O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

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Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jan 29, 2017 12:02 pm

- Bem-vindo ao mundo real.
- Obrigado por me receber e cuidar de mim.
- Faço porque é digno dos cuidados que me confiaram.
E então, decidiu ser claro com a Roxana, não foi?
- Sim. Eu não consegui mais levar o noivado adiante.
Precisei ser sincero.
- Embora algumas pessoas, como ela, acreditem que essa sinceridade seja ingratidão ou vingança, você agiu correctamente - disse Pedro.
- Estou procurando me aproximar de Sofia.
Estou ansioso e com medo de que ela me entenda mal.
- Fui eu que o inspirou para procurá-la.
Sofia não estava nada bem.
Seus pensamentos ficaram confusos e ideias terríveis começaram a ser implantadas em sua mente por Vicente, que deseja destruí-la.
Por isso Tássio me procurou e pediu ajuda.
- Obrigado pela inspiração.
Como ela está agora? - Yuri quis saber.
- Mais acolhida junto da família.
Isso significa protecção.
- Queria vê-la. Encontrar com ela, se possível.
Pedro sorriu ao chamar:
- Vamos.
Em fracção de segundos, estavam no quarto onde Sofia dormia.
Yuri olhou para o chão e viu o corpo adormecido de Valéria, que já havia se emancipado e se unido a espíritos mais esclarecidos e afins em sua nova etapa de vida.
Virando-se para a cama onde Sofia estava, ele a viu ainda presa ao corpo.
Fluidos densos, pesarosos, a impregnavam, perturbando e atrapalhando seu desprendimento do corpo físico.
Com energias e vibrações, que lhe eram peculiares, Tássio, espírito protector de Sofia, auxiliou-a a despertar naquele plano para vê-los.
O perispírito ou corpo espiritual de Sofia, como se estivesse assonorentado e ainda sem entender o que se passava, sentou-se na cama.
A influência dos algozes espirituais, Vicente e Lucídia, criaram pensamentos desequilibrados e confusos, capazes de gerar substâncias venenosas ao corpo e à alma da encarnada.
Matéria escura e gelatinosa, sem forma definida, impregnava os centros de força proporcionando desânimo, ausência de iniciativa e todos os tipos de fadiga para deixá-la sem acção.
- Sofia? - Yuri a chamou, procurando despertá-la.
Ela virou-se, mas pareceu não vê-lo ou se importar com sua presença.
- Essas energias escurecidas a deixam aprisionada - explicou Tássio.
- Se ela fosse à Casa Espírita, a assistência por meio de passes magnéticos de libertação, dispensados por médiuns passistas equilibrados, ajudaria? - perguntou Yuri interessado em ajudar.
- Sim. Lógico - tornou Tássio.
Passes magnéticos, aplicados por encarnados equilibrados, que exercem a mediunidade com Jesus, que não experimentam, na vida diária, vícios como: fumo, drogas e álcool, vida moral equilibrada, é de incrível ajuda a pessoas no estado de Sofia.
A energia do passista, trabalhada por amigos espirituais, é capaz de auxiliar imensamente a desimpregná-la desses fluidos pesarosos.
Isso vai ajudá-la a, digamos, tomar um fôlego, clarear os pensamentos e buscar forças interiores para tomar iniciativas e atitudes que irão tirá-la desse estado.
Sem dúvida, ela precisa tomar iniciativas e atitudes mentais positivas.
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Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jan 29, 2017 12:03 pm

Novos pensamentos, palavras e acções.
Aproveitando-se da pausa, Pedro disse:
- Sabe, Yuri, não adianta somente ser espírita, católico, umbandista ou de outra doutrina, religião, filosofia.
Não adianta ser vegetariano, vegano, fazer consultas médicas, exames clínicos, malhar nas academias, fazer caminhadas e qualquer outra coisa para ajudar o corpo se não cuidar da alma, do espírito por intermédio da boa conduta mental.
- É verdade - concordou Tássio.
Não adianta o melhor Centro Espírita, os melhores passistas, a melhor assistência espiritual se a própria pessoa continua fazendo a si mesma o trabalho do obsessor.
Muitas vezes, é comum assistirmos ao afastamento do obsessor e a criatura encarnada continuar a criar fluidos pesarosos por conta de suas ideias de perseguição, vingança, raiva, mágoa, medo.
Por sua falta de atitude e iniciativa na vida.
É certo que Sofia, minha protegida, passou e passa por um período de perseguição, de obsessão.
Não é importante para mim nem para ninguém, afastar Vicente e Lucídia de Sofia.
Se afastá-los, outro, do mesmo nível, ocupará seus lugares pelo nível de pensamento e sentimento que ela cultiva.
Meu objectivo é fazê-la crescer, elevar-se e não ser mais atingida por irmãos que merecem, de nossa parte, a compaixão por tamanha pequenez.
- Não os vejo aqui.
Onde estão Vicente e Lucídia? - perguntou Yuri.
- Esta casa, se não percebeu, é abrilhantada com a luz do Evangelho de Jesus.
Fortalecida com preces, orações, desejos no bem, atitudes que realçam a nobreza dos encarnados que nela vivem.
Aqui não se vê a prática do pensamento no mal, no desejo de ferir, zombar, humilhar.
Não se assiste, lê ou ouve o que é catastrófico, destrutivo e atractivo para espíritos levianos e maus.
Por essa razão, as vibrações vigorosas e benéficas funcionam como algo que repele espíritos de nível inferior.
É o caso dos espíritos do nível de Vicente e Lucídia.
Yuri compreendeu.
Sentando-se ao lado de Sofia, ele a olhou com ternura, experimentando despertar em si um sentimento forte, antes adormecido.
- Reaja, Sofia! - Ela o olhou. - você precisa reagir.
Ore. Pense em Jesus. Peça forças.
Não precisa passar por isso dessa forma.
É possível superar o que aconteceu.
Não desanime.
- Yuri...
- Oi. Estou aqui.
Abraçou-a com carinho e se apiedou de seu estado.
- Vou cuidar de você.
Vai dar tudo certo.
- Por que estou assim?
- Porque precisa melhorar seus pensamentos, seus desejos, desapegar do material, do orgulho, acabar com a mágoa.
Tudo isso vai proporcionar grande evolução a você como espírito.
Ela recostou em seu ombro.
Sentia, no afecto, um pouco de conforto e carinho para aliviar sua dor.
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Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jan 29, 2017 12:03 pm

- Yuri? - Tássio o chamou.
Preciso que ajude Sofia a procurar assistência.
É necessário fazê-la se elevar.
A você ela vai ouvir e atender.
- Farei isso - afirmou o rapaz convicto.
- Vamos ampará-lo.
Estaremos com você sempre - disse Tássio.
- Ela vai precisar ouvir de você, dos pais, dos irmãos quantas vezes forem necessárias que precisa reagir, tomar atitudes, posicionar-se, ter iniciativas a começar por uma assistência espiritual.
- Pode deixar.
- Com isso vai quebrar o elo que tem com Vicente e se libertar.
Com Sofia envolvida em seu abraço, Yuri a afagou e embalou com carinho por longo tempo e orou.
Os mentores se uniram a ele.
Vibrações vigorosas, arrancadas dos corações amorosos, criaram energias sublimes, começando então a disseminar partículas obscuras e tóxicas, iniciando a desintoxicação perispiritual de Sofia que, apesar de ainda portar fluidos pesarosos, ficou envolvida por novas e sublimadas energias.
Como que adormecida, cercada por renovadas fluidificações, ela estava agora com semblante sereno e foi recolocada de volta na posição do corpo carnal.
Yuri a beijou na face e se afastou, embora o desejo fosse de permanecer ali.
Pedro, seu mentor, conduziu-o de volta a sua casa.
Entristecido com a situação, Yuri perguntou:
- Posso saber a razão de Vicente desejar tanto mal a ela?
- A vocês, na verdade - respondeu Pedro.
- A nós?! Por quê?
- Por ocorrências no passado.
- Eu entendo. Gostaria de saber o que fizemos a ele para que tenha tanto desejo de vingança.
Por que ele a atinge e eu sou poupado?
Pelo menos, é isso o que estou vendo até agora.
Pedro pensou um pouco e decidiu contar.
Sabia que o rapaz não se lembraria de nada ao despertar:
- Em outros tempos, em terras distantes, por costume daquela época, o homem que foi pai de Sofia a prometeu ao filho de um homem rico, em troca de um considerável dote.
Naquela época, a mulher não passava de uma mercadoria, principalmente para famílias ricas.
A riqueza é uma prova difícil. Muito difícil.
Aqueles que dela experimentam, na maioria das vezes, sucumbem, reprovam-se.
É com a riqueza que muitos ficam egoístas, orgulhosos e insaciáveis.
As necessidades dos ricos são sempre maiores e sempre acreditam que não têm o bastante para si.
São provações perigosas e arriscadas, pois as obrigações materiais e morais dos que muito têm são maiores.
Aquele a quem muito é dado, muito será pedido.
- Mas... Conta.
O que aconteceu? - pediu Yuri curioso.
- Prometida ao filho de um homem rico, em troca de um considerável dote, Sofia ficou revoltada.
Jovenzinha, muito bonita e atraente, não aceitava ser objecto de compra e venda - contou Pedro.
- Nós nos conhecíamos?
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Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jan 29, 2017 12:03 pm

