
— Eu não disse que um dia eu teria um carro?!
— Que lindo, Roberto! Que bom!
— Viu?! Eu falei que íamos vencer.
E vamos conseguir muito mais!
Esse é o começo.
E não é só! Veja!
Nesse momento ele tirou do bolso uma pequena caixinha, dizendo:
— Vamos ficar noivos?
— O que é isso? -— perguntou ela, enquanto abria a pequena caixa.
— São as alianças.
O que acha de ficarmos noivos?
— Aqui?!...
O jovem médico não segurou a risada e admitiu:
— Se quiser... Mas eu pensei que seus pais e minha família deveriam participar.
O que você acha de avisá-los antes?
Com os olhos embaçados de felicidade, Rose o abraçou com ternura, beijando-o com carinho.
Pedro, irmão de Roberto, interrompeu-os inesperadamente, perguntando:
— E aí?...
Roberto se assustou e, surpreso, comentou:
— Eu não o vi, Pedro. Que susto!
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jan 13, 2017 10:25 am

— Os pobres foram esquecidos por você, não é Roberto?
— Como assim?!
Não estou lhe entendendo...
Rose, abraçada ao namorado, ficou a seu lado.
Ela sentia medo e um tremor passou a correr-lhe pelo corpo, porém nada manifestou e ficou ouvindo as reivindicações do futuro cunhado.
— Eu preciso de grana! -— solicitou Pedro com modos rudes. —
Tenho coisas para pagar.
— Desculpe-me, Pedro.
Se você trabalhasse como deveria...
Vejo que o armazém está abandonado.
Sei que já virou até boteco.
Se você se empenhasse, não teria dinheiro só para pagar o que precisa como também sustentaria a casa como o pai sempre fez.
Nossa família, incluindo você, vem sendo mantida por amigos.
Somente agora é que começo assumir alguns encargos para comigo e ainda não estou estabilizado.
Depois de gargalhar, Pedro esclareceu:
— Sempre dando uma de vítima, não é Roberto?!
Já tem até carro e diz que não está estabilizado!
Pedro ironizava o irmão com deboche, indicando o veículo com desdém.
— Veja, Pedro, nesse momento, um carro é para mim uma necessidade.
Fui favorecido por um amigo para adquirir um carro e terei de pagá-lo.
Sou médico residente e...
Pedro o interrompeu com palavras abruptas:
— Pró inferno, Roberto!!!
Não venha agora jogar seu título pra cima de mim!!!
Se você é gente, eu também sou!
Somos filhos da mesma mãe!
Depois que Pedro passou a usar um linguajar de baixo valor moral, inflamando-se com seu irmão.
Roberto o interrompeu com firmeza, dizendo:
— Não estou disposto a ouvir suas revoltas nesses termos, Pedro.
É melhor você se acalmar antes de conversarmos.
Quanto ao dinheiro, sinto muito, não posso ajudá-lo.
A mãe e nossas irmãs não passam nenhuma dificuldade.
Minha consciência está tranquila.
Sem que o jovem médico esperasse, Pedro passou a agredi-lo.
Rose tentou interferir entre eles pedindo calma e, num instinto de defesa, tentou proteger Roberto.
Em dado momento, Pedro simplesmente se afastou olhando assustado para Rose que caia lentamente.
Roberto percebeu e a amparou, chamando-a com desespero:
— Rose! O que foi, Rose?!
Por favor! Fale! -— gritava o médico.
Enquanto duas lágrimas compridas corriam de seus olhos, a moça tentava balbuciar algo, mas sua voz não era ouvida por ninguém.
Rose agarrou-se na camisa de Roberto, que não conseguia encontrar nela nenhum sinal de ferimento aparente, nenhum machucado.
Pedro saiu às pressas e fugiu.
Roberto a pegou nos braços, com dificuldade, e a levou para dentro do hospital com urgência.
— Doutor Roberto!!! -— assustou-se a atendente ao vê-lo carregando a noiva.
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jan 13, 2017 10:25 am

— O que foi?!
— Uma maca, depressa!!! -— gritou ele.
Ao colocar Rose sobre a maca, Roberto reparou uma pequena mancha de sangue em sua camisa.
Ele não conseguia saber de onde vinha o sangue.
Ao lado da maca em movimento, empurrada por um enfermeiro que a levava para o sector de emergência, Roberto procurava o local do ferimento.
— O que houve?! -— perguntou um cirurgião, ao vê-lo entrar no sector.
— Não sei! -— respondeu Roberto.
— Ferimento pequeno que não localizei!
Há pouca hemorragia!
Ela não fala... está em choque... começou a tossir sangue nesse instante!
Pressão arterial baixa e respiração fraca...
Rose passou a tossir, expelindo sangue muito vivo.
Enquanto era passada para outra maca, Roberto gritou:
— Pulmão! Há um ferimento no pulmão!
O orifício é pequeno.
Provavelmente com estilete!
Os médicos começaram a agir rapidamente.
Mesmo nervoso, Roberto auxiliava os cirurgiões.
— Deu sorte de estarmos aqui -— comentou um deles.
— Saímos agora de uma cirurgia no sector três.
Outro, porém, observou:
— Roberto, não quer aguardar lá fora?
Você está tenso.
— Obrigado. Prefiro ficar. Estou bem.
Durante a briga entre os irmãos, Rose colocou-se de entremeio e Pedro, portando um estilete, tinha a intenção de ferir Roberto e, ao tentar golpeá-lo, atingiu a namorada do irmão nas costas, perfurando seu pulmão.
A arma utilizada era de aço fino e contundente provocando uma perfuração estreita.
Quando retirada, o orifício estrangulou o fluxo sanguíneo, não ocasionando grande hemorragia.
Por isso, foi difícil encontrar o ferimento.
A cirurgia durou horas.
Ao terminar, Rose inspirava cuidados e observações rigorosas.
Ela foi para o Centro de Terapia Intensiva.
Roberto manteve-se controlado durante todo o tempo, só ofereceu resistência para deixá-la no C.T.I.
— Vamos, Roberto -— convidava um colega de profissão.
— Ela ficará bem e receberá todos os cuidados necessários e até dobrados.
Rose é muito querida por todos nós.
Roberto não dizia nada e demonstrava indecisão.
—Você precisa avisar a família e registar a ocorrência do que aconteceu — sussurrava o amigo, orientando-o.
Atendendo ao pedido, Roberto se retirou.
Na sala dos médicos, um companheiro lhe servia um café e se candidatava dizendo:
— Eu vou com você para registar a ocorrência.
Não vi como ocorreu, mas testemunhei sua entrada no sector de cirurgia e confirmo seu auxílio durante a intervenção cirúrgica.
Será difícil Roberto, mas eu acredito que você tem de registar queixa na polícia.
— Mas é o irmão dele, Guilherme! -— avisava outro médico. —
Como ele pode entregar o próprio irmão, assim, a sangue frio?!
Podemos dar um jeito, aqui, entre nós.
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jan 13, 2017 10:26 am

