ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Abr 04, 2017 6:54 pm

Marina foi até eles e começou a dizer:
— Entrem na igreja, entrem na igreja.
Um dos meninos, depois de algum tempo disse:
— Vamos entrar na igreja, Paulinho?
— Na igreja, Rafael?
Vamos fazer o que na igreja?
Hoje não é domingo, não tem missa há essa hora!
— Não sei, estou com vontade de entrar na igreja.
Antes que Paulinho dissesse alguma coisa, Rafael se levantou e começou a correr em direcção à igreja.
Paulinho o acompanhou e Marina sorriu, feliz e vitoriosa por ter conseguido se comunicar com pessoas que ainda estavam vivas.
Foi atrás deles.
Os meninos correram para o altar, quando estavam chegando viram Cora deitada no banco e se aproximaram.
Rafael olhou para Paulinho e gritou:
— Acho que ela está morta, Paulinho!
— Será, Rafael, nunca vi ninguém morto de perto...
— Não sei, mas a gente precisa fazer alguma coisa.
Eles, desesperados falavam alto.
Padre Luiz que estava ouvindo aquela senhora no confessionário ouviu os gritos e abriu muito bravo a porta e saiu do confessionário para poder chamar a atenção dos meninos que falavam alto na igreja.
Assim que saiu, percebeu que algo estava acontecendo, perguntou ainda de longe, mas caminhando para junto deles:
— Que está acontecendo, Rafael, por que estão gritando desse jeito?
Não sabem que aqui é um lugar de oração?
— Dona Cora, padre, ela está deitada aqui, acho que morreu, vem aqui para ver se ela está morta!
Ao ouvir aquilo, o padre correu em direcção dos meninos.
Quando chegou perto, percebeu que Cora não estava bem.
Nervoso, disse:
— Paulinho, vá até lá fora e se o Luiz do táxi estiver lá, pede para ele vir me ajudar e você Rafael, que mora perto da casa de Nanci, vá até lá e diga para me encontrar no hospital, estou levando a mãe dela para lá.
Os meninos saíram correndo.
Poucos minutos depois, um senhor entrou correndo na igreja.
Quando chegou perto, perguntou assustado:
— O que está acontecendo, padre?
— Não sei, Luiz!
Ela não está bem, precisamos levá—la para o hospital!
Já pedi para o Rafael ir avisar a Nanci.
Vamos, me ajude a levantá—la.
Cora era pequena e magra, o que tornou mais fácil sua remoção.
Com ela nos braços de Luiz, saíram o mais rápido que puderam.
Ademir, Donata e Marina os acompanharam.
Antes de saírem, acenaram para outras entidades que, quando chegaram à igreja, já estavam lá e assim que viram Cora começar a passar mal, juntaram—se a eles.
Enquanto ela não fosse levada para o hospital junto com eles, ficaram jogando luzes sobre ela para que suas energias não ficassem muito fracas.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Abr 04, 2017 6:54 pm

Assim que chegaram ao hospital, imediatamente ela foi levada a uma sala, onde um médico a examinou e para consolo de todos, disse:
— Não é nada grave, ela só teve uma queda de pressão.
Vou lhe aplicar uma injecção e ficará por um tempo em observação, depois poderá ir para casa.
Menos de quinze minutos depois, Nanci chegou ao hospital, encontrou o padre que conversava com o médico.
Ela se aproximou e perguntou, desesperada:
— Padre, onde está minha mãe?
Que aconteceu com ela?
— Fique calma, minha filha.
Ela está bem.
O médico acabou de me dizer que ela só teve uma queda de pressão, mas já está bem, não é doutor?
— É sim, padre.
Sua mãe foi medicada e está muito bem.
— Que susto!
Já pedi mil vezes para que ela se mude lá para casa, mas ela não quer, insiste em continuar morando na sua casa.
Não sei mais o que fazer.
— Não se preocupe, ela, embora tenha um problema no coração, está muito bem.
Não é hoje que vai morrer...
— Nem brinque com isso, doutor.
Não me imagino sem minha mãe.
Ela sempre foi muito minha amiga.
Ela não pode morrer, nunca...
— Infelizmente esse dia vai chegar, não só para ela como para todos nós, mas ela, se depender do coração, viverá por muito tempo.
Se quiser, pode ir vê—la, ela está naquele quarto, só repousando.
Nanci, mesmo antes que ele terminasse de falar, já estava se dirigindo para o quarto.
Entrou já brigando com a mãe.
— Mamãe, que susto me deu!
Quando sair daqui, vai para a minha casa.
Sabe o quanto ficamos preocupados com a senhora morando sozinha!
Já está com oitenta e um anos, não pode mais ficar sozinha naquela casa...
— Claro que posso, Nanci e não estou sozinha, a Luzia está sempre ao meu lado.
— Sei que ela cuida muito bem da senhora, mas acho que ela nem percebeu que a senhora saiu.
— Tem razão, quando saí ela estava no fundo do quintal, lavando roupa.
Não quis avisar porque ela ia querer vir comigo e largar o que estava fazendo.
A igreja fica tão perto de casa.
Só vim rezar pelo meu neto e agradecer a Deus por ter vivido até hoje.
Sabe como estou feliz.
— Sei, mãe, também estou, mas ficaria mais feliz se quando sair daqui, ao menos hoje fosse lá para casa.
Precisamos estar bem bonitas para a cerimónia.
— Está bem, se é para que fique sossegada eu vou, mas só por hoje.
Amanhã, quero voltar para minha casa.
— O médico disse que a senhora está bem.
Assim que ele a liberar, passaremos na sua casa, pegaremos a sua roupa e avisaremos a Luzia para que ela não fique preocupada.
Na hora da cerimónia a senhora vai estar linda...
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Abr 04, 2017 6:54 pm

— Vou estar mesmo. Está bem, por hoje vou aceitar ir para sua casa. Já estou bem, acho que podemos ir embora...
— Nada disso! Precisamos esperar que o médico a libere. Fique aí deitada!
— Não podemos ficar aqui, Nanci. Está chegando à hora e não podemos nos atrasar.
— Não vamos nos atrasar, ainda tem muito tempo.
Marina começou a rir e disse:
— Ela sempre foi assim, uma mulher independente que sempre soube o que quis da vida.
Quando seu marido morreu, ela ficou sozinha com duas crianças e cuidou delas sozinha.
Trabalhou muito, sempre foi enérgica, mas amiga dos filhos.
Desde criança eu gostava muito de ir à sua casa, ela fazia um bolo de chocolate delicioso.
Eu e Nanci sempre fomos amigas.
Nascemos e fomos criadas na mesma rua e quando fiquei doente, tanto ela como dona Cora estiveram sempre ao meu lado.
— Vocês conservam há muito tempo esse tipo de amizade.
São espíritos amigos que decidem vir ao nosso lado para nos ajudar e você mesmo pôde constatar, Marina, como elas foram importantes.
Assim como elas, deve ter encontrado outras pessoas que a ajudaram, não só na hora da doença, mas em outras oportunidades também.
Pessoas que só viu uma vez, mas que ajudaram você de alguma maneira.
Isso sempre acontece.
— Tem razão, Donata.
Quando chegar a hora de dona Cora voltar para casa, sua equipe virá buscá—la?
— Sim, Marina, mas não será hoje, levará algum tempo.
— Gostaria de vir também.
— Você está nos acompanhando somente para aprender, desde o começo sempre soube que se não quisesse, não precisaria nos acompanhar sempre.
— Se eu quiser vir mais vezes, posso, Donata?
— Você pode tudo, Marina. – Donata disse, rindo.
O padre entrou no quarto e percebeu que a cor no rosto de Cora havia voltado.
Sorrindo, disse:
— Parece que está bem, Cora.
Você me deu um susto tremendo.
— Não sei o porquê, padre.
O senhor sabe que eu não ia morrer sem assistir a formatura do meu neto!
— Você sempre me disse isso, mas sabe como é...
— Sei, sim, por isso eu disse que não ia morrer.
– ela disse sorrindo e piscando um olho.
— O senhor vai também, não é padre?
— Claro que sim, Nanci.
Conheço você mesmo antes de nascer, acompanhei toda a gravidez de sua mãe, baptizei você, fiz sua primeira comunhão, seu casamento, como poderia deixar de comparecer em uma data tão feliz?
— Obrigada, padre.
Assim que o médico liberar a mamãe, vamos para casa, pois temos muito que fazer.
— Bem, já que está tudo bem também vou para a igreja, nos encontraremos lá.
Dizendo isso, saiu e foi para a igreja.
— Podemos ir à cerimónia também, Ademir.
— Não quer ir para sua casa, Marina?
— Claro que quero, mas gostaria de ir à cerimónia também.
Queria estar presente nesse dia de tanta felicidade para Nanci.
— Está bem, iremos, mas não poderemos ficar por muito tempo, sabe que precisamos voltar.
— Está bem.
— Antes, porém, vamos à sua casa e depois da cerimónia iremos embora.
— Agora vamos para minha casa?
Obrigada, Ademir.
— Sim. Chegou à hora e não precisa agradecer, você além de merecer, teve muita paciência e sabemos o quanto isso lhe custou.
Dizendo isso, olhou para Donata que concordou com a cabeça.
Saíram de lá.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Abr 04, 2017 6:54 pm

A HORA DA VERDADE SEMPRE CHEGA
Chegaram à rua e a casa onde Marina morava antes de morrer.
Puderam notar que ela estava bem pintada e que no jardim havia flores coloridas e também bem cuidadas.
Marina ficou olhando e de seus olhos, mesmo sem perceber, lágrimas começaram a se formar e a cair por seu rosto.
Ela estava emocionada por estar ali.
Donata, percebendo que ela estava chorando, preocupada perguntou:
— Por que está chorando, Marina?
Não está feliz por estar aqui na sua casa e poder rever tudo e todos?
Matar saudade e ver como todos estão?
— Claro que estou, Donata, mas não consigo me controlar.
Foi aqui nesta casa que fui muito feliz e que também sofri tanto... não posso deixar de me emocionar ao relembrar de como tudo aconteceu.
— Sei disso, Marina, só estou tentando alegrar você e fazer com que se sinta bem.
— Nesta casa vim morar quando me casei.
Meus pais nos deram de presente.
Depois, meus filhos nasceram... eu era muito feliz.
Vivi momentos inesquecíveis e outros de muita tristeza também.
Isso aconteceu quando descobri que estava doente e durante todo o tratamento.
A casa continua igual, nada foi modificado.
Algumas vezes fico pensando, Donata, por que tive de ficar doente e morrer tão jovem, sem ter tido tempo para cumprir minha missão.
Na verdade, nem sei se tinha alguma e muito menos qual era...
— Tudo aconteceu na hora em que precisava acontecer, Marina e você cumpriu sim, sua missão.
Posso lhe dizer que cumpriu muito bem e que voltou para casa vitoriosa.
— Como pode dizer isso, Donata?
Não vi meus filhos crescerem, nem sei como estão hoje... meu filho queria ser aviador.
Será que ele é?
Minha filha queria ser professora, será que ela é?
Norberto, como ficou depois da minha morte?
Como estará hoje?
Tudo isso me entristece muito, Donata...
— Mas não deveria ficar triste, Marina.
Vamos entrar, sabe que não temos muito tempo.
Precisamos voltar, terminamos nosso trabalho.
Além do mais, Humberto deve estar ansioso pela nossa volta.
Sabe disso, não sabe?
Ele está preocupado desde que saímos.
Não sabia se conseguiríamos cumprir com êxito todas as missões a que nos propusemos fazer.
— Sim, sei disso.
Ele demorou muito para permitir que eu voltasse.
Até hoje, não entendi o porquê, pois como vimos, Jaime voltou com muito pouco tempo e eu levei todo esse tempo.
Por quê, Donata?
— Não sei responder a essa sua pergunta, Marina, mas isso agora não importa mais.
Você está aqui e poderá rever a todos e matar sua saudade.
Vamos entrar?
Marina, com lágrimas nos olhos disse que sim com a cabeça.
Entraram e chegaram à sala da casa.
Ela parou e ficou olhando tudo.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Abr 04, 2017 6:55 pm

Depois disse:
— Os móveis e as cortinas são diferentes daqueles que havia quando fui embora.
Donata olhou para Ademir e os dois riram.
Ela disse:
— Claro que isso teve de ser mudado, Marina.
Passaram—se quase vinte anos...
Marina também começou a rir.
— Tem razão, Donata, mas para mim, parece que foi ontem.
Em minha mente está tudo tão recente...
— É assim mesmo, mas parece que não tem ninguém em casa.
Será que todos estão se preparando para a festa?
— Acho que sim.
Vamos olhar o resto da casa, Donata?
— Sim. Logo mais, com certeza todos chegarão.
Começaram a andar pela casa.
Foram até a cozinha, onde uma mulher, cantarolando, estava junto ao fogão, colocando água para ferver.
Marina, ao vê—la, disse feliz:
É a Joana, Donata!
Ela continuou aqui cuidando da casa e das crianças!
Mas está tão envelhecida”
— Sim, Marina, depois que você partiu, ela continuou cuidando da casa e das crianças.
Sabe que ela gostava de seus filhos, mas ficou por pouco tempo, pois você sabe que ela estava para se casar e ir morar em outro estado.
Ela se casou e foi embora.
Dois anos depois de casada, ficou viúva, voltou para cá e pediu para que Norberto a aceitasse novamente.
Como ele sabia o quanto você e as crianças gostavam dela, aceitou imediatamente e ela está aqui até hoje.
Está casada novamente, mas passa o dia todo cuidando da sua casa e da sua família, nunca abandonou a sua família, Marina.
Claro que está envelhecida.
O tempo passou para ela.
Só você continua a mesma.
Marina se aproximou de Joana, mas permaneceu a uma certa distância.
Sua vontade era de abraçá—la, porém sabia que não poderia fazer isso, pois poderia prejudicá—la.
Com a ponta dos dedos, lhe enviou um beijo.
No mesmo instante, Joana segurando a chaleira nas mãos, pensou:
Dona Marina, que pena que a senhora não está aqui junto com a gente.
Se estivesse, com certeza assim como todos nós estaria muito feliz.
Mas, sei que deve estar no céu sabendo de tudo o que está acontecendo e também deve estar feliz, sim...
Marina, ao ouvir aquilo, disse emocionada:
— Estou muito feliz sim, Joana e muito agradecida por ter continuado a cuidar com tanto carinho da minha família.
Deus a abençoe...
Saíram para o quintal que estava todo coberto por uma grama rente, verde e muita bem cuidada.
Em cada canto do quintal havia várias roseiras plantadas com rosas de várias cores.
Marina ao vê—las, ficou emocionada e falou alto:
— Minhas roseiras continuam aí, Donata!
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Abr 04, 2017 6:55 pm

Joana cuidou delas durante todo esse tempo?
Estão da maneira como deixei, claro que em mais quantidade, mas estão lindas como sempre...
— Sim, Marina.
Elas sempre foram muito bem cuidadas, não só por Joana, mas por todos da casa.
Por isso, elas estão lindas, abertas e perfumadas, somente para você...
Parece que eles sabiam que você estava voltando...
Marina, emocionada, foi até cada uma das roseiras, acariciou as rosas e sentiu seu perfume.
Depois, voltaram para a cozinha.
Joana colocava pó de café no coador.
Marina mandou outro beijo para ela e foram para a sala.
Estavam indo em direcção à escada que os levaria ao andar superior da casa, quando ouviram a porta da frente se abrindo.
Voltaram—se e viram um rapaz que entrava.
Ao perceber que não havia ninguém, somente Joana que deveria estar em algum lugar da casa, começou a subir os degraus que o levariam ao andar superior.
Marina ao vê—lo, não se conteve e perguntou ansiosa e tremendo muito:
— Donata, esse moço é Joel, meu filho?
— É sim, Marina.
Ao ouvir aquilo, sem pensar correu em direcção ao rapaz e o abraçou com toda força e saudade que sentia, dizendo:
— Joel, meu filho!
Como você está bonito!
No mesmo instante Joel sentiu uma tontura que quase fez com que caísse.
Donata imediatamente puxou Marina pelo braço, que se afastou, assustada.
— Meu Deus, Donata, que eu fiz para que ele se sentisse mal?
Parece que ele vai desmaiar...
— Com o seu abraço, sua energia se misturou com a dele.
Sabia que não podia se aproximar dele, Marina.
— Desculpe, eu sabia...
Fui muito avisada quanto a isso, mas quando o vi me esqueci.
Ainda bem que vocês estão aqui...
— Ainda bem mesmo.
Mas agora está tudo bem, ele já se recuperou.
Realmente, Joel um pouco assustado com aquela tontura, balançou a cabeça com força e pensou:
Que tontura foi essa?
Deve ser a ansiedade pelo dia de hoje, também não me alimentei bem.
Continuou subindo os degraus e chegou a um corredor, abriu uma porta e entrou.
Marina, Ademir e Donata o acompanharam.
Assim que entrou no quarto ele se deitou de costas na cama, colocou os dois braços sobre a cabeça e ficou pensando:
Finalmente o dia chegou.
Estou feliz por ter conseguido me formar, mas tenho ainda uma longa caminhada para conseguir o meu objectivo.
Marina ria sem parar.
Estava feliz por ver que seu filho se tornara um homem de bem.
Disse, emocionada:
— Ele não é lindo, Donata?
— É sim, Marina...
Joel, ainda deitado, tirou do bolso uma carteira, abriu e ficou olhando para uma fotografia de Marina.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Abr 04, 2017 6:55 pm

A fotografia era pequena, mas bem nítida e fiel.
Marina, que até ali sorria feliz, se emocionou ao perceber que seu filho pensava nela.
Ele, com a fotografia na mão pensou:
Que pena que a senhora não está aqui, mamãe.
Sei que estaria muito feliz...
Ela, ao ouvir aquilo, viu quando uma luz muito forte saiu da cabeça dele e veio com muita felicidade sobre ela, fazendo com que quase caísse.
Olhou para Donata e Ademir, que sorriam, mas ficaram calados olhando para Joel, que continuava olhando para a fotografia e pensando:
Por tudo que me lembro e me contaram, sei que a senhora era maravilhosa e que deve estar no céu.
Se estiver e puder me ouvir, quero que saiba que estou muito feliz...
— Eu estou aqui e também muito feliz, meu filho! – Marina disse, gritando.
Ele continuou olhando para a fotografia e pensando nela e em todo o tempo em que ela esteve doente.
Eu era muito pequeno e vi o quanto sofreu mamãe.
Até agora, ainda não entendi por que teve de morrer tão jovem...
Estava pensando quando a porta se abriu e se ouviu uma voz que perguntou:
— Posso entrar Joel?
Que está fazendo?
— Claro que sim, mamãe.
Estou descansando, sabe como esses últimos dias tem sido intensos...
Ao ouvir aquilo, Marina se voltou para Ademir e Donata e perguntou muito nervosa e quase gritando:
— Mamãe! Que história é essa, Donata?
Donata olhou para Ademir e disse:
— Continue ouvindo a conversa, Marina e vai entender tudo o que aconteceu depois que você partiu.
— Entender o quê, Donata, para ela estar aqui em casa e meu filho a chamar de mãe, quer dizer que ela se casou com Norberto!
Vou matá—la!
Dizendo isso foi para junto de Nanci na clara intenção de se jogar sobre ela, mas Donata e Ademir se colocaram na sua frente, impedindo—a de fazer o que desejava.
Com a voz baixa, mas firme, Donata disse:
— Espere Marina!
Não pode fazer isso!
— Como não posso fazer isso, Donata?
Ela sempre disse ser minha amiga, mas na realidade não era, se casou com meu marido, roubou não só ele, mas também meus filhos, a minha casa, a minha vida!
Como posso não ficar irritada?
— Continue ouvindo, Marina...
— Não quero ouvir mais nada, Donata!
Ela me traiu, mas isso não vai ficar assim!
— Acalme—se, Marina.
Essa atitude só pode lhe fazer mal...
— Como me acalmar, Donata?
Ela roubou tudo o que era meu!
Meu marido, meus filhos, minha casa e minha vida!
— Já devia ter aprendido que nada é nosso e que tudo o que conquistamos ou temos aqui na Terra quando partimos continua aqui, Marina.
A única coisa que temos é nosso espírito e sua caminhada para a luz, nada, além disso...
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Abr 04, 2017 6:55 pm

— Sei que devia ter aprendido, mas não consigo entender, como o Jaime fez com a Sandra, vou fazer da mesma maneira!
Vou ficar aqui ao lado dela para sempre!
Vou me agarrar ao seu corpo e ficar até que morra!
— Não deve fazer isso, Marina.
Precisa entender o que aconteceu.
Não pode continuar aqui.
— Como não posso?
Você mesma disse que o espírito é livre e que pode fazer tudo o que quiser!
Você mesma disse que Jaime poderia, se quisesse, continuar ao lado de sua família!
Sendo assim, também posso e também quero!
Vou ficar aqui e me vingar dessa traidora!
Vou fazer com que morra!
- Eu disse e é verdade, mas seu caso é completamente diferente do de Jaime.
— Diferente, porquê, Donata?
Se ele pode ficar, também posso!
Vou ficar e nada o que diga poderá fazer com que eu mude de ideia!
Ela vai me pagar pela traição!
— Não, Marina.
Sua situação e a de Jaime são diferentes.
Ele ficou ao lado da família por amor, pensando poder ajudar Sandra e seu filho.
Você, ao contrário, quer ficar por ódio, desejo de vingança e de destruição.
Entendemos a situação de Jaime, ele poderá ficar o tempo que desejar e terá sempre o nosso auxilio, além de poder voltar para trabalhar em qualquer equipe, assim que desejar.
Com você é o contrário.
A cada momento de ódio e desejo de vingança, sua energia está se modificando e em breve não poderá mais nos ver e por suas energias se tornarem pesadas, mesmo que quiséssemos não poderemos nos aproximar.
Será muito difícil que volte para casa ou a trabalhar em qualquer equipe.
Com suas energias de ódio e desejo de vingança, só poderá atrair como companhia outros espíritos com a mesma energia.
O espírito, encarnado ou não, é livre sim para escolher a companhia que deseja ter ao seu lado.
Pense bem.
Está em suas mãos o que deseja para si.
Marina começou a chorar.
Durante a viagem ao lado da equipe de Ademir e Donata, já havia aprendido muito sobre o perdão e o mal que as energias do ódio podiam causar tanto aos encarnados como aos desencarnados, mas enquanto aprendia, nunca poderia imaginar que teria de usar tudo o que aprendeu consigo mesma.
Desesperada, disse:
— Não sei o que fazer Donata...
— Entendo que o que descobriu foi muito repentino e inesperado, mas nada acontece sem a vontade de nosso criador.
Tudo estava planeado e foi por isso que a convidamos para que viesse ao nosso lado.
Este momento é muito importante, pois para todos, sempre chega à hora da verdade e para você a sua hora é agora.
Chegou a hora de mostrar se realmente aprendeu tudo o que lhe foi ensinado e mostrado desde o inicio desta viagem.
Está em suas mãos.
Como fazemos com o espírito encarnado, podemos intuir, dizer o que é certo, mas jamais poderemos interferir no livre—arbítrio de cada um.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Abr 04, 2017 6:55 pm

Só você pode decidir Marina e o que escolher acataremos sem discutir.
— Preciso decidir agora, Donata?
— Não, ainda temos tempo.
Pode pensar a vontade no que deseja fazer.
Mas, para ajudar na sua decisão, sugiro que continuemos ouvindo a conversa de Joel com Nanci.
No final, talvez tenha mais facilidade para decidir.
Marina se calou, olhou para Nanci que se aproximou da cama.
Trazia em suas mãos, pendurada em um cabide, uma beca de formatura e disse:
— Trouxe sua beca para que use esta noite, Joel.
Ela está bem passada, eu mesma a passei.
Vou colocar aqui no guarda—roupa para que não amasse.
— Obrigado, mamãe. Que aconteceu?
Quando cheguei, não tinha ninguém em casa.
Só ouvi a Joana lá na cozinha.
Fiquei preocupado, vim para o quarto, mas já ia descer e perguntar a Joana se ela sabia de alguma coisa e por que não havia ninguém em casa.
— Foi sua avó que novamente me deu um susto tremendo.
Tive de sair às pressas.
— Que aconteceu?
— Ela passou mal na igreja e o Rafael, por sorte, estava lá.
O padre Luiz a levou para o hospital e pediu que ele viesse me chamar.
Fui imediatamente.
Ao ouvir aquilo, ele levantou—se assustado e perguntou:
— O que ela sentiu mamãe?
Onde ela está?
— Nada grave, o médico disse que foi só uma queda de pressão, mas que logo ficaria boa e realmente ficou.
Está aqui em casa e desta vez, mesmo contra sua vontade, não irá mais embora.
Não vou permitir!
— Até parece que poderá não permitir.
A senhora não conhece a vovó... – ele disse, com ironia na voz.
— Por que está dizendo isso?
— Ela sempre fez o que quis.
Nunca permitiu que ninguém interferisse em sua vida.
Não vai mudar agora.
Nada fará que venha morar connosco, a não ser que ela mesma decida.
Nanci começou a rir e disse:
- Tem razão, Joel, ela é mesmo uma figura e gosta muito de você e de sua irmã.
Ela nem se lembra que não é a verdadeira avó de vocês.
— Também gostamos muito dela, mamãe e também nos esquecemos de que não é a nossa verdadeira avó...
— Sabe o que me disse quando cheguei apavorada no hospital?
— Não, o quê?
— Que eu não precisava ficar preocupada, pois sabia que ela não ia morrer antes de assistir a sua formatura.
Pode uma coisa dessas?
Ela falou com tanta segurança que fiquei sem saber o que dizer.
Joel também riu.
— Essa é a minha avó...
Onde estão o papai e a Berenice?
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Ter Abr 04, 2017 6:56 pm

— Seu pai disse que não podia deixar de ir à empresa, mas disse também para eu não me preocupar que na hora certa estaria aqui.
Berenice está toda empolgada com a cerimónia e por ter um irmão médico.
Foi arrumar o cabelo e buscar na costureira o vestido que mandou fazer e que vai usar na festa.
— Acha que a vovó Bethe e meu avô Alfredo virão para a formatura?
— Não sei. Quando sua mãe morreu, eles ficaram muito abalados.
Seu avô resolveu que seu tio e seu pai cuidariam da empresa e eles foram para Portugal, para junto da família.
Desde então, nunca mais voltaram para o Brasil.
Você e sua irmã é que todos os anos passam as férias lá.
Eles têm muito medo de viajar de avião.
Por isso, acho que não virão.
— É uma pena, gostaria muito que eles estivessem aqui.
Joel sorriu e por um momento, pensou em Marina.
Voltou a se deitar na cama.
Nanci percebeu aquela nuvem que passou por seus olhos e disse:
— Posso adivinhar o que está pensando...
Ele olhou para ela e curioso perguntou:
— O que acha que estou pensando?
— Não no que está pensando, mas em quem...
— Está bem, mas em quem?
— Na sua mãe.
— Como soube?
— Também estive pensando muito nela e em como deve estar feliz por ver você recebendo o diploma de médico...
— Estava pensando nela sim e em todo o tempo que esteve doente.
Eu era muito pequeno, mas acompanhei tudo.
Ela sofreu muito, não foi?
— Foi sim, Joel e o mais triste era que nada se podia fazer a não ser lhe dar carinho e atenção e isso não lhe faltou.
Todos se esmeraram nesse sentido.
— Depois que ela morreu embora criança, decidi que me tornaria médico para cuidar das pessoas doentes.
Agora que recebi meu diploma, vou fazer especialização em oncologia.
Vou me dedicar a cuidar das pessoas com câncer.
Se não conseguir curar, ao menos lhes darei toda a assistência, carinho e atenção para que se sintam confortáveis.
Depois que fizer a especialização, vou também me juntar a um grupo que faz pesquisas e tenho fé que encontraremos um remédio ou quem sabe, até uma vacina que possa ser aplicada em todas as crianças com poucos meses de nascidas, assim como já existem outras que evitam doenças antes consideradas mortais.
Alguns tipos de câncer já estão sendo curados, mas precisamos encontrar uma cura para todo tipo e isso vai acontecer.
Devo isso a minha mãe.
Se quando ela morreu já existisse esse remédio ou essa vacina, ela não teria sofrido tanto e estaria aqui connosco.
Ouvi dizer não sei onde, que todos temos uma missão, por isso acho que a sua missão aqui na Terra foi exactamente essa, fazer com que eu me dedique com carinho a todo doente de câncer e tente encontrar a cura para essa doença.
Ao ouvir aquilo, Marina, espantada, olhou para Ademir e Donata, que sorriram.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Abr 05, 2017 7:31 pm

Voltaram os olhos para Nanci, que disse:
— Sim, deve ter sido uma das suas missões...
— Por que, acha que ela teve outra?
— Acho não. Tenho certeza.
Novamente Marina olhou para Ademir e Donata, demonstrando que não estava entendendo o que Nanci disse.
Donata e Ademir voltaram a sorrir e também a olhar para Nanci, que continuou falando:
— Já lhe disse várias vezes que eu e sua mãe éramos amigas inseparáveis, Joel.
Ela se casou, eu continuei solteira, mas mesmo assim continuamos amigas.
Um dia ela me contou que estava sentindo dores e sem que seu pai soubesse, fomos juntas ao médico que após vários exames constatou que era câncer.
A principio, ela não quis acreditar nem contar ao seu pai, mas eu a convenci de que ele precisava saber e juntas, contamos primeiro a ele e depois ao resto da família.
Pode imaginar como todos ficaram desesperados.
Ela era muito jovem, cheia de vida e tinha vocês ainda pequenos.
Durante todo o tempo da doença ficamos ao seu lado e fizemos tudo para que ela ficasse confortável e se curasse, mas foi em vão.
Ela faleceu.
Não preciso nem dizer como todos sofremos, tanto que seus avós foram embora do país.
Depois que ela morreu, seu pai ficou desesperado, mas tinha vocês dois e precisava trabalhar.
Joana, que já trabalhava para sua mãe há muito tempo também foi muito dedicada, mas estava se preparando para se casar e precisava ir embora com o marido para outro estado.
Eu amava você e a Berenice como se fossem da minha família.
Quando você nasceu, fui a primeira a chegar e a vê—lo pelo vidro do berçário.
O mesmo aconteceu com Berenice.
Estive sempre ao lado de vocês.
Marina insistiu e eu acabei sendo a madrinha dos dois.
Depois que ela faleceu, vendo o desespero de seu pai, conversei com ele e disse que como eu não trabalhava fora, poderia ficar cuidando de vocês e da casa, até que ele encontrasse alguém para cuidar de tudo.
Conversei também com minha mãe.
Ela, por também gostar muito de vocês e de sua mãe, concordou.
Eu vinha pela manhã, cuidava da casa, mandava vocês para a escola, fazia o jantar e quando seu pai chegava, jantávamos.
Enquanto eu arrumava a cozinha, ele colocava vocês dois para dormir.
Muitas mulheres se apresentaram para o trabalho, mas eu ou ele nunca encontramos alguém em quem confiássemos e o tempo foi passando.
Ele me pagava um salário e eu estava muito feliz.
Em uma noite, isso mais de um ano depois da morte de sua mãe, quando terminamos de jantar, ele foi colocar vocês na cama.
Voltou logo em seguida e olhando bem em meus olhos, disse:
— Nanci, você é tão dedicada aos meus filhos e a mim que estive pensando em lhe fazer uma proposta.
— Que proposta?
— Já que fica o tempo todo aqui e só vai para sua casa à noite, por que não se muda de vez e fica morando connosco definitivamente?
— Olhei assustada para ele, Joel, pois nunca tinha pensado naquilo.
Havia me acostumado e não via problema algum em ter de ir à noite para casa e voltar no outro dia pela manhã.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Abr 05, 2017 7:31 pm

Sem entender aquela pergunta, respondi:
— Não tem problema algum, Norberto.
Já me acostumei.
Essa rotina já faz parte da minha vida.
— Você não entendeu a minha proposta.
— Como não?
Claro que entendi, mas acho que não é preciso, está muito bem da maneira como está...
— Não, não está bem.
Vou esclarecer a minha proposta.
Para que você durma aqui nesta casa e para que não haja comentários, terá de ser minha esposa.
— Esposa?
— Sim, esposa.
Eu e meus filhos precisamos de alguém que fique ao nosso lado, não como empregada, mas como mãe e esposa.
Quer se casar comigo?
— Eu nunca havia pensado naquela possibilidade.
Minha única intenção, quando resolvi ajudar, foi somente pensando em você e na sua irmã.
Nunca tinha olhado para seu pai de maneira diferente.
Embora algumas vezes houvesse pensado em como ele era bonito e dedicado.
Ele, sem que esperasse a minha resposta, continuou falando:
— Sabe o quanto amei e ainda amo Marina.
Ela foi a mulher da minha vida, mas não sei por que e infelizmente Deus achou que ela deveria partir.
Você sabe o quanto sofri com sua doença e sua morte, mas a vida continua.
Meus filhos e eu precisamos de alguém ao nosso lado e ninguém é melhor do que você, mas a vida continua.
Meus filhos e eu precisamos de alguém ao nosso lado e ninguém é melhor do que você, que sei nos ama, para ocupar esse espaço que foi dela.
— Fiquei olhando para ele, abismada e sem saber o que responder.
Ele insistiu:
— Não vou negar que ainda penso em Marina e que ela me faz muita falta, mas sou ainda jovem e preciso continuar com a minha vida.
Se você aceitar, ficarei muito feliz.
Se nos casarmos, poderemos ter os nossos filhos e todos viveremos felizes.
O que acha da minha proposta?
— Fiquei sem saber o que responder, mas sabia que aquilo era o que mais queria.
Nunca havia olhado para Norberto de uma maneira que não fosse de amigo ou de irmão, mas naquele instante olhei para ele de uma maneira diferente e descobri que, embora nunca houvesse pensado ou admitido, gostava dele e poderíamos ser felizes.
Aceitei e um mês depois nos casamos.
— Lembro—me daquele dia e o quanto eu e Berenice estávamos felizes com aquele casamento.
Também gostávamos muito de você, tanto que logo depois resolvemos que a chamaríamos de mãe.
Só posso lhe dizer que meu pai fez a escolha certa.
Você foi e é uma óptima mãe.
Dizendo isso, se levantou e a abraçou com muito carinho e continuou falando:
— Sempre foi uma excelente mãe.
Nunca deixou que nos esquecêssemos de que nossa mãe tinha morrido e que estava no céu olhando por nós.
Sempre nos falou de como ela era bonita e de suas qualidades e nos fazia rezar todas as noites em sua intenção.
Só podemos agradecer a você e ao papai por tanta dedicação.
Obrigada, mamãe.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Abr 05, 2017 7:31 pm

Sei que de onde minha mãe estiver, também deve estar feliz por papai ter escolhido a senhora para ocupar o lugar que era dela.
Mas disse que papai queria ter filhos seus, por que não tiveram?
— Acredito que essa foi a segunda missão de sua mãe.
Depois que nos casamos tentei engravidar, mas como não acontecia fui ao médico e ele, depois de alguns exames, disse que para eu poder engravidar teria de fazer um tratamento complicado e mesmo assim, não poderia garantir se daria resultado.
No principio fiquei arrasada.
Seu pai queria que eu fizesse o tratamento, mas eu disse:
— Se eu fizer esse tratamento que será complicado, se no final não conseguir engravidar, será uma frustração maior.
Já temos dois filhos.
Eu amo essas crianças e para mim, são meus filhos.
Não precisamos de mais um.
— Ele não queria concordar, mas diante de minha insistência não tocou mais no assunto.
Essa foi a segunda missão de sua mãe.
Ela nasceu somente para ter vocês dois e já que eu não poderia ter meus próprios filhos, me deu os dela de presente.
Sua missão foi abençoada... estamos todos felizes...
Os dois, abraçados, choravam.
Marina, depois de ouvir aquela conversa, também emocionada, começou a chorar.
Olhou outra vez para Donata e Ademir, que novamente sorriram.
Ela ia dizer alguma coisa, mas foi interrompida por um grito, olhou em direcção à porta e viu uma moça que entrava e gritava feliz:
— Mamãe, Joel!
Olhem como o meu cabelo e maquiagem estão bonitos.
Joel e Nanci se separaram e olharam para ela que continuou falando:
— Vocês nem imaginam como meu vestido para esta noite está lindo!
E o do baile então, é maravilhoso!
Vou ser a moça mais linda do baile e vou até arrumar um namorado.
Marina agarrou o braço de Donata e disse, espantada:
— É a Berenice, minha filha?
— Sim, Marina! É ela mesma...
— Como ela está linda, Donata e parece muito feliz!
— Sim, Marina e está muito bonita e feliz também.
Nanci fez um óptimo trabalho com seus filhos...
Berenice, que entrou correndo e falando sem parar, percebeu que os dois estavam chorando.
Preocupada, perguntou:
— Por que estão abraçados e chorando?
Aconteceu alguma coisa que eu não estou sabendo?
Nanci e Joel se separaram.
Nanci disse:
Nada aconteceu, Berenice, só estamos nos lembrando do passado e nos emocionamos, mas está tudo bem.
— Está dizendo que estão se lembrando da mamãe e em como ela estaria feliz se estivesse aqui, não é?
— Sim, Berenice, é isso mesmo que estamos fazendo.
— Também, enquanto o cabeleireiro arrumava meu cabelo, pensei nela e em como deve estar orgulhosa de você, meu irmão.
Todos os pais querem um filho doutor...
— Ela deve estar orgulhosa sim e ficará mais orgulhosa ainda, quando, daqui a dois anos, for a sua vez de se formar e também em medicina, Berenice.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Abr 05, 2017 7:32 pm

Se os pais querem ter um filho doutor, nossa mãe terá dois que por sinal serão muito bons e cuidarão com muito carinho, dando—lhes toda atenção que os pacientes merecem, pois se eles já estão assustados com a doença, precisam de uma palavra amiga, não é mesmo?
Berenice sorriu e disse:
— Tem razão, minha filha.
Não podemos nos lembrar da sua mãe com tristeza.
Ela, antes de ficar doente e por um bom tempo, depois de ter descoberto a doença, sempre foi de brincar, rir e estava sempre alegre.
Além de muito curiosa.
Quando ela sabia de algum facto, mexia e remexia até descobrir tudo.
Ela era uma mulher maravilhosa...
— Você sempre falou muito bem de nossa mãe, eram amigas mesmo... mãe, não é Joel?
— É sim, Berenice e nunca deixou que nos esquecêssemos dela.
Por que fez isso, mamãe?
— Por que Marina foi minha melhor amiga.
Eu gostava muito dela e fiquei triste quando ela morreu, tão jovem.
Não achei justo que ela, além de perder vocês, fosse esquecida.
Joel tenho um presente para lhe dar por sua formatura.
Sei que vai gostar.
Ia lhe dar mais tarde, mas acho que agora é o momento.
Está lá no meu quarto. Vou buscar.
Nanci saiu do quarto.
Joel e Berenice olharam para ela enquanto saía.
Berenice perguntou:
— O que será que ela comprou para lhe dar de presente, Joel?
Será que é uma camisa?
Ela gosta de comprar camisas para você e para o papai...
— Não tenho ideia, Berenice, mas deixe de ser curiosa...
Nanci, logo depois, voltou do quarto e trouxe um pacote embrulhado com um papel de presente, azul claro e enfeitado com fita e um laço em um azul mais escuro. Entregou o pacote para Joel e sorrindo, disse:
— Espero que goste, mandei fazer com muito carinho.
Joel pegou o pacote, sentou—se na cama e o abriu.
Para surpresa de todos e muito mais de Marina, apareceu um porta—retratos com a sua fotografia.
Joel, emocionado, disse:
— A fotografia da minha mãe!
A mesma que tenho na minha carteira!
Como conseguiu, mamãe?
— Seu pai tem, também na carteira, uma fotografia como a que você tem.
Pedi e ele me emprestou.
Mandei ampliar e colocar nesse porta—retratos.
Espero que goste.
— Claro que gostei!
Ela está linda nessa fotografia!
Vou colocar no meu criado—mudo e poderei vê—la todos os dias antes de dormir.
Muito obrigado mamãe...
Nanci ficou calada e feliz por ver que havia acertado no presente e pensou:
Marina, minha amiga... espero que esteja em um lugar muito bom.
Seus filhos estão criados e são maravilhosos.
Sinto muita saudade de você, mas sei que deve estar feliz vendo que todos estamos bem e felizes.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Abr 05, 2017 7:32 pm

Deus a abençoe e desejo que esteja cercada de luz.
No mesmo instante, outro facho de luz caiu sobre Marina que emocionada, sorriu e disse:
— Obrigada, minha amiga, por ter cuidado tão bem dos meus filhos e do Norberto também.
Fiquei muito brava quando descobri que havia tomado o meu lugar, mas agora entendo que não poderia ter acontecido nada melhor.
Obrigada por sua amizade e pelo muito que fez para os meus filhos.
Deus a abençoe e também lhe mando muita luz.
Marina deixou que suas lágrimas caíssem por seu rosto.
Olhou para Donata e Ademir e chorando, disse:
— Não sei o que falar nem como me desculpar pela minha atitude de agora há pouco.
Não entendo como pude me deixar levar pelos sentimentos de ódio e vingança... não sei como pude duvidar de que Deus é sábio.
Obrigada por terem me trazido nesta hora de volta.
Obrigada por toda felicidade que estou sentindo.
— Não precisa ficar assim, Marina.
O espírito é formado de energias e de sentimentos, se assim não fosse, seríamos todos como máquinas.
Todos os sentimentos podem e devem aflorar.
O que não se pode é cultivá—los e torná—los companheiros de nossa jornada.
Quando ficamos nervosos e até muito brabos por algo que julgamos não ser justo, podemos brigar, xingar, sentir raiva e até odiar por alguns instantes, isso é compreensível e perdoável, o que não podemos é guardar esses sentimentos negativos para sempre.
Os únicos sentimentos que devem ser cultivados e guardados são o do amor e o do perdão.
Esses sim, só acrescentam.
— Obrigada por essas palavras, Donata.
Estou envergonhada, mas ao mesmo tempo feliz por ver que meus filhos se tornaram pessoas de bem e por saber que minha amiga continuou cuidando deles para mim.
— Você, que sempre disse não ter tido missão nem tempo para cumpri—la, descobriu que não teve só uma, mas duas e que por sinal, as cumpriu muito bem.
A missão, Marina, não precisa ser algo importante, que seja reconhecido por todos, mas qualquer coisa que o espírito escolhe antes de renascer.
Até o simples facto de deixar uma criança nascer ou ser bons pais, dedicando—se a eles e lhes dando um rumo para a vida, encaminhando—os para o caminho do bem.
Se um bom trabalhador e agir com orgulho e honestidade no trabalho que escolheu e que lhe dá o sustento.
Algumas vezes, apesar de toda dedicação, os filhos tomam outro rumo e não aquele desejado, mas mesmo assim, se os pais deram e fizeram tudo o que tinham e o que sabiam, a culpa nunca pode ser deles, mas do próprio filho que tem seu livre—arbítrio e fez suas escolhas.
Por isso, não importa qual trabalho seja, todos são importantes e todos são uma missão.
Assim, também como o simples acto de viver, pois com isso, estamos evoluindo e caminhando.
Todos somos importantes e estamos vivendo da maneira que nós mesmos escolhemos.
A missão pode estar em um simples gesto de carinho ou em uma palavra amiga.
Portanto, tudo o que fizemos terá de ser bem feito.
— Tem razão, Donata.
Agora entendi e perdão novamente pelo meu rompante.
Prometo que não se repetirá...
— Sinto muito, minha amiga, mas se repetirá muitas vezes.
O espírito precisa ser muito iluminado para que isso não aconteça, mas para isso não poderá mais nascer na Terra, pois sua luz será tão forte que cegará a todos.
Ouviram um chamado que vinha da parte debaixo da casa.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Abr 05, 2017 7:32 pm

Prestaram atenção e Marina feliz, disse:
— É a voz do Norberto, Donata!
Ele chegou e vou poder vê—lo!
Por que será que está gritando tanto?
Prestaram mais atenção e ouviram Norberto chamando:
— Nanci, Joel, Berenice, onde estão?
Eles ouviram, saíram do quarto e desceram correndo a escada.
Ademir, Donata e Marina também fizeram o mesmo.
Assim que chegaram à sala, Joel gritou, no que foi acompanhado por Nanci e Berenice que chegaram logo depois dele.
— Vovô, vovó, vieram para minha formatura!
Não podem imaginar como estou feliz!
Mas por que não nos contaram que viriam?
Os avós se abraçaram ao neto e o senhor respondeu:
— Queríamos fazer uma surpresa, meu filho!
Acreditou mesmo que nós não viríamos?
Como poderíamos deixar de estar aqui, no dia da sua formatura?
É o primeiro médico da família!
— Mas não ficará só nele, meu velho!
Não se esqueça que daqui a dois anos, Berenice também se formará e teremos na família dois médicos!
— Isso mesmo, minha velha.
Você está muito bem e bonito, Joel!
Você também, Berenice!
Está linda e cada vez mais parecida com sua mãe!
Estou muito feliz que tenham vindo, vovô e muito mais por dizer que sou parecida com minha mãe, pois por tudo o que ouvi dela, era muito boa e sei que era linda...
— Era sim, muito boa, minha filha e também linda.
Por isso, será lembrada sempre com muito amor e saudade, mas agora podemos entrar?
Sabe que estamos velhos e cansados, além do mais vocês sabem como temos medo de avião e que só viemos porque não poderíamos perder um acontecimento como esse.
Estamos muito orgulhosos de vocês, meus netos.
— Sabemos que os dois têm medo de avião, vovó, por isso acreditamos quando disseram que não poderiam vir.
— Somente seu pai sabia, nem para Nanci ele contou.
Norberto olhou para Nanci, fez uma careta e sorriu.
Marina acompanhava toda a conversa.
Olhou bem para os pais e para Norberto, depois disse:
— Como eles estão velhos, Donata...
— Já lhe disse que, para eles, o tempo passou.
Essa é a vantagem de se morrer cedo. – disse rindo e também fazendo uma careta de deboche.
— Norberto, apesar de mais velho ainda está muito bonito... eles estão felizes, não Donata?
— Estão sim.
São pessoas boas de coração e merecem a felicidade que estão sentindo.
Deus não se cansa de mandar felicidade para aqueles que merecem e que se amam.
O mesmo fez com você e com Nanci.
— Como assim?
— Você e Nanci estão há muito tempo juntas.
Sempre uma procurou ajudar a outra.
Na encarnação passada ela fez algumas escolhas erradas, se desviou do caminho e fez alguns abortos.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Abr 05, 2017 7:32 pm

Nesta encarnação ela não teria filhos, mas você para poder ajudá—la, quis nascer e dar a luz aos filhos que seriam dela.
Foi você quem fez a escolha, Marina.
— Eu, Donata?
— Sim, Marina, você.
Por isso, não podemos julgar ou condenar aqueles que nos parecem inimigos.
O sentimento de ódio, raiva e julgamento nos levam a imaginar coisas que realmente não existem.
Quando você viu Nanci tomando o seu lugar, imaginou uma porção de coisas que na realidade eram verdadeiras.
A ansiedade e a falta de fé no amor de Deus nos fazem muito mal e nos fazem praticar actos impensáveis.
Agora que já entendeu o que aconteceu, nossa missão terminou e podemos ir embora.
— Não podemos ficar para assistir à cerimónia de formatura, Donata?
Gostaria muito de estar presente...
— Quer mesmo, Marina?
— Sim, não sei quando poderei voltar outra vez...
— Está bem, mas assim que terminar a cerimónia iremos embora.
Marina sorriu e pensou:
Obrigada, meu Deus por esta oportunidade.
Valeu há pena o tempo que demorou e que esperei...
Todos da família conversavam alegres e como não poderia deixar de ser, falaram muito em Marina e na falta que sentiam dela e como estaria feliz, estivesse onde estivesse, por ver o filho se formando.
Ademir, Donata e Marina também felizes, acompanhavam a conversa.
À noite, estavam todos presentes, vestidos com suas melhores roupas.
Dona Cora, sentada ao lado de Nanci e Bethe, disse baixinho:
— Nossos netos estão mesmo muito bonitos, não é Bethe?
— Estão sim, Cora.
Neste momento só posso agradecer a você e a Nanci por terem cuidado deles tão bem.
Muito obrigada... sei que ela deve estar feliz por ver a nossa felicidade...
Joel recebeu o diploma e em pensamento disse:
Este diploma é para a senhora, mamãe.
Sei que deve estar olhando por mim.
Obrigado por permitir que eu nascesse...
Marina, que estava chorando ao seu lado, com a ponta do dedo lhe enviou um beijo.
Assim que terminou a cerimónia, Ademir disse:
— Chegou a hora, Marina, precisamos ir embora.
Humberto está nos esperando.
Sabe que deveríamos voltar hoje.
— Precisamos mesmo ir agora, Ademir?
- Sim, nossa maior preocupação quando iniciamos essa viagem era saber como você se comportaria ao ver que Nanci estava na sua casa e era tratada com tanto carinho por seu marido, família e filhos.
Graças a Deus o que pensávamos que ia acontecer, aconteceu e você entendeu e aceitou.
Agora, está na hora de voltarmos e prepararmos uma nova viagem.
— Está bem. Sei que é preciso.
Espere um momento que vou me despedir de todos.
Ele consentiu com a cabeça e ela se aproximou de todos eles que, após a cerimónia conversavam.
Sorriu e mandou um beijo para todos, que no mesmo instante se lembraram dela.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Abr 05, 2017 7:33 pm

Depois, Ademir disse:
— Agora, vamos nos dar as mãos, fazer uma oração e iniciarmos a nossa viagem de volta.
Estavam dando—se as mãos, quando ouviram uma voz que disse:
— Estão pretendendo partir sem mim?
Olharam para o lado de onde vinha a voz e viram Jaime que sorria.
Marina ao vê—lo, perguntou feliz:
— Você voltou, Jaime, vai connosco?
— Sim, Marina, voltei e se permitirem gostaria de ir com vocês.
— Claro que sim, Jaime.
Seja bem vindo.
— Por que decidiu voltar, Jaime?
— Percebi que Sandra e a minha família estão muito bem e que minha presença não será necessária, Marina.
Sei que voltando com vocês, poderei ajudar a muitos outros que realmente precisam.
Poderei voltar sempre que quiser para ver como estão ou em uma hora difícil, não é mesmo, Ademir?
— Claro que sim, Jaime e se for necessário voltaremos com você.
Estou feliz que tenha decidido isso.
— Também estou, Ademir.
Ainda bem que tive tempo para decidir.
Já pensou como seria se me visse aqui sozinho?
— Como todos os espíritos, encarnados ou não, nunca estaria sozinho, Jaime.
Sempre que precisasse, haveria algum amigo para ajudá—lo.
— Obrigado, Ademir e espero poder corresponder a tanta bondade.
— Bem, Ademir, acho que já podemos ir embora, não é?
— Vamos sim, Donata, mas antes precisamos fazer uma oração agradecendo pelo êxito de nossa viagem e para pedirmos que tudo corra bem na nossa volta.
Deram—se as mãos.
Marina agradeceu por poder rever sua família novamente e por poder constatar que eles estavam bem, principalmente seus filhos que estavam caminhando no rumo certo.
Também agradeceu por saber que o elo que os separava fora quebrado e que todos dali para frente estariam bem.
Ademir e Donata agradeceram por sua missão ter sido cumprida e terem alcançado todos seus objectivos.
Depois da oração, desapareceram e iniciaram a viagem de volta.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Abr 05, 2017 7:33 pm

O RETORNO
Quando entraram na sala de Humberto, foram recebidos com um sorriso e abraços.
Ele sabia como havia sido a viagem, mas queria ouvir deles.
Depois dos abraços, olhou para todos e ansioso, disse:
— Por seus rostos e por terem voltado tão depressa, Ademir, posso deduzir que tudo correu bem e que cumpriram muito bem o trabalho que lhes foi confiado.
— Graças a Deus, Humberto.
Tudo saiu como o planeado e como imaginávamos e estamos felizes por estarmos de volta.
Sabe o quanto gostamos de viver aqui.
— Também estou feliz por tudo ter dado certo e por estarem de volta.
Tinha certeza de que não precisava me preocupar, conheço a dedicação de vocês dois.
Ademir e Donata apenas sorriram.
Humberto, dizendo isso, olhou a todos nos olhos e perguntou a Marina:
— E você Marina, o que achou da viagem?
Marina que estava feliz por ter voltado e que não conseguia disfarçar a alegria que estava sentindo, sorriu e respondeu:
— Estou muito feliz, Humberto e só posso agradecer a todos por terem me dado essa oportunidade.
— Fico contente por ver que está feliz.
Quando saíram daqui estava preocupado com a reacção que você teria ao visitar sua casa e ver como tudo havia mudado.
Temi que não entendesse o que havia acontecido, mas por sua expressão, acho que minhas preocupações eram infundadas.
Você me parece muito bem.
Marina olhou para os outros e depois para Humberto e emocionada, disse:
— Preciso confessar que no inicio foi muito difícil.
Quando vi Nanci na minha casa, tomando o meu lugar e o amor de meu marido e dos meus filhos, confesso que me precipitei e quase coloquei tudo a perder.
— A reacção dela foi melhor do que esperávamos, Humberto.
Sabíamos que ela ficaria nervosa e isso aconteceu, mas logo depois ela entendeu e ficou feliz.
— Você sabe, Donata que o espírito estando encarnado ou não tem sempre as mesmas reacções.
Quase sempre se deixa levar pela ansiedade e pela precipitação.
Quando algo acontece, antes mesmo de constatar se é verdade, já começa a imaginar como foi e onde e na maioria das vezes, tudo o que pensa não passa de imaginação.
Muitas vezes, quando descobre o seu erro, já é tarde e tem muita dificuldade de consertar o erro cometido.
Foi isso que quase aconteceu com você, não foi Marina?
— Sim, foi exactamente o que aconteceu, Humberto.
Quando descobri que Nanci estava em minha casa e que havia tomado meu lugar, me esqueci de como éramos amigas e de tudo o que, juntas, havíamos passado.
Julguei que ela houvesse me traído e a nossa amizade também.
Fiquei tão nervosa que minhas energias começaram a se modificar e eu fui me afastando de Ademir e Donata.
Quando ela chamou minha atenção sobre isso, me assustei e resolvi esperar e pensar.
Ela insistiu para que eu ouvisse a conversa de Nanci e de meu filho, Joel, até o fim.
Quando terminaram de conversar, graças a Deus pude perceber a tempo o engano que estava cometendo.
— Sua revolta era de se esperar, mas o importante é que depois entendeu e percebeu que a ida de Nanci para sua casa foi a melhor coisa que poderia ter acontecido, não foi?
— Foi sim.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Abr 05, 2017 7:33 pm

Ela dedicou sua vida para o bem—estar de todos e nunca deixou que meus filhos, embora fosse crianças quando parti, me esquecessem.
Não só meus filhos como meu marido também.
Você acredita, Humberto, que meu marido até hoje traz uma fotografia minha em sua carteira e que ela sabe e não se importa?
— Acredito, Marina.
Vocês são amigas de muito tempo.
Uma sempre esteve ao lado da outra.
— Hoje sei.
Donata me contou o que aconteceu e porque eu me casei, tive meus filhos e morri.
Precisei voltar para entender qual tinha sido a minha missão.
Nunca imaginei que havia cumprido uma, imagine duas!
— Isso sempre acontece, Marina.
As pessoas não imaginam que um simples gesto de amizade para alguém que precisa seja uma missão.
Todos querem fazer coisas grandes, que sejam reconhecidas, mas nem sempre isso acontece.
Agora aprendi isso e nunca mais vou reclamar...
— Como foi sua ida ao hospital e sua ajuda com aqueles que estavam se preparando para voltar?
Conseguiu ficar ao lado deles sem problema?
— Assim que conheci Leopoldo, fiquei com muita pena dele.
Seu corpo estava coberto por feridas e tive de me retirar, mas em seguida conheci Irene e me comovi com sua história e com sua vontade de me ajudar.
Além deles conheci Marconi, ele é um espírito maravilhoso e muito iluminado.
— Sim, embora ainda esteja um pouco preso ao sentimento que sente por Aurélia, não deixa de continuar ajudando a todos que precisam.
Ele é muito dedicado e isso já lhe tem rendido dividendos que ele próprio não imagina.
Vamos continuar torcendo para que ele, com o tempo consiga se libertar de Aurélia e que ela também encontre seu caminho.
— Tem razão, Humberto.
Ele está se esforçando e vai conseguir.
Enquanto isso não acontece, sabemos que ele continuará ajudando a muitos na hora do retorno.
— Como está Aurélia, Ademir?
— Quando a deixamos, parecia estar bem.
Conseguimos afastar as entidades que estavam com ela.
Ficando só, poderá pensar sobre sua vida e no que fará com Alberto e Matilde.
Esperamos que ela entenda que esse amor é impossível e continue com sua vida e possa fazer tudo o que prometeu.
— É, Ademir, só nos resta esperar.
Tudo o que poderia ser feito por ela, vocês fizeram.
Agora, só depende do seu livre—arbítrio.
Quem mais conheceu, Marina?
— Outra figura maravilhosa, Bartolomeu!
Ele é um espírito iluminado, nunca vi tanta luz nem tanta humildade.
Ele me ensinou que não importa a aparência, mas sim o valor de cada um.
Até hoje, embora seja um espírito de muita luz, está ao lado de Levi seu amigo de sempre, ajudando—o.
Nunca pensei que houvesse espíritos que por uma amizade preferissem renascer e viver na simplicidade como aquela que vi.
— Sim, Marina, Bartolomeu e Levi, assim como você e Nanci, estão juntos há muito tempo.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Abr 05, 2017 7:34 pm

Bartolomeu caminhou mais rápido, mas mesmo assim está esperando que seu amigo o alcance.
Essa é à força da amizade e do amor, mas por tudo o que estou sabendo, parece que Levi desta vez está se saindo muito bem e cumprindo tudo o que prometeu e logo Bartolomeu poderá, se quiser, voltar para cá e nos ensinar muito.
— Também percebemos isso, não foi Donata?
— Tenho certeza que sim.
Levi está determinado a continuar praticando e ensinando para muitos a religião que tanto perseguiu.
Desta vez, ele e Bartolomeu poderão se encontrar e continuar juntos na caminhada.
— Você, Jaime, ficou feliz em poder estar presente na hora do nascimento do seu filho?
— Muito, Humberto.
Foi um momento maravilhoso e mais feliz por ver que minha família está unida e que ele poderá crescer em paz.
— Sim, o elo de ódio foi quebrado.
Daqui para frente, só haverá muito amor para ser trocado.
— Estou feliz por vocês, Marina e Jaime e espero que possam voltar a trabalhar em outras equipes.
— Esse é meu desejo.
Como médico, aprendi muito e sei que poderei ajudar a muitos.
— Também aprendi muito e gostaria de continuar trabalhando com vocês, Donata e Ademir, que tiveram tanta paciência comigo.
Como Marconi disse, vocês são os melhores.
Donata e Ademir sorriram.
Ele disse:
— Vamos ver, Marina... vamos ver.
Existem outras equipes que precisa acompanhar para aprender e ser, no futuro, a líder da que escolher e mais gostar.
— Poderei escolher aquela de que mais gostar?
— Claro que sim, Marina.
A corrente de seu grupo, que começou há muito tempo, está em paz, com elos só de amor, por isso você, por enquanto, não precisará renascer e terá assim, tempo para aprender muito.
— E seu eu quiser renascer, Ademir?
— Sempre, usando de seu livre—arbítrio, poderá fazer o que quiser.
Humberto preciso lhe fazer uma pergunta.
— Pode fazer, Ademir.
— Assim que chegamos e estávamos olhando a praça na cidade onde Marina havia vivido a última encarnação, encontramos Maria, um espírito guardião que precisava de ajuda.
Nós ajudamos no que foi possível, mas não entendi por que não fomos avisados que isso aconteceria.
— É verdade, Ademir.
Depois que foram embora, recebemos o pedido de ajuda.
Maria estava sozinha e não sabia como agir.
Dissemos para ela que não precisaria se preocupar, que a ajuda logo chegaria.
Eu sabia que vocês estavam por ali e que vocês, mesmo que não tivessem sido avisados, se encaminhariam para o lugar e que a encontrariam.
Foi isso que aconteceu.
Como foi, conseguiram ajudar Luci?
— Não entendo como ela pode reclamar da vida!
Aquela moça tem tudo para ser feliz e fica procurando problema onde não existe!
Todos olharam para Marina que, novamente, havia interrompido a conversa.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Abr 05, 2017 7:34 pm

Donata sorriu e disse:
— Como pode ver Humberto, apesar de tudo, Marina continua a mesma curiosa de sempre.
Ele sorriu e disse:
— Sabe que isso acontece sempre, Donata.
Marina sempre foi curiosa e continuará sendo por muito tempo, mas com isso, aprenderá muito.
Marina baixou os olhos.
Humberto continuou:
— Tem razão, Marina.
O que viu acontecer com Luci acontece com muitos espíritos quando estão encarnados e até com muitos que não estão.
Embora os outros, assim como você, pensem que eles tem tudo para serem felizes, eles não enxergam dessa maneira e sofrem sem motivo aparente e agindo assim, atraem para o seu lado outros espíritos que como ele sentem a mesma coisa e isso muitas vezes, como aconteceu com Luci, pode ser muito perigoso.
— Percebi isso, mas no final acho que ela ficou bem, não foi Donata?
— Foi sim, Marina.
Com nossa ajuda, mas principalmente com a de sua mãe, ela, ao menos, parou para pensar.
Tomara que consiga encontrar seu caminho.
— Se isso não acontecer?
— Sempre terá amigos espirituais a intuindo para o bem.
Como sabe, nunca estamos sozinhos, Marina.
Marina sorriu, Humberto disse:
— Agora acho que precisam descansar.
Sei que estão cansados e precisando refazer suas energias.
— Tem razão, Humberto, estamos mesmo.
Podemos ir?
— Claro que sim, Ademir.
Que Deus os abençoe por tanta dedicação.
Sorrindo despediram— se e saíram.
Já no corredor, Marina disse, alegre:
— Não vejo a hora de contar para Ana e para as companheiras lá de casa como foi a nossa viagem.
— Faça isso, Marina.
Se transmitir tudo o que viu, com certeza as ajudará muito.
Sorrindo, desapareceram.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Abr 05, 2017 7:34 pm

EPÍLOGO
Marina chegou a casa e foi recebida com muito carinho e alegria por Ana e suas companheiras.
Como podia se esperar, ela contou em detalhes o que havia acontecido durante a viagem e o quanto havia aprendido.
Quando terminou de falar, Ana perguntou:
— Seu receio quanto aos doentes e aos hospitais mudou, Marina?
— Graças a Deus, Ana.
Entendi que tanto a doença como a morte fazem parte do aprendizado.
Hoje, posso cuidar de qualquer doente ou entrar em qualquer hospital que não sentirei nunca mais o medo e horror que sentia.
— Isso é muito bom, Marina.
Vejo que essa viagem lhe fez muito bem, mas agora acho que está na hora de descansar e se preparar para a próxima.
— Tem razão, Ana, é isso que vou fazer.
Dizendo isso, se afastou e foi para seu quarto.
O tempo passou e Marina continuou trabalhando no hospital, não mais no serviço burocrático, mas agora ao lado de Jaime, atendendo aos doentes que chegavam e precisavam de auxilio.
Ademir e Donata continuaram trabalhando, viajando e levando nessas viagens, outros que precisavam aprender.
Um dia, Marina estava no hospital e foi avisada de que Humberto a estava chamando.
Ficou eufórica, pois sabia que sempre que isso acontecia era sinal de que uma missão importante lhe seria dada.
Isso era o que mais esperava desde o dia em que voltou.
Rapidamente, foi se encontrar com Humberto.
Assim que chegou, ficou mais feliz ainda por encontrar Donata, Ademir e Jaime.
Eles a receberam com sorrisos e abraços, no que foram correspondidos.
Após os abraços, Humberto disse:
— Marina, nós a chamamos para perguntar se quer fazer parte, novamente, da equipe de Donata e do Ademir!
Ela não conseguia acreditar que aquilo estava acontecendo, sabia que só assim poderia voltar para sua casa e rever os seus.
Respondeu, muito emocionada:
— Claro que quero, Humberto.
Quando os acompanhei aprendi muito, mas sei que tenho ainda muito que aprender.
Se quiserem me levar, vou ficar muito agradecida.
— Está bem, se todos estão de acordo, podem se preparar.
Todos saíram dali alegres.
Já lá fora, Marina pôde abraçar Donata e dizer:
— Que bom que está aqui, Donata!
Não pode imaginar como estou feliz em rever você e também você, Ademir, não precisa ficar triste...
Ele sorrindo, disse:
— Ainda bem que se corrigiu, pensei que não estivesse feliz por me ver...
— Claro que estou.
Vocês dois foram, para mim, amigos preciosos e estou muito feliz por poder acompanhá— los outra vez.
Muito obrigada.
— Não precisa agradecer, Marina.
Você se comportou muito bem.
Como estamos voltando para rever nossos amigos e saber como estão, conversamos com Humberto sobre o facto de que nada seria mais justo do que levá—la connosco.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Abr 05, 2017 7:34 pm

— Vamos visitar todos eles?
— Sim. Precisamos ver como estão.
— Vamos até minha casa?
— Claro que sim, Marina.
Não teria sentido chamarmos você se não fosse para que pudesse visitar sua casa e rever os seus.
Sabemos que, embora esteja envolvida em seu trabalho no hospital, deseja saber como eles estão.
— Fazer parte de uma viagem com vocês já me deixou muito feliz, imagine agora sabendo que poderei rever todos os que ficaram.
— Está bem, amanhã bem cedo iremos.
Fiquem prontos.
Sabem que a viagem, embora tranquila, requer alguns cuidados e preparação.
Como o combinado, no dia seguinte bem cedo se encontraram na sala de Humberto e após uma oração, seguiram viagem.
Chegaram à praça da cidade onde Marina havia morado.
Outra vez ela ficou feliz por estar ali novamente.
Assim que chegaram, Ademir disse:
— Fizemos uma programação para esta viagem e decidimos que iremos em primeiro lugar até a casa de Luci para ver como ela está.
Maria está nos esperando.
Marina e Jaime apenas ficaram olhando, sabiam que deveriam fazer o que Donata e Ademir decidissem.
A um sinal de Ademir, todos deram as mãos e em poucos minutos estavam na casa de Luci e foram recebidos com um sorriso alegre por Maria, que disse:
— Estou muito feliz por terem voltado.
— Como estão as coisas, Maria?
— Muito bem, Donata, mas acho que seria bom vocês mesmo verem.
Estão todos dormindo, somente Isabel está preparando o café.
Logo mais, todos acordarão.
Vamos até a cozinha?
Concordaram e foram.
Isabel estava junto ao fogão.
Logo em seguida, Luci entrou dizendo:
— Bom dia, mamãe.
— Bom dia, minha filha.
Parece que está muito bem.
— Estou sim e estive pensando que, desde aquele dia em que a senhora me disse àquelas coisas a respeito da minha vida, de como ela era boa e que não me faltava nada, comecei a reflectir sobre tudo e vi que a senhora, como sempre, tinha razão.
— Você sabe que, até agora, não sei de onde saiu tudo aquilo!
Não sei como comecei a falar.
— Não importa como mamãe, mas no que resultou.
Pensando em minha vida, percebi como estava sendo tola e egoísta, pois tinha tudo para ser feliz e estava me preocupando com coisas que só existiam na minha cabeça.
Hoje, estou feliz e devo à senhora...
— Não, minha filha, deve a você mesma que, graças a Deus, entendeu e mudou seu pensamento.
— Sim, mudei mesmo...
— Mudou até em relação ao Flávio.
Nunca pensei que desmancharia o namoro.
— Nem eu, mas com a mudança do meu pensamento, descobri que estava dando uma importância exagerada a ele e a tudo que tinha à minha volta.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qua Abr 05, 2017 7:35 pm

Descobri que era muito jovem e que tinha uma vida toda pela frente, que precisava antes de pensar em me casar, ter uma profissão, me realizar como pessoa e só depois de conseguir isso teria condição de saber o que queria realmente para minha vida.
Conversei a respeito de tudo isso com Flávio e pedi um tempo.
Ele, a principio, não acreditou no que eu estava falando, mas depois percebeu que eu estava falando muito sério e concordou.
Hoje, estou estudando, trabalhando e me encontrando com ele de vez em quando.
Estamos livres para descobrir se nos gostamos realmente.
— Como você mudou, minha filha...
— Mudei mesmo, mamãe e estou feliz por isso.
Obrigada por todas aquelas coisas que me disse.
Ademir e os outros, ao ouvirem aquelas palavras, sorriram.
Marina disse:
— Parece que ela está feliz mesmo...
— Está sim, Marina.
Tanto que quase não fico mais aqui.
Só venho de vez em quando e hoje, especialmente, porque sabia que viriam.
Com a melhora dela, posso me dedicar a outros trabalhos.
Preciso agradecer por terem me ajudado naquele dia.
— Nada disso, Maria, só fizemos a nossa obrigação.
Nós lhe demos a direcção, ela, usando do seu livre—arbítrio, fez suas escolhas, — Ademir disse, não conseguindo disfarçar a imensa felicidade que estava sentindo.
Olhou para os outros que sorriam também.
Em seguida, abraçou Maria e continuou falando:
— Agora, Maria, já que tudo está bem, precisamos ir embora.
Luci continuará na sua caminhada e se continuar assim, apesar de alguns problemas que surgirão, continuará a superar a todos e ser feliz.
— Sei que precisam ir embora e só posso agradecer mais uma vez por terem atendido ao meu pedido de ajuda.
Despediram— se e foram embora.
Em poucos instantes estavam novamente no hospital onde Marconi trabalhava e foram recebidos por Leni que, ao vê—los, correu, abraçou—os e disse, feliz:
— Que bom que chegaram!
Estava morrendo de saudade!
Marconi sabe que chegaram e logo estará aqui.
— Também estamos felizes por termos voltado e encontrado você que como sempre, só tem amor para nos dar. – Donata disse abraçando a amiga.
— Vocês chegaram?
Todos se voltaram para o lado de onde vinha a voz e viram Marconi que com os braços abertos caminhava na direcção deles.
Abraçaram—se e Ademir disse:
— Como sempre, você está muito bem.
Estamos passando por aqui por pouco tempo.
Viemos rever a todos e saber como as coisas continuaram depois que fomos embora.
— Tenho muito para contar, mas vamos para minha sala?
Hoje tudo aqui está tranquilo, só teremos trabalho mais tarde, quando um irmão nosso vai chegar.
Foram para a sala dele, depois de todos sentados Ademir perguntou:
— Como todos ficaram, Marconi?
Leopoldo, infelizmente, se uniu a alguns amigos que o conduziram por caminhos não muito bons.
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