Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 15, 2017 11:20 am

Com um sorriso no rosto, a prima respondeu:
— Porque eu amo você.
Porque você é irresistível e não aguento vê-lo com outra.
— Por acaso — prosseguiu o rapaz —, você tem ideia do que fez?
— Vera, a Helena está no hospital por causa do que aconteceu — avisou Isabel nervosa.
Você vai ter que esclarecer essa história e dizer que o Eduardo não sabia e nem soube que você esteve no quarto dele, senão...
— Senão o quê? — reagiu quase agressiva.
A Heleninha teve um chilique e eu sou remédio, calmante, é?!
Se ela não acredita nele é porque não o merece.
Irritada, Isabel a pegou pelo braço e avisou:
—Tive uma filha, não um monstro!
Quem trama uma coisa dessa não pode ser considerado ser humano.
Você vai lá naquele hospital explicar tudo isso sim!
Vera puxou o braço que a mãe segurava, desenvencilhando-se com agressividade, e, voltando-se para o primo, falou:
— Se não me queria, por que me encheu de esperança?
— Do que você está falando?
Ficou louca? Nunca tivemos nada!
— Ah, não?! — respondeu com ironia.
Quantas vezes saímos nos abraçamos... Beijamo-nos...
Após uma gargalhada, argumentou:
— Não pense que esqueci.
— Nunca tivemos nada! — gritou Eduardo irritado.
Se você foi tão fácil a ponto de se jogar nos meus braços como uma mulher à toa, por que eu não deveria tratá-la como tal?
— Então confessa que ficou comigo!
— E difícil nos livrarmos de algo peçonhento, que gruda...
— O que está acontecendo aqui? — perguntou Pedro, marido de Isabel, que foi atraído até o quarto pela discussão acalorada que acontecia lá.
- Mais uma vez a Vera aprontou! — avisou a mãe nervosa.
—O que você fez Vera?! — perguntou o pai enérgico.
- Pode deixar que eu mesma conto — pediu Isabel
Interpondo-se e contando exactamente tudo o que soubera, minutos antes, pela boca do sobrinho.
Quando a mãe terminou, Vera ironicamente argumentou, agredindo com seu jeito:
—Quer dizer então que a Helena, muito esperta, ficou prenha, é?!
Eduardo, num ato quase insano, foi em direcção à prima para agredi-la.
—Ora, sua...! — exclamou revoltado.
Rápido, Pedro colocou-se na frente do sobrinho segurando-o e pedindo quase gritando:
— Calma! Calma, Eduardo!
Não perca sua razão!
— Será que o filho é mesmo seu, Edu? — provocava Vera.
Um duelo de palavras agressivas iniciou-se entre os primos, e à força, Pedro levou Eduardo para fora do quarto.
Já na sala, o rapaz andava nervosamente de um lado para o outro enquanto o tio aconselhava.
— Não posso tirar sua razão, mas não vou permitir nenhum tipo de agressão entre vocês.
— Desgraçada! — gritava o moço.
Se a Vera não explicar essa situação para a Helena, sou capaz de uma loucura.
— Agora você está de cabeça quente, Eduardo.
Vamos resolver isso, mas com diplomacia, como pessoas civilizadas.
Você sempre foi ponderado e...
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 15, 2017 11:20 am

—Você não entende tio!
A Helena está internada
—Entendo, sim.
Entendo que minha filha foi irresponsável que essa situação tem que ser resolvida o quanto antes, mas não e desse jeito que vamos conseguir alguma solução.
Nesse instante, Isabel chegou à sala e foi na direcção do sobrinho, afagando-lhe as costas num gesto de apoio.
—Oh, Edu! Você está bem?
— Não, tia! Não estarei bem até que isso se resolva.
Já vou ter que enfrentar uma dificuldade quando a família da Helena souber da gravidez e terei um grande problema quando vierem a saber que a Helena me viu dormindo com minha prima!
Por mais que eu tente explicar, como vão acreditar em mim?
Se me contassem essa história eu não acreditaria.
— Talvez a família dela acredite em você.
São pessoas boas, eles vão entender a insanidade da Vera.
Eu mesma posso falar com eles, se você permitir — disse a tia.
— Eduardo, agora já é tarde — interferiu Pedro com sensatez.
Vá para casa e descanse.
Amanhã eu prometo que a Vera vai explicar tudo o que aconteceu.
Acho que já chega — olhando para a esposa, completou —, dessa vez nossa filha ultrapassou todos os limites.
— Não sei explicar por que isso acontece.
Não é por falta de orientação e conselho.
Não sei mais o que fazer — desabafou Isabel.
— E sem-vergonhice mesmo! — disse o marido.
Falta de uma boa surra.
Falta de ter com o que se preocupar.
Porque se a Vera passasse dificuldades e tivesse que lutar na vida para ter o que comer não teria tempo para fazer o que faz.
Mas agora já basta! Ela foi longe demais.
Eduardo, ainda transtornado, foi em direcção à porta e falou:
— Acho melhor eu ir agora.
— Edu, amanhã cedo iremos lá falar com a Helena — prometeu a tia, comovida pelo estado do sobrinho.
Ligarei pra você antes.
Eduardo despediu-se e saiu.
***
Ao chegar em casa, Eduardo foi directo para o quarto de sua irmã.
Tomado por uma forte angústia, desabafou com palavras embargadas e choro nervoso, contando a Erika tudo o que havia acontecido.
Sentados sobre a cama, a irmã procurou envolvê-lo com carinho, entendendo sua dor.
Com voz abafada pelo abraço apertado, ele confessou:
— Adoro a Helena.
Se isso tudo não se resolver...
— Vai se resolver, sim.
- Não consigo me imaginar sem ela.
Ainda mais agora, sabendo que espera um filho meu.
Nós nem nos falamos, nem pude abraçá-la, beijá-la...
E ainda soube da gravidez pelo Miguel, nem por ela foi.
Erika afagava-lhe os cabelos sem saber o que dizer.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 15, 2017 11:20 am

- Meu coração está apertado.
Sinto uma coisa, Erika...
Maus presságios, entende?
— Tudo vai se resolver, Edu.
Amanhã vou falar com ela.
— E a dona Júlia e o seu Jairo?
O que vão pensar de mim?
—De repente eles nem ficam sabendo dessa história da Vera ter sido vista no seu quarto.
— Eu queria estar lá com ela agora.
— Amanhã...
— Não sei se consigo esperar até amanhã.
Depois falou:
— Maldita Vera! Desgraçada!
— Será que a mãe também não tem algo a ver com essa história?
— Quando falei com a mãe ela ficou surpresa.
Não acredito que possa ter feito isso comigo.
Mas... não tenho motivo para confiar nela.
Entende? É complicado.
Edu, talvez esse não seja o momento, mas lembra que uma vez você me passou um sermão e acabou dizendo para tomar cuidado, pois preservativos furavam?
Lembro. Lembro sim.
E minha situação agora prova tudo o que lhe falei, mas pelo menos foi com a pessoa certa.
Não terei que me obrigar a aceitar uma situação indesejada, com uma mulher que não amo.
Esse filho não foi planeado, mas eu o quero muito. Amo a mãe dele.
Com pensamentos fustigados pela incerteza, envolto por tristes pressentimentos, Eduardo levantou-se, e Erika propôs:
Dorme aqui comigo. Vai se sentir melhor.
Podemos conversar a noite inteira, se quiser.
- Não sou boa companhia.
E gostaria de tomar um banho e pensar.
Preciso ficar sozinho.
Em seu quarto, Eduardo telefonou para o celular de Miguel.
Ficou menos preocupado ao saber que Helena estava bem e havia se acalmado.
Eles conversaram longamente, pois Eduardo queria, a qualquer custo, provar sua inocência.
Após se deitar, ele não conseguiu conciliar o sono e rolou de um lado para outro na cama até ver as primeiras luzes da manhã.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 15, 2017 11:20 am