Rose vai ficar bem!
— Se Roberto não fizer o registo, e surgir algum problema futuro, ele pode ser acusado por lesão corporal ou tentativa de homicídio.
Ninguém viu o irmão dele.
Suponhamos que Roberto não preste queixa acusando o irmão e, de repente, aparece alguma testemunha denunciando o ocorrido, ele será indiciado como cúmplice e ainda terá agravante.
A carreira dele pode estar encerrada antes de começar.
— Vamos deixar como está.
Eu colaboro -— insistiu o colega.
Roberto, até então calado, se manifestou:
— Não. Eu tenho de prestar o registo da ocorrência.
Tenho uma obrigação moral para comigo mesmo.
Depois para com a família dela e para com a própria Rose.
Todos precisam saber o que aconteceu.
— É seu irmão, Roberto! Pensa bem!
— É minha consciência, Raul.
— Você está agindo correctamente, Roberto — apoiou o doutor Guilherme.
— Vamos lá agora mesmo, eu vou com você.
Raul, o outro colega que queria induzi-los ao erro, deixou a sala e Roberto aproveitou sua ausência para desabafar.
Apoiando o rosto com as mãos e os cotovelos sobre os joelhos, curvando-se, o jovem médico parecia estar em crise emocional.
— Meu Deus! Como é difícil!
— Calma, Roberto -— consolou o amigo com suave afago fraterno nas costas.
Puxando outra cadeira para sentar-se ao lado de Roberto, Guilherme falou:
— Eu sei o que sente... mas terá de enfrentar.
— Guilherme, eu amo a Rose.
Adoro aquela família até... até mais do que a minha, sangue do meu sangue, não porque eles, praticamente, adoptaram-me.
É algo que não sei explicar, entende?
Depois de tudo o que fizeram por mim, como eu posso chegar e dizer que eu brigava com meu irmão e a Rose foi ferida com um estilete ou algo assim, houve perfuração no pulmão e ela, depois de ser operada, está no C.T.I., inspira muitos cuidados e ainda corre risco de morte.
Como vou dizer isso?! Diga!
O senhor Davi foi mais do que um pai para mim!
Olha agora como eu retribuo!
Parece que nunca consigo tomar conta da filha dele!
Meu irmão já agrediu a Rose antes.
O que eu faço, Guilherme?!
— Comece a agir. Vamos, eu o acompanho.
Iremos primeiro registar queixa, certo?
Nesse instante a porta se abriu e Raul, o outro médico, entrou oferecendo:
— Trouxe-lhe um calmante. Você precisa.
Educadamente, Roberto recusou e saiu com o outro colega para tomarem as providências necessárias.
Na casa do senhor Davi, o médico estranhou Roberto chegar sem a companhia de sua filha e acompanhado de um amigo.
A fisionomia do jovem médico exibia preocupações e tristeza.
Roberto não perdeu tempo.
Assim que entrou, explicou:
— Tenho uma notícia muito desagradável, senhor Davi.
— O que houve, Roberto?
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jan 13, 2017 10:26 am

— Rose está no C.T.I. do hospital onde trabalha.
Ela passa bem, mas inspira cuidados.
Teve de sofrer uma cirurgia de emergência devido a uma hemorragia pulmonar provocada por um ferimento com objecto pontiagudo, provavelmente, um estilete...
Roberto se transfigurou.
Ele começou a passar mal e tentou chegar até o sofá, agarrando-se nos móveis.
Amparado pelo pai de Rose e pelo amigo, ele sentiu-se ensurdecer e sua visão ficou turva.
Sentado, esperou o mal-estar passar.
O pai de Rose não sabia o que fazer.
O homem sentiu-se atordoado, porém foi resistente e manteve-se extremamente calmo.
— O que sente, Roberto? -— perguntou o senhor Davi preocupado.
— Estou bem —- respondeu o jovem médico com a voz enfraquecida.
— Sinto-me melhor.
Roberto não conseguiu se controlar.
Ele entrou em crise de choro incontrolável.
Sentando-se a seu lado, o pai de Rose o abraçou com grande esforço para conseguir manter as emoções.
Voltando-se para o doutor Guilherme, que ele já conhecia, perguntou:
— Como aconteceu isso, Guilherme?
Houve algum assalto?
Com forte expressão na voz, Roberto não deixou o amigo explicar e falando com as palavras entrecortadas pelos soluços e lágrimas, esclareceu:
— Foi meu irmão, senhor Davi!
Foi o Pedro! Eu mostrava... mostrava o carro para a Rose... eu disse para o senhor que queria fazer surpresa...
Estávamos no estacionamento do hospital e eu lhe dava isso...
Roberto tirou a caixinha de alianças do bolso e colocou-a com força sobre a mesa, provocando certo barulho, dizendo em seguida:
— Estávamos alegres! Ela estava feliz!...
Falávamos sobre o noivado!... -— uma crise de choro o atalhou.
— Aquele desgraçado!!!
Roberto se levantou exibindo um estado emocional muito agitado, nunca visto antes.
— Se alguma coisa acontecer à Rose... -— comentou Roberto, detendo as palavras finais.
O senhor Davi forçava-se a exibir tranquilidade, mas seus sentimentos eram indescritíveis.
Uma ideia de revolta passou-lhe pela mente.
O pai de Rose pensou em agredir Roberto com palavras, pois confiou a ele sua única filha.
Deu-lhe apoio em todos os sentidos e, agora, era essa a retribuição que recebia.
Pensou em expulsar Roberto daquela casa, alegando que ele não era digno de confiança.
Mas o sábio homem dispensou aqueles conceitos.
Lembrou-se da passagem do O Evangelho Segundo o Espiritismo "Amai, pois, ao vosso próximo; amai-o como a vós mesmos, pois já sabeis, agora, que o desgraçado que repelis talvez seja um irmão, um pai, um amigo que afastais para longe.
E, então, qual não será o vosso desespero, ao reconhecê-lo depois no mundo dos Espíritos"
Capítulo XIII -— item 9 -— A caridade Material e a caridade Moral.
Sua compreensão para com Roberto seria sua caridade moral que nada custaria.
O senhor Davi sentia que Roberto, de alguma forma, era um filho querido.
Primeiro procurou harmonizar-se, depois, ponderado, o pai de Rose decidiu brandamente:
— Vou até o hospital.
Roberto parecia transtornado, com uma expressão indefinida no olhar.
Subitamente, sem dizer nada, ele abriu a porta e saiu.
—Roberto!!! -— gritou o pai de Rose.
—Vou atrás dele -— avisou o amigo que o acompanhou até ali.
Roberto não foi alcançado, e seu colega retornou avisando o ocorrido.
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jan 13, 2017 10:26 am

— Ele se foi, Davi!
Não consegui detê-lo!
— Vamos tentar alcançá-lo.
Estou nervoso para dirigir, Guilherme.
Você pode?
— Deixa comigo. Vamos!
Já no carro, os médicos acreditavam que Roberto tivesse ido até a casa de sua família à procura do irmão.
— Ele esteve aqui, seu Davi -— informava dona Nanei.
— Perguntou pelo Pedro e quando eu disse que ele não chegou, o Roberto saiu novamente.
Ele estava sozinho num carro.
— Se ele voltar, procure segurá-lo aqui, por favor.
— O que está acontecendo?
— Agora estou com pressa.
Mais tarde eu volto para conversarmos, certo?
Desculpe-me dona Nanei.
Depois de deixar a casa do senhor Gonçalves, eles foram até o armazém onde, provavelmente, Pedro e Roberto estariam.
Nenhum dos dois foi encontrado.
— Fim da linha, Guilherme!
Não sei mais onde podemos procurá-lo.
Estou preocupado demais com minha filha.
Por favor, leve-me até o hospital.
— Certo. Vamos! -— concordou pacientemente o companheiro.
Já no C.T.I., por ser médico, foi concedida, com facilidade, a entrada do pai de Rose no sector.
— Como lhe disse, Davi.
O quadro clínico é estável.
Ela é forte. Vai se sair bem dessa! -— sussurrava o doutor Guilherme.
— Foi você quem a operou?
— Sim. Com o auxílio do Raul e do Roberto, inclusive.
Não acreditei que fosse se manter tão tranquilo e eficiente quando se apresentou na sala de cirurgia.
Ele manteve o controle todo o tempo.
Estranhei seu comportamento impulsivo há pouco.
— Estou preocupado.
Roberto se acusa por tudo isso.
Nunca o vi assim.
— Até onde eu sei, Davi, ele vem enfrentando situações difíceis com esse irmão e com a família.
Talvez ele esteja no limite.
— Por isso me preocupo.
Quem nunca perdeu o controle, quando o faz sem ninguém por perto...
Onde será que está?
***
Naquele momento, o jovem médico procurava por seu irmão nos lugares mais prováveis.
Não o encontrando, passou a circular com o carro sem destino fixo.
Seus pensamentos estavam confusos.
Roberto não sabia o que fazer.
Depois de algum tempo, decidiu voltar para o hospital e saber como estava Rose.
***
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jan 13, 2017 10:26 am

No centro espírita, era dia da sessão de desobsessão.
Ana já estava há algum tempo na Casa Espírita, por isso não sabia o que havia ocorrido com sua filha.
Mais tarde, quando chegou a vez da assistência espiritual de Roberto, demorou para que houvesse a manifestação de algum espírito para ser socorrido.
A médium procurava se conter ao máximo, mas podia-se perceber que o espírito comunicante chorava e sofria muito.
— Eu não sei o que fiz... -— dizia o espírito através da médium.
— Boa noite, minha irmã.
Em que podemos ajudá-la? -— perguntou a dirigente Miriam com dedicada atenção.
— Eu me arrependi!
Eu não queria fazer aquilo, mas foi tão fácil...
— Se a irmã me contar o que fez, será melhor para que possamos esclarecer.
— Ninguém acreditava em mim.
Nem você! -— dizia o espírito. —
Todo mundo dizia que eu teria feito alguém matá-la, e era mentira!
Eu quis me vingar e fazer o que vocês disseram que eu havia feito!
Na hora da briga, não precisei falar mais de duas vezes para aquele homem golpeá-la. Ele fez o que eu mandei muito rápido. Eu acho que ela vai morrer... — disse o espírito socorrido, chorando em seguida.
— Minha irmã...
O espírito a interrompeu e pediu:
— Deixe-me falar?
A dirigente aguardou que ela continuasse, e assim o espírito o fez:
— Depois da briga, não fiquei satisfeita e resolvi torturá-lo.
Ele ficou louco quando pensou em perdê-la...
Um desespero irracional o dominou foi aí que decidiu se vingar.
Eu fui atrás dele.
Ele saiu sem rumo e parou num lugar.
Lá ninguém podia ver, mas havia um bando de espíritos arruaceiros aguardando o boteco abrir.
Eles me viram e eu pedi que me ajudassem...
Esses espíritos queriam aventura e confusão.
Alguns resolveram me acompanhar junto com ele, quando foi embora.
Os espíritos arruaceiros falaram que poderia deixar com eles.
Eu não sei como, mas eles influenciaram um outro motorista que estava meio embriagado.
Tudo foi rápido... eu não queria isso!
Eu não queria nada disso!
Ao mesmo tempo em que o espírito comunicante narrava seu drama, Ana podia acompanhar cenas, às vezes confusas, que lhe eram permitidas através da vidência.
Ana se fez firme e não se descontrolou.
A dirigente, portando indefinível gentileza, argumentou:
— Todas as vezes que tentamos agir sozinhos, podemos cometer erros que a justiça Divina não cometeria.
Porém, querida irmã, o Pai Celeste é misericordioso e sabe envolver a tudo e a todos dando-nos conforme o merecimento.
Cabe a nós deixarmos a natureza agir.
— Eu tenho que ajudá-lo agora!
Eu me arrependi!
— Se quer ajudá-lo, minha irmã, pode fazê-lo, sim.
Vai ajudá-lo muito se aceitar o convite dos companheiros espirituais que estão aqui presentes.
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jan 13, 2017 10:26 am

Eles sim fazem parte da tarefa de socorro aos irmãos que carecem por compreensão e buscam auxílio.
— Eu me arrependi!
— O arrependimento sincero é uma forma de amor.
— Eu não quero sofrer!...
Já sofri tanto noutra época por eu ter matado meu filhinho e me suicidado quando o abortei.
Sofri muito, não quero mais... -— dizia o espírito com voz lamuriosa.
— Querida companheira —- tornou a dirigente mais amável —- você errou por não saber, se aprender, não vai mais errar.
Além disso, você não necessitará sofrer.
Pode reverter tudo o que provocou.
Se você estudar, aprender e se dedicar a trabalhos honrosos, você será mais útil do que sofrendo.
Ajudando e esclarecendo a muitos outros, é uma forma de vivermos a misericórdia de Deus que prefere nos ver como criaturas úteis a nos ver como sofredores.
Pense nisso, minha querida, renove-se de vontade e amor.
— Eles vão ficar bem?
— Com certeza Deus não desampara ninguém, acredite.
Aceite o convite do tarefeiro espiritual que a levará para um local adequado às suas necessidades.
O espírito aceitou o socorro e se foi.
Miriam teceu uma linda prece e pediu a Deus seu amparo de misericórdia a todos que houvessem sentido qualquer incómodo pela ignorância daquela irmã.
Solicitou, com carinho, vibrações amorosas aos assistidos encarnados onde quer que eles estivessem.
Tarefeiros da espiritualidade recolheram as generosas vibrações doadas pelos irmãos encarnados e as direccionaram a Roberto e Rose, tão necessitados.
No final dos trabalhos, Miriam pediu, em oração, bênçãos aos médiuns para que estes se fortalecessem e resistissem à vaidade, ao orgulho e à ambição.
Que eles pudessem ter consciência de que, qualquer que fosse a informação que revelassem de forma irresponsável, sérias consequências poderiam ocorrer e algum irmão se prejudicaria com isso.
Além de tudo, ele seria responsável mais do que qualquer um por quaisquer danos.
Ao ser encerrada a tarefa, Ana sentia-se amargurada.
Ao vê-la sair às pressas sem se despedir, Miriam a alcançou, perguntando:
—Ana, você está bem?
—Tenho de ir embora, Miriam.
Eu não sei o que aconteceu!
—Calma, você não pode sair assim.
Espere um pouco.
Eu a levo para casa.
Lia, a médium que deu as informações incorrectas para a dirigente dos trabalhos, aproximou-se delas perguntando:
— O que foi, Ana?
O que aconteceu que a deixou tão nervosa assim?
Você tem de manter o equilíbrio!
Ana, por mais educação e classe que possuía, perdeu o controle e a acusou:
—Se não fosse por sua irresponsabilidade!
Por seu orgulho!
Por sua presunção e leviandade como médium, o socorro daquela irmãzinha já teria ocorrido e os assistidos encarnados não estariam com prejuízo algum hoje.
Você é uma infeliz, Lia!
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jan 13, 2017 10:27 am

—Acalme-se, Ana.
Por favor! -— pedia a dirigente.
—Você está louca?! -— revidou Lia.
—Fale baixo, Lia.
Parem vocês duas! -— decidiu Miriam muito firme.
— Aqui não é hora nem local para isso.
— Voltando-se para Lia, pediu:
— Por favor, venha conversar comigo na próxima semana.
O assunto é sério.
—Mas... -— tentou argumentar Lia.
—Por favor, Lia.
Na próxima semana. Agora não.
Vou levar Ana para casa.
Creio que temos um problema sério por aqui.
Ana não disse mais nada.
Somente as lágrimas compridas expressavam seus sentimentos.
O senhor Davi já havia retornado para sua casa, quando a esposa e a dirigente dos trabalhos espirituais chegaram.
O homem começou a contar o que ocorreu:
— Estive com Rose por longo tempo.
Ela está sob efeito de sedativos, mas passa bem.
Só que o Roberto... ele...
— Por favor, Davi! -— implorou Ana aflita.
— Aconteceu assim:
quando eu ia saindo do hospital, ao passar pela portaria, a recepcionista me chamou informando que havia um telefonema do hospital vizinho avisando que Roberto se envolveu num acidente de carro.
Fui até lá. Pude vê-lo, mas...
— Pelo amor de Deus, Davi!...
— Calma, Ana. O Roberto estava inconsciente.
Ele fracturou... está muito machucado e... bem... houve um traumatismo craniano...
Há um coágulo...
— A voz do médico embargou.
Ana abraçou-se a ele em pranto sentido.
Passados alguns segundos, ele se recompôs e prosseguiu:
— Fiquei em choque quando o vi. Nem o examinei.
Outros colegas estavam providenciando um neurocirurgião e a remoção para o sector...
Talvez tenha que ser submetido a uma cirurgia.
Decidi voltar para casa a fim de avisar a todos.
Como vê, estou de saída agora e vou para lá.
Preciso acompanhar Roberto.
Se ele tiver que ser operado, será ainda hoje.
Quero estar perto dele.
Abraçada ao esposo, Ana chorava muito.
Vendo-a mais calma, o doutor Davi pediu:
— Por favor, Ana.
Procure se conter para que eu possa ficar tranquilo, pelo menos com você.
Fique aqui. Espere Henrique chegar.
Ele e a Margarete não devem demorar.
— Voltando-se para Miriam, pediu:
— Pode ficar com Ana até Henrique chegar?
— Claro! Vou telefonar para meu marido avisando que estou aqui.
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jan 13, 2017 10:27 am

— Obrigado, Miriam.
É que eu preciso realmente estar com esse filho do coração.
Isso é muito importante.
— Eu quero vê-los!... Meus filhos...
— Eu jamais mentiria para você, Ana.
Rose está bem. Amanhã poderá vê-la.
Quanto ao Roberto, estarei com ele e vou mantê-la informada.
— Vou com você, Davi -— insistiu a esposa.
— Fique aqui, Ana. Por favor.
— Venha Ana, sente-se aqui. Ficarei com você.
Vamos nos unir em prece, seremos mais úteis —- sugeriu a amiga.
Ana se fez dócil e aceitou.
Após se despedir e beijar a esposa, o médico foi para o hospital onde Roberto estava internado.
No caminho pensou como ele estaria se sentindo se houvesse dito a Roberto tudo o que lhe passou pelos pensamentos.
Com certeza, se culparia, pois acreditaria que Roberto havia perdido o controle emocional por ter recebido dele tamanha negatividade e, por esse motivo, desorientado, envolveu-se no acidente.
***
A humildade e o estudo são indispensáveis para um médium, e qualquer outro componente de um grupo de trabalho espiritual, pois adquirir conhecimento significa elevação.
Com a história do mundo, podemos ver o quanto a ignorância, a não aceitação da realidade e o personalismo detiveram a evolução da raça humana.
Como criaturas conscientes, hoje, devemos admitir que o conhecimento, o estudo, junto ao bom senso e a autocrítica é imprescindível para obtermos resultados satisfatórios em nossa tarefa.
Se o estudo é importante para o nosso sucesso material e intelectual na vida por que haveria de ser diferente para com a nossa evolução espiritual?
Uma das primeiras coisas que a humildade nos faz compreender é que a mediunidade não depende da vontade da pessoa e a responsabilidade de um médium é imensa.
Querer, pretender ser médium ostensivo, actuante em trabalhos é impossível não sendo o encarnado portador de determinados atributos e missão a realizar.
Uma vez que ao espírito encarnado tal tarefa já lhe é definida antes do reencarne.
Lembramos que a mediunidade é dependente dos amigos da espiritualidade que se predispõem a amparar, guiar e sustentar a tarefa do encarnado com essa missão.
Devemos ainda salientar que a elevação dos espíritos que auxiliam em tais trabalhos, depende do nível moral que o encarnado cultiva, da educação mediúnica que este se propõe a adquirir e preservar, da humildade e da harmonia.
Quem quiser ofertar a comunicação de espíritos sem ter tal tarefa mediúnica, corre sério risco de se ligar com espíritos que também não tenham essa missão e por ignorância, vaidade ou orgulho, querem se ressaltar "provando o contrário", mostrando ou exibindo seus trabalhos através do envolvimento14 a esse irmão encarnado, que não tem a tarefa mediúnica, passam-lhe sugestões que pela falta do atributo mediúnico específico desse encarnado, a mensagem chega, só que com erros sérios, sem propósitos de ensinamentos cristãos, maquiada, às vezes, com personalismo, equívocos que induzem a práticas erróneas, vaidade ou orgulho.
Todos, como espíritos encarnados, podem desenvolver tarefas na seara de Jesus sem que tenham de ser especificamente com a mediunidade, através do trabalho valoroso do auxílio directo ao necessitado.
Não há nada que privilegie um médium.
Ele está normalmente trabalhando tal qual outros irmãos em refazimento para alcançar a evolução.
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jan 13, 2017 10:27 am

Também não basta somente ser médium.
Necessita, imensamente, evangelizar-se, reformar-se e instruir-se intelectual e doutrinariamente a fim de auxiliar primeiro a si mesmo, e segundo os amigos espirituais que o assistem, elevando o nível de seu trabalho, seleccionando a qualidade e o valor dele.
Precisa ser maduro e alicerçado na humildade, sempre preparado para se transformar intimamente para melhor.
Não só o médium ostensivo15 mas a todos os médiuns componentes de um grupo de trabalho espiritual, deve-se exigir maturidade, educação e lucidez para não se iludirem nem mistificarem.
Para isso é indispensável, por parte de todos os membros, a informação, o mínimo de conhecimento intelectual e a constante busca de nível de instrução a fim de elevar-se nesse campo também e, principalmente adquirir o conhecimento doutrinário para que todos fiquem cientes e responsáveis do que se deve realizar e como fazê-lo correctamente.
O estudo em grupo é importante para que se esclareçam as dúvidas e se desfaça a opinião individual que, por ventura, não foi bem reflectida.
Para que um trabalho mediúnico tenha êxito, diríamos que é indispensável a preparação doutrinária de todos.
A harmonia, os bons pensamentos de todos os componentes do grupo é importante.
A fim de que tenham êxito em tarefas espirituais, é fundamental a qualidade e a quantidade satisfatória de conhecimento intelectual e doutrinário e a busca constante de aperfeiçoamento neles.
Isso nos reforça a salientar que as escolas doutrinárias merecem destaque, elas são primordiais aos tarefeiros para eles adquirirem conhecimento, técnica e educação.
Nunca sabemos de tudo.
A fé pode ser absoluta, mas a ciência evolui e a filosofia é ampla, sempre há o que aprender.
Somente querer não é suficiente.
Precisamos de bom senso para analisar, autocrítica, flexibilidade de aceitação sem se deixar enganar, sensibilidade sem se iludir.
Boa vontade e desejo intenso sem conhecimento, sem escola, sem estudo levam ao erro, ao engano ou até ao misticismo.
Para tudo na vida precisamos adquirir conhecimento, instrução e estudo, especializando-nos para estarmos preparados sempre.
Como já dissemos, se o estudo é primordial para nosso sucesso material e intelectual, por que haveria de ser diferente para com a nossa evolução espiritual?
Não deixemos que o nosso brilho ofusque pela ignorância, pela falta de conhecimento ou pelo personalismo, como ocorreu com muitos irmãos no passado que se viram com intensa falta de instrução, devemos nos instruir com amor, pois somos criaturas capazes de evoluir, sempre.
O ideal é buscarmos tarefas que nos são afins ao nosso nível e capacidade, principalmente, no que diz respeito a mediunidade e trabalhos espirituais de uma forma geral.
Querer realizar, boa vontade e até empenho sem conhecimento, sem harmonia, autocrítica, humildade, disciplina, sensibilidade e amor não têm valor.
Sensibilidade não é melindre.
A sensibilidade associa-se ao bom senso para se identificar os próprios defeitos e as inaptidões pessoais, respeitando e aperfeiçoando os atributos que se possui.
No que diz respeito à mediunidade e aos trabalhos espirituais, em todos os sentidos, nunca devemos ocupar o lugar que almejamos ou nos julgamos capacitados sem estarmos preparados.
Lembremos que o Mestre Jesus já nos ensinou quanto a isso:
"Quando por alguém for convidado às bodas, não te assentes no primeiro lugar para que não aconteça de haver outro convidado mais digno do que tu.
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jan 13, 2017 10:27 am

E, vindo o que te convidou a ti e a ele, diga-te:
Dá o lugar a este; e então, com vergonha, tenhas de tomar o derradeiro lugar.
Mas, quando fores convidado, vai e assenta-te no último lugar para que, quando vier o que te convidou, diga-te:
Amigo, sobe mais para cima.
Então terás honra diante dos que estiverem contigo à mesa...
Porquanto qualquer que a si mesmo se exalta, será humilhado, e aquele que a si mesmo se humilha, será exaltado."

14. N.A.E.: Envolvimento não depende do grau de mediunidade, qualquer um pode ser envolvido.
O envolvimento ocorre em nível de pensamento, de espírito para espírito, de desencarnado para encarnado.
15 N.A.E.: Médium ostensivo é aquele que traz as mensagens e as comunicações.
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jan 13, 2017 10:28 am

10 - Reconciliação

— Como você mesmo pode ver, Davi —- informava o neurocirurgião.
— As primeiras radiografias exibem nitidamente o traumatismo.
Ao ser trazido para cá, realizamos novos exames de tomografia axial do cérebro e... veja você mesmo -— dizia o médico encaixando o exame no negatoscópio16 e apontando para que ambos examinassem juntos.
— Podemos perceber um grande coágulo acentuado bem aqui...
Comparamos com o exame anterior e como vê, nesse segundo, o coágulo aumentou de tamanho.
Não poderíamos perder tempo. Sem chances!
Activamos o centro cirúrgico para submeter Roberto a uma cirurgia.
A área era delicada e procuramos apressar, pois, pelo que observamos, ele corria perigo de morte, o coágulo aumentava de tamanho.
Um último exame foi realizado para observarmos melhor a área de risco e nos guiarmos durante a cirurgia.
Veja... está aqui! -— mostrava ao colega.
O neurocirurgião estendeu o exame novamente no aparelho, exclamando:
— Sumiu! -— declarou com largo sorriso.
— Como?! -— intrigou-se o doutor Davi.
— Repetimos o exame em outros ângulos.
Olhe você mesmo! Não há coágulo!
— Após deixar o companheiro analisando, o doutor Ciro comentou:
— Se você crê em Deus, Davi, agradeça-O.
Fizemos mais três exames, só por teimosia!
O resultado foi o mesmo.
Além do mais, as primeiras tomografias foram realizadas com equipamentos distintos um do outro.
Informou o neurocirurgião, sorrindo satisfeito ao ver o colega comparar os exames com zelo e atenção.
— E isso mesmo, Davi! Não procure falhas.
Sabe... nunca me acordaram no meio da noite para uma cirurgia de emergência e eu voltei para casa tão cedo.
Essas cirurgias demoram... minha mulher nem vai acreditar!
Você precisa "limpar minha barra, hein!" -— brincou o médico enquanto o doutor Davi erguia os exames contra a luz, observando-os minuciosamente.
— Creio que agora é com você, Davi.
Roberto está todo quebrado.
Seria bom "cobri-lo de chumbo" -— recomendou o doutor Ciro a fim de que Roberto fosse protegido com o avental de chumbo —- ele já recebeu grande carga radioactiva por hoje.
Você sabe... na emergência não há tempo para esse "luxo".
A vida é mais importante!
Um segundo significa muito tempo.
— Obrigado, Ciro!
Sou muito grato pelos seus cuidados.
— Não fiz nada. Agradeça a Deus.
— Já estou agradecendo.
Sabe me dizer se Roberto está consciente?
— Não sei não. Vamos lá!
Quero ver novamente esse sujeito sortudo!
Também vou passar e dar uma olhada nos outros feridos para ver se algum colega precisa de ajuda -— dizia o doutor Ciro direccionando-se junto com o amigo para o sector onde Roberto estava.
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jan 14, 2017 10:40 am

— Os outros feridos no acidente foram trazidos para cá também? —- perguntou o doutor Davi.
— Sim, foram.
Eu soube que no outro carro tinha cinco rapazes bem jovens.
Um morreu na hora, o outro morreu logo ao dar entrada e os outros três estão muito mal.
— Como foi, Ciro?
Você sabe me dizer como aconteceu o acidente?
— Fui chamado em casa para realizar uma cirurgia de um colega.
Nem sabia que era seu futuro genro.
Quando cheguei e analisava os primeiros dados, havia um policial aqui.
Não sei se entregando ou recolhendo alguns dados.
Interessei-me em ouvi-lo rapidamente.
A história era a de sempre!
Já viu!... Sexta-feira à noite... barzinho com jovens muito agitados à procura de grandes emoções, bêbados ou drogados...
Então cinco rapazes saem de lá, segundo testemunhas, faziam verdadeiros malabarismos sob quatro rodas.
Quem testemunhou, disse que Roberto estava parado no semáforo vermelho e o outro veículo o acertou em cheio.
Os dois carros capotaram.
Soube que o carro de Roberto ficou com as quatro rodas para cima.
Dos jovens socorridos, há um dos pais na recepção.
Ele está implorando para salvarmos o filho que ele condenou. Pobre homem.
— Condenou?! Como assim?!
— Condenou quando não deu orientação, atenção, carinho e procurou preencher suas ausências presenteando o filho com carro e dinheiro.
Ao passar pelo luxuoso saguão de espera naquele andar do hospital, a recepcionista indicou:
— Doutor Davi? Aquele senhor o aguarda.
Ele é pai do rapaz que dirigia o carro que colidiu com o do seu filho.
A recepcionista estava mal informada quanto ao grau de parentesco entre Roberto e o médico, porém ele não a corrigiu.
— Ele quer falar comigo?
— Sim senhor.
Alguém deve tê-lo informado de que o doutor Roberto é filho de um médico e ele não vê a hora do senhor chegar.
Nesse instante o senhor, muito bem trajado, aproximou-se.
O médico pôde perceber que ele trazia dois discretos seguranças consigo.
O doutor Davi o levou para longe da recepção a fim de que conversassem mais tranquilamente.
—Doutor, por favor -— pediu o pai em desespero.
— Salve meu filho!
Eu sei que seu filho está muito ferido, mas o Júnior é meu único filho, doutor!
Sei que pode me compreender.
Tenho medo... sabe... Os médicos são amigos...
—Por favor, senhor —- esclareceu o doutor Davi.
— Acredite, os médicos daqui são todos muito competentes.
Tudo será feito por seu filho.
Eu não faço parte da equipe médica deste hospital.
Além disso, sou ortopedista e, pelo que eu sei, seu filho precisa dos cuidados de um neurocirurgião.
Este é um bom hospital e...
—Júnior é meu único filho, doutor!
O senhor tem mais filho, não tem? -— perguntava o homem agoniado.
Mesmo em desespero continha o volume da voz, quase abafada, como se tivesse vergonha do que estava fazendo.
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jan 14, 2017 10:40 am

—Senhor, um filho é um filho.
Sejam os que tenham nossa linhagem genética ou espiritual.
Não lhe deveria contar, mas sabe, hoje mesmo, minha filha foi ferida e se encontra correndo risco de morte, internada no C.T.I. de outro hospital, aqui perto.
Quando eu estava lá, vendo-a, soube que esse meu filho do coração, envolveu-se num acidente de carro.
Não sei lhe dizer com qual notícia eu sofri ou me preocupei mais.
Ambos são meus filhos!
Eu compreendo o que quer dizer, entendo sua dor.
Mas procure pedir a Deus que envolva seu filho.
Aproveite esse momento para reformular os cuidados, a atenção e a educação que vai passar a lhe ofertar daqui por diante.
No momento, o que está ao meu alcance são as preces, e eu vou fazê-las.
Posso lhe garantir.
Sou Cristão e, com certeza, não só o seu filho, mas também todos os outros rapazes serão incluídos em minhas orações a fim de que Deus os envolva com as melhores bênçãos, como a meus filhos também necessitados.
O homem ficou calado e deixou de se agitar.
O médico pediu licença para se retirar e prometeu voltar para que pudessem conversar melhor.
Ele queria ver como estava Roberto.
O doutor Davi juntou-se ao amigo que ainda o aguardava e seguiu.
***
O jovem médico, que sofreu o acidente, teve várias escoriações e precisou ficar imobilizado, a começar pelo pescoço, perna e braço.
Ele ficou sob o efeito de sedativos, só recobrando os sentidos pela manhã.
Ao despertar, Roberto logo identificou Henrique a seu lado.
As dores eram intensas.
O corte, efeito de uma pancada, deixou seu supercílio inchado, o que lhe fechou o olho.
O rosto, muito intumescido, exibia as marcas do violento acidente.
Sentia que até para falar doía.
— Roberto, você pode me ouvir? -— perguntou Henrique atencioso ao vê-lo despertando.
— Posso... — sussurrou ele com dificuldade.
— Você tem noção do que aconteceu?
Lembra-se de tudo?
— E... e... a... Ro-se? -— perguntou o jovem médico com extrema dificuldade.
— Que óptimo! Se você lembrou da Rose, deve estar bem! -— disse Henrique em tom de brincadeira.
— Meu pai está lá com ela.
Telefonei há pouco e ele disse que Rose está bem.
Recobrou a consciência, mas fala com dificuldade.
Perguntou por você... —
Henrique sorriu e esclareceu:
— Meu pai não contou sobre o seu acidente.
Ele não quer preocupá-la.
Eu disse a ele para informá-la de que você precisou fazer parte de uma emergência em um hospital próximo.
É só não falar que você é o paciente que precisa ser atendido.
Roberto ameaçou um sorriso inibido pelas dores.
— Como se sente, Roberto?
— Muita dor... minha cabeça... vai... explodir.
Quero... ver... a Rose.
— Creio que será mais fácil ela vir visitá-lo.
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jan 14, 2017 10:40 am

