ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Mar 28, 2017 7:34 pm

— Também penso assim, mas nada poderá ser feito.
Ela fez, agora terá de sofrer as consequências do seu acto.
— Ela não sabia o que estava fazendo.
Deve ter feito de impulso.
— Não Marina, infelizmente não foi de impulso e mesmo que tivesse sido, não existe motivo para se querer o mal de outra pessoa.
Ela pensou muito bem no que estava fazendo e até agora não está arrependida.
Só está nervosa porque acha que o “trabalho” não deu certo.
— Não existe nada mesmo que se possa fazer?
Marconi que ouvia a conversa, disse:
— Ademir, e se formos conversar com o Bartolomeu, será que ele não encontrará uma maneira de nos ajudar?
Sabe o quanto gosto de Aurélia.
— Não sei se poderá nos ajudar, mas vamos falar com ele.
— Vamos sim, Ademir.
Ele é a nossa única esperança.
— Está bem, Donata.
Vamos até lá.
Marina olhou para Jaime e sorriu.
Sabia que Aurélia havia feito algo muito grave, mas mesmo assim, sentia pena dela e queria ajudar.
Em pouco tempo, estavam em uma casa afastada da cidade.
Ficava em um bairro distante e que não parecia ser onde moravam as pessoas ricas.
A casa não parecia também ser grande.
Pararam em frente ao portão.
Ademir, Donata e Marconi pararam ao lado de uma pequena casinha feita de tijolos, coberta com palha e que ficava do lado esquerdo do portão.
Marina e Jaime ficaram mais atrás.
Após dizerem algo que os dois não entenderam, entraram no quintal.
Ao passar pela casinha, Marina, curiosa como sempre, olhou dentro dela e imediatamente, assustada, deu um pulo para trás.
Tremendo, perguntou:
— O que é isso, Donata?
Por que dentro dessa casinha há imagens do diabo?
— Essa é uma casinha de Exu.
As imagens são do diabo, mas não representam a verdade.
Os Exus não são o diabo, são guardiões e protegem suas casas e seus filhos.
— Não estou entendendo e não gosto do que estou vendo.
Não conheço essa religião que fala dessas “coisas”, mas sempre soube que só faz maldade.
— Quem faz a maldade não é a religião nem Exu.
Quem faz maldade são as pessoas que a desejam e que pedem.
Aurélia não foi procurada para fazer um “trabalho” que separasse Alberto de sua esposa.
Foi ela quem foi a algum lugar, pediu e deve ter pagado muito bem não só ao encarnado, mas também como você viu, aos desencarnados.
Exu é um Orixá que quer dizer deus do Candomblé e da Umbanda.
Religiões que tem por deuses a Natureza e que foram trazidas pelos escravos quando aprisionados.
Como a crença e o ritual eram proibidos, os negros escravos, para enganarem seus donos, deram o nome de santos da igreja católica para seus Orixás.
Exu, por ser o Orixá que está sempre pronto a guerrear para proteger tanto seus filhos como templos e casas dos Orixás, foi representado com a imagem de um diabo.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Mar 28, 2017 7:34 pm

Porém, ao contrário, como todos os deuses, ele é muito bonito e só deseja praticar o bem e quando o faz, é sempre com vontade de ajudar, porém, também quando lhe pedem o mal, embora não goste, faz, mas seu preço é muito alto.
— Tenho mais uma pergunta...
— Que novidade, Marina. – Donata disse, rindo.
— O que tanto você como Ademir e o Marconi falaram quando passaram pela casinha?
— É uma casa de Exu, por isso precisa ser respeitada.
Como sabemos que ele é o guardião desta casa, ao chegarmos o cumprimentamos e pedimos licença para entrar. Assim fazendo, demonstramos que viemos em paz.
— Vocês fizeram isso?
— Sim, Marina, pois todas as religiões e crenças deve ser respeitadas.
Cada um, usando de seu livre—arbítrio, escolhe aquela que quer seguir.
Esta é uma casa dos Orixás, Exu é seu guardião, por isso como todos os Orixás, precisa ser homenageado.
Os Orixás representam para os negros, as forças da Natureza e ela também deve ser respeitada para que o Planeta possa continuar recebendo os espíritos que precisam renascer.
— Por que quando estamos na Terra, não sabemos isso e não respeitamos a todas as religiões?
— Porque, como já lhe disse, quando conversávamos sobre a Irene, quando encarnados, não respeitamos um dos maiores mandamentos que Jesus nos ensinou e deixou:
Amai ao próximo como a ti mesmo.
Marina entendeu, mas queria saber mais, porém se calou e ficou pensando.
Donata percebeu que ela queria fazer ainda alguma pergunta, mas disse:
— Agora, vamos entrar, Marina?
Ademir e Marconi já devem estar falando com Bartolomeu.
— Quem é Bartolomeu?
— Venha, você logo saberá.
Continuaram andando, passaram pela casa da frente e nos fundos do quintal encontraram um enorme galpão.
Viram Ademir e Marconi ao lado de um senhor negro e velho que estava sentado em frente à porta de entrada, fumando um cachimbo.
Aproximaram—se.
Donata se ajoelhou e respeitosamente, beijou a mão do negro.
Ele, com a mão, fez um sinal da cruz na testa dela, depois sorrindo e com os olhos brilhando de felicidade, disse:
— Ocê tumem veiu, Dunata?
Já tinha ficado filiz quando vi o Demir e o Marconi, mais num sabia qui ocê tumen tinha vindo.
Cumu ocê tá?
— Estou muito bem, Bartolomeu e também feliz por tornar a vê—lo.
— Ocê cuntinua falando difícil i bunitu, num é mesmo, Dunata?
Donata sorriu.
Ele continuou:
— Fais muito tempo que a genti num si vê, pruque demorarum tanto pra vim visitá o nego?
— Faz sim, Bartolomeu.
Demoramos, mas viemos, como sempre felizes por reencontrar você.
— Ieu tava cunversando aqui cum us mininu e preguntando se ocês ainda trabaiam judando aqueles qui tão pra murrer.
— Estamos sim, Bartolomeu.
— Essi trabaio é muito importanti.
U que seria du espiritu se ocês num tivesse ali pra Judá naquela hora.
Elis ia ficá tudo perdido...
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Mar 28, 2017 7:35 pm

Marina e Jaime receosos diante daquela figura, acompanhavam a conversa.
Bartolomeu olhou para um e depois para o outro e voltando—se para Ademir, perguntou:
— Demir, quim são essis dois qui nun cunheço?
O qui tão fazendu juntu de ocêis?
— São nossos amigos e estão nos acompanhando nesta jornada.
Estão aprendendo para depois poderem ensinar.
Olhou novamente para Marina e Jaime e disse:
— Ocês estão em muita boa companhia e si quiser aprendê, vão aprendê mesmo...
Marina e Jaime não conseguiam definir o que estavam sentindo, não sabiam se era medo ou respeito por aquela figura que, para eles, era tão estranha.
Eles não conheciam aquela religião que falava em negros velhos.
Claro que algumas vezes viram alguma imagem, mas nunca deram muita atenção.
Bartolomeu sorrindo, continuou:
— To muito cuntente em recebê tudus ocês, mais sei que ocês tem sempri muito trabaio e si vinheram inté aqui, devi di tê um mutivu muitu forti.
Qui mutivu é essi, Demir?
U qui ta cuntecendo?
— Tem um motivo muito forte sim, Bartolomeu.
Estamos aqui por causa da Aurélia.
— Ela di novu?
Aquela minina num tem jeitu.
U qui ela feiz agora, Marconi?
— Você sabe o sentimento que sempre existiu por parte dela para com o Alberto.
— Craro que sei.
Mais desta veiz num ia sê diferenti?
Elis num cumbinaram que iam si incuntrá, mais só pra fazê um trabaio junto?
Qui num ia ixisti amo entri us dois?
Qui iam só sê amigu?
— Sim, tudo foi combinado, mas quando se encontraram, aquele sentimento voltou e ela, em nome desse sentimento, cometeu uma loucura.
— Qui locura?
— Para que Alberto se afastasse de Matilde, ela se envolveu com forças das trevas.
— Ela feiz isso, é?
— Fez e agora está envolvida por eles que estão fazendo a sua cobrança.
— Devi di tê feitu memo.
A sinhá Oréia nunca si conformo im sabê que o sinhô Berto num quiria ela e qui eli só quiria a sinhá Matirde.
Ocês si lembra du qui ela feiz da úrtima veiz?
Si lembrum da mardade dela?
— Sim, Bartolomeu, nos lembramos.
Ela não podendo ficar com Alberto por ele amar Matilde, ordenou a um de seus escravos para que os matassem.
Em sua loucura, dizia que se ele não queria ficar com ela, não ficaria com mais ninguém.
Falava com tanta certeza que planeou a morte dos dois e conseguiu.
— Foi issu memo que ela feiz, Marconi i u pio foi qui nunca se rependeu.
Só dispois qui murreu e foi junto cuns amigo dela i sufreu muitu foi qui si rependeu e o sinhô Berto e a sinhá Matirde e ocê, Marconi, foram lá buscá ela.
— Foi isso que aconteceu, Bartolomeu.
Ela jurou que estava arrependida, pediu para renascer e prometeu que desta vez seria diferente, mas pelo que estamos vendo, não foi.
Ela voltou a sentir aquele amor doentio.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Mar 28, 2017 7:35 pm

