Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 20, 2017 10:51 am

Mas logo perguntou:
— A dona Gilda sabe?
—Não. Ela mal ficou sabendo que eu casei.
— Casou?! Ouvi a dona Gilda brava, mas nem acreditei que havia casado mesmo.
— Casei sim.
Bem, deixe-me ir ver como ela está. Depois conversamos.
Indo até a piscina, que era arborizada e caprichosamente decorada com requintes modernos, Erika caminhou tranquilamente até próximo de sua mãe, que, apesar de percebê-la, não mostrou nenhuma emoção.
— Oi, mãe — disse puxando uma cadeira e sentando-se à sua frente.
— O que veio fazer aqui? — perguntou Gilda com um tom amargo na voz e sem olhar para a filha.
— Vim saber como você está — respondeu com simplicidade.
Gilda, que girava com o dedo o gelo da bebida sem tirar os olhos do copo, perguntou com inflexão agressiva e voz entorpecida pelo efeito do álcool.
—O que é? Veio aqui tripudiar sobre mim?
Pra ter o gostinho de me ver falida?
Ao erguer o olhar para a filha, esta se surpreendeu ao ver a mãe com o rosto muito inchado, principalmente as pálpebras, de tanto chorar.
- Não mãe.Não vim aqui com essa intenção — explicou com humildade.
Sou sua filha, tem o Edu e, apesar do pai ter ido embora, somos uma família ainda.
- Não me venha com essas mediocridades.
Família... Sei!
Nunca fomos uma família, não será agora que...
- Se não somos uma família, somos o quê?
-Seu irmão nunca teve uma reacção firme, nunca se impôs contra o Adalberto.
Você nunca foi minha amiga, fazia de tudo para me contrariar, para me envergonhar.
Se você estivesse sempre do meu lado, não teríamos deixado a safada da Natália e da Geisa fazerem o que fizeram.
Se não fomos unidos quando tínhamos dinheiro, não será agora que, pobres, vamos nos juntar para dividir as misérias.
—Você está nervosa, mãe.
Precisa se acalmar.
—Você sujou meu nome e acabou com a nossa reputação! — gritou Gilda, atacando-a hostilmente.
Suma daqui! Vá embora!
Levantando-se bruscamente, Gilda empurrou a cadeira que tombou no chão e entornou num só gole o conteúdo do copo que segurava, ingerindo rapidamente toda a bebida.
—Mãe, não faça isso.
Vamos conversar — tentou Erika com ponderação e sem expressar sua amargura pela cena que presenciava.
Não quero conversar com você nem com ninguém.
Odeio todos! — gritava enfurecida.
Quero que o mundo acabe! Suma daqui!
Observando que a mãe agia de modo estranho, praticamente insana, pois Gilda dava passos negligentes enquanto segurava a cabeça com as mãos, Erika pensou que toda aquela revolta passaria se ela tosse embora.
Não era um bom momento para conversarem.
Além disso, queria tentar encontrar seu irmão.
Estava preocupada com ele.
Calmamente, a moça pegou sua bolsa e, com olhar baixo e lágrimas quase a rolar pela face, falou baixinho:
- Tchau. Outra hora conversamos.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 20, 2017 10:51 am

Erika, cabisbaixa, voltou para a casa, onde Sónia a esperava assustada.
— O que aconteceu?
— Como sempre, quando as coisas não saem a seu gosto, ela grita, berra e...
Um barulho, como se algo pesado tivesse caído dentro da piscina, chamou a atenção de ambas, que correram até o local.
Gilda havia caído na água e estava inerte.
Imediatamente Erika se atirou na piscina segurando a mãe com firmeza para que ela não se afogasse.
Com dificuldade, Sónia e Erika tiraram Gilda da água.
— Ela está respirando — afirmou Erika em desespero.
Vou pegar o carro e pôr aqui do lado para socorrê-la.
Gilda foi levada ao hospital.
Avisaram apenas Isabel, sua irmã, pois ninguém sabia do paradeiro de Eduardo.
João Carlos, preocupado com a esposa que ainda estava com as roupas húmidas, levou-a para casa pedindo a compreensão da tia, que, muito prestativa, incentivou para que Erika descansasse um pouco, afirmando que ligaria para ela assim que tivesse alguma novidade.
Gilda havia sofrido um Acidente Vascular Cerebral, mais conhecido como derrame.
A filha a salvou do afogamento, socorrendo-a de imediato, assim que caiu na piscina..
Mas, pela gravidade de seu caso, Gilda acabou falecendo.
Na espiritualidade, pela vaidade que cultivava ao corpo, pelo apego excessivo à sua aparência física, acreditando ser uma criatura privilegiada e superior por seus caracteres físicos, a pobre Gilda experimentou sofrimentos inenarráveis para ser desligada do corpo físico.
Havia ingerido bebida alcoólica, e o efeito disso foi passado imediatamente ao espírito, só que, pelo desencarne, esse mesmo efeito, no nível espiritual, é dezenas de vezes mais forte do que quando se está no corpo físico.
Por essa razão, ela estava grogue e esbravejava, agonizando terrivelmente pelo que sentia.
Foi necessário que os vários companheiros espirituais que procuravam socorrê-la despendessem muito esforço para desliga-
do corpo físico, o que aconteceu somente depois de dias, todo o corpo já estava enterrado e em necrose.
Apesar de todo o terrível sofrimento que Gilda experimentou para o desligamento, pode-se considerar que esse processo foi rápido, tendo em vista que se tratava de um resgate solicitado por seu mentor, se comparado a outras criaturas com débitos semelhantes, cultivadoras de preconceito, orgulho e vaidade, que chegam a ficar muitos anos experimentando esse estado de perturbação.
Livre dos liames que a prendiam à matéria corpórea, Gilda era agora uma criatura completamente diferente do que um dia foi quando encarnada.
Com os olhos esbugalhados, estampava na face dolorosa aflição e surpresa, mas não perdia sua personalidade exigente e agitava-se como se não acreditasse na realidade que experimentava.
Mesmo confusa a princípio, era capaz de identificar sua aparência monstruosa, porém aos poucos ganhava mais noção do que acontecia à sua volta.
—Isso é um pesadelo! — vociferou.
Exijo sair daqui!
—Filha — explicou seu elevado mentor com doce inflexão na voz —, a morte não é o fim, é apenas uma mudança de estado.
Este é o mundo real e sem ilusões do qual ninguém escapa.
Aqui nós nos encontramos na condição que realmente somos.
Envolta por uma aura escura na sua sinistra formação perispirítica, Gilda estava monstruosa, quase fugindo à figura humana.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 20, 2017 10:52 am

Fétida, gotejava uma substância repugnante como argila escura que lhe escorria do corpo espiritual como se fosse um suor abundante.
Sua aparência era o que definia sua personalidade, seu carácter.
Seus pensamentos denunciavam cólera extrema, além perceba3"61**"16 inenarrável Pelas fracções que se podiam
- Não! - expressou-se inconformada.
Isso não é verdade.
É um sonho. Um sonho ruim.
Veja como estou! Não pode ser.
Não pode! – agitava-se revoltada.
Não morri! Estou viva!
- Sim, filha. Você está viva.
Somente seu corpo de carne não vive mais.
— Quem é você?
— Seu mentor.
Ou anjo guardião, como preferir — respondeu com elevada humildade.
— Um negro como meu anjo da guarda?! — questionou sem perder a ironia.
Não! Isso é uma brincadeira de mau gosto.
Estou sonhando. Quero acordar!
Subitamente Lara se fez ver e explicou:
—Mãe, isso não é um sonho.
Tão menos uma brincadeira.
Gilda, nesse instante, pareceu ter recebido um choque.
Seu susto causou-lhe uma paralisação imediata.
— Não me reconhece, mãe? — perguntou com bondade.
— Cruz credo! Você morreu!!!
—E você também, mãe.
Como o Élcio disse, mãe, ele é o seu mentor.
—Nunca... Nunca eu teria um mentor assim.
— O que é a cor senão uma das coisas que nos fazem aparentemente diferentes uns dos outros?
Porém, mãe, temos a mesma origem, a mesma essência.
Somos todos filhos queridos de Deus.
O Élcio se apresenta negro porque gosta, porque quer.
— Foi em uma experiência terrena como negro que comecei a entender o significado da vida, que aprendi a ser humilde, a cultivar valores morais, além de deixar de ser racista e preconceituoso.
Como cresci, moralmente falando.
Descobri que as características físicas só servem para nos distinguir uns dos outros, como criaturas, além de ser um meio de nos harmonizarmos, de rever conceitos e experimentarmos o que oferecemos aos outros.
— Não! Não aceito isso! — esbracejava Gilda passando as mãos pelos braços como se tentasse limpar ou se ver livre daquele aspecto feio, asqueroso.
— Mãe, sei que já recebeu instruções sobre sermos irmãos uns dos outros por sermos filhos de um único Pai.
Não seja preconceituosa nesse momento tão decisivo.
Você nunca soube olhar para alguém e ver além das aparências.
Veja a luz que Élcio traz consigo!
Veja sua aura que demonstra elevação, suas palavras que exibem sabedoria.
-Cale-se! — interrompeu alucinada.
Você morreu!
Não é minha filha!!! — berrou como uma enferma mental.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 20, 2017 10:52 am

É uma assombração! Suma!
Saia daqui, infeliz demónio!!!
- Gilda, acalme-se, filha — pediu Élcio com sua nobre tranquilidade.
- Saia você também, anjo do inferno!
Só Satanás teria servidores como você!
- Mãe, não piore sua situação.
Observe seu estado — pediu Lara, como se implorasse.
Tudo o que critica se voltará contra si mesma.
Todo o seu preconceito haverá de experimentar.
-É verdade, Gilda — tornou Élcio.
Sua mente cria condições de experiência ao que você discrimina.
É lastimável o seu menosprezo pelos irmãos de cor negra, a cor da pele com que Deus originou a raça humana nesse planeta.
O Pai da Vida nunca abandonou nenhum de seus filhos, nem os mais errantes.
Entretanto, as dificuldades que enfrentamos são hoje as consequências do que fizemos no passado.
E nosso futuro será o reflexo do que fazemos, falamos e até pensamos hoje.
A vida terrena é passageira.
A beleza dos olhos, da cor da pele, do corpo escultural e bem delineado não serve como parâmetro para medir a beleza da alma.
Sua beleza como espírito, Gilda, é isso o que você vê agora neste mundo real.
Aceite a proposta de nos acompanhar.
Você é inteligente, no entanto precisa adquirir humildade e sabedoria.
Não será fácil, porém será bem melhor do que se deixar guiar por sua própria consciência, que não dispensa a educação ao espírito e a fará experimentar, de forma difícil, o que sempre recriminou, condenou.
Antes que Élcio prosseguisse com o valioso esclarecimento, Gilda o interrompeu:
— Você mente! Não confio em negros!
Virando-se para Lara, agrediu-a:
— Você mente. Sempre foi fraca, insegura e agora quer se vingar de mim porque liguei para você, naquela manha, e dei o endereço de onde poderia encontrar aquelas mulheres que viu nas fotos com seu marido.
Só que, imprudente e idiota como sempre foi, você se envolveu naquele acidente e acabou morrendo.
Não tive nada com isso!
Você foi quem bateu o carro.
— Isso já passou.
Não me importo mais.
— Não fale comigo! — esbracejou Gilda, afastando-se lentamente ao trazer no semblante um misto de revolta.
Suma daqui também, seu demónio.
— Mãe...
— Saia! Sumam da minha frente!
— Não se afaste, Gilda — pediu seu mentor com generosidade.
Fique aqui.
Vendo que Gilda se afastava e quase saía do campo vibratório criado especialmente, na espiritualidade, para aquela situação, Élcio se apressou em sua direcção, colocando-lhe a destra na fronte e intervindo com vigorosa energia, que lhe era peculiar, fazendo com que Gilda imediatamente perdesse o controle e a vontade, como se desfalecesse e entrasse em um sono profundo.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 20, 2017 10:52 am

Amparando-a com especial carinho, Élcio a tomou nos braços solicitando o auxílio de companheiros, deitou-a em uma maca apropriada e, após algumas recomendações, pediu que a levassem.
Lara, extremamente triste com o que acontecia, tinha lágrimas a correr pela face.
Abraçando-a com carinho, Élcio a confortou por alguns segundos em silêncio, mas depois, procurando seu olhar, argumentou:
— A maioria de nós só aprende quando sofre o que fez o outro sofrer.
— Por que ela é tão preconceituosa, racista...?
— Por seu coração duro, seu orgulho inquebrantável, pela força de sua vaidade.
Vaidade e orgulho andam de braços dados, não há um sem o outro, e somente a dor serve de matéria-prima para vencê-los e se melhorar.
— Eu soube, por Leopoldo, que ela já viveu experiências com a cor negra, como pobre, deficiente, e até hoje não melhorou seus conceitos morais.
Essa reencarnação foi como uma trégua, antes de começar a sofrer as leis de causa e efeito de tudo o que provocou.
Após consideráveis segundos, preocupou-se:
— O que acontecerá com ela?
—Reencarnará talvez em questão de dias.
Solicitei que ela voltasse ao corpo de carne o quanto antes para não se envolver com falanges e espíritos inferiores, o que poderia deixá-la em situação ainda mais difícil.
—Onde ela vai reencarnar? — perguntou com certo medo pela resposta que poderia obter.
- Na África.
No continente africano, onde a vida começou.
Ela reencarnará, mais especificamente, em Joanesburgo, África do Sul.
- Deus do Céu!
E um dos lugares mais violentos do mundo, actualmente!
Lá o preconceito racial é... sem dizer que lá só encontramos a boca aberta, a barriga vazia e a morte em vida!
—Espere, Lara — pediu com melancólica expressão e bondade na voz.
Não pense que essa é a minha vontade ou a vontade de Deus.
"Quem se eleva, será rebaixado", nos disse Jesus.
Foi Gilda que atraiu para si mesma essas condições.
Foi ela que nunca tolerou pobres e negros e, sem compaixão, agredia-os com palavras, acções e colocações cruéis.
Ela não admitia que pobre fosse considerado gente.
Dizia que negros e pobres cheiravam mal.
Acreditava que seus olhos claros eram prova de sua superioridade como criatura humana.
Agora ela nascerá negra, pobre e realmente em um lugar onde o mau cheiro impera.
Ficará órfã cedo e haverá de rogar, humilde, por ajuda, compaixão, amor, piedade; tudo o que nunca ofereceu.
A violência nesse lugar é extrema e a lei quase não existe — esclareceu chorando.
Acreditam que os portadores do HIV, quando se relacionam sexualmente com uma virgem, deixam de ter a doença.
Por isso o número de estupro a meninas e até a bebés é um absurdo!
E ninguém faz nada!
Isso praticamente não e crime naquele lugar.
E por conta desses estupros o número de portadores do vírus da AIDS cresce assustadoramente a cada dia, a cada hora.
A violência por agressões de todas as espécies é tão imensa que faz com que os médicos de várias partes do mundo, principalmente os ingleses, façam estágios naquela cidade para treinamento de guerra, e muitos dizem que enfrentaram situações mais tranquilas em guerra do que as ocorrências em um único final de semana em Joanesburgo.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 20, 2017 10:53 am

— Em outros tempos, Gilda foi uma criatura violenta, que impunha medo e terror.
Não respeitava ninguém, nem crianças e cometeu incontáveis abusos.
Hoje sua consciência cobra harmonia.
Eu a amo muito e haverei de acompanhá-la para que encontre nobres companheiros de organizações que se comovem com criaturas que experimentam o que ela vai viver e a ajudem com um pouco de qualidade de vida para que chegue, ao menos, na pré-adolescência, quando deverá receber como filha sua inseparável amiga Marisa, que também a vem apoiando há muito tempo erroneamente.
— Isso é muito triste.
— Triste, sim.
Mas é o que nos faz crescer, evoluir e ver que somos todos iguais.
E a consciência nos cobrando.
—Será só por essa experiência reencarnatória, não é?
Sabiamente Élcio silenciou e, triste, propôs:
—Vamos, Lara.
Precisamos cuidar de Gilda com carinho.
São criaturas assim que precisam e merecem todo nosso amor, toda nossa atenção.
Erguendo o olhar, Lara perguntou:
— Você parece que não a condena por ser assim, não a recrimina pelo que ela é.
— Claro que não, minha querida.
Se o Divino Mestre nunca condenou ninguém, quem sou eu para fazê-lo?
Antes de criticarmos qualquer pessoa, seja pelo que for, devemos analisar quanto dessa criatura ainda temos em nós e quantos outros defeitos ainda possuímos.
— Élcio, então ela receberá ajuda de organizações que procuram levar um pouco de dignidade a pessoas em dificuldades naquela região?
— Receberá a ajuda que merece, pois sempre há criaturas em evolução que preferem se harmonizar e não experimentar sofrer o que fez a outro.
— Você quer dizer que poderia ser diferente?
Que se ela procurasse desenvolver algum trabalho caridoso, com amor, em defesa de pessoas carentes, lutando por seus direitos, minha mãe não teria um reencarne tão triste?
- Sim, sem dúvida.
Por que você acha que Gilda nasceu rica e com dons para influenciar, magnetizar com sua forte energia?
Certamente não foi para usar em prol do racismo e do preconceito.
Ela se desvirtuou totalmente do propósito certo.
As nobres criaturas, mais sábias, preferem usar a admirável força do amor incondicional para harmonizar suas consciências quando auxiliam seus semelhantes em causas nobres, promovendo pequenas ou grandes acções comunitárias.
E uma questão de escolha e de amor, e se não fosse por esses nobres irmãos devotados que preferem harmonizar a sofrer esse mundo de provas e expiações seria muito pior, pois haveria mais gente sofrendo e menos ajudando.
Vamos lembrar que, quando pensamos que estamos ajudando alguém, isso não é toda a verdade, pois também estamos ajudando a nós mesmos.
Por isso aprendemos que:
"Fora da caridade não há salvação".
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 20, 2017 10:53 am

32 - ENCONTRANDO O PASSADO

Era uma manhã chuvosa quando Eduardo, em desespero, procurava por sua tia Isabel, pois somente naquela manhã ouvira os recados deixados na caixa postal do seu celular.
A campainha soou insistente, quando Isabel, incomodada com o barulho, foi atender à porta sabendo que deveria ser alguém bem conhecido para que o porteiro deixasse entrar.
— Tia! — logo entrou exclamando em desespero.
Peguei os recados hoje cedinho.
O que aconteceu?!
— Eduardo, filho... — Isabel, piedosa, contemplou o assombro do sobrinho enquanto trazia lágrimas transbordando em seus olhos.
Onde você estava, Edu?
Nós o procuramos por toda parte — perguntou ao conduzi-lo para a sala, acomodando-o no sofá e sentando-se a seu lado.
— Eu estava confuso, tia.
Desesperado com tudo o que aconteceu — narrava rapidamente.
Briguei com a minha mãe e, no meio da discussão, ouvi algo muito sério... grave e... fiquei atordoado.
Foi então que resolvi sumir por uns dias.
Acertei algumas documentações que exigiam urgência e me hospedei em um hotel em Campos do Jordão.
Eu não queria ver ninguém.
Desliguei o celular e o guardei na mala.
Decidi que em menos de uma semana eu não o pegaria nem para ouvir os recados.
Queria esquecer tudo, tia.
Precisava analisar minha vida.
E somente hoje... — com olhos expressivos, parecendo implorar por explicações, Eduardo ficou aguardando alguma palavra, então Isabel informou:
- A Erika foi visitar a Gilda.
Disse que ela estava embriagada.
Ela acabou brigando com sua irmã, e a Erika estava indo embora, mas, quando se despedia da Sónia, que ainda estava lá na casa, ouviram um barulho, como se Gilda tivesse caído na piscina.
E era isso o que tinha acontecido.
A Erika a tirou da água e, com a ajuda da Sónia, Gilda foi levada para o hospital com urgência, mas só resistiu por algumas horas.
Ela havia sofrido um derrame.
Deve ter ficado tonta, passado mal, e por isso caiu na piscina.
Eduardo passou as mãos pelos cabelos num gesto aflito, esfregou o rosto e apoiou os cotovelos nos joelhos, segurando a cabeça com as mãos, talvez para esconder as lágrimas que rolavam.
—Isso foi há uma semana, Edu — avisou a tia com imensa tristeza, pois sabia que, apesar de tudo, Eduardo era a única pessoa capaz de conviver com Gilda, graças à sua personalidade dócil.
Ele a amava, apesar de tudo.
—Tia... o que eu fiz?
Isabel o puxou para um abraço.
O sobrinho chorou muito, desabafando com palavras dolorosas pelo arrependimento dos últimos momentos com sua mãe.
—A culpa não foi sua, Edu.
Você estava ausente porque precisava se acalmar.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 20, 2017 10:53 am

Muitas coisas conturbadas aconteceram na sua vida de uma só vez — justificava a tia.
Ninguém pode culpá-lo por querer ficar só.
Foi uma fatalidade o que aconteceu.
Eu deveria estar com ela...
Não deveríamos ter brigado.
—Não adiantaria, Edu.
Isso pode ter acontecido por ela ter ficado muito nervosa comigo.
Nunca havíamos brigado e, na última vez que nos vimos, acabei lhe dizendo muitas coisas.
Sensibilizado, ele chorou ao revelar:
— Eu queria que ela sumisse da minha frente por tudo o que tez para mim e acabei dizendo isso e muito mais.
Brigamos feio, tia.
Olhando Isabel nos olhos, Eduardo desabafou:
— Entre muitas coisas ilícitas que minha mãe fez, descobri que foi ela quem armou aquilo com a Vera para que a Helena nos visse.
Você sabe tudo o que aconteceu até a Helena perder o nosso filho e querer mais me ver.
Fiquei louco quando soube e lhe
disse muitas verdades... coisas que não deveria.
Em algum momento da discussão eu a acusei de ser a culpada por toda nossa decadência e defendi meu pai.
Ela chorou, ficou nervosa e acabou dizendo que o meu pai não é o Adalberto.
Disse que...
Eduardo não conseguiu terminar.
Sua voz embargou e, mesmo assustada com a revelação, Isabel, em lágrimas, procurou não demonstrar e o puxou para um abraço, acalentando-o como a um filho querido que se quer socorrer e consolar.
***
Na casa de dona Júlia, ela e o marido conversavam tranquilamente na cozinha.
— Olha, meu velho, fiz isso aqui pra você — disse oferecendo-lhe uma bandeja com um lindo bolo que exalava um aroma sem igual.
— Huuum! E de mandioca!
O meu predilecto! — exclamou o marido erguendo a sobrancelha ao moldurar um largo sorriso no rosto.
Logo pediu com um jeito engraçado:
— Então esconde rápido!
—Ora, por quê, homem?!
—Não é pra mim? Então tenho o direito de não dividi-lo com ninguém!
Só vou tirar um pedacinho agora e depois guardar.
Mais séria agora, ela acomodou-se a sua frente e comentou:
—Sabe, o Vagner sofreu um acidente feio.
Dizem que ele não está nada bem.
Parece que fracturou o crânio e ainda quebrou a coluna.
Se sobreviver, ficará paraplégico.
—Como aconteceu isso? — interessou-se seu Jairo.
— Disseram que estava fugindo de um bloqueio da polícia.
Ele pilotava uma moto roubada.
— Nossa! Que coisa.
Não dá pra acreditar no que esse moço se transformou — disse o senhor.
— Não dá pra acreditar que a nossa filha namorou ele.
Ainda bem que a Helena abriu os olhos a tempo, senão...
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 20, 2017 10:53 am

— E como ela está?
Você não contou pra ela sobre o Vagner, contou?
—Contei sim, mas parece que ela nem se importou, nem prestou atenção.
Está triste com o sumiço do Eduardo.
Nem a Erika sabe dele.
Ainda bem que tem o casamento do Mauro com Sueli e a Lena está se distraindo um pouco com isso.
Ela gosta muito da amiga, quer ajudar, e por isso sempre saem juntas para comprar alguma coisa, decorar a casa.
-Nossa, o casamento já é na semana que vem!
Passou rápido, hein? — considerou o marido.
- Não passou rápido, não.
Foram eles que adiantaram as coisas; aliás, adiantaram tudo.
Depois de um leve sorriso, completou:
— Se bem que gosto muito dela.
É uma boa moça, muito educada...
E gosta muito da Bianca.
Isso eu sempre reparei. Ela adora a nossa neta.
—Ainda bem que a Carla sossegou em casa depois da surra que levou do mundo.
Já reparou que o irmão da Sueli está vindo aqui todo final de semana? — perguntou seu Jairo com um sorriso maroto.
— Ah, isso é porque a Carla morou na casa deles.
— Não seja ingénua, Júlia. Não seja ingénua.
—O Felipe é um bom moço.
Trabalhador, estudioso, educado.
Tal qual a irmã.
Ah, meu Deus, tomara que a Carla crie juízo.
—Já pensou...?
—Nossas filhas precisam de juízo, isso sim.
Ora, Júlia.
Você é muito exigente às vezes.
Acredito que, se não for assim, tudo ficará desregrado.
Todo mundo vai dar cabeçada.
Entende? Veja a Helena, por exemplo.
Era a filha mais ajuizada.
A Helena e o Eduardo não são um caso que não deu certo.
São um caso que não terminou.
— Pode não ter terminado, mas nossa filha não precisava estar tão triste, não precisava ter passado pelo que passou, comente nos últimos dias, apesar dela estar amargurada pelo sumiço do Eduardo, vejo-a mais firme, mais segura. Ela sabe que ele não vai sumir para sempre.
- E ele não sabe nem da morte da mãe...— comentou seu Jairo.
Creio que o Edu pensou em fugir um pouco por causa de tudo o que seu pai fez, pelo que aconteceu entre ele e a Lena...
Mas que homem irresponsável esse Adalberto, hein?
Abandonar a família e armar um golpe desses.
Onde já se viu! E agora?
Como é que ele pode se sentir bem sabendo que a família passa por dificuldades?
E o filho que sempre trabalhou com ele?
Vai ser difícil para o Eduardo agora.
—O João Carlos falou que a Erika está desesperada atrás do irmão.
Já fizeram até queixa na polícia.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 20, 2017 10:53 am

