LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

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LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 22, 2017 10:09 am

LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE
ELIANA MACHADO COELHO

PELO ESPÍRITO SCHELLIDA

SINOPSE

Rafael é um jovem engenheiro e possui dois irmãos: Caio e Jorge.
Filhos do milionário Paulo, dono de uma grande construtora, e de dona Augusta, os três sofrem de um mesmo mal:
a indiferença e o descaso dos pais, apesar da riqueza e da vida abastada.
Nesse clima de desamor e carência afectiva, cada um deles busca aventuras fora de casa e, em diferentes momentos, envolvem-se com drogas, festinhas, homossexualismo e até um sequestro.
Mas a espiritualidade está atenta e acompanha o enredo de todos.
Rafael conhece e apaixona-se por Daniela, moça humilde, de boa formação e espírita.
A partir daí, Rafael educa sua própria mediunidade e a vida do jovem casal dará muitas voltas, sempre acompanhados por Lucas e Fabiana, seus mentores na espiritualidade.
Em Lições que a Vida Oferece, o espírito Schellida, por intermédio médio da psicografia de Eliana Machado Coelho, mais uma vez ensina-nos que a verdade maior da vida espiritual liberta-nos de quaisquer vícios ou dificuldades, sejam eles ligados ao materialismo, à ganância ou à luxúria.
A vida equilibrada é consequência natural do caminho do bem.

ELIANA MACHADO COELHO
Eliana Machado Coelho nasceu em São Paulo, capital, em 9 de outubro.
Desde pequena, Eliana esteve em contacto com o Espiritismo.
Ainda menina, sempre via a presença de uma linda moça, delicada, sorriso doce e muito amorosa.
Era o espírito Schellida, que já trabalhava para fortalecer uma sólida parceria com Eliana Machado Coelho, prenunciando as tareias espirituais que ambas deveriam desenvolver conforme o planeamento da espiritualidade.
Amparada por pais amorosos, avós, mais tarde pelo marido e filha, Eliana foi estudando a Doutrina Espírita e realizando muitos treinos de psicografia sob a orientação de sua mentora até que, em 1997, surge o primeiro livro, uma bela obra do espírito Schellida.
A tareia começava a tomar forma e hoje a dupla Schellida e Eliana Machado Coelho encontra-se mais afinada do que nunca.
Trabalhos á parte, as curiosidades sobre Schellida e Eliana são inevitáveis.
Duas delas são: quem é Schellida e de onde surgiu esse nome?
A médium responde esclarecendo que esse nome vem de uma história vivida entre elas e, por ética, deixará a revelação dos fatos por conta da própria mentora, já que Schellida avisou que escreverá um livro contando parte de sua vida terrena e sua ligação amorosa com Eliana.
Por essa estreita ligação com Eliana é que Schellida afirmou, certa vez, que se tivesse que escrever livros utilizando-se de outro médium, ela assinaria um nome diferente a fim de preservar a idoneidade do tarefeiro sem fazê-lo passar por questionamentos constrangedores que colocassem em dúvida o próprio trabalho.
Segundo Schellida, o que sempre deve prevalecer é o conteúdo moral e os ensinamentos transmitidos em cada livro.
Schellida mais uma vez reafirma que a tarefa é extensa e há um longo caminho a ser trilhado por ela e Eliana, que continuarão sempre juntas trazendo importantes orientações sobre o verdadeiro amor no plano espiritual, as consequências concretas da Lei de Acção e Reacção, a necessidade da harmonização e, sobretudo, a conquista da felicidade para cada um de nós, pois o bem sempre vence onde existe a fé.
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 22, 2017 10:09 am

INDICE

Prefácio
Prólogo


1. Supostos amigos
2. O despertar do amor
3. Desencarne inesperado
4. Esclarecendo os fatos
5. Conversando com as vozes do além
6. Confidências aflitivas
7. Pais e filhos
8. Amarga saudade
9. Despertando para nova realidade
10. Assumindo o romance
11. Drogas: passaporte para o inferno
12. Lições de amor
13. Socorrendo-se em Jesus
14. O sequestro
15. Momentos de angústia
16. Drama no cativeiro
17. Tomada de consciência
18. Desespero e fé
19. O retomo
20. Opinião própria
21. Ensinamentos de amor
22. Esclarecimentos oportunos
23. Situação difícil
24. Lamentável episódio
25. Preciosa orientação
26. Amarga revelação
27. Esperanças renovadas
28. Precioso convite
29. Novos rumos
30. De emoção em emoção
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Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 22, 2017 10:10 am

PREFÁCIO

...estando Jesus em casa sentado à mesa, chegaram muitos publicanos e pecadores e sentaram-se com ele e seus discípulos.
E os fariseus, vendo isso, disseram a seus discípulos:
Porque o vosso mestre come com os publicanos e pecadores?
Jesus, porém, ouvindo, disse:
Não necessitam de médico os sãos, mas sim os doentes.
Ide, porém, e aprendei o que significa:
misericórdia quero, e não sacrifício. Porque eu não vim a chamar os justos, mas os pecadores ao arrependimento

Jesus — Mateus, 9: 10 a 13.

O objectivo do Espírito Schellida não poderia ser melhor explicado do que o exposto nessa passagem da vida de Jesus Cristo, nosso irmão maior.
Essa querida irmã espiritual não se prende ao amor-próprio ou ao personalismo de expor uma obra literária somente na intenção venturosa ou satisfação de lançar mais um livro que muitos denominam e qualificam como sendo "um belo romance".
Seus livros têm como prisma ensinar por meio das experiências do quotidiano, mostrar que não temos somente a vida actual, além de dar-nos referências básicas e fundamentais de como viver melhor com o prognóstico de um futuro mais esperançoso e felicidade plena.
Schellida nos instrui que as turbulências actuais não são somente os reflexos do passado penoso e amargo, mas sim a oportunidade em que a consciência nos clama entendimento e socorro, em que a razão nos ensina a moderar os desejos e contentar-nos com resignação e paciência, pois dos gozos mundanos só arrastaremos inúmeras toneladas de lastros pesarosos.
Seria muita pretensão de alguém dizer-se dono da verdade absoluta.
Todos poderão exigir-lhe a autenticidade de tal afirmação, o que lhe seria difícil provar.
Muito fácil alguém dotar-se dos mais nobres e sábios dizeres, amparado em seu cabedal magnânimo, e exibir-se, impressionando a centenas e a milhares.
Todavia, devemos dar atenção à concordância dos ensinamentos, pois, com toda a certeza, hão-de dificultar o atendimento e o entendimento dos níveis diferenciados do intelecto das multidões que têm inúmeras interrogações sobre a vida diária, actual e prática.
A querida Schellida, mais uma vez, vem agraciar-nos com a escrita abençoada de fácil compreensão por meio de um agradável romance, sem ofuscar-nos com a ideia da dúbia interpretação e erguendo-nos a elevado entendimento sobre a moral excelsa.
Mesmo quando expõe as nomenclaturas mais usuais, não nos deixa a hipótese de, um dia, alegarmos ignorância ao vacilarmos no comportamento correto.
Para ter moral e ensinar não precisamos necessariamente ter poder ou fama, mas, acima de tudo, faz-se mister valiosíssima especialização na compreensão, na doçura, no amor e na firmeza,
além dos exemplos com acções próprias de nobreza nos actos, pensamentos, palavras, emoções, cuidados e sentimentos, que revelam, precisamente, quem somos.
Viver em harmonia interior não basta.
Seria egoísmo não pensarmos em nossos irmãos.
Sabiamente Schellida enverga-se a nós com o propósito de aprimorar-nos.
Por isso não se detém com manifestações de personalidade e, sem linguagem rebuscada ou exposições intelectuais meritórias de galardões, muito menos com apresentação de histórias corriqueiras e banais, que pouco poderá agregar às razões positivas da nossa aquisição, ensina-nos com elevada sabedoria e moral.
Contudo e, com certeza, ela se embrenha com imensa coragem, afiançando-se nos ensinamentos de Jesus Cristo, com indescritível liberdade e responsabilidade que resulta na exposição prática do exercício do amor para instruir-nos.
Cabe-nos a fé.
E, despojados das ambições materiais, olhar, com os "olhos de ver", os exemplos vivos que poderão ser a experiência de qualquer um de nós.
Nesse romance, Schellida senta-se connosco e fala a nossa linguagem, pois "os sãos não necessitam de médico".

Erick
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 22, 2017 10:10 am

PRÓLOGO

Noite escura e fria.
Nenhuma luz poderia ser vislumbrada no céu opaco.
As densas nuvens encobriam a lua e as estrelas.
As cortinas do quarto de Rafael moviam-se suavemente pela brisa fria que soprava constante, enquanto ele, deitado em sua confortável cama, deixava se largar esmorecido sem se incomodar com o frio que invadia o recinto.
Mesmo sendo suave, o bater das poucas pancadas, que se fizeram na porta do quarto, o assustou, talvez por ele já se encontrar em um estado intermediário entre o sono e a vigília.
— Rafael - disse Maria, uma das empregadas - telefone.
Rafael respirou fundo, saltou da cama dizendo:
—Entre. O telefone do meu quarto não tocou... cade? Onde está?
—Eu trouxe o aparelho sem fio.
O deste quarto estava com defeito e sua mãe pediu para o Joaquim retirá-lo daqui e mandá-lo para o conserto.
Amanhã mesmo, outro já estará no lugar.
—Que Joaquim é esse? — perguntou Rafael.
—O novo motorista — respondeu Maria.
E pegando o telefone de suas mãos, Rafael educadamente
agradeceu.
Maria saiu e ele fechou a porta para obter mais privacidade.
—Pronto! — atendeu ele.
—Rafael?
- Eu...
—Aqui é a Cláudia!
—Di! Tudo jóia?
—Tudo. E você? — respondeu a moça animada.
Na mesma. Tranquilo e curtindo uma sexta-feira em casa.
—Não brinca que vai ficar aí mofando?!
—Pretendo descansar - explicou Rafael desinteressado.
—De forma alguma!
Hoje a turma vai se reunir no apartamento da Lola e você tem que vir nessa.
—Não estou com vontade, Cláudia.
Fica para a próxima.
—Não mesmo! Você sempre diz isso, e essa "próxima" não chega.
Faço questão de tê-lo como companhia, do contrário ficarei "colada" pelo resto da noite nesse fone falando com você.
Além do que, há tempo você não se reúne connosco e...
A conversa arrastou-se por algum tempo e, diante de tanta insistência, Rafael aceitou o convite e começou a se arrumar para sair.
Ao ser questionado por seu pai, quando já estava de saída, Rafael informou que iria ao apartamento de uma colega da faculdade onde toda a turma estaria reunida para "jogar conversa fora".
Rafael era um rapaz jovem e bonito.
Estudava engenharia em uma das melhores faculdades de São Paulo.
Não trabalhava, mas deixava o estudo ocupar todo o seu tempo.
Por ser um aluno aplicado, dificilmente ele se enturmava com os colegas da faculdade.
Gostava de ficar isolado.
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 22, 2017 10:10 am

Seus pais forneciam-lhe tudo para seu bem-estar, até porque o casal gozava de excelentes condições financeiras.
Moravam em um condomínio fechado de alta classe social e possuíam ali uma grande e luxuosa residência.
A caminho para o encontro com a turma, Rafael sentia-se mal.
Algo o incomodava.
Apesar de acreditar que não era nada físico, ele não sabia explicar o que ocorria.
Dirigindo seu carro, vez e outra, ele olhava para o banco do passageiro querendo confirmar se estava só, pois tinha sempre a impressão de ter alguém ali com ele.
Rafael não podia ver, mas realmente havia companhia.
Um espírito protector, mais conhecido como anjo da guarda ou mentor espiritual, estava, naquele instante, acompanhando-o e passava-lhe instruções:
Caro Rafael, bem que poderia dar valor à sua intuição ou às inspirações que lhe chegam -— dizia o espírito Lucas, mentor de Rafael.
Aqueles amigos não lhe convêm.
São irmãos que ainda se comprazem em falsos valores e falsas alegrias.
Eles vivem longe da verdadeira realidade e você ainda não se encontra com preparo espiritual para lidar com eles sem envolver-se, directa ou indirectamente, física ou espiritualmente.
pensar nesse assunto.
Encontrar urna boa companhia, hoje em dia, depende unicamente de você. Os semelhantes se atraem.
Como Lucas, outros espíritos com entendimento e elevação espiritual, como é o caso dos mentores, sabem que não se deve interferir no destino ou livre-arbítrio de ninguém, nem mesmo de seus pupilos.
Todavia, eles podem passar inspirações salutares, sem interferir na livre decisão que, de acordo com a harmonia nos bons pensamentos e as atitudes de boas intenções, cultivada pelo encarnado, este poderá harmonizar-se com a espiritualidade maior e guiar-se com as mais sábias decisões, os melhores caminhos e a mais sublime paz diante de quaisquer circunstâncias.
Somente espíritos sem entendimento, valor moral ou pouca elevação espiritual, isto é, espíritos errantes e levianos interferem no destino ou livre-arbítrio dos encarnados, buscando intervir em suas decisões e se prestam até mesmo a consultas, opinando sobre as particularidades da vida alheia.
Cada um de nós, espíritos criados por Deus, tem de buscar a elevação espiritual que nos leve à perfeição.
Precisamos de passar por provas e expiações corrigindo exactamente tudo o que desarmonizamos, um dia, para os outros ou para nós mesmos.
Nunca alguém resolverá, por nós, os nossos desafios.
Acontecer isso seria injustiça de Deus.
E se passamos para outro a tarefa que nos cabe realizar, não estamos livres do problema, só o adiamos, talvez até para uma época ainda mais difícil.
Não existe atalho para a tranquilidade de nossas consciências.
Podemos ter uma tranquilidade temporária, quando outros cuidam dos nossos afazeres.
As conquistas falsas o tempo corrige, trazendo novamente as provas que devemos superar.
Não tenham dúvida.
Ao buscarmos nos elevar com trabalho no bem, boa moral, justiça, humildade, caridade e amor, somos automaticamente amparados pela Natureza Divina e por mensageiros indicados por Deus para esse apoio sublime.
O Pai Celeste nos envia espíritos protectores de acordo com o que merecemos e não com o que julgamos ter direito.
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 22, 2017 10:11 am

Por essa razão, não sejamos orgulhosos, vaidosos e até prepotentes, quando, em uma prece, solicitamos a um determinado espírito nos socorrer.
Será que o merecemos?
Será que não subjugaremos outro tarefeiro espiritual do bem que já nos foi enviado, de elevação igual ou até maior a daquele que rogamos auxílio?
Ao fazermos isso, simplesmente desvalorizamos incontáveis irmãos fiéis ao trabalho do bem, os quais vivem no anonimato e, principalmente, não estamos acreditando na providência omnisciente, omnipotente e omnipresente do Pai Celeste.
Devemos tecer preces ao Pai Celeste com inenarrável fé e aceitação de Sua sagrada justiça.
Dessa forma, receberemos gotas generosas de conforto e harmonia, atraindo para nós amigos compatíveis aos nossos pensamentos, sentimentos e vibrações.
Assim sendo, os espíritos e irmãozinhos, os quais não se afinam com essas harmoniosas bênçãos, distanciam-se de nós, e mesmo com toda a dificuldade que possamos enfrentar, iremos nos sentir amparados e seguros, pois sabemos serem as dificuldades solucionadas e suportadas com amor, resignação, humildade e perseverança para o bem, que nos enaltece e Lucas, como todo mentor, orientava seu protegido.
A missão de um espírito protector, como esse, é de conduzir seu pupilo ou protegido pelo bom caminho, auxiliá-lo nos momentos de crise com conselhos, consolos e sustentação moral valorosa nas provas da vida.
Mas o espírito protector não é ama-seca.
Pode assumir outras missões paralelas à tarefa de protecção ao seu pupilo, de acordo com seu grau de elevação espiritual.
Porém sempre é substituído em caso de ausência necessária e, mesmo a distância, segue-o de perto.
Aos espíritos verdadeiramente elevados, não existe espaço ou distância como obstáculo, conservando, viva e amorosamente, a ligação com seu protegido.
Cabe-nos lembrar que um mentor ou espírito protector se afasta quando seu pupilo se submete à influência de espíritos inferiores de baixo valor moral, porém jamais vai embora, fica a observá-lo a certa distância e propõe-se à volta imediata, assim que percebe o desejo do bem e do amor despertar em seu protegido, tornando a envolvê-lo com sábios conselhos.
Esses conselhos são ofertados pelos bons pensamentos que lhe sugere, através de inspirações, pois nem todos são médiuns audientes.
Portanto, mantendo-se em harmonia e prece, somos capazes de sentir essas intuições do Espírito Protector e com bom senso da nossa parte, principalmente se adquirirmos instrução, iremos analisar o conselho e segui-lo se for adequado.
Amai-vos e instruí-vos.
Tal afeição entre os Espíritos protectores e seus pupilos nos é excepcionalmente bem explicada em O Livro dos Espíritos, perguntas 489 a 521.
Por esse motivo o espírito Lucas induzia seu protegido a não ir ao encontro, enquanto que, nesse instante, Rafael sacudiu a cabeça rapidamente de um lado para outro e falou em voz alta:
— Estou ficando louco.
Parece que comecei a ouvir vozes.
— Depois de rir sozinho, completou:
— Vai ver que estou caducando.
Minha avó começou assim.
E novamente rindo, falou:
— Além de ouvir vozes, já estou até falando sozinho..
— Sozinho não, caro amigo! -— brincou Lucas.
Você está conversando comigo e não está maluco.
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Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 22, 2017 10:11 am

Está sim mais sensível.
Seria imensamente importante você passar a dar atenção a essa sensibilidade, como hoje, por exemplo.
Poderia ficar em casa ou simplesmente dar uma volta para se distrair, conhecer alguém.
Há momentos em que necessitamos criar interesse de conhecer outras pessoas.
Podemos mudar o nosso caminho na vida se tivermos dedicação ao bem e boa vontade.
Isso, em todos os sentidos, principalmente no que diz respeito a companhias de boa índole, de boa moral e atitudes salutares.
Os colegas e conhecidos de baixos valores morais sempre podemos encontrar às dúzias e, se não nos vigiarmos intensamente, iremos nos entregar aos mesmos vícios perniciosos que eles alimentam e caminharemos, a passos largos, rumo à decadência moral e espiritual, de onde dificilmente nos ergueremos.
Quanto aos companheiros nobres, temos que "sair em busca".
Sempre nos achegamos a eles quando elevamos a nossa moral, nossos pensamentos, quando enobrecemos nossas atitudes, nosso linguajar e buscamos frequentar lugares onde os padrões morais nos consagram à harmonia, à paz, à humildade, à caridade e ao amor fraterno.
Bem que você poderia iluminar espiritualmente.
Com isso caminharemos a passos largos rumo à perfeição, à verdadeira felicidade, que não é deste mundo.
Há aqueles que só se lembram de Deus e de procurar uma casa de oração nos momentos difíceis e em busca de milagres.
Geralmente, somente dentro de circunstâncias conflituantes saem à procura de socorro para seus corpos físicos e espirituais.
O curioso é, até então, o que parecia difícil e impossível passa a ser conveniente, pois mesmo diante dos importunos encontram o precioso tempo, em seu dia-a-dia, para proporem-se a receber e até exigem o tipo de socorro merecedor.
Sem humildade, escolhem quem da espiritualidade deva fazê-lo, revoltando-se, com lamentações ou desânimo, quando seus desejos e até caprichos não
são satisfeitos.
Isso é falta de fé e amor a Deus.
Sem contar com aqueles que buscam socorro, são atendidos, recebem amparo e depois esquecem.
Julgam-se sempre merecedores.
Não voltam nem para saber se talvez podem ser úteis e servir, como tarefeiros de Jesus, no auxílio de outros irmãos que chegam necessitados como ele ali chegou.
Nem voltam para agradecer a Deus pelo socorro disponível, procurando entender por que isso ocorreu. .
Passagem semelhante já ocorria na época de Jesus, quando dez homens leprosos, encontrando Jesus que passava pela Samaria e Galileia, foram ao seu encontro e disseram:
—Jesus, Mestre, tem misericórdia de nós.
E Jesus, vendo-os disse:
—Ide e mostrai-vos aos sacerdotes.
No caminho, todos ficaram limpos e saudáveis.
Um deles, vendo-se curado, voltou.
Lançou-se aos pés de Jesus e lhe rendeu graças.
Esse era samaritano.
Jesus respondeu:
— Não foram curados todos os dez?
Onde estão os outros nove?
Nenhum deles voltou para agradecer e glorificar a Deus a não ser esse estrangeiro.
Levanta-te, vai; tua fé te salvou. Lucas, cap. 17, vv. 11-19.
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Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 22, 2017 10:11 am

Jesus curou os dez, mas disse que somente aquele que voltou para agradecer a Deus foi salvo.
Queridos irmãos, devemos estar atentos às palavras de Jesus:
"Nem todos os que dizem: Senhor! Senhor! entrarão no reino dos céus; apenas entrará aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus".
Mateus, cap. 7, vv. 21 a 23.
"Pelas suas obras é que se reconhece o cristão."
O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XVIII, "Serão Cristãos os que O honrarem com exteriores actos de devoção e, ao mesmo tempo, sustentam o orgulho, o egoísmo, a cupidez e a todas as suas paixões?
Serão Seus discípulos os que passam os dias em oração e não se mostram nem melhores nem mais caridosos nem mais indulgentes para com seus semelhantes? Não."
Somente querer, pedir e receber não basta.
Devemos lembrar que somos espíritos criados para a eternidade e, com toda a certeza, atrairemos para nós tudo o que cultivamos em nossa mente, em nossas preces com pedidos de amparo e de agradecimentos.
Receberemos tudo o que doamos aos outros com nossas palavras, gestos e acções, até os mais sigilosos pensamentos que cultivamos e julgamos sobre qualquer um de nossos irmãos, irão nos favorecer ou servir de lastro.
Como espíritos criados para a eternidade, nossa própria consciência nos responsabilizará pela ingratidão que vertemos, pela caridade não praticada, pelas lamentações injustas, pelas bênçãos concedidas e não valorizadas.
Por isso tomemos cuidado com o que sai da nossa boca e até com o que criamos em nossos pensamentos.
Temos o que vivemos.
Sabendo disso, o espírito Lucas sempre procurava trazer a Rafael inspirações edificantes e até com bom humor sadio, pois a personalidade generosa do rapaz o mantinha ligado a envolvimentos sublimes, mesmo sem o conhecimento da vida espiritual.
Contudo, quando Rafael se desviava da boa moral e das atitudes salutares, ele era responsável por seus actos e sofria as consequências do que praticava.
Não há privilégios na justiça de Deus.
Nesse momento, Rafael ligou o rádio e começou a cantar com a música que ouvia.
— Rafael — inspirava o espírito Lucas —, você não gosta de confusões.
Não necessita de problemas, por isso procure se manter em vigilância.
Subitamente Rafael sentiu-se gelar, um arrepio correu-lhe o corpo.
—Minha avó diria que a morte passou perto - resmungou Rafael sorridente, diante da má impressão que teve com o calafrio.
—Eu não diria morte, meu caro amigo - prosseguiu Lucas - eu diria que captou uma impressão, devido a sua aguçada sensibilidade, a qual você ainda desconhece e não sabe identificar.
Muitas vezes nossos instintos não nos dizem claramente o que iremos experimentar, todavia recebemos impressões parciais do que pode ocorrer.
Não prevemos, com exactidão, os acontecimentos futuros.
Nem nós, espíritos desencarnados, temos condições de prognosticar o que há-de suceder, uma vez que as pessoas e outros espíritos desencarnados são portadores do livre-arbítrio, ou seja, o direito de agir conforme sua vontade.
Isso impede, a nós todos, de prever exactamente o futuro.
Contudo uma coisa é certa:
se quiser um futuro maravilhoso, trabalhe para o bem comum hoje.
Não seja egoísta.
Viva os ensinamentos do Evangelho e busque sempre a caridade juntamente com a prática da boa moral.
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Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 22, 2017 10:12 am

— Depois de algum tempo, ainda concluiu:
— Se você estiver praticando o bem, vivendo com uma boa moral e um súbito mal-estar espiritual lhe ocorrer, seja cauteloso, esse mal-estar pode ser um aviso sim.
Às vezes, quando estamos praticando o bem e um sentimento duvidoso ou desanimador nos invade, é porque algum espírito menos evoluído se aproxima para nos desviar do que é bom.
Devemos nos prevenir quanto a isso com a prece.
Além do mais, precisamos ficar atentos e dizer um "não" bem grande a determinados convites que possam nos propor, mesmo achando que estamos passando ridículo, perante os supostos amigos.
Porque, muitas vezes, para seguir o modismo, entramos em situações difíceis de se corrigirem e atolamo-nos desolados em tristeza e dor.
Rafael não podia ouvi-lo, mas registava aquelas impressões como se fossem seus pensamentos.
Entretanto não deu atenção aos fortes impulsos e decidiu comparecer à reunião.
A opinião alheia ainda lhe era importante.
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Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 22, 2017 10:12 am

