Conde J. W. Rochester - Romance de Uma Rainha I / Wera Ivanovna Krijanovskaia

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Re: Conde J. W. Rochester - Romance de Uma Rainha I / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Fev 03, 2017 8:44 pm

Muito tempo decorreu assim.
O frescor da noite e o profundo silêncio haviam reagido sobre a jovem de modo benéfico.
Reaproximando-se da escadaria, apoiou-se na esfinge e contemplou o rio, cuja superfície quietíssima espelhava a Lua no seu primeiro quarto crescente, difundindo suave e misteriosa luz.
— Deus misericordioso — murmurou ela —, libera-me do amor por esse homem fatal.
Poderá ele suportar uma comparação com Roma, tão puro, bondoso, afectivo?
Mas, ante seu espírito surgiu vitoriosamente a imagem de Horemseb, de vibrante olhar, motejadora boca, com o encanto estranho e fascinador, que se exalava da sua personalidade, e, subitamente, invencível desejo de revê-lo atravessou-lhe o coração e o cérebro, parecendo que seu sangue se transformava em fogo líquido; serpentes incendidas, movendo-se, picavam-lhe o corpo; dor aguda perfurava-lhe o peito.
Com abafado gemido, a sofredora moça premiu a fronte contra o frio granito da esfinge a que se apoiara.
Assim absorta, não se apercebeu de que grande barca, de aparência comum e pintada de cor sombria, mas vigorosamente movida por oito robustos remeiros, aproximava-se célere do terraço; e não viu que homem de avantajado talhe, envolto em escuro manto, surgindo de uma cabina situada à popa, depois de olhar para cima, fez sinal para acostar à escadaria. O misterioso viajor era Horemseb.
Divisando a alva silhueta da jovem mulher, iluminada pela claridade da Lua e com a fronte encostada ao colosso de pedra, na atitude de recalcado desespero, um sorriso de satisfação irónica fez-se reflectir no semblante.
— Estás esmagada, orgulhosa criatura — monologou ele —, e o próprio acaso facilita meus planos e te entrega nas minhas mãos — concluiu, saltando sobre os degraus, que galgou sem ruído.
A dois passos da sua vítima, alheia a tudo, se deteve e desembaraçou do manto, pois sabia que olhado assim, à luz do luar, produzia deslumbrante efeito sobre as que estavam devoradas de amor por ele.
Braços cruzados, permaneceu imobilizado, fixando Neith, que tremia nervosamente; uma rosa purpurina que trazia à cintura exalava estonteante fragrância, que terminaria por atingir o olfacto da jovem e tirá-la do torpor em que estava imergida.
Com experiente olhar, constatara achar-se deserto o terraço.
Fosse o aroma enervante, actuando eficientemente, fosse a vibração pesada do olhar, agindo sobre a superexcitação nervosa, Neith voltou-se, e, apercebendo quase junto de si o ser fascinador, cuja imagem obcecava-a noite e dia, recuou, descorada de susto e pavor, e, estendendo ambas as mãos, como que para reprimir um espectro, murmurou:
— Sombra funesta, tem piedade de mim, e cessa de perseguir-me!
Olhos flamejantes, Horemseb inclinou-se e prendeu-lhe a mão.
Jamais lhe pareceu tão bela quanto nesse momento de terror e de angústia moral; algo semelhante a um desejo despertava em seu coração seco e álgido.
— Neith, não sou uma sombra e sim realidade viva; sou aquele por quem sonhavas aqui, sem esperança.
Não negues o que está revelado em cada traço do teu semblante, confessa que me amas, formosa revoltada! — acrescentou, acompanhando com satisfeito olhar o combate íntimo que se desenhava na fisionomia de Neith, que, meio afastada, forcejava por libertar a mão.
Ainda uma vez, a alma altiva e enérgica da filha de Hatasu rebelou-se contra o fascínio envenenado que a avassalava.
— Não, eu te abomino, criatura sem coração!
Maldito seja teu amor, que destila sofrimento! Tu não me verás a teus pés; antes a morte do que tal humilhação! — afirmou ela com a voz convulsa, e, repelindo violentamente o príncipe, tentou, com um movimento rápido, atirar-se ao Nilo; mas, céleres qual o pensamento, dois possantes braços a agarraram e ergueram como se suspendessem uma pluma.
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Ave sem Ninho

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Re: Conde J. W. Rochester - Romance de Uma Rainha I / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Fev 03, 2017 8:44 pm

