ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 01, 2017 7:25 pm

Viram como o preconceito às vezes passa despercebido e que as pessoas, embora neguem, o sentem realmente?
Marina, nervosa por ter se lembrado das muitas vezes em que teve preconceito, disse:
— Precisamos levar em conta que ela está nervosa e que realmente perdeu um filho...
— Tudo é levado em consideração, Marina.
Desde que nascemos, no mundo ocidental, a morte foi ensinada como sendo uma coisa ruim e por isso na Terra, nos recusamos e não gostamos de falar a seu respeito.
Temos a impressão, assim, de que se não falarmos, ela ficará longe.
Todos sabem que ela existe, mas preferem pensar que só morrerá alguém, nosso conhecido ou vizinho, mas que na nossa família ou connosco próprios, ela não acontecerá, quando a verdade não é essa.
Ela chegará para todos, no dia certo, na hora certa e no lugar certo.
Portanto, por que temê—la?
Por que chorar e se desesperar quando um ente querido passa por essa experiência?
Todos, ou quase a maioria, acreditam em espírito, alma ou vida pós—morte.
Para os católicos a alma continuará no céu, no inferno ou no purgatório.
Para os protestantes, continuará adormecida até a ressurreição.
Para os espíritas, continuará trabalhando e esperando por uma reencarnação.
Portanto, todos acreditam que espírito ou alma existem e que quando morrem, estão em algum lugar.
Todos sabem que, embora não seja o desejado, um dia ela chegará para todos e se acreditássemos que aqueles que foram na nossa frente estão em algum lugar, deveríamos saber que, um dia, os reencontraremos.
— Tem razão, Donata.
É muito difícil se falar em morte.
Todos pensam e fazem planos para o futuro sem nunca se preocuparem com ela... como estão errados...
— Não, Marina, não estão errados.
Devemos sempre pensar no futuro, ter sonhos que precisam ser realizados.
O espírito precisa desses sonhos para progredir.
A morte existe e virá a qualquer momento, mas isso não pode impedir de o espírito, quando encarnado, continuar sua caminhada, aprendendo sempre.
A morte só não deve ser encarada como a perda de alguém, isso não é verdade.
Como sabemos, a vida continua e é muito intensa.
Existe muito trabalho para ser feito.
Sabemos que depois da morte temos muito trabalho, às vezes muito mais do que quando éramos encarnados.
— Tem razão, Donata.
Gina e Armando continuavam abraçados.
A campainha tocou.
Gina perguntou:
— Quem poderá ser, Armando?
Não estou esperando ninguém.
Armando em silêncio se levantou e foi até a porta.
Abriu e por ela entraram dois senhores.
Jaime, assim que os viu, quase gritou:
— São meus irmãos!
— Sim, Jaime, eles vieram visitar sua mãe e também para nos encontrar.
— Nos encontrar, Ademir?
Sabiam que viríamos?
— Eles não, mas Romeu sim.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 01, 2017 7:26 pm

Por isso, com a ajuda de Isaura, Felício e Pedro foram ao encontro deles e os intuíram para que se reunissem nesta hora.
— Por que, Ademir?
O que vai acontecer aqui?
— Romeu nos contou que Gina, assim como estamos vendo, estava se deixando levar pela dor e sofrimento, por isso estava atraindo para junto de si espíritos também sofredores e tristes, além de outros suicidas que farão tudo para que ela cometa esse acto terrível.
— Isso não pode acontecer, Ademir!
— Também achamos, Jaime e por isso nós do plano espiritual, seu pai e irmãos estamos aqui, para tentar evitar que aconteça.
— Que poderemos fazer?
— Não podemos interferir em seu livre—arbítrio, só ela poderá decidir, mas faremos o possível para que esse acto terrível seja evitado.
Precisamos esperar que conversem para podermos ver o que será feito.
Os irmãos de Jaime se aproximaram da mãe e a beijaram.
O que parecia ser o mais velho perguntou:
— Como a senhora está, mamãe?
Ela, tentando mostrar a altivez de sempre, levantou os olhos e com ironia, respondeu:
— Estou muito bem.
Só não estou entendendo por que estão aqui, já que mudaram de lado e nunca mais vieram me visitar.
— Não mudamos de lado, mamãe.
Só percebemos que não importasse o que fizéssemos, não traríamos Jaime de volta.
Ele está com Jesus e nada poderemos fazer contra isso...
— Sim, ele está com Jesus e nunca mais voltará... mas aquela mulher continua vivendo como se nada tivesse acontecido.
Ela que foi a culpada de tudo o que aconteceu com a nossa família.
Eu a odeio!
— É sobre isso mesmo que queremos conversar com a senhora.
— Querem conversar sobre o quê?
— A senhora não está bem, mamãe e estamos preocupados.
Gina se levantou e andou pela sala.
Depois disse:
— Não precisam se preocupar estou muito bem, só um pouco triste e revoltada, nada além disso.
— Não, mamãe, não está bem e é fácil de se notar.
Basta olhar sua aparência, está desleixada e pela primeira vez, estou vendo seus cabelos brancos, coisa que nenhum de nós nunca viu.
Sempre os pintava e mandava fazer um penteado bonito.
Está vestida com uma camisola, outra coisa que nunca vimos.
A primeira coisa que sempre fazia, assim que se levantava, era colocar uma roupa bonita e nunca se esquecia do salto alto.
Foi sempre muito elegante e hoje não é nem a sombra do que sempre foi mamãe, isso não pode continuar...
Gina respirou fundo e voltou a sentar.
— Aquele tempo nunca mais voltará, aquela Gina que conheceram morreu junto com Jaime.
— Isso não é verdade, mamãe... eu não morri... estou aqui mais vivo do que nunca e muito triste por ver a senhora assim...
Jaime disse essas palavras chorando e desesperado ao ver no que sua mãe havia se transformado.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 01, 2017 7:26 pm

Donata, colocando a mão sobre o braço dele, disse:
— Tentaremos agora algo que quase sempre dá certo.
Ao mesmo tempo em que falava, colocou a mão sobre a garganta de Armando, que disse:
— Isso não está certo, Gina.
Nosso filho não morreu, ele está vivo em algum lugar.
— Como pode estar vivo em algum lugar, Armando?
Nós vimos seu corpo sendo enterrado... e ele só acordará no dia da ressurreição e nem sabemos se nesse dia estaremos ao lado dele.
— Enterramos só o corpo, Gina.
Seu espírito continua vivo...
Isso que está dizendo não existe, Armando, ele está dormindo, esperando o dia da ressurreição, mas mesmo que fosse verdade, não me interessa se ele está vivo em algum lugar!
Quero meu filho de volta!
Esperei muito o dia em que se tornasse médico e só nos desse orgulho!
Todos nós esperamos e lutamos muito para que isso acontecesse!
Será que só eu sinto a falta dele?
Será que só eu o amava realmente?
Parece que vocês não se importam com tudo o que aconteceu!
Parece que não gostavam dele!
— Não diga isso, Gina.
Ele também era e continua sendo meu filho.
Esse seu modo de agir já nos separou.
— Não foi o meu modo de agir que nos separou, foi a sua recusa em querer acusar aquela mulher!
Foi ela quem matou nosso filho!
Foi ela quem destruiu nossa família!
— Não, Gina!
Não foi ela, fomos nós!
— Que está falando?
Nós o amávamos e só queríamos o seu bem!
Foi ela que apareceu e o destruiu e a nossa família!
— Sim, queríamos que fosse um médico famoso, mas a vida não quis, Gina.
Ele morreu não por culpa dela ou nossa, ele morreu porque chegou sua hora.
Tudo o que precisava fazer aqui na Terra, tinha feito.
— Você está completamente louco!
Como ele fez tudo o que tinha de fazer?
Ele estava apenas começando a viver!
Do que adiantou estudar tanto se ia morrer assim que se formasse?
Isso não faz sentido, Armando!
Nós o ajudamos tanto...
Gina falava e chorava, Armando, também com lágrimas nos olhos, perguntou:
— Se nós tivéssemos ajudado para que se tornasse médico, não para exercer sua profissão aqui na Terra, mas na espiritualidade?
Gina enxugou as lágrimas com um lenço que tinha nas mãos, arregalou os olhos e disse, com muita raiva:
— Você deve estar louco, Armando!
Como pode dizer uma coisa como essa?
Que espiritualidade?
Que conversa é essa?
— Estou apenas repetindo o que meu amigo Diogo me disse quando saí de casa e não tinha para onde ir.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 01, 2017 7:26 pm

