ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

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ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Mar 22, 2017 8:44 pm

ENCONTROS COM A VERDADE
ELISA MASSELLI

SINOPSE:
O livro conta a história de Marina, que vive no plano espiritual.
Dedicada a suas actividades e habituada a nova situação, não entende por que desencarnou tão jovem, no auge da felicidade conjugal, deixando dois filhos
pequenos.
Convidada a fazer parte de uma equipe de socorristas espirituais teria a chance de voltar a Terra e rever sua família.
Entretanto teria que enfrentar seus medos.
Amparada por amigos verdadeiros, encontra a força necessária para acompanhar o grupo.
Participa de missões especiais de ajuda a irmãos encarnados, sendo sua presença muito importante para que o destino seguisse seu caminho.
Na volta à sua antiga casa, revê seus familiares e entende o motivo de tê—los deixado tão cedo.
A leitura desta fascinante narrativa nos lembra que Deus está ao nosso lado e que Ele deseja sempre a nossa felicidade, ajudando-nos a enxergar soluções para situações que nós mesmos criamos a fim de estarmos preparados para nossos Encontros com a Verdade.
Elisa Masselli.

SUMÁRIO:
O chamado
A viagem
Missão inesperada
A história de Marina
As visões de Leopoldo
Amor ao próximo
Façam o que falo, mas...
Dominação
Lição de humildade
Eternamente amigos
A história de Jaime
Voltando para casa
O encontro das seis horas
A fé remove montanhas
Encontro no sonho
A decisão de Gina
O elo quebrado
Ajuda providencial
A hora da verdade sempre chega
O retorno

Epílogo
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Mar 22, 2017 8:44 pm

O CHAMADO
O dia estava amanhecendo e os primeiros raios de sol começavam a surgir.
Marina acordou, espreguiçou—se e sorriu feliz.
Estava ansiosa, pois na tarde do dia anterior recebera um recado para que, no dia seguinte bem cedo, estivesse na sala de Humberto.
Aquele recado a deixara eufórica.
Sabia que, quando Humberto chamava alguém, era para transmitir uma boa notícia.
Provavelmente seria convidada para participar de uma equipe e isso era o que mais queria desde que tomara conhecimento de sua situação.
Morava em uma casa junto com outras pessoas que, assim como ela, não tinham parente algum ali.
Viviam bem.
Lógico que havia alguns problemas de adaptação, mas sempre conseguiam resolvê—los.
Quando alguma coisa se tornava difícil, Ana que sempre recebia com muito carinho a todos que chegassem, estava ali para colocar as coisas em seu devido lugar.
Dizia:
— Todos estão aqui por pouco tempo, por isso é melhor que façam o possível para se adaptarem.
A oração é a melhor conselheira.
Marina havia chegado ali há algum tempo.
Demorou em aceitar e entender aquela situação que, para ela, era nova.
Todavia, com a ajuda de Ana e das outras pessoas, aos poucos foi se acostumando e agora estava muito bem.
Por isso, estava tão ansiosa para o seu encontro com Humberto.
Queria saber qual era a boa noticia e se ele a convidaria para viajar em uma equipe de socorro ao lado de espíritos superiores.
Ela sempre ouvia falar sobre eles, mas ainda não havia conhecido nenhum.
Esperava por aquele momento por tanto que, às vezes, julgou que não chegaria.
Mas, enfim chegou.
Olhou para o relógio, era muito cedo, mas, mesmo assim, levantou—se.
Já de pé, esticou os braços para cima e alongou a coluna.
Era uma prática que adquirira há muito tempo.
Saiu para o quintal da casa.
Olhou para o céu que estava se tornando vermelho e depois para o jardim, que mostrava flores de todas as cores.
As folhas das árvores estavam muito verdes e brilhantes.
O perfume das flores a invadiu.
Ela respirou fundo e sorrindo, pensou:
Como é lindo este lugar!
Toda essa beleza só poderia partir de um Deus maravilhoso que ama seus filhos.
Ele nos deu tudo para sermos felizes, por que complicamos tanto?
Porque insistimos em sermos infelizes?
Bem, por tudo o que aprendi desde que cheguei, Ele sempre soube que seria assim, por isso não deve ficar muito brabo.
Se quisesse que fôssemos perfeitos, teria nos feito assim, mas não...
Deixou que cada um de nós escolhesse o nosso caminho, para que pudéssemos aprender vivendo...
Acho que Ele, quando fez isso, sabia qual seria o resultado.
Ficou ali olhando tudo por um bom tempo.
O céu agora estava quase todo claro e as nuvens, muito brancas, formavam figuras deslumbrantes.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Mar 22, 2017 8:45 pm

Marina tinha tudo para ser feliz e era.
Estava morando lá há muito tempo.
Nem podia precisar quanto.
Trabalhava em um hospital dando assistência na parte burocrática.
Não lidava com os pacientes.
Não se sentia preparada para isso.
Sentia muita pena das pessoas que chegavam, não sabia como conversar com elas, por isso preferiu não trabalhar com elas directamente.
No início sentiu—se mal por ter aqueles sentimentos, sabia que assim que chegavam precisavam de alguém que as recebessem, cuidasse e conversasse com elas.
Quando explicou a Humberto sua dificuldade em lidar com pessoas doentes, ele sorrindo, lhe disse:
— Não se preocupe com isso, Marina.
Seu trabalho, embora seja burocrático também é importante, pois tudo precisa correr bem para que todos também fiquem bem.
Ela se lembrou do que Humberto lhe disse e sorriu, pensando:
Depois que conversei com ele fiquei mais calma e continuei o meu trabalho, mas hoje sei que tudo vai mudar.
Sinto que poderei fazer aquilo com que sempre sonhei e por que estive esperando durante todo esse tempo.
Rever minha família e saber como todos estão.
Entrou em casa, voltou para seu quarto para se vestir.
Enquanto se vestia, tornou a pensar:
Preciso me vestir com esmero.
Preciso estar bonita para encontrar Humberto.
Ele precisa sentir que estou bem, que pode confiar em mim e permitir que me ausente.
Estava saindo, quando Ana abriu a porta de seu quarto.
Encontraram—se no corredor que levava à sala principal.
A sala era grande, com móveis bem dispostos.
A decoração era sóbria, mas bonita.
Belos quadros de pintores famosos enfeitavam as paredes.
Era toda pintada de branco para contrastar com os móveis escuros.
A cortina em verde claro dava ao ambiente muita paz.
Ana, assim que viu Marina no corredor e antes de entrarem na sala, disse sorrindo:
— Bom dia, Marina.
Sabia que hoje você acordaria cedo.
Está ansiosa, não está?
— Bom dia, Ana.
Estou mesmo muito ansiosa.
Sabe o quanto esperei por este dia.
Finalmente chegou.
Espero que Humberto tenha boas notícias.
— Na maioria das vezes as notícias, quando partem dele, são boas.
Hoje também devem ser.
— Estou esperando por isso.
Você sabe que, desde que cheguei e fui recebida aqui em sua casa, sempre fiz o possível para aceitar a minha situação e aprender o máximo possível.
Acho que estou pronta.
— Está sim, você se esforçou muito.
Humberto distribui tarefas, forma equipes e com certeza, está chamando você para dizer que participará de uma delas.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Mar 22, 2017 8:45 pm

Poderá, assim, voltar para a Terra e rever os seus.
Sei que é o que mais deseja.
— É sim, Ana, o que mais quero, desde que cheguei.
— Agora não adianta especular sobre esse assunto, está na hora de se encontrar com Humberto e saber do que se trata.
Você está muito bonita!
— Não sei se estou bonita, mas me esmerei.
Quero parecer bem para que ele não relute em me apresentar um trabalho nem em permitir que eu vá até lá em casa para ver como todos estão.
Antes de sair, quero lhe agradecer toda a paciência que teve comigo quando cheguei e por ter me recebido em sua casa com tanto carinho.
Ana, passando com carinho à mão nos cabelos de Marina, disse sorrindo:
— O que é isso, Marina?
Você sempre foi uma boa moça e eu entendi a sua situação.
Também cheguei aqui muito jovem e também deixei minhas crianças e um marido que amava.
Assim como você, por não ter ninguém da minha família nesta cidade, fui recebida pela Otília, que me deu muito carinho e atenção.
— Mesmo assim, você foi mais do que uma mãe.
Sabe que, de minha família, fui a primeira a chegar.
Estava apenas com trinta e dois anos quando tudo aconteceu.
Não me conformava com a doença que me atacou nem por ter deixado meus filhos tão pequenos, além do meu marido que sei o quanto me amava.
Não entendia por que, apesar de ter tudo para ser feliz, aquela doença apareceu e me afastou deles.
— Entendi que tinha razão em pensar aquilo, mas hoje você sabe que foi preciso que tudo aquilo acontecesse e que tanto seu marido como seus filhos precisavam caminhar sem a sua presença.
— Sim, hoje sei, mas foi difícil aceitar.
Meus filhos eram muito pequenos e eu e meu marido nos amávamos.
Éramos uma família feliz e não entendia nem aceitava e para ser sincera, ainda não aceito ter sido necessário abandoná—los.
Durante muito tempo eu quis retornar para visitá—los, mas não sei por que, nunca me foi permitido.
Agora será diferente, fazendo parte de uma equipe de trabalho poderei visitá—los, saber como estão.
Minha filha Berenice, não é mais uma criança, está com quase vinte anos e o Joel, com vinte e quatro.
Devem estar se formando.
Ela queria ser professora e ele, aviador.
Será que foram encaminhados para isso?
Será que mudaram de ideia?
O Norberto sofreu muito com a minha doença, esteve ao meu lado durante todo o tempo.
Além de marido, foi companheiro e até enfermeiro.
Como será que ele sobreviveu à minha falta?
— Não sei, mas agora você terá a oportunidade de ter todas essas perguntas respondidas.
Vá logo! Se continuar conversando, vai se atrasar.
Está na hora de ir.
Marina disse, sorrindo:
— Tem razão! Não sei quando aprenderei a controlar a minha ansiedade.
— Esse é o problema de todos nós. Mas vá logo!
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Mar 22, 2017 8:45 pm

Assim que Marina saiu, Ana pensou:
Ela não imagina o que está para acontecer.
Que Deus a proteja e a ajude neste momento...
Marina saiu da casa e caminhou por uma praça rodeada por vários prédios.
As árvores estavam verdes e muito brilhantes.
As flores para ela, naquele dia, pareciam mais coloridas e perfumadas.
Passou por uma fonte onde a água jorrava cristalina e com abundância.
Parou diante da fonte, molhou as mãos e passou—as pelo rosto.
Sentindo o frescor da água, sorriu e continuou andando.
Ela já havia passado por aquela praça muitas vezes, mas naquele dia em especial tinha a sensação de que estava mais bonita.
Continuou caminhando, mas alongou os passos.
Entrou em um dos prédios que de fora parecia ser muito grande.
Já lá dentro, olhou à sua volta e novamente se deslumbrou.
Tudo muito limpo e bonito.
Belos quadros estavam pendurados nas paredes.
Conhecia Humberto, pois várias vezes ele havia ido visitá—la na casa de Ana, mas nunca havia entrado naquele prédio.
Sabia que ali as equipes de socorro eram formadas por ele.
Caminhou por um imenso corredor e parou diante de uma porta branca.
Respirou fundo, bateu levemente e entrou.
Foi recebida por um jovem que sorriu e se levantou.
— Olá Marina! Bom dia.
Estava te esperando.
Está tudo bem com você?
— Bom dia, Humberto.
Estou muito bem, mas pode imaginar a minha ansiedade.
Não via a hora que a noite passasse para que pudesse vir falar com você.
Ele sorriu e lhe apontou uma cadeira.
Ela se sentou e ficou olhando para ele.
— Sei que está ansiosa, mas agora pode ficar tranquila.
Finalmente para você o dia chegou.
Fará parte de uma equipe muito importante que está partindo para a Terra e poderá visitar sua família.
— Fico feliz em saber que vou participar de uma equipe de socorro e muito mais por poder finalmente, rever meus familiares.
Foi sempre o que mais desejei desde que cheguei aqui.
— Poderá sim, mas não por muito tempo.
Terá muito trabalho junto aos outros.
— Farei o máximo possível para me sair bem.
Prometo que obedecerei a todas as ordens que me forem dadas.
— Sei disso. Mostrou durante todo esse tempo, muita dedicação.
Por isso, terá a oportunidade de prestar um grande trabalho.
Mas não está indo acompanhando a equipe para acatar ou aceitar ordens.
Está indo para aprender e assim, em um futuro, poder participar de outras equipes, talvez como dirigente a fim de ajudar outros para que também façam parte de uma.
— Sabe que não sei como agradecer o que está fazendo por mim.
Quero muito participar de uma equipe de socorro.
Ainda me sinto culpada por não haver conseguido trabalhar ao lado de pessoas doentes.
Não suporto ver a sua dor e não sei como ajudar.
— Isso faz parte do aprendizado, Marina.
Ainda bem que muitas pessoas, tanto aqui como na Terra, não pensam assim.
Se assim fosse, quem cuidaria dos doentes?
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Mar 22, 2017 8:46 pm

— Tem razão. Mas está além das minhas forças.
Você sabe que tentei Humberto...
Ele sorriu, levantou—se e se encaminhou em direcção a ela.
Pegou em seu braço e fez com que o acompanhasse.
Enquanto caminhavam, disse:
— Venha, vou apresentar você aos demais participantes da equipe.
Estão nos esperando para os últimos preparativos e para receberem as instruções.
Ela o acompanhou sem nada dizer.
Caminharam pelo mesmo corredor por que ela havia passado.
Algumas portas à frente ele bateu e entraram.
Lá dentro, estava um casal idoso e um rapaz que sorriram ao vê—los.
O senhor idoso disse:
— Que bom que chegaram, Humberto.
Estamos terminando os preparativos para a viagem.
Marina se espantou:
— Vou com o senhor?
— Claro que sim, mas por que o espanto?
— O senhor é médico...
— Sim, mas o que tem isso?
— Eu vou ter que conviver com pessoas doentes?
— Claro! Alguém precisa cuidar delas...
Ela olhou para Humberto e disse, com olhar desesperado:
— Você sabe que não vou suportar, Humberto...
Eu lhe disse que não consigo...
Ele, beijando sua testa, disse:
— Claro que vai suportar, Marina.
Você está preparada e vai ver que não é tão difícil.
Se não conseguir poderá voltar a qualquer momento, mas precisa tentar.
Se conseguir, verá quanta coisa poderá aprender com essa equipe que não vai tratar só de doentes, mas de outras coisas também.
— Não sei, acho que poderia deixar que eu fosse com uma outra equipe.
Nessa, sei que não vou conseguir...
— Sabe que precisa superar isso.
Você foi tão valente no tempo em que esteve doente...
— Por isso mesmo é que não suporto ver ninguém doente.
Durante todo o tempo em que estive doente, as minhas idas e vindas ao hospital e os milhares de exame a que me submeti, alguns tão doloridos, muitas vezes me fizeram desejar a morte.
Hoje que tudo passou, estou bem, mas ainda não posso conviver com pessoas doentes e seus sofrimentos.
É muito para mim.
Sinto que não poderei ajudar, estarei o tempo todo sentindo pena, dor e sei que isso não será produtivo.
Participando de uma equipe como essa, só vou atrapalhar.
Não posso! Não posso!
— Você pode Marina.
Você conseguirá se superar.
É mais forte do que imagina e quando voltar sei que estará e pensará diferente, mas mesmo assim, se perceber que não vai conseguir, voltará e tudo ficará bem.
Precisa tentar, será para o seu próprio bem.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Mar 22, 2017 8:46 pm

Ela olhou para todos e embora não estivesse convencida, disse quase chorando:
— Está bem, se acha que vou conseguir, Humberto vou tentar, mas assim que perceber que estou atrapalhando, voltarei na mesma hora...
— Assim que se fala, Marina.
Humberto olhando para Ademir, o senhor que era o chefe da equipe, disse:
— Ademir, preparem—se e assim que estiverem prontos, passem em minha sala, lá eu direi o itinerário que deverão seguir.
— Está bem, Humberto.
Fique tranquilo, tudo dará certo e essa linda moça será de muita utilidade.
Humberto saiu da sala.
Ademir se voltou para a mulher e disse, sorrindo:
— Marina, preciso lhe apresentar Jaime e minha companheira de muito tempo.
Ele é médico e vai nos acompanhar para aprender como o plano espiritual trabalha na assistência aos espíritos na hora de voltarem.
Marina olhou e sorriu para eles que também sorriam.
Ademir continuou:
— Bem, minha gente, está na hora de nos prepararmos.
Vamos dar as mãos e pedir ajuda para conseguirmos fazer bem o nosso trabalho e para podermos fazer esta viagem sem contratempo algum.
Muitos irmãos estão precisando de nossa ajuda, assim como um dia também precisamos.
Deram—se as mãos e acompanharam Ademir na sua oração.
Ele, concentrado e com os olhos fechados, disse:
— Senhor nosso Pai, que a Sua Luz Divina nos acompanhe nessa empreitada.
Sabemos que encontraremos obstáculos, alguns difíceis de serem superados.
Sabemos que teremos momentos em que precisaremos tomar decisões difíceis, mas sabemos também que estamos sob a Sua protecção Divina.
Quando terminou, estava emocionado.
Abriu os olhos e perguntou, sorrindo:
— Estão prontos?
Todos concordaram com a cabeça, menos Marina que permaneceu calada e de cabeça baixa.
Ademir, ao ver a expressão de seu rosto, disse:
— Marina, não fique assim.
Sabe que poderá voltar quando quiser.
Por isso, pode ficar tranquila.
— Está bem, já que confiam em mim, tentarei fazer o melhor possível.
Só espero não atrapalhar.
— Não fará isso.
Antes de irmos, precisamos passar na sala de Humberto.
Ele nos dirá por onde começar e o que precisamos fazer.
Sei que esta missão é muito importante.
Vocês, que estão indo pela primeira vez, terão a oportunidade de aprender como ajudar alguém que está em um leito de dor.
Eu e Donata poderemos rever velhos amigos e apesar da longa experiência, aprendermos mais, pois sempre é tempo de se aprender. Vamos?
Encaminharam—se à sala de Humberto e o encontraram sentado, olhando para uma folha de papel estendida sobre a mesa.
Ao vê—los, disse sorrindo:
— Entrem. Estou aqui verificando este mapa para demarcar os lugares a que devem ir.
Todos se aproximaram e olharam para o papel.
Com uma das mãos e com um dos dedos Humberto apontava os lugares e dizia:
— Ademir, você já conhece esses lugares, sabe o que vai encontrar.
Acredito que precisará só de alguns dias e poderão voltar.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Mar 22, 2017 8:46 pm

Depois, Humberto se voltou para um jovem alto, forte, com cabelos pretos e olhos claros que estava lá o tempo todo calado, mas prestando atenção à conversa e disse:
— Jaime, você terá a oportunidade de aprender muito e como ajudar a quem precisa.
Aprenderá uma medicina diferente daquela que aprendeu.
Marina, você apenas observe, procure aprender e se gostar deste trabalho, poderá continuar nesta equipe ou participar de outras e até se tornar a chefe de futuras equipes.
O rapaz continuou calado, mas sorriu.
Marina olhou para Humberto e disse, com o olhar suplicante:
— Humberto, você tem certeza que devo ir mesmo?
— Claro que sim, e quando voltar conversaremos, mas lembre—se de que poderá voltar a qualquer momento.
Ela ficou calada e forçou um sorriso.
— Estão prontos? – Humberto perguntou.
Todos concordaram com a cabeça, mas Marina como havia feito antes, permaneceu calada e de cabeça baixa.
Ademir disse:
— Marina, não fique assim.
Volto a repetir que poderá voltar quando quiser.
Isso, por si só, já pode lhe dar tranquilidade.
— Está bem, tentarei.
Farei o máximo que puder.
Só espero não atrapalhar.
— Não fará isso.
Vamos agora? – Ademir falou.
Deram—se as mãos e desapareceram.
Assim que saíram, Humberto levantou os olhos para o alto e pensou:
Senhor, meu Pai, que a Sua protecção os acompanhe nessa jornada.
Que tenham toda ajuda de que necessitarem, principalmente Marina, para que compreenda o motivo de sua ida.
Que ela possa aprender, entender e ajudar no que for preciso.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Mar 22, 2017 8:46 pm

A VIAGEM
A equipe, ainda abraçada e depois de algum tempo, chegou a uma praça que, para espanto de Marina, era sua conhecida.
Nascera naquela cidade e foi ali que conheceu Norberto, casou—se e teve seus filhos.
Extasiada e feliz por retornar ao local onde viveram tantos momentos felizes, disse sorrindo:
— Que bom estar de volta!
Sempre adorei esta cidade e principalmente esta praça.
Nela brinquei muito quando criança e depois, na minha juventude também vivi momentos inesquecíveis.
Mas tudo está muito diferente.
Não estou vendo o cinema e a sorveteria onde todos os domingos à tarde tomávamos sorvetes.
Onde estão às lojas que ficavam deste lado da praça?
Ademir sorriu e respondeu:
— Faz muito tempo que você se foi e muita coisa mudou.
Prepare—se. Terá muitas surpresas.
Esta cidade já não é a mesma que você conheceu.
Não só a cidade, mas o mundo mudou.
O progresso chegou aqui e aquele cinema e a sorveteria já não existem mais.
Naquele lado da praça construíram aquele prédio grande e dentro dele estão muitas lojas, cinemas e um lugar a que se dá o nome de praça de alimentação, onde estão não só as sorveterias, mas diferentes tipos de comida.
É um lugar onde as pessoas se encontram para comer e conversar.
Posso lhe dizer que é muito agradável.
Quando você entrar lá, vai gostar muito do que vai ver.
— Nunca pensei que poderia existir um lugar assim!
Parece mesmo que é agradável.
Gostaria de conhecer por dentro.
Antes de voltarmos faremos isso e você verá como o homem quando quer, constrói coisas maravilhosas como essa.
Marina continuou olhando.
— Da praça que conheci só restam algumas casas e a igreja com sua torre.
O resto mudou mesmo.
Nem mesmo a loja de tecidos do senhor Jacó está lá e em seu lugar há agora um salão de beleza.
Como pode ter mudado tanto, Ademir?
— Foi o progresso.
Sabe que a humanidade está sempre procurando uma maneira de melhorar sua vida.
Deus quer que todos tenham um vida perfeita e com felicidade, por isso manda de vez em quando espíritos que, além de aprenderem, resgatarem, amarem seus amigos e principalmente, perdoarem seus inimigos, trazem consigo a missão de inventar e construir coisas que fazem bem para a humanidade.
Assim, as ideias vão surgindo e as coisas vão mudando.
— Está dizendo que Deus é quem manda os inventores e os cientistas?
— Tudo o que acontece é sempre por vontade de Deus.
Muitas vezes não entendemos, mas é assim.
Está admirada por quê?
— Sempre pensei que as invenções fossem sonhos dos inventores.
Ademir começou a rir e perguntou:
— De onde vêm esses sonhos?
Marina ficou olhando mostrando no seu semblante que só naquele momento percebeu o que Ademir estava dizendo.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Mar 22, 2017 8:47 pm

— É, deve ser Deus mesmo, senão todos poderiam sair inventando coisas.
— Isso mesmo, Marina.
Muitos espíritos quando nascem, trazem uma missão.
Muitos inventam aparelhos tecnológicos que facilitam a vida na Terra, outros descobrem a cura para uma doença existente e, assim, a humanidade vai progredindo.
— Então aqueles que inventam e fabricam armas de destruição também foram enviados por Deus para essa missão?
— Não, Marina.
O espírito é sempre enviado para praticar o bem e sua missão deve ser sempre para o bem, mas, como Deus nos deu o livre—arbítrio, pode decidir o que fazer.
Muitas vezes, na ilusão do dinheiro e do poder, o homem se desvia e faz coisas que não estavam planeadas, mas terá de responder por isso.
— Como o que aconteceu no Japão, no final da segunda guerra?
— Exactamente.
Como acontece com todos, à hora da verdade sempre chega e cada um de nós tem de encarar a nossa verdade.
Alguns daqueles que se deixaram envolver pela ilusão do dinheiro e do poder e inventaram, construíram e ordenaram aquele massacre, já voltaram, encararam sua verdade e entenderam o que fizeram, sabem que para resgatar todo aquele mal, terão de reencarnar em condições muito difíceis, sabem também que mesmo assim, uma só reencarnação não bastará para resgatar tudo.
Isso se chama justiça Divina e dela ninguém escapa.
Marina acompanhou tudo o que Ademir falou e quando ele se calou, ela suspirou e disse:
— Como Deus é maravilhoso...
Ademir olhou para Donata e sorriu.
Marina admirada continuava olhando, quando levou um susto, deu um pulo para trás e se abraçou em Jaime que estava ao seu lado.
Gritou:
— Ademir! Que monstros são aqueles que estão vindo na nossa direcção?
Ademir voltou o olhar para onde ela apontava e sorriu:
— Não se assuste Marina, são encarnados que estão caminhando pela praça.
Isso ainda não mudou, continua como sempre.
As pessoas gostam de caminhar.
— Por que eles têm aqueles fios brilhantes por todo o corpo?
Nunca vi isso!
Estou com tanto medo que o meu corpo está todo arrepiado!
— Nunca viu porque desde que desencarnou, não havia voltado a Terra e, portanto, nunca tinha visto um encarnado na sua aparência espiritual.
— O que são aqueles fios e por que não os estou vendo em vocês ou em mim própria?
— Vou lhe explicar de uma maneira bem simples.
São fios que ligam o espírito ao corpo.
Nós não os temos mais, pois nosso espírito agora não está mais ligado ao corpo.
Você não se lembra de quantas vezes durante a noite e enquanto dormia, acordou dando um pequeno pulo na cama?
Ela pensou um pouco e depois respondeu:
— Sim, estou me lembrando, aconteceu muitas vezes, o que sempre me assustava.
Quase sempre eu acordava com o coração disparado.
— Isso acontece, porque quando o corpo dorme, o espírito sai dele e vai para muitos lugares.
Vai encontrar com entes queridos que partiram antes, conhecer novos lugares, assistir a aulas e muitas vezes, trabalhar.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Mar 22, 2017 8:47 pm

— Trabalhar? Como?
— Nesta nossa viagem, você terá a oportunidade de ver como os encarnados, mesmo sem imaginarem, trabalham enquanto dormem.
Posso garantir que trabalham muito mesmo.
Muitas vezes, quando sonham, eles ficam tão felizes pela liberdade que sentem que não querem mais voltar ao corpo.
Só quando se assustam com alguma coisa, são obrigados a voltar rapidamente.
Por isso, o encarnado dá aquele pequeno pulo e acorda.
Mas isso você verá muito. Esse será um dos nossos trabalhos, cortar os fios de alguns irmãos que estão prontos para retornar para a casa, você verá também que, às vezes, não é fácil.
Ao ouvir aquilo, ela perguntou mais assustada ainda:
— Vamos lidar com moribundos, Ademir?
— Sim, Marina.
A nossa presença nesse momento é muito importante e necessária.
Sem ela, o sofrimento seria muito grande.
O espírito não poderia se libertar, mesmo estando em um corpo morto.
Deus faz tudo certo.
Para isso existem as equipes de socorro.
Elas foram e são criadas para ajudar o encarnado em todos os momentos de sua vida.
Ao ouvir aquilo, Marina disse, quase chorando:
— Sei que Deus sempre faz tudo certo, mas a cada minuto que passa mais me convenço de que não deveria participar desta equipe.
Sinto que não vou ser de serventia alguma e que ao contrário, só vou atrapalhar...
— Por que está dizendo isso, Marina?
— Eu não suporto ver as pessoas doentes, imagine se conseguirei vê—las agonizando! Não vou suportar! Tenho medo, Ademir...
— Não entendo como você ainda guarda esse sentimento.
De todos os sentimentos, o medo é um dos piores.
Por causa do medo, tanto o encarnado como o desencarnado fica sem acção, sem saber o que fazer ou que caminho tomar.
Muitos, por medo, deixam de tomar as decisões certas e fazem coisa das quais se arrependerão por muito tempo.
Outros, quando chega à hora, demoram a se entregar somente pelo medo da morte que lhes foi ensinado e que cultivaram durante toda a vida terrena.
A morte não é lago de que se possa fugir.
Ela faz parte da vida e mais tarde ou mais cedo, chega para todos.
É um bem precioso...
É um presente de Deus para o ser humano.
Você já passou por isso muitas vezes.
Sei que não se lembra das encarnações anteriores, mas da última tem a lembrança bem presente e sabe que não é tão doloroso como se pensa.
Sabe que, depois da morte, o espírito se liberta e tem uma sensação jamais imaginada pelo encarnado.
Por isso, a morte não tem que ser temida.
Não entendo por que ainda pensa assim, Marina.
— Sei de tudo isso, mas mesmo assim, sinto muita pena da dor do corpo e principalmente, da família.
Até hoje, embora tenha entendido, não me conformo por ter deixado meu marido, meus filhos, meus pais e irmãos no sofrimento que eles sentiram com a minha morte.
É muito triste ver um ente querido sofrendo em uma cama, sem poder ajudar ou fazer algo para que aquele sofrimento seja atenuado...
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Mar 22, 2017 8:47 pm

— Tem razão, mas mesmo assim, sabe que o ser humano é mortal e que a qualquer momento terá de enfrentar essa hora.
Mas você sabe também que ele nunca estará só.
Terá sempre ao seu lado espíritos amigos que estarão lá para lhe dar toda a assistência necessária e que ele passará sem perceber.
Dormirá e acordará em outra dimensão e assim que souber e aceitar o que lhe aconteceu, ficará feliz por ter voltado.
Você sabe que é assim, já presenciou a chegada de muitos e já viveu a sua própria.
O passado ficou para trás, precisa aprender a viver o presente.
Daqui para frente só ele importa.
Assim também deveria ser com o encarnado.
Deixar o passado para trás e viver o presente da melhor maneira possível, se conseguir, não cometer os mesmos erros.
Sei que é difícil, mas não impossível...
— Sei de tudo isso, mas não consigo me controlar.
Marina olhou para Jaime que, assim como ela, ouvia tudo e prestava muita atenção.
Ademir olhou para Donata e sorriu no que foi correspondido.
Donata disse:
— Acho que vocês dois não precisam se preocupar.
Entendemos o que estão sentindo.
Já fazemos esse trabalho há muito tempo, mas não podemos nos esquecer, Ademir, que assim como eles também nos assustamos a primeira vez de que participamos de uma equipe como esta.
Você se lembra como foi difícil e complicado entendermos tudo o que acontecia?
Ademir sorriu e respondeu:
— Claro que sim, Donata, mas depois nunca mais quisemos deixar de participar e estamos até hoje.
Donata sorriu e continuou falando:
— Marina, não se desespere assim.
Estamos aqui ao seu lado.
Esta missão logo terminará e você voltará e decidirá se quer continuar em nossa equipe ou não.
Olhou para Jaime que a olhava também muito intrigado e continuou falando:
— O que eu disse para Marina serve também para você, Jaime.
Quando voltarmos, se quiser, poderá continuar ao meu lado e do Ademir, se não quiser, poderá participar de uma outra equipe.
Sabem que existem muitas, mas por enquanto, precisam dar o melhor de si para que esta nossa jornada termine bem.
Um precisa dar força para o outro e nos momentos de indecisão, teremos de escolher qual será o melhor caminho para seguirmos, mas na hora da indecisão só existe um caminho: a oração.
Ela sempre nos conforta e nos esclarece.
Marina e Jaime baixaram os olhos e depois a cabeça, num sinal de entendimento.
Agora, Ademir, demonstrando muito carinho na voz, foi quem falou:
— Não precisam ficar assim, entendemos muito bem o que estão sentindo.
Não o medo da Marina, mas o medo do desconhecido, de não saberem como será o nosso trabalho, mas fiquem tranquilo, logo verão que é bem diferente do que estão pensando e sentirão a importância dele.
Marina, ao ouvir aquilo, perguntou:
— Faz tempo que participam de uma equipe como esta Donata?
— Sim, eu e o Ademir estamos juntos há muito tempo.
Somos velhos amigos e na última encarnação trabalhamos em um hospital como médicos.
Nós nos preocupávamos com os doentes ditos terminais.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Mar 22, 2017 8:47 pm

Muitas vezes nos revoltamos por não podermos salvar as pessoas.
Quando morremos, depois de algum tempo, fomos convidados para participar de uma equipe como esta.
Ficamos felizes, pois agora, como espíritos desencarnados, julgamos que poderíamos salvar todas as pessoas, pensávamos que tínhamos esse poder.
Era isso que havíamos aprendido.
Embora fôssemos médicos, desde criança ouvíamos as pessoas pedirem coisas para aqueles que haviam morrido, como se, ao morrerem tivessem se tornado santos e sabedores de tudo.
Mas logo percebemos que não era bem assim, que tudo tem há sua hora, inclusive a morte e que ela é necessária.
Depois da primeira equipe e de termos aprendido o quanto ela ajudava, decidimos continuar.
Com o tempo, fomos adquirindo mais experiência e nos tornamos uma espécie de professores.
Muitos, assim como vocês, nos acompanharam.
Alguns continuaram e hoje prestam esse trabalho em vários lugares pelo mundo.
Outros não gostaram e seguiram caminho diferente, foram trabalhar em equipas que fazem outro tipo de trabalho, mas que também são importantes.
O mesmo está sendo oferecido a vocês.
No final, se não quiserem continuar, terão toda a liberdade para decidir que tipo de trabalho preferem.
Lembrem—se de que o espírito é livre para decidir o que quer e ninguém é obrigado a fazer o que não quiser.
Todos na Terra sempre tiveram a liberdade de escolha e no plano espiritual, têm muito mais.
— Não entendo como alguém possa gostar e querer continuar em um trabalho como esse...
— Ainda bem que existem aqueles que gostam Marina.
O que aconteceria se não existissem?
Marina ficou sem saber o que responder.
Ademir disse:
— Bem, ainda temos tempo antes no nosso trabalho de hoje.
Pensando bem, poderíamos entrar no prédio e você, Marina, poderá matar sua curiosidade e ver como é por dentro.
— Podemos mesmo, Ademir?
Ademir respondeu, sorrindo.
— Sim, temos um pouco de tempo.
Vamos olhar por aí.
Sei que vai gostar e talvez encontrem algo que lhes chame a atenção.
Os três voltaram os olhos para a grande porta que existia na entrada do prédio.
Marina estava realmente curiosa.
Jaime nem tanto, pois já conhecia um igual na cidade em que morou.
Ademir e Donata entraram e eles o seguiram.
As pessoas continuavam caminhando.
Algumas acompanhadas outras sozinhas.
Algumas conversavam alegremente, outras pareciam discutir.
Algumas paravam para ver vitrines, outras entravam nas várias lojas que existiam ali.
Marina estava encantada com tudo o que via.
Jaime sorria por ver a maneira como ela estava.
Aquelas pessoas que caminhavam sozinhas na maioria das vezes pareciam tristes e pensativas.
Algumas pessoas estavam sentadas nos bancos espalhados por todo lado.
Liam um jornal ou simplesmente ficavam paradas olhando as pessoas passarem.
A vida transbordava naquele lugar.
Marina disse, admirada:
— Donata! Como é lindo esse lugar!
Nunca poderia imaginar que algum dia poderia existir um lugar como esse!
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Mar 22, 2017 8:48 pm

As vitrines das lojas são lindas!
Aliás, tudo aqui é maravilhoso!
— Tem razão, Marina!
Também fiquei entusiasmada quando vi pela primeira vez.
— Olhe lá aquele aparelho de televisão!
É colorido, Donata!
Donata olhou para Jaime e Ademir e os três riram.
Marina continuou:
— Quando a televisão apareceu, eu fiquei encantada.
Já estava doente e meu marido comprou um aparelho.
Quando estava internada no hospital, eu ficava o tempo todo assistindo à programação e imaginava como seria bonito se fosse colorido!
Disse isso ao meu marido e ele comprou um pequeno pedaço de plástico colorido para que fosse colocado na frente dela.
Assim, eu poderia ver algumas cenas coloridas!
Mas nunca poderia imaginar que fosse tão bonito!
— É bonito sim, Marina.
Muita coisa mudou desde que partiu.
A tecnologia avançou e além da televisão, outras coisas a surpreenderão.
— É uma maravilha, Donata!
— É sim, mas com a chegada da televisão, um problema para as famílias também surgiu...
— Que problema?
— As pessoas ficam assistindo à televisão e não têm mais tempo para conversar, e por isso, cada vez estão se sentindo mais sozinhas.
— Está acontecendo isso?
— Sim Marina infelizmente.
Marina começou a olhar com mais atenção, viu uma moça que passava por eles e quase gritou:
— Que roupas são essas!
A saia está acima dos joelhos?
No meu tempo, as saias eram três dedos abaixo dos joelhos!
Donata ainda rindo, disse:
— Como já disse muita coisa mudou e não foi só a tecnologia, Marina.
Uso e costumes também mudaram.
As coisas estão muito diferentes.
Você, durante esta visita poderá confirmar e se surpreender muito mais.
Ademir, também sorrindo disse:
— Sei que você está admirada, Marina, mas não podemos continuar aqui.
Vamos embora e prometo que assim que terminarmos o que viemos fazer e antes de voltarmos, passaremos por aqui para que possa ver tudo.
Está bem assim?
Um pouco a contragosto, mas sabendo que ele tinha razão, ela respondeu:
— Tem razão, Ademir, me desculpe.
Sei que esta viagem não foi para que eu me admirasse com o que poderia ver.
— Pode e deve se admirar, pois se todas essas coisas estão acontecendo, foi porque muitos reencarnaram para promover essas mudanças.
Tudo está mudando e vai mudar muito mais, mas as pessoas que estão prestes a deixar este mundo precisam de nossa ajuda.
Por isso, precisamos ir embora.
Saíram. Marina ficou olhando à sua volta.
O sol estava alto, por isso as folhas das árvores estavam brilhantes e os passarinhos saltitavam por seus galhos.
A fonte no centro da praça estava desligada, mas a água que tinha dentro dela era cristalina.
Marina conhecia aquela fonte e disse:
— Ao menos a fonte continua a mesma, Donata!
À noite, ela vai estar toda colorida.
Donata e os outros riram e começaram a andar.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Mar 22, 2017 8:48 pm

MISSÃO INESPERADA
Marina e Jaime agora já sabiam distinguir os encarnados dos desencarnados.
Ela ainda admirada com tudo o que estava vendo, disse:
— Nossa! Parece que tem a mesma quantidade de encarnados e desencarnados!
Não parece mesmo, Jaime?
Nunca pensei que fosse assim...
Jaime prestou mais atenção e pôde constatar o mesmo. Disse:
— Parece mesmo, Marina.
Ademir é isso mesmo o que acontece?
Existe a mesma quantidade de encarnados e desencarnados?
— É sim, Jaime e se prestarem atenção, verão que assim como os encarnados, os desencarnados transitam pela praça da mesma maneira.
Juntos, sozinhos, em grupos, acompanhando as pessoas, conversando com elas.
Na maioria das vezes, o desencarnado emite pensamentos destrutivos que podem trazer muito mal para a pessoa que estiver ouvindo, se ela não conseguir afastá—los.
— Eles conversam com elas? Fazem isso?
Podem influenciá—las?
— Sim, quase sempre.
Os encarnados pensam coisas que pensam ser seus pensamentos, mas na realidade são pensamentos transmitidos por desencarnados.
Isso é muito perigoso e quando o pensamento é destrutivo, deve ser evitado de qualquer maneira.
— Isso acontece mesmo, Ademir?
Chega a dar medo!
Eles interferem em suas vidas?
As pessoas fazem o que eles querem? Elas obedecem?
Eles tentam interferir, mas só conseguem quando a pessoa permite.
— Não entendi Ademir...
— Existem faixas de energia.
Uma não pode interferir na outra.
Se a pessoa estiver com uma energia positiva, sem pensamentos destrutivos, eles não poderão intervir.
Não conseguirão ultrapassar essa energia.
Mas, ao contrário, se a pessoa estiver com os sentimentos negativos, como raiva, mágoa ou ódio, a porta estará aberta para que eles entrem e façam o que quiserem.
Portanto, para uma doença sempre existe um remédio e o remédio para se evitar esse mal é manter os pensamentos sempre no bem, nunca no mal.
Raiva, mágoa e ódio não constroem, por isso devem ser afastados.
Marina e Jaime ouviam Ademir com atenção.
Ninguém havia conversado com eles sobre aquilo.
Ela disse:
— Ademir, nunca pensei que fosse assim.
Quando eu estava viva ouvi algo sobre isso, mas nunca prestei atenção, tinha coisas mais importantes para fazer.
Precisava cuidar da minha casa, da minha família.
— Isso acontece muito, Marina.
As pessoas não acreditam que exista um mundo espiritual, porque é algo que não podem ver, mas esse mundo existe sim e pode fazer muito mais mal do que se possa pensar.
Querem ver como funciona?
Por seus olhos Ademir percebeu que eles queriam. Não precisaram responder.
Ele parou de andar e continuou:
— Olhem aquela moça que está se aproximando.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Mar 23, 2017 8:53 pm

Eles olharam e viram uma moça que se aproximava e que estava com a cabeça baixa.
Ela, da maneira como caminhava, parecia nervosa.
Três entidades caminhavam com ela, uma de cada lado e a outra em suas costas.
Uma outra entidade rodopiava em volta delas, jogando fachos de luz que não conseguiam ultrapassar a névoa que as envolvia.
Mesmo assim, a entidade falava:
— Leni, reaja!
Você não pode se entregar dessa maneira.
Precisa reagir porque se continuar aceitando essas sugestões chegará um momento em que não poderá mais resistir e acatará o que eles querem que faça.
Força minha filha, estou aqui ao seu lado, mas não posso interferir em seu livre—arbítrio!
A escolha é sua, nada mais posso fazer a não ser tentar fazer com que me escute...
Ademir e os outros ficaram olhando.
A moça passou por eles.
Estava muito nervosa e caminhava com passos pesados.
A entidade que jogava a luz estava tão concentrada que não notou a presença deles.
Continuou tentando penetrar a densa névoa.
Notaram que as outras entidades também não os viam.
Jaime perguntou:
— Ademir, eles não estão nos vendo?
— Não, Jaime.
Estamos em uma faixa diferente da deles, por isso não podem nos ver ou ouvir, mas prestem atenção no que estão falando para essa pobre moça.
A entidade dizia, rindo e gesticulando.
— Eu lhe falei que não adiantava que ele ia abandonar você!
É muito feia!
Acha que um homem bonito como aquele ia querer uma moça feia e sem graça como você?
Está gorda, e esses cabelos? Não têm jeito.
Ele abandonou você e nunca mais vai voltar!
Pode esperar sentada!
Ele pode ter a mulher que quiser e já escolheu outra. Ela é linda!
No mesmo instante, a moça começou a pensar:
Eu sabia que isso ia acontecer...
Como ele ia continuar comigo? Sei que sou feia!
Estou gorda e os meus cabelos são horríveis!
Vai me abandonar e não voltará nunca mais!
Ele é bonito e pode ter a mulher que quiser!
Já deve ter encontrado outra e nesse momento, deve estar com ela!
Nunca vou conseguir ninguém que me ame!
Nunca vou me casar nem ter meus filhos e nem uma família...
— Ela não é feia, Ademir!
É uma moça muito bonita!
Não é gorda e seus cabelos são lindos!
Não entendo, por que ela está agindo assim?
— Eu sei disso, você também sabe Jaime, mas ela não acredita.
Está totalmente envolvida por essas entidades.
Se continuar aceitando suas sugestões, poderá cometer uma loucura.
— Por que fariam isso?
São inimigos do passado?
Não sei Marina, não conheço a história dela nem a deles, mas nem sempre um obsessor conhece a vítima.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Mar 23, 2017 8:53 pm

Muitos espíritos vagam sem destino e seguem as faixas de pensamento das pessoas.
Quando encontram alguém que está em uma dessas faixas, encostam—se somente para se divertir.
Vocês já sabem que, ao morrer, o espírito leva com ele as coisas boas e más que praticou e que continuam exactamente como eram.
Aqueles que gostavam de se divertir às custas de outras pessoas continuam como eram e quando podem, divertem—se como faziam antes.
Provavelmente é isso que está acontecendo com essa moça.
— Eu gostaria de ver mais.
— Ainda temos um pouco de tempo e podemos continuar seguindo essa pobre moça.
Descobrindo o que está acontecendo, talvez possamos ajudar de alguma maneira.
Que acha disso, Donata?
— Embora não estejamos aqui para isso, pois você sabe que o nosso dever é outro, se achar que dá tempo acho que devemos seguir ao lado dessa moça, Ademir.
Você se lembra de como nos serviu e serve até hoje termos acompanhado uma equipe igual a essa.
Como o nosso trabalho se tornou mais fácil.
Acho que seria muito bom para eles aprenderem, poderão usar mais tarde em qualquer situação.
Entender de obsessão e como afastar é sempre bom.
— Tem razão, Donata.
Será uma oportunidade de aprendizado para eles e com certeza, para nós também.
Se entre todas as pessoas que estão nesta praça à presença dela chamou a nossa atenção, algum motivo deve ter.
Vamos segui—los e descobrir que motivo é esse.
Marina e Jaime, embora não quisessem interferir, ficaram felizes, pois naquele momento era o que mais queriam.
Saber o que acontecia com aquela moça tão bonita, infeliz e desesperada.
A moça seguida por eles e pelas entidades atravessou toda a praça, entrou em um prédio e em um elevador.
Todos entraram juntos.
As entidades continuavam falando, rodopiando e rindo sem parar.
Ademir e os outros estavam em uma faixa de energia diferente, elas não podiam vê—los.
A entidade que jogava as luzes os viu e sorriu, dizendo:
— Olá, meus irmãos.
Meu nome é Maria, que bom que estão aqui, pedi tanta ajuda, finalmente chegaram.
Eles sorriram para ela e Ademir disse:
— Olá, desculpe, mas não estamos atendendo a pedido algum.
A nossa presença aqui na Terra tem outro motivo, viemos para fazer alguns trabalhos.
Estávamos na praça e percebemos sua agonia, também que esta moça está precisando de ajuda, por isso resolvemos segui—los.
Esses nossos irmãos que estão ao lado dela estão nas trevas e envolvendo—a com muita força, conseguem assim, atingi—la.
— É verdade. Estou tentando evitar que ela seja envolvida, mas está difícil.
Por isso, fiz uma oração e pedi ajuda.
Mesmo que não estejam aqui para esse trabalho, acho que, atendendo ao meu pedido, foram enviados para me ajudar.
Estou precisando muito...
Sim, eles a estão envolvendo já há algum tempo.
Tenho tentado afastá—los, mas ela não permite.
Não sei mais o que fazer, por isso pedi ajuda e graças a Deus, vocês vieram.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Mar 23, 2017 8:53 pm

— Se pudermos, ajudaremos com muito amor.
O nosso trabalho pode esperar.
Ainda temos um bom tempo.
O elevador parou no quinto andar.
A porta se abriu e a moça, acompanhada por todos eles, saiu, caminhou por um corredor e abriu uma porta.
Lá dentro, uma senhora a recebeu sorrindo e dizendo:
— Que bom que chegou, Leni.
Já estava preocupada.
Saiu cedo para ir à biblioteca e demorou muito para voltar.
Que aconteceu?
A moça, muito nervosa, respondeu quase gritando:
— Não aconteceu nada, mamãe!
Só que sou muito feia e nada dá certo em minha vida!
O Flávio me abandonou!
Disse que não quer me ver nunca mais!
Nunca vou conseguir encontrar um homem que goste de mim?
Será que nasci para viver sozinha?
— Eu a avisei que isso ia acontecer!
Você não deixa o rapaz respirar com esse ciúme doentio, Leni...
Ninguém aguenta ser seguido vinte e quatro horas por dia.
Você vai a casa dele, pergunta para sua mãe e para os amigos se ele tem outra mulher, quando pode revira seus bolsos para ver se não há um número de telefone.
Ele não tem um minuto de sossego...
Ele precisa respirar Leni...
— Acha que não tenho motivo para ter ciúme?
A senhora não viu como ele é bonito?
Não vê como todas as mulheres dão em cima dele?
— Sim, ele é um bonito rapaz, mas nada fora do comum.
Não é um Adónis! É até comum.
Não entendo por que tem tanto ciúme!
Você também é muito bonita!
Leni soltou uma gargalhada de desdém e disse:
— Eu, bonita!?
A senhora diz isso porque é minha mãe!
Sou feia, mamãe... Já viu os meus cabelos?
O meu rosto? O meu corpo?
Sou gorda e desajeitada!
Acha que um homem como ele pode gostar de mim?
As entidades rolavam de rir.
Estavam felizes, pois conseguiram dominar Leni completamente e ela não ouviu o que a mãe dizia.
Só via na sua mente, Flávio cercado de mulheres e beijando a todas.
O ciúme aumentou e ela respondeu gritando:
— Não é verdade Leni, você é uma linda moça!
— Linda! Ora, mamãe.
Será que está cega?
Sei que é minha mãe e por isso está tentando me enganar e não quer admitir que sou feia, imprestável...
— Talvez não seja uma miss Brasil, mas é bonita e inteligente.
Tem toda uma vida pela frente.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Mar 23, 2017 8:54 pm

O Flávio gosta de você, já demonstrou de muitas maneiras, só não suporta mais o seu ciúme.
Se quiser continuar com ele você precisa mudar, minha filha...
Confiar no que sente por ele e no que ele sente por você.
Se não houver confiança, não existirá chance de um namoro ou casamento dar certo...
Leni, enquanto se dirigia a um dos quartos da casa, disse ainda gritando:
— Não me amole, mamãe, me deixe em paz!
Entrou no quarto e bateu a porta.
A mãe começou a chorar, sem saber o que fazer.
As entidades sempre rindo e rodopiando, a seguiram.
Leni, dentro do quarto, olhou para um espelho e começou a chorar, sem conseguir se controlar.
Donata olhou para Ademir e aproximando—se da mãe, jogou um jacto de luz branca sobre ela, dizendo:
— Sei que está sendo difícil, minha irmã, mas confie na bondade de Deus, Ele nunca nos falta.
Vamos tentar ajudar a sua filha.
Vai se difícil, pois ela já se deixou dominar, mas sabemos que com a ajuda Dele, vamos conseguir.
Maria fez um sinal e os outros a acompanharam.
Donata permaneceu ao lado da senhora que agora, já não chorava mais, apenas rezava pedindo ajuda a Deus.
Dentro do quarto, as entidades continuavam ao lado de Leni.
A mais violenta de todas dizia:
— Você é feia mesmo!
Não serve para nada!
A sua mãe disse que você é bonita, mas só para enganá—la!
Agora mesmo ela está lá fora, morrendo de rir por acreditar que convenceu você!
O Flávio não vai querer mais ver você!
Nem ele, nem outro qualquer!
Você é muito feia mesmo e é muito burra!
Se fosse feia e inteligente, poderia ter esperança, mas burra do jeito que é não tem jeito, não.
Nenhum homem vai se casar com você!
Vai terminar uma velha solteirona.
Começou a rir mais ainda, no que foi acompanhado pelos outros que rodopiavam em volta dela.
A primeira, com um sorriso maldoso, continuou falando:
— Não sei por que quer continuar vivendo!
Você não presta para nada!
Por que não se mata e acaba logo com essa agonia?
Se fizer isso, o Flávio vai ficar com remorso e chorar pelo resto da vida e não vai conseguir ficar com mulher alguma...
Como se ouvisse o que ele dizia, Leni se levantou, olhou novamente para o espelho e pensou:
Não presto para nada!
Sou feia, muito feia!
O Flávio não vai voltar e eu nunca vou ter um marido, uma casa e filhos!
O melhor seria morrer!
Descansar... É isso mesmo!
Vou me matar, quem sabe se eu fizer isso, ele fique com remorso e não vai querer outra mulher em sua vida...
É isso mesmo que vou fazer...
Marina, ao ouvir aquilo, disse assustada:
— Ela não pode fazer isso!
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Mar 23, 2017 8:54 pm

Precisamos impedir Ademir!
Se ela fizer, estará perdida!
— Estamos aqui para tentar impedir isso, Marina e vamos tentar, mas não poderemos fazer muito, se ela não reagir e não tomar de volta a vida de que deixou essas entidades tomarem conta.
Ela, só ela, poderá se libertar desses obsessores.
Daremos à assistência de que precisa, mas a escolha e decisão só dependerão dela.
Maria, ao ouvir o que Ademir disse, falou:
— Ele tem razão, moça.
Tenho tentado penetrar essa névoa que a envolve, mas não consigo.
Ela, influenciada por eles, se entregou a maus pensamentos e só pensa em uma maneira de ter o Flávio para sempre.
Foi ela quem permitiu que eles se aproximassem e a envolvessem dessa maneira.
Acho que não temos muito que fazer, mesmo.
Marina ficou olhando para aquela entidade que, embora tivesse muita luz parecia sofrer, mas ficou calada.
Quem falou foi Ademir:
— Sabemos disso, Maria.
Você está tentando fazer o melhor.
Vamos tentar, todos juntos, jogar sobre ela muita luz.
Com a ajuda de Deus, conseguiremos afastar essa névoa e chegaremos até ela, mas antes me diga, são conhecidos dela, Maria, inimigos do passado?
— Não, são desocupados do espaço que vagam sem destino em busca de uma presa fácil como ela, para envolver e brincar.
Para eles, tudo isso não passa de brincadeira, nada mais.
Eles não entendem ou não querem entender o mal que estão fazendo para ela e para eles próprios.
Tentei conversar com eles, mas por suas energias serem muito densas, não conseguem me ver nem ouvir.
Não sabia mais o que fazer, por isso pedi ajuda.
Ainda bem que minhas preces foram ouvidas e vocês chegaram.
Tenho a esperança de que juntos, poderemos ajudá—la.
— Vamos fazer o possível para ajudá—la.
A primeira coisa que temos a fazer é elevar o nosso pensamento em oração.
Depois, todos juntos, jogaremos luz de paz sobre ela para ver se conseguimos penetrar essa névoa.
Se conseguirmos, teremos a chance de enviar bons pensamentos para que ela possa reagir e ficar livre deles.
Foi o que fizeram.
Deram—se as mãos e começaram a pedir protecção.
De suas cabeças, luzes brancas começaram a sair e iluminaram todo o quarto.
As entidades perceberam aquela luz.
A principio assustaram—se, mas em seguida, puderam ver todos eles.
A entidade mais violenta começou a gritar:
— O que estão fazendo aqui?
Vocês não têm esse direito!
Ela é nossa desde o momento em que, com seus pensamentos, nos atraiu e desejou a nossa companhia!
— Vocês é que não podem permanecer aqui.
Usaram da mentira para dominá—la.
Precisam deixar que ela mesma decida o que vai fazer com a sua vida.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Mar 23, 2017 8:54 pm

Já a envenenaram o suficiente e se continuarem ao lado dela, serão culpados do que ela possa fazer e sei que não querem isso.
— Culpados do quê?
Foi ela quem se entregou ao ciúme e nos atraiu!
Estamos apenas nos divertindo!
Não se intrometam!
Voltem para o “céu”! – disse isso gargalhando e com ironia.
— Voltaremos sim, mas não agora.
Estamos aqui para tentar ajudar essa moça e a vocês.
Faremos tudo o que estiver ao nosso alcance.
Temos fé de que conseguiremos despertá—la e que ela poderá afastá—los para sempre e depois, se quiserem, poderemos ajudar a vocês também.
— Pode tentar, mas sei que não vai conseguir!
Não precisamos de ajuda!
Ela já é nossa! Quer ver?
Voltou—se para Leni, que continuava diante do espelho.
As três entidades se aproximaram e a violenta começou a falar:
— Olhe Leni, esses aí estão dizendo que vão despertar você, mas nós sabemos que isso não vai acontecer.
Abra a sua bolsa e tire aquilo que comprou lá no super mercado.
Como se ouvisse, Leni tirou de dentro da bolsa um vidro.
Todos puderam ler:
“Veneno de rato”.
Donata e os outros, assustados, olharam para Ademir que também se assustou, mas não deixou transparecer.
Marina não se conteve e disse desesperada:
— Ela não pode fazer isso, Ademir.
Você precisa fazer alguma coisa para impedir!
Ademir não respondeu.
Marina e Jaime abraçados continuaram rezando para que Deus impedisse Leni de fazer aquela loucura que, com a ajuda das entidades, estava planeando já há muitos dias: se matar.
Leni escondeu o vidro no bolso da calça que vestia e acompanhada por todos eles, saiu do quarto.
Na cozinha, sua mãe estava junto ao fogão, terminando de preparar o jantar.
Leni se aproximou, pegou um copo que estava sobre a pia, abriu a geladeira, pegou o leite e disse:
— Mamãe, estou indo me deitar e, por favor, não me acorde.
Estou muito cansada. Preciso dormir.
— Você não vai jantar?
Está quase pronto.
— Não estou com fome, mas mesmo que estivesse não comeria!
Será que a senhora não consegue ver como estou gorda? – disse, gritando novamente.
— Você não está gorda!
Quantas vezes terei de dizer isso?
Está até magra!
Precisa se alimentar, senão pode pegar uma anemia e até morrer...
— Isso até que seria muito bom!
Não presto para nada mesmo!
Vou dormir! Adeus!
Com o copo de leite não mão, saiu da cozinha e voltou para o quarto.
Ademir olhou para os outros e a acompanhou.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Mar 23, 2017 8:55 pm

Passou por Donata sem nada dizer.
Leni entrou no quarto e fechou a porta.
As entidades continuavam ao seu lado, incentivando—a cometer aquele desatino.
Ademir e os outros, em profunda oração, derramavam fachos de luz sobre ela, mas sentiam dificuldade em penetrar aquela névoa densa.
Leni, com o copo de leite em uma das mãos e o vidro de veneno na outra, ouvia as entidades que continuavam sem lhe dar um minuto de sossego, evitando, assim, que ela pensasse.
Falavam da beleza de Flávio e de muitas mulheres ao lado dele.
O ciúme aumentou e ela decidiu:
Não tenho mais esperança...
Ele não vai voltar, não vai me querer mais...
O melhor mesmo será eu me matar e não pensar em mais nada.
As entidades riam sem parar e continuavam a seu lado.
Ademir sentiu que nada poderia ser feito em favor dela, pois só ela mesma, usando seu livre—arbítrio, afastaria aquela névoa.
Tentou mais uma vez que a luz penetrasse a névoa.
Ouviram uma batida na porta.
Era a mãe de Leni.
— Leni, abra a porta!
Precisamos conversar!
— Não temos o que conversar mamãe!
Estou com sono. Preciso dormir!
Não me resta mais nada a fazer.
Sou a pessoa mais infeliz deste mundo!
Donata, que estava ao lado da mãe e a uma certa distância, abriu as mãos, colocou uma delas em direcção da garganta dela e a outra aberta sobre a sua cabeça.
Luzes lilases começaram a sair de suas mãos e iluminaram todo o corpo da senhora.
Ela sentiu como se seu corpo estremecesse, abriu a porta do quarto com violência.
Leni estava deitada sobre a cama.
Começou a falar:
— Você tem razão!
Deve mesmo ser a pessoa mais infeliz deste mundo, apesar de ter dois braços, duas pernas, dois olhos e uma boca para dizer às bobagens que está dizendo!
Além de estar deitada agora nessa cama quente e se estiver com fome é porque não quis comer diferente de muitas pessoas que sentem o estômago doendo de tanta fome, que não têm tempo para se queixar da vida!
Estou cansada de ouvir você dizer tanta bobagem!
Sempre fiz o melhor que sabia e que podia para fazer com que você fosse feliz, mas pelo visto não consegui!
Você está com vinte e dois anos e, portanto, está com idade suficiente para decidir o que quer fazer com sua vida!
De hoje em diante, não quero mais discutir com você!
Sou sua mãe e estarei aqui para lhe ajudar em todos os momentos, mas não quero mais ouvir você dizer que está gorda, que é feia e todas essas asneiras que diz!
Faça de sua vida o que quiser, mas não me envolva mais nas suas loucuras!
Leni ficou abismada com aquela mãe que não conhecia.
Ia dizer alguma coisa, mas a mãe não lhe deu oportunidade.
Da mesma maneira que entrou no quarto, saiu batendo a porta.
As entidades que estavam ao seu lado também ficaram abismadas.
Sabiam que a mãe de Leni era uma mulher forte, por muitas vezes quiseram envolvê—la, mas não conseguiram, porém nunca imaginaram que algum dia ela agiria daquela maneira.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Mar 23, 2017 8:55 pm

Já do lado de fora, Isabel, a mãe de Leni, respirou fundo e foi até a pia, pegou um copo, tomou água e deixou que as lágrimas caíssem de seus olhos.
Donata que, assim que ela terminou de falar, havia tirado a mão da direcção de sua garganta e de sobre a sua cabeça, a acompanhou.
Já lá fora, disse carinhosamente.
— Deixe que as lágrimas caiam de seus olhos, Isabel.
Neste momento, sei o que está sentindo.
Toda amargura e todo o desencanto por perceber que o carinho e a dedicação na educação de sua filha não lhe trouxeram o resultado que sempre desejou.
Mas pode ficar tranquila, ela está passando por um momento difícil.
Com a sua ajuda e as bênçãos de Nosso Pai, ela conseguirá se libertar de todo o mal que acompanha.
As palavras que disse lá dentro farão com que ela pense.
Agora, só devemos pedir muita luz para que as trevas que a envolvem possam ser afastadas e possamos chegar até ela.
As entidades também saíram e ouviram o que Donata disse.
A mais violenta começou a gritar e se jogou sobre elas.
Donata olhou firme para ela e disse:
— O trabalho de vocês está quase terminando.
Com o tempo, Leni conseguirá afastá—los.
A entidade começou a rir e em tom de gracejo, disse:
— Só porque você quer!
Do que adiantou, desde que vocês chegaram todas as luzes que jogaram sobre ela?
Não adiantou e não vai adiantar!
Ela é nossa! Vocês demoraram, ela já está sob o nosso domínio!
— Não é bem assim e você sabe disso.
Ela não está abandonada e nem vocês.
Deus nosso Pai está sempre ao nosso lado e sempre manda a ajuda na hora certa.
Sei que estão nervosos porque perceberam que com as palavras que Isabel disse, a faixa de vibração da Leni mudou.
A mudança ainda é pouca, mas ficará cada vez mais forte e logo mais ela estará novamente controlando a sua vontade.
Quando isso acontecer, o que vocês farão?
Sabem que só estão aqui porque ela quer.
Porque ela permitiu que vocês se aproximassem e permanecessem ao seu lado, mas no momento em que ela modificar sua faixa de pensamento, vocês terão de sair do seu lado.
E aí, o que vai acontecer com vocês?
— Nada vai acontecer, porque ela não vai permitir!
Ela está acostumada com a nossa presença e não saberá viver sem a nossa companhia!
Você também sabe disso.
Por isso, não adianta vir com essa conversa!
Ela gosta da nossa presença!
— Tem razão.
Ela está acostumada e gosta da presença de vocês, mas isso passará.
Com a nossa ajuda e principalmente, com a da mãe e da Maria, uma entidade amiga, aos poucos ela pensará mais em sua vida e em tudo o que está perdendo.
Entenderá que está perdendo um tempo enorme, deixando de ser o que era antes, retomará o controle de sua vida.
— Você está querendo me confundir!
Sabe que isso não vai acontecer!
— Eu sei e você também sabe que é difícil, mas não impossível.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Mar 23, 2017 8:55 pm

Supondo—se que aconteça, o que vocês farão?
Será que não está na hora de entenderem que também estão perdendo um tempo precioso, ficando ao lado dela?
As outras entidades acompanhavam aquela conversa.
Ademir, Marina e Jaime também.
As entidades olhavam para aquele que parecia ser o chefe e que conversava com Donata.
Por suas expressões, podia—se ver que estavam curiosos para saber o que ele responderia.
Não só as entidades, mas os outros também. Donata olhava firme, sem desviar os olhos um minuto sequer da entidade que parecia pensar.
Ademir estava mais preocupado ainda, pois sabia que não poderiam ficar por muito tempo ali.
Precisavam ir embora para cumprir o trabalho que vieram realizar, mas mesmo assim, permaneceu calado, esperando para ver o que ia acontecer.
Notando que não havia como ficar sem responder a entidade perguntou:
— Perdendo tempo, por quê?
Estamos somente nos divertindo e não vai adiantar irmos embora, pois ela atrairá outros como nós ou até piores.
A senhora sabe que existem muitos e que só estão esperando a gente ir embora para se aproximarem...
— Sei sim, mas pelo menos vocês estarão bem.
— Bem, como?
— Encontrarão um lugar de paz, luz e felicidade.
A entidade começou a rir.
Nenhum deles entendeu aquela reacção, mas Donata continuou séria, esperando.
Depois de alguns segundos, ela perguntou:
—Do que está rindo?
Não estou entendendo essa reacção.
—A senhora acha que nós vamos querer um lugar igual a esse que descreveu?
A senhora acha, mesmo, que vamos querer ficar rezando o tempo todo?
Nem pensar!
Quando eu era vivo, tinha raiva desse pessoal que ficava rezando, dando uma de santo e depois fazia todo tipo de maldade.
Foi um desses mentirosos que mandou me matar só porque eu gostava da sua irmã.
Era meu amigo e, no meu velório chorava sem parar e rezava...
Como rezava... — disse essas palavras demonstrando ironia e o grande ódio que sentia.
Donata continuou olhando firme para ele e disse:
— Não foi a oração que o levou a cometer esse crime, foi ele mesmo, pois todos trazemos dentro de nós, tendências boas e más.
Devemos cultivar as boas e lutar contra as más.
Só a Justiça Divina poderá julgar isso.
Não estamos falando do que aconteceu com você, o que passou, passou, mas do que poderá acontecer daqui para frente.
Nesse lugar de que estou falando, existe reza sim, mas não o tempo todo.
Todos ali têm muitos trabalho para realizar e não pode ficar o tempo todo rezando.
Além do mais, depende de cada um.
Alguns gostam e rezam muito, outros nem tanto.
Só sei que é um lugar onde serão felizes.
— Não queremos essa felicidade!
Queremos continuar nos divertindo! – disse, voltando a ficar nervoso.
— Está bem, não estou obrigando vocês a fazerem nada que não queiram, por isso, não precisa ficar nervoso.
Cada um de nós tem o direito de estar da maneira que quiser, mas quanto a Leni, vocês ainda pretendem continuar aqui a seu lado?
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Mar 23, 2017 8:55 pm

— Claro que sim!
Ela é muito engraçada e faz a gente rir o tempo todo.
Ouve e aceita todas as nossas sugestões, por isso faz tudo o que queremos.
— Sim, eu já percebi isso, mas tem um problema.
— Que problema?
— Tem razão.
Ela tem facilidade para ver, só falta desenvolver essa faculdade, porém isso dá a vocês uma responsabilidade muito grande sobre o que ela poderá fazer.
— Responsabilidade?
— Claro que sim.
— Não estou entendendo o que está querendo dizer.
— Assim como ela ouve com facilidade, vocês poderiam usar dessa facilidade e prestar um serviço enorme não só a ela, mas a muitas pessoas e a vocês, principalmente.
— Continuou não entendendo.
— Ao invés de lhe dizer coisas ruins e lhe darem motivo para que, cada vez mais se sinta infeliz, poderiam lhe transmitir bons pensamentos e o quanto ela poderia ajudar as pessoas e principalmente, a ela mesma...
— O que está dizendo?
— Isso mesmo, poderiam fazer um belo trabalho junto a ela.
Poderiam ajudar e com o tempo, veriam que a felicidade dela seria a de vocês também.
— Está louca?
— Não, estou bem certa do que estou falando.
Vocês não são espíritos ruins, apenas querem se divertir por isso poderiam se divertir muito mais se pudessem ajudar ao invés de destruir.
Tenho certeza de que no final se sentirão muito bem.
Por outro lado, se continuarem fazendo o que estão fazendo, ela poderá cometer uma loucura e os responsáveis perante a Lei serão vocês e por isso, terão de responder.
Vocês que, até aqui estão apenas se divertindo, terão sobre seus ombros o erro que ela cometer.
— Nós não!
Ela é quem está se destruindo, não se aceitando como é!
Foi ela quem nos atraiu até aqui!
— Sim, claro que ela também tem sua parte de responsabilidade, mas essa responsabilidade só será cobrada se ela estiver sozinha, tomando suas decisões e fazendo suas escolhas sem a interferência de ninguém.
Nem suas, nem nossas.
Ademir e os outros se olharam.
As outras entidades, caladas, prestavam atenção na conversa.
O chefe parou de falar e ficou pensando por mais alguns segundos.
Depois, disse:
— Se fizermos isso, não vai ter graça.
Perde todo o propósito.
Não, não vamos fazer!
Vamos continuar aqui ao lado dela, da mesma maneira que sempre estivemos.
— Está bem, vocês têm todo o direito de escolher.
Não posso nem quero interferir.
Sendo assim, também continuaremos aqui, ao lado dela.
Vocês sabem que, com a nossa presença, muito pouco podem fazer.
— Vocês não podem interferir!
Como você mesma disse, ela tem o direito de escolha e se quiser que continuemos aqui, nada poderá ser feito.
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