SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Página 1 de 10 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10  Seguinte

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo

SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Abr 07, 2017 8:01 pm

SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO
ELISA MASSELLI

SINOPSE:
Maria Clara estava revoltada com a vida.
Não entendia por que todos os seus relacionamentos terminavam assim que falasse em casamento ou em algo mais sério.
Muito menos entendia por que havia sido abandonada ao nascer e nunca tivera o que mais desejava; uma família!
Se conhecesse a história de Sofia, talvez compreendesse que, para tudo, "Sempre Existe uma Razão.”

SUMÁRIO
Encarnação actual
Encarnação passada
A desconfiança de Sofia
Desabafo
Ajuda do céu
Momento de escolha
A caminho do Mal
O pedido de casamento
A vida começa a Mudar
O casamento
Muito mais do que um sonho
Discriminação
A mensagem
Notícia Inesperada
Revelações
Crime planejado
O erro maior
Outra chance para repensar
O trabalho
Escolhendo as companhias
A presença do amor
A ajuda da luz
Tomada de decisão
Conversa em sonhos
O confronto
O reencontro
A reconciliação
A reacção de Maurício
Conhecendo a história
Amigos eternos
Epílogo
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 75754
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Abr 07, 2017 8:01 pm

ENCARNAÇÃO ACTUAL
Solange, nervosa, tocava a campainha e batia com força à porta do apartamento de Maria Clara.
Já estava ali há alguns minutos.
A cada pancada, seu coração batia mais forte.
Estava com medo de que algo grave houvesse acontecido com a amiga, dentro do apartamento.
Chamava, gritando:
- Maria Clara, abra essa porta!
Maria Clara, você está aí?
A porta do apartamento ao lado se abriu e surgiu uma senhora que, também parecendo preocupada, perguntou:
- O que está acontecendo, Solange?
- Não sei, dona Hilda, já faz três dias que a Maria Clara não vai ao escritório.
Telefonei várias vezes, mas ninguém atende.
Estamos preocupados, receio que aconteceu algo com ela!
A senhora saiu de sua porta e caminhou para junto de Solange.
Nervosa, disse:
- Também não a tenho visto.
Todas as tardes, quando chega do trabalho, costuma vir até o meu apartamento.
Eu, sabendo disso, preparo um café, conversamos um pouco, depois ela vai para o seu apartamento.
Notei que, há alguns dias, ela não veio.
Entretanto, ao mesmo tempo, fiquei tranquila, pois ela havia me dito que ia tirar férias e que, provavelmente, iria viajar.
Estranhei que ela não se despedisse, mas você a conhece melhor do que eu e sabe como é cheia de manias.
Além do mais, quando está namorando, também a vejo pouco.
Ela se dedica totalmente ao namorado.
- Ela vai tirar férias, dona Hilda, sim, mas isso só vai acontecer na próxima semana.
Por isso é que não estou entendendo e fiquei preocupada.
Justamente por entrar em férias é que deveria deixar todo o seu trabalho em ordem.
Agora, estou, também, começando a ficar preocupada, Solange.
Será que aconteceu alguma coisa?
Será que ela está aí dentro?
- Não sei dona Hilda, mas, se ela não atender, vou chamar a polícia para que arrombem a porta.
- Acho que devemos fazer isso mesmo, Solange.
Não estou vendo outra solução.
Solange, desesperada, bateu mais uma vez, tocou a campainha e chamou:
- Maria Clara! Maria Clara!
Não obtendo resposta, perguntou:
- Dona Hilda, podemos ir até seu apartamento para telefonar para a polícia?
Estou muito preocupada.
Deve mesmo, ter acontecido alguma coisa!
Hilda, também preocupada, respondeu apreensiva:
- Claro que sim!
Vamos agora mesmo!
Estavam entrando no apartamento de Hilda, quando a porta se abriu e surgiu uma moça muito bonita.
Loura, seus olhos verdes estavam vermelhos de tanto chorar.
Ao vê-la, Solange disse aliviada:
- Maria Clara! Ainda bem que está aí!
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 75754
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Abr 07, 2017 8:01 pm

Porque não atendeu, o telefone nem abriu a porta quando toquei a campainha e chamei por você?
Pelo tom de minha voz, pode perceber que eu estava desesperada!
- Por que eu não quero falar com ninguém!
- O que aconteceu?
Parece que você está chorando há muito tempo, seus olhos estão inchados e vermelhos!
- Nada aconteceu, Solange, só estou cansada de viver!
Minha vida não tem sentido...
Por isso, quero morrer...
- Não diz isso nem de brincadeira!
Está muito nervosa e não sabe o que está falando!
- Diz isso porque é minha amiga, mas sabe que estou dizendo a verdade...
Não presto para nada, e não sei para que fosse, que nasci...quero morrer, Solange...
“Disse essas palavras, chorando, desesperada.”
-Não diga isso, nem de brincadeira!
Você é linda e muito inteligente!
Tem um óptimo emprego e um salário melhor ainda!
Tem tudo para ser feliz, Maria Clara...
-Quem não me conhece, e me vê, com um bom salário, vivendo bem, pode pensar assim, mas você, não, Solange.
Conhece-me desde pequena e sabe como foi a minha vida.
Estou cansada...
Do que adianta tudo isso se não tenho o resto...
-Que resto Maria Clara?
- Uma família, pai, mãe, irmãos, marido e filhos!
Nunca tive alguém... Estou cansada.
Não vejo um futuro, Solange ...
- Como não?
Você é ainda muito jovem, tem tempo para construir uma família e garanto que, quando isso acontecer, vai se arrepender do que está falando, porque família dá muito trabalho.
Cada um deles tem um problema, algumas vezes existem brigas e todos se dividem.
Fica um sem conversar com o outro e, quando isso acontece, sou eu quem tem de resolver...
- É exactamente isso que me faz falta, dona Hilda.
Queria; ter todos esses seus problemas, mas não tenho...
Minha vida não tem sentido mesmo...
Solange, embora um pouco mais calma e aliviada por ver que Maria Clara estava bem, mas ainda nervosa, disse:
- Até agora não disse o que aconteceu para que ficasse assim, Maria Clara.
- O Claudinei me abandonou...
- O que está dizendo, Maria Clara?
- Assim como aconteceu com todos os outros, ele me abandonou...
Solange respirou fundo, pois já ouvira Maria Clara dizer aquilo muitas vezes.
Disse:
- Você está com uma aparência horrível, Maria Clara.
Acho que devíamos entrar.
Você toma um banho, ajeita esse cabelo e depois vai nos contar o que aconteceu.
Está bem assim?
- Não, preferia que fossem embora e que me deixassem sozinha...
- Nada disso!
Não sei a Solange, mas eu não saio mais do seu lado, até que fique bem!
Embora não tenha família, mora aqui ao meu lado há muito tempo e a considero como se fosse minha filha!
Não vou deixar você nesse estado!
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 75754
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Abr 07, 2017 8:01 pm

- Também não vou sair daqui, dona Hilda!
Maria Clara, você vai ter de nos aguentar. – disse rindo e com uma ponta de ironia na voz.
Maria Clara, percebendo que não tinha como se livrar delas, disse:
- Está bem, vamos entrar.
Vou tomar um banho, me arrumar e depois conversaremos.
Acho que não é necessário, pois a história se repetiu, deviam estar acostumadas...
- A história pode ter se repetido, mas não é motivo para que fique assim.
Vamos entrar e você vai nos contar tudo.
Maria Clara se afastou da porta e permitiu que elas passassem.
Entraram e puderam perceber que a sala estava toda desarrumada.
Estranharam, porque Maria Clara era organizada e gostava de ter seu apartamento sempre em ordem. Foram até a
cozinha e viram que, sobre a pia, havia uma porção de copos sujos e sobre a mesa, várias garrafas de vinho.
Qualquer um podia notar que Maria Clara havia bebido muito.
Solange olhou para Hilda que, depois de observar tudo, perguntou, nervosa:
- Maria Clara, você andou bebendo?
- Sim, mas o que tem de mais?
- Tem tudo, você nunca bebeu e sempre criticou aqueles que bebiam.
Não estou reconhecendo você, Maria Clara...
- Depois do que Claudinei me disse, só senti vontade de beber para poder dormir...
- Bebida nunca foi nem é um bom remédio.
- Sei disso, mas não sabia o que fazer...
- Está bem, vai nos contar tudo.
Agora, enquanto você toma banho, eu e a Solange vamos dar um jeito nesse apartamento.
Vou abrir as janelas para que o ar entre e, depois de tudo arrumado, vou preparar um café para que possamos conversar com tranquilidade.
Está bem assim?
Maria Clara conhecia-as o suficiente para saber que elas não iriam embora.
Impotente, respondeu:
- Está bem, façam o que quiserem...
Enquanto ela entrava no banheiro, Solange e Hilda começaram a arrumar tudo e a conversar.
Solange disse:
- Não entendo por que Maria Clara é assim tão negativa.
- Também, não é para menos, Solange, parece que, realmente, nada dá certo para ela.
- Como não, dona Hilda?
Ela tem um bom emprego.
Olhe este apartamento, embora pequeno, é lindo!
Sei que seu salário não é muito alto, mas dá para ela viver com tranquilidade.
- Para algumas pessoas, não haveria problema algum, por que, gostam de estar sozinhas Solange, mas para Maria Clara a solidão se transforma em suplício.
Ela quer muito ter uma família, só fala nisso.
- Pois eu trocaria a minha vida, num piscar de olhos.
Já imaginou chegar a um apartamento como este, dormir em uma cama como esta e no mais completo silêncio, sem ouvir criança falando, chorando ou brigando ou marido reclamando porque a comida está sem sal?
Seria a glória!
Hilda sorriu e disse:
- Eu também penso assim.
Como gostaria de ter um momento só meu, na mais perfeita solidão, mas, como a Maria Clara disse, pensamos assim porque temos marido e filhos, mas, se não tivéssemos, será que pensaríamos dessa maneira?
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 75754
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Abr 07, 2017 8:02 pm

- Será que não, dona Hilda?
- Pode ter certeza que não, Solange.
O ser humano nunca está satisfeito com o que tem, sempre quer mais ou diferente.
- Não acredito que seja assim.
Existem muitas pessoas que estão felizes com a vida que têm.
- sei que sim, mas pode contar nos dedos.
A maioria é da maneira como falei, daria tudo para ter a vida do outro.
- Falou o quê, dona Hilda?
- As duas se voltaram e vira Maria Clara saindo do banheiro.
Estava enrolada em uma toalha azul e com outra pequena nos cabelos.
Hilda respondeu:
- Não estava falando nada, só jogando conversa fora.
Parece que você está melhor, não é, Solange?
- Parece, sim.
Sente-se aqui, Maria Clara, vamos tomar um café e você vai se sentir ainda melhor.
Maria Clara sorriu e sentou-se na cadeira que Solange lhe apontava.
Depois de sentada, disse:
- Sei que estavam preocupadas comigo, por isso, peço desculpas.
Eu estava tão triste e desesperada que nem me lembrei de avisar que não iria trabalhar por alguns dias.
Agora, como podem ver, estou bem.
- Amanhã, vai voltar ao escritório, Maria Clara?
- Não sei...
Não estou me sentindo bem...
- Precisa ir!
Sabe que, antes de entrar em férias, precisa deixar tudo em ordem.
- Sei disso, mas estou cansada da minha vida, de tudo.
Estou reavaliando tudo e vendo se vale a pena continuar...
Ao ouvir aquilo, Solange se preocupou e, quase gritando, perguntou:
- Vale a pena o quê?
- Viver, Solange... Viver...
- Que bobagem é essa que está dizendo?
Viver sempre valeu a pena!
- Pode me dizer por quê?
- Porque a vida é boa, existem alguns momentos de tristeza, sim, mas muitos de felicidade...
- Isso pode acontecer com você e com algumas pessoas, mas a maioria, tem mais momentos de tristeza do que de felicidade e outras, assim como eu, só de tristeza...
- Você está exagerando, Maria Clara...
- Não estou, Solange.
Você conhece a minha história.
Sabe que, quando eu era recém-nascida e não tinha nem perdido o umbigo, fui encontrada pela Irmã Maria Paulo.
Fui abandonada.
Minha mãe não me quis e me jogou fora...
- Conheço sua história, ela não é diferente da de todas aquelas crianças que estavam no orfanato e das que estão hoje.
Sempre existiram crianças abandonadas e, infelizmente, continuarão existindo.
- Também sei disso, mas não é justo.
Toda criança deveria ter o direito de ter uma família e ser feliz.
- Penso da mesma maneira, mas não me revolto com isso.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 75754
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Abr 07, 2017 8:02 pm

Só posso pensar que a mãe que abandona seu filho deve ter um problema muito grande e pensa que, se deixar sua criança abrigada, sofrerá menos do que se continuasse ao seu lado.
- Pois eu não penso assim.
Acho que uma mãe deveria fazer tudo para ter o filho ao seu lado.
Não aceito que uma criança abrigada sofrerá menos do que se continuasse ao seu lado.
Não aceito que uma criança seja abandonada, Solange.
- Pode não aceitar, mas, muitas mulheres, se não fizessem isso, só poderiam cometer um aborto e se sua mãe tivesse feito um aborto, você não estaria aqui para recriminá-la.
Pelo menos, Maria Clara, ela permitiu que você nascesse e tivesse uma chance de ser feliz.
Ela deve ter achado que você seria adoptada e criada ao lado de pessoas que a amariam.
- Mas nunca fui adoptada, Solange!
Nunca ninguém me quis e nunca fui amada!
- Você está certa ao dizer que nunca fui adoptada até eu não entendo por que isso aconteceu, mas dizer que nunca foi amada, isso não é verdade.
Você teve e ainda tem a Irmã Maria Paula que nunca escondeu o quanto gosta de você.
Todas nós, no orfanato, sabíamos disso e muitas vezes ficamos com raiva.
Maria Clara sorriu e disse:
- Nisso você tem razão.
Ela sempre me tratou com muito carinho.
- Está vendo como não é tão infeliz e como nunca esteve sozinha; como diz?
Reclama de ter sido criada em um orfanato, mas teve sorte de sua mãe tê-la deixado naquele onde à irmã Maria Paula era noviça.
Lembra-se de como seus olhos brilhavam quando nos contava como havia encontrado você?
- Lembro-me e, naqueles momentos, eu, me sentia privilegiada...
-Está vendo? Acho que se não houvesse um motivo para que vivesse; não teria nascido.
A vida é um bem precioso, por isso temos de dar muito valor a ela.
- Não sei se existe um motivo para que eu nascesse e vivesse, pois até agora, não encontrei motivo algum.
Minha vida é tão sem graça...
- Pode pensar assim, mas eu não acho.
Deve haver algum motivo Maria Clara, basta esperar que, a qualquer momento, você vai descobrir.
- Não sei não, Solange, não sei mesmo ...
- Você pode não saber, mas acredito que todos temos um motivo para haver nascido e nos tornado adultos.
A qualquer momento, vai descobrir isso.
- Será?
- Claro que sim, se não fosse assim, por que está viva até hoje, por que teve a Irmã Maria Paula ao seu lado?
Lembra-se de como ela ficava feliz quando nos reunia e começava a falar:
- Era uma manhã fria de junho, Maria Clara.
Ouvi a campainha no grande portão do orfanato.
Fui abrir e não havia qualquer pessoa.
Estranhei, mas pensei que devia ter sido alguma criança que, só para brincar, tocava a campainha e saía correndo.
Estava voltando, quando ouvi um choro, choro não, um grunhido.
Voltei e olhei para o lado e para baixo e vi um pacote de roupas.
Peguei e encontrei você, Maria Clara.
Assim que a vi, não sei o porquê, me emocionei.
Você, embora fosse muito pequena e ainda estivesse um pouco inchada, o que demonstrava que havia acabado de nascer, era linda, carequinha, e quando, fazendo um esforço enorme, conseguiu abrir os olhos, percebi que eram verdes.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 75754
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Abr 07, 2017 8:02 pm

Entrei correndo e a levei para a madre superiora que, assim como eu, achou você linda.
Ela, com você nos braços, disse:
- Maria Paula, essa criança é linda e de fácil adopção.
Vamos cuidar dela e comunicar ao juizado de menores.
- Vai ser fácil mesmo, madre.
Ela é tão linda, precisamos dar-lhe um nome.
- Pense em algum nome, depois me comunique.
- Já sei qual vai ser o seu nome.
Tão branquinha, que tal Maria Clara?
- Para mim está bem.
- Peguei você novamente no meu colo e a levei até a enfermaria, onde lhe dei um banho rápido e troquei suas roupas.
Depois de vestida, olhei novamente e disse em pensamento:
você é linda mesmo, estou muito feliz por estar aqui.
Seja bem vinda a este mundo e tomara que seja feliz...
Maria Clara, ao ouvir Solange e relembrando-se do dia em que foi encontrada, disse:
- É verdade, a Irmã Maria Paula sempre contava essa história, mas nada daquilo se realizou.
Embora todos achassem que, por eu ser bonita seria logo adoptada, isso não aconteceu.
Você também morava lá, Solange.
- Morava e era três anos mais velha do que você.
Fomos crescendo e nos tornamos as melhores amigas.
- É verdade.
Quando pequena, não entendia que morava em um lugar criado para crianças sem pais.
Nem sabia o significado dessa palavra, mas, com o tempo, fui aprendendo e percebi que as outras crianças eram levadas por casais que, sorridentes e felizes, saiam com elas nos braços, mas eu não, sempre continuava ali.
Quando os casais andavam pelo orfanato escolhendo a criança que levariam, me olhavam, sorriam e eu ficava feliz e ansiosa por ser escolhida, porém eles sempre seguiam adiante.
A cada criança que ia embora, eu sofria e chorava muito.
- Também sentia isso e achava que o motivo era minha cor negra, pois a criança escolhida era sempre branca e bonita.
Lembro-me de que lhe disse uma vez:
- Maria Clara, sei que você vai embora depressa, mas eu vou continuar aqui...
- Por que está falando isso, Solange?
- Você é bonita, branca e eu sou negra, ninguém vai me querer.
- Será que a cor tem alguma coisa a ver com isso?
- Claro que tem, Maria Clara.
Quantas crianças negras você viu serem escolhidas?
-Depois de pensar um pouco, você disse:
-Nenhuma, Solange...
-Está vendo, agora sabe por que vou continuar aqui, ainda mais porque já estou com dez anos!
-Naquele dia, fiquei pensando no que me disse e, ao mesmo tempo, pensei:
se isso que ela está dizendo for verdade, eu vou ser adoptada logo...
-Mas isso não aconteceu, Solange.
Quando você ia completar onze anos e eu, oito, continuávamos as melhores amigas e vivíamos sempre juntas.
Um dia, a Irmã Maria Paula nos chamou e disse:
-Pedi que vocês duas viessem até aqui porque tenho uma notícia muito boa para você, Solange e sei que muito triste para você, Maria Clara.
-Que notícia? – perguntamos quase juntas.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 75754
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Abr 07, 2017 8:02 pm

-Solange, lembra-se daquele casal que esteve aqui na semana passada e que conversou muito tempo com você?
-Sim...
-Eles resolveram, conversaram com o juiz e conseguiram uma permissão para levá-la com eles.
Querem ser seus pais.
Eles me pareceram ser boas pessoas, tenho certeza de que cuidarão muito bem de você.
-Ela tinha razão, eles foram os melhores pais que alguém já teve, pois além de me darem um lar e carinho, me deram estudo e hoje, tenho um bom trabalho graças a isso.
Eu tive muita sorte, Maria Clara.
-Teve mesmo. Eles são mesmo maravilhosos.
-Eles e toda a família. Nunca senti diferença alguma entre mim e os meus primos.
No dia do meu casamento, estava colocando meu vestido de noiva, quando minha mãe entrou no quarto, me abraçou e chorando, disse:
-Espero que você seja muito feliz, minha filha.
-Eu, também a abraçando e chorando, disse:
-Devo essa felicidade à senhora e ao papai, por terem me adoptado.
Se não fosse isso, talvez eu nunca tivesse saído dali.
-Não diga isso, Solange.
Não tem o que agradecer.
Você foi á razão de nossa existência e só nos trouxe felicidade.
Sei que, se tivesse nascido de mim, não me faria mais feliz.
Obrigada por ser quem é.
-Eu a abracei e agradeci a Deus por ter colocado aquela família em minha vida.
Nunca pensei muito na minha mãe verdadeira ou na outra família que poderia ter tido.
Estava feliz com a que tinha.
-Você, sendo mais velha, sabia o que aquilo representava em sua vida.
Eu, ao contrário, por ser mais nova e por sempre haver vivido ao lado de outras crianças sem família, não tinha a dimensão do que significava ser adoptada.
Naquele momento, somente sabia que você, minha melhor amiga, ia embora.
Fiquei muito triste mas, com o tempo, aos poucos e graças ao carinho da Irmã Maria Paula, quase me esqueci de você.
Fui crescendo, tendo outras amigas que também foram embora.
A cada partida, eu sentia muita dor e ficava três ou quatro dias chorando.
Embora muitos casais me vissem, conversassem comigo, para espanto da Irmã Maria Paula, nunca fui adoptada.
Quando tive a noção certa do que significava uma mãe, me perguntava:
por que minha mãe me abandonou?
Como ela teve coragem?
Não entendia e queria porque queria saber onde estava, não só ela, mas meu pai e possíveis irmãos.
-Quando falava sobre isso com a Irmã Maria Paula, ela dizia:
-Não pense muito nessas coisas, Maria Clara.
Não há como saber quem é sua mãe.
Ela deixou você no portão do orfanato, sem pista alguma.
Precisa cuidar da sua vida.
Precisa estudar para que, quando tiver de sair daqui, possa ter um trabalho que a sustente.
-Ao ouvir aquilo disse:
-Irmã, quando crescer e me casar, vou ter um marido e muitos filhos!
Quero ter uma família muito grande!
-Quando completei quinze anos, aceitei a minha situação e, seguindo os conselhos da Irmã Maria Paula; decidi que, enquanto não encontrasse um homem para me casar a fim de ter a minha família, deveria estudar para ter um bom futuro.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 75754
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Abr 07, 2017 8:03 pm

O colégio tinha uma educação académica muito rígida.
Mesmo assim, estudando muito, consegui terminar o colegial.
Quando completei dezoito anos, precisava sair do orfanato.
Com a ajuda da madre superiora e da Irmã Maria Paula, consegui um emprego na empresa de um amigo delas e foi onde nos reencontramos, Solange.
-Lembro-me daquele dia, Maria Clara.
Quando chegou, percebemos que você era tímida.
O gerente nos reuniu e a apresentou, pedindo que a ajudássemos e lhe ensinássemos o trabalho.
Enquanto ele falava, eu olhava para você, sabia que a conhecia, só não conseguia me lembrar de onde.
Só quando ele disse o seu nome e que estava vindo do orfanato, foi que me lembrei e fiquei muito feliz.
Quando ele terminou de falar e saiu, me aproximei e disse:
-Maria Clara!
Você não se lembra de mim?
-Você ficou me olhando, sem conseguir se lembrar.
Entendi que seria muito difícil isso acontecer.
Quando nos separamos, você só tinha sete anos e eu dez.
Éramos crianças e durante todo aquele tempo mudamos muito.
Aos poucos, conversando, fiz com que você se lembrasse.
Sua felicidade foi igual à minha.
Nós nos abraçamos e, daquele dia em diante, nunca mais nos separamos.
Eu estava me preparando para me casar.
Você e minha mãe adoptiva, que foi a melhor mãe que alguém poderia desejar, me ajudaram com o enxoval, o vestido de noiva e a festa, enfim, em tudo.
No dia do meu casamento, você estava radiante.
-Estava mesmo.
Seu marido parecia gostar muito de você.
Eu tinha certeza de que seria muito feliz.
-Realmente, fui e sou muito feliz.
Quando minha primeira filha nasceu, você foi à madrinha.
-É verdade, mas ela como sempre acontecia, nunca gostou de mim e sempre que eu ia à sua casa, ela se escondia sem querer me ver.
-Não fale assim, Maria Clara!
Ela era só uma criança...
-Você sabe que estou dizendo a verdade, pois até hoje, ela só conversa o necessário e só responde a alguma pergunta que faço.
Ela não me suporta, Solange.
-Como sempre, você está exagerando, Maria Clara...
Maria Clara riu e continuou:
-Está bem, posso até estar exagerando, mas que ela não gosta de mim, não gosta mesmo.
-Eu preciso lhe confessar Solange, que muitas vezes senti inveja da sua felicidade, da sua família.
-Não se preocupe com isso, Maria Clara.
Conheço seus motivos e sei que gosta de mim, do meu marido e dos meus filhos.
Sei o quanto deseja uma família.
Você está só com trinta anos, é bonita, logo encontrará o homem da sua vida.
Terá muitos filhos e será feliz como sou.
-Só trinta anos?
Já sou uma solteirona!
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 75754
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Abr 07, 2017 8:03 pm

Desde os meus dezoito anos, por ser bonita, senti a aproximação de vários homens.
Sempre que comecei a namorar, entreguei-me totalmente, fui carinhosa e fiz tudo que estava ao meu alcance para que quem estivesse ao meu lado fosse feliz, mas de nada adiantou.
Eles, a principio, pareciam apaixonados, porém quando eu falava em casamento e filhos, eles desapareciam sem dar explicações.
O último foi o Claudinei. Há três dias,
eu lhe falei do meu desejo de ter uma família, ele sorriu da mesma maneira que os outros fizeram e disse que também queria uma família.
Foi embora e não voltou mais.
Quando telefonei para seu trabalho, me disseram que ele havia pedido transferência para o Rio de Janeiro.
Vocês entenderam o que aconteceu?
Ele, como os outros, me abandonou sem dar explicação.
Eu sou uma azarada!
Nunca vou ter uma família!
Estou condenada a viver na solidão!
Nunca ninguém me amou, me fez um carinho!
Solange olhou para Hilda e, não conseguindo esconder sua tristeza, disse:
-Ele, como os outros, foi embora porque não era um homem de carácter e estava querendo só se aproveitar do seu amor e do seu carinho.
O homem certo ainda vai aparecer, Maria Clara.
Também não pode dizer que nunca ninguém a amou nem lhe fez carinho.
A Irmã Maria Paula sempre a tratou com muito carinho e amor.
Ela foi, para você, muito mais mãe do que tantas mães que conheço.
Sei que, se você a procurar neste momento, vai encontrar o mesmo carinho e amor que ela sempre lhe dedicou.
Maria Clara pensou um pouco e disse:
-Nisso você tem razão, se existe alguém que realmente gosta de mim, é a Irmã Paula...
-Então, já que sabe disso, por que não vai conversar com ela?
-Vou até lá, mas já sei o que vai me dizer:
-Maria Clara, você é linda!
Vai encontrar alguém que realmente a mereça e vai conseguir ter aquela família com que tanto sonha!
-Ela tem razão, Maria Clara!
Não existe motivo algum para que você não consiga o que tanto quer!
-Eu também não encontro motivo!
Sei que sou bonita, inteligente e bem educada.
Sou uma pessoa boa, se não faço bem, com certeza também não faço mal a ninguém.
Por saber o que pensam crianças internadas em um orfanato, duas ou três vezes por mês, vou até lá, conto-lhes histórias, penteio seus cabelos, pego-as no colo, abraço-as, beijo-as e brinco com elas.
Não entendo. Não quero muito desta vida, não me importo com dinheiro, pois o que tenho, embora seja pouco, dá para que eu viva muito bem.
Já que não tive pais nem irmãos, só quero ter uma família!
Levantou as mãos para o alto e gritou:
-É pedir muito, Deus?
Hilda, que o tempo todo ficou calada ouvindo, disse:
-Parece que não existe motivo algum para que não realize o seu sonho, Maria Clara.
Enquanto conversavam, fiquei pensando.
Embora não conheça nada a respeito, já ouvi falar em reencarnação.
Será que você foi muito má na passada?
-Também já ouvi falar sobre isso, mas se eu fui má, foi na passada e não é justo pagar nesta!
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 75754
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Abr 07, 2017 8:03 pm

-Mas, dizem que há um motivo e uma razão para tudo o que nos acontece.
Maria Clara começou a rir e disse:
-Levando em conta que eu acredite em reencarnação, por tudo o que tenho sofrido nesta, eu devo ter sido aquele soldado que pregou Jesus na cruz ou um feitor de escravo muito ruim.
As três riram.
Hilda disse:
-Quem sabe não foi isso o que aconteceu?
Elas não sabiam, mas prestando atenção em tudo o que falavam e intuindo Hilda, estavam duas entidades, uma de homem, outra de mulher.
O homem disse:
-Ela nem imagina, Matilde... nem imagina...
-Tem razão, Gusmão...
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 75754
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Abr 07, 2017 8:03 pm

ENCARNAÇÃO PASSADA
Anita chegou a casa.
Entrou e, como de costume, olhou à sua volta. Tudo estava em ordem e perfeito.
Foi para seu quarto, deitou-se sobre a cama e, com os olhos voltados para o tecto, começou a pensar:
O meu jantar vai ser maravilhoso.
É preciso que tudo dê certo para que dona Sofia fique contente e não me recrimine.
Sei que isso vai ser difícil, pois não sei o porquê, ela não me suporta e não perde uma oportunidade para me ofender.
Amo o Ricardo e sei que sou amada por ele.
Tenho tudo, uma casa linda, dinheiro para comprar o que desejar, mas do que adianta ter luxo e riqueza, poder viajar pelo mundo, se não tenho o que mais desejo... um filho... tentei tudo o que a medicina pode oferecer e problema algum foi encontrado.
Esta vida não é justa!
Existem tantas crianças pobres, a quem os pais não tem condições de dar nada e eu, que poderia dar tudo a uma ou várias crianças, não tenho filhos.
Isso não está certo!
Sempre que pensava a esse respeito, ficava nervosa e abatida.
Sabia que logo entraria em depressão, mas depois de muita terapia, havia aprendido a lutar e, com o tempo, conseguiu afastar a tristeza.
Contudo, temia que ela voltasse e tudo recomeçasse.
Levantou-se e foi para o banheiro.
Precisava se preparar, pois naquela noite, haveria um jantar especial.
Estava comemorando quatro anos de casada e a volta dela e do marido de Portugal.
Ricardo resolveu oferecer um jantar para os parentes e amigos mais chegados.
Ela havia planeado tudo e, se não fosse por Sofia, tinha certeza de que tudo daria certo.
Saiu do banheiro, sabia que em poucos minutos, o cabeleireiro e a manicura chegariam.
Mandou fazer o vestido que usaria naquela noite.
Ás dez horas em ponto, o jantar foi servido.
Todos os convidados compareceram.
Enquanto jantavam, conversavam.
Sofia, sua sogra, embora tivesse nascido pobre e de família humilde, conheceu o marido, um rico fazendeiro e casaram-se.
Depois do casamento, estudou, teve aulas de etiqueta e se tornou uma mulher educada, que sabia se comportar em qualquer lugar.
Teve dois filhos, Ricardo e Maurício.
Seu marido, político de carreira, atendendo a uma ideia dela, fez uma fundação com o seu nome e, através dela, dava assistência às pessoas carentes da cidade.
Com isso, sempre recebeu muitos votos.
Sofia, para manter a fundação e poder fazer com que o nome do marido e, consequentemente o seu, não fosse esquecido, organizava chás, jantares e festas.
Assim, arrecadava fundos.
O casal era amado na cidade e por todos os que os conheciam.
Fazia quatro anos que Pedro Henrique, seu marido, havia falecido.
A morte dele lhe causou uma dor imensa, mas o desejo de não perder o poder fez com que ela mesma seguisse a carreira política do marido.
Todavia, seu maior sonho era ver um dos filhos, principalmente Ricardo, se tornar um senador e até presidente da república.
Era uma bela mulher.
Educada e elegante.
Tinha mais de cinquenta anos.
Conversava sobre todos os assuntos, o que fazia com que se tornasse uma óptima companhia.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 75754
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Abr 07, 2017 8:04 pm

Só tinha um problema, era muito agarrada aos filhos, principalmente a Ricardo, o que, muitas vezes, causou constrangimento para Anita.
Naquela noite, Anita estava feliz.
O jantar havia saído como o planejado.
Os convidados comiam com satisfação, ela podia ver pela expressão de seus rostos.
Quando terminaram de comer, começaram a se levantar, elogiando o jantar.
Na vez de Sofia, ela disse:
- O jantar estava perfeito, Anita.
Pena que a comida estava com pouco tempero e a decoração da mesa não está combinando.
Anita sentiu que todo o sangue de seu corpo subiu para o seu rosto.
Mesmo sem ter um espelho, sabia que ele estava vermelho.
Olhou para Ricardo, que estava ao seu lado e que, assim como os outros convidados, ficou constrangido, mas permaneceu calado.
Anita estava com muita raiva.
Sua vontade era pegar um prato e jogar sobre a cabeça de Sofia, mas sabia que não poderia fazer aquilo, pois estava perante outras pessoas, inclusive sua cunhada Stela, esposa de Maurício e por quem Sofia sempre mostrou predilecção.
Fez um esforço imenso.
Engoliu em seco e, expressando um sorriso, disse:
- Deve ter razão, dona Sofia.
Só me resta pedir desculpas à senhora e a todos os demais.
Agora, vamos passar a outra sala onde serão servidos licor e café.
Stela e Maurício também ficaram constrangidos, principalmente ele, que gostava de Anita e muito mais do irmão e sabia que, quando a mãe de Ricardo não gostava de alguém, era terrível.
Acompanhando os demais, foram para a outra sala.
Anita e os convidados tentaram manter uma conversação, mas por mais que quisessem, aquilo se tornou quase impossível.
Aos poucos, todos foram se despedindo e indo embora.
Entre eles, Sofia.
Ricardo e Anita despediram-se de todos, na porta de casa.
Após a saída do último convidado, Anita e Ricardo entraram.
Assim que se viu sozinha na sala, Anita gritou tão alto que até os empregados da casa vieram para ver o que estava acontecendo.
Ricardo, com a mão, fez um sinal para que eles fossem embora.
Após o grito, Anita começou a chorar e a dizer, berrando, tomada de muita raiva:
- Não suporto mais, Ricardo!
Sua mãe me odeia e não perde a oportunidade de me ofender e humilhar! Estou cansada!
- Não fique assim, Anita.
Você conhece muito bem a minha mãe e sabe como ela é.
Foi sempre assim, nunca permitiu que alguém pudesse brilhar mais do que ela.
Sabe que, desde que meu pai morreu, ela se dedicou inteiramente a mim e ao Maurício.
Não quis se casar novamente, pois não queria que tivéssemos um padrasto.
Ela, como todas as pessoas, pode ter defeitos, mas além de ser minha mãe, é uma grande mulher e eu a amo e respeito muito.
Anita, enquanto Ricardo falava, ficou olhando sem querer acreditar no que estava ouvindo.
Quando ele terminou, ela disse:
- Não suporto mais, Ricardo.
Não suporto nem vou aguentar mais!
Já que sempre fica do lado de sua mãe, vai ficar com ela!
- O que está dizendo, Anita!
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 75754
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Abr 07, 2017 8:04 pm

- Estou dizendo que amanhã, bem cedo, vou para a capital, ficar na casa dos meus pais e, assim, você
terá muito tempo para pensar o que quer realmente da vida!
Calada, saiu da sala e chorando, foi para seu quarto.
Ricardo pegou um drinque, sentou-se em um sofá e ficou bebendo.
Anita, em seu quarto, chorava.
Seu coração estava apertado por, mais uma vez, perceber que seu marido, além de não a amar, não a respeitava.
Tentando parar de chorar, pensava:
preciso tomar uma decisão em minha vida e vou tomar!
Fiquei muito tempo sem saber o que fazer, mas agora chega!
Sempre soube o que precisava fazer, mas nunca tive coragem.
Sei que, para fazer o que preciso, terei de dizer a todas as pessoas que meu casamento é uma farsa.
Desde que conheci Ricardo e ele me apresentou à sua mãe, percebi que ela não havia gostado de mim.
Depois, com o tempo, fui percebendo a diferença que ela sempre fez entre mim e Stela.
Ela se levantou, foi até o banheiro e lavou o rosto.
Olhou para o espelho e lembrou-se do dia em que conheceu Ricardo:
Por que tive de ir àquela festa?
Eu não queria ir.
Só fui por muita insistência de Magda, minha amiga, que conhecia Ricardo.
Eles estudavam na mesma faculdade.
Assim que o vi, meu coração bateu mais forte.
Ele era, não, ainda é muito bonito, além de ter um belo porte.
Um homem que faz o coração de qualquer mulher tremer.
Eu estava em pé, junto à mesa de frios, quando ele se aproximou e me disse, sorrindo:
- Boa noite, senhorita.
Está aqui, sozinha?
Eu respondi com a voz trémula:
- Boa noite, não, não estou sozinha.
Minha amiga está dançando.
- E você, por que não está dançando?
- Não sei dançar muito bem, também, ninguém me convidou. – respondi, sorrindo.
- Por isso não.
Quer me dar o prazer da próxima dança?
- Vai demorar, essa música que está tocando apenas começou...
- Não tem importância.
Enquanto ela não termina, podemos tomar um drinque e conversar.
Dançamos e, depois daquele dia, por insistência dele e felicidade minha, começamos a namorar.
Ao se lembrar daquele tempo, ela se emocionou, enxugou o rosto e sorriu.
Voltou para o quarto, deitou-se e continuou relembrando.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 75754
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Abr 07, 2017 8:04 pm

A DESCONFIANÇA DE SOFIA
Enquanto Anita se recordava do tempo passado, Sofia chegava a casa.
O carro, após seguir por uma imensa alameda, parou diante de uma porta.
O motorista desceu, abriu a porta traseira do carro e pegou na mão de Sofia, para ajudá-la a descer.
Sofia, parecendo feliz, desceu e entrou em uma sala semi-iluminada.
Olhou para um retrato que estava em uma das paredes, onde estavam ela e o marido.
Sorriu, pensando:
Você viu, Pedro Henrique?
Consegui, outra vez, estragar a festa daquela mulher!
Sei que, para se casar e pertencer à nossa família, ela envolveu o nosso filho, talvez até com macumba, mas não faz mal, eu acabarei com aquele casamento e Ricardo voltará para casa!
Pode ter certeza disso!
Além do mais, não permitirei que nosso nome desapareça, porque aquela incompetente não consegue nem ter um filho!
Já sei o que vou fazer para desmanchar aquele casamento.
Usarei das mesmas armas que ela usou, procurarei alguém que faça uma macumba para que ele se afaste dela para sempre!
Pode ficar tranquilo meu velho, nosso filho voltará para casa e voltaremos a ser uma família feliz... agora, está na hora de me deitar e sonhar com os anjos...
Subiu os degraus da enorme escada que levava ao andar superior, onde ficavam os quartos.
Em seu quarto, vestiu um pijama e deitou-se, mas não dormiu, ficou relembrando o dia em que Ricardo trouxe Anita para conhecê-la:
eles namoravam há pouco tempo.
Ele chegou, feliz, segurando-a pela mão e disse:
- Mamãe, está é Anita, estamos namorando.
Olhei-a de cima a baixo.
Não estava preocupada, pois sabia que aquela seria como as outras que ele já havia me apresentado, apenas uma aventura.
Ela se aproximou e, sorrindo estendeu a mão para que eu apertasse.
Embora contra vontade, mas para não magoar Ricardo, também sorri e segurei sua mão.
Ela apertou forte e, olhando bem nos meus olhos, disse:
- Muito prazer, estou encantada de estar em sua casa e de conhecê-la pessoalmente.
A senhora é uma pessoa importante na cidade.
Estou muito orgulhosa!
Ela apertou minha mão com muita força e me olhou de frente.
Ao sentir aquele aperto de mão, percebi que aquela moça era diferente de todas as outras que ele havia me apresentado, mas não me preocupei muito.
Posso dizer que até gostei dela, mas mesmo assim, percebi que deveria tomar cuidado, pois sabia que ela seria capaz de roubar o meu filho.
Eu o conhecia o suficiente para saber que, daquela vez, era diferente.
Sem conseguir parar de pensar, Sofia se levantou e foi ao banheiro.
Parou em frente ao espelho, mexeu nos cabelos e continuou pensando:
Conversamos durante o lanche.
Ela falou a respeito de sua família, mas eu desconversei.
Não me interessava saber nada a seu respeito, muito menos a respeito de sua família.
Enquanto ela falava, eu pensava: Não!
Definitivamente, você não é a moça que eu quero para ser a mulher de meu filho! Eu não quero e você não vai ser.
Tremendo de ódio, ela saiu do banheiro e, no quarto, foi até uma cómoda, onde, por sua ordem, a copeira, todas as noites, deixava uma jarra com água.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 75754
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 08, 2017 7:24 pm

Encheu um copo e tomou.
Voltou para a cama e continuou pensando:
Eu não queria, mas, infelizmente, ela conseguiu.
Não sei o que fez, deve mesmo ter ido a um macumbeiro, porque Ricardo ficou encantado por ela e em pouco tempo marcaram o casamento.
Ela morava na capital, onde seu pai tinha uma empresa.
Poucos dias antes do casamento, eles compareceram a nossa casa.
Quando os conheci, tive a certeza de que aquele casamento não poderia se realizar, pois não daria certo, mas não tive como evitar.
Casaram-se. Isso já faz oito anos.
Porém, ainda não me dei por vencida, sei que conseguirei fazer com que se separem!
Ela não foi nem é a mulher ideal para meu filho!
É arrogante e está sempre pronta para me afrontar!
Diferente de Stela, tão meiga e amorosa, que faz sempre tudo o que quero e está sempre ao meu lado.
Entretanto, mesmo contra minha vontade, sempre defende aquela mulher.
Quando fico nervosa, ela me diz:
- Não é assim, dona Sofia, a Anita é uma boa moça.
Eles se gostam e Ricardo parece feliz ao seu lado.
Em algumas coisas a senhora tem razão.
Ela é, realmente, um pouco arrogante, mas no geral, é uma boa pessoa.
Não se envolva, deixe que os dois decidam suas vidas.
A Stela que me perdoe, mas como posso deixar que decidam suas vidas?
O Ricardo está totalmente dominado por aquela mulher!
Ele não sabe tomar uma decisão!
Eu preciso decidir por ele!
Amanhã, vou encontrar aquele homem e ver o que pode fazer.
Se ela fez alguma macumba, ele vai desmanchar e meu filho ficará livre para decidir sua vida.
Olhou para o relógio que estava sobre o criado-mudo.
Faltavam dez minutos para a meia-noite.
Pensou: será que Stela já está dormindo?
Acho que não, devem ter acabado de chegar a casa.
Preciso falar com ela.
Pegou o telefone e, sem se importar com a hora, discou um numero.
Do outro lado da linha, uma voz de mulher atendeu:
- Alô.
- Stela, sou eu, precisamos conversar.
Está dormindo?
Estou incomodando-a?
- Não, dona Sofia, não estou dormindo e a senhora nunca me incomoda.
Que aconteceu?
- Não aconteceu nada.
Só queria saber o que achou do jantar que aquela mulher preparou.
Stela, conhecendo a sogra e sabendo a resposta que ela queria ouvir, respondeu:
- O jantar estava muito ruim, nisso a senhora tem razão, mas não entendi porque teve de falar daquela maneira.
Foi constrangedor, porém, aqui entre nós, até que gostei.
Não tenho nada contra a Anita, mas já que a senhora não gosta dela, também não posso gostar.
Não sei por que eles tiveram de voltar.
Durante o tempo em que estiveram em Portugal, não tivemos problema algum.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 75754
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 08, 2017 7:24 pm

- Voltaram porque ela estava com saudade da família.
Como se aquela família fosse importante.
Todavia, estou feliz pois tenho meu filho outra vez ao meu lado.
- Nesse ponto a senhora tem razão.
Ricardo parece estar muito bem.
- Ele é lindo, não é?
Stela soltou uma gargalhada e respondeu:
- Sim, ele está muito bem.
Parece que, quanto mais o tempo passa, mais bonito ele fica.
- Por isso mesmo ele não pode continuar casado com aquela mulher!
Maurício está aí com você?
- Não, ele está tomando banho.
- Estou telefonando, porque preciso da sua ajuda.
- Minha ajuda?
Que posso fazer?
Sabe que, apesar de tudo, não quero me envolver nem ser responsável por uma possível separação.
- Você sabe que sempre desconfiei que aquela mulher fez macumba para segurar o Ricardo, não sabe?
- A senhora sempre disse isso, mas nunca acreditei e não acredito nessas coisas.
- Nem eu, mas não custa nada tentar.
E, se existir mesmo essa coisa de macumba?
E se ela fez mesmo, uma macumba para envolver o Ricardo a ponto de fazer com que ele se casasse com ela?
Estive pensando e, na dúvida, acho melhor tomarmos uma providência.
- Tomarmos?! – Stela perguntou, confusa.
- Claro que sim!
Você precisa me ajudar!
Tenho certeza de que ela fez uma macumba e das brabas!
- A senhora acredita mesmo nisso?
- Não acredito nem desacredito, mas, pelo sim pelo não, é melhor me prevenir.
- Acha que vai valer a pena, dona Sofia?
- Acho que sim.
Se existir, farei com que seja desmanchada.
Se não existir, não acontecerá nada nem a ela nem a mim.
- Não sei... tenho medo de mexer com essas coisas.
Mesmo porque, não acredito que ela teria coragem de fazer qualquer coisa nesse sentido.
Ela, e parece que toda a família, sempre foram muito religiosos.
- Medo do quê?
Ouvi dizer que, se bem pago, qualquer trabalho é feito e não me falta dinheiro.
Gastarei até o último centavo para afastar aquela inútil da vida do meu filho.
- Por que diz que ela é inútil?
- Claro que é inútil, não consegue nem ter um filho!
- Isso não quer dizer que ela seja inútil, só precisa talvez, fazer um tratamento....
- Já fez vários e parece que não tem jeito não, ela jamais terá um filho, o que acho muito bom!
- Bom, por quê?
- Porque quando eles se separarem, não restará vínculo algum.
Nunca mais precisaremos sequer falar com aquela mulher.
Se houvesse um filho, ela estaria sempre presente em nossas vidas!
- Nisso a senhora tem razão...
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 75754
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 08, 2017 7:25 pm

- Sempre tenho razão, Stela.
Será que ainda não descobriu isso?
Stela soltou outra gargalhada e respondeu:
- Claro que já descobri, dona Sofia!
- Amanhã, depois que mandar as crianças para a escola, quero que venha me pegar e iremos juntas, até o tal homem.
- Por que não vamos no seu carro, com o motorista, dona Sofia?
- O tal homem mora há quarenta minutos, uma hora daqui.
Lá onde ele mora, ninguém nos conhece e isso é muito bom.
Se formos no meu carro com motorista, chamaremos a atenção e alguém poderá nos reconhecer e não quero isso Stela...
- Acho que a senhora tem razão.
Ainda mais agora que as eleições estão chegando.
Não ficaria bem descobrirem que alguém da família frequenta um lugar como esse.
- Você entendeu muito bem.
O Maurício vai se candidatar e vencer as eleições, você será a primeira dama da cidade.
Não é isso que quer?
- Claro que quero, mas será que ele vai ganhar mesmo?
- Claro que vai!
O nome da família de Pedro Henrique sempre teve e ainda tem muita força!
Eles sempre foram muito queridos por toda população e não se esqueça de que tenho trabalhado muito para que o povo não se esqueça deles.
Nossa família não pode perder a eleição!
- Sim, sei que a senhora tem trabalhado muito.
Faz muita caridade. O povo todo a adora...
Sofia sorriu, ela sabia que aquilo era verdade.
Ajudava a população pobre da cidade.
Quando alguém vinha pedir uma ajuda, ela estava sempre disposta a resolver o problema.
Fazia aquilo não porque sentisse qualquer coisa pelo povo, mas por saber que, assim teria a população ao lado da família e poderia continuar sempre com o poder nas mãos.
Era só isso que queria.
Quanto mais a população continuasse precisando dela, mais poder ela e a família teriam. Disse:
- O povo me adora realmente, Stela.
Você sabe que até sobre isso aquela mulher me critica?
- Sei, sim dona Sofia.
Ela diz que a Prefeitura, ao invés de ajudar as pessoas dando dinheiro ou coisas, deveria encontrar uma maneira de providenciar algum tipo de trabalho.
Deveria explorar o artesanato da cidade, dando assim, oportunidade para que ganhasse dinheiro com trabalho.
Ela acha que a Prefeitura tem como fazer isso.
Poderia não só ajudar o trabalho, como também a promoção de vendas, quem sabe até, exportação.
- Ela tem essas ideias porque nunca esteve à frente da Prefeitura ou qualquer cargo de comando.
Ela não permitiu que Ricardo se candidatasse e o levou para Portugal.
- A senhora sabe que não foi bem assim, dona Sofia.
Quem não quis se candidatar foi o Ricardo, ele preferiu ir para Portugal, pois, visitando os castelos e fortalezas que existem naquele país, poderia conhecer melhor a nossa história.
- Isso ele disse, mas na realidade ele não queria ir, ela sim.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 75754
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 08, 2017 7:25 pm

Queria conhecer a terra de seus antepassados!
Se fosse para estudar, deveriam ter ido para os Estados Unidos!
Aquele sim, é um país de primeiro mundo!
O que tem em Portugal?
Estão mais atrasados que nós!
- A senhora sabe como Ricardo gosta de história.
Sabe que o que ele quer mesmo é ser professor.
- Professor, professor!
Como ele pode querer ser professor?
Uma profissão sem valor algum!
- Ele, assim como Anita, também quer que o povo seja instruído.
- Instruído para quê?
O povo não precisa de instrução, precisa de comida na mesa!
- Ricardo e Anita não pensam assim, dona Sofia.
Eles dizem que o povo precisa estudar para poder trabalhar e promover seu próprio sustento.
- Tudo isso é bobagem, Anita!
O povo está muito bem!
Você já viu alguém pedindo escola?
Claro que não!
Todos estão muito felizes, acostumados a viver
com o pouco que têm.
A Prefeitura desta cidade não deixa que lhes falte nada!
- Sim, mas segundo eles, isso faz com que ninguém se importe em melhorar, estudar e trabalhar.
Dizem que as pessoas, por não terem oportunidade, se acomodam à situação.
- Não quero mais continuar com esta conversa.
O importante é irmos amanhã naquele homem e vermos o que pode ser feito para que eles se separem.
Só isso está me importando no momento.
- Está bem.
O Maurício já voltou para o quarto.
Precisamos dormir.
Amanhã, assim que as crianças forem para a escola, vou até aí pegar à senhora e iremos.
- Estarei esperando por você.
Boa noite, Stela, sei que, esta noite vou dormir como um anjo e garanto que aquela mulher não está conseguindo pregar os olhos.
Stela sorriu e disse:
- Boa noite, dona Sofia.
Sofia desligou o telefone e fechou os olhos, tentando dormir.
Stela também fez o mesmo.
Olhou para Maurício que estava ao lado da cama e perguntou:
- O que minha mãe queria, Stela?
- Nada, Maurício, só comentar sobre o jantar.
- Você disse a ela que não gostei do que fez?
- Não, Maurício, não disse.
Você conhece sua mãe, ela jamais aceitaria uma crítica.
- Sei que ela é assim, mas nunca achei certo.
Ela, às vezes, extrapola e comete injustiças, assim como faz com a Anita.
Meu irmão está feliz ao lado da mulher que escolheu, ela deveria respeitar isso.
Stela não disse o que realmente havia conversado com Sofia e o que haviam combinado para a manhã seguinte, pois sabia que seu marido não aprovaria.
Ele gostava de Anita e muito mais do irmão.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 75754
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 08, 2017 7:25 pm

Deitaram-se e adormeceram.
Sofia sorriu, ajeitou o travesseiro e voltou a se deitar.
Ao seu lado, sem que soubesse, um vulto de homem que, durante o tempo todo esteve ao seu lado, disse:
- Por que está fazendo isso, Sofia?
Por que continua a mesma de sempre?
Como se houvesse escutado o que ele perguntou, pensou:
preciso fazer isso, não posso deixar que aquela mulher continue ao lado do meu filho!
Ela não presta!
- Não presta, Sofia, por quê?
Não consegue ter um filho!
Ricardo me disse que estão pensando em adoptar uma criança!
Imagine se vou permitir!
Eles acham que vou deixar que o nosso nome seja colocado em um enjeitadinho qualquer?
Nunca! Isso não vai acontecer! Nunca!
- Por que não, Sofia?
É só um nome... nada mais que isso.
Perante a espiritualidade, não representa nada.
Ela, lembrando-se do marido, continuou pensando:
se o Pedro Henrique estivesse aqui, diria que nada disso tem importância, que é só um nome e que para a espiritualidade não tem valor.
Ele, desde que começou a ler aqueles livros, mudou de atitude.
Começou a falar coisas que me deixavam muito nervosa.
Como nome e dinheiro não tem valor?
Claro que tem!
Ele dizia que o que importava era aquilo que trazíamos no coração.
O amor por todos, a caridade e a nossa preparação para a vida eterna.
O que me interessa a vida eterna?
Quero viver esta!
Não quero saber o que vai me acontecer depois que eu morrer.
Acho que não existe nada depois da morte, por isso, sempre vivi pensando no presente e fiz tudo o que podia para viver bem e ter tudo de bom que esta vida pode me dar.
Não quero nem me lembrar de como era minha vida antes de conhecer o Pedro Henrique ...
Pedro Henrique sorriu e disse:
- Tudo o que eu dizia era verdade, Sofia.
A vida eterna existe e você ainda está em tempo de mudar sua atitude.
Ele dizia isso, mas o que me importa é o hoje, o agora.
Preciso dormir, amanhã será um dia de muita emoção.
Está decidido, vou até aquele homem e ele vai dar um jeito naquela mulherzinha!
Ela queria dormir, mas não conseguia.
Os pensamentos fervilhavam em sua cabeça.
Sentou-se, afofou o travesseiro, tornou a se deitar, virou de lado, fechou os olhos e, depois de algum tempo, sem perceber, adormeceu.
Pedro Henrique, triste, desapareceu.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 75754
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 08, 2017 7:25 pm

DESABAFO
Fazia mais de uma hora que Anita havia ido, nervosa, para o quarto.
Ricardo permaneceu sentado em um sofá da sala.
Ele sabia que ela tinha razão em estar nervosa, mas conhecia sua mãe e também sabia que ela não havia gostado de Anita desde que a conheceu.
Ele não entendia por que aquilo acontecia.
Pensava: não sei por que mamãe age assim com a Anita.
Ela pertence a uma boa família, é estudada e seus pais estão muito bem.
Minha mãe não pode dizer que ela se casou comigo por causa de dinheiro.
Não entendo também por que Anita até hoje fica nervosa com a atitude de minha mãe.
Já devia ter se acostumado...
Levantou-se e foi para o quarto.
Anita estava deitada, ainda relembrando e chorando.
Ao ver o marido entrando, fingiu estar dormindo.
Não queria conversar.
Sentia-se ofendida não só com Sofia, mas com Ricardo também, por ele não a ter defendido.
Assim que Ricardo entrou no quarto, percebeu que Anita fingia dormir.
Deitou-se ao seu lado e, carinhosamente, a abraçou.
Ela não se moveu.
Ele percebeu que ela não estava dormindo e que não queria mais conversar.
Anita continuou fingindo que dormia.
Ele insistiu, dizendo:
- Anita, não fique assim.
O jantar terminou e, em minha opinião e posso garantir, na de todos, estava muito bom.
Ela, nervosa, sentou-se na cama e disse, quase gritando:
- Como estava bom?
Você não ouviu o que sua mãe disse?
- Ouvi e, assim como eu, ninguém deu atenção a ela.
Todos que estavam aqui a conhecem muito bem e sabem da má vontade que ela tem em relação a você.
Ninguém ligou, Anita ...
- Você está mentindo, Ricardo!
Mesmo que fosse verdade, eu me importei!
Eu me senti humilhada!
- Ora, meu amor... abrace-me e vamos esquecer o que aconteceu...
- Não posso esquecer, estou com muita raiva!
- Não entendo por que você ainda fica com raiva.
Conhece minha mãe, sabe que ela, quando quer, pode ser rude, mas sabe também que ela nos ama...
- O que está dizendo? Ela nos ama?
Não, Ricardo, ela não me suporta nem eu a ela!
Estou cansada de ser humilhada!
Para mim, chega! Vou repetir!
Amanhã, assim que clarear, estou indo embora desta casa, da sua vida e da vida dela!
- Que bobagem é essa que está dizendo, Anita?
Vai embora por quê?
- Cansei de ser humilhada!
Estou com muita raiva de sua mãe, mas muito mais de você!
- Por que está dizendo isso?
- Você não gosta mais de mim.
Acho até que nunca gostou!
- De onde tirou essa ideia?
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 75754
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 08, 2017 7:26 pm

- Da sua atitude!
Nunca me defende de sua mãe!
Sempre que ela faz algo que me magoa, você fica calado, como se eu não fosse ninguém!
- Ora Anita, deixe de bobagem, você sabe que não é assim.
Sabe que, desde que a vi naquele baile, me apaixonei e essa paixão dura até hoje...
- Não Ricardo, você é apaixonado por sua mãe!
Fique com ela, estou indo embora!
- Você é que não sabe lidar com a minha mãe!
Por que não age como a Stela?
Dela minha mãe gosta...
- Ser como a Stela? Nunca!
Ela faz tudo o que sua mãe quer, parece um cachorrinho!
Não posso e não quero fazer isso!
A Stela está fazendo com os filhos o mesmo que sua mãe fez com vocês!
Eles também estão se tornando fracos e sem respeito por si mesmos!
Ricardo, que até agora tentava se manter calmo, ficou nervoso e disse furioso:
- Está ouvindo o que está dizendo?
Está percebendo que está me ofendendo?
- Não estou ofendendo você, Ricardo!
Estou dizendo a verdade!
Você é fraco, sem opinião própria.
Já que disse que eu devia ser como a Stela, você deveria ser como seu irmão, que não se deixa levar por sua mãe e decide sua vida!
- Acho melhor terminarmos esta conversa por aqui, pois, se continuarmos, vamos acabar brigando de uma forma como nunca aconteceu!
- Também acho.
Além do mais, por mais que conversemos, não vai adiantar.
Já me decidi, vou embora para sempre!
- Faça o que quiser!
Estou cansado de suas lamúrias!
Você não passa de uma menina mimada!
Não cresceu!
Assim, dizendo, pegou seu travesseiro e saiu do quarto.
Anita o acompanhou com os olhos.
Estava decidida, seu casamento terminara ali.
Em lágrimas, pensou: não adianta continuar insistindo, Ricardo não vai mudar, ele sempre foi e vai continuar sendo dominado pela mãe.
Com isso, todo o encanto que havia, terminou.
Sei que tanto ele como ela me culpa por não ter tido um filho, mas que me culpa tenho?
Já fiz todos os exames aqui e em Portugal e não encontraram um motivo.
Não sei mais o que fazer.
Agora, também, não me importa mais.
Vou embora, o difícil vai ser contar para meus pais.
Eles gostam muito de Ricardo.
Eu também, mas não dá para continuar assim.
Deitou-se e tentou dormir.
Sabia que seria difícil, pois em alguns momentos, todos os seus sonhos tinham sido destruídos.
Odiava Sofia por isso.”
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 75754
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 08, 2017 7:26 pm

AJUDA DO CÉU
Na manhã seguinte, Anita se levantou e foi até o quarto de hóspedes para conversar com Ricardo, mas, para sua surpresa, ele não estava lá.
A cama estava desfeita, o que demonstrava que ele havia se levantado mais cedo e saído.
Apesar da curiosidade, ficou com mais raiva.
Balançou os ombros, saiu e voltou para seu quarto.
Calmamente, começou a arrumar suas malas.
Enquanto fazia isso, pensava: onde será que ele foi tão cedo?
Sei que ficou nervoso com aquilo que falei, mas é a pura verdade, ele é totalmente dominado pela mãe!
É incapaz de tomar uma decisão sem antes falar com ela!
Somente quando decidiu ir para Portugal, apesar da negativa dela, insistiu e foi.
Acho que não deveríamos ter voltado.
Enquanto vivemos lá, foi tudo tranquilo, embora ela telefonasse duas ou três vezes por semana.
Também, agora não adianta ficar pensando, tomei minha decisão e só voltarei para casa se ele mudar o comportamento e consentir em se mudar para a capital, para junto dos meus pais.
Sei que minha mãe vai dizer que estou errada, que preciso salvar meu casamento, mas por que só eu?
Por que ele também não tem que querer salvar o casamento?
Para mim, chega!
Acabou! Acabou mesmo!
Olhou para o criado mudo e viu que, sobre ele, havia um bilhete.
Pegou-o em sua mão e leu:
“Querida Anita.
Estive pensando em tudo o que me disse e cheguei à conclusão de que você tem razão.
Embora a ame com loucura e não deseje que nosso casamento termine, acredito que chegou a hora de repensarmos nossa vida.
Por isso, não precisa sair de casa, pois eu estou fazendo isso.
Assim, teremos tempo de reflectir sobre todo o tempo em que estamos juntos e o quanto gostamos um do outro.
Lembre-se de que a amo e de que quero ficar ao seu lado até o fim da minha vida.
Com carinho e muito amor. Ricardo.”
Anita terminou de ler e começou a chorar, pensando:
por que isso tinha de acontecer?
Por que dona Sofia me odeia tanto?
Com o bilhete na mão, continuou chorando.
Enquanto isso, em sua casa, Sofia também acordou.
Estava feliz e também decidida.
Ainda deitada, pensou:
são sete horas da manhã, logo mais a Stela vai estar aqui e iremos falar com aquele homem.
Hoje vai terminar o reinado daquela mulher!
Ela não pode mais continuar vivendo ao lado do meu filho nem pertencer a esta família!
Eu a odeio e a todos de sua casa!
Levantou-se e começou a se arrumar.
Abriu a janela e olhou.
O sol estava brilhando, sorriu, voltou para o quarto, foi até o guarda-roupa, ficou olhando e pensando:
hoje o dia vai ser quente, preciso escolher um vestido leve.
Sei que vai ser cansativo, mas não tem importância, desde que eu consiga salvar meu filho daquela mulher!
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 75754
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 08, 2017 7:26 pm

Pedro Henrique e Maria Rita estavam ali, acompanhando todos os movimentos de Sofia.
Desesperado, ele disse:
- Mamãe, será que ela vai mesmo fazer isso?
Será que ela vai se unir às forças do mal?
- Acredito que sim, meu filho.
Ela parece estar determinada...
- Ela não pode fazer isso!
Ela vai se destruir!
- Sei disso, mas sinto que não poderemos fazer nada, apenas pedir a Deus por ela.
- Não pode ser, mamãe!
Essa não é a Sofia que conheço! Ela mudou muito!
O quarto se iluminou, em seguida duas entidades apareceram.
Ao vê-las, Pedro Henrique e Maria Rita sorriram. Admirado, perguntou:
- Gusmão? Matilde?
Por que estão aqui?
- Embora não saibam, estamos ao lado de Sofia há muito tempo.
Nós a ajudamos a preparar sua reencarnação e permanecemos ao seu lado, na tentativa de que tudo desse certo.
- Vocês a conhecem?
- Não só a ela, mas a todos vocês que renasceram para se ajudar mutuamente.
Maria Rita disse, surpresa:
- Embora os conhecesse, não sabia que faziam parte de nossas vidas.
Por que não nos contaram?
- Sabemos que nos conheciam.
Não contamos porque não havia necessidade.
Agora, parece ser necessário.
Por isso estamos aqui.
Viemos para tentar impedir que Sofia faça algo de que, com certeza, outra vez vai se arrepender.
Pedro Henrique, ainda confuso, disse:
- Não estou entendendo, essa não é a Sofia que conheço.
Ela sempre foi tão gentil e amorosa.
Nunca pensei que pudesse, sequer, imaginar uma coisa como essa...
- Você nunca conheceu Sofia.
Ela sempre foi dissimulada, Pedro Henrique.
- Não pode ser verdade...
- Infelizmente, é verdade.
Ela planeou sua encarnação e pediu que a ajudássemos.
Prometemos que estaríamos sempre ao seu lado e assim fizemos.
Não só eu e Matilde, mas muitos outros.
- Quem é Sofia realmente, Gusmão?
Pode nos contar?
- Sim, enquanto ela se prepara para sair, poderemos conversar.
- Por favor, Matilde.
Preciso entender o que está acontecendo.
Essa Sofia que esta aí se preparando para destruir a vida de meu filho não é aquela que conheci e amei durante toda a vida...
Vou contar, Pedro Henrique e no final, entenderá tudo o que aconteceu e está acontecendo agora.
Sofia morava em um sítio distante da cidade.
Seus pais viviam uma vida com muita dificuldade, mas a amavam muito.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 75754
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 08, 2017 7:26 pm

Ela acordava muito cedo e caminhava ao lado de outras crianças da redondeza, em direcção à cidade.
Entre elas ia Osmar, que morava em um sítio próximo ao dela.
Ele era um ano mais velho.
Estavam indo para a escola.
Faziam isso todos os dias. Era filha única.
Sua mãe, Nadir, passou muito mal quando Sofia nasceu e nunca mais pôde ter outro filho.
Sofia era muito tímida e sentia falta de irmãos.
Queria ao menos, mais um.
Ela fazia aquela caminhada sem reclamar.
Com dez anos, estava ainda no primeiro ano e aprendia a ler e a escrever as primeiras palavras.
Estava atrasada, mas isso aconteceu porque demorou para que uma escola fosse construída.
Isso só aconteceu quando o avô de Pedro Henrique foi eleito prefeito da cidade.
Ela nunca havia pensado em estudar e só foi para a escola depois de muita insistência de minha mãe.
Seu pai, Romeu, achava que estudo não era importante para mulher, pois sabia que logo ela se casaria e teria apenas de cuidar do seu marido e filhos.
Ela aceitava aquilo com naturalidade, mas sua mãe não.
Dizia:
- Sofia, você precisa estudar para poder ser alguém na vida.
Se continuar como eu, sem saber ao menos ler, vai ter uma vida assim como a minha...
- Sofia a ouvia dizendo aquilo, mas não tinha o alcance do que significava.
Somente quando começou a juntar as letras, formar palavras, podendo assim, ver e ler as revistas com artistas, foi que passou a se interessar realmente.
Nas revistas, via moças com vestidos e cabelos lindos, casas bonitas, bem pintadas e grandes.
Ao ver tudo aquilo, começou a sonhar e a querer ter todas aquelas coisas.
Só aí foi que percebeu o significado daquilo que sua mãe dizia e, enquanto ia para a escola ao lado das outras crianças, dizia:
- A gente precisa estudar e aprender bem rápido.
- Osmar me olhava e, confuso, perguntava:
- Estudar para quê, Sofia?
Já sabe como vai ser a nossa vida.
- A sua, você pode saber, Osmar, mas a minha não!
Ela vai ser diferente!
Sei que, se estudar, vou poder comprar aqueles vestidos lindos que vi na revista...
cortar os meus cabelos e morar em uma casa linda, igual a uma daquelas.
Ainda bem que consegui fazer com que meu pai me deixasse ficar sem trabalhar na roça para poder ir para a escola.
Minha mãe conversou com ele a esse respeito, ele ficou brabo e disse:
- Estudar para quê, Nadir?
Sabe que ela só vai perder tempo.
Ela precisa mesmo é aprender a cuidar da casa e fazer uma boa comida para ser uma boa mulher e mãe.
Além do mais, enquanto não se casar vai poder cuidar da casa enquanto você trabalha comigo, lá na roça.
- Se ela estudar, Romeu, ela vai poder ter uma vida diferente...
- Nadir tanto insistiu que ele não teve como discordar. – continuou Gusmão.
- Sofia, que estava diante do espelho penteando os cabelos, sem saber a causa, também começou a relembrar o passado e, a se ver criança novamente, se emocionou e uma lágrima escorreu por seu rosto.
avatar
Ave sem Ninho

Mensagens : 75754
Data de inscrição : 07/11/2010
Idade : 62
Localização : Porto - Portugal

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Conteúdo patrocinado


Conteúdo patrocinado


Voltar ao Topo Ir em baixo

Página 1 de 10 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10  Seguinte

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo

- Tópicos similares

 
Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum