O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jan 14, 2017 10:42 am

— O Davi o considera como filho, Roberto.
— E eu a ele, como a um pai!
Posso lhe garantir.
— Por que não se casa junto com o Henrique e sua irmã?
Roberto sorriu admitindo:
— Já me fizeram essa proposta!
— Será meu presente! -— decidiu o amigo repentinamente com ênfase.
— Como?! -— perguntou o jovem médico sem entender nada.
— Eu banco o bufê e um sítio para comemorarmos os dois casamentos!
Tudo muito bonito!...
Durante o dia, ao ar livre!...
Temos de negociar com o "Homem" para que não chova.
Para mim será óptimo.
Viu como sou esperto?
Presenteio os filhos do meu melhor amigo com um só presente!!!
Roberto estendeu um sorriso e comentou:
— É algo para se pensar...
— E a família, Roberto. Como está?
— Depois da morte do meu pai, minha mãe vai levando a vida.
Como o senhor sabe, ela colocou o imóvel, onde fica o armazém, para alugar.
Parece até que já apareceu alguém interessado.
Não sei direito. De resto... está tudo bem.
Quando Roberto ia agradecer tudo o que o doutor Oliveira vinha fazendo por sua irmã, o homem atalhou-o com suas brincadeiras e saiu da sala à procura do outro médico.
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Ave sem Ninho

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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jan 14, 2017 10:42 am

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Mais tarde, na casa do senhor Davi, como faziam todas as noites sem perceberem, toda a família se reunia animada comentando sobre o dia.
Roberto contou o que aconteceu quando o doutor Oliveira lhe pediu para examiná-lo com urgência, dizendo que passava mal.
— Pensei que fosse sério! -— comentava Roberto.
— Ele entrou em minha sala com a mão no peito, esbaforido e sussurrando que a pressão arterial estava alta.
Largou-se na maca, e de repente foi mudando... não parou de falar.
Preocupava-se com o preço da consulta, do exame... o Oliveira é um verdadeiro actor.
Fiquei nervoso e preocupado no começo, depois me deu vontade de agarrá-lo pelos colarinhos!
— Eu nunca lhe contei, Roberto?! -— relatava o doutor Davi, gargalhando.
— O Oliveira perturba quem ele pode!
Você não imagina o que ele já me aprontou.
Tem sorte dele só ter lhe feito isso.
— Um dia -— contou Rose —- meu pai estava em uma cirurgia ortopédica e sua roupa comum, como dizem... o "paisano", estava no armário.
O doutor Oliveira colocou gesso, ainda liquido, nos dois sapatos do meu pai!
— E daí?
— Ele teve que jogar os sapatos fora!
Não deu para aproveitar! Não é, pai?
— É. Mas conta direito.
Naquele dia, sem motivo algum, o Oliveira me presenteou com um par de sapatos novos e de óptima qualidade.
A princípio, eu não sabia quem havia feito de meus sapatos forma de gesso.
Desconfiado, procurei o Oliveira.
Ele alegou, em sua defesa, que não suportava me ver calçado com aquilo.
— Por quê? Os sapatos eram feios? -— perguntou Roberto interessado.
Um coro de mãe e filha gritaram:
— "Horríííveisü!"
Ana riu e depois afirmou:
— O Oliveira é uma óptima pessoa.
Ele pode ser terrível quando brinca, mas tem um coração...
— Eu que o diga! -— reconheceu Roberto.
— Sabe... além de não ter como agradecê-lo pelo que ele fez por mim, fico até sem graça de vê-lo nos auxiliando até hoje.
Como sabem, duas vezes por semana, minha irmãzinha Flora tem fisioterapia em sua clínica, gratuitamente.
Além disso, o senhor Oliveira faz questão que a ambulância a busque em casa e a leve de volta.
Eu já disse que posso cuidar ao menos do transporte.
Mas ele faz questão.
— Não se intrometa —- alertou o senhor Davi.
— Quando o Oliveira cisma em fazer uma coisa...
— Após sair da sua sala, Roberto —- contou Margarete —- o doutor Oliveira saiu à procura do Henrique.
— É sim. Ele me procurou e contou sobre seu presente duplo de casamento.
Disse que você aceitou!
— Eu?!!! -— admirou-se Roberto.
Ana e o marido começaram a rir.
— Eu disse que iria pensar! -— revelou Roberto.
O senhor Davi trocou olhares com sua esposa.
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jan 14, 2017 10:42 am

Ana, então, decidiu afirmar o convite que Roberto desejava ouvir:
— Casem-se e venham morar aqui.
Será um prazer para todos nós.
Roberto não conteve o impulso.
Segurou o rosto de Ana com ambas as mãos, apertando-o com carinho e beijando-lhe a testa com ternura.
— A senhora é uma mãe para mim! -— exclamou Roberto comovido.
Brincando, Ana advertiu sorrindo:
— Mas iremos aceitá-los aqui por pouco tempo, viu?!!!
— Obrigada, mãe -— disse Rose, abraçando-a também.
— E eu?!!! -— reclamou o dono da casa.
— Não mereço nada?
Afinal essa casa também é minha!
Roberto o abraçou de imediato.
Não fugindo o olhar marejado pela emoção, afirmou:
— O senhor é um pai para mim!
— Eu o tenho como um filho, Roberto -— afirmou o médico.
— Aliás -— tornou Roberto —- eu soube que andou se passando por meu pai!
— E... -— a voz do senhor Davi embargou pela emoção ao tentar se justificar.
Novamente, Roberto o abraçou firme respondendo:
— Eu sei. Não tente se explicar, meu pai!
Disfarçadamente ambos choraram.
***
Naquela noite o insistente toque do telefone fez Roberto se levantar atordoado para atendê-lo.
Ele dormia na sala e era quem estava mais próximo do aparelho.
— Alô...
Era Margarete, sua irmã, que depois de narrar o ocorrido, pediu:
— "Venha logo, Roberto!
Por favor! Não sabemos o que fazer!"
Ana se levantou e ao encontrar com Roberto em pé, exibindo espanto, indagou:
— O que aconteceu, Roberto? Quem era?
—Minha irmã, dona Ana.
Margarete contou que o Pedro brigou com minha mãe ao saber que o imóvel do armazém fora alugado.
Irritado, Pedro foi para lá como faz todas as noites. Agora...
—O que aconteceu, Roberto? Diga!
—Por falta de pagamento da conta, o imóvel está sem energia eléctrica.
Para ter iluminação, Pedro se servia de um lampião...
Roberto exibia a voz trémula pelo nervosismo.
Ele respirou fundo e completou:
— Agora o imóvel está em chamas.
Os bombeiros estão no local, mas não conseguem encontrar meu irmão... as chamas estão altas.
Todos acordaram e, solidários, foram até a casa de dona Nanei.
Logo pela manhã, com as chamas abafadas e somente a fumaça escapando pelos escombros, o corpo de Pedro foi encontrado carbonizado.
O filho mais velho do senhor Gonçalves, embriagado, não reparou quando acidentalmente esbarrou no lampião e, devido ao seu estado, não conseguiu se defender das labaredas que tomaram grandes proporções rapidamente.
Há inúmeras formas de não se sofrer experimentando o que provocou:
quando nos empenhamos com amor, boa vontade e fé em tarefas que ajudem, orientem, eduquem e salvem outros companheiros.
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jan 14, 2017 10:43 am

Pedro poderia não viver essa dolorosa expiação.
Somos mais úteis quando trabalhamos para que outros aprendam.
A princípio, ao saber do ocorrido, Rose ficou nervosa, mas decidiu acompanhar Roberto.
Ao deparar-se com o resto de incêndio, a moça começou a chorar.
Roberto havia de ajudar a família e Ana, para não deixar que a filha fosse mais um problema para ele, decidiu levá-la embora.
A mãe dedicada não a recriminou pelos sentimentos vivos que exteriorizava.
Ela lembrou-se dos pesadelos da filha e da vidência que teve sobre a experiência de Rose no passado.
Recordou que Rose afirmava ter sido Pedro quem colocou fogo na casa, em seu sonho.
Pedindo desculpas à mãe de Roberto, Ana avisou que precisava cuidar da filha e não poderia ficar ali.
Procurando um meio de ajudá-los, levou Flora consigo.
A garota não estranhou, pois havia se acostumado muito com Rose e até a distraiu.
***
Com o passar dos tempos, Roberto decidiu alugar uma casa e, ao informar a notícia...
— Não posso admitir isso!
Não mesmo, Roberto!
Vocês disseram que iriam morar aqui!!!
— Mas será melhor... -— tentava ele se justificar, entoando amabilidade na voz, pois percebeu que Ana se alterava e já estava quase chorando.
— O Henrique já vai embora!...
Se bem que eles vão morar aqui perto, quase ao lado...
Mas vocês!!! Veja só, a casa é alugada!
Ana não deteve as lágrimas, reclamando enquanto chorava:
— Vocês não podem fazer isso comigo...
Roberto sorriu emocionado.
Aproximando-se dela, abraçou-a acalentando-a num embalo.
Ele piorou o estado emocional de Ana ao dizer com carinho:
— Não chore, minha mãe.
Ana chorou com vontade.
Depois de se recompor, a senhora o beijou por todo o rosto, entre lágrimas e risos.
Com suaves gestos, acariciando-lhe a face, ela confessou:
— Não sei por que... mas sempre quis ouvir isso de você, meu filho!
Pode me chamar assim quando quiser.
***
Em outro dia, enquanto conversava com seu pai, Rose se preocupava:
— Mas pai, se a mãe não quer que eu saia desta casa agora, quando é que vou sair?!
Se tivermos um filho então!...
No princípio a mãe concordava em sairmos daqui, mas agora...
— E se reformarmos a casa, Rose?
Não é uma boa ideia?
Apesar de ter "alergia" à construção, concordo.
— Não sei, pai. E o Henrique?
— Seu irmão nunca foi egoísta.
Principalmente com você.
A propósito, percebo que o Henrique e a Margarete fazem tudo por você, Rose.
— Sorrindo, lembrou:
— Recorda daquela irmã que você sempre quis ter?!
— E mesmo né, pai? -— sorriu Rose com a lembrança.
— Você também percebeu?
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Jan 14, 2017 10:43 am

— Não há como não perceber.
— Depois de breve pausa... —
Pensaremos na possibilidade de uma reforma. É a melhor solução.
Guarde o dinheiro que gastariam com o aluguer.
— Vou falar com o Roberto -— concordou a filha pensativa.
***
Naquela noite, Roberto chegou em casa repleto de novidades.
— Quando acabou a cirurgia e eu ia saindo, encontrei com quem?
Todos o olhavam com grande expectativa e ele continuou:
— Meu professor da faculdade!
O mestre Estevão!
Os olhos do médico brilhavam tamanha era sua emoção.
—Ele estava conversando com o Ciro...
—O "neuro"? -— perguntou o senhor Davi.
—Sim. Aquele que iria me operar.
Deus me livre! -— exclamou Roberto.
—Ciro é um excelente profissional, Roberto -— reconheceu Henrique.
—Claro que é!
Tanto que, se ele não o fosse, teria me "talhado" já com os primeiros resultados que tinha nas mãos.
Deus me livre de uma cirurgia e ainda na cabeça!
Mas sabem, o mestre Estevão quis saber das novidades e eu lhe contei tudo.
O Ciro estava ao lado ouvindo e se animou quando eu falei do trabalho no Centro Espírita.
Foi aí que descobri que o Ciro frequenta uma casa espírita com toda a família.
Eles desenvolvem um trabalho assistencial, mas não têm grandes proporções ainda.
Ouvindo o que eu falava, Ciro se animou.
A esposa do Ciro é odontopediatra.
Ah! O nome dela também é Rose! -— avisou Roberto, olhando para a noiva.
Depois, voltou a comentar:
— Bem, o Ciro tem uma irmã e um cunhado que desejam fazer um trabalho semelhante ao nosso e, como estamos estabilizados, pensei que pudéssemos dar uma ajuda para eles.
E mais! O mestre Estevão interessou-se e se propôs a ajudar o Ciro e sua esposa com a "mão-de-obra" e também angariando a atenção de alguns residentes que se interessem pelo trabalho.
—Que óptimo! -— alegrou-se Henrique.
— Mande-os falar connosco!
Precisamos nos reunir e trocar ideias.
—Já fiz isso! -— avisou Roberto.
— Dei o número do telefone daqui, e o Ciro avisou que a irmã ou o cunhado vai telefonar.
— Como eles se chamam? -— perguntou Rose.
— Márcia e Fábio!
Se por acaso ligarem, vocês já sabem do que se trata.
Ana, animada, afirmou:
—Aos poucos, vocês vão ver, implantaremos pequenos pontos de assistência e divulgação do Evangelho, ou seja, não só oferecemos o pão para o corpo, mas também o pão para o espírito.
—Não só nas Casas Espíritas, dona Ana.
Recebi o convite para clinicar mensalmente em uma igreja católica -— disse Roberto.
— Você aceitou? -— indagou Rose curiosa.
— Lógico! Decidi parar de criticar e agir como um verdadeiro cristão.
Posso realizar tarefas cristãs sem ficar observando ou seleccionando a religião do irmão que irá se favorecer.
Devo lembrar que esse irmão a quem eu vou ajudar estará me fazendo caridade quando me deixa servi-lo, certo senhor Davi?
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jan 15, 2017 1:41 pm

Serei profissional e não vou me envolver com questões religiosas, respeitando quem quer que seja.
Reforma íntima -— concluiu Roberto —- é respeitar a opinião alheia sem violentar-lhes a consciência com as nossas ideias próprias e realizando, sempre, a parte que nos cabe.
Hoje eu não sei explicar exactamente, mas creio que poderá ser diferente.
— Parabéns, Roberto!
Conte comigo quando precisar.
Ser um homem de bem é se refazer a cada dia, descobrindo que todos somos, antes de mais nada, irmãos perante Deus.
Religião, religar-se com Deus, é isso o que está fazendo — acrescentou o dono da casa.
***
Numa tarde de outono, o céu alaranjado era de uma beleza inenarrável!
O sol suave envolvia a rudo ofertando um colorido especial com seus últimos raios.
Lindos arranjos com lírios brancos, envoltos em laçarotes perolados com puxados de véus brancos no mesmo tom, enfeitavam belos vasos de porcelanas que ficavam sobre as colunas, em estilo romano de pequeno porte, que formavam um corredor e se ligavam, uma à outra, pelos laços do enfeite.
No centro desse corredor, um tapete de veludo vermelho beijava a verde relva, agraciando-a lindamente como um toque especial.
Ao som de um lindo nocturno de Chopin, executado por uma pianista especialmente contratada pelo senhor Oliveira, o senhor Davi surgiu no fim do corredor e, com os braços entrelaçados, exibia uma noiva de cada lado.
Rose e Margarete, por capricho e questão, vestiam-se iguais.
Elas usavam lindos vestidos alvos, bordados à mão com minúsculas pérolas que compunham o corpete e o barrado.
Flores naturais de laranjeira enfeitavam o arranjo nos longos cabelos das moças de onde iniciava a grinalda salpicada de pérolas e minúsculas florezinhas delicadas.
Dali, descia com um véu farto, ultrapassando o barrado do vestido e sobrecaindo na sua longa cauda, que se arrastava pelo chão.
Um belíssimo buquê natural de lindas orquídeas brancas tremulava nas mãos das lindas noivas.
Não conseguindo conter a emoção, até porque, por conduzir as noivas, era-lhe difícil secar as lágrimas, o senhor Davi as deixava rolar em sua face.
Ele estava encantado com o acontecimento.
Realizava um sonho secreto, até para ele mesmo nos dias atuais.
Era um espectáculo maravilhoso para quem os acompanhou!
Um arco repleto de flores alvas servia de portal ao cenário principal, improvisado ao relento, e tendo como tecto a decoração celeste ofertada pelo Pai Criador.
Sob o arco, Henrique e Roberto emocionavam-se felizes diante de tudo e de todos.
Ao receberem as respectivas noivas com um beijo na testa, os noivos se posicionaram em frente ao juiz de paz que faria o casamento.
Após brincar um pouco com os noivos, o juiz confessou estar muito emocionado e envolvido com todos de alguma forma.
Ele não só realizou a cerimónia, como também declarou em público seus desejos particulares de bênçãos e ainda insistiu brincando na pergunta:
— Têm certeza que vocês quatro não são irmãos? Porque eu não consigo saber quem é irmão de quem! Vocês são muito parecidos!
Apesar de rirem o tempo todo, as lágrimas banhavam o rosto de Rose e Roberto que pareciam não só estarem concretizando o sonho de suas vidas, como também perpetuando o desejo sincero de duas almas que há muito se buscavam em completa perfeição e harmonia de consciência.
O senhor Oliveira, um dos padrinhos, ao ver os noivos preocupados, não conseguiu esconder por muito tempo as alianças que "furtou" de seus bolsos.
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jan 15, 2017 1:42 pm

Com um sorriso maroto, declarou ao entregá-las:
— Desculpem-me. Não resisti!
Todos riram e no final da cerimónia, após beijarem as noivas, essas provocaram grande desordem ao anunciarem que jogariam os buquês.
Depois dos atropelos para pegarem os souvenir, todos voltaram-se para a bela mesa de comestíveis, que centralizava dois lindíssimos bolos.
Ao cair da noite, os noivos dançaram num palco especialmente improvisado e com iluminação abundante.
Foi um dia encantador com fortes emoções para todos.
Estafados, mas repletos de alegrias e realizações, seguiram em viagem de lua-de-mel dali mesmo.
***
Bem mais tarde, com o passar dos anos, vamos encontrar Rose e Roberto acalentando nos braços a primeira filha do casal, para a qual deram o nome de Estela.
Margarete e Henrique, nessa mesma época, já tinham dois filhos.
Ana, Rose e Margarete se revezavam para tomar conta das crianças a fim de que nenhum trabalho assistencial fosse prejudicado.
A família se entrosava tão bem que quem não os conhecesse, não saberia dizer quem era mãe e filha, filhos ou pai.
Após um dia exaustivo, exibindo cansaço, ao se deitar, Roberto perguntou:
— Minha mãe esteve aqui?
— Qual delas? -— perguntou Rose com ironia.
Roberto sorriu e completou:
— Uma eu sei que não sai daqui.
A outra vem, de vez em quando.
—Certo! Certo.
As duas estiveram aqui.
—Será que Estela já dormiu? -— tornou ele.
—Dormiu sim.
—Rose, semana que vem faremos três anos de casados!
— É mesmo! -— admirou-se a esposa.
Parece que foi ontem!
Que sonho!... -— disse ela, esboçando suave sorriso de satisfação.
— Falando em sonho...
Na noite passada eu tive um sonho estranho.
— Sonhou com o quê? -— perguntou ela.
— Sonhei com meu pai.
— Qual deles?
Você chama meu pai de pai.
— Sonhei com o senhor Gonçalves.
— Recorda-se de tudo o que sonhou? -— insistiu Rose.
— Quase. Eu o via emocionado e pedindo uma chance para se reconciliar connosco.
Meu pai dizia que desejaria aprender a ser como eu e que... bem... disse que só eu poderia ensiná-lo.
— Engraçado! Algumas noites atrás, sonhei com ele também!
Mas nesse sonho ele era pequenino e eu o pegava no colo.
Ele ria muito.
Eu o abraçava e dizia que poderia pegá-lo no colo sem deixá-lo cair.
— Eu o abracei também!
Logo depois, eu o vi sendo levado.
Tentei ir atrás, mas aí... acordei.
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jan 15, 2017 1:42 pm

