Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 05, 2017 10:00 am

—Vamos sair, está bem?
Iremos a um lugar mais tranquilo, onde possamos conversar.
—Não, não acho que... — titubeou a moça.
— Espere aí! — pediu resoluto, levantando-se.
Vou avisar o Miguel e a Erika que vamos dar uma volta.
— Não, Eduardo — pediu meio em dúvida, segurando o braço do rapaz.
— Será melhor. Eu também estou querendo sair daqui.
Não estou para barulho hoje.
Após avisar sua irmã e Miguel, Eduardo retornou à mesa e conduziu Helena para que saíssem.
Minutos mais tarde, ambos estavam em um lugar tranquilo, em um ambiente mais aconchegante, onde a música ao vivo, muito suave, proporcionava serenidade aos ânimos.
— Você aceita alguma bebida?
— Não, obrigada.
—Certo. Você não bebe nada de álcool — lembrou, enquanto olhava o cardápio.
Mas vamos ver...
Um suco? O que acha?
—Está bem, então.
Helena sentia-se inquieta, não estava sendo agradável ficar ali.
Havia se arrependido por ter aceitado o convite.
O assento onde estavam acomodados era como uma poltrona que rodeava quase toda a mesa redonda, de modo que Eduardo sentou-se bem próximo a ela, colocando o braço sobre o encosto, quase tocando-lhe as costas.
A luz bruxuleante do ambiente, junto ao som tranquilo oferecia um convite ao romantismo, e talvez fosse isso que não a agradasse.
Entretanto Eduardo, percebendo sua sensibilidade, procurou se manter um pouco mais distante, a fim de não atrapalhar a descontracção da moça.
Com assuntos agradáveis, aos poucos ele a fez se sentir melhor.
Até que, sem perceberem, estavam falando sobre Vagner e o namoro que recentemente Helena havia terminado.
Ela acabou confiando a Eduardo tudo o que lhe ocorrera, e ele, sem perceber, parecia indignado ao ouvir aquilo tudo.
—Acho que você já deveria ter contado isso para seu irmão.
—Não! O Vagner tem uma arma.
— E só por isso você vai se deixar intimidar?
Vai se submeter a um cretino como esse?
E se não parar por aí?
— Estou confusa, Eduardo.
Estou com medo — confessou Helena fugindo o olhar para esconder as lágrimas que brotaram.
Acontecem tantas tragédias por aí por causa de situações como essa.
Tenho muito medo.
Ele não sabia o que dizer.
Ao reparar que Helena, sensibilizada, tentava secar discretamente as lágrimas, ele aproximou-se e, num abraço, puxou-a para si, como uma forma de consolá-la, de fazê-la sentir-se mais segura.
Subitamente Eduardo sentiu-se invadido por uma emoção diferente.
Era algo forte, que fazia seu coração acelerar, e, ao mesmo tempo, dava uma sensação de felicidade.
Percebendo o choro discreto que se fez, ele a apertou contra o peito, acariciando-lhe com cuidadoso carinho seu rosto delicado, e, num gesto amoroso, beijou-lhe os cabelos enquanto sentia seu perfume suave.
Apesar de comovido com a história, sentia-se satisfeito por recostar seu rosto sobre os fios sedosos, roçando suavemente seus lábios para senti-los melhor.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 05, 2017 10:00 am

Era bom poder estar ali com Helena.
Ela era diferente, sem ambições, educada e discreta.
Carente, precisava de seu apoio, de sua ajuda; ele sentia isso e gostava de saber que podia protegê-la.
Procurando se recompor, Helena, num gesto delicado, afastou-se do abraço enquanto Eduardo se inclinava para ver seu olhar.
E tirando-lhe com carinho alguns fios teimosos de cabelos que se desalinharam na frente do jovem rosto o rapaz dizia afável:
—Não se magoe assim.
Para tudo há solução.
— Tanta coisa está acontecendo — dizia com voz rouca.
Nos últimos tempos venho perdendo a motivação...
Não sei o que está acontecendo comigo.
— Você é jovem, inteligente, bonita...
Não há motivo para se sentir assim, Helena.
— Sabe, quando paro e penso, vejo que não há motivo para me sentir triste, deprimida.
Mas não sei o que acontece, é algo mais forte do que a minha razão, do que a minha vontade.
—Mas o que está errado?
O que gostaria de mudar?
Nesse instante, lágrimas copiosas fugiram ao controle de Helena e rolaram por sua bela face tristonha.
Eduardo as aparou com um toque suave, e ela explicou:
— Às vezes me sinto saturada.
Tenho que servir alguém nisso, agradar o outro naquilo, sempre tenho que estar à disposição.
Nunca tenho tempo para mim.
Minha mãe é muito boa, mas também muito rigorosa.
—Gostaria que minha mãe fosse mais rigorosa e menos orgulhosa — desabafou quase sem pensar.
Mas, se tivesse tempo para você, o que gostaria de fazer?
Ela o encarou nos olhos ao dizer:
—Aí é que está o problema, eu não sei.
Parece que nada me completa.
Sinto um vazio, uma saudade não sei do quê... - o choro embargou sua voz, e ela revelou:
— E como se eu não tivesse nenhuma razão para viver — dizendo isso, apertou rosto com as mãos e desatou a chorar.
Eduardo, paciente, interessado e amoroso, abraçou-a com carinho por longo tempo e afagou-lhe os cabelos com ternura, tentando acalmá-la.
Após alguns minutos, mais recomposta, ela se afasto dizendo:
— Desculpe-me, Eduardo.
Não sei o que me deu para estar fazendo isso.
Não tenho esse direito.
— Não diga isso.
Eu me considero um amigo.
Gosto de você e quero vê-la feliz e, se possível, ajudá-la.
Depois, perguntou:
— Sente-se melhor? Mais leve?
Sorrindo constrangida, respondeu:
— Sim, acho que estou melhor.
Então lembrou:
— Estou preocupada com a hora.
O que combinou com meu irmão?
— Que ligaríamos um para o outro quando decidíssemos ir embora.
Sua mãe não gostaria de vê-la chegar em casa sem ele, nem a minha, iria ficar satisfeita em ver a Erika, a essa hora, sem estar comigo.
— Então, liga para o Miguel — pediu com jeitinho. — Vamos embora?
— Se você quer assim... — decidiu sorrindo e com um gesto singular.
Assim foi feito.
Eduardo atendeu ao pedido de Helena e ligou para Miguel, combinando para se encontrarem.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 05, 2017 10:01 am

10 - FANTASIAS PERIGOSAS

Helena e Miguel chegaram em casa de madrugada e, ao se despedirem dos amigos, entraram sem fazer barulho para não acordar ninguém.
Após um banho Helena se deitou, e uma forte sensação de tristeza a envolveu, fazendo-a chorar sem motivo.
Passadas algumas horas de sono, Helena acordou assustada com o som alto da voz de Carla e Mauro que iniciaram uma briga.
Levantando-se rápido, foi ver o que estava acontecendo e, ao chegar na copa, verificou que sua mãe, bem firme, já dominava a situação, exigindo respeito.
—Sem mais nenhum pio!
Não quero saber disso aqui dentro de casa!
Entenderam?! — vociferava dona Júlia, sisuda e enérgica.
—Mas mãe, foi ele quem...
—Não quero saber, Carla!
Vocês dois estão errados.
Eu tenho filhos e não animais que vivem brigando.
Espero que se entendam e conversem até chegar a uma solução, e não façam mais isso.
Mauro não dizia uma única palavra.
Carla, por sua vez, mostrava-se inquieta e com modos nervosos.
Sentem-se aí e tomem café como gente.
Mãe — chamou Helena —, não tem nada queimando?
Num gesto de susto, dona Júlia levou a mão na cabeça ao se lembrar e correr dizendo:
— Os pães de queijo!
A sós com os irmãos, Helena perguntou:
— Tudo bem?
Não houve resposta.
Seu Jairo, que trazia o jornal e não sabia do ocorrido, chegou animado, comentando sobre uma notícia sem reparar na fisionomia dos filhos.
Mais tarde, já em seu quarto, Helena ouvia as queixas intermináveis de sua irmã.
— ... só porque me ligaram e deixaram recado para eu ir levar as fotos.
— Você precisa ver que tipo de agência é essa, Carla.
Se não estão querendo mostrar uma coisa e na verdade tem outros interesses por trás.
— Imagine?! De jeito nenhum! — negava a irmã.
O pessoal é muito bacana.
Tem muita menina lá que fez carreira — contava quase eufórica, tamanha era sua esperança.
— Mas por que você decidiu tentar ser modelo? Confesso que não entendo.
— Adoraria ver minhas fotos nas revistas, nos cartazes de rua, nos comerciais... — falava a jovem como se naquele momento já pudesse vislumbrar o que dizia.
E ainda olhando para lugar algum, com um sorriso estampado, revelou:
— Serei famosa! Você vai ver.
Vou aparecer na TV, participar de programas do horário nobre. Espere só!
— Carla, sei que seus sonhos são lindos, mas penso que você está vendo só o resultado final.
Sabe, quando uma garota alcança o sucesso e se torna uma estrela, creio que centenas ou até milhares de outras moças com os mesmos sonhos e ideais ficaram pelo caminho.
Muitas com amargos enganos e decepções.
— Vai fazer como o Mauro, é?!
Vai ficar agourando?! — respondeu malcriada.
Em vez de me criticar, ele deveria me dar a maior força, pois trabalha em uma revista, tem contacto com fotógrafos e muitas outras pessoas dessa área.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 05, 2017 10:01 am

—Estamos é a alertando.
E se o Mauro não lhe dá nenhuma força é porque conhece muito bem esse meio.
Acho que ele está certo.
Carla fez um ar insatisfeito ao contrair os lábios, enxergando-os para baixo, não aceitando os alertas da irmã.
A chegada da amiga Sueli deu outro rumo à conversa.
Bem depois, ao ficarem a sós Helena e Sueli, esta reclamou:
— Puxa! Nem pra me chamar.
Faz tempo que eu não dou uma dançadinha — reclamou dengosa.
— Na verdade eu nem queria ir.
Só acabei aceitando por causa da insistência da Juliana.
Você tem que conhecê-la, que pessoa magnífica, nossa!
Mesmo assim, não valeu a pena, pois quando chegamos lá ela e o Miguel foram para a pista de dança e acabei ficando num canto.
— Você não acha que de uns tempos pra cá você está ficando um pouco chata, Helena?
—Nossa, Sueli!
— É verdade! Repare só, não quer mais sair, sempre está triste, preocupada com alguma coisa... — após uma pausa, a amiga lembrou:
— Vai ver que só quer ficar dormindo pra ver se sonha novamente com aquele cara.
— Às vezes fico pensando se esse rapaz dos meus sonhos não seria a minha alma gémea, a cara-metade com quem eu deveria ficar.
Você acha que isso é possível, Sueli?
— Sei lá. Mas não creio que Deus erraria, não é?
Se ele é uma alma do outro mundo, que motivo teria para acompanhá-la?
Só se está a fim de atrapalhá-la.
Cuidado com essas fantasias, hein!
— Ontem, enquanto íamos para a danceteria, a Juliana e a Erika falaram rapidamente sobre a vida após a morte, sobre carma ou coisa assim; parece que a dona Gilda não aprova o namoro da filha com o João Carlos porque ele é negro, por isso falavam que somos iguais, todos filhos de Deus, e que temos várias vidas.
Que podemos ter experimentado várias aparências no passado, entre outras coisas.
Fiquei interessada sobre esse negócio de reencarnação, mas não deu para saber muito.
Elas logo mudaram de assunto.
Será que esse espírito com o qual eu sonho era para estar vivendo hoje e algo deu errado?
- Sei lá. Mas acho que você não deveria ficar pensando nisso.
Como eu disse, cuidado com essas fantasias.
Pode acabar deixando de viver o momento por causa de uma ilusão — respondeu a amiga sabiamente.
— Mas não consigo esquecer, Sueli.
Parece que pensar nisso é a única coisa que me alegra.
Estou tão cheia, desanimada, sem objectivo na vida.
Parece que vivo porque alguém quer.
— Credo, Helena! Não fale assim.
Isso atrai coisa ruim.
Você é nova, bonita.
Ah, como eu queria ser como você.
Adoraria ter o seu corpo, o seu rosto, seus cabelos e mais nada — declarou Sueli, seguindo com uma alegre gargalhada.
Sabe, Lena, você tem de rezar um pouco, não é normal ficar assim.
Deus não erra não.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 05, 2017 10:01 am

Helena sorriu meio desanimada e nada comentou.
Jogando-se sobre algumas almofadas em um canto do quarto, olhou para o tecto enquanto sentia empoçar em seus olhos lágrimas quentes, prontas para cair.
Sueli, percebendo-a triste, procurou mudar de assunto falando sobre algo alegre, fingindo não se importar com o que via para não dar excesso de atenção àquela tristeza.
***
Os dias foram passando, e Helena agora parecia mais insatisfeita do que antes com os acontecimentos corriqueiros e até insignificantes que deixavam seu coração envolto de pesares desconhecidos.
O maior empecilho ao bem-estar da jovem eram os seus pensamentos negativos, que se embebiam de maus presságios e atraíam para junto de si vibrações densas, aflitivas, além da afinidade com espíritos levianos, inconsequentes, sofredores ou ignorantes.
Ao lado de Helena, além do espírito Lara, havia também o espírito Nélio, que, assim como Lara, permanecia próximo a ela por causa de uma grande afinidade.
Nélio, diferente de Lara, apresentava-se com um carácter sério, com uma linguagem e ideias capazes de influenciar, tal eram suas vibrações, sua pose, um jeito que transmitia confiança aos menos avisados.
Em um passado distante, Nélio, um servidor fiel para com seus trabalhos, foi gratificado com o nobre título de duque por seus préstimos ao rei.
No entanto, havia outros incontáveis interesses que o levaram rapidamente a contrair matrimónio com uma jovem, prima da rainha, a fim de que a referida moça não ficasse mal falada pelos costumes da época.
Porém, Nélio era comprometido com uma jovem aldeã, a quem verdadeiramente amava e era correspondido.
Movido pela ambição e certo de que a jovem aldeã aceitaria ser sua amante, Nélio surpreendeu-se quando a referida moça, sentindo-se apunhalada e traída, recusou terminantemente sua proposta, não aceitando nem sequer vê-lo mais.
Essa jovem era Helena, que, desde aquela época, já possuía elevada moral, não se permitindo inclinar à prática da leviandade do adultério, nem por aquele que verdadeiramente amava.
Contudo, Nélio não a perdoou por tê-lo rejeitado e a difamou, manchando sua honra o quanto pôde para atrapalhar seu destino e lançá-la a escárnios dos piores níveis, pois já que a jovem não lhe pertenceria também não seria de mais ninguém.
Com grande amargura, junto ao assomo de desilusões, Helena deprimiu-se pelo resto de seus dias, desencarnando só, com uma profunda melancolia por ver-se tão humilhada.
Nélio, também amargurado, seguiu o destino que traçou para si.
Nunca encontrou felicidade, satisfação na riqueza ou tranquilidade em sua consciência pelo que fizera.
Agora, estagnado em sua evolução moral por não aceitar os desígnios de Deus, exibia-se com carácter fraco quando exigia para si um direito que estava muito longe de merecer.
Na presente experiência, Helena via-se atormentada, pois em estado de sono, pela emancipação da alma que se liberta do corpo físico com a oportunidade de tarefas e visitas, tinha a oportunidade de encontrar-se com o espírito Nélio, que a queria conquistar, que desejava seu perdão, pretendendo tê-la para si como planeou no passado.
Em um estado assonorentado, com extrema lentidão de raciocínio, Helena só o ouvia, sem saber como reagir.
São espíritos pseudo-sábios como esses que podem desequilibrar alguém, como Helena, por exemplo, despreparada pela falta de fé e conhecimento, que se deixa levar por pensamentos estranhos e se ilude, acreditando que as Leis de Deus não estão corretas.
—Querida Helena — finalizava Nélio ao tê-la próximo, após já tê-la influenciado bastante —, não aceites ninguém em tua vida.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 05, 2017 10:02 am

Existimos um para o outro, e tu és minha.
A vida nos foi ingrata, cruel, mas haveremos de ficar juntos pela eternidade.
Nenhum de nós dois sofrerá pela solidão, pelo abandono... Tu és minha.
O rádio relógio que estava programado para despertar ao disparar fez Helena voltar rapidamente para o corpo e, meio atordoada, ela se levantou:
—Nossa! Já amanheceu?
Parece que eu nem dormi — resmungou, trazendo na voz um certo peso.
Olhando para a cama da irmã, verificou que Carla já havia levantando e, pelo jeito, bem antes dela, pois suas coisas e a cama já estavam arrumadas.
Após um banho, no desjejum, enfrentou com desânimo a agitação que seus irmãos e seus pais faziam na copa enquanto comentavam animados sobre diversos assuntos.
Helena tomou seu café em silêncio e cabisbaixa.
— Se quer uma carona, tem que ser agora, Helena! — avisou Miguel, bem eufórico.
— Quero sim. Deixe-me só escovar os dentes e pegar minha bolsa — avisou com simplicidade.
— Helena, quer levar esses bolinhos, filha? — perguntou a mãe, prestativa.
— Não.
— Olha, tá aqui! Já arrumei.
— Não, mãe! Eu não quero — respondeu irritada.
—Tia! Tia! — gritou Bianca ao vê-la saindo da copa.
Você me traz aquela revistinha?
Helena pareceu não ter ouvido e se foi.
Dona Júlia nada disse, mas reparou no modo quase hostil, nada comum à personalidade da filha.
São em situações simples e corriqueiras que uma pessoa pode começar a exibir a influência espiritual que recebe.
E não se vigiando tudo pode piorar a cada dia.
Já no carro, junto com Miguel que a deixaria no serviço, Helena ficou completamente calada enquanto o irmão não parava de falar.
— A Suzi é uma pessoa bem simples.
Você verá o jeito dela quando conhecê-la melhor.
Sei que se darão muito bem.
Ela tem umas colegas da faculdade super bacanas...
Vendo o silêncio da irmã, ele disse:
— Oh, Helena, o que você tem?
Está estranha, calada.
— Estou desanimada e sem vontade de falar.
— Está preocupada com coisas do seu serviço?
— Não — respondeu de forma mecânica e fria.
— E o Vagner? Ele a procurou?
— Não. Queria que ele tivesse morrido.
— Credo, Helena! O que é isso?
—Ah... — resmungou.
Eu só queria sumir por alguns dias.
Queria tirar umas férias, ir para bem longe e ficar sem ver ninguém.
Com um sorriso espirituoso, o irmão perguntou para quebrar aquela seriedade:
—Não queria nem me ver? Helena sorriu, e ele perguntou:
Quer que eu a pegue hoje?
Acho que vou sair no horário.
Na hora de ir embora eu telefono, está bem? Óptimo.
Vou ficar esperando.
Escuta, Miguel, por que você não encontra a Suzi às sextas-feiras?
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 05, 2017 10:02 am

Já que ela estuda na parte da manhã...
Sempre o vejo livre nesses dias e procurando programas, vive ligando para a Juliana e o João Carlos...
Não tenho nada contra, mas é estranho não estar com sua namorada.
E que às quintas, sextas e alguns sábados a Suzi e algumas
amigas fazem um grupo de estudo.
Isso a ajuda muito com as notas da faculdade.
Acho isso legal e não me importo.
— Nunca o vi tão interessado em uma garota como agora.
— Tenho que admitir que estou mesmo.
A Suzi é uma menina sincera, honesta, recatada...
Ela é daquelas que se prende à família, que ouve os conselhos dos pais, sabe como é?
— Quando vai conhecer os pais dela?
— Sabe que ainda não falamos nisso.
Quem sabe nas férias.
— Fico feliz por você, Miguel.
O carro já estava parado em frente à empresa onde Helena trabalhava quando ele deu um sorriso e não disse mais nada.
—Tchau! Depois eu ligo — disse a jovem beijando-o no rosto antes de sair do carro.
No decorrer do dia, Eduardo via-se repleto de serviço.
As reuniões, os relatórios para estudar e as propostas para analisar com minúcia clamavam toda a sua atenção.
— O que digo, Eduardo? — perguntou a secretária.
— Paula, eu sou um só — avisou com um sorriso forçado no rosto.
Você já falou com meu pai?
— O doutor Adalberto avisou que não virá após o almoço.
Foi ele quem mandou passar isso para você.
— E a Natália?
Ela pode resolver esse assunto muito bem.
Até porque todos os números são decididos por ela.
— A Natália avisou que tem consulta médica hoje à tarde. Ela não virá.
— Ei! Espere aí! — falou mais sério.
Não posso resolver isso sozinho!
Não vou segurar essa, não.
— Eu também acho muito comprometedor você participar sozinho de uma reunião com esses novos fornecedores sem o senhor Adalberto e a Natália.
Posso, com jeitinho, procurar uma desculpa para desmarcá-la e agendá-la para outro dia. O que acha?
—Se você conseguir isso...!
Pode pedir o que quiser como recompensa, Paula! — sorriu brincando ao se jogar para trás, na cadeira.
— Um ou dois dias de descanso cairiam bem — retribuiu com jeito brincalhão, mas com certo desejo na sugestão.
— Ah! Tudo, menos isso.
Não sobrevivo aqui nessa empresa sem você, Paula.
Aliás, essa empresa não vive sem a sua eficiência.
— Tudo bem. Fica me devendo.
Mas... voltando ao assunto dos fornecedores, penso que um adiamento nesse encontro vai ser bom, pois essa atitude não vai exibir nossos interesses em suas propostas.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 05, 2017 10:02 am

Eduardo a olhou e sustentou um sorriso maroto ao dizer:
—Paula, você só não é promovida a directora porque não encontraremos outra secretária, não igual a você.
A moça riu, virou-se e saiu.
A sós, Eduardo olhou para toda aquela documentação que aguardava ser estudada e se sentiu farto.
Jogando-se para trás, apreciando o balanço macio de sua confortável cadeira, cruzou as mãos na nuca e ficou pensando em como estaria Helena.
Na certa trabalhando.
Mas será que pensava nele.
E por que haveria?
Tinha de encontrar um jeito de vê-la.
Havia mais de vinte dias que não se viam.
Desejava isso intensamente.
Foi tão bom tê-la em seus braços, abraçá-la com carinho, sentir sua ternura, seu jeito meigo, seu perfume...
Lembrou-se de seus cabelos macios em seu rosto... de sua pele sedosa...
Algo parecia apertar seu peito, queria ter Helena consigo.
Ela era sincera e sensível.
"Será que percebeu minhas intenções?", pensou.
"Ela pode não gostar.
Tenho que ser mais discreto.
Helena não parece ser uma dessas minas' fáceis."
E novamente ele voltou a sonhar com a jovem, percebendo que sentia sua falta e desejava nova oportunidade para estar com ela.
Sabia que a moça havia terminado recentemente um namoro, mas percebeu que não restava nenhum sentimento forte que a prendesse ao outro, porém seria conveniente esperar.
Brigando com seus pensamentos, dividido entre a razão e o desejo, não queria esperar.
—Mas como vou encontrá-la?
Qual motivo alegaria para ir procurá-la? — chegou a perguntar em voz alta.
Nem tenho o telefone do seu serviço. Droga!
Sorrindo pela ideia imediata, exclamou:
— Já sei!
Pegando o telefone, ligou para a casa de Helena, torcendo para que Carla atendesse.
Seria fácil inventar alguma coisa a ela para que fornecesse o telefone do serviço da irmã.
Mas, ao ser atendido por dona Júlia, ele se desencorajou, disse que era engano, pediu desculpas e desligou.
Inconformado, solicitou à secretária que fosse novamente em sua sala e, ao vê-la entrar, pediu um tanto sem jeito:
—Paula, preciso de um favor.
—Estou às ordens — disse sorrindo, sempre animada.
Após fazer uma anotação rápida num bloco de rascunho, falou:
—Dê um jeito de localizar o telefone da Helena.
Ela trabalha nessa empresa aqui — disse, entregando a anotação.
O nome completo está anotado também.
Há é analista de sistemas, eu acho.
— Quer que eu ligue e transfira a você?
— Não. Só consiga o número.
— Pode deixar — disse a moça sorrindo.
— Obrigado, Paula.
Passados alguns minutos, a secretária entregou-lhe o número do telefone anotado em um papel.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 05, 2017 10:02 am

Eduardo a olhou e sustentou um sorriso maroto ao dizer:
—Paula, você só não é promovida a directora porque não encontraremos outra secretária, não igual a você.
A moça riu, virou-se e saiu.
A sós, Eduardo olhou para toda aquela documentação que aguardava ser estudada e se sentiu farto.
Jogando-se para trás, apreciando o balanço macio de sua confortável cadeira, cruzou as mãos na nuca e ficou pensando em como estaria Helena.
Na certa trabalhando.
Mas será que pensava nele.
E por que haveria?
Tinha de encontrar um jeito de vê-la.
Havia mais de vinte dias que não se viam.
Desejava isso intensamente.
Foi tão bom tê-la em seus braços, abraçá-la com carinho, sentir sua ternura, seu jeito meigo, seu perfume...
Lembrou-se de seus cabelos macios em seu rosto... de sua pele sedosa...
Algo parecia apertar seu peito, queria ter Helena consigo.
Ela era sincera e sensível.
"Será que percebeu minhas intenções?", pensou.
"Ela pode não gostar.
Tenho que ser mais discreto.
Helena não parece ser uma dessas minas' fáceis."
E novamente ele voltou a sonhar com a jovem, percebendo que sentia sua falta e desejava nova oportunidade para estar com ela.
Sabia que a moça havia terminado recentemente um namoro, mas percebeu que não restava nenhum sentimento forte que a prendesse ao outro, porém seria conveniente esperar.
Brigando com seus pensamentos, dividido entre a razão e o desejo, não queria esperar.
—Mas como vou encontrá-la?
Qual motivo alegaria para ir procurá-la? — chegou a perguntar em voz alta.
Nem tenho o telefone do seu serviço. Droga!
Sorrindo pela ideia imediata, exclamou:
— Já sei!
Pegando o telefone, ligou para a casa de Helena, torcendo para que Carla atendesse.
Seria fácil inventar alguma coisa a ela para que fornecesse o telefone do serviço da irmã.
Mas, ao ser atendido por dona Júlia, ele se desencorajou, disse que era engano, pediu desculpas e desligou.
Inconformado, solicitou à secretária que fosse novamente em sua sala e, ao vê-la entrar, pediu um tanto sem jeito:
—Paula, preciso de um favor.
—Estou às ordens — disse sorrindo, sempre animada.
Após fazer uma anotação rápida num bloco de rascunho, falou:
—Dê um jeito de localizar o telefone da Helena.
Ela trabalha nessa empresa aqui — disse, entregando a anotação.
O nome completo está anotado também.
Há é analista de sistemas, eu acho.
— Quer que eu ligue e transfira a você?
— Não. Só consiga o número.
— Pode deixar — disse a moça sorrindo.
— Obrigado, Paula.
Passados alguns minutos, a secretária entregou-lhe o número do telefone anotado em um papel.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 05, 2017 10:03 am

Eduardo ficou olhando por longo tempo sem ter coragem para ligar.
"O que posso dizer?", pensava.
Após algum tempo, Paula entrou novamente na sala e, esperta, reparou em seu chefe um jeito inseguro e inquieto.
A secretária sorriu sem que ele percebesse e comentou, tirando-o da profunda reflexão:
—Ontem você me disse que havia sonhado com sua sobrinha, a Bianca.
Falou também que foi um sonho confuso, que o deixou preocupado.
Por acaso ligou para a tia da menina para saber se está tudo bem?
Eduardo a encarou surpreso.
Paula parecia adivinhar seus mais íntimos desejos.
Ainda admirado, ele sorriu e argumentou:
_ Eu poderia ligar para a dona Júlia, que é a avó, e saber
como está a minha sobrinha.
Não precisaria incomodar a Helena no trabalho, não acha?
—Se me permite lembrá-lo — replicou a moça sorridente e com certa astúcia —, pode dizer que não queria falar com a dona Júlia porque ela poderia ficar preocupada.
Você mesmo me contou, outro dia, que a própria Helena não quis dizer nada em casa sobre o pesadelo que a Bianca teve quando foi dormir na sua casa.
Paula, com um jeito sério, mas maroto, ainda sugeriu:
— Quem sabe até possa ir lá hoje para ver sua sobrinha, é claro.
E pode até pegar a tia no serviço, afinal... é caminho, eu acho.
E, mesmo se não for, você poderá ter uma reunião lá perto do centro e se essa reunião terminar mais cedo...
O rapaz, rindo prazerosamente, jogou-se para trás e falou:
—Paula, você não existe!
—Com licença, Eduardo.
Tenho alguns documentos para despachar.
Se a dona Gilda me pega falando isso...
—Venha cá, Paula! Não fuja, não!
Ela retornou risonha, e ele perguntou:
—Você acha mesmo que a minha mãe vai ser contra qualquer tipo de envolvimento que eu possa ter com a Helena?
—Quem sou eu para achar qualquer coisa...
— Deixe de ser secretária, Paula.
Acho que você é a única pessoa que tem coração aqui dentro dessa companhia.
O resto só tem um computador no lugar do coração e uma calculadora no cérebro.
— Sei que posso ser demitida por isso, mas... Vamos lá!
Acho que sua mãe não vai admitir nenhuma aproximação sua com ninguém que ela não tenha escolhido.
- Por que diz isso? — perguntou intrigado.
A dona Gilda tem por você um amor excessivo.
Algo como posse, dominador.
—Ela me sufoca, sabia?
Eu sei. Eu vejo.
Estou um pouco preocupado, sabe?
Desde que minha irmã morreu, forçado pelas circunstâncias, a princípio, venho me aproximando da Helena.
Venho então percebendo que ela é diferente...
Tem algo nela que me atrai, que me envolve.
O estranho é que ela parece que nem me nota.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 05, 2017 10:03 am

Ele riu e comentou:
—Justo eu...!
— Cobiçado! Concorrido! Assediado!
Conheço bem o seu currículo, moço — disse brincando.
Não se esqueça de que sou eu quem atende os seus telefonemas e tem que dar algumas desculpas.
— Pois é... — disse desconcertado.
Agora sou eu quem se sente rejeitado.
— Será que a Helena não o vê como um parente... o cunhado do seu irmão?
—Parente...? Será?
— Vejo que seu interesse por ela talvez seja pelo facto de querer conquistá-la.
A conquista é um prazer, principalmente para os homens.
E gostoso o mistério de querer decifrar os pensamentos, as opiniões que ela tem a respeito de tudo.
Penso que em toda sua vida todas as outras garotas tenham sido muito fáceis, não foi?
— Foi sim. A maioria é volúvel, perdoe-me dizer, mas chegavam a ser até levianas, não se dão o valor.
Com isso acaba a magia, o romantismo.
E eu sou um cara romântico.
— Infelizmente tenho que concordar que isso é verdade.
Hoje as moças estão muito liberais.
— E se a Helena não quiser nada comigo?
— Sabe qual é o melhor jeito para se aproximar de alguém?
Ele ficou atento, e Paula completou:
— Aproxime-se sem ser chato, sem ser insistente, sem ficar com aquela mão boba ou aquele olhar de peixe morto e fala mole.
Eduardo gargalhou com o jeito de Paula, que gesticulava ao falar, perdendo toda sua postura de secretária e apresentando-se mais natural.
—Seja firme, amigo, ouça mais e fale menos — tornou mais séria.
Assim ela vai sentir prazer com a sua amizade.
Do contrário, sentirá repulsa.
E quer saber? Isso vale para homens e mulheres.
Ninguém gosta de gente pegajosa.
Todos gostamos de ter um amigo que não seja chato.
- Acha que é uma boa ideia eu telefonar?
—Se você conseguir convencê-la de que ligou por causa do sonho, por estar preocupado, sim, é uma boa ideia.
Converse um pouco, pergunte onde fica a empresa em que ela trabalha e diga animado que terá uma reunião hoje à tarde.
Converse mais um pouco e pergunte se pode passar lá, pois está pensando em ir ver a Bianca.
Se ela não quiser, não insista.
Mas deixe o seu telefone, entendeu?
O rapaz, que sorria o tempo todo, sentia-se como um adolescente inexperiente e encantado.
—Agora, com licença, acho que vai querer ficar sozinho — despediu-se Paula, sorrindo.
Repleto de coragem e ansiedade, Eduardo pegou o telefone e, sem pensar, ligou.
— Oi, Helena! Aqui é o Eduardo. Tudo bem?
— Oi, Eduardo! Que surpresa!
— Espero que boa.
— Sim, claro. Como você está?
— Bem. Sabe, eu ia ligar para a sua mãe, mas como outro dia você não quis contar a eles sobre o pesadelo que a Bia teve lá em casa achei, melhor falar primeiro com você.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 05, 2017 10:03 am

— O que aconteceu?
— Andei sonhando algumas coisas bem estranhas e a Bia estava no meio.
Fiquei preocupado e queria saber se ela está bem.
— Está sim. Se bem que... — interrompeu Helena.
— Quê...? — interessou-se diante da pausa.
... a Bia anda dizendo aquelas coisas, sabe?
—Que coisas?
Agora não é um bom momento, entende?
- Estou vendo que você não está bem à vontade para falar, não é, Helena?
Deve ter alguém aí ao lado.
- É isso mesmo, você acertou.
Mas a Bia é criança e você e como as crianças são criativas.
Só que, às vezes, acho que isso está indo longe demais.
O Mauro acabou ficando nervoso outro dia e quase bateu nela.
Achei tão estranho. Meu irmão não é disso.
Ele nunca foi agressivo, principalmente com a filha.
— Sabe, Helena, nos últimos tempos venho sentindo um aperto quando penso na Lara, na Bia.
Nunca fui de ter sonhos marcantes, significativos ou que me impressionassem tanto, e ultimamente sinto algo estranho.
— Eu entendo.
Também venho me sentindo estranha. Às vezes...
— "Às vezes...?" — perguntou como se pedisse que continuasse.
— Sinto-me amargurada, como se eu precisasse encontrar soluções para as coisas e não conseguisse.
Tudo está fora do meu alcance, fora de controle.
— Sei. Gostaria de falar sobre a Bianca e queria detalhes do que você tem para contar.
Acho que você não está sendo directa pela falta de privacidade, não é?
— Isso mesmo — confirmou a moça.
— Eu também tenho alguns pensamentos que me confundem e afligem.
Sei lá, talvez se a gente pudesse conversar. ..
— Não sei como poderia ajudá-lo.
Do jeito que ando ultimamente, acho que só levaria problemas.
Num impulso, ele perguntou:
— Onde fica a empresa em que trabalha?
Após ouvir a resposta, avisou:
— Hoje à tarde vou aí perto.
Posso passar para pegá-la?
Quero ver a Bia e penso que no caminho podemos conversar um pouco.
— Combinei ir embora com meu irmão, mas...
Depois de pensar, falou:
— Tudo bem. Eu ligo pro Miguel e digo que vou com você.
— Está certo, passo aí por volta das dezoito horas.
Ligo e combinamos um local para eu pegá-la. Anote o telefone daqui e do meu celular.
Após se despedirem, Eduardo não cabia em si de tanta felicidade e expectativa.
Nem trabalhar direito ele conseguia.
As horas pareciam se arrastar, tamanha a lentidão.
Ao sair de sua sala, procurou por Paula e, sem dizer nada, segurou seu rosto, deu-lhe um beijo e se foi.
Sem nenhuma pergunta, ela entendeu o que estava acontecendo.
No horário combinado, Eduardo estava parado na frente do prédio onde Helena trabalhava e decidiu telefonar avisando que a esperava.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 05, 2017 10:03 am

Um sorriso espontâneo e alegre iluminava o rosto do rapaz bem alinhado, que educadamente recebeu-a com um ligeiro beijo no rosto.
Satisfeito, Eduardo a conduziu para que se acomodasse no carro.
Contornando o veículo, tomou a direcção e sentiu imensa satisfação quando observou que o trânsito estava praticamente parado, pois isso o deixaria mais tempo na companhia da moça.
— Puxa! Olha só que lentidão — comentou a jovem.
Com certeza é por causa da chuva que deu agora à tarde.
— É sim. Foi um temporal muito forte.
São Paulo é sempre assim, não há o que fazer nos dias de chuva.
Depois de mais de uma hora, eles haviam andado cerca de uns cinco quilómetros somente.
Eduardo subitamente convidou:
- Helena, vamos passar ali no shopping, tomar alguma coisa e conversar um pouco?
Mais tarde certamente o trânsito estará bem melhor.
Não nos stressaremos tanto.
Ela ficou em dúvida, então ele avisou:
— Não quero apressá-la, mas é bom decidir antes que eu perca aquele acesso ali — disse, apontando.
— Tudo bem. Vamos.
Será melhor do que ficarmos aqui nessa lentidão.
O casal rumou para o shopping e se acomodou em uma mesa na praça de alimentação, onde Eduardo providenciou dois sucos para que tomassem enquanto conversavam.
— Desculpe-me, não dava para falar no momento em que me ligou.
Uma colega estava perto e eu não queria que ouvisse nossa conversa — justificou-se Helena.
— Ah, sim. Eu logo entendi.
Mas fiquei preocupado.
O que a Bianca anda dizendo?
Ela continua dizendo que vê a mãe — contou sem rodeios.
Disse que vê a Lara chorando às vezes perto de mim ou do Mauro.
Falou que ela anda pela casa com certa frequência.
Eduardo pareceu estar em choque, mas mesmo percebendo sua surpresa Helena não se intimidou e continuou relatando:
— Não acredito que a Bia esteja mentindo, principalmente por um detalhe muito importante.
— Qual?
— A história é longa, mas aconteceu assim:
O Mauro disse que a Lara havia ido buscar o presente da Bia lá na escola.
Só que eu fui a primeira pessoa a entrar na casa deles depois do acidente e acabei encontrando, no maleiro do quarto, o presente com cartão e tudo.
Um cartão meio triste, diga-se de passagem.
Parecia que ela estava se despedindo da filha.
Eduardo pareceu assombrado, e Helena continuou:
— Percebi que o Mauro ignorava completamente o facto e entendi que por algum motivo a Lara não disse a verdade, que talvez ela precisasse sair por alguma outra razão que, com certeza, não era buscar o presente.
Decidi que não contaria nada ao meu irmão, pois a cada dia o Mauro parece mais deprimido, desolado.
Porém, na noite antes do acidente, a Lara me telefonou e começou a me perguntar coisas estranhas, e parecendo preocupada, mas não disse exactamente o que queria.
— O que minha irmã perguntou?
— O que eu achava do Mauro, se eu acreditava que ele era capaz de enganá-la, de fazer alguma coisa bárbara, absurda.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 05, 2017 10:03 am

Não me lembro exactamente as palavras que usou, mas ela estava bem estranha.
Quando questionei do que se tratava, ela disfarçou e mudou de assunto.
Ele permanecia calado, pensativo e preocupado.
—Depois de tudo isso — disse Helena — tenho que admitir que pensei:
Será que a Lara, por causa de algum desespero, se matou?
O rapaz olhou-a chocado, enquanto processava em sua mente uma série de informações que somou ao que ouvia naquele instante.
—Perdoe-me, Eduardo, mas cheguei a pensar que a Lara houvesse se suicidado por conta de tudo o que ouvi dela e do presente que encontrei com aquele cartão que parecia ser de despedida.
Mas o meu maior susto foi quando a Bianca me falou:
"Tia, minha mãe sempre diz pra você que ela não se matou não.
Pra você não pensar isso dela".
Diante do espanto de Eduardo, a moça confessou:
— Fiquei assombrada.
Eu só contei essa história para minha mãe e para a Sueli, aquela minha amiga.
Ela é de muita confiança, jamais contaria isso a alguém, muito menos a uma criança.
Quanto a minha mãe, dela nem preciso duvidar.
Eduardo esfregou o rosto com as mãos, passando-as depois pelos cabelos num gesto nervoso, daí pendeu negativamente com a cabeça ao argumentar:
—Nem sei o que dizer.
É algo assombroso mesmo.
—Por causa dessa história da Bianca dizer que vê a Lara, minha mãe resolveu chamar um padre para ir benzer nossa casa.
—E aí? Resolveu?
—A Bianca contou que, depois que o padre foi embora, ela viu a mãe se acomodando como se dormisse.
Depois não a viu mais.
Só que, há uns dois dias, ela voltou a dizer que a Lara estava novamente lá em casa, sempre triste e chorando.
Diante do longo silêncio e ao vê-lo com o olhar perdido, ela perguntou:
—Eduardo, tudo bem?
—Helena, pelo amor de Deus, que essa conversa fique só entre nós, certo?
Tenho algo para lhe contar.
—Claro. Pode confiar.
—Eu e a Erika conversávamos outro dia e ela me disse que viu a Lara conversando com nossa mãe pouco antes do acidente.
Ela viu a Lara inquieta, nervosa, e ela dizia que não podia acreditar em algo que minha mãe havia falado e que se aquilo fosse verdade ela preferiria morrer.
—Mas do que elas falavam?
-A Erika não sabe dizer.
Não deu importância no momento, mas sabe que era algo que se referia ao Mauro.
Imagino que sim.
A dona Gilda nunca engoliu esse casamento e sempre fez de tudo para separá-los.
Segundos depois, Helena se corrigiu, muito envergonhada:
— Desculpe-me, Eduardo. Por favor...
Ela é sua mãe, eu me esqueci...
— Não tem problema — argumentou sorrindo.
Sei muito bem como minha mãe é.
Porém, Lena, assim como fez com você, a Lara me procurou alguns dias antes do acidente.
Foi por telefone e eu estava muito ocupado.
Ela veio com a mesma conversa sobre confiar no Mauro e o que eu achava dele.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 05, 2017 10:04 am

— Acho que nunca vamos descobrir o que houve, não é?
— Se há algo a ser revelado, certamente dona Gilda sabe do que se trata — afirmou ele.
Depois completou:
— Deus do céu, o que será que minha mãe aprontou?
No sonho que tive com a Lara, ela a acusava de ter mentido.
Ela queria salvar a Bia da avó.
— Isso foi um sonho, Eduardo.
Não podemos levar tão sério.
Vamos guardar esse assunto só entre nós.
É uma suspeita muito grave.
— Helena — ainda disse pensativo —, estou lembrando de uma coisa.
No dia desse acidente, minha mãe ficou desesperada com a morte da minha irmã, mas também ficou muito aflita para ir pegar as coisas e a bolsa da Lara que haviam ficado n hospital.
Lembro-me de que um funcionário nos entregou se relógio, sua correntinha, a aliança, a bolsa e um envelope.
Coisas que estavam com ela.
— Você olhou essas coisas?
— Não. Minha mãe, de um jeito possesso, pegou tudo.
Não vi mais nada.
Pensei que fosse uma reacção desesperada pela perda da filha, mas...
— Sei que sua mãe devolveu os documentos da Lara para o Mauro. mas creio que foram só os documentos, nada mais; não tinha envelope nenhum.
Porém, não vamos julgar.
— Mas isso é muito estranho.
Nesse momento, Helena consultou o relógio e se assustou:
— Nossa! Olha que horas são!
— Eu a levo.
— Mesmo assim já é bem tarde.
Minha mãe vai ficar preocupada.
— Ei, o que sua mãe achou do João Carlos e da Juliana?
Ela achou ruim eu ter levado visitas lá sem avisar?
— Não, imagine.
Lá em casa não tem disso.
Minha mãe os adorou!
A Juliana até andou ligando lá pra minha mãe querendo umas receitas, e pro Miguel também, eles trocam livros, CDs.
— Não sei, não.
A Juliana e o Miguel... — brincou desconfiado.
— Seria bom se fosse verdade, acho ela tão bacana.
Mas parece que ele está enfeitiçado pela Suzi — falou com certo desdém.
— E o que sua mãe fala de mim?
— Ah, que você é arrogante, mal-educado, orgulhoso... — brincou, rindo com gosto.
— Puxa! Que decepção!
Eu me esforço tanto!
— Estou brincando.
— Eu sei. Mas o que você acha de sairmos novamente?
Eu gostei tanto da Juliana com seu jeito animado.
Do João Carlos, nem temos o que dizer...
— É... podemos ver um dia desses.
Só que eu acho que o Miguel vai levar a Suzi.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 05, 2017 10:04 am

— Acho que vai ser legal.
Não vamos julgar a moça antes de conhecê-la melhor, Helena.
Isso é preconceito.
— E a sua mãe?
Ela não está de acordo com o namoro da Erika, não é?
— Eu acho isso um absurdo!
Não quero me envolver para não criar um clima ainda pior lá em casa.
Preciso dar apoio para a Erika, e se eu me voltar contra minha mãe as coisas vão ficar piores.
—Parece que nunca estamos livres de problemas — reclamou desanimada.
Há momentos que acho que não vou suportar tanta pressão.
—E o seu ex-namorado, não a procurou mais?
—Não o vejo desde aquele dia.
Mas sinto um medo estranho.
É como um pressentimento, como se algo fosse acontecer a qualquer momento.
Falou com seus irmãos?
— Não. De jeito nenhum.
O Miguel não seria compreensivo, não nesse caso.
Ele é bem capaz de ir tirar satisfações...
O Mauro, como eu falei, está muito estranho.
Tanto que ele e a Carla acabaram se desentendendo.
A minha irmã tem o sangue quente, mas o Mauro, nunca o vi brigar com alguém, e por umas três vezes ele quase bateu na Carla.
— Nossa!
— E verdade. Se não fosse pela minha mãe...
Se bem que a Carla vive provocando muito.
Ela responde, cria climas...
Ela o encarou, sorriu docemente e pediu:
—Agora vamos, Eduardo?
Ele a deixou em casa conforme combinado e entrou por alguns minutos para ver a sobrinha, mas logo se foi.
Apesar de ter conversado com Helena por um longo tempo, achou que havia faltado algo.
Seus desejos não se concretizaram, pois ficaram muito longe um do outro, o assunto não permitia nenhum clima romântico ou de aproximação.
Mas ele não desanimaria.
Lembrou-se dos conselhos de Paula.
Seria amigo de Helena, alguém em quem ela pudesse confiar, assim poderia estar sempre a seu lado, até que ela o percebesse.
Eduardo estava feliz, de bem consigo mesmo.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 06, 2017 10:37 am

11 - A REALIDADE DA VIDA

Ainda sob o efeito de certa magia provocada pela paixão, Eduardo chegou em casa bem tarde.
Sentindo-se ainda encantado, lembrava de detalhes que reparou em Helena, do seu rosto sereno, da sua voz suave, do riso cristalino que pouco se fez e do olhar doce, generoso, que só ela sabia expressar com tanta sinceridade.
Entrando na sala principal da luxuosa residência, foi bruscamente arrancado de suas agradáveis recordações quando ouviu os gritos de Erika e de sua mãe.
Subindo rapidamente as escadas, foi até o quarto de Erika, de onde vinha o barulho.
—Não vou!!! Se você pensa que pode mandar em mim, está muito enganada! — gritava a jovem, transtornada.
—Sou capaz de uma insanidade, Erika!
Não me provoque!
— Calma, gente! O que é isso?
Poderiam ser mais civilizadas e conversar com menos barulho? — pediu o rapaz que acabava de chegar.
— Está decidido!
Sua irmã vai para a Suíça passar umas longas férias.
— Não vou! Quero ver quem é que vai me pôr dentro de um avião! Quero ver!
— Não vou tolerar você ficar com um negro, pé-rapado, que só quer usurpar aquilo que você tem! — dizia Gilda com imensa fúria.
Eu mato você antes de aceitar isso!
—Pois pode matar!
Venha, vamos! Mate-me logo.
Só que tenha a dignidade, a coragem de assumir o assassinato.
Não tente cometer um crime perfeito como fez com a Lara.
Num acesso de raiva, Gilda aproximou-se rapidamente e desferiu um tapa no rosto da filha.
Eduardo segurou sua mãe e a afastou de Erika, que gritava:
— Tá pensando que eu não sei?
Mesmo se eu não soubesse, sua atitude acabou de denunciá-la.
Você tem algo a ver com a morte da Lara!
— Erika, pare com isso! — exigiu o irmão com veemência.
— Suma daqui! Vá embora dessa casa — pedia a mãe com grande rancor.
Você não deveria ter nascido!
E pensar que salvei sua vida quando ia despencando do oitavo andar quando tinha quatro anos, lá no apartamento da sua tia.
Eu nunca deveria tê-la salvado.
Eduardo ficou perplexo, não acreditava no que ouvia sua própria mãe dizer.
— Vamos parar com isso! — pediu o rapaz, ainda nervoso.
— Viu só, Edu?! — disse a irmã com o rosto banhado de lágrimas.
E você ainda diz que era eu quem via tratamento diferenciado entre nós.
Viu só como a dona Gilda me odeia?
Conduzindo a mãe até a porta do quarto, pediu:
— Mãe, vai para o seu quarto, por favor.
— Você me paga, Erika.
Aaaah! Juro que me paga — ameaçou em um tom vingativo e com o olhar mirrado.
Após sua saída, Erika desabafou:
—Minha mãe, minha própria mãe...
—Calma, não fique assim... — pediu o irmão, aproximando-se para tocá-la com ternura.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 06, 2017 10:38 am

Mas num gesto rápido, agressivo, ela se esquivou e falou nervosa:
—Eu vou embora dessa casa.
Vou sumir daqui e nem você vai saber para onde vou.
Aborrecido com a situação, pois sentia que a irmã tinha ciúme e de certa forma culpava-o pela preferência que a mãe demonstrava de modo alardeante, Eduardo suspirou fundo, passou a mão pelo rosto e, após fechar a porta para garantir a privacidade, perguntou quase nervoso, mas mantendo a voz num tom moderado.
— Vai embora e viver do quê?
Em que pode trabalhar?
Após uma pausa, alertou:
— Erika! Acorde para a vida!
Você tem vinte e um anos, não trabalha, não faz nada, não se interessa por uma ocupação produtiva...
— Ah! Você também agora? — interrompeu irritada.
— Cale a boca e me escute! — gritou Eduardo, agora realmente bravo.
Até quando pretende ser dependente?
Até quando vai dar uma de dondoca?
Preste atenção: deixe de ser Patricinha ou será uma eterna panaquinha!
Você tem que produzir, tem que se sustentar, se preparar para a vida.
Sabe por que você briga com a mãe? — perguntou mais tranquilo.
Porque nenhuma de vocês faz nada, entendeu? Nada!
Você acorda, vai para aquele clube ou fica aí na piscina; a mãe levanta, vai para a clínica de estética, vai encontrar as amigas, vai comprar roupas...
Suas preocupações são só com coisas inúteis, supérfluas, desnecessárias a qualquer ser humano que quer vencer, triunfar, progredir.
Ninguém que tenha algum propósito, algum objectivo na vida, age como vocês.
Diga-me uma coisa:
Você fala que gosta do João Carlos, que quer ficar com ele...
Pelo que vejo, se ele propor casamento você casa na mesma hora!
— E caso mesmo!
— Ah; é? — disse Eduardo com certa ironia na expressão e no tom de voz.
E você pensa em mais o quê?
Em se casar e ser sustentada por ele?
Levar a mesma vida de princesa?
O João Carlos é uma óptima pessoa, um cara respeitável, confiável, trabalhador...
Mas será que vai concordar em ter uma mulher improdutiva?
Nem cuidar de uma casa você sabe.
Você não tem capricho nem com suas peças íntimas, pois outro dia precisei usar o seu chuveiro e vi lá, penduradas no registro e no vidro do box, suas calcinhas, seu sutiã...
Erika! Se liga! Acha que a vida é fácil?!
Que vai se casar com ele e viver só de beijos e abraços?
Pensa que vai se casar e que ele vai poder pagar três ou quatro empregadas para cuidar de você e das suas coisas?
Diante do silêncio, Eduardo prosseguiu:
— Acho que não dá para viver assim.
Pelo que percebi, Erika, todos ali naquela casa dão duro na vida.
A Juliana moveu céus e terras para progredir, triunfar e ser bem-sucedida.
Estou falando em progresso, em sucesso, não em dinheiro do papai e da mamãe.
O João Carlos também se esforçou muito na vida para ter o que tem e fazer o que faz.
A dona Ermínia me contou a sua luta, principalmente depois da morte do marido.
Agora me diz, e você?
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 06, 2017 10:38 am

O que tem para contar, para apresentar como triunfo pessoal?
Suas exigências?
Vai contar só a parte que viveu brigando com a sua mãe, que se sentiu injustiçada e mal-amada?
Vai ficar aí, brigando e chorando por direitos que não tem?
Que é o de exigir, é claro.
Porque até hoje eu só a vejo exigindo as coisas feito uma menina mimada.
Erika não dizia uma única palavra.
O irmão, quase de modo impiedoso, continuou firme com o objectivo de fazê-la ver a vida como ela realmente é.
— Se pensa em ir embora de casa, como esses adolescentes tolos que têm por aí, acho bom você pensar em como vai viver, do que vai sobreviver.
Não acredite em tudo o que vê nos filmes, nos programas de televisão ou nas novelas, não.
Nas novelas tudo é muito fácil, todos terão um final feliz, e o bandido, quando não morre, vai para a cadeia.
A realidade não é bem essa, minha irmã.
Não pense que se fugir de casa encontrará na casa de uma amiga o luxo e as prestações de serviço que você encontra aqui.
Não pense que vai poder brigar com todo mundo lá, onde você estiver, e correr para o seu confortável quarto e fechar a porta sem querer ver ninguém.
Num outro lugar que não seja a sua casa, quando você brigar será posta para fora.
Não conheço nenhuma pessoa de moral e bons princípios, bem-sucedida na vida e auto-suficiente, que tenha fugido de casa quando não sabia fazer nada e nem sequer trabalhava.
Se alguém como você, sem qualificação nenhuma, sem emprego e sem apoio sair pelo mundo hoje, só vai encontrar amarguras e conhecer a triste realidade da prostituição, das drogas, das agressões, dos delitos e muito mais.
— A Natália é directora financeira da nossa empresa e veio do nada, como ela mesmo conta.
— Você conhece bem a vida da Natália?
Pedi para que me apontasse uma pessoa de moral.
A princípio o pai dela foi quem pagou a faculdade de direito para ela; depois disso, por razões que ignoro, ela foi morar sozinha se sustentando não sei como.
Agora, como homem, analiso o comportamento dela e posso dizer que acredito, porque já vi e ouvi, que a Natália deva ter se envolvido com mais de uma dúzia de empresários para conseguir o que ela tem hoje.
Concordo que é uma profissional competente, mas seu carácter deixa a desejar, tanto que tem uma filha que não sabe quem é o pai.
Isso foi a própria Geisa quem me contou.
Então, posso garantir que a Natália não é uma referência para esse caso, pois ela não tem duas qualidades essenciais: moral e bons princípios.
Quem faz o que ela fez e continua fazendo, que eu sei, para ter um bom cargo, para ter sucesso, se prostitui, sim, de alguma forma.
Torno a repetir, não acredite nos filmes nem no que mostra a TV, pois tudo aquilo é mentira.
É uma coisa montada para atrair a atenção, dar dinheiro, e, para isso, mostram só o que o povo gosta:
sol, praia, samba, futebol, mulher pelada, vida boa, vida fácil e final feliz.
Mas a realidade não é essa.
É por conta desses programas inúteis, que distorcem a realidade da vida, que tem tanta adolescente grávida por aí.
São meninas e meninos despreparados que dizem:
"Oh! O amor é lindo!
Não há coisa melhor do que a liberdade sexual.
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Ave sem Ninho

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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 06, 2017 10:38 am

Eu não sou quadrado!"
E por causa dessa liberdade, dessa promiscuidade toda é que vão ter que encarar uma gravidez precoce, vão perder a verdadeira liberdade, natural e gostosa, que a vida lhes reservou para a adolescência, vão ter que parar tudo para cuidar, de forma imprudente, de um filho que não planearam e não desejaram.
Não vão ter qualidade de vida, vão até passar fome, necessidades de assistência médica, odontológica, e muito desespero pelo despreparo moral, emocional, psicológico e financeiro.
Isso não acontece no programa de TV, não é mostrado nas novelas, onde só aparece o lado bonito, o sexo livre e sem AIDS.
Esses adolescentes se iludem quando admiram esse ou aquele que aparece na televisão e dizem:
"Olha, a fulana fez uma produção independente!
Ela teve um bebé sozinha. Ai, que lindo!"
Eles se esquecem de que essa pessoa é milionária e que não vai precisar ficar na fila dos hospitais públicos, muito menos passar noites em claro por causa do filho com febre.
A novela mostra que a fulana está dormindo com um hoje, com outro amanhã, depois com mais outro, e assim vai até que as pesquisas mostrem com quem o público quer que aquela personagem fique no final.
E-queria que essa mesma novela mostrasse que a tal fulana contrai o vírus da AIDS, aí você ia ver morrer mais da metade do personagens antes do fim da novela.
Mas isso não acontece, sabe por quê?
Porque não dá audiência.
O povo não gosta de ver a verdade, de encarar a realidade da vida.
O problema é que a pessoas acostumam a ver essa troca de parceiro e acabam achando que isso é o normal, depois saem por aí e adoptam o mesma comportamento, ficam hoje com um, amanhã com outro...
E não adianta nada o Ministério da Saúde gastar milhões e propagandas contra o vírus do HIV e solicitar que não se tenham muitos parceiros; as pessoas, principalmente os adolescentes, já estarão inconscientemente acostumados com a promiscuidade, com a vida leviana, com a troca de parceiro, e achando que isso tudo é normal, e não vão dar atenção aos alertas contra o HIV Se imitarmos a tal fulana da novela e ficarmos hoje com um, amanhã com outro... garanto que se não encararmos a AIDS, vamos nos deparar com uma gravidez não planeada, não desejada ou coisa pior ainda, porque preservativos furam.
Na vida, Erika não há como você garantir um final feliz se você não for, no mínimo, uma pessoa de bom senso, ponderada, racional, bem preparada para a vida e com uma boa profissão, muita perseverança, iniciativa e pés no chão.
Se você não mudar, não crescer, não melhorar intimamente, vai perder o namorado, seus direitos, não só aqui em casa mas na vida, e só lhe restará se eternamente dependente de mim, do pai ou da mãe.
—Nunca! — reagiu com firmeza.
—Tomara que você tenha razão, porque percebi que João Carlos é uma pessoa bem prudente, muito consciente e observador.
Se ele for como eu acredito que seja, não vai demorar muito para sentir-se cansado de seus modos exigentes de dondoca.
Nesse instante, a irmã fixou seu olhar nele, interessada em sua conclusão.
— Veja bem, Erika.
O João Carlos é um cara experiente, que está observando como você é, como reage.
Creio que ele não vai querer ter alguém ao lado só pela beleza, só porque sabe se vestir, se sentar, falar, se apresentar...
Creio que chegamos em uma idade em que procuramos uma parceira, uma amiga leal, alguém em quem possamos confiar, uma pessoa que transforme uma cena ruim ou um dia tumultuado em algo tranquilo, harmonioso.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 06, 2017 10:38 am

Vejo que isso ele não vai encontrar em você, ainda.
E se eu vejo ele também vai ver.
Sabe, a Juliana falou algo que me chamou muito a atenção.
Ela disse que queria mudar e que começou pelo mais próximo: seus próprios pensamentos.
Você, Erika, reclama da mãe, mas é tão exigente quanto ela.
Grita quando não é atendida, se revolta quando as coisas não saem como quer, perde o controle quando se sente prejudicada.
O que acha que ele vai pensar?
Eu, no lugar dele, diria: "Puxa!
Se ela não contorna com paciência uma dificuldade hoje, quando tem tudo, imagine o que vai fazer quando não estiver bem".
Porque, ficando com ele, você vai ter que abrir mão de muitos luxos.
Não vai ficar no clube o dia inteiro com suas amigas, a grana vai ser curta, talvez nem tenha seu próprio carro no começo.
Os gritos que dá com sua mãe hoje, aqui nessa casa, certamente vai dar com seu marido, com seus filhos, quando a situação estiver difícil.
E eu posso garantir que nem todo homem suporta gritos e exigências.
Eu sou um deles.
E mais, ele é um cara muito legal.
Espero que você não estrague a vida de uma pessoa assim. Pense bem.
— Por que só eu estou errada?
Você não enxerga o que a mãe faz?
Eduardo ia se retirando, mas voltou e respondeu:
—Enxergo, sim.
Só que ela parece não ter mais jeito, e eu acredito que você possa mudar e fazer algo melhor, por você mesma, para que não tenha, no futuro, um génio como o dela.
Estude, trabalhe, não seja tão dependente.
Aí sim você vai poder pensar em sair dessa casa e ainda terá todo o meu apoio.
Poderá até pensar em se casar e viver uma vida a dois, com dificuldades, falta de dinheiro, sem empregada, mas com muito amor e compreensão.
Pense nisso, pois acho que nem cozinhar ou lavar suas calcinhas você sabe.
Aproximando-se um pouco mais, ele sorriu ao segurar seu rosto com delicadeza e disse:
— Eu amo você, minha irmã.
Você é muito importante para mim.
Não quero que se machuque com as ilusões e as ideias que hoje tem sobre a realidade.
Se você acha que a sua mãe não a tolera, espere só até arrumar um emprego e encarar a vida.
Lá fora, no mundo, nem sempre temos uma segunda chance; todos nos massacram sem piedade e até antes mesmos de falharmos.
Mude. Comece pelo mais próximo.
Comece a mudar seus próprios pensamentos negativos, críticos, cheios de revolta.
Se fizer isso, o mundo vai lhe sorrir.
Eduardo se curvou, beijou seu rosto gelado, afagou-lhe o cabelo e saiu do quarto, deixando a irmã imersa em todas aquelas colocações.
Erika atirou-se na cama e chorou por longo tempo, até adormecer.
***
Na manhã seguinte, Eduardo lia o jornal enquanto fazia seu desjejum quando Gilda desceu as escadas exibindo largo sorriso ao vê-lo.
—Bom-dia, meu querido! — cumprimentou-o com extrema alegria, beijando-o no rosto com ternura.
Dormiu bem?!
—Bom-dia, mãe.
Dormi sim, e você?
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 06, 2017 10:39 am

— Ah! Nem me pergunte.
Tive até que tomar um calmante.
Minha enxaqueca só faltou me matar.
Mas agora já estou melhor.
Sabe, às vezes essas emoções me revigoram.
— Está se referindo à briga que teve ontem com a Erika? — estranhou o filho.
— Meu amor — exclamou sorrindo —, a vida é como um alimento sem sal se não experimentarmos as emoções!
E num tom mais alto de voz chamou:
— Lourdes!
Ao vê-la, reclamou:
- Não vê que já estou à mesa?
Sirva logo o meu café! Ou vai ficar aí atrás da pilastra ouvindo a conversa?
Quando a empregada foi servi-la, Gilda decidiu:
—Não quero mais café.
Traga-me um suco de laranja com água e veja se há uvas frescas.
Eu não quero esse mamão.
Eduardo ainda estava amargurado com todo o ocorrido da noite anterior.
Não podia esquecer de ter ouvido sua mãe lamentar por ter salvado a filha quando esta tinha apenas quatro anos de idade e ficou mais insatisfeito quando observou que Gilda parecia não ter sequer se incomodado com a briga que ocorrera.
— E o pai? — perguntou, ainda sob efeito da tristeza.
— Já foi. Saiu cedo. Nem café tomou.
— Precisava tanto falar com ele — lamentou.
— O Adalberto anda muito estranho ultimamente.
— Talvez seja porque surgiram algumas situações difíceis lá na empresa.
Acho que ele terá que viajar para o México para resolver o problema com as peças.
Estão querendo até rescindir o contrato.
— Se ele for para Acapulco, posso até pensar em ir junto — considerou Gilda, imponente.
Eduardo sorriu e avisou:
— Não, mãe.
Se ele for, será para aquela região onde aconteceram os terremotos.
— Deus me livre!
De catástrofe já basta o que sua irmã provoca.
Aliás, em vez de Erika ela deveria se chamar Terremoto.
— Você sabe que não pode forçá-la a viajar ou a qualquer coisa, mãe.
Então porque a provoca?
— Você não entende, Eduardo.
Não posso e não vou aceitar que sua irmã vem fazendo.
— Mas nada do que a Erika faz lhe agrada. Já reparou nisso?
—É porque tudo o que ela quer sempre está errado.
—Acho um absurdo você querer proibir esse namoro.
Acho abominável qualquer tipo de preconceito.
—Não vai me dizer que você aceitaria ter um amigo assim?
Encarando-a com olhar sério, afirmou com voz pausada e forte:
—Com o maior prazer.
Não só um amigo, como um cunhado, sobrinhos...
—Você deve estar brincando, meu filho.
— Sou eu quem está assustado com o seu preconceito, mãe.
Não vejo nada de errado no João Carlos.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 06, 2017 10:39 am