- Sim. Você era Capitão da guarda e comandava uma fracção do exército daquela província.
Apaixonou-se por ela assim que a viu pela primeira vez.
E foi correspondido.
Um homem respeitável, como você, tinha acesso e liberdade, principalmente, junto aos privilegiados que dependiam, muitas vezes, da sua protecção.
Então, usou suas regalias para se aproximar da jovem Sofia.
Os encontros às escondidas tornaram-se algo constante, encoberto pela ama-seca da jovem, que sonhava com amor igual ao de vocês.
Mas, você também estava comprometido.
Deveria se casar, em breve, com a filha de outro militar.
Essa jovem era Roxana.
Você decidiu não enganá-la.
Quis ser franco, sincero e a procurou revelando seu amor por outra pessoa, sem mencionar de quem se tratava.
- Eu traí a Roxana?
- Na verdade, não.
Assim que se viu apaixonado por Sofia, separou-se de sua noiva.
Mas a rejeição de um homem, principalmente naquela época, era algo devastador para uma mulher prometida em matrimónio.
Depois que desfez o compromisso com Roxana, foi que começou a se encontrar com Sofia.
- Nossa!... - pareceu sentir um misto de surpresa e decepção.
- Devido ao compromisso assumido pelas nobres famílias, Sofia deveria se casar com o noivo a quem foi prometida, George, filho primogénito do Duque Vicente e sua esposa Lucídia.
O casamento se aproximava, para desespero de Sofia que não via saída daquela situação.
Mais da metade do dote foi pago em peças de ouro e moedas de prata, antes do casamento.
Sofia, então, teve a ideia de roubar o próprio dote e fugir com você.
- Nossa! - repetiu a exclamação.
Que loucura! E eu aceitei?
Olhou-o firme e respondeu:
- Sem titubear.
Em uma noite, Sofia pilhou o tesouro e com a ajuda da ama-seca, a quem ofereceu algumas moedas, fugiu com você que desertou do exército.
Abandonaram tudo e todos.
Viajaram para outras terras.
Pagaram um padre para consolidar o casamento e foram para muito longe, para outro país.
Mudaram-se, depois, por mais de duas vezes, distanciando-se totalmente das vistas de todos. Tiveram filhos...
- Quantos?
- Seis.
- Nossa! - riu.
Não conseguia expressar outra coisa para manifestar sua admiração.
- Se quer saber, um foi o Tássio e um dos outros... - sorriu - Eu.
- Você?! Que legal!
Você foi meu filho?! - alegrou-se, ficando muito feliz com a revelação.
- Fui. - Breve pausa e prosseguiu:
- Vocês compraram terras e criavam cavalos para venda.
Era um bom negócio, mas...
Isso não amenizou a consciência que, mesmo não cobrando o débito do passado de imediato, naquela encarnação, irá fazê-lo no momento propício.
O ódio de Vicente foi inenarrável.
A vergonha pela fuga da noiva do filho gerou indignação.
George e o pai queriam de volta o dote, mas não obtiveram.
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Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jan 29, 2017 12:03 pm

A família de Sofia não tinha como pagar, restando a vergonha por tudo o que a filha fez.
- O duque não foi atrás de nós?
- Gastou muito dinheiro, mas não conseguiu saber para onde tinham ido.
Nunca os achou.
Porém, jurou vingança.
- Eu já acertei o que precisava com essa dívida?
- Em termos financeiros, sim.
Mas restou Roxana a quem prometeu casamento e abandonou, naquela época.
- Não foi bem assim.
Pelo que me conta, fui sincero com ela e... Não fui?
- Sincero, sim. Foi.
Mas Roxana estava grávida e não sabia.
Pelo menos, quando a deixou, não sabiam.
Temerosa, ela fez o aborto e sofreu muito, física e moralmente.
Na espiritualidade, viveu em desespero pelo arrependimento, pela dor na consciência.
Precisou de muita ajuda para se recompor.
Desencarnado, ao saber do ocorrido, você se penalizou por ela e pelo filho.
Muito tempo depois, para esta reencarnação, você e Sofia decidiram que precisariam ajudar a equilibrar aqueles a quem vocês desequilibraram.
Resolveram que não iriam se aproximar um do outro nesta existência.
Ela seria a companheira, o braço forte de George e o ajudaria a, digamos, recuperar o que subtraiu dele.
Mas George, trazendo no inconsciente o desejo de ter de volta o que ela subtraiu, antecipou-se e fez o que fez, desviando-se do planeamento reencarnatório.
Por outro lado, Roxana, que tanto lhe prometeu ser a melhor companheira, traiu-o.
Ela também estragou os planos para esta reencarnação.
- Será que a Roxana me traiu por que eu a abandonei no passado?
- Ninguém nasceu para trair ninguém.
Ninguém nasceu para roubar, matar, furtar, enganar.
Ninguém nasceu para fazer coisa errada.
Nascemos, reencarnamos para acertarmos, para fazermos o que é correto, para corrigirmos nossas más tendências.
Preste atenção, Yuri, nós reencarnamos para evoluirmos, trabalharmos nossas fraquezas, para superarmos as tentações.
Não tem essa de ter de fazer alguém sofrer.
É um absurdo pensar que alguém tem de fazer o trabalho sujo na vida do outro.
- Fiquei tão decepcionado com a Roxana que...
É difícil você ser enganado.
É muita decepção saber que foi traído.
- Se o que ela fez não o matou, então vai fortalecê-lo.
Continue sendo honesto e fiel.
Mostre que aprendeu com o erro dos outros e com os próprios erros.
Vicente e Lucídia, embora tenham tido algumas reencarnações longe de vocês, na espiritualidade, não esqueceram.
Não perdoaram Sofia pela vergonha que passaram, pela indignação sofrida.
E a você também, pois foram juntos que fugiram.
Eles querem alguma espécie de justiça.
- Por isso a envolvem e perturbam, nublando seus pensamentos, deixando que fique confusa e tome decisões erradas?
- Justamente - respondeu Pedro.
- Mas e vocês mentores?
Não fazem nada? - perguntou Yuri, parecendo nervoso.
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Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jan 29, 2017 12:03 pm

Pedro sorriu, de modo agradável, e explicou:
- Nós os guiamos e protegemos.
Um tanto inconformado, comentou como se reclamasse:
- Por que Sofia foi se meter nessa enrascada?
Se tivessem protegendo mesmo...
- Yuri, Yuri... - mencionou calmo e pausadamente.
É normal, antes de encarnar, o espírito ter conhecimento de suas tarefas, de seus deveres, dos géneros das provas a que irá se ligar.
Sofia sempre soube muito bem a que veio, mas descuidou-se.
É muito comum, quando estamos confiantes, acreditarmos que podemos tudo.
Sofia ficou preocupada com assuntos dos outros e não cuidou de si.
Devemos amar ao próximo como a nós mesmos, mas não mais do que a nós mesmos.
Sofia foi inspirada por Tássio.
As inspirações são desde subtis ou até em forma de sinais mais fortes.
Ela surge como um medo, uma dúvida que percebemos nos nossos sentimentos que parecem pedir a nós que avaliemos bem o que estamos fazendo ou deixando de fazer.
É uma advertência do espírito protector em favor de seu pupilo, mas que, infelizmente, muitas vezes, essa intuição, esse pressentimento não é atendido pelo pupilo que não oferece importância.
O espírito protector sempre inspira a viver da melhor maneira possível, seja na conduta moral ou em relação das coisas privadas como trabalho, estudo.
Mas o mentor não pode fazer por você.
É através da voz da consciência que os inspiramos, mas a pessoa, por conta do egoísmo, do orgulho, da vaidade, da vontade insaciável trazidas por impulsos que ainda os atrasam como o sexo transviado ou vícios que degeneram o corpo e a alma, não atende seu anjo-protector.
Não podemos fazer milagres nem fenómenos extraordinários.
Quando muito, envolvemos uma pessoa sensível, com a permissão do mentor dela, para oferecer um conselho, uma orientação ao nosso protegido. Isso é muito comum.
- Diga-me uma coisa, se é que pode.
A Sofia estava envolvida com o George e, por conta da vida sexual promíscua do noivo, ela também se envolveu com energias pesarosas, destrutivas que desorganizaram seus centros de forças e centros psíquicos.
Ela já se livrou desses fluidos destrutivos?
No outro dia, eu só vi porque você facilitou minha condição.
- A vida equilibrada, moralmente falando, e os passes magnéticos são capazes de libertá-la dessas energias com facilidade, pois não são dela.
Por isso é importante convencê-la ao tratamento de assistência espiritual.
- Também não vi aqueles três desencarnados que antes estavam colocados perto dela.
- Quando ela sai de casa, eles a acompanham.
- Ah, é! Já me disseram que a casa do pai dela é protegida.
- São vampiros espirituais.
Necessitados de toda ordem e que auxiliam na confusão mental e no estado depressivo.
No momento em que ela se elevar e fizer brilhar em si a própria luz, eles também irão embora.
- Sofia precisa reagir o quanto antes.
- Sim, precisa. E você sabe o que fazer.
Foram suas preces, seu comportamento equilibrado, sua fé que não o deixou entrar nas malhas de Vicente.
Enquanto Sofia, como eu já disse, baixou a guarda.
Yuri encarou seu mentor e sorriu de modo agradável.
- Obrigado, Pedro.
Obrigado pelo apoio, pela ajuda, pela orientação, pelas inspirações.
Embora, quando eu acordar, não vou me lembrar de nossa conversa, em meu coração, sei que devo agradecer a Deus por permitir alguém como você, tão digno e fiel, para estar ao meu lado.
- Não me agradeça.
Sou eu que devo ficar grato por ter um protegido como você.
Abraçaram-se.
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Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jan 29, 2017 12:04 pm

Capítulo 18 - Qual é o sentido da vida?

Nem mesmo quando a luz radiosa do amanhecer se esgueirou pelas frestas da janela do quarto, Sofia quis levantar.
Já eram quase oito horas quando Ágata decidiu chamar a filha.
Embora estivesse acordada, ela não se movia.
Permaneceu quieta até a mãe chamá-la:
- Bom dia! Dormiu bem?
Remexeu-se um pouco e olhou para a senhora, dizendo sem motivação:
- Dormi. Bom dia, mãe.
- São 8h. Seria bom você se levantar, tomar um banho...
O café está na mesa.
Todo o mundo já foi trabalhar - sorriu, tentando animá-la.
- E a Valéria? - quis saber.
- Foi a primeira que saiu.
Graças a Deus sua irmã parece outra pessoa.
Voltou a estudar, sabia?
- Não.
- Ela Voltou. Está trabalhando em uma ONG também.
Abraçou uma campanha sobre a violência contra a mulher.
Orienta mulheres que pedem ajuda.
A Valéria mudou tanto... - disse, entonando a voz de um jeito afável.
Observando que Sofia não se manifestava, após um tempo, perguntou:
- E você, filha?
- Não sei o que tenho, mãe.
Até para levantar da cama e ir ao banheiro é difícil.
Não tenho vontade.
- Não espere pela vontade.
Levante! - sorriu.
Ágata foi abrindo a janela e a luz do sol incomodou a moça, que espremeu os olhos ao pôr a mão em frente ao rosto.
- Vai! Levanta, meu bem!
Ela se sentou, na cama, com muito sacrifício.
Ficou algum tempo na mesma posição. Não dizia nada.
Precisando de uma força, que parecia sobre-humana, levantou-se e foi para o banheiro.
Aproveitando a oportunidade, a mãe sacudiu as cobertas da cama e a arrumou para que, quando ela voltasse, não sentisse qualquer vontade para se deitar.
Logo, a senhora foi para a cozinha e preparou um suco.
Como ela esperava, a filha lá chegou bastante desanimada.
- Olha seu suco.
- Obrigada, mãe.
- Aqui tem café, pão, mamão e...
- Não. Obrigada. Só o suco.
- Não pode continuar, assim Sofia.
Precisa reagir a esse estado.
Diante do silêncio, perguntou:
- O que pretende fazer hoje?
- Nem sei. As lojas fecharam.
A senhora sabe e...
Olhou-a, directamente, nos olhos e falou:
- Perdi meu apartamento, mãe - quase chorou nesse momento.
Em tom triste, mas sem lamentação, Ágata afirmou:
- Eu sei. Seu pai me contou tudo.
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Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jan 29, 2017 12:04 pm

- Parece que o mundo todo caiu sobre meus ombros. Estou confusa.
- Pelo menos, não tem dívidas.
Bom, foi o que eu entendi.
- Não tenho, mas estou sem dinheiro e sem emprego.
- Então procure um emprego.
- Mãe... A senhora não entende.
Eu estava bem, estabilizada na vida, eu... - perdeu as forças para falar e silenciou.
A pessoa, acometida por um estado emocional depressivo, sente a mais profunda e inexplicável dor em sua alma.
São sensações e sentimentos que, muitas vezes, não consegue descrever.
Tamanho e o sofrimento que, na maioria das vezes, não é só a mente que para, mas também o corpo e a alma, mais ainda.
A criatura nessa condição, não pode ser abandonada nem desprezada.
É nesse estado que pessoas capacitadas lhe doam incentivos positivos para que se erga novamente.
Sem esperança, sem expectativa a pessoa deprimida sente sua fé desaparecer à medida que não entende o sentido da vida.
Ela se pergunta: o que estou fazendo neste mundo?
O que foi que fiz da minha vida?
Qual é o sentido da vida?
Valeu a pena eu ter feito o que fiz?
Valeu a pena eu ter ajudado quem ajudei?
Onde está o meu mentor que me deixa sofrer assim?
Onde está o Pai Criador, o Deus de amor, que me deixa passar por esta dor?
Por que isso aconteceu comigo?
O que fiz para sofrer tamanha e intensa dor na alma?
Muitas vezes, até a revolta pode tomar conta de alguém em momentos de depressão e é aí que, algumas vezes, o perigo ronda.
A fuga para a bebida, para o cigarro, para as drogas de diversos tipos ou a violência, o sexo desregrado e sem compromisso e tudo mais que agrava seu estado consciencial, pode acontecer.
Uma das primeiras coisas que precisa ser entendida é que, na vida, todos os dias colhemos e todos os dias plantamos.
E, se o que se está colhendo foi o que se plantou, é importante, a partir de agora, plantar outro tipo de grão, mais nobre.
Em certos momentos, na vida, precisamos tirar o sentimento de medo e fazer um enfrentamento, tirar o sentimento de revolta e procurar entender que somos nós que nos colocamos em todas as situações que vivenciamos.
E mais ainda, é muito importante saber que, somos nós que nos tiramos de todas as situações que queremos sair.
Se o estado mental é de depressão, revolta não será, nunca, a solução.
Culpar a Deus ou aos mentores é injusto além de perda de tempo.
A pessoa, para melhorar, precisa entender que foi o seu descaso para consigo mesma que surtiu tal resultado depressivo, se o quadro não for genético.
Por isso, a partir de agora, ela não pode mais se deixar em segundo lugar.
Quando as questões depressivas são devido a fortes emoções, profunda tristeza por perdas de nível material, inclusive, precisamos entender que as coisas deste mundo são ferramentas para a evolução e não a própria evolução.
O que você adquire, materialmente falando, mostra o que tem e não o que você é como pessoa, como espírito humano.
É muito comum observarmos, por exemplo, um artista belo e famoso, com muito dinheiro e esbanjando sorrisos.
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Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jan 29, 2017 12:04 pm

Esse artista tem casa, carro, talento e nós, quando o observamos, vemos o que ele tem e não o que ele é.
Muito provavelmente, se convivermos diariamente com essa pessoa, saberemos o quanto ela é triste, sente-se só, amarga.
O quanto pode ser exigente ou chata, insatisfeita, agressiva e muito mais.
Descobriremos que não conseguiremos viver bem ao lado de alguém assim, pois iremos ver quem realmente essa pessoa é, além do que ela tem.
Usando o exemplo do querido médium Francisco Cândido Xavier, que sabemos não tinha muito, materialmente falando, mas podemos afirmar que ele era muito.
E todos, sem usufruírem nada material que tinha, queriam ficar perto dele.
Por quê?
Por causa de um de seus atributos: Paz.
Não reencarnamos só para vencermos no mundo.
Reencarnamos para vencermos o mundo.
E o que é vencer no mundo?
Vencer no mundo é ter fama, sucesso, dinheiro e comprar tudo o que puder.
Quem quer comprar tudo, deve tomar cuidado com o vazio que existe em sua alma.
Querer comprar tudo é desejar preencher esse vazio.
E o que é vencer o mundo?
Vencer o mundo é buscar o sentido da vida.
E se conhecer e se reconhecer.
Precisamos saber quais são as nossas qualidades e aprender a usá-las.
Saber quais são os nossos defeitos e educá-los.
Devemos nos perguntar: o que é preciso eu fazer para ter paz?
O que é que me traz paz?
Estou aqui, nesta vida, para obter bens materiais ou espirituais?
Se a pessoa só se concentrar no sucesso material, será prejudicada.
Assim como se só se focar, fanaticamente, nas conquistas espirituais, será, igualmente, prejudicada.
Não é possível viver, neste mundo, sem o material mínimo de dignidade que proporciona saúde adequada, descanso propício e bem-estar em todos os sentidos.
Para isso, é necessário trabalharmos com honestidade e respeitabilidade a fim de que nos sintamos honrados pelo que fazemos e adquirimos.
É preciso viver, neste mundo, usando com sabedoria e prudência os recursos que são do mundo, sabendo que nós não somos do mundo, partiremos dele e não levaremos o que ele tem.
É certo que há momentos, na vida, em que necessitamos nos voltar para o material, mas nunca nos afastarmos, totalmente, do lado espiritual.
Por essa razão, é fundamental estarmos bem atentos para o que acontece a nossa volta, sem o véu da ilusão, a fim de enxergarmos a vida de forma ampla e entendermos em que precisamos evoluir.
Para fazermos algo equilibrado, nascermos novamente em nossas vidas, para ajudarmos a passar mais rápido o estado de depressão, é necessário nos conhecermos.
Sempre enfrentamos certo grau de depressão quando não nos amamos.
E por que é preciso nos conhecer?
Porque não conseguimos amar quem não conhecemos.
Não valorizamos quem não conhecemos.
Não acreditamos em quem não conhecemos.
Não damos oportunidade a quem não conhecemos.
E o pior, temos medo de quem não conhecemos.
Não sabemos qual é a capacidade de quem não conhecemos.
É só por tudo isso que precisamos nos conhecer.
Daí vale a observação de pessoa que não se conhece não ama ao próximo.
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Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Jan 29, 2017 12:04 pm

