ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 02, 2017 7:44 pm

Agora quem ficou pálida foi à moça que preocupada, perguntou:
— Daquele que ia se casar com ela?
Daquele que morreu?
Gina olhou para Armando que percebendo que ela não estava bem, respondeu:
— Por favor, moça, minha esposa não está bem.
Podemos entrar?
A moça se afastou da porta para que eles pudessem entrar.
Entraram em uma sala pequena e puderam perceber que só cabiam um sofá, uma poltrona e uma estante pequena, sobre o qual estava um aparelho de televisão.
A moça apontou o sofá e a poltrona.
Eles se sentaram, ela saiu por uma porta e voltou logo em seguida trazendo uma jarra com água e um copo.
Encheu o copo com água e ofereceu para Gina, que bebeu de uma só vez.
Depois ofereceu aos outros, que agradeceram, mas não quiseram.
Em seguida, ela voltou pela mesma porta por onde havia saído e ainda em pé, perguntou:
— Porque, depois de tanto tempo estão procurando pela Sandra?
O que querem com ela?
— Como sabe, nosso filho morreu e como não poderia deixar de ser, ficamos muito abalados.
— Entendo, também ficamos.
A Sandra muito mais, porque eles se gostavam muito, mas parece que vocês não queriam que eles se casassem.
— É verdade e é por isso que estamos procurando—a, para dizer que sentimos muito por tudo o que aconteceu e por termos nos oposto ao casamento.
Entendemos, depois desse tempo todo, que pensamos que nosso filho era propriedade nossa e por isso podíamos decidir sua vida, mas percebemos que nunca foi nossa propriedade, que ele pertencia a Deus.
— Puxa, o senhor está me deixando arrepiada!
Estão arrependidos, mesmo?
— Sim. Demorou um pouco para entendermos o que aconteceu, mas você disse que ela foi dar a luz uma criança do nosso filho?
Tem certeza disso?
— Claro que tenho!
A criança é filha do médico que ela namorava e com quem ia se casar.
Sei disso porque ela mora com a gente faz muito tempo, desde que chegou do interior.
Ela não tem família, foi criada em um orfanato, mas quando fez dezoito anos teve de sair de lá e veio para a Capital.
Ela trabalhava na Faculdade, mas quando ficou esperando neném foi mandada embora e com o dinheiro que ela recebeu e fazendo alguns bicos, está conseguindo pagar o aluguer, mas agora vai ser difícil ela continuar morando aqui.
— Porquê?
— Aqui neste apartamento moram eu, ela e mais uma amiga.
Eu trabalho em uma fábrica, a Odila é balconista em uma loja, o nosso salário é pouco, mal dá para pagar o aluguel e a comida.
Nós três conversamos e chegamos a conclusão de que, depois que o neném nascer, a Sandra não vai poder continuar trabalhando, porque com o salário que for ganhar não vai dar para pagar alguém para cuidar do neném.
Eu e a Odila não temos como pagar sozinhas pelo apartamento.
Vamos precisar encontrar outra pessoa para ficar no lugar dela.
Mesmo que ela pudesse continuar pagando, não dá para ela ficar.
— Porquê?
— Como estão vendo, o apartamento é pequeno, tem só um quarto e uma treliche onde a gente dorme e um guarda—roupa, não tem lugar para se colocar um berço.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 02, 2017 7:44 pm

— O que vai acontecer com ela?
Para onde ela vai?
— Não sei... até este mês ela ainda tem dinheiro, mas daqui pra frente a gente não sabe como vai ficar.
— Porque ela não nos procurou?
— Quando o Jaime morreu, ela ficou desesperada, mas ainda não fazia um mês que ele tinha morrido.
Ela descobriu que estava grávida e ficou muito feliz.
Dizia que tinha sobrado um pouquinho dele.
Ela quis que vocês soubessem para que sentissem a mesma felicidade que ela estava sentindo.
Escreveu uma carta contando, mas essa carta nunca foi respondida.
Eu e a Odila conversamos com ela.
Eu disse:
— Sandra, você não pode ter essa criança, não vai poder criar ela.
Precisa fazer um aborto.
Conheço uma mulher que faz isso e que não cobra muito.
Ela ficou muito brava e quase me bateu.
Nervosa, disse:
— Nunca vou fazer isso!
Essa criança é tudo o que me restou do Jaime!
Ela vai nascer!
— Como vai sustentar essa criança, criar, alimentar e dar escola?
O seu salário é muito pouco e se perder o emprego, sabe que ninguém dará trabalho pra uma mulher grávida.
Pense bem...
— Você acha que já não pensei nisso?
Claro que pensei, mas sei que Nossa Senhora da Aparecida não vai me abandonar.
Se eu perder o emprego, enquanto aguentar vou fazer faxina e depois que o neném nascer, Nossa Senhora vai me encontrar uma casa de família onde eu possa trabalhar e morar com a minha criança.
— Ela tem muita fé em Nossa Senhora Aparecida?
— E como tem, senhor... vive rezando, pedindo ajuda e acredita que vai ser atendida.
Romeu, Isaura, Pedro e Felício que estavam ali, sorriram.
Armando, sem saber se estava nervoso ou emocionado, disse:
— Você sabe para que hospital ela foi?
— Sei, foi no hospital público que fica no outro bairro.
Aqui neste bairro não tem nenhum.
— Tem o endereço dele?
— Tenho sim, a Sandra deixou com a gente.
Vou pegar.
Abriu uma gaveta que havia na estante, tirou um papel e entregou para Armando que pegou, olhou para Gina e os filhos e aflito, disse:
— Vamos até lá?
Eles, também emocionados e com a ajuda de Romeu, lembrando—se de Jaime, concordaram com a cabeça e levantaram—se.
Armando sorrindo para a moça, disse:
— Nossa Senhora atendeu ao pedido dela, moça.
Estamos indo até o hospital e assim que a criança nascer e ela tiver alta, vai morar na nossa casa.
Ela se quiser e a criança, terão toda a assistência de que precisarem.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 02, 2017 7:44 pm

A moça, com lágrimas nos olhos, disse:
— Parece que Nossa Senhora atendeu mesmo o pedido dela... também, ela tem tanta fé...
Eles sorriram, apertaram a mão dela e iam embora, quando Gina perguntou:
— Qual é o nome completo dela para que possamos perguntar lá no hospital?
— Sandra Maria dos Santos.
— Obrigada, agora podemos ir.
Assim que eles saíram, Denise, que era o nome da moça, foi até o quarto onde havia pendurado em uma parede um quadro de Nossa Senhora Aparecida, olhou para o quadro e pensou:
Obrigada, minha Nossa Senhora, por ter atendido o pedido da Sandra, ela merece e agora sei que será muito feliz.
Muito obrigada mesmo...
Romeu e sua equipe estavam ali, sorriram, jogaram luzes sobre ela e desapareceram.
Precisavam ir ao encontro de Ademir e dos outros.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 02, 2017 7:45 pm

ENCONTRO NO SONHO
Sandra, ajudada por duas atendentes de enfermagem e acompanhada por Jaime, Ademir, Donata e Marina, foi colocada em uma maca e levada para um quarto.
Assim que entraram no quarto, ela pôde ver que havia quatro camas, três delas ocupadas por outras mulheres que também haviam dado à luz.
As mulheres, assim que a viram entrar, sorriram.
Ela também sorriu, mas estava se sentindo muito fraca.
As atendentes a tiraram da maca e a colocaram sobre uma cama.
Assim que se sentiu na cama, com a voz muito fraca, disse:
— Não estou me sentindo bem, estou com frio e meu corpo todo está tremendo.
— Não se preocupe, com algumas mulheres acontece isso.
Vamos lhe cobrir muito bem, dar um comprimido e aplicar uma injecção, vai dormir e amanhã quando seu marido vier para a visita, vai estar melhor.
No mesmo instante ela se lembrou de Jaime e do que a enfermeira havia dito.
A morte não existe, garanto que o pai não só sabe como deve estar aqui.
Ao se lembrar disso, fechou os olhos, pensando:
Tomara que o que ela disse seja verdade e que você esteja aqui para ver o nosso filho, Jaime...
A atendente deu um comprimido e um copo com água para que ela tomasse.
Em seguida, lhe aplicou uma injecção.
Alguns minutos depois ela estava dormindo.
Assim que o corpo adormeceu, o espírito de Sandra abriu os olhos e encontrou o rosto de Jaime que a olhava com muito amor e carinho.
Eles começaram a sorrir.
Jaime quis se aproximar, mas foi impedido por Ademir.
Ele se lembrou que embora sentisse vontade, não poderia abraçá—la.
Sandra não sabia disso, mas estava muito fraca e perguntou:
— Você está mesmo aqui, Jaime?
Aquilo que a enfermeira disse é verdade?
— Sim, meu amor, estou aqui desde que você estava na sala de parto.
Assisti ao nascimento do nosso filho e fiquei muito emocionado.
Você foi muito valente...
— Você viu como ele é lindo?
Parece com você...
Jaime olhou para Ademir e os outros e com um sorriso triunfante, disse:
— Falei para meus amigos que ele se parecia comigo e eles não acreditaram.
Ela olhou para todos eles e sorriu.
Marina que desde o momento em que chegara à sala de parto não conseguia evitar que as lágrimas caíssem por seu rosto, também sorriu.
Jaime, muito emocionado, perguntou:
— Você está bem?
— Sim, muito bem, mas preocupada.
— Preocupada com o quê, Sandra?
— Estou sem emprego e preciso me mudar do apartamento.
As minhas amigas estão tristes por isso ter de acontecer, mas elas não conseguem pagar sozinhas todas as despesas.
Não sei como vou cuidar do menino.
Jaime olhou no exacto momento em que Romeu e sua equipe entravam no quarto e com um sinal positivo, feito com um dedo polegar, sorriu.
Jaime entendeu e disse:
— Não se preocupe, meu amor.
Tudo vai dar certo e o nosso menino crescerá lindo e forte e nada lhe faltará.
Deus não nos abandona nunca...
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 02, 2017 7:45 pm

— Sei disso, nem sei por que estou preocupada.
Nossa Senhora Aparecida vai encontrar uma casa onde eu possa trabalhar e levar o menino comigo.
— Nossa Senhora Aparecida, Sandra?
— Sim, ela sempre esteve ao meu lado e me ajudou durante todo esse tempo, por isso sei que talvez ele não vai ter uma vida muito rica, mas sei que vai ter tudo o que precisar:
Muito amor e carinho e farei o possível e impossível para que seja feliz.
Quando eu falar de você, vou dizer que você foi o homem mais maravilhoso que já existiu no mundo...
— Tudo está bem, Sandra, não precisa se preocupar.
— Queria muito ver o menino.
Você sabe onde ele está?
— Deve estar no berçário.
— Sabe onde fica?
— Sim, quando chegamos passamos por lá.
— Vamos até lá?
Jaime olhou para Ademir que com a cabeça, disse que sim.
— Podemos ir. Venha.
Chegaram ao berçário.
Embora a luz eléctrica estivesse acesa para que as enfermeiras pudessem observar as crianças que estavam deitadas nos berços, o ambiente todo estava iluminado com luzes azuis que as entidades que também cuidavam das crianças jogavam sobre elas.
Marina percebeu que outras mulheres com o cordão prateado também estavam lá e perguntou:
— As mães estão aqui com os filhos, Donata?
— Sim, Marina, assim como Sandra também seus corpos estão dormindo, mas elas querem ficar perto dos filhos.
Não poderão ficar por muito tempo, mas aproveitam todo o tempo que lhes for permitido.
Assim que chegaram, viram Ângela que ao vê—los, acenou.
Eles se aproximaram e ela sorrindo disse:
— O menino está muito bem, vai ser saudável.
Esta é Paola e vai ficar ao lado dele até completar sete anos.
Todos sorriram para Paola.
Marina, além de sorrir, perguntou:
— Você é um anjo da guarda?
Paola olhou para os outros e respondeu:
— Pode—se dizer que sim.
O espírito quando renasce traz consigo lembranças muito presentes do tempo em que esteve na espiritualidade.
Ele é frágil e por isso sempre tem uma entidade que fica ao seu lado até que complete sete anos, depois disso já não é tão necessário, mas ele sempre terá um amigo ou parente por perto para qualquer emergência, nunca ficará sozinho.
Sandra e Jaime olharam para Paola, sorriram e se aproximaram ainda mais para poderem ver seu filho de perto.
O menino dormia tranquilo.
— Ele não é lindo, Jaime?
— Sim e vai ser muito feliz.
— Disso tenho certeza, Nossa Senhora Aparecida vai cuidar dele, assim como sempre cuidou de mim...
— Já pensou no nome que vai dar para ele, Sandra?
— Sim, já tinha pensado, não sabia se ia ser menino ou menina, por isso escolhi Mariana ou Mariano, pois tendo o nome de Nossa Senhora sei que será sempre protegido.
Como nasceu um menino, o nome dele vai ser Mariano. Gostou?
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Abr 03, 2017 7:36 pm

Jaime olhou para os outros e respondeu:
— É sim um lindo nome, Sandra.
Donata os interrompeu, dizendo:
— Agora você precisa voltar para o quarto, Sandra.
Não pode ficar muito tempo afastada de seu corpo.
Sandra não queria ir, mas sabia que precisava obedecer, pois embora não conhecesse aquela mulher que lhe falava, sabia que era amiga não só de Jaime, mas dela também.
Sorriu e saíram dali.
Jaime não cabia em si de tanta felicidade, ainda mais por saber que sua família estaria ali a qualquer momento e que tanto Sandra como seu filho teriam a assistência que ele não poderia lhes dar.
Era exactamente isso que estava acontecendo naquele momento.
Armando, depois de muito se perder conseguiu chegar ao hospital.
Estacionou o carro na rua, entraram apressados e foram até a recepcionista.
Assim que eles chegaram, ela perguntou:
— Posso ajudar?
— Sim, precisamos saber como está uma moça que foi internada hoje pela manhã para dar à luz.
— Como é o nome dela?
— Sandra Maria dos Santos.
A moça olhou na planilha que estava sobre o balcão e com o dedo, foi seguindo todos os nomes, parou em um e disse:
— Ela teve um menino e agora está no quarto para se recuperar, parece que está tudo bem.
Ao ouvir aquilo, Armando olhou primeiro para Gina, depois para os filhos e percebeu que, assim como ele, todos estavam com os olhos lacrimejando.
Voltou—se para o recepcionista e perguntou, ansioso:
— Podemos vê—la?
— Infelizmente não, senhor.
Este é um hospital público e tem hora certa para visitas.
Poderá ver a moça amanhã, das três horas até as quatro da tarde.
— Por favor, moça.
Esse menino que nasceu é filho do meu filho que morreu sem saber que ia ser pai, por isso precisamos falar com a mãe do menino.
— Gostaria de ajudar, mas não é possível, já são mais de oito horas da noite.
No quarto onde ela está, há mais três senhoras que deram à luz.
Não seria justo deixarmos que entrassem e as incomodassem.
— Não existe uma maneira?
Precisamos muito falar com ela e conhecer o nosso neto...
— Não, não existe, mas se pensar bem, o senhor vai ver que amanhã vai ser melhor.
Ela hoje deve estar muito cansada e provavelmente deve estar dormindo.
— Ao menos, podemos ver o menino?
Não sabíamos que ia nascer, muito menos que fosse hoje.
Por favor, moça, ele deve estar no berçário, prometemos que faremos o menor barulho possível, só queremos vê—lo...
A moça olhou para Gina e percebeu que ela estava muito emocionada.
Olhou para os lados e como não havia ninguém lá a não ser Romeu que ela não podia ver e que jogava luzes sobre ela, disse com um olhar de cumplicidade:
— Está bem, podem ir, mas precisam ser rápidos e, por favor, não façam barulho.
Assim que chegarem ao berçário, que fica no terceiro andar, entreguem esse papel para a enfermeira.
Ela lhes mostrará o menino.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Abr 03, 2017 7:36 pm

Todos sorriram e Romeu também.
Agradecendo a moça, foram rápidos para o elevador e apertaram o terceiro andar.
Assim que chegaram ao berçário, pelo vidro, mostraram a uma enfermeira que se aproximou, o papel que a recepcionista havia lhes dado.
Ela olhou o papel, sorriu e foi até onde um neném dormia.
Por sorte deles, o berço em que o menino estava ficava bem perto do vidro e eles puderam ver o rostinho dele.
Viam tudo perfeitamente, só não viram Jaime, Sandra e os outros que já estavam ali quando eles chegaram. Gina não se conteve e disse:
— Olhem como é lindo!
Parece—se com Jaime quando nasceu, não é Armando?
Jaime novamente olhou para os amigos com um olhar triunfante e disse baixinho:
— Não disse que ele se parece comigo?
Todos riram, até Marina, apesar de ainda estar tentando conter as lágrimas.
Armando também havia notado, lembrou—se do filho e do dia em que ele nasceu e que o viu pela primeira vez, também de um vidro no berçário do hospital.
Lágrimas começaram a correr por seu rosto.
Ao ver a família, Jaime disse:
— Pode ficar tranquila, Sandra, nosso filho será muito bem criado e terá muito amor e carinho.
Ele pertence à melhor família do mundo.
Depois olhou Ademir e Donata e disse:
— Nunca poderei agradecer a vocês por terem me trazido nesta missão e por permitirem que eu presenciasse o nascimento do meu filho.
Graças a você, Romeu e a vocês também – olhou para Isaura, Pedro e Felício, — meus pais entenderam o grande amor que eu sinto por Sandra e fizeram com que eles a procurassem.
Sei que meu filho está em boas mãos.
Muito obrigado mesmo...
— Ora Jaime, não precisa agradecer.
Tudo o que está acontecendo é exclusivamente por seu merecimento.
Depois de algum tempo, Armando segurou no braço de Gina e disse baixinho:
— Precisamos ir, não podemos complicar a vida da recepcionista.
Ela foi muito gentil.
Agora já vimos o nosso menino e amanhã na hora da visita voltaremos para conversar com Sandra e ver se ela quer ir morar connosco.
Gina e os filhos entenderam que o pai estava certo e saíram bem devagar, mas antes olharam o menino pela última vez.
Ele abriu os olhos e todos podiam jurar que sorriu.
Ademir também segurou o braço de Jaime e o puxou para longe de Sandra, que continuava olhando para o filho, com muito amor.
Quando estavam a uma distância que ela não poderia mais ouvi—los, disse:
— Precisamos voltar para o quarto.
Sandra não pode ficar muito tempo fora do corpo.
Não podemos nos esquecer de que, embora não pareça, ela ainda está encarnada.
— Tem razão, Ademir.
Sei que depois que seu espírito voltar ao corpo, ela não poderá mais me ver, mas mesmo assim, estou muito feliz... sinto muito não poder abraçá—la...
— Sabe que isso é verdade, Jaime.
A sua energia é diferente da dela, mas isso não o impede de ficar ao lado dela pelo tempo que quiser...
— Não sei o que fazer... sinto que enquanto não souber que ela está bem, realmente não poderei abandoná—la, mas sei também que tenho minhas obrigações no hospital no plano espiritual.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Abr 03, 2017 7:36 pm

— Por tudo o que vimos, sua família vai cuidar muito bem dela e do menino também, por isso pode voltar connosco e sempre que sentir vontade poderá retornar para vê—los.
— Preciso ir mesmo com vocês?
— Não, Jaime, não precisa fazer nada que não quiser.
Como sempre, tem seu livre—arbítrio e sempre, encarnado ou não, poderá fazer suas escolhas.
— Sinceramente, Ademir, não sei o que fazer...
— Não precisa decidir agora, temos ainda um bom tempo para ficar aqui.
Seu pai disse que voltará amanhã para conversar com Sandra.
Depois disso, poderá decidir.
— Está bem, pensarei no que fazer.
— Agora, vamos voltar para o quarto.
Está na hora de Sandra despertar.
Jaime se aproximou de Sandra e carinhoso, disse:
— Precisamos voltar para o quarto, Sandra.
Está na hora de você despertar.
— Não quero mais ficar longe de você, Jaime... não quero mais acordar...
— Nem pense nisso!
Você precisa cuidar do nosso filho.
Ele tem uma encarnação para viver e uma missão para cumprir!
Ela voltou a olhar para o menino e disse:
— Promete que ficará ao nosso lado e que nos protegerá?
— Não sei, Sandra.
Tenho muito trabalho para fazer.
Muitas pessoas quando morrem, demoram para entender e aceitar que morreram e continuam sentindo as mesmas dores e aflições de quando estavam doentes e para que possam entender, ficam por algum tempo em um hospital, sendo atendidas por médicos e enfermeiras.
Eu sou um dos médicos.
— Está dizendo que não pode ficar ao nosso lado, que é proibido?
— Não, Sandra, nada é proibido, posso fazer minhas escolhas.
— Então fique com a gente, Jaime, nós precisamos de você... sabe que estou sozinha e sem saber o que fazer...
— Agora não é hora de pensarmos nisso.
Precisa acordar, está passando da hora.
Ela, sabendo que ele tinha razão, o acompanhou até o quarto e se deitou.
Assim que se deitou, deu um suspiro fundo e acordou.
Olhou em volta e se lembrou de que estava no hospital e que havia tido o menino.
Seu coração batia descompassado.
Abriu e fechou os olhos várias vezes e pensou:
Sonhei com Jaime, não lembro o que foi, mas que sonhei, sonhei.
Será que, como disse aquela enfermeira, ele está aqui ao meu lado?
Jaime sorriu e disse:
— Estou e ficarei sempre ao seu lado.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Abr 03, 2017 7:36 pm

A DECISÃO DE GINA
Depois de deixar os filhos em casa e ter combinado o encontro para o dia seguinte no hospital onde conversariam com Sandra, Armando e Gina chegaram em casa.
Ele estacionou o carro na garagem e quando estava abrindo a porta para poderem entrar, ouviram o telefone chamando.
Ele abriu apressado, correu, pegou o telefone e atendeu.
— Alô!
— Alô, Armando!
Ainda bem que atendeu.
Eu estava preocupado, faz horas que estou tentando falar com você, mas o telefone chama, chama e ninguém atende.
— Diogo! Acabamos de chegar neste momento, mas o que quer falar comigo?
— Nada em especial, como não voltou fiquei preocupado.
Está tudo bem por aí?
— Sim, muito melhor do que eu pudesse imaginar.
Não havia lhe dito que eu e meus filhos íamos conversar com a Gina para ver se ela mudava de ideia a respeito da morte do Jaime e da Sandra, a namorada dele?
— Sim, por isso mesmo fiquei preocupado quando não voltou nem telefonou.
Depois de quase um mês morando comigo, me acostumei com a sua presença.
— Desculpe meu amigo, mas aconteceram tantas coisas que eu me esqueci completamente de telefonar para você...
— O que aconteceu?
— Eu tenho um neto!
O menino mais lindo do mundo!
— Um neto?
Como isso aconteceu?
Como descobriu?
Preciso que me conte!
— Vou contar e sei que ficará muito feliz, pois toda a felicidade que estamos sentindo, devemos a você, às nossas conversas e aos seus conselhos.
— Nada disso, só estava disponível.
Nada fiz e se alguma coisa tão boa como essa aconteceu, deve agradecer aos amigos espirituais que com certeza estão ao seu lado e ao da sua família, mas conte tudo, Armando.
Estou muito curioso!
Armando sentou—se em um sofá e muito feliz, contou como havia sido aquele dia e quantas surpresas teve.
Contou da dificuldade que tiveram em encontrar Sandra e na felicidade que sentiram quando viram o menino no berçário.
Terminou dizendo que no dia seguinte iriam conversar com Sandra.
Diogo ouviu atentamente.
Quando Armando terminou de falar, ele emocionado e feliz, disse:
— Que bom que tudo terminou bem, meu amigo.
Seu filho deve estar muito feliz e orgulhoso da família que tem...
— Nós é que estamos orgulhosos por ele.
Foi sempre um filho carinhoso e atencioso...
— Agora, acho que devemos desligar o telefone, Armando.
Tiveram um dia muito agitado e devem estar cansados e ansiosos para que a noite passe.
— Para ser sincero, estamos sim.
Antes de desligar, estive pensando em algo o dia inteiro.
— Pensando em quê?
— Você não quer nos encontrar amanhã, lá no hospital para estar junto quando formos conversar com a Sandra?
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Abr 03, 2017 7:37 pm

Sinto que sua presença será muito boa.
— Não... acho que não é uma boa ideia, Armando.
Essa conversa vai ser um assunto de família...
— Por isso mesmo, acho que deve estar presente.
Você foi o responsável por toda essa felicidade, além do mais, não disse que todas as pessoas que encontramos durante a vida fazem parte da corrente de uma mesma família que está junta há muito tempo?
— Eu disse e é verdade, mas ainda acho que deveriam conversar sozinhos com a moça.
Ela pode estranhar a minha presença e não entender por que estou lá em um momento tão importante.
Acho que não devo ir, Armando...
— Nada disso, se for ficaremos muito felizes e contaremos a ela como foi importante sua presença na nossa vida e que foi você quem nos fez entender a vida após a morte, o que nos convenceu a procurá—la.
— Não sei... vou pensar a respeito.
— Está bem, mas anote o endereço caso resolva ir.
Armando deu o endereço que Diogo anotou em um papel, depois desligaram o telefone.
Gina, que acompanhava toda a conversa, sorriu e disse:
— Será que tudo o que ele disse é verdade?
Será que existe mesmo vida após a morte?
— Não sei, Gina, mas se existir nosso filho não está morto, só foi fazer uma viagem e algum tempo na nossa frente.
Quando chegar a nossa hora, estará nos esperando.
Romeu, Isaura, Pedro, Felício e Marina que estavam lá sorriram.
Marina olhou por toda a sala e perguntou, curiosa:
— Romeu, aquelas entidades que estavam aqui quando chegamos não estão mais.
Para onde foram?
— Elas não são entidades ruins, Marina.
Só espíritos que sentem muita tristeza por algum motivo e outras, culpa por terem feito algo de ruim ou por terem se suicidado.
Esta casa estava com muita energia negativa de tristeza e de culpa e essa energia atraiu aquelas entidades.
No momento em que a faixa de pensamento mudou, as entidades começaram a não se sentir bem e foram embora procurar outro lugar para ficar.
— Elas encontraram?
— Não sei, mas infelizmente devem ter encontrado.
Existem muitas casas onde o sofrimento e o sentimento de culpa são muito fortes e as atraem.
— Isso é uma pena, Romeu...
— É sim, Marina, mas infelizmente nada podemos fazer para que seja diferente.
As pessoas atraem a companhia que querem.
Essa companhia pode ser boa ou má.
Depende só da faixa de pensamento.
— Quando as coisas não estão dando certo, é difícil não se ter maus pensamentos.
— Tem razão, mas é exactamente nesse momento que precisamos acreditar na vontade de Deus, Sua Justiça e sabedoria, além de tudo isso, no imenso amor Dele por todos nós.
— Essas casas ficam abandonadas e sem protecção?
— Não, sempre terá uma equipe como a nossa tentando mudar a faixa de pensamentos dos moradores.
— Ainda bem...
Marina se calou e olhou para Armando, que disse:
— Vou tomar um banho, Gina e depois dormir.
Nosso dia foi muito cansativo e cheio de emoções.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Abr 03, 2017 7:37 pm

— Tem razão, Armando.
Muita coisa aconteceu hoje.
Enquanto toma o seu banho, vou até o quarto de Jaime.
— Fazer o que Gina?
Sabe que ele não está mais aqui e que nunca mais voltará.
— Estou tentando aceitar isso, Armando, mas está sendo difícil.
No quarto dele, com as suas coisas e seu cheiro, me sinto mais perto dele e fico esperando vê—lo a qualquer momento.
— Isso só lhe traz mais sofrimento.
Por que não tenta pensar que, graças a Deus, ele não está preso naquele quarto, mas ao contrário, está livre e trabalhando na sua profissão...
— Vou tentar, Armando.
Juro que vou tentar...
Armando entrou no banheiro e Gina foi para o quarto de Jaime.
Ficou olhando tudo com muita saudade e uma vontade enorme de voltar no tempo.
Pensou:
Se eu pudesse voltar no tempo, faria tudo diferente.
Saberia que podemos controlar tudo, menos a morte e que nossos filhos são presentes que Deus nos dá e que por isso, não somos donos eles e que cada um deles tem sua própria vida e suas escolhas, mas infelizmente o tempo não volta, mas se tudo o que ensina essa doutrina que Diogo segue for verdade, pelo menos teremos a oportunidade de corrigir erros passados.
Será que essa religião é a verdadeira?
Não sei... preciso estudar e aprender mais sobre ela...
Armando, no banheiro, deixou que a água quente do chuveiro caísse pelo seu corpo.
Estava parado também e lembrando—se de tudo o que havia acontecido desde que reencontrou Diogo também.
Pensava:
Desde que Diogo se aposentou, nunca mais o havia visto, mas agora foi muito bom tê—lo reencontrado.
Ele me fez entender como havia errado quando pensei que meu filho era minha propriedade.
Se soubesse naquele tempo o que sei hoje, faria tudo diferente.
Aceitaria qualquer coisa que meu filho escolhesse, pois saberia que ele tinha o direito de fazer suas escolhas, de viver a sua vida como quisesse, não como eu queria ou como tinha idealizado.
Hoje, depois de tudo o que Diogo disse e o que eu li, sei que Deus está me dando uma nova oportunidade de resgatar o meu erro.
Darei ao meu neto tudo o que dei para meus filhos, com a diferença de que ele mesmo escolherá a vida que deseja ter, a profissão e a mulher que escolher...
Terminou de tomar banho e saiu do banheiro, foi para o quarto e vestiu um pijama.
Percebeu que Gina ainda não tinha entrado no quarto e que continuava no quarto de Jaime.
Foi para lá, triste por saber que para ela era muito difícil e prematuro aceitar tudo o que ouvira naquele dia.
Entrou no quarto e para sua surpresa, Gina estava tirando as roupas de Jaime que estavam no guarda—roupa, dobrando e fazendo uma pilha com elas.
Surpreso, perguntou:
— O que está fazendo, Gina?
— Pegando tudo o que foi de Jaime.
Acho melhor doar, pois alguém deve estar precisando e não é justo que tudo isso seja desperdiçado.
Nosso filho, como você disse, graças a Deus não está mais aqui neste quarto, deve estar em um bom lugar, trabalhando e evoluindo espiritualmente.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Abr 03, 2017 7:37 pm

— Você está acreditando em tudo o que falei que ouvi de Diogo e no que li em vários livros?
Acredita que nosso filho continua vivo em algum lugar e que está muito bem, feliz e sempre pensando em nós com carinho?
— Não sei se acredito, mas quero acreditar, pois se tudo o que você me disse for verdade e deve ser porque tem coerência, ele não morreu e pode nos visitar sempre que quiser e se isso acontecer, quero que nos encontre felizes e esperando o dia em que nos reencontraremos.
Sempre acreditei em Deus e que, para que Ele exista realmente, deve ser justo e amoroso, não ia querer o mal para Seus filhos.
Sei que errei com meu filho, nunca deveria ter interferido em sua vida e em suas escolhas, por isso, talvez por remorso, preciso acreditar em algo mais.
Preciso acreditar que terei uma nova chance.
De acordo com aquilo que você disse, Deus sempre nos dá novas oportunidades e sinto que está me dando agora.
Pretendo aprender mais sobre essa Doutrina e ajudar Sandra a criar o nosso neto.
Para que isso tenha um início, precisamos gastar um pouco de dinheiro.
— Dinheiro, Gina?
Não entendo o que isso tem a ver com Jaime ou o nosso neto.
— Dinheiro sim, Armando.
Amanhã pela manhã, antes de irmos ao hospital, vou telefonar para uma instituição e pedir que venham buscar tudo o que foi de Jaime, inclusive os móveis, depois vamos pintar este quarto e transformá—lo em um quarto de bebé, lindo e com tudo o que nosso neto tem direito!
— Quer mesmo fazer isso, Gina?
— Sim, Armando.
Sinto que precisamos continuar nossa vida, pois só assim nós e Jaime seremos felizes.
Se tudo o que essa Doutrina ensina for verdade, acho que nosso neto será o recomeço.
Acho que ele veio para quebrar o último elo da corrente de ódio que estamos formando há muito tempo.
Vamos conversar com Sandra, ela está precisando de ajuda e nós também precisamos ser ajudados.
Será uma troca de ajuda.
— Não pode imaginar como estou feliz em ver você dessa maneira, Gina.
Era tudo o que eu queria.
Não sabe o quanto sofri quando tive de sair de casa, mas não dava mais para continuarmos juntos.
Era muita briga.
Agora, tudo será diferente.
Amanhã preciso trabalhar, chame Carlão que é quem sempre pintou a nossa casa e peça para ele ajudá—la com os móveis e a pintura não só deste quarto, mas de toda a casa.
Na hora do almoço volto, almoçamos e iremos para o hospital.
Tomara que Sandra esqueça o mal que fizemos a ela e nos receba.
Gina sorriu, deixou sobre a cama uma camisa de Jaime que estava dobrando, se aproximou de Armando e o abraçou.
Não chorava mais, estava feliz.
Finalmente, depois de muito tempo, estava tranquila.
Depois do abraço ela disse:
— Estamos cansados, agora vou dormir.
Amanhã bem cedo continuarei com o meu trabalho.
Saíram do quarto e pela primeira vez depois da morte de Jaime, sentiram que dormiriam muito bem.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Abr 03, 2017 7:37 pm

Marina, que ouviu toda a conversa, disse:
— Parece que eles estão muito bem, Romeu.
— Estão sim, Marina.
Mesmo que ainda não se tenham dado conta, entenderam que o erro é só mais um passo rumo ao aperfeiçoamento e que por isso não deve existir a culpa.
Ela sim, só faz com que o aperfeiçoamento do espírito fique cada vez mais distante.
Os erros existem em todos nós, mas o resgate deles sempre será possível.
Basta acreditarmos com muita fé.
Deus não seria sábio se criasse Seus filhos, lhes desse o livre—arbítrio e não soubesse que eles errariam muitas vezes.
Novamente Marina se calou.
No dia seguinte, na hora de sempre, Armando acordou.
Levantou—se rápido, precisava tomar o café e ir para o trabalho.
Há vinte e cinco anos trabalhava no mesmo local, uma empresa de alimentos.
Gostava muito de trabalhar na empresa.
Começou como aprendiz, foi estudando e conseguindo seu espaço.
Hoje é chefe do departamento comercial.
Seu salário sempre foi o suficiente para dar uma boa vida aos filhos.
Conseguiu fazer com que os três estudassem e se formassem.
Por isso, até a morte de Jaime, considerava—se um homem realizado.
A morte de Jaime fez com que ele ficasse muito abatido.
Começou a reavaliar sua vida, pois assim como Gina, também se sentia culpado por ter permitido, naquele dia, que Jaime fosse embora de casa e daquela maneira, que saísse nervoso e quase sendo expulso.
Sabia que tinham errado muito.
Tomou o café, saiu apressado.
No carro, enquanto dirigia para o trabalho, foi pensando:
Fiquei arrasado com a morte do Jaime.
Não podíamos ter agido daquela maneira.
Nunca responsabilizamos um ou outro pelo acontecido, pois sabíamos que não houve um só culpado, mas que todos nós erramos, nos deixando levar pelo preconceito.
Só fizemos aquilo porque Sandra era uma moça pobre.
A morte de Jaime nos mostrou que nada sabemos da vida e que não somos ninguém para julgar ou decidir sobre a vida de outro.
Muitas vezes tentei rezar, mas nunca consegui.
Sabia que o meu erro havia sido muito grande e não me sentia digno de falar com Deus, mas depois que conversei com Diogo e ele me disse todas aquelas coisas sobre Deus, Seu amor, perdão e as novas chances que Ele nos dá e continuará dando, só posso agradecer por tudo o que aconteceu em minha vida.
Como Gina disse, esse menino que acabou de nascer veio para quebrar o último elo da corrente de ódio que sempre existiu entre todos nós.
Vou agradecer e aproveitar essa nova chance que Deus está me dando e dar a esse menino todo o amor e carinho que só um avô pode dar.
Quando percebeu já estava dentro da empresa, estacionou o carro, entrou e começou a trabalhar.
Quando estava quase na hora do almoço, depois de contar aos seus companheiros que era avô, saiu e voltou para casa.
Assim que entrou viu uma porção de caixas na sala.
Teve de desviar para poder passar.
Chamou por Gina, que respondeu do quarto de Jaime.
Ele foi até lá.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Abr 03, 2017 7:38 pm

Um rapaz estava terminando de desmontar um guarda—roupa.
Armando sorrindo, disse:
— Parece que você foi bem rápida, Gina!
— Não podemos demorar muito para aprontarmos o quarto, Armando.
Sabe que nosso neto virá logo para cá.
Telefonei para a instituição e pedi que viessem buscar tudo amanhã, pois hoje não estaria em casa.
Amanhã bem cedo vou à loja de móveis para escolher os móveis e o Carlão disse que, amanhã à tarde estará tudo limpo e pintado.
Ele sabe que precisa ser rápido.
Não foi o que você me disse, Carlão?
— Foi sim, dona Gina.
Já que o menino vai chegar, tudo tem que estar muito bonito.
— Espero que tudo esteja pronto mesmo, Gina, o almoço está pronto?
Estou morrendo de fome.
— Não fiz almoço, não tive tempo, mas tem alguma coisa que sobrou de ontem.
Carlão quer almoçar connosco?
Não tem muito, mas acho que dá para nós três.
— Obrigado dona Gina, mas vou almoçar em casa.
Minha mulher está me esperando.
— Está bem, depois do almoço eu e o Armando vamos para o hospital, por isso leve a chave da porta de entrada para continuar trabalhando.
— Vou levar.
A senhora sabe que pode ficar sossegada, não vou mexer em nada...
— Sei disso, Carlão, conhecemos você há muito tempo e por isso temos total confiança.
O rapaz sorriu e pegou a chave que Gina lhe ofereceu.
Em seguida, ela e Armando foram para a cozinha.
Ela começou a aquecer o resto de comida que havia sobrado.
Enquanto comiam, Armando disse:
— Gina, estive pensando, será que não estamos nos precipitando?
Será que a Sandra vai querer vir morar connosco?
— Já pensei nisso, mas também sabemos que ela, no momento, não tem muita escolha.
Precisa se mudar do apartamento e não tem um emprego.
Acho que ela vai concordar.
— Também acho, mas não podemos nos esquecer de que ela é ainda muito moça e que poderá encontrar um outro homem e queira se casar.
— Se casar?
— Sim, Armando.
Nosso filho morreu e ela tem o direito de continuar sua vida...
Armando ficou calado, não havia pensado nessa possibilidade.
Só pensou em seu neto e no seu bem—estar.
Gina acompanhou com os olhos sua reacção.
— Casar?
Ela não pode se casar, Romeu! – Marina disse muito nervosa.
— Não pode, por quê, Marina?
— Ela e Jaime se amam!
Ele, mesmo depois de morto continua amando—a como sempre e além do mais, ela precisa pensar no seu filho!
Tem que dar todo amor de que ele precisa!
— Jaime cumpriu sua missão, que era a de unir Sandra e sua família.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Abr 03, 2017 7:38 pm

Sandra cumpriu uma parte de sua missão, que era permitir que Mariano nascesse, mas a vida dela não terminou.
Precisa continuar para se aprimorar, enfrentar desafios e superá—los.
Se ela viver só para o filho, talvez cometa os mesmos enganos que Armando e Gina cometeram, pensará ser sua dona e que por isso, poderá decidir o destino dele.
O espírito é livre e nada ou ninguém pode ser dono dele.
— Mas ela ama Jaime, como pode esquecê—lo?
— O tempo se encarregará disso.
A imagem de Jaime, aos poucos, ficará mais distante e ela só se lembrará de vez em quando.
Os apelos da vida falarão mais alto.
Outra pessoa surgirá que fará com que ela continue e tente ser feliz.
Marina não gostou daquela resposta.
Pensou em Norberto e no quanto se amavam.
Armando e Gina terminaram de almoçar e foram para o hospital.
Romeu e todos eles os acompanharam.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Abr 03, 2017 7:38 pm

O ELO QUEBRADO
Sandra, no hospital, acordou pela manhã e percebeu que estava muito bem.
Após tomar o café, recebeu a visita de Mariano, que veio nos braços de uma enfermeira.
Assim que pegou o menino nos braços, sentiu uma emoção que não poderia descrever.
Era muito pequeno e ela ficou com medo de o deixar cair.
Olhou para aquele rostinho e pensou:
Você é tão pequeno, meu filho, mas como é lindo!
Sei que a nossa vida não vai ser fácil, mas prometo que vou fazer o possível para que não lhe falte nada e que seja feliz.
Jaime estava ao seu lado e também feliz por ver aquela criança.
Triste, pensou:
— Você é lindo, meu filho.
Infelizmente não vou estar ao seu lado para vê—lo crescer, mas assim como sua mãe, o que puder farei para que seja feliz.
— Estará sempre que quiser ao lado dele, Jaime.
— Sei que espiritualmente, mas gostaria de estar presente, Ademir.
Sei também que com meus compromissos com a espiritualidade, não terei muito tempo.
Por isso, estou pensando em não voltar com vocês e ficar ao lado de Sandra e do meu filho, assim poderei acompanhar seu crescimento.
— Sabe que pode fazer o que quiser, Jaime.
Tem seu livre—arbítrio, portanto pode fazer suas escolhas.
O que decidir será respeitado por todos nós.
Jaime ficou calado.
Naquele momento só queria olhar para o menino e dizer:
— Ele se parece comigo mesmo, não é Ademir?
Os amigos sorriram, só Marina que olhando bem para o menino e também sorrindo, disse:
— Ora, Jaime, toda criança recém—nascida tem a mesma cara e não se parece com ninguém!
— Você pode achar isso, mas eu não.
Olhe o nariz, os cabelos e os olhos, são iguaizinhos aos meus.
— Está bem, se prefere pensar assim...
Voltaram—se para Sandra que com o menino no colo começou a chorar e a pensar:
Meu filho, infelizmente você não vai conhecer seu pai... ele morreu antes de saber que você ia chegar, mas sei que, de onde ele estiver deve estar muito feliz e pensando em nós dois.
Que bobagem estou pensando?
Se o que a enfermeira disse for verdade, você está aqui, não está Jaime?
Jaime, com emoção e com lágrimas nos olhos, respondeu:
— Estou, meu amor e ficarei para sempre ao lado de vocês... nunca mais vamos nos separar...
Todos jogaram luzes sobre eles e Sandra, sentindo como se uma suave brisa caísse sobre ela, sorriu.
— Seu filho é muito lindo, moça!
Ela olhou para o lado de sua cama, onde havia outra com uma senhora sobre ela, sorriu e respondeu:
— Sim, ele é lindo...
— É seu primeiro filho?
— Sim.
— O meu já é o quarto, mas a emoção e a felicidade são as mesmas.
Estou ansiosa esperando a hora da visita para ver a cara do meu marido e dos meus filhos quando virem esta coisa linda que nasceu.
Ela não é linda?
Depois de três meninos, finalmente nasceu uma menina e estou muito feliz.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Abr 03, 2017 7:39 pm

Sandra olhou para a criança que a senhora lhe mostrava e sorrindo respondeu:
— Muito linda!
Seu marido e seus filhos ficarão felizes, tenho certeza.
Uma criança é a maior felicidade que Deus pode nos dar.
— Seu marido também vai ficar muito feliz, seu filho é lindo e parece saudável!
— Infelizmente, ele não vai vir para a visita...
— Por quê?
— Ele morreu antes de saber que eu estava grávida...
Ao ouvir aquilo, tanto a mulher que estava conversando com Sandra, como as outras duas que estavam nas outras camas, olharam para ela e não conseguiram disfarçar a pena que estavam sentindo dela.
A primeira mulher, percebendo o ambiente, perguntou:
— Como é o seu nome?
— Sandra.
— o meu é Albertina.
Não fique triste, Sandra.
Seu marido, antes de morrer, lhe deixou essa coisa linda que tenho certeza, vai fazer você muito feliz...
Sandra olhou para o menino que estava em seu colo, sorriu e o apertando junto ao peito, disse:
— Sei disso...
A enfermeira voltou, pegou as crianças e as levou de volta para o berçário.
Sandra se deitou e fechou os olhos.
As outras mulheres ficaram conversando, mas ela não tinha vontade de conversar, estava muito triste por não saber o que aconteceria com a sua vida e queria somente dormir.
A hora da visita estava chegando.
As mulheres que estavam no quarto começaram a se arrumar.
Tomaram banho, pentearam os cabelos e até pintaram os lábios.
Estavam felizes e ansiosas esperando por suas visitas.
Somente Sandra continuou deitada, sem vontade de se levantar e pensando:
Não vou receber nenhuma visita.
A Odila e a Denise estão trabalhando nesta hora e não poderão vir me visitar.
Preciso pensar no que vou fazer quando sair daqui.
Lá no apartamento não tem lugar para colocar um berço... minha Nossa Senhora Aparecida me ajude, encontre um lugar para onde eu possa ir com o meu menino...
As pessoas começaram a chegar.
A alegria de todos era muito grande.
Embora triste, Sandra não deixou de ficar feliz pela felicidade delas, mas continuou deitada, fingindo que dormia.
Estava preocupada e imaginando para onde poderia ir depois que saísse dali.
Estava deitada de lado e continuou assim, quando sentiu que alguém batia devagar em seu ombro.
Abriu os olhos e ficou espantada.
Disse, sem entender nem querendo acreditar.
Perguntou:
— Dona Gina, seu Armando, Jorge e Laerte?
Como souberam que eu estava aqui?
O que querem de mim?
— Fique calma, Sandra.
Viemos para ver você e também para conhecermos o nosso neto...
— Como souberam, dona Gina?
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Abr 03, 2017 7:39 pm

— Essa é uma longa história que não interessa agora.
O que interessa é o nosso neto e você.
— Eu, dona Gina? Por quê?
Nunca me aceitaram.
O que querem com meu filho?
Vieram para tirar ele de mim?
— Não, Sandra!
Viemos para pedir perdão...
— Perdão?
— Sim, pela nossa intransigência em não aceitar aquilo que Jaime havia escolhido...
Sandra ficou olhando para eles sem saber o que dizer.
— Também para que possamos ajudar a você e ao nosso neto.
Sabemos da sua situação, por isso estamos aqui.
— Estou realmente em uma situação difícil, seu Armando, mas vou dar um jeito.
Pretendo criar meu filho sozinha, mas com amor e carinho.
Nossa Senhora vai me ajudar.
— Queremos ajudar você e ao menino, mas também precisamos que nos ajude.
— Ajudar, como?
— A sentir menos a morte de Jaime.
Com o nosso neto, ele nos deixou um pedacinho de seu...
— Não sei... estou com medo...
— Medo do quê, Sandra?
— Medo que queiram me tirar o meu filho...
— Nunca faríamos isso, Sandra.
Com a dor da morte de Jaime, aprendemos muito.
Conhecemos uma Doutrina que nos ensina que só o perdão constrói e pode nos libertar.
Pedimos perdão a Deus, a Jaime e agora estamos pedindo a você.
Se aceitar o nosso perdão, poderá viver em nossa casa, onde você e o menino terão tudo o que precisarem para serem felizes.
Sandra ficou pensando, não sabia se podia acreditar no que eles diziam, mas por outro lado, não tinha muita opção.
Sabia que, ao menos por algum tempo, não poderia trabalhar, sabia que não poderia voltar para o apartamento, não havia lugar e que tanto Odila como Denise ganhavam pouco e não poderiam arcar, sozinhas, com as despesas.
Jaime, que acompanhava a conversa, dizia entusiasmado:
— Aceite, Sandra.
Eles estão falando a verdade...
Armando continuou falando:
— Sei que está com medo de que vamos querer tomar conta da sua vida, mas isso não é verdade, Sandra.
Queremos só que neste momento em que precisa, tenha um lugar para ir e ficar tranquila.
Depois que o tempo passar e você quiser sair de casa e ter sua própria vida, prometo que a apoiaremos, desde que nos deixe continuar vendo o nosso neto para que possamos amá—lo.
Sandra ouvia e pensava.
Tinha realmente muito medo, mas ouvindo sem saber o que Jaime falava, disse:
— Está bem, realmente não tenho opção.
Estava preocupada por não saber o que ia fazer quando saísse daqui do hospital.
Pedi muito a Nossa Senhora Aparecida e parece que ela me ajudou.
Vou para casa de vocês, mas vou só até ficar mais forte e arrumar um emprego.
Depois disso quero ter a minha própria vida, cuidar do meu filho e se possível, ser feliz.
Jaime sorriu e respirou aliviado.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Abr 03, 2017 7:39 pm

Gina começou a chorar e disse:
— Você não vai se arrepender, Sandra.
Terá tudo o que precisar para você e para nosso menino.
Aprendemos muito e sabemos que não somos donos de nada nem de ninguém.
Sandra sorriu, querendo acreditar no que ela dizia.
Para quebrar aquele clima de nervosismo, perguntou:
— Já viram o menino, dona Gina?
— Sim, pelo vidro, ele é muito bonito, parece saudável e tem a cara do Jaime...
Jaime outra vez olhou para os amigos e disse:
— Não falei que ele se parecia comigo?
Os amigos riram.
Sabiam que não adiantaria contrariá—lo, ele nunca aceitaria.
— Sandra! Já pensou no nome que vai dar para ele?
— Como Nossa Senhora sempre me ajudou, se fosse menina eu ia dar o nome de Mariana, mas já que é um menino, vai se chamar Mariano.
— É um lindo nome, Sandra.
Quando ele crescer, vai ficar muito feliz com esse nome.
— Espero que sim...
— Já que aceitou ir morar lá em casa, vamos preparar o quarto de Jaime para o Mariano e o que era do Jorge para você, está bem Jorge?
— Claro que sim, mamãe.
— Se quiser pode dar o meu também.
Ficarei muito honrado.
— Obrigado, Laerte, qualquer um dos dois estará bem para mim.
O que importa é que eu tenha um lugar para meu filho.
Estava terminando a hora da visita quando Diogo entrou no quarto.
Ao vê—lo se aproximando da cama, Armando disse, feliz:
— Que bom que veio, Diogo, quero lhe apresentar Sandra.
Ela é a mãe do nosso neto e concordou em ir morar lá em casa!
— Muito prazer, minha filha.
Parece que está muito bem.
— Obrigada, estou sim e também muito feliz.
Tenho um lugar para levar o meu filho e sei que será muito amado.
— Será sim.
Ele é um espírito iluminado e dará muita alegria a todos vocês.
— Espírito iluminado?
Que está querendo dizer, que ele vai morrer cedo?
Diogo começou a rir e respondeu:
— Não, nada disso, disse que ele vai trazer muita alegria a todos vocês.
Ele foi enviado não só para quebrar a corrente de ódio que existia há séculos entre vocês, mas para ser o elo da corrente de amor que está se formando neste momento.
— Corrente de ódio, corrente de amor?
Ódio de séculos?
Não estou entendendo...
— Sei que não está, Sandra, mas Armando e sua família está e poderá lhe explicar mais tarde.
O importante é que essa corrente que está se formando hoje se unirá a outras que já existem e com ela o mundo será bem melhor.
— Continuou não entendendo, mas parece que o que está me dizendo é algo muito bom e isso é que importa.
A enfermeira entrou no quarto para avisar que a hora da visita havia terminado.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Seg Abr 03, 2017 7:39 pm

Eles obedeceram, se despediram de Sandra e foram embora, mas antes passaram pelo berçário para verem Mariano mais uma vez.
Depois que saíram, Sandra ainda não acreditando em tudo o que tinha acontecido, pensou:
Quando eu poderia imaginar que uma coisa como essa pudesse acontecer.
Como será que ficaram sabendo que eu estava aqui no hospital e que meu filho havia nascido, logo no dia do nascimento dele?
Só pode ser coisa de Nossa Senhora Aparecida...
Ao ouvir aquilo, Marina perguntou indignada:
— Nossa Senhora Aparecida, Donata?
— Porque não, Marina?
— Porque não foi ela, Donata!
Quem ajudou foi Romeu e sua equipe, que sempre estiveram ao lado deles!
Foi Romeu quem levou Armando até a casa de Diogo para que ele ouvisse tudo o que ele tinha para dizer e pensasse sobre o preconceito e a vida depois da morte!
Fomos nós que acompanhamos Jaime até aqui e ajudamos, enviando muita luz nos momentos difíceis!
Não foi Nossa Senhora Aparecida!
Donata sorriu, olhou para Ademir e Romeu, que também sorriram, depois olhou bem para Marina e disse:
— Jesus pertence ao mais alto grau da espiritualidade e por isso, nunca precisaria ter nascido aqui na Terra ou em outro lugar qualquer.
Ele aceitou nascer aqui para trazer luz e entendimento para a humanidade e isso ele fez muito bem.
Ensinou o amor, a fazer o bem sem olhar a quem, amar ao próximo e o valor da religião.
Na parábola do bom samaritano, quando aquele samaritano que pertencia a uma religião e casta diferentes, consideradas inferiores, ajudou aquele homem que estava ferido, sem lhe perguntar a que religião ou casta pertencia.
Ensinou que o perdão é o único caminho para se chegar a Deus, quando disse:
Daí a outra face e perdoe setenta vezes sete.
Ensinou a não julgar, quando na presença da prostituta, disse:
Quem não tiver pecado que atire a primeira pedra.
Ensinou o valor de cada um e em sua caminhada na parábola dos talentos, quando todos receberam a mesma quantidade de moedas para que cada um fizesse com elas o que quisesse.
Ensinou o amor que deve existir entre as famílias, na parábola do filho pródigo quando aquele pai e aquela família receberam com festa o filho que havia ido embora, sem perguntar qual o motivo e por que havia feito aquilo, demonstrando que cada um de nós deve aceitar o outro como é, sem tentar modificá—lo.
Ensinou acção e reacção, quando, ensinando o Pai Nosso, disse:
Perdoai as nossas dívidas, assim como perdoamos aos nossos devedores, mostrou que durante a vida, quando nos encontramos com algum pretenso inimigo, nunca sabemos se somos vítimas ou algozes.
Ensinou o valor do dinheiro, quando disse:
Olhai os lírios do campo.
Ensinou que a religião não deve servir para explorar aqueles que a seguem, quando chicoteou os vendilhões do templo.
Ensinou que todos sentimos medo, quando chorou lágrimas de sangue no Monte das Oliveiras.
Ensinou que todos, no auge do desespero, podem pedir ajuda, quando disse:
Pai afaste esse cálice.
Ensinou que Deus é uma verdade suprema, quando também no Pai Nosso, disse:
Seja feita a vossa vontade.
Com sua própria morte ensinou contra a intransigência, o preconceito e o que pode acontecer quando nos deixamos levar por esses dois sentimentos.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Abr 04, 2017 6:52 pm

Quando, depois de morto, apareceu para os discípulos, ensinou que a vida é eterna e que a morte não é um fim, mas apenas um recomeço.
Ensinou tudo isso e muito mais, mas para que ele pudesse ensinar tudo isso, era necessário que nascesse em um lar onde tivesse todo o amor e carinho e onde pudesse aprender as noções básicas de educação e religião.
Aprendeu as duas coisas muito bem, pois com apenas doze anos foi para o templo discutir com os anciãos e contestá—los.
Maria e José, espíritos da mesma grandeza que Ele e que por isso não precisariam também nascer na Terra ou em qualquer outro lugar, resolveram que o acompanhariam e lhe dariam toda a assistência enquanto crescesse e assim o fizeram.
Maria o acompanhou até o sepulcro.
Sofreu por ver seu filho sofrer, sem nada poder fazer.
Ela é conhecida por muitos nomes, mas todos aqueles que rezam por ela sabem que ela é Maria, a mãe de Jesus.
Quando alguém entra em oração sincera e com o coração puro, uma luz muito forte sai de sua cabeça e vai ao encontro da divindade para quem se está orando, esteja ela no grau de espiritualidade em que estiver.
Não importa a que religião a pessoa pertença, nem a qual divindade a oração está sendo dirigida.
Ela alcançará seu objectivo e quando há realmente, sentimento de fé e merecimento, esse pedido será atendido.
Sabemos que Sandra tem muita fé e sempre pediu e acreditou que receberia protecção de Nossa Senhora Aparecida.
Portanto, se Romeu, Isaura, Pedro e Felício foram orientados para que viessem não só em auxílio de Sandra, mas de toda a família e depois, viemos acompanhando Jaime para que ele presenciasse não só o nascimento, mas também a união de seus amigos de muito tempo e a quebra do elo de ódio que os separava e assim, a formação de uma nova corrente, mas agora de amor.
Com essa nova corrente todos continuarão seguindo sua jornada e encontrarão pelo caminho amigos e inimigos.
Com os inimigos, tentarão quebrar os elos de ódio, podendo assim, aumentar a corrente de amor e com os amigos será um novo elo acrescentado à corrente.
Todos eles hoje, sabendo tudo o que sabem a respeito de Acção e Reacção e do livre—arbítrio, assim que encontrarem um inimigo, tudo farão para que isso aconteça.
Esse pedido, essa orientação para que viéssemos até aqui, deve ter partido de Maria, mãe de Jesus.
Pela grande fé de Sandra e a vontade de Maria, estamos aqui e fizemos tudo o que estava ao nosso alcance para que todos se entendessem, a corrente de ódio fosse quebrada e a de amor fosse formada.
— Nossa, Donata, quanta coisa bonita você falou, mas ainda tenho uma dúvida...
— Que dúvida, Marina?
— Se estamos atendendo a um pedido de Nossa Senhora, por que ela mesma não veio?
Por que pediu que viéssemos?
— Maria, por pertencer ao mais alto grau da espiritualidade, tem uma luz e energia muito fortes.
Se ela se aproximasse o ser humano não suportaria.
Nós, que estamos caminhando e temos ainda um longo percurso para percorrer, temos há energia um pouco diferente da do ser humano, mas bem parecida, o que faz com que possamos nos aproximar, sem causar danos a eles ou a nós mesmos.
Está satisfeita com a resposta?
— Sim... agora estou...
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Abr 04, 2017 6:52 pm

— Bem, Romeu, nosso trabalho terminou.
Precisamos ir embora, Humberto deve estar ansioso pela nossa volta.
— Está bem, Ademir.
Obrigado por ter estado aqui e volte sempre que precisarmos.
— Voltarei, sabe que esse é o meu trabalho.
Jaime, você vai connosco?
— Não, Ademir.
Desculpe, mas não posso abandonar a Sandra e o meu filho.
Quero continuar ao lado deles.
— Está bem, mas se quiser nos encontrar basta pensar firme que, de onde estivermos, o ouviremos.
— Obrigado, Ademir, pela compreensão.
Ademir sorriu e acenou com a mão para todos.
Ao ouvir aquilo, Marina perguntou, nervosa:
— Já vamos embora, Ademir?
Não vamos até a minha casa?
Ademir olhou para ela e sorrindo respondeu:
— Não se preocupe, Marina, antes de irmos passaremos por sua casa, mas antes temos um último trabalho para fazer.
Ela suspirou aliviada.
Despediram—se de todos e foram embora.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Abr 04, 2017 6:53 pm

AJUDA PROVIDENCIAL
Voltaram novamente à praça da cidade onde Marina havia nascido e crescido e sentaram—se em um dos bancos.
Marina respirou fundo e pensou:
— Como me sinto bem nesta praça... quanto eu brinquei e quanto namorei... que saudade eu sinto...
— Em que está pensando, Marina?
— No tempo em que morei aqui e em como fui feliz e também no Jaime.
— No Jaime, por quê?
— Na decisão que ele tomou de não voltar, de continuar ao lado de Sandra, do Mariano e de sua família.
Ele podia mesmo fazer isso, Donata?
— Sim, Marina.
O espírito, desde sua criação, recebe o livre—arbítrio e o terá por toda a eternidade, estando encarnado ou desencarnado e poderá usar essa Lei como quiser.
Por isso Jaime pode escolher se quer ficar aqui ou continuar no seu aprendizado.
Se Deus lhe deu o direito de escolha, quem somos nós para contestá—lo?
Não podemos nem devemos fazer isso.
Marina ficou olhando para Donata por alguns segundos e perguntou:
— Até os ruins, com ódio e vingativos, se desejarem, podem ficar aqui ao lado das pessoas?
— Sim, Marina.
Todos os espíritos quando criados, bons ou maus, recebem o livre—arbítrio, portanto nada ou ninguém pode impedir que o use.
— Então os encarnados ficam sujeitos a esses espíritos?
— Já lhe disse várias vezes que em volta de todos nós, espíritos encarnados ou desencarnados, existe energia.
Dependendo das energias que conservamos ao nosso lado, será a energia que atrairemos.
Se estivermos tristes, desesperados, com ódio ou com desejo de vingança, atrairemos para o nosso lado espíritos que trazem consigo essas mesmas energias, mas se por outro lado estivermos bem, sabendo que qualquer problema sempre tem solução e que se acreditarmos que Deus é nosso criador e Pai, as energias que nos acompanharão serão boas e só nos ajudarão.
Vimos isso acontecer com Sandra que apesar de todos os problemas por que estava passando, sem saber até para onde ia com seu filho depois de deixar o hospital, não deixou de ter fé, de confiar, o que permitiu que pudéssemos nos aproximar e ajudá—la no que fosse possível.
Para com os espíritos desencarnados, a lei é a mesma.
Eles atraíram para junto de si outros iguais a eles, que com a desculpa de ajudá—los, os tornarão escravos e os torturarão também.
Além do mais, quando o espírito por vingança não quer se afastar, existem várias equipes que, se conseguirem se aproximar, conseguem fazer com que esses espíritos entendam que o ódio não constrói e que eles estão no caminho errado e bem longe do que se pode chamar de felicidade.
— Essas equipes conseguem afastar esses espíritos?
— Na maioria das vezes, sim.
Isso acontece quando pessoas que estão sendo atacadas por eles sabem que são livres e que nada nem ninguém pode interferir em seu livre—arbítrio, têm fé, só assim conseguem receber ajuda e esse momento é de muita felicidade para aquela equipe que trabalhou para aquilo.
Elas recolhem esses espíritos e os encaminham para o lugar aonde devem ir, onde terão toda a assistência, carinho e oportunidade de repensarem tudo o que fizeram.
— Tudo isso é muito complicado...
— Não Marina, não tem nada de complicado, só precisamos saber que Deus é amor, perdão, ternura e que só quer o nosso bem e que para isso, nos dá e dará sempre todas as oportunidades.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Abr 04, 2017 6:53 pm

— Se Jaime ficar aqui, vai parar de aprender?
— Não, sempre aprenderemos alguma coisa, mas se continuasse com o seu trabalho na espiritualidade poderia aprender muito mais.
Se continuar aqui, ele perderá um tempo enorme e verá que sua presença não fará bem nem à sua família nem a ele mesmo.
Com o tempo, entenderá que todos nós precisamos continuar na caminhada, inclusive ele.
Tudo é só uma questão de tempo.
Vamos esperar para ver o que acontece.
— Por isso vocês concordaram que ele ficasse até que ele próprio descubra que ficando aqui está atrasando sua evolução e que não poder interferir na vida dos que aqui ficaram, pois cada um tem sua própria caminhada?
— Não só por isso, Marina, mas também porque o espírito é livre e não pode ser aprisionado por nada ou por ninguém.
Jaime pode e deve decidir o que deseja fazer.
Marina se calou e ficou pensando.
Ademir, que acompanhava a conversa, perguntou:
— Está satisfeita com a resposta, Marina?
— Sim, tudo o que tenho ouvido e visto desde que iniciamos esta viagem está me fazendo pensar muito.
— Que bom, Marina, pensar faz bem.
A tarde está bonita e quente.
Antes de irmos para sua casa, precisamos fazer algo.
Tem poucas pessoas na praça.
Vamos entrar na igreja, Donata?
— Na igreja, Ademir?
— Sim, Marina, por que o espanto?
Existe um lugar melhor para que se possa pensar?
Lá também você poderá se relembrar do tempo em que viveu aqui.
— É verdade, foi nessa igreja que fui baptizada, crismada, fiz a minha primeira comunhão, me casei e baptizei meus filhos.
— Está vendo como tem muito que recordar, Marina?
Caminharam em direcção à igreja e entraram pela porta da frente.
Assim que entraram, sentiram uma paz enorme.
Para os olhos humanos, a igreja está vazia.
Tudo era silêncio.
O altar principal estava enfeitado com flores e velas.
Do lado direito, uma senhora estava ajoelhada diante do confessionário, provavelmente o padre estava lá a ouvindo.
De onde estavam, podiam ver que havia apenas uma pessoa sentada em um dos bancos da primeira fila, porém, por toda a igreja havia várias entidades que estavam ajoelhadas ou sentadas.
De todas elas podia—se ver luzes que saíam de suas cabeças e iam para o alto, num espectáculo deslumbrante.
Ao ver aquilo, Marina ficou extasiada com tanta luz, tanta beleza e perguntou baixinho:
— Quem são essas entidades e o que estão fazendo aqui, Donata?
Elas continuam rezando como se estivessem vivas...
— Estão vivas, Marina.
Você se esqueceu que a morte não existe?
Que é só uma mudança de dimensão?
Marina sorriu e Donata continuou falando:
— Algumas sabem que estão mortas e estão aqui somente para descansar.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Abr 04, 2017 6:53 pm

Outras não sabem ou não aceitaram saber que estão mortas e confusas, vieram para cá para pensar, se esconder ou tentar entender o que está acontecendo e outras fazem parte de equipes de socorro que estão aqui para orientá—las e encaminhá—las para casa.
— Existem outras equipes que cuidam disso?
— Sim, Marina.
Existem muitas equipes trabalhando para ajudar o espírito quando está encarnado ou, como agora, que apesar de desencarnado não sabe ou não aceita.
Há muito trabalho no plano espiritual, para ser feito.
Começaram a andar pelo corredor principal que conduzia ao altar.
Quando se aproximaram da mulher que estava na primeira fila, Marina falou, feliz:
— É a dona Cora, Donata!
— Sim e é por causa dela que estamos aqui.
— Viemos buscá—la?
Ela vai morrer?
— Não, Marina.
Um dia voltaremos para buscá—la, mas não pode ser hoje.
Ela, antes de partir precisa ser atendida em um desejo que tem há muito tempo.
— Que desejo?
— Ver seu neto se formar médico.
— Um simples desejo como esse faz com que o dia de partir seja adiado?
— Algumas vezes, sim.
Cora foi sempre uma mulher que tentou cumprir o seu dever.
Como todas as pessoas cometeu erros, mas seus acertos foram maiores.
Por isso, foi lhe dado mais um pouco de tempo para que seu desejo fosse realizado.
Ela quer muito assistir à formatura do neto que ama muito.
— Sempre ouvi dizer que casamento e mortalha no céu se talham!
Sempre achei que para a morte existia um dia certo!
— Tem razão, Marina, mas para toda regra sempre existe uma excepção.
Neste caso, a excepção está sendo usada.
Quando se aproximaram mais, perceberam que Cora estava muito branca, passava a mão pela testa que suava muito.
Parecia que ia desmaiar.
Marina disse, desesperada:
— Ela está passando mal, Donata!
— Não se preocupe, Marina, é para isso que estamos aqui.
Vá até a praça e faça com que alguém entre aqui.
— Não sei como vou fazer isso, Donata!
— Vá até a praça, sei que vai encontrar alguém para nos ajudar.
Quando encontrar esse alguém, comece a dizer em seu ouvido:
entre na igreja, entre na igreja.
Essa pessoa vai ouvir e vai entrar e assim vai poder ajudar a Cora e a nós também.
Desesperada, Marina saiu da igreja, foi para a praça e começou a olhar para ver se encontrava alguém.
Não havia ninguém, nem mesmo o táxi que costumava ficar em frente à igreja.
Ficou olhando para todos os lados, mas parecia que todas as pessoas haviam sumido.
Sem saber o que fazer começou a andar.
Estava indo para o meio da praça, quando viu um menino que passou correndo por ela.
Logo atrás vinha outro menino que corria também.
Ela percebeu que estavam brincando.
O primeiro menino, cansado, parou e se sentou em um dos bancos da praça.
O outro se aproximou e também cansado, se sentou ao lado do primeiro.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

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