LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Mar 07, 2017 10:21 am

Choro deprimente, pensamentos de arrependimento pelo que negamos a ele ou pelo que ele fez de errado só o prenderá ainda mais nas condições inferiores em que ele se envolveu.
Em nossas preces é necessário conversarmos com ele como se estivesse encarnado, aconselhando-o para as coisas boas que agora poderá encontrar no plano em que está somente se acreditar em Deus e pedir ajuda desejando ser socorrido.
—Não podemos chorar, Rafael?
—Choraremos, sim, porque sentiremos a sua falta, mas não lágrimas de dor que expressem, através do pranto amargurado, a revolta por tê-lo "perdido" ou, então, mostrem a nossa incompreensão, pois o envolverão em angústia e aflição.
Isso ele já tem de sobra, pai.
Precisamos dar-lhe força e amor para que ele consiga, o quanto antes, elevar seus pensamentos, acreditar em Deus e pedir socorro com verdadeira fé de ser amparado pela espiritualidade superior.
Diante da pausa, o senhor Paulo, ainda mais humilde, requisitou ansioso uma orientação precisa.
Como devo agir agora, Rafael?
—Há momentos, pai, que não devemos agir, devem nos recolher em prece.
—Não sei rezar, filho.
—A oração, a reza ou a prece não necessitam de palavras bonitas ou frases prontas as quais muitos nem entendem o que estão repetindo.
Se não pensarmos mal de ninguém, se não julgarmos e condenarmos as atitudes alheias, se formos tolerantes indicando ao outro um bom caminho, se tivermos o pensamento no bem comum e no amor fraterno, estaremos em prece constante.
Para termos uma ligação constante com Jesus, é necessário essa vigilância, essa disciplina e harmonia em nossos pensamentos, palavras e acções.
O senhor Paulo se levantou, apertando num forte abraço o filho, como se o reencontrasse depois de muito tempo.
Agradeceu-lhe todo o carinho e orientação somente com um olhar em que as lágrimas quase transbordaram, e um sorriso triste disfarçou a dor que padecia.
Caminhando em direcção à saída, o pai, um pouco mais conformado, deteve-se e perguntou:
— Para que as malas, Rafael?
Para onde está indo?
Rafael sorriu optimista, procurando não passar a seu
pai o sentimento de mais uma perda com sua saída daquela casa.
Sem reclamar de sua mãe ou de qualquer outra coisa, esclareceu:
— Estou triunfando, pai.
— Não entendi, Rafael.
— Quero começar uma nova vida e deixar essa casa será um bom começo.
Sou-lhe grato, imensamente grato por tudo, pai, mas preciso alicerçar minha vida e construir meu futuro.
—Vai morar com a Daniela?
—- Não sei ainda.
— Com suave sorriso, deixou claro:
Talvez eu não vá morar com a Daniela, mas, se a dona Antónia permitir, irei morar na casa delas.
É diferente. Com a Daniela vou me casar.
O senhor Paulo deu um sorriso agradável e lembrou:
— Não se esqueça de me convidar para o casamento.
Você está tomando a atitude mais correta de sua vida, Rafael.
Desejo-lhes sorte.
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Mar 07, 2017 10:21 am

—Obrigado, pai.
—Deixe-me ir ver como estão as coisas -— tornou o pai, comovido novamente.
— Por favor, não me dê adeus.
Rafael pendeu a cabeça positivamente e completou:
— Não darei, a senhor não está me perdendo.
Acredito sim que agora vai passar a ter-me como filho.
Depois de arrumar suas coisas e levá-las para o carro, Rafael voltou para ver como estava a situação.
Dona Augusta, instalada em sua cama, recebia todo o atendimento possível com muita comodidade.
Abrindo a porta da suíte, depois de bater levemente, Rafael espiou com meio corpo para dentro.
Ao ver sua mãe deitada, indagou:
— A senhora está bem, mãe? -— perguntou ele, arrependido por tê-la tratado tão asperamente.
~ Ainda estou muito mal.
Não acredito no que aconteceu.
Sente-se aqui, Rafael.
Ao abrir totalmente a porta, dona Augusta viu Daniela com ele.
Com os olhos arregalados, a orgulhosa mulher não sabia o que dizer.
Rafael entrou e puxou consigo Daniela, que segura pela mão relutava, discretamente, em acompanhá-lo para dentro da suíte.
Educado e gentil, Rafael avisou:
—Estou indo para a casa da Daniela.
A dona Antónia deve estar muito preocupada.
Precisamos dar uma satisfação.
Amanhã cedo -— e olhando no relógio, rectificou —- isto é, daqui a pouco, voltarei para ajudar em alguma coisa.
—Você está indo embora? -— perguntou a mãe, melancólica.
— Sim mãe. Estou indo.
Não perdendo a oportunidade de agredir, dona Augusta informou:
— A Cláudia saiu daqui e foi para o hospital.
Ela passou muito mal com a discussão entre você e o pai dela.
Tenho medo de que ela perca meu netinho.
Rafael, mesmo magoado, não se deixou perturbar e tentou dar outro rumo à conversa.
— Se precisarem de mim, liguem para o celular.
O Caio e o pai sabem onde estarei e...
— Você não vai até o hospital ver se seu filho está bem?
Percebendo a alteração de Rafael, pela respiração ofegante e enrubescimento rápido, Daniela interpôs-se:
— Calma, por favor.
Colocando-lhe a mão no peito, sussurrou: —
Ela está desequilibrada pelo que aconteceu ao Jorge.
Não lhe dê atenção.
Parecendo não ouvi-la, Rafael respondeu firme:
— Ninguém pode afirmar que esse filho que a Cláudia espera seja meu.
Muito menos a senhora.
—A Cláudia pode afirmar. Ela é a mãe!
—Por favor, mãe.
Não me magoe mais.
A senhora não percebe?...
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Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Mar 07, 2017 10:21 am

Decepcionado, Rafael virou as costas e levou Daniela consigo.
Já era madrugada quando eles chegaram à casa de Daniela.
Procurando não fazer barulho, ela abriu vagarosamente a porta e ambos entraram.
Tomando uma cadeira da cozinha, Rafael se sentou.
Debruçando-se sobre a mesa, escondeu o rosto como se pudesse fugir de tamanho pesadelo.
— Vou preparar um chá para nós -— disse Daniela, prestativa.
Rafael não se dispunha a nenhum comentário, entorpecendo-se em profundo abatimento.
Ofertando-lhe uma caneca com chá fumegante, Daniela considerou:
— Beba, Rafael.
Coma também alguns biscoitos.
Você não se alimentou hoje.
Ele se ergueu e a fitou longamente, contemplando-a com carinho.
A luminosidade, em densa madrugada, vinda da cozinha, despertou dona Antónia que, preocupada, foi verificar o que acontecia.
—Oh! Mãe! Desculpe-nos tê-la acordado.
—Isso são horas? — cobrou-lhe a mãe, sussurrando.
—A culpa foi minha, dona Antónia.
A Dani bem que desejou voltar para casa, mas eu pedi que ficasse comigo.
Sem rodeios, Rafael informou:
— Aconteceu algo terrível.
Meu irmão mais novo, o Jorge, morreu.
Dona Antónia estarreceu.
Ponderou e se lembrou de quanto Rafael cooperou quando Denise adoeceu e desencarnou.
— Tome um pouco de chá, mãe -— solicitou Daniela, oferecendo à sua mãe uma caneca.
Aceitando a oferta, dona Antónia considerou:
—É uma dor muito grande...
—É sim, dona Antónia. Estou tão arrasado!
— Às vezes penso que Deus se esqueceu de nós, meu filho. Você também não acha?
Ao sentir a conversa caminhar para a melancolia e aflição, Daniela não esperou Rafael responder.
Inquietou-se com súbita animação, que pareceu estranha a todos, e exclamou:
— Pois bem!
Se Deus se esqueceu de nós, agora mesmo faremos com que Ele se recorde! -— disse Daniela, com um elevado brilho em seu olhar, esboçando singelo e agradável sorriso.
Rafael e dona Antónia, com olhos arregalados, surpreenderam-se com a energia optimista e invasora, que impulsionou Daniela a ir para o quarto e voltar rapidamente com O Evangelho Segundo o Espiritismo entre as mãos.
Um largo sorriso expandido em seu rosto dilatava energias revitalizadoras naquele recinto tão denso pela tristeza dos últimos acontecimentos.
Dona Antónia, que ultimamente se recusava a qualquer evangelização, ficou imobilizada e isenta de palavras que pudessem deter a filha.
Daniela indicou que sua mãe ocupasse uma cadeira próxima da mesa e sentou-se em seguida entre ela e Rafael.
Ela, ao fazer a Prece Inicial naquele Evangelho no Lar, pediu o amparo de Deus, para que todos pudessem ser revigorados com as bênçãos do entendimento:
— Senhor! -— rogou Daniela
— Aqui estamos reunidos para Um Evangelho no Lar.
Rogamos, Pai Bendito, que este seja um santuário doméstico onde Suas bênçãos possam nos envolver a todos.
Pedimos, Pai Celeste, que os ensinamentos do Mestre Jesus contidos nesse Evangelho, possam ser entendidos por nós e, cada um, em particular, possa praticá-las gradativamente nas experiências diárias.
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Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Mar 07, 2017 10:22 am

Que os nossos pensamentos, palavras e acções possam irradiar as luzes aqui recebidas, que possamos estender, em Seu nome, a caridade e o amor a todos os nossos irmãos.
Somente assim caminharemos a passos largos rumo à felicidade verdadeira e experimentaremos alegria em nossos corações.
Que assim seja!
Durante esses poucos minutos de prece, antes da leitura do Evangelho de Jesus, houve uma dilatação de energias salutares que atraíram, em fracção de segundos, espíritos enobrecidos e à altura daquele potencial de verdadeiro amor e boa vontade.
As mentes vibravam na mesma sintonia, desejosas de amplas elucidações benéficas, entrelaçavam-se no mesmo ideal.
A leitura, bem pausada e firme, do Evangelho clareou aquela casa na espiritualidade onde, a princípio, pelos pensamentos presos às tristezas, reinavam as sombras de espírito ignorantes e interessados no domínio das vidas alheias.
Contudo Daniela, imprimindo bondade, ternura e amor em suas palavras, estendia o esclarecimento robusto e angélico do Evangelho de Jesus no evidente intuito de restaurar a fé e esperança no coração de todos, encarnados e desencarnados.
Bondosamente, amigos espirituais, portadores de grande amor, foram chamados para o trabalho cuidadoso de remover, daquele santuário doméstico, todos os desencarnado que ali se acolhiam com propósitos menos dignos.
Na espiritualidade, os esforços conjugados desligara através de operação magnética, os liames produzidos pelas dores e choros lastimosos e depressivos de dona Antónia, que prendiam a filha desencarnada.
Denise, em estado deplorável, cadavericamente deformada e sofrida, estava inerte.
Envolvida com carinho, foi entregue nos braços de um nobre trabalhador espiritual que conduziu a um local adequado para sua recuperação e refazimento perispiritual.
Alguns espíritos que influenciavam dona Antónia e doavam fluidos malignos, fugiram assustados.
Eles nunca viram nada semelhante.
Por ignorância, acreditavam ser os únicos espíritos naquela casa e se julgavam no comando da situação.
Outros, porém, paralisaram-se, como se sofressem o efeito de um choque pelos pensamentos adversos ao conteúdo nobre daquele instante.
Estes foram conduzidos para local adequado ao nível e entendimento espiritual que possuíam.
A fé fervorosa de Daniela, com aquela prece sentida arrancou de seu peito verdadeira esperança e amor, atrai.
O socorro benéfico, a cooperação activa e o amparo da espiritualidade maior.
Era chegado o momento de patrocinarem condições de vida e trabalho àquela jovem de alma abençoada que, diante de tantas dificuldades provadas, resguardou-se em fé absoluta e acreditou ser sustentada a todo instante, sem se queixar de suas condições em nenhum momento.
Ao terminar a explicação da leitura do Evangelho, Daniela propôs:
—Mãe, a senhora pode nos dirigir em uma prece de agradecimento?
—Mas... há tempos eu não faço preces... — desculpou-se a mulher.
—Mãe, se suas próprias palavras ficarem difíceis de sair, faça a prece que Jesus nos ensinou: Pai-Nosso.
Dona Antónia sorriu e aceitou amável.
Findado o culto de O Evangelho no Lar, os espíritos amigos ofertaram fluidos salutares para todos os presentes, inclusive a Carlinhos que dormia calmamente no quarto.
Todos estavam mais revigorados e tranquilos.
Extasiados, logo em seguida, todos foram dormir.
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Mar 07, 2017 10:22 am

No plano espiritual, o espírito Lucas, com largo sorriso no rosto, não se conteve e abraçou Durval exibindo sua satisfação jubilosa.
Fabiana, esboçando sorriso generoso, acrescentou sabiamente.
— Agora este lar está repleto de amor e fluidos revitalizadores de estímulos que hão de lhes fortificar na esperança e na boa vontade em servir.
Contudo é preciso lembrar que a conservação dessa harmonia construtiva terá que ser mantida pelos pensamentos benéficos de todos, pois nós atraímos tudo que pensamos.
É certo que estaremos aqui em cada Evangelho no lar como sempre estivemos, para lhes dar assistência e renovar o ânimo de acordo com o merecimento e a necessidade.
Durval também alertou:
— Meus queridos, a vitória ainda não foi conquistada.
O trabalho verdadeiro de apoio, que necessitará de grande arrimo de nossa parte, não se iniciou ainda.
Em breve, Daniela o abraçará com amorosa dedicação.
Entretanto, antes desse acontecimento, momentos críticos estão por vir.
Nós nos uniremos em prece ao Pai Celeste rogando por bênçãos que os amparem.
Lucas, agora com o semblante mais sério, pendeu a caça positivamente, e Durval prosseguiu esclarecendo a todos.
— Queridos companheiros de tarefa, lembremos: a partir de agora este lar está sob o nosso domínio de vigilância.
Precisamos preservá-lo para ser garantido o equilíbrio na tarefa que Daniela há de desenvolver no Centro Espírita, pois ela, como grandioso espírito, candidatou-se não somente ao amparo da mãe e dos irmãos nesta reencarnação, mas também ao construtivo trabalho de preservação da pureza e divulgação amorosa da Doutrina Espírita.
Sua nobre tarefa será desenvolvida na Casa Espírita.
Todavia seu lar não passará de uma extensão do Centro Espírita, onde todo tarefeiro equilibrado e responsável se resguarda e se revigora.
A harmonia no lar é muito importante.
Queira Deus que a partir de agora todos aqui a conservem porque o trabalhador Jesus começa a receber Suas bênçãos em sua própria casa e se esta não se preservar em paz, será difícil garantir-lhe a recepção dessa graça divina.
— Infelizmente Durval -— acrescentou Lucas —- actualmente muitos irmãos encarnados querem, por livre e espontânea vontade, acrescentar actos místicos e práticas estranhas ao Evangelho no Lar.
Isso tanto é desnecessário como perigoso.
Se o próprio Mestre Jesus nunca solicitou comunicação do Santo Espírito, por que, então, nós, pobres espíritos endividados, solicitaríamos ajuda, orientação ou recados de espíritos desencarnados que, talvez, estejam em condições inferiores à nossa?
Quando encarnados, não sabemos o que temos a nossa volta.
Precisamos de tantas instruções!
***
Quando buscarmos harmonia construtiva no Evangelho, confiemos no silêncio Divino da Sabedoria Suprema.
Não solicitemos exibições da espiritualidade.
Desconhecemos o que temos a nossas bênçãos na realização de um Evangelho no Lar são obtidas através da fé verdadeira, da elevação dos pensamentos com a prece sentida e a mudança de nossas palavras e acções, com os ensinamentos de Jesus que propomos a seguir, conforme aprendemos no Seu Evangelho.
Devemos pedir socorro ao Pai celeste diante dos supostos males da vida.
Contudo precisamos ser pacientes, ter fé, esperança e solicitar instruções meritórias de confiança para não sermos enganados.
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Mar 07, 2017 10:22 am

O Evangelho de Jesus é o alimento renovador das nossas vidas.
Como nos conta o amigo Neio Lúcio, no livro Jesus no Lar, o primeiro Evangelho no Lar foi realizado por Jesus.
Recolhido em casa de Pedro, seu apóstolo, esse Mestre querido, desejoso de atalhar o assunto da conversa improdutiva e menos edificante, tomou em suas mãos os sagrados escritos e perguntou amoroso:
— Simão, que faz o pescador quando vai para o mercado com a pesca do dia?
— Mestre, ele escolhe os peixes melhores.
Ninguém compra os que não estiverem bons.
Jesus com sorriso bondoso, perguntou novamente:
—E o oleiro? Como faz para realizar melhor a tarefa a que se propõe?
—Mestre, ele modela o barro, imprimindo a forma que deseja.
—E o carpinteiro para alcançar o trabalho que pretende?
—Lavrará a madeira, usará a enxó, o serrote, o martelo e o formão.
De outro modo, não chegará à perfeição na madeira bruta.
O silêncio fez-se por alguns instantes e o amoroso Mestre logo instruiu:
— É assim o nosso lar no mundo.
A nossa casa é a primeira escola da vida.
Nosso lar é o lugar onde aprendemos e cultivamos o que ofertamos ao mundo.
Se o pescador e o comerciante escolhem o que vendem, pois sabem que ninguém quer resíduos, se o marceneiro prepara a madeira antes de trabalhar com ela, como esperar um mundo bom e de paz a nossa volta se não aperfeiçoamos o nosso próprio lar em harmonia amor?
A paz no mundo se inicia sob o tecto que nos acolhe e nos serve de morada.
Se não vivermos em paz e não buscamos nos harmonizar entre as paredes que nos cercam, como exigir a paz no mundo?
Se não amamos e compreendemos o irmão mais próximo, o qual vemos e convivemos lado a lado, como podemos amar a Deus que ainda não compreendemos e nos parece tão distante?
Pedro -— continuou o amigo Excelso —- se é na mesa, que recebemos, do Pai Celeste, o alimento para cada dia, por que não nos acomodarmos ao seu redor para cultivarmos o entendimento sobre as verdades e o amor que nos conservará os pensamentos de paz e harmonia?
Se sobre a mesa o Pai nos dá o pão, sobre ela Ele também nos dará a luz.
Simão Pedro olhou para o mestre e aceitou timidamente:
— Mestre, seja feita a sua vontade.
Foi assim que Jesus convidou os familiares para uma palestra edificante e reflexão elevada.
Desenrolando os sagrados Escritos de Moisés, abriu, então, na Terra, o primeiro culto cristão no lar.
Podemos ver que o Evangelho não foi instalado nas agitadas aglomerações, mas no simples lar dos mansos e humildes, com amor e serenidade.
Jesus disse que não veio destruir a Lei, mas sim cumpri-la, isto é, desenvolvê-la de acordo com a compreensão dos homens daquela época.
O Espiritismo não veio destruir a Lei Cristã, mas sim dar-lhe execução e esclarecimento.
O Espiritismo não prega nada contrário do que Jesus nos ensinou, porém dá o entendimento dos homens desta época.
O querido Mestre Jesus, com toda a sua sabedoria, não disse que precisaríamos de algo a mais além dos estudos, da conversa saudável e pensamento elevado, daquilo que nos fortalece o espírito.
E o Espiritismo não nos ensina diferente.
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Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Mar 07, 2017 10:22 am

26 - AMARGA REVELAÇÃO

Dona Antónia aceitou que Rafael ficasse em sua casa.
Ela e a filha dividiam a cama de casal no quarto para não incomodar Carlinhos com uma beliche.
Ele não gostava.
Rafael, por sua vez, acomodava-se na cama de Daniela que ficava na sala.
Após o enterro de Jorge, com o passar dos dias, cada qual retomou sua vida normalmente.
Rafael conversou com seu pai sobre sua saída da construtora.
O senhor Paulo lamentou, pois estava passando por períodos conturbados quanto ao andamento dos serviços e entrega das obras.
—Tem certeza, Rafael?
É isso mesmo que você quer? Sair da empresa?
—Sim pai — afirmou sentido, mas convicto de que era a melhor decisão.
—Está certo — aceitou o pai, com expressão satisfatória. Tornando-lhe em seguida:
— A propósito, o delegado Ribeiro quer interrogá-lo novamente.
—Ah, não! -— lamentou.
— Estou farto de prestar depoimento sobre o sequestro que já acabou.
Não resultaram em nada as investigações feitas até agora.
—Não é sobre o sequestro.
É sobre a morte do Jorge.
—Como assim?! -— alertou-se Rafael, confuso.
—Você e a Daniela, em seus depoimentos, sempre afirmaram não ter ouvido nomes ou visto rostos.
Disseram que sempre os mandavam cobrir os olhos.
Refizeram por umas três vezes a reconstituição da fuga, mas foram incapazes de localizar o lugar do cativeiro.
—E o que isso tem a ver com o Jorge?
—Acreditam que há uma ligação entre seu sequestro e a morte do seu irmão.
—Por quê?
— Vingança, talvez.
Rafael se sentiu gelar.
Um torpor o estonteou.
Daniela, pela febre e seu estado extremamente enfermo, não vira ou se lembrava de nenhum rosto ou nome.
Ela ficou muito confusa, mas ele havia mentido para não comprometer seu irmão.
Não sabia o que fazer agora.
Porém, com veemência, reagiu aos sintomas que poderiam acusar a sua mentira no depoimento prestado à polícia.
—Não. Jamais haveria um motivo para se vingarem de nós dessa maneira, pai.
—A técnica encontrou um bilhete no bolso do Jorge.
Já compararam e a letra não é dele.
— O que dizia?
— Algo sobre:
"Eu disse que vingaríamos em seu irmão tudo o que você fez com o nosso.
Só não dissemos qual irmão".
Com grande sentimento de culpa, que passou a invadi-lo, Rafael procurou disfarçar:
— O Jorge era moleque, pai.
O senhor sabe como é... esse bilhete pode não ser nada.
Preocupado, Rafael voltou a perguntar:
—O Caio sabe?
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Mar 07, 2017 10:23 am

—Sim. Ele sabe.
Também foi solicitado o seu depoimento.
Quando percebeu que o filho se levantava para ir embora, o senhor Paulo perguntou:
—Como está indo lá na casa da Daniela?
—Bem. Tudo está muito bem.
—É diferente, não? Sorrindo, esclareceu:
— Muito diferente, pai.
É curioso, mas sobra tempo todas as noites antes de dormir para contarmos como foi o dia, rimos, brincamos, oramos...
Surpreso, o senhor Paulo franziu o semblante estranhando e perguntou:
—Não sente falta do conforto que possuía, Rafael?
Você tinha tudo!
—O melhor conforto é a consciência tranquila e um trabalho honesto para se fazer.
Pode-se ser muito feliz sem os bens materiais.
Se bem que eu tenho planos para com aquela casa.
— Pretende se casar logo?
— Por mim, o quanto antes.
E como percebo que teremos de morar ali, penso em uma boa construção naquele terreno.
—E um bom terreno, só que a localização...
—Depende do que se pensa em fazer ali.
—O que você tem em mente?
— Ainda não sei bem...
Existe uma grande montadora de automóveis bem perto e uma multinacional!
—E?...
—Todos necessitamos de alimentação!
—Não entendi ainda, Rafael!
—Restaurante! -— respondeu, sem hesitar.
Com sensível descontentamento, seu pai argumentou:
—Ora, Rafael! Pensei que sonhasse mais alto.
Valorize-se! Você é um engenheiro, meu filho!
—Não serei um cozinheiro, pai.
Posso garantir-lhe.
Além do mais, não me dou bem em uma cozinha -— explico ele sorrindo.
— Estou querendo é garantir uma estabilidade e uma vida melhor para dona Antónia, Carlinhos e Daniela.
—Como você concebeu essa ideia?
—Dona Antónia cozinha muito bem.
Aí eu pensei a sim: se derrubasse aquela casa, teríamos um estacionamento na frente ou até embaixo.
Em toda a parte térrea ficaria a cozinha e o restaurante, propriamente dito.
Faríamos um ou dois andares acima, uma entrada independente pela lateral, o que garantiria uma confortável residência e um espaço com play-ground ou quintal para o Carlinhos e meus filhos.
—E você? Onde se encaixa nisso tudo?
—Não pretendo deixar a engenharia.
Gosto do que faço.
—Caio me disse que você vai vender seu carro.
Precisa de dinheiro?
—Tudo isso que lhe contei é o maior projecto.
Mas precisamos de melhores acomodações.
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Mar 07, 2017 10:23 am

Quando fui morar lá, tirei mínimo de conforto que Daniela tinha, que era de dormir sozinha em uma cama na sala.
Fiquei com sua cama e ela dorme com a mãe.
O menor projecto é que o valor do meu carro vai cobrir uma boa reforma naquela casa, até conseguirmos...
— Não venda seu carro.
Case-se com a Daniela e terá esse seu "maior projecto" como meu presente de casamento.
A felicidade de Rafael foi tamanha que lhe faltaram as palavras.
Incrédulo ele perguntou:
—Mesmo, pai?!
—Mesmo — afirmou seu pai, estampando singular sorriso.
— Vá em frente. Case-se.
—É que... Bem, a Dani não quer concordar em casarmos agora.
Ela quer que eu assuma o filho da Cláudia primeiro, isto é, se for meu.
—Ora, Rafael!! Por favor!
—É verdade, pai.
Tenho certeza de que ela não vai mudar de ideia.
Principalmente se eu disser que é para ganharmos alguma coisa em troca e...
—Já entendi. Está certo.
Dou-lhes o presente antes do casamento.
Converse com a dona Antónia.
Mudem-se de lá para a demolição e venha pegar "carta branca" comigo para iniciar a obra.
— Brincando, ele completou:
Não esqueça de encontrar um bom engenheiro para fazer o projecto.
Rafael se levantou e abraçou seu pai, trocando tapas nas costas como dois bons amigos.
Antes de ir embora, Rafael perguntou:
—E a mãe, como está?
Há três dias não a vejo e quando ligo, ela já saiu.
—Melhor do que você pode imaginar.
Apesar de estar chateada.
—Por quê?
—Sua mãe tinha planos de ir para a Europa.
Primeiro seu sequestro atrapalhou, agora a morte do Jorge.
Sabe como ela é! -— respondeu ele, ironicamente.
—Puxa! -— lamentou Rafael.
—É verdade.
Ela tem medo de ir viajar e os outros pararem.
***
Com o correr dos dias, dona Antónia acabou concordando com a ideia da construção, principalmente por Rafael afirmar que, se não conseguissem montar um restaurante, poderiam alugar o imóvel para quem o quisesse e teriam uma renda melhor e garantida.
Daniela ficou contente, mas sem muita empolgação.
Ela era muito conservadora.
Assim eles mudaram, provisoriamente, para uma casa alugada nas proximidades, enquanto era feita a construção.
Com o passar do tempo, Rafael foi chamado por seu p até o escritório, pois já havia começado a trabalhar em outro empresa e quase não tinha tempo livre, permanecendo ausente por dias.
—Consegui dar uma escapadinha mais cedo para até aqui -— justificou-se Rafael ao pai e ao irmão, assim que chegou ao escritório da construtora.
—Como está a construção? — perguntou Caio.
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Mar 07, 2017 10:23 am

—Perfeita! -— respondeu, optimista.
— Também tem que admitir a exímia capacidade do engenheiro projectista, vocês não acham? — brincou ele, vangloriando-se.
percebendo que tanto seu pai como seu irmão estavam com semblante amargurado, Rafael perguntou firme:
— O que aconteceu?
Caio e seu pai trocaram olhares expressivos e o senhor Paulo solicitou:
— Sente-se. O assunto é sério.
Aceitando o convite, Rafael pediu:
—Não me matem de preocupação.
O que está acontecendo?
—Bem — começou seu pai —- eu coloquei um detective particular para tentar descobrir alguma coisa que o auxilie a lembrar ou desvendar aquela noite em que você foi parar naquele apart-hotel embriagado e não sabe dizer o que aconteceu.
— O que descobriu? -— perguntou afoito.
— Ele não informou muitas novidades.
Deseja trabalhar mais no caso e conseguir provas mais concretas. Isso é justo.
— Isso quer dizer que fico na mesma?
—De certa forma...
Mas não foi por isso que o chamei aqui.
—Fiquei sabendo que estão passando por alguns problemas aqui na construtora.
— Também não é por isso -— afirmou seu pai.
O senhor Paulo adoptava certo mistério por não saber como contar a Rafael o que era preciso.
— Eu o chamei aqui, porque creio que o Rodolfo pode ir Procurá-lo.
— Não! Não mesmo!
A Cláudia é maior de idade.
Se eu tiver de assumir algum compromisso, será com a criança, e será meu filho!
— A Cláudia é portadora do vírus da Aids.
Rafael empalideceu, fechou os olhos.
Seus lábios esbranquiçados e o pender de seu corpo na cadeira indicaram perda dos sentidos por alguns segundos.
— Rafael!!! -— gritava Caio, chamando-o à consciência.
Ele não conseguia reagir e se largava ainda mais.
Passados alguns minutos, a custo, Rafael tentava pronunciar algumas palavras que não se faziam ouvir com nitidez.
Abriu os olhos negros, onde puderam ver o brilho das lágrimas que brotaram.
—Você está bem, filho?
—Como posso estar bem?! Como?!
—Não fique assim, Rafael! -— pediu-lhe o irmão, d mostrando firmeza.
— Você nem sabe se teve algum contacto com essa mulher.
A não ser antes daquele dia.
—Não! Nunca! -— afirmou Rafael.
— Mas é que, naquela noite eu bebi muito.
Não consigo me lembrar de nada.
Sabendo desse sério problema agora, a Cláudia não brincaria, ela está condenada... o que ela diz?
—Ela afirmou ao pai, categoricamente, que vocês se relacionaram naquela noite e que o filho que ela espera é seu informou seu pai. —
Acho que ninguém mentiria diante de uma realidade tão difícil como essa.
O que você diz, Rafael?
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Mar 08, 2017 10:42 am

—É algo grave demais.
É muita amargura de alguém mentir sem piedade.
Infelizmente acho que ela está falando sério.
Deve ser verdade o que ela diz -— lamentou Rafael, perplexo.
—Calma, filho. Não sei o que dizer ou fazer.
Estou atordoado também.
— Vendo Rafael completamente desorientado e infeliz, perguntou:
— Você está melhor?
— Não. Tantas ideias... tantos planos... tantos projectos... sonhos...
Não é fácil se ver como um condenado diante de tanta coisa a fazer.
Caio não se conformava, por isso insistiu:
—Será que ela não o drogou, Rafa?
—Não sei.
—Se ela usou alguma droga, junto com a bebida para entorpecê-lo, com certeza, não deve ter acontecido nada e ela o pegou com uma armadilha e agora não quer retroceder.
Ela não tem nada a perder.
—Seria impossível alguém ser tão perverso assim! acreditou Rafael.
— Não há qualificação para alguém ser capaz de mentir num caso desse.
Estou atordoado, mas acho que ela não faria isso.
—E a Daniela, corre algum risco? -— preocupou-se o senhor Paulo.
—Felizmente, não. Posso garantir.
A não ser que beijo na boca seja transmissor desse vírus maldito.
Abaixando a cabeça entre os joelhos, entrelaçando os dedos na nuca, Rafael começou a chorar em silêncio.
Caio se abaixou perto dele, confortando-o:
— Eu tenho fé, Rafael.
Não houve nada.
Não fique assim sofrendo por algo que você não tem certeza.
— Mas, Caio!...
— Amanhã cedo eu vou com você ao médico e ao laboratório para fazer os exames.
—O que digo para a Dani?
—Melhor não dizer nada, filho — aconselhou seu pai.
—A mãe sabe?
— A Dolores não tem ido a nossa casa.
Não sei dizer se elas conversaram.
Rafael estava desconsolado.
Caio o acompanhou até em casa.
Procurou animado em vão.
Rafael se envolvia em um campo de angústia e incerteza.
Parados em frente da casa, os irmãos conversavam no carro.
—Veja só, Caio, o que a maldita bebida pode faz connosco!
—Não é só a bebida, Rafa.
As drogas também nos consomem.
—Estou lembrando... frequentei tantos bares, tantos em baios.
Via jovens agitando, bebendo, fumando, drogando-se, só porque é algo notável, é algo que faz parte da vida moderna.
Eles, ou melhor, nós fazemos tudo isso porque não temo opinião própria, porque temos preguiça de procurar bons ensinamentos e vergonha,
principalmente, vergonha de assumi um comportamento moralista, decente, digno de ser humano.
Quantos jovens, quantas pessoas adultas; pelo encanto de um momento, pela ilusão de um segundo, acabam com suas vidas, condenando-se ao sofrimento sem cura por uma vida inteira.
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Mar 08, 2017 10:42 am

Estou magoado, decepcionado comigo mesmo, por não ter tido opinião própria.
—Pare com isso, Rafael.
Você estava bêbado e nem sabe o que aconteceu.
—É por isso mesmo, Caio.
Não fiz a minha vontade, a minha opinião prevalecer.
Sei que a bebida alcoólica é prejudicial.
Não queria beber, mas, devido à insistência dos outros, sempre acabava aceitando.
Não sei como, diante de tanta fraqueza, não comecei a usar drogas.
Talvez não tenham me oferecido tanto.
—É verdade, Rafa.
Quando temos opinião própria, não temos vergonha de fazer o que é certo e. assumir uma posição definitiva na nossa opinião.
—O duro mesmo é que só descobrimos que devemos ter mais moral, mais personalidade, quando nos assolamos nas amarguras angustiosas. Estou aflito, desesperado.
— Calma, Rafa.
— Nunca tivemos uma reunião de família onde pudéssemos trocar uma ideia, conversarmos sobre os factos da vida, sobre as dúvidas, os problemas e as dificuldades que podemos sofrer se não tomarmos cuidado.
A falta de comunicação entre pais e filhos, a orientação deles para o que é certo, o ensino da boa moral, tudo isso faz muita falta.
Pensei que pudesse dar aos meus filhos tudo o que eu não tive.
Brincar com eles, conversar sobre o que lhes interessar, ensinamento moral, principalmente.
Mas agora, porque me faltou opinião própria, porque me faltou moral, talvez eu não possa.
Suspirando fundo, Rafael olhou para o tecto do carro tentando evitar as lágrimas que teimaram a correr pelos cantos de seus olhos.
— Sabe, Caio, às vezes fico pensando que todos dizem amar a Deus e acreditar em Jesus.
Mas onde está o ideal Cristão?
Todos se matam diariamente com um gole de bebida, uma tragada de cigarro, uma dose de droga, um sentimento de raiva pela impaciência no trânsito, fofocas que tecemos com as quais nos prejudicamos.
Isso não é amar a Deus.
Não é acreditar em Jesus.
Se acreditássemos em Jesus, faríamos o que Ele ensinou e começaríamos a amar a nós mesmos, mas veja, nós nos suicidamos aos poucos, a todo instante.
Depois chegamos a ponto de acusar Deus pelo nosso sofrimento.
De súbito, Daniela alegre os surpreendeu:
— Oi! Por que não entram?! Vamos!
Caio desceu do carro rapidamente para que o irmão ganhasse tempo para se recompor.
— Olá, Dani! -— cumprimentou Caio.
Rafael, sem se preocupar em disfarçar a tristeza, estampava no rosto a angústia da sua decepção.
Vendo-o abatido, Daniela perguntou:
—O que aconteceu?
—Vamos entrar — propôs.
Lá dentro eu lhe conto.
Vamos, Caio?
—Não, obrigado.
Vou indo -— em seu olhar, pedia a Rafael que não revelasse à Daniela o ocorrido, porém ele não se preocupou com o desejo do irmão.
—Obrigado pela carona.
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Mar 08, 2017 10:42 am

Amanhã eu o aguardo para ir mos ao médico e depois você me deixa na construtora para e pegar meu carro que ficou lá.
—Está bem — concordou, incrédulo com a frieza d Rafael.
— Tchau, Caio! -— despediu-se Daniela.
Dentro de casa, Rafael assolava-se em desespero amargo, sem exibir sua dor com acções ou palavras revoltantes.
— O que foi? -— perguntou Daniela com inflexão triste aguardando notícias desagradáveis pelo comportamento estranho de Rafael.
Desapontado, encarou-a com o olhar extremamente piedoso e, criando coragem, contou-lhe tudo.
Mesmo sensibilizada, Daniela arrancou de si a coragem que desconhecia ter e afirmou:
— Nada vai me separar de você agora.
Não o deixarei por nada deste mundo, nem de outro.
Mesmo que tenhamos de viver como dois irmãos, se for preciso.
Isso é, se você estiver contaminado.
Rafael, eu amo você.
Amor verdadeiro não depende de condições físicas para ser expressado.
O amor verdadeiro não faz exigências, respeita os limites do outro.
Eu não acredito que você esteja portando esse vírus.
— Por quê?
—Não sei explicar. Sinto.
—Estou tentando ouvir dos amigos espirituais alguma resposta, mas é como se eles estivessem em greve.
Eu não os ouço. Não me dão respostas.
—Se você diz que não os escuta, que não tem nenhuma resposta, você é um médium fiel.
Os amigos espirituais verdadeiros não nos dão respostas para tudo.
Essa deve ser a sua prova de equilíbrio, aceitação e harmonia.
—Pode ser um teste?
—Eu não disse isso.
Porém podemos ser testados a todo instante para saber se estamos preparados para aceitar ou desenvolver algum trabalho importante.
Rafael, tímido e desapontado, pendeu a cabeça concordando.
Segurando seu rosto com ambas as mãos, Daniela o fitou longamente, bem de perto.
Com suave semblante amoroso afirmou:
— Aprenda com mais essa lição e prometa a si me mo ensinar a tantos outros em seu caminho a prática da b moral, dos bons costumes e da caridade, porque sem isso muitos poderão carregar o peso intenso, na experiência corpórea, por ter sentido vergonha e não assumido a sua opinião verdadeira, no instante em que alguém lhe ofertou algo duvidoso.
Diante da dúvida, o melhor que temos a fazer é... nada!
Mesmo quando outros rirem de nós, achando-nos antiquados, quando recusamos álcool, drogas, sexo, cigarros, companheiros duvidosos à boa moral e outras coisas mais.
A dúvida ou o medo são, muitas vezes, o sinal vermelho que devemos respeitar e parar.
— Desculpe-me, Dani, por não tê-la compreendido antes, tentando invadir seus limites.
Não a respeitei. Fui tão insistente.
— Não peça desculpas. Você foi a maior tentação minha vida.
Tantas dúvidas, insegurança, medo eu senti por fazer valer a minha opinião.
Pedi tanto a Deus que me ajudasse.
Eu não queria perdê-lo, mas não podia ir contra a minha vontade.
Isso me mostra que tenho de ser firme comigo mesma, e respeitar a minha opinião.
— Perdoe-me, Dani...
Agora era para você estar tão desesperadamente em dúvida quanto eu em relação à sua sai caso não tivesse sido firme.
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Mar 08, 2017 10:43 am

Daniela o abraçou, confortando-o com imensa ternura, escondendo o rosto de Rafael em seu peito, embalando e acalentando-o com carinho:
— Vai dar tudo certo, meu amor. Tenha fé.
No plano espiritual, Durval os observava:
—Rafael vai conseguir ser firme e equilibrado -— comentou ele.
—A prova é difícil e a espera irá torturá-lo imensamente — afirmou Fabiana.
O espírito Lucas, mentor de Rafael, considerou sabiamente:
— Somente assim irá valorizar sua opinião no bem e não deixará que os outros o desviem do caminho certo.
Rafael não era volúvel, mas aceitava a opinião dos outros diante da insistência.
Ele sofre por essa prova, porque ele mesmo a preparou.
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Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Mar 08, 2017 10:43 am

27 - ESPERANÇAS RENOVADAS

A demora para a entrega do resultado dos exames de Rafael foi o tempo mais penoso para sua paciência.
Mas sua resignação foi maior.
Daniela, com o coração aos pedaços, estranhava o comportamento quieto do namorado, que se mostrava aparentemente tranquilo, enquanto dirigia rumo ao consultório para recebe o resultado do exame.
Quebrando o silêncio, Rafael pediu:
—Se o exame der negativo, você se casa comigo o mais rápido possível e antes dessa criança nascer?
—Não — respondeu Daniela, amorosa, porém firme.
— Eu disse que me casaria depois que a criança nascesse e você a assumisse, caso seja o pai.
Rafael sorriu alegre e explicou:
— Não será preciso provas de que é ou não meu filho.
A Cláudia está com Aids, isso significa que se meu exame der negativo, não sou o pai dessa criança.
Daniela não disse nada.
Não queria colocá-lo em dúvida, mas preferia ouvir um parecer médico.
Ela somente sorriu.
— Entrem e sentem-se —- convidou o médico, educadamente.
Rafael tremia. Não conseguia conter os impulsos nervosos que o faziam agitar.
Enquanto abria o exame, o médico os observava por sobre os óculos, verificando a ansiedade preocupada do rapaz.
— Aqui está. Você é seronegativo — afirmou o médico, com largo sorriso.
Respirando aliviado, Rafael abraçou Daniela, que estava muito emocionada, e voltando-se para o médico, tornou a solicitar confirmação:
—Quer dizer que não tenho nada?
—Correto. Mesmo assim, aconselho que repita o exame dentro de algum tempo.
—Como assim? — indagou Rafael, tirando o sorriso do rosto.
— É de praxe. Há quanto tempo acredita ter contactado com a pessoa que possui o vírus?
Confuso, não sabia responder e Daniela o auxiliou:
—Cinco meses e meio — respondeu ela.
—Como pode ter certeza?
Nem eu sei -— sussurrou-lhe Rafael.
—A Cláudia está no quinto mês e meio de gestação —- retornou ela, no mesmo tom de voz.
—E um tempo satisfatório para ser acusado resultado Positivo em exames, se fosse o caso.
Mesmo assim, iremos repetir o exame.
É nossa obrigação. É um assunto muito sério.
—Doutor — perguntou Daniela —, eu sei que o senhor está a par do caso.
É possível o exame do Rafael dar resultado negativo e a criança ser filho dele, com a mãe seropositiva?
O senhor entende o que quero dizer?
O médico parou, reflectiu e respondeu:
— O filho pode ser dele sim, se a mãe primeiro engravidou e depois contaminou-se com esse vírus.
Acontece, porém é raro, de numa relação sexual com um parceiro seropositivo e o outro não, o segundo não adquirir o vírus. Como eu disse isso é raro.
Cada caso é um caso.
Para isso ocorrer, depende de inúmeras condições, como:
há quanto tempo o seropositivo adquiriu o vírus, da resistência imunológica do parceiro que não possui o vírus e muitos outros factores, uma vez que esse vírus é incrivelmente mutante.
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Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Mar 08, 2017 10:43 am

Há também casos em que a ciência não encontra explicação, inclusive para pessoas que são seropositivas depois de vários exames e, de repente, o vírus não foi mais encontrado, ou seja, a pessoa tornou a ser seronegativa como se nunca tivesse contraído o vírus, como já ouvi contar.
—Então a criança pode ter a mãe seropositiva e o pai-seronegativo?
—Sim, pode. Como também o contrário.
Mas nunca sabemos das condições desse bebé.
Por isso insisto para que os exames sejam repetidos, sempre.
Apesar de, no caso do Rafael, ser tempo suficiente para acusar o resultado positivo.
Mesmo assim, aconselho que faça um novo exame.
Rafael aceitou, mas se sentiu contrariado.
Conversando com Daniela, na manhã seguinte, ela o incentivava.
— Não envenene sua mente, Rafael.
— Por que não posso confiar logo no primeiro exame? Isso é injusto.
E muita tortura — lamentava ele.
— Puxa, Dani, você não imagina o que se passa no meu pensamento.
É cada loucura... ideia de suicídio ou dar uma de louco e sair por aí contaminando todo o mundo... você nem sabe. Há tempos não durmo...
Abraçando-o com carinho, ela consolou:
— Eu sei. Mas, veja, seu exame foi óptimo.
Não deu nada e já faz cinco meses e meio.
Como o médico falou, é só precaução.
É importante a repetição de exames tão sérios.
Sendo o resultado positivo ou negativo.
Rafael concordou, porém não estava satisfeito.
As férias de Daniela já haviam terminado, por isso ele sugeriu:
— Vamos. Vou deixá-la na construtora, depois vou trabalhar.
Tenho chegado tarde e saído cedo, ultimamente.
Frente à construtora.
—Você nem vai subir para dar a notícia ao seu pai?
Pensando um pouco, ele decidiu:
—Está certo. Ele se preocupa comigo.
Rafael entrou na sala de seu pai sem bater e surpreendeu-se com o senhor Rodolfo lá.
—Bom-dia! — cumprimentou Rafael.
—Bom-dia, filho!
Entre, preciso mesmo falar com você.
O senhor Rodolfo não retribuiu o cumprimento e continuou:
—Estaremos perdidos, Paulo!
Temos que prestar contas! O que faremos?
O senhor Paulo mal ouviu o colega, devido à preocupação com Rafael, pois sabia que naquela manhã ele já teria o resultado.
Na primeira oportunidade, perguntou:
— E o resultado do seu exame?!
O senhor Rodolfo ergueu o olhar preocupado e curioso, sabendo do que se tratava.
— Está aqui -— exibiu Rafael, estendendo o papel para seu pai. —
Veja o senhor mesmo.
Pegando o exame da mão de seu filho e olhando com cuidado, o senhor Paulo expandiu um sorriso satisfeito e informou, exclamando com certo orgulho:
— Deu negativo!!!
Eu sabia que seria negativo!!!
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Mar 08, 2017 10:43 am

Alegrou-se o pai quase em lágrimas, indo à direcção de Rafael para abraçá-lo.
O senhor Rodolfo nada disse, saindo da sala no mesmo instante sem se despedir.
O senhor Paulo respirou aliviado e contente.
Não conseguia tirar do rosto o sorriso.
Em seguida, Rafael lhe contou:
— Preciso repetir esse exame novamente. Disse-me o médico que é de praxe.
— O resultado será o mesmo. Tenho certeza.
— Será, sim -afirmou, mais confiante e alegre.
— E a grande construção? -— perguntou-lhe o pai, com certo sorriso.
Rafael se empolgou e detalhou todos os pormenores, muito animado.
— Farei uma pergunta essencial a todos os construtores.
Dependendo da resposta, saberemos do seu sucesso! Terminará no prazo?!
Orgulhoso, revidou:
—Até antes!
—Parabéns!
—Obrigado, pai. Tenho que ir.
A propósito, e os negócios? Estão indo bem?
—Estão indo -— afirmou o senhor Paulo, com certa dissimulação.
—E em casa, como está a mãe?
—Está feliz. Trocou a viagem à Europa por uma cirurgia plástica — respondeu-lhe o pai, caindo em delirante gargalhada.
Rafael sorriu, mas pendeu a cabeça negativamente.
Ao sair, despediu-se de Daniela, com carinho, e combinou de ir buscá-la.
***
Com o passar dos meses, o outro exame de Rafael para provar o HIV permaneceu negativo, deixando-o aliviado.
Certa manhã de domingo, Rafael insistiu com Daniela para que o acompanhasse à casa de seus pais.
— Não quero encrencas, Dani.
Se minha mãe não nos receber bem, nós vamos embora, está certo?
— Veja lá hem, Rafael! Não responda!
Após concordar em acompanhar o noivo, eles foram para a casa de seus pais.
Diante da surpresa, dona Augusta não reagiu, até porque já estava ciente de todo o ocorrido com a descoberta da contaminação de Cláudia.
— Maria! — exclamou Rafael, alegre ao ver a tão querida companheira, que chorou ao abraçá-lo.
— Que saudade, filho! Você se casou?!
— Não. Ela não quer -— e indicou sorrindo, com o olha atravessado, para Daniela.
— Mas por quê?!
Vocês são jovens, bonitos.
Se dão bem.
Daniela corou tímida e, sorrindo, abraçou carinhosamente Maria.
—Deixa, Maria, quando eu for me casar, e isso será e breve, você será minha madrinha!
—Não posso, filho!
—Por quê?
—O que eu vou lhe dar de presente?!
—Você! -— respondeu Rafael, apertando-lhe as bochechas como sempre fazia.
O senhor Paulo alegrou-se ao ver o filho:
— Foi óptimo você aparecer!
Lembra-se do detective que falei ter contratado para seu caso?
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Mar 08, 2017 10:44 am

_ Sim, claro!
— Ligou-me há pouco e está vindo para cá.
Disse-me ter óptimas notícias.
Ele deve chegar logo.
Um pouco mais tarde, no escritório da residência do senhor Paulo...
— Descobri o seguinte: -— relatava o detective.
O aparthotel é alugado por tempo indeterminado ao pai de uma amiga da senhorita Cláudia.
A moça chama-se Lolita, mas tem apelido de Lola.
Da senhorita Cláudia, não conseguimos nenhuma informação, mas sua amiga cooperou quando surgiu certo... interesse.
— Certo. Prossiga, eu cubro essa despesa também! - afirmou o senhor Paulo.
— Garanto, senhor Paulo.
A moça foi muito exigente.
Mas nos forneceu óptimas informações.
Eu consegui gravar totalmente a nossa conversa.
Lola afirma que sua amiga Cláudia pediu o apart-hotel emprestado porque a dona Augusta lhe garantiu uma recepção para que a Cláudia conquistasse seu filho.
Teria de ser naquele dia o empréstimo do apartamento, uma vez que o pai da senhorita Lola voltaria de viagem naquela semana.
Conta-nos, a senhorita Lola, que depois da senhorita Cláudia ter atraído Rafael para fora da festa e o colocado no seu próprio carro, ocupando o lugar no banco do passageiro, ele dormiu profundamente.
Chegando ao apart-hotel, a senhorita Cláudia chamou pelo celular sua amiga, para ajudá-la a colocar o Rafael no apartamento, pois, sozinha, ela não estava conseguindo nem tirá-lo do carro.
Mesmo em duas, elas não aguentaram carregá-lo.
A senhorita Lola até temeu que ele pudesse morrer, por que não reagia a nada.
Até sugeriu à amiga Cláudia para que o levasse ao médico.
Mas Cláudia disse que estava tudo bem.
Ela sabia o que estava fazendo.
Tiveram que chamar um funcionário do hotel para ajudá-las a carregar Rafael, pois de forma alguma aguentaram com ele.
A senhorita Lola teve a ideia de mentir ao funcionário, dizendo que era um primo seu do interior e que havia bebido muito em uma festa.
O moço ajudou com o rapaz e elas deram-lhe uma gorjeta.
A senhorita Lola conta que estava muito nervosa e mesmo depois de o colocar na cama, ela tinha medo de ele morrer, pois Cláudia contou que havia colocado certa droga em sua bebida.
Pela manhã, ao ver que ele estava acordando, a senhorita Lola foi embora depois de ajudar Cláudia a tirar as roupas do Rafael.
—Desgraçada!!! -— gritou Rafael, indignado e irritado, interrompendo a narração.
Esfregou o rosto e os cabelos, suspirando fundo e balançando a cabeça de um lado para outro.
— Como pode existir uma criatura tão cruel assim?!
Deixou-me acreditar que poderia ter contraído um vírus...
Pensei em me matar, desejei morrer!!!
Como a Cláudia pôde ter coragem de fazer isso?!!!
Como pode ser tão infeliz a ponto de ter a ousadia de sustentar uma mentira como essa, que poderia trazer terríveis consequências se eu não tivesse sido ponderado?! Meu Deus!!!
—Calma! — pediu Daniela. -— Já passou.
Isso não adianta em nada agora. Controle-se.
—E isso mesmo, senhor Rafael.
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Mar 08, 2017 10:44 am

A Lola passou toda a noite lá junto com a amiga Cláudia.
Saiu às pressas somente ao vê-lo acordando.
Disse-me que o senhor estava tão mal, não reagia a nada, que ela ficou lá para garantir que não encontrariam um cadáver no aparthotel de seu pai.
A senhorita Lola também contou que Cláudia sabia que estava grávida de pouco tempo quando isso ocorreu.
Procurei pelo funcionário do hotel e ele confirmou o que ela me contou.
Aqui estão as fitas com a gravação das conversas.
A senhorita Lola não sabe sobre estas gravações.
Aqui está um relatório com todos os dados colhidos e as despesas detalhadas.
E eis meus honorários.
O senhor Paulo preencheu um cheque rapidamente e dispensou o detective.
Em seguida, virou-se para Rafael e disse:
— Vou falar com sua mãe.
Ela foi longe demais.
— Não! -— pediu Rafael, firme.
— Por favor, não diga nada.
Não vai adiantar, pai.
— Era isso o que você queria, não era?
— Era sim. Era o que eu mais queria:
provar à Dani que não tive culpa ou que me deixei seduzir pela Cláudia.
Eu sei que ela confia em mim, mas eu precisava disso.
Obrigado, pai.
Daniela o abraçou, e Rafael pediu:
— Vamos embora, Dani.
Desculpe-me pai, mas esta casa só me deu tristeza ultimamente.
Não estou conseguindo ficar aqui.
Depois de abraçar seu pai, demonstrando grande ternura, Rafael lhe deu um beijo e um sorriso singelo de agradecimento.
Dias depois eles souberam que Cláudia deu à luz um menino que já nasceu portador do vírus da Aids.
Todos demonstravam entusiasmo e euforia com o término da construção da casa nova e o acabamento final do que seria o restaurante.
Às vezes, Rafael observava, a certa distância, a quietude de Daniela.
Certo dia, não suportando mais o suspense, Rafael puxou-a delicadamente por um braço, afastou-a de todos e perguntou:
— O que está havendo, Dani?
Ela abaixou a cabeça e se sentiu envergonhada.
Rafael afagou seus cabelos e o rosto insistindo:
—Sempre confiei em você.
Confie em mim agora.
Conte-me o que há com você para ficar assim.
—Se eu disser que não é nada, estarei mentindo.
Depois de breve pausa, prosseguiu:
— Sabe, faz seis meses que falamos com o detective, lembra-se?
— Claro. Lembro-me sim.
— Foi ali que descobrimos toda a verdade, além disso, soubemos depois que a própria Cláudia contou aos pais que aquele filho não era seu e nem deixou que fizessem o exame de paternidade.
Quis vê-lo para pedir desculpas, mas você não quis vê-la...
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Mar 08, 2017 10:44 am

— Certo. E?...
— Eu disse que me casaria com você depois que esse bebé nascesse e...
Antes, você estava diferente, insistia em nos casarmos, agora não toca mais no assunto.
Não estou cobrando você.
Só achei estranho.
Sei que tem muito trabalho...
Rafael mudou seu semblante.
Ficou sério e espremendo os olhos, um tanto cínico, falou:
— Dani, eu cansei.
Daniela arregalou seus belos olhos verdes, surpresa e ate assustada, e ele continuou:
— Você sempre disse que o tempo resolve, soluciona, que o tempo isso e aquilo... pra gente ter paciência e tudo mais, por isso eu cansei, Dani.
Cansei de pedir para que casasse comigo e decidi ter paciência e aguardar... ser pedido em casamento.
Estou à disposição!
Nessa altura do relato, Daniela sorria e chorava.
Não se sabe se de emoção ou de choque pela brincadeira de Rafael.
Ele a abraçou com carinho e ela, criando coragem, pediu:
—Quer casar comigo?
—Hum!!!... Sou um moço certinho e de família -— respondeu ele, embalando-a em seus braços.
— Você tem que ir pedir permissão pro meu pai!
E temos que namorar em casa!
—Irei. Quando se ama, se aceita qualquer condição! - concordou Daniela, aceitando a brincadeira e o beijo carinhoso.
Em outro cómodo, dona Antónia recepcionava Caio, que chegou para visitá-los e ver o término da obra.
—Puxa! Ficou excelente! -— elogiou Caio.
— Rafael deu-se ao trabalho de fazer rampas e não escadas.
Não acreditei que ficasse assim!.
—Desde o início, o Rafael disse que não teríamos escadas.
Eu não entendi. Não conseguia imaginar uma construção tão grande, com dois andares acima, e sem escadas.
Sou ignorante, filho!
Só entendi agora depois que vi tudo pronto -— explicava dona Antónia.
—Somos, dona Antónia!
Nem eu imaginava que pudesse ficar tão bom como está.
Que maravilha! O Rafael se superou!
Depois de conhecer o restante da construção e brincar com Carlinhos, Caio encontrou Rafael e Daniela ainda abraçados, fazendo planos para o casamento.
— Parabéns! Ficou excelente! -— elogiou Caio.
— Gostou?! - perguntou Rafael, sorridente, desejoso de confirmação.
—Sinceramente, quando analisei o projecto, fiquei um tanto receoso, mas agora...
Você está de parabéns!
As rampas ficaram suaves, os espaços muito bem aproveitados...
Por que não quis escadas e preferiu rampas?
—Pensei na minha velhice! -— respondeu Rafael, gargalhando e abraçando Daniela.
—Ficou muito grande -— observou Daniela.
— Estou preocupada com a mobília, com a limpeza...
—Os móveis da antiga casa em nada combinam com essa.
Mas aos poucos nós conseguiremos mobiliá-la -— afirmou Rafael, confiante e feliz.
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Ave sem Ninho

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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Mar 08, 2017 10:45 am

— Estou querendo mesmo é sair o quanto antes de onde estamos amontoados e mudar para cá.
Penso em fazermos isso na próxima semana.
O que você acha, Dani?
—Por mim, tudo bem -— concordou Daniela.
—A propósito, como é?
Sai ou não sai esse casamento?! -— perguntou Caio, animado.
— Estávamos falando sobre isso, agora!
Aceita ser minha testemunha de casamento?! -— perguntou Rafael, sorridente.
-Eu?!!!
— Claro! Por que não?!
— Puxa! Obrigado.
Serei com o maior prazer.
Mas com quem eu irei?
—Com a Maria.
—Óptimo! Vocês vão casar na igreja?
—Não — afirmou Daniela, sorrindo.
— Somos espíritas.
O casamento no civil é o que nos importa.
—Já que sou o padrinho, darei de presente os móveis.
Certo? Na próxima semana mando alguém vir aqui para tirar as medidas, ver a distribuição que vocês querem e a escolha do material usado, certo Dani?!!!
—Por que "certo Dani?!!!"
Também vou morar aqui! — queixou-se Rafael, brincando.
—Não confio no seu bom gosto! -— retribuiu Caio, gargalhando.
Aproveitando que dona Antónia se afastou, Caio resolveu contar a eles:
— Tenho novidade.
As investigações sobre o assassinato do Jorge levou a polícia até o Biló e o Carioca.
Os olhos grandes de Rafael ficaram ainda maiores.
Daniela surpresa, ficou na expectativa.
—E?! — perguntou ansioso.
—A polícia localizou-os em um ponto de drogas, eles reagiram e, no tiroteio, entre outros, eles morreram.
—Como os encontraram?!
Como chegaram até eles?! - indagou Rafael, preocupado.
Caio, mais tranquilo, relatou:
— O carro que encontraram com Jorge morto dentro foi roubado por um ladrão conhecido no bairro onde tudo aconteceu.
Esse ladrão vendeu esse carro ao Biló.
Descobriram que, já há algum tempo, o Biló passou a ser o fornecedor de drogas do Jorge, e o induziu até àquele lugar onde, depois de torturá-lo, matou-o.
— Então, mesmo quando o pai disse que estava pagando tratamento ao Jorge, nosso irmão continuava usando drogas?
—Isso mesmo, Rafael.
A polícia encontrou o ladrão que roubou aquele carro.
Ele foi reconhecido pelo proprietário do veículo que sofreu o assalto.
Esse ladrão acabou confessando que passou o carro para o Biló, indicando o ponto que ele e o irmão abasteciam, ou seja, faziam entregas de drogas.
—Descobriram somente isso? -— perguntou Daniela.
—Sim, Dani. Só isso.
Não encontraram nenhuma ligação entre a morte do Jorge e o sequestro de vocês.
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Mar 08, 2017 10:45 am

Vocês não deram o nome deles.
Nem ligação alguma comigo.
O material que vocês trouxeram, eu destruí. Eram as únicas provas.
Sabe, a polícia acredita que Jorge foi morto por dívidas de drogas.
Isso é muito comum.
O cara não paga e o torturam, depois matam para que sirva de exemplo.
Caio abaixou a cabeça e com os olhos nublados, afirmou sentido:
—Lamento tanto a morte do meu irmão.
Sinto-me culpado.
Vocês não imaginam como estou...
—Não foi sua culpa.
Não diga isso -— afirmou Rafael, puxando-o para um abraço.
— O Jorge sempre foi um garoto rebelde.
Não ouvia ninguém.
Não estou dizendo que ele mereceu o que teve, jamais diria isso!
Só que sempre procurou encrencas. Eu sempre tive tempo pra ele, cansei de dar conselhos, você bem sabe.
Tinha um comportamento estranho.
Não parava no lugar quando conversava connosco e estava sempre agitado.
Nunca me ouviu.
Veja só, o pai pagava um tratamento para ele, que não se empenhou em cooperar.
Foi procurar fornecedores, droga... sabe-se mais o quê.
Se não fosse o Biló, talvez outro iria matá-lo.
Jorge era muito violento.
Sempre se achava com toda razão.
Era o "dono de tudo".
Deveria ter aproveitado a oportunidade que teve.
—Eu sei, Rafa. Conhecia muito bem o Jorge.
Mas sabe... se eu pudesse fazer alguma coisa...
—Você pode, Caio -— afirmou Daniela, surpreendendo-os. —
Recupere-se.
Reequilibre sua vida em todos os sentidos e terá aprendido com esse sofrimento.
Ele não terá sido em vão.
Será em vão se você ficar se queixando.
Sirva de exemplo para outras pessoas que acreditam ser impossível deixar alguns vícios.
Se possível, e sempre é, ajude outros também!
—Sabe, o Espiritismo tem me ajudado muito.
As palestras evangélicas no Centro Espírita também.
Desde que comecei a ler os livros que você me indicou, a vida, a existência humana e as dificuldades que enfrentamos no dia-a-dia começaram a fazer sentido.
Eu passei a ver meus problemas com outros olhos.
Encontrei nesses livros explicações que jamais recebi em outros lugares.
Esse entendimento que recebi no Espiritismo foi o que não me deixou cometer nenhum ato impensado, nenhuma loucura.
Troco o arrependimento e as lamentações por preces a Jesus, pedindo que envolva meu irmão Jorge com carinho, que ele ganhe entendimento e deixe de sofrer nas condições inferiores em que deve se encontrar, elevando seus pensamentos e desejando amparo e auxílio superior.
Isso está alimentando a minha força de vontade.
Eu vou conseguir. Eu quero conseguir.
—O Espiritismo explica e indica o caminho.
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Mar 08, 2017 10:45 am

Ele não o obriga a nada, mas o deixa ciente das responsabilidades.
Quem busca entendê-lo, enche-se de coragem e se eleva às melhores práticas.
O desânimo virá, mas sua força de vontade atrairá bênçãos que hão de fortalecê-lo.
Tenha fé! — explicou Rafael
Caio sorriu e os três se abraçaram, confirmando o carinho e a amizade entre eles.
No plano espiritual, Lucas observou:
—Jesus nos disse que a fé remove montanhas.
Vimos agora que Caio começa a remover a montanha, seus vícios para facilitar sua caminhada.
—E certo, Lucas -— concordou Fabiana —, que a partir de agora Caio passará a sentir o envolvimento do mentor amigo cada vez que buscar forças na prece realmente sentida.
O assédio da espiritualidade inferior ocorrerá para que ele não deixe os vícios.
Contudo sua fé trará forças e auxílio dos amigos superiores que ele buscar.
—Deus queira, ele seja perseverante.
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Mar 08, 2017 10:45 am

28 - PRECIOSO CONVITE

A teimosia, o orgulho e a vaidade não deixaram dona Augusta aprender nada com as lições da vida.
Por não aceitar o casamento de seu filho e como sinal de protesto, propositadamente, dona Augusta marcou sua cirurgia plástica para um dia antes das núpcias.
Rafael ficou chateado, mas entendeu a pouca evolução espiritual de sua mãe e aceitou.
O senhor Paulo frequentava regularmente a casa nova e se alegrava com a animação do filho.
—Onde está o restaurante, Rafael?!!!- — cobrava-lhe o pai, satirizando.
—É pai... a grana não deu, acabou... -— respondeu, sorrindo sem graça.
— Nós vamos alugar. Será melhor.
O senhor Paulo parou contemplando as instalações e comentou:
— Jamais pensei em ver um dos meus filhos sorrindo ao dizer:
"a grana não deu, acabou!" -— disse ele, arremedando seu filho na expressão engraçada que usou com a voz.
— Não estou lá com tantas reservas, mas você precisa de dinheiro, Rafael?
—Obrigado, pai.
O senhor já me ajudou demais.
Friciou tudo isso!
Pode deixar que agora eu me viro.
—Daniela vai continuar trabalhando após o casamento?
—Creio que sim.
Mas se ela quiser e se o dinheiro que ganharmos for suficiente, ela pode ficar em casa. Por quê?
—Pergunto isso porque penso na dispensa de alguns funcionários e eu queria garantir os direitos dela.
Sabe como é... os primeiros...
—A construtora está tão ruim assim?
—O Rodolfo está muito desanimado.
Além disso creio que ele andou me passando a perna na época em que você foi sequestrado e seu irmão morreu.
Não posso provar. Mas desconfio...
—Do quê?
—Deixa pra lá -— dissimulou o pai.
—Como deixa pra lá?
Para construtora dispensar funcionários, o negócio está ruim de verdade!
Não posso acreditar que o Rodolfo lhe passou para trás e o senhor vai deixar por isso mesmo!
Querendo fugir do assunto, o senhor Paulo ironicamente brincou:
— Onde está aquela sua filosofia que crê não termos somente esta vida?
Vou acertar minhas contas com o Rodolfo na próxima!
Pode deixar! - gargalhando, delirantemente, em seguida.
Rafael distraiu-se com a brincadeira e não tocou mais no assunto, pois seu pai começou a lhe falar de outras coisas.
Contudo Rafael não se esqueceu do caso e, na primeira oportunidade, perguntou sobre o que estava acontecendo para seu irmão:
—... foi isso, Caio.
Estou achando muito estranho o comportamento do pai.
Ele sempre foi enérgico, nunca o vi desanimado.
— O pai sempre foi astuto e ambicioso.
Acho que gastou toda a sua energia, por isso se desanima.
Além disso, ele tem algumas suspeitas estranhas quanto ao Rodolfo.
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Mar 08, 2017 10:46 am

— O que está acontecendo, realmente?
—É assim, Rafael:
o pai acredita que o Rodolfo pagou para que realizassem o seu sequestro.
Somente um caso tão sério assim poderia mantê-lo fora da construtora e com a atenção voltada para longe dos negócios.
—Isso é crime, cara!
Como o pai pode pensar que o Rodolfo se envolveria em algo assim?
Eu nunca gostei dele, mas... pensando bem, aquela família é capaz de tudo.
—Não julgue —- lembrou-lhe Caio.
— Sabe, às vezes penso que o pai não está muito bem.
Ele até acredita que a Sueli esteja envolvida.
— Como assim?! — espantou-se Rafael.
— Na época do seu sequestro e também da morte do Jorge, a Sueli levava tudo para o pai assinar e ele, com tantas preocupações mais urgentes, assinava tudo sem prestar a devida atenção.
Às vezes o pai via a Sueli e o Rodolfo conversando de modo estranho.
Acreditava que ambos confabulavam alguma coisa contra ele.
Mais ou menos dois meses depois que o Jorge morreu, a Sueli pediu as contas.
O pai disse que até hoje ela não está trabalhando e acredita que ou ela ganhou uma boa grana ou está com remorso porque não sabia que iam matar o Jorge.
Rafael ficou com o semblante sério e preocupado, e Caio prosseguiu.
— Não se preocupe.
Acho que o pai criou toda essa história, porque passou pela perda do Jorge.
Deve estar desorientado e se sentindo culpado, por isso criou essas ideias.
Vendo Rafael em silêncio e pensativo, perguntou:
—O que foi, Rafa?
Não está acreditando nisso, está?
—Espere, Caio.
No dia em que fomos sequestrados, eu havia ido até a casa da Sueli, porque a Dani foi visitá-la.
Nós saímos de lá e almoçamos.
Bem mais tarde, paramos naquela alameda onde discutimos.
Eu estava nervoso com o que aconteceu no apart-hotel e com toda aquela mentira que a Cláudia inventou sobre a Dani.
Aquela agitação me deixou confuso e zangado.
Não prestei atenção em nada, poderíamos ter sido seguidos até onde estacionamos.
Mas a partir de onde começamos a ser seguidos?
Esses caras não nos encontraram casualmente!
As coisas estão começando a fazer sentido!
—Isso é neurose, Rafael.
—Não, Caio! Ouça-me.
O Biló não iria ficar atrás de mim o tempo todo, ele precisava de uma referência de onde me encontrar.
Alguém teria que dar essa informação.
Lembro-me bem: ao sairmos, eu e a Dani da casa da Sueli, ela deve ter ligado para o Rodolfo, que accionou o Biló.
—Pare com isso, Rafael.
É muita ficção, cara!
—Não! Foi isso mesmo!
Tenho certeza de que, ao sair da casa da Sueli, eu disse que tinha coisas importantes para fazer naquela tarde, só que não disse o que nem onde.
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