O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

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Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jan 17, 2017 10:59 am

- Vamos lá pra casa. Vamos?
- Não. Não posso mesmo - respondeu timidamente e com receio.
- Vai ficar emburradinha só porque eu disse aquilo? - perguntou de modo mais calmo e quase com um tom de deboche.
- Minha mãe tem reclamado que...
- Espere aí! Quantos anos você tem?
Ainda precisa dar satisfação para a mamãe?! - exclamou quase sussurrando.
Valéria se sentiu ainda mais magoada e reclamou:
- Não gosto quando fala desse jeito comigo, você sabe.
Everton soltou um suspiro ruidoso.
Contrariado, virou-se e foi para sua sala.
Ela não sabia o que pensar nem como reagir.
Pegando suas coisas, lançou a alça da bolsa em seu ombro e se foi.
O metrô estava bem lotado e lento aquele horário e demorou para que chegasse à estação mais perto de sua casa onde ainda pegaria um lotação ou um táxi, se encontrasse algum aquele horário.
Não sentiu o passar do tempo nem pareceu perceber o desconforto do transporte colectivo, pois seus pensamentos estavam congestionados de indagações, contrariedades que não podia conter.
Caminhando pelo meio das pessoas, nem se deu conta do caminho de volta.
Na estação onde desceu, pegou um táxi.
Ao pagar a corrida ao taxista, que se lembrava dela, por ser a quarta vez que a levava para casa em menos de três meses, o homem perguntou:
- Tudo bem com a senhora?
- Sim. Tudo - respondeu, parecendo acordar.
- É que a senhora não está tão sorridente hoje como das outras vezes.
Valéria sorriu educada e perguntou:
- Acho que foi o senhor que me trouxe aqui da última vez, não foi?
- Fui eu sim.
- Com tantos passageiros, como se lembra de mim?
- Tenho boa memória - sorriu e disse:
- Olha o troco.
Valéria pegou, não conferiu e guardou o dinheiro.
Abriu a porta do carro e, quando ia descendo agradeceu:
- Obrigada.
- Olha, moça! - chamou o motorista.
Ela já estava fora, praticamente ao lado da janela do veículo.
Ao vê-la olhar, o homem estendeu-lhe a mão que segurava um folhetinho com uma mensagem psicografada por Francisco Cândido Xavier.
- Achei você muito triste hoje.
Faça uma oração ou leia este folheto.
Sei que vai ajudar.
Valéria, por educação, pegou o folheto, forçou um sorriso e, agradecendo, guardou-o na bolsa.
O motorista do táxi se despediu, manobrou o veículo e se foi.
Quando Valéria pegou a chave para abrir o portão, do carro que parou na rua às suas costas, soou a voz de Everton:
- Não está zangada comigo, está?
Ela se virou e ele sorriu, pedindo com jeito meigo:
- Vem cá, meu amor. Vem.
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Ave sem Ninho

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Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jan 17, 2017 10:59 am

Valéria obedeceu.
Ajeitou a pasta, a bolsa e contornou o carro, entrando nele.
Everton a envolveu com carinho e fez-lhe um agrado no rosto.
Enlaçou uma mecha de cabelo atrás da orelha para vê-la melhor e falou, invadindo sua alma através de seus lindos olhos verdes:
- Desculpe-me. Não queria vê-la triste.
É que eu amo tanto você que não quero dividi-la com mais ninguém.
- As vezes, você fala de uma maneira tão ríspida que...
Ele levou o braço e alcançou no banco de trás um lindo buquê de rosas vermelhas, arranjado com trigos desidratados e minúsculas florezinhas brancas que faziam as rosas se destacarem ainda mais.
A visão das flores calou Valéria que sorriu, lindamente, ao abraçar o buquê.
- São lindas! - ela admirou.
- Não mais do que você.
Aceite como meu pedido de desculpas.
Ela sorriu mais ainda, abraçou-o e beijou com carinho.
- Obrigada. São muito lindas!
Obrigada. Adorei!
- Ainda bem. Eu fiquei tão triste com o que ocorreu.
Você ficou magoada. Não entendeu o que eu quis dizer.
- Mas é que.
Não posso ir para seu apartamento hoje.
- Eu entendo. Não se preocupe.
Agora vai. Entra.
Não quero que se prejudique por minha causa.
Sorridente, Valéria pegou as flores e foi capaz de entender Everton.
* * *
No tempo que se seguiu, Everton exibia, vez e outra, uma expressão rude ou fala grosseira.
Mas não parou por aí.
Suas atitudes passaram a ser agressivas para com Valéria que se submeteu aos seus caprichos e aceitava seus pedidos de desculpas e promessas de que aquilo não iria mais acontecer.
Em meio ao abrasador verão carioca, a moça precisou fazer uso de blusas que lhe cobrissem as costas e os braços para que ninguém visse algumas marcas roxas que se formaram por conta de alguma agressão de Everton.
Ela chegava a dizer a si mesma que não aceitaria mais qualquer tipo de agressividade vinda do namorado, mas não cumpria a promessa e sempre cedia aos agrados, carinho, flores e presentes vindos com pedido de desculpas e reconciliação.
Esses acontecimentos proporcionavam um misto de angústia e contrariedade que, consequentemente, reflectiam em seu comportamento, proporcionando mudança de atitude que passaram a ser negativas e desleixadas.
Valéria acreditava que, de alguma forma, Everton iria mudar, tornar-se um homem gentil, amoroso e social.
Ela tinha certeza disso.
Sentimentalmente, transformou-se em uma mulher dependente e submissa.
Sempre aceitando que o namorado opinasse nas decisões de que precisava tomar.
Às vezes, sentia vontade de conversar com alguém sobre sua situação, mas como fazer isso?
E se Everton ficasse sabendo?
Justo ele que não queria vê-la tendo amizade com ninguém.
Ele reclamava até quando ela dizia ter conversado com a irmã.
Oprimida e angustiada, seguiu calada em seu sofrimento íntimo.
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Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jan 17, 2017 10:59 am

* * *
Sozinha, ali, em seu quarto, enquanto reflectia sobre as palavras de seu pai, Valéria ouviu uma gargalhada gostosa.
Sem perceber, sorriu.
Era Sofia, sua irmã, que havia chegado.
Conhecia aquele riso cristalino.
Após bater à porta do quarto, não esperou que respondesse e enfiou a cabeça no vão, espiando ao se anunciar.
- Sou eu! Tem alguém aí?!
- Oi! Entra! - pediu Valéria.
Sofia entrou e fechou a porta atrás de si.
Correu o olhar pelo quarto e expressou-se admirada ao mesmo tempo em que ia à direcção da outra.
- Nossa! Que bagunça! - falou e riu.
Perto de Valéria, beijou-a no rosto e a abraçou.
- Oi! Tudo bem?
- Tudo. - Valéria, sentada na cama, afastou algumas peças de roupa e pediu:
- Senta aí.
A outra obedeceu e sentou-se encolhendo uma perna cujo pé prendeu na dobra do outro joelho.
Observando, novamente, Sofia perguntou:
- O que houve por aqui?
Tá de mudança? - sorriu e brincou.
- Não tive tempo nem ânimo para arrumar meu quarto essa semana.
A mãe ficou reclamando.
Então eu tranquei a porta e levei as chaves pra ela parar de me encher.
Mas, deixa isso para lá. Conta.
E você?
- Estou bem - sorriu e encarou a irmã.
- Você sempre está bem, né, Sofia? - expressou-se desanimada, finalizando a frase com um suspiro e um sorriso forçado.
- Problemas, dificuldades e desafios não deixam de aparecer.
Porém o mais importante não são eles, e sim o nosso comportamento diante deles.
Se nós estivermos bem, os resultados do que fazemos serão satisfatórios.
- E você e o George, como estão?
- Estamos bem.
- O pai ficou preocupado quando a mãe disse que vocês estavam pensando em morarem juntos.
- É. Eu sei. O pai já veio conversar comigo a respeito.
Sabe, foi só uma ideia.
Nós estamos namorando há dois anos e. - fez breve pausa ao sorrir.
Toda união requer cuidado, atenção e preocupação.
Não sei se vamos morar juntos antes de nos casarmos.
O George quer e eu estou pensando muito.
O pai e a mãe estão preocupados porque estão acostumados a uniões à moda antiga.
Casamento na igreja e no civil.
Vestido de noiva, véu, grinalda e buquê. - sorriu levemente.
Fez longa pausa e perguntou:
- Lembra quando eu quis ir morar sozinha?
Não esperou que a outra respondesse e riu gostoso, de forma melodiosa.
- Nossa! Eles ficaram assustados.
Acho que até hoje a mãe não se conformou.
- Se vocês se unirem, vão morar no seu apartamento?
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Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jan 17, 2017 10:59 am

- Não. De jeito nenhum.
Meu apartamento, com aquela vista, vale um excelente aluguer.
Foi tão difícil adquiri-lo. Você não tem ideia.
Eu e o George pensamos em morar em outro lugar.
Eu até prefiro, sabe?
Sei lá. As Leis são iguais para todos hoje em dia.
Vai que. - riu.
Se der algo errado, para eu tirá-lo de dentro da minha própria casa, vai ser difícil.
É capaz de eu ter de pagar pensão ou...
- Que exagero! O George é engenheiro. Ganha bem.
Não tem com o que se preocupar - opinou a irmã.
- Não é assim que funciona não, Valéria.
Ainda estou indecisa - falou mais séria.
Um momento e Sofia quis saber:
- E você? Como está?
E o misterioso romance? - falou, entonando a voz, como se brincasse.
- Que misterioso romance? - indagou preocupada.
- Sempre que eu falo com a mãe, ela diz que você não chegou, que não está.
Lógico que ninguém trabalha tanto, né?
Quem é ele? - sorriu, aguardando uma resposta.
Valéria ficou pensativa e, após um minuto, quando fez menção de responder, tomou o fôlego e sorriu, desistindo.
Tomada por um medo súbito, disfarçou ao responder:
- Não é nada sério.
- Por que tanto mistério, Valéria?
Pelo que eu percebo, faz bastante tempo que você está com esse cara.
A irmã não respondeu e abaixou a cabeça.
Sofia, inclinando-se para olhá-la nos olhos, indagou:
- É algum romance proibido?
Ele é casado?
- Não! Lógico que não! - reagiu.
É que. - ficou temerosa em tocar no assunto.
- Se não é casado, por que tanto mistério?
- Não sei o que há com o Everton, ele não quer que os outros saibam de nosso namoro. Só isso.
- Como só isso?! Por quê?!
- Ah. Vivemos bem assim - Valéria respondeu tão somente.
- Vocês trabalham juntos? - tornou Sofia curiosa.
- Trabalhamos.
- Você gosta dele?
- Lógico. Gosto sim.
- Será que gosta dele ou aprendeu a obedecer às regras dele? - sorriu ao perguntar.
- Hein?. O que você disse? - surpreendeu-se, quando a irmã pareceu adivinhar.
- Escuta bem, Valéria.
Sou sua irmã e quero o seu bem e por isso vou falar desse jeito.
Deu uma pausa e continuou:
- Você sempre foi muito submissa.
Nunca se valorizou e faz o que os outros determinam.
Pelo que eu estou vendo, esse cara está fazendo gato e sapato de você.
Onde já se viu?!
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Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Jan 17, 2017 11:00 am

O sujeito não quer assumir você!
Que namoro é esse?! - Sofia perguntou firme e a outra não soube responder.
Aproveitando-se do silêncio, a irmã alertou-a:
- Valéria, você precisa se valorizar mais.
Se esse cara gosta de você e não tem nada a esconder, por que não assume o compromisso?
Silêncio.
Você é muito bonita, inteligente, trabalhadeira.
Porque razão ele quer esconder um relacionamento?
Dê um pé no sujeito!
- Não é assim! - reagiu.
- Então o que é?
- Olha, Sofia, a vida é minha e eu sei o que estou fazendo.
Deixa comigo tá!
- Pelo menos, ele é bom para você?
Nesse momento, Valéria se irritou:
- Olha, não se mete, tá?! - levantou-se e foi até a janela, abrindo-a.
- Tudo bem. Tudo bem.
Mas saiba que não estou gostando disso.
Esse relacionamento é muito estranho.
Se estivesse te fazendo bem, você não estaria tão irritada assim.
Sofia pensou um pouco e, inspirada, tocou no ponto certo:
- Ele é seu chefe?
- É sim. O Everton é meu chefe.
Algum problema?
- Sei. Você tinha tudo para ser promovida, mas o cara é que foi promovido no seu lugar. Sei.
- Olha aqui, não se mete na minha vida! - zangou-se ainda mais.
Levantando-se, Sofia passou a mão por sua roupa, ajeitando-se enquanto dizia:
- Cuidado, Valéria.
Isso não está me cheirando bem.
Apesar de a vida ser sua, você é minha irmã e eu a considero muito.
Não quero que se machuque. Pense bem.
Dito isso, saiu do quarto deixando-a sozinha e ainda mais triste.
* * *
Na sala de estar, Alex, a esposa Ivone e o casal de filhos gémeos, Isis e "Ihéo, de três anos, haviam chegado.
Sofia se abaixou, abraçou os sobrinhos que agarraram em seu pescoço.
Beijaram-se muito por todo o rosto.
Ela adorava as crianças.
Logo, os pequenos correram para perto de Flávio, o outro tio, que acabava de chegar à sala.
Levantando-se, Sofia beijou Alex, a quem não via há algum tempo e, em seguida, a cunhada Ivone, que abraçou demoradamente.
Os irmãos e os sobrinhos foram para outro cómodo e as cunhadas ficaram ali, conversando.
- Você sempre linda, Sofia! - elogiou Ivone, olhando-a de cima abaixo.
- São seus olhos!
- Há tempo não nos vemos, hein!
Você está sumida.
Não foi mais lá na minha casa.
- Muito trabalho.
Um momento em que ambas se acomodaram no sofá da sala e Sofia perguntou:
- E você, o que tem feito?
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Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jan 18, 2017 12:38 pm

- Cuidando da clínica, da casa, desses dois pirralhos, do seu irmão. - riu.
Levando a vida de sempre.
- Eles se adaptaram bem na escolinha nova, não é?
- Ah, sim! Adoraram.
O bom dessa escolinha é que, de lá da clínica, eu consigo monitorar tudo.
Entro na internet e vejo a escola toda.
Isso é óptimo para mães que trabalham.
Ivone era fisioterapeuta e, junto com o marido, possuíam uma clínica de reabilitação com vários tipos de terapias alternativas.
- Vocês foram ao centro espírita?
- Fui sim. Adorei!
Seu irmão também gostou muito.
O legal é que tem evangelização infantil durante a palestra - disse Ivone.
- É uma casa espírita óptima.
Tem outras actividades como:
oficina de trabalhos manuais para a melhor idade, cursos de informática.
Aos poucos vai conhecer.
Eu colaboro com a oficina de reciclagem e arranjos florais.
Vou lá uma vez por semana. Toda terça-feira à tarde.
Tem uma turma bem grande. Você precisa ver.
- Sabe o que eu queria, Sofia? - não esperou por uma resposta e disse:
Dar um jeito de me propor para oferecer exercícios físicos ou Yoga para pessoas acima de quarenta anos.
Em um trabalho voluntário, claro.
Algo que sempre quis fazer e só agora, por conta das crianças na escolinha, posso realizar.
- Isso fará muito bem a você, Ivone.
Sabe, muita gente acredita que ser colaborador, voluntário ou tarefeiro na casa espírita vai ajudar os outros, quando, na verdade, esse tipo de actividade ajuda muitíssimo aquele que se propõe a essa tarefa.
- Concordo totalmente.
Embora eu esteja bastante atarefada, creio que me ausentando da clínica dois dias por semana, no período da tarde, vou me proporcionar a uma terapia diferente da que trabalho, ali, rotineiramente.
- Quem trabalha em casa espírita é o primeiro a receber.
A assistência espiritual chega aos tarefeiros antes de ir para os demais.
Eu me sinto tão bem quando estou lá.
Tem dia que algumas coisas podem chatear ou desgastar, mas, lá, durante e depois dos trabalhos na oficina, parece que a vida se torna mais leve.
Não vou lá ajudar, vou lá e sou ajudada.
- Gosto do jeito que fala.
Você é tão alto-astral, Sofia.
Difícil pensar que algo te chateia.
Sofia sorriu de modo gracioso.
Encolheu os ombros e relaxou, falando, em seguida, de modo tranquilo:
- Ninguém está livre de crises emocionais e situações stressantes.
Não adianta esquentar. Tudo passa.
Devemos dar o melhor de nós para que tudo se resolva da melhor maneira.
Dar o melhor é fazer o que está ao nosso alcance, não menos.
Sentar e reclamar, sem tomar uma atitude, sem ter um posicionamento, prejudica-nos ainda mais.
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Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jan 18, 2017 12:38 pm

