ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Mar 23, 2017 8:56 pm

— Tem razão, mas para que possa decidir, ela tem o direito de poder escolher sem interferência sua ou nossa, por isso continuaremos aqui defendendo esse direito.
Ela sozinha, sem a nossa interferência, poderá escolher o caminho que quer seguir.
Ao ouvir aquelas palavras, Ademir, de leve, apertou o braço de Donata, pois sabia que não poderiam continuar ali.
Ela, embora tenha entendido, continuou olhando firme para a entidade, que pensava:
Se eles continuarem aqui, nada mais poderemos fazer.
Eles a envolverão com aquela luz branca que tanto mal faz para os nossos olhos.
Vou dizer que concordo que vamos embora e depois, quando eles forem embora, voltaremos.
Assim pensando, disse:
— Está bem, nós vamos embora.
Se continuarem aqui, perderá a graça e não poderemos nos divertir mais.
Vamos procurar outro que esteja na mesma situação dela e continuar a nossa brincadeira.
— Que bom que tenha decidido isso, mas não seria melhor conhecerem aquele lugar de que lhes falei?
Sei que, assim que conhecerem, verão que estão perdendo um tempo precioso.
— A senhora é muito bondosa, mas não estamos interessados, não por enquanto.
— Está bem.
Que a Luz os acompanhe e que sejam felizes.
— Credo! Não queremos essa Luz nos acompanhando!
Vamos ser felizes sim, pode ter certeza.
As entidades deram—se as mãos e desapareceram.
Donata respirou fundo e precisou ser amparada por Ademir para não cair.
A energia que teve de gastar para poder atravessar a névoa foi muito grande, mas sorrindo disse:
— Por enquanto, está tudo bem.
Eles foram embora.
— Mas disseram que ela é quem os chama, é verdade Donata?
— Infelizmente é verdade, Marina.
Ela, envolvida por esses pensamentos de ciúme e destruição, não só os chama como gosta da presença deles, pois com a ajuda deles ela se sente cada vez mais infeliz e isso lhe faz bem.
Talvez não saiba, mas existem pessoas que gostam de ser infelizes.
— Como pode ser Donata?
Como uma pessoa pode gostar de ser infeliz?
— Todo espírito está em fase de evolução.
Não sei como ela tem vivido em todas as encarnações passadas, mas provavelmente, tem sido sempre da mesma maneira, sofrendo e gostando de sofrer.
Nesta, com certeza, ela veio para modificar sua maneira de pensar.
Para isso, nasceu em uma casa com conforto e com uma família que gosta dela e lhe dá carinho.
Teria tudo para ser feliz, mas mesmo assim, continua sendo da maneira como sempre foi.
— Isso nunca vai mudar Donata?
— Um dia, não sei quando, ela vai entender que, enquanto perde tempo se lastimando por coisas que só existem na sua imaginação, só está perdendo um tempo precioso.
Nesse dia, ela mudará e começará a evoluir realmente.
— Você não disse o mesmo para as entidades que estavam aqui?
Não disse que elas também estão perdendo um tempo e com isso, uma oportunidade valiosa?
— Disse e é verdade.
O tempo em que elas estão aqui ao lado dela, deixam de aprender e conhecer lugares maravilhosos nunca por elas imaginado.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Mar 23, 2017 8:56 pm

— Tudo isso é muito triste, Donata.
— É sim, Marina.
— Donata, fiquei preocupado quando disse a elas que ficaríamos aqui o tempo que fosse necessário.
— Preocupado porquê, Ademir?
— Sabe que não podemos ficar.
Sabe que fomos desviados para uma missão que não era a que viemos cumprir.
Está quase na hora. Precisamos ir.
— Sei disso, mas precisava tentar de tudo.
Graças a Deus deu certo e eles foram embora.
— Nisso você tem razão.
Agora podemos ir embora também.
— Podemos, sim, mas antes preciso ver como Leni está.
Vamos até o seu quarto?
Antes mesmo que algum deles respondesse, já estavam no quarto de Leni, que continuava deitada.
A seu lado, Maria continuava jogando sobre ela jactos de luz branca.
Assim que os viu ali, disse alegre:
— Parece que ela está bem.
Sua faixa de pensamento mudou.
Está pensando nas palavras que a mãe disse.
— Isso é muito bom, Maria.
Agora precisamos ir.
Temos alguns trabalhos para cumprir, mas antes de voltarmos e quando o nosso trabalho terminar, passaremos aqui para ver como ela está e se as entidades voltaram.
— Agradeço pela imensa ajuda que me deram.
Espero sim, que voltem e também espero que aqueles que estavam aqui, não voltem nunca mais.
— Sabe que só dependerá dela, Maria.
Se ela reagir e começar a dar valor a tudo o que tem na vida, eles, mesmo que voltem, não conseguirão atingi—la mais.
— Sei disso e vou continuar jogando sobre ela jactos de luz.
— Faça isso, Maria. Não se preocupe.
No final, tudo sempre termina bem.
— Sei disso e mais uma vez obrigada por terem atendido ao meu pedido de socorro.
Leni se levantou, foi até o banheiro, depois voltou e parou diante do espelho que estava na frente do guarda—roupa.
Ficou se olhando de frente, de costas e de lado.
Sorriu, pensando:
Não estou tão gorda assim.
Minha mãe tem razão.
Mas porque será que às vezes me sinto tão gorda?
Mexeu nos cabelos e continuou pensando:
Eles também não são feios.
São lisos, diferentes das outras moças, mas posso mandar fazer uma permanente e eles ficarão bonitos.
Minha mãe disse que eu reclamo porque tenho tudo na vida.
Será que é isso mesmo?
Realmente, tenho uma família que me ama e que faz de tudo para que eu seja feliz.
Moro neste apartamento que embora não seja luxuoso, é confortável.
Existem muitas pessoas que não têm onde morar.
Sou saudável, não tenho doença alguma.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Mar 23, 2017 8:56 pm

Precisava mesmo agradecer a Deus por tudo isso que tenho.
Olhou para uma cómoda e viu a fotografia de Flávio.
Pensou:
Ele é mesmo muito bonito e diz que gosta realmente de mim.
Acho que gosta de verdade, porque apesar de tudo o que faço, continua ao meu lado.
Disse hoje que não me quer mais, porque eu provoquei.
Fiquei o tempo todo falando de uma moça que nem sei se existe.
Eu a inventei só para ver qual seria a sua reacção.
Sou mesmo uma imbecil.
Vou telefonar e pedir desculpas.
Tomara que ele me aceite de volta...
Saiu do quarto.
Sua mãe continuava junto ao fogão.
Ela se aproximou e disse:
— Desculpe mamãe, por tudo o que disse.
A senhora tem razão, não sou tão feia como imagino.
A mãe se voltou, abraçou—a e disse:
— Ainda bem, minha filha.
Você é jovem, bonita e tem a vida toda pela frente.
— Aquilo que a senhora disse me fez pensar e descobri como tenho sido boba.
Obrigada, mãe.
— Eu nem sei o que disse.
Não me lembro.
— Mas eu sei e me lembro muito bem.
Estou pensando em telefonar para o Flávio.
O que a senhora acha?
— Acho que deve fazer isso.
Ele é um bom moço e já provou que gosta de você.
Só de aguentar você durante todo esse tempo...
Leni sorriu, beijou a mãe no rosto e foi para junto do telefone, dizendo:
— Tem razão, mamãe.
Quando eu terminar de falar com o Flávio, quero comer.
Estou com uma fome danada!
A mãe sorriu e em pensamento, agradeceu a Deus.
Maria também estava feliz e disse:
— Só posso agradecer a vocês mais uma vez.
Acompanho Leni há muitas encarnações.
Sempre tenho tentado fazer com que ela mude a sua atitude, mas tem sido difícil.
Tomara que agora ela mude realmente.
— Tomara mesmo.
Ela agora está sozinha e poderá tomar suas decisões sem a interferência de ninguém.
Mas, agora, precisamos ir.
Estamos atrasados.
Antes de partirmos, voltaremos para ver como ela está.
— Obrigada mais uma vez.
Estarei esperando.
Sorrindo, desapareceram.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Mar 23, 2017 8:56 pm

A HISTÓRIA DE MARINA
Era noite.
Estavam novamente na praça.
Marina continuava olhando e se admirando com tudo o que via.
Para sua felicidade a fonte estava ligada e iluminada.
Não se conteve e disse muito entusiasmada:
— Olhem ali! A fonte está iluminada!
Não disse que era linda?
— É linda sim, Marina.
Deve estar muito feliz de poder voltar a este lugar.
— Estou sim, Jaime.
Embora esteja muito bem no lugar onde me encontro, vivendo em paz, não posso negar que sentia muita saudade de tudo isso.
A cidade mudou muito.
Pela quantidade de carros que estão passando por aqui, posso notar que cresceu também, mas continua sendo a minha cidade.
O lugar em que fui muito feliz e em que passei os momentos mais difíceis da minha doença.
Todos perceberam uma sombra de tristeza que passou por seus olhos.
Donata disse:
— Sei como está se sentindo, Marina, mas procure se lembrar só dos bons momentos.
Os tristes ficaram para trás.
Hoje, você está linda e saudável e ainda, embora tenha passado muito tempo, está com a mesma aparência que tinha quando partiu.
Olhe que vantagem tem sobre as pessoas que estão aqui, transitando.
Ao contrário delas, você não envelheceu.
Marina olhou para ela, forçou um sorriso e disse:
— Tem razão, continuou com a mesma aparência de sempre, mas preciso confessar que preferia ter envelhecido ao lado do meu marido, filhos e de todos que gostavam de mim.
Não vejo a hora de encontrá—los novamente e ver como estão vivendo.
Será que se acostumaram com a minha ausência?
Norberto me amava muito, duvido que tenha conseguido me esquecer...
— Desculpe Marina.
Só falei isso para tentar fazer com que você não ficasse triste.
— Não estou triste, Donata.
Só estou matando a imensa saudade que sinto.
— A conversa está muito boa, mas precisamos ir.
O Marconi já deve estar nos esperando.
Não podemos nos atrasar.
Ele é muito severo quanto a isso.
— Tem razão, Ademir. Já podemos ir.
— Quem é Marconi?
— Você é muito curiosa, Marina?
— Desculpe Ademir, mas sempre fui.
Não foi porque morri que mudei.
Continuo sendo, sei que preciso me controlar, mas é muito difícil.
Ademir riu e disse:
— Você tem razão.
Quando estamos na Terra, pensamos que as pessoas ao morrerem, tornam—se santos que podem nos ajudar e que sabem tudo, quando na realidade, nada disso é verdade.
Continuamos da forma que sempre fomos.
Com nossas qualidades e defeitos.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Mar 23, 2017 8:57 pm

A cada encarnação conseguimos aprimorar as nossas qualidades e lapidar alguns dos nossos defeitos, mas sempre sobram alguns.
Embora eu particularmente ache que curiosidade não seja um defeito.
O que seria da humanidade se não fosse curiosa?
A curiosidade é que fez com que muitas coisas fossem descobertas.
Algumas boas, outras más.
As más podem ser corrigidas.
As boas muito poderão ajudar na evolução da humanidade.
Continue sendo curiosa, estude, medite e quando achar necessário faça perguntas.
Sempre terá alguém com vontade e sabedoria para respondê—las.
Procurar sempre a verdade é o melhor caminho para a evolução.
Agora, já falamos muito.
Precisamos ir.
Você vai conhecer o Marconi.
Ele é um nosso amigo de muito tempo. Não é, Donata?
— É sim, Ademir.
De muito tempo, por isso estou morrendo de saudade dele. Vamos?
Deram—se às mãos e desapareceram.
Em pouco tempo, estavam em frente a um prédio.
Por tudo o que via, Marina percebeu que era muito grande.
Entraram em um saguão que parecia ser uma sala de recepção, onde nos cantos, havia vários sofás de couro.
Ela sentiu um cheiro já seu conhecido e mesmo que não quisesse, começou a tremer.
Tentou se controlar, mas não conseguia.
Uma moça vestida de enfermeira se aproximou de Donata e Ademir que ao vê—la, sorriram.
Donata abriu os braços e a moça, emocionada e feliz, correu para ela.
Abraçaram—se com muito carinho e saudade.
Depois, ela se voltou para Ademir e o abraçou também.
— Que bom que chegaram.
O Marconi está ansioso pela chegada de vocês e virá dentro de instantes.
— Olá Luci, como você está?
— Estou muito bem, Donata.
Agora que encontrei o que gosto de fazer, tudo está bem e nem quero me lembrar de tudo o que passei.
Aliás, aqui nem tenho tempo para isso.
Como sabe, temos muito trabalho.
— Sei sim, minha filha.
— Estão em missão ou vieram apenas me visitar?
— Estamos em missão, mas viemos também visitar, não só a você, mas ao Marconi também e aos outros.
Sabe que sempre que podemos, fazemos isso.
Como está o Marconi?
— Como sempre, bem e trabalhando muito.
Sabe que ele é muito dedicado e faz seu trabalho com precisão e muito carinho.
— Posso imaginar, ele sempre foi muito dedicado.
Enquanto conversavam com Luci, Donata e Ademir estavam um pouco mais à frente e de costas para Marina, por isso não perceberam como ela estava.
Jaime, que se encontrava ao seu lado, percebeu e a abraçou.
Lágrimas caíam dos olhos dela.
Ele perguntou baixinho:
— Que está acontecendo, Marina?
Por que está tremendo dessa maneira?
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Mar 24, 2017 8:18 pm

— Isso aqui é um hospital, Jaime.
Sofri muito em um igual a este e sem querer, estou relembrando o que me faz reviver tudo àquilo que já havia esquecido.
Não suporto ficar em um hospital!
Desde que morri nunca mais havia entrado em um.
Trabalho no hospital, mas em uma casa que fica ao lado.
Nunca entrei no hospital, não suporto o cheiro, me deixa enjoada...
— Mas agora tudo é diferente, Marina.
Você não está mais doente.
Está bonita e saudável.
— Sei disso, Jaime, mas não consigo me controlar, é mais forte que eu.
Por isso, foi que quando descobri que participaria da equipe de Donata e Ademir, tentei recusar.
Sabia que não ia conseguir.
Sabia que só ia atrapalhar.
Pode ver que eu tinha razão.
Aquilo que eu temia está acontecendo.
Agora mais do que nunca, estou tendo a certeza disso...
— Se eles trouxeram você, é porque conheciam seu problema e sabiam que conseguiria superar.
Se não fosse assim, não teriam pedido a Humberto para que liberasse você.
Pense nisso, Marina e não se preocupe, estamos aqui ao seu lado e nada de ruim vai acontecer.
Esqueça o que passou.
Sei que, fazendo parte dessa missão, aprenderemos muito e que tudo o que aprendermos, poderá ser usado com outros.
Donata e Ademir, sem perceberem o que estava acontecendo, continuavam conversando e olhando ansiosos para uma porta de onde sabiam que a qualquer momento Marconi apareceria.
Isso realmente aconteceu.
Poucos minutos depois, a porta se abriu e por ela entrou um senhor com os cabelos brancos e um belo sorriso.
Ao vê—los ali, disse quase gritando:
— Vocês chegaram? Que bom.
Desculpem se os fiz esperar, mas estamos com muito trabalho.
— Somos nós quem precisamos nos desculpar Marconi.
Nós nos atrasamos um pouco e sabemos que sempre está com muito trabalho.
Não queremos interromper.
— Sei que não gostarão do que vou dizer, mas nem notei que estavam atrasados.
Como disse, estamos com muito trabalho.
Sei que nos ajudarão muito. Obrigado por terem vindo.
Três de nossos irmãos estão se preparando para a partida.
— Sabemos que eles estão se preparando para voltar.
É por causa deles que estamos aqui.
Nesse momento, podemos ajudar de alguma maneira?
— Claro que sim. Você e Donata são mestres e além de nos ajudar, poderão nos ensinar muito.
Quem são esses jovens que estão acompanhando vocês?
Ademir e Donata se voltaram.
Donata, pela expressão do rosto de Marina e de Jaime, percebeu que alguma coisa não estava bem, mas ficou calada. Ademir respondeu:
— Os dois vieram para nos ajudar a cumprir a nossa missão aqui com vocês e há outras duas muito importantes.
Este é o Jaime e esta é Marina.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Mar 24, 2017 8:18 pm

— Muito prazer.
Como devem saber, meu nome é Marconi.
Trabalho aqui neste hospital há muito tempo.
Vocês estão em muito boa companhia.
Estes dois são mestres e se quiserem, poderão aprender muito.
— Muito prazer. Faremos o possível para aprender tudo. Não é, Marina?
Marina, ainda tremendo, disse:
— Muito prazer.
Estou muito feliz em estar aqui, embora não saiba se vou ajudar de alguma maneira.
Não tenho certeza se vou conseguir, mas vou tentar.
Ela disse isso, estendendo a mão para Marconi e forçando um sorriso.
Ele, assim que pegou sua mão, percebeu que ela estava tremendo.
Sorrindo, disse:
— Que bom que está aqui, Marina.
Sei que aprenderá muito e que ajudará também.
Não se preocupe, pois mesmo sem saber, no momento certo e que for necessário, nos ajudará muito.
Luci os interrompeu:
— Desculpem, mas já que estão aqui e já matamos a saudade, preciso me retirar.
Preciso ficar ao lado de Leopoldo.
Estamos preparando tudo para quando a hora dele chegar.
Irene está lá, ela faz questão de estar presente na hora em que ele partir.
— Está bem, Luci, pode ir.
A presença de Irene vai ser muito importante.
Luci saiu. Marconi voltou—se para Ademir e disse:
— Ademir, sinto muito, mas não posso mais ficar aqui.
Quer me acompanhar?
Um de nossos irmãos está terminando agora a sua jornada aqui na Terra e precisa da nossa ajuda.
— Claro que quero.
Foi para isso que viemos.
Entraram pela mesma porta pela qual Marconi havia saído e viram um corredor com muitas portas.
Entraram em uma delas.
Lá dentro, só havia uma cama com um paciente deitado.
Aproximaram—se da cama.
De um lado, estava uma enfermeira que devido aos fios prateados, perceberam que era encarnada.
Ela, demonstrando preocupação, examinava os aparelhos acoplados a um senhor que, com a aparência abatida, estava deitado e parecia dormir.
Do outro lado da cama estava uma senhora muito preocupada.
Marina percebeu que ela não tinha os fios prateados.
Por isso, soube que era desencarnada.
Assim que os viu, a senhora disse:
— Ainda bem que voltou Marconi.
Estou muito preocupada, Leopoldo não está bem.
Quer porque quer sair daqui e ir lá em casa.
Já tentei lhe dizer que está muito fraco e que não pode ir, mas está sendo difícil fazer com que fique na cama.
Ele não me ouve nem me vê.
— Não se preocupe Irene.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Mar 24, 2017 8:19 pm

Estamos aqui e faremos o que for possível para convencê—lo.
Mesmo que ele não a ouça nem a veja, sua vibração e dedicação estão sendo muito importantes e valiosas.
Embora você não perceba, ele as está sentindo e com o passar do tempo, sentirá ainda mais.
— Por muito que faça, nunca farei o suficiente...
Foi meu marido por mais de vinte anos.
Por isso, conheço—o muito bem.
O dinheiro foi sempre sua obstinação e faria qualquer coisa para obtê—lo, nunca ficou contente com o que tinha e sempre quis mais.
Por isso sei que será muito difícil convencê—lo a abandonar tudo o que conquistou.
— Nada é impossível, Irene. Nada...
Dizendo isso, Marconi se aproximou.
O homem, embora aparentasse estar dormindo, na realidade não estava.
Seu espírito lutava para sair do corpo e em seu pensamento, surgiam imagens de uma casa grande e luxuosa, onde na garagem, havia muitos carros.
No mesmo instante, ele se via diante de um cofre escondido atrás de um quadro, tentava abrir, mas não conseguia.
Ele, desesperado, se debatia sem parar.
Marconi, lançando jactos de luz sobre ele, disse:
— Olá, Leopoldo, como está?
— Ainda bem que voltou doutor!
Preciso ir embora daqui!
Se continuar preso a esta cama, aqueles imprestáveis vão acabar com o meu dinheiro e com o resultado de tantos anos de trabalho!
Não posso permitir!
— Sei disso, mas você não está bem e precisa se entregar à vontade de Deus.
Seu tempo terminou.
Vai para um lugar onde se sentirá muito bem.
— Não quero ir para lugar algum!
Só quero voltar para minha casa e para o meu trabalho!
De que tempo está falando?
Não tenho tempo para ficar aqui!
Estou bem e preciso voltar para os meus afazeres!
— Tudo o que tinha de fazer, já fez.
Estou falando do seu tempo aqui na Terra.
Chegou à hora de retornar e avaliar como foi esta sua encarnação.
— Não tenho para onde ir a não ser para minha casa!
Não sei nada sobre encarnação!
Não sei o que está falando, também não me importa.
— Não pode mais fazer isso.
O seu caminho agora é outro, Leopoldo, seu tempo terminou.
— De que tempo está falando?
Não posso ir para lugar algum, tenho muito trabalho a fazer!
— Tudo e todo o trabalho que tinha de fazer, já fez.
Agora, só resta colher os frutos.
— Não sei o que está dizendo.
Preciso ir embora!
Talvez não saiba, tenho muito dinheiro e posso lhe dar o que desejar para me tirar daqui, quanto quer?
Pode dar o preço que eu pagarei!
Ganhei e guardei muito dinheiro!
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Mar 24, 2017 8:19 pm

Marconi sorriu e olhou para os outros que acompanhavam a conversa.
Depois de algum tempo, disse:
— Não quero seu dinheiro e não posso permitir que saia daqui.
O que posso lhe oferecer é a nossa ajuda para que se desprenda do corpo e depois, acompanhar você para a sua nova moradia.
Não tenha medo, não vai sentir nada...
— Impossível que não queira meu dinheiro!
Todos querem e todos têm um preço!
Qual é o seu?
— Sim, tem razão, todos têm um preço.
Eu também.
— Qual é o seu preço?
— Para o lugar aonde vamos, seu dinheiro não tem importância alguma.
Tudo o que conquistou e guardou vai ficar aqui.
Para onde vai somente interessa o bem que fez e os amigos que conquistou.
Quero que se entregue e permita que o ajudemos a se libertar desses fios que estão prendendo você ao corpo.
Assim que isso for feito, você se sentirá livre e poderá ir para onde quiser.
— Só quero ir para minha casa e ver se todas as acções e o dinheiro estão no cofre!
— Já faz muito tempo que você está sobre essa cama, Leopoldo.
Seu corpo envelheceu e está se decompondo.
Suas costas estão cheias de feridas.
Deixe que o ajudemos.
Não pode mais resistir.
Como acontece com todos, para você também chegou à hora da verdade e você precisa enfrentá—la.
Não há como escapar.
Enquanto Marconi conversava com Leopoldo, os outros permaneciam calados e com as mãos estendidas, jogando fachos de luz.
Todos, menos Marina.
Ela também estava com as mãos estendidas, mas tremia e estava se sentindo tão mal que de suas mãos as luzes não se formavam.
A enfermeira virou Leopoldo de lado e viu as feridas que tinha por todo o corpo.
Saiu e voltou logo depois trazendo um carrinho, onde havia água e medicamentos.
Molhou um algodão com água e com cuidado, carinhosamente, começou a limpar as feridas.
Eles acompanhavam com respeito aquele acto de dedicação e se afastaram um pouco.
A enfermeira continuou fazendo o seu trabalho.
Marina, ao ver as feridas, ficou pior do que estava e disse:
— Ademir, não posso mais ficar aqui!
Estou me sentindo mal, preciso sair!
Antes que Ademir falasse qualquer coisa, Marina saiu correndo pela porta do quarto e ainda correndo, passou pelo corredor, pelo saguão, até que finalmente chegou ao lado de fora do hospital, onde respirou fundo, pois do jardim vinha um cheiro de grama e flores.
Chorando muito e desesperada, se deitou na grama que estava molhada pelo orvalho.
Todos viram quando Marina saiu correndo, mas permaneceram onde e da maneira como estavam.
Irene disse baixinho:
— Marconi, enquanto a enfermeira estiver cuidando de Leopoldo, não temos muito que fazer, por isso, vou até lá fora tomar um pouco de ar fresco.
Eles entenderam e Marconi sorrindo, disse:
— Faça isso, Irene.
Deve mesmo estar precisando de um pouco de ar.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Mar 24, 2017 8:19 pm

Irene se afastou.
Os outros a acompanharam com os olhos.
Ademir olhou para Donata, sorriu e juntos começaram a jogar luzes sobre a enfermeira que com tanto carinho continuava a cuidar das feridas de Leopoldo.
Ela não imaginava o quanto, naquele instante, estava sendo abençoada.
Em poucos segundos, Irene estava ao lado de Marina, que continuava deitada na grama e chorando.
Sentou—se ao seu lado e bem devagar, passou a mão sobre sua cabeça, perguntando:
— Vi quando saiu correndo e achei que precisava conversar, por isso estou aqui.
Como é o seu nome?
Marina olhou para aquela mulher que não conhecia, mas percebeu em seu olhar muita bondade.
Respondeu:
— Marina...
— Seu nome é muito bonito.
O que está sentindo, Marina?
Parece que ficou muito nervosa.
Que aconteceu lá dentro que fez com que ficasse assim?
Marina levantou a cabeça e depois o corpo, ficando sentada de frente para Irene e respondeu:
— Eu sabia que não devia ter vindo nesta missão...
Sabia que não ia ajudar, mas só atrapalhar...
— Por que está dizendo isso?
Sua presença é importante.
Mesmo sem saber ou fazer algo, a energia que transmite aos doentes é um grande consolo e lhes faz muito bem.
— Preciso acreditar nisso, mas está muito difícil.
Esperei tanto pela oportunidade de poder vir visitar a minha família e saber como eles estão e quando a oportunidade chegou me encontro em uma situação como esta!
Isso não é justo.
Odeio hospitais, não consigo ficar dentro de um nem ver as pessoas sofrendo e muito menos, cuidar delas.
Eu avisei ao Ademir e a Donata.
Sou ruim, não tenho compaixão...
— Por que está dizendo isso?
Você não me parece ser ruim ou sem compaixão.
Ao contrário, parece que está sofrendo muito com esta situação.
— Estou sofrendo porque não posso ajudar e sei que para que possamos evoluir, precisamos deixar de lado todo o sentimento de ódio e revolta.
Também devemos fazer caridade, mas não consigo deixar nenhum dos dois sentimentos nem ser caridosa com os doentes.
Estar aqui neste hospital e vendo as pessoas doentes me lembra do tempo em que fiquei em um deles, de como sofri com a minha doença e da revolta que senti ao ver que teria de ir embora, deixando meus familiares e principalmente, meu marido e filhos ainda pequenos.
Aquilo para mim não era e ainda não é justo.
E agora que tudo passou, já tive algum entendimento do por que aconteceu, mas mesmo assim não consigo ajudar nem apenas ver uma pessoa doente.
Sei que deveria ser abnegada como Ademir e Donata, mas não consigo...
Sou tão ruim que de minhas mãos não sai nem um pequeno facho de luz.
Sei que se não superar esses sentimentos, nunca vou conseguir fazer caridade e, portanto, não conseguirei evoluir.
Não sei o que fazer.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Mar 24, 2017 8:19 pm

Vou pedir para retornar e embora seja doloroso, esperar uma próxima oportunidade para rever a minha família e principalmente meus filhos e marido.
Já esperei tanto, posso esperar mais um pouco.
Não vejo outra solução.
— Quer me contar como tudo aconteceu?
Talvez falando você fique melhor e consiga decidir com mais clareza.
— Tem certeza que quer ouvir?
— Tenho. Estou percebendo que você está confusa.
Para se fazer caridade, não é preciso cuidar de doentes.
Muitos, assim como você, não conseguem.
Nem todos têm essa qualidade, mas ajudam de outra maneira e, portanto, também fazem caridade.
Mas existem aqueles que, graças a Deus, fazem isso com tranquilidade.
Ajudam aqueles que estão doentes e que precisam de carinho e atenção.
A sua simples presença nesta equipe, com sua energia e suas orações, pode ajudar muito.
Não duvide disso.
Quer mesmo me ouvir?
— Quero, enquanto a enfermeira estiver cuidando do meu marido, muito pouco ou quase nada pode ser feito.
Marconi, que tem sido muito dedicado, e os outros, continuarão a seu lado, despejando muita luz e bênçãos sobre ele.
Eu poderei ficar um pouco de tempo aqui ao seu lado e se quiser me contar o que lhe aconteceu, ouvirei com muito prazer.
— Bem, eu nasci em uma casa onde meus pais se davam muito bem.
Eu e mais dois irmãos. Eu era a do meio.
Sabe como é filho do meio, acha que fica sempre em segundo plano e que as atenções são todas para o mais velho, depois para o caçula e depois, só depois para ele – disse isso, rindo.
Irene também riu e disse:
— Sempre ouvi dizer isso, mas não senti.
Eu era a caçula e só tive um filho.
— Hoje, depois que tive duas crianças, não sei se isso é verdade, mas naquele tempo eu sentia muito.
Meu pai, embora não fosse uma pessoa rica, nunca deixou que nos faltasse nada.
Para isso, trabalhava muito e minha mãe sempre cuidou da casa e dos filhos com muito carinho.
Eu nunca tive do que me queixar.
Meus pais viviam em perfeita harmonia.
Tinham lá suas discussões normais, mas nada sério que pudesse nos causar preocupações.
Quando chegou a hora de ir para a faculdade, eu não sabia o que queria estudar.
Acho que todos os jovens passam por essa fase, que é muito difícil.
O meu irmão mais velho não demorou muito para decidir.
Foi estudar direito e o mais novo, engenharia.
Só eu fiquei indecisa.
Meu pai ficou preocupado com minha indecisão.
Tinha uma pequena empresa, disse:
— Marina, já estou cansado de tanto trabalhar.
Queria passar mais tempo com sua mãe, viajar.
Sabe que meu sonho é morar em Portugal, mas só poderei fazer isso se tiver alguém que cuide da empresa.
— O que o senhor está sugerindo pai?
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Mar 24, 2017 8:20 pm

— Sabe que eu ficaria muito feliz se você fosse uma médica.
Sempre quis ter um médico na família.
Seus irmãos não quiseram, e você?
Nem pensar, pai.
Não posso, nem por um segundo, me imaginar tratando de pessoas doentes.
Não nasci para isso!
Não gosto de ver sofrimento...
— É uma pena. Ainda bem que muitos não pensam isso.
Já pensou se todos se recusassem a serem médicos e a tratar dos doentes, o que seria da humanidade?
— O senhor tem razão, mas eu não posso.
— Ele tinha razão mesmo. – interrompeu Irene.
— Sei que tinha razão, mas aquilo estava além das minhas forças.
Não suportaria nem suporto ver pessoas doentes, sentindo dor.
Morro de pena e fico mais triste ainda quando sei que, por mais que se faça, não haverá salvação.
Convivi com doentes terminais e sei como é triste.
Eu mesma fui uma doente terminal.
Acompanhei o sofrimento da minha família e muitas vezes, pedi que a morte me levasse.
— Para ajudar esse sofrimento a ser menor, existem os médicos.
Já imaginou se não os tivesse ao seu lado?
Seu sofrimento seria bem maior.
— Não só imaginei como quando fiquei doente, senti na própria pele.
Sei que sem um médico, tudo teria sido mais difícil.
Acho que o médico antes de nascer é escolhido por Deus.
É um iluminado...
Irene, percebendo que Marina com aquela conversa estava mais calma, disse:
— Nem todos, Marina... Nem todos...
— Talvez tenha razão, mas todos os que conheci me trataram muito bem e sem eles o sofrimento teria sido maior...
— Posso imaginar, mas continue.
— Vendo que eu não queria ser médica, meu pai disse:
— Já que não quer ser médica, poderia tentar fazer administração.
Poderia depois de formada, cuidar da empresa e assim, eu e sua mãe poderíamos desfrutar a vida e quem sabe, voltarmos para Portugal.
— Meu pai tinha uma empresa de móveis.
Ela não era muito grande, mas sempre nos deu tudo o que precisávamos para viver com tranquilidade.
Mesmo sem ter certeza de que era aquilo mesmo que eu queria e sem ter alternativa, comecei a frequentar a faculdade.
Depois, quando comecei a entender, gostei e fiquei feliz por estar estudando aquilo.
Estava estudando, quando um dia, minha amiga Sueli me disse:
— Marina, vai ter uma festa dos veteranos e fomos convidadas.
Você quer ir?
— Eu sabia que seria muito difícil convencer meu pai a me deixar sair à noite, muito menos ir sozinha a uma festa.
Respondi:
— Gostaria muito, mas não sei se meu pai vai deixar Sueli.
Você o conhece e sabe como ele é rígido.
— Quem sabe ele deixa.
Acho que vai ser uma festa muito boa.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Mar 24, 2017 8:20 pm

Vale a pena tentar. Peça a ele Marina.
Você já está quase com vinte anos, precisa sair se divertir e conhecer pessoas, principalmente rapazes.
— Eu sabia que a festa seria boa, mas mesmo que não fosse, estava com muita vontade de ir.
Sorrindo, disse:
— Está bem, vou falar com ele.
— Cheguei em casa, tentei falar com meu pai, mas não tive coragem.
Tentei muitas vezes, mas ele não sei, talvez percebendo que eu queria dizer algo que o deixaria nervoso, evitava qualquer conversa e sempre que eu me aproximava dele, ele se afastava.
Vendo que não tinha como falar com ele, pedi a minha mãe para que conversasse com ele e o convencesse a me deixar ir ao baile.
Após me ouvir, ela disse:
— Você sabe que seu pai não quer que saia sozinha, muita menos à noite.
Se lhe disser que vai ser uma festa de veteranos, ele vai gostar muito menos ainda.
— Sei disso, mamãe.
Por isso estou pedindo que converse com ele.
Só a senhora pode me ajudar.
A senhora sabe como falar com ele e ele sempre ouve à senhora e faz todas as suas vontades...
— Está bem, vou conversar com ele, mas não posso prometer nada.
Sabe como ele é rígido quanto a isso.
— Ela conversou com ele e para nossa surpresa, ele deixou.
Não ficou nervoso e disse:
— Pode ir, Marina, só que um de seus irmãos terá de ir junto com você.
— Com muito custo consegui convencer meu irmão mais velho.
Ele estava namorando há pouco tempo.
Conversou com a namorada e ela aceitou ir também.
Tudo certo me preparei para a festa.
Mandei fazer um vestido novo e comprei sapatos. Estava feliz.
A festa ia ser em um salão grande.
Eu nunca tinha ido a uma festa igual àquela.
Só tinha ido a festas de casamento ou aniversário.
Por isso eu estava ansiosa.
Quando chegamos, eu, Sueli, meu irmão e Rosa, a namorada dele, ficamos encantados com a beleza e o tamanho do salão.
As pessoas que estavam lá eram bonitas e bem vestidas.
Eu não conseguia esconder meu encantamento.
Sentamos e comecei a olhar tudo.
Entre todos os rapazes, vi um que chamou minha atenção.
Ele era alto, moreno e estava muito bem vestido:
terno azul marinho, camisa de um azul mais claro e gravata também em um tom diferente de azul.
Olhei para ele por algum tempo, mas ele não me notou.
Estava rodeado por moças mais velhas, provavelmente colegas da faculdade.
Conversava e ria muito, por isso consegui ver seus dentes lindos e perfeitos.
A música começou a tocar.
Mesmo sem querer, não conseguia tirar os olhos dele.
Mas foi em vão.
Ele começou a dançar com várias moças.
Com todas, conversava e ria.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Mar 24, 2017 8:20 pm

Alguns rapazes me tiraram para dançar.
Aceitei, mas queria mesmo dançar com ele.
Faltava meia hora para a festa terminar.
Eu, apesar de não ter dançado com ele, estava feliz.
Cansada, me sentei e comecei a tomar um refrigerante.
Ele terminou de dançar, se voltou para conversar com um rapaz que estava sentado em uma mesa ao lado da que eu estava.
Acenou com a mão e só naquele momento me viu.
Eu, que desde a primeira vez que o vi estava olhando para ele, fiquei envergonhada e desviei o meu olhar.
Ele pareceu notar, se aproximou da mesa em que o amigo estava e começou a conversar com ele.
Sentindo ele perto de mim, comecei a tremer e a ficar cada vez mais nervosa.
Ele conversava, mas não tirava o olhar de mim.
Eu não estava olhando, mas sentia que ele estava.
Quando uma nova música começou a ser tocada, ele sorrindo, perguntou:
— Aceita dançar comigo?
— Eu comecei a tremer e não sabia o que dizer.
Ele, pensando que eu não queria, começou a se afastar.
Vendo que ele ia embora, eu quase gritei:
— Aceito.
— Ele sorrindo, se voltou.
Com muito custo me levantei e começamos a dançar.
Ao sentir o seu braço na minha cintura, tremia ainda mais.
Ele percebeu e disse:
— Você dança muito bem.
— Fiquei calada. Ele perguntou:
— Qual é o seu nome?
— Marina. – respondi com a voz embargada.
— Seu nome é lindo.
Igual ao daquela música.
Marina morena, só que você não é morena, é loura e muito bonita.
— Eu não acreditava que aquilo estava acontecendo.
Mas dançamos todas as músicas até que, para minha tristeza, a festa terminou.
Estávamos saindo, quando ele disse:
— Gostaria de ver você novamente.
Como vamos fazer?
— Eu, como se estivesse voando, respondi:
— Estou no primeiro ano de administração.
Se quiser, pode me ver lá.
— Está bem, pode esperar.
Quero ver você outras vezes.
— Sorri, olhei para meu irmão que estava me olhando feio.
Não me importei. Estava feliz demais para me preocupar.
Só quando cheguei em casa foi que me lembrei que não sabia o seu nome e nem havia lhe dado o número do meu telefone.
Os dias foram passando e todas as noites, quando saia da faculdade, eu ficava olhando para ver se ele estava me esperando.
Mas nada. Ele não estava.
Mais de um mês depois, eu já tinha me conformado que ele, infelizmente, não viria mais e o que tinha acontecido entre nós dois havia sido só a impressão de uma noite.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Mar 24, 2017 8:20 pm

Fiquei muito triste, mas as provas estavam chegando e eu precisava estudar.
Em uma noite, ao sair da faculdade, eu estava conversando com Sueli, quando o vi do outro lado da rua.
Assim que o vi, meu coração disparou e comecei a tremer, sem conseguir me controlar.
Ele estava ali, bonito como eu me lembrava.
Ao me ver, sorriu, atravessou a rua e caminhou em nossa direcção.
Quando se aproximou, sorrindo disse:
— Olá Marina, estou aqui há algum tempo esperando você sair. Demorou muito.
— Eu, com as pernas tremendo e o coração batendo forte, fiquei sem saber o que dizer.
Ele continuou.
— Desculpe não ter vindo antes, tive de viajar.
Cheguei hoje pela manhã. Está se lembrando de mim?
— Estou... Claro que estou...
— Daquele dia em diante, ele vinha sempre me ver.
Eu, por mais que quisesse, não conseguia acreditar que realmente aquilo estava acontecendo.
Com o passar do tempo começamos a namorar sério e depois que terminei a faculdade, nos casamos.
Foi assim que tudo começou.
Norberto, meu marido, sempre foi muito carinhoso e dedicado.
Irene, percebendo que aquela conversa estava fazendo muito bem para Marina, disse:
— Que bonita história, Marina.
— Sim, bonita demais....
Estávamos muito felizes, por isso não podia continuar...
— Que é isso, Marina?
Poucas são as pessoas que conseguem encontrar alguém que as ame realmente e por tudo o que está me dizendo, parece que você e seu marido se amavam.
Embora tenham vivido pouco tempo juntos, foram felizes.
Olhe que isso é difícil de acontecer...
— Sim, isso é verdade.
Depois de formada, comecei a trabalhar com meu pai e Norberto começou a advogar.
Éramos felizes, pois gostávamos do que fazíamos.
Um ano depois do nosso casamento nasceu nosso primeiro filho, Joel.
Era o primeiro neto dos meus pais, por isso, muito paparicado.
Ele era saudável e inteligente.
Com menos de um ano já caminhava e falava quase tudo.
Minha felicidade era completa.
Tinha meu marido, um filho lindo e morava em uma linda casa com todo o conforto.
Nada mais eu queria da vida.
Dois anos depois nasceu Berenice, minha filha, que veio completar a nossa felicidade.
— Ah, vocês estão aí?
Voltaram—se e viram Donata que acabava de chegar.
— Estamos sim, Donata.
Eu e Irene estávamos conversando.
Aliás, estávamos não. Eu estava falando e ela ouvindo.
Marina disse, tentando sorrir.
— Ela estava muito nervosa, Donata e achei que se conversássemos se sentiria melhor.
Ficamos aqui e nem vimos o tempo passar.
— Que bom. Está melhor, Marina?
— Sim, embora continue achando que deveria voltar.
Sinto que a minha presença não é necessária e que só vou atrapalhar.
Desde o começo sabia que não deveria fazer parte dessa equipe.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Mar 24, 2017 8:21 pm

Não consigo ficar ao lado de pessoas doentes.
Fico muito nervosa, Donata...
— Percebi, mas ainda é cedo para desistir.
Agora, precisamos voltar Irene.
A enfermeira já terminou de cuidar de Leopoldo.
Seu corpo está limpo e confortável, mas seu espírito está muito nervoso e é difícil controlá—lo, por isso vim buscar você.
Precisamos da sua presença, talvez agora com a nossa presença, consiga acalmá—lo.
— Está bem, vamos para lá e tomara, consigamos fazer com que nos escute.
Venha, Marina, depois continuaremos a nossa conversa e poderá me contar o resto.
— Não sei se devo ir...
Será que não vou atrapalhar Donata?
Não seria melhor eu continuar aqui até que tudo termine.
— Não. O nosso trabalho terá de ser feito.
Só precisa ficar ao nosso lado, nos ajudando com orações.
Só isso, nada mais.
Vamos e verá que não é tão difícil assim como está imaginando.
Leopoldo está precisando da nossa ajuda.
Não pode continuar lutando e com medo de encarar a sua verdade...
— Se não me sentir bem, posso sair novamente?
— Claro que sim.
Você é livre para decidir o que quer fazer.
Só não pode ir embora agora, porque não pode fazer isso sozinha.
Seria perigoso e nós não podemos abandonar nossa missão.
Por isso é melhor que fique ao nosso lado.
Não se preocupe logo tudo estará terminado, Leopoldo seguirá o seu caminho e nós seguiremos o nosso. Venha.
— Quando poderei ver a minha família?
— Em breve, Marina.
Foi para isso que veio, mas antes temos algum trabalho para fazer.
— Está bem, sendo assim vamos.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Mar 24, 2017 8:21 pm

AS VISÕES DE LEOPOLDO
Voltaram para o quarto onde Marconi e os outros estavam e imediatamente, se colocaram ao lado da cama.
A enfermeira, depois que terminou os curativos, examinou o aparelho que media as batidas do coração e o pedestal onde o soro corria e entrava por uma das veias de Leopoldo.
Ao perceber que tudo estava bem, mas sem imaginar o que realmente estava acontecendo, saiu do quarto.
O corpo de Leopoldo continuava estendido sobre a cama e completamente imóvel, porém seu espírito se debatia querendo sair e gritava:
— Preciso sair daqui!
Tenho que ir para casa, senão eles vão me roubar!
Dos olhos de Irene, lágrimas começaram a correr por ver o marido naquela situação.
Olhou para Marconi, que disse:
— Sei que está muito triste, Irene, mas infelizmente se ele não mudar a faixa de pensamento, teremos de tomar uma atitude drástica.
— Sei disso, Marconi e é o que não queria.
Apesar de tudo, ele foi meu companheiro de jornada.
Estou muito triste por vê—lo nessa situação.
Não sei o que eu poderia fazer para que fosse ao contrário.
— Talvez devesse tentar algo. – disse Donata.
Irene, esperançosa, olhou para ela e perguntou:
— O que eu poderia fazer?
— Não sei se vai dar certo, mas poderia tentar conversar com ele e fazê—lo se lembrar de como foi à vida de vocês e o quanto ele acertou e errou.
Talvez, lembrando—se de tudo, ele mude de atitude.
— Ela tem razão, Irene.
Talvez dê certo.
— Posso tentar Marconi.
Tomara Deus que dê certo e que ele entenda sua real situação.
Só assim, ele poderá se libertar e poderemos ir embora.
— Faça isso, Irene.
Marina acompanhava a conversa.
Estava atrás de Jaime.
O corpo estava quase todo escondido, deixando que só a cabeça aparecesse.
Curiosa, olhava para todos.
Não queria participar daquilo. Tinha medo.
Donata olhou para trás e a viu ali, só com a cabeça aparecendo.
Disse:
— Marina, venha para mais perto.
Enquanto Irene estiver conversando com Leopoldo, precisamos de muita oração.
Só com oração poderemos fazer com que ele veja e ouça Irene.
Não se preocupe, ele vai estar bem.
Sabendo que não poderia se negar, ela se aproximou e se colocou ao lado de Donata.
Imediatamente, todos se colocaram em oração.
De suas cabeças, saíam luzes que iluminaram todo o quarto.
Ao ver todas aquelas luzes e principalmente, a que saía de sua cabeça, Marina sorriu e os acompanhou na oração.
Irene colocou a mão sobre a cabeça de Leopoldo e começou a dizer:
— Leopoldo, estou aqui.
Ele, como se ouvisse uma voz distante, perguntou:
— Irene, é você?
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Mar 24, 2017 8:21 pm

— Sim, Leopoldo, estou aqui ao seu lado.
— Onde? Não consigo ver você...
— Abra os olhos e com a ajuda de Deus, me verá.
Ele abriu os olhos e se assustou ao ver aquele quarto todo iluminado com aquela luz brilhante como nunca vira antes.
Gritou:
— Estou vendo você, Irene.
Você está muito bonita, mas que luz é essa?
Está muito forte!
— Não se preocupe com a luz, meu querido, só com você mesmo.
— Tem razão, não posso perder meu tempo me preocupando com a luz.
Se você está aqui é para me avisar que estão acabando com o meu dinheiro!
Você precisa me ajudar, Irene!
Eles me prenderam neste quarto e não me deixam sair!
Preciso ir lá em casa e ver se todo dinheiro e as acções estão lá!
Não sei quanto tempo estou aqui!
— Vou ajudar Leopoldo, mas você mesmo precisa se ajudar.
Sei que quer sair deste quarto e desta cama.
Estou aqui para ajudá—lo a fazer isso.
Se me ouvir, poderemos ir embora e logo estaremos em um lugar muito bom.
— Não quero ir a lugar algum!
Quero ir ver como está o meu cofre!
Você sabe como meus sócios são gananciosos!
Mandaram me internar neste hospital para poderem me roubar e ficar com tudo o que consegui com muito trabalho!
Precisa me tirar daqui, Irene...
Irene, desanimada, olhou para Marconi que baixinho, disse:
— Comece a falar de como se conheceram.
Ela sorriu e disse:
— Leopoldo, você se lembra do dia em que nos conhecemos?
Ele ficou olhando para ela, sem responder.
Ela voltou a perguntar:
— Você se lembra do dia em que nos conhecemos?
Ele, com o olhar parado em um ponto qualquer e como se estivesse querendo se lembrar, respondeu:
— Estou me lembrando.
Você estava linda naquele uniforme.
— Isso mesmo, foi o meu primeiro dia de trabalho como enfermeira no hospital em que você era médico.
— Foi naquele dia em que eu estava muito nervoso por um dos meus pacientes ter morrido.
— Estava muito triste e eu tentei confortá—lo.
Conversamos muito e eu lhe disse:
— Não pode ficar assim, doutor, pois embora tenha perdido esse paciente, com certeza deve ter salvado muitos outros.
— Estou me lembrando desse dia.
Você não sabia, mas eu não queria ser médico.
Só fui por causa do meu pai.
Ele determinou e eu somente obedeci.
Eu queria ficar na fazenda e viver ao ar livre, sentindo o sol batendo em meu rosto e o cheiro do mato.
Não conseguia me imaginar preso dentro de um hospital ou consultório.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Mar 24, 2017 8:22 pm

Não queria saber se alguém estava sentindo dor ou não.
Eu não tinha paciência para tratar delas.
Por isso, aquilo que você estava dizendo, para mim não significava nada!
— Você nunca me disse isso, ao contrário, pensei que gostasse.
— Só sou médico pela insistência do meu pai.
A ironia de tudo é que, dois meses antes de me formar, ele teve um infarto e morreu.
Quando fomos ver seu testamento constatamos que, de todo o dinheiro que tinha, não restava mais nada.
Ele havia perdido tudo!
Não me pergunte como, não sei!
— Quando nos casamos, eu sabia que você não tinha dinheiro.
Naquele tempo, você trabalhava em três hospitais.
Trabalhava muito.
— Sim, quase não tinha tempo para dormir.
Mas, mesmo assim, meu salário era pouco e até algumas coisas faltavam em nossa casa.
— Eu me lembro muito bem desse tempo.
— Então, por que está aqui impedindo que eu volte para casa e possa ver como está o meu cofre?
Depois de tudo o que passei você acha que não tenho o direito de tomar conta daquilo que trabalhei tanto para conseguir?
Ninguém tem o direito de me impedir!
— Não estou impedindo você, Leopoldo.
Só estou querendo mostrar que nada do que há naquele cofre tem importância.
Tudo o que está lá não pertence e nunca pertenceu a você.
Foi tudo um empréstimo.
Agora, ficará onde está e você precisa se libertar e me acompanhar.
— Como não? Como empréstimo?
Ali tem dinheiro, muito dinheiro e como sabe, ele compra tudo!
Preciso sair daqui e você tem que me ajudar Irene!
Diz para esses médicos que estão aqui que eu estou bem, que posso voltar para casa e que você vai cuidar de mim!
Faz isso, Irene... – terminou dizendo essas palavras em tom de súplica.
Irene, sem saber o que dizer ou fazer, olhou primeiro para Marconi, depois para Donata, que disse:
— Continue tentando fazer com que se lembre de como conseguiu tanto dinheiro.
Talvez isso ajude.
Irene, sem muita certeza se aquilo daria certo, sorriu e disse:
— Está bem, vou tentar.
Voltou—se para Leopoldo, cujo corpo continuava inerte sobre a cama, mas seu espírito continuava desesperado e se debatia.
Ela, com carinho, colocou sua mão sobre a dele que estava sobre seu corpo e disse:
— Leopoldo, você se lembra do dia do nosso casamento?
— Claro que me lembro.
Você estava linda vestida de noiva.
— E do dia que o Edgar nasceu você se lembra?
— Eu estava nervoso e com medo.
— Medo do quê?
— Que alguma coisa acontecesse a você ou a ele.
— Mas nada aconteceu.
Ele nasceu perfeito e lindo!
Foi o dia mais feliz de nossas vidas...
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Mar 24, 2017 8:22 pm

— Só depois que vi você e o peguei em meu colo, fiquei mais calmo.
— Tudo deu certo.
— Sim, eu estava feliz, mas quando cheguei em casa, fiquei pensando em como, com o salário que eu recebia, poderia dar a vocês dois todo o conforto de que precisavam.
— Eu também estava preocupada.
Sabia que uma criança precisaria de cuidados e que para isso era preciso ter dinheiro.
Nós havíamos nos casado há pouco mais de um ano.
Estávamos pagando a casa que havíamos comprado e o carro também.
O dinheiro era pouco.
— Eu não tinha como trabalhar em outro hospital, Irene.
Sabia que o melhor seria montar o meu próprio consultório, mas além de não ter dinheiro para isso, também não tinha uma clientela.
Só trabalhando no hospital eu poderia conhecer novos pacientes, mas isso ia demorar muito.
— Foi ai que Suzana veio nos procurar, Leopoldo e nos contou o que estava acontecendo com uma de suas clientes.
Ela era manicura e cabeleireira e atendia as clientes em casa.
Ela nos disse que essa cliente estava grávida e que não poderia ter aquela criança.
Sua família era muito rica, tinha um nome que não poderia ser maculado, por isso ela precisava fazer um aborto.
Não queria ir a uma curiosa, tinha medo de complicações.
Precisava ir a um hospital, onde teria toda a assistência.
Para isso, seu pai pagaria o que fosse preciso.
— Olhei para você e fiquei esperando a sua resposta.
Você, que estava sentado, se levantou, caminhou pela sala.
Eu sabia que estava pensando.
Depois disse:
— Sabe que o que está me pedindo é contra a lei, Suzana.
Se eu fizer isso, poderei perder minha inscrição no conselho de medicina e nunca mais poderei clinicar.
— Eles sabem disso, por isso querem pagar o que for necessário.
— Você continuou calado, pensando.
Eu que estava ansiosa tinha medo de que, pelas circunstâncias em que estávamos você dissesse sim.
Eu não queria, sabia ser errado.
Depois de pensar muito, com o olhar, com o olhar sério, disse:
— Está bem, sei os riscos que estou correndo, por isso, se me pagarem o que eu pedir, faço o aborto com toda segurança.
— Quando vi a quantia que você escreveu em um papel, fiquei assustada.
Aquela quantia representava quatro vezes o que ganhava trabalhando nos três hospitais.
Fiquei olhando para Suzana, que olhava para o papel.
Para nossa surpresa, ela disse:
— Acredito que não haverá problema algum.
Essa quantia nada representa perante a imensa fortuna deles.
Vou conversar com a minha cliente e assim que tiver uma resposta, telefono para vocês.
— Ela saiu e eu assustada, perguntei:
— O que você fez Leopoldo?
Vai mesmo fazer o aborto?
— Claro que não!
Por isso pedi aquela quantia enorme.
Você acha que, por mais dinheiro que alguém possa ter, pagaria uma quantia como aquela?
Lógico que não. Mas...
Se pagasse, seria muito bom...
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Mar 25, 2017 8:31 pm

— Naquele momento, o espírito de Leopoldo arregalou os olhos e começou a gritar e a dizer:
— Quem são vocês?
O que querem?
Marina e Jaime se assustaram, ficaram olhando para o espírito de Leopoldo e para onde ele desesperado, apontava.
Por mais que tentassem, não viam nada.
Leopoldo começou a se debater e a gritar com mais força.
Marconi também olhou para eles e notou o espanto dos dois.
Mas, naquele momento, não podia dar atenção a eles.
Imediatamente, afastou Irene e se colocou no lugar em que ela estava.
Com a voz firme, disse:
— Leopoldo, procure se controlar.
As figuras que está vendo não estão aqui realmente.
— Como não? Eu estou vendo!
Elas estão querendo me pegar!
Não tive culpa!
A culpa é das mães que não quiseram ter os filhos!
Só fiz o meu trabalho!
— Precisa se controlar, senão não poderemos ajudá—lo.
Leopoldo estava tomado de muito medo e sem que nenhum deles esperasse, se debateu com muita força o que fez com que os fios prateados que ainda prendiam seu espírito ao corpo e que estavam na cabeça e sobre o coração, se partissem e ele se visse livre.
Imediatamente, saiu correndo.
O aparelho em que o corpo de Leopoldo estava ligado começou a fazer um barulho estranho.
No mesmo instante, a enfermeira voltou ao quarto e apertando um botão, pensou:
Finalmente ele se foi.
Estava sofrendo muito com aquelas feridas por todo o corpo.
Um médico entrou em seguida e perguntou:
— Que aconteceu?
— Ele morreu doutor.
O médico se aproximou e constatou que realmente ele estava morto. Disse:
— Peça que o retirem do quarto e avisem à família.
— Está bem, doutor.
A enfermeira estendeu o lençol por sobre o rosto de Leopoldo e saíram.
Marina e Jaime continuavam espantados.
Irene tentou correr atrás de Leopoldo, mas Donata a impediu dizendo:
— Não adianta querer ir atrás dele, Irene.
Não conseguirá encontrá—lo.
— Ele está desesperado e com muito medo!
Precisamos ajudá—lo, Donata!
— Sim, é claro que vamos fazer isso, mas não pode ser agora.
Ele precisa entender o que está acontecendo e só aí, poderá receber ajuda.
— Ele não vai entender se eu mesma não entendo!
Marina e Jaime estavam muito assustados.
Marina olhou para Ademir e percebeu que ele estava em oração.
Sua curiosidade era imensa, mas percebeu que aquele não era o momento de interromper.
Irene, ainda chorando, perguntou:
— O que aconteceu?
Ele estava bem e de repente ficou daquela maneira!
Donata olhou para Ademir, para Marconi e disse:
— Eles estão curiosos, precisamos contar o que aconteceu.
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Ave sem Ninho

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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Mar 25, 2017 8:31 pm

Ademir, sabendo que não havia alternativa, disse:
— O que viram aqui é uma coisa difícil de acontecer, mas às vezes, acontece.
Por um pedido especial de você, Irene, viemos até aqui para ajudar Leopoldo, mas sabíamos que dificilmente conseguiríamos.
Ele está muito envolvido e apegado ao dinheiro que ganhou e a tudo que conquistou, sem se importar com o caminho que escolheu para essas conquistas.
Precisa entender também que agora neste momento, tudo de material que conquistou não tem valor algum.
Se não conseguirmos que ele faça isso, será muito difícil podermos ajudá—lo.
— Que vai acontecer com ele?
— Provavelmente continuará fugindo das imagens que o perseguem.
Marina olhou para Jaime e perguntou:
— Você viu alguma coisa?
— Não... – Jaime respondeu assustado.
— Também não vi.
A que imagens está se referindo, Ademir?
— Quem poderá responder a essa pergunta é você, Irene.
— Eu?!
— Sim, você.
Foi companheira dele por muito tempo e sabe exactamente onde tudo começou.
Continue contando a sua história.
Algumas horas depois, Suzana voltou a telefonar e disse:
— A família concordou com a condição de que ninguém fique sabendo.
— Está bem, vou falar com o Leopoldo e telefono em seguida para você.
Desliguei o telefone e ele ansioso, perguntou:
— O que sua irmã disse?
— A família concordou, com a condição de que ninguém saiba o real motivo por que foi internada.
Ele pensou um pouco e disse:
— Está bem, telefone para Suzana e diga que ela pode ir amanhã às oito horas no hospital.
Diga à moça que ela precisa fazer jejum de doze horas.
Farei o procedimento.
— Vai fazer o aborto, Leopoldo?
— Por essa quantia eu faria qualquer coisa, Irene.
— Mas é contra a lei!
— Sei disso.
Não se preocupe, tomarei toda precaução para que ninguém fique sabendo e minhas clientes também não saberão, pois essa moça fará questão de manter tudo em segredo.
Não terá problema algum.
— Não é das Leis dos homens que estou falando, mas da Lei de Deus.
— Ele me olhou com cara de espanto e rindo, disse:
— Ora, Irene, que Lei, que Deus?
Se Deus existisse, não permitiria que uma mulher ficasse grávida sem desejar!
Sou um cientista, não acredito em Deus e em nada dessas bobagens.
A única força que conheço é a do dinheiro.
Só ele pode comprar tudo, todos e abrir todas as portas.
— Como fará para que não descubram?
O que dirá que ela estará fazendo no hospital?
Ela não tem doença alguma.
— Direi que ela precisa ser operada de apendicite.
— Mas não vai fazer cirurgia alguma.
As enfermeiras e os outros médicos não desconfiarão?
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Ave sem Ninho

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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Mar 25, 2017 8:31 pm

— Como já disse, o dinheiro compra tudo e a todos.
Por uma pequena quantia, todos ficarão calados.
— Está bem, vou telefonar para minha irmã.
— Telefonei para Suzana e contei o que Leopoldo havia decidido.
No dia seguinte, a moça foi internada.
Era filha de um político muito conhecido.
Só aí entendemos o porquê de tanta preocupação com o nome.
— Leopoldo fez o aborto? – perguntou Marina.
— Sim e aquele foi o primeiro.
Muitas outras mulheres e moças da sociedade começaram a procurá—lo e também a fazer abortos, sem se preocuparem com o valor que ele cobrava.
Todas mantinham em sigilo o que faziam e só contavam para uma outra amiga que estivesse na mesma situação.
Confesso que nunca pensei que tantos abortos eram cometidos.
Rapidamente, ele se tornou conhecido e o dinheiro começou a chegar.
Eu me deslumbrei.
Logo compramos uma casa maior e um carro melhor.
Leopoldo deixou de trabalhar nos hospitais e montou uma clinica com várias especialidades.
Ele, na aparência, atendia como clínico, porém o que fazia mesmo e onde ganhava muito dinheiro era com os abortos.
Fez muitos.
Começamos a ser convidados para festas e cerimónias.
Eu ficava cada vez mais deslumbrada com aquela vida que nunca imaginei que um dia poderia ter.
Não quis ter outro filho.
Com a vida que levava, não queria que meu corpo se deformasse.
Quanto mais dinheiro ele ganhava, mais queria ganhar e eu, quanto mais gastava, mais queria gastar.
Nosso filho foi crescendo.
Ele era um menino estranho, mas eu, envolvida com a minha própria vida,
não notei.
Ele estava com seis anos.
Numa noite, quando estava me preparando para ir a uma grande festa que ia acontecer na casa de um rico empresário, Lenice, a babá que cuidava do meu filho entrou em meu quarto e disse:
— O Edgar não está bem, senhora.
Ele está com muita febre.
Acho que precisa ir ao pediatra.
— Logo hoje que vamos a uma grande festa? – perguntei, irritada.
— Não sei o que fazer, ele está também com muita dor de cabeça.
— Hoje vamos a uma grande festa.
Dê um comprimido para febre a amanhã o Leopoldo cuidará dele.
— A babá, seguindo minha orientação, fez exactamente isso.
Não comentei com Leopoldo e fomos à festa.
Quando voltamos, já de madrugada, a babá continuava nervosa e assim que entramos em casa, ela disse:
— O Edgar não está bem, a dor de cabeça e a febre continuam.
Leopoldo olhou para mim e perguntou:
— Que está acontecendo com ele, Irene?
— Não sei, antes de sairmos a Lenice me disse que ele estava com dor de cabeça e com febre.
Disse a ela para dar um comprimido e que amanhã, você cuidaria dele.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Mar 25, 2017 8:32 pm

— Por que não me contou? – perguntou, nervoso, indo em direcção ao quarto de Edgar.
Eu, acompanhando—o, respondi:
— Estava na hora de sairmos para a festa.
— Não devia ter feito isso, Irene, febre e dor de cabeça pode ser muito grave.
— Fiquei calada, não achava que poderia ser algo grave.
Edgar, embora fosse um tanto estranho, gozava de boa saúde.
Entramos no quarto.
Leopoldo o examinou e assustado, disse:
— Precisamos levá—lo agora mesmo para o hospital.
Tomara que não seja tarde demais.
— O que ele tem Leopoldo?
— Pelo que pude examinar, ele pode estar com meningite.
Ao ouvir aquilo, perguntei assustada:
— Meningite? Não pode ser...
— Eu era enfermeira e sabia o que aquela palavra significava.
Ele, preocupado, disse:
— Sim, pode ser, mas agora não podemos perder tempo.
Vou telefonar para o Leonel, ele é neuro e examinará Edgar.
Contarei o que ele está sentindo e do que estou desconfiado.
Enquanto isso enrole Edgar em um cobertor e vamos bem depressa.
Ajudada por Lenice, enrolamos um cobertor em Edgar.
Logo depois, Leopoldo voltou dizendo:
— O Leonel vai nos encontrar no hospital.
Agora vamos, não podemos perder tempo.
— Fomos para o hospital.
Quando chegamos, o neurologista já estava lá e após examinar Edgar, disse:
— Você tinha razão, Leopoldo.
Pelo exame que fiz, pude constatar que pode ser mesmo meningite.
Precisamos fazer alguns exames de laboratório para termos certeza.
— Enquanto retiravam o material para ser examinado, eu, desesperada, chorava sem parar.
Não entendia nem aceitava que algo como aquilo estivesse acontecendo em minha casa e com o meu menino.
Leonel administrou um remédio e nos disse:
— Agora, só precisamos esperar o resultado do exame.
Por enquanto, ele está bem.
Vamos rezar a Deus para que não seja meningite.
— Saí para a sala de visitas, onde havia dois sofás e um espelho preso em uma parede.
Olhei o espelho e só ali pude ver que estava ainda com o lindo vestido de festa.
Fiquei com muita raiva e pensei:
Se não tivesse querido tanto ir àquela festa, teria dado atenção para o que Lenice me disse e meu filho não estaria ali, naquela cama.
— Passamos a noite toda ali, esperando o resultado dos exames.
No dia seguinte, logo pela manhã, Leonel veio ao nosso encontro, dizendo:
— Infelizmente, foi confirmado.
Edgar está mesmo com meningite.
Vamos iniciar o tratamento e torcer para conseguirmos salvar a sua vida, embora saibamos que mesmo que isso aconteça, não poderemos evitar alguma sequela, se ela se manifestar.
— Sabíamos, mas não nos importavam as sequelas.
Queríamos o nosso menino, vivo e feliz.
Eu e Leopoldo ficamos o tempo todo ali.
Enquanto os médicos estavam com Edgar, nos pediram que saíssemos do quarto.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Mar 25, 2017 8:32 pm

Saímos e fomos para a sala de visitas, que ficava ao lado.
Nos sentamos e eu perguntei:
— Será que Deus está nos castigando, Leopoldo?
— Ele me olhou como se fosse a primeira vez que me visse.
Confuso, perguntou:
— Por que está dizendo isso, Irene?
— Será que Ele não está nos castigando por causa de todas aquelas crianças que você não deixou nascer?
— Deve estar completamente louca!
Deus não existe!
Como cientista, não tenho prova de sua existência, mas se existisse, não poderia culpar a mim, mas às mulheres que não querem ser mães!
Eu não tenho culpa!
Só estou exercendo a minha profissão!
— Na sua profissão não é permitido fazer o aborto.
— Ora, Irene.
Existem leis que, embora tenham sido criadas por uma boa causa, não pegam.
Assim como é proibido a um médico praticar o aborto, é exigido também que ele salve vidas.
Embora o aborto seja proibido por lei, não deixa de ser praticado.
Eu como médico, quando uma mulher decide interromper uma gravidez, tenho de dar a ela à segurança de um hospital, onde terá toda assistência.
Pior é para aquelas que se submetem a uma curiosa qualquer, o que pode sim, ser muito perigoso, podendo até levá—las à morte.
Estou fazendo meu trabalho, Irene.
Se eu não fizesse esse trabalho, outro faria e eu deixaria de ganhar muito dinheiro e isso não me interessa.
— E a lei de Deus?
— Não sei se essa lei existe, mas mesmo que exista, não é ela que coloca comida em nossa mesa.
Se ela existir, sei que não sou o culpado.
Culpadas são as mulheres que me procuram.
— Desculpe por interromper você, Irene, mas posso fazer uma pergunta?
— Claro que sim, Marina.
— Ademir, o que ele disse não deixa de ser uma verdade.
A mulher é responsável pela criança que vai nascer não é?
O médico só atende um desejo dela.
Como ele disse se não fizesse, outro faria.
— Você tem razão, Marina.
As mulheres são responsáveis pela criança que vai nascer, mas não só elas.
Os homens que as engravidaram, médicos e todos aqueles que sabem da existência da criança e que, de alguma forma tomam parte na decisão de matá—las antes de nascer.
As leis existem para serem cumpridas, embora algumas pessoas deixem de cumpri—las.
O médico sabe que não pode matar e praticar aborto é assassinato.
Leopoldo, embora não cumprisse, sabia que era errado.
Marina ouviu e ficou calada.
Ademir, vendo que ela estava calada, perguntou:
— Está satisfeita Marina?
A minha resposta convenceu você? – Ademir perguntou, sorrindo.
— Sim, obrigada, Ademir.
— Sendo assim, Irene, pode continuar nos contando como tudo aconteceu.
— Está bem, Ademir, vou continuar.
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