LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Mar 09, 2017 10:05 am

Mas quando íamos saindo do quarto, a mãe dela, muito gentil, convidou-nos para almoçar e, para livrar-me, disse que havia reservado um lugar no restaurante de costume.
Eu disse o nome e depois fomos embora.
— Certo! -— aceitou Caio.
— Com tanto sequestrador no mundo, o Rodolfo ia contratar exactamente o Biló e o Carioca que me conheciam!
Ora, Rafael! Deixa de paranóia!
Onde está seu bom-senso?
Como o Biló e o Carioca se ligam com o Rodolfo?
Rafael parou, pensou e respondeu de súbito:
— Com a Cláudia! Ela conhecia esses caras!
Ela vivia com uma turma da pesada!
Agora faz sentido!!!
Caio exaltou-se.
Assustado, perguntou:
—Será?!
—É sim, Caio! Tudo está ligado, agora.
O Biló pode até ter nos achado parecidos, mas como, dentro dessa cidade enorme, ele iria me encontrar para amassar meu carro, me bater e ter informações corretas de que somos irmãos?
Caio ficou parado, e Rafael prosseguiu animado:
— Veja como as peças se encaixam: a Cláudia e a Lola apanharam depois que eu fui embora daquela festa sinistra, certo?
Porque tiveram que dizer para o Biló como poderia me encontrar.
A Cláudia devia ter dívidas com ele.
Eu acredito que o Rodolfo precisava de um servicinho sujo, como deixar o pai distraído o suficiente para ficar longe dos negócios.
Comentou isso em sua casa ou com a Cláudia e ela indicou o Biló para livrar-se de alguma dívida.
Ao receber a ficha e o pedido do que deveria ser feito, o Biló encontrou você como meu irmão e usou a sua dívida com ele para culpá-lo por tudo o que estava acontecendo e tirar o Rodolfo de ser suspeito.
Sabe por que amassaram meu carro?
Naquela tarde, a Cláudia havia dito para a mãe que estávamos namorando.
Fiquei indignado.
Como já estava de saída para a casa da Dani virei as costas e ia me retirando quando a Cláudia pediu para ir comigo.
Ela deve ter telefonado para o pai e ele mandou que me seguissem.
Não havia outro jeito desses caras me encontrarem!
O Rodolfo deve ter pago uma boa grana para que me mantivessem sequestrado.
Isso tudo para o pai ficar cego e desviar a atenção.
Aquela construtora é uma mina.
É impossível aquela empresa ir mal com a administração do pai.
— E a morte do Jorge, como você explica?
—Eles iam me matar junto com a Dani.
Pode ter certeza. Eu sentia.
Esses caras eram traficantes e viciados, não tinham uma gota de moral ou qualquer outro sentimento.
Eles iam nos matar.
Receber o dinheiro do Rodolfo era mais garantido do que tentar apanhar o dinheiro do resgate.
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Mar 09, 2017 10:05 am

O Rodolfo ia pagar de qualquer jeito.
Não fazia diferença se eu e a Dani fôssemos mortos ou não, certo?
—Só não entendo uma coisa, Rafael.
Como você acha que o pai descobriu ou desconfiou do Rodolfo?
—O pai sempre foi esperto. Muito esperto.
O que me intriga é por que ele não reagiu ou não denunciou o Rodolfo?
—Talvez... — deteve-se Caio, pensativo.
—Fala, Caio! — insistiu Rafael.
— Sabe, Rafa, o pai tem alguns negócios enrolados.
Impostos, sonegação, você sabe.
Aquilo tudo de que você reclamava. Talvez seja por isso.
Se o pai fosse denunciado, acredito que todos os nossos bens seriam confiscados.
O pai tem envolvimento até na política.
Rafael arregalou os olhos assustados, perguntando espantado:
—Será?!
—Que perderíamos tudo? Pode acreditar!
Estou por dentro do que você chama:
"administração do pai".
—Você está envolvido, Caio?
—O pai não dá chance.
Ninguém se envolve nos negócios dele.
Creio que tem coisas que nem eu sei.
Acredito que a melhor coisa que você fez foi ter saído de lá.
Estou pensando em fazer o mesmo.
—Como poderemos saber se é verdade o facto do Rodolfo estar envolvido no sequestro?
—Não tenho ideia.
Só sei dizer que, se isso aconteceu, o pai deve estar muito amarrado para não acabar com ele.
***
Com a proximidade do dia do casamento, todos estavam com muitos afazeres.
Dona Antónia nunca fora vista tão animada, em todos os sentidos.
Depois do socorro do espírito Denise, com o passar dos dias, dona Antónia acompanhava Daniela assiduamente ao Centro Espírita.
Passou a ser tarefeira na área de assistência social, onde ocupava bem o seu tempo, não o desperdiçando com as lamentações que tanto incomodavam Denise.
Dona Antónia abraçou, amorosamente, o trabalho na assistência social, dando à sua mente pensamentos produtivos.
—Senhor Diogo? -— chamou Daniela pelo dirigente do Centro Espírita que frequentava.
— Gostaria de lembrá-lo de que no próximo sábado é meu casamento.
Não se esqueça de ir e na outra semana...
—Só o seu casamento?!
E o do Rafael? -— protestou o senhor, brincalhão e optimista.
Daniela sorriu docemente.
Colocando a mão em seu ombro com carinho, o senhor Diogo continuou risonho, falando:
—Não se case sozinha!
Lembre-se de levar o noivo!
—Vou me lembrar! -— sorriu Daniela, prosseguindo:
—E na outra semana, estarei viajando.
—Já tenho quem a substitua nas suas tarefas na próxima semana.
Fique tranquila.
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Mar 09, 2017 10:05 am

A conversa seguiu animada até o senhor Diogo se lembrar:
—Daniela, quero lhe fazer um convite, mas estou com certo receio.
Você vai se casar e penso no seu tempo disponível.
—O senhor conhece o Rafael. Jamais iria me proibir de algo.
Na espiritualidade, abençoada vigília se fazia ao derredor daqueles tarefeiros.
— E agora, Durval! -— animou-se Lucas, dirigindo-se com respeitosa simpatia ao companheiro.
Durval, humilde e de posse de grande emotividade, confirmou em breve explicação:
— Não por haver sido minha filha, mas esse nobre espírito, que aí está como Daniela, ressurgiu no círculo da carne em favor dos corações imaturos que merecem amor e verdadeiro esclarecimento.
É imprescindível considerar as várias provações difíceis que a fortaleceram ainda mais.
Como todos sabemos, o espírito Daniela trabalhou sua evolução, alçando nível superior a duras penas:
com resignação, fé e caridade, sempre.
Agora observamos que, mesmo de alma corporificada na vida terrena, adormecido para as lembranças do passado, um espírito de ordem superior se preserva no anonimato humilde e abençoado.
Além de persistir com absoluta imparcialidade, harmoniosa e valiosa vigilância para garantir que não há de se deslizar no estreito caminho de provas salutares.
— Depois de breve pausa, ele tornou ainda mais amável:
— O aperfeiçoamento espiritual e a evolução do mundo dependem de todos nós, filhos do Planeta, conservarmo-nos atentos e vigilantes para todo aquele que sinaliza e ilumina-nos o caminho para as esferas superiores.
Não poderemos, mais tarde, alegar-mos ignorância.
A lição maior nos foi exemplificada por Jesus.
Durval, com devotada sublimação, calou-se ante a beleza luminosa que irradiava de Daniela.
Imperceptível aos encarnados, formoso e espontâneo brilho passou a transbordar daquela jovem como raios de luzes em forma de aura maravilhosa.
Do olhar temo daquela moça, brotava uma doce felicidade quase derramada em lágrimas de emoção.
— É chegado o momento precioso -— informou Durval.
E depois de explicar a Daniela o objectivo do trabalho, o senhor Diogo solicitou:
— Você aceita ser expositora do Curso Preparatório e abraçar, se possível, o movimento espírita que, amorosamente, vários jovens, inclusive, desejam levar a tantos lugares a divulgação da Doutrina Espírita?
— O senhor não sabe com o que está me presenteando senhor Diogo!
É claro que aceito!
Rogarei a Deus para me amparar nessa tarefa Divina.
Vendo-a emocionada, o dirigente amigo logo reconheceu o motivo e lembrou:
— Sei que seu pai iniciou as escolas nessa casa e nos levou ao movimento espírita.
De onde ele estiver, estará vibrando por você.
Daniela não conteve as doces lágrimas de emoção, que rolaram na face.
Lucas, emocionado, com os olhos marejados de lágrimas que não chegaram a cair, considerou ainda:
— Onde existe trabalho no bem, o sacrifício não é sofrimento.
Com Durval, aqui na espiritualidade, mentorando esse trabalho e Rafael, na experiência corpórea, sustentando-lhe o ânimo, temos certeza do triunfo no clima do encantamento, para a divulgação da abençoada Doutrina Espírita.
Rafael, depois de suportar a incursão nos domínios da dor, sabe amar os dons divinos e será a sustentação material e psicológica de Daniela, com fortaleza e serenidade, dentro do mais elevado amor, bondade e devotamente.
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Mar 09, 2017 10:05 am

Com palavras generosas, Durval se expressou:
— Antes de iniciar definitivamente a tarefa, é provável que Daniela e Rafael colham, como frutos abençoados, espíritos que lhes cultivam vivo amor imortal e acreditam na vitória do bem e da felicidade verdadeira, merecendo-lhes a companhia.
Ao findar da conversa, Daniela não cabia em si, tamanha era a felicidade.
Retornou para casa e contou, detalhadamente, o motivo de tanta satisfação.
Rafael se emocionou.
Ele pôde sentir e talvez reconhecer o espírito superior de sua amada.
***
Em véspera de casamento, Daniela estava inquieta, mas não agressiva.
— Olha só! Pintei as unhas, mas acabei por comê-las todas.
— Ora, Dani. Tire todo esse esmalte.
Não vou me casar com ele.
— Não brinque, Rafael.
Dona Antónia os interrompeu:
— Rafael, telefone. E seu irmão.
Rafael, ainda achando graça do nervosismo de Daniela, atendeu a chamada:
— Fala, Caio!
Vagarosamente, Rafael desanimou o sorriso até fechar o semblante, enquanto ouvia seu irmão.
Depois perguntou:
— E o pai?...
Depois de ouvir seu irmão, desligou e voltou-se para Daniela e sua mãe, que aguardavam ansiosas, esclarecendo:
— Hoje pela manhã, durante a cirurgia plástica, minha mãe sofreu um tipo de choque anafiláctico.
Daniela estarreceu e não sabia o que dizer.
— Tenho que ir até o hospital.
O Caio me contou que meu pai não estava muito bem.
— Vou com você, Rafael -— afirmou Daniela, solícita.
Já no hospital, depararam com o senhor Paulo nitidamente nervoso.
— ...O que mais me preocupa -— dizia o pai aflito - é seu casamento amanhã.
O médico disse que ela não está nada bem.
Teve até uma parada cardíaca.
— Vamos adiar o casamento -— informou Daniela.
Rafael, imediatamente, reagiu firme:
— Não! Não vamos adiar.
— Correto, Rafael — apoiou seu pai.
— Rafael, por favor! -— pediu Daniela.
-Podemos adiar o casamento. E sua mãe!
Caio, que até então não havia se manifestado, argumentou:
—Desculpe minha franqueza, mas minha mãe não adiou a cirurgia plástica, que não era necessária, e também não ia ao casamento de vocês.
Por que adiar o casamento por causa dela?
—Caio! Você me espanta!
— Apelando para Rafael, Daniela insistiu:
— Veja, Rafael, o estado dela é grave.
Vamos adiar. E se acontece alguma coisa?
Calmamente Rafael afirmou, olhando fixamente para Daniela:
— Se eu não me casar amanhã, não caso mais.
Não quero e não vou desmarcar o nosso casamento.
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Mar 09, 2017 10:06 am

Aconteça o que acontecer.
Voltando-se para seu pai, considerou:
— Desculpe-me, pai.
Talvez eu esteja sendo egoísta, mas... diante de tudo...
— Tem o meu apoio, Rafael -— afirmou seu pai, convicto.
Diante dos acontecimentos, o casamento se realizou conforme o previsto, mas com poucas alegrias.
Na recepção aos convidados, Daniela pediu que não houvesse música como estava combinado.
Por ser um almoço, tudo seguiu com certa discrição e naturalidade.
Logo após tirarem algumas fotos, Rafael e Daniela foram até o hospital.
Durante todo o trajecto ele estava calado.
Não expunha seus pensamentos.
Daniela, quebrando o silêncio, perguntou:
— Por que não quis adiar o casamento?
—Você me ensinou a ter opinião própria e não me deixar levar pelas circunstâncias.
Eu queria me casar hoje e decidi não mudar de ideia..
—É que vejo que agora você está chateado, triste.
Poderia ser diferente.
Nem sabemos se vamos viajar ou não...
— Ah, eu vou! Se você quiser, pode ficar, mas eu vou viajar!
— Rafael!
—Já passei por tanta mágoa, tanta dúvida, tanta pressão ultimamente, Dani, principalmente por causa da minha mãe.
Nem sei como estou suportando.
Estou quieto agora, porque, se eu falar, creio que você não vai querer ouvir o que penso.
—É sua mãe quem está internada!
Ela já teve, até agora, duas paradas cardíacas e os médicos consideram seu estado crítico.
Eu não acredito que você não esteja percebendo a seriedade do caso.
Após colocar o carro em uma vaga no estacionamento do hospital, Rafael desabafou:.
— Talvez eu esteja sendo cruel.
Mas, sei lá... — não completou a frase.
— O que, Rafael? -— insistiu Daniela.
— Sei que você vai ficar chocada, mas penso o seguinte: até na hora de morrer, minha mãe tenta nos prejudicar.
Daniela ficou incrédula diante da seriedade de seu marido.
Vendo-a espantada, ele reconheceu:
— Desculpe-me.
Abraçando-a com carinho, considerou:
—Dani, eu gostaria que fosse diferente.
Sei que estaríamos nos sentindo melhor se não houvesse internação ou morte no dia do nosso casamento ou durante a viagem.
—Sua mãe não morreu.
—Ainda.
— Como você pode afirmar isso?!
Rafael calou-se e pediu:
— Vamos descer?
Quero ver como está meu pai.
Chegando ao andar indicado, Rafael encontrou seu pai.
— Ela está no CTI.
O horário de visita já acabou.
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Mar 09, 2017 10:06 am

— Como o senhor está?
— Passado. Farto.
Erguendo um olhar melancólico para o filho, o senhor Paulo aconselhou:
— Rafael, siga sua vida a partir de agora como você deseja.
Não dependa mais de ninguém, meu filho.
Você me disse um dia que não havia conforto melhor do que uma consciência tranquila e um trabalho honesto.
Pois bem, seja feliz.
Tenha uma consciência tranquila.
—O que está acontecendo, pai?
—Só vou lhe pedir um favor.
Quando você viaja?
—Por mim, hoje.
Daniela se manteve calada, mesmo com vontade de protestar.
—Certo — disse o homem, tirando um cheque de seu bolso e entregando a Rafael.
— Quero que você saque esse dinheiro o quanto antes.
—O que é isso, pai? — assustou-se Rafael, ao ver o valor.
— É o máximo do mínimo que eu tenho hoje.
Quero que o divida com seu irmão.
Quero que, com ele, Caio interne-se em um clínica para drogados.
Vendo o espanto no rosto de Rafael, ele explicou:
— Eu sei de tudo, Rafael.
Sempre soube. Sempre fui omisso.
Quero que Caio me perdoe e você também.
Mas, por favor, retire esse valor o quanto antes, e suma com ele, você entendeu?
Se não for por você, mas por seu irmão. Ele precisa de ajuda.
Não é dinheiro sujo.
Talvez seja mesmo esse o valor verdadeiro, em termos de honestidade, que vocês têm por direito, hoje, de toda aquela nossa fortuna.
Rafael ficou paralisado.
Ele não sabia o que fazer.
—Vá embora, Rafael.
—Pai, eu preciso de uma explicação!
—Você já a tem.
—Não, pai. Estou confuso... por favor!
—O Caio me contou sobre sua dedução.
Você acertou em tudo.
Mas tem algo mais:
o Rodolfo tem uma fazenda no interior do Brasil onde recebe aviões particulares com carregamentos de drogas.
Eu sempre soube disso.
Fui eu quem o ajudou a "lavar o dinheiro" na construtora.
É claro que também saía ganhando com isso.
Você acha que aquela empresa era tão potente a ponto de nos dar tanto luxo?
Era por isso que Rodolfo tinha que ser meu sócio.
Eu ganhava enquanto ele "lavava o dinheiro".
Eu não poderia comprar sua parte nas acções.
Sabe, Rafael, depois de tudo o que aconteceu, seu sequestro, a morte de seu irmão, eu não sabia o que fazer, fiquei numa situação complicada.
Entregando o Rodolfo, condeno-me junto.
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Mar 09, 2017 10:06 am

Fora isso, ele me trapaceou durante o sequestro e a morte do Jorge.
Não tenho condições nem de sair do país para dar a volta por cima.
Ultimamente, depois da doença da Cláudia, o Rodolfo está desanimado, não liga para mais nada... ele não tem nada a perder.
Pode tranquilamente me denunciar.
Você foi o único que se salvou da nossa família.
Não confie nem em seus tios.
Siga sua vida.
Ninguém da nossa família irá procurá-lo.
Nenhum dos nossos parentes gosta de pobres, tão ricos, como vocês.
Parabéns, Daniela!
Você é maravilhosa.
Não mude nunca sua personalidade.
Vá embora, Rafael.
Vá com sua mulher e não se despeça de mim...
Dando-lhe as costas, o senhor Paulo deixou Rafael e Daniela paralisados no meio do largo corredor.
Nenhum dos dois disse nada.
Eles voltaram para o carro e Rafael perguntou:
—O que eu faço, Dani?
—Não sei. Estou em choque tanto quanto você.
Retornando para casa, os jovens noivos decidiram que deveriam viajar conforme planeado.
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Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Mar 09, 2017 10:07 am

29 - NOVOS RUMOS

Cerca de seis dias depois, ainda em viagem, Rafael e Daniela decidiram voltar para casa.
Eles telefonavam sempre pedindo notícias, principalmente de dona Augusta que continuava no mesmo estado.
—Por que voltaram antes?! —- surpreendeu-se dona Antónia, com a antecipação do jovem casal.
—Ah, mãe! Deixamos muitas coisas aqui que nos preocupavam.
—Que coisas, filha?
—A dona Augusta, o senhor Paulo, por exemplo, e até a senhora, que nunca ficou só.
—Está tudo bem entre você e o Rafael?! -perguntou a mãe, curiosa.
— É que ele está com uma cara!
—Estamos óptimos, mãe.
Quanto ao Rafael, ele está preocupado.
Fora os problemas que a senhora já sabe, a empresa de seu pai não está indo bem.
A aproximação de Rafael cessou a conversa.
Abraçando dona Antónia, ele a cumprimentou com carinho e depois perguntou:
—A senhora teve alguma novidade sobre o estado de saúde da minha mãe?.
—O Caio telefonou hoje cedo e disse que ela ainda está em coma e não reage a nada.
Acariciando o ombro e o braço de Daniela, Rafael sinalizou para que ambos conversassem a sós, acompanhando-o até o quarto.
—Dani, estive pensando e acho que vou sacar aquele dinheiro.
—Tem certeza?
É isso o que quer?
—Sim, tenho certeza.
Não estou pensando em nós dois.
Penso no Caio.
— Sorrindo levemente, prosseguiu:
— Penso em nossos filhos, em algum futuro trabalho no Centro Espírita, sei lá...
—Rafael, esse dinheiro não foi conseguido de forma desonesta?
—Dani, você tem noção da fortuna dos meus pais?
Sabe o quanto ele herdou do meu avô e do sogro com o casamento que fez com minha mãe?
Acho que você não tem ideia do quanto meu pai possuía em terras, fazendas e sei lá mais o quê?
Não vivíamos só da construtora.
Meu pai deve ter aprontado muito.
Como ele lembrou, talvez seja esse o valor verdadeiramente honesto que cabe a mim e ao Caio como herança do meu avô.
Parece um grande valor, mas, veja, ninguém fica rico com ele, certo?
Estou pensando muito no Caio.
Se algo acontecer agora, ele poderá ter uma recaída com um sentimento de culpa.
Quero ver meu irmão recuperado e vejo que ele quer se recuperar.
Uma boa clínica custa muito caro.
Não sabemos quanto tempo ele vai precisar ficar internado ou retornar.
Daniela pendeu a cabeça positivamente e Rafael pediu:
—Quero a sua aprovação para todas as minhas decisões de hoje em diante.
Somos casados e... não é apenas isso.
Quero que pensemos juntos.
—Está certo — concordou ela.
— Estou do seu lado. Faça isso.
O quanto antes procure saber como pode ajudar seu irmão.
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Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Mar 09, 2017 10:07 am

—Hoje é sexta-feira.
Agora mesmo vou procurar o Caio para vermos a melhor maneira de sacarmos esse cheque que é de uma conta particular do meu pai.
Não quero comprometer-me, entende?
— Claro. Vá e me mantenha informada.
Beijando-a com carinho, ele disse:
— Amo você. Muito!
Na madrugada de domingo, Rafael sobressaltou-se assustado, sentando rapidamente na cama.
Daniela acordou e estranhando seu estado ofegante, perguntou:
— O que houve, Rafael?
Teve algum sonho ruim?
- Não...
— Por que está assim?
Ele não sabia o que responder.
Abraçou-a forte, com sentimento indefinido.
— Dani, estou assustado.
— Qual o motivo? O sonho?
— Não, Dani, não é sonho.
Sabe aquelas vozes?
— Refere-se à sua mediunidade?
— Sim. Às vezes eu consigo ouvir com muita nitidez, principalmente o espírito Lucas, que quase não tem se manifestado ultimamente.
Mas de uns tempos para cá, eu recebo impressões, como se viesse, subitamente a minha imaginação, a visão de uma cena, de um acontecimento.
Lembra-se de quando eu lhe contei sobre os factos do nosso sequestro, que aos poucos fui deduzindo que o Rodolfo estava envolvido, enquanto conversava com meu irmão?
— Lembro -— afirmou Daniela paciente e com muito sono.
—Era isso o que acontecia: os factos vinham, como imagens, na minha imaginação, de uma maneira muito forte, como se eu estivesse tendo uma lembrança de algo que já vi antes.
Eu não estava criando essas cenas, você entende?
—Você já estudou sobre isso, Rafael.
Isso é vidência, e outro médium que estiver na mesma sintonia que a sua, poderá confirmar tudo o que você viu nessa vidência, porque ele será capaz de enxergar o mesmo que você.
—Eu sei. Lembra-se de que eu não quis adiar o casamento, mas você sim, pois temia que minha mãe desencarnasse?
—Sim. Lembro.
—Eu sabia que ela não ia desencarnar naquele dia.
Agi errado quando me revoltei e até reclamei por ela querer nos atrapalhar em tudo.
Sei que fui cruel. Desculpe-me...
Daniela o ouvia com muita paciência, mas não entendia aonde Rafael queria chegar.
Às vezes as pausas eram longas, mas ela aguardava o desenrolar de suas explicações.
— Dani, eu quis voltar logo da viagem porque senti que minha mãe desencarnaria neste fim de semana.
Agora há pouco, eu acordei assustado porque vi meu pai caído em seu quarto. Não foi sonho.
Sei distinguir sonho de imaginação e de vidência.
Vi meu pai caído e depois de algumas cenas confusas eu o vi aqui em casa, muito velho, acabado e doente, talvez.
Ele estava preso a uma cama.
—Espera... espera... -— pediu Daniela.
Eu não acompanhei sua ideia.
Você viu seu pai, agora, caído? Onde?
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Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Mar 09, 2017 10:07 am

—Em seu próprio quarto.
Lá na casa em que ele mora hoje.
Depois eu o vi aqui em nossa casa, entendeu?
— Sim, entendi.
E quanto à sua mãe?
—Quinta-feira, quando eu sugeri que voltássemos, foi porque achei que ela desencarnaria neste fim de semana.
—Não tem nada a ver com o que você teve como vidência sobre o seu pai?
—Não. O que vi agora, referente a meu pai e que me assustou, parece ser a cena de um acontecimento futuro.
—Ah, bom -— suspirou Daniela, mais tranquila.
— Pensei que ele estivesse caído, agora, no quarto dele e sem socorro ou coisa assim.
De súbito, Rafael informou:
— Mas a minha mãe deve ter acabado de desencarnar.
Daniela arregalou os olhos verdes como que assombrada.
Alinhou os cabelos com os dedos e, procurando algo para prendê-los, levantou-se da cama um tanto desorientada.
— Calma, Dani -— pediu Rafael, arrependido.
— Eu não quis assustá-la.
— Abraçando-a, ele considerou:
— Não devia ter falado assim. Perdoe-me.
Mas estávamos esperando, de uma hora para outra, isso acontecer.
Os médicos não deram esperança.
— Certo, Rafael.
Realmente eu esperava essa notícia, só que pelo telefone.
Estou assustada com a sua mediunidade.
Não esperava por isso no meio da madrugada.
Ao abraçá-la, Rafael pôde sentir seu coração batendo acelerado e forte, enquanto ela o apertava firme contra si.
Beijando-a na cabeça, como querendo confortá-la, foram interrompidos pelo toque do telefone.
Ambos se olharam ainda mais surpresos e, ao atender, Rafael
confirmou a notícia sobre o desencarne de sua mãe.
***
Durante o velório, Rafael estava inquieto.
Ele abraçava Daniela como quem busca confiança.
—Você está nervoso, Rafael.
O que você tem? —- perguntava-lhe sua mulher.
—Quero sair daqui e não posso.
Gostaria de sair correndo. E isso, Dani.
—Está vendo alguma coisa?
—Não, estou ouvindo.
E, junto com isso, imagens terríveis se formam na minha mente.
Não consigo evitá-las.
—Faça uma prece.
Não se descontrole.
Isso é falta de educação mediúnica.
— Eu estou me controlando.
É que está ruim mesmo!
Enquanto eles sussurravam, no plano espiritual podia-se perceber o espírito Jorge infeliz, magoado e irritado com sua mãe que, presa ao corpo, encontrava-se com a consciência confusa, em estado de perturbação.
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Mar 09, 2017 10:07 am

Espíritos de inferioridade imensa provocavam rugidos ensurdecedores, estremecendo com vibrações malévolas todo o plano espiritual perceptível ao espírito Augusta.
Rafael empalidecia cada vez que registrava aquelas vibrações.
Ele sentia seu coração "esmagar".
Vozes estentóricas e aterrorizantes de seres perversos uniam-se aos gemidos dolorosos de criaturas escravizadas e sofredoras.
Vibravam aos uivos e gargalhadas de outros, que mais pareciam verdadeiros loucos.
— Suicida! Suicida!... -— gritavam eles, ao pobre espírito Augusta, que se debatia aflita.
— Egoísta! Suicida!!! Sua mesquinha!
Suicidou-se na vaidade e no orgulho!
Sua infeliz! Suicida!!!
Gritavam espíritos inferiores que costumam perturbar os suicidas inconscientes, logo que despertam do desencarne.
Criaturas más, perversas e terríveis, de corações endurecidos por séculos na maldade, faziam do instante um verdadeiro momento de torturas assombrosas, pois passaram a agarrar braços e pernas do corpo espiritual do espírito Augusta, de modo a mordê-la, ficando cravadas profundas marcas deformadas e cobertas de uma gosma repugnante a nós.
Enquanto o pobre espírito Augusta gritava em desespero, outros, também sofredores, escarneciam-na com deplorável condição de ignorância:
— Pensou em beleza?
Ficar mais esticada?
Vamos ver agora qual cirurgião poderá esticá-la!
Veremos o que todo o seu dinheiro pode fazer aqui no inferno!!!
— Vejam!!! Além de suicida, ela é assassina!
Matou os filhos, picotando-os num aborto!!! -— gritou outro, ao perceber as marcas do assassinato, através do aborto, que ficaram cravadas no perispírito de Augusta.
— Matou por vaidade!!! -— continuou ele gritando:
— Matou pra ficar elegante!
Assassina!!! Assassina!!!
Criaturas de baixíssimas condições e pouco esclarecimento, gargalharam estrondosamente.
Próximo de sua mãe, o espírito Jorge, assustado, afastou-se, pois temeu ser envolvido como ela, que estava sendo torturada, miseravelmente, por aquelas criaturas sombrias.
Jorge ficou com muito medo.
Achava-se confuso.
Logo após seu desencarne, ele passou momentos terríveis, preso ao corpo físico, enquanto o sentia em decomposição.
O efeito alucinante das drogas trouxera-lhe consequências inimagináveis de sofrimento consciencial, acarretando-lhe dor e desespero.
Revoltara-se principalmente contra seus pais, culpando-os por não lhe terem dado orientação moral elevada, dedicada atenção e amor.
Esqueceu-se da oportunidade que teve quando seu pai lhe forneceu tratamento para auxiliá-lo a não usar as drogas, e ele não colaborou.
Os espíritos tenebrosos e fétidos, que o aterrorizavam logo após o desencarne, arrastaram-no para zonas de imenso assombro.
Os espíritos habitantes conscienciais dessa região possuíam formas estranhas as dos seres humanos, mesmo o tendo sido quando encarnado.
Eles perderam suas características perispirituais porque se deformaram com a escravização nas drogas, pelos pensamentos brutais de pouco valor moral, pela falta de fé em um Criador Universal e pela ausência de seres queridos, que do plano encarnado ou desencarnado, endereçassem-lhes preces, pensamentos positivos edificantes, vibrações amorosas e orientação para o bem, para lhes alimentar com forças salutares.
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Mar 09, 2017 10:08 am

Naquelas zonas inferiores se reúnem espíritos verdadeiramente monstruosos, asquerosos e que, de tanto sofrimento, se esqueceram da forma humana, cobertos por escamas grossas ou espinhosas, gosmentas, que os deformam, dando-lhes aparências animalescas e horripilantes, bem como o próprio lugar1.
O Espírito não regride a sua forma evolutiva, mas degrada-se quando a mente abaixa o nível de seus pensamentos vertiginosamente e a criatura cultiva o mal, estaciona no ódio, no egoísmo e na vingança.
Por essa razão, o perispírito perde a forma humana e se transforma, a nosso ver, em criaturas repugnantes, mas que devem ser amadas e envolvidas com muito carinho pelos melhores desejos do bem e da paz, porque não sabemos do nosso passado e do quanto compactuamos com tanta rudeza.
E, provavelmente, estando em tais condições, ou se um filho querido ocupasse esse lugar na escala evolutiva, rogaríamos por bênçãos salutares para, o quanto antes, encontrar socorro e elevar-se a um estado abençoado e menos miserável que esse.
Gritos de dor e gemidos assombrosos e inenarráveis eram somente o que se poderia ouvir naquele lugar.
Depois de muito sofrimento nessa região, acuado pelo desespero, Jorge se lembrava constantemente de seus irmãos, a única semente de amor que ele deixava sobreviver em seu coração, pois o restante de seus sentimentos eram dominados pelo ódio e pelo desejo de vingança.
A cada vibração benéfica e prece amorosa de seus irmãos e de Daniela, Jorge banhava-se em bênçãos subtis.
A princípio não notou o que recebia, mas com o decorrer do tempo e a persistência daqueles que lhe desejavam amor verdadeiro, Jorge se deixou envolver por uma força a qual lhe parecia dolorosa e significava o impacto de seus pensamentos inferiores com a forte vontade de melhorar e buscar algo feliz.
Ninguém é, para sempre, de todo mal.
Lembrando-se constantemente dos irmãos quis intensamente estar com eles.
Momento em que, sem entender, arrancou-se daquele vale sombrio e encontrou seus afeiçoados juntos, no enterro de sua mãe.
No instante em que se revoltou contra a infeliz mulher sentiu-se, ao mesmo tempo, magoado consigo mesmo e percebeu, novamente, o terror assombroso já experimentado.
Por medo, afastou-se do espírito Augusta.
Jorge se aproximou de seu irmão Caio, o qual não pôde percebê-lo.
Tentou abraçá-lo pedindo socorro, quando duas entidades de fisionomia agradável, estampando sorriso singelo e circundadas por belas luzes, que as deixavam quase transparentes, aproximaram-se dele.
Apavorado, Jorge gritou:
—Não quero voltar para aquele lugar!!!
Por Deus, me ajudem!!!
—Acalme-se, meu irmão -— falou-lhe a jovem de beleza angélica, com voz profundamente doce.
— Se o desejo de mudar para o bem se manifesta, significa fé. Deus nunca nos desampara quando somos fiéis.
Dobrando-se de joelhos ao chão, Jorge chorou copiosamente.
Com sentimento puro, desejou que tudo fosse diferente e pediu a Deus que o socorresse.
Ele desconhecia que realizava uma prece.
— Deus, ajude-me! -— rogava ele em lágrimas.
— Se estou no inferno, deve haver um céu!
A Maria, que foi a nossa empregada, sempre falou que Deus é justo.
Ela sempre me ensinou a rezar, só que não me lembro mais.
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Mar 09, 2017 10:08 am

Então, se o Senhor é justo, por favor, não tive oportunidade de aprender o que era correto.
Morri novo, não ouvi o pouco que meu pai me falou.
Seria injusto eu sofrer tanto nesse inferno que estou.
As lágrimas lhe vertiam dos olhos, mesmo fechados.
As duas entidades aplicaram-lhe passes e em poucos minutos a aparência perispiritual de Jorge ficou mais alva e suas dores foram suavizando.
Esses dois espíritos eram sustentados por outros socorristas, que Jorge não conseguia ver.
Ao erguer o olhar choroso, Jorge sentiu-se mais aliviado.
— Lembre-se de agradecer a Deus pelo socorro abençoado e pelos irmãos queridos que regaram, com preces, a semente de amor em seu coração, que acabou de germinar, fazendo-lhe nascer forças de esperança e fé.
Você virá connosco.
Esqueça o sofrimento e pense na renovação feliz que poderá experimentar.
Um sono incontrolável dominou o espírito Jorge e ele foi levado para local adequado ao seu estado.
O espírito Augusta ainda se debatia em desespero pelas torturas assombrosas que sofria.
Mas nada fazia despertar sua fé em Deus.
Ela não percebeu o socorro de Jorge nem mesmo o registrou.
Tampouco os demais.
Uma claridade se fazia, na espiritualidade, onde Lucas e Fabiana se encontravam à espera e em observação.
Rafael ainda se sentia muito mal com o impacto daquelas vibrações aterrorizantes, ante a vertiginosa descida de sua mãe.
Agora, como espírito sem o corpo físico, Augusta estava desprotegida totalmente por não haver cultivado as verdadeiras riquezas:
caridade, amor incondicional e humildade, que fazem um espírito enriquecer verdadeiramente.
Tudo o que é conquistado de bens pecuniários, no mundo material, ficará e tudo o que é adquirido pelo espírito irá enobrecê-lo ou degradá-lo.
Vendo o conflito íntimo de Rafael, que apesar da angústia não exteriorizava seus sentimentos, Fabiana questionou, sugerindo:
—Lucas, poderíamos interferir no mal-estar de Rafael.
Ele não se sente bem. O que acha?
—A educação mediúnica não é suficiente, se a criatura não praticar realmente tudo o que aprendeu.
Se ela não prática como se deve, tem de voltar para as escolas.
Um médium desequilibrado é aquele que vive dando alarde de tudo o que vê e ouve da espiritualidade, é aquele que se liga às vibrações inferiores de um ambiente e se sente mal, não restaurando seu equilíbrio com uma prece salutar.
Devemos estar preparados sempre.
Podemos, Fabiana, mas não vamos interferir.
Deixe a experiência ensiná-lo a colocar-se, por si só, em harmonioso equilíbrio.
—Mas Rafael não possui a escola mediúnica completa -— defendeu Fabiana.
—Rafael é um espírito inteligente.
Aprende tudo com muita facilidade.
Mesmo não terminando a escola de médiuns, ele já leu e estudou toda a Codificação Espírita, e principalmente O Livro dos Médiuns.
Tem Daniela ao lado, que o vem orientando e ajudando a educar a mediunidade.
Assim sendo, não pode alegar ignorância, ele já aprendeu.
"Não são os que gozam de saúde que precisam de médico."
Fabiana concordou e achou justo.
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Mar 09, 2017 10:08 am

Lucas ainda confirmou:
— Para termos certeza de que é falta de boa vontade, por parte de Rafael, para equilibrar-se, veja:
Daniela não nos ouve nem nos sente.
Ela sempre diz que não é médium porque não percebe a presença da espiritualidade e não sabe quando estamos por perto.
Mas observe sua sensibilidade e sua responsabilidade valorosa.
Vou envolvê-la, passando somente uma única inspiração de que Rafael pode melhorar se reagir. Olhe.
Nesse instante, Lucas aproximou-se de Daniela, que por sua vez e como sempre, nada percebeu.
Ela se preocupava com a fisionomia pálida de Rafael que parecia querer desmaiar a qualquer momento.
Levou-o a um canto para conversarem a sós.
— O que você tem, Rafael? -— sussurrou ela.
—Ouço gritos... coisas terríveis.
Você não imagina. As vezes vejo...
tenho vontade de gritar.
—Isso é porque você não está reagindo!
Você está parado em uma frequência de vibrações inferiores -— disse ela, com firmeza.
—O que faço? -— perguntou, confuso. -— Quero ir embora!
—Até quando continuará fugindo do que não é agradável?
Eleve-se a um nível superior. Tenha fé!
Faça uma prece com sentimentos verdadeiros, pedindo a Deus que o abençoe.
Lembre-se: no plano espiritual, não temos somente irmãos sofredores, temos espíritos superiores e bondosos.
Se você só registra os sofredores e sofre com isso, é porque não os tira dos seus pensamentos e sente piedade de si próprio.
—Onde está o meu mentor em uma hora como esta que não me ajuda? -— perguntou Rafael, se sentindo impotente.
—Ele está na altura de vibrações superiores que você pode e deve alcançar.
Ele sabe que você tem conhecimento e precisa vencer pelas próprias forças.
Somente os desvalidos são auxiliados.
Seu mentor espera que você se eleve até ele.
Erga-se em vibrações melhores para receber os fluidos salutares que ele pode lhe passar.
O crescimento é seu e não do seu mentor.
Se ele interferir e ajudá-lo, quando você tem condições, você perde a experiência e não irá evoluir, tendo que aguardar uma nova oportunidade.
Faça uma prece.
"Ajuda a ti mesmo, que o céu te ajudará."
Rafael ficou calado.
Fez uma prece e se sentiu um pouco melhor.
Afastou-se da aglomeração e colocou-se novamente em oração, quando passou a sentir o envolvimento de Lucas.
Desespero nunca solucionou situações difíceis.
A fé raciocinada sim.
Aprenda com mais essa dificuldade — orientou Lucas a Rafael, que acreditou já ter ouvido a última frase em algum lugar.
Rafael olhou para Daniela com um semblante surpreso e um singelo sorriso.
Ela não entendeu, pois ele não lhe contou o que ouviu do espírito Lucas.
Um médium educado, equilibrado e despojado do orgulho e da vaidade, não faz alarde, em público, das suas experiências mediúnicas.
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Mar 09, 2017 10:08 am

Salvo na falta de educação ou no desequilíbrio.
Um médium precisa procurar esclarecimento e educar-se cada vez mais, pois sempre há o que aprender.
E sempre necessário controlar seus sentimentos diante de circunstâncias difíceis, elevando-se em prece, pois ninguém deseja passar pelo ridículo ou pela incredulidade.
Após o enterro, o senhor Paulo foi à procura de Rafael um tanto zangado.
— Por que o dinheiro ainda está lá?! -— inquiriu o homem, veemente.
—Calma, pai.
Estou cuidando disso.
—Não seja irresponsável, Rafael!
Aquilo lhe pertence!
— Certo, pai. Eu já entendi.
— Depois de breve pausa, perguntou:
— O senhor vai continuar sozinho naquela casa?
— Por que sozinho?
O Caio estará lá comigo.
— Conversei com o Caio e ele concordou em fazer um tratamento.
Já procuramos uma clínica e, se tudo correr como planeamos, talvez se interne daqui a uma semana.
— Ficarei morando lá sim.
Até quando, não sei.
Quando o senhor Paulo estava pronto para entrar em
seu carro, após beijar Daniela, seu sócio, o senhor Rodolfo e sua família, aproximaram-se para cumprimentá-lo.
Em um momento como aquele, as aparências sempre são mantidas.
Por esse motivo, o senhor Paulo não repeliu o cumprimento do sócio.
Cláudia, aparentando uma saúde perfeita, aproveitou a oportunidade.
— Meus sentimentos, Rafael.
Retribuindo ao aperto de mão, Rafael foi puxado por Cláudia que o beijou cordialmente no rosto.
Ela estendeu o mesmo tratamento para Daniela, que correspondeu educadamente e verdadeiramente sem ressentimentos.
— Você está bem? -— perguntou Cláudia, sem propósitos.
—Estou sim. E você?
—Óptima. Tive um menino.
Você soube?
—Sim, eu soube.
—E vocês?
Pretendem ter filhos? -— perguntou ela, voltando-se para Daniela.
—Ainda não pensamos nisso.
Nem bem completamos uma semana de casados — explicou Daniela, simpática estendendo singelo sorriso.
—Sabe, gostaria de pedir desculpas a vocês.
Eu não sei como pude levar tão adiante tudo aquilo. Eu...
Rafael cortou-lhe a explicação, tentando encerrar qualquer alongamento a respeito do assunto que tanto o feriu.
— Não peça desculpas, Cláudia.
Nós entendemos -— respondeu ele, com sinceridade.
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Mar 10, 2017 10:19 am

Cláudia, com os olhos quase transbordando lágrimas de arrependimento, olhou-os com certa melancolia e Rafael desfechou:
— Cuide-se bem.
Sempre há o que fazer em nosso beneficio espiritual.
— Depois de sorrir-lhe, pediu:
— Perdoe-nos, precisamos ir.
Temos um pouco de pressa.
Com licença.
Vendo-a quase chorando, Daniela tomou a iniciativa e deu-lhe um forte abraço.
Em seguida, acariciou-lhe o rosto, secando-lhe as lágrimas que teimaram em cair.
Beijou-a depois, dizendo:
— Ore. Peça bênçãos a Jesus, Ele irá fortalecê-la.
Agora preciso ir.
Desejo, de coração, que Deus a abençoe.
Rafael despediu-se cordialmente, imitando o carinho de Daniela.

1 A autora espiritual não permitiu mais descrições ou detalhes da região espiritual aqui mencionada, bem como dos espíritos que ali se colocam em estado consciencial e habitam essas zonas tão inferiores.
"Tudo ali é repulsivo, monstruoso e de uma qualidade espiritual terrivelmente inferior, que não convém descrever aqui, devido à soma de matéria mental que poderá trazer tal ideia de estado degradante e horrendo".
Como já nos explicou a autora espiritual em outra obra, é desnecessário este comentário agora.
O querido espírito Schellida orientou, amorosamente, que esses detalhes poderão ser descritos em um trabalho futuro e mais específico sobre o assunto, com mais preparo e orientação aos queridos leitores que se interessarem por ele. (Nota da médium).
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Mar 10, 2017 10:19 am

30 - DE EMOÇÃO EM EMOÇÃO

Com o passar dos dias, Caio internou-se em uma clínica de reabilitação para drogados.
Ele estava animado e disposto a se recuperar, não criando dúvida em nenhum instante. Isso lhe dava forças.
Rafael e Daniela acompanhavam-lhe em tudo, dando-lhe muito apoio.
O senhor Paulo precisou dispensar alguns empregados de sua residência e Maria, a empregada da mãe de Rafael, foi convidada por Daniela para morar com eles.
Maria não tinha para onde ir e o que ganhava como aposentada não era suficiente.
Sem o emprego na casa do senhor Paulo, sua situação ficaria pior.
Maria iria ajudá-los, não como empregada, mas como companheira.
Carlinhos precisava de alguém que o acompanhasse, pois dona Antónia tinha muita tarefa na assistência social da Casa Espírita.
Com os dias, eles conseguiram alugar a parte debaixo do imóvel para um restaurante.
Dona Antónia contava ao amigo senhor Diogo, dirigente do Centro Espírita, as últimas novidades.
—Ainda bem que esse restaurante funcionará somente durante o dia.
Não teremos barulho à noite.
—Fico feliz por todos -— reconhecia o dirigente, alegre.
— Vocês merecem a harmonia que experimentam.
—Sabe, Diogo — comentava dona Antónia —, às vezes tenho até medo.
— Por que, Antónia?
—A minha Dani e o Rafael se dão tão bem, que nem dá pra acreditar.
—Não podemos ter pensamentos contrários ao amor e ao bem...
— Não estou tendo, Diogo.
— Antónia, acredite na sabedoria Divina.
Daniela e Rafael são almas afins, que se harmonizam e se completam.
Nada que devemos estranhar, pois os espíritos que já se elevaram na escala espiritual começam a experimentar, ainda na experiência corpórea, uma união de qualidade superior, amparando-se um no outro, com equilíbrio e harmonia.
Todo trabalho do bem, que porvir deles, será de muita envergadura e amor.
O mundo está repleto de uniões que, por serem impensadas, pois reconhecemos o livre-arbítrio e a lei de causa e efeito, acarretam brigas, intrigas e discórdias entre os cônjuges.
Essas são almas que necessitam amadurecer e se ajudarem mutuamente.
De outra forma, enquanto não fizerem isso, vão experimentar grande vazio por muitas existências.
A fé em Deus e a prática da boa moral, é o único caminho que as levarão ao equilíbrio.
Essa é a minha opinião.
—Você tem razão, Diogo.
Não os vejo namorando o tempo todo, agarrados um ao outro como muitos fazem só para exibirem que se amam, mas observo a ternura, o respeito, o amor e a confiança que cultivam entre eles.
—Já lhe disse, Antónia, são as uniões de qualidade superior que começam a surgir para iniciar a povoação do planeta com criaturas mais harmoniosas.
No plano espiritual estava presente o espírito Denise, junto a Gertrudes, que fora sua avó paterna.
Ambas contemplavam a conversa amigável.
O espírito Denise, já recuperado do sofrimento de apego, recebera a primeira permissão para visitar seus queridos.
—Sinto vergonha do que fiz para Daniela —- comentou Denise. —
Com meus pensamentos mesquinhos, prejudiquei tanto minha irmã quando encarnada...
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Mar 10, 2017 10:19 am

—Ora, filha, quem se preocupa muito com o passado não realiza nada no presente e não se organiza para o futuro. - orientou Gertrudes, bondosamente.
—Arrependo-me por não ter aproveitado mais os ensinamentos Espíritas que recebi, pois estavam tão próximos de mim.
—Aproveite-os agora, Denise.
O espírito foi criado para a eternidade.
Sempre há tempo e, para não sofrermos mais, devemos colocar em prática tudo de bom que aprendemos.
Durval, aproximando-se da filha querida, surpreendeu-a:
— Pai!
Correspondendo ao abraço saudoso, ele observou:
— Fico feliz em saber da sua recuperação.
Isso alegra-me sobremaneira, Denise.
Já se interessou pelas escolas na espiritualidade?
—Sim —- respondeu ela, animada.
— Iniciarei estudos em breve.
—Óptimo! Gertrudes não poderá pajeá-la por muito tempo.
Vendo o lindo sorriso estampado no rosto daquele amado espírito, Denise se inquietou, argumentando sem perguntar directamente:
—Ah! Mas eu não estarei estudando o tempo todo.
Poderei vê-la sempre e receber seus ensinamentos, seu carinho...
—Creio que não será assim, Denise —- afirmou Durval.
—Gertrudes prepara-se para o reencarne.
—Não! - lamentou Denise.
— O mundo está horrível hoje em dia.
—Por isso mesmo.
Precisamos ter na Terra espíritos queridos e amados.
Abnegados em servir com fidelidade para ensinar nossos irmãos e lhes indicar todos os bons caminhos.
Gertrudes e Nonato, um outro companheiro que você ainda não relembra, reencarnarão entre Daniela e Rafael para garantirem a continuação do trabalho maravilhoso que Daniela iniciará com o apoio do marido.
—Quem é esse Nonato? — interessou-se Denise.
— É um espírito grandioso.
Trabalhador incansável na tarefa do bem.
Fiel companheiro...
— Nesse ponto Durval fez breve pausa, depois continuou:
— Não temos tempo a perder.
Nossa tarefa hoje é enviar aos encarnados de boa vontade, fiéis aos ensinamentos de Jesus, frutos maduros de bondade construtiva e prontos a servir com amor, que não desperdicem a oportunidade abençoada da reencarnação, desviando-se pelos desinteresses da preguiça, pela ostentação do orgulho ou da vaidade de receber qualificações, sejam elas quais forem.
—Quando me falou de Nonato, senti como se o conhecesse — explicou Denise.
—Sim, querida, você o conhece.
E passando-lhe a mão sobre a fronte, quase a tocar-lhe, Durval acreditou que seria o momento de revelar a Denise mais uma parte da verdade que ela esquecera.
Nonato fora, quando encarnado em tempos passados, um grande amor na vida de Denise.
Há muito tempo, como espírito que solicitou provação no celibato, Nonato foi um belo moço que, indicado como padre de um vilarejo no norte da Itália, sofreu suas piores provas de tentação com os assédios de Denise, uma linda jovem que frequentava a pequena igreja.
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Mar 10, 2017 10:20 am

Mesmo sentindo grande paixão pela moça, Nonato não cedeu aos desejos da carne.
Com o tempo, Denise acabou por abandonar a ideia de conquistá-lo,
principalmente, quando verificou que sairia com mais proveitos se tentasse tirar o rico namorado de sua irmã, por afinidade na época, pois sua mãe se casara com um viúvo que já tinha uma filha, no caso Daniela, e o moço rico, Rafael.
Surpresa, Denise envergonhou-se ainda mais e perguntou:
— Por que Nonato não largou a batina?
Ficando comigo, eu erraria menos.
— Pelo uso abusivo do sexo, em tempos ainda mais remotos,
Nonato solicitou o celibato para se equilibrar em harmoniosa consciência.
Ele conseguiu. Foi tentado por uma grande paixão e resistiu à prova, erguendo-se muito na escala evolutiva, pois junto ao celibato, executou muitas tarefas caridosas a irmãos necessitados e levou os ensinamentos de Jesus aos mais carentes, fazendo-os entender o que é necessário para evoluir.
Como você mesma pode ver, qualquer um, independente da religião, eleva-se e auxilia outros irmãos a trilhar o caminho do bem.
—Mais uma vez nosso querido Nonato há de entregar-se à tarefa abençoada de servir com amor e para o bem comum -— completou a alegre Gertrudes.
—Ele não necessita do celibato agora, não é? -— perguntou Denise.
—Não, Denise —- explicou Durval.
— Uma vez conquistado o equilíbrio, não necessitamos sofrer provas no mesmo estágio se não errarmos mais.
Se tiver nos planos de Nonato, ele há de unir-se com alguém que o ame de verdade e o apoie na tarefa abençoada à qual se propôs.
Os olhos de Denise, velados de lágrimas, brilhavam.
Uma ansiedade, misto a um sentimento indefinido, fê-la confessar:
—Gostaria muito de ver Nonato, mesmo depois de tudo o que fiz.
Sinto algo... não sei explicar.
—Você pode vê-lo sim.
Tenho certeza de que ele ficará muito feliz e, porque não dizer, realizado ao vê-la bem.
Quem sabe... — não completou Durval, ao perceber uma aproximação, que Denise não registrou de imediato.
— Quem sabe?... — perguntou Denise, ainda alheia.
Mas antes de Durval responder, linda luz aureolava o espirito que se aproximou, encantando Denise, que não conteve suas lágrimas de jubilosa alegria.
Abraçando-a com terno amor, Nonato beijou-lhe a testa, transmitindo-lhe um carinho afectuoso ao nível de seu entendimento.
Depois completou:
— Quem sabe você queira preparar-se, muito bem, para daqui a quatro ou cinco anos, retornar para o círculo dos encarnados e encontrar-me para nos unirmos e, em amparo mútuo, abraçar a tarefa do bem à qual me envio?
Saiba que não reencarno para o gozo das falsas alegrias terrenas!
Mas ficarei imensamente feliz, se puder sentir o amparo amigo de alguém que amo, quando buscar a revitalização necessária, no aconchego do lar.
A Terra tem sede de Deus nos últimos tempos.
Meu trabalho não poderá se desviar de levar a gota abençoada do ensinamento que salva. Aceita?
Denise chorava, compulsivamente, abraçada a Nonato, que lhe endereçava um olhar repleto de encanto.
Devido ao choro, faltava-lhe oportunidade para responder.
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Mar 10, 2017 10:20 am

Afagando-lhe os cabelos com extrema ternura, ele retomou docemente:
—Procure, nesses anos que ainda tem aqui para estudo, afirmar-se em combater a si mesma.
Não guarde em seu coração a vaidade ou o egoísmo e aproveite o próximo reencarne para purificar-se e, aí sim, conduzir-se-á em jubilosa senda para o caminho da verdadeira felicidade.
—A seu lado? — perguntou Denise.
—Dependerá de você, minha querida.
Abraçada àquele ser tão amado, Denise experimentava desconhecidos sentimentos que lhe davam forças espirituais e desejos de se elevar como nunca antes provara.
— Espero ser digna de tanta confiança.
—Aproveite os últimos tempos, querida Denise.
Tudo passa rapidamente. Empenhe-se!!! -— incentivou Nonato, amável.
—Há em mim um desejo, uma vontade de crescer, de evoluir para poder chegar até você...
Falando brandamente, Nonato assegurou:
— Deus não separa os que se amam, dando sempre a oportunidade de evolução para caminharem juntos.
Roguemos que seu coração tenha amparo necessário para o nosso ideal.
Sei que você é forte.
Vai conseguir. Estarei com você.
Inclinando-se, Nonato beijou-lhe a fronte novamente com infinita ternura.
Olhar fixo e nublado pelas gotejosas lágrimas de emoção, Nonato a entregou a Durval, que contemplava-os feliz.
— Cuide dela para nós, querido amigo.
Preciso ir agora —completou Nonato, com agradável sorriso.
Nonato afastava-se devagar, estendendo os braços para Denise que retribuía, igualmente, por não querer deixá-lo ir.
Ao sentir deslizarem suas mãos, no último toque entre os dedos, antes de se separarem, Denise afirmou:
— Amo você...
Afastando-se, Nonato murmurou:
— Sempre a amei.
Vendo-o sumir junto com Gertrudes, Denise abraçou-se a Durval e pediu:
— Ajude-me! Preciso conseguir me elevar.
— Dedique-se. Equilibre-se.
Somente assim você conseguirá.
Jesus sempre abençoa os que se dispõem a se tornar mais fortes e alçar a verdadeira nobreza da paz, do amor e da humildade.
Enquanto Nonato se preparava para o reencarne, Denise foi encaminhada às escolas espirituais, buscando aprender.
Ela se propunha a encontrá-lo, na próxima experiência terrena, a fim de ajudar e apoiar aquele ser tão amado e também inclinar-se às tarefas de caridade e do bem comum.
***
Certamente não existe divisão de um espírito.
O espírito é criado individualmente, daí concluímos: não existem as almas gémeas ou a cara-metade.
Os espíritos "penetram" no que vêem.
Por essa razão, um não pode enganar ao outro, pois exibem seus sentimentos verdadeiramente como são. Não há como mentir.
Isso nos mostra que os espíritos se reconhecem entre si e se afeiçoam, em graus diferentes, de acordo com a ordem espiritual que ocupam com as suas tendências e desejos em comum.
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Mar 10, 2017 10:20 am

Existem uniões predestinadas entre duas almas a fim de que evoluam ao superar as experiências de provas ou expiações, para se equilibrarem.
Há também a união de almas que já atingiram certo grau de elevação.
Elas possuem afinidade perfeita de concordância em suas tendências e objectivos para o bem e para o amor incondicional.
Não há egoísmo entre elas para alimentar o amor-próprio ou o ciúme nem a ambição dos interesses materiais.
Nessa abençoada união, elas desenvolvem trabalhos laboriosos para a evolução de muitos irmãos.
Essa é uma União de Qualidade Superior, onde "A simpatia que atrai um Espírito para o outro é o resultado da perfeita concordância de suas tendências, de seus instintos.
Se um devesse completar o outro, perderia sua individualidade" -— resposta da pergunta, 301 de O Livro dos Espíritos.
Além da simpatia geral, determinada pelas semelhanças, existe afeição particular entre os Espíritos.
Entre aqueles que já atingiram a perfeição, essa afeição é muito mais forte na ausência do corpo, porque eles não estão mais expostos às dificuldades das paixões.
O sentimento de estima e amor entre os Espíritos é mais sólido.
Quanto mais perfeitos e puros, mais unidos.
"O amor que os une é para eles a fonte de uma suprema felicidade".
Concluindo: não existem almas gémeas, o que entendemos como sendo almas criadas juntas ou ligadas.
Existe, sim, afinidade perfeita entre espíritos que simpatizam e que possuem afeições inalteráveis quando puros.
Essa harmoniosa semelhança de conhecimentos, pensamentos, sentimentos e amor podem fazê-los caminhar lado a lado para os mesmos objectivos elevados de tarefas edificantes, amparando um ao outro e juntos, se assim desejarem e de acordo com as possibilidades.
E a União de Qualidade Superior e de Perfeita Concordância.
"Da concórdia resulta a felicidade completa".
Todos os Espíritos possuem união entre eles.
Mas existe a afeição particular entre dois espíritos que muito se harmonizam.
Essa afeição jamais pode ser a da almas gémeas ou metade, no sentido exacto do significado dessas palavras.
***
Certa manhã, Rafael, intranquilo, preocupava-se:
—Meu pai não atende ao telefone.
Vou passar lá de ir trabalhar.
—Posso ir com você? Ele pode se sentir só.
Talvez; conversa ajude.
Depois que a construtora fechou, ele muito abatido -— disse Daniela.
— Está bem, deixo você lá.
Depois vou trabalhar.
Ao chegarem a casa, parecia que estava vazia.
— Pai? — chamou, sem obter resposta.
Correndo directo ao quarto, Rafael o encontrou caído em decúbito ventral.
— Pai! — exclamou o filho, surpreso.
O senhor Paulo não respondia.
— Ele tem pulso, Rafael.
Vamos socorrê-lo! -– verificaram ela.
Levado ao hospital, o senhor Paulo foi socorrido e diagnosticaram um acidente vascular cerebral, conhecido com AVC ou derrame cerebral.
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Ave sem Ninho

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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Mar 10, 2017 10:21 am

Rafael se preocupava com seu estado, mas mantinha a calma.
Daniela ficava a seu lado, dando-lhe apoio.
Com o tempo, o senhor Paulo obteve alta hospitalar e era recebido com carinho na casa de Rafael, pois não poderia mais morar só.
Maria, sua antiga empregada, cercava-o de todos os cuidados.
Ela conhecia seus gostos.
Conversando com Daniela, Rafael explicou:
— O médico me disse que nunca se sabe qual é o grau de recuperação de um paciente de AVC.
Ele pode voltar a falar ou a andar com dificuldades ou limitações.
Por enquanto ele não consegue nem mesmo identificar o momento de suas necessidades fisiológicas, por isso terá que usar fraldas.
Os testes demonstraram que ele ouve e entende normalmente.
Se acaso ele apresentar alguma rebeldia, é normal.
Isso mostra seu estado psicológico reagindo contrariado com as suas condições.
Seria um protesto.
Ele terá que ir periodicamente ao médico e a sessões de fisioterapia.
— Cuidaremos muito bem dele.
— Depois de breve pausa, Daniela recordou:
— Lembra-se da sua vidência há alguns meses?
Rafael pendeu a cabeça positivamente com o olhar entristecido.
— Meu pai escolheu uma vida muito agitada, Dani.
Como espíritas, sabemos que esse momento foi proporcionado por ele mesmo, para ficar na dependência dos outros e somente observando tudo o que acontece sem interferir, porque antes o autoritarismo, as ordens e a opinião final sempre eram dele.
Tudo em sua vida tinha que ser realizado com eficiência e rapidez.
Nada podia esperar.
Por isso perdeu tudo, até aquela casa que ele amava tanto.
—O nervosismo com os processos contra ele também colaboraram para seu estado hoje.
—Colaborou porque ele deixou.
De que adiantou tanto nervosismo, ganância, desespero e pressa?
Mas vamos ampará-lo. Ele vai aprender.
—Nem mesmo os irmãos dele foram visitá-lo no hospital.
Será que virão aqui?
—Eu duvido, Dani. Mas ele tem a nós.
—Claro que sim.
Confirmou Daniela, abraçando-o com carinho e completando:
— Quando Caio retornar, iremos recebê-lo com o maior prazer.
—Caio está indo muito bem.
Sua força de vontade é notória, disse-me um terapeuta com quem conversei outro dia.
Depois de tanto tempo nas drogas, ele está conseguindo. Graças a Deus!
Na noite seguinte, Rafael acordou no meio da madrugada.
—O que foi, Rafael? Sonho? -— perguntou Daniela, assonorentada.
—Não...
—Vidência? — insistiu ela, novamente, com a voz esmorecida e quase dormindo.
—Você quer saber por mim, por telefone ou por exames? —
perguntou Rafael, cinicamente.
—Como?! -— questionou Daniela, sentando-se na cama para ficar mais atenta.
— Não estou entendendo.
Esboçando um sorriso agradável, contemplou-a longamente e perguntou:
— Você quer saber por mim?
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Mar 10, 2017 10:21 am

—Vamos lá, diga! Já acostumei mesmo!
Não me assusto com mais nada.
—Você está grávida.
O silêncio se fez por alguns instantes, mas logo Daniela reagiu pacífica:
— Não. Impossível. Tomo remédio.
Sem conseguir desfazer o sorriso, ele insistiu:
— Acredite em mim.
Você está grávida, ou melhor, nós estamos grávidos.
Vamos ter um filho!
Daniela ficou parada e pensativa.
Rafael a abraçou com carinho e a expectativa não os deixou dormir pelo restante da madrugada.
No dia seguinte, ao chegar do trabalho, Rafael se sentia ansioso.
—Fez o exame? — perguntou ele, afoito.
—Fiz. Mas vou dizer a verdade:
me senti ridícula quando disse para o médico que eu tomava remédio, que não estou em atraso com meu ciclo e achava que estava grávida.
O médico ficou me olhando de um jeito estranho.
Deve ter me achado louca -— explicou ela, envergonhada.
Abraçando-a, Rafael perguntou:
—E o resultado?
—Amanhã à tarde estará pronto.
Fiz exame de sangue que é muito preciso, acusando a gravidez de poucos dias.
—Não fique assim.
Quando sair o resultado, quero ver com que cara o médico vai ficar.
Chamando-a em particular, sua mãe se preocupou:
— Daniela, seria importante que você se precavesse, filha.
Não me leve a mal, mas... o Carlinhos tem síndrome de Down.
—Eu sei, mãe.
O que eu posso fazer agora é aguardar.
A senhora acha que não me preocupo?
—Seria bom você nem ter engravidado.
Por que você se descuidou?
—Não me descuidei. Tenho certeza!
Foi uma acção independente da nossa vontade.
Não planeávamos um filho agora.
—Se for gravidez, terá poucos dias.
Se você tomar algum remédio...
Não esperando sua mãe terminar, Daniela a interrompeu:
— Pelo amor de Deus, mãe!
Não termine de dizer seu pensamento.
Jamais mataria um filho.
Nem se eu soubesse que para ele vir ao mundo, eu desencarnaria!
Daniela ficou indignada com o início da proposta de sua mãe e percebeu que, se fosse gravidez, deveria ser algum espírito muito especial, pois já a estavam tentando, sem a confirmação do seu estado.
Com o resultado positivo em suas mãos, Rafael não cabia em si, tamanha era sua felicidade.
Ele se ajoelhava ao lado de seu pai, que estava em uma cadeira de rodas, e até chorou ao lhe dar a notícia.
O senhor Paulo, muito abatido e mesmo com o rosto torcido pelas sequelas do AVC, esboçava um leve sorriso de satisfação.
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Mar 10, 2017 10:21 am

Rafael ficou algumas noites sem dormir, dominado pela felicidade de fazer planos alegres.
Com o passar dos dias, Daniela chamou Rafael para que observassem alguns cuidados.
— Você sabe -— explicava ela, delicadamente.
— Tenho um irmão excepcional.
Sei que há exames e vou fazê-los, já falei com o médico.
Vamos nos preparar para qualquer resultado.
Contemplando-a com intenso brilho no olhar e muito sério, Rafael afirmou, enquanto acarinhava-lhe:
— Eu quero que você fique bem tranquila para fornecer toda harmonia necessária aos nossos filhos e a você mesma durante a gravidez.
Vamos fazer todos os exames necessários.
Quero que saiba que jamais rejeitarei um filho venha ele como vier.
Meu filho é metade de mim.
Ele tem o que eu lhe dei.
Mas, para vê-la em harmonia, até saírem os resultados desses exames, peço para você não ficar preocupada.
Depois de breve pausa ele disse:
—Nossos filhos têm a saúde perfeita.
Essa será uma gestação maravilhosa.
—Nossos filhos?! -— perguntou Daniela, desconfiada.
—Sim. São gémeos. E um casal.
Daniela começou a rir, sem escândalo, mas sem controle.
— Você está brincando, Rafael?!
Com muita seriedade, esboçando um agradável sorriso, ele afirmou:
— Jamais brincaria com algo tão sério assim.
Talvez não devesse falar dessa maneira, mas quero deixá-la tranquila.
Com o passar dos meses...
—É isso mesmo — informava o médico que realizava a ultra-sonografia.
— São gémeos.
Um podemos ver, nitidamente, que é menino, mas a posição do outro... hum... não permite ver o sexo.
Daniela não articulava nenhuma palavra, somente sofria e chorava.
Enquanto Rafael aparava suas lágrimas de alegria ao ver o exame na tela do computador.
—Vejam -— prosseguiu o médico, em seguida —- os demais exames nos garantem a saúde física e mental de seus bebés. Parabéns!
—Até hoje não sinto nada, doutor.
Isso é normal? - perguntou Daniela.
—Como nada? Não os sente mexer?
—Sim. Isso sim. Refiro-me aos enjoos, tonturas ou coisas assim.
— Uma gestação é diferente da outra, até com a mesma mulher.
Se você não sente nada, óptimo.
Isso é perfeitamente normal. Fique tranquila.
De emoção em emoção, Rafael aguardava ansioso o nascimento de seus filhos.
Cada detalhe era vivido como o último.
Toda família estava integrada em objectivos úteis e salutares.
O senhor Paulo, em uma cadeira de rodas, ouvia atentamente a todas as conversas.
Ele não conseguia falar, mas com certa dificuldade, expressava-se contra ou a favor de alguma coisa.
Os poucos movimentos que recuperara com uma das mãos, deixava-o mover sua cadeira de um lugar para outro da casa e, sempre prestativo, Carlinhos, muito amoroso, fazia questão de ajudá-lo, principalmente quando chegava próximo das rampas.
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Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Mar 10, 2017 10:21 am

Caio, firme e recuperado, já estava na casa de Rafael.
Estava à procura de emprego.
Com muita confiança e boa vontade, empenhava-se em conseguir uma boa colocação para não ficar custeado pelo irmão.
Colocou suas reservas financeiras à disposição de Rafael para não se sentir um encargo a mais, até se ver empregado e colaborar de forma mais definitiva.
Certa ocasião, Caio conversava com dona Antónia, Maria e seu pai, que somente os ouvia.
—Então o Rafael disse que o Rodolfo viajou para o exterior com toda a família.
Ele deve ter levado todo o dinheiro também.
Ninguém mais soube dele -— informava dona Antónia.
—Não vamos nos preocupar com o Rodolfo agora, dona Antónia.
Devemos voltar nossa atenção para os assuntos que podemos resolver.
—Mas o Rodolfo fez tanta injustiça com seu pai.
Largou todos os processos na responsabilidade dele!
O senhor Paulo, enquanto ouvia, balançava a cabeça positivamente, concordando com dona Antónia que apiedava-se dele.
—Deus é justo, Antónia -— considerou Maria, que já fazia parte da família.
— Deixa esse homem pra lá.
Perdoa ele viu, seu Paulo! —
recomendou ela, para o homem que não podia se expressar verbalmente, mas acenava-lhe com a cabeça, concordando.
—Maria tem razão, dona Antónia.
Devemos lhe perdoar.
Não sabemos o que fizemos para sofrer isso.
Talvez lesamos os outros também.
Podemos fugir das leis dos homens, mas nunca das leis de Deus.
Veja como somos ricos.
Não estamos na miséria.
Tá bom que eu não tenho casa e estou vivendo de favor, mas todos temos onde morar e dispomos de harmonia e saúde.
Vamos nos alegrar! Somos uma família!
Que em breve vai aumentar! -— disse Caio.
— É verdade! -— disse Maria entusiasmada.
— Não vejo a hora deles nascerem.
Que maravilha!!!
Vou cuidar muito bem dessas crianças, como se fossem meus filhos!
Será um grande prazer acompanhar os filhos do Rafael, a quem eu ajudei criar.
Não foi, seu Paulo?
O homem pendeu a cabeça positivamente, esboçando um sorriso.
— Além do que -— prosseguiu Maria —- vou olhá-los enquanto Daniela tiver cuidando das tarefas lá no centro. E...
Repentinamente, um grito os alarmou:
— Nasceram!!! -— berrou Rafael, ao entrar em casa.
Eles nasceram!!!
Todos ficaram parados, olhando-o prosseguir:
—Sempre idealizei gritar pro mundo inteiro: meu filho nasceu!!!
Mas, como sou modesto -— disse ele, com ironia e banhado em lágrimas, sem conter o sorriso —- tenho que gritar:
meus filhos nasceram!!! É um casal mesmo!!!
—Onde está minha filha?! -— lembrou-se dona Antónia, preocupada.
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