24 - O DESESPERO DE EDUARDO

Pela manhã, Eduardo não se conteve e novamente ligou para Miguel, que avisou já estar no hospital, pois Helena acabava de receber alta.
Ela já tinha feito o exame e logo iriam para casa.
Apressado, Eduardo foi até o quarto de Gilda, acordando-a com sobressalto:
—Mãe, preciso de você agora.
—Mas, Eduardo — respondeu com voz lenta e rouca —, é tão cedo!
Acomodando-se em sua cama, o filho pediu firme:
—Preciso que vá comigo até a casa da Helena.
Quero que fale com ela e explique tudo o que aconteceu.
Se você não estiver envolvida nisso, dirá somente a verdade.
- Calma, Eduardo. Nem acordei ainda.
- Pois acorde.
Você vai dizer pra ela que só sabia que a Vera dormiu aqui e que o resto foi planeado por aquela louca.
- Tudo bem.
Calma — pediu, sentando-se na cama com gestos lentos —, vou acordar ainda, tomar meu banho, um café...
- Vamos rápido, mãe.
Espere lá embaixo.
Peça para a Lourdes arrumar meu café, que já estou descendo.
Afoito, o rapaz saiu do quarto e, ao certificar-se de que Gilda não estava e falou sussurrando:
- Vou falar com a Helena, sim. Pode deixar.
Já na casa de dona Júlia, Helena acabava de chegar do hospital em companhia de Miguel.
Preocupada, a mãe estava repleta de cuidados para com a
filha.
— Não foi nada, mãe. Já estou bem.
— Se estivesse bem o médico não a deixaria em observação, Helena — argumentou o pai.
— E melhor que descanse um pouco — aconselhou Miguel, trocando olhares com Juliana, que os acompanhava.
— Vou preparar alguma coisa pra você comer, filha.
Não deve ter se alimentado direito desde ontem.
— Mãe, preciso falar com vocês — afirmou Helena com os olhos húmidos.
— Não é melhor deixar para depois, Lena? — sugeriu Miguel.
— Não — respondeu já chorando.
— Mas o que foi, filha? — comoveu-se o pai, sentando-se na cama e afagando-lhe.
O que você tem?
Receosa, ela apertava as mãos gélidas num gesto aflitivo e, sem suportar mais, começou a chorar forte quando avisou:
— Estou grávida.
Um choro compulsivo se fez, quando Miguel, parado ao seu lado, acariciou-lhe os longos cabelos, recostando-a em si.
Seu Jairo abaixou a cabeça pensativo, enquanto dona Júlia parecia ainda não ter entendido plenamente o que Helena acabava de dizer.
Logo após um suspiro, a mãe perguntou muito séria:
— Você tem certeza?
Rápido, em defesa da irmã, Miguel interferiu firme:
—Não vá começar com a sessão tortura, mãe.
Nós não brincaríamos com uma coisa dessas.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 15, 2017 11:21 am

Ela acabou de fazer um exame lá no hospital.
Contrariada com a situação, dona Júlia passou a mão pela testa escaldante e exclamou quase murmurando:
- Não é possível, meu Deus!
Não é possível!
Saiu em seguida sem dizer nada.
Seu Jairo olhou para a filha e suspirou fundo, dando um leve sorriso enquanto esfregava-lhe a mão.
Logo, porém, perguntou com simplicidade:
—E o Eduardo, como reagiu? Ele já sabe?
- Já sim, pai — respondeu Miguel, novamente em socorro da irmã.
Fui eu quem contou para o Eduardo e posso afirmar que ele ficou muito feliz com a notícia.
Imediatamente, mostrando imensa repulsa, Helena o atalhou:
—Quero que o Eduardo morra.
Não quero vê-lo nunca mais.
—O que está acontecendo? — preocupou-se o pai, que não conseguia entender a situação.
Helena atirou-se nos travesseiros escondendo o rosto ao chorar, enquanto Miguel explicava:
—Essa é uma outra história, pai.
Nem sabemos direito a verdade.
Juliana foi para perto da amiga, confortando-a com carinho.
— Estou confuso e não gosto de me sentir assim.
Não admito ser enganado — falou o pai, agora mais enérgico.
— O que está acontecendo? — exigiu.
— Vamos para a cozinha, pai — pediu o filho.
Lá conversaremos melhor.
Juliana ficou com Helena enquanto Miguel e seu pai foram para o outro cómodo.
Na cozinha, sentada à mesa, dona Júlia chorava descontroladamente.
Oh, mãe! O que é isso? — perguntou o filho preocupado com seu desespero.
Gravidez não é o fim do mundo...
- Não é o fim do mundo?!
Ela não é a primeira nem será a última!
Isso hoje em dia é normal!
Antes isso do que uma doença séria ou até a morte!
O que mais você vai me dizer, Miguel? – perguntou nervosa.
Não é o fim do mundo, mas pode ser o inicio de uma série de problemas e dificuldades; ela não é a primeira, mas será mais uma a ter uma série de encargos que poderiam ser adiados; gravidez não é doença nem representa a morte, mas, dependendo da posição do Eduardo, Helena pode ter arranjado para si uma série de ofensas contra sua dignidade.
— Ora, mãe!
Estamos no terceiro milénio.
Essa mentalidade era do século XVIII.
Além disso, o Eduardo ficou imensamente feliz. Ele...
— Ficou feliz porque não é a irmã dele! — retrucou dona Júlia nervosa, levantando-se irritada.
Isso pode ser comum na casa dos outros, mas na minha não.
A Helena é minha filha e, mais tranquilo, Miguel a interrompeu dizendo:
— É sua filha, mas não sua propriedade, mãe.
— Não me responda, Miguel! — exigiu enérgica.
Já basta a Carla ter saído dessa casa.
Fico noite após noite acordada imaginando como ela estará.
Só falto enlouquecer de preocupação.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 15, 2017 11:21 am

Não adianta só saber que ela está na casa da Sueli.
Às vezes tenho vontade de ir lá e trazê-la à força, só não faço isso por...
E como se não bastasse agora tenho que me preocupar também com a Helena.
O que vai ser dela agora?
— O Eduardo adora a Helena, mãe.
— Então por que não pensou um pouquinho na dignidade dela?!
Por que não esperou até o casamento?!
Não estavam falando em casamento?
Ou será que disse isso só para iludi-la?
— Calma, Júlia — pediu o marido mais ponderado.
0 que está feito não pode ser mudado, e esse desespero não vai ajudar em nada.
Virando-se para Miguel, seu Jairo perguntou:
— Por que a Helena não quer ver o Eduardo?
— O quê?! — interferiu a mãe.
— E que aconteceu o seguinte... — explicou Miguel, já exausto daquela situação.
Como vocês sabem, o Eduardo tem uma prima que vive querendo atrapalhar o namoro dele com a Helena.
Acontece que ontem, pela manhã, a Lena foi até a cas dele e... parece que foi tudo armado... e ela os viu juntos.
— Como assim? — interessou-se o pai.
— A Vera foi dormir lá na casa do Eduardo.
Achamos que, quando ela viu a Helena chegando lá ontem cedo, deve ter corrido
o quarto do Edu e, quando a Helena entrou, o encontrou Soímindo ao lado da prima.
—E o que a Helena foi fazer lá no quarto dele?! — exigiu a mãe num grito.
Sem dar atenção, Miguel continuou:
Quando a Helena os viu, ela não disse nada e o Edu nem sequer acordou.
A prima foi embora, e ele só soube o que aconteceu ontem, lá no hospital.
Mas, vejam, isso é questão de tempo, eles vão se entender.
- Meu Deus do céu! Onde nós estamos?! — reclamou dona Júlia inconformada com tudo.
Vou agora mesmo falar com a Helena.
— Não, Júlia — pediu o marido.
A Helena já está nervosa o suficiente.
—E deixar tudo como está?
— O que você pretende dizer a ela vai resolver o problema? — tornou o marido.
— Olha, Jairo, você é muito compreensivo com suas filhas.
Talvez se fosse mais enérgico...
— O que você quer que eu faça?
Se eu tivesse tomado alguma atitude com a Carla, talvez vocês estivessem me culpando, talvez ela tivesse saído de casa antes.
Quantas vezes conversei, falei, expliquei sobre a vida... nada adiantou.
Agora você me cobra uma atitude com a Helena?
Quer que eu brigue?
Que eu a ofenda?
A agrida?
Com um tom mais baixo na voz, argumentou:
— Não, Júlia. Não vou fazer isso e ter remorso pelas consequências.
Amo minhas filhas e, apesar de não estar satisfeito com tudo isso, de não estar de acordo com o que aconteceu, sei que a consciência da Lena já a está punindo o suficiente.
Não vou fazer nada de que venha a me arrepender depois.
E você não vai dizer mais nada.
Lembre-se de que ela acabou de um hospital e que está grávida.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 15, 2017 11:21 am