Não sei de onde surgiu a ideia de ir procurá—lo, sabia que ele havia perdido a esposa há pouco tempo e por isso talvez me entendesse e me desse abrigo por uns poucos dias, até que eu conseguisse reorganizar minha vida.
Ademir e os outros olharam para Romeu, que disse:
— Como sabem, sempre fomos amigos dessa família e acompanhamos, mesmo de longe, sua trajectória.
Quando você morreu, Jaime, nos aproximamos e ficamos o tempo todo ao lado deles.
Presenciamos todas as brigas que fizeram com que seus irmãos, que são casados, deixassem de visitar seus pais e eles continuaram brigando.
Um dia, Armando, não suportando mais continuar vendo aquilo em que Gina estava se transformando, deixando—se levar pelos espíritos que se aproximaram e que faziam com que ela sofresse e chorasse cada vez mais e os outros que a incentivavam no seu ódio e desejo de vingança, resolveu sair de casa.
Isaura e Pedro ficaram aqui.
Eu e Felício acompanhamos Armando.
Ele estava desnorteado e não sabia para onde ir, nós lhe falamos de Diogo.
Demorou um pouco para que ele nos ouvisse, mas continuamos insistindo, até que resolveu procurar o amigo.
— Você se lembra do Diogo, não se lembra, Gina?
— Claro que me lembro, embora faça muito tempo que não o vejo.
O que tem ele a ver com a morte do Jaime?
— Com a morte nada, mas com sua vida depois que morreu, tem muito.
— O que ele sabe, Armando?
Armando olhou para os filhos, depois para ela e disse:
— Tudo o que vou lhe contar, Gina, já contei para nossos filhos.
Eles resistiram, mas finalmente aceitaram, o que fez com que mudassem de ideia sobre tudo o que aprendemos e seguimos durante toda nossa vida e no que havia acontecido.
É por isso que estamos os três aqui, para ver se conseguimos fazer com que mude de ideia e aceita o que aconteceu com Jaime e também para que possamos recomeçar a nossa vida.
— Nada que possa falar vai fazer com que eu mude de ideia, Armando!
Muito menos com que aceite aquela coisa horrível que aconteceu com Jaime!
Não podemos recomeçar nossa vida, pois com a morte dele, ela foi totalmente destruída!
Você não percebeu isso?
Não temos mais vida! Ela terminou!
Nem sequer a fé tenho mais!
Nossa vida foi toda uma mentira!
— Já pensei isso, Gina, mas hoje não penso mais.
Não acredito que a morte seja um fim, mas só um recomeço.
Sei que meu filho está vivo, muito vivo, e por isso minha fé em Deus aumentou...
— É verdade, mamãe!
Eu estou vivo, feliz e trabalhando muito! – Jaime disse, chorando.
Ademir colocou a mão em seu ombro e disse:
— Sei que está emocionado, Jaime, não só por rever a sua família, como também por saber a maneira em que se encontram, mas não se preocupe, tudo o que puder ser feito por sua mãe será feito.
Ela está triste, nervosa, sentindo—se perdida e sem um caminho para seguir, mas com a ajuda que tem tido por parte de Romeu e da sua equipe, tenho a certeza de que conseguirá se reencontrar.
Jaime, ainda chorando, colocou a mão sobre a de Ademir e tentou sorrir.
Ademir, com a mão fez um sinal para que continuassem ouvindo a conversa.
Diante do que Armando disse, Gina nervosa e chorando, disse:
— Não sei o que levou você a pensar dessa maneira, Armando, mas por mais que eu pense ou tente aceitar, não consigo... não consigo...
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 01, 2017 7:27 pm

— Sei perfeitamente o que está sentindo e por sempre ter amado você, pelos muitos anos de casamento, por termos enfrentado e vencido tantas batalhas durante todo esse tempo é que estou aqui para que possamos recomeçar.
Posso continuar dizendo o que aconteceu comigo quando saí de casa e fui me encontrar com Diogo?
— Está bem.
Continue falando, embora eu tenha a certeza de que nada fará com que eu mude de ideia.
Armando olhou para os filhos, sorriu e continuou falando:
— Como eu estava dizendo, quando saí daqui sem ter para onde ir, me lembrei do Diogo e fui até sua casa.
Ele, a principio, estranhou minha presença ali, mas mesmo assim me recebeu muito bem e pediu que eu entrasse.
Entramos e ele, percebendo que estava muito nervoso, perguntou:
— Estou vendo que está muito nervoso.
Vamos até a cozinha e vou preparar um café e enquanto ele fica pronto, podemos conversar.
Como sabe, minha mulher depois de um longo tempo doente faleceu e me deixou sozinho.
Tive de me acostumar a viver sozinho e a cuidar da casa e preparar minha alimentação.
— Fomos para a cozinha, ele me mostrou uma cadeira junto à mesa e eu me sentei.
Ele colocou a água para ferver e sentou—se ao meu lado.
Não entendendo como ele poderia estar tão tranquilo, pois sua mulher havia morrido há pouco tempo, perguntei curioso:
— Parece que você está muito bem, apesar de sua mulher ter falecido.
Ele sorriu e respondeu:
— Sinto muita falta dela, estivemos casados quase cinquenta anos, mas sei que nossa separação não será por muito tempo.
Logo estarei ao seu lado.
— Não prestei muita atenção no que ele disse e perguntei:
— Sei que tem filhos, Diogo.
Por que continuou morando sozinho aqui nesta casa?
— Quando minha mulher ficou doente, já estava na hora de me aposentar e para cuidar dela, me aposentei e fiquei ao seu lado.
Meus filhos são casados e estão cuidando de suas vidas.
Não seria justo eu ir para a casa deles.
Tenho esta casa, onde fui feliz por muito tempo.
Estou bem de saúde e sei que se ficar doente e precisar, eles me atenderão, mas por enquanto continuarei aqui.
— Eu concordei com ele quanto a ir morar com filhos já casados, mas não entendia a maneira como estava tão tranquilo apesar de sua mulher ter morrido.
Ele olhou bem para mim e perguntou:
— Bem, agora Armando, enquanto a água ferve, pode me contar o que aconteceu que deixou você tão nervoso?
— Comecei a chorar e lhe contei tudo o que havia acontecido.
Terminei, dizendo:
— Como pode ver, minha vida está virada de ponta cabeça.
Há pouco tempo, estava tudo bem.
Meu filho havia se formado e estava pronto para iniciar sua carreira.
De repente, tudo mudou.
Ele morreu, minha mulher está nervosa, distante, chora o tempo todo e briga por qualquer coisa.
Ela não se conforma com a morte de Jaime e diz que ele era tão brilhante e que seria um óptimo médico.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 01, 2017 7:27 pm

— Tenho certeza de que ele será um bom médico, mas não aqui na Terra e sim no plano espiritual.
— O que está falando, Diogo?
Perdi meu filho e está me dizendo que ele será médico no plano espiritual?
Não estou entendendo.
— Sei que, quando alguém que amamos morre, o desespero toma conta e muitas vezes questionamos a justiça de Deus e a coerência da vida.
Todos pensam assim como você:
que perdeu um filho brilhante, que não houve coerência nem justiça, contudo não sabemos por que aconteceu e quais foram os motivos do plano espiritual para que isso acontecesse.
De uma coisa eu sei, tudo o que acontece foi planeado antes de nascermos e tanto seu filho como sua família tomaram conhecimento e aceitaram que deveria ser assim.
Deus não se engana jamais.
— Você não entende, Diogo?
Meu filho, um rapaz bom, estudioso e brilhante morreu!
Não existe uma explicação para isso!
Tem razão, não é justo nem coerente!
Como posso aceitar uma coisa como essa?
Não sei se existe um plano, mas se existiu, com certeza não tomei parte!
— Você acredita em Deus, Armando?
— Acreditava, agora não sei se ainda continuo acreditando.
— Se está com dúvidas a esse respeito é porque na realidade nunca acreditou.
Só lhe foi ensinado, desde pequeno, que deveria acreditar.
- Não sei, talvez você tenha razão, mas sempre fui muito religioso e pensei que acreditava, mas agora não sei se voltarei a acreditar.
Se é verdade que Deus existe e que comanda tudo, que tem um plano para cada um de nós, nunca deveria ter permitido que isso acontecesse com meu filho, comigo e com a minha família!
— Sei que agora não está em condições de acreditar em Deus, mas supondo—se que Ele realmente exista, que foi o criador de tudo e de todos, portanto deve ser um sábio.
Se Ele for um Deus sábio, acha que Ele cometeria algum erro?
Acha que Ele não sabia e não sabe o que aconteceria com a Sua criação?
— Supondo—se que Ele realmente exista, Diogo e que foi o nosso criador, portanto aquele que comanda as nossas vidas, deveria nos conhecer por isso mesmo, não deveria ser injusto nem cometeria algum erro, mas se é que realmente Ele existe connosco, com a minha família cometeu um erro muito grave.
Tirou deste mundo um rapaz jovem, bonito, brilhante e que seria de muita utilidade para a sociedade.
— Supondo—se que Deus é sábio, acredita que Ele, quando criou seus filhos, não sabia que teriam seus defeitos e qualidades?
— Se fosse um Deus, realmente deveria saber.
— Você acredita em vida após a morte?
— Não! Sempre acreditei que quando morrermos ficamos dormindo, esperando o dia da ressurreição, mas hoje não sei mais.
— No tempo em que acreditava, para você, o que nos aconteceria quando morrêssemos?
— Naquele tempo, achava que ao morrermos iríamos para o céu e ficaríamos dormindo até a ressurreição, ou para o inferno, dependendo de nossas atitudes quando vivos.
— O que imagina que aconteceria no inferno?
— No inferno, queimaríamos eternamente.
— Se Deus sabia que seus filhos não eram perfeitos, acredita que os condenaria ao fogo eterno do inferno ou deixaria que ficassem esperando a ressurreição sem nada fazer para seu progresso e aperfeiçoamento?
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 01, 2017 7:27 pm

Com todas aquelas perguntas, fui ficando muito nervoso, Gina e respondi, irado:
— Não sei, Diogo.
Você está mudando de assunto e me confundindo.
Estamos falando do meu filho que morreu tão jovem!
É dele que estamos falando, não de um suposto Deus!
Todo o resto são apenas conjecturas.
— Estou falando de seu filho, Armando, mas também do Seu criador e como não temos nada a fazer antes que o café fique pronto, podemos continuar fazendo conjecturas.
Diogo se levantou e percebeu que a água estava começando a ferver, colocou algumas colheres de pó na leiteira onde a água estava e assim que ferveu, jogou em um coador que estava sobre o bule.
Enquanto o café foi sendo coado, seu cheiro invadiu toda a cozinha.
Fiquei pensando em tudo o que ele havia dito.
Para mim era confuso entender.
Tudo aquilo era completamente diferente do que havia aprendido desde criança.
Estava muito infeliz, tinha perdido meu filho, saí da minha casa e o mais importante, estava longe de você, Gina.
Agora, Diogo vinha com aquela conversa que para mim não tinha sentido algum.
Fiquei olhando para ele que, de costas para mim, não percebeu.
Continuei pensando:
Como posso aceitar que meu filho tenha morrido daquela maneira estúpida?
Não, Deus não deve existir.
Toda essa história de céu e inferno não passa de crendice.
Por outro lado, se Deus realmente existir, nunca poderia ter feito isso comigo.
Sempre fui um homem bom, fiel e cumpridor dos meus deveres na igreja.
Sempre paguei os meus dízimos.
Por que fui o escolhido?
Diogo, embora ainda de costas para mim, pareceu ter ouvido o que eu estava pensando e disse:
— Sabe, Armando, quando tudo vai bem em nossa vida, não questionamos Deus e não perguntamos por que fomos os escolhidos, mas ao contrário, quando surge algum problema, é a primeira coisa que fazemos.
Fiquei estarrecido com o que ele disse, pois era justamente o que eu estava pensando.
Confuso, perguntei:
— Diogo, você lê pensamento?
Ele se voltou para mim e rindo, perguntou:
— Por que está perguntando isso, Armando?
— Porque, nesse momento, eu estava pensando justamente isso...
— Ele, primeiro, levantou os olhos para o alto, como se estivesse vendo algo que eu não via, depois sorrindo, disse:
— Não, Armando, não leio pensamentos, mas se eu lhe disser que agora aqui ao nosso lado estão vários amigos nossos que já morreram e por estarem preocupados com você, estão tentando lhe dizer algo e estão me usando para isso, o que você faria?
Imediatamente Ademir e os outros olharam para Romeu que sorriu e acenou com a cabeça, dizendo que era ele quem estava ali, naquele dia, intuindo Diogo para que dissesse tudo aquilo que estava dizendo.
Todos sorriram e voltaram—se novamente para Armando e Gina que impressionada, prestava atenção no que o marido dizia.
Armando continuou falando:
Eu disse, um tanto assustado com tudo aquilo, Gina:
— Não estou entendendo, Diogo.
Você está me deixando assustado e cada vez mais confuso...
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 01, 2017 7:27 pm

— Não precisa ficar assustado nem confuso.
Vou tentar lhe explicar o que acredito que está acontecendo.
Durante toda a nossa vida temos, sempre nos visitando, amigos que já morreram ou que não renasceram que nos acompanham e tentam ajudar a nossa caminhada.
Quando estamos bem, eles se aproximam, matam a saudade, jogam sobre nós luzes brancas e continuam sua jornada.
Quando estamos mal, por qualquer motivo, como está acontecendo agora com você e sua família, eles demoram o tempo que for necessário para que tudo volte ao normal.
Você disse que eu li os seus pensamentos.
Como não posso fazer isso e você veio me procurar, só posso deduzir que algum amigo nosso ou toda uma equipe esteja aqui me intuindo nas palavras que devo lhe dizer.
Meus pais sempre seguiram a Doutrina espírita e sempre nos ensinaram a mim e aos meus irmãos, suas principais leis.
— Aquela religião que as pessoas falam com os mortos?
Ele rindo, respondeu:
— Aquela mesma, Armando.
O falar com os mortos é uma pequena parte do que ela realmente ensina e não é o mais importante.
— Está dizendo que, se eu seguir essa religião, poderei falar com meu filho?
— Mesmo sem seguir essa religião, talvez poderá.
— Sem seguir essa religião, ou qualquer uma?
— Sim, Armando, na espiritualidade não existem religiões.
Existe somente o grande amor de Deus para com seus filhos.
Os mortos, quando podem e têm tempo, aparecem em sonhos e conversam com aqueles a quem amam.
— Têm tempo?
Está dizendo que eles trabalham e por isso não têm tempo?
Ele sorriu e com sua tranquilidade de sempre, respondeu:
— Sim, Armando. Ao contrário do que muitos pensam, a morte não é o fim, o descanso.
Ela é uma continuidade da vida.
O espírito não está no céu ou no inferno.
Ele está em algum lugar bom ou ruim, mas sempre aprendendo.
— Não dá para acreditar no que está dizendo, Diogo.
— Não dá para acreditar porque sempre nos ensinaram o contrário.
Sempre nos disseram que Deus, se não fizéssemos a coisa certa, nos castigaria e nunca mais nos daria o perdão e que depois de mortos, ficaríamos parados, esperando um castigo ou uma recompensa.
Isso não pode ser verdade.
Deus, com toda Sua sabedoria, amor e justiça, não nos criaria para que vivêssemos algum tempo na Terra ou em outro lugar qualquer para depois, se tivéssemos feito alguma coisa de ruim, não termos uma segunda chance.
Todo o criminoso aqui na Terra, vai preso, mas sempre com a intenção de que ele possa se recuperar e voltar ao convívio da sociedade.
Se isso não acontece é por vários motivos, mas a chance ele teve.
Imagine se Deus, com toda Sua sabedoria, não nos daria outras chances, quantas fossem necessárias para que pudéssemos nos redimir.
— Fiquei olhando para ele sem saber o que dizer.
Ele continuou:
— Você me perguntou se poderia falar com seu filho, só posso lhe dizer que não sei, mas sabendo que seu filho foi um moço muito bom e um excelente médico, acredito que esteja trabalhando no plano espiritual, em uma equipe médica, dando assistência para aqueles doentes que procuram muitos lugares para se curarem ou em outra equipe que está sempre presente na hora em que a pessoa morra em qualquer lugar.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 01, 2017 7:28 pm

— Então não adianta me tornar um espírita se não vou conseguir falar com meu filho...
— A doutrina espírita, como qualquer outra religião, nos mostra o caminho para chegarmos até Deus e para isso, nos ensina algumas leis.
— Que leis?
— Algumas muito conhecidas e as quais as pessoas mesmo sem ser espírita, já cumprem.
Uma delas chama—se acção e reacção.
Com ela, aprendemos a não fazer com os outros aquilo que não faríamos connosco.
Uma tradução de um dos mandamentos que Jesus nos deixou, “Amai ao vosso próximo como a ti mesmo.”
Acrescentando, “pois tudo o que fizeres com ele, será devolvido na mesma medida.”
— Jesus?! Você está falando em Jesus?
Mas essa religião não é aquela que mata bichos, usa velas pretas e cachaça?
— Sim, estou falando em Jesus.
A doutrina espírita se baseia no Novo Testamento.
Essa outra religião adora os deuses da Natureza, mas tem como seu Orixá maior, Oxalá que é representado pela imagem de Cristo.
Existem muitas outras que não acreditam em Jesus, na bíblia, muito menos no que está escrito nela.
Isso acontece porque nos lugares onde elas nasceram, não sabiam da existência de Jesus.
Muito antes do novo testamento, outras religiões já existiam, pois o homem sempre foi um ser espiritual e por isso, sempre teve de acreditar em algo superior.
As religiões que surgiram antes do cristianismo seguiam seus deuses e seus rituais e muitas delas continuam assim até hoje, mas se a conhecermos profundamente, saberemos que todas têm como base, as mesmas leis.
Todas, através de seus deuses e rituais, aprendem a respeitar o próximo e a só fazer o bem.
Todas sabem que espírito, alma ou qualquer outro nome que se quiser dar é eterno.
Todos sabem que são responsáveis por seus actos, maus ou ruins.
Todos conhecem o livre—arbítrio e sabem também que por ele terão de responder.
— Livre—arbítrio?
— Sim, pelo livre—arbítrio, Deus nos deu o direito de escolhermos o caminho que queremos seguir, bom ou ruim, mas pela mesma lei, nos dá a responsabilidade e as consequências dessa escolha.
Fiquei só ouvindo e tentando entender.
Tudo me parecia muito claro e minhas dúvidas estavam tendo respostas.
Aquela religião me parecia ser a melhor que eu havia conhecido, embora como você sabe, Gina, só conhecemos bem uma, mas ainda não estava satisfeito.
Perguntei:
— Então, depois de tudo o que me disse, posso deduzir que a sua religião é a verdadeira, aquela que nos conduz a salvação.
— Não, a minha religião, como todas as outras, ensina o caminho.
Agora, cada um de nós deve escolher aquele caminho que deseja seguir.
Como em todas as religiões, profissões ou qualquer lugar, sempre existe o bom religioso, o bom profissional ou aquele que é bom sem religião alguma.
Como existe também o mau em qualquer área de actuação.
Cada um de nós está em estágios diferentes de evolução, por isso não devemos julgar ou condenar, devemos sim, aceitar a todos da maneira como são.
Isso nos leva à outra lei a do amor e do perdão.
Como já lhe disse, para a espiritualidade não existe religião, só o espírito em sua caminhada de aprendizado, de erros e de acertos.
A única coisa que sei e que todos sabemos é que, após terminarmos a nossa jornada aqui na Terra, teremos de prestar contas de nossos actos.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 01, 2017 7:28 pm

— Eu estava lá, Gina, ouvindo aquele homem que eu conhecia há tanto tempo, mas que nunca imaginei que pensasse daquela maneira.
Tudo o que ele dizia parecia fazer sentido.
Mas, acho que para querer saber mais, eu disse:
- Da maneira como você está falando, Diogo, não importa se sejamos bons ou ruins sempre teremos a oportunidade de sermos perdoados.
Podemos cometer maldades de qualquer espécie, matar, roubar, fazer qualquer tipo de barbaridades e no final, ficar tudo bem?
Você acha justo?
— Se acreditarmos que existe um Deus justo, não podemos duvidar, mas não se esqueça de que teremos de sofrer algum tipo de castigo, como acontece com um pai aqui na Terra, quando um filho faz algo errado.
Ele castiga, mas não deixa de amar seu filho.
Imagine Deus...
— Sinto muito, meu amigo, mas não dá para aceitar.
Existem crimes horrendos, de uma crueldade inimaginável, como perdoar, como dizer que no final serão perdoados e poderão ir para o céu?
Por outro lado, depois de tudo que aprendi, isso só pode acontecer se aceitarem Jesus e se arrependerem, mas aqueles que não fizerem isso, esses sim, estão condenados por toda a eternidade.
Diogo sorriu e me perguntou, calmamente:
— Quando seus filhos eram crianças e cometiam algo que para você era considerado errado, o que você fazia?
— Eu ficava nervoso, conversava e dava um castigo.
— Porque fazia isso?
— Para que aprendessem e não cometessem aquele erro novamente.
— Depois do castigo aplicado e seu filho ter cumprido, o que acontecia?
— Tudo voltava ao normal.
— Você voltava a ser o pai dedicado e seu filho havia aprendido uma lição, não é isso mesmo?
Porém se seu filho, após algum tempo cometesse o mesmo erro ou outro qualquer, o que você fazia?
— Sempre igual, brigava e colocava de castigo.
— Depois que o castigo terminasse, voltava tudo ao normal não é?
— Espere aí, Diogo, estamos falando de crianças, não de adultos!
As crianças precisam aprender o que é certo e errado!
— Exactamente, estamos falando de crianças.
Para Deus acontece o mesmo que com os pais:
estes, mesmo que seus filhos tenham crescido, continuam achando que são crianças.
Somos Seus filhos, erramos muitas vezes e muitas vezes sofremos algum tipo de castigo e depois somos perdoados.
Isso acontecerá até o dia em que tenhamos aprendido e só aí Deus ficará feliz.
Mas, para que isso aconteça, é necessário muito tempo e muitas reencarnações.
— Reencarnação?
Essa conversa está tomando um caminho muito estranho, Diogo.
Você acredita mesmo em reencarnação?
— Sim, Armando, não só acredito como penso que sem ela não haveria como Deus aplicar sua justiça, seu castigo e seu perdão, como qualquer pai que só deseja o melhor para seus filhos.
— Para isso existe o céu e o inferno!
— Para um erro grave existe o inferno sim, mas será por toda a eternidade?
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 01, 2017 7:28 pm

— Acho que quem cometeu um erro grave ou não aceitar Jesus como seu Salvador, deve sim ficar no inferno por toda a eternidade e aquele que foi bom e aceitou Jesus, deve ser feliz também por toda a eternidade...
— Supondo—se que você seja um homem bom, sem defeito e que ao morrer vá para o céu e que seu filho ou alguém que ame, por ter cometido alguns erros, vá para o inferno, acredita mesmo que conseguiria ser feliz no céu, sabendo que eles estão sofrendo no inferno?
Se tivesse oportunidade não faria o que fosse possível para tentar resgatá—los?
— Fiquei sem saber o que responder, Gina.
Tentei me ver naquela situação.
Realmente eu, embora estivesse no céu, não ficaria feliz em saber que um de vocês estava no inferno.
Respondi:
— Não, com certeza eu não ficaria e tentaria, sim, tudo o que fosse possível para tirá—los de lá.
— Na doutrina em que acredito, Deus é um Pai tão bom e maravilhoso que sempre nos dará a oportunidade de resgatar nossos erros, ajudar aqueles que amamos e receber ajuda daqueles que nos amam.
— Quero acreditar no que está dizendo, Diogo, mas precisa entender que é completamente diferente do que aprendi durante toda minha vida.
Sempre acreditei em um Deus que recebia seus filhos de braços abertos quando obedeciam a Suas palavras que estão na Bíblia, mas que castigava com o fogo do inferno aqueles que não o obedeciam.
— Entendo e sei que está sendo difícil, mas acredito em um Deus bom e misericordioso, que nos perdoa sempre.
Agora, voltando aos seus filhos:
sempre que aplicava um castigo a qualquer um deles, você não ficava preocupado, achando que o castigo havia sido muito forte, ficava com pena e desejava que ele terminasse logo?
— Fiquei olhando para ele, Gina e me lembrando das muitas vezes em que colocamos as crianças de castigo e tanto eu como você ficávamos fingindo que nada estava acontecendo, mas acompanhando a reacção deles e torcendo para que o tempo do castigo terminasse.
Não era assim mesmo que acontecia?
Gina, que havia parado de chorar e acompanhava atenta ao que Armando falava, olhou para os filhos, depois para o marido e respondeu:
— É verdade, Armando, sempre que um deles ou todos ficava de castigo, eu, embora soubesse que era necessário, ficava triste e ansiosa para que ele terminasse.
Após o castigo tinha preparado um bolo, um lanche ou a comida de que ele ou eles mais gostavam.
— Está vendo, Gina como tudo o que Diogo me disse naquela noite era verdade, fazia sentido?
— Até aqui acho que havia uma certa coerência, Armando, mas isso de reencarnação é muito para minha cabeça.
Não dá para acreditar... sabe que sempre aprendemos e aceitamos algo completamente diferente...
— Também achei isso, tanto que quase dei a conversa por encerrada, mas ele insistiu:
— Sei que para quem nunca ouviu falar, parece que reencarnação é um bicho de sete cabeças, mas não é, Armando.
Você admitiu que castigava seus filhos quando faziam algo que para você parecia errado.
Já admitiu que sempre que colocava um de seus filhos de castigo sofria muito e não via a hora em que o castigo terminasse, não foi?
— Sim, não tenho como não admitir.
— Se você, quando fazia isso sofria, por que não aconteceria o mesmo com Deus que é nosso Pai e criador?
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 01, 2017 7:28 pm

— Justamente por ele ser Deus e saber de tudo.
— Sim, Ele é Deus e sabe de tudo, mas para que Seus filhos atingissem a perfeição, Ele nos deu algumas Leis.
Entre elas, a do livre—arbítrio, como já lhe disse.
Também a Lei de acção e reacção e essa é usada para que o seu castigo seja dado.
— Como assim?
— Acção e reacção significam que, usando de nosso livre—arbítrio, podemos praticar o bem ou o mal, mas que também tudo o que fizermos de certo ou de errado retornará para nós mesmos.
Quando usamos mal nosso livre—arbítrio, quase sempre cometemos algo que nos prejudica ou ao nosso próximo.
Deus, embora triste, sabe que precisamos sofrer um castigo para que possamos aprender.
Assim como você fazia com seus filhos.
Para o espírito o pior castigo é ter de renascer na Terra ou em outro lugar qualquer.
— Renascer, viver não é castigo é até muito bom!
— Para nós que vivemos com o peso do corpo, até pode parecer verdade, mas para o espírito não.
Na espiritualidade, sem o peso do corpo, ele se sente protegido porque tem uma dificuldade imensa para errar ou contrair mais dívidas.
Pode trabalhar no que gostar, sem estar preso às convenções sociais ou ao dinheiro, pois lá não precisa ter dinheiro nem mostrar aos outros o quanto tem e não precisa querer mais.
Por isso, ele evita ao máximo renascer.
— Não acredito que esteja dizendo a verdade, Diogo.
Ainda continuo insistindo que viver é muito bom.
— Você conhece alguém que por todo o tempo em que vive aqui na Terra é totalmente feliz?
— Sim, muitos!
Aquele que tem muito dinheiro não deve ter qualquer tipo de preocupação, por isso deve ser feliz.
— Sim, nisso você tem razão.
O que tem muito dinheiro pode ter alguns momentos de felicidade, pode não ter nenhum tipo de preocupação.
Pode comprar o que quiser e pagar todos seus compromissos, mas na maioria das vezes, aquele que tem muito dinheiro vive infeliz por estar sempre com medo de perder o dinheiro.
Por isso, sempre quer mais e na maioria das vezes não se preocupa em como conseguir isso.
Além disso, quase sempre sofre por achar que todos aqueles que se aproximam dele o fazem somente por causa do dinheiro ou da posição social em que vive e quase sempre é sozinho mesmo tendo milhões de pessoas ao seu lado.
— Sim, pensando assim pode até ser verdade, mas não conheço ninguém que seja feliz totalmente, muito menos para sempre.
Tudo me parece muito estranho e difícil de entender.
— Pode parecer estranho e difícil, mas não é.
O espírito ao renascer traz consigo deveres e obrigações.
Quase sempre ele vai precisar resgatar erros cometidos em encarnações anteriores, onde, perante Deus, errou.
Encontrará os mesmos amigos e inimigos de outrora.
Os amigos lhes darão forças para continuar na caminhada e os inimigos serão empecilhos que ele terá de superar.
Terá também a oportunidade maravilhosa de perdoar e ser perdoado.
Aí é usada outra Lei, a do amor e do perdão.
Por ela, muito poderá caminhar.
— Se pensarmos assim, se tudo o que está dizendo é verdade, de hoje em diante vou fazer o melhor que posso, pois assim ao morrer irei directo para o céu e não precisarei voltar nunca mais.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 01, 2017 7:29 pm

—Diogo começou a rir, Gina.
Eu fiquei olhando para ele, sem entender.
Depois de algum tempo, ele disse:
— Esse céu de felicidade eterna também é difícil de se alcançar.
— Agora, você está me deixando preocupado, ou melhor, aterrorizado, Diogo.
Está dizendo que não importa o que façamos de bom, nunca encontraremos a paz de um céu maravilhoso?
— Não, Armando, só estou dizendo que esse céu idealizado é difícil de se alcançar.
— Continuo não entendendo.
Você disse que existe a lei de acção e reacção e que por ela receberemos de volta tudo o que fizemos, portanto, se eu só fizer o bem, terei por força da lei, de ter a minha recompensa.
— Claro que terá, mas não da maneira como está pensando.
— Como, então?
— Para que entenda, precisamos voltar aos seus filhos e às nossas suposições.
Supondo—se que você tenha sido um homem justo, correto, honesto e que nunca tenha feito mal a ninguém, mas ao contrário, tenha só feito o bem, o que acha que acontecerá quando morrer?
— Serei recebido com trombetas e cantos de anjos.
— Sim, isso pode até acontecer, mas como já disse, se tiver alguém a quem ame, sofrendo e sabendo que ele só poderá resgatar seus erros se renascer, não vai querer voltar para ajudá—lo?
—Fiquei outra vez pensando em todos vocês, Gina.
E me perguntando, será que seria feliz?
Depois de pensar, respondi:
— Acho que não ficaria feliz, Diogo.
Ficaria sim, muito triste e querendo ajudá—los de qualquer maneira.
— Por isso foi que eu disse que esse céu idealizado é difícil de se conseguir.
Eu disse difícil, não disse impossível.
Porque, assim como você pode renascer para ajudar alguém, existem também várias equipes de trabalho e entre elas, algumas que se propõem quando chega à hora, a resgatar aqueles que estão perdidos ou sofrendo.
Nesse momento você poderá trazer para o céu aqueles a quem ama.
— Se isso acontecer, será maravilhoso...
— Acontece muito mais do que você possa imaginar, Armando.
— Estou impressionado com tudo o que está dizendo, Diogo.
Tem muita lógica.
Só algo ainda está me incomodando.
— O que é?
— Se entendi bem o que você disse, por essa lei de acção e reacção, tudo o que eu fizer me será devolvido na mesma proporção.
Então, aquele a quem eu fizer mal me devolverá com um mal maior e eu, em uma próxima encarnação, devolverei com outro mal, isso não terá fim, Diogo!
Será formada uma corrente muito grande!
— Tem razão, Armando.
Forma—se uma corrente muito grande.
Já que a corrente é feita de elos, esses elos por força de outra lei, a do perdão, poderão e são cortados.
Existem grupos de espíritos que estão há séculos lutando uns contra os outros, mas sempre um ou outro vai, através do perdão, quebrando os elos e se libertando, mas continua ajudando aqueles que estão renascendo ou pelo caminho, presos a essas correntes.
Essa ajuda pode ser vinda da espiritualidade ou renascimento como pais, irmãos ou amigos.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 01, 2017 7:29 pm

— O perdão liberta, Diogo?
— Só ele, meu amigo.
Todas as pessoas que encontramos em nosso caminho, até mesmo aquelas que não conhecemos e nos dão um alô ou um bom—dia, já fazem parte de nossa corrente.
Por isso, encontramos pessoas de quem, sem saber por que, gostamos à primeira vista e outras de quem, sem motivo, não gostamos.
— Isso acontece mesmo...
— Sim, acontece Armando e muito.
Agora, precisamos voltar para seu filho Jaime.
— Jaime, por quê?
— Depois de tudo o que me contou a respeito de sua família, Armando, só posso deduzir que todos vocês fazem parte de uma mesma corrente e que estão juntos há muito tempo.
Por você e seus filhos se darem muito bem e parecendo que não existe problema algum, posso também deduzir que a única que ainda faz parte de seu grupo e que precisa perdoar e ser perdoada é Sandra e para que isso acontecesse, seu filho Jaime que deve ser um espírito muito iluminado, renasceu para servir de elo nesse perdão.
Jaime, ao ouvir aquilo, olhou para os outros e disse confuso, mas feliz:
— Eu, um espírito iluminado, Ademir?
Ademir e os outros riram.
Donata colocou o dedo indicador sobre a sua boca, pedindo silêncio e com a mão apontou para Armando que continuava falando e pediu que prestassem atenção.
Todos se voltaram para Armando, que disse:
— Diogo falou isso, Gina.
Ele disse que nosso filho é um espírito iluminado e que não precisava mais renascer, mas que fez isso só para nos ajudar a encontrar Sandra e assim, nos perdoássemos mutuamente.
— Você acredita nisso, Armando e vocês também, meus filhos, acreditam em uma loucura como essa?
— Mamãe, quando o papai nos chamou e nos contou o que Diogo havia dito, ficamos surpresos, assim como a senhora, mas depois de ler, pesquisar, entendemos que até pode ser verdade e se for é realmente uma felicidade imensa.
Quer dizer que Jaime não está morto.
Ele está vivo em algum lugar, trabalhando e nos esperando.
Sei que as pessoas não gostam de pensar e muito menos de falar sobre a morte, mas ela virá para todos sem que se possa escapar.
Se aprendermos a pensar nela não como um mal, como algo que nos separa das pessoas que amamos, mas sim como sendo apenas mais uma etapa da vida, que ela não separa para sempre, mas apenas por um tempo e que todos estamos e estaremos sempre juntos, não sentiremos mais medo ou desespero quando ela nos atingir.
Acredito em tudo o que Diogo disse.
— Acredita mesmo, Jorge?
Isso tudo me parece uma loucura... como fica aquilo em que acreditamos até hoje?
— Quando papai nos contou, também achamos que era loucura, mas resolvemos que precisávamos conhecer mais.
Poderia ser loucura, mas se fosse verdade, seria maravilhoso.
Nosso irmão não estava morto para sempre e quando chegar a nossa hora pode existir coisa mais maravilhosa do que essa?
Não acho que o que aprendemos deve ser esquecido, mamãe.
Tudo o que aprendemos são palavras deixadas por Jesus, só precisamos acreditar em Deus e em Jesus quando disse:
perdoai nossas dívidas assim como perdoamos nossos devedores.
Ele não estaria se referindo a essa corrente dita por Diogo?
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 01, 2017 7:29 pm

— Não sei..., não sei, mas gostaria muito de poder acreditar que um dia reencontrarei o meu filho...
— Foi isso que pensamos, mamãe, depois eu e Laerte, junto com papai fomos procurar Diogo e conversamos por muito tempo.
Se havia restado alguma dúvida, ele nos esclareceu e hoje mamãe, temos certeza de que Jaime está muito bem e que devemos procurar Sandra, nos aproximarmos dela e tentar fazer com que tudo fique esclarecido para que ela e nós possamos seguir com as nossas vidas, sabendo que a morte não é o fim, mas só um recomeço.
Precisamos fazer isso, mamãe...
— Procurar aquela mulher?
Vocês estão loucos!
Ela foi a causadora de todo nosso sofrimento!
Por culpa dela, meu filho morreu!
— Será que foi por culpa dela mesmo, Gina?
Não terá sido por nossa culpa, por nossa intolerância, por acharmos que poderíamos controlar a vida de Jaime que, por ser nosso filho, éramos donos dele e Deus nos mostrou que na realidade Jaime não nos pertencia, mas sim, a Ele?
Gina ficou olhando para Armando sem saber o que responder.
No íntimo, toda a revolta que sentia, na realidade não era contra Sandra, mas contra ela mesma.
Sentia—se culpada pela morte de Jaime.
Ficou calada, mas recomeçou a chorar.
Armando a abraçou e disse:
— Sei que tudo é muito triste, Gina.
Sei que esperamos muito de nosso filho, mas agora já está feito.
Ele morreu e não o teremos de volta, não aqui na Terra, mas podemos aceitar que ele está em algum lugar, quem sabe aqui neste momento.
— Estou aqui, papai e estou muito bem.
Não chore, mamãe...
Jaime disse essas palavras com lágrimas nos olhos.
Estava feliz por ter podido reencontrar sua família, mas triste por encontrá—los daquela maneira.
Gina, abraçada ao marido, disse:
— Você tem razão, Armando.
Fomos os responsáveis pela morte de Jaime e muito mais eu, por ser sua mãe.
Por um preconceito idiota eu o expulsei de casa.
O preconceito foi tanto que não dei uma chance de conhecer realmente, aquela moça.
Sabia que Jaime a amava, mas não podia aceitar.
Ela era tão diferente de nós, não tinha dinheiro, não tinha fortuna e não era a mulher que eu havia idealizado para ele...
— Sim, é verdade, mas de acordo com o que Diogo disse e eu acredito, ela é da nossa família, faz parte da nossa corrente e cabe a nós agora que descobrimos isso, para o bem de Jaime, esteja ele onde estiver, mas principalmente para o nosso próprio bem, procurarmos essa moça e sabermos o que aconteceu com sua vida e nos darmos a oportunidade de lamentarmos o que aconteceu com Jaime.
— Pensa em fazer isso, Armando?
Sim, Gina.
Sinto que isso é a coisa certa para se fazer.
Só não sei como encontrá—la.
— Por isso estamos aqui, mamãe.
Talvez a senhora tenha guardado uma agenda de telefones que pertenceu a Jaime e nela poderemos encontrar o telefone de Sandra.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 02, 2017 7:41 pm

— Vocês também querem encontrá—la?
— Sim, para como disse Diogo, podermos quebrar o último elo da corrente de ódio.
A senhora tem a agenda dele?
— Sim, tenho.
Tudo o que é dele continua igual, não mexi em nada.
Seu quarto, suas roupas estão da maneira como ele deixou.
— Depois que encontrarmos a Sandra vamos voltar e pegar tudo o que foi de Jaime, doarmos para alguém ou para uma instituição de caridade, Gina.
Trocaremos também os móveis do quarto dele.
Não podemos continuar pensando que se tudo ficar como era, a qualquer momento ele poderá voltar.
— Não, isso não vou fazer!
Vocês não têm o direito de exigir que eu faça uma coisa como essa!
Todos os dias entro naquele quarto e me lembro de como ele era.
Não posso perder essa referência!
— Gina, depois de tudo o que lhe contamos, desejamos do fundo do coração que Jaime não esteja nesta casa nem em seu quarto.
Tomara que ele esteja em outro lugar, com outras pessoas, trabalhando e crescendo todos os dias, espiritualmente e que possa de vez em quando vir nos visitar.
Por isso, Gina, para que nossa vida possa continuar, vamos fazer isso, dar tudo o que era dele e mudar os móveis do quarto.
Só assim, aos poucos, se interessando por outras coisas, poderá se lembrar de Jaime, mas com carinho, saudade e não mais com dor.
Gina agora chorava.
Jaime a acompanhava com lágrimas nos olhos
Sentia o grande amor dela para com ele, no que era retribuído.
Jogando luzes sobre ela, disse:
— Papai tem razão, mamãe.
Não estou mais em casa nem perto da senhora.
Meu tempo terminou.
Estou agora trabalhando e aprendendo muito.
Só preciso saber o que aconteceu com a Sandra.
Ela foi o amor da minha vida...
Gina, parecendo sentir a presença dele e com a energia das luzes que todos lhe enviavam, ficou mais calma e parou de chorar.
Com um lenço, secou os olhos e disse:
— Está bem, não sei se acredito em tudo isso que me contaram, mas pode ser verdade.
Por isso, vamos fazer o que tem de ser feito.
Tenho a agenda de telefones, mas tenho também o endereço.
Sandra, após algum tempo depois da morte de Jaime, me enviou uma carta que eu, tomada de ódio e culpa, nunca quis ler.
Tanto a carta como a agenda estão em meu quarto, vou pegar e depois vamos procurá—la.
Saiu e voltou logo depois com uma agenda e um envelope na mão.
Procuraram na agenda, mas não encontraram o número do telefone de Sandra.
Jaime, sabendo que ela não tinha telefone em casa e desesperado para que eles a encontrassem, começou a falar alto:
— Ela trabalha na cantina da faculdade!
Ela trabalha na cantina da faculdade!
Jorge, o irmão de Jaime, parecendo se lembrar, de repente disse:
— Não sei onde ela mora, papai, mas me lembro bem, ela trabalha na cantina da faculdade.
— É isso mesmo, Jorge.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 02, 2017 7:42 pm

Jaime comentou sobre isso, o que nos deixou mais bravos ainda.
Vou telefonar para a faculdade, talvez ela esteja lá.
Na agenda estava o número do telefone da faculdade.
Armando discou e do outro lado da linha, uma voz de mulher atendeu:
— Alô!
— Por favor, estou precisando falar com urgência com Sandra, a moça que trabalha na cantina.
— Desculpe, senhor, mas faz algum tempo que ela não trabalha mais aqui.
Ele olhou para Gina e os filhos que, ansiosos, acompanhavam a conversa.
Com a mão fez um sinal de negativo e perguntou:
— Não trabalha mais aí?
Sabe onde ela mora?
— Sinto muito, senhor, mas não sei.
— Está bem, obrigado.
Ele desligou o telefone, dizendo:
— Ela não trabalha mais lá e a moça que atendeu disse que já faz algum tempo.
Também não sabe onde ela mora.
— Que vamos fazer, papai?
Será que isso está acontecendo para que não a encontremos?
— Não, não deve ser, Jorge.
Encontraremos uma maneira de encontrá—la.
Vamos telefonar para os amigos de Jaime, algum deles deve saber onde ela mora.
— O Anselmo, papai!
Ele era o melhor amigo de Jaime.
Deve saber.
Telefonaram para a casa de Anselmo e uma mulher atendeu:
— Alô, pois não...
— Dona Iolanda, sou Armando o pai de Jaime.
— Senhor Armando, como está?
Sinto muito com o que aconteceu com o seu filho...
— Obrigado, mas preciso falar urgente com Anselmo, ele está em casa?
— Sinto muito, mas ele saiu logo pela manhã e não voltou até agora.
— A senhora não sabe de algum outro telefone onde eu poderia achá—lo?
— Infelizmente, não sei.
Posso ajudar de alguma maneira?
— Acho que não.
Estamos procurando por uma moça que era namorada de Jaime e pensamos que talvez Anselmo soubesse onde ela mora.
— Sinto muito, mas não sei nem conheci a namorada de Jaime.
— Está bem, mesmo assim obrigado.
Se Anselmo aparecer, por favor, diga a ele que se souber o endereço, nos telefone.
— Claro que farei isso.
Assim que ele chegar, direi que telefonaram.
Armando desligou o telefone e olhou para Gina e os filhos, dizendo:
— Ele não está em casa e sua mãe não sabe o endereço.
— O que vamos fazer, papai?
— Não sei, mas se tiver de ser, nós a encontraremos.
— Recebi esta carta dela, logo depois que Jaime morreu.
Eles olharam para a mão de Gina que segurava um envelope.
— O que ela disse na carta, Gina?
— Não sei, nunca li nem a abri.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 02, 2017 7:42 pm

— Isso agora não interessa, papai.
Atrás do envelope deve ter o endereço do remetente.
Armando pegou o envelope da mão de Gina, olhou atrás e disse:
— Tem um endereço aqui!
Vamos até lá e tomará que ela ainda more lá.
Gina olhou para ele e perguntou:
— Vocês querem ir agora?
— Sim e queríamos que fosse também.
Assim terminaremos de vez com essa corrente de ódio e a trocaremos por uma só de amor e perdão.
— Se ela não quiser nos receber?
Se ela estiver também com raiva por tudo o que fizemos?
— Isso não acontecerá, Gina, mas se acontecer, nós teremos feito a nossa parte.
— Está bem, não sei se o que disseram é a verdade, mas na dúvida, não quero que meu filho sofra outra vez, pela minha teimosia.
Saíram apressados.
Jaime sorriu feliz e disse:
— Vamos com eles, Ademir?
— Não, Jaime, não podemos.
— Por que não?
Quero muito rever a Sandra...
— Sei que quer, mas agora não podemos.
Não disse que temos um compromisso muito importante para as seis horas da tarde?
— Sim, mas acho que dará tempo.
Quero vê—la nem que seja só por um instante.
— Poderá vê—la outra hora e prometo que antes de voltarmos para casa, você a verá, mas agora precisamos fazer o trabalho que é nosso.
Romeu e sua equipe, que sempre estiveram ao lado de sua família e de Sandra, irão com eles.
Mais tarde, todos nos encontraremos e veremos o que pode ser feito para que você a veja.
— Queria tanto ir com eles.
A minha presença não é importante.
Acho que não farei falta.
Estou só acompanhando a equipe, não faço parte dela.
— Em uma equipe, todos são importantes.
Desde o momento em que iniciamos esta viagem você começou a fazer parte dela e para que tudo dê certo, precisamos continuar juntos.
A sua presença foi importante no momento em que seu pai e seus irmãos se encontram com sua mãe.
Ela, mesmo sem estar vendo você, sentiu a sua presença o que a ajudou muito na decisão de aceitar o que eles diziam.
— Queria tanto presenciar esse encontro...
— Sei que queria, mas não pode ser.
O nosso compromisso já está marcado há muito tempo e não pode ser adiado.
Mas, não se preocupe, todos estarão muito bem.
Romeu e sua equipe continuarão ao lado deles enquanto for necessário.
Jaime sabia que Ademir estava certo e disse:
— Tem razão, Ademir, me perdoe.
Apesar de não poder ir, estou feliz por eles terem encontrado o caminho.
Vamos para o nosso trabalho das seis horas.
Ademir olhou para Donata, sorriu e disse:
— Ainda bem que entendeu, Jaime.
Vamos, não podemos chegar atrasados.
Saíram dali e foram para o encontro das seis horas.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 02, 2017 7:42 pm

O ENCONTRO DAS SEIS HORAS
Eram cinco e meia da tarde.
Após alguns segundos, estavam novamente no saguão de um hospital.
Não era o mesmo em que Marconi trabalhava, este parecia bem menor.
Marina, curiosa como sempre, disse:
— Este hospital parece ser bem menor.
O que viemos fazer aqui, Donata?
— Sim, Marina, este é menor.
Nele só vêm as pessoas que não têm recursos, mas nem por isso deixa de ser importante.
Embora seja simples, as pessoas que aqui trabalham, como médicos, enfermeiros e assistentes, são dedicadas e gostam do trabalho que fazem.
São pessoas especiais.
Vieram porque quiseram, com a missão de ajudar aqueles que estão sofrendo de dor, tristeza e que são muito pobres.
Escolheram essa missão e são muito importantes.
— Sei como são importantes.
Quando estive doente, por muitas vezes tive de ser internada em um hospital.
Sentia muita dor e no final quase não conseguia me mexer, mas tive médicos e enfermeiras que me ajudaram muito.
Benditas sejam eles.
Essa é uma profissão das mais difíceis.
— Tem razão, Marina, benditas sejam eles.
É sim, uma profissão difícil, mas na qual o espírito pode resgatar muito.
— Está na hora de ajudarmos alguém que está morrendo, Donata?
— Não, Marina, ao contrário, viemos ajudar um espírito que está renascendo.
— Vamos ver uma criança nascer?
— Sim e para isso vamos nos encontrar com Ângela.
Ela está nos esperando.
— Quem é Ângela?
— É outra amiga de muito tempo.
Ela fez parte de uma outra equipe de trabalho, a que está sempre ao lado da mulher e de um espírito, quando ele está para renascer.
— Ela está ao lado de todas as mulheres?
Como pode ser, existem muitas crianças nascendo ao mesmo tempo...
— Marina, ainda não aprendeu que existem muitas equipes fazendo o mesmo trabalho?
Sempre que alguma mulher está em trabalho de parto, esteja ela onde estiver, tem uma equipe ao seu lado para ajudar o espírito que vai renascer e para que tudo saia bem.
Normalmente nessa equipe, tem sempre um espírito que foi da família ou que já pertenceu à mesma corrente, durante muito tempo.
Assim como as enfermeiras e os médicos, sempre é um espírito que faz parte, também, da mesma corrente.
Na hora de um espírito renascer, ele é cercado por pessoas que já o conheceram e que estarão ao lado não só dele, mas também da mãe para ajudá—los.
— Então, por que acontece de, em alguns casos, a criança nascer morta ou a mãe morrer logo depois?
Se eles estão tendo tanta ajuda, isso não poderia acontecer.
— Sempre que a criança morre logo depois de nascer ou está morta antes mesmo de nascer, é porque ela quis que fosse assim.
Foi ela quem escolheu.
— Ela quis?
— Sim, o espírito antes de nascer, junto com uma outra equipe que cuida das reencarnações, escolhe a vida que vai ter.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 02, 2017 7:42 pm

Nesse momento, sabendo tudo o que fez de errado, quer renascer para poder resgatar seus erros.
Porém, por estar na espiritualidade e por se sentir seguro, escolhe uma encarnação com muitos problemas.
Normalmente é avisado de que será muito difícil conseguir levar até o fim aquilo que está pedindo, mas ele não se importa e insiste.
Como é da vontade dele e não se podendo interferir no livre—arbítrio de cada um, a equipe responsável aceita e a concepção é feita, mas com o passar do tempo o espírito vai entendendo que pediu demais e que por isso fracassará.
Então, pede para que tudo seja desfeito.
É aí que acontecem os abortos espontâneos e as mortes prematuras.
— Está dizendo que é a própria criança que não quer nascer?
Que ela fica com medo?
— Isso mesmo.
Ela não nasce, retorna para a espiritualidade e vai rever o que tinha pedido.
Troca para uma encarnação mais branda e volta a renascer.
— Como uma criança tão pequena pode decidir uma coisa tão importante?
Donata começou a rir e disse:
— Marina, você já devia saber que, embora a criança nasça pequena, ela é um espírito velho que quer renascer para resgatar algum erro, cumprir uma missão ou ajudar aqueles que ficaram para trás na caminhada.
Marina, um pouco sem graça, disse:
— Sei disso, Donata, mas ao ver uma criança recém—nascida, é difícil entender isso.
— Tem razão, mas é o que acontece.
Estavam conversando animados, só Jaime continuava calado e pensando:
Sei que não posso reclamar, apesar da morte violenta que sofri estou bem e muito bem acompanhado, mas gostaria tanto de estar ao lado de minha família quando se encontrassem com Sandra... como será que ela está?
Não tive tempo de me despedir... espero que esteja bem...
Marina, percebendo que ele estava calado e pensando, perguntou:
— Que está acontecendo com você, Jaime?
Parece que está triste...
Todos se voltaram para ele que, não escondendo o que estava sentindo, respondeu:
— Desculpem, mas não consigo me esquecer de Sandra e deixar de pensar que em breve estará se encontrando com a minha família.
Gostaria muito de estar lá, mas sei que não posso, tenho obrigações para com vocês, Ademir e Donata, que me deram a oportunidade de participar de uma equipe como esta e na qual estou aprendendo muito.
Também sei que estou aprendendo, mas não consigo deixar de pensar neles.
— Não fique assim, Jaime, como Donata e Ademir falaram, Romeu está cuidando deles.
Eu é que deveria estar assim.
Você, pelo menos, já viu a sua família.
Eu, que esperei tanto por essa oportunidade, ainda não consegui vê—los.
— Entendemos o que os dois estão sentindo e prometemos que assim que terminarmos o nosso trabalho aqui, você poderá rever a todos, Jaime e você também, Marina.
Não voltaremos para casa antes que isso aconteça.
Não se preocupe, Jaime, Romeu está ao lado deles e tudo ficará bem.
— Está bem, desculpe por esse momento, daqui para frente prometo que estarei pensando somente no nosso trabalho.
— Olá, vocês chegaram?
Voltaram—se e viram uma moça muito bonita que se aproximava.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 02, 2017 7:43 pm

Ela não devia ter ainda trinta anos, estava feliz e demonstrava dentes bonitos e brilhantes.
Ela se aproximou e abraçou Donata e Ademir, dizendo:
— Estava esperando por vocês.
Está quase na hora.
Enquanto era abraçado, Ademir disse:
— Desculpe, Ângela, mas tivemos de ajudar Romeu.
Ele está ao lado da família de Jaime.
Ela se desenvencilhou do abraço, olhou para Jaime e disse, sorrindo:
— Olá Jaime, que bom que está aqui!
Não precisa se preocupar, se Romeu está ao lado de sua família, tudo ficará bem.
Jaime ficou olhando para aquela moça que parecia estar muito feliz e disse:
— Sei disso, mas já não a conheço?
Ela sorriu, respondendo:
— Não está se lembrando, mas nos conhecemos há muito tempo.
Na última encarnação, fomos irmãos.
Eu não quis renascer, mas você insistiu que precisava ajudar aos outros.
Renasceu e eu continuei aqui com o meu trabalho, que é ajudar o espírito a renascer.
— Deve ser muito gratificante.
Lembro—me de como fiquei feliz quando tive minhas duas crianças.
Ângela se voltou para Marina que dizia essas palavras, sorriu e disse:
— Também veio, Marina?
Que bom, fazia muito tempo que não nos víamos.
Marina ficou olhando para ela sem entender e perguntou:
— Já me conhece?
— Claro que sim.
Estive ao seu lado quando suas crianças nasceram e isso já faz um bom tempo, não é?
— Eu não lembro de você...
— Nem poderia se lembrar estive presente com minha equipe espiritual, você não me viu, embora sentisse que estava sendo protegida.
Marina sorriu.
Lembrou—se do dia em que teve seus filhos e disse:
— Tem razão, não sei por que, mas apesar de toda dor que sentia, sabia que no final tudo terminaria bem e eu em breve teria minha criança nos braços.
— E tudo terminou bem.
Hoje, sua filha e seu filho estão moços e saudáveis.
Uma sombra de tristeza passou pelos olhos de Marina, que disse emocionada:
— Devem estar e eu estou louca para revê—los, pois embora tenha dado à luz a eles, não consegui vê—los crescer...
— Sim, você fez a sua parte, que foi colocá—los no mundo.
O resto deveria correr por conta dos que ficaram.
Donata, percebendo que Marina estava ficando triste novamente, disse:
— Agora não é hora de relembrarmos o passado.
Está na hora de ajudarmos o Mariano a nascer.
Como ele está, Ângela?
— Agora está dormindo, pois a mãe está em trabalho de parto e precisamos deixar a Natureza seguir o seu curso, mas antes, estava muito feliz em saber que estava voltando para cumprir uma missão muito importante e que sua encarnação seria tranquila e feliz.
Sabe que será amado pela família.
— Parece que ele não está começando muito bem, Donata.
— Porque está dizendo isso, Marina.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 02, 2017 7:43 pm

— Se ele está nascendo em um hospital como este, pode—se ver que a família não tem muito dinheiro, por isso com certeza ele será uma criança pobre.
Como pode haver paz e tranquilidade se não houver dinheiro?
— A felicidade não se traduz pelo dinheiro, mas sim pelo companheirismo, amizade e amor, isso para ele com certeza não faltará.
Com a ajuda da família e do plano espiritual, ele terá toda a oportunidade para crescer e vencer.
Marina, ao ouvir o que Donata disse, ficou calada.
Ângela foi quem falou:
— Está na hora, precisamos ir para o quarto.
Em breve Mariano estará de volta a Terra, vamos?
Todos sorriram e ela seguiu na frente.
Eles a acompanharam.
Passaram por um corredor onde viram uma janela muito grande, de vidro.
Ângela parou em frente a ela e disse:
— Aqui é o berçário, onde ficam as crianças que acabaram de nascer.
Todos olharam por de trás da janela e viram vários bercinhos com crianças neles.
A maioria estava dormindo, outros choravam, mas ao lado de cada um, uma entidade estava presente e sorria ao vê—los.
Os outros também olharam e não conseguiram deixar de se emocionar por saberem que ali muitos espíritos estavam tendo a oportunidade de reencarnar e começar uma nova jornada.
Só podiam desejar felicidade a todos eles e que, quando a jornada terminasse, eles voltassem felizes e triunfantes.
Ângela sorriu, abanou a mão e continuaram andando.
Chegaram a um quarto, onde uma mulher estava deitada em uma cama e se retorcia de dor.
Nos pés da cama, um médico estava sentado na posição de espera.
Ao seu lado uma enfermeira segurava uma toalha, pois assim que a criança nascesse o médico lhe daria para que fosse cuidada.
Uma outra enfermeira estava ao lado da mãe ajudando—a fazer força e lhe dizendo em que momento ela deveria agir desse modo.
Ao lado do médico e das enfermeiras, sem que eles tivessem a menor ideia do que estava acontecendo, duas entidades vestidas de branco jogavam sobre eles luzes coloridas.
A mulher estava com uma máscara de oxigénio sobre o rosto.
As entidades, assim que eles entraram no quarto, sorriram, no que foram retribuídas.
Olharam assustados para Ângela, que disse:
— Não precisam se preocupar.
A dor está muito intensa, pois está na hora de Mariano nascer e por isso, a mãe perdeu o ar.
Essa máscara é somente para ajudá—la a respirar, mas tudo está correndo muito bem e em poucos minutos, estará terminado.
Ademir e os outros permaneceram na cabeceira da cama e também começaram a jogar luzes.
Logo, todo o quarto ficou iluminado e a um sinal do médico, a enfermeira que estava ao lado da mulher tirou a máscara de oxigénio.
Ao ver o rosto da mulher, Jaime deu um grito:
— É Sandra!
Donata, é a Sandra!
Donata sorriu e disse:
— Sim, Jaime, é Sandra e ela está tendo o filho de vocês.
— Meu filho?
Não pode ser, ela não me falou a respeito de filho algum!
— Ela só ficou sabendo que estava grávida dias depois que você morreu.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 02, 2017 7:43 pm

— Meu Deus, como essa criança vai ser criada?
O salário de Sandra é muito pequeno, mal dá para pagar o aluguel e a alimentação, — Jaime disse, chorando.
— Não deve se preocupar com isso, Jaime.
Mariano vem com uma missão e terá toda a ajuda de que precisar.
Agora fique ao lado de Sandra e desfrute deste momento.
Jaime, sem conseguir evitar as lágrimas, se aproximou mais de Sandra e estendeu as mãos, de onde saíam luzes brancas, sobre sua cabeça, dizendo:
— Estou aqui, meu amor.
Nunca poderá imaginar a emoção e a felicidade que estou sentindo neste momento.
Que Deus a abençoe.
Sandra, embora estivesse sentindo muita dor, naquele momento lembrou—se dele.
Começou a chorar.
A enfermeira que estava ao seu lado, pensando que ela estivesse chorando de dor, disse com voz branda:
— Não precisa chorar, faça força.
Logo estará tudo terminado e terá em seus braços uma linda criança.
— Sei disso, mas estou chorando por outro motivo.
A enfermeira ia dizer mais alguma coisa, mas não teve tempo.
Sandra sentiu uma dor imensa, fez força, deu um grito e a criança nasceu.
O médico a segurou, virou de cabeça para baixo, mas ela não chorava.
Jaime ficou desesperado.
O médico deu uma batida de leve no bumbum da criança, que começou a chorar muito forte.
Todos que estavam no quarto sorriram.
O médico, com o menino ainda não mão, disse:
— É um menino e pela força do choro parece que está muito bem.
Depois o entregou para a enfermeira que saiu apressada.
Sandra chorava, não mais de dor, mas de felicidade.
Jaime, que não havia parado de chorar desde que viu Sandra, de longe por saber que não podia se aproximar muito, com a ponta do dedo mandou um beijo.
Sandra, naquele momento, sentiu uma brisa que passava por seu rosto e pensou:
Jaime, eu queria tanto que você estivesse aqui ao meu lado.
Sei que ficaria muito feliz em receber o nosso filho.
— Eu estou aqui, meu amor e muito feliz também, ainda mais por saber que ele terá uma vida de paz e felicidade.
Deus a abençoe...
Voltando—se para os outros, disse:
— E a vocês também, por terem me proporcionado este momento.
Muito obrigado.
Todos sorriram.
O quarto estava todo iluminado com luzes coloridas.
Pouco depois, a enfermeira trouxe o menino de volta e o colocou sobre o colo de Sandra, que chorando, o olhou e disse:
— Ele se parece muito com o pai.
A enfermeira sorriu, pensou, mas não disse:
Todas as mães procuram algo parecido em alguém da família, mas todas as crianças na hora em que nascem, não se parecem com ninguém.
Ao ouvir aquilo, Jaime disse nervoso:
— Não é verdade!
Ele se parece comigo!
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 02, 2017 7:43 pm

A enfermeira pegou o menino de volta, dizendo:
— Agora, preciso levá—lo para o berçário.
Ficará em observação, mas não se preocupe, parece que está tudo bem.
Assim que seu marido chegar, na hora da visita, poderá vê—lo, só que pelo vidro.
— O pai não virá... – Sandra disse com lágrimas nos olhos.
— Por que não?
— Ele morreu sem saber que eu estava esperando um filho.
A enfermeira passou a mão sobre os cabelos de Sandra e disse:
— Não pode dizer isso com certeza.
Sigo uma doutrina onde aprendi que o espírito não morre, ele só muda de dimensão, portanto acredito que o pai não só sabe como deve estar aqui, neste momento.
— Acredita mesmo nisso?
— Sim, com toda a força da minha alma e posso dizer mais, além dele deve ter estado ou ainda está uma equipe de espíritos que ajudam as crianças a nascer e suas mães também.
— Será verdade?
Não conheço essa Doutrina nem sei se o que está me dizendo é verdade, mas se for, seria maravilhoso.
— Bem, já que não conhece é melhor que acredite e mande um pensamento de amor.
Sei que de onde ele estiver, receberá com muito carinho.
Sandra não conhecia aquela Doutrina, mas mesmo assim, pensou em Jaime com muito amor.
Naquele momento, um raio de luz saiu de seu peito e atingiu Jaime com muita força.
A força foi tanta que ele se assustou e perguntou:
— Que foi isso, Ademir?
Ademir sorrindo, respondeu.
— Essa é a luz do amor.
Quando alguém pensa em outro que já morreu, com todo o amor que Sandra está sentindo neste momento, uma luz como essa atingirá aquele para quem foi enviada em qualquer lugar que ele estiver.
Mesmo no mais terrível vale do sofrimento.
— Mesmo no vale? – perguntou Marina.
— Sim, Marina mesmo no vale.
O amor é o sentimento mais forte que existe no ser humano.
Ele vence qualquer barreira.
— Nunca pensei sobre isso.
— Quase ninguém quando encarnado pensa, mas é a pura verdade.
Vocês viram a força da luz.
— Foi muito forte mesmo, Marina, eu senti!
Marina sorriu.
Ângela, que estava nos pés da cama ao lado do médico, disse:
— A minha parte na ajuda para que Mariano nascesse está terminada.
Agora, Sandra será levada para o quarto e ficará lá até se recuperar, depois irá para casa e assim como a minha parte terminou, a de Sandra está só começando.
Terá sob sua responsabilidade criar e educar Mariano.
Não se preocupe, Jaime, ela terá toda ajuda para que isso aconteça e ele trará muita felicidade a ela e a todos que conviverem com ele.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 02, 2017 7:44 pm

A FÉ REMOVE MONTANHAS
Enquanto tudo isso acontecia no hospital, em um carro, Armando, Gina e os filhos seguiam procurando pelo endereço que estava escrito nas costas do envelope da carta que Sandra havia enviado para Gina e que ela nunca abrira.
O bairro ficava do outro lado da cidade e eles não conheciam, somente haviam ouvido falar, por isso estava sendo muito difícil encontrá—lo.
Armando parou várias vezes para perguntar, até que por fim conseguiram chegar a rua e sem seguida ao número.
Era um prédio pequeno, de três andares.
Não havia porteiro, viram somente um menino que descia a escada, correndo.
Ao vê—lo, Armando perguntou:
— Você conhece uma moça chamada Sandra?
— Conheço, ela é muito legal, mora lá no trinta e dois.
Fica no terceiro andar.
— Não tem elevador?
— Não, senhor, o prédio é pequeno, mas pode subir, ela deve estar em casa.
Armando e os outros olharam para a escada e não havendo alternativa, começaram a subir.
Quando chegaram ao terceiro andar estavam cansados, mas mesmo assim ansiosos para se encontrarem com Sandra e assim poderem quebrar o último elo da corrente.
Caminharam por um corredor e encontraram uma porta com o número trinta e dois.
Tocaram a campainha e a porta abriu.
Uma moça atendeu:
— Pois não?
— Boa tarde, precisamos conversar com a Sandra.
Ela está?
— Não, não está senhor.
Acabei de chegar do trabalho e a minha vizinha do trinta e um disse que levou ela hoje bem cedo para o hospital.
— Hospital? Ela está doente?
— Não, foi ter neném.
— Ter um neném?
— Sim, a gente sabia que era por esses dias, por isso a vizinha ficou prestando atenção e disse que a gente não precisava se preocupar e que assim que Sandra começasse a sentir dores, ela a levaria para o hospital.
— O marido não a levou?
— Ela não tem marido.
Estava namorando um médico.
Eles se gostavam muito e iam se casar, mas o moço morreu e ela ficou sozinha.
Todos se entreolharam e sentiram um aperto no peito.
Gina ficou pálida e pensou que ia desmaiar.
Desesperada e quase chorando, disse:
— Por favor, moça, será que não poderia me dar um copo com água?
Não estou me sentindo bem.
Parece que vou desmaiar.
Por favor, deixe—me entrar e me sentar um pouco.
— Claro que posso dar um copo com água e pode entrar e se sentar.
Deve estar mal por ter subido a escada.
Não deve estar acostumada.
Porque estão procurando a Sandra?
Armando, com a voz embargada, respondeu:
— Somos os pais de Jaime, o rapaz que ia se casar com ela, esses são seus irmãos.
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