Ficar stressada, puxar os cabelos, gritar, brigar, também não resolve problemas.
O que resolve são as nossas atitudes.
- E quando não podemos ou não dá para tomar uma atitude ou ter um posicionamento diante de um problema? O que fazer?
- Ore e não faça mais nada.
Quando não dá para fazer algo, ore.
Quando a vida me coloca em situações difíceis e que não consigo fazer nada, simplesmente não faço nada.
Procuro focar em outro assunto.
Vou fazer outra coisa senão vou ficar louca e esquentando a cabeça com algo que, por mim, não terá solução.
Lógico que também peço a Deus que proporcione uma boa solução para mim e para quem mais estiver envolvido.
- Você falou uma coisa interessante sobre a solução ser boa para você e para os outros.
- É verdade. Não podemos ser egoístas e querer tudo de bom só para nós.
De repente, o que dá errado é o mais certo - riu.
Certa vez, eu estava decorando uma cobertura muito luxuosa para um empresário dinamarquês muito exigente.
Diga-se de passagem, o homem queria muitos detalhes.
Interferia directo nos projectos.
Mandou que viesse de fora, da Alemanha, objectos e mobílias para a decoração.
Nossa, menina! Foi um trabalho tenso!
Então, aconteceu de algumas mobílias, que eu encomendei sob a aprovação dele, virem erradas.
A Vânia, minha sócia, ficou desesperada.
Entrou em pânico - riu gostoso.
Não sabíamos o que fazer com os móveis e objectos que pareciam não combinar com nada.
Daí que peguei um canto da sala, próximo à piscina, e dei um jeito.
Arrumei dali, arrumei de lá e, no final, eu achei que havia ficado muito bom.
O estilo contemporâneo combinou com o clássico da decoração principal.
Só que era tudo bem diferente do que o cliente exigia.
Pensei em dizer para ele que aquela mobília seria temporária, pois fizeram uma entrega errada e que, em breve, trocaríamos tudo.
Isso era tudo o que eu poderia fazer.
Mas, quando o homem viu, adorou!
Então, tive outro trabalho que foi o de não ter que trocar aquelas peças.
O errado acabou dando tão certo!
E, por intermédio desse dinamarquês, eu fui recomendada para outros três trabalhos que continuou me promovendo.
- Entendo. Mas, diante de algumas dificuldades, é difícil pedir que o melhor aconteça para beneficiar todos.
- Quando as coisas saem erradas, Ivone, é para o nosso aprendizado.
Pode ter certeza.
Bernardo, que se aproximou e ouviu parte da conversa, opinou:
- O poder de Deus, as actuações dos amigos espirituais, dos benfeitores que nos acompanham sempre estarão connosco se os nossos pensamentos, se nossas atitudes, palavras e desejos continuarem no bem.
Se continuarem positivos.
Quando, em situações bem problemáticas, fizermos tudo de forma honesta e benéfica e, mesmo assim nos sentirmos prejudicados, não estaremos abandonados.
Certamente, seremos guiados para um melhor caminho.
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Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jan 18, 2017 12:38 pm

Apesar da contrariedade, da dor emocional ou da indignação, por alguma injustiça, devemos acender em nós a chama da esperança e da fé, pois tudo vai se encaminhar conforme a vontade de Deus.
Precisamos seguir actuando.
Não podemos parar e ficar sentados, lamentando ou chorando.
Elas o olharam e sorriram e Bernardo lembrou:
- Tem uma passagem de Jesus, no Sermão da Montanha, em que o Mestre diz:
" Assim também brilhe a vossa luz aos olhos dos homens, a fim de que, vendo as vossas boas obras, eles glorifiquem o vosso Pai que está nos céus."
Temos que fazer brilhar em nós o que nós temos de melhor.
Isso significa ser actuante, mostrar o nosso trabalho.
E ainda, não sermos orgulhosos nem esperarmos elogios dos outros, pois Jesus ensina que os outros devem agradecer ao Pai pelo nosso trabalho.
Se o nosso trabalho, se a nossa luz é grande, é benéfica, é boa, é porque Deus está connosco.
Elas ficaram pensativas.
Nunca tinham pensado na profundidade daquele ensinamento.
Hélder surgiu, havia acordado aquela hora, e interrompeu a conversa ao cumprimentá-las.
Foi nesse instante que Ágata apareceu cumprimentando a nora, que se levantou, correspondeu ao cumprimento e, depois, todas foram para a cozinha.
Durante a refeição naquele dia, Ágata e Bernardo, sentados um ao lado do outro, se sentiram bem e realizados ao terem todos os filhos e netos reunidos à mesa do almoço.
Até mesmo Valéria estava mais bem-humorada.
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Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jan 18, 2017 12:39 pm

Capítulo 4 - A preocupação dos pais

Os dias foram passando.
Sofia se encontrava em sua empresa quando seu irmão Hélder telefonou perguntando se ela teria um tempo para conversar com ele.
- Se você for à noite lá na minha casa nós conversaremos melhor.
Não vai dar para ficarmos à vontade aqui na empresa.
Estou tão sobrecarregada agora e, na parte da tarde, vou visitar um cliente.
Hélder concordou e, conforme combinaram, no início da noite, ele foi até o apartamento da irmã.
- Oi! Entra! - convidou após beijá-lo.
Após os primeiros passos, ele admirou:
- Como ficou bonito aqui, hein!
- Faz tempo que veio me visitar e, desde a última vez, mudei muita coisa. Gostou?
- Lógico! Ficou óptimo!
Hélder caminhou até a sacada e ficou algum tempo contemplando a vista para o mar.
Sofia o deixou vislumbrar a maravilhosa paisagem por alguns instantes, aproximou-se e só então perguntou:
- Você pareceu preocupado quando me ligou.
Aconteceu alguma coisa?
Ele se virou.
Voltaram para a sala e o rapaz explicou:
- Aquele dia, lá na casa do pai, não conseguimos conversar direito, por isso vim aqui.
Estou preocupado com você, Sofia.
Não sei explicar.
Ela sorriu. Aproximou-se e, indicando o sofá, pediu:
- Sente, Hélder. Fique à vontade.
Ao vê-lo acomodado, sentou-se sobre a própria perna dobrada e, ao lado do irmão, esticou o braço no encosto do sofá, em uma posição que podia vê-lo bem, quase de frente.
Em tom brando, comentou:
- Às vezes, vejo todos muito preocupados comigo, só porque não moro com vocês.
- Vou ser bem directo.
Por que você e o George não se casam?
Por que essa de se unirem tão somente?
Vocês são solteiros e isso não faz sentido.
Isso é muito liberal.
- Não se trata de ser liberal.
Liberal seria trocar de namorado ou parceiro a toda hora.
Não é o meu caso.
Eu e o George namoramos há dois anos e queremos ficar juntos.
É isso. Se nos dermos bem, nós nos casamos.
- O pai está contrariado.
A mãe então. Nem se fala.
- Sabe, Hélder, acredito que vocês precisam se preocupar mais com a Valéria do que comigo.
- A Valéria está bem.
Está lá em casa com a gente.
- Sim, eu sei.
Só que, muitas vezes, não sabemos o que está acontecendo com os que estão bem próximos.
Vê-la todos os dias, saber onde ela está, não significa saber se ela está bem.
Conversei com a Valéria e não acredito que ela esteja legal.
Achei nossa irmã bastante perturbada, angustiada, triste.
Sei lá! Tem alguma coisa errada.
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Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jan 18, 2017 12:39 pm

- Será? - duvidou.
- Tenho certeza de que a Valéria está com algum problema sério.
Talvez, por conta de ela ter uma mudança lenta no comportamento, vocês não tenham percebido direito.
- Talvez alguns problemas no serviço.
Ela comentou sobre uma mudança e, você sabe que a Valéria não se dá bem com isso.
Sempre demora um pouco para se adaptar.
Um tempo atrás, ela comentou sobre uma possível promoção que não aconteceu.
Ficou decepcionada, claro.
É possível que ainda não tenha se acostumado com a ideia.
- Mas isso faz muito tempo, não faz?
- Sim, mas. Ela nunca se adaptou rápido.
Lembra-se de quando nós viemos morar no Rio? - alargou o sorriso.
- Lógico que lembro.
Eu tinha doze anos.
A Valéria oito. Nossa!
Ela sentiu tanto! Estranhou a escola.
Demorou a fazer novos amigos.
Sofreu muito.
- Se bem que ela estava muito abalada com o que tinha acontecido com o pai - tornou o irmão.
- Todos nós nos abalamos e sofremos muito.
Externar dor emocional não significa sofrer mais do que aquele que se cala.
Valéria, talvez, não tenha sabido lidar tão bem com a situação e isso, aparentemente, faz com que alguns entendam que ela sofreu mais.
Quando, na verdade, ela é quem não soube lidar com os próprios sentimentos.
O irmão ficou reflexivo, depois concordou:
- Isso é verdade.
Nossa irmã sempre pareceu mais fraca, mais frágil.
- Não é culpa dela. Eu sei.
Para pessoas que se fragilizam com qualquer coisa, a vida sempre é complicada.
Em vez de elas mobilizarem força interior para analisarem situações difíceis, encontrar soluções, superar obstáculos e se saírem vitoriosas, elas acabam se envolvendo ou atraindo mais encrencas, podendo se tornar um fardo para os outros.
O irmão sorriu, observou por alguns minutos, e comentou:
- Você é tão parecida com o nosso pai.
- Vou tomar isso como um elogio.
Obrigada - riu gostoso.
Nosso pai é um homem muito sábio.
- É verdade. Outro dia, o pai estava falando que toda pessoa que reclama da vida é porque está fazendo pouco.
- Também penso assim. Concordo totalmente.
Quando estamos ocupados, com o coração e a mente, ou seja, de corpo e alma, voltados para um trabalho bom, para um projecto útil, não encontramos o que reclamar.
Agora, basta ter um tempo vazio, ocioso e reclamamos de tudo.
O problema está para o que atraímos, espiritualmente falando.
Quando vivemos nos queixando, reclamando, seja de situações ou de pessoas, espíritos que vibram nessa sintonia, que não apreciam as coisas boas e adoram meter o pau nos outros, aproximam-se de nós e permanecem ao nosso lado se alimentando, psiquicamente, das energias
mentais que produzimos.
Eles nos inspiram e nos influenciam sem que possamos perceber.
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Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jan 18, 2017 12:39 pm

E aí, vamos nos afundando na mediocridade, atraindo situações, problemas dos mais diversos e que nunca sabemos no que vão resultar as energias ruins que criamos ou atraímos.
Depois de pensar um pouco, Hélder quis saber:
- Você acha que os espíritos podem estar sempre presentes?
- Lógico que sim! - sorriu.
Sempre estamos rodeados de entidades que se afinam, que se comprazem com aquilo que estamos fazendo.
- Você sabe que nunca fui muito ligado nisso.
Na verdade, não sei se acredito, mas.
Podemos ver ou ouvir espíritos? - perguntou bem tímido, inseguro.
- Os médiuns, aqueles que a ciência chama de paranormais, sim.
Esses podem ver o que existe no plano espiritual.
São pessoas mais sensíveis e capazes de perceber, mais facilmente, o que existe normalmente e que a maioria não capta, não vê nem ouve.
- Não é coisa de doido, não? - riu.
- Não. É mediunidade. Por quê?
Está interessado em.
- Não! Não estou interessado em nada. Longe de mim.
Eu vim aqui para falar sobre você e a decisão que vai tomar.
- Eu não sabia que você, Hélder, era homem das antigas - riu.
- É. Acho que sou.
Não gosto de situações inseguras.
Por isso estou preocupado com você.
- Estou feliz por isso.
- Está feliz por eu estar preocupado com você ou por eu ser meio antiquado?
Sofia gargalhou gostoso.
Inclinou-se e empurrou, levemente, o ombro do irmão.
Logo respondeu:
- Pensei na primeira opção, mas creio que também fico contente por ser antiquado.
Romantismo faz bem.
Está faltando romantismo no mundo actual.
Um momento e comentou:
- Já pensei muito e estou me decidindo.
Eu e o George somos bem sinceros um com o outro.
Se não der certo, os prejuízos serão emocionais.
- Mas os prejuízos emocionais são feridas bem maiores do que as físicas. Você sabe.
Ambos se calaram.
Sentiram um aperto no peito.
Algo que não comentaram e não sabiam o que era.
Entreolharam-se longamente.
Ela sorriu e Élder propôs:
- Então eu pago o jantar - levantou-se.
- E eu aceito!
Vou pegar minha bolsa - levantou-se animada.
- Ainda está nessa de vegetariana? - perguntou enquanto a viu indo pelo corredor.
- Lógico! Isso não tem como mudar - foi falando e o irmão se aproximando para ouvir.
Conversaram muito naquela noite.
Em alguns momentos, Sofia percebia que o irmão se interessava por assuntos sobre mediunidade, mas, quando ela queria se aprofundar, ele recuava e não falava mais.
Sempre soube que Hélder e Valéria nunca se interessaram por Espiritismo.
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Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jan 18, 2017 12:39 pm

Acreditou que a maturidade chamava o irmão para a reflexão, uma vez que eles sempre ouviram o pai comentar sobre isso com muita naturalidade.
* * *
Sofia fez uma pequena recepção em seu apartamento no seu aniversário.
Amigos, pais e os irmãos estavam lá.
Para surpresa de todos, inclusive dela, George levou as alianças e a pediu em noivado.
Ela aceitou e comemoraram isso também.
* * *
Por mais que Valéria insistisse, Everton não quis acompanhá-la à recepção da irmã.
Seria uma boa oportunidade para que o apresentasse à família, mas o rapaz não aceitou.
Por determinação dele, eles não se expunham perto de outras pessoas.
Em determinadas situações, por conta de alguma contrariedade, Valéria sofria agressões físicas e emocionais devido ao temperamento dominador e possessivo de Everton que passou a ameaçá-la caso ela se afastasse dele.
- Mas isso não é vida.
Vivemos fugindo dos outros.
Todo o mundo, lá na empresa, sabe que a gente está junto e que temos um compromisso.
Não sei o que você quer esconder - Valéria argumentava de modo tímido.
- Dá minha vida cuido eu!
É da minha conta a exposição do nosso compromisso.
- Olha, Everton, não aguento mais.
Estou cansada disso - reclamou sem energia, mais temerosa do que confiante.
- O que você quer dizer com isso? - indagou ele de um jeito pausado, impondo extrema insatisfação no tom da voz grave.
- Que. Puxa vida!
Assim não dá. - tornou ela em tom acovardado, devido à imposição dele.
- O que é que não dá? - perguntou no mesmo tom ameaçador de antes.
Ao se aproximar, ele trazia, no olhar e na postura, algo que a intimidava mais ainda.
Everton, por seu modo de agir, atraía para si espíritos simpáticos e semelhantes a tudo o que apreciava.
Por gostar de ser possessivo e dominador, por gostar de se impor, promovendo medo, dores físicas e emocionais, espíritos imperfeitos e perversos se ligavam a ele procurando incentivá-lo cada vez mais àqueles tipos de torturas, usando os próprios impulsos inferiores do rapaz.
Em situações assim, muitos perguntam onde está o espírito protector ou anjo da guarda que não intervém?
O espírito protector respeita o livre-arbítrio do encarnado, embora sempre envie ao seu protegido elevados conselhos por meio do bom pensamento que lhe sugere.
Mas quando, infelizmente, não é ouvido, afasta-se por seus conselhos serem inúteis, pois observa que a vontade do encarnado é mais forte para ouvir o que lhes sugerem os espíritos inferiores1.
Se o espírito protector se impuser, o encarnado não evolui. Não progride.
Então ele se afasta e ora.
Procura intervir para que as coisas não aconteçam tão ostensivamente.
Sempre esperançoso de que seu protegido se liberte dos erros e enganos saindo das provas dolorosas mais instruído e tendo opiniões mais positivas, sabendo distinguir o certo do errado e, assim, mais sábio e disposto.
Enquanto agia, pela própria vontade, deixando-se influenciar por espíritos apreciadores do mal, Everton se aproximou de Valéria, empurrando-a com o próprio peito à medida que a segurava pelo braço, apertando com força.
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Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jan 18, 2017 12:40 pm