— U qui ela senti num é amô, Marconi, é urguio.
Ela num si cunforma di perdê.
Ela qué ganhá sempri i só vai sussegá quandu consegui isso.
Amo é diferenti é u qui ocê senti pur ela, Marconi.
U seu, sim, é amo...
Ao ouvir aquilo, Marconi baixou a cabeça e permitiu que lágrimas caíssem por seu rosto.
Marina e Jaime, abismados, entreolharam—se.
Bartolomeu, percebendo que Marconi estava triste e chorando, disse:
— Ocê num percisa ficá anssim, Marconi.
Sempre foi um mininu muito bão.
Quandu era sinhô i donu di muitos iscravo, sempri tratô muito bem di todos elis.
Seu únicu probrema sempri foi é a sinhá Oréia.
Sei que o amô que senti pur ela é muitu grandi e qui já feiz muita coisa pra judá ela.
Pur isso perciso sabê pur que vinheram mi procurá i u que ocês qué qui o nego faiz.
Marconi, emocionado, não conseguia falar.
Ademir foi quem respondeu:
— Viemos até aqui, Bartolomeu, para que nos ajude a ajudar Aurélia.
— Cumu qué que ieu jude?
— Sabe que sempre respeitamos as crenças dos negros, mas não as conhecemos nem sabemos como lidar com seus rituais e magias.
— Cumu qui num conheci?
Ocês si esquecerum du tempo im qui erum nego i muravam na África?
— Nós? – perguntaram juntos.
— Faiz muitu tempu, oceis devi di tê isquecido memo.
Oceis tudo nascerum, viverum i tiverum us mesmo deus dos negos.
Inté ocê, moça de zóio curiosu que ta querendu fazê uma pergunta pro nego.
Podi perguntá.
Marina, desajeitada por ter sido pega por aquele desconhecido, perguntou:
— O senhor disse que eu também já fui negra e que já pratiquei essa religião.
Como pode ser isso, se hoje sou branca, loira e tenho os olhos azuis?
— Do jeito qui a genti é hoji, num tem nada a vê.
Tudus ispiritu qui ixisti nesse mundo, já fórum nego, vermelho, amarelu i brancu.
Fórum i ainda vão sê.
Ocêis fórum negos e viverum na África.
Como já disse, foi num tempo im que num ixistia brancu pur pertu.
Us negue rum livre.
Vivia filiz.
Cantavam i dançavam muito.
Tinhum rei, rainha, principi e princesa.
Aduravum us deus da Natureza pruque elis sabia que sem a Natureza, elis nun pudia vivê.
Dispois, us brancu chegarum, levarum us nego si imbora i fizerum tudus elis escravu i foi aí que cumeçô u sufrimentu.
Quandu issu cunteceu, us nego num intenderum pruque aquilo cunteceu, ais dispões que murreram, elis intenderum i virum qui foi elis memo qui pidirum pra nasce iscravo e que é a genti memo qui iscoie a vida qui qué tê.
Comu faiz muitu tempu, ocêis devi di tê se esquecidu memo.
Mais isso num tem portância.
Pur issu, Demir, cuntinua falandu u que tava falandu.
Ocês num cunheci essa religião i u que qué sabê?
Si ieu subé, ieu rispondo.
— Queríamos que fosse connosco até onde Aurélia está e nos ajudasse a afastar aqueles que estão ao seu lado.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Mar 28, 2017 7:35 pm

Eles a envolveram e ela está prestes a cometer uma loucura.
Sabemos que é o único que pode nos ajudar a ajudá—la.
— To vendu qui ocês si equeceram memo, Dmir.
Si elis tão lá, foi pruque ela chamou e prometeu arguma coisa.
Num dá pra genti tirá elis di lá, não.
Inquantu num receberem u que ela prometeu, elis num vão saí, não...
Marina, novamente, não se conteve e disse:
— Mas se não fizermos isso, ela vai se matar?!
— Moça dus oius curioso, o qui ocê disse?
— Eles a envolveram e estão dizendo e querendo que ela se mate.
Precisamos impedir!
— A moça sabi comu?
— Não...
— Tumem num sei.
Impedi que ela si mati, num sei si a genti vai consegui, mais agora... tentá fazê qui elis intenda qui tão nu caminhu erradu, inté pode sê...
— Como, Bartolomeu?
Como podemos fazer com que entendam que estão no caminho errado?
— Ocê é que tem mais jeito pra isso, Marconi.
— Não estou entendendo, Bartolomeu.
Por que está dizendo que nós sabemos como fazer?
- Aquelis qui estão cum ela são tudu ispiritu qui já nascerum i viverum muitas veiz na Terra.
Elis estão lá pruque num sabi qui tem um lugá mió.
Ocêis podi i sabi cumo conversá cum elis, ocê podi mostrá o outro lugá i, quem sabi, eles aceitaum.
— Você está dizendo que devemos tentar doutriná—los, Bartolomeu?
— Isso mesmu, Marconi.
Ocêis istão tão envorvido qui se isquecerum disso, Marconi?
Ocêis sabi fazê issu muitu bem.
Num custa tentá...
— Tem razão, nos esquecemos mesmo.
— Com licença, posso falar uma coisa?
Todos se voltaram para Marina que, aflita, perguntava.
Bartolomeu olhou para os demais, sorriu e perguntou:
— Dunata, essa moça dus zóio curiosu é sua fia?
— Não, Bartolomeu, por quê?
— Ela é iguarzinha ocê.
Curiosa... curiosa...
Donata e os outros riram.
Ela disse:
— Tem razão, Bartolomeu.
Acho que foi por isso que a escolhi para que viesse nesta missão.
O negro começou a rir e disse:
— Ocê sabi qui num é essi u motivu, mas dexa pra lá.?
U qui a moça de zoius curiosu qué falá?
— Por tudo o que vi quando estivemos com Aurélia, aqueles que estão com ela são feios e muito maus.
O senhor disse que eles são espíritos que nasceram e viveram muitas vezes na Terra, como pode ser?
— Moça, ocê acha que só pruque a genti morri vira santu?
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Mar 29, 2017 7:49 pm

Dunata, ocê qui já viu muitu isprito nasce i morrê, conta pra qui é qui cuntece quandu um ispiritu mau morri.
Ocê sabi ixplicá meio qui ieu.
— Sabe que o que está dizendo não é verdade, Bartolomeu.
Você sabe explicar muito bem e melhor do que eu, mas está bem, vou explicar.
Bartolomeu ficou calado, apenas disse:
— Ta bão, Dunata, só to querendu vê se ocê aprendeu tudu certinhu...
— Está bem, vou tentar explicar, mas se me escapar algo, quero que me ajude.
— Ta bão, eu judô.
Donata olhou para Marina e Jaime e disse:
— Como já conversamos a respeito, quando morremos nada muda, continuamos como sempre fomos.
Se fomos bons, ruins, mentirosos e enganadores, continuaremos assim.
Bartolomeu, quando nos trouxe à realidade, dizendo que aqueles que estão com Aurélia já por várias vezes, nasceram e viveram na Terra, nos lembrou de que eles não são entidades ou deuses.
São espíritos que, como todos nós, estão caminhando para a Luz.
Quando, aqui na Terra, alguém escolhe o caminho do roubo, assassinato e outros crimes mais, é condenado e enviado para a prisão.
Alguns deles conseguem entender que o que fizeram até ali era errado e se esforçam para mudar.
Sentem vontade de voltar para o caminho do bem.
Outros, infelizmente, não conseguem ou não querem entender e continuam praticando os mesmos erros.
Não se arrependem e se houver oportunidade, farão tudo novamente.
Estes, quando morrem, continuam os mesmos.
Durante toda a vida em que viveram na Terra atraíram para perto de si, espíritos desencarnados muito mais cruéis que eles.
Esses espíritos os acompanham e quando chega a hora de morrer, eles estão ali, esperando.
Assim que o espírito se desprende do corpo, eles, por serem mais fortes, o apanham e o carregam para lugares onde serão aprisionados e se tornarão escravos.
Aqueles que estão ao lado de Aurélia provavelmente são escravos que cumprem ordem.
Aurélia fez o trato com os chefes, mas quem faz o “trabalho” e a cobrança são os escravos, pois lhe ensinaram e eles acreditaram que se quiserem continuar bebendo e fumando, terão de trabalhar em troca dessas coisas.
Eles não gostam de fazer mal, mas se lhe pedem, fazem.
Tudo sempre é feito em troca de cigarro, charutos, cachaça, velas e às vezes, farofa feita com cachaça.
A cobrança sempre é feita, não importando para eles se o trabalho deu certo ou não.
— O que está dizendo, Donata?
Eles fazem mal em troca só disso?
Podem levar uma pessoa ao suicídio por essas coisas?
— Sim, Marina, pois para eles essas coisas têm um valor enorme.
Eles pensam que é só isso que podem fazer, mas como nos lembrou o Bartolomeu, apesar de estarem do lado do mal podem a qualquer momento, entender que não estão bem, que poderiam viver em um lugar melhor e caminham para o bem.
Quando isso acontece, equipes preparadas estão sempre a postos e os ajudam.
Quase sempre eles são levados de volta para casa em segurança e é também causa de muita felicidade no plano espiritual.
Familiares e amigos, que durante muito tempo rezaram e esperaram por esse momento, os recebem com muito amor e carinho.
Mas de tudo isso, a maior culpada é Aurélia.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Mar 29, 2017 7:49 pm

— Porquê?
— Ela, antes de nascer, escolheu o caminho que devia trilhar.
Entendeu que Alberto não deveria fazer parte desse caminho.
Teve como pais dois espíritos amigos que se propuseram a vir, ajudar e dar toda a oportunidade para que ela pudesse cumprir sua missão, mas ela, como aquele que, embora esteja preso não se arrepende e na primeira oportunidade volta a praticar o mesmo erro de sempre, não se importou com os sentimentos de Alberto nem com os de Matilde.
Pensou só nela mesma e como disse o Bartolomeu, no seu orgulho.
Recorreu a forças desconhecidas sem se importar com a dor e sofrimento que estava causando nem com as consequências.
Agora, existe uma chance para que esse quadro se reverta e que de tudo isso, alguma coisa possa restar de bom.
— O quê?
— Como o Bartolomeu nos alertou, podemos não só ajudar Aurélia a entender o que fez, como também, talvez possamos ajudar aqueles que estão ao seu lado.
— To muito cuntenti cum ocê, Dunata.
Donata se voltou para Bartolomeu e sorrindo, perguntou:
— Por quê, Bartolomeu?
Ele respondeu também com um sorriso de felicidade.
— Ocê aprendeu tudu direitinho i sabe expricá cumu ninguém.
Ela olhou firme para ele e disse:
— Tive um bom professor.
O negro riu feliz e disse:
— Achu qui agora, a genti devi di i inté lá ondi ta a sinhá Oréia?
— Acho bom, Bartolomeu, pois apesar de tudo o que ela fez, continuou gostando dela da mesma maneira.
Quem sabe consigamos fazer com que se arrependa e de alguma maneira, reverta esse quadro tão perigoso para ela.
— Ta bão, Marconi.
A gente vai, mais antis, preciso chamá o meu amigo Frecha Dorada pra ele ficá aqui, inquantu ieu dou essa saidinha.
— Quem é Flecha Dourada?
— Frecha Dorada, moça, é um cacique qui mora na froresta, mais que tumem judá o Levi i sempri qui perciso saí ele tuma cunta di tudo inté ieu vortá.
Quandu ieu num to, ele ta.
Quandu ele num ta, ieu to.
Nóis dois tumamu conta da casa e du Levi.
Õ, Dunata! Essa moça num tem só us zóius curiosu, não... ela é toda curiosa...
— Tem razão, Bartolomeu.
Marina, agora não temos tempo para mais perguntas.
Precisamos ir e tentar ajudar não só a Aurélia, mas os outros também.
Marina, embora continuasse curiosa, aceitou com a cabeça.
Em poucos momentos apareceu um índio alto e forte.
Tinha na cabeça um cocar feito de penas amarelas e brancas.
Seu porte era encantador.
Ele se aproximou e Bartolomeu disse:
— Frecha Dorada, esses aqui são meus amigos.
Elis vinheram pra pedi pra eu judá elis a judá uma moça que é nossa cunhecida di muito tempu.
Ocê podi ficá tumandu conta di tudu pur aqui, inté ieu vortá?
O índio não respondeu, cruzou os braços, sorriu e se colocou em pé diante da porta.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Mar 29, 2017 7:50 pm

Bartolomeu olhou para ele e sorrindo, disse para os outros:
— Eli num é di falá muito, mas a genti podi i sussegado.
Eli vai tuma conta di tudo.
— Então vamos. – disse Marconi.
Em poucos instantes estavam dentro do quarto de Aurélia.
Seu corpo estava adormecido sobre a cama, mas seu espírito estava acuado em um dos cantos do quarto.
As entidades a ameaçavam, fingiam que iam atacá—la e diziam:
— Você tem que pagar o que prometeu.
Fizemos o que pediu, agora tem de pagar!
— Vocês não fizeram!
O Alberto não me quer!
— Você pediu pra gente separar ele da mulher, isso a gente fez, se ele não quer você, não é problema nosso.
Você só pediu pra ele se separar, mais nada...
— Não vou pagar, só quando ele for meu!
— Vai pagar, sim, moça!
Se não pagar, a coisa vai ficar muito pior...
— Ela está sonhando, Donata?
— Sim, Marina.
Quando as pessoas dormem, o espírito se desprende do corpo e vai a muitos lugares.
Vai para escolas no plano espiritual rever amigos, ajudar as diversas equipes que como a nossa, fazem outro tipo de trabalho.
Nós mesmos muitas vezes necessitamos do auxílio de encarnados para nos ajudar.
— Por quê?
— A energia do encarnado é diferente da nossa e dependendo daquele que está para desencarnar, muitas vezes essa energia é importante e necessária.
A isso se dá o nome de sonho ou como neste caso, de pesadelo.
— Ela está muito mal, Bartolomeu.
— Ta sim, Marconi, in pirigo tumem.
— O que podemos fazer?
— Ocê sabi, Marconi, pirmero a gente tem de deixá elis vê a genti.
— Tem razão. Vamos todos nos unir em oração e permitir que nos vejam.
Depois, de acordo com a reacção de cada um, veremos o que pode ser feito.
Fizeram uma oração pedindo ajuda e em poucos momentos eles os viram.
Aurélia, ao vê—los, gritou:
— Marconi, Ademir, Donata e você, Bartolomeu!
Que bom que vieram, preciso de ajuda!
Marconi, esses homens querem me atacar e maltratar... você sempre me ajudou, precisa fazer isso novamente...
— Cuidado, Marconi...
— Não se preocupe, Ademir.
Sei com quem estou lidando, já me deixei enganar muitas vezes, mas isso não acontecerá novamente.
— Não fale assim, meu amor... não se deixe levar pelo Ademir ou por qualquer outra pessoa... você sabe que sempre o amei e continuarei a amá—lo por toda eternidade.
Sempre que precisei você ajudou e sei que continuará ajudando.
Afaste esses homens horríveis.
Não sei por que eles estão aqui.
Não os conheço... amo você... Marconi...
— Estamos aqui, Aurélia, para conversarmos e tentarmos ajudá—la.
É só esse o nosso desejo.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Mar 29, 2017 7:50 pm

— Não me interessa o que os outros estão fazendo, só me interessa você, meu amor.
Sei que sempre me amou e por isso sei também que me ajudará.
Sabe que, se me livrar desses homens que estão me torturando, ficarei ao seu lado para sempre.
Sei que é isso o que sempre desejou...
— Tem razão, Aurélia, por séculos estamos juntos e por esse mesmo tempo, tenho amado você e por amar você com loucura e para tê—la ao meu lado, matei, roubei e enganei.
Sempre me envolveu com mentiras e me levou a praticar esses crimes.
Não estou dizendo que não tive culpa, claro que tive.
Quando cometi esses crimes, sabia que era errado, mesmo assim, os cometi e sabia que para eles, não existiria perdão, mas descobri que existe um Pai maravilhoso que a todos ama como filhos e por isso dá várias oportunidades.
Na última encarnação, quando você quis que eu matasse Alberto e Matilde e que pela primeira vez eu me recusei, você, para se vingar, assassinou os dois de uma maneira que me incriminasse.
Fui julgado e condenado por muitos anos por um crime que eu não havia cometido.
Quando estava lá, Ademir, Donata e Bartolomeu, que sempre estiveram ao nosso lado, me visitaram, conversaram comigo e me fizeram entender como eu havia me enganado durante tanto tempo.
Ainda se ofereceram para me ajudar.
Quando desencarnei, estavam lá me esperando para me conduzirem a um lugar onde eu teria muito mais tempo para pensar em tudo o que haviam falado e na proposta que haviam feito.
Pensei muito e agradecendo a eles, aceitei a proposta de ajuda.
Foi quando comecei a trabalhar na equipe em que já trabalhavam há muito tempo.
Eles, com todo amor e carinho, me ensinaram, treinaram e hoje eu e mais quatro irmãos fazemos parte de uma equipe de socorro.
Estou feliz, Aurélia e agradecido aos nossos amigos.
Eles me ouviram, entenderam e me deram a oportunidade de ser feliz.
Hoje estamos tentando fazer o mesmo por você, mas como eu tive de aceitar a ajuda que me ofereciam, só você poderá decidir o que deseja.
Se quiser a nossa ajuda, estamos aqui para isso e faremos com felicidade, mas se quiser continuar orgulhosa como sempre foi, sinto muito, mas nada poderemos fazer.
— Está dizendo que eles ajudaram a você, mas não poderia ser de outra maneira!
Na última encarnação estiveram ao seu lado e contra mim!
Donata, que sempre foi amiga de Matilde e que nessa última encarnação foi sua irmã.
Ademir foi seu melhor amigo, sempre esteve ao seu lado e esse negro velho e sujo era mais um negro da fazenda.
Eles sempre foram contra mim!
Sempre me odiaram e fizeram de tudo para me prejudicar e para nos separar!
Preciso de você, Marconi, foi o único que sempre esteve ao meu lado...
— Devem mesmo ter odiado a você, mas não pode negar que tiveram motivo, Aurélia.
Hoje, porém, deixaram seu trabalho que é muito importante e estão aqui para tentar ajudá—la.
Volto a repetir que só depende de você.
— Não quero nem preciso da ajuda deles!
Só preciso de você...
Marconi... mande—os embora meu amor.
Não precisamos deles nem de ninguém...
— Posso ajudá—la, desde que você mesma se ajude.
Esqueça o que fez, converse com Alberto, conte toda a verdade e faça com que ele volte para Matilde.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Mar 29, 2017 7:50 pm

Eles estão juntos há muito tempo e se amam... e quando existe amor, nada nem ninguém pode separar um do outro.
Devia já ter aprendido isso, Aurélia... tentou por tantas vezes e nunca conseguiu que se afastassem nem que deixassem de se amar...
— Nunca, nunca farei isso, Marconi!
Sei que um dia vou conseguir.
Ele tem e precisa me amar!
Eu amo Alberto, sempre amei e continuarei amando eternamente!
Ele já está separado de Matilde e me querer será só uma questão de tempo.
Sabe que tenho paciência, sei esperar...
— Isso não acontecerá, Aurélia e você sabe disso.
Desista, estamos aqui para lhe dar força e ajudá—la a se libertar dessa loucura.
Se não fizer isso voltará a sofrer como sempre sofreu e estará à mercê desses homens e muitos outros.
Com seu desejo de destruição e ódio, os atraiu para o seu lado e se continuar assim, não teremos como afastá—los.
— Não quero esse tipo de ajuda.
Quero que me ajude a mantê—los separados.
Eu os odeio, mas não quero que esses homens horríveis continuem aqui.
Sei que pode me livrar deles e sei também que vai fazer.
— Aurélia, parece que você não está ouvindo o que estou dizendo!
Pare de pensar só em destruição e me ouça, por favor... não posso afastá—los nem ajudar você a separar Alberto de Matilde, muito menos continuar amando você.
Cansei de sofrer por sua causa.
Consegui, com a ajuda de meus amigos, superar esse amor e hoje vejo você como a uma irmã, nada mais que isso...
— Tudo isso faz parte do passado, Marconi... hoje é diferente... descobri que o amo e que sempre o amei... só que não sabia... você precisa me ajudar... quero ficar ao seu lado para sempre... me ajude, meu amor...
— Sim, Aurélia, graças a Deus, faz parte do passado.
Hoje, com a ajuda de meus amigos, entendi o quanto havia sido iludido por você.
Entendi que aquele amor que sentia por você só me fazia mal.
— Seus amigos?
Já lhe disse que não são seus amigos.
Eles me odeiam e querem nos separar.
Mande—os embora... fique ao meu lado, meu amor...
— Não posso mandar meus amigos embora, pois eles estão aqui para tentar ajudar você, como me ajudaram.
Pense bem em tudo o que lhe disse e procure dentro de você o arrependimento e a vontade de ser feliz.
Para isso, só precisa deixar que Alberto e Matilde sejam felizes.
— Não quero a ajuda deles, muito menos que Alberto e Matilde sejam felizes!
Será que você não entende o que estou falando, Marconi?
— Pense bem, sinhá.
Ta tendo uma uportunidadi de si rependê i incuntrá a Luiz.
Aurélia olhou para Bartolomeu e disse com muito ódio na voz:
— Cale—se, negro sujo!
Quem é você para falar comigo dessa maneira ou mesmo se atrever a me olhar?
Não ficou satisfeito com o castigo que mandei que lhe fosse aplicado quando quis defender o Marconi dizendo que ele era inocente e que havia sido eu quem tinha mandado matar Alberto e Matilde?
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Mar 29, 2017 7:50 pm

Quem pensa que é?
Sabe muito bem do que sou capaz de fazer, por isso, cale—se e não se atreva nem a me olhar!
— Num só ninguém, não sinhá.
Só sô aqueli que a sinhá causo muitu sofrimento, mais que ta aqui só pra judá a sinhá e qurendu qui a sinhá seje feliz...
— Cale—se negro!
Só de ouvir sua voz, sinto asco!
Nunca precisei de sua ajuda!
— Não adianta, Marconi.
Ela não mudou, não aprendeu.
Continua a mesma que sempre foi, orgulhosa e egoísta.
Nada mais poderemos fazer.
Precisamos cuidar daquele outro assunto que nos trouxe até aqui.
— Tem razão, Ademir.
Aurélia, percebendo que Marconi estava se deixando levar pelos amigos, estendeu as mãos para ele e disse, quase chorando e com a voz trêmula:
— Não dê ouvidos a ele, Marconi.
Eu mudei, descobri que só amo a você... não pode me abandonar nem se deixar levar por eles.
Sabe que sempre me odiaram...
— Não, Aurélia, não posso mais acreditar no que diz.
Vou dizer outra vez, somos todos seus amigos e se quiser, estamos aqui para ajudá—la a encontrar a Luz Divina.
— Só quero você, meu amor... só você... não pode ter se esquecido do amor que sempre existiu entre nós...
— Continuo amando você, mas só que agora, de uma maneira diferente.
Hoje, você para mim é uma irmã muito querida.
Enquanto não mudar seu comportamento, mais nada poderemos fazer por você, mas por vocês sim e é para isso que também estamos aqui. – disse olhando para as entidades que assustadas com a presença deles, encostaram—se em um outro canto do quarto.
Uma delas, percebendo que ele estava falando com ela, disse assustada:
— Ajudar a gente?
Estão loucos, quem disse que a gente precisa de ajuda?
Quem pediu ajuda?
— Isso memu moço, a genti veio judá ocês... só ocêis querê...
Ao ouvir aquilo, um deles disse raivoso:
— Ninguém pediu ajuda e vocês não podem nem têm o direito de estar aqui.
Não estamos fazendo nada de mal.
Estamos apenas cobrando uma dívida!
Essa mulher prometeu e agora tem de pagar!
— A gentis abi di tudu isso moço, mais a gente sabi tumem que ocês tão sofrendo sem necissidadi.
Ocês podem bandoná tudu qui fizerum inté hoji i cunhecê a Luiz de Nosso Sinhô Jesuis Cristu.
— Que Luz? Que Deus?
Que Nosso Senhor Jesus Cristo?
Nada disso existe!
Só o que existe é a força e o poder.
Essas duas coisas estão com a gente!
Vocês não podem continuar aqui!
Essa mulher prometeu, agora ela é nossa e só estamos esperando que se mate para a levarmos connosco.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Mar 29, 2017 7:51 pm

— Vocês se quiserem podem fazer isso, pois infelizmente não temos como impedir.
Como você disse, ela prometeu e agora está presa a vocês, mas o que ganharão com isso? – Ademir perguntou.
— Ela vai ser nossa escrava!
Vai ter de fazer tudo o que a gente quiser.
Marina, nervosa e assustada por tudo o que estava vendo e ouvindo, novamente não se conteve e perguntou:
— Vocês querem transformá—la naquilo em que foram transformados?
— Que está dizendo moça?
Ninguém aqui é escravo.
A gente faz o que quer.
Marina novamente percebeu que havia falado demais e antes da hora.
Olhou para seus amigos que também a olhavam.
Ademir, Marconi e Bartolomeu estavam sérios.
Donata sorriu e com a cabeça disse que ela continuasse.
Com a aprovação de Donata, ela ficou confiante e continuou:
— Vocês estão dizendo que não são escravos, mas sabem que não é verdade.
Sabem que precisam prestar contas a outros.
Não é verdade?
— Está louca? Ninguém aqui é escravo!
A gente faz o que quer e não tem de prestar contas a ninguém!
— Não entendo muito do mundo espiritual, mas por tudo o que aprendi, tem sempre um chefe.
Só por curiosidade, para que eu entenda, vocês tem algum chefe?
Um olhou para o outro e um deles perguntou:
— Moça, você só é curiosa ou está brincando com a gente?
Está querendo nos enganar?
— Não quero brincar nem enganar, já percebi que são muito perigosos, mas a curiosidade e a minha vontade de aprender são muito grandes.
Disseram e me ensinaram que existe sempre um chefe.
Nunca acreditei muito nisso, mas gostaria muito de saber se é verdade e só vocês é que podem me responder.
Um olhou para o outro e ficaram pensando por alguns segundos.
Depois, aquele que sempre falava respondeu:
— Chefe...chefe não tem.
O que tem são alguns que vieram antes e por isso eles sabem mais que todos nós e têm mais poder, mas só fazem isso para ensinar a gente.
— O que eles fazem?
— Eles ordenam o que devemos fazer e dizem o que devemos cobrar e tudo o que conseguimos como pagamento temos de dividir com eles.
— Disseram também que vocês fazem qualquer trabalho em troca de cachaça, charutos e cigarros e outras coisas, isso é verdade?
— Claro que é!
Como a gente ia viver se não tivesse essas coisas?
— Vocês sabiam que se quisessem, essas coisas não lhes fariam falta porque não precisariam mais delas?
— Como não, moça?
A gente, mesmo antes de morrer, sempre foi viciado nessas coisas e não é porque a gente morreu que o vício se acabou.
Além do mais, como acontecia quando a gente era vivo, a gente gosta dessas coisas.
— Sei disso, eu também era viciada em cigarro, mas depois que morri, com o tempo, percebi que aqui ele não me fazia falta.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Mar 29, 2017 7:51 pm

Esse corpo que temos, embora nos pareça igual ao outro, não é.
Ele sobrevive muito bem sem essas coisas.
Descobri que não precisamos nem de alimentos e que só comemos por puro costume.
— Está brincando mesmo, moça! – ele disse, nervoso.
Eles continuavam sentados nos cantos do quarto e ela em pé, na frente deles.
Olhou para Donata que continuava sorrindo, o que lhe deu a certeza de que estava indo bem.
— Não estou brincando, só quero saber.
Desculpem, mas sou curiosa mesmo.
Já levei muita bronca por causa disso, mas posso me sentar aí ao lado de vocês?
Todos se olharam, inclusive os amigos.
Temiam por ela, sabiam que eles eram perigosos, mas ela estava determinada.
Um deles respondeu:
— Tem coragem de ficar perto da gente?
— Claro que tenho.
Estou cansada de ficar em pé e sei que como não quero fazer mal a vocês, também não querem fazer a mim.
Quero contar a vocês que fui convidada a vir com essa equipe nesta viagem e que já estamos há mais de dois dias trabalhando sem descansar!
Sabe porque fazemos isso?
Enquanto falava, sentou—se ao lado deles.
— Não, não sabemos.
Você falou em equipe?
Que equipe? O que fazem?
— Vocês não sabem, mas tem uma porção de equipes que trabalham muito.
Esta em que estou fica ao lado das pessoas quando estão morrendo.
Elas cortam os fios que prendem o espírito na carne.
Se elas não estivessem ali, teria muito sofrimento.
Elas, cortando os fios, fazem com que o espírito adormeça e se desprenda sem sentir.
Depois que isso acontece, os espíritos são levados para um hospital onde são tratados e aos poucos serão informados de que estão mortos.
— Como é isso, moça?
Você está inventando.
Quando a gente morreu ninguém cortou fio nenhum e também não fomos para hospital algum.
Fomos perseguidos por figuras sinistras que nos causaram muito medo.
Marina olhou para os outros.
Donata a interrompeu, dizendo:
— Todos, bons ou maus, na hora de enfrentar a sua verdade sempre contam com uma equipe ao seu lado para cortar os fios.
Vocês também tiveram.
Normalmente, são amigos e familiares que estão ali.
O que pode ter acontecido foi que vocês estavam tão envolvidos com as energias do mal que não conseguiram ver.
As entidades ficaram olhando para Donata sem nada dizer.
Marina percebeu que eles estavam confusos e achou que era uma boa oportunidade para continuar falando, disse:
— Depois do que disse, Donata, entendo por que eles se tornaram escravos.
Assim que se viram perseguidos por essas forças, sentiram medo e começaram a obedecer.
— Não, não foi por medo!
Nós só percebemos que eles eram mais antigos e experientes.
Entendemos também que se a gente ficasse do lado deles íamos ficar protegidos e teríamos comida, cachaça, charutos e cigarros.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Mar 29, 2017 7:51 pm

— Agora estou entendendo o que aconteceu com vocês.
Comigo, graças a Deus, foi ao contrário.
Quando morri era muito jovem, tinha marido e filhos pequenos, por causa disso quando acordei e ao saber que havia morrido, fiquei muito nervosa e revoltada.
Não entendia por que aquilo havia acontecido logo comigo.
Achava injusto e que não havia Deus.
Depois de recuperada e me sentindo bem, fui levada para uma casa e lá me explicaram o que havia acontecido.
A mulher que me recebeu tem muita luz e por isso teve muita paciência e conversou muito comigo.
O nome dela é Ana.
Vocês deveriam conhecê—la, tenho certeza que gostariam muito.
— Entendi, você também percebeu que se ficasse do lado dela ia ficar protegida?
— Não, entendi que se ficasse ao lado dela, além de ficar protegida teria muito ensinamento e como sempre fui muito curiosa, fiquei porque queria saber de tudo.
Estou lá até agora, só saí para participar desta equipe, mas voltarei para lá assim que meu trabalho terminar.
— Vocês estão falando que essa equipe em que estão trabalhando cortam alguns fios que prendem o espírito ao corpo?
Que fios são esses?
A senhora disse que é porque a energia nossa é diferente.
Não entendi e acho que nada disso existe não.
Quando a gente morreu, não vi ninguém cortando fio algum.
Vocês viram? – perguntou, olhando para os outros, que balançaram a cabeça, dizendo que não.
Marina ficou sem saber o que responder, mas lembrou—se de Leopoldo e de que seus fios haviam sido arrebentados.
Olhou primeiro para Donata e depois para eles e disse:
— Isso eu não sei responder e a Donata já explicou, mas também assim como vocês, também não entendi muito bem.
Como disse, esta é a primeira vez que participo de uma equipe.
Vocês permitem que Donata se sente aqui do nosso lado?
Sei que ela poderá explicar melhor aquilo que não entendemos.
Marina, enquanto falava, olhava ansiosa para eles e para Donata que surpresa, olhou para os outros e percebeu em seus olhos muita preocupação.
Depois sorriu, voltou—se para as entidades e disse:
— Talvez eu não tenha me explicado bem, por isso se vocês permitirem, posso me sentar e tentar responder a essa e a outras perguntas que quiserem fazer.
— A senhora vai se sentar com a gente?
— Se permitirem, sim.
— Está bem, pode se sentar.
Ademir preocupado segurou o braço de Donata no sentido de que ela ficasse onde estava e respondesse as perguntas, mas ela se libertou da mão dele, caminhou em direcção onde Marina estava sentada e sentou—se também.
Marina respirou aliviada.
Sabia que havia ido longe demais.
Sentada, Donata sorriu e disse:
— Vocês querem saber se também tinham fios e se eles foram cortados, não é?
— Sim. Essa moça e a senhora disseram que isso é feito, mas nós não vimos isso, não.
Quando a gente morreu, fomos arrancados e a gente não estava dormindo, não.
A gente estava muito bem acordado e tivemos de sair correndo.
Figuras muito feias correram atrás da gente.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Mar 29, 2017 7:51 pm

— Se isso aconteceu é porque seus fios não foram cortados.
Por estarem presos antes de morrer a energias negativas, os fios foram arrebentados por elas e por isso, tiveram aquela sensação de que foram arrancados.
— Por que isso?
Por que essa diferença de tratamento?
O que essa moça tinha de melhor que a gente?
— Tem muita diferença.
Vocês, durante toda a vida, foram pessoas que fizeram muito mal, roubaram e alguns até mataram e por isso prejudicaram muitas pessoas.
Por esse motivo, outros encarnados por também terem sido maus, estiveram sempre ao lado de vocês.
Esses, assim como vocês, têm uma energia muito densa, o que não permite que nós nos aproximemos.
Quando morreram, os fios que prendiam o espírito de vocês ao corpo foram arrebentados e arrancados por aqueles que sempre acompanharam vocês, da mesma forma que temos uma equipe ao lado de cada pessoa que morre, para ajudá—la e protegê—la nesse momento.
Eles têm também um tipo de equipe.
Ela espera por aqueles que escolheram viver sob o seu domínio para arrancá—lo e persegui—lo até que o convença de que é seu dono e senhor.
Foi o que aconteceu com vocês.
Como viveram todo o tempo sob o domínio deles, assim que os libertaram, eles continuaram perseguindo vocês, transformando—se em figuras conhecidas e temidas por todos.
Da mesma maneira que estão, agora, fazendo com Aurélia, quando na realidade, sabemos que não são esses monstros que demonstram ser.
A diferença agora é que vocês podem vê—los, coisa que não acontecia quando estavam vivos.
Eles se olharam outra vez.
Marina, percebendo o que estavam pensando e preocupados, segurou a mão de Donata e continuou falando:
— Também não sabia disso, Donata.
Vocês viram por que há essa desigualdade?
Viram como estou em situação diferente da de vocês?
Enquanto estou morando em uma casa com tudo o que se possa desejar, vocês estão na escuridão e cercados por outros que sempre os subjugam e agora os trazem debaixo do terror.
Eu, ao contrário, tenho paz e tranquilidade e o mais importante, não tenho chefe.
— Como não tem chefe?
— Os meus amigos me ensinaram que o espírito é livre para desejar o que quiser, que não pode nem deve ser aprisionado por nada nem por ninguém.
— O que está dizendo?
— Conta para eles, Donata.
Você sabe explicar muito melhor que eu.
— É verdade o que ela disse.
Fomos criados por um mesmo Deus que nos ama a todos, da mesma maneira.
Para Ele, não existem filhos preferidos.
Ele, para que fôssemos livres, nos deu o livre—arbítrio para que nós mesmos possamos escolher o nosso destino.
— O que é livre—arbítrio?
— É o direito de escolha.
Por ele, podemos decidir a nossa vida, presente e futura, mas existe outra Lei.
— Qual?
— Como temos o livre—arbítrio, temos também outra Lei a que se dá o nome de Acção e Reacção.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Mar 29, 2017 7:52 pm

Por ela, podemos usar o livre—arbítrio, mas sabemos que estamos sujeitos a ter de volta tudo o que fizermos de bom e de mau.
— Se essa Lei existe mesmo, estamos ferrados.
— Por que está dizendo isso? – Donata perguntou sem mudar o tom de voz nem demonstrar surpresa pela palavra que ele disse.
— Durante toda a vida, a gente só fez coisas que a gente sabia que era contra a lei.
Se a gente for receber de volta, vai ser muito ruim.
A gente vai mesmo queimar no fogo do inferno.
Marina olhou para Donata, que disse:
— Talvez vocês não tenham percebido, mas estão no inferno.
— Isso a gente já sabe e já se conformou porque sabia que merecia.
— Mas não precisam se conformar.
Já devem estar aqui por muito tempo.
Deus, nosso Pai e Criador, não quer que soframos, ao contrário, quer nos ver bem e felizes.
— Como isso pode ser?
A senhora mesma disse que tem a tal da Lei de Acção e Reacção.
— Sim, mas existe uma outra Lei, que é a do amor e do perdão.
Deus está sempre pronto para nos perdoar e nos dar novas oportunidades para resgatarmos os nossos erros.
— Tudo isso é muito complicado.
— Não, não é.
É simples entender as Leis, nós é que as tornamos complicadas.
A única coisa que precisam saber é que Deus é um Pai amoroso e só quer que caminhemos ao encontro de sua Luz Divina.
— Luz Divina? O que é isso?
— É a Luz da criação.
Todos temos um pouquinho dela e cabe a nós aumentá—la até podermos nos aproximar do Pai.
— A senhora disse que todos temos um pouquinho dessa Luz, até a gente?
— Sim, todos, sem excepção.
Quando Deus nos criou, deu a todos a mesma quantidade de Luz.
Com o passar do tempo, alguns, durante a caminhada, foram aumentando—a ou apagando—a, mas ela nunca é apagada totalmente.
Sempre restará uma, por menor que seja.
Essa Luz serve de farol para que o Pai saiba onde estamos e como nos encontrar.
— A senhora está brincando.
Se isso é verdade, acha que a gente ainda tem essa Luz, nem que seja só uma chaminha bem pequenininha?
— Sim, todos temos.
Alguns, por suas acções e comportamento e sempre usando o livre—arbítrio, fizeram com que essa Luz aumentasse seu brilho.
Outros, pelos mesmos motivos, fizeram com que essa Luz ficasse cada vez mais fraca, até quase se apagar, mas nunca será apagada totalmente.
— Está dizendo que eu, meus companheiros e até aqueles que são os chefes também tem essa Luz?
Está dizendo que essa moça que pediu para a gente fazer aquela maldade com aquele homem para ele se separar da mulher também tem essa Luz?
Por tudo o que a senhora disse, até esse negro velho que não presta para nada também tem essa Luz?
— Sim, todos.
O pai de uma família, quando está encarnado, não trabalha muito para quando morrer deixar o que conquistou como herança para seus filhos?
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Mar 29, 2017 7:52 pm

— Acho que sim.
— Então, Deus que é nosso Pai e Criador, só quer nos deixar o que tem de mais precioso, sua Luz.
Ele não escolhe a qual dos filhos vai deixar.
Ele dá a todos igualmente.
Depende de cada filho como vai usar essa Luz.
— Não estou acreditando nisso, dona.
A senhora só está querendo enganar a gente para que essa moça, que é amiga de vocês, fique livre de pagar o que prometeu.
— Tem razão, queremos que a deixe livre para que ela mesma, sem a influência de vocês, possa usar a Lei do livre—arbítrio e possa decidir o que quer fazer.
Queremos que a deixe livre, para que vocês próprios possam ver sua Luz.
— Olha, dona, não dá para acreditar em tudo isso que a senhora está dizendo.
Eu não acredito, vocês acreditam? – perguntou para os amigos que, extasiados por tudo o que Donata dizia, não conseguiram dizer uma palavra, apenas balançaram a cabeça dizendo que não.
Ele, vitorioso, disse:
— Está vendo, dona?
Não dá para acreditar não...
— Também não sabia disso e nunca vi essa Luz, Donata.
Não daria para você mostrar a Luz que eles tem?
Donata olhou para Ademir, Marconi e Bartolomeu que sorriram.
Ela entendeu e disse:
— Dá sim, Marina.
Vocês querem ver como o que estou dizendo é verdade? – perguntou, olhando para as entidades.
— A senhora pode fazer isso?
— Posso e se quiserem, basta levantarem—se.
Um olhou para o outro e ao sinal daquele que falava, levantaram—se.
Marina também se levantou e ficou olhando para Donata, que fechou os olhos e nem precisou olhar para os amigos, pois sabia que eles também estavam de olhos fechados e que estavam em oração.
Fez o mesmo, fechou os olhos e começou a orar.
Estavam assim, quando ouviram um grito:
— Olha, você tem luz mesmo!
Também tenho!
Abriram os olhos e viram as entidades que olhavam uma para a outra, gritavam de espanto e alegria ao verem que tinham pelo corpo todo, vários pontinhos de luzes que brilhavam.
Os pontos eram poucos e pequenos, mas estavam ali.
Um deles disse:
— Tenho mais luz do que você!
— Mas as minhas são mais brilhantes!
Um deles, que estava olhando para as mãos, ao ver um outro ponto de luz se formando naquele instante sobre elas, gritou assustado:
— Dona! Que luz é essa que está aparecendo agora na minha mão?
Donata olhou para a mão dele e viu a pequena luz que se formou.
Sorriu e disse:
— Alguém deve, neste momento, estar pensando em você com muito carinho.
Sempre que um pensamento de carinho é enviado para o desencarnado, pontos de luz surgem, como está acontecendo agora e trazem muita felicidade para aquele que recebe.
Eu disse que cada um de nós pode aumentar a luz, dependendo da nossa atitude, mas elas podem também aumentar pelo amor daqueles que nos conhecem e amam.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Mar 29, 2017 7:52 pm

— Quem pode estar pensando em mim?
— Provavelmente sua mãe, algum parente ou amigo.
Não importa o caminho que seguimos, sempre teremos alguém que nos ame e que pense em nós com carinho e amor.
— Também tenho pontos de luz e agora tem outra se formando!?
Olhem essa se formando, sim!
Olharam para Aurélia que continuava no canto do quarto e havia acompanhado toda aquela conversa.
Agora, ela também estava em pé e olhava para suas mãos.
Donata, ao ver que Aurélia estava feliz com as luzes sobre suas mãos, disse sorrindo:
— Sua mãe, Aurélia, apesar de todo sofrimento que você tem lhe causado, está fora do quarto rezando e pedindo ajuda ao seu santo de preferência.
— Minha mãe está rezando?
— Sim, ela está muito preocupada com sua atitude.
Como vê, ama muito você.
Aurélia ficou calada.
Parecia emocionada.
Marina, que realmente não sabia que todos, independente de tudo tinham luz, também estava emocionada.
Olhou para suas mãos e braços e viu que não tinha só pontos de luz, mas que eles eram contornados por fachos de luz com cinco centímetros mais ou menos.
Continuou olhando para o corpo e pernas.
Disse, entusiasmada:
— Donata, meu corpo todo está iluminado.
Também sou um espírito de luz?
Donata olhou para seus amigos que riam, felizes e disse:
— Sim, Marina.
Você é um espírito de luz.
Conseguiu toda essa luz com muito trabalho e dedicação.
Quando esteve doente nesta última encarnação, elas foram sendo criadas a cada dia.
Nesta missão, tentando ajudar a esses nossos irmãos com carinho e dedicação, elas aumentaram mais ainda.
Marina olhava para as mãos e para seu corpo.
Não conseguia evitar as lágrimas que corriam por seu rosto.
— Marina! Também tenho luzes pelo corpo todo!
Marina olhou para Jaime e ele, assim como ela, olhava para seu corpo que brilhava como o dela.
Ele não conseguiu se controlar e começou a chorar de felicidade.
— Dona, a gente também pode aumentar nossa luz e brilhar igual a vocês? – perguntou uma das entidades.
— Sim, elas poderão ser aumentadas em uma dimensão que vocês, por mais que imaginem, não podem calcular.
— Tem mais luz do que essa que essa moça tem?
— Sim. Existem espíritos que tem mais de um metro de luz.
— Um metro?
Tem mesmo, dona?
Donata, novamente olhou para os amigos, que com a cabeça consentiram.
Ela continuou falando:
— Sim. Vamos lhes mostrar.
Assim, poderão entender que só depende da vontade de cada um de vocês ter luzes iguais a esta que vão ver.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Mar 29, 2017 7:52 pm

Imediatamente, ela, Ademir e Marconi começaram a se iluminar.
A luz era tão intensa que as entidades, Marina e Jaime, sem perceberem, emocionados, se ajoelharam.
Aurélia se encostou mais à parede e ficou olhando.
Depois de algum tempo, gritou:
— Vocês estão sendo enganados!
Todos se voltaram para ela.
Marconi, perguntou:
— Por que está dizendo isso, Aurélia?
— Donata disse que todos têm luz, não estou vendo luz alguma nesse negro!
Eu sabia que um negro como ele não poderia ter luz alguma!
Negro nem alma tem!
Viu, negro, você não tem luz! – disse, rindo.
— A sinhá sabi que issu num é verdadi.
Tenho Luiz, mas num queru mustrá.
Uma das entidades, olhando para Bartolomeu, disse rindo:
— É mesmo, ela tem razão, ele não tem luz.
Se tivesse, mostrava!
Será que negro escravo não tem alma mesmo?
— Aurélia e vocês não sabem o que estão dizendo.
Todos somos filhos do mesmo Deus e todos temos luz.
Bartolomeu não quer que vejam a sua luz porque é muito intensa e poderia lhes fazer mal.
— Mentira! Ela está mentindo! – gritou Aurélia.
— Essa moça ruim tem razão.
Por que a luz dele pode nos fazer mal?
Ele é só um negro!
— Num queru mustrá minha Luiz, pruque num percisa.
Ocês já viram que são fios di Deus i qui pode, si quisé, encuntrá u caminho da Luiz e da felicidadi.
Si ieu tenho Luiz ou não, issu num importa.
U qui importa é ocêis encuntrá i aumentá a Luiz di ocêis.
Donata, entendendo que a situação estava se tornando difícil, disse:
— Ele tem razão.
Vocês, quando vivos, estiveram o tempo todo no caminho do mal.
Depois de mortos, achando que não tinham outra opção, continuaram, mas agora viram que não precisa ser assim.
Está na hora de se arrependerem de tudo o que fizeram e caminharem para a Luz maior.
Por causa da lei do livre—arbítrio, não podemos obrigá—los.
Tudo o que podíamos ter feito e mostrado, já fizemos.
Agora, depende de cada um de vocês.
Temos trabalho para fazer e por isso, precisamos ir embora.
Chegou a hora de decidirem o que escolhem para o futuro.
Querem continuar vivendo da maneira como estão ou ir para um lugar onde terão toda assistência e carinho e onde ninguém lhes dará ordem e nem existem chefes?
Marina, com medo que eles não aceitassem, disse:
— Agora que já conversamos e vocês perceberam que estou bem, aceitem a nossa ajuda e usem seu livre—arbítrio.
Sei que não se arrependerão e que em breve, estarão trabalhando em uma equipe como a nossa.
Um olhou para o outro e um deles perguntou:
— A senhora disse que aquela luz que apareceu na minha mão podia ser da minha mãe que estava pensando em mim?
Ela não pode estar pensando com amor e carinho, só causei tristeza e sofrimento para ela.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Mar 29, 2017 7:53 pm

— O filho pode fazer tudo o que quiser, pode se tornar bandido, mas para uma mãe, sempre será seu filho.
O mesmo e com muito mais intensidade acontece com Deus.
Seremos para sempre, Seus filhos amados.
Não só a mãe de vocês, mas irmãos, parentes e amigos podem estar pensando em você.
— Se eu passar para o lado de vocês, poderei ir visitar minha mãe?
— Claro que pode!
Eu vim nesta missão para poder visitar a minha família.
Esperei muito tempo por isso, mas finalmente o dia chegou, não é Donata?
— É sim, Marina, mas vocês precisam entender que não estão passando para o nosso lado.
Precisam entender que estão passando para o lado da Luz e que, para que isso aconteça, terão de realmente entender que esse caminho só é feito de bondade e amor.
Precisam entender que o que fizeram até aqui estava errado, que precisamos sempre respeitar e amar o nosso próximo.
Se entenderem tudo isso e se comprometerem a fazer o possível para mudarem, poderão sim, visitar não só as suas mães, mas a todos a quem amaram.
Pela Lei do livre—arbítrio, só vocês podem decidir.
— A gente pode tentar?
— Sim e se não gostarem do que encontrarão, podem retornar à vida que tiveram até hoje.
Olharam—se novamente. Um deles disse:
— Eu quero. Estou cansado dessa vida.
Não quero mais ter que viver me escondendo e não quero mais ter um chefe.
Quero ser livre e conseguir aumentar minha Luz.
Os outros dois, emocionados, não conseguiram falar.
De seus olhos, lágrimas corriam e desciam por seus rostos.
Bartolomeu se aproximou e disse:
— Qui bão qui ocêis decidirum issu.
Agora, ocêis vão sê lavadu pra um lugá muito bão.
Ocêis num vão si rependê, não.
Eles, sorrindo, olharam para Marina e um deles disse:
— Obrigado moça.
Você foi muito bondosa e teve paciência para conversar com a gente.
Marina sorriu e disse:
— Que nada, não precisa agradecer, vocês merecem, são filhos de Deus.
Assim que terminarmos esta missão e voltarmos, vou procurar vocês para saber como estão.
Tenho certeza de que estarão muito bem.
Enquanto conversavam, não perceberam que Bartolomeu estava em oração.
Em poucos minutos, surgiram três entidades que se aproximaram.
Uma delas, disse:
— Estamos aqui, Bartolomeu.
— Qui bão qui chegarum.
Essis nossus irmãos, qué i si embora juntu cum ocêis.
Ocêis podi levá elis?
— Claro que sim, sabe que esse é o nosso trabalho.
Dizendo isso, olharam para as entidades, perguntando:
— Estão prontos para ir?
A viagem é longa, mas não precisam se preocupar estaremos bem.
— O nosso chefe vai deixar a gente ir embora?
— Não poderão fazer nada.
Seguiremos cercados por raios magnéticos e lês não poderão nos ver.
Vocês estão livres.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Mar 30, 2017 8:20 pm

Os três olharam para Donata e os outros sorriram e baixaram a cabeça num sinal de respeito e agradecimento.
Assim que desapareceram, todos se colocaram em oração e Bartolomeu disse:
— Brigadu, Pai, pur tê pirmitido que esses nossus irmão incuntrasse a Sua Luiz.
Prutege elis na viagem.
Enquanto dizia essas palavras, pouco a pouco seu corpo foi se iluminando.
Em breves instantes, ficou todo iluminado com uma Luz intensa, que atingia mais de um metro.
Donata, Ademir e Marconi sorriram.
Marina e Jaime, por nunca terem visto uma luz como aquela, olhavam extasiados com lágrimas nos olhos.
Quando Bartolomeu terminou de orar, Marconi olhou para Aurélia que surpresa pelo que via, continuava no canto do quarto e disse:
— Como viu, Aurélia, Bartolomeu não só tem luz, mas muito mais do que nós todos juntos.
Você acompanhou tudo o que aconteceu aqui.
O que decide?
Vai mudar seu comportamento e fazer o que é certo ou vai continuar fazendo o que fez até agora?
— Não sei, Marconi.
Confesso que fiquei surpresa com tudo o que vi acontecer aqui, mas não sei o que vou fazer.
— Não podemos mais continuar aqui.
Como a Donata disse, temos muito trabalho.
Tudo o que podíamos dizer e fazer para que você entendesse que está no caminho errado, fizemos.
Agora tudo ficará por sua conta.
Neste momento, voltará para seu corpo que está adormecido.
Quando acordar, terá vagas lembranças de tudo o que aconteceu aqui e pensará que sonhou, mas seu espírito saberá com clareza o que aconteceu.
Daqui para a frente, livre dessas entidades que você atraiu, usando de seu livre—arbítrio, terá seu destino em suas mãos.
Imediatamente, seu espírito voltou para o corpo e adormeceu.
Alguns minutos depois, Manuela entrou e chamou baixinho:
— Aurélia acorde.
São quase dez horas, seu chefe acabou de telefonar.
Disse que está precisando da sua presença.
Aconteceu um problema lá no laboratório.
Aurélia abriu os olhos.
Sentia—se estranha.
— Que está dizendo, mamãe?
— Que precisa se levantar.
Seu chefe telefonou.
Aurélia sentou—se na cama e perguntou:
— Que problema?
— Não sei, ele não disse.
Apenas falou que precisa de você para resolver esse tal problema.
Aurélia ficou com o olhar distante, como se estivesse tentando se lembrar de algo.
Manuela, preocupada, perguntou:
— Que está pensando, Aurélia?
Você está estranha.
— Não sei, mamãe, tive um sonho estranho.
— Que sonho?
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Mar 30, 2017 8:21 pm

— Não sei, não me lembro muito bem, mas parece que sonhei com anjos e santos.
Eu estava com medo, mas eles me acalmaram.
Vi muita luz.
— Que sonho bonito, Aurélia.
— Foi sim, mas que pena que não me lembro direito.
— Aurélia, você não está bem.
Acho que deveria ir à igreja.
Sabe que São Judas é milagroso.
— Ora, mamãe, a senhora com essa sua fé.
Não tenho tempo para isso.
Preciso ir ao trabalho e ver que problema é esse que está acontecendo.
Levantou—se imediatamente e foi para o banheiro.
Todos acompanhavam seus passos.
Marconi olhou para os outros e disse:
— Agora, ela está por sua conta.
Estive pensando e acho que devíamos fazer uma visita para Alberto e Matilde.
Eles devem estar confusos, sem entender o que aconteceu em suas vidas.
— Tumem achu.
— Então, podemos ir?
Todos concordaram, deram—se as mãos, saíram dali e em poucos instantes, estavam em uma sala que parecia ser um escritório.
Dois homens conversavam:
— O que aconteceu com você, Alberto?
Por que está separado de Matilde?
— Não sei explicar, Jurandir.
De repente, não sei como, começamos a brigar sem motivo.
Parece que ela sentia ódio por mim e eu por ela.
— Isso é muito estranho.
Vocês sempre se deram muito bem.
Seus filhos são crianças sadias e bonitas.
Não acha que deveria voltar e tentar uma reconciliação?
Vocês se amam, isso todos sabem.
— Também sabemos.
Não sei mesmo o que aconteceu.
Eles, que acompanhavam a conversa, sorriram.
Marconi se aproximou, dizendo:
— Vá para casa, meu irmão.
Agora está livre para continuar sua jornada que, até aqui, tem sido só de vitória.
Alberto parecendo ouvir o que Marconi dizia, falou:
— Tem razão, Jurandir.
Eu e Matilde nos amamos.
Hoje à noite quando terminar o expediente vou até lá em casa.
Como você disse, nós nos amamos e sempre fomos felizes.
Vou conversar com Matilde e tentaremos outra vez.
— Faça isso, Alberto.
Tenho certeza de que tudo ficará bem.
Alberto sorriu e disse:
— Também acho, mas agora precisamos voltar ao trabalho.
Hoje, o dia vai ser longo, temos muito o que fazer.
Marconi e os outros sorriram.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Mar 30, 2017 8:21 pm

Ademir disse:
— Aqui, parece que está tudo bem.
Ele conversará com Matilde e sem a presença daqueles que os estavam perturbando, tudo voltará ao normal.
Podemos ir.
Novamente, deram—se as mãos, saíram dali.
Chegaram em frente ao portão da casa onde Bartolomeu morava.
No portão, saudaram e cumprimentaram Exu e entraram.
Marina, desta vez, ao passar pela pequena casinha também fez uma reverência e acompanhou os outros.
Foram até os fundos da casa.
Encontraram Flecha Dourada que continuava como guarda em frente à porta do barracão.
Batendo com a mão direita sobre o peito e levantando a outra para o alto, cumprimentaram Flecha Dourada que fez o mesmo gesto e foi embora.
Marina o acompanhou com os olhos.
Depois que ele desapareceu, ela disse:
— Como ele é bonito, Donata!
Embora tenha o rosto muito sério, seus olhos mostram que é muito bondoso.
— Ele é mesmo, Marina.
Com a planta da Natureza, ele ajuda e cura muitas pessoas.
Bartolomeu sentou—se no mesmo banquinho que estava quando eles chegaram.
Olhou para Ademir e disse:
— Achu qui agora ocêis já terminarum u qui vinherum fazê aqui, Demir.
A sinhá, agora qui ta suzinha, vai pudê escoiê o que tem di fazê.
Oceis vão simbóra?
— Vamos, sim, Bartolomeu.
Marconi precisa voltar para o hospital e nós precisamos continuar com a missão que nos trouxe até aqui.
— Ta bão, ocêis podi i simbora i qui a Luiz Divina cumpanhe océis.
Começaram a se cumprimentar para se despedir.
Todos se ajoelharam em frente ao negro, baixaram a cabeça e ele os abençoou.
Quando chegou a vez de Marina, ela fez a mesma coisa.
Bartolomeu, com a mão, levantou sua cabeça e perguntou:
— Qui é qui a moça de zóius curiosu ta querendu mi preguntá?
Marina, surpresa com aquela pergunta, olhou nos olhos do negro e perguntou:
— Como o senhor sabe que quero fazer uma pergunta?
— Num sei cumu sei, só sei qui sei.
Marina olhou para Donata, que sorriu.
Aquilo era um sinal de que poderia perguntar.
Olhou bem para Bartolomeu e perguntou de uma vez:
— Por que um espírito com tanta luz como aquela que vimos, se apresenta assim, como um negro velho, fala dessa maneira e se veste com essas roupas tão simples?
— Argúem, um dia já mi feiz essa mesma pregunta, num é Dunata?
Donata e os outros sorriram.
Ele continuou:
— Vô rispondê aquilu qui respondi naqueli dia pra Dunata.
O espiritu num vali pur aquilu que demunstra nem du jeitu qui fala.
U espiritú i as pissoas quando estão encarnada, vale pur aquilu qui elis são.
Ocê viu minha Luiz e eu to muitu filiz cum ela, mas num pudia mustrá praquelis irmão.
Eles ia pensá que ieu tava querendu só humiá elis.
Ocê nun gosto di mim, memo como nego veio?
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Mar 30, 2017 8:21 pm

— Gostei, claro que gostei!
— Intão moça, é isso qui vali.
Marina sorriu e baixou a cabeça num sinal de respeito.
Ademir disse:
— Tudo esclarecido, está na hora de irmos embora.
Bartolomeu, não quer mesmo vir connosco?
Sabe que a sua presença seria de muita ajuda.
— Num possu não, Demir.
Ocê sabi qui precisu ficá juntu du Levi.
— Quem é Levi?
— Ocêis tem tempu pra isperá iue cuntá pra essa moça de zóis curioso quem é Levi?
Um olhou para o outro e Ademir respondeu:
— Por nós, sim.
A nossa próxima missão será só para a noite.
E você, Marconi?
— Também tenho tempo.
Não há nada programado para hoje.
Lá no hospital está tudo em paz.
— I ocê, Dunata, u qui acha?
Acha qui devu di contá pra moça quem é Levi?
— Acho que sim, Bartolomeu, pois se não fizer isso, ela não vai ter paz e vai ficar me perguntando até eu contar.
Todos sorriram, menos Marina que sabia ser curiosa, mas não queria que os outros pensassem isso.
Bartolomeu disse:
— Ta bão, moça, vô cuntá.
— Antes posso fazer um pedido?
— Craro qui pódi, moça.
— Será que o senhor pode falar bem devagar.
Desculpe, mas quando fala tenho um pouco de dificuldade para entender.
Bartolomeu olhou para os amigos e respondeu:
— Não preciso falar devagar, posso falar de uma maneira que você e seu amigo possam entender.
Marina e Jaime, confusos, se olharam.
Jaime disse:
— O senhor sabe falar direito?
— Sim, mas como precisava ficar ao lado de Levi e ele ia trabalhar com essa religião, escolhi me apresentar e falar dessa maneira, para poder conversar com todos aqueles que precisam de um conselho.
Sabem como é, um velho sempre impõe mais respeito. – disse, rindo.
Donata e os outros riram da cara de espanto de Marina e de Jaime.
Bartolomeu continuou:
— Já que vocês estão com tempo e a história é longa, acredito que seria melhor sentarem—se.
Mostrou um banco onde todos se sentaram e ficaram olhando para ele, esperando que contasse a história.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Mar 30, 2017 8:22 pm

ETERNAMENTE AMIGOS
Bartolomeu respirou fundo.
Seu olhar ficou distante, como se estivesse lembrando—se de um tempo muito distante.
Olhou para eles e começou a falar:
— Eu e Levi estamos juntos há muito, muito tempo.
Estou tentando me lembrar de quanto tempo.
Vivemos vários períodos da história da humanidade.
Vivemos na Grécia ao lado dos grandes filósofos, na Judeia, na época em que Cristo viveu por lá.
Vivemos em Roma, no tempo em que os cristãos foram perseguidos e em muitas outras ocasiões.
Sempre fomos guerreiros, fizemos muita maldade e cometemos assassinatos.
Não precisava haver motivo, se não gostássemos de alguém, matávamos sem perdão.
Quando depois de mortos, perdidos nos vales e nas trevas nos arrependíamos, pedíamos perdão e éramos resgatados por amigos e familiares.
Sempre que planeávamos a próxima encarnação, prometíamos que seria diferente, mas nunca cumpríamos as promessas e ao nos ver na Terra novamente, a ganância e o gosto pelo poder voltavam e tornávamos a cometer os mesmos crimes, às vezes até piores.
Vivemos também na época em que a igreja católica foi tomada por um poder absoluto, a Santa Inquisição.
Nesse período, todos aqueles que fossem para ela um perigo ou que tinham algum dom diferente, eram considerados dominados pelo demónio e servidores dele.
Essas pessoas eram tachadas de bruxas e bruxos e eram, depois de muita tortura, condenadas à morte na fogueira.
Eu e Levi éramos inquisidores.
A principio, quando fui indicado para fazer esse trabalho, fiquei feliz em saber que teria o poder absoluto para condenar ou absolver qualquer um.
Levi, assim como eu, também estava feliz e começou a perseguir a todos.
Eu acompanhei e também cometi muitos assassinatos e injustiças.
Éramos amigos e sempre defendíamos um ao outro, por isso nos sentíamos protegidos.
Continuamos assim por muito tempo, até que um dia estava dormindo e sonhei com um homem que me dizia:
— Está tudo errado, você está falhando novamente, Bartolomeu...
Acordei assustado.
Não me lembrava muito bem do sonho, mas me lembrava das palavras.
Fiquei pensando o que aquele sonho queria dizer.
Quando me encontrei com Levi, lhe disse:
— Levi, tive um sonho muito estranho.
Ele sorriu e disse:
— Também tive Bartolomeu.
Sonhei que alguém me dizia que estava tudo errado.
— Foi isso que aconteceu comigo!
No meu sonho aconteceu a mesma coisa!
Que será que isso quer dizer, Levi?
— Não sei e não me interessa.
Foi apenas um sonho.
Hoje vamos interrogar aquele bruxo que dizem que faz muitos milagres.
Ele não vai ter como negar que tem trato com o demónio.
Fiquei calado, pois embora ele não tivesse dado atenção ao sonho, eu estava muito preocupado e sabia que aquilo que fazíamos estava errado.
— Naquela tarde, fomos até uma cela onde um homem com mais ou menos cinquenta anos estava acorrentado pelos pés e mãos, a uma mesa.
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