LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Fev 25, 2017 10:15 am

—Sei lá, Dani.
Acredito que nunca mais vou deixar as drogas.
Sou um viciado em potencial.
— Não diga isso...
Interrompendo-a, Caio explicou:
— Você não entende, Daniela.
Só quem vive na desgraça do vício para saber o quanto ele consome, definha e escraviza alguém.
É terrível. É inenarrável o que as drogas fazem com a gente.
Você se transforma em animal irracional quando não as têm e vira um miserável quando as consome.
Mas não é o uso das drogas que me transtorna hoje.
Se fosse só por mim...
— Desculpe-me. Não o entendo.
Se puder ser mais claro...
— Um viciado faz qualquer coisa para alimentar a sua dependência, Daniela.
Quando você entorpece, você perde a noção e a razão, mostrando, exibindo realmente o que você é.
Quando necessitei pagar o traficante, na época da faculdade, fiz o que não devia para amenizar a dívida.
Só que isso hoje pode vir à tona.
Por mim, penso até...
— Pensa em que, Caio?
Depois de breve pausa, olhando-a fixamente nos olhos, ele prosseguiu:
— Penso em dar um fim na minha vida...
—Por Deus, Caio!
Nem pense nisso -— ressaltou Daniela, sentindo que ele acreditava não ter nada a perder.
—É sim, Dani.
Estou farto da porcaria de vida que levo.
Estou cansado da hipocrisia de todos, a começar pela minha própria hipocrisia.
Só não desapareço agora e ponho um fim em tudo porque o Rafael sofreria sérias consequências sem saber.
—- Como assim?
—O Rafael lhe contou como ele se envolveu com um tal de Biló, numa festa estranha em que ele foi convidado?
—Sim. Mas depois que amassaram o carro dele, acho que se deram por satisfeitos e não o incomodaram mais.
—Você é que pensa!
—Como assim?!
—Traficantes e fornecedores, todos sempre têm contacto uns com os outros, principalmente aqueles que abastecem as altas classes sociais.
O que eles podem, eles extorquem da gente.
Como eu já lhe disse, quando nos drogamos, perdemos o sentido, a razão e acabamos por fazer tudo.
Na verdade, nós nos revelamos e, no passado, eu andei com uma turma da pesada e há provas disso.
Alguém tem filmes e fotos e poderá me expor e me comprometer muito.
—Não dá para você comprá-los?
Como você mesmo disse, dinheiro nunca foi o seu problema.
—Acontece, Dani, que o preço é muito alto.
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Fev 25, 2017 10:16 am

—Quanto?
Caio olhou-a de modo indefinido e depois respondeu:
— O preço, para eu resgatar esses filmes e fotos, é o Rafael e você.
— Não entendi, Caio.
O que eu tenho com isso?
Ele não tinha coragem de revelar a verdade, por isso procurou justificativas que contentassem Daniela.
— Há muito tempo, tive certas complicações, indirectamente, com esse Biló por causa de... drogas e outras coisas.
O Biló perdeu-me de vista e nunca soube como poderia me encontrar.
A ironia do destino fez com que o Rafael acabasse tendo certos atritos com ele e, depois disso, descobriu que o Rafael é meu irmão.
O Rafael nem imagina o que houve entre mim e o Biló.
Só que essa raiva, esse desejo de vingança que ele tem vivo dentro de si, veio a calhar, ou seja, quer se vingar de mim, tem provas que podem até incriminar-me, só que o objectivo dele não é somente sujar meu nome, é acima de tudo me torturar.
E agora encontrou a pessoa certa: meu irmão.
O Biló quer que eu o entregue junto com a namorada.
Há momentos em que eu tenho vontade de sumir, desaparecer, morrer... mas temo algumas consequências.
Dependendo do caso, a guerra fria, o preconceito e a hipocrisia, dentro das altas camadas sociais, pelos escândalos nas manchetes, implicam seriamente os negócios.
Meu pai pode ser um homem falido...
—Denuncie à polícia, Caio -— sugeriu Daniela, inocente.
—O que é isso, Dani?
Seria o mesmo que procurar o jornal mais popular da cidade e dar de bandeja toda essa informação.
—O que pode ser feito?
—Tenho informações de que eles não a conhecem muito bem.
Na verdade, estão procurando a namorada do Rafael dentro de nossa classe social.
Desculpe-me por falar assim, mas nem imaginam que possa ser você.
—Como o ameaçaram?
Quem lhe disse tudo isso?
—Meu fornecedor.
—Precisamos contar ao Rafael.
— Por favor, Dani, deixe-me contar.
Tenho que ter coragem para fazer algo correto em minha vida.
— Acalme-se. Vai dar tudo certo.
Caio suspirou fundo, levantou-se e a abraçou.
Daniela percebeu o quanto aflito ele se sentia e procurou não lhe passar seu medo e preocupação, correspondendo fraternalmente ao abraço que lhe pareceu uma forma de Caio pedir socorro.
A porta do escritório foi aberta repentinamente e Rafael pôde observar a cena que não lhe pareceu agradável, por isso deu as costas provocando um barulho muito forte com a porta, deixando-se perceber.
— Rafael?! -gritou Daniela indecisa.
— Eu falo com ele — decidiu Caio, e rapidamente saiu correndo atrás de seu irmão.
Alcançando-o próximo à porta do elevador, tentou se explicar:
— Preciso conversar com você.
É muito importante e urgente!
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Fev 25, 2017 10:16 am

Exibindo nítido desapontamento, Rafael tornou-lhe:
— Não precisamos nada, Caio!
Eu vi tudo. Não necessito de nenhuma explicação.
Daniela aproximou-se e antes que ela dissesse algo, Rafael dirigiu-se a ela com grande amargura:
—Pensei que fosse diferente.
Acreditei piamente que não era igual a tantas outras que conheci, mas você... você não presta também.
—Rafael, não fale assim, escute! -— interferiu Caio, inutilmente, segurando-o pelo braço.
Com os olhos nublados pelas lágrimas incessantes, Daniela retornou para sua sala sem dizer nada, enquanto a chegada do elevador fez Rafael ir embora, após se soltar bruscamente do irmão que tentava lhe explicar tudo.
Caio viu-se atordoado.
Sem saber o que fazer, para fugir do problema que causou, procurou um lugar reservado para se drogar, acreditando que isso o faria mais forte para suportar a situação.
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Fev 25, 2017 10:16 am

7 - PAIS E FILHOS

Desnorteado, Rafael fugiu para uma danceteria onde a música alta e os jovens frenéticos agitavam o ambiente.
No alvoroço incontido, que também se fazia no plano espiritual pelos desencarnados que se compatibilizavam com o local e jovens convulsos, o espírito Lucas, mentor de Rafael, passava despercebido por todos.
Procurando envolvê-lo para que ele não precipitasse atitudes impróprias, Lucas fez-se ouvir:
— Não aja impulsivamente.
Recebendo as impressões de Lucas com nitidez, apesar do barulho do recinto, pois a mediunidade auditiva independe do som do ambiente, Rafael respondeu-lhe em pensamento:
— "Pro diabo você e a Daniela!"
— Aqui não é um bom lugar, principalmente em momentos de conflitos íntimos, como esse —- afirmava Lucas, procurando orientá-lo.
— Nem tudo o que vemos é o que nos parece.
Seu irmão tem problemas e Daniela o ajudava.
Procure saber o que aconteceu antes de julgar.
— "Isso tudo é loucura!" -— pensava Rafael, respondendo.
— "Eu fui iludido. Apaixonei-me.
Achei que ela era diferente.
Agora vejo que todas são iguais.
Se há uma coisa que não admito, é traição.
Por isso nunca namorei firme ou me casei até hoje.
Nunca encontrei uma moça séria, que tivesse uma boa conduta e moral decente e acho que nunca vou encontrar.
Como me enganei... com meu próprio irmão!"
— Procure primeiro saber o que aconteceu.
O julgamento antecipado provoca-nos dolorosos arrependimentos —- insistiu Lucas.
Após orientar-lhe, Lucas afastou-se, pois acabaram de servir a Rafael a bebida alcoólica que ele solicitou.
Depois de distrair-se um pouco, conversando com alguns amigos e até dançando, Rafael decidiu ir embora. Já era tarde.
Sentiu-se embriagado, entretanto insistiu em dirigir mesmo com a observação do manobrista:
— O senhor precisa de ajuda?
Não prefere que chamemos alguém para levá-lo?
Rafael fez-se de surdo e, entrando no carro, "saiu cantando os pneus."
A bebida trouxe-lhe um estado ainda mais depressivo, principalmente quando ele lembrava da decepção que sentiu no instante em que viu Daniela abraçada com seu irmão, passando-lhe a mão pelo rosto.
Ele achava-se desorientado.
Na primeira parada, que foi necessário fazer diante de um semáforo, um veículo parou também logo atrás do seu.
A rua estava deserta.
Era madrugada e não havia testemunhas.
Entorpecido pelo álcool, Rafael não se deu conta que do automóvel desceram três rapazes.
Não viu de onde vieram os rapazes que, tirando-o do carro com agressividade, passaram a espancá-lo com socos e pontapés.
Embriagado, não conseguiu, sequer, tentar reagir e, sem forças, entregou-se à surra.
As luzes de um carro de polícia, que se fizeram brilhar ao longe, colocaram os três agressores em fuga.
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Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Fev 25, 2017 10:17 am

Os policiais da viatura, ao se aproximarem um pouco mais, viram o veículo com a porta aberta e logo em seguida observaram Rafael desfalecido no chão.
Depois de socorrido e medicado num pronto-socorro, ao registar a ocorrência, Rafael dizia não conhecer os agressores e ignorava saber o motivo daquele ataque, acreditando ser um assalto.
Observando o rapaz um pouco desorientado, o policial que o socorreu avisou:
— Cuidado, filho.
Isso não foi um assalto.
Você está com sua carteira, seus documentos, cheques e cartões, nem o dinheiro foi mexido.
Seu carro ficou intacto e seu telefone celular está com você.
Com certeza, filho, isso não foi um assalto.
Desesperados, Caio e o senhor Paulo chegaram.
— Rafael! O que houve, filho? -— espantou-se o senhor Paulo.
— Não sei, pai.
Não sei -— respondeu desconsolado e dolorido. —
Quero ir embora.
Rafael estava muito machucado.
Seu rosto desfigurou-se pelos inchaços dos socos que levou.
Não houve nenhuma fractura, mas as dores eram muitas.
Caio aproximou-se do irmão e, solidário, abraçou-o e o conduziu dizendo:
— Vamos embora, mano.
Agora não é hora para pensar nisso.
Você precisa descansar.
Rafael se sentia muito mal.
Abraçado a Caio, deixou-se conduzir para irem embora, sem dizer nenhuma palavra.
No dia seguinte, Caio contava à Daniela o que ocorreu.
—Ele está de cama mesmo.
Não houve fracturas, mas ele está muito machucado.
—Você acha que foi uma cobrança daquilo, Caio?
—Com certeza, Dani.
—Como bateram no Rafael e já conseguiram o objectivo, creio que vão deixá-lo em paz agora.
—Bem se vê que você não conhece esse submundo.
Uma vez que começaram, eles nunca vão parar.
—Por quê?
—Por prazer, Dani. Para provar que todos somos escravos deles.
Uma vez envolvido com drogas, realmente somos escravos. A verdade é essa.
—O que podemos fazer, Caio?
—Não sei.
—Contou ao Rafael?
—Não, Dani. Não houve oportunidade.
—Eu gostaria de vê-lo...
—Isso será difícil.
Eu não conseguiria levá-la até minha casa sem que ninguém desconfiasse.
Daniela entristeceu nitidamente e ficou ainda mais preocupada, enquanto Caio se sentia culpado pela situação desagradável que ele criou para ela e por ter colocado seu irmão naquelas condições.
— Por favor, Caio, não deixe o Rafael imaginar coisas sobre nós.
— Não deixarei, Dani.
Vou resolver isso ainda hoje.
Ao chegar a sua casa, foi directo ao quarto de Rafael e qual não foi sua surpresa ao ver que Cláudia estava lá, quase deitada na cama, ao lado de seu irmão.
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Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Fev 25, 2017 10:17 am

—Olá, Cláudia.
—Oi, Caio.
—Como se sente, Rafael? -— perguntou Caio.
Magoado e insatisfeito, recordando a cena que presenciou de Caio abraçado à Daniela, Rafael respondeu amargurado:
— Os hematomas e as escoriações doem menos do que a traição.
— Precisamos conversar.
— Ah, não! Não, não! -— afirmava Cláudia, demonstrando dengo.
— O Rafa precisa descansar.
Caio, apresentando intolerância, revidou:
—Cláudia, dá o fora daqui e não seja inconveniente!
—Rafa! Olha como seu irmão me trata!
— Ela fica! -— afirmou convicto.
— Nós não temos nada para conversar.
Para não irritar seu irmão, Caio decidiu sair e deixar para resolver aquele assunto mais tarde.
Ao chegar à sala de estar, ouviu sua mãe, alegre, tecendo planos com a amiga Dolores sobre o namoro dos filhos.
—Poderíamos fazer uma grande festa -— dizia dona Augusta—, aqui mesmo, à beira da piscina.
Música ao vivo...
—Teríamos que realizar essa festa antes da nossa viagem à Europa — propôs dona Dolores, mãe de Cláudia.
Ao ver Caio descendo as escadas, sua mãe o interpelou:
—Você não poderia nos dar também esta alegria, como seu irmão?
—Que alegria, mãe? -— indagou Caio.
—Voltar a noivar com a Bruna!
Eu ainda não perdi as esperanças.
—Mãe, é só nisso que a senhora pensa?!
Em dinheiro, em juntar as famílias, viagens, férias, jóias, festas, cirurgias plásticas, roupas, desfiles e sei lá mais o quê?!...
A senhora deveria pensar que somos seres humanos, que temos sentimentos e que a vida deve ter razões realmente nobres para existirmos!
—Caio! -— exclamou dona Augusta.
— Deixe de ser hipócrita -— continuou Caio, revoltado.
— Acorde!
Desperte e veja o mundo como ele realmente é.
Observe a cota de colaboração que você pode dar para a harmonia de criaturas, também humanas, que vivem muitas vezes ao seu lado e que você, por orgulho, vaidade e egoísmo, ignora existir.
— Que criaturas, Caio?
Do que você está falando?
— De seus próprios filhos, principalmente! -— gritou Caio, extremamente alterado, expondo certa mágoa e nervosismo.
A voz firme e veemente do senhor Paulo ecoou em toda a sala.
— O que é isso, Caio?!
— É a verdade, pai!
A mãe quer obrigar o Rafael a se casar com a Cláudia, mesmo sabendo que ele não a suporta.
Quer me casar com a Bruna, sem importar-se com meus sentimentos.
Nenhum de vocês dois nunca, nunca parou para perguntar se seus filhos estão felizes e realizados como pessoas!
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Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Fev 25, 2017 10:17 am

Vocês nos dão de tudo:
pagam as contas, os psicólogos e acreditam que já fizeram a parte que lhes cabia.
Que engano, pai. Que grande engano!
Quando Caio ia saindo, sua mãe insistiu:
—O que lhe faltou, para você ficar assim tão revoltado?
—Uma única coisa, mãe.
Faltou a senhora emprestar-me o seu ouvido e a sua atenção.
Só que isso não se compra com o dinheiro que o pai lhe dá, não é, mãe?
As pajens que eu tive deram-me mais amor e atenção do que vocês dois juntos e, com certeza, o Rafael e o Jorge têm as mesmas queixas.
—Caio! Você está indo longe demais!! -— vociferou o senhor Paulo.
Irritado, subiu as escadas trancando-se em seu quarto.
Somente depois de dois dias, conseguiu encontrar Rafael sozinho em seu quarto.
— Finalmente aquela "uma" não está aqui - reclamou Caio ao ver seu irmão.
— O que você quer? -— perguntou Rafael, pouco amável.
Caio trancou a porta do quarto à chave e voltando-se inquieto para Rafael, que percebeu sua apreensão, concluiu:
— Preciso muito falar com você, cara.
Observando que se tratava de algo sério, Rafael se propôs a ouvi-lo.
—Escute-me primeiro.
O que você viu entre mim e a Daniela não é nada do que você está pensando.
—Vocês estavam abraçados e, quando se afastaram, ela começou a lhe fazer carinho no rosto.
O que você queria?
Que eu esperasse para ver o beijo?! -— desabafou Rafael, magoado.
Caio pendeu a cabeça negativamente, dizendo:
—Não. Não foi nada disso.
—Não minta pra mim!
Eu vi! -— esbracejou Rafael que, levantando-se irritado, desabafou:
— Eu sempre me abri com você.
Você sabia que eu gostava dela.
Diminuindo o volume da voz, entoando grande decepção, completou mostrando a seu irmão seus sentimentos feridos:
— Vocês me traíram...
Depois de breve pausa, ele continuou:
— Eu sempre fui desconfiado.
Sempre observei muito uma moça antes de me aproximar dela, por isso nunca namorei sério.
Nunca encontrei uma garota em quem eu confiasse realmente, acreditei até que jamais acharia.
Quando penso ter encontrado... quando confio...
É você, Caio?
Você é meu irmão.
— Demonstrando rancor, Rafael vociferou:
— Dá o fora daqui!!
— Não antes de lhe contar tudo, de uma vez por todas.
Deixe-me acabar de falar primeiro.
Depois você tira suas próprias conclusões, por favor -— pediu, amavelmente, procurando envolver seu irmão.
Com a respiração alterada e o olhar agressivo, ficou sem alternativa à espera do relato de Caio.
— Daniela me abraçou porque eu lhe revelei a dificuldade e o desespero que estou enfrentando.
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Fev 25, 2017 10:17 am

Eu devo ter chorado, ou melhor, eu estava chorando e, talvez por pena de mim, ela me abraçou e passou a mão em meu rosto.
— Ah! -— interrompeu Rafael, irónico:
-— Quer dizer que você, quando quiser chorar, vai procurar a namorada do seu irmão?
Não minta pra mim, Caio.
Sempre fomos amigos, está bem?!
Não será qualquer uma que vai acabar com a nossa amizade.
Antes assim. Melhor eu ter descoberto agora.
Todas elas são iguais.
Nós somos irmãos e...
Caio deteve as palavras de seu irmão com a confissão séria que lhe barrou as ideias:
— Eu sou viciado em drogas!
O silêncio se fez e, depois de um breve período, tornou a repetir:
— Eu sou viciado em drogas.
Uso entorpecentes e, por esse motivo, estou em sérios apuros.
O pior não é isso.
O pior é que estou colocando em risco você e a Dani.
Era isso o que eu contava para ela.
Rafael ficou calado.
Jamais pensou em ouvir essa confissão de seu irmão.
Seu mentor, o espírito Lucas, aproximou-se dele e sugeriu:
— Seria bom não dizer nada. Ouça-o com atenção.
Seu irmão precisa muito de você.
Mesmo não registando, exactamente, as palavras de Lucas pela inesperada e complexa revelação que ouvira naquele momento, Rafael foi capaz de se envolver nos sentimentos de paciência que lhe emanou o mentor amigo.
Caio fitou-o longamente, esperando uma reacção que não houve.
Um súbito desespero tomou conta do belo rapaz, que desabafou expondo suas emoções, enquanto as lágrimas rolavam e a voz embargava:
— Sou um infeliz!
Quero sumir, quero morrer...
Rafael ponderou aquelas palavras sentidas.
Aproximando-se de seu irmão, o fez sentar-se na cama.
Colocando o braço em seu ombro, tentou minimizar-lhe aquela angústia, confortando-o.
Caio entrou em desespero, demonstrando, sem medo ou vergonha, sua verdadeira personalidade, exteriorizando seus sentimentos verdadeiros.
Ele relatou tudo de modo dramático, pois com seu irmão tinha muita intimidade.
Depois de ouvi-lo, Rafael sentiu-se entorpecer, como se não quisesse acreditar no que ouvia.
Por fim, Caio concluiu:
—Talvez por isso tentaram lhe acertar dias atrás.
Foi um aviso. Esse pessoal não vai sossegar.
—Quem me bateu foi a turma do Biló.
Não tem nada a ver com você -— afirmou Rafael.
—Aí é que você se engana.
O Biló é irmão do cara que tem as fitas e as fotos.
Por tragédia do destino, você cruzou com o cara errado.
Eu os conheço bem. Eles não sabiam que éramos irmãos.
Devem ter descoberto somente quando o seguiram e, em algum momento, viram-me com você.
—Por que essas fitas e essas fotos são tão importantes?
—Chega, Rafa. Não me obrigue a contar mais nada.
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Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Fev 25, 2017 10:18 am

Caio — garantiu Rafael, tentando confortá-lo —, de repente, visto por outro ângulo, as coisas são diferentes.
Conte-me. Acredito que posso ver uma saída que você ainda desconhece.
O que há nessas fitas e nessas fotos? -— insistiu com firmeza.
Afinal, se você estiver certo, sou eu e a Daniela que corremos o maior risco.
Caio manteve-se calado e Rafael raciocinou em voz alta:
— Vamos analisar os factos:
se no passado você fez algo tão errado assim, hoje esses caras só iriam pedir dinheiro para não jogarem sujeira na sua imagem de executivo, certo?
Não faz sentido pedirem para você entregar o seu irmão.
Isso me parece vingança.
Além do mais, já me surraram tudo o que tinham para surrar e, se não fosse a polícia ter chegado naquela hora, talvez tivessem até me matado.
Veja, se fosse para eu servir de exemplo para que ninguém mais desrespeitasse o Biló, já teriam me pego, não acha?
Diga a verdade.
Essa história não faz sentido.
Caio continuou pensativo e em silêncio.
De cabeça baixa, ele somente ouvia Rafael tentar esclarecer os factos.
— Eles estão querendo torturá-lo, não é?
Pode ser que o acaso fez com que eu encontrasse e me envolvesse com o mesmo cara ou irmão do cara com que você teve problemas no passado, não é mesmo?
Melancólico, suspirou profundamente, olhou para Rafael e confirmou:
—É sim. Você topou com o cara que me procurava há algum tempo.
Ele tem outro irmão, e é esse irmão que possui as fotos e as fitas que me comprometem.
—Você pode me contar, em detalhes, tudo o que está acontecendo?
—Por favor, agora não.
Deixe-me refazer um pouco primeiro.
Rafael compreendeu a situação de seu irmão, por isso resolveu respeitá-lo e não torturá-lo com mais perguntas.
— Rafa, procure a Dani.
Ela precisa ver você.
Ela não merece tanta preocupação.
Ele sorriu e comentou:
— Pensei que vocês dois... desculpe-me, Caio.
— Jamais faria isso com você.
Nem a Daniela faria.
Ela gosta realmente muito de você.
Ambos abraçaram-se fortemente vinculando a amizade, a confiança, a compreensão e o carinho que já havia entre eles.
—Rafa?
—Diga.
—Corta fora essa Cláudia.
— Pode deixar.
Eu não sei onde estava com a cabeça...
Mas deixa comigo.
—Se cuida, cara!
—Legal!
Rafael, ansioso, saiu de sua casa na mesma hora e foi directo para a empresa.
Pensava em pegar Daniela na saída do serviço para conversarem.
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Fev 25, 2017 10:18 am

Caio ficou um pouco mais tranquilo por ter conseguido esclarecer aquela situação.
Ele não suportava carregar a culpa pela infelicidade de Rafael e Daniela.
***
A falta de informação sobre o perigo das drogas é muito grande.
As campanhas que alertam sobre o assunto são fracas e pobres.
Os adolescentes não lutam contra o inimigo invisível da dependência por falta de orientação e apoio.
Eles acreditam que sempre podem se livrar do vício sozinhos.
Actualmente há quase uma obrigação entre os adolescentes de passarem pelo ritual de iniciação nas drogas.
Há uma cobrança entre eles e uma obrigação em si, pela falta de opinião própria para acompanharem o modismo, ou são desprezados do grupo de amigos e chamados de caretas, quadrados, maricas, etc.
Antes os ritos entre jovens eram sobre a iniciação sexual.
Mas hoje em dia, com a facilidade que têm de relacionarem-se sexualmente, pela liberdade sexual adoptada por parte de muitas meninas, todos eles, meninos e meninas, não encontram onde focarem suas atenções.
A curiosidade, o mistério e o proibido são magníficos para os jovens.
Porém com relação às drogas, esse mistério é sinónimo de tragédia.
Geralmente quando a família toma conhecimento, o caso já é grave ou está crónico.
Os pais e responsáveis não podem fechar os olhos, ou então quando for obrigatório enxergarem a realidade, verão somente as sombras da dor e do desespero.
O contacto, a comunicação amigável entre pais e filhos, facilita o relacionamento franco e aberto, aumentando a troca de ideias, o respeito mútuo sem submissão, a atenção e a troca de informações sobre os factos.
E isso o que falta: atenção.
Se os responsáveis prestassem mais atenção nos adolescentes antes dessas iniciações, eles teriam condições de alertá-los e é bem provável que salvariam seus filhos antes de eles entrarem nesse submundo.
Uma das formas de detectar o contacto de um jovem com as drogas é conhecer o seu comportamento antes, observar se há mudanças de seus hábitos e dialogar amavelmente.
Normalmente há uma alteração no humor e na percepção do jovem.
Ele pode adoptar um comportamento suspeito, como se estivesse escondendo algo.
Quando questionado a respeito, observa-se que ele reage com certa agressividade para afastar o mais rápido possível qualquer possibilidade de falar sobre o assunto.
A mudança de hábitos, como chegar tarde a casa, passar a ter colegas estranhos ao meio em que vive, comportamento hostil, agressividade, abandono ou queda do rendimento de seus estudos ou afazeres são alguns dos indícios.
A troca de amigos antigos e costumeiros é inevitável.
O adolescente procura se aproximar de um grupo que facilita a aquisição e o uso de entorpecentes.
A mudança de linguagem é quase obrigatória, ele passa a usar gírias do mundo das drogas.
Esse é o motivo pelo qual nos sentimos quase na obrigação de manter vivas algumas das gírias vulgares, e até grosseiras, entre os personagens desse romance.
Não é nossa intenção mostrar a vulgaridade desse submundo a título de exibicionismo, mas sim com o propósito de identificar algumas falas, pensamentos e comportamentos adoptados pelos jovens para a aquisição de conhecimento desses hábitos, a fim de nortear seus responsáveis para uma aguçada observação para que eles procurem mais instruções, auxílio e orientação de especialistas antes que a situação fuja do controle.
Não podemos viver de palavras nobres e hipócritas diante da realidade e de factos tão sérios, apresentando grande intelecto que não promoverá o entendimento e não levará o conhecimento das verdades aos nossos irmãos para auxiliá-los na evolução.
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 26, 2017 1:59 pm

Não podemos complicar o entendimento simples e real.
Todos continuaremos ignorantes da vida e da realidade, se não nos for explicado tudo como devemos saber e no grau do nosso entendimento.
Lembramos que Jesus desceu até nós para nos trazer as verdades e nos ensinar.
Não temos exemplo maior de humildade e amor.
Não podemos ser orgulhosos, devemos fazer o mesmo.
Foi isso o que o Mestre nos ensinou e pediu que fizéssemos.
Ninguém é ignorante porque o queira ser, mas podemos ser responsáveis pela ignorância alheia se nossa vaidade nos fizer expor o que devemos de modo a complicar o entendimento dos outros impedindo a sua evolução.
Podemos perder a oportunidade.
Alertamos para o facto de muitos terem vergonha de dizer: não entendi.
Muitas vezes temos de mostrar o mundo como ele é vivido e com uma linguagem que todos possam entender.
Não somos crianças e a vida não é um conto de fadas.
Alertas importantes, como os das drogas, não podem ser tratados com manifestações superficiais ou arrojadas que dificultem o entendimento de muitos.
Alguns responsáveis fecham os olhos para a realidade por vergonha de passarem pelo preconceito e pelos escândalos perante os amigos e a sociedade, que lhes cobram um comportamento razoável, mesmo que hipócrita.
É a vergonha de procurar ajuda.
Ninguém pensa em denunciar para tentar oprimir ou punir os traficantes.
Todos têm medo.
A família procura encobrir, com mentiras, a realidade.
Isso promove a força ou o incentivo ao dependente para prosseguir no vício, pois ele se sente encoberto.
Quando o conhecimento se torna público, a ameaça ou a expulsão de casa, conflitos com brigas, intrigas e atritos familiares em nada contribuirão beneficamente.
A família deve se unir em pensamentos benévolos e lúcidos, de força, fé e coragem.
"Todo reino dividido, contra si mesmo será assolado; e a casa dividida contra si mesma, cairá" — Jesus.
Todos devem encarar a situação e admitir que ela está errada e tem de ser corrigida.
Ninguém está na família errada ou tem o parente inadequado.
Devemos buscar compreensão e apoio em Deus.
Sem esquecer dos recursos de profissionais que trabalham para isso.
Se a experiência nos foi confiada por Deus, é porque temos condições e teremos amparo para revê-la, se tivermos fé.
A família tem que contribuir harmoniosamente para ajudar o ente querido, não encobrindo os factos reais, mas conscientizando-o de que ele é um dependente, de que têm um problema sério e é preciso mudar esse quadro.
E importante tomarem consciência de que podem e vão conseguir.
Fugir da situação é, simplesmente, adiar o que terão de reparar um dia, nesta ou em outra existência.
As drogas, hoje, são grande ameaça para os jovens de todas as classes sociais, sem excepção.
Elas vêm sendo procuradas como alívio para alimentarem o vazio que alguns dizem sentir, pelo medo que não conseguem explicar, pela dúvida e pela insegurança de compreenderem e não aceitarem as verdades.
A princípio, algumas pessoas procuram os entorpecentes por curiosidade e pelo incentivo dos amigos que não gostam de se ver sozinhos em situações duvidosas.
Mas depois afundam-se nesse engano do falso mundo que elas representam, com o desejo de fugir do sentimento de angústia desagradável e inexplicável, como se, nas drogas, encontrassem alternativas ou solução.
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 26, 2017 1:59 pm

Por trás de tudo isso, muitos se esquecem de que, na espiritualidade, numerosos irmãos do passado, que se comprazem com o mal, obsidiam a criatura para vê-la, cada vez mais, atolada na amarga e infeliz dependência química que, com certeza, irá degradá-la física, mental e espiritualmente nas mais miseráveis condições que alguém pode se colocar.
As mais terríveis cobranças de consciência e dolorosos experimentos que se provam é pela prática do suicídio e pelo homicídio através do aborto.
Lembramos que o uso de entorpecentes é suicídio por destruir órgãos como os rins, estômago, fígado, deteriorar o cérebro, alterar as condições psicológicas, perdendo a capacidade de autocontrole e da razão, criando situações conflitivas de ansiedade, medo, angústia, aumentando o processo obsessivo e suas consequências:
alucinação, paranóia, depressão, agressividade e pânico, entre tantas outras destruições de si mesmo.
Não só a dependência química, as alterações psicológicas, a overdose, o suicídio pela prática do ato consciente, mas também os corredores percorridos para a busca, para a compra desses entorpecentes são de imensa periculosidade física e espiritual.
O envolvimento com a violência do tráfico, com a violência dos companheiros que também fazem uso, com os actos anti-sociais como o roubo e o furto, principalmente o envolvimento com a prostituição, são consequências obrigatórias de todos os viciados, independente da classe social a que pertençam.
Quem procura o caminho das drogas, por qualquer razão, sempre sofre resultados trágicos.
Muito raramente, se não experimentar condições miseráveis enquanto encarnado, ao desencarnar, com toda a certeza, viverá na penúria assombrosa da consciência de um espírito flagelado pela descrição do que Deus lhe emprestou, o corpo, para vencer os desafios que o levaria à elevação como criatura.
Sem contar com a responsabilidade que se assume pela falta de amor e caridade para com aqueles que os acompanharam por tê-los feito sofrer.
Pode-se matar o corpo, mas nunca se mata o espírito.
Pode-se acabar com o sofrimento da carne.
Mas garantimos que o sofrimento experimentado pelo espírito é maior do que tudo o que um encarnado já sentiu ou ouviu falar.
Já desencarnado, fora todos esses tormentos aflitivos de padecer em degeneradas e terríveis condições, o espírito ainda vive as perturbações tenebrosas provocadas por outros também espíritos, terríveis criaturas desencarnadas, que o perseguem e flagelam.
São inenarráveis essas condições por, praticamente, faltarem termos que expliquem, na linguagem humana, tanto sofrimento, tanta dor.
Ligações com drogas e ocorrências trágicas pelo envolvimento com entorpecente são muito mais comuns do que as pessoas podem imaginar.
Em 1998, somente no Brasil, aproximadamente 20.000 pessoas morreram por envolvimento com drogas de alguma forma:
como overdose, homicídios, dependências químicas que provocaram alterações em órgãos já comprometidos, alterações psicológicas que levaram a acidentes, suicídios, etc...
Para um único ano, o número é altíssimo, uma vez que ele representa cerca de 40% do número de soldados norte-americanos que morreram em dez anos de guerra no Vietname.
Tem-se registo de que 3.000 anos antes de Cristo a maconha já era utilizada na China.
Iniciando-se também, nessa mesma época, o consumo de ópio como relaxante e analgésico que viciaram muitas pessoas, levando-as a terríveis condições.
Na II Guerra Mundial era fornecido, via oral, anfetamina aos soldados combatentes para o aumento da atenção e da excitação, juntamente com a coragem para encararem os horrores das circunstâncias miseráveis e horripilantes das batalhas.
Os pedidos de paz e amor e os protestos dos jovens dos anos 60 trouxeram o uso da maconha.
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 26, 2017 1:59 pm

Mas, em seguida, principalmente hoje em dia, existe um verdadeiro arsenal químico de psicotrópicos à disposição como a heroína, a maconha, o ácido lisérgico (LSD), a cocaína, o ecstasy, o crack, o chá de cogumelos, entre outros.
Isso mostra, infelizmente, que estamos em uma guerra silenciosa.
Poderíamos esclarecer nossos filhos contando-lhes as histórias mais recentes e perguntar:
onde estão os jovens liberais que gritaram por paz e amor nos anos 60, que praticavam sexo ao ar livre, que faziam protestos e usavam entorpecentes?
Onde eles estão hoje?
A humanidade parece ter pouca memória.
Se tivesse sido tão bom assim, eles estariam, até hoje, nos parques centrais, nas mesmas condições e com os mesmos objectivos.
Porém isso não ocorreu, porque a consciência cobrou-lhes a prática da boa moral de alguma forma.
A família deve compreender que um dependente de droga não é um sem-vergonha ou marginal, mas pode tornar-se e não é isso o que queremos.
O viciado é um doente que precisa de tratamento.
Ele não nasceu com o desejo de ser assim.
Ele reencarnou com o propósito de trabalhar essa tendência, superar, com vitória, esse desafio.
Ele veio a esta vida para conquistar a paz e a harmonia de sua consciência e vencer essa compulsividade de ânsias e desejos.
Ele precisa ser forte!
Todos esses desafios terão de ser enfrentados e superados em alguma reencarnação.
A criatura repetirá os sofrimentos e as mesmas experiências, enquanto não alcançar os objectivos de vitória e de harmonia.
A família, por sua vez, teve envolvimento no passado com esse espírito para conseguir, junto, superar esse desafio.
Às vezes, estão juntos por amor, por promessas de solidariedade.
Essa é a razão do compromisso na presente reencarnação.
A família precisa ser forte!
Em harmonia e lucidez, todos devem procurar, pacificamente, os meios de apoio que fortaleçam o dependente ao autocontrole para ele se recuperar.
Nem se for o caso de permanecer alguém com ele a todo o momento, evitando possível recaída.
Não fazemos isso com nossos bebés que precisam de constantes cuidados?
Talvez seja essa a nossa obrigação:
ficarmos atenciosos permanentemente.
Não é fácil, e ninguém disse que seria.
Mas saibam, meus queridos, não é impossível!
Não se pode desistir, pois estamos revendo o que não harmonizamos no passado.
Sempre haverá saída, mesmo que estreita, e necessitamos encontrá-la um dia.
Por essa razão, devemos começar o quanto antes essa conquista para evitarmos mais sofrimentos.
Jesus nos ensina que a fé remove montanhas.
Se criamos alguma montanha, possuímos condições de criar a sua remoção.
O desespero dilacera as ligações, enquanto o amor promove envolvimento, compreensão e desejo de construir o melhor.
Quando a fé é verdadeiramente experimentada, todos recebemos forças dos trabalhadores de Jesus.
O amparo desses amigos excelsos representa a libertação de todas as dependências, sejam elas quais forem: álcool, sexo, drogas, agressividade, entre tantas compulsividades.
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 26, 2017 1:59 pm

Mas a auto-estima, o autocontrole e a boa vontade são importantes.
A fé é essencial.
Não devemos acreditar que um irmão nosso, viciado em entorpecentes, é assim porque o queira ser.
Nós também somos doentes da alma, pois se assim não fosse, a reencarnação não nos seria necessária.
Podemos ter outros vícios, outras más tendências e nos serão tão difíceis superá-los quanto para o nosso irmão superar as dependências das drogas.
Iremos repetir a existência terrena de provas e expiações quantas vezes necessário for para nos livrarmos dos nossos vícios.
Não acreditem que somente o dependente químico terá de se rever e se harmonizar.
Todos podemos e iremos nos recuperar, seja do que for, nesta ou em outra reencarnação.
Deus não nos condena às penas eternas, e o espírito não morre.
O espírito foi criado para a eternidade.
Não há como fugir das responsabilidades adquiridas.
O melhor a fazer é procurar o encontro com Deus, amparar-se nos ensinamentos de Jesus, pois assim nos socorreremos mais rapidamente para o equilíbrio verdadeiro.
Jamais qualquer entorpecente preencherá o vazio, aliviará a angústia de alguém, consolará nos momentos de medo, dúvida ou revolta.
A adolescência é uma fase de desenvolvimento difícil onde a opinião oscila.
Hoje em dia, os jovens encaram a sociedade e a família com agressividade e revolta e nada está sendo feito.
E mais fácil assim do que admitirem que têm medo e vergonha de pedir ajuda para entenderem a vida, compreenderem os factos, as dúvidas.
Nada é feito para mudar as tendências hostis da juventude, ao contrário, os meios de comunicação, a iniciar pelos desenhos infantis que estimulam e exemplificam a agressividade a todo instante.
Sem contar com os filmes, as reportagens de baixo nível que nada oferecem de elevação moral.
Quanto mais sexo explícito, que inclinem à assistência para a libidinosidade, parece melhor.
O medo dos jovens é pelo motivo de não terem nada como sendo definitivo e seguro para o futuro.
O futuro é incerto, não há perspectivas.
Os jovens só conhecem os filmes, as ficções, os sonhos.
Sonho não é algo concreto. Eles não conhecem a realidade.
Ela nunca lhes foi apresentada.
Eles não gostam de ser dependentes, por isso têm vergonha de pedir ajuda ou explicação e aceitarem as dúvidas.
Temem ser ridicularizados.
Adolescentes não são adultos o suficiente para assumirem e arcarem com as consequências e não são crianças indefesas.
Eles podem compreender, mas não gritam por socorro.
Fora isso, os factores mediúnicos também pesam muito.
A grande maioria desses jovens desconhecem totalmente a educação e o equilíbrio do espírito.
Os ataques de desencarnados transmitem como sendo feliz o envolvimento com as falsas alegrias temporárias dos entorpecentes.
Espíritos desencarnados, além dos obsessores que os querem ver como farrapos humanos, aproximam-se deles para estimulá-los ao uso de quaisquer drogas, álcool, cigarro para sugarem essas energias tão necessárias a eles, que não possuem a matéria, mas sofrem os desejos desses efeitos, imensamente.
A vergonha e a timidez do jovem é alvo de crítica dos pais e familiares.
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 26, 2017 2:00 pm

Na opinião desses críticos, esse estado tem que ser vencido.
As críticas afastam os adolescentes de nós.
Talvez esse também pode ser um dos motivos deles procurarem socorro nos entorpecentes, nos sedativos, no álcool, acreditando que somente assim liberam de si a descontracção, a auto-afirmação e por último a agressividade, se eles já não a demonstram possuir.
A busca do entorpecente pode vir primeiro por curiosidade, depois por procurarem um alívio momentâneo e em seguida vem o prazer e o hábito até chegarem à crise da necessidade e dependência.
Podem ter certeza:
tudo, exactamente tudo, uma pessoa fará para conseguir saciar seu vício.
Essa fase de conflitos da adolescência só pode ser agravada pela desinformação sobre o assunto, pela falta de amor e de contacto maior com os pais ou responsáveis.
O acompanhamento, a comunicação dos pais a todos os jovens é importante, mas eles se esquecem disso.
É fácil largar os filhos com empregadas ou em creches.
Os pais sempre alegam: eu trabalho!
Não tenho tempo!
Precisava de... por isso não deu para ouvi-lo.
Esquecendo-se de que o importante é a qualidade e não a quantidade de carinho e atenção.
Mas quando as tragédias das drogas invadem a vida dos filhos, eles perguntam: onde eu errei?
Para alguns pais da actualidade, a orientação sobre a boa moral parece que caiu de moda.
Mostrar aos filhos e servir de exemplo na prática de uma religião, para ensiná-los que há um Ser Supremo acima de nós e que Suas leis tudo corrigem, parece que caiu de moda.
Muitos jovens não conhecem Deus.
As famílias não falam mais em Jesus, seus ensinamentos parecem que caíram de moda.
Queridos irmãos, infelizmente as pessoas só se lembram de Deus quando a desgraça se instala em seus lares e lhes cobra a vigilância que não tiveram.
Quando tudo está calmo e tranquilo em nossas vidas, é fácil acreditar que manteremos vibrações boas ao nosso redor e os espíritos inferiores longe; quando queimamos incenso, ervas ou velas; quando pomos um vaso com essa ou aquela planta próximo de algo para afastar a inveja ou o olho-grande; quando agitamos sininhos ou pedras disso ou daquilo para trazer a sorte, e colocamos figuras de santos, duendes e bruxas como talismãs para atrair...
Mas quando a situação fica realmente difícil, lembramos de Deus.
Analisemos com bom-senso e fé raciocinada:
se isso resolvesse alguma coisa, o mundo não estaria em crise.
Tudo seria tão fácil.
O ser humano não estaria matando um ao outro e a miséria deixaria de existir.
Meus irmãos, não podemos viver de ilusões.
É chegada a hora de tomarmos consciência das grandes verdades enquanto encarnados.
Desencarnados, no estado de consciência, onde a cobrança inevitável domina, ou seja, no umbral onde a mente do espírito não se decide em atravessar esse portal da fronteira entre a vida na matéria e a vida em espírito, porque sua consciência lhe cobra as tarefas que ficaram em débito e, pelo orgulho, vaidade ou falta de conhecimento, não consegue se desprender das ilusões terrenas, encontrando-se preso nesse lugar de travessia, num portal entre os dois planos em um estado de perturbação deplorável, não terá o espírito nenhum apetrecho material, incenso ou vela para lhe trazer a paz ou lhe tirar da situação miserável que se colocou pela falta de fé nos ensinamentos de Jesus e por não vigiar os próprios actos.
Meus queridos, isso não é uma crítica.
É um alerta, e muito sério.
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 26, 2017 2:00 pm

Meus amados, a falta, o vazio, o medo são emoções ou sentimentos que dominam a criatura pela ausência de conhecimento, de estrutura moral, de religião e de fé.
As famílias se formam com a finalidade, ou melhor, com o compromisso principal de todos prestarem, uns aos outros, assistência, amor, compreensão com paciência, apoio verdadeiro, estímulos que despertem para a boa moral e tomada de consciência para as razões da vida e questionarem:
por que estamos aqui?
E por que estamos juntos?
Os pais assumem, até antes de reencarnarem, o compromisso de dar atenção, amor é orientar os filhos de Deus, que lhes são confiados.
Educando-os aos actos nobres do bom comportamento.
Eles assumem o compromisso de ensinarem aos filhos a importância da boa moral, dos bons princípios de Deus.
Todos reencarnamos com o propósito de melhorar e evoluir.
Toda religião, alicerçada nos ensinamentos de Jesus, ensina e inclina à compreensão dos jovens, explicando que o desabafo agressivo, a revolta e a hostilidade para com a família em nada irá beneficiá-los.
Uma boa religião ensina que a busca do álcool ou das drogas irá arrastá-los a um inferno de difícil e doloroso retorno.
Toda tarefa útil, abraçada por um jovem, preenche seu vazio, socorre-o do medo, da dúvida ou da insegurança.
Há tanto trabalho de caridade, de atenção e amor que os jovens podem desenvolver.
Mas a falta de orientação e incentivo dos pais, a crítica dos colegas, também sem orientação ou moral, deixam-nos envergonhados de assumir algo que preencha seu tempo e ocupe suas mentes.
Há um velho ditado e muito verdadeiro que diz:
"A mente vazia é a oficina completa para o diabo trabalhar".
Existem vários grupos de jovens ligados a algumas religiões que se dedicam a tarefas beneficentes, sem causar gastos a sua família.
Em várias casas de oração, eles formam grupos de canto, de abençoados evangelizadores infantis, estudiosos do Evangelho, grupos de visita social a asilos, hospitais e orfanatos, grupos que recolhem e distribuem alimentos aos mais carentes e tantos outros.
Essas práticas acompanham grandes lições de vida.
Desde cedo a criatura pode aprender vendo a experiência alheia e pode comparar com o seu mundo.
Isso é conhecer a realidade e ter algo concreto para fazer.
Manter a mente ocupada.
O que antes era chato ou careta, se incentivado pelos pais e orientado sob a visão religiosa, torna-se um objectivo.
Torna-se algo para ser pensado.
Devemos insistir:
"Fora da caridade não há salvação".
Mas alguns pais, actualmente, não se importam em orientar quanto à moral e aos bons costumes.
Eles não pensam em fazer parte da vida de seus filhos, achando que a obrigação que lhes coubera fora só de colocá-los no mundo.
E fácil dar aos filhos um cachorro ou um gato.
Deixá-los aos cuidados de empregadas, dar televisão, videogame, computador e pagar o psicólogo sem se envolverem no problema, deixando toda a responsabilidade para esse profissional.
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Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 26, 2017 2:00 pm

A falta de contacto e diálogo, com paciência, no exacto sentido das palavras, pode ser o maior responsável por um jovem ir à busca de algo que lhe complete, preencha ou console.
Muitos pais poderiam se perguntar:
Quando foi a última vez que abracei meu filho, com carinho, tentando lhe passar todo o meu amor?
Quando foi que parei para ouvir seus casos sem importância para mim, com a atenção de que ele merecia e necessitava naquele momento?
Quando foi que, com paciência, conversei com ele explicando os motivos de termos uma boa moral e um bom comportamento?
Quando foi que exemplifiquei e lhe indiquei bom comportamento e amor?
Quando foi que eu o incentivei à prática da caridade ao próximo para que ele se mantivesse ocupado com boas acções?
É muito comum vermos mães preocupadas em que as filhas tenham as roupas da moda, o corpo bonito, saibam dançar, consigam tempo para frequentar uma academia, ganhem os concursos de beleza ou de fotos, sejam eleitas as mais belas ou conquistem todos os rapazes que elas desejam, sem se preocuparem em lhes mostrar as consequências da falta de moral e a evolução que precisam ter para alcançarem a beleza do espírito.
Como já disse, isso não é uma crítica, é um alerta, e muito sério.
A preocupação que os pais possuem é de que seus filhos sejam machões, conquistem todas as garotas, mostrem que são homens, não levem desaforo para casa, ganhem o torneio de futebol e solucionem sozinhos seus problemas.
Eles esquecem que seus filhos têm medo, dúvidas e inseguranças.
Esses pais não dão aos filhos um objectivo concreto de moral para eles não terem medo de assumir a própria opinião perante os amigos que podem querer ridicularizá-los na hora em que eles precisarem dizer um "não".
Kardec nos alerta:
"Podemos dividir as matérias contidas nos Evangelhos em cinco partes:
1. Os actos comuns da vida do Cristo; 2. Os Milagres; 3. As Profecias; 4. As palavras que serviram para o estabelecimento dos dogmas da Igreja; e 5. O ensino moral.
Se as quatro primeiras partes têm sido objecto de discussões, a última permanece inatacável. Diante desse código divino, a própria incredulidade se curva.
É o terreno em que todos os cultos podem encontrar-se, a bandeira sob a qual todos podem abrigar-se, por mais diferentes que sejam as suas crenças".
"Amai-vos e instruí-vos."
Na adolescência, muitos jovens não são capazes de assumirem responsabilidades porque estão em fase de escolha, de autoconhecimento e tudo é confuso.
Não podemos exigir um amadurecimento precoce.
Não podemos exigir dos filhos o que nós não damos a eles, principalmente como exemplos de nós mesmos.
Temos que ofertar aos jovens instruções sobre a responsabilidade da vida e ensiná-los que os desvios do bom comportamento moral, a falta da aceitação de Deus e respeito aos ensinamentos de Jesus só nos arrastam aos desequilíbrios e a actos que nos deterioram como espíritos.
Sabemos que muitos encontrarão dificuldades e até derrotas pelo fato do jovem, nosso filho, ser um espírito com direito à escolha e, infelizmente, ele poderá escolher o caminho mais amargo e penoso.
Porém não é por isso que devemos desanimar, precisamos fazer a parte que nos cabe.
O Espiritismo ensina que não podemos fugir da realidade e temos de buscar as informações sobre as consequências de tudo o que desarmonizamos.
É a fé raciocinada.
O Espiritismo nos faz aprender com as experiências alheias.
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 26, 2017 2:00 pm

Ele nos traz o consolo de que "há muitas moradas na casa do Pai", o que significa reencarnação.
Com isso, não há privilégios para aqueles que pedem perdão de suas faltas na última hora e são socorridos.
Nem haverá a condenação eterna ao inferno para aquele que não teve tempo de conhecer a Deus.
Todos caminhamos para a evolução.
Devemos nos voltar aos ensinamentos de Jesus, ensinamentos que não exigem muito de nós, a não ser conhecimento, amor e atenção.
Quando quisermos, seremos mais fortes do que qualquer compulsividade, qualquer vício.
Quando quisermos, seremos mais elevados do que qualquer espírito que queira nos influenciar.
A ocupação da mente com trabalho útil ao próximo nos livrará de sofrimentos desnecessários.
Todos podemos conseguir.
"Deus não coloca fardos pesados em ombros fracos."
O Pai Celeste é justo.
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Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 26, 2017 2:00 pm

8 - AMARGA SAUDADE

Ao sair do prédio onde trabalhava, Daniela não pensou que Rafael a estivesse esperando.
Quando o viu, sentiu vontade de correr ao seu encontro, porém se conteve.
Rafael caminhou, ainda um pouco manco, em direcção à Daniela, enquanto ela, aflita e ansiosa, aguardava-o com grande expectativa.
O coração de ambos batia forte e descompassado.
Tocando-lhe o rosto com intenso carinho, Rafael revelou-se amável:
— Desculpe-me, por favor.
Eu não devia tê-la julgado.
Abraçando-o com ternura, Daniela nada disse ao rapaz que continuou amável, com palavras confortantes, em seu pedido de desculpas:
— Eu já sei de tudo, Dani.
O Caio me contou. Perdoe-me.
— Esqueça, Rafael.
Se eu o flagrasse, encontrando-o na mesma situação, talvez o julgasse da mesma forma.
— Vou levá-la para casa.
— Você está bem? —- e observando-o melhor, Daniela reparou surpresa:
— Nossa! Rafael! Como você ficou!...
— Isso não é nada.
Meu coração doeu mais do que a surra que levei.
Abraçados, foram rumo ao carro enquanto o senhor Paulo, pai de Rafael, observava-os a certa distância.
Ao chegaram à casa de Daniela, dona Antónia encontrava-se com os olhos vermelhos de tanto chorar.
— O que foi, mãe? -— perguntou Daniela amavelmente.
A mulher não respondeu e se retirou da sala.
— O que ela tem? -— perguntou Rafael preocupado.
— Ela chora por causa da minha irmã. Sente saudades.
Daniela foi para a cozinha à procura de sua mãe e Rafael foi atrás.
Dona Antónia, sentada em uma cadeira e debruçada nos braços sobre a mesa, chorava mais.
—Mãe, não fique assim.
A senhora sabe como é prejudicial ficarmos lamentando a perda de uma pessoa querida.
O que, aliás, não é uma perda, é uma separação temporária e necessária.
—Você não entende, Dani.
Eu sinto tanta falta da Denise que....
Dona Antónia pôs-se a chorar novamente de forma compulsiva.
Daniela, paciente e bondosa, sentou-se ao lado da mãe e começou a consolá-la:
—Mãe, acredita que Deus nos iria desamparar?
—Eu não sei se a Denise está bem. Eu gostaria de ter a certeza que ela está feliz, que não está tendo nenhuma dificuldade, que está sendo tratada com carinho!
—Mãe, por favor, preste muita atenção ao que vou falar agora. —
Após breve pausa, vendo que a mãe lhe dava mais atenção, Daniela prosseguiu:
— A senhora está se colocando numa atitude de lamentação e tristeza que só trará uma saudade dolorosa para Denise.
Seu choro, sua melancolia, transforma-se em amarga dor que chega até ela, onde quer que ela esteja.
Se Denise foi socorrida para um hospital espiritual, ela está recebendo medicamento apropriado a seu espírito, que são as energias espirituais salutares.
Essas vibrações vinagrosas de desconsolo e amargura, que a senhora emite através do choro e da tristeza, irão abatê-la muito, impedindo sua reanimação, seu equilíbrio e sua evolução.
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Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 26, 2017 2:01 pm

Para as pessoas desencarnadas, devemos tecer os melhores pensamentos, fazer preces, rogando a Jesus que as fortifique com bênçãos salutares, que os amigos espirituais possam orientá-las com amor, carinho e bondade.
Devemos dizer-lhes, em oração bendita, que procurem seguir os ensinamentos de Jesus.
Se a senhora ficar se torturando, não buscando equilíbrio emocional para esse sentimento de saudade, a senhora poderá, com essa lamentação, perturbar a Denise onde quer que ela esteja.
—E se a Denise estiver em um lugar ruim e sofrendo, Dani. O que faço?
—Se ela não foi socorrida ou amparada e ainda estiver vagando na crosta, esse choro, esse seu estado depressivo, só poderá prejudicar ainda mais a compreensão de Denise, atrasando muito o seu socorro e a sua elevação.
Dona Antónia ficou mais calma e, apertando as mãos da filha entre as suas, mencionou:
— Eu não sei o que seria de mim sem você, Dani.
Está sendo difícil resistir a essa dor que sinto pela perda da sua irmã.
— Seja forte, mãe.
A senhora consegue.
Sei que a saudade ninguém poderá afastar, mas não podemos confundir saudade com tristeza, melancolia ou lamentação.
Ocupe seu tempo com trabalhos que, de alguma forma, sua atenção se volte para o amor e para a caridade.
Aí sim esses sentimentos que hoje levam vibrações inferiores à Denise, eles se transformarão em vibrações de amor e compreensão, fazendo com que ela se tranquilize, fortaleça-se e se eleve em espírito.
Dona Antónia pareceu entender.
Mais conformada, beijou a filha e sorriu:
— Vou arrumar o jantar para vocês.
Devem estar com fome.
—Ah! Estou morrendo de saudade da comida da senhora, dona Antónia -— empolgou-se Rafael, animado.
— A senhora cozinha muito bem!
—O que é isso, meu filho!
Aqui temos somente comida de pobre.
Você deve estar acostumado a coisas chiques, luxuosas.
—Não adianta termos todo o luxo do mundo sem amor.
Hoje estou acreditando que tudo fica melhor se o fazemos com carinho.
Dona Antónia sentiu-se lisonjeada e levantou-se animada para providenciar o jantar.
Daniela e Rafael voltaram para a sala onde ele observou:
— Foi muito importante tudo o que você falou para sua mãe.
— Apesar de ter certa bagagem na Doutrina Espírita, minha mãe está se deixando levar por esse sentimento de tristeza.
— Dani, eu ouvi algo estranho, assim que entramos na cozinha e vimos sua mãe chorando.
Daniela ficou atenta e desconfiada.
—O que você ouviu, Rafael?
—Eu não tenho certeza, mas... por um momento pareceu ter alguém chorando e dizendo que nada valia a pena, que a vida não prestava, que só temos sofrimento.
—Você tem a mediunidade bem sensível, Rafael.
O que você captou foi a mensagem que algum espírito, sem instrução ou até obsessor, está passando para minha mãe.
Você já aprendeu o que é obsessor?
—Sim. Obsessor é o espírito que deseja se vingar de nós.
Ele procura nos influenciar em todo momento que lhe é oportuno.
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Ave sem Ninho

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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 26, 2017 2:01 pm

No caso do obsessor desencarnado, ele procura nos emitir sentimentos e pensamentos que nós acreditamos, piamente, serem nossos e, com isso, depois de algum tempo, nós passamos a aceitar normalmente suas ideias, sem contestar.
O obsessor nos transmite impressão de tristeza, amargura e inclusive falsas alegrias. Certo?
—Você aprendeu rápido, Rafael.
—Já li O Livro dos Espíritos e estou lendo O Livro dos Médiuns, justamente o capítulo XXIII que nos fala sobre obsessão.
—Volto a afirmar, Rafael:
não basta somente ler os livros da codificação, é muito importante que você os estude e faça os cursos existentes na doutrina.
Os cursos doutrinários nos actualizam sempre e nos esclarecem as dúvidas.
—Não se preocupe, Dani.
Estou estudando e não pretendo deixar o curso que iniciei.
Daniela sorriu satisfeita e perguntou:
—Lá na sua casa, não lhe perguntam o que está lendo ou estudando?
—De forma alguma!
Meus pais nunca se preocupam com o que nos interessa ou possa interessar.
Religião, muito menos.
Somente para o Caio eu comento o que estou estudando.
Contei a ele sobre as vozes do além que escuto.
—O que ele disse?
—Como sempre, o Caio somente ouve.
Ele é meu melhor amigo.
Mesmo quando não concorda comigo, ele me orienta e aceita a decisão que eu tomar.
—Caio acredita no Espiritismo?
—Nunca ele me disse que isso era besteira, mas também não procurou conhecer melhor o assunto.
Sou eu quem leva algumas dessas novidades a ele, principalmente quando encontro casos interessantes.
—Caio está passando por momentos difíceis.
Sinto que ele não me contou todos os detalhes sobre o que está acontecendo, mas eu pude notar seu desespero.
— Não consigo imaginar o que ele nos esconde ainda.
Sinto tê-la envolvido nisso. Perdoe-me.
— Nada temos que não merecemos.
Se hoje, em uma situação difícil, somos companheiros, é porque já fomos comparsas em outras experiências corpóreas.
Rafael achou graça e sorriu com simpatia.
— É verdade. Não enfrentamos nenhuma situação que não merecemos.
Muitas pessoas, diante de dificuldades, acreditam que Deus está sendo injusto ao fazê-las experimentar tanta amargura.
Eis um grande engano.
Quando nos envolvemos em determinada dificuldade inevitável, é porque já provocamos o mesmo problema a outra pessoa.
E uma forma de aprendermos o que não se deve fazer de errado aos outros, é experimentar essa dificuldade com a mesma intensidade que fizemos outro provar.
Muitas vezes, antes de reencarnarmos, nós solicitamos ou até imploramos passar por determinadas turbulências para nos libertarmos do remorso e resgatarmos certas dívidas adquiridas no passado que nos mancham a consciência. Sabia?
— Na aula que tive, semana passada, falamos sobre isso.
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 26, 2017 2:01 pm

As pessoas se julgam coitadas diante de suas dificuldades e ignoram que, muitas vezes, pediram para passar por aquilo.
Elas deveriam aproveitar a situação difícil sem queixas ou lamentações para se fortalecerem, solucionando o problema à medida do possível.
Evoluindo e auxiliando a evolução dos outros.
— Rafael! Você me surpreende.
Como aprendeu rápido!
— Estou gostando muito de estudar a Doutrina Espírita.
Muitas coisas se esclareceram para mim.
As vezes me dá um desânimo de ir ao Centro Espírita, principalmente para estudar, ler ou buscar entendimento.
Mas acabo afastando esses sentimentos e sigo em frente.
— Como?
— Fazendo tudo o que tenho ou devo fazer, sem me preocupar com a má vontade.
Sem perceber, a preguiça passa rapidinho.
Daniela sorriu docemente e o abraçou com carinho.
— Mas, voltando ao Caio, aguarde o momento certo que ele vai nos contar o que o aflige.
Não o pressione, Rafael.
—Eu sei, Dani. Não vou pressioná-lo.
Só quero ter certeza de que você não corre risco.
Já imaginou o que esses caras podem fazer?!
—Vamos orar e vigiar também.
Daniela não comentou, mas ficou muito preocupada com o que poderia acontecer.
—E quanto à sua mãe, Dani?
Não a preocupa o fato dela ter um obsessor?
—Ficaria mais preocupada se ela não o tivesse.
—Como assim?
—A pessoa que não tem ou diz não ter um obsessor e está fazendo coisas que não são corretas, nutrindo pensamentos, sentimentos ou acções inadequadas, palavras desarmoniosas, merecem muita preocupação.
Se ela não tem um obsessor, será ela própria a entidade propagadora desses sentimentos e acções desagradáveis e desarmoniosas.
Se for um obsessor desencarnado, mais dias ou menos dias, em uma Casa Espírita séria e através dos tratamentos adequados em uma sessão reservada para ele, a desobsessão, irão envolvê-lo com imenso amor, com indescritível ternura, vão ouvir-lhe as queixas e buscar levar-lhe o entendimento, o conforto, a elevação e o socorro para seus males.
Feito isso, ele se reconforta e aceita o socorro oferecido pela espiritualidade maior, indo se tratar e se educar em local apropriado para o seu estado.
Assim sendo, o encarnado que se sentia obsediado terá cumprido sua tarefa e nós a nossa.
—Não entendi, Dani.
Como o obsediado, a pessoa perturbada, cumpriu sua tarefa?
—Com certeza nós não fomos santos em outras vidas.
Devemos ter mentido, roubado, matado, ofendido ou tirado a felicidade de alguma pessoa.
Hoje esse irmão ofendido se sente prejudicado e procura vingança por acreditar que nós o lesamos.
Se esse irmão busca vingança, é porque ele não acredita que a justiça pertence a Deus, sendo assim, podemos perceber que não se trata de um espírito com entendimento ou elevação, daí que, se nos é concedido ter ao lado esse espírito, que fica feliz em nos fazer mal, é porque temos força e amparo suficiente para lidarmos com essa situação.
Se realmente tivermos fé e seguirmos os ensinamentos do Evangelho, tudo será mais fácil.
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 26, 2017 2:02 pm

Isso indica que nos foi concedido, na presente encarnação, o pagamento de débitos passados.
Estaremos ajudando a encaminhar uma criatura que desencaminhamos.
Se emitirmos preces abençoadas, pensamentos salutares e muito amor a todos que nos rodeiam, esse irmão que nos obseda beneficia-se com essas vibrações e acabará por aprender connosco a ter amor e cultivar o perdão.
Mas se somos ingratos, maledicentes, egoístas, até em nossas preces, pedindo somente para nós mesmos e por aqueles que desejamos bem, se tecemos pensamentos indecorosos, se pronunciamos palavras de baixo nível moral, nós estaremos ensinando a vingança e alimentando a raiva que esse irmãozinho nutre por nós.
Se frequentamos uma casa religiosa, onde nos ensinam os atributos de Deus como a justiça, a omnipotência, a omnipresença, a omnisciência, a bondade e o amor Divino, estaremos nos refazendo com fluidos salutares, além de nos renovarmos com o sentimento de fé e esperança.
De alguma forma, nós sempre doamos algo de nós para qualquer irmão que nos rodeia, mesmo se este estiver com pensamentos tristes e depressivos, induzindo-nos com palavras e acções deprimentes.
Temos de combater primeiro nossos pensamentos, nossas palavras e nossas acções inferiores, sem isso nunca sairemos das vibrações que um obsessor quer nos passar.
—Entendi —- respondeu Rafael.
— Se doamos constantemente de nós ao espírito que temos do nosso lado nos obsedando, induzindo-nos ao erro, devemos doar sentimentos opostos ao que ele nos transmite.
Se nos sentimos tristes e deprimidos, procuremos um trabalho edificante e salutar que nos preocupe, que nos dê prazer e alegria a nós e aos outros.
No instante em que percebermos a nossa atitude agressiva, devemos calar imediatamente, fazer uma prece para nos recompormos e pedirmos desculpas, retractando-nos com aquele que nós tenhamos ofendido.
—Além disso, Rafael, devemos nos educar espiritualmente para que possamos passar educação espiritual a esse irmão.
Aí estaremos fazendo a nossa parte e, muitas vezes, repondo exactamente o que lesamos a essa criatura.
— A paz? -— respondeu Rafael.
— Sem dúvida. A paz e o conforto.
Veja só: quando prejudicamos alguém, seja no que for, nós o privamos de paz e conforto.
Então, a paz e o conforto espiritual é a primeira coisa que devemos lhe devolver.
Voltando ao caso de minha mãe, não se preocupe.
Farei com que ela passe por uma entrevista na Casa Espírita para que seja designado um tratamento adequado.
Em breve, estará tudo resolvido.
Acredite.
— Agora eu creio.
O que Rafael e Daniela não puderam perceber foi o número de espíritos desencarnados que se fizeram presentes para aproveitarem a conversa salutar de ambos.
Os espíritos Lucas e Fabiana se sentiam felizes por tudo, pois, apesar da dificuldade, estavam caminhando, lado a lado, junto a seus pupilos.
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 26, 2017 2:02 pm

9 - DESPERTANDO PARA NOVA REALIDADE

Mesmo com o passar dos meses, dona Antónia não conseguia se recompor em resignação e auto-estima.
Sempre ficava lamentando e chorando pela falta que sentia de sua filha, tanto que seu choro passou a incomodar intensamente Denise, que acordou na espiritualidade parecendo como se ainda estivesse encarnada.
Em um leito alvo e macio, Denise dividia o espaço daquela enobrecida câmara de rectificação com outros espíritos que, ali socorridos, aguardavam o despertar para a verdadeira vida do espírito, que não ocorre na matéria corpórea.
Ao perceber o suave revolver no leito de Denise, Cinira, uma das abençoadas enfermeiras daquele hospital, apressou-se para observá-la mais de perto.
Denise meneava a cabeça vagarosamente de um lado para outro, às vezes franzindo a testa como se não aprovasse a visão de alguma cena.
Cinira, que conservava a imagem carnal de uma doce velhinha, aplicou-lhe passes magnéticos, revigorando-a sensivelmente.
Denise abriu os olhos que giravam em sua órbita, procurando reconhecer o ambiente.
Tentou dizer algo, contudo se sentia esmorecida.
Observando-lhe o esforço, Cinira orientou amavelmente:
— Procure se acalmar.
Você está em um lugar seguro.
Está se refazendo e logo compreenderá suas novas condições.
Rapidamente, em seu pensamento começaram a surgir cenas cronológicas de sua última reencarnação na Terra.
Lembrou-se da mãe, da irmã, do irmão e até de seu pai que já desencarnara há algum tempo.
Tentando saber onde estava e querendo ter ao lado a presença de sua mãe, passou a experimentar um choro copioso, que não parecia ser um sentimento seu.
— Não chore, filha — incentivou Cinira, piedosa e solícita.
Você está em um abrigo que possui as bênçãos de Jesus, o nosso Irmão Maior.
Ela não entendia por que chorava, mas uma sensação avinagrada pareceu lhe corroer por dentro, junto a um misto de saudade inexplicável que a torturava.
Cinira, solicitando a outros companheiros uma aproximação rápida, iniciou uma bela prece que, imediatamente, passou a harmonizar os sentimentos perturbados de Denise.
Senhor, Pai da vida!
Rogamos por suas bênçãos salutares.
Que elas possam confortar e restabelecer nossa irmã Denise em harmonia e paz, em sentimentos de amor e compreensão.
Que não julguemos, jamais, estarmos experimentando os dissabores da existência.
Oferta-nos, Senhor, a sua misericordiosa compaixão, fazendo-nos reconhecer que suas sagradas leis de amor nos conduzirão à excelsa e verdadeira felicidade.
Denise acalmou-se e não chorou mais.
Cinira fez breve agradecimento aos companheiros que a auxiliaram e voltando-se para Denise observou:
— Eu sei que está se sentindo bem melhor.
Procure conservar a harmonia nos pensamentos que a paz reinará em seu coração.
Denise a olhou com firmeza e pareceu compreender instantaneamente sua nova condição de vida em espírito.
Cinira, lendo-lhe os pensamentos, complementou:
— Sim, minha irmã.
A partir de agora você experimenta nova vida.
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Re: LIÇÕES QUE A VIDA OFERECE - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Fev 26, 2017 2:02 pm

Não será difícil readaptar-se, uma vez que, de tempos em tempos, retornamos à verdadeira pátria espiritual para refazimento e verificação da aprendizagem que provamos na vida corpórea.
Uma única lágrima rolou sobre a face de Denise e ela forçou esboçar um leve sorriso de compreensão.
Percebendo seu desejo de saber onde e como estavam seus parentes, Cinira antecipou-lhe a pergunta, respondendo:
— Sua irmã Daniela, seu irmão Carlinhos, bem como sua mãe, encontram-se todos na experiência corpórea, isto é, encarnados.
Estão todos bem, diante da visão global dos factos.
Sua mãe ainda verte grande tristeza pela saudade que insiste em alimentar com amargura e dor.
Contudo, querida irmã, há-de compreender a separação necessária para sua elevação e inclusive para a elevação de todos que a acompanham e acompanharam.
Quanto mais você volver seus pensamentos em compreensão e amor, mais rapidamente poderá vibrar em condições satisfatórias, a ponto de endereçar à mãezinha querida elevados desejos que, ao senti-la em condições animadoras, reagirá de modo construtivo.
Denise compreendeu logo, pois mesmo não sendo assídua estudante do Espiritismo, frequentava o Centro Espírita e as palestras evangélicas, além de acreditar na pluralidade das existências e na justiça de Deus.
Isso a fez aceitar, pacificamente, seu novo estado como espírito.
Com o passar do tempo, Denise, contemplando o espectáculo do alvorecer, encontrava-se amargurada.
Os pensamentos lastimosos de sua genitora invadiam-lhe a mente de forma inenarrável.
Gertrudes, outra benfeitora daquele hospital, naquela colónia, vendo-a tristonha, aproximou-se cautelosa e indagou alegre:
— Linda alvorada, concorda?
—Sim. Nunca vi nada tão belo -— respondeu Denise, educadamente.
—É uma pena que muitos de nós, quando encarnados, não reconhecemos os valorosos empréstimos que o Pai Criador nos oferta, gratuitamente, através de demonstrações tão singelas, mas espectaculares.
—Realmente. Era difícil eu parar para observar a natureza ou um simples amanhecer.
Na correria do dia-a-dia -— prosseguiu Denise - deixamos de valorizar e agradecer a Deus o que Ele nos dá.
Até mesmo os nossos parentes...
Uma lágrima rolou e o soluço a fez parar de falar.
Gertrudes, abraçando-a com carinho, confortou-a junto de si e depois esclareceu:
—Deus é tão bondoso que nunca nos condena pelo que fizemos errado ou deixamos de fazer.
O Pai Celeste nos dá a oportunidade de refazermos tudo o que necessitamos realizar correctamente, quantas vezes forem necessárias para a nossa elevação.
Ele é justo, pois não consagra em Seu Reino o filho que acertou nem condena ao Inferno aquele que não conseguiu realizar o que deveria.
—Não fui uma filha tão boa quanto poderia.
Nem uma irmã honrada -— lamentou amargurada.
—Não acertamos sempre, querida —- retornou Gertrudes, amável.
—Nunca me revoltei declaradamente, mas não me conformava com as condições paupérrimas em que vivíamos.
Meu pai era metalúrgico e depois de ficar desempregado, várias vezes, não conseguia arrumar um emprego com salário satisfatório, devido à idade principalmente.
Foi então que juntamos todas as economias e ele comprou um táxi para ao menos garantir o pão de cada dia.
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