Ela sentiu-se mal.
Uma sensação estranha correu em seu corpo naquele momento.
Temerosa, se acovardou e fugiu-lhe o olhar.
Diante da dor, ela se queixou baixinho, quase sussurrando:
- Você está me machucando.
- É para que se lembre de não me ameaçar - disse em tom grave e baixo, pressionando-a contra a parede.
- Não estou te ameaçando. - tornou ela com o mesmo tom frágil na voz.
- Está me ameaçando sim.
Quando diz que não aguenta mais, que assim não dá, eu sinto uma ameaça.
Não quero mais ouvir isso.
Você entendeu? - impôs-se de modo bruto.
- Está doendo.
Não faz isso - ela reclamou novamente de modo tímido, sem encará-lo.
- Por agora já está bom.
Ela entendeu o recado - influenciou o espírito que o acompanhava.
Nesse momento, Everton soltou o braço que apertava e se transformou, parecendo outra pessoa ao dizer:
- Eu te amo, Valéria.
Não vou conseguir sobreviver sem você.
E, com a mesma mão que a machucou, fez-lhe um carinho no rosto e nos cabelos.
Sorriu amavelmente e se curvou, beijando-a, enquanto a envolvia em um abraço carinhoso.
Apesar do medo que experimentava em momentos tensos como aqueles, quando estava longe do namorado, Valéria entendia que o amor que ele sentia por ela era tão intenso que Everton não conseguia se controlar diante da ideia de perdê-la.
Acreditava que aquela insegurança passaria com o tempo e que ele se renovaria.
Seria outro homem, mais compreensivo, amável e gentil.
Valéria não entendia que aquele comportamento possessivo, agressivo era doentio e perigoso.
Para piorar, nos momentos em que o rapaz era generoso, geralmente após um episódio agressivo, ela se sentia amada e apreciava seus carinhos, sua atenção.
* * *
Algum tempo depois.
Em uma manhã bem movimentada, Sofia orientava a colocação de painéis de parede na luxuosa residência de um cliente.
As peças não encaixavam como ela queria.
Seu funcionário, específico para aquele trabalho, estava impaciente naquele dia, nervoso e reclamando muito sobre o material.
Por mais que tentasse, não havia como argumentar com o rapaz que só se queixava.
Foi então que o assunto foi interrompido pelo celular que tocou, insistentemente, dentro da bolsa que ela não sabia onde estava exactamente.
Sofia levantou papelões, caixas e peças do painel para encontrar a bolsa e pegar o aparelho.
Ao consultar o visor, murmurou:
- Minha mãe me ligando...
Atendendo, retirou-se para um canto, procurando fugir do barulho do local:
- Alô!
- Oi, filha! Tudo bem?
- Tudo, mãe. E a senhora, o pai?...
- Estamos bem.
Desculpa por ligar pra você nesse horário.
Sei que está trabalhando e deve estar bem ocupada.
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Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jan 18, 2017 12:40 pm

- Ora, mãe... Não se preocupe.
O que foi?
- Quer almoçar com a gente hoje?
Vem pra cá.
- Almoçar? Hummm... - Lembrou das placas do painel que não encaixavam, do funcionário zangado e pensou no tempo que teria para resolver isso antes de decidir.
Consultou o relógio e disse:
- Tudo bem. Vou sim.
Mas... Estou um pouquinho sobrecarregada hoje e não vai dar para sair mais cedo.
Por volta da uma hora ou uma e meia, pode ser?
- Está óptimo.
Eu e seu pai estamos aguardando.
- Legal! Estarei aí!
- Fica com Deus, filha.
- Amém, mãe. A senhora também.
Fica com Deus.
Desligou.
Sofia incomodou-se com o telefonema.
Algo não deveria estar bem para sua mãe telefonar aquela hora e pedir que almoçasse com ela.
Era seu hábito telefonar, sim, mas sempre à noite, quando sabia que estava em casa, longe da correria, do trabalho ou do trânsito.
Quando queria que almoçasse com eles, também fazia o convite na noite anterior.
Olhou em volta e suspirou fundo. Guardou o aparelho e voltou para solucionar o problema com o painel.
* * *
Antes do horário combinado, chegou à casa de seus pais.
Estava contente por ter resolvido o desafio no serviço mais cedo do que esperava.
Após estacionar seu carro na rua, tocou a campainha e entrou.
Tinha a chave do portão, mesmo assim anunciou-se:
- Tem alguém em casa?! - brincou ao abrir a porta.
O cheiro está muito bom.
- Entra, filha! - pediu sua mãe indo ao seu encontro para beijá-la.
- E aí, mãe? Tudo bem?
- Tudo bem? E você?
- Estou óptima! - admitiu ao beijá-la.
- Sempre óptima! - repetiu seu pai indo ao seu encontro ao rolar as rodas da cadeira em sua direcção.
- Oi, pai! - beijou-o também.
Como o senhor está?
- Óptimo! - riu ele. - Sempre óptimo!
- Lave as mãos e venha para a cozinha.
O almoço já está pronto - pediu Ágata em tom calmo.
Já, na cozinha, sentados à mesa, conversavam sobre diversos assuntos enquanto almoçavam.
Sofia ficou na expectativa, aguardando um dos dois iniciar algum assunto importante.
Até que Bernardo virou-se para ela e disse:
- Sabe, Sofia, fui eu que pedi para que sua mãe a chamasse para vir aqui hoje, porque estão acontecendo coisas que não estamos gostando e eu queria sua opinião a respeito.
- O que é?
- E o Hélder e a Valéria - respondeu o pai.
- Sua irmã está muito diferente e estranha a cada dia - interferiu a mãe.
Não sei explicar.
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Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jan 18, 2017 12:40 pm

Tem alguma coisa afectando a Valéria.
- Nós achamos que ela está assim por causa do namorado - acrescentou Bernardo em tom preocupante.
- Já faz algum tempo, sua irmã namora alguém que não conhecemos.
Sabemos que trabalha com ela. Só isso.
Diante da pequena pausa na conversa, Ágata contou:
- Já perguntei sobre o moço.
Disse para ela trazê-lo aqui.
Só que, toda vez que eu toco no assunto, ela desconversa.
Fica irritada. Não quer dar satisfações.
Além disso, quando sai, não diz aonde vai. Volta esquisita.
Nos últimos tempos, deu pra passar a noite fora e sem avisar.
Fico preocupada, pois ela não atende o celular.
Não manda uma única mensagem e a gente, aqui em casa, não sabe o que aconteceu.
- Por conta disso - disse Bernardo na sua vez - fui falar com seu irmão e achei o Hélder muito frio.
Estranho também. Ele disse que a Valéria é maior e deve saber o que está fazendo.
Seu irmão não é disso.
Ele sempre se preocupou com vocês duas.
Ele está muito diferente.
- E não é só isso - tornou a mãe.
O Hélder vem agindo como nunca.
Achei que ele estava cheirando a bebida.
Não quer mais conversar com a gente, como fazia antes.
Quase não está comendo.
Aliás, até emagreceu.
- Fui falar com ele.
Depois que me ouviu, ele disse:
"tenho trinta e quatro anos, pai.
Eu nem deveria morar com vocês ainda".
Virou as costas e saiu.
Ele nunca fez isso.
- Não sei o que está acontecendo aqui em casa, Sofia.
Sempre fomos pais que resolveram as coisas na conversa.
Você sabe, filha.
Sofia ficou pensativa e após um instante, perguntou:
- E o Flávio, como está?
- Ele está bem.
Bastante concentrado na faculdade.
Você sabe como é.
Ele quase não tem tempo, concilia o trabalho com os estudos...
Aparentemente o Flávio está bem.
- Embora a Valéria não me surpreenda, estou achando muito estranho o comportamento do Hélder.
Algum tempo ele me procurou, se importando comigo.
Incomodando-se com o facto de eu me unir ao George.
Jantamos fora e conversamos muito.
Ele me pareceu bem. Quanto à Valéria...
Tenho percebido que existe alguma coisa errada com ela sim.
Deve estar com algum problema e arrisco dizer que é sério.
Embora Ágata frequentasse o centro espírita com o marido, ia todos os domingos à igreja e se dizia católica.
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Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jan 18, 2017 12:40 pm

Por isso, comentou:
- Outro dia, lá no centro, conversa vai, conversa vem... comentei com uma senhora amiga nossa sobre meus filhos sempre terem sido muito unidos e educados.
E que, apesar disso, nos últimos tempos, dois deles estavam ficando estranhos.
Ela me disse para tomar cuidado.
Que pode ser caso de obsessão.
- Sim, mãe. Isso pode ser, mas um espírito obsessor sempre usa inspirações que estão nas nossas tendências.
Nós não temos que nos afastar do obsessor.
Nós precisamos nos afastar ou nos libertar das tendências que fazem com que o obsessor fique perto de nós.
Por exemplo, se eu sou esquentada, grito e brigo quando as coisas não saem do jeito que eu quero, é a oportunidade de um espírito obsessor se aproximar e começar a me incentivar e me inspirar, em nível de pensamento, de uma forma que eu não perceba.
Então eu passo a ser mais agressiva, violenta com meus gritos e exigências.
Daí fico nervosa, indignada e me exacerbo com frequência.
Se meu espírito protector afastar esse obsessor de mim, não vou crescer nem evoluir, espiritualmente falando.
Muitas vezes, meu espírito protector deixa o obsessor do meu lado para eu ver e sentir o quanto a atitude de brigar e gritar é feia, ridícula, prejudicial para a minha vida.
Isso servirá para eu ver o quanto a atitude de brigar ou gritar é feia, ridícula e prejudicial para a minha vida.
Servirá para eu ver o quanto eu sou pequena, chata e sem evolução.
Quem precisa mudar de atitude sou eu e não o obsessor.
Se eu domino os meus pensamentos, palavras e acções, eu tenho o controle sobre o que sinto e o que faço, entendo que os gritos e as brigas não resolvem situações e sim me estressam, deixam-me doente.
Assim, o tal obsessor não exercerá qualquer poder sobre mim.
Não terá qualquer controle sobre minha vida.
Duvido que Deus seja tão cruel para deixar um outro irmão inferior ficar do meu lado, infernizando-me se eu estou fazendo tudo para me tornar uma pessoa melhor.
Se eu for controlada, prudente, equilibrada, o obsessor não terá o que fazer do meu lado.
Ele vai se cansar e vai embora, ou aprenderá comigo, com os meus exemplos.
Injustiças não acontecem. Deus não erra.
- Pode ter um obsessor do lado deles? - indagou a senhora, talvez, por não entender a explicação.
- Sim, pode. Do lado deles e do nosso também.
Depende de cada um de nós dar atenção às inspirações que chegam.
Quando fazemos o que nos é inspirado, agradamos o obsessor e ele continua, ali, bem pertinho.
Sabe, mãe, é igual àquela visita bem tratada.
Quando conversamos sobre o que a visita gosta, ela recebe de nós atenção.
Oferecemos um café com bolos e biscoito e tudo mais, essa visita gosta e volta.
Devemos ficar bem atentos sobre o que vamos receber de uma visita.
Se ela não é boa, não devemos nem abrir o portão.
Por isso costumo dizer que não é o obsessor que precisamos orientar nem mudar, é aquele que oferece atenção e atitudes que agradam ao obsessor que precisa se orientar e se mudar.
- Viu? - perguntou Bernardo ao sobrepor a mão à da esposa, sustentando suave sorriso.
Foi exactamente o que falei.
- E o que a gente deve fazer? - perguntou a mãe angustiada.
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Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jan 18, 2017 12:41 pm

Sofia pensou um pouco, olhou para o pai e disse:
- É necessário conversar com eles sem demonstrar essa apreensão toda.
Isso é um bom começo.
- Já tentamos fazer isso.
A Valéria ainda ouve um pouco, embora não se manifeste, mas o élder...
Nem quer ouvir - comentou Bernardo.
- Vocês querem que eu converse com eles? - perguntou a filha.
- Acho que com você eles vão falar mais - tornou a mãe.
- Tudo bem. Posso tentar sim - concordou Sofia, apesar de não se sentir bem com a ideia.
Começaram a falar de outros assuntos enquanto que, no plano espiritual, Vicente os observava.
Seus olhos frios e sua atenção se voltavam para Sofia.
Rodeando-a, analisou seus pensamentos, sentindo suas vibrações.
A aproximação de Lucídia o interrompeu.
Virando-se para ela, o espírito Vicente sorriu e, ao ser correspondido, pediu:
- Quero que fique junto dela.
A partir de agora não a perca de vista.
Quero ser informado de tudo.
Vamos ver se, realmente, Sofia coloca em prática tudo o que propõe aos outros.
Quando puder, interfira em seu ânimo.
Lucídia sorriu.
Aproximando-se de Vicente, fez-lhe um afago na face e se posicionou ao lado de Sofia.
Sofia viu-se dominada por uma angústia, mas não sabia exactamente a razão.
Ficou preocupada com os irmãos, mas não sabia o que iria falar.
Por um instante, achou que não deveria se meter na vida deles.
Seu compromisso com George, sua casa, seu trabalho já lhe causavam muita ocupação.
Saindo da casa dos pais, foi para o centro espírita onde era voluntária na oficina de trabalhos manuais.
Aquele era um dia em que proporcionaria actividade ao grupo reunido.
Chegando lá, cumprimentou alguns conhecidos e se sentou no banco que havia no largo corredor.
O espírito Lucídia estava junto dela e procurou passar-lhe sentimentos de desânimo.
Sem ser visto, o espírito Tássio, mentor de Sofia, posicionava-se logo atrás de sua pupila observando a reacção de ambas.
As energias e vibrações inferiores de Lucídia atraíram para junto de Sofia uma senhora colaboradora daquela casa espírita.
Essa mulher era alguém que costumava cultivar pensamentos e sentimentos infelizes.
Sempre de reclamações ou críticas.
- Oi, Sofia! Tudo bem com você? - perguntou a senhora.
- Oi, dona Flora. Estou bem.
E a senhora?
- Menina!... Não tô muito bem não.
Olha como tão meus pés.
Sentou-se ao lado da outra e suspendeu a barra da calça para exibir melhor os membros.
- Inchados, né?
Tem dia que eu não aguento.
Olha... pra eu vir aqui pro centro, é uma dificuldade... Só Deus sabe.
Além disso, meu marido...
Já viu, né? Ontem ele bebeu feito um bode.
Ele fala muito, sabe? Reclama muito.
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Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jan 18, 2017 12:41 pm

Não entende por que eu venho pra cá.
Diz que eu sou boba.
Fico trabalhando de graça pros outros.
Minha vida é dura, sabe? Olha...
Não sei por que Deus me deu tantas provas.
Semana passada fui ao médico e agora vou ter de tomar um remédio de uso contínuo.
Não bastava o que é pra pressão alta.
Agora, tem outro pro diabete.
A idade vai chegando e a gente...
A mulher não parava de falar, criando uma vibração pesada, triste, sintonizando-se com espíritos queixosos e infelizes.
Essa senhora não era uma criatura agradável.
Ninguém gostava de sua presença.
Ela não buscava soluções para seus desafios.
Não tinha resignação.
Não era a melhor companhia para Sofia.
Não, naquele momento.
Depois de longas reclamações, a mulher perguntou:
- E você, Sofia? Como vai a vida?
Fiquei sabendo que ficou noiva.
- Fiquei noiva sim.
Estou bem, obrigada.
- Depois de casar é que você vai ver o que é bom pra tosse.
Morar sozinha é uma coisa. Mas depois...
Ter cueca de homem pra lavar, ver roupas dele jogada pelo chão do quarto, toalha de banho molhada sobre a cama, ter que arrumar a comidinha dele na hora certa...
Limpar, lavar, passar, arrumar, cozinhar!...
Coitadinha de você. Vida de casada não é fácil.
Nem sei pra que é que a gente se junta a um homem.
Nem todas têm a sorte de encontrar um marido que ajuda.
E, depois que a gente se dedicou a vida toda pra ele, fazendo de tudo, com a idade, alguns são capazes de trair, arrumar outra.
Depois que a gente deu o melhor de nós, acham que estamos velhas e nos jogam fora.
Vida de mulher é difícil, viu, filha?
Vai se acostumando.
Sofia gostaria de descansar um pouco ali, mas a conversa começou a ficar muito desagradável.
Pensou em se levantar, mas não conseguia.
Sentia algo que parecia prendê-la.
Lucídia, percebendo crescer as vibrações inferiores, lançava energias de desânimo para que Sofia se envolvesse em tais vibrações.
Tássio, observando que sua pupila fraquejava com a indecisão, aproximou-se mais e a fez pensar que não era obrigada a ouvir tudo aquilo.
Imediatamente, Sofia sorriu, forçosamente, lançou a alça da bolsa ao ombro e se levantou dizendo:
- Tenho de ir para a oficina de artesanato agora.
Preciso preparar o material.
Em outro momento, conversamos.
Com licença, dona Flora.
Seu mentor sorriu e a acompanhou desimpregnando-a daquelas densas energias tóxicas, conforme os pensamentos de Sofia mudavam e se concentravam no que tinha de fazer.
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Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jan 18, 2017 12:41 pm

Ela se sentiu bem melhor após a prece que fez para iniciar as actividades.
Brincou e riu muito com os acontecimentos divertidos da aula.
Teve uma óptima tarde.
Chegou mais cedo a sua casa.
Saindo do elevador, que servia somente aquele apartamento, foi abrir a porta da sala e percebeu que já estava destrancada.
Provavelmente foi George quem deixou a porta destrancada.
Ele possuía as chaves.
Chegou ao hall, onde havia um aparador de vidro sustentando um vaso com belo arranjo floral, que reflectia no grande espelho e olhou para ver se as chaves dele estavam lá, onde o noivo sempre as colocava.
Mas não.
Foi para a sala de jantar e, no encosto da cadeira, sobreposto, viu o blusão de um agasalho do noivo.
Sobre a grande mesa de vidro havia uma jarra de suco que estava cheia até a metade.
Dela, escorria o suor que molhou a mesa.
Um copo, cheio até o meio, foi deixado ali, também.
- George?! - chamou.
Ninguém respondeu.
Sofia deu um suspiro de insatisfação ao pegar a jarra e o copo para levar à cozinha.
Colocou a jarra na geladeira.
O copo na cuba da pia e, ao olhar para o lado, no balcão, viu um prato com restos de alimentos.
Centenas de minúsculas formigas haviam encontrado aquilo antes dela.
- Droga! - reclamou ao colocar o prato dentro da cuba da pia e abrir a torneira.
Pegou um pano húmido e passou sobre o balcão.
Depois, voltou para a sala e limpou a marca da jarra e do copo na mesa.
- Será que o George não conhece o descansa-copo?
Por que não pegou uma bandeja, pelo menos? - murmurou em voz alta.
Custava também ter colocado o prato na cuba da pia e jogado água?
Um momento e ainda disse:
- Também... É uma droga!
Formigas em um apartamento! É um absurdo!
Esse pamonha desse síndico já deveria ter feito a dedetização desse prédio.
Se a gente não reclamar...
Deixou o pano de limpeza na lavandaria.
Voltou até a sala, pegou sua bolsa e o blusão do noivo e se dirigiu para o escritório onde encontrou o seu computador ligado e as luzes acesas.
Olhando sobre a bancada, viu alguns de seus projectos jogados.
Ela sabia que não os deixou lá. Era bem organizada.
Tinha certeza de tê-los colocados dentro de uma pasta no armário.
- Que droga, viu! - ficou mais zangada ainda. - ele precisou da pasta e foi pegar a minha!
Não é a primeira vez!
Ajeitou os papéis e desligou o computador.
Deixando ali a bolsa e o blusão, apagou as luzes ao sair.
Foi para o seu quarto e viu, no banheiro da suíte, roupas do noivo que estavam jogadas e uma toalha molhada sobre sua cama.
Ficou muito insatisfeita.
Arrumou e deixou tudo do jeito que gostava.
Ficou pensando no que dizer para George sobre aquela desordem.
Não estava acostumada àquilo.
O que mais a deixou irritada foi o facto de ele ter deixado a porta aberta.
Era perigoso. Não poderia ter acontecido.
Foram esses e outros acontecimentos, oportunos para a espiritualidade inferior, que serviram para o início de um desequilíbrio emocional e espiritual.
Em vez de se vigiar, Sofia começava a se irritar.
Tudo o que ensinou para os pais, no almoço, não usou para si.

1. ]Nota da Autora Espiritual: Conforme nos é ensinado em O Livro dos Espíritos, da questão 489 a 521).
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Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Jan 18, 2017 12:42 pm

Capítulo 5 - Rute e Sofia: novas amigas

Era sexta-feira.
Sofia telefonou para sua irmã Valéria e a convidou:
- Almoça comigo hoje?
- Hoje?... - titubeou.
Não sei. Estou tão ocupada.
Acho que terei de fazer um almoço muito rápido.
Não daria para conversarmos.
- Então vamos fazer melhor:
que tal ir à noite a minha casa?
Vamos conversar mais à vontade e não teremos preocupação com o horário.
Você dorme lá.
- Acho que não vai dar, Sofia - tornou a outra.
- Quando podemos nos ver, então?
- É que...
Sofia se recusava a aceitar um não como resposta.
Pensou rápido e interrompeu, argumentando:
- Valéria, somos irmãs e nunca temos um tempo para um papo! - riu.
Vamos deixar disso.
Faremos o seguinte: amanhã nos encontramos na praia de Ipanema.
No lugar de sempre. Sei que não vai trabalhar e que adora sol.
Vamos bem cedinho. Faremos uma caminhada na areia.
Depois tomamos uma água de coco e jogamos conversa fora.
Diante do silêncio, disse para tentar persuadi-la:
- Sabe, estou precisando fazer isso.
Faz um tempo que estou bem sobrecarregada e...
Vamos, vai!
- Tudo bem. Amanhã eu posso.
- Eu te mando uma mensagem no celular quando estiver saindo de casa.
- Combinado.
Valéria concordou.
Conversaram por mais algum tempo e se despediram.
* * *
Na manhã seguinte, o dia estava simplesmente magnífico.
O sol parecia brilhar mais do que o comum.
A brisa suave, o céu de um puríssimo azul convidavam a uma ida à praia.
Tudo era perfeito.
Alguns caminhavam. Outros corriam.
E havia aqueles que apenas apreciavam a exuberante vista da Cidade Maravilhosa.
Sofia ainda parecia estar com sono enquanto esperava pela irmã no lugar combinado.
Foi com quase uma hora de atraso que Valéria apareceu:
- O quê!!! Vestida assim?! - surpreendeu-se Sofia, exclamando sem antes mesmo dar bom dia à outra.
Valéria usava uma calça de agasalho e ténis nos pés.
Uma camiseta regata e, por cima, vestia uma camisa fina, parcialmente aberta.
Cabelos soltos, uma viseira e óculos escuros.
- Oi... - cumprimentou, beijando a irmã no rosto.
- Oi - correspondeu Sofia. - Olha para mim!
Eu vim de biquíni e canga, chapéu, sacola e esteira... para você vir de agasalho de corrida!
Pensei que iríamos pegar um sol.
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Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jan 19, 2017 11:25 am

Caminhar um pouco na areia, mas... não mais do que isso.
- É... Acho que eu não entendi - falou desanimada, sem olhar para a irmã, parecendo contemplar o mar.
Depois disse:
- Não tem problema. Fico assim mesmo.
- Assim mesmo não.
Vamos até o meu apartamento pegar um biquíni meu e...
- Não! De jeito nenhum - interrompeu-a.
Estou bem assim. Eu quase não vinha.
Nem quero demorar muito.
Acordei com um pouco de dor de cabeça.
Sofia desanimou.
Tinha planos de pegar sol, bronzear-se.
Afinal, ainda era cedo.
Sem muitas alternativas, convidou:
- Vamos ali, no quiosque, tomar uma água de coco.
Valéria concordou.
Assim que se acomodaram em uma mesa, o dono do estabelecimento se aproximou e as cumprimentou:
- Sofia... Valéria... Quanto tempo!
Pensei que tivessem mudado o ponto de encontro.
- Não, Adiei.
Estivemos sumidas mesmo - respondeu Sofia.
- O que vão querer? - perguntou ele.
- Você vê dois cocos gelados pra nós, por favor - tornou ela.
- Pra já! - animou-se Adiei.
Ao vê-lo se afastar, Sofia virou-se para a irmã e indagou:
- E aí, tudo bem?
- Tudo - respondeu, virando-se para o mar e sobrepondo os pés no outro banquinho, ficando com o cotovelo apoiado sobre a mesa e de lado para a irmã.
- Aquele dia você não estava bem.
Melhorou? - perguntou Sofia.
- Estou óptima.
E você? - fazia as perguntas mecanicamente.
Não queria estar ali.
- Bem. Estou sem novidades - respondeu Sofia com simplicidade.
Havia algo estranho no ar.
Pareciam estar sem assunto.
Era como se não quisessem conversar.
- E o George?
- Está bem.
- O que vão fazer? Casar?
- É uma decisão bem séria.
Suspirou fundo, olhou em volta e, depois, completou:
- Tenho de pensar bem.
- Estou pensando em fazer o mesmo.
- Como assim? Fazer o mesmo o quê?
- Eu e o Everton estamos pensando em morarmos juntos.
- Mas Valéria!...
Nem conhecemos esse rapaz!
Ele é um completo estranho!
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Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jan 19, 2017 11:25 am

- Não vai me criticar por algo que você está pensando em fazer.
- Não senhora! Meu caso é bem diferente.
Eu conheço toda a família do George e ele a minha.
Nossas famílias se falam, convidam-se para um aniversário ou outra data comemorativa.
A mãe dele sempre me liga. Eu vou visitá-la.
Namoramos, ficamos noivos e nos conhecemos bem o suficiente para isso.
Não vou morar com ele nem ele comigo.
Se formos nos unir, vamos para um apartamento novo.
Tudo novo. Independente do que já temos.
Resumindo: nós nos conhecemos muito bem.
Agora... quanto a você e esse tal de Everton, o que sabemos desse moço, muito mal, é o nome dele.
E só o primeiro.
Um momento e perguntou:
- Você conhece a família dele?
- Isso não vem ao caso! - reagiu.
- Como não vem ao caso?!
É lógico que sim!
Isso é muito importante para você saber com quem está se metendo.
A aproximação do garçom, trazendo à água de coco, intimidou-as.
Sofia agradeceu e esperou que o homem se afastasse para perguntar novamente:
- Não conhece a família dele, por quê?
- Não vou me unir à família dele.
É o Everton que me importa.
- Já contou isso pra mãe?
- Não. Mas já estou arrumando as minhas coisas.
- Como assim?!!... - surpreendeu-se mais ainda.
- Eu amo o Everton e faço tudo por ele.
Você fala assim porque não sabe o que é amor! - exaltou-se e a encarou por de trás das lentes dos óculos escuros.
Sofia riu ironicamente e comentou:
- Desculpe-me Valéria...
Não acredito que você seja a pessoa certa para falar de amor para mim.
Você tem mudado muito desde que se envolveu com esse sujeito.
Mudado para pior.
Se o cara fosse legal, já teria querido conhecer nossa família e você não estaria assim tão estranha e agressiva.
A companhia de pessoas boas nos faz melhor do que já somos e o contrário também acontece.
Observe bem em que você está se transformando para saber com quem anda.
Longa pausa e Valéria atacou:
- Você é impulsiva, age irreflectidamente.
Não aceita palpite de ninguém.
Decide fazer suas coisas sem dar satisfações e acha que eu não posso fazer o mesmo.
Quando foi morar sozinha, comunicou a todos e se foi.
O pai nunca gostou disso.
Eu nunca fui contra o que fez.
E, agora, era você a primeira quem deveria estar do meu lado.
- Não foi bem assim!
Planeei muito bem tudo o que fazer quando comprei um apartamento para ter minha vida!
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Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jan 19, 2017 11:26 am

Não foi da noite para o dia! - ressaltou-se e falou de forma mais acalorada:
Eu estaria do seu lado se isso tivesse acontecendo em outras condições.
Mas veja! Olha para a sua situação!
Olha para você, minha irmã!
Parece que está feliz?!
Sinto que não está!
Nunca, em toda a nossa vida, eu a vi assim, desta forma:
solitária, angustiada, nitidamente infeliz!
Acho que isso aconteceu desde quando decidiu namorar um cara que trabalha com você e que, muito provavelmente, roubou o cargo de chefia que era para ser seu e...
- Onde ouviu essa história?!
Manifestando-se de modo brando, disse com doçura na voz e no olhar que se prendeu à outra:
- Ouvi essa história em seu silêncio.
Longa pausa e Sofia perguntou no mesmo tom:
- Não é verdade?
Novamente a irmã não disse nada.
- Olha, Valéria, procure se colocar do lado de fora da sua própria vida e analisar a situação, o seu relacionamento e depois diga se o correto é se unir a um cara que te traz tantos transtornos emocionais, problemas que te angustiam, que esquentam a tua cabeça.
Um cara que, pelo jeito, não quer conhecer sua família para não ter qualquer responsabilidade em dar satisfações sobre você e seu relacionamento.
Ele também não quer que você conheça a família dele porque não quer que tenha para quem reclamar.
Posso garantir que vocês não têm amigos, não saem em grupo e ele, certamente, não quer que, no serviço, saibam que namoram.
Agora pensa, se hoje, sem viverem juntos ele te constrange e faz isso, imagine se viverem sob o mesmo tecto.
- Acho que você não sabe o que é amor!
Eu amo o Everton!
- Eu prefiro nunca ter amado na minha vida a amar dessa maneira submissa, servil e aceitar exactamente tudo o que o outro impõe em troca de...
Em troca do que mesmo?!
- Olha aqui, Sofia!
Se você me chamou aqui para me dar sermões eu...
- Veja quem está aí!!! - em tom alegre e inesperado soou a voz de Rute, que se aproximava.
Bem perto, disse:
- Eu estava indo lá pro posto onze, quando olhei e vi vocês.
Cumprimentou-as com beijos e perguntou:
- Como estão as coisas?
- Tudo bem e você? - perguntou Sofia.
Nossa faz tempo que não nos vemos.
Você sumiu de lá de casa.
- Estou bem.
Andei sumida por conta de muito trabalho.
Fiz um curso que me roubou todo o tempo.
Percebendo um clima emocional estranho pairando no ar, Rute decidiu:
- Bem... Vou andando.
- Também vou indo.
Minha cabeça está estourando - decidiu Valéria.
Virando-se para a irmã, perguntou:
- Você paga aí?
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Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jan 19, 2017 11:26 am

- Pode deixar - afirmou entristecida.
Levantando-se, beijou Rute que estava mais próxima.
Depois, Sofia recomendou:
- Vê se se cuida, hein!
- Pode deixar - respondeu já se afastando.
Ao ver a amiga indo embora, Rute falou de modo lamentoso:
- Acho que estraguei a conversa de vocês duas, não foi?
- Não. A conversa já estava acabada.
A Valéria não queria ouvir mais nada.
- Desculpe-me se atrapalhei alguma coisa, mas...
Se eu puder ajudar.
Rute era bem esperta.
Suspeitou de a conversa ser a respeito do compromisso de Valéria e Everton.
- Pode - disse Sofia.
- O quê?
- Acho que você pode ajudar sim.
Olhando-a firme, Sofia sorriu e perguntou:
- Tem um tempinho?
- Tenho. Tenho sim.
Dizendo isso, Rute se acomodou frente à outra e perguntou:
- É sobre o namoro dela, não é?
- Como você sabe?
Tá tão evidente assim?
- Olha, Sofia, se eu não gostasse tanto da sua irmã, não me importaria e, com certeza, não estaria conversando com você.
O facto é:
o comportamento da Valéria mudou muito desde quando começou a namorar o Everton.
Nós sempre fomos óptimas amigas.
Até mesmo quando ela ou eu namorávamos outros caras, nossa amizade sempre foi a mesma.
Saíamos juntas para almoçar, trocávamos confidências, íamos com nossos namorados a cinemas, teatros, shows... íamos à casa uma da outra...
- Eu sei. Lembro-me disso.
Sempre admirei a amizade de vocês.
Invejava por não ter uma amiga assim - riu.
A outra correspondeu com um sorriso e prosseguiu:
- Só que desde que ela e o Everton começaram a namorar, sua irmã ficou muito diferente.
Tudo começou assim:
A Valéria era a mais cotada para assumir o cargo de chefia lá na empresa.
Não sei se você ficou sabendo.
- Fiquei sabendo disso sim.
- E o Everton tinha alguma possibilidade, mas não como ela.
Daí ele se aproximou dela e passou a se destacar.
Falou que tudo o que a Valéria fazia passava antes por ele e... - Contou com todos os detalhes que sabia.
Hoje ela se fecha.
Não conversa com mais ninguém lá na empresa, a não ser sobre o serviço.
Só que... - calou-se.
Ao ver que Rute olhava para o mar de modo pensativo, titubeando em falar, Sofia insistiu:
- Só quê?... Conta.
Tudo o que disser poderá ajudar e vai ficar só entre a gente.
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Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jan 19, 2017 11:26 am

- Deixe-me fazer uma pergunta, Sofia.
Ela tirou os óculos de sol?
- Óculos de sol?... - estranhou.
Não. Não tirou.
- Há algum tempo, eu acho que...
Ai Sofia... É uma suspeita muito grave.
Perigosa, se não for verdade.
- Fala logo! - incomodou-se a outra.
- Acho que o Everton coage a Valéria de alguma forma.
Talvez a agrida. Pronto! Falei!
- O quê?!!! - assustou-se.
O que você disse?!! Por quê?!
Baseada em que você diz isso?! - fez várias perguntas de uma só vez sem dar tempo para Rute responder.
- Venho percebendo a Valéria usando blusa cobrindo os braços e pescoço em pleno verão.
Chegou a usar lenço no pescoço.
Semana passada estava com uma camisa de manga comprida com os punhos dobrados.
De repente, vi uma mancha roxa que se desfazia, algo que estava sumindo.
Agora está com esses óculos escuros a semana toda.
- Como assim?!
O que minha irmã virou?!
- Estou muito chateada com isso e...
Pra dizer a verdade, foi Deus que me guiou para vir por aqui e encontrar você.
Não costumo fazer esse caminho.
- Rute, percebe a seriedade de tudo o que me contou?
- Percebi há mais tempo do que você.
Só que, sozinha, não posso fazer nada.
- A Valéria me disse que ela e o Everton estão pensando em morarem juntos.
- Acho que ele está exigindo isso.
Ele a intimida de alguma forma.
- E por que minha irmã aceita?!
- Por alguma fraqueza psicológica.
Dependência emocional, não sei.
Algo sequestra sua consciência e não a deixa reagir e se libertar.
- Minha irmã é formada em direito! Conhece Leis!
Não posso acreditar que sofra agressões físicas!
- A Lei Maria da Penha não serve só para agressões físicas.
A agressão emocional é também tão violenta quanto a física.
Sofia se viu envolvida por uma amargura impiedosa.
Uma contrariedade inigualável.
Olhando para a outra, perguntou como se implorasse:
- Rute, o que eu faço?
- Ainda não sei, mas estarei nessa com você.
O que fizer, eu ajudo.
- Aqui não é um bom lugar para a gente conversar.
Vamos lá para o meu apartamento. É bem perto.
- Vamos sim.
Sofia se levantou, pagou o que havia consumido e, junto com Rute, foi para o seu apartamento.
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