O Miguel pensa como você, acha que o Edu quis dar um tempo e viajou.
—Falando em Miguel, cade ele? — preocupou-se o pai.
—Ah, Jairo...! — exclamou a mulher juntando as mãos ao olhar para o alto, como se estivesse em prece.
Acho que o Miguel terminou mesmo com aquela Suzi. Graças a Deus!
—Mas ele não disse coisa alguma a respeito.
— Não disse nada mesmo, mas estou percebendo algo.
Quando ele estava firme com a Suzi, sentia que estava perdendo o meu filho, ou pior, que estava ganhando um inimigo.
Mas uns dias atrás notei o Miguel quieto, chateado...
Primeiro pensei que fosse por causa da Helena.
Você sabe, eles sempre foram apegados e cúmplices em tudo.
Depois percebi que ele não retornava mais os recados da Suzi.
Andou acabrunhado por uns tempos, mas agora está mais alegre, satisfeito, nem fala mais o nome dela.
Voltou a ser o Miguel de antes.
— Mas ele está de férias e não pára em casa.
O que anda fazendo?
— Deus ouviu minhas preces.
Já imaginou eu com um filho viúvo e outro solteirão? — falou rindo com gosto.
Deus encaminhou o Mauro e acho que está dando um jeito no Miguel.
—Por quê?
—Estou só vendo o Miguel com a Juliana pra lá e pra cá — explicou com um jeito engraçado.
Logo completou:
— Juliana isso, Juliana aquilo... telefonema atrás de telefonema.
—Será?! — perguntou o pai sorrindo.
—Deus queira! Essa moça sim é mulher pro meu filho! falou com certo orgulho.
É honesta, tem família, educação..
- Adoro a dona Ermínia, que mulher boa.
Soube ensinar princípios aos filhos.
- Acho a Juliana muito segura, pessoa de carácter firme.
Além de ser muito alegre, bonita!
Gosto tanto do jeito dela rir, é tão gostoso!
—Também acho — concordou sorrindo.
Um barulho chamou a atenção do casal.
Era Felipe, irmão de Sueli.
—Com licença! Posso tomar um pouco de água.?
-Não comendo o meu bolo, pode beber a caixa de água
inteirinha! — brincou seu Jairo sorridente.
— Nem um pedacinho? — tornou o moço brincando. — Está bem cheiroso.
— Vocês não precisam brigar pelo bolo hoje — interferiu dona Júlia.
Eu fiz dois. Daqui a pouco levo lá pra você, Felipe.
***
Após sair da casa da tia, experimentando ainda o coração apertado e grande amargura na alma, Eduardo foi até a casa da irmã, onde foi recebido com emoção e choro.
—Edu, não faça mais isso — lamentou em lágrimas enquanto o abraçava.
Eu só tenho você, meu irmão.
Apertando-a contra o peito, Eduardo também chorou pelo peso que carregava na consciência.
Após se acalmarem, ele afagava-lhe com carinho, explicando o que havia acontecido quando saiu de casa e por que decidiu ficar ausente.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 20, 2017 10:54 am

— A culpa não foi sua. Não foi de ninguém, Edu. Tudo aconteceu porque tinha que acontecer.
— Mas estou com os pensamentos fustigados pelo remorso, peio tato de eu ter brigado com a mãe e... ainda nem fui ao seu enterro.
Além disso, algo ficou muito pesado entre nós quando ela me disse que o pai não é meu pai. Entende?
Depois de um breve silêncio, em que sua irmã não sabia o que dizer, ele explicou:
- Por mais que eu seja um cara moderno... por mais que o mundo seja liberal, para mim isso foi difícil de aceitar.
Amo meu pai...! Mas e agora? Fiquei confuso.
Principalmente depois de tudo o que ele fez.
Amo minha mãe, mas ela me traiu, além de ter acabado com a minha vida.
Ela me deixou sem alicerce, sem raízes, sem passado.
— A mãe sempre foi uma pessoa difícil.
Ela sempre magoou e agrediu só para se colocar em posição superior.
Será que ela não inventou essa história por você ter brigado com ela e defendido o pai?
— Pensei nisso também. Mas acho que nunca vou saber, não é? — disse, olhando-a desconsolado.
O que mais me dói, Erika, é não ter certeza de tê-la perdoado por tudo.
Ela acabou comigo quando destruiu minha vida e me deixou sem passado.
Erika o envolveu com carinho, compreendendo a situação, e falou com voz embargada:
—Eu também não sei se a perdoei como deveria.
Faltou mais atitude de compaixão da minha parte.
Sempre revidei as suas ironias.
Hoje estou arrependida.
Mudando de assunto, Erika comentou:
— Mas não pense que tudo está perdido para você.
A Helena já sabe de tudo.
A Sónia e a Jusélia foram procurá-la e contaram tudo o que aconteceu.
—Como ela reagiu?!
—Está desesperada para vê-lo.
A Helena disse que ligou para você, mas a caixa postal estava cheia quando ela decidiu deixar um recado.
—Mas, Erika, o que vou ter para oferecer a ela agora?
Estou sem emprego, sem...
— Você. Ofereça a sua presença, o seu amor, a sua compreensão — disse a irmã.
— Além disso, quem disse que você está sem emprego? — perguntou João Carlos, que acabava de chegar na sala.
Você só não vai trabalhar se quiser viver de juros, mas acho que isso é bem arriscado.
Após os cumprimentos, Eduardo respondeu:
—Quem me dera ter condições para viver de juros.
É lógico que vou trabalhar. Tenho certeza disso.
Mas arrumar a mesma colocação executiva de antes e com o salário equivalente, impossível.
Além disso, no meu ramo, os acontecimentos são divulgados com rapidez, e certamente a história sobre o que meu pai fez já deve ter-se espalhado.
Isso mancha o meu nome um pouco, pois muitos podem e vão imaginar que eu estava envolvido com ele.
-Mas as academias não precisam de um executivo, e sim
de um administrador.
—Não estou entendendo, João Carlos.
-Como não? Não me diga que vai me abandonar com as três academias sozinho e sem administração?
Já me basta a desistência do ex-sócio.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 20, 2017 10:54 am

Entendo muito bem de educação física, não da parte administrativa.
Além disso, precisamos regularizar toda a documentação do dinheiro que você investiu.
— Os valores injectados foram para a Erika.
Além, é claro, de estar ressarcindo os prejuízos que...
— A Erika se casou comigo. Esqueceu?
Quer queira ou não ela tem parte em tudo ali.
E você também.
Nunca podemos esquecer que, se não fosse por sua ajuda, Eduardo, talvez eu estivesse trabalhando com simples aulas e muita coisa na minha vida não teria acontecido.
Você não só ressarciu os prejuízos, mas também ampliou nossas vidas, nossas perspectivas, e fez muito mais do que imagina.
Eu e a Erika já conversamos sobre isso.
— Olhando-o nos olhos, afirmou:
— Somos sócios nas três academias e só nos resta regularizar a documentação.
O cunhado se surpreendeu, não esperava que João Carlos fosse lhe oferecer sociedade, que fosse tão honesto.
Vai, Eduardo! Diga alguma coisa! — tornou João Carlos sorridente.
Nem sei o que dizer — comentou sorrindo sem jeito.
Abandone as mesas de escritório. Mude de vida.
Ou melhor, tenha mais qualidade de vida.
Preciso de você o quanto antes comigo.
Principalmente porque preciso tirar umas férias junto com a Erika antes do nosso bebé nascer.
- O quê...? — indagou Eduardo sorridente.
-É isso mesmo.
Estamos grávidos — confirmou Erika, interrompendo-o.
Os irmãos se abraçaram, agora alegres pela notícia agradável Eduardo a beijou com carinho, sentindo fortes esperanças de renovação.
Após se acalmarem, Erika sugeriu:
— Vai procurar a Helena, Edu.
— Estou indo agora mesmo — avisou sorrindo.
***
Estacionando o carro na frente da casa de seu Jairo, Eduardo sentia o coração aos saltos.
Um misto de medo e ansiedade o deixava inseguro, relutante.
Já era quase noite e, nesse momento, dona Júlia e o marido estavam na área sentados, conversando, quando foram atraídos pelo movimento do rapaz que saía do carro.
—É o Eduardo! — exclamou a senhora sussurrando.
Vacilante, o moço parou próximo ao portão e, antes de
chamar, percebeu o casal, que parecia aguardá-lo.
Após cumprimentar seu Jairo emocionado, foi a vez de dona Júlia, com quem trocou apertado e longo abraço entre o choro recatado que se fez.
Ao perguntar por Helena, Eduardo sentou-se por alguns minutos na área, contando tudo o que havia acontecido e que jamais poderia imaginar que tal fatalidade fosse acontecer com sua mãe em sua ausência.
—Ainda estou atordoado, confuso.
Sustentando a mão do rapaz nas suas, dona Júlia lamentou:
— Oh, filho. Não sei o que posso dizer.
Acho que não há palavras de conforto nesse momento.
Mas pense em Deus.
Se isso aconteceu foi pela vontade Dele.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 20, 2017 10:54 am

— Ainda estou apreensivo e inseguro com a posição da Helena.
Minha irmã me disse que ela já soube de toda a verdade.
— Vá falar com ela, Eduardo — pediu dona Júlia.
— Acho que a Carla e o Felipe estão lá no quarto com ela.
Conversem, filho.
Eduardo sorriu timidamente ao se levantar e, sem dizer nada, entrou.
No interior da casa, ao chegar no corredor, reparou, pela porta entreaberta, que Carla e Felipe se animavam com um jogo electrónico no computador, que ficava numa sala reservada para o equipamento.
Logo imaginou que Helena estaria sozinha.
Então caminhou mais alguns passos e parou na frente da porta do quarto de Helena, que estava entreaberta, e bateu levemente, empurrando-a devagar.
Ninguém respondeu, e ele, diante do silêncio, entrou, espiando à sua procura.
Helena, deitada em sua cama, parecia estar dormindo.
Ajoelhando-se ao seu lado, ele não conseguiu deter sua emoção ao acariciar-lhe o rosto com carinho.
A moça remexeu-se preguiçosa, abrindo os olhos lentamente, quando quase teve um sobressalto ao reconhecê-lo.
Imediatamente ela o abraçou com força, chorando e pedindo como se implorasse:
— Perdoe-me, Edu! — disse com voz embargada, beijando-lhe o rosto.
— Pensei que nunca mais quisesse me ver — sussurrou com palavras sufocadas pelo abraço.
Eu a amo, Helena.
—Fui uma idiota. Não acreditei em você.
—Já passou.
Não diga mais nada sobre essa história ruim.
Vamos viver a partir de agora, tá bom?
Sentando-se na cama, ele aninhou-a nos braços com carinho, acariciando-lhe o rosto rubro pelo choro, enquanto afastava-lhe os cabelos que se colavam em sua face em adorável desalinho.
Ele sorria e chorava ao olhá-la com doce ternura, assim como ela.
Eles não acreditavam naquele momento.
Helena deixou-se ficar em seus braços durante o reinado de um longo silêncio abençoado que parecia mágico.
No rosto da jovem, algo novo e gracioso surgia.
Não havia mais aquele véu denso invisível, que traduzia desânimo e insegurança.
Apertando-a contra si, Eduardo a beijou com todo seu amor.
Era inicio de uma nova etapa em suas vidas.
Um período calmo, esperança e bom ânimo começava agora.
Decorridos alguns meses...
Miguel e Juliana, com a bênção de todos, casaram-se pouco antes de Eduardo e Helena, que precisavam se estabilizar financeiramente antes do casamento.
A filha de Mauro e Sueli nasceu, trazendo muita alegria a todos.
Bianca estava realizada com a chegada da irmãzinha e parecia ter mais ciúme da pequenina do que a própria mãe.
O mais valoroso nesse reencontro de Sueli e Bianca é que Sueli amava a enteada tanto quanto a filha que tivera, provando que as criaturas nobres amam os filhos de alma tanto quanto os filhos da carne.
Sueli não tinha qualquer preconceito em aceitar Bianca como filha querida, continuando, assim, a experimentar nessa vida o que lhe privaram em outra, cultivando amizade e carinho selados de amor.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 20, 2017 10:54 am

***
Chegou o dia em que Erika foi para o hospital, onde todos se reuniam animados aguardando ansiosos a chegada do bebé.
—É menino!!!
O Artur acabou de nascer! — gritou João Carlos que não se continha de felicidade.
O riso se misturava ao choro de alegria, e todos se abraçavam emocionados.
Isabel estava emocionada e feliz.
Acompanhara tudo bem de perto, pois os sobrinhos eram todos os parentes que lhe restavam, além do marido e da filha.
Ao estar mais à vontade com Eduardo, revelou:
—Sinto-me avó.
Você e a Erika são meus filhos queridos.
O sobrinho a abraçou generoso e sorriu.
—E a Vera, tia? — perguntou depois de algum tempo, mas sem pretensões.
—Não deu mais notícias.
Viajou junto com aquele italiano e só me resta rezar por ela.
Logo perguntou:
— E você,
Edu9 Está melhor?
-Estou mais conformado.
Ainda tenho aquele sentimento
de vazio por me faltar o resto da minha história.
Você entende. Mas estou muito feliz com a Helena, e isso me ajuda muito.
Tenho que admitir — sorriu satisfeito.
-Fico feliz por isso — alegrou-se a tia.
-Ainda penso... ainda desejo saber quem foi meu pai.
Mas depois fico imaginando que minha mãe falou aquilo para me magoar, por causa da discussão que tivemos.
— Viva a sua vida.
Que não seja esse detalhe um empecilho para a sua felicidade — aconselhou a tia.
— Eu sei. Mas é que às vezes é inevitável não pensar no assunto.
Essa história sempre vem à minha mente.
— Procure esquecê-la — aconselhou novamente com certa amargura em seus sentimentos, pois ela conhecia bem o passado da irmã.
—Tia, será que meu pai, o Adalberto, sabe disso?
—Não creio. E ele, Eduardo?
Você teve notícias do Adalberto?
—Nunca mais.
Ele simplesmente desapareceu.
Vamos ali junto aos outros para falarmos de coisas alegres - propôs a jovem senhora, querendo fugir do assunto.
***
A noite, já no sossego de sua casa, Eduardo estava silencioso e pensativo.
Helena, ao servir o jantar, observou sua quietude e perguntou com ternura:
- O que você tem? Está tão distante...
- É sobre aquela história do Adalberto não ser meu pai.
Isso está me incomodando muito.
Não sei se por eu ter conversado hoje com a minha tia sobre isso, mas... sinto uma coisa que não sei explicar.
Helena não disse nada.
Não sabia o que falar.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 20, 2017 10:55 am

Reparando na inapetência da esposa, Eduardo perguntou:
—Não está com fome?
—Não — respondeu franzindo o semblante.
Acho que aquele café que tomei lá no hospital não me fez bem.
— Não foi o meu assunto que a deixou triste e sem apetite?
— De forma alguma.
— Lena, acho que precisa ir ao médico.
Essa semana toda nada está lhe caindo bem no estômago.
— Amanhã combinei com a Juliana.
Vamos passar na casa deles para irmos juntos ao hospital visitar a Erika.
—Óptimo! Vamos sim.
* * *
Na manhã seguinte, tanto Helena quanto Eduardo não se sentiam muito animados.
Algo melancólico pairava no ar indefinidamente.
—O João Carlos não vai na academia hoje, lógico.
E você, vai dar uma passadinha lá? — perguntou Helena com simplicidade.
—Não. Avisei o pessoal que hoje não iríamos.
Nesse instante, pela ampla janela da sala, Helena notou que alguém estacionava o carro na frente da casa.
Ela ficou intrigada quando um senhor, que não reconheceu, desceu do veículo e, após olhar longamente a residência, dirigiu-se ao portão tocando o interfone.
—Ora, quem será? — preocupou-se Helena que atendeu o aparelho perguntando:
— Quem é?
— Procuro por Eduardo Brandão. Ele mora aqui?
— Quem é o senhor? — tornou a dona da casa.
— Meu nome é Rómulo Carvalho Linhares.
Sou conhecido da dona Isabel Araújo Solano, tia do Eduardo, e fui muito amigo de Gilda Araújo Brandão.
— Um minuto, por favor — pediu Helena, que foi até o quarto à procura do marido e, em poucas palavras, contou-lhe o ocorrido.
—Nunca ouvi falar nesse Rómulo Carvalho Linhares falou envergando os lábios com um gesto que expressava sua estranheza àquela situação.
__ Vai logo Edu — incentivou a esposa.
— O homem está esperando.
Lentamente Eduardo foi até o portão e, um pouco desconfiado, procurava se resguardar para evitar qualquer surpresa desagradável.
-Bom-dia! — cumprimentou o rapaz.
-Bom... — tentou responder o senhor, que pareceu perder a cor e as palavras tamanho era o seu espanto.
— Então você...
-Perdoe-me, mas... eu deveria conhecê-lo? — perguntou
o moço um tanto embaraçado.
—Olhe bem pra mim, Eduardo.
Não se reconhece? — perguntou com extrema humildade e lágrimas a brotar nos olhos.
Eduardo sentiu-se gelar.
Um torpor o deixou confuso ao observar que ele era impressionantemente parecido com aquele homem.
Engolindo a seco e respirando fundo, pediu sem pensar:
—Entre, por favor.
Já na sala de estar o senhor não controlava as emoções, e Helena, muito prestativa, trouxe-lhe um copo com água açucarada pedindo que bebesse para se acalmar.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 21, 2017 10:22 am

Acho que estou entendendo — disse Eduardo quase gaguejando e ainda nervoso.
Mas estou atordoado... preciso de explicações. Por favor.
Após se acalmar, o homem explicou:
Sua mãe mandou-me uma carta há alguns meses, só que minha esposa a interceptou, por ciúme talvez.
Gilda dizia que do nosso relacionamento, anos atrás, nascera um filho.
O único filho que amou de verdade porque era o símbolo do nosso amor.- depois de secar as lágrimas, prosseguiu:
— Nessa carta, contou-me tudo.
Disse que o marido tinha ido embora com outra mulher e falou das condições difíceis eu tinha deixado para ela e os filhos enfrentarem.
Ela ainda disse que por causa dessa situação toda ela e esse filho brigaram pela primeira vez e que acabou revelando, com o intuito de magoá-lo, que ele não era filho de seu marido.
Eduardo, respirando fundo, sentia um nó na garganta pelo misto de insegurança e surpresa, além da forte emoção.
Procurava aparentar-se calmo, mas esfregava as mãos nervosas sem perceber e o gotejar do suor no rosto denunciava sua aflição.
—Minha esposa faleceu há um mês.
E somente há dois dias, remexendo em alguns papéis, encontrei a carta de Gilda — revelou, não detendo as lágrimas que correram em sua face.
Hoje, bem cedo, procurei por Isabel, que há muito tempo não via, e...
Foi uma grande surpresa.
Eu não sabia que tinha um filho.
Não sabia que Gilda morreu no dia em que me mandou essa carta.
A Isabel me disse que estava pensando seriamente em me procurar por sua causa.
Ela contou que você queria me conhecer, ter um passado.
Por isso estou aqui.
Helena, em pé a pouca distância, estava sensibilizada com a emoção do homem e discretamente chorava junto com ele.
Eduardo, ainda sob o efeito do choque, olhou-o e imediatamente ambos se levantaram, abraçando-se com força, emoção e lágrimas.
—Perdoe-me... Eu não sabia que tinha um filho.
Por longos minutos eles permaneceram abraçados.
Depois, mais calmos, sentaram-se lado a lado para conversarem um pouco mais.
Helena serviu-lhes um café enquanto o homem contava sua história.
—Muitos anos atrás, eu e Gilda nos conhecemos e namoramos por alguns meses.
Só que ela sempre teve suas ambições...
Não posso julgá-la, quem sou eu para isso?
Nós terminamos porque eu era pobre, mas nos amamos muito, nunca a esqueci.
Somente sua tia Isabel soube do nosso romance secreto, pois seu avô, orgulhoso por sua fortuna, não admitiria que as filhas se envolvessem com rapazes que não fossem do seu meio social.
Fui morar no Paraná.
Escrevi várias vezes para Gilda, mas nunca obtive resposta.
Até que só passei a lhe enviar cartões de Natal, como uma forma de lembrança.
Certa vez Isabel, já casada, me escreveu e subtilmente mencionou que Gilda também havia se casado, e entendi que não ficava bem continuar lhe escrevendo dando cartões.
Tempos depois, Gilda apareceu lá no Paraná contando que me encontrou pelo endereço das correspondências eu havia enviado.
Ela contou que não era feliz com o marido, que haviam se separado e que nunca me esqueceu.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 21, 2017 10:34 am

Nesse momento do relato, ele se deteve por alguns segundos, depois prosseguiu:
— Tivemos um novo romance.
Gilda morou comigo por um mês, mas depois não suportou a vida simples que eu levava, apesar de eu ter uma casa boa, grande, confortável.
— Circunvagando o olhar, comentou:
— Até parecida com essa, mas eu não podia oferecer o luxo e os criados aos quais ela estava acostumada.
E por isso Gilda me deixou.
Escrevi para Isabel e ela me informou que Gilda havia voltado para o marido.
Depois disso, nunca mais quis saber dela.
Casei-me e posso dizer que vivi bem.
Minha esposa não podia ter filhos.
Depois de anos, ela teve problemas com os rins e faleceu na fila do transplante.
Quase morri junto. Senti-me só, vazio...
Mas quase morri novamente quando li a carta de sua mãe, que data de meses atrás.
Aqui está — disse estendendo-lhe o envelope.
Eduardo pegou a correspondência e a abriu, reconhecendo a letra e as palavras de sua mãe.
—Como me encontrou? — perguntou, sustentando agora um leve sorriso.
Ou melhor, como encontrou a minha tia?
Achei as cartas que troquei com Isabel.
Vim para São Paulo no mesmo instante e a procurei.
Tive medo, pensei que ela tivesse se mudado, mas não.
Hoje cedo, quando nos vimos apos tantos anos, senti que sua tia me reconheceu imediatamente, mas só depois veio a confirmação, quando comentou antes de dizer qualquer palavra:
"O Eduardo é a sua cara!"
Pedi que me desse seu endereço e não lhe adiantasse nada.
Foi quando seu Rómulo deu um leve sorriso e pediu:
- perdoe-me pela surpresa , meu filho.
- Sou eu quem pede desculpas pela recepção talvez inadequada pelo meu jeito...
Estou surpreso, mas muito feliz.
— Feliz mesmo?
- Sim. Estou imensamente feliz.
Quero conhecê-lo, quero...
— Teremos muito tempo para isso — avisou, interrompendo-o educado.
Logo comentou:
— Só não gostaria que desprezasse o Adalberto.
Foi ele quem o criou, que o educou como filho.
Lamento por eu não saber, por não estar presente mas não vamos culpar sua mãe.
Não devemos julgá-la pelo que fez.
— Claro que não.
Ela não está aqui para se defender.
Pai e filho se abraçaram novamente emocionados, mas depois Eduardo perguntou:
— O que você faz? Como vive?
— Só tenho você, filho.
Não tenho mais nenhum parente próximo.
A não ser um irmão que saiu pelo mundo e não sei onde está.
Tenho dois depósitos de materiais para construção no Paraná e...
— Vai ver até que vendia as pás, as enxadas e outros materiais que fabricávamos — Eduardo lembrou sorrindo.
— Quem sabe?! — tornou o senhor alegre.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 21, 2017 10:34 am

— Ah! Deixe-me contar uma novidade.
Minha irmã, a Erika, teve bebé ontem. É um menino.
Almoce connosco e à tarde poderemos ir até o hospital, se quiser, é claro.
— Eu gostaria de ficar com você, Eduardo, o maior tempo possível.
Ir aonde você for, ser apresentado... saber mais sobre o meu filho, se você permitir — falou com olhar brilhante e um largo sorriso.
E quero ver a Erika sim.
Ser um pai para ela, se ela quiser.
Podemos ser uma família.
Sempre desejei ter filhos, uma família grande, participar de tudo...
— Claro! — afirmou sorrindo, mas com imensa vontade de chorar.
— Com licença — pediu Helena humilde.
Eu gostaria de me apresentar — disse emocionada.
Tomado de súbito impacto, Eduardo levantou-se ligeiro, abraçou a esposa, beijou-lhe rápido como um pedido de desculpas e falou:
—Essa é a Helena, sua nora, minha esposa.
Eles se abraçaram e novas lágrimas de emoção se fizeram presentes.
Rómulo, que pensava estar sozinho, viu-se com um filho amoroso e de coração nobre como o seu.
Ele se adaptou rápido.
Principalmente com a família da nora, que era grande e movimentada.
Tudo o que sempre sonhou.
Eduardo agora não cabia em si de emoção e felicidade.
Quando Rómulo decidiu que seria o momento de retornar para a sua cidade, Eduardo o convidou para morar com eles.
A ideia partiu de Helena, que ficou muito feliz com a aceitação do convite, principalmente porque Rómulo, com seus sessenta e cinco anos, era uma criatura amorosa, sensível como Eduardo, simples, calmo e de boa índole.
Ela e o sogro se dariam muito bem, e ele seria de grande valor para todos, principalmente porque, assim que se mudasse para a casa do filho, Helena precisaria de muita ajuda e companhia, já que a chegada de Adriane, a primeira filha do casal, traria renovações de sonhos, esperança e bom ânimo, pois onde existe amor verdadeiro não existem regras, ambições ou limites à verdadeira felicidade.

§.§.§- Ave sem Ninho
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