A mulher estava amargurada com aquela situação inesperada.
Já sofria demais diante de tudo o que experimentava com Carla.
E agora aquela notícia sobre a gravidez de Helena havia sido mais um trago de fel.
Depositava muita confiança na filha e o facto fora uma grande decepção.
Sentando-se novamente, ela escondeu o rosto com as mãos sofridas e chorou.
Comovido, o marido se aproximou, esfregou-lhe as costas e a puxou para um abraço.
Nesse instante, o soar da campainha anunciou a chegada de Eduardo e Gilda.
Com nítido nervosismo e muito apreensivo, o rapaz cumprimentou a todos.
Dona Júlia, magoada, mal o encarou.
Gilda, por sua vez, alardeou seus cumprimentos de forma chamativa e logo perguntou:
—E a Helena, está mais calma?
— Ela está lá no quarto com a Juliana — avisou Miguel.
Mas penso que não seria um bom momento para vê-la.
— Ah! Mas a mim ela vai querer receber — anunciou Gilda.
E, olhando-os, avisou:
— Pelo jeito de vocês, já dá pra adivinhar que sabem de tudo sobre a Vera.
Pois bem, minha sobrinha é terrível!
Tenho certeza de que ela fez isso de propósito.
A Helena está nervosa, sensível, deve ter entendido tudo errado.
Isso é questão de tempo, depois que souber a verdade...
Posso ir falar com ela para esclarecer tudo?
Miguel titubeou, depois decidiu:
—Venha. E por aqui.
—Sente-se, Eduardo — pediu seu Jairo.
Fique à vontade. Impaciente, quase transtornado, o rapaz aceitou o convite
ao mesmo tempo em que exibia forte angústia e temor, pois teria que aguardar.
No quarto de Helena suaves batidas na porta anunciavam a chegada de Gilda e Miguel.
Envolta em uma manta, Helena estava encolhida sobre a cama trazendo ainda o rosto rubro pelo choro.
Ao encarar Juliana, que intuitivamente percebeu que se tratava da mãe de Eduardo, Gilda a olhou de cima a baixo como se tivesse uma aversão imediata pela moça.
Cumprimentando-a com leve aceno de cabeça, Gilda não perdeu tempo e se aproximou de Helena, sentando-se na cama ao seu lado.
—Oh, Helena! O que é isso, minha filha?
Sem demora, virando-se para Miguel, pediu extremamente gentil:
— Posso ficar sozinha com ela?
Sem dizerem nada, Juliana e Miguel se retiraram, garantindo
a privacidade para ambas.
Acariciando-lhe a face e os cabelos, Gilda, com extrema polidez, disfarçando suas verdadeiras intenções, perguntou com certo sorriso e um tom agradável na voz:
- Então é verdade que vai me dar um netinho?
Ao fechar os olhos e balançar a cabeça afirmativamente, Helena deixou rolar duas lágrimas quentes que correram em sua face pálida.
— Vim aqui, minha filha, para pedir a você que escute o Eduardo.
Ouça o que ele tem pra dizer.
— Peguei o Edu e a Vera dormindo abraçados — respondeu com voz rouca.
Não há o que explicar.
— Eu sei. Mas o Eduardo ama você, não a prima.
— Que fique com ela.
—Helena, não é assim.
Pense bem, você está grávida e ele quer ter direito a esse filho.
Direito que a própria lei garante.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 15, 2017 11:21 am

—Isso é o que veremos.
—Sabe, pensei que o que houve entre ele e a Verinha já tivesse acabado.
Acreditei que fosse coisa da juventude, de adolescente.
São primos... você entende.
Ainda acariciando a moça com ternura na voz, explicou:
— Quando você e o Edu começaram a namorar, dei graças a Deus.
E, do jeito que ele se comportava, pensei que tudo estivesse terminado com a Verinha.
Como fui tola. Como disfarçaram bem.
A minha sobrinha, como a própria mãe afirma, não tem um pingo de juízo.
É uma menina irresponsável, inconsequente...
Mas você, Helena, é bem sensata para perdoar o romance dos dois.
Acho que foi uma recaída.
converse com o Edu. Perdoe-o.
Aceite a explicação que ele der e esqueça tudo isso.
- E começar uma vida a dois na mentira?
Nunca! — respondeu chorando.
- Ele pediu para que eu viesse aqui falar com você, mas não consegui falar da forma como ele queria.
Prefiro ser honesta, mas também quero que o perdoe; dê-lhe uma nova oportunidade
—Por favor, dona Gilda, não quero ver o Edu.
— Ah, Helena, Helena.
Imagino quanto está sofrendo, eu pegasse o Adalberto com uma ex, nem sei o que faria.
Porém pense bem, pelo menos ouça o que ele tem a dizer.
— Pra quê? Pra ele dizer o mesmo que falou ao meu irmão.
Que nem sabia que a prima estava dormindo lá? Isso é ridículo
—Não posso dizer que não tentei.
Após ficar longos minutos no quarto, Gilda, com imensa
satisfação íntima que tentava disfarçar por trás de um semblante aborrecido, foi para a sala, onde todos aguardavam apreensivos
—Juro que tentei.
Implorei para que Helena, ao menos, ouvisse, Eduardo.
Mas ela está irredutível.
Levantando-se ligeiro, o rapaz se alterou.
—Não, ela não pode fazer isso.
Sem que ninguém esperasse, Eduardo foi em direcção corredor que levava até o quarto sem que fosse detido.
Preocupado, Miguel o seguiu.
Entrando sem avisar, Eduardo disse afoito:
— Helena, pelo amor de Deus, me escuta!
— Saia daqui.
Não temos nada pra conversar — respondeu em pranto.
— Temos, sim! E muito.
— Vá embora, Eduardo! — pediu num grito.
— Não, enquanto você não me ouvir.
Aquilo tudo foi armação da Vera.
Eu nem sabia que ela estava lá em casa. Eu juro!
— E não acordou abraçado a ela?
— Não! Ela deve ter estado lá e saído enquanto eu dor.
Acredite em mim, por favor.
— Não minta! Isso é ridículo!
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 15, 2017 11:22 am

Vocês têm um caso há muito tempo.
Pensa que eu não sei?
— Não foi nada sério, nem foi um caso.
Eu juro. Eu havia bebido e a beijei, isso foi há anos.
O rapaz ajoelhou-se ao lado de Helena e, com o rosto banhado em lágrimas, expressando verdadeiro desespero, pediu implorando:
— Acredite em mim, eu juro.
Agora Helena tinha ainda mais certeza de que houve algo entre eles, pois ouviu do próprio Eduardo que ele havia beijado a prima.
Juliana, aproximando-se com rapidez, segurou Helena enquanto Miguel erguia Eduardo e aconselhava:
— Isso fará mal a vocês. Venha, Eduardo.
Outro dia você conversa com ela.
Inconformado, o rapaz retornou até a sala onde seu Jairo observou sua aflição.
Legitimamente desesperado, Eduardo argumentou:
— Seu Jairo, pelo amor de Deus, acredite em mim.
Eu não vi a minha prima.
Até chegar ontem no hospital, nem sabia que ela havia dormido em minha casa.
Explique isso à Helena, por favor.
— Calma, meu filho — pediu Gilda.
Vamos embora. Amanhã ou depois a Helena estará melhor e irá ouvi-lo.
— Sua mãe tem razão, Eduardo — aconselhou seu Jairo diante do drama.
Numa outra hora vocês se entenderão melhor.
Tudo é muito recente.
— Não pense que sou um irresponsável, seu Jairo — afirmou mais recomposto.
Jamais faria qualquer coisa que a magoasse.
Interferindo, dona Júlia, ainda sentida, argumentou:
— Não quer magoar a Helena, mas a engravidou e acabou com a vida da minha filha.
— Perdoe-me, dona Júlia, mas não creio que um filho acabe com a vida de alguém, principalmente quando há amor, e eu amo sua filha.
Helena não terá esse filho sozinha.
Quero me casar com ela.
Diz que a ama hoje — revidou nervosa com seus conceitos conservadores —, mas um dia vai jogar na cara dela o erro que cometeu por ter se entregado a você.
A Helena não engravidou sozinha, dona Júlia — respondeu educado.
Não se esqueça de que sou o pai e tenho absoluta certeza disso.
Além do mais, não considero um erro um ato de amor.
Esse filho não foi planeado, mas já é muito querido por mim.
Não vivemos na Idade Média onde se condenava uma moça pelos actos que os homens também praticavam e sem sentimento de culpa.
Creio nos direitos iguais.
Quero esse filho mais do que tudo na vida e quero a Helena também.
Não duvide da minha integridade, não sou cafajeste, e tenho fé em Deus de que essa situação será esclarecida.
Nem que para isso eu mate a minha prima para que ela diga a verdade.
Olhando para o dono da casa, argumentou como se implorasse:
— Por favor, seu Jairo, sinto que o senhor acredita em mim.
Mesmo que tudo me acuse como culpado, fale com a Helena.
Ela confia muito no senhor, eu bem sei.
Fale com ela e peça para que me escute.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 15, 2017 11:22 am

O anfitrião estapeou-lhe as costas, afirmando:
— Vou falar com ela, mas não agora.
Fique tranquilo, Eduardo.
— Desculpe-me por tudo.
Nunca tive a intenção de desrespeitar sua casa ou sua filha.
Há tempos venho falando de casamento com a Helena.
Ela pode confirmar tal facto e quero levar isso adiante.
Não queria que fosse assim, eu juro.
Mas vou corrigir tudo isso. Não vou decepcioná-los.
— Vamos, meu filho — chamou Gilda insatisfeita com aquela declaração de Eduardo.
Eles se despediram e se foram sem aguardar que alguém os acompanhasse.
Já na calçada, enquanto Eduardo dava volta para entrar no veículo, Gilda, parada, esperando que a porta fosse aberta, observou a aproximação de um casal alegre, descontraído e de mãos dadas.
Para sua surpresa e susto, a mulher identificou a filha Erika e João Carlos, que vagarosamente diminuíram os passos ao vê-la.
Eduardo, apesar de ainda estar transtornado, reconheceu que a irmã estaria novamente em uma situação delicada.
— Erika?!
- Oi, mãe — disse ao se aproximar.
— Olá, dona Gilda — cumprimentou o rapaz, meio sem jeito.
Gilda, pasma e com os olhos assombrados, encarou a filha como se expelisse dardos incandescentes em sua direcção.
Virando-se abruptamente para o filho, pediu exigente:
— Abra logo essa porta.
Quero ir embora daqui!
Depois de cumprimentar a irmã e João Carlos, Eduardo atendeu o pedido de sua mãe e se foi.
* * *
Ao chegarem em casa, Gilda parecia revoltada com o ocorrido.
Caminhando pela luxuosa sala da mansão, ela esbravejava ofendida:
— E você, Eduardo, em quem eu pensava poder confiar, sabia de tudo!
— Não vejo nenhum motivo para a Erika não estar com o João Carlos.
Eles se gostam. Deixe a Erika em paz.
— Não mesmo! Não criei uma filha para que se envolva com uma raça inferior da sociedade e jogue o nome da nossa família na lama.
Prefiro vê-la morta. Já basta a burrada que a Lara fez ao se casar com o Mauro e se envolver com aquela família pobre, aquela gentalha.
Raciocinando rápido, Eduardo perguntou-lhe num impulso:
—Se ainda é tão contra a Lara ter-se unido àquela família, por que não implica comigo por namorar a Helena?
Gilda se sobressaltou; não esperava cair em contradição.
Procurando desculpar-se de maneira astuciosa, respondeu quase embaraçada:
Não queira comparar a Helena com o irmão.
Ela é fina, requenta nossa casa, comporta-se bem em qualquer recepção.
Agora o Mauro sempre quis nos afastar da Lara.
Ele é bem diferente.
Aproximando-se, Eduardo avisou-a em um tom quase ameaçador e olhar firme:
- Mãe, se eu descobrir que está ou esteve ajudando a Vera para me indispor com Helena, não sei do que sou capaz.
Todos sempre me consideraram uma pessoa mansa, ponderada, prudente, só que me reservo, me controlo muito.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 15, 2017 11:22 am

Creio que ninguém me conhece bem.
Tomara que você não esteja envolvida nisso.
Quando Gilda olhou para o lado, viu a empregada parada observando-os e gritou nervosa:
— O que você está fazendo aí, estrupido?!
Não basta ouvir atrás das portas, agora prefere ver ao vivo e em cores?
— Desculpe-me, dona Gilda.
E que tenho um recado para o seu Eduardo.
— Vai, desembucha logo! — exigiu Gilda sem nenhuma classe.
— E que a dona Isabel telefonou para ele seis vezes.
Ela estava nervosa e pediu para o seu Eduardo retornar a ligação assim que chegasse.
— Se alguém tivesse morrido a Isabel teria dito o nome e o lugar do velório.
Como não é o caso, não deve ser tão importante assim — quase gritou Gilda.
Agora, vai! Vai, vai, vai...
Eduardo, sem dizer nada, subiu os dois degraus do hall da porta principal, quando Gilda o interpelou:
— Aonde você vai?
— Na casa da tia. Quem sabe...
Sem esperar por outra pergunta, ele saiu e se foi.
***
Pouco tempo depois, no apartamento de Isabel, Eduardo, ainda muito amargurado, ouvia a tia explicar:
— Depois que ela se negou a ir falar com a Helena dizendo que, se nós a obrigássemos, ela iria dizer que foi você quem a seduziu, o Pedro perdeu a cabeça.
Pela primeira vez ele bateu na Vera. Foi horrível.
Se quiser, Eduardo, eu mesma vou lá conversar com a Helena e admitir que minha filha não tem juízo.
— Nem sei se isso adiantaria, tia.
Minha mãe foi até lá, conversou por mais de uma hora, mas Helena foi irredutível.
Num acesso de loucura que me deu, invadi o quarto, falei um monte de coisas, mas ela ficou mais nervosa ainda e a situação piorou.
— Só quem poderia reverter isso é a Vera.
Estou decepcionada e revoltada com minha própria filha.
A Vera nunca foi minha amiga nem companheira.
Eu sempre quis ser mãe, perdi quatro bebés, quase enlouqueci, e depois de tanto tratamento tive a Vera, que vem me decepcionando a cada dia.
Há momentos em que acho que minha filha é insana para fazer o que faz.
—Se eu tentasse falar com ela novamente, tia, será que conseguiria?
— Será que você está preparado, Edu?
— Tenho outra alternativa?
Os dois se entreolharam e, minutos depois, Eduardo bateu na porta do quarto da prima.
Vera pediu que entrasse, e ele assim o fez.
Tentando manter-se calmo, o rapaz perguntou para puxar conversa:
— Você está bem?
— Acho que já deve saber o que meu pai fez.
— Por que não diz a verdade, Vera?
Seria bem melhor e mais fácil.
Você não precisa disso.
— Quer saber por quê?
E porque eu o adoro, Edu.
Não vivo sem você.
Não aguento ver a Helena do seu lado e sou capaz de tudo, tudo para tê-lo, nem que seja só por um minuto, como agora.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 15, 2017 11:22 am

—Não passa pela sua cabeça que posso odiá-la por isso? - perguntou calmo, mas magoado.
—Não. Você não é capaz de odiar ninguém.
Pode ficar um pouquinho triste, mas logo esquece tudo.
Você não se irrita nem com a sua mãe, a quem todos odeiam.
Eu amo a Helena, estamos esperando um filho que quero muito e...
Será que é seu?
Tentando se controlar, ele suspirou fundo, ponderou o tom de voz e argumentou:
- Helena não é uma qualquer.
Ela não fica com um e com outro.
- Não na sua frente, claro.
Talvez ela tenha dúvidas sobre e o pai do filho que espera, por isso não quer nem ouvir o que você tem a dizer.
— Por que você fala isso, Vera?
— Nenhuma mulher é honesta.
Se ela o amasse de verdade, você poderia aprontar todas que Helena estaria a seus pés.
Com um filho seu na barriga, eu beijaria o chão que você pisa.
Agora, preste atenção, se ela não o quer por perto só porque nos viu juntos, pode ter certeza de que encontrou um motivo para se afastar e, como falei, talvez o filho não seja seu.
— Vamos parar com essa história.
Não preciso provar nem pra você nem pra ninguém que esse filho é meu.
Se tive uma mulher que foi minha, ela é a Helena.
Agora quero saber por que você não me ajuda, já que beijaria até o chão que eu piso?
— Se eu engravidasse de você eu faria isso.
— Por favor, Vera.
Não brinque com essa situação.
— Não brinque você comigo.
O que está pensando?
Que pode me usar e jogar fora?
— Nunca tivemos nada, Vera.
Nós nos encontramos só uma vez numa boate, nos beijamos, sim, mas lembre-se de que eu havia bebido... pelo amor de Deus.
Admita que nunca tivemos nada. Não passou disso.
— Nos meus desejos secretos, sim — falava mansamente e com um suave sorriso.
Sempre tivemos algo, sempre dormimos juntos.
Além disso, essa não foi a primeira vez que dormi no seu quarto.
Adoro vê-lo dormir, beijá-lo dormindo, acariciá-lo, abraçá-lo...
Indignado, mas tentando manter a calma, Eduardo disse:
— Você é louca.
Só isso pode explicar sua atitude.
Você é louca, Vera.
— Sabe, vou anunciar pra todo mundo que estou esperando um filho seu.
— Isso é burrice! — respondeu agora mais firme.
Mesmo porque existem exames infalíveis para a comprovação da paternidade até antes do nascimento.
Ela gargalhou ao avisar:
—Mas até que se prove o contrário...!
Eduardo sentia crescer imensa raiva em seu íntimo.
Estava enojado diante de tanta sordidez.
E para não se descontrolar, cometendo algum ato agressivo do qual pudesse se arrepender, virou-se para sair.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 15, 2017 11:22 am

Quando estava próximo da porta, quase tora do quarto, Vera o chamou dizendo:
- Já telefonei para a Helena avisando que vou ter um filho seu.
Ele virou-se e, num acto de loucura, foi na direcção da prima, iniciando uma violenta agressão.
Isabel, que a certa distância se mantinha na expectativa, escutou o barulho e correu até o quarto pedindo:
—Eduardo, não!
Pelo amor de Deus! — implorou, tentando segurar o sobrinho.
A muito custo Isabel conteve o rapaz que, violento, só parou de agredir Vera quando viu a tia interpondo-se entre eles.
— Venha, Eduardo!
Saia daqui — pediu a mulher, já chorando.
— Não adianta me bater, não!
Vou contar pra todo mundo que dormi com você e que é o pai do meu filho! — gritava Vera descontrolada.
E, olha, ainda vou dizer que perdi essa criança porque você me agrediu!
Já fora do quarto, estonteado, ele explicou:
— Tia! Você está ouvindo?
Não pude suportar!
— Deixa, Eduardo.
Venha, sente-se aqui.
—Não. Tenho que ir embora ou vou matar a Vera hoje mesmo.
Foi por isso que o pai bateu nela também.
Não sabemos mais o que fazer.
-Isso é mentira, tia.
Tudo isso é mentira!
- Eu sei, Edu.
Infelizmente conheço a minha filha e...
Além de ter visto a Vera fazer isso antes, acho que ela deve estar usando algo, você me entende?
Quando Vera percebeu que o primo ainda estava em sua casa, começou a gritar novamente, ameaçando-o.
Para evitar outro confronto, Isabel pediu:
— Vai, Eduardo.
Prometo que vou ajudá-lo de alguma forma.
Quero você como a um filho.
- Tchau, tia.
O rapaz se foi desorientado, vendo crescer em seu íntimo uma revolta sem igual.
Imerso em profundas ideias causticantes Eduardo planejava meios de se vingar de Vera.
Ficava imaginando como agredi-la, até mesmo como matá-la, mas fazendo-a admitir segundos antes da morte, que ele era inocente.
O que Eduardo não sabia era que o espírito Nélio o atormentava com planos em pensamentos, descontrolando-o cada vez mais.
E ele acabara se afinando com esse espírito, aceitando suas sugestões, por não se desvencilhar daqueles pensamentos negativos.
Era o intuito de Nélio vê-lo descontrolado, insano, pois se Eduardo comete qualquer desatino seria mais fácil separá-lo definitivamente Helena.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 15, 2017 11:23 am

25 - ERIKA VAI EMBORA

Naquela mesma tarde, Gilda, bem animada, recebia algumas amigas para um chá.
Todas as mulheres, senhoras elegantes da alta sociedade paulistana, acomodavam-se finamente na sala de estar, rindo e contando suas experiências em alguma situação que para elas era interessante.
Subitamente, Erika chegou, entrou e, aproximando-se um pouco, cumprimentou todas de um modo geral.
Quando ia saindo, uma das amigas de Gilda a chamou, perguntando:
— E o namorado, Erika? Está firme?
Não resistindo à ironia, a moça se voltou e sorriu ao falar:
- É difícil alguém com um metro e noventa e cinco de altura, pesando cem quilos de puro músculo, não estar firme, não é?
Tenho certeza de que o seu marido, com cento e trinta quilos e seu um e sessenta de altura é que não está nada firme.
Cuidado , hein!
Ou ele ainda se desmancha.
Antes de se retirar, disse:
- Ah!! Sei que ele tem um e sessenta porque é a minha altura, tá queridinha?
Agora, com licença.
- Erika!!! — advertiu Gilda num grito.
- Oi mami? Quer que eu fique para conversar mais um pouco com suas amigas? — disse sorridente e com uma pitada de cinismo.
Gilda temeu que a filha prosseguisse com algum outro tipo de comentário inconveniente e não disse mais nada, mas a olho, furiosa por alguns segundos.
Erika se retirou.
Só bem mais tarde Gilda adentrou de modo violento no quarto da filha, quase colérica.
— O que deu em você, Erika?!
— Em mim? Ora, mãe!
O que deu em você para trazer essas peruas aqui pra casa.
Por acaso vai escolher alguma para Natal?
— Não brinque comigo!
Quem você pensa que é para falar assim?
Pensa que vou deixar barato as suas mentiras?!
Você vem enganando a todos dizendo que está estudando, mas não passa de uma enganação para ficar com aquele negro!
— Sim, mãe — respondeu agora com tranquilidade. — é negro, e daí?
— Prefiro que morra a vê-la com um negro!
— Aliás, mãe, quem não segue seus conselhos e sugestões você sempre quer que morra, não é?
De você espero tudo.
Não pense que vai me manipular como fez com a Lara.
Não acreditei naquelas fotos feitas com uma montagem computadorizada, que diga-se de passagem, foram bem-feitas.
E, quanto ao prejuízo que nos deu na academia, já recuperamos.
E, quer saber? - dizia Erika tranquilamente, sem o intuito de desafiar.
Recuperamos a academia com o dinheiro da sua própria empresa.
O papai pagou o prejuízo e investiu muito mais.
— Do que você está falando?
— Acho que já é hora de saber de tudo isso.
O Edu cobriu os prejuízos que tivemos com o furto encomendado por você.
Estou trabalhando na academia, com o João Carlos, pois somos sócios.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 15, 2017 11:23 am

O Edu ainda investiu mais dinheiro, o que ajudou ampliarmos tudo e abrirmos outra filial.
Após alguns segundos observando o choque da mãe, pediu:
— Mãe, deixe de viver nesse mundo de ilusão.
Acorde enquanto é tempo.
Aprenda a ser feliz, a amar sem se preocupar que alguém seja branco ou negro, rico ou pobre.
Ame acima de tudo, ame sem regras, sem...
- Quem você pensa que é?
Não fale assim comigo! — interrompeu-a num grito.
- Vamos conversar, mãe.
Diga por que você é assim tão preconceituosa, racista, cheia de valores tão inúteis e temporários?
Por acaso nunca amou alguém?
Nunca se sentiu amada?
Num gesto impulsivo e violento, tomada por um imenso ódio Gilda esbofeteou Erika várias vezes, até que a filha, num momento inesperado, segurou-a pelos pulsos e, com lágrimas no rosto, avisou encarando-a:
- Cheguei a odiar meu irmão pensando que você só fazia isso comigo porque o amava mais do que a mim.
Hoje tenho pena de você, que chegou ao ponto de me agredir porque eu sempre, de alguma forma, digo as verdades que você não quer encarar.
Pobre Edu que, bondoso por índole, apesar de não confiar em você, ainda não enxergou quem está por trás dessa história nojenta e sórdida que houve entre ele e a Vera.
Não é, mãe? Tenho certeza de que você, ao falar com a Helena, deve ter dito que o caso do Edu com a Vera é antigo, que eles não se separam e que, apesar disso, ela deveria perdoá-lo.
Não foi? Não perguntei nada disso para a Helena.
Hoje ela não estava bem.
Nem conversamos direito, mas, conhecendo você, mãe, posso imaginar que foi até lá para garantir que ela nunca perdoe o seu filho nem pense em voltar para ele.
Gilda permaneceu calada, em choque, com o que ouvia.
Largando os pulsos da mãe, calmamente continuou:
- Já tive raiva de você. Agora tenho dó.
Foi capaz de trair seu filho querido por causa de seus caprichos.
Que amor é esse que tem exigências?
Após alguns segundos em que o silêncio reinou, terminou:
— Quero que saiba de uma coisa: a verdade sempre aparece.
E fico preocupada em saber como o Edu vai reagir quando souber de tudo o que você fez com ele e com a Helena.
Com lágrimas brotando nos olhos, Gilda falou baixo, mas exigente:
- Saia dessa casa.
Você não é minha filha. Saia daqui.
-Você nunca soube ser mãe a nenhum de seus filhos.
— Suma daqui.
— Só vou pegar minha bolsa. Não se irrite.
Gilda saiu do quarto da filha indo para sua suíte a passos
firmes. Ela estava enfurecida com a situação.
Tranquilamente, como se já esperasse que aquilo fosse acontecer, Erika pegou algumas coisas, juntou tudo em uma pequena bolsa de viagem e deu uma última olhada em seu quarto como uma despedida.
Ao chegar nas escadas, encontrou com o pai, que ia chegando em casa.
— Onde está o Eduardo que não deu as caras nem ligou lá para a empresa hoje?
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 16, 2017 11:12 am

— Ele teve sérios problemas com a Helena.
Ela ficou internada e...
— Puxa! Custava avisar?! — reclamou Adalberto sem deixar que a filha prosseguisse.
— Já que ele não avisou — disse Erika sorrindo, beijando-o como sempre fazia —, deixa que eu faço isso.
Acontece que o senhor vai ser avô novamente.
Quando viu o pai arregalar os olhos observando-a de cima a baixo, Erika riu e avisou:
— Ei! Não olhe pra mim assim não!
E a Helena quem está grávida.
— A Helena?! — admirou-se sorridente.
Quem diria, hein?
O seu irmão também...!
Não perdeu tempo.
— Só que ele está com alguns problemas, pai — avisou mais séria.
— Sabe, ontem...
Erika contou detalhadamente tudo o que aconteceu, e Adalberto falou irritado no final:
— A Vera é uma insana! Uma demente!
A Helena não pode levar em consideração qualquer coisa que venha dessa louca.
— Mas a Helena viu os dois juntos, abraçados na cama. Como dizer o contrário?
— Vou lá falar com a Helena.
Gosto muito dessa menina.
O seu irmão é um tolo.
Vou só tomar um banho.
Erika sabia que o pai era entusiasta momentâneo, que inflamava com uma notícia no primeiro instante, mas após algum tempo já se esquecia e nem queria ajudar mais.
Mesmo assim, ela resolveu falar, pois quem sabe o pai resolvesse tomar alguma atitude e ajudar:
-Pai acho que isso tudo foi trama da mãe.
Olhando melhor para a filha, Adalberto a viu com a mala e perguntou:
— Vai viajar?
- Não. Quando eu disse algumas verdades, agora há pouco, para a mãe, até mesmo que ela está por trás dessa história, ela me expulsou de casa.
Estou indo embora — avisou com tranquilidade.
— A Gilda ficou louca?!
— Acho que sempre foi.
Nós é que não percebemos, pois para alguém fazer o que ela já fez...
— Filho meu não sai de casa!
Além disso, se ela estiver por trás dessa história toda, hoje essa casa cai.
— Não estou preocupada comigo.
Chegou a hora de eu ir, pai.
Estou cansada dessa casa mesmo.
Mas esse caso do Edu não pode ficar assim; entretanto, não temos como provar.
Arrancar a verdade da dona Gilda ou da Vera é exigir um milagre na Terra.
— E para aonde você vai?
— Vou para a casa do João Carlos.
— Não estou gostando disso, Erika.
Não quero que minha filha...
Interrompendo-o com um jeito meigo, disse sorrindo:
— Mas gostou de saber que a Helena vai lhe dar um neto, não é?
É diferente. O Eduardo é responsável.
Sabe o que quer.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 16, 2017 11:12 am

- E eu não? — ainda retrucou sorrindo.
- Quero dizer que seu irmão vai assumir o que fez.
Tenho certeza disso.
— Isso se a Helena se convencer de que ele e a Vera não tiveram nada.
Nesse instante Eduardo entrou na sala fazendo um grande barulho ao bater a porta.
- Edu! E aí? — interessou-se a irmã, que, com a proximidade, observou sua camisa rasgada.
— O que é isso, Edu?
Você andou brigando?!
- Rasguei quando estava batendo na Vera — revelou irritado
— Você está brincando?! — preocupou-se o pai.
— Só não matei a desgraçada porque a tia entrou no meio.
Jogando-se no sofá, esfregou o rosto num movimento nervoso e esbracejou antes de desabafar:
— Ah!!! Que ódio!
Nunca senti tanto ódio por alguém.
Vocês não imaginam que a Vera ainda disse que ligou para a Helena avisando que está esperando um filho meu!
— E é verdade?! — assustou-se Adalberto.
— Que absurdo, pai! Claro que não!
Nunca tive nada com essa vadia, sem-vergonha — gritou.
— Ela ligou mesmo, Edu? — perguntou Erika preocupada.
— Pior que ligou.
Telefonei pro Miguel e ele disse que a Helena está inconformada.
— Não se preocupe.
Depois que eu tomar um banho, vou lá falar com a Helena.
Vamos resolver isso tudo, você vai ver — avisou o pai, como sempre, com a sua empolgação momentânea.
— Pai, hoje a Helena não está bem.
Além disso, já é bem tarde para uma visita — avisou Erika ponderada.
Eduardo estava esgotado.
Com o olhar perdido, envolvia-se em pensamentos transtornados que o abatiam profundamente.
— Edu, não fique assim. Você...
— O que aconteceu?
Aonde você vai com essa mala? - surpreendeu-se ao olhá-la melhor.
— A mãe me expulsou de casa.
— E você vai?
— Fui — afirmou sorrindo, abaixando-se para beijá-lo.
Afinal, Edu, você sabe que já está tudo arranjado.
Faltam poucos dias... né?
Não vai esquecer — disse como se falasse em código para que o pai não percebesse.
— Não. Não vou esquecer, mas, Erika, eu gostaria de ajudá-la, só que...
— Hoje tudo ainda está muito tumultuado.
Erika pensou em falar a respeito da certeza que tivera sobre sua mãe estar envolvida, mas acreditou que não era um bom momento.
O irmão estava nervoso e já havia cometido muitas loucuras por aquele dia.
- Não podemos fazer nada um pelo outro por enquanto.
Tentei conversar com a Helena, mas... você sabe, ela não quer ouvir ninguém.
Agora tenho que ir.
Não quero assustar a dona Ermínia chegando muito tarde e ainda ter que contar o que aconteceu.
— Estou completamente esgotado.
Nem sei o que fazer.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 16, 2017 11:13 am

Só tenho como ideia fixa matar a Vera.
Adalberto, que havia se servido de um aperitivo, andava de um lado para o outro com um copo na mão, parecendo nem prestar atenção nos filhos.
Após Erika se despedir, ele voltou-se para Eduardo e perguntou:
— Sabe me dizer se aquela licitação que foi feita...
— Ah! Não, pai!
Pelo amor de Deus!
Negócios, não!
— Mas é que...
Eduardo se levantou e avisou:
— Aceite meu pedido de férias em carácter excepcional e por tempo indeterminado, por favor.
Não quero nem ouvir falar de negócios.
Levantando-se, o rapaz ia subindo as escadas quando o pai perguntou:
— Você acha que eu não devo ir lá falar com a Helena?
— Acho que não — respondeu sem se deter.
***
Enquanto isso, na casa de dona Júlia, a senhora ainda estava inconformada com o ocorrido.
Helena, após o telefonema de Vera, chorou quase incessantemente.
Miguel e Juliana estavam com ela e procuravam falar de outros assuntos para confortá-la, mas somente Bianca, com seu jeitinho meigo, deitada ao lado da tia, a fez parar de chorar.
Na cozinha, dona Júlia, parecendo um pouco mais nada, conversava com o marido, que se demonstrava bem mais equilibrado.
- Sempre eduquei minhas filhas, sempre as orientei como tudo isso pôde acontecer?
E o pior é que a Helena não vai querer mais ver o rapaz. Também...
— Tudo é muito recente, Júlia.
Acredito no Eduardo, nem sei bem porquê.
Essa situação vai ser explicada. Você vai ver.
— Sempre confiei nele, muito educado, sensato...
Mas agora, diante de tudo isso...
Ele traiu nossa confiança.
— Ele não traiu nossa confiança.
A Helena não foi forçada a nada.
Você tem que pensar que os tempos são outros.
Ela vai levar a vida com maiores encargos a partir de agora.
Mas, com disse o Miguel, o mundo não acabou.
— O que vamos dizer para os outros?
E os parentes?
— Diremos que ele quer assumir a Helena e o filho e ela não quer.
Ninguém tem nada a ver com isso.
— O Eduardo foi criado na luxúria.
Sempre teve tudo que quis.
Eduquei meus filhos homens para respeitar as filhas dos outros.
Veja só, por pior que seja a Suzi, mesmo com casamento marcado, o Miguel a respeita.
O Mauro se casou com a Lara e só depois de anos a Bianca nasceu.
Agora, mesmo viúvo e namorando a Sueli, reparamos que ele a respeita...
Nem quero ver quando o Mauro souber, ele sempre foi...
Um barulho anunciava Mauro, que chegava em casa mais tarde naquele dia, pois tivera de ficar com Sueli por um longo tempo.
— A bênção, mãe!
A bênção, pai! — pediu o moço.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 16, 2017 11:13 am

Depois do cumprimento, ele perguntou preocupado:
— E Helena, como está?
— Nem te conto, Mauro.
Nós nem avisamos por telefone porque é muito sério.
— Ela está bem?
— Sim, está — tornou a mãe.
— Então o que aconteceu para a senhora estar assim.
Parece que andou chorando!
— E que temos uma novidade, filho — avisou o pai sério.
Sua irmã está grávida.
— A Helena?! Grávida?!
Dona Júlia começou a chorar de novo enquanto seu Jairo ficou aguardando a reacção de Mauro, que, estranhamente, não se manifestou.
Abaixando o olhar, ficou pensativo como perdido em profundas reflexões.
- Eu não sei onde errei com as minhas filhas.
Que vergonha! — reclamava a mãe.
Suspirando profundamente, Mauro olhou para os pais e, sem trégua, avisou:
— A Sueli também está grávida.
Seu Jairo arregalou os grandes olhos verdes para o filho e ficou boquiaberto, sem palavras.
Dona Júlia, numa reacção inesperada, levantou-se e investiu-se contra Mauro, estapeando-o nos braços, enquanto vociferava:
— Seu irresponsável! Moleque!
O que você fez?!
— Ei, mãe, pare com isso — pediu Mauro, tentando se desenvencilhar dos tapas ardidos e ligeiros.
— Você tem uma filha!
Gostaria que isso acontecesse com ela?
Pode dar um jeito de casar o quanto antes! — gritava indignada.
Essa moça praticamente vive aqui em casa.
Nós a consideramos como uma filha!
Espalmando ambas as mãos sobre a mesa, a mulher falou em tom mais baixo:
- O que eu fiz, meu Deus?
Onde meus filhos estão com a cabeça?
- Mãe, isso também não é coisa do outro mundo.
— Você deveria respeitar mais a Sueli!
- Eu gosto muito dela, vamos nos casar, claro!
- Ah! Se vai! Vai mesmo!
Filho meu não vai dar uma de moleque.
- Calma, Júlia — pediu o marido, tentando amenizar a situação.
Tudo vai se resolver.
- Tudo está é se complicando.
Como se não bastasse, agora mais essa.
- O que está acontecendo, gente? — indagou Miguel, atraído pelos gritos da mãe.
Que barulho é esse?
Mauro, contrariado pela reacção de sua mãe, ia saindo da cozinha quando dona Júlia exigiu:
— Conta pro seu irmão!
O filho voltou e, cabisbaixo, comunicou:
— A Sueli está esperando um bebé. Vamos nos casar.
Miguel não conteve o riso imediato e quase gargalhou quando dona Júlia, irritada, o fez parar, dando-lhe alguns tapas rápidos que lhe arderam nas costas.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 16, 2017 11:13 am

— Ai, mãe! Pára! — reclamou Miguel enquanto Mauro saiu sem dizer nada.
Miguel conhecia bem sua mãe e, para não vê-la mais nervosa ainda, saiu sorrateiramente, indo para o quarto onde estava sua irmã.
Porém, ao passar pela sala, surpreendeu-se com a presença de Suzi, que era recebida pelo irmão.
— Oi! O que houve? — perguntou a moça em tom meigo.
Desde ontem não consigo encontrá-lo!
O que aconteceu?
Uma imediata sensação de raiva, quase impossível de conter, tomou conta de Miguel, que a custo, tentou dissimular.
Ele não queria conversar com Suzi naquele momento.
Desejava estar mais tranquilo.
Temia ter uma reacção da qual pudesse se arrepender.
Estava por demais ofendido.
— Precisei vir até aqui, já que não atendia nem aos meus telefonemas.
— Minha mãe deve ter contado sobre a Helena, não foi?
— Sim, mas isso foi ontem.
— Minha irmã ficou internada até hoje cedo.
Tivemos um dia bem tumultuado, só agora tudo se acalmou.
Suzi se aproximou, tomou-lhe a mão e o puxou para que se sentassem no sofá.
Ao tentar beijá-lo, Miguel se levantou e mesmo assim, ela adoptou um tom de ternura na voz frágil e, com um sorriso mimoso, perguntou:
— Está acontecendo algum problema que eu não saiba?
Com o sobrecenho enrugado, Miguel respondeu sem encará-la-
— Digo que minha irmã não passou bem, que ficou internada, e você ainda acha que não há problema algum?
- Não quis dizer isso.
Mas estou achando você diferente comigo e...
- Estou cansado. Estou preocupado com a Helena.
Ela está grávida e minha mãe, como era de esperar, reagiu contrariada.
- Mas isso hoje em dia é tão comum!
- Não na minha casa e com a educação que tivemos.
- Nossa, Miguel! Como você está amargo!
Gravidez não é um bicho-de-sete-cabeças.
Se não querem mesmo, é só tirar.
Fitando-a com seriedade, ele pareceu indignado com a proposta.
— Por que o espanto? Isso é tão comum.
— Isso é comum para vadias, não para a minha irmã.
Uma pessoa responsável se lembra de que, após a concepção, existe uma vida, e essa vida é de um ser humano criado por Deus.
Ninguém tem o direito de matá-lo.
Aborto é assassinato.
— Não há vida nos primeiros meses.
Só um aglomerado de células.
— Se não houvesse vida, aquelas células não se multiplicariam, não formariam órgãos e nem...
Sabe de uma coisa? — falou irritado:
— Não quero ficar aqui discutindo. Por favor.
— Credo, Miguel! O que deu em você?
- Nada, Suzi. Preciso descansar.
Quero chegar amanhã bem cedo no serviço, pois já faltei hoje e... gostaria que fosse embora.
- Não vai me levar?
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 16, 2017 11:13 am

— Não.
_ Sentindo que alguma coisa não estava bem, Suzi decidiu não alongar o assunto.
- Não fique assim nervoso, meu bem — aconselhou, fazendo-lhe um delicado afago.
Em breve tudo se resolverá.
- Sem dúvida — respondeu secamente.
— Então, tchau. Tchau.
Sentindo-se gelar, Suzi decidiu não dizer nada e se foi.
Inquieto, com o coração apertado, Miguel foi para o quarto onde estavam sua irmã e Juliana.
— Nossa, gente!
Preciso ir embora — disse Juliana.
Amanhã preciso estar bem cedo no estúdio.
Hoje abandonei a Bete sozinha, coitada.
— Dorme aqui — pediu Helena.
— Minha mãe fica preocupada. É melhor que eu vá.
— Obrigada por tudo e me desculpe por tanto trabalho, Juliana — disse Helena ainda abatida.
Sabe, nossa conversa aliviou muito meu coração.
Estou bem melhor agora.
— Pense bem no que falei.
Essa moça, a Vera, não tem nada a perder, e a dona Gilda não vai querer ajudar você.
Posso estar julgando, mas pense bem:
diante de tudo o que ela já fez para separar meu irmão da Erika, armar essa entre o Edu e a prima seria planear um piquenique no parque.
— Agora estou nervosa, magoada.
Tenho medo do que posso falar ou fazer.
Preciso de um tempo.
— Fale com o Edu. Deixe que ele se explique.
Pense naquilo que contei de como ele chegou no hospital e de como reagiu quando não sabia por que você o tratava daquele jeito.
Miguel, que já estava no quarto, ainda lembrou:
— Se ele tivesse culpa não insistiria tanto, não faria a cena que fez aqui no quarto, nem falaria com o pai como falou, quando estávamos lá na sala.
Acho que não me humilharia tanto, não como ele fez, se eu estivesse no lugar dele.
— Talvez você não entenda, Miguel.
Eu os vi juntos, depois a outra liga pra cá e diz que está grávida!
Como posso reagir?
Tenho sentimentos, sensibilidade...
Estou com pensamentos terríveis.
No mínimo, é normal que eu não queira ver o Edu - argumentou Helena com o rosto se transformando para chorar.
— Helena — tornou Juliana —, lembra-se do que eu falei.
Isso pode ser espiritual.
Pode ser que algum espírito que não quer vê-la junto do Edu a esteja envolvendo com um sentimento de repulsa a ele.
Faça o que combinamos, relaxe, ore e durma.
Quando você melhorar, iremos ao centro espírita para uma assistência.
Depois você vai ver como pensará de modo diferente.
— Conversar com você me faz bem, Juliana.
— A Juliana tem algo superior que não consigo explicar — afirmou Miguel sorrindo.
Ela tem o dom de espargir um brilho, algo que nos contamina com bom ânimo, esperança...
— Eu?!
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 16, 2017 11:13 am

— Você mesma! — disse o amigo, que logo lembrou:
— Ah! Sabem quem acabou de sair daqui?
Sem esperar pela resposta, completou:
— A Suzi.
- E você?! — perguntou Juliana arregalando seus lindos olhos negros e expressivos.
- Não consegui disfarçar muito bem.
Nem queria chegar perto dela, mas também não disse nada sobre o que descobri.
Aí pedi que fosse embora porque eu queria dormir.
— E o que você vai fazer?
Não vai dizer que sabe de tudo? — perguntou Helena.
— Tenho uma ideia melhor.
Quero desmascará-la.
Vou descobrir onde ela trabalha.
— Miguel! — assustou-se Juliana.
— Quero encará-la. Só isso.
Não vou dizer nada.
— Você é corajoso — disse a amiga.
— Escuta, Miguel — cortou Helena.
Que falatório foi aquele lá na cozinha?
— Ah! Nem te conto!
O Mauro havia acabado de contar pra mãe que a Sueli está grávida.
Juliana, perplexa, sentou-se novamente na cama da amiga como se deixasse seu corpo cair, e Helena exclamou, parecendo assombrada:
— A Sueli?!!!
Miguel começou a rir e a contar o que havia acontecido.
***
Aquela foi uma noite longa para dona Júlia, uma senhora tão conservadora, com tantas preocupações.
Mas na manhã seguinte, quando o dia havia clareado, ela já estava na cozinha, bem atarefada, quando a campainha tocou.
- Logo cedo?
Quem será? — murmurou sozinha.
Ela foi atender quando percebeu o vulto da pessoa que já estava perto da porta principal.
Por segurança, abriu o vidro para ver quem era, quando reconheceu Carla, parada aguardando.
Então rapidamente a mulher abriu a porta, recebeu a filha com lágrimas já a rolar pelo rosto e a abraçou:
— Carla! Filha!
Já acomodadas no sofá, depois de muito choro, Carla pediu:
— Mãe, preciso da senhora. Quero voltar, mãe.
— Mas é claro, filha — respondeu, secando-lhe o rosto banhado pelo choro.
Nós cuidaremos de você.
Mas, por favor, não faça mais o que você fez.
— Não aguentei mais ficar lá na casa da Sueli.
Tudo o que tentei com as agências deu errado.
Fiquei vivendo de favor até saber que vocês estavam me custeando lá.
Tentei sair e ir morar em outro lugar, mas... sabe, ninguém nos recebe como a própria família.
Voltei pra lá e... depois que vocês não me procuraram mais... me senti tão abandonada — disse chorando novamente.
— Nunca esquecemos você.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 16, 2017 11:14 am

— Eu sei.
— Oh, filha, como você está maltratada, magra...
Vamos cuidar de você, quero que volte aos estudos, a ser aquela menina viva, esperta como sempre foi, só que mais sábia.
— E a Lena, mãe?
Já foi trabalhar?
— Não, filha. A Lena não passou bem.
Ela está esperando nené.
— A Lena?!
— Mas não tem problema.
Depois ela mesma conta.
Agora quero que tome um banho e se arrume.
Vamos cuidar de tudo, certo?
Apesar da situação tumultuada, dona Júlia ofertava amor e compreensão à filha, que se decepcionara muito com a busca do estrelato.
Carla estava magra, feia e abatida.
Parecia ter mais idade do que realmente tinha.
Mas, para sua sorte, os pais, compreensivos e amorosos, lhe dariam, além das provisões necessárias, grande parcela de ajuda moral, algo que ela sempre recusara.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 16, 2017 11:14 am

26 - O AUXÍLIO PROVIDENCIAL DE LARA

Após algum tempo na espiritualidade, Lara se encontrava mais esclarecida sobre a vida além da vida.
O espírito Leopoldo, seu instrutor e amigo, havia solicitado sua presença para que conversassem um pouco.
Diante do companheiro, Lara mostrava-se alegre, disposta e bem animada, diferente daquele espírito sofredor e ignorante que se arrastava junto aos encarnados queridos suplicando por algo irreversível, que era prosseguir ao lado deles como se pudesse ressuscitar.
— Quer falar comigo, Leopoldo?
— Bom-dia, Lara!
Que bom vê-la alegre!
Ah! Hoje é o grande dia!
As crianças apresentarão a peça teatral.
Acabamos os últimos ensaios.
Estou tão ansiosa!
- Dá para perceber.
Fico muito satisfeito pelo seu restabelecimento tão rápido.
Quanto progresso!
- Ai, Leopoldo, fico imaginando quanto tempo perdi junto aos encarnados, incomodando-os e me abstendo do socorro.
Não Posso negar que sinto falta deles.
A saudade é algo inevitável.
Sempre acho que são poucos os momentos em que, no estado de sono deles, posso visitá-los.
- Sem esquecer que, para isso, sempre é preciso que eles estejam equilibrados e você também — disse sorrindo.
- É verdade.
- Agora, vamos ao que interessa — propôs animado.
A Raimunda me contou que você já tem ciência do motivo que tanto a incomodou, que é ter desencarnado tão nova em um acidente de carro, deixando a pequena e querida filha e o marido amado.
— Ah, sim — respondeu agora sem entusiasmo e cor meio sorriso, demonstrando certa vergonha.
Logo, porém, revelou:
— Em tempos bem distantes, alguns séculos atrás, conheci Mauro, só que ele não tinha esse nome, é claro.
— Sim, claro. Prossiga — pediu bondoso —, quero saber dessa história por você.
— O Mauro tinha mulher e uma filha.
Vi-me apaixonada por ele.
Cedi a impulsos e vontades inferiores e o assediei, muito custo, Mauro se apaixonou por mim.
Eu o influenciava ele fazia tudo o que eu queria.
Mauro por fim acabou se separando da mulher, simplesmente a abandonou com a filha.
Vivemos apaixonados por um longo tempo em um vilarejo vizinho, até que a morte da esposa, em um acidente, fez com que um mascate que viajava de vila em vila e que conhecia bem a todos trouxesse a pequena menina para o pai, uma vez que não havia parente da esposa por ali.
Fiquei louca, enfurecida.
Tanto fiz que obrigue Mauro a levar a filha para que sua mãe, uma mulher viúva, e irmã tomassem conta.
Eu não suportava a menina, pois achava que ela poderia atrapalhar nossa vida.
— Você sabe quem é essa menina que você mandou embora?
— Bianca, minha filha hoje — respondeu abaixando cabeça e deixando as lágrimas correrem em seu rosto.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 16, 2017 11:14 am

Logo continuou:
— Depois disso não vivemos mais tão bem quanto antes.
Alguns anos se passaram e essa irmã do Mauro também morreu.
Era uma moça jovem, mas que ficou muito doente após o rompimento de um noivado.
O rapaz a deixou por causa de uma moça com um grande dote, além de um título de nobreza.
Ele a queria como amante e a jovem não aceitou essa condição.
Contrariado, ele a difamou, e isso era algo tão terrível naquela época que a moça ficou doente e sucumbiu até morrer de desgosto.
A mãe deles ficou doente e pediu que ele pegasse a filha de volta.
Não suportando aquela jovenzinha, filha de outra mulher dentro da minha casa, mandei-a para um convento.
Vivi infeliz pelo resto dos meus dias.
Principalmente quando minha mocidade terminou.
Fiquei feia, acabada, e Mauro completamente indiferente a mim.
- Hoje essa que foi a irmã do Mauro está encarnada e você sabe quem é ela?
— Sim, é a Helena.
E o rapaz que tanto a fez sofrer é o Nélio, aquele espírito que vive como louco, sofrendo arrependido pelo que deixou acontecer a ela.
— Então você também entende por que Bianca se dá tão bem com a tia?
— Sim. Ela, depois que perdeu a mãe naquela época, apegou-se muito a Helena.
— E você sabe quem é hoje a moça que foi a esposa de Mauro, naquela época, e mãe de Bianca? — tornou Leopoldo bondoso.
— Não. Não a identifiquei.
— O que sente por essa moça, mulher do Mauro, quando se lembra dela naquela época?
— Por ela, eu não sei.
Mas, pela situação toda, sinto vergonha.
Arrependimento por ter feito tanta coisa errada.
A experiência terrena é tão curta, tão rápida!
Representa um segundo diante da eternidade.
Não vale a pena trapacear, trair, enganar, matar, roubar...
Mas pela ambição de experimentarmos uma gota de prazer nos dispomos a sofrer amargas desilusões, as quais teremos que harmonizar, reconstruir um dia.
— Lara, se você pudesse, o que faria hoje se reencontrasse aquela que foi a esposa de Mauro? — perguntou o instrutor sondando-lhe as intenções.
Tentaria reparar meu erro.
Tentaria fazer com que ela e Mauro se reencontrassem.
Se eu tivesse o poder, gostaria de fazer com que eles continuassem de onde eu os separei.
- Parabéns! — exclamou sorridente e com olhar bondoso.
Como eu suspeitava, creio que já está preparada para irmos até a crosta, junto aos encarnados.
— Eu? Por quê? — perguntou animada.
Terei a chance de fazer com que Mauro se encontre com essa moça?
— Não, não — respondeu satisfeito e vagarosamente.
Isso já aconteceu e, forçados pelas circunstâncias, eles já encontraram e têm um óptimo motivo para prosseguirem de onde pararam.
Na verdade, o motivo para irmos à crosta terrena é outro, e percebo que, pela sua evolução moral em tão pouco tempo, você nos será incrivelmente útil.
Quando percebeu que Lara iria argumentar alguma coisa, adivinhando-lhe os pensamentos, Leopoldo explicou gentilmente
— No momento certo terá detalhes de nosso trabalho nessa excursão.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

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