O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Página 3 de 10 Anterior  1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10  Seguinte

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo

Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jan 19, 2017 11:26 am

* * *
Pouco depois...
- Que apartamento lindo! - admirou-se após entrar.
Quanto bom gosto!
- Obrigada - sorriu satisfeita.
Venha, sente-se - convidou--a ao levá-la para a sala de estar.
Acomodando-se ao lado de Rute, virou-se para ela e pediu:
- Preciso saber mais.
Qualquer informação pode ser útil.
Tenho de dar um jeito de ajudar minha irmã.
Conversaram por longo tempo e Rute contou o que mais sabia ou se lembrava.
Sofia ofereceu-lhe um suco e elas acabaram se conhecendo mais.
O assunto foi direccionando-se para o plano espiritual.
- Sem dúvida. Os dois estão envolvidos com espíritos que apreciam agressões e masoquismo - opinou Sofia.
- Ainda bem que você acredita nisso e tem conhecimento.
Tentei dizer isso para a Valéria, mas ela não aceita.
Não acredita.
- A minha irmã diz que tem medo dessas coisas.
Como se o medo e a ignorância nos livrassem de espíritos inferiores que querem se meter nas nossas vidas, por prazer ou por vingança.
- Devemos pensar da seguinte forma:
sempre estamos acompanhados.
O nível de espírito que nos acompanha é de acordo com o que estamos fazendo ou pensando.
Se falamos de doença, de dores ou de problemas difíceis de resolver, espíritos que trabalham para o bem, com esperança e perseverança não estarão ao nosso lado.
Ao contrário. Serão os espíritos queixosos, problemáticos, doentes e que não conseguiram resolver seus desafios, quando encarnados, que vão se afeiçoar e gostar de ficar junto de nós.
- Concordo totalmente - Sofia sorriu.
Lá, no centro que frequento, existe uma companheira que só reclama.
Quase ninguém gosta de sua companhia e ela também reclama disso.
Com todo o conhecimento espírita que tem, deveria ter percebido que somente encarnados e desencarnados afins, que apreciam queixas e não soluções, são os que ficam junto a ela.
Sabe, teve um dia que eu fiquei dando atenção a ela.
Depois, cheguei aqui e comecei a ver uma coisa fora do lugar aqui, outra ali...
Comecei a reclamar em pensamento e até passei a acreditar que ela tivesse razão.
Fiquei chata e me senti meio pra baixo.
Depois, falei comigo mesma:
Sofia, afaste isso de você.
Não aceite essas reclamações como sendo suas porque não são.
Em vez de queixas, busquei soluções.
- E encontrou as soluções?
- De certa forma sim.
Estou trabalhando na solução porque é coisa que não depende só de mim.
- Entendo.
- Sabe, Rute, precisamos ter opiniões bem formadas, corretas, equilibradas.
Isso é ter posicionamento e não ceder.
Precisamos ter opiniões e tomar atitudes.
Dificuldades e problemas teremos em qualquer fase da vida.
O nosso comportamento determinará o tipo de espírito que estará ao nosso lado.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 71279
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jan 19, 2017 11:27 am

Podemos atrair aqueles que nos ajudam nas queixas, que nos ajudam a ficarmos nervosas e irritadas ou podemos atrair aqueles espíritos que nos fortalecem e nos inspiram a encontrarmos soluções.
- Isso é a pura verdade - Rute sorriu.
No instante seguinte, ela observou o relógio e decidiu:
- Sofia, já tomei muito do seu tempo.
- Não! De jeito nenhum!
Fui eu quem a fez perder um dia lindo como esse para vir até aqui. Desculpe-me.
- Não peça desculpas.
Gosto muito da Valéria.
Não quero que minha amiga sofra.
Fique com o meu telefone.
Vamos pensar em alguma coisa.
Quem sabe, falando um pouco mais, ela consegue acordar.
Vou ajudar no que puder.
- Obrigada. Não sei ainda o que fazer, mas acredito que vai aparecer uma solução.
Um momento e disse:
- Só tenho um pedido a fazer.
- Pode fazer.
- Se, por acaso, perceber alguma coisa, alguma lesão...
Você me avisa, por favor.
- Aviso sim. Vou ligar pra você.
Passe o número do seu celular e do apartamento - Rute pegou o celular na bolsa de praia, agendou o número da outra e se levantou.
Vou manter contacto.
- Claro, por favor.
Foi muito bom encontrar você.
Obrigada, Rute - agradeceu muito sinceramente.
- Não por isso.
Sem demora, Rute se foi.
* * *
Sofia sentiu-se mal com aquela revelação.
Não se conformava com a ideia de sua irmã se submeter a tamanha imposição e até agressões.
Ninguém deve ser submisso à outra pessoa.
Saber aquilo tudo a castigou.
Não deixava de imaginar e pensar no assunto.
Não conseguiu fazer mais nada pelo resto do dia.
* * *
Era domingo e, apesar do dia lindo, não quis ir à praia.
Pela manhã, telefonou para o noivo.
Ele disse que à tarde iria até lá para assistir a um jogo de futebol.
Afinal, a televisão do apartamento de Sofia era nova, grande e com uma excelente imagem.
Ela não apreciou a ideia.
Gostaria de sair, passear um pouco, mas não disse nada.
Talvez fosse melhor ficarem por ali.
* * *
Sofia encontrava-se em seu escritório, quando ouviu barulhos e percebeu certas movimentações pelo seu apartamento.
Deveria ser George, mas não pareceu que o noivo estivesse sozinho.
Ela demorou um pouco antes de ir até a sala, mas, ao ouvir o som da televisão, foi até lá.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 71279
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jan 19, 2017 11:27 am

- Oi, Sofia! - cumprimentou o noivo assim que a viu.
Eu trouxe o Josué e o Amir pra gente assistir o jogo aqui.
Um golpe de surpresa desagradável dardejou Sofia, entretanto a aproximação dos amigos de seu noivo a intimidou de falar alguma coisa.
Educada, sorriu e os cumprimentou sem deixar transparecer sua insatisfação.
Os rapazes se sentaram e pareciam bem à vontade.
Um deles colocou o pé para descansar sobre a mesinha do centro da sala de estar e ela, olhando de longe, não gostou nada.
Porém ficou quieta.
George chamou Sofia até a cozinha e pediu:
- Me arruma alguma coisa pra eu pôr os salgadinhos que eu trouxe.
Ela pegou a petisqueira e despejou o amendoim e outro salgadinho que estavam nos sacos.
Ao se virar, viu o noivo pegando latas de cervejas na geladeira.
- Você trouxe cervejas para cá?!
Eu não bebo e não gosto de bebida alcoólica na minha casa.
- Mas nossos amigos bebem.
Não tem nada demais - beijou-a rapidamente no rosto e foi para a sala equilibrando as bebidas e a petisqueira.
Sofia sentiu-se esquentar.
Foi até a sala e os olhou pelas costas devido ao ângulo em que estavam.
Acovardando-se, ela não disse nada e foi para o escritório.
De lá, ouvia os gritos e as expressões da pequena torcida para o clássico de futebol.
Isso a irritou muito.
George sabia que não gostava daquilo tudo em sua casa.
Bem mais tarde, após ouvir o barulho dos amigos irem embora, Sofia apareceu na sala e escutou o noivo, ainda bem expressivo, falar sobre o jogo.
Na primeira oportunidade, ela o interrompeu e perguntou:
- Você sabe que eu não bebo e não gosto de ter bebidas aqui.
Por que trouxe cervejas pra cá hoje?
- Ora, Sofia!... - riu.
O que é que tem?
São nossos amigos!
- São seus amigos, não meus - falou com jeitinho.
Mesmo assim, reclamou:
- Olha a bagunça e a sujeira que ficou na minha sala!
Por que não os levou para o seu apartamento ou para a casa da sua mãe?
- Porque lá não tem uma T V dessas. - Aproximando-se, ele a abraçou pelas costas e beijou-lhe o rosto.
Calma, vou limpar tudo.
- Outra coisa - ela o interrompeu e se virou - outro dia, você deixou a porta destrancada.
Cheguei e estava aberta.
Também não gosto disso.
Como se não bastasse, as luzes do escritório estavam acesas e meu computador ligado - não comentou sobre a pasta.
Achou que seria muita coisa.
- Ah... É que recebi uma ligação e precisei sair correndo.
O Josué estava com problemas lá na obra.
Sofia não disse mais nada e o viu pegando as coisas que estavam sobre a mesinha do centro.
Ela voltou para seu escritório e terminou o que fazia.
Depois que George se foi, pois precisava levantar cedo no dia seguinte, ela tomou um banho e foi para a sala.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 71279
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jan 19, 2017 11:27 am

Pegou o controle remoto e ligou a TV.
Ao andar descalça pelo tapete, sentiu na sola do pé, grudar restos de salgado e amendoim.
Olhou para a mesinha e a viu suja e molhada com a umidade que escorreu das latas de bebida e seu sofá também tinha restos de alimentos.
George havia tirado as coisas, mas não deixou o local limpo como encontrou.
- Ai! Droga! - expressou-se brava.
Foi até a lavandaria, pegou o aspirador e aspirou os resíduos.
Ao passar pela cozinha viu copos, pratinhos e petisqueira sujos dentro da cuba.
Irritou-se ainda mais.
Voltou para a sala.
Sentou-se e ficou com o controle remoto nas mãos, passando os canais.
Nenhuma programação na TV lhe agradava.
Voltou a pensar no assunto sobre sua irmã e sentiu-se impotente, embora quisesse ajudar.
Lembrou-se da senhora Flora, tarefeira do centro espírita que frequentava.
Embora não fosse agradável ouvir suas excessivas queixas, havia algo para aprender com o que a mulher falou.
"Cada dia que passa o George parece pior" - pensava.
- "Na verdade ele não está pior, está se revelando.
Revelando sua verdadeira personalidade, vícios e costumes.
Sabe de tudo o que eu não gosto e do que não quero, mas não respeita minhas opiniões.
Se é assim agora...
Depois de casados a coisa tende a piorar.
Não vou conseguir mudá-lo.
Aliás, ninguém muda ninguém.
O que deveria acontecer é uma tomada de consciência por parte dele ou minha...
Ele deveria ser maduro o suficiente para perceber que está me contrariando.
Acho que temos muito o que conversar.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 71279
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jan 19, 2017 11:27 am

Capítulo 6 - Uma conversa produtiva

Inesperadamente, para a surpresa da família, Valéria pegou suas coisas e se mudou, definitivamente, para o apartamento do namorado.
Acreditava que, se estivessem morando juntos, Everton não teria do que reclamar.
Ela estaria sempre presente e isso o acalmaria.
Assim sendo, o companheiro seria sempre amoroso e atencioso como nos melhores momentos, quando estavam juntos.
Ágata não se conformava com a decisão da filha.
Assustou-se quando Valéria disse que não queria ter seus parentes visitando-a com frequência.
Inconformada, procurou Sofia para conversar.
Em uma noite chuvosa, no apartamento da filha mais velha a mãe questionava:
- O que nós podemos fazer?
- Nada, mãe. Não podemos fazer nada.
Foi escolha dela.
- Uma péssima escolha!
Eu não me conformo.
- Sim, foi uma péssima escolha, mas não podemos interferir.
A Valéria é maior de idade, independente, advogada...
Não é incapaz e não podemos interditá-la.
- Esse rapaz... Esse Everton não presta!
Eu sei, filha!
Vi isso quando olhei para ele.
Coração de mãe não se engana.
Quando fomos ao apartamento para saber, pelo menos, onde nossa filha estaria morando, eu tive dificuldade para entrar com a cadeira de rodas de seu pai e o Everton ficou lá, olhando, sem me ajudar.
- Entendo. Gente assim...
Um instante e perguntou:
- O que o pai está achando disso?
- A mesma coisa que nós duas.
Seu pai está contrariado.
Nunca vi esse homem assim.
Se ele pudesse, iria lá e arrancaria a Valéria daquele lugar.
Mas isso é impossível.
Sofia pensou em contar para a mãe sobre a suspeita de que Valéria sofria agressões, mas decidiu não fazer isso.
Essa informação destruiria o coração daquela mulher já tão preocupada.
- Olha, mãe, quando a Valéria abrir os olhos e vir que o cara não é o príncipe que ela pensou que fosse, vai voltar atrás e sair de lá.
Ainda bem que não se casaram.
Estão só vivendo juntos.
Algum tempo de silêncio e Ágata perguntou:
- E você, filha?
Ainda está com a ideia de viver juntada também?
- Sabe, mãe, às vezes penso que seja uma experiência interessante para saber se estou com a pessoa certa.
- Não precisa viver junto para saber isso.
Em tom quase implorativo, Sofia perguntou:
- Então... Como saber se é a pessoa certa, mãe?
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 71279
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jan 19, 2017 11:27 am

- Não sabemos.
Encarou os olhos ávidos da filha e disse:
- Não sou estudada.
Só que tenho visto muita coisa na vida.
Eu sou do tipo de pessoa que não precisa de experiência ruim para aprender.
Normalmente, observo muito e procuro aprender com as experiências alheias.
Sei que todos que se aproximam, a ponto de se unirem ou se casarem, é por conta de uma atracção que nem sempre é fácil de explicar.
São muitas as razões. Geralmente é sexo.
Mas a vida não é feita só de sexo.
Na grande maioria das vezes, quando as pessoas se interessam uma pela outra, o sexo é o primeiro da lista de interesse.
Depois que se unem, o sexo fica em último lugar, pois descobrimos que outras coisas são mais importantes e urgentes.
Breve pausa e prosseguiu:
- Cada um procura alguém por um motivo.
Muitas pessoas querem ter alguém do lado porque não querem ficar sozinhas.
Existe quem quer ter alguém porque é controladora.
Acredita que é amor aquele sentimento de apego, de possessividade e controle.
É aquela história de se ter alguém só para chamar de seu ou de sua.
Acha que o mundo vai acabar se ficar sem a pessoa.
Pensa que vai morrer. Mas não é isso o que acontece.
Alguns, principalmente algumas mulheres, ficam inquietas com a idade e acabam se propondo a qualquer porcaria só para não ficarem sozinhas.
Eu admiro muito uma mulher que cuida de sua vida, passeia, trabalha, viaja, tem amigos, muitas vezes, tem sua casa própria e não se propõe a arrumar um homem porcaria.
Um homem porcaria não arca com os compromissos do dia a dia.
Não divide tarefas, despesas.
Não enfrenta dificuldades.
Um homem porcaria sai de casa para não ver a complexidade da vida a dois, principalmente, quando se tem filhos.
Ele vai para o bar.
Sai com amigos. Vai jogar.
Quando volta, briga, acusa a mulher por tudo o que existe de errado em casa e fora dela.
Agride com palavras ou até fisicamente.
Magoa, entristece a companheira.
E tem mulher que prefere ficar sozinha, curtindo até um pouco de solidão, em alguns dias, para não se sujeitar a um homem banana ou egoísta que só pensa nele.
Ela prefere esperar para ver se aparece alguém melhor, mas não se propõe a isso.
Curte um namorado, amigo...
- Mãe, a pessoa perfeita existe?
A senhora acha que cada um tem sua alma gémea?
- Acho que cada um de nós tem uma alma afim.
Uma pessoa querida que nos completa.
Mas nem sempre essa pessoa que nos completa é perfeita.
Ela é recheada de defeitos e manias assim como nós.
Então, é a compreensão, a paciência, a afectividade de um que vai ensinando o outro.
Tem que haver equilíbrio.
Cada um deve dar cinquenta por cento para a união dar certo.
Se um der oitenta e o outro só vinte por cento, o que dá mais se sacrifica e o que oferece menos não evolui.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 71279
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jan 19, 2017 11:28 am