— Criança louca, não é sofrimento que te trouxe, e sim ventura e repouso — segredou ele unindo seus lábios num beijo.
Eu te amo, cioso de cada olhar que se embriaga da tua beleza; no meu palácio de Mênfis, porei a teus pés tudo quanto possuo, e tu viverás unicamente para mim.
Resguardando-a com o seu manto, desceu, correndo, a escadaria, mas não reparou, ao saltar para a barca, que o véu de Neith, preso por uma saliência de degrau, caíra, arrastando com ele a rosa que Horemseb levava à cintura.
A perturbada vítima não ofereceu qualquer resistência.
Qual pássaro fascinado pelo magnetismo da serpente, ela se deixou arrebatar, oprimida de encontro ao peito do raptor, pois, nesse momento, tê-lo-ia acompanhado num braseiro, tal o poder que exercia sobre ela.
O derradeiro esforço de reacção que fizera quebrara-lhe as forças; as ondas do perfume entorpecente exaladas de Horemseb queimavam-na e paralisavam-na simultaneamente; os beijos recebidos haviam-na imergido numa embriaguez de felicidade.
Mas, tal ventura não era completa.
Pobre Neith!
Bem no fundo do coração, inundado de vitoriosa paixão, agitava-se uma agrura vaga, operava-se uma dilaceração interior; a imagem meio velada de Roma, buscando-a desesperado, erguia-se ante ela; cada remada, fendendo o Nilo, levava-a para longe de Tebas, do seu passado, dos seus amigos, rumo de uma felicidade, nova sem dúvida, mas igualmente incógnita.
Súbito, Horemseb, que a acomodara a seu lado, sobre uma pilha de almofadas, notou estar sua vítima tremendo e que escaldantes lágrimas caíam sobre a mão que a amparava.
— Tu sofres, pequena rebelde — disse em tom acariciante e aconchegando-a ao peito —, bebe alguns goles de vinho, e isso te reconfortará.
Aproximou-se de um móvel, colocado ao fundo da cabina e que discreta lanterna iluminava parcamente, e, abrindo uma caixeta de ébano, dela retirou diminuta ânfora de vinho, um copo e um pequeno frasco de esmalte azul incrustado. Tendo enchido o copo, derramou neste algumas gotas do frasco, e o deu a Neith.
Esta, devorada de sede, esvaziou-o de um trago e, imediatamente, sentiu-se aliviada; delicioso frescor invadiu-lhe o corpo, uma sensação langorosa, calma e fatigada, substituiu a febril agitação.
Apoiando a fronte na espádua do príncipe, fechou os olhos, e, bem depressa, profunda e regular respiração demonstrava que adormecera.
Horemseb estendeu-a nos coxins, agasalhou-a cuidadosamente, e, sentando-se a seus pés, monologou, satisfeito:
— Eis o que vale mais do que o orgulhe e a repugnância, inspiradores da veleidade de me abandonares a meio do caminho.
Dorme, bela caprichosa, pois despertarás por detrás dos muros sólidos do meu palácio de Mênfis, e, uma vez lá, não haverá regresso.
Apoiando nas almofadas os cotovelos, contemplou demoradamente a adormecida, que, bafejada de luz, fazia esplender o formoso rosto e a admirável cabeleira desnastrada.
— Em verdade, ela é deslumbrante — murmurou.
Eu a deixarei viver, e espero que Moloc não terá zelos, nem me castigará por isso.
Eu lhe sacrificarei as mais belas das minhas escravas, vivas se necessário, mas guardarei Neith para os dias de repouso e júbilo, decorridos os dez longos meses de abnegação que preciso guardar.
Ninguém suspeitará onde ela desapareceu, e o príncipe Sargon terá tempo de sobra para procurar a bela esposa!
O sorriso irónico e mau, esboçado nos lábios, pronto desapareceu, substituído por concentrada raiva, à lembrança de que existia alguém conhecedor da força entorpecente e dos efeitos das rosas rubras.
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Re: Conde J. W. Rochester - Romance de Uma Rainha I / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Fev 03, 2017 8:44 pm

Esse espectro era Neftis:
ela podia adivinhar onde Neith se perdera, à semelhança de várias outras lindas egípcias antes dela.
Suas mãos se fecharam crispadas e os olhos despediram fulgores sinistros.
— Miserável traidora e ladra, onde te escondes de todas as buscas? — rugiu, rangendo os dentes.
Ah! se te apanhar, caro pagarás tua audácia:
eu te queimarei viva nas entranhas de Moloc.
Eu a encontrarei — pensou depois, mais calmo.
Mena servir-me-á bem; esse desprezível ser, a quem um pouco de ouro estimulará o zelo, há de buscá-la activamente, e, encontrada, ele de tudo me informará, como o tem feito com relação a tudo que ocorre em Tebas.
Quanto a mim, prefiro viver no meu misterioso palácio, pois só ali me considero verdadeiramente feliz e poderoso.
Na Corte, todos são escravos, e, mesmo os ricos e altamente colocados, tornam-se joguetes nas mãos de Hatasu, escravizados, como ela própria, às rigorosas leis.
Sem tua ordem, rainha do Egipto, não mais pisarei em tua Corte, nem desejaria trocar por teu trono o meu poderio ilimitado; mais do que tu, exerço arbítrio de vida e morte, e quantos de mim se avizinham se prosternam e rastejam no pó; impunemente, Hatasu, me apossei da tua protegida, e reino sobre os corações das mulheres; não conheço outra vontade alheia à minha, e esse poder eu o terei para sempre, porque Moloc me prometeu a vida eterna!
Indefinível sorriso de orgulho contraiu seus vermelhos lábios, e concluiu:
Sim, só eu reino sobre o tempo destruidor de todas as coisas.
Oh! Tadar disse a verdade: eu sou bem Osíris encarnado sobre a Terra, uma centelha de Rá, bendito entre todos!
Quando o sol nascente despertou a cidade imensa para nova jornada de actividade e de trabalho, o palácio de Sargon foi tomado pela inquietude e estupor, ao se constatar a inexplicável ausência da sua senhora.
Acca, a velha ama, encontrando vazio o leito de Neith, acreditou inicialmente que se houvesse dirigido ao jardim, sem a chamar, embora isso jamais ocorrera; mas, depois de percorridos todos os aposentos e interrogados todos os domésticos, sem que resultassem indícios de Neith, foi presa de terror, e perdeu totalmente a serenidade.
À chegada de Roma, tudo estava em tumulto, e a velha aia a ele se dirigiu em soluços e lágrimas:
— Nobre mestre, sabes para onde foi a minha senhorazinha, a jóia dos meus olhos?
A nobre Roant não veio buscá-la ontem à noite?
Não a encontramos em parte alguma da casa!
Roma empalideceu.
— Que dizes, mulher?
Teria Neith desaparecido? — inquiriu ele, pegando o braço da serva.
— Ignoro, senhor.
Ontem, após tua partida, a senhora despediu a todos, e a mim disse:
“Vai dormir, Acca, porque ficarei ainda no terraço; eu te chamarei.”
Adormeci junto do seu leito, e, ao acordar, verifiquei que não se deitara, nem a encontrei em parte alguma.
Aconteceu-lhe alguma desgraça, porque aonde iria ela sem mim? — concluiu a velha, chorando desesperadamente.
Fremente de inquietação, o moço sacerdote procedeu minuciosa busca no palácio e nos jardins.
Chegado ao terraço, olhou casualmente para a escadaria, divisando então, no último degrau, algo branco, cuja extremidade pendia na água, balançando levemente.
Coração constringido por lúgubre pressentimento, desceu a correr, e identificou o véu que Neith usara na véspera, na extremidade do qual estava suspensa uma rosa vermelha.
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Re: Conde J. W. Rochester - Romance de Uma Rainha I / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Fev 03, 2017 8:44 pm

Com dedos amortecidos pela emoção, pegou os dois objectos e os premiu de encontro ao peito: não era tudo quanto restava da sua destruída felicidade?
Não havia dúvida: voluntariamente ou por acaso, Neith findara a vida nas águas do rio.
O ruidoso desespero de Acca interrompeu o torpor, e, dominando-se com esforço, saiu da enlutada mansão.
Subindo ao carro, rumou para a casa de Semnut, a fim de comunicar-lhe o acontecido, que tornava inútil a audiência solicitada na véspera.
Aflito e profundamente agitado, Semnut seguiu imediato para a real residência.
Desperta desde o alvorecer, como era de hábito, a rainha regressara de matinal passeio, e almoçava, quando lhe anunciaram que o seu conselheiro pedia ser recebido imediatamente.
Ao notar a fisionomia transtornada do fiel servidor, deixou a refeição, erguendo-se inquieta.
Informada da provável morte de Neith, recaiu na cadeira como que aniquilada:
o imprevisto golpe feriu-lhe de pleno o coração, quebrava o derradeiro laço que a ligava à fugitiva felicidade haurida no amor de Naromath.
Com toda a tenacidade, toda a violência própria do seu carácter, amara o jovem hiteno, e, à morte deste, sepultara com ele todas as fraquezas femininas, deixando apenas soberana a ambição no seu peito invulnerável.
E, agora, uma incompreensível morte furtava-lhe a filha de Naromath, a sua viva imagem.
Decorrido longo silêncio, que Semnut não perturbara por um movimento sequer, Hatasu, enxugando as lágrimas que lhe inundavam o rosto, indagou, em voz embargada:
— Que se sabe das derradeiras horas da inditosa criança?
Quem e em que sítio lhe falou pela última vez?
Semnut referiu tudo quanto lhe narrara Roma, e disse da suspeita de que o desgosto provável de renunciar definitivamente ao jovem sacerdote, liberto agora com a morte da esposa, aliado ao temor e à repulsão que lhe inspiravam o retorno de Sargon, dera talvez motivo à resolução mortal de Neith.
— Deuses imortais!
Por que não me confessou ela a verdade, quando a interpelei há dias? — exclamou Hatasu.
Afinal — acrescentou com dolorosa amargura — eu mesma estava em culpa, por não lhe haver dito, desde há muito, quem eu sou para ela.
Ante o Faraó, guardava a reserva devida à realeza, enquanto à mãe desvendaria todas as dobras da alma.
Constatando a comovente dor da sua soberana, Semnut tentou persuadi-la de que talvez as suposições formuladas fossem infundadas e de que o estado doentio de Neith, tão agravado depois da festa de despedida de Horemseb, degenerasse em momentânea alucinação, em vertigem causadora da queda nas águas do rio.
Ao nome do príncipe, súbita suspeita surgiu no espírito da rainha, recordando os numerosos suicídios, ocorridos após a sua partida, de todas essas jovens a quem um fatal amor arrastara à morte.
Teria Horemseb lançado a Neith algum sortilégio, e inspirado a ela também esse nefasto sentimento?
Mas, de pronto, repeliu tal pensamento, porque nunca ouvira Neith mencionar o enfeitiçador, e evitara ostensivamente encontrá-lo, além de que, se o “mau-olhado” de Horemseb a atingira, difícil seria acusá-lo disso.
Desolada, fundamente aflita, Hatasu sentiu necessidade de ficar a sós.
Depois de ordenar a Semnut que fizesse esquadrinhar o Nilo, para achar o corpo de Neith e dar-lhe as honras funerárias, encerrou-se nos seus aposentos, proibindo perturbá-la sob qualquer pretexto.
O fim deplorável e misterioso de Neith produziu em Tebas tanto interesse quanto compaixão, e, apesar de todas as sondagens, o corpo não foi encontrado, admitindo-se, por isso, houvesse sido, pelas correntes fluviais, arrastado para distante.
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Re: Conde J. W. Rochester - Romance de Uma Rainha I / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Fev 03, 2017 8:45 pm

Roant pranteou sinceramente a amiga; o sombrio desespero de Roma era superior a qualquer descrição.
Na família de Pair, o triste acontecimento restabeleceu a concordância tão terrivelmente abalada pela cena escandalosa que ia custando o corte do nariz de Satati e a vida de Mena.
Para salvar as aparências, marido e mulher se haviam reconciliado no dia seguinte, mas essa paz factícia encobria mil espinhos ocultos.
Entretanto, continham-se e olvidavam o passado; sentiam que a morte de Neith arrebatara-lhes a sua mais segura proteção.
A que era dada a Pair e seu sobrinho, em razão de Neith, mas da qual Satati bem sabia o vero motivo, tinha sido o único fio sólido que lhes assegurava a benevolência da rainha.
Por múltiplos motivos, nenhum deles chorou por Neith, excepção feita de Keniamun, que, além da sincera simpatia, tinha dívidas, sempre pagas pela generosa amiga, desaparecida antes que ele lhe pudesse confiar suas novas dificuldades.
Triste porvir!
Que fazer, sem ela?
Mas, teria ela realmente perecido?
Apesar das aparências, Keniamun duvidara, e resolveu vigiar e perquirir sem trégua quanto à realidade da morte de Neith, consagrando a esse inquérito secreto toda a subtil esperteza e tenacidade de espírito de que era dotado.

Fim do primeiro volume

§.§.§- O-canto-da-ave
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