LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Mar 05, 2017 10:37 am

—Você pensa que é dona da verdade, Daniela?! -— reclamou a mãe, reagindo com agressividade.
— Você pensa que sabe tudo?!
Um dia você ainda sentirá a dor de perder alguém que você ama!
Aí eu quero ver se você não vai se desesperar também!
Às vezes, eu acho que sofreria menos se você tivesse ido no lugar da Denise.
Daniela ficou perplexa, não acreditou no que ouvia, sentindo-se muito mal, porém compreendeu sua mãe e decidiu não dizer mais nada.
Na espiritualidade, Denise banhava-se em lágrimas e torturas íntimas, atirada aos pés de sua progenitora, que colocou-se a chorar em gemidos angustiosos e desagradáveis.
Daniela saiu do quarto e foi para a cozinha.
Depois de chorar muito, colocou-se em prece.
Ela estava magoada.
Não foi fácil harmonizar-se diante de tanta tensão, mas sua perseverança a fez alcançar a paz.
Seus verdadeiros amigos espirituais não podiam ser vistos por aqueles espíritos que agitavam os sentimentos entre ela e sua mãe.
Fabiana, sua mentora, envolveu-a com fluidos calmantes salutares, enquanto Durval, que fora seu pai quando enfado, sugeria atitudes de resignação e fé.
— Daniela —- inspirava Durval —- sempre lhe alerte sobre o facto de que só sabemos se estamos harmonizados evoluídos nos momentos de provas.
Sua força de vontade seu amor e sua fé, a farão superar todos os obstáculos e a solucionar todos os desafios, que serão minúsculos, diante de sua determinação ao bem, isto é, se você permanecer no controle das emoções, filha.
Porém procure ter piedade na colocação do que é correto, a fim de que os outros possam entender e receber, com carinho, as suas explicações.
As frases duras e ríspidas, nos momentos acalorados, embora corretas, causam a impressão de falta de caridade e geram sentimentos tristes em quem as ouve.
Antes de afastar-se, o espírito Durval inclinou-se, beijou-lhe a testa e abraçou-a com ternura.
Suspirando profundamente, Daniela sentiu-se reanimar, apesar dos fatos conturbados que envolviam cada sector de sua vida.
A insistência dos espíritos inferiores, para envolvê-la, era grande.
Mesmo sem solução para os desafios, Daniela procurava elevar os pensamentos em prece, esperança e fé.
Tudo o que aprendeu nos estudos doutrinários lhe estava sendo de muito valor, pois agora colocava em prática e com a paciência de saber aguardar os resultados.
***
Pudemos observar, durante o diálogo quando tentava explicar à sua mãe as verdades sobre o que conhecia, que ela não usou de bom-senso para procurar compreender o te do entendimento existente em quem necessita de ajuda, em do que a jovem negou benevolência ao sofrimento experimentado por sua mãe, que cultivava a dor da perda de uma soa amada.
É certo que a moça passava por inúmeras provas a testar o seu equilíbrio.
Porém, quando alcançamos o entendimento da verdade e chegamos a ponto de praticar o que é correto, devemos bem procurar compreender que outros irmãos nossos ainda não se encontram na mesma condição ou na mesma escala evolutiva.
Por essa razão, devemos levar a eles os ensinamentos rectos, mas com amor, de uma maneira que possam entender e, na oportunidade mais adequada, não nos instantes acalorados quando os sentimentos estão mais sensíveis e podem ser inflamados.
Precisamos fazer com que o outro veja em nós e através de nossos actos, o que não é ideal em momentos de essência, de compreensão e amor, pois nessa situação é falta de caridade.
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Mar 05, 2017 10:37 am

Cada um de nós passa, obrigatoriamente, por situações que aos olhos dos outros, parecem erradas, mas são experiências importantíssimas a serem vividas por aquele espírito, a de se cumprir uma trajectória, até se chegar a patamares de mais evolução e entendimento.
Não é correto ressaltarmos, com veemência, o que consideramos errado.
Independente da religião que possuam ou da casa de oração frequentada, o mais importante é a conduta moral e a perseverança nas boas acções.
Com paciência, amor e bom-senso de muitos, todos vão aprender o correto a ser praticado
Nunca sabemos tudo.
Sempre há o que aprender e estamos longe cia perfeição, por isso ainda reencarnamos até que se cumpram todos os "jotas".
Logo são necessárias tantas seitas, crenças, religiões, filosofias e experiências inúmeras de cada um, pois nem todos estão preparados.
A religião não faz de um homem um grande espírito, encarnado ou desencarnado.
Temos direito ao livre-arbítrio e precisamos respeitar o dos outros como desejamos que seja respeitado o nosso.
Podemos e devemos ensinar sempre, mas a primeira compreensão tem de vir da nossa parte.
Seria inconcebível e falta de misericórdia darmos e exigirmos entendimento de O Livro dos Espíritos ou O Evangelho Segundo o Espiritismo a uma mãe desesperada que, por conveniência ou falta de oportunidade na presente encarnação, não tem conhecimento ou evolução.
Mas, naquele instante de desespero, sai à procura de quaisquer meios de cura, pois tem nos braços o filhinho doente e quer vê-lo recuperado, porque tem o amor essencial a uma mãe.
Quem poderá julgá-la?
Raramente um de nós, na condição acima de carência de entendimento e munido de desespero, não só por esse motivo, mas também por tantas outras dificuldades, não vá à procura de alívio, socorro ou esperança.
Quem poderá garantir que, no passado ou no futuro, não fez ou não fará isso?
É importante nos preocuparmos em tirar a trave do nosso olho.
Devemos lembrar que os romances psicografados ou ditados pelos espíritos, verdadeiramente, são as narrações sobre os acontecimentos das vidas alheias e opiniões pessoais.
Esses livros nos apresentam fatos, até curiosos, e sempre cabíveis de estudos, sobre a actuação do plano espiritual, as experiências de provas ou expiações, os acontecimentos mediúnicos, experimentações pós-desencarne e tantos outros.
Contudo salientamos aqui que esses livros trazem, em seus diálogos ou narrativas, a opinião pessoal pela experiência vivida por aquele personagem que poderá não estar de acordo com a verdade ou com os ensinamentos de Jesus.
Justamente por ser uma manifestação particular, uma exposição do que aquele personagem julga correto diante dos factos acontecidos naquela história.
Não devemos aceitar como verdade absoluta o seu parecer, que poderá ser incorrecto, incoerente, ilusório, mistificado ou falso.
Como também agregar entendimento, conhecimento e lições de vida.
Cabe a nós reflectir e analisar.
Mas, para isso, precisamos ter conhecimento.
A Doutrina Espírita é a terceira revelação anunciada.
O Mestre Jesus nos avisou:
"Se me amais, guardai os meus mandamentos, e eu rogarei ao meu Pai e Ele vos enviará outro Consolador, a fim de que fique eternamente convosco.
O espírito de Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê e absolutamente não o conhece.
Porém o Consolador, que é o Santo Espírito, que meu Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará recordar tudo o que vos tenho dito"
-João -cap. 14 -vv. 15 a 17 e 26.
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Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Mar 05, 2017 10:38 am

As palavras do Mestre Jesus foram claras.
Que Consolador ficaria eternamente connosco, ensinando e recordando tudo o que Ele disse, senão a Doutrina dos Espíritos, Codificada por Alan Kardec?
"... pode-se fazer que desapareça um homem, mas não se pode fazer que desapareçam as colectividades; podem queimar-se os livros, mas não se podem queimar os Espíritos.
"... queimassem-se todos os livros e a fonte da Doutrina não deixaria de conservar-se inesgotável, pois a fonte não está na Terra, podendo surgir em todos os lugares.
"Faltem os homens para a Doutrina Espírita, haverá sempre os Espíritos, cuja actuação a todos atinge e aos que ninguém pode atingir."
Os Espíritos que trouxeram as revelações esclarecedoras, estabelecidas e incontestáveis, apresentadas na Doutrina Espírita, são Superiores, da mais elevada categoria.
Totalmente desprendidos da matéria, não se apegam mais às ideias terrenas de curiosidade, preconceito, orgulho ou ociosidade, apegam-se à fé em Deus e na responsabilidade.
Esses Espíritos transmitiram as mais compreensíveis explicações sobre o motivo da nossa existência e os ensinamentos de Jesus, fazendo-nos recordá-los, como foi anunciado pelo próprio Mestre.
Esses Espíritos ainda continuarão nos apresentando esclarecimentos e ensinamentos, por ordem de Deus, jamais s desviando desse Consolador Prometido que nunca será destruído ou contestado por estar alicerçado nas Verdades Eternas dos preceitos de Jesus, sem dogmas, sem falsidades.
"Orai e vigiai."
"Amai-vos e instruí-vos."
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Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Mar 05, 2017 10:38 am

23 - SITUAÇÃO DIFÍCIL

A cada dia, o espírito Denise sucumbia em dores e dificuldades, experimentando amargas situações espirituais, pois recebia de sua mãe somente o choro e a saudade angustiosa.
Esses sentimentos degradantes de dona Antónia faziam Denise acolher vibrações melancólicas de tristeza, definhando-lhe as forças.
Dona Antónia emitia gemidos desesperadores.
— Denise! Por que você se foi, filha?!
— Depois de gritos dolorosos de choro, ela prosseguia:
— Deus! Traga minha filha de volta!
Ela era a minha vida. Oh! Deus!
Várias vezes ao dia, podiam-se ouvir as estridentes lamentações dessa mãe desesperada.
Denise, por sua vez, estirada ao chão do quarto, não possuía mais forças e mal podia gemer devido a sua fraqueza.
A aparência do seu perispírito era semelhante ao de deformação e decomposição cadavérica, pois seu estado consciencial admitia as dores e o sofrimento como se estivesse encarnada.
Daniela procurava se equilibrar na prece.
Contudo não estava sendo fácil.
Carlinhos, pela sua sensibilidade, agarrava-se à irmã.
Irritado e sem motivo, chorava inquieto e perturbado.
Muito perseverante, Daniela buscava consolo no Evangelho e rogava por sabedoria, força e resignação.
Ela não desanimava, mesmo não vendo efeitos positivos, principalmente com relação à sua mãe.
Um dia, a vizinha, dona Glória, procurou-as para uma visita, pois se preocupava com dona Antónia.
— Ela está no quarto chorando.
Pode entrar -— explicou ao recebê-la.
Depois de comprovar o estado infeliz da amiga, dona Glória procurou por Daniela.
—Nossa, Dani! -— admirou-se a vizinha, espantada.
Como a Antónia está mal!
—Não sei mais o que fazer, dona Glória.
Amanhã mesmo começo a trabalhar e tenho até medo de deixá-la só.
—Ela precisa de uns passes.
Isso parece ser um problema espiritual.
—Minha mãe não quer me acompanhar até o centro espírita.
Se ela decidisse assistir às palestras evangélicas e receber assistência espiritual adequada, tenho certeza de que iria se recompor.
—Eu a levei a um outro centro espírita.
Ela gostou muito.
Por que você não a leva lá?
Quem sabe ela aceita?
—Desculpe-me pela franqueza, mas o lugar aonde a senhora levou minha mãe, não é um centro espírita.
É uma casa onde oferecem comunicação de espíritos e não ensinamentos de Jesus à Luz da Doutrina Espírita, que conforta, esclarece realmente eleva todo aquele que persevera.
— Mesmo educada Daniela prosseguiu firme:
_ Não precisamos de comunicações de espíritos enganadores, pois já bastam os pensamentos poluídos que nos chegam deles a cada instante e, distraídos não cultivamos amor, humildade e caridade.
Esses espíritos nos envenenam a alma com maledicências e julgamentos inúteis.
Espíritos bons e esclarecidos só orientam.
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Mar 05, 2017 10:38 am

Não dão palpite.
E quando nos enviam alguma mensagem, estarão contidas indicações para que nos elevemos em preces, nos ensinamentos de Jesus e para que busquemos, sempre, vigiar as nossas fraquezas.
_ Daniela! Você está redondamente enganada!
Lá nesse centro, os espíritos nos esclarecem, ajudam-nos.
Devemos confiar neles!
Sabe, se a gente não fizer o que eles mandam, Deus castiga por eles, poderão até vingar de nós!
Daniela ficou incrédula, porém decidiu tentar esclarecer:
-Deus jamais nos castiga, dona Glória.
Deus é eterno Criador Universal, bom e justo.
Se entendermos Deus como bom, jamais diremos que Ele nos castiga.
Se aceitarmos Deus como justo nunca poderemos acreditar que sofremos somente porque Ele quer.
É a nossa consciência que nos pune.
Passamos por todas as dificuldades que provocamos a outros no passado.
Se acreditamos em deus como Eterno e Criador Universal, como podemos nos submeter às ordens e aos caprichos de espíritos sem instrução que só se comprazem em zombarias?
Deus como Criador Universal, bom e justo, não enviaria espíritos vingativos, perturbados para nos ajudar e não aceitando a ajuda deles, seremos castigados por eles mesmos. Isso é injusto.
Acreditar nisso, é falta de fé.
Esses espíritos poderão se vingar de nós se deixarmos, quando não elevamos a nossa moral, nossos pensamentos e nossa fé.
—Não brinque com essas coisas, Daniela.
Sua mãe foi lá e eles prometeram ajudá-la.
Agora você está aqui.
Como explica você ter fugido do cativeiro?
—Explico isso pela justiça de Deus.
Eu não precisava passar por situações mais deprimentes do que já havia experimentado.
Aquilo foi suficiente, por isso eu escapei.
Isso é justiça de Deus, não dos homens. Não dos espíritos.
—Abra o olho, Daniela.
Estou ficando com pena você.
Olha só a sua situação:
não é das melhores e você ainda é orgulhosa para não querer ajuda.
—Tenho fé, dona Glória. Fé em Deus.
E o que Ele envia eu aceitarei.
Nenhum espírito poderá ter força maior que o Pai Celeste.
Os espíritos levianos que acompanharam dona Antónia desde a ida dela àquele centro, procuravam incomodar Daniela que se colocava em uma posição de fé inabalável.
Apesar das dores, das dificuldades e conflitos íntimos ela não reclamava e buscava oferecer o melhor de si, não perdendo o ânimo.
Na manhã seguinte, após satisfazer as curiosidades gerais de seus colegas, Daniela assumia seu trabalho.
Com a chegada do senhor Paulo, todos os comentários foram abafados.
—Bom-dia! -— cumprimentou o presidente de uma forma geral, detendo-se em seguida e observando:
— Que bom vê-la de volta, Daniela.
Você está bem?
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Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Mar 06, 2017 10:36 am

—Sim senhor. Obrigada.
—Por favor, acompanhe-me.
Venha até minha sala.
—Feche a porta -— pediu ele, ocupando seu lugar na confortável cadeira da presidência.
Daniela estava na expectativa e temia qualquer surpresa.
—Como está o namoro entre você e o Rafael? -— perguntou ele de forma bem directa.
—Bem, é... -— dissimulava ela, sem saber o que dizer pela súbita questão.
—Sei que o Rafael lhe contou tudo sobre a Cláudia. Estou certo?
—Sim senhor Paulo.
Esse é um assunto muito delicado.
Eu nem sei o que responder...
—Até porque eu sempre a repeli, e você não tem tanta liberdade comigo, certo?
—Não é isso, é...
Daniela estava confusa e indecisa.
—Estou disposto a despender todos os esforços possíveis para provar a inocência do meu filho.
Gostaria que você tivesse paciência.
—Sou paciente, senhor Paulo.
Sei que somente o tempo poderá esclarecer essa situação tão difícil.
—Ele é inocente. Acredite, Daniela.
— Não estou julgando o Rafael.
Só que, dependendo dos resultados finais, será importante ele assumir a responsabilidade que lhe couber diante dos factos.
Se estiver compromissado, como a Cláudia diz, não terá nada a temer.
— Você é ponderada.
Seu bom-senso me agrada muito, fico satisfeito por Rafael ter encontrado alguém que não se deixa levar pelos sentimentos agitados dos alvoroços.
Estou saturado de ouvir queixas, gritos e incompreensão.
Espero que você não mude sua personalidade com o tempo.
— Ele está bem? Ainda não o vi hoje.
—Ele não me pareceu muito bem.
Estava abatido e insatisfeito.
A situação não é fácil.
—Sim, eu sei.
Mas com o apoio do senhor, mesmo diante de resultados que nos contrariem, o Rafael vai se recuperar porque o amparo amigo de alguém querido, recompõe-nos mais depressa.
—A tortura de meus pensamentos com a possibilidade de perder meu filho, fez-me acordar e ver tudo o que eu estava negando a ele.
De que valeria tê-lo à minha submissão e infeliz?!
Isso é o mesmo que deixá-lo morrer.
—Fico feliz por vê-lo agir assim. O senhor nem imagina.
O homem sorriu e se admirou com a sensatez sábia e o equilíbrio emocional daquela moça tão jovem.
— Mais alguma coisa, senhor Paulo?
— Sim.
— Depois de breve pausa, ele concluiu:
— Retome seu trabalho normalmente, porém preciso de sua ajuda.
Ela ficou aguardando e ele completou:
— Com o sequestro de vocês, eu me perturbei muito e alguns factos me escaparam do controle.
Gostaria que ficasse atenta e, diante de qualquer alteração ou movimentação diferente, avise-me.
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Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Mar 06, 2017 10:36 am

— Desculpe-me, mas acho que não entendi.
—Serei directo, Daniela.
Qualquer contacto diferente entre o Rodolfo e a Sueli, quero que me avise.
Vejo-os em atitudes suspeitas e com certos segredos.
Não gosto de ser traído e acho que querem me passar para trás.
Se desconfiar ou souber de algo, informe.
Daniela sentiu-se em choque, mas nada comentou, retomando normalmente suas actividades.
Ao retornar para sua sala, flagrou a secretária Sueli em conversação suspeita com o senhor Rodolfo, pois repentinamente estancaram o assunto quando a viram.
O senhor Rodolfo mal a cumprimentou e entrou na sala do senhor Paulo.
—Bom-dia, Paulo!
—Bom-dia!
—Como está o Rafael?
—Vai indo — respondeu ele, sem alongar comentários.
—Nunca tivemos rodeios, Paulo.
Por essa razão, serei bem directo.
Não é mais segredo para ninguém a gravidez da minha filha.
E vou cobrar do seu filho essa responsabilidade.
—Isto é —- revidou o pai ofendido —- se essa responsabilidade for do Rafael.
O senhor Rodolfo se enervou, ficando avermelhado e, quase ofegante, retribuiu:
— O irresponsável do seu filho não é homem para assumir o que faz, e você, para encobri-lo, quer declinar a moral da minha filha?!
Calmamente, o senhor Paulo informou:
Solicitaremos exame de paternidade.
Pode ter certeza.
Fique tranquilo, se esse filho for do Rafael, ele o assumirá.
Exijo que esse casamento se realize antes dessa criança nascer.
Minha filha não será mãe solteira.
—Rafael assumirá o filho, se for dele.
Mas não assumirá a Cláudia.
Não conte com nenhum casamento.
Sua filha é maior de idade e também responsável pelos seus actos.
—Isso é o que vamos ver.
— E quantio já estava de saída, retornou irritado:
— Vou providenciar a demissão da Daniela.
—Não se atreva! -— alterou-se o senhor Paulo.
— Sou presidente e majoritário. Não me teste!
O senhor Rodolfo se enrubesceu novamente irado.
Espremeu os olhos e esboçando vingança, balançou a cabeça desafiando o sócio.
Não comentando mais nada, saiu batendo a porta com estupidez.
Mais tarde, Cláudia se impunha sobre Daniela, que não se manifestava.
— Agora tenho um filho do Rafael.
É hora de você se colocar em seu lugar, sua imunda.
Essa empresa é do meu pai e aqui não há lugar para pobretonas miseráveis como você.
Mesmo com as inúmeras ofensas que se seguiram, Daniela ficou calada.
A vontade de chorar era imensa, mas sufocou os sentimentos.
—Estou falando com você! -— gritou Cláudia, segurando Daniela pelo braço, exigindo uma reacção.
—Solte o meu braço -— intimou Daniela, com a voz pausada, sem se deixar intimidar.
Quando ela puxou o braço e se livrou, Cláudia lhe bateu com força no rosto.
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Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Mar 06, 2017 10:36 am

Por possuir pequeno porte físico e excesso de força empregada pela agressora, Daniela virou-se ao receber o tapa, caindo sobre a mesa de trabalho, onde se amparou com as mãos para não bater o rosto.
Caio, que chegava, presenciou toda a cena que ainda ocorria.
Nesse momento, Cláudia soltou um grito.
Segurou a mão no rosto e depois exclamou, mentindo:
— Ela me bateu!
Foi surpreendente a rapidez com que Cláudia simulou um choro compulsivo, atraindo a atenção de seu pai e do senhor Paulo, que saíram de suas salas para saber o que acontecera.
— Ela me bateu! Sua vadia!
— Não minta, Cláudia! -— vociferou Caio, em defesa de Daniela. —
Eu vi tudo! Foi você quem a agrediu.
Ela não lhe fez nada!
Daniela ficou estática.
Não conseguia articular uma única palavra.
Caio a segurou, puxando-a para um abraço, enquanto Cláudia, em prantos, corria para os braços de seu pai.
Confortando Daniela, Caio esclareceu:
— Não houve nada disso, Cláudia.
Por que você precisa ser tão baixa assim?!
— É mentira dele, pai! Ela me bateu!
Quero que ela morra!
Tirem-na daqui!!! -— gritava Cláudia, com histerismo.
— Vou perder meu filho por causa dessa sem-vergonha, invejosa!!!
O senhor Paulo interferiu:
— Caio, leve a Daniela para minha sala.
Rodolfo, tape a boca dessa sua filha!
— Eu não admito Paulo...
O senhor Paulo se virou, deixando seu sócio falando sozinho.
Caio ficou incrédulo com a atitude de seu pai.
Ele nunca o vira agir assim.
O empresário aconselhou que Daniela entrasse de férias até acalmar aquela situação.
Ela concordou.
Depois de cuidar da documentação, retornou para sua casa.
Por ter se afastado do alvoroço de seu ambiente de trabalho, acreditou que teria mais tranquilidade.
Ao entrar em casa, verificou algumas louças espatifadas no chão.
Na espiritualidade, os mesmos espíritos ignorantes e vaidosos procuravam envolvê-la.
— Está vendo, minha irmã -— dizia-lhe um deles, sem que ela pudesse ouvi-lo —- a ajuda espiritual que vem de Deus passa antes por nós.
Não há mais ninguém aqui na espiritualidade para ajudá-la.
A sua tranquilidade nos pertence.
Somos os enviados de Deus.
Se não nos seguir, perderá o total controle de sua vida.
Sua mãe estava bem melhor quando nos procurou e aceitou a ajuda que oferecemos.
Daniela se sentiu mal.
Um nervosismo incompreensível foi experimentado de maneira muito amarga.
Contudo calou-se, não manifestando um único gesto de revolta.
— Mãe? -— chamou ela preocupada.
Vindo em sua direcção, em prantos, dona Antónia argumentou:
— Não aguento mais!...
Quero morrer! Oh! Deus! Deus!
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Mar 06, 2017 10:37 am

— Mãe, por favor, ouça-me.
Fazendo com que sua mãe olhasse firme para seus olhos, Daniela explicou:
—Tenha fé em Deus.
Esse choro descontrolado está lhe fazendo muito mal.
A Denise pode receber toda essa tristeza, toda essa negatividade, todas essas vibrações de dor e angústia. Mãe, reaja!
Levante a cabeça e procure alguma coisa boa para se ocupar.
—Você não entende, Daniela.
Você nunca me entendeu.
Não sabe que é perder alguém que a gente ama.
—Não perdemos ninguém, mãe.
Só nos afastamos temporariamente.
—A Denise se foi.
Eu a amo, por isso sinto sua falta!...
—Eu também a amo.
Por essa razão não envio choro e desespero, mas prece e incentivo de crescimento, de elevação espiritual.
Dona Antónia não queria entender.
Largou a filha sozinha e voltou em prantos para o seu quarto.
Daniela cerrou os olhos e suspirou fundo, buscando forças.
Pouco depois, quando recolhia os cacos de louça que se espalharam por toda a cozinha, Rafael a procurou.
—Oi, Dani. Você está bem? -— perguntou ele, apreensivo.
Por um minuto pensou que haveria uma emoção maior por parte dela.
Esperava que corresse para seus braços, procurando guarida e socorro.
Porém decepcionou-se com a tranquilidade da moça.
—Oi, Rafael.
Entra -— retribuiu a certa distância, sem oferecer alteração dos sentimentos.
—O que houve aqui, Dani?! -indagou, espantado, ao entrar na cozinha.
—Minha mãe deve ter sofrido uma crise de nervos e quebrou tudo o que encontrou.
— Eu vim agora lá da empresa. Meu pai me contou tudo, até que você tirou férias.
Não imagina como me sinto...
Rafael se aproximou de Daniela, procurando envolvê-la carinhosamente com um abraço.
Ela retribuiu e não conseguiu deter as lágrimas copiosas que rolaram.
—Dani, por favor, perdoe-me!
Perdoe-me! -— implorava, sensivelmente abatido.
—Não é culpa sua.
Eu sei que tudo isso vai passar. Nenhuma situação difícil é eterna.
Segurando delicadamente o belo rosto com ambas as mãos, ele pediu:
— Case-se comigo, Dani!
Ela o fitou longamente e afirmou:
—Depois que essa criança nascer, se ela não for de sua responsabilidade, eu me caso.
Se for seu filho, depois que você assumi-lo, eu também me caso.
Mas aguarde essa criança nascer.
—Eu não quero nem ver essa criança.
—Não diga isso, Rafael! -— protestou Daniela, com firmeza.
— Você não imagina a carga negativa que está passando para esse irmão, a quem Deus ama tanto quanto ama você.
Não sabemos quem ele foi no passado, se nos representou alguém querido ou se nos ajudou muito, de repente é até alguém a quem devemos ajudar, amar e orientar.
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Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Mar 06, 2017 10:37 am

Essa pode ser uma oportunidade que Deus nos proporciona e nós a jogamos fora com palavras como essas, tornando-nos mais devedores do que antes.
—Dani, você não imagina como estão meus pensamentos.
Fico mirabolando, o tempo todo, uma maneira de matar a Cláudia.
Quero que ela e essa criança morram.
_ Você não sabe o que está falando.
Não diga mais isso.
Olhe, não vamos mais falar nesse assunto.
Façamos de conta que nada aconteceu.
Vamos levar nossas vidas e procurar resolver os problemas possíveis.
Vamos nos fortalecer espiritualmente, rogando a Deus que nos ilumine para tomarmos a melhor decisão.
— Daniela, será que não é o envolvimento com os espíritos que perturbou as nossas vidas?
—Onde nós nos envolvemos com espíritos?
—Ora, esses livros, os estudos...
— Você acha que ler o Evangelho de Jesus é envolver-se com espíritos?
— Dando um singelo sorriso, ela esclareceu:
— Não, Rafael. Nós nos esclarecemos com os ensinamentos que a Codificação Espírita nos trouxe.
Eu nunca conversei com nenhum espírito.
— E, tentando ironizar, salientou:
— Bem, somente com espíritos encarnados, assim como você, agora.
Mas em um Centro Espírita, com espíritos desencarnados incorporados em médiuns que dão esse tipo de comunicação, jamais falei.
Por isso afirmo que não nos envolvemos com espíritos, como você quis dizer.
Os espíritos existem e sempre haverão de existir.
Nós nos ligamos a eles através dos pensamentos que temos.
Se acreditamos e agimos para o bem, seremos envolvidos por espíritos bons.
Se praticamos o mal, se abalamos a nossa fé, nós nos ligaremos a espíritos insatisfeitos e ignorantes.
Indeciso e descontente, pediu:
— Não vá mais ao centro, Dani.
— Não me peça isso, Rafael -— solicitou ela, meigamente, porém mantendo firmeza no olhar e demostrando já ter uma decisão tomada, mesmo sem mencionar.
—Por quê?
—Porque eu acredito em Deus. Tenho muita fé.
Tenho um trabalho a realizar, que ainda não sei qual é.
—Já sei. Posso responder: você pretende ser médium.
Dar comunicações dos espíritos, escrever, pintar...
—Não. Ninguém pode pretender ser médium.
Ninguém pode querer fornecer comunicações dos espíritos.
Você é ou não é médium.
Não se desenvolve a mediunidade.
Nós a possuímos e a educamos, junto com a nossa razão, para não passarmos por ridículo como tantos por aí.
—Estou confuso, Dani.
Depois que comecei estudar o Espiritismo... não sei.
—Depois que você começou a estudar o Espiritismo, sua vida não mudou.
O que mudou foi a sua maneira de encará-la.
A partir do momento em que começou a estudar o Espiritismo, seus actos passaram a ser mais racionais.
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Mar 06, 2017 10:37 am

Você se vigiou mais e pensa sempre na carga de responsabilidade que lhe cabe diante das consequências dos acontecimentos que podem ser provocados por você.
—Mas inúmeras dificuldades surgiram!
—Os problemas que vivemos não podem, de maneira alguma, ser associados com o Espiritismo.
Isso é inconcebível!
Rafael alterava-se e, inquieto, pediu:
— Prove-me! Dê-me motivos, racionais, para eu crer nisso!
A inspiração de espíritos bondosos e amigos não faltou para Daniela.
Em poucos segundos, ela se harmonizou.
Fechou os olhos como se estivesse procurando um exemplo e pensou:
«Jesus. Ajude-me!"
Tornou a Rafael, ainda mais serena e, bondosamente, argumentou:
— Poderíamos, agora mesmo, sair daqui para visitar um hospital, uma casa de saúde, um orfanato, um asilo, uma casa que cuida de crianças excepcionais ou até mesmo, simplesmente, andar pelas ruas da cidade, para observar quantos filhos de Deus, nossos irmãos, encontram-se em lamentáveis condições físicas, em deploráveis estados de saúde, em difíceis situações financeiras, em inenarráveis desesperos e conflitos íntimos em que a dúvida, a incerteza do amanhã os fazem perder a razão da vida, a razão da fé, a razão do amor.
Quantos irmãos se encontram no abismo do desespero, ao nosso lado a cada dia!
Independente de suas religiões, de seus dogmas, de suas filosofias.
Esses irmãos experimentam os infortúnios da vida por imprudência deles mesmos.
Muitos deles se encontram atolados, no pantanal doloroso, pela incompreensão e pelos débitos terríveis que adquiriram no passado.
Você não pode dizer que todos esses irmãos, que vemos por aí sofrendo, são Espíritas, pode?
Diante do silêncio de Rafael, Daniela prosseguiu:
— O Espiritismo, a Doutrina Espírita vem justamente os fazer entender a razão da vida, da fé e do amor, que todos s esquecemos.
Jesus já havia previsto esse esquecimento, isso avisou que o Pai enviaria um Consolador para recordar os seus ensinamentos e que esse consolador ficaria eternamente connosco.
Analise comigo:
esse Consolador Prometido não poderia ser um homem reencarnado, como muitos imaginam ninguém vive eternamente encarnado.
Por isso a Doutrina Espírita veio através dos Espíritos Superiores, para que ficasse eternamente connosco.
—Quem lhe garante que esses espíritos são superiores?
—Você já leu a Codificação Espírita, Rafael?
—Sim. Já li.
— Mostre-me então um único erro.
Indique-me uma única falha.
Algo que não esteja compatível com o que a ciência explica ou com o que o próprio Jesus nos ensinou.
Eles não podiam perceber, mas as explicações de Daniela, pela sua maneira amável de expor, acolheram ao ambiente uma chuva de orvalho com bênçãos santificantes.
— Você é inteligente, Rafael.
É uma questão de raciocinar para perceber que é inconcebível pensar que o Espiritismo nos prejudica.
Certo?
— Eu não sei por que falei isso.
Rafael se sentia emocionado, como se quisesse chorar.
Enquanto Daniela esboçava singular sorriso.
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Mar 06, 2017 10:37 am

—Reanime-se.
—Eu senti algo... diferente.
—Algo bom?
—Sim. Mas eu não sei dizer o que aconteceu.
—Ore e agradeça, Rafael.
— Isso tudo me assusta.
Agora mesmo fiquei preocupado com essa história de você ter um trabalho e...
Daniela sorriu largamente e explicou:
— Por favor, Rafael.
Não se exalte ou se perturbe por isso!
Não relacione o trabalho espírita somente com mediunidade.
Primeiro eu reconheço que não sou médium vidente, de psicografia, psicofonia, audiente ou qualquer outra coisa assim, até porque não basta sair por aí se enaltecendo de ter essa ou aquela mediunidade, se não tiver moral, disciplina e obediência aos ensinamentos de Jesus, ao que diz respeito à educação mediúnica.
Há médiuns imprudentes.
Eles são vaidosos, orgulhosos e fascinados.
Só estão adquirindo e agravando débitos dolorosos.
"Quem se eleva, será rebaixado."
Entusiasmada, arrancando de si uma exaltação viva de vontade e amor, Daniela confessou:
— Sinto atracção pelos trabalhos de estudo.
Vou me empenhar ao máximo em favor das escolas doutrinárias, onde a pureza da Codificação Espírita seja preservada.
Gostaria muito de trabalhar para a divulgação do Espiritismo, para esclarecer os irmãos que se deixam encobrir pelo véu da mentira, do misticismo e da falta de instrução desses conhecimentos tão importantes e necessários para nossa evolução.
Rafael, sentindo-se envolvido, não se conteve e abraçou Daniela.
Sem entender o motivo, ambos choraram entre sorrisos.
A situação era a mesma. Nada havia mudado, porém o rumo de Rafael tomou vida e a esperança por dias melhores renasceu em seu coração!
Dona Augusta estava inconformada com a posição adoptada pelo senhor Paulo em relação ao namoro de seu filho com Daniela.
Com o passar dos dias, ela adoptava, cada vez mais, uma posição de repulsa sobre essa ideia, querendo mudar a opinião de Rafael.
—... eu soube até que essa uma tem um irmão bobo!
Deficiente mental! Rafael!!!
Você perdeu o juízo?! -— gritava dona Augusta, revoltada.
— Quer ter filhos deficientes?!!
E... pior, quer me dar netos idiotas?!!
Meu Deus, onde eu errei?!!!
Rafael, sentado em sua cama, segurava a fronte com os dedos entrelaçados e os cotovelos apoiados nos joelhos.
Educadamente, ele pediu:
— Por favor, mãe.
Não grite. Aprenda a falar baixo.
Andando de um lado para outro, histérica, dona Augusta esbravejava sua revolta.
— Sabe, mãe, eu já me informei sobre o mongolismo ou síndrome de Down.
É um atraso mental relativo e sempre acentuado.
O mongolismo é congénito, não é hereditário.
Muito raramente se encontram dois casos na mesma família.
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Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Mar 06, 2017 10:38 am

A não ser se forem gémeos do mesmo sexo.
São mais comuns casos de filhos mongolóides em mulheres que engravidam com mais de quarenta anos.
Fora isso tudo, se eu tiver que passar pelas condições de ter um filho deficiente mental, não é o facto de me casar com uma mulher que tenha um caso em sua família que irá me impedir de tê-lo.
Uma criança mongolóide pode nascer em qualquer família e, muitos de nós que nascemos perfeitos, podermos nos tomar deficientes, paraplégicos ou dependentes, em qualquer fase da vida.
—As pessoas hoje têm filhos doentes porque querem. Existem exames que mostram esses problemas antes da criança nascer. Se ela tiver esse problema, aborta!
—A senhora não sabe o que está falando.
Não existe crime maior do que o aborto e o suicídio.
Não existe sofrimento maior do que o experimentado pelos criminosos que praticam o aborto ou o suicídio.
Aqueles que acreditam que o sofrimento termina ali, enganam-se.
Com a prática desses crimes abomináveis e hediondos, o terror se inicia.
—Deus do céu! Meu filho ficou louco também!
Estou até acreditando que mongolismo é contagioso!
—Não seja ridícula — retrucou, saturado das investidas de sua mãe.
—Veja como fala comigo!
Rafael levantou-se irritado e saiu à procura de Caio, encontrando-o em seu quarto.
Entrando, atirou-se sobre a cama do irmão, que ficou olhando admirado.
—O que rolou agora, Rafael? -— perguntou Caio, sorrindo cinicamente.
—Não aguento mais a mãe.
Você não imagina, Caio.
Ela não me dá sossego.
—Por isso que nunca conto nada.
Mas acalme-se, ela só começou.
—Não brinque.
Parece que só tenho sossego ao lado da Dani. Pensei até...
Vendo-o deter a frase, Caio perguntou:.
—Até?..
—Já pensei até em pedir para a dona Antónia me deixar morar lá.
Mas a mulher está tão mal.
Não imagino como ela poderá reagir.
Quando essa criança nascer, caso-me com a Dani e acabo logo com tudo isso.
—Por que quando a criança nascer?
—Primeiro porque a Dani quer ter certeza de que esse filho não é meu.
E se for, ela quer que eu o assuma.
Isso me revolta, mas é a vontade dela.
Ela nunca me pediu nada e...
Bem, deixa assim.
—Se for seu filho e você assumido, ela se casa com você?
—Disse que sim.
—Que interessante.
Ora, Rafael, pressione a Cláudia para fazer o exame de paternidade durante a gestação. É simples!
—A belezinha da Cláudia não quer fazer o exame.
Não posso forçada.
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Mar 06, 2017 10:38 am

É constrangimento ilegal.
E se eu amarrada, amordaçada e bater nela, como eu tenho vontade para que faça o exame, é simplesmente agressão e lesão corporal.
Como você vê, estou atado -— concluiu Rafael, irónico.
—E o Rodolfo?
—Ah!... Nem lhe conto...
—Está pressionando você?
—O Rodolfo quer que eu me case com a Cláudia.
Não quer ver a filha ser mãe solteira. Faltou só me bater pra dizer isso.
—E você?! — perguntou Caio, curioso.
—Disse tudo o que pensava.
Só não chamei a Cláudia santa, porque de resto...
—Estou estranhando você, Rafael!
Nunca o vi reagir!
—Até eu estou me estranhando ultimamente.
Tenho passado por tanta pressão!
— Depois de suspirar profundamente, acrescentou:
— Já estou com um pé fora da empresa.
Admirado e surpreso, Caio indagou:
—Vai deixar a construtora?!
—O quanto antes.
Primeiro porque, mesmo estando mais flexível agora, o pai não dá campo de acção.
Ele gosta de coisas enroladas, você entende, né?
Segundo porque não aguento mais o Rodolfo.
A Cláudia vai lá todos os dias e..., mesmo depois que essa criança nascer e eu me casar com a Dani, o clima reinará pesado.
—Pense bem, Rafael.
O pai está com alguns problemas... mas, talvez ele precise de você.
—O pai nunca pensou em mim, talvez eu deva fazer o mesmo agora.
Tenho que pensar no meu futuro.
Já resolvi, Caio.
Quero três coisas:
sair da construtora, sair desta casa e casar-me com a Dani.
Rafael deixou o olhar perdido no tecto branco do quarto, esboçando um semblante tranquilo e sonhador.
Mas a abertura súbita da porta o fez voltar à realidade.
A entrada abrupta de dona Augusta o fez saltar.
— Ah! Você está aí!
Rafael levantou-se e sem dizer uma única palavra foi para a casa de Daniela à procura de sossego.


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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Mar 06, 2017 10:38 am

24 - LAMENTÁVEL ESPISÓDIO

Em seu desabafo com a namorada, Rafael confessava:
—E isso, Dani.
Eu não aguento mais.
—Eu não sei dizer se minha mãe consentiria em você morar aqui.
Talvez nem você fique à vontade.
Veja como esta casa é pequena.
Só temos um quarto.
—Eu admiro muito esse terreno.
A casa não vale muito, mas o terreno é excelente.
Plano, grande, bem situado em relação à recepção e escoamento da água pluvial...
— Depois de breve pausa, em que súbitas ideias surgiram, ele perguntou:
— Já pensou em reformá-la?!
—Levaria tempo e as despesas seriam muitas... -— desanimou Daniela.
Rafael, com um brilho diferente em seu olhar, começou a sorrir cinicamente como se arquitectasse uma nova ideia.
Daniela, desconfiada e astuta, inquietou-se:
— Rafael, Rafael! O que você está imaginando, agora.
Animado, ele exclamou:
— Meu pai tem uma construtora, Dani!
Vamos acordar.
Podemos derrubar esta casa inteira e fazer outra!
Sou capaz construir um prédio neste terreno!
_ Não brinque, Rafael!
Pare de sonhar.
Esta casa é da minha mãe.
É herança minha e do Carlinhos.
_ Não estou querendo dizer o contrário.
Principalmente em relação aos direitos e todo o amparo que teremos de fornecer ao Carlinhos pelas suas condições.
Analise comigo, Dani - argumentava Rafael, empolgado:
quando nos casarmos, você não vai querer abandonar seu irmão.
Pelo que percebo, o vai querer vê-lo longe de você.
Não creio também que deixará sua mãe morar sozinha.
Nada melhor do que todos nós ficarmos juntos e nos instalarmos aqui, só que confortavelmente, certo?
— Não sei, não -— preocupava-se Daniela.
– Tenho medo.
— Preciso somente da aprovação da sua mãe.
— Minha mãe está péssima, Rafael.
Não sei como ela vai agir.
Nunca a vi assim.
— Você não conseguiu levá-la ao Centro Espírita?
— Não. Ela se nega a qualquer tratamento.
Só chora, reclama e reclama... — suspirando, Daniela exibiu, pela primeira vez, um pouco de cansaço.
— Será que vou aguentar?
—Não duvide, Dani.
Isso vai passar -— afirmou Rafael, afectuoso.


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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Mar 06, 2017 10:38 am

—De uns tempos pra cá, minha mãe se coloca contra mim.
Acredito que ela esteja muito...
—Muito?...
— Muito doente ou, talvez, em estado de obsessão muito forte.
Ela insiste em ir ao tal centro que a dona Glória a levou.
—Por que você não a leva de uma vez para ver se ela pára com isso?
—Rafael! Ficou louco?!
—Desculpe-me. Foi só um palpite infeliz.
—Por que você não foi trabalhar hoje?
—À tarde tenho uma entrevista.
—Você tem certeza de que deseja sair da construtora.
—Absoluta. Você se opõe?
—Claro que não.
Mas, veja bem, você não tem os pensamentos lógicos.
Se vai sair mesmo da construtora, como acha que seu pai vai nos ajudar com a possível reforma ou construção que há pouco você planejou?
—Independente do meu trabalho na construtora, meu pai pode nos ajudar. Por que não?!
Nesse instante, o telefone celular interrompeu o assunto.
—O que houve, pai? -— perguntou ele, apreensivo.
Depois de longo silêncio, Rafael decidiu:
—Calma, pai. Vou até aí agora.
— O que houve?
Preocupado e ofegante, Rafael empalideceu ao informar:
— Um telefonema para o meu pai, pediu que ele fosse fazer o reconhecimento de alguém...
—Quem?!
—Deram a descrição do meu irmão, o Jorge...
—Deixe-me ir com você.
— Então vamos rápido.
Ao chegarem à empresa, nunca presenciaram um ambiente tão inquieto.
Todos os olharam.
Rafael se dirigiu às pressas para a sala da presidência mãos dadas com Daniela.
A secretária Sueli atendia ao senhor Paulo, que parecia inerte, até a chegada do filho.
Virando-se de forma áspera para a secretária, o presidente ordenou:
— Pode sair, dona Sueli.
Ela obedeceu sem nada argumentar.
— Pai, o que houve?!
O homem se deixando envolver pelos fortes sentimentos, não deteve as emoções:
— Filho!... O Jorge...
Um soluço reteve o final da frase.
— Acalme-se, senhor Paulo —- aproximou-se Daniela, afável e solícita.
— Tome um pouco de água.
Irá lhe fazer bem.
Depois de ingerir a água em grandes goles, o senhor Paulo alongou um olhar agradecido à Daniela, suspirou profundamente, esfregou com as mãos o rosto e os alinhados cabelos grisalhos.
Parecendo exaurido de forças, com o olhar piedoso, ele explicou:
— Telefonaram-me dizendo ter um corpo em um carro nesse endereço.
Exibindo a anotação para Rafael, continuou:
—Riram ao descrever as roupas e a fisionomia do Jorge.
Disseram também o seu nome.
Mandaram eu ir a esse local para ver se eu seria capaz de reconhecê-lo.


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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Mar 06, 2017 10:39 am

—Quem era, pai?!
—Não sei.
—O senhor ligou para a polícia?
— Avisei meus seguranças e chamei aquele delegado meu amigo, o mesmo que cuidou do seu sequestro.
Ele está vindo para cá. Disse para eu não sair daqui.
—Mais alguém sabe, pai?
—A Sueli. Senti-me muito mal e perdi o controle..
raciocínio.
— O senhor está bem? -— perguntou Daniela, amável.
Acho que não... filha.
Não sei o que estou sentindo.
Enquanto o senhor Paulo afrouxava a gravata incómodo Rafael e Daniela entreolharam-se surpresos pelo tratamento que o senhor Paulo lhe dispensou.
O interfone anunciou a chegada da polícia.
—Boa-tarde! -— cumprimentou o delegado, de uma forma geral.
—Alguma notícia, Ribeiro? -— perguntou o senhor Pau lo ao delegado, seu amigo.
O homem se deteve por alguns segundos, depois informou:
— Uma viatura da área, enviada para o local, encontrou um veículo com o corpo de um jovem com a descrição que lhe deram.
Não há documento com o corpo, impedindo uma identificação imediata da vítima.
A técnica está indo para o local.
Precisam tirar fotos e preservar provas.
Mas aguarde, Paulo, não temos confirmação alguma sobre ser o Jorge.
— Vou para esse local agora! -— afirmou o senhor Paulo, preocupado.
— Não, pai! Espere.
— Esperar o que, Rafael?!
Preciso de notícias sobre meu filho!
— Se quiser, Paulo, estamos indo para lá — disse o delegado.
O olhar do senhor Paulo confirmou sua decisão.
Indo para o local, a surpresa desagradável foi inevitável.
Viram o corpo de Jorge, amarrado pelos pulsos, deformado por várias fracturas, inclusive expostas, em todos os membros e o esfolado de um dos lados da face, onde, por tortura, tiraram-lhe a pele.
A cena chocante abalou a todos.
O senhor Paulo ficou estático.
Não articulou nenhuma palavra ou expressou qualquer sentimento.
Daniela fugiu à visão da cena horrível, escondendo seu rosto no peito de Rafael ao abraçá-lo e ele, por sua vez, procurava ser forte.
As luzes produzidas pelos sinalizadores sobre as viaturas e os flashes das máquinas fotográficas os atordoavam ainda mais.
Conduzido por um dos seus seguranças, o senhor Paulo foi para o carro sem tecer um único comentário.
Rafael, observando-o, solicitou:
—Levem-no para casa.
Estou telefonando para o nosso médico, pedindo que ele vá para lá atendê-lo.
—E a senhora sua mãe, senhor Rafael?
—Preocupem-se somente em levá-lo.
Tentarei localizar o Caio e... verei o que posso fazer.
Depois de telefonar para o médico, Rafael não conseguiu contactar Caio.


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Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Mar 06, 2017 10:39 am

Deixando Daniela sentada em seu carro, voltou para próximo do veículo onde estava o corpo de seu irmão.
O delegado, vendo-o paralisado, aproximou-se.
— Não é agradável ficar aqui.
Eu sei que é seu irmão mas seria bom você ir embora.
Vocês têm amigos, parentes e funcionários para cuidar de tudo.
Ele não dizia nada. Nem parecia ter ouvido o delegado.
Rafael passou a sentir uma desagradável impressão nunca experimentada antes.
Começou a ouvir os gritos de seu irmão recém desencarnado.
O espírito Jorge, confuso e desnorteado, já sofria as consequências de seus actos.
Não é comum a todo espírito despertar tão rapidamente para a realidade assim que desencarna.
Cada caso é um caso.
Alguns demoram dias ou meses.
Contudo o espírito Jorge se debatia e gritava.
Ele conseguia, mesmo confuso, ver tudo e todos à sua volta, mas não se desprendia do corpo físico.
Outros espíritos desencarnados, em condições também inferiores, aproximaram-se do corpo de Jorge para sugar os últimos fluidos vitais que se misturavam às energias das drogas impregnadas ao perispírito.
Jorge sentia dores fortíssimas devido aos ferimentos sofridos, como se estivesse ainda encarnado, pois o seu estado consciencial o fazia conceber-se em corpo carnal.
Ele gemia e às vezes gritava aterrorizado pela visão que passou a ter das aparências tenebrosas de alguns espíritos que o vampirizavam.
Inúmeras vezes chamava por Rafael, pedindo ajuda pois o via próximo.
Rafael, ao ouvir tudo o que ocorria, recebeu fortes impressões sobre a situação aterrorizante e se assustou.
Impressionado, ele não respondia ao delegado, que insistiu:
— Rafael, você está bem?
Rafael empalideceu.
Sentia enjoo forte e uma tontura que o ensurdecia.
Segurando-o pelo braço, o delegado Ribeiro chamou-o à realidade dos encarnados.
—Rafael! Você está me ouvindo?!
Atordoado, ele respondeu confuso:
—Como?...
—Vá para sua casa, filho.
Você não me parece bem.
—Tá, eu vou.
Levando-o até o carro, o delegado solicitou aos seguranças particulares que o acompanhavam:
— Não o deixe dirigir.
Seria bom um de vocês levá-lo para casa.
Ele não está bem. Mais tarde eu telefono para o Paulo.
Daniela sentou-se no banco de trás do veículo junto com Rafael, amparando-o, enquanto um dos seguranças conduzia o veículo.
Rafael não conseguia expressar-se direito, tamanho seu espanto e dor.
— Dani, eu ouvi o Jorge.
Não pense que enlouqueci, calou-se por alguns segundos, depois esclareceu:
— Eu não vi-Mas senti um monte de gente ruim perto dele e ele gritando...
— Acalme-se, bem.
Isso passa — orientava Daniela.


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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Mar 06, 2017 10:39 am

O segurança que dirigia, não podendo deixar de ouvir a conversa de Rafael, argumentou:
— Desculpe minha intromissão, senhor Rafael.
Rafael voltou-lhe o olhar atencioso e ele prosseguiu:
—O senhor disse que sentiu "um monte de gente aqui perto dele e ele gritando", o senhor ouviu e sentiu espíritos e não gente.
Isso é mediunidade. Impressiona muito no começo, mas se o senhor estudar a respeito, vai se equilibrar e ajudar outras pessoas para o bem.
— O senhor é espírita? — perguntou Daniela.
— Sim, senhora. Sou espírita kardecista.
Daniela sorriu porque Espiritismo é uma doutrina.
Allan Kardec foi o codificador.
Para não causar dúvida nas pessoa que não conseguem distinguir espírita de espiritualista, costumam acrescentar o termo kardecista.
—Eu também sou -— informou Daniela.
— O Rafael já iniciou seus estudos há mais ou menos um ano e meio.
—Isso é muito bom, moça -— animou-se o segurança.
Esse é um momento muito difícil, principalmente para alguém com a sensibilidade dele.
Além disso, o menino que desencarnou necessita de muita prece.
— Sim. Tem razão — afirmou Daniela.
Com a preocupação voltada para o estado de Rafael e a conversa com o segurança, só se deu conta de onde estava quando o carro parou na residência que logo identificou ser a de Rafa?
Vendo o carro do filho, dona Augusta, que ainda sabia nada sobre o ocorrido, mas percebeu a agitação e as atitudes incomuns de seu marido, correu para saber, por Rafa o que estava acontecendo.
Ao se deparar com Daniela, que descia do carro...
—Quem você pensa que é para imaginar que pode pôr seus pés na minha casa?! -— inquiriu a mulher, estupidamente.
—Perdoe-me, dona Augusta.
Não tive a intenção.
É que depois de tudo... o Rafael não se sentia bem e eu o acompanhei.
Não se preocupe, já estou indo — defendeu-se Daniela, humilde, tolerando o olhar orgulhoso e a pose vaidosa que dona Augusta sustentava.
Interrompendo-as, ao sair do carro, Rafael, com o semblante triste, inquiriu calma e educadamente:
—Ou a Daniela entra comigo ou eu nunca mais porei meus pés nesta casa.
Sendo assim, a senhora pode considerar que, na data de hoje, perdeu não um, mas dois de seus filhos.
—Que dois?! Você deve ter bebido para exigir algo assim...
—Ela vai entrar comigo, mãe — afirmou Rafael, categórico, olhando-a com firmeza.
—Por favor, não vamos piorar a situação -— pediu Daniela.
Eu não posso entrar, preciso ir embora. Já é tarde.
—Você fica, Daniela — afirmou Rafael.
Tudo ocorria próximo à porta de entrada da residência, onde o carro ficou parado para que ambos descessem.
—Você terá a petulância de não me obedecer, Rafael?
—É hora de a senhora me respeitar, mãe - respondeu ele, tranquilo e firme.
—E seu filho que vai nascer?
Você o respeita, trazendo a outra aqui?!
Percebendo que Rafael iria se exaltar, Daniela pôs-se entre e a mãe.
Colocando a mão em seu peito procurou abrandá-lo.
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Mar 06, 2017 10:47 am

— Por Deus, não reaja.
Deixe tudo como está.
Ofegante e trémulo, pareceu engolir a seco cada palavra que pensou em dizer à sua mãe.
Chamando-o à realidade, Daniela acalmou-o, dizendo baixinho ao abraçá-lo com ternura:
—Meu amor, nada disso importa.
Entre e se cuide.
Veja como está seu pai e cuide dele também.
Não se preocupe comigo, preciso ir embora, minha mãe está sozinha. Por favor.
—Não, Daniela.
Faço questão que entremos juntos nesta casa agora e sairemos juntos também.
Vou pegar somente algumas coisas que preciso e sairemos.
Voltando-se para sua mãe, prosseguiu amargurado:
— Eu não gostaria que fosse assim.
Mas a senhora não me deu alternativa.
Talvez, hoje, a senhora não perdeu somente o Jorge, perdeu-me também.
— Do que você está falando, Rafael?!
Dando de ombros, segurou firme a mão de Daniela,
que não teve alternativa e o acompanhou para dentro da bela mansão.
Ao ser recebido por Maria, a empregada, Rafael abraçou-a com carinho, mudando imediatamente seu humor, e apresentando sorridente:
— Lembra-se quando desconfiou que eu estava apaixonado?
Ei-la! E essa a minha princesa!
Daniela, encabulada e confusa com toda a situação, sor riu e repetiu o gesto afectuoso de Rafael, abraçando aquela doce criatura.
— Você é linda, filha! - elogiou Maria.
Que olhos lindos!
Exactamente como Rafael falou!
— Obrigada. Ele fala muito bem de você, sabia?
—Não acredite nele, não! -— brincou Maria, contente.
Voltando-se a Rafael, perguntou:
—O que está acontecendo, filho?
—Vocês ainda não sabem?!
—Do quê?! — indagou Maria; apreensiva, sentindo que algo grave ocorrera.
—Meu pai não contou nada?!
—Ele chegou abatido e subiu.
Os homens... é... os seguranças levaram ele até lá em cima.
O doutor Assis ligou falando que recebeu o seu recado e que estava longe, mas viria para cá o mais rápido possível.
Depois, o Caio chegou assustado, subiu e tá lá em cima até agora.
Levei um chá pra seu pai.
Sabe..., não é que estou fofocando!
E que fiquei preocupada, acho que ele estava chorando.
Mas ninguém falou nada.
—Nem para minha mãe?!
Ela não conversou com ele?
—A sua mãe não subiu para vê-lo.
Ela chegou depois do Caio.
Perguntou se o senhor Paulo estava em casa, só.
Aí eu disse que ele estava no quarto com o Caio e ela não subiu para vê-lo.
Apesar de ter ficado curiosa com o Caio conversando um tempão com o pai.
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Mar 07, 2017 10:20 am

Ela só pegou o telefone e ligou para uma amiga, você sabe quem.
Ficou mais curiosa ainda, por que queria saber o que deixou seu pai nervoso na empresa e a amiga só soube dizer que ele ficou nervoso, mas não sabia o motivo.
Rafael se sentiu gelar, teria de ser ele a dar aquela desagradável notícia?
— Sabe o que é, Maria...
De súbito a sala foi invadida por dona Dolores, a amiga dona Augusta, seu marido Rodolfo, o sócio do senhor Paulo e a filha Cláudia, tendo ao lado dona Augusta.
Daniela se sentiu muito mal.
Rafael que lhe segurava a mão com firmeza, soltou-a para envolvê-la com o braço e seu ombro.
— Não quero fazer cena, meus amigos — informou do Augusta. —
Mas vocês sabem o quanto é desagradável uma visita indesejável, principalmente diante do compromisso de nossos filhos.
O senhor Rodolfo, não dando muita importância às ironias agressivas de dona Augusta, interferiu:
—Quero ver o Paulo!
—Desculpe-me, Rodolfo.
Preciso saber se meu pai quer vê-lo! -— determinou Rafael.
—O que é isso agora, moleque?!
—Sou eu quem pergunto: O que é isso?!
Além do que exijo respeito.
Não sou moleque e o senhor está na minha casa. -— gritou Rafael, firme e investindo alguns passos na direcção do senhor Rodolfo.
—Moleque é todo aquele que não assume a responsabilidade que lhe cabe!!!
—Vadia é toda aquela que não tem moral e não sabe colocar-se no devido lugar, inclinando-se a tudo e a todos! - revidou Rafael, impensadamente.
Caio, descendo as escadas, impediu a agressão física p parte do senhor Rodolfo, que já ia investindo, nervoso, para enfrentar Rafael que, parado, mantinha-se à espera.
— Por favor! Parem! -— repreendeu Caio.
— Agora não hora para isso.
Por favor, senhor Rodolfo, respeite a nossa dor.
O homem, enrubescido pela raiva, ofegava nervoso, porém se conteve.
Voltando-se para Caio, Rafael perguntou:
—O pai lhe contou?
—Sim. Contou.
—Do que vocês estão falando?! -— perguntou dona Augusta, alheia a tudo.
—O Jorge foi encontrado morto, mãe — informou Rafael friamente.
— A senhora dá tanta atenção a seus filhos que nem sabe dizer há quanto tempo ele está fora de casa.
Maria, que presenciava tudo, começou a passar mal, e Daniela correu para ampará-la.
Os outros empregados vieram para ajudá-la.
Dona Augusta ficou paralisada, sentando-se vagarosamente no sofá, como se deslizasse.
Dona Dolores e Cláudia acomodaram-se ao lado, consolando-a.
Rafael pegou Daniela pela mão e disse:
— Vamos. Tenho que ver meu pai e pegar algumas coisas.
Indo primeiro a seu quarto, apanhou uma mala e começou a pegar algumas roupas e pertences pessoais.
Daniela, ainda calada, admirava o luxo das acomodações.
Sem alarme, perguntou calma e timidamente:
— Este quarto é só seu?
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Mar 07, 2017 10:20 am

Sorrindo levemente por perceber a surpresa daquela humilde moça, Rafael afirmou de modo singular, sem exaltar-se:
— Sim. Era só meu.
Olhando-o de modo indefinido, Daniela não articulou nenhuma palavra.
Enquanto ele pegava suas coisas, foi dizendo:
— Eu disse era, porque o estou deixando, definitivamente.
Este é o momento de soltar minhas amarras.
Quero ser feliz.
E, como você pode comprovar, luxo, dinheiro e riqueza nunca foi sinónimo de felicidade.
Nunca fui feliz aqui.
Sempre senti um vazio, uma dor...
Sentia-me incompleto.
Sempre me faltou algo ou alguém que dinheiro algum pôde comprar.
Sabe, se eu não fosse ponderado, pacífico e paciente, teria me perdido em busca de ilusões que julgaria preencher a imensa falta que sentia.
Talvez teria me matado como o Jorge que procurou sua morte, ou me perdido como o Caio.
Daniela não dizia uma única palavra, e ele continuou:
— Quando eu a conheci, logo de cara me apaixonei por você.
Fiquei até com medo.
Achei impossível alguém ser tão... perfeita para mim, como você estava sendo.
Passamos por dúvidas, desilusões, medos, momentos difíceis.
Nada que fosse provocado por nós, mas muitas circunstâncias desagradáveis nos abalaram muito.
Diante de tudo, diante de tantos conflitos, tive a certeza de que você era, mesmo, tão maravilhosa quanto eu imaginava.
Acreditei até não ser merecedor de tanto...
Só que é este o momento definitivo da minha vida.
Como você disse que se casaria comigo, e eu acredito em sua palavra, até porque sinto que você me ama de verdade, decidi mudar radicalmente a minha vida e abandonar, de uma vez por todas, a hipocrisia, a insegurança e tudo o que de ruim experimentei ao lado de pessoas que vivem na falsa idealista de razões vis.
Eu bem que procurei alertá-los.
Estarei sempre presente, de certa forma, pronto para ampará-los quando estiverem prontos e quiserem evoluir.
Não posso ficar aqui.
Tenho que "deixar os mortos cuidarem dos mortos".
Bens materiais luxuosos são coisas mortas.
Até Jesus perguntou:
"quem são meus irmãos?"
Não quero mais essa farsa, esse luxo "pobre".
Colocando-se parado frente à Daniela, Rafael revelou-se, jorrando de si as mais sinceras, sensíveis e grandiosas emoções:
— Você me completa.
Eu não a deixarei por nada deste mundo, nem de outro.
Você é a riqueza verdadeira que preenche meu vazio, que me dá forças para lutar e conseguir meus objectivos.
Quero ser feliz... a seu lado, Dani.
Só serei feliz a seu lado.
Sabe, você é a alma que me completa.
Você é a vida da minha vida...
eu a amo, Daniela.
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Mar 07, 2017 10:20 am

Lágrimas copiosas rolaram pela face de ambos, que somente se olhavam, sem a mínima acção física.
Depois de alguns segundos, a pausa arrancava daqueles corações vibrações vigorosas de tocantes luzes, imperceptíveis maravilhosas, que se projectavam pelas emoções da linda declaração.
Daniela confessou:
— Eu o amo, Rafael.
Impelida por uma força estranha, Daniela aproximou-se dele abraçando-o com muita força, como se pudesse ligar seus espíritos sedentos de amor verdadeiro.
Os soluços provocados pelo choro, impossíveis de serem contidos, saltavam entre o riso de duas almas que, há muito buscavam caminhar felizes em uma só vida, no mesmo ideal.
Sorrindo, mesmo com as lágrimas compridas transbordando-lhes dos olhos, Rafael afagava os cabelos sedosos de sua amada, que apertava em seu peito o rosto choroso.
Aquele abraço regenerador esbanjava extremo amor verdadeiro e foi consolidado por um beijo sublime, adornado de carinho.
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Mar 07, 2017 10:20 am

25 - PRECIOSA ORIENTAÇÃO

Uma pancada suave na porta do quarto de Rafael os fizera voltar à realidade.
Entrando, sem aguardar aprovação, o senhor Paulo observou quando seu filho e Daniela enxugavam as lágrimas, que lhes molhavam as faces.
Devido aos últimos acontecimentos, não estranhou as expressões chorosas que lhe olhavam atentas.
Endereçando a seu pai um olhar piedoso, Rafael perguntou:
— O doutor Assis já o atendeu, pai?
— Ele está com sua mãe.
O doutor Ribeiro, delegado, ligou-me há pouco.
Seu tio José Carlos está cuidando de tudo para nós.
O senhor Paulo estava entorpecido, estampando profundo abatimento.
Daniela, com súbita determinação, não se conteve.
Aproximou-se daquele pai extremamente transtornado que não expunha nenhum gesto ou comentário de revolta e o abraçou, permitindo seu desabafo no choro simultâneo ao contacto de ternura.
Levado a sentar-se na cama de Rafael, abraçado à Daniela, um choro intenso e ininterrupto dominou o senhor Paulo por longos minutos.
Nenhum dos jovens foi capaz de interrompê-lo com palavras de consolo, que se tornariam vãs, diante da dor amarga que experimentava.
Quando o pranto foi suavizando, o homem desabafou:
— Nunca me dediquei aos filhos como devia.
— Renovando fôlego, com profundo suspiro, prosseguiu:
— Fui falho na tarefa de pai e só percebi isso quando fiquei prestes a perdê-lo, Rafael.
— Isso já passou, pai -— considerou Rafael, muito calmo.
— Não, Rafael. Tenho remorso.
Sinto dores por isso.
Nunca fui um pai honroso, dedicado, amável, atencioso.
Quando foi que lhe peguei no colo?
Acreditei que dinheiro conforto seriam o suficiente para lhes dar felicidade.
Muitas vezes, sentia vontade de ficar próximo de vocês, mas um telefonema ou as informações sobre a cotação das acções no mercado, inclinavam-me a atenção para os negócios e eu me esquecia de que tinha filhos.
Quando você me perguntou qual foi a última vez em que entrei em seu quarto ou no de seus irmãos, eu não soube dizer.
Sei que não importa a quantidade de horas que se passa com os filhos, mas sim a qualidade da atenção, do carinho e do amor que se oferece a eles.
Eu não lhes dei qualidade nem quantidade mínima do meu amor.
Antes do seu sequestro, eu queria dirigir sua vida, escolher o que eu achava ser melhor para você.
Quis induzi-lo aos títulos convencionais de respeito que a nossa sociedade hipócrita exige.
Não havia pensado em você como gente, como homem. De repente, parei e observei o quanto eu era infeliz.
A princípio, pela ganância.
Casei-me com uma mulher que até hoje não conheço.
Casei-me só para acúmulo, para a união de fortuna.
Não a via nem a vejo como uma amiga ou companheira com quem eu pudesse compartilhar minhas dúvidas, minhas ideias, meus pensamentos.
Da parte dela, era suficiente eu lhe abastecer de viagens, plásticas, jóias e dinheiro, que lhe fartasse de luxo e alimentasse a vaidade.
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Mar 07, 2017 10:21 am

Que vida inútil levei até hoje, meu filho.
— Fique calmo, pai — pediu Rafael, após afagar os cabelos de seu pai com carinho.
Levantando os olhos avermelhados, ele observou:
— Você nunca fez isso antes.
Sabe por que está fazendo agora?
Por causa dela.
Respondeu ele a própria pergunta, indicando com um gesto singular para Daniela.
— Sabe, pai, eu não acredito que teremos somente esta vida para fazer o que é correto.
Tudo o que temos e sofremos hoje passará.
Tudo é transitório.
Inclusive nossos pensamentos.
Hoje a nossa obrigação aqui é procurarmos melhorar fossos pensamentos e nossas atitudes para não sofrermos mais no futuro.
— Por que Deus nos deixa errar, Rafael?
—Deus é tolerante com as nossas imperfeições.
Ele jamais nos castigará.
Quem vai nos punir, é a nossa própria consciência, pois o ser humano caminha sempre para o aperfeiçoamento.
Aquele que é paciente, manso, pratica as boas acções, vai se elevar primeiro do que os que ainda cultivam mágoa, a tristeza, a ambição, a preguiça de buscar conheci mento e prática da caridade.
Iremos aprender, pai.
O quanto antes despertarmos nossas consciências para perdoar a todos os que nos ofendem, praticar as boas acções, a boa moral nos livraremos de todo esse remorso, de toda essa dor, de todo o vazio que nos consome e escraviza.
Deus é bom e justo, pai.
Sempre há tempo.
Sempre teremos oportunidade, nesta ou na próxima vida.
Se nos for possível.
começar a aprender e praticar a partir de agora, seremos umas criaturas muito melhores na próxima oportunidade e sofreremos menos.
O olhar do senhor Paulo estava perdidamente inebriado, mas seus ouvidos não perdiam uma única palavra de seu filho.
Rafael não estava sendo envolvido por nenhum amigo da espiritualidade, mesmo estando alguns deles ali presentes.
Lucas o observava a pouca distância, enquanto Fabiana Durval e outros contemplavam o sábio esclarecimento.
Isso nos faz perceber que quando um encarnado adquirir sabedoria, fé, absoluta confiança nos ensinamentos de Jesus não necessita estar envolvido ou mediunizado para ofertar boas referências a respeito do amor fraterno e da evolução.
— Se o senhor descobriu agora, pai, que esteve então corrija-se.
Mude seus pensamentos e suas palavras.
Aja conforme seu coração.
— Por onde começo? Acabei de perder um filho!
—Comece com uma prece para esse filho. Dê a ele, nesse momento, o que ele mais precisa.
Posso lhe garantir, pai, não será uma lápide de ouro ou caixão de pinho que auxiliará o Jorge agora.
Ele precisa de amor que o fortaleça para que entenda e se desligue das condições difíceis que, por ignorância, se envolveu.
Esse amor, essa força, esse entendimento grandioso de Deus, de uma Inteligência Suprema que coordena a tudo e a todos, só chegará ao Jorge através das nossas preces, dos nossos desejos de que ele melhore.
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