Conde J. W. Rochester - Dolores / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Página 4 de 4 Anterior  1, 2, 3, 4

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo

Re: Conde J. W. Rochester - Dolores / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 22, 2017 8:57 pm

Vasconcellos contou que encontrara Ramiro em Havana e, ao saber dele que José fora embora definitivamente, graças à generosidade de Dolores, resolveu voltar para ela para nunca mais se separar.
Enquanto os jovens conversavam, Ramiro, radiante, andava pela sala de visitas.
Quando Sara entrou com a criança, ele a pegou, começou a jogá-la para o alto, beijou-a e deu-lhe um beliscão amigável, mas tão forte que o menino gritou alto.
Ao ouvir o grito, Alfonso e Dolores foram correndo para a sala.
— O que está fazendo com meu filho?
Dê-me ele aqui! — falou Vasconcellos, alegre.
— Tome, tome!
Fiz isso pelo prazer de vê-los juntos!
A criança é tão parecida com você que sua paternidade simplesmente dá na vista! — respondeu o Conde com um riso alto.
— Isso não é da sua conta!
A criança é encantadora.
Espero poder educá-lo e fazer dele um homem de verdade.
O resto é pura bobagem!
A partir daquele dia, paz e felicidade reinaram na fazenda.
A saúde de Dolores melhorava a cada dia.
Ela voltou a frequentar a sociedade, a apreciar roupas bonitas e parecia até ter esquecido de seu trágico passado.
Mas, num belo dia, Dolores teve vontade de dar um passeio na "Sílfide" com Alfonso.
Como se esperasse sorrateiramente por aquela ocasião, o destino, então, desferiu-lhe mais um golpe mortal e tragicamente a embarcação naufragou.
As ondas levaram Dolores e Alfonso para a beira da praia.
Ela conseguiu se salvar, mas o marido estava morto.
Não há palavras para transcrever a desolação que tomou conta da pobre Dolores com aquela nova fatalidade.
A jovem Condessa voltou à fazenda do irmão com a firme decisão de terminar seus dias na solidão.
Ao saber da desgraça, Ramiro foi ver a irmã.
A saúde dela inspirava sérios cuidados, pois os ataques cardíacos que Dolores passou a ter desde o seu casamento com Vasconcellos tornaram-se tão intensos, que podiam culminar numa verdadeira catástrofe.
Porém, a criança e os remédios de KakhlaSarma faziam um efeito benéfico à jovem mulher.
Ramiro, acreditando na sua melhora, resolveu, então, viajar para a Espanha, aonde assuntos importantes o aguardavam.
A viagem duraria sete ou oito meses.
Depois da partida do irmão, a vida de Dolores ficou monótona e tranquila.
Ela não saía para nenhum lugar, nem recebia visitas.
Apenas Sara e o velho hindu cercavam-na de amor e cuidados.
Olhando para a criança, Dolores pensava frequentemente em José.
Onde estaria?
Como estaria passando?
Ele nunca mais tinha dado sinal de vida.
Teria morrido ou tornando-se independente?
Sendo jovem e bonito, com brilhante educação, teria tido a chance de uma nova vida em família ao lado de uma mulher amada?
Ou ainda estaria ligado a Cuba por laços irrompíveis e vagaria pelo mundo, atormentando-se com dolorosas lembranças?
Influenciada por aqueles pensamentos, Dolores começou a contar ao menino sobre o pai que estava longe, separado deles por motivos importantes, e obrigava o filho a orar por ele de manhã e à noite.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 71937
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Conde J. W. Rochester - Dolores / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 22, 2017 8:57 pm

A criança ficou muito surpresa ao saber que tinha mais um pai que nunca havia conhecido, além do papai Alfonso que sabia brincar com ele tão bem e de quem ele nunca se esquecia.
Algum tempo depois da partida de Ramiro, faleceu o velho KakhlaSarma.
Dolores cuidou dele até o fim com a abnegação de uma filha.
A vida da Condessa de Mornos na fazenda, depois da morte do hindu, tornou-se ainda mais triste e isolada, pois mesmo a leal Sara tinha que deixá-la para cuidar do marido, que durante uma viagem para Havana tinha contraído febre amarela e corria perigo de vida.
Mas, Scipión não teve a sorte de se recuperar.
Sentindo a aproximação da morte, ele expressou o desejo de conversar com Dolores.
Foi, então, que o sinistro segredo abriu-se diante da jovem viúva.
Scipión contou a ela que, por ordem de Bartolomeu, roubara e destruíra o testamento do velho Martinez, privando, com isso, dom José do direito à herança.
Entre os papéis havia também a certidão do casamento de seu patrão com a mãe de José.
Contou também sobre a participação de Ramiro no crime.
Dolores ouvia sem interrompê-lo e uma enorme vergonha, pavor e desespero selavam-lhe os lábios.
— Meus Deus! — balbuciou ela, finalmente, com as mãos na cabeça.
Que crime horrível!
José tinha razão!
Roubaram dele tudo, tudo!
E eu ainda rejeitei-o e mandei-o para fora de sua própria casa!
Sara também ficou transtornada.
Sentando-se no chão, ela gemia e arrancava os cabelos de tanta vergonha.
Depois, Dolores levantou-a.
— Adeus, Scipión!
Ore e que Deus o perdoe por esse terrível crime.
Não posso julgá-lo, pois foi impelido a essa atitude ruim por amor a mim.
Mas, todo dia implorarei ao Criador para que Ele me ajude a corrigir o mal que você causou!
A jovem mulher voltou para seu quarto num péssimo estado, sentindo que a vergonha, a ira e o desespero a sufocavam só de pensar que, involuntariamente, tinha sido cúmplice daquela atitude desonrosa com a qual Ramiro, o orgulhoso Conde de Mornos, maculou-se.
Sim, eles eram ladrões!
Sem o menor direito eles condenaram José à miséria e à humilhação, expulsaram-no e perseguiram-no como uma fera selvagem, enquanto gozavam de sua fortuna.
Até ela tinha usado aquele ouro roubado para construir o esplêndido mausoléu de Vasconcellos.
Por fim, lágrimas abundantes conseguiram aliviá-la um pouco.
A partir daquele momento, o irmão que tanto amava tornara-se quase odioso para ela.
Logo depois, achou também a confirmação daquele crime.
Mexendo na biblioteca, Dolores descobriu, atrás dos livros, uma gaveta secreta.
Nela havia um pacote selado que continha cópias autenticadas dos documentos destruídos por Scipión.
Aquele achado, por mais incrível que parecesse, acalmou Dolores.
Então, ela resolveu procurar José e entregar-lhe os documentos.
É claro que a vingança de José cobriria de vergonha o nome dos Mornos, mas Dolores não podia agir de outra maneira.
Em segredo, começou a procurar informações sobre ele.
Mandou cartas para todos os cantos, endereçando-as ao novo nome que José tinha adoptado.
Procurou-o também pela ilha inteira, mas em vão.
Não vinha resposta nenhuma e ela não conseguia achar a mínima pista do foragido.
Era como se ele tivesse sido tragado pela terra.
Passaram-se alguns meses.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 71937
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Conde J. W. Rochester - Dolores / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 22, 2017 8:57 pm

Dolores apagava-se rapidamente; seu fim não estava longe.
De repente, ela declarou que a vida na fazenda era insuportável, que as lembranças do passado a deprimiam e que desejava alugar uma vila em outra localidade da ilha.
Mas, a verdadeira causa daquela decisão foi o esperado retomo de Ramiro.
Ela não queria se encontrar com o irmão.
Achava que o Conde poderia ler no seu rosto que ela possuía documentos perigosos que poderiam arruiná-lo e desonrá-lo.
Além disso, achava que os documentos estariam seguros longe do irmão.
A casa para a qual Dolores se mudou ficava no meio de um jardim.
O verde exuberante e o silêncio profundo agradavam à jovem mulher, mas suas forças se esvaíam cada vez mais rápido.
Já não podia andar e até a luz a cansava.
De fraqueza, tinha sonolências às vezes parecidas com desmaios.
Aflita e ao mesmo tempo contente, ela sentia a aproximação da morte.
Então, chegou a hora em que ela expressou o desejo de se confessar e receber a extrema-unção.
Ao averiguar onde ficava a igreja mais próxima, Dolores ficou sabendo que não muito longe da casa dela havia um mosteiro dominicano.
Decidiu escrever ao prior pedindo que lhe mandasse um confessor, mas queria que fosse um homem inteligente, capaz de esclarecer perguntas complicadas de sua consciência e acalmar seus sofrimentos espirituais.
E, então, enviou a carta através de um mensageiro.
Dolores cochilava na poltrona, quando o criado levantou a cortina e comunicou:
— Senhora, chegou o padre Fernando do mosteiro de São Domenico.
A jovem mulher abriu os olhos e balbuciou com voz cansada:
— Peça-lhe que entre!
Embora o "boudoir" estivesse escuro, viu atrás do criado a figura alta e esbelta do monge, de branco.
Enquanto Dolores procurava o cordão para levantar a cortina, o monge chegou até ela e reverenciou-a:
A senhora deseja receber os conselhos de um padre.
Em que posso lhe ser útil?
— perguntou ele.
Ao ouvir aquela voz metálica e sonora, que poderia reconhecer entre milhares de outras, apesar de o timbre ser agora mais baixo e suave, ela ergueu-se bruscamente.
— José! — exclamou, desmaiando em seguida, tal a emoção que a surpreendeu.
Por algum tempo, o monge ficou imóvel.
Depois, correu para a janela e abriu a cortina.
— Dolores! Dolores! — repetia ele ao se inclinar à jovem mulher, ajoelhada perto da poltrona.
Ele olhava para seu rosto incrivelmente mudado.
Era transparente, como uma máscara de cera e já marcado pela proximidade da morte.
José levantou-a e, cobrindo-a de beijos, tentava trazê-la a si, dando-lhe sais para cheirar que encontravam-se ali perto, numa mesa.
Naquele momento, um grito atrás dele fê-lo virar a cabeça: era Sara.
— Rápido, Sara! Ajuda-me!
Em lugar de obedecer, a criada, tremendo de corpo inteiro, agachou-se, repetindo sem parar:
— Senhor Jesus Cristo!
Minha Nossa Senhora!
O monge é dom José!
Apenas após alguns minutos, teve condições de ajudar seu antigo patrão.
Graças aos esforços dos dois, Dolores voltou a si.
— José, você tornou-se monge?!
E Deus me manda logo você como confessor!
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 71937
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Conde J. W. Rochester - Dolores / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 22, 2017 8:57 pm

Que incrível e estranho acaso! — balbuciou ela.
— E eu, Dolores, achava que você tivesse morrido!
Soube que havia-se afogado junto com a tripulação da "Sílfide".
Dolores levantou os olhos.
Ficou surpresa como a notícia tinha chegado até ele, mas estava emocionada demais para fazer-lhe perguntas.
José aproximou um banquinho à poltrona de Dolores.
Depois, pegando na mão dela, falou titubeante:
— Gostaria de conversar com você sobre várias coisas e também de lhe fazer um pedido...
— Eu também preciso falar-lhe de negócios importantes, mas hoje estou muito cansada para isso.
— Sobre negócios?
Comigo, um monge? — disse José com um leve sorriso.
Em todo caso, não deve ser urgente, e espero, querida Dolores, que me permita ficar a seu lado até...
— Até minha morte — interrompeu a jovem.
— Não! Até que você se sinta melhor.
Está sem nenhum de seus parentes por perto; enquanto eu, passei tanto tempo longe de você e da criança.
Gostaria de permanecer aqui.
O resto está nas mãos de Deus.
— Fique, José, se sua nova posição lhe permite isso.
Mas, não terá que permanecer aqui por muito tempo.
— Já escreverei ao prior.
Meu passado é de conhecimento dele e tenho certeza que não recusará meu pedido.
À noite, quando a criança dormiu, José sentou-se à cabeceira da cama de Dolores.
Resolveu ficar de plantão uma parte da noite, dando-lhe os remédios prescritos pelo médico.
A jovem mulher nem os tocava, embora entre eles houvesse um narcótico forte, receitado a ela contra insónia.
Mais do que nunca, Dolores não queria dormir.
A penosa conversa que teria com seu primo provocou nela uma inquietação nervosa.
Uma voz maliciosa até começou a lhe soprar que já que José tornara-se monge e não podia aproveitar a fortuna, não valia a pena abrir-lhe o segredo vergonhoso, que apenas desonraria Ramiro sem trazer vantagem alguma a José.
Mas, Dolores rapidamente venceu aquela tentação e simplesmente deixou a conversa para o dia seguinte.
Para dispersar seus pensamentos desagradáveis, perguntou, de repente, a José:
— Conte-me, como aconteceu de você entrar para o mosteiro?
Ouvindo aquela pergunta inesperada, José, que estava sonhando, estremeceu e seu rosto pálido avermelhou-se.
— Me tornei monge há menos de um ano.
Quanto aos motivos que me levaram a adoptar o hábito, acho que são fáceis de entender.
— Nem um pouco!
O capital e o novo nome que tinha quando nos despedimos davam-lhe toda a possibilidade de viajar para a Europa, viver decentemente e se casar.
Quando o procurei por toda a parte, achava que era isso o que tinha feito.
— Procurou-me por toda a parte?
Para quê? — perguntou José, muito surpreso.
— Para tratar do negócio sobre o qual quero conversar com você.
Mas, é uma questão muito séria para tocar nela hoje — respondeu Dolores, ficando rubra.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 71937
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Conde J. W. Rochester - Dolores / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 22, 2017 8:58 pm

No dia seguinte, à tarde, Dolores, que parecia estar cochilando na poltrona, falou de repente:
— Por favor, pegue aquela caixinha incrustada que está no meu criado mudo.
José, espantado com a inquietação nervosa da jovem mulher, levantou-se, em seguida, e foi buscar o que lhe fora solicitado.
— Abra-a, por favor! — continuou Dolores, entregando-lhe a chave que estava pendurada em seu pescoço.
Nesse pequeno envelope à esquerda, amarrado com uma fita preta, está minha última vontade.
Quero que entregue-o para Ramiro.
O outro, grande, pertence a você.
Abra-o e leia-o!
O jovem padre abriu o volumoso pacote.
À medida que corria os olhos pelos pergaminhos carimbados, uma palidez mórbida cobria seu rosto.
Perdendo o fôlego, recostou na poltrona.
Tinha nas mãos todos os seus documentos.
A recuperação dos direitos civis aparecia tardiamente, quando ele já havia se tomado monge.
— Como esses papéis caíram em suas mãos, Dolores? — balbuciou ele, por fim, levando a mão ao peito, que parecia estar sob o peso de uma rocha.
— Contar toda a história a você seria muito demorado.
O principal é que esses documentos devolvem-lhe todos os direitos que havia perdido.
— E está me devolvendo-os, Dolores?
Ramiro sabe disso?
— Não! — respondeu a Condessa em voz baixa.
Um rubor apareceu em suas faces e ela procurava evitar o olhar do jovem padre.
— Ah! Entendo!
Esse bandido que os roubou de mim com a ajuda de Bartolomeu com certeza os tirariam de você.
Mas, esperem só!
A hora da vingança não tardará.
Com essa prova nas mãos abrirei um processo contra eles e não terei sossego enquanto não forem mandados às galeras como ladrões! — esbravejou.
Tremendo de fúria, José levantou-se.
Seus olhos flamejavam e o punho apertado parecia ameaçar os culpados.
Mas, naquele instante, uma mão pequena e quente deitou-se sobre a dele e uma voz trémula balbuciou:
— José, será que minha alma, livrando-se do corpo, terá de se arrepender por ter-lhe entregado essa terrível arma contra meus irmãos?
O jovem padre estremeceu e sua raiva apagou-se em seguida.
Ele encontrou os olhos de Dolores cheios de lágrimas com uma expressão indescritível.
- Eu sei — continuou ela — que você pode abrir um processo contra eles, que pode se vingar e cobrir de desonra o nome dos Mornos.
Mas, não se esqueça que foi o destino que me fez colocar essa terrível arma em suas mãos.
Lembre-se:
foi Deus quem o vestiu com o hábito para serenar sua alma.
— Para que me deu esses papéis ao invés de escondê-los ou destruí-los, Dolores?
— Porque não queria morrer cúmplice de um roubo!
Mais uma vez lhe imploro, José, não se vingue de meus irmãos!
Uma incrível luta interna reflectiu-se no expressivo rosto do monge.
Depois, ele inclinou-se e apertou as duas mãos de Dolores contra seus lábios.
— Juro com esta santa cruz — ele olhou para a cruz que estava em seu peito — que não vou me vingar de Ramiro e resolverei o assunto com ele de acordo com o seu desejo e suas indicações.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 71937
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Conde J. W. Rochester - Dolores / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 23, 2017 9:19 pm

Basta-lhe essa promessa?
Um sorriso de alegria e reconhecimento iluminou o rosto de Dolores.
Ela disse apenas "Obrigada!".
Mas, o olhar e o tom com que pronunciara aquilo, recompensaram o sacrifício de José.
Então, ele sentou-se ao lado dela no sofá e pela primeira vez entre os dois começou uma conversa realmente franca e amigável.
— Diga, minha querida, o que quer que eu faça?
Sendo monge, não posso usar a condição readquirida para mim, pessoalmente.
— Por que não? — observou Dolores.
Você é jovem e receberá novamente sua fortuna e sua posição social.
Sua vida ainda pode voltar a ser maravilhosa.
Digamos que não se pode reparar o passado e que minha morte não mudará muita coisa.
Mas, outra mulher, linda e que o ame, poderá fazê-lo esquecer todas as desgraças e as desilusões que você sofreu até agora.
— Nunca! — objectou José com fervor.
Só se Deus devolver-lhe a saúde eu me libertarei, mesmo ao custo de largar o hábito.
Em algum lugar na Europa, onde você quiser, começaremos uma nova vida.
Mas, se Deus não poupá-la para mim, continuarei monge.
Em todo caso, terei de resolver o assunto com seu irmão e prometo novamente que seus desejos são sagrados para mim.
Dolores sorriu tristemente.
— Meu pobre José!
Não se engane com esperanças efémeras.
Permita-me, mais uma vez, do fundo do meu coração, agradecer-lhe por tudo o que sacrificou por amor a mim.
O que eu gostaria que fizesse quando eu não estiver mais aqui é que, em primeiro lugar, obrigue Ramiro a legar tudo a Alfonso, mesmo que ele se case.
Deve passar tudo a seu filho, excepto as terras na Espanha e aquilo que você mesmo gostaria de deixar para meus irmãos Filipe e Manoel.
Além disso, quero que você participe da educação de nosso filho.
Para isso, ele deve passar cada seis meses em sua companhia.
Mas, como a criança tem o nome de Vasconcellos, realmente não sei como formalizar tudo isso.
Acho que seria melhor Ramiro ser o tutor do menino.
Pode fazer isso sem receio algum.
Ramiro cometeu um pecado.
Foram a miséria e o desespero que o levaram a errar.
Mas, sei que em minha memória, ele manterá sua promessa.
Além dessa questão principal, gostaria também que Sara recebesse uma boa pensão até o fim de seus dias.
E os escravos mencionados nessa lista, que sejam libertados.
Eu lego também certas somas em dinheiro a algumas igrejas e mosteiros para que se lembrem de mim nas preces.
Dolores estava visivelmente cansada e se calou. Logo depois, adormeceu.
Enquanto ela dormia, José fez perguntas a Sara e soube em detalhes da confissão de Scipión.
Quando o jovem descobriu que Janto, por sua traição, recebera meio milhão, toda sua ira concentrou-se naquele empregado ingrato.
Passaram-se quinze dias.
Apesar da piora de Dolores, José sentia-se feliz perto dela e da criança.
Como um náufrago se agarra à primeira coisa que vê, assim ele agarrava-se àquela vida que se apagava, percebendo no seu pálido rosto a progressão da doença.
Ele demonstrava fé em sua recuperação e sempre falava de seus planos para o futuro.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 71937
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Conde J. W. Rochester - Dolores / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 23, 2017 9:19 pm

Dolores sorria, concordava com tudo e, com ternura, respondia a todos os pequenos favores com os quais José a cercava.
Via o desespero e, às vezes, a terrível nostalgia nos olhos dele.
O prior chegou do mosteiro para a extrema-unção.
Depois, propôs aos esposos que fizessem as pazes e perdoassem os erros um do outro.
O momento solene comoveu os dois e a reconciliação foi total.
Três dias depois do ritual, Dolores faleceu.
É difícil descrever o desespero de José.
Embora estivesse preparado para aquele infeliz desfecho, achou que não teria forças suficientes para suportá-lo.
Quando todos os esforços para trazê-la de volta à vida fracassaram e já não havia mais dúvida que a morte havia pego sua presa, o jovem abrigou-se no mosteiro.
José passou a noite sem dormir.
Pela manhã, foi ver o prior e teve com ele uma conversa secreta.
Depois, despediu-se de sua Irmandade por algumas semanas, pois queria acompanhar o corpo de Dolores, presenciar o sepultamento e resolver seus negócios pendentes.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 71937
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Conde J. W. Rochester - Dolores / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 23, 2017 9:20 pm