1 - SUPOSTOS AMIGOS

Estacionando seu carro em frente a um luxuoso edifício, Rafael hesitou em subir.
Dentro do veículo, ele ficou olhando para cima.
Baforou o ar quente da boca nas mãos geladas, friccionando-as em seguida.
— Já que estou aqui — falou sozinho —, vou subir para ver o pessoal.
Se não estiver bom, vou embora.
No apartamento...
— Olha só, gente! Quem é vivo sempre aparece!... — dizia a anfitriã da reunião.
Cláudia, ao perceber que se tratava de Rafael, correu para abraçá-lo.
— Oi, gato! Como vai? -— cumprimentou Cláudia, depois de beijar Rafael no rosto e puxá-lo para perto de si.
Rafael fez um cumprimento geral e recolheu-se a um canto para observar.
Ele se sentia pouco à vontade e até mesmo deslocado. Há tempos não se encontrava com seus colegas em reuniões particulares.
O som da música estava alto, enquanto todos se agitavam animados e barulhentos, como todos os jovens que se reúnem.
Sem demora, um copo com bebida alcoólica foi parar nas mãos de Rafael que, desanimado, procurava entrosar-se, mas por alguma razão tudo aquilo não lhe agradava.
Lucas, seu mentor, aproximou-se dele inspirando-o:
— A bebida provoca inúmeros prejuízos ao físico e ao espírito.
Todos que ingerem bebidas alcoólicas se desequilibram, pois passam a vibrar em condições incrivelmente inferiores e acabam se entregando aos desregramentos mundanos.
Aqui, por exemplo, há incontáveis espíritos desencarnados, ignorantes e sofredores, que se encontram prontos para embriagarem-se junto de você.
Se ingerir bebida alcoólica, esses espíritos sugam os seus fluidos, vampirizando-o.
Quando fazem isso, eles são capazes de sentir o sabor da bebida que você ingeriu.
Insatisfeitos, hão-de querer experimentar mais o efeito do álcool.
Passarão a incentivá-lo a beber de forma compulsiva.
Rafael não podia ouvi-lo, mas de alguma forma registrava as intenções de Lucas.
O rapaz girava o copo de uísque com a mão, observando os desenhos do recipiente.
Intuitivamente, repousou o copo sobre a mesa respirando fundo e passou a olhar a animação dos amigos e até dos desconhecidos que se divertiam.
Cláudia, observando-o, logo reclamou:
— Desanimado, por quê?
Anime-se, Rafael!
Não deixe o frio tomar conta de você!
— Enganou-se, Cláudia.
Eu adoro o frio.
— Então se anima, vai!
Tome, beba isso que você já vai se esquentar.
E pegando o copo com bebida, ofereceu-o novamente a Rafael que aceitou e começou a bebericar.
Naquela reunião, o número de desencarnados presentes era aproximadamente cinco vezes maior ao número de encarnados que ali estavam.
Esses desencarnados, em grande número, eram espíritos sem instrução e sofredores que desencarnaram, na sua maioria, quando ainda eram jovens e sem nenhum preparo para a vida espiritual.
Por isso não acreditavam, buscavam ou aceitavam orientação e auxílio de espíritos com mais evolução.
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 22, 2017 10:12 am

Os espíritos que se comprazem com esse tipo de reunião normalmente procuram jovens que possuem vida agitada e moderna.
Eles se harmonizam facilmente com quem gosta de bares, bebidas, fumo, gula, sexo promíscuo ou desregrado, drogas, jogos, entre outras práticas irresponsáveis, pois perto desses encarnados, eles podem sentir a mesma sensação de embriaguez, aventura e falso prazer.
Um espírito sem instrução, que se satisfaz com esses vícios perniciosos, ao ficar bem próximo de um encarnado que cultive o mínimo de um desses hábitos, passa-lhe seus desejos e pensamentos.
Ambos, encarnado e desencarnado, não necessitam terem-se conhecido em experiência reencarnatória alguma.
O encarnado, ao ingerir qualquer quantidade de bebida alcoólica, por exemplo, fica imensamente vulnerável aos desejos do espírito que lhe acompanha e se delicia com a embriaguez.
Quando o encarnado não se controla no vício, é indício de que o espírito ignorante que o acompanha está passando a "comandar" suas vontades e, a cada dia, esse desencarnado vai se afinar com o encarnado a ponto de sentir exactamente todos os efeitos provocados pelo álcool no corpo humano.
E assim são todos os outros vícios e excessos praticados por encarnados, tais como:
fumo, gula, sexo, drogas, jogos, agressividade, desvalorização da vida alheia, desrespeito, vocabulário de baixa moral, desprezo, irresponsabilidade entre outros.
Onde houver uma bebida alcoólica, um cigarro, uma porção de drogas, etc. sempre haverá desencarnados à espera daqueles que irão usá-las para sugar-lhes os efeitos, incentivá-los a depender mais do vício e rumá-los à decadência da vida, à humilhação, ao ridículo, à discriminação e, com certeza, ao fracasso humano e espiritual, que ele próprio experimenta e sabe ser muito difícil de superar.
Conhecendo tudo isso, Lucas lamentou muito a atitude de seu protegido, que passou a bebericar o aperitivo.
Nesse mesmo instante, três desencarnados, com aparência jovem, achegaram-se a Rafael passando a sugar-lhe os fluidos e incentivando-o a beber mais.
Rafael começou a animar-se e o que estava sem graça passou a ficar interessante.
Enquanto Lucas lamentou:
— A escolha de atrair outro nível de companheiros espirituais foi sua, meu amigo.
A partir de agora estará à mercê do que provocar.
Outros companheiros desencarnados o inspiram, pois você não tem opinião própria e se deixa levar pelos amigos inconsequentes que vivem de aparências nas falsas alegrias.
Rafael não pôde ouvi-lo, tão menos os desencarnados que passaram a acompanhá-lo, pois eram espíritos de nível muito inferior ao de Lucas.
A festa começou a ficar ainda mais animada.
Uns dançavam, outros namoravam, bebiam e havia aqueles que se largavam pelos sofás.
Apesar de já estar sob o efeito do álcool, Rafael não se encontrava embriagado e observou quando quatro rapazes, sendo três deles seus conhecidos, levantaram-se de modo furtivo e se dirigiram para um outro cómodo que servia de escritório.
Desconfiado, Rafael procurou por Lola, a anfitriã, e perguntou sobre seus pais.
— Estão em Bertioga -— respondeu Lola.
— Você acha que minha mãe iria permitir esta bagunça aqui?!
E, caindo na gargalhada, ela saiu dançando.
Dois dos primeiros que entraram no escritório voltaram, enquanto os outros dois ficaram lá.
Poucos minutos depois Rafael percebeu que havia uma movimentação de seus colegas, com um grande entra e sai daquele cómodo, geralmente feita em duplas.
Rafael já desconfiava de que um e outro de seus amigos fazia uso de entorpecente, entretanto nunca pôde comprovar, até porque raramente saía com eles.
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 22, 2017 10:12 am

Aproximando-se dele, Vera, uma outra conhecida, observou sua atenção voltada para a movimentação que se fazia no escritório e o convidou:
— Vamos chegar lá?
— O quê? — respondeu Rafael, surpreso.
— Não está interessado? — insistiu a moça.
—No quê? — indagou Rafael, procurando ignorar o que estava presenciando.
—Os caras estão com medo de você dar com a língua nos dentes, e para provar que você é de confiança, o melhor a fazer é ir lá e sugar um pouco de ouro1.
—Sugar ouro?! Do que você está falando, Vera?
—Não se faça de besta, Rafael. Vamos chegar lá!
—Não, obrigado — afirmou Rafael.
—Qual é, meu irmão?! — perguntou um rapaz, que ouvia a conversa, em voz alta e modos agressivos.
— Vai amarelar2?!
Repentinamente a atenção da maioria voltou-se para Rafael, que ficou sem acção.
—Ei, pessoal! -— gritou Lola.
— Vamos convencer o Rafael a fazer sua iniciação hoje, não é?!
—Eu — gritaram todos em coro.
—Eu ficarei orgulhosa por isso ocorrer aqui na minha casa — continuou Lola.
— Relaxe, Rafael. Vamos nessa!
Alguns dos convidados, já um tanto alterados pelo uso de bebidas alcoólicas e entorpecentes, pegaram Rafael pelo braço, como quem está de braços dados e passaram a girá-lo, dançando enquanto gritavam animados.
Rafael começou a repelir a brincadeira.
—Ei, pessoal, parem. Parem com isso!
Por favor! -— pediu ele.
— Ele pediu por favor!... -— gritou um, gargalhando.
—Ele quer a mamãe -— gritou outro.
—Tá com medo, tá? -— ironizava mais alguém, querendo ridicularizá-lo.
Logo vieram do escritório outros colegas trazendo uma prancheta escolar de acrílico com pó de cocaína enfileirado em pequenas carreiras.
Para ser inalado, sem desperdício, era utilizado o corpo de uma caneta esferográfica sem carga.
À força, sentaram Rafael no sofá e aproximaram dele a prancheta com o pó de cocaína para que ele cheirasse.
Rafael ameaçou levantar quando bateu, acidentalmente, a mão na prancheta quase entornando as fileiras de pó do entorpecente.
Nesse instante, Biló, apelido de um dos convidados e fornecedor de drogas daqueles usuários, reagiu e ameaçou Rafael de maneira sinistra.
— Se tu derrubar essa farinha3, tu é um cara morto!
Todos fizeram silêncio.
Rafael olhou-o com firmeza, porém se sentia intimidado com a ameaça.
O espírito Lucas aproximou-se imediatamente e começou a vibrar fluidos calmantes no ambiente, emitindo, no mesmo instante, pensamentos de prece rogando amparo e socorro que não demorou a chegar da espiritualidade maior.
— Acalme-se, Rafael -— inspirava Lucas.
— Não se precipite. Seja firme, porém não agrida.
Biló desafiava Rafael com o olhar e, quebrando o silêncio, perguntou:
— Como é, almofadinha, vai experimentar ou é maricá?
— Você pode dizer que não quer.
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 22, 2017 10:13 am

Pode se levantar devagar e ir embora — incentivava Lucas a Rafael que não podia ouvi-lo e mal registava essas inspirações como vindas de seu pensamento, pois a bebida alcoólica ingerida adormeceu-lhe a receptividade e a sensibilidade com o plano espiritual superior.
Emanando a Rafael fluidos para fortalecê-lo e fazer-se registrar, Lucas insistiu calmo e firme:
— Vamos, Rafael.
Você pode reagir pacificamente.
Diga obrigado.
Levante-se e saia.
Nesse mesmo instante, um grupo de desencarnados arruaceiros, ali presentes, agitavam-se muito, vibrando para haver briga e agressão.
Eles não conseguiam registrar a presença de Lucas nem de outros amigos espirituais socorristas, que compareceram ali a pedido das preces de Lucas para auxiliá-lo.
Esses espíritos ignorantes se comprazem imensamente em ambientes onde as agressões e a discórdia geram brigas e até criminalidade, onde a bebida alcoólica ou as drogas são consideradas meios de prazer.
Alguns desses desencarnados incentivavam:
— Qual é, meu! Vira a mesa!
Mostra pra esse cara quem é você!
Dá uns socos nele!
Enquanto outro vibrava:
— Mostra que você é homem!
Vai lá, dá uma sugada nesse pó e exiba sua resistência. Vai!
— Como é, maricá, vê se tu decide! -— gritou Biló agressivo.
Rafael se sentia atordoado e não sabia o que fazer.
Quando os desencarnados tentaram se aproximar mais de Rafael, foram repelidos, como por um empurrão, pelos socorristas que vieram em auxílio.
Nesse ocorrido, um deles, caído ao chão, gritou:
— Vamos dar o fora! Esse cara tem protecção!
Rafael, estonteado pelo efeito da bebida alcoólica e pelo nervosismo, tentou se levantar quando Biló o empurrou jogando-o novamente no sofá.
Nesse momento, Lola pediu:
— Calma, Biló. Ele é novato.
Deixa ele em paz, falou?
Criando coragem, Rafael levantou-se e disse:
—- Houve algum mal-entendido, cara.
Eu nem o conheço.
Pensei que você fosse colega da turma, mas vejo que não tem nada a ver.
Não procurei nenhuma encrenca com você.
Não estou interessado em nada que você tenha para me oferecer.
Nem me encaixo nesse ambiente. Vou indo, tá?
—Pra dar com a língua nos dentes?! -— gritou Biló.
Tu não vai mesmo!
Lola, colocando-se de entremeio, tentou impedir uma briga.
— Já lhe pedi para ter calma, Biló —- insistiu ela.
— O Rafael é legal.
Ele não vai falar nada.
— Não mesmo. Estou fora - confirmou Rafael.
— Como é que eu posso ter certeza de que esse cara vai ficar de bico fechado? -perguntou Biló.
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Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 22, 2017 10:13 am

— Tem minha palavra — respondeu Rafael.
— Palavra?! — repetiu Biló, gargalhando ironicamente.
Por fim satirizou:
— Vejam só! Temos um escoteiro aqui!
Vai, marica, levante a mão e faça um juramento!
Alguns começaram a rir, enquanto outros se inquietaram porque agora Rafael se certificara de que eles usavam entorpecentes.
Contudo não queria se envolver, estando livre de qualquer compromisso.
— Não tenho nenhum motivo para comentar algo a respeito do que vi aqui — argumentou Rafael, um tanto nervoso.
Cláudia se aproximou e, com sua opinião, piorou ainda mais as coisas.
—Faça o seguinte, Rafael:
dê uma provada na farinha, assim o Biló e todos nós saberemos que você não vai nos dedurar porque está envolvido também.
Isso não lhe fará mal algum.
—Cale a boca, Cláudia! -— respondeu Rafael irritado.
—Cala a boca, não!
Ela tem razão! -— gritou Biló agressivo. —
Agora tu tem que se comprometer!
No plano espiritual tudo era feito para acalmar a situação.
O mentor Lucas queria poupar Rafael de mais problemas, mas estava sendo difícil, pois o rapaz estava longe de se harmonizar.
— Está bem! -— afirmou Rafael para espanto de todos, principalmente para os socorristas da espiritualidade.
— Eu topo, mas depois estarei fora.
Lucas ainda procurou envolvê-lo para que agisse de outro modo.
Em vão.
Rafael se sentou, pegou a prancheta de acrílico, apossou-se de um canudinho pequeno e curvando-se cheirou um pouco do pó de cocaína encarreirado sobre aquela superfície lisa.
O ardor que experimentou provocou-lhe um arrepio e o fez franzir o rosto, demonstrando repugnância.
— Mais! -— insistiu Biló. -— É pouco.
— É o suficiente -— decidiu Rafael, inseguro e transpirando pelo nervosismo.
Experimentando uma estranha sensação picante e coceira aflitiva, Rafael esfregou o nariz e o rosto com agonia e começou a sentir leve tontura.
— Eu não tõ satisfeito - insistiu Biló novamente.
— Por favor, Rafael -— pediu Lola.
— Colabore. Ele está armado.
Foi então que Rafael percebeu a arma na cintura de Biló, sorrindo cinicamente.
Rafael, já em pé, sentou-se novamente e cheirou o restante da carreirinha de pó de cocaína que restava na prancheta.
Levantou-se em seguida, olhou para Biló e disse:
— Chega! Já me comprometi.
Agora estou fora mesmo.
Todos estavam em silêncio.
Atordoado, sem mais esperar por qualquer objecção, Rafael direccionou-se à Lola que lhe pediu:
— Saia pela porta da área de serviço.
Enquanto Biló murmurava agitado:
— Conheço esse cara! Sei que conheço!
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Fev 22, 2017 10:13 am

Rafael não esperou pelo elevador e passou a descer os degraus da escada rapidamente.
Um nervosismo indescritível, mesclado de medo, fazia-lhe gelar, tremer e suar frio.
Inebriado, ele parou.
Sentou-se em um degrau e, nervoso, esfregou as lágrimas de ódio que rolavam no rosto.
Seu mentor, sabendo não poder fazer muito, procurava vibrar ternura para melhorar aquela emoção cruel e negativa que Rafael gerava em si.
Os socorristas, os quais o ajudaram, vendo a situação sob controlo, despediram-se de Lucas e se foram.
Rafael começou a se sentir mal.
As náuseas e a dor de cabeça não lhe davam coragem para reagir.
Subitamente ouve-se o abrir e fechar de uma porta no andar acima e o soar de passos rápidos indicava que alguém descia as escadas.
Era Daniela, jovem simples e educada.
Trabalhava, temporariamente, em um dos apartamentos daquele edifício.
Ela estava apreensiva e apressada, mas notou Rafael sentado com as mãos entrelaçadas na nuca e a cabeça encostada entre os joelhos.
Ao passar por ele, o espírito Lucas envolveu-a de imediato, inspirando:
— Querida irmã, sempre podemos auxiliar alguém.
Daniela não o ouviu, porém sentiu inexplicável vontade
de perguntar àquele rapaz o que havia acontecido, provando que podemos captar o que o plano espiritual inspira aos encarnados.
Ela parou.
Tocando-o levemente no ombro com as pontas dos dedos, perguntou, um pouco tímida e desconfiada:
— Ei, tudo bem?
Rafael estava angustiado.
O ódio que experimentava o atordoava, o efeito da bebida e da droga inalada o estonteava.
Ele nunca se sentiu tão mal como naquele momento.
Sem olhá-la nos olhos, mas usando de uma força, para ele, sobrenatural, ergueu a cabeça, escondeu o olhar choroso, esfregando o rosto com as mãos, e respondeu:
— Tudo... tudo bem.
— Pensei que estivesse passando mal.
Desculpe-me - respondeu Daniela.
Em seguida, continuou descendo a escada.
Rafael pôs-se em pé e desceu logo atrás dela.
Ao ganhar a rua, descobriu que havia esquecido as chaves do seu carro no apartamento de Lola.
Irritado, chutou o pneu do carro, esbracejou e xingou.
Pegou seu celular e ligou para Lola, que confirmou estarem lá, mas não poderia levá-las, pois o clima naquele instante não estava bom.
Eles discutiam por dinheiro e Biló ameaçava quem quisesse sair dali.
Temeroso em subir novamente, pediu ao porteiro do edifício que fosse buscá-las, porém ele negou-se, informando não poder deixar a portaria abandonada.
Uma garoa fina e muito fria caía intensa, formando um denso nevoeiro.
Rafael estava incrédulo.
O que faria?
Ao olhar do outro lado da rua, observou Daniela tentando parar um táxi.
Aproximando-se dela, cumprimentou:
—Oi!
—Oi! — respondeu ela, arisca.
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Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 23, 2017 10:45 am

— Foi você quem passou por mim agora há pouco lá na escada interna do edifício, não foi?
—Fui eu sim. Você está bem? -— perguntou ela.
—Estou. É que aconteceu o seguinte:
lá em cima, no sexto andar, está havendo uma festinha.
Eu me desentendi com um colega e resolvi ir embora, só que esqueci as chaves do meu carro e não quero voltar lá para evitar encrencas.
Quem está lá, não quer descer para me entregar as chaves, ela teme arrumar briga com esse mesmo companheiro, e o porteiro não pode subir.
Você poderia me fazer um favor? Ir lá e apanhar essas chaves?
Daniela fitou-o indecisa e desconfiada, e ele insistiu com um tom de voz terno e educado:
—Por favor...
—Veja - explicou a moça educadamente —, tenho muita pressa.
Trabalho aqui provisoriamente.
Estou substituindo minha irmã.
Ela está em casa, doente.
Minha mãe telefonou dizendo que ela não está passando bem.
Parece que precisa de um médico.
Meu irmão, que é especial, está agitado e não há ninguém para ficar com ele para que nossa mãe leve minha irmã ao hospital.
ara eu não perder tempo, a patroa da minha irmã me arrumou dinheiro para eu pegar um táxi e chegar mais rápido.
Ela não pode me levar em casa e lá todos precisam de mim o mais rápido possível.
—Qual o seu nome? — perguntou.
—Daniela.
—O meu é Rafael.
Podemos fazer assim: você faz o favor de pegar as chaves do meu carro e eu a levo até sua casa.
Você chegará mais rápido.
Daniela, preocupada e desconfiada, não se decidia e Rafael insistiu:
—Por favor.
Eu só preciso dessas chaves, não quero voltar lá para não arrumar confusão.
— Depois de breve pausa, ele prosseguiu: —
Façamos assim: eu ligo para minha amiga e aviso que irá lá pegar as chaves pela porta de serviço.
Nem precisa entrar no apartamento e ninguém vai vê-la chegar.
—E se houver encrenca para o meu lado? -— perguntou Daniela, assustada.
—Subiremos juntos até a porta do apartamento, só que não vou aparecer.
Você pega as chaves para mim.
Não vai acontecer nada, eu lhe garanto.
O cara que implicou comigo não a conhece nem saberá que você irá lá.
Por favor, me quebra esse galho? -— pediu ele humilde e educado, indicando à moça que não haveria riscos e que ele não possuía alternativa.
A custo Daniela se convenceu, até porque àquela hora seria difícil ter um táxi disponível por ali.
A garoa estava mais forte.
Telefonando para Lola, avisou que uma amiga pegaria suas chaves.
Ela iria à porta da área de serviço.
Já no andar, Rafael encostou-se na curva da escada, enquanto Daniela aguardava ser atendida.
Lola foi recebê-la e ficou com Daniela, ao passo que Cláudia voltava para pegar as chaves.
Biló, percebendo a movimentação das moças, procurou por Lola.
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Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 23, 2017 10:45 am

Ao vê-la parada à porta da área de serviço entreaberta, aproximou-se para saber o que estava acontecendo.
—Quem tá aí, Lola?! -— perguntou ele asperamente.
—Eu disse que ninguém entra e ninguém sai!
—Essa moça veio buscar as chaves do Rafael. Ele as esqueceu.
— Aquele marica não tem coragem de subir e manda uma mina em seu lugar?!
— Gargalhando, Biló acabou de abrir a porta bruscamente e completou maldoso:
— Olha só que gracinha!
Biló achava-se nitidamente sob o efeito de drogas.
Exaltava-se com tudo o que fazia.
Pessoas que usam bebidas alcoólicas, bem como entorpecentes, e possuem tendência à agressividade ou à rebeldia, são influenciadas facilmente por espíritos desencarnados os quais, quando em experiência na vida corpórea, se deliciavam na maldade e na estupidez selvagem de actos mórbidos contra a integridade dos semelhantes.
Esses desencarnados, agora, ficam à procura de encarnados afins que lhes ofereçam uma oportunidade, para, por meio de seus actos, se comprazerem também.
Nem por isso aquele que tenha praticado qualquer crime contra o próximo, sob o envolvimento desses espíritos inferiores e maldosos, deixa de ser culpado por suas acções.
Naquele momento, espíritos levianos e ignorantes, dotados de má índole, passaram a influenciar Biló que, por sua tendência à perversidade, satisfez-se com as ideias sugestionadas.
Percebendo o olhar malicioso dele, Lola advertiu:
— Fica na sua, Biló.
Empurrando Lola, que caiu inesperadamente, puxou Daniela pelo braço para dentro da área de serviço.
Não dando oportunidade para Daniela reagir, ele a agarrou com firmeza e estupidez.
De maneira selvagem, beijou-a à força enquanto lhe dizia frases indecorosas.
Em seguida, rasgou-lhe o agasalho, acariciando-a rude e maliciosamente.
Daniela se debateu e conseguiu gritar por Rafael quando Biló a jogou no chão, investindo brutalmente sobre ela.
Ao ouvir o grito, ele subiu os poucos degraus que restavam para chegar àquele andar onde tudo acontecia.
Entrando às pressas, puxou Biló e desferiu fortes socos contra ele, que não teve oportunidade de reagir, caindo estonteado no chão.
Rafael abraçou Daniela, aterrorizada e em choque.
Pegou as chaves com Cláudia, que chegava naquele instante.
Lola, desesperada, segurou a porta do elevador, gritando:
— Rápido, Rafael. Vá logo!
Sem perder tempo, ele entrou com Daniela no elevador.
A garota começou a chorar compulsivamente, ofendida com o acontecimento rápido, inesperado e humilhante.
— Pelo amor de Deus, desculpe-me! -— implorava Rafael.
— Não chore mais, por favor.
Rafael a abraçou, arrependido, piedoso e indignado com o ocorrido.
Ela estava desorientada.
Ao chegarem à rua, afastou-o de si, empurrando-o vagarosamente, e começou a caminhar pela calçada, mecanicamente, sem dizer nada.
— Daniela, aqui! Meu carro é esse!
Pareceu não o ouvir e, chorando, continuou a andar sob a garoa nevoenta que caía.
Rafael correu e a alcançou.
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Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 23, 2017 10:45 am

Segurou-a, colocando cuidadosamente o braço em seu ombro, e observou as lágrimas copiosas rolarem pelo seu belo rosto, enquanto todo o seu corpo tremia pelo nervosismo da experiência infeliz.
Achava-se estática e sem reacção.
Ele a levou até seu carro onde, calmamente, falou:
— Entre. Por favor, confie em mim agora.
— Olhando-a, piedoso e terno, completou:
— Primeiro nós vamos sair daqui, está frio e você está molhada.
No caminho você me diz onde mora e eu prometo deixá-la em sua casa.
Daniela não articulou uma única palavra.
Estava em choque e deixou-se conduzir.

1 Sugar ouro é um termo conhecido entre alguns viciados que inalam pó de cocaína.
2 Amarelar é uma gíria usada para indicar que alguém está com medo.
3 Farinha é um nome vulgar ou apelido que alguns dão ao pó de cocaína.
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Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 23, 2017 10:46 am

2 - O DESPERTAR DO AMOR

Depois de saírem daquele local, vendo-a mais tranquila, Rafael perguntou:
— Está mais calma?
Daniela agora não chorava mais.
Manteve-se calada e pendeu a cabeça positivamente.
— Onde você mora?
Nitidamente em choque, porém controlando as emoções e com certa dificuldade, indicou o caminho.
Ao chegarem em frente à simples casa onde a moça morava, ela apontou:
É aqui. Obrigada.
—Por favor, quero que me perdoe. Se eu soubesse...
Olhando-a melhor, observou que, com o ataque de Biló,
o agasalho dela havia se rasgado um pouco e ela unia as partes da blusa na frente do peito com as mãos ainda trémulas.
Rafael tirou imediatamente a jaqueta e pediu que ela a vestisse.
Daniela recusou e foi descendo do carro.
Ele saiu às pressas impedindo que ela seguisse sem antes aceitar a jaqueta.
Nesse instante, sua mãe, dona Antónia, saía rapidamente de sua casa indo na direcção do portão onde Daniela e Rafael estavam parados.
— Dani, filha! Foi Deus quem a mandou!
Assustada, Daniela perguntou:
— O que foi, mãe?!
— É a Denise, filha!
Sua irmã não está nada bem.
Precisamos levá-la ao hospital.
Sem perceber, Daniela vestiu a jaqueta e entrou em sua casa.
E, diante da sua aflição, Rafael a seguiu.
— Denise, o que foi? -— perguntou à sua irmã.
— E aquela dor forte outra vez! Não estou aguentando.
Era Denise quem trabalhava como pajem no edifício onde houve a festa da qual Rafael participara.
Devido às fortes dores abdominais que a castigavam naquela semana e sem saber a origem, o médico pediu-lhe o afastamento do serviço, dando-lhe licença médica e solicitando alguns exames clínicos.
Sem ter quem a substituísse, a patroa de Denise solicitou à Daniela que prestasse os serviços da irmã por aquele período, uma vez que se encontrava desempregada.
Por essa razão, diante do telefonema urgente de dona Antónia, saiu apressadamente.
Por ser uma noite fria e húmida, a patroa não tinha com quem deixar as crianças e não acreditou ser bom levá-las consigo para poder ajudar Daniela a chegar a sua casa rápido.
Esses foram os motivos que fizeram Daniela estar naquele momento e lugar.
Agora Denise passava muito mal, parecendo não suportar mais a dor.
—Eu a levo para o hospital! — ofereceu-se Rafael.
—Filha — pediu —, vai com o moço.
Tenho que ficar com seu irmão.
Ele não pode ficar só. Está agitado.
Diante do desespero, ela nem questionou quem seria Rafael.
Acreditou se tratar de algum parente ou amigo que a patroa da filha teria mandado para auxiliá-la.
Dona Antónia era viúva e, a custo, criou os três filhos:
Denise, Daniela e Carlinhos.
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 23, 2017 10:46 am

Carlinhos, com doze anos de idade, possuía mentalidade de uma criança com três anos, pois era portador da síndrome de Down.
Daniela era a filha do meio.
Com dezanove anos de idade, estava desempregada antes da enfermidade da irmã.
Não estudava devido às condições financeiras da família.
Mas auxiliava a mãe nos cuidados com o irmão que necessitava de muita atenção.
Denise, a mais velha, tinha vinte e dois anos de idade.
Era o braço direito da família na manutenção financeira da casa, pois a pensão que dona Antónia recebia como viúva, era pouca para tantas necessidades, principalmente as de Carlinhos.
Denise dormia no emprego e só voltava para sua casa nos finais de semana.
Mesmo tendo passado por consulta médica e realizado os exames solicitados, a má vontade de profissionais da área de saúde resultou na perda deles, que tiveram de ser refeitos, atrasando, ainda mais, um diagnóstico rápido e preciso.
Às pressas, Denise foi levada por Daniela e Rafael ao hospital municipal mais próximo.
A delonga na prestação de assistência, devido à precariedade das condições oferecidas pelo hospital, fez Denise ser atendida depois de muita espera.
Ela ficou em observação e solicitaram que um acompanhante aguardasse, porque poderia ser medicada e liberada a qualquer momento.
Já era madrugada e Rafael não quis deixar Daniela sozinha.
Devido ao frio, ele a convidou para que esperassem no carro.
Apesar de sua disposição para ajudá-la ele percebeu que Daniela se sentia embaraçada.
Tentava puxar conversa, mas não sabia como.
Sentindo culpa e um tanto encabulado, arriscou:
—Perdoe-me por tê-la colocado naquela situação constrangedora.
Por tentar me ajudar, você foi agredida.
—Tudo bem - respondeu, cabisbaixa. -— Não se preocupe.
Depois de breve pausa, ela acrescentou:
—Você está sendo muito prestativo.
Obrigada por me ajudar tanto.
Afinal, nós nem nos conhecemos.
—Creio que já disse meu nome, não foi? -— perguntou Rafael sorrindo amavelmente e estendendo a mão para um cumprimento mais cordial.
Ela retribuiu, com encabulado sorriso, e falou sem jeito:
— Prazer, Daniela.
Só que eu esqueci seu nome. Desculpe-me.
— Meu nome é Rafael.
— Sorrindo levemente, ele ressaltou gentil, procurando descontrair:
-Na hora do desespero você me chamou pelo nome.
— Claro! Como pude esquecer?! Desculpe-me.
— Sou eu quem lhe deve mil desculpas.
Você está bem? Não está machucada?
Esqueci-me até de perguntar.
— Machucada, não.
Estou um pouco abalada ainda.
— Eu jamais poderia imaginar...
Aquele animal! -— comentou Rafael irritado.
— Pensei ouvir de você que estava em uma festa.
—Creio que a minha concepção de festa é diferente de tudo o que vi ali.
Estou indignado e envergonhado, acredite.
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Ave sem Ninho

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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 23, 2017 10:46 am

—Pensei que você trabalhasse ali no prédio também, pois saiu pela área de serviço.
—Tive de fazer isso.
A saída social estava entupida de gente e, na correria, aquela foi a solução mais fácil.
—Você não estava se sentindo muito bem naquele momento ali na escada, não é?
Rafael sentiu vergonha de admitir que havia bebido e usado drogas, então justificou:
— Eu estava atordoado de raiva.
— Desculpe-me comentar, mas senti cheiro de bebida alcoólica em você, não seria por isso o seu mal-estar?
— Tomei só um gole de uísque, não mais.
— Isso é o suficiente para nos desequilibrarmos, sabia?
A bebida alcoólica pode nos descontrair e deixar-nos alegres, a princípio, porém, com o tempo, todos os outros sentimentos que tivermos serão abafados e, sem graça, necessitaremos sentir o efeito do álcool para termos coragem, alegria, e tantas outras emoções.
Lucas induziu Rafael a especular o assunto.
— Os sentimentos de euforia e animação que experimentamos, quando ingerimos bebidas alcoólicas, dependem somente da bebida ou você acha que de acordo com a índole, com a personalidade, cada pessoa age diferente?
Ou ainda, existem outros apontamentos que justifiquem o comportamento do alcoólatra?
Já ouvi tantas teorias sobre isso.
—Você acredita que possuímos uma alma?
—Acredito.
—Acredita em espíritos?
—Não sou religioso, mas acredito.
Deve haver uma justificativa para nascermos, vivermos e morrermos.
—O Espiritismo nos ensina da seguinte forma:
é dado o nome de alma enquanto estamos encarnados e o nome de espírito quando não temos mais o corpo de carne, ou seja, depois que o nosso corpo de carne morre, ou melhor, depois que o corpo de carne se transforma.
O espírito é uma matéria quintessenciada, vamos dizer assim, muito subtil ou fino que necessita ocupar um corpo também fino, ou seja, um corpo espiritual, que se chama perispírito. Entendeu?
—Não — respondeu Rafael sincero, sorrindo e meio sem jeito.
—E assim: imagine que o espírito seja uma fumaça.
Colocando essa fumaça dentro de um balão, como esses de aniversário, a fumaça ficará ocupando todo o espaço dentro dele e terá exactamente o formato desse balão.
Imagine esse balão sendo o nosso perispírito, com o espírito, que seria essa fumacinha, preso dentro dele.
O nosso perispírito tem sempre a aparência do nosso corpo de carne e, quando estamos encarnados esse perispírito se encaixa, vamos dizer assim, totalmente dentro do nosso corpo de carne, desprendendo-se quando desencarnando.
É lógico que esse desprendimento é relativo a cada criatura. Entendeu?
—Creio que entendi.
Mas o que isso tem com o gole de uísque?
—Entre muitas outras consequências desastrosas, a bebida alcoólica deixa o nosso perispírito "balançando" dentro do nosso corpo de carne, por isso nos sentimos tontos e demoramos a tomar qualquer decisão.
Nosso raciocínio fica lento porque o espírito não transmite com rapidez ao corpo o que é para ser feito.
Nem os órgãos do corpo passam com lucidez ao espírito, os acontecimentos, pois ambos não estão bem acoplados.
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Ave sem Ninho

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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 23, 2017 10:46 am

