Ponte das lembranças - Schellida / Eliana Machado Coelho

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Re: Ponte das lembranças - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Mar 26, 2017 1:28 pm

Carinhoso, murmurou:
- Dani, reaja, minha querida.
Não se entregue assim.
Pense em Deus. Faça algo por você.
Ao trocar olhar com Carina, ela comentou:
- Eu sei que não é fácil.
Nunca esquecemos um amor.
- Nunca?
- Não. Nunca.
- E seguimos sofrendo?
Então o amor é dor?
- Não. O amor mesquinho nos faz sofrer muito.
Isso acontece quando temos o egoísmo de querer alguém só para nós e desejamos controlar a vida dessa pessoa como se fôssemos o seu dono.
Quando amamos de verdade, respeitamos e deixamos o outro livre.
- É difícil pensar que eu vim até aqui para ajudá-la e, depois, levá-la aos braços de outro.
- Levá-la aos braços de quem você tirou.
Vai entender que amor é algo maior do que isso que sente.
Amor é fazer tudo para que ela seja feliz ao lado de alguém com quem precise harmonizar a vida.
Eles já sofreram demais e viveram como inimigos por causa de algo que você fez.
- Eu sei, Carina.
Tenho consciência disso.
Eu os separei.
Deixei que o matassem por minha acusação injusta.
Eu queria tanto ficar com Danielle que fiquei, só que doente e para ela cuidar de mim.
Aprendi que não se deve forçar o destino.
- Danielle já sofreu muito, Raul.
Quando William deveria lhe perdoar, ele a agrediu, tanto e tantas vezes que ela perdeu a filha que esperavam.
Ele não se importou nem com ela nem com a criança.
Depois, a lesionou de forma permanente e não se harmonizaram desde então.
Ele já sofreu muito por isso e sofrerá. Sabe disso também.
- Sei. Só que agora é diferente.
Eles se amam. Ele vive esse arrependimento em forma de uma dedicação, um devotamento impressionante!
É capaz de fazer tudo por Danielle.
Tudo mesmo. Eu senti.
Enquanto ela, apesar de amá-lo, ainda não lhe dá todo o valor por uma mágoa inconsciente do que sofreu com ele.
É insegura do amor que recebe e até o agrediu por ele tê-la agredido no passado.
Se bem que foi Desirée quem usou essa sua fraqueza.
Espero que Will não se decepcione tanto com ela e saiba lhe perdoar.
- Como reparou, ele faz tudo por ela, devido a culpa que viveu.
Acredito que vai entendê-la mais uma vez.
Eles se amam de verdade, Raul.
Cabe lembrar que nem todo marido ou companheiro é bom para sua mulher porque a maltratou em outra época.
Ele pode ser bom, compreensivo, afectuoso e amigo por sua elevação, por sua evolução moral natural.
Conquistou dignidade, respeito, amor próprio, por isso dignifica, respeita e sabe amar.
- Entendi. Ele não a trata assim só pelo que fez no passado.
Ele é evoluído e a ama. Dá para sentir.
- Sempre se amaram, Raul. Assim como nós.
Ele a olhou de modo indefinido. Sem entender.
- O que você quer dizer com isso?
Carina ofereceu-lhe generoso e enigmático sorriso e propôs:
- Precisamos ir.
Se quiser ajudar Danielle, deve socorrer Desirée.
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Re: Ponte das lembranças - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Mar 26, 2017 1:28 pm

18 - A CHEGADA DE MEG

Após dois dias, Danielle melhorou e recebeu alta do hospital.
William a levou para o apartamento novo e contou:
- Sua irmã me ajudou a contratar uma equipe que presta serviço de arrumação e limpeza.
A Nanei ficou aqui e coordenou para que colocassem tudo no lugar.
Depois você vê se ficou do seu gosto.
- É tão bom estar em casa.
Pensei que nunca mais fosse sair daquele hospital - dizia sentada na cama, abraçando no peito o ursinho que ele havia lhe dado.
- Acredito que tudo vai melhorar agora - considerou ele em tom brando, sem qualquer empolgação.
Quando ia saindo do quarto, a esposa o chamou:
- Will! - Ele se virou e ela pediu:
- Por favor, sente-se aqui.
Quero muito conversar com você.
Acomodando-se ao seu lado, ficou aguardando sério, olhando-a firme.
Preciso que me desculpe pelo que fiz.
Eu não tenho paz desde aquele dia que o agredi.
Apesar de prestar-lhe todos os cuidados, o marido ainda se exibia magoado com o que ela fez.
Ficando pensativo, não sabia como iria reagir.
Vendo-o sob o efeito das energias do espírito Desirée, que o deixava atordoado, o espírito Raul se aproximou, sem ser visto por ela, e envolveu William.
Aplicando-lhe energias salutares, percebeu-o ainda resistente.
Usando de seu conhecimento, começou a passar-lhe ideias de arrependimento por tê-la agredido muito em outra existência.
Imediatamente, William se comoveu ao erguer o olhar e observá-la apreensiva, com lágrimas quase rolando de seus olhos brilhantes, estreitando o bichinho ao peito.
Diante da demora, ela perguntou aflita:
- O que me diz, Will? Você me perdoa?
Ele se aproximou, tirou o ursinho de suas mãos, envolveu-a com forte abraço e lhe respondeu ao ouvido:
- Eu amo você, mas não me teste novamente.
- Eu te amo, Will. Nunca mais! Nunca mais! Me perdoa!
- implorava apertando-o ao peito.
- Calma - sorriu afastando-a de si e acariciando-lhe o rosto com ternura.
Não fique assim - beijou-a com carinho.
- Vamos recomeçar nossa vida. Faremos tudo novo.
- Como quiser - concordou emocionada.
- Gostaria que voltássemos a frequentar o grupo espírita como antes e também fazer o Evangelho no Lar.
Quando fazíamos isso, tudo havia melhorado.
Você não estava desse jeito.
Levei um susto dessa vez, sabia?
- Também acho que estávamos bem melhor.
Faremos diferente - aceitou sorrindo.
Quero estudar mais sobre a mediunidade para ver se me controlo.
- Isso será óptimo.
A campainha tocou.
William beijou-a novamente, levantou-se e foi atender.
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Re: Ponte das lembranças - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Mar 26, 2017 1:28 pm

Era Edwin e Nanei que foram visitá-los.
Conversaram muito e, ao ficar sozinha com sua irmã, Danielle agradeceu:
- Obrigada por cuidar de tudo aqui para mim.
- Não me agradeça.
Vai ter de retribuir quando este nené nascer - disse bem humorada, acariciando a própria barriga.
- Nanei, você está linda! - sorriu.
Ai, que inveja! - exclamou brincando, esfregando a palma da mão na barriga da irmã, beijando-a em seguida.
Já escolheram o nome?
- Será Twiller. O Edwin escolheu.
- É um bonito nome. Gostei.
Ao ver a outra pensativa, considerou:
- Em breve será você. Acredite.
- Estou tão ansiosa que chego a ficar triste por não engravidar.
- Não engravidou, até agora, justamente por isso.
Tente relaxar, não dar importância nem lembrar disso.
- Seria muito bom uma gravidez agora.
O clima entre mim e o Will ficou pesado alguns dias atrás.
- O que aconteceu?
Danielle contou sobre a briga e o tapa que deu no marido.
Mostrou-se arrependida e disse terem se reconciliado minutos antes de a irmã chegar.
- Eu não acredito que você fez isso! - exclamou horrorizada.
- Fiz. Se eu pudesse voltar atrás...
Fiquei doente, acho que foi por isso.
- Dani, você não tem motivos para desconfiar do seu marido.
Toda mulher que deseja acabar com o casamento deve começar a ter ciúme incontrolado.
- Não sei por que estou assim.
Não tenho razão. Nunca fui desse jeito.
Eu nunca havia sentido ciúme na minha vida.
Até comentei isso com ele, há muito tempo, aquela vez, em Long Island, quando você foi nos visitar.
Nós andávamos na praia e eu disse que não era ciumenta.
Hoje eu sei que não tenho razão para fazer isso, mas...
- Não tem razão mesmo.
Esse homem te ama. Faz tudo por você!
- O simples facto de ele olhar para outra mulher me faz perder o controle.
Às vezes, nem precisa olhar.
Preocupo-me com os pensamentos dele.
- Seja racional.
É lógico que ele vai olhar para outra sim.
Isso é normal. É você quem está exagerando.
- Como você consegue, Nanei?
Como mantém o Edwin assim tão à vontade e tão perto?
- Eu nunca tentei controlá-lo.
Por amá-lo muito, não me canso de ser gentil, deixar que tenha o seu espaço e não desisto de conquistá-lo em tudo, em todos os sentidos.
- Explique-se melhor.
A irmã sorriu um tanto sem jeito e contou:
- Bem... Em princípio eu gosto de ser gentil com o meu marido.
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Re: Ponte das lembranças - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Mar 26, 2017 1:28 pm

Não fico pegando no pé nem sou exigente.
Nunca perguntei como ele se dava com as outras.
Se elas eram melhores do que eu ou coisa assim.
No dia-a-dia, ouço sempre o que ele tem para contar e quando acho que devo dar uma opinião, procuro fazer isso com tranquilidade.
Sempre falo o que é melhor para ele, numa boa.
Outra coisa é deixá-lo ter o seu espaço.
O Edwin vai ao clube.
Adora jogar Squash, conversar com amigos no clube e eu nunca reclamo disso.
Sei que é direito dele, desde que não extrapole, não se esqueça de seus deveres como casado.
Sei que ele precisa ficar longe de mim um pouco.
E, quando ele viaja, nunca faço aquelas perguntas estúpidas do tipo:
você olhou para outra?
Havia muita mulher nessa viagem?
Sentiu minha falta?
Sou a mulher ideal para você?
Pensou em me trocar por outra?
- E quando você acha que ele olhou para outra?
- Esqueço o facto, pois quero que ele também esqueça.
Eu o conquisto para que não se lembre mais do que viu.
Nanei riu engraçado e contou constrangida:
- Sabe, antes de engravidar, eu comecei a fazer aulas de dança do ventre.
- O quê?!!
- É verdade! - riu.
Na academia, a professora perguntou para todas por que queriam fazer essa dança e eu respondi:
para seduzir o meu marido.
Assim iríamos nos divertir e brincar!
- Nanei, você fez isso?! - riu admirada.
- Lógico! Era esse o meu objectivo.
O Edwin adorou.
Eu fiz vários shows para ele - gargalhou com gosto.
- Você é louca?!
- Não. Sou esperta!
Só parei por causa da gravidez, quando a barriga começou a pesar muito.
Rindo novamente, revelou de um jeito engraçado:
- Assim que eu tiver o nené, quero fazer aulas de dança indiana.
Já pensou nisso?
- Nisso, o quê?
- Em fazer algo para melhorar a relação entre você e seu marido, em vez de ficar enchendo a paciência do coitado e acusá-lo de olhar ou falar com outra mulher.
Vendo-a pensativa e séria, comentou sem brincar:
- Sabe, Dani, se agredi-lo verbal ou fisicamente, vai afastar o Will de você.
Ele não vai te contar mais nada.
Não a levará aos lugares onde precisa ir só para não vê-la intolerante, irritada, pegando no pé dele.
Você tem que agir como se quisesse conquistá-lo a cada dia, como se ele ainda não fosse seu marido.
- Às vezes não digo nada.
Fico emburrada e não converso com ele.
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Re: Ponte das lembranças - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Mar 26, 2017 1:29 pm

- Óptimo! Parabéns!
Você está deixando o seu marido pronto para ir para os primeiros braços abertos e carinhosos que ele encontrar!
Muito bem! - expressou-se com ironia.
Em seguida, repreendeu-a:
- Você é idiota ou o quê?!
Abrace esse homem!
Ame-o com toda a paixão!
Dê a maior canseira nele.
Eu duvido que ele vá atrás de outra.
Olhar ele pode olhar, porém é com você que ele vai dormir!
- Nanei!
- É verdade. Acorda, Dani! Seja esperta!
Você é uma mulher bonita, inteligente, mas não usa isso a seu favor.
Os casamentos terminam por falta de carinho, de atenção, de amizade, de tempero na relação e, principalmente, por falta de paz.
Quando um homem não encontra isso, ele vai embora.
Qual é?! Se liga, tá! Não faz isso, não, maninha!
Dê um tempo. Não pegue no pé do cara! Segura a onda!
A aproximação de William e Edwin as interrompeu.
As irmãs conversavam em português e William brincou:
- Elas falam tão rápido e tão enrolado que não dá para entender quase nada.
Isso, definitivamente, não é português - riu.
Parece um dialecto!
Palavras pela metade, som de uma vogal no lugar de outra e gírias.
É um absurdo.
- É deliberado - disse Edwin.
É, justamente, para não entendermos direito.
- Esse era o propósito, meus amores.
Falávamos muito mal de vocês - brincou Nanei.
Edwin a abraçou com carinho.
Danielle os observava.
Por um instante, ela sentiu inveja da irmã.
Apesar de ter uma vida harmoniosa com o marido, Danielle jogava a felicidade fora com suas crises de ciúme que aumentavam de frequência.
- Ah! Quase ia me esquecendo... - tornou Nanei.
Falei com a mamãe ontem.
Hoje ela deve ligar para você.
Ela disse que vem pra cá na próxima semana.
- Para o casamento do Guilherme, lógico! - disse a irmã.
- Sim, claro. A mamãe ficará aqui.
Vai acompanhar o nascimento do nené da Olívia e do Guilherme e depois do meu - sorriu satisfeita.
- Do nosso - interferiu o marido.
- Acho que ela vai ficar até minha dieta terminar.
Ai, que legal! - alegrou-se Nanei.
- A Olívia e o Guilherme estão em Berlim - lembrou a irmã.
- Sim. Estão arrumando tudo por lá.
Acabaram de mobiliar o apartamento onde vão morar.
Antes do nené nascer, a Olívia disse que vem para cá e depois vão para Londres, onde quer que ele nasça.
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Re: Ponte das lembranças - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Mar 26, 2017 1:29 pm

Aí a mamãe vai para lá.
- Onde o Twiller vai nascer? Decidiram? - perguntou William.
- Como moramos em Londres e todo o meu pré-natal foi feito com um médico de lá, que é de muita confiança, ele vai nascer em Londres.
Olha só... Eu já disse para o Edwin que depois que o nené nascer, antes de ele fazer um aninho, quero passar, pelo menos, um mês no Brasil.
Estou morrendo de saudade da minha terra!
- Eu também - confessou Danielle com mimos.
- Mas não antes de ter o nosso nené na Inglaterra também! - brincou William, abraçando-a.
Só vai para o Brasil depois de ele nascer!
Vou fazer como o Edwin.
Você está de castigo, aqui na Europa, até isso acontecer!
Eles riram e conversaram mais um pouco.
Depois a visita se foi.
Mais tarde, William saiu e voltou com um presente para a esposa.
Ela estava sentada, encolhida no sofá assistindo à televisão.
- Adivinhe o que é?! - perguntou com largo sorriso, entregando-lhe uma caixa com delicado laço.
Danielle não tinha ideia do que poderia ser.
Ao pegar, teve o intuito de agitá-la e ele pediu rápido:
- Não sacode não!
- Ai! O que é?! - sorriu.
Dá uma dica!
- É algo de que você gosta.
Quando saímos, você admira ao ver alguém com uma ou um.
Em Paris, há milhares dessas coisinhas só que... de diversas... marcas.
Vamos dizer assim - explicava tão empolgado quanto ela.
Só espero que não demore muito para adivinhar! - sorriu preocupado.
Danielle escutou um barulhinho vindo de dentro da caixa e gritou alegre:
- Um cachorrinho!!!
Tirando o laço, abriu-a depressa e admirou com dengo:
- Que coisinha linda! Ai, meu Deus!
Que coisinha bonitinha!
- É uma menininha! - brincou.
Espero que goste!
A cachorrinha brincava e lambia as mãos de Danielle, que a segurava com carinho e a acariciava em meio à alegria que o animalzinho demonstrava.
- Adorei, Will! - beijou-o com carinho. - Adorei!
É da raça Yorkshirel É tão miudinha!
Será que vai crescer mais?
- Disseram-me que não. Ela tem dez meses.
Aqui estão os documentos que me deram lá na loja.
Já está vacinada e...
- Precisamos providenciar uma caminha, roupinhas...
Ah! Eu quero que ela use lacinhos!
É tão bonitinho!
- Já tem uma caminha - riu.
Está no quarto ao lado da sala de ginástica.
Escondi lá para você não ver.
Enquanto a trazia para casa, deixei a caixa aberta.
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Re: Ponte das lembranças - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Mar 26, 2017 1:29 pm

Ela correu por todo o carro e os lacinhos caíram.
Eu não soube colocar novamente e a fechei na caixa sem os lacinhos mesmo.
- Obrigada, Will! - beijou-o novamente.
Adorei!!!
- Eu a via sempre abraçando aquele ursinho que lhe dei e achei que ia gostar de ter algo com vida - sorriu.
Precisamos de um nome.
Não vai fazer como o ursinho que lhe dei e até hoje não deu um nome para o coitado - riu.
Pegando-a com delicadeza, levantou a cachorrinha frente ao rosto, para examiná-la, e perguntou ao marido:
- Você tem alguma ideia, amor?
- Sinceramente não.
- Meg! - ela exclamou de repente.
- Meg?!
_ Sim. Ela tem carinha de Meg!
É um nome alegre e delicado como ela.
- É bonito
Acariciando a cachorrinha, ele perguntou:
- Você gostou, Meg?!
- Veja! Ela olhou para você.
Atendeu pelo nome.
A presença do animalzinho em casa fez Danielle se animar e se recuperar mais rapidamente.
Com o passar dos dias, antes de ela retornar ao serviço, o marido contou sobre o facto de George procurá-lo e reclamar da sua ausência no trabalho, afirmando que isso era um mal exemplo por ser a esposa do vice-presidente.
- E você mandou que ele me demitisse?!
- O que eu poderia dizer? - Rindo, dramatizou: - Oh! Não! Não a demita! Minha esposa precisa desse emprego!
- E se ele me demitir?
- Óptimo. Apesar de termos conseguido o milagre de uma empregada fixa, agora, este apartamento é bem grande e você terá mais tempo para administrá-lo do seu jeito. E...
Abraçando-a com carinho, balançou-a de um lado para outro, disse com mimos ao beijá-la:
- Se um nené resolver aparecer, quero que se dedique totalmente a ele.
Você não precisa se irritar com o George nem com mais nada.
- Will...
- Fala.
- Está querendo que eu deixe de trabalhar para ficar longe de você?
- Como assim? - fez que não entendeu e afastou-se do abraço.
- Se eu não estiver lá, não verei mais com quem se reúne, almoça...
- Se quiser, pode ir almoçar todos os dias comigo, tá! -
disse sorrindo, porém com uma grande dose de insatisfação.
- Eu não gostaria de deixar de trabalhar.
- Se esse é o problema, podemos falar com o Edwin.
Você pode desenvolver a mesma função na rede de hotéis.
- Mas a matriz fica em Londres!
Ele riu com jeito espirituoso e brincou:
- E isso não é bom?!
Quando estiver cansada de mim, pode ir trabalhar lá.
Mas... Por enquanto - tornou no mesmo tom alegre -, seria bom ficar pertinho de mim.
Trabalhe na filial de Paris.
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Re: Ponte das lembranças - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Mar 26, 2017 1:29 pm

Não existe distância com a internet.
Ainda mais para o que você faz.
Sabe, Dani, eu ficaria bem satisfeito em não ver mais o George implicando com você.
- Sinto-me incompetente, vendo-o falar assim.
- Você não é incompetente. Pelo contrário.
É bem capacitada e acredito que deveria ser supervisora da área.
Mas não quero interferir.
O George é incapacitado para a função que exerce, contudo é o filho do dono.
- Até o pai sabe disso.
Tanto que deu a você o cargo na vice-presidência, depois que o irmão dele morreu.
- Você não conheceu o senhor Robert, irmão do senhor Óscar, conheceu?
- Não.
- Ah! É verdade. Ele faleceu em janeiro de 2002.
Até hoje não entendo como o senhor Óscar foi me entregar a vice-presidência.
Não tínhamos mais qualquer vínculo de parentesco.
- Ele não lhe deu o cargo porque foi genro dele.
O senhor Óscar fez isso pela sua competência.
Como fez com o Edwin, que é competente, para dirigir a rede de hotéis.
Aliás, é o que ele adora fazer.
Quanto ao George...
Limitou-o a um cargo de directoria para não deixá-lo muito abaixo.
- Quando o tio morreu, o George tinha certeza de que assumiria a vice-presidência.
Se você visse como ele ficou!
Naquela época, eu estava muito para baixo.
Queria me demitir, mas a Olívia não deixou.
Aconselhou-me bastante.
Como eu estava muito inseguro e não sabia o que fazer, fiquei.
Foi uma surpresa enorme quando o senhor Óscar praticamente intimou-me para o cargo.
Foi um susto. Não só para mim, como também para o George.
Nem sei por que aceitei.
Até hoje penso nisso.
- Você tem capacidade.
- Então... - animou-se.
Vou falar com o Edwin a seu respeito.
Tenho certeza de que você será bem útil lá.
O Edwin é um cara bacana e sabe reconhecer as qualidades das pessoas.
Eles não podiam ver, no entanto o espírito Desirée se irritava e tentava contaminar os pensamentos de Danielle com ideias que pudessem provocar ciúme.
Ela sabia que aquela energia negativa e pesada que condensava na outra, certamente, explodiria em algum momento e Danielle não conseguiria reprimir a fúria destrutiva desse inútil sentimento.
Com os dias, William providenciou uma nova colocação para a esposa junto à rede de hotéis.
Ela ficou satisfeita.
Teria mais tempo, por causa da menor carga horária de trabalho e por ser mais perto de onde moravam.
Após uma semana, saiu mais cedo do trabalho e decidiu ir até o serviço do marido.
A secretária avisou que William estava na sala de reuniões, mas que já havia terminado.
Danielle dirigiu-se até lá e presenciou uma cena de que não gostou.
Retirando-se apressadamente, foi para casa sem ao menos falar com o marido.
- Você esteve lá?!
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Re: Ponte das lembranças - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Mar 26, 2017 1:30 pm

Por que não falou comigo?
Não me esperou? - perguntou ele ao chegar a sua casa.
- Você pensa que eu sou idiota?!
- Aaaah... Não!
O que foi dessa vez?!
- Eu o vi na sala de reunião com aquela mulher bem arrumada.
Ela estava sentada em cima da mesa!
- Ah! Não! - reagiu.
Isso você não viu porque não aconteceu!
Ela pode ter se encostado à mesa!
É diferente!
- Que seja! Depois ficou esfregando a mão no seu braço e rindo!
Ainda fez um carinho no seu rosto!
Explique isso! - exigiu.
O marido, exausto, suspirou fundo e expressou-se com voz pausada, grave e baixa, parecia exaurido de forças.
- Dani, você sabe que não é difícil um homem sofrer assédio.
Isso acontece com certa frequência, devo admitir.
Apesar do que assistiu, você me viu fazer o quê?
- Eu não fiquei para ver!
- Então perdeu uma óptima oportunidade para me conhecer e confiar mais em mim.
Vendo-a irritada, disse:
- Não vou discutir com você.
Se quiser, pode brigar sozinha - virando-se foi para o quarto.
- Will! Não me ignore!!!
Meg, que pulava em seus pés, chamou-lhe a atenção e Danielle se abaixou para pegá-la no colo.
Em seguida, foi para o sofá, sentou-se e acariciou a cachorrinha enquanto reflectia.
Bem mais tarde, William ainda estava chateado com a esposa.
A discussão o fez perder o apetite e ele ficou na sala de televisão assistindo a um filme ao qual não prestava atenção.
Mais calma e até envergonhada de si mesma, Danielle se aproximou perguntando:
- Vamos jantar?
- Não. Obrigado.
- Você não comeu nada.
Ele não respondeu e ela insistiu com jeitinho:
- Tem peixe grelhado, ervilhas, alface e arroz.
Sei que gosta.
Quer que eu faça o seu prato e o traga aqui?
- Não. Não quero comer nada.
William estava com as pernas dobradas sobre o sofá e a cachorrinha dormia em seus pés.
Danielle se sentou ao lado e começou a acariciar Meg.
Após um instante, falou:
- Sabe o que reparei?
Ele não disse nada, só a olhou e a esposa contou:
- Pouco antes de você chegar aqui a nossa casa a Meg sabe.
Ela fica perto da porta, toda feliz.
- Talvez seu relógio biológico a avise.
- Não. Não é.
Às vezes você chega mais cedo ou mais tarde, e ela sabe.
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Re: Ponte das lembranças - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Mar 26, 2017 1:30 pm

Age da mesma forma poucos minutos antes de entrar.
Outro dia, quando foi ao clube, voltou antes do almoço e eu sabia que havia chegado porque ela ficou na porta do mesmo jeito.
Quando saiu para correr, ao voltar ela avisou da mesma forma.
É tão curioso! - sorriu um pouco triste.
Queria puxar conversa.
Diante do longo silêncio, desabafou:
- Will... Não sei o que está acontecendo.
Não consigo me controlar.
Fico irritada, não aguento e acabo brigando com você.
- Não só briga comigo, como me ofende e me agride com palavras.
Isso é bem pior.
- É que quando vi aquela mulher fazer aquilo...
- O que me viu fazer?
- Nada.
- E então?
- Não sei. Você poderia tê-la afastado.
- Eu estava sentado, assinando os documentos.
Fazer nada foi a melhor opção que encontrei naquele momento.
Não poderia ofendê-la, brigar.
Não teria cabimento.
Só sorri e me afastei.
Foi o suficiente para ela entender. Não acha?
Se você tivesse entrado, seria muito melhor.
Eu a teria apresentado como minha esposa.
Agora não tem cabimento que brigue comigo por causa do que a outra fez.
Que culpa eu tenho?!
Vendo-a em silêncio e arrependida, William se sentou direito, tirou a cachorrinha que estava entre eles e puxou a esposa para um abraço.
Beijando-a com carinho, encostou-a em seu ombro e perguntou:
- Você brigaria comigo se eu propusesse uma terapia de casal para nós?
- Acha que precisamos?
- Se você continuar dessa forma sim. Eu acho.
Ela o envolveu com força e prometeu com jeito humilde:
- Dê-me mais um tempo.
Se não conseguir, eu aceito.
- Que bom! - beijou-a no alto da cabeça e sorriu.
Amo muito você e quero fazer de tudo para vivermos bem.
- Eu também te amo, Raul.
William tirou o braço que a envolvia e, lentamente, afastou-a de si.
Seu semblante estava sério, sisudo.
Respirou fundo, insatisfeito.
Imediatamente, ela perguntou ao vê-lo assim:
- O que foi?
- Raul! Você me chamou novamente de Raul!
- Não! Eu não chamei! - defendeu-se.
- Tenho certeza - afirmou em tom ponderado.
Levantando-se foi para o quarto e não conversaram mais.
Na espiritualidade, Desirée se satisfazia com o que conseguia provocar.
Sem que esperasse, pouco a pouco foi percebendo o espírito Raul que lhe aparecia cada vez mais nítido.
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Re: Ponte das lembranças - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Mar 26, 2017 1:30 pm

- Você?! Aqui?!
- Olá, Desirée!
- Como você está bonito e diferente.
Quase não o reconheci!
- É que faz muito tempo - sorriu generoso.
- Você viu?! Esses dois nos traíram!
Mas eu vou conseguir dar um jeito nisso.
Principalmente, agora, com a sua ajuda - riu.
Vou avisando. É bem fácil envolver a sua esposa.
Ela me ouve e eu espero sempre por um momento importante para fazer com que chame o meu marido de Raul.
No começo ele entendia, mas não está suportando mais.
- Danielle não é mais minha esposa.
Nem o William seu marido.
- Como não?! Se você pensa dessa forma, o que veio fazer aqui?
- Só uma visita.
Sempre queremos notícias daqueles que amamos.
- Se a ama, como consegue aceitar vê-la nos braços de outro?
- Porque ela não me pertence.
Somos espíritos livres.
Quando nos prendemos a alguém e achamos que isso será por toda a eternidade, nós nos escravizamos.
Deixamos de viver e sufocamos a pessoa.
O amor verdadeiro liberta.
- Se você consegue pensar assim, eu não.
- Diga-me uma coisa, Desirée, desde quando despertou, na espiritualidade, não saiu de perto dos encarnados?
- Não tenho outro lugar para ir.
Além do mais, não suporto a ideia de eles me esquecerem.
O Will não podia fazer isso comigo.
- Acho que ele nunca iria esquecê-la.
Só acredito que tenha coisas mais importantes para realizar.
- Isso é esquecer.
Afinal, o que você pretende, Raul?
- Sabe, a princípio vim para cá a fim de saber como a Dani estava.
Se precisava de alguma ajuda e...
Fiquei surpreso ao ver você assim.
- Por quê?
- Acreditei que você tivesse muito conhecimento sobre o plano espiritual pelo facto de sua mãe ter bastante bagagem no assunto.
Eu a conheci bem pouco, só nos últimos meses de vida.
No entanto, tudo o que conversamos me ajudou imensamente.
Você nem imagina. Nos últimos minutos de vida terrena, fiquei com medo, assustado e em prece.
A movimentação de enfermeiros e médicos, junto a mim, era grande e, de repente, vi somente dois enfermeiros.
Depois um que, ao meu lado, sorriu e perguntou se eu estava bem.
Eu disse que me sentia bem melhor.
Respirava sem ficar sufocado - riu.
Pelo menos era o que sentia.
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Re: Ponte das lembranças - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Mar 26, 2017 1:30 pm

Não experimentava nenhuma dor.
Bem... era essa a sensação que eu tinha.
Acreditei que os remédios que me deram foram óptimos, pois não sentia mais nada.
Então ele sorriu e pediu que descansasse.
Acordei quase um mês depois.
Daí soube que havia desencarnado sem perceber nem a passagem para o plano espiritual.
Descobri que aquele enfermeiro, que vi por último, era o meu mentor.
Tudo foi tão fácil e tão tranquilo.
- Pois esse não foi o meu caso.
Ninguém me socorreu.
- Você orou?
Pediu, de todo coração, ao Pai que a socorresse?
- Deus sabe o que eu preciso.
- Sem dúvida.
Só que é importante mostrar para Ele que você é humilde e tem fé.
- Como você conseguiu ficar com essa aparência bonita, limpa, iluminada?
- Com desejos no bem, humildade, paciência e amor.
Desirée olhou para si mesma e falou:
- Estou longe de ficar como você.
De repente, Raul decidiu:
- Preciso ir. Foi bom te ver.
- Aonde você vai?
- Para um abrigo de melhor acomodação.
Ficarei algum tempo na crosta terrestre antes de retornar à colónia de onde vim.
- Vou vê-lo novamente? - perguntou em tom melancólico.
- Talvez. Procure orar.
Rogo que Jesus a abençoe.
Dizendo isso, o espírito Raul se foi.
. * .
O tempo foi passando e, em pequenos acontecimentos, Danielle exibia falta de controle emocional e brigava com o marido.
William, por sua vez, passou a evitar eventos e compromissos em que precisasse levar a esposa.
Belinda chegou a Paris para o casamento do filho Guilherme e ficou hospedada na casa de Maria Cândida.
Aproveitando-se disso, o espírito Raul e demais amigos do plano espiritual entenderam que uma das coisas que enfraquecia Danielle era o facto de ela viver, mentalmente, a ideia de acreditar ser filha de Maria Cândida e se comportar como tal, achando-se no direito de se envolver tanto com aquela família.
O seu tempo como filha daquela senhora havia acabado.
Deveria encarar a actual existência e novas responsabilidades.
Para isso acontecer, precisavam de alguém que a alertasse e conseguiram.
Danielle ficou feliz e visitava a mãe todos os dias.
- Ah! Estou tão feliz, Dani!
A Nanei está bem.
Fez um casamento maravilhoso.
Tem um marido incrível. O Guilherme...
Nossa! Nem preciso falar.
O seu irmão está realizado.
Nunca pensei em ver esse meu filho assim.
E você também. Só falta o nené.
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Re: Ponte das lembranças - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Mar 26, 2017 1:31 pm

- Ah... mamãe...
Esse nené não quer vir de jeito nenhum.
- Foi ao médico?
- Fui. Fiz todos os tipos de exames.
Cheguei a pensar que fosse por causa do primeiro parto que tive e...
Mas ele garantiu que está tudo bem e aquilo não afectou o meu físico.
- E o William?
Também fez exames?
- Fez sim.
Está tudo bem com nós dois.
- Isso é porque você está ansiosa, Dani.
- A Nanei me disse isso.
Eu queria muito um filho agora.
Quem sabe daria um pouco de sossego ao Will.
- Sossego? Por quê? - estranhou a mãe.
- Por causa do meu jeito, mamãe. Do meu ciúme.
Danielle contou para a mãe o que estava acontecendo.
- Filha, você nunca foi assim! Por que isso?
- Não sei explicar.
Já pensei que pode ser espiritual.
Às vezes, eu me lembro da Desirée e de como ela era ciumenta.
- Quando uma pessoa não se controla, fica fácil culpar os espíritos, não acha?
Ora, Dani! Por favor!
O William lhe quer muito bem.
Eu o admiro tanto.
Até onde sei, é um óptimo marido.
- É mesmo. Porém acho que a Desirée não descansou.
Provavelmente, está com ciúme dele, da Maria Cândida, do senhor Óscar...
- Por que ciúme da Maria Cândida e do Óscar?
- Sabe aquela filha que eles tiveram e que se chamava Danielle?
- O que tem?
- Temos certeza de que sou eu.
- Do que você está falando?! - quis saber assustada.
Danielle contou tudo.
- Há momentos que eu recordo de cenas que nunca vivi nesta existência.
Principalmente quando estou perto do George.
- Meu Deus!
O que eu perdi nessa história toda?!
O que estão colocando na sua cabeça?! - assombrou-se a mãe.
Não demorou e Belinda procurou pela amiga que lhe confirmou a história, detalhando explicações.
- Maria Cândida isso é um absurdo!
Não posso deixar que vocês convençam a minha Dani de algo assim!
A minha filha não está preparada para isso!
Quer que ela enlouqueça?!
- Não a estou convencendo de nada.
As coisas foram acontecendo.
Minha mãe também acreditou que ela fosse minha filha!
- Por Deus! Não vou deixar uma insanidade dessas afectar a minha filha!
Talvez seja isso que esteja mexendo tanto com ela!
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Re: Ponte das lembranças - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Mar 26, 2017 1:31 pm

A Danielle está diferente.
Tenho percebido isso quando nos falamos por telefone.
Sua personalidade está alterada.
Tem brigado com o marido por besteira.
Coisa que não acontecia.
E ela não tem motivos para isso.
- Ela é minha filha, Belinda!
Eu estou feliz e satisfeita por ela ter voltado!
- Você enlouqueceu?!!
A discussão das duas chamou a atenção de todos que foram até a sala saber o que ocorria.
Ao entenderem o que acontecia, George opinou:
- Também acho que isso é insanidade da minha mãe!
O senhor Óscar, Edwin e Nanei ouviam calados.
William ficou atento e Danielle pedia:
- Por favor, pare com isso mamãe!
As coisas não são assim!
Contrariada, Belinda apelou para o genro:
- William, creio que você tem bom senso tanto quanto eu.
Não podemos deixar que essa história continue.
Acredito que uma coisa absurda dessas possa alterar a personalidade da minha filha.
Vejo que a Dani está apresentando um comportamento alterado e bem estranho.
Ela não era assim.
E você mesmo pode confirmar isso.
- Belinda, calma - pedia a amiga.
Não faça uma tempestade com um copo d'água.
- Um copo de água não faz tempestade, mas deixa alguém bem molhado!
Não vou admitir que diga que a minha Danielle é sua filha!
Vamos desmentir isso agora!
A Dani talvez esteja passando por algum tipo de transtorno psicológico por causa dessa história!
Já pensou nisso, William?!
- Não sei o que pensar.
Inquieto, decidiu:
- Só sei que quero ir embora. Vamos, Dani.
- Estou indo com vocês.
Deixem-me em um hotel no centro de Paris - resolveu Belinda insatisfeita.
- Não faça isso, Belinda.
Vamos resolver tudo.
- Agradeço sua gentileza, Óscar.
Mas não vou admitir que desarmonizem a vida e a personalidade da minha filha.
Vou para um hotel e reflectirei sobre tudo isso que não me agradou em nada.
A caminho do centro da cidade, Danielle pedia:
- Mamãe, fique lá em casa. Tem muito espaço.
Enquanto Belinda não decidia e ainda chamava a atenção da filha pelo ocorrido, William fez o caminho de seu apartamento.
Quando as duas perceberam, estavam na garagem do prédio e ele disse:
- Fique connosco. Será muito bom.
Vamos conversar melhor a respeito de tudo.
A senhora falou uma coisa que eu não havia pensado.
A sogra aceitou e eles subiram com as malas.
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Re: Ponte das lembranças - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Mar 26, 2017 1:31 pm

Belinda, na sala de estar, conhecia a pequena Meg e, enquanto a acariciava, dizia:
- Fiquei inconformada com o que ouvi.
Vocês dois não podem aceitar uma coisa dessas!
- Quando a senhora falou sobre essa história poder afectar a Dani, emocional ou psicologicamente, fiquei em choque.
Acredito que encontrou a razão de tudo.
Quando nos casamos, ela não era assim.
Isso começou depois que ela lhe deu aquele bracelete e o anel que foi dado à filha dela ao completar quinze anos.
- Ora, Will! Isso não é verdade! - protestou a esposa.
A senhora só ficou ouvindo e o genro continuou:
- Como não?!
Você era meiga, atenciosa, ponderada, racional, sabia ouvir...
Parece que perdeu sua personalidade, mas não encontrou nenhuma outra.
Em certo momento me ouve, entende, raciocina e aceita que errou.
Em outro, age impulsivamente, é irracional, agressiva.
Virando-se para Belinda, contou:
- A senhora sabia que a Dani me agrediu fisicamente?
- O quê?!
A filha abaixou a cabeça e não se defendeu.
E ele revelou o acontecido.
Depois, envolvido por Raul, William relatou ainda:
- Quando ela conversa com o George e se altera, parece que não é a Dani quem fala.
Ela assume outra personalidade.
Sempre se irrita e até chama a dona Maria Cândida de mamãe!
- Mamãe?! A Maria Cândida?!
Belinda não suportou e se levantou inconformada.
- Isso já foi longe demais!
- Dani, você não falou para sua mãe o que aconteceu no outro apartamento?
- Não. Não quis assustá-la.
Ela estava longe.
A sogra ficou no aguardo e William detalhou tudo o que se passou e explicou o motivo de se mudarem. No final, resumiu:
- Tudo começou com os mantimentos, coisas do armário e as roupas dela no chão.
Depois os vidros, espelhos, copos e tudo mais não parava de quebrar.
E na nossa frente! A senhora acredita em espíritos?
Acredita que espíritos possam fazer isso?
- Sou católica, mas acredito sim.
Não entendo muito sobre Espiritismo, apesar de saber que a Doutrina Espírita tem claras explicações sobre isso.
Acredito na interferência e na influência dos espíritos em nossas vidas.
No entanto, penso que somos nós quem oferece oportunidade deles actuarem.
Olhando para a filha, repreendeu:
- Você deveria ter me contado o que estava acontecendo.
- O que a senhora poderia fazer?
- Sou sua mãe.
Poderia orientá-la para, pelo menos, não se influenciar com essa história de ser a filha da outra que morreu daquele jeito.
Em seguida, William comentou sobre terem frequentado a sociedade espírita.
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Re: Ponte das lembranças - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Mar 27, 2017 10:24 am

Belinda opinou:
- Pelo que entendi, o assunto tratado lá foi sobre o que aconteceu no antigo apartamento.
Não comentaram sobre as ideias da Dani ser filha da Maria Cândida.
- Não. Não falamos sobre isso.
Mas como eu consigo ter lembranças de situações que não vivi nesta vida? Expliquem!
Acomodando-se ao seu lado, Belinda segurou sua mão e disse com jeitinho:
- Dani, suponhamos que você foi a Danielle, filha da Maria Cândida, que morreu em 1963, ano em que me casei.
Caso fosse necessário que você continuasse sendo filha dela, aquele acidente não teria acontecido ou não teria morrido.
Talvez se salvasse de alguma forma, como foi o caso do senhor Armando.
Outra forma de continuar ligada àquela família, seria renascer como filha dela novamente.
Oportunidade teve, mas Deus não quis assim.
Agora pense:
sendo a filha dela que morreu ou não, no momento em que acreditou ser aquela adolescente, você alterou tudo em que acreditava.
Alterou sua personalidade, sua identidade, seu jeito.
Você ficou perdida, pois não tinha mais a mesma base, o mesmo alicerce.
Veja... - reflectiu e comentou em seguida:
- Você disse que tem algumas lembranças, algumas recordações, mas não todas.
Não se lembra de toda a infância, de Maria Cândida se casando, de morar com dona Filomena e o senhor Armando.
Quando acredita e quer viver uma outra vida, pode alterar esta.
E é o que está fazendo.
Breve pausa e reclamou:
- Só agora soube que ficou doente daquele jeito!
Que absurdo! Por que não me contou?!
A filha não respondeu, e ela prosseguiu:
- A tontura, as dores de cabeça, dores pelo corpo, febre, manchas roxas!... Pense!
Foi tudo isso o que aquela menina, filha da Maria Cândida, experimentou antes de morrer, filha!
Você somatizou, em seu corpo, o sofrimento que, inconscientemente, acreditou ter sofrido.
Talvez, até para ter a atenção da Maria Cândida.
Se foi capaz de alterar o seu corpo, foi capaz de alterar sua opinião, suas atitudes, seu jeito, sua personalidade!
- Concordo com a senhora! - reagiu William de imediato.
- Ela não está sendo a mesma Danielle que conheci em Nova Iorque, tempos atrás, nem a mesma com quem me casei.
Envolvida por Desirée, a esposa rebateu:
- Você está com ciúme do Raul!
- Danielle! - repreendeu a mãe, muito firme.
- A senhora viu? - ele perguntou calmo.
Sem resposta, prosseguiu:
- É isso o que tenho de escutar.
Além de ter minhas roupas cheiradas, assim que chego a nossa casa, o meu celular vasculhado, como também o GPS, a agenda electrónica, e-mails, computador...
Tudo o que encontra, mexe, revira.
Ela pensa que eu não sei.
A Dani não me abraça alegre e saudosa quando me recebe.
Ela me cheira para sentir se tenho um outro perfume.
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Re: Ponte das lembranças - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Mar 27, 2017 10:25 am

Outra coisa que faz é me chamar de Raul.
Como quer que eu aguente?
Após dizer isso, calmamente, William se levantou, pediu licença e se retirou.
Belinda, perplexa, encarou a filha e perguntou brandamente:
- Você tem certeza de que gosta desse homem?
- Lógico! Adoro o Will!
- Então escuta o que vou te dizer:
você está fazendo de tudo para perder o seu marido.
Eu tenho o dom de conhecer as pessoas, Danielle.
Posso afirmar, com toda a certeza, que o William é um homem muito bom.
Só não sei se ele é tão bom assim para aturar que você continue com esse comportamento.
Ou ele vai abandoná-la ou vai procurar outra mulher.
Se não fizer as duas coisas.
Homem assim, como ele, não fica sozinho por muito tempo.
Ao vê-la reflexiva, reafirmou:
- Pense bem nisso. Você está perdendo o seu marido por causa do seu comportamento.
Voltaremos a conversar.
Ficarei aqui em sua casa por alguns dias somente.
Depois vou para Londres.
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Re: Ponte das lembranças - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Mar 27, 2017 10:25 am

19 - Orientações sábias de Belinda

Paris estava húmida e fria naquela manhã, final de outono, quando Maria Cândida decidiu procurar por sua amiga no apartamento de Danielle.
A empregada a recebeu e informou que o casal dormia, mas não Belinda, que fazia o desjejum.
- Bom dia.
- Que surpresa! Bom dia, Maria Cândida - respondeu um pouco insatisfeita pelo facto da outra não ter avisado sobre a visita.
Eu não sabia que viria. Você não telefonou.
- Decidi agora cedo.
Virando-se para a empregada, Belinda pediu educada:
- Providencie um lugar à mesa para minha amiga, por favor.
Voltando-se para a outra, solicitou:
- Sente-se, por favor.
- Desculpe-me por não ter ligado.
Realmente foi muito indelicado da minha parte.
Não se deve fazer visitas sem antes avisar.
Mas não quis telefonar para não acordá-los.
Sei que, nos finais de semanas e feriados, dormem até mais tarde.
Servindo-se de café, falou:
- Queria conversar com você.
Deve estar chateada comigo e até com ciúme.
- Sempre fomos amigas e muito sinceras uma com a outra.
Não vou omitir a minha insatisfação com essa história.
Tem muita coisa acontecendo aqui que eu não fui informada.
Só que esses acontecimentos, eu creio, estão interferindo na vida da minha filha e podendo atrapalhar até a felicidade dela.
Estou muito preocupada.
- Belinda, tudo leva a crer que a Danielle é a minha Danielle que morreu.
- Primeiro: ela não é!
Se ela foi, não é mais a sua Danielle.
Segundo: se, por acaso ela foi a sua filha, novamente repito: não é mais!
Se fosse para continuar sendo, ela não teria morrido naquele acidente ou teria nascido como sua filha de novo.
Será que fui bem clara?
Maria Cândida ficou pensativa e abaixou a cabeça admitindo:
- Você tem razão.
Talvez eu tenha ido longe demais.
Sinceramente, não havia pensado dessa forma.
É muito difícil para uma mãe ver, reconhecer uma filha que partiu e não querê-la como antes, não se emocionar, não se envolver. Eu...
- Espera - tornou firme , no mesmo tom calmo.
Sei de tudo isso.
Coloquei-me no seu lugar.
- A Dani tem recordações que nem eu ou os irmãos nunca contamos.
- Por favor, não cometa mais o erro de dizer que os seus filhos são irmãos dela!
A minha filha tem uma família.
Tem uma vida nesta vida!
Não a confunda com história desnecessária e que não podemos provar.
Qual a serventia em confirmar que a Dani foi sua filha?
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Re: Ponte das lembranças - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Mar 27, 2017 10:25 am

Que utilidade isso tem? Nenhuma!
A minha filha sempre foi uma menina doce, amável, educada...
Estava sempre sorrindo, bem humorada, alegre, extrovertida.
O único período que a vi triste foi durante a doença do Raul.
Com toda razão.
Mesmo assim, ela vivia bem disposta e animada, fazendo tudo para ajudá-lo.
Agora, de uns tempos para cá, eu a senti diferente.
Quando chego aqui, encontro-a transtornada, desequilibrada pelo ciúme excessivo, irritada com o George supondo ele ser irmão dela!
Ora! Que absurdo!
Pense, Maria Cândida!
O que essa história agregou de positivo para a minha filha?!
Ao contrário. Acredito que a Danielle perdeu o chão!
Entende? Ela parece ter perdido o contacto com o passado desta vida.
Por isso não tem confiança em si, não tem amor próprio, mecanismos emocionais de defesa para ser racional e distinguir o certo do errado.
Pelo que o William me contou, a Dani age como outra pessoa.
Estou muito preocupada com a minha filha.
Faz uma semana que estou aqui e tenho conversado muito com ela.
Minha filha me disse que não sabe por que age assim.
Implica com o marido, briga, revira suas roupas, e-mail, computador, celular, e sei lá mais o quê.
Além de cheirar suas roupas e os bancos do carro para sentir se está ou não com cheiro de perfume!
- Eu não sabia disso!
- Minha filha está doente, Maria Cândida. Isso é doença!
Quando uma pessoa não tem estrutura emocional, não tem alicerce, confiança em si, ela não sabe como reagir diante dos factos normais.
Fica desequilibrada e vive períodos de transtornos psicológicos que podem acabar com sua vida, se não for tratada a tempo.
Alguns instantes e prosseguiu:
- Essa história de ela ser sua filha pode ser legal, bacana, curiosa, mas não é boa para ela.
Acreditando nisso, a Dani fica sem referência, sem passado, sem infância, sem ideia de suporte e sustentação de uma mãe e de um pai que a amaram, educaram, cuidaram!
Quase em lágrimas, Belinda exclamou emocionada:
- Minha filha está vazia!
Perdida dentro dela mesma!
Eu acredito em vida após a morte, em reencarnação.
Mas creio também que Deus é tão sábio que nos fez renascer esquecendo o passado, porque isso é importante para nós.
Se não fosse, todo o mundo nasceria lembrando todas as burradas que cometeu nas outras existências!!!
A mulher estava nervosa.
Emocionada, secou as lágrimas com o guardanapo em seu colo.
Apesar de nenhum conhecimento profundo sobre a Doutrina Espírita, Belinda tinha toda a razão.
Em O Livro dos Espíritos, aprendemos claramente que com o esquecimento do passado o homem é mais senhor de si.
Desencarnado nem todos tem lembranças de suas experiências de vidas anteriores, só obtendo recordações das falhas e acertos da última ou mais recentes experiências terrenas.
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Re: Ponte das lembranças - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Mar 27, 2017 10:25 am

De acordo com sua evolução, ele pode recordar tudo, se assim preferir.
- Desculpe-me, Belinda.
Eu não sabia...
- Deveria saber! - disse firme e recomposta, encarando-a.
Com todo o seu estudo espírita, com toda a sua filosofia, deveria saber.
Eu não entendo nada, contudo posso afirmar que os espíritos influenciam e interferem em nossas vidas quando nós deixamos, quando nos desviamos do bem ou quando nos desequilibramos.
Foi essa história que desequilibrou a minha filha para que acontecesse a influência espiritual que aconteceu.
O abalo que mexeu muito com os dois.
Não sei como o Will suportou tudo isso até agora.
A Dani nunca ficou doente.
O mal-estar, dor de cabeça, as marcas roxas, febre só se explica com essa lembrança do passado, por acreditar que foi a sua filha.
O acidente provocou o que, se não manchas roxas, mal-estar?
A tontura e as dores de cabeça pela pancada, pelo traumatismo.
A febre com a infecção ou inflamação ou sei lá mais!... - expressou-se nervosa.
- Eu não pensei nisso.
- Como não pensou nisso?! - zangou-se.
Estou aqui há poucos dias e pensei! - reagiu.
Talvez só tenha se preocupado com você mesma, em se satisfazer.
Eu percebi porque é minha filha! - bateu de leve no próprio peito.
A Dani enfiou essa história na cabeça porque ficou conversando com você sobre isso.
De repente resolveu, inconscientemente, assumir a vida passada.
Isso, com a negatividade espiritual que precisou enfrentar ao lado do Will, não teve estrutura nem equilíbrio.
- Negatividade espiritual ao lado do Will?!
- É sim! E você sabe do que estou falando! - tornou Belinda firme.
- Da Desirée?!
- Da Desirée sim!
O William me contou que, muitas vezes, viu a imagem da ex-esposa morta junto da Dani ou sobreposta a dela.
- Ele nunca me contou.
- Não queria magoá-la. Lógico!
Para mim disse que a viu diversas vezes.
Chegou a ouvir alguma coisa também.
Por isso, Maria Cândida, em vez de tentar cuidar da minha filha, cuide da sua!
Ore por ela! A prece de uma mãe é muito importante!
E deixe a minha viver em paz!
Eu agradeço tudo o que fez por ela e pela Nanei.
As orientações de mãe, a atenção e o carinho.
Mas isso tem limite, você sabe.
Graças a Deus a Dani tem um bom marido, um homem que admiro, respeito e gosto como se fosse meu filho.
Se não fosse por ele, acho que ela não teria estrutura nenhuma por causa dessa história.
Fez-se um longo silêncio. Até que...
- Bom dia! - William cumprimentou alegre.
Elas corresponderam e ele perguntou sorrindo:
- Por que não nos chamou?
Ou não queriam a nossa companhia? - brincou.
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Re: Ponte das lembranças - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Mar 27, 2017 10:26 am

- Vou até a cozinha pedir para trazerem o seu café.
Com licença - disse Belinda, levantando-se escondendo os olhos vermelhos.
Na espiritualidade, Raul e Desirée os observavam e ela comentou:
- Aprendi que toda pessoa que sofre obsessão precisa ter um desequilíbrio emocional, um abalo.
Essa história veio a calhar.
Foi o que mexeu com a Danielle.
Ela não ficou concentrada na vida actual.
Agora, essa velha veio atrapalhar a distracção da filha.
A Dani ficou sem referência, perdeu tempo dando atenção a outras coisas, a essa história idiota.
- Essa história é verdadeira.
A Dani foi a sua irmã Danielle, que morreu com quase dezasseis anos - afirmou Raul.
- Não é verdade.
- É sim. Os seus avós, dona Filomena e o senhor Armando, confirmaram-me isso.
- Minha avó?! Como?!
- Sua avó faleceu! Você não sabia disso?
- Não... A minha avó?...
- Vejo que perdeu tanto tempo implicando com os dois que não observou coisas importantes.
- Quando ela morreu?
- A Danielle estava internada.
Você deve ter ficado ao lado dela no hospital e não soube o que aconteceu.
Também não sentiu falta da sua avó quando não a viu junto aos outros, não é?
Estava tão concentrada em fazer coisa errada que...
- Não fale assim comigo!
Onde ela está? Por que não a vi?
- A dona Filomena está em outro nível, bem melhor do que esse.
O seu desencarne foi maravilhoso! - sorriu feliz.
- Ela me contou em detalhes.
Assim que acordou, no plano espiritual, estava no meio de uma espécie de estufa de belas plantas e suas orquídeas predilectas.
Ficou emocionada porque, uma em especial, havia aberto as flores que ela aguardava há dias.
Disse que se levantou rápido da cadeira, pensando em avisar sua mãe e ficou feliz por não sentir as pernas doerem.
Achou que fosse o remédio novo que um médico receitou.
Então viu o seu avô.
Primeiro pensou que estivesse sonhando, depois entendeu o que tinha acontecido.
Sabe por que o seu desencarne foi assim?
- Não.
- Porque dona Filomena fixava sua mente em amor, vida, flores...
Todas as coisas boas. Ela sempre elevava o pensamento ao Pai e pedia bênção para Ele e para os outros todos.
Nunca desejou o mal nem prejudicou alguém.
- Ela está bonita assim como você?
- Está muito melhor! - riu.
Ela gosta de parecer bonita, sabia? Dona Filomena plasma, como vestimenta, uma roupa bela, elegante, um costume azul clarinho e colar semelhante a pérolas.
Um pequeno casquete com delicada rendinha quase cobrindo um dos olhos.
Algo que fica muito bonito em seus cabelos pretos.
Digamos que... seja um pouco antigo - sorriu.
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Ave sem Ninho

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Re: Ponte das lembranças - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Mar 27, 2017 10:26 am

Contudo muito bonito, devo admitir.
- Minha avó tem cabelos grisalhos.
- Agora não tem mais - falou com graça.
Alguns espíritos têm o atributo de se modificar conforme o seu bom coração, o seu desejo e a utilidade no bem, principalmente.
- Estou tão feia... Tenho dores...
Muito fortes, às vezes...
Quando fiquei com a Danielle no hospital, fiquei muito ruim por ter de passar aquelas energias para ela...
Acho que tive uma espécie de desmaio.
Acordei dias depois, e ela tinha ido embora.
Foi por isso que arrumei dois infelizes para ficarem ligados a ela.
Mas não sei o que aconteceu. Eles sumiram.
- Não tive dor alguma depois que desencarnei.
Foi tão suave. Isso aconteceu por causa da prece, do nível de pensamento.
- Quando minha mãe ora por mim, eu tenho alívio.
- Isso é amor, Desirée.
O amor é remédio.
Se você orasse, iria se sentir muito bem.
- Eu rezei, mas não fui ouvida.
- Oração da boca para fora não tem efeito.
Tem de haver concentração, desejo e fé em cada uma das palavras.
Vendo-a pensativa, propôs:
- Quer orar comigo?
- Você quer me tirar daqui, não é?
Por isso quer que eu ore.
- Não necessariamente.
Eu oro e estou aqui.
- O seu intuito aqui é outro.
Eu quero separar esses dois.
Ou então... Quero que um deles morra! Ou até os dois!
- Esse tipo de pensamento vai deixá-la cada vez mais feia.
Reparou que encarnados que têm ideias de separar alguém, pensamentos em fazer o mal, tirar a paz do outro de qualquer forma começam a ficar feios, escuros, com aparência espiritual degradante?
- O que você quer com esse tipo de assunto, Raul? - perguntou agressiva.
- Nada. Só estou conversando.
Já estou indo. Adeus - respondeu com simpatia e simplicidade.
Raul sabia que precisaria tratar Desirée tal qual uma criança:
com muita paciência e persuasão.
Levá-la a crer, vagarosamente, no que era certo.
* * *
Era uma manhã gostosamente fria.
O sol brilhava e Belinda chamou a filha para um passeio pela cidade.
Ela não quis ir de carro, pegaram o metrô e desceram na estação Monceau.
Já no parque, andavam calmamente enquanto a mãe dizia:
- Eu adorava caminhar aqui com o seu pai enquanto vocês brincavam e corriam por esse gramado - sorriu saudosa.
- Era tão bom! Você se lembra?
- Nossa! Tinha me esquecido daqui.
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Ave sem Ninho

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Re: Ponte das lembranças - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Mar 27, 2017 10:26 am

Porém... Estou me lembrando sim - sorriu Danielle.
Olha! Aquela árvore.
Lembro-me dela. Tão linda!
- A "árvore dos lenços".
Não dá para não notá-la. Linda mesmo!
O difícil era impedir o Guilherme ou o Kléber de subir nela - riu.
Os guardas poderiam estar de olho.
- Adoro esse parque e as mansões do bairro de Monceau.
Sabia que esse nome significa pequeno monte?
- O seu pai me falou.
Era uma terra que foi dividida.
Em uma metade foi feito o parque e a outra foi dividida em lotes, onde ergueram essas magníficas mansões.
- Sabia que os museus, existentes neste bairro, foram mansões doadas pelos ricos ao governo?
- Seu pai também me contou isso - riu.
Nós passeávamos por Paris e ele parecia um guia turístico. Eu adorava.
Nunca me cansei de ouvi-lo, mesmo quando repetia a história.
- Igual ao Will.
Ele é inglês, mas parece parisiense. Sabe tudo daqui.
Caminhavam de braços dados observando as crianças e suas amas-secas repletas de cuidados.
Belinda, em tom agradável, comentou:
- O seu marido é um homem muito bom, filha.
Merece ser tratado com respeito e amor.
- Eu sei, mamãe.
- Então faça algo por você e por ele.
- Certa vez, quando o Raul ainda era vivo, eu e o Will estávamos andando na praia em Long Island e ele reclamava do ciúme da mulher dele.
Eu achei graça e ainda disse que não tinha ciúme.
Nunca tinha sentido isso.
Não sei o que aconteceu comigo.
Se nós tivéssemos um filho, talvez eu ficasse mais ocupada e...
- Um filho só vai deixá-la mais irritada agora.
Não pense também que um filho vai segurar o seu marido, porque não vai.
- Breve pausa e prosseguiu:
Eu quero lhe pedir uma coisa.
- O quê?
- Afaste-se um pouco da família da Maria Cândida e dela também. Por um tempo.
- Mas, mamãe...
- Filha, você não é nada dela.
Nem o William é. É só por um tempo.
Eu sei que ela tem idade para ser sua mãe e age como tal.
Não duvido de que goste muito de você.
Contudo peço que esqueça essa história de ser filha dela.
Alguns instantes e contou:
- Certa vez, vocês eram bem pequenos, acho que não se lembra disso.
Eu vi que o meu casamento não ia bem.
O seu pai estava estranho e eu irritada.
Na época eu tinha uma amiga, não era como a Maria Cândida, porém vivíamos ao telefone.
Ela não saía da nossa casa e eu não fazia nada sem antes consultá-la.
- Já sei. O papai começou a ficar de olho nela!
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Re: Ponte das lembranças - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Mar 27, 2017 10:26 am

- Não. Nada disso.
Se bem que esse é o risco que se corre quando se coloca uma amiga para dentro de casa.
Mas... ela tomava muito o meu tempo.
Com isso eu me dedicava menos ao seu pai e a vocês.
O seu pai estava insatisfeito, porém nem ele sabia ser essa amizade que me deixava ausente e o incomodava.
O Osvaldo só sabia dizer que eu não era a mesma.
Então sua avó me alertou disso.
Diminuí a dedicação àquela amiga e salvei o meu casamento com calma e atenção ao seu pai.
Foi tão simples. Antes eu discutia com ele para saber o motivo de estar sério, de cara feia...
Depois, mais perto dele, ouvindo-o, participando das coisas do jeito que ele queria, tudo mudou.
- A dona Maria Cândida gosta de mim.
- Eu acredito nisso.
Só que você tem sua vida que deve ser vivida com o seu marido e não dividida com os outros.
Diminua as visitas a ela.
Não fale mais sobre ser sua filha ou sobre recordar algo que não viveu.
Não a deixe ir tanto a sua casa. Só isso.
Ocupe o seu tempo com o seu marido.
Viva para vocês dois.
Faça planos, passeios, jantares a dois, cinemas, teatros, museus, parques...
Tem tantas coisas para fazerem juntos!
Saiam sozinhos.
Divirta-se sem prestar atenção em outra ou nos outros.
Se achar que ele olhou para alguém, desvie a atenção dele para você, usando sua alegria, seu carinho, sua delicadeza e tudo o que tiver de bom.
Lembre-se do que fez ou do que aconteceu para conquistá-lo e é isso o que vai prendê-lo.
Seu casamento será outro.
Bem melhor. Garanto.
- O Will é um homem muito bom, carinhoso, gentil...
- Então você está perdendo tempo, Dani.
Seja feliz, filha!
- Eu não era ciumenta com o Raul.
Se eu comparar meus casamentos, sou mais feliz com o Will.
- Esquece o Raul.
O seu tempo com ele acabou.
Deve viver o hoje, o aqui e o agora. Deus quis assim.
O que me ajudou muito a deixar de chorar pelo seu pai foi o que um padre me falou.
- O quê?
- Que nós não nascemos juntos.
Então não vamos embora, deste mundo, juntos.
Se eu fiquei sem ele, é para seguir minha vida, minha missão por menor que ela fosse.
Comece a pensar que a sua vida, agora, é ao lado do William.
Não o compare com ninguém.
Você não poderia ter alguém melhor do seu lado, Dani.
Acredite em mim. Gosto muito dele, como se fosse meu filho!
O Will não merece o que faz com ele.
Pelo que entendi, você tem todos os motivos do mundo para acreditar nele.
Pense. Reflicta antes de falar.
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Re: Ponte das lembranças - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Mar 27, 2017 10:27 am

Confie no seu marido.
Ocupe sua mente com meios e maneiras de serem felizes.
É isso o que ele espera de uma esposa.
É por essa razão que vai amá-la cada vez mais.
Deixe a amizade dos outros um pouquinho de lado.
Faça o seu marido ser o seu amigo. Viva sua vida.
Ocupe-se com o seu trabalho, com sua casa e com o seu marido.
Esquece a Maria Cândida.
- Está com ciúme, mamãe? - brincou.
- Acho que estou! - falou em tom engraçado e riu depois.
- No entanto, o meu conselho não é de mãe ciumenta, é de mulher experiente.
Quero que viva bem com o seu marido.
Não o traia nem em pensamento.
Muito menos trocando o seu nome.
Abraçou-a com carinho e a beijou.
Em seguida, continuaram a caminhada.
* * *
A permanência de Belinda na casa da filha trouxe equilíbrio, tranquilidade e paz.
William ficava sempre alerta, esperando nova crise de ciúme da esposa, mas não acontecia.
Mesmo depois que a sogra viajou para Londres.
Conforme a mãe pediu, Danielle diminuiu as visitas à Maria Cândida.
Apesar de telefonar sempre, não falou mais sobre recordações que tinha ou sobre ser sua filha.
Concentrava-se em sua vida com o marido e passaram a viver melhor.
Preparava jantares românticos.
Chamava-o para passeios, caminhadas e outras actividades. Sempre juntos.
Quando ele não estava muito animado para saírem, permaneciam em casa e ela sempre calma, bem humorada oferecia-lhe espaço e não o pressionava mais.
Com os dias, William sentia-se cada vez mais feliz, confiante e apaixonado.
Não via a hora de estar ao seu lado.
O espírito Desirée pareceu perder força sobre Danielle e se desesperava.
Sem saber o que fazer, decidiu atacar William.
A cada dia Charlaine se aproximava mais com subtilezas e quase imperceptíveis gestos sedutores.
A verdade é que ela sempre se interessou por ele só que não tinha coragem de fazer antes o que fazia agora.
- Estou cansado! - disse William jogando-se para trás, em sua cadeira, frente à mesa de sua sala.
Eu ia até o clube hoje, mas estou exausto!
Só que prometi ao senhor Óscar que estaria lá, junto com os outros...
- Quer que eu dê um jeito? - perguntou Charlaine.
- O que pode dizer?
- Ligo para o senhor Óscar e aviso que não vai porque está com uma terrível dor de cabeça.
Que tal? - falou de um jeito alegre e também sedutor.
- Obrigado, Charlaine. Óptima ideia.
Assim chego mais cedo a minha casa.
A secretária saiu.
Não demorou e entrou novamente na sala da vice-presidência.
Entregou um copo com uísque e gelo nas mãos de William.
- É só para relaxar.
Você disse que está cansado.
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