SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Abr 13, 2017 7:21 pm

- Está certo você não deve mesmo brigar com o seu marido, mas não é certo ele proibir você de visitar a sua família!
Vou falar com ele!
- Não, mãe!
A senhora não pode fazer isso!
Eu disse que não quero brigar com meu marido e se falar com ele, isso vai acontecer!
Ele é um bom marido, gosta muito de mim, só tem um pouco de ciúmes.
Sempre que puder eu irei lá em casa e a senhora ou qualquer um poderá vir sempre que quiser.
Mas não fale com o Pedro Henrique, por favor!
- Está bem não vou falar, mas que não está certo, não está, Sofia.
- Com o tempo, isso tudo vai passar mãe.
A senhora não quer beber um suco?
Está muito quente.
- Quero sim. Posso entrar?
- Claro que pode. Vamos?
- Entraram. Nadir já tinha ido lá, mas só antes do casamento.
Maria Rita providenciou tudo, ela não havia visto o quarto nem as cortinas da sala, disse:
- As cortinas da sala estão bonitas, Sofia.
Foi você quem escolheu?
- Não, quando voltei da viagem estavam todas colocadas.
Também foi dona Maria Rita quem decorou meu quarto.
Venha ver como está bonito!
- Pegou a mãe pela mão e a levou até o quarto.
Assim que abriu a porta, Nadir ficou parada, apenas olhando.
Colocou a mão sobre a boca e depois de alguns segundos, disse abismada:
- Está muito lindo, Sofia!
Nunca vi nem imaginei que pudesse existir um quarto assim! Olhe só a cama!
Parece que é muito macia!
- É macia mesmo, mãe!
Também nunca pude imaginar que um dia pudesse dormir em um quarto como esse e em uma cama como essa!
- Sofia, você disse que foi a dona Maria Rita que escolheu tudo?
- Foi, mãe.
Quando voltei da viagem, estava tudo assim.
- Você acha que está certo ela cuidar da sua vida assim?
- No começo fiquei um pouco nervosa, mas depois entendi.
Ela sabe que não sei decorar uma casa e só quis me ajudar.
- É, pensando bem você tem razão.
Não pode mesmo brigar com o seu marido... ele lhe deu coisas que nunca pude imaginar... ele não quer que você vá visitar a gente, não tem problema.
O que importa é que você esteja feliz e depois de tudo o que estou vendo, acho que isso está acontecendo.
Você está feliz, não está minha filha?
- Estou, mãe.
Ele é um marido maravilhoso, mas a senhora me conhece e sabe que eu gostaria muito mais de estar vivendo na cidade, mas, enfim estou hoje muito melhor do que estive durante toda minha vida, não é?
- É sim, Sofia.
Não fique triste por ele não querer se misturar com a gente, sempre que eu sentir saudade eu venho ver como você está.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Abr 13, 2017 7:22 pm

Eu queria tanto poder frequentar a casa do prefeito, ir às festas... pensei que quando você se casasse eu ia poder fazer isso, mas pelo visto não vai dar.
Estou triste, mas não tem importância.
O que importa é que você está feliz e que seu marido, além de lhe dar tudo isso ainda gosta de você.
- Ele gosta mesmo, mãe.
Eu também gosto dele e estou muito feliz.
- É isso que importa, Sofia.
Só a sua felicidade.
Agora, vamos tomar o suco?
- Vamos sim, mãe.
Voltaram para a sala.
Sofia chamou Noélia, pediu o suco e em poucos minutos, ela voltou trazendo uma bandeja que colocou sobre uma mesinha.
Sofia colocou o suco nos dois copos.
Enquanto tomavam o suco, Nadir disse:
- Estou aqui imaginando uma coisa, Sofia.
- O quê, mãe?
- Por que será que Deus lhe deu tudo isso?
- Não entendi. Por que está dizendo isso, mãe?
- Não sei, só estou pensando.
Como sua vida mudou tão de repente.
Você agora é uma moça rica.
Tem uma linda casa e até uma empregada que a serve.
Logo você que até pouco tempo era quem fazia a comida e cuidava da casa... será que não existe um motivo maior?
Será que você não tem que fazer alguma coisa em troca?
- Credo, mãe!
Não estou gostando dessa conversa.
Não sei por que minha vida mudou tanto.
Também não quero saber, mas acho que se for pensar da maneira como à senhora está pensando, devo ter algum merecimento.
Sempre fui uma pessoa boa, nunca desejei o mal pra ninguém...
- Tem razão, minha filha.
Não sei por que disse isso...
- Ela não sabia, mas eu e Matilde estávamos lá e sabíamos.
Matilde sorriu enquanto retirou a mão da garganta de Nadir.
Assim que terminou de tomar o suco, Nadir se levantou dizendo:
- Agora preciso ir.
Preciso fazer o almoço.
Sabe como eles chegam morrendo de fome e se a comida não estiver pronta, seu pai vai brigar.
- Sei sim e como sei...
- Nadir beijou a filha e saiu andando em direcção à sua casa.
Sofia ficou olhando a mãe se afastar.
Estava intrigada: por que será que ela disse aquilo?
Nunca parei para pensar nisso.
Já sei, ela está com inveja da minha vida!
Sei que sempre sonhou com uma vida melhor do que a que tem! Não vou me deixar levar por sua conversa!
Se Deus me deu tudo isso é porque mereço ou porque nunca aceitei aquela vida que levava.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Abr 13, 2017 7:22 pm

- Eu olhei para Matilde que desanimada, balançou a cabeça, dizendo:
- Vai ser mais difícil do que pensávamos, Gusmão.
Ela, apesar do nosso esforço, insiste em não nos ouvir.
Por enquanto vamos embora, precisamos acompanhar a Nadir.
Mais tarde, voltaremos e tentaremos novamente.
- Foi o que fizemos.
Nadir continuou andando, quando estava chegando em sua casa, olhou para trás, não podia ver Sofia, mas sabia que ela estava lá e feliz.
Ela não imaginava que quem não queria ter contacto com eles era Sofia e que tanto Pedro Henrique como sua mãe não tinham preconceito e pensavam justamente o contrário.
- Não consigo aceitar que vivi tanto tempo ao lado dela sem imaginar que pensasse assim, Gusmão.
Na realidade, nem eu nem minha família tínhamos preconceito.
Quem estava tendo era Sofia.
Maria Rita balançou a cabeça concordando com o filho.
Gusmão disse:
- Isso acontece muito, Pedro Henrique.
O preconceito está implícito no ser humano, mas Sofia não agia assim por preconceito e sim pelo seu sentimento de inferioridade.
Ela queria esquecer quem fora e a presença de sua família, em sua opinião, impedia que isso acontecesse.
Matilde, através de Nadir, lhe enviou uma mensagem no sentido de que pensasse bem em tudo o que estava acontecendo em sua vida.
A nossa intenção era de que ela, embora estivesse tendo tudo com o que sempre sonhou, não se afastasse daquela que até agora fora sua família, que não deixasse de ampará-la e que tentasse, de algum modo, retribuir tudo o que havia recebido das mãos de Deus.
Contudo como viram, ela não entendeu a mensagem e olhando a mãe se afastar pensou:
será que ela nunca vai entender que agora sou uma outra pessoa?
Será que não vai entender que minha vida não tem mais nada a ver com a deles?
Não sei, mas acho que a qualquer momento, vou ter de dizer.
Meu pai nunca veio aqui.
Ele, naquela manhã quando nos viu indo para a cidade, deve ter entendido.
Tomara que minha mãe também entenda.
Eu gosto deles, só que nunca se comportarão como se deve.
Dona Maria Rita vive dizendo para eu levar todos para almoçar, mas eu sei que ela só quer humilhar a gente!
Não acredito na bondade dela...
Estava tão distraída em seus pensamentos que não viu quando você chegou, se aproximou e abraçou-a por trás, perguntando:
- Não é sua mãe que está indo ali, Sofia?
- Ela se voltou para você e enquanto o beijava no rosto, respondeu:
- É sim. Ela veio me visitar.
- Que bom. Sei que sente falta deles.
Falou do convite que minha mãe vive fazendo para irem lá em casa?
- Falei, mas ela disse que não quer ir.
Ela acha que eles não saberiam se comportar na casa do prefeito.
- Que bobagem é essa?
Lá não é a casa do prefeito, é a casa dos meus pais!
Vocês todos agora fazem parte da minha família.
Depois do almoço vou até lá falar com ela e com seu pai.
Eles precisam deixar essa besteira para lá, Sofia!
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Abr 13, 2017 7:22 pm

- Ela estremeceu, não podia deixar que aquilo acontecesse.
Forçando um sorriso, disse:
- Por favor, não faça isso Pedro Henrique!
Eles iam se sentir mais humilhados ainda!
Vamos dar tempo ao tempo.
Sei que vou conseguir convencê-los.
Sua mãe mesma disse que só precisamos ter paciência...
- Você sorriu, beijou-a nos lábios e disse:
- Tem razão.
Vamos dar tempo ao tempo.
Minha mãe sempre me disse que demorou muito para que seus pais aceitassem a nova vida dela e que só aceitaram quando eu nasci.
Ela diz que quando minha avó me viu, se apaixonou e até se esqueceu de quem eu era filho! – você disse, piscando um olho e rindo alto.
Ela também riu, dizendo:
- Você deve ter sido um neném lindo...
- Fui não, sou!
- Você é muito vaidoso!
Agora vou até a cozinha ver como está o almoço.
- Faça isso, levantei muito cedo e estou com fome.
Quando saí, você estava dormindo e não viu.
- Claro que vi.
Só que estava com tanto sono...
Entraram abraçados.
Enquanto iam para a cozinha, você perguntou:
- Será que quando tivermos o nosso filho, sua mãe vai fazer igual a minha avó?
Ela estremeceu.
Não queria um filho, pelo menos não naquele tempo, mas respondeu:
- Não sei, acho que sim.
O nosso filho vai ser lindo!
Também, filho de quem é...
- Você sorriu, apertou seu ombro com mais força.
Entraram na cozinha.
- Ela era tão doce, Gusmão, por isso me custa muito acreditar que ela pensasse daquela maneira...
Gusmão novamente sorriu e entendendo o que Pedro Henrique estava sentindo, continuou:
- Nadir chegou a casa e foi directamente para a cozinha.
Estava atrasada com o almoço.
Sabia que logo mais seu marido e Gustavo chegariam.
Realmente, logo depois chegaram.
O almoço estava um pouco atrasado, o que fez com que Romeu perguntasse:
- Atrasou o almoço, Nadir.
Que aconteceu?
- É atrasei, mas já está quase pronto.
Fui à casa da fazenda visitar a Sofia.
- Por que fez isso?
- Ela, estranhando o tom de voz do marido, perguntou:
- Fui ver a minha filha!
Por que está tão nervoso?
- Não estou nervoso.
Só acho que você não devia ter ido lá.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Qui Abr 13, 2017 7:22 pm

- Por que não? Ela é minha filha!
- Quantas vezes ela veio aqui depois do casamento?
Somos a sua família, mas ela parece não se importar.
Sua filha mudou, Nadir.
Ela não quer mais saber da gente.
- Que bobagem você está dizendo, Romeu!
Ela continua sendo a nossa filha, só que o Pedro Henrique não gosta que ela saia de casa e ela pra não brigar com ele, obedece.
- Romeu se lembrou do dia em que encontrou Sofia e Pedro Henrique indo para a cidade almoçar na casa de Maria Rita e como Sofia ficou quando ele perguntou se ela havia convidado os pais para o almoço.
Percebeu naquele momento que ela não queria unir as famílias.
Não entendia o motivo, mas sabia que deveria ficar o mais longe possível dela.
Pensou: eu devia contar para Nadir o que aconteceu naquele dia, mas ela não vai acreditar.
Parece que a Sofia encontrou uma boa desculpa pra manter a gente distante.
- Nadir, nervosa por ele ter dito aquelas coisas da filha, disse:
- Como pode dizer uma coisa dessas, Romeu.
Ela é nossa filha!
Fiquei tão feliz de ter ido lá.
A casa dela é linda!
O Pedro Henrique gosta muito dela!
Quando eu estava lá, fiquei pensando.
Você lembra o dia em que ela nasceu?
A gente era tão jovem... eu tinha dezassete anos e você dezanove.
A gente não entendia nada da vida.
- Claro que me lembro, Nadir.
A gente se conheceu naquele baile que tinha todo fim de semana e se casou logo depois.
Quando você me disse que estava esperando criança, fiquei assustado.
A gente era muito pobre.
Eu trabalhava como pedreiro e morávamos na casa da minha mãe.
Eu não tinha como levar você pra um outro lugar.
- Eu também me assustei, mas também fiquei muito contente.
Ainda bem que naquele tempo a gente morava na cidade.
Foi muito difícil.
Eu passei muito mal durante todo o tempo em que fiquei esperando por ela.
Quantas vezes o médico disse que ela talvez não conseguisse nascer...
- Mas ela nasceu, Nadir!
Foi sempre uma menina muito doente.
Quantas noites a gente passou cuidando dela, com medo de que morresse...
- Ela não morreu, Romeu.
Foi sempre uma lutadora.
Acho que tinha muita coisa pra fazer nesta Terra.
Por isso Deus não a levou.
Agora está aí, casada e muito bem.
Morando em uma casa linda e tendo tudo o que jamais imaginou.
- Tem razão. Ela sempre foi uma lutadora.
Mesmo quando não podia estudar porque precisava ajudar aqui em casa, pegava os livros emprestados e ainda ensinava o irmão.
- Está vendo, Romeu?
Ela é muito boa e merece tudo o que está recebendo de Deus...
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Abr 14, 2017 8:06 pm

- Acho que você tem razão.
Mas agora ela tem outra vida.
A gente não faz mais parte do mundo dela.
Deixe-a viver a vida dela e a gente vai continuar vivendo a nossa...
- Como você pode dizer isso?
Ela está rica, mas ainda é nossa filha.
Mesmo que o marido dela não queira que ela venha aqui em casa, eu vou sempre lá.
Preciso ter certeza de que ela continua feliz.
- Romeu, sentindo-se impotente e não querendo contar o que havia acontecido para que a mulher não ficasse triste, se calou e perguntou:
- Está bem, mas esse almoço vai ficar pronto ou não?
- Está pronto, sim. Pode se sentar.
Vou lá ao quintal chamar o Gustavo.
Ele deve estar trepado na árvore.
- Ele se sentou, ela saiu e voltou logo depois acompanhada de Gustavo.
Almoçaram.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Abr 14, 2017 8:06 pm

NOTICIA INESPERADA
Sofia levantou os olhos do livro que tentava ler e viu à sua frente um cavalo se aproximando e sobre ele um homem, disse eufórica!
- Olhe lá, Stela, um homem está se aproximando.
Stela, ao ouvi-la, levantou os olhos e também viu o cavalo. Disse:
- Ainda bem dona Sofia, mas ele está a cavalo, como vai poder nos ajudar?
- Não sei, mas já é alguma coisa.
Se tiver uma corda, talvez o cavalo consiga nos tirar deste buraco.
- Vamos esperar que chegue.
Só assim poderemos saber.
Depois de alguns minutos, o homem se aproximou, olhou a água que estava por todo lado, com cuidado entrou e fez o cavalo parar junto à janela do lado de Stela, perguntou:
- Bom dia, moça. Encalhou né, moça?
Stela, embora morasse na cidade, havia sido criada na capital e não tinha muito contacto com pessoas que moravam na área rural, por isso estranhou um pouco a maneira como ele falava.
Olhou para Sofia e depois para o homem e respondeu:
- Bom dia, não sei como isso foi acontecer, quando cheguei vi a água, fiquei com medo de entrar, temendo justamente isso, mas como precisamos continuar, arrisquei e parece que não deu certo.
Será que o senhor pode nos ajudar?
- Acho que não, moça.
Meu cavalo não vai conseguir puxar o carro.
A única coisa que posso fazer é ir até a cidade e conseguir alguma ajuda.
Meu compadre tem um jipe, vou ver se ele pode vir ajudar à senhora.
- Faça isso, por favor.
Estamos ficando desesperadas.
O homem olhou para Sofia que também o olhava, sorriu e fez um movimento no cavalo que saiu andando.
Sofia e Stela ficaram vendo-o se afastar.
Quando não conseguiam mais ver o homem, Sofia perguntou:
- Será que ele vai mesmo nos ajudar, Stela?
Gusmão levou a mão em direcção à garganta de Stela que respondeu:
- Não sei, dona Sofia, mas por enquanto é a única esperança que temos.
Quanto mais o tempo passa, mais estou arrependida de ter vindo com a senhora.
- Pois não devia estar!
Estamos quase chegando, vamos até a casa do homem depois voltamos.
- Ainda bem que disse ao Maurício que ia sair com a senhora e não sabia se voltaria para o almoço.
- Disse aonde íamos?
- Claro que não, dona Sofia.
Ele não ia permitir.
Sabe como gosta do irmão e de Anita.
Ele sempre diz que eles se amam e que merecem a felicidade que demonstram.
- Maurício não sabe de nada!
Não sei como ainda não desconfiou de como aquela mulher é dissimulada e mentirosa!
- Não sei, dona Sofia.
Acho que a senhora tem raiva dela sem motivo.
Ela nunca me fez nada que me levasse a pensar assim.
Sabe que não temos uma grande convivência, mas todas as vezes que nos encontramos ela sempre foi gentil e atenciosa comigo e com as crianças.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Abr 14, 2017 8:07 pm

- Você também, Stela?
Não vai me dizer que gosta dela...
- Não gosto nem desgosto.
Acho que, por sua causa, nunca me aproximei o suficiente para conhecê-la melhor.
- Você acha que poderia ser diferente?
Claro que não!
Já disse que ela é dissimulada.
Pode ter certeza de que, enquanto sorri, está imaginando uma maneira de me ferir.
- Estou achando que isso já se transformou em paranóia, dona Sofia.
Gusmão sorriu e disse:
- Stela, com a nossa ajuda, está começando a enxergar o que tem feito de sua vida desde que começou a fazer tudo o que Sofia mandava.
Esta viagem, apesar de ter começado com o intuito de prejudicar Anita, está se tornando uma fonte de aprendizado para as duas.
Sofia acusa Anita daquilo que ela sempre foi dissimulada e mentirosa.
Como um dia fez um trabalho e achando que ele foi o responsável por ter se casado com você e, por consequência, sua vida ter mudado de uma forma radical, sabe, acha e acredita que Anita tenha feito à mesma coisa.
É igual àquele velho ditado: “quem usa, acusa”.
Ela sabe que, se teve coragem de fazer qualquer coisa para ter você, Anita também se precisasse, faria o mesmo.
Esperamos que durante a viagem e antes que cheguem, mude de ideia.
- Acredita que isso possa acontecer, Gusmão?
Parece que ela está mesmo determinada e que nada fará com que mude de ideia.
- Estamos aqui justamente para isso.
Este é o nosso trabalho, Pedro Henrique.
- Essa mudança de pensamento de Stela está acontecendo porque estamos aqui, mas e se não estivéssemos, acredita que o resultado seria o mesmo, Gusmão?
- O resultado não sei, mas a tentativa sim Maria Rita, pois se não estivéssemos, outros estariam.
Toda decisão, quando errada e que poderá trazer arrependimento, é sempre acompanhada pelo plano espiritual na tentativa de evitar um mal maior.
- Tomara que consigamos.
Sofia estava mais irritada ainda, pois começou a perceber que Stela estava mudando de atitude.
Para evitar que mais palavras fossem ditas e que elas brigassem, voltou seu olhar para o livro.
Stela percebeu e fez o mesmo.
Sabia que não tinham mais o que conversar.
Sofia começou novamente a relembrar seu passado.
Gusmão continuou contando:
- O tempo foi passando.
Fazia quase um ano que vocês estavam casados.
Ela, que sempre fora acostumada a uma vida de muito trabalho, aos poucos foi ficando entediada com tudo aquilo.
O deslumbramento inicial estava passando e ela já não achava a casa tão bonita e muito menos seu quarto.
Passava o dia sem ter o que fazer a não ser ler, mas até disso já estava enjoada.
Nadir vinha duas ou três vezes por semana visitar a filha, mas Sofia nunca mais voltou à sua casa antiga.
Odiava tudo aquilo e por isso, não queria nem chegar perto.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Abr 14, 2017 8:07 pm

Sempre se sentava em uma poltrona de vime que havia na varanda e pensava:
agora, sou uma outra pessoa, não pertenço mais àquele mundo!
Se não fosse minha mãe vir tanto aqui, eu já teria esquecido.
Poderia pedir ao Pedro Henrique que reformasse a casa.
Sei que ele não se incomodaria; mas não posso fazer isso, minha mãe descobriria que não é ele quem não me deixa ir até lá e isso eu não quero!
É melhor que as coisas continuem assim como estão.
Os almoços de domingo na casa de Maria Rita continuavam e sempre que Sofia estava lá, as irmãs de Pedro Henrique e você, Maria Rita, comentavam da última festa a que haviam comparecido, dos chás da tarde na companhia de outras senhoras e da nova roupa que haviam comprado.
Sofia ouvia tudo e ficava pensando:
por que não posso ter a mesma vida que elas?
Sou esposa de Pedro Henrique!
Pertenço a esta família!
- Pensava, mas não dizia.
Sabia que você não era muito chegado a essas coisas.
Era simples e gostava da vida na fazenda.
Aos poucos, ela foi ficando triste e não achava mais graça em nada na fazenda.
Dormia muito e não tinha ânimo para nada.
Em uma manhã em que estava sentada na sua poltrona de vime olhando para o horizonte, viu que sua mãe se aproximava.
Novamente sentiu aquele mal estar que sempre sentia quando a mãe vinha visitá-la.
Temia que ela o encontrasse, Pedro Henrique, e que você a recriminasse por não querer visitar sua mãe.
Mas isso dificilmente aconteceria, pois Nadir só vinha no horário em que sabia que você estava trabalhando.
Nadir se aproximou.
Estava cansada, pois embora a sua casa não ficasse longe da casa de Sofia, era uma boa caminhada.
Subiu os degraus da escada e sentou-se em outra poltrona ao lado da que Sofia estava sentada.
Respirando fundo, disse:
- Bom dia, Sofia.
Está tudo bem com você?
- Está, mãe. Tudo igual como estava no outro dia em que a senhora veio aqui...
- Nossa, Sofia, que cara é essa?
Que aconteceu? O Pedro Henrique a maltratou?
- Não, mãe! Claro que não!
Ele é um marido perfeito!
Perfeito até demais!
- Então, por que essa cara? Você tem tudo para ser feliz!
- Deveria ter, mas não tenho...
- Como não? Tem esta casa linda!
Pessoas que a servem e acho que Pedro Henrique atende a todos os seus desejos.
O que mais pode querer?
- Está certo que tenho hoje o que nunca imaginei, mas agora que cheguei até aqui, queria e sei que posso realizar outros sonhos.
- Que sonhos? O que está lhe faltando?
- Queria ser uma dama da sociedade, frequentar as festas e ser admirada por todos.
Isso sim que deve ser uma vida feliz!
Não esta que estou tendo aqui na fazenda, neste fim de mundo!
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Abr 14, 2017 8:07 pm

Não sei como Pedro Henrique pode gostar tanto daqui!
Ele é um marido perfeito, pena que não goste de festas nem de roupas bonitas.
Quando reclamo, ele diz:
- Você não precisa ter outras roupas mais bonitas, você é linda por natureza!
- Nisso ele tem razão, você é mesmo muito bonita!
- Sei que sou bonita, mas poderei ficar mais bonita ainda com belas roupas.
Se eu morasse na cidade, poderia andar sempre de salto alto, com o cabelo arrumado e maquiada.
Sei que isso é quase impossível de acontecer.
Pedro Henrique nunca vai querer morar na cidade.
Ele ama tudo aqui.
- Nadir não conseguia acreditar no que estava ouvindo, disse, nervosa:
- Não pode estar falando sério, Sofia!
Não consigo acreditar!
Sempre tive vontade de ser uma mulher rica, assim como você é hoje e se tivesse tido a mesma sorte que você, não ia reclamar nunca!
Nunca mesmo!
- Talvez a senhora tenha razão, mas é mais forte que eu.
Estou cansada desta vida.
Como pode dizer isso, Sofia?
Tem uma casa linda, vive como uma princesa e, além disso, tem um marido que apesar de não querer você perto da gente, trata-a muito bem!
Não consigo entender...
Não consigo mesmo...
- Também às vezes não consigo, mas é isso que estou sentindo neste momento.
Pedro Henrique é bom demais, mãe.
Queria que ele me desse um motivo para brigar, mas ele não dá!
Isso me deixa nervosa!
- Você deve estar ficando louca, Sofia!
Acho que precisa ir a uma igreja se benzer!
Onde já se viu uma coisa dessas!
Uma mulher reclamar porque o marido a trata com carinho?
- Sei disso mãe, também não entendo, mas apesar de ele me tratar com carinho, insiste em continuar morando aqui e não era isso que eu queria para minha vida!
Sempre quis ir embora deste lugar!
Sempre quis estudar, se alguém!
- Você já conversou com ele a esse respeito?
- Não...
- Por que não?
- Não adianta, sei que ele não quer morar na cidade!
Ele gosta muito daqui, desta vida...
- Converse com ele, Sofia, diga o que está sentindo, talvez ele entenda e mude de ideia.
- Vou tentar, mas sei que não vai adiantar, mãe.
- A dona Maria Rita sabe o que está acontecendo?
- Não, ela desde que voltamos da viagem nunca mais veio até aqui e eu só a vejo nos domingos, quando a gente vai almoçar lá.
- Ela não está mais se metendo na sua vida?
Escolhendo as coisas para sua casa, como fez antes do casamento?
- Não, nunca mais disse nada.
Só disse que como o Pedro Henrique está feliz, para ela está tudo bem.
- Como ela trata você?
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Abr 14, 2017 8:07 pm

- Muito bem, mãe.
Quando estou na casa dela não consigo conversar.
Ela e as irmãs do Pedro Henrique falam das festas e dos vestidos que compraram.
Eu fico junto delas calada, com medo de dizer alguma palavra errada.
Elas até que no começo insistiram em conversar, mas como eu só respondia com um sim ou um não, pararam de falar comigo e só falam o necessário.
Tenho muito medo de
envergonhar o Pedro Henrique...
- Isso não está certo, Sofia!
Você agora faz parte da família!
Todos sabem quem você é e a aceitaram!
Você tem de se esforçar pra demonstrar que não se sente inferior!
- Sei que sou inferior, mãe!
- Você não é inferior, Sofia!
Apesar de não ter muita escola, sempre leu muito e sabe falar bem.
Além do mais, ele a escolheu pra ser sua mulher!
Deixa disso! Durante toda nossa vida temos sempre dois caminhos para seguir.
O certo e o errado. Não existe outro.
Você precisa escolher que caminho quer tomar.
- Não sei, mãe.
Sei que deveria estar feliz.
Sempre soube que a minha vida seria diferente da que a senhora teve, mas nunca imaginei que fosse assim.
Por isso, não entendo por que não estou feliz.
Não sei qual é o caminho certo...
- Como não sabe, Sofia?
Você não gosta do Pedro Henrique?
- Não sei...
- O que está dizendo? Como não sabe?
- No começo achei que gostava.
Depois, quando soube quem ele era, percebi que ficaria rica se me casasse com ele.
Hoje que consegui, não sei se valeu à pena meu sacrifício...
- Está dizendo que viver em uma casa como esta, com um marido que a adora, é um sacrifício?
Você está louca mesmo, Sofia!
Precisa ir a um médico ou à igreja se benzer!
- Não estou louca, mãe!
Só estou entediada!
- Entediada? Entediada?
Está precisando arrumar alguma coisa pra fazer!
Já está a quase um ano casada e até agora não teve um filho!
É isso que está faltando na sua vida!
Quando tiver uma criança pra cuidar, não vai ter tempo de pensar nessas bobagens!
- Crianças? – Sofia perguntou, indignada.
A senhora é quem está louca!
Não quero estragar o meu corpo e muito menos ficar presa, cuidando de uma criança!
- Pois eu acho que é isso que está faltando em sua vida.
Algo para fazer, alguém com quem se preocupar que não seja você mesma!
- Nem pensar, mãe! Nem pensar!
- Está bem, sei que não posso mais interferir em sua vida.
Você agora é uma mulher casada e deve resolver seus problemas com seu marido.
Se ele não fosse tão orgulhoso e não quisesse afastar você da gente, eu mesma conversaria, mas já que ele não aceita a gente como família não tenho o que fazer, a não ser rezar para que recupere o seu juízo.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Abr 14, 2017 8:08 pm

- Não se preocupe, mãe, estou bem.
Isso que estou sentindo vai passar.
Vou conversar com Pedro Henrique e ver se consigo convencê-lo a ir morar na cidade.
Por favor, não converse com ele.
Isso só iria piorar tudo.
- Está bem, tomara que consiga superar tudo isso.
Pense bem na vida que tem e na que tinha.
Não deixe tudo isso escapar.
- Pode ficar calma.
Tudo vai se arranjar.
- Tomara que se arranje mesmo.
Vim aqui pra contar-lhe uma coisa e quando a vi assim, esqueci.
- Contar o quê?
- Você não imagina quem convidou a gente pro casamento!
- Quem, mãe?
- O Osmar foi lá em casa convidar a gente pro casamento.
- O Osmar vai se casar? – Sofia perguntou, gritando.
- Vai, sim. Imagine, parecia que gostava tanto de você.
- Ele não pode fazer isso, mãe!
- Não pode, por quê?
- Ele sempre disse que gostava de mim e que nunca se casaria com ninguém.
Você se casou, Sofia!
O que queria que ele fizesse, ficasse solteiro pro resto da vida?
- Eu me casei porque queria mudar de vida, mas nunca disse que não gostava do Osmar, mãe!
Nunca pensei que ele me esquecesse tão rapidamente!
Ele não podia ter feito isso!
- Talvez ele tenha pensado o mesmo que você, também quer mudar de vida.
- Por que está dizendo isso?
- Ele vai se casar com a Beatriz Lins de Souza e Souza.
- Sofia ficou pálida e perguntou, ainda descontrolada. – continuou Gusmão.
- A filha do dono de todas aquelas lojas?
A família dela é muito rica!
- Ela mesma. Eu e seu pai também ficamos abismados.
Nunca pensamos que ele poderia se casar com uma moça como aquela.
A família dela é muito rica!
É verdade, Sofia se não for mais rica do que o prefeito, é igual!
A família, além de todas aquelas lojas, tem várias propriedades e fazendas de gado de leite e corte.
O Osmar, casando-se com ela, será igual ou até mais rico do que você.
- Não pode ser, mãe!
Como ele se aproximou dela?
- Isso eu não sei, só sei que o casamento vai ser no dia vinte e cinco do mês que vem.
Sofia ficou desesperada.
Como sempre, só pensou em si mesma, não podia admitir que Osmar houvesse tido tanta sorte.
Não quis se casar com ele, mas não queria que se casasse com outra, muito menos com uma moça tão rica e bonita – disse Gusmão.
Nadir não entendeu aquela reacção de Sofia e depois de algum tempo, foi embora.
Sofia ficou irritada e pensou:
- Estou muito triste, nunca pensei que ele fizesse isso.
Assim como Nadir, também não entendo essa reacção, Gusmão.
Estávamos casados e para mim parecia que tudo corria bem.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Abr 14, 2017 8:08 pm

Nunca imaginei que ela estivesse entediada ou que ainda pensasse em Osmar.
Sabia como sua vida havia mudado e pensava que agora, vivendo muito melhor, fosse feliz.
- Estava enganado, Pedro Henrique, ela estava entediada, triste e agora com a notícia que Nadir lhe trouxera, ficou decepcionada e com muita raiva.
- Gusmão, não estou entendendo por que está me contando tudo isso.
Confesso que estou ficando com muita raiva de Sofia e esse é um sentimento que não sentia desde que cheguei ao plano espiritual.
- Também estou sentindo isso, Gusmão.
Quando Sofia se casou, fiquei feliz e nunca poderia imaginar que ela era infeliz e pensava em outro homem.
Pedro Henrique sempre foi o melhor marido do mundo, só se comparando com o pai.
Não quero sentir o que estou sentindo.
Maria Rita disse, também muito nervosa.
- Sabia que esse sentimento poderia aflorar em vocês, mas já lhes disse que estamos aqui para tentar ajudar Sofia a modificar seu comportamento.
Não seria justo que a ajudassem sem saber o que ela fez realmente, de certo e de errado.
Como estão vendo, toda a dificuldade que está enfrentando nesta viagem está servindo como oportunidade de repensar sua vida, se arrepender dos muitos erros que teve e mudar sua faixa de pensamento.
Só assim, ela poderá nos acompanhar para esferas mais altas, para missões de socorro.
Do contrário, terá de continuar a jornada sem a nossa companhia.
- Já havíamos concordado em não deixá-la sozinha.
- Sim, Maria Rita isso é verdade, mas não podem atrasar a sua caminhada sem saber se realmente ela merece que esse sacrifício seja feito.
Outros chegarão aqui para nos acompanhar nessas lembranças.
No final, depois de tudo esclarecido, resolveremos o que fazer.
- Está bem, Gusmão.
Acredito que saiba o que está fazendo.
O que mais Sofia fez?
- Vou continuar contando, mas acho melhor que antes de recomeçar, façamos uma oração para nos acalmarmos, pois o que vem por aí é bem pior e vocês nunca imaginaram.
- Também acho que seja o melhor.
Estou sentindo que todos nós precisamos de ajuda para não nos desviarmos da faixa de pensamento em que nos encontramos.
Entraram em oração.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Abr 14, 2017 8:08 pm

REVELAÇÕES
Após terminarem a oração e Gusmão perceber que eles estavam tranquilos, olharam para Sofia que no carro, continuava tentando ler.
Ela se lembrou daquele dia em que soube que Osmar ia se casar, ficou mais nervosa do que estava, disse:
- Stela, já faz um bom tempo que aquele homem passou por aqui.
Será que ele vai trazer ajuda?
- Tomara que sim, dona Sofia, pois se ele não voltar, não sei por quanto tempo vamos ficar aqui.
Impotente com aquela situação, Sofia voltou a olhar para a página do livro que estava lendo, mas mesmo sem querer e sob a influência de Gusmão, continuou pensando:
Eu não podia aceitar aquilo!
Osmar não poderia se casar com ninguém, muito menos com uma moça rica como Beatriz.
Precisava fazer alguma coisa e fiz!
- O que ela fez, Gusmão!
- Tudo isso aconteceu no tempo em que seu pai ficou doente, você se lembra, Pedro Henrique?
- Sim, ele teve um problema muito sério no coração.
Na cidade não havia recursos para o tratamento, por isso eu o acompanhei até a capital.
- Sim, isso aconteceu e você ficou por lá por mais de dois meses, não foi?
Depois daquele dia em que Nadir lhe contou sobre o casamento de Osmar, Sofia não pensava em outra coisa.
No mesmo dia em que pela manhã, você partiu acompanhando seu pai, ela à tarde foi até o sitio de Osmar.
Não sabia se ele ainda estava trabalhando, mas mesmo assim, tentou.
Quando chegou e olhou em direcção à plantação, não viu ninguém.
Foi em direcção à casa que seria deles quando se casassem.
Ao ver a casa ficou emocionada, pois estava pronta, pintada de branco e muito bonita.
Ela se aproximou, bateu à porta que estava aberta.
Osmar saiu da cozinha onde estava tomando café e se admirou ao vê-la lá, perguntou:
- O que está fazendo aqui, Sofia?
- Precisamos conversar, Osmar.
- Não temos nada para conversar.
- Temos sim! – ela disse, transtornada.
- Não, Sofia, não temos!
- Minha mãe me disse que você vai se casar.
Quero saber se é verdade?
- É verdade, só não entendo o que você tem a ver com isso.
- Você não pode se casar, Osmar!
- Não posso, por quê?
- Sempre disse que gostava de mim e que não se casaria com ninguém que não fosse eu!
Osmar, a princípio, ficou olhando para ela sem entender o que estava acontecendo.
Depois, começou a rir.
Ela, nervosa ao ver sua reacção, gritou:
- Por que está rindo, Osmar?
- Não entendo você, Sofia.
Tem razão, sempre disse que gostava de você e que queria me casar, tanto isso é verdade que construí esta casa, mas você não quis, você me abandonou, fazendo com que eu ficasse em uma situação muito difícil perante meus amigos e minha família.
Agora, vem com essa conversa.
Não estou entendendo, não está feliz com seu marido rico?
Não está feliz com a vida que leva?
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Abr 14, 2017 8:08 pm

- Sei que errei, devia ter ficado com você, só quando minha mãe me contou que você ia se casar foi que descobri isso.
Não quero que se case, Osmar!
- Quer o quê?
Que eu fique solteiro para o resto da minha vida, esperando que seu marido morra?
Não, Sofia, desde criança fui apaixonado por você, sempre achei que a gente ia se casar e ser feliz, mas me enganei.
Agora que conheci Beatriz,
descobri o que é o verdadeiro amor.
Vou me casar e sei que vou ser muito feliz.
Agora, descobri que estive enganado esse tempo todo.
Se ele tivesse tido algum aprendizado, quando chegou deste lado tudo teria sido mais fácil.
Saberia que aquela situação era de momento, pois todos, inclusive Sofia, também um dia chegariam.
- Isso é verdade, quando ele chegou demorou muito para aceitar.
Tivemos muito trabalho para convencê-lo de que estava tudo certo e bem.
Hoje, depois de tanto tempo, ele estava muito bem e ficou feliz por poder nos acompanhar.
Agora, ele está sofrendo e poderá se revoltar novamente.
Não precisava ter contado, Gusmão.
Ele estava preparado para, ao nosso lado, seguir para outra esfera da espiritualidade.
Agora, já não sei...
- Como você disse, acompanhei tudo e pensei que ele estivesse preparado para continuar a caminhada, mas será que estava mesmo, Maria Rita?
Será que ele já deixou de lado todos os sentimentos de ódio e apego?
Não sei. Por isso, ele precisava saber como tudo aconteceu realmente.
Precisava conhecer a verdadeira Sofia para poder decidir se quer continuar a seu lado ou seguir.
Por isso, também ele neste momento, precisa ficar sozinho e decidir que caminho quer tomar.
Ele tem esse direito e não podemos evitar nem interferir.
Só ele pode decidir o que vai fazer.
- É muito difícil, Gusmão.
Eu mesma, que achava já ter superado todos esses sentimentos, confesso que também fiquei com raiva de Sofia.
Sei que isso não deveria acontecer, mas aconteceu.
- Essas revelações estão servindo de teste para todos nós, Maria Rita.
Vamos ver se nós também estamos preparados e esperar que Pedro Henrique reflicta bem e quando voltar saberemos se ele está pronto para ouvir o resto.
- Ainda tem mais, Gusmão?
- Sim, muito mais, Maria Rita e prepare-se, pois o que ouvirá talvez faça com que os sentimentos aflorem com mais força.
- Estou ficando com medo, Gusmão...
- Medo do quê, Maria Rita?
- De não estar preparada para seguir em frente, de ainda ter de renascer muitas vezes para conseguir superar os sentimentos destrutivos do espírito.
- É um risco que corremos; Maria Rita.
Por enquanto, vamos orar pedindo ajuda para todos nós...
Assim fizeram.
Colocaram-se em oração.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Abr 14, 2017 8:09 pm

CRIME PLANEADO
Pedro Henrique correu muito.
Não conseguia evitar as lágrimas que corriam por seu rosto.
Sua vida toda ao lado de Sofia, passou por seu pensamento.
Chorou muito, tentou colocar os pensamentos em ordem.
Quando morreu não conhecia nada sobre a vida espiritual, mas agora conhecia.
Sabia que todos os espíritos têm muitas oportunidades para entenderem e resgatarem aquilo que para eles, é considerado como erro.
Aprendeu que, para Deus, o erro não existe, o que existe são apenas aprendizados.
Sabia tudo isso, mas naquele momento após aquelas revelações, estava sendo muito difícil aceitar.
Continuou ali, olhando para a imensa plantação de cana de açúcar.
O sol estava forte e seus raios faziam com que a plantação tivesse um brilho estonteante e maravilhoso, demonstrando uma das maravilhas da criação.
Enquanto isso, Sofia, sem imaginar o que estava acontecendo, continuava dentro do carro esperando pela ajuda para poder sair daquele buraco onde o carro encalhara.
Levantou os olhos do livro que tentava ler e disse:
- Stela, o homem está demorando muito.
Acho que ele não vai conseguir ajuda.
Stela também levantou os olhos do livro, olhou para Sofia e respondeu:
- Tomara que ele volte, dona Sofia.
Também não faz tanto tempo assim.
Não se passaram nem quinze minutos.
A senhora sabe quanto tempo ficamos na estrada depois que passamos pelo centro da cidade e estamos de carro.
Imagine quanto tempo ele vai demorar estando a cavalo!
Vamos ter paciência.
A única coisa que precisamos fazer é esperar e rezar para que ele volte.
Ao ouvir aquilo, Sofia pensou: rezar?
Quanto tempo faz que não rezo?
Acho que a última vez foi quando eu era ainda uma criança e meu cachorrinho ficou doente.
Mesmo depois de rezar muito ele morreu e eu nunca mais rezei.
Nunca pensei ou tive tempo para rezar.
Minha vida tomava todo o meu tempo.
Além disso, depois de tudo o que fiz, será que Deus ouviria as minhas orações?
Acho que não. Ele não me ouviu quando meu cachorrinho morreu, por que ouviria agora?
Voltou novamente os olhos para o livro.
Pedro Henrique, após chorar e pensar muito voltou para o carro e sentou-se.
Olhou para a mãe e Gusmão e disse:
- Desculpem-me pelo meu comportamento, mas não consegui me conter.
Tudo o que ouvi me deixou transtornado.
Sei que isso não devia acontecer, mas aconteceu.
- Tudo bem, Pedro Henrique, mas como você está agora?
- Mais calmo, mas sinto que não posso ir para uma esfera mais alta da espiritualidade, ainda não estou pronto.
- Por que está dizendo isso?
- Ora, Gusmão, como posso seguir se ainda estou preso a sentimentos destrutivos?
- Isso aconteceu e acontecerá muitas vezes com todos os espíritos a caminho da Luz.
O espírito, por mais que tenha aprendido e recebido luz, sempre encontrará à sua frente problemas com outros a quem ama e muitas vezes, se deixará envolver.
Por isso, é preciso estar alerta e vigiar sempre.
Jesus já nos ensinou isso há muito, muito tempo, não foi?
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Abr 14, 2017 8:09 pm

- É verdade... é verdade...
- Como vê, Pedro Henrique, o que aconteceu com você estava previsto.
Viemos até aqui para tentar fazer com que Sofia, que pertence ao nosso grupo há muito tempo, possa nos acompanhar a esferas mais altas, mas para que isso seja possível, é necessário que esteja à altura.
Sei que você há muitas encarnações, esteve ao lado dela dando-lhe o apoio que ela nunca reconheceu, mas desta vez, talvez seja a última e você, só você, deverá decidir o que deseja.
- Confesso que estou confuso, Gusmão e queria pedir, se fosse possível, para deixarmos para outro dia.
Sei que não deveria, mas não estou conseguindo perdoar e entender por que ela me enganou dessa maneira.
- Está bem, vamos deixar para outro dia o resto.
Peço que se prepare, através de muita oração, pois o que tem para ouvir é muito grave, muito mais do que possa imaginar.
- Estou preocupado, Gusmão.
- Por que, Pedro Henrique?
- Achei que já tinha ouvido tudo e não consigo imaginar que haja algo pior.
- Infelizmente há.
Mas é preciso que conheça toda a verdade, pois só assim poderá tomar uma decisão da qual não se arrependa depois.
- Sendo assim, acredito que não devemos esperar.
Já que preciso tomar uma decisão, é melhor que tudo seja esclarecido o mais rápido possível.
Estou pronto para conhecer o resto.
Confesso que, depois do que ouvi, nada mais poderá me afectar.
- Receio que esteja errado, mas já que tem de ser feito, que seja. Vou continuar.
Maria Rita e Pedro Henrique acomodaram-se no assento do carro.
Gusmão começou a falar:
- Naquela tarde, quando saiu da casa de Osmar, estava ao mesmo tempo feliz e desesperada.
Feliz por ter a certeza de que ele ainda gostava dela e infeliz por saber que havia cometido algo errado.
Osmar também por sua vez, não estava entendendo o que havia acontecido.
Feliz por ver Sofia em seus braços e triste por ter enganado a noiva de quem pensava gostar.
Os sentimentos estavam confusos.
Ambos prometeram a si mesmos que aquilo não tornaria a se repetir.
- Não se repetiu, Gusmão?
- A vontade era essa, mas o desejo foi maior.
Daquele dia em diante, Sofia, todos os fins de tarde, montava em seu cavalo e ia ao encontro de Osmar que, a principio, tentou evitar, mas não conseguiu.
Embora não quisesse admitir, amava Sofia com todas as forças de seu coração.
- Continuou, Gusmão? – Pedro Henrique perguntou, com lágrimas nos olhos.
- Sim, até o dia em que você retornou e haviam se passado quase dois meses.
Em uma das vezes, após terminarem de se amar, Osmar disse:
- Não podemos continuar nos vendo, Sofia.
- Por que, Osmar?
- Está se aproximando o dia do meu casamento e você está casada.
Isso está errado, precisamos parar...
- Você não pode se casar, Osmar.
Você ainda gosta de mim e não vai ser feliz!
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Abr 14, 2017 8:09 pm

- Até certo ponto você tem razão, mas não existe alternativa.
Talvez não goste de Beatriz como gosto de você, mas sinto por ela um carinho imenso e sei que se me esforçar, poderei ser muito feliz.
O que não está certo é continuarmos nos enganando e enganando aos dois.
Esta foi à última vez.
- Você está errado, Osmar!
Podemos ficar juntos, a gente pode ser feliz.
Quando Pedro Henrique voltar, vou lhe dizer que não gosto mais dele e que quero a separação!
- Vai fazer isso, Sofia?
- Vou, Osmar. Não vou conseguir viver ao lado dele tendo a certeza de que não gosto mais.
Preciso fazer isso e vou fazer!
- Pense bem, Sofia.
A meu lado vai ter de viver aqui para sempre e morar nesta casa simples.
Não vai ter ninguém para servir você e, ao contrário, vai ter de fazer todo o serviço da casa.
Não sei se vai se acostumar com isso.
- Nada disso importa, já percebi que o dinheiro, a boa casa e a boa vida não trazem a felicidade.
Nunca me senti tão feliz nos braços de Pedro Henrique como me sinto com você e isso não tem preço.
Gosto de você e quero viver ao seu lado para sempre.
- Isso não aconteceu, Gusmão.
Quando a voltei me recebeu com beijos e abraços que, para mim, eram de saudade.
Eu estava ansioso para voltar.
Meu pai, depois de um longo tratamento melhorou e por isso os médicos que o atendiam deram-lhe alta e pudemos voltar.
Lembro-me como se fosse hoje, da felicidade que senti por estar novamente em casa e ao lado de Sofia.
- Sim, isso realmente aconteceu.
Sofia, embora estivesse feliz com sua volta, também ficou preocupada, pois não poderia mais se encontrar com Osmar.
Mesmo assim, recebeu você com muito carinho.
Tanto que você nunca poderia imaginar o que havia acontecido.
- Não poderia mesmo.
- Um dia antes de você voltar, quando estava retornando da casa de Osmar, encontrou Gustavo que vinha do rio carregando uma vara de pesca.
Ela sabia que, para que ele voltasse do rio, teria de passar pela casa de Osmar.
Preocupada, parou o cavalo e perguntou ao menino:
- Estava pescando, Gustavo?
- Estava, Sofia, olha quanto peixe pesquei.
Hoje a mãe vai poder fritar e a gente vai comer muito bem.
- Que bom que pescou bastante.
- O que você estava fazendo na casa do Osmar, Sofia?
- Eu não estava lá...
- Claro que estava, vi seu cavalo parado na frente da porta.
Não tinha certeza se era o seu cavalo, mas agora estou vendo que era ele mesmo.
- Você está enganado, Gustavo.
Deve ser um cavalo igual ao meu. Eu não estava lá.
- O menino olhou para ela e para o cavalo repetidas vezes.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Abr 14, 2017 8:09 pm

Depois, passando a mão pela testa, disse:
- Não sei não... mas acho que era o seu cavalo sim...
- Não era não, Gustavo.
- Sofia, muito nervosa disse isso e com a espora fez com que o cavalo saísse em disparada.
Gustavo, sem entender por que ela estava tão nervosa, continuou andando em direcção à sua casa.
- Gusmão, por favor, diga que aquilo que estou pensando não aconteceu...
- Infelizmente, acredito que não vou poder atender a isso que está me pedindo, Pedro Henrique.
- Não pode ser, Gusmão ela não pode ter feito uma coisa como essa!
- Ela fez, Pedro Henrique... ela fez...
- Estão falando do quê? – Maria Rita perguntou, assustada ao notar a tristeza nos olhos deles.
- Logo saberá, Maria Rita.
Naquela mesma noite, sabendo que você chegaria no dia seguinte, Sofia foi se deitar, mas não conseguia dormir.
Sabia que com a sua volta, precisava tomar uma decisão.
Sabia que a decisão mais certa era a de lhe contar toda a verdade, pedir a separação para assim, poder ficar ao lado de Osmar a quem sabia amar realmente.
Não conseguiu dormir por muito tempo.
Pensou nas consequências de seu acto.
Sabia, como Osmar havia dito, que se houvesse a separação, haveria um custo.
Teria de voltar a ter a mesma vida da qual fez questão de fugir.
Teria de viver na pobreza e na esperança de um dia, ele conseguir montar a distribuição de frutas e legumes com que tanto sonhava.
Ela poderia ser feliz ao lado dele por quanto tempo?
Seria feliz mesmo sem dinheiro, após ter conhecido uma vida de riqueza?
Desesperada, pensou: não posso fazer isso!
Sei que meu amor por Osmar não vai resistir à pobreza e a vida sacrificada.
Não posso abandonar Pedro Henrique e tudo o quer ele pode me dar.
Nunca mais vou procurar o Osmar.
Ele que se case e seja feliz.
O preço é muito alto e eu não estou disposta a pagar.
Vou continuar com Pedro Henrique...
Gusmão sorriu e com a voz triste, continuou:
- Após tomar essa decisão, lembrou-se de que Gustavo a havia visto na casa de Osmar.
Ficou com medo e à tarde, quando você saiu para ver como estava tudo na fazenda, ela montou no cavalo e foi até a casa de Romeu.
Sabia que naquela hora Gustavo estaria em casa sozinho, pois Nadir deveria estar na roça ao lado do marido.
Tinha razão. Assim que chegou encontrou Gustavo, que estava pegando a vara de pescar.
Quando a viu, perguntou admirado:
- O que está fazendo aqui, Sofia?
- Vim ver como vocês estão.
A mãe está em casa?
- Não, ela está lá na roça com o pai.
- Ela se aproximou do menino e perguntou com a voz carinhosa:
- Gustavo, você contou pra mãe que viu meu cavalo na casa do Osmar?
- Não, até me esqueci, mas por que está perguntando isso?
- Por nada. Não conta, estou combinando com o Osmar pra gente fazer uma festa surpresa no aniversário da mãe.
Ela não pode saber.
Promete que não vai estragar a surpresa?
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sex Abr 14, 2017 8:10 pm

- Se é para ter uma festa não vou contar.
Eu não ia contar mesmo.
O que quero mesmo é ir pescar.
- Já que você não vai estragar a festa, vou lhe dar uma vara de pesca nova.
Igual àquela que o Pedro Henrique usa, você quer?
- Claro que quero, Sofia!
- Amanhã eu volto com a vara, está bem assim?
- Você não pode imaginar como estou feliz!
Obrigado, Sofia.
- Sofia sorriu e disse:
- Agora vou até a roça conversar com o pai e com a mãe. Quer ir também?
- Não, vou pescar! Tchau, Sofia.
- Tchau, Gustavo, tomara que pesque muito!
Eu trouxe para você um pedaço de bolo de chocolate, sei que gosta muito!
- Agora não estou com vontade de comer.
- Leve e enquanto estiver pescando, sei que vai ficar com fome.
- Acho que vou mesmo.
Agora preciso ir. Tem muito peixe lá no rio.
- Gustavo saiu carregando a vara de pescar.
Sofia, com os olhos o acompanhou até que desaparecesse.
Depois, foi até a roça encontrar com os pais, que se admiraram por vê-la ali.
Nadir, ao vê-la, perguntou intrigada:
- O que está fazendo aqui, Sofia?
- O Pedro Henrique voltou, mãe!
- Que bom, como está o pai dele?
- Parece que está fora de perigo, só vai ter de continuar tomando os remédios.
- Também estou estranhando, desde que se casou nunca mais voltou pra visitar a gente.
O que está acontecendo, Sofia?
- Não está acontecendo nada, pai.
O Pedro Henrique quer no domingo, fazer um churrasco e pediu que eu viesse até aqui para convidar o senhor, a mãe e o Gustavo.
Vai ser uma festa muito boa.
- Ele fez isso?
Ele quer que a gente vá mesmo?
- Claro que quer, mãe.
Ele está muito feliz por seu pai estar bem e por ter voltado para casa.
Quer que todos os parentes e amigos venham para a festa.
- Não sei não, isso está estranho.
Ele nunca quis se misturar com a gente...
- Isso já passou, mãe.
Ele agora, depois de quase perder o pai, entendeu como me sinto por ficar longe da minha família e quer consertar tudo o que fez de errado.
Quer mesmo que a senhora, o pai e o Gustavo vão à festa.
- Está bem, vou pensar, conversar com sua mãe e vamos ver o que a gente vai fazer.
- Não tem o que pensar, pai!
Só precisa ir, comer e beber muito!
- Romeu ficou calado.
Sofia beijou os dois e voltou para casa, onde havia deixado o cavalo, olhou em direcção ao rio e foi embora.
Maria Rita arregalou os olhos e disse:
- Agora estou entendendo por que você ficou desconfiado, Pedro Henrique.
Ela não pode ter feito aquilo!
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 15, 2017 8:12 pm

- Ela fez, mamãe, ela fez...
- Infelizmente fez.
Você se lembra daquela noite, Pedro Henrique?
- Como poderia me esquecer, Gusmão?
Estávamos jantando quando Romeu chegou desesperado em casa.
Ele estava muito cansado, pois viera correndo da sua casa até a nossa e quase não conseguia falar.
Ao vê-lo naquele estado, assustado perguntei:
- Que aconteceu, seu Romeu?
- O Gustavo não voltou para o jantar.
Eu fui procurar e encontrei-o perto do rio.
Ele está muito mal, preciso ir pra cidade, mas não pode ser a cavalo, vim até aqui ver se você pode me levar no seu jipe!
- Fiquei apavorado e no mesmo instante, fui acompanhado por ele até a garagem, peguei meu jipe e fomos até a sua casa.
- Foi assim mesmo que aconteceu.
Você sequer perguntou o que Romeu achava que havia acontecido e saíram em disparada.
Sofia, apavorada, ficou em casa, morrendo de medo de que Gustavo contasse que ela havia estado lá e lhe dado o bolo de chocolate, pois fora ela quem o havia preparado e colocado no meio um veneno muito forte que você usava na fazenda.
Estava tão apavorada que não teve coragem de pedir para ir junto.
- Agora estou me lembrando daquela noite.
Vi que ela chorava muito, mas pensei que fosse por causa do irmão, não por medo.
- Mas era de medo, sim.
Com medo de ser descoberta na sua traição com Osmar, ela decidiu matar o menino.
- Não pode ser, Gusmão!
- Não poderia ser, mas foi, Maria Rita.
- Quando eu e o senhor Romeu chegamos a sua casa, percebi que não havia mais nada para ser feito.
O menino estava morto. Foi um desespero enorme.
Nadir chorava muito abraçada ao filho.
Romeu saiu de casa, foi para o quintal e também começou a chorar sem parar.
Logo em seguida, Sofia chegou montada no cavalo, desceu e, correndo, entrou em casa.
Precisava ver se Gustavo tinha dito alguma coisa.
Ao ver que ele estava morto, respirou fundo e começou a gritar, demonstrando muita dor.
Eu a abracei, dizendo:
- Não fique assim, Sofia.
- O que aconteceu, Pedro Henrique?
Ele não disse nada?
- Não sei, Sofia.
Quando chegamos, ele já estava morto.
Não tenho a menor ideia.
- Sofia se aproximou da mãe, para ver se ela sabia de alguma coisa.
Abraçando-a, perguntou:
- Que aconteceu, mãe?
- Nadir, chorando desesperada, respondeu:
- Não sei, Sofia.
Na hora do almoço ele estava muito bem.
Disse que ia pescar e trazer muito peixe pra eu fritar na hora da janta.
- Ele não disse nada?
- Não, quando seu pai o encontrou, embora estivesse vivo, já estava desmaiado.
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Ave sem Ninho

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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 15, 2017 8:12 pm

Seu pai pegou-o no colo, veio aqui pra casa e foi até a sua casa pedir ajuda.
Quando eles voltaram com o jipe, Gustavo já estava morto.
- O que a senhora acha que aconteceu?
- Não sei, pode ter sido picado por algum bicho ou comido alguma erva venenosa. Não sei.
- Sofia continuou chorando, não de dor pela morte do irmão, mas com medo de que descobrissem ter sido ela a culpada, aquela que deu o veneno para o menino. – Gusmão continuou falando – Ela estava apavorada.
Você há consolou o tempo todo, Pedro Henrique.
- Sim, eu entendia todo aquele sofrimento.
Não sabia, até hoje, que Gustavo não era seu irmão legitimo, para mim ele era o único irmão que ela tinha e, portanto, devia gostar muito dele.
- Também fui avisada e como todos, fiquei chocada com aquela tragédia e também com pena de Sofia e de sua família.
Nunca poderia imaginar que Sofia havia sido a responsável por aquela tragédia.
- Você nem ninguém Maria Rita.
A cidade era pequena, não havia histórias de crimes, por isso só havia dois soldados e um único médico que cuidavam de todos.
Como ninguém desconfiasse do crime, o médico deu o atestado de óbito, dizendo que Gustavo havia morrido por picada de algum bicho.
O corpo foi velado na sua casa, Pedro Henrique.
- Sim, durante o tempo todo Sofia ficou acordada o que para todos foi considerado um ato de amor, mas na realidade não era.
Ela queria ter a certeza de que ninguém descobrisse o que realmente havia acontecido.
Osmar e toda sua família compareceram ao enterro.
Assim que chegou, cumprimentou Romeu, Nadir e Sofia, que o recebeu com frieza e àquela hora ele percebeu que, com sua volta, tudo entre ele e Sofia havia terminado.
Percebeu que ela não deixaria a segurança que tinha vivendo ao seu lado, Pedro Henrique, por uma vida incerta ao lado dele.
Saiu dali com a certeza de que toda aquela loucura havia terminado e que deveria se casar com Beatriz e tentar ser feliz.
O enterro foi realizado e depois, todos voltaram para suas casas.
Sofia entrou em casa e foi tomar um banho.
Esteve o tempo todo sobre uma tensão muito forte, agora poderia descansar aliviada.
- Gusmão, essa não é a Sofia que conheci e com quem fiquei casado por tanto tempo.
Jamais poderia imaginar que ela fosse capaz de cometer um crime tão bárbaro.
O pior é que ficou impune.
Nunca ninguém desconfiou de coisa alguma.
Isso não pode ser, Gusmão!
Ela precisa ser desmascarada!
Precisa pagar por tudo o que fez!
- Embora, perante as leis dos homens, ela não tenha sido descoberta e tenha ficado impune, pelas leis de Deus será condenada e terá de pagar.
- O que aconteceu com Gustavo depois da morte?
- Ele foi amparado por amigos espirituais e levado em segurança para uma das colónias que existem espalhadas em volta da Terra.
Está muito bem, preparando-se para uma nova encarnação.
Quando ele renasceu como irmão de Sofia, era para ambos resgatarem erros passados.
Sofia teria a chance de resgatar todo o mal que havia lhe feito em encarnações passadas.
Sempre houve o risco de que ela não fizesse isso, mas era preciso ser tentado.
Porém outra vez, ela não conseguiu.
- Não entendo, Gusmão, por que depois de tudo isso que ela fez, estamos aqui tentando fazer com que ela se arrependa e possa nos acompanhar?
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 15, 2017 8:12 pm

Ela não está pronta para ir a uma esfera mais alta da espiritualidade, muito menos fazer parte de uma equipe e prestar socorro.
- Sim, tem razão, Maria Rita.
Ela não está pronta, mas vocês estavam dispostos a continuarem aqui, pois não queriam deixá-la para trás, por esse motivo é que estou aqui para lhes mostrar a verdadeira Sofia e, só assim, poderem tomar essa decisão que influenciará suas vidas espirituais.
Lembre-se de que todos, bons ou maus, somos filhos de um mesmo Deus e que Ele nos ama a todos da mesma maneira e com o mesmo amor, por isso sempre nos dará todas as chances para que possamos encontrar Sua Luz.
Sofia está tendo mais uma chance, tomara que a receba com carinho.
Pedro Henrique e Maria Rita se olharam, abaixaram os olhos e fizeram uma prece, agradecendo a Deus por toda sua bondade.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 15, 2017 8:12 pm

O ERRO MAIOR
Naquele instante, sem saber o porquê, Sofia se lembrou de Gustavo e do dia da sua morte. Um arrepio percorreu todo o seu corpo.
Ela, embora não quisesse, lembrava-se dele todos os dias.
Lembrava-se do dia em que Romeu o trouxera para sua casa e da felicidade que Nadir sentiu quando pegou aquela criança no colo.
Lembrava-se de como o ensinou a ler e escrever e do ódio que sentiu no dia em que Romeu deu uma bofetada em seu rosto por ter dito que ele não era seu irmão.
Sempre que se lembrava do dia da morte dele, fazia um esforço enorme para mudar o pensamento.
Em sua opinião, ele havia sido picado por um bicho qualquer.
Se todos haviam acreditado naquilo, por que ela não acreditaria?
Sua alma doentia tentava se enganar.
Não queria ser e não se sentia responsável pela morte do menino.
Mesmo assim, enquanto andava pela casa, via vultos e à noite, sonhava com o rosto de Gustavo disforme, com a aparência de um monstro que a atacava e acusava.
Acordava suando muito e em terror.
- Era ele, Gusmão?
- Não, Gusmão estava protegido por amigos espirituais.
O que fazia com que aquelas imagens surgissem era o sentimento de culpa, a consciência culpada, pois dela, ninguém consegue escapar.
Por isso, embora ela quisesse afastar, as imagens a perseguiam a todo instante.
Naquele momento, sob a influência de Gusmão, Stela perguntou:
- Dona Sofia, fiquei sabendo que a senhora teve um irmão.
Por que não fala sobre ele?
Sofia respirou fundo, sentou-se melhor no acento do carro e sabendo que não teria como evitar a resposta, respondeu:
- Sim, tive um irmão que morreu ainda criança.
- Do que ele morreu?
Sofia, visivelmente incomodada, respondeu:
- Ele foi picado por um bicho, que não sabemos qual é.
Stela ia fazer uma outra pergunta, mas Sofia a interrompeu:
- Por favor, Stela, não quero continuar com esse assunto.
Ele me traz lembranças dolorosas e me faz mal muito mal.
Stela conhecia Sofia o suficiente para saber que deveria terminar aquela conversa.
Tornou a voltar os olhos para a estrada.
Percebendo que não havia movimento algum, começou a ler novamente.
Sofia fez o mesmo e como estava fazendo desde que o carro atolou, também voltou a ler, mas não conseguiu.
Stela, com aquela pergunta, fez com que ela se voltasse totalmente para o dia em que Gustavo morreu e ela começou a pensar:
nos dias que sucederam à morte de Gustavo, tive de ter muita força para não contar a Pedro Henrique o que havia acontecido realmente.
A única maneira que encontrei para me livrar foi ficar dentro do meu quarto, esperando o tempo passar.
Sabia que ele estava preocupado comigo e que, por isso, evitaria tocar no assunto.
- Realmente ela estava certa, Gusmão.
Eu queria me aproximar, mas achava que ela não estava em condições e que estava sofrendo muito.
Deixei os dias passarem.
- Eu acompanhei todo o seu sofrimento, meu filho.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 15, 2017 8:13 pm

Nós também, embora não fôssemos da família, sentimos muito por toda aquela tragédia que se abateu sobre a família de Sofia.
Nunca, por um minuto sequer, pensamos que ela poderia ter sido a autora de todo aquele sofrimento e de tanta maldade.
Gusmão, nem sei dizer o que estou pensando.
Estou muito abalada com todas essas revelações que está nos fazendo.
- Entendo como estão se sentindo, mas ainda não terminou, tem muito mais, Maria Rita.
- Ainda tem mais, Gusmão?
Não posso acreditar que fui tão enganado!
- Você estava apaixonado, Pedro Henrique e a paixão muitas vezes faz com que não se enxergue a realidade.
Além do mais, Sofia planeou muito bem, por isso jamais seria como não foi, desmascarada.
Lembra-se do que mais aconteceu naquele tempo?
- Sim, eu estava muito preocupado, pois Sofia não dormia bem nem se alimentava e, muitas vezes, sentia enjoos e quase desmaiava, por isso propus levá-la ao médico.
A princípio ela não queria ir, mas diante de minha insistência, fomos para a cidade.
O médico, após examiná-la, disse:
- Bem, vou precisar fazer alguns exames, mas, desde já, posso dizer que a senhora está grávida, dona Sofia.
- Sofia pareceu assustada.
Eu, sem nada perceber, achei que fosse por que ela não queria ter um filho.
Mesmo sabendo disso, não consegui esconder minha felicidade.
- Sofia, vamos ter um filho!
Já imaginou como isso vai ser bom?
A fazenda está precisando muito de uma criança!
Estou muito feliz, meu amor.
- Sofia começou a chorar, achei que fosse de felicidade, mas por tudo o que nos contou o motivo era outro, não era, Gusmão?
- Realmente Pedro Henrique, as lágrimas que ela deixou que caíssem pelo seu rosto eram por saber que aquele filho que esperava não era seu, mas de Osmar.
Você ficou fora de casa por quase dois meses e nesse tempo, ela se encontrou com Osmar quase todos os dias.
Chorou com medo de que você desconfiasse e descobrisse.
Lembra-se de que ela disse, chorando:
- Eu estava desconfiada mesmo antes de você ir viajar, só não tinha certeza.
- Eu acreditei nela, Gusmão!
Agora estou descobrindo que Maurício não é meu filho e isso para mim não têm a maior importância.
- Não poderia esperar outra coisa de você, Pedro Henrique.
Sempre foi um pai dedicado.
Amou aos dois da mesma maneira, mas Sofia não; sempre que olhava e ainda olha para Maurício, lembra-se da traição que praticou, mas como não poderia deixar de ser, culpou Osmar por isso.
Julgou-se uma vítima dele, quando na realidade sabemos que, ao contrário, ele foi o menos culpado.
- Tem razão. Mas por mais que eu queira, não consigo esquecer a felicidade que senti ao saber que ia ter um filho.
Maurício foi e ainda é, um excelente filho, dedicado e amigo, talvez toda essa amizade e dedicação tenha herdado do pai, pois embora não tenha conhecido Osmar, estou percebendo que assim como eu, também foi uma vítima de Sofia.
- Eu também, meu filho, nunca imaginei que Maurício não fosse meu neto verdadeiro e sempre o amei da mesma maneira que amei Ricardo.
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