E por isso que os reflexos de quem ingeriu bebidas alcoólicas ficam lentos e a percepção do alcoólatra é confusa.
E como se não bastasse, ao ingerirmos o mínimo de bebida que contenha álcool, atraímos para perto de nós espíritos desencarnados muito inferiores, pois quando viviam na matéria faziam uso de bebidas alcoólicas e agora depois do desencarne, sentindo imensa falta do efeito estonteante que vicia, esses espíritos se aproximam do encarnado que bebe, para sugar dele todos os seus fluidos, pois assim o desencarnado sente-se como se tivesse bebido também.
Esse tipo de espírito é ignorante e passa a seguir o encarnado incentivando-o sempre a beber mais.
A instrução que Daniela dava era salutar.
Ela prosseguiu, enquanto que, no plano espiritual, Lucas conversava com Fabiana, mentora querida de Daniela.
—Pois é, Fabiana -— observava Lucas -— como já ouvi dizer:
"O acaso é pseudónimo de Deus".
Sabíamos que Rafael e Daniela se encontrariam, contudo não foram necessárias várias tentativas de aproximação.
—A atracção foi simultânea e, eu diria, imediata.
—Parte da nossa tarefa foi realizada, Fabiana.
—Engana-se, caro Lucas.
Creio que somente iniciamos pequena fracção da nossa tarefa.
Lucas sorriu e verificou que seu trabalho realmente se iniciava ali.
—A instrução de Daniela é excelente, lamento Rafael dar mais atenção à moça do que às suas explicações.
Fabiana sorriu e comentou:
—Não era esse o objectivo, Lucas?
—Sim, mas...
Bem que ele poderia unir o útil ao agradável.
Nesse instante o celular de Rafael tocou.
—Pronto?
—Filho, onde você está?
Dois amigos seus, que disseram estar com você na festa, ligaram aqui para saber se você estava bem.
Disseram que você saiu de lá antes que tudo acabasse e ficaram preocupados, pois ligaram para seu celular mas a ligação era passada para a caixa postal.
O que houve? Onde você está? -— perguntou o senhor Paulo, que se preocupou com o filho devido às questões dos colegas.
—É... — respondeu Rafael, procurando respostas.
Eu saí da festa mais cedo porque não estava muito bom e eu estava com sono...
Bem, encontrei uma amiga que recebeu um telefonema informando que sua irmã estava doente e eu me propus a levá-la ao médico.
Agora estou aqui no hospital aguardando um parecer dele.
—O que a moça tem? — insistiu o pai.
—Parece ser dor de estômago.
—Onde fica este hospital?
Rafael não quis dizer, pois sabendo o nome do bairro e que era um pronto-socorro público, seu pai logo saberia não se tratar de pessoa do seu meio social.
Ele faria perguntas as quais não gostaria de responder em detalhes naquele momento, perto de Daniela.
— Pai, mais tarde a gente conversa.
A moça já deve ser liberada agora.
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 23, 2017 10:47 am

Despedindo-se do pai, Rafael voltou-se para Daniela justificando-se:
— Não adianta nada sermos maiores de idade.
Os pais sempre se preocupam e nos vigiam o quanto podem.
— Isso é sinal de amor.
Gosto quando minha mãe age assim.
Rafael engoliu seco.
Percebeu que Daniela tinha outro tipo de tratamento em seu lar.
— Você estuda, Daniela?
—Somente a Doutrina Espírita.
Vendo-o sem entender, sorriu e completou:
— Actualmente não tenho condições de pagar uma faculdade.
—Eu faço Faculdade de Engenharia.
Esse é meu último ano. Já teria terminado se não fosse a indecisão.
Eu comecei fazendo Faculdade de Ciências Contábeis.
Quando eu estava no início do terceiro ano, descobri que não tinha aptidão.
Parei de estudar naquele ano.
Fiz mais um ano de cursinho e depois iniciei Engenharia.
Por isso que aos vinte e cinco anos ainda estou na escola.
Qual a sua idade?
—Fiz dezanove em janeiro.
—Não pretende estudar mais?
—Se eu arrumar um bom emprego e tiver condições financeiras, pretendo. Você trabalha em quê?
Um pouco acanhado, Rafael respondeu:
— Só estudo.
Pela primeira vez, sentia vergonha de dizer que não trabalhava e era sustentado pelo pai.
Isso o decepcionou.
— Vamos ver se há alguma notícia da minha irmã?
Ele concordou e ambos dirigiram-se até o balcão de atendimento e foram informados que Denise ficaria internada.
Rafael levou Daniela para casa.
— Muito obrigada por tudo.
Não tenho como lhe agradecer.
Tome, pegue sua jaqueta.
Impedindo o movimento dela, ele afirmou:
—Não! De jeito nenhum!
Não tire. Fique com ela.
—De forma alguma!
—Por favor! — insistiu ele.
—Como faço para devolvê-la?
—Tome. —- Estendeu ele um cartão, dizendo:
— Aqui tem meu telefone e endereço.
Posso lhe telefonar também?
—Eu não tenho telefone.
Mas posso informar o número do telefone do serviço da minha irmã.
Estarei trabalhando lá na próxima semana também.
Após trocarem informações sobre o número de telefone, Rafael se foi.
No plano espiritual, Fabiana, sorrindo, brincou:
—Lucas, você não vai pedir meu número de telefone?
—Creio que não.
Temos uma linha directa.
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 23, 2017 10:47 am

Além do que, nós nos veremos com muita frequência a partir de agora.
A caminho de sua casa, sentia-se muito animado por ter conhecido Daniela.
Nem se lembrava da situação conturbada que passou com ela horas antes.
Não se importou em enfrentar uma madrugada fria esperando em um hospital público.
Ele se realizara.
Ela era madura e objectiva.
Não parecia ser mimada nem viver de ilusões.
Em nenhum momento ela exibiu gracejos, como tantas outras moças faziam quando acabavam de conhecê-lo para, forçosamente, tentarem ser agradáveis.
Para Rafael, Daniela era diferente e ele encantara-se muito com isso.
Ela, por sua vez, acreditou nunca ter conhecido um rapaz tão especial, educado e respeitável.
Mesmo a tendo feito enfrentar uma situação difícil como a que experimentou.
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Fev 23, 2017 10:47 am

3 - DESENCARNE INESPERADO

Seis horas da manhã.
Rafael, chegando a sua casa, atirou-se sobre a cama e ficou sonhando acordado com Daniela.
A simplicidade e a naturalidade da moça chamaram-lhe muito a atenção.
Logo em seguida, ele adormeceu.
Um pouco mais tarde...
— Rafa? Acorda aí, cara!
Era Jorge, seu irmão mais novo, que entrou no quarto de modo furtivo.
Rafael resmungou e virou-se.
Por fim, depois da insistência de Jorge, com muito esforço respondeu:
—Hum...
—Acorda aí, meu!
— O que é? -— perguntou Rafael com a voz rouca. -— O Cadu ligou.
— Quem?!
— O Cadu. Ele esteve ontem lá no apartamento da Lola.
Rafael sobressaltou-se mais alerta, pois as lembranças dos acontecimentos roubaram-lhe o sono.
—O que ele lhe contou?
—Que rolou o maior bagulho1, lá.
—Que bagulho?!
Jorge levantou-se.
Foi até à porta do quarto e observou se não havia ninguém no corredor.
Fechou-a e logo foi sentar-se na cama de Rafael.
—Você estava lá, não estava?
Quero saber o que aconteceu.
Você deve estar por dentro.
—O que o Cadu lhe contou?
—Que no encontro da turma, lá no apartamento da Lola, rolou uns bagulho.
Sabe como é... tinha ouro branco2, entre outros.
Que foi a maior curtição.
Mas você não quis cooperar com a turma e caiu fora.
—Eu não sabia que a Lola e a turma se envolviam com isso —- afirmou Rafael, preocupado.
—Qual é, Rafa?! Vai dizer que você nunca curtiu doidão?
Vai dizer que é careta?
—Nunca me envolvi com drogas, se é isso o que você quer saber.
Acho bom você ficar longe disso também.
Só traz problemas, é a maior fria.
—Problemas pra pobre, que não tem grana -— murmurou Jorge.
Quando Jorge registou essa ideia, alguns espíritos, que quando encarnados se envolveram no uso de drogas, aproximaram-se dele, pois compatibilizaram-se com a sua opinião.
Iriam tentar, a partir daquele momento, inspirá-lo ao vício para compartilharem com ele os efeitos do uso de entorpecentes.
Esses espíritos, de incrível inferioridade, sugam as energias do encarnado que se dopou para sentir o mesmo efeito e o incentivam a, cada vez mais, aumentar as doses e a frequência do uso.
—Ei, Jorge! Veja lá, cara. Não entra nessa.
Vê onde se mete —- alertou Rafael.
—O Cadu me disse que você bateu num cara, é verdade?
O cara não é da turma, você sabia?
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