Se ela não ama a si, não amará ao próximo porque devemos amar ao próximo como a nós mesmos.
E alguém não se ama porque não se conhece.
Não conhece seu potencial nem sua capacidade, muito menos sabe usar para a própria vida os atributos que possui a fim de se valorizar.
Quando a criatura se conhece, sabe da sua capacidade, o que consegue ou não fazer, consegue avaliar as possibilidades de sucesso e o quanto de empenho e dedicação precisa para alcançar o que quer.
Acredita nos próprios objectivos.
Enquanto que aquele que não se conhece, sente-se frágil, incapaz e se detém, paralisa-se, deprime-se.
Deprime-se por medo do desconhecido e, como foi dito, temos medo de quem não conhecemos.
A depressão é um mal, mas podemos dizer que é um mal necessário.
Já vi incontáveis criaturas divinas se transformarem em seres maravilhosos depois de uma forte depressão, porque a depressão leva à profunda reflexão, ao autoconhecimento, ao auto-encontro.
Só nos acontece aquilo que temos necessidade para evoluir.
Mesmo assim, se vemos a depressão como um mal é bom conhecer O Livro dos Espíritos, item 919, que nos traz a pergunta:
"Qual o meio prático mais eficaz para se melhorar nesta vida e resistir ao arrastamento do mal?"
Resposta:
"Um sábio da antiguidade disse:
Conhece-te a ti mesmo".
Como se não bastasse, a questão 919 a, ainda segue:
"Compreendemos toda a sabedoria dessa máxima, mas a dificuldade está precisamente em se conhecer a si próprio.
Qual o meio de chegar a isso?"
Resposta:
"Fazei o que eu fazia, quando vivi na Terra: ao fim do dia, interrogava a minha consciência, passava revista ao que fizera e perguntava a mim mesmo se não faltara a algum dever, se ninguém tivera motivo para de mim se queixar.
Foi assim que cheguei a me conhecer e a ver o que em mim precisava de reforma.
Aquele que, todas as noites, evocasse todas as acções que praticara durante o dia e inquirisse de si mesmo o bem ou o mal que houvera feito, rogando a Deus e ao seu anjo de guarda que o esclarecessem, grande força adquiriria para se aperfeiçoar, porque, crede-me, Deus o assistiria.
Dirigi, pois, a vós mesmos perguntas, interrogai-vos sobre o que tendes feito e com que objectivo procedestes em tal ou tal circunstância, sobre se fizestes alguma coisa que, feita por outrem, censuraríeis, sobre se obrastes alguma acção que não ousaríeis confessar.
Perguntai ainda mais:
"Se aprouvesse a Deus chamar-me neste momento, teria que temer o olhar de alguém, ao entrar de novo no mundo dos Espíritos, onde nada pode ser ocultado?
Examinai o que pudestes ter obrado contra Deus, depois contra o vosso próximo e, finalmente, contra vós mesmos.
As respostas vos darão, ou o descanso para a vossa consciência, ou a indicação de um mal que precise ser curado.
“O conhecimento de si mesmo é, portanto, a chave do progresso individual.
Mas, direis, como há de alguém julgar-se a si mesmo?
Não está aí a ilusão do amor-próprio para atenuar as faltas e torná-las desculpáveis?
O avarento se considera apenas económico e previdente; o orgulhoso julga que em si só há dignidade. Isso é muito real, mas tendes um meio de verificação que não pode iludir-vos.
Quando estiverdes indecisos sobre o valor de uma de vossas acções, inquiri como a qualificaríeis, se praticada por outra pessoa.
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Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jan 30, 2017 12:31 pm

Se a censurais noutrem, não a poderia ter por legítima quando fordes o seu autor, pois que Deus não usa de duas medidas na aplicação de Sua justiça.
Procurai também saber o que dela pensam os vossos semelhantes e não desprezeis a opinião dos vossos inimigos, porquanto esses nenhum interesse têm em mascarar a verdade e Deus, muitas vezes, coloca-os ao vosso lado como um espelho, a fim de que sejais advertidos com mais franqueza do que o faria um amigo.
Perscrute, conseguintemente, a sua consciência aquele que se sinta possuído do desejo sério de melhorar-se, a fim de extirpar de si os maus pendores, como do seu jardim arranca as ervas daninhas; dê balanço no seu dia moral para, a exemplo do comerciante, avaliar suas perdas e seus lucros e eu vos asseguro que a conta destes será mais avultada que a daquelas.
Se puder dizer que foi bom o seu dia, poderá dormir em paz e aguardar sem receio o despertar na outra vida.
Formulai, portanto, de vós para convosco, questões nítidas e precisas e não temais multiplicá-las.
Justo é que se gastem alguns minutos para conquistar uma felicidade eterna.
Não trabalhais todos os dias com o fito de juntar haveres que vos garantam repouso na velhice?
Não constitui esse repouso o objecto de todos os vossos desejos, o fim que vos faz suportar fadigas e privações temporárias?
Pois bem! Que esse descanso de alguns dias, turbado sempre pelas enfermidades do corpo, em comparação com o que espera o homem de bem?
Não valerá este outro a pena de alguns esforços?
Sei haver muitos que dizem ser positivo o presente e incerto o futuro.
Ora, esta exactamente a ideia de que estamos encarregados de eliminar do vosso íntimo, visto desejarmos fazer que compreendais esse futuro, de modo a não restar nenhuma dúvida em vossa alma.
Por isso foi que primeiro chamamos a vossa atenção por meio de fenómenos capazes de ferir-vos os sentidos e que agora vos damos instruções, que cada um de vós se acha encarregado de espalhar.
Com esse objectivo é que ditamos O Livro dos Espíritos."- Santo Agostinho.
Somente quando nos conhecemos, enxergarmos a luz lançada na sombra da depressão, pois assim reconhecemos a nossa capacidade, sabemos da força interior que nada teme e é capaz de lutar pela realização de lindos sonhos.
Sair do estado de depressão exige se conhecer e disciplinar a mente.
Educar pensamentos, palavras e acções de acordo com o estado mental que se deseja estar.
A nossa volta, todos nos reconhecerão pelo que somos e não pelo que temos e assim não só venceremos o mundo, mas também venceremos no mundo, porque o ser sempre vem acompanhado do ter.
Talvez, não seja fácil para aquele que enfrenta um período depressivo, conhecer-se e sair sozinho desse estado.
Para ajudá-lo, existem profissionais da área da saúde mental, como psicólogos, que podem auxiliar muito.
Além disso, lembrar que quando a mente atravanca, o corpo deverá movê-la.
Insistir em caminhar, sair, andar, passear, praticar algum hobby, desporto, reuniões com amigos equilibrados que não estejam dispostos a bebidas alcoólicas, drogas ou outros vícios.
Conversas saudáveis sempre ajudam, dispor-se a auxiliar aos outros também.
E era disso que Sofia precisava para retomar a vida.
* * *
Ágata não necessitou ser inspirada, naquela manhã, para tomar a iniciativa de propor:
- Tome seu suco, coma pelo menos a metade desse papaia e vamos dar uma volta.
- Hoje não, mãe.
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Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jan 30, 2017 12:31 pm

- Hoje sim, Sofia.
Comecei a fazer caminhada e não será por você que vou parar!
Lembra que você e seus irmãos viviam dizendo que eu precisava caminhar?
Pois bem, comecei - falou em tom brincalhão.
E uma caminhada também vai te fazer muito bem.
Sabe que já estou andando até o quiosque da Sónia ida e volta?
É uma boa distância! - enfatizou.
Estou me sentindo tão bem.
Fico mais disposta.
A filha ofereceu um leve e forçado sorriso e se viu compelida a beber o resto de suco e comer a fruta.
Não disse nada, mas sentiu-se como que obrigada a acompanhar a mãe que estava animada para sair.
* * *
Caminharam pela praia de Ipanema indo até onde Ágata costumava andar.
Cumprimentaram conhecidos.
A mãe apresentou a filha para novas amigas que não a conheciam ainda.
No quiosque onde pararam, tomaram uma água de coco e apreciaram a bela vista.
Voltaram.
- Se quiser correr um pouco, filha, pode ir à frente.
Depois eu te alcanço.
- Não. Está bom nesse ritmo.
Não demorou e pararam próximo a equipamentos de ginástica onde Ágata começou a se alongar.
A filha fazia o mesmo, até que ouviu chamar:
- Sofia!
Olharam.
- Não é o Yuri? - perguntou a senhora que não enxergou direito ao ver o rapaz ao longe.
- É sim - afirmou Sofia, sorrindo com leveza e espontaneidade nesse momento.
Ele se aproximou.
Estava bastante suado e com a camiseta molhada.
Sorridente, cumprimentou-as e disse ofegante:
- Não vou beijá-las, porque...
Olha só para mim!
Em seguida, perguntou:
- Como você está Sofia?
Ela o encarou e forçou um sorriso ao responder:
- Melhor.
- Não está não - a mãe foi verdadeira, mesmo com semblante descontraído.
Nem queria vir caminhar hoje.
- Eu estou a fim de fazer você caminhar um pouco mais, Sofia - Yuri falou com jeito maroto.
- Por quê?
- Tenho um conhecido que pode se interessar pelo seu trabalho.
Agora não dá para ir até a empresa dele porque tenho que dar uma passada na obra.
Estou atrasado, inclusive.
Porém, mais à tarde posso te pegar para ir até a empresa desse amigo. O que me diz?
- Ela vai sim! Claro que vai!
Pode passar lá em casa que vou deixá-la prontinha! - respondeu a senhora animada e rindo.
Sabia que estava interferindo na decisão que não lhe dizia respeito.
- É isso aí, dona Agata!
Se ela não vai, a gente empurra! - brincou e riu junto.
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Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jan 30, 2017 12:32 pm

E , sem querer saber a opinião de Sofia, resolveu:
- Eu passo na sua casa mais tarde.
Esteja pronta. Certo?
- Está bem. Vou te esperar - respondeu Sofia, agora sorrindo pela molecagem dos dois.
- Agora preciso ir. Estou atrasado.
Despediram-se e Yuri se foi.
- Viu?! Seus caminhos estão se abrindo novamente, filha - comentou a mãe logo após ver o rapaz se afastar.
- Estou tão...
- Tão, o quê? - perguntou diante da demora da moça.
- Triste. Chateada. Puxa vida, mãe.
Fui enganada de todas as formas.
- Quem te enganou não merece sua raiva nem sua tristeza.
Quem te enganou merece compaixão.
Pessoas que enganam e traem sofrem alguma perturbação.
Todo comportamento incorrecto é sinal de desequilíbrio.
Sem dúvida, a pessoa vai ter que acertar as contas de tudo o que fez para atrapalhar a vida do outro, de tudo o que fez para tirar a felicidade de alguém.
Não fique com raiva nem guarde mágoa.
Esses sentimentos são infelizes e, por causa deles, a gente fica ligada à pessoa desequilibrada.
Na verdade, você não precisa disso, Sofia.
É uma pessoa melhor e são as suas qualidades que te diferenciam de criaturas maldosas, cruéis como as que te magoaram.
Um momento e a viu reflexiva.
Esperou um pouco e convidou:
- Vamos, agora.
Preciso fazer o almoço.
Daqui a pouco seu pai chega para almoçar e não sobrou muita coisa de ontem.
Aliás, nossa casa estava muito alegre ontem.
Você não achou? - perguntou animada, puxando outra conversa.
- Nem vi direito.
- Ah! Estava sim - comentou risonha, enquanto caminhavam de volta.
Gosto muito de ter todo aquele povo alegre lá em casa.
Gosto mais ainda quando me ajudam com a louça! - riu gostoso.
Seguiram caminhando e Ágata conversou bastante, falando sobre assuntos alegres e interessantes para animar a filha ou, pelo menos, tirá-la de pensamentos tristes.
No início da tarde, Sofia encontrava-se pronta e à espera de Yuri que, embora atrasado, compareceu conforme combinaram.
Seus cabelos, agora um pouco compridos, estavam soltos, leves e brilhosos.
Bem arrumada. Usava uma maquiagem fraca que combinava com a ocasião.
Elegante e esbelta. Ninguém diria que passava por dolorosa condição emocional.
Começou a sorrir, mesmo que sem muita vontade.
Isso foi orientação de sua mãe.
Ele só parou o carro e a moça entrou.
Yuri reparou o quanto ela estava bonita.
Apreciou o suave e gostoso perfume.
Desejando até se aproximar para sentir mais.
Cumprimentaram-se e ele perguntou:
- Animada?
- Não sei se a palavra é essa - sorriu com leveza.
- Você está muito bonita! - elogiou.
Foi verdadeiro, mas também não queria vê-la falando de sentimentos negativos.
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Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jan 30, 2017 12:32 pm

- Obrigada - a moça sorriu ao agradecer.
Em seu rosto, o encanto começava a ressurgir.
Yuri apreciou por alguns instantes, respirou fundo e propôs:
- Vamos ao que interessa!
Alegrou-se e não perdeu tempo para explicar:
- O Oduvaldo, esse meu amigo, tem salas para alugar em um prédio comercial recém-construído.
Os clientes dessas salas são médicos, advogados, fonoaudiólogos, psicólogos...
Enfim, profissionais dos mais diversos e, sendo assim, estilos diversos.
O legal é que eles querem alugar as salas mobiliadas e decoradas, com estilo e sem muito custo - riu.
Acho que está acostumada a lidar com isso.
- Mas eles já sabem quais salas serão de determinados profissionais?
- Já. Foram locadas na fase final da obra.
Alguns ainda estão fechando locação.
O proposto é você apresentar seu serviço de decoração, seus preços e, depois, os clientes que quiserem, podem fazer um segundo orçamento aí fora.
Como já deve saber, muitos deles nem procuram um segundo orçamento.
Resumindo, é mais ou menos isso.
- Eu sei o que é.
Já estou acostumada. E...
Qual é a percentagem que o Oduvaldo quer para me apresentar?
- Pelo que entendi, nenhuma.
Eu conversei com ele sobre o que você passou e sua vontade de recomeçar.
Ele é um cara muito legal.
Entendeu e está disposto a dar a maior força.
Mas... - sorriu.
Acho que seria gentil você corresponder.
- Como assim? - intrigou-se.
- Ele e a noiva estão montando uma casa e precisam, desesperadamente, de sugestões - sorriu.
Essa ideia é minha, tá!
Não foi ele quem me pediu.
- Entendo - riu junto.
Eu deixo que o Oduvaldo comente que tem uma casa para decorar e me proponho a ajudar.
- Garota esperta!
É isso mesmo! - beliscou de leve seu rosto, fazendo um carinho.
Admirou-a novamente.
Breves segundos e perguntou:
- Vamos?
- Sim. Vamos.
- Animada?
- Animada! - sorriu lindamente.
Enquanto mudava os pensamentos para novos projectos, novos trabalhos, esqueceu-se das perdas e da traição.
Isso iniciou sua saída do estado depressivo.
A movimentação de ideias e planos positivos, benéficos alteram a química cerebral e oferece estado de mais ânimo e disposição para a pessoa.
Seguiram.
Sofia se animou mais, principalmente, depois que se apresentou ao novo colega e percebeu que seu trabalho era conhecido.
Apesar disso, as energias espirituais pesarosas a enfraqueciam em alguns momentos.
Ela precisava de determinação para se levantar e seguir, um dia após o outro.
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Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jan 30, 2017 12:32 pm

* * *
Não demorou e Sofia se mudou, definitivamente, para a casa de seus pais.
Voltou a dividir o quarto com a irmã que gostou da ideia.
O acolhimento da família foi muito importante naquele momento.
Nem todos, em estado semelhante, têm a bênção dessa atenção.
Não podemos desprezar as pessoas que passam pelo estado de depressão.
Se essa condição é necessária para ela, a presença dela, em nossas vidas, é necessária para nós.
Sempre experimentamos e temos ao nosso lado o que precisamos para evoluir.
A conselho de seu pai, Sofia procurou por psicólogos para se propor a um tratamento por meio de psicoterapia.
Esse tipo de tratamento ajudaria muito seu autoconhecimento para que ficasse ciente de suas forças e de sua capacidade, entendesse o sentido da sua vida, enxergasse novos caminhos e administrasse melhor sua vida.
Ela não sentiu muita confiança no primeiro psicólogo que consultou, mas com o segundo foi diferente.
O profissional conseguiu entendê-la e estava disposto a ajudar.
Em meio a isso, Yuri foi se aproximando e a incentivou a fazer assistência espiritual no Centro Espírita.
Acompanhada de Yuri, retornou à Casa Espírita que frequentava e procurou o sector de orientação.
- Sofia! Quanto tempo, minha filha! - admirou-se a amável dona Francisca, sorrindo quando a viu.
- Oi. Tudo bem com a senhora?
- Comigo tudo bem.
A mulher olhou para o rapaz e Sofia o apresentou:
- Esse é meu amigo, Yuri.
- Como vai a senhora? Bem?
- Prazer em conhecê-lo.
Já ouvi falar de você.
- Ouviu falar de mim?! - sorriu surpreso.
- O Hélder, criatura maravilhosa que chegou aqui há algum tempo, tem falado de você, que é irmão da namorada dele. Não é isso?
- Ah! Isso mesmo!
Sou irmão da Rute.
- Que bênção!
A Rute é uma boa moça.
A Sofia trouxe o Hélder que, hoje, estuda e trabalha na casa.
Daí ele trouxe a Rute - riu.
Sempre disposta e produtiva.
Eles me falaram de você e eu sabia que ia te conhecer em breve.
Aproximando-se do rapaz, falou ao seu ouvido como se cochichasse:
- Obrigada por trazê-la de volta - brincou e riu.
- Não me agradeça.
Voltando-se para Sofia, perguntou, alegremente, enquanto contornava uma pequena mesa:
- E você, querida?
Esteve muito sumida.
- É... Acho que foram quase dois anos.
Sentando-se, a senhora indicou duas cadeiras em frente à mesa.
Depois disse:
- Então estamos em festa!
Hoje é o dia do retorno da filha querida que vem nos abençoar com sua graça.
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Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jan 30, 2017 12:32 pm

Fitando-a com generosidade e invadindo sua alma, a mulher perguntou bondosamente:
- Quer comentar o que tem vivido?
Envolvida por fortes sentimentos, Sofia não deteve algumas lágrimas e, entre elas, contou tudo o que experimentou.
- Estou fazendo psicoterapia com um psicólogo que, por sorte, é espírita e consegue me entender e orientar melhor.
Esse psicólogo me incentivou a voltar ao centro.
Além dele, meus pais, irmãos e o Yuri também.
Tem dia que estou sem forças até para isso.
Olhando para o rapaz, dona Francisca afirmou:
- Ainda bem que a trouxe, filho.
Seu mentor e o mentor dela vêm te pedindo isso.
- Eu não sei de nada, dona Francisca - sorriu.
Mas se a senhora está dizendo, eu acredito.
- Você tem intensa tarefa enquanto dorme.
Ao deitar, a oração firme, bem direccionada nos deixa à disposição de Deus, dos bons espíritos.
E você faz isso. Se liga ao Pai.
- É verdade. Eu oro ao me deitar, ao me levantar...
Mas não me lembro de tarefa alguma.
A senhora sorriu e voltou-se para Sofia.
- Para sair da depressão, não se pode ficar parado no mesmo lugar.
Precisa ir à busca de alguma coisa melhor e mais produtiva.
Cultive a alegria. Esse é o antídoto para a depressão.
Alegria não quer dizer falta de tristeza, porque a tristeza faz parte da vida.
Quando alguém nos magoa, quando encontramos a ingratidão, é lógico que ficamos tristes.
Tenha compaixão daquele que a deixou triste porque, certamente, essa pessoa não será tão forte quanto você.
Não terá tantos amigos para apoiá-la quando ela experimentar o que você experimentou e isso vai acontecer, se ela não buscar um jeito de harmonizar o que desarmonizou.
Se essa pessoa não fizer algo para equilibrar isso, se não se redimir, vai passar pelo mesmo que ofereceu por força de atracção.
Pessoa ingrata que provoca dores e não se corrige é alguém doente das emoções e pior, doente do espírito.
Não permita que alguém mate sua alegria de viver.
Alegre-se, mesmo diante de tanta dor pela ingratidão, porque você não é capaz de ter o mesmo distúrbio de comportamento infeliz.
Se era para experimentar essa dor, então respire fundo porque a dor já foi.
É o momento de deixar tudo isso para trás, sentir-se capaz de começar de novo e fazer tudo muito melhor.
Olhando-a firme, ainda disse:
- Filha, é impossível passar pela vida sem experimentar o tormento da ingratidão, sem atravessar o vale das sombras, sem ganhar uma coroa de espinhos, sem ter que sorrir com a alma chorando.
Ninguém evolui quando só experimenta uma vida simples e cotidiana.
Diante da ingratidão, é necessário não deixar que os maus nos tornem maus, que os infelizes nos tornem infelizes.
É a sua reacção frente à infelicidade, à maldade, à ingratidão que fará de você uma pessoa diferente, melhor e evoluída.
Breve pausa e orientou em um tom alegre:
- Vou te ensinar uma coisa que me ajudou.
Você vai fazer isso três vezes ao dia - riu.
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Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jan 30, 2017 12:33 pm

Procure um espelho, no quarto, no banheiro...
Qualquer um. Fique na frente e olhe o seu reflexo, no espelho, e sorria.
Sofia sorriu. - Isso mesmo!
Sorria para o seu reflexo.
Vai parecer sem graça, sem emoção, mas faça isso.
Vai rir para você mesma.
Sorria, ao se ver, e diga em pensamento:
"Sou alegre, feliz e produtiva! Amo a vida!"
Faça isso três vezes ao dia, repetindo a mesma frase - ressaltou.
Não é nada religioso, místico ou de qualquer ordem.
Esse é um exercício psicológico.
Você estará entrando em contacto com você mesma.
Impregnando sua mente com algo bom e fará desaparecer a contaminação ruim.
Pode perguntar para o seu psicólogo, ele deve saber.
Foi o psicólogo da minha filha que ensinou.
Ela passou e venceu a depressão.
Hoje é uma pessoa nova, maravilhosa, vitoriosa e muito produtiva.
- Vou fazer - sorriu.
- Faça, sim.
Há quanto tempo não entra em contacto com você?
Há quanto tempo não se elogia, não se ama, não se trata com carinho e atenção?
Está na hora de fazer o melhor por si.
Não tem nada a perder.
Além disso, agradeça a Deus, todos os dias, por ter uma família que a acolhe, por ter amigos que a orientam, por ter espíritos tão queridos e fiéis junto de você que a guiam para o bem.
É tão bom ter amigos, Sofia. - Viu-a sorrir novamente.
Ore. Se ligue a Deus.
Quando tiver tempo, retome alguma actividade para auxiliar de alguma forma.
- Meu pai me falou isso.
- Uma tarefa de assistência a outro vai fazer bem.
Mas precisa se sentir bem.
Não se force a actividades que a entristecem. Entendeu?
- Sim.
- No mais... Vou encaminhá-la para uma assistência espiritual com passes magnéticos.
Isso vai ajudá-la muito.
Enquanto fazia anotações, dona Francisca falou:
- Depressão, como o nome diz, é um buraco.
Se a gente não for dar uma espiadinha para fora dele e não se forçar a subir, não saímos desse buraco nunca.
Aproveite a mão de Deus que se estende por meio daqueles que aparecem para te ajudar.
Não deixe que só os outros a puxem.
Faça força também.
Riram.
Conversaram um pouco.
Foi a partir daí que Sofia se encaminhou para receber auxílio e se libertar das amarras que a prendiam espiritualmente.
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Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jan 30, 2017 12:33 pm

Capítulo 19 - União

O tempo foi passando...
Sofia passou a se empenhar.
Amigos encarnados e desencarnados ficaram do seu lado amparando e ajudando sempre.
Enquanto fazia de tudo para retomar à vida.
Trabalhava, exercitava-se, ia ao centro.
Simultaneamente, Valéria também prosseguia evoluindo.
Livre das amarras que a escravizaram, ela se especializou.
Estudou e passou a ser uma pessoa trabalhadora muito activa, fazendo parte de uma frente em defesa de mulheres agredidas, esclarecendo quanto aos direitos e deveres que possuíam na luta por justiça.
Enquanto isso, Hélder e Rute estavam se entendendo bem.
Certo dia, o filho chegou à casa de Ágata e Bernardo com a seguinte notícia:
- Eu e a Rute vamos ficar noivos!
Depois de eles receberem os parabéns de todos, Bernardo comentou:
- Rute e Hélder, essa é uma decisão muito importante na vida de qualquer pessoa.
Estou muito feliz por vocês.
Vou dizer aos dois o mesmo que disse para o Alex e a Ivone quando decidiram se casar, porque as experiências daqueles que já percorreram essa jornada, serve como lição e exemplo para os acertos que, muitas vezes, terão de fazer.
Rute estava acomodada no sofá enquanto Hélder, sentado ao seu lado, fazia-lhe um carinho.
Observando o filho, Bernardo perguntou:
- Está vendo isso o que está fazendo no braço da Rute?
- Sim - sorriu, ao responder um tanto sem jeito.
É um carinho.
- E nesse carinho existe uma troca de energias maravilhosa.
Carinho é antídoto, remédio invisível e silencioso que cura momento de desatenção, de tensão, medo.
Aquele momento em que, por vezes, podemos ter respondido de forma áspera ou não ter respondido.
Quero ver daqui a algumas décadas, um ao lado do outro, usando o antídoto do carinho, do amor que usam hoje.
O carinho, a conversa, o diálogo unem um casal, criam vínculos, fortalecem sentimentos.
Vocês decidiram formar uma família e vieram se preparando para isso.
Família que se forma apressada pode ter experiências com consequências difíceis.
Embora isso não seja uma regra, é bom se preparar para uma união.
Não é correto levarmos fantasias e ilusões para um casamento, acreditando que esse acto é a compra de uma passagem só de ida para a terra da felicidade plena ou pensar que o companheiro ou companheira vai suprir e completar todas as nossas necessidades.
Isso não é verdade.
Nós temos necessidades e vazios e não podemos exigir do parceiro que isso desapareça em nós.
O parceiro é um amigo, companheiro e não seu empregado sentimental.
Todos temos insatisfações e conflitos de origem psicológica e não é o parceiro ou parceira que irá nos deixar equilibrados.
Somos nós quem precisamos procurar o nosso equilíbrio.
Porém, infelizmente, quando não somos maduros o suficiente para uma união, o nosso vazio, a nossa necessidade, a nossa insatisfação, os nossos conflitos psicológicos vão atrapalhar, e muito, uma união que era para ser equilibrada.
Ofereceu breve pausa e os percebeu bem atentos.
- A fase de encantamento, de sedução, de entusiasmo muito vivo vai desaparecer à medida que o relacionamento, que a vida de casado se aprofunda.
Isso não significa ausência de amor.
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Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jan 30, 2017 12:33 pm

A chama do amor verdadeiro pode e vai permanecer acesa com dois tipos de combustível: carinho e atenção.
Com o tempo, é compreensível, surgirem tantas coisas para resolverem e que gritem por empenho de vocês como:
filhos, escolas, dívidas, conquistas... e que isso cause um desgaste emocional e menos entusiasmo dos dois e as fantasias e os sonhos percam o calor.
Mas é, exactamente, nessa fase que, juntos, conversando sempre, dividindo opiniões, esclarecendo pontos de vista somados ao carinho e à atenção de um para com o outro, aconteça uma formação de carácter muito equilibrada.
Esse é o momento de saber que assumiram responsabilidades sérias e que deverão concluir a empreitada que abraçaram.
As tentações, as provas vão aparecer. Ah!
Se vão!
Mas será o momento de serem fiéis, um ao outro e, principalmente, à própria consciência.
Desviar-se do casamento é desviar-se dos desígnios de Deus.
A Doutrina Espírita nos esclarece que nós fazemos essas alianças de união e comprometimento na espiritualidade para, justamente, diluir brigas, discórdias, para realização de nobres tarefas quando duas almas já se entendem bem, para amadurecimento e evolução.
Não pense que outra pessoa, que em uma outra união será diferente, porque não será.
Tão logo uma nova união começa, a fantasia acaba, os sonhos se perdem, o desgaste emocional acontece e a pessoa vai chegar ao mesmo ponto, exactamente ao mesmo ponto, que a fez se desviar das responsabilidades que abandonou.
Então, ficará uma situação ainda muito pior.
Terá o acúmulo de deveres e responsabilidades para com duas pessoas, a da primeira e a da segunda união.
Será pior ainda, se houver filhos.
Você é responsável por aqueles que você cativa.
A separação mostra, sem dúvida, a falta de amadurecimento, de coragem e de carácter, em muitos casos.
Salvo quando, na união, um quer matar o outro, quando um é agressor, quando um não quer e não se empenha e atravanca o outro.
Mas, lamentavelmente, hoje em dia, a separação está fácil.
Os casais não lutam para amadurecerem.
Não conversam.
Mandam mensagem um para o outro - Eles riram.
- É verdade, pai.
Não vemos tantos casais conversando.
Não queremos ser assim - disse Hélder.
- Não sejam assim.
Conversa e calma são alimentos tão importantes para o casamento quanto a chuva e o sol são importantes para a flor.
Ofereceu um momento para reflexão.
- Sei que muitos conflitos trazidos por entendimentos equivocados ou por experiências fortes de uniões que presenciaram de um parente ou dos próprios pais podem gerar perturbações na nova família como:
eu grito porque minha mãe gritava. Eu bato na minha mulher porque meu pai batia na minha mãe.
Eu saio sem dar satisfações porque sempre vi isso.
Eu não ajudo no serviço da casa porque isso é trabalho dela.
Eu traio porque é normal.
Todo o mundo faz isso.
Quanto engano!
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Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jan 30, 2017 12:34 pm

Quanta coisa errada podemos ter entendido.
Essas e muitas outras atitudes que fazemos, até de forma inconsciente, é o que atrapalha o casamento.
O pior conflito que podemos levar para uma união conjugal é o egoísmo.
É o egoísmo que faz um pensar que é o outro que deve sempre ceder quando, na verdade, uma união conjugal é sempre uma parceria em que cada um tem os seus direitos lícitos e honestos e os seus deveres lícitos e honestos.
E, ao longo de muitos anos, alguns deveres se tornam direitos.
Ou seja: é o meu dever fazer isso, mas depois de tantos anos, você pode me ajudar com essa tarefa.
Na união conjugal, meus filhos - falou olhando-os nos olhos - é o amadurecimento psicológico que oferece um bom entendimento.
Cada dia, na vida em comum, se aprende um pouco mais.
À medida que o tempo passa, amadurecemos as reflexões.
Toda noite, por mais sono ou cansaço que se tenha, sente-se por um minuto e pense em como foi o seu dia.
Lembre-se do que fez de certo e de errado.
Pense no que fez certo e se sinta feliz.
Lembre-se do que fez de errado e prometa-se corrigir.
Pense na sua companheira ou em seu companheiro e observe também se agiu certo, errado ou se foi indiferente.
Se agiu certo, sinta-se feliz e faça novamente.
Se agiu indiferente, no momento de se deitar ao lado, faça-lhe um carinho, converse um pouco.
Se agiu errado, por algo impensado, peça desculpas, pois ele ou ela está ali ao lado, bem perto.
Não seja egoísta ou orgulhoso.
Mostre que amadureceu. Peça desculpas.
Pedido de desculpa, carinho e atenção são fortificantes do amor e fazem a união ficar muito mais segura, equilibrada.
Bernardo sorriu e Ágata se acomodou ao seu lado, pegando sua mão.
- Como espírita - ele continuou - sabemos que a união conjugal começa na espiritualidade e sempre somos optimistas e desejosos para que, juntos, possamos amadurecer e evoluir.
Muitas vezes, temos tarefas simples, mas muito dignas para fazer juntos e não podemos nos desviar.
Outras vezes precisamos tirar as farpas, as reminiscências dolorosas, pontos de vista inflexíveis e é nesse momento, que estamos juntos, que temos a oportunidade de procurarmos
sempre o diálogo agradável e evitarmos as brigas para não retornarmos às animosidades das lutas que não foram encerradas.
Se houver uma união, se algo atraiu duas criaturas é porque elas não são inimigas.
Só estão juntas porque querem e porque estão dispostas a amadurecerem, limarem as arestas e efectuarem um bom trabalho com essa união.
Todos estavam atentos.
Pareciam apreciar o que Bernardo dizia, e ele continuou:
- Casamento não é uma luta horrorosa de insatisfação, a não ser que você faça isso dele.
Também não é uma vida de alegria e fantasia.
Casamento, união é uma tarefa de ajustamento, comunhão, entendimento, sobretudo, na área da afectividade e da comunhão sexual.
Não pense que actividade sexual fora da união conjugal vai ser algo que não fará mal a ninguém, porque está errado.
Não crie ilusões.
O fenómeno biológico do sexo é sempre o mesmo.
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Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jan 30, 2017 12:34 pm

Porém, fora da união conjugal ele acarretará muita dor àquele que trai.
Proporcionará muito desequilíbrio porque, na espiritualidade, temos miasmas, fluidos, energias que não vemos, mas que destroem e desequilibram os centros de forças e, consequentemente, o bem-estar e a razão.
Quando a pessoa perceber, estará em um destrutivo emaranhado de emoções.
Adultério é insegurança psicológica de pessoa frustrada consigo mesma.
Insegurança psicológica leva à traição, álcool, drogas e outras atitudes desequilibradas.
Por isso é muito necessário procurar ajuda psicológica e espiritual quando se vir tentado à traição, à inclinação ao álcool, às drogas e a outras coisas.
A monogamia foi um grande passo para a evolução humana.
A bigamia e a traição são uma crueldade mental e uma doença espiritual.
Como sabem, eu trabalho no sector de orientação do Centro Espírita que frequento, há mais de trinta anos.
Já ouvi e ouço muita gente que lá chega à procura de assistência espiritual e nunca encontrei alguém que tenha traído e que estivesse satisfeito, no mínimo.
O traidor sempre arrasta consigo a corrente que fere e faz sangrar as juntas da união verdadeira.
Fidelidade tipifica a qualidade do seu carácter moral.
É importante um deixar bem claro para o outro o que aprova e o que desaprova em uma relação.
É importante um olhar para o outro e entender que a beleza dessa jovialidade vai acabar um dia.
Quando? Se é daqui a dez ou trinta anos... Não se sabe.
Lembrem que a beleza acaba, mas é o calor da compreensão, a ajuda mútua e a afectividade que farão o amor amadurecer e perdurar além dessa experiência de vida e para outra...
Lembrem-se de que ninguém se une por acaso e quando chegaram ao ponto de união é porque os dois têm condições espirituais para isso.
Não sejam egoístas. Se um existe, o outro também.
É preciso que isso fique bem claro para que não tenha um efeito negativo da imposição das opiniões ou dos desejos caprichosos.
Não tenham vergonha. Se preciso for, procurem ajuda.
Insistam, mas não desistam.
Olhando para o filho, aconselhou:
- Não queira que sua mulher seja servidora.
Olhando para Rute, disse:
- Não queira que seu marido seja seu provedor.
Vocês dois precisam ter respeito, reconhecimento, afectividade, diálogo, compreensão, entendimento, parceria, honestidade, verdade.
Isso tudo é garantia de êxito inevitável.
Olhando para Ágata, pegou sua mão e levou até a própria boca e beijou.
Sorrindo, comentou:
- Podemos falar disso com propriedade.
Não tivemos um casamento de ilusão.
Não vivemos de fantasias.
Tivemos e temos uma união lúcida, firme, consciente, regada a diálogos tranquilos diante de todo e qualquer desafio, buscando soluções equilibradas e boas para nós dois.
Longa pausa e, ao vê-los sorrir, desejou:
- Sejam felizes, meus filhos.
Contem com a gente, quando e se precisarem.
- Obrigado, pai - Hélder se levantou e foi até seu pai.
Abraçou-o e beijou seu rosto.
Em seguida, abraçou e beijou sua mãe.
Rute, emocionada, fez o mesmo.
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Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jan 30, 2017 12:34 pm

Eles não viram Sofia e Valéria, que estavam em pé, próximas ao corredor que ia para os quartos e ouviram tudo.
Não apareceram porque não quiseram interromper.
As irmãs se olharam e voltaram para o quarto onde Valéria exclamou:
- Uauhhh! Que lição linda!
- Nossos pais sempre nos deram exemplo de convivência, não foi? - perguntou Sofia.
- Foi sim. Eles sempre nos deram princípios para que pudéssemos ter valores.
O amor dos pais é a coisa mais importante para o carácter dos filhos.
Tem gente, tem casal que fica procurando fazer a diferença no mundo, na comunidade, no centro espírita, quando, na verdade, eles precisam fazer a diferença dentro de casa.
Servir de exemplo, de amor e de equilíbrio para os filhos no lar.
É tarefa simples, mas que não cumprem.
Gritam, berram, brigam, descontam nas crianças suas frustrações.
Descontam um no outro suas frustrações quando brigam entre si.
Os filhos, coitados, ficam perturbados.
Pior ainda, quando esses pais querem que os professores, psicólogos dêem um jeito.
- Quando, na verdade, são os pais que precisam ir ao psicólogo para aprenderem a lidar com os filhos, mas mandam os filhos para aprenderem a lidar com eles - opinou Sofia.
Alguns instantes e Valéria lembrou:
- Nossa! Preciso preparar uma apresentação para o curso de evangelização.
É aniversário de O Livro dos Espíritos e eu me candidatei para uma exposição no curso que estou fazendo.
- Quem te viu e quem te vê, hein, Valéria! - a irmã riu.
- É verdade. Eu, que não acreditava em nada, agora estou me ajustando.
O pai falava, a mãe falava, mas eu não cuidava da minha religiosidade.
Lembro quando um motorista de táxi me deu uma mensagem do espírito André Luiz, psicografada por Francisco Cândido Xavier.
Eu estava triste e...
- Que mensagem foi? - Sofia ficou curiosa.
- Esta aqui...
Abriu a bolsa, depois uma carteira e encontrou um papel dobrado.
Abriu-o e leu:
- "Não estrague o seu dia" - era o título.
Sorriu e continuou lendo:
A sua irritação não solucionará problema algum.
As suas contrariedades não alteram a natureza das coisas.
Os seus desapontamentos não fazem o trabalho que só o tempo conseguirá realizar.
O seu mau humor não modifica a vida.
A sua dor não impedirá que o Sol brilhe amanhã sobre os bons e os maus.
A sua tristeza não iluminará os caminhos.
O seu desânimo não edificará a ninguém.
As suas lágrimas não substituem o suor que você deve verter em beneficio da própria felicidade.
As suas reclamações, ainda mesmo afectivas, jamais acrescentarão, nos outros, um só grama de simpatia por você.
Não estrague o seu dia.
Aprenda, com a Sabedoria Divida, a desculpar infinitamente, construindo e reconstruindo sempre para o Infinito Bem.
- Nossa! Que mensagem completa - admirou Sofia.
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Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jan 30, 2017 12:34 pm

- Quando li que:
as lágrimas não substituem o suor que eu deveria verter em benefício da minha própria felicidade, eu disse a mim mesma:
É agora ou nunca!
Não vai adiantar ficar aqui chorando por tudo o que vive se continuar sem fazer nada.
Foi o momento de me libertar!
Sair daquele cativeiro.
Decidi escolher como eu queria viver.
Continuar, ali, sofrendo humilhações ou me libertar.
- O que a deixou presa naquela situação, Valéria?
Você sabe dizer?
- Pode parecer grosseria o que vou te falar, Sofia, mas...
O que me fez prisioneira daquela situação foi o mesmo sentimento, a mesma compreensão de vida que a prendeu no estado depressivo.
- Como assim? - sorriu.
- Não me conhecer.
Achar que não sou capaz.
Que não sou merecedora de ter de volta a minha vida.
Pequena pausa.
- Sabe, acho que eu, inconscientemente, acreditava que era bom ter alguém gostando de mim, mesmo sendo aquela porcaria de homem - riu.
Assim como você se acomodou ao lado do George e achou que estava bom.
Hoje, percebe, assim como eu, que não era a pessoa certa.
- Acho que tem razão.
- Hoje penso assim. Mas não penso muito não.
Estou voltando minhas ideias, meus desejos para coisas boas.
E saiba que, pensar coisas boas exige esforço.
Não sei muito bem se foi por consequência do passado, de outra vida, que me prendi ao Everton.
Talvez. Quem sabe eu o agredi, magoei e toda aquela raiva dele ficou acumulada...
Não sei. Mas...
O que vou fazer com essa informação hoje?
Nada, não é mesmo?
Então não quero saber.
O importante agora é que estou consciente e desperta.
Cresci. Amadureci.
A ocupação com projectos e propostas úteis me deixou bem melhor.
Ainda tenho tristeza, mas sou feliz!
Você pode entender?
- Sim. Claro - sorriu.
E o Everton?
- O processo está rolando.
Como tudo no nosso sistema judiciário é demorado, tenho de esperar.
Mas não vou deixar por menos.
Os tímidos não podem ser covardes.
Ele vai pagar por tudo o que fez, pois, nenhuma consciência fica impune.
Isso não é vingança da minha parte, é justiça.
- Tem razão.
Valéria sorriu e quis saber:
- E você? Como está? - pediu com jeitinho.
Sofia sorriu lindamente.
Parecia melhor. Mais refeita emocionalmente.
Suspirou fundo e respondeu:
- Estou me construindo de novo.
Já me sinto bem melhor do que quando cheguei aqui.
Nossa! Bem melhor.
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Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jan 30, 2017 12:35 pm

Ainda um pouco decepcionada, frustrada pela enganação, mas bem mais equilibrada.
- E o Yuri?
- O que tem? - Valéria não respondeu e sorriu de um jeito maroto.
Sofia se sentiu obrigada a responder.
Sorriu e justificou:
- Ah... Ele é um grande amigo.
- Amigo?! Sei! - riu gostoso.
Sofia, sorrindo, ainda considerou:
- Ah... É um amigo sim.
É um cara muito legal!
- Faz tempo que a Rute me disse que ele terminou o noivado e não teve mais ninguém.
- Não quero me iludir, Valéria.
Já me decepcionei tanto.
- Eu mais ainda, mas... - riu e se jogou sobre a cama.
- Você está com alguém?! - animou-se Sofia para saber mais.
Quem é?
- Ele é advogado... - riu gostoso, feito adolescente mimada.
Trabalhamos juntos e... ele é das antigas e quer vir aqui em casa. Vê se pode!
- Jura?!
- Vou trazê-lo aqui amanhã.
A gente está namorando há dois meses.
- Ai! Que legal!
Você merece ser feliz! - puxou-a para um abraço.
- Você também, minha irmã.
Você também merece ser feliz.
Afastando-se do abraço, aconselhou:
- Dê-se uma chance.
Dê uma olhadinha para o Yuri... - riu.
- Ah, não sei. Acho que com ele é só amizade - suspirou fundo e sorriu com um toque de esperança no olhar.
- Amizade?! Deixe de ser boba, Sofia!
É só a gente olhar para o cara e ver que ele...
Ele está gostando de você!
Não te larga!
Um instante e perguntou:
- Você gosta dele?
- Ai... Acho que... - não completou.
O telefone celular de Sofia tocou.
Ela pegou o aparelho.
Olhou no visor e disse rindo:
- É o Yuri.
Valéria se levantou e saiu do quarto rindo.
- Oi, Yuri! Tudo bem?
- Tudo. E você?
- Estou bem.
- O que vai fazer hoje?
- Hoje... - riu e ele pôde ouvir.
Não tenho nenhum plano.
- Por que está rindo?
- Porque eu estava procurando algo para fazer e, com sua pergunta, já vi que encontrei.
- Eu gostaria que viesse comigo para mostrar a minha casa.
Quem sabe você me dá sorte!
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Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Jan 30, 2017 12:35 pm

- Como assim?
Do que está falando?
- Sabe a casa que eu tenho.
Construí quando ia me casar.
- Sei.
- Eu a coloquei à venda.
Alguns candidatos à compra já foram lá, mas não deu em nada.
Não quero abaixar o preço.
A casa tem grande valor.
Logo mais, vou com o corrector da imobiliária mostrá-la para mais um possível comprador e gostaria que fosse comigo para me dar sorte.
Sofia riu e concordou:
- Tá. Eu topo!
Vamos lá vender sua casa! - animou-se.
- Posso passar aí depois do almoço?
- Estarei pronta.
- Legal!
Conversaram um pouco mais e depois desligaram.
* * *
Conforme combinaram, o rapaz a pegou e foram até a casa que estava à venda.
Chegaram antes do corrector e, enquanto aguardavam, o rapaz mostrou o imóvel.
- Grande! Linda, Yuri! - ela se admirou.
Não acha que deveria ficar com ela?
- Não. Ela me traz recordações.
- Vai deixá-la mobiliada?
- Vou. Por isso esse preço.
A Roxana já veio aqui e tirou tudo o que queria.
O resto, eu não quero.
O que você acha?
- O preço é justo. Não deve abaixá-lo.
Observou um pouco e comentou:
- Faz lembrar um pouco daquele apartamento que eu tinha - sorriu.
- Ainda pensa nele?
- Às vezes. Mas não como antes.
Eu estava em uma auto-obsessão tão grande por causa das perdas, dos prejuízos, dos golpes que sofri.
- Melhorou, não foi?
- Ah, sim. Eu estava tão confusa, decepcionada - sorriu.
Lembro que...
- Quê? - quis saber diante da pausa.
- Teve um dia que você me ligou e eu estava pensando tanta coisa ruim.
Com todo conhecimento que tenho, eu pensei em pôr um fim em tudo.
Pensei em pular da janela do apartamento...
Mas... você me telefonou... foi até lá e...
- Eu sei. Senti isso.
Foi o dia em que te levei para a casa de seus pais.
- Foi.
Obrigada, Yuri.
Acho que nunca lhe agradeci como deveria - disse, olhando-o nos olhos.
- Não agradeça. Não precisa.
- Hoje estou muito melhor.
Não penso mais naquilo tudo como antes.
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Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

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