— Oh! Minha enxaqueca voltou — sussurrou Gilda, segurando a cabeça com as mãos enquanto apoiava os cotovelos na mesa.
Nesse momento a empregada trouxe uma bandeja com seu pedido e Gilda grosseiramente olhou para o lado, dispensando-a.
—Sai! Sai! Tira isso tudo daqui.
Acabei de perder o apetite.
Voltando-se para o filho, argumentou:
— Só me faltava você dar cobertura para esse namoro insensato!
Levantando-se, o rapaz avisou seguro:
—Não tenho motivo algum para ser contra o namoro da minha irmã.
Até porque conheço o rapaz e percebo que ele tem mais juízo do que ela e poderá ajudá-la muito.
Agora, com licença — disse, aproximando-se e beijando-lhe o rosto.
Preciso ir.
Gilda sentiu-se aquecer.
Seu rosto ficou ainda mais rubro quando viu Erika descer correndo as escadas e gritando:
—Edu, espera!
Ele se voltou, e a irmã pediu:
—Deixe-me ir com você, preciso de uma carona.
No caminho para a empresa, Eduardo e sua irmã seguiram conversando.
Erika estava mais animada e com novas ideias.
— Vou falar com o pai.
Quero fazer um curso, talvez abrir um negócio.
— As coisas não são assim, Erika.
Por que não volta para a faculdade primeiro?
— Eu me animo tanto quando vejo a Juliana falar sobre decoração.
Acho que é isso o que quero fazer.
— Seria bom você conhecer melhor a profissão.
A Juliana conta o que há de bom, mas tenho certeza de que ela deseja esquecer os problemas, as exigências e as indecisões dos clientes, que deve ser algo muito chato, sem falar em prazos vencidos, entregas...
Além do que, para trabalhar com decoração, não basta gostar, é preciso ter bom gosto, saber entender as pessoas e respeitar suas vontades, isso independentemente da sua opinião.
— Eu preciso de um emprego.
Preciso de dinheiro, pois nem pra gasolina eu tenho.
— O que fez com aquele dinheiro todo que eu te arrumei?
— Precisei pagar um negócio — respondeu meio sem jeito.
— Que negócio?! — perguntou sério o irmão.
Você torrou tudo aquilo em quê?
— E que eu havia encomendado uns cremes e uma colónia... sabe como é — respondeu com certo constrangimento.
— Nossa, Erika!
Você não dá valor ao que tem.
Até quando vai ser assim.
Antes era a mãe quem pagava as suas contas, mas e agora?
Vai torrar tudo o que lhe dou?
Você vai ter que maneirar.
— Eu vou mudar, Edu. Você vai ver.
Vou falar com o pai que a mãe está regulando a grana.
Vou saldar minhas contas e depois vou arrumar o que fazer.
O irmão sorriu e não disse mais nada.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 06, 2017 10:39 am

***
Pouco depois, Erika relatava ao pai tudo o que havia acontecido.
— Eu sei, pai. Estou errada.
Não sou produtiva...
O Edu conversou muito comigo ontem.
Sei que ele tem razão, mas eu quero mudar, quero fazer algo.
— Diga uma coisa — indagou o pai com paciência, sentado em sua cadeira giratória e olhando-a andar pela sala —, você vai mesmo levar esse namoro em frente?
— Claro. Eu gosto dele, pai.
Você tem alguma objecção?
Algum preconceito?
— Preconceito...? Não. Mas estou surpreso.
Se é essa sua vontade, o que posso fazer?
— Aaaah! Paizinho! — admirou-se, agarrando em seu pescoço e beijando-o.
Eu sabia que você estaria do meu lado.
Adoro você!!!
— Calma lá! — avisou Adalberto.
Quero saber se esse João Carlos é um cara bacana, decente...
— O Edu já o conhece — interrompeu eufórica.
Aliás, conhece toda a família dele.
— Então o negócio está mais adiantado do que eu imaginava?
Recostando-se agora em seu ombro, a filha falou:
— Só não conversamos antes por falta de tempo.
Você anda ocupado e muito sumido.
Está levantando suspeita até na dona Gilda.
— Ela disse alguma coisa? — perguntou desconfiado.
— Eu a vi reclamando.
Falando sozinha ao desligar o telefone quando não o encontrou na empresa.
— Deixa pra lá.
Sua mãe implica com qualquer coisa.
— Eu que o diga.
— Mas vamos lá! — disse animado.
Quero detalhes do que você quer fazer.
Adorei ver a minha menininha interessada em fazer alguma coisa — falou, mimando-a.
Erika, quase eufórica pelo ânimo, passou a narrar todos os seus planos enquanto Adalberto a ouvia com interesse.
***
Em sua sala, Eduardo assinava alguns papéis e pedia à secretária:
— Pode despachar tudo isso e...
— E...? — perguntou Paula sorridente diante do silêncio.
—E mais nada. Pelo amor de Deus, me poupe de tudo o que puder, pelo menos na parte da manhã.
— E, estou vendo que está sobrecarregado.
— Queria pôr a cabeça em ordem, reflectir sobre o que devo fazer.
Ontem dei alguns conselhos para a Erika sobre o que fazer de sua vida, mas eu bem que estou precisando fazer algo por mim.
Preciso pensar, parar um pouco, ter um tempo para mim mesmo.
—E um tempinho para sonhar, tecer planos... isso é muito bom.
—Como você me entende, Paula!
Sabe que eu não tive tempo nem para sonhar acordado, desde ontem, quando cheguei em casa?
—Então está pior do que eu pensava.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Fev 06, 2017 10:39 am

Logo, com um jeito risonho, perguntou:
— Posso ser curiosa?
— Claro! De você não posso esconder mais nada.
— E ontem?
—Conversei bastante com a Helena.
Reparei que me trata como um conhecido, nada mais.
É estranho, eu não percebi nenhum interesse dela...
Nunca foi assim...
—... com as outras, nunca foi assim.
— É verdade.
Aliás, seus conselhos foram óptimos.
Eu não a ataquei! — brincou o rapaz exagerando ao gesticular com as mãos imitando garras.
— Dê um tempo. Se ela está sozinha, se não tem nenhum compromisso, em breve vai notá-lo e não será como um amigo.
— Acredita mesmo?
— Claro! Não perca as esperanças e não seja apressado.
—Estou louco para telefonar e saber como ela está.
Acha que devo?
—Você consegue esperar?
Eduardo exibiu um semblante engraçado e sacudiu a cabeça dizendo:
—Não. Não estou conseguindo.
—Então arranje um bom motivo.
Uma preocupação...
Ah! Já sei, procure lembrar de alguma parte da conversa que tiveram ontem e diga que não conseguiu tirar isso da cabeça, que não entendeu direito o assunto...
Você sabe — disse sorrindo.
Espirituoso, Eduardo se ajeitou na cadeira e, brincando, exigiu, apontando para a porta:
— Paula, já para a sua mesa.
Não fique aqui enrolando.
E não deixe ninguém entrar até eu terminar um telefonema importante.
— Sim, senhor! — respondeu sorrindo enquanto batia continência.
Sem vacilar, Eduardo telefonou, só que foi uma colega quem atendeu a ligação, pois Helena ainda não havia chegado no serviço.
Intrigado, Eduardo ligou para a secretária e avisou:
— Paula, a Helena não chegou até agora no serviço.
Será que aconteceu alguma coisa?
— Espere um minuto.
Já estou levando os documentos assinados.
Logo depois, Paula adentra na sala e avisa:
—A Natália estava na minha frente e eu não podia dizer nada.
— Agiu bem. Mas o que você acha?
É estranho ela ainda não ter chegado no trabalho.
— Pode ter ocorrido algum atraso na condução.
Se ligar para a casa dela, a família pode ficar preocupada e, pior, vão estranhar o seu interesse.
Aguarde mais um pouco.
Contrariado, Eduardo concordou.
Ele não conseguia se concentrar no trabalho e, chamado para uma reunião, não conseguia prestar atenção no que era dito, consultando o relógio constantemente e desejoso para voltar à sua sala.
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Re: Sem Regras para Amar - Schellida / Eliana Machado Coelho

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