LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 28, 2017 11:01 am

—Caro Durval -— lembrou Lucas - devemos reconhecer que perder um filho é uma dor irremediável, ainda com todo conhecimento que possamos ter.
—Sem dúvida —- reforçou Durval.
— Concordo piamente que a dor da separação é intensa e que o apego a essas almas queridas nos despedaça os sentimentos, mas a Doutrina Consoladora nos ensina que passamos por tudo o que podemos suportar.
Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo IV, item 18, aprendemos que formamos famílias agrupadas pela afeição e simpatia.
O reencarne ou o desencarne nos separam provisoriamente, mas, sem dúvida alguma, nós nos reuniremos novamente como se chegássemos de uma viagem.
Se uns estão encarnados e outros não, estarão unidos pelo pensamento.
Por isso os mais adiantados, aqueles que possuem mais instrução sobre a vida espiritual, poderão envolver através da prece e até fazer progredir, o que está atrasado.
Aprendemos, no estudo do Evangelho, que é egoísmo o apego ou o desejo excessivo que chega a destruir outra criatura, em vez de elevá-la, quando esta última faz a passagem para a verdadeira vida espiritual.
No Capítulo V, item 21 de O Evangelho segundo o espiritismo - em Perda de pessoas amadas e Morte Prematura, Kardec nos ensina:
"Quando a morte vem ceifar em vossas famílias, levando sem considerar, os jovens em lugar dos velhos, dizeis frequentemente:
'Deus não é justo, pois sacrifica o que está forte e com o futuro pela frente para conservar os que já viveram longos anos, carregados de decepções; leva os que são úteis e deixa os que não servem para nada mais; fere um coração de mãe, privando-o da inocente criatura que era toda a sua alegria.
O bem está, muitas vezes, onde pensais ver a cega fatalidade.
Por que medir a Justiça Divina pela medida da vossa?
Podeis pensar que o Senhor dos Mundos queira, por um simples capricho, infligir-vos penas cruéis?
Nada se faz sem uma finalidade inteligente e tudo o que acontece tem a sua razão de ser.
Se perscrutásseis melhor todas as dores que vos atingem, sempre encontraríeis nelas a razão Divina, razão regeneradora, e vossos miseráveis interesses representariam uma consideração secundária, que relegaríeis ao último plano.
"A morte é preferível, mesmo numa encarnação de vinte anos, a esses desregramentos vergonhosos que desolam as famílias respeitáveis.
A morte prematura é, quase sempre, um grande beneficio que Deus concede ao que se vai, sendo assim preservado das misérias da vida ou das seduções que poderiam arrastá-lo à perdição.
Não é egoísmo desejar que ele fique para sofrer convosco?
Essa dor se concebe entre os que não têm fé e que vêem na morte a separação eterna".
—Caro Durval - lembrou Lucas - muitas mães não gozam de tanto conhecimento!
—Correto —- concordou ele.
— Contudo, quando a dor bate a nossa porta, costumamos buscar conforto nos ensinamentos de Jesus.
Nesses ensinamentos, mães compreendem que suas preces, realmente, abençoam o filho querido, que seus pensamentos elevados na compreensão envolvem e confortam aquele que partiu, mas também aprende que seus queixumes, choros e dores os afligem amargamente.
Nos ensinamentos evangélicos do Cristo, elas poderão se conscientizar de que suas lamentações demonstram falta de fé e que a fé pode controlar as emoções e secar as lágrimas abundantes que em nada auxiliarão o ser querido, ao contrário, envolvê-lo-ão em charco aflitivo de revolta e dor, impedindo-o de se comprazer na evolução e no bem estar verdadeiro.
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 28, 2017 11:01 am

— E o que se faz com a saudade? -— insistiu Lucas.
—Mate-a confortando, amando e acariciando os órfãos do mundo, com o amor que destinaríamos com carinho àquele outro.
Há tantos filhos do Pai Celeste, nossos irmãos, necessitados e carentes de um abraço, de um carinho, de um contacto de amor, porque não direcionar-mos a eles todo o amor que dispensaríamos ao outro que partiu?
Por egoísmo, é claro.
—Hoje em dia, com a agitação, as pessoas alegam não terem tempo para visitarem orfanatos, asilos ou creches para excepcionais -— lembrou Lucas.
—Mas e se esse ente querido, que desencarnou e por quem tanto chora, estivesse internado em um hospital, asilo ou orfanato, essa pessoa que alega falta de tempo não iria visitá-lo, já que lhe tem grande amor?
Nem Lucas nem os demais quiseram arriscar responder, por isso Durval afirmou:
— É egoísmo e masoquismo não querer acabar com a saudade corrosiva e perniciosa.
Esquecer o ser querido, que desencarnou, é frieza de sentimentos, mas torturar-se em prantos, é não querer servir, pois, quando nos ocupamos em trabalho digno de amor, somos constantemente envolvidos por bênçãos sublimes que nos amparam sempre e, ao agradecermos a Deus pela oportunidade de ajuda, dividimos, com o ser querido que se foi, as dádivas recebidas.
Vejam o caso de Antónia.
Nada produz para aliviar sua dor.
Não reconforta seus pensamentos em preces benditas e por essa razão tortura a filha Denise com aflição e desespero tristonho.
—Denise parece não estar bem — observou Fabiana.
—Não está como deveria -— esclareceu Durval.
— Antónia a deixa em depressivas condições espirituais.
Denise corre sério risco de se atrair para a crosta por causa da mãe que não se ajuda buscando consolação e trabalho útil.
Fabiana ficou pensativa, enquanto Lucas salientou:
—Antónia realizou um tratamento espiritual com passes magnéticos, que a restabelecera.
Mas afastados alguns espíritos que se atraíam a ela pela mesma frequência de vibração de tristeza e dor, não demorava em chamar outros, pois não reagia aos benefícios recebidos.
—Vemos que não se trata de obsessão, mas sim de um caso típico de atracção de espíritos afins.
Espíritos desencarnados que não buscam socorro e lamentam constantemente seus problemas, expondo-se como vítimas infelizes e deprimentes.
Ao depararem com um encarnado que possui as mesmas condições de tristeza e dor, acoplam-se a ele por identificarem-se com a melancolia amarga de seu sofrimento — orientou Fabiana, resolvendo exemplificar sua experiência.
— Há cerca de dois séculos, quando desencarnei, eu era uma jovem senhora à espera do primogénito e grande herdeiro da família do meu esposo, a qual enriquecera com as fazendas de café.
Por complicações, que não possuíam socorro naquela época, vim a desencarnar durante o parto.
Meu esposo, inconformado, chorou por anos a fio.
Minha mãe, inconsolada, chegou ao desencarne, um ano depois, pelo desespero da sua incompreensão.
Ela foi tida como suicida.
Não quis reagir, rendendo-se a sentimentos desanimadores da separação inesperada.
A princípio fiquei atordoada.
Sem saber o que fazer.
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 28, 2017 11:01 am

A inquietude me dominou desesperadamente e eu retornei à crosta tentando ajudá-los.
Meu desalento fez-me sofrer muito.
Criei situações espirituais que me fizeram experimentar dor e depressivo isolamento.
Meu esposo não se conformou. Não reagiu.
Passou a viver sem os tratos necessários para seu corpo.
Não direccionou atenção ao nosso filho que, sem orientação, entregou-se a vícios terríveis como o álcool e o jogo.
Meu esposo só pensava em mim, trazendo-me extrema aflição.
Perdeu a oportunidade que tivera de orientar, para um bom caminho, o nosso filho, vindo mais tarde a chorar muito por ele também e até por si mesmo, vendo-se como criador de tanto descaminho.
Acreditei ter enlouquecido, até que passei a orar, pedindo forças e amparo.
Fui socorrida.
Demorei anos em estudos, fortalecimento e trabalho.
A muito custo consegui, com o auxílio de outros bons amigos, envolver minha mãe, meu marido e meu filho, fazendo-os compreender que o tempo perdido com o choro e as lamentações nos levam à improdutividade e retardamos nosso crescimento.
Rogo a Deus, um dia, tê-los como filhos queridos e poder-lhes passar o abençoado ensinamento espírita, que não nos deixa estancar na evolução, consolando e fortalecendo-nos sempre.
—Onde a Daniela entra nessa história? -perguntou Lucas.
—Daniela é uma alma querida.
Vimos nos ajudando mutuamente e buscamos ajudar outros irmãos.
Há muito tempo, fomos irmãs quando encarnadas.
—É um grande espírito que, hoje, em condições humildes e silenciosas, procura realizar um grande trabalho -— esclareceu Durval, sorrindo docemente.
— Almas afins de outras épocas, Daniela e Rafael vêm se... desencontrando, vamos dizer assim, nas últimas reencarnações, por vontade imperiosa de outro espírito.
Em outra época, eu era viúvo e tinha como filha desse casamento Daniela.
Conheci Antónia que, também viúva, tinha Denise como filha querida.
Daniela não se importou com o romance.
Aceitou Antónia como madrasta e Denise como irmã.
Eu acreditei que Daniela precisasse de uma mãe.
Só que Antónia, por sua vez, não estendeu à Daniela todo o amor e carinho que ela merecia, cobrindo de mimos e atenção somente sua única filha.
Com o passar dos anos, Daniela viu-se cobiçada por um belo rapaz pertencente a uma família de muitos dotes.
Essa família fora contra a união de ambos.
Esse rapaz, hoje, é Rafael.
Rafael, sempre inseguro, não queria abrir mão de sua herança, mas nutria grande paixão por Daniela que, por sua vez, não o forçava a nada.
Com inveja, Denise visava para si à estabilizada condição social que, por ocasião de um casamento, Daniela concorria.
Denise fez de tudo para que houvesse a separação dos jovens, mas não havia como separá-los.
Por essa razão, revoltada, Denise chorou copiosamente quando relatou suas mágoas a um primo, hoje, Carlinhos que, naquele tempo, era apaixonado por Daniela.
Carlinhos, aterrado no orgulho e na possessividade, planeou matar Daniela, pois já que a bela jovem não seria dele, haveria de não ser de mais ninguém.
A princípio, Denise ficou temerosa.
Contou para a mãe os planos de Carlinhos.
A mãe, por imprudência, confortou-a no perdão e na inocência, pois suas mãos não iriam se sujar nem se comprometer.
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 28, 2017 11:01 am

Carlinhos emboscou Daniela em uma estrada, atacando-a impiedosamente.
Daniela não desencarnou conforme os planos, mas sofreu com as debilidades que as sequelas do ataque lhe deixaram.
Ela não reconheceu mais ninguém.
Ficou quase como um vegetal, principalmente porque, naquela época, não davam atenção ou bons cuidados às pessoas com deficiências.
Rafael sofreu muito.
Mas, devido aos assédios da irmã, cada vez que ia visitar Daniela, desorientado, ele cedeu e acabou por se casar com Denise.
Denise voltou-se ao luxo, às festas e a tudo o que a nobreza da época pôde lhe oferecer, esquecendo e abandonando até a própria mãe.
O mais importante para aquela bela lady, ou seja, dama, era a fortuna e o bem-estar.
Ela não dispensou cuidados nem ao esposo que, muito adoentado, morreu à míngua, só e sem socorro.
Carlinhos entregou-se ao alcoolismo e desencarnou praticamente louco.
Na presente reencarnação, todos estão novamente agrupados com votos de amor e auxílio mútuo.
— Sabemos que não é necessário vir deficiente físico para saldarmos ou corrigirmos uma falta do passado.
Carlinhos quis vir dessa forma ou não houve escolha?
Pois os espíritos rebeldes são resgatados pelo reencarne compulsório —- perguntou Lucas.
— Carlinhos viu-se feito um louco depois do que fez a Daniela e solicitou reencarne nessas condições.
Daniela, de posse do amor incondicional e do perdão às ofensas, pediu para ampará-lo.
Denise e Antónia o tiveram para aprender a amar indistintamente e por ter deixado Carlinhos provocar o mal como fez.
Na presente reencarnação, elas deveriam dispensar-lhe cuidados e amor, expiando a condição difícil da responsabilidade do que provocamos aos outros, directa ou indirectamente.
Rafael, por outro lado, passa pela prova do desapego aos bens materiais, da decisão própria diante do dever a cumprir sem se deixar levar pela opinião alheia.
Ele deve, além disso, apoiar Daniela que haverá de sustentar belo e edificante trabalho de ensino do Evangelho de Jesus através da Doutrina Espírita, como ela mesma solicitou.
Ambos hão de orientar, amparar e auxiliar incontáveis criaturas que procuram o consolo, o entendimento da vida e o motivo das turbulências na sua existência.
Sorridente, o espírito Lucas perguntou:
—Ela dará continuidade ao trabalho que você iniciou quando encarnado, Durval?
—Se, no seu livre-arbítrio, ela não sair do caminho que trilha hoje, dará sim — respondeu Durval, satisfeito.
—Daniela veio para esta reencarnação decidida -— respondeu Fabiana, mentora de Daniela, convicta.
— Ela tem fé. Rogaremos a Deus por amparo.
Trabalharemos incansavelmente sempre e, diante de dificuldades ou imprevistos que possam surgir, dentro de suas condições de resignação e fé, ela será bem envolvida e terá êxito.
Durval sorriu satisfeito, olhando para Daniela, que conversava animadamente com Rafael, sem percebê-los ou imaginá-los na espiritualidade.
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Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Fev 28, 2017 11:02 am

13 - SOCORRENDO-SE EM JESUS

Na manhã seguinte, sem demonstrar nenhum humor, o senhor Paulo, ao chegar à empresa, pareceu marchar em direcção a seu escritório e, sem parar por um único instante, solicitou:
— Senhorita Daniela, venha à minha sala!
De pronto a secretária obedeceu.
—Feche a porta! -— intimou o chefe, questionando em seguida, sem olhar no rosto da moça.
— Onde está a dona Sueli?
—Eu soube, nesta manhã, que a dona Sueli contraiu sarampo e ficará de licença...
—Sarampo?!
—Sim senhor -— confirmou Daniela.
Pensativo e preocupado, o senhor Paulo largou-se em sua confortável cadeira, girando-a de um lado para outro.
Observando Daniela com firmeza, percebeu que a moça parecia empalidecer.
Seus olhos brilhavam e a respiração parecia estar levemente ofegante.
— Pois bem! Está namorando meu filho há um ano?
Daniela não sabia o que responder e, a custo, pendeu a cabeça positivamente e respondeu:
—Sim senhor.
—Já teve outros namorados, Daniela? -— indagou ele impiedosamente, tentando constrangê-la ainda mais.
—Não. Não senhor —- afirmou.
Sem explicação aparente, a jovem ficou convicta e fortalecida, agora não parecendo temê-lo.
—Gosta do Rafael?
—Sim senhor -— respondeu ela, criando coragem para reagir e acelerar o diálogo, solicitou respeitosamente:
— O senhor poderia ser directo, senhor Paulo?
—Desafia-me, mocinha?
—Não senhor. Longe de mim testá-lo.
Penso que o senhor poderia querer saber algo mais sobre mim e talvez não tenha como perguntar, por isso está usando de rodeios.
—Todos têm o seu preço.
Qual é o seu? -— inquiriu o homem sem piedade.
Daniela sentiu-se ofendida e, sem pensar muito, revidou:
— Dinheiro algum compra a minha dignidade.
Creio que deva haver algum engano quanto à afirmação de que "todos têm o seu preço".
Isso não serve para mim.
O chefe deu de ombros e, girando a cadeira, comentou:
— Eu disse ao Rafael que não iria despedi-la, mas nada poderá impedir-me de fazê-la pedir demissão.
Daniela sentiu-se mal, nunca experimentara tamanha discriminação.
Vendo-a sem resposta, ele declarou:
— Pense no que você mais deseja.
Procure-me e peça.
Posso comprar tudo, até a felicidade de meus filhos.
Nervosa e sem saber o que fazer, perguntou:
— Posso ir para minha sala?
— Sim. Vá e pense bem.
Não aceitarei reclamações futuras.
Com os olhos embaçados, retirou-se.
Já sentada à sua mesa, não conseguiu conter as lágrimas, que rolavam em demasia.
Com a chegada de Rafael, ela procurou disfarçar, mas foi impossível.
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Mar 01, 2017 10:58 am