CAPÍTULO XIII
A notícia da morte de Dolores, embora prevista, abalou terrivelmente os irmãos de Mornos, e entre os escravos causou um pesar profundo e sincero.
Havia dias que Ramiro tinha voltado da Europa.
Ele pretendia visitar a irmã, quando chegou a notícia fúnebre e o comunicado de que Sara estava levando o corpo de Dolores para a fazenda.
Quando o mensageiro anunciou que o triste cortejo havia entrado nas terras da família de Mornos, todos os moradores da fazenda foram ao seu encontro.
A última passagem de Dolores pelas terras onde só semeara o bem provou claramente que todos a amavam e se compadeciam de seu triste fim.
Os caminhos estavam repletos de escravos.
Quando sua benfeitora passava, eles jogavam flores e, com lágrimas, ajoelhavam-se.
O choro das mulheres era ouvido por toda a parte e afectava os nervos já abalados de José.
Ele estava à frente do cortejo com dois monges que chegaram junto com ele do mosteiro.
Todo o longo caminho José fez a pé, carregando nas costas uma cruz grande e pesada.
Estava sombrio e silencioso, absorto em seus pensamentos.
Pode-se imaginar o tormento do infeliz jovem quando pisou em suas próprias terras.
Mas, agora ele voltava como monge, acompanhando os restos mortais daquela que poderia ter vivido ali junto com ele como sua senhora.
Como poderiam ter sido felizes com todo aquele orgulho e a crueldade de seu coração?
Mas, com amor e bondade, poderia ter reconquistado o coração de Dolores!
Se tivesse ajudado aos Mornos sem humilhá-los, talvez nunca surgisse na cabeça de Ramiro aquela terrível ideia de acabar com ele.
A duas milhas da casa, os cortejos encontraram-se.
Os Mornos, com lágrimas, ajoelharam-se.
Depois, ao se aproximarem do carro fúnebre, eles tiraram o caixão e o carregaram nos braços até a grande sala, onde já estava preparado o catafalco.
Durante todo o dia, escravos e os fazendeiros vizinhos iam ver pela última vez a finada e despedir-se dela.
A figura do monge misterioso, que ia à frente do caixão com a cruz nos braços e que havia passado o dia todo ajoelhado no último degrau do catafalco, provocou a curiosidade de Ramiro.
Janto sentiu uma inquietação desagradável.
Um sentimento estranho impelia-o a observar o monge, cujos traços estavam escondidos pelo capuz.
Já a curiosidade de Ramiro foi apagada pelo cansaço e pelas preocupações do dia.
Mas, transformou-se em inquietação quando, à noite, foi beijar o pequeno Alfonso, que estava para dormir.
A criança começou a lhe falar sobre o "papai José" e perguntou o que ele estava fazendo.
— Está falando bobagens, Alfonso.
Seu pai morreu. Você tem só a mim.
Eu substituo seu pai — respondeu o Conde, beijando o menino.
— Então, você é o terceiro! O monge é meu papai José:
a própria mamãe me disse isso antes de morrer.
O Conde ergueu-se e franziu as sobrancelhas.
Não teve tempo de pensar muito nas palavras estranhas do menino, pois a chegada de várias famílias de fazendeiros e todos os tipos de preparativos exigiram sua presença.
Porém, ele também começou a olhar com desconfiança e preocupação para a alta figura do monge, fechada pelo capuz.
Este parecia estar totalmente entregue à prece e aos seus pensamentos, e a qualquer pergunta respondia apenas com um aceno de cabeça.
À meia-noite o caixão de Dolores foi transferido para o jazigo da família e colocado entre os caixões do pai e de dom Fernando.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 71937
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Conde J. W. Rochester - Dolores / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 23, 2017 9:20 pm

Ramiro notou que o monge aproximou-se do último e ficou olhando para ele longamente.
A inquietação que ele tentava afugentar apertou o coração do jovem Conde.
Quando o ritual do enterro terminou e todos saíram, o monge aproximou-se de Ramiro e pediu permissão para conversar com ele sem a presença de estranhos.
— Deseja falar comigo agora ou, como já é tarde, deixaremos essa conversa para amanhã? — perguntou o Conde, contido.
— Desejo falar com o senhor agora mesmo!
Além disso, gostaria que o senhor Janto presenciasse nossa conversa.
— Nesse caso, mandarei que levem o senhor até meu gabinete.
Dentro de um minuto estarei às suas ordens.
Alguns minutos depois, o criado levou José ao gabinete, aquele que pertenceu primeiro ao seu pai, depois a dom Pedro e agora servia a Ramiro.
O grande recinto estava vazio. Dois candelabros sobre o "bureau" iluminavam-no.
Quando o jovem monge entrou, seu coração, cheio de lembranças, bateu forte.
Eis ali as mesmas gavetas onde ele procurara os documentos roubados; naquele console dourado acotovelara-se dom Pedro quando disse, medindo-o com olhar gélido:
"Quanto ao filho da escrava não alforriada, será escravo como os outros.
Que se ponha novamente no lugar que nunca deveria ter deixado."
Um calafrio passou pelo corpo de José ao se lembrar daquele momento e de tudo o que acontecera depois.
Oh! Como ele odiava os Mornos, carrascos de sua vida, e como era difícil manter a promessa feita a Dolores!
Respirando com dificuldade, o jovem homem virou-se e seu olhar passou pelos retratos que estavam na parede.
Excepto os retratos do pai, de dom Pedro e de sua esposa, a maioria não lhe era conhecida.
De repente, ele estremeceu e rapidamente foi até a parede.
No fundo do quarto havia uma enorme pintura representando Dolores e Vasconcellos.
Fora feita depois de seu reencontro.
Sorridentes e felizes, estavam abraçados.
Um forte e amargo ciúme cortou o coração de José.
Estava tão absorto na contemplação do retrato que não ouviu Ramiro entrar, acompanhado de Janto, pálido e agitado.
— Estamos aqui!
Tenha a bondade de sentar-se e explicar-nos o que deseja — disse o Conde, sentando-se na frente do "bureau" e apontando a cadeira ao seu interlocutor.
Este, com um gesto, recusou-se a sentar e tirou seu capuz.
— José! — exclamou Ramiro, pulando da cadeira. Você aqui?!
— Sim, eu mesmo!
Dessa vez bastou minha roupa para me resguardar de sua raiva.
Mas, tenho outra arma, mais eficiente.
Vim aqui, Conde de Mornos, para ajustar nossas contas, e vim como dono! .
— Como dono?!
Por acaso achou o testamento de seu pai? — perguntou Ramiro com ironia.
— Exactamente!
E não apenas o testamento como todos os outros papéis que foram roubados e destruídos por Scipión, e pelos quais o senhor Janto recebera uma recompensa digna de um Rei!
Bartolomeu deu um grito abafado.
Sem reparar, o monge continuou:
— Atrevam-se a negar o crime, miseráveis!
Principalmente você, Ramiro!
Não se contentou apenas em me roubar, como ainda dilacerou meu coração!
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 71937
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Conde J. W. Rochester - Dolores / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 23, 2017 9:20 pm

Tirou tudo de mim, inclusive a mulher que me foi dada pela Igreja!
Sem suas intrigas ela nunca teria me rejeitado, nunca teria concordado com um casamento sacrílego com Vasconcellos!
Oh! Como eu o odeio!
De repente, ele agarrou a pistola que estava em cima do "bureau" e apontou-a para Ramiro.
Este nem se mexeu. Olhava para o cano da arma sombrio e orgulhoso.
De facto, naquele momento, o Conde não dava valor à sua vida.
O crime descoberto e as consequências que ele podia acarretar faziam-se odiosas.
Mas, José desviou a arma dele.
— Lacaio ingrato! Víbora que me vendeu!
Morra como um cachorro! — exclamou José com a voz rouca e sibilante.
Bartolomeu queria se afastar, mas a arma disparou e o gerente caiu no chão com o crânio despedaçado.
O Conde, pálido, caiu na poltrona.
— O que você fez, José?!
— Justiça! Se a falecida não fosse sua protectora, a segunda bala eu mandaria em sua cabeça traiçoeira e você estaria no chão junto com este miserável, porque me feriu mais forte do que ele!
Sem você, ela não se casaria com Vasconcellos e não morreria de desgosto após o naufrágio; sem você, eu não seria monge e nós teríamos feito as pazes.
— Está enganado, José de Martinez!
Foi você quem semeou a morte, que acabou matando Dolores ao permitir que fosse envenenada, obrigando-a a atentar contra sua vida e, por fim, ao desonrá-la!
Essa vingança genial foi a causa de nove meses de loucura e provocou nela as primeiras crises da doença incurável!
— Oh! Não nego minha culpa!
Mas, em compensação, eu também sofri!
E como! Será que existe no mundo um sentimento humano que você não ridicularize e não pise em cima, Ramiro?
O que eu fiz a todos vocês?!
Foram vocês quem pediram ajuda, e quando meu pai lhes deu todo o dinheiro, passaram a me odiar e a me desprezar.
O que pode me dar agora, em troca da minha vida destruída?
Ramiro abaixou a cabeça.
— Se você amasse Dolores, tudo seria diferente.
— Oh! Eu a amei até demais!
Apenas o orgulho impedia-me de expressar esse sentimento, ciente que ela não o correspondia.
Aliás, isso toca apenas a mim e à falecida.
Saiba apenas que nós fizemos as pazes e só graças a ela eu poupei você.
Leia isto!
Com aquelas palavras, José estendeu ao Conde a carta de Dolores.
Nela estava o relato detalhado sobre a confissão de Scipión, a visão que dom Fernando teve e sobre os documentos achados.
— Foi Dolores quem me traiu — balbuciou Ramiro, surpreso.
Mas, ele não ficou perplexo por muito tempo.
Sua mente flexível e orgulhosa logo tratou de recuperar-se e os jovens, sem hostilidade aparente, discutiram as condições do acordo.
Depois, eles se separaram.
Ramiro mandou que levassem o corpo de Bartolomeu às escondidas e que o enterrassem no cemitério dos escravos.
José passou três dias na fazenda.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 71937
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Conde J. W. Rochester - Dolores / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 23, 2017 9:20 pm

Calado e sombrio, visitou os lugares sagrados à sua memória.
Por horas inteiras ele orava e chorava junto aos caixões do pai e de Dolores, ou trancava-se na casa da ilha.
Também visitou a aldeia dos escravos e meditava na cabana, onde passou os mais terríveis meses de sua vida de escravo.
A corda pendurada no tecto fez com que se lembrasse de Gilda.
Então, um tremor desagradável passou pelo seu corpo.
Não teria ele matado a megera naquela noite fatídica do casamento de Dolores?
É claro que ela o merecia, mas, de qualquer maneira, seria assassinato.
Com o coração pesado voltou para casa, mandou chamar Sara e começou a perguntar-lhe sobre o destino da antiga supervisora.
A criada hesitou, mas, depois, emocionada, contou que Gilda trabalhava na máquina de corte da cana-de-açúcar e havia perdido um braço.
Deixaram-na em paz, dando-lhe comida e roupas necessárias.
Mas, ao invés de viver tranquilamente e fazer com que se esquecessem dela, a mulata, dando vazão a sua raiva, começou a ofender seus patrões e a caluniá-los.
Tornando-se cada vez mais atrevida, ela acabou contando que Ramiro havia roubado o testamento de dom Fernando e pago uma soma enorme a Bartolomeu pela ajuda naquele crime.
O Conde e Janto ficaram furiosos quando souberam daquelas palavras ultrajantes.
Em seguida, foram à casa de Gilda e queimaram sua língua com ácido.
A partir daí, muda e mutilada, esquecida por todos, ela levava uma vida miserável em sua cabana.
José, silencioso, escutou a narrativa com horror.
Sem fazer nenhuma observação foi novamente à aldeia e mandou o primeiro escravo que encontrou levá-lo à cabana de Gilda.
Este obedeceu, temeroso, e apressou-se.
A notícia sobre a volta do antigo dono já havia-se espalhado entre os escravos e a figura sinistra e calada do monge provocava neles pavor e inquietação.
Quando lhe abriram a porta da cabana, que ficava isolada à margem da aldeia, José viu num monte de palha uma criatura suja e desfigurada, terrivelmente feia.
Ao ver o monge, ela se agitou entre as tralhas e dirigiu seu olhar ao visitante.
De repente, ergueu seu braço cotó e emitiu um uivo, enquanto uma expressão de alegria e esperança iluminava seu pálido rosto.
Apesar do hábito e do rosto mudado, a mulata reconheceu seu antigo amante.
Mas, José não reparou nisso.
Um enorme pavor e aversão deixaram-no estatelado.
Virando-se rapidamente ele saiu constrangido da cabana a passos largos.
Durante o almoço, Ramiro, que já havia recuperado a segurança e o espírito sarcástico, perguntou-lhe de repente:
— E aí, primo?
Achou sua antiga esposa?
Talvez queira voltar com ela.
Desde o momento de sua separação Gilda adquiriu uma qualidade preciosa para um marido ou amante:
tornou-se muda.
— O hábito que uso deveria me poupar de brincadeiras de mau gosto desse tipo, primo Ramiro.
Devo dizer que a maneira com que Gilda tornou-se muda foi de facto vergonhosa.
É verdade?
Quer dizer que acha que da parte dela é perdoável envenenar Dolores com esperanças que o amante condescendente a livrasse de qualquer responsabilidade? — perguntou Ramiro, lançando a ele um olhar cáustico.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 71937
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Conde J. W. Rochester - Dolores / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 23, 2017 9:21 pm

José abaixou a cabeça e nada respondeu.
Naquele momento, ele se perguntava que tipo de cegueira tivera quando deixou impune aquela criatura nojenta, permitindo que Dolores arriscasse a vida a cada pedaço de pão.
No dia seguinte, José voltou para o mosteiro.
Dias depois, ao retornar à fazenda, José pediu que lhe trouxessem o filho, pois queria ficar bem perto dele e educá-lo ele mesmo.
O menino era o único consolo do monge em sua ascética vida de eremita.
Mas, que desgraça!...
Deus não o deixou gozar daquela felicidade.
Infelizmente, o pequeno Alfonso contraiu escarlatina e acabou morrendo nos braços de José.
Incapaz de se separar do pequeno túmulo onde jaziam os restos de sua felicidade, o monge completamente desolado alojou-se numa gruta ali perto.
Sentia nojo de tudo e ansiava apenas a solidão.
Ele nem conseguia orar, como todos pensavam.
Apenas vivia a amargura das recordações de toda uma existência desperdiçada com o orgulho e a ambição e o arrependimento por ter feito sofrer as criaturas que mais amava.
Naquela vida isolada e monótona, José acabou perdendo a noção do tempo e envelhecendo pouco a pouco.
Seus braços secaram; o cabelo, ainda espesso, ficou branco como neve.
Mas, ele permanecia vivo.
Parecia que seu corpo era feito de aço e, às vezes, se perguntava com amargura se no Além não haviam-se esquecido dele.
Nas noites escuras, dirigia seu olhar perdido ao oceano, coberto de neblina, na esperança que de lá aparecesse a sombra de alguém que lhe dissesse:
"Chegou o fim de sua vida".
Mas, certo dia, as forças começaram a abandoná-lo.
Ele sentiu-se tão fraco e doente que teve de ficar deitado na gruta.
E numa noite, sentiu uma incrível inquietude.
Seu coração doía a cada batida.
Então, subitamente, viu o oceano iluminar-se fortemente com uma luz azulada.
Sobre ondas fosforescentes, balançava suavemente um barco voador transparente que ia subindo pouco a pouco até chegar à altura das rochas.
Estava repleto de pessoas que ele bem conhecia.
Reconheceu nele o pequeno Alfonso e Dolores, seu pai, Ramiro, Bartolomeu e Vasconcellos; todos os personagens do grande drama de sua vida.
Uns estavam tranquilos e resplandeciam em auras luminosas; outros, desassossegados, eram envolvidos por uma neblina escura.
Percebia-se desespero e vergonha em seus semblantes.
Todos aqueles espíritos conhecidos chamavam-no com gestos e vozes:
— Venha, José!
A provação da vida se findou!
Venha ocupar seu lugar neste leve barco, carregado com o terrível peso da crueldade, do orgulho, da vingança e das baixas paixões que atormentam a alma humana.
Chegou o dia do Julgamento Final!
Diante do altar do Supremo Juiz teremos que prestar contas dos nossos pensamentos e de nossos actos.

FIM
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 71937
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Conde J. W. Rochester - Dolores / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 23, 2017 9:21 pm

VERA JVANOMA KRY ZHANOVSKAIA
Há mais de um século os livros de Rochester vêm encantando leitores no mundo todo e abrilhantando não só a literatura espírita, mas a literatura mundial.
John Wilmot, Conde de Rochester, assumiu perante a Espiritualidade a missão de divulgar e solidificar a doutrina espírita, revelando ao mundo material as leis que regem o universo, elucidando e desmistificando, assim, os mistérios da então nascente doutrina.
Para tanto, preparou desde cedo a jovem médium Vera Kry zhanovskaia, espírito querido e afim, que serviria de intermediário na execução de sua importante tarefa.
Curiosamente, até então, escassas eram as informações a respeito da notável médium russa, provenientes principalmente de revistas francesas do final do século XIX.
Porém, novas biografias foram recentemente localizadas na Biblioteca Nacional Russa, sediada em São Petersburgo, além de artigos encontrados na Internet, como o ensaio de Evguêny Kharitonov.
Vera Ivanovna Kry zhanovskaia descendia de uma antiga família nobre da província de Tambov, mas nasceu em Varsóvia no dia 14 de julho de 1861, onde seu pai — o general-major Ivan Antonovich Kry zhanovsky — comandava a brigada de artilharia.
Sua mãe vinha de uma família de farmacêuticos.
Desde cedo, a futura escritora recebeu uma boa educação e se interessava por História Antiga e ocultismo.
Aos dez anos de idade, seu pai morreu e a famí1ia ficou em situação económica complicada.
Vera, então, entrou numa associação beneficente de educação para moças nobres de São Petersburgo.
No ano seguinte, em 1872, a família conseguiu introduzi-la na escola Santa Catarina como bolsista, mas sua frágil saúde e problemas financeiros impediram-na de concluir o curso e, em 1877, ela foi dispensada e concluiu sua educação em casa.
Segundo B. Vlondraj, um dos principais biógrafos da escritora, um importante acontecimento deu novo rumo à vida de Vera.
O espírito do poeta inglês J.W. Rochester (1647-1680), aproveitando seus dons mediúnicos, materializou-se e propôs que ela se dedicasse de corpo e alma a serviço do Bem e que escrevesse sob sua direcção
(Vera Ivanovna Kry zhanovskaia — Rochester. / / Ocultismo e Ioga. Ed. 25. Assuncion, 1961, p. 32).
É importante dizer que, após o contacto com seu guia espiritual, Vera aparentemente se curou de uma doença grave na época — a tuberculose crónica — sem interferência médica.
Vera Ivanovna começou a psicografar aos 18 anos.
De acordo com V.V. Scriabin, algo de "sobrenatural" acontecia quando ela escrevia:
"Frequentemente, no meio de uma conversa, ela de repente se calava, ficava pálida e passando a mão pelo rosto, começava a repetir a mesma frase:
'Dêem-me um lápis e um papel, rápido!'
Geralmente, nessa hora, Vera sentava-se numa poltrona junto a uma pequena mesa, onde quase sempre havia um lápis e um bloco de papéis.
Sua cabeça ficava levemente jogada para trás e os olhos, semicerrados, concentravam-se num único ponto.
De repente, ela começava a escrever sem olhar para o papel.
Era a verdadeira escrita automática.
(...) Esse estado de transe durava de 20 a 30 minutos, após o que Vera Ivanovna geralmente desmaiava.
(...) As transmissões por escrito terminavam sempre com a mesma palavra: 'Rochester'.
Conforme Vera, esse era o nome (ou melhor, o sobrenome) do Espírito que ela recebia."
(V.V. Scriabin. Recordações. Ver # 65 da bibliografia, p. 24-25).
Um testemunho semelhante pode-se encontrar nas "Anotações literárias" de M. Spassovsky:
"No estado inconsciente, ela sempre escreve em francês...
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 71937
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Conde J. W. Rochester - Dolores / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 23, 2017 9:21 pm

Seus escritos são traduzidos para o russo e, criteriosamente, redigidos ou pela própria autora ou por uma pessoa de sua confiança."
(M. Spassovsky. Anotações literárias. — "VeshnieVody ", 1916, tomo 7-8, p. 145).
Em 1880, numa viagem à França, Vera Ivanovna participou com sucesso de uma sessão mediúnica.
Muitos contemporâneos se surpreenderam com sua produtividade, apesar da saúde débil.
Por isso, apesar de muitos biógrafos e
críticos afirmarem que sua escrita era puramente mediúnica e mecânica, como o doutor A. Aseev e L. Sokolova-Ry dnina, outros preferiam considerar Vera como escritora ou co-autora dos livros do que como simplesmente médium.
De qualquer forma, desde as primeiras mensagens já aparecia a assinatura do espírito Rochester.
Actualmente, na Rússia e em vários países, muitos consideram Rochester somente como um pseudónimo ou como sobrenome de Vera.
Em 1886 foi publicado em Paris o seu primeiro livro, o romance histórico "Episódio da Vida de Tibério", psicografado em francês, como assim foram as primeiras obras, nas quais a tendência para temas místicos já podia ser notada.
Certamente, Vera teve influência nas doutrinas de Allan Kardec e, possivelmente, de Helena Blavatsky, de Papus, bem como o apoio de seu esposo S.V. Semenov, que ocupava um cargo importante na chancelaria de Sua Majestade e, em 1904, foi nomeado "kamerguer".
Semenov era um famoso espírita e presidente do "Círculo de Pesquisas Psíquicas" de São Petersburgo.
Entretanto, antes de conhecer Semenov, Vera já era uma poderosa médium e em suas sessões espíritas reuniam-se famosos médiuns europeus e eram frequentadas até pelo, então, príncipe Nicolau, futuro Czar Nicolau II.
Há notícias de que lá lhe profetizaram o acidente de "Khodynka".
Por um' período com residência provisória em Paris, até 1890, Vera produziu uma sequência de romances históricos:
"O Faraó Mernephtah", "Abadia dos Beneditinos", "Romance de uma Rainha", "O Chanceler de Ferro do Antigo Egipto", "Herculanum", "O Sinal da Vitória", "Noite de São Bartolomeu", entre outros, que chamavam a atenção do público não somente pelos assuntos cativantes, mas pelas tramas emocionantes.
O crítico V.P. Burenin, elogiando o romance "A Rainha Hatasu", observava que "madame Kry zhanovskaia" conhecia o cotidiano dos antigos egípcios "talvez melhor do que o famoso romancista histórico Ebers" (jornal "NovoeVremia", 13 de janeiro de 1895), o que não contradiz a verdade.
Os livros escritos pela médium conseguiam reproduzir com surpreendente fidelidade o espírito da época histórica descrita nos romances e eram abundantes em detalhes interessantes.
Pelo romance "O Chanceler de Ferro do Antigo Egipto" a Academia de Ciências da França concedeu-lhe o título de "Oficial da Academia Francesa" e, em 1907, a Academia de Ciências da Rússia lhe concedeu a "Menção Honrosa" pelo romance "Os Luminares Tchecos".
Entretanto, embora muitos leitores apreciem os melodramas descritos nas relações amorosas, os chavões literários nas descrições dos personagens e o linguarar simples, embora exótico, a crítica séria sempre ignorava suas obras, como Gorky, no artigo "A Literatura do Vanhka" de 1899, citando que as mesmas eram orientadas ao leitor de pouca cultura, com preferências para diversão e sensacionalismo.
Mas, os críticos jornalísticos encontravam em seus romances "um colorido brilhante, vida e precisão da base histórica"
(A. P- v. -"Iuzh. Kray ", 1894, 6 de fevereiro).
Segundo avaliação de Helena Ivanovna Rerikh, "ela, indubitavelmente, merece respeito, pois seus livros trouxeram algum bem.
Também é indubitável que a sua série "Os Magos" é incomparavelmente mais talentosa e rica em informações corretas do que as obras de muitos romancistas ocultistas posteriores".
(Cartas de H.I. Rerikh, 1940, tomo 2, p. 134).
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 71937
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Conde J. W. Rochester - Dolores / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 23, 2017 9:21 pm

Paralelamente ao ciclo histórico, Vera iniciou a psicografia de livros com temas "ocultistas-cosmológicos" (segundo definição da própria autora), tornando-se a primeira representante da literatura de ficção científica e a única do romance ocultista na Rússia.
Ocupando essa posição isolada na literatura, seus livros eram publicados no jornal "Svet", e mais tarde nos jornais "Mosk. Ved.", "NovoeVremia", "Rus. Vest.", "Rodina" e "Pamsky Mir".
O tema principal nesses livros era a luta universal entre as forças divinas e satânicas, a interdependência das forças ocultas no ser humano e no Cosmo, os segredos da matéria original.
A linha espiritual de ficção científica firmou-se nos romances seguintes, como "O Castelo Encantado", "As Duas Esfinges", na trilogia "O Terrível Fantasma", "No Castelo Escocês" e "Do Reino das Trevas", e abriu-se em todo seu esplendor na série mais popular da escritora — a pentalogia "Os Magos", que inclui os romances "O Elixir da Longa Vida", "Os Magos", "A Ira Divina", "A Morte do Planeta" e "Os Legisladores".
No prefácio da versão original russa de "O Elixir da Longa Vida", Vera dizia que a série "foi escrita em forma de romance com o objectivo de facilitar a um grande círculo potencial de leitores o aprendizado dos princípios da ciência oculta, que são de difícil assimilação, abstractos e, por vezes, nebulosos".
Naturalmente, com os conhecimentos atuais, muitos factos descritos e narrados nos romances psicografados por Vera parecem inocentes e pueris.
Entretanto, essa pentalogia está cheia de temas e ideias interessantes, com ênfase na luta entre o Bem e o Mal, não só no mundo cósmico e da natureza, mas também no meio social, condenando rigidamente a exploração, a degradação moral e a decadência da fé na sociedade.
Talvez, pela primeira vez na ficção científica mundial, em um romance foi descrito o método de teletransporte como meio de transporte no espaço.
As naves espaciais chamaram a atenção do professor N. Ry nin, autor da enciclopédia capital "As Viagens Espaciais".
Devemos salientar que o romance "A Morte do Planeta" é emocionalmente uma poderosa anti-utopia e deve ser examinado como um romance "aviso de alerta".
Ao ler a história da destruição da humanidade, fica-se surpreendido com que exactidão a escritora pressentiu muitos traços do futuro — o nosso presente — , com que veracidade estão profetizados (e descritos em detalhes!) os momentos históricos da Rússia: revolução, destruição dos templos, ditadura e os problemas daquele país e do mundo actual!
Na verdade, mesmo hoje em dia, a série "Os Magos" é uma leitura bastante actual que obriga ao pensamento e reflexão.
O romance "No Planeta Vizinho" também refere-se à ficção científica espacial.
É uma utopia espacial de um governo ideal em Marte, uma monarquia e uma classe sacerdotal cheia de conhecimentos — semelhante à estrutura do Antigo Egipto — , onde vai parar por acaso o herói principal — um terráqueo.
O tema "governo ideal" também aparece no romance "Num Outro Mundo", que se passa em Vénus.
Os temas dos livros não eram restritos à história e à ficção, mas também sociais, do cotidiano e de amor, como "Os Reckenstein", "A Feira dos Casamentos" e "A Teia", este, político e pró-monarquista.
É importante salientar que os primeiros filmes russos foram baseados nas novelas de Rochester "Cobra Capela", "A Flor do Pântano" e "O Paraíso sem Adão".
Não aceitando a revolução russa de 1917, na qual seu marido Semenov foi preso e morto na prisão "Kresty ", Vera Kry zhanovskaia emigrou com a filha para a Estónia.
Mas lá ela quase já não escrevia, faltavam meios para a edição dos livros.
Todavia, em 1921, Vera ainda publicava artigos no jornal "PoslednieIzvestia" de Tallin e no jornal "Narvsky Listok".
Por mais de dois anos, teve de trabalhar na usina madeirense "Forest", onde o trabalho físico acima de suas forças afectou sua saúde.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 71937
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Conde J. W. Rochester - Dolores / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 23, 2017 9:22 pm

Não tinha dinheiro nem para editar um livro e nem para viver normalmente.
A escritora faleceu na completa miséria no dia 29 de dezembro de 1924 na cidade de Tallin, capital da Estónia.
"Ela faleceu num pequeno e humilde cómodo, sobre uma velha cama de ferro.
Somente duas pessoas estavam presentes em seus últimos momentos, a filha Tamara e um amigo fiel de sua casa".
(Vs. Ny mtak. Recordações. Tallin, 1935. Cit. Sobre "Ocultismo e Ioga", 1961, p. 44).
A escritora foi enterrada no cemitério "Aleksandr Nevsky " de Tallin, onde seu túmulo pode ser visitado.
Segundo artigo do médico municipal, Dr. Fedorov, "(...) fico estarrecido com a frieza e indiferença com que a comunidade russa encarou os sofrimentos de uma escritora também russa que se encontrava numa situação material sem saída.
É duro acreditar que uma famosa escritora russa não tinha sequer sua própria camisola...
Considero como obrigação moral registar a indiferença que grande parte da sociedade demonstrou em relação à doença e à extrema penúria da escritora Vera Ivanovna Kry zhanovskaia e também atestar a sensibilidade e a caridade da organização estoniana "Associação de luta contra a tuberculose".
Essa organização abriu, por iniciativa própria, um crédito mensal de 2000 marcos para a escritora para a compra de produtos alimentícios numa mercearia próxima e o fornecimento gratuito de lenha de fogão.
O mesmo pode-se dizer do departamento municipal de desenvolvimento que, após a morte de Vera Ivanovna, expediu imediatamente uma quantia de dinheiro para aquisição de um caixão e uma cruz decentes.
O túmulo também foi oferecido gratuitamente.
Também apareceu um padre que executou gratuitamente o rito fúnebre..."
Após sua morte, seus livros continuaram a ser reeditados, principalmente em Riga, na Letónia, pela sociedade esotérica daquela cidade, e em Berlim até meados dos anos 30.
É possível ainda encontrar alguns deles em edições recentes, dos dois últimos decénios.
Além dos originais franceses e russos, alguns de seus livros foram traduzidos para vários idiomas, como o letão, lituano, esloveno, alemão, inglês, espanhol, polonês, tcheco e grande parte para o português.
Em mais de 30 anos de trabalho, Rochester criou através de Vera Kry zhanovskaia mais de 80 obras, entre novelas e contos, mas, infelizmente, muitas edições e publicações foram praticamente perdidas devido aos acontecimentos que sucederam à revolução russa.
Surpreendentemente, após 75 anos da morte da memorável médium escritora, seus livros começam a ressurgir e os russos — e todo o mundo — começam a redescobrir seus preciosos trabalhos, os quais retornam aos leitores.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 71937
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Conde J. W. Rochester - Dolores / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 23, 2017 9:22 pm

Notas
[1] - Toledo — Capital da província de Toledo, na Espanha Central.
É uma das mais importantes cidades histórica e culturalmente naquele pais.
[2] — "Boudoir" (budoar, em português) — Do francês, cómodo pequeno e elegante, em moradias requintadas, reservado à dona da casa que nele pode isolar-se ou receber pessoas íntimas.
[3] — "Bureau" (biró, em português) — Do francês, mesa de escrever com gavetas ou tipo de escrivaninha.
[4] — Granada — Cidade da Espanha, na Andaluzia, situada ao pé da Serra Nevada e considerada um dos maiores centros turísticos.
[5] — Havana — Capital de Cuba, situada no golfo do México, foi fundada em 1519 por Diego Velásquez.
No século XVIII foi um dos primeiros portos de escala dos galeões espanhóis.
[6] — Cádis — Cidade portuária na Andaluzia, sudoeste da Espanha, fundada pelos fenícios em 1100 a.C.
É parcialmente cercada de muralhas e situa-se sobre uma ilhota rochosa ligada à terra por laguna arenosa.
[7] — Trezentos mil reais — Por incrível que pareça o "real" a que se refere o personagem era a denominação da antiga moeda espanhola, cunhada em prata, que na época valia 1/4 de peseta; cerca de 40 réis de Portugal e 9kopeques da Rússia.
A moeda acima citada, portanto, nada tem a ver com a moeda brasileira.
[8] — Antilhas — Arquipélago da América Central situado entre o mar das Antilhas e o oceano Atlântico, do qual fazem parte: Cuba, Haiti, Jamaica, Porto Rico, República Dominicana, Trinidad e Tobago, entre outros países.
[9] — Dobrão — Moeda de ouro que circulou nas antigas colónias da Espanha.
[10] — Écu (escudo, em francês) — Moeda francesa de prata circulante no período de 1641 a 1793.
[11] - Uma milha — Equivale a 1,609 quilómetros.
[12] - S. V. Semenov — Em algumas referências bibliográficas, o nome da autora aparece como Vera IvanovnaSemenova, nome de casada da médium.
[13] - "kamerguer — Título honroso que dava direito ao uso de um uniforme especial com uma chave no centro.
[14] - "Khody nka — Local do conhecido martírio do Czar e da família real Romanov.
[15] — "PoslednieIzvestia — Tradução: "Últimas Notícias — ("PoslednieIzvestia", 5 de janeiro de 1925).

§.§.§- O-canto-da-ave
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 71937
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Conde J. W. Rochester - Dolores / Wera Ivanovna Krijanovskaia

Mensagem  Conteúdo patrocinado


Conteúdo patrocinado


Voltar ao Topo Ir em baixo

Página 4 de 4 Anterior  1, 2, 3, 4

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo

- Tópicos similares

 
Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum