MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Página 10 de 13 Anterior  1, 2, 3 ... 9, 10, 11, 12, 13  Seguinte

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo

Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 15, 2017 10:30 am

A verdade é que quer controlar o Cris.
Não quer vê-lo ao lado de Simone.
Acha que ela não serve para ele por ser divorciada, ter um filho especial e...
E uma série de outros apontamentos que, na verdade, são desculpas para controlar a vida dos outros.
Seu tempo encarnada já passou.
Quem estiver encarnado, que cuide de si mesmo.
O momento agora é seu. Cuide de você.
Se Deus a quisesse lá, junto dele, não importaria o seu planeamento reencarnatório de morrer nas vésperas do casamento, estaria lá.
— Acredita nisso?
— Totalmente. Há incontáveis casos de pessoas, cujo planeamento reencarnatório seria de desencarnar em determinada situação e idade ou com determinado problema de saúde, porém, pelo que realizavam nobremente, a vida terrena foi estendida.
— Não me lembro de nenhum caso assim.
— Irmã Dulce é um grande exemplo.
A tão famosa missionária terrena que viveu na Bahia e era tão respeitada por todos, sem excepção.
Segundo os médicos, qualquer pessoa que tivesse aquela condição de saúde, alimentando-se como ela, já teria morrido ou ficado de cama há muito.
Mas ela não. Por isso, não lamente sua morte, mas sim sua vida.
Observe a maneira como viveu e mude a partir de agora.
Com olhos nublados pelas lágrimas de arrependimento, Vitória pediu:
— Você me ajuda?
Largo sorriso no rosto tranquilo e Vanilson afirmou:
— Vim aqui para isso.
Abraçando-a com carinho, embalou-a, lentamente, de um lado para outro com ternura e compreensão.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 72024
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 15, 2017 10:30 am

17 - CRISTIANO NÃO CONSEGUE NEGAR SEU AMOR

COM O PASSAR dos dias, o abismo entre Simone e Samuel parecia maior e as dificuldades com o pequeno Pedro aumentavam.
O menininho precisava de médicos e medicamentos constantemente.
Ficou internado algumas vezes e necessitava de muita atenção.
Simone havia recorrido ao ex-marido para ajudá-la a socorrer o filho, porém ele se negava, dizendo-se ocupado ou nem atendia aos seus telefonemas.
Por essa razão, procurava não sobrecarregar ninguém, tentando ao máximo se virar sozinha.
Mas havia momentos em que não conseguia, por isso, ora chamava um, ora chamava outro para acompanhá-la ao médico ou hospital.
Nem sempre podia se dar ao luxo de pegar táxi, pois as despesas com Pedro eram grandes e seu orçamento estava comprometido.
Naquele sábado bem cedo, pediu a Cristiano para levar ela e Pedro ao hospital.
O menino ardia em febre.
— Nem avisei a Rúbia.
Ela está dormindo.
Não está disposta nos últimos dias — disse entrando no carro com a ajuda do amigo.
— Fez bem em me chamar — afirmou Cristiano que, após acomodá-la no banco de trás com o nené, fechou a porta e entrou no veículo ocupando o lugar do motorista.
Em seguida, perguntou:
— E o seu pai? Melhorou?
— Ontem à noite precisou ir ao pronto-socorro de novo.
O médico disse que ele está com começo de pneumonia.
Por isso não chamei minha mãe.
O Abner já me levou ao médico duas vezes esta semana.
O Davi uma. Acho que nenhum dos dois me aguenta mais — sorriu.
Depois disse sem jeito:
— Por favor, desculpe, Cristiano.
Não queria incomodá-lo, mas...
Actualmente não dá para ter uma empregada.
Se eu tivesse, pediria para me acompanhar.
Sozinha, não dá para dirigir e deixá-lo no banco de trás.
— Pare com isso.
Nem pense uma coisa dessa.
Puxa vida! — quase se zangou.
Enquanto dirigia, contou:
— Minha mãe queria vir, mas eu não deixei.
— Fez bem. Todas às vezes que vamos ao hospital é muito demorado.
Seria cansativo para ela.
Pedro foi atendido e necessitou ficar internado.
Apreensiva e temerosa, Simone sofria em silêncio.
Resignada. Não sabia o que dizer, somente orava.
Seu coração estava aos pedaços por deixar o filhinho mais uma vez internado.
Pensava em como deveriam ser doloridas as picadas das agulhas para fazer exames, receber soro e medicamentos.
Tudo era muito sofrido para aquela criancinha tão indefesa que, ali, não compreendia a razão de tudo.
Ao sair do hospital, o amigo ajudou-a a entrar no carro e foi para o banco do motorista.
Ele parecia acostumado ao silêncio de Simone quando preocupada e apreensiva.
Respeitoso com os sentimentos da amiga, não disse nada, apenas dirigiu.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 72024
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 15, 2017 10:30 am

Após algum tempo, ela pediu:
— Pode me levar para a casa da minha mãe, por favor?
— Claro. Será bom.
Assim faço uma visita para o senhor Salvador.
Gosto de conversar com ele.
— Verdade? — sorriu ao perguntar.
— Verdade. Gosto sim.
— Que estranho.
Ninguém gosta de conversar com meu pai. Apesar de...
— De quê?
— Sinto como se você tivesse certa autoridade moral sobre meu pai.
Quando fala, ele escuta.
Presta uma atenção!
Quase nunca o interrompe.
No final, acaba concordando com o que diz ou fica pensativo.
O rapaz sorriu e nada disse.
Em seguida, Simone contou:
— Depois daquela conversa que tivemos lá em casa, minha mãe disse que meu pai começou a ajudá-la com algumas tarefas de casa.
Agora ele lava louça, ajuda a recolher a roupa.
Até lavou o quintal e molhou as plantas sem ela pedir.
Ele sempre foi muito crítico, supervalorizava-se pelo que fez na vida.
Aposentado, achava não precisar fazer mais nada.
— Sabe... Eu penso que seu pai é desse jeito crítico porque vocês só querem ensiná-lo com crítica.
Ele não aprendeu o que é correto.
Quando dá sua opinião, você e seus irmãos não querem ouvi-lo e o criticam por ele falar daquela forma.
Quando converso com o senhor Salvador, eu ouço e depois explico com calma o que eu acho ser correto.
Então ele presta atenção e vai pensar. As vezes, até muda de ideia, após compreender.
— Acho que tem razão.
Nunca procurei explicar, com calma, algo para ele.
Após algum tempo, comentou:
— Só fico imaginando a hora que ele souber que você é irmão do Davi, o companheiro do Abner.
— Vamos viver o momento.
Quando for preciso, ele saberá.
Não sofra por antecipação.
Assim que chegaram à casa dos pais de Simone, dona Celeste os recebeu com satisfação.
Após saber do neto internado, eles entraram e a senhora repreendeu a filha:
— Deveria ter me chamado.
Quando a Rúbia me ligou, falando que você tinha deixado um bilhete dizendo que tinha ido para o hospital, fiquei preocupada.
Liguei para seu celular, mas... nada.
— O Pedro estava sendo atendido, mãe.
Não podia deixar o celular ligado.
— E só agora você pôde voltar, filha?
Nossa! Como demorou!
— É sempre assim.
Estou exausta — murmurou, sentando-se no sofá.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 72024
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 15, 2017 10:31 am

Recostando-se, fechou os olhos.
— Sente-se, Cristiano.
Você também deve estar cansado.
Só mais um pouquinho e vou servir o jantar, filho.
Está quase pronto.
— Não se incomode comigo, dona Celeste.
Tomamos um café na lanchonete do hospital.
— Não almoçaram?!
— Não. Mas isso não é problema.
Estou preocupado com a Simone.
Ela está muito pálida.
Pelo que me contou, não vem dormindo nem comendo direito nos últimos dias.
— Filha... Toma um banho enquanto eu termino o jantar.
— Não, mãe, obrigada.
Só passei aqui porque é caminho.
Eu queria ver o pai.
Quando o Cristiano for embora, vou com ele para aproveitar a carona.
— Imagine! Você deixa o rapaz sem almoço, só com um cafezinho e vai mandá-lo embora sem jantar?!
Não mesmo, né, filha?!
— E o pai?
Nesse momento, o senhor Salvador surgiu na sala cumprimentando-os:
— Ooooh!.. Que bom!...
Como vai Cristiano? — disse verdadeiramente feliz por vê-los.
— Bem. E o senhor? Melhorou?
— Estou bem melhor.
Essa gripe é terrível.
Não adiantou nada tomar a vacina.
A gripe me atacou do mesmo jeito.
— E que o vírus da gripe é mutante.
A vacina desenvolvida é para o tipo de vírus que mais ataca naquele momento.
Tomando-a o senhor estará protegido daquele tipo de gripe, mas se o vírus sofreu mutação antes de chegar ao senhor, poderá pegá-la.
Porém a vacina é sempre bem-vinda, pois vai imunizá-lo da doença mais agressiva.
Imagine-se contraindo duas vezes gripe?
— Nem brinque.
Voltando-se para Simone, o pai perguntou:
— E o Pedrinho, filha?
— Ficou internado de novo.
— Você está pálida.
Precisa descansar.
— De que jeito? — sua voz embargou e ela, novamente, fechou os olhos e largou-se no sofá.
O senhor teve uma crise de tosse e a esposa reclamou:
— Se ele não fumasse, não estaria assim tão ruim.
Ainda vai morrer por causa desse cigarro maldito — disse, saindo em direcção à cozinha.
— O senhor está fumando mesmo com a gripe e o começo de pneumonia?
— Só fumei unzinho hoje cedo.
Desde segunda-feira, não botava um cigarro na boca.
— Por que não aproveita para deixar o cigarro de vez?
— É difícil, menino.
Não imagina como.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 72024
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 15, 2017 10:31 am

— Quando vou fazer algo que é muito difícil, espelho-me no exemplo daqueles que já foram vitoriosos antes de mim.
Se alguém já conseguiu, eu consigo também.
— Estou tomando tanto remédio.
— O cigarro tem muita química, muita droga que intoxica o organismo, deixando a pessoa dependente física e psicologicamente.
A pessoa que fuma morre aos poucos.
— Todos nós morremos aos poucos.
Isso você tem que admitir — riu, acreditando-se vitorioso no ensinamento.
— Só que, quem fuma, morre mais rápido.
Porém, o pior não é morrer.
O pior é degenerar o corpo que Deus lhe deu perfeito.
— Você disse que era espírita.
Acredita mesmo nessa coisa de reencarnação?
— Acredito sim. Como explicar tantas diferenças físicas, sociais, emocionais?
Por que somos tão diferentes?
Por que um é perfeito fisicamente e outro não enxerga ou não anda ou falta-lhe um braço?
— Somos diferentes porque é a vontade de Deus.
— Se for só pela vontade de Deus, esse Deus é muito cruel, o senhor não acha?
Sem esperar pela resposta, comentou:
— Sim, porque o meu vizinho não fez nada de errado, sofreu um acidente e ficou paralítico.
Eu sofri um acidente, fiquei um pouco perturbado, mas já estou melhorando.
Não tive nenhuma sequela física.
Se acreditar que é, pura e simplesmente, a vontade de Deus, então Ele é sádico e gosta de ver seus filhos sofrer à toa.
— Às vezes, penso nisso e não tenho resposta.
Simone, sem dar importância ao assunto, levantou-se, pediu licença e foi até a cozinha.
Os dois a acompanharam com o olhar e Cristiano perguntou:
— Como explicar a condição do Pedro que nasceu com tantos probleminhas?
Será que Deus ama mais a mim e ao senhor do que a ele?
Pois nos fez nascer perfeitos, não é mesmo?
O homem respirou e desabafou:
— Já pensei muito, muito sobre isso, mas não tenho resposta.
— A única explicação é a reencarnação.
Eu acredito em Jesus e Ele sempre nos falou de um Pai bom, justo e misericordioso.
Onde está a bondade, a justiça e a misericórdia de Deus se Ele não nos deixar corrigir, reparar os erros cometidos em uma vida?
Se fomos ignorantes e erramos, seria correto sofrermos eternamente no inferno, como pregam algumas religiões?
Se só pedirmos perdão dos nosso erros, vamos para o céu e aqueles que prejudicamos e fizemos sofrer que fiquem com o prejuízo? É certo isso?
— Não seria justo.
Nisso eu concordo.
— Por isso eu creio que Deus nos criou simples e ignorantes.
Através das reencarnações aprendemos a fazer aos outros aquilo que queremos que nos façam.
Aprendemos a amar e a respeitar aos outros e a nós mesmos.
Respeitar nosso corpo que foi emprestado para essa encarnação a fim de que possamos aprender com as experiências desta vida.
— E se eu fumar, o que pode me acontecer?
— Se o senhor sabe que o cigarro faz mal e continuar comprometendo sua saúde com químicas tão nocivas, tão prejudiciais que têm no cigarro, o senhor vai se matando mais rapidamente, e o pior, dolorosamente, porque o cigarro vai lhe provocar doenças sérias, muito dolorosas, fisicamente falando.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 72024
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 15, 2017 10:31 am

— Muita gente já morreu de câncer e não fumava.
— Talvez, por ter danificado o próprio corpo ou o corpo de alguém em outra encarnação ou até nessa vida.
A pessoa que experimenta o câncer sem nunca ter, nesta existência, feito algo para se provocar essa doença, certamente ela o fez em outra vida e pediu para viver algo forte a fim de valorizar o corpo perfeito que Deus lhe deu.
Há outros motivos também, mas todos se resumem em amor a si e aos outros.
Tudo o que fazemos fica registado em nossa consciência e, por querer evoluir e melhorar, desejamos nos harmonizar, nos livrar do peso do remorso.
O senhor Salvador ficou pensativo. Teve outra crise de tosse e, assim que se recompôs, perguntou com a voz fanhosa e um pouco rouca:
— Você acha que o meu neto fez algo errado na outra vida para nascer assim?
— Todos nós fizemos algo errado em outra vida.
Alguns de nós mais do que outros.
Existem aqueles que desejam tanto evoluir que pedem para reencarnar harmonizando tudo o que fizeram de errado.
Então nascem enfrentando imensos desafios.
Outros preferem algo mais suave, porém os desafios se estendem por várias encarnações.
Não sei afirmar qual o propósito do Pedro.
Só acredito que ele é um espírito muito corajoso para decidir aprender e harmonizar a consciência de uma vez, vindo enfrentar tantos desafios juntos.
Além disso, ele é uma criatura muito abençoada por ter uma mãe tão amorosa e dedicada, avós tão atenciosos e prestimosos, uma família que o ama e o recebe com tanto carinho.
Ele deve ter sido muito importante para vocês, em outra existência, para ser tão querido.
Vocês não o conheciam nesta vida.
Ele nasceu assim.
É diferente de alguém que primeiro angariou a amizade de pessoas queridas e depois se acidentou.
Ao ver o senhor pensativo, aguardou alguns instantes e desfechou:
— O bom disso tudo, de acordo com os ensinamentos da Doutrina Espírita, é que a vida do Pedro não se encerra aqui.
Assim como a nossa, ela não acaba agora, nesta existência.
O Pedro não é assim, como o vemos.
Ele está assim, nessas condições.
Certamente, no plano espiritual, o Pedro será diferente, bem melhor e melhor ainda na próxima encarnação.
— Na próxima vida, ele não vai se lembrar de nós.
— Não me lembro da última encarnação.
Não me lembro do senhor.
Porém, tenho certeza de que nos conhecemos e de alguma forma o senhor foi uma pessoa importante e muito querida para mim, pois tenho uma atenção e um carinho bastante significativo, especial pelo senhor e, sem modéstia, sei que sente o mesmo por mim.
O senhor Salvador riu e ele continuou:
— Não precisamos lembrar, precisamos sentir.
Um momento e disse:
— Pense em abandonar o cigarro.
Eu não gostaria de vê-lo com desafios difíceis para aprender a não maltratar o próprio corpo.
Dona Celeste chegou à sala e os chamou:
— O jantar está na mesa. Vamos?
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 72024
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 15, 2017 10:31 am

— Obrigado, dona Celeste.
Vou aceitar sim — afirmou o rapaz levantando-se.
Em seguida, perguntou:
— Onde posso lavar as mãos?
— Ali tem um banheiro, filho — apontou.
Pode se lavar ali.
Logo todos estavam à mesa da cozinha e a senhora os servia quando
o senhor Salvador quis saber:
— E a Rúbia?
— Está lá na minha casa, pai.
Liguei para ela agora há pouco.
— E está lá sozinha? — tornou o homem.
— Ela contou que o Abner passou lá à tarde, tomaram café e conversaram um pouco.
— Ela não deveria ficar só.
— Se você chamasse sua filha para vir aqui, ela estaria com a gente agora — disse a esposa.
O marido abaixou a cabeça e nada respondeu.
— Ela não deveria ficar sozinha mesmo — comentou Simone.
Já está de licença-maternidade e o nené pode se antecipar para nascer. Nunca se sabe.
— Quer que eu vá buscá-la?
É perto. Vou e volto rapidinho — ofereceu-se Cristiano.
— Não! — respondeu Simone de imediato.
Você já fez muito por hoje.
Perdeu seu sábado.
— Eu não tinha nada para fazer.
Pelo menos, fui útil — falou sorrindo.
— Amanhã vocês vêm almoçar aqui.
Vem você, o Cristiano e a Rúbia — convidou o senhor.
— Agradeço imensamente, mas amanhã já tenho um compromisso.
Vai ficar para a próxima vez.
Simone se inquietou.
Não sabia que compromisso o amigo poderia ter, mas não disse nada.
Passado um tempo, e reparando no comportamento da filha, dona Celeste chamou-lhe a atenção:
— Se não comer e ficar fraca, quem vai cuidar do seu filho igual a você, Simone?
— Estou completamente sem fome, mãe.
— Precisa se alimentar.
Você emagreceu muito.
Não dorme direito... — orientou a senhora.
— Não seria o caso de procurar uma pessoa para te ajudar?
Uma enfermeira, quem sabe? — sugeriu Cristiano.
— É... — respondeu somente.
Não queria dizer que as despesas financeiras estavam bem altas.
— Precisa dividir as tarefas com alguém.
Isso acabará te fazendo mal.
Depois, como sua mãe lembrou, quem vai cuidar do Pedro igual a você? — reafirmou o rapaz.
Ela não respondeu e continuou mexendo na comida com a ponta do garfo.
Nesse momento, o telefone tocou e Simone se propôs a atender a fim de fugir da mesa:
— Pode deixar, eu atendo.
Ao vê-la sair, a mãe desabafou:
— Estou preocupada com ela.
— Estamos, mulher. Estamos.
E não sabemos mais o que fazer para ajudar.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 72024
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 15, 2017 10:32 am

Cristiano a observou a distância e nada disse.
— Assim que eu melhorar, vou ficar mais tempo na casa dela pra ver se ajudo mais — decidiu o pai.
— A Simone precisa, além de suporte material, de ajuda com o Pedro, de apoio emocional.
Principalmente, apoio emocional — comentou Cristiano.
Essa experiência não é fácil para ela.
A presença dos parentes, dos amigos é imensamente importante.
O ideal, agora, é não levar a ela problemas ou preocupações insignificantes, coisas que nós mesmos podemos resolver.
— Eu entendo o que você quer dizer.
O fardo da minha filha já está bem pesado.
A preocupação e o trabalho com o filho, o divórcio...
Seria bom, nesse momento, ela ver a família em harmonia.
Foi bom o Salvador convidar a Rúbia para almoçar aqui amanhã.
O ideal seria convidar o Abner também.
Assim a Simone se sentiria mais feliz.
— Não vai começar... — resmungou o marido de boca cheia.
— Seria bom ter a família reunida — tornou dona Celeste.
A aproximação de Simone os fez parar de falar, e ela contou:
— Era a Rúbia.
Acho que meu celular tocou dentro da bolsa e não ouvi.
Ela está sozinha e reclamando por isso.
— Eu já terminei de jantar.
Se você quiser ir embora... — ofereceu o amigo.
— Não sem antes experimentar um pouquinho do pavê que eu fiz.
— Para mim não, dona Celeste.
Estou satisfeito. Muito obrigado.
Antes que a senhora insistisse, Simone pediu:
— Mãe, deixa para outro dia.
O Cristiano, assim como eu, está exausto.
O dia foi intenso.
— Então vai levar um pouquinho pra ele e pra Janaina.
— Se for assim, eu aceito — respondeu alegre e com sorriso maroto no rosto.
Adoro pavê, mas comi muito — falou feito criança esfregando as mãos.
Sem demora, a senhora arrumou o que o rapaz levaria.
Eles se despediram e se foram.
Ao deixar Simone em casa, o amigo entrou por alguns instantes.
Pararam na área e antes de ela abrir a porta da sala, ele a convidou:
— Amanhã haverá uma festinha lá na instituição.
Um grupo de mágicos e malabaristas ofereceu uma hora de apresentação.
Outro grupo de senhoras fez bolo, doces e outras coisas.
Quer ir comigo?
— Vou ao hospital.
— A que horas?
— De manhã.
— Posso ir com você e depois iremos à instituição e...
— E se o Pedro receber alta?
— Eu trago vocês dois.
Deixo-os aqui e vou sozinho, pois prometi que iria.
Pode ser assim?
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 72024
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 15, 2017 10:32 am

— Não sei... — respondeu com voz fraca e desanimada, abaixando o olhar.
— Simone, você está bem?
— Estou muito cansada.
— Eu sei. Desde que o Pedro nasceu não parou.
— Não é só fisicamente.
Vivo preocupada e alerta.
O Pedro exige muitos cuidados.
Você viu como é difícil e triste alimentá-lo.
Parece que nunca dorme.
Tenho que ficar atenta aos remédios e a inúmeros cuidados, pois sua imunidade sempre está baixa.
Tem resfriados, complicações respiratórias, pulmonares, os rins nunca estão bons, sempre surge uma infecção nova...
Lágrimas rolaram em sua face pálida e desabafou:
— Sei que estou errada, muito errada em falar isso, mas...
É quando ele está no hospital que eu tenho um pouco de descanso...
Posso dormir um pouco... mas os meus pensamentos não param.
Fico me punindo, me torturando porque sinto certo alívio por não ter tantas preocupações de noite como vai ser a de hoje...
Ele vai fazer três meses na próxima semana e... — Chorou.
Quero fazer o melhor por ele, mas não estou conseguindo.
— Calma. Vem cá — pediu, acolhendo-a com um abraço.
Tenho certeza de que você está fazendo o melhor e isso é tudo o que pode.
É lógico que está se acabando.
Não tem mais de onde tirar forças.
Tudo tem um limite, Simone, e você chegou ao seu.
Abraçando-o firme, abafou a voz em seu peito e contou chorosa:
— Da última vez que o Pedro ficou internado, eu cheguei aqui em casa, tomei um banho e deitei.
Acordei dezasseis horas depois!...
Não sabia onde estava nem que dia era.
Perdi a noção de tempo. Estava confusa.
Não me lembrava de tê-lo deixado internado.
Corri para o outro quarto procurando-o.
Fui até a sala e entrei em desespero.
Só depois lembrei de tudo.
— Isso é fadiga física e mental.
Você está sobrecarregada.
Não pode se culpar por isso.
É muito trabalho e muita preocupação.
— Estou com medo de entrar, tomar banho, dormir e amanhã me esquecer dele, de onde o deixei.
— Não vai acontecer, e se acontecer, eu vou te lembrar.
Está bem assim? — perguntou com leve sorriso na face alva, que parecia azulada pela barba bem escanhoada.
Curvando-se um pouco, procurou olhar dentro dos olhos dela.
Simone afastou-se do abraço.
Contudo, Cristiano segurou suavemente seu rosto e o afagou com ternura, penetrando ainda em seu olhar.
Uma emoção forte os dominou, fazendo seus corações dispararem.
Fechando os olhos, ele beijou sua testa demoradamente, e apertou-a novamente contra o peito, sentindo sua respiração alterada.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 72024
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 15, 2017 10:32 am

Quando ia se afastando lentamente, Cristiano segurou novamente seu rosto, acariciou-o com leveza, curvou-se e procurou seus lábios, beijando-a com carinho.
Simone abraçou-o suavemente, correspondendo com toda a emoção.
No minuto seguinte, colocou-lhe a mão no peito e distanciando-se ao murmurar:
— Cris... não...
— Por quê? — perguntou no mesmo tom.
— Eu não devia... Eu... — falou baixinho, fugindo-lhe o olhar.
— Somos bem grandinhos.
Sabemos o que estamos fazendo e não podemos mais negar o que sentimos um pelo outro, Simone.
— Meu divórcio...
— E daí?! — murmurou enfático.
— Eu não sei. Tenho um filho e...
— Adoro você. Adoro seu filho.
Quero cuidar de vocês dois.
Não posso e não vou mais negar o que sinto.
A não ser que não me queira e disser que não sente nada por mim.
— Estou confusa.
Não sei o que dizer.
O que meus pais vão pensar? E sua mãe?
— Não crie obstáculos nem empecilhos que não existem.
Duvido que alguém não tenha desconfiado de um sentimento mais forte entre nós dois, de um interesse além da amizade.
Não será surpresa para ninguém.
Além do que, não devemos nada aos outros.
— Vivo um momento delicado, preocupante e muito trabalhoso.
— E eu quero fazer parte dele mais do que já faço.
Quero estar ao seu lado, ao lado do Pedro.
Quero que divida tudo comigo.
Puxando-a para junto de si, afagou-lhe os cabelos macios e contemplou-a por um instante.
Curvou-se, beijou-a com carinho e ela correspondeu.
Nesse instante, rápida e inesperadamente, a porta da sala foi aberta e Rúbia não pôde deixar de vê-los, apesar de a irmã se afastar ligeira.
— Desculpe, eu... — disse Rúbia envergonhada e sem saber o que fazer.
Em seguida, cumprimentou como se nada tivesse visto:
— Oi, Cris, tudo bem?
— Tudo. E você? — perguntou com a respiração alterada, tentando disfarçar a surpresa.
— Agora estou mais tranquila.
Não gosto de ficar sozinha.
Dito isso, convidou:
— Venha. Vamos entrar.
— Não. Obrigado.
Eu já estava indo embora.
— Acabei de fazer um chá de maçã com canela.
Aprendi a tomar esse chá quando morei na sua casa e sei que você gosta.
Quer um pouco? — sorriu.
— Aceito sim.
Só que tem de ser bem rápido.
Minha mãe está sozinha.
Colocando, com leveza, a mão nas costas de Simone, que abaixou o olhar, conduziu-a para entrar na sua frente.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 72024
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 15, 2017 10:32 am

Enquanto tomavam o chá, Rúbia comentou:
— O Pedro ficou internado novamente?
— Teve outra infecção urinária — contou a irmã.
Estou preocupada... Insegura.
— O importante é saber que tudo está sendo feito por ele com muita atenção, carinho e amor — disse Cristiano.
— Concordo com você — tornou Rúbia.
Vejo a Simone dia e noite se desdobrando em cuidados com o Pedro.
Os melhores médicos e hospitais ao alcance dela estão sendo consultados e...
— Gente, com licença... — pediu Simone levantando-se e deixando-os sem entender.
— O que deu nela?! — quis saber a irmã.
— Fadiga. Ela está cansada, com muitas preocupações e...
A verdade é que a Simone está se dedicando muito para algo que ela sabe não poder ter esperança ou um futuro próspero, melhor, positivo.
Hoje o médico que atendeu o Pedro disse a ela:
"mãe, apesar de toda a sua dedicação e empenho, seu filhinho tem um quadro bastante delicado e irreversível.
Continuaremos fazendo de tudo por ele, porém você precisa estar preparada".
Não é fácil para uma mãe prestimosa ouvir isso.
— É uma luta imensa na qual sabemos que não haverá vitória.
— Aparentemente não.
Toda luta, todo empenho para o bem, por amor, é uma luta vitoriosa, mesmo que se perca.
É facto que o Pedro não vai...
Não vai ficar com a gente por muito tempo ou por muitos anos.
Conheço bem essa síndrome.
Acredito que a atenção, o amor e o carinho que ele recebeu e que nós fizemos nascer em nós para doarmos a ele...
Ah!... Isso nunca será destruído.
Esse amor nunca mais desaparecerá.
Tanto ele, como nós, seremos espíritos melhores e mais fortes do que nunca, pois aprendemos a importância de dar e receber.
Não podemos limitar a nossa vida somente a esta experiência.
Hoje ele precisa de nós e o ajudamos.
Amanhã, em outra vida, podemos precisar e ele estará ao nosso lado.
— Pensar assim é a única coisa que me conforta.
O celular de Cristiano tocou.
Ele atendeu e logo desligou.
Levantando-se, falou:
— Era minha mãe.
Estava preocupada.
Bem... Vou ver a Simone e em seguida vou embora.
— Vá lá, sim. Veja como está.
Sua companhia faz muito bem para ela.
O rapaz sorriu, curvou-se e a beijou na testa, saindo em seguida.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 72024
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 15, 2017 10:33 am

18 - ALÉM DA MORTE

NO DOMINGO de manhã, Simone, em companhia de Cristiano, conversava com o médico pediatra que cuidava de Pedro e passou por visita ao C.T.I. infantil.
— Ele está reagindo bem com a medicação e, se continuar assim, amanhã nosso herói — referiu-se ao menino —, estará de alta.
— Pensei que o levaria comigo hoje.
— Vejo em vocês dois pais muito dedicados.
Bem séria, Simone trocou olhares com Cristiano, mas nenhum dos dois foi capaz de corrigir o médico que continuou:
— Todo carinho, amor, cuidado e atenção são importantes para ele e para vocês.
Porém, aqui no hospital, teremos recurso para qualquer emergência.
Vão pra casa, descansem, durmam, distraiam-se e namorem um pouco — sorriu.
Por que não? Aqui, o Pedrinho estará bem cuidado e amanhã vocês voltam. Está bem assim?
— Certo, doutor.
Obrigada. Amanhã voltarei.
Cristiano estendeu a mão ao médico e ao ser correspondido, agradeceu:
— Obrigado por tudo, doutor.
— Nós nos vemos amanhã.
Enquanto caminhavam vagarosamente pelo corredor gelado do hospital, o rapaz arriscou sobrepor o braço nos ombros de Simone que não se importou.
Ao saírem do prédio para o estacionamento, ela o enlaçou pela cintura e recostou-se nele.
Já no carro, Cristiano propôs:
— Você concorda em dar uma volta no shopping?
Preciso comprar uma coisa.
Depois, se você quiser, podemos almoçar juntos e ir até a instituição para a festinha deles.
O que acha?
Apática, sem demonstrar ânimo, respondeu:
— Quero sim. Preciso me distrair.
Encarando-o nos olhos, disse com leve sorriso de gratidão:
— Quero agradecer-lhe por tudo o que tem feito por mim e pelo Pedro.
Sua ajuda é grandiosa.
Seu apoio, sua dedicação, sua presença ao nosso lado têm um valor que ninguém pode imaginar.
— Ora... Pare com isso — pediu sem jeito.
— Serei bem sincera:
esperei esse apoio, essa dedicação do Samuel.
Nunca imaginei que outra pessoa, fora dos nossos laços de família, fora dos laços de sangue, pudesse nos ajudar e apoiar como você está fazendo.
Olhando-a firme, argumentou:
— Além dos laços de família e de sangue, existem os laços espirituais.
Esses são muito mais fortes e inquebrantáveis.
Eles vão além da vida e além da morte.
Não tenho qualquer lembrança ou conhecimento das vidas passadas, do que vivemos juntos, porém o que eu sinto é bem mais forte do que a razão.
E é apoiado nesse intenso sentimento que encontro força e vontade de estar ao lado de vocês dois.
— Sobre ontem, eu...
Cristiano a viu constrangida, por isso a interrompeu:
— Vamos cuidar do hoje.
Cuidar do aqui e do agora.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 72024
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 15, 2017 10:33 am

Ontem já passou e o amanhã...
Bem, o amanhã depende de hoje.
Não vamos sofrer ou nos antecipar.
Não quero e não vou pressioná-la.
Preciso só que me deixe ficar ao seu lado e ao lado do Pedro.
Simone se aproximou e o abraçou com força, escondendo o rosto em seu peito.
Ele a afagou com carinho e beijou-lhe a cabeça várias vezes.
Em seguida, afastando-se do abraço, Cristiano propôs animado, querendo vê-la mais alegre:
— Bem... Vamos ao shopping?
— Vamos sim — concordou com generoso sorriso que nos últimos tempos quase não se via.
As preocupações com Pedrinho a fizeram esquecer do compromisso de almoçar na casa de seu pai com a irmã.
O rapaz também havia se esquecido e assim foram ao shopping, descontraídos.
* * *
Enquanto isso, na casa de Simone, Rúbia se inquietava.
Sabia que o pai a havia convidado para ir almoçar lá naquele dia e não queria chegar em cima da hora.
Tinha planos de conversarem um pouco mais e de se aproximar novamente de seu pai.
Contudo a irmã não chegava nem atendia o celular.
— Será que o Pedrinho piorou? — falava sozinha, andando de um lado para outro.
Ou será que ela esqueceu?
Nunca gostou de ficar sozinha.
Entretanto, nos últimos tempos, estava detestando a solidão.
Só não acompanhou a irmã ao hospital porque Cristiano a lembrou de que não era um lugar saudável para o seu estado.
Do contrário, teria ido.
Inquieta, ligou para sua mãe que tentou tranquilizá-la:
— Calma, filha.
Ainda nem são onze horas.
Daqui a pouco ela chega.
— Eu deveria ter ido junto.
— Não é um bom lugar para se frequentar no seu estado.
Eu era quem deveria ter ido junto.
Acho que estamos abusando muito da amizade do Cristiano.
Esse moço vive ajudando sua irmã com o Pedrinho...
— De repente ele gosta, mãe.
Tem algum interesse... — calou-se rapidamente.
— Ele é dedicado assim porque a Simone ajudou muito quando ele precisou. Deve ser isso.
— Mãe, a senhora já imaginou se não for só isso? — riu engraçado
E se o Cris estiver interessado nela?
— Eu já desconfiei disso.
Se for o destino e a vontade de Deus...
Rezo para que sejam felizes.
Ele é um bom rapaz.
Se soube apoiá-la em uma situação dessa...
Nada mais será problema para os dois.
— Pelo visto, tudo vai dar certo.
Só faltam assumir que se gostam.
Breve silêncio e lembrou:
— Mãe, vou desocupar o telefone.
A Simone pode ligar.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 72024
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 15, 2017 10:33 am

— É mesmo, filha. Aguardo vocês.
Ligue assim que ela chegar.
— Beijo. Tchau.
Certa angústia apertou o coração de Rúbia.
Sentia-se só e não gostava disso. Queria amar e ser amada.
Desejava alguém ao seu lado.
Alguém que não a usasse.
Arrependia-se por ter se envolvido com Geferson, por ter se deixado enganar.
Pensava que sua vida nunca mais seria a mesma.
Teria um filho e muitas obrigações por conta dele.
Como poderia encontrar um homem que olhasse para ela e se interessasse, sabendo que tinha um filho de outro?
Solteira, livre e desimpedida, já era difícil ela encontrar alguém que a interessasse, estivesse disponível e interessado nela.
O que Rúbia não sabia é que, à medida que reconheceu as falhas cometidas, corrigiu-se e buscou não errar mais, sua vida mudava.
A frequência ao centro espírita, o aprendizado da prece feita com atenção e de coração, os passes, aos poucos iam desimpregnando-a das energias ruins, pesarosas que havia adquirido quando se envolveu com Geferson.
As companhias espirituais, espíritos de baixo valor moral e levianos, que se sustentavam das vibrações energéticas daquela aventura no falso prazer, perderam o interesse de ficar perto dela e encontravam incompatibilidade em suas vibrações, agora saudáveis, mudadas.
Estava consciente de seguir bons princípios, ciente das responsabilidades adquiridas, das quais não queria fugir.
Havia amadurecido espiritualmente e isso a imbuía de sabedoria, pensamentos elevados e novos fluidos benéficos, que a fariam atrair para si companhias boas e, consequentemente, um companheiro amoroso melhor ao seu nível moral e espiritual.
Atraímos para junto de nós energias e companhias compatíveis aos nossos pensamentos e práticas.
Porém, ela ainda teria algumas coisas para acertar e se desprender do passado totalmente.
Seus pensamentos estavam longe e quase não ouviu o celular tocando.
Ao pegá-lo, sentiu-se gelar ao ver no visor o nome Geferson.
O que ele poderia querer?
Não saberia se não atendesse.
— Alô!
— Precisamos conversar — disse uma voz de mulher sem sequer cumprimentá-la.
— Quem está falando?
— Meu nome é Cícera.
Sou esposa do Geferson.
— Desculpe. Não a conheço e... — não sabia o que falar tamanha foi a surpresa.
— Eu sei de tudo, Rúbia.
Só que precisamos conversar.
Podemos nos encontrar hoje?
— Encontrar?... Hoje?...
— Sim. Logo mais.
Pode ser na praça de alimentação de um shopping ou em algum café.
Em um lugar público, talvez, você se sinta melhor. Onde quiser.
— Veja bem...
Para ser sincera, você me pegou de surpresa e não sei bem o que decidir.
Pode me dar um tempo para pensar? Ligo em seguida.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 72024
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 15, 2017 10:33 am

— Pode ligar para o celular do Geferson, mas não demora, por favor.
— Certo. Até mais.
— Até.
Ao desligar, Rúbia ficou confusa.
Estava desorientada. Não sabia o que fazer.
Imediatamente ligou para Simone, mas a irmã não atendeu.
Pensou em falar com sua mãe, porém achou que não deveria.
Ligou para o celular de Abner:
— Estou na praia, Rúbia.
Não se lembra? Eu te falei ontem que viria pra cá.
— Eu me esqueci.
— Aconteceu alguma coisa?
Você está bem?
— Estou bem. Não é nada.
Só queria conversar. Não gosto de ficar sozinha.
Então... Depois nos falamos. Bom passeio.
— Está tudo bem mesmo?
— Está. Fique tranquilo.
Ela não queria preocupar o irmão, por isso não disse nada.
A Simone está no hospital e deve chegar logo.
Qualquer coisa, eu te ligo.
— Liga mesmo, hein!
— Um beijo!
Manda um beijo pro Davi também.
— Pode deixar. Beijão! Tchau.
Novamente sentiu-se só e desorientada.
O que fazer?
O que Cícera poderia querer com ela?
Sentiu medo. Algo estranho.
Começou a pensar que a esposa de Geferson poderia maltratá-la, subjugá-la de alguma forma.
Seria simples dispensar a conversa, porém ficaria preocupada e pensando, excessivamente, no que a outra quereria.
Precisava da opinião de alguém ou até da companhia, caso decidisse encontrar-se com Cícera.
Seu celular tocou novamente e ficou mais temerosa, achando que era a mesma pessoa.
Ao pegar o aparelho, sorriu sem perceber e atendeu:
— Ricardo?
— Oi, Rúbia.
Tudo bem com você?
— Tudo. E aí?
— Tudo bem. Olha, desculpe telefonar, mas...
O Cristiano está aí?
— Não. Ele foi ao hospital com minha irmã.
Foram bem cedo para conversar com o médico que ia passar em visita ao Pedro e até agora não voltaram.
Liguei para eles. Só deu caixa postal.
— É que o Davi está em Mongaguá e um colega nosso, lá do centro, está com uma emergência odontológica, um dente doendo.
Eu queria ver se o Cris quebrava essa pra ele.
Porém... Tudo bem. Vou tentar mais tarde.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 72024
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 16, 2017 11:33 am

Em seguida, falou:
— Soube que já entrou de licença-maternidade.
— É verdade. O nené está para chegar.
Não suportando a pressão que sentia, decidiu perguntar:
— Ricardo, você tem um minutinho para me ouvir?
— Claro. O que foi?
Ela contou tudo ao amigo e ele opinou:
— De jeito nenhum!
Você não pode ir sozinha a esse encontro.
— Estou interessada em saber o que ela quer.
— Vá devagar, Rúbia.
E se a mulher for louca?
Ela pode reagir e...
Em minha opinião, você não deveria ir.
— Não sei o que fazer. Preciso retornar a ligação.
— A verdade é que não precisa retornar nada.
Não é obrigada a ceder ao que ela quer.
Em todo caso... Se quer matar a curiosidade...
Posso ir com você.
— Faria isso por mim? — alegrou-se.
— Faço sim. Marque com ela naquele bar que fica perto da empresa de engenharia e arquitectura.
Vou directo daqui e nos encontramos lá.
— Então ligo para ela, pego um táxi e te encontro lá.
— Por que um táxi?
— Não consigo dirigir. Estou enorme.
A barriga bate no volante.
Se coloco o banco para trás para dar distância, meus pés não alcançam os pedais direito.
Ricardo não aguentou e riu.
Rúbia se zangou, mas não disse nada e ele decidiu:
— Liga para ela e fique aí me esperando. Está bem?
— Não precisa se dar a esse trabalho. Eu vou de táxi.
— Aaaaaah!.. Vai dizer que ficou brava comigo só por que eu dei risada?
Deixa de ser boba!
Só ri porque fiquei imaginando a cena.
— Está bem... Eu te espero.
— Já estou saindo daqui. Beijo!
— Outro.
Ela retornou a ligação para a esposa de Geferson e arrumou-se rapidamente.
Não demorou muito e Ricardo chegou.
Ao entrar no carro, beijou-lhe o rosto e agradeceu:
— Obrigada por ter vindo. Estou tão nervosa.
— Vamos lá. Vamos resolver logo isso.
Virando-se para ela com um sorriso maroto, perguntou brincando:
— Dá para pôr o cinto ou vai precisar de alongador?
— Ricarrrrrdoü! — Expressou-se enfatizando a letra r para ressaltar, de brincadeira, sua raiva.
Em seguida, falou rindo:
— Se eu não precisasse de você agora!...
— Estou brincando. Você está linda!
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 72024
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 16, 2017 11:33 am

E logo, elogiou novamente:
— Que perfume gostoso. Adorei.
— Obrigada — sorriu satisfeita.
É uma colónia tão suave, não sei como percebeu.
— Em matéria de perfume, menos é sempre mais.
Ela sorriu e seguiram conversando.
Chegando ao bar onde combinaram, Rúbia avisou:
— Eu não a conheço.
Ela disse que viria de blusa vermelha.
— Huuuuuhm!.. — murmurou ele.
— Por quê?
— Vermelho... Cor de guerra.
Ela não veio em paz — sorriu, ao fitá-la.
— Não brinca. Estou nervosa.
Eles entraram e o amigo a conduziu com a mão em suas costas.
A recepcionista foi ao encontro deles.
Ao mesmo tempo, lançando olhar para uma mesa, a única ocupada naquele horário, Ricardo disse à moça:
— Tem uma pessoa nos aguardando ali. Obrigado.
Seguiram até a mesa onde a mulher de blusa vermelha os observava.
— Com licença. Você é a Cícera? — perguntou Rúbia, empunhando a enorme barriga.
A mulher a examinou atenta sem perder nenhum detalhe.
Só depois respondeu:
— Sim. Sou eu.
— Eu sou Ricardo.
Muito prazer — cumprimentou-a, estendendo a mão.
A mulher correspondeu e ele pediu:
— Podemos nos sentar?
— Sim. Claro. Por favor.
Em seguida, comentou:
— Eu a esperava sozinha. Você é irmão dela?
— Somos grandes amigos — respondeu ele.
Cícera ficou nitidamente constrangida pela presença de Ricardo. Pareceu não gostar.
Rúbia, visivelmente nervosa, torcia as mãos húmidas sob a mesa, quando perguntou com voz trémula:
— Pois bem... Estou aqui.
Queria conversar comigo. Pode dizer.
— Espero que sejam grandes amigos mesmo — disse Cícera em tom quase ofensivo.
O que tenho para dizer é bem pessoal.
— Se a senhora tentar ofendê-la, vamos embora.
Já estou avisando — reagiu Ricardo que não gostou de seu tom.
O garçom chegou e pediram refrigerante.
Com sua saída, encarando Rúbia, a mulher atacou:
— Recebi um telefonema anónimo e me contaram que você era amante do meu marido.
— Espere aí. Eu...
— Deixe-me terminar, por favor.
Rúbia suspirou fundo e se calou.
Cícera continuou:
— Não dei importância, pois achei que fosse só mais uma.
— Mais uma?! — tornou a outra contrariada.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 72024
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 16, 2017 11:33 am

— O Geferson pode ter quantas amantes quiser, pois ele sempre volta para casa e dorme comigo.
Fique sabendo.
Quando Ricardo percebeu que a amiga encheu os pulmões como se fosse revidar, ele a segurou pelo braço com leveza, sinalizando que nada dissesse e ela silenciou.
— Meu marido teve várias mulheres aí fora, mas nenhuma foi tão burra de se deixar engravidar.
Deve saber que temos uma vida financeiramente razoável e, certamente, deseja viver com a pensão de seu filho.
Porém, quero que saiba o seguinte:
eu e o Geferson somos casados com separação de bens.
Todo o nosso património, ou seja, a nossa casa, que se pode dizer é uma mansão, nossa casa de praia em condomínio de luxo, nossa casa em Campos do Jordão, nosso sítio em Ibitinga e outras coisas que nem me lembro...
Tudo o que é nosso está em meu nome.
O que vai sobrar para você, ou melhor, para o seu filho, não passa de uma pensão alimentícia bem reduzida, pois ele tem muitos gastos com nosso filho de sete anos, que é excepcional.
Rúbia não sabia da existência do terceiro filho de Geferson, mas não disse nada.
E Cícera continuou:
— Nossos dois mais velhos estão bem, mas o pequeno precisa de cuidados especiais.
Ele não anda, não fala, necessita de fisioterapia, médicos, remédios, enfermeira por 24 horas...
A lista de despesa é enorme.
Por essa razão, duvido que algum juiz vá tirar desse menino o que ele necessita para se manter vivo e dar ao seu, com saúde, e que tem uma mãe capacitada para trabalhar.
Os refrigerantes estavam sobre a mesa, mas nem foram tocados.
Com as mãos sob a mesa e escondida pela toalha, Rúbia tremia.
Não sabia o que dizer nem como agir.
Olhando para ela, Ricardo viu que empalidecia e decidiu reagir:
— Minha senhora...
Por que essa agressão?
Qual a causa desse ataque gratuito?
— Gratuito?
Você acha que alguém que vê seu património sendo visado por uma... uma... alpinista social, uma golpista, para não dizer outra coisa, deve ficar em silêncio? Não mesmo!
Antes que ela se dê ao trabalho de exigir os direitos do filho que espera, já estou alertando.
— Ninguém aqui pediu direitos ou pensão gorda para o filho — defendeu ele.
— Até agora não! — tornou agressiva.
— Espere um momento — pediu Rúbia com voz oscilante.
Cícera, não sei o que você está pensando de mim e pouco me interessa saber.
Nem mesmo entendi o que quer nem sei o que estou fazendo aqui.
Porém, já que nos encontramos, que tal saber da história com a minha versão?
Depois tire suas conclusões.
Sem esperar, continuou:
— Fui trabalhar naquela empresa onde conheci o Geferson.
Ele não usava aliança e não me pareceu casado, pois o jeito que falava comigo e com outras mulheres, não parecia alguém que devia satisfações à esposa em casa.
Começamos a nos interessar um pelo outro.
Só depois de um bom tempo, eu soube que ele era casado.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 72024
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 16, 2017 11:33 am

Foi então que o Geferson veio com aquela tão famosa mentira de que estava se separando, que ia se divorciar...
Eu quis terminar, mas ele me pediu um tempo.
Disse que me amava, que estava apaixonado e eu acreditei.
Idiota, acreditei.
Eu o pressionei e ameacei terminar o romance.
Quando decidi por isso, fui demitida e descobri que estava grávida.
Só continuei naquela empresa para garantir um plano de saúde bom, licença-maternidade e outros direitos que adquiri.
Não fiquei lá por causa do seu marido.
Ele me ameaçou, exigindo que eu abortasse, talvez coisa que ele tenha exigido de outras, mas eu não aceitei matar meu filho.
Ele me ameaçou novamente e prestei queixa contra ele na polícia.
Não sei se sabe disso.
Agora quero que saiba — falou firme, encarando-a:
— Não quero o Geferson nem nada que venha dele.
Faça bom proveito de seus bens, de sua riqueza, de sua fortuna.
Cuide de seus filhos e não use o que é especial como arma para prender seu marido ou sensibilizar os outros.
Muito me admira uma mulher como você, de boa aparência, que parece respeitável e inteligente, submeter-se a um marido que dorme com qualquer uma e depois volta para casa e a usa do mesmo jeito.
A classificação que dá às amantes dele, como alpinista social, golpista e nomes piores, também serve para você.
Tenha um pouco mais de orgulho, de amor-próprio e não se submeta a essa nojeira.
Arrependi-me muito por ter me envolvido com ele.
Não imagina. Fique sabendo que nem o nome dele meu filho terá.
Prefiro que ele seja registado como filho de mãe solteira a ter um crápula como pai.
Esqueça que me conheceu.
De você, quero distância, pois sinto desprezo por uma mulher que se presta a tamanha desvalorização diante de um homem que a trai descaradamente.
Ficar em dúvida, dar uma chance ao marido é uma coisa, aceitar ser traída constantemente e dormir com esse homem que sai com qualquer uma é desprezível.
Eu errei. Errei sim, mas não continuei errando como você.
Sou capacitada e não me presto a esse papel baixo.
Mesmo com todas as dificuldades, não vou me prostituir como está fazendo.
Você não é nada, nada diferente daquelas que se vendem, pois está se submetendo a isso por querer continuar com seu status, com seus patrimónios e isso é prostituição também.
Levantando-se abruptamente, despediu-se:
— Com licença. Até nunca mais.
Perplexo diante da cena, Ricardo levantou-se, acelerou os passos atrás da amiga e nem teve tempo de se despedir.
Alcançando-a, já fora do bar, segurou-a pelo braço e a fez se virar, pedindo:
— Calma. Vá devagar.
— Ai, Ricardo... — murmurou, esfregando o rosto com as mãos num gesto aflitivo.
Me leva embora daqui...
Estou tão nervosa! — disse com jeito frágil, bem diferente de minutos antes.
— Venha. Vamos — concordou, conduzindo-a até o carro.
Ao vê-la acomodada, deu a volta e se sentou ao volante.
- Tudo bem com você?
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 72024
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 16, 2017 11:34 am

— Qual era a daquela mulher, hein?!
O que ela queria, afinal?!
— Também não entendi.
Por algum tempo ficou calada.
Respirou fundo, recostou a cabeça no banco do carro e fechou os olhos enquanto ele a observava em silêncio.
Alguns minutos depois, chamou-o com voz baixa:
— Ricardo... Acho que não estou bem.
— O que está sentindo? — preocupou-se.
— Acho que minha pressão baixou...
Tocando-a no rosto, ele pôde senti-la gelada e perguntou:
— Está com a carteirinha do convénio e seus documentos aí na bolsa?
— Estou.
— Vou levá-la ao hospital.
— Tem um hospital do meu convénio aqui perto.
Em poucos minutos o amigo a levou.
Enquanto era atendida na emergência, ele fazia sua ficha no balcão.
Ao terminar, não sabia o que fazer nem onde procurá-la.
Pedindo informações a uma atendente, ela contou-lhe sorridente:
— A senhora Rúbia deu à luz um lindo menino.
— Como assim?! Já nasceu?!
— Nasceu lindo e forte.
Eles passam bem, mas vai demorar alguns minutinhos para vê-los.
Pode aguardar aqui mesmo que o médico vai chamá-lo.
Ricardo começou a rir sem saber o que fazer.
Até parecia o pai.
Andava de um lado para o outro e não tirava o sorriso do rosto.
Parou por um instante, organizou as ideias e decidiu telefonar para a família de Rúbia.
Logo percebeu que não tinha o telefone de dona Celeste em sua agenda.
Ligou para Cristiano, pois sabia que o amigo estava com Simone, mas ele não atendeu.
Telefonou para Abner, na praia, e contou o ocorrido.
O amigo passou-lhe o telefone de sua mãe e disse que voltaria imediatamente.
Ligando para dona Celeste, deu a notícia.
Em seguida, foi chamado para ver Rúbia.
A amiga achava-se deitada, sonolenta e presa ao soro.
Ao seu lado, um bercinho vazio.
— Oi... — murmurou ele.
Você está bem?
— Estou. Nossa...
Tudo foi tão rápido.
Eu tinha tanto medo...
Ele beijou-lhe a testa e segurou sua mão, depois perguntou:
— E o nené?
— Disseram que vão trazê-lo logo.
Só estão prestando os primeiros cuidados.
Ela fechava os olhos lentamente. Queria dormir.
— Rúbia... Foi tão rápido! — admirou-se sussurrando.
Mal terminei de fazer sua ficha e, quando fui te procurar, o nené já havia nascido — sorriu.
Mais um pouquinho, nascia no meu carro.
Ela abriu os olhos e correspondeu ao sorriso.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 72024
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 16, 2017 11:34 am

A chegada da enfermeira trazendo Bruno no colo, despertou-a.
— Olha a mamãe!
Dê oi novamente para ela.
A sonolência passou imediatamente. Rúbia ajeitou-se, estendeu os braços e envolveu com carinho o pequeno Bruno.
— Oh, meu Deus... — lágrimas tremiam em seus olhos quando forte emoção a dominou e murmurou:
— Obrigada, meu Deus.
Beijou-lhe a cabeça e disse:
— Ele é lindo! É...
Ricardo emocionou-se e afagou-lhe o rosto, tirando-lhe os cabelos da face e colocando-os para trás como uma forma de carinho.
— Parabéns, mamãe.
Ele é lindo mesmo — disse a enfermeira com generoso sorriso.
Virando-se para o rapaz, perguntou:
— Você é o papai?
— Infelizmente, não. Sou amigo dela.
Ricardo só se deu conta da resposta quando a enfermeira sorriu largamente, por isso ele tentou reparar:
— De certa forma, sou tio, né?
— Parabéns, titio — cumprimentou.
E logo disse:
— Se precisarem, é só chamar.
Não pareceu que Rúbia tivesse ouvido aquela conversa, ela estava totalmente concentrada no filho.
Mesmo sentindo o rosto corar, ele se aproximou, acariciou seu braço e contemplou Bruno, que dormia sossegado.
Tempo depois, poucas batidas à porta anunciaram a chegada de dona Celeste que entrou sorrindo e sussurrando:
— Oi, filha!
— Mãe... — Rúbia emocionou-se.
A mulher se aproximou e, com olhos nublados, beijou e abraçou-a com ternura.
— Não vou pegar nem beijar meu netinho por causa do seu pai.
Ele está com gripe e não quero passar nada ao meu anjinho.
Em seguida, cumprimentou Ricardo e perguntou:
— Gente! Como foi que aconteceu isso tudo?
O Bruno não seria para daqui a duas semanas?!
Rúbia sorriu e decidiu contar o ocorrido.
Ficaram felizes e conversando por muito tempo.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 72024
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 16, 2017 11:34 am

19 - ALÉM DA RAZÃO

NAQUELA MESMA tarde, após a festividade na instituição, Simone retornou para sua casa em companhia de Cristiano.
Entraram e ela logo procurou pela irmã.
— Que estranho.
Ela não avisou que iria sair.
Nesse instante, alarmou-se:
— Eu esqueci! Como pude?!
— O quê? O que foi?
— A gente ia almoçar na casa dos meus pais.
Esqueci completamente.
Como pude fazer isso?
Cristiano ficou sem jeito. Sentiu-se culpado.
— Foi cansaço. Muita preocupação...
Eu também deveria ter me lembrado.
Desculpe-me tê-la distraído e a convidado para sair.
Queria tanto que fosse comigo que me esqueci completamente.
— Não foi culpa sua.
— Bem... Se ela não está deve ter ido para a casa de seus pais.
Mas o carro está na garagem...
— Ela não está dirigindo nos últimos dias.
A distância entre a barriga e o volante não dá certo.
Se ajustar o banco, seus pés não alcançam os pedais — riu.
Ao ver o sorriso no rosto de Cristiano, ainda brincou:
— Não diga nada perto dela, a culpa é do modelo do banco, do volante... — riu novamente.
— Deve ter pegado um táxi.
— Provavelmente. Esqueci meu celular desligado, de novo — disse conferindo o aparelho.
Meu Deus... Onde estou com a cabeça?
Vou ligar para minha mãe...
Aproximando-se, com leve sorriso, Cristiano fez-lhe um carinho no braço, depois no rosto, afagando-lhe os cabelos, pediu:
— Liga daqui a pouco.
Simone o abraçou com carinho, recostando-se em seu peito.
Ele beijou sua cabeça, sua face e segurou seu rosto com suavidade.
Com olhar cristalino e firme, invadiu sua alma por alguns segundos e murmurou:
— Gosto muito de você.
Quero que fique comigo.
— Eu também... — respondeu no mesmo tom.
Procurando por seus lábios, ele a beijou com carinho, abraçando-a com todo o seu amor.
De forma inexplicável, envolvidos por uma atracção muito forte, não conseguiam se controlar.
Era algo que ia além da razão.
Eram duas almas afins que há muito não se encontravam e represavam o mais lindo e sincero dos sentimentos.
A grande nuvem de preocupação foi se dissipando naquele momento mágico e Simone permitiu-se ser feliz nos braços de Cristiano.
As horas se passaram sem que percebessem.
O resto do mundo parecia não existir.
Deitado entre os travesseiros macios, Cristiano afagava as costas de Simone que cochilava deitada de bruços ao seu lado.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 72024
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 16, 2017 11:34 am

Roçando com suavidade os lábios em seu ombro, sentiu o leve e gostoso perfume que exalava de sua pele macia e delicada.
Afastando seus longos e densos cabelos, levemente ondulados, com as mãos, pôde contemplar sua face com olhos fechados, que esboçou terno sorriso.
— Pensei que estivesse dormindo — ele murmurou com voz grave e dócil.
— E estou. Estou dormindo e tendo um sonho lindo.
Ele se aproximou mais, abraçou-a e beijou-lhe as costas e o rosto.
Quando procurou seus lábios, ela o deteve e perguntou:
— Você escutou?
— O quê?
— Pode ser minha irmã.
— Será que ela chegou? Não ouvi nada.
— Eu ouvi. Tenho certeza de que escutei alguém entrar.
Levantou-se e procurou um robe que vestiu às pressas.
Enquanto ele procurava por suas roupas, Simone decidiu ir para a sala ver quem era.
Não precisou chegar ao outro recinto, pois, no corredor, quase à porta de seu quarto, encontrou-se com seu irmão.
— Abner?! Ai, que susto!
— Oi, Simone.
Desculpe tê-la assustado. Tudo bem?
— Tudo, mas...
O que faz aqui? Eu...
Quando ia dizer algo, viu Davi vindo em direcção de ambos.
Foi então que, nitidamente nervosa e atrapalhada, pediu sem jeito:
— Vamos até a sala e...
— Oi, Simone. Tudo bem?
— Tudo, Davi — respondeu, cumprimentando-o com um beijo.
Nesse instante, o irmão reparou-a muito constrangida e preocupada.
Observou suas vestes e entendeu que deveria estar acompanhada.
Sem que ela visse, dando um sinal para Davi, Abner voltou em direcção à sala e o outro o acompanhou.
Sobre o sofá, o irmão viu que havia uma camisa de homem jogada e se desculpou:
— Perdoe-me por entrar assim de repente.
Sem conseguir tirar os olhos da camisa e não resistindo à curiosidade, Abner perguntou:
— O Samuel está aí?
— Não — ela respondeu, sentindo o rosto corar.
Nesse momento, inesperadamente, a voz forte de Cristiano soou respondendo ao chegar à sala:
— Sou eu que estou aqui, Abner.
Sem demora cumprimentou:
— E aí? Tudo bem? — encarou-o um pouco sem jeito, porém firme ao apertar sua mão.
— Cris?! — surpreendeu-se seu irmão.
— Fala aí, Davi.
Após cumprimentá-lo, Cristiano foi até sua camisa, pegou-a e vestiu.
Simone estava completamente sem jeito e para mudar de assunto, a fim de não vê-la mais envergonhada, o seu irmão explicou:
— Vim buscar algumas roupas da Rúbia. Ela teve nené e...
— Hoje?! — assustou-se ela.
— Pouco antes do almoço.
Estávamos em Mongaguá e o Ricardo me ligou do hospital pedindo o telefone da mãe, pois o seu celular estava desligado.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 72024
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 16, 2017 11:35 am

— Fui ao hospital ver o Pedro e...
— Logo imaginei isso — interrompeu-a.
Não esquenta. Deu tudo certo.
A mãe está com ela agora.
Só que a Rúbia precisa de roupas para ela e para o nené.
— As malas estão prontas há um mês — riu.
Ainda faltavam duas... quase três semanas.
Ela está bem? E o nené?
— Estão óptimos.
Vim do hospital agora.
Você nem imagina o que aconteceu.
Ela ficou nervosa, pois a mulher do Geferson ligou e... — contou tudo.
Ainda bem que o Ricardo estava junto.
Já imaginou se estivesse sozinha?
— Nem pensar — tornou Simone.
A Rúbia também...
Ela não deveria ter ido.
Em seguida, pediu:
— Vem cá no quarto.
Vamos pegar as malas e... — disse enquanto andava, e ele a seguiu.
A sós com seu irmão, Davi não suportou, jogou-se no sofá e começou a rir.
— Se você fizer qualquer comentário, eu juro que te arrebento aqui e agora — ameaçou Cristiano que também não conseguiu segurar o sorriso no rosto.
— Não preciso dizer nada.
Meu silêncio e meu riso expressam mais que mil palavras.
— Vocês poderiam ter telefonado antes, não é?
— Ligamos para o celular de vocês dois, só que ninguém atendia.
Não imaginamos que estivessem aqui.
Cristiano procurou por sua carteira e as chaves do carro e as encontrou sobre a mesa da sala de jantar.
Frente ao espelho de um aparador, penteou com os dedos os cabelos pretos, lisos e teimosos.
Simone e Abner retornaram à sala e com as malas nas mãos, ele disse naturalmente:
— Mais tarde dá uma chegadinha lá no hospital.
Ela está em quarto particular e a visita pode ser em qualquer horário.
Agora vou ficar com ela enquanto o Davi vai levar a mãe até em casa para ela deixar tudo arrumado para o pai e depois voltar para o hospital.
— A mãe vai ficar com ela?
— Vai sim.
— Eu não posso ficar com ela, porque...
— Nós sabemos, Simone.
Não se preocupe — disse, interrompendo-a e afagando-lhe o braço.
— Então... Daqui a pouco estou lá — decidiu ela.
Ainda constrangida e atordoada, Simone não se deu conta de não ter perguntado qual era o hospital, porém Davi se lembrou:
— Deixe o endereço do hospital com o número do quarto.
— Ah! É mesmo. Está aqui — disse Abner, entregando-lhe um papel com a anotação.
Em seguida, os dois se despediram e se foram.
Cristiano aproximou-se de Simone e a envolveu com carinho enquanto ela o abraçou pela cintura recostando o rosto em seu peito, confessando:
— Nunca senti tanta vergonha...
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 72024
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 16, 2017 11:35 am

Sem que ela o visse sorrir por lembrar do embaraço, respondeu:
— Nem eu. Por outro lado...
Pensando bem... somos maiores e desimpedidos, não somos?
— Mesmo assim...
Cristiano a embalou nos braços com extremo carinho e a beijou.
Depois contornou seu rosto com a ponta dos dedos, enquanto seus olhos se atraíam de maneira inexplicável.
Com voz forte e firme, falou baixinho:
— Você não é uma aventura para mim.
Não temos o que esconder e...
Estarei sempre ao seu lado.
— Descobri que tenho um sentimento muito forte e especial por você.
Mas não posso negar que estou com medo.
— Medo?! — estranhou.
— Tem muita coisa acontecendo.
Tenho meu filho para cuidar, você sabe.
Toda a responsabilidade com ele ficou para mim.
— Eu sei disso. Quero ajudá-la no que for preciso.
— Veja... Você é solteiro, livre e desimpedido.
Tem uma óptima profissão.
Talvez, devesse procurar alguém com as mesmas condições.
Afastando-se do abraço, caminhou alguns passos negligentes, suspirou fundo e prosseguiu:
— Não poderemos sair por causa do Pedro.
Não tenho quem cuide dele.
Não pode se prender por minha causa.
Pode sair, divertir-se sem preocupações...
Se ficar preso a mim...
Sou divorciada, com um filho que necessita extremamente de mim.
— Estou me envolvendo pela pessoa que me atraí, que me agrada, com quem quero ficar.
Pouco me importo em sair, divertir-me.
Não é isso o que quero.
Você é uma pessoa consciente de seus deveres e eu não quero que mude.
Não aprecio mulheres que são acomodadas, precisam de protecção e são totalmente dependentes.
— O Davi nos viu hoje.
Ele tem a mente aberta, mas o que não dirá para sua mãe?
Será que ela vai me aceitar?
Divorciada, com um filho nas condições do Pedro...
E ainda sou mais velha do que você.
— Ora, Simone!
Pelo amor de Deus!
Se você não me quer, se por acaso se enganou, é só dizer!
Não fique procurando desculpas com o que minha mãe pode ou não dizer!
Tenha dó! — zangou-se.
Um instante de silêncio e continuou:
— Tanto a sua família quanto a minha, não têm nada a ver connosco.
Nossa felicidade depende de nós dois.
Seu pai não aprovou a condição do Abner nem o facto dele ter um companheiro.
E daí? Ele assumiu sua própria vida e é feliz à maneira dele.
— E quando o meu pai souber que o Davi é seu irmão?
— O que tem?
Ela acomodou-se no sofá e ele sentou-se ao seu lado.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 72024
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 61
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Conteúdo patrocinado


Conteúdo patrocinado


Voltar ao Topo Ir em baixo

Página 10 de 13 Anterior  1, 2, 3 ... 9, 10, 11, 12, 13  Seguinte

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo

- Tópicos similares

 
Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum