Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 08, 2017 10:48 am

Fui uma moça fina, rica e com muito estudo, e me iludi por esse...
Se eu o vir com outra um dia...
— Vivi anos, séculos remoendo-me em remorsos eternos que por minha amada nutria.
Agora a vejo inclinando-se de paixão pela sedução desse moço.
Em pensar que tanto sofri por arrependimento.
Mas creio que está iludida assim como eu no passado.
Hei de tê-la comigo em breve. Ah! Hei sim.
— Mas Helena já namorou antes.
Por que não implicou com o outro e sim com meu irmão?
— O outro? Ora, mulher!
Aquele, era um imprestável.
Não havia romance, desejo ou conquista.
Aquele outro sujeito já nasceu agastado, ocioso por índole.
Por mim, ele até poderia ficar ao lado dela por todo o tempo.
Errei ao induzir Helena a terminar com ele, que não poderia me incomodar — riu zombando.
Ele era um impotente, um lasso.
Mas esse não — tornou mais preocupado.
Ele pode conquistá-la.
Mas estou aqui para proteger Helena até que nos encontremos novamente, e por toda a eternidade.
Lara só ouviu.
Ela sentia-se cansada, desanimada demais para qualquer argumentação.
E foi com muita animação que no sábado ainda pela manhã, conforme planejaram, todos estavam aproveitando a maravilhosa praia.
Eduardo não saía de perto de Helena, que parecia até constrangida por seus carinhos constantes, por causa da presença de seu irmão.
Erika e João Carlos foram fazer uma caminhada à beira-mar, enquanto Juliana e Miguel conversavam sob um guarda-sol.
Miguel acabou comentando com a colega o que vinha acontecendo em sua família desde a morte de sua cunhada, e com muita atenção ela o ouvia.
— Depois de tudo, no dia seguinte, meu irmão não sabia por que tinha feito tudo aquilo.
Principalmente com a Lena, que não deu nenhum motivo.
Ele ainda disse que parecia não ter sido ele.
— Miguel, você acredita na influência dos espíritos em nossas vidas?
Ele ficou pensativo, demorou um pouco, mas respondeu:
— Acredito que haja espíritos.
Creio na vida após a morte, mas tenho algumas dúvidas sobre a influência deles em nós.
Já li livros a respeito, romances principalmente.
Só que alguns são um pouco extraordinários demais.
Desculpe a minha sinceridade.
— Não tem por que se desculpar. É bom ser honesto.
Mas a verdade não está contida apenas nos romances.
Acho que você deveria buscar conhecimento em outra fonte também.
Os espíritos existem e podem nos influenciar mais do que você imagina.
Não quero, com isso, dizer que a culpa do que fazemos de errado deve cair sobre eles.
Miguel riu descontraidamente e falou:
— Já pensou se eu sair por aí assaltando bancos, espancando meus desafectos e, quando me prenderem, digo que foi um espírito que me dominou?
— Não há como um espírito dominá-lo assim a seu bel-prazer.
Lembre-se de que somos responsáveis por nós mesmos e pelo nosso corpo.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 08, 2017 10:48 am

Somos responsáveis por toda palavra, por todo gesto e por todos os actos.
Se não tivermos agressividade, maldade, ódio em nossa índole, em nossa natureza humana, nenhum espírito pode nos instigar, nos estimular.
O que um espírito pode fazer é primeiro manter-nos bem sensíveis, fragilizados, vulneráveis; e depois ele nos insufla, nos dá ideia do que quer que façamos.
Se um espírito nos quer ver brigar, ele nos incita para que vejamos as coisas erradas à nossa volta, coisas de que não gostamos, que recriminamos.
Essa ideia nos vem através de pensamentos como se fossem nossos.
Mas se somos criaturas pacíficas, compreensivas, sem agressividade, sem ódio no coração, não vamos corresponder ao que o espírito quer.
Isso significa ter carácter, boa índole, bom ânimo.
— Então é simples nos livrarmos da influência de um espírito?
— Imagine! Se fosse tão fácil o mundo viveria em paz.
O problema é que somos rebeldes, veementes, agressivos, críticos, arrogantes, orgulhosos e sempre nos achamos com razão em tudo.
E com qualquer gama desses vícios que citei deixamos de controlar nossos desejos, nossos impulsos e acabamos ficando sob o domínio de um espírito que nos queira controlar.
— Um espírito pode fazer o meu carro quebrar, por exemplo?
— Ele pode ter algum poder sobre a matéria, mas isso seria desgastante.
É muito mais fácil esse espírito influenciar você em pensamento para fazê-lo se esquecer da troca dos amortecedores, de uma revisão nos freios, não procurar um mecânico para saber sobre um barulho estranho, coisas que podem provocar acidentes.
Uma coisa muito fácil de ser feita por um espírito é deixá-lo distraído ou com muita raiva enquanto dirige, para que você não perceba uma sinalização, um sinal vermelho, podendo provocar um acidente e até machucar outras pessoas.
Mas se você é um cara prudente, vigilante, esse tipo de coisa não vai acontecer contigo por mais que um espírito tente, pois você domina seus desejos, suas vontades, ou seja, leva o carro no mecânico, dirige devagar e com atenção...
Helena e Eduardo chegaram em busca de sombra, interrompendo a conversa de Juliana e Miguel.
O assunto então mudou, e eles passaram um dia óptimo.
Entretanto, na manhã seguinte, não puderam contar com os lindos raios de sol, porém o dia nublado serviu para que conversassem muito e usufruíssem do grande conhecimento que Juliana possuía sobre o mundo dos espíritos.
Ela, por sua vez, não se incomodava de ser questionada a respeito.
À noite, já em sua casa, Helena atirou-se na cama e comentou com a irmã:
—Carla, você foi boba por não ter ido.
Estava tão gostoso.
—Eu não estava a fim.
Ah! A Sueli esteve aqui e dormiu na sua cama.
Ela estava chateada, parece que brigou com o irmão.
Não sei direito, só ouvi parte da conversa dela com o Mauro.
Eles conversaram tanto!
Helena parecia distante com seus pensamentos e mal ouviu o que a irmã dizia.
Carla, então, reclamou e chamou:
— Ei! Estou falando com você!
— O quê?!
— Ah! A tia ligou e avisou que a vó vai ter que operar a vesícula.
Aí já viu, né?
A mãe já ficou preocupada.
—Com razão, né!
Olha a idade da vó!
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 08, 2017 10:49 am

—Mas isso hoje em dia é comum.
A mãe se stressa à toa.
Ah! Lembrei! — quase gritou Carla.
A Suzi ligou e... papo vai, papo vem, ela me deu o telefone e o endereço de uma agência de publicidade.
Mas ela não quer que o Miguel saiba.
— Por quê?
— Acho que ela já foi lá.
—Veja lá, hein, Carla!
Acho bom você dar um tempo nessas coisas, não está ganhando nada com isso.
— Vocês não entendem!
É o que quero e vou conseguir.
Helena fez uma expressão de descontentamento ao pender a cabeça, reprovando a ideia da irmã.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 08, 2017 10:49 am

14 - AS MALDADES DE GILDA

A semana iniciava tranquila.
Na terça-feira, bem cedo, Erika procurou por seu irmão, que se arrumava para ir trabalhar.
Sobre a cama, ela saltitava de um lado para outro e falava sem parar enquanto o seguia com os olhos:
—... então ela falou:
"Pode vir que o emprego é seu".
Não é o máximo?!
Vou ser vendedora em uma butique! — dizia entusiasmada.
— Estou gostando de ver! — animou-a Eduardo.
— Só tem um problema.
— Qual?
— Ela quer a minha profissional.
— E... qual o problema?
—Fiquei olhando redondo para ela... não sei o que é profissional.
Eduardo não suportou e, dando um grito, jogou-se na cama como se desmaiasse.
—Ah! Edu!
Não brinca! — disse empurrando-o.
Após rir e debochar da irmã, subitamente a porta do quarto se abriu e Gilda, altiva e sempre bem vestida como se estivesse desfilando, entrou sem cumprimentar os filhos e perguntou grosseiramente:
—Posso saber quem autorizou vocês dois a irem com aquele bando lá para a minha casa de praia?
Quando Erika respirou fundo preparando-se para responder.
Eduardo fez-lhe um sinal e, levantando-se tranquilo, respondeu:
— A ideia foi minha.
E virando-se para sua mãe, bem calmo, completou:
— Bom-dia, mãe!
Que bom vê-la disposta e animada logo cedo.
— Não estou para brincadeiras, Eduardo.
Quero uma resposta.
— Primeiro, deixe-me corrigi-la, dona Gilda.
Sua casa de praia, não. A nossa.
Porque não sei se você se lembra, mas somos seus filhos, e posso dizer que também ajudei a comprar aquela casa, pois, se não me falha a memória, sua aquisição se deu há uns quatro anos.
Tempo em que eu já trabalhava e contribuía muito para os negócios da família.
— Ora! Deixe de ironia.
Não me desafie, Eduardo — exigiu a mãe, andando alguns passos.
— Não a estou desafiando.
Pare e pense, mãe.
Pense em tudo o que você está criando contra você mesma.
— Não vou admitir que pé-rapado algum usufrua do que é meu.
— Isso é muito elegante da sua parte — novamente ironizou Eduardo.
Porém, mais sério, falou:
— Tenho muito com o que me preocupar hoje.
Não quero e não vou me irritar.
Agora, se me der licença...
— Quem vai nessa sou eu! — avisou Erika que não se deixou envolver na conversa, na qual, certamente, discutiria com sua mãe.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 08, 2017 10:49 am

A jovem estava utilizando um pouco de sabedoria graças aos conselhos recebidos de João Carlos e de sua família.
Gilda, agora dominada por uma incrível sensação de raiva, sentiu a garganta ressequida pelo ódio que crescia em seu ser.
Um suor frio banhou-lhe as mãos quase trémulas enquanto seu rosto tornava-se rubro.
Haveria de dar um jeito naquela situação.
Justamente Eduardo, seu filho querido, não seria arrebatado de seus domínios.
Encontraria uma maneira de reverter aquilo tudo.
Jamais aceitaria uma afronta como aquela sem reagir ou revidar.
Já possuía razões de sobra para odiar a família que tirou sua filha Lara de seu poder; não iria permitir que o mesmo acontecesse com Eduardo.
Como se não bastasse, ainda havia Erika, que maculava seu nome e posição social com o namorado que assumira.
Com esses pensamentos sombrios que lhe causticavam as ideias, Gilda retirou-se do quarto, foi para a sala e acomodou-se num sofá, pegando o telefone e ligando para Marisa, a única pessoa que parecia entendê-la.
***
Semanas se passaram, mas a mãe de Erika não conseguia deixar de pensar em uma maneira de afastá-la de João Carlos.
Havia dias calado sobre o assunto, tentando tramar algo que pudesse destruir o namoro da filha, mas ainda não sabia o que fazer.
Um dia, encontrando-se com a amiga Marisa, Gilda dirigiu-se a ela e foi logo perguntando:
— Conseguiu o endereço?
— Claro! Aqui está — confirmou Marisa com um sorriso.
— Óptimo!
— O que você vai fazer, Gilda?
— Você será testemunha, queridinha.
Venha comigo e verá.
— Mas Gilda...
—Ora essa, Marisa!
Você acha que não sou sensata?
Pode ficar tranquila que não vai acontecer nada de mais.
Virando-se para o motorista, pois ambas estavam no interior do carro de Gilda, dando-lhe o papel com a anotação, pediu de maneira arrogante:
— Leve-nos a esse endereço.
— Sim, senhora — obedeceu prestativo.
Em pouco tempo estavam as duas amigas em frente a um edifício de três andares, cuja aparência arrojada e moderna indicava um bom gosto jovial.
Descendo vagarosamente do confortável veículo, Gilda olhou à sua volta, tirou os óculos escuros da bolsa e os colocou depois falou:
—Venha comigo, Marisa.
Não quero correr riscos aqui.
— Riscos?!
— É. Risco de me infectar, de me envenenar — disse com ódio nas palavras, parecendo saturada.
Venha, vamos acabar logo com isso.
Ao entrarem no edifício de largas portas de vidro, as pessoas não se importaram com a presença das senhoras elegantes, cheias de delicadeza e cuidados, até porque eram funcionários ou montadores.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 08, 2017 10:49 am

Com um gesto, Gilda pediu a atenção de um rapaz que trazia algumas fichas na mão e perguntou:
— Por favor, esta é a academia do João Carlos?
— Sim, senhora.
Ele está no segundo andar — avisou indicando ao apontar e explicou:
— Pode ir por ali.
Tem o elevador e as escadas. Como preferirem.
— Obrigada — agradeceu Gilda que, ao vê-lo longe, desdenhou:
Veja se sou mulher de subir escadas.
Que coisa de gentalha.
Marisa somente riu, satisfazendo a amiga com sua aprovação à crítica.
Já no andar de cima, Gilda pôde observar, a certa distância, que João Carlos conversava com outros dois rapazes, explicando algo.
O soar de seus passos naquele piso ecoaram, chamando a atenção dos três.
Ao se aproximar, Gilda cumprimentou:
— Bom-dia!
— Olá! Bom-dia, dona Gilda.
Que surpresa — retribuiu João Carlos com educada simpatia.
Perdoe por não lhe dar a mão.
É que estamos montando a academia e não estou bem limpo.
— Eu entendo — respondeu secamente, ostentando grande orgulho no olhar.
— Ah! Esse é meu sócio, Cezar.
— Prazer — cumprimentou o moço educada e gentilmente.
Gilda o contemplou de alto a baixo e só depois lhe estendeu a mão, dizendo:
—Que olhos lindos, hein!
Iguais aos meus.
Aliás, você parece alguém da minha família, belo, louro, alto e forte.
Você é sócio dele, é? — perguntou como se debochasse.
Muito constrangido, o rapaz olhou para João Carlos e, voltando-se para Gilda, respondeu ainda com educação:
—O João Carlos é como meu irmão.
Eu não faria sociedade com outra pessoa.
Agora, se me der licença...
Foi um prazer conhecê-la, senhora — disse, retirando-se após um rápido aceno com a cabeça, e voltando-se para o outro rapaz que o acompanhava pediu:
— Vamos ali comigo, vou mostrar onde é o lugar das esteiras.
Completamente sem jeito, João Carlos ficou a sós com Gilda e sua amiga.
Mudo, ele aguardava por algum tipo de agressão, ofensa, algo que pudesse querer desonrá-lo, pois daquela mulher era só o que poderia esperar.
Procurando manter a calma, ele a seguia com seus expressivos olhos negros que ocultavam qualquer sentimento.
Logo ela atacou:
— Você deve saber o que me traz aqui.
— Não. Ainda não tenho certeza.
Se bem que imagino.
—Serei directa.
Quero brevidade nesse assunto.
Diante do silêncio, ela continuou:
— Quanto você quer para deixar minha filha em paz?
Sentindo um torpor abalá-lo, João Carlos custou a dominar seus sentimentos e reacções.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 08, 2017 10:49 am

Não acreditava no que acabava de ouvir.
Mesmo assim, com atitude respeitosa, avisou:
Não é do meu conhecimento que a sua filha não tenha paz ao meu lado.
E, quanto a sua oferta, vou ignorá-la.
Faço de conta que não ouvi nada. Agora...
Interrompendo-o bruscamente, Gilda inquiriu:
Você não se enxerga não?!
O que a senhora quer dizer com isso? — perguntou, procurando exibir tranquilidade e ganhar tempo para pensar.
Ora, rapaz! Não se faça de besta.
A Erika é uma menina tina, teve berço, tem família, educação...
— E quer dizer que eu não tenho nada disso?
A senhora está extremamente enganada, dona Gilda.
— Você sabe do que estou falando, rapaz.
Não se faça de desentendido.
Você a está iludindo, está de olho na nossa posição social, no nosso património.
Além do quê... — calou-se, ostentando todo seu orgulho ao examiná-lo de cima a baixo.
— Além de a senhora estar me ofendendo, tenho que dizer novamente que não me conhece e não sabe o que está falando.
— Não vim aqui para discutir — decidiu irada.
Vamos directo ao assunto, novamente.
Quanto você quer para deixar a Erika?
— Não há dinheiro que valha o que me pede.
Nós nos amamos, não estamos fazendo nada proibido, até porque sua filha é maior de idade e...
— Tenho isso aqui — disse, exibindo um pacote com uma considerável quantia em dinheiro.
Verdinhas! Dólares!
Sem impostos, sem passagem pela Receita...
E seu se deixar minha filha hoje mesmo.
— Suma daqui, dona Gilda.
Por favor — gritou ao não suportar mais tanta ofensa.
— Não aja estupidamente!
Todo homem tem seu preço.
— Nada paga minha dignidade, honestidade e carácter.
Com licença — disse, virando-lhe as costas.
Gilda ficou parada com o pacote de notas nas mãos.
Seus olhos coléricos o seguiram enquanto um incrível nó ficou-lhe preso na garganta.
Ninguém nunca lhe fizera aquilo.
Desejava gritar, esbracejar por não ter se saído vitoriosa.
Sem nem mesmo olhar para a amiga, que ficou em silêncio todo o tempo, Gilda procurou pela saída, que nem se lembrava mais onde era.
Só no interior do veículo a amiga falou:
— Ah, Gilda.
Você vai me desculpar, mas tenho que dizer:
Nossa! Que homem!
Que vigor, que juventude!
Alto, forte, bonito.
Suado daquele jeito então...
Eu nunca o tinha visto assim sem camisa.
Lógico que não, ou lá no clube ele seria atacado. Que morenaço!
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 08, 2017 10:50 am

— Cale essa boca estúpida, Marisa! — gritou Gilda com toda a força de seus pulmões.
—Aaaai! Tá, desculpa.
É que não aguentei.
Nesse momento, Gilda decidiu:
— De todo jeito vou empregar minhas verdinhas nesse sujeito.
Vou acabar com a laia dele.
— Como? — tornou Marisa.
— Com a sua ajuda, queridinha.
Com a sua ajuda.
Vou precisar de outro favorzinho.
Gilda e Marisa, durante o caminho de volta, passaram a tecer planos daquilo que poderiam fazer para separar Erika do namorado.
O mais inferior dos sentimentos é o preconceito, o racismo, a não-aceitação de alguém por sua cor de pele, raça, naturalidade, falta de beleza e outros atributos que as pessoas julgam ser qualidades; pelo simples pensamento de recriminar alguém por sua aparência física, pela sua filosofia ou forma de pensamento, estamos não só exibindo a nossa pobreza íntima, mas também, acima de tudo, criticando Deus, o Pai da Vida, que, além de nos criar, nos deu incontáveis condições para nos apresentarmos com diferentes particularidades, distinguindo-nos uns dos outros.
Temos essa ou aquela aparência que nos é necessária para um aprimoramento.
Temos a pele clara e olhos claros não por favorecimento.
Temos a pele negra e olhos escuros não por demérito ou punição de qualquer espécie.
A pele clara e os olhos claros podem muito bem ser um teste para a fragilidade íntima, pois a beleza, muitas vezes, é inimiga da alma displicente.
Pode exibir quanto há de orgulho em uma criatura que ainda tem muito que se harmonizar.
Do mesmo modo, a pele escura e os olhos escuros podem sinalizar uma força íntima e significar que a criatura venceu suas necessidades de não mais expor-se tanto.
A pele negra também pode oferecer a oportunidade para a pessoa trabalhar alguma espécie de preconceito que teve no passado, quando espezinhou pessoas por causa da raça.
Uma actual encarnação como negro seria uma luta interior para vencer o complexo da sua própria cor e poder se harmonizar com sua consciência.
Isso, indubitavelmente, são débitos e heranças de vidas passadas pela inclinação às más tendências, à palavra que ofendeu, ao pensamento que caluniou, às referências amargas que julgaram, destruíram, criticaram etc.
Trazemos muitas bagagens espirituais do passado e não podemos nos julgar superiores por essa ou aquela aparência que acreditamos serem qualidades físicas.
Se nos é ofertada a prova de lindos olhos e bela pele, isso não significa superioridade, podendo ser exactamente o contrário.
Tomemos cuidados básicos para não cairmos na indigência espiritual do orgulho, da vaidade.
Devemos tratar os outros, até em pensamento, como queremos ser tratados e conceituados.
Não nos cabe julgar; isso é falta de controle aos impulsos preconceituosos e inferiores, ou seja, são más tendências.
Ainda encarnados neste planeta, estamos longe de uma vida plena de integração, perfeição e felicidade.
Infeliz daquele que, consciente, assumido ou mesmo disfarçadamente, tem opiniões preconceituosas sobre o outro.
Essa certamente é uma pessoa sem integridade, sem elevação e ainda insatisfeita consigo mesma e por isso procura nos outros pequenos defeitos para não ver os seus próprios.
Somos a causa e o efeito de nós mesmos, pois na qualidade de espíritos eternos certamente plantamos em nosso passado o que hoje estamos precisando rever, experimentar.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 08, 2017 10:50 am

Temos liberdade para escolher hoje o que no futuro queremos ser ou experimentar, equilibrando nosso corpo e nossa consciência.
Devemos reflectir muito sobre alguns factores importantes que nos inclinam ao preconceito, incluindo aquele secreto, feito silenciosamente em nossos mais íntimos pensamentos.
Ele indica quão inferiores somos e sinaliza o quanto ainda temos que aprender para evoluir.
Deus nos ama independentemente de como nos apresentamos em aparência.
E sempre somos amparados por Suas mãos misericordiosas pela pureza existente em nosso coração.
Naquela tarde, muito amargurado, João Carlos chegou em casa com o semblante melancólico.
Atirando-se no sofá, respirou fundo procurando cerrar os olhos para relaxar.
Pelo barulho que fez ao chegar, Juliana foi ao seu encontro com animação.
—Ah! Desculpe-me, por favor!
Não pude ir hoje para ver como está ficando a academia.
Chegou um cliente importante que não pude dispensar.
Ele queria um projecto grande, e tive que dar toda a atenção.
Mas sei que a equipe que mandei deu conta.
Eles me falaram que o Cezar quer uma iluminação no jardim interno e que... — Juliana se deteve por causa da fisionomia desolada do irmão, que parecia nem ouvi-la.
Logo perguntou:
— O que foi, João Carlos?
Cade sua coragem?
Imediatamente ele desabafou:
—A dona Gilda me procurou hoje oferecendo dinheiro, em dólares, para eu me afastar da filha dela.
Perplexa, Juliana ficou parada por alguns segundos tentando organizar suas ideias antes de manifestar qualquer expressão.
Acomodando-se em outro sofá, decidiu então brincar para descontrair o irmão:
—E você aceitou, claro!
Tomara que tenha sido muita grana, porque a Erika é maior de idade e vocês poderão fazer muitas coisas juntos.
João Carlos sorriu, mas logo anuviou seu semblante outra vez, quando admitiu:
— Estou tão magoado. Decepcionado...
— Com o quê?!
— Com tudo isso, Juliana.
— Ora, João Carlos, não se permita uma tristeza que tenha sido provocada por alguém tão pobre de espírito.
Tenha piedade de uma pessoa como essa.
Os lindos olhos azuis que a dona Gilda tem ficarão para os bichinhos comerem quando ela partir desse mundo.
Vamos pensar que temos algo para harmonizar e nos despojarmos do orgulho, só que, para isso, não precisamos adquirir outros débitos, como nos magoar ou ofender alguém que tenha nos magoado.
Por essa razão, não vamos cultivar nenhum ódio, nenhum rancor, muito menos o desejo de vê-la na penúria, experimentando o que faz aos outros.
Não vamos gerar em nós essas vibrações tão inferiores.
— Não, não estou pensando nada disso.
Sei que pessoas como ela serão vítimas de si mesmas.
Não serei eu a desejar vingança.
Longe de mim. Só fiquei magoado com a situação, não queria passar por tudo isso.
— E a Erika? Você contou para ela?
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 08, 2017 10:50 am

— Não. Nem falei com ela hoje.
— Então, se puder, não diga nada — aconselhou a irmã.
Ela não precisa ficar mais magoada ainda com a mãe.
— Gostaria de que você conversasse mais com ela.
Percebo que a Erika ouve e aceita bem o que vem de você.
Juliana ofereceu um generoso e agradável sorriso ao admitir:
— Gosto muito dela.
Vejo que ela mudou muito de uns tempos para cá.
Mudou para melhor, está menos criança, mais responsável, preocupada com a vida.
Observo que não briga mais com a mãe; está conseguindo ignorar as implicâncias da dona Gilda.
— A Erika tem um bom coração e aprende rápido.
Tem uma alma generosa, só não aprendeu antes porque ninguém a ensinou.
— Ela é inteligente.
Mas... mudando de assunto, o Miguel me telefonou hoje para dizer que já leu aquele livro que emprestei e nos chamou para sair nesse fim de semana.
O que acha?
— Ah... acho que estarei tão cansado.
Tenho só mais essa semana para montar tudo antes da inauguração, que já está marcada, lembra?
Juliana olhou-o com certa melancolia ao dizer:
— Vou ligar para ele avisando que não vai dar.
— O que foi?
Ficou esquisita de repente.
— Eu?! Ora...
Em seguida, falou:
— Ah! Lembrei.
Outro dia, quando fui lá na casa deles, comecei a falar sobre Espiritismo e a dona Júlia ficou me olhando de modo estranho, mas não disse nada.
Achei até que ficou muito curiosa.
O Eduardo também ajudou quando contou o que a sua secretária falou sobre fazer o Evangelho no Lar.
Quanto a isso ela pareceu gostar da ideia, pois entendeu que é simplesmente ler e comentar, no lar, os ensinamentos de Jesus.
—Ela falou com você sobre a Suzi? — perguntou o irmão.
A dona Júlia não é de conversa, mas outro dia, sem querer, ela reclamou da moça para mim.
Achei estranho ela vir falar disso justo comigo.
— Percebi que ela não gosta muito da moça.
A princípio pensei que fosse ciúme do filho, mas depois, quando conversei com a Suzi, notei que tem algo de errado com ela.
— O quê? — perguntou ele, curioso.
— As atitudes da Suzi, o jeito meio desconfiado, camuflado como um disfarce, e aqueles modos muito certinhos.
Uma pose para cada coisa, um olhar sempre meigo, um sorriso treinado.
Ela nunca se mostra à vontade, espontânea.
Nunca perde a compostura.
— Juliaaaana...!
— É sim! Tem algo estranho com ela e parece que o Miguel está encantado e não enxerga.
— Juliana, você está com ciúme do Miguel? — perguntou subitamente.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 09, 2017 10:32 am

A irmã pareceu ter perdido o fôlego, mas logo dissimulou:
—Ora, João Carlos!
O que é isso?
O Miguel é só um grande amigo, nós nos damos bem, conversamos muito, nada mais.
Gosto dele como de outro amigo qualquer.
Levantando-se, Juliana reclamou enquanto saía da sala:
—Só essa que me faltava. Veja só!
***
Dois dias depois dos últimos acontecimentos, João Carlos chegou na academia que estava montando e se surpreendeu ao ver, em frente à porta principal, viaturas da polícia.
Preocupado, estacionou o carro e desceu rapidamente para ver o que estava acontecendo.
Cezar foi ao seu encontro adiantando as novidades.
João Carlos, fomos roubados durante a madrugada!
O quê?! — quase gritou.
Simplesmente estacionaram um caminhão aqui, desactivaram os alarmes e levaram todo o equipamento que já havia sido entregue.
João Carlos, em choque, foi correndo em direcção à porta de entrada, mas o amigo o segurou dizendo:
— O pior é que espalharam lá no primeiro andar um pó branco que a polícia está recolhendo achando que é droga.
Estão tirando fotos porque nas paredes e em alguns espelhos está escrito algo sobre dívida de drogas.
— Você está brincando?
Isso é loucura! — falou nervoso ao correr para dentro do estabelecimento.
Olhando ao redor, João Carlos certificou-se de que a bagunça era geral.
O que não levaram, quebraram e espalharam por todas as salas, como plantas, espelhos e terra.
No primeiro andar, onde espalharam certa quantidade de pó branco, havia os seguintes dizeres:
"João Carlos não pagou, não vai usar, por isso espalhamos" e "Se não pagar o que comprou, voltaremos".
— Não! Não pode ser! — gritou inconformado.
Ninguém viu quem fez isso? Nenhum vizinho?
— O segurança da firma ao lado viu, mas pensou que estava chegando algum equipamento.
Ele disse que foi por volta das quatro e meia ou cinco da manhã e que tudo foi muito rápido.
— Vocês têm seguro? — perguntou um policial que se aproximou.
— Ainda não.
Iríamos fazer o seguro depois de tudo montado.
É preciso que seja assim para avaliarem — explicou Cezar.
— Vocês poderiam nos acompanhar até a delegacia, por gentileza? — pediu outro policial.
Perplexos e incrédulos, os dois sócios sentiram-se enfraquecidos depois de tão rude golpe em seus sonhos, em seus esforços árduos, não lhes restando mais nada a não ser acompanhar os policiais para as devidas providências.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 09, 2017 10:33 am

15 - DESARMONIA ENTRE IRMÃOS

Bem mais tarde, longe da cena que fragilizou a todos, Gilda e sua amiga conversavam alegres e satisfeitas.
— Marisa, minha querida, fico imaginando aquele lindo moreno com lágrimas nos olhos.
É de comover — gargalhou, debochando.
Decididamente a vida está a meu favor.
Viu? Encontramos rapidinho quem fizesse o serviço, e isso aconteceu mais depressa do que eu pensava.
O que o dinheiro não faz, hein?
— Também, você foi louca em ter oferecido tudo aquilo.
— Mas, cá pra nós, o tal João Carlos foi um trouxa; bem que podia ter aceitado o que ofereci.
Não teria nenhum prejuízo e ainda ficaria com uma boa graninha.
Mas isso foi bom pra mim.
Na verdade, gastei bem menos.
— Jura?! — admirou-se Marisa.
Após uma gargalhada impiedosa, Gilda continuou:
— Agora quero ver a minha doce e bela Erika dizer que ele é bom, honesto, isso e aquilo.
Com aquela droga lá na academia, ela vai parar para pensar.
— Mas, Gilda, a droga só foi jogada na academia, não há provas concretas contra o moço.
Não há no momento, mas é o suficiente, por enquanto, para que todo mundo fique de olho nele.
Levantando-se e caminhando vagarosamente pela sala, falou como se planejasse:
- Posso providenciar uma acusação melhor, mais convincente.
— Você é fogo, hein?
Quando quer uma coisa...
— Não brinque comigo, queridinha.
Pode me odiar, mas seja minha amiga ou será infeliz pelo resto de seus dias.
Agora vamos ter que dar um jeito naquela rampeira da Helena.
Se esta suburbana pensa que vai levar meu filho de bandeja, está muito enganada.
— Qual seu plano para ela?
— Ainda estou vendo.
Mas com ela tenho certeza de que vai ser mais fácil.
Após rir, falou:
— Pelo menos vai ser mais barato.
Porém, Marisa, temos que tomar cuidado com o Eduardo.
Ele não pode desconfiar.
— Então comece a ser boazinha com a moça.
Trate-a bem. Se fizer assim, ninguém vai desconfiar.
— E eu já não comecei?!
Claro, meu bem, pensa que sou boba?
O dia em que soube que usaram minha casa de praia foi o último que briguei com meu filho por causa dessa zinha.
Senti que ele pode se voltar contra mim, e isso eu não vou deixar acontecer.
— Para não ser odiada pelo Edu, você terá que ser bem sensata, gentil e tecer um plano perfeito.
— Até já sei o que vou fazer. — anunciou agora com os olhos brilhantes.
Bem, acontece que já faz alguns dias não venho mais falando no nome da Helena nem no tal professor de Educação Física.
Todos devem estar pensando que eu me acostumei com a ideia.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 09, 2017 10:33 am

Agora o ideal seria eu me aproximar um pouco mais da Helena, tratá-la bem e me tornar uma pessoa à prova de qualquer suspeita.
Serei amável e gentil.
Depois de rir, completou:
— Serei sua amiguinha, alguém em quem ela confie, de quem goste.
Não serei verdadeira como sempre sou quando digo o que penso, tampouco exigente.
Quer saber, Marisa?
Vou chamá-la de querida e de meu bem.
Sabe quando você se dirige a alguém dizendo com jeitinho amável "Oi, meu bem!
Oh, querida, por favor..." ou então "Tchau, meu bem", a pessoa se curva com o ego repleto de satisfação por ser tratada assim.
Essa é uma forma de mascararmos nossas verdadeiras intenções.
Preciso ser cautelosa, pois notei que meu filho fica balançado por ela, e isso nunca vi ele sentir por mulher alguma.
Primeiro, vamos ao plano do meu bem e do queridinha; ninguém pode suspeitar.
—Isso funciona mesmo.
Aprendi com você, Gilda.
—Tenho certeza de que essa menininha vai cair feito um gatinho mimado aos meus pés.
Aí sim será o momento de enxotá-la daqui, sem que meu filho perceba.
E quer saber? Será ela quem vai sair correndo.
—O Edu tem que ficar do seu lado, hein!
—Claro. Se meus planos derem certo, vou sair correndo atrás dela pedindo para que volte para ele, você vai ver.
—Ai, Gilda! Sinto até uma coisa...!
Uma sensação excitante.
—Precisamos experimentar diversos tipos de sensações e emoções enquanto estamos vivas, queridinha, pois assim a vida fica mais saborosa.
Ainda vamos rir muito de tudo isso.
Gosto do meu poder, do meu dinheiro que a tudo compra, faz e acontece.
Gosto mais ainda da minha inteligência, da minha perspicácia, do meu espírito sagaz.
Aguarde! Quem viver, verá!
***
Na casa de dona Júlia, Juliana, Helena e Eduardo reuniam-se na sala, conversando um pouco.
— ... de lá pra cá ele está arrasado.
Quase não sai, pouco conversa.
A Erika está lá em casa agora com ele, mas o João Carlos está desanimado até com ela — comentava Juliana.
— E a polícia? Ninguém diz nada?
Não tem nenhuma pista? — preocupou-se Helena.
Dizem que estão fazendo investigações, mas até agora nada.
Eduardo, que até então só ouvia, lembrou:
O estranho em tudo isso é o facto de terem escrito aquilo a nos espelhos e nas paredes.
Parece que foi gente que conhecia o João Carlos e queria prejudicá-lo.
Juliana abaixou a cabeça e não disse nada.
Em seu íntimo a moça desconfiava de que aquilo tudo realmente poderia ter sido por vingança.
E tinha fortes suspeitas que apontavam para Gilda, a mãe de Eduardo, pelo facto de seu irmão não ter aceitado o dinheiro para se afastar de Erika.
E claro que Eduardo não desconfiava de sua mãe. Nem poderia.
Nesse instante, Sueli, que até então estava no quarto com Carla e Suzi, chegou na sala e, sem que os demais percebessem, fez um gesto rápido para Helena, chamando-a para que conversassem.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 09, 2017 10:33 am

A amiga pediu licença e foi ver o que Sueli queria.
Já distante da sala, perguntou:
— O que foi, Sueli?
— Olha, se vocês não ficarem ligados, a Carla vai acabar se dando mal.
Ela não larga a Suzi, e isso não me cheira nada bem.
Dona Júlia se aproximou interrompendo a conversa sem perceber.
— Helena, pega o refrigerante lá para mim, filha.
— Depois eu falo — sussurrou Sueli.
Sem entender, Helena não deu muita importância. Talvez Sueli estivesse com ciúme da amizade entre Suzi e Carla, pois agora ambas quase não paravam de conversar.
Bem depois, todos se reuniam para um lanche preparado por dona Júlia e conversavam animados.
—Ei, Suzi — avisou Eduardo querendo puxar conversa com a moça que quase não falava —, o Miguel falou onde seus pais moram e conheço aquela cidade.
—O pai dela é banqueiro lá — disse Miguel sem pretensões.
Parecendo tímida, Suzi argumentou em baixo tom de voz:
—É um banco pequeno.
Um banco particular que faz empréstimos ao sector agro-pecuário da região.
Quem vê o Miguel falar assim... — desfechou sorrindo.
Miguel abraçou-a com carinho, beijando-a rápido.
Suzi era uma jovem muito bonita.
Tinha longos cabelos lisos, pesados, loiros e de um brilho intenso.
Seus olhos verdes eram bem atraentes, principalmente pelos cílios longos que os contornavam.
Sua pele sedosa e alva fazia um bonito contraste com a boca bem-feita e o sorriso generoso.
A cada dia Miguel parecia mais apaixonado, encantado pela namorada de personalidade tranquila e recatada.
Eduardo, após ouvir a moça, ficou pensativo e quase preocupado.
Pensou em perguntar algo, mas Helena atraiu sua atenção quando o tocou no ombro ao pedir:
—Diga para a Bia que a peça teatral não é infantil.
Que ela não vai gostar.
Aturdido pela rápida troca de assunto, ele quase gaguejou ao explicar:
—É, é sim. A tia Lena tem razão.
— Mas eu queria ir — falou com jeito mimado, fazendo biquinho.
— Prometo que a levo num outro dia, quando estiver passando uma peça infantil.
Dessa você não vai gostar e acho que nem pode entrar — explicou Helena novamente.
— E não pode entrar mesmo — tornou Eduardo, que, se voltando para a namorada, pediu:
— Vamos, senão chegaremos atrasados.
— Bia! — chamou Sueli animada.
Fica comigo que eu trouxe um quebra-cabeça pra gente montar.
— Oba! — alegrou-se a garotinha, que desceu às pressas do colo da tia e foi na direcção de Sueli.
Você vai dormir aqui hoje de novo?
—Acho que sim.
— Então você não vai mesmo ao teatro, Sueli? — perguntou Helena.
— Não. Obrigada. Se a dona Júlia deixar, vou ficar por aqui.
Aliás, acho que vocês já me adoptaram, pelo menos nos finais de semana.
Então vamos? — pediu Eduardo apressado.
***
Sueli já estava de bruços no tapete do quarto com Bianca, montando o brinquedo, quando Mauro entrou e ficou observando-as.
Bianca, depois de algum tempo, começou a ficar sonolenta, e Sueli e Mauro começaram a conversar.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 09, 2017 10:33 am

—Meu irmão está fanático por estudo.
Não dá pra ficar perto dele. É um tédio.
— Todos os japoneses e descendentes gostam de estudar.
— Então sou uma excepção — brincou ao rir com gosto.
— Pensei que fosse com os outros ao teatro.
— Não estou com tanto ânimo.
Acho que tédio é contagioso. Cuidado.
— Não me fale em tédio nem em falta de ânimo.
Nos últimos tempos...
— A Bia dormiu... fadinha... — disse Sueli quase sussurrando ao ver a menina debruçada sobre os braços.
Vou levá-la para a cama.
Cuidadosa, Sueli tomou Bianca em seus braços e a colocou jeitosamente sobre a cama, cobrindo-a após tirar suas sandálias.
—Vamos lá pra fora? — sugeriu Mauro.
Já na área que ficava na frente da casa eles se acomodaram nas cadeiras em meio a algumas plantas viçosas.
—O que você ia dizendo, Mauro?
—Ah! Sim... que nos últimos tempos está sendo difícil para mim por causa de um tipo de tédio, uma espécie de depressão...
—É que tudo aconteceu bem rápido na sua vida.
—Foi mesmo.
u acordei e o que seria um dia de festa acabou sendo um dia de pesadelo.
Pesadelo que dura até hoje.
—Você já vendeu a casa?
—Por incrível que pareça, ainda não.
Baixei até o preço e... nada.
Quanto à escola que foi da Lara, estamos em negociação.
Uma das professoras está interessada e pretende fazer um financiamento.
Próximo a Mauro, naquele momento, Lara, na espiritualidade, chorava dizendo:
—Você quer me esquecer.
Quer vender as coisas para não se lembrar mais de mim.
Sentindo um nó na garganta, Mauro tinha os olhos brilhando pelas lágrimas que quase rolaram.
Com voz embargada, falou:
— Já pensei em tanta loucura.
Se não fosse minha filha...
— Você é jovem, Mauro.
Tem muito pela frente.
— É que sinto uma coisa. Uma dor no peito...
Eu lhe disse outro dia sobre aquele desespero, aquela vontade de chorar, de gritar, de quebrar tudo...
Isso me dá sempre.
Lara, agora abraçada a ele, recostando sua cabeça em seu ombro, lamentava:
— E eu na penúria, nesse sofrimento sem fim.
Angustiada por ter acreditado em minha mãe.
Ela é a culpada por tudo isso.
Eu estaria ao seu lado se não fosse por minha mãe.
— Sueli, como é triste perder alguém.
Eu não imaginava quanto necessitaria de forças para continuar a viver.
Há dias em que me desequilibro.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 09, 2017 10:34 am

Acabo descontando nas minhas irmãs a revolta que sinto.
Nem com minha filha tenho a paciência que deveria.
Você deve estar sabendo que já bati na Carla, que tentei agredir até a Lena...
— Mauro, estive conversando muito com a Juliana a respeito da vida após a morte.
Não entendo muito, aliás não entendo nada, mas será que a Lara não está ainda apegada a você em vez de seguir o caminho que deveria?
Mauro ficou pensativo enquanto Lara, furiosamente, atirou-se sobre Sueli como se quisesse atacá-la.
Investida sobre a moça, Lara segurou no seu pescoço como se quisesse enforcá-la.
—Desgraçada! — gritava o espírito Lara.
Você quer me ver longe!
Infeliz! Eu a odeio! Odeio!
Sem imaginar o que acontecia na espiritualidade, Sueli sentiu algo estranho e empalideceu quando disse:
- Nossa! Acho que minha pressão caiu.
Mauro, prestativo, levantou-se rápido e, ao seu lado, tocando-lhe o braço, perguntou:
—Você está branca... Está bem?
Desculpe-me — disse a moça sem graça.
Fiquei tonta de repente e meus ouvidos estão esquisitos.
Mas não deve ser nada.
— Quer que eu pegue um pouco d'água pra você?
— Não, Mauro — disse gentilmente.
Não é nada. Vai passar.
Voltando à sua cadeira, Mauro falou:
— Será que minha mulher, após sua morte, não teve ajuda?
É possível ela estar entre nós?
Você acredita nisso?
— Acredito sim.
A própria Bianca disse tê-la visto chorando várias vezes perto de você.
— Agora, com a cabeça mais fria, lembro que todas as vezes que perdi o controle e fiz o que fiz a Bia havia dito que viu a Lara junto de mim.
Sabe, pensei que fosse coisa de criança, para chamar a atenção, entende?
— Adoro as conversas que tenho com a Juliana — comentou Sueli.
Lamento tanto quando não a encontro aqui.
Estou pensando em ir a um centro espírita, como ela diz, um centro espírita sério que fale sobre o Evangelho de Jesus nas palestras e ensine sobre a vida após a morte.
— A Juliana fala sobre umas coisas interessantes.
Gosto quando ela explica sobre aquelas coisas da gente ter que harmonizar o que fazemos de errado.
— Chama-se Lei de Causa e Efeito — lembrou a moça.
— Isso mesmo! Gosto de ouvir sobre isso.
Somente essa tal lei pode explicar a vida que levamos, os sofrimentos que experimentamos.
— Se eu for, você vai comigo a um centro espírita? — ela convidou.
— Não!!! — gritou o espírito Lara, que novamente tentava algo contra a moça.
Porém, naquele instante, algo aconteceu que impressionou Lara incrivelmente.
Ela passou a ver uma luz mesclada com fumaça que parecia paralisá-la, sem conseguir identificar o que era.
Tamanha surpresa a intimidou, fazendo com que recuasse.
Lara acuou-se a um canto, e em seus pensamentos vinham frases vivas como "Afasta-te.
Não vais poder mais nada contra eles.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 09, 2017 10:34 am

Teve a tua oportunidade de socorro e a recusou.
Agora estás só.
O máximo e o melhor que podes fazer por ti mesma é acompanha-los e aprender com o que eles vão ouvir."
Amedrontada, ela aquietou-se sem chorar e testemunhou Mauro dizer animado:
— Vou, vou com você, sim.
Quem sabe consigo trabalhar esse meu lado hostil que vem despertando incontrolavelmente.
Acho que essas palestras podem me ajudar a mudar os pensamentos, as atitudes. Conte comigo.
— Ah! Que legal!
Eu estava louca para arrumar companhia.
Sim, porque a Lena agora, por causa do namoro com o Edu, nem lembra que tem uma amiga.
— Vou lhe fazer companhia.
Conte comigo, Sueli! — repetiu com alegria espontânea.
— Vou pegar com a Juliana o endereço e o horário que podemos ir.
Tomara que tenha aos finais de semana.
Assim arrumo alguma coisa para fazer nesses dias.
—Será bom para mim também.
A conversa entre eles seguiu por bastante tempo, só que agora mais animada.
Coisas corriqueiras foram lembradas, alegrando e dando mais vida a Mauro, que passou a dar gargalhadas ao ouvir os casos pitorescos que Sueli contava com seu jeito engraçado.
Lara, ainda muito nervosa, assustou-se ao ver Nélio chegar e a intimar:
—Levanta-te, mulher!
Por que diabos estás aí acuada?
—Aconteceu algo estranho — explicou timidamente.
Eu vi uma coisa que não sei explicar.
Algo que me impressionou, me dominou como se tirasse minhas forças.
Não pude mais continuar com o que fazia e comecei a pensar em certas coisas...
Desconfiado, o espírito Nélio a olhou com preocupação e avisou:
Um dos dois tem protecção.
Sei do que tu falas.
É bom não te envolver com eles ou vão te imprimir ideias, vais começar a te sentir culpada, poderás até ver coisas de um passado distante.
Isso não é bom.
Mas como não ficar perto do meu marido?
Primeiro ajuda-me. Preciso de ti.
Depois veremos o que fazer com os teus.
— Ele confessou que andou pensando em alguma loucura.
Acho que pensou em se matar.
Com olhar perdido, a pobre Lara sorriu ao dizer:
— Se assim fizesse, ficaria comigo eternamente.
Poderei ter Mauro novamente ao meu lado.
— Venha, mulher! — exigiu Nélio.
Não podemos demorar!
Em fracção de segundos, Nélio e Lara encontraram Helena, Eduardo, Miguel e Suzi, que acabavam de sair do teatro e estavam no estacionamento pegando seus carros.
—O que vocês acham de irmos a um barzinho? — propôs Eduardo.
Um lugar tranquilo onde dê para conversar, trocar ideia...
Abraçado à namorada, Miguel avisou:
—Temos outros planos. Vão vocês.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 09, 2017 10:34 am

Após se despedirem, Miguel e Suzi já estavam no interior do veículo, quando a moça admitiu:
— Não gosto muito do Eduardo.
— Ora, por quê, Suzi? — surpreendeu-se o namorado.
Ele é um cara tão bacana.
Não tenho nada contra ele.
— Também não tenho nada contra ele.
Ou melhor, não tenho nada para apontar favoravelmente no momento.
Mas, sabe, ele parece querer esconder um lado arrogante, orgulhoso.
— Ah, meu bem, você terá outra opinião quando conhecê-lo melhor.
Ele é uma óptima pessoa.
— Você não se importa se não sairmos mais com eles, não é? — pediu com mimos.
— Sério?
— Desculpe-me, eu...
— Tudo bem, se você se sente desconfortável, não tem problemas.
Sairemos só nós dois — disse, beijando-a rapidamente.
— Vamos mudar de assunto? — propôs a bela jovem bem mais animada agora.
Você foi lá ver o apartamento de que me falou?
— Fui, sim.
Bem, eu queria fazer surpresa, mas... não consigo.
— Ah! Conta! Estou ansiosa.
— Já pedi o contrato para analisar.
Vou procurar um amigo que é advogado e pedir que dê uma olhada antes que eu assine.
Já fiz o pedido das certidões negativas...
— Ah! Que legal!
Eu o amo, Miguel!
— Ficou feliz?!
— Lógico! Como não poderia? — exclamou a moça, eufórica.
— Amanhã passamos lá para você dar uma olhada.
Acho que vai gostar.
— Tenho certeza de que vou — afirmou com grande alegria.
— Se der certo, podemos até começar a pensar em uma data para o casamento.
Suzi calou-se boquiaberta e logo o abraçou e o beijou muito.
Longe dali, Eduardo e Helena estavam em um barzinho.
Conversavam enquanto trocavam gestos de carinho e olhar terno.
Irritado, o espírito Nélio os rodeava sendo observado por Lara, que o acompanhava também.
Ela não se importava em saber que Eduardo era odiado por Nélio, primeiro por achar que o irmão não lhe dera a devida atenção quando o procurou para falar sobre seu marido e as dúvidas que tinha, depois porque Nélio prometera ajudá-la com Mauro.
— Desgraçado!!! Afasta-te dela! — gritava Nélio.
O casal não podia ouvi-lo, muito menos percebê-lo, mas Nélio não desistia.
Não és digno, desgraçado — vociferava o espírito envolto em desejos sombrios, deixando Eduardo sob a mira de seu olhar odioso.
Eduardo começou a se incomodar com o lugar.
Até o que pediram para comer parecia não estar a seu gosto.
Esperava canapés melhores — reclamou.
Pra mim estão bons — afirmou Helena.
Tocando-lhe o rosto com carinho, Eduardo afagou-lhe os cabelos ao pedir:
— Vamos sair daqui?
— Mal acabamos de chegar! — estranhou a jovem, sorrindo.
Você está bem? — preocupou-se.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 09, 2017 10:34 am

— Estou, mas é que... gostaria de ir embora.
— Está falando sério?
— Se você não se importar.
— Então vamos — concordou a jovem.
Após pagar a conta, Eduardo passou-lhe o braço sobre o ombro para que saíssem dali.
Chegando ao estacionamento, eles trocaram beijos e carinhos, até que ele propôs:
—Vamos para um lugar tranquilo?
Nélio, que os acompanhava, estava inquieto, quase alucinado, tamanho era o seu ódio.
Esbravejando, xingando, ele esmurrava Eduardo, mesmo sabendo que não poderia ser percebido.
Helena, parecendo surpresa com o convite, hesitou e murmurou indecisa:
—Não sei, Edu.
Talvez não seja o momento.
Envolvendo-a num abraço, depois de beijá-la, sussurrou amoroso:
—Precisamos de um lugar tranquilo, só nós dois... eu a amo tanto.
—Eu sei, também o amo, mas é que...
—Tomo cuidado, toda precaução, não haverá problemas.
Não terá com que se preocupar.
O espírito Nélio, enfurecido, vociferou para Lara:
—És tu que poderás fazer algo.
Abraça-te a ela.
Lara obedeceu, e Nélio prosseguiu mais brando, fazendo-a recordar:
—Lembra-te de quanto gostaria de estar com teu esposo?
Tu o amas e queria muito o carinho, o abraço de que agora carece.
Tu careces de amor, Lara.
Enquanto falava, Nélio sugeria imagens nos pensamentos de Lara, que começou a se lembrar do marido:
— Veja quanto te sentes pequena, pois teus sonhos acalentados agora não passam de dolorosos pesadelos.
Estás só, insegura e abandonada.
Não tens amor nem paz; não descansas e só sofres.
Lara chorava, e Nélio prosseguiu, sempre sugerindo lembranças:
— Vives com medo, nem podes mais tocar a filha querida, não podes dispensar teus cuidados à pequenina e pensas no quanto sofrerás caso teu marido, carente de amor, a substitua por outra.
Lara, por não ter opinião firme nem fé, abraçada a Helena chorava compulsivamente.
Helena, após alguns minutos recebendo aquelas vibrações, afastando o namorado de si, pediu firmemente como se repudiasse seus beijos e carinhos:
—Pare, Eduardo! Por favor.
Surpreso, praticamente assustado, perguntou com voz branda:
—O que foi?
Helena, agora chorando, secava as lágrimas que rolaram por sua face.
Aproximando-se novamente da namorada, ele acariciou seu rosto com cuidado, dizendo:
—Desculpe-me, eu...
—Não é culpa sua — respondeu com voz ainda embargada e chorosa.
Carinhoso, Eduardo perguntou:
—O que foi?
Por que reagiu assim, hã?
Helena escondia o rosto por entre os cabelos quando ele a puxou para si e abraçou-a meigamente ao pedir:
— Não chore.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 09, 2017 10:35 am

Desculpe-me por tê-la pressionado.
Eu não deveria.
— Vamos embora — pediu com a voz abafada pelo abraço, escondendo o rosto em seu peito.
— Claro. Vamos sim.
Curvando-se para olhá-la, ele ainda perguntou:
— Você está bem?
—Estou. Desculpe-me por isso.
—Lena, por favor, me perdoa.
Eu... — tentou pedir desculpas enquanto a abraçava de novo contra si.
— Você não tem por que pedir desculpas.
Sou eu que talvez esteja acostumada a impor limites.
Mas é que eu não queria que fosse assim.
Sempre tive planos... sonhos...
Sei lá, acho que toda moça os tem.
— Então me desculpa.
Fui muito precipitado — reconheceu, arrependido.
— Tudo bem. Mas, se você não se importa, gostaria de ir embora.
— Claro. Vamos sim — disse agora forçando um sorriso e beijando-lhe rapidamente o rosto antes de se acomodar melhor para irem embora.
No caminho para casa, eles conversavam descontraídos sem mais nenhum comentário sobre o ocorrido.
Nélio, irritado, os acompanhava com Lara, que, chorosa, sentia ainda um grande sofrimento por suas lembranças.
Ao chegarem, Eduardo e Helena decidiram não entrar, preferindo ficar na área sem serem vistos, pois a iluminação da rua era bem fraca onde as plantas sombreavam.
Após algum tempo, Miguel os surpreendeu ao se aproximar.
— Ai! Que susto, Miguel — reclamou a irmã.
Não faça mais isso!
— Puxa, fiz o maior barulho.
Coloquei o carro na garagem, fechei o portão, fui tentar entrar pelos fundos, mas a porta estava trancada com ferrolho.
Então tive que voltar.
— Você chegou cedo, hein — reparou a irmã.
— E que vou levantar cedo.
Prometi à Suzi levá-la para ver o apartamento.
Queremos ir bem cedo para sobrar tempo à tarde.
— Está pensando em casamento, Miguel? — perguntou Eduardo.
— Estou mesmo.
E se prepare para ser o padrinho!
— Opa! Gostei da ideia.
Nunca subi em um altar.
— Ainda bem, né, Edu? — falou Helena.
— Então... Até amanhã! — decidiu Miguel.
— Até! — respondeu Eduardo.
Vendo-se novamente a sós com Helena, Eduardo também resolveu:
- Bem, já está tarde. Preciso ir.
- Amanhã você almoça aqui com a gente?
- Eu estava pensando em levá-la para almoçar lá em casa.
Eu viria pegá-la bem cedo com a Bianca.
Ela gosta de brincar lá, mesmo que não esteja bom para pegar uma piscina.
Apesar de que, amanhã, acho que o dia estará bom.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 09, 2017 10:35 am

—Ah, Edu... e a sua mãe? — preocupou-se Helena.
—Sabe, eu a percebo mais calma ultimamente.
Acho que se acostumou com a ideia.
Não disse mais nada e só fica perguntando da Bianca e reclamando pelo facto do Mauro não deixar o motorista vir buscá-la.
Acho que a solidão está dando um jeito na dona Gilda.
A seguir, propôs:
— Então fica assim, venho pegá-las, está bem?
Não querendo decepcioná-lo mais uma vez, Helena sorriu e aceitou.
— Tudo bem. A Bia vai adorar.
— Óptimo!
Eles ainda ficaram por mais alguns minutos se despedindo, mas logo, porém, Helena entrou.
Um barulho na cozinha a atraiu e, ao encontrar Miguel, ela perguntou brincando:
— Então você é o assaltante da geladeira?
— Não me denuncie e dividirei o produto do furto com você.
—Não, obrigada.
Só quero água.
— Falando em furto, até agora estou chocado com o que aconteceu na academia do João Carlos — admirou-se Miguel.
— O pior é que ele havia agendado a seguradora para ir lá três dias após o furto.
E pensar que, por causa de três dias, ele ficou sem seguro e sem nada...
A Juliana disse que ele está arrasado.
Amanhã à tarde vou dar uma passadinha lá para falar com ele.
Isto é, se a Suzi quiser.
Você não acha que a Suzi se isola um pouco? — comentou a irmã com simplicidade.
Miguel repentinamente se sentiu estremecer.
Ele, por algum motivo, não gostou do que ouviu.
Havia tempo que na espiritualidade Nélio se acercava de Miguel, passando-lhe opiniões em forma de pensamentos para que recriminasse a irmã pelo namoro com Eduardo.
Nélio sabia que Helena era bem apegada ao irmão e que talvez se deixasse influenciar por suas opiniões.
Helena continuava falando sem querer ofender Suzi ou Miguel.
—... e ela sempre se tranca lá no quarto com a Carla e, quando a gente chega, fica quieta, não se envolve na conversa, não participa de nada...
—Ei! Qual é, Helena?
Surpresa, a irmã silenciou, acreditando ter falado demais.
—Bem, desculpe-me.
Não tive a intenção de...
— Não teve a intenção, mas não parou de falar.
Puxa, nunca reclamei do Eduardo, nunca procurei seus defeitos ou coisa assim.
Já basta a mãe ficar falando o tempo todo.
— Tá bem, Miguel.
Já pedi desculpa — falou Helena enquanto saía da cozinha, quando ouviu:
—Acho bom você tomar cuidado.
—Cuidado com o quê? — perguntou, voltando-se para o irmão.
—Não venha se fazer de ingénua.
—Do que você está falando? — insistiu a irmã, sentindo-se aquecer.
Agora, quase amargo, Miguel parecia ter deixado de ser o amigo de sempre e falou com certa frieza:
—Estou falando do senhor Eduardo.
Estou achando esse seu namoro um tanto...
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 09, 2017 10:35 am

— Um tanto o quê? — irritou-se Helena.
— Um tanto acelerado.
— Ora, Miguel, por que me diz isso?
Sou responsável.
Não sou nenhuma menininha boba e ingénua, não senhor.
Por que com os outros namorados que eu tive você nunca disse isso?
Por que só agora vai pegar no meu pé?
— Pelo que estou vendo entre vocês — disse em baixo e grave tom de voz, encarando-a.
— Vê o quê? O que você viu? — tornou exasperada.
— Não sou bobo, Helena.
Nunca lhe disse nada antes porque percebia que o Vagner era uma pessoa inerte, sem ânimo.
Bem diferente do Eduardo, que está excessivamente apaixonado.
Se é que me entende.
— Por que está falando assim comigo, Miguel?
Sempre foi meu amigo, sempre fomos parceiros em tudo.
— Estou só alertando.
O Eduardo é muito bacana, muito legal, mas não sei com que tipo de relacionamento ele está acostumado.
É um cara que tem dinheiro e talvez ache que possa pagar tudo. Fique esperta.
— Você está me ofendendo.
— Quem está ofendendo quem? — perguntou dona Júlia, entrando repentinamente.
Quase chorando, Helena olhou para a mãe e, sem dizer nada, saiu apressada após pedir:
— A bênção, mãe.
— A bênção, mãe — repetiu Miguel.
— Deus abençoe vocês.
Helena se foi.
E esperando por uma resposta dona Júlia ficou olhando para o filho, que logo dissimulou:
—Eu estava falando para a Lena não chegar tão tarde, é isso.
—Miguel, foi isso mesmo?
—Claro, mãe. Foi só isso, e ela pensou que eu a estava chamando de ingénua e se ofendeu.
Bem, vou deitar, já é tarde. Bênção, mãe.
—Deus o abençoe, filho.
Dona Júlia, não satisfeita, sentia que algo estava acontecendo.
Miguel e Helena, desde pequenos, sempre foram muito unidos, cúmplices em tudo.
Deveria ser algo bem sério para eles se desentenderem.
Decidiu que ficaria atenta.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 09, 2017 10:36 am

16 - MOMENTOS DE ANGÚSTIA

O dia seguinte estava convidativo para algumas horas na piscina.
O sol radiante iluminava o céu azul com esplendorosa alegria, contagiando a todos que o apreciava.
Bianca brincava animada na água, enquanto Helena, a certa distância e acomodada em uma cadeira sob a sombra de um guarda-sol, vigiava seus passos silenciosamente.
— Ora, meu bem, não se preocupe com a menina — recomendou Gilda, aproximando-se da moça.
Divirta-se também.
A Bianca é esperta.
Além disso, está com bóias nos braços.
— Eu sei, dona Gilda — respondeu com simplicidade e um sorriso gentil —, só estou olhando.
— Onde está o meu filho? Já fugiu?
— A Erika o chamou.
Acho que estão conversando lá dentro.
— Esses dois...
Ah! Conte-me, e sua família, como vai?
Faz tempo que não os vejo. Estão todos bem?
— Sim. Todos estão bem.
Somente a minha avó que teve um problema de vesícula.
Mas já foi operada e passa bem.
— Preciso, qualquer hora, ir lá fazer uma visitinha — dizia sempre sustentando um sorriso falso e uma fala hipócrita, fazendo de tudo para maquiar sua verdadeira opinião.
- Principalmente agora preciso me aproximar de vocês.
Afinal de contas, nossas famílias vão se unir ainda mais, não é, meu bem? — perguntou sorrindo.
Helena ofereceu um simples sorriso sem nada argumentar.
Percebia que algo estava errado, que Gilda escondia naquelas palavras gentis alguma coisa que ela não sabia o que era.
Tomada por um súbito desconforto, Helena não podia imaginar que, na espiritualidade, Nélio, ao seu lado, observava, transmitindo-lhe suas ideias como se fossem seus próprios pensamentos.
—Imagina-te convivendo com alguém assim como esta criatura?
De certo não mereces te entregar a este antro fraudulento que vive na impostura, na perversidade das ilusões.
Neste lugar, jamais seria amada como mereces.
Em pensamento, Helena se perguntava:
"Meu Deus, olha só a família em que estou me metendo?"
Enquanto isso, Gilda não parava de falar:
— E não deixe o Eduardo se enterrar no serviço quando estiver com você, viu?
Porque senão... aaaah, minha filha, ele vai levar seus relatórios para analisar até quando forem ao cinema.
O Edu é obcecado por trabalho.
Helena somente olhava para a elegante senhora, sustentando um sorriso constante, mecânico e se questionando em pensamento:
"Será que o Edu é isso mesmo?
Não vou suportar".
— Ooooi! — exclamou Eduardo, que acabava de chegar.
Do que estão falando?
— Do meu filho querido, claro! — expressou-se Gilda exageradamente.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 09, 2017 10:36 am

Logo, porém, avisou:
— Vou deixar os dois pombinhos à vontade.
Mas vejam lá, hein!
A Bianca está ali pertinho — riu ao sair na direcção da casa.
Virando-se para Helena, Eduardo comentou:
Viu como ela aceitou bem?
Era questão de acostumar com a ideia do nosso namoro.
É... Parece que sim — concordou a namorada sorrindo e escondendo sua verdadeira opinião.
Logo, Helena se interessou:
- Diga-me, o que a Erika falou sobre o caso do João Carlos?
- Nenhuma novidade.
Ele ainda está arrasado.
Pensei em ajudá-lo, mas é um valor considerável.
Além disso, ele tem um sócio.
É preciso analisar muito bem a situação.
—Entendo.
—O pior é que ele já havia pegado dinheiro emprestado com a irmã.
Não sei o que posso fazer. Preciso pensar.
Helena decidiu não opinar.
Era uma situação delicada e, apesar de gostar muito de Juliana e de seu irmão, não sabia o que fazer ou como poderia ajudar.
O resto da tarde foi demasiadamente calmo.
Gilda, repleta de gentilezas e atenções, calculava cada palavra, cada gesto, mascarando seus verdadeiros sentimentos, sua autêntica intenção.
Eduardo sentia-se satisfeito.
Não esperava que sua mãe cedesse tão rapidamente assim.
Pensou até que haveria mais alguns atritos entre eles por conta de seu namoro com Helena.
Mas não, tudo acontecia com relativa tranquilidade para todos.
***
Passadas algumas semanas, num dia qualquer que se seguiu, dona Júlia, após um telefonema de sua irmã, procurou pelo marido e bem aflita avisou:
—Jairo, minha irmã ligou e disse que minha mãe teve que ser levada às pressas para o hospital agora cedo.
Disse que ela gritava queixando-se de dores abdominais.
Talvez seja por causa da cirurgia da vesícula.
Estão fazendo vários exames nela.
Aproximando-se do marido, expressando nervosismo no olhar, dona Júlia o tocou nas mãos como se implorasse:
— Eu queria ir até lá.
Quero ver minha mãe. Estou tão preocupada.
— Não acha melhor esperar?
Sua irmã vai ligar e talvez tenha mais notícias.
—Você se importa se eu for?
ego o ônibus aí na rodoviária e...
—Eu a levo — interrompeu prestativo.
Vou com você.
Dê-me só um tempo para ajeitar umas coisas.
Beijando a esposa, ele a abraçou com carinho e disse:
— Vai dar tudo certo. Não se preocupe.
Após as devidas providências, seu Jairo e dona Júlia se arrumaram para a viagem inesperada.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 09, 2017 10:36 am

Avisando o filho Mauro, pois Helena e Miguel já haviam saído para trabalhar, dona Júlia decidiu:
— Não telefone para eles.
É melhor que cheguem em casa primeiro, depois você conta.
Não quero que fiquem preocupados.
Talvez até a noite já tenhamos alguma notícia.
Quanto à Bianca, já falei para a Carla e ela vai cuidar direitinho do lanche e de colocá-la na perua para a escola.
— Acho que nem vou trabalhar hoje.
— Deve ir sim, filho.
Tudo está sob controle.
Seu pai já avisou os moços da oficina e não há mais nada para fazer.
Amanhã ou depois a gente já deve estar de volta.
Mauro ficou pensativo e decidiu:
—Tudo bem. Temos que confiar na Carla ao menos uma vez.
— Não diga isso, Mauro — repreendeu dona Júlia.
Nesse instante, seu Jairo chegou.
— Já abasteci o carro e calibrei os pneus. Vamos?
— Fica com Deus, filho.
—Vão com Deus também — disse ao abraçá-los e beijá-los com carinho.
A noite, ao chegar em casa, Helena se surpreendeu com a notícia.
A mãe deveria ter me ligado no meu serviço.
Ela achou melhor você saber aqui em casa, Lena.
Disse que não havia necessidade de deixá-la preocupada lá no trabalho — falou Carla.
—Ela já ligou?
Não. Liguei para a casa da tia, mas ninguém atendeu.
Miguel, que chegou naquele instante, ficou sabendo da novidade e também, muito chateado, reclamou:
- Caramba, nem pra telefonarem pra nos avisar!
A espera foi angustiosa, pois todos eram apegados à avó.
Helena arrumou o jantar para a sobrinha enquanto seu pensamento estava longe, mas foi surpreendida por Bianca, que disse:
—Minha mãe falou que a bisavó Amélia não vai morrer não.
Ela vai ficar boa. Agora tão operando ela.
Assustada, a tia insistiu:
—Sua mãe disse isso?
—Disse sim.
E falou que a vó e o vô não ligaram ainda porque choveu muito lá e eles tão sem telefone.
Em baixo tom de voz, Helena pediu com cautela para a sobrinha:
—Não diga isso perto do seu pai, está bem?
Quando Helena ergueu o olhar, viu Miguel, que estava parado à porta a uma certa distância, suficiente para ouvir tudo.
Agindo como se nada tivesse acontecido, Miguel sentou-se à mesa, descascou uma fruta e perguntou para Bianca com naturalidade:
—A sua mãe sempre está sozinha, Bia?
—Não vejo ninguém com ela, mas, sabe, tio, às vezes ela fala com alguém que eu não vejo.
— Ah, é?
— É.
—Miguel! — repreendeu Helena.
Olhando para a irmã, ele lembrou:
—A Juliana já me falou sobre essa sensibilidade.
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