MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

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Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Abr 20, 2017 9:51 am

Como eu já ouvi falar: "o universo ecoa as nossas acções e pensamentos".
É lógico que ficarei triste se algo ruim acontecer, mas não vou me descontrolar, pois aprendi a confiar extremamente em Deus.
O silêncio reinou e Cláudio desejou ouvir mais, mas ela não continuou.
— Que lindo, minha amiga.
Você disse algo tão lindo!
É bonito ver alguém tão leve assim.
— Acho que, quando ficamos de bem com nós mesmos, é esse o resultado. Além disso...
O interfone tocou e Simone interrompeu o que falava para atender.
Tratava-se de Samuel que aguardava no portão.
Paciente, ela percorreu o corredor lateral da casa a passos lentos, chegando ao portão.
Ele nem deu bom-dia e perguntou agressivo:
— O que significa eu não poder abrir este portão?
Por que mudou a fechadura?
— Bom dia, Samuel.
Mudei a fechadura para você aprender a chamar assim que chegar.
Afinal, não mora mais aqui.
— Preciso pegar algumas coisas que estão na edícula.
Simone abriu o portão e quando ele entrava, falou:
— Seria bom levar embora, de uma vez, tudo o que lhe pertence, não acha?
— Não se julgue dona daqui.
Esta casa era para o seu conforto enquanto estivesse com nosso filho.
Agora ele não existe mais.
Ao ver Cláudio espiando pela porta da cozinha, mirou o olhar para ela e atacou:
— Não serei eu a sustentar sua vadiagem!
Cada dia um homem diferente.
— Olha, Samuel, pegue o que precisa e vá embora.
Por favor — falou em tom calmo e de pouco caso.
Desprezando-o, foi a direcção da cozinha, pedindo antes de entrar:
— Quando for embora me chame para abrir o portão.
Retornando à mesa, serviu-se novamente de outra xícara de café e aguardou.
— Simone, quanta frieza! — admirou-se Cláudio.
— O dia está lindo — riu.
Não quero estragá-lo.
— Lindo?! Um dia frio e chuvoso?! Lindo?!
— Ma-ra-vi-lho-so! — disse, rindo novamente.
— Menina! O que te deu?!
Samuel a chamou e Simone foi abrir o portão.
Não se falaram nem se despediram.
Ela voltou para dentro de casa.
Ao entrar, anunciou:
— Terei de sair desta casa — riu.
Se os meus pais ou o Cris não me derem moradia, vou me mudar para o seu apartamento.
— Vou recebê-la com o maior prazer!
Será uma honra!
Porém, duvido que o Cris deixe isso acontecer.
— Às vezes, bate um friozinho na barriga... — falou com jeitinho meigo e engraçado.
Acho que estou apaixonada.
Eu me sinto uma adolescente.
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Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Abr 20, 2017 9:51 am

Passado algum tempo, confessou:
— Sinto uma saudade do Pedro.
Sinto falta do seu cheirinho, de pegá-lo no colo, cuidar dele...
— Você já pensou na missão do Pedro nesta vida tão curta?
— De uma coisa tenho certeza:
meu pai, por causa dele, questionou sobre a vida, sobre a experiência terrena e começou a buscar respostas.
Parou de beber e de fumar. Virou outra pessoa.
Não se irrita nem é mais tão crítico — riu.
Sabe que, às vezes, fico esperando o senhor Salvador vir com alguma reclamação e quando isso não acontece acho estranho — riu de novo.
Antigamente ele era insuportável.
— Não foi só com o seu pai que o Pedro mexeu.
Você não conhecia, de verdade, seu ex-marido, e também não conhecia o Cris.
E a partir de então, nossas vidas mudaram completamente.
O Cris se recuperou desde que nós nos conhecemos...
Nunca mais seremos os mesmos.
Outro dia, a dona Janaina estava falando isso.
Eles continuaram conversando a respeito de todas as mudanças ocorridas até que Cláudio resolveu arrumar suas coisas.
Estava decidido a voltar para sua casa e queria que a amiga retomasse sua vida.
* * *
Naquele final de semana, Simone estava sozinha.
Aguardava a chegada de seu irmão que ligou avisando que iria visitá-la.
Em seu quarto arrumava algumas coisas quando experimentou uma sensação inexplicável.
Não podia ver que amigos espirituais a visitavam.
Uma onda de saudade apertou seu coração ao mesmo tempo que uma alegria diferente tocou sua alma.
Sentou-se em sua cama lembrando-se de seu filho querido e amado.
Nesse instante, o espírito Pedro aproximou-se e a envolveu com toda a ternura.
Apresentava-se perfeito.
Um rapaz alto, bonito e com considerável luz.
— Obrigado por tudo, minha mãezinha querida — emocionou-se.
Obrigado pela oportunidade de vida, por seus cuidados, pelo seu amor...
Pelos dias e noites que ficou comigo, cuidando de mim.
Ficar em seus braços, receber seus carinhos me fazia sentir feliz, aliviado.
Acabava com meus medos, com as minhas dores.
Como seu aconchego é salutar, como seus carinhos, sua voz doce, sua ternura me curavam em espírito.
Não pode imaginar. Tudo passou.
Foi como um sonho que acabou.
Sua dedicação resultou em imenso sentimento de amor, força, crescimento e evolução para nós dois.
Breve instante e continuou:
— Mãezinha, sei que não precisava fazer tudo o que fez por mim.
Errei muito no passado, mas foi graças a você que me ergui, recompus-me.
Hoje sei o que é carinho e afecto por sua causa.
Agora, somente agora, eu sei o que devo dar aos outros:
todo o carinho, amor e cuidados que estiverem ao meu alcance.
Antes eu não sabia o que era isso.
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Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Abr 20, 2017 9:51 am

Por essa razão, não pude dar o que não tinha.
Lágrimas correram na face de Simone, mas não foi um choro angustioso, havia algo diferente em seus sentimentos que não sabia explicar.
— Mamãe, quando tiver meu irmãozinho em teus braços, ore com ele também, mesmo quando ele ainda não entender.
Suas preces me conduziam à tranquilidade e sua voz generosa, pronunciando aquelas palavras elevadas, vindas de seu coração generoso, fazia derramar bênçãos de luz que não pode imaginar.
Minha recomposição, aqui no plano espiritual, só foi fácil e rápida por tudo o que fez por mim.
Serei sempre grato e farei tudo por você, se precisar de mim.
Sempre vou te amar.
Quanto ao meu pai... Não o odeie.
Entenda que ele ainda não foi capaz de evoluir.
Por outro lado, o Cristiano... — lágrimas correram em sua face e travou-lhe as palavras por um momento, mas prosseguiu:
— Ele terá minha eterna gratidão e amor.
Ainda vou retribuir tudo o que essa criatura maravilhosa fez por mim.
Ele é exemplo de perdão incondicional — emocionou-se novamente.
E realmente Cristiano era grande exemplo de perdão e amor.
Em um passado distante, Cristiano e Samuel eram irmãos e foram vítimas de Pedro que, com o poder oferecido pela Igreja, condenou-os a torturas terríveis para que confessassem práticas de bruxarias, as quais foram acusados indevidamente.
Ambos morreram sob as bárbaras torturas impiedosas impostas pelo cardeal da Inquisição, que era Pedro.
Desencarnados, ao serem socorridos no plano espiritual por grupo amigo e preparado, Cristiano e Samuel encontraram-se com Simone, espírito amigo de outras eras.
Ela cuidou deles e ajudou-os no esclarecimento.
Cristiano, espírito mais compreensivo, entendeu a inferioridade e a dureza do cardeal que o condenou e não se sentiu ofendido nem indignado.
Acreditou em Deus e na necessidade daquela experiência triste.
Samuel, por sua vez, sentiu-se prejudicado, revoltado, apesar da necessidade daquela provação.
Em seu coração, nunca perdoou Pedro que, por conta de suas práticas cruéis, da perseguição de suas vítimas desencarnadas, experimentou séculos de dores, angústia e tristeza inenarráveis na espiritualidade.
Após muito tempo, foi auxiliado e socorrido por Simone, sua querida irmã, quando encarnada.
Ela ofereceu-lhe as primeiras e principais orientações junto com outros bondosos amigos socorristas.
Depois de tanto sofrimento consciencial, Pedro rogava por alívio e paz.
Para se livrar de centenas de obsessores e perseguidores, teve reencarnações curtas, em que a gestação durou pouco tempo.
Desencarnando através do aborto criminoso, experimentou parte do sofrimento que ofereceu, principalmente, quando sentia cada parte de seu corpo dilacerado no procedimento ou queimado por produtos destinados a porem um fim na gestação.
No plano espiritual, entre uma encarnação e outra, Simone o encontrava, orientava-o, auxiliava o quanto podia.
Cristiano e Samuel, espíritos familiares, também acompanharam seu sofrimento e suas experiências dolorosas.
Mas somente Cristiano apiedou-se e o ajudou de todo o coração.
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Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Abr 20, 2017 9:52 am

Samuel, mais endurecido, acreditou perdoar-lhe, mas não foi o que aconteceu.
Ficou satisfeito com tamanho sofrimento.
No planeamento reencarnatório, Simone decidiu receber Pedro como filho querido a fim de ele livrar-se dos últimos resquícios de expiações tristes que inibiam sua evolução.
Seu propósito era lhe oferecer amor e amparo nas dificuldades para que ele aprendesse.
Pela necessidade de uma experiência curta ao lado de Samuel, que tinha como objectivo perdoar e auxiliar, Simone o fez entender os benefícios de, juntos, ampararem Pedro em breve vivência terrena com inúmeros desafios.
Era a oportunidade de Samuel recebê-lo como filho e amá-lo incondicionalmente.
Oportunidade que deveria servir-lhe para abrandar seu coração.
Mas não foi isso o que aconteceu.
Samuel rejeitou o próprio filho assim que soube de suas dificuldades.
Agora, seria vítima de si mesmo.
Cristiano, por sua vez, mesmo não tendo a necessidade de apoiar Pedro, foi quem o amparou e amou como se fosse seu próprio filho.
Samuel perdeu a oportunidade de aprender, mas isso não impediu que Pedro e os demais se elevassem.
Simone não sabia por que aquela doce saudade naquele momento.
Entretanto, sentia-se bem pelas energias salutares que recebia.
Não demorou e o espírito Pedro despediu-se:
— Vou, mas voltarei para visitá-la sempre.
Tenho muito que aprender aqui no plano espiritual e, talvez, eu demore anos por aqui.
Preciso de orientações, experiências e conhecimentos espirituais — sorriu.
Pretendo me preparar para futura reencarnação bem melhor do que essa.
Se possível, junto com você. Quem sabe...
Após beijar-lhe o rosto demoradamente, disse:
— Fique com Deus.
Que o Mestre Jesus ilumine seus caminhos.
O espírito Pedro se foi com os demais.
Simone suspirou e não sabia explicar a felicidade experimentada naquele momento.
Sentia-se impregnada por algo muito bom.
Quando Abner chegou com Davi, eles entraram e quiseram saber como ela estava.
— Estou bem e ainda em fase de reconstrução.
Depois que o Pedro se foi... — sua voz embargou devido à emoção vivida um pouco antes e a qual desconhecia o motivo.
Disfarçou com um sorriso agradável e logo prosseguiu:
— Apesar de saber e de me preparar para tudo o que ia acontecer com ele, é... — perdeu as palavras.
Sinto sua falta.
Isso oferece um vazio inominável.
Enquanto o Cláudio precisou de cuidados e veio pra cá, senti-me útil novamente.
Mas depois que tirou o gesso e decidiu ir...
— Quando nos ocupamos com coisas boas, nós nos empenhamos em fazer o bem, tudo o que é ruim desaparece.
Lembra-se da depressão, da síndrome do pânico que o Cris viveu?
Sem esperar que ela respondesse, Davi prosseguiu:
— Desapareceu aos poucos desde que a conheceu, pois ele se interessou pela sua dificuldade, ajudou-a, retomou a vida e por isso venceu os medos.
O Cristiano foi cuidar dos outros e, na verdade, cuidou de si mesmo.
Hoje não toma remédios e se sente bem. Parece que nunca viveu aquele estado.
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Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Abr 20, 2017 9:52 am

— Sou tão grata a ele! Nem imagina.
— E ele grato a você — tornou Davi.
— Preciso contar uma novidade — disse ela com sorriso engraçado.
Estou arrumando minhas coisas porque vou me mudar daqui.
O irmão olhou-a surpreso e perguntou:
— Você e o Cris vão morar juntos?
— Não. Não temos nada programado.
Aliás, ele nem sabe que vou sair daqui.
— Para onde vai? — quis saber Abner.
— Ainda não sei — riu, novamente, de um jeito divertido.
Não quero viver a experiência de ser despejada.
Por isso vou embora antes.
— Como assim?! — preocupou-se Davi.
— O Samuel esteve aqui e ficou bem insatisfeito, principalmente quando viu o Cláudio logo cedo na porta da cozinha.
Então ele disse que essa casa seria para o meu conforto enquanto eu cuidasse do Pedro.
Como o Pedro não está mais aqui...
— Ah, Não! Que absurdo!!! — indignou-se o irmão.
Vou falar com esse sujeito e...
— Não, Abner! Por favor, não faça nada — interrompeu-o.
— Como não?!
— Por favor. Estou pedindo.
Para ser sincera, não quero ficar aqui.
Essa casa tem toda uma história entre mim e o Samuel.
Uma história que foi boa no início, mas, hoje, não é mais.
O momento de me mudar, de sair daqui é agora ou vou me acomodar.
Breve instante e contou:
— Já fiz doação de tudo o que comprei para o Pedro. De resto...
Móveis e utensílios, não quero nada.
Não vou esperar processo judicial e encarar briga na justiça.
Quero que ele venda esta casa e faça bom aproveito.
Sei lá o que vou fazer com a minha parte.
O quanto antes, vou pegar as minhas roupas e sair daqui.
Não importa se ainda não tenho para onde ir, se não tenho mais carro, se não tenho emprego devidamente arrumado, se não tenho casa, se ficarei abandonada com um filho nos braços.
Nada disso importa. Vou dar um jeito.
Não sou nem nunca fui uma pessoa acomodada.
Vou trabalhar e conseguir o que preciso.
— Espere aí — pediu Davi concatenando as ideias.
Com delicadeza para perguntar, pois pensou que ela havia se esquecido da morte de Pedro, indagou calmamente:
— Você disse abandonada com um filho?
Como assim?
Simone deu uma risada gostosa e iluminou-se ao contar:
— O Cris vai ser papai. Ele nem sabe.
Também não sei se ele vai querer assumir o filho.
— Você está grávida?! — exclamou o irmão incrédulo.
— Hoje cedo, um teste de farmácia deu positivo, mas o Cris nem desconfia.
Com tanta coisa acontecendo, eu me descuidei e...
Se estiver certa, acho que, quando o Pedro se foi, eu já estava grávida e não sabia.
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Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Abr 20, 2017 9:52 am

O irmão se levantou, abraçou-a com carinho.
Davi fez o mesmo.
— Por favor, não quero que vocês dois contem a ninguém — pediu rindo.
Só disse a vocês porque não estava me aguentando.
— Simone, que bênção! Parabéns!
— Obrigada, Davi.
Breve pausa e brincou:
— Então, gente!
Estou sem casa, sem emprego, com um filho a caminho e nem posso dizer que tenho roupa, pois daqui algum tempo nada vai servir.
Também não sei dizer se o pai vai assumir o filho — riu.
— Sem tecto você não vai ficar.
De jeito nenhum! — resolveu Davi, sorridente.
Aliás... Estamos muito felizes, pois no mês que vem será entregue o apartamento que compramos na planta. Lembra?
— Claro! Que bom!
— Então... Nele, com certeza, haverá um quarto todo especial para o nosso sobrinho.
— Obrigada.
É bom saber que tenho tanto apoio.
— Você tem por merecer — disse o irmão.
— Ai, gente... Estou brincando...
Não acho que vou ficar sem tecto.
Deixe-me contar para o Cristiano e decidirmos o que fazer.
Com a venda desta casa, receberei metade e isso vai ajudar.
Não posso negar que é um bom dinheiro.
O Cláudio disse que está tudo certo para eu dar aula no próximo semestre na outra universidade onde ele lecciona, mas, agora, grávida, não sei se vão me aceitar.
Riu novamente e disse:
— É só torcer para o Cris não me abandonar.
— Duvido! Conheço meu irmão!
Ele te adora!
— Eu sei. Estou brincando.
Nesse instante, o interfone tocou.
Simone levantou e foi atender.
Depois foi até o portão e retornou em companhia de seu pai.
Ela já havia avisado que Abner e Davi estavam lá antes de o senhor entrar.
Mas ele não disse nada e entrou assim mesmo.
Na sala, para surpresa dos dois, ele cumprimentou o filho, estendendo-lhe a mão.
E o mesmo cumprimento ofereceu a Davi.
Simone, ao ver aquele clima tranquilo, achou conveniente deixá-los à vontade a fim de que, a sós, surgisse algum assunto e eles voltassem a se falar, por isso decidiu:
— Vou preparar um café bem gostoso pra gente! — disse animada.
— Eu te ajudo! — resolveu Davi, levantando-se rápido e a seguindo como uma sombra.
Na cozinha, ela fez um jeito engraçado, sorrindo e encolhendo-se.
Segurando o braço de Davi, sussurrou:
— É agora! Ou conversam...
— Ou conversam — riu o outro.
Na sala, o senhor Salvador ficou sem graça e Abner, sem assunto.
Não demorou e o senhor perguntou sem jeito:
— E aquele apartamento que havia comprado? Já saiu?
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Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Abr 20, 2017 9:52 am

— Será entregue no mês que vem — respondeu aliviado, pois notou que o pai estava com jeito amigável.
Agora vem a parte mais agradável que é a mobília e a decoração.
— Você gosta disso, né?
— Gosto sim.
Aprecio coisas alegres, que dão vida, oferecem paz.
— Nunca tive jeito para decoração.
Não sei nem escolher minhas roupas — riu.
Alguns minutos de silêncio e comentou:
— Você e o Davi também frequentam aquele centro espírita, não é mesmo?
— Nos últimos tempos, o Davi não está podendo ir muito por causa de um curso.
Contudo sempre que dá, frequentamos sim.
Gosto muito de lá.
O senhor silenciou.
Pouco depois, ergueu o olhar, encarou o filho e decidiu dizer:
— Abner, eu sei que sou um homem rude, grosseiro.
Não tenho jeito com as palavras nem com as pessoas.
Longa pausa em que o filho aguardou e prosseguiu:
— Tenho aprendido um pouco e até posso dizer que melhorei meu jeito, mas ainda tenho muito para melhorar.
— O que o senhor quer dizer, pai? — perguntou com humildade, demonstrando-se receptivo.
— Quero dizer que não aprovo a vida que leva nem sua condição, mas...
Caramba! Você é meu filho, droga!
Eu gosto de você mesmo achando errado o que faz!
Eu me orgulho de você pelo que é, pelo que faz no trabalho...
— Oh, pai! — levantou-se e foi até o homem, que também se ergueu.
Abraçaram-se fortemente, por longo tempo.
O senhor tinha lágrimas nos olhos e tentou esconder o rosto quando se afastaram do carinhoso abraço e ainda disse:
— Eu não aprovo seu comportamento porque isso é estranho para mim.
Só que ouvi dizer que a convivência acaba com o preconceito, por isso, se me permitir, quero participar mais da sua vida.
— Lógico, pai!
Claro! Nossa!...
Encarando-o, confessou:
— Hoje é o dia mais feliz da minha vida — emocionou-se e o abraçou novamente.
Enquanto isso, Simone e Davi se abraçavam e davam pulinhos de alegria.
Quando ela soltou um gritinho, ele tapou sua boca e a abraçou rindo.
Foi então que o senhor convidou o filho:
— Você e o Davi bem que podiam ir almoçar hoje lá em casa.
Sua mãe não vai se importar.
Ela pediu pra levar a Simone.
Nem sabe que encontrei vocês dois aqui.
— Aceitamos sim!
Com imenso prazer!
Sem demora, Simone se arrumou.
Nem serviu o café.
E todos foram para a casa do senhor Salvador, para surpresa de dona Celeste e Rúbia.
Ricardo estava lá.
Ele havia comprado uma lembrancinha para Bruno e foi levá-la.
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Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Abr 20, 2017 9:53 am

Aproveitando, desabafou com Rúbia sua amargura pela viagem do filho.
Estavam perto da hora do almoço e dona Celeste, muito satisfeita, lembrou:
— Só está faltando o Cristiano e a Janaina.
Virando-se para Davi, pediu com jeitinho amoroso:
— Oh, filho, eu ligo convidando e você não quer ir lá buscá-los?
— Eu não! Liga para eles que eles vêm — riu, brincando.
Assim foi feito e não demorou para Cristiano e a mãe chegarem.
O senhor Salvador experimentou em sua casa a satisfação e a alegria
de ter, em torno de si, pessoas amigas e verdadeiras.
Descobriu que preconceito é ignorância.
Não se pode combater o inevitável.
E mais fácil entender.
Vive-se melhor e mais feliz com as diferenças.
No início da noite, após deixar sua mãe em casa, Cristiano foi até a casa de Simone.
Ao entrar, ela preparou um café e, enquanto tomavam, contou o que Samuel havia dito a respeito da casa.
— Então foi isso.
— E você? — perguntou ele.
— Como eu disse, estou decidida.
Não quero nada daqui, a não ser o valor da metade da venda desta casa.
E o que me pertence.
— Está certíssima.
Afagando-lhe os cabelos, propôs:
— Você vai lá pra casa.
Tenho certeza de que minha mãe não vai se importar.
E... Isso até regularizarmos nossa situação.
Também tenho guardado metade do valor do imóvel que vendi.
A outra parte eu dei à família da Vitória.
Pertencia a ela.
Podemos juntar com o que terá e... — olhou-a com agradável sorriso, observando sua reacção.
Sorrindo com jeito mimoso, perguntou:
— Isso é um pedido ou uma proposta?
— É uma intimação! — brincou, beijando-a.
Assim que seu divórcio sair, definitivamente, vamos nos casar.
Por enquanto podemos viver juntos.
Não vejo razão para ficarmos esperando.
Não somos crianças, sabemos o que queremos.
Você concorda?
— Claro que sim.
Não quero criar um filho sem pai.
Cristiano parou por longos segundos e concatenou as ideias.
Olhou-a firme, enquanto seu rosto se desfez em lindo sorriso, e perguntou em meio ao riso:
— Como é que é?!
— Eu estava desconfiada.
Fiz um teste de farmácia e deu positivo.
Marquei consulta médica para a próxima semana.
Porém, não tenho qualquer dúvida.
Ele a envolveu com carinho e beijou-a o quanto pôde.
Não cabia em si tamanha felicidade.
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Re: MAIS FORTE DO QUE NUNCA - Schellida / Eliana Machado Coelho

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Abr 20, 2017 9:53 am

* * *
A confirmação da gravidez de Simone deixou todos alegres.
Ela se mudou para a casa de dona Janaina, porém, ela e Cristiano tinham planos de conseguir um lugar só para os três, apesar da mãe do rapaz não gostar da ideia.
Queria-os ali.
Simone começou a leccionar na universidade onde Cláudio lhe arrumou emprego.
Não demorou, Rúbia e Ricardo começaram a namorar e tecer planos para o futuro.
Antes mesmo do filho de Simone e Cristiano nascer, Rúbia e Ricardo se casaram e foram morar na casa dele.
Somente o senhor Salvador e dona Celeste não gostaram de Bruno ter de ir com a mãe.
Eles estavam acostumados com o neto.
Entretanto, todo final de semana, reuniam-se na casa dos avós.
A família aumentou.
Todos estavam alegres com a chegada de Rafael, filho de Simone e Cristiano, que nasceu perfeito e saudável.
Em visita, Cláudio, o amigo fiel, comentou:
— Ele é lindo! Não é? E a cara do Cristiano.
— Lindo, fofo e maravilhoso! Graças a Deus — disse Simone sorrindo, olhando ternamente para o filho.
— Você merece ser feliz, amiga.
— Para dizer a verdade, Cláudio...
Lá no fundo, eu tinha medo do Rafael nascer com algum probleminha.
—Deus é bom para quem é bom, querida. Seu filho é perfeito.
Após algum tempo, olhou para os lados a fim de garantir privacidade e contou:
— Você ficou sabendo do Samuel?
— Não. O advogado me procurou e só recebi a parte que me cabia da casa e...
Nunca mais o vi nem ouvi falar.
— Ele foi demitido lá da universidade e não arrumou emprego em lugar algum.
Soube, pelas más-línguas, que ele começou a beber e semana passada bateu o carro. Foi feio.
A Rosa, professora que dava aula na directoria dele, foi visitá-lo.
Disse que ele está irreconhecível.
Vai ficar com sérias deformidades e paraplégico.
— Não brinca!
— Eu não brincaria com isso.
Você me conhece.
Um instante e comentou:
— E... O Samuel fugiu dos trabalhos com o próprio filho.
Agora, quero ver fugir dele mesmo.
— Coitado — lamentou Simone.
A aproximação de Cristiano encerrou o assunto.
Bem mais tarde, após o amigo ir embora, Simone contou a ele o que havia acontecido.
— Você está pensando em ir visitá-lo ou quer notícias de alguma forma?
— Não, Cris. O meu tempo com ele já acabou.
Se me procurarem pedindo ajuda, será diferente.
Vou pensar e querer sua opinião. Do contrário...
Tenho muito trabalho com este meninão aqui e com você — riu.
— Eu?! — riu.
Por acaso eu te dou algum trabalho?
— E como! Você nem imagina! — brincou, beliscando-o de leve.
O marido a beijou e abraçou com carinho.
Algumas provas que experimentamos são realmente difíceis e, no momento em que a vivemos, parece-nos impossível superá-las.
No entanto, sempre somos capazes de realizar o melhor sob as bênçãos de Deus e descobrir que, quando temos fé, somos mais fortes do que nunca.

Fim

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