ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Mar 25, 2017 8:32 pm

Leopoldo me dizia àquelas coisas, mas eu não entendia e disse:
— Não entendo por que o nosso menino está com meningite.
Só pode ser coisa de Deus...
Se você não estivesse fazendo abortos, talvez as mulheres que o procuraram pensariam um pouco mais.
— Acredita mesmo nisso que está dizendo Irene?
Acredita que se eu parasse de atender as mulheres que me procuram, elas não fariam o aborto?
— Não sei...
— Mas devia saber.
Elas procurariam outro médico ou mesmo uma curiosa qualquer que estaria ganhando o dinheiro que por direito é meu.
Quando a mulher não quer uma criança, encontra uma maneira de interromper.
A culpa é dela, não minha!
— Não sei... Acho que estamos sendo castigados...
— Está nervosa, Irene, e não sabe o que está dizendo!
A meningite é causada por vírus ou bactéria, Deus não tem nada a ver com isso!
— Como Edgar pode pegar meningite, Leopoldo?
Ele vive em um ambiente limpo, saudável e tem uma boa alimentação.
Não consigo entender nem aceitar.
— Agora não é hora de pensarmos nisso, Irene.
Precisamos esperar que o tratamento dê certo e que Edgar resista.
Por ser saudável e bem alimentado, tem muitas chances de se recuperar.
— Sabe que pode restar alguma sequela.
— Sei disso, espero que nada aconteça e que ele se recupere totalmente, mas se acontecer se ficar alguma sequela, outra vez, graças ao dinheiro que você disse que ganho desonestamente poderemos dar a ele um óptimo tratamento.
— Fiquei calada, pois no íntimo, achava que ele tinha razão.
Realmente, se meu filho ficasse com alguma sequela, graças ao muito dinheiro que tínhamos, poderíamos lhe dar um óptimo tratamento.
— Você pensou nisso, Irene?
— Sim, Marina, pensei.
O tratamento deu certo e o médico conseguiu afastar o risco de morte, mas uma sequela restou.
A bactéria atingiu o cérebro e Edgar nunca mais conseguiria ouvir ou falar.
Quando recebi a notícia de que ele estava fora de perigo, fiquei feliz e ao mesmo tempo triste por saber que ele ficaria naquela situação.
O médico disse:
— Não fique assim, Irene, existem boas escolas que ensinarão ao Edgar como conseguir se comunicar.
Ele poderá ter uma vida normal.
— Como normal?
Ele aprenderá a falar por sinais ou a ler lábios, mas quantas pessoas entendem a linguagem dos sinais?
Ele nunca terá uma vida normal!
— Tem razão, mas nada podemos fazer contra isso.
O que fiz e o que me deixou muito feliz foi ter conseguido evitar que ele morresse.
Agora, daqui para frente, tudo dependerá de vocês.
Ele está vivo e isso é o que importa.
Leopoldo, ao receber a notícia, assim como eu ficou feliz por Edgar ter escapado da morte, mas ao mesmo tempo triste pela sequela que restou e disse:
Obrigado, Leonel, por toda sua dedicação.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Mar 25, 2017 8:32 pm

Meu filho está vivo e é isso o que importa.
Vou encontrar o melhor tratamento para que ele possa aprender a se comunicar.
Marina, ao ouvir aquilo, disse angustiada:
— Ele tinha razão, mas mesmo assim não deixava de ser triste...
Uma criança tão pequena, pagando pelos erros dos pais...
Isso não é justo...
— Marina, não existe injustiça, só acerto de contas e Edgar não ficou daquela maneira por causa dos pais, mas para seu próprio aprendizado.
Mesmo que os pais fossem outros e agissem da melhor maneira, isso aconteceria.
— Sei disso, Donata, mas mesmo assim, custo a aceitar.
— Com o tempo você vai entender e aceitar.
Tudo está sempre certo e embora muitas vezes não pareça, é sempre para o melhor.
Irene chorava e Donata disse:
— Vamos parar um pouco, Irene. Você está nervosa...
Irene sorriu e concordou.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Mar 25, 2017 8:33 pm

AMOR AO PRÓXIMO
Após alguns minutos e depois de respirar fundo, Irene, deixando que as lágrimas caíssem, continuou falando:
— Levamos Edgar para casa.
Ele estava desesperado, porque queria falar e não conseguia e muito mais ainda por não poder ouvir.
Conversamos com ele e o matriculamos em uma escola para surdos—mudos.
Lá, ele teria acompanhamento de um fonoaudiólogo.
Ele era inteligente e a vontade de se fazer entender era tanta que em pouco tempo já conseguia se comunicar connosco.
Leopoldo mandou que viesse do exterior um dos melhores aparelhos para surdez.
Mais uma vez precisei concordar com ele.
O dinheiro facilitava muita coisa.
Edgar, que já era um tanto estranho, a cada dia foi ficando pior.
Só estava feliz na escola, onde havia outras crianças como ele.
Lá ele conversava por sinais e lia os lábios com outros que faziam o mesmo.
Em casa, ele estava sempre em seu quarto lendo.
Não ouvia rádio nem assistia à televisão.
Estava sempre triste.
A escola que ele frequentava era de alto padrão, possuía os melhores professores e o melhor atendimento, por isso era cara e só frequentada por pessoas de posses.
O motorista, pela manhã, levava Edgar para a escola e o trazia no fim da tarde.
Quando Edgar estava com oito anos, em uma tarde, o motorista assim que chegou, disse:
— Dona Irene, a directora pediu para a senhora ir até a escola, disse que precisa falar urgente com a senhora.
— Fiquei intrigada com aquele recado.
Não imaginava qual seria a urgência.
No dia seguinte, à tarde, fui até a escola.
Estava entrando quando esbarrei em uma senhora que saía chorando da sala da directora.
Ela me olhou, pediu desculpas e continuou andando.
Fiquei intrigada, pela roupa que ela vestia pude perceber que era uma pessoa humilde.
Entrei na sala da directora que, ao me ver, deu um sorriso.
Perguntei:
— Mandou me chamar, Leda?
— Sim, Irene, precisamos conversar a respeito de Edgar.
— O que tem ele?
— Está diferente de quando começou a frequentar a escola.
No começo, pareceu que estava animado, mas agora, mudou.
Anda triste, não conversa com ninguém.
Acreditamos que ele precisa de um tratamento mais sério.
Foi por isso que quis conversar com você.
— Eu, sem me abalar, disse:
— Não precisa se preocupar, Leda.
Ele é assim mesmo.
Sempre foi uma criança estranha, calada, parece que vive de seus próprios pensamentos.
— Nunca pensou em fazer um tratamento para descobrir o motivo de ele ser assim?
— Não, como sabe, meu marido é médico e diz que isso com o tempo e assim que ele crescer, vai desaparecer.
Ele, a não ser a surdez e a mudez, é um menino saudável.
Ficará assim por alguns dias, depois voltará ao normal.
— Tem certeza?
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Mar 25, 2017 8:33 pm

— Sim, foi sempre assim.
Há dias em que ele está normal e em outros, fica assim distante, como se sua alma estivesse em outro lugar.
Não se preocupe e não insistam em fazer com que ele converse ou brinque como as outras crianças.
— Sendo assim, está bem.
Estou mais tranquila.
— Era só isso que queria conversar comigo?
— Sim. Obrigada por ter vindo.
— Sou eu quem precisa agradecer por sua preocupação com o meu filho, Leda.
Antes de ir embora, preciso lhe perguntar uma coisa.
— O quê?
— Quando estava entrando, vi uma senhora que saiu daqui chorando e parecendo desesperada.
O que aconteceu com ela?
— Você a viu?
— Sim. Ela me pareceu desesperada.
— Está mesmo.
Ela tem um filho que nasceu surdo—mudo, o menino vai fazer sete anos e precisa ir para uma escola aprender, como você sabe, precisa ser uma escola especializada.
Ela veio nos procurar, mas quando lhe disse o valor das mensalidades, ficou desesperada, pois é mais do que o salário que o marido recebe.
Eu disse a ela que sentia muito, mas que não poderia ajudá—la.
Ela saiu daquela maneira que você viu.
— Ao ouvi—la dizendo aquilo, outra vez precisei concordar com Leopoldo.
Ele tinha razão, o dinheiro facilitava muito a vida de qualquer um.
Naquele momento, não me importou como ele o conseguiu.
Leopoldo tinha razão em mais uma coisa.
Se ele não fizesse os abortos, outros fariam e ganhariam o dinheiro que ele poderia ganhar.
O dinheiro agora poderia não facilitar só a nossa vida, mas a daquela mãe e daquele menino também.
Decidida perguntei para a directora:
— Você tem o endereço dela?
— Tenho, está aqui. – respondeu, apontando para um papel que estava sobre a mesa.
— Pois bem, entre em contacto com ela e diga que o menino poderá frequentar a escola.
— Como assim?
— Eu pagarei todas as despesas.
Leda, a directora, ficou me olhando com os olhos arregalados e me julgando a mais pura das almas.
— Está bem, farei isso amanhã.
Mandarei uma de nossas funcionárias irem até o endereço que ela me deixou e pedir que venha aqui para conversarmos, sei que ela ficará feliz.
Obrigada, Irene.
Voltei para casa e não comentei com Leopoldo o que havia feito.
Achei que ele não entenderia.
Alguns dias se passaram e a directora, por intermédio do motorista, pediu que eu voltasse à escola, pois tinha algo importante para me dizer.
Estranhei aquele pedido, mas mesmo assim, fui.
Podia ser um outro problema com Edgar.
Quando entrei em sua sala, me deparei com a senhora que naquele dia estava chorando.
Entrei, nós nos cumprimentamos e ela, emocionada, disse:
— Pedi a dona Leda que a chamasse, pois preciso agradecer à senhora pelo que fez ao meu filho!
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Mar 25, 2017 8:33 pm

A senhora é uma santa, um anjo que Deus colocou em minha vida!
Muito obrigada e que Deus a abençoe.
— Fiquei emocionada e sem saber o que dizer.
A mulher continuou:
— Foi Deus que fez com que a gente se esbarrasse naquele dia.
Ele precisava me ajudar e usou à senhora como instrumento!
— Eu estava feliz e emocionada, mas fiquei calada, apenas sorri.
Realmente, não sabia o que dizer.
Depois de ouvir muitos elogios, despedi—me e fui para casa.
Não conseguia me esquecer do rosto daquela mulher.
Outra vez, pensei em tudo o que Leopoldo falava:
— Leopoldo tem mesmo razão em tudo o que diz.
Aquela mulher precisava de ajuda, disse que foi Deus que me colocou em seu caminho.
Se Leopoldo não estivesse ganhando tanto dinheiro, como poderia ajudá—la?
— Quando Leopoldo chegou, contei o que havia feito e a reacção da mulher.
Ele me olhou de frente e perguntou:
— Está feliz?
— Muito!
— Por ter ajudado aquele menino ou pela reacção da mãe?
— Não estou entendendo.
Por que me faz essa pergunta?
— Quero saber se está feliz por ter ajudado aquele menino ou por ver aquela mulher considerando você uma santa e colocando—a em um altar.
— Fiquei sem saber o que responder.
Eu não havia pensado naquilo, mas ele outra vez, tinha razão.
Quando ajudei o menino, realmente não pensei no resultado, mas precisava confessar que estava orgulhosa por aquela mulher ter me elogiado daquela maneira.
Disse para Leopoldo:
— Fiquei muito orgulhosa e já que está ganhando dinheiro de uma maneira não muito certa, acho que podemos usar uma parte dele para ajudar aqueles que precisam.
— Quer ajudar ou ser elogiada?
— Eu, rindo e com ironia, respondi:
— Que tal as duas coisas?
— Está bem, faça o que quiser.
Se acha que agindo assim estará comprando o perdão do seu Deus, faça.
— No dia seguinte, voltei à escola e perguntei a Leda se havia outras crianças na mesma situação daquele menino.
Ela disse que havia muitas, mas que a escola não podia arcar com as despesas de alunos que não pudessem pagar.
Quando ela terminou de falar, eu disse:
— Posso ajudar mais algumas crianças, mas não todas.
Estive pensando e decidi que, se você permitir, conversarei com algumas das minhas amigas que pertencem à alta sociedade e formaremos uma associação para que, promovendo festas, chás e desfiles de modas, possamos arrecadar fundos e ajudar a muitas crianças.
O que acha dessa minha ideia?
— É maravilhosa, Irene!
Sempre desejei que algo parecido acontecesse, mas não tenho tempo nem conhecimento para fazer algo assim.
Se fizer, vai ser muito bom.
— Pode deixar.
Tomarei conta de tudo.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Mar 25, 2017 8:33 pm

— Naquele mesmo dia, comecei a conversar com as pessoas que sabia serem as certas.
Leopoldo, embora ainda continuasse a fazer os abortos, era também um bom médico.
Dava atenção aos clientes e seus diagnósticos eram precisos.
Por isso, se tornou famoso e tinha muitos clientes ricos que nos convidavam para muitas festas.
Comparecendo a essas festas, fui conhecendo outras mulheres da sociedade que ainda não conhecia e elas também se juntaram a nós.
A maioria delas, mesmo que não contassem, já haviam passado pelas mãos de Leopoldo.
Mas aquele era um assunto que as incomodava.
Conversando com uma e com outra, algumas concordaram com a minha ideia.
Não tinham muito que fazer e aquilo seria uma distracção.
Não foi difícil colocarmos em prática o nosso plano.
Logo, eu estava aparecendo em diversos programas de televisão, jornais e revistas, falando em rádios.
Eu estava feliz por mim, não me importando realmente com as crianças, mas por haver me tornado uma celebridade e ser considerada uma benfeitora.
Todos me elogiavam e eu, embora não demonstrasse, ficava muito feliz com todo aquele reconhecimento.
O meu trabalho foi um sucesso, conseguimos arrecadar muito dinheiro.
Ademir que assim como os outros ouvia atentamente o que Irene contava, fez um sinal com a mão e disse:
— Desculpe Irene, mas neste momento preciso interromper você.
Donata e Marconi já sabem o que vou dizer, mas você, Marina e Jaime, precisam ouvir.
— Estou curiosa e desejo fazer algumas perguntas.
Só estava esperando a Irene terminar de contar.
— Imaginei que estivesse, Marina.
E você, Jaime, também não está com dúvidas?
— Sim, Ademir, mas assim como a Marina, estava esperando a Irene terminar de falar.
— Antes que ela continue, preciso falar algo muito importante que está acontecendo aqui e que, talvez não tenham percebido.
Todos, quando renascemos, trazemos uma missão.
A sua, Irene, era exactamente essa, ajudar aquelas crianças surdo—mudas.
— Hoje eu sei que era a minha missão, mas naquele tempo não sabia.
Fiz tudo àquilo para o meu próprio bem, para me promover.
Deixei de criticar Leopoldo e não me importei mais com o modo pelo qual ele ganhava seu dinheiro.
— Não importam quais foram os motivos.
Interrompi você para dizer que a sua missão era aquela.
Você estava desviada dela e foi lhe dada uma outra oportunidade para que a cumprisse.
O seu encontro com aquela senhora foi mesmo coisa de Deus.
Vocês não se esbarraram por acaso e a directora da escola não a chamou sem motivo.
Ainda bem que, naquele momento, seu espírito, mesmo preso na carne, lembrou—se da promessa feita e as suas lembranças passadas, sem que percebesse, voltaram fortes e você se deixou levar pela vontade de ajudar.
Pela vontade de cumprir sua missão desconhecida.
Isso foi o que aconteceu e embora não tenha percebido, por caminhos tortos, cumpriu sua missão.
— Não estou entendendo, Ademir!
— Não está entendendo o quê, Marina?
— Está dizendo que, para que a missão seja cumprida, não importam os meios usados para isso?
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Mar 25, 2017 8:34 pm

Que, por causa da missão, não importava que Leopoldo continuasse praticando abortos?
— Não foi isso o que disse.
Nem sempre o fim justifica os meios, mas aquelas crianças precisavam ser ajudadas e a missão de Irene e Leopoldo seria essa.
Leopoldo não precisaria ter tomado esse caminho.
Ele, como você disse Irene, se tornou um óptimo médico.
Seus diagnósticos precisos, com o tempo, o tornariam um médico de renome, podendo assim, ter todo o dinheiro que precisasse.
Com ele, poderia ajudar as crianças, mas ele não teve calma para esperar e se desviou.
Sempre que renascemos, além de nossa missão, temos também de superar nossas dificuldades.
Essas dificuldades nos aparecem para que possamos nos libertar delas.
Provavelmente em outras vidas, Leopoldo sempre deu muito valor ao dinheiro e ao poder.
Nesta, a facilidade de conseguir dinheiro lhe foi apresentada e ele, infelizmente a seguiu, sem se preocupar com o que precisaria fazer e como.
A missão que trazemos terá toda a ajuda para que possa ser cumprida.
Por isso, embora seus motivos Irene, tenham sido para se promover ou pelo orgulho, você estava cumprindo sua missão.
Era sabido que, mais tarde ou mais cedo, tanto você como Leopoldo entenderiam que estavam distantes da luz e que precisavam voltar.
Você descobriu, não foi Irene?
— Sim, Ademir.
Eu continuei na minha vida de festas e adorando quando as pessoas me elogiavam.
Aquilo para mim era a glória.
Com o tempo, já não fazia mais pelas crianças e não me importava se após eu ministrar uma palestra, as pessoas davam ou não dinheiro.
O que me deixava transbordando de felicidade eram os aplausos que recebia.
Com aquela vida que levava muito pouco ou quase nenhuma atenção dava a Edgar.
Ele já estava com quinze anos e continuava sempre da mesma maneira.
Era calado e parecia que a única coisa que fazia era pensar.
Nunca parei para me perguntar se meu filho tinha um problema mais sério.
Estava muito mais preocupada com o momento de glória que estava vivendo.
Em uma manhã, eu acordei cedo.
Precisava me preparar para sair, pois participaria de um programa de rádio.
Como das outras vezes, estava orgulhosa.
Sabia que seria novamente elogiada por meu trabalho.
As pessoas não se cansavam de dizer como eu era maravilhosa.
Ao sair do meu quarto e passar pelo quarto de Edgar, sorri pensando:
Ele já deve estar na escola.
— Na realidade, nem sabia se ele ia para a escola ou não.
Desde aquele dia em que disse para a directora que não precisava se preocupar com ele e depois do sucesso que tive em arrecadar dinheiro, ele nunca mais quis me incomodar.
Continuei andando.
Lá fora, o motorista já estava me esperando.
Entrei no carro e após acelerar, quando já estávamos a caminho, ele disse:
— Dona Irene, preciso contar uma coisa para a senhora.
— O que é? – perguntei, mas sem dar muita atenção.
Estava preocupada com a minha participação no programa do rádio e no que ia falar.
Precisava falar muito bem, não para conseguir mais dinheiro para a escola, mas sim pelos elogios que com certeza receberia.
— O Edgar deve estar com algum problema.
— Que problema?
Por que está dizendo isso?
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Mar 25, 2017 8:34 pm

— Não sei qual é o problema, mas já faz alguns dias que ele não vai à escola.
— Por quê?
— Ele não disse.
No último dia em que foi, saiu chorando.
Perguntei por que chorava e o que havia acontecido.
Ele ficou calado por algum tempo, depois disse:
— Sou a pessoa mais infeliz deste mundo, Noel...
— Eu já estava preocupado com ele e ao ouvir aquilo, disse, tentando ajudá—lo:
— Como pode dizer uma coisa como essa Edgar?
Você é um rapaz forte e bonito.
Tudo bem que não possa ouvir com clareza, mas tem um óptimo aparelho para surdez e como começou muito cedo a frequentar uma das melhores escolas, pode falar com clareza.
Pense que se você fosse uma criança pobre, jamais aconteceria isso.
Não teria tido todo o apoio que o dinheiro de seus pais lhe dá e estaria falando sem perfeição ou nem falando e não saberia ler os lábios.
— Sei de tudo isso.
O dinheiro de meus pais é muito importante, mas ele não pode me ajudar.
O meu problema não é a surdez nem a fala.
O que está acontecendo comigo é muito mais grave.
— Não posso acreditar Edgar.
O que está acontecendo?
— Algo que meus pais nunca poderão saber.
— Pelo amor de Deus, Edgar!
Está usando drogas?
— Ele sorriu, balançou a cabeça e disse:
— Claro que não, Noel!
— Então o que seria que seus pais não poderão saber?
— Não posso falar. Só não voltarei, nunca mais, para a escola.
— Por que, Edgar?
Você sempre foi um dos melhores alunos...
— Sempre me esforcei para ser o melhor.
Achava que assim poderia deixar meus pais orgulhosos e poderia também fazer com que as pessoas não notassem o meu defeito.
Mas, por mais que me esforçasse, não adiantou.
Meus pais nem perceberam o meu esforço e as pessoas não deixaram de notar o meu defeito.
Sou muito infeliz.
Queria mudar ser diferente, mas não consigo.
Não entendo por que nasci assim... Não entendo...
— Que defeito, Edgar.
Você conversa muito bem, aprendeu a ler os lábios e se não disser, ninguém percebe que você tem alguma deficiência.
Poderá ter uma vida normal, se casar, ter filhos e ser feliz...
— Não estou falando da surdez, Noel.
— Está falando do quê?
Qual é o outro defeito que nunca vi?
— Você nunca percebeu, porque é meu amigo, porém os meninos da escola já perceberam há muito tempo.
Mas isso agora não tem mais importância.
Nunca mais voltarei à escola.
— Eu não entendi o que ele disse, mas sabia que ele estava triste e que não estava bem.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Mar 25, 2017 8:34 pm

Tentando animá—lo, eu disse:
— Nem pense nisso, Edgar.
Não sei qual é o seu problema, mas sei que é um bom menino e que, apesar de tudo o que lhe aconteceu, será um grande homem e trará muito orgulho para seus pais.
— Ele apenas sorriu e continuou o resto do caminho em silêncio.
Eu, sem entender, continuei dirigindo o carro.
— Não sei do que está admirado, Noel.
Ele sempre foi calado.
Se me lembro bem, desde quando tinha seis ou sete anos.
Quando voltar vou conversar com ele.
Agora vamos, estamos atrasados.
— Fomos para a rádio e eu participei do programa e como sempre, fui muito elogiada e aplaudida pelo meu trabalho.
Quando voltamos, ao entrar com o carro na rua em que eu morava, Noel assustado, disse:
— Dona Irene, parece que aconteceu alguma coisa na sua casa!
— Eu, que lia uma revista, olhei e apavorada, vi que havia em frente à minha casa vários carros da polícia.
Noel acelerou e paramos em frente ao portão.
Desci do carro, perguntando a um dos policiais.
— Que aconteceu?
— Não sei senhora.
— Fui até o portão, estava entrando quando o policial disse:
— Ninguém pode entrar.
— Como não?
Essa é a minha casa!
Preciso saber o que está acontecendo!
— A senhora é a mãe?
— Que aconteceu com o meu filho?
— Acho melhor a senhora entrar, o delegado está lá e vai conversar com a senhora.
— Com as pernas tremendo, entrei.
Dentro de casa estava uma confusão imensa.
Leopoldo estava lá, e ao me ver, veio ao meu encontro chorando muito.
— Que aconteceu, Leopoldo?
Onde está o Edgar?
— Ele chorava muito e não conseguia responder.
Abriu os braços e me abraçou com força.
— Eu não sabia Irene... Não sabia...
— Não sabia o quê?
Que aconteceu, Leopoldo?
Onde está Edgar?
— Ele está morto...
— Morto, como? Ele não estava doente!
— Ele se matou...
Eu, que já estava nervosa e tremendo, fiquei desesperada e me afastei de Leopoldo.
Perguntando, gritando:
— Onde ele está?
— Lá no seu quarto.
— Antes que me dissesse mais alguma coisa e sem que ninguém pudesse me impedir, fui para o quarto que era do Edgar.
Um policial que estava na porta tentou me impedir, mas eu, chorando desesperada, não permiti.
Entrei no quarto e vi meu filho caído no chão.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Mar 25, 2017 8:34 pm

Corri para ele e pude constatar que ele estava mesmo morto.
Aquilo não era um sonho, era a verdade.
Sem entender ou aceitar o que havia acontecido e sem saber o que fazer olhei para um homem que estava ao meu lado e que, ao ver o meu desespero, disse:
— Sou o delegado.
Sinto muito, senhora, mas ele está morto.
Ele se suicidou.
Tomou um veneno que, embora seja vendido em qualquer lugar, é muito forte.
— Ele não pode ter feito isso, por que faria?
Não havia motivo, tem tudo na vida.
— Não sei qual foi o motivo.
Talvez, lendo esta carta que ele deixou à senhora possa entender.
Agora, por favor, a senhora precisa sair do quarto.
Precisamos fazer nosso trabalho.
— Leopoldo, que também estava ao meu lado, me abraçou e chorando saímos juntos.
Do lado de fora do quarto, tremendo muito, abri o papel que o delegado havia me dado.
Enxuguei as lágrimas e comecei a ler.
Querida mamãe e papai.
Sinto muito por este acto desesperado, mas eu não suportava mais essa vida.
Sempre me considerei diferente dos outros meninos, porém não sabia o que era.
Agora, que já tenho quinze anos, descobri o motivo dessa diferença e foi de uma maneira muito triste.
Os meninos da escola também descobriram e me trataram muito mal.
Descobri também, que o meu modo de ser seria motivo de vergonha para vocês.
Por isso, para não trazer vergonha para a nossa família, prefiro morrer.
Neste momento, só posso pedir perdão.
Não suporto mais esta vida.
Sei que sofrerão por algum tempo, mas logo tudo passará e continuarão a ter a vida que sempre tiveram.
Rezem por mim. Edgar.
Com o papel na mão olhei para Leopoldo e perguntei, chorando:
— Que coisa é essa que ele está dizendo Leopoldo?
O que ele tinha que o fazia sofrer tanto?
— Não sei Irene, nunca imaginei que ele tivesse algum problema...
— Sem que notássemos, o delegado estava ao nosso lado.
Ele já havia lido o papel por ser importante para sua investigação, disse:
— Talvez o que está naquela gaveta poderá esclarecer.
— Fomos até o armário e olhamos para dentro de uma gaveta.
Para nosso espanto, havia roupas de mulher, jóias, todo tipo de maquiagem e um caderno.
Eu e Leopoldo ficamos olhando para tudo aquilo, sem saber o que fazer.
— Por que ele tem tudo isso, Leopoldo?
— Como posso saber?
Você é quem deveria saber o que seu filho estava fazendo, - ele disse quase gritando.
Eu sabia que ele estava entendendo o que havia acontecido.
Eu também estava, mas não queria aceitar.
Leopoldo, desesperado, começou a chorar e a dizer:
— Não pode ser verdade, meu filho não era um...
— Não fale essa palavra, Leopoldo!
Ele não era isso, só era um menino muito calado e triste!
— Como ele tinha uma gaveta fechada com chaves, Irene?
Como você permitiu?
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Mar 26, 2017 8:15 pm

— Ele me pediu para que chamasse um chaveiro.
Disse que queria ter uma gaveta onde pudesse guardar suas coisas, sem que um dos empregados visse.
Disse que queria ter a sua privacidade.
Pensei que fosse coisa de adolescente.
Nunca podia imaginar que era para esconder essas coisas...
— Eu sabia o que tudo aquilo representava, mas tentava me enganar.
Peguei o caderno, abri e comecei a ler.
Nele, Edgar contava de como, desde criança, se sentiu diferente.
De como sofreu ao descobrir que, embora tivesse um corpo de homem, sentia os desejos e a vontade de ser uma mulher.
Sofria e chorava por não conseguir conversar sobre aquilo, comigo ou com Leopoldo.
Naquela tarde em que saiu da escola chorando, o motivo foi a grande humilhação que os colegas da escola o fizeram passar no banheiro.
Foi naquele dia que ele tomou a consciência plena de que era, realmente, diferente e sabia que seu pai nunca aceitaria.
Por isso, resolveu que o melhor caminho seria se matar.
Com o caderno na mão e sem me lembrar da presença do delegado, gritei:
— Deus está outra vez nos castigando, Leopoldo!
Nosso filho se transformou nisso por sua causa!
— O que está dizendo, Irene?
Deus está nos castigando, por quê?
— Por você ter passado a vida toda usando mal a sua profissão!
Por todas aquelas crianças que não deixou nascer!
— Lá vem você novamente com essa conversa!
Sempre que alguma coisa não deu certo em nossa vida, você vem com essa história de castigo!
Edgar foi o único culpado!
Ele que escolheu essa vida!
Ele foi quem fez essa opção!
Deus não teve nada a ver com isso!
— Ele não teve culpa Leopoldo!
Não viu o que escreveu no caderno?
Ele já nasceu assim!
— Nasceu coisa nenhuma!
Isso é safadeza!
Ainda bem que ele morreu!
Tinha razão, eu não suportaria ter um filho dessa maneira!
— Como pode dizer isso, Leopoldo?
Ele é nosso filho!
Desde criança sempre teve problemas.
Sabe como foi difícil crescer sem poder ouvir ou falar direito!
— Ele, graças a esse dinheiro cuja origem você condena tanto, apesar de suas dificuldades, conseguiu aprender a viver com elas e ter uma vida quase perfeita.
Só não foi melhor porque escolheu essa outra vida!
Agora me deixe em paz!
Saiu do quarto e foi para a rua.
Estava triste com o que havia acontecido com Edgar, mas ao mesmo tempo, revoltado pelo filho ter escolhido aquele caminho.
O delegado pediu que eu também saísse, pois precisavam levar o corpo para o necrotério.
Fui para o meu quarto e fiquei lendo e relendo aquele caderno.
Enquanto lia, chorava e pensava:
Isso é castigo de Deus...
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Mar 26, 2017 8:16 pm

Leopoldo impediu que tantas crianças nascessem e agora Deus nos tirou o nosso único filho...
Eu nunca pensei que isso pudesse acontecer...
— Isso é verdade, Ademir?
Foi castigo de Deus?
Marina, intrigada, perguntou.
— Não, claro que não.
Deus não castiga alguém pela culpa do outro.
Edgar é um espírito suicida.
Por várias encarnações, vem cometendo o mesmo erro.
Para o espírito suicida, sempre existe uma desculpa.
Vocês três, Irene, sempre estiveram juntos. Cometeram desatinos.
Na última encarnação, Edgar morreu com um tiro na cabeça, por isso nesta nasceu com esse problema de audição e surdez.
Mas, como Leopoldo disse, ele teve toda a condição de ter uma vida quase perfeita.
Isso não seria motivo para que, mais uma vez, cometesse o suicídio.
— Por, na encarnação passada ele ter se suicidado com um tiro, nesta contraiu uma doença que fez com que se tornasse surdo e tivesse dificuldade para falar.
O que acontecerá na próxima encarnação, se, dessa vez, tomou veneno? – perguntou Marina.
— Não posso adivinhar o que ele decidirá, mas provavelmente nascerá novamente com problema na fala.
— Por que ele teve de nascer diferente, Ademir?
Por que ele, tendo um corpo de homem, se sentia como se fosse uma mulher?
— Existe muita confusão a esse respeito, Marina.
O espírito não tem sexo.
A cada encarnação, nasce homem ou mulher, dependendo do que será melhor para sua evolução.
Na última encarnação, Edgar era um feitor de escravos, descobriu que entre seus escravos existia um que era diferente dos outros.
Como a homossexualidade sempre existiu e sempre sofreu preconceito, ele não podia admitir que entre seus escravos pudesse haver um homossexual.
O rapaz tinha apenas quinze anos.
Edgar o vestiu de mulher e colocou—o no tronco e fez com que todos os escravos se servissem do pobre menino.
No final, mandou que fosse chicoteado por vinte vezes.
Dizia que era para ele aprender a ser homem.
Aquele que se recusasse seria colocado no tronco também.
O escravo chorou, gritou de dor, pediu clemência, mas ele não atendeu.
A cada um dos escravos que judiava do rapaz, Edgar enquanto tomava cachaça, ria muito.
O rapaz, no fim do dia, estava muito machucado e não resistindo, morreu.
— Que horror, Ademir!
Foi isso que aconteceu?
— Sim, infelizmente, Marina.
Mas, como acontece com todos, um dia chega à hora de se enfrentar a verdade e a verdade a cada um pertence.
Edgar morreu e outra vez, pelo suicídio.
Ele não suportou haver sido abandonado pelos escravos, quando da libertação destes, e perdeu toda sua fortuna.
Não tendo fé em um Deus que é Pai e que nunca nos abandona, deu um tiro na cabeça.
Naquele momento, teve de enfrentar a sua verdade.
Depois de muito penar pelos vales de sofrimento, teve a oportunidade de ser resgatado, justamente por aquele escravo a quem tanto havia feito sofrer.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Mar 26, 2017 8:16 pm

Tomou conhecimento da vida e verdade espiritual, como não poderia deixar de ser.
Estava arrependido, não só por ter feito todo tipo de maldade com seus escravos, mas outra vez, por não haver conseguido resistir ao apelo do suicídio e novamente, tê—lo cometido.
— O que ele fez? – perguntou Marina.
— Ele, como estava arrependido, jurou que desta vez seria diferente.
Pediu para voltar como um homem igual ao escravo, diferente de todos os outros.
Queria sentir na pele o que o pobre escravo sentiu.
— Por isso ele nasceu assim, diferente dos outros homens?
— Sim, Marina. Irene e Leopoldo que na época eram seus pais quiseram vir juntos para poder ajudá—lo nesta encarnação que sabiam, seria muito difícil.
— Foi isso que aconteceu.
Eu e Leopoldo viemos, mas com o nosso descaso, com a nossa vontade de viver a nossa própria vida, não notamos os problemas pelos quais ele estava passando.
Dessa vez, fomos os culpados por ele ter fracassado mais uma vez.
— Não, Irene.
Todo espírito é livre para decidir o que quer.
Nenhum de nós pode ficar na dependência de outro para nos realizarmos e encontrarmos o nosso caminho.
Nascemos em uma mesma casa para podermos nos ajudar, resgatar, perdoar, mas nunca para nos salvar.
O caminho que cada um terá de percorrer será sempre de sua própria escolha e mérito.
— Hoje sei que Edgar não conseguiria sozinho.
Ele ainda trazia dentro de si os preconceitos de outrora.
Foi o meu descuido, a minha vontade de ser famosa e elogiada que fez com que ele não tivesse com quem conversar.
Fui eu quem falhou como mãe.
— Não, Irene. Edgar trouxe preconceitos sim e era justamente contra isso que teria de lutar.
Através da história, os homossexuais sempre existiram.
Muitos deles se aceitaram e entenderam que não importava a sua sexualidade, a roupa que vestiam o seu modo de andar ou de ser, eles tinham seu valor.
Estudaram, trabalharam, tornaram—se cientistas, pintores, médicos, políticos e escritores e com isso, deram a sua contribuição para a evolução da humanidade.
Existem aqueles que, devido à sua criatividade desenvolvida, tornam—se cabeleireiros, maquiadores e costureiros, trazendo assim, felicidade e alegria para muitas mulheres, além de ouvi—las, tentando e às vezes, conseguindo ajudar em seus problemas.
Como todo ser humano, eles também são importantes.
Outros trouxeram os mesmos preconceitos de outrora, não se aceitaram e não se aceitam.
Sentem—se discriminados, porque eles mesmos se discriminam e estão parados no tempo, perdendo uma óptima oportunidade de evoluir espiritualmente.
Deixam—se envolver pela tristeza, sofrimento e muitos deles terminam como Edgar ou passam toda a vida se lastimando, sofrendo, deixando assim de fazer algo importante para si e para os outros.
O espírito pode estar preso em um corpo de homem, mulher ou na mistura dos dois, mas sempre será livre para crescer, evoluir e cumprir sua missão.
O preconceito sempre existiu, existe e continuará existindo, não só contra os homossexuais, mas também contra pobres, raças e religiões e é justamente contra todos eles que precisamos lutar, porque no final, somos todos filhos de um mesmo Deus que nos ama e só quer a nossa felicidade.
Não importa o que vocês fizeram ou deixaram de fazer, Irene.
Edgar veio nessa condição porque pediu e quis.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Mar 26, 2017 8:16 pm

Ele deveria ter se aceitado e saber que, independente de sua sexualidade, de como andava ou se vestia, era um espírito de Deus e que tinha muitas qualidades, só precisava desenvolvê—las.
Edgar teria de continuar a sua obra, Irene.
Ele poderia ser um óptimo professor para outras crianças como ele, mas infelizmente como das outras vezes, fracassou.
Agora, terá de esperar uma nova chance que com certeza um dia virá.
— Mas a homossexualidade é considerada imoral, Ademir...
— A moralidade é algo mutante, Marina.
Muito do que ontem foi considerado imoral, hoje não é mais.
Ontem, a mulher vivia sob a tutela do homem.
Não tinha o direito de decidir sua vida e não podia mostrar o calcanhar, porque era imoral.
Hoje ela usa qualquer tipo de roupa, estuda, trabalha e se mantém financeiramente, podendo assim, decidir o que é melhor para si.
Ontem, o negro não podia andar na mesma rua do branco ou frequentar os mesmos lugares, porque era considerado imoral.
O negro era considerado um ser inferior que não conseguia viver sem um dono nem dar sua opinião sobre qualquer coisa.
Diziam até que ele não tinha alma.
Hoje, ele também pode estudar trabalhar, cuidar de si e tem o direito de sonhar e alcançar seu sonho.
Com o tempo, tudo muda.
As leis vão sendo criadas para que a humanidade possa evoluir.
Tudo muda menos a verdade final.
O encontro que cada um tem com sua própria verdade.
Eu, Donata e o Marconi, com nossas equipes estamos há muito tempo fazendo este trabalho.
Estivemos ao lado de muitos em seus instantes finais, no momento em que o espírito deixa o corpo e vai sozinho enfrentar a sua verdade.
E, nesse momento, não importa o que as outras pessoas disseram ou pensam a seu respeito.
Cada espírito terá de responder por tudo o que fez.
Nessa hora, não vai importar como fala ou como se apresenta.
Muitos, nessa hora, enquanto estão sendo pranteados e homenageados na Terra, estão enfrentando sua verdade.
— O homossexualismo é condenado pela bíblia.
Todos nós que a estudamos sabemos disso.
— Será, Jaime?
Jesus veio para nos ensinar.
Ele nos ensinou o amor e a caridade.
Ensinou que deveríamos nos perdoar.
Não podemos nos esquecer de que os evangelhos foram escritos sessenta ou setenta anos depois de sua morte e aqueles que escreveram não conheceram Jesus.
Não viveram na mesma época.
Por isso, muita coisa desapareceu.
Não podemos nos esquecer de que, daquele tempo até agora, houve a inquisição, quando muitos livros e pergaminhos foram destruídos, portanto muito do que Ele disse foi perdido.
— Está dizendo que a bíblia é mentirosa?
— Não, de maneira alguma.
Estou dizendo que muita coisa foi perdida.
Outros evangelhos existem, e um dia, serão descobertos.
Neles, outras verdades surgirão.
Mas o mais importante está escrito.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Mar 26, 2017 8:16 pm

Jesus veio para nos ensinar.
Entre outras coisas disse:
Amais ao próximo como a ti mesmo.
Ele não disse: amai ao próximo desde que ele não seja rico ou pobre, negro ou branco, amarelo ou índio, católico ou protestante, espírita ou umbandista, judeu ou muçulmano, culto ou ignorante.
Nem os que praticam tantas outras religiões que existem pelo planeta.
Em nenhum lugar está escrito que ele tenha condenado o homossexual, ao contrário, ele disse também:
Quem não tiver pecado, atire a primeira pedra.
Ensinando—nos com essas palavras a não julgar.
Todos somos fruto de um mesmo criador que a todos ama sem distinção.
A todos é dado o direito de escolher e caminhar.
Devemos, por isso, nos amar e nos respeitar e o mais importante, nunca devemos julgar.
Não sabemos quais são os motivos de alguém nascer da maneira que nasce.
Sabemos que cada um escolhe como vai nascer, onde e de que forma.
Ninguém é dono da verdade absoluta.
É como se diz: A verdade só a Deus pertence.
De uma coisa temos certeza:
Independente de tudo, cada um é responsável por si e por sua caminhada.
Jaime olhou para Marina e percebeu por seu rosto que ela havia aceitado aquelas explicações.
Ficou pensando e disse:
— De acordo com o que você disse Ademir, tudo está certo.
Então, mesmo que uma pessoa mate ou roube outra, haverá sempre um motivo ignorado, por isso não precisa ser condenada?
Não tem importância? Não existe erro?
Ademir percebeu que ele estava confuso.
Continuou falando:
— Não, Jaime, não foi isso o que eu disse.
Eu falei que não importa se a pessoa nasça aqui ou ali.
Que seja rica ou pobre, que professe qualquer tipo de religião, que seja desta ou daquela raça, que seja deste ou daquele sexo, são todos nossos próximos.
Mas claro que existem regras.
Quando Jesus disse Amai ao próximo como a ti mesmo, Ele quis dizer que quem ama não mata, não judia, não rouba, não mente e não engana.
Todos quando nascem e com o passar dos anos, vão tomando conhecimento do que é certo e do que é errado.
Cabe a cada um escolher o seu caminho e ser responsável pelas escolhas que fizer.
— Então a pessoa que se torna homossexual sabe que está fazendo algo errado, condenado por todos?
— Aí existe outra confusão.
O homossexual não se torna. Ele nasce.
Portanto, não existe uma maneira de mudar.
Por algum motivo, ele nasceu assim.
Você não acha que seria muito melhor não ser assim?
Ter uma vida normal como a das outras pessoas?
Se fosse assim, muito sofrimento causado pela discriminação seria evitado.
Felizes aqueles que se aceitam e conseguem provar ao mundo e a si mesmos que são um espírito de Deus e que seu valor, inteligência e determinação não estão no sexo.
Assim, podem aprender e caminhar para a Luz.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Mar 26, 2017 8:17 pm

— É muito difícil para eu entender e aceitar tudo isso.
Fui criado em um lar muito conservador.
Meus pais eram muito religiosos e por isso tudo o que se fizesse era condenado pela bíblia e considerado errado.
Jamais poderia me imaginar ou me aceitar como um homossexual.
Ademir sorriu e disse:
— Entendo que você esteja confuso, Jaime.
Mas, com o tempo, vendo como as pessoas se encontram na hora de enfrentarem sua verdade, se lembrará do que eu disse agora.
— Foi por isso que nós fomos convidados a participar desta equipe, Ademir?
— Sim, como esta existem muitas outras espalhadas por todo o planeta.
Não porque somos espíritos iluminados, mas sim para aprender, entender e ajudar o espírito em seu momento final.
Quando desencarnam, outros irmãos o conduzirão para um lugar pré—determinado.
— Não disse que vocês iam aprender muito? – Marconi disse sorrindo e olhando para Jaime e Marina.
Ela disse:
— Tem razão, Marconi.
Como aprendemos...
— Na última encarnação eu era um homem, considerado por todos, de bem.
Na realidade, não era tanto assim e quanto tive de enfrentar a minha verdade, assim como aconteceu e acontece com tantos outros, me assustei e foi trabalhando em uma equipe como esta que aprendi e muito.
— Todos nós aprendemos Marconi.
Isso acontecerá com vocês dois também, — Ademir disse, olhando para Jaime e Marina.
— Estou começando a acreditar que, embora não possa ajudar, com as pessoas doentes vou mesmo aprender muito.
Só uma coisa está me intrigando, Ademir.
— O que é Marina?
— Se Irene morreu antes de Leopoldo, por que ele não se admirou ou se assustou ao vê—la novamente?
— Leopoldo estava há vários dias naquilo que se costuma chamar de estado de coma.
Seu espírito, embora reagisse, sabia que estava chegando à hora.
Ele queria escapar encontrar um caminho, quando viu Irene, aquela que esteve ao seu lado por tanto tempo.
Achou que a ajuda chegara e não se lembrou de que ela havia retornado antes dele.
Quando ela fez com que se relembrasse do passado, foi que ele entendeu.
— Obrigada por esse esclarecimento, Ademir.
Também estava intrigada, só não quis perguntar.
Ademir riu e disse:
— Isso é próprio do ser humano, ele deixa sempre que os outros façam suas perguntas ou resolvam seus problemas, Irene.
Irene, envergonhada por reconhecer que o que ele estava dizendo era verdade baixou os olhos.
— Não precisa ficar assim, Irene.
Não estou recriminando você.
Estou apenas mostrando uma realidade.
— Foi por reconhecer que era verdade que fiquei envergonhada.
Estou preocupada com Edgar, poderei ajudá—lo?
— Claro que sim, Irene.
Sempre poderemos ajudar e ser ajudados.
Sabe onde ele está?
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Mar 26, 2017 8:17 pm

— Sei...
— Conseguiu fazer com que ele a veja?
— Não, Ademir.
Ele está muito envolvido nas sombras.
— Então, ainda não chegou à hora.
Ele terá muito tempo para pensar e quando chegar à hora, a própria Luz lhe avisará Irene, e nesse dia, poderá buscá—lo e com todo o carinho o acolher.
Nesse dia, estarão iniciando o trabalho para uma nova encarnação.
— Está muito longe de acontecer?
Ademir começou a rir e respondeu:
— Você está parecendo os encarnados quando acham que uma pessoa quando morre vira santo, por isso pode tudo e sabe tudo.
Não sei responder a essa pergunta, Marina.
— Você é um espírito iluminado!
É o chefe de uma equipe valiosa como esta!
Para isso, deve ter muito valor e merecimento.
Novamente ele riu e disse:
— As aparências enganam.
Não sou diferente em nada de vocês ou de quase todos.
Tenho meus acertos e meus erros.
Como todos, estou caminhando e aprendendo a cada dia.
Este meu trabalho não me foi dado por bom comportamento ou por ter muita Luz.
Foi me dado para que eu aprenda mais e possa ensinar a outros e posso garantir a você que ainda tenho muito que aprender.
— Posso perguntar mais uma coisa, Irene?
— Claro que pode Marina.
— Que aconteceu depois daquele dia? Vocês mudaram de atitude?
— Eu, sim. Pensei e chorei por muito tempo.
Não conseguia aceitar a morte do meu filho e julgava—me culpada.
Continuei meu trabalho, mas agora, com a intenção só de ajudar.
Mesmo querendo e me entregando ao trabalho, não conseguia deixar de pensar em Edgar, no quanto ele havia sofrido e na minha incompreensão.
Fiquei assim por dois anos.
A tristeza, o sofrimento e muito mais, o meu sentimento de culpa fizeram com que eu ficasse doente.
Sentia muita dor no peito.
Leopoldo, ao tomar conhecimento do que estava acontecendo, disse:
— Você precisa ir conversar com o Anselmo.
Ele é cardiologista e fará alguns exames.
— Fui conversar com Anselmo e após os exames, foi constatado que eu tinha um problema sério no coração.
Aquilo não me importou, porque na realidade, eu queria morrer para poder me encontrar com meu filho.
Mesmo assim, fiz o tratamento indicado por Anselmo.
Em uma noite, após algum tempo, passei mal.
Leopoldo me levou para o hospital, mas não conseguiram me salvar.
Fiquei sabendo, mais tarde, que durante o velório, a cidade toda se entristeceu.
Muitas pessoas passaram diante do meu caixão, rezaram, choraram e como não podia deixar de ser, elogiaram o meu trabalho.
Mas, quando acordei, tive de enfrentar a minha verdade, tão diferente de tudo o que as pessoas imaginavam.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Mar 26, 2017 8:17 pm

Perante a espiritualidade, eu estava sozinha.
Era mais um espírito que voltava e teria de fazer um levantamento de minha vida, saber no que tinha acertado e no que tinha errado.
No final, como quase todos, tive acertos e erros.
Pelos acertos ganhei pontos, pelos erros teria, um dia, a oportunidade de vivê—los novamente e tentar outra vez, reparar a todos.
— Quanto ao Leopoldo, ele mudou?
— Infelizmente, não.
Com minha morte, ficou muito sozinho, se entregou mais ao trabalho e nunca perdoou o filho por ter sido do jeito que era e por ter se matado.
Ele, para ter mais dinheiro, se associou a outros médicos e formaram uma espécie de consórcio, que só atenderia a pessoas de posses.
Ganhou muito dinheiro, mas por ser médico, não entendia nada de administração ou contabilidade, por isso, sempre teve a desconfiança de que seus sócios o estivesse roubando.
Por isso, guardava em casa, em um cofre escondido atrás de um quadro, todo dinheiro e acções que conseguia comprar.
Viveu assim por muito tempo, até que esta semana teve de ser internado e esteve o tempo todo em coma.
Estive sempre ao seu lado, pois sabia que logo uma equipe como a de vocês chegaria para cortar os fios brilhantes que prendem o espírito ao corpo.
Mas agora não sei o que vai acontecer com ele.
No seu desespero, quebrou os fios e assim, deve estar vagando sem rumo.
— O que ele viu que não vimos Ademir?
— Embora nunca tenha admitido, Marina, Leopoldo por ser médico, sabia que o que fazia era errado.
Sabia que nunca poderia provocar um aborto, mas mesmo assim, continuou praticando.
Em seu espírito ficou a marca de cada um.
— Os espíritos dos abortados vieram para atormentá—lo?
— Não, Marina.
Deus não permitiria que espíritos que já haviam sido violentados continuassem presos, fruto de vingança.
Eles todos, assim que foram abortados, foram levados e os que não renasceram devem estar se preparando para isso.
Mas Leopoldo, como não conhecia coisa alguma da espiritualidade e por saber que era errado o que fazia, ele próprio criou em sua mente aquelas figuras.
Por isso, só ele as via.
Ele mesmo estava se condenando e deve estar até agora.
A isso se dá o nome de consciência.
Embora durante toda sua vida tenha negado, no momento em que Irene fez com que ele se lembrasse de como tudo começou, as imagens de muitas crianças e fetos surgiram na sua frente.
Ele se assustou com aquelas imagens e teve consciência do que havia praticado e de como fora violento.
Aquelas imagens fizeram com que ele na tentativa de fugir, de uma forma violenta, arrebentasse os fios que o prendiam ao corpo e fugiu daquela que, perante a espiritualidade, era a sua verdade.
— Onde ele está agora, Ademir?
— É difícil responder a essa pergunta.
Ele pode estar em qualquer lugar, mas com certeza estará fugindo de sua própria consciência e isso, como sabemos, é muito triste e difícil.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Mar 26, 2017 8:17 pm

— O que acontecerá comigo, com Leopoldo e com o Edgar em uma próxima encarnação?
— Não posso lhe responder com certeza, Irene, mas talvez seja sugerido a vocês que voltem com a missão de cuidar de crianças, seja em um orfanato onde elas precisam de muito carinho e atenção ou cuidando de outras com algum problema neurológico.
Podem sim, se desejar, voltar como pediatras podendo assim, com carinho, cuidar de muitas crianças.
Edgar, provavelmente por ter ingerido veneno, voltará outra vez com problemas de fala e audição.
Poderá desta vez dedicar—se a ajudar tantas outras crianças com os mesmos problemas dele.
Ele se quiser, poderá voltar novamente como homossexual e tentar desta vez, superar seu próprio preconceito.
Você poderá ser professora, babá, podendo assim, estar agora de verdade, ajudando a muitas crianças.
Por ora, não se preocupe com isso.
Quando chegar o momento, terão um leque imenso de opções.
Por enquanto precisamos esperar que Leopoldo entenda o que aconteceu com ele, o que fez de certo e de errado, faça um balanço de tudo e peça ajuda.
— Não podemos ajudá—lo?
— Como já disse, sempre podemos ajudar.
Vamos, neste momento, nos colocar em oração e pedir a Deus que ilumine o caminho de Leopoldo para que ele encontre a paz e o desejo de perdão.
Só assim, poderemos encontrá—lo e ajudá—lo.
É a única coisa que no momento podemos fazer.
Ele terá de enfrentar sua verdade e essa verdade pertence só a ele.
Ninguém poderá responder por ela. Somente ele...
Imediatamente, colocaram—se em oração.
Uma luz brilhante envolveu a todos eles.
Quando terminaram a oração, Donata olhou para Marina e percebeu que ela não estava bem.
Perguntou:
— Que está acontecendo, Marina, parece que não está bem.
Marina, que não estava bem realmente, voltou seu olhar para ela e respondeu:
— Desculpe Donata, não estou bem, me restou uma dúvida de tudo o que você disse, mas acho que já perguntei demais.
Donata, com a calma e o sorriso de sempre, perguntou:
— Que dúvida, Marina?
— Talvez você se esqueceu de dizer ou não tem muita importância, mas é algo que está me incomodando.
— Pode dizer Marina, Ademir já disse que não somos perfeitos e pode ter me escapado alguma coisa.
— Por tudo o que você disse, mesmo que Irene tenha ajudado a tantas crianças na escola não teve valor algum, já que fez aquilo só para se promover, ser reconhecida?
— Viu como Ademir teve razão? Deixei de falar algo muito importante.
Claro que o trabalho que Irene fez junto às crianças que frequentaram aquela escola foi importante e teve valor.
Aquela era a sua missão.
Toda missão, para ser cumprida, terá ajuda e será sempre facilitada.
Isso aconteceu no dia em que você, Irene, encontrou àquela senhora no corredor da escola e que precisava de ajuda para seu filho.
Naquele momento, você não sabia, mas iniciou a sua missão.
Você ajudou com a única intenção de ajudar àquela senhora e seu filho.
Depois, com as homenagens e cumprimentos, foi que mudou o pensamento, mas mesmo assim, continuou a missão e para isso envolveu outras mulheres da sociedade que também precisavam cumprir a mesma missão.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Mar 26, 2017 8:18 pm

Estava programado que se encontrariam e se encontraram.
O problema não foi à missão, mas foi quando Edgar cometeu o suicídio e você, tentando se culpar, começou a pensar que se não tivesse se preocupado tanto com sua imagem, talvez tivesse evitado que ele fizesse aquilo, mas nada que fizesse teria adiantado.
Ele cometeria o suicídio de qualquer maneira.
Jesus disse que não devemos julgar a ninguém, nem a nós mesmos.
Estamos todos caminhando e essa caminhada não é fácil para ninguém.
Está satisfeita Marina?
— Agora sim.
Fiquei preocupada, pensando que não adiantaria ajudas as pessoas se a intenção fosse pela aparência ou pelo orgulho.
Depois do que disse Donata, descobri que não importa o caminho, o que importa é a missão cumprida.
— Desde que esse caminho não prejudique a ninguém.
No caso de você, Irene, não prejudicou a ninguém, só a você mesma que ficou com sentimento de culpa e terá de, ao lado de Leopoldo, resgatar todas as crianças que não permitiram que nascessem.
— E as mulheres que praticaram o aborto não terão de responder também?
— Sim, Marina, elas e todos os que directa ou indirectamente evitaram que um espírito nascesse.
— Mas existem muitas mulheres que por vários motivos ficam desesperadas no momento em que descobrem que estão grávidas.
Muitas delas sabem que não poderão criar uma criança e o único caminho que encontram é o do aborto.
— Sim, Marina infelizmente isso acontece muito, mas mesmo que uma mulher ache que não possa criar uma criança, ela sempre pode deixar essa criança no próprio hospital onde a teve em algum orfanato ou dar como adopção para que alguém possa criar.
Sempre existe um caminho para que um espírito nasça e inicie sua caminhada.
— Mas essa criança já nasce para sofrer? Isso é certo?
— Quem lhe disse que ela vai sofrer?
Existem muitas crianças que são adoptadas e recebem além de boa educação, muito amor e carinho.
Se assim não acontecer, foi porque ela mesma escolheu que fosse assim.
Não podemos nos esquecer a encarnação que desejam.
Todos ouviram o que Ademir disse e ficaram pensando.
Luci, que atentamente acompanhou a oração e depois ouviu o que Donata falou, disse:
— Marconi, o Octávio acaba de chegar.
Sofreu um acidente de carro e está sendo operado, mas sabemos que não vai adiantar.
Precisamos ir até lá.
— Está bem, Luci.
Eu sabia que ele chegaria.
Iremos em seguida.
Voltando—se para os outros, disse:
— Octávio é um nosso velho conhecido.
Ele renasceu para ter uma vida curta.
Cumpriu o seu prazo e agora está retornando.
Precisamos ajudá—lo na passagem.
Quer nos acompanhar, Ademir, ou tem outras coisas para fazer?
— Não, Marconi, não temos outra coisa para fazer e sinto que para Marina e Jaime será mais um momento importante, de aprendizado.
— Agradeço, sabe que a presença de vocês é quase sempre a garantia de que tudo correrá bem.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Mar 26, 2017 8:18 pm

— Não exagere meu amigo.
Sabe que nem sempre é assim e que nós não temos tanto poder.
Sabe que nesse momento o mais importante é que aquele que está partindo consiga se entregar sem resistência, — Ademir disse, rindo.
— Sei disso e sei também que isso não acontecerá com Octávio.
Ele é muito jovem e preso à vida e aos pais.
Teremos um enorme trabalho para convencermos a todos, principalmente a Alice.
— Sim, tem razão, mas temos também muita ajuda de todos aqueles que partiram antes e que eram seus amigos.
— Quer nos acompanhar, Irene?
— Em outra circunstância, gostaria muito, Marconi, mas prefiro se não se importarem, continuar aqui ao lado do corpo do Leopoldo.
Talvez ele volte e se isso acontecer, estarei aqui para encaminhá—lo.
— Sabe que isso é quase impossível, Irene.
Ele, preso às suas culpas, continuará vagando por muito tempo...
— Sei disso, mas quem sabe, não é?
— Está bem. Faça o que achar certo.
— Vou ficar até que o corpo seja sepultado.
Sei que por ter sido um médico renomado, a sua morte será noticiada nas rádios e em todos os canais de televisão.
Todos falarão muito bem dele e de seu trabalho.
— Sim, isso é verdade, Irene.
E todas as mulheres às quais ele deu assistência e que com ele, praticaram abortos, também se lembrarão.
— É verdade, Marconi.
O pior é que algumas nem se importarão pelo que fizeram...
— Quem somos nós para julgar?
Marconi e Irene olharam para Ademir que havia feito essa pergunta.
Marconi disse:
— Tem razão, Ademir.
Quem somos nós para julgar.
Vocês estão vendo? – disse, olhando para Jaime e Marina que acompanhavam a conversa.
Não somos espíritos tão iluminados assim.
Apesar de todo nosso conhecimento, ainda nos damos o direito de julgar.
Viram como temos muito, ainda, que aprender?
Marina e Jaime ficaram calados.
Estavam intrigados com aquilo.
Jamais poderiam imaginar que espíritos como aqueles tinham ainda algo a aprender.
— Agora, pedindo perdão por meu deslize, podemos ir atender ao Octávio?
Deram uma última olhada no corpo de Leopoldo que continuava sobre a cama e se afastaram.
Sabiam que nada mais poderia ser feito a não ser orar e esperar que ele próprio entendesse tudo o que havia acontecido e pedisse ajuda.
Saíram dali.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Mar 26, 2017 8:18 pm

FAÇAM O QUE FALO, MAS...
Em poucos instantes estavam em um outro quarto.
Assim que chegaram viram um rapaz que parecia muito assustado e não entendia o que acontecia.
Olhava do alto para uma mesa onde um corpo era tratado por um médico e enfermeiras.
Ao vê—los, perguntou nervoso:
— Que está acontecendo?
Como estou aqui em cima e meu corpo está lá embaixo?
Antes que algum deles respondesse, o rapaz foi puxado rapidamente para o corpo, que permanecia inerte sobre a mesa.
Como por encanto, seu espírito adormeceu.
Marina e Jaime não entenderam, mas acompanharam tudo o que havia acontecido.
No mesmo instante, olharam para o médico que, parecendo nervoso, estava com um aparelho, dando choques no coração do rapaz, tentando fazer com que ele recomeçasse a bater novamente.
Uma enfermeira que estava junto a um outro aparelho, disse:
— Está batendo, doutor.
— Ainda bem. Vamos continuar.
Ele teve uma parada cardíaca, se tiver outra não resistirá.
A situação dele não é boa e dificilmente conseguirá se recuperar, mas faremos tudo o que estiver ao nosso alcance.
O médico preocupado e sem desconfiar da presença deles, olhava atentamente para a cabeça do rapaz, de onde uma massa cinzenta escorria.
Tentava fazer com que ela parasse, mas qualquer pessoa, mesmo não sendo médico, podia perceber que seria difícil.
Marina, ao olhar para o corpo do rapaz percebeu que seu espírito estava preso apenas por dois fios, um que saía da cabeça e outro do coração.
Embora seu corpo estivesse sedado, seu espírito preso pelo corpo estava adormecido, mas pelos fios prateados ela sabia que ele ainda estava vivo.
Continuou olhando.
Ademir e Marconi estavam ao lado do médico, jogando luzes sobre o rapaz.
Marina, Jaime e Donata estavam um pouco mais afastados e também jogavam luzes em todo o ambiente.
Naquele momento, só podiam fazer isso e deixaram que os dois cuidassem do rapaz.
Como não poderia deixar de ser, Marina estava muito ansiosa, nervosa e tremendo de pena ao ver um jovem morrer daquela maneira.
Temendo incomodar, mas mesmo assim querendo saber o que estava acontecendo, perguntou baixinho para Donata:
— Ele está preso só por dois fios, Donata, o que aconteceu com os outros?
Donata olhou para ela e compreendendo sua curiosidade, respondeu também baixinho:
— Com o acidente, os fios se partiram, só restando esses dois que mantêm seu corpo vivo.
Se todos tivessem sido partidos, não teriam conseguido trazê—lo até aqui a tempo para tentar recuperá—lo.
— Eles conseguirão salvá—lo?
Parece que o rapaz está muito mal.
Ele já teve uma parada cardíaca e de acordo com o médico, se tiver outra, não suportará.
— Embora o médico esteja com muita vontade de salvá—lo, isso não acontecerá.
Sabíamos que hoje seria o dia do acidente e por isso estamos aqui.
Em breve, Marconi e Ademir cortarão esses dois fios restantes.
— Ele vai morrer?
— Vai, Marina. Tudo está sendo como o programado.
Sabíamos e por isso viemos e ficaremos até o final.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Mar 26, 2017 8:18 pm

— Se sabiam, por que não impediram?
Por que deixaram que acontecesse?
— Não podíamos fazer isso, Marina.
Tudo estava planeado para que o acidente fosse naquela hora e naquele momento.
Não teríamos como evitar.
Nosso trabalho é ajudar na hora do desencarne para que o espírito não fique sozinho e desesperado por não saber o que está acontecendo, nada, além disso.
Assim que os fios forem cortados, uma outra equipe que já está chegando, estará aqui para acompanhá—lo.
Ele será levado em segurança.
Quando acordar, entenderá tudo o que aconteceu.
— Por que isso acontece, Donata?
Ele é tão jovem, tem a vida toda pela frente....
Acho que não deveria acontecer...
Acho que isso não é justo...
— Tudo o que acontece na Terra foi muito bem planejado e se está acontecendo neste dia, nesta hora, é porque também foi planejado pelo próprio Octávio.
Não se preocupe, ele está bem.
Estamos aqui para ajudá—lo e logo tudo estará terminado.
Quando ele acordar e souber o que aconteceu, ficará feliz por poder voltar para casa.
— Continuo não achando justo, Donata.
Por que um jovem como ele ou como eu mesma tem de morrer tão cedo?
Ele tinha uma vida toda pela frente para estudar, trabalhar e produzir.
Eu tinha meu marido, além de dois filhos para criar e assim mesmo tanto eu como ele morremos tão cedo, deixando aqueles que nos amavam e precisavam de nossa ajuda e companhia para prosseguirem.
Eu tinha muitos sonhos e meus filhos para criar e acho que esse rapaz também.
Eu tinha muitos sonhos para serem realizados.
Não entendo por que os jovens morrem, enquanto muitas pessoas idosas e doentes continuam vivendo.
— Estou entendendo o que está sentindo, Marina.
É assim mesmo que acontece.
Quando comecei a fazer parte de uma equipe como esta, também, muitas vezes, senti isso.
Quando via um jovem ou uma criança morrer, não entendia e também ficava assim como você, revoltada e triste, mas com o passar do tempo e conhecendo as histórias, aprendi que tudo está sempre certo e que nada é feito sem que tenha antes sido planeado e também que esse planeamento tem sempre o aval daquele que, como está acontecendo com Octávio, volta para casa.
Sua missão já foi cumprida e já caminhou tudo o que poderia e precisava caminhar nesta encarnação.
— Sei que tem razão, Donata.
Sei que tudo é planeado, mas continuou achando injusto.
Não deveria ser assim.
As pessoas deviam poder viver muito tempo e poderem, assim, ter seus sonhos realizados.
Uma mãe devia de ter o direito de ver seus filhos criados e encaminhados.
Não é justo uma mãe ou um pai enterrar seu filho.
O certo seria os filhos enterrarem os pais.
Donata, compreensiva, sorriu.
Sabia que seria muito difícil fazer com que Marina entendesse o que estava acontecendo, pois ela mesma já havia passado por isso e no começo, teve muita dificuldade.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Mar 26, 2017 8:19 pm

Tentando sorrir, disse:
— Em muitas coisas você tem razão, Marina, mas não podemos saber agora, o que está por trás de tudo isso.
Só o tempo poderá nos dar essa resposta.
Vamos esperar porque, com certeza, as respostas virão.
À hora da verdade chega para todos e todos terão de encará—la.
Vamos esperar.
Você precisa aprender a esperar e a ter paciência, pois essa é a virtude mais difícil de se conquistar...
Pelo tom de voz e o olhar de Donata, Marina percebeu que aquela conversa estava encerrada.
Não estava satisfeita, mas sabia que precisaria esperar.
Olhou mais uma vez para o rapaz cujo corpo continuava deitado sobre a mesa.
Percebeu que seu espírito continuava adormecido.
Ficou olhando por alguns instantes, mas sem conseguir se conter, perguntou:
— Ele ainda está dormindo, Donata?
— Sim, chegamos a tempo de poder fazer com que dormisse e não acompanhasse o que viria em seguida.
Como vocês notaram, ele estava muito assustado quando se viu no alto e seu corpo aqui embaixo.
Marconi e Ademir, com passes magnéticos, fizeram com que ele adormecesse.
Em breve os fios serão cortados e ele será levado por companheiros nossos que estão chegando.
Só acordará novamente daqui a algum tempo, quando tomará conhecimento de como e do por que tudo aconteceu.
— Ele não saberá que morreu?
— Por um tempo, não.
Quando acordar estará em um hospital, se lembrará do acidente e pensará que é por causa dele que está lá.
Depois de algum tempo e quando estiver em condições de entender, lhe será revelado tudo e ele, por seu um espírito que cumpriu tudo a que se propôs, entenderá.
Uma senhora entrou no quarto.
Marina olhou para ela e vendo que não tinha os fios prateados, sabia que era desencarnada.
Acompanhando tudo, viu como Donata ficou feliz ao vê—la e sorrindo, perguntou:
— Como está, Rosa?
Veio para acompanhar o Octávio?
Chegou bem na hora. Ele está quase pronto.
Ademir e Marconi estão cuidando dos últimos detalhes.
— Estou bem, Donata.
Sim, vim para acompanhá—lo.
Sabemos que falta pouco.
Logo mais o Pedro e mais alguns amigos estarão aqui.
Sabíamos que encontraríamos vocês e por isso estávamos tranquilos.
Octávio terá a melhor assistência...
Donata sorriu novamente e disse:
— Não poderíamos deixar de estar aqui.
Como pode ver, Marconi e Ademir estão cuidando muito bem dele.
— Sim, estou vendo, não estou preocupada com ele, pois sabíamos que aconteceria neste dia, porém estou muito preocupada com a Alice, Donata.
Ela não está entendendo nem aceitando a situação do filho.
Não entende por que isso aconteceu e, como sempre, está se julgando culpada.
— Culpada, por quê?
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Mar 26, 2017 8:19 pm

— Está inconformada e dizendo que, se não tivesse comprado o carro e dado para ele, isso não teria acontecido.
Que não devia ter deixado que ele saísse hoje de casa.
Isso e tudo o mais que você já sabe.
— É sempre assim, Rosa.
As pessoas sentem—se culpadas por algo que não poderiam impedir.
— Tentei dizer isso a ela, Donata, mas não adiantou.
Ela não me ouve e mesmo que me ouvisse, não entenderia.
Não podemos nos esquecer de que é mãe e que está sofrendo muito com tudo o que aconteceu.
Sabemos que isso é normal, ainda mais quando acontece com alguém tão jovem como o Octávio.
Para aqueles que estão vivendo na Terra, é realmente incompreensível.
Só mesmo depois que retornam é que entendem e aceitam e mesmo assim, alguns levam muito tempo para entenderem e aceitarem.
Donata olhou para Marina que acompanhava a conversa e disse:
— Sei como é, Rosa.
Já passei por muitos momentos como este.
Os jovens demoram para entender, não é, Marina?
Marina, sabendo o que ela estava querendo dizer, apenas sorriu.
Donata continuou falando:
— Sei também que esse momento de tristeza, culpa e sofrimento, vai durar por muito tempo.
Só nos resta consolar Alice da melhor maneira que podemos e que conhecemos.
Só nos resta mandar—lhe muita luz e darmos passes magnéticos para que se acalme e aceite o inevitável.
Com o tempo, ela não se esquecerá é claro, mas com as dificuldades da vida, as lembranças se tornarão mais raras e Octávio, vendo que tudo está bem com ela, ficará também e poderá continuar sua jornada, só que agora do outro lado.
Poderá trabalhar estudar e crescer espiritualmente.
— É isso que estou tentando fazer.
Mesmo antes de hoje, eu já vinha, em sonhos, conversando com ela e a preparando para este dia, mas como sabe Donata, ela é minha filha e por isso, tenho muita dificuldade.
Mesmo trabalhando em uma equipe como esta por tanto tempo, ainda estou presa a sentimentos da Terra, principalmente ao de mãe.
Donata sorriu e disse:
— Não se culpe Rosa.
Isso acontece com todos nós.
Onde Alice está?
— Na sala de espera que fica no segundo andar deste hospital.
Ela está inconformada e Fernando também.
Ele um pouco menos, mas também não está aceitando.
— Fique ao lado do Marconi e do Ademir, eu, Jaime e Marina vamos ficar ao lado da Alice e de Fernando.
— Pode ir, Donata e ficarei muito grata, sei que ela não poderia estar em melhores mãos e que tendo vocês ao seu lado, estará na melhor companhia.
Donata novamente sorriu.
Olhou para Marina e Jaime, dizendo:
— Venham comigo.
Aqui, não temos muito que fazer.
Tudo o que tiver que ser feito será por Ademir e pelo Marconi.
Alice e Fernando estão precisando da nossa ajuda.
Marina e Jaime consentiram com a cabeça e a acompanharam.
Chegaram em poucos instantes em uma sala de espera do hospital, onde uma senhora, desesperada, chorava sem parar.
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Re: ENCONTROS COM A VERDADE / Elisa Masselli

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