—O que foi, Dani?
—Nada...
—Não confia em mim?
—Sou eu quem tem medo de você não confiar em mim o bastante...
—Por favor, Dani...
Diante do silêncio da moça, e conhecendo bem seu pai, ele não teve dúvida.
—Eu sabia! É típico do meu pai.
— Daniela não dizia nada, enquanto ele deduziu:
— Tentou suborná-la, não foi?
—Se eu não necessitasse muito deste emprego... -— respondeu, indignada.
Rafael a deixou e, abruptamente, entrou na sala de seu pai, demonstrando nítido descontentamento.
—O que o senhor disse para a Daniela?
—Ora, ora! Vejam só!
A moça comportada já iniciou suas queixas, tentando nos trazer inimizades — comentou o homem ironicamente.
—Pai, ontem o senhor teve consciência de como ela realmente era boa moça, profissional competente...
Interrompendo-o, o senhor Paulo atalhou:
— Disse bem, Rafael, ontem!
O ar que respirei ontem não está mais dentro de mim.
Por que os pensamentos deveriam?
Conversei muito com sua mãe...
—Ora, pai! -— interrompeu o filho.
— Por acaso a mãe é de conversar?!
E logo com o senhor?!
—Certo! Eu decidi e pronto!
— Depois, mais brando, continuou: —
Meu filho, pense!
Lutamos tanto para ocuparmos o patamar em que estamos...
Você estudou tanto. Para quê?
Para envolver-se com uma simples secretária!
Rafael, ofegante, não se conformava com a falta de carácter de seu pai.
— Seja humano, por favor.
—Ninguém é humano comigo!
Se eu quiser algo, tenho de lutar para conseguir.
—Do que o senhor precisa? -— perguntou Rafael, com certa inflexão triste na voz.
—Não preciso porque pago por tudo o que quero!
Pense! O que você poderá ganhar se envolvendo com essa moça?!
Quem é ela?!
Qual o nome que ela ostenta?!
— Eu a amo...
— Amor! Amor!
Amor só enche barriga por nove meses de gestação, depois disso, se você não der duro, terá duas bocas gritando para que suas necessidades sejam saciadas!
Não me venha com essa história de amor.
Isso não existe!
Amor: ou acaba ou enjoa.
Nenhuma união é feliz só de amor.
Somos felizes quando nossa conta corrente não está no vermelho e compramos tudo o que bem queremos.
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Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Mar 01, 2017 10:58 am

—Será que o senhor nunca irá me ouvir?
—Estou lhe poupando sofrimento, filho.
Quero vê-lo bem.
—Será que estarei bem vivendo como o senhor quer?
Se o senhor não acredita que seria feliz vivendo como eu vivo, por que pensa que serei feliz vivendo da sua forma?
—Essa moça quer se aproveitar de você!
Ela quer o seu nome!
—O senhor não conhece a Daniela, pai.
—Diga a ela que foi deserdado e verá, na manhã seguinte, atirando-se para cima de seu irmão.
É bem capaz de até tentar ficar com o Jorge.
O senhor Paulo gargalhou ironicamente, enquanto Rafael revoltava-se, indignado, olhando-o incrédulo responder:
—Não vou despedi-la, até porque estou sem secretária executiva, mas de um jeito ou de outro, você conhecerá o carácter dessa moça.
Eu vou lhe provar que todos têm um preço.
Ninguém é tão honesto ou tão fiel. Ninguém!
—Jamais eu viverei bem com tanta mentira e falsidade como o senhor vive.
Vai me perder, pai.
Antes de ver isso acontecer, eu morreria.
Rafael virou-se abandonando seu pai sozinho e batendo a porta da sala em sinal de protesto.
Daniela, na expectativa, olhou-o com firmeza.
Aproximando-se dela, acariciou-lhe a face docemente, dizendo:
—Fique firme. Resolverei essa situação o quanto antes.
—O que seu pai disse?
—Nada que valha a pena repetir.
Lembre-se, Dani: eu a amo muito.
Jamais a abandonarei, por nada desse mundo.
Abraçando-a com carinho, Rafael a beijou com ternura.
***
A insistência do telefone tocando irritou Caio, que estudava alguns projectos.
Andando pelo corredor, ele murmurou, reclamando:
— Secretárias!
Onde estão quando necessitamos delas?
Atendendo ao chamado, sobressaltou-se após identificar-se.
— Aqui é o Caio. Pode falar.
— Protegendo o irmãozinho, seu ordinário?
Quer que o noticiário de amanhã estampe, na primeira página, o que você fazia, seu safado?
Traga-nos o seu irmão.
Você é um covarde, entregou meu irmão para se safar.
Agora tem que entregar o seu ou eu irei até aí buscá-lo.
Sabe o que eu penso?
Fiquei tanto tempo torcendo para encontrar você, mas agora fico feliz porque se fosse antigamente, eu só cobraria a dívida e não teria lucro com juros; com o tempo, vejo que tenho juros e o nome desses juros é Daniela...
Bateu o aparelho com força.
Não suportou mais ouvir aquilo.
Deixando os papéis caírem de suas mãos, Caio saiu descontrolado em direcção ao elevador.
Daniela, que chegava ao saguão de sua sala, viu-o desfigurado.
— Caio, o que foi?!
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Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Mar 01, 2017 10:58 am

Caio pareceu não ouvi-la.
Entrou no elevador e se foi.
Daniela recolheu os papéis, acertou-os em ordem e dirigiu-se para sua mesa, quando, da sala do senhor Paulo, sai dona Augusta.
Mesmo a conhecendo, a mãe de Rafael procurou menosprezá-la, demonstrando engano.
—Você é a Sueli?
—Não senhora. Meu nome é Daniela.
— Ah!... -— desdenhou, orgulhosa e arrogante.
— Então é você a mais nova secretária chinfrim com quem meu filho resolveu tirar um barato, como ele mesmo diz?
Daniela sentiu-se corar pela indignação.
—Vamos, menina, responda?! -— intimou a mulher, ostentando poder.
—Não tenho nada para responder, senhora.
Desculpe-me -— disse, ocupando seu lugar à mesa e procurando trabalho.
—Você é dessas que procuram um rapaz aparentado e bem-sucedido, que tenha berço, é claro, para simplesmente ocupar um lugar ao sol?
É melhor desistir, queridinha!
Não terá êxito com o meu filho.
Sabe, o Rafael tem um grande futuro e, com certeza, não será ao lado de uma pé-rapada como você!
Menininhas como você, meus filhos acham às dúzias por aí!
Só que, para se casar, eles procuraram moças de seu meio.
Eles não vão se misturar com criaturas pobres e insignificantes.
O melhor que tem a fazer, minha lindinha, é dizer logo ao Paulo o valor que quer para dar sua distância de nós.
Tenho certeza de que lucrará muito mais.
E passando a mão sobre a mesa, dona Augusta derrubou alguns objectos de escritório, incluindo um vaso solitário, que se quebrou, molhando o chão.
Depois foi embora.
Daniela se abaixou, apanhou os objectos com as lágrimas rolando em sua face.
Pegou o telefone e, educadamente, solicitou o comparecimento da senhora da limpeza, sem alterar a voz para extravasar o que sentia.
Aquele dia estava sendo difícil para ela.
A pobre moça nunca fora tão humilhada.
Bem mais tarde, como se não bastasse, entrou naquela sala, arrogante e vaidosa, a jovem Cláudia, filha do senhor Rodolfo, sócio do senhor Paulo, e suposta ex-namorada do Rafael.
—Meu pai está?! -— exclamou Cláudia, snobando sua posição.
—Não senhora -— respondeu Daniela, de modo neutro, sem expressar nenhum sentimento, mesmo estando nervosa.
É você a tal de Daniela?!
—Sim. Meu nome é Daniela.
—Então é você quem está dando em cima do meu noivo?
—Ignoro completamente que Rafael seja noivo de alguém.
Se é a ele a quem se refere.
—Não se faça de boba.
Sabe que eu e o Rafael estamos juntos há quase dois anos.
Coloque-se em seu lugar, menina!
Vou acabar com você e com a sua raça.
Gente como você, não serve nem para serviçal.
Bem que eu percebi que o Rafael estava diferente, só não sabia quem o estava incomodando.
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Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Mar 01, 2017 10:59 am

Daniela sentiu-se alterada.
Ignorava qualquer relacionamento entre Cláudia e Rafael.
— Verei com meu pai a sua demissão da nossa empresa, o mais rápido possível -— disse Cláudia, retirando-se logo em seguida.
Mais uma vez, não disse nada, exteriorizando seus sentimentos somente nas lágrimas, que rolavam teimosas por seu rosto entristecido.
Ao chegar a sua casa, resolveu contar à sua mãe o que aconteceu.
Dona Antónia, pela amargura e depressão que cultivava, não possuía palavras consoladoras para a filha.
—Eu sabia! Desgraça pouca é bobagem.
—Também não é assim, mãe.
—Como não, filha?!
Onde está o Rafael para explicar tudo isso?!
—Ele teve muito serviço e passou o dia fora.
Não nos vimos e eu não iria contar o que houve por telefone.
Além do que, lá é local de trabalho e não de resolver problemas de namoro.
—Mas ele é seu noivo, filha!
—Namorado, mãe! Namorado!
—Pode ser.
Mas ele tem um compromisso com você e deveria dar alguma satisfação sobre o envolvimento dele com essa Cláudia.
—É mentira dela, mãe.
A dona Augusta, mãe do Rafael, deve tê-la mandado lá para irritar-me.
A senhora não sabe do que essa gente é capaz!
—Será, Daniela?
—Como SERÁ, mãe?
— Você não conhece a família desse moço!
Nunca foi na casa dele.
Não foi apresentada a ninguém da família!
Você já parou para pensar que o Rafael está livre e que, praticamente, não está preso a você?
—Mãe, por favor!...
—Será mesmo que esse moço não está enganando você?
—Namoramos há um ano!
—Isso não quer dizer nada.
Ele é rico, tem de tudo.
Por que precisa de você?
— O Rafael gosta de mim, mãe!
— Se gostasse mesmo, não teria vergonha de você e teria lhe apresentado para a família dele.
Não esperaria o pai descobrir sozinho.
Não deixaria você passar por toda essa humilhação.
Não precisa disso, Daniela.
Precisa sim é do emprego.
Fique com o emprego e afaste-se desse moço.
— Não me crie dúvidas, mãe.
O Rafael gosta de mim!
—"Gosta de mim!" -— imitou dona Antónia, zombando da filha sem perceber.
— Até quando? Ou melhor: o quanto ele gosta de você?
Gosta o suficiente para escondê-la de todos.
Sou madura e experiente!
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Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Mar 01, 2017 10:59 am

Ouça o que lhe digo:
esse moço está usando você!
Você vai perder o emprego, o namorado e ainda ficar em situação difícil!
Abra o olho, Daniela!
O Rafael está usando você!
Diga a verdade!
Ele encontrou uma moça pobre, sem pai que a defenda, sem muita instrução e sem experiência de vida.
Você é nova! E boba também!
O Rafael está usando você! Diga a verdade!
—Não, mãe -— respondeu, melancólica.
— O Rafael não está me usando. Por favor, não diga mais isso.
Aquela jovem não poderia se sentir mais triste.
Ela foi para o quarto, abriu O Evangelho Segundo o Espiritismo, leu um trecho do Capítulo "Bem-Aventurados os Aflitos", depois orou e sentiu-se fortalecida.
Entregou suas preocupações à Justiça Divina e procurou agir normalmente, pois sabia que a revolta, o rancor ou a tristeza não solucionariam problema algum.
Para distrair-se, ela foi brincar com Carlinhos que exigia atenção, abraçando-o, beijando-o cada vez que ele lhe dizia:
—A-mo-vos.
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Mar 01, 2017 10:59 am

14 - O SEQUESTRO

Dias depois, num sábado, bem no final da tarde, o senhor Paulo recebia em sua casa alguns outros directores e engenheiros com suas respectivas famílias.
A maioria se reunia em conversa animada, enquanto outros faziam pequenos grupos isolados.
Rafael deteve-se no alto da escada, surpreso.
Ele estava preparado para ir à casa de Daniela, pois havia marcado com a namorada.
Procurando por sua mãe, que veio a sua direcção, ele estranhou:
—O que está acontecendo?
—Seu pai decidiu receber.
—Mas hoje e nesse horário?!
—Venha! Venha cumprimentar os Andradas.
Dona Augusta procurou entreter o filho com os convidados.
Logo em seguida, ela procurou por Cláudia para que o envolvesse.
Cláudia, astuta, foi para perto de Rafael, atracando em seu braço e sorrindo prazerosamente, enquanto ele conversava com os convidados.
Daniela não havia contado a Rafael a agressão verbal e a humilhação que recebera de dona Augusta e de Cláudia.
Ele ignorava o facto completamente.
Talvez, por essa razão, não repelira Cláudia para longe de si e, para não ser indelicado, deixou-a com o braço entrelaçado ao seu.
Pensou em somente cumprimentar os conhecidos e depois ir embora.
A cada momento achegava-se perto de Rafael um conhecido que o envolvia em longa prosa.
Não encontrava um meio de se livrar dos diálogos, das perguntas e até mesmo de Cláudia, que não o largava.
O rapaz começou a se sentir inquieto, mas não tomava uma decisão precisa.
Logo o senhor Paulo entregou em sua mão um copo com uísque.
Rafael não queria aceitar, mas não teve coragem de recusar.
Sorria forçosamente para não ser deselegante e, sem saber o que fazer, passou a bebericar o copo que segurava.
Não demorou muito, outro copo de bebida cheio foi parar em sua mão, uma vez que o primeiro se esvaziara.
Atordoado pelo efeito do álcool, deixou-se levar pela falsa alegria, não se incomodando mais com o horário nem com o compromisso ao qual se havia proposto.
Com o avanço das horas, Rafael sentia-se completamente anestesiado pelo efeito da bebida ingerida, entregando-se a um aconchegante sofá, onde ria excessivamente com as piadas ouvidas no pequeno grupo que o rodeava.
Cláudia não desgrudou de seu braço por um só momento.
Passou a beijá-lo vez e outra, empenhando-se em pedir um copo cheio de uísque sempre que via o dele vazio.
Rafael estava consciente, mas não conseguia reagir e deixou que tudo acontecesse normalmente.
O senhor Rodolfo pai de Cláudia, batia amigavelmente no ombro de Rafael, incentivando-o.
Bem mais tarde, Cláudia, demonstrando-se muito dengosa, convenceu Rafael a acompanhá-la.
Ele não sabia dizer como, porém na manhã seguinte acordou em uma cama de casal num apart-hotel.
Ainda tonto, abriu os olhos e não reconheceu o local.
Estava deitado em uma cama confortável onde lençóis acetinados se retorciam.
— Como estou mal! Meu Deus!
Onde estou? Como vim parar aqui?!
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Mar 01, 2017 10:59 am

Um barulho vindo da toalete chamou-lhe a atenção e ele perguntou:
— Quem está aí?
E, para sua surpresa, Cláudia respondeu:
— Sou eu, amor!
Rafael ficou perplexo, empalideceu e se sentiu ainda pior.
—O que aconteceu?! -— indagou irritado.
—Como "o que aconteceu"?!
Rafael procurou suas roupas e vestiu-as sem demora.
—Que lugar é este? Onde estou?!
—É um apart-hotel. É de uma amiga minha.
—Você é louca! —- exclamou irritado, buscando em volta de si algo que lhe pertencesse e, ao ver suas chaves, apanhou-as rapidamente saindo às pressas sem dizer nada.
Ele mal conseguia dirigir, tamanho nervosismo.
— Droga! - gritou, nervoso, esmurrando o volante de seu carro. —
Aquela louca.
Eu a mato! Juro que a mato!
Chegando a sua casa ofegante, entrou em seu quarto e foi tomar um banho para tentar acordar daquele pesadelo.
Ao sair do banheiro, surpreendeu-se com Cláudia em pé no meio do seu quarto.
—O que você faz aqui?! -— gritou ele.
— Saia deste quarto! Suma da minha frente!
—Agora você quer que eu suma?!
Foi você quem me convidou para passarmos a noite juntos!
—Mentira sua!
Eu não me lembro de nada!
—Vai dizer que sofreu uma amnésia alcoólica?!
Rafael, meu amor...
—Não me toque! -— exigiu ele.
— Eu não me lembro de nada.
Não sei o que aconteceu.
Não estava responsável pelos meus actos.
—Mas eu me lembro, e muito bem! - retrucava Cláudia, mimosa, deitando-se na cama de Rafael.
—Levante-se daí. Vá embora!
—O que você pensa que vai fazer?
Usar-me e jogar fora?!
—Saia deste quarto!
Eu a odeio, Cláudia!
Suma da minha frente!
—Não mesmo! Primeiro vai me ouvir.
Quando foi que você passou uma noite tão agradável com a tal Daniela?
Pegando-a, com firmeza pelo braço, tentou tirá-la de seu quarto à força e só parou diante da ameaça:
— Se você me colocar para fora deste quarto, eu vou gritar como nunca viu antes e contarei para todos o que aconteceu!
Rafael a largou.
Andou de um lado para outro procurando uma camisa para vestir e sapatos para calçar.
Vendo que ele sairia assim que se arrumasse, Cláudia não perdeu tempo:
—Você está sendo usado por essa menininha, Rafael!
Ela o engana e você nem desconfia.
—Não tente esse truque.
Isso já é muito velho -— respondeu ele, enquanto se arrumava.
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Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Mar 01, 2017 11:00 am

—Pois bem. Já que você insiste, vou dizer:
a Daniela ANDA com a Sueli.
— Não seja cretina, Cláudia!
— Todos lá dentro daquela empresa sabem que a Sueli é chegada a uma mulher.
Não se deixe convencer pela sua beleza, bom gosto ou trajes femininos.
Diante do silêncio de Rafael, ela continuou:
— Só você não enxerga, seu trouxa!
Analise se vem recebendo todo o carinho feminino dessa turmazinha?
Ela é realmente sua mulher ou está trocando você por outra?
É tão fácil enganá-lo.
Você é tão ingénuo...
Por um segundo, Rafael lembrou-se de que nunca havia desconfiado de Caio.
Isso talvez demonstrasse sua ingenuidade.
Não suportando mais ouvir tudo aquilo, segurou Cláudia pelos braços, apertando-os, e, irritado, exigiu com voz Pausada entre os dentes cerrados:
— Cale a boca!
Você não imagina do que eu sou capaz!
Largando-a com um leve empurrão, Rafael a deixou só.
A caminho da casa de Daniela, seus pensamentos o deixavam densamente nervoso.
Rafael ainda se sentia tonto e não havia se alimentado bem desde a tarde anterior.
— "O que aconteceu?" -— perguntava-se ele.
— "Como pude ir parar naquele local sem me lembrar de nada?
O que aconteceu entre mim e a Cláudia, realmente?
Aquela irresponsável! Será?... e ainda tentou difamar a Dani. Cretina!"
Ao chegar à casa de Daniela, dona Antónia informou:
— A Dani foi até a casa de uma colega do serviço.
Uma que está com sarampo.
—Ah, sim! É a Sueli, secretária do meu pai.
—O que aconteceu, filho?
Rafael sentiu-se embaraçar.
Ele possuía a nítida impressão de estar estampado em seu rosto o ocorrido com a Cláudia.
Achava-se traidor.
Mesmo assim, afirmou.
—Nada. Está tudo bem.
—A minha filha ficou esperando você ontem até bem tarde.
—Não tive como avisá-la.
Meu pai marcou uma recepção com amigos dele e acabou por me envolver como anfitrião também.
—A Dani ficou triste.
Vocês quase não se falaram a semana toda e ela está sendo muito maltratada lá no serviço.
—Eu estou cuidando disso, dona Antónia.
—Como?
— Estou tentando arrumar um outro emprego para a Daniela e para mim também.
— Mas a Dani está bem lá!
— Não entendi, dona Antónia!
A senhora acabou de dizer que ela está sendo maltratada.
—Sim, mas...
—Mas?... -— perguntou ele diante da indecisão de dona Antónia.
—Sabe, filho, acho que a minha Dani não necessitava passar por tudo isso.
Ela é moça, bonita e...
—Não estou entendendo, dona Antónia.
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Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Mar 01, 2017 11:00 am

— Acho que não está levando a sério seu namoro com a minha filha.
Você não assumiu seu namoro com a Daniela, escondendo-a de sua família.
Até apareceu uma outra moça lá na empresa, chamada Cláudia, dizendo que era sua noiva.
Não estou gostando disso.
—Eu nunca tive nenhuma noiva.
Se alguém disse isso, é mentira.
Não tenho nada com a Cláudia e não estou escondendo a Daniela da minha família.
Tanto é que meu irmão sabe do nosso namoro desde o princípio.
Só não avisei meus pais porque não houve oportunidade.
—Em um ano, meu filho, você não achou oportunidade para dizer aos seus pais que está namorando?
E essa moça, a Cláudia, será que sabe que você está dizendo que não tem compromisso nenhum com ela?
Rafael sentiu-se esfriar.
Começou a admitir que, realmente, retardou muito a assumir seu namoro.
Já deveria ter mencionado sobre a Cláudia para sua namorada, pois, imprevisível e irresponsável como era, ele deveria deduzir que ela poderia provocar Daniela a qualquer momento.
Constrangido, Rafael aceitou:
— A senhora tem razão.
Eu deveria ser mais decidido.
Vou procurar a DANI e conversaremos.
-Rafael! -— chamou-lhe dona Antónia, quando o viu virar as costas.
Vendo-o atender ao chamado, a mulher completou:
—Não engane minha filha.
Daniela é tudo que tenho, ou melhor, é tudo o que eu e o Carlinhos temos.
—Eu gosto muito da Dani.
Não vou decepcioná-la.
Estou indo para a casa da Sueli agora mesmo.
Rafael estava imensamente nervoso.
Durante o trajecto, ele não conseguia organizar seus pensamentos.
Sentia-se enjoado em lembrar que poderia ter havido algo entre ele e a Cláudia.
Essa ideia o repugnava.
Preocupava-se muito com Daniela.
O que ela pensaria?
Faltou ao encontro sem lhe dar satisfação.
O que falaria sobre a Cláudia?
Não! Jamais Daniela deveria suspeitar de alguma coisa entre eles, depois que começaram namorar.
Mas e a Cláudia?
Com certeza não perderia a oportunidade de dizer o ocorrido, à maneira dela, para sua namorada.
Ele não poderia dizer que acordou em um apartamento com a Cláudia e afirmar que não sabia como foi parar lá nem o que houve.
Daniela não acreditaria.
Era muito compreensiva, porém...
Chegando ao seu destino, Rafael interrompeu seus pensamentos diante do convite.
—Vamos, entre!
A Sueli está acamada -— dizia a mãe da enferma. —
Sua amiga Daniela está lá dentro com minha filha.
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Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Mar 01, 2017 11:00 am

—Daniela é minha namorada.
Fui até sua casa e a mãe dela me disse que estava aqui.
A mulher sorriu e indicou ao chegarem no corredor:
_ O quarto é aquele último ali. Dê-me licença.
Estou fazendo o almoço, não posso me descuidar!
— Obrigado.
Ao chegar frente à porta, deparou-se com a seguinte cena:
Sueli, sentada em sua cama com as pernas estendidas recostada em um amontoado de almofadas, e Daniela sentada na beirada da mesma cama, encostava-se no peito da amiga, que afagava-lhe os cabelos.
— O que está acontecendo? -— perguntou Rafael, de modo estranho.
Daniela, inocente, virou-se e, mesmo com os olhos enrubescidos pelo choro, sorriu ao ver Rafael.
Sueli, mais astuta, ficou na expectativa.
— Rafael! -— exclamou Daniela, indo a seu encontro.
— Olá, Sueli -— cumprimentou ele friamente e com certa desconfiança.
— Entra — convidou Sueli, sorrindo de modo diferente.
—Não, obrigado.
Vim aqui só para pegar a Dani —- explicou, muito sério e pouco amigável, perguntando em seguida:
— Você está bem?
—É terrível contrair sarampo nesta idade.
Mas o que podemos fazer?
Rafael não deu atenção aos comentários da moça. Estava nervoso.
Lembrou-se de ter ouvido boatos quanto às tendências sexuais de Sueli.
Agora, com os comentários perniciosos de Cláudia, somados à cena que flagrou, começou a ficar confuso.
Achava Daniela uma garota muito DIFÍCIL, ou seria uma táctica para envolvê-lo?
Afinal, passou a acreditar na sua própria ingenuidade de não notar as coisas como são.
Ele se enganou muito com Caio.
Nunca percebeu nada.
—Vamos, sente-se, Rafael! -— indicou Sueli, chamando-o de volta para a realidade.
—Não. Eu já vou indo -— respondeu, friamente, demonstrando nítido descontentamento.
—Nem chegou, já está indo?! Para que tanta pressa? — reclamou Sueli.
—Desculpe-me, mas realmente preciso ir.
Tenho algo muito importante para resolver ainda hoje.
Virando-se para Daniela, perguntou ostentando um semblante sério:
— Você vem comigo?
Daniela não entendia tamanha seriedade e frieza por parte de Rafael, porém, mesmo confusa, confirmou:
— Sim, claro que irei.
Depois de se despedirem de Sueli, ao saírem do quarto, encontraram-se com a mãe dela no corredor.
— Fiquem para almoçar! -— convidou a mulher.
— Não, obrigado.
Fiz uma reserva para mim e a Dani e não quero desmarcar.
É um restaurante conhecido ao qual vamos sempre, é...
Depois de dar algumas desculpas, livrou-se do convite. Já no carro...
—Você ficou tão estranho...
O que houve?
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Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Mar 01, 2017 11:00 am

—Nada.
Rafael ficou em silêncio e muito sério.
Daniela, por sua vez, mesmo não sabendo o que acontecia, respeitou-o.
Os pensamentos do rapaz fizeram-se confusos com a cena presenciada no quarto da Sueli.
Por outro lado, sentia-se culpado pelo que ocorrera na noite passada e teria, de alguma forma, de contar-lhe o facto.
Quase no final da tarde, depois que eles almoçaram, em um restaurante aconchegante e requintado, ficaram parados à mesa sem dizerem nada.
Daniela, não suportando mais o silêncio e a seriedade, perguntou amável, tentando ajudá-lo:
— O que houve, Rafael?
Ele não disse nada. Não sabia dizer.
Por isso pediu:
—Vamos sair daqui?
—Vamos.
Dando algumas voltas, sem destino, Rafael resolveu parar o carro em uma alameda, praticamente deserta.
A noite chegou rapidamente e eles quase não observaram esse detalhe.
Ainda sério, Rafael decidiu conversar:
— Sua mãe está contra o nosso namoro?
—Não. Ela está preocupada comigo.
Tem medo que eu fira meus sentimentos.
—Conversei um pouco com ela, que me passou essa preocupação.
— E seus pais, como estão?
— Com eles não há jeito.
Podemos esquecer e... se quisermos, podemos pensar só em nós.
— Você está tão amargo.
Ele suspirou profundamente, procurando relaxar.
Passou as mãos pelos cabelos, procurando alinhá-los com os dedos, enquanto se olhava no espelho retrovisor interno do carro.
Daniela aproximou-se, fazendo-lhe um afago no rosto.
Aproveitando o carinho, ele a tomou em seus braços.
Depois de trocarem beijos, abraçou-a de forma mais ousada.
— Não! -— retribuiu Daniela bruscamente, afastando-o.
Sem largá-la, Rafael insistiu:
— O que é isso? -— disse ele carinhosamente, afagando-a.
— Eu a amo, Dani...
Interrompendo o beijo, retorcendo-se e empurrando-o com mais força, Daniela alterou-se:
—Eu disse não!
O que há com você?!
Eu não o estou reconhecendo.
—Por que você reage assim, Dani?
Sou eu quem devo perguntar:
o que está havendo? -— ressaltou ele, com baixo volume na voz, modos carinhosos, mas convicto, pretendendo testá-la.
Daniela ficou ofegante e irritada.
Sem olhá-lo pediu:
— Leve-me para casa.
— Por quê? — indagou ele, olhando-a com firmeza.
— Quero ir embora. Você não me achou aqui na rua.
Deixe-me em casa — respondeu ela, nervosa.
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Mar 01, 2017 11:00 am

— Por que, Dani, por que reage assim?
— Você está diferente —- respondeu, quase chorando.
— Você não é assim!
Leve-me pra casa. Por favor!
Recompondo-se e tomando melhor posição no banco, Rafael, fixando seu olhar de modo indefinido na bela jovem, pediu mais calmo:
—Agora vamos conversar.
Por que você diz que eu estou diferente?
—Você não é assim... -— respondeu, com a voz embargada e aparando as lágrimas com as mãos.
—Assim como?!
—Você sempre me respeitou -— erguendo a cabeça e olhando-o melancólica, perguntou entristecida e indignada:
— Rafael, você sempre respeitou meus limites.
Por que isso agora?
—Você não me ama, Dani? -— perguntou com certa inflexão de voz, tentando seduzi-la.
—Eu o amo sim.
Mas isso nada tem a ver com amor.
—Namoramos há um ano e você sempre me barra. Por quê?
—Porque eu não quero.
—Por que você não me quer?
—Mas por que isso agora, Rafael?
O que lhe deu?
Decidiu não respeitar mais a minha vontade?
—Eu a quero, Dani.
—Eu já disse: não me sinto preparada!
Por favor... já falamos sobre isso.
—Vamos a um lugar mais tranquilo? -— convidou ele.
—Não! -— gritou Daniela, alterando-se.
—Você não me prefere?
Posso ser melhor do que tudo o que você conheceu.
Olhou-o firme, criou forças e falou convicta:
— Não entendi direito o que você quis dizer, mas nunca tive outro namorado e...
Não deixando que terminasse, abraçou-a tentando beijá-la quando, rapidamente, Daniela o empurrou agressiva, destravou a porta e saiu do veículo, caminhando apressadamente pela calçada.
Nesse momento, Rafael pareceu ter caído em si.
Esmurrou o volante e reclamou:
— Droga! O que estou fazendo?!
Em seguida, saiu do carro, correndo atrás de Daniela que, chorando, não parou de caminhar apressada nem olhou para trás quando ele a chamou.
Alcançando-a, Rafael a segurou pelo braço e pediu:
—Dani, não faça cena.
Ela pareceu não ouvi-lo e ele insistiu:
— Venha, vamos para o carro.
Conversaremos lá -— implorou ele, arrependido, colocando-se em sua frente para fazê-la parar.
Olha, eu não queria fazer nada disso.
É que... sabe... a Sueli...
Eu não gostei de vê-las abraçadas. Pensei...
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Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Mar 01, 2017 11:01 am

Daniela parou e esclareceu sentida:
— Eu não entendi nada do que está querendo dizer sobre a Sueli.
Isso nada tem a ver connosco, agora.
Depois de breve pausa, ela prosseguiu magoada:
— Como você acha que estou me sentindo?
Eu não consegui falar com você a semana inteira.
Minha mãe não está contente com o nosso namoro e vive me envenenando as ideias.
Tenho uma série de problemas em casa.
Sou humilhada, espezinhada num emprego que não posso deixar agora pelas condições financeiras da minha família e até pela saúde do meu irmão, que está muito abalada.
Estou sobrecarregada, Rafael!
Até por você que não apareceu ontem nem deu notícias.
Ligo pro celular, deixo recado e não obtenho resposta.
Como você acha que estão meus pensamentos?!
— O que você estava fazendo lá com a Sueli?
— O que me restou fazer!
Fui visitar minha amiga, já que você não aparecia.
Você sabe que converso muito com a Sueli.
Eu estava desabafando com ela!
Não aguento mais!
Não tenho com quem falar, Rafael!
Agora, até com isso você implica?! -— dizia ela, enquanto as lágrimas caíam copiosamente.
— Gostaria de poder conversar com você, mas, pelo que vejo agora, não há como, não é?
Como posso confiar em você depois do que aconteceu há pouco?
Você diz que me ama, mas não me respeita!
Veja como você agiu!
Isso não é amor!
Desabafou Daniela chorando e quase aos gritos.
Rafael a abraçou comovido e, com ternura, pediu-lhe desculpas:
— Por favor, Dani, perdoe-me. Por favor!
Recostando o belo rosto de sua namorada em seu peito, ele afagou-lhe os cabelos com carinho e secou-lhe as lágrimas.
Curvando-se um pouco e segurando-lhe o queixo, ele pediu com ternura:
— Vamos para o carro?
Está frio. Perdoe-me, Dani.
—Somente se você levar-me para casa -— intimou ela, com certa mágoa.
—Dani, na sua casa não temos condições de conversar.
Sua mãe sempre está perto e o Carlinhos não nos deixa, entende? -— explicou ele brandamente, procurando não magoá-la mais.
— Vamos conversar no carro.
Eu preciso muito ficar com você, falar com você...
Estou tão confuso.
Por favor, Dani.
Daniela, retribuindo ao abraço, chorava muito.
A noite já se fazia presente e a iluminação da alameda era prejudicada pelas copas das árvores frondosas.
Rafael conduziu-a até o veículo que ficou estacionado a poucos metros deles.
Enquanto ele abria a porta do carro, do lado do passageiro para que Daniela entrasse, ela perguntou:
— Aonde vamos?
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Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Mar 01, 2017 11:01 am

Antes que ele respondesse, surgiram dois rapazes armados com revólveres, de trás de uma árvore, onde, em frente estava o carro de Rafael.
Um deles disse maldosamente e com ironia:
— Vamos para minha casa, querida!
Quando Rafael pensou em reagir, eles exibiram as armas, intimidando-o.
Um veículo, sem placas, em mau estado de conservação, parou ao lado do carro de Rafael.
Os rapazes os forçaram a entrar nesse carro.
Colocaram Daniela sentada na frente com o condutor de um lado e um dos homens do outro.
No banco de trás, Rafael, ameaçado, também tinha um de cada lado.
Depois que os obrigaram a colocar vendas nos olhos, partiram com rumo ignorado..
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Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Mar 01, 2017 11:01 am

15 - MOMENTOS DE ANGÚSTIA

Na manhã que seguia, enquanto todos na casa do senhor Paulo faziam o desjejum, Adelaide os interrompe:
— Senhor Paulo, telefone pro senhor.
—Se for o Rodolfo, diga que conversaremos no escritório.
Já estou indo!
—Não senhor. Não é o senhor Rodolfo.
Disseram que é urgente e é sobre o seu Rafael.
O senhor Paulo inquietou-se e com um gesto de mão, solicitou o aparelho telefónico.
— Alô!
Era a informação de que Rafael e sua namorada eram reféns e a solicitação de um alto valor em dinheiro, como resgate, para libertá-los.
Desligaram em seguida sem mais informações.
Após desligar o telefone, o senhor Paulo gritou nervoso e irritado, desferindo um soco sobre a mesa, que fez as porcelanas se deslocarem, produzindo súbito barulho:
—Onde está o Rafael?!
—Credo, Paulo! -— reclamou dona Augusta.
— Que susto!
A empregada, prontificando-se, respondeu:
— Ele não dormiu em casa, senhor Paulo.
Sem mais explicações e muito preocupado, o senhor
Paulo não esperou e subiu rapidamente para o quarto do filho examinando-o.
Diante da ausência de Rafael, procurou por Caio que se arrumava para ir trabalhar.
— Caio, você sabe do Rafael?!
— Não. Não o vejo desde sábado.
Por quê?
— Sabe onde mora essa moça... a Daniela?
— Sei sim. Por quê?
O que houve, pai?
— Recebi uma ligação...
O senhor Paulo sentiu-se tonto e cambaleou.
Caio segurou-o pelo braço, conduzindo-o até uma poltrona e perguntou:
— Pai, o que houve?
—... acho que estão brincando -— murmurou aflito, com a voz estremecida pelo medo, não querendo acreditar no ocorrido.
— Pai, por favor, seja claro!
Sentindo-se muito mal, o senhor Paulo relatou pausadamente:
— Recebi uma ligação informando que o Rafael e a namorada foram sequestrados.
Exigiram um alto valor como resgate...
Pediram para eu preparar o dinheiro e mais outras séries de exigências...
Disseram que vão telefonar mais tarde.
Caio não sabia o que dizer.
Imediatamente, pensou nas ameaças que vinha recebendo dos traficantes Biló e Carioca.
Timidamente salientou:
— Precisamos ter certeza primeiro...
—Seu irmão não dormiu em casa.
Ele não costuma fazer isso sem antes avisar, pelo menos, as empregadas.
—O senhor já perguntou para a Maria se ele não a avisou?
— Chame-a aqui, por favor -— pediu, mais humilde.
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Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Mar 02, 2017 11:12 am

Com a solicitação da presença de Maria ao quarto de Caio para conversar com o senhor Paulo, dona Augusta, curiosa, interessou-se:
—Não senhor.
O Rafael não avisou nada -— explicava a empregada, detalhando:
— Eu sei que, do sábado para o domingo, também não dormiu aqui.
Mas no domingo cedinho ele chegou, arrumou-se e saiu de novo.
—Não falou aonde ia ou comentou... sei lá... alguma coisa que nos possa dar uma pista para sabermos onde foi? -— perguntou o pai, quase desesperado.
—Domingo cedo, ele entrou muito rápido.
Subiu a escada a cada dois degraus.
Não pediu café ou suco.
Aliás, ele nem me viu!
Passados alguns minutos, a dona Cláudia chegou e subiu lá pro quarto dele.
Eu estava recolhendo alguns copos e outras coisas que ficaram espalhadas até no corredor daqui de cima por causa da recepção.
Quando passei próximo da porta do quarto do seu Rafael, ouvi ele gritando com a dona Cláudia, mandando ela sair do quarto.
Depois, por algum tempo, eles conversaram mais baixo.
Em seguida, o Rafael saiu nervoso deixando ela sozinha em seu quarto.
Nem olhou para mim e foi embora.
Não telefonou, nem nada.
—Não vejo motivos para preocupação, Paulo! -— interferiu dona Augusta com seu cachorro poodle no colo, ignorando completamente o ocorrido.
— Ele deve ir directo para o trabalho.
Não se irrite por isso.
— O Rafael foi sequestrado!
Acabei de receber um pedido de resgate.
Dona Augusta se sentiu mal e foi amparada por Maria e pelo filho, que a colocaram deitada semiconsciente sobre a cama.
Seu esposo pouco se importou com ela e ia saindo do quarto quando retornou intimando:
—Que essa notícia não saia desta casa.
Não atendam os telefones.
Deixem que toquem.
—O que o senhor vai fazer, pai?
—Ligar para o chefe dos meus seguranças e pedir orientação.
—Vai chamar a polícia? -— perguntou Caio.
—Não! -— retornou ele, veemente.
— Ninguém faça nada sem antes falar comigo.
Estarei lá embaixo no escritório.
Depois de inúmeras ligações, o senhor Paulo não havia decidido nada.
Caio, temeroso e inquieto, demonstrando nítido nervosismo com a fricção das mãos, decidiu ir falar com ele.
—Alguma notícia ou orientação, pai?
—Não. Quero dizer, não exactamente.
Ninguém deve sair de casa sem antes falar comigo e nenhum telefonema deve ser feito ou atendido.
—Por que não atendermos aos telefonemas?
—Já avisaram sobre o sequestro.
Pediram o resgate e estipularam o valor, mas não disseram quando e onde entregar o dinheiro.
Se bem que um valor como esse não se tem mãos em tão pouco tempo, porém, se não atendermos aos chamados telefónicos, não saberemos das demais exigências ou o prazo de entrega.
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Ave sem Ninho

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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Mar 02, 2017 11:12 am

Assim sendo, ganharemos tempo para pensarmos e agirmos.
Especialistas estão vindo para cá com localizador de chamadas telefónicas, gravadores e demais apetrechos necessários.
— A polícia foi accionada?
— Por enquanto não.
Vou me aconselhar primeiro com o pessoal de minha confiança.
Quero saber onde mora essa namorada do Rafael.
Preciso de informações quanto aos parentes, irmãos e amigos dessa moça.
Enquanto isso, dona Antónia desesperava-se pela ausência da filha, que não lhe dera notícias.
Daniela sempre avisava aonde ia.
Ela nunca havia passado uma noite fora.
Depois de ligar para o serviço da filha, dona Antónia ficou ainda mais aflita.
Ninguém sabia informar sobre Daniela, Rafael seu irmão ou seu pai.
Uma vizinha de dona Antónia procurava consolá-la.
—"Filho criado, trabalho dobrado!"
Antónia, não fique assim, daqui a pouco ela aparece com a carinha mais lavada do mundo.
—Estou com um pressentimento horrível, Glória.
Daniela não é assim.
—Quando começam a namorar, essas jovens nos escapam ao controle.
Não obedecem mais, achando que são donas do próprio nariz, mas vivem embaixo do nosso tecto.
— Não a minha Dani— - lamentava a mãe sem consolo.
Horas depois...
— Senhor Paulo —- dizia um investigador particular e chefe da equipe de segurança —- o carro do seu filho foi encontrado por uma patrulha da polícia.
O veículo fora estacionado devidamente, mas a porta do lado do passageiro estava totalmente aberta, o que chamou a atenção dos policiais.
Um carro importado, em óptimo estado, com a porta aberta e sem ninguém por perto é estranho.
Dentro do automóvel foi encontrado o telefone celular do Rafael, os documentos do veículo e um suéter feminino.
Não foi indicado nenhum sinal de possível violência no interior do automóvel.
Não houve nenhuma colisão, defeito mecânico aparente ou riscos na pintura do veículo, bem como o alarme estava desligado.
Não foi encontrado, no local, o controle remoto que o acciona, o que indica possa ter havido abordagem quando Rafael estaria abrindo a porta para a namorada entrar.
As chaves do veículo também não foram encontradas.
O senhor Paulo não disse nada.
Seu coração apertava, enquanto seu olhar indefinido buscava, através da vidraça que exibia um belo jardim, uma resposta que o aliviasse.
— Senhor Paulo! -— chamou-lhe o segurança, vendo-o distante. —
Creio que devemos accionar a polícia agora.
Acredito que são profissionais e não podemos colocar a vida dele em risco.
Indo para trás de sua mesa, pegou um cartão de visita o estendeu dizendo:
— Chame esse delegado.
Eu o conheço. Ele é muito bom.
Em circunstância alguma a imprensa deve ser avisada.
Lembre se disso!
Quero os repórteres e jornalistas bem longe! -— ordenou ele, firme.
Quase no início da noite, um grande sistema de operação havia sido montado por policiais, investigadores e grupo especialista em sequestro.
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Mar 02, 2017 11:12 am

