Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Fev 18, 2017 9:56 am

- Que posso pegar todo o restante para mim.
Posso transferir o dinheiro das contas que estão nos bancos estrangeiros, irar todo o dinheiro do meu cofre em casa e, então, o meu esperto marido vai ter que sobreviver com o que lhe resta da miserável venda das acções, certo?
—É lógico, Gilda.
Isso é o melhor a fazer.
- Então recebi a noticia do divórcio com muita alegria, pois eu iria , o mais rápido possível, pôr as mãos nos mais de cinquenta milhões de valores que temos só nos bancos estrangeiros, sem esperar a partilha.
Ele não poderia exigir nada, é dinheiro ilegal.
Pensei então em começar pelo cofre da minha casa.
—E foi o que você fez, não foi?
Gilda parou, seus olhos brilhavam enfurecidos quase em lágrimas pelo ódio que sentia, e revelou:
—Meu cofre estava vazio. Totalmente vazio.
Descobri que minha casa está hipotecada, pois o Adalberto tinha uma procuração minha que lhe dava esse direito.
E todos os valores, nos bancos estrangeiros, sumiram, desapareceram.
Marisa deixou-se cair estatelada no sofá e, boquiaberta, não disse nada.
— E ainda tem mais — confessou Gilda, agora com mais calma, quase fria.
Sabe quem foi que ajudou o Adalberto a me dar esse golpe?
— Quem?
— A Natália.
Amiga, advogada e directora financeira da minha empresa.
— Você está brincando?!
— Não. Não brincaria com algo assim.
Aquela desgraçada me passou a perna.
Há uma semana ela se demitiu e foi quando tudo aconteceu.
Após um intervalo, contou:
— Lembra daquelas jóias que o Adalberto comprou?
Do dinheiro que eu percebia estar saindo furtivamente das minhas contas correntes, e o Adalberto alegava serem gastos com almoços com clientes?
— Era com a Natália que ele gastava?
— Não, meu bem.
Eram para a filha da Natália. A Geisa.
Aquela garotinha que eu achava idiota e que vivia dando em cima do meu filho.
— Mas a Geisa tem idade para ser filha dele!!! — escandalizou-se Marisa.
— E eu não sei!
Só que a Geisa está grávida do Adalberto.
Tanto ela como a Natália e o Adalberto sumiram, desapareceram.
— E o apartamento que o Adalberto estava comprando?
— Nem chegou a comprar.
O investigador que eu contratei para saber quem era a zinha que ele estava sustentando garantiu que ele desistiu do negócio, e que sumiram feito fumaça.
— Gilda! Você está pobre!
— Não se eu matar os três.
O Adalberto, a Natália e a Geisa.
Porque aí meus filhos são os herdeiros.
E eles não vão me desamparar.
— Gilda, falei com o ex-namorado da Helena.
Marquei para vocês se verem hoje.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Fev 18, 2017 9:56 am

— Minha prioridade agora é encontrar o Adalberto.
Desgraçado! Maldito!
Salafrário, ladrão de uma figa!
A amiga se levantou e, com certos gestos cautelosos, perguntou, dissimulando suas verdadeiras intenções:
—O que você vai fazer, Gilda?
— Não sei, Marisa — admitiu com certo desolamento no olhar e sentando-se lentamente.
Preciso da sua ajuda.
Eu tinha um fio de esperança de que tudo isso fosse mentira, mas não.
— Não sei como posso ajudá-la.
Você já falou com seus filhos?
— O Eduardo está em choque. Hoje ele foi numa reunião lá na empresa.
Com certeza, por ser filho do Adalberto, ele será demitido.
Devem estar achando que o Edu tem algo a ver com tudo isso por causa do pedido de férias.
Ele me contou que conversou com a Paula por telefone e ela afirmou que as coisas não estão nada bem por lá.
Os outros accionistas estão furiosos.
Foi o concorrente que comprou as acções do Adalberto e ele agora é o sócio majoritário, e ainda juntou tudo com a companhia que já possuía.
Agora o homem quer transferir a empresa para o sul do país.
—Jura?!
—Nem preciso jurar.
Maldito Adalberto, velho babão e decadente!
Ele tinha tudo planeado e escolheu as condições mais propícias para me dar esse golpe. Desgraçado!
Nesse instante o telefone tocou e a empregada as interrompeu.
— Dona Marisa, telefone para a senhora.
— Ah! Um minutinho, Gilda.
Acho que sei o que é.
Em seguida, Marisa afastou-se um pouco, não deixando que a amiga ouvisse do que se tratava.
Voltando após desligar, avisou:
—É o Mário — falou referindo-se ao marido.
Ele quer que eu vá encontrá-lo. Combinamos almoçar juntos.
— E eu estou empatando — disse Gilda levantando-se, pegando a bolsa e alçando-a no ombro.
Já estou indo. Vou ter que aguardar o resultado da reunião que o Eduardo está participando na empresa e, depois, vou pedir para ele que procure um advogado para saber o que podemos fazer.
— Sinto tanto, Gilda — disse Marisa indo abraçá-la comovida.
— Nunca me dou por vencida, meu bem. Aguarde.
De algum modo vou fazer o Adalberto me pagar tudo, tudo mesmo!
Então vá com Deus, minha amiga.
Boa sorte! — despediu-se Marisa com incrível falsidade.
Desconsolada, Gilda se foi com pensamentos revoltados e planos de vingança.
Após sua saída, Marisa chamou a empregada e ordenou:
— De hoje em diante, quando a Gilda telefonar, eu não estou.
Dê uma desculpa, diga qualquer coisa.
Preciso avisar na portaria que não a deixe subir sem a nossa autorização.
— Mas ela não é sua melhor amiga, dona Marisa?
— Não seja atrevida! — reclamou num grito.
Obedeça. Não quero a Gilda nem rondando o condomínio.
Não suporto decadentes.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Fev 18, 2017 9:57 am

***
Tempo depois, já em sua luxuosa mansão, Gilda estava inquieta, andando angustiada de um lado para o outro, quando Bianca, a neta sempre querida, entrou correndo no refinado ambiente:
—Oi, vó! Que bom que você está aqui!
— Bianca! O que você faz aqui? — perguntou Gilda surpresa ao abaixar-se para cumprimentar a menina.
— Ora, vó, você falou que quando eu quisesse vir aqui era só ligar para o motorista ir me pegar.
Como fazia tempo que não me convidava, senti saudade, pedi para o meu pai deixar eu vir aqui sozinha e, pela primeira vez, ele deixou.
Então telefonei para o motorista e ele foi me buscar.
-Ah... sei — respondeu confusa.
— O que você tem, vó?
— Muitas preocupações, Bianca.
A vó está com sérios problemas.
Como toda criança, sem dar atenção ao que a avó falava, Bianca avisou com seu jeito inocente:
— Vó, meu pai vai se casar.
— Casar? O Mauro vai se casar?
— Vai sim. Estou tão contente.
Sabe, gosto muito da Sueli. Ela é tão legal.
Andando de um lado para outro, como sempre fazia quando estava nervosa, Gilda reclamou descontente:
— O que eu fiz, meu Deus, para pagar tanto pecado?!
Voltando-se para a garotinha, avisou:
— Seu pai não tem um pingo de respeito ou consideração pela memória de sua mãe.
Quem ele pensa que é para colocar outra mulher para dentro daquela casa?
— Mas ele já vendeu aquela casa.
Compramos outra bem maior.
Ele vendeu a escola da minha mãe também. Você não sabia?
Gilda arregalou os olhos assustados, e Bianca ainda contou:
— Ele comprou outra casa perto de onde a tia Erika comprou a dela.
— Como assim?
— A tia Erika e o tio João Carlos se casaram, meu tio foi até padrinho.
E eles não queriam ficar morando lá na casa da dona Ermínia, por isso compraram uma casa.
Fica num condomínio, porque a tia Erika queria segurança.
Aí, quando meu pai soube, ele gostou da ideia e deu a nossa casa para pagar um pouco da outra, que é bem do lado da casa da tia Erika.
Gilda, sem que Bianca esperasse, deu um grito estridente, resultado do ódio que sentia.
A empregada veio correndo ver o que havia acontecido.
Ao ver Bianca assustada, parada em frente a avó, Sónia correu e abraçou a menina enquanto Gilda esbravejava:
Vou matar a Erika. Cachorra!
Como ela pôde fazer isso comigo?!
Como? Sujou o meu nome!
O nome da nossa família.
— Calma, dona Gilda. A senhora está assustando a menina.
— Sumam daqui vocês duas! — gritou histericamente.
Apressada, Sónia levou Bianca para a cozinha e, com a outra empregada, ofereceu um copo de água para a garota, procurando acalmá-la.
— Não se assuste, viu, Bianca?
Sua avó está nervosa.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Fev 18, 2017 9:57 am