— Se tivermos um filho, vamos chamá-lo de Roberto Gonçalves Neto?
— Ah... não! -— rejeitou Roberto.
— Ninguém o chamaria de Roberto.
Ele seria o "Neto".
— Ninguém lhe chama de Júnior!
— Porque chamavam meu pai de Gonçalves.
O que você acha de chamá-lo de Renato?
— Ah! Sabe, o Júnior do acidente?
— Rose, pare de chamá-lo de "Júnior do acidente".
Esse apelido já está se espalhando.
Ele pode não gostar.
Mas o que tem o Júnior do acidente?
Rose sorriu e comentou:
— Ele está se envolvendo com a assistência social.
Esse mês foi ele quem ajudou a levar as cestas básicas que os assistidos doentes não podem ir buscar.
Sabe... parece que ele e a Beatriz estão quase namorando.
—Estive hoje com o Fábio -— lembrou Roberto.
Ele me disse que a Márcia viria procurá-la.
—Ah! Veio sim!
Ela esteve aqui para planearmos uma campanha assistencial.
A Márcia trouxe o Gabriel. Como ele está lindo!
Brincou o tempo todo com a Estela.
Eles se dão tão bem!...
—Ela trouxe o outro filho deles?...
Como se chama mesmo?...
—André!
—Isso! O André.
—Ela disse que o sogro levaria o André para passear em algum lugar.
O sogro mora com eles, e o pai dela também.
Nós conversamos tanto!
Ela me contou algumas situações difíceis pelas quais passaram.
Nossa! Foram tantos problemas.
A Márcia me disse que foi o Fábio quem a fez conhecer a Doutrina Espírita.
Sabia que ela tinha um irmão que se chamava Roberto também?
—O Fábio me disse alguma coisa, falou-me que ele já desencarnou.
—E verdade. Sabe, pelo que me explicou, a Márcia deu uma verdadeira mudança em sua vida, em sua personalidade.
Fiquei impressionada com suas experiências.
Eles passaram por um período de obsessão seriíssimo!
Teve de fazer renúncias e, buscar conhecimento Espírita a fim de manter o equilíbrio.
O Fábio lhe deu muito apoio.
Ela chegou bem próximo de praticar o suicídio.
Vendo-a hoje... ninguém diria que já viveu tanta pressão.
Quase um ano depois, Rose e Roberto recebem, com imenso amor, Renato.
Provando que a Lei do Retorno não se faz só para os acertos com os débitos amargos do passado, mas principalmente, para que todos sigam, com laços de amor, um caminho repleto de esperança e harmonia.
Como espíritos criados para a eternidade, em busca do aperfeiçoamento e da bondade, por excelência, em seu mais alto grau, podemos desde já, e mesmo diante das dificuldades, experimentar, ainda aqui, a felicidade e o verdadeiro amor.

Fim

Schellida
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jan 15, 2017 1:42 pm

Paranormalidade, Animismo e Mediunidade.

O texto a seguir foi psicografado pela médium Eliana Machado Coelho, através do espírito Schellida, no centro espírita durante o trabalho mediúnico reservado para este romance.
Por ser considerado importante, tendo em vista tratar-se de um assunto inerente ao tema do livro, para o aprendizado daqueles que se interessarem pelo aprofundamento do assunto ele foi incorporado a esta obra.
A título de orientação convém trazer o que o espírito Schellida nos esclarece a fim de nos instruirmos, tirando as dúvidas sobre o que foi narrado na história.


O texto a seguir é nota da autora espiritual.

A doutrina Espírita surgiu na França, a partir da publicação de: Le Livre des Esprits (O Livro dos Espíritos) em 1857, codificado por Allan Kardec pseudónimo do professor: Hippolyte Leon Denizard Rivail.
O Livro dos Espíritos é a obra básica do Espiritismo, onde foi explicado o propósito, não só da Doutrina Espírita, como também da existência e da evolução humana.
Nesta obra, explica-se o que é proposto no Espiritismo em sua crença e prática, após justificativas cabíveis, a fim de não haver confusões com seus adeptos, muitas vezes, confundindo as pessoas.
As principais práticas espíritas são:
o estudo da codificação, a reforma íntima e a caridade.
O estudo é o ponto mais marcante dessa doutrina, para que não sejamos ignorantes dos factos da vida.
Não se pode conceber um espírita com fé cega, mais sim com a fé raciocinada por meio de estudos que o esclareça, pois o Espiritismo se ampara na Ciência, tirando o véu do mistério e da ignorância através das explicações científicas.
Amparando-se na Ciência, ele a acompanha.
Falamos nisso para explicarmos alguns termos que viemos utilizando ao longo deste romance e, a fim de não violentar-lhes as ideias, convém trazer orientação a todos.
A parapsicologia, que constitui um ramo da psicologia, propõe-se a estudar as ocorrências alheias à normalidade conhecida e vivida, ou seja, a paranormalidade.
Podemos dizer que paranormalidade é o nome que a ciência oferece, e que na Codificação encontramos como animismo.
Animismo é algo daquele ser, daquele espírito encarnado e não se relaciona, exclusivamente, aos espíritos desencarnados.
A paranormalidade ou animismo é algo que a própria pessoa cria ou produz sejam: ideias próprias de acontecimentos que nunca existiram no presente ou no passado ou até "lembranças inconscientes" de factos passados que realmente ocorreram.
Cabe ressaltar que essas ideias próprias podem surgir como: a solução para um problema ou como uma mentira que mistifica uma situação, complicando-a.
O animismo ou paranormalidade, que é algo criado pela própria pessoa, também denomina as causas de efeitos físicos ou mentais, pois tais fenómenos se ligam às funções psíquicas da criatura e não a sua mediunidade.
A parapsicologia estuda esses factos, fazendo críticas e desmascarando falsos acontecimentos, sustentando e amparando as ocorrências verdadeiramente comprovadas, mesmo que essas sejam, aparentemente e a princípio, extraordinárias.
Com o estudo podemos notar que tais factos considerados anímicos ou paranormais são explicáveis por funções psicológicas conhecidas.
Esses acontecimentos, normalmente tratados pelo nome de fenómenos quando comprovados pela parapsicologia, são incluídos no campo da psicologia geral como é o caso da hipnose.
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jan 15, 2017 1:42 pm

A parapsicologia estuda os fenómenos que se relacionam à percepção extra-sensorial, ou seja, é o estudo de uma percepção que não ocorre pelos cinco sentidos humanos (que normalmente todos temos).
Esses estudos abrangem, por exemplo, a telepatia, que é a transmissão de informações pelo pensamento de um indivíduo a outro, a distância, sem que haja nenhum tipo de contacto ou meio de comunicação conhecido para que a informação chegue. Temos também, como outro exemplo, a clarividência e a clariaudiência, que é a apreensão 17.
A pessoa é capaz de apreender a imagem, a ideia, podendo até, se for médium, "sentir" os fatos, descrevendo, em detalhes, o que experimenta.
Mas, para isso, não é necessário demonstrações exibicionistas com alardes durante a apreensão, tais como gemidos, gritos, respiração alterada, etc.
Assim como na mediunidade.
Outro atributo anímico estudado pela parapsicologia é a psicocinese, função ou interferência de uma pessoa sobre a matéria, através de seus desejos e vontade de querer mover o objecto com o pensamento, sem nenhuma acção física ou de contacto.
Essas ocorrências anímicas ou paranormais são raras e também fáceis de serem forjadas.
Todavia estudos sérios poderão desmascarar ou comprovar a autenticidade anímica de uma pessoa.
No caso do animismo, não há a acção dos espíritos na obtenção do efeito, pois essa é produção da pessoa, da criatura encarnada.
Os espíritos podem acompanhar, ou melhor, contemplar e até vibrar, mas não interferem.
Se houver interferência do plano espiritual, deixa de ser animismo e passa a ser mediunidade.
As vibrações dos espíritos ocorrem geralmente quando a pessoa se propõe a realização de ocorrências anímicas para brincadeiras e assuntos frívolos.
Cabe lembrar que esses espíritos vibradores são levianos e brincalhões e, com o tempo, passam a se afinar com quem se propõe a essas acções desnecessárias.
Todos serão responsabilizados.
A mediunidade necessita da interferência e do auxílio dos espíritos para que os factos ocorram.
Por essa razão, nem sempre os efeitos acontecem quando o médium quer, principalmente quando se lida com espíritos dotados de entendimento, evolução e responsabilidade, pois existem leis a serem respeitadas que o encarnado até ignora, mas eles, espíritos evoluídos, respeitam.
Mas os espíritos levianos, quando podem se manifestar, não tomam esse cuidado.
Já o atributo anímico, uma vez que é de livre vontade do indivíduo (porque o "adquiriu" ou "conquistou"), pode ser experimentado sempre que houver disposição, porém é de total responsabilidade da pessoa.
Como é o caso da vidência (efeito de visão recebida por um médium através de sua faculdade mediúnica pelo favorecimento de espíritos desencarnados), que pode ou não ser "interrompida" pela vontade dos espíritos de acordo com o comportamento moral do médium e a envergadura do espírito que o favorece.
Na clarividência (efeito de visão apreendido pela pessoa através do seu animismo ou paranormalidade), não há interferência dos espíritos nem na apreensão dos factos ou imagens, muito menos na divulgação ou comentário deles.
Porém, como na vidência, a interrupção dessa faculdade anímica há de ocorrer, sempre, quando o indivíduo agride leis naturais.
Ciente ou não, ele será responsável pelo que fizer com esse atributo, em maior ou menor intensidade, de acordo com o caso.
Podemos dar como exemplo também a psicocinese, que ocorre com uma pessoa que tenha esse atributo anímico (ou atributo paranormal) e com um médium de efeitos físicos.
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Ave sem Ninho

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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jan 15, 2017 1:43 pm

Na psicocinese, a pessoa que tenha o atributo anímico provoca o efeito da movimentação ou levitação do objecto com o seu desejo psíquico, já o médium de efeito físico deseja (ou não, em alguns casos) provocar a ocorrência, só que ele tem o auxílio dos espíritos, ou melhor, o médium de efeitos físicos cede fluidos aos espíritos para que esses realizem a movimentação do objecto.
Se houver confirmação do animismo ou, como é chamado, da paranormalidade, não é correto chamar essa pessoa de médium.
Apesar de que ele pode o ser também.
Como não é correto chamar um médium de paranormal, pois o médium é o medianeiro entre o plano espiritual e físico e, no caso da mediunidade, há espíritos auxiliando.
No animismo, a pessoa pode não só criar efeitos sobre objectos, apreender informações através da telepatia, clarividência, clariaudiência, etc., como também pode criar estórias ou trazer informações de histórias pertinentes ao seu passado como se ela fosse um espírito desconhecido naquela ocorrência, ou melhor, a pessoa fala como se trouxesse a psicofonia de um espírito desencarnado que narra um facto, porém esse espírito é ela mesma, não se tratando de um espírito desencarnado.
Essas comunicações são muito comuns.
E a mensagem ou o pedido de socorro do próprio espírito encarnado, que também merece tratamento tanto quanto o espírito desencarnado.
Miscigenado a esse tipo de comunicação anímica, podemos ter o perigoso personalismo, ou seja, a vaidade da pessoa misturada ao animismo, que pode virar fascinação.
As comunicações anímicas em trabalhos mediúnicos podem ser prejudiciais.
Se a comunicação anímica for admitida como sendo a mensagem de um mentor, esse "mentor" (que é o próprio espírito encarnado), pode dar orientações erradas a fim de se favorecer ou favorecer um grupo de amigos.
Se a comunicação anímica for admitida como sendo o socorro para um espírito desencarnado (que é o próprio espírito encarnado), poderá haver o socorro da própria pessoa que dá a comunicação, pois ela estará trazendo a narração de sua história, de suas mágoas, de suas decepções passadas e que merece ajuda e orientação tanto quanto os demais.
Porém havendo constantes manifestações anímicas de sofredores, deve-se desconfiar também de personalismo, pois a própria pessoa pode querer (até inconscientemente) se destacar com a apresentação de melhor mediunidade do que os outros companheiros, ou seja, essa pessoa quer dar a maioria das comunicações para apresentar trabalho e ser respeitada pelos colegas.
Isso é prejudicial às actividades do grupo, uma vez que tira a oportunidade tanto dos outros médiuns trabalharem quanto dos espíritos a serem socorridos.

17 N.A.E.: É a apreensão e não o recebimento, pois quem recebe, recebe de "alguém".
Já apreensão é tomar posse, assimilar por conta própria, de uma imagem ou som que uma pessoa faz através de um estado psicológico, consciente ou inconsciente, em que vê e sabe o que ocorreu ou o que ocorre, exactamente ou parcialmente, em lugar distante, com factos que desconhece e não tem ligação.

Geralmente o médium que usa o animismo, a fim de dar o maior número de comunicações de sofredores ou de mentores, apresenta falta de educação mediúnica, podendo estas serem:
gestos bruscos, voz alterada ou até gritos, transformação do semblante, respiração forte, entre outros.
Tudo a título de se destacar.

§.§.§- Ave sem Ninho
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Re: O RETORNO - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

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