— Rose... está.... bem.... mesmo?...
— Está sim. Eu não mentiria para você. Fique tranquilo.
Depois de algum tempo, Roberto confessou pausadamente, sussurrando, parecendo estonteado.
— Se algo acontecer a Rose... eu me mato...
— Não diga isso, Roberto.
Vocês vão ficar bem.
— Vou matar... o Pedro...
— Vou procurar alguém para medicá-lo.
Algo leve que amenize sua dor-de-cabeça.
— Não...
Henrique se fez de surdo e o deixou.
Voltou em seguida com um enfermeiro que, atendendo as orientações do médico do sector, sob sugestão de Henrique, aplicou um medicamento analgésico em Roberto para aliviá-lo.
***
Ao completar três dias de internação hospitalar, Roberto recebeu alta.
Sua principal preocupação era Rose e sua estada como médico residente.
—O que faço, senhor Davi?
—Calma, Roberto.
Você não tem condições de fazer residência assim, filho!
—Preciso tirar o gesso do braço, pelo menos! Não quero! Não posso perder essa residência e ter de começar tudo novamente!
—Filho, calma.
Desespero nunca solucionou nada!
Contenha-se, Roberto.
Vamos ver como estará daqui a uns quinze dias.
Roberto manteve a calma mesmo contrariado.
—Ah!... ia me esquecendo! -— disse o doutor Davi.
— Seu carro teve perda total.
Sorte que o outro veículo tinha seguro.
Você receberá outro carro de volta.
—O carro nem mesmo estava pago... -— lembrou Roberto.
— E os rapazes envolvidos, como estão? —- interessou-se o jovem médico.
—Ontem mesmo telefonei ao pai daquele que estava dirigindo.
Aquele homem que me procurou no hospital, sabe?
—Sei...
—Ele me disse que o Júnior está se recuperando.
Não sei se você soube, mas ele teve de sofrer uma cirurgia para drenarem um coágulo que se formou e aumentava.
Semelhante ao que identificaram em você e, sem explicações clínicas, desapareceu.
Roberto sorriu e comentou:
— Olha o prejuízo!
Rasparam toda a minha cabeça.
Como estou ridículo!
Sabe... eu estava lembrando... logo após a cirurgia da Rose, um colega me trouxe um calmante.
Ainda bem que eu o recusei!
Poderiam me acusar de dirigir sob o efeito de entorpecente!
Ana chegou à sala com um prato de refeição.
Sentou-se ao lado de Roberto para ajudá-lo a se alimentar, pois um de seus braços estava com gesso e o outro imobilizado com faixas, devido ao estiramento, ruptura dos ligamentos da articulação da mão e escoriações sofridas.
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jan 14, 2017 10:40 am

Vendo-a empenhada, Roberto perguntou:
— A senhora não foi trabalhar hoje?!
— Não. Só assim para eu tirar férias.
Roberto riu antes de aceitar o talher com a refeição e brincou:
— Tirou férias, mas continua no mesmo trabalho, não é?
— Bem... -— decidiu o doutor Davi —- tenho de ir.
Antes de trabalhar, vou passar no hospital para ver a Rose.
— Eu vou mais tarde -— informou Ana.
— Vou esperar a Margarete chegar para ficar com o Roberto.
— Não se preocupe comigo, dona Ana.
— Imagina se eu o deixarei sem companhia, Roberto!
Veja seu estado!
Deixá-lo só é prejuízo certo! -— respondeu Ana bem humorada.
— Não quero ter mais trabalho.
Quando Rose voltar, montaremos uma verdadeira enfermaria aqui!
— Puxa! Eu gostaria tanto vê-la... -— lamentou Roberto.
— Ela também quer vê-lo.
Pior que não acredita nas nossas informações!
Você viu! Tivemos de arranjar um telefone para Rose conversar com você.
Senti-me envergonhada vendo os colegas dela arranjando um jeito de facilitar o telefonema, enquanto ela chorava.
Por outro lado, vi o quanto ela é querida e como eles a compreendem.
Você precisa ver os cuidados dispensados a Rose.
— Imagino!... -— sorriu Roberto, sonhando em ver sua querida, o complemento que o alimentava com forças para seguir firme em seu ideal.
***
Foragido, Pedro, não era encontrado por ninguém.
Com o passar dos dias, Rose recebeu alta hospitalar e voltou para casa.
A alegria presenciada entre ela e Roberto, encantava a todos.
— Minha Rose! -— dizia ele, estendendo-lhe os braços mesmo imobilizados.
— Minha querida, Rose. Há quanto tempo!
Ambos se abraçaram. Choraram e sorriram.
Ela estava fraca e apresentava grande abatimento.
Mas os cuidados e a atenção a fizeram recuperar novamente a saúde.
Após tirar o gesso, Roberto voltou às actividades normais.
Seu esforço lhe valeu como grande impulso.
***
Uma simples recepção marcou o noivado de Roberto e Rose.
— Se marcassem o casamento para o início do ano, eu e a Margarete adiaríamos o nosso por mais alguns meses e casaríamos no mesmo dia!
O que você acha?
— Voltando-se rapidamente para a noiva, Henrique perguntou:
— Você aceita, não é Margarete?
— Claro! -— concordou ela.
Já pensou que legal?!
Vamos, Roberto, não fique assim!
— Não sei... -— dizia Roberto indeciso.
— Eu mal terei terminado a residência e... não temos casa... estou sem dinheiro.
É muita loucura. Não podemos.
— Morem aqui! -— convidou Henrique.
— Depois que eu me casar, o quarto ficará livre para você e a Rose.
Depois vocês compram ou alugam uma casa!
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jan 14, 2017 10:41 am

— Talvez não seja o correto, Henrique -— alertava Rose.
— Seria melhor termos algo que nos pertencesse.
Não é tão fácil assim.
— Pensem bem vocês dois.
Mas seria tão bom se casássemos juntos! -— sonhava Henrique.
— Vou dar essa sugestão para a mãe.
***
Em outro dia...
— Henrique -— dizia Ana —- eu sei que o Roberto é muito esforçado.
Mas nós estaremos exigindo muito dele, só pelo gosto de se casarem no mesmo dia.
Segue seu caminho, filho. Deixe a sua irmã...
— Mãe, eu gostaria tanto de dividir com eles a minha felicidade.
A senhora entende?
— Sim Henrique.
Mas você concorda que não podemos interferir?
Se Roberto e Rose quiserem se casar e morar aqui até se estabilizarem, vamos aceitar com o maior prazer.
Porém não vamos forçar para que Roberto não se sinta obrigado, não é?
— Está bem. -— concordou Henrique sem satisfação.
Após a saída do filho, o senhor Davi observou:
— Se eu tivesse condições, bancaria tudo para eles, mas...
— O que conseguimos com sacrifício damos muito mais valor, Davi -— acrescentou Ana.
***
No hospital, Roberto é solicitado na recepção.
— Doutor Roberto -— explicava a atendente —- aquele senhor está ali, esperando-o há horas.
Eu expliquei que o senhor acompanhava uma cirurgia e não tínhamos previsão do horário do término, se ele não quereria deixar o número do telefone para que o senhor o procurasse.
Mas não. Ele insistiu em esperá-lo.
— Obrigado -— agradeceu o jovem médico com extrema educação.
— Vou ver o que ele quer.
Aproximando-se do senhor, ele apresentou-se:
— Sou Roberto.
O senhor queria me ver?
— Então é você?! -— admirou-se o senhor.
— Sempre nos desencontramos.
Eu estive falando com seu pai desde o acidente.
— Com meu pai?! -— estranhou o médico.
— Sim. Ele é uma excelente pessoa.
Que educação! A princípio fiquei em choque com o que ele me falou.
Mas aquele homem me deu uma lição de vida!
Meu filho passa bem.
Ele está fazendo fisioterapia para se recuperar.
Agora ele está sentindo, pela própria experiência, quantos amigos lhe restaram.
— Desculpe-me, senhor.
Eu ainda estou confuso.
O senhor é o pai do Júnior, um dos rapazes envolvidos comigo no acidente?
— Sim! Sou eu mesmo.
Foi difícil encontrá-lo, doutor.
Não imaginava que tinha uma aparência tão jovem.
Geralmente imaginamos os médicos com idade avançada.
Bela carreira! Como a de seu pai!
Ele deve ter muito orgulho.
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jan 14, 2017 10:41 am

— Meu pai?...
— É! Enquanto você estava internado, eu falei com ele e lhe pedi que ajudasse a salvar meu filho.
Seu pai me disse que era ortopedista, que não poderia fazer muito.
Mas disse que iria orar pelos filhos que estavam internados: você e sua irmã, e que nessa prece pediria por meu filho também.
Ele me contou sobre sua irmã.
Ela está bem?
Roberto deu um singelo sorriso e respondeu:
— Sim. Rose está bem.
— Então, depois, quando eu conversei com o "neuro" que operou meu filho, ele me disse que só um milagre salvaria o Júnior.
Lembrei-me de seu pai.
Como ele me ajudou a ter forças!
Porque mais tarde ele voltou a conversar comigo e me sensibilizei muito.
Falou-me de coisas que eu nunca havia pensado.
Depois, estive bem ocupado com os negócios e com o tratamento do Júnior.
Conversei com seu pai por duas vezes e senti que ele não se animou em me pôr em contacto com você.
— Talvez...
— Eu entendo! Por favor, não se justifique.
É que eu talvez não tenha me expressado direito.
— O que o senhor deseja?
— Ajudar!
— A quem? -— perguntou Roberto muito sério.
— Esse é o problema. Eu não sei.
Tenho medo de ser enganado... então pensei:
seu pai é um homem íntegro, tenho certeza que você puxou a ele...
— Espere, por favor —- interrompeu Roberto educadamente. —
Deixe-me esclarecer.
Talvez ele não lhe contou, mas não seu filho legítimo...
— Ah! É sim, doutor Roberto!
Pode não ser filho de sangue, mas é seu filho legítimo do coração.
Roberto sorriu e o deixou terminar.
— Sou empresário e gostaria de iniciar alguma coisa, entende?
Seria fácil ajudar as instituições existentes.
Mas eu quero algo novo! Por isso o procurei!
Você ou mesmo seu pai são criaturas muito boas.
Podem ter ideias, mas precisam de apoio financeiro para pô-las em prática!
Em que posso ser útil?
O jovem médico ficou surpreso.
Aquela proposta foi inesperada.
— O senhor tem certeza do que está me pedindo?
Quando iniciamos um trabalho desse tipo, não podemos parar.
O fracasso com pessoas carentes é algo que provoca sérias consequências.
— Tenho absoluta certeza.
Pretendo regularizar tudo em documentação para que não haja dúvidas.
— Certo. Prefiro que seja assim.
Veja, eu e meu cunhado fazemos o atendimento a pessoas carentes a cada quinze dias.
Estou com dificuldade devido a minha residência, mas essa acabará logo.
Com o tempo, pretendo dedicar-me mais.
Actualmente nós conseguimos alguns medicamentos por influência junto aos laboratórios.
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jan 14, 2017 10:41 am

Porém existem casos em que alguns pacientes precisam de tratamento prolongado e caro, muitas vezes indo além do poder aquisitivo deles.
Não podemos bancar ou conseguir doações prolongadas.
A princípio é essa a dificuldade que temos.
Depois, se o senhor quiser realmente ajudar, podemos conseguir uma assistente social a fim de legitimar os casos com visitas aos assistidos enquadrando as necessidades.
Não será difícil encontrar dois ou três odontologistas para servirem como nós em trabalhos voluntários.
Só que daí precisaremos de materiais...
Bem, senhor, serviço não falta!
— Local! Vocês têm um local?!
—Nós nos acomodamos na sede de um Centro Espírita.
Mas é pequeno, precisamos de mais salas.
—Você me deixou muito satisfeito! -— disse o homem, estendendo a mão com um cartão e completando:
— Por favor, pegue.
Coloque tudo isso no papel e me procure.
Vou accionar meu advogado.
Em breve teremos um bom centro de assistência social!
Estou muito feliz.
—Deixou-me feliz também!
Irei conversar com meu cunhado, depois vamos procurá-lo.
—Desculpe-me pelos modos, doutor.
Mas é que estou com pressa.
—Então sou eu quem pede desculpas, por estar em uma cirurgia, tive de fazê-lo esperar.
O homem abraçou fortemente Roberto, que estava até aquele momento muito surpreso.
Ele quase não acreditava.
***
Em casa, ao contar o ocorrido, ouviu a lamentação do senhor Davi:
— Quando esse homem me disse que tinha uma proposta para nos fazer, eu tive receio.
Dificilmente alguém nos propõe coisas boas.
Que pena eu não lhe ter dado atenção.
— O que o senhor acha? -— insistiu Roberto.
— Não temos nada a perder.
Apresente a proposta ao Henrique e coloque as ideias no papel -— incentivou o médico animado.
— O Guilherme tem um irmão odontologista.
Vou falar com ele! -— empolgou-se Roberto.
Quando soube, Henrique ficou animadíssimo com a notícia.
Começaram então a relacionar os planos em um papel a fim de apresentá-los ao empresário.
***
Lia, a médium que, perdendo o equilíbrio, induziu à dirigente da área espiritual ao erro, não foi mais ao Centro Espírita nem atendeu ao pedido de Miriam para procurá-la.
— E então, Miriam.
A Lia não voltou mais?
— Não, Ana. Procurei falar com ela por telefone, mas... ela não quis me atender...
— A culpa foi minha —- lamentou Ana.
— Não deveria tê-la acusado como fiz.
Mesmo estando nervosa, eu deveria ter contido aquelas palavras.
— Lia é orgulhosa e não admite quem aponte seus erros.
Se ela fosse humilde, aceitaria conversar connosco e não possuiria tanto personalismo e vaidade.
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jan 14, 2017 10:41 am

O que Lia fez foi muito perigoso.
Os médiuns precisam ser cautelosos.
Informações erradas tanto prejudicam a solução de um problema como é nocivo a eles mesmos.
Muitos espíritos dos quais ou sobre os quais os médiuns irresponsáveis criam ideias e relatam, passam a persegui-los e obsedá-los.
Sabe, Ana, já vi muitos companheiros com excelentes qualidades mediúnicas, falirem, desequilibrarem-se, em todos os sentidos de suas vidas, e até enlouquecerem só pelo facto de haverem atraído a atenção de irmãos espirituais de baixa elevação, e isso ocorreu porque o médium teceu comentários sobre o que alguns espíritos não fizeram, ou os médiuns disseram o que não ocorreu.
Como isso é perigoso. Os médiuns nem imaginam!
—E verdade, Miriam.
Sem contar que futuramente eles terão de harmonizar tudo o que desarmonizaram.
—No momento, o médium nunca consegue imaginar que uma pequena alteração dos factos tenha consequências tão sérias, tão perigosas.
Mas a vida ensina.
Quanta perseguição obsessiva e sofrimento poderiam evitar para eles mesmos.
Os médiuns responderão o que quiserem, e os dirigentes de trabalhos espirituais também. Haveremos, um dia, de ter de prestar contas sobre o que fizemos com as criaturas que nos enviaram e nós não encaminhamos correctamente, não esclarecemos como deveríamos.
***
Com o passar dos dias, a saúde do senhor Gonçalves entrava em estado crítico.
— Ele está nos aparelhos, Roberto —- informava o médico ao filho do enfermo.
— Se desligarmos...
— Por favor, não -— pediu Roberto, sentido e firme.
—Roberto! Você é médico!
Sabe que não haverá jeito.
Estaremos só alongando o sofrimento.
—Se mesmo com os aparelhos ele está vivo, é porque ainda tem o que experimentar.
Isso me dói, mas... -— disse Roberto com o olhar perdido, observando seu pai que estava quase irreconhecível agora.
— Não entendi o que quis dizer -— tornou o colega.
— Desculpe-me. Pensei alto.
Por favor, não desligue os aparelhos.
— Certo. Você manda.
— Posso ficar a sós com ele? -— pediu o filho entristecido.
O colega saiu e, ao ficar sozinho com seu pai, o jovem médico passou a conversar com ele.
— Faço uma ideia do que é ficar aí preso, sem se mexer, ouvindo, sofrendo... -— sua voz embargou e lágrimas caíram.
— Sei que, de alguma forma, o senhor pode me ouvir.
Obrigado, pai!
Obrigado pela vida que me deu, pela família que me proporcionou, pelas situações difíceis que me serviram de desafios e me fizeram um homem forte.
Pode parecer ironia da minha parte, mas creia, não é.
Eu lhe sou grato pelas vezes que tentou me desestimular, isso me fez ter certeza de que iria conseguir, em qualquer circunstância, encontrar em mim estímulos para alcançar meus objectivos.
Sou o que sou, graças ao senhor.
Certa vez o chamei de rude. Perdoe-me.
Hoje vejo que, se não fosse esse homem rude que o senhor me pareceu, eu teria perdido a humildade, seria orgulhoso, vaidoso, detestável...
Roberto segurava na mão dele, enquanto as lágrimas corriam-lhe pelo rosto, molhando a camisa.
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jan 14, 2017 10:42 am

— Eu amo o senhor, meu pai.
Aproximando-se do rosto cansado do velho Gonçalves, Roberto o beijou longamente com muito carinho.
— Eu acredito em outras vidas.
Quero um dia poder estar mais tempo com o senhor.
— Rindo em meio ao pranto, o médico comentou:
— Quem sabe ainda nessa...
Pretendo ter muitos filhos... bem... não sei... preciso falar com a Rose.
Roberto forçou novamente um sorriso que se fechou e transformou-se em choro por alguns minutos.
Passado o auge da forte emoção, suspirou profundamente, recompôs-se um pouco e falou:
— Fique tranquilo, meu pai.
Fique com Deus.
O jovem médico deixou o C.T.I. com lágrimas copiosas e compridas a banhar-lhe o rosto.
No corredor, indo a seu encontro, Rose o deteve.
— Roberto! O que foi?
Ele abraçou a noiva e chorou sem medo ou vergonha.
Mesmo lhe fazendo companhia nas lágrimas, Rose o guiou até uma sala que oferecia mais privacidade.
Ela pediu a uma auxiliar que lhe trouxesse água.
Cerca de quinze minutos depois, antes que a companheira chegasse com a água, o médico do sector entrou na sala anunciando:
— Sinto muito, Roberto.
Foi o suficiente para ele entender.
Secou as lágrimas e ninguém o viu chorar mais.
Roberto tirou de si toda a mágoa que, um dia, reservou contra aquele companheiro.
Decidindo renascer como seu filho a fim de reverter os sentimentos amargos, conseguiu trabalhar-se em amor, perdoando e sendo perdoado.
O espírito Gonçalves guardou consigo o exemplo do jovem médico:
a melhor lição que poderia assimilar com a lei do retorno, a depuração, o alívio aos incómodos de sua consciência.
Ele seguiu em paz.
Pedro, o irmão mais velho de Roberto, respondia ao inquérito em liberdade.
No dia do enterro, ao ver que seu irmão compareceu no velório, Roberto e Rose se retiraram sem serem vistos.
O jovem médico decidiu evitar contacto com seu irmão para prevenir qualquer problema.
***
Henrique e Margarete adiaram o casamento por inúmeros motivos.
Um deles era o esforço que todos faziam para montar uma clínica particular.
Conforme o sonho de Henrique, Margarete era recepcionista e Ana auxiliar de enfermagem.
Rose decidiu ficar com o emprego no hospital onde agora ocupava a função correspondente a seus estudos.
O doutor Davi, para não abandonar o amigo que sempre lhe serviu como a um irmão, atendia duas vezes por semana na clínica do doutor Oliveira.
— Não vou admitir que me cobre a consulta ou esse electro.
Ouviu Roberto?
— Fique quieto -— pedia pacientemente —- não consigo examiná-lo com tanto barulho.
O doutor Oliveira incomodava, intencionalmente, o exame que o colega realizava.
Ergueu o corpo, arrancou uma das "chupetas" que se prendia no seu peito para realizar o electrocardiograma e se mexia.
Era quase impossível examiná-lo.
Roberto sabia que o amigo fazia aquilo de propósito, por isso manteve a calma.
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jan 14, 2017 10:42 am

Mas na terceira vez que o amigo embaraçou o exame, alertou:
— Se me atrapalhar novamente, eu vou atender outro paciente.
Está me dando mais trabalho do que as crianças!
Após terminar, o doutor Oliveira perguntou:
— Estou bem, não estou?!
— Sim, está — afirmou Roberto.
— Por que me procurou?
— Para infernizá-lo! Claro!
O Davi não lhe contou que eu adoro fazer isso?!
Roberto sorriu e argumentou:
— Nem que eu viva cem anos, vou poder pagar-lhe, senhor Oliveira.
A propósito, não lhe paguei nem o carro que me financiou!
O doutor Oliveira, que foi auxiliado no passado, guardava em si, de forma inconsciente, a vontade de retribuir, sem egoísmo, e ajudando-o no que podia, o amigo fiel com grande sentimento de prazer.
Mais sério, confessou:
—A satisfação que tenho em ter investido em causa útil, é o pagamento que tenho, Roberto.
Estou sabendo sobre o trabalho que vocês estão realizando e, quando quiser me pagar o carro, contribua, com o mesmo valor em dinheiro, ao projecto que vocês vêm desenvolvendo.
Sinto-me envolvido nesse trabalho por ter apostado em você.
Precisam de alguma coisa?
—Mão-de-obra!
Quer se juntar a nós?
—Creio que sim!
—Iniciamos não só do trabalho de assistência médica e odontológica, mas também temos dois advogados que oferecem orientação e encaminhamento a quem nos procura para causas cíveis.
No entanto nossa "menina dos olhos" é a área de assistência social que oferece desde a orientação mais simples e básica de higiene pessoal até encaminhamento para empregos.
—O que eu poderia fazer?
—Margarete, que nos auxiliava nesta tarefa, teve de deixá-la, foi obrigada a deixar também a entrega das cestas básicas, orientação sobre higiene pessoal...
Há outras companheiras que auxiliam, mas essas precisam de um "braço forte". Quer a tarefa?
—Quero! -— animou-se o doutor Oliveira.
—Pegue com a Margarete as orientações e veja o dia.
Comece quando quiser! Boa sorte!
—Vou falar com a Elizabete.
Com certeza ela vai se animar!
— Dando outro rumo à conversa, o doutor Oliveira perguntou:
— E o casamento, Roberto?
Pensei que eu fosse ser o padrinho!
—Ah! Eu e a Rose já estamos pensando nisso.
—Só pensando?! Você está é enrolando a moça!
—Não! -— defendeu-se Roberto.
—Eu adoro a Rose.
Mas montar essa clínica ficou caro.
Temos muitas dívidas...
Eu e a Rose não temos onde morar...
Estou vendo a hora de eu ser despejado da casa do senhor Davi.
Como vê, o combinado era eu morar lá até me formar e... veja só como estou abusando...
Mas a verdade é que não tenho a mínima vontade de sair daquela casa.
Nem consigo pensar nessa possibilidade.
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