— Mas ela não precisava falar assim — reclamou a garotinha.
— Isso não foi nada — revelou a mulher.
Se você visse ela falar com a gente...
A Lourdes, a outra empregada, já pediu as contas por isso. Fez bem ela.
— Fica quieta, Jusélia.
Isso não é coisa para dizer à criança.
— Mas é verdade.
Aqui não pára empregada.
Só você pra aguentar tanto tempo.
Além do mais, a menina precisa conhecer a avó que tem.
— Quer um pedaço de bolo, Bianca?
— Não. Minha outra avó também fez bolo hoje.
Eu já comi. Sabe, minha avó Júlia não é assim, não.
Ela não tem empregada todo dia, só uma que vai lá duas vezes por semana, e ela trata tão bem a moça.
— Enquanto essa aí nos trata como escravas.
Você sabe que ela até já me deu um tapa nas costas só porque um móvel tinha pó!
— Fica quieta, Jusélia.
— Não vou tapar o sol com a peneira.
Oh, Sónia, a dona Gilda só trata você aos berros.
Ela prejudica todo mundo, não gosta de ninguém.
— Ela gosta da minha tia Helena.
Ela foi lá visitá-la — disse Bianca com inocência.
Foi pedir para ela voltar a namorar o tio Edu.
— Como é que é? — interessou-se Jusélia.
— A tia Helena está esperando nené e não está muito bem, não.
Ela vive de cama.
E ela não quer mais ver o tio Edu.
Disse que pegou ele com outra moça, e a vó Gilda foi lá pedir pra ela voltar a namorar ele.
Mas ela não quer.
As empregadas se entreolharam, e Bianca ainda comentou:
— Minha vó Gilda gosta mesmo da tia Helena.
— Sua avó foi quem armou para a sua tia Helena pegar o seu Eduardo com outra moça aqui nessa casa.
— Cala a boca, Jusélia! — exigiu Sónia, mais prudente.
Se ela ouve isso...!
— Vou contar tudo. Tudo o que sei.
Vou ser mandada embora mesmo.
Aliás, já arrumei outro emprego, porque essa casa vai desmoronar daqui a pouco.
Você já sabe, não é?
— Mas o meu tio disse que não teve outra namorada e a tia Helena não acredita nele — tomou Bianca que, nesse momento, começou a receber inspirações de Lara.
Esta, na espiritualidade, passou a envolver a filha para que questionasse mais sobre a verdade.
— O seu Edu não teve outra, não.
Só que a sua avó Gilda, no dia da festa havaiana, depois que todo mundo foi embora, fez questão de que o seu Eduardo ficasse tomando suco e conversando com ela lá na sala.
Ficaram lá até as tantas.
Eu vi, com meus próprios olhos, que a dona Gilda colocou algo no suco dele.
Ele deve ter dormido feito uma pedra.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Fev 18, 2017 9:57 am

Depois ela ligou para a amiga Marisa mandando telefonar para a Helena.
Nisso, a Vera chegou.
Daí, quando a Helena chegou, ela tava furiosa e foi directo pro quarto do seu tio e pegou ele dormindo com a safada da Vera.
A sua tia foi embora correndo, e depois, quando fui arrumar lá em cima, também vi a dona Gilda gargalhando com a Vera por tudo o que elas aprontaram.
Foi isso o que aconteceu.
— Dona Ju... — disse Bianca esquecendo-se do nome —, coitada da minha tia, ela não sabe disso e tá doente desde esse dia.
— Pois vai saber, minha filha.
Eu sempre achei sua tia uma boa moça.
Gente educada e simples.
É que o seu Eduardo é legal, porque sua tia não merecia entrar nesse covil.
— O que é covil? — perguntou a garotinha.
Buraco onde fica um monte de bicho bravo, de cobra.
Enquanto elas conversavam, Eduardo chegou e ficou na sala com a mãe.
E aí, Edu? — perguntou Gilda afoita.
Foi aquilo mesmo.
Como eu era funcionário, um mero director, só tenho meus direitos trabalhistas para receber.
- Espere aí! Aquele maldito...
— Não grite, mãe.
Primeiro porque odeio gritos, depois porque não adianta nada.
Já está feito. Além disso, passei a tarde procurando o advogado do pai.
Ele simplesmente sumiu.
— E o seu pai? Soube de alguma coisa?
— Ele, a Natália e a Geisa viraram fumaça.
Creio que já devem estar num avião, ou até bem longe do Brasil.
Mas me diga uma coisa — perguntou firme.
Por que não me contou sobre a compra de moeda ilegal, das contas no exterior, dos dólares e tudo mais?
Como puderam fazer isso?
— O seu pai me traiu.
Aliás, todos nos traíram.
A sua irmã se casou com aquele... aquele...
—Pare com isso, mãe! Deixe a Erika viver em paz.
Virando-se para o filho e encarando-o, Gilda indagou furiosa:
— Então você sabia? — escandalizou-se ela, que logo começou a chorar enquanto falava.
Como pôde deixar que um absurdo desses acontecesse com o nome da nossa família?
Então até você me traiu, me enganou!
Justo você, Eduardo?
— Mãe, acho que você tem coisas mais importantes para se preocupar. Esquece a Erika.
—Jamais! Ela sujou o meu nome. O nosso nome!
Eduardo, depois de respirar fundo, fez um gesto de enfado e virou-se para subir, quando Bianca apareceu novamente na sala.
—Oi, tio?
— Oi, Bia! — cumprimentou-a surpreso, tentando parecer mais calmo.
Você está bem?
— Estou — respondeu, esticando-se na ponta dos pés para beijá-lo.
Eduardo a levantou por alguns segundos e depois de um terno abraço e troca de beijos colocou a menina no chão.
— Você tá bem, tio?
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Fev 18, 2017 9:57 am

— Estou.
— Então você vai me levar embora?
— Oh, meu bem, o tio está tão cansado e...
—Quem sabe você não vai se sentir melhor se sair um pouco.
Pode ir lá e... — disse Bianca.
— Eduardo — interrompeu Gilda abruptamente —, resolva com a Bia como ela vai embora.
Quero falar com você.
Peça ao motorista que a leve.
Se é que ainda temos um.
Virando-se para a neta, curvou-se e beijou-a mecanicamente, dizendo:
— Você vai perdoar a vovó, meu bem.
Estou morrendo de dor de cabeça e preciso me deitar.
— Toma um remédio, vó.
— Vou tomar sim.
Pode deixar. Tchau, querida.
— Tchau, vó.
Após Gilda subir as escadas, Bianca voltou-se para o tio e comentou:
— A vó tá nervosa, né?
— Estamos com alguns problemas, Bia.
É isso. Mas vamos lá — animou-se para tentar espantar as preocupações.
Você quer que eu a leve? — perguntou sorrindo.
— Quero. Quero sim.
— Então vamos — decidiu saindo com a sobrinha, pois não queria ficar muito tempo com sua mãe.
Sabia quais seriam suas reclamações.
No caminho, sem que percebesse, um semblante aborrecido e extremamente preocupado figurou-se no rosto de Eduardo enquanto dirigia.
Muito esperta, Bianca, com seu jeitinho todo mimoso, comentou:
—Você está com uma cara tão feia, tio!
O rapaz desfez a fisionomia sisuda e sorriu ao perguntar:
—Como é que você sabe se está sentada aí atrás?
- Estou vendo pelo espelho.
- Por que você está assim?
Porque estou com problemas no serviço, porque não estou bem com a tia Helena.
Isso tudo me deixa preocupado.
A tia Helena vai ficar de bem com você, tio.
Será, Bianca? — indagou num suspiro.
Ah, vai sim. Depois que eu conversar com ela, ela vai.
Por que você acha isso? — indagou olhando-a pelo retrovisor e observando o largo sorriso de satisfação que se fez no rosto da garotinha.
— Porque eu vou contar pra ela o que a Jusélia me contou.
— E o que a Jusélia contou?
— Não sei falar direito, tio.
Mas ela disse que a vó Gilda deu um negócio pra você beber no suco depois da festa havaiana e que fez você dormir feito uma pedra.
— Do que você está falando, Bianca? — perguntou muito interessado e até nervoso.
— Do dia em que a tia Helena pegou você com a Vera.
A Jusélia disse que a vó Gilda ligou para amiga e pediu pra ela ligar pra tia Helena; aí a Vera entrou lá, e depois a tia Helena chegou e ficou nervosa.
E aí, depois que a tia Helena foi embora nervosa, a Jusélia viu a Vera e a vó rindo dela.
Eduardo ficou perplexo.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Fev 18, 2017 9:58 am

Sentiu como se seu sangue tivesse fugido do rosto, e um torpor o fez experimentar um súbito mal-estar.
Uma sensação de raiva o dominou, e lágrimas quentes começaram a arder em seus olhos pelo forte sentimento de indignação, de revolta.
Ele deu um murro no volante e murmurou irritado:
— Então foi isso! Por que eu não...
— Calma tio. Não fica assim.
A Jusélia tá com dó da tia Helena.
Ela não sabia que a tia tava doente nem que ela tá esperando nené.
Mas ela disse que vai contar tudo assim que for para o outro emprego que ela arrumou.
Eduardo estava transtornado, nem sabia o que dizer.
Chegando em frente à casa de Helena, ele estacionou o carro, virou-se para trás e pediu:
— Bia, tire o cinto e preste bem atenção.
Quero que você conte tudo isso, exactamente tudo, para a tia Helena, certo?
— Mas a Jusélia vai contar.
A minha vó Júlia disse que é feio eu ficar contando coisa de conversa de gente grande.
— Não vai ser feio dessa vez.
Você vai contar a verdade e isso é muito importante para todos nós.
A tia Helena não está bem e precisa ficar feliz.
E vai ficar com essa notícia.
— A Sueli falou que as pessoas alegres e felizes não ficam doentes.
E que Deus ama a verdade, que nunca devemos mentir.
— Então vamos lá.
Você tem que contar isso para a tia Helena.
Pensamentos conflituantes fervilhavam a mente de Eduardo, se sentia traído por sua própria mãe.
Aquilo tudo só poderia ter sido planeado por uma pessoa muito sórdida, repleta de vileza.
Ele não podia acreditar que a própria mãe fosse capaz de algo assim tão baixo.
Aflito, entrou a passos rápidos, praticamente puxando a sobrinha pela mão, sem perder tempo.
Ao entrarem na sala, Carla o recebeu banhada em lágrimas.
— A Helena foi para o hospital.
— O que aconteceu?
—Ela teve outra crise de choro.
Começou a passar mal e a rolar com fortes dores.
O Miguel, junto com meus pais, a levou para o hospital.
Tentei avisar você e o Mauro, mas só caía na caixa postal.
Liguei para sua casa, mas você já havia saído.
Eduardo sentiu-se tonto, ficando completamente sem acção e pensativo.
A vida, nos últimos meses, parecia empenhar-se em deixá-lo em desespero pelos imprevistos desagradáveis e intermináveis.
—Vou ficar aqui com a Bia.
Vai até o hospital, Edu. — sugeriu Carla.
Triste e preocupado, ele indagou:
—Para onde a levaram?
Carla informou, e Eduardo, sem perder mais tempo, foi para o local.
Logo que chegou ao hospital, foi informado das condições de Helena, mas não pôde vê-la.
Com o decorrer das horas, seu Jairo levou dona Júlia para casa, uma vez que Miguel e Eduardo ficariam ali aguardando por noticias.
Na sala de espera, Eduardo contou para o irmão de Helena tudo o que havia acontecido, sobre seu pai ter ido embora sem deixar rastros, as acções da empresa vendidas a preço tão pequeno para um concorrente que desejava uma fusão das empresas, falou em sobre sua demissão, pois, apesar de não ter se envolvido nas falcatruas, os demais directores e accionistas não confiavam mais nele.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Fev 18, 2017 9:58 am

Ainda comentou que, agora, mesmo sendo um executivo com um currículo considerável, seria difícil arrumar outro emprego de igual confiança e valor por carregar seu nome atrelado ao do pai.
E, para terminar, acabou contando o que Bianca havia lhe dito sobre as empregadas terem visto o que sua mãe fizera para que Helena o visse com a prima.
Miguel quase não abriu a boca.
De certa forma, sabia o que o amigo sentia.
A noite parecia interminável, e só pela manhã Helena, já no quarto, pôde receber visitas.
Mais uma vez ela não quis ver Eduardo, que, nitidamente abatido, aguardava na sala de espera por qualquer migalha de informação.
Longos minutos se fizeram até que Miguel retornou do quarto.
Ao vê-lo, Eduardo perguntou:
—Como ela está?
—Arrasada, deprimida... — informou entristecido.
Ela só chora.
Não se conforma em ter perdido o bebé.
Agora diz que é culpa dela, pois a princípio não queria ter ficado grávida.
Acha que foi castigo.
Sinceramente não estou entendendo mais nada.
Sentando-se em um sofá, com os cotovelos apoiados nos joelhos enquanto sustentava a fronte nas mãos, sem olhar para Miguel, Eduardo, que talvez fosse o único capaz de compreender a situação, falou:
— Helena nunca rejeitou nosso filho.
Ela não queria uma gravidez antes de se casar, sem antes planear. E isso.
— Acho que vocês têm muito que conversar agora.
Lamento ela não querer vê-lo.
— Eu adoro sua irmã, Miguel.
— Dá pra perceber.
—Sabe, encontrei em Helena uma pureza de carácter, fidelidade, simplicidade.
Coisas difíceis de se ver hoje em dia.
A maioria das moças quer apenas conquistar e aparecer.
Com o olhar perdido como se desabafasse, ele prosseguiu:
— Seu jeito quieto e recatado, sua doçura, seu mistério... tudo isso em Helena sempre me encantou.
Sabe, pensei que nunca fosse encontrar alguém assim, mas encontrei, só que acabei estragando tudo.
—Não diga isso.
-Dinheiro não é tudo na vida, posição social muito menos.
A coisa que eu mais desejei, não consegui.
Eu só precisava que a Helena me ouvisse para eu tentar, pela última vez, me explicar.
Mas agora penso que, mesmo que a verdade seja esclarecida, ela jamais vai querer saber de mim — relatou desanimado.
Acho que a única coisa que nos ligava ainda era esse filho.
Se Helena me amasse, se gostasse de mim, já teria me ouvido.
Agora não tenho motivo para ficar implorando.
— Não seja pessimista, Eduardo.
É só um período difícil, que logo vai passar.
— Talvez não. Cheguei ao fundo do poço, Miguel. Perdi tudo. Exactamente tudo, até a Helena.
—Deixe de falar besteira, Eduardo.
O amigo não queria ouvi-lo, estava completamente desalentado.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Fev 18, 2017 9:58 am

Sentindo um misto de raiva, mágoa e decepção, Eduardo olhou para o alto, fechou os punhos com força e apertou os lábios enquanto grossas lágrimas corriam-lhe pelos cantos dos olhos.
Secando-as ligeiramente com as mãos, ele se levantou e foi saindo sem dizer nada.
- Eduardo, espere!
Aonde você vai? — perguntou Miguel alcançando-o e segurando-o pelo braço.
- Não sei — murmurou.
Não tenho para onde ir e não sei o que posso ficar fazendo aqui.
— Espere, eu...
— Por favor, Miguel.
Preciso ficar sozinho.
O irmão de Helena não sabia o que fazer e o deixou.
Mas no minuto seguinte Miguel já havia se arrependido por tê-lo deixado ir naquelas condições.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Fev 18, 2017 9:58 am

30 - A DECADÊNCIA DA MENTIRA

Eduardo chegou no condomínio onde morava e, apático, contemplou tudo a sua volta como nunca fizera antes, observando que nada ali trazia qualquer conforto para o seu coração.
Entrando em casa, foi directo para a cozinha à procura de Jusélia, a empregada.
—Ela não está, seu Eduardo.
Foi resolver um negócio.
—Sónia, a Jusélia contou para a Bianca algo que me interessa muito.
Você está sabendo dessa história?
A moça abaixou a cabeça admitindo:
— Eu sei, sim senhor. Mas não sabia que a Helena estava doente por causa disso e...
— Ela perdeu o bebé e nem quis me ver — informou interrompendo-a.
Logo perguntou:
— Por que não me contou, Sónia?
— Tenho medo da dona Gilda.
Todo mundo aqui tem medo dela.
Eu até já apanhei dela se o senhor quer saber.
—O quê?! — perguntou incrédulo.
—É sim. Por isso não quero me envolver.
Pelo menos ate eu arrumar outro lugar, o que acho que já arrumei.
Eu queria que o senhor me desse as contas.
Ele estava em choque, nem sabia o que responder.
Tirando-o da profunda reflexão, Sónia avisou:
—Vou lá na casa da Helena falar com ela.
O Lauro, o motorista, vai me levar lá.
O senhor sabe que eu e o Lauro estamos juntos né?
Percebendo que o rapaz não respondia, ela insistiu:
- Seu Eduardo? — chamou mais firme.
O senhor pode arrumar a minha documentação o quanto antes?
- Ah, sim, Sónia. Vou providenciar.
-O Lauro e a Jusélia também querem as contas.
-Faça assim:
peça para o Lauro levar os documentos de vocês ao contador.
Ele vai acertar tudo com vocês.
Vou telefonar para ele agora mesmo avisando.
Quando ia se retirando, Eduardo voltou e pediu:
— Sónia, me desculpe por qualquer coisa e... obrigado por tudo.
Sensibilizada, a moça ficou sem palavras, e Eduardo se foi.
***
Já em seu quarto, o rapaz não perdeu tempo.
Ligou imediatamente para o contador e, logo em seguida, colocou sobre a cama três malas de viagem e começou a pegar nos armários todos os seus pertences.
No decorrer de alguns minutos, Gilda entrou no quarto do filho, parou observando-o e exigiu autoritária:
—Posso saber o que você está fazendo?
Sem lhe dar muita importância, o filho continuou pegando suas coisas.
Aproximando-se dele, ela o segurou pelo braço para fazer com que se virasse.
—Ficou louco, Eduardo?!
Com um semblante sério, ele a encarou trazendo um brilho frio no olhar.
— Eu já deveria ter feito isso antes.
— Você vai sair de casa?
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 19, 2017 10:57 am

- Em questão de dias você também vai ter que deixar essa casa.
Não acho justo você ir para casa da tia Isabel.
Ela não merece ter a vida transformada em um inferno por sua causa.
Já lhe basta a Vera.
Mas, não se preocupe, apesar de tudo não vou abandoná-la, ao menos sem provisões.
Mas não peça que eu a visite.
— Do que você está falando?! — exigiu a mãe.
— Sabe o quanto detesto brigas e, apesar do que fez, não quero discutir com você.
Também não me peça para conversarmos.
Eduardo falava friamente, sem expressar nenhuma emoção de raiva ou rancor.
— Só me cabe avisar que vou colocá-la para morar em uma casa simples.
Algo que eu possa pagar com o que receber ou com o emprego que arrumar.
Quando falo simples, é simples mesmo, coisa que você nunca viu.
Um quarto, sala, cozinha e olha lá.
Não vou conseguir manter seu luxo e...
Falando em luxo, acho bom pegar todas as suas jóias, objectos, roupas e coisas de valor e vendê-los o quanto antes.
Vai precisar se alimentar, e isso custa dinheiro.
— Você enlouqueceu, Eduardo?!!! — gritou a mãe em desespero.
Não vou sair da minha casa!
Quanto às jóias do cofre e do banco, seu pai levou tudo.
Se eu tiver que sair, para onde você for eu vou junto.
— Não vai não — falou com firmeza.
E, quanto a essa casa, ela não nos pertence mais e nosso nível social não é mais para esse tipo de vida. Tudo mudou.
Se não tem mais suas jóias, sinto muito.
Isso significa que a situação vai ficar ainda mais difícil pra você.
— Eu não vou sair daqui!!!
— Então faça o que quiser.
Só não diga que não avisei — falou friamente, voltando a arrumar as malas.
— O que você está fazendo?
Do que está falando?
Tenho direito a uma pensão.
Seu pai vai ter que pagar.
Além disso, tenho contactos, amigos.
Você vai arrumar uma colocação numa empresa melhor.
Se não fosse por sua irmã me envergonhar se casando com aquele negro, eu estaria...
Num grito, Eduardo a interrompeu:
—Nunca mais se dirija ao João Carlos ou a qualquer outra pessoa discriminando-a pela cor, classe social ou sei lá mais o quê!!! Acorde!!!
Você não tem mais amigos; o que tínhamos era um monte de gente falsa e interessada em nos rodear pelo status que ostentávamos, pelas festas que promovíamos, pelo dinheiro que sabiam que tínhamos!
Agora não nos resta nada.
Entendeu?! Nada!
E, quanto à pensão que você acha que vai receber, pense, como é que vai cobrar seu marido, hein?
Ele simplesmente sumiu.
Não temos dinheiro para pagar um advogado, muito menos um investigador internacional, porque creio que, a essa altura, no mínimo ele esteja na Suíça ou talvez passeando em lua-de-mel pelas ilhas gregas, e não vai se lembrar de nós, muito menos de você.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 19, 2017 10:58 am

—Não!!! — gritou histérica.
—Não grite! Estou farto de seus gritos.
Além de não adiantar nada, você me irrita cada vez mais.
Odeio gritos — falou com voz grave e baixa.
—Isso é um pesadelo, não pode estar acontecendo, não.
— A sua realidade se transformou em pesadelo por sua culpa.
Culpa por tantas exigências, por seus preconceitos raciais, sociais.
Tudo em você é falso; seu casamento sempre foi de aparência, pois nunca a vi tentar cativar seu marido com carinhos ou palavras meigas, verdadeiras.
Você nem sabe ser uma boa mãe — disse voltando a fazer suas malas.
Não sei qual é o sabor de um café preparado por minha mãe, muito menos de um bolo, mas conheço qual a empregada que fez a comida.
Vejo a dona Júlia se preocupar com o que vai me oferecer quando chego na casa dela, e aqui você grita para a empregada exigindo alguma coisa.
Seu marido já comeu alguma refeição preparada por você? Claro que não.
Nunca tomei um chá feito por você, nem quando estive doente.
Sabe, alguns cuidados, alguns pequenos detalhes são sinónimos de amor.
Acho que meu pai tinha muitas queixas de você nesse sentido.
Pois, se não foi nem uma boa mãe, como poderia ser uma boa esposa?
Hoje vejo quanto a Erika estava certa quando...
— Não admito que diga isso!
Eu sempre fui uma mãe dedicada, que sempre se preocupou com a felicidade de vocês.
Eduardo parou com o que fazia, olhou-a com um sorriso forçado e irónico e comentou:
—Você nunca se preocupou com seus filhos, muito menos com a nossa felicidade.
Pra você, felicidade é sinónimo de dinheiro, de posição social.
— E não é?!
— Você é feliz?
Ou melhor, você foi feliz quando estava rodeada de dinheiro?
Com toda a sua fortuna?
Claro que não!
Você viveu na falsidade, é uma criatura pobre, mesquinha, orgulhosa, arrogante.
Você interferiu na vida da Lara, da Erika e acabou com a minha!
Olhando-a bem nos olhos, estampando na face toda sua mágoa, completou:
— Você, mãe, destruiu meus sonhos.
Destruiu-me como pessoa quando tentou ser aquilo que você chama de boa mãe, interferindo na minha vida com a Helena.
E eu a odeio por isso.
— O que está dizendo?
Você nunca falou assim comigo antes!
—Talvez porque eu não quisesse admitir a pessoa sórdida, vil e traidora que você é.
Não posso culpar unicamente meu pai, não posso acreditar que ele seja o único responsável por essa situação decadente.
Se ele fez o que fez, aprendeu com você.
Aprendeu com suas críticas, suas exigências, suas mentiras e tudo mais.
Estou com ódio de você e ao mesmo tempo sinto pena, porque sei que ainda não aceita, não admite a sua pobreza de carácter, a sua miserável capacidade de amar.
Sinto-me magoado, ferido pela sua traição, por ter planeado uma situação tão hedionda para que a Helena me visse dormindo com a Vera.
—Olhando-a nos olhos, afirmou:
— Eu descobri tudo.
Usou até a sua fiel escudeira, a Marisa, para esse plano nojento, sujo...
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 19, 2017 10:58 am

—A Marisa não tinha o direito de contar isso!
Eu amo você, meu filho.
Se fiz isso foi por amor — dizia agora chorando.
—Sempre pensei em sua felicidade, em seu...
—Felicidade?!!!
Você não sabe o que quer dizer felicidade!
Como acha que serei feliz longe da pessoa que escolhi, que amo e admiro?
Que, aliás, você separou de mim!
Você nunca amou ninguém!
Não pode, não deve saber o que é amor!
Você me destruiu, mãe!
Inconformada com o que ouvia, Gilda argumentou:
—Tenho certeza de que foi a Erika que colocou essas ideias na sua cabeça.
Você nunca falou assim comigo.
A culpa de tudo isso é do seu pai, foi ele que nos deixou.
— A culpa por ele ter nos deixado é sua!
Acho que ele ficou farto de você.
E ninguém colocou ideia alguma na minha cabeça. Acorde!
Veja quanto você errou, encare a realidade.
— Foi sua irmã!
A Erika, desde quando arrumou esse maldito João Carlos, acabou com a nossa família.
— Pára, mãe! Chega!
Não transfira para os outros a culpa que lhe pertence.
A Erika foi a única pessoa sensata nessa casa.
Apoiei o casamento dela e, se quiser saber, fui um dos padrinhos.
Esquece a Erika, deixe que pelo menos alguém dessa família seja feliz de verdade.
— Você me traiu, Eduardo.
Não posso acreditar.
O que ganhou com isso?
— E o que você ganhou com tantas tramas sórdidas?
O que ganhou tentando separar a Lara do Mauro?
A Erika do João Carlos?
Qual foi a vitória que obteve quando conseguiu fazer aquilo comigo e com a Helena? Hein?!
Se você deixasse os outros viver como bem quisessem, talvez tivesse um pouco mais de tempo para cuidar da própria vida, melhorar a sua língua ferina, a sua mente doente e, com certeza, teria tempo de salvar o seu casamento.
— Você não entende, Eduardo.
Tenho uma visão melhor da vida.
A simplicidade da Helena não lhe traria status.
Nossa sociedade é exigente.
Existem regras.
Duvido que a Erika seja convidada para algum evento em nosso meio depois de ter se casado.
— Quero que a sociedade cheia de status se dane!!!
Você sempre se intromete na vida de todos observando as regras, o conjunto de direitos e deveres que caracterizam uma posição social.
— Em um tom mais baixo de voz, porém firme, advertiu:
Cuidado com essas regras criadas por criaturas orgulhosas e arrogantes como você.
A verdadeira regra da vida é o amor incondicional às pessoas, é o amor livre de interesses, livre de cobranças.
A verdadeira regra da vida, poderosa e imutável, é o respeito.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 19, 2017 10:58 am

Você nunca respeitou alguém porque viveu criticando as pessoas, sempre quis interferir e prejudicar, nunca amou de verdade porque sempre exigiu algo em troca.
De que lhe adiantou ter seus lindos cabelos loiros, sua pele alva e seus belos olhos azuis, hein?
Nem seu marido nem seus filhos a querem porque a sua beleza é só externa, sua alma é feia, doente.
Herdei seus belos olhos azuis e não tenho nada de útil para fazer com eles.
Acho que a sua decadência só está começando, mãe.
Você não tem mais essa casa nem as outras seis casas de veraneio.
Não tem mais suas jóias nem sua empresa, muito menos os seus lindos e ricos amigos.
Vai ter um tecto porque eu não admitiria deixar minha própria mãe na rua.
Mas observe só como as coisas são interessantes:
você um dia vai deixar esta vida levando exactamente o que trouxe de material: Nada!
E vai levar registrado na sua consciência tudo de bom que um dia algumas pessoas lhe desejaram, ou seja, nada!
Que vida vazia a sua.
Você não está levando absolutamente nada de bom que cultivou, só mágoa, rancor e ódio.
—Pare de falar assim!
—Vou parar mesmo.
Já me cansei de ver meu pai lhe dizendo tudo isso e nunca adiantou nada.
Por que eu falando adiantaria?
Ele pode ter feito tudo errado, mas era bem mais fácil conviver com ele do que com você.
—Não defenda o Adalberto.
— Por que não?
Porque ele teve coragem de sair de perto de você?
Eu, assim como ele, não a aguento mais.
Só que não vou fugir às responsabilidades, você não vai ficar na rua.
Mas pode ter certeza de que, apesar de tudo, ainda quero voltar a ver o meu pai, se possível, mas de você quero distância.
— Não defenda aquele cretino!
Nossa decadência é por culpa dele!
— E sua também! Principalmente sua!
Você é uma péssima criatura!
Não posso considerá-la como mãe!
—E ele não é seu pai!
Eduardo ficou parado como se tivesse levado um choque, e a mãe repetiu em desesperado pranto:
—O Adalberto não é seu pai, entendeu?!
Ele não é seu pai!
Virando-se, Eduardo terminou rapidamente de arrumar suas coisas enquanto Gilda se defendia e chorava.
-Fui uma infeliz ao lado dele — dizia entre o choro.
Não merecia passar por isso.
Você é o único filho que eu amei, eu não merecia isso de você.
Se eu soubesse... deveria ter revelado isso antes...
Não dê valor ao Adalberto, ele não merece... não é seu parente...
Ao pegar as malas, encarou-a e confessou, agora em baixo tom de voz:
—Mãe, eu queria que você sumisse da minha frente.
Você não sabe o que está fazendo comigo.
Sem dizer mais nenhuma palavra, ele pegou as bolsas, uma pasta de documentos e saiu do quarto, deixando a mãe de joelhos no chão e debruçada sobre a cama, chorando compulsivamente.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 19, 2017 10:58 am

Ao descer as escadas, Eduardo deparou com a empregada, que, assustada, parecia esperá-lo.
Torcendo as mãos num gesto aflitivo, Sónia perguntou:
— O senhor está indo embora, seu Eduardo?
— Nunca fui seu senhor, Sónia. Por favor.
— E que acostumei — respondeu sem jeito.
Mas... e agora, o que eu faço?
E o Lauro e a Jusélia?
— Infelizmente, Sónia, vocês estão dispensados.
Levem a documentação ao contador.
Já liguei para ele e amanhã passarei lá para deixar o cheque de vocês.
—Mas e a dona Gilda?
—Depois de tudo você ainda se preocupa com ela? — perguntou quase incrédulo, sorrindo levemente.
Vou arrumar um lugar para ela. Pode deixar.
Não vai lhe faltar nada. Pode ir, Sónia.
Muito obrigado por tudo.
Vou só cuidar de mais algumas coisinhas e esperar a Jusélia, que vai chegar já, já.
Desculpa se algum dia eu não fiz algo direito...
Se há alguém que tem que pedir desculpas, esse alguém sou eu, Sónia.
Obrigada, seu Eduardo.
Nunca vou me esquecer do senhor.
Tenho certeza de que ainda vai ser muito feliz.
Após se despedir, Eduardo pegou as coisas e as colocou em seu carro, dando uma última olhada naquela luxuosa residência.
Estava amargurado, com pensamentos confusos por causa da difícil situação que sabia teria de enfrentar a partir de agora.
Sua vida jamais seria a mesma.
Apesar de lhe restar um considerável valor na conta bancária particular, aplicações financeiras, um luxuoso carro importado e o que haveria de receber da empresa pelos direitos trabalhistas, naquele momento Eduardo não tinha perspectiva.
Sabia que arrumaria um novo emprego, provavelmente na mesma colocação executiva, mas, com o mesmo salário generoso, impossível.
Porém, isso ele poderia contornar.
Seu abalo maior foi pela revelação inesperada de sua mãe de que ele não era filho de Adalberto.
Isso o chocou profundamente.
Eduardo nem sabia o que pensar a respeito.
Como se não bastasse perder o filho que Helena esperava, e a reacção hostil de sua namorada, ainda teria que conviver com mais essa realidade provocada por sua mãe.
"Depois de tudo o que sofreu, mesmo que a Helena venha saber da verdade, talvez tudo se acabe definitivamente entre nós", pensava.
"Se ela tivesse algum sentimento verdadeiro, alguma consideração por mim, já teria me escutado, teria se preservado de tanto abalo e talvez nosso filho não tivesse morrido.
Agora nada nos prende um ao outro."
E foi com essa sensação de angústia que ele se foi, levando o coração apertado e inseguro pelas amargas decepções.
***
Naquela mesma tarde, Helena recebeu alta do hospital e foi para casa.
O espírito Nélio não oferecia trégua para que a moça harmonizasse seus pensamentos.
Deprimida, sem querer conversar, Helena se recolheu para o quarto e ficou encolhida sob as cobertas quentes sem dar atenção a ninguém.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 19, 2017 10:59 am

Na espiritualidade, apesar de estarem ao lado de Nélio, Lara e Leopoldo, além de outros amigos, não podiam ser recebidos.
Eles observavam a crueldade com que o espírito Nélio envolvia a jovem, fazendo-a sofrer amargamente.
Os pensamentos da moça corroíam pelas ideias negativas e sensações aflitivas, coisas que Helena aceitava como se fossem dela mesma.
- Observamos que Helena pode vir a sofrer o que já experimentou em outra vida — comentou Leopoldo.
Sabemos que lhe falta fé e bom ânimo, porém não é aconselhável que ela ponha a perder a presente existência.
—Por que ela perdeu o bebé? — indagou Lara comovida.
- Você me disse que era alguém muito importante, uma criatura
muito querida por todos.
—As vibrações melancólicas e depressivas criadas por Helena estavam prejudicando imensamente esse espírito e sua formação.
O facto de negar a gravidez cria sequelas perispirituais que poderão ser como doenças, ou tristezas, a incomodar aquele que está reencarnando.
Cada caso é um caso.
Porém, muitos bebés recém-nascidos choram angustiados, aparentemente sem motivo, talvez por algum tipo de rejeição durante a gravidez.
Ou, às vezes, porque ele próprio não queria reencarnar.
No entanto, na maioria dos casos, o choro se faz por algumas adaptações orgânicas que podem provocar dores.
Alguns espíritos precisam experimentar tal angústia, e os pais necessitam harmonizar com mais afecto, carinho e atenção esse relacionamento, por isso é permitida tal ocorrência.
Mas por que a gravidez de Helena foi interrompida? — tornou Lara curiosa.
Porque esse espírito não precisava sofrer a experiência que poderia abalar sua formação.
Além disso, esse suposto mal será um bem na trajectória da vida de Helena.
- Mas ela está assim, triste e deprimida, por causa do Nélio e de toda essa situação difícil provocada por minha mãe.
- Sim. Nós sabemos.
E é por não precisar experimentar erros.
E é por não precisar experimentar essa obsessão e por não ter forças para suportá-la mais que vamos interferir.
Porém, depois disso, Helena terá que se recompor criar novas forças para seguir em frente.
"A quem é dado será pedido."
Ela tem tarefas a realizar e, se esse é o empecilho, ele será removido.
Depois disso, não poderá mais haver desculpas.
Subitamente Leopoldo avisou:
— Vamos falar com Nélio.
— Nós?!
— Sim, minha amiga — afirmou sorridente.
Nós. Com extremo amor e bem harmonizados, todos na espiritualidade entraram em prece, oferecendo sustentação àquele momento, rogando por elevadas bênçãos que se fizeram em segundos como um jorro de luzes cintilantes projectadas por mãos invisíveis aos olhos de todos.
Este foi o momento em que Leopoldo e Lara se fizeram visíveis para Nélio que, até então, não podia imaginar a presença de ambos.
Tal surpresa interferiu de imediato no esforço psíquico de Nélio, o qual projectava suas emanações mentais à indefesa Helena, quebrando o elo de ligação mental que os uniam.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 19, 2017 10:59 am

A jovem encarnada foi arrebatada pelo sono, e no instante imediato, sem ser percebido, seu querido mentor a recolheu para um lugar mais sereno a fim de ministrar-lhe passes magnéticos e orientação adequada ao seu estado de desdobramento.
O espírito Nélio se sobressaltou e nem percebeu a agilidade do mentor de Helena, preocupando-se exclusivamente com Lara e Leopoldo.
— Quem sois?
O que quereis aqui? — perguntou imponente.
Meu nome é Leopoldo e essa é Lara.
Creio que já se conhecem.
Surpreso, pois mal conseguia reconhecer a companheira de pouco tempo atrás tamanha a mudança que ela sofrera, Nélio deu um passo para trás pedindo:
—Afastai-vos daqui.
Não solicitei auxílio.
Trata-se de um caso muito pessoal que tenho a resolver.
Generosa, Lara se viu repleta de imensa força interior ao dizer com brandura:
—Não acha que já sofreu o suficiente, caro Nélio?
Não tem paz há séculos por insistir em forçar o destino e a opinião alheia.
O tempo passa enquanto você fica estagnado, lutando por algo que não vai acontecer, não do jeito que quer.
- Quem és tu para impor-me vontades?!
- Não sou ninguém.
Simplesmente posso dizer que já sofri muito por insistir em algo infundado.
Veja como estou em aparência e sentimento.
Bem melhor do que há algum tempo, quando vivi aos farrapos, arrastando-me em crises de sofrimento e tristeza.
Após aceitar a ajuda oferecida por esses amigos de Luz, ganhei conhecimento, força interior e paz em minha consciência.
Consequentemente, sou mais feliz.
Se ama Helena, por que não se apieda?
Ela sofre com as torturas mentais que imprime aos seus pensamentos.
Seu coração vai ficar mais leve quando vê-la...
— Não a amo mais! — gritou contrariado.
Helena me traiu quando aceitou outro homem.
Ela haverá de sofrer o que experimentei por tê-la traído um dia.
Será torturada como me torturou.
Provará a humilhação dilacerante até sucumbir novamente de desgosto, desejando a morte em seus últimos dias.
Tenho poder para tal e hei de fazê-lo.
— O poder só pertence a Deus.
O que nos orgulhamos de ter hoje, perderemos amanhã.
O que criticamos hoje, seremos amanhã.
O que impomos, sofreremos.
O que desejamos e fazemos com amor, também receberemos de volta.
Liberte-se dessas amarras e venha connosco.
Não! Incontáveis criaturas chegaram a implorar-me para deixá-la.
Mas, se antes eu não a libertava por amor, jamais hei de fazê-lo por ódio.
Padeci horríveis penas por culpar-me de tudo o que fiz.
Todavia, ignorava sofrer por alguém que não merecia.
—Seu sofrimento não foi por culpa de Helena.
Como não?! Culpei-me por sua morte agonizante em que, inconformada pelo que fiz, só chamava pelo meu nome.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 19, 2017 10:59 am

A conversa prosseguiu e, decorrido algum tempo, o espírito Nélio continuava apresentando as mesmas alegações, julgando-se ter toda razão sempre.
Leopoldo, longe do desânimo, somente observava o diálogo que ocorria por um tempo muito extenso.
Sustentando Lara a todo instante, ele era capaz de transmitir-lhe, por pensamento, seguidas súplicas para argumentar com Nélio sem que este percebesse.
Esgotavam-se ali todas as tentativas de esclarecer aquele espírito e levá-lo para um lugar onde houvesse condições de ele se recompor e evoluir um pouco mais.
Nélio estava arredio, profundamente irritado com a presença dos companheiros, e, seguidas vezes, confrontava situações em meio aos argumentos de Lara, fazendo-se de vítima e exigindo vingança, como se isso servisse de bálsamo para o sofrimento passado.
— Tu não esperas que eu me proponha a aceitar tal panaceia que me tentas fazer engolir, não é?! — vociferava furioso.
— Sinceramente, meu amigo — interferiu Leopoldo, agora melancólico —, esperava que reflectisse com a sabedoria que mostra possuir.
No entanto, não há nada que possamos mais fazer por você, que acredita ser tão auto-suficiente.
Já basta — concluiu tranquilo.
Aturdido, Nélio sentiu-se como paralisado.
E foi com uma firmeza serena que o instrutor de Lara, com imensa humildade, explicou sem se alterar:
—Ouça-me com tolerância e bondade.
O que faz a Helena sofrer hoje não tem razão de ser.
Ela não sucumbirá sob a sua loucura.
Existem Leis Divinas que nos dão permissão para interferir.
Com expressão agressiva e rude, Nélio os fitava com os olhos espremidos, demonstrando contrariedade e coração duro.
Porém, anulando as vibrações coléricas e destrutivas, utilizando-se de peculiar envolvimento, Leopoldo projectou sobre Nélio intenso jorro de energia tranquilizante, provocando o efeito de um choque que o foi imobilizando, até que Nélio, totalmente indefeso, prostrou-se de joelhos e lentamente deixou-se cair para trás, quando foi amparado por outros trabalhadores espirituais ali presentes.
Em prece fervorosa e tocante inflexão, o instrutor prosseguiu por mais algum tempo, agradecendo a Deus a força que os sustentou naquele instante.
Envolto por vibrações vigorosas que se traduziam em brilhante luz, Leopoldo logo colocou Nélio sob o efeito de passes magnéticos que desprendiam substâncias escuras formadas pelos pensamentos desequilibrados daquela criatura.
Por fim, afectuoso e emocionado, Leopoldo acariciou a fronte de Nélio, que parecia estar em sono profundo, e comentou:
- Oh, meu filho.
Por que dificulta tudo para você mesmo?
- E erguendo o olhar para os companheiros fez um gesto singular, que logo foi compreendido.
Nélio foi levado pelos socorristas, e Lara, ainda sob o efeito de fortes emoções, com voz melancólica, perguntou?
— Para onde ele irá?
— Ficará em câmaras especiais até o reencarne, que será em breve.
— Você o ama muito, não é?
— Nélio, para mim, é um filho espiritual.
Desejo vê-lo em condições melhores.
Mas isso ainda vai acontecer.
Tenho muita fé.
— E Helena?
— Saberemos agora se os sentimentos depressivos eram só pelo efeito da obsessão.
Vamos aguardar.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 19, 2017 10:59 am

31 - O FUTURO DOS PRECONCEITUOSOS

No dia seguinte, bem cedo, a campainha soou na casa de dona Júlia, tirando-a rápido de seus afazeres, pois a senhora não queria acordar Helena, que ainda se recuperava.
No portão havia duas mulheres e um homem, que reconheceu ser o motorista de Gilda.
Cautelosa, a dona da casa se aproximou com ar interrogativo quando se surpreendeu com a pergunta:
— Bom-dia! A Helena está?
— Sou a mãe dela...
—Olá, dona Júlia.
Sou o Lauro, o motorista da dona Gilda.
Creio que a senhora se lembra de mim.
E sem demora apresentou:
— Essas são Sónia e Jusélia.
Trabalhávamos para o seu Eduardo e precisávamos da sua atenção.
—Sim, claro.
Em que posso ajudá-los?
Nesse instante Bianca surgiu à porta gritando de longe:
—Oi, Sónia, oi, Ju... Ju... Jusélia! Vocês vieram!
Menos preocupada, dona Júlia pediu que entrassem,
acreditando se tratar de uma visita para a filha.
Após abraçar Bianca demoradamente demonstrando carinho, Sónia e Jusélia entraram, mas Lauro insistiu em esperar no carro.
—Fiquem à vontade, por favor — pediu dona Júlia.
Acho que a Helena já deve estar acordada.
Aguardem um minutinho, eu vou ver.
-Espero que nos desculpe por ser tão cedo.
É que ainda hoje vou fazer uma entrevista em outra casa.
Não sei se a senhora sabe mas não vou mais trabalhar na casa do seu Eduardo — justificou-se Sónia.
- Não há problema — disse sorrindo.
Aguarde só um momento que vou chamar a Lena.
Após alguns minutos, a dona da casa retornou informando:
—Minha filha já vem.
- E você, Bia? — perguntou Sónia olhando para a garotinha que a contemplava com olhar brilhante.
— Não foi para a escola hoje?
— É que começaram as minhas férias.
— Puxa! Que legal. Espero que aproveite bastante.
Nesse momento, nitidamente abatida, Helena entrou na sala, surpresa com a visita.
Com um sorriso tímido, cumprimentou-as e logo se sentou no sofá.
Dona Júlia, interessada, acomodou-se ao lado da filha, e Sónia começou a dizer:
— Helena, estamos aqui porque temos algo muito sério para contar pra você.
— Tentei contar tudo pra ela ontem — interrompeu Bianca, afoita, como toda criança —, mas a tia Lena não tava bem.
Sabe, ela tomou um remédio e dormiu.
Espere um pouquinho, Bianca — pediu a tia com educação.
Deixe que a Sónia diga o que veio fazer aqui, está bem?
Depois conversamos.
Agora, vai brincar lá fora, vai.
Voltando-se para a mulher, Helena pediu:
— Pois bem, Sónia. Pode falar.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 19, 2017 11:00 am

Sónia e Jusélia começaram a relatar tudo o que haviam presenciado na casa de Eduardo, detalhando com ricos pormenores tudo o que Gilda tinha tramado e feito para atrapalhar o namoro do filho.
Jusélia, que não se continha, relatou até mesmo as últimas novidades a respeito de Adalberto ter abandonado a empresa e a família, deixando todos em situação financeira bem complicada por causa da hipoteca da casa e da venda dos outros bens.
Relatou também que o patrão havia traído Gilda com a
filha da directora financeira da empresa, e que a moça estava grávida.
— Como se não bastasse — continuou Jusélia —, o seu Eduardo foi mandado embora da companhia porque pensaram que ele tinha tirado férias por saber que o pai ia aprontar alguma.
— Não temos certeza disso, Jusélia — advertiu Sónia.
Voltando-se para Helena, pediu:
— Quero que nos desculpe por não termos contado tudo antes para você.
Estávamos com medo de perder o emprego.
Sabe, apesar de tudo, ganhávamos muito bem.
Mas soubemos que teríamos que arrumar outro lugar e, ao mesmo tempo, que você estava grávida e que não passava bem por causa dessa armação da dona Gilda, então decidimos vir aqui contar a verdade.
— Estou em choque — confessou Helena quase sussurrando e nitidamente abalada.
Parece que estou num pesadelo.
Eu não acredito...
Após alguns segundos reflectindo, perguntou:
— E o Eduardo?
Como ele reagiu quando soube disso?
— Virou um bicho quando soube! — exclamou Sónia.
Sei que não deveria contar, mas acho que você deve saber, Helena.
Ontem, lá da cozinha, pude ouvir os gritos dele com a mãe.
Juro por Deus que nunca vi o seu Eduardo falar daquele jeito com ninguém, e olha que trabalho lá há muitos anos.
Ele e a mãe ficaram mais de uma hora discutindo aos gritos.
Depois, só ele falava.
Disse que ela acabou com a vida dele e que o dinheiro que eles tinham nada significava, pois a pessoa que ele queria, que era você, ele não poderia ter por culpa dela.
Sabe — contou um pouco mais constrangida —, a dona Gilda, num instante de loucura, falou que o seu Adalberto não era o pai dele.
Deu uma dó do seu Eduardo.
Ele é tão bonzinho.
Por fim, a dona Gilda ficou chorando de joelhos lá no quarto dele.
E ele pegou umas malas e foi embora.
— Você sabe onde ele está? — perguntou dona Júlia preocupada.
— Não — disse Sónia.
Passamos no contador para acertar nossas contas e o moço nos entregou os cheques direitinho.
Seu Eduardo deixou tudo certinho para nós.
- Pensei que nem fôssemos receber — comentou Jusélia.
-Não diga isso — repreendeu Sónia zangada.
Nunca atrasaram nosso pagamento um dia.
Voltando-se para dona Júlia, explicou:
— Não vimos ele lá no contador, e pelo que sei, nem a tia dele, a dona Isabel, sabe para onde ele foi.
Ontem ela foi lá.
- A dona Isabel só ficou sabendo de tudo ontem — interrompeu Jusélia.
Ela ficou furiosa e aí foi outro barraco — disse, referindo-se à discussão entre as irmãs.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 19, 2017 11:00 am

- Também, Jusélia, você tinha que contar pra ela sobre o que a filha aprontou junto com a dona Gilda indo dormir no quarto do Eduardo para a Helena ver, não é?
—E não me arrependo de ter contado.
Ainda bem que cheguei exactamente na hora em que ela estava entrando.
Agora não preciso mais ter medo da dona Gilda nem da safada da Vera.
Helena, aturdida, pareceu ainda mais branca.
Fechou os olhos, recostando-se no sofá.
Seu rosto pálido estava gotejado de um suor frio enquanto suas mãos gélidas estavam imóveis.
—Filha, você está bem? — preocupou-se a mãe.
Afagando-lhe a testa com carinho, dona Júlia tornou a chamá-la:
—Helena, abra os olhos, filha.
Lágrimas copiosas correram dos cantos dos olhos de Helena, que murmurou:
Estou bem.
Em seguida, recostando-se na mãe, lamentou chorosa:
— Não a creditei nele, mãe.
O Edu jurou, se pôs de joelhos...
E agora, mãe?
—Quer a minha opinião, Helena? — interferiu Jusélia muito desembaraçada.
Você tinha todos os motivos do mundo pra brigar com o seu Eduardo e foi isso o que você fez.
Ninguém pode tirar a sua razão.
Se aceitasse com facilidade as desculpas e depois de tudo o que viu, você seria considerada uma moça à toa.
Agora, depois que soube da verdade, vá atrás dele, ooba.
Ligue pra ele. Não perca tempo.
– Mas ele não veio me procurar depois que soube da verdade por vocês.
Além do mais — dizia com voz fraca —, onde vou procurá-lo?
— Ligue para o celular!
Ele não vai sumir eternamente.
O seu Eduardo tem mãe, irmã, tia...
— Vamos, Jusélia — apressou a amiga. — Ou vou chegar atrasada.
Levantando-se, pronta para ir, Sónia falou:
— Ele está aflito e muito preocupado agora.
Afinal de contas, a vida do seu Eduardo virou ao avesso.
Mas isso vai passar.
— Obrigada, Sónia. Obrigada, Jusélia.
Nem tenho como agradecer.
Ambas se despediram e, percebendo a difícil situação, Bianca, que estava escondida, imediatamente pegou o telefone sem fio e entregou para a tia sem dizer nada.
No mesmo instante Helena ligou para o celular de Eduardo e decepcionou-se quando o som metálico da caixa postal foi accionado.
Angustiada, agora reflectia em tudo o que havia dito injustamente ao namorado, não aceitando suas explicações e, muitas vezes, quase aos gritos, o afastando de si.
Começando a chorar, torturou-se em pensamento por ter perdido o filho que esperava, pois sabia, de alguma forma, que seu estado depressivo e desespero inútil podiam ter contribuído para que isso ocorresse.
Após ter acompanhado as visitas até o portão, dona Júlia retornou e não ficou surpresa ao ver a filha em lágrimas de arrependimento.
—Oh, mãe, o que faço? — perguntou chorosa.
Não consigo falar com ele.
O telefone deve estar desligado.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 19, 2017 11:00 am

Recostando a filha em seu peito, a mãe a afagou com carinho ao aconselhar:
—Agora, só lhe resta aguardar, Helena.
—Mas estraguei tudo o que havia entre nós — dizia com voz embargada.
O Edu tentou se explicar e eu não de oportunidade... e agora... fico pensando que pelo meu nervosismo tenha perdido o bebé... e... não tem mais nada que nos ligue.
Não sei o que me deu, eu estava com ódio do Edu, não queria vê-lo nem ouvir sua voz ou seu nome.
Nunca foi assim, mãe.
- Talvez fosse pela gravidez.
Isso pode acontecer.
Sua tia ficou com raiva do seu tio nos primeiros meses; não podia nem vê-lo.
- A senhora ouviu elas contando que o Edu saiu de casa?
Ele não veio aqui nem para me ver... e...
- Espere, Helena, ele está com muitas preocupações no momento.
Aconteceu exactamente o que a Sónia falou:
a vida do Eduardo virou ao avesso!
Ele pensa que você não quer vê-lo, perdeu o filho, está sem emprego, o pai foi embora e deixou todos em uma situação difícil.
Além dessa estúpida revelação de que o seu Adalberto não é o pai dele.
Como você quer que ele esteja?
No mínimo ele quer ficar sozinho e pensar um pouco.
Ele tem esse direito.
Logo a mãe lembrou:
— E se você tentasse falar com a Erika.
Talvez ela tenha alguma notícia.
Os olhos de Helena brilharam pela ideia imediata.
Ela pegou o telefone, ligou, mas logo desanimou ao dizer:
—Não tem ninguém em casa.
—Tente o celular, filha.
Mas quando falar com ela não diga nada sobre o seu Adalberto não ser o pai do Eduardo.
Essas coisas não se falam por telefone.
Vai deixar a moça nervosa e nem sabemos se é verdade.
Após falar com a irmã de Eduardo em meio ao choro e poucas explicações, Helena ouviu:
Não estou nem sabendo que o Edu saiu de casa!
Muito menos que ele foi demitido.
Só sei o que meu pai aprontou.
Estou tentando ligar para o Edu desde ontem à noite e não consigo.
Pensei que fosse algum problema com a operadora do celular.
Não liguei pra casa porque não quero falar com a minha mãe, pois imagino como ela deve estar depois de tudo.
Apos pequena pausa, aconselhou:
— Olha, Lena, não fique nervosa ou pode até ter complicações com sua saúde.
Tranquilize-se.
Vou tentar encontrar o Edu.
Mais tarde passo aí na sua casa, está bem?
Após se despedirem, Erika, que estava no estúdio de ração de Juliana, virou-se para a cunhada e revelou:
- Eu sabia! Tinha certeza de que a dona Gilda estava envolvida naquela história da Helena pegar a Vera no quarto do Edu.
Juliana não ficou surpresa, mas silenciou, enquanto Erika contou tudo o que Helena acabara de saber pelas empregadas de sua mãe.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 19, 2017 11:00 am

— Agora a Helena está desesperada atrás do Edu.
— Sinceramente, Erika, até agora não acredito no que seu pai fez.
Estou em choque — confessou Juliana.
— Em choque estou eu.
— Vocês não suspeitaram de nada?
— O casamento dos meus pais sempre foi de aparência.
Meu pai sempre teve outras mulheres.
Disso nós sabíamos, mas minha mãe nunca se incomodou.
Para ela o mais importante era a posição social e seus jogos de interesses sociais.
Já desconfiamos da minha mãe também, principalmente por lembrarmos de coisas de quando éramos pequenos, mas nunca tivemos certeza.
Mas daí imaginar que meu pai iria, junto com a outra, dar esse golpe e largar tudo e todos por ela...!
Não, isso não podíamos prever.
O Edu vinha desconfiando de algo errado com os investimentos e outras coisas lá na empresa, mas a venda das acções e a fuga repentina isso jamais ele poderia suspeitar.
—E sua mãe, Erika?
Como será a partir de agora?
A moça abaixou o olhar, suspirou fundo e pendeu com a cabeça negativamente ao lamentar:
— Pobre dona Gilda.
Não sei como ela vai sobreviver a essa nova vida.
Não vai lhe bastar ter uma casa ou um apartamento.
Ela gosta de luxo, de festas ricas e caras.
Ama lugares da moda e os conhece no mundo todo.
Se pudesse se alimentaria de jóias e beberia perfumes caros.
— E você com relação a ela agora?
— Tenho pena da minha mãe.
Acho que cresci, entende?
Vou falar com ela, tentar uma aproximação.
Só não posso dizer que vou colocá-la pra morar comigo.
Primeiro, porque ela jamais aceitaria; segundo, que o quarto que temos sobrando, além do escritório, terá que ser decorado pela tia, se ela quiser, para o nosso futuro bebé que vai chegar em breve.
- Jura?!!! — gritou Juliana emocionada e com lágrimas nos olhos.
Elas se abraçaram de felicidade, rodopiaram levemente e trocaram beijos e carinhos.
Nesse momento, Miguel entrou e logo foi contagiado pela alegria quando soube da novidade.
Eufórica, Juliana o abraçou sem conseguir conter seu
entusiasmo.
—Parabéns, Erika! — cumprimentou Miguel ao beijá-la.
Puxa! Fiquei muito feliz. Feliz mesmo!
—E o João Carlos?!
Ele esteve ontem aqui, por que não me contou? — reclamou Juliana.
Erika deu uma gostosa gargalhada ao dizer:
— É que ele ainda não sabe.
Ou melhor, ainda não tem certeza.
Só peguei o exame agora há pouco.
— Que crueldade, Erika! — exclamou Miguel em tom de brincadeira.
Acho que o João Carlos só vai perdoá-la por causa do seu estado.
Eles riram alegremente.
—Agora tenho que ir.
Vou passar lá na academia.
Acho que o João Carlos vai gostar de saber logo, não acham?
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 19, 2017 11:00 am

—Talvez sim — brincou a cunhada.
— Ei, Erika, vim convidar a Juliana para almoçar.
Não quer ir connosco?
— Obrigada, Miguel.
Deixa pra outro dia — agradeceu, beijando-o.
Quando Erika se foi, Juliana perguntou para Miguel:
- Não acha que é muito cedo para almoçar?
- É...? — respondeu rindo. , - preciso esperar as meninas chegarem — disse, referindo-se às funcionárias.
Elas foram terminar algumas decorações pequenas nas lojas do shopping, já devem estar por aí.
Não posso deixar o estúdio sozinho.
A Bete está curtindo o garotão que nasceu e...
- Sabe — interrompeu Miguel com um jeito um tanto romântico -, estava com saudade e decidi passar aqui para se... se você não estava com saudade de mim também.
Juliana, sob o efeito de forte emoção, contornando uma das mesas, fugiu ao olhar enquanto respondia com uma pergunta dissimulada:
—Não trabalha mais?
— Esqueceu que estou de férias? — respondeu ele, segurando-a, quando ela se aproximou.
E pegando delicadamente em seu braço, olhando-a firme nos olhos enquanto sorria com carinho, perguntou:
— Por que está fugindo de mim?
— Eu... eu... não estou fugindo — gaguejou, perdendo sua desenvoltura natural.
Miguel começou a acariciar-lhe o rosto com as costas das mãos, tocando suavemente em seus belos lábios.
Juliana, surpresa, ficou parada sem saber como reagir.
Seu coração palpitava forte, e sua respiração havia acelerado sem que pudesse fazer algo para controlar.
—Como fui idiota — sussurrou Miguel com extrema ternura na voz.
Você, tão perto de mim e...
—Miguel, eu...
—Precisei sentir falta da sua companhia, da sua atenção, do seu carinho... — tornou com suave inflexão na voz e olhar meigo.
Precisei desejar estar com você para entender que não quero mais que fique longe de mim e... Perdoa-me?
—Por quê? — perguntou constrangida.
—Por demorar tanto para descobrir que sinto algo muito forte por você.
Acariciando-lhe o rosto, ele beijou-lhe os lábios e a tomou num forte abraço.
Juliana correspondeu com ternura e muito amor.
***
Na tarde do dia seguinte, preocupada com a situação de sua mãe, Erika decidiu ir visitá-la.
—Oi, Sónia! — cumprimentou satisfeita.
Não esperava encontrar você aqui.
—O serviço novo que eu fui ver não deu certo.
A mulher já tinha encontrado outra.
Aí resolvi dar uma passadinha aqui.
Sabe fiquei preocupada e só pensava na dona Gilda.
Apesar de tudo fiquei com muita pena dela.
Com um gesto singular, Erika lamentou:
- Foi um golpe duro para todos nós, mas principalmente para ela.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 19, 2017 11:01 am

Então perguntou:
— Ah! E o Edu, está em casa?
Você o viu?
- Não. Fui lá no contador receber, ele deixou tudo direitinho, mas não encontrei com ele, não.
Seu Edu só deixou os cheques.
- Estou preocupada, Sónia.
Ninguém sabe do meu irmão.
Não conseguimos falar com ele, o celular deve estar desligado.
Liguei para minha tia, para os amigos e até para a Paula, ex-secretária dele lá na empresa, e ninguém sabe dele.
— Seu Eduardo estava tão nervoso.
Ele brigou tanto com sua mãe.
— O Edu? A Helena me contou, mas ela estava nervosa, nem falou direito.
— Foi sim. Ele chegou a gritar tanto lá no quarto que daqui de baixo dava pra ouvir.
— Meu irmão gritando?!
Tem certeza?
Ele brigou com a minha mãe?
— Ele descobriu que a dona Gilda armou aquilo para a Helena e ficou louco.
Gritou e falou que ela estragou a vida dele, além de um monte de coisa.
A senhora nem imagina.
A dona Gilda, depois de brigarem muito e ele defender o pai, disse que o seu Adalberto não era o pai do seu Eduardo.
Daí o seu Eduardo pegou as malas e se foi.
Então fui espiar, porque a dona Gilda estava em silêncio, e quando subi lá ela estava de joelhos chorando em cima da cama dele.
Acho que por nunca ter brigado ele deve ter tugido para esfriar a cabeça.
— Meu Deus! Que história é essa agora?
O que minha mãe aprontou dessa vez?
Depois desabafou:
— Coitado do meu mano, como ele deve estar se sentindo agora?
Logo perguntou:
- E a minha mãe?
Onde ela está?
- Ela voltou agora há pouco.
Falou alguma coisa sobre ter ido ao correio.
Depois ela foi lá pra piscina.
— Ela foi ao correio?
— Foi, sim senhora.
— Não me chame de senhora, Sónia.
A propósito, vou precisar de alguém assim como você para trabalhar para mim.
Talvez o salário não seja igual ao que teve aqui, mas o serviço também não será tanto.
Minha casa é metade da metade desta.
Só que, daqui alguns meses, haverá um pimpolhinho para dar mais trabalho ainda — avisou sorrindo.
— A senhora está grávida?!
— Não sou sua senhora.
Mas sim, estou.
Peguei o resultado ontem.
Meu bebé já tem vinte dias! — avisou sorridente e orgulhosa.
—Ah! Parabéns! — cumprimentou abraçando-a emocionada.
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