Dona Antónia havia sido levada até a casa do senhor Paulo.
—Foi como eu já contei -— explicava a mulher, humilde e nervosa.
— O Rafael não foi lá no sábado e apareceu só no domingo na hora do almoço.
A Dani não estava.
Eu conversei com ele que decidiu ir buscá-la na casa da amiga.
Depois disso, nenhum dos dois apareceu.
—A amiga da moça confirma —- disse um dos investigadores. —
Rafael pegou Daniela em sua casa e disse que teria algo importante para resolver ainda naquela tarde.
Acabada essa, não temos mais pistas.
Todas as informações possíveis sobre Daniela foram solicitadas à sua mãe que, muito nervosa, depois de fornecer todos os dados, foi levada novamente para sua casa.
O senhor Paulo pediu ao chefe da segurança que designasse alguém para ficar frente à casa de dona Antónia.
Não para a protecção da mulher ou do filho, mas para recolher qualquer notícia que pudesse ajudar as investigações.
— Entra, moço! -— convidou dona Antónia, humilde, ao chegarem frente à sua modesta casa.
— Muito obrigado, mas ficarei aqui fora.
É meu serviço, senhora.
Não se preocupe, senhora.
Tenha uma boa noite - respondeu o segurança.
—Está frio.
O senhor aceita um café ou um chá?
—Agradeço, senhora.
Não se preocupe -— tornou ele gentil e até comovido por não estar acostumado a tratamentos especiais por parte de pessoas para as quais trabalhava.
—Qualquer coisa pode chamar.
Não se acanhe, podemos ser gente simples, mas nunca sairá da minha casa sem um café ou mesmo atenção e gentileza como aconteceu comigo hoje.
O senhor viu?
Não me trataram como gente.
Nem respeitaram minha dor de mãe.
Eles foram tão frios!
O homem sorriu e nada disse.
Não poderia se comprometer com qualquer comentário.
Mesmo diante do pedido de sigilo, dona Antónia desabafou com a vizinha sobre o ocorrido.
—... é por isso, Glória, que tem esse carro parado aí desde ontem à noite.
—Antónia do céu!
Nem dá pra gente acreditar —- admirava-se a vizinha abismada.
— Mais alguém sabe?
—Não. Eles pediram para eu não contar para ninguém. —
respondeu Dona Antónia, que caindo em choro lastimoso, murmurou:
— Já perdi uma, agora vou perder a outra também...
—Não chora, Antónia.
Daqui a pouco ela estará aqui.
Vai dar tudo certo -— depois de breve pausa...
— Sabe, eu acho é que você tem que tomar uns passes.
Se cuidar, né?
Porque... tá louco, quando não é uma coisa, é outra.
Você sabe, a gente precisa de protecção espiritual.
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Mar 02, 2017 11:12 am

—A gente frequenta o centro espírita.
Assistimos a palestras evangélicas, fazemos o Evangelho no Lar, estudamos nas escolas...
— Mas, Antónia, às vezes isso não é o suficiente.
Quem sabe um centro melhor?
_ Melhor?!
— É! Eu conheço um que é óptimo.
Dona Antónia, em vez de explicar, gentilmente, tudo o que conhecia sobre a Doutrina Espírita, ficou ouvindo as indicações da vizinha, deixando-se envolver pelo erro das impressões primeiras as quais aparentam coisas boas, onde o oculto se esconde com outra realidade, pois o misticismo é a fé cega a que entregamos as decisões de nossas vidas à vontade dos outros, não se importando em saber se gostamos ou não, tirando-nos o direito de agir e colocando-nos em dificuldade.
Com o passar dos dias, a inquietude e o nervosismo era geral.
Não houve notícia ou manifestação por parte dos sequestradores.
Caio entrava em desespero e depressão.
Drogava-se para alienar o drama.
Guardava informações que poderiam auxiliar nas buscas e no resgate de seu irmão, mas não as revelava para sua própria segurança.
Sentia-se um covarde.
O senhor Paulo vociferava:
—Não é possível! Nenhuma pista!
Nenhuma informação ou telefonema! Nada!
—E uma acção típica para... -— tentavam argumentar os especialistas sem êxito.
—Absurdo! Isso é incompetência! -— criticava o pai, aflito em crise de nervos.
Era compreensível seu estado.
Não vendo alternativa, o senhor Paulo recolheu-se para seu quarto.
Enquanto isso, no plano espiritual, Lucas e Durval conversavam:
— Nem mesmo uma situação difícil como essa faz Paulo pensar em Deus e orar para Ele -— lamentou Lucas.
— É tão difícil envolvê-lo.
Durval, muito observador, explicou:
— A cada nova reencarnação a inteligência do homem se torna mais desenvolvida e ele entende melhor o que é bem e mal.
Eis aí a justiça de Deus.
Se tivéssemos de nos aperfeiçoar em uma só existência, "qual seria a sorte de tantos milhões de seres que morrem diariamente no embrutecimento da selvageria ou nas trevas da ignorância, sem que deles dependa o próprio esclarecimento?"
Assim nos ensinam as perguntas de 171 a 222 em O LIVRO DOS ESPÍRITOS.
A reencarnação visa à expiação, ao melhoramento progressivo da humanidade.
Aqueles que se educam e avançam rapidamente, poupam-se das provas.
As pessoas sempre se esquecem de que reencarnam predispostas a mudanças para evoluir.
Aqui reencarnadas se deixam enganar pelos falsos prazeres temporários que vão ficar neste mundo depois de partirem para a verdadeira vida em espírito.
Em vez de espiritualizarem a matéria corpórea, educando seus actos morais, evitando vícios e costumes perniciosos a quem quer que seja, elevarem os pensamentos em prece para cultivarem forças renovadoras, praticarem caridade e vigiarem, preferem se enganar nos prazeres terrenos e temporários como se quisessem materializar o espírito, deixando seu perispírito, envoltório do espírito, denso e comprometido.
— Paulo nega-se a acreditar na vida espiritual, permitindo que o materialismo ocupe o lugar mais importante em sua consciência, esquecendo-se da lei de Deus -— completou Lucas.
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Mar 02, 2017 11:13 am

— É lamentável vê-lo desperdiçar essa oportunidade.
Contudo alegremo-nos pela reencarnação bendita que não nos condena às trevas da ignorância ou à selvageria embrutecida, conforme você bem lembrou.
Como espíritos criados para a eternidade, teremos quantas encarnações forem necessárias para aprendermos, corrigirmos e evoluirmos, pois nossa meta é a verdadeira felicidade e pureza em espírito e não em matéria.
A matéria sempre muda, transforma-se.
Enquanto o espírito se purifica, buscando a origem.
A Lei de Deus, Lei natural ou Divina está escrita na consciência da criatura.
Por essa razão, sabemos que Deus não castiga, não nos pune, e sim nossa própria consciência é que nos cobra, acusa-nos e, um dia, cedo ou tarde, ela nos fará corrigir tudo o que tenhamos feito de errado.
Quantos de nós, quando passamos por situações extremamente difíceis, desastrosas, que julgamos irremediáveis, já perguntamos "Por que sofremos?", e, certamente, supomos ser injustiça a aflição experimentada.
Chegamos a culpar Deus, acreditando na sua injustiça e ingratidão.
Na verdade, o erro maior está em nós, pois nos negamos a crer que, em existências anteriores, possamos ter provocado o mesmo prejuízo a outro propondo-nos, na presente encarnação, de forma inconsciente, a sofrer os prejuízos que proporcionamos, a auxiliar o irmão que lesamos ou até, por força de vontade, candidatamo-nos a ajudar aqueles os quais tenham nos prejudicado.
Esse é o verdadeiro perdão e a máxima da resignação.
No entanto, muitos de nós, em vez de aproveitar a experiência sofrida para se reerguer e trabalhar em favor de si mesmo e dos outros, deixa a experiência abatê-lo e coloca-se na posição de vítima, que, com toda certeza, não é.
—Devemos ter resignação, fé em Deus e boa vontade para prosseguirmos porque nenhuma situação jamais mudará por força das nossas reclamações -— completou Durval.
—Um exemplo maravilhoso que temos do auxílio com o perdão é o da jovem Daniela.
—Sim, Lucas.
Daniela é um espírito nobre em resignação, amor e perdão.
Solicitou vir em apoio da mãe e das irmãs, mesma diante de todos os enganos do passado, além do trabalho maravilhoso que projectou para a futuro.
A propósito, vamos vê-los?
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