Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 06, 2017 10:40 am

Ao término da reunião, quase na hora do almoço, ele passou apressado próximo à mesa da secretária e, por haver outros companheiros por perto, avisou sério:
— Paula, não me passe ninguém.
Tenho que fazer algumas ligações importantes.
— Eduardo! — chamou a moça.
Há um recado de uma ligação importante na pasta sobre a sua mesa.
Estão aguardando o retorno.
Na troca de olhares com Paula, Eduardo entendeu que se tratava de Helena.
—Obrigado, Paula. Vou retornar.
Já em sua sala, acomodado em seu lugar, ele não demorou e abriu a pasta para se certificar do recado e telefonou imediatamente.
—Helena? É o Eduardo. Tudo bem?
—Que bom falar com você! — atendeu com certa aflição na voz.
—O que houve?
Você parece nervosa.
— Desculpe-me se estou atrapalhando.
Sei que você é muito ocupado...
— Não peça desculpas, Helena, por favor.
Entre amigos não existe isso — pediu com meiguice.
Diga, o que aconteceu?
— Foi o meu irmão, o Mauro.
Nessa madrugada acordamos com ele gritando, tendo uma crise de nervos.
Estamos todos assustados.
Só vim trabalhar porque tenho um projecto para entregar e... sabe como é, estou há pouco tempo nessa função, não tenho prática e não posso falhar.
— Entendo.
Vocês o levaram ao médico?
— Não. Ele não quis ir.
Nossa! Nem sei contar como foi...
— Vamos almoçar juntos, daí você me conta.
—Não posso.
Quero dizer, preciso compensar o atraso de hoje cedo.
Não vou almoçar hoje, já pedi um lanche.
—A Bianca está bem?
Helena gaguejou para responder, demonstrando certa insegurança ao dizer:
— Está. De certa forma, está.
Mas não foi à escola hoje.
Sabe, ela voltou a dizer aquelas coisas sobre ver a...
— Entendo. Façamos o seguinte:
Passo aí para pegá-la no final do expediente.
Conversamos e depois vou lá ver o Mauro, certo?
Não. Talvez ele não queira que você saiba.
Eu nem deveria ter contado.
Você agiu certo.
Fez bem em ter ligado.
Você está bem?
- Estou confusa. Mas estou bem.
- Procure ficar tranquila.
—Vou tentar.
— Pense em outras coisas, está bem?
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 06, 2017 10:40 am

— Certo. Mais tarde conversamos.
Agora tenho muito a fazer por aqui.
— Tudo bem. Não quero atrapalhá-la.
Mas, por favor, m liga, certo?
— Ligo sim.
Obrigada e me desculpa.
—Fico aguardando. Tchau.
O rapaz ficou preocupado.
Aquela surpresa o desarmou e ele não sabia o que dizer.
Pegando o telefone, chamou pela secretária, que foi imediatamente à sua sala.
Logo que ela entrou, ele perguntou:
— Paula, você já almoçou?
— Não.
— Pretendia almoçar hoje? — perguntou risonho e sem graça.
— Estou pensando em começar um regime.
Estou com alguns quilinhos a mais — retribuiu brincando.
— Estou angustiado e preciso dividir isso com alguém.
Você pode me ouvir?
— Claro, Eduardo!
— Então sente-se.
Apresentando certa insegurança, ele contou-lhe tudo o que aconteceu desde a morte de sua irmã, incluindo factos que já havia contado antes.
Falou sobre as visões de sua sobrinha, sobre o desespero do cunhado, além da desconfiança sobre sua mãe saber algo a respeito da morte de Lara.
Acabou contando até sobre a briga de Erika e Gilda na noite anterior.
— É isso, Paula — desfechou, encarando-a firme.
A moça permanecia tranquila, sem nenhuma alteração na fisionomia serena.
Após alguns segundos, ela falou mansamente:
—Sabe, Eduardo, perdi um óptimo emprego que tive antes de vir para essa empresa, tudo por causa de uma opinião que dei, porque tiveram preconceito com a minha crença.
Hoje, novamente, com um bom emprego, com um salário que não posso reclamar, me vejo em uma situação semelhante.
Ela sorriu e completou:
— Acho que esse é meu carma*, tenho que passar por isso.
O rapaz retribuiu o sorriso e, mesmo sem entender, aguardou que ela se manifestasse.
— Você acha que terminamos com a morte, Eduardo?
— Não sei.
— Você crê em Deus?
— Sim. Eu creio.
—Óptimo! Já temos um bom começo.
Deus é o Criador de tudo e de todos, e Ele não faz um nascer rico ou pobre, branco, negro, amarelo, debilitado físico ou mental por puro capricho Seu.
Temos um objectivo na existência que é o de evoluirmos e, para isso, nascemos com determinada posição social, característica física, ou outros problemas, de acordo com o que fizemos em outras vidas.
E enquanto não saldarmos os nossos débitos, harmonizando nossa consciência, vamos experimentar situações difíceis; para isso reencarnamos, ou melhor, nascemos de novo, quantas vezes forem necessárias. Entendeu?
Eduardo pareceu iluminar-se e, mais animado, respondeu:
—Entendi sim. Vai, continua.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 06, 2017 10:40 am

—Só que não nascemos com manual de instrução que nos ensina como usar o nosso raciocínio, como acertar na escolha.
Existem várias religiões e filosofias milenares, e eu diria que pelo menos, para nós aqui do Ocidente, o manual de instrução mais conhecido e de fácil entendimento é aquele deixado por Jesus, o Seu Evangelho.
Na tradição indiana a palavra carma significa, entre outras considerações, o efeito de uma acção, ou a soma total dos efeitos de acções, em vidas passadas, da qual a criatura experimentará os resultados do que provocou a qualquer custo. Carma é uma palavra milenar que não foi empregada na Doutrina Espírita:
entretanto, quando o Espiritismo explica sobre a Lei de Causa e Efeito*, ou seja, que sofremos o efeito do que causamos, o sentido filosófico é um tanto similar - mesmo assim, não exactamente.
— Como assim?
— No Evangelho Jesus ensina a ser bom, prudente, caridoso, amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.
É tão fácil que não fazemos direito, aí acabamos criando superstições, amuletos, cremos em trabalhos espirituais que possam nos prejudicar ou nos ajudar, e com isso não amando a Deus sobre todas as coisas como Jesus ensinou, acabamos nem amando ao próximo como a nós mesmos, porque sempre estamos julgando, fazendo piadinhas preconceituosas, querendo ridicularizar de alguma forma seja quem for.
Daí o que acontece é que o nosso corpo carnal, que por qualquer motivo morre, se acaba.
Só que temos um espírito, e esse é imortal.
Então, quando estivermos sem o corpo de carne, por termos sido pessoas críticas, que faziam piadinhas, ridicularizavam os outros com orgulho, arrogância, egoísmo, apegos materiais, físicos etc., ficaremos em um estado de perturbação muito grande.
Não compreenderemos nenhuma ajuda, não iremos nos socorrer por falta de fé, e fé não significa somente acreditar em Deus, mas aceitar Deus e ter condição moral.
E nesse estado de perturbação o espírito não aceita a nova experiência, procura viver como antes e, geralmente, próximo da família.
— Com isso você quer dizer que minha irmã que morreu, a Lara, pode estar perto de nós, e que a Bianca pode vê-la?
— A criança, principalmente nessa idade em que a Bianca está, é bem sensível.
Acredito que ela tenha visto a mãe, sim.
Até porque a Helena contou sobre a suposição de suicídio que mais ninguém sabia.
— Mas, se for assim, de certa forma ela está desequilibrando todos nós.
Eu mesmo me incomodei com os sonhos que tive, a Bianca teve pesadelos e ainda vê a mãe sempre chorando, o Mauro anda deprimido, amargurado, teve crises nervosas.
— Acho que até a própria Helena também está sofrendo influências da cunhada, pois, pelo que você contou, elas eram bem ligadas.
— Mas a Lara não era uma pessoa má.
Ela nos queria bem, amava a filha.
Como isso se explica?
— Veja, Eduardo, a Lara não era e não é uma criatura má.
Ela só está perturbada, não sabe que sua presença, junto aos encarnados, está desequilibrando aqueles a quem ama.
Ela não compreende isso e também não sabe como sair dessa situação.
Ela clama por socorro e quer ajuda, por isso os rodeia.
Ela não entende sobre a vida espiritual, por isso não aceita e ainda deseja viver como antes, perto do marido, da filha, mas isso é impossível.
— Talvez ela ainda possua um certo grau de egoísmo ou de possessividade por ainda querer estar junto aos seus, um apego excessivo...
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 06, 2017 10:40 am

— Pronto! Você entendeu.
Esse apego excessivo a deixa próximo dos encarnados, e por essa razão ela não tem como repor as energias de que necessita para seu novo estado.
Por isso sente necessidades como se estivesse encarnada, e sua mente faz com que apresente essas carências numa aparência que entendemos ser precária, feia, maltrapilha.
— Se nascemos e morremos tantas vezes, por que não lembramos, após a morte, que temos de nos desapegar dessa vida?
Por que não sabemos o que fazer?
— Porque somos teimosos.
E quando possuímos orgulho, avareza, egoísmo, preconceitos e outras mazelas ficamos como cegos e não recordamos sobre o que é bom, o que verdadeiramente vale a pena.
Trocando em miúdos, isso significa que não somos humildes nem temos fé para aceitar os desígnios de Deus sem nos queixarmos.
E a queixa, a exigência, nos atrai para junto do que queremos e acabamos por ficar presos aqui na crosta da Terra, ou melhor, no plano espiritual junto aos encarnados e sem as provisões necessárias para o nosso novo estado, sem os esclarecimentos, os ensinamentos que vão nos ajudar a evoluir.
- Há alguma coisa que podemos fazer para ajudá-la?
- Sem dúvida! — avisou animada.
Você viu que sua sobrinha disse que a Lara pareceu ter dormido após um padre ir lá e orar?
- Sim, isso mesmo.
Mas não dá para ficar chamando um Padre todos os dias.
— Por que você acha que tem que ser um padre para ir lá orar?
— Não sei... — sorriu por não saber explicar.
— Não estou diminuindo a qualificação de ninguém.
Só quero explicar que um padre é uma pessoa igual a mim e a você.
Ele é um homem com dúvidas, fraquezas, fé, entre muitas outras qualidades e necessidades.
E igual a qualquer outra pessoa, e se um padre pode ter fé, autoridade e amor para fazer uma prece por que é que nós não poderíamos ter?
Jesus disse que se tivéssemos a fé do tamanho de um grão de mostarda conseguiríamos tudo.
Em vários momentos o Mestre nos alerta de que poderíamos fazer o que Ele fazia e muito mais, bastaria ter fé, amor.
Ah! Quando eu digo ter autoridade, lembre-se de que autoridade não é grito, não é veemência, não é imposição da sua vontade.
Autoridade é consciência firme na certeza de ter razão e saber exibir argumentos com paciência e expressão de amor.
Não vá pensar em fazer uma sessão de exorcismo, gritar e berrar, dizendo:
"Sai daqui, capeta!".
Eduardo riu, e ela continuou:
— Lembre-se de que esse espírito não sabe o que fazer, não sabe ou não entende o que é correto, e por isso está ali.
Lembre-se de que é a sua irmã que precisa de carinho, paz e compreensão.
— Espere aí, você está dizendo para eu ir lá e rezar como fez o padre?
— Não exactamente.
Um padre, pelo que sei, sai benzendo toda a casa.
O que você e a família devem fazer é uma linda prece, uma oração, o que chamamos de Evangelho no Lar.
— E como é isso?
— Todos se reúnem na sala, na cozinha ou em qualquer outro lugar e com imenso respeito alguém faz uma prece que pode ser o Pai-Nosso, o que é chamado de prece inicial, depois outro lê um trecho curto do Evangelho de Jesus, mas não tão curto, o suficiente para se entender a história.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 06, 2017 10:41 am

Depois vocês comentam sobre o ensinamento, ou seja, o que Jesus quis ensinar com aquilo.
Em seguida façam uma curta vibração, que é desejar paz ao mundo e à família, desejando luz às consciências necessitadas, só isso.
Não fiquem vibrando por isso e por aquilo, pois quando se alonga uma vibração sempre vai existir alguém que fica vibrando para que essa vibração termine logo.
E terminem com uma prece agradecendo por aquele momento e pedindo que Jesus abençoe a todos.
Também não façam preces muito longas.
Tem sempre que haver verdadeiro desejo em tudo o que se está dizendo e não frases longas, palavras difíceis.
O que importa é a sinceridade, não a beleza.
Deus sabe o que há em nossos corações.
Além disso, seria importante vocês irem a um centro espírita, onde haja palestras evangélicas, escolas doutrinárias e assistência espiritual com passes magnéticos.
Isso os farão adquirir conhecimento.
—Não me agrada a ideia de ver espíritos, falar com espíritos.
—E quem disse que você vai ver algum espírito, falar com algum espírito ou com um médium incorporado?
Nada disso. Você vai assistir a palestras onde são apresentados ensinamentos de Jesus, a fim de que, aos poucos, você adopte o hábito de viver em harmonia como o Mestre ensinou, pois os ensinamentos de Jesus não foram, como pensam alguns, só para serem empregados e pregados dentro das casas espíritas, ou somente para determinados casos.
Não. Os ensinamentos do Cristo são para serem vividos, incorporados em todas as nossas práticas e pensamentos até quando estamos sós, principalmente.
Devemos lembrar que os espíritos sempre acompanham aqueles com os quais têm afinidades, e quando você está em algum evento ou palestra os espíritos também vão ouvir e aprender junto com você.
Com o tempo, provavelmente os espíritos ignorantes que possam segui-lo deixarão o estado de perturbação e encontrarão socorro, ajuda e recomposição.
Quanto aos passes, é bom que saiba que o passe é a recepção de energias, e isso o próprio Jesus fazia quando estendia as mãos para abençoar e curar.
Eduardo ficou parado por alguns segundos, olhando-a com atenção, depois se manifestou:
- Paula, é estranho, mas eu entendi.
Não sei bem por Que, mas acreditei e aceitei tudo o que você falou, e isso se deu com muita naturalidade.
Geralmente reluto a aceitar uma ideia nova.
Mas, me diga, se isso está acontecendo principalmente na casa da Helena, como é que eu vou chegar lá e... vamos dizer, pedir tudo isso?
Nem tenho argumentos para tanto.
A dona Júlia é católica praticante e uma óptima pessoa.
Ela me poria para correr em dois minutos se eu falasse de espírito, de sessão ou sei lá do quê.
— Vocês não vão fazer sessão nenhuma na casa de ninguém.
O Evangelho no Lar é uma prece e um pedido de luz e bênçãos, é um momento de aprender o que Jesus ensinou, nada mais.
A reunião da família para ler os ensinamentos de Jesus e fazer uma prece não depende de você ser católico, espírita, protestante, umbandista ou seja lá o que for.
Devemos lembrar que Jesus não impôs ou ensinou, muito menos denominou religião alguma.
Aquele que segue Seus ensinamentos é um Cristão, independentemente da religião que siga.
E a leitura de seu Evangelho pode ser feita por qualquer um.
Com a ajuda da Helena, creio que dona Júlia vai entender.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 06, 2017 10:41 am

Não precisam dizer nada, peguem uma Bíblia, leiam e acabou.
Ela não vai se opor.
— Mas e o facto de ir a um centro espírita?
— Vá você e a Helena.
Aos poucos, com o tempo, eles vão perceber que não há nada de errado nisso.
Jogando-se para trás na cadeira, ele riu e perguntou:
— Deus! O que faço?
— Ore! — sugeriu sorrindo.
Você costuma rezar?
— Não.
— Bem que eu disse que é tão simples, é tão fácil e quase ninguém faz.
Orar é simplesmente conversar com Deus.
E agradecer as oportunidades e até as dificuldades, pois são elas que nos fazem crescer.
Orar é pedir entendimento e força para saber tomar as melhores decisões e ter bom ânimo.
— É tão fácil que ninguém faz! — repetiu Eduardo com um suave sorriso.
— Vai, Eduardo! Tenta!
Estarei torcendo por você.
Agora... quero saber sobre meu emprego.
— Como assim?
— Quando vou receber minhas contas?
Sim, porque por muito menos já fui demitida.
Sei na pele as consequências do preconceito religioso que me atacou silenciosa e traiçoeiramente.
Suspirando fundo, ele avisou com um sorriso cínico:
—Pois bem, suas contas... Ora, Paula!
Suma daqui pelo resto da tarde.
Não quero vê-la de jeito nenhum.
Eu mesmo vou sair mais cedo, vou pegar a Helena — disse, estampando agora um largo sorriso de contentamento.
— Sério? Posso ir?
— Mas esteja aqui amanhã bem cedo.
Temos uma reunião às nove.
— Você não sabe como está me ajudando.
Minha filha não está muito bem hoje.
Ligaram da escolinha pouco antes do almoço e eu pedi que contornassem a situação até eu conseguir alguém para pegá-la.
Mas até agora não encontrei ninguém.
—Por que você não falou antes?
O que ela tem?
—Disseram que estava enjoadinha, que não queria comer, que reclamava que tinha um espinho na garganta.
Mas estava sem febre. Pobrezinha.
Eu sei que isso é coisa de criança, mas...
—E seu marido? Já voltou da viagem?
— Ainda não. Deve chegar no final da semana.
Essas viagens de trabalho me deixam tão preocupada.
Não consigo me acostumar. Bem, deixe-me ir.
Obrigada pela folga.
— Eu que agradeço. Obrigado por tudo.
Estimo as melhoras da nené.
Paula saiu enquanto ele ficou pensativo, reflectindo sobre tudo o que ouvira.
Reparou que a secretária sempre fora sensata, prudente, repleta de ânimo.
Sempre confiou muito nela e admirava seu comportamento.
Gostava muito de Paula como se já a conhecesse há muito tempo.
Gostava dela como uma irmã.

* Por conta dessa verossimilhança, inúmeros Espíritas e Espiritualistas fazem uso do termo carma para simplificar o significado terem de experimentar a qualquer custo uma situação ou o que causaram (Nota da Autora Espiritual).
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 07, 2017 11:13 am

12 - ASSUMINDO OS SENTIMENTOS

A chuva forte que caía deixava um tom cinzento muito pesado, até mesmo sombrio, no céu da cidade cor de chumbo que pouco verde podia oferecer aos seus habitantes tão carentes de natureza e paz.
Depois de se encontrar com Helena, Eduardo, antes de seguir o caminho para a casa da moça, convidou-a novamente:
— O trânsito deve estar igual ou pior ao de ontem.
Os semáforos não estão funcionando em alguns pontos e tudo está um caos.
Conheço um lugar tranquilo aqui perto.
É um bom restaurante, acho que podemos conversar um pouco e é mais seguro, o que você acha?
— Prefiro jantar em casa.
Minha mãe gosta de todos reunidos à mesa.
— Então não precisamos jantar, podemos tomar um suco, beliscar alguma coisa...
Já sei! Iremos ao mesmo lugar onde fomos naquela noite.
Acho que você gostou de lá, é calmo, música ao vivo...
Um aviso no noticiário do rádio informou, que até o metrô da cidade estava parado, que as enchentes não deixavam nem os ônibus passarem nas principais vias de acesso aos bairros.
Pensativa, após ouvir o noticiário, Helena lamentou:
—Viu onde você veio parar?
Atravessou a cidade para isso.
—Acho bom irmos jantar — insistiu novamente.
Se não, iremos ficar presos no trânsito e, pior, com fome! — brincou.
— Vamos fazer o seguinte:
você liga para sua mãe, avisa que está comigo, dá o número do celular.
Ela vai ficar tranquila por saber onde pode encontrá-la.
Mesmo que não estivesse comigo, você não chegaria em casa cedo.
Acho que hoje todos terão problemas.
Helena concordou, e ao chegarem no local referido por Eduardo eles já estavam acomodados à mesa quando Helena comentou:
— Ontem em casa, depois que você saiu, foi um inferno!
— Por quê?
— Eu não sabia, mas antes de chegarmos o Mauro e a Carla já haviam se desentendido.
— Achei o Mauro meio estranho quando chegamos, mas como você falou que ele estava deprimido não me importei.
— É que a Carla acabou fazendo umas fotos, coisa simples, para uma marca de óculos.
Dessas que ficam expostas em ópticas.
Então o meu irmão ficou louco da vida.
Minha mãe contou que ele já estava irritado, disse que parecia que o Mauro estava procurando em quem descarregar a sua fúria, pois já havia brigado com a Bia, implicado com o cachorro do vizinho que estava latindo muito...
Daí quando a Carla chegou eufórica, falando das fotos, não precisou muito.
Minha mãe disse que, quando chegamos, eles deram uma maneirada, mas depois que você se foi...!
— Ontem também, quando cheguei em casa... — interrompeu Eduardo, detalhando tudo o que havia acontecido e até mesmo sua perplexidade quando ouviu sua mãe lamentar por ter salvado a filha de um acidente fatal e se arrepender por ter tido mais filhos.
— Eduardo! Que horror!
— É... — respondeu descontente. — Pra você ver.
Nunca pensei.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 07, 2017 11:13 am

Às vezes acho que minha mãe está doente.
O que contei sobre o Mauro não foi só isso — prosseguiu ela.
Na madrugada, depois que fomos dormir, meu irmão acordou gritando.
Ele não falava coisa com coisa, mas por duas vezes chamou pela Lara.
— E daí?
— Quando chegamos ao quarto, o Miguel tentava acordá-lo, só que o Mauro, mesmo com os olhos abertos, parecia estar sonhando, tendo um pesadelo.
Eu nem quis ver.
Meus pais correram e ficaram lá com ele.
Quando voltei para o meu quarto, a Carla tentava consolar a Bianca, que começou a chorar e disse assim:
"Tia, é a minha mãe.
Ela tá triste e faz meu pai chorar."
— Ela falou isso?
— Com todas as letras.
Sentei-me ao seu lado e fiquei com ela até que dormisse.
Confesso que estou assustada, com muito medo.
Tem momentos, Eduardo, que sinto uma coisa... uma angústia sem fim.
— Sabe, hoje na hora do almoço, conversei com a minha secretária executiva, pessoa de muita confiança e...
Eduardo começou a relatar toda sua conversa com Paula, falando também sobre o que a moça aconselhou.
Mas enquanto eles conversavam, no plano espiritual, Nélio, que acompanhava Helena, aproximou-se bem da jovem e a envolveu, procurando transmitir-lhe seus pensamentos, seus desejos íntimos, mas com certa generosidade, pois não se despojara de sua fascinação.
—De que adianta seguir estas opiniões?
Tudo já está escrito.
Poupe energias e forças para viver comigo pela eternidade.
Ouça o que eu digo, pois sou o teu guia, aquele que te protege sempre. — insuflava Nélio entre outras coisas.
Todos temos um espírito que se liga a nós, em particular, para nos proteger.
Normalmente conhecido como guardião, anjo da guarda, espírito protector ou mentor, que certamente pertence a uma ordem mais elevada do que a do protegido.
Esse espírito protector se liga ao pupilo encarnado desde o seu nascimento até a morte do corpo e sempre procura inspirá-lo com bons conselhos, sustentando-o com coragem diante das dificuldades, das aflições e das provas da vida.
Por mais que estejamos em dificuldades na vida, por mais que uma prova ou expiação seja tempestuosa, o anjo da guarda nunca abandona o seu protegido enquanto este tiver fé, humildade, bom ânimo.
Entretanto, se o protegido se inclinar à influência de espíritos inferiores, submetendo-se a pensamentos e actos de pouco valor, desprezando a fé que pode cultivar, recusando a expressão de humildade, negando-se ao bom ânimo no bem para prosperar, seu espírito protector se afasta, mas não o abandona completamente, e, vez por outra, procura se fazer ouvir.
É por essa razão que o espírito protector de Helena, aproximando-se naquele instante, a inspirou:
—Devemos sempre ter fé.
Devemos buscar a paz para alimentar nossas consciências, assim como buscamos valores representativos para fartar nossa mesa e nossas necessidades materiais.
Se despendemos esforços para o trabalho que nos traz o pão, devemos despender também o mesmo esforço para o encontro de conhecimentos que nos alimenta e liberta a alma.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 07, 2017 11:15 am

Jesus já nos disse para conhecermos a verdade e que ela nos libertaria.
Ninguém podia perceber o anjo guardião que procurava guiar Helena, nem mesmo o espírito Nélio, tendo em vista sua inferioridade na escala evolutiva.
A princípio, enquanto ouvia Eduardo, Helena sentiu que aquele assunto lhe causava um certo incómodo, mas logo se interessou quando o colega disse algo sobre a sensibilidade que algumas crianças podem ter.
Ela adorava a sobrinha e, para ajudá-la, estaria disposta a tudo.
Na verdade, essa gota de ânimo surgiu quando seu mentor sugeriu esforços à procura de conhecimento.
— Tudo isso é tão novo para mim quanto para você, Eduardo.
Se bem que, para o que a Bianca diz, deve haver alguma explicação racional.
— E engraçado, aceitei tão bem esses conceitos, achando-os tão lógicos.
Nunca encontrei um ensinamento melhor.
Somos católicos.
Ou melhor, minha mãe é quem vai à igreja.
Nós, só de vez em quando.
Não sei se a dona Júlia será simpática a essa ideia.
— Nisso eu concordo com você.
— Afasta-te dele, Helena! — quase exigia o espírito Nélio.
Não vês que poderás embrenhar-te num pântano de sofrimento e de brigas com os teus, graças a estes conceitos vãos, tolos?
Subitamente Helena, apresentando certa inquietude ao torcer as mãos, ao erguer o tronco e olhar para os lados, perguntou:
— Será que o trânsito melhorou?
— Não creio.
Ainda está chovendo.
— Não estou ouvindo — duvidou.
— Reparei que as pessoas que chegaram passavam as mãos pelos braços tentando tirar alguns respingos.
Ela silenciou, algo a incomodava.
Mas o som agradável do piano que ressoava suavemente de certa maneira a relaxava.
Num gesto impulsivo, Eduardo segurou a mão da jovem sobre a mesa e, tocando-lhe com carinho, sugeriu gentilmente:
— Vamos pedir o cardápio?
Acho bom jantarmos, pois creio que não chegaremos cedo.
— Vai ficar tarde — reclamou preocupada.
— Toma — disse, oferecendo o aparelho —, pega o celular e liga para sua mãe.
Diga que está comigo e que vamos jantar.
Isso a deixará tranquila.
Helena titubeou, mas as circunstâncias a obrigavam a aceitar a proposta.
Feita a ligação, após entregar o telefone, avisou:
— Minha mãe disse que lá está caindo o mundo.
Até agora o Miguel não chegou e ela não consegue nem ligar para ele.
Só cai na caixa postal.
— Com certeza está fora de área e ele deve estar preso no trânsito.
O pedido da refeição foi feito e esta foi servida.
Agora, com assuntos corriqueiros e menos pertinentes às preocupações de momentos antes, eles conversavam mais animados.
Eduardo, bem mais à vontade, parecia estar encantado e não procurava esconder seu olhar de admiração quando fitava a moça, que talvez não tenha percebido e, por causa da conversa agradável, exibia-se mais solta.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 07, 2017 11:15 am

O espírito Nélio, irremediavelmente furioso com o que observava, não suportou ficar presente.
A alegria de Helena na companhia de Eduardo o incomodava de modo inenarrável, e ele se retirou fazendo com que a vibração em torno do casal ficasse muito mais saudável e harmoniosa com sua ausência.
Aproveitando-se da confortável poltrona que circundava a mesa, sem nenhuma separação entre eles, Eduardo colocou-se mais perto e argumentou:
— Já contamos todas as peripécias dos nossos irmãos.
Seria bom falarmos de nós.
Diga-me algo sobre você.
— Sobre mim?! — estranhou, mas com certa alegria recatada.
—Lógico! Primeiro as damas — disse brincando e gentil.
— Ei! Como você veio parar aqui do meu lado? — perguntou, ao reparar que Eduardo já estava bem próximo.
— Deslizando! — admitiu rindo com gosto.
Precisava ouvi-la melhor.
Você fala tão baixinho.
Mas me conta, vai!
Quero saber de você.
Quais as suas perspectivas para o futuro?
Olhando-o nos olhos, um pouco mais séria, Helena suspirou profundamente ao afirmar:
—Não sei direito.
Eu havia feito tantos planos para quando terminasse a faculdade, fiz cursos... mas hoje não sei o que posso fazer, estou sem ideia.
Ah! Não me deixe embaraçada.
Fale de você primeiro.
— Tenho planos, sim.
Espero realizá-los.
— Quais? Pode contar?
—Deixe-me ver quais eu posso contar... — falou rindo.
Pretendo me realizar mais, profissionalmente falando.
—Mais, profissionalmente?
Primeiro gostaria de partir para outro ramo no mundo dos negócios, mas estou tão indeciso e perdido quanto você.
Não tenho ideia do que fazer, nem sei por onde começar.
Por outro lado, gostaria de ter alguém ao meu lado, alguém...
— Acho que você nunca encontrará problemas para ter alguém ao seu lado.
— Ah! Tenho, sim.
Mais do que você imagina.
Tenho dificuldade em encontrar uma pessoa sincera, verdadeira, que saiba ouvir e opinar.
Que não se altere, que não seja exacerbada... e que seja bem sensível.
O silêncio reinou por alguns segundos, mas ele o quebrou, dizendo:
— Acho que sou muito exigente, não é?
Ela sorriu, e o rapaz continuou:
— Mas vou fazer de tudo para retribuir a essa sinceridade, a essa atenção, ao carinho...
As vezes penso que encontrei essa pessoa tão sensível que pode me completar.
Bem próximo a Helena, ele segurou seu queixo, erguendo-o.
Seus olhos se encontraram enquanto um forte sentimento de ternura os envolvia.
Tomando-a num abraço delicado, Eduardo a beijou com carinho e todo seu amor.
Não houve palavras.
Repleto de emoção, após o longo beijo, ele a envolveu, apertando-a contra o peito.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 07, 2017 11:16 am

Passaram-se poucos minutos quando ele propôs:
— Vamos sair daqui?
— Acho que estou fora de mim — murmurou confusa.
— É porque você está em mim, agora — disse com meiguice no olhar ao se aproximar e beijá-la rapidamente nos lábios.
Vamos? — insistiu.
Helena sentia-se atordoada.
Um torpor interminável a dominou.
Eduardo a abraçou sentindo-se realizado e com carinho a conduziu para que saíssem do restaurante.
Já acomodada no interior do veículo, Helena ainda se sentia bem com o que ocorrera, mas um pouco confusa.
Eduardo, por sua vez, sentia seu coração bater forte, apaixonado, e não conseguindo se conter tomou-a novamente em seus braços, puxando-a para si e aninhando-a no colo.
E mais uma vez o rapaz a beijou longamente.
Sentindo-se conquistada, Helena abandonou-se aos carinhos daquele momento que pareceu eterno, encantado.
Logo, porém, detendo-o ao espalmar suavemente a mão em seu peito, ela perguntou baixinho, fugindo ao olhar:
— O que está acontecendo?
— Acho que estamos assumindo nossos sentimentos.
Ao vê-la tentar se ajeitar para acomodar-se melhor no banco, ele pediu carinhoso:
— Fica aqui.
E afagando seu rosto delicado ainda afirmou:
— Gosto muito de você, Helena.
Nunca senti isso antes por alguém. Fica comigo?
— Devo confessar que estou surpresa, confusa — revelou ao acomodar-se em seu lugar.
Generoso, ele afagou seus cabelos e o rosto, mostrando-se compreensivo às suas reacções.
— Quero ir embora — pediu delicadamente e com certo constrangimento.
— Claro, Helena — concordou sorrindo.
Mas antes avisou, ao tocar seu queixo, fazendo-a olhar:
— Não quero que pense que estou brincando com você ou com seus sentimentos.
Acho que nunca fui tão sincero com alguém.
Ela abaixou o olhar e silenciou.
Já em frente ao portão da casa onde ela morava, eles desceram, quando, percebendo seu constrangimento, ele a chamou antes que entrasse:
— Helena, vem cá.
Parada e quase ofegante, ao senti-lo próximo, praticamente a abraçando, ela disse:
— Eduardo, acho que...
Segurando-a com delicadeza e fazendo-a olhar, ele a interrompeu, perguntando:
—"Acho que..." o quê, Helena?
Acha que não podemos?
Que não devemos nos conhecer?
Que não temos o direito de tentar?
Não vejo motivo para ficar assim desse jeito como se tivesse feito algo errado.
Acho que você é uma menina bacana, responsável, educada...
Quero conhecê-la melhor, só isso.
Não vou ficar aqui tecendo uma lista de adjectivos, mas acho que deveria ver que não sou nenhum cafajeste.
Você me conhece há algum tempo.
A não ser que tenha aversão a minha pessoa, que me ache repulsivo e...
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 07, 2017 11:16 am

— Não. Não é isso.
Mas... — interrompeu, perdendo logo as palavras.
— "Mas" o quê? Você é livre, desimpedida.
Pelo menos é o que eu sei.
Eu também não tenho compromisso.
O que há de errado?
— Preciso de um tempo, Eduardo.
Estou confusa. Eu não queria me envolver com alguém agora.
— Não podemos mandar no destino.
Acho que temos uma amizade muito forte, confio muito em você.
Pensei que poderíamos nos conhecer melhor, e para isso temos que nos aproximar mais, não acha?
Ela ficou em silêncio.
Parecia estar mais calma, mais flexível.
Aproximando-se, ele pediu com ternura na voz:
—Vem cá, me dê um abraço.
Ao tê-la recostada em seu peito, afagando-lhe carinhosamente os cabelos, ele disse:
— Calma. Você está sentindo-se assim confusa, insegura, por causa das muitas coisas que vêm acontecendo.
Dê a si mesma uma oportunidade.
Procurando olhar em seus olhos, ele sorriu e acariciou-lhe a face.
Helena, mais tranquila, pareceu ceder aos seus carinhos e, envolvendo-o num abraço apertado, demonstrou confiança.
Sentindo-se seguro de si, Eduardo tocou seu rosto com os lábios até encontrar sua boca e beijá-la com todo amor.
Minutos se fizeram quando eles perceberam a aproximação de um vulto.
Surpresa, Helena se sobressaltou quase gritando quando disse:
— Ai! Que susto, Miguel!
— Mãos ao alto!!! — brincou o irmão, mas logo estendeu a mão para Eduardo, que ria da brincadeira.
— E aí? Cade o carro?
— Deixei na casa da Suzi. Cara!
Está tudo alagado.
Não dava para arriscar, então resolvi voltar de metrô, que está funcionando precariamente, mas está.
Helena, parecendo constrangida, não encarava o irmão, que, muito tranquilamente, a beijou no rosto e sugeriu:
— Não é melhor vocês entrarem?
Fiquem ali na área, não é legal ficarem aqui no portão.
Do jeito que as coisas andam hoje em dia...
— Não... — respondeu Helena rapidamente, olhando com firmeza para Eduardo como desejando que ele recusasse o convite.
É tarde, não é, Eduardo?
— Pensando bem, Miguel, é tarde mesmo.
Deixa para amanhã — respondeu educado, compreendendo a aflição da moça que parecia não querer que mais ninguém soubesse sobre eles.
Mas logo se lembrou e perguntou:
— Ah! O que você acha de fazermos um programa nesse final de semana?
Sábado, talvez.
— Óptimo! Vou falar com a Suzi.
Pega o telefone do meu serviço com a Helena e me liga para combinarmos.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 07, 2017 11:16 am

— Eu tenho o número do seu celular.
— Então eu aguardo — disse Miguel estendendo-lhe a mão para se despedir.
Valeu! Deixe-me entrar, estou morrendo de fome.
Após ver seu irmão distante, Helena se virou para Eduardo, mas antes que falasse ele disse sorrindo:
—Já sei! Você vai me mandar embora.
Estou indo.
Com ternura ele a beijou mais uma vez, depois avisou:
— Amanhã eu ligo. Tchau.
—Tchau — retribuiu com simplicidade e um lindo sorriso. Eduardo se foi enquanto Helena, ainda inebriada pelo efeito
das fortes emoções, experimentava um misto de alegria, surpresa e temor, esse último desconhecido.
Logo que entrou, foi à procura de sua mãe que, na cozinha, servia uma refeição para Miguel.
—Nossa, filha!
Você chegou tarde, hein!
Para não vê-la em uma situação difícil, o irmão a socorreu:
Também pudera, metade da cidade está submersa!
Que exagero, Miguel! — exclamou a mãe.
E só ligar a televisão e assistir.
Cheguei em casa ainda
hoje porque o metrô, mesmo lento, ainda estava funcionando, senão...
Observando a filha que se servia com água, dona Júlia perguntou:
— O Eduardo está lá na sala?
Chame-o para cá!
— Não, mãe. Ele já se foi. Está tarde.
— Você contou para ele sobre o Mauro? — interessou-se a mãe.
—Contei.
— Será que deveria, filha?
Que ideia ele vai fazer da nossa família?
— O que é isso, mãe? — retrucou Miguel.
Só porque eles são ricos, vai me dizer que ninguém briga lá?
Que não discutem?
—Você já jantou mesmo, Helena? — tornou a mãe.
— Já sim, mãe — afirmou, retirando-se.
Virando-se para o filho, dona Júlia se interessou:
— E a Suzi?
— Está bem.
Passei na casa dela quando saí do serviço.
— Liguei para você.
Fiquei preocupada.
—Meu celular estava ligado.
Deve ter havido alguma queda de sinal por causa da tempestade.
— E você nem para ligar pra casa, filho?
— Ah, mãe, acabei esquecendo.
—O que estou achando estranho é você não ter jantado por lá — observou a mãe bem sincera.
— E que... Sei lá, não me importei com isso.
— Quem deveria se importar com isso era a sua namorada.
— Mãe, não vai começar a encontrar defeito na Suzi.
— Não é defeito. Só estou reparando que essa moça não se preocupa com algumas coisas.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 07, 2017 11:16 am

— Mãe, a senhora vai conhecer melhor a Suzi.
Ela é muito simples, educada, gentil.
— Só isso não basta, Miguel.
Você precisa de alguém que goste de você, que se preocupe em cuidar de vocês dois e não só de roupas caras, corpo bonito, sorriso agradável, restaurante de luxo e...
— Eh!!! Já vai começar?
— Tem algo errado com essa moça.
Ainda não sei o que é, mas tem.
Miguel respirou fundo, mostrando-se um pouco contrariado.
Ao terminar a refeição, perguntou:
— E o Mauro, melhorou?
— Ele ligou para a revista avisando que não ia trabalhar.
Ficou deitado o dia todo e com dor de cabeça.
Tomou remédio, chá...
Mas não melhorou muito, não — explicou enquanto tirava a pouca louça para lavar.
— Ele deveria ter ido ao médico.
— Seu pai insistiu, mas ele não quis mesmo.
— E a Bia? — perguntou o filho enquanto secava o prato, ajudando a mãe.
— Não foi à escolinha, mas brincou como se nada tivesse acontecido de madrugada.
Estou preocupada com ela.
— Criança é assim mesmo.
Depois decidiu:
— Deixe-me ir lá no quarto da Lena perguntar um negócio pra ela antes que durma.
Valeu, mãe!
A bênção... — disse, beijando-lhe o rosto antes de se retirar.
—Deus o abençoe — respondeu de todo coração.
Minutos depois, ao passar na frente do quarto das irmãs,
Miguel bateu suavemente na porta entreaberta e espiou:
—Entra! — pediu Helena que estava sentada na cama secando os cabelos com uma toalha.
—Onde está a Carla? — interessou-se o irmão.
— Na Internet.
Ah! Sabe Miguel, eu queria comprar mais um micro.
Ligar os dois numa rede, o que você acha?
— Bem, a ideia é óptima, mas não sei se vou poder participar, financeiramente falando — disse sorrindo.
—Por quê?
—O prazo de uma aplicação que fiz está vencendo.
Vai dar uma grana considerável e estou pensando em tirar o meu fundo de garantia e comprar um apartamento.
—Você está pensando em se casar?
O irmão sorriu ao responder com certa hesitação:
—É... talvez — disse, sentando-se ao lado dela.
Mas, pelo visto, não sou só eu quem está partindo para novos ideais.
Vejo que você e o Eduardo estão se entendendo.
Helena sentiu-se aquecer e não conseguiu dizer nada.
Agora, com o rosto rubro e os olhos brilhantes, sentiu-se embaraçada com aquela colocação.
— E engraçado — prosseguiu Miguel —, sempre olhei vocês dois e achei que tinham algo em comum, como uma afinidade, uma sintonia.
Mas também reparei que vocês não se enxergavam.
Nas oportunidades que tinham, antigamente, passavam um pelo outro como dois estranhos desinteressados, mas depois vi algo nele que... parecia despertar.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 07, 2017 11:17 am

— Não sei como tudo aconteceu.
Acho que nos reparamos só hoje.
Depois de uma risada gostosa, onde se atirou para trás, Miguel considerou:
—Ah, Helena! Não creio que você seja tão ingénua assim.
Naquele dia mesmo, quando saímos todos juntos, só um cego não via que ele estava completamente caído por você.
Imitando o jeito de Eduardo, Miguel lembrou, fazendo graça:
— Ele chegou lá na pista de dança meio desconcertado, me tirou para um canto e disse, todo sem jeito:
"Olha, vamos dar uma volta, tudo bem?
É que a Lena não está muito legal aqui".
Aí eu lembrei de dar o número do meu celular para nos encontrarmos antes de chegar em casa, ou a mãe ia comer sua alma se a visse chegar sozinha.
Naquele momento pensei:
"Agora vai"! — desfechou rindo.
A irmã riu, mas o empurrou de leve, e ele ainda completou:
— E você vem me dizer que só hoje se repararam?
— Pára, Miguel!
Logo em seguida admitiu:
— Estou um pouco confusa.
Não queria alguém na minha vida, não agora.
— Acho que muitas vezes não temos como controlar os sentimentos e algumas situações, mas temos o dever de nos mantermos vigilantes.
Namorar, ficar, mas sempre esperta, entendeu?
— Hei! Não aconteceu nada!
Nós só nos beijamos.
O que você está pensando?
—Miguel!
O irmão gostava de vê-la embaraçada e continuava a provocá-la.
Enquanto conversavam, na espiritualidade Nélio estava verdadeiramente revoltado.
Furioso pelo que presenciou, argumentava muito, como se Helena pudesse ouvi-lo.
Mas a moça ainda estava sob o efeito das emoções recentes e nem de longe se ligava às suas vibrações e sugestões, não se deixando dominar por tristeza alguma.
Agora ele não desistiria.
Iria deixar, de alguma maneira, a situação novamente sob seu controle.
E foi num momento de descontracção, enquanto conversavam animados, que se assustaram pela rapidez com que a porta do quarto foi empurrada, provocando um forte barulho.
Mauro entrou e com os olhou cheios de repulsa quase gritou:
—Agora vai dar uma de mulher à toa também? Já não basta uma sem-vergonha aqui em casa?
Mauro estava irreconhecível.
Com os olhos injectados, brilhantes, e o rosto sisudo.
Ele parecia ser outra pessoa.
Ao mesmo tempo, na espiritualidade, Nélio instigava, enfurecido:
—Corrija-a agora ou vai enfrentar a vergonha da desonra.
Ela inclina-se à vileza, talvez pelo dinheiro, pela aparência do rapaz.
Vai virar uma mundana!
Miguel, muito surpreso, levantou-se e pôs-se quase em frente ao irmão, quando perguntou seriamente:
— O que isso significa, Mauro?
O que está acontecendo com você?
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 07, 2017 11:17 am

— Ouvi o que você e essa ordinária estavam falando!
Passando pelo irmão, Mauro se aproximou de Helena encarando-a irado.
De seu olhar colérico pareciam escapar raios que feriam silenciosamente a irmã.
Assustada, pálida, Helena ficou imóvel enquanto ele vociferava com voz agastada:
—Se pensa que vai nos envergonhar como aquela outra vadia, está muito enganada.
A presença de dona Júlia, de seu Jairo e de Carla, que chegaram no quarto atraídos pelos gritos, não intimidou Mauro, que segurou a irmã pelo braço, levantando-a e a agitando enquanto dizia:
—Se eu pegar você com aquele cara, sou capaz de...
Miguel, num gesto rápido, interferiu entre eles, puxando Mauro, que passou a agredi-lo após empurrar Helena, que caiu.
—Parem com isso! — gritou seu Jairo, correndo para separar os dois irmãos que já trocavam socos e tapas.
Dona Júlia também interferiu até que repentinamente o pai levou Mauro à força para fora do quarto.
A pequena Bianca, que estava dormindo, acordou assustada e chorando, chamando pela tia.
Carla a pegou no colo e levou-a até Helena, que parecia estar em choque.
Mauro, como um alucinado, conduzido pelo pai, ainda gritava nomes horríveis, mesmo a certa distância.
Pálida e chorando, Helena agora abraçou a pequena criança, embalando-a com carinho quase mecânico.
Miguel sentou-se a seu lado.
Aturdido, esfregou o rosto com as mãos, deslizando-as pelos cabelos, e olhando para Helena perguntou:
—Você está bem?
—O que aconteceu, Miguel? — indagou dona Júlia, ainda sob o efeito do susto.
—Não sei, mãe.
Até agora não entendi.
Carla, de joelhos sobre a cama, abraçou-se à irmã e reclamou:
—O Mauro está doente.
Vocês estão vendo agora?
Ele começou a implicar comigo, agora com a Lena...
Alguma coisa tem que ser feita antes que ele cometa um crime.
—Fica quieta, Carla.
Não diga besteiras — alertou a mãe.
—É! A mim a senhora pede para ficar quieta.
Por que não manda o Mauro calar a boca?
Sem se importar com o que a filha falava, dona Júlia se aproximou do filho e tocou-lhe o ombro ao perguntar novamente:
—O que aconteceu?
Como isso começou?
Miguel olhou para Helena, que parecia transtornada, e decidiu então dar uma curta explicação:
— Nós estávamos aqui conversando.
De repente surgiu o nome do Eduardo em nosso assunto.
E... — olhando para Helena, ele se calou.
— Eu e o Eduardo estamos nos conhecendo, mãe — revelou a moça com modos tímidos e a voz embargada pelo choro.
Nem sei se a gente tá namorando.
— Então — tornou Miguel —, acho que o Mauro ouviu e entrou no quarto de modo irascível, insano, quase levando a porta no peito, e começou a falar um monte de coisas para a Lena.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 07, 2017 11:17 am

O resto a senhora ouviu.
— O Mauro precisa ser internado! — dizia Carla, revoltada.
Isso é doença. Ninguém normal faz o que ele vem fazendo.
Ponderado, Miguel pediu:
—Carla, por favor.
Tenha calma.
— Que por favor o quê!
Agora você vai ver, Miguel, tudo o que eu passo.
Antes não se incomodava porque não era com a sua protegida.
Agora ele vai cair matando em cima da Lena!
Aí eu quero ver você tomar as dores dela! — falava de modo irritante.
— Por que está dizendo que sou a protegida dele? — perguntou Helena quase chorando.
— Vai dizer que nunca percebeu que é a queridinha da família? — disse, levantando-se da cama e andando pelo quarto.
Você sempre foi a menina prodígio! A mais amada!
—Carla, chega! — exigiu a mãe.
—Tá vendo só?! — exclamou a jovem, protestando.
Como se não bastasse a situação confusa, Carla, por falta de bom senso, irritava ainda mais a todos.
Dona Júlia pediu que todos fossem se deitar e foi ver como Mauro estava.
A noite foi longa, principalmente para Helena, que não conseguiu conciliar o sono.
A sensação de bom ânimo com um misto de alegre expectativa que antes a envolvia agora se transformava em tristeza e decepção.
Nélio havia saído vitorioso.
Conseguira seu objectivo, que era trazer melancolia para Helena, que, por falta de vigilância e de acções mais enérgicas em relação aos seus próprios sentimentos, se deixaria envolver em vibrações tristes e depressivas outra vez, possibilitando uma influência maior daquele espírito ignorante, egoísta e inferior.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 07, 2017 11:17 am

13 - A INFLUÊNCIA DE NÉLIO

Aos primeiros clarões da aurora, o sol exibia-se reluzente no imenso céu azul.
Não dava para acreditar que havia chovido tanto no dia anterior.
Eduardo, muito tranquilo, fazia o desjejum e não conseguia tirar o sorriso do rosto.
Sua face se iluminava e até seus olhos pareciam sorrir.
—Um pouco mais de café, senhor Eduardo?
—Não precisa me chamar de senhor, Sónia.
Por favor. E... não, obrigado.
Chega de café! — respondeu brincando e gentil.
—O senhor me desculpe, mas é uma exigência da dona Gilda.
— O que é que você está falando aí de mim?!
Hã?! — intimou Gilda austera, encarando a empregada com rudeza no olhar frio.
— Não quero que ninguém me chame de senhor Eduardo, mãe.
E estou, mais uma vez, pedindo para a Sónia que não me trate assim.
Aproximando-se e beijando o filho que ainda estava sentado a mesa, Gilda acomodou-se a seu lado enquanto esclarecia o seu ponto de vista.
—Não gosto de liberdade com os serviçais.
Faço questão de que trate a todos com respeito.
—Anteceder um nome com qualquer título não indica respeito.
E quase exigente tornou a dizer:
— Não quero ninguém me chamando de senhor.
Olhando para a empregada, ele sorriu, piscou brincando e perguntou:
— Ouviu, dona Sónia?
— Vai, vai, Sónia!
Traga logo o meu suco.
— Sim, senhora — concordou, saindo rápido.
Virando-se para o filho e moderando o tom de voz, ela indagou, escondendo certa astúcia.
— Chegou tarde ontem.
— Foi por causa da chuva.
— Mas você não ficou na empresa.
Seu pai falou que o viu sair bem antes dele.
— Fui jantar fora.
— Pode-se saber onde e com quem?
Eduardo ergueu o olhar que antes se prendia em alguma notícia que lia no jornal, encarou a mãe e disse sorrindo:
— É melhor você me dizer o que já sabe.
Assim, poupará o nosso tempo — propôs irónico.
Aí digo se é verdade ou não.
— A Natália me telefonou ontem à noite.
Já era bem tarde e você não havia chegado.
Ela esteve em um restaurante e disse que o viu lá.
— Sim, é verdade.
Eu disse que jantei fora.
Quando percebeu que o filho se levantava, ela completou sem perder tempo:
—Não pude acreditar que você levou a Helena num lugar daqueles!
Agora, bem mais sério, Eduardo a encarou firme ao perguntar:
— Por quê? Não me acha capacitado ou competente para sair com uma moça bonita como Helena?
Ela é educada, gentil, além de ser uma pessoa extraordinariamente agradável — falou sorrindo, como se quisesse propositadamente irritar a mãe.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 07, 2017 11:17 am

— Não posso acreditar, Eduardo! — quase vociferou Gilda.
Não dormi essa noite só pensando nisso!
— Tome um calmante, mãe.
Assim vai evitar uma grande enxaqueca.
Agora, com licença, preciso ir.
Tenho uma reunião agora cedo.
Bem mais tarde, na sala que ocupava na grande empresa, Eduardo atendia um telefonema de sua irmã.
— Mas, Erika — justificava —, não posso fazer nada.
A mãe fica nervosa por qualquer coisa.
— Você não entendeu, Edu.
Ela não estava nervosa, estava insana!
Quebrou tudo o que pôde no quarto dela — contou a irmã, demonstrando-se assustada com o ocorrido.
Para você ter uma ideia, nem ousei fazer as minhas ironias!
— Sabe por que ela sempre quebra tudo quando fica nervosa?
Porque tem dinheiro para comprar coisas novas.
Quem sabe ela não quer mudar a decoração?
—Não brinca, Edu. E sério.
—Olha, Erika, não posso fazer nada.
Tenho muitas coisas para resolver e não vou ficar dando atenção aos chiliques da mãe.
— Você é quem sabe.
— Olha, Erika, agora preciso desligar.
Um beijo!
— Outro.
Ao desligar, Eduardo ficou olhando para Paula que, a seu pedido, estava parada em sua frente, esperando-o terminar a ligação.
—Problemas, Paula!
Problemas! — exclamou ao encarar a secretária, mas logo perguntou:
— A Natália está na sala dela?
—Creio que sim.
Eu a vi indo para lá logo após a reunião.
— Essa reunião me deixou preocupado.
Não contávamos com os defeitos em série naquelas peças.
Teremos um prejuízo incalculável.
— Sem contar que isso pode dar margem à quebra de contrato.
—Além de comprometer o nome da empresa.
—Tenho anotado que, tempos atrás, em uma outra reunião, RH salientou a importância do treinamento do pessoal — lembrou a secretária.
—Mas treinamento específico depende da demanda da fábrica.
O senhor Adalberto acha que a paralisação de uma pessoa para treinamento gera perda de investimento.
Que idiotice! — lamentou, quase revoltado.
Olha só a perda agora!
—O investimento usado nesse treinamento, Eduardo, é bem menor do que o prejuízo causado por um acidente ou até um defeito em série, como foi o caso.
Ele suspirou fundo ao admitir:
— Todos parecem enxergar isso, mas se recusam a pôr em prática.
Não entendo.
Logo em seguida, disse bruscamente:
— Ah! mudando de assunto... ontem jantei com a Helena num lugarzinho delicioso.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 07, 2017 11:18 am

Após um sorriso maroto, contou:
— Eu até a levei para casa e...
— Nem precisa dizer — disse Paula animada.
Seus olhos estão contando tudo!
E o acusam de: Culpado! — brincou sorrindo.
— Ah, mas isso não é tudo!
Quero saber da dona Natália quem a autorizou a ligar para a dona Gilda e avisar, antes de mim, sobre o que ela viu ou deixou de ver a meu respeito?
— Eu não ia dizer não, mas... já que estamos conversando... até eu estou sabendo.
— Como é?! — perguntou surpreso.
— Desculpe-me, Eduardo, mas acho que você precisa saber.
A Natália contou para algumas pessoas que o viu ontem num restaurante de luxo e... sabe como é, ela falou de um jeito irónico, desprezível.
Disse que o viu com uma pobretona.
Foi esse o termo usado.
— Desgraçada! — exclamou ao socar a mesa.
Levantando-se rapidamente, decidiu:
— Vou falar com ela, e vai ser agora!
— Calma, Eduardo.
"A raiva é péssima conselheira."
Não se deixe levar por esse impulso de revolta.
— Mas não posso deixar isso ficar assim.
E afrouxando a gravata Eduardo saiu de sua sala indo à procura da directora financeira.
Ao encontrá-la, sem rodeios, perguntou:
— O que você tem a ver com a minha vida, Natália?
— Nossa! Que susto!
Poderia ao menos bater na porta antes de entrar?
—Estou aguardando uma resposta — falou austero.
— Sobre eu ter falado que o vi ontem?
Ora, Eduardo, isso não é motivo para ficar zangado.
Eu só brinquei! — disse rindo.
— Primeiro, eu não lhe devo satisfação da minha vida.
Segundo, não lhe dou o direito de falar sobre mim, sobre quem estiver comigo ou sobre qualquer assunto que se refira à minha vida! — exigiu de modo autoritário.
Aqui dentro dessa empresa procure só, e unicamente, falar sobre o seu trabalho, que, diga-se de passagem, está deixando a desejar.
Mas entendo que isso acontece por você estar se preocupando com a vida alheia.
— Nossa! — exclamou novamente irónica enquanto ria.
Nunca o vi tão irritado.
Será que aquela menininha tem tanto poder assim sobre você?
Olha só o que uma vadiazinha aproveitadora é capaz de conseguir!
Eduardo sentiu-se esquentar.
Um súbito nervoso pareceu correr por todo o seu corpo, e ele, aproximando-se dela, falou veemente:
—Se você não fosse mulher, eu a faria engolir essas palavras.
Mas não sou homem de bater em mulher.
Porém nada me impede de dizer que vadias são você e sua filha.
Antes de sair da sala, voltou-se e disse:
— Se continuar com esse assunto, se cuida, senão não sei o que posso fazer.
Sei muito sobre você.
Natália sentiu-se gelar.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 07, 2017 11:18 am

De alguma forma, viu-se ameaçada.
Eduardo, após dizer isso, saiu a passos rápidos e firmes.
Em outro corredor, ele ainda encontrou seu pai, que aguardava o elevador.
—Edu! — chamou Adalberto.
O que está acontecendo lá em casa?
A Erika me ligou e disse que sua mãe está nervosa e fez o maior quebra-quebra.
Ela brigou com você?!
Isso aconteceu mesmo?!
—Ela não brigou comigo.
Talvez por isso ela esteja demonstrando sua insanidade.
A culpa por esse tipo de reacção é sua — disse irritado, pegando seu caminho e deixando o pai com uma grande interrogação na expressão.
Ao entrar em sua sala, pediu à secretária, ao passar por ela:
— Paula, não me passe nenhuma ligação.
Não quero ver mais ninguém hoje.
Diga que saí para almoçar.
— Como quiser.
Procurando acalmar-se, Eduardo acomodou-se em sua confortável cadeira, respirou fundo e tentou relaxar.
Após alguns segundos, pegou o telefone e ligou:
— Miguel? E o Eduardo, tudo bem?
— Oh! Eduardo. Tudo jóia. E você?
— Vou indo. Estou ligando para combinar algo para esse fim de semana.
Sabe, estive pensando, poderíamos ir à praia.
Temos uma casa em Guarujá, o que você acha?
O tempo melhorou, e acho que vai continuar firme.
— Por mim, tudo bem.
Só preciso falar com a Suzi.
Ela me disse, dias atrás, que precisava estudar.
Chegou o período de provas na faculdade.
— Mas... se ela não puder, você vai, não é? — perguntou preocupado, pois sabia que se Miguel não estivesse junto provavelmente Helena não iria.
Miguel, muito esperto, entendeu rapidamente, riu e falou:
—Tudo bem, né...! Eu vou.
E você fica me devendo essa.
Eduardo riu e avisou:
— Vou combinar com a Erika, o João Carlos e a Juliana.
Será um fim de semana bem animado.
— Já estou ansioso.
Será uma pena se a Suzi não puder ir.
Mas ela é compreensiva, não vai implicar se eu for.
— Óptimo! Vou ligar para a Lena e avisá-la.
— Valeu, Edu! Obrigado pelo convite.
— Um abraço!
Em seguida, ao conversar com Helena por telefone, Eduardo percebeu sua falta de ânimo e perguntou com jeitinho:
—O que foi? Você parece triste, aconteceu alguma coisa?
— Nada sério.
São problemas com o Mauro.
Depois eu conto.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 08, 2017 10:47 am

— E então? O que você acha de irmos à praia?
Falei com o Miguel e ele, como sempre, está bem animado.
—Para ser sincera, não estou com tanta vontade assim.
— Podemos levar a Bianca.
Ela vai adorar — propôs ele.
— Sim, claro.
— Que bom! Isso significa que vamos, não é? — falou entusiasmado.
— Está bem. Vamos — concordou ela.
— Óptimo! Vou combinar com os outros.
— Certo. Depois você me avisa.
— Claro.
Então, ele tornou mais romântico:
— Estou morrendo de saudade.
Quero tanto vê-la.
Sabia que não dormi essa noite só pensando em você?
— Eu também não, mas...
— Estou tão feliz, Lena — interrompeu amoroso.
Você não pode imaginar.
Ela ia comentar sobre o ocorrido, porém se inibiu diante da declaração.
Percebeu que não seria um bom momento para contar o que ocorrera com Mauro.
— Eu queria muito poder vê-la hoje, mas tenho um assunto importante para resolver em casa.
Não vai ficar chateada comigo, vai?
— Claro que não.
— É que não posso adiar. Você entende?
— É com sua mãe? Ela ficou sabendo? — perguntou, parecendo adivinhar do que se tratava.
— Minha mãe implica com tudo.
Com a novidade sobre nós não seria diferente.
Mas não se preocupe, eu não me submeto aos seus caprichos.
— Você me liga?
— E claro! — afirmou carinhoso.
Como poderia dormir sem ouvir a sua voz?
— Vou ficar esperando.
— Um beijo. Adoro você!
— Eu também. Tchau.
Novamente aquela sensação envolvente de paixão e esperança pareceu abraçar a ambos, trazendo a seus semblantes um brilho todo especial.
* * *
A noite chegou quando Eduardo, entrando em sua casa, encontrou sua tia Isabel que lá estava como visita.
— Ah! Ei-lo! — disse Gilda com ironia, gesticulando ao apontar na direcção do filho.
Estávamos mesmo falando de você, Eduardo.
Eu contava para a Isabel o que você me aprontou.
— Oi, tia! — cumprimentou-a com um beijo e logo perguntou:
— E o tio, não quis vir?
— Não deu. Ele ficou lá, analisando os seus negócios.
Como você sabe, o Pedro nunca tem tempo.
— E aí, meu filho? — tornou Gilda.
Espero que tenha voltado mais ajuizado para casa hoje.
Eu estava agora mesmo contando para sua tia sobre sua insanidade.
Mas, é claro — comentou menos fervorosa —, a Isabel sempre o protege e se curva às suas vontades.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 08, 2017 10:47 am

— Não é questão de proteger, Gilda.
O que é que tem de mais o Eduardo namorar a Helena?
É uma moça de família, muito educada...
— Meu Deus do céu!!!
Será que só eu tenho discernimento nessa família?!
Vocês não percebem que aquela gente está de olho no nosso nome, no nosso património?
— Não diga isso, Gilda.
A Helena é uma óptima pessoa, gosto muito de conversar com ela, que é recatada, modesta, sempre bem-comportada...
— Pare, por favor, com essa lista de pieguices!
É ridículo não querer enxergar o óbvio!...
— Mãe! — interrompeu-a Eduardo muito firme.
Eu não sou a Lara nem a Erika.
É melhor que não tente determinar o meu destino ou declarar o que é bom para mim.
Pense nisso, pois talvez eu não seja tão pacífico quanto você imagina.
Não quero mais ouvir nenhum tipo de recriminação, principalmente de sua parte, que diga respeito à Helena ou à família dela.
Vou trazê-la aqui, pois ela vai continuar visitando essa casa normalmente e você vai recebê-la como uma pessoa civilizada e educada, já que esse tipo de representação você sabe fazer muito bem que eu sei.
Virando-se para Isabel, que ficou boquiaberta com aquela atitude, ele pediu:
— Desculpe-me, tia.
Essa conversa não deveria ser agora, no momento de sua visita.
Eu ia até deixar para mais tarde, porém minha mãe insistiu.
Agora me dê licença, estou exausto e preciso de um bom banho para relaxar.
Gilda sentiu seu sangue ferver.
Indignada e perplexa, ela acompanhou Eduardo com o olhar enquanto ele subia as escadas.
— Você viu só, Isabel?!
Meu filho! Meu próprio filho!
E tudo isso por causa de uma fulaninha rampeira!
Veja o que essas zinhas são capazes de fazer!
Aaaah! Mas isso não vai ficar assim não! Não mesmo!
— Gilda, por que você nunca deixa que as pessoas sigam seus próprios destinos?
Por que quer sempre alterar tudo?
— Não é isso! — disse irritada.
Estou defendendo o meu filho!
Estão pensando o quê?
Que meu filho vai fazer caridade namorando uma pé-rapada como essa?
— Deus do céu! Gilda, acorda! — pediu a irmã.
O Eduardo é um homem independente, auto-suficiente em todos os sentidos.
Ele deve saber o que está fazendo.
É um rapaz maduro e bem experiente.
Não é do tipo que se deixa enganar por uma qualquer.
Deixe-o ser feliz a seu modo.
Deixe seu filho viver a vida dele, aprender com os próprios erros, se for preciso.
Só porque você um dia abandonou a sua felicidade, o seu amor, não significa que os outros devam fazê-lo.
— Do que você está falando?
— Você sabe, Gilda.
Pense, talvez você não fosse essa pessoa tão amarga que é hoje se não tivesse posto o dinheiro acima do amor, da felicidade.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 08, 2017 10:48 am

— Isabel, por favor!
As irmãs continuaram conversando enquanto Eduardo, já em seu quarto, falava ao telefone com Helena.
— Adorei as flores! Muito obrigada! — agradecia, parecendo encantada.
Nunca recebi flores, adorei! São lindas.
— Rosas brancas, adoro também.
Pensei em lhe fazer uma surpresa, queria que fosse algo agradável e que a fizesse sorrir, pois hoje achei que você precisava de um motivo para sorrir.
—E conseguiu.
Fiquei tão emocionada que perguntei ao receber:
"Tem certeza de que são para mim?"
Helena riu com simplicidade, depois continuou:
— Ainda bem que o Miguel passou lá para me pegar.
Assim elas não correram nenhum risco de se estragarem no metro.
Quando cheguei em casa, eu as coloquei na água fresca... estão aqui, agora, na minha frente...
—Gostaria de ser essas flores para estar aí agora...
Enquanto a conversa romântica seguia animada, em outro cómodo da casa Miguel e Mauro conversavam.
— Fiquei louco mesmo.
Não sei o que me deu — confessava Mauro, mostrando-se constrangido ao falar com o irmão.
— Até agora não entendi o que aconteceu.
Puxa, cara! Se eu não estivesse ali, acho que você faria uma besteira.
— Não sei — dizia Mauro preocupado, andando de um lado para outro.
Não entendo o que senti.
Parece que não era eu.
Sabe, Miguel, nos últimos tempos, na verdade desde que a Lara morreu, ando nervoso, confuso.
Até no serviço já fiz bobagem.
Outro dia, lá na redacção, o director cortou meu texto.
Fiquei angustiado, revoltado mesmo.
Fui até a sala dele e disse um monte de coisa.
— E ele?
— Não disse nada.
Só ficou me olhando.
Em questão de minutos eu me senti ridículo, insano...
Deu uma vontade de chorar, de gritar.
Ele pediu que me sentasse, mandou que me trouxesse água...
Nunca experimentei tanto vexame.
— Já pensou em procurar um analista?
Mauro o encarou por um instante, depois perguntou:
— Não seria esquisito?
— Por quê? Se estamos com uma unha encravada não é ridículo procurarmos um dermatologista ou um podólogo para resolver o problema.
— Mas no meu caso o problema é eu não me controlar, não dominar meu temperamento.
— Meu! Se você tem uma úlcera, se ela dói, tem que procurar um médico! Onde está o ridículo?
Nesse momento, após leves batidas na porta, Helena chamou ao entrar:
— Miguel!
— Entra!
Ao olhar para Mauro, falou:
- Desculpem-me, não sabia que estavam conversando.
Não queria atrapalhar.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 08, 2017 10:48 am

—Não está atrapalhando, Lena — avisou Mauro com certo constrangimento.
Pode falar.
Voltando-se para Miguel, ela avisou:
—Vamos no sábado bem cedo.
O Eduardo falou com o João Carlos e a Juliana.
Está tudo certo.
— Vamos nessa, Mauro? — perguntou Miguel.
— Para onde?
— Para o Guarujá.
Vai ser legal. Vamos?
— Não dá...
— Deixa a Bia ir comigo, Mauro? — pediu a irmã com certo receio.
— Lena, não é por nada...
Eu até deixaria, mas já assumi um compromisso com a Bia.
Sábado acontecerá aquele encontro com os pais, naquele passeio promovido pela escola. Lembra?
— É mesmo! Eu esqueci! — lamentou a moça.
— Fica para outro dia, está certo?
—Se eu tivesse lembrado, deixaria para a próxima semana, mas...
—Não tem problema, Helena.
Vá! Divirta-se.
—Será bom para a Bianca sair com o Mauro, Helena — lembrou Miguel.
Há tempos eles não saem juntos.
Normalmente ela só passeia com você.
—É verdade — concordou Helena com um meio sorriso.
Deixa para a próxima.
* * *
Na espiritualidade, Nélio e Lara acompanhavam tudo o acontecia.
Revoltado, Nélio se acercava de Helena, observando-a com enorme rancor.
—Tu me traíste.
Ficaste triste e deprimida por não me ter no passado.
Dizias, sempre lamuriosa, ser eterno o teu amor por mim. Mas não é verdade.
Trocaste-me impiedosamente pela primeira criatura reles que te cruzou o destino.
Por dinheiro, ou talvez porque te impressionaste pelo belo porte.
Admirava-te mais.
Nutria mais respeito por ti do que podes imaginar. Ingrata!
Lara, que observava a cena sem se importar, permanecia indiferente, mas sempre lastimosa.
Passados alguns segundos, o espírito Nélio reparou:
— Tu também reclamas o teu lugar ao lado dele?
— Eu morri. Ele não me vê mais.
— Não morreste, sabes disso.
— Estou morrendo a cada dia, a cada hora sou esquecida.
Não sou lembrada, respeitada.
Não viu que meu marido já pensa em se divertir?
Disse que vai deixar o passeio à praia para outro dia.
Ingrato. Estou aqui numa penúria dolorosa, experimentando necessidades inúmeras, e ele...
Depois de chorar, completou:
— Jamais pensei em sofrer tanto.
Sempre tive o que quis.
Passei por um período difícil na vida e por causa dele, mas logo me estabilizei.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

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