Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 16, 2017 11:14 am

Não é aconselhável que tenha detalhes antecipados pois, se os tiver, ficará despendendo tempo e energia com a imaginação e anseios que não nos serão muito úteis, muito pelo contrário.
Lara sorriu e perguntou compreensiva:
— Posso saber quando partiremos?
— Daqui dois dias — respondeu o instrutor satisfeito.
***
Conforme o planeado, Leopoldo e sua comitiva, amigos e estudantes na espiritualidade, chegaram à crosta da Terra.
Todos, sem excepção, estavam repletos de alegria e bom ânimo em ajudar e aprender.
Lara, com grande expectativa, não negava estar ansiosa, contudo feliz.
— Parece que foi ontem que estive aqui.
Mas tenho que admitir que me sinto mudada, apesar de tudo estar praticamente como antes.
Leopoldo sorriu e, após trocar algumas palavras com o grupo de espíritos amigos, explicou:
— Primeiro os queridos companheiros irão até o lugar indicado.
Eu e Lara os encontramos depois.
Iremos à casa onde vive a filhinha querida da nossa irmã.
Lara encheu-se de alegria, mas não disse nada.
Em poucos segundos, ela e Leopoldo estavam na casa de dona Júlia, onde, com inenarrável prazer, Lara pôde abraçar a filha amada.
- Bia, meu amor!
Bianca, com sua sensibilidade diminuída pelo tempo, percebeu algo diferente, mas não soube explicar o que era.
Ela estava mais crescida e com pensamentos voltados a outros assuntos.
Lara a beijou e a abraçou com carinho, mesmo sabendo que a pequena não a via.
A saudade lhe rasgava o peito, e era uma bênção poder estar ali ao lado de quem ela tanto queria.
— Ela não pode me perceber como antes?
— Talvez em uma outra hora — lembrou Leopoldo generoso, logo sugerindo:
— Venha comigo, vamos ver como está sua cunhada, a Helena.
Deitada em sua cama, encolhendo-se e chorando, Helena ainda estava deprimida.
Todo ânimo que havia ganhado com a conversa que tivera com Juliana e seu irmão fora embora quando passou a ver, a todo instante, a cena chocante de Eduardo e a prima abraçados e dormindo juntos.
O espírito Nélio era quem estava a seu lado provocando, em sua tela mental, seguidas imagens repugnantes do que poderia ter acontecido, o que a abalava imensamente.
Como se não bastasse, o mesmo espírito, incessantemente, insuflava-lhe frases sobre traição, desprezo, humilhação e todos os piores sentimentos que pudessem torturá-la.
- Ele não pode nos ver? — perguntou Lara.
- Não. O pobre Nélio está fechado em sua psicosfera de vingança.
Suas vibrações são tão inferiores que ele não pode nos perceber.
— Ela está tão deprimida.
Está grávida! Veja só.
Pobre Helena - apiedou-se Lara.
- Sim, pobre Helena — repetiu o amigo, que logo explicou:
- Mas não podemos nos apiedar dela pela gravidez, mas sim por não buscar na fé verdadeira forças para reagir contra esses pensamentos tão funestos.
— Mas ela está passando por uma terrível obsessão.
— Se Helena rogasse a Deus amparo e se despendesse forças e desejos interiores para se apartar desse choro, desses pensamentos, obviamente ela olharia a situação com outros olhos e, além de encontrar harmonia, pois nem tudo é como ela vê iria se desligar das vibrações e dos desejos inferiores aos quais Nélio a condena.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 16, 2017 11:14 am

— Foi por isso que viemos aqui?
Quer que eu auxilie e leve alguns esclarecimentos a Nélio?
— Você não vai tentar auxiliar Nélio.
Irá auxiliar a si mesma.
Lembre-se de que, há algum tempo, com sua vibração triste e depressiva, ajudou Nélio a impregnar Helena com esse tipo de energia.
Abaixando o olhar, Lara admitiu:
— É verdade. Puxa, eu não sabia.
— Mas agora você tem a oportunidade de desfazer o que começou.
Entretanto, o momento ainda não é esse.
Outros companheiros espirituais estão se empenhando ao máximo para que Helena se erga e vá a uma casa de oração e reavive sua fé, despojando-se dessas energias inferiores que a envolvem.
Quando isso acontecer, aí sim, Lara, você terá a sua chance para trabalhar.
Em seguida, pediu:
— Agora venha.
Passando pela casa, eles encontraram na sala dona Júlia conversando com Sueli, que, sentada no sofá, estava cabisbaixa.
— Deverá contar para sua mãe, sim.
Onde já se viu? Até quando pretende esconder?
— Mas eu queria primeiro marcar a data do casamento.
Minha mãe vai ficar...
— Não posso interferir na sua opinião, Sueli.
Eu a considero como uma filha.
Por mais que eu tenha ficado surpresa e insatisfeita, quando a Lena nos contou que estava grávida fiquei triste pelo acontecido, mas, ao mesmo tempo, feliz por não estar sendo enganada.
Pensa bem, filha.
Seria melhor você e o Mauro irem até o sítio no fim de semana e contar tudo.
— Passo até mal só de pensar nisso, dona Júlia.
- Mas vão se sentir bem melhor depois.
Se quiser, posso ir junto.
- A senhora faria isso? — perguntou iluminando o rosto com um sorriso.
- Por você, pelo Mauro — ela sorriu e completou —, pelo meu netinho ou netinha, faço isso sim — e puxou-a para um abraço.
Na espiritualidade, Lara olhou para Leopoldo e perguntou:
- Deixe-me ver se entendi:
a Sueli está grávida do Mauro?
— Sim, está — afirmou sorridente.
— Então é ela?
— Os planos de Deus são perfeitos, querida Lara.
Muito emocionada pela súbita notícia, Lara não conteve a felicidade de ver a vida sob os desígnios de Deus e discretamente chorou entre um sorriso após abraçar Sueli com imenso carinho, mesmo sem ser percebida pela encarnada.
Após alguns segundos, Lara comentou:
— Agora compreendo que não podemos culpar alguém pelo que nos acontece ou pelas fatalidades da vida.
No dia do acidente, eu julgava estar ali, naquela hora, por culpa de minha mãe.
Mas hoje entendo que, se não fosse ali, seria num outro momento, em outro lugar.
Tinha que acontecer.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 16, 2017 11:15 am

— Sem dúvida.
Deixei o Mauro e minha filha nesse período da vida para que eles prosseguissem de onde eu os interrompi.
- Exactamente.
Então Leopoldo lembrou:
— Agora vamos.
Temos que nos encontrar com os outros.
Depois voltamos para cá.
***
Enquanto Lara e Leopoldo se retiravam, Juliana chegava na residência de dona Júlia.
- Oh, dona Júlia, vim assim que soube que a Helena não está bem.
Ao ver Sueli, cumprimentou-a sorridente:
- Oi Su! Como vai?!
- Estou bem, obrigada.
— Foi bom você ter vindo, Juliana.
Espero não estar atrapalhando sua vida.
Sei que trabalha e... — explicou-se dona Júlia.
— Tenho um cliente para visitar, mas é aqui perto e bem mais tarde.
Mas, me diga, o que aconteceu?
— A Helena havia melhorado na terça-feira de manhã, estava bem-disposta, conversando muito com a Carla, que passa toda aquela energia, você sabe como ela é.
E foi a Carla quem a convenceu de que a dona Gilda está envolvida nessa história toda.
Aí a Helena até aceitou a ideia de conversar com o Eduardo, caso ele aparecesse por aqui.
Mas aí, logo à tarde, a Lena voltou a ficar tristonha, abatida, e começou a chorar.
Parece uma coisa, só bem depois descobri que o telefone estava mudo, que não recebíamos ligações, e à noite o Eduardo apareceu e ela novamente não quis vê-lo de jeito nenhum, achando que ele deveria tê-la procurado mais cedo.
Não deu para entender.
Fiquei com ele lá na cozinha, conversamos muito, ele até chorou e, sabe, comecei a ficar com pena dele.
Justo eu, que estava tão furiosa com esse menino.
Deu vontade de dar uns tapas na Lena.
Não sei mais o que faço, Juliana.
A Helena não se levanta, mal come e nem foi trabalhar.
E ela não está doente.
Daí pensei em ligar para sua mãe e ver se você teria um tempinho, afinal você tem um jeito todo especial, filha.
Desculpe se eu a incomodei.
— Não incomodou não, dona Júlia.
Se não desse para vir agora, eu viria à noite.
Gosto muito da Helena e de todos vocês.
Quero ajudar sempre, se eu puder.
— Vá lá no quarto, filha. Ela está lá.
Assim que Juliana entrou no quarto ficou comovida pelo estado da jovem.
— Helena, o que é isso, minha amiga?
Sentando-se ao lado dela, Juliana afagou-lhe a testa escaldante e suada e procurou logo acomodá-la melhor para que prestasse atenção.
— Por que está assim, hein?
— Não sei — respondeu chorando.
Você falou com o Eduardo? — perguntou mesmo sabendo do caso.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 16, 2017 11:15 am

- Não sei o que me deu...
Estou morrendo de ódio dele.
Quero que o Edu suma.
Fico lembrando de quando o vi com a outra... imagino o que fizeram...
- Esses sentimentos não são seus.
Pense em como era antes, em como o amava...
- Mas depois que o peguei com a prima...
- Sei que já deve estar cansada de ouvir isso, mas, pense bem:
será que essa história é verdadeira?
— Minha irmã falou isso.
Ela acha que a dona Gilda foi quem armou tudo.
— Não gosto de julgar, mas acho que a Carla tem toda razão.
Juliana ficou um longo tempo conversando com Helena, procurando trazê-la à realidade, fazendo com que pensasse e agisse de modo diferente.
Depois de muito falar, Juliana conseguiu com que Helena aceitasse acompanhá-la, naquela mesma noite, ao centro espírita onde a amiga, através de palestras, receberia orientação para começar a pensar diferente, e onde também, através dos passes, receberia energias revigorantes tão necessárias para o seu fortalecimento espiritual.
O passe funcionaria como uma substância medicamentosa que iniciaria a quebra dos vínculos energéticos entre o espírito Nélio e Helena cada vez que os pensamentos da jovem se fortalecessem na fé e na esperança.
Deus permite que os espíritos inferiores nos abalem porque são nossos pensamentos, nossas más tendências e nossa falta de te que nos ligam a eles*.
* * *
—Um apartamento nesse valor?!
—O pior não é isso.
O pior é que o Adalberto pegou o contrato de compra que recebeu para estudo e riscou o seu nome, fazendo anotações do tipo:
"mudar para o nome da senhora... depois forneço os dados correctos."
—E você está nessa calma toda?!
—Tenho que estar, é lógico!
São nos momentos de tranquilidade que consigo planear as melhores coisas.
—Já tem algo em mente?
—A princípio quero o meu filho do meu lado.
Se eu puder, e acho que posso, deserdo a Erika, assim não preciso me preocupar tanto com ela.
Depois vou pedir o divórcio.
Aí sim ficarei com a parte do que mereço, porque o restante vou cobrar com o prazer de ver o Adalberto liquidado.
—Como assim?
—Ora, meu bem, sou uma mulher influente.
Tenho amigos — respondeu rindo sarcasticamente e logo completando:
— Sei de valores homéricos que o Adalberto tem em fogosos paraísos fiscais, e metade disso tudo é meu.
Ficarei bem, muito bem quando receber a minha parte.
Depois é simples, eu o denuncio quando estiver bem longe, é claro.
Penso em nunca mais pisar nesse país horroroso.
Nunca gostei desse calor, desse povo miserável.
—Como o Adalberto tem esses valores?
—Deixe de ser ingénua, Marisa!
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 16, 2017 11:15 am

É lógico que são das falcatruas na empresa, que vai desmoronar, ruir sobre a cabeça dele depois que eu agir.
—E o Eduardo?
Afinal ele trabalha lá.
—O meu querido Eduardo é meu único herdeiro.
Ele ficará muito bem, eu garanto.
Não é à toa que lhe dei o nome de um rei, para que continue reinando, aconteça o que acontecer.
Em seguida, anunciou irónica:
— Mas você não perde por esperar, meu bem.
O show será magnífico! — desfechou com uma gargalhada.
Na espiritualidade, Lara, Leopoldo e alguns companheiros estavam decepcionados com a cena e as opiniões infelizes de Gilda.
— Eu sabia que minha mãe era uma pessoa difícil e que sempre quis tudo a seu jeito, mas agora, vendo-a por outro ângulo, fico indignada com tudo isso.
— Consegue ver essa névoa escura ao redor de Gilda, além das manchas marrons mescladas em preto que estão como coladas em seu perispírito? — perguntou Leopoldo.
— Sim, consigo ver — tornou Lara triste, mas tranquila.
O que é isso?
— O mentor de Gilda, um nobre e luzente companheiro que estava presente, olhou para Leopoldo como se pedisse permissão para responder e disse:
— Essas marcas perispirituais que vemos, que mais se parecem com porções de barro sujo atiradas nela, são marcas que Gilda traz por seu preconceito racial, principalmente.
Cada vez que Gilda se pronuncia negativa ou ofensivamente contra qualquer um pelo nível social ou pela raça que a pessoa tem, inferiorizando-os de qualquer maneira, essas perebas purulentas se alastram cada vez mais em seu corpo perispiritual.
São como cicatrizes inamovíveis, a não ser quando, num futuro, Gilda experimentar tudo o que fez aos outros, e nisso podem-se incluir cada mágoa, cada agressão, cada pensamento indigno.
E foi por isso que eu os chamei aqui — esclareceu Élcio, o nobre mentor de Gilda, piedosamente.
A querida Gilda, a cada dia, desperdiça as oportunidades abençoadas nessa experiência terrena ferindo e agredindo os outros sordidamente.
É mesquinha, egoísta e miserável, além de impiedosa.
Por isso, como Leopoldo já sabe, venho reivindicando o seu resgate para o mundo espiritual.
O silêncio reinou por alguns segundos, até que Lara perguntou:
— Sei que é repugnante e lamentável o que minha mãe vem fazendo, mas há tantas outras pessoas que falam e fazem coisas iguais e não são resgatadas, por quê?
— Solicitei o desencarne prematuro de Gilda por misericórdia.
Seu histórico em outras experiências terrenas é lamentável.
Além disso, temo que ela venha a pôr em prática tudo o que tem em mente por causa de seus fortes desejos de vingança e preconceitos.
É preferível o seu desencarne agora e o início do resgate de seus débitos o quanto antes, ou suas dívidas vão tomar proporções imensas, medonhas.
As pessoas a quem ela planeia prejudicar e deseja tanto mal não merecem mais experimentar suas vilezas.
Essas criaturas precisam continuar, sem interrupções, a jornada evolutiva, e Gilda, no entanto, é um grande empecilho*.
Nitidamente triste, Lara se reconfortou com uma ideia:
— Como sabemos, ela vai estar se libertando dessa prisão terrena.
Talvez sofra um pouco na espiritualidade, mas depois, em alguma colónia, vai se refazer, entender, aprender...
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Fev 17, 2017 10:32 am

— Lamento, Lara.
Oportunidades incontáveis já foram oferecidas a Gilda. Em vão.
Ela não deve ficar por muito tempo na espiritualidade.
Planeamos uma estada bem curta no plano espiritual e um rápido reencarne — explicou Leopoldo.
A humildade de Gilda após o desencarne mostrará para onde sua consciência vai atraí-la para um novo reencarne.
Foi por isso que eu quis que nos acompanhasse.
— Como assim? — perguntou Lara.
— O que Gilda vai experimentar, provar e sofrer a partir dessa última experiência não será por castigo, mas sim pelo que ela atraiu, criou para si mesma por conta de sua intolerância, de seu egoísmo, da avareza e principalmente por seus preconceitos — explicou ele com bondade.
Mas por pior que possa parecer sua situação poderá ser amenizada.
Tudo dependerá dela.
Após uma pausa, lembrou:
— Um ilustre Mestre nos ensinou que:
"A ingratidão é filha do egoísmo, e o egoísta encontrará, mais tarde, corações insensíveis como ele próprio o foi"**.
Gilda nunca foi sensível nem para com ela mesma, nunca teve compaixão, piedade ou amor.
- Parece que ela só ama o Eduardo.
— Não, Lara.
O que ela pensa ser amor pelo filho também é egoísmo.
Gilda tem que sentir carência de amor e compaixão, terá que implorar por misericórdia e piedade para depois fazer nascer em si mesma esses sentimentos.
Terá que experimentar o preconceito, a subjugação, o desprezo, a traição e tantos outros males que ofereceu para se despojar deles.
Porém, antes que ela siga atraída por sua mente ao reencarne mais apropriado, é por acréscimo de misericórdia que vamos nos empenhar para que você, Lara, tente ainda, pela última vez, levá-la ao arrependimento, ao amor incondicional e a alguns valores morais.
— Eu?!
— Sim, filha.
Acreditamos que ao vê-la, isto é, se conseguir se desprender de seus pensamentos e vibrações inferiores, Gilda ainda reflicta e não se entregue ao triste destino traçado por sua consciência.
Quem sabe...? — explicou Élcio com muito sentimento.
— E se eu fracassar?
E se ela não me ouvir?
— O fracasso jamais será seu.
A tentativa é sua, o fracasso poderá ser dela — tornou Élcio bondosamente.
— E quando será?
— Calma, Lara. Vamos esperar.

* Sobre a influência dos espíritos no mundo corpóreo, podemos encontrar maiores explicações em O Livro dos Espíritos, questões 466 a 469, entre outras (Nota da Autora Espiritual).
* Ver a esse respeito o Capitulo V de O Evangelho Segundo o Espiritismo (item Perda de pessoas Amadas. Mortes prematuras) (Nota do editor)
** Trata- se de um trecho da resposta à pergunta 937 de O Livro dos Espíritos (Nota da Autora espiritual)
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Fev 17, 2017 10:33 am

27 - DESCENDÊNCIA NEGRA

No dia imediato, Lara sentia-se um tanto abalada pelo que soubera.
Ainda na casa dos pais, depois de abraçar Adalberto, que não a percebeu, ficou observando-o a certa distância.
A aproximação de Leopoldo atraiu sua atenção.
Lara esboçou um sorriso ao reconhecê-lo e comentou:
— Quando encarnados, como desperdiçamos grandes oportunidades que a vida nos oferece, não é?
E sem esperar por uma resposta prosseguiu:
— Veja meu pai, um homem muito rico, bem estabilizado, ganha muito mais do que precisa e ainda subtrai o que não lhe pertence.
Além de ter o que recebeu como herança, lutou a vida inteira por mais e mais.
E engraçado, os ambiciosos são egoístas consigo mesmos.
Meu pai quase nunca tirou férias, passeou ou se divertiu com os filhos como deveria e poderia, pois só pensa em trabalho e dinheiro.
Acho que os tempos mais felizes que experimentei, quando encarnada, foram os dias em que vivi uma vida mais simples, cheia de preocupações corriqueiras.
Essas preocupações representavam dedicação, carinho e respeito.
Isso é experimentar o verdadeiro amor.
- Feliz daquele que se satisfaz com o que possui, pois, quando há muito, certamente a pessoa vive com desperdício, como tanto acontece por aí.
- Bem lembrado, Leopoldo.
— Você está muito pensativa.
Sei que há um forte motivo para isso, mas espero que não se abale com o que haverá de acontecer.
— Não posso negar que estou triste.
Gostaria que minha mãe pensasse diferente.
Não entendo por que existem pessoas que desmoralizam ou desprezam as outras pela crença, raça, cor...
O preconceito é algo tão doloroso, cruel, inútil...
— Você disse a frase certa, Lara.
O preconceito é inútil.
Acredito que o preconceito terá fim quando a criatura humana ganhar conhecimento, inteligência e sabedoria para analisar a vida e as situações.
Isso significa evoluir moral e espiritualmente.
Hoje a ciência pode provar que a nossa vida começou na África, continente que pode ser considerado o berço da raça humana.
Eu disse berço da raça humana, não raça negra, branca, amarela...
Não existem raças humanas, existe só uma raça:
a humana, os seres humanos.
A vida humana começou na África.
Independentemente de quem somos, de onde viemos ou da aparência que temos hoje, a ciência actual, ou seja, os geneticistas, pode afirmar, seguramente, que todos os nossos ancestrais vieram da África, daquele continente quente e frio, muito conturbado e quase esquecido nos dias de hoje.
A ciência genética pode provar que cada um de nós, sem excepção, tem em seu código molecular, que é o nosso DNA, uma parte mitocondrial que prova que o humano moderno é descendente das mulheres e homens negros, depois dos hominídeos, que viveram na África há muitos milhões de anos.
O adiantamento da ciência veio para lembrar o ser humano de que somos iguais.
E lamentável usarem-na para outras coisas que não a conscientização.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Fev 17, 2017 10:33 am

— Sabemos que existiu o Neandertal na Europa, ou melhor, só na Europa — comentou Lara.
— Sim, claro.
Sabe-se que a raça humana surgiu há milhões de anos, e a arqueologia prova que há mais ou menos cento e cinquenta mil anos o planeta Terra abrigava os Homo sapiens na África Oriental, os Homo erectus no extremo Oriente, e os Neandertal na Europa.
Mas estou falando de uma data ainda mais remota.
O Homo sapiens saiu da África para encontrar comida e recursos depois de se erguer, de levantar a cabeça para o céu, de admirar as estrelas, de contemplar a natureza e de alguma forma perguntar a si mesmo:
Quem sou? De onde vim? Para onde vou?
Vamos lembrar também que a curiosidade é um atributo natural do ser humano e foi isso que o fez migrar e querer sair do continente africano depois de milhares de anos.
Graças às condições climáticas, os seres humanos eram negros, todos negros.
Isso ocorria pelo excesso de melanina, um protector solar natural que temos no corpo.
— Sim, eu sei.
O excesso de melanina deixa a pele escura para se proteger do sol.
— Isso mesmo, Lara.
E foram esses grupos de mulheres e homens negros, formando pequenas famílias, que habitaram o mundo, enfrentando rigorosas e devastadoras mudanças climáticas, eras glaciais, fome excessiva, escassez de alimentos, desertos extremos e mar excessivamente salgado, além de ambientes que quase não lhes davam oportunidades de sobrevivência.
Entretanto, o Homo sapiens andou pelo mundo milhares e milhares de quilómetros, quase se extinguiu em novos ciclos de eras glaciais, encontrou o Neandertal e o Homo erectus, travaram guerras pela sobrevivência, para dominar o melhor território de caça, pesca, colecta, as melhores cavernas, além de enfrentar mamutes e animais pré-históricos, e apesar disso tudo sobreviveu.
O Neandertal e o Homo erectus se extinguiram.
Por isso, todos os seres humanos existentes hoje são Homo sapiens.
Todos os homens e mulheres, independentemente da cor que trazem na pele, de qualquer característica física diferente ou do local onde vivem, são todos descendentes daqueles negros que tentaram e saíram da África há milhares de anos e povoaram o planeta, chegando em todos os lugares da Terra — Ásia, Europa, Américas - por diversas partes, pois o mar era muito mais baixo e havia ligações entre os continentes.
Só que aqueles que chegaram nas Américas nunca mais puderam retornar por causa do fim da era glacial, que fez com que o mar subisse seu nível novamente e cobrisse as ligações de terra existentes.
Por isso, minha cara amiga, não há motivo de orgulho por sermos brancos, loiros e de olhos claros.
Somos todos descendentes dos negros africanos estamos mudando fisicamente há muito mais de sete milhões anos.
Se temos algo para nos orgulharmos, é por sermos a espécie mais resistente e flexível às agressões naturais.
— Se somos todos descendentes dos negros africanos, porque que tanta diferença entre nós? — perguntou Lara interessada explicações.
— Por causa da incrível capacidade de adaptação ao m ambiente.
O clima e o tipo de alimento, principalmente interferem e impõem a nossa forma física; isso se um grupo ficar milhares de anos na mesma região se relacionando com indivíduos que pertencem sempre ao mesmo grupo.
— Com isso, Leopoldo, você quer dizer que o negro, com o passar dos anos, virou branco?
— Sim. Nossos ancestrais negros que saíram das savanas africanas e de tantos outros lugares perdidos na Africa precisa ter pele bem escura para sobreviver ao sol, mas quando saíram da Africa e chegaram em regiões com menos sol o corpo precisava de vitamina D.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Fev 17, 2017 10:33 am

Só que o excesso de melanina, em regiões de pouco sol, inibe a formação da vitamina D e provoca o raquitismo.
Então, a complexa e divina estrutura humana abençoada por Deus, que já a planejou assim, deixa de "fabricar" melanina para que o corpo "fabrique" a vitamina D, quando o indivíduo vive em local de pouco sol.
Com menos melanina, a pele fica mais branca.
Só que isso leva milhares de anos para acontecer.
A transformação da pele escura em clara não é tão rápida quanto podemos imaginar.
— Quanto tempo?
— Depende muito do grupo, da selecção sexual, da selecção natural, da adaptação ao meio...
Cada caso é um caso, Lara.
Se fosse para calcular, eu diria que demora cerca de vinte a vinte e cinco mil anos para o negro virar branco e vice-versa.
Muito curiosa, tentando explorar o conhecimento científico de Leopoldo, Lara perguntou:
—Por que o Homo sapiens, ou seja, a nossa raça, sobreviveu a tantos obstáculos e os outros não?
- O Homo sapiens mostra sua inteligência há milhares de e não somente nos dias de hoje.
O Homo sapiens era brioso como é até hoje, e repleto de necessidade de pensar, de planear, de se comunicar.
Ele possuía a teimosia e podemos dizer que todos esses atributos bem dosados são de grande valor a todas as criaturas.
Tinha também a capacidade de explorar, por isso há milhões de anos era nómada, e de inventar, por isso se adaptava física e culturalmente ao local para onde migrava, enquanto o Neandertal, por exemplo, ficava sempre no mesmo lugar e não procurava melhoria.
O Neandertal emitia grunhidos e tinha poucas ferramentas.
Já o Homo sapiens confeccionava roupas costuradas com agulhas feitas de ossos, chegando a inventar uma espécie de sapato ou sandália para a protecção dos pés, a desenvolver ferramentas diferentes para propósitos diversos, como redes para pescas e caças.
Depois de sorrir, ele comentou:
— Ele até possuía a vaidade, pois confeccionava adornos para o corpo, como colares, pulseiras etc.
Era capaz de desenhar, pintar ou contar aos pequenos e aos demais o que havia acontecido em alguma caçada, por exemplo, além de planejar as caçadas e calcular as secas e as enchentes.
Porém, isso tudo só foi possível com a comunicação, com a fala.
O Homo sapiens podia trocar ideias porque tinha uma fala mais completa.
Ele não só possuía os substantivos e adjectivos, mas também uma gramática, graças ao seu desenvolvimento mental, à sua inteligência.
Lembremos que a inteligência e a sabedoria não dependem do cérebro, mas sim do espírito, das experiências pelas quais ele passou, pois o espírito e, muitas vezes, mais antigo do que a evolução humana nesse planeta.
Sabe-se que, quando ele desenhava para registrar um facto ou passar conhecimentos, queria preservar a espécie ensinando como sobreviver.
Além disso, ele já desejava o bem, o que é uma arma de amor, pois ensinar é doação, e doar é amar.
Lara sorriu e afirmou:
- Por isso o Espírito de Verdade disse:
"Amai-vos e instruí-vos- Sem conhecimento não reflectimos e não evoluímos em sentido, seja espiritual ou socialmente.
Ficamos estagnados, parados, sem objectivo.
Sem conhecimento não desenvolvemos nossa inteligência e, consequentemente, não vamos nos adaptar às mudanças do mundo.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Fev 17, 2017 10:33 am

—E para adquirirmos conhecimento precisamos de empenho, de desejo interior de progredir.
Inesperadamente, Lara desabafou:
— A Helena fez muito bem em ter terminado aquele namoro com o Vagner.
Ele era um rapaz parado, improdutivo e que não queria evoluir na vida, pois tinha medo de procurar coisas novas, de melhorar.
Ele era estagnado feito um Neander...
— Lara! O que é isso? — advertiu Leopoldo, fazendo-a parar.
—Desculpe-me, eu não aguentei.
Mas, falando em pessoas paradas e que não progridem, por que os africanos e os índios das Américas, além de outros aborígenes espalhados pelo mundo, não progrediram arquitectónica, social e economicamente, enquanto em outros lugares do planeta, na Europa, principalmente, o mesmo Homo sapiens criou construções, impérios, sociedades complexas e muito mais?
Tranquilo, Leopoldo reflectiu e considerou afectuoso:
—"Não dê o peixe a seu filho, ensine-o a pescar", disse-nos o Senhor Jesus.
A facilidade para obter as coisas nos faz pessoas acomodadas.
Vamos lembrar que eles não precisavam nem de roupas, por causa do clima quente, e a terra e as águas lhes ofereciam a caça, a pesca, as raízes e os frutos, enquanto em outros lugares, a começar pelas dificuldades climáticas e inúmeros outros desafios, os obstáculos serviram para ajudar no desenvolvimento da inteligência, da perspicácia e da sabedoria humana.
Em lugares frios o homem precisava de roupas para se proteger, e por isso teve que pensar em um jeito de curtir as peles e o couro, costurá-los e modelá-los em seus corpos para se agasalhar, se proteger.
Necessitou de construções mais eficientes para se proteger.
Também precisou plantar, cultivar e guardar os alimentos para épocas mais difíceis e passou a reunir animais criando ovelhas e cabras.
Isso tudo para não ficar tão dependente das intempéries climáticas.
Sempre produzindo mais do que necessitava, o ser humano passou a trocar, a negociar o que produzia e o que lhe sobrava com os outros, fazendo surgir o comércio, a revolução comercial.
Assim nasceu a ambição, o querer mais do que se precisa e o gosto por levar vantagem.
Só que para toda vantagem que obtemos ilicitamente, pagamos um preço.
- Seria tão importante as pessoas saberem que somos todos descendentes dos negros africanos.
Talvez parassem de dar tanta importância diferenças— considerou Lara pensativa.
Não precisaríamos de leis contra o racismo, o preconceito... nenhuma lei é capaz de punir aliviando a ofensa moral da vítima.
—Esse assunto já é do conhecimento da humanidade, mas não muito divulgado.
Poucos dão atenção a ele.
E há os que preferem acreditar que sua pele alva e seus olhos celígenos, claros, são presentes dos céus.
Após alguns segundos, comentou:
— Nem o próprio Jesus tinha pele clara, cabelos lisos e aloirados, muito menos olhos claros ou azuis, como nos mostram as imagens feitas pelos homens que querem reverenciá-Lo com essas características, como se isso O agradasse.
Se assim fosse, Ele jamais poderia ter sido filho da Tribo de Davi, filho de judeus como José e Maria, e todas as profecias bíblicas estariam erradas.
Vamos lembrar que o próprio Mestre disse que não veio destruir as Leis e os profetas, e sim cumpri-las.
—Então não existe a tal raça pura como alguns tentaram dizer?
Não — afirmou categórico.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Fev 17, 2017 10:34 am

Se a pele branca, os cabelos lisos e os olhos claros fossem algo puro, superior nas criaturas, seus genes seriam dominantes.
Mas ocorre exactamente o contrário, ou seja, as características hereditárias predominantes em um individuo são escuras, quando acontece união de genes.
Isso ocorre porque a nossa origem ancestral é escura, o gene ente há mais de sete milhões de anos, para sobreviver às fortes intempéries agressivas desse planeta quase hostil, é o gene mais forte.
- Acredito que, à medida que o ser humano for evoluindo ente, essas diferenças raciais vão diminuir, não é?
—Só que para a criatura humana se tornar mais rele amável e humilde é necessário vivenciar amargas provas, dura realidades e até cruéis experiências em reencarnes seguidos, para que a pessoa se reforme intimamente, para que possa não dar mais atenção às diferenças, para que não tenha preconceito orgulho ou arrogância de nenhuma espécie ou grau e enxergue com olhos de ver, que somos todos iguais: seres humanos criados por Deus.
Infelizmente são necessárias várias reencarnações para que algumas pessoas preconceituosas consigam ter uma visão ampla da vida e observar que não somos nada nesse imenso universo criado por Deus.
Lara ficou pensativa, reflectindo profundamente naquela grande aula sobre a raça humana, mas logo perguntou:
— Por que um espírito se apresenta, às vezes, loiro e com olhos claros?
— Primeiro porque um espírito elevado pode se apresentar como quiser.
Ele pode adoptar uma aparência do passado para se fazer lembrar, para se fazer reconhecer, ou porque lhe convém ou lhe agrada.
Isso não significa vaidade ou orgulho, pois os espíritos orgulhosos, vaidosos, não são elevados, e, por isso, suas condições, seu aspecto exterior, não podem ser modificadas pela sua vontade, como faz um espírito elevado.
“O espírito arrogante, orgulhoso e vaidoso, quando desencarnado, apresenta-se com um aspecto muito materializado, grosseiro, às vezes nada agradável e com uma aura sombria, sem luz, feia, pois seus pensamento sempre o traem.
Entretanto, existem criaturas bem elevadas que se apresentam negras, com uma aura radiante, linda, que chega a nos ofuscar de tanta luz e beleza.
A aparência exterior adopta por um espírito não tem importância no plano espiritual, criaturas racistas ainda não compreenderam essa verdade absoluta, pois Deus nos ama a todos, sem distinção.
— Você poderia me explicar por que hoje as leis estão fazendo com que um negro entre em uma faculdade na vaga que poderia ser de um branco?
— Será que essa pessoa branca, que perdeu sua vaga hoje, em uma vida passada não diminuiu ou tirou a possibilidade de melhoria de uma pessoa negra e, agora, em condições semelhantes está devolvendo o que subtraiu?
Há muitas formas de desfazermos nossos erros e aliviarmos nossas consciências.
A resposta de Leopoldo nos gera grande reflexão.
Nada é acaso e devemos nos lembrar que, de maneira amorosa e pacífica, podemos harmonizar alguns erros do passado sem necessitar, obrigatoriamente, sofrer consequências drásticas.
Mas, se não aceitarmos o que a vida determina, nossa consciência irá nos cobrar de outro modo.
Devemos respeitar todos os nossos ancestrais e lembrar que entre eles estão os negros africanos, pois não somos descendentes unicamente de europeus, orientais e outros.
Temos em nossa origem os negros africanos, e o conhecimento disso tende a mudar a opinião sobre o racismo e o preconceito, transformando muitas ideologias que retractam o negro como criatura inferior, sem alma, como já foi considerado um dia por alguns religiosos.
O desconhecimento desses factos favorece o preconceito e alimenta o racismo.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Fev 17, 2017 10:34 am

Temos que ter uma nova consciência do que é ser negro ou branco e muito respeito aos semelhantes, pois amanhã, na próxima vida, vestiremos uma roupagem de carne negra, amarela, mestiça ou branca, de acordo com a nossa necessidade espiritual, e não vamos nos sentir bem com nenhum tipo de discriminação.
***
Poucos dias depois, Eduardo estava na empresa cuidando de alguns documentos e explicando para a secretária:
- Paula, encaminhe essa documentação.
Ficarei longe por alguns dias e como meu pai já avisou, todos os contractos para análise deverão ser encaminhados ao Aparecido.
- Pode deixar — respondeu enquanto observava o rapaz muito apreensivo.
Eduardo, você ainda não se resolveu com a Helena, não é?
- Ainda não — respondeu respirando profundamente.
Sabe, estou sentindo o mundo pesar sobre minha cabeça.
Mas eu vou resolver isso. Ah! Vou.
— Não queria ser eu a apontar mais problemas, mas... veja, trabalho aqui há algum tempo e começo a entender um pouco de negócios.
O doutor Adalberto comentou vagamente sobre a venda de suas acções, chamou o doutor Guimarães, o advogado dele, para conversarem e, bem, eu não sei se as coisas estão caminhando tranquilamente como você imagina, Eduardo.
— Meu pai não seria louco para vender suas acções e perder a presidência.
Ele ama isso aqui.
Quanto ao Guimarães vir até aqui, isso não me preocupa porque ele não é advogado da empresa.
Sei que auxilia meu pai em seus negócios particulares e... você sabe, esse é um campo que meu pai não abre para ninguém, nem para mim.
Só sei que existe algo errado e isso me preocupa muito, muito mesmo, mas não posso fazer nada.
Ou melhor, faço a minha parte.
— Eduardo, e se, quando você não estiver, o doutor Adalberto fizer alguma loucura, como vender as acções?
Todos temos consciência de que você o reprime muito, de alguma forma.
Talvez a empresa não fosse o que é sem a sua imposição sobre seu pai.
— Qualquer coisa que ele for fazer, comentará comigo, como sempre fez.
— Mas acontece — insistiu a secretária — que eu o vejo em seguidas reuniões, a portas fechadas, com a Natália e... sabe como é...
— A Natália me preocupa.
Ela tem o dom de convencer meu pai a fazer algumas coisas que eu não aprecio nada, nada.
Lembro-me do que fez para conseguir as acções do Osmar e tirá-lo da empresa.
Aquilo foi um negócio sujo.
Ela só gosta de estocar dinheiro lá fora, mesmo que isso prejudique todos nós.
— Você tem provas disso, Eduardo?
— Não. Mas quem é que não sabe o que está acontecendo... caixa dois, compra ilegal de moeda estrangeira...
Eu não sei o tamanho disso tudo, talvez nem meu pai saiba direito.
— A Natália não pode enganá-lo?
Desviar tudo isso para ela de alguma forma?
— Acho que não.
Com dinheiro o senhor Adalberto é atentíssimo, ninguém o engana.
Bem! Quero esquecer um pouco esses problemas.
Tenho que cuidar da minha vida.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Fev 17, 2017 10:34 am

— A propósito, fiz a transferência daquele dinheiro para a conta que você me pediu — avisou a moça.
— Óptimo. Falando nisso, já estava até me esquecendo...
Preciso falar com o advogado para preparar um contrato da academia.
— Esses valores são para a academia do João Carlos?
— São. Estou ajudando ele e, consequentemente, minha irmã.
Eles vão se casar.
Depois de sorrir, afirmou:
— Fico feliz por ver a Erika bem.
Só não posso esquecer de documentar esses valores injectados na academia.
— Estou frequentando a nova academia que ele abriu.
Ou melhor, vocês.
O João Carlos é uma óptima pessoa.
É daqueles que a gente sabe que pode confiar.
— Podemos confiar, mas é importante uma documentação justa, muito bem-feita, para garantir ambas as partes.
— Sem dúvida — afirmou a secretária.
Depois avisou:
— Vou ver com um dos advogados da empresa o contrato adequado, depois telefono avisando.
— Obrigado, Paula.
Isso vai me ajudar muito.
Agora tenho que ir — disse pegando uma pasta para sair.
—Boa sorte, Eduardo.
Tudo vai se resolver, tenho certeza.
Ele parou próximo à porta, sorriu demonstrando certa amargura no olhar, depois pediu:
— Reze por mim, estou precisando.
— Pode deixar.
Vibrarei por você.
Eduardo se foi.
Ele pretendia ir até a casa de dona Júlia para ver como Helena estava e tentar, mais uma vez, falar com ela.
***
Era quase hora do almoço e Juliana, concentrada em alguns projectos de decoração, estava em seu estúdio atenta ao seu trabalho quando a amiga e sócia avisou:
—Juliana, visita pra você!
Quando ergueu o olhar em direcção ao hall principal, Juliana viu Miguel, que a observava.
—Oi, Miguel! Tudo bem?! — exclamou levantando-se e indo em sua direcção.
Beijando-a no rosto, exibindo pouco ânimo, o rapaz respondeu:
—É... quase tudo.
—Venha, sente-se aqui — convidou, levando-o até uma pequena sala.
Já acomodado em um sofá diante de Juliana, Miguel mostrava-se apreensivo, quase nervoso.
— O que foi, Miguel?
Olhando-a nos olhos, ele revelou:
— Agora eu tenho certeza.
— Do quê?
— A última vez que conversei com a Suzi foi naquele dia lá em casa.
Você lembra, né?
—Sim, claro.
—Fiquei atrapalhado, não queria nem olhar para ela e perder a razão, mas precisava ter certeza o quanto antes, entende?
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Fev 17, 2017 10:34 am

Então, na segunda-feira, liguei para a Suzi e avisei que iria viajar para o Paraná a serviço.
Isso me garantiria algum tempo sem dar satisfações.
Aí, conversei com um colega sobre o assunto.
Como ele é de confiança, contei tudo e pedi para que a seguisse.
—E aí? — perguntou Juliana com grande interesse.
Em baixo e pausado tom de voz, ele prosseguiu:
—Não deu outra. O Eduardo estava certo.
A Suzi trabalha em uma casa nocturna.
É um lugar de alto estilo, muito caro, bem luxuoso.
Ela é garota de programa.
—E a faculdade?
—Ela também faz faculdade, que deve pagar com o que ganha nesse lugar onde só se encontram moças jovens, geralmente universitárias, que sabem falar dois ou três idiomas.
São prostitutas finas, muito bonitas e educadas.
Juliana ficou boquiaberta diante da revelação.
Seus olhos aveludados se estatelaram fixos em Miguel, exibindo espanto.
Após o longo silêncio que se fez, ela falou como se desabafasse:
—Desgraçada!
Ainda tranquilo, apesar de apreensivo e amargurado, Miguel completou:
- Essa qualificação é muito honrosa para ela.
- Desculpe-me, Miguel.
Eu nem deveria ter dito isso.
Mas o que você vai fazer?
— Vou até esse lugar no dia de sua escala de serviço.
Quero encará-la nos olhos.
— Não faça nenhuma besteira, Miguel.
Pelo amor de Deus! — desesperou-se Juliana.
Acho bom você nem ir.
— Não se preocupe, não quero estragar minha vida. — disse Miguel.
E desculpe-me por vir aqui conversar com você.
Estou arrasado. Tenho vontade de estrangular a Suzi.
—Mas você não vai fazer isso. Certo?
—Você não imagina, Juliana, como é ser traído.
Pior, enganado como se eu fosse um idiota.
Até quando ela pensou que levaria adiante essa mentira?
—Calma, Miguel, esses sentimentos vão passar.
—Que ódio! Que vergonha! — afirmava num gesto nervoso enquanto passava as mãos pelos cabelos.
Todo mundo viu algo estranho nela, só eu que não e, pior, não acreditei quando me falaram.
Posso fazer uma pergunta?
Observando que o amigo ergueu o olhar brilhante e triste, ela indagou:
— Você ama a Suzi? Ou amou?
Após certa demora em que parecia analisar os próprios sentimentos, ele admitiu:
—Para dizer a verdade, acho que não.
Gostei muito dela, posso negar.
Mas acho que eu estava preocupado com o rumo da minha vida, querendo alguém fiel, que me entendesse, que transmitisse tranquilidade...
Talvez eu tenha me impressionado por sua beleza, seus lindos olhos claros, seu corpo, seu modo simples e gracioso... tudo falso.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Fev 17, 2017 10:35 am

Agora vejo que sua delicadeza e seu sorriso treinado e discreto faziam parte de seus planos sórdidos para se mostrar como alguém que pudesse me agradar, ou melhor para se encaixar naquilo que um homem procura.
Como fui imbecil.
Depois de um gesto de enfado, Miguel concluiu:
-— Só quero olhar em seus olhos por uma última vez, nada mais.
Vou até essa casa nocturna com esse objectivo.
—O que vai dizer para sua mãe?
— Não sei. Acho que não vou contar nada.
Já basta a Helena saber.
Coisa ruim não se comenta.
Quando minha mãe perceber que ela não está mais indo lá em casa, tenho certeza de que não vai perguntar, vai é dar graças a Deus.
— Não vá sozinho num lugar desse.
Peça para meu irmão ir com você.
—Será que ele vai?
—Certamente que sim.
O João Carlos é uma pessoa muito pacífica.
Ele será uma boa companhia para não deixá-lo se alterar.
Eu e a Erika ficaremos esperando vocês num lugar próximo, se você quiser.
—Estou arrasado, mas tenho que terminar com isso.
—Você tem muita coisa para fazer na sua vida.
Não se deixe abater por isso.
Erga a cabeça, Miguel.
Levantando-se, Juliana estendeu-lhe a mão e convidou:
— Venha, vamos almoçar.
Conheci um restaurante japonês óptimo.
Segurando na mão da amiga, Miguel sorriu e desculpou-se:
— Se você não se importar, queria ir a outro lugar.
Não aprecio comida japonesa.
— Sem problemas!
Iremos então a uma cantina italiana! - anunciou sorrindo com ânimo.
Sentindo-se amargurado, quase vacilando, Miguel puxou Juliana para um abraço forte, onde se recostou em seu ombro tal qual alguém que procura carinho e abrigo para um coração carente.
Juliana correspondeu-lhe com meiguice, afagando-lhe com cuidadoso carinho.
Sentia muito por ver Miguel naquela situação, porém o amava e não podia negar a grande satisfação de poder abraçá-lo como naquele instante, apesar das circunstâncias.
E foi com sua graciosa desenvoltura e sorriso optimista que cuidadosamente o afastou de si, beijou-lhe o rosto e propôs animada:
- Ei! Nada de melancolia!
Somos jovens demais para isso.
Não vamos ficar aqui envelhecendo enquanto morremos de fome.
Com isso ela conseguiu roubar-lhe um largo sorriso, e mais animado ele pediu:
— Então vamos logo.
Ao lado de Juliana, Miguel começou a reparar que encontrava duas coisas: fidelidade e paz.
A amiga sempre era sincera com suas opiniões, e isso para ele era algo muito importante.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Fev 17, 2017 10:35 am

28 - TRAMAS CRUÉIS

Apesar de tudo que começava a acontecer com Gilda, incansavelmente ela procurava um meio de afastar Erika de João Carlos.
Inconformada com a situação, conversava com a amiga:
— E muita ousadia ver minha filha viver com aquela coisa.
Maldita abolição! — gritou revoltada.
Ninguém merece isso!
Principalmente eu, Gilda Brandão, loira, linda, olhos azuis, descendente legítima de poloneses e irlandeses, raça pura!
Não posso acreditar que tenho que ver minha filha com aquilo.
Olha, Marisa, se eu sonhasse que iria encontrar com eles, jamais teria saído de casa naquele dia.
— Não quero envenená-la, mas sei que eles estão pensando em casamento.
Pelo menos é o que comentam na academia.
— Nunca! Prefiro morrer a ter que ver um negro na minha família!
— A senhora chamou, dona Gilda? — confundiu-se a empregada com voz e modos tímidos.
— Lave os ouvidos, estrupício!
Quem foi que a chamou aqui?! — gritou a dona da casa enfurecida.
— E que eu pensei que...
— Você não pensa, Sónia.
Procure se lembrar disso.
Você não tem o direito de pensar — respondeu nervosa e extremamente mal-humorada.
Atenda somente as minhas ordens, entendeu?!
— Sim, senhora — respondeu humilhada, quase chorando. — Com licença.
-Imprestável! — reclamou Gilda após a moça ter saído.
Marisa, que gargalhava e se divertia com a cena, logo perguntou :
- O que você pretende fazer?
—Separá-los de uma vez por todas.
Só que para isso vou precisar novamente da sua ajuda, queridinha....
—Mas o que você tem em mente, Gilda?
-Arrume, como daquela outra vez, alguém que aceite fazer um serviço completo.
Eu pago bem. Muito bem.
—Gilda!!!
- Não me importo.
Quero de uma vez por todas esse cafajeste longe da minha filha.
Definitivamente! Quero que ele suma da face da Terra.
Que botem fogo nele, mas que sumam com o sujeito e a sua laia.
— Nossa, Gilda — tornou a amiga mais séria.
Agora você está me assustando. Nunca a vi assim.
— Ah! Meu bem!
Você não imagina do que eu sou capaz quando quero uma coisa.
Outra que está me dando nos nervos é a Helena, que fica fazendo o maior charme para que o Eduardo não saia daquela casa.
Você acredita que ele foi capaz de pedir férias na empresa para correr atrás dela?!
— Espera, Gilda! Lembrei-me de uma coisa.
A Helena não teve um namorado antes do Edu?
E se você encontrasse o fulano e armasse uma?
Gilda, que andava de um lado para outro, parou, virou-se para a amiga e, com olhos brilhantes e um largo sorriso, admitiu:
— Sabe, até que você é inteligente, Marisa!
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Fev 17, 2017 10:35 am

Que ideia magnífica!
Estou me lembrando de que, um tempo atrás, quando a Bianca esteve aqui, ela contou que a tia estava triste porque havia terminado com o namorado.
Disse que o rapaz não queria saber de trabalhar e... parece que também não queria deixá-la.
- Eu me lembrei desse assunto, por isso falei.
- Esse moço será um óptimo aliado, tenho certeza.
- Faça algo antes que a sua sobrinha Verinha revele o que vocês planejaram.
— A Verinha?! Nunca!
Aquela é das minhas.
Essa menina deveria ter nascido minha filha.
A propósito, tenho que dar um jeito, através da Bianca, de saber o nome do ex-namorado da Helena e onde ele mora exactamente — planeava Gilda com uma luz sarcástica no olhar e sustentando um sorriso cruel nos lábios.
E você vai me ajudar, Marisa.
— Eu?!
***
Enquanto Gilda e Marisa teciam suas tramas maquiavélicas, Eduardo tentava conversar com Helena, que, ainda um tanto arredia, quis ouvi-lo somente naquele dia.
—Helena, não tenho como provar minha inocência.
A minha prima é uma louca, creio que dificilmente dirá a verdade.
Ela sempre quis nos separar, você sabe disso.
Só não entendo por que não acredita em mim.
Sem encará-lo, Helena comentou com voz amarga:
— Eu mesma os vi deitados na sua cama.
Isso não sai da minha cabeça.
Eu já lhe disse isso. Estou magoada...
O que você quer que eu pense?
— Que a Vera armou tudo isso!
A propósito, Helena, o que a fez ir à minha casa aquela hora da manhã?
Após pensar, ela decidiu explicar:
—Uma pessoa me disse que você e sua prima têm um caso há longo tempo.
A princípio não acreditei, mas fiquei chateada com a história, e naquela manhã recebi um telefonema dizendo que se eu quisesse ter certeza disso era para eu ir até sua casa que poderia pegá-los juntos.
Nitidamente nervoso, sentindo-se injustiçado, Eduardo se levantou e precisou de muita força para não perder o controle:
—Por que você não me contou?
— Queria ter certeza — respondeu Helena mecanicamente sem exibir qualquer sentimento.
— Quem foi? — perguntou agora mais firme ao perceber sua indiferença.
Quem foi que armou toda essa sujeira?
Enquanto isso, na espiritualidade, Nélio envolvia Helena com desânimo e apatia.
- Pouco te importas quem o tenha desmascarado — falava espírito Nélio.
O facto é que tu, Helena, já sabes que ele tem por ti pouco interesse.
Em breve, abandonar-te-á.
Traíste-me e há de experimentar o abandono e a tortura que vivi quando outrora cometi tal desatino.
Impaciente, Eduardo segurou firme no braço de Helena fazendo-a encará-lo e, procurando controlar sua indignação, perguntou:
- Por favor, Helena, quem foi que telefonou para você?
É óbvio que a Vera não faria isso sozinha. Quem foi?
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Fev 17, 2017 10:35 am

— Prometi que não contaria — disse simplesmente cega para a verdade.
Agora, tomado de uma sensação enervante, Eduardo reagiu com veemência:
— Onde está aquele amor que você dizia sentir por mim?
Acorde para a realidade, Helena!
Você me conhece bem, eu sempre disse que poderia confiar em mim em qualquer situação, mas agora prefere acreditar numa cilada, num plano sujo, sórdido, que armaram contra nós!
— Para que eu vou ficar querendo provar isso ou aquilo?
Você vai me deixar mesmo.
Tenho é que me conformar com a minha situação — respondeu nervosa enquanto as lágrimas corriam em sua face pálida.
Não estou aqui para perdoá-lo hoje e amanhã ou depois pegá-lo novamente na cama com outra mulher.
Estou decepcionada com você.
Abaixando-se próximo dela, Eduardo disse firme:
— Olha bem pra mim.
Que história é essa de estar decepcionada comigo?
Estou aqui querendo provar a verdade e você não me dá nenhuma chance para isso porque prometeu
segredo a uma pessoa que talvez nem conheça direito! – logo prosseguiu:
- De onde é que tirou a ideia de que vou deixá-la, abandoná-la?
Sabe Helena, até com um psicólogo eu já fui conversar, pois sei que algumas mulheres grávidas sofrem certo grau de rejeição pelo pai do bebé, mas parece que esse não é o seu caso.
Eu não sei, não entendo o que está acontecendo com você, mas uma coisa estou percebendo:
parece que você não me ama mais ou então não me ama como dizia, como eu pensava.
Quero desmascarar toda essa armação feita pela Vera e sei lá por quem mais, quero que acredite em mim, mas a única pessoa que poderia me ajudar é você, e você se nega.
—Confiei em você e fui traída! — quase gritou.
— Deixe-me provar o contrário, então!
Diga quem foi que telefonou e ajudou a Vera com essa mentira!
— Não estou só falando disso.
Eu não queria estar grávida.
Não queria passar por essa vergonha — confessava entre o choro e os soluços, que lhe entrecortavam as palavras, enquanto secava o rosto com as mãos.
Eu falei pra você, disse que tinha medo de uma gravidez, disse que não queria, mas não... você me convenceu... me seduziu...
— Não estou entendendo — interrompeu perplexo.
Você está me acusando, me punindo porque está grávida? Helena, eu...
— Eu sempre tive medo. Não queria isso.
Sinto vergonha da minha família... não quero e não vou trabalhar, nem mais sair na rua...
— Lena, espere aí — tentava entender sentando-se ao seu lado e procurando ser amável no tom de voz —, você está assim porque não queria a gravidez? — perguntou experimentando um sentimento estranho, um misto de piedade e surpresa.
— Você disse que não teria problemas, para eu confiar em você. Confiei e agora?
— Lena, meu bem, calma — pediu acariciando-lhe os cabelos e afagando seu rosto.
Veja...
— Não me toque! — disse irritada, afastando-se.
— Tá. Tudo bem — falou confuso e respirando fundo tentando pensar.
Após alguns segundos, esclareceu:
— Lena, eu pedi que confiasse em mim e não estou fugindo da minha responsabilidade.
Eu a amo — declarou-se com jeito meigo e olhando-a nos olhos —, quero você e o nosso filho.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Fev 17, 2017 10:35 am

— Eu não queria que fosse assim.
Não queria ficar grávida.
Não solteira. Todo mundo vai falar...
- Que se dane todo mundo!
Ninguém tem nada a ver com isso.
É a coisa mais normal hoje em dia.
- Mas eu não queria que fosse assim!
- Mas a culpa não foi minha.
Você sabe... acontece.
O preservativo rasgou.
- E se fosse uma doença?
E se um de nós estivéssemos com AIDS, hein?
Além disso, você só pensava na protecção para evitar uma doença ou uma gravidez, mas onde fica a nossa responsabilidade moral?
Como acha que me sinto moralmente, psicologicamente, hein?
—Eu não vou abandoná-la.
Podemos procurar ajuda com um psicólogo, se você aceitar.
Não estamos doentes e um filho não é uma doença.
Decorridos alguns minutos, ele afirmou:
— Não sei mais o que falar.
Só peço que acredite em mim.
—Nunca mais! — dizia ainda chorando.
—Sei que esses seus sentimentos vão passar.
Tenho certeza de que são temporários e eu serei tolerante, mas, fora isso, Lena, por favor, me conta quem telefonou pra você?
—Vá embora, Eduardo, por favor.
Vendo-a chorosa e muito abalada, ele acreditou que fosse melhor deixá-la sozinha, pois ela havia se alterado muito e estava nitidamente perturbada.
—Está bem, eu vou.
Mas pense no que conversamos.
Após observá-la por alguns instantes, afagou-lhe os cabelos,
abaixou-se e ao beijá-la rapidamente no rosto ela virou de maneira lenta, como se quisesse recusar o carinho.
Ao vê-lo sair, Helena chorou compulsivamente.
Naquele instante, os espíritos Leopoldo e Lara acompanhavam os acontecimentos.
Como é lamentável ver alguém tomar decisões e transformar o próprio destino por se deixar levar pela obsessão espiritual — comentou Leopoldo.
Por que ela não quer a gravidez?
Por acaso trata-se de um espírito indesejável?
—Não. Não nesse caso.
Acontece que Nélio vem lhe imprimindo ideias e imagens de uma experiência passada, época
em que uma moça solteira grávida era um escândalo.
Devemos lembrar que Helena, nessa época, foi difamada e sofreu muito por isso.
Agora, inconscientemente, experimenta os temores da época e não consegue distinguir a realidade presente da vida passada.
Ela tem vergonha da própria família, não vai ao trabalho só sai de casa à noite para ir ao centro espírita, tudo isso são sequelas que vieram à tona pelas impressões que Nélio constantemente lhe passa.
— E vai ficar assim? Não podemos interferir?
— As palestras que ela vem assistindo, os passes que recebe e a assistência espiritual a que se propôs já estão ajudando.
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Ave sem Ninho

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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Fev 17, 2017 10:36 am

— Desculpe-me, Leopoldo, mas não vi progresso algum.
— Observe que ela conversou com o Eduardo hoje, coisa que antes não queria.
Além disso, confessou a ele os seus medos, a sua vergonha.
Pode parecer que não, mas isso já é um progresso sim.
Se bem que, a meu ver, Helena está excessivamente fragilizada, e isso pode lhe trazer alguns problemas.
— O Eduardo é muito amoroso, compreensivo, porém nunca pensei que pudesse vê-lo implorar tanto pelo amor de uma mulher.
Esse não é o perfil do meu irmão.
— Num passado distante, quando Helena não aceitou ser amante de Nélio, apareceu um rapaz interessado nela, como eles diziam, um rapaz que a cortejava.
Só que as difamações sobre a moral de Helena, feitas por Nélio, afastaram esse rapaz, que não acreditou na verdade que ela contava.
— Esse moço era Eduardo?
— Sim. Era Eduardo.
Helena implorou para que a ouvisse e acreditasse nela, mas ele não quis saber.
E é por isso que hoje é ele quem implora atenção, se humilha para que ela acredite na sua versão.
Foi somente depois que ele desencarnou que se arrependeu do que fez, da importância que deu a algo irrelevante, a uma mentira criada por Nélio.
— E o Nélio? Como ficará hoje?
Continuará atrapalhando o progresso dos dois?
— Estão tomando providências quanto ao seu assédio nocivo.
—O que vai acontecer com ele? — perguntou com muita curiosidade.
— No momento certo você saberá.
— Vão reencarná-lo como filho de Helena futuramente? — tomou, não se contentando.
O instrutor quase gargalhou ao responder:
-Que mania é essa de pensar que todo obsessor reencarna
como filho? Claro que não é isso o que acontece.
Daqui a pouco todo mundo vai olhar para os filhos e achar que esses são algozes do passado e ao invés de amá-los vão odiá-los.
Não se pode pensar assim. Cada caso é um caso.
Talvez um dia, em uma futura reencarnação, Helena até possa recebê-lo como filho, mas isso se ela estiver preparada, fortalecida e se ele ainda precisar.
Um filho, Lara, é uma bênção, não um castigo.
Quando recebemos como filho um espírito ainda embrutecido, ignorante ou que ainda tem algo de importante para aperfeiçoar e harmonizar, isso ocorre por amor, por acréscimo de misericórdia, e, na maioria das vezes, são os pais que solicitam esse reencontro, essa harmonização, para oferecer oportunidades, ensinamentos e amor.
Só recebemos um filho difícil quando temos força interior e capacidade para orientá-lo.
Se não o fazemos é por outro motivo, principalmente por má vontade ou embrutecimento do próprio espírito ou até do nosso.
"Deus não coloca fardos pesados em ombros frágeis."
- Há casos de pais que recebem esses espíritos difíceis
como filhos sem ter solicitado isso?
- Há sim. Em caso de expiação.
Quando você induz alguém ao erro, o faz cometer crimes, provoca vício de qualquer espécie, cria vínculos com esses espíritos e há de recebê-los bem próximo, de algum jeito, provavelmente como filhos.
Então, veja, não é o caso de Helena e Nélio.
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Ave sem Ninho

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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Fev 18, 2017 9:55 am

Ela não o prejudicou nem o induziu ao erro.
Pode-se dizer que Helena não tem acerto algum para ele.
- E quanto ao bebé que ela espera?
O que você pode dizer Ah!
Essa sim é uma criatura linda, maravilhosa.
Alguém especial na vida de ambos no passado, e que agora, como bênção, lhes pede a oportunidade de viver entre eles.
Se Helena soubesse de quem se trata, não ficaria assim, negando-se à gravidez inclinando-se ao aborto.
— Mas ela não quer praticar o aborto.
Quando lhe foi perguntado, ela se negou terminantemente.
— Não querer ser mãe quando se está grávida é uma forma de dizer sim ao aborto, mesmo que não pense em cometer o acto.
É um crime rejeitar a gravidez; você estará rejeitando uma dádiva divina, a vontade de Deus.
— Mas ela está sob a influência de um obsessor — defendeu Lara.
—Nesse caso, há um atenuante a favor de Helena.
Mesmo assim, ela prejudica o espírito que aguarda o reencarne, ou seja, prejudica o seu próprio filho com suas vibrações de rejeição por se negar à maternidade.
Esse tipo de atitude pode prejudicar até a formação física e mental do bebé.
Agora vamos, temos que nos encontrar com os demais, já demoramos muito.
* * *
Ao mesmo tempo em que os espíritos Lara e Leopoldo teciam aqueles comentários, Eduardo e dona Júlia conversavam na sala.
— Tentei de tudo, dona Júlia — dizia o rapaz desanimado que estava sentado no sofá e com o olhar perdido em algum lugar no chão.
Eu preciso, quero esclarecer essa situação.
Encarando-a na esperança de conseguir seu apoio, Eduardo falou:
— Preciso que a senhora acredite em mim, dona Júlia.
Não vi minha prima naquele dia, isso tudo foi armação.
— Não sei por que, filho, mas acredito em você.
Só acho que vai ser difícil provar toda essa sua versão pra Lena.
— Se a Lena me disser quem telefonou para ela, eu provo.
Vou até o inferno para fazer essa pessoa falar.
Conhecendo-me do jeito que ela conhece, não entendo por que não acredita em mim e não me quer a seu lado nem pintado de ouro.
— Isso pode ser coisa de mulher grávida. Vai passar.
— Quando, dona Júlia?
- Filho — disse tomando as mãos do rapaz entre as suas.
Tenha paciência, Eduardo.
Você viu, hoje ela já conversou com você, mesmo que tenha gritado, chorado e tudo mais... mas já o recebeu.
Isso passa, você vai ver.
O rapaz estava com o coração apertado e deixava transparecer seu desânimo
- Essa história de que vou abandoná-la, de que vou traí-la, não é verdade, dona Júlia.
Adoro sua filha.
Em nenhum momento eu disse que não assumiria nosso filho ou que não iria me casar com ela.
— Eu sei. Por isso falei que é coisa de grávida.
Não sei de onde a Helena vem tirando algumas ideias.
Ela anda deprimida, só sai de casa para ir ao médico e ao centro com a Juliana.
O que vem lhe fazendo algum bem.
Mesmo assim não quer conversar nem receber as amigas.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Fev 18, 2017 9:55 am

—E o serviço dela, como ficou?
—Está de licença médica — esclareceu a senhora com semblante aborrecido.
O Miguel cuidou da documentação.
Ela teve uma daquelas crises de choro na sala do médico.
Falou em pedir as contas porque não quer ver mais ninguém do serviço. Veja se pode!
Olha, Eduardo, nunca pensei que a Helena fosse me dar esse trabalho.
Ela sempre foi tão ajuizada, responsável...
Nunca faltou no serviço.
Estou começando a acreditar mesmo no que a Juliana fala.
- Como assim?
Ela sempre diz que devemos nos voltar a Deus, nos socorrer nos ensinamentos de Jesus.
Creio que preciso reflectir um pouco mais sobre isso.
Em outras palavras, preciso rezar, pedir torças para suportar essa situação, pedir para que me ajude a esclarecer tudo isso.
- Por que você não vai assistir às palestras com elas?
- Acho que vou mesmo, se a Lena não se incomodar com a minha presença, claro.
Não quero que se irrite mais comigo.
- Fale com a Juliana.
Ela tem um jeitinho todo especial de convencer a Helena.
Eduardo sorriu mecanicamente e não disse nada.
Seus olhos claros exprimiam uma melancolia indizível por tudo o que estava acontecendo.
No entanto, só lhe restava aguardar.
***
Os dias foram passando...
Certa madrugada, Juliana e sua mãe acordaram com o soar estridente da campainha. Receosas, espiaram para ver quem poderia ser antes de abrir.
— E o Miguel, mãe! — reconheceu a moça que rapidamente abriu a porta para recebê-lo.
— Miguel?! — disse ao se aproximar.
— Oi, Juliana. Desculpe-me pela hora... — cumprimentou meio atrapalhado.
Nem me lembrei de telefonar.
— Entra, Miguel.
Vamos conversar lá dentro, aqui está muito frio.
Ao ver que havia acordado dona Ermínia, ele se desculpou envergonhado.
— Perdoe-me, dona Ermínia.
Eu precisava conversar com a Juliana.
E muito importante.
— Você está entre amigos, meu filho.
Está tudo bem. Vou fazer um chá para nós.
— Vai se deitar, mãe. Nós vamos conversar um pouco.
— E lógico que vou me deitar, mas antes quero garantir meus pés quentinhos — sorriu graciosa —, e nada melhor do que um chá ou um leitinho quente, não é mesmo?
Ao se ver a sós com o amigo, Juliana perguntou apreensiva:
—O que aconteceu, Miguel?
O nervosismo o fazia tremer enquanto seu semblante acentuava nítida revolta com um misto de raiva.
Ele não conseguia esconder a amargura e, com a voz trémula, esclareceu:
—Fui até onde a Suzi trabalha, ou melhor, se vende.
- Miguel!!! — exclamou perplexa.
Mas nós não combinamos que...
- Ora, Juliana. Como vou pedir isso para o seu irmão?
A princípio me pareceu uma boa ideia, mas depois, quando parei para pensar...
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Fev 18, 2017 9:55 am

Não tem cabimento.
Onde fica meu orgulho? Meu carácter?
Não quero que mais ninguém saiba disso.
-Tudo bem — tentou acalmá-lo.
Você tem razão, mas... o que aconteceu?
-Acabei de sair de lá agora.
Estava confuso, desorientado
e lembrei-me de você.
Não queria chegar em casa desse jeito.
Miguel estava ofegante e com um suor frio gotejando em seu rosto pálido exibindo-se inquieto.
—Tome esse chazinho, meu filho — ofereceu a dona da casa.
Juliana rapidamente olhou para sua mãe e, sem que o amigo percebesse, fez-lhe um sinal, pedindo para que os deixasse a sós.
— Obrigado, dona Ermínia.
Eu não queria dar trabalho.
—Ora, Miguel! Que trabalho?
Só que você vai me dar licença, não gosto muito do frio e, se não se importar, prefiro ir me deitar.
A Juliana será óptima companhia.
—Pretendo ir embora logo.
Ora, o que é isso? Hoje já é sábado!
Ninguém trabalha. Agora, boa-noite.
Boa-noite, dona Ermínia.
Depois de respirar profundamente, ele ergueu a cabeça, ajeitando-se melhor.
Você não imagina como estou me sentindo — comentou com um suspiro.
—Então é verdade mesmo?
- Cheguei no lugar como um cliente.
Acomodei-me num canto onde, com pouca luz, poderia ficar mais tempo observando par procurá-la.
Não demorou muito e... tive vontade de matá-la, seus olhos se encheram de lágrimas e ele silenciou.
Paciente, Juliana não dizia nada.
Sabia esperar.
-Quando a vi sorrindo — continuou —, se encostando nos clientes... sabe...
Tomando coragem, confessou:
—Na verdade, tenho vergonha de contar até pra você o que vi.
Desgraçada! Cachorra!
Quando a conheci, pensei ter encontrado uma garota decente, honesta, fiel, mas não...
Havia encontrado um bicho, um monstro, e não me dei conta.
Agora, encarando a amiga, comentou mais calmo:
— Sabe, Juliana, se ela tivesse me contado a verdade, se me dissesse "Olha, não tive alternativa na vida, por isso... mas quero mudar, quero ser gente".
Mas não, ela foi sórdida, nojenta.
Não é fácil você lembrar que esteve com alguém, que abraçou e beijou...
—Calma, Miguel. Não fique assim.
Com a testa franzida, ele contou:
—Depois de muito tempo assistindo-a a certa distância, pedi a uma outra garota para chamá-la.
Quando a Suzi se aproximou e me reconheceu, tomou um susto e gritou meu nome.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Fev 18, 2017 9:56 am

—E você, o que fez?!
— Levantei-me da mesa, peguei certo valor em dinheiro e coloquei em sua roupa, depois disse:
"Acho que esqueci de pagá-la pelo tempo que ficamos juntos.
Tchau". Virei as costas e vim parar aqui.
— Graças a Deus!
Do jeito que você está fiquei morrendo de medo que tivesse feito alguma loucura.
Parecendo nem ouvir o que Juliana dizia, pois estava revivendo o acontecimento, Miguel falou:
— Você acredita que ela ainda correu atrás de mim?
— E você?
— Nem olhei. Nunca mais quero vê-la.
— Foi a melhor coisa que poderia ter feito.
—Juliana — pediu com jeito piedoso —, não comente nada disso com ninguém, tá?
—Claro que não, Miguel.
Miguel sentia-se mais seguro ao lado da amiga, apesar de estar muito magoado.
Queria ser consolado, entendido, desejou ser abraçado por Juliana.
Parecendo ler seus pensamentos, a amiga ofereceu um sorriso generoso, sentou-se ao seu lado e o puxou para um abraço enternecido, confortando-o em seu ombro amigo.
Lentamente Miguel sentiu que todo aquele forte mal-estar ia se desfazendo.
Ele silenciou enquanto Juliana lhe fazia um carinho e lhe dizia palavras de esperança, optimismo e incentivo.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Fev 18, 2017 9:56 am

29 - A VERDADE SEMPRE APARECE

Após semanas dos últimos acontecimentos, Gilda, extremamente nervosa, procura por sua amiga Marisa.
Com seu jeito tempestuoso, vociferou com toda força de seus pulmões ao adentrar na sala da amiga.
— Vou cometer um triplo homicídio!!!
— Credo, Gilda!
O que aconteceu?! — assustou-se Marisa.
— Vou assassiná-los! Trucidá-los!
Queimá-los vivos! — gritava a amiga que andava agitada de um lado para outro da sala, igual a uma fera enjaulada.
Você não sabe, nem pode imaginar!
Desgraçado! Eu mato aquele infeliz!
—Calma, Gilda! Fala o que aconteceu.
—Jóias e mais jóias, dólares e mais dólares!
Meu, tudo meu! — reclamava inconformada, até que parou e, com os olhos esbugalhados, esclareceu:
— Há mais de uma semana o Adalberto não vai para casa.
Isso é muito comum quando brigamos, e pensei que dessa vez ele voltaria com o rabo entre as pernas, igual a um cachorrinho, como sempre faz.
—E ele não voltou?
— Achei que estava demorando muito e tentei entrar em contacto com ele pelo celular, e sabe o que ele me falou?
Que eu me virasse, que me considerasse divorciada.
— E não era isso o que você queria? — tornou a amiga com simplicidade e certa falsidade oculta no tom amável de voz.
—Só que eu soube que o Adalberto vendeu todas as suas
A empresa, a minha empresa, não nos pertence mais - Começou irritada, quase gritando.
O idiota do Eduardo não estava lá nem ligou para o que estava acontecendo na companhia.
Sabe por quê? Porque estava correndo atrás da desgraçada da Helena.
Então, aproveitando sua ausência, o Adalberto vendeu sua parte na companhia.
O pior não é isso, o imbecil vendeu as acções por uma ninharia e disse que decidiu se aposentar e ir embora do Brasil.
Até aí, tudo bem, pode parecer patético me ver pensando assim, mas o principal você não sabe!
—O que é, Gilda! Fala! — perguntou aflita.
—Por conta da venda das acções, pensei em me vingar dele e denunciá-lo à Polícia Federal, que ficaria muito interessada nas falcatruas do meu marido.
Eu iria falar de toda a sua vida criminosa, como remessa irregular de dinheiro para bancos estrangeiros, sonegação de impostos... tenho os comprovantes dos depósitos e o número das contas nos paraísos fiscais, a documentação completa da movimentação do Caixa Dois que consegui furtivamente, balanços fraudulentos e muito mais...
Mas aí pensei: se eu fizer isso, vão confiscar tudo, até o último centavo do meu dinheiro.
Não! Não posso ficar sem nada. Então pensei
relatava agora com mais calma —, tudo o que é do Adalberto é meu.
Sempre tivemos sociedade em tudo, até na compra de moeda estrangeira ilegal que guardamos em casa, as contas sempre foram conjuntas.
Sabe o que isso quer dizer?
—O quê?
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

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