- E como saber se uma união vai dar certo ou não?
- Como eu disse, não sabemos.
Mas podemos procurar os sinais.
Se você namora firme ou é noiva pode observar alguns defeitos, manias, costumes, vícios, hábitos e por meio disso analisar a pessoa com quem está.
Não pense que os defeitos, hábitos, vícios do seu namorado vão mudar, naturalmente, depois do casamento, pois não vão.
A não ser se ele for uma pessoa preparada para isso.
Madura. Consciente. Que sabe o que quer.
Só que isso é muito raro, minha filha.
Os defeitos, as manias, os costumes e os vícios, principalmente os vícios, tendem a se agravar depois de casados.
Quando alguém tem um vício, é porque tem um problema que não consegue resolver.
Geralmente, as frustrações, os sentimentos de impotência ou inferioridade diante de um problema são os que geram os vícios.
Por exemplo:
a bebida alcoólica ou o cigarro viciam porque dão um falso prazer momentâneo.
Tudo bem que é falso, mas e prazer.
As químicas que oferecem ao corpo dão prazer.
Mesmo que exista uma serie de problemas físicos, orgânicos, ao longo dos anos, esses são vícios que dão prazer.
Então a pessoa, quando fica nervosa, insatisfeita, entediada, triste, contrariada ou experimenta qualquer outro sentimento ruim, procura por algo que lhe dê prazer, mesmo que falso e momentâneo.
Então ela bebe ou fuma.
Enquanto está com o efeito da bebida, ela fica mole, relaxada e se esquece do problema.
O problema não foi resolvido, mas adiado e esquecido.
Em vez de buscar soluções para essa dificuldade, a pessoa busca anestesiar o momento problemático.
Só que ela não vai poder beber o tempo todo.
- Sei... E a maior questão na vida é que os problemas acontecem um seguido do outro - Sofia sorriu ao dizer isso.
- Exactamente, filha.
Então, se a pessoa tem o vício da bebida, por exemplo, depois de casada, esse vício, muito provavelmente, tende a piorar, pois, se quando é solteiro, tem problema, depois de casado eles são mais intensos e frequentes e a pessoa vai querer viver anestesiada, ou seja, vai beber com mais frequência.
Sofia respirou fundo e lembrou-se das bebidas e dos colegas que George levou para o seu apartamento, mesmo sabendo que ela não gostava daquilo.
Recordou que o noivo não respeitou sua vontade e sempre dissimulava, parecendo não entender a gravidade daquilo.
Provavelmente, depois que estivessem juntos, aquele comportamento se repetiria com muito mais facilidade. Pensou.
- E se a gente, antes de se casar, conversar com a pessoa e falar sobre isso?
- É algo que deve ser feito e pode ser que resolva, que crie uma consciência no outro.
A conversa a respeito do que um gosta e o outro não deve acontecer sempre.
Eles devem ser sinceros.
As mudanças, a conscientização devem acontecer antes de uma união.
Na minha opinião.
- Sei.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 71279
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jan 19, 2017 11:28 am

- Por exemplo, algo muito comum de se ver é quando o rapaz observa que a mulher é ciumenta, controladora, briguenta e ele não gosta.
Isso vai mudar depois do casamento?
Não. Lógico que não.
Provavelmente, piore.
Ele deve deixar bem claro para ela que não vai aceitar essa condição de ciúme e controle e ela vai ter que mudar.
Nem que para isso procure um psicólogo para ajudá-la a descobrir a razão de ser assim e fazê-la entender que não há necessidade disso.
O rapaz vai ter de analisar se ele vai aguentar, depois de casado, uma mulher que briga, controla e tem ciúme.
Assim como uma mulher vai ter de pensar se ela vai aguentar que ele fume, beba, jogue, fique socado no bar, saia com amigos...
Porque isso se intensificará depois que estiverem vivendo juntos, dividindo dificuldades, desafios, problemas.
Agata viu a filha reflexiva e ainda disse:
- Se o rapaz, durante o namoro, não oferece atenção, não é carinhoso, não se preocupa com a moça, depois de casado, isso pode piorar.
Ela não deve ter esperança de que isso mude.
- O melhor jeito é conversar, então?
- É. A fase do namoro existe para se conhecerem e não para sonhar.
- E a senhora e o pai?
Como, com tantas dificuldades, ainda têm um casamento tão invejável? - sorriu, enquanto aguardava uma resposta.
- Conversa. Muito diálogo com calma, paciência e muito respeito.
Amor, compreensão, sinceridade e muito jeitinho.
Isso das duas partes.
- A senhora deu sorte.
- Não, filha. Isso foi conquista.
Mudança de pensamento e atitude trazem equilíbrio.
Casamento exige mudança de comportamento, postura e hábitos saudáveis.
Eu cedi de um lado, o seu pai cedeu do outro.
E assim foi. Se isso não acontecer, nenhum casamento dura com harmonia e felicidade.
Vendo-a pensativa, orientou:
- Para que exista um casamento equilibrado, é necessário que os dois queiram estar nele e cada um cedendo, aceitando e doando-se.
Por isso, casamentos forçados nunca dão certo.
Os dois tem que estar dispostos a ceder, aceitar e se doar.
Além disso, carinho é fundamental.
Em pensamento, Sofia se perguntou:
"O quanto eu estou disposta a ceder, aceitar e doar?"
A conversa continuou até que Ágata decidiu ir embora e a filha a levou em casa.
* * *
Alguns dias se passaram e, ao estar com o noivo, ele perguntou:
- E então? O que decidiu?
Vamos morar juntos?
- Por que não nos casamos mesmo? - Sofia considerou com um tom de ironia.
- Gastos. Despesas desnecessárias.
Já falamos sobre isso.
- Se fizermos algo simples...
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 71279
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jan 19, 2017 11:28 am

Casamento no civil e um almoço para nossos pais e padrinhos. Nada mais.
- Isso é agora.
Depois vira bola de neve.
Seus irmãos, meus irmãos... o amigo mais próximo...
Fez-lhe um carinho e beijou-lhe o rosto, perguntando com jeitinho amoroso:
- Não quer ficar junto de mim?
- Lógico que quero - sorriu, com doçura, ao afirmar.
- Então?... Quando vamos fazer isso?
Sofia sentiu seu peito apertar. Tinha dúvidas.
Não sabia exactamente o que queria.
Temia dar um passo errado.
O toque do telefone celular de George a socorreu de dar uma resposta naquele momento.
O rapaz atendeu e ficou algum tempo preso ao telefonema.
Ao terminar, permaneceu falando a respeito, esquecendo-se do assunto anterior.
* * *
No tempo que se seguiu, e a cada dia que passava, as notícias sobre Valéria diminuíam.
Tanto Sofia quanto o resto da família não recebiam mais suas ligações.
Ao tentar entrar em contacto com ela, Valéria não atendia e não retornava os recados.
Meses depois, não suportando mais a distância da irmã, Sofia a procurou na empresa em que trabalhava.
Encontrando Rute, surpreendeu-se ao saber:
- Demitida?!
A Valéria não trabalha mais aqui?!
- Não. Você não está sabendo? - perguntou Rute, surpresa.
- Não! Por que não me avisou?
Rute a olhou longamente nos olhos e revelou:
- Entrei em contacto com você.
Deixei recado para que ligasse para mim e...
Depois de quatro vezes, acreditei que não estaria mais se importando com o assunto.
Sabe, eu me achei inconveniente.
- Como assim?!
Não recebi nenhum recado!
- Liguei para o seu celular no mesmo dia em que a Valéria foi demitida.
O George atendeu.
Sabendo que ele é seu noivo, pedi para que você me retornasse.
Uma semana depois, liguei de novo e ele atendeu.
Depois liguei para o seu apartamento e um cara atendeu e passou para o seu noivo.
Voltei a ligar no seu celular e... novamente o George atendeu.
Nessa última ligação, notei que ele não estava muito satisfeito com os meus telefonemas.
Ele atendeu muito estranho, sabe.
No mesmo instante, Sofia pegou seu celular e procurou por ligações recebidas.
Verificou o atendimento dos telefonemas feitos por Rute, mas que ela não havia atendido.
Estavam lá todas as chamadas.
Entretanto George não lhe deu os recados.
Contrariada, respirou fundo e voltou-se para Rute, perguntando:
- Você tem visto minha irmã?
- Depois da demissão, não.
Faz um mês que não vejo a Valéria.
Liguei para ela, mas não atendeu nem retornou meus recados.
- E o Everton?
Continua trabalhando aqui na empresa?
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 71279
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Jan 19, 2017 11:28 am

- Sim, continua.
Foi ele quem a demitiu.
- Não posso acreditar nisso!
Pensou um momento e considerou:
- Quer dizer... eu acredito em você, Rute.
Não posso acreditar que minha irmã esteja se submetendo a esse tipo de imposição, constrangimento e outras coisas mais.
Onde já se viu isso?!
- Por que não vai onde eles moram?
Talvez consiga conversar com ela. Sei lá...
Talvez ela a receba.
- Vou e vou agora mesmo - decidiu Sofia com firmeza.
Rute, desculpa pelo ocorrido com suas ligações.
Você está me ajudando e...
O George não tinha o direito de fazer isso.
Vou ver o que aconteceu.
- Olha, Sofia, não se preocupe.
Homens, às vezes, quando ocupados com outras coisas, esquecem de dar recados.
Vai ver, foi isso.
Não esquenta.
- Mas não podia ter acontecido.
É um assunto muito importante para mim.
- Deixe isso para depois.
A prioridade agora é com a Valéria.
Aproveita que aquele traste está aqui na empresa.
Se ele sair daqui antes do horário, o que é bem difícil, eu ligo pro seu celular para que não pegue você lá.
Sofia se despediu de Rute e foi para onde a irmã morava.
Na portaria do edifício, pediu para ser anunciada.
Mas a irmã disse para avisá-la que não poderia receber ninguém.
- Como assim?!
Ela não pode me receber?!
- Sinto muito, moça.
Foi o que a dona Valéria pediu para eu dizer.
- Por favor, meu senhor, eu preciso entrar.
Alguma coisa está errada aí.
Eu sou irmã dela. Insista novamente.
Diga que eu não vou sair daqui até ela me atender.
Após muita insistência, Valéria permitiu que a irmã entrasse.
Era um prédio com boa localização.
O apartamento era moderno, espaçoso e bem decorado.
Sofia passou o olhar em tudo logo ao entrar.
Limpo e cheiroso. Tudo no lugar.
- Oi. Como está? - perguntou Valéria, timidamente, ao abraçá-la.
- Mais ou menos - correspondeu ao abraço.
Ao se afastar um pouco, Sofia examinou a irmã com o olhar e perguntou directa e séria:
- Valéria, o que está acontecendo?
- Nada. Não está acontecendo nada.
- Vai me convidar para sentar ou vou ficar parada aqui? - pareceu zangada.
- Desculpe-me. Vem.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 71279
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jan 20, 2017 10:12 am

Foram para perto do sofá e a irmã pediu:
- Sente-se. Mas...
Olha, não podemos conversar por muito tempo.
Logo mais eu tenho um compromisso e preciso me arrumar.
- Mentira! Logo mais o Everton vai chegar e você não quer que ele saiba que eu estive aqui.
Não é mesmo?!
A irmã não respondeu e Sofia quis saber:
- O que está acontecendo aqui, Valéria?!
O Everton a demitiu.
Você fica enclausurada e se submete a isso tudo, por quê?
- A demissão foi oportuna.
Eu tinha uma boa grana para receber.
- Para que essa grana? Para ele?
Sim, porque até onde eu sei você não tem tanta dívida assim.
Não precisaria se sujeitar a uma demissão por causa de dinheiro.
- Sofia, eu e o Everton temos uma vida em comum e isso inclui nos ajudarmos.
- Mas, se o problema de dinheiro, é dele é ele quem precisa encontrar solução e não você.
Sofia olhou bem para a irmã e a viu sem brilho, sem aquela jovialidade que Valéria sempre exibiu.
Seus olhos não eram os mesmos.
Algo mudou, e ela ficou penalizada.
- Estou vivendo como eu quero e com quem eu quero.
Mais calma, a irmã a encarou e perguntou brandamente:
- Responda uma coisa:
ele a trata bem? - e invadiu seus olhos.
- Sim. O Everton me ama e me protege.
Sofia sentiu seu coração apertar.
Se a irmã dizia que estava bem e que não precisava de intromissão em sua vida, o que ela poderia fazer?
- Sinto que existe algo errado. Muito errado.
Porem, sua postura me impede de ajudar.
Se precisar de mim, é só me ligar.
Valéria não disse absolutamente nada.
Elas se levantaram.
A irmã a abraçou, beijou e se foi.
Ao sair do edifício, o porteiro, que estava do lado de fora da guarita, enquanto um outro funcionário limpava o recinto, ofereceu um sorriso constrangido e um leve aceno de cabeça ao dizer:
- Que bom que ela atendeu a senhora.
Ela estava bem?
Sofia achou estranha a pergunta e respondeu:
- Sim. Aparentemente, minha irmã estava bem. Mas...
Olhou para o homem por algum tempo e decidiu:
- Vou deixar alguns cartões meus com o senhor.
Sou arquitecta, decoradora e, caso conheça alguém que precise dos meus serviços, aqui, neste edifício... Aqui está.
Deixe alguns, aí na portaria, para os outros porteiros.
Diga que sou irmã da Valéria.
É uma referencia, pois, hoje em dia, precisamos de referência para por um prestador de serviço pra dentro de casa.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 71279
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jan 20, 2017 10:12 am

O homem pegou alguns cartões, sorriu com um brilho de esperteza no olhar e disse:
- Pode deixar.
Vou pôr uns cartões aqui na portaria e um vou guardar comigo.
- Obrigada.
- Nada, moça.
* * *
Os pensamentos de Sofia fervilhavam em torno das lembranças dos poucos momentos que ficou com a irmã.
Não se conformava com a disponibilidade de Valéria para aquela vida submissa, subjugada.
O resto da tarde foi complicado.
Não se concentrava no que fazia e sua sócia tinha urgência em algumas coisas e queria fazê-la entender:
- Precisamos de uma boa verba para isso.
Teremos um lucro incrível, mas vamos ter de investir.
Vendo-a, em silêncio, chamou:
- Sofia? Estou falando com você!
- Ah!... Desculpe-me, Vânia.
Estou com a cabeça tão longe.
- Então volta pra Terra!
Um momento e perguntou sobre o assunto que falou anteriormente.
- O que você acha? Vamos investir?
Nossa loja de móveis e objectos de decoração merece!
- Não sei direito. É muito dinheiro.
- Faremos um empréstimo - tornou Vânia.
- Não sei. Vou pensar.
* * *
Naquela noite quente, ao chegar a seu apartamento, a primeira coisa que fez foi ligar o ar condicionado.
Fez um retrospecto de seu dia e não se sentiu bem.
Estava triste pela irmã.
Não conseguia entender Valéria.
Estava zangada com George.
Ele deveria ter-lhe dado os recados.
Sabia que era importante.
Ela havia contado tudo para ele.
Se não tivesse condições de dar recado, não atendesse aos telefonemas.
Não bastava isso tudo, ainda estava com situações para resolver no trabalho.
Gostaria de aceitar um grande projecto e investir na loja de móveis e decorações que abriram, recentemente, em um shopping, mas precisaria de investimentos e, naquele momento, não tinha o dinheiro nem pessoas especializadas com mão de obra específica.
Era algo bem arriscado de se fazer.
Não queria ter de decidir aquilo.
Ficou angustiada.
Ao mesmo tempo, experimentou uma sensação bem estranha.
Uma espécie de dor em seus sentimentos.
Coisa que nunca havia sentido.
Um medo misto a um vazio indizível.
O que seria aquilo?
Que tristeza era aquela?
Na espiritualidade, Vicente e Lucídia estavam próximos de Sofia e ele a impregnava com ideias como se fossem dela.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 71279
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jan 20, 2017 10:12 am

- Está cansada. Sem esperança e sem energia.
É uma pessoa que não é útil nem necessária.
Até seu trabalho é supérfluo.
O mundo sobrevive sem arquitectos, sem essas decorações caras e inúteis.
Como sua vida é sem graça, improdutiva, sem razão, sem objectivo.
Esse espírito se esqueceu de que Deus arquitectou, no Universo, os mundos e colocou beleza relativa em cada um deles para viver­mos bem.
Tão próximo quanto Vicente, mas sem ser visto, o espírito Tássio, mentor de Sofia, incentivava-a.
- Vamos! Levanta!
Não se concentre nesse tipo nem nesse nível de pensamento.
Sofia sentiu-se dominada por uma angústia inexplicável.
Lembrou-se de telefonar para Rute e decidiu fazer isso naquele momento.
Uma voz de homem atendeu o celular da amiga.
Ela estranhou, mas pediu:
- A Rute, por favor.
- Ela está no banho. Aqui é o Yuri.
Quer deixar algum recado ou tornar a ligar depois?
- É... Por favor... - silenciou.
Sua voz oscilou.
Sentiu um nó na garganta e uma súbita vontade de chorar.
Não entendeu por que aquilo aconteceu.
Não era de seu perfil ficar emocionada a troco de nada.
Mas, aquela voz...
Aquela pessoa... pareceu mexer com ela de alguma forma.
Foi a coisa mais estranha que lhe aconteceu.
- Alô! Você ainda está aí?
- Sim. Estou - respirou fundo ao responder.
Meu nome é Sofia.
Por favor, Yuri.
Peça para a Rute me ligar.
- Pode deixar. Peço sim.
- Obrigada.
- Nada. Tchau.
- Tchau.
Que situação mais estranha.
Não entendia a razão daquela emoção incomum. Enigmática.
Procurou não pensar naquilo.
Mas nova sensação de desconforto e inquietude a invadiu.
Não sabia quem era Yuri e ficou pensando se ele daria o recado a sua amiga ou se faria igual a George.
Seu noivo não tinha o direito de esconder as ligações.
Será que George tinha esquecido?
Provavelmente não.
E por que não a avisou?
O tempo passava e nenhuma ligação.
Deveria ter ido tomar um banho e telefonado para Rute depois.
Estava louca por um banho demorado e refrescante.
Decidiu pelo banho. Não iria esperar.
Bem depois, ao voltar para a sala, George estava estirado no sofá com o controle remoto da TV nas mãos.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 71279
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jan 20, 2017 10:13 am

Sofia não gostou de vê-lo, ali, e não sabia dizer o porque.
Aproximando-se, beijou-o e perguntou:
- Tudo bem?
- Tudo. Olha, o Josué e o Amir vão chegar daqui a pouco...
Interrompendo-o, perguntou firme:
- Como assim?!
- Hoje tem jogo!
Tem clássico entre...
- Não! De jeito nenhum, George.
Você nem perguntou se eu quero receber alguém.
Se estou disposta a limpar a sujeira que fica aqui.
Estou muito cansada hoje, além de indisposta e vestida para dormir. Eu...
A campainha tocou.
- São eles!
- Como assim, são eles?!
Não interfonaram da portaria?!
- Eu pedi para deixá-los subir directo - respondeu enquanto ia à direcção da porta.
Sofia precisou ir para o quarto.
Não queria ser vista pelos amigos de George vestida daquele jeito.
Voltou com cara sisuda e cumprimentou-os.
Seu noivo e os amigos quase não lhes deram atenção e se voltaram para a televisão.
Ia começar o jogo.
Ela pegou o celular sobre a mesa e foi para o quarto.
Consultando o aparelho, verificou uma chamada atendida. Era Rute.
Ligou.
Novamente, a voz do irmão da amiga.
- A Rute, por favor.
- É a Sofia?
- Sim. Sou eu. Yuri?
- Sim, Sofia. É o Yuri.
Um minuto que vou procurar a minha irmã.
Acho que... - falava enquanto andava com o aparelho à procura de Rute.
O som oscilava com as diferentes dimensões dos recintos.
- Não. Ela não está no quarto...
Não está na cozinha...
Agora... vou descer as escadas, onde ela também não está...
Sofia ficou descontraída e riu e ele pôde ouvir.
Não está na lavandaria. Acho que está no quintal, brincando com o nosso cachorro... Mas... também não.
Nem ela nem o cachorro.
Sinto muito Sofia, o Thor foi levar a Rute para passear.
Ela riu novamente e Yuri escutou, por isso explicou:
- Verdade! O Thor, nosso cachorro, é quem nos arrasta para ir passear.
- De que raça ele é?
- É... Bem, o Thor é uma mistura de bóxer com algo que não identificamos ainda.
Novo riso.
- Mas o Thor é um cachorro.
Isso podemos garantir!
Ela riu novamente e ele disse:
- Desculpe-me pela brincadeira.
Nem a conheço para fazer isso.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 71279
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jan 20, 2017 10:13 am

- Não. Tudo bem.
Eu estava precisando rir um pouquinho.
- Eu sei.
- Como sabe?
- Pela sua voz.
- Nossa! Está tão evidente assim?
- Não. Sou eu que tenho a audição apurada e também sou um grande observador de voz.
- Está certo. Então...
Obrigada. Eu ligo depois.
- Direi a minha irmã que você ligou.
- Obrigada. Tchau - ela se despediu.
- Tchau.
Sofia jogou o celular sobre a cama e sentou-se nela.
A atitude de George a incomodava imensamente.
Ele não tinha o direito de levar seus amigos, ali, sem antes consultá-la.
Tirava sua privacidade e liberdade dentro da própria casa.
Além de deixar a sujeira de sempre para ela limpar.
- Droga de vida! - verbalizou irritada.
- Não fale assim - disse Tássio, seu mentor.
A palavra tem força viva e é muito poderosa.
O que você fala, você atrai.
Alguns minutos e o telefone tocou. Era Rute.
- Oi! Estamos brincando de esconde-esconde!
- É mesmo. Liguei, seu irmão atendeu, fui tomar banho e você ligou.
- E! Viu? Dessa vez o George deu o recado.
Não foi? Homem é esquecido mesmo.
- Não. Ele não deu o recado.
Eu dei uma olhada no telefone e vi que você tinha ligado.
Aliás, nem conversei com ele sobre esse assunto ainda.
- Não esquenta, Sofia.
Não vá brigar por conta disso.
Vamos ao que interessa:
viu a Valéria? Conversou com ela?
- Bem pouco. Foi difícil, menina!
Sabe que ela... - contou tudo.
Até sobre ter deixado seu cartão com o porteiro.
- Foi intencional.
Percebi que o porteiro, um senhor de aparência bem ponderada, parecia saber a razão de eu estar aflita, querer conversar e subir.
Acredito que ele sabe de alguma coisa.
- Que coisa?
- Sei lá...
Que a Valéria é constrangida por aquele cafajeste, de alguma forma.
- Será que ele sabe?
- Acho que sim, Rute. Tem algo errado ali.
Devem saber que o Everton é um covarde.
Todo homem que bate ou constrange uma mulher é um covarde de marca maior!
- Concordo! E... Como é o lugar?
O apartamento?...
- Muito bom. Deve ter três dormitórios.
Salas de jantar e de estar bem amplas.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 71279
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jan 20, 2017 10:13 am

Dei uma espiada na cozinha, que também é boa.
Tudo muito limpo, arrumado e bem decorado.
Tiveram bom gosto.
- Pelo menos ela não está morando em um pardieiro.
- Pelo menos isso.
Mas fiquei insatisfeita por ela me dizer que era conveniente ser demitida pelo dinheiro que teria a receber.
- Acha que o dinheiro dela foi para ele?
- Lógico, Rute!
Minha irmã não tem grandes despesas nem é ambiciosa.
Ela é bem diferente de mim.
Eu sempre tinha planos, projectos, investimentos.
Isso vai dinheiro. Nem me diga.
Ela não. Sempre morou com meus pais.
Nunca teve ambição. Nem carro tinha!
Onde já se viu isso nos dias de hoje?
Os gastos da Valéria sempre foram com roupas, com o básico.
- Uma vez ela me disse que tinha dinheiro em uma aplicação.
- É verdade. Tinha sim.
- Veja bem, Sofia.
Não há muito o que possamos fazer.
Andei me informando e é a Valéria quem tem de se manifestar.
- Entendo. Não podemos fazer muita coisa.
- Não mesmo. Tudo o que temos são só suspeitas.
Não vimos as agressões.
Não temos qualquer prova.
- Obrigada por me ajudar, Rute.
- Não fiz nada.
- Fez sim. A sua parceria, a sua amizade nesse momento são muito importantes.
- O que é isso... - ficou sem jeito.
- A propósito - Sofia quis brincar - da próxima vez que o cachorro for levar você para passear, leve o celular.
- Eu não! Aquele lindo, fofo e gracioso cachorro mal-educado e rebelde que amamos, não vale nada! - riu gostoso.
Se eu me distrair ao atender o celular e vier alguém para me roubar o aparelho, é capaz de ele seguir o sujeito para ser adoptado.
Você precisa conhecer a figura!
Riram.
- Preciso conhecer esse cachorro. Adoro bicho!
- Quero que venha aqui em casa para conhecer minha mãe.
Sei que vão se gostar muito.
Falei para ela sobre o trabalho voluntário que faz lá no centro e ela se interessou.
Quer que você dê algumas ideias para fazermos o mesmo lá na casa que frequentamos.
- Com o maior prazer! - alegrou-se.
Vou sim. E... Por enquanto, obrigada, Rute.
Olha, da próxima vez que ligar, caso o George atenda, não confie que ele vá dar o recado.
- Certo. Não se preocupe.
- Vou conversar com ele.
- Vá com calma - Rute aconselhou.
- Deixa comigo.
Despediram-se.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 71279
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jan 20, 2017 10:13 am

* * *
Um pouco mais tarde, ao perceber que os amigos de George se foram, Sofia foi até a sala onde o noivo recolhia algumas coisas.
Sem trégua, perguntou:
- Por que não tem me dado os recados da Rute?
- Sei lá. Achei que ela ligaria depois.
- Se for para não me dar o recado, não atenda mais meu telefone.
O espírito Vicente se aproximou e passou a influenciar ambos:
- Vai deixar que ela domine você?
Diga que não concorda com essa história de ela se meter na vida da irmã - inspirava Vicente.
- Olha, Sofia, se quer saber a verdade - falou de um jeito ríspido, fora do que costumava fazer - estou cheio de ver você falando o que a Valéria deve ou não fazer.
Se ela quer apanhar do cara!...
Que se dane! Tem mulher que gosta disso!
- Não acredito no que estou ouvindo!
- Mas é isso mesmo! Estou errado?
- Está!!! Lógico que está!
- Sabe, Sofia, essas conversas sobre a Valéria estão ocupando todo o nosso tempo junto.
- Não senhor!
O que está ocupando o nosso tempo, e me incomodando muito, são os seus amigos aqui, na minha casa, sem eu ter convidado.
Não estou gostando do que está acontecendo aqui.
Quando os traz pra cá, tira a minha privacidade, a minha liberdade e deixa toda essa sujeira para eu limpar!
- Eu arrumo tudo!
- Não arruma não!
Não do jeito que estava! - gritou.
Fica farelo no tapete, no sofá, marcas de copos na mesa! Odeio isso!
- Tá gritando por quê?
Tá irritada com os problemas da sua irmã e vem gritar comigo?!
Sofia suspirou fundo e, procurando ficar mais calma, tentou argumentar:
- George, preste atenção...
- Prestar atenção coisa nenhuma!
Tenho mais o que fazer!
Virando-se, largou o que fazia e foi embora, deixando-a parada e falando sozinha nomeio da sala.
Uma indignação tomou conta de Sofia que nunca tinha se visto tão irritada e contrariada como naquele momento.
Sem ter o que fazer, foi para o quarto e deitou.
Não conseguiu dormir por tudo o que pensava e por tantas opiniões conflituantes que o espírito Vicente imprimia-lhe nos pensamentos.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 71279
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jan 20, 2017 10:13 am

Capítulo 7 - O retorno de Valéria

O tempo passava célere.
Usando fones de ouvido para escutar músicas de sua preferência, Sofia corria pela praia de Ipanema, na areia firme e húmida.
Queria se livrar do estresse que parecia pesar muito em seus ombros, em seus pensamentos.
Talvez nem escutasse a música.
Havia se reconciliado com George, mas ainda se sentia magoada.
Não conseguia perdoar-lhe totalmente pelo que tinha dito.
Pelo menos uma coisa ela havia deixado bem clara:
não queria mais os amigos dele assistindo a jogos em seu apartamento.
Às vezes, são nas discussões que conseguimos ser bem claros e dizer o que, realmente, desejamos e do que gostamos.
Só não podemos permitir que sentimentos acalorados nos dominem nesse instante.
Quando ficamos irritados, o assunto principal perde o foco para os nossos sentimentos alterados, então, para o outro, nossa postura parece errada.
Sofia ainda estava preocupada com sua irmã, embora Valéria atendesse uma ou outra ligação sua e dizia que estava tudo bem.
Quanto à dilatação de seus negócios, sentia uma insegurança indefinida.
Não sabia o que fazer.
Vânia, sua sócia, pressionava-a afirmando que a expansão era necessária e que iriam conseguir.
Mas a falta de convicção a perturbava ainda.
Sofia terminou a corrida e, antes de ir embora, parou perto de alguns aparelhos de ginástica.
Fez alguns alongamentos físicos.
Parou e ficou ali por algum tempo.
Notou que um rapaz, sentado na mureta da praia, olhou-a e sorriu.
Ela não correspondeu, mas ele lhe chamou a atenção.
Gostaria de olhá-lo mais, porem resistiu.
Séria, virou-se e pulou a mureta, chegando ao calçadão.
Pouco depois, ouviu:
- I lei! Moça!
Sofia virou-se, mas continuou andando.
- Seu celular! - gritou o rapaz.
Ela se olhou confirmando o que ele dizia.
Não estava com o celular.
Sorriu e voltou.
Bem próxima, agradeceu:
- Obrigada. Muito obrigada.
Nossa! Que cabeça a minha.
Ao pegar o aparelho, suas mãos se tocaram e isso os fez estremecer.
Algo inexplicável acontecia.
Olharam-se e, nesse momento, o telefone celular caiu ao chão.
Abaixaram-se juntos e se levantaram.
Ele, com o telefone na mão, novamente, entregou a ela e disfarçou o entusiasmo que sentia, sorrindo ao perguntar:
- Não sentiu falta do som que ouvia?
- Não. Tirei para fazer alongamento e me esqueci. - invadiram-se as almas com demorado olhar e novo impacto.
Sorriram.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 71279
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jan 20, 2017 10:14 am

Agora era a vez de Sofia disfarçar o que sentia.
- Obrigada.
- Por nada - respondeu ele.
Sofia guardou o aparelho junto com os fones e, correspondendo ao sorriso, virou-se e caminhou.
E ele também.
Olharam para trás algumas vezes, mas seus olhares não se encontraram mais.
Ela continuou caminhando pela calçada e olhava em direcção ao mar.
Logo se esqueceria daquilo.
Ficou observando a praia vazia.
O dia estava cinzento e a temperatura agradável.
Não demorou e Sofia sentiu o peito apertar novamente.
Não entendia a razão.
Voltou para seu apartamento.
Ao entrar, tomou um susto e questionou:
- Vânia! Você aqui?!
- Precisava daquelas plantas e vim buscar.
Você não estava e o George me deixou subir e pediu para eu aguardar.
- Cade ele?
- Não sei. Foi lá pra dentro.
Disse para eu dar uma olhada lá no escritório.
Procurei, mas não encontrei nada.
Então ele falou para eu te esperar.
Dá para pegar as plantas pra mim?
- Claro. Um momento - pediu, achando estranha aquela situação.
Não gostou do que aconteceu.
Foi para a sua suíte e escutou o chuveiro ligado.
De lá, foi ao escritório, pegou o que a outra queria e voltou à sala.
- Não precisava se incomodar em vir aqui.
Eu ia levar hoje - disse ao entregar.
- Estou entendendo que não queria minha visita - Vânia brincou.
- Não. Não é nada disso - falou com um tom de insatisfação em sua voz.
- Estou com pressa.
Nem fui ao escritório.
Vou directo ao cliente - comentou ao se dirigir para a saída.
- Ah! Aquelas encomendas chegaram hoje.
- Chegaram? - perguntou Sofia, sentindo-se atordoada ainda.
- Sim. Chegaram.
São lindas peças.
Você vai gostar.
- Tomara - falou, segurando a porta do hall.
- Agora vou indo - disse ao entrar no elevador.
Tchau.
- Tchau.
Só ao retornar para a sala, Sofia pensou:
"Como ela sabe que as encomendas chegaram hoje e são lindas?
Havia dito que não foi ao escritório.
E por que não me ligou antes de vir aqui?"
Aquilo a incomodou.
Deparando-se com George, perguntou, após cumprimentá-lo:
- O que faz aqui tão cedo?
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 71279
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jan 20, 2017 10:14 am

- Dei uma corrida e passei para te ver.
Então a Vânia chegou.
Mandei que subisse para te esperar.
Errei nisso também?
- E foi tomar banho?
- Enquanto ela esperava, fui para o banho para ganhar tempo e sair daqui arrumado.
Achei que não teria problema deixá-la esperando.
- Você mandou-a, no meu escritório, procurar as plantas do projecto de interiores?
- Ah! O que é que tem?
- Faça um favor, da próxima vez não manda ninguém subir, tá?!
- I lei, Sofia!
O que está acontecendo?
Está desconfiando de mim?
- Não achei legal o que aconteceu. Só isso.
- A Vânia é sua sócia!
É pessoa de sua confiança!
- Lá na empresa. Esta é minha casa.
Decidi que não quero algumas pessoas aqui.
Tenho esse direito.
- Não quer mais pessoas como meus amigos e sua amiga.
- Entenda como quiser, George.
Entenda o que quiser - virou-se e foi para o banho.
- É difícil entender você, viu?!
Foi a última coisa que ela ouviu do noivo.
Ao sair do banho, George já havia ido embora e, mais uma vez, aquela sensação ruim, que não gostava de experimentar.
Enrolada na toalha de banho, foi até a janela para, novamente, observar o tempo e saber o que vestir.
Nem frio nem calor.
Abriu o armário, olhou, olhou e não gostava de nada.
Parecia que nada lhe caia bem.
Pegou algo que há algum tempo usou e havia gostado.
Foi arrumar os cabelos que estavam mais crescidos e exibiam pontas que deformavam o corte.
- É... Nada está bom hoje, não é mesmo?
A vida está sem graça, sem sentido.
Sabe qual é o pior?
Se você dispensar o George, vai acabar ficando sozinha.
Já tem idade.
Antigamente, mulher na sua idade era chamada de solteirona - dizia o espírito Vicente, bem próximo à Sofia impregnando-a com suas energias pesadas.
Ao mesmo tempo, Tássio se aproximou e sugeriu:
- Se não consegue mudar os pensamentos, Sofia, faça uma prece.
Concentre-se em uma oração. Eleve-se.
Frente ao espelho, ela deu um suspiro.
Virou-se. Sentou-se em sua cama e tentou orar.
Não conseguia se concentrar.
Então rezou o Pai Nosso, oração que o próprio Jesus nos ensinou.
Prestou atenção em cada palavra, em cada desejo.
Incomodado, Vicente se afastou diante da dilatação prateada de uma luz vinda da encarnada.
Irritado, retirou-se.
Sofia sentiu-se melhor.
Ainda assim, não buscou ficar atenta a pensamentos inoportunos.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 71279
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jan 20, 2017 10:14 am

* * *
Em certa oportunidade, na casa espírita que frequentava, Sofia procurou por dona Francisca, médium e orientadora, tarefeira do centro.
A senhora achou incomum a presença de Sofia ali, na orientação.
Prestando-se a atendê-la, ouviu tudo até...
- Em resumo é isso, dona Francisca.
Meu noivo quer morar junto, como falei.
Tem o caso da minha irmã.
Também meus negócios.
Além disso, nos últimos tempos, não estou muito bem, emocionalmente falando.
Sinto uma angústia, uma inquietude, vontade de fazer nada.
Sinto-me pressionada.
Fico indecisa. Nunca fui assim.
Equilibrada e experiente, através da mediunidade, a senhora "viu" os espíritos inferiorizados junto à Sofia.
Sorrindo docemente, respirou fundo e olhando a outra de frente, comentou:
- Conheço você há muitos anos, Sofia.
Desde quando fazia curso na mocidade espírita.
Sei de sua capacidade e perseverança.
Sei também o quanto tem de conhecimento e é inteligente.
Deve saber que, quando se tem dúvida, não se deve tomar decisões.
Além disso, se não está firme quanto ao que tem de fazer na sua vida, será muito difícil arcar com o que os outros precisam na vida deles.
- Como assim, dona Francisca?
- A vida de sua irmã pertence a ela.
É a Valéria quem está se propondo a esse nível de aprendizado.
Você mesma sabe e mencionou que ela é maior, advogada, emancipada.
Foi a Valéria quem quis e aceitou a vida que leva.
- Mas eu não posso desejar o melhor para a minha irmã?
- Pode. Lógico que sim.
Desejar sim. Intrometer-se não.
Como amiga, e, pelas experiências que tenho na vida, eu diria para você somente acompanhar a vida de sua irmã e ficar pronta e preparada para ajudar a Valéria quando ela precisar de apoio.
Sim, porque, mais cedo ou mais tarde, ela vai pedir ajuda.
Mesmo assim, quando chegar o momento, você não deve desistir de sua vida para apoiá-la.
Deverá ajudá-la a se ajudar.
Isso, quando ela precisar e pedir.
Do contrário, a orientação que ela precisava, você já deu.
Breve pausa para que Sofia assimilasse e prosseguiu:
- Você me disse que pensa em levar sua irmã para sua casa, cuidar e orientar a Valéria.
Veja bem, se fizer isso, como vai ficar sua situação com o George?
Poderá decidir se casar ou unir-se a ele com sua irmã dependente de você?
Se fizer isso, o que vai fazer com a Valéria?
Veja bem, você tem sua empresa de decoração, a loja de móveis e de decoração, tem a nova loja que já está abrindo naquele novo shopping de móveis que me falou, os novos investimentos nas mercadorias importadas...
São compras que exigem grande investimento. É isso?
- Sim. É isso.
- Então, filha, o que posso dizer é:
separe uma situação da outra.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 71279
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jan 20, 2017 10:14 am

Primeiro, deixe sua irmã cuidar da vida dela.
A orientação de que ela precisava, já foi dada.
Segundo, entenda que, se você não estiver bem, se sua vida não estiver alicerçada, não vai poder ajudar ninguém.
Então, não tome atitude precipitada.
Se está em dúvida quanto a ficar com o George pelas coisas que tem observado nele, principalmente depois da conversa com sua mãe, espere.
Entenda que precisa conhecê-lo melhor.
Nenhuma união deve começar de repente. Nunca.
Vocês não precisam disso.
Embora esteja namorando há algum tempo, entendi que não se empenharam em se conhecer.
Seja sincera com ele.
Diga que quer esperar mais um pouquinho, pelo menos até o seu lado empreendedor, financeiro, profissional se estabilizar.
Até lá você vai aprendendo sobre ele, conhecendo, conversando, procurando fazê-lo entender como é uma vida a dois.
Pelo que me falou, ele parece bem imaturo, ainda.
- E quanto ao investimento que minha sócia tanto insiste?
- Tome as rédeas da situação.
Não deixe que ela decida por você.
Se está insegura, não faça nada.
O que não fizer na vida, poderá fazer depois.
Uma atitude impensada pode trazer consequências difíceis de reparar.
- Certo, dona Francisca.
Acho que entendi.
- Se não entendeu, eu posso repetir - sorriu.
Além disso, seria bom você se colocar à disposição de uma assistência espiritual, por meio de passes.
Muitos tarefeiros de casas espíritas não gostam de ser indicados à assistência espiritual, mas eles se esquecem de que podem ser os primeiros a serem assediados ou tentados por espíritos levianos.
É bom lembrar também que são os primeiros a serem socorridos por entidades sérias, valorosas e elevadas, quando pedem ajuda.
- Eu entendo e aceito sim - sorriu com bondade.
- Sabe, meu bem, independentemente de ser colaborador em casa espírita, igreja, centros sociais ou qualquer outra coisa, somos humanos e estamos encarnados.
Basta isso para sofrermos influências de espíritos inferiores ou levianos que querem rir e zombar dos nossos erros.
Estamos sujeitos a espíritos vingativos e desequilibrados que desejam nos fazer errar e sofrer.
Querem nos ver angustiados e depressivos, tristes e inactivos.
Qualquer um deles sempre se aproveita dos desafios que temos de experimentar em nossas vidas para nos prejudicar.
Se no seu planeamento reencarnatório existe a necessidade de você enfrentar um determinado desafio ou uma determinada prova, você vai passar por ela.
Se der atenção às ideias de cansaço, desânimo e outras que vierem em seus pensamentos, seu desafio será bem mais difícil.
Agora, se você não der atenção a pensamentos que querem castigá-la, respirar fundo, fazer uma prece verdadeiramente sentida e dizer, acreditando:
eu posso e sou capaz!
Deus está comigo me fortalecendo!
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 71279
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jan 20, 2017 10:15 am

Você já conseguiu a vitória para a sua prova antes mesmo de passar por ela totalmente.
Se fizer isso, vai se elevar tanto que aqueles espíritos inferiores não vão mais alcançar o seu nível e você não será mais interessante para eles.
Sofia sorriu confiante e agradeceu:
- Obrigada, dona Francisca.
- Agora vai, minha filha.
E aqui está o cartãozinho para você controlar o número de passes.
Depois que terminar, volte aqui para conversarmos.
Levantando-se, Sofia agradeceu novamente e a beijou antes de ir.
Naquele mesmo dia, iniciou a assistência espiritual através dos passes magnéticos.
Assim que Sofia saiu da sala, o espírito Vicente disse a dona Francisca:
- Velha intrometida!
Vou acabar com você!
"Deus todo poderoso, de amor e de bondade está em mim.
Deus me vivifica.
Ele me fortalece e me ampara.
Enquanto eu renunciar as más tendências o Pai estará em mim.
Sou equilibrada e vivo os ensinamentos do Mestre Jesus!
Todos aqueles que se aproximam de mim recebem os bons fluidos de amor e paz dos benfeitores de Luz.
Eles são meus amigos e companheiros de tarefa.
Assim seja sempre!" - esses foram os pensamentos da senhora que dissiparam imediatamente as energias inferiores emanadas por Vicente.
A mulher nem deu atenção ao que ele disse, desejou e ameaçou.
Sua fé inabalável criava algo como um escudo de protecção.
Além disso, benfeitores espirituais a acompanhavam sempre, embora pouco precisassem fazer, por conta dos bons hábitos e práticas valorosos.
Dona Francisca não se desviava do equilíbrio moral e espiritual.
Uma conquista a custa de muito empenho e aprendizado os quais todos somos capazes.
* * *
Com o auxílio dos passes magnéticos recebidos na casa espírita e de suas boas práticas, Sofia começou a se sentir melhor, mais confiante.
Porém Vicente e Lucídia aproveitavam-se de qualquer circunstâncias para procurar abalá-la e fazê-la perder a fé, a resistência.
Certo dia, um telefonema surpreendeu Sofia.
Era Rute.
- A Valéria está aqui na minha casa.
Seria bom que você viesse para cá.
Não demorou e Sofia, no quarto de Rute, conversava com a irmã.
Assustando-se ao vê-la, perguntou:
- O que foi isso?!
O que aconteceu?!
Valéria estava com um hematoma tão grande no rosto que chegava a deixar seu olho fechado.
Lábios inchados e cortados.
Braços roxos e mãos também machucadas.
Ela não respondeu às perguntas da irmã.
Abraçou-a forte e chorou muito.
Algum tempo depois e se afastou, dizendo:
- Eu fui embora do apartamento sem falar nada para ele.
- E ainda acha que precisava falar alguma coisa?
Você precisa é ir para a delegacia.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 71279
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jan 20, 2017 10:15 am

Precisa ir ao médico! - afirmou a irmã.
- Não! Por favor, não! - exclamou implorando.
- É preciso sim, Valéria.
Isso não pode ficar assim - tornou Sofia.
- Não! Não vou!
Nem para hospital nem para a polícia.
Se me levar para lá, vou mentir.
Dizer que fui assaltada, atropelada ou qualquer coisa assim.
Sofia olhou para Rute, que orientou:
- Se ela não quiser, não podemos fazer nada.
Observando-a, com piedade, Sofia decidiu:
- Então vamos para meu apartamento.
Vamos chamar um táxi.
- Você não está de carro? - estranhou Rute.
- Não. Deixei meu carro na empresa hoje cedo.
Fui até um cliente com o carro da empresa e dois empregados para finalizar uma decoração.
Quando você ligou, deixei os dois lá e vim para cá de táxi.
Rute pensou um pouco e decidiu:
- Deixe-me ver o Yuri.
Talvez meu irmão possa levar vocês.
Foi à procura do irmão e logo retornou dizendo:
- Ele está no banho e disse que pode levá-las.
Vamos aguardar um pouquinho.
- Não quero dar trabalho, Rute.
Podemos ir. Sem problema - disse Sofia.
- Não será incómodo nenhum.
Pena é minha mãe não estar em casa.
Ela poderia ajudar.
Dar uns conselhos, sei lá.
Precisa conhecê-la.
- Vou conhecê-la em outro momento. Não se preocupe.
Não demorou e um rapaz alto, porte físico moderado, moreno claro, cabelos e olhos castanhos surgiu no quarto.
Tinha um rosto agradável.
Só estava bem sério.
Ao vê-lo, Sofia o encarou por um tempo.
Acreditou que o conhecia de algum lugar, mas não disse nada.
Ele, por sua vez, teve seus olhos fixos nela.
Também nada comentou. Seria indelicado.
- Oi. E aí? - perguntou, tímido.
- Entra! - pediu a irmã.
Esta é a Sofia, que você vive atendendo ao telefone.
O sorriso de Yuri se abriu iluminado e cumprimentou:
- Olá! Prazer!
Tudo bem com você?
- Oi. Tudo bem - mesmo sorrindo, foi ela quem se constrangeu naquele momento sem entender o porquê, enquanto apertaram as mãos.
- E a Valéria... Você já conhece.
Valéria não o encarou.
Nem mesmo olhou em direcção de Yuri.
Assim que entrou, o rapaz fixou-se em Sofia e não havia observado a amiga de sua irmã.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 71279
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Jan 20, 2017 10:15 am

Quando o fez, surpreendeu-se e disse à Rute:
- Você me falou que ela não estava bem, mas...
Ela foi agredida!
Ela precisa ir ao hospital!
Isso é caso de polícia! - exclamou assustado.
As marcas em Valéria eram nítidas.
- Ela não quer prestar queixa - disse Sofia.
Pelo menos, agora não.
Quero levá-la pra minha casa e...
Lá nós vamos ver.
- Não! Não vou a hospital nem à polícia! - reagiu Valéria.
- Por que não? - ele perguntou.
Não pode ficar assim.
Quem fez isso precisa ser responsabilizado.
Um momento e perguntou:
- Você foi assaltada?
- Não. Isso foi obra do cara covarde com quem ela vivia - respondeu Rute.
Todos olhavam para Valéria que abaixou a cabeça e não dizia nada.
Sofia, tentando resolver logo a situação, propôs:
- Vamos deixar assim, por enquanto.
Vamos conversar melhor depois.
O que ela mais precisa agora é de um banho e de descanso.
Yuri pensou um pouco, encarou Sofia e decidiu:
- Acredito que deveriam tomar outra providência.
Mas, se é assim que quer fazer...
Vamos lá. Eu as levo.
Foi feito.
* * *
Depois de um tempo, chegaram todos ao apartamento de Sofia.
Yuri sentou-se no sofá da sala e ficou assistindo à televisão enquanto Sofia e Rute cuidavam de Valéria no quarto.
Algum tempo passou, Rute e Sofia retornaram à sala.
- Desculpe-me deixá-lo aí esperando, sozinho - pediu Sofia.
- Sem problemas. Não se preocupe.
Olhando para a irmã, perguntou:
- Vamos?
Sofia não esperou que Rute se manifestasse e opinou:
- Melhor não. Ainda deve estar tudo engarrafado.
Com pontos de alagamento por causa da chuva que caiu forte.
Melhor esperarem um pouco mais.
Vamos pedir uma pizza ou comida chinesa?
O que acham? - sugeriu animada.
- Não se preocupe com a gente - disse Rute.
- E isso quer dizer pizza ou comida chinesa? - perguntou Sofia com certa graça.
- Já que insiste...
Eu voto na pizza - afirmou Yuri.
Hoje estou com fome.
Rute se surpreendeu ao olhar para o irmão, mas não disse nada.
Sofia se sentiu satisfeita.
Queria agradar e retribuir a atenção e a ajuda que vinha recebendo dos amigos.
Animada, pegou o folheto da melhor pizzaria que conhecia e fizeram a escolha.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 71279
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: O resgate de uma vida - SCHELLIDA / ELIANA MACHADO COELHO

Mensagem  Conteúdo patrocinado


Conteúdo patrocinado


Voltar ao Topo Ir em baixo

Página 3 de 10 Anterior  1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10  Seguinte

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo

- Tópicos similares

 
Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum