MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

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Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Abr 06, 2017 9:36 am

Depois contou:
— Era para minha mulher estar comigo, mas ela é enfermeira e teve plantão hoje no hospital, por isso não deu pra vir.
Vendo-a muito calada, entendeu que sofria por algo e tentou confortar:
— Sei como se sente.
Também pensei um monte de coisa ruim quando perdi o emprego, fiquei doente e tive de ser sustentado por minha mulher por muito tempo.
Sabe, moça, tem coisa ruim, mas tão ruim que acontece na vida que a gente pensa que é o fim, que não dá mais pra aguentar.
Pensa um monte de besteira.
Porém, essas coisas ruins que nos acontecem são para o nosso bem no futuro.
O que acontece nos fortalece.
Sempre tem uma saída.
— E quando não se tem emprego, nem família, nem o apoio de quem a gente acreditava e ainda não se tem para onde ir e se está grávida?
O homem, com toda sua nobre simplicidade, parou, olhou-a e respondeu:
— A gente reza.
Procure a casa de Deus e vá orar.
O Pai não desampara.
Um momento e propôs:
— Estou indo para a igreja agora.
Venha comigo e ore.
Vai te surgir uma solução ou uma ideia.
Tenha fé e acredite.
Atordoada, com os pensamentos cansados e fragilizados, Rúbia o acompanhou sem nada dizer.
Ao chegarem à igreja, havia certo número de pessoas reunidas antes do início do culto de orações endereçadas a Nossa Senhora.
No plano espiritual, sem que os encarnados pudessem ver, havia imenso jorro de luz, vibrações celestiais e energia salutar que banhavam a todos como se fosse a garoa fina que caía lá fora.
A harmonia das pessoas saturava o ambiente de doce magnetismo, apesar de haver somente algumas dezenas de encarnados.
Ao contrário do plano físico, eram centenas os companheiros espirituais que ali estavam repletos de prestatividade e amor.
Candidatos ao serviço de socorro, de envolvimento sublime, higienização magnética e todo tipo de trabalho de auxílio e amparo aos irmãos encarnados presentes para orar, pedir ou agradecer, naquele dia agendado com antecedência.
Não demorou muito e iniciaram o culto com agradáveis e animadas canções de devoção e agradecimento.
Imediatamente cada um dos mentores aproximou-se de seus protegidos e lhes doou energias edificantes.
Com isso aliviavam-se os pensamentos preocupantes e os sustentavam aumentando-lhes a fé em Deus e em um futuro melhor.
Quando as orações começaram, apesar de nem todos os presentes estarem concentrados na prece, uma luminosidade intensa fez-se de cima para baixo e, ao chegar ao centro do local, transformavam-se em ondulações magnéticas que cariciosamente envolviam cada um dos presentes suprindo-lhes inúmeros recursos dos quais necessitavam.
Entidade superior fez-se presente e fluidos mais radiosos balsamizavam o local com generosa força.
Era uma cena imponente e bela, embora serena, humilde e majestosa.
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Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Abr 06, 2017 9:36 am

Indescritível para o plano dos encarnados.
No decorrer das orações, os pensamentos de Rúbia serenaram e ficaram sem as impregnações dos antigos obsessores.
Trazia a mente cansada, causticada pelas preocupações inúmeras, mas agora ligada a um fio de esperança.
Entidade delicada, como uma forma de luz que pairava no espaço, aproximou-se de Rúbia com ternura e humildade.
Sentindo as irradiações superiores, Francisca, sua mentora, deu-lhe lugar.
— Toda prece é ouvida e estou aqui a pedido de sua mãe — dizia o elevado espírito.
A porta da salvação é a estreita, a dolorosa, a mais difícil de passar.
Na maioria das vezes, o ser quer transpô-la em vez de fazer grande esforço para superar as dificuldades.
E preciso resignar-se e seguir.
Pensar em desistir do desafio é querer seguir pela porta larga, a porta da perdição, em que o caminho leva ao mal, às ruínas do espírito.
Chega de seguir pela porta larga, pelo caminho das más paixões.
Assuma um compromisso com responsabilidade a fim de se harmonizar com a própria consciência.
Serenamente, impôs-lhe a mão luminosa e formoso jorro de luz radiante se fez sobre Rúbia que se emocionou e chorou por alguns minutos sem saber a razão.
Com fisionomia angelical, o nobre espírito sorriu para a mentora Francisca e seguiu adiante para próximo de outro encarnado.
Com olhos fixos no altar, Rúbia, totalmente esgotada por travar batalha fervorosa com os próprios pensamentos, concluiu:
"Errei muito, meu Deus.
Não posso culpar os outros por minhas escolhas erradas.
Devo assumir que metade da culpa é minha.
Errei tanto ou mais do que o Geferson, pois eu sabia não ser certo estarmos juntos.
Querer morrer, sumir, matar meu filho como pensei, será mais um grande problema em meio de tantos que já tenho.
Eu não devia ter deixado isso acontecer, mas agora...
Agora depois de tudo o que aconteceu, devo ser responsável e fazer a minha parte.
Dê-me forças, Pai!
Faça com que eu encontre uma saída. Ajude-me!"
Ao abaixar o olhar, encontrou caído no chão um panfleto litúrgico da igreja onde se transcrevia a passagem evangélica de Jesus e a mulher adúltera.
Ela o tomou nas mãos e ao lê-lo sentiu-se tocada, emocionou-se com o socorro do Mestre Amigo que defendeu a mulher quando todos queriam apedrejá-la e uma frase destacou-se:
Vá e não erres mais.
"Se Jesus soube compreender o erro da mulher adúltera naqueles tempos...
Por que me abandonaria agora?
Acho que é como aquele homem disse — referiu-se a quem a levou até ali.
Quando não se sabe o que fazer, deve-se rezar.
Consciente de ser digna de receber os benefícios da prece e realizar o que Jesus orientou:
ir e não errar mais."
Após esses pensamentos, Rúbia começou uma prece que mais era uma conversa com Deus, pedindo amparo e luz.
Que soubesse o que fazer naquela condição.
Que recebesse ajuda e com isso se comprometia a corrigir seus erros e seguir com perseverança e fé, com moral elevada, dando o melhor de si.
Apesar de extenuada mentalmente, no final, mecanicamente, envolveu-se na prece que os presentes proferiam e notou-se bem melhor, rendendo-se ao chamamento irresistível de amor.
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Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Abr 06, 2017 9:37 am

Apesar de tudo, ainda se preocupava.
O que fazer? Para onde ir?
Estava sem dinheiro e só com a roupa do corpo.
Poderia pedir ajuda a seu irmão, mas achou que não deveria, sentia-se envergonhada, pois não o compreendeu quando foi preciso.
Voltar para casa não poderia por causa de seu pai.
Ele havia saído, provavelmente estava embriagado.
Se quando sóbrio não a aceitou, sob o efeito do álcool seria pior.
Pensou em Simone, mas a irmã estava tendo problemas com o marido e dormia na casa de seus pais.
Algum tempo decorrido e percebeu o celular vibrar no bolso de sua calça.
Era estranho. Nem se lembrava dele ali.
Pegou o aparelho e olhou.
Era uma daquelas mensagens de texto enviada pela operadora para milhares de clientes.
A essa altura o culto já tinha se encerrado e alguns se reuniam ainda.
Rúbia saiu de onde estava.
Passou por entre os bancos.
Foi até o corredor central, virou-se de frente para o altar, dobrou levemente os joelhos e fez o sinal da cruz, agradecendo mentalmente.
Indo para fora da igreja com o aparelho celular nas mãos, ligou para o celular de Abner, só que a ligação caiu na caixa postal.
Tentou telefonar para o apartamento do irmão, mas ninguém atendeu.
Novamente aquela sensação de vazio, de abandono, de não saber o que fazer.
Não poderia ficar ali, na porta da igreja.
Desceu os degraus da escadaria e chegou à calçada quando o mesmo homem que a levou até ali aproximou-se.
— Moça! — chamou.
Ao vê-la parada, alcançou-a e perguntou:
— Você está bem?
— Sim. Obrigada.
Estou melhor do que quando cheguei.
Apesar de ainda eu não saber o que fazer.
— Desculpa por não ter como ajudar...
— Ajudou muito.
O senhor não imagina.
— Olha, o Padre José deve estar na casa paroquial.
Se você não tem para onde ir...
Podemos conversar com ele.
Mas não sei se ele vai ter como te ajudar.
— Obrigada, mas...
Não sei se deveria.
Quero tentar falar com meu irmão.
Acho que ele não vai negar ajuda.
É que ele não está em casa agora.
Enquanto estavam ali parados, caía a mesma garoa fina e fria de antes.
Permaneceram por alguns minutos sem saber o que fazer.
Tempo suficiente desejado pelos amigos espirituais, pois, no mesmo instante, um carro que passava vagarosamente parou, abriu o vidro do lado do passageiro e ouviu-se uma voz chamando:
— Rúbia?! — Ela olhou surpresa e viu Ricardo, amigo e sócio de seu irmão.
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Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Abr 06, 2017 9:37 am

Sentado no banco do motorista, praticamente deitava-se sobre o banco do passageiro para perguntar:
— O que está fazendo aqui nessa garoa a essa hora?
Sem esperar resposta, quis saber:
— Quer carona?
— É amigo do meu irmão — ela disse ao homem em tom mais animado.
— Veja se ele não pode te ajudar!
Vamos! Vai! — incentivou animado.
Aproximando-se, curvou-se próximo do veículo e pediu:
— Pode me levar para o apartamento do Abner?
Estou sem carro.
— Vamos, entra aí! — concordou Ricardo, abrindo a porta para que entrasse.
Virando-se para o homem que a ajudou, Rúbia agradeceu estendendo a mão.
— Muito obrigada, senhor. Obrigada mesmo.
Acho que foi Nossa Senhora que o colocou no meu caminho.
— Que é isso moça, não fiz nada...
— Qual é o seu nome?
— Jorge.
— Meu nome é Rúbia.
Muito obrigada, senhor Jorge.
Que Deus o proteja e abençoe.
— Vá com Deus.
Que Nossa Senhora te cubra com o seu manto.
Após sua entrada no carro, Ricardo a cumprimentou e reparou:
— Você está toda molhada e só com essa blusinha!
Não está com frio, não?
— Um pouco.
— E o seu amigo?
ara onde ele vai?
Será que não quer carona?
— Não sei...
Eu o conheci indo para a igreja.
Não é meu amigo, apesar de ter agido como um.
— Qual o nome dele?
— Jorge.
Ricardo dirigiu o carro lentamente até perto do homem e o chamou:
— Jorge!
Ao vê-lo olhar, perguntou:
— Quer uma carona?
Mora aqui perto?
— Moro sim.
E agradeço se me levar — disse indo até a porta do veículo.
Ao entrar, comentou:
— A garoa está engrossando e hoje não achei que fosse ficar assim.
Vim sem guarda-chuva.
— Onde você mora? — quis saber o outro.
— Segue por essa avenida e vira lá embaixo no segundo farol.
— E perto. Vamos lá — animou-se Ricardo.
Durante o curto trajecto, Rúbia, constrangida, agradeceu mais uma vez:
— Obrigada, Jorge.
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Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Abr 06, 2017 9:37 am

Eu não conhecia o poder da prece.
Nunca fui religiosa...
Estava tão aflita quando me encontrou.
— Não me agradeça.
Retribua a outra pessoa de alguma forma, em algum momento e quando puder.
— Achei estranho ver você ali na igreja.
Está tudo bem, Rúbia? — perguntou Ricardo.
— Tudo bem... não está...
Ao ver o carro entrar na rua que desejava, Jorge pediu:
— Pode dar uma paradinha por aqui mesmo.
— Aqui está bom? — indagou o outro.
— Está óptimo. Moro ali — apontou para uma ruazinha sem saída.
Na quinta casa. Muito obrigado.
Eu chegaria encharcado se não fosse a carona.
Despediram-se e após vê-lo descer, Rúbia pediu novamente:
— Ricardo, pode me levar até o apartamento do meu irmão?
— O que aconteceu?
Tudo está bastante estranho.
Não que seja da minha conta, mas...
— Estou me sentindo péssima.
Aconteceu muita coisa...
É até vergonhoso contar.
— Vergonhoso, por quê?
— Fui demitida.
— E por acaso isso é vergonhoso?
Ora, Rúbia — sorriu generoso.
— O que vem por trás disso é vergonhoso.
Agora, depois de tudo, não tenho emprego, meu pai me expulsou de casa, só estou com a roupa do corpo e...
Ela fechou os olhos, recostou a cabeça no encosto do banco e murmurou:
— Estou grávida.
— A situação pode ser difícil, mas não é vergonhosa.
— É que estou grávida de um homem casado.
O amigo respirou fundo, pensou e disse:
— A situação continua sendo difícil, mas não vergonhosa.
A vergonha não está no erro cometido, a vergonha está em insistir no erro.
É o caso?
— Como assim?
— Você está com esse homem?
Vai insistir em ficar com ele?
— Não! Lógico que não!
— Então não se envergonhe.
Agora... Vamos sair daqui.
Vou levá-la para a casa do seu irmão e no caminho a gente conversa.
Durante o trajecto, Rúbia contou-lhe exactamente tudo o que lhe aconteceu, até encontrar-se ali, em frente à igreja onde ele a pegou.
Diante do prédio onde Abner morava, informaram, na portaria, que ele não estava.
Insistiram em telefonar para seu celular, mas não foram atendidos.
— Espere... — pediu Ricardo, pegando seu próprio celular.
Acho que tenho o telefone da dona Janaina, mãe do Davi.
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Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Abr 07, 2017 8:33 am

Deixe-me ver...
Tenho sim! — alegrou-se.
Ao telefonar, foi atendido pela senhora que o tratou muito bem.
Depois, a pedido, passou o telefone para o filho.
Após os cumprimentos, Ricardo perguntou:
— Davi, você sabe do Abner?
Estou tentando falar com ele, mas não atende ao telefone.
— Ele foi para um Congresso de Construção Civil, Arquitectura e Urbanismo, em Joinville, Santa Catarina.
Voltará só semana que vem. Esqueceu?
— Puxa. É mesmo! Agora me lembrei.
É que ele me falou sobre isso há uma semana e havia me esquecido.
— Algo urgente?
— Não... Posso falar com ele depois.
Obrigado, Davi.
Despediram-se e depois de desligar, Ricardo virou-se para Rúbia,
Que se mostrava muito ansiosa e apreensiva, e contou:
— O Abner está em Joinville, Santa Catarina.
Eu havia me esquecido.
— Meu Deus... O que faço?
Pensou um pouco e pediu:
— Pode me dar o telefone do Davi?
Vou ver se ele tem a chave do apartamento do meu irmão.
Reflectindo um pouco, pediu:
— Se você falar com ele por mim, agradeço.
Não fui muito gentil quando conversamos pela última vez.
Ricardo telefonou novamente e explicou:
— Oi, Davi. Sou eu de novo.
Olha, é o seguinte: a Rúbia teve um problema familiar.
Não quer voltar para casa e não tem onde ficar.
Será que você tem a chave do apartamento do Abner?
Creio que ele não vai se importar se ela passar a noite aqui.
Estamos em frente ao prédio dele.
Davi pensou por instantes.
Preocupado, decidiu:
— Ricardo, vou lhe pedir um favor:
traga a Rúbia até aqui em casa.
Tenho a chave do apartamento do Abner sim.
Mas não vou dar. Não diga nada a ela.
Faço questão de que fique aqui na minha casa.
Não sei o que aconteceu, mas vamos ajudar.
— Mas... Davi...
— Preste atenção, não diga nada.
Sei que está ao seu lado.
Não vou ficar tranquilo sabendo que a Rúbia está sozinha naquele apartamento.
Pense comigo:
se ela teve problemas e não pode voltar para a casa dos pais, algo bem sério aconteceu.
E deve ter sido sério mesmo, pois sei que a última pessoa do mundo a quem pediria ajuda, seria para o Abner, uma vez que eles estão brigados.
Sendo assim, não é bom que fique sozinha, principalmente no apartamento dele.
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Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Abr 07, 2017 8:33 am

Nunca se sabe o que uma pessoa nervosa, sem saída é capaz de fazer.
Traga-a para cá.
Tenho certeza de que minha mãe não vai se importar.
Vamos conversar e lhe dar todo o apoio.
— Pensando bem...
Você está certo.
Estou indo aí.
Desligou. Virando-se para a amiga, comentou:
— Vamos até lá.
Rúbia pensou que iriam até a casa de Davi só para pegarem a chave, pois Ricardo não lhe disse nada.
Ao chegarem à casa de dona Janaina, ela os recebeu com muita satisfação.
— Então você é a irmã caçula do Abner!
Prazer! Sou a mãe do Davi.
Cumprimentaram-se e, ao se acomodarem na sala, a senhora observou:
— Menina, o que aconteceu?
Você está toda molhada.
Não está com frio?
— Um pouco — respondeu constrangida.
Davi chegou à sala, cumprimentou os dois, sentou-se em uma poltrona e perguntou, directo e com jeito simples:
— Rúbia, desculpe-me querer saber, mas...
O que aconteceu para você precisar ficar no apartamento do Abner?
— Muita coisa. Entre elas...
Meu pai me expulsou de casa.
Perdi o emprego e... — calou-se, abaixando o olhar.
— Por perder o emprego o seu pai a expulsou de casa? — preocupou-se Davi.
Olhando-o nos olhos, revelou quase chorando:
— Estou grávida.
Ao saber, meu pai não aceitou.
Saí de casa com a roupa do corpo.
Davi respirou fundo e observou ponderado:
— Uma gravidez sempre muda os planos de todos, quando não foi planeada.
Um instante reflexivo e decidiu:
— Vejo que você está nervosa, confusa e desorientada.
Eu tenho a chave do apartamento do Abner, mas não acredito que seja boa opção você ficar lá sozinha e do jeito que está.
Já é tarde e, com as preocupações que tem, a solidão não será boa companhia para seus pensamentos.
Hoje você fica aqui.
Será muito bom para você e melhor ainda para nós, não é mãe?
— Claro! Ela fica com a gente.
Levantando-se, a mulher foi a sua direcção e disse indicando:
— Você está molhada e pode pegar Um resfriado.
Vamos lá pra dentro tomar um banho quente e pôr urna roupa limpinha.
Depois, tomamos uma sopa que fiz e que está uma delícia.
— Mas... — Rúbia tentou dizer algo, mas não sabia o quê.
Ela olhou para Ricardo como pedindo ajuda.
E ele respondeu:
— Também acho que é melhor ficar aqui.
Terá companhia e...
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Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Abr 07, 2017 8:33 am

Pelo que me contou, não deve ficar sozinha agora.
Tenho certeza de que vai adorar a dona Janaina.
Espere pra ver — sorriu.
— E você também, menino — disse a senhora para Ricardo.
Fique para tomar a sopa com a gente.
Ninguém jantou ainda.
O Cristiano não desceu do banho.
Nesse instante, o filho mais novo chegou à sala e os cumprimentou.
Ao apertar a mão de Rúbia, que foi apresentada como irmã de Abner, reparou:
— Nossa! Como você é parecida com sua irmã!
— Minha irmã?...
Conhece minha irmã?
— Conheço.
Seu irmão a trouxe aqui e passamos uma agradável tarde juntos.
Rúbia estranhou, mas nada disse.
Nada mais foi dito e procuraram mudar de assunto.
— Vamos, vamos! — animou a senhora.
Vamos lá em cima.
Vou procurar um agasalho dos meninos que te sirva.
Você toma um banho quentinho e nós jantamos.
Envolvida em névoa de constrangimento e ainda atordoada, Rúbia não pensou direito e, sem alternativa, seguiu-a:
— Ricardo, bem à vontade, decidiu:
— Não perco essa sopa por nada.
Azar de vocês sua mãe ter me convidado — disse rindo e esfregando as mãos.
* * *
Rúbia alimentou-se pouco, apesar da insistência de dona Janaina.
Todos conversaram animadamente e, após o jantar, Ricardo disse:
— Vou fazer igual cachorro magro.
Acabar de comer e ir embora.
— E o seu filho, Ricardo?
Como está? — perguntou Davi.
— O Renan está bem.
Vai para um acampamento nas próximas férias e está muito ansioso.
Não vê a hora.
É a primeira vez que viaja sozinho.
— A mãe é quem deve estar preocupada.
Filho único!... — comentou a senhora.
— Ela está sim.
Conversamos muito a respeito.
Apesar de muito apreensivo também creio que é o momento do Renan se ver sozinho e longe de casa, do pai, do padrasto com a mãe, dos parentes e em meio a amigos e coleguinhas.
Isso será bom para sua independência.
— Será mesmo — opinou Davi.
— Bem, pessoal...
Eu agradeço muito a recepção, a óptima sopa...
Aliás, foi a melhor que já tomei na minha vida!
Agradeço tudo.
Por mim, ficava, mas tenho de ir.
Levantando-se, Ricardo despediu-se.
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Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Abr 07, 2017 8:34 am

A senhora e Davi o acompanharam até a saída e, ao retornar, a mulher generosa propôs:
— Vamos ver televisão, filha?
É bom para distrair um pouquinho.
— E a louça do jantar?
Vou ajudar a senhora.
— Não! Hoje é dia do Cris e do Davi arrumarem a cozinha — riu.
Não perco essa mordomia por nada. Venha.
Depois vou arrumar uma cama bem quentinha para você dormir.
— Isso mesmo, Rúbia.
Vá lá, fique tranquila — incentivou Davi enquanto Cristiano permaneceu calado.
O filho mais novo não soube a razão da moça estar ali.
Não entendeu nem se interessou em saber.
Ele se fechava em seus próprios pensamentos e, na maioria das vezes, ficava quieto.
Indo para a sala, Rúbia pediu:
— Eu gostaria de ligar para minha mãe e avisar que estou bem.
Ela deve estar muito preocupada comigo.
— E mesmo. Ligue sim.
Assim foi feito.
Após dizer para sua mãe que estava bem e entre amigos, Rúbia aceitou o convite da senhora para ver TV, apesar de não conseguir prestar atenção em nada que via.
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Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Abr 07, 2017 8:34 am

9 - CULTIVE A CENTELHA DE DEUS QUE HÁ EM VOCÊ

NA MANHA seguinte, Cristiano preparava uma vitamina de frutas batidas no liquidificador, quando Rúbia, vagarosamente, chegou à cozinha.
— Bom dia — cumprimentou timidamente, não querendo assustá-lo, pois não tinha sido vista.
— Bom dia. Espero não ter lhe acordado com esse barulho.
— De forma alguma.
Aliás, nem dormi direito.
— Aceita um pouco? — ofereceu-lhe a vitamina.
— Não, obrigada.
— Seria bom tomar. Fará bem a você.
Ficará mais disposta.
Toma um pouco — insistiu, pegando outro copo.
Quando ia colocar a vitamina em um copo, ela disse:
— Não, por favor. Obrigada.
Não quero mesmo.
— Se é assim...
Após alguns minutos, Rúbia perguntou:
— Então você conhece minha irmã?
— Conheço sim.
Uma pessoa muito agradável, por sinal.
Pegando uma xícara no armário, ofereceu-lhe e mostrou onde havia café fresco e leite quente.
— Obrigada — aceitou.
A Simone está passando por momentos difíceis.
Porém bem diferente de mim.
Ela não procurou a dificuldade, eu sim.
Estou envergonhada por estar aqui.
Nunca pensei que alguém como seu irmão, depois de tudo o que eu falei a ele, ainda fosse me acolher.
— Bom dia — cumprimentou Davi, chegando à cozinha.
Os dois responderam e ele perguntou:
— E a mãe?
— Foi comprar pão — respondeu o irmão.
Deixou o café passando e saiu.
Acho que encontrou alguém para conversar.
Olhando para Davi, com certo constrangimento, Rúbia agradeceu:
— Obrigada.
Obrigada por tudo o que está fazendo por mim.
Nunca pensei em passar por uma situação dessa e ser tão bem acolhida, principalmente depois daquele dia que conversamos lá no apartamento do meu irmão.
— Esqueça aquilo e não me agradeça.
Eu só fiz o que gostaria que fizessem a mim.
— Você não quer mesmo me dar a chave do apartamento do Abner?
Tenho certeza de que ele não vai achar ruim.
— Não vai achar ruim mesmo.
Porém faço questão de que fique aqui.
Como eu disse, não será bom ficar sozinha agora.
— Demorei muito? — perguntou dona Janaina sorridente ao chegar.
— Já sei! A senhora foi ajudar a assar os pães! — brincou Davi, beijando-lhe o rosto.
— Encontrei uma amiga e ficamos conversando.
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Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Abr 07, 2017 8:34 am

Combinamos de ir ao centro hoje à noite.
Vai ter uma palestra tão boa.
— Pena eu não poder ir.
Tenho paciente até tarde.
— Faz tempo que não vai ao centro, hein, filho.
— Eu sei, mãe, mas no momento não está dando.
Não é má vontade.
Mas tenha certeza de que Deus vive nas minhas acções.
— Hoje vou com a Simone lá na instituição — comentou Cristiano.
Vou convidá-la para ir ao centro.
Será que ela aceita?
Rúbia não entendeu sobre o que ele estava falando.
Em rápidas palavras, Cristiano explicou, depois ela opinou:
— Ela vai aceitar sim.
A Simone já frequentou centro espírita. Fez até curso.
Largou tudo por causa do marido.
O Samuel não gostava nada, nada.
Aliás, ele não tem religião alguma.
Acho que é por isso que agiu daquele jeito quando soube do filho com problema.
Passados alguns instantes, comentou:
— Só não estou entendendo por que ela quer ir a essa instituição.
Já não é o bastante saber o que o nené tem?
Será que precisa mesmo ver outros no mesmo estado?
— A vontade dela deve ser respeitada.
É ela quem quer.
Se chegar lá e quiser desistir, se no meio da visita não quiser continuar, tudo bem.
Voltamos. Não será obrigada a nada — disse Cristiano com simplicidade.
— Ela virá aqui? — tornou a outra.
— Combinei de ir buscá-la.
Irei de ônibus até a casa dela, pois não estou dirigindo ultimamente.
Você quer ir junto?
— Não. Não estou preparada.
— Também acho que não é um bom momento para você, filha — manifestou-se a senhora.
Mulher grávida fica bem sensível e não deve se forçar a certas situações.
— Você está grávida? — perguntou Cristiano.
— Estou.
— Desculpe-me pelo convite a instituição. Eu não sabia.
— Se quiser, pode ir ao centro comigo hoje à noite.
Disseram que a palestra será óptima — tornou a mãe dos rapazes.
— Apesar da minha irmã já ter insistido muito, nunca fui a um centro espírita.
Mas gosto de ler romances espíritas.
— Em romances nem sempre aprendemos muito.
O melhor é frequentarmos uma casa espírita.
E sempre tem a primeira vez.
Não sei por que, mas tenho certeza de que você vai gostar — opinou Davi sorridente.
— Sobre o que será a palestra? — quis saber Rúbia.
— Um palestrante estuda um tema do Evangelho de Jesus e fala sobre ele — disse dona Janaina.
Para que Rúbia entendesse melhor, Davi exemplificou:
— Por exemplo: no Evangelho de Jesus, segundo Mateus, Capítulo V, versículo 44 a 48, tem a passagem onde o Mestre Jesus nos fala sobre sermos perfeitos.
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Ave sem Ninho

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Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Abr 07, 2017 8:35 am

Então Jesus fala:
Mas eu vos digo:
Amai os vossos inimigos, fazei o bem aos que vos tem ódio e orai pelos que vos perseguem e caluniam.
Para serdes filhos do vosso Pai que está no céu; o qual faz nascer o Seu sol sobre bons e maus, e vir chuva sobre justos e injustos.
Porque se vós amais senão os que vos amam, que recompensa haveis de ter?
E se saudares somente os vossos irmãos, que fazei nisso de especial?
Sede vós perfeitos, como também vosso Pai Celestial é perfeito.
— Decorou bem, hein? — brincou Cristiano.
— Decorei sim.
Adoro essa passagem.
Então essa passagem do Evangelho, na palestra, possivelmente ele explicará da seguinte forma:
Jesus diz para nos esforçarmos para evoluirmos.
Ele ensina que não adianta eu ficar só com a minha turma, só com os meus amigos e não dar a mínima importância às pessoas que não pertencem ao mesmo grupo social, religioso, filosófico que eu.
Se começarmos a fazer o bem a um desconhecido, ajudar sem qualquer interesse, ajudar mesmo que o outro pertença a outro grupo social, religioso, filosófico etc. vamos chegar mais perto de Deus.
Estaremos mais ligados a Ele.
Quando nós fazemos o bem a quem nos tem ódio, ou seja, quando amamos os inimigos, oramos por aqueles que nos caluniam, nós estamos praticando a maior de todas as virtudes: a caridade.
— É difícil orar por alguém que nos calunia — disse Rúbia.
— Só é difícil no começo, mas depois é tão bom — tornou Davi.
A gente se sente bem.
Não fica com aquela angústia que vem com o sentimento de ódio, raiva.
Orar por uma pessoa que fala mal de nós e lhe desejar todo o bem, toda a luz, toda a paz, todas as bênçãos do Pai, e uma prática de caridade que dinheiro nenhum paga.
Oração com amor, dinheiro nenhum compra.
Quando você pratica a caridade da oração de amor por um inimigo, ele deixa de ser seu inimigo, mesmo que o seja na cabeça dele.
Fazendo isso, você se eleva, pois com esse tipo de caridade, que é a prece, livra-se de dois gigantescos vícios: o egoísmo e o orgulho.
— Egoísmo e orgulho?
Como assim? — interessou-se a jovem.
— Normalmente somos egoístas, pois não oramos se não por nós mesmos, pedindo todas as bênçãos do mundo só para nós mesmos.
E só fazemos isso quando precisamos, do contrário nem lembramos de Deus — sorriu.
Somos orgulhosos ao oramos só pelos parentes, amigos bem próximos, acreditando, consciente ou inconscientemente, que o inimigo não merece nossas preces, nosso amor, nossa compaixão.
E como se o estranho, o diferente, aquele que não compartilha da nossa opinião, não merecesse paz.
Nós só começamos a ser perfeitos e nos elevamos quando amamos o próximo, mesmo ele sendo um desconhecido, mesmo sendo aquele vizinho chato que liga o rádio no último volume, não respeitando a sua necessidade do momento, seja ela uma dor de cabeça, o estudo para uma prova importante ou a simples necessidade de silêncio para reflexão.
Se esse vizinho não tem educação, se ainda vive na ignorância e na estupidez, eleve-se você e ore de todo o coração, para que ele tenha paz e conheça, o quanto antes, o amor ao próximo, se exibido respeitoso, por meio do som baixo.
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Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Abr 07, 2017 8:35 am

— Você há de concordar comigo que é difícil compreender o vizinho que liga o som alto ou faz barulho nos perturbando.
Não só o vizinho, mas também aquela pessoa na rua que liga o som do carro no último volume incomodando todo o mundo — comentou Rúbia.
— Sim é difícil, mas pense: se ele faz barulho tão alto, se liga o som no último volume, é porque ele mesmo não se aguenta.
Ele deve ser aquele tipo de pessoa que precisa fazer barulho por não suportar os próprios pensamentos, pois todos que têm ideias boas, pensamentos alegres, bons, saudáveis, não gostam tanto de barulho, de som alto.
Essas pessoas sentem prazer em ficarem com suas próprias ideias, com seus próprios pensamentos.
Quem faz isso, geralmente, tem problemas, sente-se perturbado.
Por isso devemos orar para que a pessoa tenha paz consigo mesma.
— E se a pessoa não tem esse tipo de problema e resolve fazer barulho, ligar o som mesmo assim?
— Se ela não tem problemas e faz isso a ponto de irritar os outros, então se deduz que não é evoluída, é alguém mal-educado e precisa também de compaixão, de prece para que ilumine sua consciência e pense no direito de paz dos outros.
Ao vê-la pensativa, completou:
— Sabe, no dia a dia, temos incontáveis oportunidades para a prática da caridade a caminho da perfeição.
Quando vamos atravessar uma rua e um motorista quase nos atropela, em vez de chamá-lo de desgraçado, infeliz, e desejar que bata o carro, pense que ele pode ter sérios problemas, pois, para fazer isso, tem problemas mesmo.
Então peça, em pensamento, que a luz de Jesus ilumine sua consciência, para ele ser uma pessoa melhor, mais educada.
Quando um outro carro fechar o seu, pela ignorância do motorista infeliz e apressado, ore, em rápidas palavras:
"Deus, oriente essa pessoa, dê-lhe paz".
Faça somente isso.
Assim não cria, em você mesma, energias negativas, ruins, pesadas que vão impregnando sua mente e, consequentemente, adoecendo o seu corpo.
Todas as doenças e probleminhas de saúde que nos acontecem são culpa dos nossos pensamentos negativos.
E não pense que pensamentos negativos são só aquelas ideias de que algo não vai dar certo.
Não é só isso.
Pensamento negativo é você xingar o cara do metrô que a empurrou ou a espremeu, desejar que o vizinho morra porque varreu o lixo para a frente da sua casa, irritando-se com isso.
Querer que o outro bata o carro porque foi agressivo ao volante e, de alguma forma a agrediu ou a assustou.
Desejar que o colega de serviço se dane, seja mandado embora só por causa de um comentário infeliz que ele fez ou algum comportamento que a tenha desagradado.
Tudo isso e muito mais, é pensamento negativo, ideias contrárias à essência Divina que está dentro de você.
Se Deus nos criou, nós temos, com certeza, algo Dele em nós.
A esse algo, podemos dar o nome de centelha de Deus.
Essa centelha, essa chama tende a crescer, a se dilatar à medida que se Pratica o bem, a caridade.
E saiba que a maior prática do bem, a maior Pratica da caridade está em nossas vibrações de amor, em nossos desejos de paz aos nossos irmãos desconhecidos, ou aos que não compartilham dos nossos gostos.
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Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Abr 07, 2017 8:35 am

— Nossa Davi... — sorriu Cristiano após reflectir.
Que lição. Dias atrás eu tinha ficado com muita raiva de um cara que apareceu na TV por causa de um crime que cometeu e...
Comecei a raciocinar diferente agora.
— Mude imediatamente qualquer pensamento ruim ou infeliz que tiver a respeito de alguém.
Corrija-se quando desejar o mal do outro.
Pense que aquela pessoa é doente.
Se não for doente de corpo, de mente, é doente da alma e infeliz para ter feito o que fez, mesmo que não saiba disso ainda.
Então, ore rapidamente, desejando que o amor nasça em seu coração.
Só isso. É simples assim.
Desse jeito não se impregna com as energias pesadas de vibrações tristes.
Se desejar o mal, não vai corrigir uma pessoa nem corrigir o mundo, mas, certamente, estará diminuindo a chama dessa centelha de Deus em seu coração, causando sofrimento a você mesmo.
Rúbia aproveitou a oportunidade e perguntou:
— E quando sabemos de um assassino cruel?
Se ele usou de muita maldade para matar alguém, houve sofrimento, tortura, não podemos querer que sofra como fez o outro sofrer?
— A justiça cabe a Deus. Somente a Deus.
Se você quiser que o outro sofra o que fez alguém sofrer, de que forma esse sentimento de ódio, de aversão vai ajudá-la ou ajudar o outro?
Ela não respondeu.
— De que adianta vibrar negativamente para alguém?
Afinal, se crê em Deus, sabe que Ele providenciará justiça no tempo certo do entendimento daquele indivíduo.
Ao contrário, deve-se pedir em pensamento:
"Deus, ilumine a mente dessa criatura com paz e amor, para que seu coração aprenda a se enternecer e amar ao próximo".
Se fizer isso, só isso, essa vibração boa, antes de ser endereçada a outra pessoa, vai passar por você, como se fosse uma antena que recebe a bênção do Pai para direccionar ao outro, ser tão necessitado.
A energia recebida é de Deus e, se Deus estiver com você, minha amiga, ninguém, encarnado ou desencarnado, vai poder ser contra ti.
Só te acontecerá algo de acordo com a vontade do Pai.
Agora, se desejar o mal, a vingança, quiser que o outro se dane...
Tenho certeza de que Deus não estará contigo.
Quando se é alguém gerador de energias amargas, tristes, angustiosas, sofridas, quando você deseja o mal, seja em qual grau for, não será Deus nem seu anjo da guarda que estarão ao seu lado, e sim, espíritos infelizes, sofredores, que vibram na mesma frequência, impregnando-a com energias inferiores causadoras de inúmeros sofrimentos, físicos e emocionais.
— Então não devo desejar o mal nem para um assassino que tenha vitimado alguém cruelmente? — insistiu Rúbia.
— Em vez de se concentrar no assassino, por que não endereçar uma oração, de todo o coração, para o alívio da vítima?
Afinal, ela é quem mais necessitada de paz, de alívio.
Além disso, sinto lembrar que Deus não erra.
Se essa vítima experimentou tanto sofrimento, ou ela era um espírito evoluído e, por alguma razão, aceitou passar pelo que passou, ou era um espírito que precisou sofrer o que sofreu para harmonizar o que fez no passado.
Nada é por acaso.
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Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Abr 07, 2017 8:35 am

Vou lhe dar um exemplo clássico:
Jesus sofreu o que sofreu por uma causa.
Jesus tinha um objectivo quando se deixou prender e ser levado a julgamento e ao calvário.
Um espírito elevado como Ele, só poderia procurar algo muito dramático, em uma época em que a criatura humana era tão rude, para chamar atenção para uma causa tão nobre.
Veja, Ele tinha muito conhecimento e era elevadíssimo.
Outros que sofreram na cruz, como ele, só foram parar lá por crimes que cometeram, passaram o que fizeram outro passar.
Não eram inocentes, mas espíritos que, encarnados, precisavam de uma experiência triste e dolorosa para aprenderem a não fazer aos outros o que fizeram.
Eu não posso acreditar que um inocente vá experimentar consequências dolorosas ou tristes, vá enfrentar um sofrimento muito intenso, pois eu acredito em um Deus bom e justo.
Assim sendo, Ele não iria deixar que eu ou você sofrêssemos o que não necessitamos.
— Muitas vezes só aprendemos com o sofrimento — concluiu reflexiva.
— Isso mesmo.
Em seguida, Davi olhou no relógio e se surpreendeu:
— Nossa, pessoal!
Preciso ir. Estou atrasado.
Levantando-se, passou perto de sua mãe e a beijou.
Curvando-se diante de Rúbia, beijou-lhe também o rosto.
Em seguida, passou a mão nas costas do irmão, despedindo-se e foi se trocar para ir trabalhar.
Davi tinha toda a razão.
Os nossos pensamentos negativos são piores do que todos os nossos inimigos juntos tentando algo contra nós.
Rúbia ficou impressionada com a explicação tão clara.
Vendo por aquele ângulo, os acontecimentos da vida começavam a fazer sentido.
Tudo o que experimentamos tem uma razão de ser.
Necessitamos evoluir, mas só evoluímos quando praticamos a caridade do desejo no bem e harmonizamos situações que desarmonizamos.
* * *
Naquela tarde, conforme combinado, Simone e Cristiano foram até a instituição que cuidava de crianças com necessidades especiais.
Ela estava apreensiva.
Mesmo assim, insistiu em visitar o lugar.
A recepcionista, delicada e educadamente, questionou:
— A senhora tem certeza de que quer conhecer todas as nossas alas?
Desculpe-me perguntar, mas não é comum uma gestante nos visitar.
Aliás... Acho que nunca recebemos visita de gestante.
Não que eu saiba — falou com jeitinho, sorrindo generosa.
— O meu nené, que vai nascer... espero, tem Síndrome de Patau.
Fiquei desesperada quando soube.
Eu desconhecia essa síndrome.
Agora, depois de muito choro e desespero, entendi que devo encarar a realidade.
Afinal, vou ver meu filho, cuidar dele, amá-lo e fazer de tudo por ele, conforme Deus quer.
Então decidi que quero conhecer outras crianças com essa e outras síndromes.
Quero conhecer a realidade, pois, para mim, esse é o jeito de eu criar uma estrutura para a vida.
Uma estrutura firme e real.
— Se é assim...
Vamos — sorriu, contendo a admiração pela firmeza da outra.
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Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Abr 07, 2017 8:36 am

— E o senhor, doutor Cristiano, faz tempo que não vem nos visitar, não é mesmo?!
— E sim. Sofri um acidente e, desde então, ficou um pouco difícil de vir aqui.
— Fiquei sabendo.
O assunto prosseguiu até entrarem nas alas onde ficavam as crianças, começando pelas mais novas.
Em dado momento da visita, Simone, sem se dar conta, segurou no braço de Cristiano e apertava-o.
Ao passarem pelos bercinhos, ela ficou impressionada com o que via.
O rapaz sobrepôs o braço em seu ombro e, com voz generosa, perguntou educado, quase sussurrando:
— Quer voltar daqui?
Não tem problema nenhum.
Podemos voltar agora, se quiser.
A Bete vai entender muito bem — referiu-se à funcionária que os acompanhava.
— Não. Vamos continuar — determinou-se.
No decorrer da visita, Simone fazia algumas perguntas quanto ao tratamento, à alimentação, aos cuidados básicos para algumas necessidades e tudo mais, parecendo um pouco mais à vontade, mais segura.
Depois de algum tempo, já no final da visita e próximos da saída, perguntou:
— Você me apresentou aquelas senhoras voluntárias.
Como se faz para ser voluntária aqui?
— A pessoa tem que preencher uma ficha junto à direcção da casa.
Lógico que não podemos aceitar qualquer voluntário.
Precisamos prezar pela segurança e bem-estar das nossas crianças, por isso existe uma avaliação rigorosa.
É preciso ter boa vontade, pontualidade, bom ânimo e outras qualidades necessárias para auxílio ao próximo.
— Entendo.
— Na maioria das vezes, são senhoras que se dispõem à conservação do lugar, ou seja, a limpeza ou cuidados mais específicos de higiene local.
As que já trabalharam como enfermeiras, babás, professores, principalmente professores do jardim de infância, merendeiras, um auxiliar de serviços de educação e outras tarefas, especialmente com crianças, podem ajudar em tarefas específicas como alimentação, preparação dos alimentos, actividades com brincadeiras para aqueles que têm melhores condições.
Sempre há uma ala necessitando de alguém para ajudar e sempre há alguém necessitando ser voluntário para se ocupar.
— Eu vi a dona Matilde, a dona Josefa e outras consertando as roupas doadas e que têm condições de serem aproveitadas na instituição.
Achei o trabalho tão bonito!
— Foi a dona Matilde quem começou com esse serviço aqui — sorriu ao contar.
Ela estava com depressão.
O marido havia falecido e seu mundo acabou.
Depois de muito tempo em um estado horrível de depressão, pânico e muitos sintomas psicossomáticos, ela nos contou que o seu psicoterapeuta orientou que fizesse algo, que se dedicasse a alguma tarefa.
Muito abatida, ela nos procurou.
Não podíamos colocá-la, no estado em que se encontrava, junto das crianças.
Então, uma das cozinheiras propôs que ajudasse na cozinha.
Dona Matilde começou, mas mostrou-se alguém muito triste, tinha crises depressivas e chorava.
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Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Abr 07, 2017 8:36 am

Um dia, quando ela passava pela recepção para ir embora, viu uma mulher doando muitas roupas de crianças, porém avisou que estavam sujas e outras precisavam de consertos.
A moça da recepção disse que a lavagem não seria problema, mas não tínhamos o serviço de costura.
Então, dona Matilde se prontificou.
Levou as roupinhas para sua casa, lavou-as e começou a consertar.
Distraiu-se com o serviço e quando duas amigas foram visitá-la...
Não sei como explicar... mas as amigas gostaram de costurar as roupinhas, pois muitos dos serviços eram à mão.
Aí tudo começou.
A casa de dona Matilde não tinha espaço, então arrumamos a sala onde trabalham até hoje.
Chegaram outras voluntárias.
Hoje, elas fazem os consertos de todas as roupas e ainda confeccionam panos de prato bordados, toalhas de mesa e banho bordadas para venderem no nosso bazar e arrecadarem fundos para a instituição.
— Nossa! Eu a vi tão animada.
E a depressão e a síndrome do pânico? — interessou-se Simone.
— Que depressão, que pânico, que nada! — riu gostoso.
Tudo acabou.
Hoje é uma pessoa alegre, animada e produtiva.
Muito produtiva.
Cheia de ideias e boa vontade.
— Eu vi. É difícil acreditar.
A depressão é algo tão degenerativo — tornou a outra.
— Eu que o diga — murmurou Cristiano.
Depois admitiu:
— Sou eu que preciso vencer a depressão e o pânico para voltar à activa.
— Isso vai passar, doutor.
Vai passar — Bete incentivou.
— É... Vamos ver.
Não é fácil — suspirou e forçou um sorriso.
— O doutor Alcides andou perguntando pelo senhor esses dias.
Está nos fazendo muita falta.
Olhando para Simone, contou:
— O Alcides é o médico que acompanha o tratamento odontológico, pois algumas crianças precisam ser sedadas.
Conversaram mais um pouco e se foram.
No caminho, Cristiano perguntou:
— Quer tomar um suco.
Ali tem uma casa de suco óptima.
— Não sei... Só se você quiser.
— Vamos — insistiu.
Será bom para que se distraia um pouco mais antes de voltarmos.
Além do que, está muito tempo sem se alimentar.
Precisa se preocupar com o nené.
— Então está bem — sorriu, concordando.
Ao chegarem à casa de suco, Cristiano fez os pedidos e ficaram aguardando, acomodados a uma mesa na parte da frente do lugar.
Olhando para os fundos do estabelecimento, ela não acreditou no que via.
Começou a empalidecer e não prestava atenção ao que o outro dizia, até que o rapaz percebeu.
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Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Abr 07, 2017 8:36 am

— Simone? Tudo bem?
— Lá no fundo... Naquela mesa...
O amigo olhou e ela disse sussurrando, com voz trémula:
— É o meu marido.
É o meu marido que está pegando na mão daquela mulher e dando-lhe beijos...
É o Samuel — falava como se estivesse em choque.
— Meu Deus... — lamentou o rapaz num murmúrio, sem saber o que fazer.
Abaixando a cabeça, pensou um pouco e sugeriu:
— Vamos embora.
— Não. Vamos ficar.
Determinou-se.
Estava pálida e tremia visivelmente.
A garçonete trouxe os sucos.
Ela mal tocou a boca no copo por duas ou três vezes e Cristiano, preocupado, nem tocou na bebida.
Não diziam nada.
Simone não conseguia evitar olhar para os fundos e ver seu marido sorrindo, afagando e, às vezes, beijando a mão e os lábios da outra.
— Você não me parece bem.
Vamos embora — tornou Cristiano.
— Você não vai tomar o suco? — quis saber ela, tentando impor um jeito frio na fala.
— Não. Desculpe-me por tê-la trazido aqui. Agora, vamos.
— Não quer mais o suco mesmo? — insistiu no mesmo tom.
— Não, por quê? — estranhou.
— Então podemos ir, mas antes...
Levantou-se e foi à direcção da mesa de Samuel, que se assombrou ao vê-la ali, em pé, ao seu lado.
— Boa tarde! — disse ela em tom enérgico.
— O que você está fazendo aqui?! — perguntou o marido, afastando-se da outra.
Olhando para um, depois para o outro, Simone percebeu Cristiano ao seu lado e apresentou:
— Este é o Cristiano, amigo do meu irmão e, agora, meu amigo também.
Ele me acompanhou para eu ter mais informações de como pode nascer nosso filho, que tem Síndrome de Patau.
Filho que Deus confiou a nós dois, Samuel.
Não só a mim!
Um instante e perguntou:
— E você?
O que faz aqui aos beijos e carícias com essa aí?
— Simone, não vá...
— Não vou nada, Samuel.
Tenho dó de você.
Lamento ter me enganado, pensando ter me casado com um homem, quando, na verdade, casei-me com um covarde, um pobre coitado.
Eu sofro, mas pelo menos entendo e aceito meu sofrimento.
Você nem sabe o que te espera.
Dirigindo-se à mulher que o acompanhava, comentou com desprezo:
— Quanto a você, Marrie...
Nem adianta eu dizer nada.
Vejo que está tão distante de mim, está tão baixa, tão inferior que não vai entender nada do que eu lhe diga.
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Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Abr 07, 2017 8:37 am

Voltando-se para o amigo, pediu:
— Vamos, Cristiano. Por favor.
Viraram-se e o rapaz a conduziu até o carro.
Ambos tentavam disfarçar o nervosismo, mas, ao acomodar-se no banco do passageiro, Simone não suportou e teve uma crise de choro.
Cristiano ficou em silêncio até ela se recompor e só então disse:
— Desculpe-me, por favor.
Foi minha culpa tê-la trazido para este lugar.
— Não, não foi, Cristiano.
Eu já sabia... Só vi com meus olhos.
Agora... Quero ir embora...
Leve-me daqui, por favor.
O rapaz tomou um susto.
Não dirigia desde o acidente que sofreu, entretanto não tinha como recusar.
Afinal, a amiga não parecia em condições de conduzir um carro.
Ele fechou os olhos por um momento, respirou fundo e, mesmo com as mãos trémulas, ligou o carro e saiu dali.
Quando se deu conta, havia estacionado o veículo frente a sua casa.
Nem sabia como fez o caminho de volta.
Ao vê-lo, dona Janaina exclamou, incrédula, para Rúbia:
— Meu Deus!
É o Cris e... dirigindo!
— E o carro da minha irmã!
Procurando manter a calma, a senhora abriu o portão da casa e foi recebê-los de modo bem natural.
— Que bom que vieram!
Fiz um bolo de mandioca delicioso.
— Oi, dona Janaina.
Tudo bem? — cumprimentou Simone ainda atordoada.
— Tudo, filha. E você?
— Bem.
As irmãs se abraçaram e se cumprimentaram por longo tempo.
Olhando para o filho que contornava o veículo, ela perguntou de modo enigmático:
— Tudo bem, Cris?
Cristiano, sério, não respondeu.
Beijou-a como sempre, porém se notava nervosismo em seus gestos.
Percebendo o rapaz trémulo e pálido a mãe chamou:
— Vamos entrar.
Eu e a Rúbia estávamos no jardim procurando hortelã.
Fiz café agora, mas achei que ela não deveria tomar por causa da cafeína.
Então vim procurar hortelã.
Vou fazer um chazinho bem gostoso para nós.
Hortelã acalma.
Acho que estamos precisando.
Em seguida, entraram na casa e Cristiano seguiu sua mãe até a cozinha.
Sabiam que as irmãs desejavam ficar a sós.
Acomodadas no sofá, ficaram abraçadas até Simone perguntar:
— Você está bem?
— Agora estou.
E a mãe? E o pai?
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Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Abr 07, 2017 8:37 am

— A mãe ficou mais calma ao saber que está aqui.
Eu disse que conhecia a dona Janaina e...
Contei quem eram.
Tinha certeza de que estava sendo bem cuidada.
Quanto ao pai... Sabe como ele é.
Bebeu, falou muito e está inconformado.
Mas... Isso passa.
— Não sei o que fazer da minha vida.
Pensei tanta besteira... — Rúbia confessou.
— Tem coisa que só o tempo traz a solução.
— Breve pausa e mencionou:
— Acabei de encontrar o Samuel rindo, brincando, trocando beijos e carícias com a Marrie.
— Tá brincando?!
— Não. Gostaria de estar.
O Cristiano estava comigo e viu tudo.
— E você?! O que fez?! — quis saber a irmã assustada.
Simone relatou o que havia feito e, quando Rúbia ia ofender o cunhado, lembrou-se do que Davi lhe falou naquela manhã e considerou:
— O Samuel ainda não acordou.
Ele está fora da realidade. Coitado.
— É... — suspirou a outra.
Você tem razão.
Obrigada por ver dessa forma e não me deixar com raiva.
Fiquei com vontade de dar na cara dele, mas não.
Pensei no meu filho.
De alguma forma o nené vai sentir e se prejudicar pelo meu nervosismo.
— O que vai fazer agora?
— Vou pensar em mim, no meu filho e fazer o mais improvável para o Samuel.
— O quê? — tornou Rúbia.
— Vou voltar para casa.
Contratar um advogado e pedir o divórcio.
Com sorte, posso me separar antes do nené nascer.
— Simone!
— É isso mesmo — sorriu um sorriso amargo.
Que Deus me ajude, me dê forças.
Cristiano chegou e disse:
— Minha mãe está chamando para tomar café.
Elas levantaram e foram até a cozinha, onde todos se sentaram à mesa.
— Hoje é um dia de vitória para o Cris — alegrou-se a senhora.
— Ah, mãe... Pára com isso — pediu, insatisfeito e constrangido.
— Por quê? — interessou-se Simone.
— Desde o acidente o Cris não foi mais à instituição e, hoje, foi.
Também não dirigia desde o acidente e, hoje, dirigiu.
Também não o via interessado em nada e hoje estou vendo.
Temos muito que agradecer a Deus.
Cristiano sentiu o rosto corar e Simone perguntou:
— Pelo que soube, não era você quem estava ao volante naquele acidente. Mesmo assim, não queria dirigir?
— Não. Não queria dirigir.
Desde o maldito acidente, eu entro em pânico para todas as situações, ou a maioria delas em que eu tenha de tomar decisões ou ser responsável.
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Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 08, 2017 9:15 am

Dirigir é uma delas.
— Eu não sabia...
Desculpe-me — murmurou Simone.
— Mas agora consegue, não é filho?
— É... — concordou inseguro.
Minha preocupação é voltar a trabalhar como dentista, pois é preciso eu ter muita responsabilidade com a saúde e até com a vida dos pacientes.
Temo por uma situação inesperada, de risco.
— Você não conseguia ir à instituição e foi.
Isso mostra que, aos poucos, vai vencer esses medos que nunca teve antes.
— Por que não me disse? — quis saber Simone.
— Ao pensar naquelas crianças, vinha uma tristeza enorme, um desespero inexplicável.
Apesar de eu ter tratado delas incontáveis vezes, sem qualquer outro sentimento que não fosse o de amor e vontade de ajudar.
Então, quando veio aqui e a vi com coragem para ir lá, no seu estado, com todas as dificuldades que está vivendo...
Eu disse a mim mesmo: tome coragem!
Vá junto! Enfrente o medo! — sorriu e revelou:
— Não vou lhe dizer que não estremeci quando chegamos lá.
Assim como me abalei quando precisei dirigir para sairmos da casa de suco, mas continuei e vi que posso.
— Eu não queria incomodá-lo.
Desculpe-me, Cristiano — pediu Simone com voz singela.
— Ora... você me fez um favor.
Foi instrumento na minha vida.
Não posso viver como estou.
Preciso aproveitar as oportunidades e me superar.
— Ele já fez grandes progressos nos últimos tempos — disse a mãe em tom de elogio.
O telefone tocou e o rapaz pediu:
— Deixe-me atender.
Com licença.
Ao vê-lo ir para a sala, dona Janaina comentou:
— Nunca vi o Cris tão bem como nas últimas semanas.
Principalmente depois que te conheceu, Simone.
A sua força de vontade, a sua disposição para superar as dificuldades, mexeram com ele.
Parece que deu ânimo ao meu filho.
Ele nem sorria assim meses atrás.
Até diminuiu suas saídas e aquelas caminhadas, sozinho, que me deixavam muito preocupada.
— O que aconteceu exactamente com ele? — interessou-se Rúbia.
Dona Janaina contou e ainda disse:
— Assim que se recuperou, ele saía para caminhar e dizia que isso lhe dava alívio.
Conta que sente um desespero, algo insuportável e que, quando andava, aliviava bastante.
Mas isso diminuiu muito.
— O que ele sente é uma espécie de tensão.
Essa tensão é uma energia e quando ele se movimenta, anda, consegue gastar essa energia e sente-se menos nervoso, menos tenso — explicou Simone.
— Quando o Cris saía para caminhar, ele parecia imensamente triste, perturbado.
Eu ficava com tanto medo.
Essas saídas não tinham hora nem dia.
Orei muito e minhas preces foram ouvidas.
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Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 08, 2017 9:15 am

Nas últimas semanas, só tem caminhado com o irmão, que é atleta de fim de semana — riu.
Ao retornar, Cristiano comentou:
— Era uma amiga querendo saber como estou.
Foi bom ter ligado, ela me lembrou da palestra de hoje.
Virando-se para Simone, convidou:
— Venha ao centro espírita connosco.
Sabemos que o palestrante desta noite é óptimo.
— Hoje?!
— É.
— Vou sim. Eu aceito.
Faz tempo que não vou ao centro.
— Ai, que bom!
Adoro ter gente aqui — alegrou-se a senhora.
Vou preparar um jantar bem gostoso e depois do jantar, nós vamos.
— Não, dona Janaina, não aguento comer mais nada! — disse Rúbia.
Eles riram e continuaram a conversa.
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Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 08, 2017 9:16 am

10 - O QUE É REALMENTE A CARIDADE?

AQUELA NOITE foi bastante proveitosa para o envolvimento espiritual de todos que abriram suas mentes ao tema tão importante:
Amar ao próximo como a ti mesmo.
O cumprimento dessa máxima é a maior caridade.
É a expressão mais completa da caridade, pois fazemos aos outros o que desejamos que seja feito a nós, quando no lugar dele.
Essa prática é o fim do egoísmo e do orgulho.
Se não amamos ao próximo como a nós mesmos, não conseguimos amar a Deus sobre todas as coisas.
Ao amarmos o próximo como a nós mesmos, apesar desse próximo ainda viver na prática da desarmonia com a Natureza e com o Pai, em muitos casos, estamos exercendo a benevolência, a fraternidade, a compreensão e nos elevando em espírito.
O amor é a essência divina que existe em nós.
Como nos é ensinado em O Evangelho Segundo o Espiritismo: amar aos inimigos é um absurdo para os incrédulos.
Aquele para quem a vida presente é tudo, só vê no inimigo uma criatura perniciosa, a perturbar-lhe o sossego.
Para aqueles que crêem nos ensinamentos de Jesus, e deveria ser, principalmente, o espírita, amar ao próximo é compreender que precisamos espiar o passado, pensar que desconhecemos o que fomos em outras vidas.
Talvez criaturas até piores do que o desafecto de hoje.
Lembrar também que há um futuro e nunca sabemos o que o amanhã nos reserva.
Ignoramos o quanto aquele nosso inimigo de hoje pode vir a nos ajudar e nos amar.
Assim sendo, não podemos reclamar das provas que experimentamos por conta do que os outros nos fazem.
Não devemos nos queixar daqueles que nos servem de instrumento para desenvolvermos a paciência, o amor, a resignação, a oportunidade de oração.
Essa forma de agir e pensar nos leva ao perdão.
Sentimos, então, mais vontade de sermos generosos, prudentes, consequentemente, elevamo-nos e ficamos longe das energias negativas, inferiores, que poderiam nos atingir.
Alguns dizem não poder ou não conseguir fazer caridade, pois não têm muito o que partilhar.
A verdade é que a caridade pode ser realizada de muitas maneiras:
em acções, palavras edificantes e pensamentos bons ou uma prece.
E ninguém é tão pobre que não possa praticá-la através de um pensamento, de uma prece com desejo no bem, na prosperidade.
Isso é impossível de não se fazer, a não ser que não se queira.
Aí mostramos o quanto egoístas somos.
Não importa quem somos, o que somos, o quanto temos, em quais condições vivemos, o que conta é o amor que temos e direccionamos diariamente a todos os irmãos do caminho, principalmente o amor que endereçamos naturalmente com nossos pensamentos.
Toda a Doutrina de Jesus resume-se em amor.
A palestra foi magnífica.
Fez com que muitos reflectissem sobre seus sentimentos e suas acções.
Dona Janaina, sentada entre Cristiano e Rúbia, curvou-se para o lado do filho e perguntou à Simone:
— Gostou do tema de hoje? — sussurrou.
— Adorei — cochichou.
Essa passagem do Evangelho foi muito bem explicada.
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Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 08, 2017 9:16 am

Cristiano virou-se para Rúbia e comentou:
— Agora é hora de receber os passes.
As pessoas que desejarem receber os passes ficam naquela fila — apontou.
Elas serão conduzidas à câmara de passe onde há os tarefeiros passistas.
O intuito é de o passista aplicar, ou seja, transmitir as energias salutares que recebe dos espíritos amigos que trabalham aqui em nome de Jesus.
Não haverá nenhum contacto físico, só imposição das mãos.
Gosto de lembrar que os passistas buscam fazer o mesmo que o Mestre Jesus quando estendia as mãos sobre os necessitado? e amenizava suas dores, principalmente as da alma.
Alguns chegavarn a se curar. O intuito do passe aplicado aqui é esse.
Você quer recebê-lo?
— Quero sim — sussurrou, empolgada.
Adorei tudo o que vi, ouvi e senti aqui.
Não me sinto tão bem há muito tempo.
Quando se levantaram e se encaminharam para a fila do passe, foram surpreendidos pela aproximação de Davi, todo de branco, pois tinha vindo directo do consultório odontológico.
— Filho, você veio — alegrou-se a senhora.
— Cheguei no comecinho da palestra, mas não tinha lugar perto de vocês e fiquei ali atrás.
Logo cumprimentou Rúbia e Simone e contou:
— Um paciente da tarde faltou e o outro chegou mais cedo e...
Não tive aula hoje...
Enfim, acabei tendo um tempinho e vim directo pra cá.
Após os passes, dona Janaina explicava às duas irmãs os trabalhos existentes na casa espírita e elas ouviam com atenção.
— Então fazem cestas básicas, enxovais para gestantes necessitadas, dão aula de pintura em tecido, bordado, croché e outras coisas.
Todos que ensinam aqui são voluntários.
Tem aqueles que também ajudam na cantina ou trazem alguns salgados para serem vendidos.
O que é arrecadado ajuda a pagar algumas das contas da casa espírita como água, luz, telefone, material de limpeza, papel para banheiros, material para oficinas...
Também temos cursos de estudos espíritas.
É sempre importante conhecer e entender melhor a Codificação Espírita.
— Eu não imaginava que existia tudo isso — admirou-se Rúbia.
Não tinha a menor ideia.
Repentinamente, dona Janaina olhou e viu um amigo, que também era tarefeiro da casa e estava a certa distância, caminhando em direcção a eles.
Nesse instante, a senhora virou-se para Davi e recomendou:
— Filho, lá vem o senhor Raimundo.
Deixe que ele fale o que quiser, sozinho, viu?
— Fique tranquila, mãe.
Sei como lidar com ele.
Tratava-se de um homem de grande porte, alto, quase sisudo.
Parecia sempre insatisfeito quando tecia seus comentários, principalmente no que se referiam às críticas.
— Boa noite — disse o senhor ao se aproximar.
Todos responderam e dona Janaina apresentou:
— Estas são nossas amigas, Rúbia e Simone.
É a primeira vez que vêm aqui.
Este é o senhor Raimundo, companheiro daqui do centro.
— Prazer — disse o homem ao apertar a mão de cada uma, na sua vez.
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Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 08, 2017 9:16 am

Pelo jeito deve apresentar a casa não só a elas, pois tem gente que não vem há muito tempo aqui.
Não deve se lembrar de mais nada — disse em tom irónico, olhando para Davi.
— É que estou com muito trabalho, senhor Raimundo — respondeu Davi educado.
— Sabe que não devemos só pensar no trabalho, meu caro.
Não podemos depender só do dinheiro.
Isso é ganância e até egoísmo, orgulho, arrogância de certa forma, pois acha que não tem nada para aprender aqui.
— Não me julgue, senhor Raimundo.
Tenho um compromisso humano.
Fiz um juramento e devo atender aqueles que precisam dos meus préstimos.
Afinal, meus pacientes estão cuidando da saúde, através de mim.
Seria falta de caridade, da minha parte, eu dizer que não posso atendê-los porque vou à casa espírita.
Faço pós-graduação três dias por semana, à noite, por isso só me restam duas noites para atender aqueles que só têm disponível esse horário.
Um desses dois dias que me restam coincide com o dia de palestra aqui no centro.
— Será que os irmãos espirituais, ou melhor, será que Deus entende sua suposta dificuldade?
— Ah... Deus entende sim.
E os espíritos entendem porque, se são amigos espirituais, estão vendo tudo o que faço.
E quanto a Deus, Ele entende porque é Deus.
Olhando para sua mãe e para os demais, Davi chamou:
- Vamos?
Não houve tempo de resposta, pois o homem, muito crítico, pareceu bem insatisfeito com a resposta de Davi e decidiu arrumar um jeito de criticar, imediatamente, alongando o assunto:
— Você pode fazer um milhão de coisas, meu caro, mas está em débito com sua presença na casa de Deus.
Precisa comparecer mais vezes, participar mais, executar alguma tarefa, estudar, doar-se aqui.
Levando a vida que leva...
Será vítima de si mesmo, daqui a pouco.
— Senhor Raimundo, estou tentando ser gentil para que me entenda.
Esse momento que vivo é uma fase.
Agora, estudando e trabalhando, eu não posso estar presente na casa espírita.
— Principalmente sendo o provedor lá de casa.
Não estou trabalhando — lembrou Cristiano, interferindo em favor do irmão.
— Então, Davi, não pode dizer que é espírita e que frequenta uma casa espírita.
Você está longe da casa de Deus.
Davi respirou fundo, abaixou o olhar, depois encarou o senhor arrogante e disse em tom brando e educado:
— Senhor Raimundo, é muito comum, em meio a um grupo espírita, ouvirmos a pergunta:
que centro espírita você frequenta?
Eu sempre quis responder a essa indagação como vou fazer agora para o senhor.
Para se responder à pergunta:
qual casa espírita você frequenta?
É preciso fazer algumas outras questões como:
É possível limitar a Divindade a alguns míseros metros quadrados circundados pela fria alvenaria?
É possível reduzir, compactar a mensagem do Evangelho redivivo, a tal ponto que um simples espaço físico o comporte?
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