MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

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Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 08, 2017 9:17 am

Se a pergunta for de tal forma restritiva, creio que a resposta será simplesmente: não frequento centro algum.
Mas se quem interroga crê que a mensagem consoladora do Evangelho é algo sublime, nascida do coração de Deus e tão imensa quanto o Seu amor, creio que a resposta vai mais além. Kardec afirma claramente que o verdadeiro espírita se reconhece pelos esforços que empreende em tornar-se uma pessoa melhor, mas de forma alguma circunscreve o campo desses esforços às quatro paredes de um centro espírita.
Nosso corpo — continuou tranquilo —, residência temporária de nossa individualidade espiritual, este sim deve ser consagrado ao intenso e ininterrupto trabalho de auto-aperfeiçoamento, como um templo de louvor e adoração ao único Deus. Assim sendo, cada palavra, cada gesto, cada atitude perante a vida e perante o semelhante, deve ser um hino de gratidão ao Deus eterno, que não nos ampara apenas no centro espírita ou nas igrejas, sinagogas e outras casas de oração, mas sim em cada momento de nossa vida; na ilusão da felicidade efémera ou entre as garras da tristeza desesperadora. Deus nos ampara todo instante.
Seria menosprezar a Divindade — prosseguiu no mesmo tom, encarando o outro com olhar generoso —, tentar imprimir-lhe nossas imperfeições meramente humanas, tentar reduzir o Criador do Universo à mediocridade do antropomorfismo, buscando dedicar, muitas vezes, para redimirmo-nos, perante nossa consciência, algumas horas das que nos sobram após a faina diária, àquele que nos envolve em seu Amor Infinito, desde o nosso primeiro sopro de vida, migalhas de tempo oferecidas em um altar de pedra, nunca no altar dos nossos corações.
Mesmo assim, mesmo sabendo que Deus importa ser adorado em espírito, muitos ainda, como o senhor, sentem-se plenamente quites com o Criador, por dedicarem o mínimo do seu tempo ao serviço religioso, seja ele qual for.
Pobre ser humano que agradece a abundância com que Deus lhe provê com migalhas.
Pobres servidores, que se julgam fiéis, enquanto cerram os olhos para uma prece e pensam nas tarefas que os aguardam ao chegar a sua casa ou no que precisam fazer no dia seguinte.
Frágil religiosidade, que o menor sopro da adversidade põe abaixo, expondo a verdade sob subtil camada de piedade...
O senhor não acha?
O homem nada disse e Davi continuou:
— Olhe ao seu redor.
Tente abranger com um único olhar a grandeza da criação Divina.
Ouça o cantar dos pássaros, veja a luz do amanhecer e o brilho das estrelas a iluminar a imensidão da abóbada celeste.
Pense no ar que respira e que muitos insistem em poluir.
Biliões de vidas vegetais trabalham incessantemente para limpar o que o ser humano insiste em poluir irresponsavelmente.
E nós, pequenos seres humanos, podemos, de alguma forma, retribuir a Deus sequer um átomo do oxigénio de que nosso organismo tanto necessita?
Poderíamos pagar, se nos fosse cobrado, uma gota de água potável?
E com que pagaríamos ao Criador do Universo?
De que moedas utilizaríamos para negociar com Aquele que, nas palavras de Moisés, auto-intitulou-se como Eu Sou?
Total silêncio na breve pausa e prosseguiu:
— Ousa barganhar com os míseros minutos que lhe sobram com Aquele que é o Criador e Mantedor da Vida, o alfa e o ómega, o princípio e o fim de tudo o que existe, existiu e há de existir?
E é esse Deus, esse Pai soberanamente justo e bom, que lhe oferece com fartura tudo de que necessita.
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Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 08, 2017 9:17 am

O Seu Amor não se mede pelas restritivas concepções humanas.
Se quer, de alguma forma, agradecer ao Criador por tudo aquilo que receber, se quer dedicar algo Àquele que lhe deu tudo, não dedique minutos.
Dedique a sua vida em toda a plenitude.
Faz de seu lar, de seu trabalho, da rua por onde caminha, de todo e qualquer lugar onde esteja, um templo onde possa adorar ao seu Criador com o mais puro amor de sua alma, vertido no cálice de seu coração.
Que cada gesto, cada palavra, cada acto seu seja realizado como se estivesse de joelhos perante Aquele que o criou, não importa onde esteja nem com quem.
Segue os passos de Jesus, que foi Cristo em cada momento de sua vida e poucas vezes esteve no templo.
Pode conceber exemplo maior do que o Dele?
Pode conceber Jesus restrito entre frias paredes de pedra, seja lá em que religião for?
Por isso, senhor Raimundo, não tente reduzir o brilho do sol ao mísero bruxulear de uma vela.
Busque Deus nas tarefas do cotidiano, na conversa com os amigos, no trabalho que lhe possibilita a manutenção da vida, pois é isso o que eu faço a cada dia, em cada minuto, onde quer que eu esteja.
E quando o senhor compreender, quando tiver a certeza de que o universo é a casa de Deus e cada criatura nele existente é seu irmão, toda a sua vida estará imbuída dos preceitos cristãos.
Então vai conseguir viver em perfeita harmonia consigo, e em permanente comunhão com o Plano Maior.
Daí por diante, suas palavras serão preces, seus pensamentos serão luz e adorará ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e amará ao próximo como a ti mesmo, onde quer que esteja e seja qual for o teu próximo e onde quer que ele esteja.
Sim, meu irmão — suspirou e sorriu com brandura —, onde quer que esteja.
O homem só criou o templo porque esqueceu que Deus reside dentro de si.
Dizendo tudo isso, Davi, com expressão singela, ficou parado olhando-o nos olhos.
O senhor estava corado e sem saber o que dizer.
Dona Janaina tocou o braço do filho, mas Davi ainda disse:
— A propósito, amar ao próximo como a ti mesmo, foi o tema da palestra de hoje.
Se eu estivesse tão equivocado, como o senhor, tão arrogante, egoísta, orgulhoso, eu gostaria de ouvir de alguém o que lhe disse agora.
Eu iria parar, reflectir e me reformar intimamente.
E, sem dúvida, agradecer muito ao amigo que me amou e foi verdadeiro comigo, alertando-me das minhas falhas.
Lembrando ainda que a crítica é um vício terrível, senhor Raimundo, ela é mãe da discórdia, do preconceito, do ódio e de tantos outros males do mundo.
— Filho... — murmurou dona Janaina, chamando-o.
— Um minuto, mãe.
Virando-se para o senhor, ainda disse:
— Não deixei de ser espírita em meu coração e em minhas práticas.
Também não estou longe da casa de Deus, pois faço do meu mundo a casa do Senhor.
Voltando-se para sua mãe, chamou:
— Vamos. Já está tarde.
Em seguida, despediu-se:
— Foi um prazer conversar com o senhor.
Até outro dia, senhor Raimundo.
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Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 08, 2017 9:18 am

— Até... — retribuiu cabisbaixo, apertando-lhe a mão.
Ao saírem pelo corredor do centro, dona Janaina perguntou de modo a repreendê-lo:
— Davi, o que foi aquilo?
O rapaz parou, virou-se para a mãe e explicou com suave sorriso e ternura na voz:
— Eu poderia tê-lo ofendido, apontado todas as suas falhas, falado de suas críticas destrutivas, mas não.
Falei calmamente, educadamente tudo o que ele precisava rever.
Não o ofendi em nenhum momento.
Não foi mesmo?
— Vamos embora — chamou a senhora, parecendo brava, insatisfeita com o filho, mas sem fazer alarido.
Davi trocou olhar com o irmão e ambos sorriram.
Quando estavam próximos dos carros, Ricardo os chamou:
— Oi, pessoal!
Pensei que não fosse alcançá-los — disse ofegante cumprimentando-os.
— Onde você estava?
Não te vimos — quis saber dona Janaina.
— Vendendo lanches na cantina.
Eu não podia sair de lá e não teve como chamá-los.
— Você é voluntário aqui? — perguntou Simone, sorridente.
— Sou. Há pouco tempo peguei a tarefa.
Sorriu e contou:
— Hoje, durante a palestra, eu estava no fundo e os vi, mas estavam longe, lá na frente.
Virando-se para Rúbia, interessou-se:
— E você, como está?
— Melhor do que ontem.
— Falou com seu irmão?
— Só consegui ligar hoje, na hora do almoço.
Ele também achou melhor eu não ficar sozinha no apartamento.
Pediu que o esperasse na casa da dona Janaina.
— Isso mesmo. Será bom para você.
Além do que, não tem lugar melhor do que a casa dessa criatura tão amável — elogiou, sobrepondo um braço no ombro da senhora e puxando-a levemente para junto de si.
Riram. Ao se ver sem assunto, Ricardo decidiu:
— Melhor irmos. Já é tarde.
Despediu-se e prometeu:
— Sábado à tarde dou uma passadinha na casa da senhora, dona Janaina, isso é, se não tiver nenhum problema.
— De jeito nenhum.
Vá lá. Estaremos te aguardando.
— Combinado.
Assim que Ricardo se foi, as irmãs se despediram.
Após prometer que voltaria à casa da senhora para levar algumas roupas para Rúbia,
Simone decidiu ir para sua casa, pois estava determinada resolver sua situação com Samuel.
* * *
Ao chegar a sua casa, percebendo que o marido não havia chegado, Simone ligou para sua mãe avisando onde estava e contando sobre o ocorrido naquele dia.
Terminada a conversa, foi para seu quarto e tomou um banho.
Demorou muito e Samuel chegou.
Ela o aguardava sentada no sofá da sala, estranhamente calma, segura do que devia fazer.
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Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 08, 2017 9:18 am

Ao contrário, o marido surpreendeu-se muito ao vê-la:
— Simone?! Você aqui?!
— Claro. É minha casa, não é?
— Sim... É que... Sobre hoje...
Interrompendo-o, ela esclareceu:
— Não quero qualquer explicação sobre o que eu vi hoje.
Nada do que me diga vai mudar minha opinião.
Aliás... O que disser pode me ferir, me magoar ainda mais.
Por isso, por favor, não me diga nada.
— Então?...
— Então — interrompeu-o novamente —, vim aqui para, simplesmente, tomar conta do que é meu, por direito, até um juiz decidir, por nós, quem vai ficar com o quê.
— Você quer dizer que...
— Divórcio.
Uma lágrima rolou em seu rosto.
Nunca pensou em dizer essa palavra para o marido.
Firme, parecendo austera e sem demonstrar emoção, continuou:
— O melhor agora é o divórcio.
Sei que, se for amigável, será rápido e menos doloroso.
Samuel andou pela sala alguns passos negligentes, pensou um pouco e perguntou:
— Você não vai lutar por mim?
— Lutar por você?! — sorriu com certa ironia.
Lutar por um homem que me abandonou no momento em que mais precisei de um amigo, de um ombro, de um companheiro?
Só se eu estiver desequilibrada. Isso é um absurdo.
Quando meu mundo desmoronou, você ainda foi capaz de jogar uma bomba em cima e me pisotear.
Não foi capaz de respeitar meus sentimentos.
Nem teve uma gota sequer de consideração, de respeito por mim.
Esse filho não é só meu.
Deus o confiou a nós dois, como eu já disse, mas você mostrou-se uma criatura tão cruel, tão perversa que virou as costas para nós dois.
Covarde! Com medo de enfrentar a realidade, mesmo que triste, foi procurar conforto, para o seu coração egoísta, nos braços de uma leviana.
Se essa safada tivesse um pingo de moral, de decência, iria mandá-lo de volta para sua casa, para sua família que sou eu e seu filho, para juntos nos ampararmos, nos fortalecermos e seguirmos adiante cumprindo a vontade de Deus.
Mas não foi isso o que aconteceu.
Tenho pena de você, Samuel.
Seus títulos universitários não alfabetizaram sua moral, nem seu espírito para o amor de Deus.
Não abriram seus olhos para as responsabilidades de sua existência.
Materialista e orgulhoso, só seria capaz de exibir seu filho se ele parecesse normal. Isso não é amor.
— Não vou admitir que me diga isso! — irritou-se.
Ela pareceu não o ouvir e prosseguiu:
— Não adianta uma bela residência, dois belos carros na garagem.
Tudo muito lindo...
Não adianta termos planeado tudo em nossa vida, o principal não planeamos.
O principal era termos um ao outro, a amizade, o amor, o respeito para os momentos difíceis.
Eu errei, errei muito.
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Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 08, 2017 9:18 am

Vi em você um homem trabalhador, estudioso, que se interessa muito em se actualizar para estar sempre de acordo com as necessidades do mercado de trabalho...
Mas, infelizmente, esqueci de ver se você tinha, dentro de si, amor e respeito a Deus, ver se você tinha um coração misericordioso, respeito ao semelhante, amor ao próximo e tantas outras virtudes que fizeram muita falta para nós em um momento tão importante como este.
— O que queria que eu fizesse?
— Ficasse ao meu lado, ao lado do nosso filho com amor e fé!
Só isso!
Breve pausa e, observando-o, continuou:
— Tem hora na vida em que o dinheiro não é nada.
Precisamos de Deus no coração para ampararmos um ao outro.
Precisamos é ter alguém ao lado que nos ame incondicionalmente e nos respeite.
Isso dinheiro não compra.
Samuel abaixou a cabeça e o silêncio foi absoluto por um bom tempo.
Incomodado, ele perguntou:
— E agora?
O que vamos fazer?
— Não vou abrir mão do que me pertence.
Lutei muito, assim como você também, para termos o que temos.
Estou grávida, por isso, agora, mais do que nunca, preciso do conforto e da segurança da minha casa.
O nosso filho vai nascer e precisa de um lar.
E a nossa casa, o nosso lar é aqui.
Portanto, não vou sair daqui e você pode ficar o quanto quiser.
Só que no outro quarto.
Amanhã você procura um advogado e vamos nos divorciar.
— Assim? Friamente?
— Exactamente. Não há como ser diferente.
— Então você voltou para cá para ficar com a casa?
— Voltei para dar ao nosso filho o que é dele.
Não é justo eu sair daqui, ficar na casa da minha mãe sendo que tudo pelo que lutei para conseguir, a fim de vivermos melhor, está aqui.
Todo o que tem aqui é meu e do nosso filho e vamos usar.
A não ser que um juiz diga o contrário, o que duvido.
Não fui eu quem se afastou dos deveres morais que nos unia.
— Tem certeza de que quer o divórcio?
— Sem qualquer dúvida. Quero sim.
— Então vou providenciar e também exigir o que é meu.
Metade de tudo aqui me pertence — respondeu, virando-lhe as costas e indo para o quarto.
Enquanto o marido tomava banho, Simone providenciou a arrumação da cama, que havia em outro quarto, para ele.
Assim que terminou, ela mostrou:
— Você pode ficar aqui — apontou para o quarto com a porta aberta que dava para ver a cama arrumada.
Samuel não disse nada nem quando percebeu que a roupa que vestiria no dia seguinte, também estava lá, pronta para que usasse.
Entrando no quarto, fechou a porta e deixou-a sozinha.
Ao se ver a sós, na suíte de casal, Simone sentiu o coração apertado e triste.
Por um momento pensou se estava fazendo o que era certo para ela e para o filho.
Uma profunda amargura a invadiu como nunca.
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Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 08, 2017 9:19 am

Jamais imaginou experimentar uma situação como essa.
Precisava conversar com alguém.
Pensou em ligar para sua mãe, mas não queria deixá-la mais preocupada.
Ela já estava angustiada por Abner, Rúbia e por ela.
Os três filhos viviam momentos problemáticos.
Não queria levar mais inquietação além das que já possuía.
Quis telefonar para Cristiano, mas ficou temerosa, a amizade era recente e o rapaz já tinha seus próprios desafios.
Lembrou-se de Cláudio, o seu colega, professor da mesma faculdade.
Seu coração apertava em desespero e uma angústia a dominou.
Não resistindo, pegou o telefone e ligou:
— Cláudio? Sou eu...
Chorou. Não aguentou o peso por tudo o que lhe acontecia.
- Calma, amiga - pediu o outro com compaixão.
Preocupe-se com o nené.
Ele precisa sentir que você está tranquila.
Relaxa, respira fundo e pense em uma coisa muito boa.
Ao ouvi-la em silêncio e percebendo-a serena, sugeriu com voz terna:
— Imagine um lindo jardim florido, um céu azul com nuvens fofas, branquiiiinhas...
Uma brisa suave tocando seu rosto e aliviando toda a tensão.
Agora você está mais leve.
Sua respiração está calma, suave...
Seu corpo relaxado...
Seu relato se alongou até Simone sentir-se bem calma e dizer:
- Estou melhor. Obrigada.
Desculpe-me por te ligar a essa hora.
Mas eu tinha de conversar com alguém.
— Não peça desculpas.
Um dia posso precisar de você também e não vou olhar no relógio — riu.
Vamos, diga o que aconteceu para você estar assim.
Simone contou sobre o seu dia, desde ter ido à instituição até o pedido de divórcio e emocionou-se quando relatou a frieza do marido durante a conversa.
— O melhor que fez, diante dessa situação, foi voltar para casa.
Não sei por quantas andam as leis, porém é bom garantir seus direitos e os direitos do seu filho.
— Eu disse que quero o divórcio, Cláudio.
— Lógico que quer!
Foi o que sentiu ao ver a traição.
Pior do que saber que se é traída, é pegar o companheiro no flagra, com a outra, como viu.
Seria bem difícil, depois de tudo, você aceitar e ficar numa boa com seu marido como se nada tivesse acontecido.
Como estaria sua consciência ao dormir ao lado do cara que você sabe que esteve com outra?
Certamente seria a coisa mais triste e infeliz de se fazer.
— Eu não consigo mais ficar ao lado dele.
Não quero que me toque. Entende?
— Totalmente. Respeite a sua vontade.
Sei o quanto está sensível pelo seu estado.
Mais emotiva ainda pelas preocupações com o nené.
Não importa o que os outros digam, a prioridade agora é respeitar-se, fazer o que é melhor para você mesma.
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Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 08, 2017 9:19 am

— Acha que agi certo?
— Se não quer dormir ao lado de alguém que não a respeita, não a ama, não é amigo, então fez a coisa mais certa desse mundo.
Não se preocupe.
Agora o que deve fazer é rezar.
Rezar com toda a força e com todo o amor que tem no coração.
— Fui ao centro espírita hoje.
Te falei, né? Me senti tão bem...
Pena ter deixado de frequentar uma casa espírita por causa dele.
— Sempre é tempo de voltar.
Se se sentiu bem, aproveite.
Lembre-se daquele momento de paz.
Para ter se sentido bem, deve ter recebido muita força, luz e paz de Deus.
É o que vai receber agora com uma oração bem bonita, com uma conversa bem sincera com Deus.
Breve pausa e contou:
— Não sou espírita, sou simpatizante.
Já fui, vez e outra, a algum centro e gosto de ler romances espíritas.
Por isso agora, estou lembrando uma história que me veio à mente.
Foi contada por um palestrante.
Essa história diz que, certa vez, lá no centro espírita onde Chico Xavier fazia as reuniões, chegou uma mulher, entre tantas outras.
Ela foi cumprimentar o querido Chico e reclamou de estar com uma forte dor de cabeça.
O Chico, como sempre, muito bondoso, pediu que a senhora se sentasse ali, junto à mesa.
Disse o palestrante que a reunião correu normalmente.
Após os primeiros minutos, a mulher disse a um dos companheiros que sua dor de cabeça estava passando e ficou muito feliz.
Momentos depois, a dor passou totalmente.
No final, muito melhor, completamente diferente de quando chegou, a mulher estava alegre.
Agradeceu, despediu-se e foi embora feliz da vida.
Então o Chico, humilde, virou-se para os outros companheiros e contou que aquela senhora, antes de ter chegado ali, havia tido uma briga muito feia com o marido.
Ele a ofendeu muito e teve vontade de agredi-la com um tapa no rosto.
Disse que o homem não a agrediu por pouco, mas sua vontade foi tão intensa que a energia rancorosa, de ódio, entrou por seu ouvido e se alojou na cabeça.
Chico contou que, mesmo psicografando, o espírito Emmanuel, seu protector, pediu para que visse a energia ruim que o espírito doutor Bezerra de Menezes tirava do ouvido da senhora porque ela estava em prece verdadeira, desejando o bem e vibrando amor.
Um instante e Cláudio disse:
— Eu fico muito impressionado quando me recordo dessa história e me lembro dela toda vez que começo a sentir raiva ou ficar magoado com alguém.
Penso que, certamente, a pessoa também ficou com raiva de mim.
Então eu mudo minha vibração.
Entro em prece, a princípio por mim mesmo, para que meu coração fique mais brando e eu possa entender o outro.
Depois eu oro, com todo o amor, desejando paz e luz na mente da outra pessoa para que ela possa se elevar e me entender.
— Você acha que o Samuel está com raiva de mim?
— Não sei se é raiva, mas satisfeito ele não está.
Pense que seu marido não é uma criatura evoluída o suficiente para se fazer forte, assumir o papel de homem da casa, do patriarca, do mantenedor, dar segurança e confiança.
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Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 08, 2017 9:19 am

Ele pode ter vários títulos académicos, mas ainda é pobre de espírito.
Vamos combinar, amiga, que não dá para exigir de quem não tem, certo?
Tanto ele quanto a Marrie não estão satisfeitos com você.
Por isso reze, amiga.
Reze pedindo a Deus que lhe dê força e amor suficientes para amar e desejar o bem àqueles que não a entendem, que a magoam, que a prejudicam.
Deseje o bem dos dois, que tenham paz e luz na consciência a fim de seguirem o caminho certo, sem prejudicar ninguém.
Fazendo isso não terá perto de você as energias ruins, desgastantes, tristes e dolorosas de algum sentimento negativo que qualquer pessoa possa lhe desejar.
Lembra-se de que a mulher se livrou da dor de cabeça, gerada pela energia de ódio do marido que lhe desejou o mal, porque vibrava no bem, no amor.
Ela estava em prece, por isso os espíritos a ajudaram.
Simone respirou fundo e disse ao amigo:
— Não é fácil, Cláudio.
— Mas não é impossível, querida.
Comece a rezar. Seu anjo da guarda se juntará a você e tudo começará a fluir naturalmente.
Pense ou diga as primeiras palavras de desejo no bem e vai saber o que é amar ao inimigo como Jesus ensinou.
O importante é começar, o resto, o amor que você tem em seu coração, vai se manifestar.
— Obrigada, Cláudio.
Essa conversa me fez muito bem.
— Sou eu que agradeço.
Ligue quando quiser.
— Obrigada.
Em seguida, despediram-se e desligaram.
Apesar dos desafios a resolver, Simone sentia-se bem melhor, mais confiante.
Conforme o amigo a orientou, ela orou, verdadeiramente, por si, pelo marido e por Marrie.
E foi assim que afastou de si energias pesarosas que poderiam se impregnar em seu corpo espiritual ou físico e até se manifestarem em forma de doença.
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Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 08, 2017 9:19 am

11 - CONVERSA ESCLARECEDORA

AO CHEGAR de viagem, Abner surpreendeu-se com a novidade sobre Rúbia.
Estavam em casa de dona Janaina e ele conversava com a irmã a sós no quarto.
— Foi isso o que aconteceu — disse ela após ter contado tudo.
Eu não sei o que fazer.
Não tenho onde ficar, perdi o emprego...
A Simone trouxe algumas das minhas roupas...
Não tenho mais nada.
Rúbia estava abatida.
Sua aparência revelava grande preocupação, por mais que tentasse disfarçar.
Não parecia tão animada nem tão arrumada como era.
Os cabelos cacheados estavam presos, feito um rabo e sem qualquer tratamento.
A ausência de maquiagem e as sobrancelhas crescendo davam-lhe um aspecto quase doentio no rosto sem brilho e sem o sorriso de antes.
Observando-a bem, o irmão respondeu:
— É lógico que poderá ficar no meu apartamento.
Sem dúvida. Quanto ao emprego...
Não podem demitir uma mulher grávida, a não ser por justa causa.
O que não é o caso.
— Mas eu não quero ir mais trabalhar!
Não sei como enfrentar isso!
Com que cara vou aparecer lá?
Vou me demitir — falou quase desesperada.
— Isso você pode fazer, mas não é o correto.
Vamos pensar em uma coisa de cada vez.
Primeiro, vamos lá para minha casa.
A dona Janaina e os filhos são criaturas maravilhosas, mas não devemos aborrecer os outros por muito tempo com os nossos problemas.
Segundo, eu vou ter uma conversinha com o Geferson.
— Não! Você não vai fazer isso!
— Vamos lá para casa, Rúbia.
Depois vemos o que fazer, certo?
— Só se me prometer que não vai falar com ele.
— Aqui não é um bom lugar para discutirmos.
Vamos embora.
Depois resolvemos isso.
Decidido assim, Abner a levou para seu apartamento, instalando-a no quarto onde havia feito um escritório.
Providenciou uma cama de solteiro e colocou lá.
Naquela noite, ao sentarem novamente para conversar sobre o assunto, Rúbia afirmou:
— Não quero por meus pés naquela empresa.
Não quero ver a cara do Geferson.
— Pense bem.
Trabalhando você terá direito à licença-maternidade, médico, plano de saúde, terá seu dinheiro e tantas outras coisas que só empregada vai conseguir.
Não seria nada bom ficar sem trabalho agora.
O que pensa em fazer?
Afinal, tem um filho a caminho e...
Para ser sincero, posso ajudá-la, mas ficará bem difícil para eu sustentá-la em tudo, principalmente no que diz respeito aos gastos com médicos e hospitais de qualidade.
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Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 08, 2017 9:20 am

Não será agradável para mim nem para você, depender de serviços públicos.
— Não sei o que fazer — admitiu desconsolada.
O pai não me quer em casa e você não vai poder me sustentar o tempo todo.
Afinal, tem sua vida.
Conquistou sua independência.
Eu não tenho o direito de estragar tudo.
Talvez, Rúbia tenha dito isso para ouvir do irmão que ela não seria incómodo algum e que ele iria ajudá-la em tudo e pelo tempo que precisasse.
No entanto, Abner foi honesto fazendo-a enxergar a realidade e assumir suas responsabilidades.
Em determinadas situações, muita ajuda provoca acomodação.
Por isso o rapaz respondeu:
— Você disse bem.
Posso ajudá-la por um tempo, mas tenho a minha vida.
É por isso que aconselho a não deixar o emprego.
— E como se eu não tivesse forças.
Sinto uma fraqueza quando penso em aparecer no serviço e...
O Geferson não quer a gravidez.
— Você não vai fazer o que ele quer mais uma vez, vai?
— Não. No momento do desespero, quando o pai me mandou embora e eu não tinha para onde ir, cheguei a pensar nisso.
Quis morrer... Mas depois...
Não posso deixar que o Geferson determine o que eu devo fazer para se ver livre de encargos.
Eu nunca me perdoaria.
Não teria paz na consciência pelo resto da minha vida.
— Veja bem, eu posso imaginar o quanto seria difícil voltar ao trabalho.
Porém será uma situação chata ou talvez constrangedora só no começo.
Depois você acostuma e o pessoal perde o interesse e para de lhe fazer perguntas.
— Ninguém sabe que eu e o Geferson tivemos um caso.
O pessoal vai querer saber quem é o pai do meu filho.
— Se não quiser que eles saibam, é só você ser firme e não contar.
Antes de eu perguntar algo sobre a vida de alguém, eu me pergunto: o que vou fazer com essa informação?
Para que preciso saber disso?
Se a informação não me serve para nada, então estou sendo indiscreto e inconveniente.
Sendo assim, não pergunto nada.
Quando alguém lhe perguntar algo de sua vida particular, pergunte-se:
o que essa pessoa vai fazer com essa informação?
Se não serve de nada para ela, que prevaleça o seu direito de não revelar nada sobre a sua particularidade.
— E o que digo se alguém perguntar quem é o pai?
— Responda:
Eu sei muito bem quem é o pai.
Você não conhece.
Não adianta falarmos disso.
Aliás, não é um bom momento para essa conversa, você não acha? — pensou e acrescentou:
— Quando se responde a uma pergunta indiscreta com outra pergunta, desarmamos a pessoa.
— Não é fácil.
— Rúbia, pense bem, você quer abrir mão do dinheiro que vai receber pela licença-maternidade, quer abrir mão de plano de saúde, hospital, médicos para você e seu filho e outros direitos por causa dos outros?
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Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 09, 2017 10:19 am

Ora!... Por favor!...
Que se danem os outros.
Tem que pensar em si mesma.
— Não quer que eu fique aqui, não é?
— Não foi isso o que eu disse.
É lógico que poderá ficar aqui o tempo que precisar.
Mas não acho certo que se acomode e se enclausure neste apartamento.
Quero que se organize para ser independente e, para isso, deve se movimentar desde já.
A forma mais prática e rápida de fazer isso é enfrentando a situação que você mesma provocou.
A verdade, Rúbia, é que procurou por isso.
Não foi por falta de aviso que se deu mal.
Agora precisa assumir a responsabilidade de seus actos, de suas escolhas.
A irmã sentiu-se envergonhada, pois sabia que ele tinha razão.
E desabafou:
— Não está sendo fácil para mim.
— Eu sei. Imagino que não esteja.
Porém deve ter o controle da situação, da sua vida.
Não ir trabalhar, demitir-se é fugir da responsabilidade, é perder o controle de tudo.
— E se o Geferson me pressionar?
— Procure evitá-lo, a princípio.
Se não tiver jeito, seja firme.
Diga que não vai abrir mão de seus direitos trabalhistas e vai assumir seu filho.
Que, por enquanto, não tem nada para falar com ele nem com mais ninguém a respeito desse assunto.
— Abner...
Estou tão confusa. Sinto-me tão fraca.
— Reze. Peça força e inspiração para saber como agir bem.
Rogue por clareza nos pensamentos.
— Você disse que iria falar com ele, eu te peço, por favor, não vá.
— Como está me pedindo, por enquanto, não vou.
O silêncio reinou por alguns minutos enquanto ela reflectia.
Logo Rúbia disse constrangida:
— Desculpe-me por tudo o que lhe disse.
— Como assim? — não entendeu.
— Da última vez que nos falamos, bem...
Eu o ofendi. No entanto, agora, é a única pessoa que pode me ajudar.
Se não fosse você, eu não teria ninguém.
Não teria nem onde ficar.
Desculpe-me pelo que eu disse.
Vendo-o com olhar baixo e calado, perguntou:
— É lógico que se magoou comigo, não foi?
— Não sei se magoado é a palavra certa.
Lógico que fiquei triste.
Sempre fomos muito ligados e talvez eu esperasse de você uma reacção diferente.
Imaginei que fosse mais compreensiva.
— Desculpa... me perdoa — pediu, tocando-lhe a mão.
Erguendo-lhe o olhar, Abner confessou:
— Não é fácil assumir para si mesmo a homossexualidade.
Não é fácil assumir para os amigos, para a família, para a sociedade.
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Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 09, 2017 10:19 am

Os dramas, os conflitos íntimos são gigantes, dolorosos, por ser diferente da maioria.
Pelo menos, foi isso o que aconteceu no meu caso.
— O homossexual é infeliz?
— Não. De jeito nenhum.
Não fico triste por ser homossexual.
Fico triste por causa das reacções preconceituosas, pela não aceitação das pessoas.
É tão bom viver bem, é tão bom ser recebido bem.
A homossexualidade é uma coisa natural, a pessoa nasce assim, como eu já disse.
O problema é que muita gente acha isso uma aberração, o fim do mundo.
— Quando o Geferson começou a me tratar diferente e eu descobri que estava grávida, pensei muito em tudo isso.
— Como assim?
— Fui tão contra a sua homossexualidade.
Não aceitei. Achei absurda...
No entanto fui leviana, sem carácter, sem moral por aceitar ter um caso com um homem casado.
Eu estava consciente.
Não é igual ao seu caso.
Eu poderia ter evitado.
O que vivi foi uma falsa felicidade.
Sabia que toda noite ele voltava para casa, para a esposa.
Eu tinha que me contentar com as migalhas, com o resto dele, com as sobras. Fui orgulhosa.
Não quis ouvir seus conselhos quando tentou me alertar.
Vaidosa, egoísta.
Achava que eu era boa o suficiente para tirá-lo do lar, da esposa, dos filhos.
Não achava que se o tivesse tirado de casa para ficar comigo, teria algum remorso.
Hoje, vendo com outros olhos, entendo que ninguém pode ser feliz quando destrói a felicidade de alguém.
Ninguém é feliz totalmente quando destrói um lar, magoa, trai, engana...
Ninguém é feliz sendo egoísta.
Se ele tivesse deixado a família para ficar comigo e com nosso filho, eu poderia me sentir falsamente feliz no momento, mas, com o tempo, certamente eu iria arcar com a responsabilidade da tristeza que causei para a esposa e para os filhos que ele tem com ela.
— Você iria atrair uma série de consequências dolorosas para sua consciência — disse o irmão.
— Hoje eu entendo isso e consigo enxergar dessa forma, mas quando estava com ele...
— A verdade é que não errou sozinha.
Tenha certeza de que ele errou também.
Porém pode corrigir tudo a tempo.
Não sei se corrigir é a palavra certa, mas...
Penso que você pode harmonizar o que desarmonizou.
E pode fazer isso agora.
Continue trabalhando.
Tenha seu filho e cuide bem dele.
Sabendo o tipo de homem que ele é, indigno de ser chamado de pai, se eu fosse você, não lhe pediria nada.
Esse é um bom começo.
— Vou confessar uma coisa:
ainda não acredito que esteja grávida.
Não me vejo como mãe.
Não me sinto mãe.
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Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 09, 2017 10:20 am

— É que está com outras coisas fervilhando em sua cabeça.
Daqui a pouco isso passa e vai pensar no seu filho de modo diferente.
— Por que será que é preciso sofrer para aprender?
— O sofrimento faz parte da nossa evolução, quando não queremos aprender de forma branda.
A pessoa que não sofre, não chora, não é sensível está longe da evolução, longe de entender os sentimentos, longe de amar a si mesmo e aos outros.
Vamos lembrar que até Jesus chorou.
Quanto mais rude, atrasado o espírito for, menos sensível ele e a sensibilidade dos outros o incomoda.
A tolerância, a paciência mostra a evolução de cada um. Toda crítica é ausência de tolerância.
Quando criticarmos alguém, e isso acontece por força do hábito, devemos nos corrigir imediatamente.
Depois pensar que se aquela pessoa faz aquilo, certamente tem algum motivo dentro da evolução dela.
E nós, que estamos criticando, temos a oportunidade de nos elevarmos, primeiro, modificando o pensamento, corrigindo-nos.
Segundo, desejando que aquela pessoa se acerte na vida, corrija-se, eleve-se para parar de fazer o que faz.
Tudo o que fazemos — prosseguiu — tem um propósito, tem uma razão, pois tudo o que realizamos é de acordo com o nosso crescimento moral, espiritual.
Lembre-se de que sempre iremos ser chamados para prestarmos contas de nossos actos e pensamentos.
Rúbia ficou pensativa.
Estava mais calma e também mais consciente da suas responsabilidades.
Apesar do orgulho ferido, do medo do futuro incerto, iria dar o melhor de si, encarando a vida de frente, fazendo conforme as palavras do Mestre, no folheto que encontrou na igreja: vá e não erres mais.
* * *
Em sua casa, o senhor Salvador não se conformava com a situação de seus filhos.
Simone, a filha que deveria estar bem, tinha de ser forte para enfrentar o problema com o filho e isso era injusto aos seus olhos.
Ele não aceitava o que Rúbia, sua caçula, havia feito.
Além de se envolver com um homem casado, deixou-se engravidar.
Isso era inaceitável.
Não foi essa a educação nem o exemplo de vida que lhe deu.
Quanto a Abner, estava inconformado.
Seu único filho assumiu a homossexualidade e ele nunca iria perdoar-lhe por isso.
Principalmente quando bebia, tinha a companhia espiritual que o deixava ainda mais irritado.
— A vida é ingrata mesmo — dizia para a esposa.
Trabalhei todos esses anos.
Lutei feito um condenado para criar meus três filhos...
Agora, deu no que deu.
— Problemas e dificuldades não são privilégio dos nossos filhos não.
Todo mundo enfrenta isso.
Se você amasse os seus filhos, não teria feito o que fez a eles.
— A Simone tem todo o meu apoio, não fiz nada pra ela.
Quanto a amar, eu amo. Só que do meu jeito.
Não sou obrigado a aceitar pouca-vergonha, safadeza de ninguém.
Não foi isso o que eu ensinei para eles.
Deixaram de ser meus filhos quando começaram a viver no erro.
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Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 09, 2017 10:20 am

— Vivendo no erro ou não, ainda são meus filhos.
Apesar de tudo de bom que ensinei para eles, se quiseram se desviar... ainda são meus filhos.
Não vou apoiar coisa errada, mas vou respeitar e orientar no que eu puder.
O senhor Salvador nada disse.
Continuou inflexível.
* * *
Com o passar dos dias, Rúbia retornou ao serviço.
Como orientada pelo irmão, ela procurava evitar o assunto sobre sua gravidez com os colegas.
Estava constrangida e percebeu que ninguém sabia que o filho que esperava era de Geferson.
Certo dia, chamando-a para conversar, ele exigiu:
— Você é uma irresponsável! — exclamava em tom de sussurro para que outros não ouvissem.
Quer acabar com a minha vida!
O que tem na cabeça?
Livre-se dessa gravidez.
Ainda está em tempo.
Se quiser, eu pago tudo do melhor.
— Não vou fazer isso.
É contra meus princípios.
Não vou matar uma criança, principalmente sendo meu filho.
— Já sei! — disse irónico, irritado.
Quer pensão e se garantir pelo resto da vida.
Você é bem espertinha.
— E você é um canalha! — atacou no mesmo tom.
Aproximando-se, sem que ela esperasse, pegou-a pelo braço e apertou com força, dizendo entre os dentes cerrados:
— Livre-se dessa gravidez, ou...
— Ou o quê? — reagiu puxando o braço, encarando-o.
— Vou perder a cabeça com você, Rúbia.
Não sei do que sou capaz.
Ela sentiu-se estremecer.
Um medo a invadiu, provocando-lhe uma sensação desagradável.
Procurando ser firme, olhou-o com desprezo, virou-se e se foi.
Ao chegar ao banheiro, encontrou Talita.
— Tudo bem? — perguntou a amiga ao vê-la pálida.
— Estou tão... — calou-se.
Abriu uma torneira, passou água no rosto e respirou fundo.
— Quer conversar, amiga?
Pegando toalhas de papel, a outra secou o rosto, encarou-a e desabafou:
— Não aguento.
Deveria ter pedido demissão.
Não suporto encontrar o Geferson.
— Por quê?
— Ele é o pai do meu filho — revelou.
Para Talita não foi tão grande surpresa.
Ela já havia desconfiado do caso dos dois.
Mesmo assim, admirou-se pela confirmação da verdade.
Aproximando-se da outra, fez-lhe um carinho, passando a mão em seu braço.
Com voz suave e comovida, perguntou:
— Ele não quer o nené, é isso?
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Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 09, 2017 10:20 am

— Isso mesmo.
Além do que, eu queria me demitir, mas o Abner ficou me lembrando sobre as necessidades que vou ter com médico, hospitais, licença-maternidade...
Por outro lado, meu irmão me fez ver que não posso ser um encargo para ele.
— Como assim?!
Você está no apartamento dele?!
Rúbia relatou-lhe tudo e Talita se expressou:
— Nossa! Que barra!
Após titubear um pouco, contou:
— Você não é a primeira que o Geferson engana.
Um tempo atrás ele fez o mesmo com outra funcionária.
Eu soube que ela ficou grávida, mas depois tirou o nené e foi demitida.
O cara é um covarde.
— Estou com medo dele.
— Se você se sentiu ameaçada, acho melhor prestar queixa na delegacia.
— Ficou louca?!
— Não. Estou tentando abrir seus olhos.
— Ele não será louco a esse ponto.
— Rúbia, você pode não gostar de ler jornais, pois seu pai já lê e assiste a todos por você, mas é impossível não saber dos casos de grande repercussão na mídia.
Mulheres que morreram ou desapareceram por culpa de seus amantes, namorados, maridos...
Acredito que elas também, assim como você, não consideraram o risco que corriam.
Aguentaram uma ameaça hoje, outra amanhã...
Acho bom ficar esperta.
Homem assim é capaz de coisas terríveis, quando contrariado.
Se eu fosse você, iria à delegacia prestar queixa.
Se está com vergonha, vá à delegacia da mulher.
— E depois? Aí sim ele me mata.
— Se prestar queixa e disser que se sentiu ameaçada, o Geferson vai ser chamado e interrogado a respeito.
Não vai poder negar o que te disse nem que apertou seu braço.
Olha a marca — mostrou à amiga que nem tinha visto.
Pode ser que ele fique com raiva, mas vai ficar esperto.
Saberá que, se alguma coisa te acontecer, será o primeiro suspeito.
— Não tenho coragem de fazer isso.
— Precisa ter coragem para proteger sua vida e a vida de seu filho.
Converse com seu irmão.
Acho que o Abner vai te orientar melhor.
— O clima aqui na empresa está péssimo.
Todos perguntam, me olham...
Sinto uma coisa quando passo pelo Geferson...
Nem consigo trabalhar direito.
— Imagino. Porém penso que não deve se importar com o terrorismo que ele pode fazer.
Pense em você, nos seus direitos trabalhistas.
— Não consigo me concentrar no trabalho.
— Procure fazer o que der.
Será bom se esforçar, assim se distrai e não fica com a mente fervilhando coisas inúteis.
— Por favor, Talita, não comente nada com ninguém sobre mim e o Geferson nem sobre ele ser o pai.
— Lógico que não.
Você é minha amiga.
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Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 09, 2017 10:20 am

* * *
Envergonhada, Rúbia não prestou queixa sobre a ameaça e a agressão que sofreu.
Porém, com o passar dos dias, novamente sentiu-se intimidada.
Foi ameaçada. Teve o braço apertado e sofreu leve empurrão.
Chegando ao apartamento, contou ao irmão que a convenceu denunciá-lo e a acompanhou até a delegacia da mulher.
Mesmo constrangida, e até contrariada, ela registou queixa contra Geferson, que ficou furioso ao saber, pois foi chamado para prestar esclarecimento.
Contudo essa atitude de Rúbia o fez se afastar dela.
* * *
Alguns dias se passaram e as irmãs conversavam calmamente no apartamento de Abner.
— Então foi isso.
Ele ficou uma fera, mas se afastou de mim.
— Você vai procurar a esposa dele para contar tudo? — perguntou Simone.
— Pensei nessa possibilidade.
Depois considerei que ela não tem nada com isso.
Por que eu deveria procurá-la?
— O que pretende fazer?
Registar o filho no nome dele?
Exigir pensão?...
— A princípio eu não queria nada.
Porém pensei melhor e entendi que eu não fiz esse filho sozinha.
O Geferson também tem sua parcela de responsabilidade.
Além disso, eu não posso negar ao meu filho os direitos que ele tem.
Não posso também esconder a sua origem e seu sobrenome.
Devo fazer tudo às claras. Porém...
Tem hora que penso em mim.
Em cuidar da minha vida longe desse sujeito e quanto mais distante dele, melhor.
Se fizer tudo o que a lei me permite: registar em nome dele e pedir pensão, ficarei eternamente ligada ao Geferson.
Isso eu não quero.
— E uma decisão bem séria.
Após reflectir, perguntou:
— E quanto ao pré-natal? Está fazendo direitinho?
— Estou — sorriu. — Ainda não dá para ver se é menino ou menina.
Nossa! E tão emocionante escutar o coraçãozinho e vê-lo bater...
Acho que foi aí que me dei conta de que sou mãe — deu uma risadinha e fez um gesto mimoso, encolhendo o ombro.
Em seguida, indagou:
— E o seu nené? Como vocês estão?
— Bem, na medida do possível.
O médico disse que só saberemos mesmo, quando ele nascer.
— E o Samuel?
— Cada vez mais distante, principalmente, depois que saiu de casa.
A última vez que o vi foi no escritório do advogado há cerca de vinte dias.
Nem para ligar e querer saber se eu estou bem.
Isso dói tanto.
Depois de todos esses anos juntos, creio que merecia mais consideração.
Estou tão stressada, Rúbia.
Minhas noites são inseguras, repletas de medo e muita solidão.
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Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 09, 2017 10:21 am

Cada dia parece pior...
Fico pensando tanto...
Imaginando se terei forças para suportar tudo sozinha até o final.
Seria bom ter o Samuel do lado, ajudando, incentivando, dando forças...
Com certeza, tudo seria mais leve, menos triste.
Sinto uma dor pior do que se eu tivesse ficado viúva, pois isso seria pela vontade de Deus.
Entendi que perder alguém não ocorre só com a morte.
Perder alguém é ter o outro distante sem estar preparada.
Perder alguém é quando o outro vai embora e leva a segurança, a alegria, o apoio, a felicidade, a fé na vida, o amor, o equilíbrio.
Perder alguém é ter um vazio enorme que nada preenche.
E ter medo do amanhã. Isso é horrível.
Pior do que a morte.
Ao lembrar que o vi com outra, pensar que teve a capacidade de me trair, sinto-me um lixo, o que não sou.
E a Marrie, tão baixa, tão leviana, por ser capaz de destruir um lar, fazê-lo me abandonar nessas condições.
E quanto a ele...
Uma criatura tão fraca, pobre...
Hoje entendo que meu casamento já estava destruído, mesmo que eu não tenha percebido.
Porém, diante das circunstâncias em que tudo se deu, acho que, pelo meu estado, pelo estado do nosso filho, ele poderia ter tido um pouco de bom senso, consideração comigo...
Simone estava sensível e emocionada.
Acariciava levemente a barriga enquanto desabafava com olhar perdido em algum ponto do chão.
Nesse momento, Abner chegou em companhia de Davi, Cristiano, dona Janaina, Ricardo e seu filho Renan.
Surpresas, interromperam o assunto.
Cumprimentaram a todos com expressiva alegria e Abner disse:
— Vamos a uma pizzaria e viemos buscar vocês.
— Eu já estava pensando em ir embora... — disse Simone.
— Para quê? Ficar sozinha.
Nada disso. Vai connosco sim! — animou-se Davi, puxando-a para um abraço.
A noite foi animada e divertida.
Conversaram muito, o que deu uma trégua às preocupações e tristezas.
Simone acabou dormindo na casa do irmão, pois retornaram bem tarde.
No dia seguinte, ficou combinado de almoçarem na casa de dona Janaina.
Rúbia e Simone se prepararam para chegar mais cedo a fim de ajudar a senhora.
— Não precisavam ter vindo cedo.
Vou fazer algo bem simples.
Nada trabalhoso.
— Mesmo assim, seria falta de educação não ajudá-la.
Além do que, é muito prazeroso ficar em sua companhia — disse Simone.
Após o almoço, Abner, Davi, Cristiano e Ricardo começaram a jogar dominó em uma mesa no quintal, perto da churrasqueira.
Estava um dia ensolarado e fresco, bem gostoso para se ficar à vontade.
Reunidas na sala, que estava com a televisão ligada, dona Janaina comentou:
— Gosto de ver minha casa assim movimentada.
Isso traz muita alegria.
— O Cristiano parece bem melhor, não é mesmo? — observou Rúbia.
— Graças a Deus.
Muito melhor — tornou a senhora.
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Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 09, 2017 10:21 am

Ele se abateu demais depois do acidente.
Meu filho não era assim.
— Qual a idade do Cristiano? — quis saber Rúbia.
— O Cristiano tem vinte e nove e o Davi trinta e dois.
— Que curioso! — Rúbia achou graça.
Eu tenho vinte e nove e a Simone tem trinta e dois.
— É mesmo! Que coincidência — concordou Simone.
— O Cris é novo.
Tenho certeza de que vai encontrar o prazer de viver novamente.
Às vezes, eu acho que ele era muito apegado à Vitória.
Namoravam desde o ensino médio.
Fizeram faculdade juntos.
Uma vez eles se separaram por um ano e meio.
Nesse tempo, o Cris namorou outra menina, mas não deu certo.
Voltou a namorar a Vitória. Ficaram noivos.
Montaram uma casa e decidiram casar.
Tudo aconteceu quando entregavam os convites de casamento.
Meu filho nunca foi dependente.
Tomava decisões sozinho.
Era um homem completamente diferente.
Logo após o acidente, ele nem se lembrava do próprio nome.
Fiquei louca quando não me reconheceu.
Foi tão difícil.
Achei que nunca mais fosse se recuperar.
Durante a parte mais árdua do tratamento, cirurgias, fisioterapias e um pouco depois, ele ficou muito depressivo.
Não parecia meu filho.
De uns tempos para cá, melhorou bastante.
Agradeço tanto a Deus por isso.
— Dona Janaina, como espírita, a senhora já pensou na possibilidade de ser o espírito da noiva que o incomodou ou incomoda? — supôs Simone com jeitinho.
— Já pensei nisso sim, filha.
A Vitória era uma moça espiritualizada, mas não sei não...
Enquanto conversavam, não podiam ver, mas o espírito Vitória estava presente.
Quando encarnada, foi uma moça alegre, espirituosa, interessava-se por assuntos espíritas e espiritualistas.
Tinha conhecimento da Doutrina Espírita.
Porém, muitas vezes, a prática é diferente da teoria.
Ao desencarnar subitamente, o espírito Vitória foi socorrido e levado a um posto de socorro na espiritualidade, onde despertou confusa.
Ficou extremamente triste ao entender que estava desencarnada.
Inconformada, não conseguia pôr em prática tudo o que havia aprendido no espiritismo.
Tamanha foi sua incompreensão que se atraiu para junto dos encarnados, mais especificamente, para perto de Cristiano.
O rapaz, muito chocado com o ocorrido, sensível pelo trauma sofrido, deixou-se envolver pelas vibrações tristes e desorientadas do espírito Vitória.
Isso fez com que os fluidos pesarosos e confusos desse espírito o desorientassem e o arrastassem para profundo desequilíbrio, tornando-o temeroso, inseguro para tomadas de decisões, gerando o Pânico e o estado depressivo, tão doloroso e difícil de se libertar.
Cristiano perdeu a esperança por causa da tristeza que Vitória lhe passava, dizendo que nada valeu a pena, que tudo o que haviam feito foi perdido, não teve valor.
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Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 09, 2017 10:21 am

Quando o rapaz quis ajudar Simone, pois se comoveu com sua situação, ele como que quebrou a redoma de energias pesarosas na qual se permitiu colocar.
Nesse momento, desviou os pensamentos das aflições psíquicas, emocionais e se concentrou no auxílio ao próximo.
Para isso, precisou vencer a si mesmo.
Vencer a resistência que criou para algumas situações.
Em outras palavras, Cristiano encarou o medo, a insegurança e agiu, apesar do que sentia.
Não era fácil para ele, porém insistiu.
Queria libertar-se das amarras, da prisão mental que o escravizava com tanto desespero e dor, que só ele sabia.
Mesmo assim, o espírito Vitória ainda se prendia ao plano dos encarnados, junto a ele.
— Estão falando como se eu não estivesse aqui.
Tudo o que dizem do plano espiritual não é verdade.
Aqui não se liberta das dores, do desgosto, das amarguras.
A angústia é imensa... É muita dor.
Não tenho para onde ir nem com quem ficar.
Eu queria estar aí, com vocês.
Enquanto isso, dona Janaina dizia:
— Eu comecei a orar muito por Vitória.
Ela sempre foi uma boa menina.
Mas não sei...
Oro sempre por ela.
Peço luz para o seu entendimento e amor ao seu coração.
— Eu tenho amor.
Amo o Cris — tornou o espírito Vitória como se pudesse ser ouvida.
— Se ela está ao lado do meu filho, é preciso que entenda sua nova condição e aceite seguir em frente.
Cheguei a conversar com os pais dela, mas eles acham que a Vitória e o Vanilson, irmão dela que também morreu no acidente, estão bem, em lugar elevado.
— São espíritas? — interessou-se Simone.
— Sim, são. Por mais que se tente ter uma ideia de como é, não sabemos a dor que se experimenta quando se perde um filho.
Entendo que eles desejem e imaginem, intensamente, que seus filhos estejam bem.
Aprendemos com Allan Kardec, o codificador da Doutrina Espírita, mais especificamente em O Livro dos Espíritos, que para o desencarnado Deus não criou lugares predeterminados como céu, inferno ou purgatório.
Sabemos sobre a capacidade mental que todos temos, encarnados e desencarnados.
Para o espírito desencarnado, mais ainda, pois está livre da pesada e complicada matéria corpórea.
Basta ele pensar para se locomover no espaço ou manipular fluidos espirituais com o emprego da vontade, do pensamento, para modelar e formar o que desejou consciente ou inconscientemente.
Assim sendo, independente do conhecimento obtido quando encarnado, um espírito, insatisfeito com seu desencarne, ou que se prende a alguma situação não resolvida aqui, não consegue ir para planos mais elevados.
Não evolui. Não aprende nem se aperfeiçoa e sofre.
— Eu li no livro Nosso Lar, psicografado por Chico Xavier, pelo espírito André Luiz, que os espíritos podem ficar no Umbral ou em colónias.
O autor do livro fala inclusive de Postos de Socorro, na espiritualidade.
Agora a senhora me diz que a Doutrina Espírita explica que Deus não criou lugares predeterminados como céu, inferno ou purgatório.
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Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 09, 2017 10:21 am

Então, o que é dito no livro Nosso Lar não vai contra o que o codificador nos mostrou? — interessou-se Simone.
— O espírito André Luiz jamais disse que o Umbral, as Colónias espirituais ou mesmo os Postos de Socorro foram estruturas criadas por Deus e que são lugares destinados para penas ou recompensas de um espírito.
André Luiz descreveu esses lugares como aglomerados de sintonias mentais.
Em outras palavras, é a união de mentes, espíritos ou personalidades simpáticas, com as mesmas ideias e pensamentos, com a mesma energia, com as mesmas intenções.
Logo o Umbral não deixa de ser a reunião de mentes que ainda sofrem.
São criaturas que se prenderam ao corpo físico ou ao plano material, ou ainda são inconformadas com o que deveriam ter deixado para trás.
Trata-se de criaturas intolerantes, preconceituosas, egoístas, orgulhosas, sem fé em um Deus bom e justo.
Assim, como as colónias mais evoluídas, como é o caso da Colónia Nosso Lar, são colectividades criadas por espíritos mais esclarecidos, bondosos, amorosos, interessados em evoluir e auxiliar os necessitados, os desorientados — explicou, sabiamente, a senhora.
— Mas o espírito André Luiz relata que a colónia Nosso Lar tem muros de protecção, tem prédios...
Ele, verdadeiramente, descreve uma cidade com água e tudo mais — tornou Simone.
Como isso é possível?
Afinal, as construções que temos aqui na Terra são feitas pelas mãos dos homens e o que não é feito pelo homem é proporcionado pela Natureza como a água, por exemplo.
O ser humano só a recolhe e trata, nada mais.
— Se você se interessa mesmo...
A senhora se levantou, foi até a estante, pegou O Livro dos Espíritos e voltou.
— Quer ver...
Estive lendo ontem mesmo... — procurou um pouco e disse:
— É aqui. A pergunta 279 diz:
Todos os espíritos têm acesso, reciprocamente, uns junto aos outros?
E a resposta é:
Os bons vão por toda parte e é necessário que assim seja para que possam exercer sua influência sobre os maus.
Mas as regiões habitadas pelos bons são interditadas aos imperfeitos, a fim de que não levem a elas os distúrbios das más paixões.
Veja que interessante, aqui, em O Livro dos Espíritos, afirma que existem regiões, no plural.
Isso quer dizer que não há um lugar, mas sim vários lugares habitados pelos bons espíritos e essas regiões são interditadas aos espíritos imperfeitos.
Essa interdição, essa proibição, tem que ser feita de alguma forma, com muros, por exemplo.
Nada mais natural do que a existência de uma barreira, como os muros, para se fazer entender o limite, a proibição aos espíritos imperfeitos ainda.
— Desculpe-me, dona Janaina, sei bem pouco sobre espiritismo.
Se puder me explicar...
Entendi que pode haver muros ou limites para os espíritos não evoluídos.
No entanto, como podem esses muros, a água e outras coisas serem feitas, confeccionadas na espiritualidade? — insistiu Simone, desejosa em aprender.
— Bem, minha querida, eu penso que você acredita existir um Fluido Universal que nem sempre nós, encarnados, podemos ver.
Esse fluido é fluido.
Também, aqui, em O Livro dos Espíritos, nos é ensinado que esse fluido existe em várias modificações.
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Ave sem Ninho

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Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 09, 2017 10:22 am

A questão 27-a, nos ensina que a electricidade, por exemplo, é uma modificação do fluido universal e que este é uma matéria mais perfeita, mais subtil.
Em outro livro da Codificação Espírita, A Génese... — levantou-se, pegou o exemplar e retornou ao seu lugar, continuando — Está aqui.
No capítulo XIV — item 14 — diz que:
Os Espíritos atuam sobre os fluidos espirituais, não os manipulando como os homens manipulam os gases, mas empregando o pensamento e a vontade.
Para os Espíritos, o pensamento e a vontade são o que é a mão para o homem.
Pelo pensamento, eles imprimem àqueles fluidos tal ou qual direcção, os aglomeram, combinam ou dispersam, organizam com eles conjuntos que apresentam uma aparência, uma forma, uma coloração determinadas; mudam-lhes as propriedades, como um químico muda a dos gases ou de outros corpos, combinando-os segundo certas leis.
É a grande oficina ou laboratório da vida espiritual.
Algumas vezes, essas transformações resultam de uma intenção; frequentemente, são produto de um pensamento inconsciente.
Basta que o Espírito pense uma coisa, para que esta se produza, como basta que modele uma ária, para que esta repercuta na atmosfera.
Mais à frente continua:
"Por efeito análogo", ou seja, por semelhança, o pensamento do Espírito cria fluidicamente os objectos que ele esteja habituado a usar.
Um avarento manuseará ouro, um militar trará suas armas e seu uniforme; um fumante, o seu cachimbo; um lavrador, a sua charrua e seus bois; uma mulher velha, a sua roca.
Para o Espírito, que é, também ele, fluídico, esses objectos fluídicos são tão reais, como o eram, no estado material, para o homem vivo.
Então veja, se um espírito bastante imperfeito consegue criar mentalmente seu ouro, suas jóias, as armas com que matava, uma haste de madeira para se enrolar um fio, imagine um espírito consciente, elevado, instruído?
Uma entidade desse nível é capaz de mentalizar coisas muito mais importantes e necessárias para o bem-estar colectivo como muros de protecção, descarga eléctrica, água, moradias, abrigos...
— Nossa! Que aula!
Isso explica tudo — disse Simone sorrindo.
Sempre tive curiosidade a respeito disso tudo, mas nunca encontrei quem me explicasse ou me mostrasse, na Codificação Espírita, justificativa perfeita.
—É bom lembrar que são os espíritos elevados os capacitados para as grandes obras colectivas, a fim de auxiliarem os demais.
No caso da colónia Nosso Lar, eram preciso muralhas para que os espíritos inferiores e não esclarecidos não perturbassem os que estavam ali para serem socorridos, esclarecidos e a trabalho em prol da humanidade.
Nas colónias espirituais, também é necessário a água e o alimento.
Penso que ninguém, psicologicamente falando, seja capaz de entender que não precisa de água nem comida do dia para a noite, só porque morreu, desencarnou.
Os espíritos desencarnados também têm necessidades energéticas, fluídicas, assim como o corpo de carne tem necessidade de proteínas e outros nutrientes.
Por isso, acredito que a água existente em Nosso Lar e outras colónias elevadas, seja criada por espíritos elevadíssimos, uma vez que precisa ser pura, saudável, medicamentosa, salutar.
Somente uma mente pura e saudável é capaz de tal criação.
— Entendo — sorriu satisfeita.
É que ouvi uma colega espírita dizer que não concordava com outros companheiros espíritas que acreditavam na criação de objectos, água, roupas e outras coisas, na espiritualidade, porque o codificador, Allan Kardec, não mencionou nada a respeito.
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Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 09, 2017 10:22 am

Nunca viu um trecho de Kardec falar sobre construções e alimentação.
— Essa sua amiga ignora muita coisa.
Ela precisa estudar a Doutrina melhor antes de falar coisas assim.
Isso mostra sua ignorância.
Enquanto revirava as folhas de um caderninho que estava entre os livros, dona Janaina encontrou o que procurava e disse:
— O estudo da Doutrina Espírita não pode se limitar aos cinco livros da Codificação.
Eu e outros companheiros de estudos lá do centro temos algumas anotações importantes, principalmente para casos de pessoas espíritas que dizem não existir menções de Kardec sobre a existência de tudo o que o espírito André Luiz relatou no livro Nosso Lar.
Veja... Aqui está.
Allan Kardec fez uma colectânea chamada Revista Espírita.
Hoje temos todas as Revistas Espíritas, de Kardec, editadas em livros desde o ano de 1858 a 1869.
Cada uma respectiva ao ano de suas pesquisas, experiências, acontecimentos...
E na Revista Espírita referente ao ano de 1859 — mês de setembro, existe a "Confissão de Voltaire", e um comentário do célebre cardeal inglês, Wolsey, do tempo de Henrique VIII, em que o cardeal Wolsey relata:
Foi assim, já disse, como zombeteiro e lançando um desafio, que abordei o mundo espírita.
A princípio fui conduzido longe das habitações dos Espíritos e percorri espaço imenso.
A seguir foi-me permitido lançar o olhar sobre as construções maravilhosas, habitadas pelos Espíritos e, com efeito, pareceram-me surpreendentes.
Fui arrastado aqui e ali por força irresistível.
Era obrigado a ver, e ver até que minha alma ficasse deslumbrada pelos esplendores e esmagada ante o poder que controlava tais maravilhas.
Leu pausadamente para que se compreendesse.
Olhou-a atenta, depois prosseguiu:
— A respeito da existência de alimento e flor, nas obras de Kardec, é na Revista Espírita de 1861 — mês de Março — sobre Henri Murger, em uma seção espírita, com colegas da Sociedade.
O relato foi:
Maior é o espaço dos céus, maior a atmosfera, mais belas as flores, mais doces os frutos e as aspirações são satisfeitas além mesmo da ilusão.
Esses relatos nós podemos encontrar nas publicações de Kardec, na Revista Espírita, onde lemos a respeito de construções, flores, frutos doces...
Tudo o que encontramos no livro Nosso Lar, do espírito André Luiz, psicografado por Francisco Cândido Xavier.
Talvez sua amiga não conheça muito as obras de Kardec, mas não importa, acredite na evolução e ela chegará lá — sorriu.
— Ai!... Estou maravilhada — sorriu Simone.
Não sou do tipo de ter fé cega.
Li o livro Nosso Lar, li O Livro dos Espíritos, O Evangelho Segundo o Espiritismo e achei que conhecia o suficiente.
Porém, entre os comentários de alguns espíritas, ficava com dúvidas sobre esse assunto.
— Falta humildade em algumas pessoas.
Por isso discutem.
Talvez queiram ficar por cima, mas, infelizmente, não têm bastante conhecimento.
O mais importante não é o que temos nos livros, é o que temos nos nossos corações.
Por isso é necessário, antes de combatermos qualquer coisa, termos conhecimento profundo sobre ela.
No caso da Doutrina Espírita, é fundamental lembrar que ela é ciência e filosofia como nos ensina Allan Kardec na introdução de O Livro dos Espíritos.
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Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 09, 2017 10:22 am

Devemos, então, lembrar que toda ciência começa pequena, pois a ciência sempre nasce com uma quantidade de conhecimento limitada, na época em que surge.
Só depois de muita exploração, ela cresce, amplia e se desenvolve.
Veja o caso da Medicina, por exemplo, quando surgiram algumas descobertas, eram grandiosas para a época, mas, nos dias de hoje, sabemos que os conhecimentos eram pequenos e até falhos.
Com o decorrer dos anos e dos séculos, após experimentos e pesquisas, muitas coisas se modificaram na Medicina.
Novidades apareceram e tudo foi aperfeiçoado e sabemos que ainda há o que se aperfeiçoar.
O espiritismo é uma ciência, portanto, ele também tende a experimentar descobertas como as que o espírito André Luiz e tantos outros nos trazem.
O que o codificador da Doutrina Espírita, Allan Kardec, trouxe foi a ponta do iceberg de tudo o que existe no mundo invisível.
Os próprios espíritos que colaboraram com as obras da codificação, em outras palavras, disseram-nos que havia coisas que nossa capacidade estava longe de entender.
— E interessante o que a senhora me diz.
Agora, pensando melhor, não entendo, por que alguns espíritas não querem que a ciência do espiritismo se amplie e desenvolva-se com novas descobertas sobre o plano espiritual?
— Alguns querem provas materiais sobre o mundo subtil da espiritualidade, mesmo tendo aqui, no plano físico, coisas que não conseguimos estudar ou entender.
— Coisas como o quê?
— A electricidade, por exemplo.
Outro dia, no grupo de estudos espíritas do qual participo, falamos muito a respeito disso.
Eu entendi que não conseguimos isolar em um tubo de ensaio e guardar, simplesmente, a electricidade, para ser estudada.
No entanto, ela existe.
Eu digo que nós a vemos e sentimos — riu —, e como sentimos.
Mas não podemos engarrafar essa força, esse fluido.
Assim como não podemos pôr em um microscópio para estudar, o que existe no mundo dos espíritos.
Sabe filha, não devemos ficar discutindo com pessoas por causa disso ou daquilo.
Muitas vezes, um quer ter mais razão do que o outro.
Tomemos como exemplo nosso querido Chico Xavier, que nunca discutiu por nada nem com ninguém.
Ele só cumpriu sua missão.
O que vale é a confiança de fazer e sentir a coisa certa, amando a Deus e aos nossos irmãos.
— Eu entendo que o plano espiritual não é diferente daqui.
— Não, Simone.
Lá, o mundo é real.
Não dá para sermos falsos.
Não podemos esconder quem realmente somos nem o que pensamos nem o que temos como desejo em nosso coração.
Não podemos ser egoístas ou orgulhosos, descobrimos que precisamos uns dos outros até para evoluir.
— Começamos esse assunto por causa da Vitória — disse Rúbia, que até então ouvia atentamente.
Também li o livro Nosso Lar e entendi que alguns espíritos que não estão preparados para a morte, como o André Luiz, vão para o Umbral.
A senhora acha que a Vitória está no Umbral?
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Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 09, 2017 10:22 am

A mulher suspirou fundo, ofereceu suave sorriso, reflectiu e respondeu com a mesma serenidade de sempre:
— A palavra Umbral significa soleira, portal.
Esse termo não foi usado na Codificação Espírita, mas sim pelo espírito André Luiz, a partir de seu primeiro livro, Nosso Lar, para nós podermos compreender o que ele falava.
Eu entendo, por Umbral, o limite entre os dois mundos:
o dos vivos — dos encarnados — e o dos espíritos — dos desencarnados.
A Doutrina Espírita diz que todos, ao desencarnarmos, passamos por um estado de perturbação; uma espécie de confusão mental.
Alguns espíritos ficam nesse estado por alguns minutos; outros, por horas e outros, por anos.
Eu entendo que estar no Umbral tem muito a ver com esse estado de perturbação de que a codificação nos fala.
Penso que, ao desencarnar, quando o espírito está nessa soleira, nesse portal, e não entende ou não aceita sua nova condição, ficando em um estado de perturbação, ele está em uma espécie de portal ou umbral, pois está bem próximo da crosta terrestre, mas não está encarnado.
Então ele permanece entre esses dois mundos.
Por estar contrariado com seu desencarne, não ter esclarecimento, fé em Deus, nem acreditar em vida após a morte, ele sofre e, às vezes, sofre muito.
Alguns espíritos, como o caso do espírito André Luiz, que enviou inúmeros relatos bastante esclarecedores, contam que o sofrimento em demasia é gerado pela consciência da própria criatura que se cobra, exactamente, tudo o que ela fez ou deixou de fazer.
As Leis de Deus são imutáveis para todos.
O Pai não protege um mais do que ao outro.
O orgulho, o egoísmo, a falta de caridade e todas as nossas acções erradas vão se transformar em dores na alma e, muitas vezes, no corpo espiritual.
Esses espíritos se aglomeram por atracção psíquica, em certa região, e ali padecem, se punem.
São regiões extremamente tristes.
Outros espíritos que não fizeram nada de mal, porém não se espiritualizaram o suficiente, mesmo tendo oportunidade para isso ou ficaram inconformados com seu desencarne, também podem se prender na crosta terrestre, geralmente junto da família.
Experimentam grande dor mental.
Não se elevam.
Provavelmente, não vão para aglomerados ou regiões extremamente tristes e de sofrimento, porém não deixam de estar, de certa forma, perturbados no Umbral, na soleira entre os dois mundos, pois não podem mais viver encarnados, como querem e não têm condições psíquicas de elevação para irem para uma colónia mais elevada.
O que pode acontecer, então, é o espírito ficar muito ligado à família ou a um encarnado que goste muito.
Sendo assim, ele suga as energias fluídicas do encarnado, gerando fluidos pesarosos, ou seja, energias negativas que são captadas e entendidas pelo encarnado como uma vibração de dor, de infortúnio.
Isso dá origem a pensamentos profundamente tristes.
Origina, de uma forma mais intensa, o desespero, o pânico, a ansiedade, a depressão, as neuroses e outras coisas.
Se o encarnado não reagir, não se elevar, não mudar os pensamentos, não actuar e se entregar a ideias inferiores, essa ligação com o desencarnado pode lhe causar doenças no corpo físico que surgirão por causa dos fluidos espirituais manipulados, inconscientemente, pelo desencarnado, que fica lamentando seu destino e sua condição.
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Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 09, 2017 10:23 am

— É por isso que não devemos reclamar da vida ou de doenças — disse Simone.
— Exactamente, filha.
Quando adquirimos o vício de reclamar atraímos até desencarnados que nunca conhecemos e gostam de reclamar, gostam de tristeza, de dor, de falar sobre coisas tristes, tragédias, desgraças e tudo o que é ruim.
Isso é atracção mental.
— Então a senhora acha que a Vitória está no Umbral? — insistiu Rúbia.
— Como eu disse, é uma óptima menina.
Tinha conhecimento espiritual, mas não tanta atenção à vida espírita como poderia.
Isso é comum por causa da pouca idade.
Era uma moça que tinha sonhos.
Pensava muito no futuro.
Estava empenhada no casamento e, provavelmente, tudo isso deixasse seu coraçãozinho longe de Deus.
Penso que ela pode ter se revoltado com o irmão que, talvez, tenha sido imprudente.
Se bem que não podemos julgar o rapaz, pois não estávamos lá para ver.
Quem sabe ela também não se conformou por ter a ideia de um futuro cheio de prosperidade, afinal, tinha uma boa profissão, ia se casar em menos de um mês...
Isso tudo pode ter deixado essa menina muito descontente ou até revoltada.
— Apesar do conhecimento que tinha? — tornou Rúbia.
— Sim. Talvez ela acredite que desencarnou cedo demais.
É provável que esteja ao lado do Cris e se apegando a ele que também, triste e contrariado com o que aconteceu, ofereceu a vibração perfeita para Vitória continuar no estado em que está.
— Não sei se entendi — disse Rúbia.
— Filha, é assim:
se você está orando, pedindo a Deus muita luz e paz no seu caminho, no caminho de outras pessoas, espiritualmente falando, quem você acha que está ao seu lado nesse momento de prece?
— Seria muita pretensão eu pensar que é Deus ou meu anjo de guarda?
— Você está certa.
Não é pretensão alguma.
Algum emissário de Deus vai estar ao seu lado, com certeza.
Agora, se você está triste, chorando, reclamando, sentindo raiva, desejando vingança, desejando o mal, acha que seu anjo de guarda ou algum espírito esclarecido e elevado vai estar ao seu lado?
Ela sorriu e respondeu:
— Não. Lógico que não.
— Provavelmente seu mentor ou anjo da guarda esteja ao seu lado nesse momento tentando protegê-la, pois ele respeita o seu livre-arbítrio.
Certamente um espírito elevado e amigo lhe enderece bons pensamentos, boas vibrações, esperando que reaja às más tendências, mas ele não vai ficar muito tempo ao seu lado se insistir em ideias e pensamentos inferiores.
— Nesses últimos dias, junto da senhora e dos seus filhos, aprendi muito — tornou Rúbia, esboçando leve sorriso.
Eu estava tão desorientada quando os conheci.
Era fácil odiar, esbravejar, pensar tudo de ruim.
No entanto, aprendi que devo amar ao próximo, desejar o bem aos inimigos, ter bons pensamentos.
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