SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 15, 2017 8:13 pm

Porém, agora que nos contou a verdade, Gusmão, entendo muita coisa que não entendia na atitude de Sofia.
- O quê, mamãe?
- Ela sempre demonstrou e nunca fez questão de ocultar a diferença com que tratava os dois.
Todo seu carinho e dedicação sempre foram para Ricardo.
Com Maurício, ela me parecia fria e distante.
Eu não entendia qual era o motivo. Hoje sei.
- Tem razão, Maria Rita.
A presença de Maurício era a lembrança de sua traição e de todos os crimes que cometeu.
- Além de matar o irmão, ela cometeu outros crimes, Gusmão?
- Infelizmente sim, Pedro Henrique.
Depois que Gustavo morreu, Sofia ficou muitos dias em seu quarto e só começou a sair depois que percebeu que seu crime não seria descoberto.
O menino foi enterrado, a missa de sétimo dia foi realizada e quase um mês se passou.
Depois disso, você voltou ao trabalho e tudo voltou a ser como antes.
Todos tinham suas obrigações para cumprir.
Você, em especial tinha muito trabalho, pois estava começando a criação de bezerros e por isso
precisava ter muito cuidado com suas mães e isso lhe tomava muito tempo.
Mas, depois que Gustavo morreu e preocupado com Sofia, procurava chegar mais cedo para poder ficar ao lado dela.
- Sim, Gusmão, eu me lembro daquele tempo, estava mesmo muito preocupado.
Lembra-se de uma tarde em que estava com Sofia sentado na varanda e viu Romeu se aproximando?
Pedro Henrique fechou os olhos para poder se lembrar daquele dia.
Após alguns segundos, respondeu:
- Sim, estou me lembrando, Gusmão.
Ele se aproximou e logo percebi que estava muito preocupado.
Assim que ele chegou perto, eu disse?
- Como está, senhor Romeu? Que surpresa!
- Ele, parecendo muito nervoso, respondeu:
- Não estou bem, não.
- Por que, aconteceu alguma coisa?
- A Nadir não está bem, estou muito preocupado, por isso vim até aqui.
Preciso ir com ela lá na cidade para ver o médico, mas acho que na carroça vai ser muito demorado e cansativo, por isso vim até aqui para ver se o senhor pode levar a gente no seu jipe.
- Sofia quando viu o pai, começou a tremer temendo que ele houvesse ido lá por ter descoberto alguma coisa.
Forçou e conseguiu que algumas lágrimas caíssem de seu rosto.
Perguntou, demonstrando uma preocupação que, na realidade, não sentia:
- O que ela tem, pai?
- Desde que Gustavo a morreu ficou muito triste, não quis mais voltar para a roça, fica o tempo todo deitada, não se alimenta e está muito fraca.
Quando cheguei a casa agora a pouco, ela estava desmaiada junto ao fogão, por isso estou aqui.
Preciso da ajuda de vocês para levá-la ao médico.
- Claro que sim, senhor Romeu!
Devia ter vindo antes!
- Vi que ela estava triste, mas achei que era por causa do Gustavo e que ia passar logo, mas não passou...
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Ave sem Ninho

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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 15, 2017 8:13 pm

- Bem, vamos agora mesmo!
Sofia, você quer ir?
- Sofia, ainda preocupada, não queria deixar você sozinho com ele. Respondeu:
- Claro que quero, Pedro Henrique!
- Está bem, vou até os fundos de a casa pegar o jipe.
- Você saiu e ela ficou sozinha com o pai.
Ele, com o olhar triste e preocupado, perguntou:
- Você está bem, Sofia?
- Ela, querendo saber se o pai desconfiava de alguma coisa, com a voz trémula respondeu:
- Estou tentando continuar minha vida pai, mas está sendo difícil, até agora não entendo como Gustavo pôde morrer.
Ele era ainda uma criança...
- Também não entendo, mas foi à vontade de Deus e contra isso, a gente não tem nada a fazer, não é mesmo?
- Também fiquei muito triste com a morte do Gustavo, mas Pedro Henrique me mostrou que de nada adianta.
Como o senhor mesmo disse, deve ter sido a vontade de Deus.
- Ela, com a mão, enxugou as lágrimas e aliviada por perceber que o pai não desconfiava do que realmente havia acontecido, disse:
- O senhor deve ter razão...
- Você voltou, Pedro Henrique e juntos, foram até a casa de Romeu.
Encontraram Nadir deitada sobre a cama.
O que menos Sofia queria era voltar para aquela casa onde havia cometido o crime, mas como sempre, pensou em tudo, sabia que se recusasse, poderia levantar suspeitas, resolveu ir.
Quando chegaram e entrara na casa, seu corpo todo tremeu ao lembrar-se do irmão, mas logo se controlou.
Nadir estava muito abatida, Sofia se aproximou.
Ao vê-la, Nadir começou a chorar, Sofia perguntou:
- O que a senhora tem, mãe?
Nadir olhou para ela e com muita dificuldade para falar, respondeu:
- Seu pai ficou preocupado à toa, Sofia... não tenho nada, só estou muito triste...
- Com a morte do Gustavo?
- Também...
- Também como, Nadir?
Tem mais alguma coisa?
- Nadir olhou para ela e respondeu:
- Não sei, Sofia... nem sei o que estou pensando...
- Você, Pedro Henrique, que acompanhou toda a conversa pensando que Nadir dizia aquilo por estar muito fraca e, portanto, sem conseguir pensar direito, disse:
- Não vamos perder tempo conversando, vamos agora mesmo para a cidade!
Sofia, prepare sua mãe, troque sua roupa.
Eu e seu pai vamos esperar lá fora.
Senhor Romeu, ainda tem aquela da boa?
Preciso tomar um trago.
- Eu disse aquilo não porque gostasse de beber, mas sabia que ele gostava e precisava, de alguma maneira, acalmá-lo.
- Vocês saíram, Sofia sentou-se na cama em que Nadir estava deitada e disse:
- Mãe, a senhora precisa se levantar, tomar um banho e trocar sua roupa.
Depois, vamos ao médico, ele vai lhe dar algum remédio e a senhora vai ficar bem novamente.
Sei o que está sofrendo por causa do Gustavo, mas nada mais pode se fazer.
Ele foi embora.
Nós estamos aqui e precisamos continuar.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 15, 2017 8:13 pm

- Estou muito triste sim, Sofia.
Gustavo era tudo o que tinha. Fico esperando que a qualquer momento ele vai entrar, feliz, trazendo os peixes que tanto gostava de pescar.
- Sei que a senhora pensa muito nele, mas agora precisa continuar vivendo e deve ficar muito feliz.
Estou grávida, vou ter um filho, mãe!
- Nadir, sem que Sofia esperasse, segurou o braço dela com muita força e disse, chorando – continuou Gusmão:
- Era disso que eu tinha medo, Sofia!
- Medo do quê, mãe?
- De quanto tempo você está grávida, Sofia?
- Sofia não esperava aquela pergunta e ficou sem saber o que responder, depois, disse:
- Não sei, mãe, não tenho certeza... não sei, mãe e não entendo por que está me fazendo essa pergunta!
- Você sabe, Sofia.
Toda mulher sabe quando está esperando um filho.
- Não sei, mas o que isso tem a ver com a minha felicidade em estar esperando uma criança?
Pedro Henrique também está muito feliz.
Por que está fazendo isso, mãe?
Não está feliz em ter um neto?
- Quando o Gustavo me disse que viu seu cavalo na casa de Osmar, aquela em que vocês iam morar depois de casados, fiquei com medo que isso se espalhasse e que todos ficassem sabendo, principalmente seu marido e pedi a ele pra não contar pra ninguém, nem mesmo pra você.
- Não estou entendendo, mãe!
O que é isso que está falando?
- Eu sei que, enquanto seu marido esteve viajando, você se encontrou várias vezes com Osmar.
Pelo tempo que ele ficou fora, se você estiver com um pouco mais de um mês, tenho certeza que essa criança que vai nascer não é filha dele, Sofia...
- Sofia começou a se desesperar quando percebeu que havia sido descoberta e que Gustavo havia contado para sua mãe.
Contudo, controlou-se rapidamente e disse:
- Mãe, isso não é verdade! Gustavo mentiu!
- Não, Sofia, ele não mentiu.
Era uma criança e falou com toda sua inocência.
Sei que estava dizendo a verdade.
- Como pode saber? Gustavo mentiu!
- Depois que ele me disse que via sempre o seu cavalo lá, eu mesma em uma tarde, fui até lá e também vi.
Você se encontrou sim, várias vezes, com Osmar.
- Ao ouvir aquilo, Sofia se desesperou mais ainda e chorando muito, disse:
- Mãe, por favor, esquece tudo isso, já passou!
Não comente com ninguém!
Sabe que, se Pedro Henrique descobrir o que aconteceu, nem sei o que pode fazer!
Foi uma loucura, mas prometo que não vai se repetir!
Por favor, mãe!
- Nadir, desolada, olhou para Sofia e também chorando, perguntou:
- Por que fez isso, Sofia?
Sei que seu marido não gosta da gente, mas gosta muito de você e faz de tudo pra que você seja feliz!
Ele não merecia que você o traísse...
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 15, 2017 8:14 pm

- Eu sei disso, mãe, mas não sei o que aconteceu!
Quando soube que o Osmar ia se casar com uma moça que tinha muito dinheiro, me desesperei e fiz essa loucura!
- Sempre o dinheiro, Sofia... sempre o dinheiro.
Por causa dele abandonou Osmar e, agora, para não perder tudo o que conseguiu, vai continuar mentindo e enganando?
- Acabou, mãe! Acabou! – Sofia disse, chorando desesperada.
- Não acabou, Sofia.
Está apenas começando...
- Acabou, mãe! Nunca mais vou ver o Osmar!
- Talvez isso seja verdade, mas sempre que olhar para essa criança que vai nascer, vai também, mesmo sem querer, se lembrar dele e de sua traição.
O melhor que tem a fazer é contar a verdade para o seu marido.
Ele é um bom homem, gosta muito de você e vai entender...
- Não posso fazer isso, mãe!
Não posso, ele nunca vai entender e vai me abandonar junto com a criança que vai nascer!
Não posso fazer isso, mãe!
- Precisa, minha filha, pois só assim tem uma chance de viver em paz.
Se você não contar, eu mesma vou ser obrigada a fazer isso...
- Sofia, desesperada e sem saber o que fazer ficou calada por um tempo.
Depois de pensar um pouco, disse:
- A senhora tem razão, mãe.
Preciso contar e vou fazer isso, mas não agora.
A senhora precisa ficar bem para, se o Pedro Henrique me abandonar, me ajudar a criar essa criança que vai nascer.
- Nadir sorriu e disse:
- Sou sua mãe, Sofia e sempre vou estar disposta a ajudar você.
Por isso, pode contar tudo ao seu marido.
Sei que ele vai perdoar o que fez, sabe que você é muito nova e por isso, se deixou levar, mas se ele não entender e abandonar você pode voltar aqui para casa.
Eu e seu pai vamos ajudar você a criar essa criança.
- Sofia respirou fundo.
Abraçou a mãe, dizendo:
- Obrigada mãe.
A senhora, como sempre, tem razão, vou fazer tudo como à senhora disse, mas não pode ser hoje.
A senhora precisa ir ao médico.
Está muito fraca, precisa tomar alguma vitamina pra ficar forte de novo.
Pedro Henrique e o pai estão aí fora esperando.
A senhora vai no médico e quando a gente voltar à noite, eu converso com o Pedro Henrique e só aí é que a gente vai ver como tudo vai ficar.
Está bem assim?
- Está bem, minha filha.
Vamos esperar com muito carinho essa criança e fazer tudo pra que seja muito feliz.
- Sofia ficou tranquila, sabia que tinha conseguido convencer a mãe de que falaria com você.
Ajudou-a a se vestir e antes de saírem, você perguntou:
- Também quer ir, Sofia, ou prefere ficar em casa?
- Ela, demonstrando preocupação, respondeu:
- Claro que quero, Pedro Henrique!
Só vou ficar tranquila quando souber que minha mãe está bem!
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 15, 2017 8:14 pm

- Sim, foi isso que aconteceu Gusmão.
Falando daquela maneira, ela me convenceu de que estava mesmo preocupada com a mãe.
- Na realidade, o que ela não queria era deixar que você e a mãe ficassem sozinhos.
Temia que a mãe, até sem perceber, deixasse escapar alguma coisa que levantasse suspeita.
Vocês foram para a cidade.
Depois que o médico examinou Nadir, disse:
- Dona Nadir, a senhora está muito fraca, vou receitar algumas vitaminas e um calmante para que possa reagir.
Lembre-se de que posso cuidar de seu físico, mas de sua alma a senhora mesma é quem tem de cuidar.
Hoje já está tarde, mas mesmo assim, vou conversar com Mauro, o farmacêutico.
Ele mora perto da minha casa.
Vou pedir que manipule a receita.
Amanhã cedo, podem vir buscar.
- Eu olhei para Nadir e depois para Sofia e disse:
- Faça isso por favor doutor e não se preocupe que amanhã, bem cedo, vou estar aqui e esperar que o remédio fique pronto.
Depois, eu mesmo levo para dona Nadir.
- Está bem, Pedro Henrique, mas preciso voltar a dizer para a senhora, dona Nadir, que este remédio é muito forte, por isso só pode tomar vinte gotas durante as refeições.
Ele vai ajudar a senhora a se livrar dessa depressão, mas isso só acontecerá se entender que tudo na vida é sempre como tem de ser.
Seu filho morreu, sei que a dor e a saudade são muito fortes, mas a vida continua.
A senhora tem seu marido e sua filha que precisam muito de carinho, além do mais, Sofia está esperando uma criança que vai encher sua vida de felicidade.
Pense nisso, dona Nadir...
- Vocês voltaram para casa, deixaram Nadir e Romeu em casa e depois, foram para a sua.
Sofia estava inquieta, você achou que era por preocupação com a doença da mãe, quando na realidade, ela estava com muito medo de perder tudo o que havia conseguido.
- Nunca poderia imaginar que ela estivesse agindo daquela maneira estranha por causa disso, Gusmão.
Achei que realmente ela estava preocupada com a mãe.
Ela não pensou em acatar o que a mãe havia dito e me contar tudo o que havia acontecido?
- Nem por um minuto, isso era o que eu mais temia.
Durante toda aquela noite, quase não dormiu e ficou imaginando uma maneira de evitar que isso acontecesse.
Pela manhã, enquanto tomavam café, ela disse:
- Pedro Henrique, o médico só levou a receita à noite para o seu Mauro, por isso acho que o remédio só vai ficar pronto lá pelas dez ou onze horas.
É muito tempo para você ficar esperando.
Acho melhor você mandar o Tião.
Ele pode ficar o tempo que for preciso.
Pela para ele trazer o remédio aqui em casa, eu vou com ele na carroça levar para minha mãe.
- Não precisa Sofia, ele mesmo pode levar.
- Eu quero ir para ver como minha mãe está.
- Tudo bem, se você quer vou conversar com ele.
- Foi o que fiz, Gusmão, conversei com Tião e ele foi para a cidade.
- Quando voltou, já era quase meio dia.
Assim que chegou, Sofia pediu para que ele lhe mostrasse o remédio.
Ele lhe deu dois vidrinhos, um com um líquido escuro e outro com líquido branco.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 15, 2017 8:14 pm

Ela pegou os vidrinhos, dizendo:
- Vou pegar um pedaço de carne para que minha mãe ou meu pai prepare para o almoço.
- Tião, sem desconfiar, sorriu e enquanto ela entrava com os vidrinhos, ficou esperando.
Logo depois ela voltou trazendo em suas mãos um pacote e os dois vidrinhos.
Foram para a casa de Romeu que, quando eles chegaram, não estava lá.
Sofia entrou e conversou com a mãe.
- Mãe, eu trouxe um pedaço de carne para o almoço e o remédio que o doutor Xavier receitou.
Precisa tomar direitinho.
Não se esqueça de que não pode ser mais de vinte gotas de cada um.
- Não vou me esquecer, Sofia.
- Quer que eu prepare o almoço?
- Não precisa, seu marido já deve estar chegando para comer.
Estou bem e vou preparar a comida do seu pai.
- Está bem, então já vou indo.
- Ela estava saindo de casa, quando Nadir perguntou:
- Já conversou com seu marido, Sofia?
- Sofia queria evitar aquela pergunta, por isso estava saindo apressada, mas diante da insistência da mãe, respondeu:
- Ainda não, mãe.
Ontem, quando o chegamos estava muito cansado, tomou um banho e adormeceu logo.
Hoje pela manhã, saiu antes de eu acordar, mas não se preocupe, vou conversar com ele.
A senhora me convenceu de que esse era o melhor caminho.
- Faça isso, Sofia, vai ser bom pra você e pro seu casamento.
- Vou fazer, mãe... estou com medo, mas vou fazer...
- Nadir sorriu, Sofia subiu na carroça onde Tião estava e foram embora.
Quando você chegou para o almoço, a primeira coisa que perguntou foi:
- O Tião trouxe o remédio, Sofia?
- Trouxe e eu fui com ele até a casa da minha mãe.
- Como ela está?
- Ela, com um ar de tristeza e preocupação, respondeu:
- Não está bem não, Pedro Henrique.
Estava chorando muito e não queria se levantar da cama, tive de brigar com ela.
- Ela se levantou?
- Depois de eu falar muito.
Quis preparar o almoço, mas ela não deixou.
Disse que ia preparar.
Prometeu que vai tomar os remédios direitinho, como o doutor Xavier mandou.
- Ela vai ficar bem, Sofia.
Isso que ela está sentindo é normal.
Afinal de contas, perdeu um filho e isso não deve ser fácil...
- Com os olhos cheios de água, ela disse:
- Vai sim, Pedro Henrique, tenho fé que isso vai acontecer logo...
- Três dias se passaram, vocês estavam tomando café quando Romeu, logo pela manhã, chegou desesperado e chorando muito.
Ao vê-lo chegando daquela maneira, você se levantou e preocupado, perguntou:
- Que aconteceu, senhor Romeu?
- Ele chorava muito, tanto que estava com dificuldade para responder.
Você se aproximou dele, colocou o braço em volta de suas costas e disse:
- Tente se acalmar para que possa nos contar o que aconteceu, parece que foi algo muito grave.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 15, 2017 8:15 pm

- Ele respirou fundo e disse:
- Hoje pela manhã quando acordei, estranhei que Nadir ainda não havia acordado.
Mexi nela e percebi que ela estava morta...
- Morta? Como? – você perguntou, abismado.
- Não sei, ela, mesmo tomando os remédios, não melhorou...
- Sofia começou a chorar e perguntou:
- O senhor tem certeza de que ela tomou mesmo o remédio, pai?
- Tomou sim, eu mesmo fiz questão de dar.
Mas acho que ela não conseguiu se livrar da tristeza que sentia.
Vocês se lembram de que o doutor Xavier disse que só os remédios não iam adiantar se ela não reagisse?
Ela não reagiu.
Meu Deus do céu, o que vou fazer agora com a minha vida?
Perdi meu filho de uma maneira idiota que nem sei como foi e agora, a minha mulher...
- Lembro-me daquele dia, Gusmão e de como Sofia chorava sem parar.
Eu não sabia qual dos dois devia consolar primeiro, pois assim como eles, não estava acreditando como tudo aquilo estava acontecendo.
Como tanta desgraça podia se abater em uma família?
- Você ficou apavorado e demorou um pouco para dizer:
- Precisamos levá-la para a cidade.
O doutor Xavier precisa vê-la e descobrir o que aconteceu.
- Sofia estremeceu e ainda chorando, perguntou?
- Vai ser preciso mesmo, Pedro Henrique?
- Vai, Sofia. Ele precisa dar o atestado de óbito.
- Não posso ir, quero ver minha mãe.
- Ela gritou desesperada e você ficou preocupado com ela.
Achava que estava daquele jeito pelo choque da morte da mãe, quando na realidade não era.
- Como não era, Gusmão?
Por que ela estava daquela maneira?
- Por medo, Pedro Henrique, por medo...
- Medo do quê, Gusmão?
- Quando Tião lhe entregou os dois vidrinhos e ela disse que ia pegar um pedaço de carne, na realidade foi pegar o veneno que havia colocado no bolo de chocolate que deu a Gustavo.
Derramou um pouco do remédio na pia do banheiro e completou com o veneno.
Ela não sabia quanto tempo ia demorar, mas arriscou.
Sabia que o veneno agiria.
Seu único medo era de que fosse descoberta.
- Ela não fez isso, Gusmão!
Ela não matou a própria mãe!
- Infelizmente fez, Maria Rita.
Estava com muito medo de que a mãe contasse para o pai aquilo que sabia.
- Meu Deus, Gusmão!
Conhecendo Sofia, custa-me acreditar.
Ela me pareceu humilde e também sempre foi muito dedicada ao Pedro Henrique...
- Ela sempre soube o que fazia.
Planeava qualquer coisa para não perder o que tinha conquistado...
- Sabemos que ela não foi descoberta.
Como isso pôde acontecer? Será que ninguém desconfiou que Gustavo e Nadir morreram de uma maneira estranha?
- Pedro Henrique, lembra-se de que resolveu ir até a cidade para pedir que o médico e o delegado viessem até a casa de Romeu?
- Sim, achei melhor para que pudessem constatar que ela estava morta e assim, pudéssemos enterrá-la.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 15, 2017 8:15 pm

- Eles foram.
A cidade era muito pequena e não havia recurso algum.
Doutor Xavier, por saber que Nadir estava muito fraca e em uma depressão profunda, não estranhou que houvesse morrido e até achou que havia sido de inanição.
- Como isso pôde acontecer, Gusmão?
- Ainda hoje existem cidades como aquela.
Pequenas, sem recursos e sem maldade, com dois soldados e um só médico para cuidar da população.
- Naquele dia, depois que foi constatada a morte de Nadir, Sofia chorou o tempo inteiro até a hora em que a mãe foi enterrada.
Foi confortada por muitas pessoas.
Eu mesmo fiquei muito preocupado e por ela estar esperando criança, tentei acalmá-la várias vezes.
Insisti para que fosse se deitar, mas ela se recusou...
- Ela não podia se afastar.
Precisava ter a certeza de que ninguém desconfiaria.
Depois do enterro, foi para casa, comeu, tomou um banho e dormiu a noite inteira.
- Não sei o que estamos fazendo aqui, Gusmão! – Pedro Henrique disse, muito nervoso.
- Estamos aqui na tentativa de que ela mude de ideia, se arrependa e confesse todos os seus crimes.
- Ela não vai fazer isso, nunca!
É um espírito embrutecido!
Mesmo que confesse, não está pronta para nos acompanhar, terá de resgatar tudo o que fez...
- Sim, Maria Rita, isso é verdade, mas quando viemos para junto dela, foi porque vocês sabiam que ela precisava de ajuda.
Queriam se sacrificar e continuar ao lado dela.
Por isso, é preciso que conheçam toda a verdade para, no fim, se ainda desejarem, continuarem com esse propósito.
- Não sei, Gusmão, continuou achando que estamos perdendo tempo.
Ela não vai mudar...
- Lembre-se, Pedro Henrique, de que todo espírito terá seu momento de lucidez.
Sofia, por mais delitos que tenha cometido, ainda é filha de um Pai amoroso e que está disposto a perdoar sempre e que para isso, dará todas as oportunidades.
Por isso, vou dizer mais uma vez, ficaremos aqui até que todos os recursos sejam usados e não reste mais esperança alguma...
- Mesmo com um espírito como o de Sofia?
- Com um espírito como o dela, principalmente.
Você não se lembra da parábola do filho pródigo ou do pastor que abandonou suas ovelhas para ir em busca de uma desgarrada?
Deus é assim, muito mais do que um pai aqui na Terra, que sempre perdoa os filhos, Ele perdoa muitas vezes mais e embora possa dar algum correctivo, estará sempre pronto para receber, com muito carinho, um filho seu perdido.
Pedro Henrique e Maria Rita levantaram a cabeça e em silêncio, fizeram uma oração.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 15, 2017 8:15 pm

OUTRA CHANCE PARA REPENSAR
Sofia, sentada dentro do carro, ao relembrar o dia em que Nadir morreu, começou a tremer.
Seu rosto foi ficando pálido e sua cabeça tombou para frente.
Sentia dificuldade para respirar.
Com esforço, tocou no braço de Stela que ao vê-la daquela maneira, muito nervosa disse:
- O que a senhora tem, dona Sofia?
- Quase sem poder falar, respondeu com a voz fraca e baixa:
- Não sei, de repente comecei a passar mal.
Estou me sentindo muito fraca.
Stela, desesperada e sem saber o que fazer, olhou para frente e para trás, na esperança de ver alguém se aproximando, mas não havia ninguém.
Maria Rita e Pedro Henrique também estranharam aquilo.
Maria Rita perguntou:
- O que ela tem, Gusmão?
- Tudo isso que conversamos se passou há muito tempo.
Sofia, no princípio, ficou com medo de ser descoberta, mas com o tempo percebeu que ninguém havia desconfiado.
Sentiu-se segura e continuou vivendo.
Ela nunca soube, mas energias pesadas grudaram-se em seu corpo.
Sempre sentiu essa ou aquela dor, mas nunca deu atenção.
Hoje está desde cedo, relembrando o passado e todos os seus crimes.
Sua energia enfraqueceu e as energias pesadas que estivessem com ela ficaram mais fortes e a estão atacando.
- Por que isso só aconteceu agora?
- O corpo é uma extensão do espírito.
Se o espírito não estiver bem, o corpo também não estará.
Sofia, ao relembrar, teve um sentimento que há muito havia esquecido. Sentimento de culpa que é o que contém maior força de destruição.
- Ela não tem como lutar contra isso?
- Tem e pode se livrar dessas energias, mas vai demorar muito para que entenda.
O sentimento de culpa acompanha um espírito que realmente cometeu algum delito ou julga ter cometido.
- Não estou entendendo.
- Muitas vezes um espírito comete algo que seja errado, mas que na realidade não é.
O simples facto de pensar que é, já o torna realidade.
A única maneira de reparar o estrago que esse sentimento pode causar é tentar remediar o que foi feito.
Algumas vezes dá; outras, como no caso de Sofia, não há como reparar, pois Gustavo e Nadir não voltarão a viver ao seu lado.
- Então, ela não tem chance alguma?
- Tem, bastaria que confessasse tudo o que praticou e se arrependesse com sinceridade, mas ela sabe que precisaria pagar aqui, na Terra, por seus crimes e isso é muito difícil de acontecer.
- E se ela não fizer isso até o dia da sua morte física?
- Infelizmente, Pedro Henrique, essas energias pesadas que a acompanham tomarão conta de seu espírito e ela será atormentada por muito tempo, até o dia em que o plano espiritual entenda que dever parar.
Será resgatada e preparada para uma nova encarnação que, como podem imaginar, não será das mais fáceis.
- A Lei é justa não é, Gusmão?
- Sim, Pedro Henrique.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Sab Abr 15, 2017 8:15 pm

Na Terra ou em outro lugar onde o espírito viva, pode haver impunidade, mas no plano espiritual, não.
A Lei se encarregará de fazer justiça e de quanto tempo vai durar, sem nos esquecermos de que sempre o espírito poderá encontrar a luz.
- Você disse que ela está envolvida por energias pesadas, mas não estamos vendo.
- Isso acontece porque nossas energias são diferentes.
Se quisermos ver, precisamos baixar nossas energias.
- Isso pode ser feito?
- Sim, vou fazer isso para que possam ver.
Gusmão fechou os olhos e, em poucos minutos, começaram a ver as energias em volta de todo o corpo de Sofia.
Eram pequenas porções de nuvens escuras no formato de flechas.
Algumas pareciam ser atiradas com muita força e iam grudando no coração de Sofia.
A cena era grotesca.
Maria Rita colocou as mãos sobre os olhos e perguntou:
- Gusmão, como ela suporta isso?
Parece que machuca!
- Neste momento, ela está sentindo muita dor e se fosse a hora de morrer, nada poderia evitar, mas olhem bem e vejam aquela pequena luz branca quase totalmente apagada.
Os dois olharam mais atentamente e viram.
Pedro Henrique perguntou, curioso:
- Que luz é aquela, Gusmão?
- Todo espírito, encarnado ou não, tem em algum lugar, alguém a quem ama e por quem é amado.
Por incrível que possa parecer, essa luz é resultado dos pedidos de Nadir, que ama Sofia com todos os seus defeitos.
Há muito tempo já lhe perdoou e quer que seja resgatada.
- Não pode ser, Gusmão! Nadir?
- Sim, Pedro Henrique, Nadir!
Ela está muito bem e tem luz que pode iluminar a nós todos.
Só conseguiu essa luz através de muito esforço, perdão e amor.
Essa pequena luz está conseguindo fazer com que as energias pesadas não fiquem muito tempo sobre Sofia.
Elas, através do amor de Nadir, são afastadas por algum tempo, mas voltam assim que Sofia relembra o que fez e não se arrepende, como está acontecendo agora, mas mesmo assim, Nadir não desiste.
Prestem atenção como à luz branca está aumentando e as pequenas flechas estão sendo retiradas.
Isso é somente o resultado do amor e perdão de Nadir.
Pedro Henrique, com a cabeça, disse que havia entendido e olhou para Sofia que ainda continuava muito branca e com dificuldade para respirar.
Perguntou:
- Ela vai morrer, Gusmão?
- Não, Pedro Henrique, se isso fosse acontecer depois de tudo o que ela fez, não estaríamos aqui e em nosso lugar estariam outras companhias que ela atraiu para o seu lado, durante toda sua vida aqui na Terra.
Por isso, se ainda estamos aqui, significa que ela ainda tem uma chance.
Esse mal-estar vai passar dentro de instantes.
Olharam para Sofia que pareceu estar melhorando.
Aos poucos, a cor de seu rosto começou a voltar e sentiu que podia respirar com mais tranquilidade.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 16, 2017 8:28 pm

Stela, muito preocupada por não saber o que fazer olhou para ela e percebeu o que estava acontecendo. Disse:
- Graças a Deus!
Parece que a senhora está melhorando, dona Sofia...
- Estou sim, o mal-estar que eu estava sentindo já passou.
- O que será que aconteceu?
- Deve ser a tensão, esta viagem está sendo muito complicada.
Aconteceu muita coisa, devo ter ficado nervosa.
Mas, agora estou bem.
Vamos torcer para que aquele homem volte logo, se é que vai voltar...
- Ele vai voltar sim, dona Sofia, mas se não voltar alguém deve passar por aqui e vai nos ajudar.
O importante é que a senhora esteja bem, fiquei muito preocupada...
Sofia, ainda fraca, começou a rir.
Stela não entendeu e perguntou:
- Por que a senhora está rindo?
O que aconteceu?
- Você disse que ficou preocupada, acredito que sim, mas o que queria mesmo era que eu morresse...
- O quê? A senhora não sabe o que está dizendo.
Por que acha que eu queria sua morte?
- Ora, Stela. Acha que não sei a imensa fortuna que tenho?
Acha que não sabe que, se eu morrer, vocês vão herdar tudo o que é meu?
- Dona Sofia, não acredito que a senhora está pensando em uma coisa como essa!
Sabe muito bem que nem o Maurício nem o Ricardo precisam do seu dinheiro!
Fiquei preocupada sim, por estarmos aqui nesse fim de mundo e por não saber o que fazer... nada além disso...
Sofia, com ironia na voz, disse:
- Está bem, Stela.
Acredito que esteja dizendo a verdade.
Stela, demonstrando muita raiva, se calou, mas pensou: sempre soube que essa mulher é uma cobra, mas nunca pensei que fosse tanto, embora ela não deixe de ter um pouco de razão.
Se morresse, o Maurício ia herdar um bom dinheiro que daria para muitas coisas, além de podermos comprar aquela casa de praia que tanto desejo.
Quando ela morrer não vai fazer falta alguma, só não quero que seja hoje sozinha comigo, aqui neste fim de mundo.
Por que, se isso acontece, vou ter de explicar o que estávamos fazendo aqui e isso não quero...
Em poucos minutos, Sofia estava bem.
Nem parecia que havia passado tão mal.
Gusmão apontou para a luz que vinha de Nadir e disse:
- Olhem a força do amor.
De todos nós, Nadir é quem se preocupa mais com Sofia.
- É difícil de se acreditar nisso, mas estou vendo acontecer, Gusmão...
- Tem razão, Maria Rita.
Amar a quem nos ama é fácil, o difícil é amar a um inimigo.
Sabendo disso, Jesus já nos disse: perdoai setenta vezes sete, não foi?
- Foi sim, Gusmão.
Ele sabia o que dizia...
- O amor, embora possa não acreditar, tem muita força.
Essa luz quando chega modifica qualquer situação.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 16, 2017 8:29 pm

O mesmo acontece com alguém que morre.
Normalmente, quando isso acontece e ela retorna para o plano, fica assustada e preocupada com aqueles que aqui ficaram e sofrem muito quando sabem que estes estão sofrendo e inconformados.
Querem voltar e ficar ao lado deles, o que pode trazer muitos transtornos para a vida do encarnado.
Por isso muitas vezes são impedidos de voltar, mas quando essa proibição se torna um problema para o recém desencarnado, ele recebe autorização para voltar, nem que seja por um período muito curto.
A simples presença ao lado daqueles que deixou, por sua energia ser diferente, causa muitos problemas.
Muitas doenças de difícil diagnóstico ou até bem diagnosticadas são causadas pela presença desses espíritos que, embora sejam amigos, sem saber ou compreender, causam muito mal.
A maioria das depressões que existem são causadas por esses espíritos.
Como sabem, quando desencarnados, levamos connosco todas as nossas qualidades e os nossos defeitos.
Se, ao desencarnarmos não aceitarmos a morte e por isso, entrarmos em depressão, continuaremos assim e aqueles de quem nos aproximarmos também, sem saber ou ter um motivo aparente, entrarão em depressão, o que poderá causar problemas muito sérios, levando algumas vezes, até ao desencarne.
- Isso pode mesmo acontecer, Gusmão?
- Sim, muito mais do que possa calcular.
O espírito desencarnado sofre muito com o sofrimento daqueles que aqui deixaram.
- Nada se pode fazer para que isso não aconteça?
- O aprendizado é longo, mas aos poucos, todos os espíritos encarnados entenderão que a morte não é um fim, pois mais cedo ou mais tarde, todos terão de morrer.
Quando isso acontecer, reencontrarão aqueles que foram na sua frente.
Aprenderão que a morte, muitas vezes, é um bem.
- Quando?
- Quando a pessoa sofre de uma doença que lhe causa muita dor ou sofrimento.
Deus, que é um Pai amoroso, manda a morte para que o espírito possa se livrar da dor e continuar evoluindo.
Quando isso acontece, o corpo que serviu de abrigo por muito ou pouco tempo para o espírito, desaparece, mas ele não.
O espírito continua na sua evolução, no seu aprendizado.
- Está dizendo que quando alguém morre, não devemos chorar nem nos desesperar?
- Mais ou menos isso.
Claro que, quando alguém morre, sentimos muita dor e sofrimento, pois estamos acostumados com aquela pessoa sempre ao nosso lado, mas se acreditarmos que a vida continua, essa dor, aos poucos, vai desaparecendo, restando somente uma saudade que sabemos, um dia passará, pois estaremos novamente ao lado daquele que se foi.
- Isso é fácil de se dizer, mas quando acontece, não é tão fácil.
Lembro-me de como fiquei triste quando a senhora, mamãe, morreu.
- Tem razão, Pedro Henrique.
Assim que me dei conta de que havia morrido, sentia muita dor no peito, como se uma lança o perfurasse.
Quando perguntei qual era o motivo, me disseram que aquelas pequenas flechas vinham do coração daqueles que eu havia deixado na Terra.
Depois de algum tempo, permitiram que voltasse para visitá-los e com tristeza constatei o quanto vocês estavam sofrendo.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 16, 2017 8:29 pm

Fiquei muito triste, não sabia o que fazer, mas Isaura, que estava me acompanhando, disse:
- Não fique assim, Maria Rita, a vida se encarregará para que todos fiquem bem.
- Como assim?
- A vida vem acompanhada de situações difíceis. O ser humano precisa continuar vivendo ou sobrevivendo, por isso, os problemas com o tempo, farão que a sua imagem ou presença vá ficando cada vez mais distante.
- Se pensarmos bem, mamãe, isso é verdade.
Depois que a senhora e o papai morreram, fiquei triste e sofri muito, mas as crianças eram pequenas, Sofia insistia para que eu me tornasse político, coisa que eu nunca quis.
Aquilo me tomou muito tempo e preocupação.
Sem perceber, acho que esqueci os dois.
Esqueci não, lembrava-me com menos frequência.
- É isso que estou dizendo Pedro Henrique, a vida nos ajuda sempre, tanto na nossa evolução como no nosso aprendizado, por isso, o espírito quando está desencarnado, sente tanta vontade de renascer para que isso possa acontecer.
- O que o encarnado pode fazer para ajudar aqueles que partiram na frente?
- Embora não possa esquecer definitivamente, sempre que se lembrar daquele que foi, embora sinta saudade, não pode sentir dor.
Deve tentar relembrar os momentos bons que passaram juntos, as coisas boas, fechar os olhos e imaginar que bolas de luz estão saindo de seu corpo e sendo enviadas para aqueles que se foram.
Essas bolas de luz encontrarão aquele a quem foram destinadas em qualquer lugar em que estejam e lhes causa um bem enorme, pois ao invés de flechas que lhe causam dor, estas se transformarão em bolas de luz que só lhes causam muita paz e felicidade.
- A espiritualidade é sabia mesmo.
- É sim, Pedro Henrique.
Tudo está sob controle e todas as chances para que o espírito possa evoluir em paz serão dadas.
Stela não sentia vontade de conversar.
Ao ver que Sofia estava bem, continuou olhando para os dois lados da estrada, na esperança de que alguém aparecesse para ajudá-las.
Sofia, embora estivesse bem, continuava preocupada com o que havia acontecido e também olhava para os dois lados da estrada com o mesmo pensamento de Stela.
Precisavam sair daquele lugar.
Já era quase uma hora da tarde, o tempo estava passando e logo a tarde chegaria e quando isso acontecesse já deveriam estar em casa.
No mesmo instante em que olharam, viram que, pela parte da frente, vinha em sua direcção o homem que havia passado por elas e dito que voltaria com ajuda.
Stela disse, eufórica:
- Olhe lá, dona Sofia, o homem voltou e está acompanhado!
- Estou vendo, Stela, já não era sem tempo.
Estou cansada de ficar aqui e temos um compromisso que não pode ser adiado.
Stela ia falar algo, mas o homem se aproximou.
Ele vinha montado em seu cavalo, mas logo atrás o acompanhava um jipe.
Ele se aproximou da janela onde Stela estava e disse:
- Eu falei que ia voltar.
Demorei um pouco porque tive de ir até a fazenda do meu compadre e fica um pouco distante, mas ele aceitou ajudar as senhoras.
As duas olharam para eles e Stela disse:
- Só posso agradecer por tanta gentileza, realmente estamos muito preocupadas e precisamos sair daqui.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 16, 2017 8:29 pm

- Não precisa agradecer, a gente está neste mundo para ajudar um ao outro, não é mesmo?
Stela sorriu.
Nunca havia pensado naquilo e, talvez se estivesse no lugar dele, teria passado sem sequer pensar em ajudar.
Teria ido embora e se esquecido dele e de seu problema.
Ele olhou para o compadre e disse:
- Acho que a gente precisa colocar as correntes aí no chassi do carro e puxar, não vai ser difícil não é compadre?
O compadre sorriu, saiu do jipe, foi até a carroceria, pegou algumas correntes e entrou na água.
Ele e o homem estavam com botas altas e, por isso, não havia perigo de se molharem.
Antes de amarrarem as correntes, o homem disse:
- Sei que as senhoras não são da cidade, por isso preciso perguntar para que lado querem que puxemos o carro.
- Por quê? – Stela perguntou.
- Por que, se seguirem em frente terão de voltar por esta mesma estrada e vão atolar novamente, por isso acho melhor puxar para trás, aí às senhoras poderão voltar por aonde vieram.
Ao ouvir aquilo, Sofia ficou muito nervosa e disse:
- Não podemos voltar, Stela!
Temos um encontro marcado.
Precisamos seguir em frente!
- Não sei, dona Sofia, esta viagem já teve tantos problemas, acho que é um aviso para que voltemos.
Além do mais, como este senhor disse, se continuarmos teremos de voltar por esta estrada e encontraremos novamente este pedaço, onde ficaremos presas outra vez...
- Não podemos voltar, Stela!
Precisamos continuar!
Senhor, não existe outra estrada por onde poderemos voltar?
- Tem, só que ela aumenta o caminho em mais de uma hora.
- Está em boas condições?
- Está, é totalmente asfaltada.
- Viu, Stela, podemos voltar por ela! Pode puxar o carro para frente, senhor.
- A senhora é quem sabe, estamos aqui só para ajudar.
Se tiver tempo, a estrada é muito boa mesmo.
Sofia, impaciente com toda aquela conversa, sorriu.
Os dois homens amarraram as correntes e em poucos instantes o carro, embora estivesse todo sujo de lama, estava livre.
Sofia e Stela sorriram aliviadas.
Os homens, também felizes, sorriram.
Stela disse:
- Muito obrigada, podem imaginar o bem enorme que fizeram.
Quanto vão cobrar pelo serviço?
- O primeiro homem, demonstrando nervosismo, respondeu:
- A gente não vai cobrar nada não moça.
A gente só está ajudando, nada mais que isso.
Agora que já estão livres, continuem sua viagem e que Deus acompanhe as senhoras.
Ao ouvir aquilo, Sofia disse, demonstrando nervosismo:
- Como não vão cobrar?
O senhor teve um trabalho imenso, foi buscar seu compadre que perdeu tempo e gastou gasolina para vir até aqui, precisam cobrar!
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 16, 2017 8:29 pm

- A gente não precisa não, dona.
O que o compadre gastou com gasolina é quase nada e o tempo à gente tem bastante.
A gente só ajudou porque as senhoras precisavam.
Deus já deu tanto pra gente, não é compadre?
O outro homem sorriu e balançou a cabeça, dizendo que sim e acenando o braço, um entrou no jipe, o outro montou no cavalo e sorrindo foram embora.
Stela e Sofia ficaram olhando-os irem embora.
Quando desapareceram totalmente, Stela, sob a influência de Gusmão, disse:
- Dona Sofia, ainda acho que devíamos voltar e deixar essa história para outro dia.
Já tivemos tantos avisos.
Acho que o que estamos fazendo está errado e de alguma maneira, Deus está tentando nos avisar e impedir.
- Stela, o que está acontecendo com você?
- Por que está perguntando isso?
- Desde que iniciamos esta viagem, fui notando que você está mudando.
- Mudando por quê?
- Está a todo o momento me contradizendo.
Você nunca foi assim, Stela!
Sempre fez tudo o que mandei e quis, sem perguntar nem pestanejar.
Não estou gostando de sua atitude!
- Não sei o que aconteceu, a senhora deve estar vendo coisas.
Não mudei, só acho que desta vez a senhora está fazendo algo que não é certo.
- O que não é certo?
- A senhora quer separar a Anita do Ricardo, acho que isso não está certo.
Eles dois se gostam muito, isso qualquer um pode ver.
A senhora tem uma raiva de Anita, que a meu ver, é sem motivo.
A senhora parece não estar preocupada com seu filho, mas sim com um ódio que parece pessoal.
Qual é na verdade o motivo de tanto ódio pela Anita?
- Não estou entendendo o que está dizendo, Stela, mas vou responder:
eu não gostei da Anita desde o primeiro dia em que a vi.
Ela é dissimulada, pedante e só faz o meu filho sofrer!
Ela não é mulher para ele!
O Ricardo merece muito mais!
- Mas foi ele quem a escolheu, dona Sofia!
Nem a senhora nem ninguém tem o direito de interferir nessa escolha!
Sofia ficou irritada e disse, quase gritando:
- Você é quem não tem o direito de interferir nas minhas decisões!
Só tem de cumprir o que quero e mando!
Sabe que a boa vida que tem deve-se ao motivo de ter se casado com Maurício, pois se não fosse isso, estaria vivendo na mesma casa onde seus pais vivem até hoje!
Naquela pobreza toda!
Por isso, vamos continuar essa viagem e fazer o que tem de ser feito.
Quanto a você, só precisa me acompanhar e não contar a ninguém, ninguém mesmo, muito menos ao Maurício, o que viemos fazer nesta viagem.
- Ele vai perguntar por que demoramos tanto.
- Invente qualquer coisa, diga que viemos até esta cidade para fazer compras.
Ele vai acreditar.
Diga que estava comigo, ele sabe que se está comigo, está com Deus! – Sofia, ao dizer isso, soltou uma estridente gargalhada.
Stela estava sem saber o que falar.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 16, 2017 8:30 pm

Sempre soube que nunca deveria enfrentar Sofia, pois com certeza, ela usaria, como usou, sua origem humilde e sua vida de luxo de agora.
Por isso, sempre fez o que ela quis, mas agora, estava se cansando.
Precisava parar com aquilo.
Ficou calada, ligou o carro, acelerou e continuaram pela estradinha, rumo à casa do tal homem.
Pedro Henrique, que acompanhava toda a conversa, balançou a cabeça em sinal de desânimo e disse:
- Não adianta insistir, Gusmão.
Sofia está completamente perdida e não mudará nunca!
Ela é má mesmo!
- Chego a concordar com você, Pedro Henrique.
Apesar de todos os avisos que teve em forma de empecilhos, não entendeu e não quis rever sua atitude.
Mas, se ainda estamos aqui, se não recebemos um aviso para voltar, é porque ainda existe uma esperança.
Vamos continuar ao lado delas e ver até onde vai essa loucura.”
- Acho que estamos perdendo tempo, mas se acha que devemos ficar, vamos fazer isso, não é mamãe?
- Sim, meu filho.
Como Gusmão já disse várias vezes, precisamos esgotar até o último recurso.
Ficaram em silêncio, olhando para a estrada.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 16, 2017 8:30 pm

O TRABALHO
Stela continuou dirigindo em silêncio, porém agora seus pensamentos estavam diferentes daqueles que tinha quando iniciou a viagem:
não deveria ter, desde o começo, tentado agradar dona Sofia.
Somente hoje estou percebendo como ela é má.
Isso tem de terminar!
Mas preciso tomar cuidado, ela assim como está fazendo com Anita, poderá fazer contra mim.
Ela tem razão, minha família é humilde e só tenho as condições de hoje por ter me casado com Maurício, mas quando me casei, eu o amava e ainda continuo amando.
Preciso me afastar dela, mas vai ter de ser aos poucos, sem que perceba, se isso for possível.
Ela me sufoca!
Sofia, por sua vez, só queria chegar o mais rápido possível e resolver aquilo que, para ela, era um tormento:
ver seu filho casado com aquela mulher.
Vinte minutos depois, entraram numa rua de uma pequena vila.
Assim que entraram, perceberam que devia haver três ou quatro ruas sem asfalto.
As casas eram simples e pequenas, embora a maioria dos terrenos parecesse ser grande.
A rua em que estavam parecia ser a principal porque havia alguns pontos de comércio.
Perguntaram e logo foram informadas do endereço do tal homem.
Seguiram as indicações e chegaram a uma das travessas da rua principal.
Sofia olhou o nome da rua e o número da casa.
Pararam o carro em frente a uma casa que, como as outras também vista de fora, parecia ser pequena.
Era cercada com arame onde foram plantadas várias trepadeiras.
Desceram do carro.
Sofia procurou uma campainha, mas não encontrou.
Bateu palmas com muita força.
Logo uma senhora apareceu.
Ela estava vestida com uma saia colorida e longa.
Vagarosamente se aproximou.
Assim que chegou ao portão, perguntou:
- Posso ajudar?
Sofia, muito nervosa, respondeu:
- Sim, temos hora marcada com o Pai Jorge.
- Acho que ele não tem ninguém marcado para esta hora.
- Tem razão, a hora estava marcada para antes do almoço, mas só conseguimos chegar agora.
- Um momento, por favor.
Assim dizendo, voltou-se e andou em direcção a casa.
Sofia e Stela ficaram olhando.
Poucos minutos depois ela voltou, abriu o portão e apontou com a mão para que entrassem.
Stela estava temerosa, embora a aparência da casa fosse boa, não sabia o porquê, mas não estava se sentindo bem.
Continuaram andando com a mulher na frente.
Chegaram à porta principal da casa, a mulher abriu a porta e se afastou para que elas entrassem.
Sofia estava ansiosa para falar com o homem.
Tinha pressa, estavam atrasadas e longe de casa.
Naquela hora, já deveria estar quase chegando em casa.
Stela também estava preocupada, sabia que sua demora seria notada por Maurício e que teria de mentir.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 16, 2017 8:30 pm

Já havia feito muito isso, mentido por causa de Sofia, mas agora não queria mais fazer isso.
Estava cansada de ter agido daquela maneira durante tanto tempo.
Precisava e queria mudar, só não sabia se conseguiria.
Entraram em uma sala que tinha apenas dois pequenos sofás.
A mulher, com a mão pediu que sentassem e esperassem.
Em seguida, abriu e entrou em uma porta.
Poucos minutos depois, voltou e ainda calada, apontou para a porta, pedindo que entrassem.
Sofia e Stela se levantaram e entraram em uma outra sala.
Esta era diferente da primeira.
Não havia móveis, apenas algumas almofadas espalhadas pelo chão.
Havia somente uma pequena mesa coberta por uma toalha vermelha com velas de várias cores e uma espécie de peneira sobre ela.
Dos dois lados da mesa havia pequenos bancos, também cobertos por um tecido vermelho.
O homem, assim que elas entraram, com a voz mansa e falando bem devagar, disse:
- Demoraram em chegar...
Stela sorriu e falou:
- Desculpe, mas a culpa não foi nossa.
Tivemos muitos problemas para chegarmos aqui, quase desistimos.
O homem riu e ainda com a voz mansa e falando devagar, disse:
- É assim mesmo que acontece com quase todas as pessoas que vêm aqui para me ver.
Elas têm uma porção de problemas.
- Por que isso acontece?
Ele sorriu com malícia e, piscando um olho, respondeu:
- Alguns espíritos que não têm o que fazer tentam impedir.
Pedro Henrique, Gusmão e Maria Rita, que também estavam lá, sorriram. Gusmão disse:
- Nisso ele tem razão, sempre tentamos impedir, mas quase nunca conseguimos.
- As energias que estão aqui, embora não possamos ver, me parecem bem pesadas, Gusmão.
Não estou me sentindo bem...
- Tem razão, Maria Rita.
Vou fazer com que possam ver o que se passa aqui.
Assim dizendo, levantou as mãos para o alto e fez uma oração.
Em poucos instantes a sala toda se iluminou.
Perplexos, viram vários vultos negros que se movimentavam de um lado para o outro sem parar.
Pedro Henrique e Maria Rita se assustaram.
Gusmão sorriu e disse:
- Não precisam se preocupar, eles não estão nos vendo.
Estamos em outra energia.
- Quem são eles?
- São as companhias que foram atraídas para cá, mas depois conversaremos sobre isso.
Agora, vamos prestar atenção naquilo que vai acontecer aqui.
Os três se voltaram para o homem e Sofia, que conversavam, o homem disse:
- Pelo que parece foi à senhora quem marcou a hora.
- Foi sim, estou com um problema muito grande e preciso de ajuda.
Pelo que me disseram, somente o senhor poderá fazer isso.
- Depende do que deseja, nem tudo consigo fazer.
- Sei que aquilo de que preciso o senhor poderá fazer.
O homem sorriu. Estava acostumado com pessoas como Sofia.
Sabia que ela, com certeza, estava lá para pedir o mal para alguém e que, para isso, faria e pagaria tudo o que fosse necessário.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 16, 2017 8:30 pm

Sorrindo, disse para Stela:
- Se a senhora não se importar, gostaria que esperasse lá fora.
Preciso conversar com esta senhora.
Stela, ao ouvir aquilo, ficou assustada.
Estava ali naquele lugar que não conhecia, sabendo o que Sofia pretendia fazer e, por isso, não queria sair dali e ficar sozinha do lado de fora.
Nervosa, olhou para Sofia e perguntou:
- Preciso sair, dona Sofia?
Sofia, que estava ansiosa para conversar com o homem, não percebeu o nervosismo e medo de Stela, respondeu:
- Se ele disse que precisa, acho bom que saia.
Não fiquei preocupada, acho que não vai demorar muito, não é mesmo, Pai Jorge?
O homem sorriu e falando mais manso ainda, respondeu:
- Não vai demorar, não senhora.
Moça pode ficar tranquila, nada de mal vai lhe acontecer.
Pode ficar na outra sala.
Minha esposa vai lhe preparar um suco.
O que menos Stela queria era ficar sozinha na outra sala e menos ainda, tomar um suco feito naquela casa, mas diante do olhar de Sofia, sem alternativa saiu, foi para a outra sala e sentou-se no sofá.
A mulher saiu e voltou logo depois, trazendo um copo com suco.
Stela, além de estar com sede, estava também com muita fome.
Havia tomado café pela manhã antes de sair de casa, mas com todo aquele atraso e a vontade de Sofia de chegar logo ali, não comeram nada durante a viagem.
Mesmo assim, disse:
- Obrigada senhora, mas não estou com sede.
A mulher, entendendo que ela estava receosa, disse:
- Não precisa ficar preocupada, neste suco só tem água, limão e açúcar.
Pode tomar sem medo.
Está calor e sei que a senhora está com sede.
Stela envergonhada, disse:
- Não estou com medo nem com sede, mas mesmo assim, para que não se ofenda, vou tomar o suco.
Pegou o copo que a mulher lhe oferecia e temerosa, tomou.
- A mulher sorriu, pegou o copo de volta e saiu pela porta por onde havia entrado.
Assim que saiu, Stela respirou fundo e ficou olhando para a porta que dava para a sala onde Sofia estava.
Lá dentro, Sofia e o homem conversavam.
Ele perguntou:
- Posso saber em que posso ajudar à senhora?
Sofia sorriu e começou a falar:
- Meu filho está casado com uma mulher que não o merece.
Ele sofre muito ao lado dela, mas não consegue se separar.
Preciso que faça algum trabalho para que isso aconteça!
Sei que pode fazer isso.
Já ouvi falar muito sobre o senhor e o seu trabalho.
- Se já ouviu falar sobre o meu trabalho, sabe que consigo sem problema algum e se é isso mesmo o que quer, seu filho vai estar separado dessa mulher bem depressa.
Sofia sorriu e disse, ansiosa:
- Claro que é!
O senhor não pode imaginar como foi difícil chegar até aqui!
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 16, 2017 8:31 pm

Só cheguei aqui porque a vontade que tenho de ver meu filho livre daquela mulher é muito grande!
- Vamos fazer isso...
- A pessoa que me falou a seu respeito disse que o senhor faz o bem e o mal também.
- Ela está certa, mas depende do que a senhora ache o que seja o mal.
- Não sei, não entendo nada disso.
- O mal e o bem caminham juntos.
Isso a senhora mesma vai poder confirmar.
- Não estou entendendo.
Como vou comprovar?
- A seu pedido, vou tentar separar o seu filho da esposa.
Não é mesmo?
- Sim, esse é o meu desejo.
- Pois bem, para muitas pessoas separar um casal pode ser considerado um mal, mas para a senhora essa separação será um bem, não é mesmo?
- Pode ter certeza que sim!
Quando isso acontecer vou ser a mulher mais feliz deste mundo!
- Está vendo, não lhe disse que o mal e o bem caminham juntos?
- Tem razão, mas o que está me interessando mesmo é saber como esse trabalho vai ser feito.
- Sendo assim, vou consultar os Orixás, eles vão dizer o que querem.
Assim dizendo, pegou algumas conchas que estavam ao lado da peneira, começou a falar uma língua que Sofia não conhecia e a jogar as conchas sobre a peneira.
Fez isso por várias vezes, depois disse:
- Já sei tudo o que é preciso fazer.
Os Orixás deram à resposta.
- Sofia não entendia nada do que estava acontecendo, mas perguntou:
- O que é preciso fazer?
O homem abriu uma gaveta que havia na mesa, tirou dela uma caderneta, uma caneta e disse:
- Enquanto eu for falando, a senhora vai anotando.
Assim dizendo, voltou a jogar as conchas sobre a peneira e a falar daquele modo estranho.
A cada jogada, ia dizendo o que era preciso e Sofia ia anotando.
Fez assim várias vezes.
Depois, parou de jogar as conchas e disse:
- Está tudo aí o que vou precisar.
A senhora me traz tudo e eu faço o trabalho.
A lista era enorme.
Nela havia pedidos de flores, velas de todas as cores, charutos, cigarros, cachaça, champanhe, farinha para que fosse feita uma farofa, pimenta vermelha, vários alguidares, galinhas pretas e de angola e por último, um bode.
Sofia leu com atenção e perguntou:
- O que é alguidar?
Nunca ouvi falar sobre isso.
- É um prato de barro para que as oferendas sejam colocadas.
Sofia continuou lendo a lista.
- É uma coisa, espero que o trabalho dê certo e que meu filho fique livre daquela mulher.
- Ele vai ficar, pode ter certeza, basta à senhora me trazer tudo o que está aí.
- Em quanto tempo?
- A senhora vai ver o resultado entre sete a vinte e um dias.
- O senhor tem certeza?
- Claro que tenho, já fiz isso várias vezes.
- Nunca fiz um trabalho como este, não sei onde comprar estas coisas e além do mais, moro longe.
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Ave sem Ninho

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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 16, 2017 8:31 pm

Se eu lhe der o dinheiro, o senhor não poderia providenciar tudo?
- Eu ia lhe falar isso mesmo.
Como sempre compro esse material e tem um fazendeiro amigo meu que faz criação de bode, posso comprar tudo e a senhora só espera o resultado.
Se não der certo pode voltar, mas sei que não vai precisar fazer isso, os meus “trabalhos” sempre dão certo.
- Espero que sim, pois se conseguir separar o meu filho daquela mulher, vou ser a pessoa mais feliz deste mundo!
- Pode ficar tranquila, vai ter o que deseja...
- O senhor sabe qual vai ser o valor?
O homem pegou de volta a caderneta que estava na mão de Sofia e, ao lado de cada item, foi escrevendo um valor.
Quando terminou, somou tudo e devolveu a caderneta para Sofia que, ao ver o resultado, disse:
- Tudo isso? É muito dinheiro!
- Pode parecer, mas não se esqueça de que para um trabalho como esse dar certo, é preciso muita coisa.
O mais caro de tudo, como pode notar, são os animais.
Sofia voltou a ler o valor e disse:
- Está bem, dinheiro para mim não é problema, mas estou notando que o senhor não colocou o valor do seu trabalho, quanto tenho de dar a mais além do que está marcado aqui?
O homem, mostrando-se ofendido, respondeu:
- Senhora, não cobro pelo meu trabalho!
Ele foi um dom que Deus me deu, por isso não posso cobrar.
Só preciso das coisas que estão na lista, foram pedidas pelos Orixás, a senhora mesma viu quando eles pediram, não foi?
Sofia na realidade não entendeu nada quando ele falava a língua estrangeira, mas diante de sua reacção, disse:
- Está bem, vou deixar o dinheiro.
Ainda bem que ontem fui até o banco.
A pessoa que me falou sobre o senhor disse mais ou menos em quanto ficava o seu trabalho.
- Então, por que estranhou quando viu o valor?
- Pensei que o meu fosse mais simples e que por isso, ficaria mais barato.
- O seu trabalho embora possa não parecer, é muito complicado, afinal estamos mexendo com duas vidas, a da sua nora e a do seu filho.
Por isso, precisa ser feito com muito cuidado e muita fé e o dinheiro tem de ser dado de boa vontade; do contrário, o trabalho não vai dar certo...
- Está bem.
Dizendo isso, abriu a bolsa, tirou uma quantidade de notas e as entregou para o homem que, sério, as colocou na gaveta e depois sorrindo, disse:
- Agora, a senhora já pode ir embora.
Assim que sair vou em busca de tudo o que está na lista e até a fazenda buscar os animais.
Hoje mesmo, depois da meia noite, vou fazer o trabalho.
- Assim espero.
- Pode esperar, tenho a certeza de que vai ficar muito feliz.
Basta esperar até vinte e um dias.
- Se isso acontecer, vou mesmo ficar muito feliz e vou voltar e lhe trazer mais dinheiro.
Pois ver meu filho separado daquela mulher não tem preço!
- Pode ficar tranquila, vai ter o seu desejo realizado.
Durante todos os anos que trabalho com isso, foram poucas as vezes que os meus trabalhos não deram certo.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 16, 2017 8:31 pm

Sorriu, levantou-se e caminhou em direcção à porta.
Sofia o acompanhou até a sala onde Stela estava esperando.
Assim que entraram, ele disse:
- Lourdes, acompanhe as senhoras até o portão.
Despediram-se.
A mulher deixou que elas saíssem na frente e as acompanhou.
Pedro Henrique e Maria Rita, abismados com tudo o que haviam presenciado, também iam sair, mas foram contidos por Gusmão, que disse:
- Esperem, a nossa presença aqui não está completa.
Eles não entenderam, mas ficaram aguardando.
O homem, assim que Stela e Sofia saíram de casa, voltou para o quarto onde tinha atendido Sofia.
Abriu a gaveta e tirou o dinheiro, contou para ver se estava certo.
A mulher após se despedir delas, voltou para a casa e foi ao encontro do marido que, ao vê-la, começou a jogar as notas para cima e a dizer, eufórico:
- Assim que vi aquela mulher entrar não imaginei que fosse tão fácil, Lourdes!
- Ela lhe deu todo esse dinheiro?
- Sim, a vontade de fazer mal para a nora era tão forte que apesar de ter reclamado um pouco nem ligou e se eu tivesse pedido, teria me dado muito mais!
A mulher é uma megera, Lourdes!
- Disse a ela como ia fazer o trabalho?
- Ela não quis saber, eu disse que precisava do dinheiro para comprar o material.
Ela abriu a bolsa e me deu tudo isto!
- Vai comprar o material?
- Claro que não!
Vou para a cidade comprar um pouco de comida e gastar todo o resto em cachaça, depois vou convidar algumas pessoas.
Hoje à noite, vai ter uma festa danada aqui em casa!
Lourdes sorriu, pegou algumas notas que estavam espalhadas pelo chão e disse:
- Antes, vou separar algum dinheiro para mim, quero comprar um sapato lindo que vi lá na loja.
- Pode pegar, tem muito e de onde esse veio, tem muito mais!
Essa mulher vai sustentar a gente por muito tempo!
Pedro Henrique olhou para a mãe, que sem entender o que estava acontecendo, perguntou:
- Ele não vai fazer o trabalho, Gusmão?
Gusmão sorriu e respondeu:
- Não, Maria Rita, ele nunca fez trabalho algum.
- Por que não?
- Porque não sabe.
Ele nunca aprendeu como fazer.
- Não estou entendendo.
Ele não representa aquela religião que é respeitada por muitos?
- Sim, representa, mas como em toda a actividade humana existem os bons, aqueles que exercem com carinho e seriedade suas funções, mas, também existem aqueles que somente exploram o nome da actividade que exercem.
Toda religião é boa.
Todas elas ensinam um caminho para se chegar a Deus, o único problema são as pessoas que as dirigem, aquelas que ensinam suas doutrinas.
Existem sim, como não poderia deixar de ser, pessoas honestas e que praticam sua religião com amor e fé, mas neste caso, é um exemplo típico daquilo que costumam chamar de mau carácter.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 16, 2017 8:31 pm

- Não estou entendendo.
Como isso pode ser possível?
- Esse homem frequentou um terreiro por algum tempo, aprendeu algumas coisas e depois se autodenominou pai-de-santo.
- Ele não é?
- Não. Essa religião foi trazida da África pelos escravos.
Ela é formada por rituais, obrigações, danças e oferendas.
Seus seguidores devotam sua fé nos Orixás, que representam as forças da Natureza.
Leva muitos anos para que uma pessoa possa se tornar Pai ou Mãe-de-Santo.
Faz obrigações, oferendas e precisa ficar vários dias confinado, aprendendo a usar a magia.
Isso não se aprende apenas frequentando ou julgando-se conhecedor.
- Ele disse que ia consultar os Orixás, mas não vi luz alguma enquanto falava aquela língua estranha.
Que língua era aquela, Gusmão?
- Não viu luz alguma ao lado dele porque ela não estava lá, assim como os Orixás, tanto uma como a outra estão distantes dele.
O que ouviram dizer também nada representa.
São algumas palavras que ele inventou, mas que na realidade, nada representam.
Ele as usa para enganar as pessoas.
- Mas as pessoas acreditam...
- Sim, porque pensam ser uma língua morta, desconhecida.
Além do mais, como poderiam dizer se é ou não, se não a conhecem?
Qual é a utilidade em se falar um idioma que ninguém conhece?
Quais são os ensinamentos que ele pode transmitir?
- Tem razão, é perda de tempo... só não entendo uma coisa...
- O quê, Maria Rita?
- Como ele consegue continuar enganando as pessoas, dizendo que os trabalhos sempre dão certo e que consegue tudo o que quer?
- Os trabalhos só darão certo se estiverem programados para isso.
- Não estou entendendo.
- Vou tentar explicar.
No caso de Anita e Ricardo, o trabalho que Sofia pensa que vai ser feito poderá até dar certo se a separação deles foi programada antes de renascerem e se eles mesmos pediram para que acontecesse, mas se isso não foi feito, nada conseguirá separá-los.
Por isso, em alguns casos, os trabalhos que ele disse ter feito deram o resultado esperado e sua fama cresceu entre aqueles que o procuram.
Estes começaram a recomendá-lo a outras pessoas.
- Mesmo usando da fé das pessoas, nada lhe acontece? Nunca vai ser descoberto?
- Talvez não pela lei humana, pois sempre que a pessoa vem até ele reclamar que aquilo que pediu e pagou para que fosse feito não deu resultado, ele diz que a culpa foi da pessoa que não acreditou e deu o dinheiro sem vontade.
A culpa é sempre dos outros, nunca dele.
Não podemos nos esquecer de que a maioria das pessoas que o procuram são como Sofia, ela vem em busca do mal e por isso, não têm a quem recorrer.
Não podem chegar à delegacia e dizer que o mal que pagou para ser feito não teve o resultado desejado.
Assim, ele continua enganando as pessoas que merecem ser enganadas.
- Nunca pensei que isso pudesse existir.
- Porém, por outro lado, não é necessário que todo esse trabalho seja feito para que a pessoa possa se ligar ao mal e trazer para sua companhia espíritos que estão perdidos ou no mal.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 16, 2017 8:32 pm

- Não estou entendendo.
- Ele pediu uma grande quantidade de material para poder ficar com o dinheiro, mas quando se deseja realmente fazer o mal, não é necessário nada disso, basta apenas se ter a intenção de que o mal aconteça.
O pensamento e o desejo do mal, embora possam não atingir a quem for dirigido, foram feitos e de acordo com a Lei de Acção e Reacção, voltarão para quem o desejou.
- É assim que acontece?
Não é preciso fazer todas essas oferendas, acender velas?
- Não, Maria Rita, não é preciso, basta somente à vontade de fazer o mal e o retorno será cobrado.
Quando pedi que olhassem a casa foi para lhes mostrar que todas essas manchas negras que viram é resultado do que esse homem ao longo do tempo tem feito e vem atraindo para o seu lado.
Embora talvez não seja castigado pela lei humana, com certeza será punido pela Lei Divina.
Essas companhias que tem agora o estarão esperando no dia de sua morte física e cobrarão o seu trabalho.
Não só por tê-las usado para o mal, mas principalmente, por ter usado o nome de uma Doutrina que ensina o caminho do bem e que é respeitada por muitos que vivem no corpo físico e outros tantos que vivem no plano espiritual.
- Estou entendendo, Gusmão.
Disse que não é preciso que o trabalho seja feito?
- Isso mesmo, Pedro Henrique, todo esse material que foi pedido para Sofia, poderia sim, ser usado par que fossem feitas oferendas para o bem, para que uma doença fosse curada ou tirar alguém do desespero momentâneo, mas tudo isso pode ser conseguido se houver uma fé segura em Deus, nosso criador e Pai amoroso.
- Está dizendo que as pessoas que seguem essa religião estão perdendo tempo, fazendo tudo errado?
- Não, estou dizendo que aquele que deseja fazer o mal não precisa acender uma vela ou colocar uma farofa ou cachaça para espírito algum.
Basta pensar em fazer o mal que o mal já estará feito, não contra aquele que ele deseja, mas a si próprio.
Para isso, existe a Lei de Acção e Reacção, que diz:
tudo o que se faz de bem ou de mal, voltará na mesma quantidade para quem fez.
Hoje presenciamos aqui, Sofia desejando que um trabalho seja feito para que Anita e Ricardo sejam separados.
Como vimos, esse trabalho não será feito, mas Sofia está em dívida, pois desejou ardentemente e esse trabalho, mesmo sem ter sido feito, será cobrado.
Durante toda a sua vida, diante dos crimes que cometeu, ela atraiu sobre si companhias que cobrarão por esse trabalho, tendo ele sido feito ou não.
- Sempre soube que nós mesmos atraímos para o nosso lado as companhias que queremos e escolhemos.
- Isso é verdade, Pedro Henrique.
Como sabemos, o espírito quando retorna para o plano espiritual, volta com todos os seus defeitos e qualidades.
Aqueles que eram bons continuam bons.
Aqueles que eram maus continuam maus, aqueles que eram depressivos continuarão em depressão.
Como sabemos que os iguais se atraem, podemos deduzir que se formos bons, atrairemos para o nosso lado espíritos igualmente bons e assim por diante.
Quando uma pessoa se sente triste e deprimida, atrai para si espíritos na mesma situação.
Por isso, todo espírito vivendo no plano espiritual ou no corpo físico precisa ficar sempre alerta com os pensamentos que tem, para poder assim, atrair para o seu lado somente espíritos bons que estarão sempre dispostos a ajudá-lo quando precisar.
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

Mensagem  Ave sem Ninho em Dom Abr 16, 2017 8:32 pm

- Sempre soube disso, mesmo quando estava no corpo físico e conhecia muito pouco sobre a espiritualidade.
Sempre me policiei para não ser injusto ou praticar qualquer coisa que fosse danosa para os demais.
- Todo espírito quando nasce leva consigo esses valores, todos sabem o que é certo e errado, pode se ver isso em lares desajustados nos quais mesmo sem uma boa educação familiar, alguns se tornam pessoas de bem.
- Com tudo o que está dizendo, Sofia está totalmente rodeada por espíritos do mal.
Por que não vemos esses espíritos?
- Como já disse em outra ocasião, estamos em uma faixa de energia diferente e se quisermos, poderemos vê-los, mas eles também se quisermos, não poderão nos ver.
- Infelizmente isso está acontecendo com ela...
- Sim, Maria Rita, infelizmente ela escolheu as companhias que quis ter ao seu lado.
Agora, vamos ao encontro de Sofia e de Stela...
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Re: SEMPRE EXISTE UMA RAZÃO / Elisa Masselli

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